Neuroanatomia 1.
Medula Espinhal
1. Medula Espinhal
Embriogénese
O SNC é formado por dois segmentos:
Um superior: o encéfalo, contido na cavidade craniana.
Outro inferior: a medula espinhal, contida no canal raquidiano
– Ambos têm origem na mesma estrutura embrionária: o tubo neural.
– O tubo neural surge a partir de um espessamento da ectoderme,
localizado na face dorsal do embrião chamada placa neural.
– No decorrer do desenvolvimento, ocorre uma invaginação da placa
neural, dando origem ao sulco neural.
– As extremidades deste aproximam-se e unem-se formando o tubo neural,
que mais tarde se separa da ectoderme.
– No tubo neural podemos distinguir:
Duas paredes laterais, espessas, divididas pelo sulcus limitans em duas
porções: uma basal e outra alar. A substância cinzenta da porção
basal é motora, enquanto a da alar é sensitiva. A zona intermédia,
que responde ao sulcus limitans dá origem aos centros vegetativos.
Uma parede dorsal: denominada lâmina dorsal
Uma parede ventral: denominada lâmina ventral
Um lúmen central: o canal central
– A parede do tubo neural, forma na sua extremidade anterior ou cefálica,
três circunvoluções, que se denominam de vesículas encefálicas
primitivas:
Uma anterior – Prosencéfalo, que dá origem ao Telencéfalo (que por
sua vez está na origem dos hemisférios cerebrais) e ao Diencéfalo
(dá origem ao tálamo, hipotálamo).
Uma média – Mesencéfalo, que origina os pedúnculos cerebelosos e
a lâmina quadrigémea.
Uma posterior – Rombencéfalo, que origina a Metencéfalo (que por
sua vez origina a ponte de Varólio / protuberância e o cerebelo) e
ao Mielencéfalo (que origina o bulbo).
Telencéfalo (Hemisf. Cerebrais)
Diencéfalo (Tálamo+Hipotál.)
Anterior: Prosencéfalo
Vesículas Ped. Cerebelosos e Lâmina
Média: Mesencéfalo Quadrigémia
Cerebrais
Posterior: Rombencéfalo Mielencéfalo (Bulbo)
Metencéfalo (Ponte+Cerebelo)
A medula espinhal provem do resto do tubo neural situado posteriormente às
vesículas encefálicas primitivas.
1
Neuroanatomia 1. Medula Espinhal
Introdução
Limites
Superior Plano horizontal tagente ao bordo superior do arco posterior do atlas e a
meio do arco anterior deste osso.
O nível de decussação das pirâmides marca a transição do bulbo
para a medula;
Inferior até ao 4º mês Base do cóccix
adulto bordo inferior de L1
Falsa ascensão da medula (esta ocorre devido ao rápido crescimento da coluna
vertebral comparativamente ao crescimento da medula espinhal);
Relações
Está envolvida por 3 meninges que são, da superfície para a profundidade:
Dura-máter
- envolve a medula espinhal e a cauda equina (até S2);
- continua-se com a dura-máter do encéfalo;
- está separada das paredes do canal raquidiano pelo espaço
epidural/extradural, preenchido com: tecido adiposo e plexo intra-
raquidiano;
- internamente está separada da aracnoideia pelo espaço sub-dural.
Aracnoideia
- membrana impermeável entre a dura-máter e a pia-máter;
- continua-se em cima com a aracnoideia do encéfalo;
- separada da pia-máter pelo espaço sub-aracnoideu (com LCR)
Pia-Máter
- aplicada directamente sobre a medula espinhal;
- espessa-se em ambos os lados entre as raízes nervosas, para formar o
ligamento dentado, que adere à aracnoideia e à dura-máter – é por
este meio que a medula fica suspensa no meio da bainha dural
Meios de União
- ligamento dentado;
- filum terminale;
- raízes dos nervos raquidianos.
Funções
Função Condutora – é através da medula que as mensagens são transmitidas
dos receptores ao cérebro e do cérebro aos efectores (músculos e glândulas).
Função Coordenadora – centro de todas as actividades reflexas
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Neuroanatomia 1. Medula Espinhal
Configuração Externa
– A medula espinhal é uma coluna irregularmente cilíndrica, que apresenta
duas dilatações (relacionadas com maior quantidade de substância
cinzenta, deivo ao elevado número de músculos enervados a este nivel):
superior ou cervical, relacionada com plexo braquial (C4 a T1)
inferior ou lombar, relacionada com o plexo lombo-sagrado (T10 a L1)
– Inferiormente existe um estreitamento de forma cónica, de
vértice inferior: o cone terminal ou medular.
– A este segue-se um segmento rudimentar da medula - o filum
terminale - que se estende até à face posterior do cóccix, onde se insere.
– Como a medula está contida no interior do canal raquidiano
não é rectilínea, apresentando as mesmas curvaturas que este.
– Apresenta igualmente as mesmas dimensões (≈45cm). ~
– Tem cor esbranquiçada
– É ligeiramente achatada da frente para trás.
– Apresenta 6 sulcos:
1 sulco mediano Face anterior
anterior
1 sulco mediano Face posterior; responde ao bordo posterior do septo
posterior dorsal mediano
2 sulcos colaterais Não visíveis
anteriores Emergência das raízes anteriores ou motoras dos nervos
raquidianos
paralelos ao sulco mediano anterior.
2 sulcos colaterais Não visíveis
posteriores Emergência das raízes posteriores ou sensitivas dos nervos
raquidianos
paralelos ao sulco mediano posterior;
Sulco intermediário Existente no segmento cervical, divide a coluna posterior
posterior em duas porções: a interna ou coluna gracile e outra
externa ou coluna cuneiforme
Nota: Os nervos espinhais (não confundir com nervo espinhal- XI par craniano), são 31
pares. Cada nervo tem duas raízes: uma posterior ou sensitiva e outra anterior ou
motora, com linha de implantação no sulco respectivo.
Estes sulcos delimitam, estruturas longitudinais pares: os cordões ou colunas,
que se distinguem em:
Anterior: entre o sulco mediano anterior e o sulco colateral anterior
Lateral: entre o sulco colateral anterior e o sulco colateral posterior
Posterior: entre o sulco colateral posterior e o sulco mediano
posterior
Configuração Interior
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Neuroanatomia 1. Medula Espinhal
– A medula espinhal é constituida por uma porção central de substância
cinzenta e uma parte periférica de substância branca.
– Um corte transversal da medula mostra sobre a linha média o sulco
mediano anterior e o sulco mediano posterior – este último é muito
superficial e continua-se para o interior da substância cinzenta com o
septo mediano posterior.
– O septo e o sulco mediano anterior dividem a medula em duas metades
que apenas se unem no centro, através da Comissura.
– No centro da comissura encontra-se o Canal Ependimário ou Central. Por
sua vez, este canal divide a comissura cinzenta em comissura cinzenta
anterior e comissura cinzenta posterior (correspondem à parte da
comissura cinzenta situada anterior ou posteriormente em relação ao
canal ependimário, respectivamente).
O Canal Ependimário ou Canal Central:
– Contém líquido cefalo-raquidiano;
– Abre-se em cima no 4º ventrículo (cavidade localizada entre a face
posterior do bulbo raquidiano e da protuberância e o cerebelo);
– É fechado em baixo pelo ventrículo terminal, que se situa na extremidade
inferior do cone terminal.
– Perto do canal ependimário a substância cinzenta apresenta uma
transparência – Substância Gelatinosa Central.
A importância de substância branca e cinzenta varia consoante as regiões da
medula espinhal
Nível
Cervical equilíbrio entre substância cinzenta e branca;
Dorsal substância cinzenta pouco desenvolvida, predominando a
substância branca;
Lombar substância cinzenta desenvolvida, sendo a substância branca
muito importante;
Sagrado substância cinzenta desenvolvida, existido pouca substância
branca.
Substância Cinzenta
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Neuroanatomia 1. Medula Espinhal
– É formada pelos corpos celulares, dendrites dos neurónios, neuroglia e
vasos sanguíneos.
– Forma um “H”, com:
2 cornos anteriores ou motores
– são mais volumosos
– apresenta uma porção anterior (cabeça) e porção posterior (base)
– constituídos por corpos celulares de neurónios motores;
– o corno anterior está separado da superfície medular por uma
camada de substância branca espessa.
2 cornos posteriores ou sensitivos
– apresenta uma porção anterior (base), intermediária (colo) e posterior
(cabeça)
– constituídos por corpos celulares de células sensitivas;
– o corno posterior está separado da superfície medular por uma fina
camada de substância branca correspondente à zona de entrada
das raízes posteriores – Zona Marginal de Lissauer;
– a extremidade do corno posterior é constituída pela substância
gelatinosa de Rolando;
– a camada superficial que delimita atrás a substância gelatinosa de
Rolando é designada de Camada Zonal de Waldeiyer.
2 cornos laterais:
– existentes apenas nos segmentos torácicos e nos primeiros segmentos
lombares (T1 a L2 ou L3).
– os prolongamentos anastomosam-se entre si, constituindo a formação
reticular.
As células nervosas são organizadas em grupos:
1. Grupos ou colunas do corno cinzento anterior (zona somato-motora)
– As células são aferentes e enervam os músculos esqueléticos
– 3 grupos celulares: interno, central e externo. O grupo central possui
nervos que constituem grupos distintos.
Grupos Segmentos Enervação
Interno Maioria dos M. abdominais e intercostais
segmentos M. do tronco e pescoço
da medula
Central Alguns Núcleo frénico Diafragma
segmentos (segmentos C3, C4, C5)
cervicias e Núcleo acessório Esternocleidomastoideu e
lombo- (segmentos C1 a C5/C6) trapézio
sagrados Núcleo Lombo-Sagrado Função desconhecida
(segmentos L2 até S1)
Externo Cervical e M. dos membros
lombar
2. Grupos ou colunas do corno cinzento posterior (zona somato – sensível):
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Neuroanatomia 1. Medula Espinhal
Existem 4 grupos:
2 estendem-se por toda a medula espinhal;
2 ficam restritos aos segmentos torácico e lombar.
Ao longo de toda a medula:
2.1. Grupo da substância gelatinosa de Rolando:
estendem-se por toda a medula;
situado no vértice do corno posterior;
recebe fibras aferentes relacionadas com:
- dor e temperatura (via da sensibilidade termo-álgica);
- tacto (via da sensibilidade táctil);
recebe sinais provenientes das fibras descendentes dos níveis
supramedulares.
2.2. Núcleo Proprius:
estende-se ao longo de toda a medula;
situado à frente da substância gelatinosa de Rolando;
recebe fibras do cordão branco posterior relacionadas com:
- sentido de posição / movimento (via da sensibilidade
proprioceptiva);
- descriminação de 2 pontos;
- vibração.
Apenas nos segmentos torácico e lombar:
2.3. Núcleo Dorsalis ou Coluna de Clark:
estende-se de C8 até L3 ou L4;
situado na base do corno posterior;
tem células relacionadas com terminações proprioceptivas.
2.4. Núcleo Aferente Visceral ou Coluna de Betcherew
estende-se de D1 até L3;
situado ao lado do núcleo dorsalis;
tem células relacionadas com a recepção de informação
visceral (via da sensibilidade visceral).
3. Grupos ou colunas do corno cinzento lateral
(Estes centros existem apenas nos segmentos torácicos e lombo-sagrados)
de D1 até L2 ou L3 é constituído pelo Grupo Intermédio Lateral onde
têm origem fibras simpáticas pré-ganglionares;
de S2 a S4 existe um grupo semelhante, onde têm origem fibras pré-
ganglionares parassimpáticas.
4. Comissura cinzenta
Podemos dividi-la em três territórios funcionais:
Um anterior, motor, relacionado com os cornos anteriores
Um posterior, sensitivo, relacionado com os cornos posteriores
Um central, vegetativo.
Substância Branca
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Neuroanatomia 1. Medula Espinhal
Estrutura:
– Ocupa uma posição periférica, envolvendo a substância cinzenta.
– É formada por axónios (revestidos de mielina, o que lhes confere a cor
branca), neuroglia e vasos sanguíneos.
– Está repartida por 6 cordões (aparecem exteriormente e estendem-se em
profundidade até à substância cinzenta):
2 cordões anteriores: entre o sulco mediano anterior e o
ponto de emergência das raízes anteriores ou motoras dos nervos
raquidianos;
2 cordões laterais: entre a emergência das raízes anteriores
ou motoras e a entrada das raízes posteriores ou sensitivas;
2 cordões posteriores: entre as entradas das raízes
posteriores e o sulco mediano posterior (que se prolonga com o
septo)
Feixes
– As fibras nervosas da substâncias branca podem classificar-se em 3
grupos:
Fibras radiculares – divididas em raízes anteriores (motoras) e
posteriores (sensitivas).
Fibras de associação – nunca saem da medula (localizam-se entre
os 31 mielómeros).
Fibras de projecção – ligam a medula aos centros superiores.
– As fibras nervosas organizam-se em feixes consoante o tipo de informação
que transportam:
Ascendentes ou sensitivas;
Descendentes ou motoras;
Intersegmentares.
Circuito nervoso típico:
o Estímulo da periferia (receptores);
o Raízes medulares posteriores (ou sensitivas);
o Vias ascendentes;
o Encéfalo;
o Resposta motora;
o Vias descendentes;
o Raízes medulares anteriores (ou motoras);
o Músculos/Glândulas (efectores).
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Neuroanatomia 1. Medula Espinhal
1. Feixes ascendentes ou sensitivos
– As fibras nervosas sensoriais entram na medula com diferentes calibres e
funções.
– São, então, separadas e segregadas em feixes nervosos, na substância
branca.
– Algumas dessas fibras estabelecem a conexão entre diferentes níveis da
medula.
– Outras ascendem desde a medula até aos centros superiores, fazendo a
comunicação entre a medula e o encéfalo – feixes ascendentes ou
sensitivos.
– Estes feixes conduzem informações aferentes que podem ou não tornar-se
conscientes:
Informações exteroceptivas – que têm origem fora do corpo (dor,
temperatura, tacto, etc.).
Informações proprioceptivas – que têm origem no interior do
corpo (estado de contracção muscular, atitudes posturais, etc.).
Cordão Branco Anterior
1. Feixe espinho-talâmico anterior
Localização: internamente às raízes anteriores dos nervos
raquidianos; profundamente em relação ao feixe vestíbulo-
espinhal e olivo-espinhal (feixes descendentes).
Função: transmissão de sensibilidade leve (grosseira) do tacto e da
pressão.
Cordão Branco Lateral
2. Feixe espinho-cerebeloso posterior (Feixe de Flechsig)
Localização: na periferia do cordão lateral; inexistente nas regiões
lombar e sagrada.
Função: transmissão de informação proprioceptiva e contribuições
adicionais dos receptores do tacto e da pressão. Esta informação
permite ao cerebelo participar no controlo do movimento
voluntário. Também é responsável pela ascensão de informação
inconsciente proveniente da pele, tecidos subcutâneos, músculos
e articulações.
3. Feixe espinho-cerebeloso anterior (Feixe de Gowers)
Localização: na periferia do cordão lateral, anteriormente ao feixe
espinho-cerebeloso posterior.
Função: transmissão de informação proprioceptiva e dos
receptores do tacto e pressão, o que permite ao cerebelo
participar no controlo dos movimentos voluntários.
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Neuroanatomia 1. Medula Espinhal
4. Feixe espinho-talâmico lateral
Localização: profundamente em relação aos feixes espinho-
cerebelosos posterior e anterior.
Função: transmissão de informação relacionada com a
sensibilidade termo-álgica (sensibilidade da temperatura e da dor).
5. Feixe espinho-tectal
Localização: entre os feixes espinho-talâmicos anterior e lateral.
Função: transmissão dos reflexos espinho-visuais; informações
álgica, táctil e térmica passam para o cubículo superior do
mesencéfalo através deste feixe para o propósito dos reflexos
espinho-visuais.
6. Feixe póstero-lateral (Feixe de Lissauer)
Localização: entre o corno posterior e a superfície da medula
próxima das raízes raquidianas posteriores (zona marginal de
Lissauer).
7. Feixe espinho-reticular
Localização: entre as fibras do feixe espinho-talâmico lateral.
Função: fornece uma via proveniente dos músculos, articulações e
pele para a formação reticular.
8. Feixe espinho-olivar
Localização: na junção dos cordões brancos anterior e lateral.
Função: transmissão de informação vinda dos órgãos cutâneos e
proprioceptivos; fornece uma via indirecta para mais informação
aferente atingir o cerebelo.
Cordão Branco Posterior
9. Feixe Gracilis (Feixe de Goll)
Localização: internamente.
10. Feixe Cuneatus (Feixe de Burdach)
Localização: externamente; só é visível nos segmentos cervicais.
Separados por um septo;
Função: enviam informação da sensibilidade proprioceptiva,
sentido de vibração e discriminação táctil (fina) ao cerebelo.
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Neuroanatomia 1. Medula Espinhal
2. Feixes descendentes ou motores
Neurónios motores superiores:
o São constantemente bombardeados por impulsos nervosos que descem
do bulbo, da ponte, do mesencéfalo e do córtex cerebral, bem como
pelos que entram na medula espinhal pelas fibras sensoriais das raízes
posteriores.
o Estes neurónios supra-espinhais formam numerosas vias distintas,
capazes de influenciar a actividade motora – feixes descendentes ou
motores.
Neurónios motores inferiores:
o Constituem a via final comum para os músculos.
o Localizam-se nas colunas cinzentas anteriores da medula espinhal,
emitem axónios que vão enervar os músculos esqueléticos por meio das
raízes anteriores dos nervos raquidianos.
Cordão Branco Anterior
1. Feixe cortico-espinhal anterior (Feixe piramidal directo)
Localização: ao longo do sulco mediano anterior; existente,
apenas, na região cervical e na metade superior da região
torácica.
Função: via importante da motilidade voluntária, discreta e skilled,
especialmente das porções distais dos membros.
2. Feixe vestíbulo-espinhal
Localização: na periferia do cordão branco anterior.
Função: acção sobre neurónios motores dos cornos cinzentos
anteriores; transmissão de informação relacionada com o controlo
do equilíbrio; inibição da actividade dos músculos flexores,
facilitando a actividade dos músculos extensores.
3. Feixe tecto-espinhal
Localização: internamente ao feixe vestíbulo-espinhal.
Função: faz parte do arco reflexo que faz rodar a cabeça ou
movimentar os membros superiores em resposta a um estímulo
visual; relacionado com o reflexo pupilar de dilatação em resposta
à escuridão.
4. Fibras retículo-espinhais
Localização: dispersas ao longo do cordão branco interior.
Função: facilitam/inibem o movimento voluntário e a actividade
reflexa (função motora).
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Neuroanatomia 1. Medula Espinhal
Cordão Branco Lateral
5. Feixe cortico-espinhal lateral (Feixe piramidal cruzado)
Localização: junto à face externa do corno posterior; internamente
ao feixe espinho-cerebeloso posterior.
Função: importante via motora relacionada com o movimento
voluntário.
6. Feixe rubro-espinhal
Localização: ântero-internamente ao feixe cortico-espinhal lateral.
Função: condução de impulsos relacionados com a actividade
muscular; inibição da actividade dos músculos extensores,
facilitando a actividade dos músculos flexores.
7. Feixe reticulo-espinhal lateral
Localização: desconhecida.
Função: julga-se que desempenha um papel importante na
actividade muscular.
8. Feixes vegetativos descendentes
Localização: não muito definida.
Função: controlo das funções viscerais.
9. Feixe olivo-espinhal
Localização: externamente às raízes anteriores dos nervos
raquidianos; há dúvidas sobre a existência individual deste feixe;
apenas presente nos segmentos cervicais superiores.
Função: não muito definida, mas pensa-se que participa no
controlo da actividade muscular.
Cordão Branco Posterior
As informações acerca destes feixes ainda são pouco significativas.
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Neuroanatomia 1. Medula Espinhal
3. Vias intersegmentares
Estabelecem a ligação entre neurónios de diferentes níveis
segmentares.
Localizam-se nos cordões brancos anteriores, laterais e posteriores.
Dividem-se em vias intersegmentares curtas e longas.
Vias intersegmentares curtas
São os feixes intersegmentares curtos, ascendentes ou descendentes.
O feixe fundamental localiza-se nos cordões laterais e anteriores e está
situado muito próximo da substância cinzenta.
Vias intersegmentares longas
São as mais longas.
Localizam-se no cordão posterior, sendo umas ascendentes e outras
descendentes:
o Ascendentes – situam-se na zona corno-comissural de Pierre-Marie (junto
da porção posterior da substância cinzenta).
o Descendentes – situam-se a diferentes níveis e formam 4 feixes:
1. Feixe em vírgula de Schultze – no centro dos cordões posteriores
da medula cervical.
2. Fita Periférica de Hoche – na superfície do cordão posterior da
medula dorsal.
3. Feixe oval de Flechsig – sobre o septo médio posterior da medula
lombar.
4. Fita Triangular de Gombault e Philippe – no sulco mediano
posterior da medula sagrada.
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Neuroanatomia 1. Medula Espinhal
Vasos da Medula Espinhal
Artérias
A irrigação arterial da medula espinhal provém de uma rede perimedular
formada por ramos transversais fornecidos pelas seguintes artérias:
1. Artérias espinhais anteriores (2)
ramos das artérias vertebrais (direita e esquerda), dentro do crânio;
da sua origem dirigem-se para baixo e para dentro,
anastomosando-se com a contralateral – forma-se assim o tronco
espinhal anterior, que percorre o sulco mediano anterior;
fornece ao longo do seu trajecto ramos transversais e perfurantes
que irrigam a metade anterior da medula.
2. Artérias espinhais posteriores:
podem nascer das artérias cerebelosas postero-inferiores ou
directamente das artérias vertebrais;
dirigem-se para baixo ao longo da medula (próximo dos sulcos
colaterais posteriores), dividindo-se em 2 ramos:
anterior: passa à frente da raiz posterior dos nervos
raquidianos;
posterior: passa atrás da raiz posterior dos nervos raquidianos.
3. Artérias segmentares/espinhais laterais:
ramos das artérias vertebrais, intercostais, lombares e sagradas
laterais;
penetram na coluna vertebral pelos buracos de conjugação;
dividem-se em ramos:
anteriores: acompanham o ramo anterior do nervo
raquidiano;
posteriores: acompanham o ramo posterior do nervo
raquidiano.
uma destas artérias apresenta um desenvolvimento significativo:
Artéria de Adamkiewicz ou Artéria Radicular Magna. Esta artéria pode
também nascer directamente da Aorta, ao nível de D8 (mais frequente)
ou D12, somente do lado esquerdo. Esta artéria é a responsável pela
irrigação dos 2/3 inferiores da medula. Deste modo, o seu sacrifício
implica alterações nas funções vegetativas (não controlo dos
esfíncteres), motoras (paraplegia) e sensitivas (perda de sensibilidade).
Veias
A drenagem venosa é feita para:
6 canais longitudinais tortuosos, que comunicam superiormente no
crânio com as veias do cérebro e com os seios cavernosos;
plexo venoso existente na pia-máter, que por sua vez drena para o
plexo venoso intra-raquidiano ou plexo de Batson.
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Neuroanatomia 1. Medula Espinhal
Linfáticos
A linfa circula nas bainhas perivasculares, que se abrem no espaço sub-
aracnoideu.
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Neuroanatomia 3. Protuberância
3. Protuberância Anelar
Introdução
A Protuberância Anelar ou Ponte de Varólio pertence ao Rombencéfalo.
Nasce da porção anterior do Metencéfalo, recebendo ainda uma
contribuição da porção alar do Mielencéfalo.
Localização
Situa-se:
anteriormente ao cerebelo
superiormente ao bulbo
inferiormente aos pedúnculos cerebrais (mesencéfalo).
Configuração Exterior
Apresenta 4 faces:
1 anterior
2 laterais
1 posterior
Face Anterior
Convexa vertical e transversalmente;
Formada por fibras transversais, apresentando estriação transversal.
Apresenta na linha média o sulco basilar que está em relação com a
artéria basilar.
Os bordos deste sulco elevam-se pela passagem das vias cortico-espinhais
através da ponte;
Separada dos pedúnculos cerebrais pelo sulco ponto-peduncular, e do
bulbo, pelo sulco bulbo-protuberancial deste emergem, de dentro para
fora, o Nervo Motor Ocular Externo (VI), o Nervo Facial (VII) e o Nervo
Auditivo (VIII).
1
Neuroanatomia 3. Protuberância
Faces Laterais
Estão na continuação da face anterior;
Continuam-se, em cima e atrás, pelos pedúnculos cerebelosos médios;
No limite entre a face anterior e lateral emergem as raízes motora (interna)
e sensitiva (externa) do Nervo Trigémio (V);
Postero-superiormente aos pedúnculos cerebelosos médios estão os
pedúnculos cerebelosos superiores a separação efectua-se por um sulco
oblíquo antero-superiormente, que se prolonga na face lateral do
mesencéfalo.
Face Posterior
Apresenta lateralmente a face posterior dos pedúnculos cerebelosos
superiores;
Limitada supero-lateralmente pelos pedúnculos cerebelosos superiores, que
se reúnem na extremidade superior da protuberância formando um espaço
triangular de vértice superior;
A face posterior do espaço triangular formado vai ser ocupada por uma
membrana válvula de Vieussens. Esta está em continuidade, atrás, com
o cerebelo, e, lateralmente, com os pedúnculos cerebelosos superiores;
Retirando a membrana acima referida observa-se a metade superior do
pavimento do 4º ventrículo, que se continua em baixo com a porção
bulbar do pavimento ventricular.
O triângulo protuberancial do 4º ventrículo é limitado:
Lateralmente, pelos pedúnculos cerebelosos médios e
superiores;
Posteriormente, pelo cerebelo e válvula de Vieussens.
A superfície do triângulo protuberancial apresenta um sulco mediano, que
prolonga o sulco mediano do 4º ventrículo (haste do calamus?);
De cada lado deste sulco, de dentro para fora:
Eminência mediana de Teres – alongada e cuja porção inferior é
mais dilatada, devido ao enrolamento da raiz do Nervo Facial à volta
do núcleo do Nervo Motor Ocular Externo, constituindo o coliculo
facial)
Sulco limitante (fosseta superior – uma depressão apresentando
uma porção mais pigmentada: substância ferrugina)
Área Vestibular – superfície em relevo, continua-se em baixo
com a área vestibular do bulbo.
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Neuroanatomia 3. Protuberância
Configuração Interior
A protuberância é dividida numa porção posterior, tegumento e uma
porção anterior, porção basal, pelas fibras transversalmente dispostas do
corpo trapezóide.
A estrutura da protuberância pode ser estudada a dois níveis:
1. secção transversal pela porção caudal, passando no colliculus
facial (eminência redonda)
2. secção transversal pela porção craniana, passando pelo núcleo
do trigémio
1. Secção Transversal pela Porção Caudal
Apresenta:
Lemniscus interno (mediano)
sofre uma rotação quando passa do bulbo para a protuberância
encontra-se na parte mais anterior do tegumento
é acompanhado do lemniscus espinhal e externo.
Núcleo do nervo facial (VII par):
encontrar-se atrás do lemniscus interno
as suas fibras vão contornar o núcleo do nervo motor ocular
externo (VI par) dando origem a uma impressão observável
exteriormente a que se dá o nome de colliculus facial ou eminência
redonda.
Fasciculus (feixe) longitudinal interno
situa-se de cada lado da linha média, abaixo do pavimento do 4º
ventrículo
permite a conexão dos núcleos do vestibular e coclear, com o
núcleo dos nervos que controlam os músculos extra-oculares (III, IV e
VI).
Núcleo vestibular interno
situa-se externamente ao núcleo do VI par craniano
tem íntima relação com o pedúnculo cerebeloso inferior.
Encontram-se aqui os núcleos anterior e posterior do coclear.
Corpo trapezóide
Constituido por fibras do núcleo coclear e do núcleo do corpo
trapezóide que atravessam parte anterior do tegumento.
Núcleos pônticos
Pequenas massas de células nervosas onde terminam fibras
cortico-pônticas
Os seus axónios formam fibras transversas, que intersectam as vias
cortico-espinhais e cortico-nucleares, partindo-se em pequenos
fragmentos.
3
Neuroanatomia 3. Protuberância
Atravessam os pedúnculos cerebelosos médios e são distribuídos
para o hemisfério cerebeloso.
Esta é assim a maior via de comunicação do córtex cerebral com
o cerebelo.
2. Secção Transversal pela Porção Craniana
A sua constituição é semelhante à da outra, no entanto, agora contém os
núcleos sensoriais e motores do trigémio.
O núcleo motor do trigémio está abaixo da parte externa do 4º ventrículo
dentro da formação reticular e as fibras vão emergir na face anterior da
protuberância.
O núcleo sensorial principal do trigémio está situado externamente ao
núcleo motor e prolonga-se para baixo para o núcleo do tracto espinhal. As
fibras sensoriais vão ter um trajecto semelhante ao anterior, no entanto,
situam-se externamente.
O pedúnculo cerebeloso superior está situado postero-externamente ao
núcleo motor do trigémio.
O corpo trapezóide e o lemniscus interno estão situados no mesmo sítio que
na secção anterior.
O lemniscus externo e espinhal situam-se na extremidade externa do
lemniscus interno.
Importância Clínica da Protuberância
Forma a metade superior do pavimento do 4º ventrículo
Possui diversos núcleos de importantes pares craneanos (trigémio, motor
ocular externo, facial e auditivo)
Serve como condutor para importantes vias ascendentes e descendentes
(cortico-nuclear, cortico-protuberancial, cortico-espinhal..)
4
Neuroanatomia 4. Mesencéfalo
4. Mesencéfalo
Introdução
Provém da transformação da vesícula cerebral média;
Situa-se entre a protuberância e o cérebro, diencéfalo;
O seu limite inferior é marcado pelo sulco ponto-peduncular (entre a
protuberância e o mesencéfalo.
O limite superior nao é muito preciso.
Como todos os constituintes do Tronco cerebral tem uma direcção
obliqua para a frente e para cima.
É atravessada por um canal oco – o Aqueduto de Sylvius ou Aqueduto
Cerebral.
Compreende os Tubérculos Quadrigémeos (na porção posterior) e os
Pedúnculos Cerebrais (na porção anterior).
Configuração Externa
Distinguem-se 4 faces, uma anterior, uma posterior e duas laterais.
Face Anterior
Observam-se 2 feixes volumosos de cor branca, estriado paralelamente à
sua direcção (p/fora, p/ cima e p/ a frente), convexa transversalmente –
os Pedúnculos Cerebrais.
Os pedúnculos emergem da protuberância, dirigem-se para
cima/fora/frente, até atingirem o cérebro, acima das fitas ópticas.
Entre os dois pedúnculos encontra-se uma depressão triângular, de base
superior – o Espaço Interpeduncular ou Substância Perfurada Posterior. Esta
ùltima designação deve-se à presença de vários orifcios por onde passam
vasos sanguíneos.
O limite entre o Pedúnculo Cerebral e o Espaço Interpeduncular é
marcado pela presença do Sulco do Nervo Motor Ocular Comum, onde
se encontra a origem aparente deste nervo.
1
Neuroanatomia 4. Mesencéfalo
Face Posterior
Encontram-se 4 eminências arredondadas - Tubérculos quadrigémeos
(colliculus) – que no seu conjunto formam a Lâmina Quadrigémea.
Os tubérculos encontram-se agrupados dois a dois, um à frente do outro,
de um lado e outro da linha média. Distinguem-se dois Tubérculos
Quadrigemeos Anteriores (superiores – vias visuais) e dois Tubérculos
Quadrigemeos Posteriores (inferiores – vias auditivas).
Os tuberculos anteriores têm a forma ovóide, alongados de dentro para
fora e de trás para a frente.
Os tuberculos posteriores são hemisféricos e mais pequenos que os
anteriores.
Os Tubérculos anteriores encontram-se separados dos posteriores por um
sulco transverso.
Os do lado direito estão separados dos do lado esquerdo por um sulco
antero-posterior. Na extremidade anterior deste sulco encontra-se o Corpo
Pineal (glândula neuroendócrina que pertence ao diencéfalo), na sua
extremidade posterior encontra-se o Freio da Válvula de Vieussen,
também de cada lado desta extremidade sai o Nervo Patético (origem
aparente).
Cada tubérculo relaciona-se com o Tálamo por um feixe branco – Braços
Conjuntivais.
Os braços conjuntivais superiores ligam os tubérculos quadrigemeos
anteriores a uma eminência do Tálamo – o Corpo Geniculado Externo
(Este está relacionado com o nervo óptico).
Os braços conjuntivais inferiores ligam os tubérculos quadrigemeos
posteriores a uma segunda eminência do Tálamo – o Corpo Geniculado
Interno (Relacionado com a via auditiva).
Os dois braços de cada um dos lados, estão separados pelo Sulco
Interbraquial, que continuam para fora e para frente o sulco transverso
dos tubérculos
Face Laterais
Para além de apresentar os braços conjuntivais, apresenta também um
sulco obliquo para cima e para fora, o Sulco Lateral.
2
Neuroanatomia 4. Mesencéfalo
Configuração interna
Pode ser dividido em duas zonas por um corte transversal:
Uma região anterior, região dos pedúnculos cerebrais;
Uma região posterior, região da Lâmina Quadrigemea.
A região mais anterior compreende duas metades laterais, os pedunculos
cerebrais, cada um deles dividido em duas regiões:
Uma mais anterior, o Pé do Pedúnculo Cerebral (Crus
cerebri);
Uma mais posterior, a Calote (Tegmentum).
Esta divisão é feita por uma banda de substância cinzenta, em forma de
croissant desde o sulco lateral até ao espaço interpeduncular – locus
Niger ou Substantia Nigra. A substância nigra é constituída por núcleos
motores e está relacionada com a tonificação muscular.
Na região posterior, encontra-se a cavidade que atravessa o mesencéfalo
– Aqueduto de Sylvius – que faz a comunicação entre o III e IV ventriculos
cerebrais. É revestida por ependimo e rodeada por substância cinzenta
central.
Na zona mais posterior encontram-se os tubérculos.
A configuração interna do mesencéfalo pode ser estudada através de
cortes transversais a dois níveis:
1. Nível dos tubérculos quadrigémeos posteriores (inferiores);
2. Nível dos tubérculos quadrigémeos anteriores (superiores).
3
Neuroanatomia 4. Mesencéfalo
1. Nível dos tubérculos quadrigémeos posteriores (inferiores)
Os tubérculos quadrigémeos posteriores consistem em grandes núcleos de
substância cinzenta, fazendo parte da via auditiva a qual se continua pelo
braço inferior até ao corpo geniculado interno. Recebe muitas das fibras
terminais do lemnisco externo.
Mais anteriormente encontra-se a substância cinzenta central, que rodeia
o aqueduto de Sylvius. Nela situa-se:
O núcleo patético – próximo da linha mediana e atrás do feixe
longitudinal interno; deste núcleo originam-se fibras que
contornam a substância cinzenta central, saem do mesencéfalo
abaixo dos tubérculos quadrigémeos posteriores e cruzam-se ao
nível do freio da válvula de Vieussens;
O núcleo mesencefálico do nervo trigémeo – externo ao
aqueduto de Sylvius.
A porção central da calote é ocupada pela decussação
dos pedúnculos cerebelosos superiores (comissura de Wernick), para fora
da qual se encontra em ambos os lados a formação reticular.
O lemnisco interno (fita mediana de Reil) está situado
posteriormente à substância nigra; os lemniscos espinhal (espinho-
talâmico) e trigeminal (lemnisco quinto talâmico ou fita de Reil trigeminal)
ficam situados externamente ao anterior; lemnisco externo (fita lateral de
Reil) fica localizado posteriormente ao lemnisco trigeminal.
A substância nigra ou locus niger é um grande núcleo
motor situado entre a calote e o pé dos pedúnculos, presente em todo o
mesencéfalo. A sua cor deve-se aos grânulos de melanina no citoplasma
dos seus neurónios. Interfere no tónus muscular e está relacionada com o
córtex cerebral, medula espinhal, hipotálamo e núcleos da base.
O pé do pedúnculo situado à frente da substância nigra
contém importantes vias descendentes ou motoras cuja função é ligar o
córtex cerebral à medula espinhal, protuberância e cerebelo:
Fibras cortico-espinhais e cortico-nucleares (nos dois terços
médios);
Fibras temporo-pônticas (ext.);
Fibras fronto-pônticas (int.).
As vias temporo-pônticas e fronto-pônticas constituem as vias
cortico-protuberanciais.
4
Neuroanatomia 4. Mesencéfalo
Nível dos tubérculos quadrigémeos anteriores (superiores)
Os tubérculos quadrigémeos anteriores são grandes núcleos de substância
cinzenta que fazem parte dos reflexos visuais. Cada um está ligado pelo
braço superior ao corpo geniculado externo.
Recebem fibras aferentes do:
Nervo óptico;
Córtex visual;
Via espinho-tectal.
As suas fibras eferentes formam:
Via tecto-espinhal;
Via tecto-bulbar
que são provavelmente responsáveis pelos movimentos reflexos dos
olhos, da cabeça e do pescoço em resposta a estímulos visuais.
A via aferente para o reflexo luminoso termina no núcleo pré-tectal que é
um pequeno grupo de neurónios situado próximo da parte externa dos
tubérculos quadrigémeos anteriores. Depois, as fibras passam para o
núcleo parassimpático do nervo motor ocular comum (núcleo de Edinger-
Westphal), o qual dá fibras para o nervo motor ocular comum.
O núcleo principal do nervo motor ocular comum situa-se na substância
cinzenta central, perto da linha mediana, logo atrás do feixe longitudinal
interno; as fibras com origem neste núcleo passam através do núcleo
rubro e emergem na face interna do pé do pedúnculo, na fossa
interpeduncular.
Os lemniscos interno, espinhal e trigeminal formam uma faixa curva
situada posteriormente à substância nigra, mas o lemnisco externo não se
estende superiormente até este nível.
O núcleo rubro é uma massa arredondada de substância cinzenta situada
entre o aqueduto de Sylvius e o locus niger; tem coloração avermelhada
por ser muito vascularizado e por ter pigmentos com ferro no citoplasma
de muitos dos seus neurónios.
Recebe fibras aferentes do:
Córtex cerebral (via cortico-espinhal);
Cerebelo (pelos pedúnculos cerebelosos superiores);
Núcleo lentiforme, dos núcleos subtalâmico e hipotalâmicos, da
substância nigra e da medula espinhal.
As fibras eferentes vão para:
medula espinhal (via rubro-espinhal);
formação reticular (via rubro-reticular);
tálamo;
locus niger.
A formação reticular situa-se na calote para trás e para dentro dos
núcleos rubros.
5
Neuroanatomia 4. Mesencéfalo
Os pés dos pedúnculos contêm feixes semelhantes àqueles que estão
presentes ao nível dos tubérculos quadrigémeos posteriores.
Vasos do Mesencéfalo
Artérias
-mediais: →subs.perf.
→substância cinzenta
-pedunculares -radiculares: →raízes MOC +
central
troclear
↑(basilar/cerebral -acessórias: →perfuram
post.) pedúnculos
-anteriores
cerebrais post.→contornam pedúnculos→colículos
- -médias
superiores
coliculares
-posteriores: cerebelosas sup.→col. inf. + veu medular sup. +
ped.cerebel.sup.
Veias
Geralmente independentes das artérias
Drenam para os seios da dura mater
Paredes finas
Muitas anastomoses entre si
Avalvulares
Mesencéfalo + prosencéfalo: -profundas -das circunvolunções -da base
6
Neuroanatomia 5. Cerebelo
5. Cerebelo
Introdução
Estrutura encéfalica do rombencéfalo, tendo por isso origem na vesícula
encefálica primitiva posterior.
O cerebelo está situado no piso inferior do crânio, posteriormente ao
bulbo raquidiano e inferiormente aos hemisférios cerebrais, dos quais está
separado pela tenda do cerebelo.
Configuração Exterior
É alargado transversalmente e aplanado de cima/baixo.
Apresenta 3 faces: superior, inferior e anterior.
Face Superior
Sobre a linha média apresenta uma proeminência antero-posterior – o
vermis superior do cerebelo
De cada lado do vermis a face superior é quase plana e inclina-se para
fora/baixo, constituindo a face superior dos hemisférios cerebelosos.
A face superior do cerebelo está limitada pelo bordo circunferencial do
cerebelo, que separa a face superior das outras duas. Este bordo é
irregular e apresenta duas chanfraduras:
Chanfradura anterior: corresponde à face posterior
do mesencéfalo
Chanfradura posterior: mais profunda que a anterior;
no fundo desta chanfradura sobressai a parte posterior do vermis
superior
Face Inferior
Apresenta sobre a linha média uma depressão antero-posterior – a grande
fissura média do cerebelo, no fundo da qual sobressai uma proeminência
– o vermis inferior do cerebelo
A parte média da face inferior do cerebelo corresponde antero-
inferiormente ao bulbo raquidiano
A cada lado do vermis observa-se a face inferior dos hemisférios
cerebelosos; dois sulcos profundos separam o vermis dos hemisférios
cerebelosos.
1
Neuroanatomia 5. Cerebelo
Face Anterior
Olha para baixo/frente.
Está ocupada por um prolongamento em fundo de saco do 4º ventrículo,
que circunscreve as diferentes formações que unem o cerebelo ao bulbo
e à protuberância.
Este prolongamento ventricular está limitado:
Superiormente: pela extremidade anterior do vermis superior (=
língula) e por uma membrana nervosa, o véu medular superior (=
válvula de vieussens)
Inferiormente: pela extremidade anterior do vermis inferior (= nódulo)
e pelo véu medular inferior
Lateralmente: pelos pedúnculos cerebelosos e amigdalas
cerebelosas
Desde os dois lados do nódulos estende-se duas membranas – as válvulas
ou membranas de Tarin do véu medular inferior terminando na
extremidade interna de um pequeno lóbulo cerebeloso situado na face
inferior do pedúnculo cerebeloso médio denominado flóculo (= lóbulo do
pneumogástrico), situado em frente da região em que o nervo
pneumogástrico emerge do sulco colateral posterior do bulbo.
Abaixo do véu medular inferior existe um lóbulo cerebelar, a amígdala
cerebelosa, que sobressai ao lado da parte anterior do vermis inferior.
2
Neuroanatomia 5. Cerebelo
Divisão da Superfície Cerebelar
A superfície cerebelosa está percorrida por um grande número de sulcos,
orientados transversalmente em relação ao vermis.
O sulco mais profundo estende-se ao longo do bordo circunferencial,
terminando anteriormente e a cada lado da extremidade posterior do
flóculo – sulco circunferencial de Vicq d´Azyr.
Os lóbulos do cerebelo encontram-se limitados por fissuras transversais que
se estendem sobre o vermis e sobre os hemisférios.
A fissura primária situa-se sobre a face sup; limita atrás o lobo anterior do
cerebelo, que se encontra dividido por fissuras secundárias:
sobre o vermis tem-se de frente/trás a língula, o lóbulo central e o
cúlmen
sobre os hemisférios tem-se de frente/trás o freio da língula, a asa
do lóbulo central e o lóbulo quadrilátero anterior
Atrás da fissura primária estende-se o lobo posterior do cerebelo, que se
encontra dividido por fissuras secundárias:
Sobre a face superior do cerebelo a fissura primária limita o
declive (sobre o vermis) e o lóbulo quadrilátero posterior (sobre os
hemisférios)
O folium segue-se ao declive e o lóbulo semilunar superior segue-
se ao L. quad. post.
Abaixo da fissura horizontal e de trás/frente encontra-se sobre o
vermis o tubérculo, a pirâmide e a úvula do vérmis; para fora do
vermis inferior encontra-se o lóbulo semilunar inferior, o lóbulo
digástrico e a amígdala cerebelosa.
Uma última fissura, a fissura posterolateral (= fissura uvulo-nodular)
demarca o lobo floculo-nodular composto pelo nódulo (sobre o vermis) e
pelos flóculos (sobre os hemisférios cerebelosos).
VÉRMIS HEMISFÉRIOS LOBO SECTOR FILOGENÉTICO
Língula Freio da Língula
Lóbulo Asa do lóbulo central Anterior PALEO-CEREBELO
Central
Cúlmen L. quadrilátero anterior
Fissura Primária
Declive L. quadrilátero posterior
Folium L. semi-lunar superior Posterior NEO-CEREBELO
Tuber L. semi-lunar inferior
Pirâmide Lóbulo Digástrico Anterior PALEO-CEREBELO
Úvula Amígdala
Fissura úvulo-nodular
Nódulo Flocculus / L. do Pneumog. Flóculo-nodular ARQUEO-CEREBELO
3
Neuroanatomia 5. Cerebelo
Anatomia Funcional
Arqueocerebelo (vestibulo-cerebelo)
Filogeneticamento é a porção mais antiga do cerebelo
Constitui o cerebelo vestibular
É o centro do equilibrio
Recebe informações dos núcleos vestibulares
Projecta-se sobre os nucleos fastigiais
Estruturalmente corresponde ao lobo flóculo-nodular e aos nucleos
fastigiais.
Paleocerebelo (espinho-cerebelo)
Funcionalmente corresponde ao espinho cerebelo
Constitui um centro de tratamento de informação proprioceptiva
Regula o tónus muscular e o estado postural
Estruturalmente corresponde ao lobo anterior do cerebelo e aos nucleos
globoso e emboliforme
Neocerebelo
É responsável pelo controlo e coordenação de movimentos, em
particular, aqueles que exigem uma certa acuidade
Relaciona-se com o cortex cerebral
Estruturalmente corresponde à restante porção do cerebelo e ao núcleo
denteado.
Via aferente - Via Cortico-Ponto-Cerebelosa
Via eferente - Feixe Dentato-Rubro-Talâmico-Cortical
córtex motor → núcleos pônticos → decussa → neocerebelo
neocerebelo → n. rubro → tálamo → córtex motor
Filogénese Morfologia Conexões Funções
Lobo Aparelho vestibular Manutenção do
Arqueocerebelo
floculonodular (vestibulocerebelo) equilíbrio
Medula espinhal Manutenção do
Paleocerebelo Lobo Anterior
(espinhocerebelo) tônus muscular
Coordenação dos
Lobo Córtex cerebral
Neocerebelo movimentos
médio/posterior (cerebrocerebelo)
voluntários
4
Neuroanatomia 5. Cerebelo
Configuração Interior
A estrutura interna do cerebelo é constituida por:
Substância cinzenta (superficial) – o córtex
Substância branca (central) – nesta, existem 3 massas de substância
cinzenta que formam os núcleos intracerebelosos.
1. Substância cinzenta
O córtex cerebeloso pode ser considerado uma grande lâmina, com
dobras, orientadas no plano coronal ou transverso.
Cada uma dessas dobras contém uma parte central de substância
branca recoberta superficialmente por substância cinzenta.
Um corte paramediano apresenta numerosas ramificações e tem o nome
de arbor vitae.
A susbtância cinzenta do cortex, apresenta em toda a sua extensão um
estrutura uniforme.
Ela pode ser dividida em 3 camadas:
1.1 Camada molecular (externa)
1.2 Camada das células de Purkinje (média)
1.3 Camada granular (interna)
1.1 Camada molecular
Contém 2 tipos de neurónios:
Célula estrelada (mais externa)
Célula em cesto (mais interna)
Estes tipos celulares encontram-se dispersos entre dendrites e axónios que
correm ao longo do eixo da prega.
Também se encontram celulas neurogliais entre essas estruturas.
1.2 Camada das células de Purkinje
As células de Purkinje são grandes neurónios do tipo Golgi I
Têm aparência de frascos, estando dispostas numa só camada
As dendrites destas células ramificam-se intensamente na camada
molecular, formando contactos sinápticos com as fibras paralelas
derivadas dos axónios das células granulares.
Os ramos primários e secundários são lisos, mas os outros são revestidos por
espinhas dendriticas.
Na base da célula de Purkinje, os axónios atravessam a camada granular,
acabando por entrar na substância branca, onde adquirem uma bainha
mielinica e sinapsam com as células de um dos núcleos intracerebelosos.
5
Neuroanatomia 5. Cerebelo
Ramos colaterais do axónio das células de Purkinje formam sinapses com
as dendrites das células em cesto e estreladas da camada molecular.
Alguns axónios das células de Purkinje passam sem formar sinapses
terminando nos núcleos vestibulares do tronco encefálico.
1.3 Camada Granular
Contem muitas células pequenas, com núcleos densamente corados
Cada célula dá origem a 4 ou 5 dendrites que têm contacto com as fibras
mossy aferentes.
O axónio da célula granular bifurca-se em T na camada molecular (com
ramos paralelos ao eixo longo da prega), originando fibras paralelas que
sinapsam com dendrites das células de Purkinje.
Nesta camada são encontradas células neurogliais e células de Golgi (as
dendrites ramificam-se na camada molecular e o axónio divide-se e
sinapsa com as dendrites das células granulares)
2. Núcleos intracerebelosos
Encontram-se na susbtância branca, de cada lado da linha média.
Do externo para o mais interno são:
2.1 Núcleo denteado ou olivar
2.2 Núcleo emboliforme ou núcleo acessório denteado externo
2.3 Núcleo globoso ou núcleo acessório denteado interno
2.4 Núcleo fastigial ou do Tecto
2.1 Núcleo denteado ou olivar
É o maior de todos
Tem a forma de saco (aberto internamente) com o interior preenchido por
substância branca, formado por fibras eferentes, que adandonam o
núcleo pela a abertura e constituem a maior parte das fibras do
Pedunculo Cerebeloso Superior.
2.2. Núcleo emboliforme ou núcleo acessório denteado externo
É ovoide
Situa-se internamente ao nucleo denteado, cobrindo parcialmente o seu
hilo.
2.3 Núcleo globoso ou núcleo acessório denteado interno
Consiste num ou mais nucleos de células situadas por dentro do núcleo
emboliforme.
2.4 Núcleo fastigial ou do Tecto
Fica perto da linha média, no vérmis, próximo do tecto do 4º ventriculo
Os nucleos intracerebelares são compostos por grandes
neurónios multipolares, com dendrites de ramificações simples.
6
Neuroanatomia 5. Cerebelo
Os seus axónios formam a eferência cerebelosa pelos
pedunculos cerebelosos superior e inferior.
3. Substância branca
A quantidade de substância branca presente do vérmis é pequena, e as
suas ramificações assemelham-se a ramos ou troncos, sendo denominada
Arbor Vitae (árvore da vida)
Em cada hemisfério, há grande quantidade de substância branca.
A substância branca é constituida por 3 tipos de fibras:
a. Fibras intrinsecas: não saem do cerebelo, ligando diferentes regiões
deste órgão.
b. Fibras aferentes: constituem a maior parte da substância braca; seguem
para o cortex cerebeloso. Entram no cerebelo sobretudo pelos
pedúnculos cerebelosos médio e inferior.
c. Fibras eferentes: constituem a saida (out-put) do cerebelo. Iniciam-se
como axónios das células de Purkinje do córtex cerebeloso, os quais
sinapsam com neurónios dos nucleos intracerebelosos, que depois
deixam o cerebelo.
As fibras dos núcleos:
Denteado
Emboliforme ... saem pelo pedúnculo cerebelosos superior
Globoso
Fastigial ... deixam o cerebelo pelo pedunculo cerebeloso inferior.
7
Neuroanatomia 5. Cerebelo
4. Mecanismos do córtex cerebeloso
As duas principais fibras aferentes do cerebelo:
4.1 Fibras climing (ascendentes)
4.2 Fibras mossy (musgosas)
... são fibras excitatórias das células de Purkinje
4.1 Fibras ascendentes
Atravessam a camada granular do córtex cerebeloso
Terminam na camada molecular dividindo-se repetidamente e originando
numerosas sinapses com as dendrites das células de Purkinje.
Uma célula de Purkinje só forma sinapses com uma fibra ascendente, mas
cada fibra ascendente pode estabelecer sinapses com 1 a 10 células de
Purkinje.
4.2 Fibras musgosas
Exercem um efeito excitatório mais difuso, uma vez que uma fibra
musgosa estimula milhares de células de Purkinje através das células
granulares.
Deste modo:
impulsos inibitórios são transmitidos às células de Purkinje e destas para os
núcleos intracerebelosos
Núcleos intracerebelosos modificam actividade muscular através das
áreas motoras do tronco cerebral e córtex cerebral
As Células de Purkinje formam o centro de uma unidade funcional do
córtex cerebeloso.
Os Núcleos intracerebelosos
Recebem informação aferente através de:
axónios inibitórios das células de Purkinje do córtex cerebeloso
axónios excitatórios , ramos das fibras “mossy” e “climbing”
Assim, informação sensorial envia informação excitatória para os núcleos
que, mais tarde recebem informação inibitória das células de Purkinje.
Enviam informação eferente para cérebro e medula espinhal
8
Neuroanatomia 5. Cerebelo
Pedunculos cerebelosos
O cerebelo está ligadas ás outras estruturas do SNC, por numerosas
fibras eferentes e aferentes, que são agrupadas, em cada lado, em 3 grandes
feixes ou pedúnculos:
Pedúnculos cerebelosos superiores: cerebelo – mesencéfalo;
Pedúnculos cerebelosos médios: cerebelo – protuberância;
Pedúnculos cerebelosos inferiores: cerebelo – bulbo
A. Fibras aferentes cerebelosas
1. Fibras aferentes cerebelosas originadas no córtex cerebral (córtex
cerebral – cerebelo):
1) Via córtico-ponto-cerebelosa;
2) Via córtico-olivo-cerebelosa;
3) Via córtico-reticulo-cerebelosa
2. Fibras aferentes cerebelosas originadas na medula espinhal:
1) Feixe espino-cerebeloso anterior;
2) Feixe espino-cerebeloso posterior;
3) Feixe cúneo-cerebeloso
3. Fibras aferentes cerebelosas vindas do nervo vestibular
4. Outras fibras aferentes (do núcleo rubro e teto)
B. Fibras eferentes cerebelosas:
1) Via globoso-emboliforme-rubral (ou dento-rubral);
2) Via dento-talâmica;
3) Via fastigo-vestibular;
4) Via fastigo-reticular
9
Neuroanatomia 5. Cerebelo
1. Fibras aferentes cerebelosas originadas no córtex cerebral
1) Via córtico-ponto-cerebelosa:
As fibras córtico-ponto-cerebelosas originam-se de células nervosas nos lobos:
frontal;
parietal;
temporal;
occipital, do córtex cerebral
Descem pela corona radiada e pela cápsula interna;
Terminam nos núcleos pontinos (na protuberância);
Estes núcleos originam as fibras transversais da ponte, que cruzam a
linha média, entrando no hemisfério do lado oposto, como o
pedúnculo cerebeloso médio
2) Via córtico-olivo-cerebelosa:
As fibras córtico-olivares originam-se de células nervosas nos lobos:
frontal;
parietal;
temporal;
occipital, do córtex cerebral
Descem pela corona radiada e pela cápsula interna;
Terminam, bilateralmente, nos núcleos olivares inferiores;
Estes núcleos originam fibras que cruzam a linha média, entrando no
hemisfério cerebeloso do lado oposto, pelo pedúnculo cerebeloso
inferior;
Essas fibras terminam como trepadeiras no córtex cerebeloso
3) Via córtico-reticular-cerebelosa:
As fibras córtico-reticulares originam-se de células nervosas de muitas áreas do
córtex cerebral, de modo particular das áreas sensório-motoras
Descem para terminar na formação reticular do mesmo lado e no
lado oposto da ponte e do bulbo;
As células da formação reticular originam as fibras retículo-
cerebelosas, que entram no hemisfério cerebeloso do mesmo lado
por meio do pedúnculo cerebeloso inferior;
Essa conexão entre o cérebro e o cerebelo é importante no controle dos
movimentos voluntários.
10
Neuroanatomia 5. Cerebelo
2. Fibras aferentes cerebelosas originadas na medula espinhal
1) Feixe espino-cerebeloso anterior:
Os axónios que entram na medula, pelo gânglio da raiz posterior, terminam,
por sinapses, como os neurónios do núcleo dorsal (coluna de clark), na base
da coluna cinzenta posterior.
A maior parte desses axónios cruza para o lado oposto,
ascendendo pelo feixe espino-cerebeloso anterior, da coluna
branca contralateral (alguns ascendem pelo feixe da coluna
branca lateral, do mm lado);
As fibras entram no cerebelo pelo pedúnculo cerebeloso
superior (terminando como fibras musgosas, no córtex cerebral);
Emitem ramos colaterais, que terminam nos núcleos
cerebelosos profundos.
Acredita-se que as fibras que cruzaram para o lado oposto da medula voltem
a se cruzar no cerebelo.
Este feixe é encontrado em todos os níveis da medula, sendo que as suas fibras
transportam informação músculo-articulares, originada,
Nos fusos musculares dos órgãos tendinosos
Nos receptores articulares dos membros superiores e inferiores
Acredita-se tb que o cerebelo receba informação da pele e dos fáscias
superficiais por este feixe.
2) Feixe espino-cerebeloso posterior:
Os axónios que entram na medula espinhal pelo gânglio da raiz posterior,
chegam à coluna cinzenta posterior, fazendo sinapses com neurónios da base
da coluna cinzenta posterior.
O conjunto desses neurónios denomina-se de núcleo dorsal (coluna
de clark);
Os axónios destes neurónios entram para a parte postero-lateral da
coluna branca lateral do mesmo lado, ascendendo como feixe
espino-cerbeloso posterior até ao bulbo.
A esse nível o feixe entra no cerebelo pelo pedúnculo cerebeloso
inferior (terminando como firas musgosas no córtex cerebeloso)
Emitem ramos colaterais que terminam nos núcleos cerebelosos
profundos
Este feixe recebe informação músculo-articular, originada:
Nos fusos musculares dos órgãos tendinosos;
Nos receptores articulares do tronco e dos membros inferiores.
11
Neuroanatomia 5. Cerebelo
3) Feixe cúneo-cerebeloso:
Estas fibras originam-se no núcleo cuneiforme, no bulbo;
Entram no hemisfério cerebeloso do mesmo lado pelo pedúnculo
cerebeloso inferior (terminando como fibras musgosas no córtex
cerebeloso)
Emitem ramos colaterais, que terminam nos núcleos cerebelosos
profundos
Este feixe recebe informação músculo-articular, originada:
Nos fusos musculares dos órgãos tendinosos;
Nos receptores articulares do membro superior e da parte superior
do tórax.
3. Fibras aferentes cerbebelosas vindas do nervo vestibular
O nervo vestibular recebe informação, originada no ouvido interno,
relacionada com:
O movimento, nos canais semicirculares;
Da posição, relativa à gravidade, no utrículo e no sáculo.
Este nervo envia muitas fibras aferentes:
a. Directamente para o cerebelo pelo pedúnculo cerebeloso inferior
do mesmo lado;
b. Que cursam primeiro para os núcleos vestibulares, no tronco
encefálico, onde fazem sinapses e são retransmitidas para o
cerebelo pelo pedúnculo cerebeloso inferior do mesmo lado.
(todas as fibras aferentes, do ouvido interno, terminam como fibras musgosas
no lobo flóculo-nodular do cerebelo)
4. Outras fibras aferentes
O cerebelo recebe ainda pequenos feixes de fibras aferentes do núcleo rubro
e do teto.
12
Neuroanatomia 5. Cerebelo
B) Fibras eferentes cerebelosas
Toda a saída (output) de informação do córtex cerebeloso faz-se por meio
dos axónios das células de purkinje. A maioria dos axónios das células de
purkinje termina por sinapses nos núcleos cerebelosos profundos.
Os axónios dos neurónios que formam os núcleos cerebelosos constituem a
saída (outflow) eferente do cerebelo.
São poucos os axónios , das células de purkinje, que passam directamente
para fora do cerebelo, até ao núcleo vestibular lateral.
As fibras eferentes conectam com:
Núcleo rubro;
Tálamo;
Complexo vestibular;
Formação reticular.
1. Via globoso-emboliforme-rubral ou dento-rubral:
Os axónios, nos núcleos globoso e emboliforme, cursam pelo
pedúnculo cerebeloso superior, cruzando a linha média, para o
lado oposto, na decussação dos pedúnculos cerebelosos
superiores;
Essas fibras terminam por sinapses com as células do núcleo rubro
contralateral, que contribui com os axónios para o feixe rubro-
espinhal
Assim é visto que esta via cruza, por duas vezes, a linha média, uma
vez, na decussação dos pedúnculos cerebelosos superiores, e a
outra, no feixe rubro-espinhal, próximo da sua origem. Por esse meio
os núcleos globoso e emboliforme influenciam a actividade motora
do mesmo lado do corpo.
2. Via dento-talâmica
Os axónios do núcleo dentado, cursam pelo pedúnculo cerebeloso
superior, cruzando a linha média, para o lado oposto, na decussação
dos pedúnculos cerebelosos superiores.
Essas fibras terminam, por sinapses, com as células do núcleo
ventrolateral do tálamo contralateral.
Os axónios dos neurónios talâmicos ascendem pela cápsula interna e
pela coroa radiada;
Terminam na área motora primária do córtex cerebral.
Através desta via, o núcleo dentado influencia a actividade motora, actuando
sobre os neurónios motores do córtex cerebral do lado oposto;
Os impulsos, do córtex motor, são transmitidos, para os níveis segmentares
medulares, pelo feixe córtico-espinhal;
Deve ser lembrado que a maioria das fibras do feixe córtico-espinhal cruza
para o lado oposto, na decussação das pirâmides, ou mais adiante, em níveis
segmentares espinhais. Desta forma, o núcleo dentado é capaz de coordenar
a actividade muscular, do mesmo lado do corpo.
13
Neuroanatomia 5. Cerebelo
3. Via fastígio-vestibular:
Os axónios dos neurónios do núcleo fastígio, cursam pelo pedúnculo
cerebeloso inferior;
Terminando por se projectarem sobre os neurónios do núcleo
vestibular lateral, nos dois lados;
(deve ser lembrado que alguns axónios das células de purkinje
projectam-se directamente para o núcleo vestibular lateral);
Os neurónios do núcleo vestibular lateral originam o feixe
vestibulo-espinhal.
O núcleo fastígio exerce influência facilitadora, principalmente sobre o tônus
dos músculos extensores ipsilaterais.
4. Via fastígio-reticular:
Os axónios dos neurónios do núcleo fastígio cursam pelo
pedúnculo cerebeloso inferior, terminando por sinapses, com os
neurónios da formação reticular;
Os axónios desses neurónios influenciam a actividade motora segmental
espinhal, por meio do feixe retículo-espinhal.
14
Neuroanatomia 5. Cerebelo
Clínica do Cerebelo
Lesões num hemisfério cerebeloso produzem sintomatologia homolateral
Função: coordenação, por acção sinergística, a actividade muscular reflexa e
voluntária
Hipótese de funcionamento:
Ajuste
Córtex motor
Cerebelo
(comparador)
Ordem motora propriocepção
Medula espinhal
Sintomas de lesão:
Hipotonia
Alterações posturais e alteração da locomoção
Ataxia (perturbação do movº voluntário) → tremor em movimentos de
precisão, decomposição do movimento, dismetria (falha na prova do
dedo-nariz)
Disdiadococinésia
Perturbações dos reflexos (reflexos tendinosos duram mais tempo do
que o esperado)
Perturbações do movº ocular → nistagmo (oscilação rítmica dos olhos)
Perturbação da fala → disartria (ataxia dos m. da laringe), com
articulação deficiente das palavras e separação das sílabas, com
discurso explosivo
Síndromas cerebelosas:
Síndromas do vérmis, como o meduloblastoma do vérmis em crianças,
podendo comprometer as funções vestibulares, coordenação
muscular; tendência para queda anterior ou posterior, dificuldade em
manter a cabeça fixa, dificuldade no ortostatismo.
Síndromas dos hemisférios cerebelosos, como tumores, com sintomas
homolaterais, com perturbação dos movimentos dos membros,
tendência para queda lateral, disartria e nistagmo; atraso no início dos
movimentos e impossibilidade de mover todos os membros ao mm
tempo de forma coordenada.
Patologias associadas a lesões cerebelosas: hipoplasia, traumatismos,
infecções, tumores, esclerose múltipla, alcoolismo, desordens vasculares pelas
artérias cerebelosas, envenenamento com metais pesados
15
Neuroanatomia 6. Diencéfalo
6. Diencéfalo
Introdução
Situa-se entre os dois hemisférios cerebrais, à frente do mesencéfalo (entre
os 2 tálamos).
É atravessado por um canal central, o 3º ventrículo, o qual comunica
anteriormente com os ventrículos laterais através do buraco de Monro e
posteriormente com o 4º ventrículo através do aqueduto de Sylvius.
Por isso, no estudo do diencéfalo consideram-se:
As paredes do 3º ventrículo (5 paredes: 2 externas, postero inferior,
superior e anterior)
A cavidade ventricular
O Diencéfalo é simétrico em relação á linha média.
1
Neuroanatomia 6. Diencéfalo
Paredes do 3º Ventrículo
1. Paredes externas
Formadas pelos tálamos e regiões sub-talâmicas, que se encontram
separadas pelo sulco hipotalâmico ou sulco de Monro.
a) Tálamo
São 2 núcleos volumosos de substância cinzenta situados de um lado e
doutro do 3º ventrículo.
Cada um tem uma forma ovóide, ligeiramente oblíqua de trás para a
frente e de fora para dentro.
Possuem 4 faces (superior, inferior, externa e interna) e duas extremidades
(anterior e posterior).
Face superior
Convexa, de cor branca acinzentada e forma triangular de vértice
anterior.
É limitada:
externamente pelo sulco opto-estriado que separa o tálamo do
núcleo estriado
internamente por um cordão branco, o pedúnculo anterior da
epífise ou habénula.
É percorrida pelo sulco coroideu do tálamo, sobre qual assenta o
plexo coroideu externo, o qual divide o tálamo em dois sectores:
externo e interno.
O sector externo faz parte do pavimento do ventrículo lateral e
apresenta à frente o tubérculo anterior do tálamo.
O sector interno corresponde à tela coroideia do 3º ventrículo e ao
trígono.
Na região postero-interna da face superior observa-se uma zona
triangular branca, o trígono habenular, limitado:
internamente pela habénula
externamente pelo sulco habenular
posteriormente pelo tubérculo quadrigémio anterior.
O triângulo da habenula é ocupado atrás pelo núcleo habenular
constituído por substância cinzenta.
Face inferior
Unida à calote do pedúnculo cerebral que a este nível tem o nome
de região sub-talâmica.
Face externa
2
Neuroanatomia 6. Diencéfalo
Convexa, está unida ao núcleo caudado em cima, ao segmento
posterior da cápsula interna, em baixo.
Face interna
Relaciona-se atrás com os tubérculos quadrigémios.
Nos seus dois terços anteriores é livre e forma a parede externa do 3º
ventrículo, sendo limitada:
em cima pela habénula
em baixo pelo sulco hipotalâmico ou de Monro que se estende da
extremidade anterior do aqueduto de Sylvius ao buraco de Monro.
O sulco de Monro determina na parede externa do 3º ventrículo o
limite entre o tálamo e a região sub-talâmica.
Frequentemente, a face interna do tálamo está unida à do tálamo
oposto por uma lamela transversal de substância cinzenta, a
comissura cinzenta, a qual contém um núcleo vegetativo, o núcleo de
Renvieus.
Extremidade anterior
É em parte livre e limita posteriormente o buraco de Monro, o qual
separa o tálamo da coluna do trígono.
Extremidade posterior
Forma uma saliência larga, o pulvinar.
Na face inferior do pulvinar o tálamo apresenta duas saliências, os
corpos geniculados (interno e externo).
O externo situa-se acima e para fora do interno.
Os corpos geniculados estão unidos aos tubérculos quadrigémios
pelos braços conjuntivais1:
Tubérculos quadrigémio anterior- corpo geniculado externo
Tubérculos quadrigémio posterior- corpo geniculado interno
3
Neuroanatomia 6. Diencéfalo
b) Região sub-talâmica
situa-se abaixo do tálamo e prolonga abaixo desse núcleo a calota do
pedúnculo cerebral.
Dos elementos que constituem a região sub-talâmica distinguem-se:
1. Extremidade superior do núcleo rubro
2. Várias massas de substância cinzenta entre as quais se encontram (de
cima para baixo):
uma lâmina cinzenta
a zona incerta
um núcleo de forma lenticular
o núcleo subtalâmico (corpo de Lyus)
a parte mais elevada da substância nigra (locus níger)
3. Diversos feixes de fibras que separam umas das outras as massas de
substância cinzenta:
Feixe mamilo-talâmico de Vicq d'Azyr
Feixe da calota de Gudden ou mamilo-tegumentário
Fita de reil mediana
4. Um feixe branco, aplanado e largo, situado sob a substância nigra e
que ocupa a parte inferior da região constituído pelos feixes motores
do pé do pedúnculo cerebral.
1
a separar os braços conjuntivais encontra-se o sulco interbranquial que prolonga o
sulco transverso que separa os tuberculos quadrigémios superiores dos inferiores.
c) Hipotálamo ou região infundíbulo-tuberiana
Estende-se da região do quiasma óptico ao bordo caudal dos tubérculos
mamilares.
Situa-se inferiormente ao tálamo, um pouco acima e para dentro da
região sub-talamica.
Inferiormente parece estar relacionado com o quiasma óptico, tuber
cinereum e infundíbulo e tubérculos mamilares.
É uma região muito importante do Sistema Nervoso Central que controla o
Sistema nervoso Autónomo e Endócrino, logo controla a homeostasia
corporal.
4
Neuroanatomia 6. Diencéfalo
Parede superior ou tecto
Esta parede é convexa da frente para trás e concava transversalmente.
Apresenta atrás na sua junção com a parede posterior, a glândula pineal
ou epífise, a qual se dirige da frente para trás e repousa sobre o sulco
médio que separa os tubérculos quadrigémios anteriores.
O seu vértice é livre e olha para trás.
A base que corresponde ao 3º ventrículo é atravessada por um divertículo
ventricular, o recessus pineal, compreendido entre duas pregas (superior e
inferior).
Das extremidades externas da prega superior nascem os pedúnculos
anteriores do tubérculo pineal ou habénulas, as quais se dirigem primeiro
para fora, depois de trás para a frente até aos pilares anteriores do trígono
e finalmente sobre o tálamo, a linha de separação entre as paredes
superior e externa do 3º ventrículo.
Na espessura da prega inferior observa-se um espessamento devido à
presença de um cordão branco com direcção transversal, a comissura
branca posterior.
À frente da glândula pineal, a parede superior é formada por uma lâmina
epitelial simples, a membrana tectórica do 3º ventrículo.
Esta fixa-se de cada lado sobre a habénula.
À frente, une-se aos pilares anteriores do trígono, atrás reflecte-se sobre a
parte média da face superior da glândula pineal para se continuar com o
epitélio ependimal que reveste a base da epífise.
A parte posterior da tela coroideia limita assim com a metade anterior da
face superior da epífise, um divertículo do 3º ventrículo denominado
recessus supra-pineal.
A membrana tectórica é directamente recoberta por uma expansão da
pia-mater, a tela coroideia superior.
O tecto do ventriculo relaciona-se superiormente com o fórnix e com o
corpo caloso.
5
Neuroanatomia 6. Diencéfalo
Parede póstero-inferior ou pavimento
Esta parede é fortemente inclinada para a frente e para baixo.
Começa em cima e atrás na base da epífise.
Abaixo da epífise encontra-se a abertura do aquedutode Sylvius,
denominada anus, abaixo e à frente do qual o pavimento do 3º ventrículo
compreende uma lâmina de substância branca formada pela
extremidade anterior dos pedúnculos cerebrais (região interpeduncular).
À frente da substância branca pedúncular o pavimento é constituído por
uma lâmina fina de substância cinzenta que se estende até uma
depressão da cavidade ventricular em forma de funil, denominada
infundibulum.
A face superior é lisa e ligeiramente deprimida na linha média.
A face inferior é, pelo contrário, muito irregular e apresenta de trás para a
frente:
o espaço perfurado posterior ou espaço inter-pedúncular, onde a
parede ventricular adquire o nome de lâmina perfurada posterior;
duas saliências piriformes ou tubérculos mamilares, formados por uma
massa cinzenta central recoberta por uma fina camada branca
superficial;
uma superfície convexa sobre a qual o pavimento ventricular é
formado por uma lamela fina, cinzenta e branca
quiasma óptico, uma lâmina nervosa horizontal e espessa (à frente do
tuber cinereum) , que termina à frente o pavimento do ventrículo.
a) Tuber cinereum e haste pituitária
Ocupa o espaço compreendido entre os corpos mamilares (atrás) e o
quiasma óptico (à frente).
A sua parte posterior desenha uma saliência irregular, a eminência
sacular.
A parte mais saliente do tuber cinereum prolonga-se em baixo por um
tubo cónico de substância cinzenta, o infundíbulo que suspende na sua
extremidade a Hipófise.
b) Hipófise
É uma glândula endócrina, ovóide, situada na sela turca entre os dois
seios cavernosos.
Ela compreende dois lobos de origem diferente:
um posterior ou nervoso ligado pela haste pituitária ao cérebro, do qual
é uma dependência;
um anterior proveniente do epitélio da faringe.
O lobo anterior compreende 2 porções: um lobo anterior propriamente
dito e a pars intermédia.
6
Neuroanatomia 6. Diencéfalo
O primeiro é derivado da parede anterior da bolsa hipofisária (o seu leito
anterior ou superficial prolonga-se para cima sobre a parte anterior do
tuber cinereum e forma o lobo tuberal).
No lobo anterior propriamente dito podem ainda distinguir-se uma parte
mediana e duas laterais, as quais se prolongam atrás e se enrolam da
cada lado em torno da parte superior do lobo nervoso.
O lobo tuberal é na realidade um prolongamento da parte mediana.
A pars intermédia é formada pela parede posterior da bolsa hipofisária e
está aplicada sobre a face anterior do lobo nervoso.
c) Quiasma óptico
é uma lâmina de substância branca, quadrilátera, aplanada de cima
para baixo e alongada transversalmente.
Continua-se:
atrás com o tuber cinereum
em cima com a lamina supra-óptica.
Dos seus ângulos anteriores partem os nervos ópticos e dos posteriores as
fitas ópticas.
As fitas ópticas são dois cordões brancos, aplanados de cima para baixo
que se dirigem para trás e para fora, contornam a face inferior do
pedúnculo cerebral e se dividem atrás do tálamo em duas raízes:
uma externa que se perde no corpo geniculado externo e no pulvinar
uma interna que termina no corpo geniculado interno.
Parede Anterior
É aproximadamente vertical.
Constituída em cima pelos pilares anteriores do trígono.
Cada um deles limita com a extremidade anterior do tálamo o buraco de
Monro.
No ângulo de afastamento dos dois pilares observa-se um cordão branco
transversal, a comissura branca anterior, a qual cruza a face anterior dos
pilares do trígono e limita com eles um espaço triangular denominado
vulva ou fossa triangular.
Abaixo da comissura anterior, a parede anterior é simplesmente
constituída por uma fina lamela cinzenta, a lamina terminalis ou lâmina
supra-óptica, a qual se continua acima da comissura branca anterior com
o bico do corpo caloso e com o septum pellucidum.
Dos lados confunde-se com o espaço perfurado anterior.
Por fim, em baixo, ela une-se ao quiasma óptico e limita com ele um
divertículo da cavidade ventricular, aberto atrás e em cima, denominado
recessus óptico.
7
Neuroanatomia 6. Diencéfalo
Cavidade do 3º Ventrículo
Tem a forma de uma pirâmide quadrangular e apresenta:
2 paredes externas
1 parede anterior vertical
1 parede posterior oblíqua para baixo/frente
1 base superior ou tecto do ventrículo e um vértice inferior que
corresponde ao infundíbulo.
As paredes do 3º ventrículo já foram descritas.
A cavidade ventricular é atravessada pela comissura cinzenta.
Ela comunica de cada lado com os ventrículos externos por um orifício, o
buraco de Monro o qual se situa na parte antero-superior da parede
externa.
Ele é limitado posteriormente pela extremidade anterior do tálamo,
anteriormente pelo pilar anterior correspondente do trígono,
superiormente pela membrana tectórica do 3º ventrículo, aderente aos
plexos coroides.
O 3º ventrículo projecta-se sobre a parte mediana da abóbada craniana
de tal forma que uma linha vertical do ponto de cruzamento da linha
biauricular com a sutura sagital passa um pouco à frente do centro do
ventrículo.
(Buraco de Monro, limites: posterior, extremidade anterior do tálamo;
anterior, pilares anteriores do trígono; superior, membrana tectórica do 3º
ventrículo.)
Parede lateral
Parede superior
Parede
anterior
Parede póstero-inferior
8
Neuroanatomia 7. Telencéfalo – Configuração Externa
7. Telencéfalo
Configuração Externa
Introdução
O telencéfalo, também designado por cérebro anterior secundário ou
cérebro hemisfério, é a parte mais volumosa do encéfalo.
A sua face inferior - base do cérebro - repousa sobre o andar médio e
superior da base do crânio.
Cobre posteriormente o cerebelo, do qual está separado pela tenda do
cerebelo.
A face superior - convexidade do cérebro - corresponde à abóbada
craniana.
Tem uma forma ovóide, sendo mais largo na extremidade posterior.
O telencéfalo encontra-se dividido em duas partes simétricas – hemisférios
- por uma cisura profunda - fenda interhemisférica.
Os hemisférios estão unidos entre si pelas grandes comissuras
interhemisféricas, pelo corpo caloso e pelo fórnix/trígono.
Cada um apresenta uma cavidade ependimária- ventrículo lateral.
Estão unidos ao diencéfalo que se situa inferiormente às comissuras
interhemisféricas.
Cada hemisfério apresenta, na zona de união com o diencéfalo, uma
massa nervosa cinzenta, central e muito volumosa, chamada corpo
estriado.
1
Neuroanatomia 7. Telencéfalo – Configuração Externa
Configuração Exterior dos Hemisférios
Cada hemisfério possui três faces: Supero-externa, Interna e Inferior
Face externa
Convexa
Limitada:
superiormente pelo bordo superior do hemisfério, que acompanha o
seio longitudinal do hemisfério
inferiormente por um bordo marcadamente chanfrado na união do seu
¼ anterior com os seus ¾ posteriores.
Esta face corresponde em toda a sua extensão à abóbada craniana.
Face interna
Plana e vertical;
Compreende duas partes:
superior, livre que se estende desde o bordo superior do hemisfério até
ao corpo caloso e está separada da face correspondente do
hemisfério oposto pela fenda interhemisférica, na qual se introduz uma
prega da duramáter chamada foice do cérebro.
inferior e aderente, designa-se umbral do hemisfério e é constituída por
todos os órgãos (corpo caloso, septo pelúcido, fórnix/trigono e
diencéfalo) que unem os dois hemisférios entre si.
Face inferior
É limitada externamente pelo bordo inferior da face supro-externa e
internamente pelas extremidades anterior e posterior da fenda
interhemisférica e, no intervalo compreendido entre estas duas partes da
fenda, pelo diencéfalo e pedúnculos cerebrais.
Esta face está dividida por uma fenda profunda - Rego de Sylvius- em
duas partes:
anterior ou orbitária
posterior ou temporo-occipital;
Parte orbitária
Pedúnculo e bulbo olfactivo, substância perfurada anterior.
A parte orbitária da face inferior do hemisfério repousa sobre a
abóbada orbitaria.
É nesta parte do hemisfério que se encontram o bulbo e o
pedúnculo olfactivos, as fitas olfactivas e o espaço perfurado
anterior.
Parte temporo-occipital
É côncava na parte média e interna da face inferior do
hemisfério
2
Neuroanatomia 7. Telencéfalo – Configuração Externa
Repousa sobre o andar médio do crânio e tenda do cerebelo.
Lobos e Circunvoluções
Cada hemisfério possui seis lobos com diferentes projecções nas três faces:
Lobo frontal: Externa, Interna e Inferior
Lobo parietal: Externa, Interna
Lobo occipital: Externa, Interna e Inferior
Lobo temporal: Externa, Interna e Inferior
Lobo da insula: Externa(coberta pelo lobo temporal)
Lobo do corpo caloso:Interna
3
Neuroanatomia 7. Telencéfalo – Configuração Externa
Descrição dos lobos
Os lobos estão separados entre si por regos.
Cada lobo apresenta um certo número de circunvoluções
limitadas por sulcos.
Tendo em conta, que estes sulcos são por vezes incompletos,
as circunvoluções vizinhas pertencentes ao mesmo lobo ou a dois lobos
contíguos encontram-se unidas por pregas anastomóticas.
I. Lobo Frontal
a) Limites e Sulcos:
Limitado por três Regos:
Rego de Sylvius
Começa sobre a face inferior do hemisfério, no ângulo externo
do espaço perfurado anterior.
Desde esse ponto, dirige-se para fora, contorna o bordo da
face supero-externa e continua sobre essa mesma face até à união
do 1/3 médio e posterior do hemisfério.
Uma vez contornado o bordo inferior do hemisfério, o rego
origina dois prolongamentos: um ramo anterior ou horizontal e um
ramo ascendente, posterior ou vertical.
O rego de Sylvius é muito profundo e na sua profundidade
encontra-se o lobo da ínsula (descrito mais à frente).
Rego de Rolando
este rego começa um pouco posteriormente à parte média
da fenda interhemisférica.
Descende obliquamente sobre a face supero-externa do
hemisfério e termina superiormente ao Rego de Sylvius, em frente ao
ângulo formado pelo ramo ascendente com o seu rego de origem.
Ao longo do seu trajecto descreve três curvas sucessivas: uma
curva superior e convexa anteriormente, uma curva média e
convexa posteriormente e finalmente uma curva inferior de
convexidade anterior.
Rego Caloso-marginal
Situa-se sobre a face interna do hemisfério.
Tem origem à frente e abaixo do cotovelo do corpo caloso e
continua sobre esta mesma face, a igual distância do corpo caloso
e do bordo superior do hemisfério cerebral.
Um pouco à frente da extremidade posterior do corpo caloso,
este rego flexiona-se para cima e termina sobre o bordo superior do
hemisfério.
4
Neuroanatomia 7. Telencéfalo – Configuração Externa
b) Circunvoluções:
Possui quatro circunvoluções:
Circunvolução frontal ascendente
Face interna e externa- Limitada posteriormente pelo Rego de
Rolando e anteriormente pelo sulco pré-central/pré-rolândico que é
descontínuo.
Continua com a circunvolução parietal ascendente
inferiormente e com o lobo paracentral superiormente.
Circunvolução frontal superior/1ª circunvolução frontal
Face interna, externa e inferior - Possui segmento superior e
inferior.
O segmento superior percorre o bordo superior do hemisfério e
é limitado internamente pelo rego caloso-marginal e externamente
pelo sulco frontal superior.
A sua extremidade posterior denomina-se lóbulo paracentral
que é marcado pela projecção interna do Rego de Rolando.
O segmento inferior ou orbitário, designado por circunvolução
recta, na face inferior do hemisfério, ocupa o espaço compreendido
entre a fenda interhemisférica e o sulco olfactivo.
Lóbulo paracentral - Corresponde à extremidade
posterior da parte interna da circunvolução frontal superior. É
limitado anteriormente por um pequeno sulco paralelo ao
segmento terminal do sulco do cíngulo. Corresponde à
extremidade superior da circunvolução frontal ascendente e
parietal ascendente
Circunvolução frontal média/2ª
circunvolução frontal
Face externa e inferior – Possui um segmento superior e inferior.
O segmento superior ocupa a face externa do lóbulo e é
limitado superiormente pelo sulco frontal superior e inferiormente
pelo sulco frontal inferior que parte do sulco pré-central até ao
lóbulo frontal.
Este segmento apresenta continuidade com o segmento
inferior ao nível da face inferior do lóbulo central.
O segmento inferior ou orbitário ocupa a face inferior do lóbulo
e é limitado internamente pelo sulco olfactivo e externamente pelo
sulco orbitário.
A superfície deste segmento está percorrida por
anfractuosidades, sulcos orbitários que em conjunto descrevem um
sulco em H.
Circunvolução frontal inferior/3ª
circunvolução frontal
Face externa e inferior- Possui um segmento superior e inferior.
5
Neuroanatomia 7. Telencéfalo – Configuração Externa
O segmento superior é limitado pelo Rego de Sylvius e pelo
sulco frontal inferior, sendo dividido em três partes pelos
prolongamentos do Rego de Sylvius:
parte orbitária(cabeça)- situada inferiormente e internamente
ao ramo anterior do Rego de Sylvius;
porção triangular(cabo) situada entre o ramo anterior e
ascendente do Rego de Sylvius;
porção opercular(pé) situada posteriormente ao ramo
ascendente
II. Lobo Parietal
a) Limites e Sulcos:
Limitado anteriormente pelo Rego de Rolando, inferiormente pelo Rego
de Sylvius, posteriormente pelo Rego Parieto-occipital (Rego perpendicular
externo) e internamente pelo Rego Subparietal.
Rego Parieto-occipital –
Parte de bordo superior do hemisfério e desde esse ponto
percorre tanto a face interna como a supero-externa do hemisfério.
Na face interna, o Rego Parieto-occipital, também
designado por Rego Perpendicular Interno, dirige-se até à
extremidade posterior da circunvolução do cíngulo onde termina.
Na face supero-externa, o Rego Parieto-occipital também
designado por Rego Perpendicular Externo, adopta uma direcção
paralela ao primeiro.
Apresenta-se obliterado por pregas de comunicação que
unem as circunvoluções parietais, temporais e occipitais, apenas
persistindo as suas extremidades constituídas por ligeiras depressões
situadas sobre o bordo superior e inferior do hemisfério, sendo que
esta última se designa por pré-occipital.
Rego Subparietal –
É um rego simples e pouco marcado que parte do ponto em que o
Rego Caloso-marginal se flexiona superiormente para atingir o bordo
superior do hemisfério, e estende-se até ao Rego Parieto-occipital,
paralelamente ao corpo caloso.
b) Circunvoluções:
Possui três circunvoluções separadas entre si pelo sulco intraparietal:
Circunvolução parietal ascendente
Face interna e externa -
compreendida entre o Rego De Rolando e o Rego Parietal
Ascendente.
Esta circunvolução une-se à
frontal ascendente por pregas de comunicação que contornam as
extremidades superior e inferior.
6
Neuroanatomia 7. Telencéfalo – Configuração Externa
A prega de comunicação
constitui o lobo paracentral.
Circunvolução parietal superior/1ª
circunvolução parietal –
Face interna e externa -
limitada anteriormente pela circunvolução parietal ascendente e
inferiormente pelo sulco intraparietal.
A sua projecção na face
interna denomina-se lóbulo quadrilátero.
Este lóbulo é limitado anteriormente pelo Rego Caloso-marginal,
posteriormente pelo Rego Parieto-occipital e inferiormente pelo
Rego Infraparietal.
Circunvolução parietal inferior/2ª
circunvolução parietal
Face externa - Situada
inferiormente à precedente e posteriormente à circunvolução pós-
central.
Possui dois segmentos, um
anterior designado lóbulo marginal, que contém na sua
concavidade a extremidade posterior do Rego de Sylvius, e um
posterior que é o lóbulo angular que contorna a extremidade
posterior do rego temporal superior.
Esta circunvolução é contínua
com a 2ª circunvolução occipital.
III. Lobo Occipital
Ocupa a porção posterior do hemisfério cerebral, e tem a forma de uma
pirâmide triangular, cujo vértice, ou Polo Occipital, é posterior.
O lobo occipital é continuo com o lobo temporal nas faces externa e
inferior e com o lobo parietal na face externa.
Ao nível da face externa, o lobo occipital encontra-se separado do lobo
temporal pela incisura pré-occipital.
Apresenta três faces:
- Face externa : relaciona-se com a fossa cerebral da escama do osso
occipital;
- Face interna: separada da do lado oposto pela Fenda Inter-
Hemisférica.
- Face inferior: assenta sobre a tenda do cerebelo.
a) Limites e Sulcos:
7
Neuroanatomia 7. Telencéfalo – Configuração Externa
Encontra-se limitado:
à frente pelos Regos Perpendicular Interno e Externo ( ou Rego Parieto-
Occipital), nas faces interna e externa respectivamente;
na face inferior não apresenta nenhum limite anterior distinto.
b) Circunvoluções:
Existem seis circunvoluções occipitais, numeradas numa
direcção superior-inferior, que se encontram separadas umas das outras
por cinco sulcos inominados.
As circunvoluções e os sulcos nascem no polo occipital e
dirigem-se em direcção à base do lobo.
Na face externa, de cima para baixo, e de trás para a frente :
Primeira circunvolução occipital:
é limitada pela porção perpendicular externa do Rego Perpendicular
Externo;
continua-se à frente com a circunvolução parietal superior;
Segunda circunvolução occipital
continua-se à frente com a circunvolução parietal inferior, mais
especificamente com o lóbulo angular;
Terceira circunvolução occipital:
encontra-se unida por duas pregas anastomóticas à segunda e
terceira circunvoluções temporais.
Na face inferior, e de fora para dentro:
Quarta circunvolução occipital
continua-se com a quarta circunvolução temporal, com a qual forma
o Lóbulo Fusiforme.
Quinta circunvolução occipital
8
Neuroanatomia 7. Telencéfalo – Configuração Externa
continua-se com a quinta circunvolução temporal, com a qual forma
o Lóbulo Lingual.
Na face interna:
Sexta circunvolução occipital ou Cuneos ou lobo
cuneiforme:
ocupa toda a face interior do lobo occipital, e possui a forma de
cunha;
encontra-se limitado em cima e à frente pelo Rego Perpendicular
Interno, e em baixo pelo Rego Calcarino, rego este que separa a
quinta circunvolução occipital do cuneos, e que se estende desde o
polo occipital até à extremidade posterior da circunvolução do corpo
caloso, onde se une ao Rego Perpendicular interno.
IV. Lobo Temporal
Ocupa a porção média e inferior do hemisfério cerebral. (ver plate 99
Netter(1).)
Apresenta duas faces:
- Face externa;
- Face interna: assenta sobre a fossa temporo-esfenoidal no
andar médio da base do crânio.
a) Limites e Sulcos:
O lobo temporal encontra-se limitado:
na sua face externa pelo Rego de Sylvius em cima
e pelos vestígios do Rego Perpendicular Externo atrás;
na sua face interna pela porção lateral da Fenda
de Bichat e pelo sulco do hipocampo;
na sua face inferior pelo Rego de Sylvius à frente,
sendo que atrás não existe nenhum limite bem definido.
b) Circunvoluções:
O lobo temporal encontra-se dividido em cinco circunvoluções,
numeradas numa direcção superior-inferior e externa-interna, em que a
primeira, segunda e terceira circunvoluções se encontram na face
externa, enquanto que a quarta e quinta circunvoluções são visíveis sobre
a face inferior.
9
Neuroanatomia 7. Telencéfalo – Configuração Externa
Todas as circunvoluções estão limitadas anteriormente pelo Rego de
Sylvius.
Primeira circunvolução temporal:
Encontra-se na face externa do lobo temporal, estando em contacto
com o Rego de Sylvius na sua vertente superior, rego este que acaba
por ser o seu limite superior.
Inferiormente o Sulco Paralelo ou Sulco Temporal Superior, paralelo ao
Rego de Sylvius, constitui o limite inferior da primeira circunvolução
temporal.
Continua-se atras com o lóbulo angular e com o lóbulo marginal
(pertencentes à circunvolução parietal inferior).
A vertente superior do lobo temporal, na sua porção média, que se
encontra relacionada com a insula, denomina-se de circunvolução
temporal transversal de Heschl, compreendida entre duas pregas
transversas.
Segunda circunvolução temporal:
Encontra-se na face externa do lobo temporal, abaixo da primeira
circunvolução temporal, entre o Sulco Paralelo ou Sulco Temporal
Superior (limite superior) e o Sulco Temporal Inferior ou Segundo Sulco
Temporal (limite inferior).
Encontra-se em continuidade atras com a circunvolução angular e
com a segunda circunvolução occipital.
Terceira circunvolução temporal:
Encontra-se na face externa do lobo temporal entre o Sulco Temporal
Inferior ou Segundo Sulco Temporal, e o Terceiro Sulco Temporal (visível
na face inferior).
Está ao longo do bordo inferior do hemisfério e continua-se pela face
inferior do lobo temporal, estando unido atrás à terceira circunvolução
occipital.
Quarta circunvolução temporal:
Encontra-se na porção média da face inferior do lobo temporal,
estando em continuidade atrás com a quarta circunvolução occipital.
Como não há nenhuma distinção entre os limites das quartas
circunvoluções temporal e occipital, o conjunto das duas é designada
por Lóbulo Fusiforme.
Quinta circunvolução temporal ou circunvolução parahipocampal:
É a circunvolução temporal mais interna na face inferior deste lobo, e é
percorrida na sua extensão pelo Sulco do Hipocampo.
Continua-se atras com a quinta circunvolução occipital, sendo que por
não haver distinção dos limites entre as duas, são designadas por Lobo
Lingual.
10
Neuroanatomia 7. Telencéfalo – Configuração Externa
A extremidade anterior desta circunvolução dobra-se superiormente e
posteriormente em forma de gancho, designando-se esta dobra por
Uncus da quinta temporal.
V. Lobo insular ou insula
Está recoberto pelo lobo temporal e está situado no fundo do Rego de
Sylvius, sendo necessário separar os dois lábios do sulco para o visualizar.
Tem a forma de uma pirâmide triangular, sendo o seu vértice, ou Polo da
Insula, antero-inferior e a sua base superior.
Encontra-se separado dos lobos vizinhos (frontal, parietal e temporal) pelo
Sulco Circular ou de Reil (limite interno).
O polo da insula encontra-se separado do espaço perfurado anterior por
uma prega: a Prega Falciforme ou Limen Insular.
Do polo da insula partem quatro sulcos em direcção à base, limitando
assim cinco circunvoluções.
O terceiro sulco, também designado por sulco central é o sulco mais
profundo, sendo também constante, pelo que divide a insula em duas
porções:
uma anterior, constituída por três circunvoluções
outra posterior, constituída por duas circunvoluções.
VI. Lobo do Corpo Caloso ou Cingular
É constituído apenas por uma circunvolução, designada por
Circunvolução Cingular ou do Corpo Caloso, que se encontra na face
interna dos hemisférios cerebrais.
Esta é limitada em cima pelo Rego Caloso-Marginal e pelo Sulco Infra-
Parietal, e em baixo pelo Sulco do Corpo Caloso e Circunvolução Intra-
Límbica (situada no sulco do corpo caloso).
Ao nível do debrum do corpo caloso, a extremidade posterior da
circunvolução cingular continua-se com a quinta circunvolução temporal,
descrevendo um anel completo, fechado à frente pelas raízes do
pedúnculo olfactivo, chamado de Circunvolução Límbica.
11
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
9. Configuração Interior
do Cérebro
Introdução
Tal como o cerebelo, o cérebro vai ser constituído por formações
cinzentas centrais e uma substância branca abundante, revestida por um
córtex telencefálico que forma as fendas e as circunvoluções da
morfologia externa.
Para podermos ter uma ideia de conjunto, iremos analisar as estruturas do
cérebro em dois cortes, um corte horizontal de Flechsig, que atravessa a
região média do diencéfalo e um corte frontal de Charcot, que secciona
o diencéfalo ao nível da comissura branca anterior.
Corte horizontal de Flechsig
O corte horizontal de Flechsig é um corte que passa pela porção
mediana do diencéfalo, mostrando as mais importantes estruturas
cinzentas e brancas.
As cavidades ventriculares estão representadas pelo III ventrículo e pelos
ventrículos laterais, observando-se, nestes, que o corte passa pelos cornos
frontal e occipital.
Os núcleos cinzentos centrais vão dispor-se à volta dessas cavidades
Na parede
O tálamo reveste o III ventrículo.
O núcleo caudado encontra-se enrolado no interior do
ventrículo lateral.
No exterior
O núcleo lenticular em forma de pirâmide triângular.
O claustrum relaciona-se com o lobo da ínsula que se
encontra no fundo do rego de Silvius.
A substância branca insinua-se entre os diferentes núcleos
Cápsula interna – Entre o tálamo e o núcleo caudado por um
lado, o mesmo tálamo e o núcleo lenticular por outro.
Cápsula externa – Separa o claustrum do núcleo lenticular.
Cápsula extrema – Entre o córtex da insula e o claustrum.
A substância branca estende-se para além das cápsulas, alcançando a
face profunda do cortéx, para constituir o centro oval de Flechsig.
1
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
O córtex, por fim, envolve completamente os hemisférios cerebrais até
ao corpo caloso.
Corte frontal de Charcot
O corte frontal de Charcot é um corte que passa pelo diencéfalo ao nível
dos corpos mamilares, mostrando uma topografia diferente das mais
importantes estruturas cinzentas e brancas.
Os núcleos cinzentos centrais conservam as relações recíprocas
semelhantes, notando-se todavia que por debaixo do tálamo estão
dispostos um certo número de núcleos que constituem o hipotálamo, além
dos núcleos que constituem o subtálamo, entre os quais o corpo de Luys e
a zona incerta.
O núcleo caudado, o núcleo lenticular e o claustrum estão relacionados
com o ventrículo lateral.
A substância branca apresenta a cápsula interna, externa e extrema e
também o centro oval de Flechsig.
O córtex cerebral cobre os hemisférios cerebrais.
Observam-se ainda o corno de Ammon ou hipocampo, o corpo
bordejante ou fímbria e o corpo godronné ou tufado.
Esses dois cortes permitiram-nos ter uma noção de conjunto sobre as
estruturas internas do cérebro e os seus principais constituintes.
O estudo analítico vai descrever, ao mesmo tempo, a morfologia, a
estrutura e a sistematização desses elementos, dando-nos como
cabeçalhos:
Os núcleos cinzentos centrais;
A substância branca;
O córtex;
As cavidades ventriculares.
2
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Núcleos cinzentos centrais
Podem ser divididos em:
1. Núcleos Opto-estriados – são os mais volumosos, ocupando a
região central peri-ependimária;
2. Núcleos Infra-opto-estriados – conjunto de formações nucleares
morfologicamente situadas sob as precedentes e cujo valor
funcional é muito diversificado;
3. Órgãos neuro-glandulares.
3
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
1. Núcleos opto-estriados
Os núcleos estriados incluem:
a) O tálamo ou camada óptica;
b) O corpo estriado, formado por sua vez por dois núcleos:
Núcleo lenticular
Núcleo caudado
a) Tálamo
São 2 núcleos volumosos de substância cinzenta situados de um lado e
doutro do 3º ventrículo.
Cada um tem uma forma ovóide, ligeiramente oblíqua de trás para a
frente e de fora para dentro.
Possuem 4 faces (superior, inferior, externa e interna) e duas extremidades
(anterior e posterior).
Face superior
Convexa, de cor branca acinzentada e forma triangular de vértice
anterior.
É limitada:
externamente pelo sulco opto-estriado que separa o tálamo do
núcleo estriado. Este sulco é percorrido pela veia opto-estriada e
pela fita semi-circular.
internamente por um cordão branco, o pedúnculo anterior da
epífise ou habénula.
A habénula Esta é uma formação de substância branca que continua
ao nível do Buraco de Monro a fita semi-circular do sulco opto-
estriado, e que dá inserção à membrana tectória do IIIº ventrículo.
A Habénula liga-se com a do lado oposto por cima das lâminas
quadrigémias, formando a Comissura inter-habenular.
Constitui ainda o Pedúnculo anterior da pineal.
É percorrida pelo sulco coroideu do tálamo, sobre qual assenta o
plexo coroideu externo, o qual divide o tálamo em dois sectores:
externo e interno.
O sector externo apresenta à frente o tubérculo anterior do tálamo
e relaciona-se com o pavimento do ventrículo lateral através da
lâmina afixa (lâmina derivada da pia-mater que no início do
desenvolvimento embrionário recobria o segmento externo da
face superior do tálamo).
O sector interno corresponde à tela coroideia do 3º ventrículo e ao
trígono através da fenda de Bichat
Na região postero-interna da face superior observa-se uma zona
triangular branca, o trígono habenular, limitado:
internamente pela habénula
externamente pelo sulco habenular
posteriormente pelo tubérculo quadrigémio anterior.
4
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
O triângulo da habenula é ocupado atrás pelo núcleo habenular
constituído por substância cinzenta.
Face inferior
Unida à calote do pedúnculo cerebral que a este nível tem o nome
de região sub-talâmica.
Face externa
Convexa, está unida ao núcleo caudado em cima, ao segmento
posterior da cápsula interna, em baixo.
Face interna
Relaciona-se atrás com os tubérculos quadrigémios.
Nos seus dois terços anteriores é livre e forma a parede externa do 3º
ventrículo, sendo limitada:
em cima pela habénula
em baixo pelo sulco hipotalâmico ou de Monro que se estende da
extremidade anterior do aqueduto de Sylvius ao buraco de Monro.
O sulco de Monro determina na parede externa do 3º ventrículo o
limite entre o tálamo e a região sub-talâmica.
Frequentemente, a face interna do tálamo está unida à do tálamo
oposto por uma lamela transversal de substância cinzenta, a
comissura cinzenta, a qual contém um núcleo vegetativo, o núcleo de
Renvieus.
Extremidade anterior
É em parte livre e limita posteriormente o buraco de Monro, o qual
separa o tálamo da coluna do trígono.
Extremidade posterior
Forma uma saliência larga, o pulvinar.
Na face inferior do pulvinar o tálamo apresenta duas saliências, os
corpos geniculados (interno e externo).
O externo situa-se acima e para fora do interno.
Os corpos geniculados estão unidos aos tubérculos quadrigémios
pelos braços conjuntivais1:
Tubérculos quadrigémio anterior- corpo geniculado externo
Tubérculos quadrigémio posterior- corpo geniculado interno
5
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Subdivisões do tálamo
O tálamo encontra-se coberto na sua superfície superior por uma
fina camada de matéria branca, o stratum zonale e na sua
superfície lateral por outra camada, a lâmina medular externa.
A matéria cinzenta do tálamo está dividida por uma fina
camada de matéria branca constituída por fibras nervosas,
lâmina medular interna, em forma de Y em corte horizontal,
ocupa a posição central, condicionando três sectores: anterior,
medial e lateral.
A parte posterior do sector lateral é ocupada pelo pulvinar.
O tálamo não tem uma estrutura homogénea, estando pelo
contrário constituído por uma série de núcleos cujo valor
funcional difere.
O tálamo é então dividido em três porções principais:
Anterior (no meio das “pernas” do Y da lâmina medular
interna)
Medial (do lado interno do “tronco” do Y da lâmina medular
interna)
Lateral (do lado externo do “tronco” do Y da lâmina medular
interna)
Cada uma destas partes contém um grupo de núcleos
talâmicos.
Existem ainda pequenos grupos nucleares situados na lâmina
medular interna e nas superfícies laterais e medias do tálamo.
Porção anterior
Contém o núcleo talâmico anterior.
Recebem o tracto mamilotalâmico dos núcleos mamilares.
Recebem também conexões recíprocas com o hipotálamo e a
circunvolução do corpo caloso.
A sua função está associada com o sistema límbico e está
relacionada com o tom emocional e mecanismos de memória
recente.
Porção Mediana
Contém o núcleo dorsomedial e outros núcleos mais pequenos.
O núcleo dorsomedial relaciona-se com:
córtex pré-frontal do lobo frontal;
os núcleos hipotalâmicos;
todos os outros núcleos talâmicos.
A porção medial é, portanto, responsável pela integração
de uma grande variedade de informação sensorial (somática,
visceral e olfactiva).
6
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Porção lateral
Estão subdivididos em duas fileiras:
1.Núcleos dorsais
Incluem:
Núcleo latero-dorsal
Núcleo latero-posterior
Pulvinar
Os detalhes das conexões destes núcleos não estão claros. No
entanto são conhecidos por terem conexões com...
...outros núcleos talâmicos
..lobo parietal
..circunvolução do corpo caloso
..lobo temporal
..lobo occipital
2.Núcleos ventrais
Ventral anterior
Conectado com..
..formação reticular
..substância nigra
..corpo estriado
..córtex pré-motor
..muitos dos outros núcleos talâmicos
Visto que este núcleo se encontra a meio das
vias do corpo estriado com as áreas motoras do
córtex frontal, provavelmente influencia
também as actividades do córtex motor.
Ventral lateral
Conexões semelhantes às do núcleo ventral
anterior, mas com um maior input do cerebelo
e um menor input dos núcleos vermelhos.
As suas projecções principais passam para as
regiões motoras e pré-motoras do córtex
cerebral (estes núcleos provavelmente também
influenciam a actividade motora).
Ventral posterior
Subdividido em:
Núcleo Ventro-posteromedial Núcleo ventro-posterolateral
Recebe: Recebe:
- vias ascendentes trigémias e - via ascendente sensorial
gustativas - via lemnisco-espinhal
- via lemnisco-medial
7
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
As projecções talamocorticais destes importantes núcleos passam através
da porção posterior da cápsula interna e corona radiata para a área
somática sensorial primária do córtex cerebral da circunvolução central
posterior.
Outros núcleos talâmicos
Núcleos Intralaminares
Pequenas células nervosas situadas dentro da lâmina medular
interna.
Recebem fibras da formação reticular, das vias espinotalâmicas e
das vias trigeminotalamicas.
Enviam fibras a outros núcleos talâmicos, que depois se projectam
no córtex cerebral, ao corpo estriado.
Acredita-se que estes núcleos influenciem os níveis de consciência
e alerta num indivíduo
Núcleos da linha mediana
Grupo de células nervosas adjacentes ao 3º ventrículo na comissura
intertalâmica.
Recebem fibras da formação reticular.
As suas funções são desconhecidas.
Núcleo reticular
Fina camada de células nervosas situadas entre a lâmina medular
externa e o braço posterior da cápsula interna.
Recebe fibras da formação reticular e do córtex cerebral.
Envia fibras eferentes a outros núcleos talâmicos.
A função não se encontra completamente compreendida mas
poderá estar relacionada com o mecanismo pelo qual o córtex
cerebral regula a actividade talâmica.
Corpo geniculado medial
Dilatação na extremidade posterior do tálamo abaixo do pulvinar.
Faz parte da via auditiva e recebe informação dos dois ouvidos
mas predominantemente do lado oposto.
Envia fibras (radiações auditivas) para o córtex auditivo, na
circunvolução temporal superior.
Corpo geniculado lateral
Dilatação situada abaixo do pulvinar.
Faz parte da via óptica.
Consiste em seis camadas de células nervosas e é a terminação dos
axónios da camada de células ganglionares da retina.
8
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Cada corpo geniculado lateral recebe informação visual do
campo oposto da visão.
As fibras eferentes deixam o corpo geniculado lateral para formar a
radiação visual que passa ao córtex visual do lobo occipital.
Conexões
Todos os núcleos talâmicos (excepto os reticulares) mandam
axónios para diferentes partes do córtex cerebral, o qual, por sua
vez, envia fibras de volta para o tálamo.
O tálamo é um ponto de passagem importante de duas ansas
axionais sensorio-motoras (ansa cerebelar-rubro-talamico-cortico-
ponto-cerebelar e ansa corticalestriada-palidal-talamica-cortical)
envolvendo o cerebelo e os núcleos basais necessárias para o
normal funcionamento do movimento voluntário.
O tálamo recebe assim várias aferencias e envia também
enumeras eferencias:
Vias aferentes (segundo a classificação de Bourret)
Ponto de sinapse de todas as vias sensitivo-sensoriais, as vias
ascendentes com destino cortical vão convergir para o tálamo,
acompanhadas das vias cerebelosas e estriadas.
Essas vias provêm:
Da medula espinhal
Feixes espino-talâmicos (Vias da sensibilidade extra-
lemniscais) – Provenientes directamente da medula,
fazendo sinapses nas formações reticulares do tronco
cerebral. Destinam-se aos núcleos ventro-postero-lateral e
da linha mediana.
Esta via traz as sensações exteroceptivas táctil
protopática, térmica e dolorosa lenta.
Do tronco Cerebral
Sensibilidade Lemniscal, proveniente dos núcleos de Goll e
de Burdach, formando a Fita de Reil mediana e
conduzindo as sensibilidades proprioceptiva consciente e
sensibilidade táctil epicrítica e dolorosa rápida: via rápida
(destina-se ao núcleo ventro-postero-lateral).
Fita de Reil trigeminal – vector da sensibilidade da face,
destina-se ao núcleo ventro-postero-lateral.
Fibras do feixe solitário – juntam-se ao Reil, destinam-se ao
núcleo ventro-postero-lateral.
Fibras do núcleo Gustativo de Nageotte - destinam-se ao
núcleo ventro-postero-lateral.
Fita de Reil Lateral (Via olfactiva) – segundo neurónio da
via coclear, destina-se ao corpo geniculado medial.
9
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Fibras vestibulares ascendentes – que empregam o feixe
longitudinal posterior de associação.
Fibras provenientes da substância reticulada (formação
reticular bulbo-protuberancial) e do núcleo rubro -
destinam-se ao núcleo ventro-lateral)
Do cerebelo
Contigente Dentato-talâmico da via Dentato-rubro-
talâmica do pedúnculo cerebeloso superior, formando
desse modo uma ligação com a sensibilidade
proprioceptiva inconsciente (destina-se ao núcleo ventro-
lateral).
Do diencéfalo
Feixe olfactivo de vick d’Azyr - proveniente dos tubérculos
mamilares, conduz as sensações olfacticvas.
Feixe Hipotálamo-Talâmico - sensibilidade visceral.
Fita óptica – impressões visuais (termina no corpo
geniculado lateral, um contigente atinge o pulvinar).
Do corpo estriado
Via estrio-talâmica – atravessa a cápsula interna (destina-
se ao núcleo dorsomedial).
Do cortéx cerebral
Fibras Cortico-talâmicas (destinam-se ao núcleo dorso-
medial).
Funções das vias aferentes:
Conduzem ao tálamo o 2ºs Neurónios:
Das vias sensitivas: superficial, profunda e visceral
Das vias sensoriais: visual, auditiva, gustativa e vestibular.
Estabelecem ligações com os centros:
Arqueocinéticos (cerebelo): via cerebelo-talámica do
dentato-rubro-talámico;
Paleocinéticos (Corpoestriado): ligação com o corpo estriado;
Neocinéticos ( Cortex cerebral): pelas vias cortico-talámicas.
10
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Vias eferentes (segundo a classificação de Bourret)
A partir dos núcleos do tálamo vão emergir as vias eferentes, as
quais se escapam pelos deferentes segmentos da cápsula
interna para fornecerem três contigentes:
Contigente menor
Formam as fibras talâmicas constitutivas do feixe central
da calote em associação com as fibras com origem no
núcleo Rubro, a dirigirem-se para as Olivas Bulbares.
Contigente sub-cortical
Fibras tálamo-estriadas (para o pallium) que marcam o
regresso ao corpo estriado da via aferente estrio-talámica
e tálamo-hipotalâmicas vegetativas.
Contigente Cortical
Sai em leque pela Cápsula Interna formando a coroa
radiante (constituída pelos pedúnculos tálamo-corticais):
Pelo braço Anterior da cápsula Interna
Pedúnculo anterior (sensibilidade dolorosa para o
córtex frontal)
Pelo Braço Posterior
Pedúnculo latero-dorsal (3º neurónio das vias da
sensibilidade consciente para o lobo parietal)
Pelo segmento retro-lenticular
Pedúnculo post. ou radiações Ópticas de
Gratiolet (contorna por fora do núcleo caudado
para terminar no córtex visual do córtex occipital,
constituindo desse modo o 3º neurónio da via
óptica)
Pelo segmento sub-lenticular
Pedúnculo latero-ventral (passam entre o núcleo
lenticular e o núcleo caudado para atingirem o
cortéx temporal, transportando sensações auditivas
- feixe tálamo-temporal d’Arnold).
Pedúnculo médio-ventral (passa por dentro da
cauda do núcleo caudado. Dirige-se para o cortex
rinencefálico. Ao mesmo tempo olfactivo e
vegetativo.)
Vias comissurais (entre os tálamos)
Comissura Inter-habenular – junção das duas Habénulas.
Comissura Branca Posterior – Estabelece a junção entre os dois
Pulvinares.
11
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Os vários núcleos talâmicos, as suas conexões e as suas funções:
Núcleo Talâmico Fibras Aferentes Fibras Eferentes Função
Anterior Tracto mamilotalâmico; Circunvolução do Tom emocional;
Circunvolução do c.caloso Mecanismos de memória
corp.caloso; Hipotálamo. recente.
Hipotálamo.
Dorsomedial Córtex préfrontal; Córtex préfrontal; Integração de
Hipotálamo; Hipotálamo; informação somática,
Outros núcleos Outros núcleos visceral e olfactiva;
talâmicos. talâmicos. Relação c/sentimentos
emocs e estados
subjectivos.
Lateral dorsal Córtex cerebral; Córtex cerebral; Desconhecido
Lateral posterior Outros núcleos Outros núcleos
Pulvinar talâmicos. talâmicos.
Ventral anterior Formação reticular; Formação reticular; Influencia a actividade
Substância nigra; Substância nigra; do córtex motor
Corpo estriado; Corpo estriado;
Córtex pré-motor; Córtex pré-motor;
Outros núcleos Outros núcleos
talâmicos. talâmicos.
Ventral lateral Conexões semelhantes às do n.v.anterior, mas Influencia a actividade
com um maior input do cerebelo e um menor motora do córtex motor.
input dos n.vermelhos
Ventral Lemnisco trigeminal; Córtex somático Relaciona as sensações
posteromedial Fibras gustativas. sensorial primário comuns com a
Ventral Lemnisco espinhal e (áreas 3, 1e 2) consciência..
posterolateral medial.
Intralaminar Formação reticular; Córtex cerebral via Influência níveis de
Vias espinotalâmicas; outros núcleos consciência e alerta.
Vias trigeminotalamicas. talâmicos,
Corpo estriado.
Mediano(da Formação reticular; Desconhecida. Desconhecida.
l.mediana)
Reticular Córtex cerebral; Outros núcleos
Formação reticular. talâmicos.
12
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Corpo geniculado Colliculus inferior; Radiação auditiva Audição.
medial Lemnisco lateral de para a circunvolução
ambos os ouvidos temporal superior.
m/predominantemente
do ouvido contralateral.
Corpo geniculado Tracto óptico. Radiação óptica Informação visual do
lateral para o córtex visual campo oposto de visão.
do l.occipital
Adaptado do “Snell” pág.374
13
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Sistematização do tálamo
Funções
Motrizes
Sensitivo-sensoriais
Vegetativas
Integração e de associação
Afectivas
Psíquicas (controle da vigilância)
É assim um ponto de convergência de grande quantidade de
informação sensorial de todos os tipos (excepto olfactiva).
14
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
b) Corpo estriado
Situado lateralmente ao tálamo
Quase completamente dividido por uma banda de fibras
(cápsula interna) em:
Núcleo Caudado;
Núcleo Lenticular
Abordagem embriológica do corpo estriado:
Pallidum
Derivado de vesícula intermediária (que origina posteriormente
o diencéfalo). Constitui o Paleo-Striatum.
Putamen e Núcleo caudado.
Derivados da vesícula hemisférica (que origina posteriormente o
telencéfalo). Constituem o Neo-Striatum.
O Pallidum e o Putamen unem-se para formar o Núcleo
Lenticular.
O termo estriado é usado devido à aparência estriada
produzida pelas fibras de matéria cinzenta que passam pela cápsula e
conectam o núcleo caudado ao putamen.
b1) Núcleo caudado ou caudatum
Descreve uma curva em forma de ferradura de cavalo num
plano para-sagital à volta do Tálamo e da Cápsula Interna.
Relacionado com o ventrículo lateral.
Dividido em 3 porções:
Cabeça – Porção antero-superior mais dilatada;
Corpo – Região posterior;
Cauda - Porção antero-inferior mais afilada;
Cabeça
Larga e arredondada
Forma a parede lateral do corno anterior do ventrículo lateral
Continua inferiormente com o putamen (neostriatum)
Superiormente a este ponto de união feixes de massa cinzenta
passam na cápsula interna dando à região aparência estriada
Corpo
Longo e estreito
Contínuo com a cabeça na região do buraco intra-ventricular
Forma parte do pavimento do corpo do ventrículo lateral
Cauda
Longa e fina
Contínua com o corpo na região do fim posterior do tálamo.
Segue o contorno do ventrículo lateral e continua à frente no
tecto do corno interior do ventrículo lateral
Termina anteriormente no núcleo amigdaloide
15
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
2 Bordos (Interno, Externo)
2 Faces (ventricular ou convexa, côncava ou aderente)
2 Extremidades (ântero-superior e ântero-inferior)
Face ventricular ou convexa
Recoberta pelo epitélio ependimário do ventrículo lateral.
É composta por 3 segmentos:
Segmento superior – constitui a parte externa e anterior
do pavimento do corno frontal do ventrículo lateral
Segmento médio – encruzilhada ou carrefour do
ventrículo lateral
Segmento inferior – tecto do corno temporal do
ventrículo lateral
Face côncava ou aderente
Da cabeça e do corpo – relaciona-se com a cápsula interna.
Da cauda – relaciona-se com a face inferior do núcleo
lenticular através do segmento sub-lenticular da cápsula
interna.
Bordo interno
É constituído por 3 segmentos:
Segmentos superior: relaciona-se com o limite externo da
face superior do tálamo,com o sulco opto-estriado (sulco
antero-posterior do pavimento do corno frontal do
ventrículo lateral que separa a porção relacionada com
o Caudatumda porção relacionada com a face superior
do Tálamo através da lâmina afixa), com a fita semi-
circular e com a veia opto-estriada
Segmento médio: extremidade posterior do tálamo e fita
semi-circular
Segmento inferior: relação com a fita semi-circular que
termina no núcleo amigdalino
Bordo externo
Constitui o limite teórico da cápsula interna, extremidade antero-
superior
Relaciona-se em baixo com o espaço perfurado anterior,
extremidade antero-inferior
Termina atrás do núcleo amigdalino
16
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
b2) Núcleo lenticular
Relacionada medialmente com a cápsula interna que a separa
do núcleo caudado e do tálamo.
Relacionado com uma fina camada de matéria branca, a
cápsula externa, que a separa do claustrum.
Tem a forma de pirâmide Triangular de base externa.
Dividido em três massas cinzentas por lâminas de substância
branca dispostas num plano para-sagital; a mais externa constitui o
Putamen (neo-striatum); as duas mais internas constituem o Pallidum
(paleo-striatum) que é mais claro devido à grande concentração de fibras
de nervos mielínicos.
Possui quatro faces (ântero-superior, postero-superior, inferior e
externa (ou base), duas extremidades (anterior e posterior) e um vértice a
nível mediano.
Face ântero-superior
Braço anterior da cápsula interna
Cabeça do núcleo caudado
Face postero-superior
Relaciona-se com a face externa do tálamo
através do braço posterior da cápsula interna.
Face inferior
Separada do tecto do prolongamento temporal do
ventrículo lateral pelo segmento sub-lenticular da cápsula
interna e pela cauda do núcleo caudado
Face externa ou base
Relaciona-se com o cortex do lobo da ínsula
Encontra-se separada deste por: (de dentro para
fora)
Cápsula externa, claustrum e cápsula extrema
Extremidade anterior
Liga-se à extremidade anterior do núcleo caudado
por uma ponte de substância cinzenta
Extremidade posterior
Livre
Vértice
Joelho da cápsula interna
17
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Conexões do núcleo caudado e pallidus
O núcleo caudado e o putamen formam os locais
principais de recepção de inputs dos núcleos basais.
O pallidus forma o local maior onde o output
abandona os núcleos basais.
Eles não recebem inputs ou outputs directos da
medula espinhal.
Conexões do corpo estriado
Fibras aferentes
F. cortico estriadas
Todas as partes do cortex cerebral manda,m axónios ao
núcleo caudado e ao putamen
Cada parte do cortex cerebral projecta para uma parte
específica do neostriatum
Maior parte das projecções são do cortex do mesmo lado
O maior input provém do cortéx sensorio-motor.
Glutamato é o neurotransmissor das fibras corticoestriadas.
F. Talmicoestriadas
O núcleo intralaminar do tálamo manda grande número de
axónios para o núcleo caudado e putamen.
F. Nigroestriadas
Neurónios na substância negra mandam axónios para o
núcleo caudado e o putamen e libertam dopamina nos seus
terminais como neurotransmissor
Acredita-se que estas fibras têm função inibitória.
F. Troncocerebral-estriadas
Fibras ascendentes do tronco cerebral terminam no núcleo
caudado e putamen e libertam serotina nos seus terminais
como neurotransmissor.
Acredita-se que estas fibras têm função inibitória.
18
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Fibras eferentes
Fibras estriatopallidus
Passam desde o núcleo caudado e putamen para o pallidus.
Possuem “gamma-aminobutyric acid” (GABA) como o seu
neurotransmissor.
Fibras estriatonigral
Passam do núcleo caudado e putamen para a substância
nigra.
Algumas destas fibras usam GABA ou acetilcolina como
neurotransmissor enquanto outras usam substância P.
Conexões do pallidus
Fibras Aferentes
Fibras estriatopallidus
Passam desde o núcleo caudado e putamen para o pallidus.
Estas fibras têm GABA como neurotransmissores.
Fibras Eferentes
Fibras Pallidofugais
Fibras complicadas que podem ser divididas em grupos:
1. A ansa lenticular que passa para o núcleo talamico.
2. O fascículo lenticular que passa para o subtalamo.
3. Fibras pallidotegmentais que terminam no tegmento
caudal do mesencéfalo.
4. Fibras pallidosubtalamicas que passam para os núcleos
subtalamicos.
Vias comissurais
Comissura inter-lenticular ou estria de Meynert ( à frente dos pedúnculos
cerebrais).
Conexões inter-estriadas
19
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Ligações através da cápsula interna
Entre o núcleo caudado e o pallidum ou o putamen
Ligações intra-estriadas
Entre o pallidum e o putamen
Sistematização dos núcleos do corpo estriado
Funcionam sob o controle do cortéx cerebral;
Participam no controle dos movimentos automáticos e
associados e na regulação do tónus muscular;
Constituem um centro regulador fundamental das vias extra
piramidais;
Para além desta classificação da substância cinzenta pode-se também
encontrar a designação de núcleos da base que compreendem as massas
cinzentas subcorticais situadas profundamente no interior de cada hemisfério
cerebral com importantes conexões entre si.
Os núcleos da base são o:
núcleo caudado (já referido),
núcleo lentiforme (já referido),
claustrum (posteriomente referido),
corpo amigdalóide (posteriormente referido).
20
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
2.Núcleos infra-opto-estriados
Todas as outras formações cinzentas centrais do cérebro encontram-se,
topograficamente, por debaixo dos núcleos opto-estriados, com a excepção
do Claustrum que lhes é externo, e da epífise, que lhes é posterior, donde o
hábito de os agrupar sob o nome de núcleos infra-opto-estriados, se bem que
os seus papeis funcionais sejam muito diferentes dividindo-se por isso em:
a) Núcleos sinápticos extra-piramidais – servem de sinapse nas vias
extra.piramidais desempenhando por isso um papel semelhante ao do
corpo estriado;
b) Núcleos vegetativos superiores – agrupados no diencéfalo, são local de
importantes funções neuro-vegetativas;
c) Núcleos periféricos – cuja função é mal conhecida, repartem-se à volta
dos núcleos opto-estriados;
d) Núcleos rinoencefálicos – são núcleos de sinapse de um sistema muito
importante, o rinoencéfalo, primitivamente associado às funções
olfactivas, mas que, nos mamíferos, entrega a maior parte das suas
estruturas a funções meramente vegetativas.
21
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
a) Núcleos sinapticos extra-piramidais
Agrupados sob o tálamo, na junção dos braços anterior e
posterior da cápsula interna por um lado com o segmento infra-lenticular e
pedúnculo cerebral por outro.
Continuam-se por migração em direcção ao mesencéfalo,
onde um deles, o lócus niger, separa o pedunculo cerebral nos seus dois
sectores: calota e pé.
O núcleo rubro continua igualmente esses núcleos infra-opto-
estriados, de entre os quais constitui um elemento funcionalmente
equivalente.
Encontramos deste modo quatro núcleos principais:
Dois mesencefálicos
Núcleo rubro (já conhecido)
Locus niger
Dois diencefálicos
Zona incerta (pertence na realidade ao tálamo sendo
actualmente considerada uma formação reticulada
talâmica)
Corpo de Luys (também designado por núcleo sub-
talâmico, tem a forma de lente biconvexa e situa-se entre
o tálamo, por cima, e o locus niger mesencefálico, por trás
e em baixo).
A substância nigra do mesencéfalo e os núcleos subtalâmicos do
diencéfalo estão muito relacionados funcionalmente com as actividades
dos núcleos basais.
Os neurónios da substância negra são dopaminaenergéticos e inibitórios e
têm muitas conecções com o corpo estriado.
A disfunção deste sistema, que leva à diminuição dos teores de
dopamina, particularmente no pallidus, está relacionada com a origem
da doença de parkinson, caracterizada por fenómenos de rigidez, por um
tremor estático e postural e por uma perturbação dos movimentos
associados.
Os neurónios do núcleo subtalâmico são glutaminoenergéticos e
excitatórios e têm muitas conecções com o pallidus e a substância nigra.
Um atingimento do corpo de Luys leva a uma afecção rara, o
hemibalismo, caracterizado por movimentos violentos de projecção para
diante de um ombro ou do tronco.
22
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
b) Núcleos vegetativos
Constituído pelo centro sináptico superior das funções vegetativas –
Hipotálamo.
b1) Hipotálamo
O hipotálamo é parte constituinte do diencéfalo
Situa-se abaixo do o sulco hipotalâmico, na parede lateral do terceiro
ventrículo.
Relações:
Frente: área pré-óptica
Atrás: calote do mesencéfalo
Fora: cápula interna
Cima: quiasma óptico
Estende-se da região do quiasma óptico até aos corpos mamilares.
Possui várias funções importantes, sendo o centro superior das funções
sinápticas.
Núcleos Hipotalâmicos
Microscopicamente, o hipotálamo é composto de pequenas células
nervosas que se encontram dispostas em grupos de núcleos, muitos dos
quais não se encontram mesmo separados uns dos outros.
Para propósitos de descrição os núcleos estão divididos por um plano
imaginário para-sagital em:
Zona mediana (anterior para o posterior), pobre em mielina:
Parte do núcleo pré-óptico
Núcleo anterior
Núcleo supraquiásmico
Núcleo paraventricular
Núcleo dorsomedial
Núcleo ventromedial
Núcleo infundibular
Núcleo posterior
Zona Lateral (anterior para o posterior), rica em mielina:
Parte do Núcleo pré-óptico
Parte do Núcleo supraquiásmico.
Núcleo supra-óptico
Núcleo lateral
Núcleo tuberomamilar
Núcleo lateral tuberal
Os núcleos pré-ópticos, supraquiasmáticos e mamilares estendem-se às
duas áreas.
Com o avançar da tecnologia moderna os nomes têm sido alterados.
23
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Deverá ser realçado que maior parte dos núcleos hipotalâmicos são
defenidos pelas doenças.
Conexões do Hipotálamo
Vias Aferentes
O hipotálamo fica no centro do sistema límbico e recebe muitas
fibras aferentes:
das vísceras,
da membrana da mucosa olfactiva,
o córtex cerebral
do sistema límbico.
As conexões aferentes são numerosas e complexas, apenas serão
descritas as vias principais:
Aferentes viscerais e somáticas - chegam ao hipotálamo
através de ramos laterais de fibras aferentes lemniscais e
através da formação reticular.
Aferentes visuais - passam do quiasma óptico para os núcleos
supraquiasmáticos.
Via do olfacto - viaja pelo pedúnculo olfactivo.
Aferentes auditórias - ainda não foram identificadas, mas
como estímulos auditórios podem influenciar as actividades do
hipotálamo estes tem de existir
Fibras corticohipotalâmicas - que chegando lobo frontal do
córtex cerebral e passam directamente para o hipotálamo;
Fibras hipocampohipotalâmicas - que passam do hipocampo
através do fórnix até aos corpos mamilares (o hipotálamo é o
principal output do sistema límbico).
Fibras amigdalohipotalâmicas - que vêm do complexo núcleo
caudado-amigdalino para o hipotálamo através da estria
terminalis e por um trajecto que passa inferiormente ao núcleo
lenticular.
Fibras tálamohipotalâmicas - que chegam dos núcleos
dorsomediais e da linha mediana do tálamo.
Fibras tegmentais - que chegam do mesencéfalo.
24
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Vias Eferentes
As conexões eferentes são numerosas e complexas, apenas serão
descritas as vias principais:
Fibras descendentes para o tronco cerebral e medula esp inhal
- vão influenciar os neurónios periféricos do sistema nervoso
autónomo. Crê-se que através de uma série de neurónios na
formação reticular, o hipotámalo esteja ligado aos núcleos
parasimpáticos dos nervos motor ocular comum, facial,
glossofaríngeo e pneumogástrico no tronco cerebral. Da
mesma maneira, as fibras reticuloespinhais ligam o hipotálamo
com as células simpáticas de origem nos cornos cinzentos do
1º segmento torácico ao 2º segmento lombar da medula
espinhal e à via parasimpática sagrada e nível do 2º, 3º e 4º
segmentos sagrados da medula espinhal.
O Tracto mamilotalâmico tem origem nos corpos mamilares e
termina no núcleo anterior do tálamo. Aqui esta via está
relacionada com o giro cingulato.
O Tracto mamilotegmental - tem origem nos corpos mamilares
e vai terminar nas células da formação reticular no tegmento
do mesencéfalo.
Múltiplas vias para o sistema límbico.
Funções do hipotálamo
Controlo do sistema nervoso autónomo
Controlo do sistema Endócrino
Neuro-secreção
Regulação da temperatura corporal
Ingestão de comida e água
Emoção e comportamento
25
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
As principais conexões nervosas aferentes e eferentes do hipotálamo.
Percurso Origem Destino
Aferente
Medial e espinhal Vísceras Núcleos hipotalâmicos
lemniscais, tractus solitário, Estruturas somáticas
formação reticular.
Fibras visuais Retina Núcleo supraquiásmico
Feixes do prosencéfalo Mucosa da Núcleos hipotalâmicos
medial membrana olfactiva
Fibras auditórias Ouvido interno Núcleos hipotalâmicos
Fibras corticohipotalâmicas Lobo frontal do Núcleos hipotalâmicos
córtex cerebral
Fibras Hipocampo Núcleo dos corpos mamilares
hipocampohipotalâmicas
Fibras Complexo Núcleos hipotalâmicos
amigdalohipotalâmicas amigdalóide
Fibras tálamohipotalâmicas Núcleos Núcleos hipotalâmicos
dorsomediais e
medianos do tálamo
Fibras tegmentais Tegmento do Núcleos hipotalâmicos
mesencéfalo
Eferente
Fibras descendentes para o Núcleo pré-óptico, Parasimpático craniosagrado
tronco cerebral e medula anterior, posterior e e simpático torácicolombar
espinhal lateral do “outflows”
hipotálamo
Tracto mamilotalâmico Núcleo dos corpos Núcleo anterior do tálamo
mamilares relacionado com o giro
cingulato
Tracto mamilotegmental Núcleo dos corpos Formação reticular no
mamilares tegmento do mesencéfalo
Múltiplas vias Núcleos sistema límbico
hipotalâmicos
Adaptado do “Snell” pág.385
26
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
c) Núcleos periféricos
Classifica-se nessa categoria uma formação cinzenta que, na verdade,
não é infra-opto-estriada - Claustrum.
c1) Claustrum
Fina camada de massa cinzenta que é separada da superfície
lateral do núcleo lenticular pela cápsula externa.
Lateralmente ao claustrum encontra-se a massa branca subcortical
da insula
A sua função é desconhecida
27
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
d) Núcleos rinoencefálicos
Compreendem duas formações nucleares: os tubérculos mamilares e o
núcleo amigdalino.
d1) Tubérculos mamilares
Dois pequenos corpos hemisféricos, situados lado a lado
posteriormente ao tuber cinereum;
São compostos por um núcleo central de substancia cinzenta,
revestidos por uma fina camada de fibras mielínicas
Por trás encontra-se o espaço perfurado posterior.
Estão ligados ao conjunto das vias olfactivas pelo pilar anterior
do trígono, que, depois de ter percorrido as faces laterais do terceiro
ventrículo, se lança sobre o núcleo externo.
Pelo trígono passam vias aferentes provenientes do córtex da
circunvolução do hipocampo, e vias comissurais, que alcançam por sua
vez os tubérculos do lado oposto por intermédio da comissura inter-
trigonal. Do núcleo interno dos tubérculos partem dois feixes eferentes
que representam a via olfactiva destinada aos núcleos cinzentos centrais
e outra destinada aos reflexos protocinéticos:
O feixe de Vicq d’Azyr, que se destina ao núcleo anterior do
tálamo;
O feixe de Gudden, que se dirige para trás em direcção à fita
longitudinal posterior de associação, que emprega para se
terminar nos núcleos motores potocinéticos.
c2) Núcleo amigdalino (amigdaloide)
Situado no lobo temporal perto do uncus
Considerado parte do sistema límbico que será estudado
posteriormente
Por meio das suas conexões pode influenciar a resposta do
corpo a mudanças ambientais. Por exemplo, perante o medo, muda o
batimento cardíaco, pressão sanguínea, cor da pele, respiração.
28
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
3. Órgãos neuro-glandulares
Os órgãos neuro-glandulares são:
a) Hipófise ou glândula pituitária
b) Epífise ou glândula pineal
c) Órgãos ependimários do terceiro ventrículo
No seu conjunto, eles formam um sistema responsável pela secreção da
neuricrinia (substância de natureza coloidal).
Esta, ao circular ao longo das fibras nervosas, no sangue, através do
liquido céfalo-raquidiano e, ao nível das meninges moles, permite que os
órgãos neuro-glandulares tenham uma acção endócrina e neuro-
reguladora.
a) Hipófise ou glândula pituitária
A hipófise corresponde a uma estrutura ímpar e mediana.
Faz parte da porção mediana do andar médio do crânio. Ela ocupa a
sela turca, na sua totalidade, estando localizada no interior de uma loca
dura-materiana – a loca hipofisária. Como limites da loca podemos
considerar:
a nível inferior, o seio esfenoidal ;
lateralmente, os seios cavernosos;
o quiasma óptico, superiormente e anteriormente.
A glândula pituitária apresenta uma forma ovóide, estando suspensa do
pavimento do terceiro ventrículo pela haste pituitária.
Pode-se considerar que este órgão é constituído por três lobos:
um lobo anterior glandular, constituído por tecido epitelial, o
qual prolonga, anteriormente, a haste pituitária através de
uma lâmina côncava para trás;
um lobo intermediário, que é muito reduzido no ser humano
um lobo posterior ou neuro-hipófise, mais pequeno que o lobo
anterior e de natureza nervosa.
Cada um dos lobos vai apresentar um conjunto de células responsáveis
pela produção de determinado tipo de hormonas.
Deste modo, no lobo anterior é possível encontrar células somatotrópicas
(produzem STH), corticotrópicas (geradoras de ACTH), de prolactina,
gonadotrópicas (libertam de LH e FSH)e tireotrópicas (originam TSH).
Já o lobo posterior é constituído por células nevróglicas, de entre as quais
se destacam os pituicitos.
Estes estão localizados no meio das fibras do feixe hipotalamo -hipofisário,
sendo responsáveis pelo armazenamento das hormonas oxitocina e
vasopressina.
29
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Vascularização
A hipófise é irrigada por ramos provenientes das artérias carótidas internas.
Destas partem as artérias hipofisária superior, hipofisária média, hipofisária
inferior e do feixe conjuntivo lateral.
O sangue venoso é drenado através de um sistema porta hipofisário, o
qual recebe duas redes capilares:
uma localizada na haste pituitária, a qual recebe as hormonas
provenientes do lobo posterior
outra ao nível do lobo anterior e recebe as restantes
hormonas.
É por esta via que os produtos de secreção da hipófise atingem a
circulação em geral.
Conexões
A hipófise estabelece uma impotente conexão com o hipotálamo através
do feixe hipotálamo-hipofisário de Roussy e Mosinger.
Enervação
A enervação da hipófise é feita por uma rede simpática peri-arterial.
Conexões do hipotálamo com a hipófise
O hipotálamo está relacionado com a hipófise ou glândula pituitária por
duas vias:
1. Fibras nervosas que vão dos núcleos supra-ópticos e para ventricular
ao lobo posterior da hipófise
2. Vasos sanguíneos portais longos e curtos que ligam sinusóides na
eminência média e infundíbulo com plexos capilares no lobo
anterior da hipófise.
Estas vias permitem que o tálamo influencie as actividades das glândulas
endócrinas.
30
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
1. A Via hipotálamohipofisal
As hormonas vasopressina (hormona antidiurética – ADH) e oxitocina são
sintetizadas nas células nervosas dos núcleos supra-óptico e
paraventricular.
As hormonas passam através dos axónios de proteínas denominadas
neurofisinas e são libertadas nos terminais axónicos. São depois
transportadas para a corrente sanguínea em capilares do lobo posterior
da hipófise.
Vasopressina
A hormona vasopressina é produzida principalmente nas células
nervosas do núcleo supra-óptico e a sua função consiste na
vasoconstrição.
Possui também uma importante função antidiurética, causando
uma maior reabsorção de água ao nível do túbulo contornado
distal e túbulos colectores do rim.
O núcleo supra-óptico que produz a vasopressina actua como
um osmoreceptor.
Se a pressão osmótica do sangue circulante que atravessa o
núcleo for demasiado elevada, as células nervosas aumentam a
produção de vasopressina e o efeito antidiurético desta
hormona vai aumentar a reabsorção de água no rim, pelo que a
pressão osmática do sangue irá voltar aos limites normais.
Oxitocina
A oxitocina é produzida maioritariamente no núcleo
paraventricular.
Ela estimula a contracção músculo liso do útero e ainda a
contracção das células mioepiteliais que rodeiam o alvéolo da
glândula mamária.
31
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
2.O sistema porta hipofisal
O sistema porta hipofisal é formado de cada lado pela artéria hipófisal
superior, que é um ramo da artéria carótida interna.
A artéria entra na eminência média e divide-se em tufos de capilares.
Estes capilares drenam para vasos curtos e longos descendentes que
terminam no lobo anterior da hipófise dividindo-se em sinusóides
vasculares que passam entre as células secretoras do lobo anterior da
hipófise.
As hormonas libertadoras estimulam a produção e libertação da:
Hormona adrenocorticotrófica (ACTH),
Hormona estimuladora de folículos (FSH),
Hormona luteinizante (LH),
Hormona estimuladora da tiróide (TSH)
Hormona do crescimento (GH)
A libertação de hormonas inibidoras vai inibir a libertação da:
Hormona estimuladora de melanócitos (MSH)
Prolacctina - que estimula o corpo luteo a segregar
progestrona e a glândula mamária a produzir leite.
Os neurónios do hipotálamo são influenciados por fibras aferentes que
passam pelo hipotálamo.
São também infuenciados pelo nível de hormonas produzidas pelo órgão
alvo controlado pela hipófise.
b. Epífise ou glândula pineal
Este órgão neuro-glandular está localizado na fronteira entre o diencéfalo
e o mesencéfalo, podendo considerar-se que está situado à entrada da
fenda de Bichat, ao nível do debum do corpo caloso.
A glândula pineal dirige-se da zona anterior para a região posterior,
acabando por se projectar sobre o sulco médio dos tubérculos
quadrigémios anteriores.
O seu vértice tem uma posição posterior e encontra-se livre,
contrariamente à base que é anterior e corresponde ao ventrículo médio.
A base vai emitir um divertículo, o recessus pineal, compreendido entre
duas pregas (superior e inferior).
Das extremidades das pregas superiores vão surgir as habénulas ou
pedúnculos anteriores da pineal.
Estas vão acabar por atingir os pilares anteriores do trígono ao dirigirem-se
para fora e para a frente.
Ao nível da prega inferior visualiza-se a comissura branca posterior.
Anteriormente em relação à glândula pineal pode observar-se o tecto do
terceiro ventrículo, ou seja, a membrana tectória do terceiro ventrículo.
32
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Esta fixa-se lateralmente sobre a habénula e anteriormente sobre os pilares
posteriores do trígono.
Composição
A glândula pneal apresenta uma cápsula, constituída por tecido
conjuntivo-vascular, e um parênquima.
Este último vai apresentar células específicas, destinadas à secreção: os
pinealocitos.
A epífise não tem células nervosas mas recebe fibras simpáticas
adrenérgicas que derivam do gânglio superior cervical simpático.
Conexões
Fazem-se essencialmente com o hipotálamo.
Função
A actividade da epífise é muito importante dado que influencia a acção
da hipófise, dos ilhéus de Langerhans, das paratiróideias, das adrenais e
das gónadas.
O liquido céfalo-raquidiano e o sangue são os principais meios que
conduzem as secreções pineais aos órgãos-alvo.
A acção desta glândula é sobretudo inibitória e pode processar-se de
duas formas:
indirectamente – inibe a secreção de factores de libertação
pelo hipotálamo.
directamente – inibe a produção de hormonas.
Recentemente, foram descobertos valores elevados de melatonina e de
serotonina na epífise.
Tais substâncias são libertadas pelos pinealócitos quando estes são
estimulados pela libertação de norepinefrina das terminações simpáticas
na glândula pineal.
c. Órgãos ependimários do 3ºventrículo
Estes orgãs foram estudados juntamente com o hipotálamo secretor
33
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Substância branca do cérebro
A substância branca vai separar o córtex dos núcleos cinzentos centrais.
Ela vai ter a forma de um leque de fibras, as quais vão começar a
dispersar-se a partir dos espaços em torno dos núcleos cinzentos centrais
para, no final, atingirem o córtex cerebral. Esta configuração da
substância branca é designada de coroa radiada de Reil.
Assim, pode considerar-se a existência de duas zonas:
Região de dispersão – corresponde ao centro oval, ela está
localizada entre o córtex e os núcleos cinzentos centrais.
Região de concentração – corresponde às cápsulas, encontra-
se entre os núcleos cinzentos centrais sendo o local onde as vias
brancas se juntam para conseguirem atingir os andares inferiores.
As fibras brancas podem pertencer a vários sistemas funcionais:
Fibras de projecção – Funcionam como meio de ligação entre
o córtex e os núcleos cinzentos centrais e andares inferiores do
crânio. Elas podem ser ascendentes ou descendentes.
Fibras de associação – intra-hemisféricas, podendo ser custas
ou longas.
Fibras inter-hemisféricas – correspondem a comissuras entre os
dois hemisférios.
Contudo, o estudo da substância branca é feito considerando-se três
regiões:
Cápsulas (região central)
Centro Oval
Comissuras
34
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Cápsulas
As cápsulas estão localizadas entre os núcleos cinzentos centrais.
Existem três cápsulas:
Cápsula interna
Cápsula externa
Cápsula extrema
Cápsula interna
Trata-se de um local onde, obrigatoriamente, todas as fibras de projecção
vão passar.
Quanto à sua localização, ela envolve o núcleo lenticular separando-o
dos restantes.
Geralmente considera-se que ela está dividida em cinco sectores:
Braço anterior – Encontra-se entre a face antero-interna do
núcleo lenticular e a cabeça do núcleo caudado. Ele dá acesso
ao pedúnculo anterior do tálamo, a nível interno, e ao lobo frontal,
por uma abertura anterior.
Joelho – Localizado no bordo interno do núcleo lenticular,
correspondendo ao ângulo formado entre a cabeça do núcleo
caudado e o tálamo.
Braço posterior – Está compreendido entre a face postero-
interna do núcleo lenticular e a porção posterior do tálamo.
Desemboca, a nível superior, na fenda de Rolando.
Segmento retro-lenticular – Situa-se posteriormente em relação
ao núcleo lenticular. A sua porção mais profunda corresponde ao
tálamo posterior e relaciona-se, externamente, com o lobo esfeno-
temporal.
Segmento infra-lenticular – Está abaixo do núcleo lenticular,
sobrepondo a zona infra-opto-estriada. Também se relaciona
externamente com o lobo esfeno-temporal.
35
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Fibras
Fibras inter-estriadas ou opto estriadas – Correspondem a uma
ponte entre o núcleo caudado e o lenticular.
Fibras de projecção:
No braço anterior existem dois planos de fibras:
Plano externo – feixe fronto-ponto-cereboloso, o qual
corresponde às fibras descendentes provenientes do córtex
cerebral. É o responsável pela coordenação motora.
Plano interno – pedúnculo anterior do tálamo, o qual se
destina à projecção psíquica da dor.
O joelho apenas apresenta o feixe geniculado, que confere
a motricidade piramidal a alguns nervos cranianos.
O braço posterior tem, tal como o anterior, dois planos:
Plano externo – constituído pelas fibras cortico-medulo-
piramidais, responsáveis pela motricidade voluntária, e as
fibras parieto-ponto-cerebulosas.
Plano interno – pedúnculo supero-externo do tálamo. Este
projecta-se sobre a circunvolução parietal ascendente
O segmento retro-lenticular engloba:
Radiações ópticas de Gladiolet, as quais têm origem nos
corpos geniculados externos, integram o pedúnculo
posterior do tálamo e terminam no Rego Calcarino.
Fibras Occipto-ponto-cerebolosas
Por último, o segmento infra-lenticular tem dois planos:
Plano superior – o feixe cortico-ponto-cereboloso de Turk-
Mynert e o feixe tálamo-temporal de Arnold. Este último
engloba o pedúnculo infero-externo do tálamo e pertence
à via auditiva
Plano inferior – feixe olfactivo basal de Edinger, do qual
partem as fibras do pedúnculo inferior do tálamo.
Cápsula externa
Esta cápsula vai ser a responsável pala separação entre o
núcleo lenticular e o claustro.
Cápsula extrema
Localiza-se entre o córtex cerebral do lobo da insula e o
claustro.
36
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Centro Oval
Corresponde à região de dispersão, contendo fibras de
projecção, de associação e comissurais.
Fibras de projecção ascendentes e descendentes
Estas fibras vão atravessar o centro oval de modo a atingirem
a cápsula interna.
Elas vão formar dois feixes:
O feixe geniculado – nasce da base de circunvolução e
atinge o joelho da cápsula interna
O feixe cortico-medular – a sua origem é superior
comparativamente à do feixe geniculado e as suas fibras vão
para o braço posterior da cápsula interna.
Fibras comissurais
Estas atravessam o corpo caloso e dispersam-se de modo a atingir
os diferentes lobos do cérebro.
As fibras comissurais acabam por formar feixes em forma de pinças:
Forceps minor – para os lobos frontais
Forceps major – para os lobos occipitais
Fibras de associação
São fibras intra-hemisféricas, as quais podem ser longas (inter-
lobulares) ou curtas (intra-lobulares).
Relativamente às fibras de associação longas pode-se destacar:
O feixe longitudinal superior – liga o pólo frontal ao pólo
occipital, passando na fenda de Sylvios externamente em
relação à insula. È sub-cortical, ou seja, superficial
O feixe longitudinal inferior – liga o pólo occipital ao pólo
esfeno-temporal, passando na cápsula externa, ou mesmo na
cápsula extrema. È mais profundo que o anterior.
O feixe unciforme – liga o pólo frontal ao pólo esfeno-
temporal. Acaba por formar, em torno da origem do vale de
Sylvios, uma espécie de “ferradura de cavalo”.
O Tapetum – liga o lobo frontal aos lobos esfenoidal, temporal
e occipital
O Cingulum – forma um anel associativo ao nível do córtex
límbico, na sua face interna.
37
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Comissuras
Comissuras são porções de substância branca que unem regiões
correspondentes nos dois hemisférios.
Elas estão divididas em dois grupos:
Comissuras inter-hemisféricas
Comissuras diencefálicas
Comissuras inter-hemisféricas
Existem três comissuras inter-hemisféricas:
a) Corpo caloso
b) Trígono cerebral ou fornix
c) Comissura branca anterior
a) Corpo caloso
Trata-se da maior comissura do cérebro.
Corresponde a uma espécie de lâmina de substância branca que
une os dois hemisférios no fundo da fenda inter-hemisférica,
constituindo uma ponte telencefálica superiormente em relação ao
diencéfalo.
Geralmente considera-se que o corpo caloso apresenta quatro
regiões:
Rostrum
Joelho
Corpo
Debrum
Contudo, quando se procede à descrição do corpo caloso, torna-
se mais simples a distinção de uma face superior, uma face inferior,
uma extremidade anterior e uma extremidade posterior.
Face superior
É convexa no sentido antero-posterior e aplanada
transversalmente.
Esta face inter-hemisférica vai estar coberta por vestígios do
córtex primitivo, o indusium griseum ou indusium cinzento, o
qual é percorrido por cordões de substância branca
pertencentes ao sistema rinencefálico.
38
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Face inferior
Contrariamente à superior, esta face é côncava antero-
posteriormente.
Ela está localizada entre os cornos frontais dos ventrículos
laterais, constituindo o tecto destes.
Apresenta uma divisão na linha mediana correspondente
ao septum lucidum (vestígio da fusão dos córtex dos arcos
marginais).
Ainda na linha média, esta face une-se, posteriormente, ao
bordo posterior do trígono.
Extremidade anterior
Corresponde ao joelho.
A nível inferior ela é prolongada por uma lâmina afilada, o
bico do corpo caloso, o qual contribui para a formação da
lâmina terminal.
Esta localiza-se superiormente em relação à comissura
branca anterior.
Extremidade posterior
Corresponde ao debrum, tratando-se da zona de maior
espessura do corpo caloso.
A nível superior, ela limita a entrada na fenda de Bichat.
As fibras do corpo caloso dividem-se em três grupos:
Forceps minor – do joelho aos lobos frontais
Forceps major – do debrum para os lobos occipitais
Fibras transversais – conferem o aspecto radiado ao corpo
caloso.
39
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
b) Trígono cerebral
Tal como o corpo caloso, o trígono cerebral corresponde a uma
lâmina de substância branca. A sua base é posterior e o vértice
anterior.
Ele localiza-se inferiormente em relação ao corpo caloso e sobre o
terceiro ventrículo.
Apresenta uma forma encurvada na qual é possível distinguir uma
face superior, uma face inferior, dois bordos laterais, uma base e um
vértice.
Face superior
Posteriormente encontra-se unida ao corpo caloso, com o
qual estabelece uma íntima relação.
Já a nível anterior, está separado desta comissura devido à
presença do septum lucidum, ao qual se liga sobre a linha
mediana.
Toda a face superior do trígono contribui para a limitação
das paredes internas do ventrículos laterais.
Face inferior
Está relacionada com a Tela Coroideia Superior do terceiro
ventrículo.
Base – Relaciona-se com o corpo caloso
Bordos laterais – Contactam com os ventrículos laterais
Pilares do trígono
Pode-se considerar que o trígono cerebral ou fórnix é
constituído por dois arcos de círculo antero-posteriores,
unidos pela sua porção superior e média, cujas
extremidades se afastam formando os pilares do trígono.
Deste modo, os pilares correspondem a quatro cordões
brancos, dois anteriores e dois posteriores.
Pilares anteriores
Têm origem no vértice do trígono, dirigindo-se da frente
para trás.
Eles vão começar por contornar a extremidade
anterior do tálamo contribuindo para a delimitação
dos buracos de Monro (orifícios que fazem a
comunicação entre o terceiro ventrículo e o ventrículo
lateral do lado correspondente).
Seguidamente eles seguem um trajecto descendente,
passam anteriormente em relação ao tálamo e
terminam nos corpos ou tubérculos mamilares do
hipotálamo.
40
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Pilares posteriores
Têm origem na base do trígono.
Inicialmente dirigem-se para baixo, para trás e para
fora, contornando a porção posterior do tálamo.
Depois dirigem-se para a frente e para baixo,
acompanham o hipocampo e terminam nos núcleos
amigdalinos.
Quanto às fibras do trígono cerebral, é possível distinguir:
Fibras intra-hemisférica – unem o hipocampo aos tubérculos
mamilares pertencendo às vias olfactivas
Fibras inter-hemisféricas – permitam a comunicação entre
duas formações hipocâmpicas
41
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
c) Comissura branca anterior
Esta comissura rinencefálica liga os dois núcleos amigdalinos,
encontrando-se na parede telecenfálica do terceiro ventrículo.
Ela pode ser observada ao nível dos ângulos de separação das
colunas do trígono cerebral.
A comissura branca anterior vai contribuir para limitar a vulva
(espaço existente na parede do terceiro ventrículo e que é limitado
lateralmente pelos pilares anteriores do trígono e inferiormente pela
comissura branca anterior).
As suas fibras nervosas vão cruzar a lâmina terminal do corpo
caloso. A partir daí:
Fibras anteriores seguem em direcção à substância perfurada
e para o trato olfactivo
Fibras posteriores vão para os lobos temporais, atravessando o
núcleo lenticular.
42
Neuroanatomia Configuração interior do cérebro
Comissuras diencefálicas
Ao contrário das anteriores, estas comissuras são estritamente
diencefálicas. Elas formam as ligações entre os núcleos cinzentos centrais.
a) Comissura inter-habenular
Esta comissura permite a união dos dois gânglios habenulares, os
quais recebem eferentes do núcleo amigdalino e do hipocampo
Ela está localizada junto à prega superior do Recessus Pineal, sobre
o bordo posterior da membrana tectória do terceiro ventrículo.
b) Comissura branca posterior
Localiza-se junto À prega inferior do Recessus Pineal.
As suas fibras vão unir os pulvinares, os corpos geniculados externos,
os tubérculos quadrigémios anteriores, núcleos do III e IV pares
cranianos, Locus Niger e os núcleos Rubro.
Ela tem fibras para o reflexo papilar.
c) Comissura sub-talâmica de Forel
Entre os corpos de Luys, ao nível da região sub-talâmica
d) Comissura inter-tuberiana
Une as formações hipotalâmicas no pavimento do terceiro
ventrículo.
e) Comissura inter-estriada de Meynert
Ela liga os dois palliduns através da região sub-talâmica
e) Comissura inter-retiniana
Entre os dois nervos ópticos através do quiasma óptico
g) Comissura de Gudden
Utilizando as fitas e o quiasma óptico, ela une os dois corpos
geniculados internos acústicos.
43
Neuroanatomia 10. Sistema Ventricular
10. Sistema Ventricular
Introdução
Relembrando um pouco do desenvolvimento do SNC
O SNC (de origem ectodérmica) forma-se a partir do tubo neural → e como o
próprio nome sugere, todas as estruturas que dele derivam apresentarão:
um conjunto de paredes
uma cavidade
Todos os ventrículos contêm LCR e estão revestidos por epêndima.
Todas as cavidades comunicam entre
Ventrículo Lateral Ventrículo Lateral
Buraco de Monro
III ventrículo
Aqueduto de Sylvius
(estabelece a ligação entre o III e IV ventrículos)
IV ventrículo
Até 1/2 superior do bulbo, depois (1/2 inferior) continua-se com o canal ependimário
da medula espinhal, comunica com o espaço sub-aracnoideu por 3 orifícios:
Buraco de Magendie(1)
Buraco de Luschka (2)
O canal ependimário é fechado, em baixo, por uma pequena dilatação
Ventrículo terminal (que se situa na extremidade inferior do cone terminal da
medula)
1
Neuroanatomia 10. Sistema Ventricular
Ventriculos Laterais
São cavidades ependimárias dos hemisférios
Em número de 2, um de cada lado
Têm, de grosso modo, a forma de um C, cuja concavidade é anterior
Começam imediatamente acima da extremidade antero-posterior do núcleo
caudado, acompanha a convexidade deste e do tálamo, contornam a sua
extremidade posterior (pulvinar) e penetra no lobo temporal, abaixo da
extremidade superior do pedúnculo cerebral e da cauda do núcleo caudado.
No ventrículo Lateral é possível identificar:
o corpo - projecta-se no lobo parietal
o corno anterior - projecta-se no lobo frontal
o corno posterior - projecta-se no lobo occipital
o corno inferior - projecta-se no lobo temporal
Comunica com o III Ventrículo pelo Buraco interventricular ou de Monro, cujos
limites são:
o anterior - pilares anteriores do Fórnix/Trígono
o posterior - extremidade anterior do tálamo
o cima - membrana tectória
Corpo
Projecta-se no lobo parietal
Zona onde se reúnem os 3 cornos
Limites:
posterior: extremidade posterior de tálamo (pulvinar) e segmento
descendente do núcleo caudado
interna: septo lúcido (liga o corpo caloso ao fórnix)
externa: feixes do corpo caloso
superior / tecto: face inferior do corpo caloso
inferior / pavimento: corpo do núcleo caudado
Corno Anterior ou Frontal
Projecta-se no lobo frontal
É o mais largo
Apresenta 3 paredes:
superior: face inferior se corpo caloso
interna: septo lúcido
inferior: dividida em 2 segmentos
Anterior:
cabeça do núcleo caudado (externamente)
fibras do joelho do corpo caloso
Posterior:
corpo do núcleo caudado
sulco opto-estriado (por onde passa a veia do corpo
estriado e a fita semi-circular)
segmento externo da face superior do tálamo
2
Neuroanatomia 10. Sistema Ventricular
plexo coroideu lateral (sulco coroideu)
metade lateral do trígono
Corno Posterior ou Occipital
Projecta-se no lobo occipital
Dirige-se horizontalmente para trás
Apresenta 2 paredes
supero-externa: corresponde aos feixes do corpo caloso formando o
tapetum e às radiações ópticas
infero-externa: elevada por 2 saliências sobrepostas
Superior – bulbo (provocada pelo Forceps
Major, que são os feixes mais recuados do corpo caloso)
Inferior – Esporão de Morand ou Calcar Avis
(expressão do sulco calcarino)
Corno Inferior
Projecta-se no lobo temporal, abaixo do núcleo caudado
Apresenta 2 paredes:
Superior ou abóbada: corresponde á cauda do núcleo caudado, ao
núcleo amigdalino e à face inferior do tapetum
Inferior: apresenta de fora para dentro e de baixo para cima
eminência colateral de Meckel
corno de Ammon
fímbria – para dentro da qual a parede fica reduzida à
fenda de Bichat
Carrefour ou encruzilhada
Esta parte do ventrículo é limitada:
à frente: pela extremidade posterior da camada óptica e pelo segmento
descendente do núcleo caudado
por fora: pelos feixes do corpo caloso
por dentro: por uma simples lâmina epitelial
Plexo Coroideu
Projecta-se na parede interna do ventrículo
É uma franja composta por pia-máter e coberta por uma camada de células
ependimárias
Constitui a extremidade lateral da tela coroideia
Na junção do corpo com o corno inferior o plexo coroideu aloja-se no sulco
coroideu
A função deste é produzir LCR
3
Neuroanatomia 10. Sistema Ventricular
III Ventrículo ou Ventrículo Médio
Cavidade ependimária do Diencéfalo
Situa-se entre os 2 hemisférios cerebrais, à frente de Mesencéfalo
Projecta-se na parte mediana da abóbada craniana
Tem a forma de uma pirâmide quadrangular com 5 paredes: laterais (2),
superior, anterior, postero-inferior
Comunica com os Ventrículos Laterais através do Buraco de Monro e com o IV
ventrículo pelo Aqueduto de Sylvius (Aqueduto Cerebral)
É atravessado pela comissura cinzenta que une os dois tálamos.
Diencéfalo
Situado entre os dois hemisférios cerebrais, à frente e em cima do Mesencéfalo
É constituído pelo III Ventrículo e pelas estruturas que delimitam o mesmo
Estende-se desde o ponto em que comunica com o Aqueduto de Sylvius
(atrás), até ao Buraco de Monro, através do qual comunica com Ventrículos
Laterais à frente
Como estrutura mediana que é, é simétrico em relação à linha média
O diencéfalo apresenta 4 paredes a descrever:
Parede inferior:
É a única área exposta;
Constituído por estruturas hipotalâmicas, da frente para
trás está o Quiasma Óptico, Infundibulum (com Tuber
Cinerium) e Corpos Mamilares.
Parede superior:
Está coberta pelo Trígono, que é uma camada espessa
de fibras com origem no hipocampo do Lobo Temporal
e que curvam posteriormente, sobre o Tálamo, por se
unirem aos Corpos Mamilares.
A parede superior propriamente dita é formada pelo
tecto do III ventrículo: consiste numa camada de
epêndima, coberto por cima pela Tela coroideia do III
ventrículo (camada vascular de pia-máter)
Suspensos ao nível da linha média estão os plexos
coroideus do III ventrículo, que se projectam para a
cavidade do mesmo.
Parede externa:
É limitada pela Cápsula Interna (de substância branca),
que é constituído por fibras que ligam córtex cerebral a
outras regiões do tronco cerebral e à medula espinal.
Parede interna:
4
Neuroanatomia 10. Sistema Ventricular
É formada, na porção superior, pela face interna do
Tálamo e na porção inferior pelo Hipotálamo, estando
as duas porções separadas pelo sulco Hipotalâmico.
Paredes Laterais
Situadas de cada lado do ventrículo, sendo formadas por:
Parte superior: face interna do tálamo Separadas pelo sulco
Parte inferior: face inferior do hipotálamo hipotalâmico (ou de Monro)
O tálamo é um núcleo cinzento, ovóide, com uma direcção oblíqua, que
está de cada lado da cavidade ventricular
O tálamo apresenta 4 faces e duas extremidades a descrever:
Face superior:
Limitada externamente pelo sulco opto-estriado, onde
repousa o núcleo caudado, e internamente pelo
pedúnculo anterior da glândula pineal (epífise) ou
habénula
Encontra-se o sulco coroideu (oblíquo), sobre o qual
repousa o plexo coroideu lateral. Este está dividido em
2 segmentos: interno (relacionado com a tela coroideia
superior ou do III vent.) e externo (faz parte do
pavimento do corno frontal, do ventrículo lateral).
Triângulo da Habénula: está na zona postero-interna. Lá
encontra-se o núcleo da habénula, o qual é limitado
pela habénula (dentro), pelo sulco da habénula (fora)
e pelo tubérculo quadrigémeo anterior (atrás).
Face inferior:
Unida à calote do pedúnculo cerebral, que toma aqui
o nome de região sub-talâmica ou infra-óptica
Face externa:
É convexa
Está unida ao núcleo caudado (cima) e à cápsula
interna (baixo)
Face interna:
Relaciona-se com os tubérculos quadrigémeos
(atrás)
É limitada em cima pela habénula e em baixo pelo
sulco de Monro (que vai desde a extremidade anterior
do aqueduto de Sylvius até ao buraco de Monro) – este
sulco indica o limite entre o tálamo e a região sub-
talâmica na parede lateral do III ventrículo
Os 2/3 anteriores são livres e livres e formam a
parede lateral do ventrículo lateral
5
Neuroanatomia 10. Sistema Ventricular
Está unida à face interna do tálamo contra-lateral
pela comissura cinzenta, que contém o núcleo de
reuniens (núcleo vegetativo)
Extremidade anterior:
Limita posteriormente o buraco de Monro; parcialmente
livre
Separa o tálamo dos pilares anteriores do trígono
Extremidade posterior:
Volumosa, e designa-se pulvinar
Na face inferior apresenta os corpos geniculados
interno e externo (mais superior)
Os corpos geniculados estão unidos aos tubérculos
pelos braços conjuntivais: o braço anterior une o
tubérculo anterior ao corpo geniculado externo, e o
braço posterior une o tubérculo posterior ao corpo
geniculado interno (AE, PI). Os braços conjuntivais estão
separados pelo sulco interbraquial que prolonga o sulco
transversal que separa os tubérculos quadrigémeos
posteriores dos tub. quad. anteriores
A região sub-talâmica localiza-se abaixo do
tálamo, prolongando a calote do pedúnculo cerebral; é formada por vários
elementos: extremidade superior do núcleo rubro, diversos corpos de
substância cinzenta como a zona incerta, o corpo de Luys e a porção mais
elevada do Locus Níger, e ainda vários feixes que separam estas estruturas:
feixes mamilo-talâmicos de Vicq D’Azyr, feixe mamilo-tegmental, feixes
lenticulares e talâmicos, e a fita de Reil mediana (dirige-se para o núcleo
externo do tálamo), entre outros.
Parede Superior ou tecto
Convexa da frente → trás e côncava transversalmente
Na junção com a parede posterior está a Epífise ou Glândula Pineal → esta
está assente num sulco entre os tubérculos quadrigémeos anteriores, o vértice
é livre e posterior, a base corresponde ao III Ventrículo e é cruzado pelo
recessus pineal, compreendido entre duas pregas (superior e inferior)
Das extremidades laterais da prega superior nascem as habénulas ou
pedúnculos anteriores da glândula pineal, que se dirigem até aos pilares
anteriores do trígono (separam as paredes superior e lateral do tálamo)
Na espessura da prega inferior, que une a glândula pineal ao tecto do
aqueduto de Sylvius, está a comissura branca posterior (une os pulvinares,
tubérculos quadrigémeos anteriores, corpos geniculados externos, núcleos
rubro e Locus Niger)
À frente da glândula pineal o tecto é formado por uma lâmina epitelial-
membrana tectória do III Ventrículo → esta membrana fixa-se lateralmente na
habénula e anteriormente aos pilares de trígono; posteriormente, reflecte-se na
porção média da face superior da epífise para se continuar com o epitélio
ependimário que reveste a sua base, limitando assim, o divertículo designado
recessus supra-pineal
6
Neuroanatomia 10. Sistema Ventricular
Parede postero-inferior ou Pavimento
Inclinada para a frente e para baixo
Nesta parede encontra-se (de cima para baixo):
Base da Epífise
Abertura para o Aqueduto de Sylvius (ou Aqueduto Cerebral) – anus
Lâmina de substância cinzenta formada pela extremidade anterior dos
pedúnculos cerebelosos ou da região interpeduncular; essa lâmina de
substância cinzenta estende-se até uma cavidade ventricular em forma de
funil – o infundibulum
Do lado ventricular a superfície do pavimento é lisa e regular, ao contrário da
superfície exterior (cerebral), que é irregular e apresenta de trás para a frente:
Espaço Perfurado Posterior ou Espaço Interpeduncular: neste espaço a
parede ventricular toma o nome de lâmina perfurada posterior, onde
passam os ramos centrais da artéria cerebral posterior
Corpos / Tubérculos Mamilares: 2 corpos semi-esféricos de substância
cinzenta central, cobertos por uma fina camada de substância branca
periférica
Tuber Cinereum: superfície convexa entre o quiasma óptico (frente) e os
tubérculos mamilares (atrás); a sua porção superior desenha uma saliência
irregular – a eminência sacular; a porção mais saliente continua-se para
baixo com um tubo cónico de substância cinzenta – o infundibulum ou
haste pituitária– que está contíguo à hipófise
Quiasma Óptico: é uma lâmina quadrilátera, de substância branca,
achatada e alongada; dos ângulos postero-laterais saem as fitas ópticas,
enquanto que dos ângulos antero-laterais partem os nervos ópticos.
Continua-se com o tuber cinereum (atrás) e com a lamela supra-óptica
(cima).
Parede anterior
Quase vertical
Cima: formada pelos pilares anteriores do trígono (fórnix), que limitam os
Buracos de Monro, juntamente com a extremidade anterior do tálamo
Os pilares anteriores do trígono vão se afastando à medida que descem, e
nesse ângulo de afastamento vemos um cordão branco transversal –
comissura branca anterior. Esta cruza a face anterior dos pilares e limita
com eles um espaço triangular – vulva ou fossa triangular
Abaixo da comissura branca anterior, a parede anterior é apenas formada
por uma fina lamela cinzenta – lamela supra-óptica ou lâmina terminal. Esta
continua-se com o corpo caloso e o septo lúcido (cima), com o espaço
7
Neuroanatomia 10. Sistema Ventricular
perfurado anterior (lateralmente), e une-se ao quiasma óptico (baixo), com
o qual delimita o recesso óptico (divertículo da cavidade ventricular).
Plexos Coroideus do III Ventrículo
A tela coroideia (acima do tecto do tecto do ventrículo) projecta-se para
baixo, de cada lado da linha média, invaginando o tecto ependimário do
ventrículo, e formando os plexos coroideus:
são duas saliências pendentes do tecto do III
ventrículo
produzem LCR
irrigação sanguínea: ramos coroideus das artérias
carótida interna e basilar (tronco basilar)
drenagem venosa: para veias cerebrais internas, que
se anastomosam para formar a grande veia cerebral, que por sua vez
se une ao seio sagital inferior (drena para o seio recto).
8
Neuroanatomia 10. Sistema Ventricular
IV Ventrículo
É uma dilatação do canal ependimário.
Entre:
Bulbo (metade inf do 4º ventriculo é formada pela metade sup do bulbo)
Protuberância (metade sup do 4º ventriculo é formada pela metade inf
da ponte)
Cerebelo (posteriormente o 4º ventriculo é formado pela parede ant do
cerebelo)
Parede Anterior ou Pavimento
Está dividido em 2 porções ou triângulos:
a) Triângulo Superior ou Protuberancial
b) Triângulo Inferior ou Bulbar
Na linha média existe um sulco longitudional que vai desde o ângulo sup ao
inf:
Haste do Calamus Scriptorius
da porção média da haste vão partir filamentos delgados e brancos:
Barbas do Calamus - Estrias Acústicas ou Estrias Medulares (o seu nº e
direcção é variável e geralmente dirigem transversalmente seguindo os limites
dos triangulos bulbar e protuberencial. Ao chegar aos angulos laterais do quarto
ventriculo, contornam por fora os pedunculos cerebelosos infs para chegar ao
núcleo: tuberculo lateral acustico ou auditivo, que é o nucleo onde as estrias
têm origem).
a) Triângulo Bulbar
De dentro p/fora:
Asa Branca Interna ou Trígono do Hipoglosso, está dividida em uma
crista transversal em 2 vertentes.
· Vertente Interna ou Area Medialis ( relação c o nucleo do
hipoglosso)
· Vertente Externa ou Area Plumiformis (apresenta pequenas
pregas transversais e corresponde ao núcleo intercalado)
Asa Cinzenta, Fóvea Inferior ou Trígono do Pneumogástrico
( pq corresponde ao nucleo dorsal do X par); triangulo de base inf.)
limitado em baixo, por um cordão branco:
· Funiculus Separans. Este cordão vai desde a extremidade inf da
asa ext até à extremidade inf do triangulo bulbar. Limita com o
9
Neuroanatomia 10. Sistema Ventricular
pedunculo cerebeloso inf uma zona: Área Postrema, que
corresponde à extremidade sup do núcleo de goll.
Asa Branca Externa
É a porção bulbar duma região que se extende sobre toda a
porção externa do quarto ventriculo · Zona Vestibular do IV
Ventrículo, relacionada c os nucleos vestibulares.
b) Triângulo Protuberancial
De dentro p/fora:
Eminência Redonda ou Eminência Teres
· Núcleo de origem do M.O.E., contornado por fibras do facial, por
isso pode chamar-se coniculo do facial.
Fóvea Superior, situada no prolongamento da asa cinzenta está em
relação c:
· Núcleo Motor do Trigémio, pode ser chamada fosseta do
trigémio.
Parte Sup. da Área Vestibular, que segue a asa branca ext
Locus Coeruleus, situado por fora da porção sup da fovea sup
EM GERAL, O PAVIMENTO VENTRICULAR TEM:
Sulco Médio e a cada lado 2 Saliências Longitudinais separadas p/uma
Depressão
· Interno Funículo Teres -limitado : Asa Branca Interna (em baixo) -
Eminência Teres(em cima)
· Externo Zona Vestibular
· DepressãoSulco Limitante, na porção média constitui a fosseta inf e
sup.
Parede Posterior ou Tecto
a) Parte Média ou Cerebelosa
b) Parte Inf. ® Membrana Tectória, Tela Coroideia e Plexos Coroideus
c) Parte Sup. ® Válvula de Vieussens
a) Parte Média
É constituda por:
Face Anterior do Cerebelo entre:
10
Neuroanatomia 10. Sistema Ventricular
· Língula (em cima)
· Nódulo e Válvulas de Tarin (em baixo)
· Pedunculos Cerebelosos (por fora)
b) Parte Inferior
· Constituída pela Membrana Tectória ou obturadora
...aderente ao Folheto Profundo da Tela Coroideia Inferior
Tela Coroideia Inferior e Plexos Coroideus
· Prega da Pia Mater...
...na anfractuosidade profunda que separa...
...Face Inf. do Cerebelo da Porção Bulbar do Tecto do IV Ventrículo
A tela é triangular c base sup.
· 2 Folhetos:
- Cerebeloso (sup.)
- Bulbar (inf. ou anterior), que continuam um c o outro no fundo d
saco.
Sobre o folheto ant ou bulbar encontram-se 2 cordões
longitudinais, a um e outro lado da linha média · Plexos
Coroideus médios. Que se continuam na sua extremidade
sup como plexos laterais. Estes extendem-se para lá dos
angulos do 4º venticulo.
Membrana Tectória
é uma lamina epetilial que atapeta a face profunda ou ventricular do folheto
ant da tela corodeia. Constitui para trás a porção bulbar do 4º ventriculo
· É a parte Bulbar do IV Ventrículo
· É Triangular
· Continua-se com:
- Bordo Ant. das Válvulas de Tarin (base)
- Parede Post. do Canal Ependimário da Medula (vértice)
- Bordo int. Pedúnculos Cerebelosos Inf. (bordos lat.)
Obex
é um reforço do Ângulo Inf. da Memb. Tectória, q s continua
para baixo c a comissura cinzenta
Língula.
Espessamentos da Memb. Tectória p/cima do Obex
cada lingula apresenta2 segmentos- 1 inf(vertical) e outro sup
( transversal).
A porção sup de cada lingula cobre em parte o plexo coroideu
lateral.
Buraco de Magendie (um orificio médio), plo qual a cavidade
ependimaria comunica c o espaço subaracnoideu
· Orifício no Ângulo Inf. do Ventrículo...
...em que a Memb. Tectória é só Epitélio
11
Neuroanatomia 10. Sistema Ventricular
Buracos de Luschka (2 orificios laterais)
· Aberturas no Folheto Bulbar da Tela Coroideia
ocupam os angulos laterais da tela
c) Parte Superior
É a Válvula de Vieussens, lamina nervosa branca que:
Vai de um Pedúnculo Cerebeloso Superior ao outro
Cobre o Triângulo Protuberancial do IV Ventrículo
A Base (bordo inf.) continua-se com a Extrem. Ant. do Vermis Sup. ou
Língula
A Vértice (extrem. sup.) estende-se até aos Tubérculos Quadrigémios
Post.
Freio da Válvula: Prolongamento que une a extrem. sup da válvula ao
sulco que separa os tubérculos quadrigémios post. de cada lado saem os
Nervos Patéticos
Bordos
Inferiores
são formados pela linha de união da Língula com o pedúnculo Cerebeloso Inf.
Recesso Lateral – prolongamento lateral da cavidade ventricular, que se
apoia sobre a face post do pedunculo cerebeloso inf.
Superiores
são formados pelo lado Int. dos Pedúnculos Cerebelosos Sup.
Ângulos
O 4º ventriculo é uma dilatação do canal ependimario.
A sua extremidade inf ou angulo inf comunica c o canal
ependimario da medula espinhal.
A sua extremidade sup ou ang sup comtinua-se com o aqueduto de
sylvius.
Os angs laterais correspondem às extremidades dos recessos
laterais.
12
Neuroanatomia 10. Sistema Ventricular
13
Neuroanatomia 11. Sistema Limbico
11. Sistema Límbico
Introdução
O termo límbico remete para o conceito de margem e foi usado pelos
primeiros anatomistas para designer o conjunto das estruturas marginais ao
mesencéfalo, entre o córtex cerebral e o hipotálamo.
Actualmente o sistema límbico é caracterizado mais pelas suas funções e
inclui muitas outras estruturas determinantes no controlo da emoção,
comportamentos e memória.
A sua função é a integração de informações sensitivo-sensoriais com o
estado psíquico interno, atribuindo às primeiras um conteúdo afectivo,
registando e relacionando-as mnesicamente e produzindo uma resposta
emocional adequada, consciente e/ou vegetativa.
Estruturas:
Estruturas Límbicas Estruturas Relacionadas
Comunicação com Resposta emocional
Cortex límbico Hipotálamo
córtex (vegetativa)
Memória, relação Tálamo (núcleos Aferência
Hipocampo
com passado límbicos) sensitivo- sensorial
Gânglio da Via retro-reflexa de
Amigdala Integra
habénula Meinert
Áreas límbicas do
Aparelho olfactivo Aferência Resposta emocional
mesencéfalo
Atenua influência
Áres límbicas do Estado psíquico
Região septal afectiva na resposta
córtex interior
emocional
Tabela 1 – Estruturas límbicas e relacionadas funcionalmente, e respectivas funções resumidas
Neuroanatomia 11. Sistema Limbico
RESUMO DAS ESTRUTURAS LÍMBICAS
Córtex Límbico
Circunvolução do corpo caloso
Circunvolução Para-Hipocâmpica Circunvolução Límbica (ou anel
límbico – forma de anel)
Hipocampo
Dorsal ou Circunvolução Intra-límbica
Ventral ou Formação Hipocâmpica
Corno de Ammon ou Hipocampo propriamente dito
Corpo Tufado
Subiculum
Amígdala
Sistema Olfactivo
Bulbos Olfactivos
Pedúnculos Olfactivos
Fitas ou estrias olfactivas
Fita Olfactiva Interna
Fita Olfactiva Externa
Fita Olfactiva Média (inconst.)
Espaço perfurado anterior
Região Septal
Septo Lúcido
Área Septal
Núcleos Septais
Neuroanatomia 11. Sistema Limbico
Córtex Límbico
Circunvolução do corpo caloso
Face interna dos hemisférios, estendendo-se sobre o corpo caloso
Limites:
o à frente – região septal
o atrás – debrum do corpo caloso
o em baixo – rego do corpo caloso
o em cima e à frente – sulco caloso-marginal ou sub-frontal
o em cima e atrás – sulco sub-parietal
As fibras provenientes do córtex desta circunvolução designam-se de
cíngulum.
Circunvolução Para-Hipocâmpica (5ª circunvolução temporal)
Continua-se atrás com a 5ª occipital ou lobo lingual, ambas situadas
na face interna do lobo temporal
Está compreendida entre:
o sulco colateral (em baixo)
fenda de Bichat (em cima)
Relaciona-se:
atrás com o istmo da circunvolução do corpo caloso
à frente termina no uncus (estrutura em forma de gancho que
dobra para cima e para dentro, no interior da qual está a
amígdala e na sua porção antero-superior está o Lobo Piriforme ou
córtex sensorial olfactivo)
É atravessada longitudinalmente pelo sulco do Hipocampo (visível na
face interna do lobo temporal em corte coronal) ao fundo do qual se
encontra o Corno de Ammon ou hipocampo propriamente dito.
Estas duas estruturas formam um anel em torno das estruturas inter-hemisféricas
que se encerra à frente com as fitas olfactivas circunvolução límbica.
Conexões
Aferências:
Tálamo:
Núcleo Anterior – Comunica informação sensitivo-sensorial ao
córtex cingular (circunvolução do corpo caloso)
Núcleo Latero-dorsal
Córtex:
Áreas Límbicas do Neo-cortéx – influência cortical no sistema
límbico, mediante a percepção consciente das emoções
formadas e interpretação de estados psíquicos subjectivos.
Eferências:
Principalmente pelo Cingulum e projectam-se em:
Hipocampo;
Amígdala;
Neo-cortéx associativo (Pré-frontal e Parietal).
Neuroanatomia 11. Sistema Limbico
Hipocampo
Relacionado com a memória e experiências passadas.
Estrutura em forma de anel à volta da face interna dos hemisférios.
Duas porções que se continuam:
Hipocampo Dorsal (circunvolução intra-límbica)
Vestigial.
Tem origem ao nível da circunvolução subcalosa.
Continua-se para trás pelo indusium cinzento (fita de substância
cinzenta que cobre a face superior do corpo caloso), que se faz
acompanhar de duas bandas de substância branca os Tratos de
Lancisi (constituídos pelas estrias longitudinais mediana e lateral).
Une-se ao hipocampo ventral pela Fascíola Cinérea (que prolonga o
indusium cinzento para trás do corpo caloso e se continua pelo corpo
tufado, que já pertence ao hipocampo ventral).
À frente, cada Trato de Lancisi contorna o joelho do corpo caloso
para baixo e passam-se a designar de Pedúnculos do Corpo Caloso e
depois de Fita Diagonal de Broca, que une os dois hipotálamos,
chamada de Fita de Giacomini na sua porção temporal.
Hipocampo Ventral (formação hipocâmpica)
Situado na profundidade do sulco do hipocampo na face interna da
circunvolução para-hipocâmpica.
Em relação íntima com o pavimento do corno temporal do ventrículo
lateral.
À frente vai até ao uncus.
Composto por 3 porções:
1. Corno de Ammon (ou Hipocampo propriamente dito)
Elevação de substância cinzenta que se estende em todo o
comprimento pelo pavimento do corno temporal do ventrículo lateral
Anteriormente sofre uma expansão que se designa de Pés do
Hipocampo.
A face ventricular convexa é coberta por epêndima onde assenta
uma fina camada de substância branca que é o Alveo estrutura
formada por fibras eferentes do hipocampo e que vão convergir
medianamente para formar a Fímbria. Esta continua-se posteriormente
com o pilar posterior do trígono.
Termina posteriormente ao nível do debrum do corpo caloso.
Neuroanatomia 11. Sistema Limbico
2. Fimbria
Fita branca longitudinal no bordo interno do hipocampo (corno de
Ammon) na continuação interna do álveo.
Continua-se posteriorente com o pilar posterior do trígono (ou fórnix).
Forma parte do pavimento do corno temporal do ventrículo lateral.
Superiormente encontra-se o plexo coroideu do corno temporal do
ventrículo lateral.
3. Corpo tufado (Gyrus Dentado do Ruviére/Netter)
Cordão de substância cinzenta disposto entre a Fímbria e o Subiculum,
formando o lábio superior do sulco do Hipocampo.
Continua-se para a frente com a substância cinzenta do uncus e fita
de Giacomini, e para trás com a fascíola cinéria que se une ao
indusium cinzento.
4. Subiculum
Estende-se desde o sulco do hipocampo até ao sulco colateral,
formando o lábio inferior do sulco do hipocampo.
Sobre ele repousa o corpo tufado.
Conexões
Aferências:
Área Entorial – localizada na parte inferior do úncus, pertencente ao
córtex olfactivo;
Cingulum – que vem da circunvolução do cíngulo;
Região Septal – por intermédio do trígono;
Amígdala;
Circunvolução para-hipocâmpica;
Induzium cinzento.
Eferências:
Sub-corticais (através do trígono):
Hipocampo contra-lateral – através da Lira d’Ammon ou Comissura
Psalteriana, que é uma comissura existente entre os pilares do
trígono;
Hipotálamo Anterior (fibras pré-comissurais);
Septo (fibras pré-comissurais) – núcleos basais;
Tubérculos Mamilares (fibras pós-comissurais);
Núcleo Anterior do Tálamo;
Núcleos Habenulares.
Corticais:
Neo-cortéx Associativo;
Áreas Límbicas Corticais.
Neuroanatomia 11. Sistema Limbico
Estrutura do Hipocampo e do Corpo Tufado
A estrutura cortical da circunvolução do hipocampo está
disposta em 6 camadas.
À medida que o córtex entra no hipocampo, há uma
transição gradual de 6 para 3 camadas.
Estas 3 camadas são a camada molecular (fibras nervosas e
pequenos neurónios dispersos); a camada piramidal (muitos neurónios
piramidais grandes); a camada polimórfica interna (estrutura semelhante à
camada polimórfica do córtex de outras regiões).
O núcleo tufado também tem 3 camadas, mas a camada
piramidal é substituída pela camada granular.
A camada granular é constituída por neurónios redondos
ou ovais densamente dispostos, que dão origem a axónios que terminam
nas dentrites das células piramidais do hipocampo.
Alguns axónios juntam-se à fímbria e entram no fórnix.
Neuroanatomia 11. Sistema Limbico
Amígdala
Tem a função de integração da informação com as experiências
passadas do indivíduo e com o seu estado psíquico
São duas massas de substância cinzenta localizadas na extremidade
anterior do corno inferior ou temporal do ventrículo lateral, junto ao
uncus.
Está fundida com as extremidades das caudas dos núcleos caudados.
Relaciona-se:
o Para dentro com: córtex peri-amigdalino do uncus
o Em baixo com: córtex entorrinal (na 5ª circunvolução temporal)
o Por cima com: região sub-lenticular
o Para trás com: extremidade anterior do corno temporal do
ventrículo lateral, cauda do núcleo caudado e hipocampo
ventral
Conexões
Fazem-se por 3 vias preferenciais:
Fita olfactiva externa;
Fita semicircular ou estria terminal;
Feixe de projecção amigdalina ventral ou ansa peduncular.
Neuroanatomia 11. Sistema Limbico
Sistema Olfactivo
Constituído por:
Bulbos Olfactivos
São massas ovóides de substância cinzenta situadas entre a lâmina
crivada do etmóide e a face orbitaria do lobo frontal do cérebro. Vão
receber os filetes olfactivos que provêm da mucosa olfactiva.
Pedúnculos Olfactivos
São faixas de substância branca que partem dos bulbos olfactivos e
estão assentes sobre a face superior do corpo do esfenóide, nos sulcos
olfactivos dos lobos frontais.
Dilatam-se posteriormente formando os trígonos olfactivos, donde
partem as fitas olfactivas.
Fitas ou Estrias Olfactivas
Ao nível do trígono o pedúnculo divide-se em 3 ramos: fitas olfactivas
interna, média e externa.
1. Fita olfactiva interna
Origina-se a partir dos axónios mais internos internos que provêm dos
pedúnculos olfactivos.
Pode seguir duas direcções:
o Dirigem-se para a linha média e através da comissura branca
anterior atingem o pedúnculo olfactivo do lado oposto
ou
o Terminam na extremidade anterior da circunvolução do corpo
caloso
2. Fita olfactiva externa
Dirige-se para fora e introduz-se no Rego de Sylvius.
Atinge o uncus e termina a nível das áreas olfactivas primárias (córtex
peri-amigdalino e córtex pré-piriforme.
3. Fita olfactiva média
É inconstante.
Também designada de tubérculo olfactivo.
Termina no espaço perfurado anterior.
Neuroanatomia 11. Sistema Limbico
Espaço perfurado anterior
É um espaço quadrilátero de cor cinzenta perfurado por buracos
vasculares
Limites:
o Anterior – fitas olfactivas externa e interna
o Postero-interno – fita óptica
o Postero-externo – extremidade interna do fundo do rego de
Sylvius
Este espaço é fechado atrás pela fita diagonal (que une os
pedúnculos do corpo caloso à circunvolução para-hipotalâmica).
Neuroanatomia 11. Sistema Limbico
Região Septal
Septo Lúcido
É uma dupla membrana vertical que delimita um espaço virtual
denominado ventrículo septal ou cavidade do septo, que separa os
dois cornos frontais dos ventrículos laterais
É constituída por substância branca e cinzenta revestida de ambos os
lados por epêndima
Une-se superiormente ao corpo caloso e inferiormente ao trígono
(fórnix)
Tendo uma forma triangular apresenta:
o 2 faces planas – constituem a parede interna do prolongamento
frontal do ventrículo lateral
o 1 bordo superior – convexo e unido à face inferior do corpo
caloso
o 1 bordo antero-inferior – convexo e em relação com a face
superior do joelho e bico do corpo caloso
o 1 bordo postro-inferior: unido ao corpo e pilares anteriores do
trígono
o 1 ângulo inferior – entre pilares anteriores do trígono e bico do
corpo caloso
o 1 ângulo posterior – na junção do corpo caloso com o corpo do
trígono
Área Septal
Corresponde à porção do córtex cerebral situada abaixo do joelho do
corpo caloso e à frente do bico do corpo caloso, isto na face interna
do lobo frontal. Estas áreas incluem a circunvolução sub-calosa e a
área para-olfactiva.
Núcleos Septais
Situam-se à frente da comissura branca anterior, por baixo do bico do
corpo caloso, acima da área septal, na base do septo lúcido
Podem distinguir-se o núcleo interno e externo
Conexões
Esta região apresenta conexões principalmente com:
O Hipocampo (fibras pré-comissurais do trígono);
A Amígdala (estria terminal e ansa peduncular);
O Hipotálamo e substância reticular;
O Mesencéfalo (via habenular).
Neuroanatomia 11. Sistema Limbico
Estruturas relacionadas com o sistema límbico
Hipotálamo
Centro de integração da vida vegetativa. É responsável pela
integração de informações sensitivo-sensoriais e pela expressão física
das emoções
Está ligado ao sistema límbico (região septal e áreas límbicas do
mesencéfalo) pelo Feixe Médio do Mesencéfalo.
Tálamo
É responsável pela integração das informações sensitivo-sensoriais e
sua relação com experiências passadas (através do núcleo dorso-
mediano), produção de emoções e memória recente (núcleo
anterior).
Está ligado ao sistema límbico pelo circuito de Papez (que o liga ao
hipocampo) e pela estria terminal (que o liga à amígdala)
Área Límbica do Mesencéfalo
É formada por núcleos do tegmento dos pedúnculos cerebrais,
nomeadamente o núcleo vestibular superior e o núcleo
interpeduncular, situado no vértice do espaço perfurado posterior.
Está ligada ao sitema límbico por 2 vias:
o Via Hipotalâmica:
Feixe Médio do Mesencéfalo
Feixe Longitudinal Dorsal de Schultz
Feixe Mamilo-Tegmental
o Via Habenular
Habénula
Via retro-reflexa de Meynert
Áreas Límbicas do Córtex Cerebral
Responsáveis pela produção de emoções (córtex pré-frontal) e pela
integração de informações sensitivas (córtex parietal posterior).
Está ligado ao sistema límbico pelo Feixe Médio do Mesencéfalo.
Gânglios da Habénula
Situam-se à frente da glândula pineal, na extremidade posterior de
cada habénula numa região denominada triângulo da habénula.
Contém diversos núcleos.
Responsáveis pela integração de informações sensitivo-sensoriais.
Estão ligados ao sistema límbico pela habénula.
Neuroanatomia 11. Sistema Limbico
Principais vias de conexão
Feixe Médio do Mesencéfalo
Liga nos dois sentidos o…:
… Cérebro Limbico Anterior…
e Córtex Pré-frontal
e Córtex Orbito-Frontal
e Região Septal
e Hipotalamo Anterior
e as Áreas Límbicas do Mesencéfalo.
É uma via polissináptica com fibras:
Dopaminérgicas
Noradrenérgicas
Serotominérgicas
Trígono ou Fórnix
Principal via de eferência do Hipocampo
É o 1º elemento do circuito de Papez que se continua com o feixe de
Vicq d’Azyr, 2º elemento deste circuito, e que permite a comunicação
entre o hipocampo e hipotálamo (núcleo anterior do tálamo)
O trígono é constituído por:
1 corpo triangular (entre corpo caloso em cima e tálamo
em baixo)
2 pilares posteriores (prolongam a fímbria para trás e
encurvam-se em cima e para a frente para se unirem à base
do corpo
2 pilares anteriores (nascem do vértice do corpo, curvam-
se em baixo e para trás, passam à frente do pólo anterior do
tálamo onde enviam um feixe para os núcleos septais.
Penetram no hipotálamo terminando nos tubérculos
mamilares.
Feixe de Vicq d’Azyr ou Via Mamilo-Talâmica
é o 2º elemento do circuito de Papez
corpos mamilares núcleo anterior do tálamo
Estria terminal ou Fita semicircular
é uma das vias de efrência da amígdala
porção posterior da amígdala (segue a concavidade do núcleo
caudado comissura branca anterior (antes de terminar envia um
feixe para os núcleos septais)
Neuroanatomia 11. Sistema Limbico
Feixe de projecção amigdalino ventral ou Ansa Peduncular
É outra via de eferência da amígdala
Tem uma trajecto mais directo do que a via anterior
Amígdala região septal, hipotálamo anterior e tálamo (núcleo
dorso-mediano)
Feixe Médio do Telencéfalo
Nos 2 sentidos:
córtex pré-frontal, hipotálamo anterior e região septal áreas
límbicas do mesencéfalo
Via Habenular ou estria talâmica medular
Primeiro, os núcleos septais enviam eferências à Habénula que fazem
ligação no gânglio da Habénula. Depois, entram na via retro-reflexa de
Meynert e unem-se ao gânglio inter-peduncular.
Núcleos Septais gânglios habenulares
Via Retroreflexa de Meynert
Gânglios habenulares Núcleo interpeduncular
Feixe longitudinal dorsal de Schultz
É emitido a partir do gânglio inter-peduncular e distribui-se aos núcleos
vegetativos do tronco cerebral (desce até ao bulbo).
Núcleo interpeduncular núcleos parassimpáticos do tronco cerebral
(núcleos do M.O.C., Facial, Glossofaríngeo e Pneumogástrico)
Feixe Mamilo-Tegmental
Nos 2 sentidos:
Corpos mamilares tegmentum mesencefálico
Neuroanatomia 11. Sistema Limbico
Funções do Sistema Límbico
O Sistema Límbico, através do hipotálamo e suas ligações com o
“outflow” do sistema nervoso autónomo e seu controlo do sistema
endócrino influencia vários aspectos do comportamento emocional
(reacções de medo e raiva e emoções associadas ao comportamento
sexual) e as respostas viscerais que acompanham essas emoções.
A estimulação de certas partes de sistema límbico pode provocar, no ser
humano, reacções de ansiedade, passividade total ou de cólera.
O Hipocampo converte Memória Recente a Memória a longo prazo; uma
lesão do hipocampo resulta na incapacidade do indivíduo para
armazenar memória a longo prazo; a memória para acontecimentos
remotos passados antes da lesão se ter desenvolvido não é afectada.
Esta condição designa-se por amnésia anterógada.
Não há evidência de que o sistema límbico tenha função olfactiva. As
variadas conexões aferentes e eferentes do sistema límbico fornecem
vias para a integração e efectividade de respostas homeostáticas a uma
grande variedade de estímulos do ambiente.
O Circuito de Papez
Teoria de Papez: As estruturas do lobo límbico constituem o substrato neural
da emoção e da memória: esse mecanismo consiste num circuito fechado
que une os componentes do sistema límbico, cuja disposição mostrada
encontra-se na ordem de predominância dos impulsos nervosos:
Hipocampo: liga-se às colunas posteriores do fórnix por um feixe de
fibras situadas ao longo de sua borda medial, a fímbria do hipocampo;
Fórnix: liga-se ao corpo mamilar através de suas colunas que cruzam a
parede lateral do III ventrículo;
Corpo mamilar: liga-se aos núcleos anteriores do tálamo pelo feixe Vicq
d’Azyr ou feixe mamilo-talâmico;
Núcleo anterior do Tálamo: projecta fibras (feixe tálamo-cingular) para o
córtex da circunvolução do cíngulo;
Circunvolução do Cíngulo: envia fibras através do feixe do cíngulo à
circunvolução para-hipocampal.
Neuroanatomia 11. Sistema Limbico
Circunvolução para-hipocampal: liga-se ao hipocampo fechando o
circuito.
Neuroanatomia 12.Meninges
12. Meninges
O eixo cérebro-espinhal está inteiramente envolvido por 3 membranas
concêntricas – meninges – que são de fora para dentro:
Dura-máter
Aracnoideia
Pia-máter
Distribuição Geral
Dura-mater é fibrosa, espessa e resistente
a sua superfície exterior é rugosa
a interior é lisa, recoberta por tecido endotelial
Aracnoideia fina membrana de tecido conjuntivo aplicada sob a face
interior da dura-mater, limitando um espaço sub-dural ou epi-
aracnoideu
pode ser considerada uma serosa, com:
folheto parietal que recobre a face interior da dura-mater
e um visceral
estes dois folhetos delimitam uma cavidade → cavidade
serosa
Pia-mater fina, transparente, de tecido conjuntivo laxo, que recobre a
face exterior do neuro-eixo
é densamente vascularizada
é também denominada membrana nutridora porque contém
na sua espessura ramificações do vasos que depois vão
penetrar no SNC
a sua superfície interior une-se aos centros nervosos por
prolongamentos que acompanham as ramificações vasculares
Relações Gerais
Todos os nervos cranianos e raquidianos (excepto olfactivo e óptico) têm
as mesmas relações com as meninges.
Na sua origem (aparente) as raízes destes nervos arrastam pia-máter
consigo, a qual vai constituir o seu nevrilema.
Depois, ao atravessarem o espaço sub-aracnoideu, aracnoideia e espaço
supra-aracnoideu, são também envolvidas por uma bainha de tecido
endotelial.
1
Neuroanatomia 12.Meninges
Por fim, penetram na dura-máter que os acompanha até aos seus orifícios
de saída da cavidade céfalo-raquidiana (onde a dura-máter se vai
continuar com o periósteo do orifício).
Descrição
As três meninges têm características distintas na cavidade craniana e na
cavidade raquidiana.
1. Dura-máter
Dura-máter Espinhal
É uma manga fibrosa que envolve a medula espinhal e raízes
raquidianas.
Extremidade Superior: continua, ao nível do buraco occipital com a
dura-máter craniana sendo atravessada pelas artérias vertebrais, de
cada lado da articulação occipito-atloideia.
Extremidade Inferior: envolve a cauda equina, terminando em fundo-
de-saco ao nível de S2. Prolonga-se até à base do cóccix embainhando
o filum terminale formando o ligamento coccigeo da medula.
Superfície Externa: a sua face externa adere às parede do canal
raquidiano ao nível de C1-C2, estando depois separado das mesmas
pelo espaço epidural, que apresenta um estreitamento à frente onde se
liga ao ligamento vertebral comum e se encontra ocupado pelo plexo
venoso intra-raquidiano.
Superfície Interna: a sua superfície interna lisa tem, de cada lado,
orifícios de entrada das raízes raquidianas e está unida à pia-máter pelo
ligamento dentado (descrito com a pia-máter).
Dura-máter Craniana
Cobre regularmente a face interna do crâneo, estando intimamente
unida ao periósteo pela face externa.
Superfície Externa: intimamente ligada ao periósteo, não existindo
espaço epidural no crâneo. Essa união é diferente ao nível da abóbada
e ao nível da base:
- na base: adere fortemente à parede óssea, principalmente ao
nível das saliências da superfície craniana e dos orifícios que dão
passagem aos nervos e vasos;
- na abóbada: facilmente destacável, havendo mesmo a zona
destacável. Esta zona situa-se da frente para trás desde o bordo
2
Neuroanatomia 12.Meninges
posterior das pequenas asas do esfenóide até à protuberância
occipital interna, e de cima para baixo desde a foice do cérebro
até linha horizontal que vai desde o bordo posterior das
pequenas asas, passando pelo bordo superior rochedo por cima
da porção horizontal dos seios laterais.
Superfície Interna: a sua superfície interna envia prolongamentos que
vão separar, na cavidade craniana, diferentes porções cefálicas,
mantendo-as no seu lugar (são cinco):
1. Tenda Cerebelo
É um septo, estendido transversalmente sobre a face superior
do cerebelo (cerebelo fica por baixo) e sob face inferior lobos
occipitais (que repousam sobre ela).
Na linha média, a sua face superior dá inserção à foice do
cérebro e a face inferior dá inserção à foice do cerebelo.
É limitada por 2 bordos:
bordo posterior/grande circunferência:
convexidade posterior, estende-se de uma apófise
clinoideia posterior até à do lado oposto passando por
uma linha da parede craniana, que separa os andares
médio e posterior da base do crâneo.
Insere-se, de dentro para fora, sobre protuberância
occipital interna; 2 lábios goteira do seio lateral; bordo
superior rochedo e apófise clinoideia posterior.
Este bordo contém lateralmente o seio petroso superior;
atrás a porção horizontal dos seios laterais; ao nível do
bordo superior do rochedo tem o orifício (para passagem
V par) o qual dá acesso a uma cavidade: o Cavum
Meckel (que contém o Glânglio de Gasser).
3
Neuroanatomia 12.Meninges
bordo anterior/pequena circunferência:
concavidade à frente.
Limita com a extremidade anterior da goteira basilar um
largo orifício: Foramen Oval Pachioni, que é atravessado
pelo Tronco Cerebral.
Cada uma das suas extremidades cruza (ao nível vértice
do rochedo) a grande circunferência passando por cima
dela, para se ir inserir nas apófises clinoideias anteriores
constituindo assim os dois lados de um triângulo (cujo
terceiro lado é uma linha antero-posterior que une as
duas apófises clinoideias).
Esse espaço triangular que é revestido por urna lâmina de
dura-máter por passam os III e IV pares craneanos.
Dos 3 bordos deste triângulo partem 3 expansões da
dura-máter que descem dirigindo-se para a base do
crâneo formando as paredes externa, interna e posterior
do seio cavernoso.
A expansão externa continua-se com a dura-máter da
fossa esfenoidal formando a parede exterior do seio
cavernoso que se desdobra e divide o seio em 2 partes.
A expansão interna reúne-se ao revestimento da dura-
máter do fundo da sela turca formando parede interna
do seio cavernoso.
A expansão posterior fecha ângulo limitado pelo bordo
anterior do rochedo e bordo lateral da lâmina
quadrilátera do esfenóide; esta expansão constitui a
parede posterior do seio cavernoso que é atravessada
pelo Motor Ocular Externo.
2. Foice do Cérebro
Prolongamento vertical, mediano e antero-posterior; situado
na fenda interhemisférica.
É triangular e encurvado, apresentando forma de foice:
faces: relacionam-se com a face interna dos dois
hemisférios cerebrais;
base posterior: continua-se sobre a linha média com
a tenda do cerebelo; ao nível da união dos dois (foice
cérebro e tenda do cerebelo) está o seio recto;
vértice: insere-se na apófise crista galli; prolonga-se
para a frente para o buraco cego;
bordo superior: convexo; vai desde o buraco cego
à protuberância occipital interna; ao longo deste bordo a
4
Neuroanatomia 12.Meninges
dura-máter desdobra-se formando o seio longitudinal
superior;
bordo inferior: livre, côncavo e fino, relaciona-se
posteriormente com o corpo caloso do qual se vai
afastando gradualmente de trás para a frente; ao longo
deste bordo encontramos o selo longitudinal inferior.
3. Foice Cerebelo
Lâmina vertical e mediana, situada entre os
dois hemisférios cerebelo.
base: superior, continuando-se unida à
tenda do cerebelo;
vértice: bifurca-se para formar os seios
occipitais posteriores, de cada lado do buraco occipital;
bordo posterior: insere-se na crista
occipital interna, contém os seios occipitais posteriores
aproximados ou fundidos.
bordo anterior: livre, relacionando-se
com o a face inferior do vérmis do cerebelo.
4. Tenda da Hipófise
Lâmina de dura-máter que se
estende horizontalmente por cima da fossa pituitária.
Apresenta uma forma
sensivelmente quadrilátera.
Recobre hipófise, estando
aberta no centro pelo orifício de passagem da haste
pituitária.
Inserções:
atrás: bordo superior
lâmina quadrilátera inferior;
frente: lábio posterior da
goteira óptica;
lados: na linha de união
das paredes superior e interna do seio cavernoso.
5. Tenda do Bulbo Olfactivo
Inconstante.
Pequena prega da dura-máter
em forma de meia lua, estendendo-se de cada lado da linha
média do bulbo olfactivo, entre apófise crista galli e bordo
interno das bossas orbitárias do frontal.
5
Neuroanatomia 12.Meninges
2. Aracnoideia
É uma membrana conjuntiva estreita , compreendida entre a dura-
máter e a pia-máter.
Encontra-se aplicada, em toda a sua extensão, sobre a face interna
da dura-máter, da qual está separada pelo espaço supra-aracnoideu;
encontra-se separada da pia-máter pelo espaço sub-aracnoideu (que
contém liquor).
Espaço supra-aracnoideu (ou sub-dural):
Espaço estreito, quase virtual
Constitui uma cavidade linfática limitada por um endotélio que reveste a
superfície interna da dura-máter e a superfície externa da aracnoideia.
Espaço sub-aracnoideu
Contém os grandes vasos do encéfalo, sendo atravessado por uma rede
de finas trabéculas formadas por tecido conjuntivo delicado;
Estende-se ao longo dos vasos sanguíneos cerebrais que entram na
substância do encéfalo e saem desta, e detém-se quando os vasos se
convertem em arteríolas ou vénulas;
O espaço sub-aracnoideu rodeia os pares cranianos e os nervos espinhais
e segue-os até ao ponto donde saem do crâneo e canal vertebral. Aqui a
aracnoideia e a pia-máter fundem-se com o perinervo de cada nervo;
No caso do nervo óptico, a aracnoideia forma uma camada sobre o
nervo, a qual se estende para a cavidade orbitária através do canal
óptica e se funde com a esclerótica do olho. Assim, o espaço sub-
aracnoideu estende-se em torno do nervo óptico até ao olho;
Rodeia completamente o cérebro e estende-se ao longo dos nervos
olfactivos para o mucoperiósteo do nariz;
Não existe ao nível da fossa pituitária;
Inferiormente o espaço sub-aracnoideu estende-se mais além do extremo
inferior da medula espinhal e reveste a cauda equina, terminando ao nível
do intervalo entre as S2 e S3:
Ao contrário da pia-máter, a aracnoideia não se insua nas depressões e
sulcos do encéfalo. Formam-se assim espaços sub-aracnoideus de
profundidades variáveis, onde se acumula liquor. Os de maior
6
Neuroanatomia 12.Meninges
profundidade designam-se por cisternas. Há medida que as dimensoes
diminuem chamamos progressivamente flumina, rivi e rivilu. Os canais sub-
aracnoideus são mais alongados.
As principais cisternas são:
Na Base do Cérebro Na Loca Cerebolosa
o Cisterna Quiasmática – à frente do o Cisterna Cerebolosa Superior –
quiasma óptico, continua-se entre a Tenda do Cerebelo e o
lateralmente com a Cisterna da Cerebelo
Fossa Lateral que recebe três o Cisterna Cerebelo-Medular
grandes flumina (flumen central, Posterior – é a maior cisterna do
flumen lateral e flumen paralelo). Cérebro e tem a forma de um
o Cisterna Interpeduncular ou Basal – losângo
desde do Quiasma Óptico à o Cisterna Postero-Lateral ou Ponto-
Protuberância, aloja parte do Cerebolosa – entre o Cerebelo e a
Polígono de Willis. Protuberância
o Cisterna Quadrigémea – para
onde drenam o canal do Corpo
Caloso, os canais da face interna
dos hemisférios cerebrais e o canal
da face superior do cerebelo,
formando-se assim a Cisterna
Ambiens.
7
Neuroanatomia 12.Meninges
3. Pia-máter
É a meninge mais interna
É uma membrana vascular, sendo também chamada de membrana
nutritiva.
Pia-máter raquidiana
Adere intimamente a toda a superfície da medula e envia uma
prega que reveste o sulco mediano anterior
Em baixo prolonga-se sobre o filum terminal até ao fundo de saco
da dura-máter (ao nível de S2).
Da sua face externa nascem prolongamentos que a unem à dura-
máter (através do espaço sub-aracnoideu, aracnoide e espaço
supra-aracnoideu).
Deste modo, sobre os lados forma-se o Ligamento Dentado:
lâmina fibrosa vertical e transversal (entre raízes anteriores e
posteriores dos nervos raquidianos);
situa-se sobre toda a extensão da medula, estendendo-se
da sua face lateral à superfície interna da dura-máter;
une-se à pia-máter pelo seu bordo interno;
o bordo esterno está dentado.
O vértice das dentilhações insere-se na face interna da
dura-máter. Nos espaços situados entre as dentilhações, o
bordo externo do ligamento está livre e descreve curvas
côncavas para fora, de forma que cada arcada
corresponde aos orifícios de saída das raízes de um mesmo
nervo raquidiano;
a pia-máter continua-se com o tecido que rodeia cada
nervo espinhal;
a primeira digitação do ligamento dentado insere-se na
face interna da massa lateral do occipital. Abaixo, o
ligamento termina entre o 12.º nervo dorsal e o 1.º lombar.
Pia-máter craniana
É muito mais vascularizada e menos aderente (é facilmente
separável do encéfalo) estando directamente aplicada sobre a
superfície externa do encéfalo.
8
Neuroanatomia 12.Meninges
Penetra em todas as reentrâncias e “acompanha” todas as
saliências do encéfalo cobrindo as circovoluções e descendo nos
sulcos mais profundos.
Forma a tela coroideia do tecto do III e IV ventrículos e funde-se
com o epêndimo para formar os plexos coroideus nos ventrículos.
Vasos e Nervos das Meninges
Raquidianos
Artérias: têm origem nos ramos espinhais que dão, ao nível dos buracos
de conjugação, artérias vertebrais, intercostais e sagradas laterias.
Veias: são afluentes dos plexos intrarraquidianos
Nervos: inervação pelos nervos sino-vertebrais. Cada nervo é formado a
partir de dois ramos: um do gânglio simpático correspondente,outro do
nervo raquidiano. Cada nervo sino-vertebral penetra no canal
raquidiano pelo buraco de conjugaçã0o correspondente (à frente das
raízes dos nervos raquidianos).
Cranianos
Dura-máter
Artérias: de cada lado, ramos das meníngeas anteriores (ramo
da etmoidal), média (ramo da maxilar interna) e posterior (ramo
da vertebral) e pequena meníngea (ramo da maxilar interna)
Veias: afluentes das veias satélites das artérias que drenam para
os seios e/ou veia oftálmica.
Linfáticos: possui uma rede linfática afluente do espaço supra-
aracnoideu
Nervos: recebe ramos meníngeos de:
- Filetes etmoidais do nervo nasal (para andar anterior)
- 3-ramos do V par (para o andar médio), 1 dos quais
nasce do oftálmico - nervo recorrente d’Arnold - e inerva a
tenda do cerebelo
- Ramos do X e XII pares
Aracnoideia
Artérias/Veias: irrigada pelas ramificações dos vasos que nela
caminham.
Nervos: inervada pelos plexos que acompanham os vasos.
Pia-máter
Artérias/Veias: ricamente vascularizada por 2 redes:
9
Neuroanatomia 12.Meninges
- Arteiral
- Venosa (mais superficial)
Linfáticos: formam uma rede que drena para o espaço sub-
aracnoideu.
Nervos: aracnoideia
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Neuroanatomia 13. Líquido Cefalorraquidiano
13. Líquido
Cefalorraquidiano
Constituição
O líquido céfalo-raquidiano ou liquor:
É um fluído claro e incolor
Possui, em solução, sais inorgânicos, glicose e vestígios proteicos. As
poucas células que possui são linfócitos.
A pressão do liquor é mantida constante, sendo o seu volume total (espaço
ventricular e subaracnoideu) cerca de 130mL, excepto no esforço da
defecação, tosse e compressão das veias jugulares internas
Localização
Ventriculos do cérebro
Espaço subaracnoideu
Em torno do encéfalo e medula espinhal
Funções
Banha a superfície interna e externa do encéfalo e medula,
funcionando como uma almofada entre o SNC e os ossos que o
rodeiam, protegendo-o de choques mecânicos
A sua estreita relação com o tecido nervoso e sangue, permite-lhe
funcionar como um reservatório, intervindo na regulação do conteúdo
craniano. Por exemplo, se o volume do cérebro ou sangue
aumentarem, o volume de liquor diminui
Como o liquor é um substrato fisiológico ideal, provavelmente participa
na remoção dos produtos do metabolismo neuronal
É possível que as secreções da glândula pineal influenciem as
actividade da glândula pituitária pela circulação através do liquor no III
ventrículo.
Em resumo:
1. Amortece e protege o SNC de traumas
2. Proporciona estabilidade e suporte para o encéfalo
3. Funciona como reservatório e participa na regulação do conteúdo do
crâneo
4. Participa na nutrição do SNC
5. Remove metabolitos do SNC
6. Funciona como um meio de transporte das secreções da glândula
pineal para a glândula pituitária.
1
Neuroanatomia 13. Líquido Cefalorraquidiano
Formação
Forma-se principalmente nos plexos coroideus dos vários ventrículos, que o
secretam activamente e também nas células ependimárias e espaços
peri-vasculares da superficie cerebral.
Os plexos coroideus apresentam uma superfície pregueada, sendo cada
prega revestida por uma porção central de tecido conjuntivo coberta por
tecido epitelial cuboidal ependimário. As células ependimárias
apresentam microvilosidades na superfície livre.
Assim, o sangue dos capilares vai estar separado das cavidades
ventriculares por endotélio, membrana basal e pelo epitélio de superfície.
As células epiteliais são fenestradas e permeáveis a grandes moléculas.
Os plexos coroideus secretam activamente liquor e ao mesmo tempo,
transportam activamente metabolitos do sistema nervoso do liquor, para o
sangue.
O turnover demora cerca de 5h.
Circulação
A circulação do liquor tem início com a secreção nos plexos coroideus dos
ventrículos e na superfície do encéfalo.
O fluído passa através dos ventrículos laterais para o III ventriculo através
dos buracos de Monro.
Passa depois para o IV ventrículo através do Aqueducto de Sylvius.
A circulação é estimulada pelas pulsações arteriais dos plexos coroideus e
pelos cílios das células ependimárias que recobrem os ventrículos.
Do IV ventrículo o liquor passa para o espaço sub-aracnoideu, através do
buraco Magendie e buracos de Luschka.
O liquor move-se lentamente pelas cisternas, passando pela Tenda do
Cerebelo para alcançar a superfície cerebral inferior.
Depois move-se superiormente ao longo das faces laterais de cada
hemisfério cerebral.
Algum liquor passa também para o espaço sub-aracnoideu que envolve a
medula e cauda equina.
As pulsações das artérias cerebrais e espinhais e os movimentos da coluna
vertebral, respiração, tosse e mudanças das posições do corpo facilitam o
fluxo gradual do liquor.
2
Neuroanatomia 13. Líquido Cefalorraquidiano
Plexos Coroides (ventriculo lateral)
Forames Interventriculares
(burado de Monro)
3º Ventriculo
4º Ventrículo
Forames laterais dos
Buraco de Magendie
recessos laterais do 4º Buracos de Luchka
ventriculo
Espaço subaracnoide
O LCR move-se: cisternas cerebelo-bulbar e pontina
Flui pela incisura tentorial do tentório cerebelar
Superfície Inferior do Encéfalo
Move-se para cima Move-se para baixo
Face lateral de cada
hemisfério cerebral Cauda esquina Medula espinhal
o Factores que influenciam o Fluxo cerebro espinhal:
Pulsações das artérias cerebrais e espinhais
Tosse
Respiração
Mudança da posição corporal
Zonas de acção do LCR:
superfícies ependimárias e piniais do cerebro e da
medula espinhal
Penetra no tecido nervoso ao longo dos vasos
sanguíneos
3
Neuroanatomia 13. Líquido Cefalorraquidiano
Absorção
Os principais locais de reabsorção de liquor são as vilosidades
aracnoideias, que se projectam no interior dos seios venosos durais
(principalmente no seio longitudinal superior).
As vilosidades aracnoideias tendem a agrupar-se constituindo elevações
denominadas de Granulações de Pacchioni (aumentam em número e
tamanho com a idade e tendem a tornar-se calcificadas em idades
avançadas).
Estruturalmente, cada vilosidade aracnoideia é um divertículo do espaço
subaracnoideu que transpõe a dura-máter.
O divertículo aracnoideu é coberto por uma fina camada celular, a qual é
por sua vez coberta pelo endotélio dos seios venosos.
A absorção do liquor para os seios venosos ocorre quando a pressão do
liquor excede a pressão nos seios venosos.
Nesse caso, o liquor passa, através de finos túbulos existentes no endotélio
do seio venoso, directamente do espaço sub-aracnoideu para o seio
venoso.
Se a pressão venoso aumentar e exceder a pressão do liquor, os túbulos
encerram impedindo o refluxo de sangue para o espaço sub-aracnoideu.
As vilosidades aracnoideias funcionam como válvulas.
Algum do liquor é provavelmente absorvido directamente para as veias
do espaço sub-aracnoideu, enquanto que outro possivelmente escapa
através dos vasos linfáticos perineurais dos nervos cranianos e espinhais.
Como a produção do liquor nos plexos coroideus é constante, a
velocidade de absorção do liquor através das vilosidades aracnoideias
controla a pressão do liquor.
Formam elevações
Vilosidades aracnoides Granulações de Pachioni
Projectam-se nos seios venosos diverticulo do espaço subaracnoide,
durais que perfura a dura-máter
Seio longitudinal superior
tendência a calcificar com a
idade
aumenta em tamanho e
numero com a idade
Absorção
4
Neuroanatomia 13. Líquido Cefalorraquidiano
Granulações
Extensões Veias, no espaço
do Espaço Subaracnóide Vasos linfáticos
aracnoides subaracnoide perineais (dos nervos
cranianos e espinhais)
O espaço subaracnóide estende-se ao longo do nervo óptico até à
parede posterior do globo ocular. Neste local, a dura-máter e a pia-máter
fundem-se com a esclatótica.
Hidrocefalia
A Hidrocefalia ocorre por aumento do volume do líquido céfalo-
raquidiano na cavidade craniana.
Esta é fundamentalmente de dois tipos:
- ocorre o aumento de pressão do LCR
- obstrução do fluxo do liquido por obstrução de um ponto entre
a secreção de LCR nos plexos coroides e a sua absorção
Nao Comunicante
Forame de Magendie e Luchka
(4º Ventriculo – Espaço Subaracnoide)
- ocorre aumento da pressão do LCR:
Comunicante -Aumento da secração de LCR – tumor nos
plexos coroides
-Forame de Monro
-Aqueduto de Sylvius
-Obstrução
-Forame de Magendie e
do fluxo
Luchka
- Defeciente Absorção (granulações de
Pachioni)
5
Faculdade de Medicina de Lisboa 1
Sistema vascular
Sistema Arterial
Medula Espinhal
ARTÉRIAS ESPINHAIS POSTERIORES
Descem ao longo da face posterior da medula espinhal,
internamente às raízes dorsais
Recebem variadas contribuições das artérias radiculares posteriores
Formam dois plexos longitudinais perto da zona de entrada das
raízes dorsais
Em certas zonas estas artérias espinhais tornam-se tão pequenas que
parecem descontínuas.
Artérias Espinhais Posteriores irrigam
1/3 posterior da medula espinhal.
ARTÉRIA ESPINHAL ANTERIOR
União de duas artérias com origem na artéria vertebral
Desce na face anterior da medula espinhal, no sulco mediano
anterior
Ramos penetram na substância da medula espinhal e irrigam os 2/3
anteriores da medula espinhal
A continuidade da artéria espinhal anterior está dependente dos
ramos anastomóticos que recebe das artérias radiculares anteriores
Artérias espinhais posteriores e anterior formam canais anastomóticos
que se estendem ao logo de toda a extensão da medula espinhal e
recebem ramos das artérias radiculares – rede peri-medular
Ramos das artérias vertebrais constituem a principal fonte de sangue
de praticamente toda a medula espinhal cervical
Na região torácica, a artéria espinhal anterior torna-se insuficiente
em calibre e pode comprometer a irrigação da medula se as artérias
radiculares sofrerem uma oclusão acima ou abaixo
Círculo arterial a rodear o cone medular permite comunicar com a
porção mais caudal da artéria espinhal anterior.
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Nov./2003
Faculdade de Medicina de Lisboa 2
Sistema vascular
ARTÉRIAS RADICULARES
Derivam de:
Vasos segmentares (artéria cervical ascendente, artéria cervical
profunda, artérias intercostais, artérias lombares e artérias sagradas)
Atravessam os buracos intervertebrais e dividem-se em:
Artéria Radicular anterior
Artéria Radicular Posterior
Irrigação
Irrigam:
Segmentos espinhais torácico, lombar e sagrado
Artérias radiculares são mais frequentes no lado esquerdo nos
segmentos torácico e lombar enquanto que o segmento
cervical é irrigado igualmente de ambos os lados.
Trajecto
Ao longo da face anterior da raiz que acompanham
Perfuram a dura-máter e entram no espaço sub-aracnoideu
Dividem-se para formar as artérias radiculares anteriores e posteriores
Pequenas ramificações irrigam a dura-máter e as raízes espinhais que
acompanham.
ARTÉRIAS RADICULARES ANTERIORES
MEDULA ESPINHAL CERVICAL
- Recebe cerca de 6 artérias radiculares
MEDULA ESPINHAL TORÁCICA
- Recebe de 2 a 4 artérias radiculares
MEDULA ESPINHAL LOMBAR
- Recebe de 1 a 2 artérias radiculares
ARTÉRIA DE ADAMKIEWICZ
- Artéria radicular anterior na região lombar, de maior calibre,
em relação a todas as outras; é responsável pela irrigação dos
2/3 inferiores da medula
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Faculdade de Medicina de Lisboa 3
Sistema vascular
Correlações Clínicas:
Segmentos espinhais torácicos apresentam maiores distâncias
entre as artérias radiculares pelo que a oclusão de uma artéria
radicular compromete seriamente a circulação
Regiões que recebem sangue de mais do que uma fonte são
praticamente vulneráveis se forem subitamente, privadas do
sangue de uma dessas artérias
Os segmentos torácicos de T1 a T4 e o segmento lombar são as
regiões mais vulneráveis da medula espinhal
As artérias intercostais não se anastomosam com outras artérias
do mesmo modo que as artérias extra espinhais das regiões
cervical e lombo-sagrada
A oclusão de uma artéria intercostal numa região vulnerável
pode resultar num enfarte do segmento da medula espinhal
correspondente.
ARTÉRIAS RADICULARES POSTERIORES
Dividem-se na face posterolateral da medula espinhal e
anastomosam-se com as artérias espinhais posteriores.
SUBSTÂNCIA BRANCA E CINZENTA
ARTÉRIA ESPINHAL ANTERIOR
Origina:
Ramos sulcais:
Penetram no sulco mediano anterior
Irrigam: corno anterior, corno lateral (intermédio), substância
cinzenta central e a porção basal do corno posterior
Porções laterais recebem ramos das artérias coronárias
Ramos centrais
ARTÉRIAS ESPINHAIS POSTERIORES
Irrigam:
Cornos posteriores
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Faculdade de Medicina de Lisboa 4
Sistema vascular
Vascularização do Encéfalo
À esquerda, a artéria carótida comum deriva directamente da
crossa da aorta
À direita, a artéria carótida comum é um dos ramos de
bifurcação do tronco braqueocefálico arterial direito
Artéria carótida comum divide-se em carótida interna e externa
ao nível da extremidade superior da cartilagem tiroideia.
ARTÉRIA CARÓTIDA INTERNA
DIVISÃO EM QUATRO SEGMENTOS
Cervical
Intrapetroso
Intracavernoso
Cerebral
Sifão Carotídeo
SEGMENTO INTRACAVERNOSO
Localização
- Porção interna do seio cavernoso
Relações
Pares cranianos – ao longo da parede do seio cavernoso
III par – motor ocular comum
IV par – patético
VI par – motor ocular externo; adjacente à artéria carótida
interna
Porção V1 e V2 do V par – trigémio (divisões oftálmica e
maxilar superior).
SEGMENTO CEREBRAL
- Começa aquando da emergência da carótida interna do seio
cavernoso
- Passa internamente à apófise clinoideia anterior
- Dirige-se para cima e para trás
- Dá origem a todos os ramos da carótida interna
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Faculdade de Medicina de Lisboa 5
Sistema vascular
SEGMENTO CERVICAL
- Estende-se da bifurcação da artéria carótida comum até ao orifício
inferior do canal carotídeo, no osso temporal
- Não fornece ramos colaterais
SEGMENTO INTRAPETROSO
- Rodeado de osso
- Pequenos originados nos segmentos intrapetroso e intracavernoso
passam para a cavidade timpânica e para os seios cavernosos e
petroso inferior, assim como para o gânglio do trigémio e para as
meninges da fossa craniana média.
RAMOS COLATERAIS* E TERMINAIS
o Artéria oftálmica*
o Artéria comunicante posterior*
o Artéria coroideia anterior*
o Artéria cerebral anterior
o Artéria cerebral média
Território de Irrigação das Artérias Cerebral Anterior e Média
Metade anterior do tálamo
Gânglios da base
Corpo caloso
Maior parte da cápsula interna
Faces externa e interna dos lobos frontal e
parietal
Face externa do lobo temporal
ARTÉRIA VERTEBRAL
Deriva da artéria subclávia;
Atravessa o buraco intervertebral da sexta vértebra cervical;
Ascende através dos buracos de conjugação das vértebras
cervicais;
Perfura o ligamento occipito-atloideu posterior e a dura-máter e
entra na fossa posterior do crânio através do foramen magnum.
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Nov./2003
Faculdade de Medicina de Lisboa 6
Sistema vascular
RAMOS RADICULARES
Trajecto
Atravessam os buracos intervertebrais para nutrir as meninges e
porções da medula espinhal cervical
Artéria Basal
As duas artérias vertebrais percorrem a face antero-externa do
bulbo e unem-se ao nível do sulco bulbo-protuberancial.
Ramos Intracranianos da Artéria Vertebral e Basilar
Irrigam:
Medula espinhal cervical
Bulbo
Protuberância
Mesencéfalo
Cerebelo
Porções posteriores do diencéfalo
Porções dos lobos occipital e temporal
Ramo Labiríntico da Artéria Basilar
Irriga:
Cóclea e Aparato Vestibular
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Faculdade de Medicina de Lisboa 7
Sistema vascular
CÍRCULO CEREBRAL ARTERIAL (POLÍGONO DE WILLIS)
Círculo arterial que rodeia o quiasma óptico e a região
interpeduncular, formado pelos ramos anastomóticos da artéria
carótida interna e os ramos mais anteriores da artéria basilar
Formado por:
Artéria comunicante anterior
Artéria comunicante posterior
Artéria cerebral anterior
Artéria cerebral posterior
ARTÉRIAS CEREBRAIS ANTERIORES
- Desloca-se internamente à fissura inter-hemisféria
- Em frente do quiasma óptico, estes vasos estão unidos por um vaso
comunicante, a artéria comunicante anterior.
ARTÉRIAS COMUNICANTES POSTERIORES
- Nascem das artérias carótidas internas
- Anastomosam-se com porções proximais das artérias cerebrais
posteriores.
ARTÉRIAS CEREBRAIS POSTERIORES
- Nascem da bifurcação da artéria basilar, no bordo superior da
protuberância
- Emitem vários colaterais, de pequeno calibre, que penetram na fossa
interpeduncular e no hipotálamo
- Os vasos principais passam lateralmente à fossa interpeduncular, à
frente das raízes do nervo motor ocular comum (III), e rodeiam parte do
mesencéfalo antes de passarem acima da tenda do cerebelo.
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Faculdade de Medicina de Lisboa 8
Sistema vascular
POLÍGONO DE WILLIS
Este polígono, formado pelas anastomoses de todos estes vasos,
funciona como igualizador do fluxo sanguíneo nas diversas
regiões do encéfalo, mas geralmente existem poucas trocas de
sangue entre as porções direita e esquerda do polígono de Willis
devido à igualização de pressões;
Alterações de fluxo sanguíneo no círculo cerebral arterial ocorrem
após a oclusão de uma ou mais artérias, que contribuem para a
formação do polígono de Willis;
As artérias comunicantes, geralmente, formam anastomoses
funcionais inadequadas, o que leva a uma elevada incidência de
perturbações do fluxo sanguíneo quando há uma oclusão
unilateral ou compressão da artéria carótida interna,
principalmente nos indivíduos mais idosos;
O polígono de Willis é um local comum de ocorrência de
aneurismas saculares cerebrais;
Turbulência do fluxo sanguíneo e defeitos congénitos da parede
dos vasos são os dois grandes factores envolvidos no
desenvolvimento de aneurismas
Os locais mais comuns de ocorrência de aneurismas são:
Origem da artéria comunicante anterior ou
posterior
Bifurcação da artéria cerebral média
Porção cavernosa da artéria carótida
interna
Bifurcação da artéria carótida interna
Vários locais nas artérias vertebrobasilares
A ruptura destes aneurismas resulta em hemorragia subaracnoideia o
que resulta em graves problemas neurológicos
Do polígono de Willis, e das principais artérias cerebrais, originam-se
dois tipos de ramos:
Corticais ou Circunferenciais
Centrais ou Ganglionares
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Nov./2003
Faculdade de Medicina de Lisboa 9
Sistema vascular
Ramos Corticais
- Penetram na pia-máter, onde formam um plexo superficial, mais ou
menos anastomosado
- Deste plexo originam-se as pequenas artérias terminais que penetram
na substância do cérebro
- As artérias mais curtas distribuem-se pelo córtex enquanto que as mais
longas irrigam a substância medular mais profundamente situada do
hemisfério
- Devido às anastomoses dos ramos corticais de maior calibre, a
oclusão de um destes vasos é compensada pela circulação colateral,
de ramos vizinhos, contudo esta é insuficiente para prevenir danos
cerebrais
- A grande maioria das oclusões vasculares ocorrem nos vasos cerebrais
antes de estes penetrarem na substância do cérebro.
Artérias Centrais
- Nascem do polígono de Willis e das porções proximais das três artérias
cerebrais
- Penetram perpendicularmente na substância do cérebro
- Irrigam:
Diencéfalo
Gânglios da Base
Cápsula Interna
- As artérias coroideias anterior e posterior, ramos da carótida interna e
da cerebral posterior, respectivamente, podem também ser incluídas
neste grupo.
RAMOS CORTICAIS
Derivados das artérias:
Cerebral Anterior
Cerebral Média
Cerebral Posterior
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Sistema vascular
ARTÉRIA CEREBRAL ANTERIOR
Origem
Origina-se na bifurcação da carótida internas, externamente ao
quiasma óptico e nervo óptico.
Trajecto
Passa por fora e por cima do nervo óptico e aproxima-se da
homónima com a qual comunica através da artéria comunicante
anterior
Entra na comissura inter hemisférica, passa acima da face interna do
hemisfério, contorna o joelho do corpo caloso e continua-se para
trás, ao longo da face superior do corpo caloso.
Ramos
Artéria Estriada Interna ou Recorrente de Heubner
Ramos Orbitários
Ramo Frontopolar
Artéria Calosomarginal
Artéria Pericalosa
1. Artéria Estriada Interna ou Recorrente de Heubner
Penetra na substância perfurada anterior
Irriga:
Porção antero-interna da cabeça do núcleo caudado
Porções adjacentes da cápsula interna e putamen
Anastomosa-se com as artérias lenticuloestriadas, ramos das artérias
cerebrais médias
Fornece ramos para a face inferior do lobo frontal.
2. Ramos Orbitários
Nascem da porção ascendente da cerebral anterior, abaixo do
joelho do corpo caloso
Dirige-se para a frente para irrigar as faces interna e orbital do lobo
frontal.
3. Ramo Frontopolar
Origina-se ao nível em que a cerebral anterior se curva para
contornar o joelho do corpo caloso
Ramos desta artéria irrigam porções internas do lobo frontal e
estendem-se, lateralmente, para atingir a convexidade do
hemisfério.
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Sistema vascular
4. Artéria Caloso Marginal
Ramo de maior calibre da cerebral anterior
Passa acima da circunvolução do corpo caloso
Ramos irrigam o lóbulo paracentral e partes da circunvolução do
corpo caloso
5. Artéria Pericalosa
Ramo terminal da cerebral anterior
Caminha ao longo da face superior do corpo caloso
Irriga face interna do lobo parietal, incluindo a região pré-cuneal.
Correlações Clínicas:
Anormalidades da artéria cerebral anterior ocorrem em 25% dos
casos e consistem em artérias simples, só de um dos lados;
Oclusão de um dos ramos da cerebral anterior produz fraqueza
muscular contralateral e perdas sensitivas, ambas maiores nos
membros inferiores;
Modalidades sensitivas afectadas:
- Sensação discriminativa, como a estereognosia e
discriminação entre dois pontos
- Propriocepção
As sensibilidades dolorosas, térmicas e luminosas permanecem
inalteradas;
Oclusão da cerebral anterior nas suas regiões mais anteriores
pode comprometer a irrigação da cápsula interna, o que conduz
a uma fraqueza da face e do braço contralateral;
Obstrução de ambas as artérias cerebrais anteriores está
associada com paralisia bilateral, principalmente nos membros
inferiores.
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Sistema vascular
ARTÉRIA CEREBRAL MÉDIA
- Origina-se atrás da cerebral anterior;
- Passa externamente à substância perfurada para entrar na fossa
craniana lateral, entre o lobo temporal e o lobo da insula;
- Vaso de maior calibre das artérias cerebrais;
- Divide-se numa série de ramos, que se dirigem para cima e para trás
até atingirem o rego de Sylvius;
- O trajecto dos ramos da cerebral média na região da insula é de
grande importância na interpretação de angiogramas cerebrais;
- Na região da insula, cinco a oito ramos desta artéria estão localizadas
no que se chama o Triângulo de Sylvian;
- O ponto de Sylvian é estabelecido angiograficamente pelo ramo mais
posterior da cerebral média que emerge do rego de Sylvius;
- A margem inferior do triângulo de Sylvian é formada pelos ramos mais
inferiores da cerebral média, enquanto que a margem superior é
formada por ramos desta artéria que mudaram a sua direcção
Correlação: a disposição dos ramos da artéria cerebral média no
triângulo de Sylvian devido a lesões pode ser detectada nos
angiogramas cerebrais e a direcção da disposição fornece
informação importante no que respeita à localização dessas
lesões
- Ramos da cerebral média emergem do rego de Sylvius e distribuem-se
pela convexidade externa do hemisfério – ramos corticais;
- Estes ramos corticais irrigam:
* Porções externas da circunvolução orbitária
* Segunda e terceira circunvoluções frontais
* Circunvoluções frontal e parietal ascendente
* Primeira e segunda circunvoluções parietais
* Primeira e segunda circunvoluções temporais
* Pólo temporal
- Os ramos corticais de maior calibre irrigam as áreas temporo-occipital
e angular;
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Sistema vascular
Ramos
Artérias Lenticuloestriadas
Artéria Temporal Anterior
Artéria Orbitofrontal
Ramos Pré-Rolandicos
Ramo Rolandico
Ramo Parietal Anterior ou Pós-Rolandico
Ramo Parietal Posterior
Ramo Temporal Posterior
Ramos Angulares
1. Artérias Lenticuloestriadas
Primeiros ramos originários da cerebral média
Penetram na substância perfurada anterior
Estes ramos são considerados ramos centrais ou gangliónicos
2. Artéria Temporal Anterior
Anastomosa-se com os ramos temporais da artéria cerebral posterior
3. Artéria Orbitofrontal
Pode anastomosar-se com o ramo frontopolar, ramo da artéria
cerebral anterior
4. Ramos Pré-Rolandicos
5. Ramo Rolandico
6. Ramo Parietal Anterior ou Pós-Rolandico
7. Ramo Parietal Posterior
8. Ramo Temporal Posterior
Irriga porções do lobo occipital
9. Ramos Angulares
Irrigam a circunvolução angular
Constituem a porção terminal da artéria cerebral média
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Sistema vascular
Territórios de Irrigação
* Áreas motora e pré-motora
* Área somatostésica
* Área de projecção auditiva
* Córtex de associação
Correlações Clínicas:
Oclusão da artéria cerebral média, perto da origem dos seus ramos
corticais, pode produzir:
Hemiplegia contralateral, mais marcada nas extremidades
superiores e face
Perda de postura contralateral
Perda do sentido táctil de discriminação, contralateral
Afasia severa, quando está envolvido o hemisfério dominante
ARTÉRIA CEREBRAL POSTERIOR
- Formada pela bifurcação da artéria basilar;
- Passa externamente ao pedúnculo cerebral superior;
- Após receber anastomoses, da artéria comunicante posterior,
continua ao longo da porção externa do mesencéfalo;
- A artéria cerebral posterior é, primeiro, infratentorial, e depois torna-se
supratentorial, indo colocar-se nas faces interna e inferior dos lobos
temporal e occipital.
Territórios de irrigação
Porções da circunvolução temporal inferior
Várias porções do lobo occipital
Porções lóbulo parietal superior
Ramos também para:
Tronco cerebral
Plexo coroideu do III ventrículo e ventrículos laterais
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Sistema vascular
Ramos
Artéria Temporal Posterior
Artéria Occipital Interna
1. Artéria Temporal Posterior
Fornece um ramo temporal anterior, que irriga a face inferior do lobo
temporal, anteriormente, e anastomosa-se com ramos da artéria
temporal anterior
Ramos atingem face externa do hemisfério imediatamente à frente
da incisura occipital
Ramos mais posteriores desta artéria irrigam os lobos fusiforme e
lingual.
2. Artéria Occipital Interna
Divide-se em:
Artéria Parieto-Occipital
Artéria Calcarina
Irrigam diferentes regiões da face interna do lobo occipital e porções
do esplénio do corpo caloso
A artéria calcarina é de extrema importância pois irriga o cortéx
visual primário
Os ramos corticais da artéria cerebral posterior:
Irrigam as faces interna e inferior do lobo occipital e face
inferior do lobo temporal, excepto para o pólo temporal
Ramos destas artérias estendem-se pela face lateral do
cérebro e irrigam a circunvolução temporal inferior e várias
porções da região occipital externa
Alguns dos ramos da face interna irrigam partes do lóbulo
parietal superior. Nestas regiões, ramos da cerebral posterior
anastomosam-se com ramos das cerebrais anterior e média.
Correlações clínicas:
A oclusão da artéria cerebral posterior produz uma hemianopsia
homónima contralateral, frequentemente com preservação da
visão macular
Anastomoses entre ramos da cerebral média e posterior na região
do pólo occipital, provavelmente, estão relacionadas com a
preservação da visão macular.
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Sistema vascular
RAMOS CENTRAIS
ARTÉRIAS CENTRAIS OU GANGLIONARES
- Nascem das porções proximais das grandes artérias cerebrais e das
artérias comunicantes
- Irrigam:
Diencéfalo
Gânglios da Base
Cápsula Interna
Ramos ganglionares perfurantes agrupam-se em quatro grupos:
Artérias Antero-Internas
Artérias Postero-Internas
Artérias Postero-Externas
Artérias Antero-Externas
ARTÉRIAS ANTERO-INTERNAS
- Derivam das artérias cerebral anterior e comunicante anterior
- Alguns ramos provêm directamente da porção terminal da carótida
interna
- Penetram na parte mais interna da substância perfurada anterior
- Distribuem-se ao hipotálamo anterior, incluindo a área pré-óptica e
supra-óptica.
ARTÉRIAS POSTERO-INTERNAS
- Derivadas da porção proximal da artéria cerebral posterior e ao longo
de toda a porção das artérias comunicantes posteriores
- Alguns ramos derivados da carótida interna, antes da ramificação
desta nos seus colaterais
- Distingue-se um grupo anterior e um grupo posterior
- Grupo anterior irriga:
Hipófise
Infundibulum
Região tuberal do hipotálamo
Artérias talamoperfurantes – penetram mais profundamente
e distribuem-se pela porção antero-interna do tálamo
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Sistema vascular
Grupo posterior irriga:
Região mamilar do hipotálamo
Região subtalâmica
Ramos para núcleo interno do tálamo
Outros ramos para regiões internas do mesencéfalo
(tegmentum e pedúnculo cerebral superior)
ARTÉRIAS POSTERO-EXTERNAS
- Derivam das artérias cerebrais posteriores, externamente à
anastomose destas com as comunicantes posteriores
- Estes ramos perfurantes irrigam:
Metade posterior do tálamo (corpo geniculado externo,
pulvinar, núcleos ventrais do tálamo)
Designados de artérias talamogeniculadas
Correlações clínicas
A oclusão destas artérias resulta no Síndrome Talâmico de
Dejerine e Roussy. Este síndrome inclui vários níveis de perda
motora e sensitiva, dor e hiperpatia na face contralateral, corpo
ou extremidades.
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Sistema vascular
ARTÉRIAS ANTERO-EXTERNAS OU ESTRIADAS
- Derivam, principalmente, de porções proximais da artéria cerebral
média e, menos comummente, da cerebral anterior
- A artéria estriada interna (Heubner), derivada da cerebral anterior,
pertence a este grupo
- Estas artérias penetram na substância perfurada anterior e irrigam:
Gânglios da Base
Cápsula Interna
A artéria estriada interna irriga:
Porção antero-interna da cabeça do núcleo caudado
Porções adjacentes do putamen e da cápsula interna
As artérias estriadas laterais, derivadas da cerebral média, irrigam:
Porções restantes do estriado (núcleo caudado + putamen),
excepto porções mais posteriores do putamen e cauda do
núcleo caudado
Porção lateral do globus pallidus
Braço anterior da cápsula interna
Porções dorsais do braço posterior da cápsula interna
ARTÉRIAS COROIDEIAS
As artérias coroideias anteriores e posteriores podem ser
consideradas como artérias centrais distintas
Artéria Coroideia Anterior
Geralmente deriva da carótida interna, mas também pode ter
origem na cerebral média
É caracterizada pelo seu longo trajecto subaracnoideu e, relativo,
pequeno calibre
Passa posteriormente atravessando o tracto óptico e depois,
externamente, em direcção à face antero-interna do lobo temporal
Penetra no prolongamento inferior do ventrículo lateral, através da
fissura coroideia
A artéria entra na fissura coroideia num ponto que é identificado,
radiologicamente, como o ponto coroideu
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Sistema vascular
Estruturas irrigadas por esta artéria, além do plexo coroideu, incluem:
Formação hipocâmpica
Porções de ambos os segmentos do globus pallidus
Porções antero-internas do braço posterior da cápsula interna
Toda a porção retrolenticular da cápsula interna
Pequenos ramos irrigam ainda:
* Porções do complexo nuclear amigdalóide
* Porções anteriores da cauda do núcleo caudado
* Porções posteriores do putamen
* Porções antero-externas do tálamo
A artéria coroideia anterior é considerada como um vaso muito
susceptível de sofrer trombose devido ao seu longo trajecto
subaracnoideu e o seu pequeno calibre
Parece ser significante o facto de o globus pallidus e a formação
hipocâmpica , duas das estruturas mais vulneráveis do cérebro,
serem ambos irrigados por esta artéria. Curiosamente, a oclusão
cirúrgica da porção proximal desta artéria foi usada para o
tratamento do tremor e rigidez parkinsónica
Artéria Coroideia Posterior
Deriva da artéria cerebral posterior
Consiste num ramo postero-interno e em, pelo menos duas artérias
coroideias externas
Artéria Coroideia Postero-Interna
Deriva da porção proximal da cerebral posterior
Fornece ramos para o tectum, plexo coroideu do III ventrículo
e para as faces superior e interna do tálamo
Artérias Coroideias Postero-Externas
Derivam da cerebral posterior
Entram na fissura coroideia e irrigam o plexo coroideu do
ventrículo lateral
Alguns ramos anastomosam-se com ramos da artéria
coroideia anterior
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Sistema vascular
GÂNGLIOS DA BASE, CÁPSULA INTERNA E DIENCÉFALO
ESTRIADO
Estriado (núcleo caudado + putamen)
IRRIGADO POR:
Artérias Estriadas Laterais
Derivadas da artéria cerebral média
CABEÇA DO NÚCLEO CAUDADO
Porção Antero-Interna
Irrigada pela artéria Estriada Interna ou Recorrente de
Heubner, ramo da Artéria Cerebral Anterior
Núcleo Caudado e Porções Posteriores do Putamen
Ramos da Artéria Coroideia Anterior, ramo da Artéria
Carótida Interna
GLOBUS PALLIDUS
Porção externa
Irrigada por ramos das artérias estriadas laterais e artéria
coroideia anterior
Porção Externa do Segmento Interno do Globus Pallidus
Recebe ramos da artéria coroideia anterior
Porção Interna do Segmento Interno do Globus Pallidus
Recebe ramos da artéria comunicante posterior
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Sistema vascular
CÁPSULA INTERNA
Ambos os braços anteriores e posteriores da Cápsula Interna são
irrigados principalmente, pelas artérias estriadas laterais, ramos da
artéria cerebral média
A artéria estriada interna, ou de Heubner, irriga porções antero-
internas do braço anterior da cápsula interna
O joelho da cápsula interna recebe ramos, directamente, da artéria
carótida interna
Porções anteriores do braço posterior da cápsula interna e toda a
sua porção retrolenticular são irrigadas por ramos da artéria
coroideia anterior
TÁLAMO
Irrigado, principalmente, por ramos da artéria cerebral posterior
RAMOS TALAMOPERFURANTES
Artérias do grupo postero-interno
Irrigam regiões anterior e interna do tálamo
Derivam da porção mais interna da artéria cerebral posterior e da
porção terminal da artéria basilar
RAMOS TALAMOGENICULADOS
Artérias do grupo postero-externo
Irrigam os núcleos pulvinar e lateral do tálamo
Derivam da artéria cerebral posterior, à medida que esta se curva à
volta do pedúnculo cerebral superior, e da artéria coroideia posterior
ARTÉRIA COROIDEIA POSTERO-INTERNA
Irriga o plexo coroideu do III ventrículo e as porções superiores e
internas do tálamo
ARTÉRIAS TALÂMICAS INFERIORES
Derivam da artéria comunicante posterior e da bifurcação da artéria
basilar
Penetram nas porções inferiores do tálamo
Irrigam as regiões do tálamo anteriormente ao território de irrigação
das artérias talamoperfurantes
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Sistema vascular
HIPOTÁLAMO
HIPOTÁLAMO ANTERIOR E REGIÃO PRÉ-ÓPTICA
Artérias Ganglionares Antero-Internas
REGIÃO SUBTALÂMICA E POSTERIOR DO HIPOTÁLAMO
Ramos do Grupo Postero-Interno
Derivados das artérias cerebral posterior e comunicante
posterior
Cerebral Posterior.
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Sistema vascular
Sistema Vertebro-Basilar
Irriga a medula, o bulbo, a protuberância, o mesencéfalo e o
cerebelo;
É constituído pelas Artérias Vertebrais e a Artéria Basilar;
Cada Artéria Vertebral origina:
A. Espinhal anterior
A. Espinhal posterior
A. Cerebelosa postero-inferior (PICA)
A. Meningea posterior
Na porção inferior da protuberância unem-se formando a A. Basilar.
A artéria Basilar passa anteriormente no sulco basilar e no bordo superior
da protuberância bifurca-se, originando os seus ramos terminais, as
Artérias Cerebrais Posteriores.
Ao longo do seu trajecto origina:
A. Cerebelosa antero-inferior (AICA)
Artérias do ouvido interno (ou artéria
labirintica)
Ramos protuberânciais
A. Cerebelosa Superior
A. Cerebral posterior (ramos terminais)
As Artérias Cerebrais Posteriores fornecem ramos que irrigam
porções do mesencéfalo, tálamo e regiões dos lobos temporal e
occipital.
As Artérias do Ouvido Interno não irrigam o tronco cerebral,
passam lateralmente através do canal auditivo interno, para o
ouvido interno.
Bulbo e Protuberância
São irrigadas pelas artérias:
o Artérias Espinhais Anteriores
o Artérias Espinhais Posteriores
o Artéria Cerebelosa Postero-Inferior
o Ramos das Artérias vertebral e basilar
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Sistema vascular
Existe uma grande variação na extensão das áreas irrigadas
pelos vasos destas duas estruturas, devidas, em parte, aos
diferentes níveis de origem das artérias espinhais anteriores e
aos diferentes níveis de fusão das duas artérias vertebrais em
artéria basilar.
Uma ou mais artérias podem estar ausentes e as suas zonas de
irrigação são substituídas por um vaso que irrigue um território
adjacente.
Artéria Espinhal Posterior:
- Irriga:
*Os Feixes de Goll e Burdarch e os seus núcleos;
*A porção superior e posterior do pedúnculo
cerebeloso inferior;
*Núcleo do tracto solitário;
*Núcleo do pneumogástrico;
*Porções dos núcleos espinhais do trigémio.
- Existem numerosas anastemoses entre os ramos da A.
espinhal posterior e a A. cerebelosa postero-inferior
(quando a artéria espinhal posterior de um lado é
pequena, ou não existe, o seu território é irrigado pela a.
cerebelosa postero-inferior).
Artéria Espinhal Anterior:
- Irriga a região paramediana do bulbo:
*Pirâmides;
*Lemnisco Medial;
*Feixe Longitudinal Medial
*Núcleo do grande Hipoglosso (excepto a sua
porção mais cefálica)
*Porções do núcleo solitário;
*Núcleo motor dorsal do pneumogástrico;
*Núcleo olivar acessório interno.
- Os ramos mais longos passam entre os lemniscos internos
e os seus ramos internos atingem o pavimento do IV
ventrículo;
- Ramos mais curtos penetram na formação reticular e nas
porções mais internas do complexo olivar inferior;
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Sistema vascular
- Oclusão: lesão bulbar que produz hemiplegia inferior,
caracterizada por paralisia ipsilateral da língua e
hemiplegia contralateral; tais lesões envolvem, ás vezes, o
lemnisco medial, o que resulta num défice sensitivo
contralateral.
Ramos Bulbares da Artéria Vertebral:
- Consiste numa série de ramos que penetram o Tronco
Cerebral em relação com as raízes dos nervos
Glossofaringeo, Pneumogástrico e Espinhal;
- A região mais vascularizadas por estes ramos, situa-se
posteriormente ao complexo olivar inferior;
- Os ramos inferiores penetram o tronco cerebral entre as
raízes do Nervo Espinhal, irrigam a região entre o complexo
olivar inferior e o pedúnculo cerebeloso inferior;
- Um grupo mais importante de ramos penetram na
superfície lateral em relação com as raízes do
Glossofaringeo e o Pneumogástrico, irrigam as pirâmides,
porção cefálica do núcleo do hipoglosso e grande parte
dos núcleos olivares inferiores;
- Ao nível da decussão das pirâmides irriga toda a região
lateral do bulbo, entre as pirâmides e o feixe cutâneos;
Dois tipos de artérias penetram no bulbo:
- Artérias curtas – que irrigam: *feixe espinhal do trigémio;
* feixe espinotalâmico;
* feixe espinocerebeloso.
- Artérias Longas – irrigam regiões mais profundas,
algumas destas atingem o pavimento do IV ventrículo.
Artéria Cerebelosa Postero-Inferior:
- Irriga a região bulbar lateral, superior ao território irrigado
pelos ramos bulbares da artéria vertebral:
*Vias espinotalâmicas;
*Núcleo espinhal do trigémio e via espinhal;
*Fibras que emergem do núcleo ambíguo;
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Sistema vascular
*Núcleo motor dorsal do pneumogástrico;
*Pedúnculo cerebeloso inferior.
Protuberância
Recebe sangue de ramos da artéria basilar, que se podem
agrupar em três grupos:
o Artérias paramedianas
o Artérias curtas Circunferenciais;
o Artérias Longas Circunferenciais.
- Artérias Paramedianas:
Derivam da região posterior da A. Basilar, vão irrigar a região
pôntica média:
*Núcleos ponticos;
*Feixes Cortiponticos;
*Feixes Corticoespinhais;
*Feixes Corticobulbares.
- Artérias Curtas Circunferenciais:
Irrigam as porções adjacentes antero-externas da protuberância:
*Fibras da via Corticoespinhal;
*Lemnisco medial;
* Núcleos pônticos;
*Fibras pontocerbelosas
*Parte dos núcleos e fibras dos nervos trigémio e
facial.
- Artérias Longas Circunferenciais:
Deslocam-se lateralmente sob a face anterior da protuberância e
anastemosam-se com ramos da A. Cerebelosa Antero-Inferior e a
A. Cerebelosa Superior;
-As que se anastemosam com ramos da A. cerebelosa antero-
inferior irrigam o tegmento na porção posterior da
protuberância;
- As que se anastemosam com a A. cerebelosa superior irrigam:
*Núcleos dos Nervos motor ocular comum e
auditivo;
*Núcleo espinhal do trigémio;
*Feixe longitudinal medial;
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Sistema vascular
*Lemnisco medial;
*Pedúnculo cerebeloso superior;
*Formação reticular.
Correlações Clínicas:
Oclusão dos ramos paramedianos da A. Basilar, de um dos lados,
produz lesões na porção basilar da protuberância
correspondente que resulta numa hemiparesia contralateral e
dano nas raízes do nervo espinhal;
Obstrução das artérias curtas circunferenciais de um dos lados
resulta em distúrbios autónomos e cerebelosos ipsilaterais e
alterações na sensibilidade contralateral;
Oclusão das artérias longas circunferenciais e outras artérias que
irrigam o tegmento pôntico produz distúrbios dos pares cranianos,
paresia do movimento conjugado dos olhos, hemianastesia
contralateral, distúrbios cerebelosos ipsilaterais e nistagmo;
Trombose total ou parcial da artéria basilar pode produzir uma
perda da tonicidade muscular, pupilas dilatadas que não
respondem ao reflexo fotomotor e reflexo de Babinski bilateral.
Mesencéfalo
Irrigado por Ramos da A. Basilar, A. cerebral posterior e A.
Cerebelosa Superior, e por ramos da A. Carótida Interna, A.
Coroideia anterior e A. Comunicante Posterior.
Estes ramos encontram-se agrupados em três grupos:
o A. Paramedianas;
o A. Curtas Circunferenciais;
o A. Longas circunferenciais.
- A. Paramedianas:
Origem da A. Comunicante posterior e Cerebral posterior
Formam um plexo na fossa interpeduncular, penetram no tronco
cerebral através da substância perfurada posterior.
Irrigam:
*Complexo oculo-motor;
*Feixe medial longitudinal;
*Núcleo rubro;
*Porção interna da substância nigra e do pedúnculo cerebral.
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Sistema vascular
Correlações clínicas (A. paramedianas):
Lesão vascular produz hemiplegia alternante superior,
caracterizada por:
- perturbações ipsilaterais do nervo motor ocular comum;
- hemiplegia contralateral (Sindrome de Weber’s) –
sindrome que resulta de lesões que envolvem o pedúnculo
cerebral superior e as fibras do motor ocular comum.
Lesão menos frequente na região paramediana do
tegmento destrói porções do núcleo rubro, pedúnculo
cerebeloso superior e raízes intra-axiais do motor ocular comum.
- A. Curtas Circunferenciais:
Origem no plexo Interpeduncular e porções das artérias cerebral
posterior e cerebelosa superior;
Irrigam
*porções centrais e laterais do pedúnculo cerebral superior;
*substância nigra;
*porções laterais do tegmento do mesencéfalo.
- A. Longas Circunferenciais:
Origem na A. cerebral posterior
O ramo mais importante – A. quadrigeminal ou colicular – irriga os
corpos mamilares superiores e inferiores.
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Sistema vascular
Cerebelo
Cada hemisfério é irrigado por três artérias diferentes:
o Artéria Cerebelosa Superior;
o Artéria Cerebelosa Postero-Inferior;
o Artéria Cerebelosa Antero-Inferior.
Artéria Cerebelosa Postero-Inferior:
- Origem da A. Vertebral
- Desloca-se lateralmente sob o Bulbo até à face inferior do
cerebelo, onde forma ramos que vão irrigar:
* Vérmis inferior (especialmente a úvula e o
nódulo);
* Amígdala;
* Face infero-externa do hemisfério cerebeloso.
- Ramos internos irrigam o plexo coroideu do IV ventrículo.
Artéria Cerebelosa Antero-Inferior:
- Origem da Artéria Basilar
- Desloca-se inferior e lateralmente à protuberância até atingir o
ângulo ponto-cerebeloso onde se relaciona com o N. Facial e
Auditivo;
- Continua externamente, acima do flóculo, até atingir a face
inferior do cerebelo, onde irriga:
* Pirâmide;
* Tuber;
* Flóculo;
*Porções da face inferior do hemisfério
cerebeloso;
- Ramos perfurantes irrigam porções do núcleo dentado e da
substância branca adjacente;
- Ramos curtos contribuem para a irrigação do plexo coroideu do
IV ventrículo;
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Sistema vascular
Correlações Clínicas (A. cerebelosa antero-inferior):
Ramos desta artéria irrigam, frequentemente, tumores e
malformações arteriovenosas no ângulo ponto-cerebeloso;
Uma artéria auditiva interna nasce, muito
frequentemente, da artéria cerebelosa antero-inferior e uma
oclusão da última produz náusea, vómitos, surdez, paralesia
facial e distúrbios cerebelosos.
Artéria Cerebelosa Superior:
- Origem da Artéria Basilar
- Circunda o tronco cerebral perto da junção ponto-
mesencefálica, atinge a face superior do cerebelo;
- Neste trajecto, passa inferiomente ao nervo motor ocular
comum e superiormente aos nervos patético e trigémio;
- Na sua porção inicial, a artéria é supratentorial, atravessando
depois a tenda do cerebelo, tornando-se numa das artérias
infratentoriais mais posteriores;
- Fornece:
o Ramos perfurantes;
o Ramos pré-cerebelosos;
o Ramos corticais.
- Ramos perfurantes:
Penetram a fossa interpeduncular, pedúnculo cerebral superior
e cerebelosos superior e médio.
- Ramos pré-cerebelosos:
Irrigam os corpos mamilares.
- Ramos corticais:
Dividem-se em:
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Faculdade de Medicina de Lisboa 31
Sistema vascular
- ramos para o vérmis;
- ramos para os hemisférios;
- Artérias marginais.
Irrigam:
*as faces superiores e petrosa do cerebelo, os ramos
marginais, em alguns casos, irrigam a região da fissura horizontal;
*pedúnculos cerebelosos superior e médio, os núcleos
profundos do cerebelo, velum medular superior e o velum do
corpo medular.
*pequenos ramos irrigam porções do plexo coroideu do IV
ventrículo.
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Sistema vascular
Sistema Venoso
Medula Espinhal
Veias Espinhas
o Plexo Venoso longitudinal Anterior:
- Veias Anteriores: -Internas
-Externas
-Veias Sulcais:
Drenam para as veias antero-internas, drenam porções
antero-internas de ambos os lados da medula espinhal;
Regiões antero-externas da medula drenam para as veias
antero-externas e para as veias coronárias.
-Veia Radicular Magna:
Grande veia radicular na região lombar.
o Plexo Venoso Longitudinal Posterior:
-Veias Posteriores:
Drenam os cornos posteriores e substância branca
adjacente.
Dividem-se em: -Veias Internas
-Veias externas
o Plexo Venoso Epidural:
Localiza-se entre a dura-máter e o periósteo vertebral
Comunica com:
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Sistema vascular
*Veias torácicas
*Veias intercostais
*Veias abdominais
*Plexos venosos Longitudinais Externos
Correlações Clínicas:
Sistema Venoso desprovido de válvulas;
Sangue que circula nestes canais pode passar
directamente para o sistema venoso sistémico;
Quando a veia jugular está obstruida, o sangue deixa a
cavidade craniana através do plexo venoso epidural;
A continuidade destes plexos venosos com os plexos extra-
vertebrais acredita-se ser uma via pela qual neoplasias
possam metastisar.
Tronco Cerebral
Protuberância, Bulbo e IV Ventrículo
- Na região posterior do bulbo, as veias posteriores são de maior
calibre que as anteriores e penetram regiões mais profundas;
- Veias que emergem do plexo coroideu do IV ventrículo, grande
parte da protuberância e porção superior do bulbo, drenam para
a porção mastoideia do seio lateral ou para os seios petrosos
superior e inferior;
- Veias das porções inferiores do bulbo drenam para as veias
espinhais anterior e posterior.
Mesencéfalo
- Veias do mesencéfalo formam um plexo periférico na pia-máter;
- São recolhidas pelas veias basilares;
- Daqui drenam ou para a Grande Veia Cerebral (Galeno), ou
para as Veias cerebrais internas.
Cerebelo
- Têm trajecto semelhante ao das artérias;
- É drenado:
o Veias medianas superior e inferior
o Veias laterais superiores e inferiores
- As Veias medianas superior e inferior drenam o vérmis, regiões
paravermianas e núcleos profundos do cerebelo;
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Sistema vascular
- A Veia mediana superior drena para a Grande Veia cerebral;
- A Veia mediana inferior drena para o Seio recto e lateral;
- As Veias laterais superiores e inferiores drenam porções dos
hemisférios cerebelosos para os seios petrosos superiores;
Veias Cerebrais
Consistem em dois grupos:
Veias Cerebrais Superficiais – drenam
o sangue do córtex e substância
branca subcortical
Veias Cerebrais Profundas – drenam
sangue dos plexos coroideus, regiões
periventriculares, diencéfalo, gânglios
da base e substância branca
profunda
Os dois grupos de veias estão em comunicação através de vários
canais anastemóticos, intra e extracerebrais.
Veias Cerebrais Superficiais
o Veias Cerebrais superiores:
- Recebem sangue venoso das faces convexas e
internas do hemisfério cerebral;
- Drenam para o seio longitudinal superior;
- Algumas veias da face interna do hemisfério drenam
para o seio longitudinal inferior.
o Veias Cerebrais Inferiores:
- Recebem sangue da superfície hemisférica basal e
porções anteriores da face externa;
- Veias cerebrais inferiores da face basal drenam para os
seios basais;
- Nas regiões posteriores, drenam para os seios
cavernosos, esfenoparietais, petrosos e laterais.
o Veia Cerebral Superficial média:
- Desloca-se ao longo do rego de Sylvius;
- Recebe pequenas veias da face externa do hemisfério;
- Drena para o seio cavernoso;
- Recebe ramos anastemóticos:
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Sistema vascular
*Veia anastemótica superior (Trolard) –
comunica a veia cerebral superficial média com o seio
longitudinal superior
*Veia anastemótica inferior (Labée) –
comunica a veia cerebral superficial média com o seio
lateral.
o Outras veias:
- Veias da superfície tentorial do hemisfério drenam para
os seios laterais e petrosos superiores;
- Veias do lobo temporal anterior e das regiões
interpedunculares drenam para os seios cavernosos e
esfeno-parietais;
- Veias da região orbitária drenam para os seios
longitudinais superior e inferior.
Canais anastemóticos permitem a comunicação entre as veias
cerebrais superficiais e profundas:
*Veia occipital
*Veia Basal (Rosenthal)
*Veia Calosa Posterior
Veias Cerebrais Profundas
As mais importantes são:
* Veias Cerebrais Internas
* Veias Basais (Rosenthal)
* Grande veia cerebral (Galeno)
o Veias Cerebrais Internas
- Situam-se na linha média da Tela Coroideia do tecto do IV
ventrículo;
- Estende-se posteriormente na região do buraco de Monro
pela superfície superior e interna do tálamo;
- Resulta da anastemose da veia talamoestriada, coroideias
e septal ao nível do buraco de Monro;
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Sistema vascular
- Recebe também, de cada lado, a veia epitalamica e
ventricular lateral.
Veia Talamoestrida:
- Percorre o sulco opto-estriado;
- Recebe:
* Veia terminal anterior – drena a superfície
ventricular da cabeça do núcleo caudado;
* Veias caudadas tranversas – juntam-se à
talamoestriada ao longo das várias porções do núcleo
caudado;
* Veias estriadas superiores – drenam o plexo
capilar do núcleo lentiforme (superiormente).
Veia Coroideia:
- Percorre o bordo externo do plexo coroideu;
- Estende-se até ao prolongamento inferior do ventrículo
lateral;
- Drena:
* porções do plexo coroideu
* regiões hipocâmpicas adjacentes
Veia Septal:
- Drena o septo pelúcido e porções anteriores do corpo
caloso;
Veia Epitalamica:
- Pequena veia que drena a parte dorsal do diencéfalo
(tálamo e hipotálamo);
- Drena para a grande veia cerebral interna ou para a
grande veia cerebral, perto da sua junção.
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Sistema vascular
Veia ventricular Lateral:
- Percorre a superfície postero-superior do tálamo;
- Termina na veia cerebral interna, aquando da sua
junção com a grande veia cerebral;
- Estende-se sob a superfície do tálamo e cauda do
núcleo caudado e penetra na substância medular,
perto do ângulo do ventrículo lateral;
- Pequenos ramos desta veia originam-se no plexo
coroideu e substância branca da circunvolução para-
hipocâmpica.
o Veia Basal de Rosenthal
- Nasce perto da parte interna do lobo temporal
anterior;
- Recebe:
* Veia Cerebral anterior
* Veia Cerebral profunda média
* Veias estriadas inferiores
Veia cerebral anterior:
- Acompanha a artéria cerebral anterior;
- Drena a superfície orbitária do lobo frontal, porções
anteriores do corpo caloso e circunvolução do corpo
caloso.
Veia cerebral profunda média:
- Encontra-se no Rego de Sylvius;
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Sistema vascular
- Drena o lobo a insula e córtex opercular adjacente.
Veias estriadas inferiores:
- Drenam porções antero-inferiores dos gânglios da
base;
- Emergem através da substância perfurada anterior;
- Terminam na veia cerebral profunda média.
As veias cerebrais anteriores anastemosam-se à frente do quiasma
óptico por um ramo transversal, a Veia Comunicante Anterior.
As Veias Basais anastemosam-se pela Veia Comunicante Posterior, que
se estende à frente da protuberância.
Assim forma-se um círculo venoso, na base do cérebro, sobreponível ao
Polígono de Willis.
A veia basal termina na grande veia cerebral.
o Grande veia Cerebral de Galeno
- Recebe:
* Veias cerebrais internas
* Veias basais
* Veias occipitais
* Veia calosa posterior
* Veias cerebelosa superior
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Sistema vascular
Veias occipitais drenam as faces interna e inferior do lobo
occipital e porções parietais adjacentes.
Veia calosa posterior drena esplénio do corpo caloso e
faces internas adjacentes do cérebro.
As veias profundas são responsáveis pela drenagem de:
* Superfície ventricular
* Plexos coroideus
* Substância profunda medular
* Núcleos caudados
* Núcleos lentiformes
* Tálamo
Todas estas estruturas também podem ser drenadas pelas veias
superficiais através de vários ramos anastemóticos intra e extracerebrais.
Isabel Sousa
Joana Chin
Nov./2003
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Nov./2003
Neuroanatomia 16. Vias da Sensibilidade
16. Vias da
Sensibilidade
Introdução
A substância branca da medula divide-se em 3 tipos de colunas brancas:
2 colunas brancas anteriores, 2 colunas branca posteriores e 2 colunas
brancas laterais:
Coluna branca anterior – entre sulco mediano anterior e sulco
colateral anterior.
Coluna branca posterior – entre sulco mediano posterior e sulco
colateral posterior.
Coluna branca lateral – entre sulco colateral anterior e sulco
colateral posterior.
As diferentes fibras sensitivas ao entrarem na medula espinhal são
repartidas constituindo vias.
Algumas dessas fibras ascendentes ligam a medula espinhal ao cérebro
constituindo as vias da sensibilidade ou vias ascendentes (que fazem
parte da substância branca da medula espinhal).
Organização Anatómica
As informações provenientes das terminações sensitivas periféricas são
conduzidas pelo Sistema Nervoso por uma série de 3 neurónios:
1. Protoneurónio (1º neurônio, neurônio de 1ª ordem ou neurônio periférico)
as suas dendrites estão ao nível do receptor sensitivo periférico
o seu corpo celular está ao nível do gânglio da raiz posterior do nervo
raquidiano
o seu axônio entra na medula pela raiz posterior do nervo raquidiano,
terminando ao nível da substância cinzenta no corno cinzento
posterior.
EXCEPÇÃO: via táctil-epicrítica
2. Deuterónio (2º neurônio, neurônio de 2ª ordem ou neurônio intermédio)
origina-se na terminação do protoneurónio;
o seu axônio decussa para o lado oposto e ascende até níveis +
elevados do SNC (normalmente tálamo).
3. Teleneurónio (3º neurônio, neurônio de 3ª ordem ou neurônio terminal)
Origina-se na terminação do deuterónio
origina uma fibra de projecção que vai para uma região sensitiva do
córtex cerebral.
1
Neuroanatomia 16. Vias da Sensibilidade
Nota: Alguns neurónios das vias ascendentes dão ramos para a formação reticular
(que assim vão activar o córtex cerebral, mantendo o estado de vigília); outros ramos
vão directamente para neurônios motores e participam na actividade muscular
reflexa.
Funções das vias da sensibilidade:
2
Neuroanatomia 16. Vias da Sensibilidade
sensibilidade térmica e dolorosa
sensibilidade ao tacto e à pressão
sensibilidade vibratória
discriminação táctil
informações inconscientes provenientes dos músculos,
articulações, pele e tecido sub-cutâneo.
Tipos de Sensibilidade
Existem 3 tipos principais de sensibilidade:
1. Extereoceptiva – dá informações inconscientes provenientes do mundo
exterior. Pode ser:
1.1 – Nociceptiva (temos sensibilidade pouco definida)
Termo-álgica (permite a percepção da dor e temperatura)
Táctil-protopática (permite a percepção da pressão e do
tacto)
1.2- Táctil epicrítica (temos sensibilidade descriminativa) – é através
dela que temos:
Estereognosia – capacidade de reconhecer pelo tacto um
objecto
Grafistesia - capacidade de reconhecer pelo tacto letras
2. Proprioceptiva – dá informação do estado muscular e postural, isto é, dá
informação intrínseca ao próprio corpo. Pode ser:
2.1- Consciente – vias atingem o córtex cerebral
2.1- Inconsciente – vias só atingem o cerebelo
3. Interoceptiva - dá informação do estado visceral.
Vias da Sensibilidade Exteroceptiva
Termo-álgica (Vias da dor e da temperatura)
Via espinotalamica lateral
3
Neuroanatomia 16. Vias da Sensibilidade
Protoneurónio
as suas dendrites localizam-se no receptor sensitivo periférico
o seu corpo celular está no gânglio da raiz posterior do nervo raquidiano
o seu axônio penetra na medula espinhal, pela raiz posterior do nervo
raquidiano
terminando ao nível da cabeça do corno cinzento posterior na substância
gelatinosa de Rolando.
No entanto, mesmo antes de terminar ao nível do corno cinzento posterior
da medula origina ramos ascendentes e descendestes que ascendem 1 a
2 segmentos medulares e constituem a via postero-lateral de Lissaeur.
Deuterónio
origina-se na terminação do protoneurónio
o seu axônio vai decussar para o lado oposto, ao nível da comissura
cinzenta e branca da medula
ascende na coluna branca lateral, constituindo a via espinotalâmica
lateral, nas quais as fibras anteriores transportam a dor e as fibras
posteriores transportam a temperatura.
No bulbo a via espinotalamica lateral passa entre o núcleo olivar
inferior e o núcleo espinhal do trigémio.
No bulbo e na protuberância, a via espinotalamica lateral ascende
na porção externa do lemnisco espinhal.
O lemnisco espinhal é formado pelas vias espinotalamica anterior,
espinotalamica anterior e espino-tectal e só se inicia no bulbo.
No mesencéfalo situa-se no tegmento, externamente ao lemnisco
interno.
A maioria dos axônios desta via vai terminar no tálamo, no núcleo
ventral postero-lateral.
Teleneurónio
origina-se na terminação do deuterónio
os seus axônios vão atravessar o braço posterior da cápsula interna e a
coroa radiada
terminam na área somatestésica primária (circunvolução parietal
ascendente do córtex cerebral).
Da área somatestésica primária, a informação aferente é levada a outras regiões
do córtex para ser usada pelas áreas motoras e parietal de associação.
Pensa-se que os impulsos da dor são conduzidos por 2 vias:
Dor aguda inicial – Termina no núcleo ventro-postero-lateral do tálamo e
é transmitida ao córtex
Dor prolongada – Activa todo o sistema nervoso (vigília)
Lesão da Via Espino-Talamica Lateral na Medula – Perda da sensibilidade à dor e
temperatura do lado oposto e abaixo do nível da lesão
Testes: colocar coisas quentes e frias e ir tocando na pele (temperatura) e ir
picando com um afinete (dor).
Controlo da Dor no SNC:
4
Neuroanatomia 16. Vias da Sensibilidade
1. Sistema de analgesia – a estimulação de certas áreas do tronco cerebral
(área periventricular do diencéfalo, substância cinzenta periaquedutal do
mesencéfalo e núcleo mediano do tronco cerebral) podem diminuir ou
bloquear as sensações de dor. Pensa-se que as endorfinas e encefalinas são
os neurotransmissores envolvidos neste processo
2. Teoria de “Gating” – O excesso de estimulação não dolorosa, como a dor e
pressão, sobrepõe-se à dor bloqueando a sua transmissão. Esta teoria explica
o alívio da dor proporcionado por técnicas como a massagem ou a
acumpuntura
Táctil-protopática (Vias do tacto e da pressão)
Via espinotalamica anterior
Protoneurónio (igual ao da via espino talâmica lateral)-
5
Neuroanatomia 16. Vias da Sensibilidade
as suas dendrites localizam-se no receptor sensitivo periférico
o seu corpo celular está no gânglio da raiz posterior do nervo raquidiano
o seu axônio penetra na medula espinhal, pela raiz posterior do nervo
raquidiano
terminando ao nível da cabeça do corno cinzento posterior na substância
gelatinosa de Rolando.
No entanto, mesmo antes de terminar ao nível do corno cinzento posterior
da medula origina ramos ascendentes e descendestes que ascendem 1 a
2 segmentos medulares e constituem a via postero-lateral de Lissaeur.
Deuterónio
origina-se na terminação do protoneurónio
o seu axônio vai decussar para o lado oposto, ao nível da comissura
cinzenta e branca da medula, e ascende na coluna branca anterior,
constituindo a via espinotalâmica anterior. (no seu percurso novas fibras
são adicionadas na sua porção interna, de tal modo que, as fibras +
internas são cervicais e as + externas sagradas).
A via espinotalamica anterior atravessa sucessivamente o bulbo,
protuberância e mesencéfalo, fazendo parte do lemnisco espinhal.
(O lemnisco espinhal é formado pelas vias espinotalamica anterior,
espinotalamica anterior e espino-tectal e só se inicia no bulbo).
Termina no tálamo, no núcleo ventral postero-lateral.
Teleneurónio
(igual ao da sensibilidade termo-álgica e ao da sensibilidade táctil-
epicrítica)
origina-se na terminação do deuterónio
os seus axônios vão atravessar o braço posterior da cápsula interna e a
coroa radiada
terminam na área somatestésica primária (circunvolução parietal
ascendente do córtex cerebral).
reconhece pressões mas não reconhece local tocado. Permite saber se toque é
agradável ou desagradável.
Teste: tocar num local com uma coisa dura e depois com uma coisa mole e ver se
distingue os 2 tipos de toque (pressão).
Lesão da Via Espino-Talamica Anterior na Medula – Perda da sensibilidade táctil
não discriminativa e da pressão do lado oposto e abaixo do nível da lesão
NOTA: Ao conjunto da via espinotalamica anterior e via espinotalamica lateral
chama-se feixe em crescente de Dejerine.
Táctil-epicrítica (Vias da sensibilidade descriminativa e
vibratória)
Feixes de Goll e Burdach (ou feixe grácil e cuneato, respectivamente)
6
Neuroanatomia 16. Vias da Sensibilidade
Protoneurónio
as suas dendrites localizam-se no receptor sensitivo periférico
o seu corpo celular está no gânglio da raiz posterior do nervo raquidiano
o seu axônio penetra na medula espinhal, pela raiz posterior do nervo
raquidiano, passando directamente para a coluna branca posterior do
mesmo lado, onde ascende constituindo parte dos feixes de Goll e de
Burdach terminado nos núcleos de Goll e de Burdach (ou núcleos grácil e
cuneato), no bulbo, sendo até lá ipsilaterais.
O feixe de Goll é interno e o feixe de Burdach é externo.
O feixe de Goll está presente em toda a extensão da coluna
(sensibilidade sagrada, lombar e 6 últimas toráxicas) enquanto que o feixe
de Burdach está presente apenas em parte da extensão da coluna
(sensibilidade cervical e das 6 primeiras toráxicas).
Deuterónio
origina-se na terminação do protoneurónio e o seu axônio, denominado
fibras arcuata interna) vai decussar para o lado oposto, ao nível da
decussação sensitiva ou decussação do lemniscos no bulbo.
Depois, ascende através do bulbo, protuberância e mesencéfalo no
lemnisco interno e termina no tálamo, no núcleo ventral postero-lateral.
Teleneurónio
(igual ao da sensibilidade termo-álgica e ao da sensibilidade táctil-
protopática)
origina-se na terminação do deuterónio e os seus axônios vão atravessar o
braço posterior da cápsula interna e a coroa radiada
terminam na área somatestésica primária (circunvolução parietal
ascendente do córtex cerebral).
permite distinguir, com precisão, 2 pontos tocados simultameamente e muito
próximos entre si e também permite distinguir objectos apenas pelo tacto
(estereognosia) e letras também só pelo tacto (grafistesia).—DISCRIMINAÇÃO TÁCTIL.
Testes:
1-diapasão (sensibilidade vibratória)
2-pedir para identificar objectos pelo tacto (esterognósia)
3-Colocar um compasso e ver se se consegue identificar 2 pontos próximos.
Lesão dos Feixes de Goll de Burdach na Medula – Perda de consciência dos
movimentos dos membros, da postura, das sensações vibratórias e de tacto
discriminativo do mesmo lado e abaixo do nível da lesão
Vias da Sensibilidade Proprioceptiva
Proprioceptiva consciente
7
Neuroanatomia 16. Vias da Sensibilidade
Feixes de Goll e Burdach
Segue o mesmom trajecto que as vias da sensibilidade táctil epicrítica.
Permite reconhecer conscientemente a postura corporal
Proprioceptiva inconsciente
Via espino-cerebeloso posterior (proveniente do tronco)
Tem apenas dois neurónios e constitui o feixe espino-cerebeloso directo ou
feixe de flechsig.
O protoneurónio entra pela raiz medular posterior para o corno cinzento
posterior indo até à base deste onde sinapsa com o deuterónio.
Os deuterónos desta via constituem a coluna de Clark ou núcleo dorsalis
que só existe entre C8 e L4 o que faz com que os protoneurónios dos
segmentos inferiores a esseses tenham de subir pela coluna branca
posterior até ao núcleo
Ascendem homolateralmente pela coluna branca lateral formando a via
espino-cerebelosa posterior ou feixe espino-cerebeloso directo indo até
ao bulbo. No bulbo passa no corpo restiforme e une-se ao pedúnculo
cerebeloso inferior e termina no córtex cerebeloso do mesmo lado.
Via espino-cerebelosa anterior (proveniente dos membros)
Também chamada feixe espino-cerebeloso cruzado ou feixe de Gowers.
Protoneurónio entra pela raiz medular posterior e na base do corno
cinzento posterior sinapsa com o deuterónio formando o núcleo de
Bechterew.
A maior parte dos axónios dos deuterónios cruza para o lado oposto e
forma via espino-cerebelosa ant que ascende pela coluna branca
anterior.
Atravessa o bulbo e a protuberância entrando no cerebelo pelo
pedúnculo cerebeloso superior chegando ao córtex cerebeloso onde
termina.
Pensa-se que as fibras cruzam novamente dentro do cerebelo porque o
cerebelo controla ipsilateralmente o corpo.
Feixe cuneo-cerebeloso
Algumas fibras do feixe de Burdach, depois de fazerem sinapse com o
núcleo de Burdach, atingem o cerebelo através do pedúnculo
cerebeloso inferior;
Estas fibras são conhecidas como fibras arciformes postero-externas e
formam o feixe cuneo-cerebeloso do mesmo lado;
Recebem informação acerca dos músculos.
Vias da sensibilidade interoceptiva
Feixes sensitivos das vísceras
8
Neuroanatomia 16. Vias da Sensibilidade
As sensações das vísceras do tórax e do abdómen entram na medula
espinhal através das raízes posteriores;
Os corpos celulares dos neurónios de 1º ordem estão no gânglio da raiz
posterior;
Os prolongamentos periféricos destas células recebem os impulsos
nervosos de dor e distensão dos receptores das vísceras;
Os prolongamentos centrais, depois de entrarem na medula espinhal
sinapsam com neurónios de 2º ordem nos cornos posterior ou lateral da
substancia cinzenta;
Acredita-se que os axónios destes neurónios se juntam aos feixes espinho-
talâmicos ao ascenderem na medula espinhal e terminam no núcleo
ventral postero-lateral de tálamo, onde formam sinapses com neurónios
de 3º ordem;
O destino final dos axónios destes neurónios é possivelmente a
circunvalação parietal inferior do lobo parietal do córtex.
Outras vias ascendentes
Via cúneo-cerebelosa
9
Neuroanatomia 16. Vias da Sensibilidade
Dão informações sensitivas sobres os músculos e articulações ao cerebelo
contribuindo para as informações proprioceptivas (complementa as
informações provenientes dos feixes espino-cerebelosos ant e post.
Originam-se no núcleo cuneatos ou de Burdach e ascendem até ao
cerebelo através do pedúnculo cerebeloso inferior homolateral.
Formam as fibras arciformes post-ext.
Via espino-tectal
Conduz informação aferente para reflexos visuais, provocando o
movimento dos olhos, cabeça e pescoço para a origem do estímulo.
Axónios do protoneurónio sinapsam com o deuterónio na substância
cinzenta da medula os quais cruzam para o lado oposto e formam a via
espino-tectal na coluna branca anterior.
Atravessam o bulbo e protuberância e sinapsam no tubérculo
quadrigemio anterior do mesencéfalo.
Via espino-Olivar
Conduz informação para o cerebelo dos orgãos cutâneos e
proprioceptivos homolateralmente.
Axónio entra na medula e sinapsa com deuteronio no corno cinzento
posterior
Axónios dos deuterónios cruzam para o lado oposto e ascendem como
via espino-olivar na junção da coluna branca anterior com a coluna
branca lateral; terminam ao nível do núcleo olivar inferior (no bulbo) onde
sinapsam com o teleneurónio e depois cruzam a linha média e entram no
cerebelo pelo pedúnculo cerebeloso inferior.
Via espino reticular
Via aferente da formação reticular com participação na modulação do
nível de consciência.
Axónios entram na medula pela raiz posterior sinapsando na substância
cinzenta com o deuterónio que ascendem como via espino-reticular.
A maioria das fibras não cruza terminando nos neurónios da formação
reticular do bulbo, protuberância e mesencéfalo
10
Neuroanatomia 17. Vias da Motricidade
17. Vias da Motricidade
Introdução
Os impulsos nervosos que são emitidos pelo córtex cerebral e por outros
centros nervosos superiores propagam-se a axónios que descendem na
substância branca.
Estes axónios estão agrupados em feixes nervosos que constituem as Vias
Descendentes (ou Motoras).
São estas vias que nos permitem executar ou controlar movimentos, pois
são elas que estimulam a musculatura esquelética.
Estas vias chegam até ao nível dos cornos cinzentos anteriores da medula
espinhal onde se encontram os neurónios motores inferiores que enviam
axónios para os músculos esqueléticos pela raiz raquidiana anterior,
estimulando-os.
Organização Anatómica
De um modo geral, o controlo da actividade muscular esquelética pelo
córtex cerebral (e por outros centros superiores) é conduzido por 3
neurónios.
1. Protoneurónio (neurónio de 1ª ordem)
Tem o seu corpo celular no córtex cerebral (ou noutro centro superior)
e o seu axónio descende até ao nível do corno cinzento anterior da
medula espinhal onde sinapsa com o neurónio de 2ª ordem ou
interneurónio.
2. Deutoneurónio (neurónio de 2ª ordem)
Este neurónio é muito curto e sinapsa com o neurónio de 3ª ordem
ainda aí no corno cinzento anterior da medula espinhal.
3. Teleneurónio (neurónio de 3ª ordem)
O neurónio de 3ª ordem (que também pode ser chamado de
neurónio motor inferior), tem um axónio que sai através da raiz
raquidiana anterior para ir finalmente enervar os músculos
esqueléticos.
Em alguns casos, os neurónios de 1ª ordem sinapsam directamente
com neurónios de 3ª ordem (acontece geralmente, por exemplo, nos
arcos reflexos).
1
Neuroanatomia 17. Vias da Motricidade
Tipos de Motilidade
1. Voluntária (consciente) – consequência de uma decisão consciente, a
nível cortical, que determina a contracção de músculos isolados ou de grupos
musculares, ou seja, uma dada acção muscular
2. Involuntária (inconsciente) – não é dependente da vontade
2.1. – Reflexa - resposta sem intervenção voluntária. Exemplo: reflexo
rotuliano.
2.2. – Automática - movimentos que são executados repetidamente
até que deixam de ser controlados pela vontade.
2.3. – Associada – movimentos executados ao mesmo tempo que o
movimento voluntário para assegurar o equilíbrio.
2.4. – Estática – assegura o tónus muscular para manter a postura
corporal (importante para o equilíbrio).
Nas vias descedentes temos a considerar:
I. Vias Piramidais ou de Motricidade Voluntária
A – Via cortico-espinhal ou piramidal
1. Via cortico-espinhal lateral
2. Via cortico-espinhal anterior
B – Via cortico-nuclear ou geniculada
II. Vias Extrapiramidais
A – Vias retículo-espinhais
1. Via Retículo-espinhal Protuberancial
2. Via Retículo-espinhal Bulbar
B – Via tecto-espinhal
C – Via rubro-espinhal
D – Via vestíbulo-espinhal
E – Via olivo-espinhal
III. Fibras descendentes do Sistema Autónomo
IV. Vias Óculo-motoras
A – Via óculo-cefalogira
B – Vias da motricidade intrínseca
Funções das vias descendentes
As vias descendentes relacionam-se com:
Movimentos voluntários precisos e especializados (principalmente das
porções distais dos membros) – via cortico-espinhal
Actividade reflexa – via retículo-espinhal
Movimentos posturais e reflexos como resposta a estímulos visuais – via
tecto-espinhal
Reflexo da dilatação da pupila (como resposta à escuridão) – fibras da
via tecto espinhal associadas aos núcleos simpáticos, no corno cinzento
anterior
Actividade muscular (flexão e inibir a extensão) – via rubro-espinhal
Actividade postural relacionada com o equilíbrio - via vestíbulo-espinhal
Controlo da actividade visceral - pelas fibras autónomas descendentes
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Neuroanatomia 17. Vias da Motricidade
Vias Piramidais ou da Motricidade Voluntária
Vias cortico-espinhais ou piramidais
Origem Histológica
As fibras originam-se nos axónios das células piramidais situadas na quinta
camada do córtex cerebral.
Origem Funcional
As fibras provêm:
1/3, da área motora primária (área 4)
outro terço, da área motora secundária (área 6)
e outro terço do lobo parietal (áreas 3, 1 e 2) da
Circunvolução Parietal Ascendente (este último conjunto não
controla a actividade motora mas influencia o input sensorial
para o sistema nervoso)
Ou seja, 2/3 das fibras provêm da circunvolução frontal ascendente e
1/3 da parietal ascendente.
A estimulação eléctrica de diferentes partes da circunvolução frontal
ascendente produz movimentos em diferentes partes da metade contra-
lateral do corpo.
A representação caricatural dessas partes do corpo humano na área do
córtex denomina-se de homúnculo.
O homúnculo é pois uma imagem distorcida do corpo, com as várias
partes a terem um tamanho proporcional na área do córtex direccionada
para o seu controlo.
De notar que a região que controla a face está localizada inferiormente e
a que controla o membro inferior está localizada superiormente e na
superfície interna do hemisfério.
É ainda interessante notar que a maior parte das fibras cortico-espinhais
são mielinizadas e são relativamente lentas.
Trajecto
Do córtex cerebral, as fibras convergem na corona radiata (ou centro oval
de Vieussens), [que condiciona a que os neurónios inferiores se tornem
internos e os superiores externosi].
De seguida passam no braço posterior da cápsula interna.
Aqui as fibras destinadas às porções cervicais do corpo estão mais
próximas do joelho, enquanto que as que vão enervar o membro inferior
são mais posteriores.
A via continua pelos 3/5 médios do pé dos pedúnculos cerebrais
(mesencéfalo) – as fibras relacionadas com as porções cervicais estão
situadas internamente, e as do membro inferior externamente [Snell]
A via que até este nível formava uma unidade compacta, ao entrar na
protuberância vai agora se dividir em vários feixes por causa do reticulado
formado pelas fibras ponto-cerebelosas trasnversas e núcleos pônticos.
Após esta separação as fibras voltam a convergir sendo que o início da
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Neuroanatomia 17. Vias da Motricidade
divergência e o final da convergência indicam os limites precisos da
protuberância1
No bulbo, os feixes agrupam-se ao longo do bordo anterior formando as
pirâmides bulbares (daí a designação de via piramidal).
Ao nível da porção inferior do bulbo as fibras que constituem o feixe
piramidal vão se dividir e assumir posições diferentes ao longo do seu
trajecto descendente através da medula.
80% da fibras – formam a denominada decussação das pirâmides que
consiste no entrecruzamento dos feixes de um lado com os feixes do lado
oposto, formando a Via Cortico-espinhal Lateral (ou feixe piramidal
cruzado1), que vai caminhar no cordão lateral do lado oposto, dirigindo-se
aos sucessivos andares da medula e terminando no corno cinzento
anterior de todos os segmentos medulares.
20% das fibras – continuam o seu trajecto sem cruzarem na decussação,
formando a Via Cortico-espinhal Anterior (ou feixe piramidal directo1) que
vai caminhar no sulco mediano anterior do cordão do mesmo lado,
dirigindo-se aos sucessivos andares da medula cruzando-se com os
neurónios do lado oposto a nível da comissura branca anterior e
terminando no corno cinzento anterior dos segmentos medulares nas
regiões cervicais e torácica superior.
A maior parte das fibras cortico-espinhais sinapsam com interneurónios
(neurónios de 2ª ordem), que por sua vez sinapsam com neurónios motores
alpha e alguns gamma.
Apenas as maiores fibras cortico-espinhais é que sinapsam directamente
com os neurónios de 3ª ordem.
Estas vias não constituem a única via para movimento voluntário.
Formam uma via que confere rapidez e agilidade aos movimentos
voluntários, sendo usadas no desempenho de movimentos precisos.
No entanto, muitos movimentos voluntários básicos/simples são mediados
por outras vias descendentes.
Ramos das vias cortico-espinhais
As vias cortico-espinhais, durante o seu percurso descendente enviam:
a) ramos que retornam ao córtex cerebral para inibir a actividade
em zonas adjacentes ao córtex.
b) Ramos para os núcleos caudado, lenticular, rubro e olivar e para
a formação reticular. São importantes para que as regiões
subcorticais estejam informadas e assim possam reagir e enviar os
seus próprios impulsos nervosos para os neurónios motores alpha
e gamma por outras vias descendentes – vias extra-piramidais.
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Neuroanatomia 17. Vias da Motricidade
Via cortico-nuclear ou feixe geniculado
A via cortico-nuclear é uma via que transporta as decisões efectoras de
actos voluntários para os núcleos motores dos pares cranianos.
As fibras têm origem no 1/3 inferior da circunvolução frontal ascendente e
atravessam a Corona Radiata obliquamente para dentro até penetrarem
na cápsula interna.
A este nível a via cortico-nuclear passa à frente da via cortico-espinhal e
atravessa o joelho (“genou” em francês, daí a designação de feixe
Geniculado) da cápsula interna.
Em seguida, as fibras dirigem-se para dentro e entram no 1/5 interno do pé
do pedúnculo cerebral, e o seu trajecto é semelhante ao feixe piramidal
até à porção inferior do bulbo onde termina.
Ao longo do seu trajecto fornece fibras homolaterais e heterolaterais para
todos núcleos dos nervos cranianos, excepto para os núcleos fácial inferior
(VII), Espinhal (XI) e Hipoglosso (XII), aos quais só fornece para os
heterolaterais.
Lesão nas Vias Piramidais
Relativamente às lesões, quando estamos perante uma lesão na
circunvolução frontal ascendente direita, verifica-se uma hemiparésia
esquerda, ou seja, há uma total incapacidade de executar movimentos.
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Neuroanatomia 17. Vias da Motricidade
Vias Extrapiramidais
Vias retículo-espinhais
1) Via retículo-espinhal protuberancial – da protuberância, os neurónios da
formação reticular (grupo de células e fibras nervosas dispersas ao longo
do mesencéfalo, protuberância e bulbo) enviam axónios que
descendem ao longo do cordão anterior da medula espinal. Entram no
corno cinzento anterior da medula espinal para irem facilitar/inibir a
actividade dos neurónios motores α e γ. Estes axónios não cruzam a linha
média.
2) Via retículo-espinal bulbar – no bulbo, neurónios da formação reticular
enviam axónios que caminham no cordão lateral da medula espinal.
Estes axónios podem cruzar ou não a linha média. A partir daqui, o
trajecto é idêntico à via retículo-espinhal protuberancial.
Função: uma vez que regulam a actividade dos neurónios motores α e γ,
influenciam os movimentos voluntários e o arco reflexo. Constituem uma
via através da qual o hipotálamo controla o Sistema Autónomo.
Via tecto-espinhal
Constituída pelos axónios enviados pelos neurónios dos colículos
superiores/tubérculos quadrigémeos anteriores do mesencéfalo.
Um pouco abaixo da sua origem, a maioria das fibras decussa –
decussação de Meynert – e caminha no tronco cerebral próximo do feixe
longitudinal mediano (atrás da fita de Reil).
A via tecto-espinhal descende no cordão anterior da medula espinal
próximo da fissura média anterior e termina no corno cinzento anterior nos
segmentos cervicais superiores da medula espinal, onde sinapsa com
interneurónios.
Função: está relacionada com os movimentos posturais reflexos na
resposta a estímulos visuais, devido à relação da via óptica com o
colículo superior.
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Neuroanatomia 17. Vias da Motricidade
Via rubro-espinhal
Esta via tem origem no núcleo rubro, o qual se localiza no mesencéfalo, ao
nível dos tubérculos quadrigémeos superiores.
Os axónios dos neurónios deste núcleo decussam ao nível do próprio
núcleo – decussação de Forel – e descem, juntamente com o feixe
retículo-espinhal bulbar, pelo cordão lateral da medula espinal.
As fibras terminam em sinapse com um interneurónio no corno anterior da
medula espinal.
Os neurónios do núcleo rubro recebem impulsos aferentes do córtex
cerebral e cerebelo.
Pensa-se que esta constitui uma via indirecta através da qual o córtex
cerebral e o cerebelo influenciam a actividade dos neurónios motores α e
γ, da medula.
Função: facilita a acção de músculos flexores e inibe a de músculos
extensores e com função anti-gravítica.
Via vestíbulo-espinhal
Os axónios desta via têm origem nos neurónios do núcleo vestibular (de
Deiters), que se localiza na protuberância e no bulbo, abaixo do
pavimento do 4º ventrículo.
As fibras desta via são directas, ou seja, não cruzam no seu trajecto ao
longo do bulbo e do cordão anterior da medula.
Elas terminam em sinapse com o interneurónio no corno anterior da
medula espinal.
Este núcleo recebe fibras aferentes do ouvido interno através do nervo
vestibular, e do cerebelo.
Função: facilita a acção dos músculos extensores e inibe a acção dos
músculos flexores. Pensa-se que esteja relacionado com a manutenção
do equilíbrio. Está envolvida nos movimentos posturais reflexos em
resposta a estímulos auditivos e no mecanismo pelo qual o cerebelo
exerce a sua influência sobre a actividade dos neurónios motores α e γ.
Via olivo-espinhal
Pensava-se que esta via tinha origem no núcleo olivar inferior (do bulbo)
e que desciam no cordão lateral da medula, para influenciar a
actividade dos neurónios motores no corno anterior da medula.
Mas actualmente, existem muitas dúvidas de que ela, de facto, exista.
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Neuroanatomia 17. Vias da Motricidade
Lesões
As lesões das vias extrapiramidais coexistem geralmente com lesões das vias
piramidais e quando se pesquisa sinais destas lesões deve ser analisado o
equilíbrio entre inibição e aumento da força e tónus muscular.
Tipos de sinal:
o Paralisia grave sem atrofia muscular;
o Espasticidade ou hipertonicidade muscular (devido à perda do papel
inibidor destas vias) dos músculos extensores no membro inferior e dos
músculos flexores no membro superior;
o Reflexos musculares profundos exagerados, principalmente nos
músculos flexores dos dedos e quadrícipete.
o Resistência ao movimento passivo das articulações.
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Neuroanatomia 17. Vias da Motricidade
Fibras Autónomas Descendentes
Os centros superiores do SNC associados ao controlo da actividade
autónoma estão situados no córtex cerebral, hipotálamo, amígdala e
formação reticular.
Investigações de lesões da medula espinal demonstram a existência de
feixes autónomos, que, provavelmente, fazem parte da via retículo-
espinhal.
Estas fibras têm origem em neurónios de centros superiores e cruzam a
linha média ao nível do tronco cerebral.
Pensa-se que descem no cordão lateral da medula espinal e que
terminam em sinapse com células motoras autónomas, nos cornos laterais
da medula, ao nível das regiões torácica e lombar superior (simpático) e
sagrada média (parassimpática).
Função: controlam o Sistema Nervoso Simpático e Parassimpático.
Feixes Intersegmentares
Constituem pequenos feixes ascendentes e descendentes, que se
originam e terminam ao nível da medula espinal.
Existem ao nível dos cordões de substância branca (anterior, lateral e
posterior) da medula espinal.
Função: ligam os neurónios da medula que se encontram a diferentes
níveis.
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Neuroanatomia 17. Vias da Motricidade
Arco Reflexo
Reflexo – resposta involuntária a um estímulo.
O arco reflexo resulta da união entre estruturas anatómicas específicas:
- órgão receptor;
- neurónio aferente;
- neurónio eferente;
- órgão efector.
Este tipo de arco reflexo exige apenas a existência de uma sinapse – reflexo
monossináptico. Na medula espinal, os arcos reflexos desempenham um papel
importante na manutenção do tónus muscular que é a base da postura do
corpo:
1. o órgão receptor localiza-se na pele, músculo ou tendão.
2. comunica com um neurónio aferente (cujo corpo celular se localiza
no gânglio da raiz posterior) que leva o sinal à medula.
3. na medula, comunica com o neurónio motor ou eferente que
transporta o sinal de acção ao órgão efector, que é normalmente o
músculo.
Uma vez que as fibras aferentes são de grande diâmetro,
conduzem rápido a informação e, devido à existência de uma única
sinapse, é possível uma resposta rápida.
Esta resposta é abolida se houver uma interrupção no arco
reflexo em qualquer uma das suas partes.
Após uma descarga monossináptica rápida temos uma
descarga tardia. Este facto pode ser explicado pela ramificação das fibras
aferentes que, por sua vez, comunicam com neurónios intermédios que,
por fim, sinapsam com neurónios motores.
A existência destes circuitos neuronais adicionais prolonga o
bombardeamento dos neurónios efectores após a estimulação inicial pelos
neurónios aferentes ter cessado.
Quando consideramos a actividade reflexa do músculo-
esquelético é importante perceber a lei da enervação recíproca, que diz
que no mesmo local não poderá haver contracção simultânea de um
extensor e de um flexor.
Assim sendo, verifica-se que, após a recepção de um sinal
que passa para o neurónio aferente, este não só activa uma acção (por
exemplo: extensão), como também inibe outras (por exemplo: flexão).
Reflexo extensor cruzado: a evocação de um reflexo num
lado do corpo causa o efeito oposto no membro do lado oposto do corpo.
As células de Renshaw e a inibição dos neurónios motores de 3ª ordem:
Os neurónios motores de 3ª ordem dão origem a vários ramos colaterais,
ao longo da sua passagem pela substância branca, até alcançarem as
raízes anteriores dos nervos raquidianos.
Estes ramos colaterais estabelecem sinapses com neurónios descritos por
Renshaw, os quais, por sua vez, estabelecem sinapses com os neurónios
motores de 3ª ordem.
Estes neurónios internunciais realizam um fenómeno de feedback sobre
esses neurónios motores de 3ª ordem, inibindo-os.
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Neuroanatomia 17. Vias da Motricidade
Vias Oculo-motoras
Estas vias constituem um sistema com uma autonomia funcional bem
demarcada por possuir um carácter que pode ser voluntário ou reflexo,
somático ou vegetativo.
Distinguem-se em:
A – via oculo-cefalogira – movimentos conjugados da cabeça e dos olhos,
fazendo parte das vias de motricidade somática: músculos extrínsecos do olho
e rotadores do pescoço.
B – vias da motricidade intrínseca – da acomodação do cristalino e da íris.
Via oculo-cefalogira
Esta via motora vai formar um conjunto funcional que assegura:
os movimentos conjugados dos dois globos oculares, cujos eixos
devem permanecer paralelos para a visão binocular;
os movimentos de rotação da cabeça para permitir uma visão
que ultrapasse as possibilidades da rotação dos olhos.
Para compreender melhor o sistema oculo-cefalogiro, é preciso
ter em conta que:
Os músculos extrínsecos dos olhos dependem de 3 nervos
cranianos:
Motor Ocular Comum (III par):
Recto Superior (elevação do olhar);
Recto Inferior (depressão do globo ocular);
Recto Interno (aducção);
Pequeno Oblíquo (rotação externa);
Patético (IV par) – Grande Oblíquo (rotação interna)
Motor Ocular Externo (VI par) – Recto Externo (abdução).
Os músculos rotatores da cabeça, o esteno-cleido-
mastoideu e o trapézio, estão na dependência de Espinhal medular
(XI par)
A informação sobre a posição da cabeça é dada pelo
nervo Auditivo (VIII par).
Origem
O 1º neurónio parte do córtex em 2 pontos:
na área 8, ao nível da circunvolução frontal média – Campo Ocular
Frontal (função oculo-motora voluntária – movimentos sacádicos)
na área 19 na junção occipito-parietal – Campo Ocular Occipital
(função motora semi-voluntaria e reflexa – movimentos de
“perseguição)
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Neuroanatomia 17. Vias da Motricidade
Trajecto
Em seguida, as vias oculogiras seguem a via geniculada (ou
cortico-nuclear), e depois a via aberrante de Déjerine, para se terminarem
nos núcleos oculo-motores e do Espinhal medular.
O hemisfério esquerdo é dextrogiro (oculogiro direito) e o
direito é levogiro (oculogiro esquerdo).
Esta coordenação pode-se fazer como na linguagem, por
fibras comissurais do corpo caloso, ligando os 2 centros hemisféricos e
permitindo que o centro direito dirija o oculogiro esquerdo e o esquerdo o
dextrogiro
A hipótese considerada pela maior parte dos autores admite
que a sinergia (associação de diferentes estruturas para a execução de
uma função) pode efectuar-se por intermédio do feixe intercalar, que
segue o feixe longitudinal posterior de associação para ligar o III par com o
VI oposto (assegurando a coordenação dos movimentos de lateralidade).
As inter conexões dos núcleos oculo-motores, vestibular (VIII
par) e espinhal medular ao longo do Tronco Cerebral concretizam-se
através do feixe longitudinal posterior de associação.
Estas inter conexões permitem que os movimentos da cabeça
e dos olhos sejam coordenados para que possa fixar visualmente um
objecto.
Além disso, a informação recebida do ouvido interno assegura
a manutenção do equilíbrio.
Centros que asseguram movimentos específicos:
Os centros de coordenação da depressão e da elevação do globo ocular
situam-se nos tubérculos quadrigémeos e atingem os núcleos do Motor
Ocular Comum.
O centro de convergência (propriedade que varia com a distância dos
objectos em ralação ao globo ocular) encontra-se no núcleo de Perlia,
em relação com os tubérculos quadrigémeos anteriores – centro reflexo
óptico.
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Neuroanatomia 17. Vias da Motricidade
Vias da motricidade intrínseca
Estas vias destinam-se:
à acomodação, através da acção do músculo ciliar sobre a
curvatura do cristalino;
à irido-motricidade – contracção da pupila, denominada miose, ou à
sua dilatação, denominada midríase.
Estas vias são inteiramente reflexas e dependem das fibras pupilares da retina.
Assim sendo, os seus centros encontram-se nos tubérculos quadrigémeos
anteriores.
Via da acomodação
A acomodação tem como função assegurar a focagem dos raios
luminosos na mácula. Isto é conseguido através da alteração da
curvatura do cristalino.
Este fenómeno é acompanhado por modificações do diafragma pupilar.
A íris constringe-se à medida que os objectos se aproximam,
independentemente das modificações da intensidade luminosa.
Este fenómeno não deve ser confundido com a acomodação à
luminosidade, que constitui um reflexo foto-motor, em que a íris se contrai
à medida que a intensidade luminosa aumenta.
A via da acomodação é composta por 4 neurónios:
um neurónio que dá origem às fibras retinianas e que se divide ao
nível do quiasma óptico num contingente esquerdo e num direito,
que chegam, que chegam aos tubérculos quadrigémeos
anteriores;
um neurónio tecto-nuclear, destinado aos núcleos vegetativos do
Motor Ocular Comum;
um neurónio pré-ganglionar do parassimpático craniano, que vai
dos núcleos do 3º par do gânglio oftálmico, passando pelo Motor
Ocular Comum e depois pela raiz motora desse gânglio;
um neurónio pós-ganglionar parassimpático, do gânglio oftálmico
ao músculo ciliar, através dos nervos ciliares curtos.
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Neuroanatomia 17. Vias da Motricidade
Via irido-motoras
Este mecanismo vai ser posto em acção:
- pela intensidade luminosa;
- como complemento à acomodação.
a) via irido-constritora ou de miose:
É constituída por 4 neurónios que se sobrepõem à via da acomodação.
b) via irido-dilatadora ou da midríase:
Também comporta 4 neurónios, com um trajecto bastante mais longo:
um neurónio pupilar, até ao tubérculo quadrigémeo anterior;
um neurónio tecto-espinhal, que passa pelo feixe longitudinal
posterior de associação, descendo depois na medula até ao
centro cílio-espinhal de Budge, situado ao nível de C8, D1 e D2, na
coluna intermédio-lateralis;
um neurónio pré-ganglionar simpático que termina no gânglio
cervical superior;
um neurónio pós-ganglionar simpático que vai do gânglio cervical
superior até ao músculo ciliar, através de um trajecto complexo
que passa:
pelo nervo carotídeo do simpático cervical e penetra,
com a carótida, no seio cavernoso,
pela anastomose cervico-gasseriana de François Frank,
que se lança sobre o ramo oftálmico do trigémeo,
pelo ramo nasal desse nervo,
pela raiz sensitiva que o nervo nasal envia ao gânglio
oftálmico, onde as fibras irido-dilatadoras entram no
ciliares longos.
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Neuroanatomia 17. Vias da Motricidade
Reflexos onde participam as vias da motricidade intrínseca
Reflexo de acomodação
Envolve as vias da motricidade intrínseca da acomodação e da miose.
Quando os olhos são dirigidos de um objecto distante para um mais
próximo, a contracção do músculo Recto Interno provoca a
convergência dos eixos oculares.
O cristalino fica mais espesso para aumentar o seu poder refractário,
através da contracção do músculo Ciliar. Por outro lado, as pupilas
também se constringem para que os raios luminosos se dirijam apenas
para a parte mais espessa do cristalino e para a mácula.
Via:
Impulso Aferente
Nervo óptico
Quiasma óptico
Fita óptica
Corpo geniculado externo
Radiações ópticas de Gratiolet
Córtex visual
Área oculo-motora frontal
Músculo recto interno Núcleo parassimpático ou de Edinger-
Westphal de ambos os lados
Núcleo do motor ocular comum
Gânglio oftálmico
Convergência dos eixos oculares
Nervos ciliares
Músculo ciliar e constritor da pupila
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Contracção do músculo ciliar e
modificação do diafragma pupilar
Neuroanatomia 17. Vias da Motricidade
Reflexo foto-motor ou pupilar directo e consensual
Envolve as vias da motricidade intrínseca irido-constritoras ou da miose.
Quando se aponta um foco de luz a um olho, normalmente das pupilas
dos dois olhos contraem-se.
A constrição da pupila sobre a qual se incide a luz denomina-se reflexo
pupilar directo.
A constrição da outra pupila denomina-se reflexo consensual à luz.
Neste reflexo, os impulsos aferentes passam através de:
Impulso Aferente
Nervo óptico
Quiasma óptico
Fita óptica
Núcleo pré-tectal
Núcleo parassimpático ou de
Edinger-Westphal de ambos os
lados
Gânglio oftálmico
Nervos ciliares
Músculo ciliar e constritor da pupila
Contracção do músculo ciliar e
modificação do diafragma pupilar
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Neuroanatomia 17. Vias da Motricidade
Ambas as pupilas contraem porque o núcleo pré-tectal envia fibras para o
núcleo de Edinger-Westphal de ambos os lados.
Reflexo pupilar epidérmico
Envolve as vias da motricidade intrínsecas irido-dilatadoras ou da midríase.
Quando a pele é estimulada dolorosamente a pupila dilata.
Fibras sensoriais aferentes
Fibras simpáticas pré-ganglionares
nos cornos laterais em T1 e T2
Gânglio cervical simpático superior
Plexo Carotideo Nervos ciliares longos
Músculo dilatador da pupila
Dilatação da pupila
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Neuroanatomia 17. Vias da Motricidade
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