Conceção e Desenvolvimento de Um Sistema Estrutural para Construção Modular
Conceção e Desenvolvimento de Um Sistema Estrutural para Construção Modular
JULHO DE 2014
MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL 2013/2014
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL
miec@[Link]
Editado por
4200-465 PORTO
Portugal
[Link]
Este documento foi produzido a partir de versão eletrónica fornecida pelo respetivo Autor.
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
AGRADECIMENTOS
A realização deste trabalho não teria sido possível sem o contributo de algumas pessoas, a quem o autor
pretende expressar a sua gratidão:
Ao meu orientador, o professor Miguel Ferraz, por toda a disponibilidade demonstrada ao longo
deste percurso. Pela orientação e conhecimentos transmitidos que foram um contributo
imprescindível na realização deste trabalho e sem os quais o resultado final seria certamente
bem diferente;
Aos meus pais e à minha irmã por todos os sacrifícios que fizeram ao longo destes anos, pela
confiança que sempre depositaram em mim e pela força que me transmitiram especialmente nas
horas mais difíceis;
Aos meus amigos por tudo o que passamos e vivemos neste percurso académico. Pelo apoio e
companhia nas horas de estudo mais difíceis, pela amizade e alegria nos momentos de maior
diversão que guardarei sempre comigo.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
RESUMO
O objetivo do presente trabalho é conceber e desenvolver um sistema estrutural para construção modular
que seja adequado à exportação. Este sistema deverá ainda ser leve e simples o suficiente de modo a que
a sua execução possa ser realizada por mão-de-obra menos qualificada e com recurso a equipamentos
mais acessíveis.
Em primeiro lugar é definido com precisão o conceito de construção modular bem como a evolução
histórica que este sofreu desde o seu aparecimento até à atualidade. Apresenta-se ainda um levantamento
dos tipos de sistemas de construção modular atualmente disponíveis e dos materiais adequados para a
sua execução.
Uma vez definidos os pressupostos iniciais, são analisadas as diversas fases de um projeto deste tipo,
designadamente a produção em fábrica dos componentes, o transporte e a montagem no local da obra.
Todos os condicionantes e objetivos em cada uma destas fases foram estudados e é detalhada a forma
como cada um destes afeta a conceção da solução final.
O sistema desenvolvido consiste essencialmente em dois tipos de elementos: módulos de laje e módulos
de parede. O primeiro tem como função receber as cargas dos pisos ou cobertura e transmiti-las
diretamente aos módulos de parede, que, à imagem dos pilares de um edifício de betão armado, têm a
função de transmitir as cargas dos pisos até às fundações.
Uma vez concebidos os elementos estruturais do edifício e quantificadas as ações para várias situações
de carga relevantes procede-se ao dimensionamento dos mesmos. Foram criadas tabelas que permitem
tornar o processo de dimensionamento mais expedito, passíveis de serem utilizadas por técnicos com
reduzida experiência em estruturas de aço leve.
Por fim, para total compreensão deste sistema apresenta-se um exemplo prático de aplicação onde se
foca o dimensionamento estrutural e a organização espacial dos elementos, através de esquemas
tridimensionais.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
ABSTRACT
The purpose of this thesis is to conceive and fully develop a structural system for modular coordination
suitable for exportation. This system should also be light and simple enough to be used by low-skilled
labour and with low-cost equipment.
First and foremost, the concept of modular coordination is precisely defined, as well as its historical
evolution. The different types of modular systems available nowadays are defined, along with the
appropriate materials for its construction.
Once the initial premises were set, the different construction phases are examined, specifically the
factory production of the elements, its transport and on site assembly. All the goals and constraints are
analysed as well as the way they each shaped the final solution.
The structural system developed throughout this thesis consists mainly of two key elements: slab
modules and wall modules. Slab modules have the purpose of bearing floor loads and conducting them
through wall modules which, similarly to columns in a reinforced concrete building, will then have the
job of conducting them straight to the foundations.
Once the structural elements were fully defined and the loads quantified for relevant situations, the
structural elements were designed. To ensure that any engineer, even with little experience in cold-
formed steel structures, could use this method, design tables were created, allowing an easy and prompt
design in any kind of scenario.
Finally, it is presented a practical example where the focus was directed towards the design and spatial
orientation of each element and concluded in three dimensional schemes of the final building.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
ÍNDICE GERAL
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4 AÇÕES ................................................................................. 49
4.1. AÇÕES PERMANENTES .................................................................................................... 49
4.2. SOBRECARGAS .............................................................................................................. 50
4.2.1. PISOS OU PAVIMENTOS ................................................................................................................... 50
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 2.5 – Ilustração dos vãos interiores e exteriores na arquitetura grega (Baldauf, A., 2004) ...... 10
Figura 2.8 - Sistema "Dom-Ino" desenvolvido por Le Corbusier (Patinha, S., 2011) ........................... 13
Figura 2.12 - Sistemas construtivos de elementos modulares (Patinha, S., 2011) .............................. 16
Figura 2.13 - Sistemas modulares mistos ou híbridos (Lawson, M., 2007) .......................................... 16
Figura 2.14 - Diminuição dos custos de construção de um edifício de seis pisos no Reino Unido
(Lawson, M., 2009) ................................................................................................................................ 17
Figura 3.1 - Corte de um módulo tipo com o respetivo revestimento (Lawson, M., 2007) ................... 22
Figura 3.2 - Exemplo de um módulo de parede com o espaço interior livre ........................................ 26
Figura 3.3 - Exemplo de uma perfiladora em fábrica e respetivo perfil a ser produzido (AnyangGemco,
2013) ..................................................................................................................................................... 27
Figura 3.4 - Exemplo de tipos de perfis que podem ser produzidos numa perfiladora industrial
(Guarnier, C., 2009) .............................................................................................................................. 28
Figura 3.5 - Exemplo de uma ligação soldada (Trinitiframing, 2010) ................................................... 29
Figura 3.7 - a) Ilustração de um cordão de soldadura tipo num módulo de parede; b) Interação do
cordão de soldadura com o elemtento horizontal; c) Interação do cordão de soldadura com o
elemento vertical ................................................................................................................................... 32
Figura 3.8 - Exemplo da furação para futuro aparafusamento dos perfis do módulo MP1 .................. 33
Figura 3.9 - Módulo MP2 fechado numa das faces .............................................................................. 34
Figura 3.11 - Cantoneira a ligar dois módulos de parede orientados segundo um ângulo de 90º ....... 35
Figura 3.12 – Três módulos de parede confluentes num ponto ligados por um perfil em “U”; a) vista
geral; b) pormenor da ligação (vista superior) ...................................................................................... 36
Figura 3.13 – Quatro módulos de parede ligados por um perfil de secção quadrada oca; a) vista geral;
b) pormenor da ligação (vista superior) ................................................................................................ 36
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Figura 3.16 - Detalhe da ligação soldada dos módulos ML1; a) vista geral; b) cordão de soldadura e
elemento não resistente; c) cordão de soldadura e elemento resistente .............................................. 40
Figura 3.17 – Módulo de laje ML1 com furações .................................................................................. 41
Figura 3.19 - Detalhe de ligação dos perfis interiores aos perfis de transferência de carga dos
módulos ML2 ......................................................................................................................................... 42
Figura 3.20 – Detalhe de ligação dos perfis de transferência de carga aos perfis exteriores dos
módulos MP2 ......................................................................................................................................... 43
Figura 3.26 - Módulo de parede do piso superior suportado por um perfil em "C" ............................... 46
Figura 3.27 - Exemplo de um edifício construído com o presente sistema estrutural .......................... 47
Figura 4.1 – Coeficiente de forma para a carga da neve (μi) (CEN, 2009c) ......................................... 55
Figura 4.2 - Coeficientes de pressão exterior para paredes verticais de edifícios de planta retangular
(CEN, 2009d) ......................................................................................................................................... 59
Figura 4.4 - Coeficientes de pressão exterior para cobertura em terraço (CEN, 2009d) ..................... 60
Figura 4.5 - Zonas de coberturas em terraço (CEN, 2009d) ................................................................. 61
Figura 5.2 - Nomenclatura das dimensões de uma secção transversal em "C" (Jakab, G., 2009) ...... 68
Figura 5.3 - Comprimento efetivo de elementos internos comprimidos (Dubina, D. [et al.], 2012) ...... 70
Figura 5.4 - Comprimento efetivo de elementos externos comprimidos (Dubina, D. [et al.], 2012) ..... 70
Figura 5.5 - Esquema do comportamento estrutural da região banzo/reforço (CEN, 2006b) .............. 72
Figura 5.6 – Determinação de δ para secções em “Z” (Dubina, D. [et al.], 2012) ................................ 73
Figura 5.7 - Secção efetiva de um estabilizador (Dubina, D. [et al.], 2012) .......................................... 74
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Figura 5.9 - Coeficientes C1 e C3 para vigas com momentos de extremidade (Dubina, D. [et al.], 2012)
............................................................................................................................................................... 85
Figura 5.10 - Coeficientes C1, C2 e C3 para vigas com cargas transversais aplicadas (Dubina, D. [et
al.], 2012) ............................................................................................................................................... 85
Figura 5.11 - Esquema estrutura da laje em Viroc................................................................................ 86
Figura 5.12 - Esquema estrutural dos elementos metálicos resistentes de um módulo de laje ........... 89
Figura 5.13 - Esquema estrutural dos elementos resistentes do módulo de parede; a) compressão
simples; b) flexão composta .................................................................................................................. 91
Figura 5.15 - Esquema estrutural de dois sistemas de contraventamento adjacentes numa dada
direção ................................................................................................................................................... 94
Figura 6.5 - Esquema estrutural das forças concentradas ao nível dos pisos num sistema de
contraventamento ................................................................................................................................ 110
Figura 6.6 - Nomenclatura usada para cada elemento de um sistema porticado .............................. 111
Figura 6.7 - Disposição dos sistemas de contraventamento num pórtico do edifício exemplo .......... 111
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ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 2.1 – Comparação de parâmetros relevantes para o prazo e custo de uma solução com
diversos níveis de pré-fabricação (Lawson, M., 2009) ......................................................................... 18
Tabela 3.3 - Excesso de área total em relação às divisões tipo de Neufert, E. (2004) ........................ 25
Tabela 4.2 - Sobrecargas em pavimentos, varandas e escadas de edifícios (adptado de CEN, 2009b)
............................................................................................................................................................... 52
Tabela 4.3 - Valor de peso próprio para cada tipo de parede (Silvestre, N. [et al.], 2013)................... 53
Tabela 4.9 - Valores da ação da neve em coberturas para os casos considerados ............................ 56
Tabela 4.10 - Categorias de terreno e respetivos parâmetros (adaptado de CEN, 2009d) ................. 58
Tabela 4.11 - Valores de cálculo das ações para uso nas combinações relevantes (adaptado de
Dubina, D. [et al.], 2012) ....................................................................................................................... 63
Tabela 4.12 - Coeficientes parciais para ações em edifícios (adaptado de Dubina, D. [et al.], 2012) . 64
Tabela 4.13 - Coeficientes de para determinação dos valores de combinação (ψ0), frequentes (ψ1) ou
quase-permanentes (ψ2) de uma ação variável (adaptado de Dubina, D. [et al.], 2012) ..................... 64
Tabela 5.1 - Resistência à encurvadura por corte ƒbv (adaptado de Dubina, D. [et al.], 2012) ............ 79
Tabela 5.2 - Curva de encurvadura para secções em "C" (adaptado de Dubina, D. [et al.], 2012) ..... 81
Tabela 5.3 - Fatores de imperfeição para as diferentes curvas de encurvadura (adaptado de Dubina,
D. [et al.], 2012) ..................................................................................................................................... 81
Tabela 5.4 - Tabela de dimensionamento da laje dos pisos em Viroc (ELU) ....................................... 87
Tabela 5.5 - Tabela de dimensionamento da laje dos pisos em Viroc (ELS) ....................................... 88
Tabela 5.6 - Tabela de dimensionamento dos perfis metálicos dos pisos ........................................... 89
Tabela 5.7 - Tabela de dimensionamento dos perfis metálicos da cobertura ...................................... 90
Tabela 5.8 - Tabela de dimensionamento dos elementos verticais dos módulos de parede ............... 92
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Tabela 6.2 - Dimensionamento dos elementos verticais dos módulos de parede dos pórticos PT4 e
PT6 ...................................................................................................................................................... 108
Tabela 6.3 - Dimensionamento dos elementos verticais dos módulos de parede do pórtico PT5 ..... 109
Tabela 6.4 - Esforço axial nos elementos do sistema de contraventamento dos pórticos PT1 e PT3112
Tabela 6.5 - Tabela de perfis do sistema de contraventamento dos pórticos PT1 e PT3 .................. 113
Tabela 6.6 - Esforço axial nos elementos do sistema de contraventamento do pórtico PT2 ............. 114
Tabela 6.7 - Tabela de perfis do sistema de contraventamento do pórtico PT2 ................................. 114
Tabela 6.8 - Esforço axial nos elementos do sistema de contraventamento dos pórticos PT4 e PT6115
Tabela 6.9 - Tabela de perfis do sistema de contraventamento dos pórticos PT4 e PT6 .................. 115
Tabela 6.10 - Esforço axial nos elementos de um sistema de contraventamento do pórtico PT5 ..... 116
Tabela 6.11 - Esforço axial nos elementos de dois sistemas de contraventamento adjacentes do
pórtico PT5 .......................................................................................................................................... 117
Tabela 6.12 - Tabela de perfis dos dois sistemas de contraventamento adjacentes do pórtico PT5 . 117
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SÍMBOLOS E ABREVIATURAS
ABREVIATURAS
ELS – Estado limite de serviço
ELU – Estado limite último
EC0 – Eurocódigo 0
EC1-1-1 – Eurocódigo 1 – Parte 1-1
EC1-1-2 – Eurocódigo 1 – Parte 1-2
EC1-1-3 – Eurocódigo 1 – Parte 1-3
EC1-1-4 – Eurocódigo 1 – Parte 1-4
EC1-1-5 – Eurocódigo 1 – Parte 1-5
EC3-1-1 – Eurocódigo 3 – Parte 1-1
EC3-1-3 – Eurocódigo 3 – Parte 1-3
EC3-1-5 – Eurocódigo 5 – Parte 1-5
EC8 – Eurocódigo 8
CEN – Comissão Europeia de Normalização
ALFABETO LATINO
Ag – área bruta de uma secção
As – área efetiva da secção do estabilizador
c0 – coeficiente de orografia
Cd – valor da restrição do estado limite de serviço
cdir – coeficiente de direção
Ce – coeficiente de exposição térmico
cpe – coeficiente de pressão exterior
cpi – coeficiente de pressão interior
cr(z) – coeficiente de rugosidade
cseason – coeficiente de sazão
Ct – coeficiente térmico
Cz – coeficiente associado à zona topográfica em estudo
Ed – valor de cálculo do efeito das ações
ƒbv – resistência à encurvadura por corte
Fcr – carga crítica de encurvadura para uma instabilidade global
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
qk – carga distribuída
Qk,1 – valor característico das ações variáveis de base
Qk,i – valor característico das ações variáveis acompanhantes
qp (z) – pressão dinâmica de pico
Rd – valor de cálculo da resistência de um elemento
sk – valor característico da carga da neve ao nível do solo
u – carga unitária por unidade de comprimento
vb – valor de referência da velocidade do vento
vb,0 – valor básico da velocidade do vento
Vb,Rd – resistência de uma secção ao esforço transverso
VEd – valor total da carga de projeto vertical atuante num piso
we – pressão exterior do vento
Weff – módulo efetivo de flexão
wi – pressão interior do vento
Wy – modulo de flexão segundo o eixo y-y
y0 – distância do centro de corte da secção bruta ao eixo z-z
z0 – comprimento de rugosidade
z0 – distância do centro de corte da secção bruta ao eixo y-y
ALFABETO GREGO
α – fator de imperfeição
γM0, γM1, γM2 – fatores de segurança
δ – deslocamento
ε – rácio √235⁄𝑓𝑦𝑏
θ – rotação
𝜆̅𝐿𝑇 – esbelteza de um elemento sujeito a fenómenos de encurvadura lateral e por torção
𝜆̅𝑝,𝑟𝑒𝑑 – esbelteza reduzida de um elemento
𝜆̅𝑝 – esbelteza de um elemento
𝜆̅𝑤 – esbelteza relativa da alma
ν – coeficiente de Poisson
σcom,Ed – tensão de compressão de cálculo num elemento
σcr – tensão elástica critica de encurvadura
σcr,s – tensão crítica elástica
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1
INTRODUÇÃO
1.1. MOTIVAÇÃO
A grave crise económica mundial que surgiu em 2008 teve efeitos profundamente nefastos e que ainda
hoje perduram na economia de diversos países, de entre os quais se destacará o caso português. No
contexto nacional diversas áreas da economia portuguesa sofreram os efeitos dessa crise, com especial
destaque para a indústria da construção civil. Nesta área, inúmeras empresas foram afetadas e viram o
volume das suas atividades comerciais, especialmente no que toca ao mercado interno, diminuir
drasticamente. Para uma grande parte delas a única solução para combater esta situação foi a expansão
para o mercado internacional, nomeadamente em países emergentes e com carências ao nível das
infraestruturas.
A construção modular surge assim como uma opção bastante adequada para suprir algumas das
necessidades desses países. Esta não necessita de mão-de-obra particularmente qualificada, uma vez que
grande parte da produção e montagem dos componentes será feita em fábrica, e apresenta claras
vantagens ao nível do tempo de construção. Um sistema previamente concebido que funcionará por
assemblagem dos seus componentes, cujo dimensionamento será bastante expedito, permitirá reduzir
substancialmente não só o tempo de projeto como também o de construção.
Deste modo pretende-se que o sistema apresentado no presente trabalho possa ser um importante
impulso para o desenvolvimento deste tipo de indústria exportadora no mercado nacional.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
De modo a tornar o processo de dimensionamento mais expedito e para que este possa ser realizado por
técnicos com menor experiencia em estruturas de aço leve, serão elaboradas tabelas de dimensionamento
onde as dimensões necessárias dos elementos possam ser obtidas para uma grande diversidade de
situações.
2
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
2
ENQUADRAMENTO GERAL
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Na fase de produção dos elementos construtivos, uma vez que estes serão produzidos em série
haverá uma significativa redução de custos bem como uma maior facilidade do controlo de qualidade
dos produtos.
Finalmente no que concerne à montagem, os custos de mão-de-obra poderão ser
consideravelmente reduzidos caso os módulos pré-concebidos estejam providos de mecanismos de
montagem simples e não haja necessidade de alteração da morfologia inicial dos elementos
prefabricados.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
5
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
que pode representar, por exemplo, um bloco cerâmico (tijolo) e ao último uma dimensão 24 vezes
superior à medida padrão que pode corresponder, por hipótese, às dimensões de um pórtico ou elemento
estrutural resistente.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
[Link]. Multimódulo
O módulo base definido em [Link] nem sempre se adequa à variabilidade de dimensões característica
de um projeto de construção modular, como tal é apropriada a adoção de uma medida múltipla deste, no
caso, o multimódulo.
Freire, A. (2006) define o multimódulo como “o módulo cuja grandeza é um determinado múltiplo
inteiro do módulo básico, e que, multimódulo horizontal se refere ao quadriculado horizontal de
referência (x, y) e multimódulo vertical é o que está ligado aos quadriculados verticais de referência (x,z
e y,z)”.
Diversos autores apontam ainda para que as medidas adotadas para o multimódulo poderão corresponder
a valores entre três a sessenta vezes superiores ao valor do módulo base, o que admitindo o módulo base
como 10 centímetros, corresponderia a valores entre 30 centímetros e 6 metros.
7
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
[Link]. Submódulo
A diversidade de componentes usados num qualquer processo construtivo obriga ainda a que por vezes
seja necessário adotar medidas de referência substancialmente inferiores aos 10 centímetros já definidos
como padrão. Isto poderá ocorrer, por exemplo, no caso de espessuras de painéis e de paredes ou alguns
tipos de tubos e perfis (Baldauf, A., 2004).
Freire, A. (2006) define o submódulo como “a utilização de medidas menores que o módulo básico, com
a condição de que estas sejam múltiplas inteiras do mesmo”.
Baldauf, A.e Greven, H. (2007), citando Rosso, T. (1976), propõem a adoção de uma medida quatro
vezes inferior ao módulo base para a espessura de painéis, e oito vezes inferior ao mesmo para a
espessura de acabamentos e peças especiais de fecho.
Figura 2.4 - Sistema de tolerâncias e juntas construtivas (Baldauf, A.e Greven, H., 2007)
8
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
2.2.1. ANTIGUIDADE
No ano 27 a.C. Vitrúvio, um arquiteto romano, foi pioneiro no uso do módulo como medida base para
o desenvolvimento de projetos em arquitetura. Esta medida permitia “estabelecer dimensões, proporções
e ordenar a construção de elementos de um determinado componente arquitetónico” e o fundamento das
suas ideias é ainda usado hoje em dia (Freire, A., 2006).
Vários povos ao longo dos tempos deixaram no seu legado exemplos da aplicação de princípios de
construção modular, como é o caso dos Gregos e Romanos.
Para o povo Grego o diâmetro das colunas constituía a unidade base, sendo todos os restantes
componentes da mesma (fuste, capitel e base) ajustados em função do primeiro. A juntar a este facto, o
vão entre colunas extremas é, na arquitetura Grega, menor do que os restantes vãos interiores, de modo
a possibilitar que os componentes pré-fabricados mantivessem proporções concordantes com aquelas
existentes noutros alinhamentos. (Baldauf, A., 2004)
A Figura 2.5 mostra os dois tipos de vãos usados na arquitetura grega. Com a letra “A” está assinalado
o vão interior tipo. O vão extremo, representado pela letra “B”, é ligeiramente menor do que o primeiro
de modo a que os frisos e as vigas, ilustrados na parte superior da imagem, possam manter as mesmas
dimensões ao longo de todo o alinhamento. A tracejado está representada a posição que o vão extremo
tomaria se fosse mantida a mesma distância “A” ao longo de todo o alinhamento.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Figura 2.5 – Ilustração dos vãos interiores e exteriores na arquitetura grega (Baldauf, A., 2004)
Na civilização romana, os traços de técnicas iniciais de construção modular podem ser encontrados em
vários elementos da sua herança arquitetónica. O módulo romano teve a sua aplicação desde elementos
construtivos como telhas, tubos cerâmicos ou tijolos, até ao planeamento territorial das cidades (Lacerda,
P., 2005).
Um exemplo claro da importância atribuída à construção modular por este povo pode ser encontrado
nos tipos de tijolos usados pelos romanos, que apesar do seu vasto império foram capazes de padronizar
a utilização destes elementos de alvenaria a duas medidas apenas: bipetalis e sesquipetalis (Lacerda, P.,
2005).
Contudo não é apenas a uma pequena escala que se pode encontrar o uso deste tipo de método
construtivo. A Figura 2.6 mostra uma planta da cidade de Emona (atual Liubliana, Eslovénia) onde é
possível verificar que o planeamento da mesma foi feito com recurso a uma malha quadricular. Esta
tinha como medida base o passus, um múltiplo do pé, e era baseada num módulo de 60 passus,
resultando nas dimensões finais de 300 por 360 passus (Patinha, S., 2011).
10
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Contudo, ainda segundo Kelly, B. (1951), estas edificações não foram mais do que inícios esporádicos
de uma indústria de construção modular que tardava em aparecer. Para este autor, o início da produção
em massa de casas pré-fabricadas e componentes para construção modular deu-se com a corrida ao ouro,
na Califórnia, em 1848. A chegada de muitas pessoas de vários pontos do território americano a esta
região num curto período de tempo trouxe uma grande necessidade por um processo construtivo rápido
e de fácil montagem. A resposta a este problema foi dada pela construção modular, com casas a serem
fabricadas em diversos locais do planeta para serem posteriormente montadas na Califórnia. A
necessidade por uma habitação era tão elevada nesta altura que casas produzidas no estado de Nova
Iorque foram vendidas na costa oeste americana por doze vezes o seu preço original.
2.2.3. SÉCULO XX
O início do século XX foi, por diversos motivos, o catalisador ideal que permitiu o crescimento da
construção modular até uma escala global. Com o virar do século Thomas Ford introduziu na indústria
automóvel a linha de montagem que veio permitir uma produção de componentes racionalizada e
estandardizada, através da repetição de processos. Esta invenção de Thomas Ford não demorou a
alastrar-se para outras indústrias e a construção civil foi uma dessas (Castelo, J., 2008).
O nascimento do conceito de construção modular ocorreu em 1921 quando Albert Famell Bemis iniciou
o seu trabalho nesta área. O seu objetivo principal era transportar para a indústria da construção os
enormes avanços tecnológicos que outras indústrias já tinham adotado. Observando que todos os outros
aspetos do quotidiano tinham já sido melhorados com o rápido crescimento da industrialização, Bemis
propôs um método que racionalizasse a produção de componentes e materiais construtivos. Em 1933
esse estudo intitulado “The Evolving House” foi publicado, no qual foram descritas com grande detalhe
as suas propostas para um sistema de construção modular baseado na ideia de um módulo tridimensional.
Este método modular cúbico tinha como objetivo proporcionar as bases para uma produção mais
eficiente. Após estudar várias hipóteses admissíveis para a dimensão da sua medida modular base, Bemis
concluiu que a medida de 4 polegadas (aproximadamente 10 centímetros) era a que melhor se adaptava
(Green, A.C.e Koppes, W.F., 1967).
12
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Ainda segundo Green, A.C.e Koppes, W.F. (1967), apesar de Bemis ter dado especial foco à redução de
desperdícios no processo construtivo no seu trabalho, o mesmo afirmou que outras vantagens podiam
ser obtidas com a adoção das suas ideias, tais como:
Uma unidade de medida comum;
A redução do uso de diversas medidas para apenas algumas medidas estandardizadas;
O benefício económico de usar componentes repetidos;
A compatibilidade dimensional de acessórios, equipamentos e mobiliário.
Contudo Bemis não chegaria a ter a oportunidade de ver os frutos que adviriam do seu trabalho. Apenas
em 1945, 9 anos após a sua morte, foi adotada a sua medida de 4 polegadas como medida padrão para a
indústria construtiva americana.
Outros arquitetos, como Le Corbusier, focaram também os seus estudos nesta temática. Em 1919, este
arquiteto suíço, enalteceu as vantagens da pré-fabricação de habitações em detrimento da construção
habitual com o seu trabalho “Mass Production Houses”. Mais tarde, em 1921, Le Corbusier percebeu a
importância que a linha montagem desenvolvida por Ford teria para a indústria da construção e com isso
em mente criou o sistema “Dom-Ino”, ilustrado na Figura 2.8. Este sistema era composto por módulos
tridimensionais em betão de dimensões padronizadas e tinha como objetivo proporcionar uma
construção eficiente de edifícios até dois pisos, mantendo a liberdade arquitetónica interna (Patinha, S.,
2011).
Figura 2.8 - Sistema "Dom-Ino" desenvolvido por Le Corbusier (Patinha, S., 2011)
Durante a segunda guerra mundial, o alemão Ernst Neufert realiza um estudo sistemático e bastante
completo sobre a construção modular. O seu trabalho intitulado Bauordnungslehre baseia-se num
módulo de 12,5cm (um oitavo de um metro) tendo ficado conhecido como o “sistema octamétrico”.
Neufert previa que no final da segunda guerra mundial surgisse a necessidade de uma construção em
grande escala e num curto espaço de tempo no território alemão, pelo que o uso da construção modular
seria a solução ideal. Os 12,5cm propostos procuraram não alterar substancialmente as medidas então
usadas no fabrico dos tijolos tradicionais alemães, de modo a não haver necessidade de reformular outras
indústrias (Baldauf, A., 2004).
13
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Os estudos de Neufert tiveram um impacto tão grande na época que em 1951 foi extraída dos seus
trabalhos e publicada a primeira norma alemã sobre construção modular. Nos 14 anos seguintes estima-
se que 4.400.000 habitações tenham sido construídas na Alemanha obedecendo ao sistema octamétrico,
o que corresponderá a 50% da totalidade de habitações executadas nesse período, nesse país.
Adicionalmente, é estimado que em 1970 cerca de 90% dos blocos cerâmicos e de betão leve, 89% das
lajes mistas pré-fabricadas, 75% dos caixilhos, 100% das chapas de fibrocimento e 65% de todas a
estruturas pré-fabricadas usassem as dimensões octamétricas (Baldauf, A., 2004).
A Agência Europeia para a Produtividade, em 1956, baseando-se em diversos trabalhos e estudos
prévios declarou como dimensão padrão os 10cm para os países que adotassem o sistema métrico e as
quatro polegadas para países com o sistema pé-polegada. Contudo na Alemanha, fruto do trabalho de
Neufert, continuou a ser adotado o sistema octamétrico em paralelo (Patinha, S., 2011).
14
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Sistemas modulares parcialmente abertos – estes sistemas têm várias semelhanças ao anterior,
essencialmente no que toca aos condicionalismos dimensionais e ao grau de padronização, no
entanto apresentam aberturas laterais que permitem a ligação com outros módulos do mesmo
tipo, conforme se demonstra na Figura 2.10. Deste modo consegue-se obter espaços interiores
significativamente maiores e mais adequáveis às necessidades em causa e por consequência uma
liberdade arquitetónica interior ligeiramente maior.
Sistemas modulares abertos – este tipo de soluções consiste no uso de módulos totalmente ou
parcialmente abertos nos quatro lados. Estes módulos podem ser ligados segundo diferentes
direções, tendo a capacidade de formar vastos espaços cobertos. A Figura 2.11 ilustra a
construção de um hospital em que se recorreu a módulos abertos para formar grandes áreas
interiores.
15
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
compete, nos Estados Unidos da América, essencialmente com a solução em madeira, uma vez que neste
país as soluções de betão armado e alvenaria raramente são usadas para edifícios de pequena dimensão
e baixa altura (Silvestre, N. [et al.], 2013).
Ainda segundo Silvestre, N. [et al.] (2013), uma catástrofe natural ocorrida em 1992 nos Estados Unidos
da América, o furacão Andrew, seria responsável por uma enorme devastação, especialmente no estado
da Flórida, onde foram danificadas ou destruídas cerca de 117.000 casas, a maioria das quais edificada
em madeira. Para fazer face a este elevado grau de destruição, o centro de investigação da Associação
Nacional de Construção Habitacional (NAHB – National Association of Home Builders) preparou dois
relatórios sobre materiais estruturais alternativos à madeira que pudessem ser utilizados para a
construção residencial. Ambos os relatórios coincidiram na solução proposta, o uso do aço leve, uma
vez que este seria o material comercialmente disponível mais adequado a uma eficiente redução dos
custos e a uma diminuição do risco de colapso estrutural.
De acordo com Lawson, M. (2009) existem quatro fatores fundamentais que influenciam o uso de aço
na construção de habitações e residências:
Custo – o custo da construção de um edifício está intrinsecamente relacionado com a escolha
dos materiais a serem usados, mão-de-obra, equipamento e maquinaria. A construção em aço
atinge elevados níveis de automação e produtividade, o que tem repercussões diretas na
diminuição dos gastos com pessoal quer em fábrica, quer no local de implantação da obra. A
aliar a este facto, a rapidez de execução de um projeto é acelerada devido aos elevados níveis
pré-fabricação comuns na construção metálica. Estudos sobre o custo da construção metálica
levados a cabo no Reino Unido apontam para que a construção em aço de um edifício tipo de
seis pisos localizado numa zona urbana possa conduzir a uma poupança que pode chegar aos
6% relativamente à construção em betão armado, conforme se apresenta na Figura 2.14.
Figura 2.14 - Diminuição dos custos de construção de um edifício de seis pisos no Reino Unido (Lawson, M.,
2009)
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
concerne à construção modular ou pré-fabricação a qualidade é ainda mais elevada, uma vez
que os componentes mais onerosos podem ser montados e previamente testados longe do local
da obra, na segurança de uma fábrica de produção.
Prazo de execução – o prazo de execução está diretamente relacionado com o custo final da obra
através de diversos fatores, normalmente quanto maior a velocidade a que determinado projeto
for realizado, maiores serão as poupanças obtidas. Todos os tipos de construção em aço contêm
algum tipo de pré-fabricação e são rapidamente instalados em obra podendo assim beneficiar
desta poupança relacionada com o fator tempo. No Reino Unido, o Gabinete Nacional de
Auditoria (National Audit Office na literatura inglesa) publicou um relatório em que apresenta
diversos resultados consequentes de um estudo acerca dos prazos de execução e proveitos de
produtividade para sistemas de aço com diversos níveis de pré-fabricação e a sua comparação
com a solução tradicional em betão armado. A Tabela 2.1 mostra os principais resultados desse
estudo nomeadamente no que concerne aos custos e prazos de execução.
Tabela 2.1 – Comparação de parâmetros relevantes para o prazo e custo de uma solução com diversos
níveis de pré-fabricação (Lawson, M., 2009)
Construção híbrida
Construção Construção Construção com
(painéis modulares
Critério tradicional com painéis módulos
– módulos
em tijolo modulares fechados
fechados)
Período total de
100% 75% 70% 40%
construção
Período de
construção da
envolvente do
100% 55% 50% 20%
edifício para
efeitos de
estanquidade
Requisitos de
100% 80% 70% 25%
mão-de-obra
Percentagem do
custo total em 65% 55% 45% 15%
materiais
Percentagem do
custo total em 35% 25% 20% 10%
mão de obra
Percentagem do
custo total em 0% 20% 35% 75%
pré-fabricação
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
3
CONCEÇÃO DO SISTEMA
ESTRUTURAL
3.1. PROPÓSITO
Conforme foi descrito em 1.1 o sistema estrutural proposto destina-se essencialmente à exportação para
outros países. Este facto faz com que por vezes seja difícil conciliar todas as condicionantes dos diversos
códigos existentes e criar um sistema versátil o suficiente para que possa respeitar todas as legislações
mundiais, bem como as condicionantes arquitetónicas ou mesmo os diferentes hábitos construtivos dos
diversos países.
Para dotar este sistema da máxima versatilidade possível optou-se por escolher, de entre os sistemas
construtivos expostos em 2.3.1, a construção com elementos modulares. Este tipo de sistema estrutural
consiste essencialmente em dois tipos de módulos distintos, módulo de parede e módulo de laje, que se
interligam entre si formando assim o esqueleto resistente do edifício. Cada um destes módulos será por
sua vez composto por um esqueleto estrutural em aço leve, sendo a estes ligados todos os revestimentos
ou outros elementos construtivos adequados a cada situação, conforme se ilustra na Figura 3.1. Esta
opção permite que cada módulo, seja ele vertical ou horizontal, possa ser ordenado no espaço de diversas
maneiras distintas criando assim soluções finais tão diversas quanto a imaginação do projetista.
Além das claras vantagens de liberdade arquitetónica já referidas esta solução apresenta ainda a
possibilidade de que uma vez totalmente construída a edificação, cada módulo possa ser posteriormente
separado dos módulos a ele adjacentes permitindo que os espaços e divisões possam ser reformulados
consoante a evolução das necessidades do utilizador.
A solução escolhida apresenta um nível de pré-fabricação bastante menor do que as suas concorrentes,
o que terá implicações diretas na distribuição dos custos pelas diversas fases do projeto bem como nos
prazos de execução de cada uma das etapas construtivas (ver 2.3.2). Por outro lado, a construção com
elementos modulares proporciona uma maior facilidade de transporte, uma vez que o sistema global
será dividido em elementos de menores dimensões, adequados aos meios de transporte mais comuns.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Figura 3.1 - Corte de um módulo tipo com o respetivo revestimento (Lawson, M., 2007)
3.2. CONDICIONANTES
Desde a produção inicial dos componentes e da sua montagem em fábrica até à edificação da solução
no local de destino procurou-se identificar todos os passos que seriam suscetíveis de afetar a geometria
ou qualquer outra propriedade dos módulos. Ao nível da produção em fábrica não foram encontrados
quaisquer condicionantes para as dimensões dos módulos, uma vez que estes serão produzidos com
recurso a uma perfiladora (para mais detalhes ver 3.3.2).
Após a produção dos perfis em aço leve estes serão ligados entre si e devidamente revestidos, caso assim
seja pretendido, formando o módulo final e transportados para o local da obra. Com o objetivo já
explicitado de este ser um sistema exportável, o transporte será feito essencialmente por via marítima,
com recurso a contentores fechados com dimensões padronizadas, pelo que será essa a primeira
condicionante. Uma vez finalizado o processo de transporte e após a chegada dos contentores ao local
da obra, os módulos serão retirados dos mesmos, manobrados e montados no local de acordo com o
projeto previamente estabelecido. No processo de montagem, devido ao reduzido peso dos módulos
deste sistema, os equipamentos de elevação usados poderão ser bastante simples e a orientação dos
mesmos pelo espaço deverá ser bastante simples.
As restantes condicionantes aqui referidas ocorrem precisamente ao nível do projeto. As dimensões das
divisões de um edifício podem as mais variadas e por consequência o módulo previamente concebido
deve ser capaz de se adequar a uma grande variedade de medidas evitando excessivos desperdícios de
espaço. Outra das condicionantes ocorre ao nível do pé-direito dos pisos, pois consoante o tipo de
ocupação de determinado edifício o pé-direito mínimo ou pé-direito livre mínimo deverá ser diferente.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Tabela 3.2 - Dimensões tipo das divisões de uma habitação (Neufert, E., 2004)
Uma vez conhecidas as medidas tipo para cada divisão procurou-se dotar o módulo de parede de um
comprimento que lhe conferisse a versatilidade necessária a ser incorporado em cada uma dessas
divisões conduzindo ao menor desperdício possível, isto é, a largura do módulo deveria ser tal que
unindo um ou mais módulos consecutivamente a medida de uma divisão fosse o mais próxima possível
do proposto por Ernst Neufert.
Para tal foram estudadas várias possibilidades para a largura dos módulos tendo a solução final sido
reduzida a duas opções:
Módulos de 2m de largura em conjunto com módulos de 1m de largura;
Módulos de 2m de largura em conjunto com módulos de 0,5m de largura.
Em primeiro lugar é oportuno esclarecer o leitor acerca da opção fixa pelos módulos de 2m de largura.
Uma das principais pretensões que se tem para o presente trabalho é que o sistema possa ser facilmente
montado em obra e que se reduza tanto quando possível os trabalhos no local de construção. Esta opção
prende-se com a pouca qualificação da mão-de-obra disponível em muitos locais para os quais se
pretende exportar este sistema. A produção será idealmente realizada, na sua maior parte, em fábrica
onde, num ambiente controlado e com mão-de-obra especializada, se pretenderá fazer um controlo de
qualidade bastante fiável. Posto isto, será da maior importância reduzir tanto quanto possível o número
de ligações entre módulos a serem executadas em obra e foi nesse sentido que se optou por módulos de
2m de largura que permitem cobrir uma maior distância dispensando ligações excessivas.
No entanto será também razoável dotar o sistema de alguma versatilidade e liberdade arquitetónica para
que este possa ser bem recebido por diversos países com culturas construtivas bastante diferentes. Nesse
sentido não seria certamente suficiente, nem tão pouco económico, prender todas as dimensões de uma
parede ou divisão a múltiplos de dois metros. Para corresponder a este propósito decidiu adotar-se dois
tipos de módulos, um que permitisse cobrir maiores distâncias com menos ligações (o de 2m) e outro
que fosse capaz de dotar o sistema de polivalência ou que pudesse mesmo ser usado na construção de
anexos, divisões de pequenas dimensões ou até na necessidade de expandir uma determinada divisão
previamente construída.
A largura do segundo módulo teria que ser menor que os 2m e divisível por estes, de modo a que todos
os detalhes ou componentes possam ser produzidos apenas numa dimensão padronizada (ver 2.1.3). As
hipóteses que obedecem a este critério reduzem as opções a módulos de 1m e 0,5m. Outros
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Tabela 3.3 - Excesso de área total em relação às divisões tipo de Neufert, E. (2004)
Da análise da Tabela 3.3 resulta que o uso de módulos de 0,5m de largura conduziria a uma poupança
de cerca de 8% na totalidade das divisões analisadas. No entanto isto resultaria na necessidade de
empregar mais 9 módulos do que na outra solução para construir todas essas divisões. Este fator, aliado
ao facto já referido de se pretender diminuir ao máximo o número de ligações a serem efetuadas em obra
levou à opção pelos módulos de 1m. Outra das razões para a adoção desta solução baseia-se no facto de
que as paredes interiores do edifício, segundo este método construtivo, possam ser realizadas com
recursos a módulos não resistentes, madeira ou outros materiais como Viroc, pelo que estas poderiam
ser projetadas caso a caso e as divisões internas poderiam ter quaisquer comprimentos desejados, ficando
apenas o esqueleto resistente externo a cargo dos módulos resistentes de parede.
3.2.3. PÉS-DIREITOS MÍNIMOS ENTRE PISOS
Na legislação portuguesa, o Regulamento Geral das Edificações Urbanas (RGEU) aponta para algumas
limitações ao pé-direito mínimo admissível, função do tipo de ocupação que cada edifício ou piso se
destina a receber.
Segundo o Artigo 65º do referido documento:
A altura mínima, piso a piso, em edificações destinadas à habitação é de 2,70 m, não podendo
ser o pé-direito livre mínimo inferior a 2,40m;
Excecionalmente, em vestíbulos, corredores, instalações sanitárias, despensas e arrecadações
será admissível que o pé-direito se reduza ao mínimo de 2,20m;
O pé-direito livre mínimo dos pisos destinados a estabelecimentos comerciais é de 3m;
Estas limitações regulamentares obrigam a que, para que os módulos de parede possam ser adequados
aos diferentes tipos de utilização, estes tenham de respeitar a maior condicionante regulamentar, ou seja,
ter um pé-direito livre de pelo menos 3m. Esta condicionante obrigaria a que, para atender ao espaço
ocupado por cabos, canalizações ou condutas, a altura dos módulos tivesse de rondar os 3,5m. Deste
modo os módulos de parede seriam exageradamente altos para uma utilização habitacional e por isso
pouco económicos para este fim.
Na busca de solucionar este problema optou-se por criar módulos de parede com dois tipos de alturas,
3m e 3,5m, sendo o primeiro adequado para utilizações habitacionais e o segundo para utilizações
comerciais, industriais, entre outras.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
3.3. OBJETIVOS
No subcapítulo 3.2 foram referidos os aspetos condicionantes, em especial para as dimensões que o
sistema modular deveria respeitar. Neste subcapítulo pretende-se listar e explicar em que medida os
objetivos que este sistema se destina a servir irão afetar a sua forma e conceção.
3.3.1. LIBERDADE ARQUITETÓNICA
Como já foi previamente referido, dotar o sistema de uma elevada liberdade arquitetónica foi um
objetivo que esteve sempre presente durante a conceção deste sistema. Este facto é de especial relevância
quando se pretende que um sistema possa ser adotado em diversas partes do globo, onde se fazem sentir
condições climatéricas bastante diversas e onde há hábitos construtivos muito díspares. A escolha das
dimensões para os módulos foi disso um exemplo (ver 3.2.2 e 3.2.3).
Geralmente os sistemas construtivos de elementos modulares apresentam espaçamentos entre elementos
resistentes relativamente curtos. Silvestre, N. [et al.] (2013) apontam para espaçamentos entre perfis
resistentes de 60cm como sendo uma medida comumente adotada. Espaçamentos de tão pequena ordem
podem ser bastante condicionantes uma vez que obriga a que qualquer abertura que seja necessário fazer
(portas ou janelas com dimensões superiores a 60cm, por exemplo) deve ser previamente planeada e um
módulo deve ser construído especificamente para esse propósito.
No presente sistema, procurou-se que os módulos de parede pudessem ser produzidos em série,
respeitando todas as medidas previamente estabelecidas e que os elementos resistentes ocupassem
apenas a envolvente dos módulos de modo a que todo o espaço interior deste ficasse livre, conforme se
ilustra na Figura 3.2 onde está representado um módulo de 2 metros de largura por 3 metros de altura.
Este fator possibilita que uma porta, janela ou qualquer outro tipo de abertura possa ser posicionada em
qualquer local do módulo dando assim aso a inúmeras possibilidades arquitetónicas.
Uma vez produzido e montado o esqueleto envolvente do módulo de parede (ver Figura 3.2), um sistema
de elementos metálicos poderá ser concebido consoante as necessidades de cada projeto específico e
ligado ao elemento estrutural principal formando as aberturas pretendidas. Eventualmente, o mesmo
espaço interior poderá até não ser preenchido, podendo-se assim formar amplos espaços abertos.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Figura 3.3 - Exemplo de uma perfiladora em fábrica e respetivo perfil a ser produzido (AnyangGemco, 2013)
Para que haja uma eficaz agilização dos processos, essencialmente em termos de velocidade de produção
e de simplificação do processo de fabrico, será de todo o interesse que o tipo de elementos metálicos a
serem produzidos no âmbito deste trabalho sejam, tanto quanto possível, transversais a todos os
diferentes tipos de elementos estruturais que vão fazer parte da construção final.
Como já foi referido em 2.3.2, o aço leve é uma solução bastante competitiva para o tipo de estruturas
de pequena dimensão e é também bastante adequado para a produção em série. Contudo estão
atualmente disponíveis no mercado inúmeros tipos de perfis em aço leve, cada um especialmente
adequado a um fim específico. A Figura 3.4 ilustra alguns desses diferentes géneros de perfis que podem
ser produzidos com recursos a uma perfiladora.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Figura 3.4 - Exemplo de tipos de perfis que podem ser produzidos numa perfiladora industrial (Guarnier, C.,
2009)
O perfil representado no canto inferior esquerdo da Figura 3.4 é geralmente denominado na literatura
específica como um perfil em “C”. Este tipo de solução é bastante adequada para a realização de vigas,
uma vez que tem uma inércia consideravelmente elevada segundo o eixo horizontal e por isso
comparativamente com outras soluções pode apresentar menores espessuras ou dimensões (sendo por
isso mais económico) para os mesmos níveis de carga.
Certamente que tanto para os elementos horizontais resistentes dos módulos de laje como para os
elementos resistentes verticais dos módulos de parede, uma solução de um perfil quadrado oco seria
ligeiramente mais eficiente, uma vez que com as mesmas dimensões de contorno externo, este tipo de
secção apresenta uma maior área total e uma maior inércia. Contudo este tipo de secções apresenta
grandes limitações uma vez que a acessibilidade ao seu interior é bastante reduzida, o que coloca grandes
problemas na realização das ligações.
No âmbito do presente trabalho optou-se então por escolher perfis enformados a frio com secções do
tipo “C” tanto para os elementos resistentes verticais como para os horizontais uma vez que pesando os
fatores económicos e de facilidade de construção são os elementos mais adequados e são por isso
também bastante usados na indústria construtiva internacional.
De modo a evitar que fosse usada uma grande variedade de perfis metálicos, otimizando assim o
processo de fabrico, foi feita uma opção por manter as dimensões externas dos perfis resistentes
constantes dentro do mesmo tipo de elemento (por exemplo os elementos verticais dos módulos de
parede terão uma dimensão fixa, e o mesmo é válido para os elementos resistentes dos módulos de laje).
Assim, para lidar com os diferentes níveis de carga apenas se irá alterar a espessura de cada elemento,
sendo que maiores espessuras corresponderão a elementos mais resistentes e vice-versa. Esta opção
resulta numa grande simplificação de processos ao nível da produção dos elementos, uma vez que a
perfiladora terá apenas de produzir uma reduzida variedade de elementos de secções fixas somente
variando a espessura do rolo metálico a ser usado.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Ainda segundo Hermenegildo, A. (2010) este método de ligação é vantajoso em relação à solução
aparafusada, designadamente na redução substancial do peso da estrutura, uma vez que não são
necessárias chapas de ligação. Adicionalmente, este tipo de ligação para os elementos constituintes de
um módulo permite que não existam saliências (o que poderia ocorrer com o uso de parafusos) que
dificultem o correto encaixe de um módulo ao seu vizinho.
Devido à sua elevada complexidade, a realização eficaz de uma ligação soldada é bastante suscetível às
condições onde esta é executada. O ambiente envolvente é um fator que pode dificultar muito a sua
correta execução, pelo que no âmbito do presente trabalho optou-se que as ligações soldadas fossem
realizadas em fábrica.
As restantes ligações entre os módulos, uma vez que estes tenham chegado ao local da obra, foram
pensadas para serem aparafusadas. Este tipo solução apresenta desde logo a vantagem de requerer uma
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
mão-de-obra significativamente menos qualificada do que a soldadura, pelo que será adequada à
exportação deste produto para qualquer local do mundo.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
estrutural permite que os centros de gravidade dos dois elementos sejam coincidentes, o que evita a
introdução de fenómenos desnecessários de encurvadura que apenas iriam conduzir à necessidade de
serem adotados perfis mais robustos e por isso menos económicos.
Finalmente os módulos de laje (à imagem dos módulos de parede) serão também compostos por
elementos horizontais resistentes e não resistentes, isto implica que as lajes de cada piso, neste caso que
se propõe sejam executadas em Viroc (como será posteriormente detalhado) sejam ligadas a estes
módulos apenas através dos elementos resistentes e que essa ligação seja feita idealmente na projeção
do centro de gravidade desses elementos resistentes, de modo a evitar a introdução de esforços
desnecessários.
MP1 3 1
MP2 3 2
MP3 3.5 1
MP4 3.5 2
Os módulos MP1 e MP2 são destinados ao uso habitacional enquanto os módulos MP3 e MP4 foram
pensados para o uso comercial ou industrial. Grande parte dos detalhes da conceção do esqueleto
estrutural e não estrutural já foram pormenorizados nos subcapítulos anteriores, no entanto há ainda
alguns aspetos relevantes a atender.
Cada um destes módulos será composto por dois elementos verticais com uma secção do tipo “C” que
serão resistentes e estarão ligados em cada extremidade por um perfil horizontal com uma secção do
tipo “U”. O facto de os elementos horizontais não serem resistentes, ou seja, não estarem destinados a
receber esforços faz com que para estes possa ser adotada uma solução distinta, o perfil transversal em
“U”, que será menos onerosa que a anterior. Estes elementos destinam-se apenas a assegurar a
verticalidade dos perfis verticais e que a posição do módulo de parede no sistema referencial permanece
dentro de limites aceitáveis.
A Figura 3.6 mostra os dois tipos de módulos MP1 (à esquerda) e MP2 (à direita). A azul estão
representados os elementos verticais resistentes e a verde estão representados os elementos horizontais
não resistentes.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Devido ao facto de os elementos horizontais não serem resistentes, a ligação soldada entre os dois tipos
de perfis não necessita de ser particularmente cuidada, já que não terá que lidar com outros esforços
além do peso próprio do elemento horizontal. Na Figura 3.7 – a) está representada a ligação através de
um cordão de soldadura entre dois elementos de um módulo de parede.
a) b)
c)
Figura 3.7 - a) Ilustração de um cordão de soldadura tipo num módulo de parede; b) Interação do cordão de
soldadura com o elemtento horizontal; c) Interação do cordão de soldadura com o elemento vertical
Para melhor se entender a forma desse cordão de soldadura foram criados dois cortes, Figura 3.7 – b) e
Figura 3.7 - c), onde está representada a forma como o cordão de soldadura se liga a cada um dos
elementos horizontais e verticais, respetivamente. A ligação soldada tem a mesma forma para cada um
dos quatro pontos de ligação dos módulos de parede.
Uma vez totalmente definidas as características de um módulo de parede enquanto elemento individual
no espaço, passa a ser necessário criar um sistema que permita que a sua ordenação espacial e a sua
ligação aos módulos adjacentes se processem da forma mais simples possível.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Para garantir que a estrutura tem um comportamento global eficiente, cada módulo deverá estar ligado
ao seu vizinho, proporcionando assim a transferência de esforços necessária ao bom funcionamento
estrutural. Esta ligação deverá ser feita através do aparafusamento dos elementos verticais de cada
módulo de parede ao elemento adjacente do módulo seguinte. As ligações aparafusadas não serão alvo
de dimensionamento estrutural no âmbito do presente trabalho, no entanto a Figura 3.8 apresenta um
exemplo de uma solução de furação a ser realizada em cada perfil metálico vertical para posterior ligação
dos dois módulos por aparafusamento aquando da montagem em obra.
Figura 3.8 - Exemplo da furação para futuro aparafusamento dos perfis do módulo MP1
Um dos principais desafios que ocorreram aquando da conceção estrutural destes módulos foi dotar este
sistema da acessibilidade necessária a que o aparafusamento pudesse ocorrer de forma bastante simples
em obra. Isto deveu-se ao facto de que caso os módulos fossem exportados totalmente finalizados (isto
é, tivessem já todos os revestimentos e elementos de fachada) não seria possível aceder ao seu espaço
interior para proceder ao aparafusamento. Este problema adquiria contornos ainda mais gravosos quando
se analisava a ligação entre os módulos de parede e os módulos de laje num ponto de confluência de
vários módulos.
A solução encontrada foi a de exportar os módulos apenas com uma das faces fechada, para que fosse
possível o acesso às ligações pela outra face sendo que esta última seria apenas finalizada em obra após
estarem concluídas todas as ligações. A Figura 3.9 ilustra um módulo MP2 já com a furação para
aparafusamento executada e fechado numa das faces. O elemento representado a azul claro pode tanto
representar um elemento de fachada exterior como um acabamento interior, ou seja, a face que é fechada
pode variar com o tipo de obra para o qual o módulo se destinar. Os trabalhadores no local teriam acesso
pelo lado do módulo de parede que foi deixado aberto, podendo assim realizar todas as ligações
necessárias ou outros trabalhos que fossem pertinentes.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Nesta fase (Figura 3.9) o módulo de parede está totalmente apto para ser ligado aos restantes módulos
de parede formando assim o esqueleto vertical de um piso ou edifício. No entanto será necessário que
este consiga receber eficazmente as cargas que serão transmitidas pelos pisos superiores ou coberturas.
Para atender a esta situação na extremidade de cada perfil vertical resistente é proposto que sejam
soldadas chapas metálicas cuja função será garantir, através do aparafusamento, que os elementos de
laje poderão descarregar eficazmente os seus esforços para os elementos de parede e este por sua vez,
transmiti-los até às fundações.
A Figura 3.10 mostra um módulo de parede do tipo MP2 com as chapas de ligação (representadas a
amarelo) furadas para permitir o encaixe e aparafusamento dos módulos de laje. Nas chapas estão
representados dois furos, uma vez que o módulo de parede pode receber cargas de dois módulos de laje
em simultâneo.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Figura 3.11 - Cantoneira a ligar dois módulos de parede orientados segundo um ângulo de 90º
O aparafusamento poderá ser executado quer pelo acesso interior dos módulos quer pelo lado da
cantoneira, deverá ser analisado caso a caso qual a solução mais vantajosa. A cantoneira, caso fique
numa esquina de um edifício, uma situação bastante provável de ocorrer, deverá ser posteriormente
tapada de acordo com a solução que for escolhida para a fachada do edifício. O espaço no seu interior
poderá ser usado para passar cabos, canalizações, entre outros. Todos estes raciocínios são também
válidos para quando a ligação entre módulos de parede é realizada através de um perfil em “U” (ver
Figura 3.12) e para quando esta é concretizada por um perfil do tipo SHS (ver Figura 3.13), com a
exceção de que para este último o aparafusamento terá de ser executado pelo interior dos módulos, uma
vez que o acesso ao interior do perfil SHS é bastante complicado.
Outra situação passível de ocorrer será a confluência de 3 módulos de parede num único ponto. Para
atender a esta situação uma solução semelhante à anterior foi considerada, no entanto, em vez de o perfil
de ligação ser uma cantoneira, este passará a ser um perfil em “U”. A Figura 3.12 ilustra a ligação entre
esses três elementos.
Por fim, no caso de quatro módulos de parede convergirem para um único ponto, será adotado um perfil
com secção quadrada oca para realizar a ligação entre todos os elementos, conforme se demonstra na
Figura 3.13.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
a) b)
Figura 3.12 – Três módulos de parede confluentes num ponto ligados por um perfil em “U”; a) vista geral; b)
pormenor da ligação (vista superior)
a) b)
Figura 3.13 – Quatro módulos de parede ligados por um perfil de secção quadrada oca; a) vista geral; b)
pormenor da ligação (vista superior)
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Atendendo a que os módulos de parede foram concebidos com larguras fixas de 1 ou 2 metros (ver
3.4.1), os módulos de laje deverão ser projetados com larguras iguais, de modo a que as furações para a
ligação dos elementos coincidam. Em 5.4.1 apresentam-se as tabelas de dimensionamento destes
elementos, porém para a etapa atual basta referir que os módulos foram pensados para vencer um vão
máximo de 1m. Isto significa que o esqueleto metálico do módulo de laje estará condicionado a um vão
máximo de 1m numa das direções.
38
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
ML1-2 1 2,15
ML1-3 1 3,15
ML1-4 1 4,15
ML1-5 1 5,15
ML1-6 1 6,15
ML2-2 2 2,15
ML2-3 2 3,15
ML2-4 2 4,15
ML2-5 2 5,15
ML2-6 2 6,15
À imagem do módulo de parede, para os elementos resistentes do módulo de laje foram escolhidas
secções do tipo “C”. Este tipo de secções concilia duas características que a tornam bastante competitiva
para resistir a esforços de flexão. A sua forma em “C” dota a secção de uma elevada inércia segundo a
direção yy quando comparada com outros tipos de perfis, o que se traduz assim numa elevada resistência
flexional, permitindo ainda, através da abertura, um fácil acesso ao seu interior para que possam ser
realizadas todas as ligações necessárias (ver 3.5.3).
39
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Para ligar estes perfis, e uma vez que os painéis de Viroc apenas irão funcionar numa direção foram
escolhidas secções mais simples, em forma de “U”, para que tenham alguma rigidez de modo a ligar
eficazmente os perfis resistentes, mas que sejam mais baratas e fáceis de produzir.
A ligação entre elementos resistentes e não resistentes dos módulos de laje, uma vez que estes serão
totalmente produzidos em fábrica, será soldada. A Figura 3.16 apresenta o exemplo de uma dessas
ligações onde o cordão de soldadura está representado pela cor vermelha. Para que o leitor possa melhor
entender todo o funcionamento estrutural destes módulos, da esquerda para a direita estão representadas
uma vista geral, a interação entre o cordão de soldadura e o elemento resistente e entre o cordão de
soldadura e o elemento não resistente, respetivamente.
a) b) c)
Figura 3.16 - Detalhe da ligação soldada dos módulos ML1; a) vista geral; b) cordão de soldadura e elemento
não resistente; c) cordão de soldadura e elemento resistente
A ligação entre os módulos de parede e os módulos de laje será aparafusada, pelo que a furação realizada
nestes módulos deverá ser pensada com o intuído de corresponder perfeitamente às furações nas chapas
dos módulos de parede, de modo a criar uma ligação eficaz. A Figura 3.17 ilustra as furações realizadas
nos elementos resistentes de um módulo de laje do tipo ML1 que irão liga-lo às chapas dos módulos de
parede transferindo assim os esforços para estes últimos. De notar que a alma do perfil em “C”
representado a azul na Figura 3.17 irá neste sistema estar perfeitamente alinhada com a alma do elemento
resistente do módulo de parede. Por último importa referir que as furações ilustradas na Figura 3.17 não
representam uma dimensão específica, mas que foram deliberadamente manipuladas para que o leitor
possa ficar com uma perceção clara do esquema estrutural deste pormenor de ligação.
40
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
41
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
A Figura 3.19 pretende ilustrar a ligação entre os elementos representados a verde na Figura 3.18 e os
elementos representados a cinzento na mesma figura. A vermelho está retratado o cordão de soldadura
que irá fazer essa união. De referir que o topo dos perfis representados a verde (na Figura 3.18 e na
Figura 3.19) apresenta uma saliência cujo objetivo é fazer a ligação direta entre as almas dos dois
elementos, proporcionando assim uma transferência de esforços mais eficiente.
Figura 3.19 - Detalhe de ligação dos perfis interiores aos perfis de transferência de carga dos módulos ML2
Na Figura 3.20 está ilustrada a ligação entre os perfis de transferência de carga (representados a cinzento)
e os perfis exteriores (representados a azul). O cordão de soldadura está mais uma vez ilustrado com a
cor vermelha e também os perfis de transferência de carga foram concebidos com uma saliência que
permita a ligação entre as almas dos dois elementos, à imagem do que já foi expresso anteriormente.
42
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Figura 3.20 – Detalhe de ligação dos perfis de transferência de carga aos perfis exteriores dos módulos MP2
A ligação entre os módulos de laje ML2 e os módulos de parede será também aparafusada. Os orifícios
para aparafusamento serão feitos nos banzos dos perfis exteriores de acordo do que foi já exposto para
os módulos ML1 (ver [Link]).
43
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
44
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
poluída com excesso de elementos desnecessários, deste modo é também possível observar que uma das
furações nas chapas dos módulos de parede está desocupada e seria nesse local que seria feita a união
ao segundo módulo de laje.
Para se entender com total precisão a ligação aparafusada entre os dois módulos, na Figura 3.24 foi
retirado o perfil de transferência de carga (elemento a cinzento na Figura 3.23) e foi aproximada a
imagem da zona da furação. O parafuso de ligação seria então colocado naquele orifício pelo lado do
módulo de parede, devendo existir uma porca soldada ao banzo do perfil do módulo de laje, criando
assim uma ligação simples e eficaz.
Figura 3.24 - Detalhe da furação para aparafusamento entre os módulos de parede e de laje
Outra situação que ainda não foi abordada deve-se ao facto de os módulos de laje funcionarem apenas
numa direção. Isto fará com que eles tenham um acréscimo de 15cm em relação à unidade, na direção
principal, de modo poderem apoiar nos módulos de parede, conforme se demonstra na Tabela 3.5. Na
45
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
direção oposta esta situação não ocorre o que irá fazer com que no caso de uma edifício com mais do
que um piso os módulos de parede dos pisos superiores não estivessem apoiados em nenhum módulo
de laje, conforme se ilustra na Figura 3.25. Nesta imagem é possível ver que o módulo de laje ocupa um
dos orifícios do módulo de parede do lado esquerdo, o que significa que o módulo de parede
imediatamente superior estará por sua vez também apoiado no módulo de laje. Já o módulo de parede
do lado direito tem os dois orifícios livres uma vez que nessa direção o módulo de laje não tem os tais
centímetros adicionais. Por consequência nesta imagem o módulo de parede superior do lado direito não
estaria apoiado em nenhum elemento.
Para resolver este problema, deverão ser adicionados perfis resistentes, com a secção transversal em
“C”, que façam a transferência das cargas dos módulos que até ai estariam desapoiados para os módulos
inferiores, conforme se ilustra na Figura 3.26. O perfil aí representado a azul claro será responsável pela
ligação entre os dois módulos de parede à direita na figura.
Figura 3.26 - Módulo de parede do piso superior suportado por um perfil em "C"
46
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
O sistema estrutural fica assim totalmente descrito faltando apenas apresentar um exemplo de um
edifício que use este sistema na sua conceção. Para tal e de modo simplificar a apresentação da imagem,
isto é, em que cada elemento tenha a sua cor e em que haja um grande número de elementos que tornem
a imagem difícil de compreender optou-se, na Figura 3.27, por ilustrar um pequeno edifício de dois
pisos, com as dimensões em planta de 11x6 metros constituído por módulos de parede MP2 e MP1 e
por módulos de laje ML2-6 e ML1-6. Nesta figura em particular os elementos horizontais foram
representados a cor verde (exceto os perfis de transferência de carga que permanecem a cinzento) e
todos os elementos verticais a azul-escuro. A azul-claro estão representados os perfis de ligação entre
módulos, quer estes sejam horizontais ou verticais enquanto a preto se ilustram os sistemas de
contraventamento em cruz.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
4
AÇÕES
Ainda segundo o EC1-1-1, o peso próprio das construções, que diz respeito tanto aos elementos
estruturais como não estruturais, deverá ser representado por um único valor característico calculado
com bases nas dimensões e nos pesos volúmicos dos elementos em causa. Diversos valores são previstos
no Eurocódigo 0 (EC0) para o peso volúmico de uma vasta gama de elementos que constituem um
edifício. Contudo, no âmbito do presente trabalho, pretende-se que em cada situação o projetista possa
optar pelos revestimentos, condutas ou outro tipo de elementos que achar mais adequados. Deste modo
seria pouco recomendável que se fizesse uma contabilização dos elementos estruturais e não estruturais
que poderiam ser usados num edifício e do seu respetivo peso volúmico para posterior quantificação de
uma carga permanente representativa.
A solução encontrada foi a de estudar uma gama de valores para o peso volúmico que se achou serem
adequados a este tipo de solução e que permitissem dotar o sistema da versatilidade necessária para
poder albergar vários tipos de utilizações. Silvestre, N. [et al.] (2013) propõem no seu trabalho que, no
caso de uma estrutura em LSF (Light Steel Framing - estrutura de aço leve na literatura portuguesa),
possa ser adotada como representativa para fins habitacionais uma carga permanente ao nível dos
pavimentos dos pisos de 0,5 kN/m2. Para a NAHB (2000) o valor comum para esta mesma ação em
edifícios de aço leve dependerá do tipo de revestimento a usar no piso e poderá ir desde 0,57 kN/m2
correspondentes ao piso em madeira até 0,91kN/m2 se o material escolhido para o piso for a ardósia.
Para que o presente sistema fosse adequado a vários tipos de utilização, desde a habitacional até ao
comercial e também para que diversas soluções pudessem ser usadas no revestimento dos pisos optou-
se por considerar os seguintes valores para as cargas permanentes:
49
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
0,5 kN/m2
0,75 kN/m2
1 kN/m2
1,5 kN/m2
Esta gama de valores considerados pretende não se afastar em demasia dos valores apresentados como
usuais pelos autores já referidos, mas ainda assim dotar o edifício de versatilidade para receber vários
tipos de cargas ou utilizações.
4.2. SOBRECARGAS
As sobrecargas foram contabilizadas de acordo com o exposto no EC1-1-1 que apresenta as seguintes
recomendações:
Para as áreas submetidas a diferentes categorias de carga, o projeto deve considerar o caso de
carga mais crítico;
Nas situações de projeto em que as sobrecargas atuam simultaneamente com outras ações
variáveis (vento, neve, entre outras), as sobrecargas totais incluídas no caso de carga devem ser
consideradas como ações independentes;
Nos casos em que as variações de cargas ou efeitos de vibrações possam provocar fadiga, deverá
ser estabelecido um modelo de ações de fadiga;
Para as estruturas muito sensíveis a vibrações, deverão ser considerados modelos dinâmicos de
sobrecargas sempre que for relevante;
Nas coberturas não é necessário aplicar as sobrecargas simultaneamente com a ação da neve
e/ou ação do vento
As sobrecargas a considerar para a verificação dos estados limites últimos de utilização deverão
ser especificadas de acordo com as condições de serviço e os requisitos ao desempenho da
estrutura.
Estas recomendações pretendem dotar o leitor de uma melhor compreensão pelo método de análise que
envolve a este tipo de ações bem como alertar para alguns detalhes que não serão focados no âmbito do
presente trabalho e que requerem estudos específicos, como as vibrações excessivas ou a fadiga.
50
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
O EC1-1-1 prevê que as sobrecargas possam ser modeladas de duas maneiras distintas. Uma
representação como um carga superficial uniformemente distribuída que traduziria uma ocupação
normal do edifício, ou uma representação por cargas concentradas que poderão corresponder a eventos
muito específicos, como equipamentos muito pesados ou grande concentração de mobiliário numa zona
particular.
Para a determinação do valor adequado de cada sobrecarga, deverá ter-se em vista a categoria de cada
pavimento ou cobertura, função da sua utilização. Equipamentos pesados como cozinhas coletivas, salas
de radiologia, etc. não estão incluídos nos valores que serão apresentados neste capítulo e como tal
deverão ser definidos caso a caso.
A sobrecarga deverá então ser tida em conta como uma ação livre aplicada na zona mais desfavorável
do elemento em análise, seja ele um piso ou uma cobertura. No sentido de verificar que o pavimento
possui uma resistência mínima local adequada deverá ser efetuada uma verificação com a carga
concentrada que atuará sempre isoladamente, ou seja, esta nunca deverá ser combinada com cargas
uniformemente distribuídas ou outras ações variáveis.
O EC1-1-1 prevê que a divisão dos tipos de utilização seja feita em quatro categorias, cada uma destas
com valores distintos tanto para as ações superficiais uniformemente distribuídas como para as ações
concentradas. No âmbito do presente trabalho foram considerados como adequados todos os tipos de
utilizações indicados neste código e foram por isso consideradas todas as cargas a estes correspondentes.
A Tabela 4.1 apresenta essa mesma divisão por categorias de utilização proposta no EC1-1-1.
B Escritórios
A cada um destes tipos de utilização irá corresponder um valor específico quer para carga superficial
distribuída (qk) quer para a carga concentrada (Qk), conforme se explicita na Tabela 4.2. Os valores aí
sublinhados são os valores recomendados pelo EC1-1-1 para cada tipo de utilização específico.
51
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Tabela 4.2 - Sobrecargas em pavimentos, varandas e escadas de edifícios (adptado de CEN, 2009b)
qk Qk
Categorias de zonas carregadas
[kN/m2] [kN]
Categoria A:
Pavimentos 1,5 a 2,0 2,0 a 3,0
Categoria C:
Categoria D:
Aos valores das diferentes sobrecargas apresentados na Tabela 4.2 devem ainda ser adicionadas as
cargas das paredes divisórias amovíveis. Segundo o EC1-1-1, desde que um pavimento possua uma
constituição que permita uma distribuição eficaz de cargas, o peso próprio das paredes divisórias
amovíveis poderá ser considerado como uma carga uniformemente distribuída (qk). Este código propõe
os seguintes valores para esse peso próprio:
Para divisórias amovíveis com um peso próprio ≤ 1,0kN/m de comprimento de parede:
qk = 0,5 kN/m2;
Para divisórias amovíveis com um peso próprio > 1,0kN/m e ≤ 2,0 kN/m de comprimento de
parede: qk = 0,8 kN/m2;
Para divisórias amovíveis com um peso próprio > 2,0 kN/m e ≤ 3,0 kN de comprimento de
parede: qk = 1,2 kN/m2.
No caso especifico da construção com aço leve será de todo recomendável que as paredes divisórias
sejam pensadas de forma a serem o mais leves possível para não introduzirem esforços excessivos e
tornarem o sistema mais eficiente. Deste modo foram estudados alguns tipos paredes interiores e os seus
pesos próprios:
52
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Tabela 4.3 - Valor de peso próprio para cada tipo de parede (Silvestre, N. [et al.], 2013)
Pela análise do trabalho de Silvestre, N. [et al.] (2013) recomenda-se o uso de paredes interiores em
madeira ou em aço leve. Deste modo foi introduzido um limite máximo de 0,5 kN/m2 para as paredes
divisórias a ser somado às sobrecargas já referidas, respeitando também assim o exposto no EC1-1-1.
No âmbito do presente trabalho foi escolhida uma utilização de cada tipo e a respetiva carga
recomendada pelo EC1-1-1 somada do peso próprio das paredes divisórias, conforme se ilustra na
Tabela 4.4.
A 2,5 2,0
B 3,5 4,5
C1 3,5 4,0
D1 4,5 4,0
4.2.2. COBERTURAS
O EC1-1-1 prevê para as coberturas três tipos de utilização distintos diferentes dos tipos de utilização
para os pisos do edifício, conforme se demonstra na Tabela 4.5.
I Coberturas acessíveis
No âmbito do presente trabalho foram admitidas coberturas planas da categoria H. Mais uma vez, o
sistema em aço leve necessita para sua melhor rentabilidade de evitar cargas excessivas que tornariam
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
o edifício mais oneroso. Nesse sentido não seria adequado propor cobertura das categorias I ou K que
se destinam a receber cargas bastante pesadas, como aterragem de helicópteros, estacionamento de
veículos, maquinarias, entre outros.
Para a categoria H o EC1-1-1 recomenda os seguintes valores característicos mínimos representados na
Tabela 4.6:
qk Qk
Categoria cobertura
[kN/m2] [kN]
H 0,4 1,0
Nas coberturas, mais uma vez, a verificação ao estado limite último deve ser feita para as cargas qk e Qk
separadamente.
4.3. NEVE
O Eurocódigo 1 Parte 1-3 (EC1-1-3) fornece orientações para a determinação dos valores das cargas,
devidas à ação da neve, em edifícios situados em locais com uma altitude não superior a 1500m. Estas
devem ser consideradas com ações superficiais uniformemente distribuídas, atuando ao longo da
cobertura de um edifício.
A ação da neve em coberturas pode ser calculada através da equação (4.1):
𝑠 = 𝜇𝑖 ∙ 𝐶𝑒 ∙ 𝐶𝑡 ∙ 𝑠𝑘 (4.1)
Em que:
μi é o coeficiente de forma para a carga da neve;
Ce é o coeficiente de exposição térmico;
Ct é o coeficiente térmico;
sk é o valor característico da carga da neve ao nível do solo.
O coeficiente de forma para a carga da neve pode ser obtido através da Figura 4.1 em que α representa
a inclinação da cobertura. Para coberturas planas como é o caso que irá ser estudado no presente trabalho
será razoável considerar um valor para o coeficiente μi de 0,8.
54
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Figura 4.1 – Coeficiente de forma para a carga da neve (μi) (CEN, 2009c)
O coeficiente de exposição térmico Ce poderá ser obtido com recurso à Tabela 4.7, que fornece valores
para este parâmetro mediante o nível de exposição ao vento causada pelas condições topográficas da
zona envolvente do edifício.
Topografia Ce
Normal 1,0
Abrigada 1,2
Para efeitos de simplificação considerou-se uma exposição normal ao vento, que resultou num
coeficiente Ce igual a 1,0.
O coeficiente térmico Ct deverá ser usado quando a carga da neve em coberturas é reduzida devido a
elevada transmissão térmica da mesma (> 1 W/m2 K). Cada caso deverá ser analisado
independentemente pelo projetista responsável mas para fins genéricos será também considerado um
valor para este coeficiente igual a 1,0.
O valor característico da carga da neve ao nível do solo (sk) depende, segundo anexo nacional do EC1-
1-3, da zona geográfica onde o edifício irá ser construído. Para Portugal este pode ser obtido pela
equação (4.2):
𝐻 2
𝑠k = Cz [1 + ( ) ] (4.2)
500
Nesta equação o parâmetro Cz representa um coeficiente associado à zona topográfica em estudo (ver o
anexo nacional do EC1-1-3) e o parâmetro H a altitude do local acima do nível do mar em metros.
55
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Para um dimensionamento versátil mas genérico foram estudadas três situações distintas e calculados
os respetivos parâmetros sk para cada uma delas conforme se demonstra na Tabela 4.8
H [m] Cz sk [kN/m2]
75 0,2 0,22
500 0,2 0,40
900 0,3 1,27
μ Ce Ct sk [kN/m2] s [kN/m2]
0,8 1 1 0,22 0,16
0,8 1 1 0,40 0,32
0,8 1 1 1,27 1,02
Contudo Portugal não será certamente dos países mais sujeitos a este tipo de ações. Como este sistema
se destina essencialmente à exportação, não se excluindo obviamente a sua utilização em território
nacional, optou-se por alargar o limite superior da ação da neve a ser considerado no presente trabalho
até 1,5 kN/m2.
4.4. VENTO
O processo de cálculo da ação do vento poderá ser algo complexo de acordo com o Eurocódigo 1 Parte
4 (EC1-1-4). Neste subcapítulo procurar-se-á torna-lo o mais simples possível explicando
detalhadamente, sempre que oportuno, cada passo de maior complexidade.
Para melhor se entender as diferentes fases deste processo de cálculo o procedimento global será
dividido em várias partes. Cada uma delas terá como objetivo calcular um fator ou coeficiente relevante
para a pressão final do vento sobre uma superfície.
56
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
com vegetação rasteira e obstáculos isolados com separações entre si de pelo menos 20 vezes a sua
altura e pode ser obtido através da equação (4.3).
Em que:
cdir é o coeficiente de direção;
cseason é o coeficiente de sazão;
vb,0 é o valor básico da velocidade do vento;
Os dois primeiros coeficientes tomam o valor unitário (recomendação do EC1-1-4) sendo que o valor
de vb,0 deve ser retirado do respetivo anexo nacional, no caso português, pode tomar 27 ou 30 m/s caso
corresponda à zona A (generalidade do território exceto regiões pertencentes à zona B) ou à zona B
(arquipélagos dos Açores ou Madeira e regiões do continente situadas numa faixa costeira com 5 km de
largura ou a altitudes superiores a 600 m).
𝑧
𝑐𝑟 (𝑧) = 𝑘𝑟 ∙ 𝑙𝑛 ( ) (4.4)
𝑧0
Em que:
z0 é o comprimento de rugosidade (ver Tabela 4.10);
kr é o coeficiente de terreno que depende do comprimento de rugosidade e pode ser calculado
através da equação (4.5).
0,07
𝑧0
𝑘𝑟 = 0,19 ( ) (4.5)
𝑧0,𝐼𝐼
Os valores de z e z0 necessários para a resolução das equações (4.4) e (4.5) podem ser obtidos através
da Tabela 4.10, onde se apresenta o quadro respetivo ao anexo nacional do EC1-1-4.
57
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
I 0,005 1
II 0,05 3
III 0,3 8
IV 1,0 15
No que respeita ao coeficiente de orografia co o EC1-1-4 permite que este possa ser considerado unitário
caso não se prevejam efeitos de afunilamento, situação que foi adotada no âmbito do presente trabalho.
1 2
𝑞𝑝 (𝑧) = [1 + 𝐼𝑣 (𝑧)] ∙ 𝜌 ∙ 𝑣𝑚 (4.7)
2
Em que:
Iv (z) é a intensidade de turbulência à altura z;
ρ é a massa volúmica do ar, cujo valor recomendado pelo EC1-1-4 é de 1,25 kg/m3.
Para definir a intensidade de turbulência do ar, Iv (z), será necessário recorrer à equação (4.8) que a
define como o quociente entre o desvio padrão da turbulência e a velocidade média do vento.
𝑘𝐼
𝐼𝑣 (𝑧) = 𝑧
𝑐𝑜 (𝑧) ∙ ln ( ) (4.8)
𝑧0
58
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Em que kI é o coeficiente de turbulência, para o qual o EC1-1-4 recomenda o valor de 1. Todos os outros
parâmetros foram já definidos anteriormente.
O coeficiente de pressão exterior cpe depende das dimensões da superfície carregada (A) que não é mais
do que a superfície em análise carregada pela ação do vento. Este coeficiente de pressão pode ser obtido
através da equação (4.11) para áreas de superfície carregada entre 1 m2 e 10 m2:
Para áreas menores que 1 m2 o coeficiente cpe toma o valor de cpe,1 e para áreas maiores que 10 m2 este
toma o valor de cpe,10. Os valores destes coeficientes podem ser obtidos através da Figura 4.2 para
paredes verticais de edifícios de planta retangular e através da Figura 4.4 para coberturas em terraço. Os
parâmetros necessários para a interpretação da Figura 4.2 e da Figura 4.4 estão representados na Figura
4.3 e na Figura 4.5 respetivamente.
Figura 4.2 - Coeficientes de pressão exterior para paredes verticais de edifícios de planta retangular (CEN,
2009d)
59
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Figura 4.4 - Coeficientes de pressão exterior para cobertura em terraço (CEN, 2009d)
60
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Uma vez definidos os coeficientes de pressão exterior, os coeficientes de pressão interior poderão ser
obtido como função destes e das aberturas existentes para cada uma das respetivas superfícies em
análise, sejam paredes verticais ou coberturas. Este processo está descrito com detalhe no EC1-1-4,
contudo no âmbito do presente trabalho e uma vez que não se pretende dimensionar um edifício em
específico mas sim apresentar uma gama de valores para a ação do vento que cubram um vasto número
de situações diversas, para a determinação deste parâmetro foi usado um método específico previsto no
EC1-1-4 para a determinação deste parâmetro.
Neste método prevê-se que o edifício em questão não tenha uma face predominante sujeita à ação do
vento e que, na ausência de possibilidade de calcular o valor do índice de aberturas, o coeficiente de
pressão interior (cpi) possa ser tomado como o valor mais gravoso entre +0,2 e -0,3.
Outras situações, nomeadamente em edifícios com face predominantes poderão também estar cobertas
nesta situação, dependendo do valor da ação do vento em cada face, contudo devem ser verificados caso
a caso e situações muito particulares poderão requerer análises específicas e elementos resistentes
especialmente dimensionados para esse caso.
Finalmente a pressão do vento pode ser reduzida ao longo da altura de uma parede vertical função da
relação entre a altura dessa parede e as dimensões em planta do edifício, conforme se ilustra na Figura
4.6.
61
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
62
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
A ação térmica deverá ser analisada de acordo com o Eurocódigo 1 Parte 1-5 (EC1-1-5) de modo a que
as variações de temperatura não introduzam movimentos na estrutura suscetíveis de provocar esforços
excessivos nos elementos estruturais. Uma das soluções que poderá ser adotada para a sua minimização
será a introdução de juntas de dilatação.
As ações sísmicas, descritas em detalhe no Eurocódigo 8 (EC8) não foram estudadas no âmbito de
presente trabalho uma vez que estas dependem essencialmente da massa total de cada piso do edifício.
Esta massa será função do tipo de ocupação, revestimentos escolhidos, entre outros fatores de difícil
generalização a um caso global. Caso esta ação seja condicionantes para a segurança da estrutura, a
mesma poderá ser reforçada com a adição de mais sistema de contraventamento que diminuirão os
esforços atuantes em cada elemento resitente.
𝐸𝑑 ≤ 𝑅𝑑 (4.12)
Em que:
Ed é o valor de cálculo do efeito das ações;
Rd é o valor de cálculo da resistência do elemento.
Neste caso os valores de cálculo do efeito das ações devem ser determinados através das combinações
relevantes, tendo em conta os valores e coeficientes apresentados na Tabela 4.11.
Tabela 4.11 - Valores de cálculo das ações para uso nas combinações relevantes (adaptado de Dubina, D. [et
al.], 2012)
Ações variáveis
Situação de projeto Ações permanentes
Ação de base Ações acompanhantes
Os valores indicados na Tabela 4.11 devem ser combinados, para situações de projeto persistentes ou
transitórias, de acordo com a expressão (4.13).
63
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Em que:
Gk,j é o valor característico das ações permanentes;
Qk,1 é o valor característico das ações variáveis de base;
Qk,i é o valor característico das ações variáveis acompanhantes;
γG,j é o coeficiente parcial para as ações permanentes;
γQ,1 é o coeficiente parcial para a ação variável de base;
γQ,i é o coeficiente parcial para as ações variáveis acompanhantes;
ψ0 é o coeficiente para a determinação do valor de combinação de uma ação variável;
ψ1 é o coeficiente para a determinação do valor frequente de uma ação variável;
ψ2 é o coeficiente para a determinação do valor quase-permanente de uma ação variável.
O valor dos coeficientes parciais para os vários tipos de ações podem ser obtidos através da Tabela 4.12.
Tabela 4.12 - Coeficientes parciais para ações em edifícios (adaptado de Dubina, D. [et al.], 2012)
Ações variáveis
Ações permanentes
Ação variável de base Ações variáveis acompanhantes
𝛾𝐺,𝑗 = 1,35 𝛾𝑄,1 = 1,5 𝛾𝑄,𝑖 = 1,5
Tabela 4.13 - Coeficientes de para determinação dos valores de combinação ( ψ0), frequentes (ψ1) ou
quase-permanentes (ψ2) de uma ação variável (adaptado de Dubina, D. [et al.], 2012)
Ações variáveis ψ0 ψ1 ψ2
Sobrecargas em edifícios
Sobrecargas em coberturas
Categoria H 0 0 0
64
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
𝐸𝑑 ≤ 𝐶𝑑 (4.14)
Em que:
Ed é o valor dos efeitos das ações relevantes para o tipo de critério a cumprir e para a combinação
adequada;
Cd é o valor da restrição do estado limite de serviço (por exemplo flecha máxima admissível).
As três combinações de ações relevantes para este estado limite são as seguintes:
Combinação característica:
Combinação frequente:
Combinação quase-permanente:
65
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
5
DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA
ESTRUTURAL
Figura 5.1 - Fenómenos de encurvadura numa secção transversal; a) encurvadura local; b) e c) encurvadura por
torção (Dubina, D. [et al.], 2012)
O EC3-1-3 prevê que os seguintes aspetos devam ser considerados aquando da análise de secções
transversais (Dubina, D. [et al.], 2012):
Os efeitos da encurvadura local e por torção devem ser tidos em conta para a determinação da
resistência de perfis enformados a frio;
Os efeitos da encurvadura local podem ser solucionados através do uso de comprimentos
efetivos para os diversos elementos constituintes da secção transversal;
67
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
A nomenclatura para as dimensões de um elemento com a secção transversal em forma de “C”, que
serão usadas no presente trabalho, poderão ser obtidas na Figura 5.2. A secção em “C” consiste em três
elementos principais:
Alma: elemento de comprimento h;
Banzo: elemento de comprimento b (b1 ou b2 consoante seja o banzo superior ou inferior);
Reforço de bordo: elemento de comprimento c.
b1
r c
tnom h
b2
Figura 5.2 - Nomenclatura das dimensões de uma secção transversal em "C" (Jakab, G., 2009)
Além destas dimensões serão usadas também as dimensões médias de cada elemento bem como uma
nova espessura (t) que não será mais do que a espessura real do elemento (tnom), subtraída da espessura
dos revestimentos que o compõem. Um valor usual para a espessura dos revestimentos é indicado por
Dubina, D. [et al.] (2012) como sendo 0,04 mm. As restantes dimensões podem ser calculadas através
das equações (5.1) a (5.4).
68
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
ℎ𝑝 = ℎ − 𝑡𝑛𝑜𝑚 (5.1)
𝑡𝑛𝑜𝑚
𝑐𝑝 = 𝑐 − (5.4)
2
𝑏
≤ 60 (5.5)
𝑡
𝑐
≤ 50 (5.6)
𝑡
ℎ
≤ 500 (5.7)
𝑡
De modo a que o reforço de bordo possa proporcionar rigidez suficiente para evitar fenómenos de
encurvadura iniciais do próprio reforço, deve ser verificada a equação (5.8).
𝑐
0,2 ≤ ≤ 0,6 (5.8)
𝑏
Por fim, a influência das esquinas arredondadas pode ser negligenciada se forem cumpridas as
expressões (5.9) e (5.10).
𝑟
≤5 (5.9)
𝑡
69
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
𝑟
≤ 0,1 (5.10)
𝑏𝑝
Figura 5.3 - Comprimento efetivo de elementos internos comprimidos (Dubina, D. [et al.], 2012)
Figura 5.4 - Comprimento efetivo de elementos externos comprimidos (Dubina, D. [et al.], 2012)
70
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
O fator de redução ρ usado na Figura 5.3 e na Figura 5.4 para determinar o comprimento efetivo do
respetivo elemento comprimido poderá ser obtido das seguintes formas:
Se σcom,Ed = ƒyb / γM0 o fator de redução ρ deverá ser obtido através das equações (5.11) e (5.12)
para elementos internos comprimidos e através das equações (5.13) e (5.14) para elementos
externos comprimidos:
𝜆̅𝑝 − 0,055 (3 + 𝜓)
𝜌= , 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝜆̅𝑝 > 0,5 + √0,085 − 0,055𝜓 (5.12)
𝜆̅2𝑝
𝜆̅𝑝 − 0,188
𝜌= < 1, 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝜆̅𝑝 > 0,748 (5.14)
𝜆̅2𝑝
𝑏𝑝
ƒ𝑦𝑏 𝑡
𝜆̅𝑝 = √ = (5.15)
𝜎𝑐𝑟 28,4 ∙ 𝜀 ∙ √𝑘𝜎
Se σcom,Ed < ƒyb / γM0 então o fator de redução ρ deverá ser determinado por um procedimento
similar, mas em que a esbelteza do elemento será reduzida de acordo com a equação :
𝜎𝑐𝑜𝑚,𝐸𝑑
𝜆̅𝑝,𝑟𝑒𝑑 = 𝜆̅𝑝
√ 𝑓𝑦𝑏 (5.16)
𝛾𝑀0
71
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
A rigidez (K) da mola poderá ser determinada através da equação (5.17), por aplicação de uma carga
unitária por unidade de comprimento (u) e medição do respetivo deslocamento por esta provocado (δ).
𝑢
𝐾= (5.17)
𝛿
𝑢∙𝑏𝑝3 12(1−𝜈2 )
𝛿 = 𝜃 𝑏𝑝 + 3 𝐸 𝑡3
(5.18)
𝑢 ∙ 𝑏𝑝
𝜃= (5.19)
𝐶𝜃
72
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
No caso de secções transversais em “C” ou “Z” o fator Cθ deve ser determinado através da aplicação de
cargas unitárias (u) conforme se ilustra na Figura 5.6 (neste caso para uma secção em “Z”, porém o
raciocínio será igualmente válido para secções em “C”), à esquerda para o caso de compressão simples
e à direita para flexão simples.
Figura 5.6 – Determinação de δ para secções em “Z” (Dubina, D. [et al.], 2012)
Deste modo a rigidez da mola (K1) para um banzo comprimido, neste caso designado como banzo 1,
poderá ser calculada através da expressão (5.20).
𝐸 ∙ 𝑡3 1
𝐾1 = ∙ (5.20)
4(1 − 𝜈 2 ) 𝑏12 ∙ ℎ𝑤 + 𝑏13 + 0,5 ∙ 𝑏1 ∙ 𝑏2 ∙ ℎ𝑤 ∙ 𝑘𝑓
Em que:
b1 e b2 poderão ser obtidos na Figura 5.2;
hw é o comprimento da alma;
kf será nulo se o banzo 2 estiver em tração (por exemplo no caso de uma secção sujeita a flexão)
e será igual a 𝐴𝑠2 ⁄𝐴𝑠1 se o mesmo banzo estiver em compressão;
As será a área efetiva da secção que inclui o reforço de bordo e a parte efetiva do banzo que lhe
é adjacente conforme se ilustra na Figura 5.7. Este conjunto denominado na literatura inglesa
por stiffener será no presente trabalho designado por estabilizador.
73
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
O fator de redução χd que será aplicado à espessura do estabilizador, relativo aos fenómenos de
encurvadura por torção, deverá ser obtido através da esbelteza relativa 𝜆̅𝑑 com recurso às equações
(5.21), (5.22) e (5.23).
0,66
𝜒𝑑 = ̅
𝜆𝑑
, 𝑠𝑒 𝜆̅𝑑 > 1,38 (5.23)
𝑓
𝜆̅𝑑 = √𝜎 𝑦𝑏 (5.24)
𝑐𝑟,𝑠
Surge então a necessidade de definir a tensão crítica elástica para o estabilizador σcr,s. O procedimento
necessário, esquematizado na Figura 5.8, é composto por um conjunto de três passos, sendo os dois
primeiros obrigatórios e o terceiro opcional:
Passo 1: obter uma secção efetiva inicial para os banzos e reforços de bordo com base nos
comprimentos efetivos dos elementos (obtidos assumindo que o reforço de bordo proporciona
uma restrição total) e assumindo que σcom,Ed = ƒyb / γM0;
Passo 2: usar a secção efetiva inicial do estabilizador, obtida no Passo 1, para determinar o fator
de redução que será aplicado à espessura do estabilizador;
Passo 3: opcionalmente iterar os valores obtidos para refinar o fator de redução a ser aplicado
aos estabilizadores, obtido no Passo 2.
74
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Os valores dos comprimentos efetivos (be1 e be2) dos banzos, ilustrados na Figura 5.7, devem ser obtidos
admitindo que os banzos estão totalmente restringidos, isto é, que o banzo é um elemento interno e
podem ser determinados a partir da Figura 5.3.
O valor inicial do comprimento efetivo do reforço de bordo ceff, ilustrado na Figura 5.7 pode ser obtido
através da equação (5.25):
𝑐𝑒𝑓𝑓 = 𝜌 ∙ 𝑐𝑝 (5.25)
Em que o comprimento cp já foi definido na equação (5.4) e o fator ρ pode ser definido através das
equações (5.13) e (5.14). Porém o valor do fator de encurvadura kσ deve ser obtido através das equações
(5.26) e (5.27)
Se cp / bp ≤ 0,35:
𝑘𝜎 = 0,5 (5.26)
Se 0,35 ≤ cp / bp ≤ 0,6:
2
3 𝑐𝑝
𝑘𝜎 = 0,5 + √( − 0,35) (5.27)
𝑏𝑝
A área efetiva para o estabilizador pode então ser obtida através da equação (5.28).
A tensão crítica de encurvadura poderá assim ser determinada através da expressão (5.29).
2√𝐾 ∙ 𝐸 ∙ 𝐼𝑠
𝜎𝑐𝑟,𝑠 = (5.29)
𝐴𝑠
75
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Em que:
K é a rigidez da mola por unidade de comprimento (ver equação (5.20));
Is é o momento de inércia do estabilizador em relação ao eixo a-a representado na Figura 5.7,
respeitante aos comprimentos efetivos.
O fator de redução de espessura χd pode assim ser obtido através das equações (5.21) a (5.24). Se este
fator for inferior à unidade a área efetiva pode ser refinada iterativamente, com os novos valores de ρ
obtidos através da esbelteza reduzida conforme se demonstra na equação (5.30) e com σcom,Ed,i igual a
χd∙ƒyb/γM0.
A Figura 5.8 apresenta um esquema que pretende traduzir de uma forma simplificada os passo essenciais
do processo de dimensionamento da região banzo/reforço de bordo.
Figura 5.8 – Processo de dimensionamento à compressão da região banzo/reforço de bordo (Dubina, D. [et al.],
2012)
76
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Finalmente poderá ser obtido, com recurso à Figura 5.3 um comprimento efetivo para a alma da secção,
dependendo dos esforços atuantes. Uma vez conhecidos todos os comprimentos efetivos dos elementos
de uma secção e a espessura reduzida a ser aplicada ao estabilizador da mesma, poderá então calcular-
se a área efetiva final e posteriormente a sua capacidade resistente.
𝑁𝐸𝑑
≤1 (5.31)
𝑁𝑡,𝑅𝑑
Onde o valor da resistência de cálculo de uma secção, Nt,Rd, é dado pela equação (5.32).
𝐴𝑔 ∙ 𝑓𝑦𝑎
𝑁𝑡,𝑅𝑑 = (5.32)
𝛾𝑀0
Em que:
Ag é a área bruta da secção transversal
ƒya é a tensão resistente média e pode ser obtida através da expressão (5.33):
𝑘 ∙ 𝑛 ∙ 𝑡2 (𝑓𝑢 + 𝑓𝑦𝑏 )
𝑓𝑦𝑎 = 𝑓𝑦𝑏 + (𝑓𝑢 − 𝑓𝑦𝑏 ) ∙ 𝑚𝑎𝑠 𝑓𝑦𝑎 ≤ (5.33)
𝐴𝑔 2
Na qual:
k é um coeficiente numérico que depende do método usado no fabrico dos perfis metálicos. Este
toma o valor 7 para a perfilagem ou o valor 5 para outros métodos;
n é o número de dobras de 90º na secção transversal de um perfil, com raio é menor do que 5
vezes a espessura do mesmo;
t é a espessura do perfil, subtraída da camada de revestimentos.
77
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
𝑁𝐸𝑑
≤1 (5.34)
𝑁𝑐,𝑅𝑑
A força de cálculo resistente, Nc,Rd, poderá ser determinada através da equação (5.35) caso a área efetiva
da secção em análise seja inferior à sua área bruta, ou através da equação (5.36) caso estas sejam iguais.
𝐴𝑒𝑓𝑓 ∙ 𝑓𝑦𝑏
𝑁𝑐,𝑅𝑑 = (5.35)
𝛾𝑀0
𝜆̅
𝐴𝑔 ∙ [𝑓𝑦𝑏 + 4(𝑓𝑦𝑎 − 𝑓𝑦𝑏 ) ∙ (1 − ̅ 𝑒 )]
𝜆𝑒0 (5.36)
𝑁𝑐,𝑅𝑑 =
𝛾𝑀0
Em que:
Aeƒƒ é a área efetiva da secção transversal;
ƒya foi definido na equação (5.33);
Para elementos não restringidos 𝜆̅𝑒 = 𝜆̅𝑝 e 𝜆̅𝑒0 = 0,673;
Para elementos restringidos 𝜆̅𝑒 = 𝜆̅𝑑 e 𝜆̅𝑒0 = 0,65.
𝑀𝐸𝑑
≤1 (5.37)
𝑀𝑐,𝑅𝑑
O valor do momento fletor máximo resistente de uma dada secção M c,Rd pode ser calculado através da
equação (5.38) caso o módulo efetivo de flexão Weƒƒ seja menor do que o módulo elástico de flexão Wel
ou através da equação (5.39) caso ambos sejam iguais.
𝑊𝑒𝑓𝑓 ∙ 𝑓𝑦𝑏
𝑀𝑐,𝑅𝑑 = (5.38)
𝛾𝑀0
78
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
𝜆̅𝑒 𝑚𝑎𝑥
𝑓𝑦𝑏 ∙ [𝑊𝑒𝑙 + 4(𝑊𝑝𝑙 − 𝑊𝑒𝑙 ) ∙ (1 − )]
𝜆̅𝑒0 (5.39)
𝑀𝑐,𝑅𝑑 =
𝛾𝑀0
Em que:
𝜆̅𝑒 𝑚𝑎𝑥 é o valor da esbelteza do elemento que apresenta a maior relação 𝜆̅𝑒 / 𝜆̅𝑒0 ;
Para elementos restringidos: 𝜆̅𝑒 = 𝜆̅𝑝 e 𝜆̅𝑒0 = 0,5 + √0,25 − 0,055(3 + 𝜓);
Para elementos não restringidos: 𝜆̅𝑒 = 𝜆̅𝑝 e 𝜆̅𝑒0 = 0,673.
𝑉𝐸𝑑
≤1 (5.40)
𝑉𝑏,𝑅𝑑
ℎ𝑤
sin 𝜙 ∙ 𝑡 ∙ 𝑓𝑏𝑣 (5.41)
𝑉𝑏,𝑅𝑑 =
𝛾𝑀0
Em que:
ƒbv é a resistência à encurvadura por corte e está definido na Tabela 5.1;
hw é o comprimento da alma entre o eixo médio dos banzos (ver equação (5.1), em que hw = hp);
ϕ é a inclinação da alma relativamente aos banzos.
Tabela 5.1 - Resistência à encurvadura por corte ƒbv (adaptado de Dubina, D. [et al.], 2012)
79
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
A esbelteza relativa da alma pode ser obtida através da equação (5.42), em que sw representa o
comprimento da alma medido entre os pontos médios das dobras que a unem aos banzos.
𝑠𝑤 𝑓𝑦𝑏
𝜆̅𝑤 = 0,346 ∙ ∙√ (5.42)
𝑡 𝐸
𝑁𝐸𝑑
≤1 (5.43)
𝑁𝑏,𝑅𝑑
Em que :
NEd é o valor de cálculo da força de compressão aplicada no membro;
Nb,Rd é o valor de cálculo da resistência à encurvadura que esse elemento possui, que pode ser
calculado através da expressão (5.44), onde χ é o fator de redução relativo ao modo de
encurvadura condicionante.
𝜒 ∙ 𝐴𝑒𝑓𝑓 ∙ 𝑓𝑦
𝑁𝑏,𝑅𝑑 = (5.44)
𝛾𝑀1
1
𝜒= 𝑚𝑎𝑠 𝜒 ≤1 (5.45)
𝜙 + √𝜙 2 − 𝜆2̅
O fator de imperfeição α usado na equação (5.46) pode ser obtido através da Tabela 5.3, em função da
curva de encurvadura adequada ao perfil em estudo, definida na Tabela 5.2.
80
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Tabela 5.2 - Curva de encurvadura para secções em "C" (adaptado de Dubina, D. [et al.], 2012)
qualquer b
Tabela 5.3 - Fatores de imperfeição para as diferentes curvas de encurvadura (adaptado de Dubina, D. [et al.],
2012)
Curva de encurvadura a0 a b c d
Para a resolução das equações (5.45) e (5.46) é também necessário conhecer a esbelteza do membro em
análise, esta pode ser calculada através da expressão (5.47).
𝐴𝑒𝑓𝑓 ∙ 𝑓𝑦
𝜆̅ = √ (5.47)
𝑁𝑐𝑟
Em que Ncr é a carga crítica relativa ao modo de encurvadura relevante em cada caso. Os modos de
encurvadura suscetíveis serem condicionantes para um membro em compressão simples são:
Encurvadura por flexão;
Encurvadura por torção;
Encurvadura por flexo-torção.
A análise à encurvadura flexional deve ser realizada com base nas prescrições adequadas do EC3-1-1.
A esbelteza 𝜆̅ relativa a esta situação pode ser diretamente calculada através da equação (5.48).
𝐴𝑒𝑓𝑓
𝐿𝑐𝑟 √ 𝐴 (5.48)
𝜆̅ =
𝑖 𝜆1
Em que:
Lcr é o comprimento crítico de encurvadura relativo ao plano relevante;
81
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
A carga crítica relativa aos fenómenos de encurvadura por torção, neste caso Ncr,T pode ser determinada
através da equação (5.49):
1 𝜋 2 ∙ 𝐸 ∙ 𝐼𝑤
𝑁𝑐𝑟,𝑇 = ∙ (𝐺 ∙ 𝐼𝑡 + ) (5.49)
𝑖02 𝐿2𝑐𝑟,𝑇
Em que:
G é o módulo de distorção;
It é a constante de torção da secção bruta;
Iw é a constante de empenamento da secção bruta;
Lcr,T é o comprimento de encurvadura do membro para a encurvadura por torção;
i0 é o raio de giração polar, definido na equação (5.50).
Em que:
iy e iz são os raios de giração da secção em relação ao eixo dos y-y e em relação ao eixo dos z-
z, respetivamente;
y0 e z0 são as coordenadas do centro de corte em relação ao centro de gravidade da secção bruta.
Por fim, a carga crítica respeitante aos fenómenos de encurvadura por flexo-torção pode ser definida
pela equação (5.51).
2
𝑁𝑐𝑟,𝑦 𝑁𝑐𝑟,𝑇 𝑁𝑐𝑟,𝑇 𝑁𝑐𝑟,𝑇
𝑁𝑐𝑟,𝐹𝑇 = [1 + − √(1 + ) − 4𝛽 ] (5.51)
2𝛽 𝑁𝑐𝑟,𝑦 𝑁𝑐𝑟,𝑦 𝑁𝑐𝑟,𝑦
Em que:
Ncr,y é a carga critica para a encurvadura por flexão em relação ao eixo y-y;
𝛽 = 1 − (𝑦0 ⁄𝑖0 )2.
82
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
𝑀𝑒𝑑
≤1 (5.52)
𝑀𝑏,𝑅𝑑
Em que:
MEd é o valor de cálculo do momento atuante;
Mb,Rd é o valor de cálculo do momento resistente máximo que não permita a existência de
fenómenos de encurvadura prejudiciais à segurança.
O momento resistente máximo poderá ser calculado, para um elemento não restringido lateralmente,
através da equação
𝑊𝑦 ∙ 𝑓𝑦
𝑀𝑏,𝑅𝑑 = 𝜒𝐿𝑇 (5.53)
𝛾𝑀1
Em que:
Wy é o módulo de flexão segundo y-y. Para secções de classe 3 este tomará o valor de Wel,y e
para secções de classe 4 será igual a Weff,y. Na sua determinação deverão ser contabilizados os
orifícios destinados à realização de ligações;
χLT é o fator de redução do momento resistente devido aos fenómenos de encurvadura lateral e
por torção e pode ser calculado através das equações (5.54) e (5.55).
1
𝜒𝐿𝑇 = , 𝑐𝑜𝑚 𝜒𝐿𝑇 ≤ 1
(5.54)
𝜙𝐿𝑇 + 2
√(𝜙𝐿𝑇 − 𝜆̅2𝐿𝑇 )
Em que:
αLT é o fator de imperfeição correspondente à curva de encurvadura relevante (ver Tabela 5.2
e Tabela 5.3);
83
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
𝜆̅𝐿𝑇 é a esbelteza do elemento sujeito aos fenómenos de encurvadura lateral e por torção e pode
ser calculada através da expressão (5.56).
𝑊𝑦 ∙ 𝑓𝑦
𝜆̅𝐿𝑇 = √ (5.56)
𝑀𝑐𝑟
Surge então a necessidade de definir o momento elástico crítico relativo aos fenómenos de encurvadura
lateral e por torção Mcr. O processo de cálculo deste parâmetro está explicitado na equação (5.57):
0,5
𝜋 2 𝐸𝐼𝑧 𝑘𝑧 2 𝐼𝑤 (𝑘𝑧 𝐿)2 𝐺𝐼𝑡 2
𝑀𝑐𝑟 = 𝐶1 ∙ ∙ {[( ) ∙ + + (𝐶2 𝑧𝑔 − 𝐶3 𝑧𝑗 ) ] − (𝐶2 𝑧𝑔 − 𝐶3 𝑧𝑗 )} (5.57)
(𝑘𝑧 𝐿)2 𝑘𝑤 𝐼𝑧 𝜋 2 𝐸𝐼𝑧
Em que:
C1, C2 e C3 são coeficientes que dependem do tipo de carga aplicada, bem como das condições
de apoio do elemento e podem ser calculados através da Figura 5.9 e da Figura 5.10;
kz e kw são fatores relativos ao comprimento efetivo que dependem das condições de apoio das
secções extremas. O fator kz está relacionado com a rotação segundo o eixo z-z da secção
extrema e o fator kw com a restrição ao empenamento da mesma secção. Estes fatores variam
entre 0,5 para deformações impedidas e 1 para deformações livres;
zg = (za – zs), em que za e zs são as coordenadas segundo z-z do ponto de aplicação da carga e do
centro de corte respetivamente. Estas serão positivas quando localizadas na parte comprimida e
negativas quando localizadas na parte tracionada;
zj é o parâmetro que reflete o grau de assimetria da secção em relação ao eixo y-y e pode ser
calculado através da expressão (5.58);
Os restantes parâmetros foram definidos em 5.3.1.
𝑧
𝑧𝑗 = 𝑧𝑠 − [0,5 ∙ ∫ (𝑦 2 + 𝑧 2 ) ∙ ( ) 𝑑𝐴] (5.58)
𝐴 𝐼𝑦
84
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Figura 5.9 - Coeficientes C1 e C3 para vigas com momentos de extremidade (Dubina, D. [et al.], 2012)
Figura 5.10 - Coeficientes C1, C2 e C3 para vigas com cargas transversais aplicadas (Dubina, D. [et al.], 2012)
0,8 0,8
𝑁𝐸𝑑 𝑀𝐸𝑑
( ) + ( ) ≤1 (5.59)
𝑁𝑏,𝑅𝑑 𝑀𝑏,𝑅𝑑
Em que:
NEd e MEd são o esforço axial e momento atuantes, respetivamente;
Nb,Rd e Mb,Rd podem ser calculados de acordo com 5.3.1 e 5.3.2, respetivamente.
85
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
qsd
gsd
A Tabela 5.4 pretende proporcionar um dimensionamento expedito dos elementos de laje dos pisos,
neste caso em Viroc. Deste modo, o utilizador apenas terá de conhecer qual a carga permanente e
sobrecarga previstas para o edifício que pretende construir e poderá imediatamente obter quais os
esforços máximos a que o elemento estaria sujeito, bem como a espessura mínima necessária para que
este possa vencer o estado limite último. Além destes dados, decidiu acrescentar-se qual seria a flecha
que o referido elemento sofreria caso, com aquela espessura e carga aplicada, fossem feitas as
verificações para as combinações relevantes do estado limite de serviço.
86
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Combinação
Combinação
Estado Limite Último quase-
característica
permanente
Carga
Vão Sobrecarga Vmáx. Mmáx. Espessura
Permanente Flecha [mm] Flecha [mm]
[m] qk [kN/m] [kN/m] [kN∙m/m] [mm]
gk [kN/m]
2.5 2.21 0.55 20 13.02 5.43
3.5 2.96 0.74 23 11.42 4.42
0.5
3.5 2.96 0.74 23 11.42 7.42
4.5 3.71 0.93 25 11.11 7.11
2.5 2.38 0.60 20 14.11 6.51
3.5 3.13 0.78 23 12.13 5.14
0.75
3.5 3.13 0.78 23 12.13 8.13
4.5 3.88 0.97 26 10.37 6.82
1
2.5 2.55 0.64 21 13.12 6.56
3.5 3.30 0.83 24 11.30 5.15
1
3.5 3.30 0.83 24 11.30 7.79
4.5 4.05 1.01 26 10.87 7.31
2.5 2.89 0.72 22 13.04 7.34
3.5 3.64 0.91 25 11.11 5.67
1.5
3.5 3.64 0.91 25 11.11 8.00
4.5 4.39 1.10 28 9.49 6.64
Segundo Dubina, D. [et al.] (2012) a flecha máxima admissível para lajes e elementos de piso deve ser
igual a L/250, sendo L o vão do referido elemento. No caso do Viroc, com vãos de 1m a flecha máxima
recomendável seria de 4 mm. Deste modo foi criada a Tabela 5.5 que usa os mesmos níveis de carga do
que a Tabela 5.4, no entanto neste caso o dimensionamento não foi condicionado pela segurança ao
Estado Limite Último (ELU) mas sim pela flecha máxima admissível para cada uma das combinações
relevantes no estado limite de serviço. Assim o utilizador poderá escolher qual a combinação adequada
para cada caso e usando a espessura recomendada na Tabela 5.5 ter o seu elemento de piso devidamente
dimensionado para que este não sofra uma deformação excessiva.
87
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Combinação quase-
Carga Combinação caraterística
Vão Sobrecarga permanente
permanente gk
[m] qk [kN] Vmáx. Mmáx. Espessura Vmáx. Mmáx. Espessura
[kN]
[kN] [kN.m] [mm] [kN] [kN.m] [mm]
2.5 1.50 0.38 27 0.63 0.16 23
3.5 2.00 0.50 30 0.78 0.19 24
0.5
3.5 2.00 0.50 30 1.30 0.33 29
4.5 2.50 0.63 32 1.60 0.40 31
2.5 1.63 0.41 28 0.75 0.19 24
3.5 2.13 0.53 31 0.90 0.23 25
0.75
3.5 2.13 0.53 31 1.43 0.36 30
4.5 2.63 0.66 33 1.73 0.43 32
1
2.5 1.75 0.44 29 0.88 0.22 25
3.5 2.25 0.56 32 1.03 0.26 27
1
3.5 2.25 0.56 32 1.55 0.39 30
4.5 2.75 0.69 34 1.85 0.46 32
2.5 2.00 0.50 31 1.13 0.28 27
3.5 2.50 0.63 33 1.28 0.32 29
1.5
3.5 2.50 0.63 33 1.80 0.45 32
4.5 3.00 0.75 35 2.10 0.53 34
88
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Uma vez que, como foi visto em 5.1.1, o EC3-1-3 impõe limites de aplicação que obrigam ao uso de
uma espessura mínima independente do nível de carga aplicado, alguns perfis apresentados ao longo do
presente trabalho estarão assim condicionados não pela resistência ao ELU, mas sim pela espessura
mínima necessária ao cumprimento dos limites de aplicação.
O esquema estrutural admitido para a análise dos elementos metálicos resistentes de um módulo de laje
foi o representado na Figura 5.12, em que qsd é a já referida carga transmitida pelos elementos de Viroc.
qsd
Figura 5.12 - Esquema estrutural dos elementos metálicos resistentes de um módulo de laje
Perante o exposto apresenta-se então a Tabela 5.6 onde são descritas as espessuras dos elementos
metálicos necessárias para fazer face aos esforços transmitidos pelos painéis em Viroc. O valor máximo
da carga distribuída para cada vão, apresentado na Tabela 5.6 corresponde precisamente ao valor do
esforço transverso máximo a que os elementos de Viroc estão sujeitos (ver Tabela 5.4). Os restantes
valores de cálculo, quer dos esforços (Vmáx e Mmáx) quer da carga distribuída (qsd) foram obtidos em
função da espessura, como os valores máximos resistidos pelos elementos. São ainda apresentadas quais
as flechas máximas que o elemento metálico deve permitir e o correspondente valor máximo do
momento que deverá ser cumprido nas combinações do estado limite de serviço para que seja satisfeita
essa flecha.
89
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Vão [m] qSd [kN] VSd [kN] MSd [kN∙m] Espessura [mm] Flecha máxima [mm] Mmáx (ELS) [kN∙m]
90
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
PSd PSd
qSd q
a) b)
Figura 5.13 - Esquema estrutural dos elementos resistentes do módulo de parede; a) compressão simples; b)
flexão composta
A tabela de dimensionamento para estes elementos terá então de prever a possibilidade não só da
compressão simples, mas dos dois tipos de esforços poderem ocorrer simultaneamente. A verificação
de segurança de um elemento em flexão composta deverá ser realizada através da equação (5.59), pelo
que não será possível através da espessura de um elemento calcular o valor da carga máxima que este
seria capaz de suportar. Deste modo, consideraram-se os casos mais gravosos de esforço axial,
correspondentes a um edifício com rés-do-chão mais dois pisos, em que os pisos teriam 3,5 metros de
altura e o caso mais gravoso da ação do vento, tendo sido posteriormente diminuídas ambas as ações de
modo a prever outros casos menos gravosos. Conforme foi referido em 3.4 os módulos de parede
poderão ter alturas de 3 ou 3,5 metros, no entanto, uma vez que dentro do mesmo edifício seriam
possíveis várias combinações de altura dos módulos apresentar uma tabela para cada combinação de
alturas seria pouco razoável, uma vez que iria ser necessário um grande número das mesmas. Assim, e
como a diferença de alturas é apenas de 0,5 metros, optou-se por apresentar uma tabela apenas em que
todas as alturas dos módulos fossem de 3,5 metros. Esta poderá também ser usada para os módulos de
3 metros sem que haja uma perda de eficiência significativa.
As dimensões escolhidas para os elementos verticais resistentes foram as seguintes (ver Figura 5.2):
h = 150 mm ;
b = 80 mm ;
c = 25 mm ;
A Tabela 5.8 apresenta assim um dimensionamento expedito destes elementos, em que o valor máximo
foi calculado com base nos esforços máximos que poderiam ser transmitidos, no caso de um edifício de
91
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
três andares, pelos módulos de laje da cobertura e dos pisos (NEd) ou pela ação do vento (MEd), mediante
os níveis de carga considerados no capítulo 4.
Tabela 5.8 - Tabela de dimensionamento dos elementos verticais dos módulos de parede
92
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
PSd
PSd H-
D+
V-
V+
O esquema estrutural representado na Figura 5.14 diz respeito a um edifício de dois pisos (rés do chão
mais um) no entanto pode facilmente ser entendido como o mesmo funcionará para edifícios de um ou
três pisos. No caso de edifícios de três pisos, poderá ainda ocorrer uma situação em que um sistema de
contraventamento seja insuficiente para fazer face às elevadas ações horizontais, deste modo
recomenda-se que nessas situações sejam colocados dois ou três sistemas lado a lado na direção
pertinente. Na Figura 5.15 representa-se um esquema estrutural onde dois sistemas de contraventamento
se encontram ligados por barras infinitamente rígidas, isto fará com que cada um destes resista a metade
da carga (PSd/2) e por isso não sejam necessários elementos demasiadamente espessos. O mesmo
raciocínio será válido para o caso de três sistemas de contraventamento adjacentes, em que cada uma
resistiria a um terço da carga aplicada (PSd/3). De modo a evitar cargas excessivas que levem à
necessidade de inclusão de um grande número de sistemas de contraventamento num edifício,
recomenda-se que qualquer sistema de contraventamento usado não tenha uma largura de influência
superior a 6 metros, isto é, numa dada dimensão não deverão existir dois sistemas de contraventamento
separados mais do que 6 metros sob pena de não poderem ser usadas as tabelas que irão ser aqui
expostas.
93
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Figura 5.15 - Esquema estrutural de dois sistemas de contraventamento adjacentes numa dada direção
Nas tabelas de dimensionamento para os sistemas de contraventamento irão ser usadas as seguintes
nomenclaturas (ver Figura 5.14):
Elemento vertical comprimido: V-;
Elemento vertical tracionado: V+;
Elemento horizontal comprimido: H-;
Elemento diagonal tracionado: D+.
Os perfis usados para os elementos verticais e horizontais correspondem a perfis em “C” em que as
dimensões se apresentam na seguinte forma “h b c t” (dimensão da alma, do banzo, do reforço de bordo
e espessura, respetivamente), já os elementos diagonais serão perfis em “U” em que as dimensões são
apresentadas na forma “h b t” (dimensão da alma, dimensão do banzo e reforço de bordo,
respetivamente).
A Tabela 5.9 permite o dimensionamento de um sistema de contraventamento para edifícios de um andar
apenas.
NV- NV + N H-
Perfil Perfil ND+ [kN] Perfil Perfil
[kN] [kN] [kN]
31.04 150x80x25x1.5 0 ---- 28.07 150x10x0.5 23.63 220x80x25x1.5
48.57 150x80x25x2 47.63 150x10x1
66.46 150x80x25x2.5
76.45 150x80x25x3
94
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Para edifícios de dois andares, isto é, rés-do-chão mais um piso, deverá recorrer-se à Tabela 5.10.
Tabela 5.10 - Tabela de dimensionamento de um sistema de contraventamento para um edifício de dois andares
NV- NV+ N D+
Perfil Perfil Perfil NH- [kN] Perfil
[kN] [kN] [kN]
220x80x25x
31.04 150x80x25x1.5 41.35 150x80x25x0.5 28.07 150x10x0.5 39.74
1.5
220x80x25x
48.57 150x80x25x2 59.28 150x10x1 65.22
2
220x80x25x
66.46 150x80x25x2.5 91.22 150x10x1.5 70.88
2.5
85.03 150x80x25x3 123.89 150x10x2
111.01 150x150x30x3 142.86 150x10x2.5
138.39 150x150x30x3.5
166.83 150x150x30x4
196.33 150x150x30x4.5
225.41 150x150x30x5
253.14 150x150x30x5.5
Finalmente para edifícios de três andares (rés-do-chão mais dois pisos) poder-se-á recorrer à Tabela 5.11
caso a carga global no edifício seja menor e seja apenas necessário um sistema de contraventamento, à
Tabela 5.12 para valores intermédios da ação global que requeiram a introdução de dois sistema, ou,
para o caso de cargas mais elevadas, à Tabela 5.13 onde são usados três sistemas de contraventamento
adjacentes.
Tabela 5.11 - Tabela de dimensionamento de um sistema de contraventamento num edifício de três andares
NV- NV+ N D+
Perfil Perfil Perfil NH- [kN] Perfil
[kN] [kN] [kN]
220x80x
31.04 150x80x25x1.5 59.4 150x80x25x0.5 28.07 150x10x0.5 39.74
25x1.5
220x80x
48.57 150x80x25x2 125.37 150x80x25x1 59.28 150x10x1 65.22
25x2
220x80x
66.46 150x80x25x2.5 165.39 150x80x25x1.5 91.22 150x10x1.5 90.01
25x2.5
220x80x
85.03 150x80x25x3 123.89 150x10x2 114.35
25x3
220x80x
111.01 150x150x30x3 157.3 150x10x2.5 118.13
25x3.5
138.39 150x150x30x3.5 191.43 150x10x3
166.83 150x150x30x4 226.29 150x10x3.5
196.33 150x150x30x4.5 238.1 150x10x4
225.41 150x150x30x5
254.51 150x150x30x5.5
282.15 150x150x30x6
95
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Tabela 5.12 - Tabela de dimensionamento de dois sistemas de contraventamento adjacentes num edifício de três
andares
NV- NV+ ND + N H-
Perfil Perfil Perfil Perfil
[kN] [kN] [kN] [kN]
220x80x25
31.04 150x80x25x1.5 59.4 150x80x25x0.5 28.07 150x10x0.5 39.74
x1.5
220x80x25
48.57 150x80x25x2 82.7 150x80x25x1 59.28 150x10x1 59.07
x2
66.46 150x80x25x2.5 91.22 150x10x1.5
85.03 150x80x25x3 119.05 150x10x2
111.01 150x150x30x3
138.39 150x150x30x3.5
166.83 150x150x30x4
196.33 150x150x30x4.5
225.41 150x150x30x5
254.51 150x150x30x5.5
282.15 150x150x30x6
Tabela 5.13 - Tabela de dimensionamento de três sistemas de contraventamento adjacentes num edifício de três
andares
NV- NV+ ND + N H-
Perfil Perfil Perfil Perfil
[kN] [kN] [kN] [kN]
220x80x25
31.04 150x80x25x1.5 55.13 150x80x25x0.5 28.07 150x10x0.5 39.38
x1.5
48.57 150x80x25x2 59.28 150x10x1
66.46 150x80x25x2.5 79.37 150x10x1.5
85.03 150x80x25x3
111.01 150x150x30x3
138.39 150x150x30x3.5
166.83 150x150x30x4
196.33 150x150x30x4.5
225.41 150x150x30x5
254.51 150x150x30x5.5
264.44 150x150x30x6
Alguns elementos que farão parte do sistema estrutural final do edifício não se encontram dimensionados
nos anteriores subcapítulos. Estes serão por exemplo os perfis de transferência de carga (ver [Link] ) os
perfis que fazem a ligação entre dois módulos de parede de diferentes pisos (ver 3.7 e Figura 3.26) e
96
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
alguns casos dos módulos de laje das coberturas. Em todos estes elementos o diagrama de momentos
fletores não corresponderá a uma parábola originada por uma carga uniformemente distribuída como
acontece com os restantes elementos do edifício. As cargas a que estes elementos estarão sujeitos
poderão ser uma ou mais cargas pontuais, bem como cargas distribuídas com diferentes valores (como
é o caso das coberturas). Para o dimensionamento destes elementos recomenda-se se seja calculado o
respetivo diagrama de momentos de cada um e que este seja aproximado, pelo lado da segurança, a uma
parábola, de modo a poderem ser usadas as respetivas tabelas de dimensionamento expostas no presente
capítulo.
97
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
6
EXEMPLO DE APLICAÇÃO
99
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Os seis pórticos representado na Figura 6.1 serão idênticos, estando o esquema estrutural dos mesmos
representado na Figura 6.2.
100
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
6.2. AÇÕES
Um edifício concebido em aço leve, de modo a ter uma maior eficiência e menor custo final, não deverá
ser concebido para fazer face a níveis de carga elevados, deste modo o valor da carga permanente quer
para as lajes de piso quer para as de cobertura considerado no edifício exemplo foi de 0,75 kN/m2 (ver
4.1). Este valor corresponderá ao peso sistema de Viroc e ao peso próprio dos elementos metálicos e
permitirá ainda a introdução de algum tipo de revestimento leve que o responsável do projeto de
construções considere relevante.
No que respeita às sobrecargas ao nível dos pisos estas são já definidas no EC1-1-1 e no subcapítulo 4.2
e tomam o valor de 3,5 kN/m2 para o piso térreo, 2,5 kN/m2 para os dois pisos elevados e 0,4 kN/m2
para a cobertura plana.
A ação do vento deverá ser calculada de acordo com a localização do edifício, a zona envolvente, bem
como as suas dimensões em planta e em altura. De acordo com o processo detalhado em 4.4, admitiu-
se uma categoria do terreno do tipo iii), que corresponde a uma zona com uma cobertura regular de
vegetação ou edifícios, ou com obstáculos isolados com separação entre si de, no máximo, 20 vezes a
sua altura. As dimensões em planta foram já referidas no presente capítulo como sendo de 12,45x12,45
metros e a altura do mesmo contabiliza 9,5 metros. Todas estas condicionantes resultam nas pressões
externas indicadas na Tabela 6.1 para as zonas definidas na Figura 4.3 e na Figura 4.5.
D 0,6
E 0,33
F 1,37
G 0,92
H 0,53
I 0,15
As pressões nas zonas D e I têm a são aplicadas do exterior para o interior, ao passo que as pressões nas
zonas E, F, G, e H são aplicadas em sentido oposto. As pressões internas são também aplicadas do
exterior para o interior e tomam o valor de 0,23 kN/m2 qualquer que seja a superfície.
No que concerne à ação da neve, foi já referido em 4.3 que na cidade do Porto esta tomaria um valor de
0,22 kN/m2, aplicado em toda a cobertura.
101
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
consideradas em simultâneo uma vez que a probabilidade da sua ocorrência coincidente seja bastante
baixa.
Deste modo as ações a considerar para estes elementos serão as seguintes:
Carga permanente: 0,75 kN/m2;
Sobrecarga: 0,4 kN/m2;
Vento: 1,14 kN/m2 (pressão externa subtraída da pressão interna, uma vez que atuam em
direções opostas);
Neve: 0,22 kN/m2.
Para a ação do vento foi apenas considerada a zona F, apesar de cada uma destas zonas F ter apenas
dimensões de 1.25x3.11 metros perante os 12,45x12,45 do total da cobertura. Conforme já foi referido
no presente trabalho, é de todo aconselhável que os painéis de Viroc tenham a mesma espessura ao longo
de uma mesma laje, de modo a garantir a uniformidade da cota do piso. Além deste facto, caso fossem
produzidos vários painéis com espessuras diferentes para um mesmo piso estes poderiam facilmente ser
confundidos aquando da montagem em obra e colocados no local errado, pondo em causa a segurança
estrutural do edifício.
De acordo com as combinações previstas no EC0 para o estado limite último e admitindo que a
sobrecarga, a neve e/ou o vento poderão ser excluídos alternadamente, o valor de cálculo da carga
atuante na cobertura do edifício tipo (qSd) será obtido pela expressão (6.1) que não é mais do que a
aplicação prática a este caso da equação (4.13).
𝑞𝑆𝑑 = 1,35 ∙ 0,75 + 1,5 ∙ 1,14 + 1,5 ∙ 0,7 ∙ 0,4 ≈ 3,15 𝑘𝑁/𝑚2 (6.1)
Como o elemento de Viroc terá sempre um vão de 1m e será calculado por metro de desenvolvimento,
o momento provocado por esta será obtido pela expressão (6.2).
𝑝 ∙ 𝑙2 3,15 ∙ 12
𝑀𝑆𝑑 = = ≈ 0,40 𝑘𝑁 ∙ 𝑚/𝑚 (6.2)
8 8
Conhecido o momento atuante, por metro de desenvolvimento, nos elementos em Viroc da cobertura
poder-se-á usar a Tabela 5.4, que apesar de ser pensada para elementos de laje dos pisos, conhecido o
momento atuante a mesma será válida para outros fins. Nesta tabela é então possível verificar que para
que fosse garantida a segurança ao estado limite último de um painel de Viroc sujeito a um momento
como o indicado em (6.2) bastaria que este tivesse uma espessura de 20 mm, sendo esta até excessiva.
No entanto foi referido em 5.4.1 que a flecha máxima para estes elementos deve ser limitada a 4mm
(L/250) pelo que nesse caso será necessário averiguar qual o esforço a que este se encontraria sujeito
quer para a combinação característica (4.15), quer para a combinação quase-permanente (4.17) do estado
limite de serviço.
No primeiro caso o valor da carga atuante na cobertura nesta situação seria obtido pela equação (6.3).
102
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
2,17 ∙ 12
𝑀𝐶.𝐶𝑎𝑟𝑐𝑡. = ≈ 0,28 𝑘𝑁 ∙ 𝑚/𝑚 (6.4)
8
0,75 ∙ 12
𝑀𝐶.𝑄.𝑃. = ≈ 0,1 𝑘𝑁 ∙ 𝑚/𝑚 (6.6)
8
O dimensionamento destes elementos deverá ser realizado de acordo com o estado limite mais
condicionante. O valor do momento fletor verificado para os painéis de Viroc no estado limite de serviço
por qualquer das combinações é inferior ao valor mínimo previsto na Tabela 5.5. Deste modo poderá
optar-se por executar um dimensionamento completo destes elementos ou escolher uma espessura
conservativa já calculada nesta tabela. No âmbito do presente trabalho optou-se por escolher a espessura
de 27 mm que corresponderá à máxima espessura prevista para o valor mínimo do momento fletor em
cada combinação e em cada estado limite.
Uma vez calculada a espessura dos painéis de Viroc de cobertura segue-se o dimensionamento dos
módulos de laje que os irão suportar. Estes módulos, tal como já foi referido, terão todos um vão de 6
metros. Em primeiro lugar irão ser dimensionados os perfis resistentes principais e seguidamente os
elementos designados como perfis de transferência de carga (ver [Link]). Para os primeiros deve ser
considerada a carga proveniente dos painéis de Viroc na combinação relevante e comparado o valor do
esforço obtido com o previsto na Tabela 5.7.
As cargas provenientes dos painéis de Viroc funcionarão como uma carga uniformemente distribuída
aplicada por metro de comprimento nos perfis metálicos principais, em “C”. Estas cargas estão definidas
nas equações (6.7), (6.8) e (6.9) para a combinação fundamental do estado limite último e para a
combinação caraterística e quase-permanente do estado limite de serviço, respetivamente.
3,15 ∙ 1
𝑞𝑆𝑑 = ≈ 1,58 𝑘𝑁/𝑚 (6.7)
2
103
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
2,17 ∙ 1
𝑞𝐶.𝐶𝑎𝑟𝑎𝑐𝑡. = ≈ 1,09 𝑘𝑁/𝑚 (6.8)
2
0,75 ∙ 1
𝑞𝐶.𝑄.𝑃. = ≈ 0,38 𝑘𝑁/𝑚 (6.9)
2
Os momentos fletores provocados pelas respetivas carga distribuídas nos perfis metálicos poderão ser
obtidos através das equações (6.10), (6.11) e (6.12).
1,58 ∙ 62
𝑀𝑆𝑑 = ≈ 7,11 𝑘𝑁 ∙ 𝑚 (6.10)
8
1,09 ∙ 62
𝑀𝐶.𝐶𝑎𝑟𝑎𝑐𝑡. = ≈ 4,91 𝑘𝑁 ∙ 𝑚 (6.11)
8
0,38 ∙ 62
𝑀𝐶.𝑄.𝑃. = ≈ 1,71 𝑘𝑁 ∙ 𝑚 (6.12)
8
Através da consulta da Tabela 5.7 é possível verificar que será suficiente uma espessura de 2 mm para
que os perfis principais cumpram a verificação ao estado limite último e que o momento máximo para
que com esta espessura se cumpra o estado limite de serviço é de 9,94 kN∙m, portanto, superior ao
verificado nas equações (6.11) e (6.12), estando assim estes elementos totalmente dimensionados com
uma secção transversal do tipo “C220x100x35x2”.
Para os perfis de transferência de carga o diagrama de momentos não será uma parábola como para os
perfis principais, mas terá sim uma forma triangular uma vez que o seu esquema estrutural será
corresponderá a uma viga duplamente apoiada com uma carga pontual a meio vão. O diagrama de
momentos provocado por uma carga pontual a meio vão terá uma área inferior ao diagrama de momentos
provocado por uma carga distribuída, desde que o momento máximo M seja igual nos dois casos,
conforme se demonstra na Figura 6.4.
.
Deste modo, um elemento sujeito a uma carga pontual a meio vão estará em segurança caso o valor do
momento máximo por ela provocado seja igual ou inferior ao momento máximo verificado para um
104
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
mesmo elemento sujeito a uma carga distribuída. Este facto permite que para dimensionar os perfis de
transferência de cargas possam ser usadas as mesmas tabelas utilizadas para dimensionar os perfis
principais destes módulos.
A carga pontual total a que um perfil de transferência de carga estará sujeito nestas circunstâncias poderá
ser calculada através da equação (6.13).
2
𝑃𝑆𝑑 = 1,58 ∙ 6 ∙ = 9,48 𝑘𝑁 (6.13)
2
O momento fletor máximo a que o mesmo estará sujeito poderá então ser calculado através da expressão
(6.14).
9,48
𝑀𝑆𝑑 = ∙ 1 = 4,74 𝑘𝑁 ∙ 𝑚 (6.14)
2
Uma vez que através da consulta da Tabela 5.7, um elemento de 5 metros de vão estaria em segurança
com um perfil de 2 mm de espessura até um momento de 9,14 kN∙m. Um elemento com menor vão e
menor momento atuante estará também em segurança com as mesmas dimensões e espessuras. Deste
modo, os perfis de transferência de carga terão também uma espessura de 2 mm, a espessura mínima
para que seja válido o cálculo proposto no EC3-1-3 para uma secção com estas dimensões. A secção
transversal final destes perfis será “C220x100x35x2”.
6.3.2. PISOS
Em relação às lajes dos pisos do edifício exemplo, serão consideradas as seguintes cargas no seu
dimensionamento:
Carga permanente: 0,75 kN/m2;
Sobrecarga no piso térreo: 3,5 kN/m2;
Sobrecarga nos dois pisos superiores: 2,5 kN/m2.
A Tabela 5.4 permite, conhecendo os valores característicos dos esforços atuantes obter diretamente a
espessura dos painéis de Viroc necessária para a verificação ao estado limite último. Deste modo, para
o piso térreo seria necessária uma espessura de 23 mm e para os dois pisos superiores, uma espessura
de 20 mm. No entanto, para o cumprimento do estado limite de serviço (Tabela 5.5), estas espessuras
deverão tomar os valores de 31 mm e 28 mm, respetivamente, ficando assim definidas as espessuras
finais destes elementos.
No que concerne aos elementos metálicos do módulo de laje, os perfis principais deste poderão ser
dimensionados através da Tabela 5.6. O valor de Vmáx. apresentado na Tabela 5.4 corresponderá ao valor
de qSd na Tabela 5.6, isto é, o esforço transverso máximo verificado nos elementos de Viroc, será igual
à carga aplicada por unidade de comprimento nos perfis principais dos módulos de laje. Os valores de
qSd a considerar para o dimensionamento destes perfis serão:
105
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
2
𝑃𝑆𝑑 = 3,13 ∙ 6 ∙ = 18,78 𝑘𝑁 (6.15)
2
18,78
𝑀𝑆𝑑 = ∙ 1 = 9,39 𝑘𝑁 ∙ 𝑚 (6.16)
2
14,28
𝑀𝑆𝑑 = ∙ 1 = 7,14 𝑘𝑁 ∙ 𝑚 (6.18)
2
Da análise da Tabela 5.6 é possível observar que para um elemento com um vão de 5 metros sujeito a
um momento de 9,6 kN∙m será suficiente um espessura de 2 mm, a espessura mínima para validade do
procedimento usado pelo EC3-1-3 para estas dimensões. Uma vez que ambos os momentos, calculados
em (6.16) e (6.18), são inferiores, e o vão dos perfis de transferência de carga é apenas de 2 metros a
mesma espessura (2 mm) poderá ser adotada estes, resultando em perfis “C220x100x35x2”.
6
𝑃𝑆𝑑,𝑐 = 1,58 ∙ ∙ 2 ≈ 9,48 𝑘𝑁 (6.19)
2
106
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
A carga pontual transferida pelos módulos de laje dos pisos superiores (PSd,p) a cada elemento vertical
resistente de um módulo de parede poderá ser obtida através da expressão (6.20), tendo em atenção o
exposto em 6.3.2.
6
𝑃𝑆𝑑,𝑝 = 2,38 ∙ ∙ 2 ≈ 14,28 𝑘𝑁 (6.20)
2
Os módulos de laje dos pisos térreos verão a sua carga ser transferida diretamente para a fundação, pelo
que o seu efeito nos elementos verticais resistentes dos módulos de parede será nulo.
Além do esforço axial transmitido pelos pisos sobrejacentes, cada elemento vertical de um módulo de
parede poderá ainda estar sujeito à ação do vento na fachada do edifício, que irão provocar a flexão
desse elemento. Para determinar a pressão provocada pelo vento numa superfície deverá ter-se em
atenção a Figura 4.3 e a Tabela 6.1. Como o vento poderá atuar em qualquer direção cada fachada do
edifício irá, no pior dos cenário, estar sujeita a uma pressão (em valores característicos da ação) de
0,83kN/m2 (pressão na face D somada da pressão interior). Este valor caraterístico poderá ser
transformado em valor de cálculo multiplicando-o por 1,5, obtendo-se assim uma pressão de cálculo de
1,25 kN/m2.
Apesar de os elementos verticais dos módulos de parede terem alturas diferentes (3 e 3,5 metros), foi já
referido que a Tabela 5.8 apenas considera elementos de 3,5 metros de altura. Deste modo, todos os
pisos poderão ser considerados como tendo 3,5 metros de altura, não se perdendo eficácia no
dimensionamento. Perante o exposto, cada elemento vertical dos módulos de parede irá estar sujeito a
uma carga distribuída (qSd – ver Figura 5.13) dada pela equação (6.21) e a um momento fletor máximo
dado pela expressão (6.22).
1,25 ∙ 3,52
𝑀𝑆𝑑 = ≈ 1,92 𝑘𝑁 ∙ 𝑚 (6.22)
8
[Link]. PT2
Os módulos de parede do pórtico PT2, além de não receberem cargas verticais dos módulos de laje e
cobertura, tal como os dos pórticos PT1 e PT3, também não estarão sujeitos a qualquer momento
107
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
provocado pela ação do vento, uma vez que este pórtico é interior (ver Figura 6.1). Neste caso, apenas
os elementos deste pórtico que fizerem parte do sistema de contraventamento deverão ser
cuidadosamente projetados, podendo para os outros usar-se perfis com as dimensões da secção
transversal mínimas, isto é, “C150x80x25x1,5”.
Definidos os esforços que irão atuar em cada elemento, cada um deles poderá ser dimensionado
conforme se ilustra na Tabela 6.2, através da Tabela 5.8.
Tabela 6.2 - Dimensionamento dos elementos verticais dos módulos de parede dos pórticos PT4 e PT6
V1 38,04 C150x80x25x3
V3 9,48 C150x80x25x2
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
[Link]. PT5
Os módulos de parede no pórtico PT5 não estarão sujeitos qualquer momento fletor provocado pelo
vento, uma vez que este pórtico é interior, no entanto o esforço axial de compressão a que estarão sujeitos
será maior já que em cada um deste irão descarregar dois módulos de laje. O valor do esforço axial em
cada perfil vertical poderá ser calculado, admitindo como válida a nomenclatura usada em [Link] (V1,
V2 e V3), através das expressões (6.26) a (6.28).
Os perfis adequados para cada um destes elementos estão apresentados na Tabela 6.3, tendo sido obtidos
através da consulta da Tabela 5.8.
Tabela 6.3 - Dimensionamento dos elementos verticais dos módulos de parede do pórtico PT5
V1 76,08 C150x80x25x3
V2 47,52 0 C150x80x25x2,5
V3 18,96 C150x80x25x2
Para o dimensionamento dos sistemas de contraventamento dos vários pórticos do edifício, é necessário
quantificar a pressão global exercida pelo vento. Esta pode ser obtida através da Tabela 6.1, tendo em
conta a Figura 4.3, através da soma da pressão exercida na face D com a pressão exercida na face E. As
pressões internas irão anular-se para o cálculo global, pelo que a sua contabilização pode ser dispensada.
A pressão global do vento (conjunto das faces D e E) toma assim o valor caraterístico de 0,93 kN/m2,
correspondendo ao valor de cálculo de 1,4 kN/m2.
Uma vez que o edifício exemplo é simétrico nas duas direções principais, o valor das forças concentradas
resultantes aplicadas ao nível de cada piso (F1, F2 e F3 conforme se demonstra na Figura 6.5) pode, para
os pórticos extremos (PT1, PT3, PT4 e PT6), ser obtida através das equações (6.29) a (6.31).
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Figura 6.5 - Esquema estrutural das forças concentradas ao nível dos pisos num sistema de contraventamento
Para os pórticos interiores (PT2 e PT5) as forças equivalentes podem ser obtidas, admitindo como válida
a mesma nomenclatura, através das expressões (6.32) a (6.34).
Para calcular os esforços provocados por estas forças equivalentes em cada pórtico será usada para cada
barra desse pórtico a nomenclatura indicada na Figura 6.6.
110
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Os sistemas de contraventamento deverão, num dado pórtico, ser colocados o mais próximos do centro
geométrico possível. No caso de serem usados dois sistemas de contraventamento por pórtico conforme
se ilustra na Figura 6.7, estes poderão ser dispostos nas duas colunas centrais de módulos de parede,
tornando assim o sistema porticado simétrico. Caso apenas haja a necessidade da colocação de um
sistema de contraventamento, este poderá ser colocado apenas numa das colunas de módulos parede
contraventados, ilustrada na Figura 6.7. Nesta situação, essa escolha deverá ser transversal a todos os
pórticos da mesma direção por forma evitar o aparecimento de efeitos de torção no edifício final.
Figura 6.7 - Disposição dos sistemas de contraventamento num pórtico do edifício exemplo
111
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Tabela 6.4 - Esforço axial nos elementos do sistema de contraventamento dos pórticos PT1 e PT3
A Tabela 6.4 apresenta os esforços axiais nos vários elementos caso seja adotado apenas um sistema de
contraventamento, isto é, apenas uma coluna de módulos de parede seria contraventada (seriam
adicionadas diagonais a estes módulos). Como os esforços obtidos são relativamente baixos, um sistema
será suficiente para este caso. Os perfis adequados aos elementos representados na Tabela 6.4 podem
ser encontrados na Tabela 6.5, construída com recuso à Tabela 5.11.
112
Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Tabela 6.5 - Tabela de perfis do sistema de contraventamento dos pórticos PT1 e PT3
Elemento Perfil
V1 150x150x30x3
V2 150x150x30x3
V3 150x80x25x2
V4 150x80x25x2
V5 150x80x25x1,5
V6 150x80x25x1,5
H1 220x80x25x1,5
H2 220x80x25x1,5
H3 220x80x25x1,5
D1 150x10x1,5
D2 150x10x1
D3 150x10x0,5
Apesar de alguns elementos verticais aparecem como tracionados na Tabela 6.4, é importante notar que
a ação do vento poderá atuar em qualquer sentido. Perante este facto qualquer elemento vertical poderá
ficar comprimido, dependendo da direção da ação. Deste modo independentemente de neste esquema
de cálculo alguns elementos estarem tracionados, estes deverão ser dimensionados para o pior cenário,
isto é, a compressão que irá ocorrer quando o vento tiver o sentido oposto. Assim, os elementos verticais
de um mesmo piso foram projetados com uma mesma secção, a mais condicionante. Convém ainda
relembrar que apesar de só se apresentar uma diagonal por piso, no sistema estrutural real deverão ser
colocadas duas diagonais em cruz, com a mesma secção transversal, conforme se detalhou em 3.6.
As considerações expostas no presente subcapítulo serão também válidas para o dimensionamento dos
sistemas de contraventamento dos restantes pórticos que serão seguidamente apresentados.
[Link]. PT2
Os elementos verticais do pórtico PT2, há imagem do que foi descrito em [Link], também não estarão
sujeitos a esforços de compressão provenientes das cargas verticais do edifício. No entanto, como este
é um pórtico interior, a área de influência do mesmo para com a ação do vento será maior. Deste modo,
as forças concentradas, aplicadas ao nível dos pisos, representativas da resultante da ação do vento
poderão ser calculadas através das expressões (6.32) a (6.34). O esforço axial em cada elemento,
admitindo apenas um sistema de contraventamento neste pórtico, poderá encontrado na Tabela 6.6.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Tabela 6.6 - Esforço axial nos elementos do sistema de contraventamento do pórtico PT2
Como mais uma vez os esforços não serão demasiadamente elevados, será suficiente a introdução de
um sistema de contraventamento neste pórtico. O dimensionamento dos elementos que o constituem
pode ser executado com recurso à Tabela 5.11 e consultado na Tabela 6.7.
Elemento Perfil
V1 150x150x30x4,5
V2 150x150x30x4,5
V3 150x80x25x3
V4 150x80x25x3
V5 150x80x25x1,5
V6 150x80x25x1,5
H1 220x80x25x2
H2 220x80x25x1,5
H3 220x80x25x1,5
D1 150x10x2,5
D2 150x10x1,5
D3 150x10x0,5
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
sistema de contraventamento, podem ser obtidos através da Tabela 6.8, construída com recurso às
equações (6.29) a (6.31).
Tabela 6.8 - Esforço axial nos elementos do sistema de contraventamento dos pórticos PT4 e PT6
Mais uma vez os esforços nos elementos verticais não serão demasiado gravosos pelo que não será
necessário neste pórtico a introdução de mais do que um sistema de contraventamento. As secções
adequadas para todos os elementos deste sistema de contraventamento poderão então ser obtidas na
Tabela 6.9.
Tabela 6.9 - Tabela de perfis do sistema de contraventamento dos pórticos PT4 e PT6
Elemento Perfil
V1 150x150x30x3,5
V2 150x150x30x3,5
V3 150x80x25x2,5
V4 150x80x25x2,5
V5 150x80x25x1,5
V6 150x80x25x1,5
H1 220x80x25x1,5
H2 220x80x25x1,5
H3 220x80x25x1,5
D1 150x10x1,5
D2 150x10x1
D3 150x10x0,5
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
[Link]. PT5
O pórtico PT5 irá receber cargas axiais de compressão, à imagem dos pórticos PT4 e PT6, no entanto
este estará sujeito a esforços bastante superiores. Além de receber cargas de módulos de laje de duas
direções, é ainda um pórtico interior, pelo que a sua área de influência à ação do vento será maior.
Assim, caso para este pórtico fosse admitido apenas um sistema de contraventamento, os esforços que
nele surgiriam seriam dados pela Tabela 6.10.
Tabela 6.10 - Esforço axial nos elementos de um sistema de contraventamento do pórtico PT5
Neste caso é possível observar que o elemento V2, e por consequência o elemento V1, estariam sujeitos
a uma carga bastante elevada (seria necessário um perfil de secção transversal “C150x150x30x6” para
que estivesse em segurança). Deste modo optou-se por usar dois sistemas de contraventamento
adjacentes neste pórtico, tal como representado na Figura 5.15. O modelo estrutural admitido prevê que
em cada piso, cada sistema de contraventamento resista a metade da carga pontual (resultante da ação
do vento) aplicada. Os esforços que irão surgir com a introdução de dois sistemas de contraventamento
neste pórtico poderão ser obtidos, para cada um dos sistemas, através da Tabela 6.11.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
Tabela 6.11 - Esforço axial nos elementos de dois sistemas de contraventamento adjacentes do pórtico PT5
As secções transversais para os elementos de cada um dos dois sistemas de contraventamento usados
neste pórtico poderão ser obtidas através da Tabela 6.12, construída com recurso à Tabela 5.12.
Tabela 6.12 - Tabela de perfis dos dois sistemas de contraventamento adjacentes do pórtico PT5
Elemento Perfil
V1 150x150x30x4,5
V2 150x150x30x4,5
V3 150x150x30x3
V4 150x150x30x3
V5 150x80x25x1,5
V6 150x80x25x1,5
H1 220x80x25x1,5
H2 220x80x25x1,5
H3 220x80x25x1,5
D1 150x10x1,5
D2 150x10x1
D3 150x10x0,5
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
7
CONCLUSÃO
7.1. CONCLUSÃO
O objetivo inicialmente proposto para o presente trabalho foi criar um sistema versátil, contudo
suficientemente simples para que pudesse ser exportado e assemblado em, virtualmente, qualquer local
do planeta. Neste sentido todos os condicionamentos e objetivos enumerados no Capítulo 3 foram
cumpridos e por isso a adequabilidade do sistema a um vasto rol de situações garantida. As ligações a
realizar, quer em fábrica, quer em obra, foram mantidas bastante simples pelo que não se prevê que daí
possa surgir qualquer entreve à concretização deste sistema.
O sistema concebido no âmbito deste trabalho irá usar apenas elementos que possam ser executados no
local de produção (fábrica) para posterior exportação, assim todos os módulos, perfis, parafusos, chapas
de ligação e painéis de Viroc cumprem este requisito. A necessidade de produção de elementos no local
da obra foi assim reduzida ao mínimo, prevendo-se que apenas possa haver a necessidade de as
fundações serem realizadas no local e em betão armado. Contudo, outras soluções poderão ser
consideradas na impossibilidade da realização de betão.
As ações consideradas, amplamente detalhadas no Capítulo 4, demonstraram também serem
apropriadas, conforme se pode confirmar com a realização do exemplo de aplicação. Na conceção do
edifício exemplo escolheram-se níveis de carga que traduzissem uma situação genérica de ocupação
bem como de ações externas. Assim, seria expectável que para estas circunstâncias as dimensões dos
perfis resultantes do dimensionamento correspondessem a valores intermédios das tabelas, o que se veio
a verificar.
Do processo de dimensionamento exposto no Capítulo 5, para os níveis de carga já referidos, não
resultaram também espessuras dos elementos demasiado elevadas. Dubina, D. [et al.] (2012) aponta para
6 mm como o valor limite de espessuras, comercialmente disponíveis, para perfis com a secção
transversal em “C”. Valores mais elevados poderiam levar à necessidade de processos de produção mais
onerosos e por isso economicamente menos viáveis.
Finalmente com a realização do exemplo de aplicação no Capítulo 6 foi possível concluir que o sistema
estrutural proposto é de simples dimensionamento e que o seu funcionamento global é adequado aos
exigentes padrões das normas europeias. Prevê-se assim que a sua adaptação a regulamentos de outros
países possa decorrer sem grandes obstáculos.
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
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Conceção e Desenvolvimento de um Sistema Estrutural para Construção Modular
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