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Recurso Contra Sentença de Plano de Saúde

O documento é um recurso de apelação interposto por Jarismar Jaques Gonçalves contra sentença que julgou improcedente pedido de cobertura do procedimento cirúrgico LASIK pelo plano de saúde CASSI. O recurso alega que a sentença deve ser reformada pois houve negligência do plano de saúde em não autorizar o procedimento indicado médica e clinicamente necessário para tratar a hipermetropia e astigmatismo do apelante. Além disso, o recurso requer a distribuição preventa do processo ao

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Recurso Contra Sentença de Plano de Saúde

O documento é um recurso de apelação interposto por Jarismar Jaques Gonçalves contra sentença que julgou improcedente pedido de cobertura do procedimento cirúrgico LASIK pelo plano de saúde CASSI. O recurso alega que a sentença deve ser reformada pois houve negligência do plano de saúde em não autorizar o procedimento indicado médica e clinicamente necessário para tratar a hipermetropia e astigmatismo do apelante. Além disso, o recurso requer a distribuição preventa do processo ao

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Associação de Defesa dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIRETO DA 12ª VARA CÍVEL DA CAPITAL – ESTADO DE
PERNAMBUCO

Com Gratuidade da Justiça

Processo nº 0029754-91.2016.8.17.2001 – SEÇÃO B


Apelante: JARISMAR JAQUES GONÇALVES
Apelado: CASSI – CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL

JARISMAR JAQUES GONÇALVES, já devidamente qualificado nos autos do processo em


epígrafe, vem, tempestivamente por seus advogados, devidamente constituídos conforme mandato
já anexo aos autos, com endereço na rua Henrique Dias, 145 – Boa Vista – Recife /PE, onde deverão
receber as intimações e notificações de estilo, à presença deste MM. Juízo, interpor

RECURSO DE APELAÇÃO COM PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA DE


URGÊNCIA

contra a sentença de identificador n. 16839847 com base nas razões constantes do memorial em
anexo, de modo que seja regularmente recebido e remetido à superior instância, onde haverá de ser
provido.

Nestes termos,
Pede deferimento.

Recife, 14 de fevereiro de 2017.

FLÁVIA RODRIGUES RAMOS


OAB-PE 31.681

Rua Henrique Dias, 145 - Boa Vista - Recife - PE - Fone: (81) 3423-5567 1
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EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO

Processo nº 0029754-91.2016.8.17.2001 – SEÇÃO B


Apelante: JARISMAR JAQUES GONÇALVES
Apelado: CASSI – CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL

Doutos Julgadores
Colenda Turma

RAZÕES DO RECURSO DE APELAÇÃO

I – DA TEMPESTIVIDADE

Foi cientificada, mediante intimação no PJE em 01 de fevereiro de 2017, acerca da sentença


que julgou improcedente a ação.

Irresignada com a decisão supramencionada, dentro do prazo legal vem insurgir-se contra
o aludido decisum, mediante o manejo do presente recurso apelatório.

II – DO PREPARO

Em razão do deferimento de justiça gratuita proferido pelo M.M a quo e com fundamento
no artigo 1.007, § 1º do NCPC, encontra-se o Autor/Agravante, dispensado do preparo recursal.

III – BREVE RESUMO DA LIDE

A medida judicial ora impetrada visa a proteger direito inconteste do Autor,


consubstanciando-se na utilização de assistência médica - hospitalar e auxiliares de diagnóstico e
terapia, objeto do contrato firmado com a CASSI – CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO
BANCO DO BRASIL.

O Autor é portador de hipermetropia em ambos os olhos, bem como astigmatismo. Sucede


que, o usuário tem má adaptação a óculos e lente de contato, apresentando uma crescente
dificuldade de enxergar, buscou mais uma vez assistência médica, onde após a realização de exames,
restou devidamente diagnosticado a necessidade do tratamento LASIK.

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Ocorre que, o uso de óculos não vem mais correspondendo ao seu objetivo, qual seja
enxergar e fazer suas atividades diárias sem problemas, causando assim a evolução da sua
enfermidade (hipermetropia e astigmatismo), ou seja, o quadro de saúde, a visão da autora vem se
agravando.

Esclarece-se ainda que, para o melhor tratamento da HIPERMETROPIA E ASTIGMATISMO, o


médico oftalmologista ERMANO MELO, CRM 11427 indicou como ultima alternativa, o
PROCEDIMENTO CIRÚRGICO LASIK, conforme laudo médico já anexado.

Ocorre que a Sentença proferida foi IMPROCEDENTE, O MM. Juiz não aguardou o
julgamento do agravo e ignorou toda a NEGLIGÊNCIA do plano de saúde no caso do Apelante, que
teve sua dignidade afrontada, fazendo jus, inclusive ao Dano Moral; bem como no tocante aos
Honorários Advocatícios.

Insatisfeita com esse julgado vem por meio deste apresentar suas razões para a REFORMA
DA SENTENÇA, em relação ao pedido principal, danos morais e honorários advocatícios.

IV - DA DECISÃO RECORRIDA

Conforme dispositivo abaixo transcrito, o Juízo a quo julgou improcedente a presente


demanda. Sem condenação do Réu ao pedido principal, Dano Moral e Honorários Advocatícios,
senão vejamos:

(...)
Ora, o procedimento requerido pelo autor está expressamente excluído
do contrato assinado. A cláusula 17 é clara e precisa não comportando
interpretações divergentes.
Além disso, ainda que o plano de saúde tivesse sido constituído após
1º de janeiro de 1999 e se sujeitasse às normas da ANS, não seria, segundo
àquela agência reguladora, obrigatória a realização do procedimento
requerido. Isso porque existem critérios a se observar com relação ao grau
de hipermetropia e a parte autora possui um grau muito abaixo do previsto
pela ANS para obrigar o plano de saúde a realizar a cirurgia refrativa.
Destaque-se que a atividade securitária está abrangida pelo Código
de Defesa do Consumidor. No entanto, a abusividade de uma cláusula que
exclui expressamente determinado procedimento deve ser analisada caso a
caso, não se podendo concluir pela sua ilegalidade somente pelo fato de o
contrato prever alguma exclusão de cobertura.
Ante o exposto, julgo improcedente a pretensão deduzida na inicial
e extingo o processo com julgamento do mérito.
Condeno a parte autora nas custas e honorários advocatícios que
fixo em 10%, mas mantenho a condenação suspensa, em virtude do
deferimento da justiça gratuita.

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P. R. I.

RECIFE, 19 de janeiro de 2017


Juiz(a) de Direito

Diante do exposto, O Apelante passa a demonstrar adiante os motivos pelos quais a


sentença de identificador n. 16839847 merece ser reformada, no tocante a todo teor da sentença,
por esta Colenda Câmara, uma vez que houve expressamente uma afronta aos princípios da
razoabilidade e proporcionalidade pelo Juízo a quo a partir do momento em que deixou de observar
as circunstâncias da causa e a dedicação dos advogados da Apelante no feito em comento.

Eis os fundamentos da decisão recorrida, os quais sucumbirão diante dos fundamentos


adiante expendidos.

- DAS CONSIDERAÇÕES INICIAIS

- DO AGRAVO DE INSTRUMENTO N. 450953-9 – DA LIMINAR SUBSTITUTIVA CONCEDIDA – DA


PREVENÇÃO

Ab initio, cumpre destacar que o juiz a quo não expectou o julgamento do agravo de
instrumento distribuído no dia 28 de Agosto de 2016, proferindo sentença improcedente no dia 20
de Janeiro de 2017.

Cumpre destacar que o Agravo Interno fora julgado no dia 08 de Fevereiro de 2017, julgando
procedentes os pedidos da parte Autora, perfazendo assim uma divergência nas decisões dos órgãos
julgadores na 1ª e 2ª instância.

Pelo fato da perda do objeto do agravo de instrumento pela superveniência da sentença


proferida pelo juiz de origem, por absorver o conteúdo da decisão interlocutória na qual fora
interposto o agravo de instrumento julgado procedente pela 05ª Câmara Cível, se tem como
necessário a interposição da presente apelação para confirmação do direito do Autor/apelante, e
que seja distribuída diretamente ao Exmo. Sr. Dr. Des. Agenor Ferreira De Lima Filho.

Dessa forma, resta imperioso destacar o art. 67-B do regimento interno do TJPE,
perfeitamente aplicável ao caso em testilha, vejamos:

Art. 67-B. A distribuição de mandado de segurança, de habeas corpus, de


reexame necessário, de medidas cautelares e de recurso pendente torna
preventa a competência do relator para todos os recursos e pedidos
posteriores, tanto na ação quanto na execução referente ao mesmo
processo; a distribuição do inquérito, bem como a realizada para efeito de
concessão de fiança ou decretação de prisão preventiva ou de qualquer

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diligência anterior à denúncia ou queixa, prevenirá a da ação penal, com a


devida compensação em todos os casos.)

[...] § 3º Se o recurso tiver subido por decisão do relator no agravo de


instrumento, ser-lhe-á distribuído ou ao seu sucessor.

Nesse interim, requer desde já a parte Autora que o presente recurso de apelação seja
distribuído para o Exmo. Sr. Dr. Des. Agenor Ferreira De Lima Filho ou ao seu sucessor, e
consequentemente seja deferida a Tutela Provisória de Urgência, por todos os fatos e argumentos.

- DA TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA

O Novo Código de Processo Civil, em seu artigo 294 dispõe sobre as Tutelas Provisórias,
veja-se:

Art. 294. A tutela provisória pode fundamentar-se em urgência ou


evidência.
Parágrafo único. A tutela provisória de urgência, cautelar ou antecipada,
pode ser concedida em caráter antecedente ou incidental.

Assim, restaram aprimorados tecnicamente os instrumentos que garantem ao


jurisdicionado a prestação de uma tutela efetiva, adequada e tempestiva. A partir do novo diploma, o
gênero das medidas que tenham por fim proporcionar algum tipo de providência jurisdicional, antes
da prolação da sentença, passa a ser o da tutela provisória. Esta por sua vez, a depender da
justificativa do pedido, poderá ser tutela provisória de urgência antecipada.

Registra-se que uma das modalidades em que se pode pedir a tutela de urgência de forma
incidental se dá na hipótese em que o autor, ao invés de usar o procedimento preparatório, já
apresenta de uma vez a ação principal, e pleiteia a tutela antecipada de forma incidente, junto com
a própria petição inicial, como é o caso dos autos.

No mesmo sentido, aplicam-se as seguintes regras do Novo Código de Processo Civil:

a) A tutela provisória conserva sua eficácia, mas pode a qualquer tempo ser modificada ou
revogada (caput do art. 296).

b) A tutela provisória se efetiva com observância das normas do cumprimento provisório da


sentença (art. 297, parágrafo único).

c) O Juiz pode determinar todas as medidas necessárias para a efetivação da medida de


urgência deferida (caput do art. 297). Ressalta-se que, as medidas adotadas pelo Juiz, com a
finalidade de dar efetivação à tutela provisória, não dependem de requerimento por parte do autor.

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Assim, o Juiz poderá impor multa diária por descumprimento, além de qualquer outra providência
que seja considerada adequada para o caso em análise.

d) Na decisão que conceder, negar, modificar ou revogar a tutela provisória, o Juiz deverá
motivar o convencimento de modo claro e preciso (art. 298).

No caso dos autos, torna-se imperioso a concessão da tutela de provisória de urgência,


tendo em vista a urgência em que a parte autora possui em FAZER A CIRURGIA DE DELAMINAÇÃO
CORNEANA COM FOTOABLAÇÃO ESTROMAL – LASIK NECESSÁRIO PARA A MANUTENÇÃO DA SUA
SAÚDE. Pois, o Autor/apelante necessita do tratamento solicitado pelo médico para conter o avanço
de sua enfermidade, conforme amplamente comprovado nos autos, por meio de laudo médico.

Nesse ínterim, o § 2º, do artigo 300, do NCPC, preconiza que a tutela de urgência pode ser
concedida liminarmente, sem ouvir a parte contrária. Reforçando esse dispositivo, o mesmo Diploma
Legal, no artigo 9º, em seu parágrafo único, inciso I, determina:

Art. 9º. Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja
previamente ouvida.
Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica:
I - à tutela provisória de urgência;
II - às hipóteses de tutela da evidência previstas no art. 311, incisos II e III;
III - à decisão prevista no art. 701.

Adiante, o §3º do artigo 300 prescreve que a tutela de urgência de natureza antecipatória
não poderá ser concedida quando houver perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão. Não
obstante, é possível o deferimento de medida antecipatória faticamente irreversível, quando o dano
a ser sofrido pelo requerente, caso não haja deferimento da medida, seja também irreparável, e mais
grave do que decorrerá da efetivação da medida, o que é o caso dos autos, pois, o principal objeto
tutelado na presente demanda é a VISÃO da parte autora.

Por fim, o caput do artigo 300 do NCPC estabelece:

Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos


que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco
ao resultado útil do processo.

Excelência, na presente ação a parte autora comprovou o preenchimento dos dois


requisitos para a concessão da tutela de urgência, quais sejam:

a) A PROBABILIDADE DO DIREITO, quando demonstrou a legislação e jurisprudência aplicável


ao caso em apreço, que garantem o direito invocado da parte autora.

b) O PERIGO DE DANO OU RISCO AO RESULTADO ÚTIL DO PROCESSO . Pois, o pedido foi


baseado na comprovação de perigo de dano, de forma que está provada a possibilidade de dano

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que, por sua natureza, deve ser evitado através da medida, se tratando, portanto, de perigo digno de
tutela, tendo em vista que a parte autora correrá RISCO DE PERDER A VISÃO, caso a medida não seja
efetivada. Por fim, deve-se considerar o risco ao resultado útil do processo, tendo em vista que a
tutela de urgência deve se prestar a garantir a efetividade do provimento final.

Dispõe, ainda, o CDC, em seu art. 84, parágrafo 3º, que: o juiz concederá a tutela específica
da obrigação LIMINARMENTE, desde que sendo relevante o fundamento da demanda e haja
justificado receio de ineficácia do provimento final.

Desta forma, não há dúvida de que presentes os requisitos para a concessão da tutela de
urgência, no caso em tela, a PROBABILIDADE DO DIREITO, bem como, O PERIGO DE DANO OU O
RISCO AO RESULTADO ÚTIL DO PROCESSO, haja vista a documentação comprobatória anexada
pela parte autora. E de todos os supedâneos legais invocados, a emergência que a medida requer,
DEVENDO A ASSISTÊNCIA MÉDICA/HOSPITALAR DO PROCEDIMENTO CIRÚRGICO SER FORNECIDO
AO AUTOR/APELANTE, PARA PODER SER REALIZADO O ALUDIDO TRATAMENTO.

Ainda sobre o que dispõe a concessão de tutela específica, o artigo 497 do NCPC,
determina:

Art. 497. Na ação que tenha por objeto a prestação de fazer ou de não
fazer, o juiz, se procedente o pedido, concederá a tutela específica ou
determinará providências que assegurem a obtenção de tutela pelo
resultado prático equivalente.
Parágrafo único. Para a concessão da tutela específica destinada a inibir a
prática, a reiteração ou a continuação de um ilícito, ou a sua remoção, é
irrelevante a demonstração da ocorrência de dano ou da existência de
culpa ou dolo.

Imprescindível para que se chegue ao resultado prático equivalente ao do cumprimento da


sentença, que deverá o Magistrado atuar de modo mais eficaz possível, podendo, inclusive, haver
determinação de medidas, como aplicação de MULTA DIÁRIA, a qualquer tempo,
independentemente do pedido do autor, fixando-lhe prazo razoável para o cumprimento da
obrigação.

Nesse contexto, o artigo 537 do NCPC, determina:

Art. 537. A multa independe de requerimento da parte e poderá ser


aplicada na fase de conhecimento, em tutela provisória ou na sentença,
ou na fase de execução, desde que seja suficiente e compatível com a
obrigação e que se determine prazo razoável para cumprimento do
preceito.
§ 1º O juiz poderá, de ofício ou a requerimento, modificar o valor ou a
periodicidade da multa vincenda ou excluí-la, caso verifique que:

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I - se tornou insuficiente ou excessiva;


II - o obrigado demonstrou cumprimento parcial superveniente da
obrigação ou justa causa para o descumprimento.
§ 2º O valor da multa será devido ao exequente.
§3º A decisão que fixa a multa é passível de cumprimento provisório,
devendo ser depositada em juízo, permitido o levantamento do valor após
o trânsito em julgado da sentença favorável à parte. (Redação dada pela
Lei nº 13.256, de 2016) (Vigência)
§ 4º A multa será devida desde o dia em que se configurar o
descumprimento da decisão e incidirá enquanto não for cumprida a
decisão que a tiver cominado.
§ 5º O disposto neste artigo aplica-se, no que couber, ao cumprimento de
sentença que reconheça deveres de fazer e de não fazer de natureza não
obrigacional.

Não obstante, apesar da tutela provisória de urgência ter sido indeferida pelo juízo a quo,
fora interposto agravo de instrumento de nº 450953-9, perante o Egrégio Tribunal de Justiça de
Pernambuco, no qual fora brilhantemente deferida à tutela requerida para a continuidade do
tratamento do Autor/apelante, pela turma da 05ª Câmara Cível, porém sem eficácia, tendo em vista
que a sentença fora mantida com a tutela indeferida antecedente, sendo obstáculo para o
tratamento que a parte Autora tanto necessita.

Diante de tudo o que acima se expôs, cumpre QUE SEJA CONCEDIDA, LIMINARMENTE, A
TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA ANTECIPADA, para determinar que a Empresa Ré seja compelida
ARCAR COM TODAS AS DESPESAS INERENTES AO PROCEDIMENTO CIRURGICO DE DELAMINAÇÃO
CORNEANA COM FOTOABLAÇÃO ESTROMAL – LASIK, E TUDO O QUE VIER A NECESSITAR ATÉ O SEU
TOTAL REESTABALECIMENTO, NO INTUITO DE PRESERVAR A VISÃO DO AUTOR E
CONSEQUENTEMENTE SUA SAÚDE.

V - DAS RAZÕES DE REFORMA

A Lei 8.078, de 1990 que dispõe sobre a proteção do Consumidor, no art. 83, assegura o
ajuizamento de qualquer tipo de ação, sempre que tiver em jogo e em risco o direito de um
consumidor. Com base no dispositivo supracitado, o Autor/apelante propôs a presente Ação Judicial
visando o restabelecimento do seu direito negado pela Cassi, que prestam serviços de assistência à
saúde, haja vista a ilegalidade do ato cometido pela mesma.

No caso dos autos, que se refere a uma RELAÇÃO DE CONSUMO, fica a empresa contratada
obrigada a prestar os serviços médicos suficiente à eliminação dos riscos à saúde, ao passo que o
contratante, associado, tem o dever de arcar com pagamento da contraprestação de tais serviços.

Sabe-se que o consumo depende do desenrolar da economia de mercado, e visto que os


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contratos são “instrumentos de circulação de riquezas”, o mundo globalizado não “suportaria” que
todos ensejassem uma discussão prévia entre as partes, motivo pelo que fez com que o mercado
econômico adotasse o CONTRATO DE ADESÃO. Eis que, esses podem proporcionar maior
uniformidade, rapidez, eficiência e dinamismo às relações contratuais, especialmente as de
Consumo, contudo, em contrapartida, nas entrelinhas possibilitam abusos da parte hipersuficiente
da relação.

Indubitavelmente, denota-se, que o Contrato sob comento é um CONTRATO DE ADESÃO,


cujas cláusulas inseridas não sofrem discussão prévia, pelo simples fato da parte (Autor/consumidor)
não ter acesso a seu conhecimento, ou pelo menos modificá-las às suas necessidades. Sendo, o
referido contrato deliberado de forma UNILTERAL e EXCLUSIVA pela Seguradora Ré.

Deve, portanto, serem analisados com extremo rigor, de modo a coibir práticas abusivas e
cláusulas iníquas, marginalizadas pela Lei.

- DA PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL À SAÚDE

Os fatos relatados se apresentam como materialização de uma relação jurídica estabelecida


entre as partes a partir do contrato de prestação de serviços de Assistência Médico-Hospitalar, no
qual a Ré está obrigada a prestar os serviços necessários à saúde do usuário, caracterizado como
SERVIÇO ESSENCIAL.

Há de ser ressaltada a importância que se dá à prestação de serviço médico pela


Constituição Federal nos arts. 196 e 197 da CF, donde subsume-se facilmente ser a prestação de
serviços de saúde, uma atividade essencial, devendo obedecer aos princípios constitucionais
inerentes à pessoa. Assim sendo, eventual solução de continuidade ou interrupção da execução em
caso específico deverá atender a critérios puramente técnicos.

A Carta Magna estabelece ser a saúde essencial à pessoa humana, cabendo do Estado, ou a
quem lhe substitua, a prestação adequada e suficiente à eliminação do risco. Dessa forma, é límpida
a inconstitucionalidade de qualquer norma que imponha prévia e genericamente a limitação do
fornecimento de medicamentos para tratar a saúde do paciente excluindo estes dos contratos,
independentemente do tempo ou adimplência em que se encontra o Autor/apelante.

A conduta da ré, é sem dúvida, uma afronta à Constituição, pois interrompeu uma atividade
essencial, a Assistência Médico-Hospitalar do Autor, deixando-a completamente desamparados sem
o devido tratamento em que precisa.

O art. 170 da CF/88, visando impedir desregramento no mercado de consumo, elencou a


defesa do consumidor como um princípio da ordem econômica, intencionando a proteção dos
consumidores ante o “Hércules” da lucratividade.

- DA APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR ÀS RELAÇÕES CONTRATUAIS


DECORRENTES DE PLANOS E SEGUROS DE SAÚDE
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A atual SÚMULA 469 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA ratificou o entendimento de que


se aplica o Código de Defesa do Consumidor às relações contratuais de plano de saúde, veja-se:

“Súmula 469 STJ. Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos


contratos de plano de saúde”

Conforme disposto no art. 6º, do CDC (Lei 8.078/90), são direitos básicos do consumidor à
proteção contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos ou serviços,
e a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral.

O referido dispositivo garante a proteção dos consumidores de serviços em geral,


particularmente dos serviços públicos latu sensu, abrangendo o respeito e proteção à vida, saúde e
segurança por parte dos prestadores de serviços, assegurando de maneira correlata o direito a
efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais originários das ditas relações de
consumo.

Nesse contexto, o art. 22 do Código de Defesa do Consumidor, alicerçando-se no que dispõe


o § 6º, do art. 37, da CF, determina o fornecimento de serviços adequados, eficientes, seguros quanto
aos essenciais, contínuos, impondo sua responsabilidade, pela má prestação dos ditos serviços, aos
fornecedores e comerciantes do produto ofertado.

Assim, nos termos do dispositivo legal supracitado, o descumprimento de disposição legal


pela empresa Ré, por ter como objeto de seu comércio a saúde, fere o princípio da continuidade do
serviço essencial e contínuo, acarretando danos irreparáveis à parte consumidora, que no caso do
AUTOR/APELANTE SE FAZ NECESSÁRIO A AUTORIZAÇÃO DO PROCEDIMENTO CIRÚRGICO
DENOMINADO LASIK - DELAMINAÇÃO CORNEANA COM FOTOABLAÇÃO ESTROMAL, PARA
TRATAMENTO DA SUA ENFERMIDADE, tendo em vista que se agrava com o decorrer do tempo.

O que se quer afirmar é que, ao prestar serviço de natureza contínua e essencial, na área da
saúde, originalmente de competência do Estado, a empresa deve fazê-lo INTEGRALMENTE, sem
exclusões ou limitações injustificadas, inclusive temporais, sem que possa submeter ao consumidor
restrições que não encontram fundamento legal, quiçá, de cunho moral ou ético.

Caracterizada a prestação de serviço contínuo cuja natureza é essencial à vida e a saúde do


Autor/apelante, bem como a lesão ao direito que lhe assiste, não há como negar a plena incidência
do Código de Defesa do Consumidor à relação contratual em tela.

O art. 51, da Lei 8.078/90 – Código de Defesa do Consumidor, é claro ao estabelecer a


nulidade de cláusulas que: “I – Impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do
fornecedor por vícios de qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou
disposição de direitos. (...) IV – estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que
coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou, sejam incompatíveis com a boa fé ou a
equidade.” Ou ainda a que restrinja direitos ou obrigações fundamentais inerentes à natureza do
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contrato, de tal modo a ameaçar seu objeto ou o equilíbrio contratual; se mostra excessivamente
onerosa para o consumidor, considerando-se a natureza e o conteúdo do contrato, o interesse das
partes e outras circunstâncias peculiares ao caso.

Destarte, em uma interpretação harmônica e coerente dos art. 51 e 54 e seus parágrafos do


CDC, concluímos que são NULAS de pleno direito a CLÁUSULA 17ª DO CONTRATO que limitam
EXPRESSAMENTE o direito do consumidor de forma UNILATERAL.

Outrossim é importante ressaltar, que o Código de Defesa do Consumidor exerce uma função
essencial, tendo em vista os abusos perpetrados pelos contratos de adesão, pois confere a nulidade
de cláusulas que limitam a própria essência do contrato.

Ademais, o inciso VIII do art. 6º do CDC, prescreve a inversão do ônus da prova a favor do
Consumidor, por ser a parte mais frágil do contrato firmado.

 - ROL DA ANS MERAMENTE EXEMPLIFICATIVO

Insta elucidar que o rol de procedimentos da ANS não se refere a uma tabela vinculativa, mas
de cobertura MÍNIMA OBRIGATÓRIA pelos planos de saúde. Dessa maneira, além de não se aplicar
ao contrato da autora, em virtude da irretroatividade das leis, não consiste em um rol TAXATIVO,
mas apenas um mínimo a ser seguido pelas operadoras.

É cediço que a obrigação das operadoras de saúde não se exaure ao rol descrito na
resolução normativa – Rol de Procedimentos, uma vez que, os eventos estão elencados de maneira
exemplificativa.

Neste toar é oportuno colacionar jurisprudência do Tribunal de Justiça do Rio Grande do


Norte, que perfeitamente se amolda ao caso em testilha:

APELAÇÃO CÍVEL. PLANO DE SAÚDE. CIRURGIA BARIÁTRICA POR


VIDEOLAPAROSCOPIA. INDICAÇÃO MÉDICA. ROL DA ANS. MERAMENTE
EXEMPLIFICATIVO. DANO MORAL. O rol de procedimentos da ANS não é
taxativo. Ausente exclusão expressa do procedimento indicado pelo
médico é devida a cobertura, não cabendo à operadora do plano de saúde
interferir no tipo de procedimento eleito pelo profissional. Nos contratos
em geral o mero inadimplemento não é causa de existência de danos
morais. Todavia, conforme orientação do Superior Tribunal de Justiça, no
caso específico do contrato de plano de saúde, a injusta recusa de
cobertura securitária médica enseja a presença de danos morais, na medida
em que tal conduta agrava a situação de aflição psicológica e de angústia no
espírito do segurado, o qual, ao pedir a autorização da seguradora, já se
encontra em condição de dor, de abalo psicológico e com a saúde
debilitada. A fixação da indenização por danos morais deve ser realizada

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com razoabilidade e proporcionalidade, somente sendo passível de redução


caso se distancie de tais preceitos. (TJ-MG - AC: 10702100776021001 MG ,
Relator: Estevão Lucchesi, Data de Julgamento: 28/01/2014, Câmaras Cíveis
/ 14ª CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação: 31/01/2014)

 PLANO DE SAÚDE OBRIGAÇÃO DE FAZER Procedência Cerceamento de


defesa Inocorrência Matéria controvertida exclusivamente de direito (art.
330, I, do CPC)- Recusa da seguradora em arcar com os custos advindos de
cirurgia de artroscopia do joelho com radiofrequência e transposição
tendinosa do joelho em favor da autora, beneficiária de plano coletivo
Alegação de que procedimento não inserido no rol da ANS -
Inadmissibilidade Recusa injusta, que contraria a finalidade do contrato e
representa abusividade à luz do CDC Contrato que, ademais, prevê
cobertura para artroscopia convencional Cobertura que deve abranger
tratamentos inovadores Necessidade da paciente incontroversa (portadora
de artrose patelo-femoral avançada) Interpretação contratual que deve se
ajustar ao avanço da medicina Cobertura devida Súmula 102 deste E.
Tribunal de Justiça (Havendo expressa indicação médica, é abusiva a
negativa de cobertura de custeio de tratamento sob o argumento da sua
natureza experimental ou por não estar previsto no rol de procedimentos
da ANS) - Sentença mantida Recurso improvido.(TJ-SP - APL:
40124573220138260554 SP 4012457-32.2013.8.26.0554, Relator: Salles
Rossi, Data de Julgamento: 27/11/2014, 8ª Câmara de Direito Privado, Data
de Publicação: 27/11/2014)

  Dessa forma, não há como as legislações acompanharem constantemente os avanços


tecnológicos, logo é impossível que o rol de procedimento esteja sempre em perfeita consonância
aos almejos da sociedade, por esta razão, justifica-se a determinação do referido rol ser apenas
meramente exemplificativo.

- DA JURISPRUDÊNCIA PÁTRIA QUANTO AO PROCEDIMENTO DE LASIK

Observando a jurisprudência dos tribunais pátrios encontramos o entendimento de que é


de responsabilidade dos planos de saúde em fornecer os medicamentos necessários para
manutenção de vida do paciente, inclusive o que requer na presente lide.

Abaixo trazemos aos autos algumas ementas a respeito de cancelamento de assistência à


saúde:

Processo: 71004956520 RS
Relator(a): Glaucia Dipp Dreher
Julgamento: 28/11/2014
Órgão Julgador: Quarta Turma Recursal Cível
Publicação: Diário da Justiça do dia 02/12/2014
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CONSUMIDOR. PLANO DE SAÚDE. RESSARCIMENTO DE DESPESAS COM


CIRURGIA REFRATIVA DE MIOPIA E ASTIGMATISMO. INCOMPROVADO O
RESSARCIMENTO DAS DESPESAS MÉDICAS E HOSPITALARES CUSTEADAS
PELO AUTOR. AUSÊNCIA DE CLÁUSULA DE EXCLUSÃO DA CIRURGIA
REFRATIVA. DESCUMPRIMENTO CONTRATUAL, COM INTERPRETAÇÃO
FAVORÁVEL AO CONTRATANTE HIPOSSUFICIENTE. ART. 47 DO CDC.
PRECEDENTES DAS TURMAS RECURSAIS.
Comprovado, pelo autor o pagamento de cirurgia a que foi submetido de
urgência (fls. 62/63), cabia à ré comprovar fato impeditivo, modificativo ou
extintivo do direito por este pleiteado, ônus do qual não se desincumbiu, a
teor do que preceitua o art. 333, inc. II, do CPC. Parecer Técnico (fl.51), que
não afasta cobertura obrigatória. Alegação da exclusão de tal cobertura do
contrato firmado entre as partes que não encontra respaldo no contrato de
fls. 37/50, vez que, inexistente na cláusula 40ª expressão quanto à exclusão
da cirurgia prescrita. SENTENÇA MANTIDA PELOS PRÓPRIOS
FUNDAMENTOS. RECURSO DESPROVIDO. (Recurso Cível Nº 71004956520,
Quarta Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator: Glaucia Dipp
Dreher, Julgado em 28/11/2014).

Processo: APC 20130410098829


Relator(a): GISLENE PINHEIRO
Julgamento: 12/08/2015
Órgão Julgador: 2ª Turma Cível
Publicação: Publicado no DJE : 19/08/2015 . Pág.: 129
DIREITO CIVIL. PRELIMINAR DE FALTA DE INTERESSE DE AGIR. RESCISÃO
CONTRATUAL POSTERIOR. REJEITADA. PLANO DE SAÚDE. NEGATIVA DE
COBERTURA. CIRURGIA REFRATIVA- PRK OU LASIK. PROCEDIMENTO
OBRIGATÓRIO. PREENCHIDO REQUISITOS. INADIMPLEMENTO
CONTRATUAL. SENTENÇA MANTIDA.
1. O consumidor não é obrigado a permanecer vinculado a um plano de
saúde que não atende as suas necessidades. Não há que se falar em perda
de objeto da ação pela ausência do interesse de agir, em razão de pedido
de exclusão do plano de saúde. Sendo assim, o que se está pleiteando não é
que o plano de saúde custeie procedimento médico após a rescisão do
contrato de adesão, mas sim o cumprimento de uma obrigação inadimplida
ainda durante a vigência do contrato;
2. A cirurgia refrativa – PRK ou LASIK tem sua previsão normatizada no
item 12, do Anexo II, da Resolução Normativa RN nº 338/2013 da Agencia
Nacional de Saúde – ANS. Restando demonstrado que o autor atende aos
requisitos dispostos na referida resolução, que regulamenta a cobertura
de atendimento no caso de cirurgia refrativa, a procedência do pleito é
medida que se impõe. Sentença mantida.
3. Recurso conhecido e improvido.

Apelação nº 1004325-67.2014.8.26.0565
Comarca: São Caetano do Sul
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Apelante: Sul América Seguro Saúde S/A


Apelado: SUELY APARECIDA FOLTRAN DE CARVALHO
Relator(a): Luiz Antonio Costa
Órgão julgador: 7ª Câmara de Direito Privado
Data do julgamento: 17/09/2015
Ementa: Plano de Saúde Consumidor - Negativa de cobertura
Desnecessidade de adaptação ao contrato Rol de cobertura da ANS não é
taxativo Aplicabilidade das normas do Código de Defesa do Consumidor
Súmula 469 do STJ - Recusa indevida Cirurgia refrativa de hipermetropia
associada a astigmatismo Paciente com intolerância ao uso de lentes de
contato Declaração de abusividade de cláusulas contratuais limitativas ou
obstativas das obrigações assumidas pelas operadoras de planos de saúde
Jurisprudência deste E. Tribunal de Justiça Sucumbência recíproca Recurso
parcialmente provido.

Deste modo, conforme jurisprudência acima colacionada é abusiva a negativa para o


procedimento cirurgico ora pleiteado.

– DO DIREITO À INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL SOFRIDO

De início, colaciona-se a Súmula nº. 35 do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco a


respeito da indenização por dano moral, senão, veja-se:

Súmula 35. A negativa de cobertura fundada em cláusula abusiva de


contrato de assistência à saúde pode dar ensejo à indenização por
dano moral.

A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 tornou expresso o direito à honra


e sua proteção, ao dispor, em seu artigo 5º, inciso X:

“X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem


das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material
ou moral decorrente de sua violação;” (original sem grifos).

Assim, conforme a análise fática narrada está sofrendo o Autor/apelante de danos


psicológicos decorrentes dos aborrecimentos enfrentados. A má-fé da Operadora Ré e a ilegalidade
de seu ATO ARBITRÁRIO só podem AGRAVAR ainda mais o estado de saúde do Usuário, ocasionando-
lhe DANOS IRREPARÁVEIS, negando o fornecimento do medicamento solicitado diversas vezes de
forma unilateral e abusiva.

Rezam, ainda, os dispositivos 186, 187 e 927 do Código Civil:

“Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência


ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que

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exclusivamente moral, comete ato ilícito.” (g.n.).


“Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao
exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim
econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.” (g.n.).
“Art. 927 - Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano
a outrem, fica obrigado a repará-lo.
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano,
independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou
quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano
implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.” (g.n.).

Logo, tem-se que o DANO MORAL, no caso em tela, possui CARÁTER PUNITIVO, ou seja,
deve ser imposto como forma de coibir ou limitar qualquer tipo de abuso de direito, apta a prestar
serviços essenciais como são os de saúde, diminuindo com isso, inclusive, a demanda tanto na esfera
administrativa quanto na judicial. Dessa forma, terão que agir com mais decoro e respeito à
Legislação aplicada.

O cerne da questão é a “obrigação do Estado ou de terceiro que suas vezes fizer, de proteger
a saúde do cidadão” por ser um direito constitucional essencial. Vê-se logo que a demanda não versa
sobre valores, dinheiro e interesses financeiros, mas sobre os direitos essenciais “garantidos”
constitucionalmente, ou seja, versa sobre direitos básicos, como a vida, a saúde, a moradia, a
comida, para com isso ter o cidadão direito a uma vida digna.

Assim, aquele que contra tal direito se insurgir deve sofrer consequências no mínimo
gravosas, com punições em forma de sanção, para que se possa coibir atos ilegais e arbitrários
decorrentes de abuso de direito. Talvez, assim, consiga o Judiciário, com todo seu Poder, acabar,
limitar ou diminuir o descaso e abuso sofridos por tantos cidadãos em situações semelhantes.

Ademais, a reparação por dano moral não decorre somente da negativa da assistência de
atender a solicitação médica, mas também da situação de abalo psicológico em que se encontra o
paciente, ora Autor/apelante, visto que está completamente desolado e abalado sem o tratamento
que necessita, sem contar a preocupação em saber que sua doença está em constante avanço
denegrindo sua saúde pela simples negativa da operadora em negar o procedimento cirúrgico para o
restabelecimento da saúde do autor.

Há responsabilidade em indenizar os danos decorrentes da má-prática dos serviços e


percebe-se certo que sua responsabilidade é do tipo objetiva, independendo da configuração de
culpa para fins de indenização, na forma do art. 14 do CDC (Lei 8.078/90).

Neste teor, pode-se afirmar que a responsabilidade civil adotada pelo Direito pátrio baseia-se
na existência do ato ofensivo, do dano experimentado e do nexo causal entre ato e dano. Como já
foi explicitado anteriormente, não resta dúvida que a mera exposição do AUTOR/apelante basta
para explicitar seu tormento psíquico, visto que sua saúde depende, tão somente, da autorização
para o fornecimento do remédio solicitado pelo médico assistente.
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Desta feita, está mais do que caracterizado o ato ofensivo com danos psicológicos, cuja
indenização ora se reclama.

O dano moral, que a doutrina e a jurisprudência já pacificaram independer de prova (prova


in re ipsa, depende apenas da prova do fato) foi bastante claro. Foi o menoscabo ao bem-estar
emocional e à dignidade, gerando angústia, humilhação, verdadeira lesão ao equilíbrio natural do
psiquismo do Autor/apelante.

O nexo de causalidade entre o fato e dano moral se comprova a partir do instante em que
toda aflição e humilhação (que se seguiram às negações de direito à assistência, busca do
Autor/apelante por esclarecimentos e contratação de advogados) sofridas por ambos decorreram
única e exclusivamente por culpa da Ré que, de forma ilegal e arbitrária, NEGA O PROCEDIMENTO
CIRÚRGICO DE LASIK, NO SENTIDO DE PRESERVAR A VISÃO DO AUTOR/apelante.

A atitude injustificável da Operadora Ré/apelada causou desespero, abalo emocional e


transtorno psicológico, fazendo com que só aumentasse a angústia sofrida com a exclusão ilegal. Isso
evidencia nítida má-fé da Operadora Ré, o que, por si só, já é suficiente para comprovar o nexo de
causalidade e ensejar a determinação de indenização por danos morais.

 - DO VALOR DA CONDENAÇÃO DOS DANOS MORAIS

Impende destacar que de acordo com o Novo Código de Processo Civil, em seu artigo 292,
inciso V, ficou determinado que o pleito de indenização por danos morais deve trazer o seu valor
pretendido.

Nesse ínterim, torna-se imperioso observar a orientação do Superior Tribunal de Justiça –


STJ, no que se refere à quantificação do valor da indenização por danos morais nas causas que
versam contra planos de saúde.

A indenização pelos danos morais tem sido enfrentado pelo STJ com o objetivo de atender
uma dupla função: reparar o dano para minimizar a dor da vítima, bem como, punir o ofensor, para
que o fato não se repita. Como é vedado ao Tribunal reapreciar fatos e provas e interpretar cláusulas
contratuais, o STJ trata de alterar os valores de indenizações fixados nas instâncias inferiores quando
se trata de quantia tanto irrisória quanto exagerada.

Nesse sentido, no intuito de tentar uniformizar o valor arbitrado à título de indenização por
danos morais, o STJ divulgou a seguinte tabela informativa, contendo alguns julgados:

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Não obstante, o STJ no julgamento do Recurso Especial nº. 735.750/SP, com a Relatoria do
Ministro Raul Araújo, fixou o valor da indenização por danos morais no importe de R$ 20.000,00
(vinte mil reais), como pode se observar do seguinte relatório:

No caso em exame, conforme longamente explicitado, houve dano moral


decorrente da cláusula considerada abusiva e da recusa da cobertura
securitária pela operadora do plano de saúde, no momento em que a
segurada, acometida de doença grave, que a levaria a estado terminal,
necessitava dar prosseguimento a sua internação em UTI e ao tratamento
médico-hospitalar adequado. Entende-se, pois, configurado o dano moral,
pela aflição causada à enferma.
Diante do exposto, dá-se provimento ao recurso especial, para, julgando
procedente a ação e improcedente a reconvenção:
(I) decretar a nulidade da cláusula contratual limitativa e abusiva (parágrafo
segundo da cláusula VI do contrato); e
(II) condenar a recorrida:
a) a indenizar os danos materiais, decorrentes do tratamento médico-
hospitalar que a segurada necessitou, deduzidas as despesas já suportadas
pela recorrida quando do cumprimento da liminar;
B) AO RESSARCIMENTO DOS DANOS MORAIS, NO MONTANTE DE R$
20.000,00 (VINTE MIL REAIS), com a devida incidência de correção
monetária, a partir desta data, e de juros moratórios de 0,5% ao mês até a
entrada em vigor do Código Civil de 2002 e de 1% ao mês a partir de então,
computados desde a citação; e
c) aos ônus sucumbenciais, com honorários advocatícios de 10% sobre o
valor da condenação, devidamente corrigido.

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É como voto.

Para conhecimento de Vossa Excelência, segue a Ementa do referido Recurso Especial:

CIVIL. CONSUMIDOR. SEGURO. APÓLICE DE PLANO DE SAÚDE. CLÁUSULA


ABUSIVA. LIMITAÇÃO DO VALOR DE COBERTURA DO TRATAMENTO.
NULIDADE DECRETADA. DANOS MATERIAL E MORAL CONFIGURADOS.
RECURSO ESPECIAL PROVIDO.
1. É abusiva a cláusula contratual de seguro de saúde que estabelece
limitação de valor para o custeio de despesas com tratamento clínico,
cirúrgico e de internação hospitalar.
2. O sistema normativo vigente permite às seguradoras fazer constar da
apólice de plano de saúde privado cláusulas limitativas de riscos adicionais
relacionados com o objeto da contratação, de modo a responder pelos
riscos somente na extensão contratada. Essas cláusulas meramente
limitativas de riscos extensivos ou adicionais relacionados com o objeto do
contrato não se confundem, porém, com cláusulas que visam afastar a
responsabilidade da seguradora pelo próprio objeto nuclear da
contratação, as quais são abusivas.
3. Na espécie, a seguradora assumiu o risco de cobrir o tratamento da
moléstia que acometeu a segurada. Todavia, por meio de cláusula limitativa
e abusiva, reduziu os efeitos jurídicos dessa cobertura, ao estabelecer um
valor máximo para as despesas hospitalares, tornando, assim, inócuo o
próprio objeto do contrato.
4. A cláusula em discussão não é meramente limitativa de extensão de
risco, mas abusiva, porque excludente da própria essência do risco
assumido, devendo ser decretada sua nulidade.
5. É de rigor o provimento do recurso especial, com a procedência da ação
e a improcedência da reconvenção, o que implica a condenação da
seguradora ao pagamento das mencionadas despesas médico-hospitalares,
a título de danos materiais, e dos danos morais decorrentes da injusta e
abusiva recusa de cobertura securitária, que causa aflição ao segurado.
6. Recurso especial provido.
(REsp 735.750/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado
em 14/02/2012, DJe 16/02/2012)

O valor a ser estipulado em sede de sentença para fins de indenização exige do magistrado a
observação de parâmetros importantes, tanto quanto distintos dos parâmetros utilizados para fins
de apuração do valor da indenização a ser apurada em ação que busque indenização por danos
materiais.

Desta sorte, o ofensor tem que efetivamente sentir o constrangimento legal que lhe é
imposto via condenação indenizatória por perdas e danos morais causado ao ofendido. O ofensor
tem que perceber, via indenização, o caráter punitivo da mesma, sem o que estará pronto a agredir,
a desrespeitar a esfera moral de tantos quanto acredite que deva.

Por outro lado, a quantia a ser estipulada para fins de indenização tem que ser de tal monta
que cause no ofendido o prazer interior supostamente equivalente ao constrangimento que tenha
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lhe causado o ato ilícito praticado pelo ofensor. Só assim, estará se dando pela via judicial a
reparação perseguida a título de dano moral.

A estipulação de um valor que não revele em si efetiva punição ao ofensor, ainda que seja a
sentença para considerar procedente a Ação proposta, mais agravará os danos morais do que os
reparará, pois que estará a mostrar à sociedade, ao ofendido e principalmente ao próprio ofensor, o
desleixo e o pouco valor que foi dado aos direitos de personalidade do ofendido, direito à honra e a
moral, nas palavras de JOSÉ AFONSO DA SILVA, "direitos fundamentais do homem", quando se sabe
serem estes os direitos mais caros a qualquer indivíduo.

Portanto, o sofrimento causado à parte autora, quando teve seu direito violado,
evidentemente, trouxe enormes prejuízos para si. Assim, vem a parte autora, estabelecer o valor de
R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a ser arbitrado, por Vossa Excelência, à título de indenização pelos
danos morais sofridos.

- DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS

Importante se faz mencionar que com o advento do Novo Código de Processo Civil, foi
abolida a compensação de honorários sucumbenciais conforme se observa no art. 85, §14  do
NCPC:
 
“Art. 85. (omissis)
§14.  Os  honorários  constituem direito do advogado e têm natureza
alimentar, com os mesmos privilégios dos créditos oriundos da
legislação do trabalho, sendo vedada a compensação em caso de
sucumbência parcial.(...)”
 
O referido dispositivo legal além de estabelecer a natureza alimentar
dos honorários advocatícios, não admite a compensação dos honorários em caso de sucumbência
recíproca.
 
A inclusão de tal dispositivo demonstra a evolução do direito processual civil pátrio que,
a partir do Novo CPC, reconhece efetivamente a importância do advogado que, segundo a
Constituição Federal “é indispensável à administração da justiça” (artigo 133). Isto porque, ao
vedar a compensação, o Novo Código assegura ao advogado o direito de
receber honorários outrora negados.

A inclusão de tal dispositivo demonstra a evolução do direito processual civil pátrio que, a
partir do Novo CPC, reconhece efetivamente a importância do advogado que, segundo a
Constituição Federal “é indispensável à administração da justiça” (artigo 133). Isto porque, ao
vedar a compensação, o Novo Código assegura ao advogado o direito de receber honorários
outrora negados.

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 Ademais, do exame dos autos denota-se que o trabalho profissional apresentado pelos
advogados nada deixa a desejar, tendo os patronos do Apelante realizado trabalho árduo e
incisivamente para demonstrar a ocorrência de abusividade no comportamento da Apelada.
 
O trabalho do advogado é um dos mais complexos, pois tem o profissional do direito a
missão de conjugar a lei e a jurisprudência ao caso concreto, e o trabalho adicional de conseguir
formar firme convicção do juiz da causa, com vistas ao êxito da defesa dos interesses de seu
cliente. Além disso, o advogado, ao assumir um processo, está sujeito a se responsabilizar pelos
interesses de seu cliente por anos a fio, o que denota a necessidade de se remunerar
condignamente o advogado.
 
Ressalta-se também que a demanda em questão refere-se à matéria de conhecimento
técnico e específico aprofundado, exigindo significativo empenho de seus patronos, além de
acarretar relevante importância para todos os usuários/consumidores da federação.
 
Data vênia, o magistrado ao sentenciar não se atentou a vedação legal contida no novo
código de processo civil, nem aos trabalhos desenvolvidos pelos profissionais e a
responsabilidade desenvolvida pelos patronos, além do tempo exigido para o serviço, sob pena de
violação do princípio da justa remuneração do trabalho exercido, quando condenou a parte
Autora ao pagamento dos honorários no presente caso.
 
O CPC determina que os  honorários devem ser fixados consoante apreciação
equitativa do juiz, atendidas as normas das alíneas I, II, III e IV, do § 2º do art. 85 do CPC que
estabelecem a verificação de alguns requisitos, senão vejamos:
 
“Art. 85 [...]
§ 2o Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de
vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico
obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da
causa, atendidos:
I - o grau de zelo do profissional;
II - o lugar de prestação do serviço;
III - a natureza e a importância da causa;
IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu
serviço.”

Ao analisar os autos resta evidente a eficiente atuação dos patronos do Apelante no


referido processo, o que demonstra por si só dedicação para provimento da lide, e, nesse
momento, a procedência da demanda.
 
Além disso, conforme demonstrado alhures, a presente demanda exigiu grande
atividade dos patronos, em razão de sua alta complexidade e URGÊNCIA, sendo seu objeto a
proteção à saúde e vida da Autora, e assim, todo tipo de serviço prestado com agilidade e
presteza. 
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  Neste contexto, nos termos do disposto no artigo 86, parágrafo único, do Novo Código
de Processo Civil, entende que a parte que fora sucumbente em maior pedaço, responde pelo
pagamento integral das custas, despesas processuais e honorários advocatícios. Segue abaixo a
transcrição do referido dispositivo legal: 
Art. 86.   [...]
Parágrafo único.  Se um litigante sucumbir em parte mínima do pedido,
o outro responderá, por inteiro, pelas despesas e pelos  honorários.
 
(Destaques de hoje)

Diante do exposto, requer-se a CONDENAÇÃO DO RÉU AO PAGAMENTO DOS HONORÁRIOS


ADVOCATÍCIOS, devendo a Ré/ora Apelada ser condenada no
pagamento dos honorários advocatícios, estes a base de 20% sobre o valor da condenação ou
causa.

VI - DOS REQUERIMENTOS FINAIS

Destarte, requer seja admitido e provido o presente recurso de Apelação, pelos fatos e
fundamentos esposados, de modo que seja integralmente reformada a decisão guerreada, para:

1. Deferir preliminarmente que o presente recurso seja distribuído para o Exmo. Sr. Dr. Des.
Agenor Ferreira De Lima Filho ou ao seu sucessor, e consequentemente CONCEDER A TUTELA
PROVISÓRIA DE URGÊNCIA ANTECIPADA para COMPELIR A RÉ/apelada A AUTORIZAR O
PROCEDIMENTO CIRURGICO DE DELAMINAÇÃO CORNEANA COM FOTOABLAÇÃO ESTROMAL –
LASIK, e tudo que vier a necessitar até seu total reestabelecimento, sem qualquer restrição ou
exclusão, MANTENDO O SERVIÇO ESSENCIAL A SUA SAÚDE.

2. No Mérito, seja julgada inteiramente PROCEDENTE a presente AÇÃO, confirmando-se A


TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA ANTECIPADA, para CONDENAR A CASSI/apelada A AUTORIZAR
O PROCEDIMENTO CIRURGICO DE DELAMINAÇÃO CORNEANA COM FOTOABLAÇÃO ESTROMAL –
LASIK, e tudo que vier a necessitar até seu total restabelecimento, sem qualquer restrição ou
exclusão. E também declarar a NULIDADE da cláusula 17 do contrato por ser abusiva.

3. E ainda, que seja a Empresa Ré condenada a indenizar a parte autora por danos morais,
decorrentes do ato ilícito perpetrado, de acordo com o art. 6º, VI e art. 14, ambos do CDC, c/c o art.
186 do CC. De forma que, seja arbitrado o valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), à título de
indenização por danos morais, com fulcro no art. 292, V, do NCPC.

4. Por fim, condenar a parte Ré ao ressarcimento das despesas e custas processuais, nos termos
do artigo 82, § 2º e art. 84, ambos do NCPC. Bem como, condenar a parte Ré ao pagamento de
honorários advocatícios sucumbenciais, nos termos do art. 85, §§ 2º e 14, do NCPC.

Agindo desta forma Vossas Excelências estarão atuando de modo permitir o alcance dos
objetivos maiores do direito, da verdade e obtendo a mais lídima justiça.
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Associação de Defesa dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde

Nestes Termos
Pede e Espera Deferimento.
Recife, 14 de fevereiro de 2017.

FLÁVIA RODRIGUES RAMOS


OAB-PE 31.681

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