CONCEITO E OBJETO DO DIREITO COMERCIAL
Alfredo Rocco define o direito comercial como todo o complexo de normas jurídicas que regula
a matéria comercial. A matéria comercial referida por Alfredo Rocco em sua definição de
direito comercial, ainda sob o império da Teoria dos Atos de Comércio, consiste, atualmente,
sob a vigência da Teoria da Empresa incorporada ao nosso ordenamento jurídico pelo Código
Civil, de 10 de janeiro de 2002, no estudo dos meios socialmente estruturados de superação
dos conflitos de interesses envolvendo empresários ou relacionados às empresas que
exploram.
Assim, pode-se conceituar o direito comercial como o complexo de normas jurídicas que
regula e disciplina a exploração da empresa e os conflitos de interesses envolvendo
empresários.
1. OBJETIVO DO DIREITO COMERCIAL
Os bens e serviços de que todos nos precisamos para viver, isto é, os que atendem às nossas
necessidades de vestuário, alimentação, saúde, educação, lazer etc., são produzidos em
organizações econômicas especializadas e negociadas no mercado. Quem estrutura essas
organizações são pessoas vocacionadas à tarefa de combinar determinados componentes (os
“fatores de produção”) e fortemente estimuladas pela possibilidade de ganhar dinheiro.
A atividade dos empresários pode ser vista como a de articular os fatores de produção, que no
sistema capitalista são quatro: capital, mão-de-obra, insumo e tecnologia. As organizações em
que se produzem os bens e serviços necessários ou úteis à vida humana são resultado da ação
dos empresários, ou seja, nascem do aporte de capital-próprio ou alheio, compra de insumos,
contratação de mão-de-obra e desenvolvimento ou aquisição de tecnologia que realizam.
Deve estruturar uma organização que produza a mercadoria ou serviço correspondente, ou
que os traga aos consumidores. Boa parte da competência característica dos empresários
vocacionados diz respeito à capacidade de mensurar e atenuar riscos.
O Direito Comercial cuida do exercício dessa atividade econômica organizada de produção
e/ou prestação de bens e serviços, denominada empresa. Seu objeto é o estudo dos meios
socialmente estruturados de superação dos conflitos de interesses envolvendo empresários ou
relacionados às empresas que exploram. As superações desses conflitos de interesse formam o
objeto da disciplina. [1]
A denominação deste ramo do direito (“comercial”) é por tradição. Outras designações Têm
sido empregadas na identificação desta área do saber jurídico (por exemplo: direito
empresarial, mercantil, dos negócios etc.).[2]
O Direito Comercial é o ramo jurídico voltado às questões próprias dos empresários, à maneira
como se estrutura a produção e negociação dos bens e serviços de que todos precisam para
viver, bem como a atividade desenvolvida (empresa). Nas Palavras de Paula A. Forgioni “o
direito comercial é uma dimensão da realidade, na qual se imiscuem fatos, regras exógenas e
endógenas, o comportamento dos agentes econômicos e ouros aspectos ligados a essa mesma
realidade; nível de um todo complexo, da estrutura social global”.[3]
[1] FORGIONI, Paula A. A evolução do direito comercial brasileiro: da mercancia ao
mercado. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2009, p. 17.
[2] MARTINS, Fran. Curso de direito Comercial. atualizadopor Carlos Henrique Abrão. 30ª
ed.Rio deJaneiro:Forense, 2006, p.15-18.
[3] FORGIONI, Paula A. a evolução do direito comercial brasileiro: Ada mercancia ao
mercado. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2009, p. 16.
Introdução
Noções
Entende-se por Direito Comercial o corpo de normas, conceitos e princípios jurídicos que, no
domínio do Direito Privado, regem os factos e as relações jurídico comerciais.
Trata-se, de um ramo de Direito Privado, por isso que cuida de relações entre sujeitos
colocados em pé de igualdade jurídica.
E é um ramo de Direito Privado Especial, já que estabelece uma disciplina para as relações
jurídicas que se constituem no campo do comércio, a qual globalmente se afasta da que o
Direito Civil, como ramo comum, estabelece para a generalidade das relações jurídicas
privadas.
O Direito Comercial é o ramo de Direito Privado que, historicamente constituído e
autonomizado para regular as relações dos comerciantes relativas ao seu comércio, e visando,
a satisfação de necessidades peculiares a este sector da vida económica, se aplica também a
outros sectores da actividade humana que se entende conveniente sujeitar à mesma disciplina
jurídica.
Adopta-se um conceito normativo, jurídico-positivo: está sujeito ao regime das normas
jurídico-mercantins aquilo que estas normas determinam que se inclui no seu âmbito de
aplicação. A delimitação do âmbito do Direito Comercial terá, pois, de basear-se nas próprias
normas jurídicas positivas, nomeadamente, nas chamadas normas qualificadoras: as que se
caracterizam como comercial certa matéria, dizendo que pessoas são comerciantes e que
negócios são comerciais.
O Direito Comercial é enformado por uma concepção essencial de liberdade de iniciativa,
liberdade de concorrência, mobilidade de pessoas e mercadorias, objecto legitimo de lucro,
internacionalismo das relações económicas.
2. Delimitações do objecto e âmbito do Direito Comercial
A primeira concepção que surgiu foi a concepção subjectivista, segundo ela, o Direito
Comercial é o conjunto de normas que regem os actos ou actividades dos comerciantes
relativos ao seu comércio.
Por seu turno, para a concepção objectivista, o Direito Comercial é o ramo de Direito que rege
os actos de comércio, sejam ou não comerciantes as pessoas que os pratiquem.
Não há sistemas puros: em ambos existem actos de comércio objectivos e regras próprias da
profissão de comerciante. E, deste modo, pode-se dizer que, na essência, a diferença entre as
duas concepções se resume a isto: no sistema subjectivista, só são comerciantes os actos
praticados por comerciantes e no exercício do seu comércio, pelo que não se admitem actos
comerciais isolados ou avulso, mormente de não comerciantes; já no sistema
objectivista, uma vez que assenta nos actos de comércio, independentemente de quem os
pratica, são também como tais considerados os actos ocasionais, mesmo que não praticados
por comerciantes ou alheios à actividade profissional de um comerciante, desde que
pertençam a um dos tipos de actos regulados na lei comercial.