Meteorologia PDF
Meteorologia PDF
MÓDULO
METEOROLOGIA E OCEANOGRAFIA
– MOC 01–
2a edição
Rio de Janeiro
2010
© 2007 direitos reservados à Diretoria de Portos e Costas
______ exemplares
2
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO .............................................................................................................. 5
3
MOC 01
5.3 – Transmissão de mensagens SHIP ............................................................................ 100
Teste de Auto-Avaliação da Unidade 5 ............................................................................... 108
Chave de Respostas das Tarefas e do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 5 ................ 110
ANEXOS
Anexo 1 – Mensagem SHIP ................................................................................................ 181
Anexo 2 – Tábuas das marés ............................................................................................ 183
4
APRESENTAÇÃO
5
MOC 01
6
COMO USAR O MÓDULO
2. Conteúdos da unidade
Leia com atenção o conteúdo, procurando entender e fixar os conceitos por meio dos
exercícios propostos. Se você não entender, refaça a leitura e os exercícios. É muito
importante que você entenda e domine os conceitos.
3. Questões para reflexão
São questões que ressaltam a idéia principal do texto, levando-o a refletir sobre os temas
mais importantes deste material.
4. Auto-avaliação
São testes que o ajudarão a se auto-avaliar, evidenciando o seu progresso. Realize-os à
medida que apareçam e, se houver qualquer dúvida, volte ao conteúdo e reestude-o.
5. Tarefa
Dá a oportunidade para você colocar em prática o que já foi ensinado, testando seu
desempenho de aprendizagem.
7
MOC 01
IV – Objetivos das unidades
U n i d a d e 4 : A N Á L IS E S M E T E O R O L Ó G IC A S
Unidade 6: ONDAS
Apresenta as características dos principais elementos das ondas, das áreas geradoras
de onda e o comportamento distinto das vagas e marulhos.
Unidade 8: MARÉS
U n i d a d e 9 : C O R R E N T E S O C E Â N IC A S E C O S T E I R A S
V – Avaliação do módulo
Após estudar todas as Unidades de Estudo Autônomo (UEA) deste módulo, você estará
apto a realizar uma avaliação da aprendizagem.
VI – Símbolos utilizados
Existem alguns símbolos no manual para guiá-lo em seus estudos. Observe o que cada
um quer dizer ou significa.
Este lhe diz que há uma visão geral da unidade e do que ela trata.
Este lhe diz que há, no texto, uma pergunta para você pensar e responder a
respeito do assunto.
Este lhe diz que há uma tarefa a ser feita por escrito.
Este lhe diz que esta é a chave das respostas para as tarefas e os testes de
auto-avaliação.
9
MOC 01
10
UNIDADE 1
INTRODUÇÃO À METEOROLOGIA
Tenho certeza que você gostaria e precisa saber, o que é meteorologia e também
oceanografia. Afinal, você vive neste planeta e trabalha no mar. E que você tem preocupações,
como cidadão, com o futuro da natureza. É preciso ter consciência que a natureza busca
equilíbrio naturalmente, espontaneamente. A meteorologia explica isso. Ela espelha fenômenos
de mau tempo e tempestades e mostra também belas situações de bom tempo e mar tranqüilo.
Ao iniciarmos este nosso estudo, vamos primeiramente definir o que vem a ser
meteorologia.
11
MOC 01
Ora, nada mais são do que as modificações que ocorrem com a temperatura do ar, a
pressão atmosférica, a umidade do ar, o vento e outros, os quais são considerados como
elementos meteorológicos.
Esses elementos são dinâmicos, ou seja, eles estão sempre se alterando e, além disso,
estão interligados, o que significa que a variação de um sempre causa alteração de outro. Veja
que entender essas dinâmicas é a função da meteorologia.
A radiação solar é a energia emitida pelo Sol, a qual aquece a Terra, permitindo a
evaporação da água, a formação de nuvens, a chuva, o temporal, etc.; enfim, é o elemento que
vai desencadear toda a dinâmica dos fenômenos meteorológicos.
Como a radiação solar (ondas curtas) não afeta o ar, o aquecimento da Terra
desencadeia por contato, o aquecimento do ar à superfície, o que resulta no movimento do ar.
Essa radiação, no entanto, não atinge a superfície da Terra de maneira uniforme. Ela
varia bastante em função da forma arredondada do planeta, das latitudes do movimento de
Rotação da Terra, o qual é o movimento que a Terra faz em torno de si mesma, dando origem
aos dias e às noites, e também do movimento da Terra em torno do Sol, no movimento de
Translação. Há ainda uma outra variação com relação ao tipo de superfície onde os raios de
Sol incidem. Vamos explicar cada uma dessas variações.
Ângulo de Incidência
Com essa experiência, podemos concluir que, devido ao próprio formato arredondado da
Terra, a distribuição da radiação solar é desigual com a variação da latitude, conforme mostra a
figura 1.2:
Com relação ao movimento diário que a Terra realiza em torno de seu próprio eixo, é fácil
perceber que, quando o Sol nasce e se põe, o ângulo de incidência se afasta
perpendicularmente e, nesses horários, o aquecimento da superfície é pequeno, ao contrário
do que acontece na passagem meridiana do Sol (Sol a pino), ocasião em que o aquecimento
da superfície é muito maior (figura 1.3).
13
MOC 01
Figura 1.3 - EFEITO DA ROTAÇÃO DA TERRA
Ao longo das horas do dia varia o ângulo de incidência de radiação. Então, o
comportamento da temperatura do ar, será correspondente ao horário.
14
Figura 1.5 - EFEITO DO TIPO DE SUPERFÍCIE
O índice de absorção e reflexão da energia solar é função do tipo de cobertura da região.
Pois bem, cada tipo de cobertura de Terra (vegetação, água, neve, areia. etc.) tem um
índice de absorção e de reflexão diferente; por exemplo, a neve absorve 25% e reflete 75% da
energia solar, enquanto que as densas florestas absorvem cerca de 95% dessa energia,
transformando-a em calor.
É importante entender que essa energia que é recebida pela Terra está em constante
transformação, sendo transportada em grandes quantidades sob a forma de calor. Esse
transporte de energia atinge grandes distâncias e contribui significativamente para o equilíbrio
e o balanço térmico do planeta.
1.1.2) Que fatores influenciam o ângulo de incidência dos raios solares no nosso planeta
TERRA?
15
MOC 01
outono, inverno e primavera), o ângulo de incidência varia com os dias do ano.
Com a forma esférica da TERRA, em cada latitude o ângulo de incidência varia, principalmente
nas altas latitudes.
Os raios solares que são de ondas curtas atravessam a atmosfera sem afetá-la. O ar em
contato com a superfície é influenciado e busca o equilíbrio de temperatura com a superfície.
1.1.5) Como se pode explicar o processo de aquecimento e resfriamento do ar, nos níveis
próximos à superfície?
O ar em contato com a superfície da TERRA, por condução, tende ao equilíbrio, igualando sua
temperatura a da superfície. A temperatura da superfície é que indica se ocorrerá aquecimento
ou resfriamento do ar, na busca desse equilíbrio. Ocorrerá sempre um resfriamento do ar
quando o vento soprar sobre uma superfície mais fria.
(este conceito físico será importante para o aluno entender, mais adiante, o processo de
formação de nevoeiro)
1.2 E L E M E N T O S M E T E O R O L Ó G I C O S
Você como navegante, neste nosso estudo, deve questionar os seguintes aspectos:
Estas questões serão esclarecidas ao longo deste módulo, pelo entendimento das
variações e interação dos elementos meteorológicos a serem vistos nesta subunidade.
1.2.1 Temperatura
Assim, quanto maior for a quantidade de radiação solar recebida, maior será a
temperatura do ar (figura 1.6).
16
Temperatura é a quantidade de calor presente no meio analisado.
Você já aprendeu no ensino fundamental que pressão é uma força exercida sobre um
corpo ou objeto. Pois bem, podemos dizer então que:
Veja bem, a pressão em uma superfície é o peso de toda a coluna de ar acima dela;
portanto, podemos facilmente concluir que a altitude interfere na pressão atmosférica. Nas
áreas de elevada altitude, a pressão é menor, porque a coluna de ar nas áreas elevadas é
menor que nas áreas de baixa altitude, certo? Observe a figura 1.7.
17
MOC 01
mais denso, mais comprimido, mais pesado e a pressão será maior. Se o ar estiver quente,
estará mais expandido, menos denso, menos pesado e a pressão será menor. Isto significa
dizer que, se houver aquecimento do ar ele se expandirá, ficando menos denso, e a pressão
diminuirá. Entretanto, se houver um resfriamento do ar, este se comprimirá, ficando mais denso
e a pressão aumentará.
Assim, áreas mais frias do planeta, a pressão atmosférica é maior. A pressão do ar, como
veremos a seguir, dá origem aos ventos.
1.2.3 O Vento
Como vimos no item anterior, nas áreas de alta pressão, o ar se acha comprimido; logo,
ele vai procurar espaços para onde possa se deslocar, certo? Muito bem, por um outro lado,
nas áreas de baixa pressão há espaço sobrando, pois aí o ar encontra-se expandido. Assim, o
ar que se encontra comprimido em uma área de alta pressão desloca-se para áreas de baixa
pressão a fim de expandir-se. Esse deslocamento horizontal de ar é o que denominamos de
vento (figura 1.8).
Como você já deve saber, o vento é designado pelo sentido de onde vem, trazendo as
características do seu local de origem. Portanto, dependendo do local de onde se originou,
podem ser quentes ou frios, úmidos ou secos, sendo, conseqüentemente, responsáveis pelas
variações de temperatura e de umidade do ar nos locais por onde passa. Mas não se
preocupe, este assunto veremos adiante.
18
1.2.4 A umidade do Ar, nuvens e a chuva
a) Umidade
b) Nuvem
É necessário que haja resfriamento do ar, até que a umidade relativa tenha atingido o
índice de 100%. Nesse instante diz-se que o ar atingiu a saturação, a temperatura do ponto de
orvalho e o nível de condensação.
Nas nuvens muito espessas a luz do Sol não atravessa a nuvem. Por isso o céu fica
escuro na ocorrência de nuvens bem espessas, como a nuvem cumulonimbos, característica
de mau tempo.
c) Chuva
19
MOC 01
1.2.5 Visibilidade
A visibilidade no mar pode ser afetada por ocorrências de nevoa úmida, que depende da
umidade relativa do ar e principalmente da relação entre a temperatura do mar (TSM) e a
temperatura do ponto de orvalho (TPO), para avaliar se o resfriamento necessário, para o ar
atingir a UR de 100%, será possível. É fundamental que o TPO, calculada, seja de valor maior
que a TSM. Visto que a temperatura (T) do ar irá resfriar até atingir o equilíbrio com a
temperatura da superfície do mar (TSM). É lógico então, que o ar durante o resfriamento antes
de atingir o equilíbrio, passe pela TPO e inicie a névoa úmida.
Responda.
1.2.1) Cite os principais elementos meteorológicos que influenciam nas condições do estado do
tempo.
- umidade relativa do ar, umidade absoluta máxima do ar e umidade absoluta real do ar.
- chuva e trovoadas.
Inicialmente pode-se afirmar que não são os valores absolutos observados, o que mais
interessa aos navegantes e sim a variabilidade, ou seja, o comportamento, as tendências
desses elementos meteorológicos.
1.2.4) Descreva qual o interesse dos navegantes nos comportamentos ou tendências desses
elementos meteorológicos.
20
As condições do estado do tempo depende de todos os elementos e de cada um em especial,
porque eles interagem entre si, afetando o estado do tempo.
A interação desses elementos requer muita atenção dos navegantes. É necessário, no mar,
contínuas observações desses elementos. Ressalta-se que as condições do tempo
provenientes de uma situação de resfriamento do ar são bem diferentes de uma situação de
aquecimento do ar.
Certamente você já sabe que o instrumento que mede a temperatura (quantidade de calor
sensível) é o termômetro.
21
MOC 01
Figura 1.10 - Termômetro
Existem, ainda, diversos tipos de termômetros que recebem os mais variados nomes, de
acordo com o fim a que se destinam e, dentre eles, podemos destacar dois tipos utilizados na
meteorologia voltada para a navegação. Veja as figuras 1.11 e 1.12.
Com um formato
especial e protegido
Mede a maior e a
por uma carcaça que o
menor temperatura
envolve na altura do
ocorrida em um
bulbo, é empregado
intervalo de tempo.
para medir a
temperatura da
superfície da água do
mar, rio ou lago.
Figura 1.11 - Termômetro de Máxima e Mínima Figura 1.12 - Termômetro para água
Existem alguns tipos de instrumentos que medem a umidade do ar, porém os mais
empregados nas embarcações mercantes são:
a) Higrômetro
22
b) Psicrômetro
G R AN D E d i f e r e n ç a e n t r e a s t e m p e r a t u r a s P O U C A u m i d a d e
Figura 1.15
P E Q U E N A d i f e r e n ç a e n t r e a s t e m p e r a t u r a s AL T A u m i d a d e
Figura 1.16
23
MOC 01
Muito bem, com a diferença das temperaturas obtida nos termômetros úmido e seco,
pode-se, através de cálculos e tabelas, obter a umidade relativa do ar e ainda a temperatura do
ponto de orvalho (TPO).
ATENÇÃO!
O barômetro aneróide utilizado a bordo está sujeito a erros instrumentais, que são
determinados pela aferição do instrumento ou pela comparação com um
barômetro de mercúrio, que é mais preciso. Esta operação fornece a correção
instrumental a ser aplicada a todas as leituras feitas. Entendeu?
24
A unidade utilizada para medir a intensidade (velocidade) do vento é o nó (uma milha por
hora), ou então em metro por segundo, ou quilômetro por hora. A intensidade do vento pode
também ser referida a escala Beaufort que relaciona a força do vento a uma escala de 0 (zero)
a 12 (doze). Veja a escala Beaufort na subunidade 1.4 mais adiante.
- Termômetros;
- Barômetros;
- Psicrômetros ou Higrômetros;
O principal interesse dos navegantes com os registros dos dados observados nas últimas horas
é a importante indicação da tendência do respectivo elemento meteorológico.
Grande diferença entre as temperaturas, significa que o ar tem pouca umidade. A umidade
relativa está baixa. Portanto na previsão do tempo, esta situação será considerada, como
tempo estável.
Durante esta subunidade, veremos a forma com que podemos identificar um elemento
meteorológico a partir de certos padrões estabelecidos, ou seja, quando é que podemos dizer
que um vento é forte ou fraco? Como podemos identificar uma nuvem? Quando podemos
25
MOC 01
dizer que a pressão atmosférica está baixa? Enfim, para responder corretamente a estas
perguntas é necessário conhecer os padrões meteorológicos. Vamos a eles:
Considera-se pressão atmosférica normal quando o nível do mar está em 1013 hPa
(hectaPascal), que corresponde a 760 mm Hg (milímetro de mercúrio). Isto significa que, caso
a pressão atmosférica apresente-se muito acima ou muito abaixo deste padrão (1013 hPa), ela
não está normal, o que poderá ocasionar perturbações atmosféricas, como veremos mais
adiante.
ao nível do mar
Pressão Atmosférica Normal 1013 mb = 1013 hPa
Cumulus (Cu)
Cumulonimbus (Cb)
a) Nuvens Baixas
Cumulus (Cu) - São nuvens densas, com a aparência de chumaços de algodão, porém
nunca cobrem inteiramente o céu. Normalmente, a presença de cumulus significa bom tempo
(figura 1.21).
Cumulonimbus (Cb) - São nuvens muito densas e acinzentadas, com formatos que
lembram grandes torres. Normalmente, são seguidas de mau tempo com fortes ventos e
chuvas pesadas (figura 1.23).
b) Nuvens Médias
27
MOC 01
Figura 1.24 - Altostratus (As) Figura 1.25 - Altocumulus (Ac)
c) Nuvens Altas
0 – CALMARIA 0 a 1 0 a 0,2
1 – BAFAGEM 1 a 3 0,3 a 1,5
2 – ARAGEM 4 a 6 1,6 a 3,3
3 – FRACO 7 a 10 3,4 a 5,4
4 – MODERADO 11 a 16 5,5 a 7,9
5 – FRESCO 17 a 21 8,0 a 10,7
6 – MUITO FRESCO 22 a 27 10,8 a 13,8
7 – FORTE 28 a 33 13,9 a 17,1
8 – MUITO FORTE 34 a 40 17,2 a 20,7
9 – DURO 41 a 47 20,8 a 24,4
10 – MUITO DURO 48 a 55 24,5 a 28,4
11- TEMPESTUOSO 56 a 63 28,5 a 32,6
12 - FURACÃO 64 e acima 32,7 e acima
- Vento inferior a 10 nós com direção constante ou seja, força igual ou inferior a 3 na escala
Beaufort.
- Umidade relativa entre 60% a 70%, ou seja, um ar que não apresente característica de um ar
muito seco, nem de ar muito úmido.
1.4.2) Cite os tipos de nuvens normais, esperadas na ocorrência de bom tempo e de mau
tempo.
29
MOC 01
1.4.3) Descreva o estado do tempo associado a intensidade dos ventos, apresentada na
classificação da escala Beaufort.
1.4.4) Quando o navegante pode esperar a ocorrência de céu bastante nublado ou encoberto?
Durante esta subunidade, veremos como se forma uma área de baixa e alta pressão,
como acontece o deslocamento da massa de ar de uma área para outra, como se verifica a
intensidade desse deslocamento, enfim, como ocorre a movimentação horizontal de massas de
ar devido à diferença de pressão atmosférica.
Porém, antes de iniciarmos o assunto, é interessante que você saiba que linhas isóbaras,
são linhas que unem os pontos de mesma pressão atmosférica (figura 1.29).
30
Figura 1.30- CONFIGURAÇÃO ISOBÁRICA
Pela isóbaras , identifica-se o comportamento da pressão do ar à superfície, evidenciando
as regiões de baixa e alta pressão.
As depressões são representadas por isóbaras fechadas que envolvem uma área de
pressão barométrica decrescente, ou seja, envolvem uma área onde, a partir da periferia para
o centro, há uma tendência à diminuição da pressão atmosférica (figura 1.31).
Nu
Nunca esqueça de que o centro de alta (anticiclone) está associado ao BOM
TEMPO, enquanto que o centro de baixa (ciclone ou depressão) está
associado a MAU TEMPO.
Muito bem, mas devido ao movimento de rotação da Terra, esse deslocamento de ar não
acontece de forma retilínea e sim em espiral. No caso do Hemisfério Sul, onde nos
encontramos, os ventos sofrem uma pequena alteração no sentido, contrário ao dos
ponteiros do relógio, sempre partindo de um centro de alta pressão, ou seja, os ventos
sopram em torno das isóbaras (centro de alta), para a esquerda. Este fenômeno chamamos de
coriolis. Veja a figura 1.34, referente ao Hemisfério Norte (HN).
32
Figura 1.34 - FORÇA DE CORIOLIS
Devido à rotação da Terra e a velocidades tangenciais associadas aos círculos de latitude
respectivos, observa-se o efeito da força de Coriolis. Os ventos meridionais que se
aproximam do equador, desviam suas trajetórias para W (sentido contrário à rotação da
Terra). Os ventos que se afastam do equador, desviam suas trajetórias para E (mesmo
sentido da rotação da Terra).
Quanto mais estreito for o espaçamento entre as isóbaras, mais forte será o gradiente e
então, mais forte será o vento. Quanto mais largo for o espaçamento entre as isóbaras, mais
fraco será o gradiente e conseqüentemente, mais fraco será o vento nessa região.
33
MOC 01
como é simples:
registre no “Diário de Bordo”, em todas as horas cheias (01:00, 02:00, 03:00, ...) a
pressão atmosférica indicada no barômetro de bordo;
Navegando em uma
SEM ALTERAÇÃO Tempo sem alteração
isóbara.
Navegando em direção a
SUBINDO Tempo bom
um centro de alta.
Navegando em direção a
DESCENDO Mau tempo
um centro de baixa
As linhas de igual pressão atmosférica são conhecidas como isóbaras ou linhas isobáricas. A
carta sinótica apresenta configurações isobáricas que permitem o navegante observar a
circulação dos ventos.
1.5.2) Quais as principais indicações apresentadas das cartas de pressão ao nível do mar?
Nas cartas sinóticas estão assinaladas com a letra B, as regiões de baixa pressão e com a
letra A áreas de alta pressão.
1.5.3) Quais características das isóbaras nos centros de baixa (B) e de alta (A) pressão?
O navegante observa que as isóbaras diminuem de valor em hPa, da periferia para o centro de
baixa (B) e aumentam de valor em hPa, da periferia para o centro de alta (A) pressão.
34
1 . 6 CIRCULAÇÃO DOS VENTOS
O vento tanto pode ser originado por grandes deslocamentos de massas de ar, como
pode ser originado por pequenos sistemas, ou seja, por deslocamentos de pequenas massas
de ar. No primeiro caso, dizemos que o vento é decorrente da circulação geral da atmosfera,
enquanto que no segundo é decorrente de um processo convectivo local e, portanto,
denominado vento local. Veja cada um desses casos em separado:
35
MOC 01
1.6.1 Circulação Geral da Atmosfera
Como já sabemos, o globo terrestre tem regiões frias, como os Pólos e as áreas de altas
latitudes, e regiões quentes, como o Equador e os trópicos, devido à incidência de menor ou
maior radiação solar; além disso, devido ao movimento de translação da Terra (estações do
ano), teremos variações da incidência solar em determinadas regiões durante o ano. Diante
disso, verifica-se que na Terra existem regiões geradoras de grandes centros de alta pressão
(regiões frias) e regiões geradoras de grandes centros de baixa pressão (regiões quentes), que
imprimem uma constante circulação geral da atmosfera (figura 1.38). Observa-se na
circulação geral do planeta Terra, ventos Alísios de Leste nas regiões tropicais e ventos de
Oeste nas regiões de medias e altas latitudes.
36
Figura 1.40 - BRISA TERRESTRE
Sempre pela madrugada e inicio da manhã observa-se circulação da terra para o mar.
Observe que, quando se está navegando, o vento que se sente é o que denominamos
vento aparente, isto porque é a resultante da combinação do vento real com o vento
provocado pela movimentação da embarcação.
c) Terceiro – Agora basta unirmos a origem da primeira seta (vetor do rumo e velocidade
da embarcação) com a ponta da segunda (vetor da direção e velocidade do vento aparente)
para obtermos uma nova seta, que tem origem na primeira e na ponta na Segunda. A esta
terceira seta denominamos vetor da direção e velocidade do vento real. Será com ela que
poderemos facilmente, utilizando a régua de paralelas e do compasso, obter a direção e a
velocidade do vento real. A direção é facilmente obtida lendo diretamente na rosa-dos-ventos,
enquanto que a intensidade será o tamanho da seta medida na escala de latitude. Observe a
figura 1.43, que corresponde ao nosso exemplo:
38
Observação: Direção do vento real é de onde vem o vento e a direção do vetor do vento
aparente utilizado é para onde vai o vetor.
Agora, nós temos a certeza de que você é capaz de responder às perguntas que fizemos
no início desta subunidade.
1.6.2) Quais as diferenças significativas da circulação do ar, que o navegante observa em uma
viagem de longo curso que cruze o Equador, ou seja, passe do HS para o HN e vice-versa?
A direção do vento é sempre considerada de ONDE VEM o vento. Por isso o navegante deve
sempre incluir a expressão “de”. Exemplos: vento de N ou vento de NE
1.6.4) Descreva os dois principais tipo de circulação geral do ar, características das regiões
tropicais e das regiões de média latitude.
1.6.5) O navegante observa em sua navegação costeira alternância da direção das brisas
marítima e terrestre. Cite qual a direção da brisa que sopra sempre no período da tarde.
No período da tarde, sopra a brisa marítima, com direção do mar para a costa.
1.6.6) Quais as principais razões físicas das brisas terem direções diferentes?
Considerações Finais
Sempre que você tiver alguma dificuldade nas próximas unidades, retorne a esta unidade
e reforce seu embasamento inicial com mais uma leitura e reflexão.
Vamos adiante! Você está caminhando na direção certa, buscando evitar o mau tempo e
mar severo.
1.1.4) A posição relativa do Sol em relação à Terra determina a intensidade de radiação solar?
____________________________________________________________________________
1.1.5) Podemos afirmar que, dependendo do tipo de superfície, haverá maior ou menor
absorção da radiação solar? Exemplifique.
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
40
1.2) Elementos Meteorológicos
1.4.5) Pela escala Beaufort, que intensidade em nós terá um vento “fresco”?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
1.6.1) Qual é o elemento meteorológico que é um dos melhores indicadores de tempo para o
navegante?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
1.1.2) A radiação solar é a energia emitida pelo Sol, a qual aquece e movimenta o ar,
permitindo a evaporação da água, a formação de nuvens, a chuva, o temporal, o
furacão, etc., enfim, é o elemento que vai desencadear toda a dinâmica dos fenômenos
meteorológicos.
1.1.3) O Ângulo de incidência da radiação solar na Terra não é uniforme, esse ângulo varia de
acordo com a posição em que a Terra está em relação ao Sol.
1.1.5) Sim. Cada tipo de cobertura da Terra (vegetação, água, neve, areia, etc.) tem um índice
e absorção e de reflexão diferente; por exemplo, a neve absorve 25% e reflete 75% da
energia solar.
43
MOC 01
1.3) Instrumentos de Medida
1.5.3) É um centro de alta pressão e se forma em regiões ode ocorrem situações propicias
para a ocorrência de ar descendente (descida).
44
1.6.4) É a resultante da combinação do vento real com o vento provocado pela movimentação
da embarcação.
1.6.5) Sim, por meio de representação gráfica realizada na própria rosa-dos-ventos da carta
náutica.
45
MOC 01
46
UNIDADE 2
SISTEMAS SINÓTICOS
Em um dia de grande calor, é possível que você tenha ouvido alguém afirmar — Hoje vai
chove – e acaba chovendo mesmo.
Pois bem, isso ocorre porque se desenvolveu uma atividade convectiva, ou seja, quando
a temperatura está muito elevada, a evaporação é muito intensa, aumentando a umidade
relativa (UR) do ar. Com o movimento ascendente do ar, ocorre o processo convectivo, ou
seja, transporte vertical de calor. O ar ascendente se expande, então, conseqüentemente, sua
temperatura diminui conforme o ar vai subindo e se expandindo, (LEI DOS GASES). A
47
MOC 01
temperatura do ar, então, vai diminuindo até atingir a temperatura do ponto de orvalho e ai o ar
fica saturado, com UR = 100% e inicia-se a condensação, que é a formação das nuvens.
Observe a figura 2.1:
Muito bem, vamos ver com detalhes como acontece o processo convectivo, porque
dessa forma você vai perceber como os elementos meteorológicos interagem entre si e,
conseqüentemente, entenderá como funciona o conjunto, ou melhor, o sistema sinótico.
Fi
Figura 2.2 Figura 2.3
IV – O ar quente juntamente com o vapor de água, à medida que vão ganhando altitude,
sofrem resfriamento e, conseqüentemente, o vapor de água começa a se condensar, formando
nuvens. No início as nuvens formadas são do tipo Cumulus (Cu) (figura 2.5).
48
Observe que o processo convectivo é interrompido quando ocorre a precipitação (chuva),
a que denominamos chuvas convectivas. Porém, se esse ar que está convergindo continuar a
se aquecer, a ascensão de ar quente se manterá, dando prosseguimento ao processo
convectivo. Vejamos o que acontece com o prosseguimento do processo:
Fi
Figura 2.6 Figura 2.7
Figura 2.8
Para terminar esta subunidade, veremos alguns pontos que podem trazer condições
apropriadas para a intensificação do processo convectivo:
2.1.2) Quais as principais conclusões que o navegante pode tirar de um processo convectivo,
resultante do movimento ascendente do ar?
O navegante percebe que o processo convectivo pode resultar na formação de nuvens. Que o
ar ascendente sempre resfria e aumenta sua UR. Que o ar continuando a subir irá atingir a
TPO e iniciar a nebulosidade. Que as condições são favoráveis à ocorrência de MAU tempo.
2.1.3) Quais as conclusões que o navegante pode tirar ao observar movimento descendente do
ar?
Sempre não.
50
Você recorda que o ar pode ser seco ou úmido e se a temperatura for mais quente, o ar pode
ter mais umidade absoluta. Então, o navegante percebe que o mau tempo, com Cb precisa que
o ar seja bastante úmido.
Você notou que esses exercícios já ressaltaram a importância do ar ser úmido, ou seja, com
UR elevada. Neste caso, o movimento ascendente indica atividades convectiva com ar seco.
Considera-se o ar seco, um ar com pouca energia (calor latente) para alimentar e intensificar
nuvens pesadas com trovoadas. Então o navegante pode, nessa situação de ar seco, esperar
bom tempo com nuvens CIRRUS paradas.
Pois bem, ao se deslocar, invade áreas dominadas por outras massas de ar com
características diferentes, onde a superfície que delimita a massa de ar, que está se
deslocando, é denominada superfície frontal ou simplesmente frente, a qual,
conseqüentemente irá gerar mudanças no tempo.
Observe que a frente refere-se à massa de ar que se desloca, podendo, portanto, ser
denominada frente quente ou frente fria, dependendo de estar delimitando uma massa de ar
quente ou fria, respectivamente. Veja a figura 2.9.
51
MOC 01
descrição de uma determinada massa de ar. Vejamos como funciona.
Umidade
m MARÍTIMA ALTA
C CONTINENTAL BAIXA
Região de Origem
P POLAR FRIA
T TROPICAL QUENTE
Temperatura
(em relação à superfície sobre a qual se desloca)
Pois bem, podemos desta forma descrever sucintamente uma massa de ar.
Observe:
mPk – significa massa de ar Polar marítima (alta taxa de umidade e baixa
temperatura), mais fria do que a superfície sobre a qual se desloca (k).
Desta forma, fica fácil classificar uma massa de ar e principalmente identificar a situação
prevista do estado de tempo.
52
Essas modificações no tempo ocorrerão, com maior ou menor intensidade, dependendo
do tipo e intensidade da frente. Vejamos como elas se apresentam:
Observando o quadro abaixo, podemos identificar uma frente fria antes de sua
passagem, durante a sua passagem e depois de sua passagem.
NUVENS Ac e/ou As Cb As ou Ac
RODANDO NO
AUMENTANDO MUITO SENTIDO
VENTOS CONSTANTE
ANTI-HORÁRIO
NW para SW (HS)
53
MOC 01
2.2.2.2 Frente Quente
A formação de uma frente quente ocorre quando há substituição do ar frio pelo ar quente
à superfície do solo ou do oceano. Isto acontece da seguinte forma: a massa de ar quente
desloca-se de encontro à massa de ar frio, no entanto, por ser menos densa (mais leve) que a
massa de ar frio, ao deslocá-la, forma uma cunha onde ocorrem as mudanças do tempo. Veja a
figura 2.11.
Observando o quadro abaixo, podemos identificar uma frente quente antes de sua
passagem, durante a sua passagem e depois de sua passagem.
TENDENDO A
TEMPERATURA CAINDO LENTAMENTE SUBINDO
ESTABILIZAR
PEQUENAS
PRESSÃO BAIXA CONSTANTE NÍVEL MÍNIMO
ALTERAÇÕES
RONDANDO NO SENTIDO
VENTOS AUMENTANDO ANTI-HORÁRIO (HS)
CONSTANTE
E / SE para NE / N
54
2.2.2.3 Frente Oclusa
Ocorre quando uma frente quente deixa de ter contato com a superfície do solo ou do
oceano, sendo forçada a elevar-se, por causa do avanço da massa de ar fria. Teremos então
três massas de ar com temperaturas diferentes, sendo uma quente, outra fresca ou menos fria
e a terceira fria. Uma frente fria, em sua trajetória normal, pode deslocar-se cerca de duas
vezes mais rápida do que uma frente quente e, alcançá-la, juntar-se a ela e empurrá-la para
cima, formando uma frente oclusa, que pode ser simplesmente chamada de oclusão. (Figura
2.12)
Hemisfério Norte Hemisfério Sul
Que tal fixar os conceitos que você estudou. Realize a tarefa a seguir.
55
MOC 01
Exercícios resolvidos 2.2
2.2.1) O planeta TERRA busca equilíbrio térmico por meio do deslocamento de massas de ar
de temperaturas diferentes. Cite a direção do movimento das massas de ar FRIO.
As massas de ar frio se deslocam das altas latitudes (regiões polares) para as regiões mais
quentes (médias e baixas latitudes).
2.2.2) Os boletins meteorológicos informam com freqüência ocorrência de frente fria. Explique o
que você entende, com a informação de chegada de uma frente fria.
È o deslocamento de uma massa de ar fria. Para o ar frio ocupar uma região é necessário o ar
quente do local se deslocar. Isto ocorre também com subida do ar quente, desencadeando esta
ascensão do ar, uma atividade convectiva com formação de nuvens, precipitação, trovoadas e
rajadas de vento, ou seja, mau tempo.
2.2.3) As nuvens que acompanham a frente fria podem ser observadas pelo navegante, na
passagem da frente fria. Cite como você pode identificar, com antecedência a posição de uma
frente fria.
2.2.4) Explique as razões físicas dos boletins meteorológicos informarem a ocorrência de frente
fria, associada com mau tempo e mudança de direção dos ventos.
Sistemas sinóticos são de enormes dimensões, envolvendo massas de ar frio que chega e
de ar quente que sai;
Tudo começa com um enorme centro de baixa pressão bem alongado na direção do
equador, por isso denominado de cavado. Na parte alongada está o eixo do cavado;
Como o cavado se desloca com as massas fria e quente, separadas pela frente fria, com
ventos de direções diferentes (de N e de S), causam mau tempo por onde passa.
Considerações Finais
Você fez uma boa caminhada nesta unidade e esta conhecendo fenômenos muito
freqüentes como frentes frias, tão necessárias para o equilíbrio térmico do planeta Terra. Você
agora percebe como o estado do mar reage a passagem de uma frente fria. Você sabe agora
quais as mudanças de direção dos ventos e das ondas na passagem de um sistema frontal.
2.1.5) Caso haja condições favoráveis para o prosseguimento do processo convectivo, o que
poderá ocorrer?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
57
MOC 01
2.2. Massas de ar e frentes
2.1.3) O ar quente juntamente com o vapor de água, à medida que vão ganhando altitude,
sofrem resfriamento e, conseqüentemente, o vapor de água começa a se condensar,
formando nuvens.
2.2.3) Uma frente fria, normalmente, está associada à formação de regiões de baixa pressão
em suas proximidades, proporcionando o deslocamento da massa de ar frio de encontro
à massa de ar quente, que é forçada a ceder espaço.
58
2.2.4) Frente oclusa, frente fria, frente quente e frente estacionária.
59
MOC 01
60
UNIDADE 3
SISTEMAS TROPICAIS
Furacão. Não se gosta nem de ouvir falar. Há razão para tanto susto e medo?
Primeiro você verá que esse receio pode ser limitado a região tropical e só no período do
fim do verão. E mais, não precisa se assustar quem está no interior dos continentes. Furacão
só se forma no oceano. Você trabalha no mar? Você precisa conhecer melhor este assunto,
para não viver assustado.
As características dos sistemas tropicais são distintas das características do tempo nas
regiões subtropicais ou extratropicais, ou seja, nas regiões de médias ou altas latitudes, como
estudaremos nesta unidade. Portanto, fique atento.
Como vimos anteriormente, as massa de ar das latitudes médias e altas, regiões de alta
pressão à superfície, deslocam-se em direção ao Equador da Terra, região de baixa pressão à
superfície. Essa circulação ocorre tanto no Hemisfério Norte como no Hemisfério Sul.
Observamos então uma convergência à superfície, na região do Equador térmico, provocada
pela circulação à superfície. Essa região tropical onde ocorre a convergência é denominada
Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e influencia todo o sistema tropical. Veja a figura
3.2:
Eles afetam a costa norte e nordeste do Brasil, sendo observados tanto na área marítima
como na continental. Os ventos alísios, na costa do Brasil, são ventos de sudeste (SE) ao
passo que no Hemisfério Norte são de nordeste (NE). Comentou-se anteriormente que os
ventos alísios originam-se do escoamento de Sul para Norte, no Hemisfério Sul, ou seja, das
latitudes médias para o Equador. Constata-se, então, que há um desvio para a esquerda ao
longo do escoamento. Fato idêntico ocorre com as correntes marítimas. Tal fato se deve ao
efeito de coriolis, devido ao movimento de rotação da Terra. O efeito de coriolis, afeta
permanentemente essa circulação tropical, razão pela qual os alísios de SE mantêm suas
características ao longo de todo o ano, sendo mais intensos na costa do Brasil no período de
verão e de outono no Hemisfério Sul.
63
MOC 01
Os alísios de SE e os alísios de NE, ao alcançarem a região equatorial, têm praticamente
escoamento paralelo da direção leste, observando-se extensas regiões com calmarias,
conhecidas como DOLDRUMS (figura 3.4).
A oscilação da ZCIT, além de ter influências sobre a intensidade dos alísios, afeta
consideravelmente a condições de nebulosidade da região e, conseqüentemente, concorre
para fortes temporais. A costa Norte e nordeste do Brasil é mais afetada pelo deslocamento da
ZCIT, nos meses de março e abril, época em que a ZCIT é observada mais ao Sul.
Normalmente, a ZCIT acompanha o posicionamento do Equador térmico, razão pela qual a
ZCIT é observada quase sempre no Hemisfério Norte entre as latitudes de 5o N a 15o N. Só em
condições especiais, a ZCIT posiciona-se no Hemisfério Sul. Nessas situações, são
observados acentuados aumentos da nebulosidade e precipitação na costa norte e nordeste do
Brasil
64
Exercícios resolvidos 3.1
São sistemas de intensa atividade convectiva, desencadeados por variação da pressão do ar.
É característico das regiões tropicais.
É bom recordar que você estudou sistemas baroclínicos, nas regiões de altas latitudes. Que
são diferentes porque dependem da variação da temperatura e conseqüentemente da pressão
É a região próxima ao equador térmico do planeta TERRA, onde ocorre a convergência dos
ventos alísios do HN e HS.
São ventos das regiões tropicais do HN e HS. São ventos permanentes, durante todo o ano.
Sopram de E (Leste) e são influenciados pela rotação da TERRA e pela força de Coriolis.
São regiões quente e úmida. Os ventos alísios convergem para a ZCIT e retornam pela célula
de Hadley (ventos em altitudes) para as regiões de média latitude, formando os anticiclones
permanentes, com bom tempo nessas áreas.
Para o navegante, a tempestade traz dois grandes perigos: a perda de visibilidade devido
65
MOC 01
ao aguaceiro e dificuldade de manobra devido a ventos fortes e mar com vagas. Observe a
figura 3.5, que representa um cenário de tempestade no mar.
3.2.2 Trovoadas
O grande risco que trazem as tempestades elétricas é de haver uma descarga sobre a
embarcação, principalmente por meio do mastro, que poderá ser um fator de atração dessas
descargas. Para tanto, recomenda-se que no tope do mastro, haja um pequeno pára-raios que
possa conduzir descargas elétrica para a parte mais baixa da embarcação (quilha), a fim de
serem dissipadas na água (figura 3.6).
Os ciclones tropicais são fenômenos que ocorrem no mar, isto porque necessitam
continuamente de suprimento de ar úmido instável; caso contrário, tendem a dissiparem-se.
67
MOC 01
O navegante deve estar sempre atento aos boletins meteorológicos, para
que possa evitar e, fugir de ciclones, pois enfrentá-los é algo arriscado e
com grandes possibilidades de naufrágio.
Você pode constatar que nos dias mais quentes e úmidos, tem-se oportunidade de presenciar
a ocorrência de Cb. Provavelmente você já percebeu também que no verão, na parte da tarde,
pancadas de chuva e trovoadas. É comum as pessoas falarem em chuvas de verão, ao se
referirem a situações semelhantes.
3.2.3) Cite as condições propícias para o mau tempo se intensificar e atingir a categoria de
tempestade, tormenta e mesmo ciclone ou furacão.
Considerações Finais
Ao concluir esta unidade, você está conhecendo características interessantes das regiões
tropicais e perceber que elas são distintas das regiões de altas latitudes, já estudadas.
Falar nas famosas tormentas tropicais não será mais novidade para você.
Os ventos alísios trazem para você as lembranças da ZCIT com tantos cumulonimbus
(Cb) e as calmarias que incomodavam tanto os antigos navegadores em suas embarcações a
vela.
Quando chegar, todo ano a época dos furacões, você, onde estiver, se lembrará desta
unidade, com conhecimento de causa!
68
Teste de Auto-Avaliação da Unidade 3
3.1.4) Em função de que a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) modifica sua posição?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
3.2.2) Cite um problema para a navegação que pode ser causado pela tempestade.
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
3.2.5) Cite uma das condições ideais para a formação de um ciclone tropical.
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
69
MOC 01
Chave de Respostas do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 3
3.1.3) É a região para a qual as massas de ar das latitudes médias e altas, regiões de alta
pressão à superfície, deslocam-se em direção ao Equador.
3.2.1) A tempestade acontece devido ao acúmulo de nuvens do tipo Cumulonimbus (Cb), que
provocam precipitação (chuva) intensa, acompanhada de fortes ventos e trovoadas.
3.2.4) Circulação ciclônica fechada, núcleo central calmo (olho) e constantes deslocamentos.
70
UNIDADE4
ANÁLISES METEOROLÓGICAS
Fala-se que somos pessoas “3M”, porque de Medicina, Mágica e Meteorologia sempre
estamos prontos a falar, e muito. Se acertamos é outro assunto.
Tipos de Informação
♦ Imagem de satélite.
Vejamos cada um desses boletins e cartas com mais detalhes: (Imagem de satélite será
discutida na subunidade 4.4)
Como o próprio nome está indicando, o boletim de previsão para áreas portuárias fornece
as condições meteorológicas previstas para a área de um porto e suas proximidades. Ele é
redigido em linguagem clara e, normalmente, transmitido por radiotelefonia. Esse boletim de
previsão fornece ao navegante as seguintes informações:
5. Previsão de ondas;
6. Previsão de visibilidade; e
Este é um boletim mais completo, cujas informações são elaboradas para as áreas
marítimas sob a responsabilidade do Brasil METAREA - V, as quais foram estabelecidas e
padronizadas em um acordo internacional com os membros que compõem a Organização
Mundial de Meteorologia (OMM).
72
ALFA (A) Do Arroio Chui ao Cabo de Santa Marta;
o o o
NOVEMBER (N) Norte Oceânica (Oeste de 020 W, de 7 N a 15 S); e
o o o
SIERRA (S) Sul Oceânica (Oeste de 020 W, de 15 S a 36 S).
Cada área pode ainda ser subdividida em parte Norte ou Sul e parte Leste ou Oeste para
melhor identificar as variações do tempo dentro da mesma região.
Observe a figura 4.1, que apresenta as áreas de previsão meteorológica e, sem perder
tempo, procure identificar a área ou a áreas de seu interesse, ou seja, as áreas onde você
costuma navegar e, portanto, necessita de informações meteorológicas. Muito bem, grave-as
em sua memória.
Os avisos de mau tempo incluídos tanto no Boletim de Previsão para Áreas Portuárias
como no Meteoromarinha são emitidos, quando uma ou mais das seguintes condições
meteorológicas estejam previstas:
ressaca ondas costeiras com altura superior a 2,5 metros e com grande comprimento
de onda, na direção quase perpendicular à costa. É interessante observar que ondas
de grande comprimento de onda tem grande volume d’água no efeito de
arrebentação, intensificando a ação da ressaca.
Os elementos já mencionados no aviso de mau tempo não são repetidos nos demais
itens dos boletins de previsão. A ausência de aviso de mau tempo é claramente mencionada
no texto da parte I dos boletins com a expressão NIL ou NÃO HÁ.
74
PARTE III – Previsão do tempo (Tempo Futuro)
Esta parte fornece as previsões para METAREA-V válidas até a data-hora (HMG),
mencionada no início do texto, para as áreas costeiras (A, B, C, D, E, G e H) e oceânicas (N e
S). as informações citadas nesta parte são as seguintes:
É na parte III que o navegante obtém a previsão do tempo para as próximas 24 horas, na
área costeira de seu interesse.
Esta parte é constituída por uma análise e/ou prognóstico, em forma de código FM46-IV
IAC FLEET. Este código é formado de grupos de 5 algarismos, cujo primeiro grupo é 10001,
que indica preâmbulo de mensagem de análise, ou então, 65556, que indica preâmbulo de
mensagem de prognóstico.
O navegante, para plotar a mensagem da parte IV, necessita de decodifica-la. Para tal,
utiliza o modelo DHN=5911 – Mensagens de Análise para Navios (FM46-IV), e a representação
gráfica utilizada nas análises são cartas meteorológicas denominadas Cartas Sinóticas.
75
MOC 01
METEOROMARINHA REFERENTE ANÁLISE DE 1200 - 16/AGO/2007
DATA E HORA REFERENCIADA AO MERIDIANO DE GREENWICH - HMG
PRESSÃO EM HPA
VENTO NA ESCALA BEAUFORT
ONDAS EM METROS
PARTE UM – AVISOS
AVISO NR 617/2007
AVISO DE BAIXA VISIBILIDADE
EMITIDO ÀS 1230 - QUI - 16/AGO/2007
NEVOEIROS ESPARSOS AFETANDO ÁREA ALFA AO NORTE DE 30S E ÁREA CHARLIE AO SUL DE 24S.
VÁLIDO ATÉ 171500.
AVISO NR 618/2007
AVISO DE RESSACA
EMITIDO ÀS 1230 - QUI - 16/AGO/2007
ÁREA FOXTROT. ONDAS DE SE 2.5.
VÁLIDO ATÉ 181200.
ESTE AVISO SUBSTITUI O AVISO NR 616/2007.
PARTE DOIS - ANÁLISE DO TEMPO EM 161200
BAIXA 1018 35S040W. ALTA 1034 29S022W. FRENTE FRIA SOBRE CABO DE SANTA MARTA ESTENDENDO-SE PARA SE E
MOVENDO-SE COM 15 NÓS PARA E. FRENTE FRIA EM 45S025W, 41S030W E 38S036W MOVENDO-SE COM 15 NÓS PARA E.
Z C I T 05N020W, 39N030W, 04N040W E 03N050W COM FAIXA DE 3/4 GRAUS DE LARGURA COM PANCADAS DE CHUVA
MODERADA/FORTE E TROVOADAS ISOLADAS EM TODA A FAIXA.
PARTE TRÊS - PREVISÃO DO TEMPO VÁLIDA DE 170000 ATÉ 180000
ÁREA ALFA (DO ARROIO CHUÍ AO CABO DE SANTA MARTA)
PANCADAS OCASIONALMENTE FORTES E TROVOADAS ISOLADAS NO SUL DA ÁREA E NEVOEIROS ESPARSOS NO NORTE DA
ÁREA NO INÍCIO DO PERÍODO. VENTO SW/SE PASSANDO SE/E 4/5. ONDAS DE S/SE 1.5/2.0. VISIB MODERADA
OCASIONALMENTE RESTRITA/ MUITO RESTRITA NO INÍCIO DO PERÍODO.
ÁREA BRAVO (DO CABO DE SANTA MARTA AO CABO FRIO - OCEÂNICA)
PANCADAS NO SUL DA ÁREA. VENTO NW/SW PASSANDO SW/SE 5/6 PASSANDO 4/5 COM RAJADAS AO SUL DE 26S E NE/NW
4/5 PASSANDO 3/4 NO RESTANTE DA ÁREA. ONDAS DE E/NE 1.0/1.5 PASSANDO S/SE 1.5/2.0 NO SUL DA ÁREA. VISIB BOA
OCASIONALMENTE MODERADA/RESTRITA NO SUL DA ÁREA.
ÁREA CHARLIE (DO CABO DE SANTA MARTA AO CABO FRIO - COSTEIRA)
NEVOEIROS ESPARSOS AO SUL DE 24S NO INÍCIO DO PERÍODO. VENTO SW/SE 4/5 PASSANDO 2/3 AO SUL DE 24S E NW/SW
4/5 COM RAJADAS PASSANDO SW/SE 3/4 NO RESTANTE DA ÁREA. ONDAS DE SE/E 1.0/2.0. VISIB MODERADA/MUITO RESTRITA
PASSANDO A BOA NO SUL DA ÁREA E BOA NO RESTANTE DA ÁREA.
ÁREA DELTA (DO CABO FRIO A CARAVELAS)
VENTO SE/NE 3/4. ONDAS DE SE/E 1.5/2.0. VISIB BOA.
ÁREA ECHO (DE CARAVELAS A SALVADOR)
PANCADAS JUNTO À COSTA. VENTO SE/E 4/5 COM RAJADAS DURANTE AS PANCADAS. ONDAS DE SE/E 2.0/2.5. VISIB BOA
REDUZINDO PARA MODERADA DURANTE AS PANCADAS.
ÁREA FOXTROT (DE SALVADOR A NATAL)
PANCADAS. VENTO SE/E 4/5 JUNTO À COSTA E 5/6 NO RESTANTE DA ÁREA COM RAJADAS DURANTE AS PANCADAS. ONDAS
DE SE/E 2.0/2.5 COM RESSACA JUNTO A COSTA E 2.5/3.0 NO RESTANTE DA ÁREA. VISIB BOA REDUZINDO MODERADA
DURANTE AS PANCADAS.
ÁREA GOLF (DE NATAL A SÃO LUIS)
PANCADAS E TROVOADAS ISOLADAS. VENTO SE/E 5/6 COM RAJADAS DURANTE AS PANCADAS. ONDAS DE SE 2.5/3.0. VISIB
BOA REDUZINDO PARA MODERADA DURANTE AS PANCADAS.
ÁREA HOTEL (DE SÃO LUIS AO CABO ORANGE)
PANCADAS OCASIONALMENTE FORTES E TROVOADAS ISOLADAS. VENTO SE/NE 3/4 JUNTO À COSTA SE/E 4/5 NO RESTANTE
DA ÁREA COM RAJADAS DURANTE AS PANCADAS. ONDAS DE SE/E 1.5/2.0. VISIB BOA REDUZINDO PARA MODERADA
DURANTE AS PANCADAS.
ÁREA SUL OCEÂNICA
SUL DE 30S
OESTE DE 035W
PANCADAS OCASIONALMENTE FORTES E TROVOADAS ISOLADAS. VENTO NW/SW 5/6 PASSANDO SW/SE 4/5 COM RAJADAS.
ONDAS DE NE/NW 1.5/2.0 PASSANDO SW/S 2.0/2.5. VISIB BOA REDUZINDO PARA MODERADA/RESTRITA DURANTE AS
PANCADAS.
LESTE DE 035W
PANCADAS E TROVOADAS ISOLADAS NO SUDOESTE DA ÁREA. VENTO NE/NW 3/4 PASSANDO NW/SW 4/5 COM RAJADAS.
ONDAS DE SW/SE 1.0/1.5 PASSANDO NW/W 1.5/2.0. VISIB BOA REDUZINDO PARA MODERADA DURANTE AS PANCADAS.
NORTE DE 30S
VENTO SE/E 5/6 AO NORTE DE 25S E SE/NE PASSANDO NE/NW 2/3 NO RESTANTE DA ÁREA. ONDAS DE SW/SE 1.0/2.0. VISIB
BOA.
ÁREA NORTE OCEÂNICA
PANCADAS OCASIONALMENTE FORTES E TROVOADAS ISOLADAS AO NORTE DO EQUADOR E PANCADAS ISOLADAS NO SUL
DA ÁREA. VENTO SE/E 5/6 AO SUL DO EQUADOR E SW/SE 4/5 NO RESTANTE DA ÁREA COM RAJADAS DURANTE AS
PANCADAS. ONDAS DE S/SE 2.0/3.0. VISIB BOA REDUZINDO PARA MODERADA/RESTRITA DURANTE AS PANCADAS.
ORLA MARÍTIMA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
LIMPO/POUCO NUBLADO COM NÉVOA ÚMIDA NO FINAL DO PERÍODO NO LITORAL SUL. VENTO NW/SW 4/5 PASSANDO SW/SE
3/4 NO LITORAL SUL E NE/NW 3/4 NO RESTANTE DA ÁREA COM RAJADAS OCASIONALMENTE. ONDAS DE SE/E 1.5/2.0
PASSANDO 1.0/1.5. VISIB BOA OCASIONALMENTE MODERADA/RESTRITA NO FINAL DO PERÍODO NO LITORAL SUL.
TEMPERATURA EM LIGEIRO DECLÍNIO. MÁXIMA 26ºC. MÍNIMA 15ºC.
MARÉS PARA O PORTO DO RIO DE JANEIRO EM 17/AGO/2007
HORA (P) ALTURA (M)
04:47 1.2
11:24 0.3
17:06 1.1
22:28 0.4
SOL: NASCER 06:16 (P) PASSAGEM MERIDIANA 11:58 (P) OCASO 17:37 (P)
LUA: NASCER 17/08 08:49(P) OCASO 17/08 21:46(P)
FASES DA LUA: NOVA 12/08 Q. CRESCENTE: 20/08 CHEIA: 28/08 Q. MINGUANTE: 04/09
76
4.1.3 Boletim Especial de Previsão
A forma e o conteúdo deste boletim obedecem, de uma maneira geral, aos modelos das
Partes I, II e III do Meteoromarinha.
geradoras de onda.
77
MOC 01
Exercícios resolvidos 4.1
4.1.1) Cite os horários de referência dos boletins meteoromarinha e das cartas sinóticas de
pressão ao nível do mar.
Ambos tem o mesmo horário em HMG – hora média de Greenwich (hora universal).
Diariamente às 0000 HMG (zero horas e zero minutos) e às 1200 HMG (doze horas e zero
minutos), são observados e processados os elementos meteorológicos. Esses produtos são
divulgadas 2 a 3 horas depois das observações, ao termino do processamento e confecção do
boletim e da carta.
4.1.3) Quais são os elementos meteorológicos contemplados nos avisos de mau tempo do
meteoromarinha?
Áreas com ocorrência de centro de baixa pressão e de centro de baixa pressão. São também
descritas as características de frente fria, ou seja, trajetória, velocidade e posição da frente fria
presente na METAREA V.
78
4.1.6) Quais as principais características das isóbaras das cartas sinóticas, que são de
interesse dos navegantes?
Inicialmente você pode se perguntar, se a carta sinótica é de pressão ao nível do mar, como o
navegante percebe áreas de vento forte e de mar severo? Você precisa está treinado e
qualificado para interpretar a relação entre as isóbaras e a circulação do ar, identificando a
direção do vento e das ondas. É bom recordar circulação do ar, centros de alta e baixa e
gradiente horizontal de pressão, antes de examinar a configuração das isóbaras da carta
sinótica.
4.1.7) Como você pode identificar a presença de uma frente fria, em um documento gráfico
como a carta sinótica?
Ao examinar a carta sinótica, você percebe que a simbologia usada é padronizada e pela forma
e cor revela que elemento meteorológico está sendo informado.
Quando a temperatura da superfície do mar (TSM) é mais fria que a TPO, a visibilidade
pode ser afetada devido à formação de nevoeiro.
Quando a TSM for mais quente que o ar, pode haver instabilidade, favorecendo a
convecção e a formação de nuvens Cumulus.
A umidade relativa presente, sendo elevada, indica que a saturação do ar pode ser
obtida com um pequeno resfriamento do ar. Nessa situação, o navegante deve estar
atento aos outros parâmetros que favorecem a formação de névoa úmida e nevoeiros
e, conseqüentemente, afetam a visibilidade.
Se você está interessado na previsão do tempo, primeiro você tem de observar e entender o
tempo presente. No boletim meteoromarinha, parte II (dois) você encontra o diagnóstico do
tempo presente. Você precisa associar as anotações anteriores e interpretar as tendências.
4.2.4) Como o navegante pode esperar bom tempo, se o tempo presente indica, no momento
da observação, um aspecto de mau tempo?
a cada hora, registre a pressão com um ponto no valor observado e, após três horas,
una os pontos registrados (figura 4.2).
O exemplo dado na figura mostra que foi observada e registrada a pressão atmosférica
às 03:00, 04:00, 05:00, 06:00 e 07:00 horas. Entretanto, apesar de não ter sido ainda
observada a pressão para a 08:00 horas, podemos prever que será por volta de 1011
milibares. Isto só é possível porque houve um acompanhamento da variação barométrica
desde as 03:00 horas, verificando a tendência, que é de queda, e a intensidade, que é de
aproximadamente 1 milibar por hora. Entendeu?
Qu
Quando uma frente fria se aproxima, a pressão cai até a chegada da frente,
p a s s a n d o a s u b ir a p ó s s u a p a s s a g e m .
4.3.2 Temperatura
Assim como a pressão, a temperatura também deve ser registrada a cada hora, a fim de
servir como indicador para uma previsão meteorológica.
82
Conheça duas regrinhas básicas sobre temperatura:
Quando uma frente fria se aproxima, a compressão da massa de ar quente, provocada pela força
1. do ar, frio produz um aumento significativo de temperatura, passando a cair durante e após a
passagem da frente fria.
Quando é uma frente quente que se aproxima, a temperatura permanece estável ou diminui um
2. pouco, passando a subir acentuadamente durante e após a passagem da frente quente.
4.3.3 Vento
Após a passagem da frente fria, no HS, o navegante observa brusca mudança da direção
do vento de NW para SW. A característica da circulação do ar do cavado que está passando
pela região onde se encontra o navegante, é percebida pelo vento frio que sopra de SW/S .
4.3.4 Nuvens
A formação das nuvens é o resultado das correntes ascendentes do ar e, por isso, indica,
com razoável antecedência, as ocorrências de atividades convectivas fortes e moderadas. O
topo de grandes Cumulonimbus (Cb) caracteriza-se pela formação de nuvens Cirrus, que são
arrastadas por forte circulação divergente em altitude a grandes distâncias. Esses Cirrus em
forma de garras ajudam a previsão de aproximação de frente fria (figura 4.3).
83
MOC 01
Exercícios resolvidos 4.3
4.3.1) Cite alguma situação da evolução do tempo, devido a tendência da temperatura do ar.
Você reparou?
4.3.4) O que precisa ser observado pelo navegante para haver um bom entendimento da
evolução do tempo?
OCORRÊNCIA/TENDÊNCIA EVOLUÇÃO/PREVISÃO
Resfriamento do ar Aumento da UR
Aquecimento do ar Declínio da UR
Queda da temperatura do ar Elevação da pressão do ar
Elevação da temperatura do ar Declínio da pressão do ar
Circulação convergente do ar (área de Movimento ascendente do ar com
baixa pressão) formação de nuvens
Movimento ascendente do ar, com Formação de nebulosidade ao atingir a
resfriamento ao subir TPO
Formação de nuvens desenvolvidas Liberação de energia para fortes ventos e
tipo Cb tempestade
Ar muito úmido (UR alta) Formação de nuvens desenvolvidas tipo
Cb (Mau tempo)
84
OCORRÊNCIA/TENDÊNCIA EVOLUÇÃO/PREVISÃO
Ar com pouca umidade (UR baixa) Nuvens finas (Bom Tempo) com vento
fraco
Aproximação de Baixa (B) (Centro de Ventos fortes e nebulosidade com ar
Baixa Pressão – (B) ascendente. (Mau tempo)
Aproximação de Alta (A) (Centro de Ventos fracos, sem nebulosidade com ar
Alta Pressão – (A) descendente (Bom tempo)
Movimento do ar sobre superfície Resfriamento do ar e subida da UR
mais fria (poderá atingir a TPO e ocorrer névoa
úmida)
Movimento do ar sobre superfície Aquecimento do ar e queda da UR,
mais quente visibilidade boa
Chegada de massa fria (frente fria) Subida do ar local com formação de
nuvens Cb e ventos fortes (Mau tempo),
pancadas de chuva e trovoadas
Percebemos que as nuvens mais baixas (stratus) são menos frias, então tem coloração
na imagem, de um cinza menos claro.
Quanto mais alta a nuvem, mais clara é a cor do cinza da imagem. Então as nuvens mais
altas têm na imagem uma coloração mais branca. Observa-se então na imagem que a região
que não tem nebulosidade aparece na imagem com coloração escura, indicando área de céu
limpo, ou seja, sem nuvens.
85
MOC 01
As áreas com ocorrência de nuvens cumulonimbus, aparecem na imagem com coloração
branca intensa. Essas áreas indicam regiões com intensa atividade convectiva, logo são áreas
de MAU tempo, como na ocorrência de frente frias, tempestades e furacões.
Ver orientação sobre utilização dos sites da DHN e do CPTEC mais adiante, no tópico
Internet (5.1.4).
A coloração das imagens IR contempla áreas escuras, cinza escuro, cinza claro, branco
esmaecido, branco forte e branco muito intenso. Essas colorações estão associadas a
espessura das nuvens e a temperatura das nuvens, sendo mais frio, mais branco e menos frio,
menos branco até o escuro na temperatura da superfície em área sem nuvens. As nuvens mais
espessas são mais brancas
As regiões mais brancas de uma imagem indicam presença de Cb, com mau tempo associado.
Em áreas de bom tempo não há nuvens ou as nuvens são muito finais. Se não houver nuvens
as regiões apresentam coloração muito escura.
As nuvens stratus são de um cinza escuro e as nuvens cirrus de um branco claro com
contornos característicos de cristais de elo (esfiapados).
Considerações Finais
Você está concluindo a unidade mais interessante deste módulo. Realmente interpretar,
com desenvoltura, cartas e boletins meteorológicos e imagens de satélite, possibilitará que
você tenha boas condições de entender a evolução do estado do tempo e do estado do mar.
Você sabe que uma boa previsão de tempo e do mar, ameniza os danos na carga e na
embarcação. Saber evitar as ondas severas é de fundamental importância para os bons
navegantes.
86
Teste de Auto-Avaliação da Unidade 4
4.1.1) Cite o tipo de informação meteorológica (boletins e cartas) fornecido pela Diretoria de
Hidrografia e Navegação, Serviço Meteorológico Marinho, para atender determinada
atividade marítima, mediante solicitação do navegante interessado.
____________________________________________________________________________
4.1.2) Qual é o nome dado ao boletim que fornece informações meteorológicas sobre a área
de um porto? De que forma ele é transmitido?
____________________________________________________________________________
4.1.3) Qual será a área marítima do meteoromarinha, por cuja previsão meteorológica você
terá interesse, caso esteja navegando nas proximidades do porto de Vitória, no Espírito
Santo?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
4.2.3) O que poderá ocorrer, quando a temperatura da superfície do mar for bem mais baixa
que a do ar?
____________________________________________________________________________
87
MOC 01
4.2.4) O que poderá ocorrer, quando a temperatura da superfície do mar for bem mais elevada
que a do ar?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
4.2.5) O que pode indicar a observação de súbitas rajadas de vento e uma rápida e intensa
instabilidade acompanhada de trovoadas e forte precipitação?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
4.3.2) A que intervalos de tempo deve ser feita a observação e registro dos elementos
meteorológicos?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
4.3.5) No avanço de uma frente fria, no Hemisfério Sul, qual é o comportamento do vento?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
4.4.1) Que elemento da atmosfera é detectado pelo sensor do satélite meteorológico, canal
infravermelho (IR)?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
88
4.4.4) Como podemos diferenciar os tipos de nuvens indicadas nas imagens de satélite?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
4.4.5) Qual a coloração de uma nuvem cumulonimbus (Cb) em uma imagem IR?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
4.3.4) Quando uma frente fria se aproxima, a pressão cai até a chegada da frente, passando a
subir, após sua passagem.
4.3.5) No avanço de uma frente fria, normalmente se observa brusca mudança de direção do
vento de N ou NW para S ou SW.
89
MOC 01
4.4 Imagem de satélite
4.4.3) As nuvens são indicadas nas imagens com coloração branca e as regiões sem
nebulosidade com coloração cinza escuro ou totalmente escuro.
4.4.4) Na imagem de satélite as nuvens mais altas e mais espessas apresentam coloração
branca mais intensa e as nuvens mais baixas e as mais finas apresentam coloração
branca ou cinza claro esmaecida (fraca).
90
UNIDADE 5
MENSAGENS METEOROLÓGICAS
Ninguém sabe melhor que você como está o tempo no mar, no local de sua embarcação.
Você está observando, presenciando e constatando o estado do mar. Mas isso não é
suficiente.
Você deseja e muito, saber as condições no dia seguinte e não nesse mesmo lugar e sim
onde o seu navio vai chegar amanhã.
Para alcançarem o objetivo que todos desejam, ou seja, fazer boa viagem com bons
ventos e mar tranqüilo!
91
MOC 01
Pois bem, nesta subunidade veremos quais são os modos possíveis para se obter o
boletim meteorológico. Certamente, haverá um modo mais adequado para que você possa
obter o boletim a bordo de sua embarcação, dependendo, logicamente, dos equipamentos
disponíveis.
92
Junção Rádio (PPJ)
5 . 1 . 2 B o l e t i m d e C o n d i ç ã o e P r e v i s ã o d o T e m p o (METEOROMARINHA)
Áreas de Previsão – As áreas definidas por letras e limitadas por linhas cheias em cinza
representam as regiões para as quais o Serviço Meteorológico Marinho diariamente divulga
previsões meteorológicas.
93
MOC 01
Olinda Rádio (PPO)
Freqüência: Freqüência:
Freqüência: Freqüência:
Fac-Símile – Neste caso, a resposta é feita por um aparelho próprio denominado fac-
símile, que é capaz de receber a emissão de uma estação especializada na transmissão de
cartas meteorológicas. Para tanto, é necessário que o navegante sintonize o fac-símile de
bordo em um dos Centros de Transmissão abaixo discriminados:
94
Centro de transmissão: Rio de Janeiro, Brasil
Neste site pode-se também consultar outros produtos da DHN, como glossário e cartas
de ondas. Para cartas de ondas, selecione: Previsão Numérica.
95
MOC 01
Altura significativa e direção das ondas.
www.cptec.inpe.br
Selecionar: SATÉLITE
Escolher a região América do Sul ou outra de área menor (maior resolução),que
seja do interesse do navegante.
Comparar sempre a imagem com a carta sinótica do mesmo horário.
Trabalhar sempre com imagem IR (Infravermelho)
Existem outros meios de se obter informações sobre o tempo, porém normalmente tais
informações são voltadas para áreas continentais ou são informações mais genéricas,
podendo, entretanto, ser úteis ao navegante. Vejamos onde obtê-las:
Estações de Rádio e Televisão Locais – Uma das formas bastante simples de se obter
informações meteorológicas é através da transmissão feita por radiodifusão, ou seja, por meio
de rádio ou televisão local. Normalmente, essas informações são fornecidas dentro de uma
programação própria, sendo, portanto, necessário que o navegante conheça a programação da
estação de rádio ou televisão, pois geralmente estão incluídas nos noticiários.
É a indicação da data e horário da imagem, seguindo a ordem ano, mês e horário da imagem:
Ano 2007, mês 10 (outubro), dia 28, 10 horas (HMG) e 15 minutos.
96
5.1.2) Na recepção da carta sinótica e do boletim meteoromarinha, como identificar a data e o
horário?
Usa-se o grupo de 6 algarismos para representar a data e a hora, do seguinte modo: dia,
sempre com dois algarismos; a hora, com dois algarismos; e, os minutos, com dois algarismos.
Por exemplo: 281200Z significa dia 28, às 12 horas (HMG). A letra Z (ZULU) representa horário
HMG, ou seja, fuso ZERO, que é o fuso do meridiano de Greenwich.
É bom ressaltar que as cartas sinóticas e os boletins meteoromarinha são elaborados sempre
para os horários de 0000Z e 1200Z.
É interessante observar que estes horários indicam o instante das observações meteorológicas
efetuadas pela rede de estações e navios (mensagens SHIP). Esses dados são analisados e
então elaborada a carta sinótica e o boletim, que são divulgados pelos meios de comunicação
disponíveis cerca de 2 horas depois desses horários, mantendo como referência a hora da
observação (0000Z ou 1200Z).
Esta parte do nosso estudo tem por finalidade habilitar o navegante a observar
corretamente os elementos meteorológicos e o estado do mar, a registrar os dados obtidos
dentro de métodos padronizados internacionalmente e a organizar as mensagens SHIP.
97
MOC 01
A colaboração do navegante, além e resultar em benefício próprio, também está ligada à
salvaguarda da vida humana no mar, de acordo com a Convenção Internacional para
Salvaguarda da Vida Humana no Mar (SOLAS), E às normas nacionais sobre o tráfego
marítimo segundo a lei de Segurança do Tráfego Aquaviário – LESTA (1997) e sua
regulamentação RLESTA (1998) e a NORMAM-12. Essas normas preceituam o preenchimento
do “Diário de Navegação”, que inclui o registro das observações meteorológicas. Esse registro,
que tem valor jurídico em casos de eventuais acidentes de navegação e inquéritos
administrativos, poderá ser útil na defesa dos navegantes em caso de controvérsias.
As
As observações meteorológicas devem ser feitas com regularidade e nos
horários-padrão, registradas tanto no Diário de Navegação, como no modelo
mensagem SHIP, o qual deve ser transmitido com agilidade..
É importante ressaltar que, para se ter a exata noção do estado do tempo em uma região
oceânica, as observações devem ser efetuadas no mesmo instante e em todas as estações
terrestres e embarcações. Por esta razão é adotada a Hora Média de Greenwich – HMG para
os horários sinóticos. Isto significa que quaisquer que sejam os fusos horários das regiões
navegadas pelas embarcações, as observações meteorológicas serão efetuadas simultaneamente
nesses horários sinóticos em HMG. Na costa do Brasil, como o fuso é + 3, a hora do relógio do
navegante indicará sempre 3 horas menos que a hora HMG (Fuso zero). Por isso, para cumprir
os horários sinóticos em HMG, os navegantes da costa brasileira efetuam suas observações às
2100, 0300, 0900 e 1500 horas do fuso ou hora legal, que correspondem aos horários sinóticos
padronizados em HMG (0000, 0600, 1200, 1800). Certo? Ter especial atenção nos meses em
que estiver em vigor o horário de verão no Brasil.
Visibilidade Horizontal
A visibilidade deve ser medida pelo observador, que levará em consideração dois fatores
importantes: o primeiro refere-se à visibilidade máxima que, como sabemos, é função da
elevação do observador; o segundo refere-se à existência ou não de nevoa úmida (nevoeiro)
que, dependendo da intensidade, pode diminuir a visibilidade máxima. Observe o exemplo a
seguir:
Exemplo:
Solução:
Utilizando a fórmula que calcula a distância ao horizonte, obtemos:
Visibilidade Máxima 2 h
Visibilidade Máxima 2 4
É bom lembrar que quando a nevoa úmida é muito forte, reduzindo a visibilidade a menos
de 1 Km, passamos a chamá-la de nevoeiro.
Muito bem. Você já deve ter percebido que observar os elementos meteorológicos e
registrá-los em Diário de Navegação é tarefa bastante simples e muito importante para a
segurança da navegação.
99
MOC 01
Exercícios resolvidos 5.2
5.2.1) Quais são os horários que o navegante a bordo, deve efetuar as observações
meteorológicas de rotina?
Estes horários conhecidos como horários sinóticos são 0000Z, 0600Z, 1200Z e 1800Z. É
sempre importante ressaltar que além de registrar no diário de navegação, o navegante deve
elaborar a mensagem SHIP e transmiti-la para o Serviço de Meteorologia Marinho, na DHN,
nos horários de 0000 HMG e 1200 HMG
5.2.2) Quais os principais elementos meteorológicos que os navegantes devem observar nos
horários sinóticos?
Inicialmente é bom ressaltar os cuidados que os navegantes devem ter com os instrumentos,
para garantir uma leitura confiável dos seguintes parâmetros: temperaturas do ar e da água do
mar (termômetros), pressão do ar (barômetro), umidade do ar (psicrômetro), direção e
velocidade do vento (anemômetro e cata-cento), nuvens (cobertura do céu em oitavos) e
visibilidade em milhas.
Muito bem, nesta subunidade veremos como é formada a mensagem SHIP e como
confeccioná-la. Preste atenção!!l
A mensagem SHIP pode ser apresentada de três formas distintas: forma completa,
forma abreviada e forma reduzida, isto porque, dependendo dos equipamentos para a
observação meteorológica existentes a bordo, poderá o navegante enviar uma das formas da
mensagem. Entretanto, neste nosso estudo só veremos a forma reduzida, que é comumente
utilizada nas embarcações mercantes.
100
As mensagens SHIP são apresentadas de forma codificada e, segundo normas
estabelecidas pela OMM, é com esses códigos meteorológicos que deve ser preenchido o
Registro Meteorológico FM-13-IX SHIP (modelo DHN-5938), o qual é distribuído
gratuitamente aos navegantes. Observe a figura 5.1, que corresponde ao modelo DHN-5938:
A mensagem SHIP reduzida consiste no preenchimento das linhas indicadas com a seta
na figura 67, ou seja, a primeira e a última linha. Os significados das diversas letras e símbolos
que compõem os grupos deste tipo de mensagem SHIP são os seguintes:
Todos os grupos são compostos por 5 (cinco) dígitos, algarismos ou barras na ausência
de informação. Todos os símbolos constantes da mensagem SHIP são encontrados e
comentadas na publicação da DHN – Manual do observador meteorológico.
grupo DDDDD
Indicativo internacional de chamada do navio (prefixo)
Exemplo: N/M Bravo que tem como indicativo de chamada PPYZX, DDDDD = PPYZX
101
MOC 01
grupo YYGGiw
YY – Indica o dia do mês
GG – Hora média de Greenwich (HMG) da observação, aproximada a hora inteira;
iw – Tipo de observação do vento:
Exemplo: Observação efetuada com anemômetro em nós, às 20:00 horas local (fuso + 3)
do dia 3 de março.
YYGGiw = 03234
grupo 99LaLaLa
99 – Algarismos complementares do grupo.
LaLaLa – Latitude expressa em graus até décimos (lembrete: cada décimo de grau é
igual a 6 minutos).
99LaLaLa = 99236
grupo QcLoLoLo
Qc – Quadrante do globo onde se encontra o navegante:
Qc Latitude Longitude
1 Norte Leste
3 Sul Leste
5 Sul Oeste
7 Norte Oeste
QcLoLoLoLo = 50433
102
grupo irix/VV
ir – Indicador para a inclusão ou omissão de dados de precipitação:
90 – menos de 50 m 95 – 2 km a 4 km
91 – 50 m a 200 m 96 – 4 km a 10 km
92 – 200 m a 500 m 97 – 10 km a 20 km
93 – 500 m a 1 km 98 – 20 km a 50 km
94 – 1 km a 2 km 99 – mais de 50 km
Exemplo: Observação efetuada por navio mercante navegando, com visibilidade de 5 Km,
com ocorrência de fenômenos significativos de tempo presente e tempo
passado, observado em estação manual) ir ix/vv = 41/96.
103
MOC 01
grupo Nddff
N – Cobertura total de nuvens expressa em oitavos do céu:
dd – Direção verdadeira de onde sopra o vento real em dezenas de graus (00 a 36):
Exemplo: O céu encontra-se com 5 oitavos de cobertura total de nuvens, a direção real do
vento é de 150o e a intensidade de 18 nós. Nddff = 51518
104
grupo 00fff
Esse grupo somente será transmitido e registrado se a intensidade do vento for igual ou
superior a 99 na unidade indicada em iw.
00 – Indicador da posição do grupo.
fff – Intensidade do vento na unidade em iw.
grupo 1SnTTT
1 – Indicador de posição do grupo.
Sn – Indicador do sinal da temperatura do ar.
grupo 4PPPPs
4 – Indicador da posição do grupo.
PPPP – Pressão atmosférica reduzida ao nível do mar, em unidade de décimos de
hectopascal (hPa). A pressão do ar é apresentada em unidades de hPa inteiras
na mensagem SHIP reduzida. Alem disso, a pressão é registrada em centenas
de unidades de hPa, não se registra o milhar de hPa. No espaço reservado ao
décimo, coloca-se uma barra /, para completar o grupo com 5 (cinco) dígitos.
105
MOC 01
grupo 7wwW1W2
Este grupo somente será incluído na mensagem se forem observados fenômenos
significativos de tempo presente e/ou passado.
Exemplo: Observado na ocasião pancadas de chuvas com trovoadas e nas horas precedentes
céu mais da metade coberto e trovoadas. 7www1w2 = 78092.
106
grupo 222DsVs
0- Parado
1- NE
2- E
3- SE
4- S
5- SW
6- W
7- NW
8- N
9- desconhecido
0- Parado
1- 1 a 5 nós
2- 6 a 10 nós
3- 11 a 15 nós
4- 16 a 20 nós
5- 21 a 25 nós
6- 26 a 30 nós
7- 31 a 35 nós
8- 36 a 40 nós
9- mais de 40 nós
222DsVs= 22212
5.3.2) Em que publicação os navegantes podem obter orientações para preenchimento dos
107
MOC 01
modelos de elaboração da mensagem SHIP?
O navegante deve se orientar pelo modelo de mensagem SHIP – DHN – 5938 ilustrado nesta
unidade. Para padronização e codificação das observações, os navegantes podem consultar o
Livro de Meteorologia e Oceanografia (LOBO – 2007) indicado nas referências bibliográficas, e
o Manual do Observador Meteorológico (DHN) também indicado.
Inicialmente é bom ressaltar que basta preencher a primeira e última linhas do modelo DHN-
5938 para atender a forma reduzida.
5.3.4) Como os navegantes podem elaborar a mensagem SHIP Reduzida na forma codificada?
Considerações Finais
Você deve estar bem satisfeito ao encerrar esta unidade de elaboração de mensagem
meteorológica SHIP.
Você conscientemente sabe agora que pode estar inserido no círculo de pessoas que
contribuem para o bem e sucesso da navegação de inúmeras embarcações.
5.1.1) Qual é o aparelho adequado para receber o boletim de previsão de tempo para áreas
portuárias?
____________________________________________________________________________
5.1.2) Cite uma estação rádio da Embratel que transmite boletim de previsão de tempo para
áreas portuárias da região norte.
____________________________________________________________________________
5.1.3) Qual é o boletim meteorológico mais adequado para quem está no longo curso ou na
108
cabotagem?
____________________________________________________________________________
5.3.1) Quais são as formas em que a mensagem SHIP pode ser apresentada? E qual a forma
usada na marinha mercante?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
5.3.2) Segundo que normas as mensagens SHIP devem ser apresentadas de forma
codificada?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
5.3.4) O que significa, quando no grupo Nddff, a colocação do algarismo 8 no campo referente
a N?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
109
MOC 01
5.3.5) Quando é usado o grupo 00fff?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
5.2.1) As mensagens SHIP são registros de forma padronizada das observações dos
elementos meteorológicos feitas pelo navegante, as quais devem ser transmitidas às
estações rádio costeiras.
5.2.2) Fornecer informações sobre o tempo ao Serviço Meteorológico Marinho da DHN, a fim
de que esse órgão possa compor os boletins meteorológicos e dissiminá-los para todos
os navegantes.
5.2.3) Horas sinóticas principais – 0000, 0600, 1200 e 1800 (HMG).
5.2.4) Em oito partes, ou seja, em oitavos de céu encoberto.
5.2.5) Mensagem SHIP e Diário de Navegação.
5.3.1) Forma completa, forma abreviada e forma reduzida. A marinha mercante utiliza a forma
reduzida.
5.3.2) Segundo normas estabelecidas pela Organização Mundial de Meteorologia – OMM.
5.3.3) Ao indicativo internacional de chamada do navio (prefixo).
5.3.4) Céu totalmente coberto.
5.3.5) Esse grupo somente será registrado e transmitido se a intensidade do vento for igual ou
superior a 99 na unidade indicada em iw.
110
UNIDADE 6
ONDAS
Sempre é a altura das ondas que nos impressionam e mesmo nos assustam. Como
navegante, você precisa conhecer as ondas com outro enfoque.
Você perceberá que as direções e os comprimentos de ondas terão interesse maior para
o navegante, de que a própria altura a da onda.
Veja só, como este estudo será interessante e apresentará novidades, visto que o
cidadão comum, aprecia por horas seguidas, nas praias, apenas a beleza das espumas, dos
borrifos e das arrebentações das ondas.
Nesta unidade, você verá os elementos e as características geradoras de uma onda que,
como sabemos, é um movimento vertical e ondulatório do nível do mar produzido pelo contato
e incidência do vento.
111
MOC 01
pequena ondulação na sua superfície, o que, conseqüentemente, faz aumentar a superfície de
contato e incidência do vento (força de atrito).
A energia cinética dos ventos, proporcional a sua intensidade, é absorvida pela superfície
do mar como energia potencial, resultando na ondulação do mar. Essa energia potencial se
propaga até a linha de arrebentação. Ressalta-se que a propagação de energia, não implica
em deslocamento de massa d’água. Quando ocorre arrebentação, então, essa energia
potencial se transforma em energia cinética, resultando em movimento de massa d’água após
a arrebentação.
Após a arrebentação essa energia cinética é transformada em energia térmica por atrito
da costa ou da areia da praia. Por esta razão as águas das praias são mais quentes que as
águas do mar atrás da arrebentação. Os banhistas percebem essa diferença, quando
mergulham e furam as ondas.
Dessa forma, a onda crescerá até atingir uma situação de equilíbrio. A partir da situação
de equilíbrio, as ondas não aumentam mais suas alturas e o excesso de energia é consumido
em arrebentação de algumas ondas. Temos, então, uma situação conhecida como mar
encarneirado, devido à espuma branca das arrebentações das cristas das ondas.
112
É a distância horizontal entre duas cristas ou dois
Comprimento
cavados consecutivos. Símbolo L.
ELEMENTO DEFINIÇÃO
114
6.1.2) Comente sobre interação atmosfera-oceano. Ressalte as energias envolvidas.
A interação do vento com a superfície do mar, resulta na transferência da energia cinética dos
ventos para a superfície do mar sobre a forma de ondas, que armazenam esta energia, como
energia potencial. Esta energia é conservativa, o que permite que as ondas se propaguem por
centenas de milhas pelo oceano, chegando a costas distantes. Por isso as vagas continuam e
se propagam como marulhos.
É bom ressaltar que para haver uma boa transferência de energia do vento para o mar, há
necessidade de condições propícias. Estas condições requerem espaço e tempo. Nesse
espaço e tempo o vento precisa manter a mesma direção. Por isso chamando esse espaço de
pista. Logicamente precisa haver um vento forte para desenvolver bem as ondas.
Você verá nesta subunidade, a classificação das ondas quanto ao tipo de movimento, de
altura, de comprimento, de declividade e da profundidade do local e, conseqüentemente, o mar
que produzem.
Convém esclarecer que ondas são todos os tipos de ondulações observadas no mar,
entretanto é muito importante diferenciar Vagas de Marulhos (SWELL).
6.2.1 Vagas
Denominam-se vagas as ondas que estão sendo geradas pelo vento, enquanto
existir vento e enquanto estiver se desenvolvendo e crescendo com a presença
de vento. Mas sabemos de dois aspectos importantes: primeiro: que a energia
das ondas é conservativa, então elas podem se propagar por grandes distancias;
segundo: que o vento para de atuar sobre as vagas a partir de determinado
momento, porque enfraqueceu e parou ou simplesmente porque mudou de
direção, não mais afetando as vagas em questão.
6.2.2 Marulhos
115
MOC 01
O navegante não deve estranhar encontrar mar severo com bom tempo. É ocorrência de
marulhos. Já o navegante quando encontrar vento muito forte pode observar vagas
desenvolvidas, borrifos e mar encarneirado. O mar para desenvolver vagas precisas de 3 (três)
elementos: vento forte, espaço e tempo para gerar vagas, ou seja, condições propícias para
formar área geradora de ondas. Essas áreas podem ser observadas pelos navegantes na
interpretação das cartas sinóticas de pressão do nível do mar.
A profundidade das águas tem influência na propagação das ondas e, dessa forma,
podemos classificá-las como:
116
6.2.5 Altura da Onda
É bastante comum, também, classificar a onda pela sua altura, conforme se segue:
Assim como pela altura, é possível também classificar a onda pelo seu comprimento,
como veremos a seguir:
Curta – Onda com comprimento menor que 100 metros – (L < 100 m)
Regular – Onda com comprimento entre 100 e 200 metros – (100 m < L < 200 m)
Larga – Onda com comprimento maior que 200 metros – (L > 200 m)
Muito bem, devido à importância do estado do mar para o navegante, criou-se uma
escala em função da intensidade e velocidade do vento, a fim de melhor representar tais
variações. A escala de estados do mar é conhecida como escala Beaufort, em homenagem
a seu criador. A seguir, na próxima folha, está uma escala Beaufort completa, verifique-a com
atenção.
117
MOC 01
Tabela 6.1 – Escala de estados do mar – Escala Beaufort
118
Exercícios resolvidos 6.2
Inicialmente podemos comentar que vagas e marulhos têm uma semelhança, ambos são
ondas. A diferença é que enquanto tem vento e a onda está sendo influenciada e desenvolvida
na área geradora de onda, ela é denominada VAGA. Depois que a vaga deixa de ser afetada
pelo vento, ela continua a se propagar, sem modificar suas características, passando então a
ser denominada de marulho (SWELL).
6.2.2) O navegante observa dias com mar calmo ou pouco agitado e outros dias com mar muito
agitado ou severo. O que é necessário para formar ONDAS?
Para formar onda é necessário além de vento forte, espaço e tempo, ou seja, pista e
persistência do vento na mesma direção. É bom lembrar que onda é o resultado da
transferência de energia do vento para o mar.
6.2.4) Para o navegante se dirigindo para a região costeira, que comprimento de onda é mais
preocupante?
6.2.5) Porque o navegante observa alguns dias sem arrebentação na costa e outros com
arrebentação forte na mesma área costeira?
A onda que se dirige para a costa sofre influência do fundo e afeta a sua declividade
(D = altura/comprimento). A interferência do fundo do mar faz com que a altura da onda
aumente e o comprimento da onda diminua. Então a declividade aumenta. Só há arrebentação
se a declividade da onda atingir o valor crítico de D>1/7.
119
MOC 01
Considerações Finais
Agora, quando você olhar para o mar e apreciar a sua beleza, com certeza pensará,
espontaneamente, nos aspectos técnicos envolvidos na altura das cristas e cavados e na
direção dos borrifos. E poderá concluir que providências normais os navegantes precisam
tomar, para assegurar uma navegação mais eficiente.
120
6.2.4) Quais são as classificações de comprimento para uma onda?
____________________________________________________________________________
6.2.5) Qual é a relação entre a altura e o comprimento de uma onda considerada com
declividade pequena?
____________________________________________________________________________
6.1.3) Período de uma onda é o tempo que leva para passar por um mesmo ponto duas
cristas consecutivas ou dois cavados consecutivos. Símbolo T.
6.1.5) O indicador é a declividade. Declividade = H/L, caso H/L > 1/7, haverá arrebentação.
6.2.1) São aquelas que têm força de propagação e crescem para uma determinada direção.
Seus efeitos são notados até longe do local de origem e, normalmente, os ventos
geradores são fortes e com direção constante.
6.2.2) Quando está em locais a profundidade é menor que a metade do comprimento da onda,
ou seja, é uma onda que tende à arrebentação.
121
MOC 01
122
UNIDADE 7
INTRODUÇÃO À OCEANOGRAFIA
Quando observamos a imensidão dos oceanos, nos vem a lembrança dos grandes
navegadores, portugueses e espanhóis, principalmente. Eles nos despertam grande
admiração, por sua capacidade e habilidade de grandes marinheiros.
Quantos desses bravos, o oceano acolheu de modo trágico, por falta total de mapas e
cartas náuticas, nunca antes hidrografadas.
Você verá nesse estudo que hoje dispomos de detalhadas informações costeiras e
oceânicas de correntes, marés e principalmente áreas cartográficas com modernos recursos de
hidrografia aliados a fundamental consciência ambiental.
Vamos ao nosso estudo conhecer melhor nossos mares, golfos, baías, enseadas e rios
navegáveis.
7.1.1 Os Oceanos
Se você observar a próxima figura (7.1) com atenção, verá que os continentes estão
cercados por uma única e imensa massa de água líquida. Entretanto, ao longo da história, o
navegante deu nomes diferentes às águas oceânicas que ia descobrindo. E foi assim que se
definiu a existência de vários oceanos.
No entanto, existe ainda o oceano Glacial Ártico, ao redor do Pólo Norte. Mais
recentemente, alguns oceanógrafos começaram a denominar as águas que banham o
continente Antártico como oceano Glacial Antártico. Observe a figura 7.1.
7.1.2 Os Mares
124
a) Mares Aberto – Localizados ao longo das costas litorâneas, esses mares comunicam-
se diretamente com o oceano. Exemplo 1 – o mar da China, entre o sudeste da Ásia e o
arquipélago das Filipinas; Exemplo 2 – o mar do Norte, entre as ilhas Britânicas e o norte da
Europa continental.
Durante muito tempo, pensou-se que o relevo submarino, ou seja, o fundo dos mares e
oceanos fosse totalmente plano, foi somente neste século, depois de muitas pesquisas, que se
descobriu que existe um relevo submarino muito acidentado, quase semelhante ao dos
continentes.
125
MOC 01
Figura 7.2 - RELEVO SUBMARINO
O enorme volume d’água dos oceanos, contempla principalmente a região pelágica, mas
é na região das plataformas continentais que temos mais interesse. Os oceanos são mais
belos na costa ou no litoral, nas atividades diárias de fluxo e refluxo das marés.
7.1.1) A Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar, que entrou em vigor na década
de 90, estabeleceu uma série de conceitos de interesse dos navegantes.
A convenção definiu mar territorial até 12 milhas da costa. Definiu Zona ECONÔMICA
Exclusiva (ZEE) de 12 a 200 milhas, totalizando 200 milhas. Nesta faixa o país costeiro tem
soberania na coluna d’água, no solo e no subsolo.
Esta faixa de 200 milhas ao longo de todo o litoral do Brasil acrescenta uma região de 3,5
milhões de km2, na qual o Brasil tem soberania. Esta região contempla toda a atividade
brasileira na pesquisa e exploração de petróleo (OFFSHORE).
7.1.3) Comente a relação entre a plataforma continental e a Zona Econômica Exclusiva (ZEE)?
126
No Brasil ela é estreita nas regiões costeiras, Nordeste e Leste e bastante larga nas regiões
Norte, Sudeste e Sul. Já a ZEE tem o aspecto jurídico, é estabelecida pela convenção das
nações unidas sobre direito do mar e tem respaldo internacional.
7.2.1 Ondas
As ondas vagas são provocadas por ventos locais. E quanto mais forte for a velocidade
dos ventos, maior será a movimentação que eles provocam nas águas.
7.2.2 Marés
127
MOC 01
Se você observar o mar em várias horas do dia, verificará que o nível das águas ora está
mais alto, ora está mais baixo. Se a observação for contínua, você constatará que o nível das
águas aumenta continuamente durante aproximadamente seis horas, atingindo um máximo e,
em seguida, diminui continuamente durante o mesmo período, atingindo um mínimo. O
navegante observa esse ciclo, por meio das correntes de marés de enchente e de vazante.
Muito bem, isso acontece devido à atração exercida pela Lua e pelo Sol em relação à
massa de água líquida da Terra. Assim, por onde esses astros passam em seus movimentos
aparentes, o nível das águas aumenta (figura 7.4). Sendo as marés de sizígia, mais fortes, nas
fases da lua cheia e lua nova.
O conhecimento sobre maré é de suma importância para todo e qualquer navegante, isto
porque esse fenômeno tem grande influência na navegação, não só no que se refere à
profundidade, devido ao movimento vertical do nível do mar, como também na movimentação
horizontal das águas, decorrente do movimento anterior, conhecido como correntes de marés
(enchente e vazante). Essas correntes variam de intensidade de um ponto para outro, devido
as diferentes amplitudes das marés.
Pois bem, como você sabe, os pingüins vivem na Antártica e acabam sendo trazidos às
costas brasileiras por uma corrente marítima.
As correntes marítimas são verdadeiros rios de água salgada dentro dos próprios
oceanos. Elas são decorrentes de fatores como temperatura da água, salinidade e até mesmo
do movimento de rotação da Terra. Observe a figura 7.5, que corresponde às principais
correntes oceânicas de densidade (quentes e frias):
128
Figura 7.5 - CORRENTES OCEÂNICAS
7.2.1) Comente sobre o movimento das águas no oceano devido a ocorrência de ondas.
O movimento ondulatório do mar, devido as vagas e aos marulhos, envolve energia potencial e
propagação de energia, então não há deslocamento de massa d’ água. Quando vemos uma
crista de onda se aproximando ou se afastando de uma embarcação e da praia, temos a
sensação de deslocamento. Mas o que ocorre é a propagação da onda (energia).
7.2.2) Quais os outros movimentos das águas nos oceanos, que afetam a navegação?
129
MOC 01
7.3 HIDROLOGIA BÁSICA
Nesta subunidade você verá a importância da água na superfície da Terra e como ela se
apresenta.
Pois bem, enquanto as terras emersas, ou seja, os continentes e ilhas não chegam a
constituir 30% da superfície do planeta, as águas cobrem mais de 70% delas, estando,
portanto, a maior parte da Terra coberta pelas águas.
A maior parte da água líquida aparece na superfície da Terra sob as seguintes formas:
São grandes massas de água salgada que separam os continentes. Ocupam quase três
Oceanos
quartas partes da superfície do planeta.
São porções de água também salgada, porém constituindo parte de um oceano, ou seja, os
Mares mares fazem normalmente parte de um oceano, podendo situar-se em grandes depressões
dos continentes.
São cursos de água não-salgadas que nascem em lugares elevados, correm sobre o
Rios continente e, normalmente, deságuam em um mar ou oceano.
130
7.3.2 A Água Gasosa
As três formas mais significavas da água em estado sólido são as geleiras, os icebergs e
as banquisas. Observe:
São grandes massas de gelo que se acumulam em regiões continentais onde haja baixas
Geleiras temperaturas e caia muita neve..
São grandes pedaços de gelo que partem e se desprendem das geleiras, passando a flutuar
à deriva pelo oceano. Os icebergs constituem um grande perigo à navegação,
Icebergs
principalmente porque apenas uma parte deles, fica emersa, ou seja, fora da água. Veja a
figura 7.7.
São grandes porções de oceanos e mares que, devido às baixas temperaturas (abaixo de 0o
C), congelam. As banquisas, portanto, se apresentam como uma espécie de tapete de gelo
Banquisas sobre o mar e oceano e, em muitos casos, sua espessura é tal que impede a navegação, só
sendo possível navegar após a passagem de navios quebra-gelos (figura 7.8)..
131
MOC 01
Figura 7.8 - BANQUISA
O congelamento da superfície do mar (banquisas) requer uma série de providências do
navegante. Requerendo em situação críticas, trabalhar com auxilio de navios quebra-
gelo.
A água que está em estado líquido não permanece sempre nesse estado, o mesmo
acontecendo com a água em estado gasoso ou sólido. Assim, a água das geleiras, quando se
derretem, formam ou alimentam rios e lagos.
A água dos rios, lagos, oceanos e mares evapora-se. O vapor da água forma as nuvens
e, depois, cai em forma de neve ou de chuva. A neve alimenta as geleiras, a chuva alimenta os
rios, mares e oceanos. Essa passagem da água pelos três estados constitui o ciclo da água
(figura 7.9).
A água da chuva que se infiltra no solo, ao encontrar rochas impermeáveis, forma lençóis
subterrâneos, verdadeiros rios debaixo da terra. A água dos lençóis subterrâneos pode brotar
nas encostas ou nos barrancos, formando as fontes. As fontes, por sua vez, podem dar origem
a lagos ou rios.
Entretanto, a maior parte da água das chuvas vai alimentar os rios que, por sua vez,
deságuam nos mares e oceanos. Enfim, toda essa água — a dos rios, lagos, oceanos e mares
— evapora-se e, assim, recomeça o ciclo da água.
132
7.3.5 Hidrografia: Rios, Lagos e Lagoas
7.3.6 Rios
Os rios são correntes de água doce que se formam a partir de precipitações (chuva ou
neve) ou e fontes, que são conhecidas como “olhos-d’água”. Vejamos, agora, a definição de
alguns termos utilizados na hidrografia:
Como o próprio nome indica, é o local onde nasce o rio. Normalmente, esse local fica em
Nascente um ponto elevado do terreno, a fim de facilitar o caminho das águas, sendo também
denominado cabeceira;
Local onde desemboca ou deságua o rio. Normalmente, o rio deságua no oceano, mar ou
lago. Entretanto, o rio também poderá desaguar em outro rio que, nesse caso, é sua foz. O
Foz
rio que desemboca em outro rio é denominado afluente deste;
É o caminho que um rio percorre da nascente ou cabeceira até a sua desembocadura ou foz
e o terreno, pelo qual as águas correm, é denominado leito. A parte do curso que fica
próxima da nascente é o curso superior, perto da foz fica o curso inferior e, entre o curso
Curso
superior e o curso inferior, forma-se o curso médio;
São as terras que se localizam de um e de outro lado do rio, limitando-o em sua largura.
Tomando como referência o sentido das águas de um rio e ficando de costas para a sua
Margens cabeceira, o navegante terá à sua direita a margem direita e à sua esquerda a margem
esquerda (figura 7.10).
133
MOC 01
7.3.7 Os Regimes Fluviais dos Rios
O regime fluvial é a variação do nível das águas de um rio ao longo de seu curso e
durante os períodos de um ano. Portanto, essa variação depende do clima da área percorrida
pelo rio e seus afluentes. O regime fluvial está diretamente relacionado ao período chuvoso e à
época seca da região, ou seja, o regime fluvial é influenciado pela sazonalidade, isto é,
variabilidade associada às estações do ano (inverno, primavera, verão e outono) do respectivo
hemisfério.
a) Pluvial – Ocorre quando o regime fluvial do rio depende das águas de chuva, ou seja,
o rio é alimentado essencialmente pelas águas das chuvas. Portanto, as cheias – período em
que os rios aumentam consideravelmente o volume de suas águas – coincidem com a estação
de chuvas.
b) Nival – Ocorre quando o regime fluvial do rio depende das águas resultantes do
derretimento da neve e das geleiras, que ficam próximas de sua nascente. Portanto, as cheias,
nesse caso, ocorrem quando for verão na cabeceira.
Nas outras regiões do país de clima predominantemente tropical, os rios são irregulares,
ou seja, o volume de água desses rios varia muito: aumenta consideravelmente na estação
chuvosa (geralmente no verão) e diminui bastante na estação mais seca, trazendo perigos à
navegação.
Conforme as formas de relevo predominantes no curso dos rios, eles podem ser de:
134
a) Planície – São aqueles que atravessam áreas mais rebaixadas e planas, favorecendo
a navegação, pois não apresentam obstáculos. O Amazonas e o Paraguai são típicos rios de
planície.
Se, por um lado, as cachoeiras impedem a navegação, por outro são exatamente os
lugares onde a força das águas é maior, o que permite a construção de usinas hidroelétricas.
Porém, a tecnologia moderna criou considerações para tornar navegável os rios de planalto,
bastando, para isso, construir eclusas nas barragens.
Quando as águas de um rio encontram algum obstáculo para continuar seu curso e, ao
mesmo tempo, deparam-se com depressões de relevo, elas se acumulam, dando origem a um
lago (figura 7.12).
135
MOC 01
Qualquer obstáculo que leve um rio a interromper seu curso acaba
formando um lago. Até mesmo os obstáculos provocados pelas obras de
engenharia do homem, como as barragens das usinas hidroelétricas.
Uma bacia hidrográfica consiste em uma área banhada por um rio principal e sua rede de
afluentes. Os rios brasileiros distribuem-se pelas seguintes bacias hidrográficas:
Bacia Amazônica
Bacias do São Francisco
Bacia Platina
Bacia do Nordeste
Bacia do Leste
Bacia do Sul-Sudeste
136
Figura 7.14 - BACIAS HIDROGRÁFICAS
O aproveitamento da bacia hidrográfica é um fator fundamental para o desenvolvimento
da respectiva região e da integração do território nacional.
Para terminar esta subunidade, vamos ver um último conceito muito importante:
Quando um ou mais rios, lagos ou lagoas passam a servir de via de transporte ou via de
acesso as pessoas ou mercadorias, permitindo fluir uma navegação segura, denominamos de
HIDROVIA. (Figura 7.15)
137
MOC 01
Exercício resolvido 7.3
7.3.1) A água em seu ciclo natural, apresenta mudanças de estado, que são observadas de
que maneira?
Líquida como as águas dos oceanos, marés, etc.; gasosa como o vapor d’água do ar
atmosférico e sólida como o gelo dos icebergs, geleiras, etc.
Considerações Finais
Na natureza o mar também disputa com o litoral seu espaço em enseadas, baías e
golfos, criando regiões de águas abrigadas de ondas e do mar severo.
Você como navegante deverá observar em loco essas regiões ao demandar o canal de
acesso do porto de seu interesse.
Muito bem! Vamos continuar nossos estudos de oceanografia, nas unidades seguintes de
marés e correntes marítimas.
7.1.1) Quais são os principais elementos que diferenciam os oceanos dos mares?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
7.1.5) Como é designado um extenso pedaço de mar ou oceano em uma grande abertura no
continente?
____________________________________________________________________________
7.2.3) Como é denominada a variação vertical periódica do nível das águas dos mares e
oceanos?
____________________________________________________________________________
7.1.3) Mares interiores são aqueles que se localizam no interior dos continentes e comunicam-
se com o oceano por meio de passagens chamadas estreitos.
7.1.5) Golfo.
7.2.1) O marulho é decorrente de fortes ventos ou mau tempo que ocorrem ou estão
ocorrendo em um local distante do local de sua atuação, ou seja, o marulho é um
reflexo provocado por ventos fortes e longínquos.
7.2.4) A principal causa é a variação da atração exercida pela Lua e pelo Sol em relação à
massa de água líquida da Terra.
7.3.2) Oceanos são grandes massas de água salgada que separam os continentes. Ocupam
quase três quartas partes da superfície do planeta.
7.3.3) Banquisas são grandes porções de oceanos e mares que, devido às baixas
o
temperaturas (abaixo de 0 C), congelam.
7.3.4) Não, a água cumpre um ciclo natural que compreende os três estados (líquido, sólido
e gasoso).
7.3.5) O ciclo das águas consiste na passagem da água pelos três estados, de acordo com
a temperatura e pressão ambiente (gelo, água e vapor de água).
7.3.6) Rios são correntes de água doce que se formam a partir de precipitações (chuva ou
neve) ou de fontes.
7.3.7) Curso de um rio é o caminho que um rio percorre da nascente ou cabeceira até a sua
desembocadura ou foz.
7.3.8) Regime fluvial é a variação do nível das águas de um rio ao longo de seu curso e
durante os períodos de um ano.
7.3.10) Consiste em um ou mais rios, lagos ou lagoas que passam a servir de via de
transporte de pessoas e/ou mercadorias, permitindo fluir uma navegação segura.
141
MOC 01
142
UNIDADE 8
MARÉS
Quando refletimos sobre as distintas belezas do imenso litoral brasileiro, nos vem a
lembrança dos navegadores que singram as águas costeiras e inevitavelmente a presença
corajosa dos pescadores na sua árdua labuta diária. E na escola da vida ninguém mais do que
eles, para perceber as múltiplas nuances das marés em seu ciclo de 28 dias acompanhando as
fases da Lua, com variação das alturas e das correntes de marés, no vai e vem das enchentes
e vazantes.
Os fatores causadores do fenômeno das marés são, resumidamente, duas leis da física:
2. A força Centrífuga, que consiste em – “Um corpo em uma trajetória circular recebe
143
MOC 01
uma força (centrífuga) no sentido do centro para fora, proporcional à velocidade
imprimida”.
Muito bem, as oscilações das marés devem-se, portanto, à atração (lei da gravitação
universal) da Lua durante o seu movimento ao redor da Terra, em menor medida à atração (lei
da gravitação universal) do Sol e também à força centrífuga do sistema Lua-Terra (figura 8.1).
Nas regiões da superfície da Terra eqüidistantes das regiões mais próximas da Lua e das
mais afastadas da Lua, ou seja, nos meridianos intermediários entre o meridiano superior e o
meridiano inferior, a força de atração e a força centrífuga mantêm equilíbrio, o que torna o nível
do mar baixo.
144
Figura 8.2 - MOVIMENTO DA LUA – TERRA – SOL
Os astros em permanentes movimentos de rotação e translação, mas sempre mantendo
o equilíbrio do sistema, definem o comportamento das marés.
Na situação a), como a Terra faz a rotação completa em 24 horas, então em 12 horas
metade dos meridianos ou regiões da Terra passam pelo nível mais alto das águas, porque
atingem a posição mais próxima da Lua, posição de maior força de atração. No entanto, na
outra metade da Terra, as regiões passam também pelo nível mais alto, porque atingem a
posição mais afastada da Lua, posição de maior força centrífuga.
Podemos concluir, então, que a cada 12 horas as partes da Terra ou todos os meridianos
alcançam o nível mais alto das águas. Raciocínio idêntico é valido para o nível mais baixo das
águas a cada 12 horas.
Constatamos, portanto, que durante 24 horas consecutivas, uma determinada região tem
duas marés altas (PREAMAR – PM), ou seja, nível mais alto das águas, e duas marés baixas
(BAIXA-MAR - BM), isto é, nível mais baixo das águas.
Isso significa que, a cada 6 horas, teremos uma maré alta e uma maré baixa
consecutivamente, ou seja, teremos uma maré alta e, 6 horas depois, teremos uma maré baixa;
em seguida, novamente uma maré alta e, 6 horas depois, outra maré baixa; e assim por diante,
alternando-se maré baixa e maré alta de 6 em 6 horas, sendo, por isso, chamada de maré
semidiurna. Em 24 horas, temos a ocorrência de duas marés altas e duas marés baixa.
Entretanto, existem regiões em determinada época do ano onde isso não acontece, mas esse
assunto será tratado mais adiante.
Outra constatação importante que teremos é que o nível do mar, nas marés altas ou nas
marés baixas, varia ao longo do ciclo lunar, ou seja, em função das fases da Lua.
No ciclo lunar, de duração de 28 dias, a Lua realiza seu movimento e translação ao redor
da Terra. Se consideramos os sistema Sol-Terra-Lua e a posição relativa dos três astros,
veremos que o Sol ilumina tanto a Terra quanto a Lua de forma semelhante, ou seja, a face
voltada para o Sol é toda iluminada. Acontece que, para um observador que se encontra na
Terra, a parte iluminada da Lua varia ao longo do ciclo lunar, devido a posição relativa da Lua
variar. Essa variação do posicionamento da Lua em relação à Terra é que chamamos de fases
da lua. Observe a figura 8.3:
145
MOC 01
Figura 8.3 - MARÉS DE SIZÍGIA E QUADRATURA
As fases da Lua resultam em maré de sizígia na Lua cheia e Lua nova e em maré de
quadratura na Lua quarto crescente e Lua quarto minguante.
Temos 4 fases: lua nova, quarto crescente, lua cheia e quarto minguante;
observamos que, na fase lua nova, temos Sol-Terra-Lua em conjunção e, na fase
lua cheia, temos Sol-Terra-Lua em oposição e, em ambas as fases, constatamos
um alinhamento Sol-Terra-Lua, ou seja, a força gravitacional da Lua e do Sol
sobre a Terra somam-se, significando que a atração da Lua e atração do Sol
contribuem para a elevação do nível do mar, por ocasião da maré alta. Nessas
ocasiões, temos uma maré alta com nível mais elevado, sendo esse tipo de maré
denominado Maré de Água Viva ou Maré de Sizígia.
É muito importante ressaltar que, nas marés de sizígias, temos marés altas mais
acentuadas, ou seja, mais altas, e as marés baixas também mais acentuadas, ou
seja, nas baixas de sizígias o mar atinge o nível mais baixo. Já nas marés de
quadratura, temos as marés altas menos altas e as marés baixas menos baixas.
Esses aspectos são de muita importância para os navegantes que trafegam em
águas costeiras e também para as embarcações que demandam canais de
acesso aos portos. Principalmente se o navegante estiver interessado no efeito
das correntes de marés de enchente e vazante. Essas correntes de marés são
mais significante nos dias de marés de sizígia, e menos atuantes nos dias de
marés de quadratura.
146
Exercícios resolvidos 8.1
8.1.1) Cite os três principais parâmetros, entre os vários componentes que resultam no
movimento das marés.
Podemos citar a força de atração da LUA, a força de atração do Sol e a força centrífuga da
TERRA.
8.1.2) Cite as principais causas da variação das alturas e horários da maré em um mesmo
porto, ao longo dos dias, dos meses e dos anos.
Observamos que a posição relativa da LUA-SOL-TERRA varia em função das fases da LUA,
em seu movimento de translação em torno da TERRA, no período de 28 dias.
Nas fases de LUA nova e LUA cheia, observamos um alinhamento dos 3 astros, somando na
mesma direção os esforços que resultam a maré mais forte que é denominada maré de sizígia
ou maré viva.
Nas fases de LUA quarto crescente e LUA quarto minguante, observamos que os 3 astros
formam um ângulo de 90º como num quadrado, os esforços não se somam na mesma direção,
resultando uma maré mais fraca, que é denominada maré de quadratura ou maré morta.
A LUA em seu movimento contínuo de translação se desloca 1/28, a cada dia, ou seja, o
mesmo meridiano da TERRA passa pela LUA no dia seguinte, após 24 horas mais cerca de 50
minutos (1/28 de deslocamento da LUA).
Na subunidade passada, vimos o que causa o fenômeno das marés e como isso
acontece. Certo? Pois bem, nesta subunidade, veremos os elementos que compõem a maré e
quais são as conseqüências que ela provoca. Atenção à unidade.
Como você já sabe, a maré é um movimento vertical do nível das águas. certo? Muito
bem, no período em que o nível das águas está subindo, chamamos de Maré de Enchente ou
Fluxo e, quando o nível das águas está descendo ou diminuindo, chamamos esta ação de
Maré de Vazante ou Refluxo. Veja a figura 8.4.
147
MOC 01
Figura 8.4 - FLUXO E REFLUXO DAS MARÉS
O efeito muito bem organizado das marés desencadeia movimento dos oceanos
(correntes de maré), que é percebido no litoral como correntes de enchente (fluxo) e
correntes de vazante (refluxo).
Observe uma coisa: quando a maré de enchente chega ao seu maior nível,
denominamos de maré alta ou maré cheia, mas o termo mais correto e usado na Marinha
Mercante é Preamar. Quando a maré de vazante chega ao seu nível mais baixo, chamamos
de maré baixa ou vazia, entretanto o termo mais correto para designar esse momento é Baixa-
mar. (Figura 8.5).
O nível de redução é o nível escolhido como referência das sondagens das cartas
náuticas, ou seja, é o plano de referência com o qual todas as profundidades cartográficas
estão relacionadas.
O nível médio é o nível do mar que fica a meio caminho entre o nível da preamar e o
nível da baixa-mar, ou seja, é a metade da amplitude da maré. O navegante pode observar
que metade da amplitude da maré fica acima do Nível Médio do Mar (NM) no instante da PM e
metade da amplitude fica abaixo do NM no instante da BM. Pode-se afirmar que NM coincidiria
com o nível normal do mar, numa região sem efeito significativo da maré. Observe com
atenção a figura 8.6, que apresenta todos esses novos conceitos:
149
MOC 01
8.2.8 Corrente de Marés
Para ser possível o navegante usar as cartas náuticas de um porto ao longo dos dias de um
ano, em qualquer horário, é fundamental reduzir as profundidades registradas do efeito das
marés. Por isso o nome nível de redução.
É o valor obtido pela diferença entre as alturas da preamar e baixa-mar daquele dia. A
amplitude da maré é diferente da sizígia para a quadratura em um mesmo porto
O principal elemento a ser definido, é onde fica, no mar, o zero da régua de marés, a ser
instalada para as medidas das alturas das marés, nesse porto.
Sabe-se que as cartas náuticas indicam as profundidades do fundo do mar até o NR. Então a
partir daí mede-se as alturas das marés. O zero da régua de marés coincide com o NR,
calculado para o referido porto.
Na quadratura as PM são menos altas e as BM são menos baixas. Então a amplitude é menor.
O nível médio do mar é o mesmo sempre. Visto que a altura do NM é constante, tanto na
sizígia como na quadratura.
150
8.3 TÁBUAS DAS MARÉS
Nesta subunidade, veremos como utilizar a publicação “Tábuas das Marés”, para obter a
hora e a altura da maré, na preamar e na baixa-mar, o que possibilita calcular a amplitude da
maré nesse dia, no local, em questão. O navegante necessita dessas informações para
verificar qual é a profundidade real de um determinado local, em um determinado instante.
Verificando, também, qual é a intensidade e o sentido da corrente de maré indicada na carta de
correntes de maré do referido porto.
As “Tábuas das Marés”, portanto, fornece ao navegante, dia-a-dia, para todos os dias do
ano, as horas das preamares e baixa-mares e respectivas alturas sobre o nível de redução
(NR), ao qual correspondem também às sondagens que estão registradas na carta náutica.
Nome do porto;
Coordenadas geográficas do porto;
Fuso a que se referem as horas indicadas;
instantes das preamares e baixa-mares com as respectivas alturas sobre o Nível de
Redução;
Altura do Nível Médio sobre o Nível de Redução; e
Fases da Lua.
Caso você esteja embarcado, pegue a Tábuas das Marés e verifique como cada um
desses itens está disposto; caso você esteja desembarcado, solicite ao seu Orientador de
Aprendizagem o empréstimo de uma Tábua para fazer essa verificação.
Observe a figura 8.7, que assinala os itens citados: (Veja também o Anexo 2)
Olhando a tábua do dia 04/01 de 2007 do terminal da ALUMAR (Anexo 2), podemos
afirmar que, a partir de 01:51 hora, a maré estará subindo; a partir das 08:00 horas a maré
começará a vazar; a partir das 13:56 horas a maré começará a encher e, a partir das 20:15
horas, a maré estará vazando. Correto?
Achada a altura da maré, basta somá-la com a profundidade registrada na carta (nível
de redução), e se tem a profundidade naquele instante para aquele local.
PROFUNDIDADE PROFUNDIDADE
ALTURA DA
REAL NAQUELE NA CARTA
INSTANTE
= NÁUTICA
+ MARÉ NAQUELE
INSTANTE
Para obter a altura da maré no instante desejado (x), o navegante tem de resolver uma
regra de três, ou seja, hora da preamar menos a hora da baixa-mar (minutos) e a respectiva
amplitude (cm). A hora desejada menos a hora da baixa-mar (minutos) e a altura da maré no
instante x, menos a altura da baixa-mar (cm).
152
Faça o que se pede. Exercite seu aprendizado.
A fim de melhor assimilar este assunto, vamos fazer alguns exercícios muito comuns no
dia-a-dia do navegante. Para tanto, consulte o Anexo 2, que corresponde à Tábua de Marés
dos quatro primeiros meses do ano de 2007 do terminal da ALUMAR.
Solução:
Consultando a tábua, coluna de janeiro, dia 5, verifica-se que, às 08:30 horas, a altura da maré
é de 5,8 metros (preamar). Logo, podemos, com uma simples adição, determinar a
profundidade naquele local às 08:30 horas.
Solução: Utilizando a tábua, e entrando na coluna de fevereiro com o dia e a hora, obtemos
para as 12:26 horas uma altura de maré de 5,5 metros. Adicionando ao nível de redução
registrado na carta, teremos:.
Profundidade = 3 m + 5,5 m
Profundidade = 8,5 metros
Calcule a altura da maré prevista para as 1100 (h e min.) para aquele dia.
Solução:
153
MOC 01
300 x 6 5 x 6
300 min x metros x = = = 5 metros (5 metros acima da BM)
360 6
Altura da maré às 11h e 00min = 5 metros + altura BM = 5 m + 1 m = 6 metros
8.3.4) Quais são as informações registradas no cabeçalho de todas as folhas das tábuas das
marés?
8.3.6) Porque nos portos das regiões sudeste e sul do Brasil observam-se, alguns dias a
ocorrência de mais de duas PM e duas BM?
R- Nas regiões norte, nordeste e leste do Brasil, identificam-se marés semidiurnas, com duas
PM e duas BM.
Enquanto a partir de Cabo Frio, marés de desigualdades diurnas são observadas e registradas
nas tábuas das marés. Nessas regiões os navegantes devem ter especial atenção ao interpolar
à altura da maré para o instante de seu interesse.
8.3.7) Cite uma das utilidades do registro da altura do NM, no cabeçalho das páginas das
tábuas das marés.
Considerações Finais
Você, com toda certeza, já observou o efeito das marés em suas diversas idas à praia.
Lógico que nas praias você tem belas paisagens para apreciar, com alegria e admiração,
mas a largura da faixa de areia disponível para tantos banhistas, é sempre evidenciada
espontaneamente.
Você percebeu nesse seu estudo de marés que para o navegante, ressaltam alguns
fatores preocupantes, tais como as correntes de enchente e vazante e as oscilações da
profundidade nas preamares e baixa-mares. Você agora deve está pensando consigo mesmo:
“mas agora eu sei me proteger dos efeitos das marés”. Certo. Temos certeza que sim!
154
Teste de Auto-Avaliação da Unidade 8
155
MOC 01
8.3.2) De que forma é obtida a amplitude da maré, para um determinado instante?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
8.3.4) Estando o navegante no terminal da Alumar (em anexo), às 08:20 horas do dia 5 de
março de 2007, em um local onde a carta indicava uma sondagem de 3,2 metros, qual
foi a profundidade real naquele instante ?
____________________________________________________________________________
8.3.5) O mestre de um rebocador que demandava o terminal da Alumar (em anexo), às 13:10
horas do dia 26 de março de 2007, e que estava com um calado a ré de 4,5 metros,
verificou que passaria em um local onde constava na carta náutica uma sondagem de 3
metros. É possível a navegação sem o risco de encalhe? Justifique.
____________________________________________________________________________
8.1.1) Consiste na atração dos astros, na razão direta de sua massa e na razão inversa do
quadrado das distâncias.
8.1.2) A Lua.
8.1.3) Duas marés altas e duas marés baixas, alternadamente.
8.1.4) Na fases nova e cheia, porque ficam alinhadas ao Sol.
8.1.5) São marés com menor elevação no nível do mar e ocorrem nas Luas quarto minguante
e quarto crescente.
156
8.3 Tábuas das marés
8.3.1) Fornece para os portos nacionais e alguns estrangeiros, dia-a-dia, para todos os dias
do ano, as horas das preamares e baixa-mares e respectivas alturas sobre o nível de
redução, ao qual correspondem as sondagens que estão registradas nas cartas
náuticas.
157
MOC 01
158
UNIDADE 9
Você deve estar se perguntando, como uma única pessoa conseguiu conduzir uma
embarcação, provida apenas de remos, por um imenso oceano, e chegar ao seu intento 100
dias depois.
Nesta subunidade, você estudará as correntes oceânicas, que também são chamadas de
correntes marítimas. Do ponto de vista da navegação e da pesca, as correntes marítimas são
muito importantes, sendo, portanto, necessário conhecê-las para que possa utilizá-las em seu
favor.
159
MOC 01
O principal fator responsável pela existência dessa correntes é a diferença da densidade
das águas. Essa diferença de densidade é provocada pela diferença de temperatura, ou seja,
as temperaturas extremamente baixas nas regiões polares afetam consideravelmente a
densidade da água do mar nas altas latitudes, sendo este fato muito importante para
desencadear o processo de correntes frias e profundas e, conseqüentemente, provocar o
deslocamento da água superficial e quente na direção das altas latitudes para suprir o espaço
liberado pelo deslocamento das correntes frias e profundas na direção das baixas latitudes e
Equador. Observe a figura 9.1.
160
9.1.3 Correntes Marítimas na Costa do Brasil
O navegante, na costa do Brasil para melhor planejar a sua navegação, deve saber a
direção correta e a velocidade das correntes no oceano Atlântico Sul e na costa do Brasil, as
quais variam a intensidade conforme os períodos do ano. Para tanto, é necessário consultar a
publicação Cartas Piloto, que é fornecida pela Diretoria de Hidrografia e Navegação – DHN.
9.1.1) Comente a circulação oceânica das correntes quentes e frias de ambos os hemisférios.
Isto significa que as massas d’águas mais quentes e menos densa tem densidade diferente
das massas d’água mais frias e mais densas.
A circulação das correntes busca o equilíbrio térmico do planeta TERRA. Então as correntes
quentes circulam na direção das altas latitudes, se afastando da região tropical e as correntes
frias, ao contrário se aproximam da região tropical. Além disso, as correntes como são menos
densas, circula pelas camadas superficiais dos oceanos e as frias pelas camadas profundas
dos oceanos.
Ressalta-se apenas, que essas correntes meridionais sofrem influencias da rotação da TERRA
e do efeito da força de coriolis, desviando suas trajetórias.
161
MOC 01
9.1.2) Comente sobre as correntes oceânicas nas regiões brasileiras.
Nordeste e Leste do Brasil são afetadas pela corrente oceânica quente (corrente do Brasil),
que tem direção para o sul, desviando gradualmente sua trajetória para E (leste). Como é uma
corrente quente e entre superficial, afeta a navegação na região brasileira, afastando da costa
as embarcações.
Na região sul do Brasil observa-se a ocorrência da corrente das Malvinas, corrente fria e
profunda, com pontos de ressurgência (afloramento) na costa brasileira, notadamente na ilha
se Santa Catarina e na área de Cabo Frio e Arraial do Cabo.
Nesta subunidade, você verá que a oscilação periódica e regular das marés resulta em
um deslocamento horizontal de massa d’água, movimento esse caracterizado como correntes
de marés. É interessante ressaltar que as correntes de marés, devido ao volume dos oceanos,
envolvem uma quantidade de energia extraordinária, daí resultando a sua importância. As
correntes de marés, embora ocorram em todo o oceano, podem ser observadas com mais
facilidade na linha da costa.
As correntes produzidas pela maré são de especial interesse aos navegantes em áreas
como baías, enseadas e nas proximidades dos portos, enfim, nas áreas onde apresenta maior
influência.
162
As correntes de maré são fortemente influenciadas pela geografia da região, resultando
em um comportamento diferenciado, na sua direção e velocidade, ao longo de um canal de
acesso ao porto e nos demais pontos de uma baía ou enseada, conforme as características
geográficas da região.
Em suma, são vários os aspectos que influenciam a circulação das águas durante a
ocorrência das marés, tanto nas marés de enchente quanto nas marés de vazante.
A ação dos ventos sobre a superfície do mar, devido ao atrito, produz um pequeno
arrasto superficial, denominado corrente de deriva.
proximidade da costa;
configuração do fundo do mar em forma de canal;
perfil do litoral alinhado em relação à direção do vento; e
regime de ventos com direção, velocidade ou intensidade constantes ou
persistente.
163
MOC 01
esquerda da direção do vento gerador, fato este comumente observado na costa do Brasil,
principalmente leste e nordeste.
Este movimento de ascensão das águas frias e profundas, normalmente ricas em sais
nutrientes, contribui significativamente para a formação de áreas piscosas (áreas ricas em
peixe), além de influenciar no clima e nas condições meteorológicas do tempo da região em
questão.
9.2.1) Comente sobre correntes de marés, de determinado porto, ao longo de 24 horas, num
dia de Lua cheia.
Inicialmente, constata-se que nos dias de lua cheia e lua nova, as marés são de maior
amplitude. Nas marés de sizígia o nível do mar é mais alto na PM e mais baixo no BM.
Portanto, nas 6 horas de enchente, o volume de água que se desloca é maior que em um dia
de quadratura. O mesmo comportamento é notado nas 6 horas de vazante, corrente forte.
Entretanto, as correntes de marés, neste dia, no porto referido, serão proporcionais a amplitude
do porto em questão.
164
9.2.2) Em que situação as correntes de marés podem ser bastante preocupantes para os
navegantes?
A intensidade das correntes tanto na vazante como na enchente, serão mais fortes nos portos
em que a amplitude da maré é significativa. Então, numa situação de maré de sizígia (Lua
cheia e Lua nova), este porto terá uma intensidade de corrente de enchente e de vazante mais
significativa ainda, requerendo atenção e cuidados especiais por parte dos navegantes.
9.2.3) Cite em que direção flui uma corrente induzida pelo vento, numa área marítima qualquer.
A corrente resultante de toda a camada d’ água afetada pelo atrito do vento, se desloca em
uma direção defasada de 90º da direção do vento. Sendo para a esquerda da direção do vento,
no HS e para a direita da direção do vento no HN.
É bom lembrar que a direção do vento considerada, é sempre de onde vem o vento, enquanto
a direção da corrente, é para onde flui a corrente.
Considerações Finais
Você percebe com facilidade que correntezas em rios, nas praias em dia de mar severo e
nas baías em marés de vazante em dia de sizígia.
Mas existem outras correntes ditas oceânicas, difíceis de se observar, porque envolvem
enormes massas d’águas.
Você teve oportunidade de conhecer suas características nas quentes e nas frias e a
tendência das suas trajetórias. Então, você está preparado para navegar nessas regiões,
considerando seus efeitos sobre sua embarcação.
9.1.5) Em que publicação podemos verificar a intensidade e direção das correntes marítimas?
____________________________________________________________________________
9.2.2) Se não levarmos em consideração o perfil da costa ou o regime de ventos, qual será o
sentido da corrente de maré na enchente?
____________________________________________________________________________
166
9.2 Correntes costeiras
167
MOC 01
168
UNIDADE10
CARTAS AUXILIARES
Em visita a um centro cultural, deparamos muitas vezes com mapas e cartas com
registros ambientais de longa data, com valor histórico e referencial de grande interesse até os
dias atuais.
O mais interessante, é que esses mapas mostram claramente, um hábito adquirido por
todos nós, que é representar preciosas informações sob a forma gráfica.
Este costume permanece vivo nos dias atuais e é muito aplicado pelos navegantes, como
detalhamos no nosso estudo a seguir.
Nesta subunidade, você verá as publicações que auxiliam o navegante com relação a
parâmetros meteorológicos e oceanográficos; na verdade são cartas que apresentam, de forma
gráfica, uma variedade de informações, com a finalidade de na fase de planejamento, facilitar
as providências, procedimentos, precauções e decisões dos navegantes na escolha das
melhores derrotas e condução adequada de sua embarcação .
As Cartas Piloto apresentam-se em um atlas, contendo 12 cartas, sendo uma carta para
cada mês do ano.
O Atlas de Cartas Piloto - Oceano Atlântico de Trindade ao Rio da Prata, publicado pela
Diretoria de Hidrografia e Navegação – DHN e disponível a todos os navegantes, abrange o
169
MOC 01
trecho do Oceano Atlântico Sul compreendido do litoral do Brasil até o meridiano de 20o W e do
paralelo de 10o N ao paralelo de 35o S, cobrindo toda a costa brasileira, de norte a sul.
As cartas piloto são representações gráficas. Os elementos são indicados por setas e
linhas. Podem ser coloridas, inteiras, tracejadas ou pontilhadas. Para acompanhar este item, é
interessante que você tenha à sua frente uma Carta Piloto.
Atenção aos elementos fornecidos pela Carta Piloto. Veja a figura 10.1:
170
1 ) Vento – As rosas-dos-ventos de cor azul indicam, em percentagens, as freqüências de ocorrências das
direções de onde sopram os ventos, por octante, ou seja, direção N, NE, E, SE, S, SW, W e NW. O
número de traços ou penas na extremidade das setas indica a intensidade do vento, indicada pela força
do vento na escala BEAUFORT. A percentagem de ocorrência de ventos em determinada, direção,
quando não indicada diretamente, pode ser determinada, comparando-se o comprimento da seta, medida
a partir da circunferência, com a Escala Percentual de Ventos, existente na carta, próxima ao trecho de
instruções. No centro das circunferências estão indicadas as percentagens de ocorrências de calmaria.
2 ) TSM – Temperatura da Superfície do Mar – As isotermas em linhas cheias encarnadas indicam, em graus
Celsius, a temperatura da água da superfície do mar.
4 ) Correntes Marítimas – As setas, em verde, indicam as direções predominantes, para onde fluem as
correntes e os números, as velocidades médias das correntes da água do mar na superfície.
6 ) Linhas Isogônicas – A Declinação Magnética para o ano em vigor (1993) está representada em roxo por
linhas cheias, e as variações anuais em linhas tracejadas.
7 ) Visibilidade no porto – Os números em Azul indicam o percentual de visibilidade inferior a 2,5 milhas
náuticas, observada na área do porto em questão.
9 ) Vento forte no porto – Os números em encarnado indicam o percentual de ventos fortes observados na
região do porto.
10 ) Pressão – A pressão média do ar ao nível do mar está representada em azul por linhas cheias (figura
10.2).
171
MOC 01
11 ) Temperatura do ar no porto – Os números em vermelho indicam a temperatura média do ar no porto
em questão.
12 ) Vento no porto – A rosa-dos-ventos, em azul, indica os percentuais dos ventos predominantes na área
do porto.
No verso de cada carta piloto, estão registradas informações para os principais portos
brasileiros e ilhas oceânicas (figura 10.2). O Atlas de Cartas Piloto é composto de 12 cartas,
cada uma para um mês. É bastante interessante o navegante adquirir o hábito de consultar a
carta piloto do mês em curso e fazer a comparação com as dos meses anteriores e com as dos
meses posteriores, para deste modo ressaltar quais são os parâmetros meteorológicos e
oceanográficos que apresentam mudança significativa na região de interesse. Como exemplo,
recomendamos que o navegante pesquise nas Cartas Piloto como o elemento visibilidade varia
de mês para mês, ao longo do ano, no seu porto de trabalho, por causa da sazonalidade, ou
seja, por efeito das estações do ano: verão, outono, inverno e primavera.
As informações são apresentadas em 12 cartas, uma para cada mês, o que permite a análise
sazonal, ou seja, o exame em todas as estações do ano (Verão, outono, inverno e primavera),
para destacar mudanças significativas na mesma região.
10.1.2) O navegante ao selecionar a carta piloto do mês de seu interesse, deseja obter
informações do vento. Cite como o elemento vento pode ser interpretado, em uma carta piloto.
10.1.3) Qual a característica utilizada nas cartas piloto, para selecionar ou classificar o
elemento apresentado?
Sim.Tem publicação brasileira, editada pela DHN, abrangendo a área de 10º N a 35º S e do
litoral do Brasil ao meridiano de 020º W. Além de publicações internacionais que cobrem o
oceano Atlântico Sul, como a carta piloto americana NVPU 105.
172
10.2 CARTAS DE CORRENTES DE MARÉS
Como exemplo, podemos apresentar o caso do navegante que desejou demandar o por to
do Rio de Janeiro (Baía de Guanabara), às 09:10 horas do dia 14 de maio de 1997.
Consultando as tábuas das marés, observa-se que a preamar no Rio de Janeiro ness e dia
foi às 07:17 horas. Então, a hora desejada pelo navegante é 2 horas depois da prea mar,
ou seja, 9 horas é 2 horas depois de 7 horas. Logo, a carta de corrente de maré
selecionada será das 2 horas depois da preamar. As Cartas de Correntes de Maré
registram a direção pelo sentido da seta desenhada e a velocidade, pelo algaris mo que
indica nós e décimos de nó (figura 10.3).
174
Exercícios resolvidos 10.2
As informações são apresentadas em 13 cartas. Seis cartas para cada hora antes da preamar,
uma carta para o instante da preamar e seis cartas para cada hora depois da preamar.
10.2.2) Como o navegante seleciona a carta de correntes de marés de seu interesse, para
atender a sua navegação?
O navegante determina nas tábuas das marés, o horário da preamar e compara com o horário
de seu interesse e então, utilizando essa diferença, que pode ser antes ou depois da preamar,
o navegante seleciona a carta de corrente de seu interesse.
Considerações Finais
Você ganhou muito conhecimento ao longo deste módulo. Você precisava adquirir mais
habilidade nas consultas às publicações de parâmetros ambientais, o que foi exercitado nessa
última unidade de estudo.
10.1 Cartas-piloto
175
MOC 01
10.1.5) O que há no verso da carta-piloto?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
10.2.5) Qual é o órgão que confecciona e publica as cartas de correntes de marés e o atlas
de cartas piloto da Metarea V?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
10.1 Cartas-piloto
10.1.5) No verso de cada carta-piloto estão registradas informações para os principais portos
brasileiros e ilhas oceânicas.
10.2.2) As cartas de Correntes de Maré compõem-se de 13 folhas. Seis para cada hora que
antecede a preamar, uma para o instante da preamar, e seis para cada hora depois
da preamar.
176
10.2.3) A seleção da carta a ser utilizada é feita tendo-se em vista a diferença entre o instante
da preamar, indicada nas tábuas das marés do porto em questão, e o momento em
que o navegante está interessado em utiliza a informação da corrente de maré.
10.2.4) As Cartas de Correntes de Maré registram a direção pelo sentido da seta desenhada
e a velocidade, pelo algarismo que indica nós e décimos de nó.
177
MOC 01
178
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
179
MOC 01
180
ANEXO 1 – MENSAGEM SHIP
181
MOC 01
182
ANEXO 2 – TÁBUAS DAS MARÉS
183
MOC 01