INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO ESPÍRITO
SANTO
ENGENHARIA MECÂNICA
CIDMAR MOREIRA ANDRADE JUNIOR
ENZO VICTORIO ANDRADE
LUCAS SARTORIO DIIRR
PEDRO HENRIQUE MEDEIROS CARLETE
PHYETRO BETTCHER CASTEGLIONE
RYAN LUIZ DA SILVA OLIVEIRA
THIAGO GOMES ZANETTE
THIAGO THOMPSON BARBOSA
PROJETO DE UMA MÁQUINA DE NEWCOMEN
CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM
2020
CIDMAR MOREIRA ANDRADE JUNIOR
ENZO VICTORIO ANDRADE
LUCAS SARTORIO DIIRR
PEDRO HENRIQUE MEDEIROS CARLETE
PHYETRO BETTCHER CASTEGLIONE
RYAN LUIZ DA SILVA OLIVEIRA
THIAGO GOMES ZANETTE
THIAGO THOMPSON BARBOSA
PROJETO DE UMA MÁQUINA DE NEWCOMEN
Trabalho apresentado à disciplina de Máquinas
Térmicas do curso de Graduação em Engenharia
Mecânica do Instituto Federal do Espírito Santo,
como critério parcial para avaliação.
Orientador: Prof. MsC. Hilton Moulin Caliman.
CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM
2020
RESUMO
A primeira máquina térmica (eolípila) que demostrou o potencial do vapor teve seu
surgimento em 150 A.C, construída por Héron de Alexandria. Desde então, estudos
sobre tais dispositivos que convertem energia química de combustíveis em energia
térmica e se utilizam desta energia para produzir trabalho útil vem sendo
aprofundados. A partir disso, o presente trabalho tem como objetivo a elaboração de
um projeto de uma bomba a vapor funcional, tomando como base a máquina térmica
de Thomas Newcomen, a qual deve transportar água de um reservatório até um outro
em um plano mais elevado. Foi realizada uma breve revisão bibliográfica a respeito
da história das máquinas térmicas e em seguida foram apresentados os materiais e
métodos utilizados em cada fase do projeto assim como os cálculos envolvidos na
execução deste.
Palavras chaves: Máquina Térmica, Bomba a Vapor.
ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 1 - Imagem e representação de uma Eolípila ................................................... 6
Figura 2 - Máquina a vapor de Thomas Savery .......................................................... 7
Figura 3 - Máquina a vapor de Thomas Savery .......................................................... 9
Figura 4 - Máquina a vapor de Thomas Newcomen .................................................. 10
Figura 5 - Esquema 2D ............................................................................................. 11
Sumário
ÍNDICE DE FIGURAS ................................................................................................. 4
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................. 5
2. DESENVOLVIMENTO ...................................................................................... 6
2.1. Objetivo ......................................................................................................... 6
2.1.1. Objetivo Geral ........................................................................................ 6
2.1.2. Objetivo Específico ............................................................................... 6
2.2. História .......................................................................................................... 6
2.2.1. História das Máquias Térmicas ............................................................ 6
2.2.2. História da Maquina de Newcomen ...................................................... 9
2.3. Projeto ......................................................................................................... 11
2.4. Materiais...................................................................................................... 12
2.5. Método ........................................................................................................ 12
2.6. Cálculos e Resultados ............................................................................... 13
2.6.1. Caldeira ................................................................................................ 13
2.6.2. Bomba .................................................................................................. 14
2.6.3. Conjunto Cilindro Pistão ..................................................................... 15
2.6.4. Análise dos Resultados ...................................................................... 16
3. CONCLUSÃO ................................................................................................. 17
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 18
5
1. INTRODUÇÃO
A primeira máquina térmica (eolípila) que demostrou o potencial do vapor teve seu
surgimento em 150 A.C, construída por Héron de Alexandria (SPEAR, 2008). Desde
então, estudos sobre tais dispositivos que convertem energia química de combustíveis
em energia térmica e se utilizam desta energia para produzir trabalho útil vem sendo
aprofundados (RAJPUT, 2005).
O primeiro projeto de uma máquina térmica foi idealizado por Thomas Savery, com o
objetivo de retirar águas das minas de carvão. A máquina usava o princípio de criação
de pressão negativa, gerando vapor em um cilindro fechado e logo em seguida o
condensando (TANN, 1978). Thomas Newcomen aplicou uma série de adaptações na
máquina de Thomas Savery, a fim de bombear a água que se acumulava nas minas
até a superfície (SANTOS, 2012).
A máquina de Newcomen também ficou conhecida como máquina atmosférica, por
usar a variação de pressão do sistema em relação a pressão atmosférica do planeta,
para subir a água até a superfície. A primeira máquina foi instalada em 1972,
desencadeando mudanças significativas na mineração, que até então utilizava
animais para puxar barris de água do fundo das minas (STOWERS, 2014).
O presente trabalho consiste em desenvolver uma bomba a vapor funcional baseada
na máquina térmica de Thomas Newcomen com o objetivo de levar no mínimo 1 L de
água a partir de um reservatório até um outro reservatório em um plano mais elevado
utilizando uma caldeira com válvula de segurança para a geração do vapor que irá
fornecer energia à máquina.
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2. DESENVOLVIMENTO
2.1. Objetivo
2.1.1. Objetivo Geral
Projetar uma bomba a vapor funcional, que leve no mínimo 1 L de água a partir de um
reservatório até um outro reservatório em um plano mais elevado.
2.1.2. Objetivo Específico
• Desenvolver uma máquina térmica que utilize uma caldeira com válvula de
segurança para a geração de vapor.
• Apresentar os detalhes de operação e funcionamento da bomba a vapor.
• Aplicar os conceitos apresentados durante a disciplina de máquinas térmicas.
2.2. História
2.2.1. História das Máquias Térmicas
A primeira tentativa do homem em usar o vapor de água na geração de trabalho foi à
construção de uma máquina chamada Eolípila, que era uma bacia contendo água,
com duas hastes conectadas a um tubo com uma câmara cilíndrica no centro. O
cilindro tinha duas saídas de ar em posições opostas (HEILBRONER, 1967). O vapor
entrava e, pelas hastes, levado até a câmara, que se movimentava com a saída do
mesmo.
Figura 1 - Imagem e representação de uma Eolípila
Fonte: (HEILBRONER, 1967)
7
A primeira verdadeira máquina térmica é legada ao físico francês Denis Papin que
utilizou vapor para impulsionar um mecanismo com êmbolo e cilindro. Foi Papin que
inventou um aparelho semelhante à panela de pressão e, para evitar que explodisse,
concebeu a primeira válvula de segurança conhecida.
Em 1698, mais de mil anos após a máquina de Heron, surgiu a primeira máquina a
vapor de interesse industrial, elaborada por Thomas Savery, um engenheiro militar
inglês, que projetou uma “maquina”, utilizando o vácuo para elevar a água do fundo
das minas. O funcionamento era mais ou menos o seguinte: um cilindro era
preenchido com vapor em alta pressão e resfriado rapidamente. Quando o vapor se
condensava, um vácuo era produzido no interior do cilindro, fazendo então com que a
água do fundo da mina preenchesse o espaço do cilindro. Por meio de um jogo de
válvulas, a água era retida no interior do cilindro e, quando este se enchia novamente
com vapor em alta pressão, a água era bombeada para fora da mina. Resolvia-se
assim o problema da água no fundo da mina e superava-se a dificuldade dos 10
metros de altura. Apesar da genialidade da invenção, a máquina de Savery
apresentava algumas desvantagens. A principal delas era utilização de vapor em alta
pressão que muitas vezes causava explosões e acidentes. O motor de Savery não
possuía qualquer pistão, e não havia partes móveis, exceto pelas torneiras e era
chamada Mine’s Friend Machine.
Figura 2 - Máquina a vapor de Thomas Savery
Fonte: (CHAN, 2014)
Por volta de 1712, o inglês Thomas Newcomen, aperfeiçoando as máquinas de
8
Savery e Papin, idealizou uma nova máquina térmica que poderia ser utilizada em
minas profundas com menor risco de explosões e que, além de elevar a água, poderia
elevar cargas. Sua máquina foi um sucesso na Europa durante o século XVIII.
Em 1765, James Watt, um fabricante de instrumentos para a Universidade de
Glasgow, estudando uma máquina de Newcomen, procurava uma maneira de
aumentar sua eficiência e minimizar os custos com o carvão utilizado como
combustível. Foi, então, que elaborou uma máquina com um condensador que
minimizava as perdas de calor e que possuía outras finalidades como propulsão de
moinhos e tornos, pois o movimento de rotação substituiu o de sobe e desce.
A máquina de Watt que também servia à fundição e à minas de carvão, teve grande
êxito e acabaram substituindo as máquinas de Newcomen, pois além da versatilidade,
consumiam três vezes menos carvão que essas.
Para alguns, foi a máquina de Watt que ocasionou a Revolução Industrial.
Foi James Watt que fixou o cavalo-vapor como unidade de medida para determinar a
potência de uma máquina. Na época, considerou a carga que um cavalo poderia
elevar. Hoje o cavalo-vapor é à potência necessária para elevar um metro de altura
uma massa de 75 kg em um segundo.
Foi em 1804 que as máquinas a vapor foram utilizadas para a locomoção. Richard
Trevithick, um engenheiro de minas fez uma locomativa de um só cilindro com êmbolo
e caldeira que carregava barras de ferro das minas de carvão.
O crescimento da industrialização dependia da capacidade de transportar matérias-
primas e produtos finais por longas distâncias. Portanto, a história da Revolução
Industrial é também a história de uma revolução dos meios e vias de transportes.
O motor a vapor é uma máquina que transforma a energia térmica do vapor em
energia mecânica utilizando um êmbolo que se movimenta dentro de um cilindro,
assim como a máquina de Watt. O combustível queima fora do cilindro, ou seja, é de
combustão externa o que diminui a poluição. O vapor é admitido por um lado do
cilindro e expulso do outro por um sistema de válvulas enquanto o pistão se
movimenta.
O primeiro barco a vapor de êxito comercial foi criado em 1807 pelo norte-americano
Robert Fulton. Em poucos anos, os barcos a vapor tornaram-se comuns nos rios
ingleses, e logo os navios a vapor transportavam matérias-primas e produtos
acabados por meio do oceano Atlântico.
O motor a vapor foi utilizado nos automóveis durante o fim do século XIX e início do
9
século XX, por mais ou menos 30 anos. O motor de maior sucesso foi fabricado por
um americano chamado Stanley e esteve em uso até 1945 (RM VAPOR, 2016).
2.2.2. História da Maquina de Newcomen
A máquina de Thomas Newcomen foi baseada na máquina de Thomas Savery, além
disso ambos eram sócios (RODRIGUES et al., 2016), a máquina de Newcomen visava
obter melhorias em relação a de Savery, como por exemplo diminuir o risco de
explosão da caldeira devido ao fato que o sistema da máquina de Savery necessitava
de pressões elevadas para grandes alturas manométricas de sucção (SANTOS,
2012). Além disso, a máquina de Newcomen foi considerada o primeiro motor a vapor
moderno e também é conhecida como motor atmosférico (CALIMAN, 2020). Ambas
as máquinas, tanto a de Savery primeiramente quanto a de Newcomen, foram
pensadas para serem utilizadas para bombeamento de água das minas de carvão da
Inglaterra.
Figura 3 - Máquina a vapor de Thomas Savery
Fonte: (SANTOS, 2012)
10
Figura 4 - Máquina a vapor de Thomas Newcomen
Fonte: (CALIMAN, 2020)
Tanto a máquina de Savery quanto de Newcomen utilizam vapor para obter o
resultado desejado, que é bombear água, no entanto há algumas diferenças nos
meios que esse resultado é obtido. Na máquina de Savery a condensação do vapor
no condensador ocasiona a diminuição do volume e como resultado queda da pressão
de modo que já puxa a água para o próprio condensador, já na máquina de Newcomen
a condensação do vapor é utilizada para gerar movimento em uma bomba a pistão.
A máquina de Newcomen funciona da seguinte maneira: vapor de água é obtido
utilizando uma caldeira, o vapor então passa por uma tubulação, que contém uma
válvula para controlar a entrada de vapor, seguindo até o conjunto cilindro-pistão, com
o cilindro cheio de vapor ocorre um esguicho de água no interior do cilindro diminuindo
sua temperatura e consequentemente condensando o vapor, essa condensação
ocasiona a diminuição do volume do vapor ocasionando queda da pressão do interior
do cilindro e com isso a pressão externa é maior e por isso o pistão é empurrado para
baixo. Quando o pistão desce ele puxa uma espécie de “alavanca” que aciona a
bomba por sucção do outro lado do sistema, como é possível ver na Figura 4, em
seguida a válvula de controle de vapor é aberta desse modo, vapor em alta pressão
empurra o pistão para cima e reiniciando o ciclo.
11
Essa máquina foi considerada o primeiro motor a vapor, pois utiliza um sistema
complexo para gerar o movimento de vai e vem do pistão no cilindro, esse movimento
pode ser aproveitado em diversos processos, na época era utilizado para funcionar
uma bomba de sucção de água que gerava pressão negativa para puxar a água
(RODRIGUES et al., 2016).
2.3. Projeto
Se baseando na maquina a vapor de Savery e de Newcomen, criamos um esquema
2D do projeto.
Figura 5 - Esquema 2D
Fonte: o autor
12
2.4. Materiais
Material Quantidade Preço/unidade Custo
Conjunto Cilindro-pistão 2 unidades R$4.500,00 R$9.000,00
Válvula 5 unidades R$77,37 R$386,85
Tubos de aço inox de 1" 6 metros R$25,00 R$150,00
Joelho de aço inox de 1" 6 unidades R$30,00 R$180,00
Barra redonda de aço inox 4 metros R$235,00 R$940,00
Viga de perfil I (w250x37,5) 3 metros R$327,80 R$983,40
Viga perfil Caixão 150x200 4 metros R$400,00 R$1.600,00
Reservatório para agua 3 unidades R$9,68 R$29,04
Eixo de aço 1045 de 2 ½” 0,8 metros R$100,00 R$80,00
Mancal 2 R$220,00 R$440,00
R$13.789,29
2.5. Método
Primeiro a coluna principal deve ser erguida (viga perfil caixão) e chumbada no solo,
para que fique firme e suporte as demais estruturas. Feito isso, as demais
peças/estruturas do sistema serão posicionadas em seus respectivos locais.
A caldeira ficará na extremidade oposta do poço na qual o objetivo é retirar a água,
onde acima dela ficará o conjunto cilindro pistão mestre, responsável pela
movimentação do sistema, assim, o segundo conjunto cilindro pistão deverá ser
posicionado no poço.
A viga perfil w será posicionada no meio da coluna principal e fixada pelo pino central
de 2 ½”. Em suas extremidades, serão fixadas as barras redondas de inox pelos pinos
de 1” conectadas diretamente aos pistões, ambos os pinos serão usinados de forma
que possuam uma cabeça chata em uma extremidade e um rebaixo para o anel
elástico responsável por travar o pino no lugar, em sua outra extremidade.
Posiciona-se então, os recipientes de água, onde o primeiro e mais elevado é o
responsável pelo resfriamento do vapor do cilindro após sua passagem pela caldeira,
ele é ligado ao cilindro mestre pelo tubo através de válvulas e conexões de 90º.
O segundo recipiente é posicionado a 1 metro abaixo do primeiro, onde esse contém
a água derivada da condensação do cilindro mestre, também sendo ligado ao cilindro
mestre por válvula, em sua outra extremidade, a água irá cairá diretamente no
recipiente. Esse recipiente ainda irá conter uma a bomba auxiliar, responsável pela
13
alimentação do primeiro recipiente com a água proveniente do cilindro mestre, a
bomba é ligada por tubos e 1 conexão de 90º, indo até o reservatório mais elevado,
de forma que o sistema possa trabalhe sem que os recipientes precisem ser
abastecido novamente.
O terceiro recipiente será posicionado próximo ao poço de acordo com o
funcionamento do sistema e a necessidade local, contendo a água que será retirada
do mesmo.
Na instalação das válvulas, foram escolhidas válvulas que suportam altas
temperaturas, já que a caldeira e o conjunto cilindro pistão operam a uma temperatura
elevada. Onde serão, 3 válvulas no cilindro mestre, onde uma liga a linha proveniente
da caldeira, outra a linha proveniente do recipiente mais elevado e outra a linha
proveniente do segundo recipiente. Já o cilindro do poço terá 2 válvulas, onde uma
conecta o cilindro a linha do poço e a outra conecta a linha proveniente do terceiro
recipiente.
2.6. Cálculos e Resultados
2.6.1. Caldeira
Para o cálculo das eficiências, foi selecionado a seguinte caldeira, com base na
consulta no catálogo da Weco, e a partir desse catálogo foi selecionado o seguinte
modelo: Weco GVL3/8, que possui uma capacidade de 48 kg/h, consumo de 0,03 m³/h
de lenha = 15 kg de lenha por hora.
Considerando os seguintes dados fornecidas no catálogo, é possível calcular a vazão
mássica de água. Temperatura de entrada da água de 80° C, pressão de saída de 8
bar, poder calorifico da lenha de 2.900 kcal/kg e peso especifico de 500 kg/m³.
1 1 971,723𝑘𝑔
𝜌á𝑔𝑢𝑎 = = =
𝑣𝑓 (80° 𝐶) 1,0291 . 10−3 𝑚3
𝑘𝑔 𝑚3 𝑘𝑔
𝑚̇á𝑔𝑢𝑎 = 𝜌 . 𝑉̇ = 971,723 . 0,048 . = 46,64
𝑚3 ℎ ℎ
Consultando a Tabela A-2 (SHAPIRO, 2013)
ℎ𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 = ℎ𝑓 (80° 𝐶) = 334,91 𝐾𝐽/𝐾𝑔
ℎ𝑠𝑎í𝑑𝑎 = ℎ𝑔 (8 𝑏𝑎𝑟) = 2769,1 𝐾𝐽/𝐾𝑔
Através das entalpias encontradas é possível calcular a eficiência da caldeira:
14
𝑚̇𝑣(ℎ𝑔 − ℎ𝑓 )
𝜂𝑐𝑎𝑙𝑑𝑒𝑖𝑟𝑎 =
𝑚̇ 𝑐 𝑃𝐶
46,64 . (2769,1 − 334,91)
𝜂𝑐𝑎𝑙𝑑𝑒𝑖𝑟𝑎 =
15 . 12133,6
𝜂𝑐𝑎𝑙𝑑𝑒𝑖𝑟𝑎 = 62,37%
2.6.2. Bomba
Para o cálculo do volume de água que a bomba precisará levantar, adotamos os
valores de diâmetro e altura:
𝜋 . 𝐷2
𝑉= 𝐿
4
𝜋 . 0,202
𝑉= 1
4
𝑉 = 0,031 𝑚3
A partir do volume calculado é possível calcular o Peso que a água irá exercer para
que saiba quando de trabalho a bomba precisará exercer:
𝑊𝑡 = 𝛾 . 𝑉 = 𝜌 . 𝑔 . 𝑉
𝜋 . 0,202 𝜋 . 0,202
𝑊𝑡 = 1000 . 9,81 . [( 0,30) + ( 0,90)]
4 4
𝑊𝑡 = 369,83 𝑁
Logo, o trabalho realizado pela bomba é:
𝑊 = 𝐹 . 𝑑 = 𝑊𝑡 . Δ𝑧
𝑊 = 369,83 . 1
𝑊 = 369,83 𝐽
Sabendo que o estudo de NewBould mostra que em média são realizados 20 ciclos
do cilindro-pistão por minuto, é possível então calcular a potência necessária:
𝑊̇ = 𝑊𝑁
𝑊̇ = 369,83 . 20
𝑊̇ = 7.396,56 𝐽/𝑚𝑖𝑛𝑢𝑡𝑜
𝑊̇ = 0,123 𝐾𝑊
Determinando agora a potência de bombeamento por meio da capacidade de água
entregue:
𝑉 𝑔
𝑊̇ = 𝑚̇𝑤 = 𝜌 Δ𝑧 = 𝛾 . 𝑉̇ . Δ𝑧
𝑡 𝑔𝑐
15
𝑁 𝐿 𝑐𝑖𝑐𝑙𝑜𝑠
𝑊̇ = 1000 . 9,81 . 30 . 20
𝑚3 𝑐𝑖𝑐𝑙𝑜 𝑚𝑖𝑛𝑢𝑡𝑜
1000𝐿 = 1 𝑚3
𝑊̇ = 5.886 𝐽/𝑚𝑖𝑛𝑢𝑡𝑜
𝑊̇ = 0,0981 𝐾𝑊
Podemos então calcular o rendimento do sistema de bomba:
0,0981
𝜂𝑏𝑜𝑚𝑏𝑎 = = 79,75%
0,123
2.6.3. Conjunto Cilindro Pistão
A parte inferior do pistão está centralizada ao longo do comprimento do cilindro.
Presença de molas espirais, para evitar o impacto do pistão contra o cilindro, ou seu
vazamento pela parte superior, que irá limitar o movimento do cilindro.
Diâmetro de 20 cm e curso máximo de 0,75 metros, que limitado pelas molas, chega
a corrida máxima de 0,65 metros.
𝜋. 𝐷2 𝜋. 0,22
𝐴= = 𝐴= = 0,0314 𝑚2
4 4
𝜋. 𝐷2 𝜋. 0,22
𝑉𝑠𝑢𝑝𝑒𝑟𝑖𝑜𝑟 = .𝐿 = . 0,65 = 0,0204 𝑚3
4 4
𝜋. 𝐷2 𝜋. 0,22
𝑉𝑖𝑛𝑓𝑒𝑟𝑖𝑜𝑟 = .𝐿 = . 0,1 = 0,00314 𝑚3
4 4
Baseando-se no trabalho de Newbould a pressão média efetiva do equipamento
“Newcomen” era 0,6 bar, sendo isso igual a 60 KPa, com isso podemos iniciar os
cálculos relacionados com a potência indicada da máquina:
𝑊 = 𝑝Δ𝑉 = 𝑝 . (𝑉𝑠𝑢𝑝𝑒𝑟𝑖𝑜𝑟 − 𝑉𝑖𝑛𝑓𝑒𝑟𝑖𝑜𝑟 )
𝑊 = 60 . 103 . (0,0204 − 0,00314)
𝐾𝐽
𝑊 = 1,0356
𝑐𝑖𝑐𝑙𝑜
Portanto, o trabalho indicado será de:
𝑊̇ = 𝑊 . 𝑁 = 1,0356 . 20
𝐾𝐽
𝑊̇ = 20,712
𝑚𝑖𝑛𝑢𝑡𝑜
𝑊̇ = 0,3452 𝐾𝑊
16
Com isso podemos encontrar o rendimento mecânico:
0,123
𝜂𝑚𝑒𝑐â𝑛𝑖𝑐𝑜 =
0,3452
𝜂𝑚𝑒𝑐â𝑛𝑖𝑐𝑜 = 35,63%
Após calcular o rendimento e os trabalhos realizados por cada componente, podemos
então calcular o rendimento geral do sistema, sabendo que 𝑚̇𝑙𝑒𝑛ℎ𝑎 = 15 𝑘𝑔/ℎ, temos:
𝑊𝑠𝑎í𝑑𝑎
𝜂𝑔𝑒𝑟𝑎𝑙 =
𝐸𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎
0,0981 . 103 . 60
𝜂𝑔𝑒𝑟𝑎𝑙 =
15 . 12133,6
𝜂𝑔𝑒𝑟𝑎𝑙 = 3,23%
2.6.4. Análise dos Resultados
Já tendo conhecimento da eficiência de cada componente e também do conjunto,
pode-se determinar o rendimento térmico:
𝜂𝑐𝑎𝑙𝑑𝑒𝑖𝑟𝑎 𝜂𝑡é𝑟𝑚𝑖𝑐𝑜 𝜂𝑚𝑒𝑐â𝑛𝑖𝑐𝑜 𝜂𝑏𝑜𝑚𝑏𝑎 = 𝜂𝑔𝑒𝑟𝑎𝑙
𝜂𝑔𝑒𝑟𝑎𝑙
𝜂𝑡é𝑟𝑚𝑖𝑐𝑜 =
𝜂𝑐𝑎𝑙𝑑𝑒𝑖𝑟𝑎 𝜂𝑚𝑒𝑐â𝑛𝑖𝑐𝑜 𝜂𝑏𝑜𝑚𝑏𝑎
0,0323
𝜂𝑡é𝑟𝑚𝑖𝑐𝑜 =
0,6237 . 0,3563 . 0,7975
𝜂𝑡é𝑟𝑚𝑖𝑐𝑜 = 18,22%
É notório que o resultado final não é satisfatório quando comparado com motores
atuais, mas se compararmos com motores da época, o resultado obtido é de grande
relevância.
17
3. CONCLUSÃO
Ao fim do trabalho, pode-se perceber a importância do estudo das bombas a vapor,
uma vez que ela teve importante uso, como por exemplo no bombeamento de água
de minas de carvão na Inglaterra.
A pesquisa realizada ampliou o conhecimento sobre o tema, e possibilitou a absorção
de informação importantes para um estudante, sobretudo para estudantes de cursos
como engenharia mecânica, o qual estuda fortemente diversos processos que usam
o vapor.
Diante de tudo que foi abordado, fica claro o valor desse trabalho para o conhecimento
da história das máquinas a vapor, visto que permitiu-nos assimilar um novo foco de
estudo, além de nos propiciar o desenvolvimento de novas competências.
Percebe-se após a realização do projeto, uma grande dificuldade no seu
dimensionamento, por se tratar de um maquinário robusto, que é composto por vários
equipamentos de complexidade relativa, sua fabricação seria de grande dificuldade.
Ao fim dos cálculos de eficiência térmica foi possível perceber que o valor encontrado
quando comparado com maquinários da época, é um valor relativamente alto, mas
quando comparado com motores atuais, é uma eficiência muito pequena, isso é de
grande valor, para que se perceba a evolução tanto nos materiais utilizados, quanto
na fabricação dos equipamentos, também nos equipamentos e ciclos.
18
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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– 1734). AULA 2, 2014.
HEILBRONER, R. L. Do Machines Makes History?. Technoloy and Culture. Vol. 8,
pp 335-345. 1967.
RAJPUT, R. K. Thermal Engineering. [s.l.] Laxmi Publications Pvt Limited, 2005.
RM VAPOR. História. Disponível em:
[Link] Acesso em: 4 out. 2020.
SANTOS, M. M. A História da Termodinâmica e suas Leis. Tese de conclusão de
curso. Universidade estadual de Goiás. Anápolis. 2012.
SPEAR, B. James Watt: The steam engine and the commercialization of patents.
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STOWERS, A. The Development of the Atmospheric Steam Engine after
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TANN, J. Makers of Improved Newcomen Engines in the Late 18th Century in
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