Características dos Vertebrados e Cordados
Características dos Vertebrados e Cordados
Aluno(a): __________________________________________________________________
LA
1. Filo Chordata
Os vertebrados (do latim vertebratus, com vértebras) constituem um subfilo de animais cordados, compreendendo os
ágnatos, peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Caracterizam-se pela presença de coluna vertebral segmentada e
de crânio que lhes protege o cérebro.
Outras características adicionais são a presença de um sistema muscular geralmente simétrico – a simetria bilateral é
também uma característica dos vertebrados – e de um sistema nervoso central, formado pelo cérebro e pela medula
espinhal localizados dentro da parte central do esqueleto (crânio e coluna vertebral).
Os primeiros vestígios dos vertebrados foram encontrados no período Siluriano (há 444 a 409 milhões de anos).
Características e Classificação dos Cordados
Todo cordado apresenta, pelo menos em alguma fase de sua existência:
Nos grupos de invertebrados, as características morfológicas sempre foram definidas a partir do estudo de animais
adultos. Nos cordados, no entanto, a caracterização do grupo deve ser procurada na fase embrionária. É nessa fase que
todo o cordado apresenta as quatro características típicas do grupo: notocorda, tubo nervoso dorsal, fendas na faringe e
cauda pós-anal.
Na fase adulta dos vertebrados mais complexos, essas estruturas ou desaparecem, como é o caso da notocorda e das
fendas na faringe, ou sofrem consideráveis modificação, como é o caso do tubo nervoso, que passa por uma grande
expansão, levando à diferenciação do encéfalo e da medula espinhal.
Uma classificação satisfatória dos cordados consiste em agrupá-los em três subfilos: Urochordata, Cephalochordata e
Vertebrata (ou Craniata). Os urocordados e os cefalocordados também são conhecidos como protocordados. Os
protocordados não possuem crânio, nem cartilagem, tampouco ossos.
Observe na figura acima as duas aberturas. O maior é o sifão inalante, permite o ingresso de água trazendo oxigênio e
partículas alimentares que ficam retidas na faringe perfurada por fendas. Por batimento ciliar, o alimento é levado da
faringe ao estômago. A água que entra no animal, sai pelo segundo sifão, o sifão exalante, levando os produtos de
excreção. São, portanto, animais filtradores.
As ascídias são hermafroditas. A fecundação é externa. Os gametas são levados pela água através do sifão exalante.
Os ovos fertilizados geram larvas, de pequeno tamanho. A larva, mostrada acima, parece muito com a larva de sapo
(girino) o que sugere forte parentesco com os vertebrados.
A larva das ascídias é livre natante. Os adultos são fixos. Na larva dos tunicados, a notocorda restringe-se à cauda.
Subfilo Cephalochordata
Os cefalocordados estão representados por animais conhecidos por anfioxos, que compreendem cerca de trinta
espécies, todas vivendo em ambiente marinho. A palavra anfioxo deriva do fato de esses animais terem o corpo afilado
em duas pontas (anfi = dois).
Os anfioxos são animais pequenos chegando a medir até 8 centímetros de comprimento. Têm o corpo semelhante a de
um peixe e vivem semi-enterrados na areias, em locais de águas calmas e limpas, mantendo somente a parte anterior do
corpo para fora do substrato.
Embora passem a maior parte do tempo enterrados, eles podem nadar ativamente na água por curtos períodos de
tempo. A natação do anfioxo é semelhante a verificada nos peixes: resulta da contração dos miótomos, blocos
musculares arranjados serialmente ao longo do corpo. A contração alternada desses músculos de um lado e de outro do
corpo promove um movimento lateral, que propulsiona o animal para frente.
Esses animais possuem nadadeiras, mas, distintamente das verificadas nos peixes, são formadas apenas por dobras da
pele, sem elementos esqueléticos de sustentação em seu interior; elas possuem apenas reforço de tecido conjuntivo.
Assim como os urocordados, as fendas branquiais dos cefalocordados são bem desenvolvidas, indicando o hábito
filtrador desses animais. Em ambos os casos, essas fendas não se abrem diretamente para fora do corpo, mas em uma
cavidade chamada de átrio.
Nos cefalocordados os cílios das fendas branquiais ou faringeanas promovem a entrada de água e a saída por um poro
especial denominado atrióporo. Eles obtêm o oxigênio e alimento de que necessitam através dessa circulação de água.
As partículas alimentares filtradas são conduzidas ao endóstilo e deste para outras partes do tubo digestivo. Os restos
não aproveitáveis são eliminados através do ânus. Nesses animais o ânus abre-se diretamente para fora do corpo e não
no interior da cavidade atrial, como nos urocordados. No átrio dos cefalocordados abrem-se as gônadas.
O sistema circulatório é formado apenas por vasos, alguns contráteis, responsáveis pela propulsão do sangue. Não
possuem coração.
Os anfioxos são animais de sexos separados, com fecundação externa. Eles passam por um estágio larval plantônico,
após o qual se assentam no substrato e sofrem metamorfose, dando origem ao adulto.
O sistema nervoso dos cefalocordados, é bastante simplificado, sendo formado por um cordão nervoso dorsal, que
apresenta uma dilatação na região anterior denominada vesícula cerebral.
Condrictes: Os Peixes Cartilaginosos
Os tubarões, raias e quimeras (peixes de águas profundas, também chamados de peixes-rato) desta classe (do grego
chondros = cartilagem + ichthys = peixe) são os vertebrados vivos mais primitivos com vértebras completas e separadas,
mandíbulas móveis e barbatanas pares.
Este grupo é antigo e representado por
numerosos restos fósseis. Pertencem-lhe alguns
dos maiores e mais eficientes predadores
marinhos. Todos possuem um esqueleto
cartilagíneo, dentes especializados que se
renovam ao longo da vida e uma pele
densamente coberta por escamas em forma de
dente.
Praticamente todos são marinhos, embora
existam espécies de tubarões e raias que
penetram regularmente em estuários e rios, e,
Quimera em regiões tropicais, espécies de água doce.
Todos os peixes cartilaginosos são predadores, embora os filtradores também ingerem fitoplâncton. Neste caso existem
projeções rígidas dos arcos branquiais, que funcionam como filtros. Grande parte da sua dieta é composta por presas
vivas, embora consumam igualmente cadáveres, quando disponíveis.
A maioria dos tubarões não apresenta mais de 2,5 m de comprimento mas alguns atingem 12 m e o tubarão-baleia 18 m,
sendo estes os maiores vertebrados vivos, com exceção das baleias.
As raias são igualmente pequenas, com cerca de 60-90 cm de comprimento, mas a raia-jamanta atinge 5 m de
comprimento e 6 m de envergadura.
Arraia
Caracteristicas
Os tubarões, com o seu corpo fusiforme e aerodinâmico, têm grande interesse biológico, pois apresentam características
anatômicas básicas presentes em embriões de vertebrados superiores.
Esqueleto cartilaginoso
Sem ossos verdadeiros mas compostos por cartilagem resistente e flexível, mais ou menos reforçados por depósitos
calcários, o esqueleto é composto por um crânio ligado a uma coluna vertebral e cinturas peitoral e pélvica. A mandíbula
(não fundida ao crânio) e a maxila estão presentes. A notocorda é persistente nos espaços intervertebrais. Algumas
espécies possuem coluna vertebral rija, em tudo semelhante à dos peixes ósseos. Este tipo de esqueleto apenas suporta
animais com mais de 10 metros de comprimento em meio aquático, cuja densidade é superior à do ar.
Escamas placóides
A pele é rija e está coberta com escamas semelhantes a dentes (são compostas por uma placa de dentina na derme,
revestida por esmalte) com um espinho orientado para trás, bem como numerosas glândulas mucosas. Este
revestimento confere à pele uma textura de lixa, o que torna o animal mais hidrodinâmico. Algumas espécies de raias
apresentam escamas grandes e espinhosas, enquanto outras não apresentam escamas de todo.
Sistema nervoso
Encéfalo distinto e órgãos sensoriais muito desenvolvidos, que lhes permitem localizar presas mesmo quando muito
distantes ou enterradas no lodo do fundo. Estes órgãos incluem:
Narinas: localizadas ventralmente na extremidade arredondada da cabeça, capazes de detectar moléculas dissolvidas
na água em concentrações mínimas;
Ouvidos: com três canais semicirculares dispostos perpendicularmente uns aos outros (funcionando como um órgão de
equilíbrio, portanto, tal como em todos os vertebrados superiores);
Olhos: laterais e sem pálpebras, cuja retina geralmente apenas contém bastonetes (fornecendo uma visão a preto-e-
branco mas bem adaptada á baixa luminosidade);
Linha lateral: um fino sulco ao longo dos flancos contendo muitas pequenas aberturas, contém células nervosas
sensíveis á pressão (algo como um sentido do tacto á distância);
Ampolas de Lorenzini: localizadas na zona ventral da cabeça, são outros canais sensitivos ligados a pequenas
ampolas que contém eletrorreceptores capazes de detectar as correntes elétricas dos músculos de outros organismos;
Sistema digestivo
A boca é ventral com fileiras de dentes revestidos de esmalte (desenvolvidos de escamas placóides). Os dentes estão
implantados na carne e não na mandíbula, sendo substituídos continuamente a partir da parte traseira da boca, à medida
que são perdidos.
A forma dos dentes revela os hábitos
alimentares dos animais, dentes pontiagudos
e serrilhados nos tubarões, que os usam para
agarrar e cortar, e pequenos e em forma de
ladrilho nas raias, que os usam para partir as
carapaças e conchas dos moluscos e
crustáceos de que se alimentam no fundo.
O intestino apresenta válvula em espiral (para
aumentar a área de absorção) e fígado,
grande e muito rico em óleo o que confere
grande flutuabilidade, chegando por vezes a
compor 20% do peso do corpo. No entanto,
em algumas espécies tal não é suficiente,
pois se pararem de nadar afundam-se. O
ânus abre para a cloaca.
Sistema circulatório
Coração com 2 câmaras (aurícula e ventrículo) por onde circula apenas sangue venoso.
Sistema respiratório
As brânquias estão presas à parede de 5 a 7 pares de sacos branquiais, cada um com uma abertura individual em forma
de fenda, abrindo á frente da barbatana peitoral nos tubarões ou na superfície ventral das raias. Nas quimeras apenas
existe uma fenda branquial.
As narinas não comunicam com a cavidade bucal mas com a faringe.
Os sacos branquiais podem contrair-se para expelir a água ou, como acontece na maioria dos tubarões, o animal usa
uma espécie de respiração a jacto, nadando ativamente com a boca e as fendas brânquiais abertas, mantendo um fluxo
constante de água. Por esse motivo, é frequente os tubarões afogarem-se quando presos em redes de pesca perdidas.
Geralmente existe um par de espiráculos atrás dos olhos, em ligação á faringe, que, nas espécies bentônicas, permitem
a entrada de água sem detritos para as brânquias. Não existe bexiga natatória;
Sistema excretor
Rins mesonéfricos
Reprodução
Os tubarões são perseguidos, por pura ignorância ou para a obtenção das suas barbatanas (para sopa e utilização em
poções "afrodisíacas" asiáticas) ou mortos por acidente em redes de arrasto. Atualmente, grande número de espécies
corre sério perigo de extinção.
Com o aumento da população humana e a redução dos cardumes de peixes ósseos, os peixes cartilagíneos têm sido
pescados em grande número. Todos os anos se matam cerca de 100 milhões de tubarões e afins, dos quais cerca de 6
milhões são tubarões azuis, mortos apenas pelas suas barbatanas.
Sendo estes animais fundamentais ao correto "funcionamento" do ecossistema marinho, esta matança deve, em curo
prazo, provocar desequilíbrios muito graves.
As suas características principais incluem um corpo, mais alto que largo e de silhueta oval, o que facilita a deslocação
através da água.
A cabeça estende-se da ponta do focinho á abertura do opérculo, o tronco daí ao ânus, para trás do qual se tem a
cauda. O corpo apresenta uma forte musculatura segmentar – miomeros -, separados por delicados septos conjuntivos.
O esqueleto é formado por ossos verdadeiros, embora algumas espécies possam apresentar ossos cartilagíneos
(esturjão, por exemplo), com numerosas vértebras distintas, embora seja frequente a persistência de notocorda nos
espaços intervertebrais.
O esqueleto apresenta 3 partes principais: coluna vertebral, crânio e raios das barbatanas. Da coluna vertebral
partem as costelas e a cintura peitoral (não existe cintura pélvica, ligando-se essas barbatanas por meio de tendões,
sem ligação á coluna vertebral). Numerosos outros pequenos ossos sustentam os raios das barbatanas.
O crânio é articulado com as maxilas e mandíbulas, ambas bem desenvolvidas, e suporta os arcos branquiais. A
articulação do crânio com a coluna vertebral é tão forte que os peixes não podem virar a cabeça. A cauda é geralmente
homocerca.
A pele cobre todo o corpo e contém inúmeras glândulas mucosas, cuja secreção facilita o deslizar através da água e
protege contra infecções, e está coberta de no tronco e cauda. As escamas podem ser de várias formas, mas são
sempre de origem dérmica. Algumas espécies não apresentem escamas ou estas podem estar revestidas de esmalte.
As escamas são finas, arredondadas e implantadas em fileiras longitudinais e diagonais, imbricadas como as telhas de
um telhado. As extremidades livres das escamas estão cobertas por uma fina camada de pele que protege de parasitas
e doenças. Em algumas espécies, esta camada de pele ajuda a manter a humidade quando o animal está emerso.
Cada escama está fixa numa bolsa dérmica e cresce durante a vida do animal, o que geralmente origina anéis de
crescimento (maiores no verão e muito pequenos no inverno). Estes anéis são mais notórios em peixes de regiões
temperadas. Devido ao padrão de distribuição, forma, estrutura e número das escamas ser quase constante em cada
espécie, esta é uma importante característica sistemática desta classe.
As barbatanas são sustentadas por raios ósseos ou por vezes cartilagíneos. As barbatanas impares incluem duas
dorsais e uma anal, bem como barbatana caudal simétrica. A forma da barbatana caudal condiciona a forma de
deslocação do animal: barbatanas arredondadas aumentam a capacidade de manobra mas geralmente a velocidade é
baixa, enquanto barbatanas bifurcadas ou em forma de foice permitem grandes velocidades. A barbatana dorsal tem
suporte esquelético e varia grandemente de forma, de acordo com os hábitos do animal. As barbatanas pares são as
peitorais, logo atrás do opérculo, e as pélvicas. Cada barbatana tem o seu próprio conjunto de músculos, o que permite
um movimento independente, aumentando a capacidade de manobra.
Ao contrário dos peixes cartilagíneos, e devido à presença de bexiga natatória, os peixes ósseos não necessitam das
barbatanas para se manterem a flutuar, usando-as apenas para manobrar na água.
Sistema nervoso
Inclui um encéfalo distinto e órgãos dos sentidos desenvolvidos, nomeadamente:
Olhos - grandes, laterais e sem pálpebras, provavelmente apenas capazes de focar com precisão objetos
próximos, mas que percebem facilmente movimentos distantes, incluindo acima da superfície da água. A retina contém
cones e bastonetes, o que permite visão a cores na maioria dos casos;
Ouvidos - com três canais semicirculares dispostos perpendicularmente uns aos outros (funcionando como um
órgão de equilíbrio, portanto, tal como em todos os vertebrados superiores), permitem uma audição apurada, até porque
o som se propaga bastante bem dentro de água. Muitos peixes comunicam entre si produzindo sons, seja esfregando
partes do corpo entre si, seja com a bexiga natatória;
Narinas – localizadas na parte dorsal do focinho, comunicam com uma cavidade coberta de células sensíveis a
moléculas dissolvidas na água;
Linha lateral – localizada longitudinalmente ao longo do flanco do animal, é composta por uma fileira de
pequenos poros, em comunicação com um canal abaixo das escamas, onde se encontram mecanorreceptores. A
eficácia deste sistema para detectar movimentos e vibrações por ele causadas na água permite a formação de
cardumes, fundamental como estratégia de defesa destes animais.
Sistema digestivo
Tem a boca grande em posição terminal, rodeada de maxilas e mandíbulas distintas, onde estão implantados dentes
cônicos e finos. Existem outros dentes, localizados nos primeiros arcos branquiais, úteis para prender e triturar o
alimento. Na boca existe ainda uma pequena língua, ligada ao chão da cavidade e que ajuda nos movimentos
respiratórios.
Sistema circulatório
Tem um coração com duas cavidades (aurícula e ventrículo) por onde circula apenas sangue venoso. O sangue é pálido
e escasso, quando comparado com um vertebrado terrestre.
Sistema respiratório
Apresenta tipicamente brânquias em forma de pente, sustentadas por arcos branquiais ósseos ou cartilagíneos e
localizadas no interior de uma câmara comum de cada lado da faringe. Essa câmara está coberta por um opérculo, fino e
de margens livres abaixo e atrás. Os arcos branquiais apresentam expansões que protegem os filamentos brânquiais de
partículas duras e evitam a passagem de alimento pelas fendas branquiais.Nas branquias existe um mecanismo de
contracorrente entre a água e o sangue que as irriga, aumentando a eficiência das trocas gasosas.
Geralmente existe bexiga natatória, um grande saco de paredes finas e irrigadas derivado da zona anterior do intestino,
que ocupa a zona dorsal da cavidade do corpo. Esta cavidade está preenchida com gases (O 2, N2, CO2), atuando como
um órgão hidrostático, ajustando o peso do corpo do peixe consoante a profundidade. O ajuste faz-se por secreção ou
absorção dos gases para o sangue.
A capacidade da bexiga natatória é superior nos peixes de água doce pois esta é menos densa que a salgada, não
podendo sustentar o peixe com a mesma facilidade. A bexiga natatória pode ajudar na respiração (peixes pulmonados)
ou como caixa de ressonância de órgãos dos sentidos ou produção de sons.
Sistema excretor
É formado por rins mesonéfricos.
Sistema reprodutor
Os sexos são separados, apresentando cada indivíduo gônadas geralmente pares. A grande maioria é ovípara com
fecundação externa, embora existam espécies com fecundação interna e hermafroditas.
Algumas espécies passam por mudanças de sexo, com machos que passam a fêmeas aumentando de tamanho e as
fêmeas que se tornam dominantes nos cardumes, ao passarem a machos. Os ovos são pequenos e sem anexos
embrionários mas com quantidade de vitelo muito variável. As espécies de mar alto produzem enormes quantidades de
ovos, pois a maioria não sobrevive, que passam a fazer parte do plâncton, enquanto espécies costeiras os colocam entre
detritos e folhas ou no fundo. Algumas espécies cuidam dos ovos e/ou dos juvenis, guardando os ninhos e mantendo-os
oxigenados com jorros de água. Outros incubam os ovos na boca ou permitem que os jovens lá se recolham quando
ameaçados.
Várias espécies migram grandes distâncias (tanto de água salgada para doce, como algumas espécies de salmões, ou o
inverso, como as enguias) para desovar.
Os peixes ósseos são os únicos que formam cardumes, por vezes com dezenas de milhar de indivíduos. Nos cardumes
os peixes deslocam-se sincronizadamente, como se fossem um só. Cada peixe segue paralelamente ao seu vizinho, a
uma distância de cerce de um comprimento do corpo e mantém a sua posição devido à ação da visão, audição e linha
lateral. A cor prateada da maioria dos peixes que fazem cardumes é fundamental pois ajuda a detectar os movimentos
uns dos outros (uma pequena mudança de direção produz uma grande diferença a nível da luz refletida).
Num cardume os peixes estão mais seguros pois há mais sentidos atentos a um potencial predador e torna-se mais
difícil escolher a presa no meio de tantos corpos em movimento. A vida em grupo também ajuda a encontrar alimento e
parceiros sexuais.
Anfíbios: O início da Conquista do Meio Terrestre
Os anfíbios não são encontrados no ambiente marinho, apenas na água doce e em ambiente terrestre. O nome do
grupo, anfíbios (do grego, amphi - dos dois lados + bios = vida), foi dado em razão da maioria de seus representantes
possuírem a fase larval aquática e de respiração branquial (lembre-se dos girinos) e uma fase adulta, de respiração
pulmonar e cutânea, que habita o meio terrestre úmido. São heterotermos, como os peixes.
Salamandra
Perereca
Trocas gasosas
Os anfíbios adultos precisam viver perto da umidade: sua pele é fina e pobremente queratinizada, muito sujeita à perda
de água. Uma delgada epiderme, dotada de inúmeras glândulas mucosas, torna a pele úmida e lubrificada, constituindo-
se de um importante órgão respiratório.
Nos sapos, os pulmões são extremamente simples, equivalem a dois "sacos" de pequeno volume e de pequena
superfície de trocas gasosas. Essa característica é que aumenta a importância da pele como órgão respiratório.
A circulação
O coração apresenta três cavidades: dois átrios (um direito e um esquerdo) e um ventrículo. O sangue venoso, pobre
em O2, vindo dos pulmões, penetra no átrio esquerdo. Os dois tipos de sangue passam para o único ventrículo onde se
misturam, ainda que parcialmente. Do ventrículo, o sangue é bombeado para um tronco arterial (conjunto de vasos) que
distribui sangue para a cabeça, tronco e pulmões.
A circulação é dupla e incompleta: dupla, porque o sangue passa duas vezes pelo coração a cada ciclo de circulação,
incompleta, porque o ventrículo é único e nele o sangue arterial e venoso se misturam.
A reprodução
Nos sapos, rãs e pererecas, os sexos são separados. A fecundação é externa, em meio aquático. As fecundações vão
ocorrendo, e cada ovo possui uma membrana transparente que contém, no seu interior, um embrião em
desenvolvimento que consome, para a sua sobrevivência, alimento rico em reservas originadas do óvulo.
Após certo tempo de desenvolvimento, de cada ovo emerge uma larva sem patas, o girino, contendo cauda e brânquias.
Após certo tempo de vida na água, inicia-se uma série de modificações no girino, que prenunciam a fase adulta. A
metamorfose consiste na reabsorção da cauda e das brânquias e no desenvolvimento dos pulmões e das quatro patas.
Répteis
Primeiros Vertebrados Bem-Sucedidos no Meio Terrestre
Os répteis foram os primeiros vertebrados a conquistar, com sucesso e definitivamente, o ambiente terrestre. Isto porque
desenvolveram algumas características adaptativas, tais como: presença de casca calcária envolvendo o ovo e pele
impermeável, seca, sem glândulas, revestida por escamas epidérmicas (nas cobras e lagartos), por placas
córneas (nos crocodilos e jacarés) ou ainda por placas ósseas (nas tartarugas), formando uma carapaça que protege o
animal contra a desidratação.
A impermeabilização da pele ocorreu graças à intensa produção de uma molécula protéica, a queratina, a grande
novidade bioquímica produzida em grande quantidade pela epiderme dos répteis, fato que se repetirá também nas aves
e nos mamíferos. Na verdade, na pele dos anfíbios, essa molécula já existe, só que em pequeníssima quantidade, sendo
incapaz de tornar a pele impermeável à água e aos gases da respiração.
Essa adaptação permitiu aos répteis a economia de água, possibilitando a vida em habitat dos mais diversos, inclusive
desérticos. Por outro lado, a falta de umidade da pele e a riqueza em queratina impedem as trocas gasosas que, assim,
passam a ser executadas exclusivamente por pulmões.
Os pulmões têm maior superfície relativa e são mais eficientes que os anfíbios, dispensando a pele da função
respiratória. A entrada e saída do ar é também mais eficiente, devido ao auxílio dos músculos das costelas.
Até mesmo a excreção dos répteis está adaptada á mínima perda de água possível. O produto de excreção nitrogenado
é o ácido úrico, eliminado pela cloaca, juntamente com as fezes, na forma de uma pasta semi-sólida.
Os répteis foram os primeiros vertebrados a conquistar, com sucesso e definitivamente, o ambiente terrestre. Isto porque
desenvolveram algumas características adaptativas, tais como: presença de casca calcária envolvendo o ovo e pele
impermeável, seca, sem glândulas, revestida por escamas epidérmicas (nas cobras e lagartos), por placas
córneas (nos crocodilos e jacarés) ou ainda por placas ósseas (nas tartarugas), formando uma carapaça que protege o
animal contra a desidratação.
A impermeabilização da pele ocorreu graças à intensa produção de uma molécula protéica, a queratina, a grande
novidade bioquímica produzida em grande quantidade pela epiderme dos répteis, fato que se repetirá também nas aves
e nos mamíferos. Na verdade, na pele dos anfíbios, essa molécula já existe, só que em pequeníssima quantidade, sendo
incapaz de tornar a pele impermeável à água e aos gases da respiração.
Essa adaptação permitiu aos répteis a economia de água, possibilitando a vida em habitat dos mais diversos, inclusive
desérticos. Por outro lado, a falta de umidade da pele e a riqueza em queratina impedem as trocas gasosas que, assim,
passam a ser executadas exclusivamente por pulmões.
Os pulmões têm maior superfície relativa e são mais eficientes que os anfíbios, dispensando a pele da função
respiratória. A entrada e saída do ar é também mais eficiente, devido ao auxílio dos músculos das costelas.
Até mesmo a excreção dos répteis está adaptada á mínima perda de água possível. O produto de excreção nitrogenado
é o ácido úrico, eliminado pela cloaca, juntamente com as fezes, na forma de uma pasta semi-sólida.
Reprodução
Outra adaptação importante à vida no ambiente terrestre é fecundação interna, independente da água, na qual os
gametas (óvulos e espermatozóides) ficam protegidos das influências do meio externo. As fêmeas são geralmente
ovíparas, isto é, quando fecundadas põem ovos e os embriões se desenvolvem dentro deles, portanto fora do corpo
materno.
Aderido à membrana da casca, encontra-se mais um anexo embrionário, o cório, sob a forma de uma membrana
ricamente vascularizada, que garante as trocas gasosas respiratórias com o sangue que encaminha o oxigênio para as
células embrionárias.
Não há fase larval. Terminando o desenvolvimento, o jovem indivíduo, com mas características do adulto, quebra a
casca e sai do ovo.
Alguns lagartos e cobras peçonhentas podem ser ovovivíparos (o ovo é posto pela fêmea depois de permanecer
durante um certo tempo do desenvolvimento do embrião dentro do corpo da mãe) ou vivíparos (o desenvolvimento do
embrião ocorre totalmente dentro do organismo da fêmea).
Esqueleto
O nome répteis deriva do modo de locomoção: as quatro patas (ausentes nas cobras) situam-se no mesmo plano do
corpo, determinando o rastejamento do ventre no solo (do latim reptare = rastejar). Para a realização desses
movimentos, apresentam músculos bem desenvolvidos. O esqueleto dos répteis é totalmente ósseo. A Terra já
conheceu formas gigantescas desses animais, como os dinossauros, que povoaram e dominaram nosso planeta durante
anos, como indiscutível superioridade.
Digestão
Alguns desses vertebrados apresentam dentes (cobras, crocodilos e
jacarés), sendo que certas cobras têm presas inoculadoras de veneno.
Associadas à presença de glândulas salivares modificadas em glândulas de
veneno, essas presas caracterizam o que chamamos de cobras
peçonhentas. Se não possuírem os dentes inoculadores, mesmo tendo
glândulas de veneno na boca são conhecidas como não-peçonhentas. As
cobras são predadoras e ingerem suas presas inteiras, sem usar os dentes
na mastigação. O aparelho digestivo é completo, terminando em cloaca.
A figura ao lado mostra as glândulas de veneno presentes nas cobras peçonhentas.
Circulação
Como nos anfíbios, o coração dos répteis apresenta três cavidades: um átrio ou aurículas e um ventrículo. O
coração dos répteis crocodilianos apresenta quatro cavidades: dois átrios e dois ventrículos (como o das aves e dos
mamíferos). No entanto, mesmo nos crocodilianos observa-se mistura dos tipos de sangue (venoso e arterial) que
passam pelo coração, embora em proporção menor do que nos anfíbios.
Assim, podemos considerar a circulação dos répteis dupla e incompleta. Em função disso, os animais desse grupo são
pecilodérmicos, isto é, adaptam a temperatura do corpo a temperatura do ambiente.
No ambiente terrestre, as variações de temperatura são maiores do que no ambiente aquático. Para manter a
temperatura do corpo próximo à do ambiente, os répteis costumam recorrer a fontes externas de calor, como o sol ou a
superfície quente de uma rocha. É comum ver répteis expostos ao sol durante o dia. O termo “lagartear” é aplicado às
pessoa que preguiçosamente se deitam ao sol, a maneira dos lagartos.
Quando os répteis sentem-se muito aquecidos, geralmente procuram locais de sombra. Com esse comportamento
mantêm a temperatura do corpo praticamente constante, em torno dos 37ºC.
Muitas espécies de cobras e lagartos são úteis
ao ser humano, pois caçam roedores e outros
animais que prejudicam a agricultura e causam
doenças ao homem. Entre as cobras, porém, há
espécies cujo veneno pode ser fatal, causando
a morte de um grande número de pessoas a
cada ano.
No Brasil, as cobras venenosas podem ser
reconhecidas, geralmente, pela presença de um
pequeno orifício situado entre a narina e a boca:
a fosseta loreal, um órgão sensorial sensível
ao calor. Com ele estas cobras detectam a
presença de animais de “sangue quente” (aves
e mamíferos), suas presas preferidas. A fosseta
Fosseta Loreal - oríficio a frente do olho loreal está ausente na coral-verdadeira, apesar
de ser venenosa.
Veja na tabela a seguir outras características utilizadas para diferenciar uma cobra venenosa de uma não-venenosa
Características Não-peçonhenta Peçonhenta
Cauda Longa (afina lentamente) Curta (afina abruptamente)
Cabeça Arredondada Triangular achatada
Olhos Com pupilas arredondadas Com pupilas em fenda vertical
Escamas da cabeça Grandes Pequenas
Escamas do corpo Lisas Com nervuras
Fosseta Loreal Ausente Presente
Os critérios utilizados para a diferenciação entre os dois tipos de cobras apresentam exceções, por isso não devem ser
seguidos à risca. Por exemplo: a cobra coral-verdadeira é peçonhenta, no entanto, não apresenta fosseta loreal e tem
cabeça arredondada.
Aves - vertebrados homeotermos com corpo coberto por penas
As aves (latim científico: Aves) constituem uma classe de animais vertebrados, tetrápodes, endotérmicos, ovíparos,
caracterizados principalmente por possuírem penas, apêndices locomotores anteriores modificados em asas, bico
córneo e ossos pneumáticos. São reconhecidas aproximadamente 9.000 espécies de aves no mundo.
As aves conquistaram o meio terrestre de modo muito mais eficiente
que os répteis. A principal característica que permitiu essa conquista
foi, sem dúvida, a homeotermia, a capacidade de manter a
temperatura corporal relativamente constante à custa de uma alta
taxa metabólica gerada pela intensa combustão de alimento
energético nas células.
1. Endotermia
2. Desenvolvimento das penas
3. Aquisição de ossos pneumáticos
4. Perda, atrofia ou fusão de ossos e órgãos
5. Aquisição de um sistema de sacos aéreos.
6. Postura de ovos
7. Presença de quilha, expansão do osso esterno, na qual se prendem os músculos que movimentam as asas
8. Ausência de bexiga urinária
As penas, consideradas como diagnóstico
das aves atuais, estão presentes em outros
grupos de dinossauros, entre eles o próprio
Tyrannosaurus rex. Estudos apontam que a
origem das penas se deu a partir de
modificações das escamas dos répteis,
tornando-se cada vez mais diferenciadas,
complexas e, posteriormente, vieram a
possibilitar os vôos planado e batido.
Acredita-se que as penas teriam sido
preservados na evolução por seu valor
adaptativo, ao auxiliar no controle térmico
dos dinossauros – uma hipótese que aponta
para o surgimento da endotermia já em
grupos mais basais de Dinosauria (com
relação às aves) e paralelamente com a
aquisição da mesma característica por
répteis Sinapsida, que deram origem aos
mamíferos.
Mamíferos
As aves e os mamíferos são os únicos homeotermos da Terra atual e os únicos a apresentar glândulas mamárias. A
capacidade de manter a temperatura do corpo elevada e constante foi o principal fator adaptativo dos representantes
desse grupo à praticamente qualquer ambiente terrestre.
Muitos mamíferos voltaram para o meio aquático (baleias, foca, golfinho, peixe-boi) e outros adaptaram-se ao vôo
(morcego) e compartilham o meio aéreo com as aves e os insetos.
glândulas mamárias produtoras de leite com substâncias nutritivas para alimentação dos recém-nascidos;
corpo coberto por pêlos, estruturas de origem epidérmica, ricas em queratina, e elaboradas por folículos
pilosos;
artéria aorta voltada para o lado esquerdo do coração (nas aves, a aorta é voltada para o lado direito do
coração);
pele contendo glândulas sebáceas, cuja secreção oleosa lubrifica os pelos e a própria pele, e glândulas
sudoríparas, produtoras de suor (na verdade, um filtro de água, sais e uréias), recurso de manutenção da
homeotermia e via de eliminação de excretas. Ambas as glândulas têm origem epidérmica;
músculo diafragma, localizado entre o tórax e o abdômen, utilizado na ventilação pulmonar;
placenta, órgão que regula as trocas de alimento entre o sangue materno e o sangue fetal, presente na maioria
dos mamíferos chamados placentários.
Feto humano e de golfinho envoltos pela placenta
Respiração, excreção e circulação em mamíferos
Sistema nervoso
monotremados. São mamíferos primitivos cuja boca possui bico córneo e que se reproduzem por meio da
postura de ovos. Os representantes atuais, os ornitorrincos e as equidnas restringem-se à região australiana
(Austrália e Nova Guiné);
Ornitorrinco
marsupiais. Esse grupo inclui representantes da fauna australiana, como os cangurus e os coalas, e
representantes norte-americanos e sul-americanos, como os nossos gambás e cuícas. Após curta fase de
desenvolvimento em uma dobra da pele do abdômen da mãe, com aspecto de bolsa, o marsúpio;
placentários. Inclui a maioria dos mamíferos, separados em ordens como a dos carnívoros, roedores,
ungulados, cetáceos, quirópteros e a dos primatas, à qual pertence a espécie humana. Nesses animais, útero e
placenta são bem desenvolvidos, o que permite o desenvolvimento no interior do organismo materno.