REDAÇÃO
Tema 01: Derramamento de óleo nos oceanos.
TEXTO I
Danos causados por vazamento de petróleo nos
oceanos
O derramamento de petróleo nos oceanos é um problema ambiental grave,
pois causa prejuízos a todos os organismos que ali vivem. Essas situações
ocorrem como resultado de uma série de fatores, tais como acidentes nas
plataformas de petróleo ou mesmo com navios-petroleiros. Vamos, neste
texto, mostrar os principais danos causados por vazamentos de petróleo nos
oceanos e algumas medidas adotadas para tentar resolver esse problema.
Como o petróleo pode poluir os oceanos?
Vários tipos de acidentes podem ocasionar a liberação de petróleo nos
oceanos, sendo fundamentais medidas preventivas. Geralmente, as
principais causas da poluição por petróleo são defeitos nos navios-
petroleiros, vazamentos nas plataformas de petróleo, rompimentos de dutos
e lançamento, no mar, de água utilizada para lavar reservatórios que
contenham petróleo.
Acidentes em plataformas de petróleo podem liberar uma grande quantidade
de óleo nos oceanos.
Danos causados por vazamento de petróleo nos oceanos
A liberação de petróleo no oceano ocasiona uma série de consequências
graves, a saber:
O petróleo é um óleo escuro que, ao ser lançado no ambiente aquático,
forma uma grande barreira que impede a penetração da luz. Por
bloquear a luminosidade, o petróleo é responsável por impedir que o
fitoplâncton realize fotossíntese, o que afeta negativamente esses
seres vivos. Como o fitoplâncton serve de alimento para o zooplâncton,
este também é atingido. Desse modo, toda a cadeia alimentar do
ecossistema marinho é prejudicada. Não podemos esquecer também que
o homem pode sofrer as consequências dessa poluição caso faça a
ingestão de organismos que foram contaminados pelo óleo.
O petróleo também é capaz de intoxicar os animais marinhos,
causando danos, por exemplo, no sistema nervoso, além de causar
asfixia e morte pelo aprisionamento no óleo. Animais como peixes
e tartarugas marinhas são amplamente prejudicados.
Aves marinhas também são amplamente afetadas. Ao entrar em
contato com a água para capturar seu alimento, essas aves têm suas
penas cobertas de óleo. Ao recobrir o corpo do animal, o óleo é capaz de
prejudicar o equilíbrio térmico desses organismos, fazendo com que a
ave morra de frio ou de calor, dependendo do local em que ela estiver.
Vale destacar, no entanto, que outros animais também podem ter seu
equilíbrio térmico alterado.
Os animais que vivem no mar e que dele retiram seu alimento são altamente
prejudicados pela poluição por petróleo.
A área contaminada por petróleo também causa danos ao turismo
local, afetando diretamente a economia da região afetada.
As pessoas que pescam nas áreas atingidas também são
afetadas, pois a prática deve ser interrompida até que se comprove a
segurança da realização dessa atividade.
É possível retirar o petróleo dos oceanos?
Após um acidente com petróleo, são iniciadas ações para tentar resolver o
problema causado pelo vazamento. Essa tarefa não é fácil e envolve
uma grande força-tarefa para evitar que o petróleo se espalhe, retirar o
petróleo da água e também salvar os animais que foram impactados pelo
contato com o óleo.
Atualmente, diversas técnicas existem para garantir a limpeza dessas áreas
em caso de acidentes. Uma das técnicas mais utilizadas é, sem dúvidas,
as barreiras de contenção, que evitam o espalhamento do petróleo para
uma área ainda maior. Equipamentos que absorvem o petróleo também são
usados, sendo esse o caso do skimmer, que garante a captação e o
bombeamento do petróleo para um local de armazenamento.
Outra técnica bastante interessante é o uso de micro-organismos capazes de
metabolizar os componentes do petróleo. Essa técnica é denominada
de biorremediação. Dispersantes químicos também podem ser utilizados,
sendo esses produtos responsáveis por acelerar o processo de dispersão do
óleo, removendo, desse modo, o óleo da superfície. A remoção mecânica e
manual é feita quando o petróleo atinge as áreas de praias.
Vale destacar que cada caso deve ser analisado atentamente para que a
melhor técnica seja escolhida, uma vez que o óleo, nem sempre, apresenta a
mesma composição, o que pode tornar uma técnica menos eficiente que
outra.
Afinal, o que é petróleo?
O petróleo é um combustível fóssil amplamente utilizado em todo o mundo.
Trata-se de uma complexa combinação de hidrocarbonetos (composto
químico constituído por átomos de carbono e hidrogênio). Ele é formado a
partir da decomposição da matéria orgânica em um processo que leva
milhares de anos e inicia-se com o soterramento de material orgânico.
Para que o petróleo seja formado, é necessário que a matéria orgânica fique
isolada em camadas do subsolo de bacias sedimentares e encontre
condições adequadas de temperatura e pressão.
A extração desse composto é tão complexa quanto a sua formação. Como o
petróleo fica aprisionado em rochas, são necessários equipamentos para
penetrar essas rochas e garantir a retirada do óleo. Muitas vezes, mesmo
sabendo da existência desse combustível em um determinado local, a
retirada não é feita em virtude dos grandes custos do processo.
Fonte: Mundo Educação Bol – Uol
Acesso em: 20/30/2020
Disponível em: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/danos-causados-por-vazamentos-petroleo-nos-oceanos.htm
TEXTO II
Derramamento de petróleo no mar
Por Joice Silva de Souza
Mestre em Ciências Biológicas (UFF, 2016)
Graduada em Biologia (UNIRIO, 2014)
O uso de combustíveis fósseis para geração de energia em processos urbanos e industriais
teve seu início com a Revolução Industrial. De lá para cá, a demanda mundial por energia
só aumentou, intensificando a exploração de áreas marinhas em busca de petróleo. Como
consequência, episódios de contaminação ambiental por óleo tornaram-se recorrentes,
causando graves prejuízos à fauna e flora aquática.
Embora extensamente abordados pela mídia, apenas uma pequena parte dos casos
de poluição por petróleo estão atrelados à acidentes com grandes navios petroleiros; por
outro lado, são as operações rotineiras de transporte de óleo e efluentes urbanos e
industriais, os principais responsáveis pelo vazamento de petróleo para o ambiente
marinho. No Brasil, a intensa exploração offshore levou ao desenvolvimento de uma rede
de terminais marítimos para transporte e distribuição do produto ao longo da costa,
aumentando a quantidade de derrames, e, por consequência, o impacto nas comunidades
marinhas.
Uma série de processos físico-químicos ocorre quando o petróleo entra em contato com a
água do mar. Em primeiro lugar, este composto pode se espalhar na superfície (interface
água-ar), formando um filme superficial. Parte do petróleo derramado também pode
evaporar, de acordo com as condições de temperatura e batimento do mar, e outra porção
deste composto pode se solubilizar na água, processo que ocorre em maior intensidade nas
primeiras horas após o derramamento. Além destas transformações, o petróleo também
pode ser emulsificado (agregação, aumento do peso e volume de partículas), fracionado
mecanicamente (quebrado/rompido) ou submergir na coluna d’água, devido à acréscimos
em seu volume. Este composto também pode sofrer foto-oxidação, transformando os
hidrocarbonetos originais em outras substâncias como os aldeídos, que são muito mais
prejudiciais para a vida marinha do que os componentes originais (hidrocarbonetos). Por
fim, o petróleo também pode ser degradado através da ação microbiana, processo
conhecido como biodegradação. De forma geral, quanto maior o número de átomos de
carbono presente na cadeia carbônica do composto, mais lenta é a sua evaporação e
solubilização, tornando esse composto menos susceptível à biodegradação; desta forma,
maior será a persistência deste óleo no meio ambiente.
Fatores ambientais e climatológicos também podem regular a intensidade dos impactos
gerados pelo vazamento de óleo no ambiente marinho. Regiões mais abrigadas tendem a
reter mais petróleo do que áreas hidrodinâmicas (com alta circulação de água), e
fenômenos climáticos como a direção e intensidade dos ventos, e oceanográficos como
as correntes marítimas, podem influenciar de forma significativa na dispersão e/ou diluição
de manchas petrolíferas.
Texto adaptado.
Disponível em: https://www.infoescola.com/biologia/derramamento-de-petroleo-no-mar/
Acesso em 20/03/2020
Outro texto disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/10/25/politica/1571959904_104809.html
TEXTO III
Desde o início de setembro, o Brasil está unido no combate ao crime ambiental que atinge o litoral do País. A
ocorrência é inédita na história brasileira, pela extensão geográfica e duração no tempo. Mais de 4.000 km de
extensão de nossas costas foram atingidos por óleo, em algum momento, nesse período.
A Marinha do Brasil (MB) atua, diuturnamente, desde a primeira ocorrência, na contenção e neutralização
dos efeitos danosos à natureza e à população. As seguintes ações vêm sendo tomadas desde o dia 2 de
setembro:
Inspeções ao longo do litoral da região Nordeste e Sudeste
Divulgação de Aviso aos Navegantes, solicitando a informação tempestiva da identificação de
poluição hídrica por navios em trânsito nas Águas Jurisdicionais Brasileiras, visando à obtenção de
dados para análise das possíveis origens da poluição por óleo cru, nas regiões afetadas
Realização de Patrulha Naval
Monitoramento dos navios que passaram pelas AJB
Realização da Operação “Amazônia Azul” no litoral do País
Em face das peculiaridades desse crime ambiental, foi ativado um Grupo de Acompanhamento e Avaliação
(GAA), formado pela MB, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), que vem atuando em coordenação com ICMBio, Polícia Federal,
Petrobras, Defesa Civil, Exército Brasileiro (EB), Força Aérea Brasileira (FAB), assim como diversas
instituições e agências federais, estaduais e municipais, empresas e universidades.
As investigações prosseguem, visando identificar as circunstâncias e fatores envolvidos nesse
derramamento, as dimensões da mancha de óleo original, assim como mensurar o volume de óleo
derramado, estimar a probabilidade de existência de manchas residuais e ratificar o padrão de dispersão
observado.O ineditismo dessa ocorrência exigiu o estabelecimento de protocolo próprio de investigação,
demandando a integração e coordenação de diferentes organizações e setores da sociedade, além do apoio
de diversas instituições estrangeiras, como a Organização Marítima Internacional, a Guarda Costeira dos
EUA, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica do Departamento de Comércio dos EUA, dentre
outras.
A Marinha do Brasil, a Polícia Federal e demais colaboradores permanecerão conduzindo a investigação até
que todas as questões envolvidas sejam elucidadas.
Além disso, cabe destacar a Coordenação Científica do GAA, composta por pesquisadores e cientistas de
todo o País, que têm o propósito de possibilitar a integração dos pesquisadores e grupos atuantes nas
regiões afetadas pelo óleo. Essa Coordenação organizou sete grupos de trabalho, que vêm trabalhando em
diversas áreas, como modelagem numérica e sensoriamento remoto, avaliação de fatores bióticos e
abióticos, avaliação de impactos socioeconômicos, e estudo das áreas protegidas, praias, mangues e recifes.
Todos os órgãos citados vêm atuando, de forma coordenada, na gestão de ações de resposta e elucidação
dos fatos inerentes a esse grave acidente que o País vem sofrendo. Desse modo, os seguintes meios e
recursos humanos foram mobilizados nessa grande operação conjunta:
Organizações Militares: 82;
Meios navais: 47 da MB e 04 da Petrobras;
Meios aéreos: 13 da MB, 06 da FAB, 03 do IBAMA e 02 da Petrobras;
Recursos humanos: 7.000da MB, 5.000 do EB, 200 do IBAMA, 440 da Petrobras, 100do ICMBio e
3.873 da Defesa Civil.
Nesse contexto, cabe destacar a valorosa participação de voluntários, que, em conjunto com agentes de
todos os órgãos envolvidos, contribuem para a recuperação de praias e rios no litoral do País. Pessoas
aguerridas que se juntam ao esforço coordenado na recuperação de patrimônio ambientais, sociais e
econômicos do Brasil.
Até o dia de hoje, cerca de 5.000 toneladas de resíduos oleosos foram recolhidas no litoral da região
Nordeste e Sudeste. A contagem desse material não inclui somente óleo, mas também é composta por areia,
lonas e outros materiais utilizados para a coleta.
No primeiro momento, os resíduos de óleo recolhidos estão sendo acondicionados em recipientes
apropriados, de forma a evitar contaminação do solo e subsolo. A destinação final vem sendo realizada pelos
órgãos estaduais, os quais enviam o material oleoso a fábricas de cimento ou aterros industriais,
ambientalmente adequados.
A complexidade desse evento exige constante avaliação da estrutura. Assim, a Operação Amazônia Azul
continuará no mês de dezembro e, a partir de janeiro de 2020, atuará em conjunto com a “Operação Verão –
Mares Seguros e Limpos”, a fim de manter o monitoramento e limpeza das praias, garantindo um verão
seguro no País.
Ao destacar a atuação de cada brasileiro, quer seja no exercício de sua profissão, limpando, monitorando e
divulgando, ou de forma singela, com valorosas ações voluntárias, é imperioso mencionar que o Brasil sairá
mais forte e unido desse evento.
Fonte: Marinha do Brasil
Disponível em: https://www.marinha.mil.br/manchasdeoleo
Acesso em: 20/03/2020
Tema 02: Dedicar-se inteiramente ao serviço da pátria
Texto I
Carreira Militar
As Forças Armadas, essenciais à execução da política de segurança nacional, são constituídas pela
Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, e destinam-se a defender a Pátria e a garantir os poderes
constituídos, a lei e a ordem. São Instituições nacionais, permanentes e regulares, organizadas com
base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República e dentro dos
limites da lei.
O Ministério da Defesa (MD) é o órgão do Governo Federal incumbido de exercer a direção superior
das Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica. Uma de suas
principais atribuições é o estabelecimento de políticas ligadas à Defesa e à Segurança do País, além
da implementação da Estratégia Nacional de Defesa, em vigor desde dezembro de 2008.
Os membros das Forças Armadas, em razão de sua destinação constitucional, formam uma categoria
especial de servidores da Pátria e são denominados militares.
Da Hierarquia Militar e da Disciplina
A hierarquia e a disciplina são a base institucional das Forças Armadas. A autoridade e a
responsabilidade crescem com o grau hierárquico.
A hierarquia militar é a ordenação da autoridade, em níveis diferentes, dentro da estrutura das Forças
Armadas. A ordenação se faz por postos ou graduações; dentro de um mesmo posto ou graduação se
faz pela antiguidade no posto ou na graduação. O respeito à hierarquia é consubstanciado no espírito
de acatamento à sequência de autoridade.
Disciplina é a rigorosa observância e o acatamento integral das leis, regulamentos, normas e
disposições que fundamentam o organismo militar e coordenam seu funcionamento regular e
harmônico, traduzindo-se pelo perfeito cumprimento do dever por parte de todos e de cada um dos
componentes desse organismo.
Do Valor Militar
São manifestações essenciais do valor militar:
I – o patriotismo, traduzido pela vontade inabalável de cumprir o dever militar e pelo solene
juramento de fidelidade à Pátria até com o sacrifício da própria vida;
II – o civismo e o culto das tradições históricas;
III – a fé na missão elevada das Forças Armadas;
IV – o espírito de corpo, orgulho do militar pela organização onde serve;
V – o amor à profissão das armas e o entusiasmo com que é exercida; e
VI – o aprimoramento técnico-profissional.
Dos Deveres Militares
Os deveres militares emanam de um conjunto de vínculos racionais, bem como morais, que ligam o
militar à Pátria e ao seu serviço, e compreendem, essencialmente:
I – a dedicação e a fidelidade à Pátria, cuja honra, integridade e instituições devem ser
defendidas mesmo com o sacrifício da própria vida;
II – o culto aos Símbolos Nacionais;
III – a probidade e a lealdade em todas as circunstâncias;
IV – a disciplina e o respeito à hierarquia;
V – o rigoroso cumprimento das obrigações e das ordens; e
VI – a obrigação de tratar o subordinado dignamente e com urbanidade.
TEXTO II
3. GENERALIDADES
a. A profissão militar caracteriza-se por exigir do indivíduo inúmeros sacrifícios, inclusive o da própria vida em
benefício da Pátria.
Esta peculiaridade dos militares os conduz a valorizar certos princípios que lhes são imprescindíveis.
Valores, Deveres e Ética Militares são conceitos indissociáveis, convergentes e que se complementam para a
obtenção de objetivos individuais e institucionais.
A CARREIRA MILITAR
" A carreira militar não é uma atividade inespecífica e descartável, um simples emprego, uma ocupação, mas
um ofício absorvente e exclusivista, que nos condiciona e autolimita até o fim. Ela não nos exige as horas de
trabalho da lei, mas todas as horas da vida, nos impondo também nossos destinos. A farda não é uma veste,
que se despe com facilidade e até com indiferença, mas uma outra pele, que adere à própria alma,
irreversivelmente para sempre".
PATRIOTISMO
- Amar a Pátria e defender a sua:
. soberania;
. integridade territorial;
. unidade nacional;
. paz social.
- Cumprir, com vontade inabalável:
. o dever militar;
. o solene juramento de fidelidade à Pátria até com o "sacrifício da própria vida".
- Ter um ideal no coração:
"servir à Pátria".
" Brasil acima de tudo!"
1.5 – A ÉTICA MILITAR
O militar deve se esforçar na preservação das manifestações essenciais do valor militar, estabelecidas no Estatuto
dos Militares:
• o patriotismo, traduzido pela vontade inabalável de cumprir o dever militar e pelo solene juramento de fidelidade
à Pátria até com o sacrifício da própria vida;
• o civismo e o culto das tradições históricas;
• a fé na missão elevada das Forças Armadas;
• o espírito de corpo, orgulho do militar pela organização onde serve;
• o amor à profissão das armas e o entusiasmo com que é exercida; e
• o aprimoramento técnico-profissional.
Além dessas, inclui-se a “obediência aos superiores” - virtude essencial ao cumprimento pronto e eficiente das
ordens legais dos legítimos superiores hierárquicos.
Entretanto, para permitir desempenhos adequados, deve ser alicerçada num ideal de competência profissional,
fundamentada nas tradições e no espírito de servir ao País, fatores unificadores e motivadores das Forças Armadas.
Consequentemente, a obediência não pode estar subordinada aos prazeres ou às afinidades sociais, econômicas,
políticas ou religiosas de cada indivíduo; deve resultar, sim, de um padrão coerente de atitudes, valores e visões que
fazem parte da ética militar.
1.5.1 – Preceitos da Ética Militar A Ética Militar Naval
é um atributo que induz ao atendimento das regras de conduta compatíveis com o comportamento militar naval
desejado. A Marinha precisa de militares, homens e mulheres, que observem em suas vidas, permanentemente, os
preceitos da ética militar estabelecidos no Estatuto dos Militares:
a) amar a verdade e a responsabilidade como fundamento de dignidade pessoal;
b) exercer, com autoridade, eficiência e probidade, as funções que lhe couberem em decorrência do cargo;
c) respeitar a dignidade da pessoa humana;
d) cumprir e fazer cumprir as leis, os regulamentos, as instruções e as ordens das autoridades competentes;
e) ser justo e imparcial no julgamento dos atos e na apreciação do mérito dos subordinados;
f) zelar pelo preparo próprio, moral, intelectual e físico e, também, pelo dos subordinados, tendo em vista o
cumprimento da missão comum;
g) empregar todas as suas energias em benefício do serviço;
h) praticar a camaradagem e desenvolver, permanentemente, o espírito de cooperação;
i) ser discreto em suas atitudes, maneiras e em sua linguagem escrita e falada;
j) abster-se de tratar, fora do âmbito apropriado, de matéria sigilosa de qualquer natureza;
k) acatar as autoridades civis;
l) cumprir seus deveres de cidadão;
m) proceder de maneira ilibada na vida pública e na particular:
n) observar as normas da boa educação;
o) garantir assistência moral e material ao seu lar e conduzir-se como chefe de família modelar;
p) conduzir-se, mesmo fora do serviço ou quando já na inatividade, de modo que não sejam prejudicados os
princípios da disciplina, do respeito e do decoro militar;
q) abster-se de fazer uso do posto ou da graduação para obter facilidades pessoais de qualquer natureza ou para
encaminhar negócios particulares ou de terceiros;
r) abster-se, na inatividade, do uso das designações hierárquicas;
• em atividades político-partidárias;
• em atividades comerciais;
• em atividades industriais;
• para discutir ou provocar discussões pela imprensa a respeito de assuntos políticos ou militares, excetuando-se os
de natureza exclusivamente técnica, se devidamente autorizado;
• no exercício de cargo ou função de natureza civil, mesmo que seja na administração pública; e
s) zelar pelo bom nome das Forças Armadas e de cada um de seus integrantes; obedecendo e fazendo obedecer os
preceitos da ética militar.
Além dos preceitos acima elencados, fazem parte ainda, dentre outros, o código de honra expresso na “Rosa das
Virtudes” e os dizeres do juramento à Bandeira. Todos os preceitos da Ética Militar Naval constituem um poderoso
instrumento para o exercício da liderança naval e devem, sempre que possível, serem exaltados.
1.5.2 – Deveres Militares Como estabelecido no Estatuto dos Militares, não deve ser esquecido que “os deveres
militares emanam de um conjunto de vínculos racionais e morais que ligam o militar à Pátria e ao seu serviço, e
compreendem, essencialmente:
• a dedicação e a fidelidade à Pátria, cuja honra, integridade e instituições devem ser defendidas, mesmo com o
sacrifício da própria vida;
• o culto aos Símbolos Nacionais;
• a probidade e a lealdade em todas as circunstâncias;
• a disciplina e o respeito à hierarquia;
• o rigoroso cumprimento das obrigações e das ordens; e
• a obrigação de tratar o subordinado dignamente e com urbanidade.”
1.6 – RESPONSABILIDADE MORAL E LEGAL
Entende-se por responsabilidade a obrigação de responder por certos atos, próprios ou de outrem. É inquestionável
que sem responsabilidade não há liderança.
Distinguem-se, nitidamente, dois tipos de responsabilidade: a responsabilidade moral e a legal.
A responsabilidade moral, conhecida também como senso de responsabilidade, é a capacidade que o militar deve
ter para cumprir as suas atribuições e as que sejam requeridas pela administração e de assumir e enfrentar as
consequências de seus atos e omissões, de suas atitudes e decisões.
A responsabilidade moral não tem limites fixados. Está na consciência de cada um, no senso de moralidade, na sua
assimilação dos padrões de moral da sociedade, em determinada época e cultura.
A responsabilidade moral significa um indivíduo senhor de suas ações, respondendo por elas perante a própria
consciência e de acordo com o padrão de moralidade existente, mesmo sem estar obrigado a prestar contas por
força de lei ou regulamento. A responsabilidade legal, por sua vez, é a estabelecida por lei ou regulamento, fruto da
função exercida pelo militar.
O líder assume a responsabilidade legal e moral, e tem plena consciência de quando cabem as duas e em que
extensão. Tal fato lhe acarreta dignidade e autoridade moral.
A responsabilidade moral é um processo de avanço na batalha pessoal contra a fraqueza, a conveniência e a
relutância pessoais. Ela traz como recompensa o ganho em força de caráter, decisão e conquista de confiança quer
dos outros, quer de si mesmo.
Um procedimento é considerado moralmente ou eticamente correto não somente por ser fiel aos regulamentos e
manuais, ou seja, ser legal, mas também por ser basicamente forjado no dia a dia, na rotina de bordo e nos
adestramentos, e serem, finalmente, considerados como parte inalienável de nossas tradições e costumes.
Nem todas as decisões envolvem um problema moral ou ético; inclusive, a maioria é eticamente neutra. Entretanto,
isto não significa que devemos desconsiderar as consequências de nossos atos. Quando refletimos sobre nossos
pensamentos e ações estamos desenvolvendo o senso de certo e errado, característica fundamental das pessoas
eticamente sensíveis, como o são os grandes líderes.
Rosa das Virtudes
Honra
A Honra é o sentimento que nos induz à prática do Bem, da Justiça e da Moral. É a força que nos impele a
prestigiar nossa própria personalidade, como um sentimento do nosso patrimônio moral, um misto de brio e
valor. Ela exige a posse do perfeito sentimento do que é justo e respeitável, para a elevação da nossa
dignidade e da bravura, para afrontar perigos de toda a ordem, na sustentação dos ditames da Verdade e do
Direito. É a virtude por excelência, porque em si contém todas as demais.
A Honra está acima da vida e de tudo que existe no mundo. Os haveres e demais bens que possuímos são
transitórios, enquanto que a Honra a tudo sobrevive; transmite-se aos filhos, aos netos, à casa onde
moramos, à profissão que escolhemos e à terra onde nascemos. A Honra é o patrimônio da alma.
Em nossa profissão, ela consiste principalmente da dedicação ao serviço, do cumprimento do dever, da
intrepidez e da disciplina, tudo inspirado pelo patriotismo. Um navio nunca se entrega ao inimigo e sua
bandeira jamais se arria em presença dele. A Honra do Marinheiro o impede!
Lealdade
A Lealdade é o verdadeiro, espontâneo e incansável devotamento a uma causa, a sincera obediência à
autoridade dos superiores e o respeito aos sentimentos de dignidade alheia.
A Honra está acima da vida e de tudo que existe no mundo. Os haveres e demais bens que possuímos são
transitórios, enquanto que a Honra a tudo sobrevive; transmite-se aos filhos, aos netos, à casa onde
moramos, à profissão que escolhemos e à terra onde nascemos. A Honra é o patrimônio da alma.
O subordinado leal cumpre as ordens que recebe sempre com o mesmo ardor, quer esteja perto, quer longe
de quem as deu, ainda que, por vezes, intimamente não as compreenda. A Lealdade é mais do que a
obediência, porque esta se refere à vontade expressa pelo superior e aquela, ao firme propósito de
honestamente interpretá-la e fielmente cumpri-la. É o sentimento que leva, pois, o subordinado a fazer tudo
quanto for humanamente possível para bem cumprir uma ordem ou desempenhar uma missão.
A Lealdade exige que se manifeste ao superior, disciplinadamente e no interesse do serviço, toda eventual
incompreensão em relação à determinação ou orientação recebida. A franqueza respeitosa, oportuna e justa é
uma autêntica expressão de lealdade. Mantida, porém, a ordem, a mesma lealdade exige que se cumpra
rigorosa e interessadamente o que foi determinado.
Iniciativa
A Iniciativa é o ânimo pronto para conceber e executar. É uma manifestação de inteligência, imaginação,
atividade, saber e dedicação ao serviço. Um militar bom cumpre de forma conscienciosa as obrigações, as
rotinas de seu cargo, faz o treinamento regular de seus homens. Um outro faz tudo isto e vê onde um
aperfeiçoamento pode ser introduzido. Não só o concebe, como se interessa por sua adoção. Se é coisa que
só dele dependa e a sua ideia não vai ferir a conveniência da uniformidade dos diversos serviços, nem a
harmonia da cooperação, adota-a, estuda-a, desenvolve-a. Age.
Evidentemente há, nesse caso, orientação, senso e qualidades pessoais, que põem em relevo o valor do bom
militar. A Iniciativa, em um plano mais elevado, é a faculdade de deliberar acertadamente em circunstâncias
imprevistas ou na ausência dos superiores, agindo sob responsabilidade própria, mas dentro da doutrina, a
bem do serviço. Para assim fazer, é preciso ter capacidade profissional, confiança em si e estar bem
orientado.
Cooperação
Cooperar é auxiliar eficiente e desinteressadamente; é esforçar-se em benefício de uma causa comum. O
militar da Marinha, a par da ação direta que exerce em sua própria função, deve sempre agir no interesse
maior do conjunto dos serviços.
A Honra está acima da vida e de tudo que existe no mundo. Os haveres e demais bens que possuímos são
transitórios, enquanto que a Honra a tudo sobrevive; transmite-se aos filhos, aos netos, à casa onde
moramos, à profissão que escolhemos e à terra onde nascemos. A Honra é o patrimônio da alma.
É a Cooperação que faz a eficiência da Marinha. Em todas as atividades, o trabalho deve obedecer a esse
espírito de comunhão de esforços, a fim de que a potencialidade do conjunto, como um todo, seja a mais
elevada possível. Assim, superiores e subordinados não devem limitar-se apenas ao cumprimento das tarefas
que lhes tiverem sido cometidas, mas, sim, procurar ajudar-se mutuamente na execução das mesmas,
buscando compreender as necessidades e prioridades da instituição como um todo.
A Cooperação é uma exigência imperiosa para a eficiência da instituição, mas só possui esta qualidade quem
não dá guarida às influências perniciosas do egoísmo, da intriga ou da indiferença, em prol de um sincero e
profissional desprendimento.
Espírito de Sacrifício
O Espírito de Sacrifício é a disposição sincera de realmente oferecer, espontaneamente, interesses,
comodidades, vida, tudo, em prol do cumprimento do dever. A Marinha, na beleza do Espírito de Sacrifício
heroico que a caracteriza, sempre julga os seus Chefes e Oficiais à vista da dedicação que demonstram ao
serviço, de sua capacidade profissional e do sincero ardor que põem nas coisas que obrigam a extremados
devotamentos.
O cultivo do Espírito de Sacrifício é praticado vencendo os pequenos incômodos pessoais, os menores
percalços do dia-a-dia. “Quem não é fiel no pouco, certamente não será no muito”: somente percebendo o
valor das coisas é que se desenvolve o Espírito de Sacrifício e se torna capaz de dar um passo a mais na
formação do caráter marinheiro.
Zelo
O Zelo é atributo que não depende, em alto grau, de preparo profissional, de predicados especiais de
inteligência e de saber. É, por isso mesmo, virtude que deve ser comum a todos os que servem à Marinha.
Essa qualidade é consequência direta do “amor próprio”, do amor à Marinha e à Nação. É o sentimento que
leva a não poupar esforços para o bom desempenho das funções que lhes são atribuídas. É o sentimento que
conduz à dedicação ao serviço, como autêntica expressão do Dever.
No Zelo está implícita a aceitação de que servimos à Nação e não a pessoas. Ninguém tem o direito de
deixar de zelar por sua obrigações, por motivos circunstanciais, alheios ou não à sua vontade. O Zelo está
intimamente ligado à probidade, vista como a capacidade de bem administrar os bens, fundos e recursos que
nos foram confiados. Faz-se presente, assim, no exato cumprimento de orçamentos e planos financeiros e no
atento cuidado com o patrimônio da Marinha.
Coragem
A Coragem é a disposição natural que nos permite dominar o medo e enfrentar qualquer perigo. É a força
capaz de fazer com que aquele que ama a vida, e que nela é feliz, saiba arriscá- la e se disponha a morrer por
uma causa nobre. A Coragem é o destemor em combate.
Há também a coragem moral – não menos imprescindível e valiosa – a força psíquica que ampara os homens
nas crises do pensamento e do caráter. É a sustentação das próprias ordens, atitudes e convicções; o saber
assumir a responsabilidade dos seus atos; o afrontamento à perfídia, à inveja e à incompreensão; a
manutenção intransigente do rumo moral, custe o que custar.
Há também a coragem moral – não menos imprescindível e valiosa – a força psíquica que ampara os homens
nas crises do pensamento e do caráter. É a sustentação das próprias ordens, atitudes e convicções; o saber
assumir a responsabilidade dos seus atos; o afrontamento à perfídia, à inveja e à incompreensão; a
manutenção intransigente do rumo moral, custe o que custar.
A coragem tem de andar de mãos dadas com a sabedoria, a prudência, o bom senso e a calma. O militar
corajoso é otimista; confia em si; é eficiente; acredita no valor de seus companheiros. Realiza. Comanda
seus subordinados, certo de conquistar o êxito.
Ordem
A Ordem é diligência, porque economiza o tempo, e é previdência, porque o conserva. Como exemplo de
disciplina e método, ela orienta o espírito e promove segurança, porque resguarda e alinha em lugar próprio
aquilo que será utilizado no futuro. A sua falta traz o desperdício e a perda do tempo, bem sempre preciso e
que, uma vez perdido, não há como reaver.
A arte de organizar, pôr em ordem, é essencial em um condutor de homens. O militar de Marinha, logo nos
primeiros anos de sua carreira, sente a necessidade de ter um espíritoorganizador que divide o trabalho
ordenadamente entre seus homens, que estabelece prioridades na distribuição do seu tempo, que sabe a
quem e quando exigir o cumprimento das tarefas.
O aprendizado da arte de organizar iniciase individualmente na ordenação do próprio trabalho; organizando
o material, os livros, os uniformes; encontrando o tempo necessário para se ocupar adequadamente dos
estudos e das demais atividades de formação.
Fidelidade
Ser fiel é ser honesto, ter têmpera forte bastante para opinar e agir sempre pelo bem, mesmo, e
principalmente, quando não favorecer ou até contrariar as conveniências pessoais. A Fidelidade ao Serviço
impede que o militar cuide de afazeres e atividades estranhos à Marinha, enquanto estiver ao seu serviço, e
negligencie as suas obrigações.
Executar ordens que são agradáveis, ou que partem de pessoas a quem se dedica estima, é um dever fácil de
cumprir. Mas, cumprir ordens difíceis, partidas de um desafeto ou arriscando a vida, contrariando os
próprios interesses e opiniões, por Fidelidade ao serviço, é muito mais digno, porquanto implica sacrifício,
que caracteriza a Virtude Militar.
Fogo Sagrado
O “Fogo Sagrado” é a paixão, a fé, o entusiasmo com que o militar se dedica à sua carreira; é o seu intenso
amor à Marinha, o seu devotamento pela grandeza da sua profissão; é a larga medida de uma verdadeira
vocação e de um sadio patriotismo. É o supremo amor pelo serviço. É essa crença que anima a ponto de,
naturalmente, julgar que os deveres que a lei marca são o mínimo, e que para bem servir cumpre ir além do
próprio dever, fazer tudo quanto é humanamente possível, à custa, embora, de ingente labor. O “Fogo
Sagrado” é essa força misteriosa que, dominando a alma do verdadeiro marinheiro, o conduz sempre ao
sacrifício com inexcedível vibração e estoica resignação.
Embora o serviço a prazo longo traga, entre outras, a vantagem de fazer com que asPraças adquiram esse
sentimento, ao militar caberá sempre a prédica constante e entusiástica das virtudes e das glórias da sua
profissão. Na vida comum de bordo, o militar tem diariamente, na maneira como conduz o seu serviço, o seu
quarto, as suas fainas, os seus exercícios, frequentes ocasiões para viver esse sentimento perante seus
subordinados. O “Fogo Sagrado” transmite-se, mas para tanto é preciso possuí-lo em grande intensidade e
demonstrá-lo mais por atitudes e açõesdo que por ordens e palavras. O “Fogo Sagrado” é a alma da
Marinha!
Tenacidade
Tenacidade é uma forma de dedicação, de amor ao serviço. É a disposição para estudar o material, em si e
na maneira de utilizá-lo; para estar a par das rotinas, da organização interna de bordo, da ordenança, dos
regulamentos e das leis; para bem conhecer tudo referente aos aspectos essenciais da profissão. Na arte de
conduzir os homens, o campo é mais profundo: faz-se necessária a tenacidade, o poder da vontade. É o saber
querer longamente, sem desfalecimento e sem trégua. É a presença de ânimo perante qualquer obstáculo ou
dificuldade, a vontade constante de tudo superar e bem desempenhar a tarefa ou função, de caráter operativo
ou administrativo.
O militar que conhece as técnicas e as necessidades do serviço, mas não possui a energia do “querer com
persistência”, cria em seus subordinados a falta de resolução e a descontinuidade de esforços. O espírito de
tenacidade transmite-se, pois, exatamente, pela continuidade da ação.
Decisão
Decidir é tomar resolução, é sentenciar, é orientar a ação.
Não há qualidade, no trato geral do militar para com seus subordinados, que mais tenda a aumentar o
respeito e confiança desses subordinados, do que sua capacidade de decidir. O irresoluto, o perplexo, jamais
poderá conduzir homens ou comandar navios. Uma orientação insegura é tão nociva quanto a ausência de
orientação. Uma decisão vigorosa é a característica dos vencedores.
Evidentemente, para acertar, é necessário meditação, cálculo, considerações cuidadosas e reflexão a respeito
das circunstâncias, a fim de chegar a uma decisão conveniente. Tal “exame de situação” deve preceder à
emissão da ordem.
Abnegação
A Abnegação é o esquecimento voluntário do que há de egoístico nos desejos e tendências naturais, em
proveito de uma pessoa, causa ou ideia. É a renegação de si mesmo e a disposição de colocar-se a serviço
dos outros com o sacrifício dos próprios interesses. O caráter marinheiro é carregado de Abnegação: tem a
consciência do “servir”; inclui a base de todas as virtudes, a humanidade; e possui a simplicidade em todas
as suas ações e palavras. A Abnegação, portanto, fortalece o desenvolvimento de todas as atividades de
serviçoà Marinha, criando a unidade de ação, pois ela é passar por cima de qualquer interesse individual.
Espírito Militar
Espírito Militar é a qualidade que impele o militar de cumprir com natural interesse, dentro da ética, os
deveres e obrigações do serviço, com disciplina e lealdade, sempre animado pelo desejo de ver brilhar o seu
navio, a sua classe e aumentar a eficiência e o prestígio da Marinha.
O militar demonstra estar possuído de Espírito Militar em suas maneiras de agir e de expressar-se; no apuro
de seus uniformes; na saudação a seus superiores; na discrição com que se manifesta; na seriedade que
imprime ao seu serviço, como expressão da dignidade da sua função e da eficiência dos seus encargos. É um
homem elegante sob todos os aspectos. O militar dotado de Espírito Militar cria em torno de si um ambiente
de compostura, seriedade e confiança, qualidades essenciaisa quem comanda e tem sob sua direta
responsabilidade a guarda e a defesa de preciosos valores morais e materiais da Nação.
Disciplina
A força de coesão de qualquer coletividade humana é a Disciplina. É indispensável não só a um Organismo
Militar, mas a qualquer outro que pretenda reunir indivíduos em uma unidade sólida e eficaz. A Disciplina
tem um único inimigo verdadeiro, que é o egoísmo, tão mais obstinado quanto mais inconsciente de si
mesmo.
O amor próprio ilimitado separa o homem de seus mais nobres pensamentos, tornando-o um ser isolado, que
nada aceita fora do seu eu. Despido de todo o sentimento de solidariedade, não pode conceber a Disciplina a
não ser como forma de escravidão. A Disciplina não visa a tolher a personalidade, mas sim a regular e
coordenar esforços.
Ela somente torna-se fecunda quando há condições de ser alegre e ativa. Um simples conformismo ou o
receio das censuras ou sanções não trazem a Disciplina. O que a faz presente e aceita é um forte sentimento
de interesse comum e, principalmente, a correta percepção de um dever comum. Assim entendida, não
haverá o risco de ela coibir ou enfraquecer as iniciativas, pois não será imposta, mais sim adquirida.
A Disciplina Militar manifesta-se basicamente pela: obediência pronta às ordens do superior, utilização total
das energias em prol do serviço, correção de atitudes e cooperação espontânea em benefício da disciplina
coletiva e da eficiência da instituição. Na Marinha, como já apresentado, a Disciplina é inseparável da
hierarquia e traduz-se no perfeito cumprimento do dever por todos e cada um dos seus componentes.
Patriotismo
O Patriotismo é o sentimento irresistível que nos prende à terra em que nascemos. É a trama de afetos que,
através das gerações, vai-se tecendo Externamente, é a emoção que sentimos ao ouvir os acordes do Hino
Nacional e ao ver desfraldada a Bandeira de nossa Pátria. Em essência, é a crença na defesa dos ideais de
nossa Nacionalidade. Expressão de carinho a ligar-nos à terra que nos serviu de berço, o Patriotismo é a
força de coesão poderosa que nos torna solidários em um interesse comum, ensinandonos a bem querer,
servir, honrar e defender a Pátria.
Ruy Barbosa bem o disse: “A Pátria é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos
filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade...Pátria! Veneramos os teus
heróis, propomo-nos a imitar seu exemplo e, revivendo o teu passado de glórias, ansiamos pelas glórias do
teu futuro! A ti, preenchendo conscienciosamente nossos deveres, quer ditados pelo amor, quer ditados pela
lei, serviremos com toda a nossa dedicação, até o sacrifício da própria vida, em prol da tua grandeza, tua
força, teu prestígio e tua glória!”