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Interpretação e Conhecimento no Currículo

Este artigo discute as relações entre conhecimento e interpretação em abordagens discursivas no currículo. Argumenta-se que defender a centralidade do conhecimento busca bloquear interpretações múltiplas dos textos curriculares, antagonizando com enfoques discursivos. A interpretação é conectada à desconstrução e à crítica dos fundamentos universais. Defende-se um investimento radical nos processos interpretativos no currículo.
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Interpretação e Conhecimento no Currículo

Este artigo discute as relações entre conhecimento e interpretação em abordagens discursivas no currículo. Argumenta-se que defender a centralidade do conhecimento busca bloquear interpretações múltiplas dos textos curriculares, antagonizando com enfoques discursivos. A interpretação é conectada à desconstrução e à crítica dos fundamentos universais. Defende-se um investimento radical nos processos interpretativos no currículo.
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Currículo sem Fronteiras, v. 17, n. 3, p. 555-573, set./dez.

2017
 

CURRÍCULO, CONHECIMENTO E
INTERPRETAÇÃO1

Alice Casimiro Lopes


Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Veronica Borges
Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Resumo
Neste artigo, destacamos as relações entre conhecimento e interpretação em um enfoque discursivo.
Partimos da afirmação de que a defesa de uma centralidade do conhecimento no currículo busca
bloquear a interpretação e as múltiplas leituras dos textos curriculares, antagonizando com enfoques
discursivos. Para crítica dessa posição, conectamos interpretação e leitura com a tradução-
desconstrução em Derrida e com a crítica aos fundamentos universais em Laclau. Reafirmamos
assim um posicionamento contrário a uma noção normativa de teoria curricular (ou de qualquer
teoria), que se pretende definidora dos fundamentos que sustentam a leitura correta a ser realizada
na política de currículo. Por fim, defendemos um investimento radical em processos interpretativos
no currículo.
Palavras-chave: discurso; normatividade; política de currículo; texto; tradução.

Abstract
In this article, we highlight the relations between knowledge and interpretation in a discursive
approach. We start from the affirmation that the defense of a centrality of knowledge in the
curriculum tries to block the interpretation and the multiple readings of the curricular texts,
antagonizing with discursive approaches. For criticism of this position, we connect interpretation
and reading with translation-deconstruction in Derrida and with criticism of the universal
foundations in Laclau. We thus reaffirm a position contrary to a normative notion of curriculum
theory (or any theory), which is intended to define the grounds that support the correct reading to be
carried out in curriculum policy. Finally, we advocate a radical investment in interpretive processes
in the curriculum.
Keywords: curriculum policy; discourse; normativity; text; translation.

ISSN 1645-1384 (online) www.curriculosemfronteiras.org  555


ALICE CASIMIRO LOPES & VERONICA BORGES

Ser uma coisa é não ser susceptível de interpretação.


Poemas Inconjuntos, Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Tudo, desde ermos astros afastados


A nós, nos dá o mundo.
E a tudo, alheios, nos acrescentamos,
Pensando e interpretando.
Outros Odes e Poemas, Ricardo Reis (Fernando Pessoa)

A propósito do debate sobre o conhecimento no currículo

Como a própria chamada deste dossiê afirma – e assim performa –, o debate sobre as
relações entre currículo e conhecimento faz parte da história do nosso campo, com efeitos
importantes nas políticas educacionais. Nas publicações brasileiras, mais recentemente vem
sendo intensificada a afirmação de que o conhecimento precisa ser o centro do currículo e
orientar as políticas curriculares. Moreira (2013, p. 554), ainda que considere não ser possível
reduzir a escola ao ensino, defende que a essa instituição “cabe, como tarefa básica, organizar
e promover o ensino, desenvolvendo a aprendizagem, a construção e a reconstrução de
conhecimentos, habilidades e visões de mundo, assim como promover a formação de
cidadãos autônomos e responsáveis e contribuir para construção de identidades que se
coloquem na contramão dos modelos hegemônicos”. Em artigo anterior, apoiado nas
discussões de Johan Muller, frequente colaborador de Michael Young, Moreira (2007, p.
286) já afirmava sua “aguda preocupação com o conhecimento, com sua aquisição, com uma
instrução ativa e efetiva, com um professor ativo e efetivo, que bem conheça, escolha,
organize e ensine os conteúdos de sua disciplina ou área de conhecimento”.
Tal posição de Moreira é seguida por autores como Thiesen (2012) que argumenta em
defesa de um retorno à problemática do conhecimento, associada à aproximação entre teoria
curricular e prática das escolas, capaz de assumir uma tônica propositiva. Apoiado fortemente
em Moreira, Young e Gimeno Sacristán, no que concerne à teoria curricular, Silva (2016)
talvez seja ainda mais enfático ao defender não apenas a produtividade da noção de
conhecimento no currículo, mas a problemática de uma “transmissão cultural”. A
transmissão cultural, em sua argumentação, se remete à escola unitária de Gramsci e seus
métodos ativos, com uma “virtude criadora da educação”, no sentido de Durkheim. Ele
vincula essas visões a uma compreensão, baseada em Arendt, de que o “mundo é perecível”,
mas ao mesmo tempo a educação tem a tarefa política de salientar os perigos de um “pathos
da novidade”. Tais argumentos, que de forma alguma são os únicos e assumem aqui um
caráter exemplar, parecem corroborar a posição de Pacheco (2006, p. 256) de que o
conhecimento é o que caracteriza a constituição do currículo: “alfa e ómega da escola”. A
força do conhecimento é tal, que mesmo no registro discursivo2 são realizados esforços,

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CURRÍCULO, CONHECIMENTO E INTERPRETAÇÃO

frequentemente desconsiderados porque quem critica esse registro, visando produzir novos
sentidos para esse significante (ver, por exemplo, Gabriel, 2016, e Corazza, 2015).
Também em torno do movimento de Michael Young denominado bringing knowledge
back in (trazendo o conhecimento de volta), que ressoa fortemente nas discussões no Brasil
relativas à centralidade do conhecimento no currículo, foi organizado recentemente um
dossiê internacional no Journal of Curriculum Studies – JCS (Deng, 2016). Mas enquanto
nas publicações em língua portuguesa há uma articulação discursiva entre a teoria de
currículo de Michael Young e os enfoques da teoria crítica, como nos textos já citados aqui,
e igualmente uma articulação entre o próprio Young e os enfoques que defendem as
avaliações e currículos centralizados (confrontar Becskeházy e Louzano, 2009 e Young,
2014), o movimento bringing knowledge back in é constituído por outra cadeia discursiva. A
julgar pelo número especial do JCS, em que pese algumas divergências ou diferenças de
abordagem entre os autores convidados, há uma equivalência no confronto simultâneo com
o instrumentalismo das políticas que buscam a eficiência no currículo via controle do
conhecimento escolar, o registro discursivo e as visões mais radicais da teoria crítica e da
sociologia do conhecimento, dentre as quais se inclui o próprio Young em seus primeiros
trabalhos (Young, 1978; 1981). Questionando tanto a accountability, a centralidade do ensino
nas políticas e a atual valorização de competências, quanto resultados de aprendizagem e de
testes em larga escala nas políticas educativas, Deng (2016) sustenta que:

(...) o desaparecimento das questões de conhecimento da política educacional


e do desenvolvimento curricular é acompanhado pela negligência do
conhecimento específico ou do conteúdo ensinado na escola na teoria
curricular contemporânea, predominantemente formada pelo neomarxismo e
pelos paradigmas reconteptualistas (...) (incluindo pós-estruturalistas, pós-
modernistas, pós-colonialistas e assim por diante) (tradução nossa).

O antagonismo aos enfoques discursivos, significados como facultando qualquer


interpretação, nos parece permitir uma equivalência entre essas articulações defensoras da
centralidade do conhecimento no currículo, no Brasil e no exterior. Por meio desse
antagonismo, é produzido um discurso no qual são feitas equivalências entre conhecimento
escolar, seleção e distribuição de conteúdos, transmissão cultural, permanecendo muito
visível o vínculo entre conhecimento e disciplinas escolares (Young, 2011). No jogo desses
significantes, os conhecimentos são classificados (oficial, escolar, científico, crítico-social)
e hierarquias são constituídas em relação aos demais registros expulsos dessa cadeia
discursiva (os saberes populares, o senso comum, o cultural, os saberes contextuais, os
saberes cotidianos). Mesmo quando as ações políticas se desenvolvem no sentido de
questionar a hierarquia entre tais classificações, é afirmada a importância de complementar
os conhecimentos disciplinares com outros registros, via contextualização,
interdisciplinaridade ou transversalidade, sem minimizar a relevância das disciplinas e sem
colocar em questão as classificações instituídas.

557
ALICE CASIMIRO LOPES & VERONICA BORGES

Diferentes argumentações no registro discursivo (os reconceptualistas, no dizer de Deng)


podem ser lidas senão como respostas, mas como desenvolvimentos teóricos que apresentam
insights e possibilidades interpretativas que revolvem tais sedimentações instituídas.
Particularmente em nossa trajetória, questionamos em trabalhos anteriores uma noção
reificada de conhecimento a ser selecionado e distribuído por meio de uma política de
currículo (Lopes, 2012; 2017), a concepção de conhecimento de Young e colaboradores que
sustenta tal reificação (Lopes, 2015), concluindo com a defesa do caráter impossível, ainda
que necessário, da formação, dentre elas a própria formação docente (Lopes e Borges, 2015).
Neste artigo, queremos dar relevo a um aspecto que faz parte das argumentações em um
enfoque discursivo desenvolvidas sobre o conhecimento, mas que ao nosso ver não teve o
destaque que julgamos merecido: as relações entre conhecimento e interpretação. Não nos
referimos à interpretação no sentido hermenêutico, na medida em que não há a pretensão de
produzir um movimento de convergência a alguma unidade interpretativa. Tampouco
queremos nos referir a uma noção de polissemia, com um sentido original que se pluraliza
em formas diversas. Falamos da interpretação como textualidade, leitura, tradução,
desconstrução: uma perspectiva dispersiva, disseminativa, na qual não há nenhum sentido
único a ser buscado ou construído (Bennington, 2000).
Nossa posição é de que, por meio da defesa de uma centralidade do conhecimento no
currículo e de sua particular relação com as disciplinas escolares, antagonizando com
registros discursivos, é constituído um discurso que bloqueia/minimiza ou mesmo expulsa a
interpretação das articulações discursivas. Há o propósito social de garantir a herança de um
conhecimento considerado capaz de guiar as ações, as melhores práticas, as performances,
subsidiar as decisões políticas que são julgadas adequadas e corretas, porque baseadas em
enunciados construídos sobre um sólido fundamento epistemológico, que se modifica em
função das finalidades sociais pretendidas. Nesse sentido, o que se tenta conter,
frequentemente por referência ao registro disciplinar estabelecido, são os fluxos de sentidos
dos processos interpretativos. Desse modo, são projetadas identidades consideradas legítimas
ou importantes para os projetos de mudança do mundo em que vivemos. Tais identidades
podem ser emancipatórias, críticas, libertárias, plurais, revolucionárias, proativas,
empreendedoras, eficientes, voltadas a projetos sócio-políticos diversos e mesmo
antagônicos entre si, mas sempre vinculadas a determinados projetos de porvir, significados
como projetos de sociedade.
De certa forma, no estado atual da pesquisa em políticas de currículo, tal afirmação pode
ser considerada quase obrigatória. As políticas de currículo têm sempre, como condição sine
qua non, a busca pelo controle da interpretação. Do mesmo modo, escrever textos, ministrar
aulas, proferir palestras, se dispor aos processos de comunicação é sempre se envolver nas
tentativas de controle do fluxo de sentidos. Mesmo este texto, em sua valorização dos fluxos
interpretativos, não escapa a essa tentativa de controle.
Defendemos, contudo, haver uma diferença entre conceber que se está em um jogo
político de linguagem e entender os possíveis processos de investimento radical em uma
perspectiva discursiva (Lopes, 2015), considerando que não há pleno controle da
interpretação, e conceber que a política de currículo deve ser regida por alguma racionalidade

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CURRÍCULO, CONHECIMENTO E INTERPRETAÇÃO

obrigatória porque embasada em um fundamento epistemológico. Particularmente neste


artigo, queremos argumentar que tal controle da significação do mundo – das múltiplas
interpretações e leituras possíveis dos textos políticos, de todos os textos – por meio de um
projeto educacional vem sendo realizado não apenas pelos sistemas centralizados de
avaliação ou pela organização curricular por competências, mas também por meio do
significante conhecimento. Com a afirmação de uma herança a ser preservada – uma tradição,
uma história –, visando dar conta de uma realidade – um contexto, uma prática, um projeto
de sociedade –, são buscados referentes para o conhecimento na política de currículo, de
maneira a que se evite o risco de se “perder” na interpretação ou “cair” no relativismo. Daí o
antagonismo aos enfoques discursivos no currículo na suposição de que estes operam na
defesa de um “vale tudo” na significação: discursivamente, não haveria critérios de escolha
entre um conhecimento (uma interpretação) e outro como o mais legítimo ou válido.
Igualmente, tencionamos contribuir, por meio dos enfoques teóricos de Derrida e Laclau,
para pensar de forma distinta as relações entre conhecimento e interpretação, de modo que
nos parece mais produtivo para o currículo e suas políticas. Para tal, questionamos
intepretações usuais sobre os enfoques discursivos que remetem a simplificações, tais como
“a realidade empírica não existe”, ou “sem o referente na realidade, qualquer conhecimento
é válido, não se pode optar entre uma teoria ou outra”.
Essa abordagem é também uma maneira de reafirmarmos (Lopes, 2015) a crítica a uma
noção normativa de teoria curricular (ou de qualquer teoria), que se pretende definidora dos
fundamentos que sustentam a leitura correta a ser realizada. Inspiradas pela discussão de
Culler (2008), defendemos que a teoria curricular desafie as fronteiras disciplinares e se
proponha a tornar estranho o que parece ser familiar (um senso comum, inclusive no contexto
acadêmico), levando à reflexão sobre as leituras, práticas e instituições do campo, bem como
expressando como tais leituras, práticas e instituições não têm uma razão universal que as
sustente, mas são contingencialmente produzidas.

A lógica do controle via conhecimento

A tradição ocidental da qual fazemos parte, marcada pela metafísica da presença3,


constitui e é constituída por uma visão de que educar implica promover um processo de
conhecimento (racional) que se desenvolve por gradações, tendo como alvo construir
sedimentações (objetividades/identidades) capazes de tudo explicar: os sujeitos, o mundo, o
meio ambiente, a sociedade, a cultura, a educação. Ainda que tal intento não se efetive, essa
linha de raciocínio funciona como a direção e o fim ideais que orientam (ou são supostos
como devendo orientar) todos os esforços que oportunizem o conhecimento. Essa lógica
cientificista alavanca uma série de práticas discursivas intercambiáveis: a racionalidade, a
homogeneidade, a neutralidade científica, a lógica causal, a valorização de universais, a
neutralização do diferir.
Nas políticas curriculares, faceta que privilegiamos questionar, o controle da
interpretação via instituição de uma base epistemológica para definir o currículo tem estreita
relação com várias dessas práticas discursivas. Scott (2014) é um bom exemplo desse

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ALICE CASIMIRO LOPES & VERONICA BORGES

enfoque. Para este curriculista, o ensino é uma atividade epistêmica e o conhecimento, uma
atividade central do currículo, tornando altamente necessário definir os critérios de seleção
dos conhecimentos escolares para afastar o currículo das tendências ideológicas.
Examinando cinco perspectivas epistemológicas – construtivismo social, realismo social,
realismo epistêmico, inferencialismo e realismo crítico –, o autor elabora princípios para um
rationale curricular. Tais princípios apontam para uma dimensão social da construção do
conhecimento, para a impossibilidade de conceber um mundo pré-esquematizado, para a
importância de evitar o essencialismo do conhecimento, e insiste que qualquer conhecimento
racional é um discurso – específico e posicionado dentro de quadros conceituais e que o
mundo não é totalmente separado dos dispositivos mediadores que os seres humanos
desenvolveram para dar sentido a ele (Scott, 2014, p. 27). Sustenta, todavia, uma concepção
realista que supõe uma condição transcendental para a produção do conhecimento e faz
referência a um mundo dissociado, em “algum nível”, da forma como esse mesmo mundo é
descrito. Com isso, o autor considera a teoria curricular orientadora da prática curricular e
das formas de seleção e organização do conhecimento escolar, operando com uma dicotomia
entre teoria e prática. A realidade, por sua vez, é concebida como o apoio em última instância
da tentativa de controle pleno da interpretação, pois seria capaz de sustentar um rationale
(uma lógica racional, um conjunto de critérios) que bloquearia o fluxo de sentidos na política
curricular.
Tal visão de currículo, na qual racionalismo e realismo se interconectam, pode ser
corroborada pelos argumentos de Michael Young, vinculando-a particularmente às
disciplinas escolares. Young assume que as comunidades disciplinares são a referência do
conhecimento especializado a ser ensinado na escola, dos “‘objetos de pensamento’ como
conjuntos de ‘conceitos’ sistematicamente relacionados”, distinguindo-os dos “lugares de
experiência” dos estudantes (Young, 2011, p. 615). Essa referência opera por meio da
distinção entre conceitos teóricos (confiáveis, especializados, garantidos pelas comunidades
disciplinares) e conceitos cotidianos (mundo da vida), hierarquizando-os. Mesmo admitindo,
como faz Young (2011), haver uma história que modifica os conhecimentos disciplinares, o
cânone disciplinar é tomado como referência sólida (um fundamento) para sustentar o
rationale curricular e a autoridade dos docentes sobre alunas e alunos.
Em contraposição a essas teorizações curriculares, e buscando reforçar a dimensão
política no currículo, defendemos que o universo (simbólico) de significação no qual estamos
imersos não obedece a leis naturais, nem obedece ao previsível e sequer obedece às lógicas
normativas, ou a determinismos de qualquer natureza. Acompanhamos Derrida (2007, 1994)
quando o filósofo afirma que, por mais que saibamos acerca de uma temática, que nos
aprofundemos em estudos/pesquisas, há uma impossibilidade de tudo conhecer, de acessar o
que possamos denominar “realidade” e que nos deixe tomar decisões sustentadas em bases
calculáveis/programáveis. Essa impossibilidade de acesso ao que é transcendente, discute
Caputo (2002), não se deve a nenhuma incapacidade de nossas faculdades (ou de nossos
instrumentos de medida, poderíamos acrescentar): isso se deve à transcendência do outro. A
desconstrução desconstrói a presença, “coisa real”, insiste Caputo (2002, p. 40), porque a
relação com o outro é a relação com “(...) algo que resiste em ser absolutamente absorvido

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CURRÍCULO, CONHECIMENTO E INTERPRETAÇÃO

por esta relação sem deixar nenhum resíduo”. É sempre alguma coisa ou alguém que se retira
“da esfera do meu alcance, resistindo a ser subsumido pelo horizonte de minhas
antecipações”.
Para Jacques Derrida, uma decisão que possa “merecer” ser assim chamada é aquela
tomada sem que se tenha controle, é aquela decisão que não se sabe, que não é possível
antecipar, que interrompe a determinação que é condição de possibilidade da decisão
(Bennington e Derrida, 1996). Essa seria a condição para que a responsabilidade esteja em
curso – uma decisão tomada diante da condição aporética, indecidível, envolvendo os riscos
e os bônus dessa ação. Só há responsabilidade, porque há resposta, sem determinações ou
garantias, a uma herança e a uma tradição. Por isso mesmo há riscos, dos quais não se pode
escapar. São esses riscos que nos levam à possibilidade de invenção, de admitir que não se
procede apenas a repetição de uma estrutura, de uma lógica, de um registro de conhecimento.
Trata-se da invenção “de um outro lugar”, como abertura à alteridade, ao imprevisível e
inantecipável, a um evento (Bennington, 2004a).
A teoria do discurso de Laclau (1990; 2011) parte da desconstrução de Derrida para
produzir uma teoria da decisão política – porque são decisões em terrenos indecidíveis –
como o momento da subjetivação. Não há subjetividades políticas estabilizadas e pré-
definidas que possamos buscar formar (por exemplo, pela educação) para atingir o projeto
político pretendido (mudar o mundo, instaurar um novo regime político, uma nova sociedade,
um novo projeto educacional). Subjetivação é uma sedimentação instituída, provisoriamente,
como efeito de uma decisão política, de uma articulação que não tem determinação nem
direção racional obrigatória. Tampouco há controle ou consciência que oriente plenamente
um processo de articulação. Por mais que sejam organizadas estratégias calculadas de
articulação, não há como ter controle pleno do que se articula, da amplitude de sentidos de
um discurso produzido como efeito de uma articulação. É por meio do discurso que se
constitui o processo hegemônico capaz de bloquear o livre fluxo de sentidos e significados
nos significantes.
Tal teoria nos permite entender que em nenhum momento os enfoques discursivos pelos
quais nos orientamos defendem a validade de qualquer decisão ou teoria. Tampouco
defendem que uma leitura ou uma interpretação é tão boa quanto qualquer outra. Como
afirma Bennington, apoiado em Derrida (Bennington e Derrida, 1996, p. 73), “... todo texto
propõe sua própria leitura e mesmo uma instituição que garantirá sua leitura, mas deve,
fazendo isso, deixar inexplorados os recursos que podem muito bem perturbar, até mesmo
contradizer essa leitura”. Estamos envolvidos com tais leituras e instituições que orientam as
decisões em relação ao que é considerado válido. Mas tal envolvimento não implica
desconsiderar que todo texto tem sempre recursos inexplorados que facultam outras leituras
para além e aquém daquelas instituídas.
Assim, se o projeto educacional está comprometido com a formação para possibilidades
imprevistas, remeter às instituições (as disciplinas e suas comunidades, por exemplo) a
definição da leitura correta ou de um conhecimento verdadeiro que sirva de referência ao
conhecimento escolar opera apenas com o instituído e previsível. Essa é a lógica que
predomina entre os que defendem a centralidade do conhecimento no currículo. As

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ALICE CASIMIRO LOPES & VERONICA BORGES

instituições disciplinares seriam, ainda que com limites, as direcionadoras do conhecimento


válido, dos saberes a serem selecionados (Young, 2011).
Em contraposição a essa forma de conceber o currículo, propomos pensar o currículo
como produção cultural (Lopes, 2012) capaz de operar com uma dada leitura ou um dado
conhecimento que sempre se abre à alteridade e ao desafio do que está instituído, a começar
pela própria passagem dos conceitos entre diferentes disciplinas com paradigmas
heterogêneos entre si. Não se trata de educar para a reverência ao conhecimento e tampouco
para a rejeição de um conhecimento herdado. Mas tornar problemática qualquer
fundamentação ou tentativa de bloquear a interpretação, inclusive aquela que tenta fazer
desse conhecimento herdado uma seleção de arquivos estáveis.
Tal modo de ver não inclui um relativismo ou uma ideia de validade geral dos saberes.
A ideia de uma validade geral é tão fundamentalista quanto a ideia de uma escolha
obrigatória, porque essa validade seria também uma conclusão definida previamente à ação
política, pressuporia igualmente um fundamento único: a generalidade. Na medida em que a
desconstrução e a teoria do discurso estão comprometidas com a ampliação do político, com
a admissão dos antagonismos e dissensos, isso envolve questionar qualquer fundamento
obrigatório, suposto como não relacional e não contextual, qualquer princípio que se pretenda
um universal absoluto.
Nesse sentido, ao contrário de se supor que não se decide em relação a uma teoria ou
outra, ou em relação a um modo de interpretar, ou mesmo uma leitura entre tantas outras, as
abordagens discursivas nos impelem a decidir. Ao mesmo tempo nos apontam para a
impossibilidade de se ter completa certeza de que a decisão será realizada sem equivocidades,
sem erros ou com pleno conhecimento objetivo do processo em curso. Se toda decisão é
contextual e relacional, o conhecimento não é garantidor da decisão correta, ainda que seja
uma estrutura que possibilite formas de decidir.
Desse modo, ao contrário de se supor que a teoria do discurso e a desconstrução nos
remetem à despreocupação com o processo de conhecer ou à desvalorização do
conhecimento ou das disciplinas, tais teorias nos impõem a responsabilidade de saber cada
vez mais. Afinal, nunca se está certo de um fechamento em relação ao que se sabe, sempre
há a possibilidade de um “talvez assim não seja” ou de um “caso assim não seja”.
Por isso concordamos com Bowman (2007, p. 193) quando afirma que “não importa
quão claramente se tente falar, o mal-entendido e a ininteligibilidade não são apenas
inevitáveis. Eles são a norma”. Esta é uma impossibilidade constitutiva com a qual operamos
invariavelmente. A suposição de certa razoabilidade conferida pelas disciplinas é a expressão
de certos discursos que, como tais, são hegemônicos. Mas ainda assim tais discursos
implicam imprevisibilidade e risco.
Essa teorização nos leva também a acompanhar Biesta (2014), quando ele argumenta
que se expulsarmos o risco da educação assumimos a possibilidade de também expulsar o
próprio sentido de educar. Segundo ele, cada vez mais vem sendo fortalecido entre políticos,
mídia, organizações governamentais e não governamentais, o discurso de que algo precisa
ser feito para assegurar que os riscos fiquem fora da educação. Em nome de que a educação
se torne “forte, segura, previsível”, edifica-se uma atitude/entendimento de que a educação

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CURRÍCULO, CONHECIMENTO E INTERPRETAÇÃO

pode ser colocada sob total controle. Ou seja, a lógica do controle sobre as políticas
curriculares, quer seja pela política de avaliação, pelo controle da interpretação via
conhecimento ou ainda por meio de teorias curriculares prescritivas e propositivas, apoia-se
no desejo de que não haja risco quanto ao sucesso dos processos educativos ou quanto à
garantia de alcance da tão propalada educação de qualidade (uma expressão que tudo
pretende dizer, mas que pouco consegue afirmar).
Tais tentativas de ser a consciência (crítica) do mundo, de ter um conhecimento absoluto
do mundo pavimentam o cenário em que o controle da interpretação possa vigorar: os
sentidos que sustentam tal proposição passam pelo universalismo, pelos processos
identitários, pelo determinismo, pelo objetivismo, pelo essencialismo. Afirmar o controle da
interpretação como uma possibilidade de falar pelo outro, quer seja numa perspectiva tida
como progressista ou não, é sempre algo de muita violência e implica (tentar) retirar o risco,
o equívoco ou a alteridade das relações entre sujeitos. Implica não considerar “as diferentes
formas de identificação, impotentes para nos prender nas redes de uma lógica inapelável”
(Laclau, 2011, p. 43).
Nessa medida, o controle da interpretação do conhecimento escolar via políticas
curriculares centralizadas ao invés de promover, com a eficácia e a eficiência pretendidas, “a
correção do processo” e garantirem, por exemplo, a qualidade da formação docente (via
afastamento do risco) ou o direito à aprendizagem (via definição do que se deve aprender),
acabam por operar na cristalização de identidades. Tal cristalização tende assim a negar o
diferir associado à educação e aposta em pré-definir um porvir impossível de ser previsto.
A lógica do controle da interpretação via conhecimento se abriga na concepção de que
há um fundamento primeiro sobre o qual outros estarão sustentados, numa lógica derivativa
que tende a conectar, diretamente, possibilidade e necessidade (Lopes, 2017). Caberia
indagar então se qualquer ideia de fundamento deve ser abandonada. Laclau (2011, p. 41)
vai afirmar que não, defendendo que “esses movimentos contraditórios se expressam naquilo
que tem sido denominado divisão constitutiva de toda identidade concreta”. Isso porque as
particularidades tanto negam quanto requerem a totalidade. O movimento político se
desenvolve no processo no qual as particularidades assumem provisoriamente a
representação do universal, sem que possam ocultar plenamente a precariedade dessa
representação. Tal processo torna os fundamentos tanto impossíveis quanto necessários,
tentativas sempre fracassadas de representar uma totalidade falida, algo com o qual operamos
na fantasia de que colocamos os pés no chão em meio a um abismo.
O objetivo de fazer a educação “funcionar” é um dos fundamentos constituído nas atuais
políticas curriculares, a fantasia que se projeta como alcançável, caso as escolas do país sejam
postas no caminho certo para o conhecimento. Como Biesta (2014) argumenta, atrelar a
educação àquilo que “formalmente” funciona (quer pela tradição, quer pela técnica ou ainda
pela ciência) não promove (antecipadamente, previsivelmente) que as práticas educativas
“desejáveis” (projetadas) se efetivem. Ao se priorizar o currículo como conhecimento e a
política de currículo como a possibilidade de decidir sobre qual conhecimento deve ser
ensinado, nos insere diretamente nesta lógica de controle, de previsibilidade, de negação do

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ALICE CASIMIRO LOPES & VERONICA BORGES

evento e da relação com o outro. Diferentemente, queremos apostar na textualidade do


mundo, sempre sujeita à interpretação.
Mas antes que seja considerado que afirmar a textualidade é um afastamento da realidade
fora dos textos, trazemos a afirmação de Derrida:

“O que eu chamo de ‘texto’ implica todas as estruturas ditas ‘reais’, ‘econômicas’,


‘históricas’, socioinstitucionais, em suma, todos os referenciais possíveis. Outro
modo de recordar, uma vez ainda, que não há extra-texto. Isso não quer dizer que
todos os referenciais estão suspensos, negados ou encerrados num livro, como se
finge ou se tem a ingenuidade de acreditar e acusar-me. Mas isso quer dizer que todo
referencial, toda realidade tem a estrutura de um traço diferencial e só podemos nos
reportar a esse real numa experiência interpretativa” (apud Duque-Estrada, 2004, p.
49).

Esse foco na textualidade nos afasta, todavia, de perspectivas que desconsideram a


mediação da linguagem em nossa relação com o que se considera como realidade, supondo
uma transparência dessa mesma realidade. Denominamos realistas, genericamente, tais
perspectivas, unificando diferentes enfoques críticos e não-críticos. Questionar o realismo
não significa afirmar um idealismo ingênuo, pelo qual a realidade empírica não existe, mas
defender que qualquer relação com o que denominamos realidade (instituições, objetos,
sujeitos) não se faz de forma direta e pressupõe uma interpretação que envolve a linguagem
como práticas discursivas que são significadas antes mesmo de nascermos.
Vale também insistir que não defendemos, por sua vez, uma concepção epistemológica
pragmática, calcada no apelo ao consenso ou à convenção, pela qual um conhecimento
verdadeiro seria aquele validado por métodos e enquadramentos aceitos em uma comunidade
disciplinar. Tal perspectiva mantém a verdade do conhecimento presa ao instituído, ao que
está incluído no sistema aceito e é demonstrável por esse sistema e seus enquadramentos
(Culler, 2008). Se assumimos a perspectiva desconstrutiva e discursiva, há que se considerar
também o que está fora do consenso e da hegemonia discursiva instituída.
Por mais que não possamos negar a herança da metafísica, nossos sistemas de crenças e
instituições, nos cabe como pesquisadores (em todas as ciências ou disciplinas) o esforço em
questionar seus procedimentos, suas regras de demonstração, para propor outras leituras
como possíveis. Para usar os termos de Laclau (2011), é importante dessedimentar o que se
encontra sedimentado e uma forma de o fazer é expressar que o que se apresenta como
universal, como uma posição epistemológica autorizada ou um discurso instituído – aqui
tratados como equivalentes –, nada mais é que um particular que teve apagadas as marcas de
sua contingência.
Nessa perspectiva, educar não remete à transmissão cultural e tampouco busca o “pathos
da novidade”, porque não há uma oposição absoluta entre um e outro. Em todo processo no
qual se supõe transmitir uma cultura, esta cultura se dispõe à renovação. Em todo processo
no qual se supõe instituir uma novidade, o novo só se faz por referência a uma tradição

564 
CURRÍCULO, CONHECIMENTO E INTERPRETAÇÃO

cultural. Assim, não se nega o conhecimento, a tradição, a cultura ou a história. Não é


possível negar ou abandonar a metafísica, nem tudo que com ela foi construído. Mesmo que
assim se desejasse. É inevitável herdar os conhecimentos e as estruturas disciplinares, “não
há como escapar da ‘cumplicidade’ com a tradição (somente ela nos fornece todos os
conceitos e vocabulários)” (Bennington, 2004b, p. 17). Essa herança, contudo, é lida, traída,
negociada em processos de tradução/desconstrução constantes, os quais discutimos em
seguida.

Tradução/desconstrução: lendo textos curriculares

Tradução e desconstrução são registros derridianos que evocam a interrupção de uma


concepção de linguagem aprisionada na ideia de sucessividade/linearidade, que se pretende
representacional e ancorada na suposição de uma realidade como transparência (realismo),
visando ao controle da interpretação. Trazemos tais noções buscando favorecer uma leitura
que aponte para a incomensurabilidade do outro e para um antagonismo que constitui
processos provisórios de identificação. Segundo Laclau (1990), o antagonismo tanto bloqueia
a constituição das identidades que se antagonizam mutuamente, expressando desse modo sua
contingência – nenhuma identidade é plena, universal ou obrigatória – quanto evidencia o
caráter relacional de toda identidade. A identidade é relacional, porque mantém uma relação
com um exterior que a constitui e que assim faz parte das condições de existência dessa
identidade. Uma identidade é relacional, porque a presença do Outro4 impõe limites a uma
ideia de que esta seja plenamente constituída (Stavrakakis, 2007).
Ampliando a discussão sobre a exterioridade que constitui toda identificação, Laclau
(1990) propõe a noção de deslocamento. Como ele (Laclau, 2004) discute, nem todo
deslocamento é constituído por antagonismos, pois o antagonismo não é equivalente a uma
exclusão radical. O antagonismo, em certa medida, expressa uma simplificação das lutas
políticas, o confronto entre um “nós” e um “eles” inventados nessa relação. “Nós” e “eles”
são unidades divididas em si, remetem a comunidades cujos integrantes não são homogêneos
nem têm algo obrigatoriamente em comum, sequer um conhecimento comum: apenas o
mútuo antagonismo (“nós” contra “eles”, “eles” contra “nós”) entre essas unidades confere
um limite a sua objetividade. Desse modo conflituoso e precário, o antagonismo produz
subjetividades políticas e sentidos para dadas ações, produz um espaço de representação
política em uma dada formação discursiva.
O deslocamento (Laclau, 2004), por sua vez, expressa o exterior constitutivo, o não-
representável que torna todas as identidades instáveis, expressa uma disjunção entre o Real
e o simbólico. Nesse sentido, o deslocamento é a condição de possibilidade e de
impossibilidade da hegemonia, a irrupção que não pode ser compreendida pela formação
discursiva hegemônica, mas simultaneamente a possibilita.
Essas conexões mostram que há que se trabalhar com a possibilidade do acontecimento,
da singularidade. Essa possibilidade se recria a cada encontro com o outro, não como
necessidade, mas como um vir a ser/porvir. Especificamente no campo curricular, parece-
nos estratégico o deslocamento que Ottoni (2005, 297) traz ao afirmar que a tradução “abre

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ALICE CASIMIRO LOPES & VERONICA BORGES

portas entre línguas, culturas, tempos, sujeitos, mas ela também é necessariamente disjunta,
inatual, dissimétrica, disseminante”. Essa construção teórica pode favorecer a compreensão
dos textos curriculares não por sua pretensão a uma literalidade, mas fazendo-os dizer o que
aparentemente não dizem e lendo-os como possibilidades para entender os processos
metonímicos e metafóricos que constituem o social.
A apropriação dessas noções em Derrida leva Siscar (2013) inclusive a tratar a tradução
como uma espécie de lei a qual o conhecimento está submetido. Operando com a ideia de
tradução como passagem ao conhecimento, Siscar defende que todo conhecimento (...)
constitui-se como um desvio em relação à identidade a si de uma suposta experiência
original (Siscar, 2013, p.153). Tal conclusão confere a todo conhecimento uma dimensão
retórica, expressando como a lógica da transposição/transporte, sempre metafórica, é
extensiva a toda produção do conhecimento. Envolver-se e envolver o outro nas relações com
o conhecimento – uma das dimensões do currículo – implica envolver-se com a tradução de
conceitos. Nesse sentido, o currículo não se limita a ser um conjunto de enunciados
constatativos ou teóricos, mas envolve a possibilidade do performativo como promessa de
algo que nunca se institui plenamente.
Incorporar essa discussão teórica e operar com a tradução como uma possibilidade de
compreensão dos jogos de linguagem (retórica) que constituem o social oportunizam, à teoria
de currículo na perspectiva discursiva, radicalizar a condição inaugural de um contexto, de
qualquer contexto. Este contexto pode ser uma aula, um curso, uma política curricular, um
campo de conhecimento, uma teoria, pois não pressupõe a positivação de espaços-tempos.
Possibilita entender um texto por seu ineditismo, pois a cada encontro (contexto), um texto
traduz-se em outros sentidos. Possibilita também ao educador assumir-se constituído numa
relação com o Outro (Stavrakakis, 2007) numa condição em que a neutralidade, o acesso à
verdade ou às relações isomórficas de qualquer natureza (significante e significado ou fala e
escrita) são sempre impossíveis. Essa concepção de sujeito remete a produções singulares de
sentido, acontecimentos que irrompem em contextos e criam outros. De certo modo, esse
engajamento ao outro (outro texto, outro sujeito, outro objeto) está presente também na
condição de tradutor num registro derridiano (Derrida, 2016).
Isso nos leva a considerar sujeito como o que, ao operar com a tradução, está
subjetivando e sendo subjetivado. Além de radicalizar a ideia de política curricular, imprime
um caráter singular a uma articulação política que se põe a trabalhar, sem garantias ou total
controle, num terreno indecidível, na produção da hegemonia de certos sentidos para um
currículo. Essa compreensão traz uma crítica importante à ideia de representação plena e
desfaz a relação biunívoca entre representante e representado que circula usualmente no
campo do currículo.
Também propomos que as ideias de desconstrução e tradução sejam consideradas de
forma relacional como “tradução-desconstrução”, para que ocorra uma complementariedade
entre as noções, enquanto flutuação de sentidos. Derrida (2005b, p. 25-26) afirma que a
desconstrução se torna importante quando se inscreve numa “cadeia de substituições
possíveis”, nomeadamente um “contexto”. Pondera ainda que esse contexto está determinado
por outras substituições como “escritura, traço, diffèrance, suplemento, hímen, phármakon,

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CURRÍCULO, CONHECIMENTO E INTERPRETAÇÃO

margem, encetamento, parergon, etc” [...]. “A questão da desconstrução é também, de um


lado a outro, a questão de tradução e da língua dos conceitos, do corpus conceitual da
metafísica dita ‘ocidental’” (Derrida, 2005, p. 21). Ottoni (2005, p. 285), por sua vez, sugere,
através de fragmentos de Derrida, que a relação tradução-desconstrução e o papel do tradutor
se encontram “entre o in-traduzível e a tradução”. Ou melhor, essa “contaminação entre o
idioma e a língua” (Ottoni, 2005, p. 285) ocorre continuamente em outros contextos e produz
uma proliferação de efeitos do idioma sobre a língua.
Essa ênfase na “desconstrução-tradução” acentua também um argumento defendido por
Laclau de que desconstrução e hegemonia são noções bastante próximas. Após apresentar a
desconstrução (Laclau, 2011, p. 131-134), tanto em sua capacidade de deslocamento como
em sua capacidade de inversão, Laclau realça que desconstruir envolve subverter as
polarizações e mostrar que não há blocos essencialmente unificados e que esses blocos são
resultados sedimentados de articulações contingenciais. Com isso, o autor ainda defende que
o campo da política é alargado, pois a indecidibilidade se amplia e produz como efeito o
caráter radicalmente político da decisão.

Pois, se a “desconstrução” descobre o papel da decisão a partir da indecidibilidade


da estrutura, a “hegemonia”, como teoria da decisão tomada num terreno indecidível,
requer que o caráter contingente das conexões aí existentes seja inteiramente
demonstrado pela desconstrução. A categoria “hegemonia” surgiu com o fim de dar
conta do caráter político das relações sociais numa arena teórica que assistira ao
colapso da concepção marxista clássica de “classe dominante” – concebida como
efeito necessário e imanente de uma estrutura plenamente constituída. As
articulações hegemônicas foram pensadas, desde o início, como construções
contingentes, precárias e pragmáticas [grifo nosso] (Laclau, 2011, p. 137).

“Desconstrução-tradução” opera assim a partir da ideia de que os sentidos podem se


estabilizar e trabalham nessa direção, mas igualmente estão sempre assumindo outras
configurações. Isso incorpora o caráter político das relações sociais, na medida em que
explora as condições e os limites da objetividade do social. Desse modo, reafirmamos o
argumento da perspectiva discursiva de que o discurso se edifica a partir de uma ameaça, a
partir de um antagonismo, de deslocamentos e exclusões.
Assim, insistir no controle da interpretação, em estruturas normativas, na aplicação de
regras/leis, conforme vem sendo re-inscrito nas políticas curriculares5 não tem tido força para
interromper as práticas identitárias; ao contrário, só fazem reafirmá-las num contexto
(educacional, social) em que, cada vez mais, as pluralidades pedem passagem. Isso
pavimenta o terreno no qual as identidades ocultam a condição plural de sua constituição.
Mantém-se a visão idealizada de escola, de aluno/a, de professor/a, de conhecimento.
Mantém-se a fórmula mágica: a educação como transformadora da sociedade. Essas questões
se apresentam como da ordem do necessário (o controle). Só se edificam diante de um
profissional (docente) que “não funciona” (Biesta, 2014), um profissional que não apresenta

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ALICE CASIMIRO LOPES & VERONICA BORGES

as competências necessárias para exercer sua profissão. São discursos que capturam “a”
realidade e que intentam forjar normas que “façam cumprir” “o” projeto de educação
previamente requerido.
Entender que as políticas curriculares são traduções impõe ter em conta que “a sociedade
é impossível” (Laclau, 2011), na medida em que não há como fechar de uma vez por todas
sua significação. Impõe assumir a impossibilidade de suturar os sentidos e assumir a condição
de operar com as parcialidades discursivas, fazendo-as circular e disputar com outros sentidos
que circulam no campo.
Trazemos mais elementos para descontruir essa dinâmica retórica a partir de
contribuições da psicanálise. Levamos em conta a condição da psicanálise lacaniana,
incorporada ela teoria do discurso de Laclau, que afirma que os sujeitos seguem tentando
capturar o mundo por sua condição de incompletude constitutiva, a condição de sujeito
faltante (Fink, 1998). Essa condição, no entanto, também projeta os sujeitos em direção à
busca da unicidade e da totalidade via identificação com o Outro (o simbólico), mas só o faz
parcialmente. Para Stavrakakis (2007), a fantasia entra em cena nessa projeção/articulação
para criar a ilusão (ficção) de objetividade. Para ele, a fantasia, embora assim possa parecer,
não pertence ao nível individual. Trata-se de um constructo cuja função é tamponar a falta
do Outro. Esse outro está no social, sendo nesse ponto que a fantasia (condição imaginária
especular) conecta-se também com as estruturas simbólicas normativas que nos constituem.
Se o “eu”, em sua busca por identificações, se projeta no Outro (um outro faltante, é bom
lembrar), como então se manteria essa ilusão de completude que revela a falta constitutiva,
mas que também a tampona parcialmente? Esse tamponamento seria da ordem imaginária
(fantasia). Cria-se uma ficção acerca do que se quer projetar no outro (outro sujeito, outro
texto, outra prática, etc). Desse modo, a fantasia se aproxima das estruturas simbólicas
normativas (mitos, lendas, normas, etc) que encarnam a ficcionalidade capaz de sustentar a
projeção de identificação (impossível) plena (Stavrakakis, 2007, p. 84-85). Compreender
essa dinâmica, a partir da psicanálise lacaniana, pode abrir possibilidades para interromper
certas estabilizações de sentido que operam no registro imaginário (aquele que busca “o”
sentido) e reinscrevê-lo no registro simbólico (opera com o “duplo” sentido) (Jorge, 2011).
Com isso, não estamos defendendo negar a possibilidade de operar na fantasia, uma vez que
ela também é um elemento constitutivo do sujeito. A fantasia e a realidade são indissociáveis.
Queremos defender que talvez partindo do pressuposto de que onde há objetividade há
também fantasia, associada à ideia de estruturas normativas, poderia mobilizar/alavancar
outras possibilidades de subjetivação.
As estruturas normativas deixam de ser encaradas como objetividade simplesmente. A
subjetividade entra em cena para negociar com a objetividade, mostrando seu caráter
ficcional, imaginário que se sustenta na pretensão de tamponar outro. Ou em outras palavras,
na tentativa de ocultar a falta do Outro projetando/mantendo suas identificações imaginárias
(especulares). Apontamos assim, para a interrupção desse caráter normativo, que associamos
à sedimentação, no sentido de reinscrevê-la no jogo simbólico, num processo de reativação
(Laclau, 1990).

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CURRÍCULO, CONHECIMENTO E INTERPRETAÇÃO

Conclusões

A argumentação apresentada neste artigo nos parece potente, uma vez que o campo
discursivo da educação é um campo que não pode se furtar de pôr em marcha a significação
em sua radicalidade. Com isso não queremos afirmar que outros campos de saber também
não tenham que atuar nessa direção, mas queremos radicalizar esse gesto no campo da
Educação. Isso se justifica porque estamos sendo bombardeados por demandas de respostas
(desempenho, performance, currículo mínimo, avaliação, certificação), muito superficiais e
aligeiradas, na direção de resultados e/ou na busca pelo que supostamente funciona. A
insistência nesse modelo parece estar apoiada em estruturas normativas (registro imaginário,
especular, representacional, identitário) que se esforçam em limpar (apagar) as impurezas, a
opacidade, os riscos, para alcançar seu intento de “tamponar a falta” do sujeito, visando que
(sua) projeção identitária se constitua de forma completa – o que é um engodo em um registro
discursivo. Por mais que demandas sejam satisfeitas, na ilusão de tamponar a falta do sujeito,
o desejo é reinscrito em novas demandas, permanece a falta constitutiva desse mesmo sujeito.
Isso nos insere de forma acentuada na cena política, impondo-nos a disputa (sempre
contingente) por sentidos.
Destacamos neste texto como o controle da interpretação, via um enfoque
epistemológico, vem sendo um dos recursos desse “tamponamento”, um dos esforços
desenvolvidos por registros curriculares que buscam construir um dado projeto social, seja o
projeto da eficiência em sintonia com discursos do mercado, da mudança social
emancipatória, da qualidade da educação, qualquer projeto com pretensões universalizantes.
Nessa perspectiva, formar para um dado conhecimento, suposto como garantido pelas
referências disciplinares, é concebido como a garantia (sem riscos) de formar as
subjetividades supostas como necessárias a esses projetos sociais.
Tais projetos, independentemente do que possamos pensar a respeito deles, estão fadados
ao fracasso pelas traduções inevitáveis associadas a todo texto, toda enunciação, mesmo
diante de tantas tentativas de controle da interpretação da política curricular. Por outro lado,
se a interpretação, como defendemos, está associada à possibilidade de invenção, seu
bloqueio é também o bloqueio das possibilidades de mudarmos as estruturas interpretativas
com as quais o mundo é significado. É possível dizer que na constante tentativa de mudar o
mundo por meio do controle da interpretação via conhecimento, mais se bloqueia a
possibilidade de invenção de novos mundos, de acontecimentos.
Diferentemente, propomos que operar na indecibilidade até um ponto máximo, no qual
somos convocados a responder, somos convocados à decisão sem garantias, é mais produtivo
para as políticas de currículo. Este é um projeto de investimento radical, que, ao contrário de
supor um relativismo, um niilismo e um abandono da possibilidade de construir projetos
curriculares, acentua o político e se dispõe a estar todo tempo, de forma relacional e
contextual, decidindo e negociando os sentidos dos projetos curriculares nos quais se aposta.
No investimento radical, há comprometimento, ação e responsabilidade sem princípios ou
fundamentos universais, exceto aqueles concebidos como particularidades que se
universalizam, sempre sujeitos a deslocamentos.

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ALICE CASIMIRO LOPES & VERONICA BORGES

Não há nessa valorização do político uma perspectiva anti-conhecimento, anti-ciência


ou mesmo anti-disciplinas. A teoria do discurso e a desconstrução não são teorias anti-cálculo
ou anti previsões com bases epistemológicas. São teorias que insistem que quando há
previsibilidade, racionalidade e cálculo, não há decisão política. Política envolve decisões
em terrenos indecidíveis.
Na medida em que concebemos a educação como envolvendo decisões políticas e
questionamos a noção de currículo como conhecimento capaz de formar para projetos pré-
definidos (teleologias), defendemos a desconstrução-tradução como possibilidade de ampliar
os processos interpretativos. O investimento radical em processos interpretativos sobre os
quais não se tem pleno controle se apresenta, assim, como uma estratégia teórico-discursiva
que possibilita uma crítica radical à coisificação (reificação) do conhecimento. Fernando
Pessoa, que com sua heteronomia é um bom exemplo de infinita disseminação, já nos
ensinou, com as epígrafes citadas na abertura deste texto, que apenas quando coisificados
escapamos da interpretação: afinal, ao interpretar, nos acrescentamos a tudo, inclusive a nós
mesmos/as.

Notas
                                                            
1. Trabalho realizado com o apoio do CNPq, por meio de bolsa de pós-doutorado sênior para Alice Casimiro Lopes no
IEL/Unicamp, e com o apoio da CAPES, por meio de bolsa de doutorado para Verônica Borges. Alice Casimiro Lopes
também é Cientista do Nosso Estado Faperj e bolsista de produtividade nível 1B do CNPq. Ambas as autoras são
professoras do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). 
2. Não vamos nos deter aqui em diferenciar possíveis interpretações relativas aos registros pós-estruturais, pós-modernos
e pós-coloniais. Uma de nós já se dedicou a esse tema em outro texto (Lopes, 2013). Para os propósitos de nosso
argumento, unificamos tais registros no significante discursivo. Fazemos isso não apenas por uma questão de espaço –
não seria possível distinguir aqui as diferentes discussões relativas ao conhecimento em autores como Derrida, Lyotard
e Bhabha. Optamos também por essa unificação, porque entendemos que, para o foco destacado aqui, esses registros
se tornam equivalentes e se unificam pela valorização da noção de discurso e na crítica ao realismo, um dos eixos de
nossa argumentação.
3. “Em meio aos conhecidos conceitos que se apoiam no valor da presença estão: o imediatismo da sensação, a presença
de verdades definitivas para uma consciência divina, a efetiva presença de uma origem em um desenvolvimento
histórico, uma espontânea e imediata intuição, a transmutação da tese e da antítese em uma síntese dialética, a presença
na fala de estruturas lógicas e gramaticais, a verdade como o que subsiste por trás das aparências e a efetiva presença
do objetivo nos passos que conduzem a ele. A autoridade da presença, seu poder de valorização, estrutura todo o nosso
pensamento. Todas as noções como “tornar claro”, “perceber”, “demonstrar”, “revelar” e “mostrar qual é o caso”
evocam a presença. Reivindicar, como no cartesiano cogito, que o ‘eu’ resiste à dúvida radical porque está presente em
si mesmo no ato de pensar ou duvidar é um tipo de apelo à presença. Outro tipo de apelo à presença é a noção de que
o sentido de um enunciado é o que está presente à consciência de quem fala, o que ele ou ela ‘tem em mente’ no
momento da enunciação” (Culler, 2008, p.108-109).
4. “Escrito com maiúscula, alude a um lugar e não a uma entidade. Diz-se lugar para significar uma ordem de elementos
significantes que são os que articulam o inconsciente e marcam a determinação simbólica do sujeito. O discurso do
Outro é o sistema de convenções significantes que compõe a mítica do inconsciente e que marca o indivíduo
prefigurando sua localização desde o nascimento. É um sistema parental e simbólico que determina a posição do sujeito.
Lugar de convenção significante, o Outro está mais além, em uma relação de exterioridade com relação ao sujeito. É a
ordem da letra como alteridade absoluta. Representa-se por A (Autre), em francês. Refere-se ao Outro no sentido de
ordem simbólica, lugar do significante. O Outro (A) é a outra localidade psíquica, ou seja, a ordem inconsciente. O
outro (a), com minúscula, refere-se ao semelhante, ao próximo, no sentido daquele que temos frente a nós, aquele que

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CURRÍCULO, CONHECIMENTO E INTERPRETAÇÃO

                                                                                                                                                                                     
fica na fascinação especular, primordialmente a Mãe. O outro determina a relação especular do imaginário”. (Vallejo,
Magalhães, 1979, p. 105-106). Importa destacar que essa é uma distinção teórica importante para a psicanálise
lacaniana que não pretendemos explorar no escopo desse artigo (cfr. Stavrakakis, 2007; Fink, 1998; Vallejo e
Magalhães, 1979).
5. Podemos lembrar aqui da Base Nacional Comum Curricular, mas não queremos reduzir a normatividade a esse ou
qualquer outro documento ou legislação. Muitas são as tentativas, ao longo da história do currículo no Brasil, de buscar
uma normatividade curricular e esta não se reduz a propostas e leis, por vezes sequer é escrita.

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CURRÍCULO, CONHECIMENTO E INTERPRETAÇÃO

                                                                                                                                                                                     
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Correspondência
Alice Casimiro Lopes: Professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
E-mail: [email protected]

Veronica Borges: Professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro


E-mail: [email protected]

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Texto publicado em Currículo sem Fronteiras com a autorização das autoras.
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