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Metamodelo Terapêutico: Aplicações e Técnicas

O documento fornece exemplos de frases completas e incompletas para ensinar terapeutas a reconhecer quando uma frase omitiu informações importantes. O objetivo é ajudar o paciente a expressar experiências de forma mais completa para que o terapeuta possa entender melhor. Exemplos incluem "Estou confuso" versus "As pessoas me confundem", mostrando como a segunda frase fornece mais contexto. Terapeutas devem aprender a identificar frases incompletas e elicitar versões mais completas dos pacientes.

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Victor Lawrence
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Metamodelo Terapêutico: Aplicações e Técnicas

O documento fornece exemplos de frases completas e incompletas para ensinar terapeutas a reconhecer quando uma frase omitiu informações importantes. O objetivo é ajudar o paciente a expressar experiências de forma mais completa para que o terapeuta possa entender melhor. Exemplos incluem "Estou confuso" versus "As pessoas me confundem", mostrando como a segunda frase fornece mais contexto. Terapeutas devem aprender a identificar frases incompletas e elicitar versões mais completas dos pacientes.

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Capítulo 4

ENCANTAMENTOS PARA
CRESCIMENTO E POTENCIAL

No último capítulo, apresentamos o metamodelo para


terapia. Esse metamodelo baseia-se nas intuições de que você
já dispõe como falante nativo de sua língua. A terminologia,
entretanto, que adaptamos da linguística pode lhe ser nova.
Este capítulo é destinado a apresentar o material que lhe
permite familiarizar-se com o modo de aplicar,
especificamente, o metamodelo. Reconhecemos que, assim
como ocorre com qualquer instrumental novo, desenvolver a
nossa habilidade no uso daquele requer de início uma certa
centralização de atenção. Este capítulo fornece a cada
terapeuta que queira incorporar esse metamodelo a suas
técnicas e ao modo de proceder no encontro terapêutico uma
oportunidade de operar com os princípios e o material do
metamodelo. Por assim proceder, você será capaz de
desenvolver sua sensibilidade, será capaz de ouvir a estrutura
das comunicações verbais no encontro terapêutico e, por
conseguinte, aguçar suas intuições.
Os diversos fenômenos linguísticos específicos que
apresentaremos e que você virá a reconhecer e utilizar
convenientemente são os modos específicos em que os três
universais de modelagem humana são realizados nos sistemas
de línguas humanas. Ao introduzirmos cada fenômeno
linguístico específico, identificaremos qual desses processos
— Generalização, Eliminação ou Distorção — está envolvido.
A questão é você chegar a reconhecer e obter do paciente uma
comunicação que consista integralmente em frases que sejam
bem-estruturadas em termos de terapia. Você, como um
falante nativo, é capaz de determinar quais são as frases bem-
estruturadas em inglês; os exemplos seguintes são destinados a
aprimorar sua habilidade em detectar o que é bem estruturado
em termos de terapia — um subconjunto de frases que são
bem-estruturadas em inglês, Apresentaremos o material
ENCANTAMENTOS PARA CRESCIMENTO E POTENCIAL 85

em duas etapas: reconhecimento do que é bem-estruturado


em termos de terapia e o que fazer quando se identificou na
terapia uma frase que não é bem-estruturada.
EXERCÍCIO A

Uma das mais úteis habilidades que se pode exercitar como


terapeuta é a de distinguir o que os pacientes representam com
suas Estruturas Superficiais daquilo que se pode depreender
esteja implícito em sua superfície. Não é nova a questão de os
terapeutas se projetarem em seus pacientes. Também, mesmo
que um terapeuta possa, a partir de sua experiência,
compreender mais a respeito do que o paciente está dizendo do
que o próprio paciente possa perceber, a habilidade para
distinguir é vital. Se o paciente deixa de representar alguma
coisa que o terapeuta depreende estar lá, é precisamente essa
parte da informação que o paciente pode ter deixado de fora de
sua representação, ou é justamente aquela parte da informação
que pode fornecer indícios ao terapeuta para utilizar alguma
técnica de intervenção. De qualquer forma, a capacidade de
distinguir o que é representado do que você mesmo supre é
vital.
A diferença entre o que você, como terapeuta, pode
depreender esteja implícito na Estrutura Superficial do paciente
e o que esta literalmente representa vem de você. Aqueles
elementos que você mesmo supre podem ajustar-se, ou não, ao
modelo do paciente. Há diversas maneiras de determinar se o
que você supre se ajusta ao paciente. Sua habilidade como
terapeuta aumentará à medida que aumenta sua habilidade em
fazer essa distinção. O que gostaríamos que você fizesse agora
é ler a frase seguinte e então fechar os olhos e formar uma
imagem visual daquilo que a frase representa.
O paciente: Tenho medo!

Examinemos agora sua imagem. Ela incluirá alguma


representação visual do paciente e alguma representação dele
sentindo medo. Qualquer detalhe além dessas duas imagens foi
suprido por você. Por exemplo, se você supriu qualquer
representação daquilo que o paciente teme, ela veio de você e
pode, ou não, ser exata. Tente isso uma vez e leia esta segunda
Estrutura Superficial; feche os olhos e forme uma imagem
visual.
O paciente: Mary me feriu.

Examinemos agora sua imagem. Ela incluirá uma representaçáo


visual de alguém (Mary) e uma representação visual do
paciente. Agora examinemos de perto o modo como você
representou o processo de ferir. O verbo ferir é uma palavra
muito vaga e inespecífica. Se você representou o processo de
ferir,
86

estude sua imagem cuidadosamente. Talvez você tenha obtido


uma imagem de Mary ferindo fisicamente o paciente, ou
talvez uma imagem de Mary dizendo algo desagradável ao
paciente. Possivelmente terá formado uma imagem de Mary
atravessando a sala em que o paciente estaria sentado sem
falar com ele. Todas essas são representações possíveis da
Estrutura Superficial do paciente. A cada uma delas você
acrescentou algo à representação do verbo para formar uma
imagem para si mesmo. Você tem meios de determinar qual,
se houve alguma, dessas representações se ajusta ao paciente
— pode pedir-lhe para especificar de forma mais completa o
verbo ferir, pedir-lhe para encenar uma situação específica na
qual Mary o tenha ferido etc. A peça importante é sua
habilidade em distinguir entre o que você supre e o que o
paciente está representando com sua Estrutura Superficial.

ELIMINAÇÃO
O propósito de reconhecer eliminações é auxiliar o paciente a
restaurar uma representação de suas experiências. A eliminação é
um processo que remove porções de experiência original (o
mundo) ou da representação linguística completa (Estrutura
Profunda). O processo linguístico de eliminação é um processo
transformacional — o resultado de transformações por
eliminação — e é um caso especial do fenômeno de modelagem
geral de Eliminação em que o modelo que criamos é reduzido em
relação à coisa modelada. A Estrutura Profunda é a representação
linguística completa. A representação dessa representação é a
Estrutura Superficial — a frase real que o paciente diz para
comunicar seu modelo linguístico completo ou Estrutura
Profunda. Como falantes nativos de inglês, os terapeutas têm
intuições que lhes permitem determinar se a Estrutura Superficial
representa a Estrutura Profunda completa, ou não. Assim, pela
comparação da Estrutura Superficial com a Estrutura Profunda, o
terapeuta pode determinar o que está faltando. Exemplo:
(1) Estou confuso.
A palavra-processo básica é o verbo confundir. Este pode
ocorrer em frases com dois argumentos ou locuções nominais,
como:

(2) As pessoas me confundem.


ENCANTAMENTOS PARA CRESCIMENTO E POTENCIAL 87

Já que o verbo confuse (confundir) ocorre na frase (2) com dois


argumentos nominais (I e people), o terapeuta pode concluir que
a Estrutura Superficial (1) não é uma representação completa da
Estrutura Profunda da qual se derivou. Passo a passo, o
procedimento pode ser delineado como se segue:
Fase 1: ouça a Estrutura Superficial que o paciente
apresenta;
Fase 2: identifique os verbos nessa Estrutura
Profunda; Fase 3: determine se os verbos podem
ocorrer em uma frase mais completa — isto é, que
contenha mais argumentos ou locuções nominais do
que a original.
Se a segunda frase tem mais argumentos nominais do que a
Estrutura Superficial original apresentada pelo paciente, esta
está incompleta — uma porção da Estrutura Profunda foi
eliminada. O primeiro passo para aprender a reconhecer
eliminações é identificar frases em que ocorreram eliminações.
Assim, por exemplo, a frase (3) é essencialmente uma
representação completa de sua Estrutura Profunda:
(3) George quebrou a cadeira.
Por outro lado, a frase (4) é uma representação incompleta de
sua Estrutura Profunda:
(4) A cadeira foi quebrada.
O conjunto seguinte de frases contém algumas Estruturas
Superficiais que estão completas — sem eliminações — e
algumas que estão incompletas — ocorreram eliminações. Sua
tarefa é identificar quais das Estruturas Superficiais do grupo
seguinte estão completas e quais contêm eliminações. Lembre-
se de que você é quem decide se ocorreram eliminações —
algumas das frases podem estar mal-estruturadas em termos de
terapia por outras razões que não a eliminação. Exercícios
adicionais fornecer-lhe-ão prática em corrigir as outras coisas,
em relação a essas frases, que as tornam mal-estruturadas em
termos de terapia.
88

O grupo de frases a seguir consiste integralmente em


Estruturas Superficiais incompletas. Para cada uma, você deve
procurar tra frase que tenha a mesma palavra-processo ou
verbo e que seja mais completa — isto é, que tenha
argumentos ou locuções nominais. Junto de cada uma das
frases incompletas, fornecemos um exemplo de uma versão
mais completa utilizando o mesmo verbo. Sugerimos que você
cubra a versão mais completa, que fornecemos, com um papel
e escreva sua versão mais completa antes de ver aquela que
apresentamos. Por exemplo, com a Estrutura Superficial:
(10) Tenho medo.

Uma versão mais completa poderia ser:


(11) Tenho medo de pessoas.
Ou uma outra poderia ser a Estrutura Profunda:

(12) Tenho medo de aranhas.


A questão, evidentemente, não é tentar adivinhar que versão mais completa viríamos a
apresentar, mas lhe dar a oportunidade de encontrar versões mais completas de
Estruturas Superficiais incompletas.

O próximo grupo de frases consiste em Estruturas Superficiais


que têm mais de um verbo e podem ter nenhuma, uma ou duas
eliminações. Sua tarefa é determinar se ocorreram eliminações
e, caso afirmativo, quantas. Lembre-se de verificar cada verbo
separadamente, já que cada um pode estar independentemente
associado a eliminações.
Por exemplo, a Estrutura Superficial
(18) Não sei o que dizer.
tem uma eliminação associada ao verbo dizer (dizer a quem).
ENCANTAMENTOS PARA CRESCIMENTO E POTENCIAL 89

A Estrutura Superficial
(19) Eu disse que iria tentar.

tem duas eliminações, uma associada ao verbo dizer (disse a


quem) e outra ao verbo tentar (tentar o quê).
Uma das maneiras pelas quais as palavras-processo de
tflltura Profunda podem ocorrer na Estrutura Superficial é .sob
a forma de um adjetivo que modifica um substantivo. Para que
isso aconteça, devem ocorrer eliminações. Por exemplo, a
Estrutura Superficial
(30) Não gosto de gente confusa.

contém o adjetivo confusa. Outra Estrutura Superficial que


está intimamente associada a essa última frase é 25
(31) Não gosto de gente que é confusa.
Nessas duas Estruturas Superficiais, houve eliminações
associadas à palavra confusa (confusa para quem, a respeito de
quê). Assim, uma versão mais completa é:
(32) Não gosto de gente que é confusa para comigo a
respeito do que elas querem.
No próximo grupo de Estruturas Superficiais, identifique
as eliminações e apresente uma versão mais completa de cada
uma delas.
ENCANTAMENTOS PARA CRESCIMENTO E POTENCIAL 91

A vantagem de praticar o reconhecimento de eliminações


nas Estruturas Superficiais é torná-lo consciente das intuições
que você já tem como falante nativo e aguçá-las ainda mais. A
vantagem é ter consciência de que ocorreram eliminações. A
próxima seção é projetada para permitir que você pratique
assistência ao paciente na recuperação do material eliminado.

QUE FAZER
Uma vez que o terapeuta reconheça que a Estrutura
Superficial apresentada pelo paciente é incompleta, a tarefa
seguinte é auxiliá-lo a recuperar o material eliminado. A
abordagem mais direta de que estamos cientes é perguntar,
especificamente, pelo que está faltando. Por exemplo, o paciente
diz:
(38) Estou aborrecido.
O terapeuta reconhece que a Estrutura Superficial é uma
representação incompleta da Estrutura Profunda de onde se
originou. Especificamente, é uma versão reduzida de uma
Estrutura Profunda que tem uma representação de Estrutura
Superficial mais completa da forma:
(39) Estou aborrecido com alguém/alguma coisa.

Assim, para recuperar o material ausente, o terapeuta


pergunta:
(40) Com quem/que você está aborrecido?

Ou, de forma mais simples,


(41) Com quem/quê?

No grupo seguinte de Estruturas Superficiais, sua tarefa é


formular a pergunta ou perguntas que indagam mais
diretamente pelo material eliminado. Fornecemos exemplos
dos tipos de perguntas que elucidarão o material eliminado.
Novamente, sugerimos que você cubra as perguntas que
fornecemos e elabore suas
A ESTRUTURA DA MAMA
92

próprias perguntas apropriadas a cada uma


das Estruturas Su-
perficiais incompletas.

ALGUNS CASOS ESPECIAIS DE ELIMINAÇÃO


Identificamos três classes especiais de Eliminação. Estas
são especiais no sentido de que as encontramos frequentemente
em terapia, e as formas de Estruturas
Superficiais que elas têm podem ser
identificadas diretamente.

Classe I: Real Comparado a Quê?


A primeira classe especial de
eliminação que queremos identificar
envolve comparativos e superlativos.
Especificamente, a porção da Estrutura
Profunda eliminada é um dos termos de uma
construção comparativa ou superlativa.
Comparativos e superlativos têm duas
formas em inglês:
94

Comparativos, como o nome sugere,


envolvem uma comparação de (pelo menos)
duas coisas distintas. Por exemplo, a
Estrutura Superficial:
(62) Ela é melhor para mim do que minha
mãe.
inclui ambas as coisas comparadas (ela e
minha mãe). A classe de Estruturas que
caracterizamos como a que envolve a
eliminação de um termo da construção
comparativa inclui, por exemplo:
(63) Ela é melhor para mim.
em que um termo da comparação foi eliminado.
Esse tipo de eliminação também está
presente em Estruturas Superficiais como:
(64) Ela é uma mulher melhor para mim.
em que o adjetivo comparativo aparece à
frente do substantivo ao qual se aplica.*
Os comparativos formados com mais (= more)
aparecem nos dois exemplos:
(65) Para mim ela é mais
interessante.
(66) Paramim ela é uma mulher mais
interessante.
Novamente, um dos termos da comparação foi
eliminado. No caso de superlativos, um
membro de algum conjunto é selecionado e
identificado como o mais característico ou
o de mais alto valor no conjunto. Por
exemplo, na Estrutura Superficial:
(67) Ela é a melhor.

(68) Ela é a mais interessante.


o conjunto de onde ela foi selecionado não
é mencionado.
O conjunto seguinte de Estruturas
Superficiais é composto de exemplos de
eliminação de um termo de uma comparação
ou da eliminação do conjunto de referência
ou um superlativo. Esses exemplos são
apresentados para permitir-lhe desenvolver
sua habilidade em identificar eliminações
dessa classe.
(69) Ela é mais difícil.
(70) Ele escolheu o melhor.

o Regra específica da língua inglesa. (N. T.)


ENCANTAMENTOS PARA CRESCIMENTO E POTENCIAL 95

(71) Aquilo é o menos difícil.


(72) Ela sempre deixa o trabalho mais difícil para mim. (73)
Tenho inveja de gente feliz.
(74) Homens mais agressivos conseguem o que querem.
(75) A melhor resposta é sempre a mais difícil de achar.
(76) Nunca vi um homem mais engraçado.

Ao enfrentar essa classe de eliminações, o terapeuta será capaz


de recuperar o material eliminado, utilizando duas perguntas
simples:
Para comparativos:
o adjetivo comparativo, + comparado a quê? p. ex., mais
agressivo comparado a quê? ou, mais engraçado do que o

Para superlativos:
o superlativo, + em relação a quê? p. ex., a melhor
resposta em relação a quê? a mais difícil em relação a
quê?
Passo a passo, o procedimento é:
Fase 1: ouça o paciente, buscando em sua Estrutura
Superficial os marcadores gramaticais da construção
comparativa e da superlativa; isto é, Adjetivo + er;
more/ less, Adjetivo + est, most/least + Adjetivo.
Fase 2: no caso da ocorrência de comparativos na
Estrutura Superficial do paciente, determine se
ambos os termos que estão sendo comparados estão
presentes; no caso de superlativos, determine se o
conjunto de referência está presente.
Fase 3: para cada porção eliminada, recupere o material ausente pelo uso das
perguntas sugeridas anteriormente.

Classe II: Clara e Obviamente


A segunda classe de eliminações especiais pode ser
identificada pela ocorrência do sufixo formador de advérbios
-ly (= -mente), nas Estruturas Superficiais que o paciente
apresenta, Por exemplo, o paciente diz:
(77) Obviamente, meus pais não gostam de mim.
ou
(78) Meus pais obviamente não gostam de mim.
96

Observe-se que essas Estruturas Superficiais podem ser


parafraseadas por
(79) É óbvio que meus pais não gostam de mim.
Uma vez que essa forma esteja à disposição, o terapeuta pode
identificar, mais facilmente, que porção da Estrutura Profunda foi
eliminada. Especificamente, no exemplo, o terapeuta pergunta
(80) Para quem está óbvio?
Advérbios de Estrutura Superficial que terminam em
-mente (= -ly) são, com frequência, o resultado de
eliminações dos argumentos de uma palavra-processo ou
verbo de Estrutura Profunda. O teste de paráfrase pode ser
utilizado pelo terapeuta para desenvolver suas intuições no
reconhecimento desses advérbios. O teste que oferecemos é,
quando se encontra um advérbio terminado em -mente (z -ly),
tentar a paráfrase por meio de:
(a) eliminação do -ly (z -mente) do advérbio e colocação
do mesmo à frente da nova Estrutura Superficial que se
está criando;
(b) acréscimo da locução it is (é) à frente do advérbio;
(c) indagar se essa nova Estrutura Superficial significa a mesma coisa que a
Estrutura Superficial original do paciente.
Se a nova frase é sinônima daquela original do paciente, então o
advérbio deriva-se de um verbo de Estrutura Profunda e houve
eliminação. Agora, pela aplicação a essa nova Estrutura
Superficial dos princípios utilizados na recuperação de material
ausente, a representação de Estrutura Profunda completa pode
ser recuperada.
No conjunto seguinte de Estruturas Superficiais, determinar quais delas incluem um
advérbio que se derivou do verbo da Es-
trutura Profunda.
Uma vez que tenha identificado os advérbios que se
derivaram dos verbos da Estrutura Profunda pela paráfrase da
Estrutura Superficial original do paciente, o terapeuta pode aplicar
à paráfrase de Estrutura Superficial os métodos para recuperação
de material eliminado. Em um procedimento passo a passo, os
terapeutas podem manejar essa classe especial de eliminação, por
meio de:
Fase 1: ouvir a Estrutura Superficial do paciente em busca de advérbios -ly (=
-mente);
Fase 2: aplicar o teste de paráfrase a cada advérbio -ly;
Fase 3: se o teste de paráfrase funcionar, examinar a nova Estrutura Superficial;
Fase 4: aplicar os métodos normais para recuperação de material eliminado.

Classe III: Operadores Modais


A terceira classe de eliminações especiais é particularmente
importante na recuperação de material que foi eliminado a partir
da experiência do paciente até sua representação linguística
completa -— Estrutura Profunda. Essas Estruturas Superficiais,
frequentemente, envolvem regras ou generalizações que os
pacientes desenvolveram em seus modelos. Por exemplo, o
paciente diz:
(86) Tenho que levar em consideração os sentimentos

ou
(87) Tem-se que levar em consideração os
sentimentos de outras pessoas. ou
(88) É necessário levar-se em consideração os
sentimentos de outras pessoas.
Você será capaz de identificar inúmeras eliminações em cada uma dessas Estruturas
Superficiais, com base nos princípios e exercícios que já apresentamos (p. ex.,
sentimentos em relação a quem/ quê?). A eliminação sobre a qual queremos aqui chamar
sua atenção, entretanto, é uma eliminação de escala maior. Essas Estruturas Superficiais
fazem a reivindicação de que algo tem que ocorrer — sugerem-nos, imediatamente, a
pergunta, "Ou o quê?". Em outras palavras, para nós, terapeutas, chegarmos a
compreender claramente o modelo do paciente, temos que conhecer as consequências de
deixar de fazer aquilo que sua Estrutura Superficial alega ser necessário.
Compreendemos as Estruturas Superficiais dessa classe como da forma lógica:
E necessário que 01 ou 02 (O — oração)
em que 0 1 é aquilo que a Estrutura Superficial do paciente
alega ser necessário e 02 é aquilo que acontecerá se 01 não for
realizada — a consequência ou resultado de deixar de fazer 0 1
— então OI e 02 são o material eliminado. Assim, o terapeuta
pode perguntar:
(89) Ou o que acontecerá
ou, em uma forma mais extensa
(90) O que aconteceria se você deixasse de
em que você preenche a lacuna com a parte adequada da
Estrutura Superficial original do paciente. Especificamente,
utilizando-se o exemplo anterior, o paciente diz
(91) Tem-se que levar em consideração os
sentimentos de outras pessoas.
ENCANTAMENTOS PARA CRESCIMENTO F, POTENCIAL 99

O terapeuta pode responder,


(92) Ou o que acontecerá?
ou, de forma mais completa, 26

(93) O que aconteceria se você deixasse de levar


em consideração os sentimentos de outras
pessoas?
Essas Estruturas Superficiais podem ser identificadas pela
presença daquilo que os lógicos chamam operadores modais de
necessidade. Estes têm, em inglês, as formas Superficiais:

100

O terapeuta pode utilizå-las como palavras-chave para


reconhecer essa classe especial de Estruturas Superficiais.
No conjunto seguinte, forme uma pergunta que indague pela
consequéncia ou resultado de se deixar de fazer aquilo que a
Estrutura Superficial alega ser necessårio. Utilizamos no
exercfcio seguinte as duas for. mas de perguntas que
sugerimos anteriormente. Observe-se que essas näo säo as
duas ünicas formas de pergunta possfveis, mas, na
realidade, qualquer pergunta que recupere o material
eliminado é adequada.
ENCANTAMENTOS PARA CRESCIMENTO E POTENCIAL 101

Há um segundo conjunto de palavras-chave que os lógicos


identificaram como operadores modais de possibilidade. Mais
uma vez, esses operadores, tipicamente, identificam regras ou
generalizações a partir do modelo do paciente. Por exemplo, ele
diz:27
Novamente, baseado em sua experiência de identificar eliminações, você pode
encontrar, nestas Estruturas Superficiais, eliminações da representação da Estrutura
Profunda. Entretanto, queremos identificar, nestes exemplos, uma identificação que
ocorre a partir da experiência do paciente até a representação da Estrutura Profunda.
Especificamente, ao ouvirmos Estruturas Superficiais dessa classe, queremos indagar o
que é que torna impossível o que quer que a Estrutura Superficial alega ser impossível.
Em outras palavras, compreendemos essas Estruturas Superficiais como sendo da forma
lógica geral:
O I impede 02 de ser possível
102

em que 02 é aquilo que a Estrutura Superficial do paciente alega


ser impossível, e 01 é o material ausente. Assim, o terapeuta pode

(103) O que torna impossível?


ou, (104) O que
lhe dificulta
ou,
(105) O que o bloqueia a 7
ou,
(106) O que o impede de 7
em que a lacuna contém aquilo que a Estrutura Superficial do
paciente alega ser impossível.
Especificamente, utilizando o exemplo anterior, o terapeuta
pode indagar,
Estruturas Superficiais dessa classe podem ser facilmente identificadas pelas palavras e
locuções-chave seguintes:

A ocorrência dessas palavras-chave nas Estruturas Superficiais


do paciente identifica regras ou generalizações que
correspondem a limites do modelo do mundo do mesmo. Tais
limites são frequentemente associados à experiência do
paciente de escolha limitada ou de um conjunto limitado e
insatisfatório de opções. No conjunto seguinte de Estruturas
Superficiais, forme uma pergunta para cada uma, que (quando
respondida) recuperaria o material eliminado.
O valor de identificar e recuperar eliminações desse alcance
dificilmente pode ser superestimado, pois envolve, diretamente,
porções do modelo do paciente, em que ele experimenta opções
ou escolhas limitadas. Em uma descrição passo a passo:

Fase 1: Ouça o paciente; examine sua Estrutura Superficial em


busca de palavras e locuções-chave identificadas nesta
seção;
Fase 2: (a) se estão presentes operadores modais de necessidade,
utilize uma forma de pergunta que indague pela
consequência ou resultados eliminados de se deixar de fazer
aquilo que a Estrutura Superficial do paciente alega ser
necessário, e (b) se estão presentes operadores modais de
possibilidade, utilize uma forma de pergunta que indague
pelo material eliminado que torna impossível aquilo que a
Estrutura Superficial do paciente alega ser impossível.

DISTORÇÃO — NOMINALIZAÇÕES
O processo linguístico de nominalização é uma forma pela qual
o processo geral de modelagem de Distorção ocorre nos sistemas
das línguas naturais. O propósito de
reconhecer nominalizações
é auxiliar o paciente a religar seu modelo
linguístico aos processos dinâmicos, em
andamento, da vida. Especificamente,
reverter as nominalizações auxilia o
paciente a chegar a ver aquilo que ele
considerou um evento, acabado e além de seu
controle; é um processo em andamento que pode ser
modificado. O processo linguístico de nominalização é
um processo transformacional complexo pelo
qual uma palavra-processo ou verbo na
Estrutura Profunda aparece como uma palavra-
evento ou substantivo. O primeiro passo na
reversão de nominalizações é reconhecê-las. Os terapeutas, como
falantes nativos que são, podem utilizar
suas intuições para identificar quais
elementos da Estrutura Superficial são, de
fato, nominalizações. Por exemplo, na
Estrutura Superficial:
(115) Lamento minha decisão de
voltar para casa.
a palavra-evento ou substantivo decisão é uma nominalização.
Isso significa que na Estrutura Profunda apareceu uma
palavraprocesso ou verbo, neste caso o verbo decidir.

(116) Lamento estar decidindo


voltar para casa.
Substantivos concretos não se ajustarão à lacuna um
em andamento, de uma maneira bem-estruturada.
Por exemplo, os substantivos concretos cadeira, pipa, samambaia, lâmpada etc.
não se ajustam de uma maneira bem-estruturada — uma
cadeira em andamento, uma pipa em andamento etc. Entretanto, substantivos
como decisão, casamento, fracasso, derivados dos verbos
de Estrutura Profunda, se ajustam — uma decisão em
andamento, um casamento em andamento etc. Assim os terapeutas podem
treinar suas intuições utilizando este teste simples. Passo
a passo, o terapeuta pode reconhecer nominalizações
através de:

Fase 1: Ouvir a Estrutura Superficial


apresentada pelo paciente.
Fase 2: Para cada um dos elementos da
Estrutura Superficial que não sejam
uma palavra-processo ou verbo,
indagar-se de si mesmo se ela
descreve algum evento que seja na
realidade um processo em andamento
no mundo, ou se há algum verbo que
se assemelhe sonora/ visualmente a
essa palavra-processo, com
significado aproximado.
Fase 3: Teste para ver se a palavra-
evento se ajusta à lacuna na
estrutura sintática, um em
andamento.
106 A DA MAMA

Ocorrei' uma nominalização para cada não verbo que


ocorro na Ectrllftlra Superficial do paciente, a qual ou
descreve um even to que «e pode associar a um processo, ou
para a qual se podp encontrar um verbo que dele se aproxime
em som/aparência significado. Por exemplo, há
nominalizações na frase
Ambas as palavras-evento failure e recognition derivam-se
dos verbos da Estrutura Profunda (um fracasso failurel em
andamento, um reconhecimento recognitionl em andamento). A
Estrutura Superficial
(117) Atravessei como um relâmpago na frente do
carro.
por outro lado, não contém nominalizações.

No conjunto seguinte de Estruturas Superficiais, você


simplesmente deverá decidir que frases contêm
nominalizações. Novamente, sugerimos que você julgue cada
Estrutura Superficial por si mesmo antes de olhar os
comentários que fornecemos.

No próximo conjunto de Estruturas Superficiais, reverta


cada nominalização pela criação de uma Estrutura Superficial
intimamente associada que retransforme a nominalização ao
processo em andamento. Por exemplo, a partir da frase

(129) Estou surpreso Estou surpreso com o ante sua


fato de ela estar resisresistência a mim.
tindo a mim.

A questão aqui não é se você pode criar uma nova frase que se
equipare com a que sugerimos, mas que você aguce sua habilidade de
retransformar um processo nominalizado em um processo em
andamento. As frases que oferecemos são apenas exemplos. Lembre-
se de que nem a Estrutura Superficial original nem aqueIas com as
nominalizacões corrigidas serão bem-estruturadas em termos de
terapia até que elas preencham todas as outras condi-
Nosso terror nos bloqueia.

Minha mulher e eu nos divorciando é doloroso.


O estarmos aterrorizados nos está bloqueando.
Em cada um desses casos, as perguntas do terapeuta
requerem uma resposta por parte do paciente que envolve sua
tomada de alguma responsabilidade pelo processo de decidir.
Em qualquer dos casos, o questionamento do terapeuta
auxilia o paciente a religar seu modelo linguístico do mundo
aos processos em andamento que ali estão presentes.
As nominalizações são complexas tanto psicológica
quanto linguisticamente. Nossa experiência é que elas
raramente ocorrem por si mesmas; antes, encontramo-las
mais frequentemente em uma forma que envolve
violações de uma, ou mais, das outras condições de boa-
estruturação em terapia. Posto que já apresentamos os
exercícios sobre eliminação, iremos agora dar-lhes um
conjunto de Estruturas Superficiais que contêm tanto
nominalizações como eliminações. Pedimos que você
identifique ambas e formule uma pergunta ou série de
perguntas que tanto retransforme a nominalização em
uma forma de processo quanto indague pelo material que
foi eliminado. Por exemplo, dada a Estrutura Profunda
A decisão de voltar para casa me aborrece.

uma pergunta que tanto retransforme a nominalização em


uma forma de processo quanto simultaneamente indague
pelo material eliminado é:
(130) Quem está decidindo retornar a casa?

GENERALIZAÇÃO
Como Obter uma Imagem Clara do Modelo do Paciente
Um dos processos universais que ocorre quando os humanos
criam modelos de suas experiências é o de Generalização. Esta
pode empobrecer o modelo do paciente por ocasionar perda dos
detalhes e riqueza de suas experiências originais. Assim, a
generalização impossibilita-os de fazer distinções que lhes
dariam um conjunto mais completo de escolhas para enfrentar
qualquer situação especial. Ao mesmo tempo, a generalização
amplia a experiência dolorosa específica até o nível de o
indivíduo se sentir perseguido pelo universo (um obstáculo
intransponível a enfrentar). Por exemplo, a experiência dolorosa
específica "Lois não gosta de mim" generaliza-se em "As
mulheres não gostam de mim". O propósito de desafiar as
generalizações do paciente é o de:

(1) religar o modelo do paciente a sua experiência;


(2) reduzir obstáculos intransponíveis, que resultem de generalizações, a algo
definido que se possa começar a enfrentar;
(3) assegurar-se de que detalhes e riqueza estejam presentes
no modelo do paciente, criando assim escolhas baseadas
em distinções que não estavam previamente disponíveis.

Linguisticamente, estamos conscientes de dois importantes


modos que utilizamos para identificar as generalizações do
modeIo do paciente. Ao mesmo tempo, estes nos fornecem um
veículo para o desafio dessas generalizações. Esses são os
processos de:

(1) verificar a existência de índices referenciais para


substantivos e palavras-evento;
(2) verificar a existência de verbos e palavras-processo
completamente especificados.

Indices Referenciais
A habilidade do terapeuta em determinar se as Estruturas
Superficiais apresentadas pelo paciente estão ligadas a sua ex
ENCANTAMENTOS PARA CRESCIMENTO E
POTENCIAL 113
periência é essencial para o bom êxito da terapia. Uma forma
explícita de determinar isso é, para o terapeuta, identificar
palavras e locuções na Estrutura Superficial do paciente que
não tenham índice referencial. Por exemplo, na Estrutura
Superficial
(140) As pessoas fazem de mim o que querem.
o substantivo pessoas não tem índice referencial e, portanto,
falha em identificar alguma coisa específica na experiência do
paciente.
Por outro lado, a frase
(141) Meu pai faz de mim o que quer.
contém duas funções nominais (Meu pai e mim) ambas com
índice referencial que identifica alguma coisa específica no
modelo do paciente.
Novamente, um procedimento passo a passo está à
disposição.
Fase 1: Ouça a Estrutura Superficial do paciente,
identificando cada palavra-processo;
Fase 2: Para cada uma delas, indague-se se ela seleciona uma
pessoa ou coisa específicas no mundo.
Se a palavra ou locução falha em selecionar uma pessoa ou
coisa específicas, o terapeuta identifica então uma
generalização no modelo do paciente. No conjunto seguinte
de Estruturas Superficiais, decida para cada um dos
substantivos ou locuções se há, ou não, um índice referencial
que as torne bem-estruturadas
em terapia.

Há um caso especial, que gostaríamos de enfatizar, de certas


palavras que não têm índice referencial. Este é,
especificamente, o conjunto de palavras que contêm
quantificadores universais tais como all, each, every, any. **
O quantificador universal tem uma forma diferente quando
combinado a outros elementos linguísticos, como o elemento
negativo — never, nowhere, none, no one, nothing, nobody.
*** Quantificadores universais e palavras e locuções que os
contenham não têm índice referencial. Utilizamos uma forma
especial de desafio para o quantificador universal e palavras e
locuções que o contenham. Por exemplo, a Estrutura
Superficial apresentada anteriormente:
Ninguém presta atenção ao que eu digo.
pode ser desafiada como sugerimos antes ou, com o desafio:
(153) Você está querendo dizer que NINGUÉM JAMAIS
presta atenção a você?
O que neste ponto estamos fazendo é enfatizar a
generalização descrita pelo quantificador universal do
paciente pelo exagero tanto da qualidade de voz como pela
inserção de quantificadores universais adicionais na Estrutura
Superficial original do mesmo. Este desafio identifica e
enfatiza uma generalização no modelo do paciente. Ao
mesmo tempo, esta forma de desafio pergunta ao paciente se
há quaisquer exceções a suas generalizações. Uma única
exceção à generalização inicia o paciente no processo de
atribuir índices referenciais e garante ao seu modelo detalhes
e riqueza necessários para se ter uma diversidade de opções
para fazer frente aos problemas.
P: Ninguém presta atenção ao que eu digo.
T: Você está querendo dizer que NINGUÉM JAMAIS presta
atenção a você?
P: Bem, não exatamente.
T: OK, então; quem, especificamente, não lhe presta atenção?
Uma vez que o terapeuta tenha identificado uma
generalização, esta pode ser desafiada de diversas maneiras.
(a) Como foi mencionado na seção sobre quantificadores
universais, generalizações podem ser desafiadas pela
enfatização da natureza universal da alegação feita pela
Estrutura Superficial, por meio da inserção de quantificadores
universais nessa Estrutura Superficial. O terapeuta agora pede
ao paciente para verificar a nova generalização explícita nessa
Estrutura Superficial em comparação a sua experiência. Por
exemplo, o paciente diz:
P: É impossível confiar em alguém.
T: É sempre impossível alguém confiar em alguém?
O propósito do desafio, por parte do terapeuta, à
generalização é religar a generalização do paciente à
experiência deste. O terapeuta tem outras opções, pois pode
desafiar as generalizações do paciente.
ENCANTAMENTOS PARA CRESCIMENTO E
POTENCIAL 117
(b) Dado que o propósito de desafiar a generalização do
paciente é religar a representação deste a sua experiência, um
desafio muito direto é, literalmente, perguntar ao paciente se
ele teve uma experiência que contradiga sua própria
generalização. Por exemplo:
P: É impossível confiar em alguém.
T: Você já teve a experiência de confiar em alguém?
ou
Você já confiou em alguém?
Observe-se que, linguisticamente, o terapeuta está fazendo
diversas coisas: relacionando a generalização à experiência do
paciente, ao modificar o índice referencial de sem-índice (o
objeto indireto ausente do predicado impossível [isto é,
impossível para quem?] e o sujeito ausente do verbo confiar)
para as formas linguísticas portadoras do índice referencial do
paciente (isto é, você).
(c) Um terceiro modo de desafiar generalizações dessa forma
é perguntar ao paciente se ele pode imaginar uma experiência
que contradiga a generalização. O paciente diz:
P: É impossível confiar em alguém.
T: Você pode imaginar alguma circunstância em que você
pudesse confiar em alguém?
ou
Você pode fantasiar uma situação em que você pudesse
confiar em alguém?
Uma vez que o paciente tenha êxito em imaginar ou fantasiar
uma situação que contradiga a generalização, o terapeuta pode
assisti-lo na abertura desta parte do seu modelo, por meio de
perguntar qual é a diferença entre a experiência e a fantasia
dele, ou o que o impede de realizar a fantasia. Observe-se
que, neste ponto, uma das mais poderosas técnicas é ligar o
paciente à experiência que ele está tendo, isto é, relacionar
diretamente a generalização ao processo da terapia em
andamento. O terapeuta pode responder:
Você confia em mim agora nesta situação?
Se o paciente responde positivamente, sua generalização foi
contraditória. Se responde negativamente, todas as outras
técnicas estão à disposição, ou seja, perguntar o que,
especificamente, o está impedindo de confiar no terapeuta
nessa situação.
(d) Caso o paciente seja incapaz de fantasiar uma experiência
que contradiga sua generalização, o terapeuta pode escolher
pesquisar seus próprios modelos para encontrar um caso no
qual
118 A ESTRUTURA DA MAGIA
tenha tido uma experiência que contradiga a generalização do
paciente. Se o terapeuta puder encontrar alguma de suas
próprias experiências que seja bastante comum para que o
paciente também a possa ter tido, ele pode perguntar se essa
experiência contradiz a generalização dele.
P: É impossível confiar em alguém.
T: Você alguma vez já foi ao médico (ou dentista, andou de
ônibus ou táxi ou avião, ou ... ) ?
Uma vez que o paciente admita que teve uma experiência que
contradiz sua generalização, ele religou sua representação a sua
experiência e o terapeuta é capaz de explorar, juntamente com
ele, as diferenças.
(e) Outra abordagem para desafiar a generalização do paciente
é determinar o que torna a generalização possível ou impossível.
Essa técnica é descrita na seção sobre operadores modais de
necessidade (neste capítulo, p. 97).
P: É possível confiar em alguém.
T: O que o impede de confiar em alguém?
ou
O que aconteceria se você confiasse em alguém?
(f) Com frequência, o paciente oferecerá generalizações,
provenientes de seu modelo, na forma de generalizações a
respeito de outra pessoa. Por exemplo:
P: Meu marido está sempre discutindo comigo.
ou
Meu marido nunca sorri para mim.
Observe-se que os predicados discutir com e sorrir para
descrevem processos que estão ocorrendo entre duas pessoas. A
forma das duas frases é: o sujeito (o agente ativo), o verbo (o
nome do processo) e o objeto (a pessoa não ativa envolvida no
processo). Em ambos os exemplos anteriores, a paciente
representa a si mesma como o membro passivo do processo o
objeto do predicado evitando assim qualquer responsabilidade
quanto ao processo ou relacionamento. As generalizações
relatadas pelo paciente, nessas duas Estruturas Superficiais,
envolveram um tipo especial de eliminação — a Estrutura
Profunda é adequadamente representada por essas Estruturas
Superficiais, mas uma eliminação no processo de representar a
experiência da paciente por meio dessas Estruturas Profundas.
Em outras palavras, a paciente eliminou uma porção de sua
experiência no momento em que a representou com a Estrutura
Profunda a partir da qual essas Es-
ENCANTAMENTOS PARA CRESCIMENTO F, POTENCIAL
119
3
truturas Superficiais se derivaram. A imagem dos processos ou
relacionamento de discutir com e sorrir para é incompleta, pois
apenas uma pessoa, no relacionamento, está sendo descrita como
tendo um papel ativo. Quando tiver que enfrentar Estruturas
Superficiais desse tipo, o terapeuta tem a escolha de perguntar pela
forma com que a pessoa caracterizada como passiva está envolvi da
no processo. Uma maneira bem específica e, frequentemente,
poderosa de indagar por essa informação é permutar os índices
referenciais contidos na generalização do paciente. Nos exemplos
dados a permuta seria1Meu marido mim (a paciente) Meu marido
Ao fazer essas permutas nos índices referenciais, o terapeuta cria
uma nova Estrutura Superficial baseada na Estrutura Superficial
original da paciente. Especificamente:
Meu marido sempre discute comigo.
Eu sempre discuto com meu marido.
Meu marido nunca sorri para mim. Eu nunca sorrio para meu
marido.
Uma vez que os índices referenciais são permutados, o terapeuta
pode então pedir à paciente para verificar essas novas Estruturas
Superficiais com a pergunta:
Você sempre discute com seu marido?
Você nunca sorri para seu marido?
Aqui está, à disposição, uma distinção linguística adicional, que pode
ser útil ao terapeuta: predicados que descrevem processos ou
relacionamentos entre duas pessoas são de dois tipos lógicos
diferentes:
(a) Predicados Simétricos: predicados que, se exatos, implicam
necessariamente que seus opostos são também exatos. O predicado
discutir com é desse tipo lógico. Se a Estrutura Superficial:
Meu marido sempre discute comigo.
120 A ESTRUTURA DA MAGIA
é exata, então necessariamente a Estrutura Superficial:
Eu sempre discuto com meu marido.
1
é também exata. Essa propriedade de predicados simétricos é
presentada linguisticamente pela forma geral:
Se uma Estrutura Superficial da forma X Predicado Y é verdadeira e
Predicado é um predicado simétrico, então necessariamente a
Estrutura Superficial da forma Y Predicado X também é verdadeira.
Se você está discutindo comigo, então, necessariamente, eu estou
discutindo com você. Essa afirmação é feita pela expressão "quando
um não quer dois não brigam". No caso de aplicação da técnica de
permuta de índice referencial na Estrutura Superficial, o terapeuta
sabe que o resultado será uma generalização que está necessariamente
implícita no original. Essa técnica auxilia o paciente na religação de
sua representação a sua experiência.
(b) Predicados Não Simétricos: predicados que descrevem um
relacionamento cujo inverso não é necessariamente verdadeiro. O
predicado sorrir para é desse tipo lógico. Se a Estrutura Superficial:
Meu marido nunca sorri para mim.
é exata, então pode ser, ou não, verdade que a Estrutura Superficial
inversa .com os índices referenciais permutados) também seja
exata:
Eu nunca sorrio para meu marido.
Dado que não há nenhuma necessidade lógica de que o inverso da
Estrutura Superficial com um predicado não simétrico seja exata,
nossa experiência é a de que o inverso é, com frequência,
psicologicamente exato. Quer dizer, frequentemente, quando o
paciente estabelece uma generalização a respeito de outra pessoa
(principalmente se o relacionamento entre o paciente e a pessoa
que está sendo caracterizada é um relacionamento importante para
aquele), o inverso é verdadeiro. Tradicionalmente, esse fenômeno é
denominado projeção, em algumas formas de psicoterapia. Se o
inverso da Estrutura Superficial do paciente vem a ser exato, ao
pedir-lhe para verificar isso, o terapeuta começa a recuperar o
material ausente e a auxiliá-lo na religação de sua representação à
sua experiência.
ENCANTAMENTOS PARA CRESCIMENTO E POTENCIAL
121
(c) Os pacientes algumas vezes apresentam generalizações
provenientes de seu modelo sob a forma:
Por exemplo, um paciente diz:
P: Tenho que cuidar das outras pessoas.
a que o terapeuta pode replicar (como foi descrito na seção sobre
operadores modais)
T: Ou o que acontecerá?
P: Ou elas não gostarão de mim.
Assim, a generalização completa é:
Tenho que cuidar das outras pessoas ou elas não gostarão de mim.
Essa generalização envolve uma alegação de que há um
relacionamento causal necessário entre o fato de o paciente cuidar (ou
não) de outras pessoas e o fato de outras pessoas gostarem dele. A
mesma alegação está envolvida na Estrutura Superficial:
Se não cuido das pessoas, elas não irão gostar de mim.
De fato, dentro dos sistemas formais, a equivalência lógica se
mantém.29
X ou Y = não X. Y
Se os pacientes apresentam, espontaneamente, suas generalizações na
forma X ou Y, ou suprem, sob questionamento, a segunda
122 A ESTRUTURA DA MAGIA
porção — o resultado ou consequência— , suas
generalizações podem ser reformuladas pelo terapeuta na
forma Se... então... equivalente. Uma vez que o terapeuta
tenha feito o paciente verificar a forma Se... então... de sua
generalização, pode desafiá-la pela introdução de negativas
em ambos os membros da generalização e apresentar ao
paciente a Estrutura Superficial resultante:
Se você cuidar das outras pessoas, elas irão gostar de
O terapeuta pode utilizar essa técnica reversiva em
combinação com outras técnicas; por exemplo, algumas das
discutidas sob operadores modais ou quantificadores
universais, obtendo o desafio à Estrutura Superficial:
Se você cuidar das outras pessoas, necessariamente elas
irão gostar de você? sempre
Generalização Complexa — Equivalência
Queremos assinalar uma forma adicional, que ocorre com
frequência, de generalização que é algo mais complexa do
que aquelas que até então consideramos nesta seção. Essas
generalizações complexas envolvem Estruturas Superficiais
que são equivalentes no modelo do paciente. Tipicamente,
ele diz uma dessas Estruturas Superficiais, faz uma pausa e,
a seguir, diz a segunda. As duas Estruturas Superficiais têm
como característica a mesma forma sintática. Por exemplo:
Meu marido nunca me aprecia... Meu marido nunca sorri
para mim.
As duas Estruturas Superficiais são sintaticamente
paralelas: Substantivo 1 — Quantificador Universal —
Verbo
Substantivo 2 em que Substantivo 1 = meu marido
Substantivo 2 = me (a paciente)
Observe-se que uma dessas Estruturas Superficiais (a
primeira) envolve uma violação de uma das condições de
boa-estruturação em terapia; especificamente, a paciente
está alegando conhecimento de um dos estados interiores
(aprecia) de seu marido, sem estabelecer como teve
conhecimento disso —- um caso de leitura de mente. Na
segunda Estrutura Superficial, é descrito o pro-
ENCANTAMENTOS PARA CRESCIMENTO E
POTENCIAL 123
cesso de uma pessoa sorrir, ou não, para outra uma experiência
verificável, que não requer conhecimento do estado interior dessa
outra pessoa. Essas duas amostras de Estruturas Superficiais são
generalizações que podem ser desafiadas (utilizando-se a técnica
descrita na seção sobre quantificadores universais). Neste
momento, entretanto, desejamos oferecer uma técnica rápida, que
produz, com frequência, resultados dramáticos. O terapeuta
primeiro verifica se as duas Estruturas Superficiais são, de fato,
equivalentes no modelo da paciente. Isso é feito com facilidade
ao se indagar diretamente se as duas Estruturas Superficiais são
equivalentes:
P: Meu marido nunca me aprecia... Meu marido nunca sorri para
mim.
T: O fato de seu marido jamais sorrir para você significa que ele
não a aprecia?
A paciente aí então está diante de uma escolha — negará a
equivalência, e o terapeuta poderá indagar como ela realmente
sabe que o marido não a aprecia, ou constatará a equivalência.
Nesse último caso, o terapeuta aplica a técnica de permuta de
índice referencial:
Meu marido me (a paciente) me (a paciente) Meu marido
Isso resulta na transformação ela Estrutura Superficial a partir de:
O fato de seu marido jamais sorrir para você significa que ele não
a aprecia?
para a Estrutura Superficial:
O fato de você jamais sorrir para seu marido significa que você
não o aprecia?
Vamos rever o que aconteceu até o momento:
1. A paciente diz duas Estruturas Superficiais que estão
separadas por uma pausa e têm a mesma forma sintática uma
envolvendo leitura de mente e outra não.
2. O terapeuta verifica se as duas Estruturas Superficiais são
equivalentes.
3. A paciente constata a equivalência.
Assim, temos a situação:
(X não sorri para Y) = (X não aprecia Y) em que X é o marido da
paciente e Y é a própria.
124 A ESTRUTURA DA MAGIA
4. O terapeuta permuta os índices referenciais e pede à pau
ciente para verificar a nova generalização. A nova Estrutura
Sus

(X não sorri para Y) = (X não aprecia Y) em que X é a


paciente e Y é o marido da paciente.
5. Tipicamente, a paciente nega a equivalência quando ela
é o sujeito agente ativo do processo.
(X não sorri para Y) = (X não aprecia Y) em que X é a
paciente e Y é o marido da paciente.
Se a paciente aceita a nova generalização, o terapeuta tem todas
as opções usuais para desafiar a generalização. Nossa experiência
é a de que a paciente raramente aceitará a nova generalização.
6. O terapeuta agora pode começar a explorar a diferença
entre as duas situações: aquela em que a equivalência se
mantém e aquela em que ela não o faz. A paciente, mais uma
vez, religou sua generalização a sua experiência. O
intercâmbio global assemelhase a:
P: Meu marido nunca me aprecia... Meu marido
nunca sorri para mim.
T: O fato de seu marido jamais sorrir para você
significa que ele não a aprecia?
P: Sim, é isso!
T: O fato de você jamais sorrir para seu marido
significa que você não o aprecia!
P: Não, isso não é a mesma coisa.
T: Qual é a diferença?
Verbos Não Completamente Especificados
A segunda forma de generalização que ocorre nos sistemas de
línguas naturais é aquela de verbos que não estão completamente
especificados. Por exemplo, nas Estruturas Superficiais
(154) Minha mãe me feriu.
(155) Minha irmã me chutou.
(156) Minha amiga tocou-me a face com os
lábios.
ENCANTAMENTOS PARA CRESCIMENTO E
POTENCIAL 125
a imagem apresentada é progressivamente mais específica e
clara. Assim, na primeira, a mãe mencionada pode ter causado
algum ferimento físico ou o ferimento pode ter sido
"psicológico", ela pode tê-lo feito com uma faca ou uma palavra
ou um gesto... tudo isso fica sem especificação completa. Na
frase seguinte, a irmã mencionada pode ter chutado o falante com
o pé esquerdo ou com o direito, mas está especificado que foi
com o pé; onde o falante foi chutado fica sem especificação. No
terceiro exemplo, a imagem apresentada é ainda mais
especificada — a maneira pela qual a amiga mencionada fez o
contato é especificada (tocou com os lábios) e o local no corpo
do falante, onde o contato foi feito, também é especificado (a
face). Observa-se, entretanto, que a duração do contato, a
brutalidade ou delicadeza foram deixadas sem especificação.30
Todo verbo de que temos conhecimento é, até certo ponto, não
completamente especificado. A clareza da imagem apresentada
pelo verbo é determinada por dois fatores:
(1) O próprio significado do verbo. Por exemplo,
simplesmente pelo seu significado o verbo beijar é
mais específico do que o verbo tocar — beijar é
equivalente a uma forma específica de tocar; a saber,
tocar com os lábios.
(2) A carga de informação apresentada pelo resto
da frase em que o verbo ocorreu. Por exemplo, a
locução feriu pela rejeição é mais especificada do
que simplesmente o verbo ferir.
Dado que todo verbo é até certo ponto não completamente
especificado, sugerimos o seguinte procedimento:
Fase 1: Ouça a Estrutura Superficial do paciente, identificando as
palavras-processo ou verbos;
Fase 2: Pergunte-se se a imagem apresentada pelo verbo, na
frase, está bastante clara para você visualizar a sequência real dos
eventos que estão sendo descritos.
Se o terapeuta acha que a imagem que obteve do verbo e das
palavras e locuções que o acompanham na Estrutura Superficial
do
30
Aqui, na análise de verbos que são diferentemente
especificados, suspeitamos que algumas das pesquisas que estão
sendo conduzidas atualmente no campo da Semântica Gerativa
(vide McCawley, Lakoff, Grinder e Postal na bibliografia) serão
particularmente proveitosas na expansão posterior do
metamodelo.
A ESTRUTURA DA MAMA
126
paciente não está clara o bastante para que visualize a sequência real
dos eventos que estão sendo descritos, então deve pedir um verbo
mais completamente especificado. A pergunta disponível ao
terapeuta para esclarecer a imagem pobremente definida é,
Como, especificamente, X (verbo) Y?
em que X = o sujeito do verbo não completamente especificado e Y
= o verbo não completamente especificado + o restante da Estrutura
Superficial do paciente.
Por exemplo, dada a Estrutura Superficial
(157) Susan feriu-me.
o terapeuta pede uma imagem mais completamente especificada, por
meio da pergunta
(158) Como, especificamente, Susan feriu você?
Para o conjunto seguinte de Estruturas Superficiais, formule uma
pergunta que, quando respondida, esclareça sua imagem da
ação que está sendo descrita.
ENCANTAMENTOS PARA CRESCIMENTO E POTENCIAL
127

Toda Estrutura Superficial que é bem-estruturada em inglês contém


uma palavra-processo ou verbo. Nenhum dos verbos que
encontramos estava completamente especificado. Portanto, todo
verbo das Estruturas Superficiais do paciente oferece ocasião para o
terapeuta verificar se a imagem apresentada é clara.

PRESSUPOSIÇÕES
Pressuposições são um reflexo linguístico do processo de Distorção.
O propósito do terapeuta ao reconhecer pressuposições é assistir o
paciente na identificação dessas suposições básicas que
empobrecem seu modelo e limitam suas opções para enfrentar a
situação. Linguisticamente, essas suposições básicas mostram-se
como pressuposições nas Estruturas Superficiais do paciente. Por
exemplo, para se obter sentido da Estrutura Superficial
(164) Tenho medo de que meu filho esteja ficando tão preguiçoso
quanto meu marido.
o terapeuta tem que aceitar como verdadeira a situação expressa pela
frase pressuposta por essa frase. Especificamente,
(165) Meu marido é preguiçoso.
Observe-se que essa última Estrutura Superficial, a pressuposição da
anterior, não aparece tão direta e claramente em nenhuma parte da
frase que a pressupõe. Os linguistas desenvolveram um teste para
determinar quais são as pressuposições de qualquer frase dada. São
elas, quando adotadas para o metamodelo:
Fase 1: Ouça a Estrutura Superficial dopaciente em busca da
palavra-processo ou verbo principal — chamemos a esta frase A;
Fase 2: Crie uma nova Estrutura Superficial pela introdução da
palavra negativa junto ao verbo principal na Estrutura Superficial do
paciente chamemos a esta frase B;
Fase 3: Pergunte-se o que tem que ser verdade tanto para A como
para B fazerem sentido.
Todas as coisas (expressas na forma de outras frases) que têm que
ser verdadeiras tanto para A como para B fazerem sentido
128 A ESTRUTURA DA MAGIA
são as pressuposições da frase original do paciente. Especifica-

Tenho medo de que meu filho esteja ficando tão preguiçoso quanto
meu marido.
ao introduzir a negativa junto ao verbo principal (ter medo), o
rapeuta cria uma segunda frase,
(166) Não tenho medo de que meu filho esteja ficando tão
preguiçoso quanto meu marido.
A questão aqui é que, para o terapeuta obter sentido dessa nova
Estrutura Superficial, tem que ser verdadeiro o fato de que
(165) Meu marido é preguiçoso.
Já que tanto a Estrutura Superficial da paciente como a nova
Estrutura Superficial formada a partir desta pela introdução do
elemento negativo exigem que essa última frase (165) seja
verdadeira, essa última Estrutura Superficial é a pressuposição da
frase original da paciente.
No conjunto de Estruturas Superficiais que se segue, identifique as
pressuposições de cada uma das frases.

Os linguistas identificaram um grande número de formas específicas


ou ambientes sintáticos na linguagem em que ocorrem,
necessariamente, pressuposições. Por exemplo, qualquer porção de
uma Estrutura Superficial que ocorra após os verbos principais
perceber, estar consciente, ignorar etc. é uma pressuposição ou
suposição necessária dessa Estrutura Superficial. Observe-se que
essas formas específicas ou ambientes sintáticos são independentes
do conteúdo ou significado das palavras e locuções utilizadas.
Incluímos um apêndice (Apêndice B) que identifica esses ambientes
sintáticos para auxiliar aqueles que desejam exercitarse melhor no
reconhecimento das formas de linguagem que apresentam
pressuposições.
Identificadas as pressuposições das Estruturas Superficiais do
paciente, o terapeuta pode agora desafiá-las. Devido à complexidade
das pressuposições, ele tem inúmeras escolhas.
1. O terapeuta pode apresentar ao paciente a pressuposição
diretamente implícita em sua Estrutura Superficial original. Ao fazer
isso, ele pode pedir ao paciente para explorar essa pressuposição,
utilizando as outras condições de boa-estruturação em terapia.
Por exemplo, a paciente diz
(172) Tenho medo de que meu filho esteja ficando tão preguiçoso
quanto meu marido.
O terapeuta identifica a pressuposição
(173) Meu marido é preguiçoso.
e a apresenta à paciente, perguntando-lhe como, especificamente,
seu marido é preguiçoso. A paciente responde com outra Estrutura
Superficial que o terapeuta avalia quanto à boa-estruturação em
terapia,
2. O terapeuta pode decidir aceitar a pressuposição e aplicar a
condição de bem-estruturada em terapia à Estrutura Superficial
original do paciente, pedindo para especificar o verbo, recuperar o
material eliminado etc.
130 A ESTRUTURA DA MAGIA
Apresentaremos um conjunto de Estruturas Superficiais que
têm pressuposições e daremos algumas formas possíveis de
desafiá-las. Lembre-se de que as perguntas que oferecemos
são exemplos e não exaurem todas as possibilidades.

BOA-ESTRUTURAÇÃO SEMÂNTICA
O propósito do reconhecimento de frases que sejam
semanticamente mal-estruturadas é assistir o paciente na
identificação de porções de seu modelo que estão, de
alguma forma, distorcidas e que empobrecem as
experiências que lhe são disponíveis. Tipicamente, essas
distorções empobrecedoras se apresentam como limitação
às opções do paciente, forma essa que reduz a capacidade
de ação do paciente. Identificamos algumas classes de
máestruturação semântica, que ocorrem com frequência, as
quais tipicamente encontramos em terapia. Apresentamos a
seguir a caracterização linguística para cada classe. As
escolhas que o terapeuta tem para lidar com as primeiras
duas classes de Estruturas Superficiais semanticamente mal-
estruturadas são essencialmente as mesmas. Portanto,
apresentaremos essas escolhas em uma seção, após termos
apresentado essas duas classes.
Causa e Efeito
Essa classe de Estruturas Superficiais semanticamente
malestruturadas envolve a crença, por parte do falante, de
que uma pessoa (ou conjunto de circunstâncias) pode
desempenhar algum ato que necessariamente faça com que
outra pessoa experimente alguma emoção ou estado
interior. Tipicamente, a pessoa que experimenta essa
emoção ou estado interior é retratada como não tendo
escolha para responder da maneira por que o faz. Por
exemplo, o paciente diz:
ENCANTAMENTOS PARA CRESCIMENTO F,
P0TENCIAL 131
(176) My wife makes me feel angry *
Observe-se que essa Estrutura Superficial apresenta uma
imagem vaga em que um ser humano (identificado como
minha mulher) desempenha algum ato (inespecificado) que
necessariamente faz com que outra pessoa (identificada
como me) experimente alguma emoção (irritação).
Estruturas Superficiais mal-estruturadas, que sejam
membros dessa classe, podem ser identificadas por uma de
duas fórmulas gerais:
A Estrutura Superficial apresentada anteriormente
enquadra-se nessa forma, a saber:
Além das Estruturas Superficiais que são dessas duas
formas gerais, há outras que têm uma forma diferente,
porém as mesmas relações de sentido. Por exemplo, a
Estrutura Superficial
tem a mesma relação de sentido que a Estrutura Superficial
De fato, este teste de paráfrase pode ser utilizado para
auxiliar os terapeutas no treinamento de suas intuições para
reconhecer Estruturas Superficiais desse tipo, mal-
estruturadas semanticamente. Especificamente, se a
Estrutura Superficial que o paciente apresenta puder ser
traduzida a partir de
em que o adjetivo é uma forma relacionada ao verbo na
Estrutura Superficial original do paciente e a nova Estrutura
Superficial sig-
(178) Ela me compele a ser ciumento. (179) Você sempre
me faz sentir feliz. (180) Ele forçou-me a sentir mal.
(181) Ela me causa muito sofrimento.
(182) O fato de você escrever na parede me incomoda.
(183) choro deles me irrita. (N. T.) (184) Você me
deprime.
(185) Você me faz sentir deprimido. (N. T.)
ENCANTAMENTOS PARA CRESCIMENTO E
POTENCIAL 133
nifica o mesmo que a Estrutura Superficial original do
paciente, então a Estrutura Superficial é semanticamente mal-
estruturada. Como mais um exemplo, o paciente diz
(186) You bore me.*
Para aplicar o teste de paráfrase, desloque o verbo dessa
Estrutura Superficial para o fim da nova Estrutura Superficial,
coloque o verbo cause ou make (causar ou fazer) na posição
original do primeiro e insira o verbo feel ou experience (sentir
ou experimentar), produzindo
(187) You make me feel bored.**
A questão agora é se essa nova Estrutura Superficial e a
original do paciente significam a mesma coisa. Neste caso,
sim, e a Estrutura Superficial original do paciente é
identificada como semanticamente mal-estruturada. Para
assisti-lo no treinamento de suas intuições na identificação
dessa classe de Estruturas Superficiais mal-estruturadas
semanticamente, apresentamos o conjunto seguinte de frases.
Determine quais das Estruturas Superficiais são mal-
estruturadas pela utilização do teste de paráfrase com a for-
ma (A). (192) Os
(188) Music pleases policiais me
me. seguem. (N.
(189) My husband T.)
likes me. * Music makes me
(190) Your ideas feel pleased.
annoy me. = My husband makes
(191) His plan insults me feel liked.
me. Your ideas make
(192) Policemen me feel annoyed.
follow me. * His plan makes me
(186) Você me aborrece. (N. T.) feel insulted.
(187) Você me faz sentir aborrecido. Policemen make me
(N.T.) *** (188) A música me feel followed.***
reconforta.
(189) Meu marido gosta de mim. (190)
Suas ideias me aborrecem.
(191) O plano dele me insulta.
134 A ESTRUTURA DA MAGIA
Outra forma de Estruturas Superficiais desta classe que
ocorre com frequência é
(193) I'm sad thatyouforgot our
anniversary.
ou,
(194) I'm sad since youforgot our
anniversary.
ou,
(195) I'm sad because youforgot our
anniversary.*
Novamente, essas três Estruturas Superficiais podem ser
parafraseadas pela Estrutura Superficial:
(196) Yourforgetting our anniversary
makes me feel sad. **
Observe-se que essa última Estrutura Superficial é da
forma geral (B). Assim, um teste de paráfrase está
novamente à disposição para auxiliá-lo no treinamento de
suas intuições. Especificamente, se a Estrutura Superficial
do paciente pode ser parafraseada por uma frase de forma
geral (B), ela é semanticamente mal-estruturada.
Apresentamos mais um conjunto de Estruturas
Superficiais.
Determine quais delas são semanticamente mal-
estruturadas, pela utilização do teste de paráfrase de forma
(B).
(197) I'm down since Your not helping
you me
won't help me. makes me feel
down.
(198) I'm Ionely Your not being
because here
you're not here. makes me feel
Ionely.
(199) I'm happy that My going to
I'm Mexico
going to Mexico. makes me feel
happy.***
(193) Estou triste pelo fato de você ter
esquecido nosso aniversário de
casamento.
(194) Estou triste já que você esqueceu nosso
aniversário de casamento.
(195) Estou triste porque você esqueceu nosso
aniversário de casamento.
(N.T.)
(196) O seu esquecimento do nosso aniversário de
casamento faz-me sentir triste, (N. T.)
(197) Estou deprimido posto que você não me ajudará.
(198) Estou só porque você não está aqui.
(199) Estou feliz por estar indo para o México.
ENCANTAMENTOS PARA CRESCIMENTO F,
POTENCIAL 135
(Observação: o teste de paráfrase funciona, mas a Estrutura
Superficial não é mal-estruturada, dado que ambos os
substantivos X e Y na forma geral (B) têm o mesmo índice
referencial.)
(200) She's hurt that you're Your not
paying not paying any any attention to her
attention to her. * makes her feel hurt.
Mas,
Além das formas de Estruturas Superficiais que apresentamos,
que envolviam modos pelos quais o paciente experimenta não ter
escolhas, achamos útil auxiliar outros terapeutas a ouvir a
palavra-chave mas. Essa conjunção, que se traduz logicamente,
em muitos de seus usos, como e não, funciona para identificar
aquilo que o paciente considera as razões ou condições que
tornam impossível algo que ele quer, ou tornam necessário algo
que ele não quer. Por exemplo, o paciente diz:
(201) Eu quero sair de casa, mas meu pai
está doente.
Quando ouvimos Estruturas Superficiais dessa forma,
entendemos estar o paciente identificando um relacionamento de
causaefeito em seu modelo do mundo. Assim, chamamos as
Estruturas Superficiais dessa forma geral de Causativas
Implícitas.
(202) XmasY
No exemplo específico anterior, o paciente está relatando o que é
uma conexão causal necessária em seu modelo, a saber, que o
fato de o pai estar doente o impede de sair de casa. A porção da
Estrutura Superficial representada por X identifica algo que o
paciente quer (isto é, sair de casa) e a porção representada por Y
identifica a condição ou razão (isto é, meu pai está doente)
porque o paciente está bloqueado para obter X. Identificamos
outra forma comum que têm as Causativas Implícitas,
tipicamente, nas Estruturas Superficiais. O paciente diz:
(203) Não quero sair de casa, mas meu pai
está doente.
* (200) Ela está sentida porque você não lhe está dando
nenhuma atenção. (N.T.)
136 A ESTRUTURA DA MAGIA
Nessa forma de Causativa Implícita, o X representa algo que o
paciente não quer (isto é, sair de casa), e Y representa a condição
ou razão que o está forçando a experimentar algo que ele não
quer (isto é, meu pai está doente). Em outras palavras, o fato de
o pai estar doente o está forçando a sair de casa. Essas são as
duas Causativas Implícitas que encontramos com maior
frequência. Ambas as formas partilham a característica de que o
paciente não experimenta escolha. No primeiro caso, ele quer
algo (o X na forma geral X mas Y) e alguma condição o está
impedindo de obtê-lo (o Y). No segundo caso, o paciente não
quer algo (o X), mas alguma outra coisa (o Y) o está forçando a
experimentá-lo. O conjunto seguinte de Estruturas Superficiais é
composto de exemplos de Cansativas Implícitas, para auxiliá-lo
no reconhecimento do relacionamento semântico.
(204) Eu modificaria, mas muitas pessoas
dependem de mim.
(205) Não quero me zangar, mas ele está
sempre me culpando.
(206) Eu gostaria de chegar até o fundo
disto, mas estou tomando demasiado tempo
do grupo.
(207) Não gosto de ser duro, mas meu
trabalho o exige.
Os terapeutas têm ao menos as três escolhas que se seguem para
enfrentar as Causativas Implícitas.
(a) Aceitar a relação causa-efeito e indagar se é sempre assim.
Por exemplo, o paciente diz:
(205) Não quero me zangar, mas ela está sempre me culpando.
O terapeuta pode responder:
(208) Você sempre fica zangado quando ela o culpa?
O paciente reconhecerá, frequentemente, as vezes em que ela o
culpou e ele não ficou zangado. Isso abre a possibilidade de
determinar qual é a diferença entre essas vezes e quando o fato
de ela o culpar "faz automaticamente" o paciente se zangar.
(b) Aceitar a relação causa-efeito e pedir ao paciente para
especificar de forma mais completa essa relação de Causativa
Im-
ENCANTAMENTOS PARA CRESCIMENTO E
POTENCIAL 137
plícita. À Estrutura Superficial do paciente anterior, o terapeuta
pode responder:
(209) Como, especificamente, o fato de ela o culpar o faz ficar
zangado ?
O terapeuta continua a pedir por detalhes específicos, até que
tenha uma imagem clara do processo de Causalidade Implícita
como foi representado no modelo do paciente.
(c) Desafiar a relação causa-efeito. Uma forma direta de se fazer
isso que pensamos ser proveitosa é realimentar uma Estrutura
Superficial que inverta a relação. Por exemplo, o paciente diz:
(205) Não quero me zangar, mas ela está sempre me culpando.
O terapeuta pode responder: 31
(210) Então, se ela não o culpasse, você
não ficaria zangado, não é verdade?
ou o paciente diz:
(201) Eu quero sair de casa, mas meu pai está doente, O
terapeuta pode responder:
(211) Então, se seu pai não estivesse
doente, você sairia de casa, certo?
31
Leitores familiarizados com sistemas lógicos notarão uma
semelhança entre partes da técnica de inversão para Causativas
Implícitas e a regra formal de derivação chamada Contraposição.
A transformação da Estrutura Superficial original em desafio
pelo terapeuta pode ser representada pela sequência seguinte:
Linha 1: X mas Y
Linha 2: X e não X porque Y
Linha 3: não X porque Y
Linha 4: não Ye não não X
Especificamente, se o conectivo de língua natural porque tivesse
de ser interpretado como o conectivo lógico implica, então a
transformação entre as linhas 3 e 4 é a Contraposição da
transformação formal.
138 A ESTRUTURA DA MAGIA
Essa técnica importa em pedir ao paciente que inverta a
condição, em seu modelo, que o está impedindo de conseguir
aquilo que quer, ou pedir que inverta ou remova as condições,
em seu modelo, que o estão forçando a fazer algo que não quer
e, então, perguntar se essa inversão lhe dá o que ele quer.
Examinemos esse processo cuidadosamente. Se alguém me diz:
Quero relaxar, mas minhas costas estão me matando.
entendo estar ele dizendo:
não posso relaxar
Quero relaxar, mas não estou relaxado Porque minhas costas
estão me matando.
Assim, Estruturas Superficiais da forma:
X mas Y envolvem uma eliminação. A forma completa é:
X e não X porque Y
A utilizarmos o exemplo anterior, temos a Estrutura Superficial
inicial:
Eu quero sair de casa, mas meu pai está doente.
a qual, utilizando-se a equivalência que sugerimos, tem uma
representação completa:
não posso sair
Eu quero sair de casa e de casa porque
não saio meu pai está doente.
Uma vez que a versão mais completa da Estrutura Superficial
original esteja à disposição, o terapeuta pode aplicar a técnica de
inversão para Causativas Implícitas. A partir de uma Estrutura
Superficial da forma
X e não X porque Y
ele forma uma nova Estrutura Superficial invertida com apenas a
segunda parte da versão mais completa:
não X porque Y
ENCANTAMENTOS PARA CRESCIMENTO E
POTENCIAL 139
Essa nova Estrutura Superficial consiste em uma construção
Se.. então. .. com essa última porção da representação
completa invertida, em que foram acrescentadas negativas
tanto para a porção X como para a Y. Passo a passo:
(1) Coloque a última porção da representação
completa em uma construção Se... então... em
ordem inversa —
não saio
Se (meu pai está doente), então não posso sair de casa).
{ ) significa uma expressão ou a outra nenhuma das duas.
(2) Introduza negativas nas duas partes, Se e
então
não estivesse não posso não sair de casa).
Se (meu pai não não saio (doente), então ou, transpondo as
negativas duplas para inglês gramatical:
eu poderia sair
Se (meu pai não estivesse eu sairia de casa).
(doente), então
(3) Apresente a generalização invertida ao
paciente para constatação ou negação.
Se seu pai não estivesse doente, você sairia de casa?
Essa técnica de inversão tem sido, em nossa experiência, muito
eficaz no desafio da generalização envolvida de Causa-Efeito.
O paciente, com frequência, tem êxito em assumir a
responsabilidade por sua decisão de continuar a fazer, ou não,
aquilo que ele originalmente alegava estar sob o controle de
alguém ou de alguma coisa. A título de revisão, a técnica de
inversão, para as Causativas Implícitas da forma X mas Y,
envolve os passos seguintes:
(1) Amplie a Estrutura Superficial original do paciente até sua
versão mais completa .com a eliminação restaurada), utilizando
a equivalência:
(X mas Y) (X e não X porque Y)
quero de casasair mas está meu doentepai quero de casasair e não não posso devo sair casade porque
está meu doentepai
(2) Coloque a segunda porção da Estrutura Superficial restaurada — a porção após o e — em uma
construção Se... então... na ordem invertida: (Ver nota da p. 125)
(3) Introduza negativas na nova Estrutura Superficial, nas porções Se e então: (Ver nota da p. 125)
(2)
(não X porque então não X)
não posso sair de meu paimeu pai não posso sair de c:
Se então
não devo casaporque está doenteestá doente não devo casa
(3) então não X) (Se não Y então não não X)
Se meu pai não posso sair de Se meu pai não não posso sair de então não devo casaestivesse
doente então não devo não casa
está doente
(4) Apresente a forma final da nova Estrutura Superficial como um desafio à generalização original do
paciente.32
Bem, então, se seu pai não estivesse doente, você sairia de casa?
ENCANTAMENTOS PARA CRESCIMENTO E
POTENCIAL 141
(d) Uma técnica adicional que consideramos proveitosa é fortalecer
as generalizações do paciente a respeito da Causativa Implícita pela
inserção do operador modal de necessidade na Estrutura Superficial
do mesmo quando a realimentamos, pedindo-lhe para constatá-la
ou desafiá-la. Por exemplo, o paciente diz:
(201) Eu quero sair de casa, mas meu pai está doente.
O terapeuta pode responder:
(212) Você está dizendo que o fato de seu pai estar doente
necessariamente o impede de sair de casa?
O paciente obstará, com frequência, essa Estrutura Superficial, já
que ela alega ostensivamente que os dois eventos, X e Y, estão
necessariamente ligados. Se o paciente protesta aqui, o caminho
está aberto para ele e o terapeuta explorarem como isso não é
necessariamente assim. Se o paciente aceita a versão fortalecida
.com necessariamente), o caminho está aberto para explorar como
essa conexão causal necessária funciona na realidade, indagando
por mais detalhes específicos sobre essa conexão. Esta técnica
funciona particularmente bem em conjunção com as opções (a) e
(b) descritas anteriormente.
Leitura de Mente
Esta classe de Estruturas Superficiais semanticamente
malestruturadas envolve a crença, por parte do falante, de que uma
pessoa pode saber o que outra está pensando e sentindo sem uma
comunicação direta por parte da segunda pessoa. Por exemplo, o
paciente diz:
(213) Todo mundo no grupo acha que estou
tomando muito tempo do grupo.
Observe-se que o falante está alegando conhecer o conteúdo da
mente de todas as pessoas no grupo. No conjunto seguinte de
Estruturas Superficiais, identifique aquelas que contêm a alegação
de que uma pessoa conhece os pensamentos ou sentimentos de
uma outra.
(214) Henry está zangado comigo. nãosim
(215) Marta tocou-me o ombro.

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