Urbanismo Sustentável
Urbanismo Sustentável
Urbanismo
Sustentável
Andressa Zerbinatti
Camila Colaço
Felipe Carvalho
Thais Ferreira
Apresentação
O seguinte estudo foi desenvolvido na disciplina de Urbanismo II, da Universidade Católica de Pernambuco, orientado pelas professoras Lourdes Nóbrega e
Clarissa Duarte e visa o diagnóstico urbano, o desenvolvimento de diretrizes e planos específicos da área abordada em Urbanismo I, que compreende os
bairros dos Coelhos, Ilha do Leite, e Boa Vista. O diagnóstico foi obtido à luz dos princípios do Urbanismo Sustentável, abordados nos livros Urbanismo Sustentá-
vel, de Douglas Farr, e Cidades para um Pequeno Planeta, de Richard Rogers.
“[...] inicialmente nós moldamos as cidades depois elas nos moldam. Assim,
quanto mais humano for o espaço urbano que produzimos, mais valorizada nossa
dimensão humana estará. Uma cidade de pessoas para pessoas.” (GEHL, 2015)
1
Por um Urbanismo Sustentável
1.1. Urbanização do Recife
1.2.Urbanismo Sustentável
1.3. Do Global ao Local
2
Os 10 Princípios do Urbanismo Sustentável
2.1. Crie uma gama de oportunidades e escolhas de habitação
2.2. Crie bairros nos quais se possam caminhar
2.3. Estimule a colaboração da comunidade e dos envolvidos
2.4. Promova lugares diferentes e com senso de lugar
2.5. Faça decisões de urbanização previsíveis, justas e econômicas
2.6. Misture os usos do solos
2.7. Preserve espaços abertos, áreas rurais e ambientes em situação crítica
2.8. Proporcione uma variedade de escolhas e transporte
2.9. Reforce e direcione a urbanização para as comunidades existentes
2.10. Tire proveito de projetos de construções compactas
3
O Estatudo da Cidade
Sumário
4
Objetivo
5
Leituras Urbanas
6
Diretrizes de Planejamento
7
Planos Específicos
7.1. Plano específico para caminhabilidade
Referências Bibliográficas
Introdução
A Terra vem sofrendo diversas transformações nos últimos anos, e a sua degradação é a mais grave, sendo abordada em diversos congressos
sobre o meio ambiente e clima, onde se discutem as causas, consequências e planos para minimizar os efeitos dessa transformação. Como
um dos principais fatores, foi apontado a vida nas cidades, onde elas são planejadas sem a menor preocupação com o meio ambiente, utilizando
os recursos naturais de forma exacerbada e poluindo os ecossistemas, através das fábricas, dos automóveis e dos resíduos gerados através
do consumo exagerado.
Na contemporaneidade, diversos estudiosos, como Richard Rogers e Douglas Farr, apontam que o urbanismo sustentável é a resposta para os
problemas de destruição do meio ambiente, pois nele está inserido o conceito de desenvolvimento sustentável, onde são utilizados os recursos,
de forma consciente, para que ainda haja matéria-prima para as gerações futuras.
Essa degradação não é apenas efeito da urbanização, ela está intrinsecamente ligada ao estilo de vida que é escolhido. Ao se optar por uma vida
onde se é dependente do automóvel para as atividades diárias, a quantidade de poluição lançada na atmosfera é grande e essa escolha afeta a
saúde tanto dos habitantes quantos dos usuários dos carros, pois ar que é respirado é de péssima qualidade e os motoristas se tornam mais
sedentários.
A fim de aplicar os conceitos do urbanismo sustentável, gerar diretrizes e planos específicos para a porção do centro continental do Recife que
compreende os bairros dos Coelhos, Boa Vista e Ilha do leite, foi elaborado um diagnóstico urbano com base nas teorias abordadas nos livros
Cidades para um Pequeno Planeta (Rogers, 2015) e Urbanismo Sustentável (Farr, 2013).
O polígono estudado é caracterizado pela presença de edificações históricas, situadas no bairro da Boa Vista; pelos grandes equipamentos,
como o Hospital Esperança e o IMIP que são elementos de bastante destaque; por conter eixos viários de grande importância para o Recife, a
exemplo da Av. Agamenon Magalhães, Rua Francisco Alves e Rua dos Coelhos; pela presença de uma Zona de Interesse Social - ZEIS Coelhos; e
pela presença de ambientes naturais como o Rio Capibaribe e a Praça Miguel de Cervantes.
Esse território possui uma média habitacional de 100 hab/ha, e possui contrastes entre cada um dos bairros e até mesmo diferentes espaços
dentro da área delimitada. Em relação aos usos, possui um déficit de equipamentos voltados para os moradores, mesmo com sua baixa deman-
da populacional.
Apesar da Av. Agamenon Magalhães, que é um eixo metropolitano, encontrar-se no local estudado, o transporte público não tem uma boa distri-
buição, sendo poucas as demais vias atendidas pelas linhas de ônibus. Com isso, aumenta-se o uso de veículos privados e consequentimente
o aumento da poluição gerada pelos carros. Em contrapartida, o fluxo de pedestres é majoritariamente baixo, devido às precárias condições de
caminhabildade que existem, tornando as ruas inseguras, principalmente nos fins de semana. Nesse sentido, é elaborado um plano de caminha-
bilidade para reduzir o uso de automóveis e estimular o caminhar, para que a contaminação da atmosfera seja diminuída, melhorando a qualida-
de de vida.
Portando, com o decorrer do estudo, percebe-se que a área atualmente não atende aos princípios do urbanismo sustentável, mas ela possui
bastantes potencialidades para atingi-lo e assim preservar o planeta em que vivemos, o qual está bastante degradado.
Figura 1: Vista de Satélite do Polígono Estudado
Fonte: Google Earth
Igreja de São Gonçalo
Rio Capibaribe
Por Um
Urbanismo
Sustentável
1.1 Urbanização
do Recife
Na contemporaneidade, a urbanização do Brasil tem sido dispersa, com a desvalorização do centro, setorização dos usos, transformando bairros em
áreas monofuncionais, priorização dos automóveis em detrimento ao traçado urbano na escala do pedestre, pouca variedade de escolhas de trans-
porte, além das más condições do transporte público, ou seja, a atual situação vai de encontro aos princípios do urbanismo sustentável. Por conse-
guinte a realidade do Recife está muito diferente do cenário nacional. A formação do Recife começa por suas condições portuárias, tendo uma origem
comercial e dependente das áreas alagadas, mas sua urbanização só ocorre a partir da invasão holandesa e, com seu governo, ocorre a prosperida-
de da cidade que, em 1630, acaba recebendo a condição de capital.
“O plano urbanístico definia o traçado das ruas, na instalação de pontes e a construção de palácios, lojas de comercio e prédios públicos em frente
às margens do rio Capibaribe, bem como jardins e torres.”
A tipologia dos sobrados, que surgiu a partir da urbanização holandesa, favorecia o uso misto, sendo o térreo destinado ao comercio e/ou serviço,
com os demais pavimentos habitacionais. Assim se formou a paisagem do centro do Recife, com edificações coladas em todos os limites do lote e
grande densidade, construtiva e populacional. O crescimento dos mocambos e instalação de palafitas nos manguezais se intensifica com a Abolição
da Escravatura, quando os moradores usufruíam dos manguezais como fonte de alimento, no conhecido “ciclo do caranguejo”.
Em 1947, apesar do plano diretor, a cidade crescia em desordem urbanística, quando o engenheiro Saturnino de Brito traça um plano orientado pelo
aproveitamento da topografia local; A falta de verba e má aplicação dos meios disponíveis distorceram ou mesmo inviabilizaram a ideia original.
“Embora houvesse muitos terrenos desocupadas, em 1946, lamentava-se, além da carência de casas para alugar, a inexistência de prédios com
apartamentos. [...] com o crescimento da cidade e o consequente desenvolvimento imobiliário, os mocambos foram sendo substituídos por vilas
populares, mais distantes do centro, sendo as áreas desocupadas aterradas e loteadas para o surgimento de bairros mais elegantes. Como exemplo
dessa expulsão rumo à periferia, destacava-se a Ilha do Leite, ocupada por mocambos até meados deste século, sendo posteriormente ocupada
pelas classes alta e média.”
Enquanto isso, no centro da cidade, a arquitetura esquecida com casas do século XIX foi ocupada por diversas famílias, de forma amontoada e
desconfortável, devida ao privilégio da localização. A miséria acompanhava o crescimento urbano do Recife, e o crescimento das áreas de baixa
renda preocupava a sociedade, que declarava indispensável o afastamento da pobreza dos espaços concorridos na cidade. O Recife foi marcado
desde o princípio pelo processo de gentrificação e o domínio da elite sobre a população mais pobre.
No território estudado, houve o despovoamento do Bairro da Boa Vista e Ilha do leite, onde os habitantes migraram para o subúrbio com o advento do
urbanismo moderno. Dessa forma, um potencial construtivo foi abandonado que acabou recebendo diferentes tratamentos:
- Na Boa Vista, ele foi considerado como um elemento histórico e consequentimente preservado, mas atualmente, essas edificações não possuem
usos, desperdiçando um local que possui grande potencial para possuir uma urbanização sustentável;
- Na Ilha do leite, as edificações históricas foram substituídas por grandes edifícios verticais, os quais possuem a mesma densidade construtiva da
região preservada da Boa Vista, mas esse bairro se tornou monofuncional, abrigando os mesmos usos nas edificações.
- A formação do bairro dos Coelhos deu-se a partir de ocupações informais, que posteriormente foram transformadas em uma Zona Especial de
Interesse Social, impedindo a gentrificação. Essa região se tornou monofuncional, abrigando majoritariamente habitação.
Dessa forma, percebe-se que o movimento moderno alterou a forma que o Recife era planejado, destruindo locais importantes e o potencial para uma
urbanização sustentável, para dar lugar à áreas monofuncionais, dependentes no transporte motorizado, contribuindo para a degradação do meio
ambiente.
1600
1855
1932
1953
1980
1990
2015
Para que uma cidade seja sustentável, Farr (2013) aponta cinco atributos: Compacidade, Completude, Conectividade, Corredores de Sustentabili-
dade e Biofilia. Eles dão suporte à diversos aspectos para o funcionamento da cidade, como a caminhabilidade, preservação da natureza e
oportunidades de diferente modais de transporte, onde os atributos devem ser alinhados uns aos outros, pois na falta de um deles, o funciona-
mento da cidade, nos parâmetros do urbanismo sustentável é comprometido.
COMPACIDADE – Altas densidades, construtivas e populacionais para o funcionamento ideal de vários outros fatores relacionados ao urbanismo
sustentável, como o transporte público e favorecendo a caminhabilidade, já que a urbanização se tornaria mais compacta.
COMPLETUDE – Diversidade dos usos do solo, tipos de moradias e tipologias, proporcionando estímulos e oportunidades para se morar e cami-
nhar pela cidade.
CORREDORES DE SUSTENTABILIDADE – Permite maior quantidade de transporte e integração dos serviços públicos, a partir de uma via principal a
qual se ramifica para diversas partes da cidade, diminuindo o seu porte, variando de acordo com a densidade;
BIOFILIA – “Nome dado ao amor dos homens pela natureza com base na interdependência intrínseca entre seres humanos e os outros sistemas
vivos.” (FARR, 2013, pág. 35)
A sustentabilidade urbana é definida como a forma com que usamos os recursos naturais, sendo a sua preservação responsabilidade da comu-
nidade, onde é necessária a utilização de forma ciente e cautelosa das matérias primas, mantendo os níveis atuais para as futuras gerações. A
cultura imediatista e consumista da atualidade, a exemplo o estilo americano, é a razão pela qual esses ideais são importantes e devem ser
aplicados, prevenindo o esgotamento dos recursos atuais. Com a influência do estilo americano em nossas vidas, fez com que os veículos
particulares se tornassem a principal forma de locomoção e o parâmetro para o desenvolvimento de cidades, sem tomar as precauções com
os altos índices de poluição.
O Urbanismo Sustentável vem como resposta aos problemas causados por esse estilo de vida, estimulando a caminhabilidade e a consequente
redução do transporte motorizado, diminuição do uso das matérias-primas, que atualmente é exagerado devido à cultura consumista em que
nossa sociedade vive e a conservação do meio ambiente, já que com a redução da poluição e dos resíduos gerados pelos automóveis, fábricas
e lixo produzido, os ecossistemas se tornariam mais limpos e preservados.
1.3 Do Global
Ao Local
Atualmente, os planejamentos das cidades são feitos para atender as necessidades
individuais dos habitantes, ao invés de dar ênfase à coletividade, ou seja, aos interesses
comuns de toda a população. Como resultados são gerados espaços monofuncionais.
Em outros países existe uma preocupação com a ocupação do solo, permitindo uma
variedade de usos. Com o multifuncionalismo, o projeto urbano é feito na escala dos
pedestres, reduzindo os gastos com matéria-prima e a utilização do o transporte motori-
zado. Como exemplos podem citar Paris, Barcelona, Copenhague e Medellín, que a partir
de certo ponto mudaram sua forma de urbanização.
Em Paris as renovações feitas na cidade são pontuais, visto que a maior parte da cidade
é preservada. Dessa forma, o potencial construtivo já existente na cidade é utilizado,
abrigando diferentes usos, permitindo a compacidade e a completude. Barcelona se
caracteriza pela mobilidade urbana, já que é mais compacta, permitindo que as edifica-
ções sejam acessadas a pé. Copenhague é conhecida pela infraestrutura e forte uso das
bicicletas, enquanto que Medellín, recentemente, começaram a serem implementados
equipamentos públicos à margem do transporte público, favorecendo a locomoção dos
moradores pela cidade.
No Brasil, como citado anteriormente, ainda se tem um urbanismo muito voltado para o
automóvel. De qualquer forma, existem algumas cidades que adotaram determinados
princípios do urbanismo sustentável. João Pessoa se destaca na proteção de áreas
ambientais e Curitiba no planejamento urbano voltado para a sustentabilidade, que é a
mais verde do país e da América Latina, com uma abordagem histórica de cuidados com Figura 6: Comparação entre Paris e Recife
o meio ambiente. Fontes : Site Wanderlust e Google Maps
02
10 Princípios
do Urbanismo
Sustentável
Por que alcançar os 10 princípios?
Sendo uma união do movimento ambientalista e do crescimento urbano, os 10 princípios são intrínsecos uns aos outros, devendo funcionar em
conjunto para promover o urbanismo sustentável. Os atingir significa aplicar todos os atributos, conceituados por Douglas Farr (2013): a compa-
cidade, a completude, a conectividade, os corredores de sustentabilidade e a biofilia.
Eles abordam cada parâmetro, desde os estudos de densidades até o diagnóstico da caminhabilidade, em um território estudado, nos permitin-
do possuir uma visão diferenciada a aspectos não abordados anteriormente em planejamentos urbanos, como a colaboração das comunidades
existentes, voltando à urbanização para elas. Os princípios também norteiam o diagnóstico da área em estudo, frente aos diversos conteúdos
levantados, fazendo com que sejam analisados pontos de bastante relevância para o Urbanismo Sustentável.
Assim, com a intenção de melhorar a urbanização, devem-se estudá-los, diagnosticar uma área, sub a luz deles, e propor planos e diretrizes, a
fim de atingir o Urbanismo Sustentável.
Figura 8: Exemplificação de
alguns princípios do Urbanismo
Sustentável
Fonte: ISSUU
Gentrificação?
Com a repentina melhoria de bairros que se encontravam degradados, e a sua consequente supervalorização, ocorre a expulsão involuntária
dos habitantes desses bairros, visto que eles não podem mais custear o padrão de vida para permanecer no local em que vivem. Esse fenômeno
é denominado de gentrificação, e tem como principal fator o interesse privado, que exerce uma pressão no governo para a revitalização de
bairros decadentes e a medida que se valorizam, o mercado imobiliário ocupa a região renovada.
Diversas consequências são geradas com a “expulsão” dos moradores sendo elas:
Assim, a gentrificação não é um processo benéfico para a sociedade, pois acaba segregando e dificultando a aplicação do urbanismo sustentá-
vel, já que uma sociedade divida sempre irá procurar atender o interesse individual.
2.1 Crie uma gama de oportunidades
e escolhas de habitação
“Uma variedade de tipos de edificação permite que pessoas com diferentes rendas e estilos de vida vivam no mesmo bairro sem prejuízo para
o seu caráter ou qualidade.” (FARR, 2013; PÁG 122)
A variação dos tipos de habitação permite uma diversidade de configurações de famílias, e possibilita a sua permanência no mesmo bairro
durante todas as fases da vida, impedindo que ele seja despovoado; cria, também, uma sensação de pertencimento ao local que, por conseguin-
te, gera um maior zelo pelo bairro em que habita.
Com essa variedade, é gerada a completude que abrange também, a possibilidade de vários tipos de habitações, em um bairro. Isso causa uma
maior diversidade de pessoas, de várias classes sociais diferentes.
Para que isso ocorra, é necessário que haja uma alta densidade construtiva e uma variedade de tipologia de habitação, para que cada tipo de
família, independente de sua configuração e sua classe social, possa habitá-las, e assim gerar uma diversidade de pessoas morando no mesmo
bairro e a gentrificação.
“A zimmerman/Volk Associates classifica as famílias norte-americanas em três categorias gerais: jovens solteiros e casais, famílias tradicio-
nais e não tradicionais, e aposentados e casais cujos filhos já saíram de casa.”²
Com a melhoria de determinadas áreas, principalmente em bairros centrais, históricos ou com potencial turístico, e com o consequente aumen-
to do custo de vida nessas áreas, pode acontecer processo de gentrificação, onde os moradores do bairro não conseguem manter o padrão de
vida e consequentimente se mudam, para um bairro que possua um custo de vida mais acessível a eles. Por trás da “expulsão” dos moradores,
está o interesse privado, que contribui para a supervalorização desses bairros para que se beneficiem do aumento da especulação imobiliária.
Com a gentrificação há a segregação da população local, contribuindo para a ausência de vitalidade da área e dispersão da densidade urbana,
deixando a área menos povoada e setorizando à cidade de acordo com as classes social.
Esse fenômeno difere da revitalização, feita pelo poder público, devido a uma demanda social, onde atende a todos os interesses comuns aos
envolvidos, beneficiando assim toda a população. A variedade de tipos de habitação impede esse acontecimento, pois a medida que uma família
cria vínculos com o local em que reside, ela zela mais pelo seu bairro e previne que ele se deteriorize e acabe gerando o processo de gentrifica-
ção.
Embora exista uma baixa densidade populacional, há uma variedade considerável de tipos de habitações, principalmente na área abrangendo o
bairro da Boa Vista, possibilitando a permanência de diferentes configurações de famílias em um mesmo bairro nas diversas fases da vida e
favorecendo a compacidade, já que as tipologias encontradas ocupam toda a área do lote.
Contudo, residir no território traria consigo o uso do automóvel, pois seria necessário utilizá-lo, já que não existe uma oferta maior de escolas,
espaços públicos para lazer, usos de bairro no geral, aqueles que são essenciais para o cotidiano, pois se a distância entre eles for maior que
400 metros, distância caminhável, a probabilidade de o carro ser utilizado é maior, contribuindo para o aumento do trânsito.
Legenda
ATÉ AQ/2
MAIS DA 1AQ/2 ATÉ 1 VEZ
MAIS DE 1AQ ATÉ 2AQs
MAIS DE 2AQ ATÉ 4AQs
MAIS DE 4 AQs Figura 9: Mapa de Densidade Populacional
mostrando zoons nas áreas mais
AQ = Área de Quadra densas construtivamente.
Fonte: Elaborada pelos Autores
2.1
Devido também a segregação das comunidades, as pessoas de classes socias diferentes não se misturam, gerando padrões de
habitações bem diferentes e característicos das áreas em que estão situadas as edificações. Com a existência de lotes e edificações
sem uso, há uma potencialidade de abrigar as várias famílias as quais vivem nas margens do Rio Capibaribe, de forma precária e irregular,
nesses espaços, fazendo uso da função social que o solo deveria ter, e aproveitando o potencial construtivo já existente na área.
Outro fenômeno relacionado à habitação, a área passível de gentrificação no polígono estudado é a ZAC, com o potencial de lucro pelo seu alto
coeficiente construtivo. Contudo, outros espaços hoje protegidos por lei, seriam passíveis desse fenômeno, como a ZEIS dos Coelhos, enquanto
que a ZEPH e a ZAN, devido às diversas restrições, tanto ao gabarito quanto ao coeficiente de utilização, não despertam o interesse de investido-
res.
Legenda
ZAC MODERADA ZEPH SPA
IEP SSA2
IPAV ZEIS
MANGUE ZECP - SPM
ZAN CAPIBARIBE ZECP - SRC1
Passível de Gentrificação
Figura 10: Mapa Legislação mostrando zoom nas áreas passíveis de gentrificação
Fonte: Elaborada pelos Autores
2.2 Crie bairros nos quais se possa
caminhar
“Não apenas somos sedentários, mas escolhemos uma vida que cada vez mais se limita a ambientes fechados.” (FARR, 2013; pág 5)
Atualmente, damos preferência aos carros, devido à cultura imediatista que incorporamos dos norte americanos em nosso estilo de vida. Essa
escolha está afetando não só à saúde dos usuários de automóveis, pois estão cada vez mais sedentários, mas também está destruindo com o
meio ambiente, devido às grandes emissões de gás carbônico na atmosfera.
Os bairros que possuem distâncias caminháveis são o começo de todos os outros ideais do urbanismo sustentável. Com a possibilidade de
andar a pé até suas tarefas diárias, os habitantes contribuem para a vitalidade da área, segurança e economia local, gerando consequentimente
uma redução do uso de automóveis e poluição gerada por eles.
Uma boa caminhabilidade depende: da qualidade das calçadas e tamanho das quadras, que devem ser pensados para os pedestres; da arbori-
zação das ruas, adequada ao clima local e responsável por uma sensação de conforto nos percursos; dos diferentes usos, que atraiam os
pedestres e que evitem grandes deslocamentos realizados em carros; de interfaces amigáveis ao pedestre, para que ele se sinta seguro para
caminhar na região. Sem que essas condições para uma boa caminhabilidade sejam atendidas, fica inviável formar bairros em que se possam
caminhar.
“Jane Jacobs defendia a ideia de que as ruas com pessoas são ruas mais seguras, usando o termo “olhos na rua” para explicar que, sem perce-
ber, as pessoas são responsáveis por observar o uso dos espaços e zelar pela sua segurança.”
As calçadas encontram-se descontínuas devido à existência de elementos verticais, como postes, os quais deveriam estar na faixa
de serviço da calçada, ao invés da faixa livre destinada para o deslocamento, e também rampas de acesso para estacionamento que
2.2
ocupam toda a calçada, forçando o pedestre a caminhar na faixa de rolamento, junto aos carros. A superfície de deslocamento
encontra-se em péssimo estado de conservação existindo buracos e revestimentos que não favorecem a caminhabilidade. Em
alguns pontos do território estudado, o tamanho destinado às calçadas é tão ínfimo que praticamente ela é inexistente.
Há um déficit e uma descontinuidade de arborização, que não gera sombras suficientes para tornar o percurso agradável e faz com que sejam
percorridas grandes distâncias sem nenhuma sombra. Contudo, as árvores existentes estão mal implantadas e devidas certas as espécies
acabam contribuindo para o desgaste da superfície de deslocamento, dificultando ainda mais o caminhar no Recife. A ausência de mobiliário
urbano e áreas de permanência fazem com que o pedestre não possua espaços onde se possa descansar em sua caminhada, para continuar
o seu percurso.
Descontinuidade da Vegetação
Permeabilidade Nula
Empreseriais monofuncionais
que não atraem as pessoas
O envolvimento da comunidade no desenvolvimento dos seus próprios espaços garante que as necessidades sejam compreendidas e sanadas,
torna a ocupação dos locais uma atitude instintiva para os habitantes e cria a sensação de pertencimento e responsabilidade pela área, zelando
esses espaços construídos por eles. Com este envolvimento, ambientes naturais e áreas em situação crítica são também protegidos, gerando
uma melhora da qualidade de vida da região, com o contado com a natureza, e valorização da localidade, despertando interesse de outras
pessoas a circularem pela região.
Uma forma de atingir esses benefícios é através do placemaking, nome dado ao processo que conta com a colaboração dos moradores nas
etapas de planejamento e gestão desses sítios, transformando meros espaços em ‘lugares’, gerando uma valorização do espaço de vivem. Esse
fenômeno difere da gentrificação, por transformar a região de acordo com as necessidades das comunidades existentes, na área de interven-
ção, sem que haja uma “expulsão” desses moradores, devido à supervalorização do bairro.
“O desenvolvimento das cidades deveria ser voltado para as pessoas, e não para os carros.” (Farr 2013)
Figura 13: Oficina Realizada com as Comunidades Figura 14: Charrete estimulada para trazer melhorias às comunidades
Fonte: Google Fonte: Google
No entorno de estudo, as comunidades existentes funcionam de forma segregada, não havendo uma comunicação para que se possam gerar
propostas de intervenções que as beneficiem como um todo, fazendo com que elas ajam de forma independente, para benefício próprio.
2.3
Legenda
COMERCIÁRIOS
SERVIÇO
HABITANTES
ZEIS
SAÚDE
2.4 Promova lugares diferentes e in-
teressantes com senso de lugar
Lugares diferentes e interessantes são espaços que atraem as pessoas de diversas formas, seja pelo seu uso singular, pela forma que é utiliza-
do pelos usuários, ou também pela forma que atendem as necessidades locais, para que elas sejam supridas. A promoção de deve existir tanto
na escala do bairro, quanto de forma geral na cidade, sendo responsáveis pela noção de identidade, pelos que habitam o bairro.
Sítios históricos, edificações tombadas, edifício com grandes fluxos de pessoas e de destaque na paisagem, áreas de lazer e pontos de referên-
cia são considerados lugares com senso de lugar e fazem com que os moradores se relacionem com o local de forma mais afetivas, tornando-
-se assim ‘protetores’ do mesmo.
A formação desses espaços pode ser feitas de diversas formas, mas para que os moradores sintam-se responsável pela sua manutenção e
seu zelo, é necessário que eles participem de sua concepção, construção e ocupação.
Apesar de o território estudado possuir elementos que o identifiquem, que sejam característicos dele, esses elementos acaba não tendo uma
relação de identidade com as comunidades existentes no local, ou seja, elas sabem que esse marcos é do seu bairro, do seu cotidiano, mas são
apenas mais uma edificação no meio de tantas outras, a exemplo dos empresariais localizados na Ilha do Leite que são edifícios que se desta-
cam na paisagem e pontos de referência, mas os habitantes não conseguem se apropriar deles.
Embora exista um centro histórico, ele se torna identificável, pois suas edificações estão em péssimo estado de conservação e a população não
toma conhecimento da sua importância, deixando assim o patrimônio esquecido, alheio a sociedade.
Dos lugares com senso de lugar, os que a população se apropria pode ser citados o Mercado da Boa Vista, a Praça Miguel de Cervantes e o IMIP.
Esses locais são espaços de necessidades e por isso são os que a população mais usa.
Apesar das comunidades não participarem
da sua formação, os empresariais da Ilha do
Leite são pontos de referência para os que
moram na região;
Legenda
- Econômicas: Se referem às ações de menor valor monetário, mas de grande relevância para o entorno;
- Necessária: É aquelas de clara necessidade na área, como a manutenção de equipamentos abandonados e do patrimônio histórico;
- Justas: São ações que possuem um cunho social, onde implantadas, geram benefícios para as comunidades existentes, como por exemplo,
a utilização de vazios urbanos.
É importante ressaltar que essas interferências não funcionam de forma singular, precisando ser alinhadas com outros fatores para que
possam representar mudanças significativas e abrangendo os três parâmetros.
Uma junção das três premissas seria o desenvolvimento da área dentro dos ideais de placemaking e design building:
- Placemaking: “[...] é um processo de planejamento, criação e gestão de espaços públicos totalmente voltado para as pessoas, visando trans-
formar ‘espaços’ e pontos de encontro em uma comunidade – ruas, calçadas, parques, edifícios e outros espaços públicos – em ‘lugares’, que
eles estimulem maiores interações entre as pessoas e promovam comunidades mais saudáveis e felizes.” (Placemaking Brasil, 2012)
- Design Building: “metodologia para desenvolvimento de empreendimentos, em que a responsabilidade tanto pelo projeto quanto pela execução
é comparti¬lhada por construtores e projetistas.” (Cristiane Capuchinho, 2010) Ou seja, o desenvolvimento de projetos para a comunidade, com
a participação dela e a construção desses equipamentos pelas pessoas que os projetaram.
Esses ideais buscam as reais necessidades dos moradores, de modo que as intervenções de fato atendam às suas demandas. Com isso,
criam-se lugares de importância coletiva, com senso de lugar, que geram segurança social.
- Criação de espaços públicos nos vazios urbanos, em conjunto
com as comunidades;
- Acomodaçãodos habitantes informais em edificações sem uso.
Justa
Necessária
Econômica
2.6 Misture os usos do solo
“Uma variedade de usos permite que moradores morem, trabalhem, se divirtam, se exercitem, façam compras e satisfaçam suas necessida-
des diárias a pé.” (FARR, 2013; pág 122)
Um dos principais pilares do urbanismo sustentável é a diversidade de usos que torna os bairros mais completos e favorece a caminhabilida-
de devido à quantidade de atividades que podem ser feitas em pequenas distâncias, diminuindo ou eliminando o uso dos automóveis. Essa
diversidade está inserida na completude, que além de favorecer a caminhabilidade, traz vitalidade e segurança para o bairro, pois com o
aumento de pessoas circulando na região, aumentam-se a vigilância, os “olhos para rua”, como Jane Jacobs aponta em seus trabalhos.
“O policiamento natural ou espontâneo das ruas, aquele produzido pela proporia vigilância das pessoas é substituído pela segurança oficial e a
própria cidade torna-se menos hospitaleira e mais alienante.” ² (Rogers, 2015; pág 10)
Contudo, não basta possuir uma variedade de usos, eles devem despertar o interesse dos pedestres principalmente dos moradores, como os
usos de bairros: escolas, creches, padarias, mercadinhos, loterias, lojas de comércio, áreas de lazer, e estar a uma distância caminhável
deles, de 400 a 800 metros, pois à medida que a distância para esses aumenta, aumenta a necessidade de utilizar um transporte motorizado,
e geralmente o automóvel privado é escolhido.
Para que ainda haja suporte dessa variedade dos usos do solo, é necessário, também, que pessoas morem na região, pois não bastam
apenas os indivíduos que a circulem sazonalmente, já que elas gerariam movimento periodicamente.
No entorno estudado, as áreas habitacionais são predominantes e devido a isso, dever-se-iam encontrar usos de bairro. Contudo, são
encontrados equipamentos monofuncionais que abrigam usos específicos gerando movimento esporadicamente. Essa é a maior problemáti-
ca do território, pois a falta de usos que são utilizados no dia-a-dia, a uma distância caminhável, acaba aumentando o uso do transporte
motorizado.
Os grandes equipamentos monofuncionais, encontrados principalmente na Ilha do Leite, atraem pessoas de fora do polígono estudado, já que
abrigam usos bastante específicos, como os de saúde, que cria um comércio ao redor dos hospitais e clínicas.
Apesar da grande variedade de usos, eles encontram-se setorizados em pólos, onde há poucas áreas com uma mistura do uso do solo.
Essas áreas são encontradas no bairro da Boa vista, devido a sua formação histórica, onde foram mantidas as tipologias que conseguem
abrigar diferentes usos, ao contrário dos novos edifícios verticais, destinados a uma única função.
A variedade de usos que existe na área destacada é
devida as diferentes tipologias que permitem que uma
mistura nos usos seja realizada. Contudo, tipologias
como edificío podium, não permite que usos sejam
diversificados, tornando a área e a propria edificação
monofuncionais. Essas Tipologias ainda favorecem o
uso misto.
2.6
Edifício Caixão
- A maior taxa de solo permeável, que é responsável pelo escoamento superficial da água, evitando a sua ausência e/ou excesso na jusante;
- Relação direta com o fenômeno das ilhas de calor, pois, os solos impermeáveis costumam ser escuros e absorvem muita radiação térmica
solar;
- O espaço disponível para o encontro de moradores, sendo os parques capazes de aumentar o valor que os poderes públicos e privados estão
dispostos a pagar num imóvel;
- Estimula a população a usufruir do espaço aberto e, assim, possuir uma interação social;
- Melhora a relação entres os moradores da região e também promovem uma melhoria na saúde
“A preocupação da edificação sustentável com as ilhas térmicas urbanas, a filtragem da água pluvial, os conteúdos reciclados e locais e os
custos de ciclo de vida também está começando a alterar as práticas de infraestrutura convencionais”. (Farr, 2013; pág 38)
No polígono estudado, esses espaços encontram-se negados pela população, apesar de possuírem grande potencial. Foram encontrados largos,
praças e giradouros que poderiam se tornar excelentes espaços públicos, por menores que sejam, mas devido ao déficit de vegetação e mobili-
ário dificulta a apropriação dessas áreas, principalmente com a falta de usos produtivos no térreo, responsáveis por gerar uma maior vitalidade
urbana, dando suporte aos equipamentos públicos do entorno.
Devido à essa negação dos espaços, alguns se encontram em situação crítica, a exemplo do rio desgastado pela poluição e as praças pratica-
mente abandonadas. Essa situação potencializa a sensação de insegurança e faz com que os moradores se voltem para os próprios lotes em
busca das áreas de permanência.
Os espaços privados encontrados, não são nem utilizados devidamente pelos proprietários, nem são cedidos à população, gerando um espaço
ocioso sem função social. Muitas dessas áreas se tornam estacionamentos favorecendo o aumento do uso do carro. Dessa forma, o poder
público poderia estabelecer uma política para que os espaços ociosos e com uso indevido pudessem se tornar espaços públicos de qualidade,
onde a população participasse da sua formação.
No território há também espaços em situação crítica, como o Rio Capibaribe, que devido a sua ocupação, o degradaram a tal ponto que precisa
ser revitalizados, a fim de proporcionar mais um local de interação social.
“Os espaços mais negligenciados no planejamento urbano estão os parques e as praças de bairro que podem ser acessados por pedestres.”¹
(Farr, 2013; pág 169)
2.7
O rio que encontra-se degradado e terrenos
vazios, sem uma função social
Diferentes meios de transporte possuem diferentes horários de funcionamento, tempos de viagem, custos e maior ou menor comodidade. Ao
se deparar com o meio de locomoção tradicional lotado nos horários de pico, por exemplo, o usuário poderia então optar por outra modal, se
desejasse. Ter-se-ia, assim, sempre opções que melhor atendem aos interesses e necessidades individuais, de acordo com as variantes do
transporte. Para tanto, é necessário que o bairro possua densidades e variedades do uso do solo, compacidade e completude respectivamente,
para que dêem suporte à esses modais.
A espinha dorsal do planejamento do transporte público é proporcionar diferentes modais, a partir de uma linha central, com ramificações de
acordo com a densidade do local, para que esse transporte seja funcional e os usuários bem atendidos. Essas variantes de transporte podem
surgir com o repartilhamento das vias, gerando a redução das velocidades máximas. Portanto, a conectividade é um dos princípios importantes
para essas intervenções, integrando o transporte e os usos do solo.
A gestão da demanda de transporte é uma estratégia que visa mudar o comportamento do deslocamento pelo uso mais eficiente dos recursos,
reconhecendo que todo sistema de transporte tem limites na capacidade física. O funcionamento dessa estratégia depende do aumento da
densidade, e por ser uma forma de gerenciamento, não necessariamente está relacionada com o serviço de transporte público. O TOD é o
empreendimento urbano voltado para o transporte público e visa uma melhoria da comodidade no seu uso, para os moradores, sendo depen-
dente: da completude da região, rede viária e desenho que permita opções de transporte e boas condições de caminhabilidade, para que o
pedestre consiga acessar os terminais de transporte.
É importante ressaltar que o uso dos veículos particulares não precisa ser anulado, apenas feito com parcimônia, em situações em que o trans-
porte público não atenda. Já que os custos de veículo particular são fixos, o uso frequente torna a alternativa mais econômica, o aluguel de
veículos com cobrança a partir do tempo de uso entra como uma alternativa de diminuir tanto o uso, quanto a compra de automóveis.
No polígono estudado é perceptível a inexistência de uma variedade de modais de transporte público, sendo a linha de ônibus responsável por
atender a toda a população. Com isso, cria-se uma maior necessidade do veículo privado, já que os locais das atividades cotidianas não se
encontram próximos os suficientes para serem acessados a pé, e o transporte tradicional se torna ineficiente nos horários de pico.
O grande uso do carro está atrelado ainda à facilidade de se encontrar estacionamento, que possui uma grande oferta, principalmente na Ilha do
Leite, se encontram os grandes equipamentos monofuncionais. Mesmo os locais que são proibidos, há a permanência dos automóveis, sem que
haja fiscalização pra poder puni-los. Esses estacionamentos ainda tomam lugar dos pedestres, invadindo as calçadas ou sendo implantados em
terrenos ociosos que poderiam gerar excelentes equipamentos para as comunidades, locais esses com bom sombreamento, devido à arboriza-
ção, quando existente. Dessa forma, é preciso que mais modais sejam implementados no território estudado, para que haja a libertação do uso
do automóvel.
O transporte público existente atende apenas os grandes equipamentos, que em sua maioria são monofuncionais, ao invés de atenderem as
áreas de maior compacidade e completude, ou seja, áreas que possuem altas densidades, populacionais e construtivas, e uma variedade de
usos, pois são essas áreas que possuem um alto fluxo de pedestres e eles dariam suporte para o transporte público. Essas áreas são encontra-
das no bairro da Boa Vista.
Esses modais devem variar de acordo com a compacidade das áreas, mas ainda conectando umas as outras, ou seja, um corredor de susten-
tabilidade.
2.8
Edifícios monofucionais onde precisam ser acessados por carros Terrenos vazios, onde são utilizados como estacionamento
2.8
0 1 5 10
CORTE NA RUA DE
SÃO GONÇALO
0 1 5 10
C O R T E N A R U A D E D r.
JOSÉ MARIANO
R. JOSÉ MARIANO
0 1 5 10
CORTE NA RUA
F R A N C I S C O A LV E S
Rua dos Coelhos
0 1 5 10
CORTE NA RUA
DOS COELHOS
4,15m 6,92m ,98m 14,93m 3,68m
0 1 5 10
C O R T E N A A V.
AGAMENON MAGALHÂES
0 1 5 10
CORTE NA RUA
JOSÉ DE ALENCAR
Algumas vias foram ressaltadas com potenciais de abranger esses novos modais, sendo elas:
- Av. AGAMENON MAGALÃES: Sendo um eixo metropolitano, muitas linhas de ônibus passam por ela, mas não existe uma diversidade de tipos de
transporte público dificultando a sua utilização nos horários de pico, já que o ônibus se encontra saturado.
- R. FRANCISCO ALVES: Apesar das calçadas serem largas, parte dela é destinada à estacionamento e a faixa livre para deslocamento se torna
reduzida. Com seu potencial de repartilhamento, diferentes modais, inclusive bicicletas, poderiam passar a circular nesse importante eixo viário
e as calçadas poderiam se tornar maiores.
- R. DOS COELHOS: Por ter o hospital do IMIP nessa rua, ela deveria possuir calçadas largas, devido a grande quantidade de pedestres circulando,
e diferente modais, principalmente o transporte público, para atender as famílias que vem do interior para serem atendidas.
- R. DE SÃO GONÇALO: Possuindo 3 faixas de rolamento, uma delas é destinada à estacionamento, a qual poderia ser repartilhada para o alarga-
mento das calçadas e a implementação de ciclovias. Diferentes tipos transporte público poderiam ser implantados, pois apesar da predominân-
cia do uso residencial, há uma grande densidade populacional que poderia se utilizar dele.
- R. DR. JOSÉ MARIANO: A rua possui um potencial para diferentes transportes públicos e ciclovia, já que a predominância dos usos é comercial e
devido a isso, tornaria o acesso à esse pólo comercial mais fácil.
- R. JOSÉ DE ALENCAR: Por ter uma predominância residencial, a rua José de Alencar deveria possuir excelente caminhabilidade, mas devido às
suas calçadas estreitas e ocupadas pelo estacionamento dos carros, caminhar torna-se um desafio. Com 4 faixas de rolamentos, o seu reparti-
lhamento é possível, podendo alargar as calçadas e implantar uma ciclovia, sem deixar que o transporte motorizado seja abandonado.
2.8
2.9 Reforce e direcione a urbanização
para comunidades existentes
Os projetos urbanísticos são realizados, atualmente, com uma visão alheia ao território estudado, pois, os planejadores não possuem noção das reais necessidades que
as comunidades existentes no local precisam, gerando assim o motivo de direcionar esses projetos para essas comunidades do local. Contudo, é preciso que as
comunidades possuam diálogo, para que os interesses comuns a todas elas sejam abordados nos planejamentos urbanos, para que nenhuma seja mais beneficiada
em detrimento a outra.
Existem mecanismos para identificar quais pontos devem ser abordados durante o planejamento, sendo eles:
O Protocolo de Análise dos Bairros Inteligentes (SNAP) tem como objetivo avaliar bairros existentes em áreas urbanas e projetos propostos de renovação de vazios
urbanos de acordo com os princípios do urbanismo sustentável, priorizando empreendimentos imobiliários que resultem em bairros inteligentes e maximizem os
esforços de renovação urbana de uma cidade. Ele ajuda os integrantes das comunidades a reconhecerem os pontos fortes e determinar como aprimorar seus ativos
de modo que resultem em empreendimentos que agreguem mais valor, sejam mais atraentes e mais sustentáveis. A partir desse reconhecimento, é tirado partido dos
terrenos oportunos identificados, preenchendo os vazios urbanos nas áreas de comércio e aumenta a densidade para sustentar os usos comerciais recomendados.
Outros usos são propostos, assim de complementar o seu centro de atividades, resultando num bairro com planejamento inteligente e um centro onde se pode
caminhar e com uma ocupação de vazios apropriados.
Outra forma de direcionar a urbanização é através da charrete que é uma estratégia que conta com uma série de oficinas colaborativas, feitas in loco, as quais duram
alguns dias e contam com os integrantes das comunidades existentes, onde seu objetivo é produzir um plano viável, contendo diretrizes de intervenções para a área
estudada, que se beneficia do apoio de todos os envolvidos, tornando assim, a urbanização voltada para eles. Dessa forma, as comunidades estariam unidas a fim de
proporcionar o melhor para o local em que vivem e preservá-lo.
Através da pesquisa de preferência de imagem, IPS, os planejadores podem ter uma noção prévia das preferências e das necessidades que as comunidades de uma
área a ser planejada possuem. Com essas informações, os planejadores direcionam os projetos urbanísticos para atender essas necessidades que as comunidades
abordaram nas pesquisas.
A intervenção nos espaços sem a participação da comunidade moradora gera espaços desinteressantes, que não são ocupados e por isso se degradam ao longo do
tempo, sem o devido uso. As comunidades existentes no entorno são segregadas e não existe uma comunicação para promover os interesses desses públicos.
No entorno de estudo, as comunidades existentes funcionam de forma segregada, não havendo uma comunicação para que se possam gerar propostas de interven-
ções que as beneficiem como um todo, fazendo com que elas ajam de forma independente, para benefício próprio. Apesar disso, não é realizado nenhuma forma de
integração entre ela e mostrar que ao invés de manter-se separadas, ela deveriam se unificar para que assim, seus interesses sejam atendidos. A intervenção nos
espaços sem a participação da comunidade moradora gera espaços desinteressantes, que não são ocupados e por isso se degradam ao longo do tempo, sem o devido
uso. As comunidades existentes no entorno são segregadas e não existe uma comunicação para promover os interesses desses públicos.
Figura 18: Oficina Realizada com as Comunidades Figura 19: Charrete estimulada para trazer melhorias às comunidades
Fonte: Google Fonte: Google
2.10 Tire proveito de projetos e
construções compactas
A compacidade e a completude são a base para possuir uma urbanização compacta e sustentável, pois a ocupação do solo se torna menos dispersa, reduzindo os
gastos com energia e matéria-prima, e preservando áreas naturais não ocupadas. Pode ainda ser citado como outros benefícios:
“Empreendimentos compactos também são bons para a natureza. Aumentar a população de um local já urbanizado ajuda a proteger áreas virgens e sensíveis por meio
da concentração urbana em uma só parte de uma bacia hidrográfica e serve para manter um habitat viável no resto da região.” (FARR, 2013; pág 32)
Para que altas densidades sejam atingidas, é preciso que exista uma grande quantidade de pessoas morando em um bairro (densidade populacional), por exemplo, e
também uma tipologia que favoreça uma grande quantidade de área construída (densidade construtiva), sem que elas se dispersem, expandindo a cidade e utilizando
toda a área do lote.
Contudo, atualmente no Recife, o Plano Diretor vigente define muito a forma que a edificação irá ocupar o lote, estabelecendo recuos e taxas de ocupação para a elas.
Assim, ao invés de se construir em toda a área do lote, é deixada uma área remanescente que não é nem “doada” para o espaço público e nem favorece uma urbaniza-
ção compacta, gerando uma verticalização excessiva devido aos grandes coeficientes de utilização.
Como consequência dessa legislação, a arquitetura se torna meramente lucrativa e acaba não favorecendo a sustentabilidade e o urbanismo sustentável, elas acabam
desperdiçando a população, gerando subúrbios com baixíssimas densidades e aumentando o consumo de matéria-prima, principalmente das não renováveis, e o
consumo de energia. Essas edificações ainda não possuem nenhuma ligação com a comunidade e o lugar, em que está sendo inserida, fazendo com que as pessoas
não se identifiquem com ela, não gerando o senso de lugar e o zelo por ele.
Legenda
1 2 3
4 5 6
7 8 9
10 11 12
O Estatudo
da Cidade
O Estatudo da Cidade
O estatuto da cidade é uma lei federal que estabelece políti-
cas urbanas para a formação e o crescimento das cidades,
antes não previstas pela constituição federal de 1988 (ver
ano). Esse estatuto prevê a garantia de uma gestão democrá-
tica, formação de cidades sustentáveis, e o uso social do solo,
onde todos os cidadãos tem o mesmo direito sobre ele.
No caso desses terrenos ociosos, que não possuem usos que beneficiem o terri-
tório, deve se utilizar o parcelamento, edificação ou utilização compulsória, o
IPTU progressivo no tempo, a desapropriação com pagamento em títulos da
dívida pública, pois eles agem em nesses lotes, a fim de que eles gerem um uso
que beneficiem os moradores e que o solo possua uma função social. Contudo,
o IPTU progressivo no tempo é um dos instrumentos que mais favorece esses
intuitos, pois o proprietário acaba gerando uma dívida a mais para o seu
terreno ocioso.
Nas edificações de grande porte, deveria ser feito um estudo de impacto de
vizinhança, para que não gerasse problemas em longo prazo, e que medidas
devam ser tomadas para amenisá-las e assim o território não sofresse tanto
com a edificação.
Para as habitações informais, como elas estão há um período considerável no
território, é favorável que seja dado o usocapião do solo em que habitam,
caso não haja queixas por parte do dono do terreno.
Objetivo
Objetivos
Leituras
Urbanas
06
Diretrizes de
Planejamento
Princípio 1: Crie uma gama de oportunidades e escolhas de habitações
No polígono de estudo, a presença de vazios construídos gera uma grande oportunidade habitacional, aliada a oferta de transporte público com uma variedade de linhas
de ônibus nas ruas principais. Apesar da existência de áreas habitacionais de baixa renda, estas estão protegidas por lei, sendo classificadas como ZEIS, o que impede
o acontecimento de um processo de gentrificação. No entanto, a densidade habitacional não é equilibrada e por isso não garante uma vitalidade permanente no centro
continental, sendo muitos dos usos encontrados na região responsáveis pela movimentação das ruas apenas durante os horários comerciais. Essa variação discre-
pante de densidade habitacional e carência de habitações flexíveis, associadas ao déficit de espaços comunitários de lazer torna a área pouco atrativa para certos
indivíduos, fazendo com que a área tenha uma ausência de públicos variados e tornando os espaços monofuncionais.
Oportunidades:
Presença de transporte público, ônibus, Presença da ZEIS, dificultando a Presença de vazios construídos
circulando no polígono. gentrificação
Desafios:
Densidade habitacional não equilibrada Carência de tipos de habitações Carência de espaços livres públicos de
lazer
Diretrizes:
- Incentivar o uso habitaciona, tornando o polígono utilizado durante todo o dia;
- Reabilitar edificações abandonadas, de forma que se possa aproveitar o
potencial construído e minimizar os impactos ambientais da constante
renovação do espaço urbano, forte característica da cidade do Recife;
- Diversificar as tipologias, para atender diferentes configurações de famílias;
Boa quantidade de áreas com fluxo de Variedade de usos a uma distância Presença de terrenos com potencial de
pedestres intenso/moderado caminhável implantação de novos usos/lazer
Desafios:
Degradação, inadequação dos Usos não voltados para os moradores Falta de estímulo a caminhabilidade
passeios e tipos de calçadas
Diretrizes:
- Aumentar a presença vegetal para um maior sombreamento dos percursos;
- Repartilhar a rua e adequar as calçadas, favorecendo a caminhabilidade e os
espaços de permanência;
- Propor usos que gerem movimento na rua e possam ocupar os espaços
ociosos, de forma que exista uma vigilância social durante todo o dia.
Oportunidades:
Diretrizes:
- Criar oficinas de integração, a exemplo das charretes, com a participação
de todos os habitantes para que as ação e planos sejam de comum acordo;
- Estimular a implantação de diferentes usos, com o intuito de gerar uma
troca/convivência, sendo responsável por uma aproximação das diferentes
comunidades presentes no entorno.
Oportunidades:
Existência de edifícios significantes que Existencia de lugares históricos com Edificações que servem como pontos Existência de edificações com carga
se destacam na paisagem uso de memória de referência histórica/identidade de local
Desafios:
Oportunidade:
Diretrizes:
- Propor conectividade entre as quadras através de projetos e ações, criando
assim uma quebra da setorização e uma relação entre os diferentes usos;
- Possibilitar o térreo com usos mistos para maior compacidade e completu-
de, gerando um espaço público ‘saudável’, seguro e interessante;
- Identificar áreas com potencial para usos mistos, garantindo diferentes tipos
de público em diferentes horas, de forma que o espaço tenha sempre uma
vitalidade urbana.
Princípio 6: Faça decisões justas
Diretrizes:
- Pintar as faixas de pedestres;
- Consertar de postes de iluminação;
- Adequar as calçadas;
- Revitalizar as praças, com a implantação de mobiliário e a manitenção das
áreas verdes;
- Criar espaços públicos nos vazios urbanos, em conjunto com as comunida-
des, fazendo valer o uso social do solo que o Estatuto da Cidade propõe;
- Utilizar o potencial construtivo já existente, através de uma política pública.
- Acomodar os habitantes informais em edificações já existentes, que
atualmente encontran-se sem uso;
- Instituir uma normativa para ceder uma porção de grandes equipamentos
para o espaço público, a fim de gerar mais espaços de permanência.
Oportunidades:
Grande potencial de caminhabilidade Presença do Rio Lotes com potencial sem uso
Desafios:
Oportunidades:
Desafios:
Existência de áreas com usos diversos Legislação que conserva o adensa- Existência de áreas compactas
mento construtivo (ZEPH, ZEIS)
Desafios:
Formas geradas pelo plano diretor Falta de edificações de uso Legislação estimula a construção de
habitacional edificações não compactas
Diretrizes:
- Revitalizar áreas degradadas e/ou abandonadas, usufruindo o espaço
urbano o máximo possível;
- Elaborar planos/projetos e normativas que estimulem o adensamento
construtivo/populacional e o uso misto, criando assim edificações compac-
tas.
07
Planos
Específicos
7.1 Plano específico para a
Caminhabilidade
O Plano de Caminhabilidade foi desenvolvido com a finalidade de melhorar os percursos dos pedestres, que se encontram em estado crítico, para que assim o caminhar
seja incentivado, fazendo com que as atividades cotidianas sejam realizadas a pé.
Conectando pontos diferentes e interessantes com senso de lugar, foi criado um percurso, a fim de selecionar ruas as quais vão ser abordadas nesse plano. A partir
disso, foram comparadas as rotas oferecidas pelo Google Maps e as rotas traçadas pelo Plano Centro Cidadão, com o percurso criado, para mostrar que com um estudo
da área, rotas mais atrativas podem ser criadas.
Os pontos escolhidos para criar esse percurso por serem geradores de movimento, por terem um valor histórico e por serem pontos de necessidade, sendo eles:
Onde a Av. Agamenon Magalhães, Rua Francisco Alves, Rua José de Alencar, Rua dos Coelhos e Rua São Gonçalo tem potencial de repartilhamento da via para melhorar
a caminhabilidade e abrigar diferentes modais de transporte.
Oportunidades:
Boa quantidade de áreas com fluxo de Variedade de usos a uma distância Presença de terrenos com potencial de
pedestres intenso/moderado caminhável implantação de novos usos/lazer
Desafios:
Degradação, inadequação dos Usos não voltados para os moradores Falta de estímulo a caminhabilidade
passeios e tipos de calçadas
Diretrizes:
- Aumentar a presença vegetal para um maior sombreamento dos percursos;
- Repartilhar a rua e adequar as calçadas, favorecendo a caminhabilidade e os
espaços de permanência;
- Propor usos que gerem movimento na rua e possam ocupar os espaços
ociosos, de forma que exista uma vigilância social durante todo o dia.
Devido à existência de habitações informais na margem do Rio Capibaribe, ao propor no plano de caminhabilidade que essa margem fosse
revitalizada, faz-se necessário relocar essa população para outras áreas. Contudo, elas precisar ser transferidas para um local próximo ao rio,
já que possuem uma ligação muito grande com ele.
Dessa forma, uma diretriz gerada para que possa haver esse tratamento do rio é relocar a família existente para lotes vazios e que possam
abrigar um uso residencial, assim, os terrenos ociosos irão ter uma função social, prevista no Estatuto da Cidade. Essas comunidades podem
ser relocadas, também, para edificações já existentes, que atualmente estão sem uso, utilizando o potencial construtivo do território em
análise, portanto, não seria necessário construir uma nova edificação, poupando matéria prima e locais que poderiam abrigar um outro uso,
princípios que o urbanismo sustentável aborda.
Artigos Online:
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- BRASIL, Placemaking. O que é Placemaking?. Disponível em: <http://www.placemaking.org.br/home/o-que-e-placemaking/>. Acesso em: 21 set. 2017.
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- TANSCHEIT, Paula. Placemaking x gentrificação: a diferença entre revitalizar e elitizar um espaço público. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/791764/pla-
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- GAETE, Constanza Martínez. 10 razões para desenhar cidades pensando nas comunidades. Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/br/805298/10-razoes-pa-
ra-desenhar-cidades-pensando-nas-comunidades>. Acesso em: 18 nov. 2017.
Normativas:
- TERRITÓRIO NACIONAL. LEI No 10.257, DE 10 DE JULHO DE 2001. n. 10.257, de 10 de jul. de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece
diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências.. Estatuto da Cidade. Brasília, p. 1-69, jul. 2001. Disponível em: <http://www.geomatica.ufpr.br/portal/wp-
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- CIDADE DO RECIFE. LEI Nº 17.511/2008 n. 17.511, de 29 de dez. de 2008. PROMOVE A REVISÃO DO PLANO DIRETOR DO MUNICÍPIO DO RECIFE.. Plano Diretor. Recife, p. 1-52, dez.
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JACOBS, Jane. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo: Martins Fontes, 2001. 510 p.









