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Circuitos de Interfaceamento Digital

apostila Ubc
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
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Eduardo Antonio Cardoso

1ª edição
Av. Francisco Rodrigues Filho, 1233 - Mogilar

CEP 08773-380 - Mogi das Cruzes - SP

Reitor: Prof. Maurício Chermann

EQUIPE DE PRODUÇÃO CORPORATIVA

Gerência: Adriane Aparecida Carvalho

Coordenação de Produção: Diego de Castro Alvim

Coordenação Pedagógica: Karen de Campos Shinoda

Equipe Pedagógica: Graziela Franco, Rúbia Nogueira

Coordenação Material Didático: Michelle Carrete

Revisão de Textos: Adrielly Rodrigues, Aline Gonçalves

Diagramação: Amanda Holanda, Douglas Lira, Nilton Alves

Ilustração: Everton Arcanjo

Impressão: Grupo VLS / Gráfica Cintra

Imagens: Fotolia / Freepik / Acervo próprio

Os autores dos textos presentes neste material didático assumem total

responsabilidade sobre os conteúdos e originalidade.

Proibida a reprodução total e/ou parcial.

© Copyright Brazcubas 2019

1ª edição

2019
Sumário

Sumário

Apresentação 5

O Professor 7

Introdução 9

1unidade I

1Circuitos combinacionais e sequenciais usados em interfaceamento  11

1.1  Circuitos combinacionais 11

1.1.1  Funções booleanas 13

1.1.2 Codificadores 14

1.1.3 Decodificadores 16

1.1.4 Multiplexadores 18

1.1.5 Demultiplexadores 19

1.2  Circuitos sequenciais 20

1.2.1 Registradores 22

1.2.2  Serialização e paralelização de dados  23

1.2.3  Contadores assíncronos 25

1.2.4  Contadores síncronos 26

Referências da unidade I 29

2unidade II

2Memórias 31

2.1 Configurações 32

2.1.1  Barramentos de endereços, dados, controle e alimentação 34

2.1.2  Capacidade e tempo de acesso 37

2.2  Tipos de memórias 38

2.2.1  Memórias voláteis 39

2.2.2  Memórias não voláteis 40

Referências da unidade II 45

3unidade III

3Comunicação serial e paralela  47

3.1  Comunicação serial 49

3.1.1 Características 50

3.1.2  Comunicação síncrona e assíncrona 52


Sumário

[Link]  Comunicação assíncrona 52

[Link]  Comunicação síncrona 55

3.2  Comunicação paralela 58

3.2.1 Características 59

3.2.2  Porta paralela usada no computador pessoal (PC) 60

3.2.3  Interfaceamento usando a porta paralela 64

Referências da unidade III 68

4unidade IV

4Conversões Analógica-Digital (A/D) e Digital-Analógica (D/A)  69

4.1  Conversão Analógica-Digital (A/D) 70

4.1.1 Princípios 72

4.1.2  Conversores A/D 75

4.2  Conversão Digital-Analógica (D/A) 80

4.2.1 Princípios 80

4.2.2  Conversores D/A 82

Referências da unidade IV 86


Apresentação

Apresentação

Caro aluno, seja bem-vindo à disciplina Circuito de Interfaceamento Digital.

Nesta disciplina, exploraremos e aprofundaremos os conceitos estudados nas


disciplinas de Eletrônica Analógica, Eletrônica Digital e Microprocessadores, com
o objetivo de mostrar a importância do interfaceamento visando à comunicação
entre os circuitos digitais. Assim, revise os conceitos que foram mostrados nessas
disciplinas.

Ao projetar dois ou mais dispositivos eletrônicos para que trabalhem em con-


junto, é necessário que esse sistema funcione de maneira compatível e correta. Por
isso, é importante aplicar os conhecimentos relativos à eletrônica digital e à eletrô-
nica analógica. Assim, ao final desta disciplina, você estará apto a identificar os diver-
sos dispositivos e o modo como é realizado o interfaceamento entre eles.

O conteúdo deste livro foi elaborado para que você aprenda e fixe os conceitos
gradual e naturalmente, à medida que a complexidade dos temas for aumentando.

Além do livro didático, você encontrará materiais complementares, exem-


plos, exercícios e videoaulas que serão disponibilizados em seu Ambiente Virtual de
Aprendizagem (AVA) e servem para reforçar os conteúdos apresentados.

É importante sempre consultar as referências sugeridas para buscar as explica-


ções de autores recomendados, e não deixe de tirar as dúvidas por meio dos fóruns.
Por isso, aproveite todos os recursos que estão disponíveis a você.

Competências e habilidades da disciplina:

• Conhecimento dos circuitos de interfaceamento digital;

• Capacidade de identificar e interpretar os diferentes dispositivos ele-


trônicos nos diagramas de circuitos;

• Aplicação dos conceitos de sistemas digitais a fim de projetar circuitos


digitais para microprocessadores.

5
Apresentação

Objetivos da disciplina:

• Compreender e abordar os conceitos de sistemas digitais para o inter-


faceamento de dispositivos eletrônicos;

• Analisar e distinguir os tipos de circuitos digitais usados em interfaces;

• Reconhecer as aplicações e os processos de interfaceamento de vários


circuitos digitais.

6
O Professor

O Professor

Prof. Eduardo Antonio Cardoso

Mestre em Engenharia Elétrica em sistemas elétricos


e eletrônicos, com ênfase em conversão de energia
fotovoltaica conectados à rede elétrica (UFABC).

Pós-graduado em Gestão de Projetos de Produto


com ênfase em metodologias de projetos aplicadas
nas indústrias (IECAT).

Engenheiro eletrônico formado pela FEI, com expe-


riência em rotinas de gestão de projetos de novos
produtos, testes e na área de Engenharia Industrial.

7
Introdução

Introdução

A disciplina Circuito de Interfaceamento Digital é relacionada às ligações que


existem entre os dispositivos eletrônicos, como: processador, memórias, controla-
dores, barramentos paralelos e seriais que são conectados por dispositivos lógicos a
serem abordados aqui. Por isso, este livro didático está dividido em quatro unidades
para contemplar os principais circuitos.

A primeira unidade aborda as funções booleanas, os circuitos combinacionais


e sequenciais usados em interfaceamento. A seguir, serão tratados as configura-
ções, os barramentos de endereços, de dados, de controle e os tipos de memórias.
A terceira unidade explica a comunicação serial e paralela. Por fim, a última unidade
apresenta os conversores analógico-digital e digital-analógico.

Devido à importância do tema, você terá um material bem variado à sua dis-
posição no AVA. Além deste livro, assista às videoaulas, acesse os materiais indica-
dos na midiateca, participe dos fóruns e, ao final das unidades, realize as atividades
avaliativas. O AVA é a sua sala de aula e proporcionará a você um aprofundamento
sobre o tema.

Por isso, mantenha-se em dia na realização das tarefas e participe de todas


as atividades propostas, conforme o calendário da disciplina, e consulte sempre as
referências das unidades.

Este material foi preparado especialmente para você e mostra a importância


desta disciplina para a sua vida profissional. Por isso, dedique-se para que você
tenha uma base sólida na construção de seu conhecimento.

Boa sorte e bons estudos.

9
1
Circuitos combinacionais e sequenciais usados em interfaceamento unidade I

1 unidade I 1 Comando
Tabela

1 Circuitos combinacionais e sequenciais


usados em interfaceamento

1.1  Circuitos combinacionais

Um circuito lógico é baseado em operações básicas que são repre-


sentadas pelas funções booleanas. Podemos classificar um circuito
lógico em combinacional somente com esse conceito. Ou seja, quando a
expressão booleana, criada com as portas lógicas, tem sua saída depen-
dente somente das entradas, o circuito formado é um circuito combina-
cional. A Figura 1.1 exemplifica esse conceito.

11
unidade I Circuitos combinacionais e sequenciais usados em interfaceamento

Figura 1.1 – Circuito combinacional

Fonte: elaborada pelo autor.

É importante que você saiba os principais circuitos que podem ser classificados
como circuitos combinacionais. São eles:

Figura 1.2 – Classificação dos circuitos combinacionais

Decodificador Multiplexador
Codifica uma entrada binária Seleciona uma entrada e a
em uma saída equivalente. interliga na saída.

Codificador Demultiplexador
Transforma uma entrada qualquer Seleciona em qual saída a
no equivalente ao código binário. entrada será escrita.

Fonte: elaborada pelo autor.

Importante!

Você consegue identificar todos os elementos do circuito combinacional na


figura a seguir?

12
Circuitos combinacionais e sequenciais usados em interfaceamento unidade I

Figura 1.3 – Exemplo de circuito combinacional usando portas lógicas

Fonte: elaborada pelo autor.

As entradas são as variáveis A, B e C; as saídas são representadas por S1 e


S2; cada um dos símbolos representa uma porta lógica. A seguir, você revi-
sará as funções booleanas mais importantes.

1.1.1  Funções booleanas

São as funções lógicas fundamentais que representam a própria álgebra boo-


leana, e a compreensão dessas funções é o ponto de partida para entender os circui-
tos mais complexos.

As portas lógicas mais simples são as mostradas na Figura 1.4; elas realizam
operações entres dois bits, apenas.

Figura 1.4 – Portas lógicas básicas

Disponível em: <[Link] Acesso em: 05/06/2019.

13
unidade I Circuitos combinacionais e sequenciais usados em interfaceamento

Dica de leitura:

Para relembrar e aprofundar o tema de aritmética booleana e portas lógi-


cas, você pode ler os capítulos 2 e 3 do livro “Sistemas digitais: princípios e
aplicações” (TOCCI, WIDMER e MOSS, 2019), que está disponível em nossa
biblioteca virtual Pearson. Após a leitura, volte aqui para continuarmos.

Dica de vídeo:

Está disponível na midiateca o vídeo de uma aula de circuitos lógicos


ministrada pelo professor Jaime S. Sichman, da Univesp. Esse vídeo poderá
ajudar na revisão do conteúdo sobre álgebra booleana.

1.1.2  Codificadores

Os codificadores convertem em códigos binários de acordo com


a entrada que for acionada. Ou seja, para um sistema que possua M
entradas, quando uma delas for acionada, na saída, o circuito entregará
o código a ela relacionado.

No exemplo da Figura 1.5, podemos verificar que o codificador é


de 10 para 4, ou seja, temos 10 entradas de 0 a 9 e quatro bits de saída
que podem codificar totalmente cada uma das entradas, conforme a
tabela verde na figura.

14
Circuitos combinacionais e sequenciais usados em interfaceamento unidade I

Figura 1.5 – Codificador 10 para 4

Fonte: elaborada pelo autor.

Dica de leitura:

Leia, no capítulo 9, a seção 9.4 de “Sistemas digitais: princípios e apli-


cações” (TOCCI, WIDMER e MOSS, 2019), disponível na biblioteca virtual
Pearson, e observe como foram desenvolvidos os codificadores em cada
um dos exemplos dados. Dê atenção especial ao exemplo 9.5.

Outras mídias:

Acesse o vídeo: “Técnicas para Debouncing”, cujo link está disponível na


midiateca. Ele aborda os circuitos que são usados para reduzir o efeito
de ruídos indesejáveis quando usamos botões ou teclas como entrada de
circuitos digitais.

Conheça mais:

Preparei apresentação com algumas soluções de uso de chaves como


entrada de circuitos digitais para exemplificar as possibilidades de inter-
faceamento com um circuito digital. Na midiateca, acesse o documento
“Aplicaçã[Link]”.

15
unidade I Circuitos combinacionais e sequenciais usados em interfaceamento

1.1.3  Decodificadores

a digital,
Esta classe de circuitos digitais decodifica os valores da entrad
de entrada.
acionando apenas uma das saídas que corresponde a esse valor
portanto esses
No exemplo da Figura 1.6, a entrada é formada por dois bits,
bits podem ser representados de quatro modos.

Figura 1.6 – Decodificador 2 para 4

Fonte: elaborada pelo autor.

Assim, a saída que será acionada dependerá dos valores das


entradas B e A. Generalizando, podemos relacionar a quantidade de saí-
das possíveis M em função da quantidade de entrada n considerando a
fórmula:

M = 2n

No caso de uma entrada com 4 bits, teremos 16 saídas a serem


consideradas.

Importante!

Note que apenas uma saída permanecerá ativa, ou seja, terá o nível lógico
alto; as demais saídas estarão desativadas ou zeradas.

16
Circuitos combinacionais e sequenciais usados em interfaceamento unidade I

Você sabia que:

Este tipo de circuito é um dos mais utilizados em sistemas digitais, de


forma que você encontrará inúmeros exemplos que utilizam essa lógica
para interligar um dispositivo digital a outro, como os codificadores BCD
(Binário Codificado em Decimal), entre outros.

Atenção:

O decodificador BCD de 7 segmentos é uma exceção à regra mostrada para


os decodificadores. O requisito para o funcionamento do circuito é acionar
um display de 7 segmentos de acordo com o valor da entrada, que pode
variar em binário de 0 a 9, assim, diferentes segmentos devem ser aciona-
dos para cada número; o número 8, por exemplo, aciona todos os segmen-
tos. A Figura 1.7 mostra o modelo mais simplificado desse decodificador.

Figura 1.7 – Decodificador BCD de 7 segmentos

Fonte: elaborada pelo autor.

Dica de vídeo:

Na midiateca há um link para você assistir a um vídeo sobre o funciona-


mento do decodificador BCD de 7 segmentos. Confira!

17
unidade I Circuitos combinacionais e sequenciais usados em interfaceamento

Dica de leitura:

Leia, no capítulo 9, as seções 9.2 e 9.3 de “Sistemas digitais: princípios e


aplicações” (TOCCI, WIDMER e MOSS, 2019), disponível na biblioteca vir-
tual Pearson, para entendimento do circuito do decodificador BCD de 7
segmentos.

1.1.4  Multiplexadores

nar
Os circuitos chamados multiplexadores têm a função de selecio
a seleção da
uma das entradas e passar o seu valor para a saída. Para que
meio da cha-
entrada seja realizada, é necessário endereçar a entrada por
ficada, em
mada “seleção de entrada”. A Figura 1.8 mostra de maneira simpli
blocos, o multiplexador.

Figura 1.8 – Diagrama de bloco do multiplexador

Fonte: elaborada pelo autor.

18
Circuitos combinacionais e sequenciais usados em interfaceamento unidade I

Importante!

• A seleção de entrada endereça todas as entradas do circuito.

• O circuito de seleção de entrada é que determinará qual é a entrada


que será transmitida na saída. Da figura, pode-se inferir que a seleção
de entrada estabelece a entrada 2 para que os dados sejam disponibi-
lizados na saída do circuito multiplexador.

• As entradas e a saída podem ter mais de um sinal, podem ter cada


uma n bits para que seja transferido para a saída.

• A saída deve ter o mesmo número de bits das entradas.

Dica de vídeo:

Na midiateca, você pode assistir a um vídeo sobre multiplexadores e cir-


cuito digital programável. Você verá o conceito desse circuito e o uso do
bit de controle por meio da simulação de um MUX 2 para 1. Além disso, a
partir de 3:35, são simulados diversos multiplexadores que foram elabora-
dos tendo como base o Mux 2 para 1. E de 6:25 em diante, é mostrado um
circuito combinacional programável elaborado a partir dos multiplexado-
res. Estude esse conceito para entender a importância do endereçamento
de uma entrada para obter uma saída preestabelecida.

1.1.5  Demultiplexadores

Podemos considerar que o princípio de funcionamento dos demul-


tiplexadores é o oposto dos multiplexadores. Assim, por meio do circuito
de seleção de saída, a entrada passa o valor dos bits que a forma para a
saída. A Figura 1.9 mostra o esquema básico desse sistema digital.

19
unidade I Circuitos combinacionais e sequenciais usados em interfaceamento

Figura 1.9 – Diagrama de bloco do demultiplexador

Fonte: elaborada pelo autor.

Atenção:

As considerações do multiplexador também são válidas para o demultiple-


xador, porém a seleção deve endereçar a saída, assim, o circuito de seleção
precisa ser dimensionado para endereçar todas as saídas.

Dica de vídeo:

Na midiateca, você pode assistir a uma aula da Univesp sobre codifica-


dores, decodificadores e multiplexadores. Poderá aprofundar os conceitos
que foram mostrados, assim como a utilização do sinal de enable e sua
utilidade para o cascateamento, que representa um conceito importante
no interfaceamento de dois ou mais circuitos lógicos.

1.2  Circuitos sequenciais

Nos circuitos combinacionais, as saídas dependem exclusivamente das entra-


das, verificaremos que a saída dos circuitos sequenciais está interligada a uma das
entradas. Assim, apresenta uma realimentação que estabelece o estado interno do
circuito.

20
Circuitos combinacionais e sequenciais usados em interfaceamento unidade I

Importante!

As entradas correspondem aos estados atuais do sistema que, somado ao


estado interno do circuito, determinará a condição futura da saída.

Para refletir:

Mas fica uma questão: como um estado atual de um dispositivo digital


influirá no seu próprio estado futuro?

Lembre-se de que os circuitos digitais não são ideais, portanto, há atrasos


envolvidos que permitiram o desenvolvimento dessa classe de circuitos.

A Figura 1.10 mostra um diagrama de blocos de circuito sequencial que pode


ser formado a partir do circuito combinacional.

Figura 1.10 – Diagrama de bloco do circuito sequencia

Fonte: elaborada pelo autor.

estuda-
Os flip-flops são os circuitos sequenciais mais básicos e foram
to, pois esses
dos na disciplina de Eletrônica Digital, por isso, revise o assun
mais comple-
circuitos serão utilizados para o desenvolvimento de circuitos
xos que estudaremos a seguir.

21
unidade I Circuitos combinacionais e sequenciais usados em interfaceamento

Importante!

Podemos destacar que as principais funções dos circuitos sequenciais são


contagem de tempo (tanto no modo progressivo quanto no modo regres-
sivo), aplicações de armazenamento e transferência de dados.

Dica de vídeo:

Na midiateca, temos a aula de Circuitos Lógicos - Aula 10 - Latches e Flip-


Flops. Assista com muita atenção para revisar os circuitos sequenciais
básicos.

1.2.1  Registradores

Estes circuitos são constituídos de flip-flops, de maneira a poderem realizar


uma série de aplicações específicas; os registradores têm a característica de contro-
lar e armazenar dados. Assim, esses circuitos são de grande importância no interfa-
ceamento digital.

Os registradores estão contidos em uma classe de circuitos lógicos que arma-


zena temporariamente os dados para que sejam usados na execução de diversas
operações. Podem ser responsáveis por conter uma instrução, como a que foi exe-
cutada pelo processor ou a próxima a ser executada, pode conter tanto os endereços
quanto os dados a serem escritos na memória, podem ser os circuitos responsáveis
pela serialização ou paralelização de dados.

Apesar da capacidade de armazenamento ser pequena, a sua velocidade os


tornam os circuitos mais comuns utilizados na eletrônica digital para armazena-
mento de dados e informações.

Dica de vídeo:

Entenda como um registrador funciona assistindo ao vídeo disponível na


midiateca.

22
Circuitos combinacionais e sequenciais usados em interfaceamento unidade I

1.2.2  Serialização e paralelização de dados

Segundo Tocci, Widmer e Moss (2019), podemos classificar os registradores


conforme a configuração na qual os dados são tratados, ou seja, as classes de regis-
tradores têm relação com a maneira como os dados de entrada são armazenados
ou com o modo pelo qual esses dados saem do registrador. Sendo, então, serial ou
paralelo, conforme mostrado pela Figura 1.11.

Figura 1.11 – Classificação dos registradores

Fonte: elaborada pelo autor.

Observamos pela figura que a configuração em modo serial diz respeito à


transmissão ou à recepção da informação de um bit por vez, já a configuração em
modo paralelo à informação é transmitida ou recebida em única vez, neste caso,
a quantidade de dados ou linhas deve ser igual ao número de bits para não haver
perda da informação.

A nomenclatura que veremos diz respeito ao modo de entrada e saída:

99SISO – serial in/serial out (entrada serial e saída serial);

99SIPO – serial in/parallel out (entrada serial e saída paralela);

99PISO – parallel in/serial out (entrada paralela e saída serial);

la).
99PIPO – parallel in/parallel out (entrada paralela e saída parale

23
unidade I Circuitos combinacionais e sequenciais usados em interfaceamento

Figura 1.12 –  Exemplos de registradores

Adaptada de: TOCCI, WIDMER e MOSS (2019).

Dica de leitura:

Leia a seção 7.15, capítulo 7, de “Sistemas digitais: princípios e aplicações”,


disponível na biblioteca virtual Pearson, e estude os diversos exemplos de
circuitos registradores.

24
Circuitos combinacionais e sequenciais usados em interfaceamento unidade I

Dica de vídeo:

Na midiateca há um link com uma lista de aulas da Univesp para você revi-
sar os conceitos dos registradores e acompanhar vários exemplos.

1.2.3  Contadores assíncronos

Estes tipos de circuitos são classificados como contadores assín-


cronos porque a operação que é realizada não tem como principal
requisito estabelecer o momento no qual a saída lógica é gerada. Diante
desse fato, o circuito pode realizar a sua função (no caso, a contagem)
sem o uso de um sinal clock sincronizando todo o circuito.

O circuito básico é formado por flip-flops JK interligados em casca-


-ta, o sinal de clock é conectado apenas ao primeiro elemento, os demais
flip-flops utilizam a própria saída do elemento anterior como sinal de
clock. Observe essa configuração na Figura 1.13.

Figura 1.13 – Contador assíncrono

Adaptada de: TOCCI, WIDMER e MOSS (2019).

25
unidade I Circuitos combinacionais e sequenciais usados em interfaceamento

Atenção:

O projeto de um contador assíncrono é mais simples que os contadores


síncronos. Mas, como veremos mais adiante, os contadores síncronos
podem trabalhar em frequências de clock mais altas.

Você sabia que:

O uso dos contadores assíncronos apresenta limitação devido à frequência


do clock e ao atraso que é inerente a cada flip-flop? Assim, devemos consi-
derar que o período mínimo do atraso em um contador de 0 a 15 é de um
quarto do valor do período do clock.

Para refletir:

Os contadores podem ser decrescentes? Para projetarmos um sistema que


conte de maneira decrescente, devemos considerar as saídas complemen-
tares dos flip-flops.

1.2.4  Contadores síncronos

São os tipos de registradores que realizam contagem com o uso de


um clock simultâneo para todos os flip-flops. Assim, o projeto do conta-
dor utiliza um circuito combinacional que estará interligado às entradas
dos flip-flops e serão os responsáveis por estabelecer os estados futuros
a partir dos dados que estão nas saídas dos flip-flops, ou seja, os dados
que correspondem aos estados atuais do circuito. A Figura 1.14 mostra
um diagrama em blocos, que é o esquema básico desse contador.

26
Circuitos combinacionais e sequenciais usados em interfaceamento unidade I

Figura 1.14 – Diagrama em blocos do contador síncrono

Adaptada de: LOURENÇO (2009).

Importante!

Observamos que esse circuito apresenta dois sistemas lógicos interligados;


para o desenvolvimento de um projeto como esse, é necessário considerar
que algumas características lógicas de um ou outro dispositivo podem ser
diferentes, e faz-se necessário inserir lógicas adicionais de controle, ende-
reçamento e conversão.

Por isso, os passos do desenvolvimento do projeto têm a análise de todos


os estados possíveis para levantar aqueles que podem causar um erro de
funcionamento do circuito.

Portanto, ao projetar um circuito digital mais complexo, é necessário que


esse sistema funcione de maneira compatível e correta com os demais dis-
positivos que estão ligados a ele.

Vejamos o exemplo a seguir, que mostra o contador síncrono de 4 bits, de


operação similar ao anterior, assíncrono, no entanto a sua complexidade é maior.

27
unidade I Circuitos combinacionais e sequenciais usados em interfaceamento

Figura 1.15 – Contador síncrono de 4 bits

Adaptada de: TOCCI, WIDMER e MOSS (2019).

de res-
Porém não ocorrem os acúmulos de atrasos devido ao tempo
em cada um
posta dos flip-flops que são compensados pelo sinal de clock
desses elementos.
entrada
Começamos pelo flip-flop responsável pelo LSB, saída Q0, sua
de descida
estará em nível lógico alto, portanto, sempre comutará na borda
do sinal de clock, pois J=K=1.
que Q0
A saída Q1 somente comutará para o estado 1 nos instantes em
for 1 e na borda de descida do clock.
isso a
Para a saída Q2 é necessário que Q0 e Q1 sejam iguais a 1, por
porta lógica E foi implementada na entrada desse flip-flop.
para 1
E, de maneira análoga à última saída, Q3 somente comutará
quando for garantido que Q0, Q1 e Q2 sejam 1.
s gera-
A resposta será a mesma do circuito assíncrono, mas os atraso
um contado
dos pelas portas lógicas são muitos menores, e devido a isto
de transferên-
síncrono é indicado para operações que envolvem frequência
e em imple-
cia de dados muito maiores, apesar do aumento da complexidad
mentar um circuito síncrono.

28
Circuitos combinacionais e sequenciais usados em interfaceamento unidade I

Conheça mais:

Na plataforma, disponibilizei o artigo “Dispositivo USB para emulação de


teclado computacional”, de Rodolfo Lauro Weinert e Fabrício Noveletto.
O texto aborda o projeto de um dispositivo com acionadores que emula
um teclado para que crianças com deficiência motora ou paralisia cere-
bral possam fazer, no computador, atividades que seriam inviáveis com o
teclado convencional.

Aprendemos que:

Nesta unidade, aprendemos sobre os circuitos combinacionais e sequen-


ciais, as suas classificações e o funcionamento de cada um de seus circui-
tos, assim como as diferenças entre dispositivos assíncrono e síncronos e
as vantagens e desvantagens de cada um deles. Por fim, o interfaceamento
foi abordado com os exemplos de interligação da entrada do circuito digi-
tal com uso de chaves de contato.

Referências da unidade I

CAPUANO, Francisco G. Sistemas digitais: circuitos combinacionais e sequenciais.


São Paulo: Érica, 2014.

LOURENÇO, A. C. et al. Circuitos digitais. 9. ed. São Paulo: Érica, 2009.

TOCCI, R. J.; WIDMER, N. S.; MOSS, G. L. Sistemas digitais: princípios e aplicações. 12.
ed. São Paulo: Pearson, 2019.

29
Memórias unidade II

unidade II 2 Comando
Tabela
2

2 Memórias

Seja bem-vindo à unidade II da nossa disciplina, onde conversa-


remos sobre “memórias”. Segundo Lourenço et al. (2009), as memórias
semicondutoras são dispositivos que possuem a capacidade de armaze-
nar as informações binárias para serem utilizadas em diversos circuitos de
sistemas digitais. Isso significa que essas informações podem ser de qual-
quer tipo, ou seja, números, caracteres, comandos de um programa etc.

As memórias estão nos computadores, microprocessadores e nos periféricos


interligados a esses dispositivos. A Figura 2.1 mostra esquematicamente um diagrama
em blocos para representar a memória. Podemos observar que ela é um bloco que
possui como entradas o endereço, o controle e os dados, que, neste caso em particu-
lar, podem ser tanto entrada quanto saída da memória; devemos considerar também
que a memória necessita de uma alimentação adequada, além do pino de terra.

31
unidade II Memórias

Figura 2.1 – Diagrama em blocos genéricos para a memória

Adaptada de: LOURENÇO et al. (2009).

Outras mídias:

Na midiateca, você encontrará o link para o vídeo de Ezequiel Donhauser


sobre flip-flops e memórias, com isso você poderá revisar o conceito de
armazenamento básico das memórias por meio da utilização de um flip-
-flop para armazenar um bit.

Conheça mais:

A CEITEC é uma empresa pública muito importante para o desenvolvimento


da indústria de microeletrônica do Brasil. Disponibilizei na sua midiateca
um infográfico elaborado por ela, intitulado “O que é um chip?”, que mos-
tra as diversas partes funcionais de um circuito integrado.

2.1  Configurações

As configurações apresentadas pelas memórias variam de diferentes modos.


Os principais são relacionados na Figura 2.2.

32
Memórias unidade II

Figura 2.2 – Classificação básica para memórias

al
enci Volá
equ til
S

ade Vo


lat
o
ilid
óri

oV
sib
t

lid
Alea

oláti
s

ad
Ace

l
u ra
Arm

d os
Está

Leit
az

da
na
e

me d

ta/
tica

nto ca
Tro

c ri
s

Es
Di ra
nâ L eitu
mic s
as Apena

Fonte: elaborada pelo autor.

Existe uma notação que está ligada à capacidade da memória, e está no for-
mato PxB, sendo que a variável P significa a quantidade de posições disponíveis para
usar na memória e B representa o número de bits que cada posição de memória
pode armazenar.

Para refletir:

Como podemos determinar a capacidade da memória?

A expressão genérica para as memórias é representada pela notação PxB.


Sendo que P é o número de posições que já aprendemos a calcular (2n) e B
é o número de bits de que o barramento de dados é composto.

Em um exemplo simples, uma memória 16x2 possui 16 posições, 2 bits de


dados e 32 células de memória.

Vejamos o caso da memória 64Kx8; está informando que essa memória


possui 64x1024 = 65536 posições de memória e cada uma delas arma-
zena 8 bits, sendo que 8 bits é 1 byte. A capacidade dessa memória é de
65536x8=524288 bits.

33
unidade II Memórias

2.1.1  Barramentos de endereços, dados, controle e alimentação

Podemos observar pela Figura 2.1 que o bloco de memória apre-


senta duas setas representando duas entradas, e uma seta com dois
sentidos, que representa tanto uma entrada quanto a saída desse bloco.
As setas têm formato mais grosso para representar um conjunto de
linhas que entram ou saem da memória e fornece os dados para esse
sistema.

Esse conjunto de linhas é chamado de barramento. Portanto, o


barramento é o meio de comunicação utilizado para conectar dois ou
mais dispositivos. Assim, podemos verificar que um barramento inter-
liga o processador com a memória ou com outros periféricos. No caso
de uma memória, podemos distinguir três barramentos:

de endereço Contém a informação da posição na qual se encon-


(address bus) tram os dados a serem acessados na memória.

Neste barramento está a informação que será


Barramento

de dados
lida ou armazenada na memória no local endere-
(data bus)
çado conforme o barramento de endereço.

É constituído pelo conjunto de sinais que contro-


de controle lam o funcionamento da memória, ou seja, possui
(control bus) as informações que permitem habilitar, ler, escre-
ver e programar a memória.

Esses barramentos terão informações que são compartilhadas por vários dis-
positivos e que têm origem e destino de diversas fontes, de forma que haverá necessi-
dade de controlar adequadamente o fluxo de informações por meio do barramento.

34
Memórias unidade II

Importante!

Esse fluxo é controlado pelo microprocessador por meio do barramento


de controle; cada bit terá função específica para que haja o controle da
transferência das informações, sejam elas dados, sejam endereços.

A Figura 2.3 mostra a interligação do processador com os demais componentes


com memória e dispositivos de entrada e saída. Cada barramento apresenta diver-
sas vias que variam de um sistema para outro, é importante observarmos que todos
os barramentos possuem funções fundamentais para que o processador escreva
dados, leia e envie instruções para todos os elementos de entrada e saída e para as
memórias.

Figura 2.3 – Barramentos conectados aos dispositivos e ao processador

Adaptada de: TOCCI, WIDMER e MOSS (2019).

Dica de leitura:

Leia, no capítulo 8, a seção 8.13, “Interface lógica de barramento de alta


velocidade”, do livro “Sistemas digitais: princípios e aplicações” (TOCCI,
WIDMER e MOSS, 2019), que está disponível em nossa biblioteca virtual
Pearson para aprofundar sobre o tema relacionado ao projeto de barra-
mentos com sinais de frequência muito alta.

35
unidade II Memórias

Você sabia que:

Alguns circuitos integrados, incluindo alguns modelos de memórias, pos-


suem saídas especiais, chamadas de tri-state, que permitem que os dados
de outros dispositivos não as afetem, porque apresentam um terceiro
estado de alta impedância, assim, para o sistema é como se o barramento
estivesse aberto para esse dispositivo. Deste modo, é possível que vários
dispositivos compartilhem o mesmo barramento e ainda assim possam se
comunicar e operar de maneira conjunta e correta.

A arquitetura interna da memória é formada por uma matriz, decodificadores


e pelo sistema interno de controle, portanto, para que este conjunto possa funcionar
adequadamente, esse componente possui a alimentação compatível com tecnologia
com que foi construída, por isso é importante verificar a folha de dados obtida no
fabricante para saber com exatidão os valores de tensão e corrente de operação do
dispositivo.

A Figura 2.4 mostra o esquema da arquitetura interna da memória. Podemos


observar que uma matriz que utiliza o barramento de endereço é estabelecida para
codificar as posições da memória em termos de linhas e colunas, cabendo ao barra-
mento de controle designar o acesso a essa posição para ser disponibilizada na saída
ou escrever o dado presente no barramento de dados na posição acessada.

Figura 2.4 – Arquitetura interna da memória

Adaptada de: LOURENÇO et al. (2009).

36
Memórias unidade II

Por meio da quantidade de linhas do barramento de endereços


podemos determinar quantas posições de memória o dispositivo terá.
Portanto, se n representar o número de vias do barramento de ende-
reço, então 2n será a quantidade de posições de memória.

Importante!

Cada posição de memória pode conter uma ou várias células de memória,


pois cada célula de memória armazena um bit e a posição de memória
precisa ter a mesma quantidade de bits que o barramento de dados.

Conheça mais:

A função dos decodificadores é selecionar a posição de memória a qual se


deseja acessar.

A função do bloco de controle será determinante para a operação que se


fará, podemos ter uma leitura dos dados ou escrita dos dados na memória.

Atenção:

Preparei uma apresentação com o objetivo de aprofundar os conteú-


dos mostrados até aqui. Estude o material e retorne para continuarmos.
Procure na midiateca pelo documento “Aplicaçã[Link]”.

2.1.2  Capacidade e tempo de acesso

Outras características devem ver analisadas para avaliar a utilização de uma


memória, são elas:

37
unidade II Memórias

so
Tempo de aces
-
ário para colo
Capacida
de Tempo necess
mazenados na
ue car os dados ar
e de bits q
Quantidad esse processo é
r. saída. Ou seja,
armazena
é capaz de ciclo de leitura.
conhecido como

Conheça mais:

Explore mais sobre o assunto lendo o artigo disponível no link da midia-


teca que o levará ao site Inovação Tecnológica para ver os estudos sobre
novos dispositivos para trabalhar em altas velocidades.

2.2  Tipos de memórias

Uma classificação importante é relacionada quanto a sua característica que


determina a aplicação de uma memória. Neste aspecto, uma memória pode ser:

Volátil
Não volátil
e foram
As informações qu não são per-
As informações
o perdidas no
armazenadas sã que a memória
didas, mesmo
que a memória
momento em entação.
esteja sem alim
gizada.
deixa de ser ener

38
Memórias unidade II

2.2.1  Memórias voláteis

ss Memory)
RAM (Random Acce

Memória de Acesso Aleatório – Escrita e leitura.

pode
O acesso a qualquer posição da memória é direto e a operação
ser de escrita ou leitura dos dados.

Nesse segmento, existem dois tipos de RAM:

Estática – O bit que está contido na célula de memória se mantém inalterado


até o próximo ciclo de escrita, considerando que não haja interrupção da alimenta-
ção. Essa característica ocorre devido à arquitetura da célula ser constituída basica-
mente de flip-flop.

Dinâmica – A célula de memória é construída com transistores MOS, assim a


informação é armazenada na capacitância parasita desse transistor, desta forma, o
dado pode ser perdido ao longo do tempo, assim, sempre será necessário renovar
o estado; esse processo é chamado ciclo de refresh, deve ser previsto no projeto e
tem seu valor dado de acordo com a recomendação do fabricante, no entanto, esse
parâmetro é da ordem de milissegundos e deve ser realizado por um circuito de con-
trole externo e particular a esse processo.

Importante!

Apesar da necessidade desse procedimento de refresh, as memórias dinâ-


micas são, em geral, mais simples, com isso, podem ter capacidade de
armazenamento maior e apresentar menor consumo de energia.

Outras mídias:

Disponibilizei na midiateca o link para a aula de revisão de memórias do


prof. Jaime S. Sichman, para que você possa aprofundar os conceitos, além
de poder acompanhar os vários exemplos mostrados.

39
unidade II Memórias

2.2.2  Memórias não voláteis

Memory)
ROM – (Read Only

Memória apenas de leitura.

modo,
Ela é previamente gravada e entregue para o usuário final, desse
entes em
o usuário deve disponibilizar uma tabela com as informações pertin
na pastilha do
cada uma das posições da memória para que seja gravada
sido concluído,
dispositivo. Após o procedimento de gravação da pastilha ter
ações ficam
não há como fazer qualquer tipo de alteração, ou seja, as inform
permanentemente gravadas.
de códi-
O uso dessa solução é recomendado para o armazenamento
o um pro-
gos de programas e informações que não serão alterados, visand
duto que é produzido em série.

ory)
able Read Only Mem
PROM (Programm

Memória apenas de leitura programável.

o possa
Com a característica de ser programável, faz com que o usuári
processo de
realizar a programação diretamente, no entanto, ao término do
fazer qualquer
gravação, o conteúdo se torna permanente e não se pode
é construída
tipo de alteração. Esse processo é obtido porque a memória
destrua
com circuito bipolar, que permite que o processo de programação
lógico do bit;
as ligações existentes no circuito do disposto, alterando o nível
tensão que é
o processo é realizado por meio da aplicação de um valor de
especificado pelo fabricante e está na folha de dados.
o fabri-
É devido a esse processo que o dispositivo pode ser gravado,
so de ater-
cante especifica a tensão de entrada, os bits de controle e o proces
aos tempos de
ramento da saída de dados. Também é necessário obedecer
.
gravação mínimos para que seja possível realizar a programação

40
Memórias unidade II

Memory)
Progra mmable Read Only
EPROM (Erasable

Memória apenas de leitura programável e apagável.

mento é
A gravação é realizada eletricamente, mas o processo de apaga
ultravioleta;
realizado por meio da exposição da pastilha semicondutora à luz
janela de acrí-
isso é possível porque o dispositivo é encapsulado com uma
apagamento
lico transparente posicionada sobre a pastilha. O processo de
de 10 a 45
é dependente da intensidade da luz incidente, assim, pode levar
minutos.
ria é o
Após o processo, o estado de todas as informações da memó
nível lógico 1.

Importante!

O tri-state é um processo que permite que se utilizem várias memórias


compartilhando o mesmo barramento. Isto é possível quando a entrada
ou a saída fica em alta impedância, ou seja, estarão desabilitadas para
o sistema digital e impede que o dado seja lido ou escrito no dispositivo,
apenas o dispositivo que estiver habilitado poderá ler ou escrever o dado.

Figura 2.5 – Exemplo de uma EPROM 4Kx8

Adaptada de: TMS2532 – TEXAS INSTRUMENTS.

41
unidade II Memórias

Memory)
Erasable Progra mmable Read Only
EEPROM (Electrically
e.
Memória apenas de leitura programável e apagável eletricament

o para
Este dispositivo apresenta a característica de usar um sinal elétric
do, esse tipo
realizar o processo de apagamento da memória; como resulta
ramação
de memória permite que a programação, o apagamento e a reprog
, não há neces-
sejam realizados no próprio circuito no qual está sendo usada
sidade de retirar a placa para apagar e regravar.
apaga-
Podemos também escolher quais posições de memória serão
apaga toda a
das, o que é impossível no processo com a luz ultravioleta que
muito inferior
memória. Finalmente, o tempo do processo de apagamento é
que uma EPROM.

É importante que você saiba que as memórias podem ser associadas em série
ou em paralelo, com o objetivo de aumentar a capacidade de armazenamento do
sistema que foi projetado. Assim:

99 Associação paralela aumenta o número de linha de dados por posição


de memória. Ou seja, no exemplo a seguir, a partir de duas memórias de
16x2 obtivemos uma de 16x4.

Figura 2.6 – Combinação de duas RAMs de 16x2 para produzir um módulo de 16x4

Fonte: elaborada pelo autor.

42
Memórias unidade II

99 Associação série aumenta o número de posições de memória, conforme


pode ser verificado na figura mostrada a seguir. Com a utilização de duas
memórias 16x2, obtemos uma de 32x2.

Figura 2.7 – Associação série de memórias 16x2 para produzir um módulo de 32x2

Fonte: elaborada pelo autor.

Dica de leitura:

A leitura do capítulo 12 do livro “Sistemas digitais: princípios e aplicações”


(TOCCI, WIDMER e MOSS, 2019), que está disponível em nossa biblioteca
virtual Pearson, aprofunda o que foi estudado e tem vários exemplos de
memórias.

Outras mídias:

O vídeo disponibilizado pelo “Canal TI” mostra a você os tipos de memórias


ROM e RAM para ajudar na revisão e no aprofundamento dos temas mos-
trados nesta unidade. O link está na midiateca.

43
unidade II Memórias

Dica de leitura:

Você pode ler o capítulo 8, sobre memórias, no livro “Circuitos digitais”, de


Lourenço et al. (2009), disponível em “Minha biblioteca” na sua área do
aluno, e encontrará outros exemplos e o mapa da memória de cada um
deles.

Atenção:

Disponibilizei uma apresentação na sua plataforma com o objetivo de


estudarmos a possibilidades de aplicação da associação de memória. Após
a leitura atenta do exemplo, retorne para continuarmos nossos estudos
aqui. Procure pelo arquivo “Aplicação [Link].”

Conheça mais:

Na plataforma, disponibilizei o link para o vídeo da professora Cintia


Borges Margi sobre hierarquia de memória, com o qual você poderá com-
preender um pouco mais sobre como é o processo de interfaceamento
entre o processador e as memórias.

Aprendemos que:

Nesta unidade, aprendemos sobre os barramentos e as memórias, as suas


classificações e o funcionamento de cada um dos tipos de memória exis-
tentes. O interfaceamento digital foi abordado por meio do uso de asso-
ciações de memórias, e pelos exemplos de sua interligação entendemos o
funcionamento desse dispositivo.

44
Memórias unidade II

Referências da unidade II

CAPUANO, Francisco G. Sistemas digitais: circuitos combinacionais e sequenciais.


São Paulo: Érica, 2014.

LOURENÇO, A. C. et al. Circuitos digitais. 9. ed. São Paulo: Érica, 2009.

TOCCI, R. J.; WIDMER, N. S.; MOSS, G. L. Sistemas digitais: princípios e aplicações. 12.
ed. São Paulo: Pearson, 2019.

45
Comunicação serial e paralela unidade III

unidade III 3 Comando


Tabela
3

3Comunicação serial e paralela

Vimos, em nossos estudos, que os barramentos de endereços,


dados e controle são os meios que interligam o processador com a
memória e com os diversos dispositivos de entrada e saída. A Figura
3.1 mostra essa organização, pela qual ocorre a troca de informação no
sistema por meio dos barramentos.

Figura 3.1 – Estrutura dos barramentos

Endereços
Meio pelo qual o processor
identifica e interage com o
dispositivo periférico; o acesso é
dado pelo seu endereço.
Informação útil, que deve
ser trocada da origem Contém os sinais que vão
com o destino. direcionar a transferência
dos dados, sinalizar algum
Barramentos erro ou outras funções que
são pertinentes ao controle.

Dados Controle

Fonte: elaborada pelo autor.

47
unidade III Comunicação serial e paralela

Os exemplos que usamos, no entanto, são entre componentes que


podem estar na mesma placa de circuito, de modo que a distância entre
eles é pequena. Mas a transmissão de informações ocorre também entre
dispositivos que estão longe um do outro. Portanto, há a necessidade de
recorrer a métodos para que o envio e a recepção das informações sejam
efetivos entre os periféricos e o processador.

A interligação entre esses periféricos e o processador é realizada


por uma interface cuja complexidade varia de acordo com cada perifé-
rico, devido às particularidades de sua arquitetura.

A interface deve garantir principalmente que a comunicação


entre o periférico e o computador seja compatível. A Figura 3.2 mostra
alguns requisitos para que a comunicação possa acontecer de maneira
adequada.

Figura 3.2 – Esquema básico de uma interface de comunicação

INTERFACE

• Níveis adequados de tensões e correntes dos dispositivos.


• Padronização da velocidade para a troca de informações.
• Estabelecimento de uma lógica de comunicação entre os dispositivos para transferir as informações.

Fonte: elaborada pelo autor.

A comunicação entre o processador e a interface do periférico pode ser em


paralelo ou em série. As características de cada uma delas, estudaremos nas próxi-
mas subunidades.

Importante!

Os periféricos podem ser unidirecionais (impressora ou mouse) ou bidire-


cionais (modem). Por isso, veremos que o processamento para transmis-
são e recepção das informações de cada um dos periféricos é distinto.

48
Comunicação serial e paralela unidade III

Dica de vídeo:

Na plataforma, disponibilizei o vídeo “Comunicação serial e paralela”, de


Leonardo Igual. O conteúdo é uma introdução sobre a comunicação serial
e paralela, e serve como forma de preparação aos assuntos que abordare-
mos nesta unidade.

3.1  Comunicação serial

A comunicação serial consiste na transferência da informação bit a bit. O pro-


cesso básico é feito enviando um bit de cada vez, até que os 8 bits que formam o byte
cheguem ao destino; neste ponto, a informação é restaurada.

Assim, basta uma linha de transmissão para ligar a origem e o destino a fim de
formar o caminho de envio da informação (Tx), outra linha para a recepção (Rx) e a
alimentação. Para ficar mais claro, atente-se à Figura 3.3.

Figura 3.3 – Configuração da comunicação serial

Fonte: elaborada pelo autor.

Você sabia que:

Podemos reconhecer a comunicação serial no computador pessoal nas


portas serial (COM), USB, SATA, entre outras.

49
unidade III Comunicação serial e paralela

Figura 3.4 – Saídas de um computador moderno

Porta USB

Dica de vídeo:

Acesse o vídeo “Interfaces de entrada e saída do curso de hardware”, cujo


link está disponível no AVA, mais precisamente na midiateca. Ele aborda
outras interfaces de entrada e saída do computador, além dessas que esta-
mos estudando.

3.1.1  Características

A característica principal da comunicação serial é a sua estru-


tura de transmissão sequencial da informação bit a bit; devido a ela,
podemos destacar que a cabeação que interliga os periféricos é
reduzida porque não é necessário ter um “fio” destinado a cada bit.
Como resultado, os custos desse tipo de comunicação são meno-
res, principalmente comparando a dispositivos que estão instalados
mais distantes do computador.

50
Comunicação serial e paralela unidade III

Para que a comunicação serial possa acontecer, a estrutura básica utilizada


na interface são os registradores de deslocamento. Segundo Vahid (2008), as comu-
nicações presentes dentro dos dispositivos são feitas, geralmente, em paralelo, no
entanto, esse mesmo dispositivo precisa serializar os dados para se comunicar com
algum outro dispositivo. Assim, os registradores de deslocamento converterão os
dados internos, paralelos, em dados seriais (veja o exemplo na Figura 3.5), a fim de
que sejam enviados ao outro dispositivo.

Quando os dados são recebidos pelo dispositivo de destino, os registrado-


res converterão os dados serializados em paralelos para que sejam processados
internamente.

Figura 3.5 –  Registrador de deslocamento de 4 bits com entrada paralela e saída serial

Adaptada de: TOCCI, WIDMER e MOSS (2019).

51
unidade III Comunicação serial e paralela

3.1.2  Comunicação síncrona e assíncrona

Na comunicação serial é necessário sincronizar a transmissão da


informação entre as duas partes do sistema. Os dois modos básicos para
implementar esse requisito são: a comunicação síncrona e assíncrona.

COMUNICAÇÃO

Síncrona Assíncrona

É caracterizada pelo envio de uma Não possui os pulsos de clock, no


sequência de pulsos de clock de entanto, as duas partes devem
tal forma que será possível ao estabelecer algum critério que
dispositivo receptor decodificar a estabelecerá as condições de
informação recebida do emissor. tempo para recebimento da
informação.

[Link]  Comunicação assíncrona

A sua arquitetura é mais complexa e a mais antiga das duas soluções.

A sincronização é estabelecida de acordo com os pulsos de clock de cada um dos


dispositivos. Como eles não são exatamente iguais, a probabilidade de que um dado
não seja lido, ou que seja lido duas vezes, aumenta. Porém, para evitar uma quanti-
dade grande de erros, reduz-se o número de bits e o receptor identifica quando pode
iniciar um novo envio, formando a chamada sincronização de bit, descrita a seguir.

A transmissão começa com o start bit para marcar a inicialização da transmis-


são e a duração do bit. Como resultado, o receptor calcula os instantes de duração
dos bits que estão sendo transmitidos e a informação é recebida até formar o byte.
Os bits menos significativos vão primeiro. O esquema básico da transmissão está
representado pela Figura 3.6.

52
Comunicação serial e paralela unidade III

Figura 3.6 – Diagrama para a transmissão na comunicação assíncrona

Fonte: elaborada pelo autor.

O fim do bloco de dados é um momento importante na transmis-


são, por isso é transmitida uma marca que consiste no envio de um ou
dois bits de duração cujo nível lógico é 1. Este intervalo representa um
“repouso da linha”, é conhecido como stop bits. Assim, o processo pode
ser iniciado com um novo ciclo de envio de dados.

Um terceiro bit de controle é adicionado ao sistema, só que agora o objetivo é


evitar a ocorrência de erros de transmissão. Esse bit é chamado de bit de paridade,
e seu valor é estabelecido de acordo com a quantidade de números 1 do código
enviado . Os métodos que definem o valor de bit de paridade é a paridade par ou
paridade ímpar.

Se o método usa a paridade par, significa que, se a quantidade de bits do código


envidado (byte de dados + o bit de paridade) for um número par, o valor do bit de
paridade será 1. Por outro lado, se o total de bits do código for ímpar, o valor do bit
de paridade é 0.

53
unidade III Comunicação serial e paralela

Para refletir:

Qual é o valor do bit de paridade para a transmissão da sequência


10111001, considerando a paridade par?

1º - Considerar que os dados são enviados do bit menos significativo para


o mais significativo, então ele deve ser “invertido”:

10011101

2º - Para formar o código, consideraremos a sequência de dados e o bit de


paridade. Então, para o código ter um número par de uns, o bit de pari-
dade tem de ser obrigatoriamente 1.

100111011

O método de paridade ímpar é similar; o bit de paridade será 1 se a quantidade


total de bits enviados mais o bit de paridade for ímpar, e será 0 se for par.

Ao completar o recebimento do byte, o dispositivo receptor testa o bit de pari-


dade e os dados recebidos. Se ocorrer a perda de um bit, o dispositivo receptor detec-
tará que o bit de paridade não confere com os dados recebidos e ocorre a sinalização
de um erro, devendo a transmissão ser realizada novamente.

A Figura 3.7 mostra o diagrama de tempos completo para a comunicação serial


assíncrona usando a transmissão da sequência 10111001 e paridade par.

Figura 3.7 – Esquema completo de transmissão serial assíncrona

Fonte: elaborada pelo autor.

Devemos observar que os sinais start bit, bit de paridade e os stop bits são ele-
mentos necessários para a efetiva transmissão, mas não carregam informação útil
para o dispositivo receptor.

54
Comunicação serial e paralela unidade III

A velocidade de transmissão é medida em bits/segundo, portanto os bits de


controle (start, stop e paridade) entram nessa fórmula.

Para refletir:

Pode acontecer que em uma transmissão ocorra o envio de dois bits erra-
dos? Como fica o processo de detecção pelo bit de paridade?

Sim, pode acontecer o envio de erro de um par de bits na transmissão e o


método por bit de paridade falhará. Mas, segundo Tocci, Widmer e Moss
(2019), o método de paridade é usado para as situações nas quais a pro-
babilidade calculada do erro em um bit é baixa, e para a ocorrência em
dois bits é tão baixa que pode ser considerada zero. Assim, o método pode
ser empregado.

Conheça mais:

Acesse o livro “Sistemas digitais: princípios e aplicações” (TOCCI, WIDMER


e MOSS, 2019), que está disponível em nossa biblioteca virtual Pearson, e
estude a seção 4.7 do capítulo 4, a respeito dos circuitos gerador e verifica-
dor de paridade, para entender como a paridade pode ser obtida por meio
da implementação de portas lógicas.

[Link]  Comunicação síncrona

A diferença dessa comunicação é que o pulso de clock é o mesmo


nas duas pontas da transmissão. Para efetivar essa característica, o sinal
de clock é transmitido ou a transmissão é feita de tal modo que gere
sincronismo dos dois sinais de clock. A consequência desse fato é que
se pode transmitir maior quantidade de dados e aumentar a taxa de
transmissão (baud rate).

55
unidade III Comunicação serial e paralela

Você sabia que:

Há diferentes modos com que os processadores podem realizar a comu-


nicação serial. Por exemplo, o Intel 8051, que pertence a uma família de
microcontroladores de 8 bits, possui um modo de comunicação serial sín-
crona. O dado serial de 8 bits é transmitido e recebido por meio de seu
pino de recepção de dados (RXD), considerando o LSB sendo o primeiro bit
transmitido. No pino de transmissão de dados (TXD), podemos encontrar
o sinal de clock.

A Taxa de Comunicação (baud rate) é fixa em 1/12 da frequência do


oscilador.

O envio do sinal de clock pode ser também transmitido junto com a informa-
ção. Porém, para ordenar e estabelecer as quantidades de bits a serem transmitidas
de maneira otimizada, foram criados códigos ou protocolos específicos que regram
o envio dos bits.

O código Manchester (phase encoding) é um desses protocolos. De modo sim-


plificado, o sinal de clock possui frequência maior que o byte a ser transmitido, e o
nível lógico zero da informação é sempre representado pela borda de descida do
sinal codificado. Assim como o nível lógico um é marcado pela transição da borda
de subida. A Figura 3.8 mostra a formação do sinal codificado para a sequência
10111001 (devemos lembrar que o bit menos significativo vai primeiro); podemos
verificar como são transmitidos simultaneamente os dados e o clock na mesma via
de transmissão.

56
Comunicação serial e paralela unidade III

Figura 3.8 – Exemplo da transmissão serial síncrona

Adaptada de: CLEMENTS (1997).

O dispositivo receptor interpreta o sinal codificado e precisa dividir


em dados e no sinal de clock.

Já o protocolo Padrão de interface RS-232 é um dos mais impor-


tantes para a comunicação serial, seu princípio de funcionamento tem
base na comunicação assíncrona , que discutimos anteriormente, por-
tanto, podemos reconhecer os bits de controle e os 8 bits de dados, além
de outros sinais adicionais que incrementam e aumentam a confiabili-
dade do processo de transmissão de dados, pois há melhor controle do
fluxo da informação.

O padrão de conectores adotados para esse protocolo é de 9 ou 25


pinos (DB-9 e DB-25, respectivamente).

Na Figura 3.9, podemos observar o esquema do conector de 9 pinos e os sinais


de cada um deles.

57
unidade III Comunicação serial e paralela

Figura 3.9 – Conector DB-9 usado na interface RS-232

Fonte: elaborada pelo autor.

Conheça mais:

Para aprofundar os estudos do protocolo RS-232, faça a leitura atenta da


seção 12.8, capítulo 12, do livro “Sistemas digitais: fundamentos e apli-
cações” (FLOYD, 2007), disponível na “Minha biblioteca”, na sua área do
aluno.

Outras mídias:

Na midiateca, disponibilizei o link para um vídeo sobre protocolos de


comunicação, explicado por Alex Teixeira Benfica. Você poderá acompa-
nhar os vários exemplos de protocolos existentes, que vão além do RS-232,
e entender um pouco mais sobre eles.

3.2  Comunicação paralela

O barramento do computador já implica uma comunicação paralela, uma vez


que a transmissão dos bits entre o processador e as memórias ocorre.

58
Comunicação serial e paralela unidade III

Importante!

Note que o tamanho dos barramentos varia, mas para a comunicação


paralela não há qualquer limitação a respeito dessa variação.

A sincronização na comunicação paralela se torna importante na medida em


que a complexidade da arquitetura do periférico aumenta. Podemos encontrar
casos em que um bit de sincronismo (strobe) já garante a comunicação ou, em outros
casos, há a necessidade de desenvolver um protocolo de comunicação, conhecido
por handshake, para que o computador e o periférico se reconheçam e possam rea-
lizar a transferência dos dados.

3.2.1  Características

A principal característica da comunicação paralela é que o grupo


de bits, que formam os bytes, é enviado de maneira simultânea, por
meio do barramento, por este motivo, a taxa de transferência dos
dados, também chamada de throughput, é alta.

Diversos dispositivos podem ser encontrados com porta paralela para ser
conectados ao computador, como CD-ROM, DVDs, impressoras, scanner.

59
unidade III Comunicação serial e paralela

Importante!

O cabeamento que constitui a ligação entre o periférico e o computador é


sensível a interferências, por isso não é comum que os dispositivos fiquem
a longa distância do computador.

A Figura 3.10 mostra um esquema básico de interfaceamento de dispositivo de


entrada e saída usando a porta paralela.

Figura 3.10 – Configuração da comunicação paralela

Fonte: elaborada pelo autor.

3.2.2  Porta paralela usada no computador pessoal (PC)

A porta paralela constitui uma dentre várias interfaces de comunicação entre


um computador e um dispositivo externo. O uso dessa porta foi inicialmente proje-
tado para a conexão com impressoras, mas não há restrições quanto a conectar um
scanner, uma câmera de vídeo ou algum dispositivo removível nessa porta.

Podemos identificar três modos de operação da porta paralela, conforme mos-


trado na Figura 3.11.

60
Comunicação serial e paralela unidade III

Figura 3.11 – Modos de operação da porta paralela

Fonte: elaborada pelo autor.

llel Port)
SPP (Standard Para
l, por
Possui a transmissão dos bits de dados de maneira unidireciona
comunica com
meio do barramento de dados (8 bits) quando essa interface
4 bits por vez.
a CPU, porém, para transmissão entre o periférico são usados
A taxa de transmissão é da ordem de 150 Kbytes/segundo.

llel Port)
EPP (Enhanced Para
ento
O modo EPP é bidirecional, comunica-se com a CPU com o barram
por vez. Neste
de dados de 32 bits, porém com o periférico usa apenas 8 bits
caso, a taxa de transmissão chega a 2 Mbytes/segundo.

bilities Port)
ECP (Enhanced Capa
EPP,
Para o ECP podemos considerar os mesmos parâmetros do modo
necessidade
exceto pelo uso DMA (acesso direto à memória), assim não há
a transfe-
de usar o processador para transferência dos dados, além disso,
rência é realizada a 16 bits.

61
unidade III Comunicação serial e paralela

Você sabia que:

No PC, esses modos de operação são configurados por meio da BIOS


Setup, que contém as informações que o sistema operacional necessita
para identificar e configurar os diversos componentes e dispositivos.

A diferença entre EPP e ECP é que o ECP utiliza DMA (acesso direto à
memória).

Conheça mais:

Na plataforma, disponibilizei o link para o vídeo “Organização de


Computadores – Aula 14 – Tópicos de entrada e saída”. A professora Cintia
Borges Margi explica os tipos de controladores de entrada e saída e a sua
interconexão com a CPU. A partir de 16:30, temos a explicação sobre o
DMA.

Atenção:

Com a leitura da seção 12.6 do capítulo 12, do livro “Sistemas digitais: fun-
damentos e aplicações” (FLOYD, 2007), você entenderá o funcionamento e
as vantagens do uso da transferência DMA.

Esses registradores se constituem nas informações e nos dados utilizados para


controlar a transmissão para os dispositivos externos por meio da porta paralela.
Podemos encontrar esses registradores nos pinos de saída do conector paralelo (DB-
25). Esse conector está em boa parte dos computadores pessoais, na parte traseira
do gabinete do computador.

São três registradores: Dados, Controle e Status, e sua disposição na saída da


porta paralela está estabelecida na Figura 3.12.

62
Comunicação serial e paralela unidade III

Figura 3.12 – Registradores da comunicação paralela

Adaptada de: IEEE 1284 – Parallel Port.

Dica de leitura:

Disponibilizei na plataforma o link para o site HW-SERVER. Você encon-


trará um resumo da norma IEEE 1284 com descrição dos registradores da
porta paralela.

A Figura 3.13 mostra a parte traseira da placa-mãe com as portas paralela e


serial.

Figura 3.13 – Detalhe dos conectores

Porta PS/2 Porta paralela

Porta serial

63
unidade III Comunicação serial e paralela

3.2.3  Interfaceamento usando a porta paralela

Vimos que a porta paralela é um dos meios no qual podemos interligar com-
putadores com dispositivos como impressoras, scanners, computadores, câmeras e
luzes, ou seja, o computador acessa a porta paralela e pode controlar uma variedade
de dispositivos físicos.

Clements (1997) comenta que esses dispositivos, que podem ser equipamen-
tos ou soluções implementadas pelo usuário, têm níveis analógicos de saída. Por
exemplo, existem transdutores de pressão cujo sinal elétrico resultante da conver-
são pode variar de 0 a 10V ou de 4 a 20 mA. Por este motivo, é importante aprender-
mos a usar os sinais de uma porta paralela, de modo que os sinais de sensores ou
comandos específicos sejam corretamente inseridos no computador, evitando um
dano irreparável ao processador.

Os registradores internos, estudados anteriormente, servem para ser o canal


de controle e dados do computador sobre o dispositivo ligado à sua porta paralela.

Os registradores da porta paralela possuem buffers que têm a função de isolar


e amplificar os valores de corrente. Assim, a corrente máxima de saída é da ordem de
2,6 mA e drena, no máximo, 24 mA. De fato, para garantir a integridade dos pinos da
porta e não causar dano ao equipamento, devem-se usar componentes que limitam
o consumo a esses valores, como na Figura 3.14, em que se utiliza resistores para
limitar a corrente.

64
Comunicação serial e paralela unidade III

Figura 3.14 – Limitação de corrente com resistores

Fonte: elaborada pelo autor.

O interfaceamento usando a porta paralela pode ser realizado


de dois modos distintos, o primeiro é o modo direto, que consiste
em usar os sinais da porta paralela diretamente para controlar, acio-
nar ou desligar o dispositivo ou componente em desenvolvimento.
Os exemplos mais comuns são os leds, transistores ou SCR. O sinal
da porta paralela pode acionar o tiristor por meio do gate desse
componente.

O outro modo é o indireto, normalmente associado à neces-


sidade de conectar um estágio de potência, assim, usamos relés,
outros circuitos integrados de buffers ou acopladores óticos.

Portanto, por meio da porta paralela, podemos conectar alguns


componentes e controlar o seu funcionamento pela programação
dos bits de dados, por outro lado, podemos ler o sinal de um compo-
nente e escrever esse dado em uma de suas portas de controle.

Você sabia que:

A interface paralela ainda é muito usada em controle e automação indus-


trial. Se, por exemplo, você quiser acionar um motor elétrico pelo com-
putador, saiba que será necessário usar uma linguagem de programação
para controlar o envio de comandos de maneira correta, a fim de que a
interface possa adaptar esses sinais recebidos de forma a controlar o fun-
cionamento do motor adequadamente.

65
unidade III Comunicação serial e paralela

Outras mídias:

Disponibilizei na plataforma uma demonstração do programa “Relais


Timer” realizada por João Pedro. O programa controla facilmente as por-
tas paralelas em que podemos inserir leds ou display pela porta DB-25
paralela.

É claro que devemos ter o cuidado constante de não ultrapassar


os limites de tensão e corrente. Assim, se for necessário utilizar com-
ponentes que a porta paralela não for capaz de fornecer a corrente, é
importante prever a utilização de relés, acopladores óticos, transistores
ou triacs para estabelecer um interfaceamento correto.

A Figura 3.15 mostra um exemplo simplificado do uso de um foto-


transistor e um led, cuja implementação controla o acionamento de uma
das saídas de dados da porta, e a leitura do status do estado do fototran-
sistor fica disponível em um dos pinos de controle da porta paralela.

Figura 3.15 – Esquema para uso de interfaceamento da porta paralela

Adaptada de: SILVA (2005).

66
Comunicação serial e paralela unidade III

O corte do fototransistor ocorre se houver um bloqueio do feixe de luz entre


o led e o fototransistor, com isso, o estado da porta de controle passa de 0 para 1.
Obviamente, estamos mostrando a operação em um único bit, porém essa imple-
mentação pode ser feita para os demais bits.

Outras mídias:

Na sua plataforma, você encontrará um link para o vídeo “Adobe director


– interatividade - interface com a porta paralela”, de Norberto Tsoulefski.
Você poderá acompanhar a implementação de uma solução bem interes-
sante que usa porta paralela.

Conheça mais:

No artigo “Usando a porta paralela do micro PC”, de Fagundes et al. (1995),


você verá a utilização da comunicação serial do PC em três aplicações prá-
ticas, como um gerador de onda quadrada, um frequencímetro e um ter-
mômetro. Acesse o artigo pelo link que está disponível na midiateca.

Aprendemos que:

A comunicação serial e a paralela necessitam de uma interface para padro-


nizar a lógica de transmissão de dados e para garantir os níveis adequados
de tensão e de corrente, de forma a padronizar a taxa de transmissão do
envio das informações. Vimos, também, as características assíncrona e sín-
crona da porta serial, como é o tratamento dos dados de controle e como
é feita a transmissão das informações, evitando o envio de dados errados.
Por fim, estudamos os modos de operação da porta paralela com base na
norma IEEE 1284, ainda muito usada no interfaceamento da porta.

67
unidade III Comunicação serial e paralela

Referências da unidade III

CLEMENTS, Alan. Microprocessor system design. 3. ed. Boston: CL Engineering, 1997.

FLOYD, Thomas. Sistemas digitais: fundamentos e aplicações. 9. ed. Porto Alegre:


Bookman, 2007.

HW-SERVER. Parallel port - LPT (IEEE 1284). 2007. Disponível em: <[Link]
com/parallel-port-lpt-ieee-1284>. Acesso em: 01/06/2019.

HW-SERVER. RS-232 - overview of RS-232 standard. 2008. Disponível em: <https://


[Link]/node/4381>. Acesso em: 01/06/2019.

SILVA, Suedêmio de Lima et al. Utilização da porta paralela (LPT) para a realiza-
ção de ensaios de cinemática assistidos por microcomputador. Campina Grande:
Cobenge, 2005. Disponível em <[Link] Acesso em: 20/08/2019.

TOCCI, R. J.; WIDMER, N. S.; MOSS, G. L. Sistemas digitais: princípios e aplicações. 12.
ed. São Paulo: Pearson, 2019.

VAHID, Frank. Sistemas digitais: projeto, otimização e HDLs. Porto Alegre: Bookman,
2008.

68
Conversões Analógica-Digital (A/D) e Digital-Analógica (D/A) unidade IV

unidade IV 4 Comando
Tabela
4

4 Conversões Analógica-Digital
(A/D) e Digital-Analógica (D/A)

Caro aluno, o tema central de estudo desta unidade são as con-


versões Analógica-Digital (A/D) e Digital-Analógica (D/A), sendo que os
sinais analógicos são originalmente gerados ou medidos pelos transdu-
tores ou sensores.

Os circuitos digitais são usados na implementação de diversos


dispositivos, e pela conversão dos sinais analógicos em sinais digitais,
servirão para propósitos que têm inúmeras vantagens para todos nós.
Temos telefones celulares, câmeras digitais, leitoras de cartões, copia-
doras, marca-passos, desfibriladores, receptores de TV a cabo, enfim,
uma lista infindável de exemplos de aparelhos que são extremamente
úteis e que proporcionam para o ser humano uma melhor qualidade de
vida (VAHID, 2008).

69
unidade IV Conversões Analógica-Digital (A/D) e Digital-Analógica (D/A)

Convido você a iniciarmos o estudo desta unidade com as técnicas e caracte-


rísticas da conversão analógica-digital e digital-analógica que permitem conceber,
implementar e realizar todos esses equipamentos tão importantes para todos nós. A
Figura 4.1 mostra a relação entre os conversores; há necessidade de converter sinais
analógicos em digitais para serem processados pelo computador, e o retorno é para
efetivar a resposta do sistema digital ao estímulo analógico.

Figura 4.1 – Inter-relação entre conversores D/A e A/D

Fonte: elaborada pelo autor.

4.1  Conversão Analógica-Digital (A/D)

O tema de conversão A/D é sobre


os métodos, processos e, finalmente, os
circuitos eletrônicos que transformam
os sinais analógicos, aqueles que são
reais ou verdadeiros, em sinais digitais,
ou seja, que podem ser inseridos no sis-
tema computacional.

Os sensores são elementos impor-


tantes nesse contexto. Eles são disposi-
tivos que detectam uma grandeza física
e a converte em uma grandeza elétrica.

70
Conversões Analógica-Digital (A/D) e Digital-Analógica (D/A) unidade IV

Podemos identificar uma grande variedade desses sensores que capturam a tempe-
ratura, posição, velocidade, pressão, tensão, intensidade luminosa etc., e como saída
fornecem corrente, tensão ou resistência. Assim, esse dado analógico de natureza
elétrica, proporcional à grandeza física inicial, pode ser convertido em uma forma
digital por meio dos conversores A/D.

Outras mídias:

O exemplo 3.1 do capítulo 3, no livro “Sistemas digitais: princípios e aplica-


ções” (TOCCI, WIDMER e MOSS, 2019), que está disponível em nossa biblio-
teca virtual Pearson, mostra uma aplicação simples dos transdutores de
temperatura e pressão acoplados a uma porta OR. Leia e estude esse tema
para continuarmos.

Você sabia que:

O transdutor piezoelétrico gera uma tensão proporcional à deformação,


seja por vibração, seja por tensão mecânica ou mesmo devido a uma onda
sonora incidente. Acesse na midiateca o vídeo da SparkFun Electronics, que
traz demonstração bem simples desse dispositivo.

Os requisitos mais importantes na digitalização de sinais estão na Figura 4.2 e


serão explicados em detalhes na próxima subunidade, na qual veremos os princípios
de operação e desempenho dos conversores A/D.

Figura 4.2 – Requisitos para o desempenho dos conversores A/D

Fonte: elaborada pelo autor.

71
unidade IV Conversões Analógica-Digital (A/D) e Digital-Analógica (D/A)

4.1.1  Princípios

Inicialmente, temos os sinais analógicos, que podem ser contínuos no tempo


e têm qualquer amplitude, por exemplo, a rede elétrica é uma onda senoidal que,
segundo a ANEEL, pode ter o valor de tensão nominal (TN) de 127V em redes mono-
fásicas para a distribuição secundária de corrente alternada em redes públicas.

Uma onda senoidal qualquer precisa ter seus valores amostrados para ser digi-
talizada. Os dados contínuos serão convertidos em discretos. O processo é formado
pela etapa de amostragem do sinal e retenção do valor (Sample and Hold – S/H). A
Figura 4.3 mostra uma onda senoidal sobreposta à onda de resposta do processo
de S/H.

Figura 4.3 – Digitalizando uma onda senoidal

Adaptada de: FLOYD (2007).

Atenção:

A aproximação da onda original é realizada em forma de escada, e cada


nível será convertido em único valor binário pelo conversor A/D.

72
Conversões Analógica-Digital (A/D) e Digital-Analógica (D/A) unidade IV

O próximo passo consiste em quantizar essa forma de onda discreta em códi-


gos binários, isto quer dizer que cada degrau terá um código em binário que repre-
senta o valor analógico do sinal. O processo de conversão do sinal analógico em
código digital é chamado de quantização.

O processador, que, neste caso, é mais conhecido como DSP (Digital Signal
Processor), é o responsável pelas tarefas que podem ser desenvolvidas no processa-
mento digital, que inclui: controle do sinal, acerto de valores para a correção de erros
ocorridos na transmissão, redução de interferências ou ruídos, entre outras.

O processo de amostragem deve ter um número de valores discretos, de tal


forma que seja possível definir o formato do sinal analógico, para isso, os critérios
que devem ser observados são baseados em filtros passa-baixas para eliminar o
efeito aliasing e é determinado pela frequência de Nyquist, que, para garantir a boa
representação do sinal analógico, a frequência de amostragem deve ser pelo menos
duas vezes o valor da maior frequência analógica, e o processo de filtragem garante
o bloqueio de frequências que excedem a frequência de Nyquist, evitando qualquer
sobreposição do sinal (FLOYD, 2007).

A taxa de amostragem varia de acordo com a aplicação, de modo que a relação


é diretamente proporcional à frequência do sinal. Podemos ter, por exemplo, multí-
metros digitais cujo tempo de amostragem é da ordem de dezenas de amostras por
segundo (Samples per Second – SPS) ou, no caso de um osciloscópio digital cuja forma
de onda a ser observada está em torno de 10 MHz, então poderemos necessitar de
algo em torno de 100 MSPS (Mega Samples per Second).

Este parâmetro está relacionado à correspondência do valor analógico com


o valor convertido em digital, ou seja, com a precisão do processo de amostragem,
assim, quanto maior a quantidade de bits envolvidos para representar o valor amos-
trado, maior a precisão.

73
unidade IV Conversões Analógica-Digital (A/D) e Digital-Analógica (D/A)

Importante!

A precisão do processo de conversão é diretamente proporcional à quanti-


dade de bits usados no nível de quantização.

Assim, o nível de quantização é determinante para obter uma saída digital que
represente de maneira fiel a forma de onda original. No exemplo dado na Figura 4.4
foram usados apenas quatro níveis de quantização. Podemos observar em todos os
pontos (em vermelho) que, apesar dos valores diferentes, todos foram codificados
em binário pelo valor 01, e os triângulos (em roxo), por 11.

Figura 4.4 – Exemplo de quantização com quatro níveis

Adaptada de: FLOYD (2007).

Portanto, houve perda significativa de dados e, como resultado, a conversão


realizada não foi capaz de representar bem a forma de onda original.

Dica de leitura:

A seção 13-2 “Conversão de sinal analógico para digital”, capítulo 13, do


livro “Sistemas digitais: fundamentos e aplicações” (FLOYD, 2007), explica
o processo e a função de amostragem e retenção, mostra o motivo de rea-
lizar a filtragem para evitar o erro de aliasing e apresenta em detalhes
os princípios de quantização, taxa de amostragem e linearidade. Estude
atentamente essa seção e retorne para continuarmos.

74
Conversões Analógica-Digital (A/D) e Digital-Analógica (D/A) unidade IV

4.1.2  Conversores A/D

Estudamos as características e os principais parâmetros dos con-


versores A/D para avaliar a qualidade da amostragem de sinal digital em
comparação com a sua entrada analógica. Podemos encontrar vários cir-
cuitos que constituem os tipos mais usados de conversores A/D, como
estão relacionados na Figura 4.5. Agora, abordaremos alguns desses
tipos e descreveremos a operação e o funcionamento básico de cada um.

Figura 4.5 – Tipos de conversores A/D

Fonte: elaborada pelo autor.

Este conversor compara a tensão do sinal analógico com a tensão de referência


Vref, portanto, o circuito opera até que os valores das tensões sejam iguais.

A tensão de referência aumentará devido ao incremento de bits do circuito con-


tador e a um conversor D/A que garante que esses bits recebidos sejam convertidos
adequadamente em tensão analógica para ser comparado com o sinal de entrada.

O contador sempre inicia a contagem por meio do bit de controle “start” e incre-
menta o seu valor de saída a cada ciclo de clock. A Figura 4.6 mostra o esquema do
conversor.

75
unidade IV Conversões Analógica-Digital (A/D) e Digital-Analógica (D/A)

Figura 4.6 – Conversor em rampa digital

Fonte: elaborada pelo autor.

A saída do comparador será 1 caso o valor de referência Vref for menor que
Vanalógico; no momento em que o valor de Vref for maior que Vanalógico, a saída vai
para 0 e o circuito de controle que gera o sinal clk do contador também passa a ser
0. O contador interrompe a contagem e teremos uma forma de onda de Vref, como
na Figura 4.7.

Figura 4.7 – Comparação entre a tensão da entrada analógica e a referência

Fonte: elaborada pelo autor.

76
Conversões Analógica-Digital (A/D) e Digital-Analógica (D/A) unidade IV

O funcionamento desse tipo de conversor ocorre com o uso de comparadores.


O sinal analógico é a entrada de cada um deles, sendo que cada um dos comparado-
res usa uma fração do sinal analógico para estabelecer em qual saída será ativada,
desse modo, um multiplexador e um decodificador estabelecem um número biná-
rio que corresponde ao nível do sinal analógico da entrada. A Figura 4.8 mostra o
esquema básico desse conversor.

Figura 4.8 – Conversor flash com quatro níveis de entrada e dois bits de saída

Fonte: elaborada pelo autor.

A lógica estabelecida está conforme a Tabela 4.1.

Tabela 4.1 – Tensão de entrada e dados de saída do conversor A/D

Tensão (Vanalógico) D1 D0

De 0 até Vref/4 0 0

De Vref/4 até Vref/2 0 1

De Vref/2 até 3Vref/4 1 0

Acima de 3Vref/4 1 1

Fonte: elaborada pelo autor.

77
unidade IV Conversões Analógica-Digital (A/D) e Digital-Analógica (D/A)

O conversor de rampa dupla tem sua operação baseada na carga e descarga


linear do capacitor presente no circuito integrador do conversor. O capacitor é car-
regado por uma corrente constante por um intervalo fixo, proporcional à tensão de
entrada analógica. Assim, o valor da tensão do capacitor é proporcional a Vanalógico.
A descarga acontece na comutação para a tensão de referência negativa e termina
quando o capacitor é totalmente descarregado; nesse intervalo de tempo ocorre a
contagem dos bits no contador. A Figura 4.9 mostra o circuito básico.

Figura 4.9 – Conversor de rampa dupla

Vin C

+ - CLK
R
SW -V
-0V A1 - ALTO >C
A2 Resete do
+ R
Contador
-VREF
n

Lógica de Latches
controle EN

D 7 D6 D5 D4 D3 D2 D1 D0

Fonte: FLOYD (2007).

O funcionamento é similar ao conversor em rampa, no entanto apresenta um


circuito com uma lógica de controle no lugar do contador que modifica o conteúdo
do registrador bit a bit, de modo que atinge o valor digital equivalente à entrada
analógica de maneira mais rápida. A Figura 4.10 mostra o esquema básico desse
conversor.

78
Conversões Analógica-Digital (A/D) e Digital-Analógica (D/A) unidade IV

Figura 4.10 – Conversor de aproximações sucessivas

Adaptada de: TOCCI, WIDMER e MOSS (2019).

Que tal agora compararmos os tipos de conversores? A Tabela 4.2


compara os métodos mostrados aqui, no que se refere às vantagens,
desvantagens e aplicações mais comuns, confira!

Tabela 4.2 – Comparação entre os conversores A/D

Método Vantagens Desvantagens Aplicação

+ lento e depende Multímetros


Rampa digital + simples.
do conversor D/A. digitais.

> custo de Digitalização de


Flash + rápido.
implementação. imagem e vídeo.

Boa rejeição a
> tempo de Multímetros de
Rampa dupla ruído;
conversão. bancada.
Opera código BCD.

Usa um conversor
Aproximação Tempo de conver- Aquisição de
D/A, implementa-
sucessiva são pequeno. sinais.
ção + difícil.

Fonte: elaborada pelo autor.

79
unidade IV Conversões Analógica-Digital (A/D) e Digital-Analógica (D/A)

Dica de leitura:

A seção 13-3 “Métodos de conversão analógico-digital”, capítulo 13 do livro


“Sistemas digitais: fundamentos e aplicações” (FLOYD, 2007), aprofunda os
tipos de conversores A/D. Assim, estude essa seção com cuidado e retorne
para continuarmos.

Conheça mais:

A partir da seção 11.8 “Conversão analógico-digital”, no capítulo 11 do livro


“Sistemas digitais: princípios e aplicações” (TOCCI, WIDMER e MOSS, 2019),
são mostradas a teoria dos conversores A/D e as aplicações de interfacea-
mento analógico; procure fazer uma leitura atenta e estudar os exemplos.

Outras mídias:

Disponibilizei o link do vídeo de uma aula de conversores analógicos digi-


tais do prof. João Paulo Carmo. Na aula, você poderá revisar os conceitos
aprendidos nesta subunidade.

4.2  Conversão Digital-Analógica (D/A)

O objetivo de um conversor D/A é fornecer único valor de tensão analógico


na sua saída de acordo com os valores que estão representados em seus bits de
entrada, não importando a quantidade de bits dessa entrada.

4.2.1  Princípios

Assim como vimos que um amplificador operacional pode ser usado no desen-
volvimento de um conversor A/D, este componente também é amplamente usado
para o projeto do conversor D/A. Podemos avaliar o resultado de um projeto que visa

80
Conversões Analógica-Digital (A/D) e Digital-Analógica (D/A) unidade IV

à conversão do sinal digital em analógico ao considerar as características de desem-


penho mostradas na Figura 4.11.

Figura 4.11 – Característica de desempenho para um conversor D/A

Resolução Linearidade

Características de
Tempo de
desempenho Precisão
ajuste

Monotonicidade

Fonte: elaborada pelo autor.

Resolução: é o valor dado pela fórmula, expressa em porcenta-


gem, , sendo n o número de bits.

Linearidade: é o erro dado pelo desvio comparado com a reta


ideal da saída do conversor D/A.

Precisão: é a comparação deduzida da saída real pela saída


esperada.

Monotonicidade: é a característica empírica do conversor D/A em


não apresentar degrau reverso em toda a sequência de bits.

Tempo de ajuste: tempo que o conversor leva para ajuste de ±1/2


LSB do valor final quando ocorre variação do código de entrada (FLOYD,
2007).

Conheça mais:

A seção 13-5, capítulo 13, do livro “Sistemas digitais: fundamentos e aplica-


ções” (FLOYD, 2007), explica com exemplos as características de desempe-
nho do conversor D/A.

81
unidade IV Conversões Analógica-Digital (A/D) e Digital-Analógica (D/A)

4.2.2  Conversores D/A

Como vimos, o conversor D/A possui como entrada determinado código biná-
rio que é convertido em uma grandeza elétrica (tensão ou corrente) proporcional a
esse código binário. Cada conjunto de bits será associado a único valor de tensão ou
corrente na saída. Agora serão mostrados dois tipos básicos de conversores D/A.

De maneira genérica, podemos afirmar que a saída analógica é proporcional à


entrada digital, conforme um fator K. A equação a seguir mostra essa relação.

saídaanalógica = K entradadigital

Para refletir:

Considere que o conversor D/A com 5 bits de entrada apresenta em sua


saída o valor de 10V, sendo que a entrada apresenta o valor em binário
10100. Qual será a tensão para a entrada 11101? Qual o maior valor de
tensão na saída do conversor D/A?

Solução:

10100  24+22= 20, como temos que a saída é 10V, podemos aplicar a fór-
mula  saídaanalógica= K entradadigital

10=K 20

Portanto K = 0,5V

11101  24+23+22+20 = 29

Assim, V11101 = 0,5 X 29  V11101 = 14,5V

82
Conversões Analógica-Digital (A/D) e Digital-Analógica (D/A) unidade IV

O valor máximo é dado pelo binário 11111  24+23+22+21 +20 = 31

Assim, V11111 = Vmáx = 0,5 X 31  Vmáx = 15,5V

O modelo de conversor utiliza um conjunto de resistores e um amplificador


operacional. A Figura 4.12 mostra a configuração desse tipo de conversor para um
conversor D/A de 4 bits, sendo que o bit menos significativo D0 sempre terá o maior
valor de resistência, que corresponde ao valor de 2n-1 (considerando n o número de
bits) do valor do resistor do bit mais significativo, no caso da figura, D3.

Figura 4.12 – Conversor D/A com entrada ponderada em binário

Fonte: elaborada pelo autor.

O circuito mostrado é um somador inverso, as tensões de entrada são soma-


das, e como há valores distintos e fixos para cada entrada, a equação a seguir garante
o valor único da saída.

Sendo que os valores dos bits D0 a D3 podem variar de 0 a 1; Rf e R podem ser


estrategicamente iguais, por exemplo, 1 KΩ; sendo Vin o valor da tensão de entrada,
que pode ser 5 V. Desde modo, qualquer código binário terá um valor de tensão de
saída.

Por exemplo, 1010 corresponde a Vout = - 6,25V.

83
unidade IV Conversões Analógica-Digital (A/D) e Digital-Analógica (D/A)

Atenção:

Para circuitos que apresentam muitos bits de entrada, o valor do resistor


LSB será extremamente alto, com isso, a corrente será muito pequena e pode
gerar muito ruído, e como todos os resistores são múltiplos do valor inicial,
eles necessitam ter precisão grande para evitar a não monotonicidade.

Além disso, deve-se considerar a qualidade do amplificador operacional,


também pode ser mais uma desvantagem a ser incluída nessa lista.

Dica de vídeo:

O vídeo “Amostra do curso de TV LCD - Conversores ADC e DAC”, da Mais


Eletrônica, mostra a aplicação de exemplos de conversores A/D e D/A para
se aprofundar nos estudos.

Este tipo de conversor D/A possui a característica de ter somente dois valores
de resistores no projeto (R e 2R), desde modo, podemos eliminar a grande variação
de componentes que está contida no conversor D/A com entrada ponderada em
binário. A configuração do conversor D/A com rede R/2R está na Figura 4.13.

Figura 4.13 – Conversor D/A com Rede R/2R

Fonte: elaborada pelo autor.

84
Conversões Analógica-Digital (A/D) e Digital-Analógica (D/A) unidade IV

Como a malha formada por resistores apresenta apenas dois valo-


res, temos maior facilidade em conseguir a precisão dos componentes.

As tensões de entrada formam a somatória binária de cada bit;


esse valor é proporcional à tensão de saída analógica, conforme a equa-
ção a seguir:

Sendo que, se um dos bits for zero, não entra na equação.

Por exemplo, para uma entrada de código 1010 e Vin = 5V, então:

Dica de leitura:

A seção 13-5 “Métodos de conversão digital-analógico”, capítulo 13 do livro


“Sistemas digitais: fundamentos e aplicações” (FLOYD, 2007), aprofunda os
tipos de conversores D/A. Leia e estude essa seção atentamente.

Conheça mais:

Na seção 11.2 “Conversão digital-analógico”, capítulo 11 do livro “Sistemas


digitais: princípios e aplicações” (TOCCI, WIDMER e MOSS, 2019), é mos-
trada a teoria dos conversores D/A. Procure fazer uma leitura atenta e
estudar os exemplos.

Outras mídias:

Disponibilizei o link do vídeo de uma aula de conversores digitais ana-


lógicos do prof. João Paulo Carmo. Na aula, você poderá revisar os con-
ceitos aprendidos nesta subunidade. Acesse o vídeo para aprofundar os
conceitos.

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unidade IV Conversões Analógica-Digital (A/D) e Digital-Analógica (D/A)

Aprendemos que:

As conversões A/D e D/A são elementos essenciais para o desenvolvimento


de diversos dispositivos extremamente úteis para a sociedade. Vimos tam-
bém as características e os tipos mais comuns desses conversores, os cir-
cuitos que são usados no interfaceamento dos conversores entre si e os
outros dispositivos digitais ou analógicos.

Referências da unidade IV

FLOYD, Thomas. Sistemas digitais: fundamentos e aplicações. 9. ed. Porto Alegre:


Bookman, 2007.

TOCCI, R. J.; WIDMER, N. S.; MOSS, G. L. Sistemas digitais: princípios e aplicações. 12.
ed. São Paulo: Pearson, 2019.

VAHID, Frank. Sistemas digitais: projeto, otimização e HDLs. Porto Alegre: Bookman,
2008.

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