AS TRÊS LEIS DE NEWTON OU
OS TRÊS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA MECÂNICA
Primeira Lei de Newton ou Princípio da Inércia.
A partir das idéias de inércia de Galileu, Isaac Newton enunciou sua Primeira
Lei que pode ser resumida na seguinte frase:
"Todo corpo permanece em seu estado de repouso ou de movimento
uniforme em linha reta, a menos que seja obrigado a mudar seu estado por forças
impressas a ele."
A primeira lei de Newton pode parecer perda de tempo, uma vez que esse
enunciado pode ser deduzido da Segunda Lei ( F = m.a ).
Se F = 0, existem duas opções: Ou a massa do corpo é zero ou sua
aceleração. Obviamente como o corpo existe, ele tem massa, logo sua aceleração
é que é zero, e consequentemente, sua velocidade é constante.
No entanto, o verdadeiro potencial da primeira lei aparece quando se
envolve o problema dos referenciais. Numa reformulação mais precisa:
"Se um corpo está em equilíbrio, isto é, a resultante das forças que agem
sobre ele é nula, é possível encontrar ao menos um referencial, denominado
inercial, para o qual este corpo está em repouso ou em movimento retilíneo
uniforme."
Essa reformulação melhora muito a utilidade da primeira lei de Newton. Para
exemplificar tomemos um carro. Enquanto o carro faz uma curva, os passageiros
têm a impressão de estarem sendo "jogados" para fora da curva. É o que
chamamos de força centrífuga. Se os passageiros possuírem algum conhe-
cimento de Física tentarão explicar o fenomeno com uma força. No entanto, se
pararem para refletir, verão que tal força é muito suspeita.
Primeiro: ela produz acelerações iguais em corpos de massas diferentes.
Segundo: não existe lugar nenhum onde a reação dessa força esteja
aplicada, contrariando a Terceira Lei de Newton. Como explicar a misteriosa força?
O erro dos passageiros foi simples Eles não escolheram um referencial
inercial. Logo, obviamente as leis de Newton falhariam, pois estas só valem nestes
referenciais. Se um referencial inercial fosse escolhido, como um observador do
lado de fora do carro, nada de anormal seria visto, apenas os passageiros
tentando manter sua trajetória em linha reta e o carro forçando-os a virar. Quem
estava sob ação de forças era o carro.
Segunda Lei de Newton (Lei Fundamental da Mecânica/Dinâmica).
O segundo princípio consiste em que todo corpo em repouso precisa de uma
força para se movimentar e todo corpo em movimento precisa de uma força para
parar. O corpo adquire a velocidade e sentido de acordo com a força aplicada. Ou
seja, quanto mais intensa for a força resultante, maior será a aceleração
adquirida pelo corpo.
Quando uma força resultante atua sobre uma partícula, esta adquire uma
aceleração na mesma direção e sentido da força, segundo um referencial inercial.
A relação, neste caso, entre a causa (força resultante) e o efeito (aceleração)
constitui o objectivo principal da Segunda Lei de Newton, que pode ser resumida
na seguinte equação:
→
F = m.a
Para um corpo de massa constante, a força resultante sobre ele possui módulo
(valor) igual ao produto entre massa (expressa em quilogramas) e aceleração (expressa
em m/s2). A unidade de força no Sistema Internacional foi nomeada Newton (N), a qual
equivale a kg.m/s2.
Além da unidade Newton existe uma outra unidade muito usada chamada
quilograma força (kgf). Assim, 1 Kgf equivale a 10 N.
→
A força mais conhecida por nós é a força Peso. Para se calcular a força Peso ( P )
de um corpo usa-se uma variação da equação que ilustra a segunda Lei de Newton:
→
P = m.g
Neste caso, g representa a aceleração da gravidade que no caso do planeta Terra
é de aproximadamente 9,8 m/s2 , ao nível do mar e latitude 0o (sobre a linha do Equador).
Ou seja, a partir daí podemos inferir a grande diferença entre dois conceitos físicos que
no dia a dia acabam sendo usados de forma errônea: peso e massa.
Popularmente, costumamos usar as palavras massa e peso como a mesma coisa,
tanto que quando queremos aferir a massa de um corpo, dizemos que vamos “pesá-lo”.
Contudo, massa não varia em função da gravidade, o que já ocorre com a força Peso.
Assim sendo, a força Peso depende da massa, mas não é a massa de um corpo.
Terceira Lei de Newton (Lei da Ação e Reação).
A Terceira Lei de Newton também é conhecida como Lei da Ação e
Reação. Se um corpo A aplicar uma força sobre um corpo B, receberá deste uma
força de mesma intensidade, mesma direção e sentido oposto à força que A
aplicou em B. As forças de ação e reação têm as seguintes características:
1) Estão associadas a uma unica interação, ou seja, correspondem às forças
trocadas entre apenas dois corpos;
2) Têm sempre a mesma natureza (ambas de contato ou ambas de campo),
logo, possuem o mesmo nome ("de contato" ou "de campo");
É indiferente atribuir a ação a cada uma das forças e a reação à outra. Estas
forças são caracterizadas por terem:
1) Sentidos diferentes;
2) Direções iguais;
3) Intensidade igual;
4) Aplicadas em corpos diferentes, logo não se anulam.
SISTEMAS DE FORÇA E
RESULTANTE DE FORÇAS
Existem diversos tipos de força: de atrito, peso, atração, elástica, entre outras.
Cada uma pode causar uma certa mudança de movimento, a qual depende de algo muito
importante: a força resultante, isto é, o resultado de todas as forças aplicadas em
determinado corpo. Para descobrir qual a força resultante são necessários cálculos de
soma vetorial, que é a soma de vetores.
Alguns exemplos de casos:
1º CASO) Forças com mesma direção e sentido:
Nesse caso o que se deve fazer, como mostra a figura, é somar as “setas”
(vetores), ligando o final de uma com o começo da outra. Caso os módulos das forças
tenham sido apresentados é só somar os números para ter o módulo da força resultante,
que nesses casos vai ser sempre diferente de zero, pois as forças têm mesma direção e
sentido.
2º CASO) Forças com mesma direção e sentidos opostos:
Nesse caso como os sentidos dos vetores são opostos, uma das forças recebe o
sinal negativo e assim se tira um pedaço do outro vetor, como é mostrado na figura. E
para saber o módulo da força resultante se subtrai os módulos das forças. Agora, caso os
vetores tenham o mesmo módulo (com sinais diferentes, pois têm sentidos opostos), o
resultado da força resultante será zero e não haverá mudança de movimento.
3º CASO) Forças perpendiculares:
Já nesse caso a força resultante é calculada fazendo os dois vetores saírem do
mesmo ponto, formando um ângulo de 90° e assim fazendo um paralelogramo. A força
resultante então é o vetor que sai do ângulo e vai em direção ao ponto em que os
paralelos das duas forças se encontram. A soma dos módulos é feita através da fórmula
de Hipotenusa, sendo assim:
Fr² = F1² + F2²
É importante ressaltar o fato de que a mudança de movimento só acontece se o
resultado da força resultante for diferente de zero.