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Sentença Consignados

O Ministério Público do estado de Sergipe ingressou com uma ação pedindo que o Banco do estado de Sergipe pausas prestações empréstimos consignados dos servidores por até 90 dias.

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Sentença Consignados

O Ministério Público do estado de Sergipe ingressou com uma ação pedindo que o Banco do estado de Sergipe pausas prestações empréstimos consignados dos servidores por até 90 dias.

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Poder Judiciário do Estado de Sergipe

3ª Vara Cível de Aracaju

Nº Processo 202010300666 - Número Único: 0021853-94.2020.8.25.0001


Autor: MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DE SERGIPE
Réu: BANESE

Movimento: Decisão >> Concessão em parte >> Antecipação de Tutela

202010300666

Cuida-se de ação civil publica interposta pelo MINISTÉRIO PUBLICO em face do BANCO DO
ESTADO DE SERGIPE – BANESE, visando que o demandado adote providências para cumprimento
efetivo da oferta propalada, promovendo a prorrogação/pausando, em até 90 (noventa) dias, as parcelas
dos contratos de Empréstimos Consignados dos servidores públicos estaduais, municipais, federais e
empregados de empresas privadas, garantindo a manutenção do financiamento original, transferindo para
o final do parcelamento as parcelas vencidas, com juros originais do contrato, sem cobrança de IOF e de
Seguro ou a manutenção do contrato original, apenas refinanciando as parcelas pausadas, com juros
originais diluídos, oportunizando novos prazos, garantindo o que importar em menor onerosidade ao
consumidor; que disponibilize, no site oficial do banco, informações claras e precisas sobre a prorrogação
das parcelas, nos moldes alinhados no item anterior, explicitando o valor dos juros do contrato original
aplicado e o prazo para não ocorrência de desconto, condicionado ao fechamento da folha de pagamento
do órgão consignante, bem como promover no aplicativo do banco, a simulação possível para
conhecimento pleno, pelo consumidor contratante, da melhor opção para prorrogação das parcelas dos
contratos retromencionados; que não faça a inclusão obrigatória de Seguro nos contratos de Empréstimo
Consignado, sem que seja devidamente autorizado pelo consumidor, em opção formalizada, através de
instrumento próprio, com chancela respectiva e contendo todas as informações correspondentes, com
cópia disponibilizada ao consumidor; que permita ao consumidor, em prazo não inferior a 30(trinta) dias,
a opção de rescindir o contrato com a operação de refinanciamento dos valores dos contratos de
Empréstimos Consignados, para os que já aderiram, podendo prorrogar as parcelas respectivas, pelo prazo
de 90 (noventa) dias, nos moldes dos pedidos insertos na letra “A” da presente peça proemial do processo,
garantindo o cumprimento da oferta, tudo em sede de tutela de urgência e ao final, além da confirmação
dos mencionados pedidos, o pagamento de dano social, no valor de R$ 50.000,00.

Alega o demandante que, mediante o serviço de Ouvidoria, recebeu diversas denúncias de consumidores,
usuários dos serviços do Banco do Estado de Sergipe, diante da possibilidade de negociação pertinente à
suspensão dos descontos de até 3 (três) prestações do contrato de empréstimo consignado, pausando a
continuidade dos descontos, diante da grave crise econômica, produzida pelo COVID-19 e, nas tratativas
firmadas com o banco, a opção apresentada foi de refinanciamento integral do contrato original, elevando
o valor do débito e consequentemente ampliando o número de prestações; que diversas Instituições
Financeiras, com objetivo de reduzir o impacto da pandemia do COVID-19, adotaram medidas para
reduzir os problemas enfrentados pelos consumidores, notadamente quando anunciado o primeiro
conjunto de medidas emergenciais pelo Governo Federal para proteção da população vulnerável à
pandemia do novo coronavírus e que no mês de março, o Banco Central do Brasil determinou que as
Instituições financeiras ajustassem os seus horários de atendimento ao público nas agências presenciais e,
em adição, os bancos começaram a incentivar os clientes a usarem canais não presenciais para
atendimento bancário, como internet banking, chat e telefone, objetivando evitar aglomerações nas
agências físicas e, com isso, a necessidade de informações sobre múltiplos os serviços deveriam guardar
qualidade e adequação à nova sistemática de atendimento.

Assinado eletronicamente por LUIS GUSTAVO SERRAVALLE ALMEIDA, Juiz(a) de 3ª Vara Cível de Aracaju,
em 20/07/2020 às [Link], conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
Conferência em [Link]/portal/servicos/judiciais/autenticacao-de-documentos. Número de Consulta: 2020001298707-34. fl: 1/7
Explicita que o demandado em seguimento das iniciativas governamentais, passou a divulgar oferta de
prorrogação e renegociação de empréstimos consignados, ressaindo de seu próprio site, em 29/04/2020 a
seguinte informação: “BANESE ANUNCIA PAUSA EM CRÉDITOS A PARTIR DO DIA 4 DE MAIO”
- Prorrogação visa amenizar efeitos da pandemia. O Banco do Estado de Sergipe(Banese) vai
disponibilizar, a partir da próxima segunda feira (04/05), uma pausa os pagamentos das operações de
crédito consignadas ou de CDC (Crédito Direto ao Consumidor) de clientes pessoas físicas. As pausas
serão feitas pelo próprio APP do banco.”; que na mesma matéria foram disponibilizadas algumas poucas
informações sobre como deveria proceder o consumidor para “pausar” suas prestações, já que o
atendimento deveria ser com utilização de aplicativo do Banco; que o requerido oferta, a todo momento,
em seu próprio site, que as prestações dos consumidores seriam “pausadas”, falando o tempo todo em
“prorrogação” das parcelas do Crédito Consignado, isso justamento no momento em que eram divulgados
Projetos locais e na Câmara dos Deputados para suspensão por até seis meses dos descontos em
contracheque dos servidores referente dos empréstimos consignados, com consequente avanço para o
final do contrato, sem juros ou correção.

Assevera que das diversas matérias publicadas em sites diferentes, observa-se que todas as informações
repassadas aos consumidores, importa a ideia de que o benefício seria oferecido com as “pausas” nas
prestações ou mesmo “prorrogação”, como forma de aliviar o impacto financeiro produzido pela
pandemia predita, de alcance internacional, não falando nem mesmo em incidência de juros e demais
encargos, entretanto o demandado estava provendo o refinanciamento dos contratos existentes.

Aduz que em momento algum o demandado prestou esclarecimentos, nem mesmo em seus meios de
comunicação com o consumidor; que em nenhum momento foi esclarecido que se tratava de
refinanciamento, ferindo o CDC, mormente em se considerando as condições vividas no atual momento
de pandemia.

Juntou documentos, fls. 46/98.

O processo foi originariamente distribuído perante a 21ª Vara Cível desta Comarca, sendo remetido a esta
vara, consoante decisão de fls. 101/102.

Intimado para se manifestar do pedido liminar, o demandado esclarece, fls. 135/, que buscou o mais
rápido possível auxiliar os consumidores neste período, postergando o recebimento de algumas parcelas;
que a campanha foi divulgada em 29/04/2020 e em momento nenhum foi falado em ausência de juros,
pelo contrário, há informação de que os juros da carência seriam diluídos nas parcelas; que,
posteriormente, em 30/04/2020 lançou novo conteúdo, “Principais dúvidas sobre a Prorrogação de
Empréstimos Pessoa Física”, no bojo do qual esclareceu-se em 11 pontos as principais características da
campanha com o escopo de esclarecer os consumidores e novamente destacou-se que os juros de carência
seriam aplicados nas parcelas; que todos os demais bancos adotaram para postergar as parcelas vencíveis
no período: liquidação do contrato vigente no sistema, com a criação de novo contrato, observando-se as
taxas e demais encargos praticados originalmente, aplicando-se o prazo de carência solicitado pelo cliente
para evitar a exação no período (30, 60 ou 90 dias); que cumpriu com o dever de informação por meio dos
seus canais de atendimento e divulgação, não sendo responsável pelas matérias veiculas em outros sites.

Assevera que no ato da solicitação de prorrogação o cliente é devidamente informado que o


prosseguimento implica na “renovação do contrato” e tem acesso a todas as informações do contrato
vigente (valor; saldo devedor; número de parcelas), e, logo na sequência (após selecionar o período
desejado de carência), visualiza a tela de “simulação” de como ficará o contrato renovado e finalmente, na
tela de “confirmação” são lançados todos os dados do “contrato vigente” e do “contrato renovado”; que
assegurou aos clientes o direito de arrependimento na forma do CDC, no entanto apenas foram efetuados
135 pedidos de cancelamento, o que corresponde a menos de 1,5% do total de prorrogações concluídas
(total 10.544); que quanto ao seguro prestamista, somente as contratações originárias que possuíam esta
contratação é que foi mantida, requerendo a improcedência dos pedidos.

Decido.

Assinado eletronicamente por LUIS GUSTAVO SERRAVALLE ALMEIDA, Juiz(a) de 3ª Vara Cível de Aracaju,
em 20/07/2020 às [Link], conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
Conferência em [Link]/portal/servicos/judiciais/autenticacao-de-documentos. Número de Consulta: 2020001298707-34. fl: 2/7
Cuida-se de ação civil pública movida pelo Ministério Público em face do Banco do Estado de Sergipe.

Alega o MP que diante de diversas reclamações recebidas de consumidores, através do canal da


Ouvidoria, instaurou procedimento para analisar a conduta do banco demandado quanto a medida adota,
nesta pandemia, acerca da prorrogação/pausa na cobrança de parcelas de empréstimos consignados.

Assevera que o demandado divulgou notícia que iria pausar/prorrogar até 03 parcelas de quem tivesse
empréstimo consignado com o banco demandado, dando a entender que as parcelas seriam cobradas ao
final do contrato e sem informar sobre acréscimo de juros, por exemplo, entretanto passou a refinanciar os
contratos dos clientes, com a inclusão de seguro e IOF, além dos juros.

Pois bem,é indispensável discorrer acerca dos requisitos indispensáveis para a concessão de antecipação
de tutela. Para tanto, transcrevo o teor do art. 300 do Novo Código de Processo Civil,in verbis:

Art. 300.A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade
do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.

Assim, conforme se observa, indispensável se faz a presença dos seguintes requisitos: a probabilidade do
direito e o perigo de dano ou o risco ou resultado útil do processo. Ainda, frise-se, que está presente o
requisito de caráter negativo previsto no §3º, art. 300 do CPC, qual seja, a reversibilidade da decisão.

O elemento do perigo de dano consiste no fundado receio da existência de um dano jurídico, de difícil ou
impossível reparação, durante o curso da ação, aferido através do juízo próprio de probabilidade, com
comprovada plausibilidade de existência de dano, justificado receio de lesão de direito e/ou existência de
direito ameaçado.

Em relação aos elementos que evidenciem a probabilidade do direito, estes devem ser hábeis a
convencer o magistrado da verossimilhança das alegações trazidas pela parte para que se admita a
antecipação da tutela pretendida.

Sabe-se, ademais, que para o provimento antecipado necessário se faz que esta se revista do caráter de
medida de urgência.

No caso apresentado, vislumbroa presença dos pressupostos/requisitos necessários à concessão da


antecipação de tutela. Explico.

Realmente, verifica-se dos documentos colacionados aos autos, inclusive, daqueles anexados pelo
próprio demandado que o anúncio foi de “Banese anuncia pausa em créditos a partir do dia 4 de
maio”

Vejamos o restante do anúncio/oferta:

“Prorrogação visa amenizar efeitos da pandemia.

O Banco do Estado de Sergipe (Banese) vai disponibilizar, a partir da próxima segunda-feira


(04/05), uma pausa nos pagamentos das operações de crédito consignados ou de CDC (Crédito
Direto ao Consumidor) de clientes pessoas físicas.

As pausas serão feitas pelo próprio APP do banco. As operações de CDC terão efeito imediato,
exceto se caírem no dia do débito da parcela.

A prorrogação dos empréstimos consignados obedecerá o cronograma de fechamento da folha dos


órgãos repassadores. O Banese colocou em seu site ([Link]) um FAQ - perguntas
frequentes -, esclarecendo as principais dúvidas dos clientes.

*Principais dúvidas sobre a Prorrogação de Empréstimos Pessoa Física*

Assinado eletronicamente por LUIS GUSTAVO SERRAVALLE ALMEIDA, Juiz(a) de 3ª Vara Cível de Aracaju,
em 20/07/2020 às [Link], conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
Conferência em [Link]/portal/servicos/judiciais/autenticacao-de-documentos. Número de Consulta: 2020001298707-34. fl: 3/7
1) Como os clientes poderão aderir a prorrogação de empréstimos?

Através do Aplicativo Banese na opção Crédito>Meus Empréstimos>Prorrogar Parcelas.

2) Quem poderá prorrogar os créditos debitados em conta corrente (CDC)?

Para os contratos debitados em conta corrente (CDC), estarão elegíveis servidores públicos
estaduais, municipais e federais, empregados de empresas privadas, profissionais liberais e
aposentados e pensionistas do INSS.

3) Quem poderá prorrogar os créditos Consignados?

Para os contratos consignados, estarão elegíveis servidores públicos estaduais, municipais, federais
e empregados de empresas privadas, a partir da folha de maio e considerando a viabilidade de cada
órgão pagador para adequação dos seus sistemas de averbação.

4) Quais tipos de empréstimos poderão ter o prazo para pagamento prorrogado?

Será possível a prorrogação dos contratos de Consignado, Credi Salário, Credi Rápido Salário,
Credi Veículos, Credi Profissional Liberal, Credi Pessoal, Credi Rápido Pessoal, Modernização de
Cartórios, Credi Aposentados e Renegociação de dívidas.

5) Quais linhas NÃO estão elegíveis?

Não estão elegíveis à prorrogação as linhas de antecipação de recebíveis (Antecipação 13º,


Antecipação do Imposto de Renda, etc.), créditos que atendam a sazonalidade (Credi Educação,
Pagamento de contas, IPVA, IPTU, etc.) e limites rotativos de crédito (limite emergencial – cheque
especial e credi-conta).

6) Como serão cobradas as parcelas a vencer e juros de carência nesse período?

A prorrogação deverá ser solicitada para cada contrato ativo a fim de manter as mesmas linhas de
crédito e a taxa do contrato original. Os juros de carência serão distribuídos nas prestações que se
fizerem necessárias para adequação ao novo cronograma.

7) Qual o prazo para prorrogação dos empréstimos?

A prorrogação será de até 90 (noventa) dias, escolhida pelo cliente no momento da solicitação da
prorrogação das parcelas.

8) É possível aderir a prorrogação com crédito extra?

A prorrogação ocorrerá “sem troco”, isto é, sem a liberação de recurso financeiro adicional. Caso o
cliente possua limite pré aprovado disponível poderá contratar uma nova operação de crédito após
a solicitação da prorrogação das parcelas. Para essa nova contratação com liberação de valor, o
cliente deverá acessar a opção Crédito>Renovação de empréstimos ou através da opção
Crédito>Crédito Rápido.

9) Clientes com portabilidade de salário estarão elegíveis a prorrogação?

Sim, caso não esteja disponível no Aplicativo, o mesmo deverá se dirigir ao atendimento nas
agências. O atendimento também poderá ser feito através de chat ou agendamento, disponíveis no
site do Banese.

10) Consultei meu aplicativo e a prorrogação não está disponível. O que fazer?

Assinado eletronicamente por LUIS GUSTAVO SERRAVALLE ALMEIDA, Juiz(a) de 3ª Vara Cível de Aracaju,
em 20/07/2020 às [Link], conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
Conferência em [Link]/portal/servicos/judiciais/autenticacao-de-documentos. Número de Consulta: 2020001298707-34. fl: 4/7
O cliente deverá dirigir-se à uma de nossas agências distribuídas pelo estado. O atendimento
também poderá ser feito através de chat ou agendamento, disponíveis no site do Banese.

Para cliente que não estiver disponível a opção de prorrogação da parcela, favor direcionar-se à
uma de nossas unidades de atendimento. O atendimento também poderá ser feito através de chat ou
agendamento, disponíveis no site do Banese.

A depender da data da solicitação da prorrogação do consignado poderá ainda ocorrer o desconto


da parcela atual, condicionado ao fechamento da folha de pagamento do órgão consignante.
Exemplo: Os servidores que fizerem a opção após o fechamento da folha de maio, somente passarão
a ter a suspensão do pagamento de referidas prestações a partir da folha de junho.

Nesse primeiro momento, para contratação com troco não haverá carência no pagamento da 1ª
prestação”. Grifo nosso.

Conforme transcrito acima, observa-se que em todo momento o demandado anuncia


PAUSA/PRORROGAÇÃO e em nenhum trecho da matéria explicita que, na verdade, se trata de
um refinanciamento de todo o contrato e não apenas das parcelas pausadas, por exemplo.

A Constituição Brasileira (art. 170) estabelece que a atividade econômica deve observar, entre outros, o
princípio da defesa do consumidor. O princípio é dirigido não só ao Estado, mas, principalmente, aos
agentes econômicos. O princípio é abrangente do direito à informação, referido explicitamente no
art. 5º, XIV.

O Código de Defesa do Consumidor estabelece “a informação adequada e clara sobre os diferentes


produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, característica, composição, qualidade
e preço, bem como os riscos que apresentem”, como um dos direitos básicos do consumidor (inciso
III do art. 6º).

A informação visa dotar o consumidor de elementos objetivos de realidade que lhe permitam conhecer os
produtos e serviços e exercer suas escolhas.

Assim, ao fornecedor incube prover os meios para que a informação seja conhecida e compreendida pelo
consumidor. Nestas condições, o fornecedor deve ser o mais explícito quanto possível na
apresentação do seu produto ou serviço, com o fim de estabelecer parâmetro real das suas
características e evitar qualquer espécie de engano em prejuízo daquele que pretende o consumo.

O art. 46 do CDC explicita que “Os contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão os
consumidores, se não lhes for dada a oportunidade de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo, ou se
os respectivos instrumentos forem redigidos de modo a dificultar a compreensão de seu sentido e
alcance”.

“O fornecedor deverá ter cautela de oferecer oportunidade ao consumidor para que, antes de concluir o
contrato de consumo, tome conhecimento do conteúdo do contrato...

Dar oportunidade de tomar conhecimento do contrato não significa dizer para o consumidor ler as
cláusulas do contrato de comum acordo ou as clausulas contratuais gerais do futuro contrato de adesão.
Significa, isto sim, fazer com que tome conhecimento efetivo do conteúdo do contrato. Não satisfaz a
regra do artigo a mera cognoscibilidade das bases do contrato, pois o sentido teleológico e finalístico da
norma indica dever do fornecedor dar efetivo conhecimento ao consumidor de todos os direitos e deveres
que decorrerão do contrato...

É muito comum o consumidor tomar conhecimento de uma cláusula contratual que atua em seu
desfavor, apenas quando ocorrer o fato que enseja a aplicação daquela cláusula (...) Não basta,

Assinado eletronicamente por LUIS GUSTAVO SERRAVALLE ALMEIDA, Juiz(a) de 3ª Vara Cível de Aracaju,
em 20/07/2020 às [Link], conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
Conferência em [Link]/portal/servicos/judiciais/autenticacao-de-documentos. Número de Consulta: 2020001298707-34. fl: 5/7
porquanto, que a cláusula exista e esteja inserida no instrumento do contrato” (Nelson Néri Junior,
in Código de Defesa do Consumidor, p. 316/318. ed. Forense Universitária, 3ª ed, comentários do
art.46).

Ademais, além da ausência de informações adequadas, dos prints anexados pelo demandante à
exordial, observo que os valores simulados aumentam significativamente, como por exemplo, as fls.
68, consta uma simulação em que o consumidor possui saldo devedor de 78 parcelas de R$ 331,95
(R$ 25.892,10), com a “pausa” de duas parcelas, passa a ter saldo devedor de 93 parcelas de R$
331,50 (R$ 30.826,50), ou seja, uma pausa de dois meses que equivaleria a R$ 663,90 foi aumentada
em mais de 05 vezes esse valor, implicando em uma majoração final do contrato em R$ 4.937,40, o
que sequer é explicitado claramente e, a priori, mostra-se abusivo.

Cabe destacar que quanto aos pedidos de que o demandado seja compelido a não inserir cobrança
de seguro, sem consentimento do consumidor, e ainda que seja compelido a permitir a rescisão sem
ônus daqueles que aderiram a essa prorrogação, pontuo que o demandado assevera que o seguro
somente está sendo mantido nos casos em que o contrato originário já possuía tal contratação, bem
como que é possível o destrato, tanto que alguns poucos clientes já o solicitaram.

Neste ponto, a despeito de inexistir nos autos, neste momento, documentos que demonstrem a
cobrança abusiva do seguro, entendo que o seguro somente pode ser inserido quando contratado em
caso de aceitação pelo consumidor e desde que devidamente informado acerca desta contratação,
razão pela qual defiro o pedido neste ponto com a ressalva de que esta decisão limita-se aos
refinanciamentos feitos com lastro na “pausa/prorrogação” ofertada pelo Banese.

De igual forma, tendo em vista que o demandado afirma já permitir a rescisão e, considerando
ainda que a oferta não foi devidamente clara aos consumidores, defiro também o pedido de que seja
possibilitada a rescisão, sem ônus, pelos consumidores que aderiram a esse refinanciamento nos
moldes acima explicitado.

Assim, entendo que assiste razão ao demandantequanto aos pedidos no sentido que o demandado
cumpra a oferta propalada, promovendo a prorrogação/pausando, em até 90 (noventa) dias, as
parcelas dos contratos de Empréstimos Consignados dos servidores públicos estaduais, municipais,
federais e empregados de empresas privadas, garantindo a manutenção do financiamento original,
transferindo para o final do parcelamento as parcelas vencidas, com juros originais do contrato,
sem cobrança de IOF e de Seguro, salvo se pactuado no contrato originário, ou apenas
refinanciando as parcelas pausadas, com juros originais diluídos, oportunizando novos prazos para
pagamento somente dessas parcelas pausadas; que disponibilize, no site oficial do banco,
informações claras e precisas sobre a prorrogação das parcelas, nos moldes acima explicitando,
esclarecendo o valor dos juros do contrato original aplicado e o prazo para não ocorrência de
desconto, condicionado ao fechamento da folha de pagamento do órgão consignante; que não faça a
inclusão obrigatória de Seguro nos contratos de Empréstimo Consignado, sem que seja
devidamente autorizado pelo consumidor, em opção formalizada, através de instrumento próprio,
com chancela respectiva e contendo todas as informações correspondentes; que permita ao
consumidor, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, a opção de rescindir o contrato com a
operação de refinanciamento dos valores dos contratos de Empréstimos Consignados, para os que
já aderiram, podendo prorrogar as parcelas respectivas, pelo prazo de 90 (noventa) dias, nos
moldes acima explicitadoe sem ônus a mais por essa rescisão.

Por fim, quanto ao pedido de que o demandado forneça simulação da contratação, verifica-se dos
documentos juntados pelo demandante que esta opção já está disponível, razão pela qual não há
que se falar em deferimento.

Assim, diante do exposto, observo que, pelo menos em análise prelibatória que estão presentes todos os
requisitos a autorizar a concessão da medida antecipatória, com exceção de fornecer “simulação”, uma
vez que esta já é ofertada pelo demandado.

Assinado eletronicamente por LUIS GUSTAVO SERRAVALLE ALMEIDA, Juiz(a) de 3ª Vara Cível de Aracaju,
em 20/07/2020 às [Link], conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
Conferência em [Link]/portal/servicos/judiciais/autenticacao-de-documentos. Número de Consulta: 2020001298707-34. fl: 6/7
Sendo assim, pelas razões expostas, DEFIRO o pedido de tutela antecipada formulada pelo requerente na
inicial para determinar queo demandado cumpra a oferta propalada, promovendo a
prorrogação/pausando em até 90 (noventa) dias as parcelas dos contratos de Empréstimos
Consignados dos servidores públicos estaduais, municipais, federais e empregados de empresas
privadas, garantindo a manutenção do financiamento original, transferindo para o final do
parcelamento as parcelas vencidas, com juros originais do contrato, sem cobrança de IOF e de
Seguro, salvo se pactuado no contrato originário, ou apenas refinanciando as parcelas pausadas,
com juros originais diluídos, oportunizando novos prazos para pagamento somente dessas parcelas
pausadas; que disponibilize, no site oficial do banco, informações claras e precisas sobre a
prorrogação das parcelas, nos moldes acima explicitando, esclarecendo o valor dos juros do
contrato original aplicado e o prazo para não ocorrência de desconto, condicionado ao fechamento
da folha de pagamento do órgão consignante; que não faça a inclusão obrigatória de Seguro nos
contratos de Empréstimo Consignado, sem que seja devidamente autorizado pelo consumidor, em
opção formalizada, através de instrumento próprio, com chancela respectiva e contendo todas as
informações correspondentes eque permita ao consumidor, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias,
a opção de rescindir o contrato com a operação de refinanciamento dos valores dos contratos de
Empréstimos Consignados, para os que já aderiram, podendo prorrogar as parcelas respectivas,
pelo prazo de 90 (noventa) dias, nos moldes acima explicitadoe sem ônus a mais por essa rescisão,
com assento nos fundamentos acima descritos, tudo no prazo máximo de 15 dias, a contar da
intimação pessoal, sob pena de aplicação de multa no valor de R$500,00 (quinhentos reais), por
contratação indevida.

CITE-SE o requerido para oferecer contestação, no prazo de 15 (QUINZE) dias, nos termos do
artigo 335, caput, do Código de Processo Civil, sob pena de ser considerado revel.

Com a juntada da contestação, intime-se o autor para dela se manifestar.

Intimações necessárias

Cumpra-se.

Documento assinado eletronicamente por LUIS GUSTAVO SERRAVALLE


ALMEIDA, Juiz(a) de 3ª Vara Cível de Aracaju, em 20/07/2020, às [Link],
conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.

A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico


[Link]/portal/servicos/judiciais/autenticacao-de-documentos, mediante
preenchimento do número de consulta pública 2020001298707-34.

Assinado eletronicamente por LUIS GUSTAVO SERRAVALLE ALMEIDA, Juiz(a) de 3ª Vara Cível de Aracaju,
em 20/07/2020 às [Link], conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
Conferência em [Link]/portal/servicos/judiciais/autenticacao-de-documentos. Número de Consulta: 2020001298707-34. fl: 7/7

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