Índice
I. Introdução...................................................................................................................1
II. Objectio Geral:..........................................................................................................2
III. Objectioo eopecífcoo:..............................................................................................2
IV. Contextualização.......................................................................................................3
V. Oo 5 princípioo de Panchoheel ou Coexiotência Pacífca............................................5
VI. Conferência de Bandung...........................................................................................6
VII. Objectioo da conferência de Bandung...................................................................7
VIII. Princípioo para a defeoa da paz...............................................................................7
IX. O ourgimento do Moiimento doo Nao Alinhandoo..................................................8
X. Concluoão.................................................................................................................10
XI. Bibliografa...............................................................................................................11
I. Introdução
O período que segue o fim da II Guerra Mundial, foi também marcado pelas tensões
político ideológicas da Guerra Fria. Durante este período houve um clima de
competição entre os Estados Unidos da América (Capitalistas) e a URSS (Socialistas)
que disputavam uma posição de hegemonia Mundial e é neste contexto que surge o
movimento neutro que tinha como missão o não alinhamento ao Capitalismo e ao
Socialismo. Este Movimento foi designado Movimento dos Não Alinhados.
O grupo se propôs a trazer a génese da formação deste movimento, as razões que
levaram a criação deste, os objectivos da criação deste e por fim o impacto que este
movimento gerou a nível das relações internacionais no que se refere a interacção dos
países que englobam o movimento e os que não faziam parte do mesmo. O presente
trabalho é uma ilustração dos efeitos da guerra fria entre a URSS e os EUA. E é de
extrema importância salientar que neste processo, os países africanos e asiáticos
passam a ser actores das relações internacionais, deixando assim de desempenhar o
papel de objecto das mesmas como acontecera anteriormente.
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II. Objectivo Geral:
Ilustrar o processo de formação do Movimento dos Não Alinhados.
III. Objectivos específicos:
Entender o processo para a formação do Movimento dos Não alinhados;
Entender o contexto em que foi formado o Movimento dos Não Alinhados;
Compreender a importância da conferência de Bandung na formação do
Movimento e o impacto para as Relações Internacionais.
Palavras-chave: Princípios de Panchsheel, Conferência de Bandung, Movimento dos
não alinhados.
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IV. Contextualização
Segundo Bissio 2015, em meados de 1950, o mundo começava a sentir as
consequências da Guerra Fria. Os factores que caracterizavam este período foram as
grandes guerras em que as potências nucleares se envolveram principalmente as da
koreia, do Vietnã e do Afeganistão. E que foram travadas directamente umas com as
outras.
A ideia dominante nessas regiões na década 1950 e 1960 era o nacionalismo que tinha
sido gerado a partir da experiência de luta anticolonial. A partir de 1945 o mundo
colonial tinha sido transformado com o surgimento de Estados independentes que
eram soberanos. Entre 1945 e 1960 vários países já tinham emergido da luta contra a
dominação colonialista, as independências continuaram a ser conquistadas nas
décadas seguintes até eliminar praticamente do cenário internacional o Sistema de
dominação colonial. Estas mudanças na Ásia e África transcorridas no marco da
Guerra Fria, marcavam uma nova etapa nas relações internacionais.
De acordo com Vaisse, os anos de 1955 e 1956 não marcaram o fim da Guerra Fria
tida como o mundo bipolar que surgiu depois da II Guerra Mundial, mas sim, foi um
período intermédio em que o mundo passou a assistir um confronto ideológico entre
dois blocos pois, os Estados Unidos da América tudo faziam para acabar com o
socialismo e por sua vez a URSS também queria eliminar o Capitalismo. Portanto,
este momento de desarmamento é tido como de Coexistência Pacífica.
Conforme este autor, esta coexistência pacífica resultou em uma nova forma de
relação entre o leste e o ocidente e consequentemente o nascimento do Terceiro
Mundo que inclui não só países asiáticos mas africanos que haviam alcançado
independência pois depois da descolonização asiática sucedeu a africana que originou
o movimento dos Não alinhados.
Vaisse afirma que em 1955 em Bandung, na ausência das grandes potências, os países
do Terceiro Mundo proclamam a sua vontade de independência e em 1956 no Suez, a
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Inglaterra e a Iugoslávia perdem a sua hegemonia diante países do médio oriente. É
neste contexto que o Terceiro Mundo passa a ser usado como sujeito das relações
internacionais e em consequência disto muda o paradigma de forma paulatina.
Substitui-se o confronto ideológico com uma competição económica, pela corrida ao
armamento e pela conquista dos espaços próprios, apesar de algumas crises violentas
como de Berlim e Cuba. Com a desestabilização da Polónia e Hungria, surgem crises
e divergências sino-soviéticas.
Segundo Vaisse, na segunda fase de descolonização na Ásia e África surgem
movimentos de emancipação devido ao subdesenvolvimento e ao grande crescimento
demográfico denominado Terceiro Mundo e que na Conferência de Bandung ganha
consciência da sua existência. Em 1955 os Não-Alinhados conseguem uma vitória
diplomática na crise do canal de Suez e por consequência transformam a organização
das Nações Unidas.
A URSS explorando a vontade da emancipação do Terceiro Mundo alcançou vitórias
e revezes em algumas áreas e foi na liderança de Krutchev que a URSS instalou o
comunismo no médio oriente e em Cuba. No médio oriente o fornecimento de armas
da Checoslováquia ao Egipto transformou a nacionalização do canal de Suez em um
conflito. A luta pela influência ganhou espaço depois da II Guerra Mundial, no
entanto, o comunismo soviético ganhou espaço nos países Não-Alinhados numa
Conferência de solidariedade afro-asiática no Cairo em Dezembro de 1957 e na ONU
em 1960 numa sessão tumultuosa.
Droz e Rowley 1991, afirmam que o Terceiro Mundo surge no contexto de
desenvolvimento económico e do atraso nas estruturas sociais devido a
descolonização que tomaram consciente as revindicação desses países.
Os países do Terceiro Mundo são unânimes em não aceitar o colonialismo dando
origem em Abril de 1955 em Bandung, a Conferência denominada afro - asiática. Os
participantes desta Conferência podiam ter suas diferenças ideológicas e de modelos
de desenvolvimento proclamados pelos participantes, razão pela qual na época, era
formado por um confronto homogéneo do que hoje.
A conferência de Bandung é tida como os três ‘’A’’, Ásia, África, América latina e
actualmente os países apresentam situações desiguais de desenvolvimento e
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maturidade política.
V. Os 5 princípios de Panchsheel ou Coexistência Pacífica
Segundo Lenko, os princípios de Panchsheel foram estipulados entre a Índia e a China
em Abril de 1954. Em consequência do aumento do potencial militar do Paquistão,
Nehru melhorou as relações com a China e com o Tibete ocupado pelas tropas
chinesas desde 1950 no acordo entre o Governo da Republica da Índia e o Governo da
República Popular da China, não se dizia nada sobre o comércio e inter-curso entre a
região do Tibete, da China e Índia. No acordo não se dizia nada sobre a demarcação
da fronteira entre a Índia e o Tibete, mas se estipularam os 5 princípios de
coexistência pacífica ou Panchsheel que são princípios básicos da política bilateral e
são respectivamente:
Respeito mútuo á integridade territorial e soberania;
A não agressão mútua;
A não interferência mútua;
A igualdade e o benefício mútuo;
A coexistência pacífica.
Segundo este autor, as relações cordiais entre a China e a Índia representam um
perigo para os Estados Unidos da América por causa da população de ideologia
comunista e sua expansão nas condições da democracia indiana aumentada.
Os estrategas da defesa americana e britânica e a República Popular da China
reflectida em Panchsheel, pensaram em elaborar um plano para afastar a Índia da
República popular da China com intuito de prevenir a sua possível transição para o
socialismo, por isso, precisavam explorar os pontos fracos da Índia. Tentam
convencer a China que a Índia resolve os problemas pela força e devia ser contida
com um golpe preventivo, os aliados ocidentais encontraram a questão da
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descolonização como forma de acabar com a aproximação entre a China e Índia.
Segundo os princípios de Francis Bucon a colisão militar entre a China e a Índia,
acabaria pelo menos por algum tempo com o crescimento de simpatias comunistas
dentro da Índia pois a URSS não estava disposta a lutar a favor da Índia contra a
China para desacreditarem o Panchsheel abordaram questões de nacionalismo dos
indianos, o que podia acabar com aproximação entre os dois países.
VI. Conferência de Bandung
A Conferência de Bandung foi realizada entre 18 e 24 de Abril de 1955. Segundo
Bissio. No ano de 1955, chefes de Estados de 29 nações asiáticos e africanos dos
quais estiveram presente: Afeganistão, Arábia Saudita, Birmânia, Camboja, China,
Ceilão, Etiópia, Egipto, Filipinas, Gana, Guiné, Índia, Indonésia, Irão, Iraque, Iémen,
Japão, Jordânia, Laos, Líbano, Líbia, Libéria, Nepal, Paquistão, Síria, Sudão,
Tailândia, Turquia, Vietnã, e os representantes de movimentos de libertação,
reuniram-se em Bandung, na cidade de indonésia, pela primeira vez, uma
significativa parcela da Humanidade, antes marginalizada, fez respeitar o
enquadramento na rígida racionalidade da Guerra fria.
A Conferência de Bandung é considerada um marco na história das relações
internacionais no século XX, pelo facto de Bandung ter consagrado o Movimento dos
Não-alinhados e do Terceiro Mundo. Estavam dois representantes do BRIC’S ( Brasil,
Rússia, Índia, China e África do Sul), a Índia e china Representadas pelos primeiros
ministros, Jawaharlal Nehru e Chau em Lai. Em Bandung marcou-se a vontade de
aceleração no processo de libertação do mundo colonial e mostrou o caminho para a
inserção internacional para do movimento dos Não-Alinhados.
De acordo com Esteves 2012, a Conferência tratou de várias questões comuns dos
países da África e da Ásia, desde os problemas políticos, económicos e sociais, a
necessidade de actuação conjunta com vista a revisão dos termos para a ordem
mundial.
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VII. Objectivos da conferência de Bandung
Esteves 2012 afirma que, a Conferência tinha como objectivos:
Garantir a manutenção e promoção da paz e da segurança regional pelo
estabelecimento de dez princípios gerais de cooperação amigável;
Buscar a prosperidade comum e bem-estar de todos a partir da cooperação
económica, social e cultural;
Impedir que a Guerra Fria se alastrasse.
Segundo Bissio 2012, entre os principais pontos da agenda na conferência de
Bandung era estruturar uma força política, de terceiro mundo. A aliança era como
uma estratégia para superar o legado colonial que as independências não tinham
conseguido deixar para trás, que por vezes preconizava o colonialismo. E foram
apresentados 10 princípios para a manutenção da paz.
VIII. Princípios para a defesa da paz
I. Respeito aos direitos humanos fundamentais de acordo com os fins e princípios
da carta das Nações Unidas;
II. Respeito a soberania e integridade de todas as nações;
III. Reconhecimento da igualdade de todas as raças e de todas as nações grandes e
pequenas;
IV. Não intervenção e não ingerência nos assuntos internos dos demais países;
V. Respeito do direito de toda a nação a se defender individual ou colectivamente de
acordo com a carta das nações unidas;
VI. Rejeição do recurso aos acordos de defesa colectiva destinada a servir os
interesses particulares das Grandes Potências sejam
7 quais forem elas;
VII. Abstenção de actos ou de ameaças de agressão ou do emprego da força contra a
integridade territorial ou independência política do país;
VIII. Solução de todos os conflitos por meios pacíficos, tais como a negociação ou
conciliação, a arbitragem, ou recurso perante os tribunais, assim como outros
meios pacíficos que possam adoptar os países interessados, de conformidade com
a Carta das Nações Unidas;
IX. Fomento dos interesses mútuos e de cooperação;
X. Respeito da justiça e das obrigações internacionais.
Segundo esta autora os 10 princípios mostravam um plano de acção diplomática como
deixavam clara a sua vontade dos países asiáticos e africanos pronunciar-se
nitidamente a favor da negociação e da saída diplomática para conflitos e na
condenação do uso da força.
IX. O surgimento do movimento dos Não-Alinhados
Segundo Rothfeld e Melo 2013, os países não alinhados são um grupo dos países que
deu surgimento ao termo terceiro Mundo que passaria a caracterizar também os
países da América Latina, a Formação do grupo foi em setembro de 1961 na cidade de
Belgrado na Iugoslávia, em uma conferência. O movimento dos Não-Alinhados optou
pela neutralidade e foi um jogo político para defender os seus interesses.
Vigevani 1960 (cit. Rothfeld e Melo 2013) a neutralidade do domínio externo se
expressa quando na existência de um conflito não optarem nem pelo Capitalismo nem
pelo Socialismo.
De acordo com Bissio 2012, em 1956 os líderes jovens de Estados da Ásia, África e
Europa, Abdel Nasser do Egipto, Jawaharlal Nehru da Índia e Josip Broz Tito da
Iugoslávia reuniram-se em Brione na Suíça e emitiram um pedido para as super-
potências para pôr fim a Guerra Fria e dar início a princípios que levaram a formação
do movimento dos Não-alinhados. A associação livre dos países que durante a Guerra
Fria não tinham nenhum compromisso formal com qualquer dos dois blocos
antagónicos dirigidos pelos Estados Unidos da América e a URSS.
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Segundo Bittencourt, o movimento dos não alinhados surgiu a partir da conferência
de Bandung. Os países do Terceiro Mundo reafirmaram um espaço de actuação
política no cenário internacional defendendo sua independência face a pressão dos
dois blocos mundiais do poder, condenando a manutenção de regimes coloniais e
acusando as pretensões neocolonialista de algumas nações.
O terceiro encontro dos países Não-alinhados foi em Lusaka, Zâmbia, de 8 a 10 de
Setembro de 1970, com a participação de 54 membros plenos e foi aprovada a
declaração de Lusaka sobre a Paz, independência, desenvolvimento, cooperação e
Democratização das Relações Internacionais. O documento mostrava que os temas
económicos tinham recebido prioridade nos debates e isso diferenciava dos encontros
anteriores. O movimento passou a dividir-se em dois blocos de discussão, política e
económica ( Bissio 2012).
A IV Conferência dos não Alinhado foi realizada entre 5 e 9 de 1973, em Argel, é
considerada uma das mais importantes, porque apareceram 75 países membros da
América Latina, a Argentina e o Perú participaram pela primeira vez e o Chile
socialista foi representado pelo líder Salvador Allende. Havia uma necessidade de
implementar uma nova Ordem Informativa Internacional (NOII).
Segundo Kocher 2015, o Movimento dos Não Alinhados teve um grande impacto na
arena Internacional, pois a força deste movimento nas relações internacionais
necessariamente provocaria a necessidade de substantivas modificações nas políticas
externas dos Estados. A construção de novas percepções do papel dos seus Estados
Nacionais no cenário Internacional, levaria algum tempo para ser reformulada, uma
vez que, sem a descolonização os países da região precisariam mudar suas orientações
de política externa e não reconstruir as mesmas.
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X.Conclusão
Findo o trabalho o grupo conclui que, o movimento dos não alinhados era um grupo
de países que acabavam de conquistar as suas independências e que não aderiram nem
ao capitalismo, nem ao socialismo, mas estavam dispostos a manter relações
comerciais com os dois blocos. Eram contra o colonialismo, o racismo e o
imperialismo.
O primeiro encontro dos países Não-Alinhados foi em Bangung 1955, onde
manifestaram a vontade de acabar com a Guerra Fria, mas foi na Iugoslávia em 1961
que os países não alinhados reuniram-se para formar o movimento, onde apresentaram
princípios para por fim a Guerra Fria.
Á criação deste movimento antecedem-se vários acontecimentos tais como os 5
princípios de Panchasheel 1954 que aproximavam a Índia da China, e essa
aproximação apresentava um perigo aos Estados Unidos da América e aliando-se aos
britânicos, procuraram uma maneira de acabar com a aproximação da China a Índia. E
o facto da Índia ter problemas da descolonização, foi um espaço que os aliados
ocidentais encontraram para acabar com a aproximação.
Com o passar do tempo mais países foram alcançado suas independências e aderindo
ao movimento e até 1950 faziam parte 54 membros e em 1973, 75 países faziam parte
do movimento. Os países não alinhados rejeitavam qualquer aliança militar.
A Conferência de Bandung e a formação do Movimento dos Não-Alinhados marcou
as Relações Internacionais do século XX, pois em Bandung pela primeira vez
representantes de 29 países que buscavam um feito histórico, se faziam ouvir pela
primeira vez. A conferência de Bandung consagrou a emergência da criação deste
Movimento.
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XI. Bibliografia
BISSIO, Beatriz. A posterioridade do espírito de Bandung: continuidade e rotura na
diplomacia do sul 1955-2015. 2015.
BISSIO, Beatriz. A Guerra Fria vista a partir do sul.
BITTNCOUR, Marcelo. Descolonização, lutas de libertação nacional e
independência.
DROZ. B. et Rowley. A. História do século XX. Lisboa. 3º Volume. 1991
ESTEVES, Paulo. A cooperação para o desenvolvimento, os BRIC’S e a política
externa brasileira. 2012.
KASPI, André. História das Relações internacionais.
KOCHER, Bernardo. História das Relações Internacionais e História da Política
Externa. 2015.
LENKO, Oleksander. Da metodologia do estudo da conspiração contra a Índia
portuguesa até as marchas dos satyagraha e a revolta em Dadrá e Nagar-aveli.
ROTHFED, André et Melo, Pedro.S. Movimento dos Não-Alinhados: desarmamento
e autodeterminação nacional no contexto da Guerra Fria. 2013.
VAISSE, Maurice. As Relações Internacionais desde 1945. Lisboa, 10 Ed.
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