Texto: Rute 1.
6ss
Introdução
É bem provável que a maioria de nós, senão, todos nós, nunca
tenhamos passado pelas realidades desagradáveis e inesperadas de
Noemi como vimos na semana passada.
Seu marido, Elimeleque havia tomado a decisão de sair de Belém de
Judá, e viajar 80km para os campos de Moabe, que nos parece não
estavam sendo atingidos pela fome que grassavam as moradas de Belém
na mesma ocasião, por causa do juízo do Senhor sobre o seu povo, no
tempo dos juízes, em que cada um fazia o que achava mais reto.
Movidos pela necessidade, mas ao mesmo tempo cheios de
esperança de uma vida mais cômoda e próspera eles vão morar em uma
terra, que não era a terra a prometida por Deus, deixando para trás a
antiga promessa de Deus de um lugar para os seus antepassados e eles
viverem por longos anos.
Mas, ao contrário do que eles imaginavam; ao contrário da
prosperidade, da comodidade e da bem-aventurança pretendida, o que
eles encontraram foi a morte, a tristeza, a desolação e a falta de herdeiros
para continuar o nome da família, que era um grande tema naquela
época. Morrer sem deixar herdeiros era como ter o nome apagado. E isso
era muito trágico.
Então, é nesse momento de grande tristeza, de compreensível
desorientação e desolação que reencontramos Noemi. Isso tudo, é claro,
como resultado da decisão tomada mais de uma década antes pelo seu
marido Elimeleque de deixar a terra que Deus havia prometido. O que
ele deveria fazer era clamar a Deus para que Ele os sustentasse na terra,
em fé, porque aquele era o lugar que Deus havia escolhido para eles.
Transição
Nesse ponto precisamos descrever um pouco mais de Moabe para
entendermos como as Escrituras descreve Moabe.
Estou consciente de que fiz isso no sermão anterior, mas considero
importante fazê-lo de novo, aqui, para não passar de largo, dois aspectos
importantes, para o entendimento do texto, na minha opinião. Primeiro,
onde eles estão é considerado como um lugar desprezível. E segundo
justamente por ser desprezível, isso ressalta a grandiosidade da graça e
da misericórdia de Deus no ato de estendê-las a uma mulher moabita –
Rute – por meio do arrependimento desta e de torná-la, por pura graça,
parte da história da redenção e de da genealogia do maior rei de Israel e
de onde virá o nosso redentor Jesus.
Então atente mais uma vez para esses detalhes:
1. Moabe estava localizado do outro lado do rio Jordão, a leste da
Terra Prometida. Era habitado por pessoas que adoravam deuses pagãos.
2. Os moabitas eram descendentes de um homem chamado Moabe,
filho de um relacionamento incestuoso entre Ló e suas filhas, Gênesis
19.30-38.
2. Eles eram um povo orgulhoso, conhecido por sua ilegalidade,
imoralidade e violência brutal, Lev. 18.24-25; Deuteronômio 9.4-
5; Números 16.6.
3. Eles atacaram e se opuseram a Israel, procurando destruir o povo
de Deus, durante as andanças no deserto de Israel, Números 23-
25; Deuteronômio 23.3-6. Este era um povo oposto a Deus e aos Seus
caminhos.
Mas, agora vem a parte que eu quero que vocês tenham em mente
enquanto avançamos no texto.
4. No Salmo 60.8, Deus diz isso: “Moabe, porém, é a minha bacia de
lavar”. Essa frase significa que Moabe era desprezado, comparada a um
vaso que continha água para ser usado pelos escravos para lavar os pés
de um herói conquistador.
Deus diz que eles não são nada e que serão reduzidos à forma mais
baixa de escravidão! No entanto, eles eram um povo que poderia ter sido
salvo se tivessem se arrependido de seus pecados como Rute.
Tudo isso aliado ao fato de que Noemi já tinha perdido seu marido e
seus dois filhos, e estava pobre (vs. 21), deveria fazê-la voltar
imediatamente a Belém de Judá.
Mas, não foi por isso que ela decidiu voltar a decisão se deu por
outra razão conforme o texto nos diz.
1. A vida é traçada diretamente pela mão de Deus (expressão de
Atkinson) (vs. 6)
Concluímos a lição anterior dissemos que Noemi teve que sofrer as
duras providências de Deus.
Deixe-me lembrá-lo enquanto transitamos do verso 5 para o verso
6 que o nosso contexto é que Deus está exercendo juízo sobre o Seu povo.
Nos dias em que julgavam os juízes, a atividade de Deus incluía tanto o
juízo quanto a bênção.
“Aqueles se rebelavam contra ele, amargavam o juízo, exatamente
como Deus havia advertido. Em contraste, aqueles que o obedeciam e
verdadeiramente se arrependiam, o encontravam disposto a perdoar” 1.
Mas, nesse ponto, no verso 6, a narrativa em Rute dá uma virada. Ela
deixa de lado, a morte do marido e dos filhos de Rute e se concentra no
esperançoso e estimulante fato de que Deus visitara o seu povo, “dando-
lhe pão”. Então, Rute tem uma motivação para voltar à sua terra: Deus
está visitando o Seu povo.
Hubbard afirma acertadamente que isso “...marca um ponto crítico
de esperança na história trágica de Noemi – o fim da fome anterior e seu
longo e amargo exílio (v. 1). Ela não está totalmente desamparada...” 2
Isso prova duas coisas: a primeira é que a fome em Belém de Judá
era, de fato, como já dissemos, o juízo de Deus sobre seu povo, e a
segunda, que foi um ato de incredulidade com severas consequências
Elimeleque e sua família ter se mudado para a “bacia de lavar” que era
Moabe.
1
DUGUID, Iain. Estudos Bíblicos Expositivos em Ester e Rute. São Paulo: Cultura Cristã, 2016, p. 137.
2
HUBBARB, Robert L. Comentários do Antigo Testamento – Rute. São Paulo: Vida Nova, pp. 144.
Pois bem. É importante, na análise desse verso 6, termos de observar
algumas coisas importantes.
1.1. O orgulho de Noemi
Parece-nos, de uma análise rápida do verso 21 desse capítulo, que
Noemi era uma mulher rica quando saiu de Belém de Judá. Isso
transparece pelo fato de ela dizer: “Ditosa eu parti, porém o Senhor, me
fez voltar pobre...”
A palavra “ditosa” no texto quer dizer: cheia, plena, feliz.
Ver essa palavra no DITAT.
E então, ela reclama que o Senhor a fez voltar pobre. Vazia.
Veremos, mais tarde, que ela reclama justamente do fato de que, a
causa para a sua volta, não foi outra senão, o próprio Deus. Veremos isso
a seu tempo, no verso 21. Ela diz: ...porém, o Senhor me fez voltar
pobre...”.
Assim, no verso 6, diz que ela tem que engolir o orgulho e voltar
para casa, para o seu povo, a Belém, porque “tinha ouvido que o Senhor
se lembrara do seu povo, dando-lhe pão”.
A bênção, finalmente, havia retornado para Belém.
Atkison, ainda que um tanto desconfiado se deve ou não concordar
com outros autores acerca da condição de incredulidade de Elimeleque
afirma, entretanto, que “mesmo que a atitude de Elimeleque implique
falta de fé ou expressão de descontentamento para com Javé, o restante
do livro de Rute demonstra que a Providência Graciosa de Deus não é
limitada pela loucura do homem. A alegria final na família... demonstram
a rica benignidade da providência de Deus”3
1.2. Deus está trabalhando. Ele vem ao encontro do Seu povo
O Senhor, é de novo, o nome pactual de Deus. Javé. “Ele é o Deus
cujo nome pessoal indica o seu caráter: o Deus que está em atividade, o
Deus que vem ao encontro do seu povo na necessidade, o Deus que
liberta o seu povo pela ação de um remidor”.4
Atente para o fato de que o texto diz enfaticamente que o Deus
pactual lembrou-se do seu povo. Não se trata de um tempo de
prosperidade econômica, de que “a tempestade passou”, ou de que
melhores homens foram alçados ao poder, ou que o tempo da ditadura
acabou, ou que foram ajudados por outro país. Mas trata-se aqui de que
Deus ajudou o Seu povo.
3
ATKINSON, David. A mensagem de Rute. São Paulo: ABU, 2005, p. 33.
4
ATKINSON, David. A mensagem de Rute. São Paulo: ABU, 2005, p. 40.
“Tudo isso poderia fazer parte da recuperação da cadeia das causas
da recuperação da fartura de Belém. Mas não, as notícias chegaram a
Noemi em termo de ação do Senhor. Aqui há um tema central na Bíblia:
toda a vida é traçada diretamente pela mão de Deus. Quando nos
concentramos principalmente nas causas secundárias sentimo-nos
encorajados a manipular o sistema. É a concentração na grande causa
que nos ensina a viver pela fé”5
É bom que atentemos bem para isso, porque aqui, nesse ponto
estamos falando de algo positivo, e de forma ampla e macro.
Posteriormente, Noemi falará disso de forma negativa – do ponto de vista
dela – e individual (referindo-se à sua própria vida).
Pensando no contexto de juízes isso quer dizer que o povo se
arrependeu de seus pecados e se voltou para Deus.
“Noemi, seu marido e seus filhos, tinham partido numa jornada de
desobediência, eles tinham vivenciado o juízo de Deus. Como resultado
Elimeleque, Malom e Quiliom estavam todos mortos. Para eles não havia
arrependimento e retorno. Porém, Deus, em sua graça não tinha deixado
a família de Noemi sem nenhum sobrevivente. Um remanescente
5
ATKINSON, David. A mensagem de Rute. São Paulo: ABU, 2005, p. 40.
permaneceu dando esperança de que afinal poderia haver um futuro. O
juízo de Deus sobre os nossos pecados é certo. E mais certo ainda é o
desejo de Deus de restaurar pecadores para si.”.6
1.3. Há um caminho de volta para casa (Iain Duguid)
Assim, ao ouvir que Deus se lembrara de seu povo – não nos é dito
como ela soube – ela se dispôs a voltar para casa. Mas perceba que a
ênfase do texto é que ela “voltou da terra de Moabe” e com ela suas duas
noras.
Mas, enfatize-se “porquanto, nesta ouviu, que o Senhor, se lembrar
do seu povo dando-lhe pão”.
Conclusão do ponto
Aqui, eu creio é como se o autor do livro de Rute nos desse a
oportunidade de olharmos para os acontecimentos da vida dessa família
de forma mais próxima.
É como se ele tirasse todas as camadas de tragédias, de morte, de
fome, de pobreza, de incredulidade, de dificuldades e nos deixasse ver
aquilo que não percebemos por trás disso tudo: Deus se move de forma
misteriosa.
6
DUGUID, Iain. Estudos Bíblicos Expositivos em Ester e Rute. São Paulo: Cultura Cristã, 2016, p. 137-138.
Nesse ponto Noemi está reconhecendo que sua vida é maior do que
as decisões que ela tomou e que a sua vida é maior do que o reino que ela
estava tentando estabelecer.
Há um Deus que trabalha misteriosamente.
2. O sofrimento interfere na nossa visão de Deus e do nosso
sofrimento (vs. 7-13).
Quando o texto continua, passamos a ver a narrativa da saída de
Noemi de Moabe, com suas duas noras de volta a Belém de Judá bem
como – até o verso 13, a forma como Noemi está observando e
interpretando toda a história e circunstâncias ao seu redor.
É importante essa observação. O narrador diz: “Saiu, pois, ela com
suas duas noras do lugar onde estivera; e indo elas caminhando, de volta
para a terra de Judá, disse-lhes Noemi” (vs. 7-8a).
A partir do início do verso 8 depois da decisão de ir embora, o
narrador dá a palavra a Noemi, a fim de que ela, pela primeira vez possa
expressar como está encarando toda essa situação.
Perceba como podemos deixar que o sofrimento afete a nossa visão
das circunstâncias e do próprio Deus.
Comecemos com a visão distorcida que Noemi tem das
circunstâncias
2.1. O sofrimento e a visão distorcida das circunstâncias (vs. 11-13)
Perceba como ela encara:
2.1.1. Ela encara o presente sem esperança (vs. 8-11)
No decorrer do texto, você percebe que Noemi manifesta que
entende a sua situação pessoal como uma situação de derrota.
Lembre que aqui ela está voltando para a terra prometida de onde
nunca deveria ter saído. E mesmo assim, ela está encarando o presente
sem esperança.
Ela manda que as noras voltem para a casa de suas mães.
Nesse momento ela até usa a expressão que “Deus use de
misericórdia para convosco” assim como elas foram boas pessoas para
com ela e os falecidos.
Aqui, segundo os estudiosos a frase significa que Noemi estava
formalmente liberando aquelas mulheres de qualquer responsabilidade
futura com ela. E “impotente para retribuir a bondade delas, seu único
recurso foi entregá-las aos cuidados de Deus. Tal oração era bem
apropriada, viso que... Yahweh é um deus que trata seu povo com hesed
[benevolência]”7.
Pede em seguida que elas sejam felizes, e que casem de novo e
beijou-as, despedindo-se delas. Então, o texto continua dizendo que elas
choraram.
Elas disseram que iriam com ela para o povo dela. “Não! Iremos
contigo ao teu povo!” (vs. 10).
Nesse ponto, a resposta de Noemi mostra que ela via a situação atual
dela como uma situação de derrota. Ela diz: Voltem. Eu não tenho filhos e
nem estou grávida para que vocês casem com algum filho meu.
Esse apego de vocês a mim, será um problema para mim e para
vocês. Voltem para casa. Ela está sem nenhuma esperança.
Um escritor diz que Noemi não tem nem como sustentar a si mesma.
E levar mais duas mulheres, e ainda por cima estrangeiras, moabitas,
seriam mais duas bocas para sustentar. Elas seriam mais um possível
peso para ela.
2.1.2. Ela também olha para o futuro sem esperança (12-13)
7
HUBBARB, Robert L. Comentários do Antigo Testamento – Rute. São Paulo: Cultura Cristã, pp. 148.
Ela diz que não tem marido, não tem filhos, não tem nada a esperar
da vida.
Lopes diz que: “Ela não tem mais futuro, apenas um passado de dor.
A palavra traduzida por “viúva” não apenas indica a morte do marido,
mas também dá idéia de solidão, abandono e desamparo. As viúvas eram
geralmente mencionadas com os órfãos e os estrangeiros” 8. É uma ideia
realista, mas também é algo destituído de esperança no Senhor. É uma
visão somente horizontal. Ela despreza o ângulo vertical da vida.
Quando ela menciona filhos para casar com ela está fazendo
menção à lei do levirato. Será que elas entendiam isso? Esse era um
aspecto muito importante naquela época.
Por vossa causa, a mim me amarga... O que ela quer dizer com isso?
2.2. O sofrimento e a visão distorcida de Deus (vs. 13)
Mas, percebam. Não é só uma visão distorcida das circunstâncias
que Noemi tem. Ela tem também uma visão distorcida de Deus.
8
LOPES, Hernandes Dias. Rute – Uma perfeita História de Amor. São Paulo: Hagnos, 2007, p. 38.
A única coisa que Noemi menciona na sua conversa com suas noras
é o aspecto do levirato, de um nome para seu falecimento marido e sua
descendência. Alguém que possa ser um descendente para sua família.
E quando ela se refere a Deus, refere-se a Ele com amargura. Ela se
sente injustiçada por Deus. Veremos mais sobre isso no verso 23.
Ela diz: “O Senhor descarregou sobre mim a sua mão”. O pecado
sempre distorce seu sistema de prioridades e seus conceitos de certo e
errado. (Isaías 5:20).
A única vez que falou de Deus, Noemi falou dele de forma negativa.
2.2. O sofrimento e a distorção do propósito do povo de Deus (vs.
14-15)
Nos versos seguintes, vemos como Noemi tem a visão ainda mais
distorcida.
O povo de Israel fora chamado em Abraão para abençoar todas as
nações da terra. E Deus falara ao povo no Sinai que eles seriam nação de
sacerdotes e nação santa.
Mas, Noemi está tão centrada no seu sofrimento, tão centrada no
que lhe havia acontecido, e tão centrada em seu papel de vítima que era
mais fácil pra ela culpar Deus pelo que tinha lhe acontecido do que
confessar seu pecado e voltar para Deus em arrependimento.
Isso estava tão arraigado nela que ela se permitiu deixar de ser a
bênção de que deveria ser mesmo em meio ao sofrimento.
Ele chegou ao ponto de não se importar com a vida espiritual de
suas noras, enviando-as de volta aos seus deuses, como se fossem deuses
de verdade e equirados, de alguma forma ao Deus de Israel.
Vejamos o verso 15.
Ela as encorajou a voltar ao seus estilos de vida pagãos longe do
verdadeiro Deus. “Volte ao seu povo e ao seu Deus”. Ela perdeu toda a sua
capacidade de ser uma testemunha poderosa da glória de Deus. Noemi é
uma prova da verdade de que um crente adoecido pelo pecado distorce o
propósito para o qual foi chamado: dá testemunho do verdadeiro Deus.
Vs. 14:
Orfa voltou para seus parentes; para o seu Deus e para a sua falsa
religião. E não ouvimos falar mais dela. Tudo sob o olhar de aprovação de
Noemi, que não a quer como um peso.
3. O Deus do Pacto cumpre seus propósitos em meio às distorções e
pecado do Seu povo (vs. 15-18). Ele converte pecadores.
Eu creio que essa seja uma parte realmente impressionante no texto.
E isso de alguma forma nos leva de volta ao primeiro ponto.
No primeiro ponto eu disse que Deus é traçada diretamente por
Deus. E ali fiz menção à misteriosa mão de Deus atuando sem que
saibamos quando nem onde, mas que Ele está trabalhando sempre.
E vemos isso no versos 16-18.
Com o testemunho que Noemi dá a essas duas noras. O que poderia
acontecer com maior probabilidade é a resposta que foi obtida com Orfa.
Depois de Noemi dizer que não tinha esperança nem para o
presente, nem para o futuro e que o lhe amargava, por causa delas, que o
Senhor tivesse descarregado a mão deles sobre ela, a resposta mais
adequada, humanamente falando, era a de Orfa.
A resposta mais adequada era ir embora. E viver a sua vida longe
dessa amargura, porque o mesmo poderia acontecer com ela.
Noemi era um testemunho ao contrário do Deus que abençoaria as
nações por intermédio do Seu povo.
Mas o que acontece?
Deus chama Rute a servi-lo. Deus chama uma moabita a servi-lo.
Mas, uma vez isso aqui é graça. A salvação é inciativa de Deus.
3.1. A insistência de Noemi para que Rute vá embora (vs. 15)
No verso 15, vemos Noemi insistindo que Noemi volte para os seus
deuses.
3.2. A insistência de Rute para permanecer com Noemi
A realidade é que o Senhor transforma a vida de Rute.
Rute está aqui usando a linguagem pactual de Êxodo 6.7. Ela está
aceitando a aliança de Deus. Ela se identificando com aqueles que Deus
redimiu.
“Ela sabe que humanamente falando há realmente muito poucas
perspectivas de um futuro melhor à sua frente em Judá. Ela assistiu sua
cunhada, a quem ela claramente ama, partir para pastos mais verdes em
Moab. Ela perdeu tudo sem nenhuma esperança terrena de
recuperação”. David Strain – [Link]
A única maneira de explicar isso é que o coração dela mudou. Ela
foi salva pela graça de Deus.
Rute entende que o caminho será espinhoso, que o percurso longo
será, mas ela sabe que esse é o caminho para o céu. Deus veio capturar o
seu coração, e portanto, nada pode fazer ela desistir. Ela quer ir, quer
avançar, quer conhecer melhor esse Deus.
Há espaço sob a sombra das asas do Todo-Poderoso para forasteiros,
para moabitas.
Isso é o cumprimento do que Deus sempre intencionou, que outras
pessoas de outras nações, se convertessem ao Deus Todo-Poderoso e o
adorasse com todas as suas forças.
A decisão de Rute é total.
Ela fala de jornada – Onde quer que fores irei.
Ela fala de permanência – Onde quer que pousares pousarei eu
Ela fala de etnia – Te povo será o meu povo
Ela fala de religião – Teu Deus será o meu Deus.
Ela fala de decisão até às últimas consequências: Onde você morrer
aí morrerei eu e serei sepultada.
Seu compromisso se este até à morte.
Conclusão do ponto
E então a cena do texto, termina dizendo que Noemi, vendo que Rute
estava decidida a ir com ela parou de insistir com ela e deixou ela
acompanha-la.
Aplicação
Aplicação #01 – Somos exortados indiretamente a crermos na
Providência de Deus
Ao falarmos de providência estamos falando aqui de alguns aspectos
teológicos importantes9:
1. A providência de Deus refere-se à Provisão de Deus para seu
povo.
“Usamos a palavra provisão pra nos referir às coisas que adquirimos
para necessidades e exigências futuras. Não sei o que o amanhã trará
para mim ou para minha família, assim tomo certas medidas hoje para
suprir o amanhã... [Mas] A despeito de todos os cuidados que tomo em
relação ao futuro da minha família, compreendo que, em última
9
Tópicos retirados do livro: A Invisível Mão de Deus. SPROUL, R. C. A Invisível Mão de Deus. São Paulo: Bom Pastor, 1996, pp.24-31.
instância, o bem-estar dela repousa na mão de Deus. Volto-me para Ele,
como nosso Grande Provedor. Não controlo o meu destino ou o da minha
família. Este não é o meu mundo; ele é o mundo de meu pai.
Mateus 6.25-34 – O Senhor Jesus nos diz para colocarmos diante de
Deus toda a nossa ansiedade.
Era o que Rute estava aprendendo. Deus trabalha de forma
misteriosa.
2. A Providência significa que Deus está envolvido nas questões
humanas
Isso inclui o cuidado paternal de Deus por seu filhos. Mas, também
significa que Deus está envolvido nas questões humanas.
Ele não está indiferente ao que está acontecendo.
3. A Providência inclui o sustento divino
Esse sustento vai desde as grandes coisas: como a fome num país:
Israel, até as pequenas coisas: uma família e uma mulher: Noemi.
Ele está envolvido nos grandes e nos pequenos detalhes.
Esse sustento também é santo. Quando à tarde falarmos sobre
Noemi, veremos que ela tinha um conceito errado da Providência de
Deus. Ela achava que Deus tinha sido severo demais com ela.
Deus contudo tem todas as coisas sob controle. A duração das coisas
está nas suas mãos. E o tempo está sob controle da providência de Deus
segundo sua sabedoria e Seu santo propósito. (p. 29).
Ele não tem plano B, porque Ele sabe de tudo antecipadamente.
E, Ele faz tudo para a Sua própria glória e para o nosso bem.
Romanos 8.28.
Deus está nos detalhes. A doutrina da previdência declara que o
governo de Deus se estende a todas as coisas grandes e pequenas, do
imenso ao minúsculo. (p. 45).
Conclusão