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Meteorologia PDF

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MARINHA DO BRASIL

DIRETORIA DE PORTOS E COSTAS


ENSINO PROFISSIONAL MARÍTIMO

MÓDULO
METEOROLOGIA E OCEANOGRAFIA
– MOC 01–

UNIDADE DE ESTUDO AUTÔNOMO

2a edição
Rio de Janeiro
2010
© 2007 direitos reservados à Diretoria de Portos e Costas

Autor: Professor (MSc) Paulo Roberto Valgas Lobo

Revisão Pedagógica: Pedagoga Maria Elisa Dutra Costa


Diagramação: Maria da Conceição de Sousa Lima Martins
Capa: Edvaldo Ferreira de Sousa Filho
Renato Luiz Alves da Conceição

Coordenação Geral: CMG (MSc) Luciano Filgueiras da Silva

______ exemplares

Diretoria de Portos e Costas


Rua Teófilo Otoni, no 4 – Centro
Rio de Janeiro, RJ
20090-070
http://www.dpc.mar.mil.br
[email protected]

Depósito legal na Biblioteca Nacional conforme Decreto no 1825, de 20 de dezembro de 1907.


IMPRESSO NO BRASIL / PRINTED IN BRAZIL

2
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO .............................................................................................................. 5

METODOLOGIA – Como usar o módulo .......................................................................... 7

UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO À METEOROLOGIA ........................................................... 11


1.1 – Radiação solar ........................................................................................................... 11
1.2 – Elementos meteorológicos ......................................................................................... 16
1.3 – Instrumentos de medida ............................................................................................. 21
1.4 – Padrões meteorológicos ........................................................................................... 25
1.5 – Centros de alta e baixa pressão ............................................................................... 30
1.6 – Circulação dos ventos ............................................................................................... 35
Teste de Auto-Avaliação da Unidade 1 ............................................................................... 40
Chave de Respostas das Tarefas e do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 1 ................. 43

UNIDADE 2 – SISTEMAS SINÓTICOS .............................................................................. 47


2.1 – Processo convectivo ................................................................................................. 47
2.2 – Massas de ar e frentes .............................................................................................. 51
Teste de Auto-Avaliação da Unidade 2 ............................................................................... 57
Chave de Respostas das Tarefas e do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 2 ................. 58

UNIDADE 3 – SISTEMAS TROPICAIS .............................................................................. 61


3.1 – Sistemas tropicais ..................................................................................................... 61
3.2 – Perturbações atmosféricas e nuvens cumulonimbus (Cb) .......................................... 65
Teste de Auto-Avaliação da Unidade 3 ............................................................................... 69
Chave de Respostas das Tarefas e do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 3 ................ 70

UNIDADE 4 – ANÁLISES METEOROLÓGICAS ............................................................... 71


4.1 – Cartas e boletins meteorológicos .............................................................................. 71
4.2 – Tempo presente - diagnóstico .................................................................................... 79
4.3 – Evolução do tempo – prognóstico ............................................................................. 81
4.4 – Imagens de satélites meteorológicos (IR) .................................................................. 85
Teste de Auto-Avaliação da Unidade 4 ............................................................................... 87
Chave de Respostas das Tarefas e do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 4 ................. 89

UNIDADE 5 – MENSAGENS METEOROLÓGICAS .......................................................... 91


5.1 – Recepção de boletins meteorológicos, cartas sinótica e imagens ............................ 91
5.2 – Observação e registro de dados ................................................................................ 97

3
MOC 01
5.3 – Transmissão de mensagens SHIP ............................................................................ 100
Teste de Auto-Avaliação da Unidade 5 ............................................................................... 108
Chave de Respostas das Tarefas e do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 5 ................ 110

UNIDADE 6 – ONDAS ...................................................................................................... 111


6.1 –Elementos das ondas .................................................................................................. 111
6.2 – Classificação das ondas ............................................................................................ 115
Teste de Auto-Avaliação da Unidade 6 ............................................................................... 120
Chave de Respostas das Tarefas e do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 6 ................ 121

UNIDADE 7 – INTRODUÇÃO À OCEANOGRAFIA .......................................................... 123


7.1 – Oceanos e mares ...................................................................................................... 123
7.2 – Os movimentos das águas oceânicas ....................................................................... 127
7.3 – Hidrologia básica ...................................................................................................... 130
Teste de Auto-Avaliação da Unidade 7 ............................................................................... 138
Chave de Respostas das Tarefas e do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 7 ................. 140

UNIDADE 8 – MARÉS .................................................................................................... 143


8.1 – Teoria das marés ....................................................................................................... 143
8.2 – Os elementos das marés ........................................................................................... 147
8.3 – Tábuas das marés .................................................................................................... 151
Teste de Auto-Avaliação da Unidade 8 ............................................................................... 155
Chave de Respostas das Tarefas e do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 8 ................ 156

UNIDADE 9 – CORRENTES OCEÂNICAS E COSTEIRAS ............................................. 159


9.1 – Correntes oceânicas ................................................................................................. 159
9.2 – Correntes costeiras .................................................................................................. 162
Teste de Auto-Avaliação da Unidade 9 ............................................................................... 166
Chave de Respostas das Tarefas e do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 9 ................ 167

UNIDADE 10 – CARTAS AUXILIARES ............................................................................. 169


10.1 – Cartas piloto ............................................................................................................. 169
10.2 – Cartas de correntes de marés ................................................................................ 173
Teste de Auto-Avaliação da Unidade 10 ............................................................................ 175
Chave de Respostas das Tarefas e do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 10 .............. 176

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 179

ANEXOS
Anexo 1 – Mensagem SHIP ................................................................................................ 181
Anexo 2 – Tábuas das marés ............................................................................................ 183

4
APRESENTAÇÃO

Este módulo de Meteorologia e Oceanografia pretende capacitá-lo a interpretar as


informações meteorológicas diárias, recebidas a bordo das embarcações.
Você vai de forma organizada, ao longo das unidades deste módulo, estudar e
compreender as várias etapas dos processos físicos que envolvem os parâmetros
ambientais e afetam o estado do tempo e do mar.
Você vai aproveitar melhor os boletins meteorológicos da manhã e da tarde. Nas
embarcações mais bem equipadas, você terá conhecimentos para entender as cartas
sinóticas e as imagens de satélites, que fornecem preciosas e detalhadas informações
aos navegantes, tanto nas regiões oceânicas, como nas áreas costeiras.
Você terá oportunidade de se habilitar no manuseio de tábuas de marés, cartas
piloto e cartas de correntes marítimas e de marés, tão úteis as manobras das
embarcações em águas costeiras e águas interiores.
Você será alertado sobre procedimentos e recomendações sobre preservação do
meio ambiente marinho.
Este módulo ressalta método para utilização dos instrumentos de medida e de
observação dos parâmetros ambientais.
No final deste módulo você terá condições de entender melhor as informações
recebidas e efetuar as manobras corretas, visando garantir a segurança da navegação,
evitando danos a carga e avarias na embarcação.
É muito importante que você aproveite todas as oportunidades apresentadas no
decorrer deste módulo, para exercitar seus conhecimentos e consolidar seu
aprendizado. Seja persistente e interessado. Você será recompensado e terá a alegria
de interpretar melhor o tempo presente e a previsão do tempo e do estado do mar.
Lembre-se que, a natureza mostra sempre nas horas seguintes, se as nuvens e os
ventos, se as vagas e os marulhos ocorrem de acordo com o esperado por você.

5
MOC 01
6
COMO USAR O MÓDULO

I – Qual o objetivo deste módulo?

Proporcionar ao aluno conhecimentos mínimos meteorologia.

II – Como está organizado o módulo?

O módulo de meteorologia foi estruturado em dez unidades seqüenciais de estudo. Os


conteúdos obedecem a uma seqüência lógica e, ao término de cada unidade, o aluno fará uma
auto-avaliação.

III – Como você deve estudar cada unidade?

 Ler a visão geral da unidade.


 Estudar os conceitos da unidade.
 Responder às questões para reflexão.
 Realizar a auto-avaliação.
 Realizar as tarefas.
 Comparar a chave de respostas do teste de avaliação.

1. Visão geral da unidade


A visão geral do assunto apresenta os objetivos específicos da unidade, mostrando um
panorama do assunto a ser desenvolvido.

2. Conteúdos da unidade
Leia com atenção o conteúdo, procurando entender e fixar os conceitos por meio dos
exercícios propostos. Se você não entender, refaça a leitura e os exercícios. É muito
importante que você entenda e domine os conceitos.
3. Questões para reflexão
São questões que ressaltam a idéia principal do texto, levando-o a refletir sobre os temas
mais importantes deste material.
4. Auto-avaliação
São testes que o ajudarão a se auto-avaliar, evidenciando o seu progresso. Realize-os à
medida que apareçam e, se houver qualquer dúvida, volte ao conteúdo e reestude-o.
5. Tarefa
Dá a oportunidade para você colocar em prática o que já foi ensinado, testando seu
desempenho de aprendizagem.

6. Respostas dos testes de auto-avaliação


Dá a oportunidade de você verificar o seu desempenho, comparando as respostas com o
gabarito que se encontra no fim da apostila.

7
MOC 01
IV – Objetivos das unidades

Unidade 1: INTRODUÇÃO À METEOROLOGIA


Apresenta conceitos físicos da variação e do comportamento dos principais elementos
meteorológicos que influenciam as condições do tempo. Ressalta também as características
dos instrumentos utilizados pelos navegantes para medidas e observações dos principais
parâmetros meteorológicos.

Unidade 2: SISTEMAS SINÓTICOS

Apresenta as características das frentes fria, quente, oclusa e estacionária e ressalta o


comportamento das massas de ar envolvidas nos sistemas sinóticos.

Unidade 3: SISTEMAS TROPICAIS

Apresenta as características das nuvens cumulonimbus (Cb). Ressalta o comportamento


dos ventos alísios, na circulação das regiões tropicais.

U n i d a d e 4 : A N Á L IS E S M E T E O R O L Ó G IC A S

Apresenta as principais interações dos parâmetros meteorológicos envolvidos no


desencadeamento e intensificação do mau tempo.
Exercita a interpretação de boletins meteoromarinha, cartas sinóticas de pressão ao
nível do mar e imagens de satélite.

Unidade 5: MENSAGENS METEOROLÓGICAS

Apresenta métodos e recomendações para efetuar observações meteorológicas a bordo


de navios e exercitar a elaboração de mensagens SHIP.

Unidade 6: ONDAS
Apresenta as características dos principais elementos das ondas, das áreas geradoras
de onda e o comportamento distinto das vagas e marulhos.

Unidade 7: INTRODUÇÃO À OCEANOGRAFIA

Apresenta as principais características dos oceanos nas regiões oceânicas e costeiras e


das águas interiores. Ressalta os procedimentos e recomendações para a preservação do
meio ambiente marinho.

Unidade 8: MARÉS

Apresenta os principais elementos das marés e as características distintas das marés


de sizígia e de quadratura. Exercita a utilização das tábuas das marés.

U n i d a d e 9 : C O R R E N T E S O C E Â N IC A S E C O S T E I R A S

Apresenta as características das correntes oceânicas e costeiras do oceano Atlântico


Sul e ressalta a sua influência na navegação costeira.
8
Unidade 10: CARTAS AUXILIARES

Apresenta as principais características das publicações, atlas de cartas piloto e atlas de


cartas de correntes de marés. Exercita a utilização dessas publicações .

V – Avaliação do módulo

Após estudar todas as Unidades de Estudo Autônomo (UEA) deste módulo, você estará
apto a realizar uma avaliação da aprendizagem.

VI – Símbolos utilizados

Existem alguns símbolos no manual para guiá-lo em seus estudos. Observe o que cada
um quer dizer ou significa.

Este lhe diz que há uma visão geral da unidade e do que ela trata.

Este lhe diz que há, no texto, uma pergunta para você pensar e responder a
respeito do assunto.

Este lhe diz para anotar ou lembrar-se de um ponto importante.

Este lhe diz que há uma tarefa a ser feita por escrito.

Este lhe diz que há um exercício resolvido.

Este lhe diz que há um teste de auto-avaliação para você fazer.

Este lhe diz que esta é a chave das respostas para as tarefas e os testes de
auto-avaliação.

9
MOC 01
10
UNIDADE 1

INTRODUÇÃO À METEOROLOGIA

Nesta unidade, você vai

 Conhecer o comportamento dos principais elementos meteorológicos e


como a interação entre esses parâmetros, influenciam as condições do
estado do tempo.
 Ser alertado sobre os cuidados especiais que se deve ter no manuseio
dos instrumentos disponíveis para as observações meteorológicas a
bordo das embarcações.

Atualmente fala-se muito em meio ambiente. Há comentários e notícias diárias sobre a


natureza. O que está mudando no planeta Terra?

Fala-se em mudanças climáticas. É aí que você pode se perguntar, como?

Tenho certeza que você gostaria e precisa saber, o que é meteorologia e também
oceanografia. Afinal, você vive neste planeta e trabalha no mar. E que você tem preocupações,
como cidadão, com o futuro da natureza. É preciso ter consciência que a natureza busca
equilíbrio naturalmente, espontaneamente. A meteorologia explica isso. Ela espelha fenômenos
de mau tempo e tempestades e mostra também belas situações de bom tempo e mar tranqüilo.

Você sentirá grande satisfação com o estudo de meteorologia!

1.1 RADIAÇÃO SOLAR

Ao iniciarmos este nosso estudo, vamos primeiramente definir o que vem a ser
meteorologia.

Meteorologia é a ciência que estuda a atmosfera e seus fenômenos.

E você deve estar se perguntando:

Que fenômenos são esses que acontecem na atmosfera?

11
MOC 01
Ora, nada mais são do que as modificações que ocorrem com a temperatura do ar, a
pressão atmosférica, a umidade do ar, o vento e outros, os quais são considerados como
elementos meteorológicos.

Esses elementos são dinâmicos, ou seja, eles estão sempre se alterando e, além disso,
estão interligados, o que significa que a variação de um sempre causa alteração de outro. Veja
que entender essas dinâmicas é a função da meteorologia.

Estudaremos ainda nessa unidade o comportamento da circulação do ar nos centros de


baixa (B) e de alta (A) pressão. A circulação geral da atmosfera e as brisas marítima e
terrestre.

O conhecimento da meteorologia na navegação é de fundamental importância porque,


com a correta observação das condições do tempo e sua interpretação, o navegante pode se
preparar para enfrentar as condições atmosféricas mais duras ou tomar decisões sobre a
melhor maneira de fugir delas, ou seja, saber lidar com as informações meteorológicas é para o
navegante uma questão de segurança.

Vamos ver, a seguir, o principal elemento da meteorologia, responsável por toda a


dinâmica atmosférica, que é a Radiação Solar, e saber como ela se comporta.

Incidência da Radiação Solar

A radiação solar é a energia emitida pelo Sol, a qual aquece a Terra, permitindo a
evaporação da água, a formação de nuvens, a chuva, o temporal, etc.; enfim, é o elemento que
vai desencadear toda a dinâmica dos fenômenos meteorológicos.

Como a radiação solar (ondas curtas) não afeta o ar, o aquecimento da Terra
desencadeia por contato, o aquecimento do ar à superfície, o que resulta no movimento do ar.

Essa radiação, no entanto, não atinge a superfície da Terra de maneira uniforme. Ela
varia bastante em função da forma arredondada do planeta, das latitudes do movimento de
Rotação da Terra, o qual é o movimento que a Terra faz em torno de si mesma, dando origem
aos dias e às noites, e também do movimento da Terra em torno do Sol, no movimento de
Translação. Há ainda uma outra variação com relação ao tipo de superfície onde os raios de
Sol incidem. Vamos explicar cada uma dessas variações.

Ângulo de Incidência

O fator mais importante para se entender essas variações do recebimento da radiação


solar é chamado de ângulo de incidência, isto é, a forma como os raios incidem sobre a
superfície da Terra. Esse ângulo varia de acordo com a posição em que a superfície da Terra
está em relação ao Sol.
Para entender melhor esse assunto, faça uma experiência utilizando uma lanterna,
conforme mostra a figura 1.1, onde o foco de luz, incidindo sobre uma área qualquer, pode
representar um fenômeno semelhante ao que acontece com a luz solar (radiação) incidindo na
superfície terrestre.
12
Você pode observar que quanto mais perpendicular for esse foco, maior será a
intensidade de calor (luz) concentrado na área. E, ao contrário, quanto maior for a inclinação
desse foco, menor será a intensidade.

Figura 1.1 - ÂNGULO DE INCIDÊNCIA


A variação do ângulo de incidência acarreta um espalhamento da radiação solar.
Resultando menor energia por unidade de área, logo, menor aquecimento da superfície.

1.1.1 Variação da Latitude

Com essa experiência, podemos concluir que, devido ao próprio formato arredondado da
Terra, a distribuição da radiação solar é desigual com a variação da latitude, conforme mostra a
figura 1.2:

Figura 1.2 - EFEITO DA LATITUDE


O efeito da latitude no ângulo de incidência resulta que nas altas latitudes a superfície
recebe menos energia, menos aquecimento. Então, menor temperatura do ar.

1.1.2 Movimento de Rotação

Com relação ao movimento diário que a Terra realiza em torno de seu próprio eixo, é fácil
perceber que, quando o Sol nasce e se põe, o ângulo de incidência se afasta
perpendicularmente e, nesses horários, o aquecimento da superfície é pequeno, ao contrário
do que acontece na passagem meridiana do Sol (Sol a pino), ocasião em que o aquecimento
da superfície é muito maior (figura 1.3).

13
MOC 01
Figura 1.3 - EFEITO DA ROTAÇÃO DA TERRA
Ao longo das horas do dia varia o ângulo de incidência de radiação. Então, o
comportamento da temperatura do ar, será correspondente ao horário.

1.1.3 Movimento de Translação

Dependendo da posição relativa do Sol em relação a Terra, devido ao movimento de


translação, a energia proveniente da radiação solar é recebida em quantidades diferentes nos
dois Hemisférios (Norte e Sul). O Hemisfério que está voltado para o Sol e recebe mais
diretamente sua radiação vai se aquecer mais, ocasionando o verão enquanto que no outro
Hemisfério será inverno. Assim, confirmamos mais uma vez que é o ângulo de incidência com
que os raios atingem a superfície terrestre que ocasiona esta variação, ou seja, quanto mais
perpendicular à superfície for o ângulo de incidência dos raios solares maior será o
aquecimento da superfície, conforme mostra a figura 1.4:

Figura 1.4 - EFEITO DA TRANSLAÇÃO DA TERRA


Ao longo do ano, acompanhando a sazonalidade (verão, outono, inverno e primavera), o
ângulo de incidência da radiação solar varia. Então, a temperatura do ar será
correspondente a data.

1.1.4 Tipo de Superfície

O outro aspecto responsável pela quantidade de energia absorvida refere-se ao tipo de


superfície que recebe a radiação solar. Observe na figura 1.5 que, de toda a radiação que
chega à superfície da Terra, uma parte é absorvida e outra é refletida de volta para a
atmosfera.

14
Figura 1.5 - EFEITO DO TIPO DE SUPERFÍCIE
O índice de absorção e reflexão da energia solar é função do tipo de cobertura da região.

Pois bem, cada tipo de cobertura de Terra (vegetação, água, neve, areia. etc.) tem um
índice de absorção e de reflexão diferente; por exemplo, a neve absorve 25% e reflete 75% da
energia solar, enquanto que as densas florestas absorvem cerca de 95% dessa energia,
transformando-a em calor.

É importante entender que essa energia que é recebida pela Terra está em constante
transformação, sendo transportada em grandes quantidades sob a forma de calor. Esse
transporte de energia atinge grandes distâncias e contribui significativamente para o equilíbrio
e o balanço térmico do planeta.

Que tal uma parada para testar seus conhecimentos?

Exercícios resolvidos 1.1

Com base no que você estudou sobre “Radiação solar”, responda.

1.1.1) Qual a importância do ângulo de incidência dos raios solares no aquecimento da


superfície do planeta TERRA?

O aquecimento da superfície é conseqüência da quantidade de radiação solar que é absorvida


pela região. Quando o ângulo de incidência dos raios é muito inclinado, ocorre um
espalhamento da energia por uma área muito grande, então a quantidade de energia absorvida
por unidade de área é menor. Por exemplo, na hora do nascer e pôr-do-sol é menor, e maior,
ao meio dia.

1.1.2) Que fatores influenciam o ângulo de incidência dos raios solares no nosso planeta
TERRA?

Com a rotação da TERRA, o ângulo de incidência varia com as horas do dia.

Com a translação da TERRA em torno do SOL, ocasionando as estações do ano (verão,

15
MOC 01
outono, inverno e primavera), o ângulo de incidência varia com os dias do ano.

Com a forma esférica da TERRA, em cada latitude o ângulo de incidência varia, principalmente
nas altas latitudes.

1.1.3) Que outro fator influência o aquecimento da superfície do planeta TERRA?

O aquecimento da superfície é também conseqüência do tipo de cobertura da superfície. Por


exemplo: floresta, areia, água, gelo ou neve.

1.1.4) Como a temperatura do ar responde ao efeito da radiação solar?

Os raios solares que são de ondas curtas atravessam a atmosfera sem afetá-la. O ar em
contato com a superfície é influenciado e busca o equilíbrio de temperatura com a superfície.

1.1.5) Como se pode explicar o processo de aquecimento e resfriamento do ar, nos níveis
próximos à superfície?

O ar em contato com a superfície da TERRA, por condução, tende ao equilíbrio, igualando sua
temperatura a da superfície. A temperatura da superfície é que indica se ocorrerá aquecimento
ou resfriamento do ar, na busca desse equilíbrio. Ocorrerá sempre um resfriamento do ar
quando o vento soprar sobre uma superfície mais fria.

(este conceito físico será importante para o aluno entender, mais adiante, o processo de
formação de nevoeiro)

1.2 E L E M E N T O S M E T E O R O L Ó G I C O S

Você como navegante, neste nosso estudo, deve questionar os seguintes aspectos:

 Por que em determinadas ocasiões o estado do mar, rio ou lago está


calmo e em outras, agitado ou mesmo severo?
 O que faz o tempo bom, sem vento e com céu limpo, passar para outra
situação mais agitada?
 O que sustenta a intensificação dos fenômenos me teorológicos e do ma
meteorológicos mauu
tempo?

Estas questões serão esclarecidas ao longo deste módulo, pelo entendimento das
variações e interação dos elementos meteorológicos a serem vistos nesta subunidade.

1.2.1 Temperatura

Você já sabe que a fonte de calor do planeta Terra e conseqüentemente da atmosfera é o


Sol. Mas o Sol não aquece diretamente a atmosfera. Ao contrário, os raios solares atravessam
a camada do ar que nos envolve, sem aquecê-la, indo esquentar as terras e as águas da
superfície do nosso planeta. Depois de esquentar as terras e as águas irradiam para a
atmosfera o calor recebido.

Assim, quanto maior for a quantidade de radiação solar recebida, maior será a
temperatura do ar (figura 1.6).
16
Temperatura é a quantidade de calor presente no meio analisado.

Figura 1.6 - TERMÔMETRO


Para correta medida da temperatura do ar, o termômetro deve ficar sempre à sombra.

1.2.2 Pressão atmosférica

Você já aprendeu no ensino fundamental que pressão é uma força exercida sobre um
corpo ou objeto. Pois bem, podemos dizer então que:

Pressão atmosférica é a força exercida pelo peso da atmosfera sobre uma


unidade de área.

Veja bem, a pressão em uma superfície é o peso de toda a coluna de ar acima dela;
portanto, podemos facilmente concluir que a altitude interfere na pressão atmosférica. Nas
áreas de elevada altitude, a pressão é menor, porque a coluna de ar nas áreas elevadas é
menor que nas áreas de baixa altitude, certo? Observe a figura 1.7.

Figura 1.7 - PRESSÃO ATMOSFÉRICA


A pressão do ar varia com a altitude, sendo maior ao nível do mar.
A temperatura também influi na pressão atmosférica. Se o ar estiver mais frio, estará

17
MOC 01
mais denso, mais comprimido, mais pesado e a pressão será maior. Se o ar estiver quente,
estará mais expandido, menos denso, menos pesado e a pressão será menor. Isto significa
dizer que, se houver aquecimento do ar ele se expandirá, ficando menos denso, e a pressão
diminuirá. Entretanto, se houver um resfriamento do ar, este se comprimirá, ficando mais denso
e a pressão aumentará.

Assim, áreas mais frias do planeta, a pressão atmosférica é maior. A pressão do ar, como
veremos a seguir, dá origem aos ventos.

1.2.3 O Vento

Como vimos no item anterior, nas áreas de alta pressão, o ar se acha comprimido; logo,
ele vai procurar espaços para onde possa se deslocar, certo? Muito bem, por um outro lado,
nas áreas de baixa pressão há espaço sobrando, pois aí o ar encontra-se expandido. Assim, o
ar que se encontra comprimido em uma área de alta pressão desloca-se para áreas de baixa
pressão a fim de expandir-se. Esse deslocamento horizontal de ar é o que denominamos de
vento (figura 1.8).

Figura 1.8 - DIREÇÃO DO VENTO


Direção do vento sempre é indicada pela direção de onde vem o vento. A direção do
vento é pontual, ou seja, dentro da circulação do ar, a direção observada pelo navegante
depende da posição relativa de embarcação, na circulação do ar.

Vento é o deslocamento de ar.

Portanto, o vento é o ar em movimento, é o ar que se desloca das zonas ou áreas de alta


pressão, chamadas anticiclones, para zonas ou áreas de baixa pressão, chamadas ciclones.
Isto nos permite dizer que os anticiclones são dispersores de vento e os ciclones são
receptores de ventos. Observe novamente a figura 1.8.

Como você já deve saber, o vento é designado pelo sentido de onde vem, trazendo as
características do seu local de origem. Portanto, dependendo do local de onde se originou,
podem ser quentes ou frios, úmidos ou secos, sendo, conseqüentemente, responsáveis pelas
variações de temperatura e de umidade do ar nos locais por onde passa. Mas não se
preocupe, este assunto veremos adiante.

18
1.2.4 A umidade do Ar, nuvens e a chuva

a) Umidade

A ação da radiação solar e a do vento sobre as águas da superfície da Terra provocam o


fenômeno da evaporação, que nada mais é do que a passagem da água do estado líquido para
o estado gasoso (de vapor). Na evaporação, uma quantidade enorme de vapor de água fica em
suspensão na atmosfera, ou seja, água em estado gasoso, chamada de umidade.

A umidade do ar é a quantidade de vapor de água contida na


atmosfera.

b) Nuvem

É necessário que haja resfriamento do ar, até que a umidade relativa tenha atingido o
índice de 100%. Nesse instante diz-se que o ar atingiu a saturação, a temperatura do ponto de
orvalho e o nível de condensação.

A Umidade do ar não é visível, mas as gotículas de água resultantes da condensação e


que formam as nuvens são bem visíveis. A luminosidade do Sol atravessa as nuvens finas
dando a coloração bem branca.

Nas nuvens muito espessas a luz do Sol não atravessa a nuvem. Por isso o céu fica
escuro na ocorrência de nuvens bem espessas, como a nuvem cumulonimbos, característica
de mau tempo.

c) Chuva

Entretanto a ocorrência de precipitação necessita de concentração de gotículas de


nuvem, para as gotas de chuva ficarem pesadas. Observe figura 1.9.

Figura 1.9 - UMIDADE, NUVENS E PRECIPITAÇÃO.


O processo inicia-se com evaporação à superfície do oceano, aumentando a umidade
absoluta do ar. O movimento ascendente do ar resfria o ar, aumenta a umidade relativa
(UR). Ao atingir a temperatura do ponto de orvalho (TPO) o ar se satura (UR = 100%) e
inicia-se a condensação e a formação de nebulosidade. Com o desenvolvimento das
atividades convectivas, as gotículas de nuvem evoluem para gotas de chuva e ocorre a
precipitação.

19
MOC 01
1.2.5 Visibilidade

A visibilidade no mar pode ser afetada por ocorrências de nevoa úmida, que depende da
umidade relativa do ar e principalmente da relação entre a temperatura do mar (TSM) e a
temperatura do ponto de orvalho (TPO), para avaliar se o resfriamento necessário, para o ar
atingir a UR de 100%, será possível. É fundamental que o TPO, calculada, seja de valor maior
que a TSM. Visto que a temperatura (T) do ar irá resfriar até atingir o equilíbrio com a
temperatura da superfície do mar (TSM). É lógico então, que o ar durante o resfriamento antes
de atingir o equilíbrio, passe pela TPO e inicie a névoa úmida.

Entendeu como funcionam os elementos meteorológicos?

Exercícios resolvidos 1.2

Responda.

1.2.1) Cite os principais elementos meteorológicos que influenciam nas condições do estado do
tempo.

- Temperatura do ar, temperatura da superfície do continente, temperatura da água à superfície


do mar, temperatura do ponto de orvalho, temperatura do termômetro úmido do psicrômetro e
gradiente horizontal de temperatura.

- pressão do ar e gradiente horizontal de pressão.

- direção do vento, velocidade do vento, circulação horizontal do ar e movimento vertical do ar.

- umidade relativa do ar, umidade absoluta máxima do ar e umidade absoluta real do ar.

- chuva e trovoadas.

1.2.2) Descreva como a temperatura, a pressão, o vento e a umidade influenciam o estado do


tempo.

Inicialmente pode-se afirmar que não são os valores absolutos observados, o que mais
interessa aos navegantes e sim a variabilidade, ou seja, o comportamento, as tendências
desses elementos meteorológicos.

1.2.3) Cite alguns tipos de comportamentos desses elementos meteorológicos.

A tendência da temperatura pode ser de resfriamento ou aquecimento. A pressão do ar pode


estar em elevação ou declínio. Umidade relativa aumentando ou diminuindo. O vento rondando
do quadrante norte para sul ou constante. O céu tendendo a muito nublado ou a parcialmente
nublado.

1.2.4) Descreva qual o interesse dos navegantes nos comportamentos ou tendências desses
elementos meteorológicos.
20
As condições do estado do tempo depende de todos os elementos e de cada um em especial,
porque eles interagem entre si, afetando o estado do tempo.

1.2.5) Descreva as principais interações desses elementos meteorológicos e suas influências e


resultados nas condições do estado do tempo.

O comportamento da temperatura do ar afeta a tendência da pressão do ar e


conseqüentemente a circulação do ar horizontal e vertical e a intensidade dos ventos.

O comportamento da temperatura do ar afeta a tendência da umidade relativa e


conseqüentemente a possibilidade ou não de formação de nebulosidade, nuvens, névoa úmida
ou nevoeiro.

A interação desses elementos requer muita atenção dos navegantes. É necessário, no mar,
contínuas observações desses elementos. Ressalta-se que as condições do tempo
provenientes de uma situação de resfriamento do ar são bem diferentes de uma situação de
aquecimento do ar.

1.3 INSTRUMENTOS DE MEDIDA

Nesta subunidade, veremos os instrumentos que nos permitem medir os elementos


meteorológicos e, mais do que isso, nos permitem acompanhar a variação desses elementos, o
que possibilita a realização de previsões meteorológicas. Bem, mas este assunto de previsão
meteorológica enfocaremos em outra subunidade; no momento, é importante que você saiba
quais são os instrumentos de medida mais comuns existentes a bordo e como utilizá-los
corretamente.

1.3.1 Instrumentos de Medida da Temperatura

Certamente você já sabe que o instrumento que mede a temperatura (quantidade de calor
sensível) é o termômetro.

Contudo, você sabe de que ele é constituído? E como funciona?

Pois bem, então preste atenção à explicação.

O termômetro é constituído de um tubo fino de vidro, de diâmetro uniforme, o qual


contém uma substância sensível ao calor (normalmente mercúrio ou álcool etílico), ou seja,
uma substância capaz de expandir-se ou retrair-se, dependendo do aumento ou de diminuição
de calor, respectivamente. Além disso, contém uma escala em graus Celsius (oC) e/ou
Fahrenheit (oF). Observe a figura 1.10.

21
MOC 01
Figura 1.10 - Termômetro

O funcionamento do termômetro é bastante simples: sendo sensível à quantidade de


calor (temperatura) dos locais com que está em contato direto, influenciará a substância
sensível (mercúrio ou álcool etílico) a expandir-se ou a contrair-se, indicando, assim, na escala
de oC e/ou oF, a temperatura. Entendeu?

Assim é que, para medir as condições do ar circulante livremente em um local, é


necessário que o termômetro esteja protegido das radiações do sol, caso contrário indicará a
temperatura que não é a real.

Existem, ainda, diversos tipos de termômetros que recebem os mais variados nomes, de
acordo com o fim a que se destinam e, dentre eles, podemos destacar dois tipos utilizados na
meteorologia voltada para a navegação. Veja as figuras 1.11 e 1.12.

Com um formato
especial e protegido
Mede a maior e a
por uma carcaça que o
menor temperatura
envolve na altura do
ocorrida em um
bulbo, é empregado
intervalo de tempo.
para medir a
temperatura da
superfície da água do
mar, rio ou lago.

Figura 1.11 - Termômetro de Máxima e Mínima Figura 1.12 - Termômetro para água

1.3.2 Instrumentos de Medida da Umidade do Ar

Existem alguns tipos de instrumentos que medem a umidade do ar, porém os mais
empregados nas embarcações mercantes são:

a) Higrômetro

É o mais comum dos instrumentos para medir a umidade do


ar. Utiliza a propriedade do cabelo humano, como elemento
sensível, o qual se estica, quando umedecido. Assim sendo, ao
esticar se proporcionalmente à quantidade relativa de vapor de
água no ar, indicará, através de seu mostrador, a umidade relativa
existente (figura 1.13).

Figura 1.13 - Higrômetro

22
b) Psicrômetro

Este instrumento é constituído por dois termômetros de mercúrio, graduados em Celsius


o
( C) e instalados paralelamente. Um deles tem seu bulbo envolto em um pedaço de pano, que
deve ser umedecido, sendo por isso denominado termômetro úmido, enquanto que o outro é
denominado termômetro seco. Além disso, possui uma empunhadura para fazer a ventilação
artificial (figura 1.14).

Figura 1.14 - Psicrômetro

O funcionamento do psicrômetro é o seguinte:

 Molha-se o pano que envolve o termômetro úmido.


 Segura-se a empunhadura e gira-se o conjunto de termômetros (úmido e seco), que
está fixo na armação metálica, durante um certo tempo ( 2 a 3 minutos).
 Ao acioná-lo (girar), produz-se a evaporação da água que se encontra no pano que
envolve o termômetro úmido, que registra esse abaixamento de temperatura, que é
proporcional à quantidade relativa de vapor de água no ar. Logo, podemos concluir
que a diferença de temperatura entre os termômetros será tanto maior quanto mais
seco estiver o ar, assim como quando o ar estiver saturado (100% de umidade), não
haverá mais evaporação. (figuras 1.15 e 1.16)

G R AN D E d i f e r e n ç a e n t r e a s t e m p e r a t u r a s  P O U C A u m i d a d e

Figura 1.15

P E Q U E N A d i f e r e n ç a e n t r e a s t e m p e r a t u r a s  AL T A u m i d a d e

Figura 1.16

23
MOC 01
Muito bem, com a diferença das temperaturas obtida nos termômetros úmido e seco,
pode-se, através de cálculos e tabelas, obter a umidade relativa do ar e ainda a temperatura do
ponto de orvalho (TPO).

1.3.3 Instrumento de Medida da Pressão

A pressão atmosférica é medida a bordo por meio de um instrumento denominado


barômetro.

Atualmente a unidade de medida da pressão atmosférica é o hectoPascal (hPa). A


maioria dos barômetros existentes apresenta seus mostradores graduados em milibares (mb),
que era a unidade mais comum de medida da pressão atmosférica. A unidade hPa é igual a
unidade mb, então toda leitura de mostrador em mb, pode ser escrito em hPa. No entanto,
alguns instrumentos apresentam, também, graduação de milímetro de mercúrio (mm Hg).

Existem dois tipos de barômetros: o


barômetro de mercúrio e o barômetro
aneróide, sendo que este último é o mais
utilizado a bordo. Veja a figura 1.17.

Figura 1.17 – Barômetro aneróide

ATENÇÃO!

O barômetro aneróide utilizado a bordo está sujeito a erros instrumentais, que são
determinados pela aferição do instrumento ou pela comparação com um
barômetro de mercúrio, que é mais preciso. Esta operação fornece a correção
instrumental a ser aplicada a todas as leituras feitas. Entendeu?

1.3.4 Instr umento de Medida do Vento

O instrumento que mede a intensidade do vento é o


anemômetro, enquanto que o instrumento que indica a
direção de onde sopra o vento é denominado anemoscópio,
conhecido popularmente como cata vento ou biruta (figura
1.18).

Figura 1.18 - Anemômetro

24
A unidade utilizada para medir a intensidade (velocidade) do vento é o nó (uma milha por
hora), ou então em metro por segundo, ou quilômetro por hora. A intensidade do vento pode
também ser referida a escala Beaufort que relaciona a força do vento a uma escala de 0 (zero)
a 12 (doze). Veja a escala Beaufort na subunidade 1.4 mais adiante.

Exercícios resolvidos 1.3

Faça o que se pede nos itens abaixo.

1.3.1) Cite os instrumentos de medida dos principais elementos meteorológicos.

- Termômetros;

- Barômetros;

- Psicrômetros ou Higrômetros;

- Anemômetros e anemoscópicos (cata-vento ou biruta)

1.3.2) Qual o procedimento do navegante, com os dados observados nos instrumentos de


bordo?

Registrá-los, ressaltando os horários das observações.

1.3.3) Qual a importância do registro dos dados observados?

O principal interesse dos navegantes com os registros dos dados observados nas últimas horas
é a importante indicação da tendência do respectivo elemento meteorológico.

1.3.4) Qual o interesse do navegante em detectar a tendência da temperatura do ar ou da


pressão do ar?

A grande importância da tendência desses elementos é o comportamento dos outros


elementos envolvidos nas condições do estado do tempo, como ventos, nebulosidade, chuva,
trovoadas, visibilidade no mar etc.

1.3.5) A que conclusão o navegante pode chegar, se na utilização do psicrômetro, perceber


grande diferença de temperatura entre os termômetros seco e úmido?

Grande diferença entre as temperaturas, significa que o ar tem pouca umidade. A umidade
relativa está baixa. Portanto na previsão do tempo, esta situação será considerada, como
tempo estável.

1.4 PADRÕES METEOROLÓGICOS

Durante esta subunidade, veremos a forma com que podemos identificar um elemento
meteorológico a partir de certos padrões estabelecidos, ou seja, quando é que podemos dizer
que um vento é forte ou fraco? Como podemos identificar uma nuvem? Quando podemos

25
MOC 01
dizer que a pressão atmosférica está baixa? Enfim, para responder corretamente a estas
perguntas é necessário conhecer os padrões meteorológicos. Vamos a eles:

1.4.1 Pressão Atmosférica Normal

Considera-se pressão atmosférica normal quando o nível do mar está em 1013 hPa
(hectaPascal), que corresponde a 760 mm Hg (milímetro de mercúrio). Isto significa que, caso
a pressão atmosférica apresente-se muito acima ou muito abaixo deste padrão (1013 hPa), ela
não está normal, o que poderá ocasionar perturbações atmosféricas, como veremos mais
adiante.

ao nível do mar
Pressão Atmosférica Normal 1013 mb = 1013 hPa

1.4.2 Classificação das Nuvens

As nuvens classificam-se, segundo padronização internacional, em dez tipos,


dependendo da altitude da base da nuvem, ou seja, da parte da nuvem mais próxima da
superfície da Terra. Esses dez tipos de nuvens dividem-se em nuvens baixas, médias e altas,
conforme mostra o quadro abaixo:

Nuvens Baixas Nuvens Médias Nuvens Altas

Stratus (St) Altostratus (As) Cirrus (Ci)

Nimbostratus (Ns) Altocumulus (Ac) Cirrostratus (Cs)

Stratocumulus (Sc) Cirrocumulus (Cc)

Cumulus (Cu)

Cumulonimbus (Cb)

Veja as características de cada um desses tipos de nuvens:

a) Nuvens Baixas

Stratus (St) - São normalmente acinzentadas, aparecem em camadas uniformes,


aparentando um nevoeiro. Quando espessas, dificultam a penetração da luz solar (figura 1.19).

Figura 1.19 - Stratus (St) Figura 1.20 - Nimbostratus (Ns)


26
Nimbostratus (Ns) - São mais escuras que a stratus, porém também uniformes, tendo a
aparência de nuvens carregadas, típicas de chuva. Normalmente bloqueiam a penetração da
luz solar (figura 1.20).

Cumulus (Cu) - São nuvens densas, com a aparência de chumaços de algodão, porém
nunca cobrem inteiramente o céu. Normalmente, a presença de cumulus significa bom tempo
(figura 1.21).

Figura 1.21 - Cumulus (Cu) Figura 1.22 - Stratucumulus (Sc)

Stratucumulus (Sc) - São nuvens derivadas de cumulus ligeiramente acinzentadas, com


forma de rolos não uniformes. Normalmente, depois delas, ocorrem dias claros e bom tempo
(figura 1.22).

Cumulonimbus (Cb) - São nuvens muito densas e acinzentadas, com formatos que
lembram grandes torres. Normalmente, são seguidas de mau tempo com fortes ventos e
chuvas pesadas (figura 1.23).

Figura 1.23 - Cumulonimbus (Cb)

b) Nuvens Médias

Altostratus (As) - São nuvens que se assemelham a um véu ligeiramente acinzentado,


deixando o céu fosco. Normalmente, indicam a aproximação de chuvas e ventos (figura 1.24).

Altocumulus (Ac) - Estas nuvens têm aparência de pequenos chumaços de algodão,


sendo, normalmente, associadas a mudanças de tempo (figura 1.25).

27
MOC 01
Figura 1.24 - Altostratus (As) Figura 1.25 - Altocumulus (Ac)

c) Nuvens Altas

Cirrus (Ci) - Com aparência fibrosa, normalmente se apresentam isoladas. A presença


desse tipo de nuvem está associada a situações de bom tempo (figura 1.26), quando não
apresentam deslocamento. Quando apresentam deslocamento associa-se a mau tempo. Como
na situação de cirrus pré-frontal, na chegada da frente fria.

Figura 1.26 - Cirrus (Ci) Figura 1.27 - Cirrostratus (Cs)

Cirrostratus (Cs) - São nuvens finas e esbranquiçadas e, normalmente, cobrem o céu


todo, dando uma aparência de um fino véu (figura 1.27).

Cirroscumulus (Cc) - São nuvens pouco densas e esbranquiçadas, com a aparência de


ondas. Normalmente, a presença dessas nuvens está associada a bom tempo (figura 1.28).

Figura 1.28 - Cirroscumulus (Cc)

1.4.3 Intensidade do Vento

Dependendo da intensidade do vento, poderemos ter uma situação característica do


tempo. Correto? Isto significa que podemos estabelecer certos padrões do tempo no mar, rio
ou lago por meio da velocidade do vento.
28
Muito bem, foi assim que um meteorologista criou a Escala Beaufort, que associa a
velocidade do vento com aspectos do tempo. Observe abaixo:

DESIGNAÇÃO BEAUFORT VELOCIDADE DO VENTO VELOCIDADE DO VENTO


(FORÇA) (nós) (metros/segundo)

0 – CALMARIA 0 a 1 0 a 0,2
1 – BAFAGEM 1 a 3 0,3 a 1,5
2 – ARAGEM 4 a 6 1,6 a 3,3
3 – FRACO 7 a 10 3,4 a 5,4
4 – MODERADO 11 a 16 5,5 a 7,9
5 – FRESCO 17 a 21 8,0 a 10,7
6 – MUITO FRESCO 22 a 27 10,8 a 13,8
7 – FORTE 28 a 33 13,9 a 17,1
8 – MUITO FORTE 34 a 40 17,2 a 20,7
9 – DURO 41 a 47 20,8 a 24,4
10 – MUITO DURO 48 a 55 24,5 a 28,4
11- TEMPESTUOSO 56 a 63 28,5 a 32,6
12 - FURACÃO 64 e acima 32,7 e acima

Exercícios resolvidos 1.4

1.4.1) As informações meteorológicas recebidas diariamente, pelos navegantes, podem indicar


se as condições do tempo estão normais ou não. Com isso, os navegantes podem constatar a
ocorrência de mau tempo ou de bom tempo. Então, cite os aspectos que pode-se considerar
normais nas observações meteorológicas.

- Pressão atmosférica ao nível do mar próxima de 1013hPa.

- Nuvens baixas, tipo stratus, céu parcialmente nublado a limpo.

- Vento inferior a 10 nós com direção constante ou seja, força igual ou inferior a 3 na escala
Beaufort.

- Umidade relativa entre 60% a 70%, ou seja, um ar que não apresente característica de um ar
muito seco, nem de ar muito úmido.

- Temperaturas da superfície e temperatura do ar, adequada à estação do ano, na região, ou


seja, a sazonalidade (verão, outono, inverno e primavera), característica de latitude da área.

1.4.2) Cite os tipos de nuvens normais, esperadas na ocorrência de bom tempo e de mau
tempo.

Na ocorrência de bom tempo espera-se nuvens estratificada de pequena espessura, tipo


stratus e cirrus e na ocorrência de mau tempo as nuvens associadas observadas são
cumuliformes, de desenvolvimento vertical, com grande espessura, tipo cumulonimbus (Cb).

29
MOC 01
1.4.3) Descreva o estado do tempo associado a intensidade dos ventos, apresentada na
classificação da escala Beaufort.

A escala Beaufort apresenta as características da velocidade ou intensidade do vento, numa


escala de 0 a 12 (zero a doze). O navegante percebe que um vento de força 7, numa escala
até 12, já indica tratar-se de um vento forte, ou seja, mais forte que um força 2 ou 3, por
exemplo. Logicamente, o navegante espera encontrar um estado do mar mais agitado quando
sopra um vento de força maior, como no nosso exemplo força 7.

1.4.4) Quando o navegante pode esperar a ocorrência de céu bastante nublado ou encoberto?

Se o navegante observar a umidade relativa do ar maior que o normal, indicando tratar-se de ar


bastante úmido. E observar também que esta associada a uma circulação do ar propicia a
formação de nebulosidade.

1.5 ÁREAS DE BAIXA (B) E ALTA (A) PRESSÃO

Durante esta subunidade, veremos como se forma uma área de baixa e alta pressão,
como acontece o deslocamento da massa de ar de uma área para outra, como se verifica a
intensidade desse deslocamento, enfim, como ocorre a movimentação horizontal de massas de
ar devido à diferença de pressão atmosférica.

Porém, antes de iniciarmos o assunto, é interessante que você saiba que linhas isóbaras,
são linhas que unem os pontos de mesma pressão atmosférica (figura 1.29).

Figura 1.29 - LINHAS ISÓBARAS

As linhas isóbaras identificam as áreas de mesma pressão à superfície normalmente


usa-se nas cartas sinóticas de pressão ao nível do mar, isóbaras espaçadas de 4 em 4
hPa.

Observe que se unirmos os pontos de igual pressão atmosférica, reduzidos ao nível do


mar, teremos uma série de linhas fechadas (isóbaras), contendo áreas de mesma pressão, que
tendem a decrescer ou crescer, para o centro, dependendo de terem como origem um centro
de baixa ou de alta pressão, respectivamente (figura 1.30).

30
Figura 1.30- CONFIGURAÇÃO ISOBÁRICA
Pela isóbaras , identifica-se o comportamento da pressão do ar à superfície, evidenciando
as regiões de baixa e alta pressão.

1.5.1 Centro de Baixa Pressão (B)

O centro de baixa pressão atmosférica forma-se, normalmente, em função de


movimentos ascendentes (subida) de ar decorrente do aquecimento (atividade convectiva). É,
também, denominado depressão ou ciclone.

No centro de baixa pressão à superfície (B), a circulação horizontal do ar é convergente


com movimento vertical ascendente e circulação no sentido horário, no hemisfério sul (HS).

Observa-se baixa pressão em região com aquecimento da superfície e


conseqüentemente, por condução, aquecimento do ar à superfície, resultando movimento
vertical ascendente. O ar quente torna-se menos denso, menos pesado que o ar frio.

As depressões são representadas por isóbaras fechadas que envolvem uma área de
pressão barométrica decrescente, ou seja, envolvem uma área onde, a partir da periferia para
o centro, há uma tendência à diminuição da pressão atmosférica (figura 1.31).

Figura 1.31 - CENTRO DE BAIXA PRESSÃO


As isóbaras, ressaltam que os valores da pressão do ar diminuem da periferia para o
centro de baixa (B).

1.5.2 Centro de Alta Pressão (A)

O centro de alta pressão atmosférica forma-se em regiões onde ocorrem situações


propícias para a circulação de ar descendente (descida), devido, principalmente, ao
resfriamento em altas altitudes. Neste caso, o ar concentra-se e, tornando-se mais denso e
mais pesado, desloca-se para o solo; conseqüentemente, eleva a pressão atmosférica (figura
1.32).
31
MOC 01
Figura 1.32 - MOVIMENTO VERTICAL DO AR
No centro de alta pressão à superfície, observa-se movimentos descendente do ar. É um
bom indício de céu limpo.

Observe que a formação de um centro de alta pressão é basicamente o contrário do que


ocorre na formação de um centro de baixa ou depressão. Os centros de alta, também
denominados anticiclones, são representados por isóbaras fechadas que envolvem uma área
de pressão barométrica crescente, ou seja, envolvem uma área onde, a partir da periferia para
o centro, há uma tendência ao crescimento da pressão atmosférica (figura 1.33).

No centro de alta pressão à superfície (A), a circulação horizontal é divergente com


movimento vertical descente e circulação no sentido anti-horário no HS.

Figura 1.33 - CENTRO DE ALTA PRESSÃO


Os valores das isóbaras ressaltam que a pressão do ar à superfície aumenta da periferia
para o centro de alta pressão.

Nu
Nunca esqueça de que o centro de alta (anticiclone) está associado ao BOM
TEMPO, enquanto que o centro de baixa (ciclone ou depressão) está
associado a MAU TEMPO.

1.5.3 Movimento de Ar de um Centro para Outro

A circulação horizontal do ar é convergente na região de baixa pressão (B) e divergente


na região de alta pressão (A). O movimento vertical do ar é ascendente na região de B e
descendente na região de A.

Muito bem, mas devido ao movimento de rotação da Terra, esse deslocamento de ar não
acontece de forma retilínea e sim em espiral. No caso do Hemisfério Sul, onde nos
encontramos, os ventos sofrem uma pequena alteração no sentido, contrário ao dos
ponteiros do relógio, sempre partindo de um centro de alta pressão, ou seja, os ventos
sopram em torno das isóbaras (centro de alta), para a esquerda. Este fenômeno chamamos de
coriolis. Veja a figura 1.34, referente ao Hemisfério Norte (HN).

32
Figura 1.34 - FORÇA DE CORIOLIS
Devido à rotação da Terra e a velocidades tangenciais associadas aos círculos de latitude
respectivos, observa-se o efeito da força de Coriolis. Os ventos meridionais que se
aproximam do equador, desviam suas trajetórias para W (sentido contrário à rotação da
Terra). Os ventos que se afastam do equador, desviam suas trajetórias para E (mesmo
sentido da rotação da Terra).

Observe que os ventos, no Hemisfério Sul, sopram no sentido anti-horário em relação à


sua origem (centro de alta pressão), porém, no sentido horário em relação a seu destino
(centro de baixa pressão). No caso de Hemisfério Norte, acontece o inverso (figura 1.35).

Figura 1.35 - SENTIDO DE CIRCULAÇÃO DO AR


No hemisfério sul (HS), o sentido de circulação do ar é anti-horário, em um centro de alta
pressão (A) e o contrario no HN (sentido horário). Conseqüentemente em um centro de
baixa pressão (B), no HS, a circulação do ar é no sentido horário e contrario no HN (anti-
horário).

A velocidade do vento é diretamente proporcional ao gradiente horizontal de pressão.

Quanto mais estreito for o espaçamento entre as isóbaras, mais forte será o gradiente e
então, mais forte será o vento. Quanto mais largo for o espaçamento entre as isóbaras, mais
fraco será o gradiente e conseqüentemente, mais fraco será o vento nessa região.

1.5.4 Acompanhamento da Pressão Atmosférica

Na prática, todo navegante deve acompanhar a pressão atmosférica por meio do


barômetro de bordo; dessa forma podem-se assegurar certas tendências meteorológicas. Veja

33
MOC 01
como é simples:

 registre no “Diário de Bordo”, em todas as horas cheias (01:00, 02:00, 03:00, ...) a
pressão atmosférica indicada no barômetro de bordo;

 após um quarto de serviço (quatro horas), verifique qual é a tendência da pressão


atmosférica, conforme indicado a seguir:

Pressão Atmosférica Situação Possível Tendência Meteorológica

Navegando em uma
SEM ALTERAÇÃO Tempo sem alteração
isóbara.

Navegando em direção a
SUBINDO Tempo bom
um centro de alta.

Navegando em direção a
DESCENDO Mau tempo
um centro de baixa

Exercícios resolvidos 1.5

Faça o que se pede nos itens abaixo.


1.5.1) Cite as denominações das linhas empregadas em uma carta de pressão a nível do mar.

As linhas de igual pressão atmosférica são conhecidas como isóbaras ou linhas isobáricas. A
carta sinótica apresenta configurações isobáricas que permitem o navegante observar a
circulação dos ventos.

1.5.2) Quais as principais indicações apresentadas das cartas de pressão ao nível do mar?

Nas cartas sinóticas estão assinaladas com a letra B, as regiões de baixa pressão e com a
letra A áreas de alta pressão.

1.5.3) Quais características das isóbaras nos centros de baixa (B) e de alta (A) pressão?

O navegante observa que as isóbaras diminuem de valor em hPa, da periferia para o centro de
baixa (B) e aumentam de valor em hPa, da periferia para o centro de alta (A) pressão.

1.5.4) Como a circulação do ar está associada ao comportamento da pressão do ar, cite as


circulações horizontais e verticais observadas nas regiões de baixa (B) pressão e de alta (A)
pressão?

O navegante observa na região de baixa (B) circulação horizontal convergente e movimento


vertical ascendente. Na região de alta (A) a circulação horizontal é divergente e
conseqüentemente o movimento vertical é descendente.

34
1 . 6 CIRCULAÇÃO DOS VENTOS

O vento como elemento meteorológico é um dos indicadores de tempo mais utilizados


por navegantes. Isto significa que, dependendo de sua intensidade, de sua direção e sentido
de onde sopra ou da forma de rondar (mudar de direção), possibilita definir as condições do
tempo. Além disso, é importante que você sempre associe a este fenômeno meteorológico o
deslocamento de uma massa de ar de um centro de alta pressão (A) para um centro de baixa
pressão (B). Está lembrado? Veja a figura 1.36.

Figura 1.36 - INTERAÇÃO DAS CIRCULAÇÕES HORIZONTAIS E VERTICAIS


As circulações horizontais e verticais interagem tanto nas regiões de baixa pressão à
superfície, como nas áreas de alta pressão. Observa-se também, a interação entre as
áreas de alta e baixa pressão. Constata-se convergência e movimento ascendente nas
áreas de baixa pressão e circulação divergente e descendente em altas pressões.

A intensidade desse vento é inversamente proporcional à distância entre as isóbaras,


entre as quais é verificada a diferença entre as pressões (figura 1.37).

Figura 1.37 - GRADIENTE HORIZONTAL DE PRESSÃO


Na configuração das isóbaras, observa-se que a velocidade do vento depende do
gradiente horizontal de pressão. Quando o espaçamento entre as isóbaras é estreito, o
gradiente é forte e o vento é forte. Quando o espaçamento entre as isóbaras é largo, o
gradiente é fraco e o vento é fraco. Este conceito é muito usado pelo navegante ao
interpretar carta sinótica. Você também vai precisar deste conceito físico.

O vento tanto pode ser originado por grandes deslocamentos de massas de ar, como
pode ser originado por pequenos sistemas, ou seja, por deslocamentos de pequenas massas
de ar. No primeiro caso, dizemos que o vento é decorrente da circulação geral da atmosfera,
enquanto que no segundo é decorrente de um processo convectivo local e, portanto,
denominado vento local. Veja cada um desses casos em separado:
35
MOC 01
1.6.1 Circulação Geral da Atmosfera

Como já sabemos, o globo terrestre tem regiões frias, como os Pólos e as áreas de altas
latitudes, e regiões quentes, como o Equador e os trópicos, devido à incidência de menor ou
maior radiação solar; além disso, devido ao movimento de translação da Terra (estações do
ano), teremos variações da incidência solar em determinadas regiões durante o ano. Diante
disso, verifica-se que na Terra existem regiões geradoras de grandes centros de alta pressão
(regiões frias) e regiões geradoras de grandes centros de baixa pressão (regiões quentes), que
imprimem uma constante circulação geral da atmosfera (figura 1.38). Observa-se na
circulação geral do planeta Terra, ventos Alísios de Leste nas regiões tropicais e ventos de
Oeste nas regiões de medias e altas latitudes.

Figura 1.38 - CIRCULAÇÃO GERAL DA ATMOSFERA


Na busca do equilíbrio térmico do planeta Terra, a atmosfera circula as massas de ar
frias e quentes. Observa-se na região tropical ventos permanentes de R (leste) (ventos
alísios) e na região de médias e altas latitudes ventos permanentes W (oeste)

1.6.2 Ventos Locais

Brisas ocorrem, principalmente, em regiões


litorâneas ou próximas de grande superfícies
líquidas (grandes lagos ou grandes rios),
delimitando superfícies distintas de terra e água,
que apresentam diferentes graus de absorção do
calor e que geram processos convectivos locais.
Isto significa que a terra absorve de dia mais
rapidamente o calor (radiação solar) do que a
superfície líquida; no entanto, à noite, há um maior
resfriamento de terra do que da água. Desta forma,
cria se um processo convectivo alternado, ou seja,
de dia a terra mais quente (centro de baixa Figura 1.39 - BRISA MARÍTIMA
Nas regiões costeiras a diferença de comporta-
pressão) cede espaço para a massa de ar mais frio mento das temperaturas da superfície do oceano
e da superfície continental, resulta gradiente
que se encontra sobre a superfície líquida (centro
horizontal de temperatura e gradiente horizontal
de alta pressão). Ocorrendo o contrário à noite. de pressão, entre o mar e a terra, desencade-
ando circulação. Sempre a tarde observa-se
Observe as figuras 1.39 e 1.40: brisa marítima ou seja, circulação do mar para a
terra.

36
Figura 1.40 - BRISA TERRESTRE
Sempre pela madrugada e inicio da manhã observa-se circulação da terra para o mar.

1.6.3 Cálculo do Vento Real

Observe que, quando se está navegando, o vento que se sente é o que denominamos
vento aparente, isto porque é a resultante da combinação do vento real com o vento
provocado pela movimentação da embarcação.

Agora você deve estar se perguntando:

Como determinar a intensidade e direção do vento real quando estou


navegando?

A resposta é simples, acompanhe esta técnica:

a) Primeiro – Utilizando a rosa-dos-ventos da própria carta por que se está navegando,


trace uma seta a partir do centro, com a mesma direção e sentido do rumo verdadeiro e com
um tamanho que corresponda à velocidade média da embarcação; para tanto, utilize uma
abertura de compasso na escala de latitude que corresponda ao valor desejado. A seta que
você traçou será denominada vetor do rumo e velocidade da embarcação. Como exemplo,
vamos supor que estejamos navegando com Rv = 090o e com uma velocidade média de 8 nós
(milhas por hora). Observe a figura 1.41:

(Rumo = direção para onde vai = 090º)

Figura 1.41 - CÁLCULO DO VENTO VERDADEIRO


37
MOC 01
b) Segundo – Verificam-se a intensidade e a direção do vento aparente, efetuando-se a
leitura do anemômetro e da biruta. Com estes dados, e utilizando a régua de paralelas e
compasso, trace uma seta (vetor), a partir da ponta da seta anterior (rumo e velocidade da
embarcação). Esta seta será denominada vetor da direção e velocidade do vento aparente.
Como exemplo, vamos imaginar que o anemômetro de bordo esteja marcando 10 nós de
velocidade do vento aparente e a biruta indicando a direção de 180º . Veja a figura 1.42:

(Direção de onde vem = 180º) e (Direção para onde vai = 000º)

Figura 1.42 - CÁLCULO DO VENTO VERDADEIRO.

c) Terceiro – Agora basta unirmos a origem da primeira seta (vetor do rumo e velocidade
da embarcação) com a ponta da segunda (vetor da direção e velocidade do vento aparente)
para obtermos uma nova seta, que tem origem na primeira e na ponta na Segunda. A esta
terceira seta denominamos vetor da direção e velocidade do vento real. Será com ela que
poderemos facilmente, utilizando a régua de paralelas e do compasso, obter a direção e a
velocidade do vento real. A direção é facilmente obtida lendo diretamente na rosa-dos-ventos,
enquanto que a intensidade será o tamanho da seta medida na escala de latitude. Observe a
figura 1.43, que corresponde ao nosso exemplo:

Figura 1.43 - CALCULO DO VENTO VERDADEIRO.

38
Observação: Direção do vento real é de onde vem o vento e a direção do vetor do vento
aparente utilizado é para onde vai o vetor.

Resposta: Vento Real Velocidade = 13 nós Direção = 220o

Agora, nós temos a certeza de que você é capaz de responder às perguntas que fizemos
no início desta subunidade.

Exercícios resolvidos 1.6

Faça o que se pede nos itens abaixo.


1.6.1) Qual o sentido da circulação do ar no hemisfério Sul (HS) na região de baixa (B)
pressão?

A circulação do ar é no sentido HORÁRIO. Ressalta-se que a circulação do ar é no sentido


contrário (anti-horário), se a região for de alta (A), no HS.

1.6.2) Quais as diferenças significativas da circulação do ar, que o navegante observa em uma
viagem de longo curso que cruze o Equador, ou seja, passe do HS para o HN e vice-versa?

Os sentidos de circulação do ar são contrários no Hemisfério Sul (HS) e Norte (HN).

No HS, centro de B, observa-se circulação do ar no sentido HORÁRIO.

No HN, centro de B, observa-se circulação do ar no sentido ANTI-HORÁRIO.

1.6.3) Qual a principal preocupação do navegante, quando se está observando o tópico


DIREÇÃO do vento?

A direção do vento é sempre considerada de ONDE VEM o vento. Por isso o navegante deve
sempre incluir a expressão “de”. Exemplos: vento de N ou vento de NE

1.6.4) Descreva os dois principais tipo de circulação geral do ar, características das regiões
tropicais e das regiões de média latitude.

Em ambos os hemisférios (HS e HN) os navegantes observam ventos ALÍSIOS de E nas


regiões tropicais e ventos de W nas médias latitudes.

1.6.5) O navegante observa em sua navegação costeira alternância da direção das brisas
marítima e terrestre. Cite qual a direção da brisa que sopra sempre no período da tarde.

No período da tarde, sopra a brisa marítima, com direção do mar para a costa.

1.6.6) Quais as principais razões físicas das brisas terem direções diferentes?

Sabemos que o aquecimento ou o resfriamento influenciam a temperatura da superfície e


temperatura do ar, as quais afetam a pressão do ar. Conseqüentemente a pressão do ar
desencadeia a circulação correspondente ao comportamento desse aquecimento ou
resfriamento do ar.
39
MOC 01
No período da tarde, ocorre aquecimento da costa. O aquecimento leva a pressão da área
baixar e a circulação converge para essa área, vindo do mar, ou seja, ocorrência de brisa
marítima.

No período a madrugada e a manhã ocorre o contrário, resultando na brisa terrestre.

Considerações Finais

Você está concluindo esta primeira unidade de introdução à meteorologia, que


possibilitará o entendimento de fenômenos meteorológicos mais complexos, conforme você
estudará na continuação deste módulo.

Sempre que você tiver alguma dificuldade nas próximas unidades, retorne a esta unidade
e reforce seu embasamento inicial com mais uma leitura e reflexão.

Vamos adiante! Você está caminhando na direção certa, buscando evitar o mau tempo e
mar severo.

Não esqueça de fazer as tarefas desta unidade.

Teste de Auto-Avaliação da Unidade 1

Responda, nos espaços, às seguintes perguntas:

1.1) Radiação Solar

1.1.1) O que é meteorologia?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

1.1.2) Defina radiação solar.


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

1.1.3) O ângulo de incidência da radiação solar na Terra é uniforme?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

1.1.4) A posição relativa do Sol em relação à Terra determina a intensidade de radiação solar?
____________________________________________________________________________

1.1.5) Podemos afirmar que, dependendo do tipo de superfície, haverá maior ou menor
absorção da radiação solar? Exemplifique.
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

40
1.2) Elementos Meteorológicos

1.2.1) Defina temperatura do ar.


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
1.2.2) O que é pressão atmosférica?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
1.2.3) Nas áreas mais frias do planeta Terra, a pressão é menor?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
1.2.4) Qual é a origem do vento?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
1.2.5) O que é umidade do ar?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

1.3) Instrumentos de Medida

1.3.1) Como é constituído o termômetro?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
1.3.2) Quais são os instrumentos que medem a umidade do ar?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
1.3.3) A bordo, como determinamos a pressão atmosférica?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
1.3.4) Biruta ou cata-vento é a denominação popular de que instrumento?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
1.3.5) Quais são as unidades mais utilizadas para medir a intensidade do vento?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

1.4) Padrões Meteorológicos

1.4.1) Quais são as medidas da pressão atmosférica normal no nível do mar?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
1.4.2) Como se classificam as nuvens?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
41
MOC 01
1.4.3) Descreva uma nuvem Cumulonimbus (Cb).
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

1.4.4) Cite um tipo de nuvem alta.


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

1.4.5) Pela escala Beaufort, que intensidade em nós terá um vento “fresco”?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

1.5) Centros de Alta e Baixa Pressão

1.5.1) O que são linhas isóbaras?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
1.5.2) Como se forma um centro de baixa pressão atmosférica?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

1.5.3) O que é um anticiclone? Como ele se forma?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

1.5.4) Devido ao movimento de rotação da Terra, o deslocamento do ar (vento) não acontece


de forma retilínea e sim em espiral. Como é denominado esse fenômeno?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

1.5.5) A que a velocidade do vento é proporcional?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

1.6) Circulação dos Ventos

1.6.1) Qual é o elemento meteorológico que é um dos melhores indicadores de tempo para o
navegante?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

1.6.2) Defina “circulação geral da atmosfera”.


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

1.6.3) Em que regiões, normalmente, ocorrem os ventos locais?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
42
1.6.4) O que é vento aparente?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

1.6.5) Quando navegando, é possível determinar o vento real? Como?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

Chave de Respostas das Tarefas e do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 1

1.1) Radiação Solar

1.1.1) Meteorologia é a ciência que estuda a atmosfera e seus fenômenos.

1.1.2) A radiação solar é a energia emitida pelo Sol, a qual aquece e movimenta o ar,
permitindo a evaporação da água, a formação de nuvens, a chuva, o temporal, o
furacão, etc., enfim, é o elemento que vai desencadear toda a dinâmica dos fenômenos
meteorológicos.

1.1.3) O Ângulo de incidência da radiação solar na Terra não é uniforme, esse ângulo varia de
acordo com a posição em que a Terra está em relação ao Sol.

1.1.4) Sim. E conseqüentemente a sazonalidade (outono, inverno, primavera e verão).

1.1.5) Sim. Cada tipo de cobertura da Terra (vegetação, água, neve, areia, etc.) tem um índice
e absorção e de reflexão diferente; por exemplo, a neve absorve 25% e reflete 75% da
energia solar.

1.2) Elementos Meteorológicos

1.2.1) Temperatura é a medida da quantidade de calor presente no meio analisado.


1.2.2) Pressão atmosférica é a força exercida pelo peso da atmosfera sobre uma área.
1.2.3) Não. É maior
1.2.4) O vento é o resultado do deslocamento de ar de uma área de alta pressão para uma de
baixa pressão.
1.2.5) Umidade do ar é a quantidade de vapor de água contida na atmosfera.

43
MOC 01
1.3) Instrumentos de Medida

1.3.1) O termômetro é constituído de um tubo fino de vidro, de diâmetro uniforme, o qual


contém uma substância sensível ao calor (normalmente mercúrio ou álcool etílico), ou
seja, uma substância capaz de expandir-se ou retrair-se, dependendo do aumento ou
da diminuição de calor, respectivamente.
1.3.2) Higrômetro e Psicrômetro.
1.3.3) Por meio de um instrumento denominado barômetro.
1.3.4) Anemoscópio.
1.3.5) Nó (milha por hora) e metro por segundo.

1.4) Padrões Meteorológicos

1.4.1) 1013 mb, 760 mmHg e 1013 hPa


1.4.2) As nuvens classificam-se em baixas, médias e altas.
1.4.3) Cumulonimbus (Cb) são nuvens muito densas e acinzentadas, com formatos que
lembram grandes torres. Normalmente, são seguidas de mau tempo com fortes ventos,
chuvas pesadas e trovoadas.
1.4.4) Cirrus (Ci). CIrrustratus (Cs). Cirroscumulus (Cc)
1.4.5) De 17 a 21 nós.

1.5) Centros de Alta e Baixa Pressão

1.5.1) São linhas que unem os pontos de mesma pressão atmosférica.

1.5.2) O centro de baixa pressão atmosférica forma-se, normalmente, em função de


movimentos ascendentes (subida de ar decorrente do aquecimento (atividade
convectiva)).

1.5.3) É um centro de alta pressão e se forma em regiões ode ocorrem situações propicias
para a ocorrência de ar descendente (descida).

1.5.4) Efeito de coriolis.

1.5.5) A velocidade do vento é diretamente proporcional ao gradiente horizontal de pressão


entre uma isóbara e outra consecutiva, ou seja, diretamente proporcional à diferença de
pressão e inversamente proporcional à distância entre essas isóbaras.

1.6) Circulação dos Ventos

1.6.1) O vento, com suas mudanças de direção, intensidade e outras características.

1.6.2) Circulação geral da atmosfera é o deslocamento de grandes massas de ar, decorrente


da existência de regiões, da Terra, geradoras de grandes centros de alta e de baixa
pressão.

1.6.3) Ocorrem, principalmente, em regiões litorâneas ou próximas de grandes superfícies


líquidas (grandes lagos ou grandes rios), delimitando superfícies distintas de terra e
água, que apresentam diferentes graus de absorção do calor e que geram processos
convectivos locais.

44
1.6.4) É a resultante da combinação do vento real com o vento provocado pela movimentação
da embarcação.

1.6.5) Sim, por meio de representação gráfica realizada na própria rosa-dos-ventos da carta
náutica.

Parabéns pelo sucesso obtido ao longo desta unidade!


Continue sua viagem e, avance para a Unidade 2, onde
estudará os “Sistemas Sinóticos”.

45
MOC 01
46
UNIDADE 2

SISTEMAS SINÓTICOS

Nesta unidade, você vai

 Perceber como a ocorrência de uma frente fria influencia as mudanças


das condições do estado do tempo, na região do oceano Atlântico Sul, de
interesse dos navegantes brasileiros.

A sociedade está acostumada a conviver com significativas mudanças do tempo, que


afetam seu dia-a-dia, e mesmo seu período de férias com a família. O cidadão que vive ou
trabalha nas latitudes médias e altas sofre influências de fenômenos meteorológicos
característicos dessas regiões, que o cidadão comum conhece como frentes frias. Você precisa
conhecer como seu trabalho pode ser afetado e também seu período de fim de semana com a
família.

Vamos ao nosso estudo.

2.1 PROCESSO CONVECTIVO

Nesta subunidade, você estudará como se apresenta a circulação da atmosfera, ou seja,


como funcionam os elementos meteorológicos em conjunto, um influenciando o outro. Verá
também que o SISTEMA SINÓTICO significa, exatamente, o estudo desse conjunto. E, nesta
primeira subunidade, veremos um processo muito comum de ocorrer em áreas onde faz
bastante calor. Portanto, estude com muita atenção.

♦ Desenvolvimento de atividades convectivas

Em um dia de grande calor, é possível que você tenha ouvido alguém afirmar — Hoje vai
chove – e acaba chovendo mesmo.

Pois bem, isso ocorre porque se desenvolveu uma atividade convectiva, ou seja, quando
a temperatura está muito elevada, a evaporação é muito intensa, aumentando a umidade
relativa (UR) do ar. Com o movimento ascendente do ar, ocorre o processo convectivo, ou
seja, transporte vertical de calor. O ar ascendente se expande, então, conseqüentemente, sua
temperatura diminui conforme o ar vai subindo e se expandindo, (LEI DOS GASES). A
47
MOC 01
temperatura do ar, então, vai diminuindo até atingir a temperatura do ponto de orvalho e ai o ar
fica saturado, com UR = 100% e inicia-se a condensação, que é a formação das nuvens.
Observe a figura 2.1:

Figura 2.1 - Substituir pela figura III-1 (pagina 87)


(Fonte: Valgas Lobo (2007) com a mesma legenda e titulo da fonte.)

Muito bem, vamos ver com detalhes como acontece o processo convectivo, porque
dessa forma você vai perceber como os elementos meteorológicos interagem entre si e,
conseqüentemente, entenderá como funciona o conjunto, ou melhor, o sistema sinótico.

Acompanhe as etapas que compõem o processo convectivo:

I – Aquecimento do ar à superfície, em decorrência do aquecimento da superfície pela


radiação solar (figura 2.2).

Fi
Figura 2.2 Figura 2.3

II – Evaporação da superfície líquida e subida do ar quente (com vapor de água) para a


atmosfera (figura 2.3).

III – Com a subida do ar quente desencadeia-se a redução da pressão atmosférica na


superfície, o que vem a facilitar a convergência de ar para aquele local (vento) (figura 2.4).

Figura 2.4 Figura 2.5

IV – O ar quente juntamente com o vapor de água, à medida que vão ganhando altitude,
sofrem resfriamento e, conseqüentemente, o vapor de água começa a se condensar, formando
nuvens. No início as nuvens formadas são do tipo Cumulus (Cu) (figura 2.5).
48
Observe que o processo convectivo é interrompido quando ocorre a precipitação (chuva),
a que denominamos chuvas convectivas. Porém, se esse ar que está convergindo continuar a
se aquecer, a ascensão de ar quente se manterá, dando prosseguimento ao processo
convectivo. Vejamos o que acontece com o prosseguimento do processo:

I – O ar quente e o vapor de água que sobem na atmosfera e formam nuvens do tipo


Cumulus, ao intensificar este processo, passam a formar Cumulonimbus (Cb) (figura 2.6).

Fi
Figura 2.6 Figura 2.7

II – Com a formação de Cumulonimbus (Cb) – nuvens pesadas – inicia-se turbulência no


ar nos níveis mais elevados e, conseqüentemente, trovoadas (relâmpagos e trovões) e intensa
precipitação e rajadas de vento (figura 2.7).

III – Caso haja condições propícias, o processo convectivo desenvolve-se


espontaneamente até atingir a intensidade de tempestade ou tormenta (figura 2.8).

Figura 2.8

Podemos concluir, portanto, que o processo convectivo, caso encontre


condições propícias, poderá gerar mau tempo. O navegante, neste caso,
deve ter atenção à formação de nuvens do tipo Cumulonimbus (Cb), que é o
sinal mais claro da intensificação deste processo.

Para terminar esta subunidade, veremos alguns pontos que podem trazer condições
apropriadas para a intensificação do processo convectivo:

 contínuo aquecimento da superfície por meio da radiação solar;


 grande extensão de superfície líquida, possibilitando a evaporação e,
conseqüentemente, a formação de nuvens; e
49
MOC 01
 forte circulação convergente, com ascensão de ar úmido, possibilitando a
concentração de nuvens, principalmente cumulonimbus (Cb).

ANTES DE INICIAR OS EXERCÍCIOS DESTA SUBUNIDADE, PENSE DE FORMA A ENTENDER


COMO OS ELEMENTOS METEOROLÓGICOS INTERAGEM ENTRE SI. OBSERVE QUE A
VARIAÇÃO DE UM ELEMENTO INFLUENCIA NA VARIAÇÃO DOS OUTROS, E ACABA
MUDANDO TODO O CONJUNTO..

Exercícios resolvidos 2.1

2.1.1) Descreva o comportamento da umidade relativa (UR) no movimento ascendente do ar.

O ar em movimento ascendente se expande e conseqüentemente se resfria.

Você se lembra que a umidade relativa é inversamente proporcional à temperatura do ar, ou


seja, quando o ar resfria a umidade relativa aumenta. Quanto mais resfria o ar mais aumenta a
UR, até atingir a saturação (UR = 100%). Você recorda que a temperatura do ar no momento
em que a UR = 100% é denominada de temperatura do ponto de orvalho (TPO).

Muito bem, agora podemos continuar a descrever o comportamento da UR em um movimento


ascendente do ar. No início deste exercício, veja só, comentamos que o ar resfria enquanto
sobe, então, sua UR aumenta até atingir a TPO, a saturação (UR = 100%) e o início da
condensação.

Vimos no início da subunidade 2.1, que a condensação da umidade do ar, em altitude, é a


formação das nuvens.

2.1.2) Quais as principais conclusões que o navegante pode tirar de um processo convectivo,
resultante do movimento ascendente do ar?

O navegante percebe que o processo convectivo pode resultar na formação de nuvens. Que o
ar ascendente sempre resfria e aumenta sua UR. Que o ar continuando a subir irá atingir a
TPO e iniciar a nebulosidade. Que as condições são favoráveis à ocorrência de MAU tempo.

2.1.3) Quais as conclusões que o navegante pode tirar ao observar movimento descendente do
ar?

O navegante pode concluir o seguinte:


 não haverá processo convectivo;
 a temperatura do que desce, aumenta e então, sua UR diminui;
 não será atingida a TPO e então, não haverá condensação para formar nuvens;
 as condições são favoráveis a ocorrência de BOM tempo.

2.1.4) No desenvolvimento de atividades convectivas, o navegante pode esperar sempre


ocorrência de nuvens pesadas tipo cumulonimbus (Cb)?

Sempre não.
50
Você recorda que o ar pode ser seco ou úmido e se a temperatura for mais quente, o ar pode
ter mais umidade absoluta. Então, o navegante percebe que o mau tempo, com Cb precisa que
o ar seja bastante úmido.

2.1.5) Se ocorrer movimento ascendente de ar seco, que condições do tempo o navegante


pode esperar?

Você notou que esses exercícios já ressaltaram a importância do ar ser úmido, ou seja, com
UR elevada. Neste caso, o movimento ascendente indica atividades convectiva com ar seco.
Considera-se o ar seco, um ar com pouca energia (calor latente) para alimentar e intensificar
nuvens pesadas com trovoadas. Então o navegante pode, nessa situação de ar seco, esperar
bom tempo com nuvens CIRRUS paradas.

2.2 MASSAS DE AR E FRENTES

Nesta subunidade, vamos entender como as massas de ar se comportam e como


acontecem os deslocamentos. Como vimos anteriormente, quando uma massa de ar se
desloca (originando o vento), traz consigo as características meteorológicas (temperatura e
umidade) da sua região de origem.

Pois bem, ao se deslocar, invade áreas dominadas por outras massas de ar com
características diferentes, onde a superfície que delimita a massa de ar, que está se
deslocando, é denominada superfície frontal ou simplesmente frente, a qual,
conseqüentemente irá gerar mudanças no tempo.

Observe que a frente refere-se à massa de ar que se desloca, podendo, portanto, ser
denominada frente quente ou frente fria, dependendo de estar delimitando uma massa de ar
quente ou fria, respectivamente. Veja a figura 2.9.

Figura 2.9 - FRENTE FRIA


No deslocamento de uma massa de ar fria, observa-se a posição da superfície frontal fria,
indicada pela frente fria. Pode-se identificar a trajetória e a velocidade desse
deslocamento.

2.2.1 Classificação das Massas de Ar

Um meteorologista norueguês de nome Bergeron classificou as massas de ar conforme


sua umidade, sua região de origem e sua temperatura, em função de ser o ar mais quente ou
mais frio do que a superfície sobre a qual se desloca. Utilizou, para isso, uma simbologia
própria, a fim de caracterizar a massa de ar que se aproxima ou que esteja predominando no
local.

Esta classificação, hoje em dia, é utilizada internacionalmente, e vem facilitando a

51
MOC 01
descrição de uma determinada massa de ar. Vejamos como funciona.

Umidade

SÍMBOLO SUPERFÍCIE UMIDADE

m MARÍTIMA ALTA

C CONTINENTAL BAIXA

Região de Origem

SÍMBOLO ORIGEM TEMPERATURA

P POLAR FRIA

T TROPICAL QUENTE

Temperatura
(em relação à superfície sobre a qual se desloca)

SÍMBOLO MASSA DE AR OBSERVAÇÃO SITUAÇÃO

MAIS QUENTE QUE A CEDE CALOR À ESTÁVEL


w SUPERFÍCIE SUPERFÍCIE

MAIS FRIA QUE A ABSORVE CALOR DA INSTÁVEL


k SUPERFÍCIE SUPERFÍCIE

Pois bem, podemos desta forma descrever sucintamente uma massa de ar.

Observe:
mPk – significa massa de ar Polar marítima (alta taxa de umidade e baixa
temperatura), mais fria do que a superfície sobre a qual se desloca (k).

Desta forma, fica fácil classificar uma massa de ar e principalmente identificar a situação
prevista do estado de tempo.

2.2.2 Características das Frentes

Como vimos no item anterior, a classificação de uma massa de ar caracteriza-se por


certos parâmetros meteorológicos (temperatura e umidade), os quais em uma situação de
equilíbrio, isto é, sem que as massas de ar apresentem deslocamentos, determinarão a região
onde se localizam essas mesmas condições meteorológicas e, portanto, delimitarão uma área
de estabilidade (sem mudanças). Entretanto, caso haja o deslocamento dessas massas de
ar, gerarão uma frente que invadirá áreas com outras características meteorológicas,
provocando modificações no tempo (chuvas, mudanças na temperatura, etc.) e, portanto,
delimitando uma área de instabilidade (sujeito a mudanças) até que se estabeleça uma nova
situação de equilíbrio. Entendeu com funciona?

52
Essas modificações no tempo ocorrerão, com maior ou menor intensidade, dependendo
do tipo e intensidade da frente. Vejamos como elas se apresentam:

2.2.2.1 Frente Fria

A formação de uma frente fria, normalmente, está associada à formação de regiões de


baixa pressão em suas proximidades, proporcionando o deslocamento da massa de ar frio de
encontro à massa de ar quente, que é forçada a ceder espaço. Verifica-se que a massa de ar
frio, por ser mais densa, desloca-se próximo da superfície, enquanto que a massa de ar
quente, por ser menos densa, é forçada a subir em seu deslocamento, afastando-se da região.
Esse escoamento do ar quente em forma de corrente ascendente (subida) provoca o
desenvolvimento de atividades convectivas (figura 2.10).

Figura 2.10 – NEBULOSIDADE EM UMA FRENTE FRIA


Pelas características da massa de ar fria, a rampa da superfície frontal fria é bem
íngreme, forçando uma forte subida do ar quente do local. Resultando em uma intensa
atividade convectiva, com formação de nuvem cumulonimbus (Cb).

Representação gráfica da frente fria no Hemisfério Sul (HS).

Observando o quadro abaixo, podemos identificar uma frente fria antes de sua
passagem, durante a sua passagem e depois de sua passagem.

ANTES DURANTE DEPOIS

TEMPERATURA AUMENTANDO CAINDO TENDENDO A


LIGEIRAMENTE SUBITAMENTE ESTABILIZAR

PRESSÃO CAINDO RAPIDAMENTE ELEVAÇÃO SÚBITA ELEVAÇÃO COM


ESTABILIZAÇÃO

NUVENS Ac e/ou As Cb As ou Ac

RODANDO NO
AUMENTANDO MUITO SENTIDO
VENTOS CONSTANTE
ANTI-HORÁRIO
NW para SW (HS)

PRECIPITAÇÃO ALGUMA CHUVA MUITA TROVOADA CHUVAS ESPARSAS

VISIBILIDADE REGULAR RUIM TENDENDO A BOA

53
MOC 01
2.2.2.2 Frente Quente

A formação de uma frente quente ocorre quando há substituição do ar frio pelo ar quente
à superfície do solo ou do oceano. Isto acontece da seguinte forma: a massa de ar quente
desloca-se de encontro à massa de ar frio, no entanto, por ser menos densa (mais leve) que a
massa de ar frio, ao deslocá-la, forma uma cunha onde ocorrem as mudanças do tempo. Veja a
figura 2.11.

Figura 2.11 - NUVENS ASSOCIADAS A UMA FRENTE QUENTE


Pelas características pouco íngremes da rampa que o ar quente sobe, no
deslocamento da massa de ar quente, são observadas nuvens stratus, cumulus cirrus,
etc, em larga faixa, com chuva leve e duradoura.

Representação gráfica da frente quente no Hemisfério Sul (HS).

Observando o quadro abaixo, podemos identificar uma frente quente antes de sua
passagem, durante a sua passagem e depois de sua passagem.

ANTES DURANTE DEPOIS

TENDENDO A
TEMPERATURA CAINDO LENTAMENTE SUBINDO
ESTABILIZAR

PEQUENAS
PRESSÃO BAIXA CONSTANTE NÍVEL MÍNIMO
ALTERAÇÕES

EM SUCESSÃO Ci, Cs, As


NUVENS Ns (Baixas) St ou Sc
e Ns

RONDANDO NO SENTIDO
VENTOS AUMENTANDO ANTI-HORÁRIO (HS)
CONSTANTE
E / SE para NE / N

PRECIPITAÇÃO CHUVA CONTÍNUA CHUVA CONTÍNUA CHUVA LEVE

RUIM COM NEVOEIRO OU


VISIBILIDADE REGULAR VARIÁVEL
NÉVOA ÚMIDA

54
2.2.2.3 Frente Oclusa

Ocorre quando uma frente quente deixa de ter contato com a superfície do solo ou do
oceano, sendo forçada a elevar-se, por causa do avanço da massa de ar fria. Teremos então
três massas de ar com temperaturas diferentes, sendo uma quente, outra fresca ou menos fria
e a terceira fria. Uma frente fria, em sua trajetória normal, pode deslocar-se cerca de duas
vezes mais rápida do que uma frente quente e, alcançá-la, juntar-se a ela e empurrá-la para
cima, formando uma frente oclusa, que pode ser simplesmente chamada de oclusão. (Figura
2.12)
Hemisfério Norte Hemisfério Sul

Figura 2.12 – Frente oclusa – tipo frente fria

2.2.2.4 Frente Estacionária

Ocorre quando não há deslocamento da frente. O tempo associado à frente estacionária


depende do histórico da frente, do contraste de temperatura, direção e intensidade dos ventos,
etc., podendo evoluir para uma frente fria ou para uma frente quente. (Figura 2.13)

Hemisfério Norte Hemisfério Sul

Figura 2.13 – Frente estacionária

Na frente fria estacionária observam-se as isóbaras paralelas a frente fria (FF),


conseqüentemente o vento é paralelo a FF, em ambos os lados, porém com direções opostas.
Nesse caso, no HS, observa-se vento quente no NW e vento frio de SE.

Que tal fixar os conceitos que você estudou. Realize a tarefa a seguir.

55
MOC 01
Exercícios resolvidos 2.2

Faça o que se pede.

2.2.1) O planeta TERRA busca equilíbrio térmico por meio do deslocamento de massas de ar
de temperaturas diferentes. Cite a direção do movimento das massas de ar FRIO.

As massas de ar frio se deslocam das altas latitudes (regiões polares) para as regiões mais
quentes (médias e baixas latitudes).

2.2.2) Os boletins meteorológicos informam com freqüência ocorrência de frente fria. Explique o
que você entende, com a informação de chegada de uma frente fria.

È o deslocamento de uma massa de ar fria. Para o ar frio ocupar uma região é necessário o ar
quente do local se deslocar. Isto ocorre também com subida do ar quente, desencadeando esta
ascensão do ar, uma atividade convectiva com formação de nuvens, precipitação, trovoadas e
rajadas de vento, ou seja, mau tempo.

2.2.3) As nuvens que acompanham a frente fria podem ser observadas pelo navegante, na
passagem da frente fria. Cite como você pode identificar, com antecedência a posição de uma
frente fria.

Nesta subunidade é apresentada a simbologia que é utilizada para representar a posição da


frente fria na carta sinótica de pressão ao nível do mar. A carta sinótica e a imagem de satélite
que serão estudadas na unidade 4, informam ao navegante a posição atual da frente fria, no
respectivo horário, juntamente com o boletim meteorológico.

2.2.4) Explique as razões físicas dos boletins meteorológicos informarem a ocorrência de frente
fria, associada com mau tempo e mudança de direção dos ventos.

As principais razões são a seguintes:

 Sistemas sinóticos são de enormes dimensões, envolvendo massas de ar frio que chega e
de ar quente que sai;

 Tudo começa com um enorme centro de baixa pressão bem alongado na direção do
equador, por isso denominado de cavado. Na parte alongada está o eixo do cavado;

 Na circulação do ar dentro do cavado HS, no HS, observa-se de um lado do eixo do


cavado, ar frio de sul e do outro lado do eixo, ar quente de norte, ou seja, vento da direção
sul e vento da direção norte;

 Como o cavado se desloca com as massas fria e quente, separadas pela frente fria, com
ventos de direções diferentes (de N e de S), causam mau tempo por onde passa.

2.2.5) Como evoluem as massas de ar dentro da circulação do cavado, ao longo do seu


deslocamento?

Dentro do cavado, separando as massas de ar, observam-se as superfícies frontais do sistema


frontal, composto de frente fria e frente quente, que evoluem e formam a frente oclusa. Tudo
isso dentro do cavado, que está se deslocando, segundo sua trajetória normal.
56
2.2.6) Qual é a trajetória normal do cavado e da frente associada, no HS?

A trajetória normal da frente fria no HS é para NE ou E.

Considerações Finais

Você fez uma boa caminhada nesta unidade e esta conhecendo fenômenos muito
freqüentes como frentes frias, tão necessárias para o equilíbrio térmico do planeta Terra. Você
agora percebe como o estado do mar reage a passagem de uma frente fria. Você sabe agora
quais as mudanças de direção dos ventos e das ondas na passagem de um sistema frontal.

Continue seus estudos nesse módulo e faça boa viagem!

AGORA, NÃO PERCA TEMPO,


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SEM CONSULTAR O SEU CONTEÚDO.

Teste de Auto-Avaliação da Unidade 2

Responda, nos espaços, às seguintes perguntas:

2.1 Processo Convectivo

2.1.1) Qual é a primeira etapa do processo convectivo?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

2.1.2) Com a subida do ar quente, que processo desencadeia-se?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

2.1.3) Como acontece a formação de nuvens?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

2.1.4) Quando o processo convectivo é interrompido?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

2.1.5) Caso haja condições favoráveis para o prosseguimento do processo convectivo, o que
poderá ocorrer?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
57
MOC 01
2.2. Massas de ar e frentes

2.2.1) O que uma superfície frontal ou frente indica?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

2.2.2) O que significa uma área de instabilidade?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

2.2.3) Descreva as características de uma frente fria?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

2.2.4) Que tipos de frente podem ocorrer?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

2.2.5) Quando ocorre uma frente estacionária ?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

Chave de Respostas do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 2

2.1 Processo Convectivo

2.1.1) É o aquecimento do ar à superfície, em decorrência do aquecimento da superfície pela


radiação solar.

2.1.2) Com a subida do ar quente, desencadeia-se a redução da pressão atmosférica na


superfície, o que vem a facilitar a convergência de ar para aquele local (vento).

2.1.3) O ar quente juntamente com o vapor de água, à medida que vão ganhando altitude,
sofrem resfriamento e, conseqüentemente, o vapor de água começa a se condensar,
formando nuvens.

2.1.4) O processo convectivo é interrompido quando cessa o movimento ascendente do ar.

2.1.5) Caso haja condições propícias, o processo convectivo desenvolve-se espontaneamente


até atingir a intensidade de tempestade ou tormenta.

2.2. Massas de ar e frentes

2.2.1) Indica o deslocamento de uma massa de ar com características próprias.

2.2.2) Trata-se de uma área sujeita a modificações no tempo presente.

2.2.3) Uma frente fria, normalmente, está associada à formação de regiões de baixa pressão
em suas proximidades, proporcionando o deslocamento da massa de ar frio de encontro
à massa de ar quente, que é forçada a ceder espaço.

58
2.2.4) Frente oclusa, frente fria, frente quente e frente estacionária.

2.2.5) Ocorre quando não há deslocamento da frente.

59
MOC 01
60
UNIDADE 3

SISTEMAS TROPICAIS

Nesta unidade, você vai

 Verificar a importância da nuvem cumulonimbus (Cb) para a ocorrência


de mau tempo. Você vai também, conhecer as características especiais
da região oceânica tropical e dos ventos alísios.

Furacão. Não se gosta nem de ouvir falar. Há razão para tanto susto e medo?

Primeiro você verá que esse receio pode ser limitado a região tropical e só no período do
fim do verão. E mais, não precisa se assustar quem está no interior dos continentes. Furacão
só se forma no oceano. Você trabalha no mar? Você precisa conhecer melhor este assunto,
para não viver assustado.

Vamos ao tempo nos trópicos!

3.1 SISTEMAS TROPICAIS

Nesta subunidade, você verá os com mais detalhes as características meteorológicas


tropicais, isto porque é onde se encontra a maior parte do território brasileiro, sua costa, rios e
lagos e, portanto, locais onde se costuma navegar.

As características dos sistemas tropicais são distintas das características do tempo nas
regiões subtropicais ou extratropicais, ou seja, nas regiões de médias ou altas latitudes, como
estudaremos nesta unidade. Portanto, fique atento.

3.1.1 Sistemas Barotrópicos

Os sistemas tropicais são considerados sistemas barotrópicos, isto é, sistemas que


apresentam apenas variações de pressão atmosférica, enquanto que os sistemas
extratropicais são sistemas baroclínicos, ou seja, apresentam variações de pressão atmosférica
e de temperatura.

Nos sistemas extratropicais, a variação da temperatura tem um papel importante,


resultando em diferentes massas de ar e, conseqüentemente, em sistemas frontais com frentes
frias e frentes quentes.
61
MOC 01
Além disso, observam-se, na ocorrência das estações do ano, diferenças sensíveis entre
verão e inverno. Já a região tropical, não sendo afetada pela variação de temperatura, não
sente os efeitos das estações do ano. Observa-se um período do ano muito chuvoso, e outro
menos chuvoso, resultado apenas da variação da pressão atmosférica.

A variação da pressão, associada à presença de ar bem quente e bastante úmido,


favorece o desenvolvimento de intensa atividade convectiva, que é a principal característica
meteorológica da região tropical. O navegante com freqüência observa na região tropical a
formação de imensas nuvens Cumulonimbus (Cb), com trovoadas, pancadas de chuva e
rajadas de vento (Figura 3.1).

Figura 3.1 - NUVENS CUMULONIMBUS (Cb)


As nuvens Cb se caracterizam pela grande espessura, que bloqueia a passagem da luz
solar, escurecendo o ambiente. Em um Cb observa-se pancadas de chuva, trovoadas e
rajadas de vento à superfície.

3.1.2 Zona de Convergência Intertropical – ZCIT

Como vimos anteriormente, as massa de ar das latitudes médias e altas, regiões de alta
pressão à superfície, deslocam-se em direção ao Equador da Terra, região de baixa pressão à
superfície. Essa circulação ocorre tanto no Hemisfério Norte como no Hemisfério Sul.
Observamos então uma convergência à superfície, na região do Equador térmico, provocada
pela circulação à superfície. Essa região tropical onde ocorre a convergência é denominada
Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e influencia todo o sistema tropical. Veja a figura
3.2:

Figura 3.2 - ZONA DE CONVERGÊNCIA INTERTROPICAL (ZCIT)


Na ZCIT observa-se a convergência dos ventos alísios de ambos os hemisférios. Ventos
alísios de NE, no HN e ventos alísios de SE, no HS.
62
A Zona de Convergência Intertropical – ZCIT oscila sua posição em função do verão
no Hemisfério Norte e do verão no Hemisfério Sul. A posição da ZCIT afeta as características
dos ventos alísios, conseqüentemente influenciando no tempo, razão pela qual sua posição é
indicada diariamente nos Boletins Meteorológicos. Na ZCIT é observada também acentuada
concentração de nuvens Cumulonimbus (Cb) e temporais (Figura 3.3).

Figura 3.3 - VARIAÇÃO DA POSIÇÃO DE ZCIT


Devido a sazonalidade, a posição da ZCIT varia ao longo das estações do ano. Observa-se
que a oscilação é mais acentuada no inverno do HN (figura A) e no Verão do HN (figura B).

Você percebeu a razão de ocorrência de Cb na ZCIT?

3.1.3 Ventos Alísios

Os ventos alísios, característicos das regiões tropicais, de ambos os Hemisférios,


originam-se da circulação geral da atmosfera, (Célula de Hadley) como vimos anteriormente.
Correto?

Eles afetam a costa norte e nordeste do Brasil, sendo observados tanto na área marítima
como na continental. Os ventos alísios, na costa do Brasil, são ventos de sudeste (SE) ao
passo que no Hemisfério Norte são de nordeste (NE). Comentou-se anteriormente que os
ventos alísios originam-se do escoamento de Sul para Norte, no Hemisfério Sul, ou seja, das
latitudes médias para o Equador. Constata-se, então, que há um desvio para a esquerda ao
longo do escoamento. Fato idêntico ocorre com as correntes marítimas. Tal fato se deve ao
efeito de coriolis, devido ao movimento de rotação da Terra. O efeito de coriolis, afeta
permanentemente essa circulação tropical, razão pela qual os alísios de SE mantêm suas
características ao longo de todo o ano, sendo mais intensos na costa do Brasil no período de
verão e de outono no Hemisfério Sul.
63
MOC 01
Os alísios de SE e os alísios de NE, ao alcançarem a região equatorial, têm praticamente
escoamento paralelo da direção leste, observando-se extensas regiões com calmarias,
conhecidas como DOLDRUMS (figura 3.4).

Figura 3.4 - CÉLULA DE HADLEY

A circulação geral da atmosfera contempla a região tropical com a célula de Hadley, ou


seja, os ventos alísios convergem à superfície para a ZCIT. Na ZCIT observa-se uma
faixa variável de calmaria e movimento ascendente resultante da convergência dos
alísios. A interação da circulação em altitude desencadeia a célula de Hadley com
movimento descendente a 30º de latitude, em ambos os hemisférios. Resultando os
anticiclones permanentes nessas regiões.

A oscilação da ZCIT, além de ter influências sobre a intensidade dos alísios, afeta
consideravelmente a condições de nebulosidade da região e, conseqüentemente, concorre
para fortes temporais. A costa Norte e nordeste do Brasil é mais afetada pelo deslocamento da
ZCIT, nos meses de março e abril, época em que a ZCIT é observada mais ao Sul.
Normalmente, a ZCIT acompanha o posicionamento do Equador térmico, razão pela qual a
ZCIT é observada quase sempre no Hemisfério Norte entre as latitudes de 5o N a 15o N. Só em
condições especiais, a ZCIT posiciona-se no Hemisfério Sul. Nessas situações, são
observados acentuados aumentos da nebulosidade e precipitação na costa norte e nordeste do
Brasil

As características principais dos ventos alísios, no Hemisfério Sul, são:


freqüência constante, direção de sudeste e velocidade moderada, tendo
atuação entre os doldrums e a faixa de altas pressões de latitudes
subtropicais.

64
Exercícios resolvidos 3.1

3.1.1) Defina sistemas barotrópicos.

São sistemas de intensa atividade convectiva, desencadeados por variação da pressão do ar.
É característico das regiões tropicais.

É bom recordar que você estudou sistemas baroclínicos, nas regiões de altas latitudes. Que
são diferentes porque dependem da variação da temperatura e conseqüentemente da pressão

3.1.2) Defina zona de convergência intertropical (ZCIT).

É a região próxima ao equador térmico do planeta TERRA, onde ocorre a convergência dos
ventos alísios do HN e HS.

3.1.3) Cite as características dos ventos alísios.

São ventos das regiões tropicais do HN e HS. São ventos permanentes, durante todo o ano.
Sopram de E (Leste) e são influenciados pela rotação da TERRA e pela força de Coriolis.

3.1.4) Descreva as características do estado do tempo nas regiões tropicais.

São regiões quente e úmida. Os ventos alísios convergem para a ZCIT e retornam pela célula
de Hadley (ventos em altitudes) para as regiões de média latitude, formando os anticiclones
permanentes, com bom tempo nessas áreas.

Nas áreas próximas a ZCIT no verão, ocorrem tormentas tropicais e furacões.

3.2 PERTURBAÇÕES ATMOSFÉRICAS E NUVENS CUMULONIMBUS (Cb)

Nesta subunidade, veremos as principais perturbações atmosféricas que ocorrem nas


regiões tropicais e que podem colocar em risco a segurança da navegação. É necessário que o
navegante tome todas as precauções para não ser pego desprevenido e, principalmente, saiba
identificar a formação ou aproximação de um fenômeno desse tipo. Vamos também comentar a
formação das nuvens cumulonimbus (Cb) e seus efeitos, tais como: trovoadas, pancadas de
chuva e rajadas de vento.

3.2.1 Tempestades associadas às nuvens cumulonimbus

As tempestades são, dentre as perturbações atmosféricas, as mais comuns de ocorrer, e


acontecem pelo acúmulo de nuvens do tipo Cumulonimbus (Cb), que provocam precipitações
(chuva) intensa acompanhadas de fortes ventos e trovoadas. Esse fenômeno é de curta
duração, porém normalmente com índice pluviométrico bastante alto, ou seja, uma quantidade
de água de chuva muito grande. No Brasil, as tempestades são mais comuns no verão e, por
esse motivo, são popularmente conhecidas como tempestades de verão.

Para o navegante, a tempestade traz dois grandes perigos: a perda de visibilidade devido
65
MOC 01
ao aguaceiro e dificuldade de manobra devido a ventos fortes e mar com vagas. Observe a
figura 3.5, que representa um cenário de tempestade no mar.

Figura 3.5 - MAR SEVERO


As tempestades são associadas a ventos muitos fortes, que desencadeiam mar bastante agitado.

3.2.2 Trovoadas

É um fenômeno atmosférico que ocorre, normalmente, antes e/ou durante uma


tempestade. As trovoadas são decorrentes do desequilíbrio elétrico no interior da nuvem
Cumulonimbus – Cb, ou seja, a parte inferior do Cb apresenta zonas positivas cercadas de
zonas negativas e, quando a tensão elétrica está suficientemente elevada, as cargas são
liberadas pelos raios entre as partes da própria nuvem, ou entre ela e a superfície da Terra. As
trovoadas acompanham uma tempestade e, portanto, são também de pequena duração,
porém, quando intensas, são popularmente conhecidas como tempestades elétricas.

O grande risco que trazem as tempestades elétricas é de haver uma descarga sobre a
embarcação, principalmente por meio do mastro, que poderá ser um fator de atração dessas
descargas. Para tanto, recomenda-se que no tope do mastro, haja um pequeno pára-raios que
possa conduzir descargas elétrica para a parte mais baixa da embarcação (quilha), a fim de
serem dissipadas na água (figura 3.6).

Figura 3.6 - TROVOADAS


A presença de mau tempo, associado a nuvens cumulonimbus Cb , resultam em
ocorrência de trovoadas (relâmpagos e trovões)
66
3.2.3 Ciclones Tropicais e Tormentas Tropicais

O ciclone tropical, dependendo da região, é conhecido como furacão, tufão, baguió ou


simplesmente ciclone. Na verdade, esse processo é desencadeado por perturbação
atmosférica, proveniente de depressão associada à intensificação da circulação convergente e
ciclônica de ar quente e úmido em baixos níveis, ou seja, o processo convectivo intenso
associado à depressão leva à formação de ciclones tropicais.

O ciclone tropical tem como principais características o


movimento rotativo, denominado redemoinho ciclônico, com
diâmetro de dezenas de milhas, podendo alcançar centenas de
milhas, um núcleo central calmo, denominado olho, e os
constantes deslocamentos, no início lento e, em seguida,
crescentes, podendo chegar à velocidade de 25 nós (fig ura
3.7). Tem trajetória para W, desviando gradualmente, no HN,
para NW, N e NE e n o HS, para SW, S e SE.
Figura 3.7 - TORMENTA TROPICAL
A circulação ciclônica de uma tormenta tropical é caracterizada pela ocorrência de anéis de Cb, com movimentos
ascendentes nos anéis e movimento descendentes nas vizinhanças dos anéis. Isto resulta na formação de olho nas
tormentas e furacões.

Os ciclones tropicais são fenômenos que ocorrem no mar, isto porque necessitam
continuamente de suprimento de ar úmido instável; caso contrário, tendem a dissiparem-se.

As condições ideais para a formação de um ciclone tropical são:

 água do mar com temperatura superior a 27o C;


 pressão atmosférica abaixo do normal (menos que 1004 mb); e
 existência de distúrbios tropicais de qualquer espécie sobre a superfície (chuvas,
muito vento, etc.)

Existem regiões propícias à formação de ciclones e, estatisticamente, já se tem a sua


trajetória, ou seja, o caminho que normalmente segue até sua dissipação. Observe na figura
3.8 as regiões mais freqüentes de ciclone tropicais.

Figura 3.8 - TRAJETÓRIAS DOS FURACÕES


A climatologia (cartas piloto) possibilita identificar as trajetórias comuns e regulares dos
furacões, em ambos os hemisférios e os períodos de ocorrência (picos).

67
MOC 01
O navegante deve estar sempre atento aos boletins meteorológicos, para
que possa evitar e, fugir de ciclones, pois enfrentá-los é algo arriscado e
com grandes possibilidades de naufrágio.

Complete seus conceitos realizando as tarefas abaixo.

Exercícios resolvidos 3.2

3.2.1) Cite as características principais da ocorrência de nuvem cumulonimbus (Cb)

A ocorrência de Cb é associada ao mau tempo. O navegante numa situação dessa,


provavelmente irá observar trovoadas, pancadas de chuva e rajadas de vento.

3.2.2) Quais são as condições propícias a ocorrência de nuvem cumulonimbus (Cb)?

Você pode constatar que nos dias mais quentes e úmidos, tem-se oportunidade de presenciar
a ocorrência de Cb. Provavelmente você já percebeu também que no verão, na parte da tarde,
pancadas de chuva e trovoadas. É comum as pessoas falarem em chuvas de verão, ao se
referirem a situações semelhantes.

3.2.3) Cite as condições propícias para o mau tempo se intensificar e atingir a categoria de
tempestade, tormenta e mesmo ciclone ou furacão.

É bom recordar que quando a circulação do ar é favorável a desenvolver a atividade


convectiva, pode-se esperar mau tempo. É bom ressaltar que a umidade absoluta (grande) e a
temperatura (ar quente), são elementos que indicam que o ar é rico em energia de calor
latente, que pode ser liberado e intensificar o mau tempo para categoria de tempestade.

Considerações Finais

Ao concluir esta unidade, você está conhecendo características interessantes das regiões
tropicais e perceber que elas são distintas das regiões de altas latitudes, já estudadas.

Falar nas famosas tormentas tropicais não será mais novidade para você.

Os ventos alísios trazem para você as lembranças da ZCIT com tantos cumulonimbus
(Cb) e as calmarias que incomodavam tanto os antigos navegadores em suas embarcações a
vela.

Quando chegar, todo ano a época dos furacões, você, onde estiver, se lembrará desta
unidade, com conhecimento de causa!

Vamos prosseguir com nossos estudos.

Você chegou ao final da unidade 3, portanto verifique o que estudou. Faça o


teste com muita atenção.

68
Teste de Auto-Avaliação da Unidade 3

Responda, nos espaços, às seguintes questões:

3.1 Sistemas tropicais

3.1.1) O que significa barotrópico?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

3.1.2) Qual é a principal característica meteorológica da região tropical?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

3.1.3) Defina Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

3.1.4) Em função de que a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) modifica sua posição?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

3.1.5) Qual é o vento característico das regiões tropicais?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

3.2 Perturbações atmosféricas e nuvens cumulonimbus


3.2.1) Defina tempestade.
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

3.2.2) Cite um problema para a navegação que pode ser causado pela tempestade.
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

3.2.3) De que fenômeno as trovoadas são decorrentes?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

3.2.4) Quais são as principais características de um ciclone tropical?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

3.2.5) Cite uma das condições ideais para a formação de um ciclone tropical.
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
69
MOC 01
Chave de Respostas do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 3

3.1 Sistemas tropicais

3.1.1) São sistemas que apresentam apenas variações de pressão atmosférica.

3.1.2) O desenvolvimento de intensa atividade convectiva.

3.1.3) É a região para a qual as massas de ar das latitudes médias e altas, regiões de alta
pressão à superfície, deslocam-se em direção ao Equador.

3.1.4) Em função do verão no Hemisfério Norte e do verão do Hemisfério Sul.

3.1.5) Ventos alísios.

3.2 Perturbações atmosféricas e nuvens cumulonimbus

3.2.1) A tempestade acontece devido ao acúmulo de nuvens do tipo Cumulonimbus (Cb), que
provocam precipitação (chuva) intensa, acompanhada de fortes ventos e trovoadas.

3.2.2) Perda de visibilidade, devido ao aguaceiro.

3.2.3) As trovoadas são decorrentes do desequilíbrio elétrico no interior da nuvem


Cumulonimbus – Cb.

3.2.4) Circulação ciclônica fechada, núcleo central calmo (olho) e constantes deslocamentos.

3.2.5) Pressão atmosférica abaixo do normal (menos que 1004 mb).

Parabéns pelo seu progresso nesta unidade!

Continue suas jornadas de estudos e avance para a


unidade 4 onde você estudará as “Análises
meteorológicas”.

70
UNIDADE4

ANÁLISES METEOROLÓGICAS

Nesta unidade, você vai

 Estudar com mais detalhes, as informações meteorológicas.


 Exercitar a interpretação de boletim meteoromarinha, de carta
sinótica de pressão ao nível do mar e de imagem de satélite.
 Praticar interpretação do tempo presente.
 Exercitar a previsão do tempo.

Boletim Meteorológico sempre acerta.

E você, o que acha dessa afirmação?

Fala-se que somos pessoas “3M”, porque de Medicina, Mágica e Meteorologia sempre
estamos prontos a falar, e muito. Se acertamos é outro assunto.

Você precisa conhecer as recomendações e os procedimentos para interpretar as


informações disponíveis em boletins, cartas e imagens. Lembre-se que poucos tiveram a
oportunidade que você está tendo agora. Aproveite bem!

Vamos ao nosso estudo!

4.1 CARTAS E BOLETINS METEOROLÓGICOS

Durante esta subunidade, você verá o que contém as informações meteorológica


recebidas à bordo das embarcações e como utilizar cartas sinóticas de pressão ao nível do mar
e boletins meteorológicos (meteoromarinha), e imagens de satélite, os quais são relatos do
tempo presente e da evolução possível dentro do quadro apresentado. Para o navegante, são
dados importantes os fornecidos por boletins e cartas meteorológicas, para que possa traçar
rumos e executar uma navegação segura; portanto, nunca despreze informações como essas
e tenha muita atenção a esta subunidade.

Tipos de Informação

As informações meteorológicas de interesse do navegante são elaboradas pelo Serviço


Meteorológico Marinho, que funciona na Diretoria de Hidrografia e Navegação. Essas
71
MOC 01
informações são agrupadas, de acordo com o fim a que se destinam, nos tipos de boletim e
cartas meteorológicas seguintes:

 Boletins de Previsão para Área Portuária.

 Boletim de Condição e Previsão do Tempo (METEOROMARINHA); das 0000 HMG e


das 1200 HMG.

 Boletim Especial de Previsão.

 Carta Meteorológica por Fac-Símile ou Internet (Carta Sinótica de Pressão ao Nível do


Mar) das 0000 HMG e das 1200 HMG.

♦ Imagem de satélite.

Vejamos cada um desses boletins e cartas com mais detalhes: (Imagem de satélite será
discutida na subunidade 4.4)

4.1.1 Boletim de Previsão para Área Portuária

Como o próprio nome está indicando, o boletim de previsão para áreas portuárias fornece
as condições meteorológicas previstas para a área de um porto e suas proximidades. Ele é
redigido em linguagem clara e, normalmente, transmitido por radiotelefonia. Esse boletim de
previsão fornece ao navegante as seguintes informações:

1. Área abrangida e data e hora do término


do período de sua validade;

2. Aviso de mau tempo;

3. Previsão do estado do céu;

4. Previsão dos ventos predominantes;

5. Previsão de ondas;

6. Previsão de visibilidade; e

7. Previsão da tendência da temperatura.

4.1.2 Boletim de Condição de Previsão do Tempo ( M E T E O R O M A R I N H A )

Este é um boletim mais completo, cujas informações são elaboradas para as áreas
marítimas sob a responsabilidade do Brasil METAREA - V, as quais foram estabelecidas e
padronizadas em um acordo internacional com os membros que compõem a Organização
Mundial de Meteorologia (OMM).

No Meteoromarinha, a previsão do tempo é elaborada, separadamente, para cada uma


das áreas abaixo relacionadas, que compõem a região marítima da costa brasileira:

72
ALFA (A) Do Arroio Chui ao Cabo de Santa Marta;

BRAVO (B) Do Cabo de Santa Marta ao Cabo Frio (Oceânica);

CHARLIE (C ) Do Cabo de Santa Marta ao Cabo Frio (Costeira);

DELTA (D) Do Cabo Frio a Caravelas;

ECHO (E) De Caravelas a Salvador;

FOXTROT (F) De Salvador a Natal;

GOLF (G) De Natal a São Luiz;

HOTEL (H) De São Luiz ao Cabo Orange;

o o o
NOVEMBER (N) Norte Oceânica (Oeste de 020 W, de 7 N a 15 S); e

o o o
SIERRA (S) Sul Oceânica (Oeste de 020 W, de 15 S a 36 S).

Cada área pode ainda ser subdividida em parte Norte ou Sul e parte Leste ou Oeste para
melhor identificar as variações do tempo dentro da mesma região.

Observe a figura 4.1, que apresenta as áreas de previsão meteorológica e, sem perder
tempo, procure identificar a área ou a áreas de seu interesse, ou seja, as áreas onde você
costuma navegar e, portanto, necessita de informações meteorológicas. Muito bem, grave-as
em sua memória.

Figura 4.1 – BOLETIM, CARTA, IMAGEM, METAREA V


A região de responsabilidade de Brasil junto a 0MM, para elaboração e divulgação do
boletim METEOROMARINHA e da CARTA SINÓTICA de pressão ao nível do mar,
Metarea V é divida para melhor entendimento das previsões do tempo.

Todos os serviços meteorológicos destinados à navegação marítima elaboram e emitem


boletins de condições e previsão do tempo de acordo com as normas estabelecidas pela OMM.
O Meteoromarinha é constituído das seguintes partes:
73
MOC 01
PARTE I - AVISO DE MAU TEMPO;

PARTE II - RESUMO DESCRITIVO DO TEMPO;

PARTE III - PREVISÃO DO TEMPO;

PARTE IV - ANÁLISE E/OU PROGNÓSTICO DO TEMPO;

PARTE V - SELEÇÃO DE MENSAGENS METEOROLÓGICAS DE NAVIOS; E

PARTE VI - SELEÇÃO DE MENSAGENS METEOROLÓGICAS DE ESTAÇÕES


TERRESTRES COSTEIRAS E EM ILHAS OCEÂNICAS

As partes I, II e III são transmitidas em linguagem clara, em português, e repetidas em


inglês, após a Parte VI. Veja cada uma das partes:

PARTE I – Aviso de mau tempo

Os avisos de mau tempo incluídos tanto no Boletim de Previsão para Áreas Portuárias
como no Meteoromarinha são emitidos, quando uma ou mais das seguintes condições
meteorológicas estejam previstas:

 vento de força 7 ou acima, na escala Beaufort (intensidade 28 nós ou mais);

 ondas de 3 metros ou maiores, em águas profundas (mar de grandes vagas ou


vagalhões); e

 visibilidade restrita a 1 km ou menos.

 ressaca ondas costeiras com altura superior a 2,5 metros e com grande comprimento
de onda, na direção quase perpendicular à costa. É interessante observar que ondas
de grande comprimento de onda tem grande volume d’água no efeito de
arrebentação, intensificando a ação da ressaca.

Os elementos já mencionados no aviso de mau tempo não são repetidos nos demais
itens dos boletins de previsão. A ausência de aviso de mau tempo é claramente mencionada
no texto da parte I dos boletins com a expressão NIL ou NÃO HÁ.

É na parte I do Meteoromarinha que o navegante observa se naquele dia há ocorrê ncia


de MAU TEMPO.

PARTE II – Resumo descritivo do tempo (Tempo Presente)

É uma sinopse do tempo presente ou sumário da situação atmosférica em um


determinado instante de referência, com indicação das posições das configurações sinóticas
existentes na área, seu movimento, desenvolvimento e área afetada. Esta parte começa com a
data-hora (HMG) de referência, ou seja, hora da análise sinótica.

É na parte II que o navegante obtém informações do tempo presente.

74
PARTE III – Previsão do tempo (Tempo Futuro)

Esta parte fornece as previsões para METAREA-V válidas até a data-hora (HMG),
mencionada no início do texto, para as áreas costeiras (A, B, C, D, E, G e H) e oceânicas (N e
S). as informações citadas nesta parte são as seguintes:

a) previsão do estado do tempo;


b) previsão do estado do céu;
c) previsão dos ventos predominantes;
d) previsão de ondas;
e) previsão de visibilidade; e
f) previsão da tendência de temperatura.

É na parte III que o navegante obtém a previsão do tempo para as próximas 24 horas, na
área costeira de seu interesse.

PARTE IV – Análise e/ou prognóstico do tempo

Esta parte é constituída por uma análise e/ou prognóstico, em forma de código FM46-IV
IAC FLEET. Este código é formado de grupos de 5 algarismos, cujo primeiro grupo é 10001,
que indica preâmbulo de mensagem de análise, ou então, 65556, que indica preâmbulo de
mensagem de prognóstico.

O navegante, para plotar a mensagem da parte IV, necessita de decodifica-la. Para tal,
utiliza o modelo DHN=5911 – Mensagens de Análise para Navios (FM46-IV), e a representação
gráfica utilizada nas análises são cartas meteorológicas denominadas Cartas Sinóticas.

PARTE V – Seleção de mensagens meteorológicas de navios

Esta parte é constituída de uma seleção de mensagens SHIP recebidas e selecionadas


pelo Centro Previsor, por serem consideradas representativas das configurações sinóticas mais
importantes. Esta parte é fornecida pelos sete primeiros grupos de mensagens SHIP, a partir
do grupo da latitude.

PARTE VI – Seleção de mensagens meteorológicas de estações terrestres costeira


e em ilhas oceânicas

Esta parte é constituída de uma seleção de mensagens SYNOP, recebidas e


selecionadas pelo Centro Previsor, por serem consideradas representativas das configurações
sinóticas mais importantes. Esta parte é formada pelos seis primeiros grupos de mensagens
SYNOP relacionadas no Anexo A. A falta do SYNOP em qualquer uma delas é representada
pela palavra NIL.

Acompanhe, a seguir, o texto de um boletim de condição e previsão do tempo


(METEOROMARINHA).

75
MOC 01
METEOROMARINHA REFERENTE ANÁLISE DE 1200 - 16/AGO/2007
DATA E HORA REFERENCIADA AO MERIDIANO DE GREENWICH - HMG
PRESSÃO EM HPA
VENTO NA ESCALA BEAUFORT
ONDAS EM METROS
PARTE UM – AVISOS
AVISO NR 617/2007
AVISO DE BAIXA VISIBILIDADE
EMITIDO ÀS 1230 - QUI - 16/AGO/2007
NEVOEIROS ESPARSOS AFETANDO ÁREA ALFA AO NORTE DE 30S E ÁREA CHARLIE AO SUL DE 24S.
VÁLIDO ATÉ 171500.
AVISO NR 618/2007
AVISO DE RESSACA
EMITIDO ÀS 1230 - QUI - 16/AGO/2007
ÁREA FOXTROT. ONDAS DE SE 2.5.
VÁLIDO ATÉ 181200.
ESTE AVISO SUBSTITUI O AVISO NR 616/2007.
PARTE DOIS - ANÁLISE DO TEMPO EM 161200
BAIXA 1018 35S040W. ALTA 1034 29S022W. FRENTE FRIA SOBRE CABO DE SANTA MARTA ESTENDENDO-SE PARA SE E
MOVENDO-SE COM 15 NÓS PARA E. FRENTE FRIA EM 45S025W, 41S030W E 38S036W MOVENDO-SE COM 15 NÓS PARA E.
Z C I T 05N020W, 39N030W, 04N040W E 03N050W COM FAIXA DE 3/4 GRAUS DE LARGURA COM PANCADAS DE CHUVA
MODERADA/FORTE E TROVOADAS ISOLADAS EM TODA A FAIXA.
PARTE TRÊS - PREVISÃO DO TEMPO VÁLIDA DE 170000 ATÉ 180000
ÁREA ALFA (DO ARROIO CHUÍ AO CABO DE SANTA MARTA)
PANCADAS OCASIONALMENTE FORTES E TROVOADAS ISOLADAS NO SUL DA ÁREA E NEVOEIROS ESPARSOS NO NORTE DA
ÁREA NO INÍCIO DO PERÍODO. VENTO SW/SE PASSANDO SE/E 4/5. ONDAS DE S/SE 1.5/2.0. VISIB MODERADA
OCASIONALMENTE RESTRITA/ MUITO RESTRITA NO INÍCIO DO PERÍODO.
ÁREA BRAVO (DO CABO DE SANTA MARTA AO CABO FRIO - OCEÂNICA)
PANCADAS NO SUL DA ÁREA. VENTO NW/SW PASSANDO SW/SE 5/6 PASSANDO 4/5 COM RAJADAS AO SUL DE 26S E NE/NW
4/5 PASSANDO 3/4 NO RESTANTE DA ÁREA. ONDAS DE E/NE 1.0/1.5 PASSANDO S/SE 1.5/2.0 NO SUL DA ÁREA. VISIB BOA
OCASIONALMENTE MODERADA/RESTRITA NO SUL DA ÁREA.
ÁREA CHARLIE (DO CABO DE SANTA MARTA AO CABO FRIO - COSTEIRA)
NEVOEIROS ESPARSOS AO SUL DE 24S NO INÍCIO DO PERÍODO. VENTO SW/SE 4/5 PASSANDO 2/3 AO SUL DE 24S E NW/SW
4/5 COM RAJADAS PASSANDO SW/SE 3/4 NO RESTANTE DA ÁREA. ONDAS DE SE/E 1.0/2.0. VISIB MODERADA/MUITO RESTRITA
PASSANDO A BOA NO SUL DA ÁREA E BOA NO RESTANTE DA ÁREA.
ÁREA DELTA (DO CABO FRIO A CARAVELAS)
VENTO SE/NE 3/4. ONDAS DE SE/E 1.5/2.0. VISIB BOA.
ÁREA ECHO (DE CARAVELAS A SALVADOR)
PANCADAS JUNTO À COSTA. VENTO SE/E 4/5 COM RAJADAS DURANTE AS PANCADAS. ONDAS DE SE/E 2.0/2.5. VISIB BOA
REDUZINDO PARA MODERADA DURANTE AS PANCADAS.
ÁREA FOXTROT (DE SALVADOR A NATAL)
PANCADAS. VENTO SE/E 4/5 JUNTO À COSTA E 5/6 NO RESTANTE DA ÁREA COM RAJADAS DURANTE AS PANCADAS. ONDAS
DE SE/E 2.0/2.5 COM RESSACA JUNTO A COSTA E 2.5/3.0 NO RESTANTE DA ÁREA. VISIB BOA REDUZINDO MODERADA
DURANTE AS PANCADAS.
ÁREA GOLF (DE NATAL A SÃO LUIS)
PANCADAS E TROVOADAS ISOLADAS. VENTO SE/E 5/6 COM RAJADAS DURANTE AS PANCADAS. ONDAS DE SE 2.5/3.0. VISIB
BOA REDUZINDO PARA MODERADA DURANTE AS PANCADAS.
ÁREA HOTEL (DE SÃO LUIS AO CABO ORANGE)
PANCADAS OCASIONALMENTE FORTES E TROVOADAS ISOLADAS. VENTO SE/NE 3/4 JUNTO À COSTA SE/E 4/5 NO RESTANTE
DA ÁREA COM RAJADAS DURANTE AS PANCADAS. ONDAS DE SE/E 1.5/2.0. VISIB BOA REDUZINDO PARA MODERADA
DURANTE AS PANCADAS.
ÁREA SUL OCEÂNICA
SUL DE 30S
OESTE DE 035W
PANCADAS OCASIONALMENTE FORTES E TROVOADAS ISOLADAS. VENTO NW/SW 5/6 PASSANDO SW/SE 4/5 COM RAJADAS.
ONDAS DE NE/NW 1.5/2.0 PASSANDO SW/S 2.0/2.5. VISIB BOA REDUZINDO PARA MODERADA/RESTRITA DURANTE AS
PANCADAS.
LESTE DE 035W
PANCADAS E TROVOADAS ISOLADAS NO SUDOESTE DA ÁREA. VENTO NE/NW 3/4 PASSANDO NW/SW 4/5 COM RAJADAS.
ONDAS DE SW/SE 1.0/1.5 PASSANDO NW/W 1.5/2.0. VISIB BOA REDUZINDO PARA MODERADA DURANTE AS PANCADAS.
NORTE DE 30S
VENTO SE/E 5/6 AO NORTE DE 25S E SE/NE PASSANDO NE/NW 2/3 NO RESTANTE DA ÁREA. ONDAS DE SW/SE 1.0/2.0. VISIB
BOA.
ÁREA NORTE OCEÂNICA
PANCADAS OCASIONALMENTE FORTES E TROVOADAS ISOLADAS AO NORTE DO EQUADOR E PANCADAS ISOLADAS NO SUL
DA ÁREA. VENTO SE/E 5/6 AO SUL DO EQUADOR E SW/SE 4/5 NO RESTANTE DA ÁREA COM RAJADAS DURANTE AS
PANCADAS. ONDAS DE S/SE 2.0/3.0. VISIB BOA REDUZINDO PARA MODERADA/RESTRITA DURANTE AS PANCADAS.
ORLA MARÍTIMA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
LIMPO/POUCO NUBLADO COM NÉVOA ÚMIDA NO FINAL DO PERÍODO NO LITORAL SUL. VENTO NW/SW 4/5 PASSANDO SW/SE
3/4 NO LITORAL SUL E NE/NW 3/4 NO RESTANTE DA ÁREA COM RAJADAS OCASIONALMENTE. ONDAS DE SE/E 1.5/2.0
PASSANDO 1.0/1.5. VISIB BOA OCASIONALMENTE MODERADA/RESTRITA NO FINAL DO PERÍODO NO LITORAL SUL.
TEMPERATURA EM LIGEIRO DECLÍNIO. MÁXIMA 26ºC. MÍNIMA 15ºC.
MARÉS PARA O PORTO DO RIO DE JANEIRO EM 17/AGO/2007
HORA (P) ALTURA (M)
04:47 1.2
11:24 0.3
17:06 1.1
22:28 0.4
SOL: NASCER 06:16 (P) PASSAGEM MERIDIANA 11:58 (P) OCASO 17:37 (P)
LUA: NASCER 17/08 08:49(P) OCASO 17/08 21:46(P)
FASES DA LUA: NOVA 12/08 Q. CRESCENTE: 20/08 CHEIA: 28/08 Q. MINGUANTE: 04/09

76
4.1.3 Boletim Especial de Previsão

O boletim especial de previsão do tempo fornece previsões meteorológicas para uma


área marítima restrita e para finalidades específicas, tais como operações de reboque, socorro
e salvamento, deslocamento de plataformas de petróleo, regatas oceânicas e outras atividades
que, por sua peculiaridade, exigem informações que não constam normalmente no
Meteoromarinha.

A forma e o conteúdo deste boletim obedecem, de uma maneira geral, aos modelos das
Partes I, II e III do Meteoromarinha.

A solicitação de previsão especial deve ser feita diretamente ao Serviço Meteorológico


Marinho da DHN, informando a sua finalidade, área abrangida, informações especiais
necessárias, datas previstas para início e fim da operação, meios de comunicação, órgão ou
empresa responsável pela operação e demais elementos pertinentes; a DHN avaliará o pedido
e informará ao solicitante sobre a possibilidade, ou não, do seu atendimento.

4.1.4 Carta Meteorológica por Fac-Símile ou Internet

Cartas Meteorológicas, também conhecidas como Cartas Sinóticas de pressão ao nível


do mar, são transmitidas por fac-símile ou INTERNET, possibilitando ao navegante, que dispõe
de receptor apropriado, receber as informações meteorológicas na forma gráfica. SITE
www.dhn.mar.mil.br, selecionar serviços meteorológicos.

A seguir, observe com se apresenta uma carta meteorológica e tente identificar os


centros de alta (A) e baixa pressão (B), assim como suas respectivas isóbaras.

Interprete a configuração isobárica e identifique o cavado e as frentes associadas.


Interprete a circulação horária do ar no cavado do HS.

Verifique que a frente fria coincide com o eixo


do cavado. Constate que a simbologia da frente fria é
triângulos azuis e a simbologia da frente quente é
semicírculos vermelhos e que a simbologia da frente
oclusa é triângulos azuis e semicírculos vermelhos
alternados, mas no mesmo lado da frente. Pode-se
alertar o navegante que para a situação de ocorrência
de frente fria estacionária, será observada a
simbologia de triângulos azuis e semicírculos
vermelhos em lados opostos da frente estacionária.

Analise a circulação do ar e constate que a


direção do vento é de NW antes da frente fria e a
direção do vento é de SW após a passagem da frente
fria (HS). Na carta sinótica de pressão ao nível do
mar, o navegante observa pelas isóbaras as regiões
de mau tempo e de bom tempo e também as áreas Carta sinótica

geradoras de onda.

77
MOC 01
Exercícios resolvidos 4.1

4.1.1) Cite os horários de referência dos boletins meteoromarinha e das cartas sinóticas de
pressão ao nível do mar.

Ambos tem o mesmo horário em HMG – hora média de Greenwich (hora universal).
Diariamente às 0000 HMG (zero horas e zero minutos) e às 1200 HMG (doze horas e zero
minutos), são observados e processados os elementos meteorológicos. Esses produtos são
divulgadas 2 a 3 horas depois das observações, ao termino do processamento e confecção do
boletim e da carta.

4.1.2) Quais as informações disponíveis no meteoromarinha?

O navegante dispõem de 3 partes principais no boletim.


Parte I – avisos de mau tempo.
Parte I I – tempo presente (resumo descritivo do tempo)
Parte I I I – tempo futuro (previsão do tempo)

4.1.3) Quais são os elementos meteorológicos contemplados nos avisos de mau tempo do
meteoromarinha?

Vento de força 7 ou acima.


Ondas de 3 metros ou acima
Visibilidade restrita a 1 Km ou menos (Nevoeiro)
Ressaca

4.1.4) Quais são os elementos meteorológicos descritos na parte I I (tempo presente) do


meteoromarinha?

Áreas com ocorrência de centro de baixa pressão e de centro de baixa pressão. São também
descritas as características de frente fria, ou seja, trajetória, velocidade e posição da frente fria
presente na METAREA V.

4.1.5) Quais os elementos meteorologia citados na parte III – previsão do tempo do


meteoromarinha?

Você pode perceber na leitura da previsão do tempo – parte III do meteoromarinha,


informações do estado do tempo e do céu, direção e intensidade do vento predominante e
indicações de alterações da direção do vento que podem evidenciar mudança do estado do
tempo. É ressaltada a direção e altura das sondas e tendências da visibilidade e da
temperatura do ar.

78
4.1.6) Quais as principais características das isóbaras das cartas sinóticas, que são de
interesse dos navegantes?

Inicialmente você pode se perguntar, se a carta sinótica é de pressão ao nível do mar, como o
navegante percebe áreas de vento forte e de mar severo? Você precisa está treinado e
qualificado para interpretar a relação entre as isóbaras e a circulação do ar, identificando a
direção do vento e das ondas. É bom recordar circulação do ar, centros de alta e baixa e
gradiente horizontal de pressão, antes de examinar a configuração das isóbaras da carta
sinótica.

4.1.7) Como você pode identificar a presença de uma frente fria, em um documento gráfico
como a carta sinótica?

Ao examinar a carta sinótica, você percebe que a simbologia usada é padronizada e pela forma
e cor revela que elemento meteorológico está sendo informado.

4.2 TEMPO PRESENTE – DIAGNÓSTICO

A primeira necessidade do navegante em relação à meteorologia é o bom entendimento


das condições do tempo presente isto é, o navegante deve ser capaz de saber interpretar as
informações fornecidas pela parte II do Meteoromarinha (descrição do tempo) associado às
observações locais, a fim de fazer o diagnóstico do tempo presente, ou seja, o que os vários
elementos meteorológicos indicam para o tempo presente. Entendeu?

Além disso, comparando-se condições do tempo presente, mais a observação feita a


bordo, com a situação ocorrida algumas horas antes, o navegante pode entender qual é a
tendência do tempo, ou seja, a variação dos principais parâmetros meteorológicos, tais como
temperatura do ar, temperatura da água, pressão atmosférica, umidade do ar, escoamento dos
ventos, nuvens e visibilidade. Esses parâmetros meteorológicos, que representam o
diagnóstico do tempo presente, podem indicar a intensificação ou abrandamento das condições
do tempo, o que, na falta do recebimento do Meteoromarinha, torna-se de grande valia para o
navegante.

4.2.1 Parâmetros Meteorológicos – Interpretação

Veja como interpretar os elementos meteorológicos para se obter um correto diagnóstico


do tempo presente:

 A temperatura do ar e a umidade indicam as propriedades da massa de ar presente e


sua alteração brusca pode ser a chegada de uma frente com outras características; e

 A pressão atmosférica indica o grau de aquecimento da superfície e o comportamento


da temperatura do ar e, portanto, as características da massa de ar presente. Uma
alteração brusca da pressão pode significar, também, a chegada de outra massa de
ar.

 A temperatura da superfície do mar (TSM), associada à informação da temperatura de


ar, indica como está se comportando a interação atmosfera–oceano. Se a diferença
79
MOC 01
for acentuada, pode provocar alteração nas características da massa de ar presente.

Quando a temperatura da superfície do mar (TSM) é mais fria que a TPO, a visibilidade
pode ser afetada devido à formação de nevoeiro.

Quando a TSM for mais quente que o ar, pode haver instabilidade, favorecendo a
convecção e a formação de nuvens Cumulus.

 A observação do vento na região, associada à verificação da pressão na carta


meteorológica, demonstra ao navegante sua posição em relação ao sistema de
pressão, indicando sua situação em relação à depressão e seu cavado e também ao
anticiclone e sua crista, uma vez que, no Hemisfério Sul, o sentido da circulação no
centro de baixa ou depressão é no sentido horário e no centro de alta ou anticiclone é
no sentido anti-horário. Vale lembrar que sempre o eixo do cavado aponta para o
Equador e que o eixo da crista é voltado para a direção das altas latitudes;

 Já a intensidade do vento está relacionada ao gradiente horizontal de pressão, que é


função do gradiente horizontal de temperatura. O navegante constata que quanto
mais forte for o gradiente de pressão, maior será a velocidade do vento observado na
região em questão.

 A umidade relativa presente, sendo elevada, indica que a saturação do ar pode ser
obtida com um pequeno resfriamento do ar. Nessa situação, o navegante deve estar
atento aos outros parâmetros que favorecem a formação de névoa úmida e nevoeiros
e, conseqüentemente, afetam a visibilidade.

 A observação de súbitas rajadas de vento e uma rígida e intensa instabilidade,


acompanhada de trovoadas e forte precipitação, pode indicar uma linha de
instabilidade ou estar associada a uma frente fria que se aproxima. O navegante deve
ter o hábito de observar o céu. O aparecimento de inúmeras nuvens Cirrus de uma
mesma direção pode ser considerado Cirrus pré-frontais, podendo representar
indícios de condições severas de tempo nas proximidades da frente fria.

O navegante deve ter sempre em mente que a observação meteorológica é de


fundamental importância para a segurança da navegação.

Exercícios resolvidos 4.2

4.2.1) Qual a principal preocupação do navegante ao pretender entender a previsão do tempo


para as próximas horas?

Se você está interessado na previsão do tempo, primeiro você tem de observar e entender o
tempo presente. No boletim meteoromarinha, parte II (dois) você encontra o diagnóstico do
tempo presente. Você precisa associar as anotações anteriores e interpretar as tendências.

4.2.2) Nas observações dos parâmetros meteorológicos, efetuadas a bordo, que


procedimentos ajudam a entender o tempo presente?
80
Sempre que você observar a temperatura do ar, deve constatar: se a variação é de
resfriamento ou de aquecimento do ar. O mesmo com a variação de outros elementos
meteorológicos como a pressão do ar, a direção do vento, a nebulosidade e visibilidade.

O navegante deve ter especial atenção na verificação do tipo de variação do elemento


observado e principalmente se ele se mantém constante, ou seja, se indica condições estáveis.

4.2.3) Porque razão é importante interpretar a variação ou tendência de cada elemento


meteorológico?

Existe interação entre os elementos do ar, temperatura, umidade, pressão, circulação do ar e


nebulosidade. Então essa interação dos elementos vai influenciar o estado do tempo e sua
evolução nas próximas horas. .

4.2.4) Como o navegante pode esperar bom tempo, se o tempo presente indica, no momento
da observação, um aspecto de mau tempo?

È preciso identificar as tendências dos elementos e interpretar a interação desses elementos.


Ela pode ser favorável a evolução para o bom tempo.

4.3 EVOLUÇÃO DO TEMPO – PROGNÓSTICO

Conforme comentamos na subunidade passada, o navegante poderá comparar as


condições do tempo presente mais à observação feita a bordo, com a situação ocorrida
algumas horas antes e dessa forma poderá entender qual é a tendência do tempo, ou seja,
poderá fazer um prognóstico a respeito da evolução do tempo.

Veremos, agora, alguns aspectos meteorológicos interessantes, visando ao bom


entendimento da evolução do tempo.

Portanto, quando em viagem não for possível receber o Meteoromarinha, poderemos


elaborar uma previsão, através da observação da tendência de alguns parâmetros
meteorológicos. Para isso, é necessário que essas observações sejam feitas e registradas, no
mínimo, de 3 em 3 horas. Caso seja possível, é interessante adquirir o hábito de observar e
registrar, rotineiramente, a cada hora cheia (1 hora, 2 horas, 3 horas ...), não só para sua
utilização em tempo real, mas, principalmente para melhor acompanhamento da tendência do
tempo.

Os elementos meteorológicos a serem observados e registrados são a pressão


atmosférica, a temperatura do ar, a temperatura da água, a direção e intensidade do vento, a
umidade do ar, os tipos de nuvens e a direção do marulho. Veja como fazer:

4.3.1 Pressão Atmosférica

A bordo, para acompanharmos as variações da pressão atmosférica, devemos registrá-la


de hora em hora, da seguinte maneira.
81
MOC 01
 utilize uma folha de papel quadriculado ou milimetrado;

 coloque na parte superior do papel, o horário em que o navegante realizou a


observação e na lateral esquerda os valores da pressão atmosférica hectaPascal
(hPa), de modo que no centro do papel fique o valor de 1013 hPa; e

 a cada hora, registre a pressão com um ponto no valor observado e, após três horas,
una os pontos registrados (figura 4.2).

Figura 4.2 - PRESSÃO DO AR


As observações da pressão do ar devem ser registradas de modo à possibilitar e facilitar
o entendimento da tendência da pressão. Parâmetro fundamental na evolução do estado
do tempo.

O exemplo dado na figura mostra que foi observada e registrada a pressão atmosférica
às 03:00, 04:00, 05:00, 06:00 e 07:00 horas. Entretanto, apesar de não ter sido ainda
observada a pressão para a 08:00 horas, podemos prever que será por volta de 1011
milibares. Isto só é possível porque houve um acompanhamento da variação barométrica
desde as 03:00 horas, verificando a tendência, que é de queda, e a intensidade, que é de
aproximadamente 1 milibar por hora. Entendeu?

Muito bem, esse controle horário da tendência barométrica fornece o dinamismo do ar


atmosférico, possibilitando a previsão da chegada de sistemas frontais (frentes), num
determinando local.

Qu
Quando uma frente fria se aproxima, a pressão cai até a chegada da frente,
p a s s a n d o a s u b ir a p ó s s u a p a s s a g e m .

4.3.2 Temperatura

Assim como a pressão, a temperatura também deve ser registrada a cada hora, a fim de
servir como indicador para uma previsão meteorológica.

82
Conheça duas regrinhas básicas sobre temperatura:

Quando uma frente fria se aproxima, a compressão da massa de ar quente, provocada pela força
1. do ar, frio produz um aumento significativo de temperatura, passando a cair durante e após a
passagem da frente fria.

Quando é uma frente quente que se aproxima, a temperatura permanece estável ou diminui um
2. pouco, passando a subir acentuadamente durante e após a passagem da frente quente.

4.3.3 Vento

O registro e a plotagem horária da direção do vento permitem indicar a contínua mudança


da direção quando um sistema ciclônico (centro de baixa pressão)se aproxima. Observa-se, no
Hemisfério Sul (HS), que a circulação é no sentido horário. Essa variação na circulação é
associada à significativa queda de pressão atmosférica. Quando a depressão associa-se a
uma frente fria no HS, a circulação do lado ar quente varia de NE para N e para NW, indicando
a aproximação do cavado, do eixo do cavado, da superfície frontal fria, ou seja, da frente fria.

Após a passagem da frente fria, no HS, o navegante observa brusca mudança da direção
do vento de NW para SW. A característica da circulação do ar do cavado que está passando
pela região onde se encontra o navegante, é percebida pelo vento frio que sopra de SW/S .

O principal, indício da passagem de uma frente fria é a brusca mudança de


direção do vento. No HS o vento ronda de NW para SW.

4.3.4 Nuvens

A formação das nuvens é o resultado das correntes ascendentes do ar e, por isso, indica,
com razoável antecedência, as ocorrências de atividades convectivas fortes e moderadas. O
topo de grandes Cumulonimbus (Cb) caracteriza-se pela formação de nuvens Cirrus, que são
arrastadas por forte circulação divergente em altitude a grandes distâncias. Esses Cirrus em
forma de garras ajudam a previsão de aproximação de frente fria (figura 4.3).

Figura 4.3 - NUVENS CIRRUS EM GARRAS


A observação de CIRRUS em acentuado movimento de uma determinada marcação ou
azimute no horizonte, no mar, é um bom indício de chegada de mau tempo. Esta situação
indica o topo de um Cumulonimbus (Cb).

83
MOC 01
Exercícios resolvidos 4.3

Acompanhe com atenção a solução desses exercícios.

4.3.1) Cite alguma situação da evolução do tempo, devido a tendência da temperatura do ar.

Se a temperatura do ar diminuir, apresentando um resfriamento, devido a interação com a


umidade, ocorrerá o seguinte: a umidade relativa irá aumentar. Se o resfriamento persistir,
poderá atingir a temperatura do ponto de orvalho (TPO). Nessa situação o ar ficará saturado
(UR = 100%) e iniciará a condensação e formação de nebulosidade ou névoa úmida.

Você percebeu como é importante interpretar a tendência do tempo presente?

4.3.2) Cite outra influência da tendência da temperatura do ar na evolução do estado do tempo.

Agora vamos observar a influência do aquecimento do ar no comportamento da pressão


atmosférica. O ar em contato com uma superfície mais quente irá se aquecer. Ficará mais
quente, mais leve, ou seja, menos denso e sua tendência será ter movimento ascendente o
que resultará em nebulosidade.

Você reparou?

O aquecimento do ar junto à superfície, resulta em movimento ascendente do ar.

4.3.3) Qual a situação do tempo esperada, devido o movimento vertical do ar?

Se a tendência da circulação do ar é movimento ascendente, espera-se formação de nuvens.


Entretanto, se o movimento é descendente, não haverá nuvens.

4.3.4) O que precisa ser observado pelo navegante para haver um bom entendimento da
evolução do tempo?

Um observador interessado na evolução do tempo precisa entender uma série de conceitos


físicos e meteorológicos, tais como:

OCORRÊNCIA/TENDÊNCIA EVOLUÇÃO/PREVISÃO

Resfriamento do ar Aumento da UR
Aquecimento do ar Declínio da UR
Queda da temperatura do ar Elevação da pressão do ar
Elevação da temperatura do ar Declínio da pressão do ar
Circulação convergente do ar (área de Movimento ascendente do ar com
baixa pressão) formação de nuvens
Movimento ascendente do ar, com Formação de nebulosidade ao atingir a
resfriamento ao subir TPO
Formação de nuvens desenvolvidas Liberação de energia para fortes ventos e
tipo Cb tempestade
Ar muito úmido (UR alta) Formação de nuvens desenvolvidas tipo
Cb (Mau tempo)

84
OCORRÊNCIA/TENDÊNCIA EVOLUÇÃO/PREVISÃO

Ar com pouca umidade (UR baixa) Nuvens finas (Bom Tempo) com vento
fraco
Aproximação de Baixa (B) (Centro de Ventos fortes e nebulosidade com ar
Baixa Pressão – (B) ascendente. (Mau tempo)
Aproximação de Alta (A) (Centro de Ventos fracos, sem nebulosidade com ar
Alta Pressão – (A) descendente (Bom tempo)
Movimento do ar sobre superfície Resfriamento do ar e subida da UR
mais fria (poderá atingir a TPO e ocorrer névoa
úmida)
Movimento do ar sobre superfície Aquecimento do ar e queda da UR,
mais quente visibilidade boa
Chegada de massa fria (frente fria) Subida do ar local com formação de
nuvens Cb e ventos fortes (Mau tempo),
pancadas de chuva e trovoadas

4.4 IMAGENS DE SATÉLITES METEOROLÓGICOS (IR)

Para informação da cobertura do céu, com os tipos diferentes de NUVENS (Stratus,


Cumulus, Cumulonimbus e Cirrus) utiliza-se uma importante “ferramenta” que é a imagem de
satélite meteorológico no canal infravermelho (IR), que pode ser obtido no site
www.cptec.inpe.br, o qual atualiza as imagens de 3 em 3 horas.

A imagem de satélite IR detecta dados de temperatura nos diversos níveis da atmosfera,


ou seja, detecta nuvens em diversas altitudes.

Percebemos que as nuvens mais baixas (stratus) são menos frias, então tem coloração
na imagem, de um cinza menos claro.

Quanto mais alta a nuvem, mais clara é a cor do cinza da imagem. Então as nuvens mais
altas têm na imagem uma coloração mais branca. Observa-se então na imagem que a região
que não tem nebulosidade aparece na imagem com coloração escura, indicando área de céu
limpo, ou seja, sem nuvens.

85
MOC 01
As áreas com ocorrência de nuvens cumulonimbus, aparecem na imagem com coloração
branca intensa. Essas áreas indicam regiões com intensa atividade convectiva, logo são áreas
de MAU tempo, como na ocorrência de frente frias, tempestades e furacões.

Ver orientação sobre utilização dos sites da DHN e do CPTEC mais adiante, no tópico
Internet (5.1.4).

Exercícios resolvidos 4.4

4.4.1) Qual o tipo de imagem mais usada pelo navegante?

A imagem no canal infravermelho (IR) é de interesse do navegante, por possibilitar identificar a


ocorrência de nuvens tipo stratus, cirrus e cumulonimbus, bem como a posição de sistemas
frontais e a intensidade das frentes e indica a trajetória do sistema observado.

4.4.2) Como o observador identifica os diferentes tipos de nuvens, apresentados em uma


imagem IR?

A coloração das imagens IR contempla áreas escuras, cinza escuro, cinza claro, branco
esmaecido, branco forte e branco muito intenso. Essas colorações estão associadas a
espessura das nuvens e a temperatura das nuvens, sendo mais frio, mais branco e menos frio,
menos branco até o escuro na temperatura da superfície em área sem nuvens. As nuvens mais
espessas são mais brancas

4.4.3) Qual seria a coloração de área com ocorrência de cumulonimbus?

A nuvem Cb é muito espessa, ou seja, de grande desenvolvimento vertical, atingindo altos


níveis onde a temperatura é muito fria. Então a sua coloração na imagem é branco intenso.

As regiões mais brancas de uma imagem indicam presença de Cb, com mau tempo associado.

4.4.4) Qual a coloração da imagem em regiões com ocorrência de bom tempo?

Em áreas de bom tempo não há nuvens ou as nuvens são muito finais. Se não houver nuvens
as regiões apresentam coloração muito escura.

As nuvens stratus são de um cinza escuro e as nuvens cirrus de um branco claro com
contornos característicos de cristais de elo (esfiapados).

Considerações Finais

Você está concluindo a unidade mais interessante deste módulo. Realmente interpretar,
com desenvoltura, cartas e boletins meteorológicos e imagens de satélite, possibilitará que
você tenha boas condições de entender a evolução do estado do tempo e do estado do mar.

Você sabe que uma boa previsão de tempo e do mar, ameniza os danos na carga e na
embarcação. Saber evitar as ondas severas é de fundamental importância para os bons
navegantes.

86
Teste de Auto-Avaliação da Unidade 4

Responda, nos espaços, às seguintes questões:

4.1 Cartas e boletins meteorológicos

4.1.1) Cite o tipo de informação meteorológica (boletins e cartas) fornecido pela Diretoria de
Hidrografia e Navegação, Serviço Meteorológico Marinho, para atender determinada
atividade marítima, mediante solicitação do navegante interessado.
____________________________________________________________________________

4.1.2) Qual é o nome dado ao boletim que fornece informações meteorológicas sobre a área
de um porto? De que forma ele é transmitido?
____________________________________________________________________________

4.1.3) Qual será a área marítima do meteoromarinha, por cuja previsão meteorológica você
terá interesse, caso esteja navegando nas proximidades do porto de Vitória, no Espírito
Santo?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

4.1.4) A que se refere a primeira parte da METEOROMARINHA ?


____________________________________________________________________________

4.1.5) Defina uma carta meteorológica.


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

4.2. Tempo presente - Diagnóstico

4.2.1) Qual é a primeira necessidade do navegante em relação ao diagnóstico e prognóstico


do tempo?
____________________________________________________________________________

4.2.2) O que indicam os elementos meteorológicos, quando há variação brusca de


temperatura, pressão e direção do vento?
____________________________________________________________________________

4.2.3) O que poderá ocorrer, quando a temperatura da superfície do mar for bem mais baixa
que a do ar?
____________________________________________________________________________
87
MOC 01
4.2.4) O que poderá ocorrer, quando a temperatura da superfície do mar for bem mais elevada
que a do ar?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

4.2.5) O que pode indicar a observação de súbitas rajadas de vento e uma rápida e intensa
instabilidade acompanhada de trovoadas e forte precipitação?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

4.3 Evolução do tempo - Prognóstico

4.3.1) Em que favorece ao navegante a observação e acompanhamento dos elementos


meteorológicos, a bordo.
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

4.3.2) A que intervalos de tempo deve ser feita a observação e registro dos elementos
meteorológicos?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

4.3.3) Quando uma frente fria se aproxima, qual é o comportamento da temperatura?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

4.3.4) No caso da questão anterior, como se comporta a pressão?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

4.3.5) No avanço de uma frente fria, no Hemisfério Sul, qual é o comportamento do vento?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

4.4 Imagens de satélite

4.4.1) Que elemento da atmosfera é detectado pelo sensor do satélite meteorológico, canal
infravermelho (IR)?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

4.4.2) Em dia de seu limpo, sem nebulosidade, o satélite indica o que?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

4.4.3) Qual a coloração da imagem de satélite em região com nuvens?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

88
4.4.4) Como podemos diferenciar os tipos de nuvens indicadas nas imagens de satélite?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

4.4.5) Qual a coloração de uma nuvem cumulonimbus (Cb) em uma imagem IR?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

Chave de Respostas do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 4

4.1 Cartas e boletins meteorológicos

4.1.1) Boletim Especial de Previsão.


4.1.2) Boletim de Previsão para Área Portuária. É, normalmente, transmitido via radiotelefonia.
4.1.3) Área Delta.
4.1.4) A parte I refere-se a “aviso de mau tempo”.
4.1.5) Também conhecida como de previsão do tempo à superfície, as cartas sinóticas
apresentam informações meteorológicas, em forma gráfica, e são transmitidas por
Fac-Símile ou INTERNET.

4.2 Tempo presente - Diagnóstico

4.2.1) É o bom entendimento das condições do tempo presente.


4.2.2) Indicam passagem de frente.
4.2.3) Poderá ocorrer nevoeiro, afetando a visibilidade.
4.2.4) Poderá favorecer a convecção e, conseqüentemente, a instabilidade.
4.2.5) Pode indicar uma linha de instabilidade associada a uma frente fria que se aproxima.

4.3 Evolução do tempo - Prognóstico

4.3.1) Favorece o entendimento da evolução do tempo, ou seja, o prognóstico do tempo.

4.3.2) É necessário que essas observações sejam feitas e registradas, no mínimo, de 3 em 3


horas. Caso seja possível, é interessante adquirir o hábito de observar e registrar,
rotineiramente, a cada hora cheia.

4.3.3) Ocorre aumento significativo de temperatura, passando a cair durante e após a


passagem da frente.

4.3.4) Quando uma frente fria se aproxima, a pressão cai até a chegada da frente, passando a
subir, após sua passagem.

4.3.5) No avanço de uma frente fria, normalmente se observa brusca mudança de direção do
vento de N ou NW para S ou SW.
89
MOC 01
4.4 Imagem de satélite

4.4.1) O satélite IR detecta a temperatura das gotículas de água e gelo (nebulosidade)


presentes na coluna de ar até a superfície.

4.4.2) Quando o céu está limpo, a indicação da imagem do satélite é a temperatura da


superfície. Então apresenta cor escura.

4.4.3) As nuvens são indicadas nas imagens com coloração branca e as regiões sem
nebulosidade com coloração cinza escuro ou totalmente escuro.

4.4.4) Na imagem de satélite as nuvens mais altas e mais espessas apresentam coloração
branca mais intensa e as nuvens mais baixas e as mais finas apresentam coloração
branca ou cinza claro esmaecida (fraca).

4.4.5) As nuvens cumulonimbus, características de mau tempo, aparecem com coloração


branca intensa. Isto, possibilita o navegante perceber a posição e a intensidade de uma
tormenta.

Parabéns pelo seu resultado nesta unidade!

Continue seus estudos e avance para a unidade 5


onde você estudará as “Mensagens
Meteorológicas”.

90
UNIDADE 5

MENSAGENS METEOROLÓGICAS

Nesta unidade, você vai

 Conhecer os procedimentos e recomendações para as observações


meteorológicas a bordo das embarcações.
 Exercitar a elaboração de mensagem SHIP.

Ninguém sabe melhor que você como está o tempo no mar, no local de sua embarcação.
Você está observando, presenciando e constatando o estado do mar. Mas isso não é
suficiente.

Você deseja e muito, saber as condições no dia seguinte e não nesse mesmo lugar e sim
onde o seu navio vai chegar amanhã.

Então, precisa-se de colaboração de todas as embarcações no oceano. Elas podem e


devem contribuir fazendo cada uma as observações e elaborando a respectiva mensagem
SHIP.

Para alcançarem o objetivo que todos desejam, ou seja, fazer boa viagem com bons
ventos e mar tranqüilo!

Vamos ao nosso estudo!

5.1 RECEPÇÃO DE BOLETINS METEOROLÓGICOS, CARTAS


SINÓTICAS E IMAGENS

Agora que você já está ciente da importância do conhecimento de meteorologia para a


execução de uma navegação segura, cabe a pergunta:

— Como obter o Boletim Meteorológico para acompanhar a evolução do


tempo presente no local a ser navegado?

91
MOC 01
Pois bem, nesta subunidade veremos quais são os modos possíveis para se obter o
boletim meteorológico. Certamente, haverá um modo mais adequado para que você possa
obter o boletim a bordo de sua embarcação, dependendo, logicamente, dos equipamentos
disponíveis.

Os meios de transmissão dos boletins que, conseqüentemente, irão impor a condições de


recepção dos mesmos a bordo, referem-se, principalmente, aos transmitidos pela Diretoria de
Hidrografia e Navegação, tendo em vista que são específicos para a navegação aquaviária,
sendo, portanto, dirigido especialmente a você, navegante.

5.1.1 Boletim de Previsão para Áreas Portuárias

O boletim de previsão do tempo para a área portuária, muito utilizado na navegação


regional e interior, é transmitido, em linguagem clara, por radiotelefonia, via aparelho SSB.

As estações costeiras, administradas pela EMBRATEL, que transmitem esse tipo de


boletim, são as seguintes:

 Belém Rádio (PPL)

Posição da estação:  = 01o 25’ S  = 048o 26’ W

Freqüência: 4369,8 kHz

Horário de transmissão: 01:03; 06:03; 10:03; 12:03; 15:03 e 21:03

Trecho abrangido: Proximidade do porto de Belém

 Olinda Rádio (PPO)

Posição da estação:  = 08o 04’ S  = 034o 55’ W

Freqüência: 4369,8 kHz

Horário de transmissão: 01:03; 06:03; 10:03; 12:03; 15:03 e 21:03

Trecho abrangido: Proximidade dos portos de Recife e Salvador.

 Rio Rádio (PPR)

Posição da estação:  = 22o 58’ S  = 043o 40’ W

Freqüência: 4413,2 kHz

Horário de transmissão: 01:03; 06:03; 10:03; 12:03; 15:03 e 21:03

Trecho abrangido: Proximidade dos portos do Rio de Janeiro e Vitória.

92
 Junção Rádio (PPJ)

Posição da estação:  = 32o 11’ S  = 052o 10’ W

Freqüência: 4382,2 kHz

Horário de transmissão: 01:03; 06:03; 10:03; 12:03; 15:03 e 21:03

Trecho abrangido: Proximidade do porto do Rio Grande.

5 . 1 . 2 B o l e t i m d e C o n d i ç ã o e P r e v i s ã o d o T e m p o (METEOROMARINHA)

(0000HMG E 1200 HMG)

O boletim de condição e previsão do tempo para a área marítima brasileira


(METEOROMARINHA) é emitido de acordo com a normas estabelecidas pela Organização
Mundial de Meteorologia – OMM, conforme visto na subunidade 4.1 da unidade 4, sendo
destinado, também, à navegação marítima de longo curso e cabotagem.

O METEOROMARINHA é transmitido atualmente no Brasil também pela Internet, pelo


site www.dhn.mar.mil.br

Áreas de Previsão – As áreas definidas por letras e limitadas por linhas cheias em cinza
representam as regiões para as quais o Serviço Meteorológico Marinho diariamente divulga
previsões meteorológicas.

A distribuição da previsão meteorológica ao longo da costa é feita em 8 áreas,


começando pela Costa Sul com a letra A até a letra H na Costa Norte. É interessante observar
que, na região entre Florianópolis (SC) e Cabo Frio (RJ), a área oceânica leva a letra B e a
área costeira leva a letra C. As previsões cobrem ainda duas regiões oceânicas bem afastadas
da costa até o meridiano de 20o de longitude W, as quais são designadas pela letra S de Sul e
pela letra N de Norte.

As estações que transmitem o METEOROMARINHA são as seguintes:

 Belém Rádio (PPL)

Posição da estação:  = 01o 25’ S  = 048o 26’ W

Freqüência: 4321 e 8462 kHz

Horário de transmissão: 22:00 e 10:00

Trecho abrangido: Áreas E, F, G, H e N.

93
MOC 01
 Olinda Rádio (PPO)

Posição da estação:  = 08o 04’ S  = 034o 55’ W

Freqüência: 4321 e 8462 kHz

Horário de transmissão: 04:30 e 16:30

Trecho abrangido: Áreas D, F, E e N

 Estação Rádio da Marinha do Rio de Janeiro (PWZ-33)

Posição da estação: Posição da estação:

Freqüência: Freqüência:

Horário de transmissão: Horário de transmissão:

Trecho abrangido: Trecho abrangido:

 Junção Rádio (PPJ)

Posição da estação: Posição da estação:

Freqüência: Freqüência:

Horário de transmissão: Horário de transmissão:

Trecho abrangido: Trecho abrangido:

A estação Rádio da Marinha do Rio de Janeiro transmite, também, nos horários


01:15; 08:45 e 18:45 horas, em radiotelefonia, via VHF, o METEOROMARINHA; no
entanto, esse tipo de emissão tem alcance reduzido.

5.1.3 Carta Meteorológica (0000 HMG e 1200 HMG) e Imagem de Satélite

Como sabemos, as cartas meteorológicas ou cartas sinóticas ou cartas de pressão ao


nível do mar são representações gráficas da situação do tempo e, portanto, consideradas como
boletins gráficos de meteorologia, sendo emitidas de duas formas distintas:

 Fac-Símile – Neste caso, a resposta é feita por um aparelho próprio denominado fac-
símile, que é capaz de receber a emissão de uma estação especializada na transmissão de
cartas meteorológicas. Para tanto, é necessário que o navegante sintonize o fac-símile de
bordo em um dos Centros de Transmissão abaixo discriminados:

94
Centro de transmissão: Rio de Janeiro, Brasil

Indicativo de chamada: PWZ 33

Área de recepção: Paralelos de 10o N a 35o S

Meridianos de 015o W e 085o W

Freqüência: 12025 e 17140 kHz

Horário (HMG): 07:45 às 08:30 e 17:45 às 18:30

Centro de transmissão: Brasília, Brasil

Indicativo de chamada: PPNA

Área de recepção: Paralelos de 15o N a 35o S

Meridianos de 010o W e 085o W

Freqüência: 10225 e 18080 kHz

Horário (HMG): 15:10 às 19:40

 Internet – O navegante, em águas brasileiras, já dispõe hoje, a bordo das embarcações


com microcomputador instalado, dos recursos da INTERNET, que possibilita acessar os
sites de instituições que divulgam previsão do tempo e outros produtos meteorológicos de
interesse específico do navegante. Atualmente, já é possível acessar o Serviço
Meteorológico Marinho da Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), sediado no estado
do Rio de Janeiro. Em seu site, o navegante pode ser contemplado com o boletim
meteorológico, aviso de mau tempo e, principalmente, a carta sinótica de pressão ao nível
do mar com a representação gráfica dos centros de alta e baixa pressão bem como o
posicionamento das frentes existentes, além da direção e intensidade do vento à superfície
na área marítima. Site da DHN = www.dhn.mar.mil.br; Site para imagem =
www.cptec.inpe.br. As imagens são atualizadas de 3 em 3 horas e indicadas também em
HMG.

5.1.4 Orientações para utilização dos sites

Site da DHN (Meteoromarinha e Cartas sinóticas ) – www.dhn.mar.mil.br


Selecionar: Meteorologia
 Serviços meteorológicos;
 Opções de interesses do navegante;
 Avisos de mau tempo.
 Boletim meteoromarinha (0000HMG ou 12000HMG).
 Cartas sinóticas (das 0000 HMG ou 1200 HMG), Selecionar o dia de interesse.

Neste site pode-se também consultar outros produtos da DHN, como glossário e cartas
de ondas. Para cartas de ondas, selecione: Previsão Numérica.

 WAM – Modelo matemático de previsão de ondas.

 Metarea V ou região Sudeste.

95
MOC 01
 Altura significativa e direção das ondas.

 Consultar a carta de previsão de ondas a cada 6 horas.

Site para Imagem de Satélite – INPE

www.cptec.inpe.br

Selecionar: SATÉLITE
 Escolher a região América do Sul ou outra de área menor (maior resolução),que
seja do interesse do navegante.
 Comparar sempre a imagem com a carta sinótica do mesmo horário.
 Trabalhar sempre com imagem IR (Infravermelho)

A melhor maneira de se ganhar habilidade com previsão do tempo é acessar


com freqüência os sites mencionados.

5.1.5 Outras Informações Meteorológic as

Existem outros meios de se obter informações sobre o tempo, porém normalmente tais
informações são voltadas para áreas continentais ou são informações mais genéricas,
podendo, entretanto, ser úteis ao navegante. Vejamos onde obtê-las:

Estações de Rádio e Televisão Locais – Uma das formas bastante simples de se obter
informações meteorológicas é através da transmissão feita por radiodifusão, ou seja, por meio
de rádio ou televisão local. Normalmente, essas informações são fornecidas dentro de uma
programação própria, sendo, portanto, necessário que o navegante conheça a programação da
estação de rádio ou televisão, pois geralmente estão incluídas nos noticiários.

Jornais – Periódicos e jornais, de grande circulação, normalmente divulgam,


diariamente, dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia, e, em muitos casos,
apresentam imagens de satélite com os detalhes referentes à nebulosidade e à localização de
áreas de alta e baixa pressão, assim como o posicionamento de frentes.

Exercícios resolvidos 5.1

Faça o que se pede e fixe as soluções dos exercícios.


5.1.1) Na recepção da imagem de satélite o navegante observa a seguinte indicação na parte
superior esquerda: 200710281015. O que significa este registro?

É a indicação da data e horário da imagem, seguindo a ordem ano, mês e horário da imagem:
Ano 2007, mês 10 (outubro), dia 28, 10 horas (HMG) e 15 minutos.

96
5.1.2) Na recepção da carta sinótica e do boletim meteoromarinha, como identificar a data e o
horário?

Usa-se o grupo de 6 algarismos para representar a data e a hora, do seguinte modo: dia,
sempre com dois algarismos; a hora, com dois algarismos; e, os minutos, com dois algarismos.
Por exemplo: 281200Z significa dia 28, às 12 horas (HMG). A letra Z (ZULU) representa horário
HMG, ou seja, fuso ZERO, que é o fuso do meridiano de Greenwich.

É bom ressaltar que as cartas sinóticas e os boletins meteoromarinha são elaborados sempre
para os horários de 0000Z e 1200Z.

É interessante observar que estes horários indicam o instante das observações meteorológicas
efetuadas pela rede de estações e navios (mensagens SHIP). Esses dados são analisados e
então elaborada a carta sinótica e o boletim, que são divulgados pelos meios de comunicação
disponíveis cerca de 2 horas depois desses horários, mantendo como referência a hora da
observação (0000Z ou 1200Z).

5.2 OBSERVAÇÃO E REGISTRO DE DADOS

Esta parte do nosso estudo tem por finalidade habilitar o navegante a observar
corretamente os elementos meteorológicos e o estado do mar, a registrar os dados obtidos
dentro de métodos padronizados internacionalmente e a organizar as mensagens SHIP.

As mensagens SHIP nada mais são do que as observações dos elementos


meteorológicos feitas pelo navegante, as quais devem ser encaminhadas às estações-rádio
costeiras para posterior retransmissão ao Serviço Meteorológico Marinho da DHN, que
centraliza as mensagens SHIP e demais informações e elabora o Meteoromarinha, que é
disseminado a todos os navegantes.

O Meteoromarinha é, portanto, baseado nas informações fornecidas pelas embarcações.


Verifica-se, então, que a observação correta dos parâmetros meteorológicos tem importância
fundamental no processo geral de previsão do tempo e que a execução das medições e a
leitura dos instrumentos devem merecer o maior cuidado por parte do navegante.

É interessante ressaltar que, apesar dos avanços tecnológicos como satélites


meteorológicos e bóias para observações automáticas, as informações dos navegantes
continuam a ser a mais importante fonte de dados nas áreas marítimas, onde há escassez de
informações de superfície. Nessas áreas, a qualidade da previsão do tempo está estreitamente
ligada à colaboração e ao empenho dos navegantes que estão navegando na região em
questão.

Os navegantes podem participar e adicionar confiabilidade à previsão do tempo por meio


das seguintes ações:

 observação meteorológica de rotina;

 informação da observação de rotina efetuada pela transmissão de mensagem SHIP; e

 informação de mau tempo, pela transmissão de mensagens de perigo e especiais.

97
MOC 01
A colaboração do navegante, além e resultar em benefício próprio, também está ligada à
salvaguarda da vida humana no mar, de acordo com a Convenção Internacional para
Salvaguarda da Vida Humana no Mar (SOLAS), E às normas nacionais sobre o tráfego
marítimo segundo a lei de Segurança do Tráfego Aquaviário – LESTA (1997) e sua
regulamentação RLESTA (1998) e a NORMAM-12. Essas normas preceituam o preenchimento
do “Diário de Navegação”, que inclui o registro das observações meteorológicas. Esse registro,
que tem valor jurídico em casos de eventuais acidentes de navegação e inquéritos
administrativos, poderá ser útil na defesa dos navegantes em caso de controvérsias.

As
As observações meteorológicas devem ser feitas com regularidade e nos
horários-padrão, registradas tanto no Diário de Navegação, como no modelo
mensagem SHIP, o qual deve ser transmitido com agilidade..

5.2.1 Observações Me teorológicas de Rotina

Como rotina, as observações meteorológicas devem ser efetuadas em horários


padronizados internacionalmente, denominados “horários sinóticos”. Estes horários em Hora
Média de Greenwich (HMG) são os seguintes:
 horas sinóticas principais – 0000, 0600, 1200 e 1800; e
 horas sinóticas intermediárias – 0300, 0900, 1500 e 2100.

É importante ressaltar que, para se ter a exata noção do estado do tempo em uma região
oceânica, as observações devem ser efetuadas no mesmo instante e em todas as estações
terrestres e embarcações. Por esta razão é adotada a Hora Média de Greenwich – HMG para
os horários sinóticos. Isto significa que quaisquer que sejam os fusos horários das regiões
navegadas pelas embarcações, as observações meteorológicas serão efetuadas simultaneamente
nesses horários sinóticos em HMG. Na costa do Brasil, como o fuso é + 3, a hora do relógio do
navegante indicará sempre 3 horas menos que a hora HMG (Fuso zero). Por isso, para cumprir
os horários sinóticos em HMG, os navegantes da costa brasileira efetuam suas observações às
2100, 0300, 0900 e 1500 horas do fuso ou hora legal, que correspondem aos horários sinóticos
padronizados em HMG (0000, 0600, 1200, 1800). Certo? Ter especial atenção nos meses em
que estiver em vigor o horário de verão no Brasil.

O navegante deve observar e registrar, portanto, os seguintes elementos meteorológicos:

 Visibilidade Horizontal

A visibilidade deve ser medida pelo observador, que levará em consideração dois fatores
importantes: o primeiro refere-se à visibilidade máxima que, como sabemos, é função da
elevação do observador; o segundo refere-se à existência ou não de nevoa úmida (nevoeiro)
que, dependendo da intensidade, pode diminuir a visibilidade máxima. Observe o exemplo a
seguir:

Exemplo:

Um navegante, a 4 metros de altura do nível do mar, preocupa-se em verificar qual é a


visibilidade naquele instante, sendo que existe uma fraca nevoa úmida que representa,
98
aproximadamente, uma redução de 10% na visibilidade máxima. Qual é a visibilidade deste
navegante?

Solução:
Utilizando a fórmula que calcula a distância ao horizonte, obtemos:

Visibilidade Máxima  2 h

Visibilidade Máxima  2 4

Visibilidade Máxima  4 milhas

Como existe uma nevoa úmida (nevoeiro) prejudicando estimadamente 10%, a


visibilidade máxima será:

Visibilidade Atual = 4 – 0,4

Visibilidade Máxima  3,6 milhas

É bom lembrar que quando a nevoa úmida é muito forte, reduzindo a visibilidade a menos
de 1 Km, passamos a chamá-la de nevoeiro.

Viu como é simples !!!

 Nebulosidade – A nebulosidade nada mais é do que a cobertura do céu por nuvens.


E, para observar a nebulosidade, o navegante deve colocar-se em uma posição em
que possa ver a área do céu. Exprime-se a quantidade de nuvens no céu por meio de
uma fração proporcional à área encoberta, estimada ou observada em oitavos.
Portanto, a porção do céu encoberta é indicada ou expressa desde 1/8 a 8/8, onde
8/8 indica que o céu encontra-se totalmente encoberto.

 Direção e Intensidade do Vento – A observação da direção e intensidade do vento


já vimos em subunidade deste nosso estudo. Leitura do anemômetro e biruta.

 Temperatura do Ar – Como vimos anteriormente, basta uma simples leitura no


termômetro de bordo.

 Pressão Atmosférica – Assim como a temperatura, também basta a leitura no


barômetro de bordo.

Muito bem. Você já deve ter percebido que observar os elementos meteorológicos e
registrá-los em Diário de Navegação é tarefa bastante simples e muito importante para a
segurança da navegação.

Entretanto para elaborar a mensagem SHIP, há necessidade de se codificar as


informações a serem transmitidas, segundo um procedimento padronizado internacionalmente
pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM), conforme veremos a seguir.

Verifique o que foi estudado até aqui. Realize a tarefa a seguir.

99
MOC 01
Exercícios resolvidos 5.2

Fixe as soluções apresentadas.

5.2.1) Quais são os horários que o navegante a bordo, deve efetuar as observações
meteorológicas de rotina?

Estes horários conhecidos como horários sinóticos são 0000Z, 0600Z, 1200Z e 1800Z. É
sempre importante ressaltar que além de registrar no diário de navegação, o navegante deve
elaborar a mensagem SHIP e transmiti-la para o Serviço de Meteorologia Marinho, na DHN,
nos horários de 0000 HMG e 1200 HMG

5.2.2) Quais os principais elementos meteorológicos que os navegantes devem observar nos
horários sinóticos?

Inicialmente é bom ressaltar os cuidados que os navegantes devem ter com os instrumentos,
para garantir uma leitura confiável dos seguintes parâmetros: temperaturas do ar e da água do
mar (termômetros), pressão do ar (barômetro), umidade do ar (psicrômetro), direção e
velocidade do vento (anemômetro e cata-cento), nuvens (cobertura do céu em oitavos) e
visibilidade em milhas.

5.3 MENSAGENS SHIP

Conforme vimos na subunidade passada, a mensagem SHIP é a forma pela qual os


navegantes devem informar ao Serviço Meteorológico Marinho da Diretoria de Hidrografia e
Navegação (DHN) o tempo presente. Desta forma, estará contribuindo e, quanto mais
navegantes contribuírem com informações sobre o tempo, certamente, mais completo e
confiável ficará o boletim meteorológico (METEOROMARINHA) a ser transmitido aos
navegantes que, conseqüentemente, terão maior segurança em sua navegação. Entendeu
como funciona?

Muito bem, nesta subunidade veremos como é formada a mensagem SHIP e como
confeccioná-la. Preste atenção!!l

5.3.1 Mensagem Meteorológica – SHIP

A mensagem SHIP pode ser apresentada de três formas distintas: forma completa,
forma abreviada e forma reduzida, isto porque, dependendo dos equipamentos para a
observação meteorológica existentes a bordo, poderá o navegante enviar uma das formas da
mensagem. Entretanto, neste nosso estudo só veremos a forma reduzida, que é comumente
utilizada nas embarcações mercantes.

100
As mensagens SHIP são apresentadas de forma codificada e, segundo normas
estabelecidas pela OMM, é com esses códigos meteorológicos que deve ser preenchido o
Registro Meteorológico FM-13-IX SHIP (modelo DHN-5938), o qual é distribuído
gratuitamente aos navegantes. Observe a figura 5.1, que corresponde ao modelo DHN-5938:

Figura 5.1 - MODELO MENSAGEM SHIP


Na elaboração da mensagem SHIP REDUZIDA o navegante utiliza apenas a primeira e a
ultima linha do modelo.

Na elaboração da mensagem SHIP, as letras ou símbolos que constituem os grupos são


substituídos por algarismos que, segundo os códigos próprios, representam os valores
medidos ou aspectos observados dos elementos meteorológicos correspondentes.

A mensagem SHIP reduzida consiste no preenchimento das linhas indicadas com a seta
na figura 67, ou seja, a primeira e a última linha. Os significados das diversas letras e símbolos
que compõem os grupos deste tipo de mensagem SHIP são os seguintes:

Todos os grupos são compostos por 5 (cinco) dígitos, algarismos ou barras na ausência
de informação. Todos os símbolos constantes da mensagem SHIP são encontrados e
comentadas na publicação da DHN – Manual do observador meteorológico.

 grupo DDDDD
Indicativo internacional de chamada do navio (prefixo)

Exemplo: N/M Bravo que tem como indicativo de chamada PPYZX, DDDDD = PPYZX

101
MOC 01
 grupo YYGGiw
YY – Indica o dia do mês
GG – Hora média de Greenwich (HMG) da observação, aproximada a hora inteira;
iw – Tipo de observação do vento:

0 – velocidade estimada em m/s;


1 – velocidade medida por anemômetro em m/s;
3 – velocidade estimada em nós; e
4 – velocidade medida por anemômetro em nós.

Exemplo: Observação efetuada com anemômetro em nós, às 20:00 horas local (fuso + 3)
do dia 3 de março.
YYGGiw = 03234

 grupo 99LaLaLa
99 – Algarismos complementares do grupo.
LaLaLa – Latitude expressa em graus até décimos (lembrete: cada décimo de grau é
igual a 6 minutos).

Exemplo: Quando da observação meteorológica, a embarcação encontrava-se na latitude


de 23o 36’ S.

99LaLaLa = 99236

 grupo QcLoLoLo
Qc – Quadrante do globo onde se encontra o navegante:

Qc Latitude Longitude
1 Norte Leste
3 Sul Leste
5 Sul Oeste
7 Norte Oeste

LoLoLoLo – Longitude expresso em graus até décimos.

Exemplo: Quando da observação meteorológica, a mesma embarcação do exemplo


anterior encontrava-se na longitude de 043o 18’ W.

QcLoLoLoLo = 50433

102
 grupo irix/VV
ir – Indicador para a inclusão ou omissão de dados de precipitação:

2 – incluído na seção 3 o grupo 6 RRRtr;


3 – omitido o grupo 6 RRRtr (não ocorreu precipitação; e
4– omitido o grupo 6 RRRtr (instrumento inoperante). (Navio Mercante
navegando)

ix – Indicador do tipo de operação da estação e inclusão ou omissão de dados dos


tempos presente e passado (www1.w2):

1 - Estação manual – incluindo o grupo 7wwW1W2;


2 - Estação manual – omitido por não ter ocorrido nenhum fenômeno
significativo;
3 - Estação manual – omitido por não ter sido observado;
4 - Estação automática – incluindo o grupo 7wwW1W2;
5 - Estação automática – omitido por não ter ocorrido nenhum fenômeno
significativo; e
6 - Estação automática – omitido por não ter sido observado.

VV – Visibilidade horizontal à superfície:

90 – menos de 50 m 95 – 2 km a 4 km
91 – 50 m a 200 m 96 – 4 km a 10 km
92 – 200 m a 500 m 97 – 10 km a 20 km
93 – 500 m a 1 km 98 – 20 km a 50 km
94 – 1 km a 2 km 99 – mais de 50 km

Exemplo: Observação efetuada por navio mercante navegando, com visibilidade de 5 Km,
com ocorrência de fenômenos significativos de tempo presente e tempo
passado, observado em estação manual) ir ix/vv = 41/96.

103
MOC 01
 grupo Nddff
N – Cobertura total de nuvens expressa em oitavos do céu:

0 - céu limpo 5 - 5 oitavos


1 - 1 oitavo 6 - 6 oitavos
2 - 2 oitavos 7 - 7 oitavos
3 - 3 oitavos 8 - céu totalmente coberto
4 - 4 oitavos 9 - céu obscuro ou avaliação impossível

dd – Direção verdadeira de onde sopra o vento real em dezenas de graus (00 a 36):

1 - calmaria 1 - 185 a 194


2 - 005 a 014 2 - 195 a 204 – SW
3 - 015 a 024- NNE 3 - 205 a 214
4 - 025 a 034 4 - 215 a 224
5 - 035 a 044 5 - 225 a 234 – SW
6 - 045 a 054 – NE 6 - 235 a 244
7 - 055 a 064 7 - 245 a 254 – WSW
8 - 065 a 074 – ENE
8 - 255 a 264
9 - 075 a 084
9 - 265 a 274 – W
10 - 085 a 094 – E
10 - 275 a 284
11 - 095 a 104
11 - 285 a 294 – WNW
12 - 105 a 114 – ENE
12 - 295 a 304
13 - 115 a 124
13 - 305 a 314
14 - 125 a 134
14 - 315 a 324 – NW
15 - 135 a 144 – SE
15 - 325 a 334
16 - 145 a 154
16 - 335 a 344
17 - 155 a 164
17 - 345 a 354
18 - 165 a 174 18 - 355 a 004 – N
19 - 175 a 184 – S

ff – Intensidade do vento na unidade indicada por iw. Se superior a 99 unidades, será


codificada no grupo Nddff como 99 e no grupo 00fff deverá ser registrada a sua
intensidade real:

Exemplo: O céu encontra-se com 5 oitavos de cobertura total de nuvens, a direção real do
vento é de 150o e a intensidade de 18 nós. Nddff = 51518

104
 grupo 00fff
Esse grupo somente será transmitido e registrado se a intensidade do vento for igual ou
superior a 99 na unidade indicada em iw.
00 – Indicador da posição do grupo.
fff – Intensidade do vento na unidade em iw.

Exemplo: Situação do céu de avaliação impossível, a direção do vento é de 250o


verdadeiros e a intensidade de 110 nós.
Nddff = 92599 00ff = 00110

 grupo 1SnTTT
1 – Indicador de posição do grupo.
Sn – Indicador do sinal da temperatura do ar.

0 – temperatura positiva ou zero;


1 – temperatura negativa.

TTT – Temperatura do ar em graus Celsius até décimos.


Na mensagem SHIP REDUZIDA a temperatura do ar é apresentada em graus Celsius
inteiros. Coloca-se no espaço reservado ao décimo, uma barra, para completar o grupo
com 5 (cinco dígitos).

Exemplo: A temperatura do ar é de + 26o,4 C.


1SnTTT = 1026/

Exemplo: A temperatura do ar é de – 00o,6 C.


1SnTTT = 1101/

 grupo 4PPPPs
4 – Indicador da posição do grupo.
PPPP – Pressão atmosférica reduzida ao nível do mar, em unidade de décimos de
hectopascal (hPa). A pressão do ar é apresentada em unidades de hPa inteiras
na mensagem SHIP reduzida. Alem disso, a pressão é registrada em centenas
de unidades de hPa, não se registra o milhar de hPa. No espaço reservado ao
décimo, coloca-se uma barra /, para completar o grupo com 5 (cinco) dígitos.

Exemplo: A pressão atmosférica é de 972,4 hPa.


4PPPP = 4972/

Exemplo: A pressão atmosférica no nível do mar é de 1029, 1 hPa.


4PPPP = 4029/

105
MOC 01
 grupo 7wwW1W2
Este grupo somente será incluído na mensagem se forem observados fenômenos
significativos de tempo presente e/ou passado.

7 – Indicador de posição do grupo.


ww – Tempo presente.

00 – 19 - ausência de precipitação, nevoeiro, tempestade de poeira,


de areia ou de neve, na estação, na ocasião ou na hora
precedente.
20 - 29 - precipitação, nevoeiro, ou trovoada na hora precedente,
porém não na ocasião.
30 – 39 - tempestade de poeira, de areia ou de neve.
30 – 49
- nevoeiro na ocasião.
50 – 59
- precipitação na estação, a ocasião.
60 – 69
- chuva na ocasião.
70 – 79
- precipitação sólida, não em forma de pancadas na ocasião.
- precipitação em formas de pancadas ou precipitação com
80 - 99
trovoadas recentes na ocasião.

W1W2 – Tempo passado.

0- céu metade ou menos da metade coberto.


1- céu, ora mais da metade, ora menos da metade coberto.
2- céu mais da metade coberto.
3- tempestade de areia, de poeira ou e neve.
4- nevoeiro, ou nevoeiro gelado, ou névoa seca densa.
5- chuvisco.
6- chuva.
7- neve, ou chuva e neve.
8- pancada(s).
9- trovoada(s) com ou sem precipitação.

Exemplo: Observado na ocasião pancadas de chuvas com trovoadas e nas horas precedentes
céu mais da metade coberto e trovoadas. 7www1w2 = 78092.

106
 grupo 222DsVs

222 – Significa que os dados a seguir se referem à observação das condições da


navegação marítima.
Ds – Rumo verdadeiro resultante do deslocamento do navio nas 3 horas
precedentes à da observação.

0- Parado
1- NE
2- E
3- SE
4- S
5- SW
6- W
7- NW
8- N
9- desconhecido

Vs – Velocidade Média do navio nas 3 horas precedentes à hora observação:

0- Parado
1- 1 a 5 nós
2- 6 a 10 nós
3- 11 a 15 nós
4- 16 a 20 nós
5- 21 a 25 nós
6- 26 a 30 nós
7- 31 a 35 nós
8- 36 a 40 nós
9- mais de 40 nós

Exemplo: Durante 3 horas precedentes à observação, a embarcação navegou em um rumo


verdadeiro de 40o a uma velocidade de 07 nós.

222DsVs= 22212

Agora, coloque em prática o que aprendeu.

Exercícios resolvidos 5.3

Preste atenção às soluções apresentadas.

5.3.1) Qual o tipo de mensagem SHIP utilizada nos navios mercantes?

Nos navios mercantes utiliza-se a mensagem SHIP na forma REDUZIDA.

5.3.2) Em que publicação os navegantes podem obter orientações para preenchimento dos
107
MOC 01
modelos de elaboração da mensagem SHIP?

O navegante deve se orientar pelo modelo de mensagem SHIP – DHN – 5938 ilustrado nesta
unidade. Para padronização e codificação das observações, os navegantes podem consultar o
Livro de Meteorologia e Oceanografia (LOBO – 2007) indicado nas referências bibliográficas, e
o Manual do Observador Meteorológico (DHN) também indicado.

5.3.3) Como os navegantes, após observação, elaboram as mensagens SHIP Reduzidas?

Inicialmente é bom ressaltar que basta preencher a primeira e última linhas do modelo DHN-
5938 para atender a forma reduzida.

A mensagem SHIP é composta por grupos de 5 dígitos. Esses grupos representam as


observações, de uma maneira padronizada e codificada.

5.3.4) Como os navegantes podem elaborar a mensagem SHIP Reduzida na forma codificada?

Os navegantes devem consultar as tabelas próprias para padronizar e codificar as mensagens


SHIP.

Considerações Finais

Você deve estar bem satisfeito ao encerrar esta unidade de elaboração de mensagem
meteorológica SHIP.

Você conscientemente sabe agora que pode estar inserido no círculo de pessoas que
contribuem para o bem e sucesso da navegação de inúmeras embarcações.

Todas e quaisquer embarcações necessitam de bons avisos meteorológicos. Estas


informações terão qualidade melhor pela contribuição de pessoas como você.

Vamos continuar nossos estudos, agora trabalhando com parâmetros oceânicos,


estudando ondas, vagas e marulhos.

Teste de Auto-Avaliação da Unidade 5

Responda, agora, às seguintes questões:

5.1 Recepção e boletins meteorológicos

5.1.1) Qual é o aparelho adequado para receber o boletim de previsão de tempo para áreas
portuárias?
____________________________________________________________________________

5.1.2) Cite uma estação rádio da Embratel que transmite boletim de previsão de tempo para
áreas portuárias da região norte.
____________________________________________________________________________

5.1.3) Qual é o boletim meteorológico mais adequado para quem está no longo curso ou na
108
cabotagem?
____________________________________________________________________________

5.1.4) Qual é o equipamento adequado para o recebimento de cartas meteorológicas?


____________________________________________________________________________

5.1.5) Cite um outro meio possível de se obter informações meteorológicas.


____________________________________________________________________________

5.2 Observação e registro de dados

5.2.1) Defina mensagens SHIP.


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

5.2.2) Qual é o objetivo da mensagem SHIP?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

5.2.3) Quais são as horas sinóticas principais?


____________________________________________________________________________

5.2.4) Quando da observação da nebulosidade, em quantas partes devemos dividir o céu?


____________________________________________________________________________

5.2.5) Onde devem ser registradas as observações dos elementos meteorológicos?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

5.3 Transmissão de mensagens SHIP

5.3.1) Quais são as formas em que a mensagem SHIP pode ser apresentada? E qual a forma
usada na marinha mercante?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

5.3.2) Segundo que normas as mensagens SHIP devem ser apresentadas de forma
codificada?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

5.3.3) A que corresponde o grupo DDDDD?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

5.3.4) O que significa, quando no grupo Nddff, a colocação do algarismo 8 no campo referente
a N?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
109
MOC 01
5.3.5) Quando é usado o grupo 00fff?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

Chave de Respostas do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 5

5.1 Recepção e boletins meteorológicos

5.1.1) O aparelho de SSB (fonia).


5.1.2) Belém Rádio (PPL).
5.1.3) Boletim de Condição e Previsão do Tempo – METEOROMARINHA.
5.1.4) Fac-Símile e, por meio de um computador ligado à INTERNET.
5.1.5) Programação de uma estação rádio local.

5.2 Observação e registro de dados

5.2.1) As mensagens SHIP são registros de forma padronizada das observações dos
elementos meteorológicos feitas pelo navegante, as quais devem ser transmitidas às
estações rádio costeiras.
5.2.2) Fornecer informações sobre o tempo ao Serviço Meteorológico Marinho da DHN, a fim
de que esse órgão possa compor os boletins meteorológicos e dissiminá-los para todos
os navegantes.
5.2.3) Horas sinóticas principais – 0000, 0600, 1200 e 1800 (HMG).
5.2.4) Em oito partes, ou seja, em oitavos de céu encoberto.
5.2.5) Mensagem SHIP e Diário de Navegação.

5.3 Transmissão de mensagens SHIP

5.3.1) Forma completa, forma abreviada e forma reduzida. A marinha mercante utiliza a forma
reduzida.
5.3.2) Segundo normas estabelecidas pela Organização Mundial de Meteorologia – OMM.
5.3.3) Ao indicativo internacional de chamada do navio (prefixo).
5.3.4) Céu totalmente coberto.
5.3.5) Esse grupo somente será registrado e transmitido se a intensidade do vento for igual ou
superior a 99 na unidade indicada em iw.

Parabéns, você concluiu com sucesso a


unidade 5, portanto, não perca o ritmo! Avance
para a unidade 6 e aprenda um pouco mais
sobre as “ondas”.

110
UNIDADE 6

ONDAS

Nesta unidade, você vai

 Conhecer os principais elementos das ondas e as características das


vagas e dos marulhos.
 Aprender a interpretar as condições favoráveis à formação das ondas.

Todos nós já apreciamos fatos e imagens de ondas na mídia, em publicações, no cinema


e mais interessante ainda ao vivo, na praia, e mesmo embarcado.

Sempre é a altura das ondas que nos impressionam e mesmo nos assustam. Como
navegante, você precisa conhecer as ondas com outro enfoque.

Você perceberá que as direções e os comprimentos de ondas terão interesse maior para
o navegante, de que a própria altura a da onda.

Veja só, como este estudo será interessante e apresentará novidades, visto que o
cidadão comum, aprecia por horas seguidas, nas praias, apenas a beleza das espumas, dos
borrifos e das arrebentações das ondas.

Nesta unidade, você verá os elementos e as características geradoras de uma onda que,
como sabemos, é um movimento vertical e ondulatório do nível do mar produzido pelo contato
e incidência do vento.

Estudará, também, os elementos que compõem uma onda, de forma a podermos


caracterizá-la, ou seja, podermos descrever o estado do mar através da altura, freqüência e
demais características das ondas, por exemplo. Veja, portanto, que é muito importante para o
navegante conhecer esses elementos e saber utilizá-los corretamente.

6.1 ELEMENTOS DAS ONDAS

6.1.1 Interação Atmosfera Oceano

A principal característica, no processo de formação de ondas, é a transferência de


energia por meio dos ventos, da atmosfera para o oceano. Basta uma ligeira brisa atuando
algum tempo sobre um mar plano, calmo, sem agitação, para que comece a surgir uma

111
MOC 01
pequena ondulação na sua superfície, o que, conseqüentemente, faz aumentar a superfície de
contato e incidência do vento (força de atrito).

A energia cinética dos ventos, proporcional a sua intensidade, é absorvida pela superfície
do mar como energia potencial, resultando na ondulação do mar. Essa energia potencial se
propaga até a linha de arrebentação. Ressalta-se que a propagação de energia, não implica
em deslocamento de massa d’água. Quando ocorre arrebentação, então, essa energia
potencial se transforma em energia cinética, resultando em movimento de massa d’água após
a arrebentação.

Após a arrebentação essa energia cinética é transformada em energia térmica por atrito
da costa ou da areia da praia. Por esta razão as águas das praias são mais quentes que as
águas do mar atrás da arrebentação. Os banhistas percebem essa diferença, quando
mergulham e furam as ondas.

O resultado da ação continua do vento é um favorecimento ao crescimento das ondas,


em virtude de se observar, na pequena ondulação criada, uma pressão maior à barlavento do
que à sotavento. Observe a figura 6.1.

Figura 6.1 - FORMAÇÃO DE VAGAS

Dessa forma, a onda crescerá até atingir uma situação de equilíbrio. A partir da situação
de equilíbrio, as ondas não aumentam mais suas alturas e o excesso de energia é consumido
em arrebentação de algumas ondas. Temos, então, uma situação conhecida como mar
encarneirado, devido à espuma branca das arrebentações das cristas das ondas.

6.1.2 Definição dos Elementos

Vamos à definição dos elementos de uma onda:

Crista É a parte superior do perfil da onda;

Cavado É a parte inferior do perfil da onda. Veja a figura 6.2.

Figura 6.2 - CRISTAS E CAVADOS

112
É a distância horizontal entre duas cristas ou dois
Comprimento
cavados consecutivos. Símbolo L.

É a distância vertical entre uma crista e um


Altura cavado consecutivos. Símbolo H. Veja a figura
6.3.

Figura 6.3 - ALTURA E COMPRIMENTO DE ONDA

Período de uma onda é o tempo que leva para


Período passar por um mesmo ponto duas cristas
consecutivas ou dois cavados consecutivos. Símbolo
T.

É o inverso do período, ou seja, é o número de


Freqüência cristas que passa por um ponto em um determinado
tempo ou o número de cavados. Símbolo 1/T.

Velocidade de propagação das ondas é a distância


Velocidade de Propagação horizontal percorrida por uma crista ou por um
cavado na unidade de tempo. Símbolo V.

É o conjunto de ondas de características iguais ou


Trem de Ondas parecidas, cuja propagação tem a mesma direção
(figura 6.4).

Figura 6.4 - TREM DE ONDAS

É o ponto ou setor do horizonte de onde vem a onda,


Direção
devendo ser medido por meio da rosa-dos-ventos.

É a razão entre a altura e o comprimento da onda, ou


Declividade
seja: Declividade = H/L

Esta relação é muito usada para indicar a possibilidade de arrebentação. A arrebentação


da onda acontece quando a declividade é maior que 1/7, ou seja, quando a razão H/L > 1/7.
113
MOC 01
Exercícios resolvidos 6.1

Fixe as soluções apresentadas.

6.1.1) Cite as principais características e elementos das ondas?

ELEMENTOS DE UMA ONDA

ELEMENTO DEFINIÇÃO

ONDAS Movimento ondulatório da superfície do mar (vagas e


marulhos).

VAGAS Ondas formadas no interior de uma zona de turbulência


atmosférica, pela ação dos ventos.

MARULHO Vagas que se afastam de seu local de origem,


propagando-se a regiões distantes, onde não mais se fazem
sentir os efeitos do vento que formou essas vagas.

CRISTA Parte superior do perfil das ondas.

CAVADO Parte inferior do perfil das ondas.

COMPRIMENTO Comprimento da onda é a distância horizontal entre duas


cristas ou dois cavados consecutivos (L).

ALTURA Altura da onda é a distância vertical entre uma crista e um


cavado consecutivo (H).

PERÍODO Período da onda é o tempo que leva para passar por um


mesmo ponto duas cristas consecutivas ou dois cavados
consecutivos (T).

FREQUÊNCIA É o inverso do período. É o número de cristas que passam por


um ponto em um determinado tempo ou o número de
cavados (1/T).

Velocidade de propagação das ondas é a distância


VELOCIDADE DE
horizontal percorrida por uma crista ou por um cavado (C )
PROPAGAÇÃO na unidade de tempo.

DIREÇÃO Direção das ondas é o ponto ou setor do horizonte de onde


vem a onda.

TREM DE ONDAS É o conjunto de ondas de características iguais ou


parecidas, cuja propagação tem a mesma direção.

DECLIVIDADE É a razão entre a altura e o comprimento da onda (H/L). Esta


relação é usada para indicar a possibilidade de
arrebentação, quando H/L> 1/7.

114
6.1.2) Comente sobre interação atmosfera-oceano. Ressalte as energias envolvidas.

A interação do vento com a superfície do mar, resulta na transferência da energia cinética dos
ventos para a superfície do mar sobre a forma de ondas, que armazenam esta energia, como
energia potencial. Esta energia é conservativa, o que permite que as ondas se propaguem por
centenas de milhas pelo oceano, chegando a costas distantes. Por isso as vagas continuam e
se propagam como marulhos.

É bom ressaltar que para haver uma boa transferência de energia do vento para o mar, há
necessidade de condições propícias. Estas condições requerem espaço e tempo. Nesse
espaço e tempo o vento precisa manter a mesma direção. Por isso chamando esse espaço de
pista. Logicamente precisa haver um vento forte para desenvolver bem as ondas.

6.2 CLASSIFICAÇÃO DAS ONDAS

Você verá nesta subunidade, a classificação das ondas quanto ao tipo de movimento, de
altura, de comprimento, de declividade e da profundidade do local e, conseqüentemente, o mar
que produzem.

Convém esclarecer que ondas são todos os tipos de ondulações observadas no mar,
entretanto é muito importante diferenciar Vagas de Marulhos (SWELL).

6.2.1 Vagas

Denominam-se vagas as ondas que estão sendo geradas pelo vento, enquanto
existir vento e enquanto estiver se desenvolvendo e crescendo com a presença
de vento. Mas sabemos de dois aspectos importantes: primeiro: que a energia
das ondas é conservativa, então elas podem se propagar por grandes distancias;
segundo: que o vento para de atuar sobre as vagas a partir de determinado
momento, porque enfraqueceu e parou ou simplesmente porque mudou de
direção, não mais afetando as vagas em questão.

6.2.2 Marulhos

Denomina-se marulhos as ondas que estão se propagando sem serem afetadas


por ventos, ou seja, já foram vagas, mas como saíram da área influenciada pelo
vento, mudam do nome, mas continuam a se propagar, na mesma direção até
encontrar um obstáculo, como uma costa ou praia ou ilha ao longo da plataforma
continental..

É muito comum o navegante observar a passagem de marulhos em ocasiões de céu


limpo, céu estrelado e condições de bom tempo, sem vento.

115
MOC 01
O navegante não deve estranhar encontrar mar severo com bom tempo. É ocorrência de
marulhos. Já o navegante quando encontrar vento muito forte pode observar vagas
desenvolvidas, borrifos e mar encarneirado. O mar para desenvolver vagas precisas de 3 (três)
elementos: vento forte, espaço e tempo para gerar vagas, ou seja, condições propícias para
formar área geradora de ondas. Essas áreas podem ser observadas pelos navegantes na
interpretação das cartas sinóticas de pressão do nível do mar.

6.2.3 Movimento Ondulatório

Quanto ao movimento ondulatório, temos dois tipos distintos.

 Ondas Progressivas – São aquelas que têm velocidade de propagação e crescem


para uma determinada direção. Seus efeitos são notados até longe do local de origem, e
normalmente, os ventos geradores são fortes e com direção constante.

Ventos fortes e direção constante = Ondas progressivas

 Ondas Não-Progressivas – São aquelas que possuem pouca velocidade de


propagação. Geralmente, apresentam-se com direções desencontradas e, nesses casos, os
ventos geradores são inconstantes, ou seja, rondam a todo momento. Quando ocorrem com
ventos fortes, geram o que denominamos mar confuso ou desencontrado, ou seja, apesar do
mar agitado, é impossível determinar de que direção vêm as vagas.

Ventos com direção não constante = Ondas não-progressivas

6.2.4 Profundidade das Águas

A profundidade das águas tem influência na propagação das ondas e, dessa forma,
podemos classificá-las como:

 Ondas de Águas Profundas – São aquelas que se formam e se propagam em locais


onde a profundidade é maior que a metade do comprimento da onda, ou seja, são ondas
vigorosas, que tendem a crescer, caso sejam progressivas.

PROFUNDIDADE > L/2 = ONDAS DE ÁGUAS PROFUNDAS

 Ondas de Águas Rasas – São aquelas que se propagam em locais onde a


profundidade é menor que a metade do comprimento da onda, ou seja, são ondas que sofrem
influência do fundo do mar, afetando sua declividade, porque aumentam a altura e diminuem o
seu comprimento e tendem à arrebentação.

PROFUNDIDADE < L/2 = ONDAS DE ÁGUAS RASAS

116
6.2.5 Altura da Onda

É bastante comum, também, classificar a onda pela sua altura, conforme se segue:

 Pequena – Onda com altura menor que 2 metros – (H < 2 m)


 Moderada – Onda com altura maior que 2 e menor que 4 metros – (2 m < H < 4 m)
 Grande – Onda com altura superior a 4 metros – (H > 4 m)

6.2.6 Comprimento da Onda

Assim como pela altura, é possível também classificar a onda pelo seu comprimento,
como veremos a seguir:

 Curta – Onda com comprimento menor que 100 metros – (L < 100 m)
 Regular – Onda com comprimento entre 100 e 200 metros – (100 m < L < 200 m)
 Larga – Onda com comprimento maior que 200 metros – (L > 200 m)

6.2.7 Declividade da Onda

A declividade é também um importante parâmetro de classificação de ondas, como se


segue:

 Pequenas – H/L < 1/100


 Moderadas – 1/100 < H/L < 1/25
 Grandes – 1/25 < H/L < 1/7
 Arrebentaçã
Arrebentaçãoo – H/L > 1/7

Dependendo do tempo e do espaço de atuação do vento, isto é, de sua intensidade e


direção, do espaço ou pista percorrida pelo vento na mesma direção (isóbaras retilíneas) e do
tempo ou persistência do vento nessa mesma direção e intensidade, será gerado um tipo de
onda que, conseqüentemente, produzirá um estado de mar mais agitado ou até mesmo severo.
Correto?

Muito bem, devido à importância do estado do mar para o navegante, criou-se uma
escala em função da intensidade e velocidade do vento, a fim de melhor representar tais
variações. A escala de estados do mar é conhecida como escala Beaufort, em homenagem
a seu criador. A seguir, na próxima folha, está uma escala Beaufort completa, verifique-a com
atenção.

117
MOC 01
Tabela 6.1 – Escala de estados do mar – Escala Beaufort

Designação Beaufort Velocidade


Aspecto do mar
nós Ms
0 Calmaria <l 0- 0.2 Espelhado.

1 Bafagem Ia 3 0.3- 1.5 Mar encrespado em pequenas rugas com


aparência de escamas, sem cristas.

Ligeiras ondulações curtas, de 30 cm de altura


2 Aragem 4a 6 1.6- 3.3
com cristas viradas, mas semarrebentação.

Grandes ondulações de 60 cm, com princípio


3 Fraco 7alO 3.4- 5.4 de arrebentação. Alguns carneiros.
4 Moderado 11 a 16 5.5- 7.9 Pequenas vagas de 1,5 m, com frequentes
carneiros.

Vagas moderadas, de forma longa e 2,4 m de


5 Fresco 17 a 21 8.0- 10.7 altura. Muitos carneiros. Possibilidades de
alguns borrifos.

Grandes vagas de 3,6 m de altura. Muitas


6 Muito fresco 22a27 10.8-13.8 cristas brancas. Frequentes borrifos.

Mar grosso: vagas de 4,8 m de altura. A


espuma da arrebentação se dispõe em
7 Forte 28a33 13.9-17.1 estrias, indicando a direção do vento. Muitos
borrifos.

Vagalhões de 5,5 a 7,5 m com faixas


8 Muito forte 34a40 17.2-20.7 espessas de espuma branca e fraca
arrebentação.
Vagalhões de 7 a 10 m com faixas de espuma
9 Duro 41 a 47 20.8-24.4 densa O mar rola A visibilidade começa a ser
afetada
Grandes vagalhões de 9 a 12 m O vento
arranca as faixas de espuma, arrebentando as
10 Muito duro 48a55 24.5 a 28.4 vagas em cascata. Visibilidade reduzida A
superfície do mar é quase toda coberta de
estrias brancas.
Vagalhões excepcionalmente grandes, até 16
m A visibilidade é afetada Os navios de
11 Tempestuoso 56a63 28.5 a 32.6 tamanho médio desaparecem no cavado das
vagas.

Mar branco de espuma; respingos saturam o


12 Furacão >64 >32.7
ar. A visibilidade é seriamente afetada

118
Exercícios resolvidos 6.2

Fixe as soluções apresentadas.

6.2.1) Qual a diferença entre vagas e marulhos?

Inicialmente podemos comentar que vagas e marulhos têm uma semelhança, ambos são
ondas. A diferença é que enquanto tem vento e a onda está sendo influenciada e desenvolvida
na área geradora de onda, ela é denominada VAGA. Depois que a vaga deixa de ser afetada
pelo vento, ela continua a se propagar, sem modificar suas características, passando então a
ser denominada de marulho (SWELL).

6.2.2) O navegante observa dias com mar calmo ou pouco agitado e outros dias com mar muito
agitado ou severo. O que é necessário para formar ONDAS?

Para formar onda é necessário além de vento forte, espaço e tempo, ou seja, pista e
persistência do vento na mesma direção. É bom lembrar que onda é o resultado da
transferência de energia do vento para o mar.

6.2.3) As ondas de águas profundas, quando se propagam na direção da navegação costeira,


até chegarem ao litoral, se transformam em ondas de água rasas.

Cite o comportamento dos elementos da onda, nessa situação.

A altura, o comprimento e a declinividade da onda são os elementos mais afetados, por


influência do fundo do mar, a partir da profundidade (P) de interferência do fundo, que é a
metade do comprimento (L) da onda. ( P < L/2)

6.2.4) Para o navegante se dirigindo para a região costeira, que comprimento de onda é mais
preocupante?

As ondas longas, de grande comprimento sofrem influência do fundo do mar, em profundidades


maiores, ou seja, mais afastadas do litoral. Então as ondas têm mais tempo e mais distância
para crescerem até chegar a costa.

6.2.5) Porque o navegante observa alguns dias sem arrebentação na costa e outros com
arrebentação forte na mesma área costeira?

A onda que se dirige para a costa sofre influência do fundo e afeta a sua declividade
(D = altura/comprimento). A interferência do fundo do mar faz com que a altura da onda
aumente e o comprimento da onda diminua. Então a declividade aumenta. Só há arrebentação
se a declividade da onda atingir o valor crítico de D>1/7.

119
MOC 01
Considerações Finais

Agora, quando você olhar para o mar e apreciar a sua beleza, com certeza pensará,
espontaneamente, nos aspectos técnicos envolvidos na altura das cristas e cavados e na
direção dos borrifos. E poderá concluir que providências normais os navegantes precisam
tomar, para assegurar uma navegação mais eficiente.

É sempre agradável apreciar o mar, quando o navegante com a devida antecedência, se


posicionou na área menos afetada.

Teste de Auto-Avaliação da Unidade 6

Responda, agora, às seguintes perguntas:

6.1 Elementos das ondas

6.1.1) Qual é a principal característica no processo de formação de uma onda?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
6.1.2) Defina cavado de uma onda?
____________________________________________________________________________
6.1.3) Descreva o que é período de uma onda.
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
6.1.4) Qual é a relação existente entre freqüência e período?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
6.1.5) Qual é o indicador de arrebentação de uma onda? Como se determina?
____________________________________________________________________________

6.2 Classificação das ondas

6.2.1) Defina ondas progressivas.


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

6.2.2) Quando podemos classificar uma onda como de águas rasas?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

6.2.3) Que altura tem uma onda considerada grande?


____________________________________________________________________________

120
6.2.4) Quais são as classificações de comprimento para uma onda?
____________________________________________________________________________

6.2.5) Qual é a relação entre a altura e o comprimento de uma onda considerada com
declividade pequena?
____________________________________________________________________________

Chave de Respostas do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 6

6.1 Elementos das ondas

6.1.1) A principal característica no processo de formação de uma onda é a transferência de


energia, por meio dos ventos, da atmosfera para o oceano.

6.1.2) É parte inferior do perfil da onda.

6.1.3) Período de uma onda é o tempo que leva para passar por um mesmo ponto duas
cristas consecutivas ou dois cavados consecutivos. Símbolo T.

6.1.4) Freqüência é o inverso do período, ou seja, é o número de cristas ou de cavados que


passa por um ponto em um determinado tempo.

6.1.5) O indicador é a declividade. Declividade = H/L, caso H/L > 1/7, haverá arrebentação.

6.2 Classificação das ondas

6.2.1) São aquelas que têm força de propagação e crescem para uma determinada direção.
Seus efeitos são notados até longe do local de origem e, normalmente, os ventos
geradores são fortes e com direção constante.

6.2.2) Quando está em locais a profundidade é menor que a metade do comprimento da onda,
ou seja, é uma onda que tende à arrebentação.

6.2.3) Têm altura superior a 4 metros – (H > 4 m).

6.2.4) Curta, Regular e Larga.

6.2.5) H/L < 1/100.

Parabéns, você concluiu com dedicação a


unidade 6, portanto está apto a passar para a
unidade 7, que trata da “Introdução à
Oceanografia Física”.

121
MOC 01
122
UNIDADE 7

INTRODUÇÃO À OCEANOGRAFIA

Nesta unidade, você vai

 Conhecer as principais características dos oceanos, mares e das águas


interiores.
 Estudar os procedimentos e recomendações para a preservação do
meio ambiente marinho.

Quando observamos a imensidão dos oceanos, nos vem a lembrança dos grandes
navegadores, portugueses e espanhóis, principalmente. Eles nos despertam grande
admiração, por sua capacidade e habilidade de grandes marinheiros.

Pensamos naturalmente nos sentimentos de angustia e coragem em enfrentar súbitas


tempestades e investir por belas e desconhecidas regiões costeiras, mas recheadas de
perigosos bancos, arrecifes e alto fundos.

Quantos desses bravos, o oceano acolheu de modo trágico, por falta total de mapas e
cartas náuticas, nunca antes hidrografadas.

Você verá nesse estudo que hoje dispomos de detalhadas informações costeiras e
oceânicas de correntes, marés e principalmente áreas cartográficas com modernos recursos de
hidrografia aliados a fundamental consciência ambiental.

Vamos ao nosso estudo conhecer melhor nossos mares, golfos, baías, enseadas e rios
navegáveis.

E despertar e motivar a fundamental importância da consciência ambiental em todas e


quaisquer atividades marítimas.

7.1 OCEANOS E MARES

Você nesta subunidade, um pouco da oceanografia, ou seja, o estudo das características


físicas dos oceanos e mares. Este assunto é de fundamental importância para o navegante,
tendo em vista que os oceanos e mares, que cobrem a maior parte da superfície da Terra,
estão ligados entre si, formando uma única massa líquida e permitindo, assim, que por meio da
navegação marítima, possa haver comércio entre os países e, conseqüentemente, o
123
MOC 01
transporte de mercadorias e pessoas. Além disso, o conhecimento da oceanografia permite ao
homem explorar racionalmente as riquezas animais e minerais disponíveis, ou seja, exercer
uma atividade pesqueira ou de prospecção de petróleo e outros minerais na plataforma
continental, sem poluir ou degradar o meio marinho. Portanto, atenção à unidade!!!

7.1.1 Os Oceanos

Os oceanos são grandes massas de água líquida que envolvem os continentes. A


extensão e profundidade são os dois elementos principais que diferenciam os oceanos dos
mares. Estes também são massas de água líquida, mas de menor extensão e menor
profundidade, geralmente localizadas às margens dos oceanos, próximo dos continentes.

Se você observar a próxima figura (7.1) com atenção, verá que os continentes estão
cercados por uma única e imensa massa de água líquida. Entretanto, ao longo da história, o
navegante deu nomes diferentes às águas oceânicas que ia descobrindo. E foi assim que se
definiu a existência de vários oceanos.

Considerando somente a extensão, são três os principais oceanos:

► Oceano Pacífico .............. 165 384 000 km2


► Oceano Atlântico .............. 82 217 000 km2
► Oceano Índico .............. 73 481 000 km2

No entanto, existe ainda o oceano Glacial Ártico, ao redor do Pólo Norte. Mais
recentemente, alguns oceanógrafos começaram a denominar as águas que banham o
continente Antártico como oceano Glacial Antártico. Observe a figura 7.1.

Figura 7.1 - OCEANOS


Na realidade, no planeta TERRA, tem-se um único oceano, interligando todas as regiões
continentais e dando acesso a todos os mares. Entretanto é comum nos referirmos aos
oceanos por sua região de atuação, como Atlântico, Pacifico, Indico, Antártico e Ártico.

7.1.2 Os Mares

Os mares em geral são partes ou prolongamentos dos oceanos e, normalmente, ficam


próximos dos continentes. Podemos distinguir três tipos de mares, bastando acompanhar o
texto a seguir, verificando os exemplos junto à figura 7.1.

124
a) Mares Aberto – Localizados ao longo das costas litorâneas, esses mares comunicam-
se diretamente com o oceano. Exemplo 1 – o mar da China, entre o sudeste da Ásia e o
arquipélago das Filipinas; Exemplo 2 – o mar do Norte, entre as ilhas Britânicas e o norte da
Europa continental.

b) Mares Interiores – Localizam-se no interior dos continentes e comunicam-se com o


oceano por meio de passagens chamadas estreitos. Exemplo 3 – o mar Mediterrâneo,
localizado entre o sul da Europa, o norte da África e o oeste da Ásia.

c) Mares Fechados – Localizam-se no interior dos continentes, sem se comunicarem


com outros mares ou oceanos. Diferenciam-se dos lagos por terem água salgada. Exemplo 4 –
o mar Cáspio, entre o sul da Rússia européia e o norte do Irã.

7.1.3 Relevo Submarino

Durante muito tempo, pensou-se que o relevo submarino, ou seja, o fundo dos mares e
oceanos fosse totalmente plano, foi somente neste século, depois de muitas pesquisas, que se
descobriu que existe um relevo submarino muito acidentado, quase semelhante ao dos
continentes.

Simplificadamente, podemos reconhecer quatro grandes áreas no relevo submarino.

a) Plataforma Continental – É o prolongamento dos continentes o qual permanece


imerso. Apresenta-se na forma de um planalto submerso que margeia todo o continente, com
uma largura que varia de 30 a 350 milhas náuticas, caracterizando-se pela declividade suave
do fundo até uma profundidade máxima de, aproximadamente, 200 metros. Esta é a parte mais
importante do relevo submarino, por estar contida na Zona Econômica Exclusiva, (ZEE) de
200 milhas de largura, com suas zonas pesqueiras, jazidas de petróleo e de outros recursos
minerais.

b) Talude Continental – É o prolongamento da margem externa da plataforma


continental e se caracteriza pela acentuada declividade do fundo até atingir a região pelágica;

c) Região Pelágica – É a maior porção do relevo submarino, correspondendo a 80% da


área total dos oceanos. O relevo dessa área é formado por planícies e vulcões, isolados ou
dispostos em linha, chegando a atingir profundidades de 3000 a 5000 metros; e

d) Região Abissal – É a zona de maior profundidade, iniciar-se a partir da profundidade


de 5000 metros. Caracteriza-se por apresentar fossas submarinas localizadas próximas às
regiões pelágicas.

Veja a figura 7.2:

125
MOC 01
Figura 7.2 - RELEVO SUBMARINO
O enorme volume d’água dos oceanos, contempla principalmente a região pelágica, mas
é na região das plataformas continentais que temos mais interesse. Os oceanos são mais
belos na costa ou no litoral, nas atividades diárias de fluxo e refluxo das marés.

7.1.4 Perfil Litorâneo

Os oceanos e os mares estão em movimentos constantes e esse trabalho das águas, ao


longo de muitos anos, delineia o perfil de um litoral. Os acidentes geográficos mais importantes
são:

a) Golfo – É um pedaço de mar ou de oceano em grande abertura no continente;


b) Baía – São aberturas menores que o golfo;
c) Canais – São trechos de águas marinha entre duas porções de continente; e
d) Estreitos – São trechos de água do mar entre duas ilhas ou partes continentais.

Exercícios resolvidos 7.1

Faça o que se pede nos itens abaixo.

7.1.1) A Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar, que entrou em vigor na década
de 90, estabeleceu uma série de conceitos de interesse dos navegantes.

Cite os principais no seu entender.

A convenção definiu mar territorial até 12 milhas da costa. Definiu Zona ECONÔMICA
Exclusiva (ZEE) de 12 a 200 milhas, totalizando 200 milhas. Nesta faixa o país costeiro tem
soberania na coluna d’água, no solo e no subsolo.

7.1.2) Comente sobre a importância da Amazônia Azul.

Esta faixa de 200 milhas ao longo de todo o litoral do Brasil acrescenta uma região de 3,5
milhões de km2, na qual o Brasil tem soberania. Esta região contempla toda a atividade
brasileira na pesquisa e exploração de petróleo (OFFSHORE).

7.1.3) Comente a relação entre a plataforma continental e a Zona Econômica Exclusiva (ZEE)?

A plataforma continental tem o aspecto geográfico.

126
No Brasil ela é estreita nas regiões costeiras, Nordeste e Leste e bastante larga nas regiões
Norte, Sudeste e Sul. Já a ZEE tem o aspecto jurídico, é estabelecida pela convenção das
nações unidas sobre direito do mar e tem respaldo internacional.

7.2 MOVIMENTO DAS ÁGUAS OCEÂNICAS

Conforme comentamos na subunidade passada, as águas dos mares e oceanos nunca


estão paradas, ou seja, elas apresentam vários movimentos decorrentes de causas diversas.
Nesta subunidade, veremos quais são esses movimentos e suas principais causas. Este
assunto é de fundamental importância para o navegante, porque o conhecimento dos
movimentos das águas oceânicas permite um melhor aproveitamento à navegação, assim
como assegura a possibilidade de manobras confiáveis e mais precisas.

Os principais movimentos das águas oceânicas são a onda, a maré e as correntes


marítimas.

7.2.1 Ondas

As ondas vagas são provocadas por ventos locais. E quanto mais forte for a velocidade
dos ventos, maior será a movimentação que eles provocam nas águas.

Dependendo da intensidade do vento, da duração ou persistência do vento na mesma


direção e da pista ou extensão da região em que o vento sopra sem alterar a direção, as ondas
podem atingir vários metros de altura, oferecendo então um grande perigo à navegação. As
ondas (marulhos) se propagam as grandes distâncias das áreas geradoras de vagas.

A arrebentação das ondas é o fenômeno que ocorre com a diminuição da profundidade


e, portanto, muito comum próximo das praias. Esse fato ocorre, principalmente, porque com a
diminuição da profundidade, afeta-se acentuadamente o movimento oscilatório da água.
Observe a figura 7.3:

Figura 7.3 - ONDULAÇÃO DO MAR


As ondas (vagas) geradas pelos ventos, se propagam como marulhos e arrebentam
nas praias. As ondulações da camada d’água, se modificam por influência do fundo do
mar, a partir de determinada profundidade.

7.2.2 Marés

127
MOC 01
Se você observar o mar em várias horas do dia, verificará que o nível das águas ora está
mais alto, ora está mais baixo. Se a observação for contínua, você constatará que o nível das
águas aumenta continuamente durante aproximadamente seis horas, atingindo um máximo e,
em seguida, diminui continuamente durante o mesmo período, atingindo um mínimo. O
navegante observa esse ciclo, por meio das correntes de marés de enchente e de vazante.

Você sabe por que isso acontece?

Muito bem, isso acontece devido à atração exercida pela Lua e pelo Sol em relação à
massa de água líquida da Terra. Assim, por onde esses astros passam em seus movimentos
aparentes, o nível das águas aumenta (figura 7.4). Sendo as marés de sizígia, mais fortes, nas
fases da lua cheia e lua nova.

Figura 7.4 - OSCILAÇÃO DE NÍVEL DO MAR


Por efeitos das marés, o nível do mar oscila nos portos, proporcionalmente a amplitude
da maré, nesse local.

O conhecimento sobre maré é de suma importância para todo e qualquer navegante, isto
porque esse fenômeno tem grande influência na navegação, não só no que se refere à
profundidade, devido ao movimento vertical do nível do mar, como também na movimentação
horizontal das águas, decorrente do movimento anterior, conhecido como correntes de marés
(enchente e vazante). Essas correntes variam de intensidade de um ponto para outro, devido
as diferentes amplitudes das marés.

7.2.3 Correntes Marítimas

Você observou que volta e meia chega um pingüim às praias do


sul do Brasil?

Pois bem, como você sabe, os pingüins vivem na Antártica e acabam sendo trazidos às
costas brasileiras por uma corrente marítima.

As correntes marítimas são verdadeiros rios de água salgada dentro dos próprios
oceanos. Elas são decorrentes de fatores como temperatura da água, salinidade e até mesmo
do movimento de rotação da Terra. Observe a figura 7.5, que corresponde às principais
correntes oceânicas de densidade (quentes e frias):

128
Figura 7.5 - CORRENTES OCEÂNICAS

As correntes oceânicas de densidade podem ser frias ou quentes.

Devido à grande importância do movimento das águas oceânicas para a navegação,


veremos nas próximas unidades deste estudo, cada uma delas detalhadamente.

Faça com atenção a tarefa a seguir.

Exercícios resolvidos 7.2

7.2.1) Comente sobre o movimento das águas no oceano devido a ocorrência de ondas.

O movimento ondulatório do mar, devido as vagas e aos marulhos, envolve energia potencial e
propagação de energia, então não há deslocamento de massa d’ água. Quando vemos uma
crista de onda se aproximando ou se afastando de uma embarcação e da praia, temos a
sensação de deslocamento. Mas o que ocorre é a propagação da onda (energia).

Já na arrebentação há deslocamento de massa d’ água, porque a energia potencial das ondas


é transformada em energia cinética a partir da arrebentação. Além disso, a água das ondas
que chegam ao litoral e retornaram para o mar. Este movimento é a corrente de retorno, que
nos dias de mar severo com ressaca, chamamos de corrente de ressaca. São as correntezas
que observamos nas praias, inclusive com bandeiras vermelhas, escrito correnteza.

7.2.2) Quais os outros movimentos das águas nos oceanos, que afetam a navegação?

Os navegantes observam freqüentemente que, sua navegação é influenciada pelas marés e


pelas correntes de densidade ou correntes oceânicas (quentes e frias). Vamos discutir melhor
este exercício mais adiante nas unidades de marés e correntes.

129
MOC 01
7.3 HIDROLOGIA BÁSICA

Nesta subunidade você verá a importância da água na superfície da Terra e como ela se
apresenta.

TERRA: O PLANETA ÁGUA

Você sabia que a superfície do nosso planeta é constituída predominantemente pelas


águas?

Pois bem, enquanto as terras emersas, ou seja, os continentes e ilhas não chegam a
constituir 30% da superfície do planeta, as águas cobrem mais de 70% delas, estando,
portanto, a maior parte da Terra coberta pelas águas.

As águas na superfície terrestre aparecem em três estados: líquido, sólido e gasoso. A


maior parte da água aparece em estado líquido; em estado sólido, a água aparece
principalmente sob a forma de geleira e banquisa e o vapor de água na atmosfera representa
a água em estado gasoso. Observando a figura 7.6, tente identificar os três estados em que
podem se apresentar as águas:

Figura 7.6 - FASES DA ÁGUA


No oceano, navegando em altas latitudes, pode-se observar geleiras e icebergs, alem de
nuvens, o que caracteriza a água em suas 3 fases – liquida, sólida e gasosa

7.3.1 A Água Líquida

A maior parte da água líquida aparece na superfície da Terra sob as seguintes formas:

São grandes massas de água salgada que separam os continentes. Ocupam quase três
Oceanos
quartas partes da superfície do planeta.

São porções de água também salgada, porém constituindo parte de um oceano, ou seja, os
Mares mares fazem normalmente parte de um oceano, podendo situar-se em grandes depressões
dos continentes.

São porções de água não-salgada, situadas em depressões menores que as depressões


Lagos
em que se situam os mares e não tem ligações com o oceano.

São cursos de água não-salgadas que nascem em lugares elevados, correm sobre o
Rios continente e, normalmente, deságuam em um mar ou oceano.

130
7.3.2 A Água Gasosa

A água em estado gasoso está presente na atmosfera, conforme vimos anteriormente. É


necessário que haja uma certa umidade relativa na atmosfera para que se tenha equilíbrio
meteorológico, ou seja, a quantidade de vapor de água no ar (água em estado gasoso) é um
fator preponderante para esse equilíbrio, isto é, não pode haver excesso nem falta desse
elemento.

7.3.3 A Água Solidificada

As três formas mais significavas da água em estado sólido são as geleiras, os icebergs e
as banquisas. Observe:

São grandes massas de gelo que se acumulam em regiões continentais onde haja baixas
Geleiras temperaturas e caia muita neve..

São grandes pedaços de gelo que partem e se desprendem das geleiras, passando a flutuar
à deriva pelo oceano. Os icebergs constituem um grande perigo à navegação,
Icebergs
principalmente porque apenas uma parte deles, fica emersa, ou seja, fora da água. Veja a
figura 7.7.

Figura 7.7 - ICEBERG


O tamanho dos icebergs pode ser imenso em seu volume total. A parte imersa alcança 6
a 8 vezes sua altura fora da água.

São grandes porções de oceanos e mares que, devido às baixas temperaturas (abaixo de 0o
C), congelam. As banquisas, portanto, se apresentam como uma espécie de tapete de gelo
Banquisas sobre o mar e oceano e, em muitos casos, sua espessura é tal que impede a navegação, só
sendo possível navegar após a passagem de navios quebra-gelos (figura 7.8)..

131
MOC 01
Figura 7.8 - BANQUISA
O congelamento da superfície do mar (banquisas) requer uma série de providências do
navegante. Requerendo em situação críticas, trabalhar com auxilio de navios quebra-
gelo.

7.3.4 O Ciclo da Água

A água que está em estado líquido não permanece sempre nesse estado, o mesmo
acontecendo com a água em estado gasoso ou sólido. Assim, a água das geleiras, quando se
derretem, formam ou alimentam rios e lagos.

A água dos rios, lagos, oceanos e mares evapora-se. O vapor da água forma as nuvens
e, depois, cai em forma de neve ou de chuva. A neve alimenta as geleiras, a chuva alimenta os
rios, mares e oceanos. Essa passagem da água pelos três estados constitui o ciclo da água
(figura 7.9).

Figura 7.9 - CICLO DA ÁGUA


As águas dos oceanos e mares evaporam e a umidade do ar é transportada pelos ventos
para os continentes. O processo tem continuidade com a condensação dessa umidade,
nebulosidade e chuva nessas regiões distantes, formando rios e lagos.

A água da chuva que se infiltra no solo, ao encontrar rochas impermeáveis, forma lençóis
subterrâneos, verdadeiros rios debaixo da terra. A água dos lençóis subterrâneos pode brotar
nas encostas ou nos barrancos, formando as fontes. As fontes, por sua vez, podem dar origem
a lagos ou rios.

Entretanto, a maior parte da água das chuvas vai alimentar os rios que, por sua vez,
deságuam nos mares e oceanos. Enfim, toda essa água — a dos rios, lagos, oceanos e mares
— evapora-se e, assim, recomeça o ciclo da água.

132
7.3.5 Hidrografia: Rios, Lagos e Lagoas

Continuaremos nosso estudo de hidrologia, mais especificamente na área de hidrografia,


ou seja, o estudo físico de rios, lagos e lagoas. Este assunto é de fundamental importância
para o bom entendimento da navegação fluvial e, certamente, você, em algum momento de
sua vida profissional, irá precisar dele. Portanto, preste atenção a este assunto !!!

7.3.6 Rios

Os rios são correntes de água doce que se formam a partir de precipitações (chuva ou
neve) ou e fontes, que são conhecidas como “olhos-d’água”. Vejamos, agora, a definição de
alguns termos utilizados na hidrografia:

Como o próprio nome indica, é o local onde nasce o rio. Normalmente, esse local fica em
Nascente um ponto elevado do terreno, a fim de facilitar o caminho das águas, sendo também
denominado cabeceira;

Local onde desemboca ou deságua o rio. Normalmente, o rio deságua no oceano, mar ou
lago. Entretanto, o rio também poderá desaguar em outro rio que, nesse caso, é sua foz. O
Foz
rio que desemboca em outro rio é denominado afluente deste;

É o caminho que um rio percorre da nascente ou cabeceira até a sua desembocadura ou foz
e o terreno, pelo qual as águas correm, é denominado leito. A parte do curso que fica
próxima da nascente é o curso superior, perto da foz fica o curso inferior e, entre o curso
Curso
superior e o curso inferior, forma-se o curso médio;

São as terras que se localizam de um e de outro lado do rio, limitando-o em sua largura.
Tomando como referência o sentido das águas de um rio e ficando de costas para a sua
Margens cabeceira, o navegante terá à sua direita a margem direita e à sua esquerda a margem
esquerda (figura 7.10).

Jusante O lado do rio onde fica a foz.

Montante O lado do rio onde fica a nascente

Figura 7.10 - CICLO DA ÁGUA


As águas dos oceanos e mares evaporam e a umidade do ar é transportada pelos ventos
para os continentes. O processo tem continuidade com a condensação dessa umidade,
nebulosidade e chuva nessas regiões distantes, formando rios e lagos.

133
MOC 01
7.3.7 Os Regimes Fluviais dos Rios

O regime fluvial é a variação do nível das águas de um rio ao longo de seu curso e
durante os períodos de um ano. Portanto, essa variação depende do clima da área percorrida
pelo rio e seus afluentes. O regime fluvial está diretamente relacionado ao período chuvoso e à
época seca da região, ou seja, o regime fluvial é influenciado pela sazonalidade, isto é,
variabilidade associada às estações do ano (inverno, primavera, verão e outono) do respectivo
hemisfério.

Os rios podem ter dois tipos de regimes: pluvial e nival.

a) Pluvial – Ocorre quando o regime fluvial do rio depende das águas de chuva, ou seja,
o rio é alimentado essencialmente pelas águas das chuvas. Portanto, as cheias – período em
que os rios aumentam consideravelmente o volume de suas águas – coincidem com a estação
de chuvas.

b) Nival – Ocorre quando o regime fluvial do rio depende das águas resultantes do
derretimento da neve e das geleiras, que ficam próximas de sua nascente. Portanto, as cheias,
nesse caso, ocorrem quando for verão na cabeceira.

Há rios que possuem os dois regimes. Quando no verão, os períodos de cheias e de


degelo desses rios coincidem, em geral suas bacias hidrográficas sofrem enchentes
catastróficas. No Brasil, o regime dos rios é essencialmente pluvial, com exceção do rio
Amazonas, que em sua cabeceira apresenta regime nival. O Amazonas nasce na cordilheira
dos Andes, no Peru, com o nome de Ucayali. Por causa do clima equatorial, os rios da região
amazônica em geral são regulares, isto é, não apresentam grandes variações no volume de
água durante o ano.

Nas outras regiões do país de clima predominantemente tropical, os rios são irregulares,
ou seja, o volume de água desses rios varia muito: aumenta consideravelmente na estação
chuvosa (geralmente no verão) e diminui bastante na estação mais seca, trazendo perigos à
navegação.

7.3.8 Volume de Água dos Rios

Quanto ao volume de água, podemos classificar os rios como:


a) Intermitentes ou Temporários – São aqueles cujos leitos secam ou congelam
durante um período do ano: um exemplo de rios intermitentes ou temporários são os situados
no sertão do nordeste;
b) Perenes – São aqueles cujos leitos nunca secam ou congelam e portanto, correm o
ano todo. A maioria dos rios no Brasil são perenes, com exceção dos localizados no sertão do
nordeste.

7.3.9 Formas de Relevo dos Rios

Conforme as formas de relevo predominantes no curso dos rios, eles podem ser de:

134
a) Planície – São aqueles que atravessam áreas mais rebaixadas e planas, favorecendo
a navegação, pois não apresentam obstáculos. O Amazonas e o Paraguai são típicos rios de
planície.

b) Planalto – São aqueles que atravessam áreas elevadas, geralmente planaltos.


Normalmente, são navegáveis somente nos trechos onde não haja desníveis, ou seja, quedas
d’água ou cachoeiras.

Se, por um lado, as cachoeiras impedem a navegação, por outro são exatamente os
lugares onde a força das águas é maior, o que permite a construção de usinas hidroelétricas.
Porém, a tecnologia moderna criou considerações para tornar navegável os rios de planalto,
bastando, para isso, construir eclusas nas barragens.

As eclusas elevam ou rebaixam o nível das


águas numa área fechada, possibilitando o seu
nivelamento com cada lado da barragem, o que
permite a passagem de embarcação ao longo do
curso do rio. Veja a figura 7.11.

Figura 7.11 - ECLUSAS


A navegação fluvial tem um movimento considerável nos rios que dispõem de eclusas.

7.3.10 Lagos e Lagoas

Quando as águas de um rio encontram algum obstáculo para continuar seu curso e, ao
mesmo tempo, deparam-se com depressões de relevo, elas se acumulam, dando origem a um
lago (figura 7.12).

Figura 7.12 - LAGO


A navegação em águas interiores tem uma grande importância em regiões beneficiadas
pela natureza, com a existência de grandes lagos.

135
MOC 01
Qualquer obstáculo que leve um rio a interromper seu curso acaba
formando um lago. Até mesmo os obstáculos provocados pelas obras de
engenharia do homem, como as barragens das usinas hidroelétricas.

Quando há represamento de água do mar em uma restinga, que é um cordão arenoso


formado pelo trabalho de acumulação de sedimentos pelo mar, temos a formação de uma
lagoa (figura 7.13).

Figura 7.13 - LAGOAS E LAGUNAS


A navegação em águas interiores, dando prosseguimento a navegação costeira, é um
importante fator no desenvolvimento regional das áreas contempladas pela natureza com
lagoas, lagunas ou extensas restingas.

7.3.11 Bacias Hidrográficas

Uma bacia hidrográfica consiste em uma área banhada por um rio principal e sua rede de
afluentes. Os rios brasileiros distribuem-se pelas seguintes bacias hidrográficas:

 Bacia Amazônica
 Bacias do São Francisco
 Bacia Platina
 Bacia do Nordeste
 Bacia do Leste
 Bacia do Sul-Sudeste

Observe a figura 7.14, que corresponde às bacias hidrográficas do Brasil:

136
Figura 7.14 - BACIAS HIDROGRÁFICAS
O aproveitamento da bacia hidrográfica é um fator fundamental para o desenvolvimento
da respectiva região e da integração do território nacional.

Para terminar esta subunidade, vamos ver um último conceito muito importante:

Quando um ou mais rios, lagos ou lagoas passam a servir de via de transporte ou via de
acesso as pessoas ou mercadorias, permitindo fluir uma navegação segura, denominamos de
HIDROVIA. (Figura 7.15)

Figura 7.15 - HIDROVIAS


O Brasil é contemplado
com extensas bacias hi-
drográficas, com bons
trechos de rios natural-
mente navegáveis. Com o
incremento de eclusas as
possibilidades serão ex-
traordinárias e refletirão
nas atividades das nave-
ga
gações interiores.

137
MOC 01
Exercício resolvido 7.3

Fixe a solução apresentada.

7.3.1) A água em seu ciclo natural, apresenta mudanças de estado, que são observadas de
que maneira?

O elemento água é observado nas formas sólida, gasosa e liquida.

Líquida como as águas dos oceanos, marés, etc.; gasosa como o vapor d’água do ar
atmosférico e sólida como o gelo dos icebergs, geleiras, etc.

Considerações Finais

Você já teve oportunidade de contemplar belas fotografias do litoral com estuários de


rios, praias desertas de areia muito branca e limpa, com a costa penetrando mar adentro, com
um contraste colorido pelo céu azul, mata verde e águas ora verdes, ora azuis.

Na natureza o mar também disputa com o litoral seu espaço em enseadas, baías e
golfos, criando regiões de águas abrigadas de ondas e do mar severo.

Você como navegante deverá observar em loco essas regiões ao demandar o canal de
acesso do porto de seu interesse.

Você também vivenciará em suas viagens,em mar aberto, as diferentes características


dos oceanos em águas rasas e águas profundas.

Muito bem! Vamos continuar nossos estudos de oceanografia, nas unidades seguintes de
marés e correntes marítimas.

Não perca tempo. Faça logo os testes desta unidade!!!

Teste de Auto-Avaliação da Unidade 7

Responda, agora, às seguintes questões:

7.1 Oceanos e mares

7.1.1) Quais são os principais elementos que diferenciam os oceanos dos mares?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

7.1.2) Quais são os três principais oceanos?


____________________________________________________________________________
138
7.1.3) O que são mares interiores?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

7.1.4) Defina plataforma continental.


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

7.1.5) Como é designado um extenso pedaço de mar ou oceano em uma grande abertura no
continente?
____________________________________________________________________________

7.2 Os movimentos das águas oceânicas

7.2.1) De que é decorrente o marulho?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

7.2.2) De que fenômeno é decorrente a arrebentação das ondas?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

7.2.3) Como é denominada a variação vertical periódica do nível das águas dos mares e
oceanos?
____________________________________________________________________________

7.2.4) Qual é a principal causa do fenômeno da maré?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

7.2.5) Cite os fatores que influenciam as correntes marítimas.


____________________________________________________________________________

7.3 Hidrologia básica

7.3.1) Quais são os estados em que se apresentam as águas no nosso planeta?


___________________________________________________________________________

7.3.2) Defina oceanos.


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

7.3.3) O que são banquisas?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
7.3.4) A água em seu ciclo natural, permanece sem mudanças de estado? Justifique.
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
139
MOC 01
7.3.5) Descreva o ciclo das águas.
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

7.3.6) Defina rios.


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

7.3.7) O que é curso de um rio?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

7.3.8) O que é regime fluvial?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

7.3.9) Como podemos classificar os rios, de acordo com o relevo?


____________________________________________________________________________

7.3.10) Em que consiste uma Hidrovia?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

Chave de Respostas do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 1

7.1 Oceanos e mares


7.1.1) A extensão, a profundidade e a localização são três elementos principais que
diferenciam os oceanos dos mares.

7.1.2) Oceano Pacífico, Atlântico e Índico.

7.1.3) Mares interiores são aqueles que se localizam no interior dos continentes e comunicam-
se com o oceano por meio de passagens chamadas estreitos.

7.1.4) Plataforma Continental é o prolongamento da parte continental que se encontra


submersa, apresentando-se na forma de um planalto submerso que mareia todo o
continente, com uma largura que varia de 30 a 350 milhas náuticas e a uma
profundidade máxima de, aproximadamente, 200 metros, com uma suave declividade.

7.1.5) Golfo.

7.2 Os movimentos das águas oceânicas

7.2.1) O marulho é decorrente de fortes ventos ou mau tempo que ocorrem ou estão
ocorrendo em um local distante do local de sua atuação, ou seja, o marulho é um
reflexo provocado por ventos fortes e longínquos.

7.2.2) A arrebentação é um fenômeno decorrente, principalmente, da diminuição da


profundidade, que influencia a relação altura sobre comprimento de onda.
140
7.2.3) Maré.

7.2.4) A principal causa é a variação da atração exercida pela Lua e pelo Sol em relação à
massa de água líquida da Terra.

7.2.5) Temperatura da água. Salinidade. Movimento de rotação da Terra.

7.3 Hidrologia básica

7.3.1) Líquido, sólido e gasoso.

7.3.2) Oceanos são grandes massas de água salgada que separam os continentes. Ocupam
quase três quartas partes da superfície do planeta.

7.3.3) Banquisas são grandes porções de oceanos e mares que, devido às baixas
o
temperaturas (abaixo de 0 C), congelam.

7.3.4) Não, a água cumpre um ciclo natural que compreende os três estados (líquido, sólido
e gasoso).

7.3.5) O ciclo das águas consiste na passagem da água pelos três estados, de acordo com
a temperatura e pressão ambiente (gelo, água e vapor de água).

7.3.6) Rios são correntes de água doce que se formam a partir de precipitações (chuva ou
neve) ou de fontes.

7.3.7) Curso de um rio é o caminho que um rio percorre da nascente ou cabeceira até a sua
desembocadura ou foz.

7.3.8) Regime fluvial é a variação do nível das águas de um rio ao longo de seu curso e
durante os períodos de um ano.

7.3.9) De planície ou de planalto.

7.3.10) Consiste em um ou mais rios, lagos ou lagoas que passam a servir de via de
transporte de pessoas e/ou mercadorias, permitindo fluir uma navegação segura.

Parabéns, você está progredindo muito!

Continue seus estudos e avance para a Unidade


8, que trata das “Marés”.

141
MOC 01
142
UNIDADE 8

MARÉS

Nesta unidade, você vai

 Estudar os efeitos das marés na navegação costeira.


 Exercitar o manuseio das tábuas das marés.
 Interpretar o comportamento das marés de sigízia e quadratura.

Quando refletimos sobre as distintas belezas do imenso litoral brasileiro, nos vem a
lembrança dos navegadores que singram as águas costeiras e inevitavelmente a presença
corajosa dos pescadores na sua árdua labuta diária. E na escola da vida ninguém mais do que
eles, para perceber as múltiplas nuances das marés em seu ciclo de 28 dias acompanhando as
fases da Lua, com variação das alturas e das correntes de marés, no vai e vem das enchentes
e vazantes.

Você conhecerá neste estudo, como e quando as marés favorecem ou impedem o


acesso de uma embarcação a um determinado porto

8.1 TEORIA DAS MARÉS

Nesta subunidade, você aprenderá como funciona esse fenômeno oceanográfico e os


fatores causadores das marés. O entendimento desse fenômeno é importante para que o
navegante possa trabalhar aproveitando o fluxo das marés a seu favor e não contra si. Além
disso, verifica-se que, em muitos casos, o movimento das marés é um fator de grande
relevância, quando na demanda de portos e canais que tenham limitações de calado e na
execução de manobras que exigem certa precisão e, ao mesmo tempo, apresentem limitações
de espaço e de efeitos de correntes de marés de enchente e de vazante significativos.

8.1.1 Fatores Causadores

Os fatores causadores do fenômeno das marés são, resumidamente, duas leis da física:

1. A lei da Gravitação Universal, que consiste em – “Os astros se atraem na razão


direta de suas massas e na razão inversa do quadrado das distâncias”; e

2. A força Centrífuga, que consiste em – “Um corpo em uma trajetória circular recebe
143
MOC 01
uma força (centrífuga) no sentido do centro para fora, proporcional à velocidade
imprimida”.

Muito bem, as oscilações das marés devem-se, portanto, à atração (lei da gravitação
universal) da Lua durante o seu movimento ao redor da Terra, em menor medida à atração (lei
da gravitação universal) do Sol e também à força centrífuga do sistema Lua-Terra (figura 8.1).

Figura 8.1 - SISTEMA LUA – TERRA – SOL


As forças de atração da Lua e do sol e a força centrifuga da Terra em permanente
equilíbrio, desencadeiam as marés.

No sistema Lua-Terra, a força gravitacional e a força centrífuga estão em equilíbrio. A


força centrífuga é constante em todos os pontos da superfície terrestre, porém a força
gravitacional do sistema é maior no ponto da superfície mais próxima da Lua – meridiano
superior. A força gravitacional é menor no ponto da superfície no ponto mais afastado, esse
equilíbrio só será alcançado com o movimento de subida do nível do mar.

No ponto da superfície da Terra mais próximo da Lua, o movimento de subida do nível do


mar ocorre devido à força gravitacional ser maior que a força centrífuga e, no ponto da
superfície da Terra mais afastado da Lua, o movimento de subida do nível do mar ocorre
devido à força centrífuga ser maior que a força de atração.

Nas regiões da superfície da Terra eqüidistantes das regiões mais próximas da Lua e das
mais afastadas da Lua, ou seja, nos meridianos intermediários entre o meridiano superior e o
meridiano inferior, a força de atração e a força centrífuga mantêm equilíbrio, o que torna o nível
do mar baixo.

8.1.2 Período das Marés

Consideremos, agora, os seguintes movimentos do Sol, Terra e Lua:

a) de rotação da Terra em torno do seu próprio eixo;


b) de translação da Lua em redor da TERRA (Fases da LUA); e
c) translação da Terra em redor do SOL.

E observemos a figura 8.2:

144
Figura 8.2 - MOVIMENTO DA LUA – TERRA – SOL
Os astros em permanentes movimentos de rotação e translação, mas sempre mantendo
o equilíbrio do sistema, definem o comportamento das marés.

Na situação a), como a Terra faz a rotação completa em 24 horas, então em 12 horas
metade dos meridianos ou regiões da Terra passam pelo nível mais alto das águas, porque
atingem a posição mais próxima da Lua, posição de maior força de atração. No entanto, na
outra metade da Terra, as regiões passam também pelo nível mais alto, porque atingem a
posição mais afastada da Lua, posição de maior força centrífuga.

Podemos concluir, então, que a cada 12 horas as partes da Terra ou todos os meridianos
alcançam o nível mais alto das águas. Raciocínio idêntico é valido para o nível mais baixo das
águas a cada 12 horas.

Constatamos, portanto, que durante 24 horas consecutivas, uma determinada região tem
duas marés altas (PREAMAR – PM), ou seja, nível mais alto das águas, e duas marés baixas
(BAIXA-MAR - BM), isto é, nível mais baixo das águas.

Isso significa que, a cada 6 horas, teremos uma maré alta e uma maré baixa
consecutivamente, ou seja, teremos uma maré alta e, 6 horas depois, teremos uma maré baixa;
em seguida, novamente uma maré alta e, 6 horas depois, outra maré baixa; e assim por diante,
alternando-se maré baixa e maré alta de 6 em 6 horas, sendo, por isso, chamada de maré
semidiurna. Em 24 horas, temos a ocorrência de duas marés altas e duas marés baixa.
Entretanto, existem regiões em determinada época do ano onde isso não acontece, mas esse
assunto será tratado mais adiante.

8.1.3 Tipos de Marés

Outra constatação importante que teremos é que o nível do mar, nas marés altas ou nas
marés baixas, varia ao longo do ciclo lunar, ou seja, em função das fases da Lua.

No ciclo lunar, de duração de 28 dias, a Lua realiza seu movimento e translação ao redor
da Terra. Se consideramos os sistema Sol-Terra-Lua e a posição relativa dos três astros,
veremos que o Sol ilumina tanto a Terra quanto a Lua de forma semelhante, ou seja, a face
voltada para o Sol é toda iluminada. Acontece que, para um observador que se encontra na
Terra, a parte iluminada da Lua varia ao longo do ciclo lunar, devido a posição relativa da Lua
variar. Essa variação do posicionamento da Lua em relação à Terra é que chamamos de fases
da lua. Observe a figura 8.3:
145
MOC 01
Figura 8.3 - MARÉS DE SIZÍGIA E QUADRATURA
As fases da Lua resultam em maré de sizígia na Lua cheia e Lua nova e em maré de
quadratura na Lua quarto crescente e Lua quarto minguante.

Temos 4 fases: lua nova, quarto crescente, lua cheia e quarto minguante;
observamos que, na fase lua nova, temos Sol-Terra-Lua em conjunção e, na fase
lua cheia, temos Sol-Terra-Lua em oposição e, em ambas as fases, constatamos
um alinhamento Sol-Terra-Lua, ou seja, a força gravitacional da Lua e do Sol
sobre a Terra somam-se, significando que a atração da Lua e atração do Sol
contribuem para a elevação do nível do mar, por ocasião da maré alta. Nessas
ocasiões, temos uma maré alta com nível mais elevado, sendo esse tipo de maré
denominado Maré de Água Viva ou Maré de Sizígia.

Observe que, na fase da Lua quarto crescente e na fase da Lua quarto


minguante, a posição relativa da Lua-Terra-Sol forma um ângulo de 90 graus, o
que significa que a atração da Lua é numa direção e a atração do Sol é em outra
direção, ou seja, 90o defasada. Isso indica que a força resultante terá um efeito
menor na elevação do nível do mar, por ocasião da maré alta. Nessas ocasiões,
temos uma maré alta menos alta, a qual chamamos de Maré de Água Morta ou
Maré de Quadratura.

É muito importante ressaltar que, nas marés de sizígias, temos marés altas mais
acentuadas, ou seja, mais altas, e as marés baixas também mais acentuadas, ou
seja, nas baixas de sizígias o mar atinge o nível mais baixo. Já nas marés de
quadratura, temos as marés altas menos altas e as marés baixas menos baixas.
Esses aspectos são de muita importância para os navegantes que trafegam em
águas costeiras e também para as embarcações que demandam canais de
acesso aos portos. Principalmente se o navegante estiver interessado no efeito
das correntes de marés de enchente e vazante. Essas correntes de marés são
mais significante nos dias de marés de sizígia, e menos atuantes nos dias de
marés de quadratura.

146
Exercícios resolvidos 8.1

Reflita os conceitos ressaltados nesses exercícios.

8.1.1) Cite os três principais parâmetros, entre os vários componentes que resultam no
movimento das marés.

Podemos citar a força de atração da LUA, a força de atração do Sol e a força centrífuga da
TERRA.

8.1.2) Cite as principais causas da variação das alturas e horários da maré em um mesmo
porto, ao longo dos dias, dos meses e dos anos.

Observamos que a posição relativa da LUA-SOL-TERRA varia em função das fases da LUA,
em seu movimento de translação em torno da TERRA, no período de 28 dias.

Nas fases de LUA nova e LUA cheia, observamos um alinhamento dos 3 astros, somando na
mesma direção os esforços que resultam a maré mais forte que é denominada maré de sizígia
ou maré viva.

Nas fases de LUA quarto crescente e LUA quarto minguante, observamos que os 3 astros
formam um ângulo de 90º como num quadrado, os esforços não se somam na mesma direção,
resultando uma maré mais fraca, que é denominada maré de quadratura ou maré morta.

8.1.3) Porque razão os horários da preamar e baixa-mar variam cerca de 50 minutos,


continuamente de um dia para o outro?

A LUA em seu movimento contínuo de translação se desloca 1/28, a cada dia, ou seja, o
mesmo meridiano da TERRA passa pela LUA no dia seguinte, após 24 horas mais cerca de 50
minutos (1/28 de deslocamento da LUA).

8.2 OS ELEMENTOS DAS MARÉS

Na subunidade passada, vimos o que causa o fenômeno das marés e como isso
acontece. Certo? Pois bem, nesta subunidade, veremos os elementos que compõem a maré e
quais são as conseqüências que ela provoca. Atenção à unidade.

8.2.1 Fluxo e Refluxo

Como você já sabe, a maré é um movimento vertical do nível das águas. certo? Muito
bem, no período em que o nível das águas está subindo, chamamos de Maré de Enchente ou
Fluxo e, quando o nível das águas está descendo ou diminuindo, chamamos esta ação de
Maré de Vazante ou Refluxo. Veja a figura 8.4.
147
MOC 01
Figura 8.4 - FLUXO E REFLUXO DAS MARÉS
O efeito muito bem organizado das marés desencadeia movimento dos oceanos
(correntes de maré), que é percebido no litoral como correntes de enchente (fluxo) e
correntes de vazante (refluxo).

8.2.2 Preamar e Baixa-mar

Observe uma coisa: quando a maré de enchente chega ao seu maior nível,
denominamos de maré alta ou maré cheia, mas o termo mais correto e usado na Marinha
Mercante é Preamar. Quando a maré de vazante chega ao seu nível mais baixo, chamamos
de maré baixa ou vazia, entretanto o termo mais correto para designar esse momento é Baixa-
mar. (Figura 8.5).

Figura 8.5 - PREAMAR E BAIXA-MAR


O movimento dos oceanos (correntes de marés) desencadeia à oscilação do nível do
mar. Na ocasião da corrente de enchente, o nível mais alto ocorre na preamar e no
período de corrente de vazante o nível mais baixo ocorre no instante da baixa-mar

8.2.3 Nível de Redução – NR

O nível de redução é o nível escolhido como referência das sondagens das cartas
náuticas, ou seja, é o plano de referência com o qual todas as profundidades cartográficas
estão relacionadas.

As profundidades registradas nas cartas náuticas indicam as sondagens reduzidas do


efeito das marés até o nível de redução (NR). Por isso a denominação desse nível de
referência, de nível de redução. Este nível de referência das profundidades, registradas na
carta náutica, é também escolhido para ser o nível de referência do zero das réguas de marés,
que medem as alturas das marés, de cada região.

O nível de redução é baseado na média das menores baixa-mares de sizígias da região


sondada, significando que o navegante pode obter a informação da profundidade real em
determinado instante, adicionando a altura da maré ao valor da profundidade indicada na carta
náutica. Esta adição proporciona ao navegante a certeza de que encontrará uma margem de
segurança, pois sempre obterá um nível do mar maior que o valor indicado na carta náutica,
mesmo no instante da baixa-mar, porque o cálculo do NR leva em consideração a definição de
que o NR é um plano tão baixo, que a maré, em condições normais, não ficará abaixo do NR.
148
8.2.4 Altura da Maré

A altura da maré é a distância vertical, em um determinado instante, entre o nível do mar


e o nível de redução – NR. A altura da maré na preamar e na baixa-mar é dada pela Tábuas
das Marés, publicação de grande importância para o navegante.

O navegante deve interpolar as alturas de PM e BM para obter altura da maré no horário


desejado.

8.2.5 Amplitude da Maré

A amplitude da maré é a diferença em altura entre a preamar e a baixa-mar seguinte, ou


seja, é a quantidade em metros que o nível do mar sobe entre uma baixa-mar e uma preamar.

No Brasil, temos regiões onde a amplitude de maré costuma ultrapassar os 6 metros,


como nos portos do norte (um exemplo é o Maranhão).

8.2.6 Nível Médio do Mar – NM

O nível médio é o nível do mar que fica a meio caminho entre o nível da preamar e o
nível da baixa-mar, ou seja, é a metade da amplitude da maré. O navegante pode observar
que metade da amplitude da maré fica acima do Nível Médio do Mar (NM) no instante da PM e
metade da amplitude fica abaixo do NM no instante da BM. Pode-se afirmar que NM coincidiria
com o nível normal do mar, numa região sem efeito significativo da maré. Observe com
atenção a figura 8.6, que apresenta todos esses novos conceitos:

Figura 8.6 - NÍVEL MÉDIO (NM) E NÍVEL DE REDUÇÃO (NR)


Para as medidas dos parâmetros das marés usa-se os níveis de referência NR e NM. O
nível de redução NR é referencia para medida das alturas das marés e para redução das
sondagens das cartas náuticas dos efeitos das marés na hora das sondagens.

8.2.7 Estofo de Maré

O estofo de maré é o instante em que a maré, na preamar ou na baixa-mar permanece


parada, ou seja, são alguns minutos em que o nível do mar não se altera, portanto, não há
movimento das águas. Nesse instante o navegante pode observar a inversão de sentido das
correntes de enchente ou vazante.

149
MOC 01
8.2.8 Corrente de Marés

As correntes de marés são movimentos das águas no sentido horizontal e ocorrem no


fluxo e refluxo, ou seja, no período em que a maré está enchendo ou está vazando.

No intervalo de tempo em que a maré está enchendo, o sentido da corrente é,


normalmente, do mar para terra; e quando a maré está vazando, o sentido da corrente é da
terra para o mar. Entretanto, acidentes geográficos, ventos, etc. podem alterar esse sentido.

Exercícios resolvidos 8.2

Preste atenção nos conceitos apresentados detalhadamente, nas soluções dos


exercícios.

8.2.1) Defina nível de redução das marés (NR).

Para ser possível o navegante usar as cartas náuticas de um porto ao longo dos dias de um
ano, em qualquer horário, é fundamental reduzir as profundidades registradas do efeito das
marés. Por isso o nome nível de redução.

As cartas náuticas indicam as profundidades sem considerar nenhum acréscimo devido as


marés. Isso será realizado pelo próprio navegante, consultando no instante desejado as
tábuas das marés.

8.2.2) Defina amplitude da maré.

É o valor obtido pela diferença entre as alturas da preamar e baixa-mar daquele dia. A
amplitude da maré é diferente da sizígia para a quadratura em um mesmo porto

8.2.3) Como é medida a altura da maré?

O principal elemento a ser definido, é onde fica, no mar, o zero da régua de marés, a ser
instalada para as medidas das alturas das marés, nesse porto.

Sabe-se que as cartas náuticas indicam as profundidades do fundo do mar até o NR. Então a
partir daí mede-se as alturas das marés. O zero da régua de marés coincide com o NR,
calculado para o referido porto.

8.2.4) Explique o comportamento das PM e BM nas marés de sizígias e de quadratura.

Na sizígia as PM são maiores e as BM são menores. Então a amplitude é maior.

Na quadratura as PM são menos altas e as BM são menos baixas. Então a amplitude é menor.

8.2.5) Explique o comportamento do Nível Médio (NM).

O nível médio do mar é o mesmo sempre. Visto que a altura do NM é constante, tanto na
sizígia como na quadratura.

150
8.3 TÁBUAS DAS MARÉS

Nesta subunidade, veremos como utilizar a publicação “Tábuas das Marés”, para obter a
hora e a altura da maré, na preamar e na baixa-mar, o que possibilita calcular a amplitude da
maré nesse dia, no local, em questão. O navegante necessita dessas informações para
verificar qual é a profundidade real de um determinado local, em um determinado instante.
Verificando, também, qual é a intensidade e o sentido da corrente de maré indicada na carta de
correntes de maré do referido porto.

A “Tábuas das Marés” é uma publicação confeccionada, editada e distribuída anualmente


pela Diretoria de Hidrografia e Navegação, órgão da Marinha do Brasil. Vejamos como ela é
constituída.

8.3.1 Conteúdo das Tábuas

A Diretoria de Hidrografia e Navegação – DHN faz a previsão das marés para os


principais portos brasileiros e alguns estrangeiros próximos do Brasil. Esta previsão é feita
anualmente por meio de cálculos denominados métodos harmônicos.

As “Tábuas das Marés”, portanto, fornece ao navegante, dia-a-dia, para todos os dias do
ano, as horas das preamares e baixa-mares e respectivas alturas sobre o nível de redução
(NR), ao qual correspondem também às sondagens que estão registradas na carta náutica.

Em cada página da “Tábuas das Marés”, temos o seguinte:

 Nome do porto;
 Coordenadas geográficas do porto;
 Fuso a que se referem as horas indicadas;
 instantes das preamares e baixa-mares com as respectivas alturas sobre o Nível de
Redução;
 Altura do Nível Médio sobre o Nível de Redução; e
 Fases da Lua.

Caso você esteja embarcado, pegue a Tábuas das Marés e verifique como cada um
desses itens está disposto; caso você esteja desembarcado, solicite ao seu Orientador de
Aprendizagem o empréstimo de uma Tábua para fazer essa verificação.

Observe a figura 8.7, que assinala os itens citados: (Veja também o Anexo 2)

Figura 8.7 - TABUAS DAS MARÉS


Elas indicam a altura e horário da preamar e da baixa-mar, para cada dia, do mês de
interesse, no porto selecionado pelo navegante.
151
MOC 01
Verifique que a figura 8.7, apresentada na íntegra no Anexo 2, corresponde às marés do
Terminal da Alumar, no Estado do Maranhão. Observe que, no dia quatro de janeiro, temos as
seguintes alturas de marés:

01:51 horas......... 0,2 metros (baixa-mar)


08:00 horas......... 5,8 metros (preamar)
13:56 horas......... 0,7 metros (baixa-mar)
20:15 horas......... 5,9 metros (preamar)

Olhando a tábua do dia 04/01 de 2007 do terminal da ALUMAR (Anexo 2), podemos
afirmar que, a partir de 01:51 hora, a maré estará subindo; a partir das 08:00 horas a maré
começará a vazar; a partir das 13:56 horas a maré começará a encher e, a partir das 20:15
horas, a maré estará vazando. Correto?

8.3.2 Utilizando a Tábua

A utilização da tábua é bastante simples. Para sabermos a profundidade de um


determinado local de um porto, ou nas imediações em um determinado instante, deve-se
proceder da seguinte forma:

 Utilizando a Tábuas das Marés, abra na página do porto que se deseja;

 Vá à coluna correspondente ao mês vigente;

 Procure na coluna o dia desejado; em seguida, verifique a altura e a hora da maré


correspondente a PM e BM e calcule a altura para o instante desejado.

 Achada a altura da maré, basta somá-la com a profundidade registrada na carta (nível
de redução), e se tem a profundidade naquele instante para aquele local.

PROFUNDIDADE PROFUNDIDADE
ALTURA DA
REAL NAQUELE NA CARTA
INSTANTE
= NÁUTICA
+ MARÉ NAQUELE
INSTANTE

Para se obter a Amplitude da Maré, basta subtrair a altura da maré na baixa-mar da


altura da maré na preamar consecutiva ou antecedente.

Amplitude = Preamar – Baixa-mar

Para obter a altura da maré no instante desejado (x), o navegante tem de resolver uma
regra de três, ou seja, hora da preamar menos a hora da baixa-mar (minutos) e a respectiva
amplitude (cm). A hora desejada menos a hora da baixa-mar (minutos) e a altura da maré no
instante x, menos a altura da baixa-mar (cm).
152
Faça o que se pede. Exercite seu aprendizado.

Exercícios resolvidos 8.3

Fixe os procedimentos descritos nas soluções dos exercícios.

A fim de melhor assimilar este assunto, vamos fazer alguns exercícios muito comuns no
dia-a-dia do navegante. Para tanto, consulte o Anexo 2, que corresponde à Tábua de Marés
dos quatro primeiros meses do ano de 2007 do terminal da ALUMAR.

8.3.1) Um Mestre-de-Cabotagem demandava o terminal da ALUMAR no dia 5 de janeiro de


2007, às 08:30 horas, e o local onde navegava estava registrado em carta náutica com uma
profundidade de 5,2 metros. Qual foi a profundidade real naquele instante?

Solução:

Consultando a tábua, coluna de janeiro, dia 5, verifica-se que, às 08:30 horas, a altura da maré
é de 5,8 metros (preamar). Logo, podemos, com uma simples adição, determinar a
profundidade naquele local às 08:30 horas.

Profundidade = 5,2 m + 5,8 m


Profundidade = 11 metros

8.3.2) Um Patrão-de-Pesca-de-Alto-Mar deixava o terminal da ALUMAR para uma jornada de


pesca, no dia 24 de fevereiro de 2007, às 12:30 horas, navegando em uma região em que a
carta registrava uma profundidade de 3 metros. Qual foi a profundidade real naquele instante?

Solução: Utilizando a tábua, e entrando na coluna de fevereiro com o dia e a hora, obtemos
para as 12:26 horas uma altura de maré de 5,5 metros. Adicionando ao nível de redução
registrado na carta, teremos:.

Profundidade = 3 m + 5,5 m
Profundidade = 8,5 metros

8.3.3) Consultando-se a tábua de marés para um determinado porto, obteve-se as seguintes


informações:

Baixamar (BM) Preamar (PM)


Hora Altura (m) Hora Altura (m)
0600 1,00 1200 7 ,0 0

Calcule a altura da maré prevista para as 1100 (h e min.) para aquele dia.

Solução:

Hora PM – Hora BM = (1200) – (0600) = 06 horas = 6 x 60 = 360 minutos.


Amplitude = Altura PM – Altura BM = 7m – 1m = 6 metros
Hora desejada – Hora BM = (1100) – (0600) = (05h) = 5 x 60= 300m
360 min  6 metros

153
MOC 01
300 x 6 5 x 6
300 min  x metros  x = = = 5 metros (5 metros acima da BM)
360 6
Altura da maré às 11h e 00min = 5 metros + altura BM = 5 m + 1 m = 6 metros
8.3.4) Quais são as informações registradas no cabeçalho de todas as folhas das tábuas das
marés?

R- Nome do porto e as coordenadas geográficas (Latitude Longitude) Fuso (positivo a W) a que


se referem os horários registrados, número da Carta contemplada e altura do NM.

8.3.5) Como está listado o índice de portos da publicação?

R- O índice registra os portos em ordem geográficas, sentido norte-sul.

8.3.6) Porque nos portos das regiões sudeste e sul do Brasil observam-se, alguns dias a
ocorrência de mais de duas PM e duas BM?

R- Nas regiões norte, nordeste e leste do Brasil, identificam-se marés semidiurnas, com duas
PM e duas BM.

Enquanto a partir de Cabo Frio, marés de desigualdades diurnas são observadas e registradas
nas tábuas das marés. Nessas regiões os navegantes devem ter especial atenção ao interpolar
à altura da maré para o instante de seu interesse.

8.3.7) Cite uma das utilidades do registro da altura do NM, no cabeçalho das páginas das
tábuas das marés.

R- Como no NM esta a meio da amplitude da maré. Em um dia de maré de sizígia, a BM está


bem próxima do NR. E é a partir do NR que é medida a altura do NM. Então altura do NM pode
ser considerada, em dia de sizígia, a semi-amplitude da maré nesse dia e o dobro será a
amplitude.

Como a amplitude dá uma boa informação ao navegante sobre o comportamento da maré


nesse porto e logicamente, também alerta o navegante para as fortes correntes de maré de
enchente e de maré de vazante nos portos de grande amplitude, de grande altura do NM.

Considerações Finais

Você, com toda certeza, já observou o efeito das marés em suas diversas idas à praia.

Lógico que nas praias você tem belas paisagens para apreciar, com alegria e admiração,
mas a largura da faixa de areia disponível para tantos banhistas, é sempre evidenciada
espontaneamente.

Você percebeu nesse seu estudo de marés que para o navegante, ressaltam alguns
fatores preocupantes, tais como as correntes de enchente e vazante e as oscilações da
profundidade nas preamares e baixa-mares. Você agora deve está pensando consigo mesmo:
“mas agora eu sei me proteger dos efeitos das marés”. Certo. Temos certeza que sim!

154
Teste de Auto-Avaliação da Unidade 8

Responda, agora, às seguintes questões:

8.1 Teoria das marés

8.1.1) Em que consiste a Lei da Gravidade Universal?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

8.1.2) Qual é o astro que mais influencia o fenômeno das marés?


____________________________________________________________________________

8.1.3) Quantas marés podem ocorrer normalmente em um período de 24 horas?


____________________________________________________________________________

8.1.4) Em que fases da lua a força gravitacional é maior? Por quê?


____________________________________________________________________________

8.1.5) Defina maré de quadratura. Quando ela ocorre?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

8.2. Os elementos das marés

8.2.1) Quando ocorre a maré de vazante ou refluxo?


____________________________________________________________________________

8.2.2) Como é denominado o estado da maré, quando alcança o maior nível?


____________________________________________________________________________

8.2.3) Descreva o que é “Nível de Redução”.?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

8.2.4) Como denominamos o estado em que a maré, em um determinado instante na preamar


ou baixa-mar, permanece parada?
____________________________________________________________________________

8.2.5) Quando ocorrem as correntes de marés?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

8.3 Tábuas das marés

8.3.1) O que fornece a publicação “Tábuas das Marés”?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

155
MOC 01
8.3.2) De que forma é obtida a amplitude da maré, para um determinado instante?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

8.3.3) O que o navegante deve fazer para obter a profundidade de um local em um


determinado instante?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

8.3.4) Estando o navegante no terminal da Alumar (em anexo), às 08:20 horas do dia 5 de
março de 2007, em um local onde a carta indicava uma sondagem de 3,2 metros, qual
foi a profundidade real naquele instante ?
____________________________________________________________________________

8.3.5) O mestre de um rebocador que demandava o terminal da Alumar (em anexo), às 13:10
horas do dia 26 de março de 2007, e que estava com um calado a ré de 4,5 metros,
verificou que passaria em um local onde constava na carta náutica uma sondagem de 3
metros. É possível a navegação sem o risco de encalhe? Justifique.
____________________________________________________________________________

Chave de Respostas do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 8

8.1 Teoria das marés

8.1.1) Consiste na atração dos astros, na razão direta de sua massa e na razão inversa do
quadrado das distâncias.
8.1.2) A Lua.
8.1.3) Duas marés altas e duas marés baixas, alternadamente.
8.1.4) Na fases nova e cheia, porque ficam alinhadas ao Sol.
8.1.5) São marés com menor elevação no nível do mar e ocorrem nas Luas quarto minguante
e quarto crescente.

8.2. Os elementos das marés

8.2.1) Ocorre quando o nível das águas está descendo ou diminuindo.


8.2.2) Preamar.
8.2.3) Nível de Redução é o nível escolhido como referência das sondagens das cartas
náuticas, ou seja, é o plano de referência com o qual todas as profundidades
cartografadas (sondagem cartografada) estão relacionadas. Este mesmo nível é usado
como referência para as medidas das alturas de maré
8.2.4) Estofo de Maré.
8.2.5) Ocorrem no fluxo e refluxo, ou seja, no momento em que a maré está enchendo ou está
vazando.

156
8.3 Tábuas das marés

8.3.1) Fornece para os portos nacionais e alguns estrangeiros, dia-a-dia, para todos os dias
do ano, as horas das preamares e baixa-mares e respectivas alturas sobre o nível de
redução, ao qual correspondem as sondagens que estão registradas nas cartas
náuticas.

8.3.2) Basta subtrair a altura da maré na baixa-mar da altura da maré na preamar


consecutiva ou antecedente.

8.3.3) Basta somar o nível de redução – NR (sondagem registrada na carta náutica) à da


maré do instante desejado (fornecida pela Tábua da Maré).

8.3.4) 9,1 metros.

8.3.5) Sim, porque a profundidade, às 0640 horas, é de 8,0 metros.

Parabéns, você concluiu com sucesso esta Unidade.


Continue, persista e avance para a Unidade 9, que trata
das “Correntes Oceânicas e Costeiras”.

157
MOC 01
158
UNIDADE 9

CORRENTES OCEÂNICAS E COSTEIRAS

Nesta unidade, você vai

 Compreender o comportamento das correntes oceânicas do oceano


Atlântico Sul.
 Interpretar a influência das correntes de marés na navegação costeira.

Recentemente acompanhamos a habilidosa navegação do pesquisador AMY KLINK, na


sua travessia, a remo, do Oceano Atlântico Sul.

Você deve estar se perguntando, como uma única pessoa conseguiu conduzir uma
embarcação, provida apenas de remos, por um imenso oceano, e chegar ao seu intento 100
dias depois.

Esta empolgante proeza é resultado de minuciosa pesquisa das correntes oceânicas na


região de interesse do navegador AMY KLINK.

Este fato comprova ao navegante comum como é importante o conhecimento dessa


unidade para a eficiência da navegação.

Vamos ao nosso estudo.

9.1 CORRENTES OCEÂNICAS

Nesta subunidade, você estudará as correntes oceânicas, que também são chamadas de
correntes marítimas. Do ponto de vista da navegação e da pesca, as correntes marítimas são
muito importantes, sendo, portanto, necessário conhecê-las para que possa utilizá-las em seu
favor.

9.1.1 Causa das Correntes

As correntes marítimas correspondem aos deslocamentos das águas oceânicas,


continuamente, na mesma direção e velocidade. Essas grandes massa de água salgada que
correm na superfície dos oceanos, e em águas profundas, percorrendo cursos bastante
regulares, como dissemos anteriormente, são consideradas verdadeiros rios oceânicos.

159
MOC 01
O principal fator responsável pela existência dessa correntes é a diferença da densidade
das águas. Essa diferença de densidade é provocada pela diferença de temperatura, ou seja,
as temperaturas extremamente baixas nas regiões polares afetam consideravelmente a
densidade da água do mar nas altas latitudes, sendo este fato muito importante para
desencadear o processo de correntes frias e profundas e, conseqüentemente, provocar o
deslocamento da água superficial e quente na direção das altas latitudes para suprir o espaço
liberado pelo deslocamento das correntes frias e profundas na direção das baixas latitudes e
Equador. Observe a figura 9.1.

9.1.2 Identificação das Correntes

As correntes marítimas podem ser identificadas pelas diferentes temperaturas que


apresentam. Logo, de acordo com a temperatura e sua região de origem, elas podem ser:

a) Correntes Quentes – Provenientes de zonas equatoriais e tropicais, como a das


Guianas, a corrente do Golfo do México (Gulf Stream), a do Brasil e a Sul Equatorial;

b) Correntes Frias – Oriundas das regiões polares ou frias, como a do Labrador, a de


Humbolt, a das Malvinas, de Benguela e circumpolar Antártica. Veja a figura 9.1:

Figura 9.1 - CORRENTES OCEÂNICAS FRIAS E QUENTES


As correntes de densidade meridionais frias se aproximam da região tropical e equatorial
e as correntes quentes se afastam da região tropical, fluindo para as altas e medias
latitudes.

As correntes são observadas em diferentes profundidades: nos oceanos, à superfície do


mar, encontramos correntes quentes – menos densas; em águas profundas, encontramos
correntes frias – mais densas. A rotação da Terra tem influência em suas trajetórias,
desviando-as para a direita no Hemisfério Norte e para a esquerda no Hemisfério Sul, devido
ao efeito da força de Coriolis. Em outras palavras podemos descrever o mesmo
comportamento das correntes oceânicas meridionais. As correntes que se afastam do equador
desviam suas trajetórias para E (leste), mesmo sentido da rotação da TERRA (para E). As
correntes que se aproximam do equador desviam para W (oeste).

160
9.1.3 Correntes Marítimas na Costa do Brasil

Na costa do Brasil, encontramos correntes quentes e frias. A corrente oceânica Sul


Equatorial, ao encontrar a costa norte/nordeste do Brasil, bifurca-se na corrente do Brasil, na
direção sul, e na corrente das Guianas, na direção norte. Ambas são correntes superficiais
quentes e se deslocam próximo à costa, sendo freqüentemente observadas pelos navegantes.
Na costa sul e sudeste do Brasil, observa-se, em alguns pontos, o surgimento de água fria e
profunda proveniente da corrente das Malvinas, chegando até a região de Cabo Frio. O
afloramento das águas frias e ricas em nutrientes é chamado de ressurgência, sendo, nesses
locais, normalmente observada grande atividade pesqueira.

O navegante, na costa do Brasil para melhor planejar a sua navegação, deve saber a
direção correta e a velocidade das correntes no oceano Atlântico Sul e na costa do Brasil, as
quais variam a intensidade conforme os períodos do ano. Para tanto, é necessário consultar a
publicação Cartas Piloto, que é fornecida pela Diretoria de Hidrografia e Navegação – DHN.

A importância do conhecimento prático das correntes marítimas reside, principalmente, em


uma economia de combustível e num melhor aproveitamento da velocidade na navegação.
Além disso, é também um meio de transporte da base alimentar dos pesqueiros, ou seja,
transporta sais nutrientes, essenciais para os desenvolvimentos dos microorganismos
(plâncton) que servem de base de alimentação dos peixes. Outra razão é que o movimento
das correntes frias, dirigindo-se para regiões quentes, e o das correntes quentes, indo em
direção às regiões frias, influem no clima dessa regiões e no equilíbrio térmico do planeta
TERRA.

Exercícios resolvidos 9.1

Tente visualizar os conceitos descritos detalhadamente nas soluções dos exercícios.

9.1.1) Comente a circulação oceânica das correntes quentes e frias de ambos os hemisférios.

As correntes são correntes de densidade.

Isto significa que as massas d’águas mais quentes e menos densa tem densidade diferente
das massas d’água mais frias e mais densas.

A circulação das correntes busca o equilíbrio térmico do planeta TERRA. Então as correntes
quentes circulam na direção das altas latitudes, se afastando da região tropical e as correntes
frias, ao contrário se aproximam da região tropical. Além disso, as correntes como são menos
densas, circula pelas camadas superficiais dos oceanos e as frias pelas camadas profundas
dos oceanos.

Ressalta-se apenas, que essas correntes meridionais sofrem influencias da rotação da TERRA
e do efeito da força de coriolis, desviando suas trajetórias.
161
MOC 01
9.1.2) Comente sobre as correntes oceânicas nas regiões brasileiras.

Nordeste e Leste do Brasil são afetadas pela corrente oceânica quente (corrente do Brasil),
que tem direção para o sul, desviando gradualmente sua trajetória para E (leste). Como é uma
corrente quente e entre superficial, afeta a navegação na região brasileira, afastando da costa
as embarcações.

Na região sul do Brasil observa-se a ocorrência da corrente das Malvinas, corrente fria e
profunda, com pontos de ressurgência (afloramento) na costa brasileira, notadamente na ilha
se Santa Catarina e na área de Cabo Frio e Arraial do Cabo.

9.2 CORRENTES COSTEIRAS

9.2.1 Correntes de Marés

Nesta subunidade, você verá que a oscilação periódica e regular das marés resulta em
um deslocamento horizontal de massa d’água, movimento esse caracterizado como correntes
de marés. É interessante ressaltar que as correntes de marés, devido ao volume dos oceanos,
envolvem uma quantidade de energia extraordinária, daí resultando a sua importância. As
correntes de marés, embora ocorram em todo o oceano, podem ser observadas com mais
facilidade na linha da costa.

9.2.1.1 Direção e Intensidade da Corrente

Na prática, se não levamos em consideração o perfil da costa e o regime de


ventos, podemos dizer que a direção da corrente é no sentido “mar para terra”,
quando da maré de enchente, sendo, por isso, denominada corrente de
enchente; no sentido “terra para mar”, quando da maré de vazante, passa, então,
a ser denominada corrente de vazante.

Um aspecto que influencia a variação da intensidade da corrente da maré numa mesma


região ao longo do mês é a fase da Lua, ou seja, Lua cheia e Lua nova, que significam
ocorrências de marés de sizígia, que são as marés mais altas na PM e mais baixas na BM.
Outro aspecto importante é a amplitude da maré. Os portos de grande amplitude apresentam
fortes intensidades das correntes, de enchente e de vazante. Nesses portos, nos dias de
sizígia a velocidade das correntes de marés são maiores que nos dias de marés de quadratura.
Os navegantes devem ter especial atenção no planejamento e acompanhamento de suas
navegações nesses dias, nas regiões em questão.

9.2.1.2 Fatores de Influência

As correntes produzidas pela maré são de especial interesse aos navegantes em áreas
como baías, enseadas e nas proximidades dos portos, enfim, nas áreas onde apresenta maior
influência.

162
As correntes de maré são fortemente influenciadas pela geografia da região, resultando
em um comportamento diferenciado, na sua direção e velocidade, ao longo de um canal de
acesso ao porto e nos demais pontos de uma baía ou enseada, conforme as características
geográficas da região.

As características geográficas que influenciam na direção e velocidade de uma corrente


de maré são:

 profundidade ao longo do canal de acesso ao porto;


 largura da barra (entrada);
 comprimento do canal de acesso;
 existência ou não de ilhas e pontas, etc.

Em suma, são vários os aspectos que influenciam a circulação das águas durante a
ocorrência das marés, tanto nas marés de enchente quanto nas marés de vazante.

Além disso, observamos que a variação na intensidade ou velocidade é proporcional à


amplitude da maré, ou seja, quanto maior for a amplitude, maior será o volume da água e,
conseqüentemente, maior será a intensidade ou velocidade da corrente; assim como quanto
menor for a amplitude, menor será a intensidade ou velocidade da corrente. Correto?

Outros fatores podem influenciar na direção e velocidade da corrente de maré, como o


próprio regime de ventos. Entretanto, o navegante poderá obter informações precisas sobre
essa corrente na carta de correntes de marés, assunto que será estudado na última fase
deste módulo.

9.2.2 Correntes Produzidas pelo Vento

Como dissemos anteriormente, o vento poderá influenciar na direção e velocidade da


corrente de maré. No entanto, em alguns casos, poderá também gerar um outro tipo de
corrente. Veja como isso ocorre.

A ação dos ventos sobre a superfície do mar, devido ao atrito, produz um pequeno
arrasto superficial, denominado corrente de deriva.

Entretanto, o desenvolvimento da corrente de deriva só é possível em regiões onde as


características predominantes tenham:

 proximidade da costa;
 configuração do fundo do mar em forma de canal;
 perfil do litoral alinhado em relação à direção do vento; e
 regime de ventos com direção, velocidade ou intensidade constantes ou
persistente.

Nesses casos, a corrente de deriva causada pelo vento produz um deslocamento da


água da superfície, que não é na mesma direção do vento, devido ao atrito das camadas de
água do mar em profundidades distintas.

O resultado no HS é que a corrente de deriva gerada fica, aproximadamente, 90o à

163
MOC 01
esquerda da direção do vento gerador, fato este comumente observado na costa do Brasil,
principalmente leste e nordeste.

No HN a corrente de deriva fica a 90º à direita da direção do vento gerador.

A água profunda ocupa o espaço liberado pelo deslocamento da água da superfície na


corrente de deriva, em regiões que apresentam características favoráveis a essa ocorrência,
resultando o fenômeno da ressurgência.

Este movimento de ascensão das águas frias e profundas, normalmente ricas em sais
nutrientes, contribui significativamente para a formação de áreas piscosas (áreas ricas em
peixe), além de influenciar no clima e nas condições meteorológicas do tempo da região em
questão.

Quando estudamos ondas constatamos que em alto-mar, na interação atmosfera-oceano,


a energia transferida pelos ventos para o oceano é quase toda consumida na formação de
ondas, ou seja, oscilação vertical da superfície do mar, que não implica, em deslocamento
horizontal de massa d’água.

9.2.3 Correntes de Retorno de Ondas

Quando você estudou a unidade 6 – ondas, pôde constatar que na arrebentação a


energia potencial das ondas é transformada em energia cinética, desencadeando
deslocamento da massa d’agua das ondas, na direção da costa. Esses volumes d’água
acumulados na costa e nas praias, procuram uma área adequada para retornarem para o mar,
resultando numa forte corrente costeira de retorno. Em dias de mar severo, com fortes
arrebentações, as correntes de retorno, são mais significativas.

Exercícios resolvidos 9.2

Preste atenção e reflita os procedimentos destacados nas soluções dos exercícios.

9.2.1) Comente sobre correntes de marés, de determinado porto, ao longo de 24 horas, num
dia de Lua cheia.

Inicialmente, constata-se que nos dias de lua cheia e lua nova, as marés são de maior
amplitude. Nas marés de sizígia o nível do mar é mais alto na PM e mais baixo no BM.
Portanto, nas 6 horas de enchente, o volume de água que se desloca é maior que em um dia
de quadratura. O mesmo comportamento é notado nas 6 horas de vazante, corrente forte.

Entretanto, as correntes de marés, neste dia, no porto referido, serão proporcionais a amplitude
do porto em questão.

164
9.2.2) Em que situação as correntes de marés podem ser bastante preocupantes para os
navegantes?

A intensidade das correntes tanto na vazante como na enchente, serão mais fortes nos portos
em que a amplitude da maré é significativa. Então, numa situação de maré de sizígia (Lua
cheia e Lua nova), este porto terá uma intensidade de corrente de enchente e de vazante mais
significativa ainda, requerendo atenção e cuidados especiais por parte dos navegantes.

9.2.3) Cite em que direção flui uma corrente induzida pelo vento, numa área marítima qualquer.

A corrente resultante de toda a camada d’ água afetada pelo atrito do vento, se desloca em
uma direção defasada de 90º da direção do vento. Sendo para a esquerda da direção do vento,
no HS e para a direita da direção do vento no HN.

É bom lembrar que a direção do vento considerada, é sempre de onde vem o vento, enquanto
a direção da corrente, é para onde flui a corrente.

Considerações Finais

Você percebe com facilidade que correntezas em rios, nas praias em dia de mar severo e
nas baías em marés de vazante em dia de sizígia.

Mas existem outras correntes ditas oceânicas, difíceis de se observar, porque envolvem
enormes massas d’águas.

Você teve oportunidade de conhecer suas características nas quentes e nas frias e a
tendência das suas trajetórias. Então, você está preparado para navegar nessas regiões,
considerando seus efeitos sobre sua embarcação.

Muito bem! Faça então boa viagem.

Vamos encerrar nosso módulo, com as cartas auxiliares da última unidade.

Agora que você chegou ao final da unidade 9, verifique os seus conhecimentos.


Faça o que se pede no teste abaixo.

Teste de Auto-Avaliação da Unidade 9

Responda, agora, às seguintes perguntas:


9.1 Correntes oceânicas

9.1.1) O que são correntes marítimas?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

9.1.2) Qual é a principal forma de classificação ou identificação das correntes marítimas?


____________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
165
MOC 01
___

9.1.3) Como podemos identificar ou classificar a corrente do Brasil?


____________________________________________________________________________

9.1.4) De que bifurcação nasce a corrente do Brasil?


____________________________________________________________________________

9.1.5) Em que publicação podemos verificar a intensidade e direção das correntes marítimas?
____________________________________________________________________________

9.2 Correntes costeiras

9.2.1) Qual é a origem da corrente de maré?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

9.2.2) Se não levarmos em consideração o perfil da costa ou o regime de ventos, qual será o
sentido da corrente de maré na enchente?
____________________________________________________________________________

9.2.3) Cite um dos fatores que influenciam na corrente de maré.


____________________________________________________________________________

9.2.4) A que parâmetro é diretamente proporcional a velocidade da corrente de maré?


____________________________________________________________________________

9.2.5) Como é denominada a corrente produzida por ventos?


____________________________________________________________________________

Chave de Respostas do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 9

9.1 Correntes oceânicas


9.1.1) Correntes marítimas são os deslocamentos das águas oceânicas, continuamente na
mesma direção e velocidade.
9.1.2) São identificadas pelas diferentes temperaturas que apresentam; podem ser correntes
quentes e correntes frias.
9.1.3) Como uma corrente quente.
9.1.4) Da corrente Sul Equatorial.
9.1.5) Cartas-Piloto.

166
9.2 Correntes costeiras

9.2.1) A oscilação periódica e regular das marés origina um deslocamento horizontal de


massa d’água, conhecido como corrente de maré.
9.2.2) O sentido do mar para terra.
9.2.3) A profundidade.
9.2.4) A corrente de maré é diretamente proporcional à amplitude da maré.
9.2.5) Corrente de deriva.

Considere-se um vencedor! Você concluiu com êxito a


penúltima unidade deste módulo.

Siga em frente e passe para a 10ª e última unidade, e estude


sobre as “Cartas Auxiliares”.

167
MOC 01
168
UNIDADE10

CARTAS AUXILIARES

Nesta unidade, você vai

 Conhecer os Atlas de cartas piloto e de cartas de corrente de marés.


 Exercitar o manuseio e a obtenção de dados, para auxílio das
navegações costeira e oceânica.

Em visita a um centro cultural, deparamos muitas vezes com mapas e cartas com
registros ambientais de longa data, com valor histórico e referencial de grande interesse até os
dias atuais.

O mais interessante, é que esses mapas mostram claramente, um hábito adquirido por
todos nós, que é representar preciosas informações sob a forma gráfica.

Este costume permanece vivo nos dias atuais e é muito aplicado pelos navegantes, como
detalhamos no nosso estudo a seguir.

10.1 CARTAS PILOTO

Nesta subunidade, você verá as publicações que auxiliam o navegante com relação a
parâmetros meteorológicos e oceanográficos; na verdade são cartas que apresentam, de forma
gráfica, uma variedade de informações, com a finalidade de na fase de planejamento, facilitar
as providências, procedimentos, precauções e decisões dos navegantes na escolha das
melhores derrotas e condução adequada de sua embarcação .

Portanto, durante esta subunidade, estudaremos os elementos fornecidos pelas Cartas


Piloto.

10.1.1 Apresentação das Cartas Piloto

As Cartas Piloto apresentam-se em um atlas, contendo 12 cartas, sendo uma carta para
cada mês do ano.

O Atlas de Cartas Piloto - Oceano Atlântico de Trindade ao Rio da Prata, publicado pela
Diretoria de Hidrografia e Navegação – DHN e disponível a todos os navegantes, abrange o

169
MOC 01
trecho do Oceano Atlântico Sul compreendido do litoral do Brasil até o meridiano de 20o W e do
paralelo de 10o N ao paralelo de 35o S, cobrindo toda a costa brasileira, de norte a sul.

As informações apresentadas nas cartas piloto são resultados de um trabalho estatístico


de períodos superiores a trinta anos de observação e coleta de dados. É interessante o
navegante atentar que as informações são fornecidas, em percentual ou freqüência de
ocorrência do parâmetro, e não por indicação de valor médio, com a vantagem de apresentar
ao navegante qual a possibilidade de, naquele mês de interesse, ocorrer tal vento ou tal
corrente. Essa informação da carta piloto é a indicação de uma probabilidade, baseada na
observação de vários anos anteriores e que normalmente se repetem no mês em questão.
Porém, para o acompanhamento diário da evolução do tempo e do estado do mar, durante a
viagem, o navegante não deve dispensar o permanente monitoramento e interpretação das
informações diárias do tempo presente e das previsões do tempo para as próximas horas,
constantes dos boletins meteorológicos transmitidos diariamente pelo Serviço Meteorológico
Marinho (METEOROMARINHA).

10.1.2 Elementos da Carta Piloto

As cartas piloto são representações gráficas. Os elementos são indicados por setas e
linhas. Podem ser coloridas, inteiras, tracejadas ou pontilhadas. Para acompanhar este item, é
interessante que você tenha à sua frente uma Carta Piloto.

Atenção aos elementos fornecidos pela Carta Piloto. Veja a figura 10.1:

Figura 10.1 - CARTAS PILOTO


A carta piloto da costa brasileira apresenta de forma gráfica as informações
climatológicas, no mês de interesse. Diversos parâmetros e suas instruções de manuseio
compõem cada uma das 12 folhas do atlas de cartas piloto.

170
1 ) Vento – As rosas-dos-ventos de cor azul indicam, em percentagens, as freqüências de ocorrências das
direções de onde sopram os ventos, por octante, ou seja, direção N, NE, E, SE, S, SW, W e NW. O
número de traços ou penas na extremidade das setas indica a intensidade do vento, indicada pela força
do vento na escala BEAUFORT. A percentagem de ocorrência de ventos em determinada, direção,
quando não indicada diretamente, pode ser determinada, comparando-se o comprimento da seta, medida
a partir da circunferência, com a Escala Percentual de Ventos, existente na carta, próxima ao trecho de
instruções. No centro das circunferências estão indicadas as percentagens de ocorrências de calmaria.

2 ) TSM – Temperatura da Superfície do Mar – As isotermas em linhas cheias encarnadas indicam, em graus
Celsius, a temperatura da água da superfície do mar.

3 ) Temperatura do Ar – As isotermas, em linhas tracejadas encarnadas, indicam em graus Celsius a


temperatura do ar à superfície.

4 ) Correntes Marítimas – As setas, em verde, indicam as direções predominantes, para onde fluem as
correntes e os números, as velocidades médias das correntes da água do mar na superfície.

5 ) Rotas – Linhas de derrotas recomendadas para o porto indicado.

6 ) Linhas Isogônicas – A Declinação Magnética para o ano em vigor (1993) está representada em roxo por
linhas cheias, e as variações anuais em linhas tracejadas.

7 ) Visibilidade no porto – Os números em Azul indicam o percentual de visibilidade inferior a 2,5 milhas
náuticas, observada na área do porto em questão.

8 ) Nevoeiro no porto – Os números em vermelho indicam o percentual de nevoeiro observado na área do


porto.

9 ) Vento forte no porto – Os números em encarnado indicam o percentual de ventos fortes observados na
região do porto.

10 ) Pressão – A pressão média do ar ao nível do mar está representada em azul por linhas cheias (figura
10.2).

Figura 10.2 - CARTA PILOTO PARA O PORTO


No verso das cartas piloto, encontramos informações detalhadas para os portos da região.

171
MOC 01
11 ) Temperatura do ar no porto – Os números em vermelho indicam a temperatura média do ar no porto
em questão.

12 ) Vento no porto – A rosa-dos-ventos, em azul, indica os percentuais dos ventos predominantes na área
do porto.

No verso de cada carta piloto, estão registradas informações para os principais portos
brasileiros e ilhas oceânicas (figura 10.2). O Atlas de Cartas Piloto é composto de 12 cartas,
cada uma para um mês. É bastante interessante o navegante adquirir o hábito de consultar a
carta piloto do mês em curso e fazer a comparação com as dos meses anteriores e com as dos
meses posteriores, para deste modo ressaltar quais são os parâmetros meteorológicos e
oceanográficos que apresentam mudança significativa na região de interesse. Como exemplo,
recomendamos que o navegante pesquise nas Cartas Piloto como o elemento visibilidade varia
de mês para mês, ao longo do ano, no seu porto de trabalho, por causa da sazonalidade, ou
seja, por efeito das estações do ano: verão, outono, inverno e primavera.

Exercícios resolvidos 10.1

Exercite os procedimentos, ressaltados nas soluções dos exercícios.

10.1.1) Explique como são apresentadas as informações dos elementos meteorológicos e


oceanográficos, em um Atlas de cartas piloto.

As informações são apresentadas em 12 cartas, uma para cada mês, o que permite a análise
sazonal, ou seja, o exame em todas as estações do ano (Verão, outono, inverno e primavera),
para destacar mudanças significativas na mesma região.

10.1.2) O navegante ao selecionar a carta piloto do mês de seu interesse, deseja obter
informações do vento. Cite como o elemento vento pode ser interpretado, em uma carta piloto.

São mostradas, graficamente, as freqüências e as respectivas direções e intensidades dos


ventos. Destacando-se desse modo o vento predominante.

10.1.3) Qual a característica utilizada nas cartas piloto, para selecionar ou classificar o
elemento apresentado?

Os elementos são classificados por freqüência ou percentual. Demonstrando dessa forma a


situação predominante, no mês de interesse, na área selecionada.

10.1.4) O oceano Atlântico Sul é contemplado com Atlas de cartas piloto?

Sim.Tem publicação brasileira, editada pela DHN, abrangendo a área de 10º N a 35º S e do
litoral do Brasil ao meridiano de 020º W. Além de publicações internacionais que cobrem o
oceano Atlântico Sul, como a carta piloto americana NVPU 105.

172
10.2 CARTAS DE CORRENTES DE MARÉS

As correntes produzidas pelas marés são de especial interesse, dos navegantes, ao


demandarem o canal de acesso de um porto ou em baías e enseadas. Da mesma forma que é
preciso conhecer o regime dos ventos predominantes, quando se navega em águas restritas
também é importante conhecer o comportamento das correntes e a influência das
características geográficas como ilhas, pontas salientes, bancos de areia etc. sobre o
movimento das águas, por ocasião das marés de enchente e das marés de vazante.

Para tanto, é necessário consultar uma publicação,, da Diretoria de Hidrografia e


Navegação, denominada Cartas de Correntes de Marés.

10.2.1 Apresentação da Carta

Como valioso auxílio ao navegante, publica-se Coletânea de Carta de Correntes de


Marés, para os portos em que o efeito das marés é mais significativo e que tenham grande
atividade de embarcações. As Cartas de Correntes de Maré compõem-se de 13 folhas. Seis
para cada hora que antecede a preamar, uma para o instante da preamar, e seis para cada
hora depois da preamar. Em cada uma das 13 cartas, o navegante observa, ao longo de toda
a região, a distribuição das correntes com indicação da sua direção e intensidade. É
interessante o navegante observar, ao manusear a coletânea de cartas, que para cada página,
ou seja, para cada horário, haverá diferença na distribuição da corrente. Então, quando o
navegante for utilizar as cartas de correntes, será de fundamental importância que ele
selecione a carta correta, ou seja, escolha na coletânea de cartas exatamente a carta do
horário de interesse do navegante. A seleção da carta a ser utilizada é feita, tendo-se em vista
a analise do instante da preamar indicada nas tábuas das marés do porto em questão e do
momento em que o navegante está interessado em utilizar a informação da corrente de maré.

10.2.2 Aplicação da Carta

Como exemplo, podemos apresentar o caso do navegante que desejou demandar o por to
do Rio de Janeiro (Baía de Guanabara), às 09:10 horas do dia 14 de maio de 1997.
Consultando as tábuas das marés, observa-se que a preamar no Rio de Janeiro ness e dia
foi às 07:17 horas. Então, a hora desejada pelo navegante é 2 horas depois da prea mar,
ou seja, 9 horas é 2 horas depois de 7 horas. Logo, a carta de corrente de maré
selecionada será das 2 horas depois da preamar. As Cartas de Correntes de Maré
registram a direção pelo sentido da seta desenhada e a velocidade, pelo algaris mo que
indica nós e décimos de nó (figura 10.3).

Como segundo exemplo, podemos apresentar a situação do navegante que desejou


demandar o mesmo porto do Rio de Janeiro, às 13:30 horas do dia 10 de fevereiro de 1996.
Consultando a Tábuas das Marés, observa-se que a preamar no Rio de Janeiro nesse dia foi
às 16:39 horas. Então, a hora desejadas pelo navegante é 3 horas antes da preamar ou seja,
13 horas é 3 horas antes das 16 horas. Logo, a Carta de Corrente de Maré selecionada será a
173
MOC 01
das 3 horas antes da preamar (figura 10.4).

Figura 10.3 - CARTA DE CORRENTES DE MARÉ (VAZANTE)


As setas indicam a direção e a velocidade da corrente de vazante em um dia de maré de
sizígia (mais forte).

Figura 10.4 - CARTAS DE CORRENTES DE MARÉS (ENCHENTE)


As setas indicam a direção e a velocidade da corrente de enchente ao longo do canal de
acesso ao porto. É indicada também a variação da corrente, devido às características
geográficas da área.

174
Exercícios resolvidos 10.2

Reflita os conhecimentos adquiridos. Realize a tarefa abaixo.

10.2.1) Explique como são apresentadas as informações de correntes de marés, em uma


coletânea de cartas de correntes, de determinado porto.

As informações são apresentadas em 13 cartas. Seis cartas para cada hora antes da preamar,
uma carta para o instante da preamar e seis cartas para cada hora depois da preamar.

10.2.2) Como o navegante seleciona a carta de correntes de marés de seu interesse, para
atender a sua navegação?

O navegante determina nas tábuas das marés, o horário da preamar e compara com o horário
de seu interesse e então, utilizando essa diferença, que pode ser antes ou depois da preamar,
o navegante seleciona a carta de corrente de seu interesse.

Considerações Finais

Você ganhou muito conhecimento ao longo deste módulo. Você precisava adquirir mais
habilidade nas consultas às publicações de parâmetros ambientais, o que foi exercitado nessa
última unidade de estudo.

Parabéns! Você não só está qualificado em navegação meteorológica e oceanográfica,


mas também conhecendo melhor o planeta em que você vive e pronto a participar com
consciência ecologicamente certa, em quaisquer atividades marítimas.

Teste de Auto-Avaliação da Unidade 10

Responda, agora, às seguintes perguntas:

10.1 Cartas-piloto

10.1.1) Como se apresenta um atlas de Cartas-Piloto?


____________________________________________________________________________

10.1.2) Cite dois elementos meteorológicos fornecidos pela Carta-Piloto?


____________________________________________________________________________

10.1.3) Como é apresentada na carta-piloto a temperatura do ar no porto?


____________________________________________________________________________

10.1.4) Como são indicadas na carta-piloto as correntes marítimas?


____________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

175
MOC 01
10.1.5) O que há no verso da carta-piloto?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

10.2 Cartas de corrente de maré

10.2.1) Em que momento é importante ao navegante saber da corrente de maré?


____________________________________________________________________________

10.2.2) Como se apresenta a coletânea de cartas de correntes de maré?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

10.2.3) Como fazer a seleção da carta de corrente de marés a ser utilizada?


____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

10.2.4) De que forma a carta de corrente de maré registra o sentido e a velocidade da


corrente?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

10.2.5) Qual é o órgão que confecciona e publica as cartas de correntes de marés e o atlas
de cartas piloto da Metarea V?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

Chave de Respostas do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 10

10.1 Cartas-piloto

10.1.1) O atlas apresenta-se com 12 cartas-piloto, uma referente a cada mês.

10.1.2) Temperatura do ar e vento.

10.1.3) Os números em vermelho indicam a temperatura média do ar no porto em questão.

10.1.4) As setas, em verde, indicam as direções predominantes, e os números, as


velocidades médias das correntes da água do mar na superfície.

10.1.5) No verso de cada carta-piloto estão registradas informações para os principais portos
brasileiros e ilhas oceânicas.

10.2 Cartas de corrente de maré

10.2.1) Ao demandarem o canal de acesso de um porto ou em baías e enseadas.

10.2.2) As cartas de Correntes de Maré compõem-se de 13 folhas. Seis para cada hora que
antecede a preamar, uma para o instante da preamar, e seis para cada hora depois
da preamar.

176
10.2.3) A seleção da carta a ser utilizada é feita tendo-se em vista a diferença entre o instante
da preamar, indicada nas tábuas das marés do porto em questão, e o momento em
que o navegante está interessado em utiliza a informação da corrente de maré.
10.2.4) As Cartas de Correntes de Maré registram a direção pelo sentido da seta desenhada
e a velocidade, pelo algarismo que indica nós e décimos de nó.

10.2.5) Diretoria de Hidrografia e Navegação – DHN, da Marinha do Brasil (site:


www.dhn.mar.mil.br).

PARABÉNS! VOCÊ TERMINOU O MÓDULO, MAS ANTES DE


SOLICITAR A PROVA DESTE MÓDULO, FAÇA UMA REVISÃO
CAPRICHADA E TIRE TODAS AS SUAS DÚVIDAS.

177
MOC 01
178
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Ministério da Marinha. Diretoria de Portos e Costas. Ensino Profissional Marítimo.


Meteorologia e Oceanografia – Módulo 4. Curso do Ensino à Distância de Aperfeiçoamento
de Convés. Rio de Janeiro: DPC, 2004. 138 p. il.

LOBO, Paulo Roberto Valgas; SOARES, Carlos Alberto. Meteorologia e Oceanografia –


Usuário Navegante. 2 ed. Rio de Janeiro: Diretoria de Hidrografia e Navegação, 2007. 418 p.
il.

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MOC 01
180
ANEXO 1 – MENSAGEM SHIP

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MOC 01
182
ANEXO 2 – TÁBUAS DAS MARÉS

183
MOC 01

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