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Limites Com Epsilon EDelta

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(Aula02-Top2-Texto Complementar) LIMITES COM  E  1

Aula03-Top2-Texto Complementar (Link )

LIMITES COM  E 

Este texto trata de limites e continuidades com o rigor matemático em que


tradicionalmente tal estudo é realizado, é a parte deste módulo em que o leitor sentirá
menos facilidade para dominar; entretanto, tudo é uma questão de familiaridade.
Inicialmente, aborda-se o conceito de limite, então serão desenvolvidos os resultados
decorrentes de tal conceito e onde serão demonstrados os teoremas e corolários usados
no tópico 1 desta aula. No estudo de limites, no nível que será tratado neste parágrafo,
não é comum problemas práticos; entretanto, tal estudo é uma poderosa ferramenta
teórica e que será utilizada em vários resultados importantes do Cálculo e de outras
áreas afins da Matemática.

Na definição de limite bilateral (dada no tópico 1 desta aula), foi estabelecido


que: xc f ( x )  L , se à medida que a distância de x a c (independendo de x  c ou
lim
x  c ) vai diminuindo, implica que a distância de f ( x) a L se torna cada vez menor.
Em outras palavras: xlim f ( x )  L , se a distância de f ( x) a L pode se tornar tão
c
pequena quanto se deseja, desde que se considere a distância de x a c suficientemente
pequena. A fim de entender a definição de limite, baseando-se nas noções de distâncias,
considere a função f ( x )   x  1
  x
se
se
x  1,
x  1 em que xlim
1
f ( x ) não
existe, pois não será possível controlar a distância de f ( x) a nenhum valor L. Para
melhorar o esclarecimento de tais fatos, considere o gráfico de f , que está na figura
seguinte.

1
X
O
-1

Observando a figura, verifica-se que: o xlim


1
f ( x ) não é igual a 1, pois (por
exemplo) não é possível ter f ( x )  ( 1)  0, 5 com x à esquerda de 1; também
lim f ( x ) não é 2, pois (por exemplo) é impossível ter f ( x)  2  1 com x à direita
x1
de 1. É claro que para qualquer outro valor L diferente de 1 e 2, é possível
estabelecer uma situação análoga.

É muito comum usar as letras gregas  (lê-se, épsilon) e  (lê-se, delta),


para expressar a definição de limite através dessas noções de distâncias. Assim, tem-se
que: se f é uma função definida num intervalo aberto contendo c, exceto
possivelmente em c, diz-se que
(Aula02-Top2-Texto Complementar) LIMITES COM  E  2

lim f ( x )  L ,
xc

se para qualquer   0 existe   0 tal que

0  | x  c |  implica que f ( x)  L  .

A condição 0  | x  c | é necessária, pois é de interesse as imagens f ( x) dos


valores de x próximos de c e não para x  c.

Exemplo Resolvido. Usar a definição de limite, para mostrar o limite indicado:


(a) lim ( 2 x  1)  3;
x2
2

(b) lim x  2x  1  2.
x 1

Solução.
(a) Sendo f (x)  2x  1, deve-se mostrar que, dado qualquer   0 existe
  0 tal que

0  | x  (2) |   | f (x)  ( 3) | ,

ou seja,


0  | x  2 |    | (2x  1)  ( 3) |    2 | x  2 |    | x  2 |  .
2

Logo, considerando   2 , tem-se


0  | x  2 |   0 | x  2 |  2 | x  2 |    | f (x)  ( 3) |  .
2

Isto mostra que xlim ( 2 x  1)  3. Qualquer valor  com 0  1   , pode também
2 1 2
ser considerado como o  que se procurava.

(b) Sendo g(x)  x 2  2x  1, deve-se mostrar que, dado qualquer 0


existe   0 tal que

0  | x  1|    | g(x)  2 |  | x  1| | x  3 |  .

Da experiência obtida no item (a), para encontrar um d que satisfaça tal


condição, deve-se achar uma inequação envolvendo apenas | x  1| dependendo de x,
para tanto é necessário determinar um valor que majore o fator | x  3|. Sendo assim,
como se deseja que os valores de x estejam próximos de 1, é possível considerar (por
exemplo) que | x  1|  1 (ou seja, é possível considerar que o d procurado seja menor
ou igual a 1), logo
(Aula02-Top2-Texto Complementar) LIMITES COM  E  3

| x  1|  1   1  x  1  1  3  x  3  5  3  | x  3 |  5,

isto é, o valor 5 majora | x  3| se | x  1|  1. Assim, se | x  1|  1 então


| x  1|| x  3 |  | x  1| 5.

Deseja-se que | x  1|5   , ou seja, | x  1 | 5 . Portanto, tomando d como o


menor dos dois valores 1 e 
5
escreve  se,   mín.  1, 5   , daí  1 e
  , obtém-se então
5

0  | x  1|     | x  1|  1 e | x  1|   
 5
 | x  3 |  5 e | x  1|     | g(x)  2 |  | x  3 || x  1|  .
 
 5

Exemplo Proposto. Usar a definição de limite, para mostrar o limite indicado:


(a) xlim
1
( 2 x  1)  1 onde    ;
2
(b) xlim
1
 
x 2  x  1  1 onde   mín. 1,  .
2  
Na definição do limite bileteral usando e e d, não está explícito que o valor
limite de uma função deve ser único (como foi enfatizado na definição dada em (III)
do tópico 1 desta aula), o próximo teorema estabelece tal unicidade.

Teorema (Unicidade do limite) 1. Se xlim f ( x)  L e lim f ( x)  M , então L  M.


c x c

Demonstração. Suponha que L  M, então para demonstrar o teorema, deve-se provar


que esta suposição conduz a uma afirmação absurda.

Como xlim f ( x )  L, para qualquer   0 existe   0 tal que


c 1

0  | x  c |  1  | f (x)  L |  ;

também, como xlim f ( x )  M , existe   0 tal que


c 2

0  | x  c |  2  | f (x)  M |  .

Logo, para qualquer   0 existem 1  0 e  2  0 tais que

0  | x  c | 1 e 0  | x  c |  2 
 | L  M |  | L  f (x)  f (x)  M |  | L  f (x) |  | f (x)  M | 2.

Seja   mín.   1 ,  2  , então

0 < | x - c | < d Þ | L - M | < 2 e.


(Aula02-Top2-Texto Complementar) LIMITES COM  E  4

Como esta última afirmação vale para qualquer   0, considerando   12 | L  M |,


tem-se

0  | x  c |  | L  M | | L  M | .

Sendo impossível ter | L  M | | L  M |, não se pode supor L  M , logo L  M. O


que conclui a demonstração.

Os dois teoremas seguintes, referem-se aos teoremas 1 e 2 do tópico 2 desta


aula, respectivamente, que agora podem ser demonstrados.

Teorema 2. Se a e b são números reais fixos, então xlim (ax  b)  ac  b.


c

Demonstração. Deve-se provar que para qualquer   0 existe   0 tal que

0  | x  c |    | (ax  b)  (ac  b) |  .

Inicialmente, suponha que a  0, então


| (ax  b)  (ac  b) |  | a || x  c |    | x  c |  ,
a

logo tomando   a , a implicação se verifica.

Se a  0, então | (ax  b)  (ac  b) | 0 para todo x, logo tomando d como


qualquer valor positivo, a implicação se verifica. O que conclui a demonstração.

Teorema 3. Se xlim f ( x )  L e lim g( x )  M , então:


c xc

(a) xlim
c
 f (x)  g(x)  L  M; (b) xlim[
c
f ( x ) g ( x)]  LM; (c) xlim
f (x)
c g(x)
 L
M se
M  0;
n f ( x)  n L
(d) xlim
c
se L  0 e n é inteiro  2 ou L é qualquer valor e n ímpar
 3.

Demonstração.

(a) Será demonstrado que lim  f (x)  g(x)   L  M, o limite da diferença é


x c
tratado similarmente e sua demonstração está sugerida no exercício 13 do exercitando
deste texto.
Como xlim f ( x )  L, dado   0 existe   0 tal que
c 2 1

0  | x  c |  1  | f (x)  L |   ;
2
(Aula02-Top2-Texto Complementar) LIMITES COM  E  5

também, como xlim g( x )  M , existe   0 tal que


c 2

0  | x  c | 2  | g(x)  M |  .
2

Seja   mín.   1 ,  2  , então   1 e    2 , daí

e e
0 < | x - c |< d Þ 0 < | x - c | < d1 e 0 < | x - c | < d2 Þ | f (x) - L | < e | g(x) - M | < .
2 2

Portanto, tem-se

0< | x - c| < d Þ [ f (x) + g(x)] - [ L + M ] = [ f (x) - L ] + [ g(x) - M ] £


e e
£ f (x) - L + g(x) - M < + = e.
2 2

O que conclui a demonstração de (a).

(b) Para demonstrar que xlim


c
 f (x)g(x)   LM, é necessário os dois seguintes
resultados:

(i) Se xlim f ( x )  L (existe), então f é limitada em torno de c, isto é, existem k  0


c
e   0 tal que 0  | x  c |    | f (x) | k.

Para justificar esta afirmação, observe que se xlim f ( x )  L , pela definição de


c
limite, dado   0 existe   0 tal que

0  | x  c |    | f ( x )  L |   L    f ( x )  L  .

Se L  0, então L    (L  ) e assim 0 | x  c |    (  L)  f ( x )    L


 | f ( x ) |   L, logo basta tomar k    L. Se L  0, então  (L  )  L   e
assim 0 | x  c |    (L  )  f ( x )  L    | f ( x ) | L  , logo basta tomar
k  L  .

(ii) Se xlim f ( x )  0 e g é limitada em torno de c, então (mesmo que lim g ( x) não


c xc
exista) lim
x c
 f ( x ) g ( x )   0. A prova está sugerida no exercício 14 do exercitando
deste texto.

Tem-se

f ( x )g ( x )  LM  f ( x )g ( x )  f ( x ) M  f ( x ) M  LM f ( x ) g ( x )  M    f ( x )  L M.
(Aula02-Top2-Texto Complementar) LIMITES COM  E  6

Como xlim
c
f ( x) existe, por (i), f é limitada em torno de c; além disso,

lim  g(x)  M   0 decorrente da parte (a). Logo, por (ii), lim f (x)  g(x)  M   0.
x c x c

Analogamente, encontra-se que xlim


c
 f (x)  L  M  0. Portanto, pela parte (a),

lim  f (x)g(x)  LM   lim f (x)  g(x)  M   lim  f (x)  L  M  0,


x c x c x c

ou seja, xlim
c
 f (x)g(x)   LM. O que conclui a demonstração da parte (b).

(c) Tem-se

 Mf (x)  Lg(x) 1 .


f (x) Mf (x)  Lg(x)
 L 
g(x) M g(x)M g(x)M

Pelas partes (a) e (b), e pelo teorema 2, tem-se

lim  Mf (x)  Lg(x)   0.


x c

Como xlim g( x )  M  0, por (b) decorre que lim g( x ) M  M 2 , logo para


c xc
2
  M2 existe   0 tal que

M2 M2 M2
0  | x  c |    g(x)M  M 2     g(x)M  M 2 
2 2 2
2 2
M 3M 2 1 2
  g(x)M   2
  2
2 2 3M g(x)M M
1 2
  2;
g(x)M M

1
assim, g( x )M é limitada em torno de c.

Portanto, sendo xlim


c
 Mf ( x)  Lg( x)  0 e 1
g( x )M limitada em torno de c,
por (ii) da demonstração da parte (b),

 f (x)   
lim   L   lim Mf (x)  Lg(x) 1   0,
x c  g(x) M  x c g(x)M 

f (x) L.
ou seja, xlim
®c g(x)
= M O que conclui a demonstração de (c).
(Aula02-Top2-Texto Complementar) LIMITES COM  E  7

(d) A demonstração será feita no caso particular em que n  2 e assim com


L  0. As demonstrações nos outros casos, estão sugeridas no exercício 19 do
exercitando deste texto.

Inicialmente, suponha que L  0 , então para mostrar que lim f ( x )  0,


xc
deve-se provar que para qualquer   0 existe   0 tal que

0  | x  c |   f (x)  .

Como xlim f ( x)  L  0, para 2 (onde  é qualquer valor positivo) existe


c 
1  0 tal que

0  | x  c |  1  f (x)  0  f (x)   2 .

Para que tenha sentido estabelecer o xlim f ( x) , tem que existir 2  0 tal
c
que

0  | x  c | 2  f (x)  0.

Seja   mín.   1 ,  2  , então

0  | x  c |   f (x)   2 e f (x)  0  0  f (x)   2 

    0  f (x)    f (x)  .

Suponha agora que L  0, então para demonstrar que xlim f ( x )  L , deve-


c
se mostrar que, para qualquer   0 existe   0 tal que

0 | x  c |    f (x)  L  .

Considere 0    L, sendo assim, o número 2 L   2 é positivo. Como


lim f ( x )  L, para   2 L   2 existe   0 tal que
xc

0  | x  c |   f (x)  L  2 L   2 

 
  2 L   2  f (x)  L  2 L   2  2 L   2

 
 L  2 L   2  f (x)  L  2 L   2

 (L  )2  f (x)  (L  ) 2  L    f (x)  L  


   f (x)  L    f (x)  L   .
(Aula02-Top2-Texto Complementar) LIMITES COM  E  8

Caso seja   L, a demonstração é análoga e está sugerida no exercício 17


deste tópico. O teorema 1 deste tópico 3 permite uma prova simples da parte (d) do
teorema 3, veja o exercício 2 do exercitando do texto complementar indicado no final
do tópico 3 desta aula.

O teorema seguinte, refere-se ao teorema 5 do tópico 2 desta aula, que agora


pode ser demonstrado.

Teorema 4. Sejam f, g e h funções definidas num intervalo aberto I contendo c,


exceto talvez em c, onde f ( x )  g ( x)  h( x ) para todo x em I com x  c. Se
lim f ( x )  L e lim h ( x)  L, então lim g ( x)  L.
xc xc xc

Demonstração. Como lim f ( x )  lim h ( x)  L, para qualquer 0 existem


xc xc
1  0 e 2  0 tais que

0 < | x - c | < d1 Þ f (x) - L < e Û L - e < f (x) < L + e


e
0 < | x - c | < d2 Þ h(x) - L < e Û L - e < h(x) < L + e.

Seja   mín.{1 , 2 } , então

0 < | x - c | < d Þ L - e < f (x) < L + e e L - e < h(x) < L + e


Þ L - e < f (x) £ g(x) £ h(x) < L + e
Þ L - e < g(x) < L + e
Û g(x) - L < e.

O que conclui a demonstração.

Teorema 5. Se xlim f ( x )  L e lim g( x )  M com L  M , então existe   0 tal que


c xc
0 < | x - c |< d implica que f ( x )  g ( x).

Demonstração. Como L  M , tem-se  ML  0. Sendo lim f ( x )  L e


2 xc
lim g ( x )  M , para   M L
existem 1  0 e 2  0 tais que
x 2

ML 3L  M LM
0  | x  c | 1  f (x)  L    f (x) 
2 2 2
e
ML ML 3M  L
0  | x  c | 2  g(x)  M    g(x)  .
2 2 2

Seja   mín.{ 1 ,  2 }, então


(Aula02-Top2-Texto Complementar) LIMITES COM  E  9

3L  M LM ML 3M  L
0  | x  c |    f (x)  e  g(x) 
2 2 2 2
LM
 f (x)   g(x).
2

O que conclui a demonstração.

Os dois resultados seguintes, seguem-se do teorema 5 e suas demonstrações


estão sugeridas nos exercícios 20 e 21 do exercitando deste texto.

Corolário 1. Se xlim f ( x )  L  0, existem   0 e   0 tais que:


c 1 2
(a) Se L  0 e 0  | x  c | 1 implica que f ( x )  0;
(b) Se L  0 e 0  | x  c |  2 implica que f ( x )  0.

Corolário 2. Se f ( x )  g ( x ) para todo x num intervalo aberto contendo c, exceto


talvez em c, xlim f ( x )  L e lim g( x )  M , então L  M.
c xc

Os limites unilaterais podem também ser expressos, usando-se os símbolos 


e  , da seguinte forma:
(a) Se f é uma função definida num intervalo aberto tendo c como extremo superior,
diz-se que lim f (x)L, se para qualquer 0 existe 0 tal que
xc 
   x  c  0  f ( x )  L  ;
(b) Se f é uma função definida num intervalo aberto tendo c como extremo inferior,
diz-se que xlim f (x)L, se para qualquer   0 existe   0 tal que
c 
0  x  c    f ( x )  L  .

Observe que x  c não aparece entre as barras de valor absoluto nas


definições dos limites unilaterais, pois x  c e x  c nas definições dos limites à
esquerda e à direita, respectivamente.

Os resultados para limite com x  c , já expressos neste seção, valem para os


limites unilaterais. As demonstrações de alguns de tais resultados estão sugeridas no
exercício 22 do exercitando deste texto.

O critério de existência do limite bilateral, a partir dos limites unilaterais (dado


no tópico 1 desta aula), agora pode ser enunciado como um teorema.

Teorema 6. O lim f ( x )  L (existe) se, e somente se, lim f (x)  L e


xc x  c
lim f (x)  L.
x  c

Demonstração. Suponha que xlim f ( x )  L, então para todo   0 existe   0 tal que,
c
(Aula02-Top2-Texto Complementar) LIMITES COM  E  10

(0< | x- c | < d Þ f (x) - L < e) Û ( - d < x - c < d com x ¹ c Þ f (x) - L < e)


Û (- d< x- c < 0 e 0 < x- c < d Þ f (x) - L < e)
Û ( - d < x - c < 0 Þ f (x) - L < e e 0 < x - c < d Þ f (x) - L < e) .

Isto prova que xlim f ( x)  L e lim f ( x )  L.


c  xc

Se xlim f ( x)  lim f ( x)  L, para qualquer   0 existem   0 e   0 tais


c  x c 1 2

que

 1  x  c  0  f ( x)  L   e 0  x  c  2  f ( x)  L  .

Seja   mín.{1 , 2 }, então

   x  c  0  f (x)  L   e 0  x  c    f (x)  L   
  0 | x  c |   f (x)  L    .

Isto prova que xlim f ( x )  L. O que conclui a demonstração.


c

Agora, serão tratatos com  e , os limites indicados pelos símbolos


lim f ( x)  L e xlim f ( x )  M , estes são os limites no infinito, conforme
x
classificação dada no tópico 1 desta aula.

Usando os símbolos e e d, os conceitos de limites finitos no infinito, são os


seguintes:

(a) Se f é uma função definida num intervalo ilimitado inferiormente, diz-se que
lim f ( x)  L, se para qualquer 0 existe 0 tal que
x
x     f ( x )  L  ;

(b) Se f é uma função definida num intervalo ilimitado superiormente, diz-se que
lim f ( x )  L, se para qualquer   0 existe   0 tal que x    f ( x )  L  .
x

Os teoremas de limite com x  c (isto é, os teoremas 1 a 5 deste texto),


valem para limites finitos no infinito, desde que sejam feitas as devidas adaptações e
quando forem necessárias. As demonstrações de tais teoremas estão sugeridas no
exercício 23 do exercitando deste texto.

O teorema seguinte, refere-se ao teorema 3 do tópico 2 desta aula, que


agora pode ser demonstrado.
(Aula02-Top2-Texto Complementar) LIMITES COM  E  11

Teorema 7. Se n é um número inteiro positivo, então:


1 1
(a) lim n  0; (b) lim n  0.
x x x x

Demonstração. Será demonstrada a parte (a), a outra parte tem demonstração análoga e
está sugerida no exercício 25 do exercitando deste texto.

lim 1 = 0, deve-se mostrar que, para qualquer   0


Para demonstrar que x® - ¥ xn
existe   0 tal que

1
x     ;
xn
mas

1 1 1
    x n  | x |     x     x    n .
1 1 1 n 1 n 1
ou
x n    

Logo, tomando    
1
1

n é verificada a afirmação. O que conclui a demonstração.

Não se tratou também anteriormente dos limites representados pelos símbolos


lim f ( x )   e lim f ( x )   (onde x  c pode ser substituído por x  c ,
xc xc
x  c , x   ou x   ), este são os limites infinitos, conforme classificação
dada no tópico 1 desta aula. Existe uma definição para cada um destes limites, usando
os símbolos e e d. Por exemplo, se f é uma função definida num intervalo aberto
contendo c, exceto talvez em c, diz-se que:

(a) xlim f ( x )   , se para qualquer 0 existe 0 tal que


c
0 | x  c |   f (x)  ;

(b) xlim f ( x )  , se para qualquer 0 existe 0 tal que
c
0 < | x - c |< d Þ f (x)  .

As definições de limites infinitos com e e d, onde x  c  , x  c  , x  


ou x  , são formuladas similarmente.
O teorema seguinte, refere-se ao teorema 4 do tópico 2 desta aula, que agora
pode ser demonstrado.

f (x)
Teorema 8. Sejam xlim f (x)  L  0, lim g(x)  0 e lim  M , então:
c x c x c g(x)
(a) M   se L  0 e g(x)  0  ; (b) M   se L  0 e g(x)  0 ;
(c) M   se L  0 e g(x)  0  ; (d) M   se L  0 e g(x)  0 .
(Aula02-Top2-Texto Complementar) LIMITES COM  E  12

Demonstração. Será demonstrada a parte (a), as outras partes têm demonstrações


análogas e estão sugeridas no exercício 27 do exercitando deste texto.

Para demonstrar a parte (a), deve-se mostrar que, para qualquer   0 existe
  0 tal que

f (x)
0 < | x - c |< d Þ > e.
g(x)

Como xlim f ( x )  L  0, para 0  L2 existe 1  0 tal que


c

L L 3L L
0  | x  c | 1  f (x)  L    f (x)   f (x)  .
2 2 2 2

Sendo xlim g( x)  0, para   L


(onde e é positivo e arbitrário) existe
c 2
 2  0 tal que

L L
0  | x  c | 2  g(x)   g(x)  pois g(x)  0 .
2 2

Seja   mín.{1 ,  2 }, então


L
L L f (x)
0  | x  c |   f (x)  e g(x)    2  .
2 2 g(x) L
2

Como e é arbitrário, a demonstração está concluída.

O teorema 2 continua válido se x  c for substituído por x  c  , x  c  ,


x   ou x  .

Quanto aos teoremas (de limites finitos) 1 e 3 a 6 enunciados neste texto, em


geral, não podem ser adaptados para limites infinitos. Algumas adaptações que são
possíveis, têm suas demonstrações sugeridas nos exercícios 29 a 35 do exercitando
deste texto.

EXERCITANDO

Nos exercícios 1 a 8, usando a definição de limite, mostre que:


1. xlim (3x  2)  2; 2. lim ( 2 x  5)  1; 3. xlim x 2  1; 4.
0 x2 1

 
lim x 2  2 x  3  2;
x1
(Aula02-Top2-Texto Complementar) LIMITES COM  E  13

5. lim
x  2; 6. x 1 1 7. xlim x cos x  0;
lim  ; 8.
x 2 x  1 x 1 x  1 2 0

lim  x    sen x  0.
x   2
2

9. Mostre, usando a definição de limite, que xlim x 2  c 2 para todo c.


c

lim x  c para todo c  0.


10. Mostre, usando a definição de limite, que x c

1 1
11. Mostre, usando a definição de limite, que lim  para todo c  0.
x c x c

12. Se f ( x )  g ( x ) para todo x num intervalo aberto contendo c, exceto


possivelmente em c, além disso xlim
c
f ( x ) e lim g ( x ) existem, mostre que f e g
xc
têm o mesmo valor limite quando x  c.

13. (Teorema 3a deste texto). Se lim f ( x )  L e lim g( x )  M, mostre que


x c x c
lim  f (x )  g(x )  L  M.
x c

14. Se xlim f (x)  0 e g é limitada em torno de c, mostre que lim f (x)g(x)  0.


c x c

15. Mostre que é falsa a recíproca do resultado (i) na demonstração da parte (b) do
teorema 3 deste texto.

16. Se xlim f ( x )  L, usando a definição de limite, mostre que lim f (x)L  L2 .


c x c

17. Na demonstração do caso particular do teorema 3(d) deste texto, foi considerado
0    L. Faça a demonstração para   L. Sugestão: considere    2  2 L
para   0 e use que xlim f ( x )  L.
c

18. Se xlim f ( x )  L, mostre que lim f ( x )  L .


c x c

19. (Teorema 3d deste texto). Se xlim f (x)  L, mostre que lim n f ( x )  n L se L  0 e


c x c
n é inteiro  2 ou L é qualquer valor e n é ímpar  3.

20. (Corolário 1 do Teorema 5 deste texto). Se xlim f (x)  L  0, mostre que:


c
(a) Se L  0, então f é positiva em torno de c;
(b) Se L  0, então f é negativa em torno de c.

21. (Corolário 2 do Teorema 5 deste texto). Se f ( x )  g ( x ) para todo x num


intervalo aberto contendo c, exceto talvez em c, xlim f (x)  L e lim g(x)  M,
c x c
(Aula02-Top2-Texto Complementar) LIMITES COM  E  14

mostre que L  M .

22. Reformule os enunciados dos teoremas 4 e 5 deste texto, para limites unilaterais
e faça suas demonstrações.

23. Reformule os enunciados dos teoremas 1 a 5 deste texto, para limites finitos no
infinito e faça suas demonstrações. No caso do teorema 2, somente se a  0.

24. Suponha que os limites finitos com x   e x  , são limites unilaterais de
x  . Mostre que no teorema 6 deste texto, o valor de c pode ser substituído
por ¥, c por  e c  por .

25. (Teorema 7b deste texto). Se n é um número inteiro positivo, mostre que


1
lim = 0.
x® + ¥ xn

26. Formule as definições para cada um dos limites representados pelos símbolos
indicados, usando e e d:
(a) xlim f (x)  ; (b) lim f (x)  ; (c) lim f (x)  ; (d) xlim f (x)  ;
c x c x c c

(e) xlim f (x)  ; (f) lim f (x)  ; (g) xlim f (x)  ; (h) xlim f (x)  .
 x   

27. (Teorema 8b a 8d deste texto). Se xlim f (x)  L  0 e lim g(x)  0, mostre que:
c x c
f (x)
(a) xlim   se L  0 e g ( x )  0  ;
 c g(x)
f (x)
(b) xlim   se L  0 e g ( x )  0  ;
 c g(x)
f (x)
(c) xlim   se L  0 e g ( x )  0  .
c g(x)

28. Reformule o teorema 8 deste texto, substituindo x  c pelo símbolo indicado e


faça a demonstração:
(a) x  c  ; (b) x  c  ; (c) x  ; (d) x  .

Nos exercícios 29 a 31, mostre que:


29. Se xlim f (x)   e lim g(x)  L, então lim f ( x )  g ( x )  ;
c x c x c

30. Se xlim f (x)   e lim g(x)  L  0, então (i) lim f (x)g(x)   se L0 e
c x c x c

(ii) xlim f (x)g(x)   se L  0;


c

31. Se xlim f (x)   e lim g(x)  L  0, então (i) lim f (x)g(x)   se L0 e
c x c x c

(ii) xlim f (x)g(x)   se L  0.


c

32. Mostre que valem os resultados dos exercícios 29 a 31, se x  c for


substituído por x  c  , x  c  , x   e x  .
(Aula02-Top2-Texto Complementar) LIMITES COM  E  15

33. Seja f ( x )  g ( x ) para todo x em algum intervalo aberto contendo c, exceto talvez
em c, além disso xlim f (x)  . Mostre que lim g(x)  .
c x c

34. Seja f ( x )  g ( x ) para todo x em algum intervalo aberto contendo c, exceto talvez
em c, além disso xlim g(x)  . Mostre que lim f (x)  .
c x c

35. Se xlim f (x)  L e lim g(x)  , mostre que f ( x )  g ( x ) para todo x em algum
c x c
intervalo aberto contendo c, exceto talvez em c.

RESPOSTAS (Exercícios ímpares)


   1  
1.   ; 3.   mín.1, 3; 5.   mín. 2 , 2 ; 7.   ;
3    
| c | 2 
9. se c  0,   e c  0 então   mín. , ; 11.
 2 5 | c |
| c | c 2 
  mín. , ;
 2 2  
15. Se f ( x )  x 2 e g(x)  1 , então xlim
0
f (x)g(x)  0, lim f (x)  0 e g não é limitada
x 0
x
em torno de 0.

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