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Educação e Meio Ambiente: Conexões Essenciais

O documento discute a relação entre educação e meio ambiente. Aborda a importância da educação ambiental na formação de estudantes de cursos de licenciatura e propõe refletir sobre como as questões ambientais devem ser articuladas com o cotidiano escolar. O capítulo inicial apresenta referências teóricas que fundamentam as discussões posteriores sobre o tema.

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Educação e Meio Ambiente: Conexões Essenciais

O documento discute a relação entre educação e meio ambiente. Aborda a importância da educação ambiental na formação de estudantes de cursos de licenciatura e propõe refletir sobre como as questões ambientais devem ser articuladas com o cotidiano escolar. O capítulo inicial apresenta referências teóricas que fundamentam as discussões posteriores sobre o tema.

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ADRIANA ASSUMPÇÃO

Educação e meio ambiente

1ª Edição
Autora
Adriana Assumpção

Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e
Editoração
Sumário
Organização do Livro Didático........................................................................................................................................4
Introdução...............................................................................................................................................................................6
Capítulo 1
A RELAÇÃO ENTRE EDUCAÇÃO E MEIO AMBIENTE...............................................................................7
1.1. Meio Ambiente em suas Diferentes Dimensões: Naturais, Sociais e Culturais,
Econômicas etc.. ...................................................................................................................................... 10
1.2. O ser humano como parte integrante da natureza................................................................................. 13
1.3. A Dimensão Socioambiental da Educação e seu papel estratégico.................................................. 18
Capítulo 2
AFINAL, O QUE É EDUCAÇÃO AMBIENTAL? ............................................................................................ 22
2.1. O Papel da Educação Ambiental frente à Crise Ambiental Vigente.................................................. 23
2.2. A Educação Ambiental e seus Âmbitos........................................................................................................ 31
Capítulo 3
DIFERENTES ESFERAS, UM MESMO OBJETIVO..................................................................................... 35
3.1. A Educação Ambiental Formal ....................................................................................................................... 36
3.2. A Educação Ambiental Não Formal............................................................................................................... 39
3.3. A Educação Ambiental Informal..................................................................................................................... 44
Capítulo 4
A TRAJETÓRIA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL: DAS GRANDES CONFERÊNCIAS À POLÍTICA
NACIONAL ( LEI N. 9.795/1999).......................................................................................................................... 46
4.1. A Trajetória da Educação Ambiental............................................................................................................. 47
4.2. Os Principais Avanços da Educação Ambiental no Campo da Legislação....................................... 56
Capítulo 5
EDUCAÇÃO AMBIENTAL, DESENVOLVIMENTO E PROMOÇÃO DA SUSTENTABILIDADE ....... 66
5.1. O Conceito de Desenvolvimento.................................................................................................................... 67
5.2. As Relações entre Educação Ambiental e Desenvolvimento............................................................... 72
5.3. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).................................................... 76
Capítulo 6
JUSTIÇA AMBIENTAL E DESASTRES AMBIENTAIS ......................................................................................... 79
6.1. Justiça Ambiental ................................................................................................................................................ 80
6.2. Desastres Ambientais......................................................................................................................................... 81
6.3. Os Desastres Ambientais Relacionados com a Crise Climática........................................................... 87
Referências ......................................................................................................................................................................... 91
Organização do Livro Didático
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em capítulos, de forma didática, objetiva e
coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre outros
recursos editoriais que visam tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também,
fontes de consulta para aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares.

A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização do Livro Didático.

Atenção

Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a


síntese/conclusão do assunto abordado.

Cuidado

Importante para diferenciar ideias e/ou conceitos, assim como ressaltar para o
aluno noções que usualmente são objeto de dúvida ou entendimento equivocado.

Importante

Indicado para ressaltar trechos importantes do texto.

Observe a Lei

Conjunto de normas que dispõem sobre determinada matéria, ou seja, ela é origem,
a fonte primária sobre um determinado assunto.

Para refletir

Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa
e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio.
É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus
sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas
conclusões.

4
Organização do Livro Didático

Provocação

Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor
conteudista.

Saiba mais

Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões


sobre o assunto abordado.

Sintetizando

Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o


entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.

Sugestão de estudo complementar

Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo,


discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.

Posicionamento do autor

Importante para diferenciar ideias e/ou conceitos, assim como ressaltar para o
aluno noções que usualmente são objeto de dúvida ou entendimento equivocado.

5
Introdução
Olá a todos(as)!

Sejam bem-vindos(as) à disciplina Educação e Ambiente.

Nesta disciplina vamos refletir sobre as relações entre educação e meio ambiente, buscando
propiciar um debate acerca da relação entre desenvolvimento e aspectos sociais, econômicos e
políticos, bem como a sua interface com questões ambientais e sustentabilidade.

Nosso estudo está estruturado em uma perspectiva de educação ambiental crítica, em que
analisamos a realidade socioambiental em que vivemos.

A proposta será estruturada por meio de diferentes estações onde seja possível compartilhar
hipóteses, teorias e experiências, bem como a relação entre o homem e o meio ambiente e,
particularmente, sobre a responsabilidade de todos (as) frente à crise ambiental que estamos
vivenciando. Por meio desta proposta, desejamos contribuir para a compreensão da importância
dos conteúdos discutidos e a relação intrínseca com a vida de todos.

É importante ressaltar que, independentemente da área de formação, a disciplina vai demonstrar


como as questões ambientais possuem relação com diferentes aspectos da vida na sociedade e
com a prática profissional, não somente de educadores.

Você irá descobrir aspectos importantes das nossas discussões e, desde já, propomos que aproveite
bem o material disponibilizado, incluindo os textos e o material audiovisual.

Sugerimos que você se organize para ler o material com calma, realizar as atividades e assistir
às videoaulas dentro de prazo estabelecido. Em caso de dúvidas, você pode (e deve!) consultar
o professor tutor da disciplina.

Objetivos
» Abordar a relevância da Educação Ambiental inserida na grade curricular dos cursos
de licenciatura.

» Orientar os estudantes na compreesão da crise socioambiental em todas as suas


dimensões.

» Apresentar práticas de Educação Ambiental em diferentes contextos (formal, não formal


e informal).

» Refletir sobre referências teóricas importantes no campo estudado para fundamentar


as reflexões posteriores sobre a educação e o ambiente.

6
CAPÍTULO
A RELAÇÃO ENTRE EDUCAÇÃO
E MEIO AMBIENTE 1
Introdução

No primeiro capítulo, discutiremos a relação entre educação e meio ambiente e abordaremos


também a importância desta disciplina na formação dos estudantes dos cursos de Licenciatura.

Por meio desta reflexão, esperamos que o estudante possa compreender o que é educação
ambiental e sua relação com a educação. Nesse sentido, propomos que a construção de
conhecimentos possa auxiliar o estudante a entender como as questões ambientais devem
ser sempre articuladas com as questões abordadas no cotidiano escolar. Na apresentação das
referências teóricas, buscamos demonstrar que conceitos nos nortearam nas discussões e como
cada autor propicia o entendimento de um ou mais aspectos.

Objetivos

» Apresentar o conceito de educação ambiental crítica.

» Relacionar prática educativa e meio ambiente em suas diferentes dimensões.

» Conceituar a dimensão socioambiental da educação.

Tomemos então, nós, cidadãos comuns, a palavra e a iniciativa. Com a mesma


veemência e a mesma força com que reivindicarmos os nossos direitos,
reivindiquemos também o dever dos nossos deveres. Talvez o mundo possa
começar a tornar-se um pouco melhor.
(José Saramago,em discurso na entrega do Prêmio Nobel de Literatura ao
escritor português, em 1998)

7
CAPÍTULO 1 • A Relação entre Educação e Meio Ambiente

A Relação entre Educação e Meio Ambiente

Para começo de conversa...

Ao inaugurar um novo momento de estudo com uma disciplina nova, muitas vezes os estudantes
se perguntam sobre a relevância de determinados conteúdos para a sua formação e para a vida
prática. Nossa conversa se inicia com este questionamento para que possamos explicitar a
importância deste conteúdo inserido na grade curricular das licenciaturas.

Estamos acompanhados do trecho de um dos discursos do


Saiba mais
escritor José Saramago, no qual ele aborda, com muita sutileza,
a sua forma de enxergar o nosso papel no mundo. O apelo https://www.josesaramago.org/carta-
deixado pelo escritor impulsionou um movimento que uniu a universal-dos-deveres-e-obrigacoes-
dos-seres-humanos/
UNAM (Universidade Autônoma do México) e a Fundação José
Saramago (FJS) com o objetivo de construir uma proposta de [email protected].

Carta Universal dos Deveres e Obrigações dos Seres Humanos,


como documento complementar à Declaração Universal dos Direitos Humanos. Especialistas de
diversas áreas se juntaram às duas instituições para discutirem essa proposta e, depois de anos
de trabalho, com muitas reuniões, adesão de outras instituições e de cidadãos do mundo inteiro,
em 2018 o documento foi apresentado a diferentes comissões da ONU, além de ser entregue em
mãos ao seu secretário Geral, António Guterres. A Carta foi traduzida para vários idiomas e está
sendo difundida com o objetivo de se tornar conhecida pelo maior número de pessoas possível.
A proposta também incorpora o desejo de que este se torne um documento com força legal e,
para isso, a Fundação José Saramago tornou pública a versão final da Carta e criou um endereço
de e-mail para que todo cidadão que desejar possa manifestar sua adesão ao documento.

Pensar sobre Educação e Meio Ambiente é buscar outros sentidos para a prática educativa,
considerando as possibilidades de transformação que ela pode trazer, por meio do conhecimento
construído e da ampliação da compreensão do que é transformação social. Essa transformação
se concretiza por meio de uma educação que preconiza autonomia e respeito aos diferentes
saberes, bem como o entendimento sobre a relação entre questões ambientais e desigualdades
e acesso aos bens naturais.

Segundo apontam Loureiro e Tozoni-Reis (2016 apud TEIXEIRA; AGUDO; TOZONI-REIS, 2017),
a educação ambiental se constitui como um campo de pesquisa e de estudos marcado por
acentuadas disputas relativas às questões teórico-metodológicas que fundamentam a produção
do conhecimento e o trabalho pedagógico.

A inserção da temática ambiental no currículo escolar concebe a escola como uma forma de
garantir a apropriação de conteúdos culturais, bem como a instrumentalização para a prática
social transformadora.

8
A Relação entre Educação e Meio Ambiente • CAPÍTULO 1

Nesse sentido, Teixeira, Agudo e Tozoni-Reis (2017, p. 46) afirmam que:

a educação escolar – particularmente a escola básica – tem uma especificidade


tal que traz para o campo da educação ambiental a necessidade de se lutar contra
o esvaziamento da dimensão educativa dos processos educativos ambientais. A
análise histórico-crítica sobre os interesses e as disputas ideológicas em torno
das relações das sociedades com o ambiente traz à tona as contradições que
estão no cerne da crise societária que enfrentamos na sociedade organizada
sob o modo capitalista de produção e que exige outra forma de se produzir a
vida em sociedade.

A mudança das formas de vida das sociedades é necessária para que seja possível um mundo
mais justo e sustentável, entendendo que os processos sociais fazem parte desta mudança. São
esses processos que tornam a crise socioambiental complexa e intensa em virtude dos modos
de produção e consumo de bens, que ampliam cada vez mais a distância entre o ser humano e a
natureza. Essa relação vem sendo questionada por pesquisadores e cidadãos da sociedade civil
que comungam dos mesmos ideais sobre o mundo que desejam.

Atenção

Carlos Frederico Bernardo Loureiro possui licenciatura em Ciências Físicas e Biológicas - UFRJ (1989), bacharelado em
ecologia - UFRJ (1988), mestrado em Educação - PUCRio (1992) e doutorado em Serviço Social - UFRJ (2000). Atualmente
é professor titular da faculdade de educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, professor do programa de pós-
graduação em educação (PPGE) da UFRJ. Líder do Laboratório de Investigações em Educação, Ambiente e Sociedade
(LIEAS/UFRJ). Coordenador da Linha de Pesquisa Estado, Trabalho-Educação, Movimentos Sociais do PPGE/UFRJ. Autor
de inúmeros livros e artigos em Educação Ambiental. É uma referência importante no Brasil, quando tratamos de Educação
Ambiental.

Saiba mais

COSTA, César Augusto; LOUREIRO, Carlos Frederico. A Questão Ambiental a partir dos “sem direitos”: uma leitura em
Enrique Dussel. Revista e-Curriculum, São Paulo, v. 17, n. 2, pp. 673-698 abr./jun. 2019 e-ISSN: 1809-3876 Programa de
Pós-graduação Educação: Currículo – PUC/SP http://revistas.pucsp.br/index.php/curriculum.

Sugestão de estudo

REMEA - REVISTA ELETRÔNICA DO MESTRADO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL, v.36, n. 3 Sessão Especial


– V Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países e Comunidades de Língua Portuguesa
- Rio Grande, pp. 235-260- set./dez. 2019.

9
CAPÍTULO 1 • A Relação entre Educação e Meio Ambiente

Provocação

Assista à aula do professor Celso Sanchez da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO – coordenador do
Grupo de Estudos em Educação Ambiental desde El Sur – Geas.

https://www.youtube.com/watch?v=l73g00p2OGE

1.1. Meio Ambiente em suas Diferentes Dimensões: Naturais,


Sociais e Culturais, Econômicas etc.

Partimos do pressuposto de que educar é um ato político, por meio do qual buscamos transformar
a realidade social existente. Nesse sentido, o papel da educação também é pensar a realidade
política e social e, por meio de suas reflexões e práticas, possibilitar “múltiplas alfabetizações e
múltiplos discursos” (FREIRE, 2001, p. 58). Por meio da educação é possível ouvir e ser ouvido,
compartilhando diferentes discursos sobre uma mesma questão. Nessa perspectiva, o trabalho
educativo propicia ao educador o entendimento do seu próprio discurso com poder de partilha
na construção de conhecimentos e não como uma forma de silenciar os outros.

Segundo Freire (2001, p. 59):

O desafio é nunca entrar paternalisticamente no mundo do oprimido para


salvá-lo de si próprio. Igualmente o desafio é nunca querer romantizar o mundo
do oprimido (a) acorrentado a condições que foram romantizadas para que o
educador (a) mantenha sua posição de ser necessário ao oprimido “servindo o
oprimido”, ou encarando(a) como um herói romântico.

Nos últimos anos as discussões teóricas e as práticas sobre Educação Ambiental se intensificaram
e incorporaram dimensões que envolvem aspectos naturais, sociais, culturais e econômicos,
tornando esse debate importante para diferentes áreas do conhecimento. Além disso, as reflexões
foram sendo incorporadas aos currículos escolares – tanto nos níveis fundamental e médio
quanto superior – de diferentes maneiras. Isto se deve à compreensão dessas dimensões e de
suas implicações para a vida no planeta Terra. Independentemente da linha teórica em que se
fundamentam os estudos, podemos afirmar que todos são unânimes ao tratar das questões
ambientais relacionando-as ao modo como o homem vem se apropriando – muitas vezes
indevidamente – dos recursos naturais e das práticas sociais que foram sendo modificadas em
virtude das necessidades econômicas que atendam ao capitalismo. O que estamos tratando aqui
é que, na mesma medida em que os homens foram conhecendo novas práticas de exploração dos
recursos naturais, houve uma necessidade de aumentar cada vez mais a quantidade e a rapidez
dessa exploração. Isso trouxe a necessidade de novas tecnologias, equipamentos e combustíveis,
assim como modificações nos espaços e nas formas de viver de povos, como por exemplo, os
grupos indígenas.

10
A Relação entre Educação e Meio Ambiente • CAPÍTULO 1

Nossa compreensão nos mostra que não se trata mais de discutir práticas de Educação Ambiental
apenas na escola, por se tratar de indivíduos em formação que no futuro irão adotar essas novas
maneiras de lidar com o meio ambiente. Neste momento, a formação deve acontecer em todos
os segmentos, desde a escola básica e, incluindo a formação superior, a fim de buscar mudanças
que possam ser incorporadas imediatamente nas práticas desenvolvidas cotidianamente, em
diferentes espaços formais, não formais e informais.

A educação é entendida, neste contexto, como uma forma de abordar o meio ambiente por meio
de um posicionamento crítico que possa tratar da emergência social em que estamos inseridos.
Assim a educação precisa ter como premissa a mudança social para buscar outro modelo de
sociedade.

Quando tratamos de meio ambiente em suas diferentes dimensões estamos nos referindo ao
fato de que o planeta possui seres humanos que se relacionam por meio de processos naturais,
sociais, culturais e econômicos, o que envolve culturas de produção e consumo, assim como
relações de igualdade e solidariedade, com relações dialógicas, de trocas e compartilhamentos.

Nas relações entre os seres humanos e a natureza, o que se busca é outra maneira para lidar
com os aspectos socioambientais, em que seja possível manter as necessidades de produção e
consumo, mas com outras formas que não aumentem ainda mais a crise socioambiental.

Nesta perspectiva, a luta por igualdade inclui condições de sobrevivência com acesso a elementos
básicos para uma vida saudável, onde incluímos alimentação, moradia e acesso aos serviços
básicos destinados aos cidadãos como educação e saúde.

Segundo o relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), atualmente
mais da metade da população global vive em cidades e concentra tanto os desafios do combate às
mudanças climáticas quanto as soluções, por serem elas o berço das inovações tecnológicas que
podem impulsionar o alcance das metas da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
Em parceria com o Programa de Assentamentos Humanos das Nações Unidas (ONU-HABITAT) e
outros organismos, o PNUMA está buscando desenvolver um repositório on-line de informações
sobre mudanças climáticas a fim de apoiar a tomada de decisões de governanças locais. A
proposta do PNUMA é que as soluções para ajudar os países a resolver a crise climática devem
ser partilhadas e discutidas de forma colaborativa e não isoladamente.

Nesse sentido, pensar na Educação e no seu potencial para impulsionar mudanças na sociedade
implica também refletir sobre a formação de educadores que tenham a capacidade de interagir
com estudantes trazendo possibilidades de trabalhos que integrem a cultura com aspectos
socioambientais, criticidade e diálogo. O currículo escolar precisa ser pensado e pautado por
aspectos sociais, econômicos, políticos, geográficos e éticos. Do contrário, continuaremos com
uma educação fragmentada com aspectos pontuais sendo abordados de maneira descontinuada
e sem a compreensão plena das relações entre as diferentes dimensões do meio ambiente. Nesse

11
CAPÍTULO 1 • A Relação entre Educação e Meio Ambiente

aspecto, a escola é um espaço privilegiado para compartilhar e multiplicar conhecimentos e


saberes. Ademais, a divulgação exaustiva na mídia sobre os problemas ambientais vem trazendo
a possibilidade de articulação dos conteúdos ambientais com suas diferentes dimensões, de
acordo com a região e o público atendido.

Segundo aponta Guimarães (2003), existe uma ideia no senso comum de que a prática de
atividades relacionando educação e meio ambiente, por si só, traz mudanças nas posturas
individuais dos sujeitos. No entanto, o planejamento de ações pontuais sem a devida reflexão
sobre questões teóricas e aspectos sociais, políticos e econômicos não consolida o objetivo
desejado de mudança. Muitas vezes algumas ações são repetidas na escola sem uma reflexão e
os próprios estudantes se cansam daquelas práticas que resultam em produtos “reciclados” sem
uma necessária utilização daquilo, que acaba por se transformar em um objeto que no futuro
será transformado em lixo. Entendemos, como o autor, que a Educação Ambiental precisa ser
realizada levando em consideração as diferenças, de forma diferenciada para que haja uma
adaptação às realidades distintas.

A EA se realizará de forma diferenciada em cada meio para que se adapte às


respectivas realidades, trabalhando com seus problemas específicos e soluções
próprias em respeito à cultura, aos hábitos, aos aspectos psicológicos, às
características biofísicas e socioeconômicas de cada localidade (GUIMARÃES,
2003, p. 37).

Para entender como essas questões se relacionam com o próprio entendimento do que é meio
ambiente e qual é o papel de cada um nas práticas que são desenvolvidas nas sociedades, é preciso
que também tenhamos em vista essas diferenças abordadas por Guimarães (2003, p. 37), buscando
possibilidades de associar as nossas ações com as teorias que estudamos. Se ficarmos falando
sobre a crise ambiental sem uma ação mais concreta ou sem um entendimento das implicações
da crise ambiental para a nossa vida, possivelmente não teremos mudanças significativas. Vale
destacar que também é importante que as práticas sejam exercitadas por todos e não somente
a teoria, ou seja, não devemos “falar sobre educação e meio ambiente” sem nos posicionarmos
na vida prática a respeito daquilo que consideramos como pontos importantes para assumirmos
este compromisso demandado pela crise ambiental – mudar nossas atitudes em relação ao modo
como lidamos com o meio ambiente – e que deverá ser uma meta para todos (as).

A qualidade de vida dos seres humanos precisa estar associada


Para refletir
a todas as questões que são tratadas aqui. A condução
dos objetivos para uma proposta educativa que leva em https://nacoesunidas.org/tema/videos
consideração sua relação com o meio ambiente requer um
comprometimento com todos os envolvidos neste processo a fim de promover a produção de
conhecimento com clareza desses aspectos e da ligação da própria história humana com a natureza.
Dessa maneira, é preciso construir um processo dialógico, em que as pessoas compreendam a

12
A Relação entre Educação e Meio Ambiente • CAPÍTULO 1

dimensão dessa crise ambiental e o papel desempenhado pelos seres humanos, sem a concepção
fatalista ou catastrófica, mas com o entendimento do poder de mudarmos esse processo ou de
continuarmos a destruir o planeta, que não é infinito.

Sugestão de estudo

https://geasur.wordpress.com/livro-geasur/

Instituto Paulo Freire – Programa de Educação para a Cidadania Planetária (PECP)

https://www.paulofreire.org/o-instituto-paulo-freire

Saiba mais

https://nacoesunidas.org/agencia/onumeioambiente/

Assista ao vídeo do professor Carlos Frederico Loureiro - Educação Ambiental Crítica e


Ancestralidade.

https://www.youtube.com/watch?v=CNdOEST6Blo

Loureiro apresenta o campo da Educação Ambiental Crítica (EAC) em suas raízes marxistas, alinhada
à pedagogia histórico-crítica, mas vai além, apresentando as interfaces entre a EAC e a dimensão
da ancestralidade, das cosmogonias afro-brasileiras e indígenas, dos saberes populares das comunidades tradicionais,
ressignificando o campo crítico e a EA.

1.2. O ser humano como parte integrante da natureza

Como já foi abordado aqui, ao tratarmos de desenvolvimento sustentável, estamos considerando


sustentabilidade econômica, social e ambiental. Para isso, diferentes instituições e agências
governamentais estão desenvolvendo programas para contribuir com a preservação do planeta
levando em consideração a participação da sociedade civil nas discussões e nos processos
decisórios como uma maneira de criar redes de multiplicadores e fortalecer o trabalho desenvolvido
em diferentes contextos.

A palavra sustentabilidade aparece com muita frequência nos textos jornalísticos, acadêmicos
e didáticos. O que pouca gente sabe é que este termo “tão moderno” foi utilizado pela primeira
vez em 1713 por um pesquisador alemão especialista em silvicultura1 que afirmava de maneira
clara que, para retirar árvores velhas de um local, isto só poderia ser feito se existissem árvores

1 Ciência que se dedica ao estudo dos métodos naturais e artificiais de regenerar e melhorar os povoamentos florestais e que
compreende o estudo botânico das espécies, além da identificação, caracterização e prescrição da utilização das madeiras.

13
CAPÍTULO 1 • A Relação entre Educação e Meio Ambiente

novas para serem plantadas naquele local. A preocupação com os impactos ambientais existe
há muito tempo, desde a Antiguidade, vários grupos sociais já se preocupavam com impactos
da mineração e do pastoreio e a limitação de recursos.

Por muito tempo as pessoas pensavam na natureza


Atenção
com uma visão muito utilitarista, ou seja, os animais
e os recursos naturais servindo ao homem. Essa Assista ao vídeo da pesquisadora Marcia Chame,
forma de olhar a natureza se modificou em função da Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz.

do entendimento dos aspectos que envolvem a crise https://www.youtube.com/

ambiental do planeta. Todos os projetos e ações são watch?v=qtKMIAci664&app=desktop

pensados partindo da necessária integração dos seres


humanos na natureza, com a necessária compreensão da dimensão ambiental e as implicações
disso para a qualidade do ar e da água, a saúde humana e a utilização dos recursos renováveis e não
renováveis. Além disso, considera-se também a dimensão econômica, pois há uma necessidade
de geração de renda para as pessoas e de valorização do capital humano, por meio do qual são
criadas redes de compartilhamento de experiências e práticas que podem contribuir para a
diminuição da degradação do planeta.

Nesse sentido, foram criados os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), como um pacto
entre os países integrantes das Nações Unidas, em setembro de 2015, quando foram adotadas
17 metas. Essas metas foram seguidas do Acordo de Paris em que 196 países e a União Europeia
se comprometeram a lutar para manter a temperatura do planeta que vem subindo a cada dia.
Em 2019, a mídia sempre citava o Acordo de Paris quando tratava da COP 25.

Fonte: KIARA WORTH/IISDCom reportagem de Matt McGrath, correspondente de Meio Ambiente da BBC. Em 15/12/2019.

A COP 25 terminou após longas negociações com um acordo de compromissos, mas também
foram adiadas decisões importantes que ficaram para a próxima conferência, que será em
2021. Em matéria publicada pela Rede BBC em seu site, o jornalista Matt Mc Grath afirmou que,
depois de exaustivas negociações entre quase 200 participantes, chegou-se a um consenso sobre
a questão crucial que é o aumento da mobilização global por cortes de emissão de carbono.
De acordo com o pacto, “todos os países precisarão apresentar novas promessas climáticas na
próxima grande conferência”.

14
A Relação entre Educação e Meio Ambiente • CAPÍTULO 1

E como isso se relaciona com cada um de nós?

Na prática, existem metas que são parte das políticas governamentais, mas cada um também
possui um papel como cidadão no cumprimento dessas metas, por meio das ações que realiza
no cotidiano. Cada vez mais percebemos indivíduos mobilizados e buscando se unir a outras
pessoas que, por meio de coletivos, por exemplo, organizam outras maneiras de lidar com
consumo e produção.

Com o avanço do capitalismo e o aumento da pobreza mundial tivemos, também, o crescimento


da degradação ambiental, o que é reconhecido em estudos de diferentes países. A população
pobre é mais vulnerável aos desastres ambientais provocados pelo desmatamento e aquecimento
global, assim como sua vulnerabilidade é maior a doenças provocadas por falta de saneamento
básico e acesso a água potável.

Muitos movimentos sociais de pessoas em situação de vulnerabilidade social estão associados,


comumente, à própria sobrevivência das pessoas, que precisam tirar o seu sustento de áreas ou
produtos que são alterados pelas questões climáticas. Comunidades indígenas também sofrem
com as alterações no meio ambiente e mudanças na demarcação de terras indígenas em função
do seu modo de produzir para a própria subsistência.

Para Juan Martinez Alier (1992), ao abordar aspectos da expansão do capitalismo para o meio
ambiente e para os pobres, tratamos das consequências sociais e ecológicas da modernidade.

Importante

Acordo de Paris: elementos essenciais


O Acordo de Paris se baseia na Convenção e, pela primeira vez, levou todas as nações a uma causa comum para
empreenderem esforços ambiciosos para combater a mudança climática e se adaptarem aos seus efeitos, com apoio
aprimorado para ajudar os países em desenvolvimento a fazê-lo. Como tal, traça um novo rumo no esforço climático global.
O objetivo central do Acordo de Paris é fortalecer a resposta global à ameaça das mudanças climáticas, mantendo um
aumento da temperatura global neste século bem abaixo de 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais e prosseguir
esforços para limitar o aumento da temperatura ainda mais a 1,5 graus Celsius. Além disso, o acordo visava fortalecer a
capacidade dos países para lidar com os impactos das mudanças climáticas. Para atingir esses objetivos ambiciosos, é
necessário que sejam criados fluxos financeiros apropriados, uma nova estrutura tecnológica e uma estrutura aprimorada
de capacitação, apoiando assim as ações dos países em desenvolvimento e dos países mais vulneráveis, de acordo com seus
próprios objetivos nacionais. O acordo também prevê maior transparência de ação e apoio por meio de uma estrutura de
transparência mais robusta.

15
CAPÍTULO 1 • A Relação entre Educação e Meio Ambiente

Atenção

A COP 25 - Conferência da ONU sobre o Clima aconteceu em 2019, na cidade de Madri, na Espanha, e contou com a
participação de quase 200 países. O objetivo foi acelerar o combate às mudanças climáticas. Cientistas e ambientalistas
defendem que o aquecimento global desencadeia eventos climáticos extremos no mundo todo, como enchentes e
queimadas. Durante a conferência, o Brasil foi tratado como um dos grandes vilões ambientais do planeta, junto com a
Austrália e o Japão, e recebeu o prêmio “Fóssil do Dia”, uma honraria irônica concedida a quem mais atrapalha do que ajuda.

Saiba mais

A COP 25:

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-50800984

Para entender as mudanças climáticas:

https://www.bbc.com/portuguese/geral-50019998

Queimadas na Amazônia e na Austrália:

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-51011491

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ou Objetivos Globais, se caracterizam como uma


ação para proteger o planeta contra a mudança global do clima e a desigualdade econômica,
buscando maneiras de priorizar o consumo sustentável.

Segundo as informações divulgadas no site das Nações Unidas, os líderes mundiais pediram uma
década de ação para entregar os ODS até 2030 e anunciaram mais de 100 “ações aceleradas” –
compromissos voluntários para acelerar o progresso.

Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento humano, o combate à pobreza e o


crescimento do país, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) executa
diversos projetos em diferentes áreas, oferecendo aos parceiros apoio técnico, operacional e
gerencial, por meio de acesso a metodologias, conhecimentos, consultoria especializada e ampla
rede de cooperação técnica internacional.

Levando em consideração a diversidade e a realidade multifacetada do Brasil, os projetos são


desenvolvidos em parceria com o Governo Brasileiro, instituições financeiras internacionais,
setor privado e sociedade civil.

O administrador do PNUD, Achim Steiner, afirma que os ODS são uma agenda inclusiva para
fazer uma mudança positiva para as pessoas e para o planeta, buscando colocar o mundo em
um caminho sustentável.

16
A Relação entre Educação e Meio Ambiente • CAPÍTULO 1

O Plano Estratégico do PNUD (2018-2021) foi desenhado para responder à grande diversidade
de países para os quais prestam serviços. Essa diversidade se reflete em três amplos âmbitos
de desenvolvimento: erradicação da pobreza, transformações estruturais e construção de
resiliência. Nos últimos meses de 2019, os especialistas repetiram incessantemente que a crise na
biodiversidade e as mudanças climáticas estão implicadas com soluções ligadas à natureza, pois os
seres humanos dependem de ecossistemas saudáveis para sua sobrevivência no planeta. Segundo
a comunidade científica, o ano de 2020 será de grande importância para reunir especialistas e
consolidar acordos que propiciarão a construção da agenda ambiental para a próxima década.

Saiba mais

https://nacoesunidas.org/2020-um-ano-decisivo-para-a-biodiversidade-e-as-emergencias-climaticas/

Atenção

Em dezembro de 2019, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento divulgou o Relatório sobre Desenvolvimento
Humano 2019 onde encontramos informações que reafirmam que as desigualdades econômicas e a crise climática
devem ser abordadas de maneira conjunta, pois isto permitirá que os países avancem para o desenvolvimento inclusivo e
sustentável. No documento afirma-se que as desigualdades devem ser combatidas juntamente com as mudanças climáticas,
tratando ao mesmo tempo do que diz respeito aos direitos humanos.

Objetivos do Desenvolvimento Sustentável: https://www.br.undp.org/content/brazil/pt/home/sustainable-development-


goals.html

17
CAPÍTULO 1 • A Relação entre Educação e Meio Ambiente

Saiba mais

A Agenda 2030:

https://www.undp.org/content/undp/en/home.html

A Agenda 2030 é um plano de ação para pessoas, planeta e prosperidade. Também busca fortalecer a paz universal.
Reconhece que a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema, é o maior
desafio global e um requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável. Todos os países e todas as partes
interessadas, atuando em parceria colaborativa, estão implementando esta Agenda.

1.3. A Dimensão Socioambiental da Educação e seu papel


estratégico

No campo da educação, encontramos muitos estudos tratando do papel da dimensão socioambiental


na formação de educadores e o papel estratégico que a Educação possui (GONÇALVES; BENAC;
SANTOS, 2015; SOUZA; COSTA; BONFIM, 2015; PEDROSO; SILVA; KAWASAKI, 2015), no entanto,
o que se percebe nos trabalhos, de maneira geral, é que os educadores ainda são formados em
uma perspectiva disciplinar e com poucas experiências em estudos e práticas desenvolvidas em
diferentes contextos educativos. Nesse sentido, Garrido e Meireles (2015, p. 7) afirmam que os
alunos de Pedagogia e de outras áreas ligadas à educação precisam vivenciar “a interdisciplinaridade
durante sua formação” e, nesse caso, a EA é uma legítima e necessária oportunidade. Para as
autoras, a prática de EA exercida por meio da interdisciplinaridade é uma das maneiras de se
contribuir para a formação docente.

O campo da Educação, particularmente no que diz respeito à Educação Ambiental, vem sendo
palco de intensos debates sobre formação de professores e o papel da educação para criar espaços
de discussão sobre as questões ambientais, assim como as práticas desenvolvidas. Essa formação
precisa levar em consideração orientações políticas, sociais e culturais para que sejam criadas
possibilidades da participação da população escolar.

Garrido e Meirelles (2015, p. 6) afirmam que, dentre as contribuições da Educação Ambiental


para educadores, reconhecem a mudança na forma de construir conhecimentos, buscando
unir teoria e prática. Assim a Educação Ambiental compreendida em uma perspectiva crítica
vai estimular ao educador a percepção do ambiente e todas as relações envolvidas e esta ótica
deve fazer parte da formação docente, especialmente em cursos de Pedagogia.

Quando atuamos na prática educativa, precisamos estar cientes de todas essas questões para
que possamos desenvolver estratégias que sejam interessantes e coerentes com a complexidade
desses processos. Muitas vezes encontramos espaços escolares desenvolvendo atividades em uma

18
A Relação entre Educação e Meio Ambiente • CAPÍTULO 1

perspectiva que por si só é reducionista e não propicia aprofundamento teórico nem apropriação
de práticas sustentáveis.

O trabalho na educação pode contribuir para uma mudança na compreensão das concepções de
ciência e de construção de conhecimentos e isto propicia aos sujeitos que estão envolvidos neste
processo a reflexão sobre meio ambiente e problemas relacionados aos fenômenos climáticos,
sem, no entanto, assumir uma postura de negação ou de reação de desespero.

Esse fato possibilita aos sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem o entendimento
das subjetividades, das incertezas, dos conflitos, dos valores, dos questionamentos metafísicos
e políticos relacionados à questão ambiental.

De acordo com Loureiro (2004, p. 65), a Educação Ambiental Transformadora enfatiza a educação
enquanto processo permanente, cotidiano e coletivo pelo qual agimos e refletimos, transformando
a realidade de vida.

O que se percebe é que há uma mobilização de educadores em todo o país que buscam trabalhar
na perspectiva dessa dimensão socioambiental, buscando formação inicial e continuada,
reconhecendo avanços, mas lutando por maiores conquistas. Apesar disso, ainda há muitos
caminhos a percorrer e a luta continua para garantir maior destinação de PIB para a educação e
políticas educacionais em que a temática da Educação Ambiental e da sustentabilidade estejam
no Plano Nacional de Educação e tenham centralidade correspondente à sua relevância neste
cenário (AMARO; SANCHÉZ, 2012).

Nessa linha de pensamento encontramos a pesquisa desenvolvida por Pereira, Pedrini e Fontoura
(2019) que realizou um estudo sobre as percepções de docentes sobre questões ambientais,
particularmente, aquecimento global. Por meio das suas narrativas, os docentes confirmaram a
importância da Educação Ambiental e, por meio dela, trabalhos que possam abordar consumo
excessivo, produção e descarte de lixo. Todavia os autores observam que o discurso da maioria
dos docentes indica uma forte visão conservadora da Educação Ambiental:

cujo foco está na mudança comportamental das pessoas, preocupando-se


basicamente com as consequências da crise ambiental e não com a sua origem –
mas também apresentando indícios de um enfoque dentro da visão socioambiental
– mais abrangente, buscando a conscientização do indivíduo enquanto cidadão
integrante do meio e a interação homem-ambiente e considerando os aspectos
sociais (2019, p. 201).

Assim reiteramos o papel social de todo educador e a necessidade de uma formação docente que
possa contribuir para a sua prática no sentido de compartilhar conhecimento, gerando formas
de ensino – aprendizagem que atendam aos desafios que a dimensão socioambiental traz em seu
bojo. O educador precisa trabalhar de maneira responsável e criativa, permitindo um processo
dinâmico em que propostas coerentes com essa prática se concretizem permitindo compartilhar
e construir cotidianamente o fazer educativo.

19
CAPÍTULO 1 • A Relação entre Educação e Meio Ambiente

A sustentabilidade precisa ser tratada de maneira interligada com as questões sociais, culturais
e econômicas e, por meio de experiências, de transformação de atitudes e comportamentos
podemos criar outros sentidos para a formas de viver na sociedade.

No livro Ideias para Adiar o Fim do Mundo, o líder indígena Ailton Krenac (2019) afirma que
a separação do ser humano em relação ao planeta Terra vem causando um processo que ele
nomeia como “abstração civilizatória”, na qual o consumo leva as pessoas ao impedimento de
uma verdadeira cidadania. De acordo com Krenac, “é justamente isso que está criando falta de
sentido na vida, retirando o prazer de viver, de dançar e de cantar, o que transformou a humanidade
em humanidade zumbi”. Ele afirma ainda que nos momentos em que realiza palestras procura
“contar histórias” para adiar o fim do mundo.

Atenção

Produto Interno Bruto (PIB)


Segundo dados divulgados na Agência Brasil, o Brasil gasta anualmente em educação pública cerca de 6% do Produto
Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país). Esse valor é superior à média dos países que
compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 5,5%. No entanto, o país está nas
últimas posições em avaliações internacionais de desempenho escolar, ainda que haja casos de sucesso nas esferas estadual
e municipal. A avaliação é do relatório “Aspectos Fiscais da Educação no Brasil”, divulgado hoje (6) pela Secretaria do Tesouro
Nacional, do Ministério da Fazenda.

Para refletir

Colapso da civilização? fronteiras planetárias: Litszt Vieira

06/01/2020
Liszt Vieira é um dos primeiros e maiores conhecedores da questão ecológica em nosso país. Esse texto é extremamente
informativo. Apela à nossa responsabilidade. Reforça nossa resistência e nossa crítica aos negacionistas do aquecimento
global instalados no atual governo, a começar pelo presidente e seu ministro do Meio Ambiente. A ser verdadeiras as
informações passadas neste trabalho, nos damos conta de quão irresponsáveis são, pois simplesmente desprezam os dados
científicos. Bem disse o Papa Francisco em sua encíclica “Sobre o Cuidado da Casa Comum”: “As previsões científicas já não
se podem olhar com desprezo e ironia, pode-se desembocar em catástrofes” (n.161). Negadores desta realidade sinistra,
não se preocupam com o destino desastroso possível do planeta, de nosso país, de nossas cidades costeiras e especialmente
das grandes maiorias pobres. Eles serão os primeiros a sofrer os danos letais do aquecimento global. Não estamos indo ao
encontro dele. Queiram ou não queiram os negacionistas nacionais e mundiais, já estamos dentro do aquecimento global.
Há uma tendência irrefreável, se nada fizermos, de sermos confrontados com uma catástrofe ecológico-social, apenas
ocorrida há milhões de anos, quando boa parte dos seres vivos desapareceu. Mas nós ainda não havíamos surgido dentro do
processo da evolução. Agora estamos face à uma emergência planetária e seremos responsáveis pelo futuro nosso e da vida
no planeta. Não podemos esperar. Temos que agir para não chegarmos tarde demais e mergulharmos numa sepultura que
nós mesmos temos cavado. A Terra continuará, empobrecida, mas sem a comunidade de vida e sem nós: Leonardo Boff.

20
A Relação entre Educação e Meio Ambiente • CAPÍTULO 1

Saiba mais

Cartilha para crianças

https://nacoesunidas.org/cartilha-para-criancas-explica-direito-a-um-meio-ambiente-seguro-saudavel-e-sustentavel/

https://nacoesunidas.org/2020-um-ano-decisivo-para-a-biodiversidade-e-as-emergencias-climaticas

Projetos de Educação Ambiental escolar: uma proposta de avaliação.

Revista Brasileira de Educação Ambiental:

https://periodicos.unifesp.br/index.php/revbea

Provocação

http://ansabrasil.com.br/brasil/noticias/italianos/noticias/2020/01/04/vogue-italia-renuncia-a-fotografias-e-lanca-capa-
ilustrada_71cbaacc-4b88-436f-a8fd-e45dcb650548.html

Sugestão de estudo

https://nacoesunidas.org/2020-um-ano-decisivo-para-a-biodiversidade-e-as-emergencias-climaticas

https://nacoesunidas.org/agencias-da-onu-apoiam-projetos-de-impacto-social-criados-por-adolescentes-no-brasil/

Sintetizando

Neste primeiro capítulo:

Apresentamos reflexões sobre a relação entre educação e meio ambiente.

Refletimos sobre o meio ambiente por meio de suas diferentes dimensões, buscando explicitar cada uma e sua importância
no contexto da crise ambiental.

Analisamos a dimensão socioambiental da educação e sua relevância no cenário atual de grave emergência ambiental.

21
CAPÍTULO
AFINAL, O QUE É
EDUCAÇÃO AMBIENTAL? 2
Introdução

Nesta aula as reflexões tratam da Educação Ambiental, destacando a conceituação adotada por
diferentes autores, assim como as abordagens de trabalho.

Por meio desta aula, esperamos que o estudante possa entender do que trata hoje a Educação
Ambiental e como os conteúdos abordados precisam ser atualizados constantemente, em virtude
da rapidez com que as questões surgem no cenário brasileiro e mundial, quando se trata de
meio ambiente.

Consideramos que a construção de conhecimentos acontece quando o estudante consegue


entender como a educação ambiental vai muito além da sala de aula e se relaciona com vários
aspectos que ele vivencia em seu cotidiano.

Na apresentação das reflexões, buscamos trazer referências teóricas, mas também demonstrar
ações elaboradas por grupos de pesquisa e organizações não governamentais que se dedicam
a essa área.

Objetivos

» Definir Educação Ambiental.

» Apresentar conceitos e discussões sobre a Educação Ambiental na atualidade.

» Apresentar projetos e atividades de Educação Ambiental.

22
Afinal, o que é Educação Ambiental • CAPÍTULO 2

2.1. O Papel da Educação Ambiental frente à Crise Ambiental


Vigente
Quando, por vezes, me falam em imaginar outro mundo possível, é no sentido
de reordenamento das relações e dos espaços, de novos entendimentos sobre
como podemos nos relacionar com aquilo que se admite ser a natureza, como
se a gente não fosse natureza. Na verdade, estão invocando novas formas de os
velhos manjados humanos coexistirem com aquela metáfora da natureza que
eles mesmos criaram para consumo próprio (KRENAK, 2019, p. 67).

Para começar este capítulo, escolhemos uma parte da narrativa do índio Ailton Krenak, em seu
livro Ideias para adiar o fim do mundo (2019), citado no Capítulo 1 do livro desta disciplina.
Essa escolha se relaciona com o caminho que pretendemos construir para falar sobre Educação
Ambiental. O autor citado trata da relação que os povos foram estabelecendo com a natureza, ao
longo dos séculos, distanciando-se cada vez mais do que tradicionalmente os povos indígenas e
outros estabeleciam por meio dos seus modos de viver harmoniosamente com o meio ambiente.
As tradições foram esquecidas e os meios de subsistência foram sendo adequados ao modo
capitalista sem um cuidado com o manejo da natureza de maneira equilibrada. Nesse livro, Krenak
busca provocar o debate trazendo especificidades do discurso construído com seu povo, mas
principalmente, busca alertar o distanciamento e a falta de compreensão que os seres humanos
demonstram ao lidar com as questões ambientais

Essa escolha pela epígrafe citando o texto de Ailton Krenak também se relaciona com a nossa
intenção de provocar os estudantes, com textos acadêmicos e literários, buscando ampliar leituras
e posições críticas. Nossa intenção é construir um caminho educativo que não só estimule, mas
desafie os estudantes para se envolverem nos processos de regeneração do planeta, por meio
de práticas e ações que tragam verdadeiramente mudanças de comportamento e construção de
novos saberes articulados com a complexidade ambiental.

Você já deve ter percebido que é muito comum encontrar textos sobre essa área que possuem
um início com uma bela imagem de natureza e um texto que fala em trilha, fazendo uma alusão
às trilhas ecológicas. Essa discussão é interessante do ponto de vista teórico e metodológico e
vamos explicar melhor. É interessante falar em trilha, caminho ou outro tipo de construção que
possibilite ao estudante compreender como pensamos este estudo, no sentido de um percurso.
Porém, também é relevante que fique claro como essas palavras “aparentemente simples” estão
relacionadas ao nosso modo de entender o que é Educação Ambiental e como isso se relaciona
diretamente ao modo como o professor vê o mundo. Ver e enxergar, como nos disse José Saramago
(Estação 1) questões aparentemente “banais”, quer dizer, enxergar aspectos cotidianos das
práticas que desenvolvemos e que são coerentes com uma educação que se propõe a ser voltada
para o meio ambiente.

Em relação ao uso de imagens, é preciso estar atento (a) para a importância desse tipo de texto.
Sim! A imagem é um texto e possibilita leituras polissêmicas que, de maneira geral, podemos

23
CAPÍTULO 2 • Afinal, o que é Educação Ambiental

dizer que esse termo trata da multiplicidade de sentidos que a mesma imagem possui. Isso
possibilita leituras distintas e entendimento diferente para cada pessoa que lê a imagem. Esse
sentido é importante para que não façamos da imagem um texto complementar ao texto escrito.
Essa não deve ser a função principal do texto imagético, pois ele pode possibilitar uma série de
inferências construídas por meio das discussões compartilhadas em um grupo.

A Educação Ambiental demonstra que é preciso construir um trabalho educativo que envolva todos
os educandos, com o objetivo de construção de conhecimentos, com ampliação da participação
mediante a mudança de valores, comportamentos e atitudes que sejam propiciadoras de uma
relação de equilíbrio com o meio ambiente.

Dessa maneira, a Educação Ambiental vem se tornando cada vez mais desafiadora em virtude da
emergência dos problemas ambientais e da complexidade dos saberes exigidos para a compreensão
dos processos sociais que estão implicados nessa questão. Nesse sentido, políticas ambientais e
programas educativos que sejam relacionados à conscientização da crise ambiental demandam
crescentemente novos enfoques que possam integrar uma realidade contraditória e geradora
de desigualdades, como vai nos advertir Pedrini (2007). Para o autor, é necessário “transcender
a mera aplicação dos conhecimentos científicos e tecnológicos disponíveis” para que haja uma
verdadeira mudança e a desejada conscientização. No livro citado, que data de 2007, o autor
e outros pesquisadores já ressaltavam o desafio de uma Educação Ambiental voltada para a
transformação social, em uma perspectiva de estímulo de uma visão global e crítica de questões
ambientais. Nas palavras de Pedrini (2007, p. 14):

O desafio que se coloca é de formular uma Educação Ambiental que seja crítica
e inovadora, voltada, acima de tudo, para a transformação social. O seu enfoque
deve buscar uma perspectiva de ação que propicie, de um lado, o resgate e o
desenvolvimento de valores e comportamentos (confiança, respeito mútuo,
responsabilidade, compromisso, solidariedade e iniciativa) e, de outro, estimular
uma visão global e crítica das questões ambientais e promover um enfoque
interdisciplinar que resgate e construa saberes.

O desafio de um trabalho que esteja em consonância com essas proposições começa com os
diferentes contextos sociais e econômicos que encontramos no Brasil, ocasionando contradições
e dificuldades na implementação de propostas. Nesse sentido, para que tenhamos a Educação
Ambiental crítica é preciso que professores e estudantes estejam acordados de maneira
equilibrada para pensar e criar ações em colaboração. Segundo Trein (2012), no contexto de
crise socioambiental as práticas educativas precisam considerar o seu compromisso social e criar
espaços para a problematização das relações estabelecidas historicamente pelos seres humanos
com a natureza. A autora defende que será do campo educacional “que emergirá um vigoroso
campo da EA, ou alimentaremos a perplexidade de que as políticas públicas para a Educação
Ambiental continuem sem saber qual é o seu verdadeiro lócus de pertencimento” (2012, p. 306).

24
Afinal, o que é Educação Ambiental • CAPÍTULO 2

Quando tratamos de questões ambientais, precisamos sempre relacioná-las com as questões


sociais, econômicas, políticas e culturais. Este posicionamento vai ser reafirmado em vários
momentos no livro e nas estações de estudo desta disciplina. Podemos dizer que este é o “pano
de fundo” das nossas reflexões.

Por muito tempo, até alguns anos atrás, os textos de Educação que abordavam a questão
ambiental tratavam de “uma crise” que se aproximava e demandava uma postura mais ecológica
de preservação do planeta com orientação de práticas e atividades que supostamente formariam
cidadãos com essa preocupação ecológica. Infelizmente o que temos hoje é uma crise muito além
do que foi previsto, com o planeta completamente alterado em desarmonia com a sustentabilidade
e sem possibilidades de preservação. Atualmente a luta ambiental busca estratégias para regenerar
parte do que foi destruído.

Partimos do pressuposto de que a Educação Ambiental consiste em reconhecer valores e práticas,


buscando mudanças na qualidade de vida sem aumentar a crise ambiental e percebendo o
verdadeiro papel de cada ser humano e a relevância de saber, por exemplo, como calcular sua
pegada ecológica e como modificar essa “pegada”. A degradação incessante do planeta nos levou
a uma situação insustentável e, nesse sentido, é preciso criar novas posturas articuladas com
esse entendimento. A pegada ecológica é uma metodologia criada para contabilizar a pressão
humana sobre os recursos naturais. Por meio dessa metodologia é possível comparar os padrões
de consumo dos seres humanos e considerar a capacidade ecológica do planeta. Dessa maneira,
a pegada ecológica possui relação com o que consumimos e os recursos naturais renováveis.
Entendendo essa nossa pegada podemos tentar mudar alguns dos nossos hábitos de consumo
que, de maneira simples, potencializam o que acontece no planeta. Alguns hábitos que são
lembrados constantemente na mídia, como uso de transporte público ou bicicleta, ao invés de
carro, a separação do lixo doméstico, a utilização de sacolas retornáveis para compras e o consumo
daquilo que é realmente necessário constituem algumas dessas mudanças que podem contribuir
verdadeiramente com o que desejamos para o planeta. Algumas vezes ouvimos pessoas que
afirmam que o maior peso para a crise ambiental seria das grandes indústrias, porém, as ações
de cada cidadão cotidianamente repetidas no mundo inteiro possuem uma parcela significativa
neste processo.

Isso também faz parte do compromisso que cada educador precisa assumir para ser coerente
com as ideias que deseja compartilhar com seus educandos, para que eles compreendam e
assumam novas práticas cotidianamente. É preciso que educadores tenham mais que um discurso
emblemático para convencimento dos estudantes.

25
CAPÍTULO 2 • Afinal, o que é Educação Ambiental

Atenção

A Pegada Ecológica mede a quantidade de recursos naturais renováveis para manter nosso estilo de vida. Basicamente, tudo
o que usamos para viver vem da natureza e mais tarde voltará para ela. Essa é a nossa Pegada. Para conhecê-la, você tem
agora essa calculadora no site da WWF – link abaixo.

https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/

http://www.pegadaecologica.org.br/2019/pegada.php

Saiba mais

WWF

https://www.wwf.org.br/informacoes/bliblioteca/publicacoes_educacao_ambiental/

A Questão do Consumo

https://d3nehc6yl9qzo4.cloudfront.net/downloads/cartilha_para_o_consumidor_
responsavel___wwf_brasil_1.pdf

Refletindo sobre a degradação do meio ambiente e os aspectos sociais, é necessário deixarmos


explícita a relação de consumo e desenvolvimento neste contexto. Lembramos que o consumo
é praticado por diferentes cidadãos, independentemente do nível social, entretanto, com a crise
ambiental, as populações mais atingidas são aquelas que estão em situação de vulnerabilidade
social. Afirmamos isso porque, com as mudanças climáticas, as populações mais pobres sofrem
com as catástrofes ambientais (furacões, enchentes e outros), perdendo suas casas, suas
plantações, mudando radicalmente seus modos de produção e de sustento. Com o aquecimento
global, muitas regiões deixam de ser férteis e, consequentemente, tornam-se improdutivas para
populações inteiras que dependiam da agricultura, por exemplo, mas também acontece com a
pesca e outras formas de produção.

Outro ponto importante é salientado por Kassiadou (2018, p. 27) quando a autora afirma que
o “desenvolvimento” é permeado por conflitos e disputas, que por um lado é entendido como
transformação social positiva e, por outro, como uma lógica perversa engendrada por um discurso
da modernidade. A autora reitera essas considerações ao citar os resultados do Mapa de Conflitos
envolvendo Justiça Ambiental e Saúde no Brasil (2013) produzido pela Fundação Oswaldo Cruz
(Fiocruz). Esse estudo apresenta um mapeamento de situações trazidas pelas transformações nos
territórios brasileiros, como decorrência de um modelo de desenvolvimento que desconsidera
as populações que possuem suas vidas “imbricadas com recursos e paisagens em disputa nos
seus territórios” (Fiocruz, 2013, p. 37 apud KASSIADOU, 2018, p. 28). O que isso significa é que

26
Afinal, o que é Educação Ambiental • CAPÍTULO 2

populações em situação de vulnerabilidade social vivem constantemente injustiças ambientais


resultantes desse modelo de “desenvolvimento”.

Para pensarmos em uma educação que possa abordar a dimensão ambiental é preciso que sejam
tratadas as inter-relações entre meio ambiente e os diferentes sujeitos sociais que são implicados
pela educação, mas também são sujeitos vulneráveis a todas as mudanças climáticas. Não basta
utilizar uma nomenclatura adequada aos parâmetros educacionais propostos ou nomes que
contenham adjetivos impressionantes. Por meio da educação ambiental é possível orientar os
estudantes no sentido de compreensão daquilo que é papel de cada um e o potencial dessa ação
individual para o desenvolvimento com responsabilidade ambiental. A responsabilidade de cada
indivíduo e da coletividade por meio de uma participação ativa já constavam na conceituação
de Educação Ambiental definida na Conferência de Tbilisi, realizada em 1977, considerada um
marco importante da história da Educação Ambiental.

Algumas décadas depois, Spazziani e Sardinha (2007, p. 123) escreveram um verbete sobre
Educação Ambiental, onde afirmavam que:

Há um movimento constante avassalador sobre o ambiente natural para


estabelecimento dos modos de vida que marcam a nossa cultura. Embora não
uniforme e não – linear, os diferentes modos de ocupação política ou econômica
são realizados pela dominação sobre outros seres humanos e sobre as demais
espécies e elementos da natureza.

Nossa ocupação do planeta precisa ser revista em caráter de urgência, buscando fortalecer
propostas e ações apoiadas na regeneração e na continuidade das espécies.

Saiba mais

Mapa de Conflitos envolvendo Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil

http://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/

Para refletir

O Amanhã é Hoje (2018) - FILME COMPLETO


O documentário é uma realização da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Artigo 19, Conectas Direitos
Humanos, Engajamundo, Greenpeace, Instituto Alana e Instituto Socioambiental (ISA).

https://www.youtube.com/watch?v=UsG3o5ndjaU

https://www.conectas.org/noticias/documentario-inedito-o-amanha-e-hoje-expoe-impactos-das-mudancas-climaticas-na-
vida-de-brasileiros

27
CAPÍTULO 2 • Afinal, o que é Educação Ambiental

Sugestão de estudo

LOUREIRO, C. F. B. Questões ontológicas e metodológicas da educação ambiental crítica no capitalismo


contemporâneo. Revista Eletrônica Do Mestrado Em Educação Ambiental, v. 36, pp. 79-95, 2019.

O trecho transcrito abaixo faz parte do livro Identidades da Educação Ambiental (2004), e se
encontra no Prefácio, escrito por Marina Silva, Ministra do Meio Ambiente naquele período. O
livro convocava a participação para a mobilização necessária em virtude da sustentabilidade
do planeta, destacando a perspectiva de educação ambiental crítica, como uma possibilidade
de dialogar e compartilhar conhecimentos como forma de uma política ambiental integradora,
constituindo o que a ministra nomeava como “um passo rumo a sustentabilidade, entre nós e
em todo o planeta”.

A educação ambiental vive um momento histórico. Depois da Conferência


Internacional sobre Conscientização Pública para a Sustentabilidade, realizada na
Grécia, em 1997, o dia primeiro de janeiro de 2005 ficará marcado na lembrança
de educadores ambientalistas em todo o mundo. Este será o primeiro dia da
Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014). Sob
coordenação da Unesco, essa iniciativa das Nações Unidas, instituída por resolução
de sua Assembléia Geral, procura estabelecer um grande plano internacional
de implementação, tendo como referência os preceitos da Agenda 21, em seu
capítulo 36. Assim, os governos são chamados a aderir às medidas necessárias
para a aplicação do que propõe a Década em seus planos e estratégias educativas.
O interessante é que mais do que por sua abrangência, essa convocação atualiza o
desafio paradigmático da educação ambiental quando a nomeia como Educação
para o Desenvolvimento Sustentável (SILVA, 2004, p. 5).

Nas últimas décadas, o debate sobre Educação Ambiental vem sendo ampliado, incluindo em
suas propostas mudanças na vida das sociedades como um caminho para fortalecer visões mais
integradoras em torno das relações sociais e da diversidade dos seres. Esse debate também vem
construindo importantes discussões a respeito das práticas docentes, ou seja, a atuação de
professores e o seu papel nesse contexto. A educação proporciona transformação e, por meio
dela, é possível elencar diferentes dimensões que são relacionadas ao meio ambiente e ao fazer
educativo.

O modo capitalista trouxe mudanças de paradigma separando sociedade e natureza,


redimensionando as relações estabelecidas historicamente pelo homem e causando uma série de
posturas que hoje são insustentáveis. Não podemos mais falar em “preservação” pois, na verdade,

28
Afinal, o que é Educação Ambiental • CAPÍTULO 2

temos que considerar o trabalho educativo como uma perspectiva de formação de gerações futuras
e de educadores – em diferentes espaços de educação – para buscar a regeneração do planeta.

O professor e pesquisador Carlos Frederico Loureiro – que vocês conheceram no Capítulo 1 do


livro – já tratava disso em 2004 quando produziu um trabalho sobre Educação Ambiental para o
então Ministério do Meio Ambiente. Naquele momento, havia uma forte discussão nos espaços
educativos sobre a Educação Ambiental e a organização de uma publicação com diferentes
autores analisando criticamente essa área era destacada como uma iniciativa importante no
movimento de construção de novas sínteses teóricas e metodológicas que poderiam contribuir
para uma política pública democrática. O livro está disponível para download e continua sendo
uma referência interessante pelo conjunto de reflexões que apresenta. Destacamos um trecho
de Loureiro (2004, p. 81):

A Educação Ambiental Transformadora enfatiza a educação enquanto processo


permanente, cotidiano e coletivo pelo qual agimos e refletimos, transformando
a realidade de vida. Está focada nas pedagogias problematizadoras do concreto
vivido, no reconhecimento das diferentes necessidades, interesses e modos de
relações na natureza que definem os grupos sociais e o “lugar” ocupado por estes
em sociedade, como meio para se buscar novas sínteses que indiquem caminhos
democráticos, sustentáveis e justos para todos. Baseia-se no princípio de que as
certezas são relativas; na crítica e autocrítica constante e na ação política como
forma de se estabelecer movimentos emancipatórios e de transformação social
que possibilitem o estabelecimento de novos patamares de relações na natureza.

Considerando as nossas reflexões neste momento, percebemos que a perspectiva de Loureiro está
em consonância com o que estamos tratando ao abordarmos o fazer educativo e a perspectiva
ambiental. Destacamos que o entendimento da relação natureza e sociedade nos impulsiona
para buscar compreender as dicotomias trazidas pelo paradigma da modernidade.

Na atualidade, não se trata de discutir o que é “sustentável”, mas compreender como a transformação
social está relacionada com a crise ambiental e de que maneira podemos educar para uma nova
postura ao viver e lidar com os recursos naturais que já estão se esgotando. O que percebemos,
muitas vezes, é que o educador considera importante conhecer práticas de Educação Ambiental
e, de uma maneira pragmática, aprender atividades que possam ser multiplicadas nas aulas
destinadas a esse conhecimento. No entanto, como já foi escrito no Capítulo 1, os fatores
econômicos, sociais, políticos e geográficos possuem influência na compreensão dos conceitos
e na apropriação deles por meio de atividades práticas.

Ressaltamos que o papel da Educação Ambiental não deve ser confundido com “patrulhamento
ideológico ou impositivo”, pois as ações serão apropriadas por meio das reflexões sobre a própria
prática realizada com participação de docentes e estudantes, independentemente dos modelos
pedagógicos que forem utilizados. Também não pretendemos, aqui, criar um roteiro ou modelo de

29
CAPÍTULO 2 • Afinal, o que é Educação Ambiental

Educação Ambiental, o que é contrário ao entendimento que possuímos de educação e que está
em consonância com a proposta apresentada nesse material onde buscamos a compreensão de
conceitos, teorias e práticas de maneira coerente com o estudo de uma realidade e seus aspectos
sociais e econômicos. Por meio das nossas reflexões propomos a construção de conhecimentos
que leve em consideração a natureza e a percepção das necessidades reais do nosso tempo.

Atenção

Educação Ambiental é um vocábulo composto por um substantivo e um adjetivo, que envolvem, respectivamente, o campo
da Educação e o campo Ambiental. Enquanto o substantivo Educação confere a essência do vocábulo “Educação Ambiental”,
definindo os próprios fazeres pedagógicos necessários a esta prática educativa, o adjetivo Ambiental anuncia o contexto
desta prática educativa, ou seja, o enquadramento motivador da ação pedagógica. O adjetivo ambiental designa uma classe
de características que qualificam essa prática educativa, diante desta crise ambiental que ora o mundo vivencia. Entre essas
características, está o reconhecimento de que a Educação tradicionalmente tem sido não sustentável, tal qual os demais
sistemas sociais, e que para permitir a transição societária rumo à sustentabilidade, precisa ser reformulado. Educação
Ambiental, portanto, é o nome que historicamente se convencionou dar às práticas educativas relacionadas à questão
ambiental. Assim, “Educação Ambiental” designa uma qualidade especial que define uma classe de características que
juntas, permitem o reconhecimento de sua identidade, diante de uma Educação que antes não era ambiental.

PHILIPPE POMIER LAYRARGUES DIRETORIA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL DO MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

Apresentação do Livro Identidades da Educação Ambiental Brasileira

Para refletir

Grandes Temas - Educação Ambiental na Escola (Parte 1).

https://www.youtube.com/watch?v=aMOXbPphIhE

Saiba mais

Saiba mais

https://www.menos1lixo.com.br/

Os Impactos ambientais da indústria da moda | Entrevista Completa.

https://www.youtube.com/watch?v=CjKuUr9iyQ8&list=PLc41AE-JKjqrZMY39cLXchisEvMSVpg4p&index=7

GUIA DO PREGUIÇOSO – ONU.

https://nacoesunidas.org/guiadopreguicoso/

30
Afinal, o que é Educação Ambiental • CAPÍTULO 2

2.2. A Educação Ambiental e seus Âmbitos


Existe um único lugar onde o ontem e o hoje se encontram e se reconhecem e se
abraçam, e este lugar é o amanhã. Soam como futuras certas vozes do passado
americano muito antigo. As antigas vozes, digamos, que ainda nos dizem que
somos filhos da terra, e que mãe a gente não vende nem aluga. Enquanto chovem
pássaros mortos sobre a Cidade do México e os rios se transformam em cloacas,
os mares em depósitos de lixo e as selvas em deserto, essas vozes teimosamente
vivas nos anunciam outro mundo que não seja este, envenenador da água, do
solo, do ar e da alma. Também nos anunciam outro mundo possível as vozes
antigas que nos falam de comunidade. A comunidade, o modo comunitário de
produção e de vida, é a mais remota tradição das Américas, a mais americana
de todas: pertence aos primeiros tempos e às primeiras pessoas, mas pertence
também aos tempos que vêm e pressentem um novo Mundo Novo. Porque nada
existe menos estrangeiro que o socialismo nestas terras nossas. Estrangeiro é, na
verdade, o capitalismo: como a varíola, como a gripe, veio de longe.
(As tradições futuras, Eduardo Galeano)
GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. 2 ed. – Porto Alegre, L&PM, 2008.

Escolhemos o escritor uruguaio Eduardo Galeano para iniciar esta parte do livro e continuarmos
nossas “conversas”. O escritor é conhecido por belos textos e sua obra mais conhecida é o livro
As Veias Abertas da América Latina, publicado em 1971. Nesse livro, o autor analisa a história da
América Latina desde o período colonial até a contemporaneidade.

Você deve estar se perguntando o que nos motivou para escolher este texto. A maneira crítica
como Galeano trata algumas questões ambientais, nomeando-as como “tradições futuras” e
relacionando-as com o capitalismo, aproxima-nos das discussões que desejamos trazer por meio
deste capítulo. Como já foi colocado na primeira parte, a maneira como nos posicionamos em
relação aos aspectos ambientais representa um dos pontos importantes na crise ambiental, em
virtude dos impactos que nossos hábitos têm no meio ambiente. As nossas “tradições futuras”
dependem do que estamos fazendo agora e de como nos posicionamos a respeito da relação
com o meio ambiente.

A necessária reflexão sobre a complexidade ambiental nos impulsiona a questionar premissas já


existentes e a buscar um fazer educativo consistente e coerente com essa mudança de atitudes
e questionamento de valores como o consumismo, por exemplo. Educar também é informar,
quebrar paradigmas por meio de construção de conhecimentos e mudar relações autoritárias
por práticas mais dialógicas. Por meio do diálogo e do conhecimento compartilhado é possível
fortalecer diferentes grupos sociais em defesa de um desenvolvimento que não privilegie apenas
uma parte da sociedade.

Quando falamos em desenvolvimento sustentável, precisamos nos perguntar: sustentável para


quem? Ou sustentável para quais grupos?

31
CAPÍTULO 2 • Afinal, o que é Educação Ambiental

Nesse sentido, o que buscamos aqui é reafirmar a importância dos espaços educativos, em
âmbitos formais e não formais para potencializar ações que tornem a educação ambiental uma
prática coerente com as diferentes realidades sociais.

A Educação Ambiental pode ser compreendida por meio de atividades desenvolvidas em diferentes
âmbitos: espaços de educação formal, espaços de educação não formal e informal. Destacamos
também uma área ainda incipiente no Brasil que é a Educação Ambiental Empresarial.

De maneira geral, podemos afirmar que a Educação Ambiental se caracteriza por pesquisas e
práticas que oportunizam a construção de conhecimentos e a criação de novas maneiras de viver
e se comportar com a compreensão da relação entre os seres vivos e o meio ambiente. Deve seguir
orientações nos princípios e objetivos da Conferência de Tbilisi (1977) com possíveis adaptações
para o desenvolvimento das propostas adequadas aos diferentes espaços. A Educação Ambiental
não se restringe aos espaços escolares e, por isso, mesmo nas últimas décadas, importantes
trabalhos são desenvolvidos por organizações não governamentais, em museus e centro de
ciências, dentre outros. Essa possibilidade de desenvolvimento de propostas em diferentes
espaços trouxe um grande dinamismo e propostas interdisciplinares para o campo da Educação
Ambiental. Muitos desses trabalhos são estruturados por meio de metodologias participativas,
interdisciplinaridade e formação crítica dos cidadãos. Além disso, os grupos que atuam nas
áreas produzem materiais educativos variados que podem ser valiosos em diferentes espaços
contribuindo para a formação de estudantes, mas também da população em geral.

De acordo com o Capítulo I da Política nacional de Educação Ambiental,

Art. 2o A educação ambiental é um componente essencial e permanente da


educação nacional, devendo estar presente de forma articulada em todos os
níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal.

Dessa maneira, a Educação Ambiental, por meio de um enfoque interdisciplinar, deve ser
promotora de espaços que criem condições para formar cidadãos reflexivos, críticos, atuantes
e conscientes do seu papel nas ações individuais que possuem relação com aspectos globais
do planeta. Não se trata de culpabilizar o ser humano pelos aspectos da crise ambiental que
se relacionam ao estilo de vida e modos de produção e consumo, mas de criar uma efetiva
participação dos educandos, construindo parcerias com outros segmentos da sociedade, no
sentido de incorporar diferentes saberes.

Cabe destacar que, no Brasil, os educadores se articulam por meio de redes e existe uma com
projeção nacional que é Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA). Ressaltamos também
a importância do Grupo de Trabalho (GT 22) da Associação Nacional de Pós-Graduação e
Pesquisa em Educação, entidade sem fins lucrativos que congrega programas de pós-graduação
em educação, professores e estudantes vinculados a esses programas e pesquisadores da área.

32
Afinal, o que é Educação Ambiental • CAPÍTULO 2

Saiba mais

https://www.rebea.org.br/

http://www.anped.org.br/sobre-anped

http://www.anped.org.br/grupos-de-trabalho/gt22-educa%C3%A7%C3%A3o-ambiental

No próximo capítulo, vamos explicar como a Educação Ambiental é desenvolvida em seus


diferentes âmbitos de atuação.

Saiba mais

Eduardo Galeano (1940-2015) nasceu em Montevidéu, no Uruguai. Viveu exilado na Argentina e na


Catalunha, na Espanha, desde 1973. No início de 1985, com o fim da ditadura, voltou a Montevidéu.
Galeano comete, sem remorsos, a violação de fronteiras que separam os gêneros literários. Ao longo
de uma obra na qual confluem narração e ensaio, poesia e crônica, seus livros recolhem as vozes da
alma e da rua e oferecem uma síntese da realidade e sua memória.
Recebeu o prêmio José María Arguedas, outorgado pela Casa de las Américas de Cuba, a medalha
mexicana do Bicentenário da Independência, o American Book Award da Universidade de
Washington, os prêmios italianos Mare Nostrum, Pellegrino Artusi e Grinzane Cavour, o prêmio
Dagerman da Suécia, a medalha de ouro do Círculo de Bellas Artes de Madri e o Vázquez Montalbán
do Fútbol Club Barcelona. Foi eleito o primeiro Cidadão Ilustre dos países do Mercosul e foi o primeiro
escritor agraciado com o prêmio Aloa, criado por editores dinamarqueses, e também o primeiro a receber o Cultural
Freedom Prize, outorgado pela Lannan Foundation dos Estados Unidos. Seus livros foram traduzidos para muitas línguas.

Fonte: EditoraL&PM

https://www.lpm.com.br/site/default.asp?TroncoID=805134&SecaoID=948848&SubsecaoID=0&Template=../livros/layout_
autor.asp&AutorID=39

O Livro dos Abraços – Eduardo Galeano


https://www.anarquista.net/wp-content/uploads/2013/03/O-Livro-dos-Abra%C3%A7os-Eduardo-Galeano.pdf

Sugestão de estudo

Educação Ambiental na Escola – Objetivos, Conceitos e Estratégias (Parte 3).

https://www.youtube.com/watch?v=3YsywzPC4VQ

https://pt-br.facebook.com/recicloteca.ecomarapendi

CRISTO, H. S.; BARZANO, MARCO A. L. Socialização política e meio ambiente: considerações acerca do engajamento
militante de jovens ambientalistas do Estado da Bahia. Práxis Educativa (UEPG. Online), v. 14, pp. 1251-1269, 2019.

33
CAPÍTULO 2 • Afinal, o que é Educação Ambiental

Provocação

https://nacoesunidas.org/evento-no-rio-destaca-maior-atuacao-de-sociedade-civil-e-empresas-cop25/

O consumo consciente não vai salvar o mundo | Ana Fernanda Souza | TEDxRioVermelho.

https://www.youtube.com/watch?v=lmjtwPnkZWh0

http://www.rfi.fr/br/franca/20190808-slow-fashion-busca-minimizar-os-impactos-da-moda-no-meio-ambiente

Saiba mais

Trashed – Para Onde Vai o Nosso Lixo?


O ator britânico Jeremy Irons percorre o mundo para investigar os danos causados à natureza
pelo volume de lixo produzido atualmente e como cada pessoa pode ajudar a evitar que a
Terra se torne uma grande lixeira.

A história das coisas (The Story of Stuff),


https://www.unasp.br/blog/documentario-a-historia-das-coisas/

Documentário de apenas 20 minutos que fala sobre o consumo exagerado de bens materiais,
e o impacto negativo que esse consumo causa no meio ambiente. Apresentando Annie
Leonard, The Story of Stuff mostra de uma maneira didática e clara todo o processo que vai
desde a extração da matéria, confecção do produto, venda, compra e falsa ideia de necessidade, até o momento de descarte
e poluição. Colocando em debate o mal que esses resíduos tóxicos causam não só ao meio ambiente, mas também à saúde
da população em geral. Com uma boa dose de humor o documentário questiona os nossos valores, os padrões sociais de
consumo impostos pela mídia e grandes empresas. Levando-nos a questionar sobre nossos costumes e a maneira como
consumimos e encaramos a preservação do nosso planeta. Qual é o nosso papel na terra, o que estamos fazendo para
melhorar? Assista ao documentário e repense os seus valores!

Sintetizando

Neste capítulo:

Apresentamos conceitos de Educação Ambiental, explicitando nossa escolha pela Educação Ambiental Crítica.

Analisamos alguns conceitos de Educação Ambiental, contextualizando problemas sociais, econômicos e políticos.

Refletimos sobre o papel da Educação Ambiental na contemporaneidade.

Abordamos o papel do professor no contexto da Educação Ambiental.

Apresentamos várias indicações e sugestões de materiais para compreender melhor o que é Educação Ambiental e refletir
sobre os objetivos da educação e temas pertinentes ao assunto do capítulo, como por exemplo, os impactos ambientais e
hábitos de consumo.

34
CAPÍTULO
DIFERENTES ESFERAS,
UM MESMO OBJETIVO 3
Introdução

Neste capítulo, vamos apresentar as diferentes dimensões por meio das quais as ações de Educação
Ambiental podem ser organizadas. Provavelmente você já deve ter ouvido as seguintes expressões
Educação Formal, Não Formal e Informal.

Veremos como esses três termos são definidos e de que maneira as propostas de Educação
Ambiental são relacionadas a cada contexto.

Esperamos que você possa compreender esses âmbitos de educação e como a Educação Ambiental
perpassa diferentes contextos educativos com ações específicas.

Na apresentação das referências teóricas, buscamos demonstrar como esses conceitos são tratados
nas discussões e como cada autor propicia o entendimento de diferentes aspectos.

Objetivos

» Apresentar os significados de Educação Formal, Não Formal e Informal.

» Identificar aspectos gerais dos espaços de Educação Ambiental que atuam em uma
dessas perspectivas.

» Configurar o perfil de algumas ações de Educação Ambiental nos diferentes espaços.

» Apresentar algumas instituições e experiências neste campo.

35
CAPÍTULO 3 • Diferentes Esferas, um mesmo Objetivo

3.1. A Educação Ambiental Formal

A Educação Formal está estruturada nas instituições escolares municipais, estaduais e federais,
podendo ser públicas ou particulares. Organizada por meio dos currículos que seguem diretrizes
determinadas pelo Governo Federal, assim como a organização de processos avaliativos e de
gestão orientados pelo Ministério da Educação e órgãos estaduais e municipais de ensino. Neste
âmbito existem orientações específicas que abrangem os diferentes níveis de ensino (Ensino
Fundamental, Médio e Ensino Superior).

Alguns autores definem Educação Formal como aquela que possui currículos definidos, porém
isso também pode ser característica da Educação Não Formal. Essa é uma definição que você
encontrará em alguns textos, mas é importante que fique claro que não se caracteriza como
regra. A escola é uma instituição histórica nas sociedades do mundo inteiro e se constitui como
um espaço importante para a educação, porém não é o único. Podemos dizer que a escola se
caracteriza como um dos momentos de formação dos indivíduos, com suas interações e todos
os fatores que podem contribuir para processos de aprendizagem.

Nas últimas décadas aumentou muito o interesse por compreender as múltiplas questões que
envolvem a educação formal e não formal e essas se relacionam aos contextos sociais e políticos
onde estão inseridos. Podemos dizer que depois dos anos de 1960 o próprio papel da educação
formal foi revisitado em virtude da presença de reflexões sobre as práticas de educação popular
e educação ao longo da vida.

No que diz respeito à Educação Ambiental Formal, Marques, Raimundo e Xavier (2019, p. 447)
afirmam que:

A Educação Ambiental vem sendo sistematicamente suprimida de documentos


norteadores da Educação no Brasil. Contudo é importante ressaltar que é um
campo de pesquisa em expansão no Brasil e que a Educação Ambiental surgiu
da necessidade de uma mudança de paradigma que envolve valores sociais,
filosóficos, econômicos, éticos, ideológicos e científicos, adotados pela nossa
sociedade. Contudo, vemos como sinal de alerta o esvaziamento da Educação
Ambiental nos documentos que orientam a Educação no Brasil, pois percebemos
os avanços alcançados nas últimas décadas na consolidação de Políticas públicas
na área ambiental na qual a escola é corresponsável pela promoção dessas
mudanças, pois tem como premissa fazer com que os envolvidos desenvolvam as
suas potencialidades e adotem posturas pessoais, comportamentais e socialmente
construídas, colaborando para a construção de uma sociedade igualitária e
ambientalmente justa, em um ambiente saudável.

Dessa maneira, os autores se debruçam a analisar a história da Educação Ambiental no Brasil, por
meio de um estudo a respeito dos documentos legais norteadores dessa área do conhecimento,
entendendo que isso afeta diretamente os currículos escolares e as práticas desenvolvidas nos
espaços de educação formal. As consequências das políticas adotadas nos últimos anos têm

36
Diferentes Esferas, um mesmo Objetivo • CAPÍTULO 3

papel preponderante na condução da Educação Ambiental no Brasil e, por isso é necessário


conhecer essas reflexões e entender mais amplamente os caminhos seguidos por professores e
gestores de escolas públicas e privadas.

Os reflexos disso aparecem na proposição da área na Base Nacional Curricular Comum (BNCC),
assim como nos Projetos Políticos Pedagógicos das escolas, mas esses documentos não são
determinantes de mudanças nos impactos ambientais causados pela ação do homem. Na verdade,
alguns documentos continuam produzindo discursos de preservação que já se encontram
ultrapassados, em função da necessária regeneração do planeta.

A partir do ano de 2020, as escolas brasileiras precisam estar prontas e organizadas para adoção da
BNCC, no entanto, esse documento nos mostra uma orientação para estimular a conscientização
sobre a crise ambiental, sem, contudo, garantir a transversalidade necessária aos aspectos
abordados em Educação Ambiental e a formação de cidadãos críticos.

Nessa perspectiva, novamente trazemos as palavras de Marques, Raimundo e Xavier (2019, p. 458):

Ao tratarmos a Educação Ambiental no contexto educacional brasileiro frente a


Base Nacional Curricular Comum percebe-se uma forte disposição para aprovar
e implantar políticas de cunho neoliberal e conservador que além de exaurir
as posições de preservação e proteção do meio ambiente, vai na contramão
dos objetivos da Educação Ambiental no currículo escolar visto que é um tema
transversal, sendo assim de suma importância para a formação de cidadãos críticos
e que se amplia para a economia, a justiça, a qualidade de vida, a cidadania e a
igualdade.

Ainda que possamos destacar avanços nas políticas públicas relativas a Educação Ambiental
– como a obrigatoriedade desta área nos currículos escolares – e as diretrizes assumidas por
meio do Plano Nacional de Educação Ambiental (PNE, Brasil, 1999) e, consequentemente, o
estabelecimento das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental (DCNE),
a inclusão deste campo de conhecimento nos componentes curriculares não é significativa,
perdendo lugar para outras disciplinas de maior poder no currículo. Comumente as disciplinas
como Língua Portuguesa e Matemática recebem maior carga horária e maior atenção de gestores
e professores, sem terem uma transversalidade com temáticas ambientais.

Diferentes estudos (PICCININI; ANDRADE, 2017; BEHREND; COUSIN; GALIAZZI, 2018; MARQUES;
RAIMUNDO; XAVIER, 2019) apontam que a Educação Ambiental foi abordada na BNCC de forma
a distanciar os estudantes de posicionamentos críticos sobre a dimensão socioambiental. Isso
significa um retrocesso em relação ao debate de temas socioambientais.

37
CAPÍTULO 3 • Diferentes Esferas, um mesmo Objetivo

Caminhando no mesmo sentido, Piccini e Andrade (2017) defendem que:

Desta forma, não podemos deixar de nos questionar a quem interessa esta
supressão, esse retrocesso em relação ao debate de temas socioambientais?
Suscitar o debate ao redor da inserção da EA, não só na BNCC, mas em todas
as contrarreformas educacionais atuais, é de suma importância para que o
apagamento das lutas para a inserção da EA na educação escolar (e não escolar, nos
diversos espações possíveis) não se concretize. Para além do simples cumprimento
do estabelecido pela legislação brasileira, acreditamos que em um cenário de
mercantilização da vida, de consumo dos recursos ambientais e até mesmo de
recursos indispensáveis a sobrevivência humana – que atinge principalmente
a população marginalizada – é inadmissível a passividade frente a tamanho
retrocesso.

Essas palavras nos levam a refletir sobre o papel dos espaços formais de educação no que diz
respeito à Educação Ambiental e na importância dos professores terem consciência dessas
discussões e da necessidade de um posicionamento crítico nas suas aulas e na elaboração de
práticas onde seus alunos poderão conhecer e aprofundar diferentes pontos a respeito desse
assunto. Precisamos de professores que entendam a urgência dessas discussões nos espaços
escolares e as possibilidades reais que esses espaços possuem como multiplicadores das ideias
e práticas desenvolvidas.

Reconhecemos que, muitas vezes, é difícil buscar essas informações e outros espaços de educação
continuada, em função da carga horária de trabalho que a maioria dos professores possui. Muitas
vezes a carga horária é acrescida por uma jornada dupla com funções desempenhadas em sua
vida particular. Entretanto, a questão ambiental, assim como outras temáticas coerentes com
o processo educativo, é urgente e extremamente dinâmica no que diz respeito à atualização de
conceitos e notícias. O que queremos dizer é que: diariamente são noticiadas consequências
das mudanças climáticas, assim como eventos que se dedicam a discutir e tornar públicas essas
reflexões. Da mesma maneira, quase sempre os estudantes chegam ao espaço escolar com muitas
informações e necessidade de orientações e compartilhamento de informações. Nesse contexto,
o professor pode transformar esses momentos em espaços ricos em aprendizagens significativas
para todos os sujeitos sociais que estão envolvidos neste processo.

Algumas vezes, quando professores ouvem esse tipo de afirmação, pensam que isso significa “ter
muito mais trabalho”. No entanto, sabemos que, ao contrário, isso possibilita um aproveitamento
das questões trazidas pelos estudantes e, potencializa o processo de construção de conhecimentos
em virtude do próprio interesse que eles possuem em determinados assuntos. Além disso podem
ocasionar mudanças importantes na própria atitude dos professores enquanto cidadãos.

38
Diferentes Esferas, um mesmo Objetivo • CAPÍTULO 3

3.2. A Educação Ambiental Não Formal


A Educação é conclamada também para superar a miséria do povo, promovendo
o acesso dos excluídos a uma sociedade mais justa e igualitária, juntamente com a
criação de novas formas de distribuição da renda e da justiça social. Neste cenário,
observa-se uma ampliação do conceito de Educação, que não se restringe mais
aos processos de ensino-aprendizagem no interior de universidade escolares
formais, transpondo os muros da escola para os espaços da casa, do trabalho, do
lazer, do associativismo etc. Com isto um novo campo da Educação se estrutura:
o da educação não-formal. Ela aborda processos educativos que ocorrem fora
das escolas, em processos organizativos da sociedade civil, ao redor de ações
coletivas do chamado terceiro setor da sociedade, abrangendo movimentos
sociais, organizações não-governamentais e outras entidades sem fins lucrativos
que atuam na área social; ou processos educacionais, frutos da articulação das
escolas com a comunidade educativa, via conselhos, colegiados, etc.
(Maria da Glória Gohn, 2008, p.7)

A narrativa acima escolhida para abertura desta parte do capítulo foi escrita no final dos anos de
1990 e, na reedição do livro, em 2008, a autora manteve esta parte que, no nosso entendimento,
é bastante atual. Se buscarmos outros autores que tratam da definição de Educação Não Formal,
provavelmente encontraremos textos muito parecidos com esse. A autora é uma pesquisadora que,
ao longo dos anos, se especializou neste tema e, para ela, ao tratarmos de educação precisamos
abordar também o conceito de cultura e, nesse sentido, a Educação Não Formal possui diferentes
dimensões relacionadas à aprendizagem dos cidadãos, que podem ser conteúdos voltados
para o trabalho, soluções de problemas coletivos e em espaços diferenciados da escola. Para a
autora, os espaços de Educação Não Formal podem ser associações de moradores, sindicatos,
organizações não governamentais, espaços culturais, mas também as escolas, ou seja, nos
espaços em que haja interação com a comunidade educativa. Essa autora considera que não são
contempladas pela Educação Não Formal as atividades experimentadas no convívio familiar,
em clubes, teatros, leitura de jornais, livros etc., mas isso também é o que ela caracteriza como
Educação Informal. Podemos perceber que, para a autora, o foco de todo o tipo de educação é
o sujeito do processo educativo, pois vai depender dele e de seus objetivos para que possamos
considerar uma experiência Não Formal ou Informal.

Outro autor que se dedica a estudar a Educação Não Formal é o professor Jaume Trilla, que
trabalha na Universidade de Barcelona. No livro Educação Formal e Não-Formal ele explica
que a expressão “não-formal” existe há muitas décadas, antes mesmo de se popularizar nos
meios educacionais. Segundo o autor, a partir do final do século XX essa expressão começou a
aparecer e tornar-se presente na linguagem pedagógica e, mais precisamente, na década de 1960
com a publicação do livro de P.H Coombs - que tratava da crise mundial da educação – onde os
termos “não-formal” e “informal” foram tratados como meios educacionais distintos daqueles
convencionalmente escolares (COOMBS, 2008, p. 32).

39
CAPÍTULO 3 • Diferentes Esferas, um mesmo Objetivo

Continuando suas considerações, o autor afirma que, mais tarde, Coombs e colaboradores
propuseram a distinção entre os três tipos de educação: formal, não formal e informal, considerando
os seguintes conceitos: Educação Formal – aquela que compreendia o sistema educacional
institucionalizado, com uma organização cronológica e hierárquica dos primeiros anos até a
universidade; Educação Não Formal designava todas as atividades educativas, sistematizadas,
mas fora do espaço escolar tradicional; Educação Informal designava o processo que poderia
durar uma vida inteira por meio da qual as pessoas acumulariam conhecimentos e experiências
(TRILLA, 2008, p. 33). Ainda segundo ele, desde então esses termos foram sendo apropriados e
suas definições ampliadas, e constam em diferentes referências, por meio de uma bibliografia
que continua a crescer e é também utilizada por instituições oficiais e no meio acadêmico.

Para que possamos ampliar a compreensão dos estudantes também procuramos outras
referências neste assunto e encontramos o livro Palavras-Chave em Educação Não-Formal
(PARK, FERNANDES, CARNICEL, 2007) em que os organizadores buscaram construir um
glossário com diferentes palavras relacionadas a esse campo. A expressão Educação Não
Formal é explicada por Park e Fernandes (2007, p. 131) que organizam uma pequena revisão
da literatura sobre origens e autores que abordaram o percurso de surgimento e evolução
da referida expressão. Recorrem a diferentes autores (GOHN, 2001; TRILLA, 1996) para
discutir conceitos de Educação Não Formal, declarando que a perspectiva é de ampliação
das experiências escolares, nunca de oposição. Definem que, para construir um caminho
sobre o percurso da Educação Não Formal, buscaram entender o que dizem esses autores e
como a terminologia foi se modificando assim como as práticas desenvolvidas atualmente.

Existem espaços de Educação Não Formal bem diferentes e com propostas educativas que
objetivam, de maneira geral, contribuir com a formação integral dos cidadãos, por meio de
experiências que não são prioritárias nos espaços formais de educação. Alguns desses espaços
são: museus e centros de ciência, zoológicos, parques ambientais, dentre outros.

A Educação Ambiental Não Formal é diversificada a começar pela própria diversidade de espaços
que desenvolvem projetos. As ações devem ser planejadas levando em conta o que pensam as
comunidades envolvidas, seus valores e aspectos culturais. Preferencialmente deve-se utilizar
estratégias metodológicas que privilegiem a participação e a interação das pessoas para que seja
possível buscar soluções que atendam a todos os envolvidos.

A professora Martha Marandino, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP),


vem desenvolvendo estudos a respeito de Educação Não-Formal há alguns anos e coordena
o Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Não Formal e Divulgação em Ciência – GEENF
– onde orienta pesquisas nesta área. Segundo ela não é uma tarefa simples definir conceitos

40
Diferentes Esferas, um mesmo Objetivo • CAPÍTULO 3

como Educação Não Formal e Informal e precisamos refletir sobre as ações propostas e práticas
realizadas e avaliadas em diferentes contextos. Para a professora (2017, p. 811):

Caracterizar os espaços de educação não formal não se constitui em tarefa


simples, e, muitas vezes, os termos formal, não formal e informal são utilizados
de modo controverso fazendo com que suas definições estejam ainda longe de
serem consensuais.

Continuando suas considerações, a professora Martha Marandino recorre a outra autora, Sibele
Cazelli (2000 apud MARANDINO, 2017) que afirma que diferenças nas definições de formal, não
formal e informal estão relacionadas ao país de origem da literatura consultada.

Segundo Cazelli (2000 apud Marandino 2017) os autores de língua inglesa usam
os termos informal science education e informal science learning para todo o tipo
de educação em ciências que usualmente acontece em lugares como museus de
ciência e tecnologia, science centers, zoológicos, jardins botânicos, no trabalho,
em casa etc. Já os de língua portuguesa subdividem a educação em ciências fora
da escola em dois subgrupos: educação não-formal e informal, sendo o último
relativo aos ambientes cotidianos familiares, de trabalho, do clube etc.

Segundo Marandino (2017), é coerente afirmar que esta divisão – que marcou fortemente o contexto
latino americano – recebeu influência dos movimentos de educação popular intensificados nas
décadas de 1960, 1970 e 1980 e o termo não formal muitas vezes esteve associado a iniciativas
educativas de natureza política, com objetivo de transformação social.

Nesse sentido, podemos trazer também as considerações de Gohn (2010) que afirma que o uso
da expressão “não-formal” se multiplicou nos anos de 2000 e, na atualidade, é encontrado nas
grades curriculares da maior parte dos cursos de Educação. A autora também lembra que nos
anos de 1980 – quando publicou seus primeiros artigos sobre o assunto – este era um campo que
abarcava os movimentos sociais e outras práticas associativas coletivas com caráter educativo.
A construção dessa área foi se constituindo por meio da escrita de artigos acadêmicos e da
influência de vivências práticas que ocorriam em diferentes contextos.

Nos anos 2000 um movimento interessante foi construído por pesquisadores que atuavam em
museus de ciências brasileiros e começamos a ver encontros científicos e publicações de autores
que demonstravam uma preocupação com a formação para além dos muros escolares e, nesse
bojo, temos várias experiências de educação não formal.

No ano de 2002, a equipe de Educação do Museu da Vida na Fundação Oswaldo Cruz, no Rio
de Janeiro, organizou uma publicação que se chamava Caderno do Museu da Vida: O Formal e
Não-formal na dimensão educativa do museu. Nesse momento, várias pesquisas e vivências eram
apresentadas tratando da importância da educação não-formal e da relevância na relação entre
museus e escolas. Destacamos o texto de Glória Queiroz – pesquisadora dessa área e professora

41
CAPÍTULO 3 • Diferentes Esferas, um mesmo Objetivo

da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) – em que ela afirmava que a educação não
se limitava ao contexto escolar.

A Educação não-formal tem sido realizada em museus de ciência e tecnologia


ou em revistas e jornais, além de ser proporcionada por inúmeras programações
veiculadas pela mídia em geral. Este conjunto de oportunidades procura atender
a demandas crescentes de uma sociedade a cada dia mais envolvida em um
ambiente científico-tecnológico (QUEIROZ, 2002, p. 80).

Na atualidade, encontramos muitas atividades denominadas como Educação Não Formal


ligadas a organizações não governamentais e instituições culturais. Também podemos destacar
os museus e centros de ciências, já citados aqui no livro. Esses últimos são espaços muito
frequentados por grupos escolares e possuem propostas de formação continuada de professores
que, normalmente são desenvolvidas pela área educativa desses espaços. É interessante
destacar que, com o crescimento da Educação Não Formal a maior parte dos espaços sentiu
a necessidade de criar equipes multidisciplinares responsáveis pelas ações educativas e por
parcerias com os espaços de Educação Formal. Essas parcerias são muito interessantes, pois
possibilitam ao professor o acesso a metodologias, estratégias e espaços distintos do contexto
escolar e ricos em experiências para docentes e seus alunos.

Destacamos que é muito importante que os professores compreendam que a visita aos espaços
não formais de educação pode ser um momento de construção de conhecimentos para ele e
seus alunos, pois estes são espaços que apresentam conceitos específicos por meio de atividades
diversificadas. Muitas vezes, o professor pensa que deve se afastar dos estudantes, no momento
em que ocorrem interações entre eles e os mediadores desses espaços, quando, na verdade, será
muito enriquecedor se todos os sujeitos puderem interagir. Também é importante considerar
que, a maior parte dos espaços desse tipo oferecem atividades de formação continuada para
professores e uma formação específica que é destinada a preparar junto com o professor (a) a
visita com os estudantes.

Para Gohn (2016) este é um conceito ainda em construção e que está fundamentado em vários
campos da sociedade, com disputas e demarcações do campo de estudo. A autora afirma que a
educação não formal possui espaço próprio e uma estreita relação com questões como cidadania,
emancipação e humanização, ultrapassando processos de escolarização e propiciando elementos
para a construção de uma nova cultura política.

42
Diferentes Esferas, um mesmo Objetivo • CAPÍTULO 3

Saiba mais

O Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Não Formal e Divulgação em Ciência – GEENF foi criado em 2002, vinculado
à Faculdade de Educação da USP, na área temática de Ensino de Ciências e Matemática. Se dedica ao estudo, à pesquisa, à
produção e avaliação de ações e materiais no campo da educação não formal e da divulgação em ciência.

O GEENF atua em parceria com diversas instituições museológicas e de pesquisa, nacionais e internacionais, como museus,
centros de ciências, zoológicos, jardins botânicos, aquários, entre outros espaços de educação não formal. Muitas dessas
parcerias resultam em artigos publicados, trabalhos apresentados em congressos, oficinas e cursos ministrados, além da
produção de materiais didático-culturais.

As atividades de investigação, de ensino e de divulgação do grupo estão organizadas nos seguintes temas de interesse:

» Ensino e aprendizagem em museus e demais espaços de educação não formal.

» Relação museu-escola.

» Mediação em museus e demais espaços de educação não formal.

» Alfabetização científica em museus e demais espaços de educação não formal.

» Popularização e divulgação da ciência em museus e demais espaços de educação não formal.

» Biodiversidade e educação em museus e demais espaços de educação não formal.

http://www.geenf.fe.usp.br/v2/

Atenção

http://www.geenf.fe.usp.br/v2/?publicacao=livros

43
CAPÍTULO 3 • Diferentes Esferas, um mesmo Objetivo

3.3. A Educação Ambiental Informal

Para abordarmos a Educação Ambiental no âmbito Informal, buscamos auxílio na definição de


Park e Fernandes (2007) quando afirmam que, muitas vezes, encontramos os termos Educação
Não Formal e Informal tratados como sinônimos, como já foi explicado neste capítulo, entretanto
eles procuram delimitar as duas expressões, assim como Trilla (2008), outro autor que também
já foi referendado aqui. Ou seja, seguindo a esteira teórica desses autores, entende-se que a
Educação Informal:

Ocorre indiferenciada e subordinadamente a outros processos sociais, quando


aquele está indissociavelmente mesclado a outras realidades culturais, quando
não emerge como algo diferente e predominante no curso geral da ação em que
o processo se verifica, quando é imanente a outros propósitos, quando carece de
um contorno nítido, quando se dá de maneira difusa (que é outra denominação
da educação informal) (TRILLA, 2008, p.37).

Esta é uma aprendizagem que pode acontecer ao longo da vida, por meio de um processo
permanente conforme as diferentes experiências e sem necessariamente uma organização prévia.
Podemos dizer que muitas dessas experiências acontecem de maneira a envolver aprendizagens
e conhecimentos que podem ser oriundos de vivências com a família, no espeço profissional,
em espaços coletivos e em espaços públicos. Essas experiências podem acontecer, inclusive, “em
espaços institucionalizados, formais e não-formais, e a apreensão se dá de forma individualizada,
podendo, posteriormente ser socializada” (PARK; FERNANDES, 2007, p.128). Podemos considerar
que, nesse sentido, as aprendizagens que uma criança adquire, por exemplo, no convívio com
outras crianças, no horário de recreio escolar, onde ela tem contato com um repertório variado de
linguagens, gestos, comportamentos e brincadeiras, mesmo sem uma intencionalidade, trazem
uma vivência que, posteriormente, se concretizará como Educação Informal.

Segundo Park e Fernandes (2007, p. 128), diferentes formas educativas convivem nos diferentes
ambientes sociais em que estamos inseridos e, mesmo as experiências não intencionais podem
ser poderosas no que diz respeito a função educativa. Para as autoras é necessário pensar em
propostas que articulem as diferentes dimensões da Educação, considerando que: 2

Uma educação sem adjetivos se basearia no tripé – educação formal, não-formal


e informal, acontecendo de formas concomitantes. Propostas educacionais
ampliadas, sejam de que campo forem, expandem e oferecem espaços e
conhecimentos para os indivíduos que compõe os variados grupos sociais.

Maria da Glória Gohn (2010) destaca a relevância da educação em contextos não formais para a
emancipação sociopolítica dos excluídos, em virtude dos mecanismos de alienação construídos
para dominação. Para a autora, a vida cotidiana dos cidadãos envolve luta para sobreviver e
suprir carências diversas, pois poucos conseguem ter contato com espaços onde aconteça a
circulação de ideias, manifestação de opiniões e debates, assim como o acesso a informações.

44
Diferentes Esferas, um mesmo Objetivo • CAPÍTULO 3

Nesse sentido, essas dimensões educativas se constituem verdadeiramente como territórios


que geram possibilidades libertadoras e o reconhecimento dos indivíduos como seres humanos
(GOHN, 2010, p. 58).

A nossa proposta neste capítulo foi fazer com que os estudantes pudessem compreender essas
dimensões e, particularmente, as articulações possíveis, assim como esboçado pelos autores cujas
ideias compartilhamos. A Educação Ambiental pode acontecer também no âmbito informal e tomar
parte nas aprendizagens de diferentes grupos sociais. É necessário discutir essas possibilidades
a fim de incorporar um diferencial: a preocupação com a criação de espaços onde os educandos
tenham oportunidades para compartilhar informações e onde possam ampliar o conhecimento.
A partir do que ele traz das suas experiências informais de aprendizagem outras relações podem
ser construídas e uma nova rede poderá ser tecida junto com os conteúdos determinados pelos
currículos escolares.

Sugestão de estudo

Escola e Museus: As Visitas aos Espaços de Cultura Científica

http://iptv.usp.br/portal/embed-video...%3C/video.action?idItem=19093.

Sintetizando

Neste capítulo:

Apresentamos diferentes dimensões da Educação Ambiental, explicando cada uma e suas especificidades.

Analisamos o papel da Educação Formal e da Educação Não Formal e sua relação de complementariedade.

Refletimos sobre materiais e práticas desenvolvidos nesses diferentes espaços e a importância para a formação dos
estudantes.

Abordamos a importância do professor e o seu conhecimento sobre materiais e iniciativas de grupos que atuam nas
dimensões da Educação Ambiental.

45
CAPÍTULO
A TRAJETÓRIA DA EDUCAÇÃO
AMBIENTAL: DAS GRANDES
CONFERÊNCIAS À POLÍTICA
NACIONAL ( LEI N. 9.795/1999) 4
Introdução

Este capítulo vai tratar, de maneira breve, alguns períodos que foram muito importantes para
a constituição dessa área e a construção da Política Nacional de Educação Ambiental no Brasil.

Vamos apresentar eventos mundiais e nacionais com um breve resumo sobre cada um para que
vocês compreendam como esta área se constituiu e possibilitou que a legislação pudesse ser
elaborada com embates e muita luta, por meio dos grupos envolvidos.

Desejamos que vocês compreendam como a Educação Ambiental perpassa diferentes cenários,
assim como contextos sociais e econômicos. Além disso, esperamos que vocês entendam de que
forma a legislação também sofre influências destes contextos.

Procure ficar atento (a) aos nomes e datas, a fim de contextualizar esses marcos legais. De
maneira nenhuma a nossa intenção é que os estudantes memorizem esses dados, mas sim que
compreendam como eles são interligados e mutuamente influenciados pelos sujeitos sociais
que estão atuando nos diversos contextos da Educação Ambiental.

Objetivos

» Apresentar marcos históricos da Educação Ambiental.

» Identificar aspectos da história da Educação Ambiental e seus marcos legais.

» Configurar uma linha do tempo teórica sobre a legislação referente à Educação Ambiental
no Brasil.

» Esclarecer principais avanços no campo da legislação de Educação Ambiental.

46
A Trajetória da Educação Ambiental: Das Grandes Conferências à Política Nacional (Lei n. 9.795/1999) • CAPÍTULO 4

4.1. A Trajetória da Educação Ambiental

Nosso propósito, neste capítulo, é apresentar alguns marcos legais e contextualizá-los para
facilitar a compreensão da construção da Política Nacional de Educação Ambiental no Brasil.
Compreendemos que esse estudo contribuirá para o entendimento dos diferentes aspectos
envolvidos em uma legislação que garante direitos e atribui deveres aos diferentes setores da
sociedade – instituições educativas, Sistemas de Governo, publicidade e mídias, órgãos de classe,
empresas públicas e privadas, bem como a sociedade – envolvendo todos (as) no objetivo comum
que é a questão ambiental.

Para entender a trajetória das políticas ambientais no Brasil é importante conhecer alguns marcos
legais e sua influência nas ações posteriores. De maneira geral, podemos afirmar que tivemos
momentos importantes que influenciaram a construção de uma política consistente, que criou
condições propícias para que acontecessem reflexões a respeito da formação de professores e
de estudantes de licenciatura em abordagens que contemplassem as questões ambientais.

Para este capítulo faremos um recorte temporal que, de maneira simples, quer dizer que
escolhemos alguns períodos e determinados eventos sobre o meio ambiente. Não pretendemos
que esta aula seja exaustiva sobre o tema, mas nossa intenção é que os estudantes tenham uma
boa noção do que aconteceu nas últimas décadas e a influência disso na Educação Ambiental
que é praticada no momento atual.

Selecionamos eventos de cunho mundial e nacional para apresentar aqui com seus respectivos
períodos e dados significativos em cada um.

Começamos nosso recorte temporal nos anos de 1960 quando alguns movimentos sociais
importantes foram pioneiros nessa discussão. Além disso, esta foi uma década de movimentos
de contestação no mundo inteiro, fazendo com que este se tornasse um contexto de profundas
marcas na história mundial.

Refletindo sobre fundamentos legais da Educação Ambiental, Lemos, Neto e Xavier (2017,p.2)
ressaltam que é coerente afirmar que alguns eventos importantes aconteceram nesta década
como “o movimento hippie, o movimento feminista, o movimento de luta pelos direitos civis
dos negros em USA e o movimento contra os testes nucleares, dentre outros.” Nesse contexto,
os autores destacam o pioneirismo de Rachel Carson ao lançar, nos anos de 1960, o livro
Primavera Silenciosa, que se tornou posteriormente uma referência importante dos movimentos
ambientalistas e ecologistas.

Em seu livro Educação Ambiental: princípios e práticas, Genebaldo Freire Dias (2004) ressalta
que a autora já sinalizava naquele momento o uso indiscriminado de agrotóxicos e de produtos
químicos e as consequências dessa utilização na contaminação dos recursos naturais.

Caminhando na mesma direção de outros autores (CASCINO, 2000; DIAS, 2004; PELICONI,
2011), os autores afirmam que o livro Primavera Silenciosa foi um marco fundamental na defesa

47
CAPÍTULO 4 • A Trajetória da Educação Ambiental: Das Grandes Conferências à Política Nacional (Lei n. 9.795/1999)

do meio ambiente no século XX, pois as denúncias de Rachel Carson obrigaram a comunidade
internacional a discutir a regulamentação da utilização de agrotóxicos e pesticidas.

Percebemos a atualidade desse debate e, infelizmente, podemos afirmar que não conseguimos
consenso nesta questão, pois o uso desenfreado de agrotóxicos é um problema contemporâneo.

Continuamos na década de 1960 e encontramos a Conferência de Keele, onde, segundo


especialistas, a expressão “Educação Ambiental” foi usada pela primeira vez. Naquele momento,
entendida como um conceito associado à conservação da natureza.

Segundo Lemos, Neto e Xavier (2017), os anos 1960 foram intensos no que diz respeito ao meio
ambiente e, no ano de 1968, foi criado o Conselho para Educação Ambiental, no Reino Unido.
Para os autores, esse órgão surgiu da necessidade de incorporação da Educação Ambiental na
educação dos cidadãos.

Nesse mesmo ano, um grupo de trintas especialista fundou o Clube de Roma com
o objetivo de discutir os problemas, daquele período histórico, assim como os
futuros, que dificultavam o desenvolvimento da humanidade. Ainda em 1968, as
inquietações sobre a crise ecológica chegaram à Organização das Nações Unidas
(ONU), por intermédio da delegação da Suécia que alertou, por meio de uma
declaração oficial, à comunidade internacional sobre a crescente crise ambiental
e a impreterível necessidade de elaboração de soluções internacionais para os
problemas ambientais (LEMOS; NETO; XAVIER, 2017).

Continuando nossa apresentação dos fatos marcantes durante a década de 1960, lembramos
que, em 1968, ocorreu na cidade de Paris, na França, a Conferência da Biosfera, onde governos
de diferentes países se encontraram para uma reunião que tratava a Biosfera como uma questão
preocupante internacionalmente. Na Conferência já havia sinais claros de uma preocupação
com a criação de Programas de Educação Ambiental.

Ainda nesta década, destacamos a criação da Sociedade para Educação Ambiental, no Reino
Unido, que teve como objetivo a promoção de pesquisas que tivessem a problemática ambiental
como tema central, além da relação dessa problemática com a Educação.

Durante a década de 1970 continuaram os esforços para organizar eventos na área ambiental e,
nesse sentido, destacamos a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente Humano,
mais conhecida como “Conferência de Estocolmo” que, em 1972, constituiu-se como primeiro
evento abordando temas como meio ambiente e gerenciamento ambiental, além da publicação
de um importante relatório chamado “Os Limites do Crescimento”. Importante destacar que,
durante essa Conferência, a ONU criou um organismo que se tornou referência nas questões
ambientais e já foi citado neste livro: Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente
(PNUMA). Ainda durante essa mesma década, foram criados alguns programas de Educação

48
A Trajetória da Educação Ambiental: Das Grandes Conferências à Política Nacional (Lei n. 9.795/1999) • CAPÍTULO 4

Ambiental nos Estados Unidos da América e, no ano de 1975, a UNESCO organizou o Encontro
Internacional de Educação Ambiental (PIEA) em Belgrado, na Iugoslávia.

Apresentando um pequeno histórico sobre a UNESCO e a Educação Ambiental, em texto publicado


em 1991 na Revista Em Aberto, Eveline Silva de Assis, jornalista do Instituto Nacional de Estudos
e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) ressalta que:

Em cumprimento à recomendação feita na Conferência de Estocolmo, foi lançado,


em 1975, pela Unesco e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente
(PNUMA), o Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA). Entre as
atividades do PIEA, que mais contribuíram a uma conscientização internacional
sobre a educação ambiental, cabe destacar especialmente uma série de reuniões
internacionais e regionais que culminaram na Conferência Intergovernamental
de Tbilisi (URSS), em 1977.

A Conferência de Tbilisi, em 1977, foi um marco importante, pois teve princípios estabelecidos,
assim como estratégias de Educação Ambiental nacionais e internacionais. Por suas características
– interdisciplinaridade, criticidade, postura ética e de transformação – e pela organização em
parceria entre UNESCO e PNUMA foi considerada como marco da internacionalização do Programa
de Educação Ambiental. Finalizando esta década, no ano de 1979 organizou-se o Seminário de
Educação Ambiental para a América Latina, realizado pela UNESCO e o PNUMA na Costa Rica.

Saiba mais

https://nacoesunidas.org/acao/meio-ambiente/

Sugestão de estudo

https://www.senado.gov.br/noticias/Jornal/emdiscussao/rio20/a-rio20/conferencia-das-nacoes-unidas-para-o-meio-
ambiente-humano-estocolmo-rio-92-agenda-ambiental-paises-elaboracao-documentos-comissa

A década de 1980

Durante os anos de 1980 destacamos que a Lei no 6.938/1981 tratava da Educação Ambiental e
se referia explicitamente a essa área no seu art. 2o, Inciso X como transcrito abaixo:

Art 2o - A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação,


melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar,
no País, condições ao desenvolvimento sócio-econômico, aos interesses da

49
CAPÍTULO 4 • A Trajetória da Educação Ambiental: Das Grandes Conferências à Política Nacional (Lei n. 9.795/1999)

segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana, atendidos os


seguintes princípios:

X - educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a educação da


comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio
ambiente.

Atenção

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6938.htm

Posteriormente, a Lei no 7.804 de 18/7/1989 alterou alguns pontos da Lei no 6.938/1981, entretanto,
o Inciso X do Art. 2o não sofreu mudanças. Porém, alterações importantes foram feitas no que
dizia respeito aos órgãos criados anteriormente. Nessa década, tiveram início negociações para
criação de políticas ambientais – em virtude de pressões internacionais – e o Brasil começou
a esboçar um movimento para a construção de uma Política Nacional de Meio Ambiente, que
gerou a criação do Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA), do Conselho Nacional de
Meio Ambiente (CONAMA), do Conselho Superior do Meio Ambiente (CSMA), assim como a
criação do Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental.

A Lei no 7.804/1989 e a Lei no 8.028/1990 trouxeram mudanças na redação de artigos que


tratavam da competência do CONAMA e do IBAMA, que passaram a possuir uma relação que
já era formalmente reconhecida, mas adquiriu uma amplitude no sentido de fortalecimento
dos dois órgãos. A princípio, quando lemos a redação dos artigos, podemos entender que não
houveram mudanças significativas, porém, foram aspectos relevantes para mudanças no que
diz respeito aos projetos com impactos ambientais, liberação de licenciamentos para grandes
empreendimentos de empresas que desejavam atuar em áreas de preservação ambiental, bem
como aplicação da legislação e de penalidades previstas.

Saiba mais

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7804.htm#art3.

É importante compreender como esses mecanismos legais influenciaram outras áreas como a
formação universitária de docentes de diferentes áreas – biologia, pedagogia, agronomia, dentre
outras – da mesma maneira, como esses movimentos refletiram-se nas práticas que começaram
a ser desenvolvidas nas escolas de Ensino Fundamental e Médio.

Em 1986 surgiram importantes reflexões oriundas do I Seminário sobre Universidade e Meio


Ambiente, organizado na Universidade de Brasília (UnB) e este é considerado uma experiência

50
A Trajetória da Educação Ambiental: Das Grandes Conferências à Política Nacional (Lei n. 9.795/1999) • CAPÍTULO 4

exitosa do Brasil, e refletia algumas mudanças que já ocorriam nas práticas, assim como marcas
trazidas pela legislação considerava avançada, dentro dos parâmetros internacionais.

Importante lembrar que essa década é marcada fortemente pelo processo de redemocratização
do nosso país e, nesse contexto, as universidades públicas, em particular a UnB, tiveram papel
fundamental em promover debates sobre diferentes questões, dentre elas a Educação Ambiental.
Mudanças importantes foram geradas por meio dessas reflexões e da possibilidade de debates
entre universitários que assumiam um novo espaço, com a possibilidade de abertura democrática.
No site da Universidade de Brasília, encontramos dados sobre isso e destacamos um pequeno
trecho que trata da Redemocratização:

Em maio de 1984, o professor Cristovam Buarque torna-se o primeiro reitor


eleito pela comunidade universitária. A Universidade viu-se diante do desafio de
se libertar do conservadorismo e retomar o status de instituição de vanguarda.
Para isso, a administração definiu projetos e metas que visavam à liberação da
capacidade criativa de alunos e professores e à promoção do espírito crítico.
A ideia era quebrar a hierarquia entre as áreas de conhecimento e revitalizar o
ensino, a pesquisa e a extensão.

Dessa maneira, o que acontecia na área ambiental sofria influências deste processo de extrema
importância para o desenvolvimento do país e das políticas educativas. Ainda tratando do contexto
brasileiro, ressaltamos que, em 1988, o país foi marcado pela Assembleia Nacional Constituinte,
que foi aprovada após um longo e duro período de ditadura. Essa Constituinte trazia, em seu
bojo, a preocupação com as questões ambientais e, para ela, os constituintes formaram uma
comissão parlamentar que tinha como meta discutir a questão ambiental unindo-se com grupos
que trouxeram a participação popular para os debates.

Esse movimento ganhou força no final da década anterior, como nos diz Santos (2016, p. 30):

No período de redemocratização ocorreram mudanças na estrutura de


oportunidades políticas no sentido da ampliação das possibilidades de
mobilização coletiva e de expressão de demandas dos grupos sociais, a partir
da segunda metade da década 1970, quando a coalizão sustentava a ditadura
militar entrou em crise102. Entre 1978 e 1979, as formas de manifestação política
foram liberalizadas, a censura aos meios de comunicação foi reduzida, e foram
instituídas a Anistia e a extinção do bipartidarismo. Neste período, quatro
dimensões foram fundamentais para a eclosão dos protestos ambientais no
Brasil: o início da redução da repressão aos protestos sociais de forma geral, a
ampliação das possibilidades de articulação do ativismo ambientalista com outros
movimentos sociais, a maior permeabilidade do quadro político-institucional
às reivindicações da sociedade civil e por fim, a constituição de uma agenda
ambiental no plano internacional. Neste período, surgiram diversos grupos e
associações preocupados com a questão ambiental, especialmente nas regiões
sul e sudeste, que se organizaram em coalizões predominantemente restritas

51
CAPÍTULO 4 • A Trajetória da Educação Ambiental: Das Grandes Conferências à Política Nacional (Lei n. 9.795/1999)

ao âmbito local e concentraram sua atuação na denúncia e conscientização da


degradação ambiental, através de campanhas, manifestações públicas e protestos.

Saiba mais

https://www.unb.br/a-unb/historia/634-redemocratizacao?menu=423

Também nessa década ocorreu a Conferência Internacional de Educação Ambiental, na cidade


de Moscou, na Rússia, realizada no ano de 1987 com repercussões em ações que se multiplicaram
em várias partes do mundo.

Na página da Organização das Nações Unidas (ONU), encontramos o artigo “A ONU e o meio
ambiente” que apresenta essa trajetória da Educação Ambiental e nos conta que, em 1983, a
médica Gro Harlem Brundtland – mestre em saúde pública e ex-Primeira Ministra da Noruega
– foi convidada pelo Secretário-Geral da ONU para estabelecer e presidir a Comissão Mundial
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Segundo o artigo, essa era uma escolha natural, pois a
médica era conhecida por sua visão de saúde e relações com temas ambientais e desenvolvimento
humano. Dessa maneira, em 1987 a “Comissão Brundtland”, como ficou conhecida, divulgou
um relatório considerado inovador por trazer o conceito de desenvolvimento sustentável para
o discurso público.

Atenção

“Nosso Futuro Comum” https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4245128/mod_resource/content/3/Nosso%20Futuro%20


Comum.pdf

http://www.ecobrasil.eco.br/site_content/30-categoria-conceitos/1003-nosso-futuro-comum-relatorio-brundtland

Consideramos muito oportuno trazer aqui alguns pontos desse relatório destacados no
artigo da ONU. É interessante observar a atualidade de seus objetivos e metas, bem como a
importância de alguns conceitos ali presentes.

“O desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que encontra as necessidades atuais sem


comprometer a habilidade das futuras gerações de atender suas próprias necessidades.”

“Um mundo onde a pobreza e a desigualdade são endêmicas estará sempre propenso a crises
ecológicas, entre outras… O desenvolvimento sustentável requer que as sociedades atendam
às necessidades humanas tanto pelo aumento do potencial produtivo como pela garantia de
oportunidades iguais para todos.”

52
A Trajetória da Educação Ambiental: Das Grandes Conferências à Política Nacional (Lei n. 9.795/1999) • CAPÍTULO 4

“Muitos de nós vivemos além dos recursos ecológicos, por exemplo, em nossos
padrões de consumo de energia… No mínimo, o desenvolvimento sustentável
não deve pôr em risco os sistemas naturais que sustentam a vida na Terra: a
atmosfera, as águas, os solos e os seres vivos.”

“Na sua essência, o desenvolvimento sustentável é um processo de mudança no


qual a exploração dos recursos, o direcionamento dos investimentos, a orientação
do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional estão em harmonia e
reforçam o atual e futuro potencial para satisfazer as aspirações e necessidades
humanas.”
— do Relatório Brundtland, “Nosso Futuro Comum”.

A Década de 1990

Chegamos à década de 1990 e iniciamos esta parte com especial destaque para a Conferência sobre
Meio Ambiente e Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU) que aconteceu
em 1992 na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. A ONU já havia declarado o ano de 1990 como
o “Ano Internacional do Meio Ambiente” e, a partir disso, o Brasil começou a se preparar para a
Conferência que ficou mais conhecida como Rio-92 e foi denominada, pelos órgãos oficiais de
divulgação, como Conferência de Cúpula da Terra.

Esta foi uma importante conferência com grande participação da sociedade civil e, nela,
foram discutidos documentos relevantes como a Declaração dos Princípios sobre as Florestas,
Convenção do Clima, Convenção da Biodiversidade, Carta da Terra e Agenda 21. A Agenda 21
tem enorme relevância nesse cenário, pois ratificou recomendações da Conferência de Tbilisi,
como o enfoque interdisciplinar, orienta a Educação para o desenvolvimento sustentável e maior
divulgação dos aspectos concernentes ao meio ambiente. Esses pontos contribuíram para maior
consciência da população em geral assim como novos treinamentos de recursos humanos na
área de Educação Ambiental. Por meio da Agenda 21, a necessidade de uma política ambiental
para o desenvolvimento sustentável era reconhecida e divulgada para vários países do mundo.

Segundo a ONU, por meio da Agenda 21 os governos delinearam um programa de mudanças no


modelo de crescimento econômico que, naquele momento, já era insustentável. O documento
abordava a questão dos recursos ambientais relacionando-a ao crescimento econômico e
ao desenvolvimento humano, determinando ações de proteção da atmosfera, combate ao
desmatamento, prevenção da poluição da água e do ar, além de deter a destruição das populações
de peixes e promover uma gestão segura dos resíduos tóxicos.

Lembramos que isso foi em 1992 e ainda hoje estamos tratando dos mesmos problemas e, em
alguns casos, sem mudanças significativas. Segundo dados do IBAMA (2014, p. 15) – publicados
no Documento de Referência do ProNEA – a partir do II Forum Brasileiro de Educação Ambiental
“foi lançada a ideia de uma Rede Brasileira de Educação Ambiental, com a adoção do Tratado de

53
CAPÍTULO 4 • A Trajetória da Educação Ambiental: Das Grandes Conferências à Política Nacional (Lei n. 9.795/1999)

Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Educação Ambiental”. Essa Rede teve uma
carta de princípios aprovada por diferentes entidades, educadores e pesquisadores de todo o
mundo durante o Fórum Global 92, que aconteceu paralelo à Conferência da ONU, dentro da I
Jornada Internacional de Educação Ambiental, que foi aberta pelo educador Paulo Freire.

Saiba mais

https://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda-21

O documento afirma também que os anos de 1990 foram importantes no que diz respeito à
criação de espaços para reflexões relevantes no campo da Educação Ambiental

Em 1991, a Comissão Interministerial para a preparação da Conferência das


Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) reconheceu a
educação ambiental como um dos instrumentos da política ambiental brasileira.
Ainda em 1991, foram criadas duas instâncias no Poder Executivo destinadas
a lidar exclusivamente com esse aspecto: o Grupo de Trabalho de Educação
Ambiental do MEC, que em 1993 se transformou na Coordenação Geral de
Educação Ambiental (Coea/ MEC), e a Divisão de Educação Ambiental do Instituto
Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), cujas
competências institucionais foram definidas no sentido de representar um
marco para a consolidação da política de educação ambiental no âmbito do
Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama). O Ibama instituiu, em julho de
1992, os Núcleos de Educação Ambiental em todas as suas superintendências
estaduais, com a finalidade de operacionalizar as ações educativas na gestão
ambiental estadual, sendo, mais tarde, nesse mesmo ano, criado o Ministério do
Meio Ambiente (MMA). Ainda no contexto da institucionalização da educação
ambiental no país, pode-se citar o estímulo à implantação de sistemas de gestão
ambiental por setores empresariais, em consonância com leis e normas, como
as da série ISO 14000.

Ainda tratando da Rio-92, durante a Conferência – como já dissemos – vários documentos


importantes foram discutidos e aprovados e, dentre eles, a Carta Brasileira para a Educação
Ambiental, que trazia o reconhecimento da importância estratégica da Educação Ambiental
como elemento que viabilizaria uma série de ações visando a sustentabilidade. O Ministério da
Educação – MEC – participou da elaboração desta Carta e possibilitou sua divulgação e ampliação
das discussões sobre o documento em um Encontro Nacional de Centros de Educação Ambiental
(o primeiro encontro organizado com esses grupos) e isso trouxe a possibilidade de estímulo
à ampliação desses centros que viriam a se tornar espaços de referência com ações práticas
destinadas para a educação formal e não formal, com comunidades.

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A Trajetória da Educação Ambiental: Das Grandes Conferências à Política Nacional (Lei n. 9.795/1999) • CAPÍTULO 4

Em 1994, a cidade do Rio de Janeiro, no Brasil, sediou o I Encontro Brasileiro de Ciências


Ambientais, que viria a se constituir como um espaço estimulante de discussões acadêmicas
sobre a questão ambiental e, particularmente, a respeito da Educação Ambiental.

No ano de 1997 foi organizada a Conferência Internacional de Educação Ambiental e Sociedade:


educação e consciência pública para a sustentabilidade. Novamente a parceria entre a UNESCO
e o PNUMA gerou um trabalho relevante na organização do evento e documentos posteriores
com as resoluções e metas aprovadas na Conferência realizada em Tessalônia, na Grécia.

Os reflexos desses movimentos foram assimilados por vários países e, em particular, no Brasil,
tivemos mudanças significativas durante as décadas de 1970 e 1980 no que diz respeito à Educação
e à formação docente. Já na década de 1970 foram elaborados projetos iniciais de Educação
Ambiental desenvolvidos em escolas públicas e particulares de diferentes estados brasileiros
das mais diversas regiões. Alguns grupos de estudo nessa área começaram a se organizar nas
universidades e em outros espaços de formação e, na década de 1980, houve a recomendação
do Conselho Federal de Educação para que a Educação Ambiental fosse inserida nos currículos
de cursos de formação de professores. Na prática, isso representa que houve maior divulgação
de experiências por meio das ações criadas por docentes, assim como trabalhos acadêmicos
que tratavam dessa temática começaram a circular em eventos científicos na área de Educação
e Educação em Ciências.

Ainda sobre o contexto brasileiro, também na década de 1990 tivemos a promulgação da nova
Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) que aborda o ambiente natural e a sua compreensão
dentro do processo educativo, assim como a construção de parcerias entre instituições escolares
e organizações não governamentais, órgãos do governo e grupos de Educação Ambiental.

O Ministério da Educação (MEC) reconheceu a necessidade de formação continuada de professores


para o trabalho com Educação Ambiental e isso é reafirmado na criação dos Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCNs) em 1997 tendo o Meio Ambiente como um tema transversal no
Ensino Fundamental.

Finalizando esta década, tivemos um marco importante no ano de 1999, que foi a promulgação
da Lei Federal no 9.795 que trata da Política Nacional de Educação Ambiental.

Para Loureiro (2004, p. 87), a Educação Ambiental teve sua importância explicitada por meio da
inclusão nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) assim como na Lei Federal de criação
da Política Nacional de Educação Ambiental (Lei no 9.795/1999). Segundo o autor, a legalidade
desses documentos trouxe uma obrigatoriedade de garantir o caráter transversal da Educação
Ambiental. As linhas do Programa Nacional de Educação Ambiental possuíam articulações
com a Educação Formal e Educação Não Formal, bem como orientações para ações de gestão
ambiental e cooperação interinstitucional.

55
CAPÍTULO 4 • A Trajetória da Educação Ambiental: Das Grandes Conferências à Política Nacional (Lei n. 9.795/1999)

Saiba mais

http://www.icmbio.gov.br/educacaoambiental/politicas/pnea.html

4.2. Os Principais Avanços da Educação Ambiental no Campo da


Legislação

A partir dos anos 2000, houve uma retomada de algumas diretrizes estabelecidas, assim como a
organização de novas conferências, por meio das quais os grupos se articulavam e continuavam
o trabalho iniciado nas décadas anteriores. A Educação Ambiental é tratada por meio dos
conceitos como transversalidade e pensamento crítico sobre a ação no planeta. Diferentes
instituições educativas formais e não formais assumem a tarefa de desenvolver práticas que
estejam contextualizadas com os preceitos da EA e da política implementada.

Segundo Stortti e Sánchez (2018, p. 61):

Em 2007 o MEC organizou uma pesquisa com escolas e professores de todo o


Brasil determinando como a EA foi desenvolvida naquele período no país. A
partir dessa pesquisa, observou-se que a EA era desenvolvida em “3 modalidades:
projetos, disciplinas especiais e a inserção da temática ambiental nas disciplinas”
(MEC, 2007, p.48). Além disso, a pesquisa comprovou que o professor que
atua na educação básica foi o responsável direto, na maioria dos casos, de
forma autônoma, por realizar atividades que dialogam direta ou indiretamente
com a educação ambiental. E identificou que a maior inserção desse campo,
dentre as diferentes áreas do currículo escolar, está na disciplina específica de
ciências naturais. Mesmo com esse papel de destaque das ciências naturais e
da ecologia, bem como, da influência do movimento ambientalista, o principal
objetivo estabelecido pela maioria das escolas do Brasil para essa temática está
relacionada a ideia de: “conscientizar alunos e comunidade para a plena cidadania
e sensibilizar para o convívio com a natureza” (MEC, 2007, p. 47).

Podemos afirmar que muitas ações de Educação Ambiental seguiram esse mesmo caminho,
pautando-se na legislação da área em consonância com experiências que eram compartilhadas
por diferentes grupos de educadores, assim como pelas redes criadas entre profissionais que
atuavam especificamente na área ambiental.

Em 2012 a cidade do Rio de Janeiro sediou a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento
Sustentável, mais conhecida como Rio+20. Foi planejada em virtude dos vinte anos da Conferência
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento ocorrida em 1992 nesta mesma cidade. O que vimos foi
uma grande mobilização de instituições escolares, organizações não governamentais e instâncias
governamentais atuando no sentido de criar possibilidades de interação e integração dos
diferentes grupos sociais que participaram desse encontro. A proposta era respeito à diversidade

56
A Trajetória da Educação Ambiental: Das Grandes Conferências à Política Nacional (Lei n. 9.795/1999) • CAPÍTULO 4

e acolhimento do maior número de pessoas dos mais diversos lugares do mundo. A Conferência
teve como temas principais a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da
erradicação da pobreza, além de criação de uma estrutura institucional para o desenvolvimento
com sustentabilidade. A organização da Conferência se dividiu em momentos distintos que se
configuraram com a mesma diversidade dos participantes. Foram realizadas negociações de
documentos, reuniões de dirigentes com membros da sociedade civil, além da um segmento
formado por chefes de Estado e membros das Nações Unidas.

Importante destacar que uma parte relevante da Rio+20 foi um evento paralelo, nomeado
“Cúpula dos Povos”, organizado por entidades da sociedade civil com o objetivo de discutir as
causas da crise socioambiental, apresentar soluções práticas e fortalecer movimentos sociais do
Brasil e do mundo. Foi um evento grandioso com quase 23 mil inscritos, entre os quais estavam
representantes selecionados na sociedade civil, oriundos de diferentes países, especialmente,
das Américas, da Europa e do norte da África.

Saiba mais

http://www.rio20.gov.br/brasil.html

Atenção

http://www.rio20.gov.br/sobre_a_rio_mais_20/rio-20-como-chegamos-ate-aqui/at_download/rio-20-como-chegamos-ate-
aqui.pdf

Com a instituição da Política Nacional de Educação Ambiental e os eventos seguintes, foram


fomentadas ações com as características específicas de Educação Ambiental crítica, pautada
nos estudos de Paulo Freire e outros autores que eram apropriados pelo meio educacional. Além
disso, os espaços de Educação Não Formal cresciam e se constituíam como cenários onde havia
maior número de trabalhos que se pautavam na interdisciplinaridade, o que era previsto pela
legislação. Dessa maneira, a Educação Ambiental foi sendo assumida pelos diferentes contextos
educacionais – formais e não formais – com práticas que na sua concepção já eram transgressoras
e propiciavam outras formas de construção de conhecimentos. Os congressos científicos sobre
essa temática se multiplicaram, assim como encontros de professores e educadores não formais
que buscavam interagir e compartilhar experiências exitosas que pudessem contribuir com o
trabalho desenvolvido nos distintos cenários. Muitas ações criadas nesse período buscavam
relacionar problemas ambientais com situações cotidianas da vida dos estudantes, na tentativa
de mudança de alguns paradigmas e ampliar o entendimento sobre Educação e Meio Ambiente.

57
CAPÍTULO 4 • A Trajetória da Educação Ambiental: Das Grandes Conferências à Política Nacional (Lei n. 9.795/1999)

Esse período também foi fortemente marcado pela ampliação de cursos de formação continuada
de professores visando trabalhos com Educação Ambiental. Nas escolas de Ensino Fundamental
e Médio multiplicavam-se os projetos e ações com temas ambientais, onde comumente buscava-
se demonstrar para os estudantes o quanto o planeta estava sendo destruído e se tornando
insustentável. Ampliou-se também o número de cursos de formação inicial como bacharelados
e licenciaturas em Ciências Ambientais, visando uma formação mais específica voltada aos
profissionais que desejavam atuar em funções voltadas para Educação Ambiental.

Podemos dizer que se ampliou o entendimento da expressão Educação Ambiental, bem como
das dimensões e contextos de trabalho. A relação homem e meio ambiente passou por mudanças
e os problemas passaram a ser analisados em conjunto, não mais separadamente. Assim os
problemas sociais passaram a ser analisados em conjunto com questões de saúde ambiente,
assim como hábitos e relação com as questões ambientais. A Educação Ambiental passa a ser
associada com a necessidade de propostas que solucionem a crise ambiental, tendo como base
a conscientização e a participação da sociedade nos problemas que se relacionam ao meio
ambiente (SOUSA; SILVA; CONCEIÇÃO; CORDEIRO, 2019).

Por meio dos instrumentos legais, os parâmetros da Educação Ambiental foram sendo apropriados
pelos diferentes setores da sociedade, permitindo mudanças nas bases teóricas conceituais das
propostas, bem como das estratégias metodológicas utilizadas para as práticas desenvolvidas.

Em dezembro de 2015 foi negociado em Paris, na França, o Acordo de Paris, a fim de conter o
aquecimento global do planeta. Esse foi um tratado criado no âmbito da Convenção – Quadro das
Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CQNUMC) que comanda uma série de medidas para
reduzir a emissão de gases estufa a partir do ano de 2020 e reforçar a capacidade dos países para
responder a esse desafio. O Acordo teve aprovação de 195 países que firmaram o compromisso
de lutar para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Segundo o texto publicado no site do Ministério do Meio Ambiente (2015):

Para o alcance do objetivo final do Acordo, os governos se envolveram na


construção de seus próprios compromissos, a partir das chamadas Pretendidas
Contribuições Nacionalmente Determinadas (iNDC, na sigla em inglês). Por meio
das iNDCs, cada nação apresentou sua contribuição de redução de emissões dos
gases de efeito estufa, seguindo o que cada governo considera viável a partir do
cenário social e econômico local.

No mesmo texto, apresentam o gráfico abaixo, demonstrando qual era a meta do Brasil até 2030
para essa esperada redução de emissão de gases estufa.

58
A Trajetória da Educação Ambiental: Das Grandes Conferências à Política Nacional (Lei n. 9.795/1999) • CAPÍTULO 4

Atenção

https://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-unidas/acordo-de-paris

https://www.mma.gov.br/informma/item/13166-noticia-acom-2015-12-1361.html

O ano de 2016 foi marcado como o ano mais quente da história e diversas notícias importantes
foram divulgadas, dentre elas o início do Acordo de Paris, que entrou em vigor antes do prazo
oficial por meio de um esforço liderado pelo então secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, apoiado
por líderes mundiais como Barack Obama, EUA, Xi Jinpin, da China, e Segolène Royal, ministra
do meio ambiente francesa. Segundo notícia publicada no site OECO:

E contou com uma esperta manobra jurídica da União Europeia para dispensar
a ratificação em bloco e permitir que cada um dos 28 países pudesse somar seu
esforço de corte individualmente, de forma a cumprir os critérios para a entrada
em vigor. Desde 4 de novembro, Paris é lei no mundo inteiro, inclusive no Brasil.

Saiba mais

https://www.oeco.org.br/noticias/16-fatos-marcantes-para-o-clima-em-2016/

Durante este mesmo ano diversos eventos climáticos destruíram países como o Haiti, bem como
registros de aumento de temperatura com recordes foram percebidos em países como África do

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CAPÍTULO 4 • A Trajetória da Educação Ambiental: Das Grandes Conferências à Política Nacional (Lei n. 9.795/1999)

Sul, Tailândia, Índia e Kuwait. No Brasil, o que se viu foram fenômenos como uma longa estiagem
que ocasionou uma crise de abastecimento em vários estados, particularmente em São Paulo.

As geleiras do Continente Ártico tiveram registros importantes de derretimento, e isso gerou uma
compreensão ainda maior desse desequilíbrio e sua relação direta com as mudanças climáticas.
Foram divulgados estudos que confirmavam que determinados eventos que ocorreram entre os
anos de 2011 e 2015, incluindo a estiagem que ocorreu na região da Amazônia entre 2014 e 2015,
tiveram influência do aquecimento global do planeta. Apesar da legislação, o desmatamento da
Amazônia aumentou assustadoramente em 2016 e não tivemos uma apuração disso nem uma
publicização dos dados.

Você deve estar se perguntando como isso se relaciona com a legislação de que tratamos neste
capítulo...

Todas as nossas reflexões neste capítulo buscam trazer a compreensão de que o fato de termos
esse caminho trilhado com uma legislação construída por diferentes representantes da sociedade
fez com que pudéssemos reconhecer mudanças consistentes e permanentes, particularmente no
Brasil, no que diz respeito a mudanças climáticas. No entanto, isso não garante a continuidade
das políticas públicas e das necessárias reflexões sobre os processos construídos.

Além disso, existem outros fatores que dificultam a efetivação das políticas assim como a garantia
efetiva do cumprimento daquilo que prevê a legislação. Um ponto que podemos destacar aqui
para exemplificar isso é a relação entre mudanças climáticas e segurança.

As mudanças climáticas são reconhecidas pela ONU e por organizações regionais como a União
Africana (UA) e a União Europeia (EU), como multiplicador de insegurança e vulnerabilidade
(2019, p. 2), o que é afirmado no documento organizado pelo Instituto Igarapé e pelo Instituto
Clima e Sociedade, apresentando considerações relevantes construídas por meio de pesquisas
sobre clima e segurança na América Latina e Caribe. Destaca-se que, segundo especialistas, no
Ártico as mudanças climáticas trazem também rivalidades geopolíticas, que se tornam cada vez
mais acirradas, conforme o derretimento do gelo aumenta e causa efeitos globais.

Assim, novos cenários surgem e outros atores interagem nesses contextos em transformação.
As mudanças climáticas atingem seu mais alto grau e a legislação não garante a efetivação das
mudanças.

Nos anos de 2017, 2018 e 2019 vivemos um período de grande recessão econômica e aumento
exorbitante dos problemas ambientais que já tinham sido denunciados em décadas anteriores.
A sucessão de ministros que assumiram a pasta do Meio Ambiente neste período não trouxe a
necessária ação para retomar metas estabelecidas nas Conferências e nos documentos legais.
Houve um distanciamento entre a discussão e construção de políticas públicas e a sociedade civil.

60
A Trajetória da Educação Ambiental: Das Grandes Conferências à Política Nacional (Lei n. 9.795/1999) • CAPÍTULO 4

Ao destacar fatos marcantes sobre o clima ocorridos no ano de 2019, o Observatório do Clima
destaca que, politicamente, a extinção do Ministério do Meio Ambiente, bem como a nomeação
de um ministro reconhecidamente ruralista demonstrava que seria muito difícil fazer com
que a legislação fosse respeitada e pudéssemos continuar um movimento de ampliação desse
arcabouço legal consistente para trabalhar na perspectiva de regeneração do planeta. Houve nesse
momento o que é considerado um retrocesso no que diz respeito aos aspectos legais da ação do
IBAMA com o enfraquecimento de estratégias criadas para combate ao crime ambiental, assim
como mudanças estruturais nas chefias e direções de departamentos importantes desse órgão.
Segundo dados do Observatório do Clima, “O número de multas por desmatamento na Amazônia
(3.445) foi o menor desde 2012, e o desmatamento foi o maior desde 2008” (Notícias, 26.12.19).

Os Colegiados organizados com membros da sociedade civil foram eliminados e o Conselho


Nacional do Meio Ambiente (Conama) foi modificado com a intenção de limitar a participação
social ao mesmo tempo em que aumentava o controle do governo.

Enquanto isso, as chamas ardiam e queimavam florestas na Amazônia, na Califórnia e na


Austrália. No caso da Amazônia, os dados científicos demonstravam que esta seria a etapa final
posterior ao desmatamento da floresta, já denunciado por especialistas do Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (INPE).

Fonte: http://www.observatoriodoclima.eco.br/19-fatos-que-marcaram-o-clima-em-2019/

Saiba mais

https://www.cartacapital.com.br/politica/desmatamento-sobe-96-em-setembro-de-2019-revela-inpe/

Em janeiro de 2019 foi publicada uma carta organizada pela Rede Brasileira de Educação Ambiental
(REBEA) que denunciava medidas de desmonte da Política Nacional de educação Ambiental,
adotadas pelo novo governo do Brasil.

Atenção

“O atual arcabouço das políticas públicas de Educação Ambiental no Brasil é oriundo de mais de 30 anos de interação entre
educadores ambientais, especialistas, sociedade civil organizada e órgãos públicos ambientais e educacionais, e se mostra
cada vez mais importante nos processos de conservação da natureza e de construção da sustentabilidade.”

Assim começa a Nota feita pela Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA) dirigida aos ministros do Meio Ambiente e
da Educação do novo governo, protestando pelas medidas tomadas que colocaram fim ao Órgão Gestor da Política Nacional
de Educação Ambiental e desmontaram a estrutura de suporte à política de educação ambiental em ambos os ministérios.

Acesse o link a seguir e leia a carta produzida pela REBEA, ANPED e CIEAs e publicizada em 26 de janeiro de 2019:

http://rebea.org.br/images/2018/carta_rebea_ministros.pdf

61
CAPÍTULO 4 • A Trajetória da Educação Ambiental: Das Grandes Conferências à Política Nacional (Lei n. 9.795/1999)

Nesse contexto, foi criada a Plataforma de Políticas Públicas de Educação Ambiental (MonitoraEA),
pelos profissionais da Articulação Nacional de Políticas Públicas de Educação Ambiental (ANPPEA),
que nasceu da necessidade de avaliar as práticas e as políticas de Educação Ambiental.

Segunda Viezzer (2019), a ANPPEA surgiu após vários anos de políticas que foram ocorrendo em
diferentes regiões brasileiras nos âmbitos local, regional e nacional, especialmente no final do
século XX e início do século XXI.

Foram seis anos contínuos de trabalho coletivo, dedicados à construção de um


novo patamar para políticas públicas participativas de Educação Ambiental,
buscando responder a demandas formuladas por educadoras e educadores de
todo o País. ANPPEA e MonitoraEA são, assim, muito mais do que duas siglas
que passam a figurar no glossário da Educação Ambiental. Ambas as iniciativas
representam um novo momento deste longo caminho que vem sendo percorrido
por milhares e milhares de educadoras e educadores ambientais e chegam como
novos instrumentos destinados a orientar uma nova ‘Jornada de Educação
Ambiental’. Chegam também como instrumentos de uma proposta criativa
de ‘resiliência e resistência’, indispensáveis na situação atual de desmonte das
políticas nacionais, que inviabilizam o alinhamento da Educ-ação Ambiental à
política governamental atual em âmbito nacional. Afinal, é na contracorrente
que se situam os(as) que pensam e praticam a Educação Ambiental em termos
de políticas públicas multicêntricas e multiescalares, que transcendem gestões
governamentais e envolvem todos os atores sociais que interferem no meio
ambiente. Frente ao quadro vivenciado no País em 2019, a ANPPEA e a Plataforma
MonitoraEA são amostras da necessidade premente de manter as propostas e
iniciativas existentes e, ao mesmo tempo, criar novas formas de atuação em
políticas de Educação Ambiental, entendida como “um direito de tod@s...”
sempre “individual e coletiva”, como diz o Tratado de Educação Ambiental para
Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global (princípios 1 e 3) (VIEZZER,
2019, p. 16).

O trabalho que vem sendo desenvolvido pela ANPPEA demonstra força e vitalidade de diferentes
grupos de educadores que lutam para manter os parâmetros da Educação Ambiental assim como
garantir os direitos legais constituídos pela legislação construída nas últimas quatro décadas. As
diferentes experiências, registradas pela MonitoraEA demonstram a diversidade de ações praticadas
nas diferentes regiões brasileiras e o seu potencial transformador. A multiplicação dessas ações
também é potencializada com a plataforma MonitoraEa e, com a publicação do livro relatando
essas experiências, outras trocas poderão ser realizadas. Estas são ações relevantes no cenário
brasileiro atual, pois estamos vivenciando um desmonte de projetos educativos importantes e
a perda de perspectivas que foram vislumbradas com a trajetória da Educação Ambiental, como
estudamos ao longo deste capítulo.

62
A Trajetória da Educação Ambiental: Das Grandes Conferências à Política Nacional (Lei n. 9.795/1999) • CAPÍTULO 4

Por meio de um livro, a MonitoraEA nos apresenta uma gama de experiências muito especiais
que nos enchem de esperança, pois demonstram um enorme potencial que pode ser visto em
meio aos trabalhos que são apresentados. Além disso, esse movimento nos mostra a bagagem
riquíssima de outros educadores e isso no possibilita rever nossas próprias práticas em contextos
locais e regionais. Também é uma forma de rever propostas e incorporar nossos objetivos em
nossas ações de Educação Ambiental. No final desse livro, a professora Isabel Cristina de M.
Carvalho apresenta um belo posfácio, do qual destacamos um trecho que consideramos relevante:

Este livro nos ofereceu um sistemático, competente e minucioso retrato das


políticas públicas de Educação Ambiental (EA) no Brasil. O subtítulo é esperançoso:
Transição para Sociedades Sustentáveis, mas o rumo das políticas para a educação,
neste momento, nem tanto. O que se destaca é o progressivo enfraquecimento ou
mesmo, em alguns casos, desaparecimento da EA dos instrumentos norteadores
da política educacional, tais como a Política Nacional de Educação (PNE 2014
a 2014), as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e a Base Nacional Comum
Curricular (BNCC). As tentativas de desvinculação dos recursos do orçamento da
União para a educação e a efetiva redução do orçamento das agências nacionais
de pesquisa têm intensificado a crise da educação e da pesquisa públicas. Na
esfera ambiental, assistimos perplexos à desqualificação de problemas como
as mudanças climáticas, a perda progressiva da floresta amazônica, o aumento
exponencial da liberação de agrotóxicos na produção de alimentos. Infelizmente,
a disposição para um mundo plural está em declínio e, com ela, as educações
como a EA, a educação para as diversidades de gênero, étnica e religiosa e, ainda,
a educação popular freireana. Em termos psicanalíticos, vivemos um daqueles
momentos históricos em que o frágil equilíbrio pulsional entre a disposição para
a vida e os impulsos agressivos se descompensam em favor da pulsão de morte.
Nestas circunstâncias, a arte é uma voz potente, um espaço de resistência face à
exaustão das esperanças. A arte socorre, reaviva, revive a imaginação, abre trilhas
onde não existem caminhos. (2019, p. 455).

Assim, consideramos que a formação de novos educadores também será muito importante
para a necessária manutenção e regeneração do planeta. A formação precisa criar sujeitos que
possuam competências para atuar em diferentes espaços, fortalecendo ações que já existem
e lutando por novas práticas pautadas em políticas públicas para educação. Novos gestores
também precisam ser qualificados no sentido de dar continuidade às lutas ambientais, seja no
âmbito público ou privado.

Atenção

Você pode ler este livro, pois ele está disponível em pdf. O link está logo a seguir.

https://www.funbea.org.br/wp-content/uploads/2019/11/livro-MonitoraEA.pdf

63
CAPÍTULO 4 • A Trajetória da Educação Ambiental: Das Grandes Conferências à Política Nacional (Lei n. 9.795/1999)

Chegamos ao final de mais um capítulo e consideramos que a discussão foi bastante interessante
do ponto de vista da compreensão dos aspectos legais que pautaram a criação da Política Nacional
de Educação Ambiental. Além disso, foi possível apresentar o caminhar histórico desse campo,
no que diz respeito às políticas públicas para a Educação Ambiental e às lutas inerentes a esse
processo.

Compartilhamos da mesma ideia que alguns autores possuem (ROCHA, 2007; PEDRINI, 2007)
sobre a transformação por meio da Educação Ambiental, pois por meio das interações entre
os sujeitos – aluno e professor – existe a capacidade de criar uma ação política e promover a
transformação social.

Viana, Sampaio e Aragão (2016) refletem sobre a política ambiental de forma decisiva:

A adoção de uma efetiva prática de ensino voltada a temas ambientais constitui


meio de transformação social, seja quando aplicado dentro do âmbito escolar,
seja fora dele. O processo de estímulo a uma percepção pública do dever de
preservação ambiental, se torna muito mais passível de êxito quando aplicado
a partir do próprio espaço de formação dos indivíduos. De maneira que se vê na
instituição escolar um potente fomentador de hábitos ambientais e formação
de uma sociedade sustentável.

Assim como os autores citados, acreditamos que essa formação é um “potente fomentador de
hábitos ambientais” para uma sociedade que, ainda que não seja mais sustentável, poderá ser
regeneradora. Quando afirmamos que estamos buscando a regeneração do planeta, não estamos
sendo pessimistas nem negando a sustentabilidade. Estamos baseados nos estudos – alguns deles
citados neste livro – que afirmam que este momento é diferente dos anos anteriores quando se
lutava por um mundo sustentável. Essa luta continua, porém, no que diz respeito às mudanças
climáticas, avançamos muito na legislação, mas também – e talvez na mesma proporção – no
impacto ambiental causado pela ação do homem.

O que temos agora é o momento decisivo para mudarmos a maneira de lidar com o planeta e
buscar nessa legislação formas de não agravar ainda mais o que já foi feito em relação a questões
como aquecimento global e desmatamento, por exemplo. A legislação é fomentadora de ações
importantes em diferentes âmbitos, mas também é preciso conhecer e compreender caminhos
para sua aplicação.

Para finalizar, destacamos um dos Objetivo do Desenvolvimento Sustentável que sintetiza nossa
urgência no que diz respeito aos aspectos ambientais:

Objetivo 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos.

13.2. Integrar medidas da mudança do clima nas políticas, estratégias e planejamentos nacionais.

64
A Trajetória da Educação Ambiental: Das Grandes Conferências à Política Nacional (Lei n. 9.795/1999) • CAPÍTULO 4

Sintetizando

Neste capítulo:

Conhecemos aspectos da história da legislação ambiental.

Refletimos sobre aspectos legais da legislação brasileira e internacional e sua influência nas práticas desenvolvidas.

Analisamos a relação entre legislação e aspectos sociais e econômicos.

Refletimos sobre a relevância dos movimentos sociais para a construção de políticas públicas na área ambiental.

Abordamos a relação entre grupos empresariais, meio ambiente e legislação.

65
CAPÍTULO
EDUCAÇÃO AMBIENTAL,
DESENVOLVIMENTO E PROMOÇÃO DA
SUSTENTABILIDADE 5
Introdução

Neste capítulo, discutiremos a relação entre Educação Ambiental, Desenvolvimento e


Sustentabilidade.

Com esta discussão, pretendemos fazer com que o estudante compreenda como práticas sociais,
meio ambiente e sustentabilidade são elementos que se relacionam e marcam o contexto atual
mundial.

Nesse sentido, teremos reflexões sobre o que está acontecendo no Brasil e como o desenvolvimento
sustentável está se constituindo como projeto de grupos sociais distintos onde temos empresas
e sociedade civil lutando por uma forma de desenvolvimento que considere a questão ambiental
como prioridade.

No atual contexto em que vivenciamos tantos problemas ambientais, a adoção do paradigma


da sustentabilidade se tornou um dos maiores desafios da modernidade.

Vamos apresentar referências teóricas de diferentes áreas, a fim de demonstrar como existem
projetos com diferentes olhares e objetivos comuns.

Objetivos

» Apresentar o conceito de desenvolvimento.

» Relacionar Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável.

66
Educação Ambiental, Desenvolvimento e Promoção da Sustentabilidade • CAPÍTULO 5

5.1. O Conceito de Desenvolvimento

Você deve estar se perguntando como será este capítulo – tratando de desenvolvimento e
sustentabilidade – depois de várias aulas onde o assunto foi a destruição do meio ambiente.
Na verdade, um dos desafios da Educação Ambiental é contribuir para que os processos de
desenvolvimento de um país sejam acompanhados por princípios de sustentabilidade. Os dois
conceitos devem “andar juntos”.

Nos últimos anos houve uma mudança na forma de compreender o crescimento aliado com
conceitos de consumo e mudança de hábitos visando práticas sustentáveis. Na maior parte do
mundo existem posicionamentos bem claros de empresas que adotaram o marketing empresarial
com foco nessas questões. Isso vem acontecendo cada vez mais em virtude de vários fatores,
como, por exemplo, a conscientização a respeito da produção de lixo no mundo, a necessidade
de diminuir o uso de recursos naturais para produção de muitos produtos e a estratégia de usar
produtos que sejam menos agressivos para o meio ambiente, marcando uma posição ecológica.
A chamada onda “eco-friendly” veio para ficar e domina grande parte dos países como uma forte
tendência.

Atenção

Eco-friendly é um termo em inglês cuja tradução significa «amigável ao meio ambiente». Em outros termos, eco-friendly
se refere a algo que não causa danos socioambientais ou tem impactos reduzidos em comparação a um produto, evento,
situação ou postura equivalente. No Brasil, esse conceito também está presente nos termos «ecológico», «sustentável»,
«consumo consciente», «verde», entre outros.

Fonte: https://www.ecycle.com.br/7295-eco-friendly

A chamada Geração Z – nome que foi dado ao grupo de pessoas nascidas entre meados dos anos
de 1990 e 2010 – formada por pessoas extremamente familiarizadas com recursos da internet,
celulares, com conexões com outras pessoas espalhadas pelo mundo e outra maneira de utilizar
as tecnologias, com mais familiaridade e apropriação dos recursos foi extremamente importante
na divulgação desse conceito. Muitos criaram produtos com conceitos estreitamente ligados à
ecologia e preservação do meio ambiente, buscando novas formas de conviver e se harmonizar
com o planeta. Alternativas foram sendo discutidas intensamente por meio das redes sociais e
grupos organizados em diferentes países. Isso possibilitou a divulgação de várias estratégias e
ferramentas tecnológicas para essa “nova ordem mundial” se propagar e formar novas gerações
que aderiram ao modelo de vida que busca a sustentabilidade do planeta. Em vários países foram
criados espaços e eventos destinados a refletir sobre consumo sustentável e manutenção do
planeta assim como a divulgação de produtos que possuem o selo Eco-friendly.

Isso foi se intensificando também com a aproximação de empresas que passaram a se preocupar
em assumir uma postura mais ecológica aliada ao desenvolvimento econômico.

67
CAPÍTULO 5 • Educação Ambiental, Desenvolvimento e Promoção da Sustentabilidade

Atenção

Significado de Geração Z
Geração Z (também conhecida por Gen Z, iGeneration, Plurais ou Centennial) é a definição dada a geração de pessoas
que nasceu entre o começo dos anos 90 e o fim da primeira década do século XXI (2010). A Geração Z é constituída pelas
pessoas que nasceram durante o advento da internet e do crescimento das novas tecnologias digitais, como smartphones,
videogames e computadores mais velozes, por exemplo.

As pessoas da Geração Z já não conseguem imaginar viver num mundo onde todas as coisas não estejam conectadas num
ambiente online, e com troca instantânea de informações. Além do domínio da tecnologia, os Centennials também são
conhecidos por serem mais críticos, exigentes, autodidatas e não gostam de seguir hierarquias (ou acham desnecessárias, na
maioria dos casos). De acordo com algumas pesquisas, as áreas de interesse profissional que predominam entre a Geração Z
são aquelas relacionadas com a Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, principalmente. Características da Geração
Z: Nativos digitais, constantemente conectados à internet, “cidadãos do mundo”, forte responsabilidade social e ambiental,
necessidade de interação e exposição de suas opiniões no ambiente online, acostumados em ter respostas e informações
rapidamente (instantaneidade), muito ansiosos, pois estão acostumados com processos rápidos, acostumados com os
avanços das novas tecnologias da comunicação, acostumados com a obsolescência das coisas.

Fonte: https://www.significados.com.br/

Pela facilidade de compartilhar informações utilizando as redes sociais, grupos espalhados


pelo mundo foram trocando novos conceitos e práticas de viver em harmonia com o meio
ambiente, assim como formas de restaurar aquilo que já estava degradado. Outras maneiras de
viver e consumir passaram a ser partilhadas e disseminadas buscando harmonia entre conceitos
ecológicos e desenvolvimento.

Uma das maneiras criadas para disseminar informações rapidamente foram as conferências
criadas com o nome de TED – que significa Technology, Enterntainment, Design, em inglês
e, em português, Tecnologia, Entretenimento, Planejamento – com o objetivo de divulgar
experiências que pudessem mudar o mundo ou, nas palavras dos criadores, “ideias que merecem
ser disseminadas”. As apresentações possuem um tempo máximo de 18 minutos e os vídeos
são amplamente divulgados pela internet. Dessa maneira muitas propostas foram divulgadas e
experiências compartilhadas e apropriadas por outros grupos.

Saiba mais

O TEDx é uma iniciativa de base, criada no espírito da missão geral do TED de pesquisar e descobrir “ideias que valem a pena
espalhar”.

https://www.ted.com/about/programs-initiatives/tedx-program

Esse movimento teve início nos anos de 1990, no Vale do Silício, e por isso era fortemente
influenciado pela tecnologia. Com o crescimento do número de conferências e a grande divulgação

68
Educação Ambiental, Desenvolvimento e Promoção da Sustentabilidade • CAPÍTULO 5

pela internet os temas foram sendo ampliados e passaram a tratar de ciência, meio ambiente,
cultura etc.

Nesse movimento de crescimento, surgiram apresentações dos mais diversos temas, extrapolando
a fronteira da tecnologia e assumindo cada vez mais temas contundentes e carentes de discussão,
bem como a divulgação de novas práticas, o que se adaptava perfeitamente aos assuntos
relacionados com o meio ambiente e a sustentabilidade.

Os empreendedores do Vale do Silício foram extremamente importantes ao disseminar esta prática


de divulgação de ideias que contribuiu enormemente não somente com áreas como tecnologia,
design e planejamento, mas também com a temática ambiental e as mudanças climáticas. Esse
movimento teve repercussões em diversos países, pois a rede mundial de computadores trazia
uma “facilidade” que até então não havia sido experimentada na propagação de práticas e estudos
a respeito de assuntos de grande relevância.

Saiba mais

Vale do Silício
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Visão aérea do Vale do Silício, visto a partir do norte da cidade de San José.

O Vale do Silício (em inglês: Silicon Valley), na Califórnia, Estados Unidos, é um apelido da região da baía de São Francisco
onde estão situadas várias empresas de alta tecnologia, destacando-se na produção de circuitos eletrônicos, na eletrônica e
informática. O vale abrange várias cidades do estado da Califórnia, como Palo Alto, São Francisco e Santa Clara, estendendo-
se até os subúrbios de São José. A palavra “silício” vem das empresas de pesquisa e manufatura de circuitos integrados de
silício, como a Fairchild Semiconductor e a Intel, mas hoje a região é sede para várias empresas de alta tecnologia, muitas
incluídas no na Lista 500 da Fortune, além de empresas Startup.

Existem inúmeras apresentações com o tema “desenvolvimento e sustentabilidade” que podem


ser vistas na internet. Alguns grupos coletivos passaram a divulgar ideias por meio de TEDx e

69
CAPÍTULO 5 • Educação Ambiental, Desenvolvimento e Promoção da Sustentabilidade

ampliar seu escopo de atuação e promoção de práticas sustentáveis. Rapidamente chegaram


ideias de projetos que já tinham sido criados em outros países e que podiam ser repetidos com
alterações e/ou mudanças de acordo com o contexto onde seriam desenvolvidos. Exemplos de
propostas para redução de lixo e reciclagem de materiais descartados, produção de estratégias
para levar água potável a comunidades que até então sofriam com a falta de acesso a esse bem
natural, inúmeros projetos de redução de emissão de gases estufa. Esses conceitos foram sendo
apropriados também em contextos escolares e por parte de educadores de diferentes partes do
mundo. Dessa maneira, as “ideias que merecem ser disseminadas” ganharam e ganham maior
divulgação todos os dias.

Uma das conferências que, recentemente, ficou famosa foi a apresentação da estudante sueca
Greta Thunberg, de 17 anos, que ficou conhecida no mundo inteiro por sua luta em favor do meio
ambiente. Ativista ambiental que conclamou uma greve das escolas a favor do clima, tornando-se
sua líder, após protestos que organizou fora do prédio do Parlamento Sueco. No ano de 2019, a
jovem foi considerada “personalidade do ano” pela Revista americana Time. Sua história como
ativista ganhou matérias em mídias do mundo inteiro e alguns estudantes passaram a se organizar
em protestos semelhantes

Ela foi vista em grandes eventos e, no Fórum Econômico Mundial Econômico – realizado em
Davos, na Suíça em janeiro de 2020 – ela voltou a afirmar que as mudanças climáticas são o maior
desafio mundial e que os jovens precisam se engajar cada vez mais nessa luta. Greta fez ainda um
apelo aos líderes mundiais participantes do Fórum para que ouçam mais a juventude, pois ela
não é o centro dessa conversa, mas precisa ocupar mais espaço na construção de um caminho
sustentável “para um futuro coletivo”.

Neste Fórum houve uma participação diferente, que chamou a atenção dos especialistas, pois
muitos jovens viajaram a Davos, por influência de Greta Thunberg e trouxeram um novo panorama
de participação da sociedade civil. Alguns jornais e revistas trataram alguns desses jovens como
os “heróis do clima” e, dentre os nomes citados, estão o jovem cientista Fionn Ferreira, irlandês
que venceu o prêmio Google Science Fair em 2019, a canadense Autum Peltier, que luta pela
preservação da água desde os seus 8 anos e a sul-africana Ayakha Melithafa, de 17 anos, que,
assim como Greta Thunberg, luta pela redução da emissão de gases tóxicos.

70
Educação Ambiental, Desenvolvimento e Promoção da Sustentabilidade • CAPÍTULO 5

Sugestão de estudo

Greta Thunberg: Greve escolar pelo meio ambiente - TED Talks


www.ted.com

10 de abr. de 2019 - Vídeo enviado por TEDx Talks

https://www.ted.com/talks/greta_thunberg_school_strike_for_climate_save_the_world_by_changing_the_rules/
transcript?language=pt-br

https://ekkogreen.com.br/os-26-melhores-ted-talks-brasileiros-sobre-sustentabilidade/

Outra ação que se construiu nesse bojo foi a criação de startups para produzir e divulgar formas de viver para construir um
mundo melhor. As startups são criadas por empreendedores que buscam aliar negócios com outros valores e, no caso do
meio ambiente, são empreendedores que vão aliar desenvolvimento empresarial e práticas para um mundo sustentável. O
caráter inovador também é outra característica das startups. Segundo a definição de Lucas Bicudo – no artigo publicado no
site startse – quando se fala em startups não se trata apenas de negócios, mas também de uma ampliação do conceito de
empreendedorismo como ferramenta que gere valor para a sociedade.

Você deve estar se perguntando qual é a relação entre esse assunto e meio ambiente. Vamos explicar: com os processos de
desenvolvimento sendo questionados por ambientalistas no mundo inteiro e, por outro lado, muitos grupos que já estavam
atuando em uma perspectiva mais ecológica de produção buscando outras alternativas, algumas pessoas viram nas startups
uma ótima maneira de criar ações de disseminação de práticas para a sustentabilidade.

A ideia geral pode ser resumida como uma forma de oferecer metodologias e formação específica para produção de
indicadores ambientais com processos mais baratos. Esses grupos também contribuem para divulgação das leis e dos
mecanismos que auxiliam empresas que respeitam a legislação ambiental.

Estratégias passaram a ser pensadas como soluções para as empresas continuarem a produzir, trazendo o desenvolvimento
esperado pelos países, com menos prejuízos para o meio ambiente. Para ficar mais claro como funciona isso na prática,
uma empresa cria uma startup para gestão e comercialização de resíduos e elabora uma série de estratégias, como uma
plataforma virtual onde tratadores de resíduos especializados, são cadastrados para receber materiais de diferentes partes
do Brasil. Dessa maneira, a startup auxilia a empresa a fazer o descarte correto, otimizar processos de reaproveitamento e
comercialização desses resíduos. Nesse modelo é preciso que o negócio seja repetível e gere inovação, além de gerar lucros. O
empreendedor criador da startup vai receber os lucros gerados por essa inciativa.

No caso das startups com negócios relacionados ao meio ambiente, podemos dizer que este foi um movimento coerente com
a premissa de que era necessário mudar e criar outras formas de produção e desenvolvimento aliadas com sustentabilidade.
Assim foram surgindo startups com diferentes missões, por meio das quais são criadas soluções práticas para problemas
ambientais.

71
CAPÍTULO 5 • Educação Ambiental, Desenvolvimento e Promoção da Sustentabilidade

Provocação

Conheça experiências de startups brasileiras:

https://www2.arvoredelivros.com.br/por-que-arvore-de-livros

https://revistapegn.globo.com/Startups/noticia/2019/07/startup-brasileira-leva-solucoes-ambientais-para-reino-unido-e-
eua.html

https://www.plataformaverde.com.br/conhecanos

Saiba mais

https://www.startoutbrasil.com.br/3a-das-100-startups-mais-promissoras-do-brasil-vg-residuos-ajuda-empresas-a-reduzir-
custos-otimizar-processos-e-reaproveitar-residuos/

https://www.startse.com/noticia/startups/afinal-o-que-e-uma-startup

https://www.startoutbrasil.com.br/sobre/

5.2. As Relações entre Educação Ambiental e Desenvolvimento

Nos capítulos anteriores tratamos da Educação Ambiental em suas diferentes dimensões e


práticas que estão sendo pensadas por educadores. No início deste capítulo apresentamos uma
reflexão sobre desenvolvimento na perspectiva da sustentabilidade. Você deve ter percebido que
as questões abordadas procuram fazer com que o leitor perceba a construção de um conceito
de desenvolvimento que precisa levar em consideração aspectos da sustentabilidade do planeta
e, nesse sentido, a Educação Ambiental é extremamente relevante para que possamos repensar
estratégias e metodologias para um planeta que se encontra em processo avassalador de destruição
dos recursos naturais e inúmeros problemas ambientais.

O que estamos buscando é tecer diálogos que possam contribuir para o conhecimento de
referências sobre o tema e práticas de educação para o desenvolvimento sustentável. Enfrentamos
problemas socioambientais que se relacionam com a própria qualidade de vida nas cidades e
que estão fortemente ligados com a propagação de problemas de saúde, trazidos por inúmeras
questões, que vão desde poluição dos rios até os grandes desastres ambientais.

A expressão “desenvolvimento sustentável” foi usada inicialmente no final dos anos de 1980 em
um relatório produzido pela UNESCO e o conceito que se apresentava neste documento era de um
modelo de desenvolvimento que pudesse atender as novas gerações sem comprometimento do
meio ambiente. Esse conceito começou a ser disseminado em outros documentos não somente

72
Educação Ambiental, Desenvolvimento e Promoção da Sustentabilidade • CAPÍTULO 5

da UNESCO, mas também em relatórios de instituições governamentais e não governamentais


que atuavam na promoção de políticas para a preservação do meio ambiente.

Segundo Uchoa (2018, p. 71), a ideia de desenvolvimento traz uma polissemia por conta da
multiplicidade de significados que existem para esta palavra. Para a autora, “tal polissemia
se multiplica quando olhamos para a ideia de sustentável, criando um ambiente propenso
para o apaziguamento das tensões inerentes ao debate do desenvolvimento e ao debate da
sustentabilidade”.

O que a autora nos diz é que existem muitos discursos envolvidos nesta problemática e é preciso que
tenhamos entendimento deles para não sermos ingênuos ou ignorantes sobre a sua incorporação
nas práticas educativas. Nesse sentido, é preciso que tenhamos consciência da dimensão histórica
dos problemas ambientais vivenciados na atualidade e, como educadores, precisamos trabalhar
na perspectiva crítica de educação democrática para a formação de sujeitos autônomos. Essa
perspectiva considera também a educação libertadora das condições de opressão, onde os sujeitos
se tornam atores dos conflitos socioambientais, conscientes de discursos hegemônicos que são
produzidos para “esconder” os verdadeiros elementos da crise ambiental.

Sugestão de estudo

O artigo citado (Uchoa, 2018) está publicado no livro Educação Ambiental desde El Sur, disponível
para dowload em pdf.

https://geasur.wordpress.com/livro-geasur/

O que percebemos é que por meio da Educação Ambiental é possível desvelar condições
de vulnerabilidade causadas por privação de recursos naturais que são destruídos. Nesse
sentido, os grupos sociais mais vulneráveis são aqueles que estão entre os mais desfavorecidos
economicamente, ou seja, os mais pobres.

As condições de vida de milhares de pessoas são afetadas pelas questões ambientais e este é
um fator irreversível. Neste capítulo estamos tentando trazer o levantamento de discussões e
tensões importantes para que os estudantes entendam como esse processo vem se construindo e
como os educadores podem ser diferentes por meio de outras práticas e experiências que sejam
construídas a partir de uma base de educação ambiental emancipadora.

73
CAPÍTULO 5 • Educação Ambiental, Desenvolvimento e Promoção da Sustentabilidade

Discutindo a proposta de educação ambiental comunitária, Sarria, Pelacani, Espinosa, Renaud


e Sanchéz (2018, p. 43) definem o seguinte:

A educação ambiental é um campo de conhecimento, de investigação, de saberes,


onde convergem diferentes escolas e correntes de pensamento, epistemologias,
perspectivas, discursos, cosmovisões, concepções e práticas, é dizer, não há um
único olhar, nem forma de concebê-la, nem um único caminho para praticá-la
nos processos formativos, o que faz que seja um campo em permanente tensão.
(texto original em espanhol, tradução nossa)

Assim como os autores citados, nós acreditamos neste poder da Educação Ambiental ao respeitar
diferentes saberes e conhecimentos que podem ser oriundos da ciência, mas também de tradições
de povos originários e aproximações entre ambos. Que isto não represente violência simbólica,
violação de direitos humanos, expropriação de recursos naturais em prol de desenvolvimento
empresarial.

Nesse sentido, estudos apresentam um tema muito importante que é justiça ambiental. Carolina
Salles – doutora em direito ambiental e sustentabilidade – define a expressão da seguinte maneira

Justiça ambiental é o conjunto de princípios em que nenhum grupo de pessoas


desde grupos étnicos ou de classe, sejam submetidos a arcar desproporcionalmente
das consequências ambientais negativas de decisões e atividades econômicas
de políticas nas esferas federais, estaduais assim como da ausência ou omissão
das mesmas (SALLES, 2016,p.1).

Na prática, diferentes grupos – como advogados, sociólogos, antropólogos e educadores, dentre


outros – defendem a justiça ambiental como exercício de cidadania em face da crise ambiental
que causa uma série de riscos que afetam a qualidade de vida de muitos cidadãos. A Rede
Brasileira de Justiça Ambiental é um dos órgãos que atua contra a qualidade de vida e a proteção
da população mais atingida pela destruição ambiental. Em fevereiro de 2019, a Rede divulgou
uma nota pública de protesto e solidariedade aos habitantes da cidade de Brumadinho, no Estado
de Minas Gerais, após a tragédia causada pela empresa Vale. O título da nota nos provoca antes
mesmo da leitura do texto na íntegra: O Crime da Vale: a desigual repartição entre lucros e perdas
na mineração brasileira. Leia a nota citada na Sugestão de Estudo logo abaixo.

O principal conceito de justiça ambiental consiste no direito ao ambiente equilibrado para todos
e não só para grupos sociais de maior poder econômico.

Sugestão de estudo

https://fase.org.br/pt/informe-se/artigos/o-crime-da-vale-a-desigual-reparticao-entre-lucros-e-perdas-na-mineracao-
brasileira/

74
Educação Ambiental, Desenvolvimento e Promoção da Sustentabilidade • CAPÍTULO 5

Para refletir

https://www.abrasco.org.br/site/outras-noticias/ecologia-e-meio-ambiente/o-crime-da-vale-a-desigual-reparticao-entre-
lucros-e-perdas-na-mineracao-brasileira/39299/

Atualmente enfrentamos problemas ambientais causados por ações de degradação do meio


ambiente e, nesse sentido, também são provocadas consequências que interferem na vida de
milhões de cidadãos que dependem de condições adequadas em sua relação com o meio ambiente.
Os problemas atuais são relacionados por Gonçalves, Juliani e Santos (2018) como reflexos do
uso inadequado dos recursos naturais, que podem incluir ocupação desordenada de espaços,
oferta precária de serviços essenciais à população, poluição do ar e do solo. As autoras tratam de
saneamento básico inexistente como uma das formas de oferta precária de serviços e apontam
que esses elementos são determinantes na vulnerabilidade dos grupos sociais.

Segundo Santos e Coelho (2019, p. 117), “a sociedade está sujeita a riscos ambientais, sejam eles
por causas naturais, ou pela ação direta do homem”. Nessa perspectiva, as autoras afirmam que:

Na distribuição dos riscos, tais desastres irão atingir de forma diferente os grupos
sociais. Entra em cena a teoria da justiça ambiental, teoria que viabiliza a luta
social, e irá convergir com debates em torno de direitos, justiça e equidade,
chamando a atenção inclusive para questões decisionais sobre os riscos.

As autoras se baseiam em conceitos como aqueles defendidos por Joan Martínez Alier (2007) em
seu livro O Ecologismo dos Pobres que trata essa como uma corrente formada por grupos sociais
que dependem da natureza para sobreviver e, dessa maneira, o foco é a preservação para quem
vive hoje nesses locais, não as gerações futuras. Nesse caso, a luta dessas comunidades é pela vida
e são considerados ecologistas no sentido de relacionar suas demandas com bens fundamentais
para a vida de todos os seres humanos. Dessa maneira, os impactos ambientais possuem uma
dimensão social ao atingir grupos que passam a conviver com enormes quantidades de resíduos
provenientes do crescimento econômico que compromete os sistemas naturais (SANTOS;
COELHO, 2019, p. 120).

Outro fator relevante nessa questão é que os riscos atingem muitos grupos de forma desigual
em virtude da possibilidade de deslocamentos, pois comumente os indivíduos mais pobres não
conseguem essa mobilidade. Dessa forma, povos tradicionais como indígenas, quilombolas e
camponeses são obrigados a lutar pela sua própria sobrevivência por meio da defesa dos recursos
naturais que os rodeiam.

Para Santos e Coelho (2019, p. 122), a justiça ambiental deve assegurar que nenhum grupo social
sofra sozinho as consequências da crise ambiental e para ambas.

Então entra em cena o movimento pela justiça ambiental, com o propósito de


identificar as exposições desiguais, demonstrando a ausência de políticas públicas

75
CAPÍTULO 5 • Educação Ambiental, Desenvolvimento e Promoção da Sustentabilidade

nas áreas mais afetadas, e, dessa forma, alertando sobre a mitigação os direitos
sociais dos mais afetados.

Consideramos importante que este seja também um tema de discussão nesta disciplina que
se propõe a abordar Educação Ambiental como reflexão necessária para todos os seres vivos,
pois entendemos que a ausência da justiça ambiental desqualifica os movimentos que foram
construídos ao longo de décadas buscando efetivar e garantir direitos por meio de leis e obrigações
destinadas a manter a sustentabilidade do planeta em que vivemos.

Lembramos que essas questões possuem especificidades de acordo com a região e o país em que
ocorrem, entretanto, não existem diferenças para o conceito de justiça ambiental e a degradação
ambiental, assim como os desastres naturais – ou aqueles provocados pela ação do homem – vão
sempre gerar danos para as populações que sobrevivem nestes locais. O relatório sobre Delitos
Ambientais na Amazônia – publicado em 2019 – por uma parceria do Programa El Pacto (da
Espanha) e do Instituto Igarapé (do Brasil) confirma que o conceito de delito ambiental varia entre
países, porém existem elementos comuns entre as definições adotadas na Amazônia, por exemplo.
Ressaltam que “[...] os delitos ambientais são reconhecidos como crimes sociais, no sentido que
afetam as bases da existência social e econômica, atentam contra recursos indispensáveis para
as atividades produtivas e culturais [...]”.

Isso também é reforçado no Atlas da Justiça Ambiental, por meio do qual são catalogados conflitos
sociais que são relacionados com questões ambientais e essa documentação fortalece a luta de
comunidades do mundo inteiro que tentam defender recursos naturais que são essenciais para
sua sobrevivência. Existem exemplos de projetos com atividades extrativistas, com fortes impactos
ambientais, além de degradação de rios e florestas por meio de atividades como mineração e
queimadas.

Saiba mais

Atlas da Justiça Ambiental

https://ejatlas.org/about

5.3. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento


(PNUD)

Como foi abordado no Capítulo 1, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
executa projetos em diferentes áreas buscando contribuir com o desenvolvimento humano, o
combate à pobreza e o crescimento do país. Por meio desses projetos, é oferecido apoio técnico,
operacional e gerencial por meio de metodologias e cooperação técnica. No Brasil, o PNUD
desenvolve suas ações em parceria com o Governo Brasileiro. Segundo especialistas do órgão,

76
Educação Ambiental, Desenvolvimento e Promoção da Sustentabilidade • CAPÍTULO 5

os desafios são inúmeros e trabalhar para o desenvolvimento e, ao mesmo tempo, atender


necessidades particulares do país é um desafio complexo.

No Capítulo 1 você pode relembrar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a


Agenda 2030.

Basicamente, o PNUMA possui três âmbitos de desenvolvimento:

» Erradicação da pobreza em todas as suas formas.

» Aceleração das transformações estruturais.

» Construção de resiliência a crises e conflitos.

A fim de responder a essas questões, o PNUD busca cumprir a agenda 2030 e identificou um
conjunto de abordagens que foram denominadas Eixos Transversais.

Seis Eixos Transversais

Eixos Transversais são respostas integradas ao desenvolvimento sobre os quais alinhamos nossos
recursos e experiência para gerar um impacto real.

Manter as pessoas fora da POBREZA.

GOVERNANÇA para sociedades pacíficas, justas e inclusivas.

Prevenção de crises e aumento da RESILIÊNCIA.

77
CAPÍTULO 5 • Educação Ambiental, Desenvolvimento e Promoção da Sustentabilidade

MEIO AMBIENTE: soluções para o desenvolvimento baseadas na natureza.

ENERGIA limpa e acessível.

Empoderamento das mulheres e igualdade de GÊNERO.

Cada eixo inclui uma combinação de assessoria sobre políticas, assistência técnica, finanças e
programas. Cada um tem o potencial de desvendar o caminho para o desenvolvimento sustentável.
No entanto, nenhum eixo será efetivo sozinho. Precisamos de todos eles para alcançar os Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Fonte: https://www.br.undp.org/content/brazil/pt/home/our-focus.html

78
CAPÍTULO
JUSTIÇA AMBIENTAL E
DESASTRES AMBIENTAIS 6
Introdução

Neste capítulo, discutiremos o conceito de justiça ambiental e sua importância no contexto atual
no que diz respeito ao meio ambiente.

Pretendemos fazer com que o estudante compreenda como esse conceito contribui para reflexões
importantes no momento em que problemas ambientais afetam populações inteiras de diferentes
regiões brasileiras e também de outros países.

Nesse sentido, vamos estudar desastres ambientais causados pelo homem e desastres ambientais
que são consequências da crise climática.

Os problemas ambientais estão afetando profundamente a vida de seres humanos que precisam
migrar e se deslocar para lugares distantes de suas cidades de origem, em virtude de fatores
como seca extrema, calor excessivo trazido pelas altas temperaturas causadas pelo aquecimento
global, enchentes e tempestades.

As referências apresentadas nesta aula são importantes para que o estudante conheça algumas
propostas e instituições que estão trabalhando com a perspectiva de mudança desse cenário.

Leia os textos e notícias, ouça os podcasts e reflita sobre os assuntos da aula.

Objetivos

» Conceituar justiça ambiental.

» Abordar desastres ambientais causados pelo homem.

» Apresentar desastres ambientais e sua relação com a crise ambiental.

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CAPÍTULO 6 • JUSTIÇA AMBIENTAL E DESASTRES AMBIENTAIS

Foto: Peter Ilicciev /CCS Fiocruz.

6.1. Justiça Ambiental

Escolhemos abordar o tema da justiça ambiental por sua atualidade e importância dentro das
questões que envolvem meio ambiente e sociedade.

Este não é um tema novo, entretanto, no contexto atual vem sendo cada vez mais apropriado
por especialistas da área ambiental, do direito e das ciências sociais, dentre outras áreas. Esse
conceito abarca a busca por igualdade de condições sociais e qualidade de vida, e por isso
envolve também questões relacionadas ao ambiente em que vivemos. A preservação ambiental
se estende a áreas em que as populações vivem e produzem seu sustento e a manutenção da
vida de seus familiares.

A aproximação entre os direitos sociais e humanos com as questões ambientais foi gradativamente
sendo reconhecida porque incorpora dimensões distintas e relevantes como a dimensão ambiental,
a dimensão social e a dimensão ética. Comumente percebemos que as práticas descritas ou
experiências na área ambiental não consideram essa relação.

Como estudamos em outros capítulos deste livro, todos esses aspectos precisam ser considerados
e tratados quando falamos em meio ambiente e sociedade humana.

A justiça ambiental trata de necessidade de preservação de bens naturais que são essenciais
para o bem viver e a preservação da vida humana na Terra. Tudo que está sendo destruído
pela exploração exacerbada não será recuperado em determinadas regiões e isso, fatalmente,
ocasionará uma necessidade de saída de populações inteiras que abandonam suas cidades e
seus países em busca de melhores condições de vida. Algumas vezes essa busca empreendida
pelas populações é por condições básicas como água potável.

Uma questão importante no que diz respeito à justiça ambiental é que a exploração econômica
de determinadas regiões só interessa aos grupos que dominam aquele mercado econômico
relativo e não beneficiará a população atingida pela exploração dos bens naturais. Não existem

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JUSTIÇA AMBIENTAL E DESASTRES AMBIENTAIS • CAPÍTULO 6

argumentos para a destruição do ambiente sem condições de recuperação, assim como a morte
de animais – muitos em extinção – e falta de condições de sobrevivência de milhares de pessoas.

Quando falamos de justiça ambiental estamos tratando de uma mudança na lógica capitalista
que criou práticas que não levam em consideração culturas, saberes e conhecimentos de grupos
socialmente organizados de maneira coerente com sua história. Muitas vezes, populações que
já vivem em situação de vulnerabilidade social são obrigadas a conviver com resíduos de alta
toxidade liberados no ambiente sem seguir critérios corretos estabelecidos na legislação da área.

6.2. Desastres Ambientais

Esta parte do nosso estudo vai tratar de uma questão que se tornou uma emergência ambiental
e afeta milhares de pessoas no mundo: os desastres ambientais. Vamos começar falando sobre
desastres causados pelo homem.

Daremos um enfoque particularmente ao Brasil, onde tivemos tragédias de proporções gigantescas


e irreversíveis nos últimos anos.

Nos últimos anos, os desastres ambientais trouxeram consequências diversas para a população
do Brasil, criando marcas irreparáveis.

Para refletir

https://www.unicamp.br/unicamp/index.php/ju/noticias/2017/12/01/principais-desastres-ambientais-no-brasil-e-no-
mundo

Presenciamos momentos muito tristes como a tragédia causada pela empresa SAMARCO na
cidade de Mariana, em Minas Gerais, e esta foi considerada a maior tragédia ambiental do nosso
país. A barragem que rompeu no dia 05 de novembro de 2015 no distrito de Bento Rodrigues, a
35 km de Mariana, mudou a vida da cidade e de moradores de forma irreversível. A catástrofe
ambiental causada por este rompimento arrasou a pequena cidade e deixou apenas ruínas de
uma cidade totalmente devastada pela lama formada de resíduos da mineradora Samarco, uma
das empresas subsidiárias da VALE. Outra cidade destruída completamente por essa tragédia
foi Paracatu de Baixo.

Hoje, após quatro anos dessa tragédia, não existem motivos para comemorar, pois as cidades
atingidas se tornaram “cidades fantasma” e as famílias que viviam na região foram obrigadas a
viver em outras cidades, abrigadas em residências de parentes e amigos. Os 40 milhões de metros
cúbicos de resíduos que inundaram as comunidades mataram 19 pessoas e deixaram marcas
profundas, além de doenças dermatológicas, respiratórias e emocionais.

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CAPÍTULO 6 • JUSTIÇA AMBIENTAL E DESASTRES AMBIENTAIS

Sugestão de estudo

Clique no link abaixo e leia a matéria sobre a tragédia da Samarco em Mariana, publicada na Revista de Manguinhos, páginas
24 a 39.

https://agencia.fiocruz.br/sites/agencia.fiocruz.br/files/revistaManguinhos/revistademanguinhos35.pdf

Provocação

http://www.cpqrr.fiocruz.br/pg/o-desastre-da-samarco-balanco-de-seis-meses-de-impactos-e-acoes/

Saiba mais

SEMINÁRIO SOBRE DESASTRES – MUSEU DA VIDA /FIOCRUZ.

http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/site/materia/detalhe/38349

SEMINÁRIO EM MARIANA.

http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/site/materia/detalhe/39528

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JUSTIÇA AMBIENTAL E DESASTRES AMBIENTAIS • CAPÍTULO 6

Fotos: Peter Ilicciev/ CCS Fiocruz

Imagens de Brumadinho – MG após o desastre ambiental causado pela VALE.

O ano de 2019 teve início com uma nova catástrofe ambiental de proporções gigantescas e parecia
inacreditável que tudo aquilo que havia acontecido na região de Mariana estava se repetindo
em Brumadinho. Dessa vez, a tragédia foi causada pela empresa mineradora VALE com o
rompimento de uma barragem de minério que causou uma gigantesca tragédia humana com 60
mortes confirmadas e mais de 300 pessoas desaparecidas. A tragédia na cidade de Brumadinho
foi destacada como a pior do mundo nas últimas três décadas.

Segundo Frois e Fonte (2019, p. 4):

Para além dos riscos dessas calamidades colossais, cidades “mineradoras”


passam por tragédias socioambientais recorrentes e cotidianas, muitas vezes,
naturalizadas. Essa é uma das páginas da história de expropriação do direito à
cidade dos capixabas.

Podemos afirmar que isso se estende para outros estados brasileiros, assim como Minas Gerais,
onde aconteceu a tragédia da SAMARCO. Destacamos que não se trata apenas de uma estratégia
discursiva quando nos referimos ao ocorrido como “tragédia da SAMARCO”, pois ao tomar
conhecimento das matérias jornalísticas feitas na região tornou-se claro que esta era uma pauta
da população: que ficasse marcado na história que o causador era a SAMARCO e por isso haveria
sempre uma referência à empresa quando se tratasse deste assunto.

Novamente lembramos de Frois e Fonte (2019, p. 133) quando afirmam que há um modelo
capitalista para o desenvolvimento que aos poucos vai usurpando o direito ao ambiente equilibrado
e desconsidera os preceitos da justiça ambiental.

Desenterrar estas contradições por meio de pesquisas, propor novos circuitos


formativos, estabelecer diálogos para uma práxis crítica e transformadora no
campo dos movimentos socioambientais são alguns dos desafios lançados aqui.
A superação deste modelo de democracia burguesa dentro da ordem capitalista é

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CAPÍTULO 6 • JUSTIÇA AMBIENTAL E DESASTRES AMBIENTAIS

o maior desafio estabelecido; afinal, ela usurpa o direito inalienável do usufruto


pleno do espaço urbano e ceifa a salubridade ambiental.

Nesse sentido, é importante que tenhamos uma legislação mais rígida para que não só as multas
sejam aplicadas, mas também se concretizem os processos legais para incriminar os envolvidos
nas tragédias. Infelizmente esses processos são morosos e existem muitos artifícios que são
utilizados pelas grandes empresas para que esses processos sejam sempre muito demorados.

Importante

https://portal.fiocruz.br/video/brumadinho-desastre-da-vale-ja-provocou-sobrecarga-no-sistema-de-saude

https://portal.fiocruz.br/noticia/evento-apresenta-avaliacao-sobre-impactos-imediatos-do-desastre-em-brumadinho

A equipe da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio
de Janeiro, vem trabalhando há alguns anos e buscando construir subsídios teóricos para que
as pessoas tenham orientações a respeito de desastres ambientais. Em 2012, a presidência da
Fiocruz criou um grupo técnico para desenvolvimento de atividades do Centro de Estudos e
Pesquisas em Emergências e Desastres em Saúde (Cepedes), por meio de uma parceria com
outras instituições como Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal Fluminense (UFF).

A coordenação do Cepedes /Fiocruz é desempenhada pelo pesquisador Carlos Machado de


Freitas. Sua equipe vem desenvolvendo diversos estudos sobre desastres ambientais e está
iniciando uma pesquisa sobre as condições de saúde da população depois da tragédia ocorrida
em 2019 na cidade.

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JUSTIÇA AMBIENTAL E DESASTRES AMBIENTAIS • CAPÍTULO 6

Saiba mais

O pesquisador é graduado em História pela Universidade Federal Fluminense (1989), possui mestrado em Engenharia de
Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1992), doutorado em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz
(1996) e pós-doutorado pelo Programa de Ciências Ambientais da Universidade de São Paulo (2007-2008). Pesquisador
da Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, Ministério da Saúde, com atividades de pesquisa e ensino
sobre temas relacionados à saúde ambiental e aos desastres. Integrante do Comitê Técnico Assessor de Vigilância e Resposta
às Emergências em Saúde Pública (CTA-ESP), SVS/MS e do Grupo de Aconselhamento Técnico e Científico da Estratégia
Internacional de Redução de Riscos de Desastres da ONU (STAG-UNISDR). É Editor Científico da Editora Fiocruz.

Apresentamos parte do texto “Os Desastres no Brasil e no Mundo” extraído do seguinte link:
http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/site/materia/detalhe/45365

No Brasil, assim como em outros países, há uma tendência de crescimento dos


desastres de origem natural (como as inundações, secas e deslizamentos) e
tecnológicos (mineração, químicos e radioativos, por exemplo) e de seus impactos
humanos (incluindo os impactos sobre a saúde), ambientais e materiais. Segundo
Carlos Machado, paralelamente a esse crescimento, observa-se que o tema dos
desastres vem ganhando mais espaço nas agendas de governos e da sociedade
de modo geral, num esforço de estarmos cada vez mais preparados para reduzir
seus riscos e principalmente seus impactos.

O setor Saúde tem grande responsabilidade nesse processo, já que os impactos


dos desastres resultam em efeitos diretos (curto, médio e longo prazos) e indiretos
sobre a saúde e o bem-estar das populações. Desse modo, os desafios são muitos
e exigem que o município planeje, prepare, teste e mantenha um plano ativo
de resposta aos desastres de origem natural ou tecnológica, integrando-o às
estratégias já existentes do setor Saúde e às lições aprendidas no passado com
eventos similares.

De acordo com a pesquisadora do Cepedes, Vania Rocha, esse processo de


preparação exige um trabalho contínuo de pesquisa e construção de informações
para identificação das áreas vulneráveis e das populações expostas aos riscos
de desastres – o que exige combinar dados socioambientais, características da
população e de sua situação de saúde, assim como os recursos e as capacidades
de respostas envolvendo a prevenção de doenças, a atenção e o cuidado à

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CAPÍTULO 6 • JUSTIÇA AMBIENTAL E DESASTRES AMBIENTAIS

saúde e a promoção da saúde nessas áreas, definindo os territórios vulneráveis


e prioritários para ações em mapas.

“Por isso, apresentamos, neste Guia, conceitos que ajudam a compreender o


que é importante saber para reduzir os riscos de desastres. Depois, elaboramos
uma síntese dos processos fundamentais para gestão de risco de desastres, bem
como políticas e ações específicas do setor Saúde. A preparação e a resposta
aos desastres no setor Saúde devem considerar algumas premissas e alinhar-se
aos princípios do SUS. Sendo assim, o Guia inclui, também, um item sobre esse
assunto e, em seguida, é apresentado como o setor Saúde deve se preparar para
responder aos desastres”, detalhou ela.

Atenção

Guia disponível para download em:

http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/site/arquivos/anexos/adbdf1fb1bd20e237ab67233e3f0a4cfe67a267c.PDF

Saiba mais

Impacto do desastre sobre a saúde em Brumadinho:

https://www.abrasco.org.br/site/outras-noticias/saude-da-populacao/qual-o-impacto-do-desastre-sobre-a-saude-em-
brumadinho/39478/

Foto: Peter Ilicciev/ CCS Fiocruz. Brumadinho – MG.

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JUSTIÇA AMBIENTAL E DESASTRES AMBIENTAIS • CAPÍTULO 6

6.3. Os Desastres Ambientais Relacionados com a Crise Climática

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU, 2019, p.1), “ao longo da história humana, a
migração e o clima estiveram interligados”

No momento contemporâneo, podemos afirmar que os impactos causados pela crise climática
criaram uma alteração importante nos padrões migratórios do mundo inteiro.

Para a chefe da divisão de Migração, Meio Ambiente e Mudança Climática da Organização


Internacional para as Migrações (OIT), os modelos de migração são influenciados pelas condições
climáticas e as mudanças trazidas pela crise climática planetária farão com que cada vez mais
pessoas sejam obrigadas a migrar. Em entrevista concedida à ONU News ela explicou que muitos
eventos catastróficos estão relacionados à atividade humana e isso provavelmente terá grande
impacto na forma de viver e migrar.

Na entrevista ela também afirma que:

O Atlas de Migração Ambiental , que fornece exemplos que datam de 45.000


anos atrás, mostra que as mudanças ambientais e os desastres naturais tiveram
um papel na maneira como a população é distribuída em nosso planeta ao
longo da história. No entanto, é altamente provável que mudanças ambientais
indesejáveis ​​criadas diretamente ou ampliadas por mudanças climáticas mudem
extensivamente os padrões de assentamento humano. A degradação futura da
terra usada para agricultura e agricultura, a ruptura de ecossistemas frágeis
e o esgotamento de recursos naturais preciosos como água doce impactarão
diretamente a vida e o lar das pessoas (2019, p.2).

A ONU busca soluções para este problema com estudos que são desenvolvidos a partir da análise
dos impactos climáticos e suas influências nos padrões de migrações transnacionais. O Painel
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) – que é a principal autoridade da ONU
para ciências climáticas – apresenta dados de que a crise climática surtiu efeitos e deslocou
milhões de pessoas que deixaram suas casas por causa de desastres ambientais.

Como exemplos de mudanças gradativas que levam a essa situação podemos citar a desertificação,
a erosão costeira, a poluição e o aumento da acidez nos oceanos, afetando diretamente a
capacidade de vida que as pessoas possuíam em seus locais de origem, assim como colocam
em perigo a vida da fauna e da flora.

Saiba mais

Implementar ações urgentes para adaptar ou mitigar a acidificação dos oceanos.

http://www.unesco.org/new/pt/natural-sciences/ioc-oceans/focus-areas/rio-20-ocean/10-proposals-for-the-ocean/1a-
ocean-acidification/

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CAPÍTULO 6 • JUSTIÇA AMBIENTAL E DESASTRES AMBIENTAIS

Dados da ONU indicam que existe um aumento da consciência política no que diz respeito a
questões que envolvem migrações causadas por questões ambientais e um consenso de que
este é um desafio global.

Como reflexo disso muitos acordos foram assinados por estados importantes e isso representa
um caminho para que as questões sobre migração climática possam ser abordadas por diferentes
países.

No bojo dessa problemática, temos os refugiados ambientais cujas vidas são determinadas pelos
impactos causados pelo homem no meio ambiente. Este se tornou um tema complexo que vem
sendo debatido no campo do direito internacional, assim como no campo ambiental e migratório.
Entendemos que refugiados ambientais são aquelas pessoas obrigadas a deixar os seus lares em
virtude de uma perturbação ambiental – que pode ser temporária ou permanente – ou situação
que coloque em risco sua vida.

Segundo Rafael Nogueira, advogado e diretor conselheiro do Grupo de Estudos em Direito


e Assuntos Internacionais (GEDAI), o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente
(PNUMA) desenvolveu o conceito de refugiado ambiental partindo da definição de um dos seus
pesquisadores, Essam El Hinnawi (HINNAWI, 1985 apud BARBOSA, 2007, p. 9):

Refugiados ambientais são as pessoas que foram obrigadas a abandonar,


temporária ou definitivamente, o lugar onde tradicionalmente viviam, devido
ao visível declínio do meio ambiente (por razões naturais ou humanas), que
colocavam em risco sua existência ou afetavam seriamente suas condições e
qualidade de vida.

Saiba mais

https://direitodiario.com.br/quem-sao-os-refugiados-ambientais/

Leia o Capítulo 12 do livro Sulatinidades: debates do GRISUL sobre a América Latina, intitulado “Refugiados Ambientais e
Direito Internacional”.

http://www.grisulunirio.com/wp-content/uploads/2019/11/E-book-Sulatinidades-2019-Final.pdf

Podemos refletir sobre este assunto por diferentes “lentes” ou teorias, entretanto, é importante
que os estudantes desta disciplina tenham clareza sobre os problemas causados pelas alterações
climáticas e da consequência direta disso no aumento dos refugiados ambientais no século XXI.

Segundo Menezes e Santos (2019, p. 207), dados do Relatório Global Internal Displacement
Monitoring Centre (IDCM) apontam que 2018 foi um ano com 17 milhões de deslocamentos por
motivos de desastre, problemas relacionados à falta de água, enchentes, tempestades, ciclones,
furacões, dentre outros motivos. Esses são dados apresentados no Relatório de 2019 e, segundo

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JUSTIÇA AMBIENTAL E DESASTRES AMBIENTAIS • CAPÍTULO 6

dados deste centro, temos hoje milhões de pessoas deslocadas internamente em seus países em
virtude de algum problema ambiental, como, por exemplo, a seca em países africanos.

Saiba mais

https://www.internal-displacement.org/about-us

A outra categoria analisada nos relatórios deste Centro são os refugiados. No site encontramos
a diferenciação entre os dois grupos:

De acordo com a Convenção de 1951 sobre o status dos refugiados, um “refugiado”


é uma pessoa que, “devido ao medo bem fundamentado de ser perseguido por
razões de raça, religião, nacionalidade, pertencimento a um grupo social ou
opinião política em particular, é fora do país de sua nacionalidade e é incapaz,
ou devido a esse medo, não está disposto a se valer da proteção desse país; ou
que, sem nacionalidade e estando fora do país de sua antiga residência habitual
como resultado de tal eventos, é incapaz ou, devido a esse medo, não está disposto
a voltar a ele “. Um requisito crucial para ser considerado um “refugiado” está
atravessando uma fronteira internacional. Pessoas deslocadas à força de suas
casas que não podem ou optam por não atravessar uma fronteira, portanto, não
são consideradas refugiados, mesmo que compartilhem muitas das mesmas
circunstâncias e desafios que aqueles que o fazem. Ao contrário dos refugiados,
as pessoas deslocadas internamente não têm um status especial no direito
internacional com direitos específicos à sua situação. O termo “pessoa deslocada
internamente” é meramente descritivo.

É importante que fique claro que independentemente da categoria que tratamos, estamos lidando
com seres humanos que são obrigados a migrar deixando toda a sua vida para trás, muitas vezes
após viver uma tragédia com perda de familiares. Diferentes organizações estão se empenhando
para construir caminhos e fortalecer processos de elaboração de uma legislação cada vez mais
abrangente que trate desta parte do direito internacional.

Segundo Menezes e Santos (2019, p. 210), existe dificuldade de “proteção deste coletivo, uma vez
que, até o presente momento, não existem regras internacionais que garantam o amparo deste
grupo em situação de vulnerabilidade”.

Outro conceito interessante é o que trata da cidadania planetária. Essa é uma vertente que se
refere ao sentimento de coletividade e responsabilidade com o planeta em que vivemos. Alguns
trabalhos sobre astronomia na sala de aula buscam despertar essa consciência de cidadania
planetária.

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CAPÍTULO 6 • JUSTIÇA AMBIENTAL E DESASTRES AMBIENTAIS

Segundo o físico Eduardo Monfardini Penteado (2019, p. 56), no trabalho “Um refúgio nas estrelas:
pensando a divulgação da astronomia na escola com estudantes imigrantes”:

Por cidadania planetária, nos referimos aqui ao sentimento coletivo de


pertencimento a um mesmo referencial de existência, no caso o planeta Terra,
sentimento intensificado com a percepção, a partir da astronomia, de que o nosso
planeta é o único local onde toda e qualquer espécie conhecida até o momento
pode existir em sua plenitude. Diante das mazelas criadas por nós e que afligem
especialmente determinados grupos sociais desprivilegiados, faz-se necessário
um alerta para a urgência da preservação da natureza e para o desenvolvimento
social sustentável, implicando na aceitação do próximo e do respeito às diversas
culturas e saberes.

Esse é um conceito interessante para pensarmos sobre a forma como os ecossistemas do planeta
estão sendo tratados e como as mudanças climáticas possuem impactos irreversíveis que resultam
em migrações constantes de populações inteiras vítimas desse processo.

Atenção

A Agência ONU para Refugiados – UNHCR ACNUR – publicou uma matéria em seu site, em setembro de 2019, com pequenas
histórias de 8 pessoas refugiadas que, mesmo longe de seus países de origem estão lutando pelo planeta e fazem a sua parte
para combater as mudanças climáticas. Clique no link a seguir e leia a matéria:

https://www.acnur.org/portugues/2019/09/23/8-refugiados-que-estao-lutando-pelo-planeta/

Sintetizando

Neste capítulo apresentamos questões muito importantes:

Conceituamos justiça ambiental.

Refletimos sobre desastres ambientais causados pela ação do homem.

Abordamos desastres ambientais climáticos.

Conhecemos as principais diferenças entre deslocados internos e refugiados.

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Referências
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América Latina. – Rio de Janeiro, Instituto Igarapé e Instituto Clima e Sociedade. 2019. Disponível em: https://igarape.
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ECOLOGIA%20DOS%20POBRES.pdf. Acesso em: 4 jan. 2020.

AMARO, Jorge; SANCHÉZ, Celso. O Silêncio Eloquente da Educação Ambiental no PNE. EcoDebate – site de informações,
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