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Gilson. Os Padres Gregos & Latinos

Os padres gregos e latinos da Igreja Cristã introduziram elementos da filosofia grega na teologia cristã primária. Os padres apologistas gregos como Justino e Atenágoras defenderam o cristianismo contra a cultura pagã e filosófica grega. Os primeiros padres latinos como Tertuliano e Lactâncio também defenderam a fé cristã contra a razão filosófica. Santo Agostinho foi influenciado pelo neoplatonismo de Plotino ao conciliar a filosofia grega com a

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Gilson. Os Padres Gregos & Latinos

Os padres gregos e latinos da Igreja Cristã introduziram elementos da filosofia grega na teologia cristã primária. Os padres apologistas gregos como Justino e Atenágoras defenderam o cristianismo contra a cultura pagã e filosófica grega. Os primeiros padres latinos como Tertuliano e Lactâncio também defenderam a fé cristã contra a razão filosófica. Santo Agostinho foi influenciado pelo neoplatonismo de Plotino ao conciliar a filosofia grega com a

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FCSHA. Fil., PPRI. ESAeSTA, II Semestre, 2018/2019. 1º Ano. Etienne Gilson.

Os Padres Gregos
e Latinos da Igreja Cristã (in A Filosfia na Idade Média, Cap. I-II)

Os padres gregos e a filosofia (teologia) dos padres apologistas: a filosofia só aparece na história do
cristianismo no momento em que certos cristãos tomam a posição em relação a ela (cerca de 125 d. C),
seja para condená-la, seja para absorvé-la na nova religião, seja para utilizá-la em função da
apologética cristã. O termo «filosofia» apresenta desde essa época, o sentido de «sabedoria pagã», que
conservará durante séculos. Mesmo nos séculos XII e XIII, os termos philosophi e sancti significarão
diretamente a oposição entre as conceções do mundo elaboradas por homens privados das luzes da fé e
as dos Padres da Igreja falando em nome da revelação cristã (…) Desde o século II da era cristã
apareceram os Padres Apologistas, ou Apologetas (Quadrado, Aristides – Criação e Monoteísmo,
Hermas – distinção entre a Criação ex-nihilo e a geração; São Justino – identificação da filosofia com
a religião e a defesa do cristianismo como a única religião verdadeira; Taciano – crítica da astrologia
por ser obra demoníaca; crítica do estoicismo por este defender o logos universal e a consequente
submissão à fatalidade; crítica da existência da alma do mundo e defesa do conhecimento do Deus
invisível e único a partir das criaturas; recusa da superioridade da cultura grega; defesa da tese da
Trindade a partir da lógica da distribuição e não da divisão do Verbo; criação da matéria. Cf.
Discurso aos Gregos; Josefo de Alexandria; Fílon de Alexandria; Hérmias; Melito – defesa do
Cristianismo como filosofia dos cristãos e desígnio providencial do Império Romano; Atenágoras –
defesa do dogma da Trindade, unicidade de Deus; ressurreição dos corpos; Deus como providência
dos homens; Teófílo - ressurreição dos mortos; incompreensibilidade de Deus ao entendimento
humano; criação ex-nihilo), assim chamados porque suas obras principais são apologias da religião
cristã. No sentido técnico do termo, uma apologia era um arrazoado jurídico, e essas obras são, de
facto, sustentações para obter dos imperadores romanos o reconhecimento do direito legal dos cristãos
à existência num império oficialmente pagão. Encontram-se aí exposições parciais da fé cristã e
algumas tentativas para justificar diante da filosofia grega”. Cf. Etienne Gilson. A Filosofia na Idade
Média, Cap. I.

Os padres latinos e a filosofia: “A literatura cristã latina começou em Roma, mas na própria Roma, os
escritores de língua grega tiveram precedência. Justino Taciano, Hipólito ensinaram em Roma e
Atenágoras dirigia-se em grego ao imperador Marco Aurélio, que também escrevia em grego. Para
encontrar o equivalente latino de tais obras, é preciso esperar o fim do século II e início do século III
… quando o latim substituirá o grego como língua litúrgica da comunidade cristã de Roma. Tertuliano
(160-240 dC) – oposição entre Atenas (Saber da razão) e Jerusalém (Fé), Minúcio Félix (defesa da
liberdade religiosa e do providência divina; Arnóbio (260-327) – Cristo como Mestre vindo ao mundo
para revelar a verdade sobre o Deus soberano e único; a revelação como uma incrível história de
humildade; o cristianismo como a verdadeira religião; defesa da divindade de Cristo; Lactâncio –
superioridade da fé sobre a razão; a felicidade humana como conhecimento do verdadeiro revelado
aos homens; identificação da sabedoria com a religião; a ordem do mundo como uma prova de
existência de Deus; Hilário de Poitiers (315-368) – unicidade, eternidade e imutabilidade de Deus; a
felicidade como conhecimento daquilo que é; defesa da Trindade e de Deus como verdadeiro Ser;
Santo Ambrósio – sentido alegórico das Escrituras e seu sentido moral como história da salvação dos
homens da angústia do pecado; existência de deveres do homem para com Deus)”.
S. Jerónimo foi o primeiro grande tradutor da Bíblia para o latim (391-406) e Rufino, o primeiro
tradutor das obras dos Padres da Igreja para o latim. A patrística latina culminaria no (neo)
platonismo do séc. IV iniciado no séc. II com Plotino (205-270) e prolongado com o grande tradutor,
Mário Vitorino, que fala do pré-Ser (o UNO plotiniano do qual dependem a ALMA – Nous ou Intelecto
e a matéria) e Santo Agostinho e Boécio (distinção entre Existência e Ser nas criaturas e a sua
identidade em Deus)”. Cf. Etienne Gilson. A Filosofia na Idade Média, Cap. II.

Santo Agostinho e o Neoplatonismo. “O primeiro contacto marcante entre a especulação filosófica


grega e a crença religiosa cristã teve lugar quando, já convertido ao Cristianismo, o jovem Agostinho
começou a ler as obras de alguns neoplatónicos, particularmente, as Enéadas de Plotino. Santo
Agostinho encontrou nelas, não a filosofia de Platão, uma síntese original de Platão, Aristóteles e dos
estoicos. Além disso, mesmo ao citar Platão, Plotino identificou a ideia do Bem… com o UNO: «se o
Uno não existisse, nada existiria». E, de facto se o Uno é aquilo sem o qual nada mais pode existir, a
existência de todo o mundo tem necessariamente de depender de alguma Unidade que subsista
eternamente (…) Da fecundidade do Uno nasce um segundo princípio inferior ao primeiro que é o
FCSHA. Fil., PPRI. ESAeSTA, II Semestre, 2018/2019. 1º Ano. Etienne Gilson. Os Padres Gregos
e Latinos da Igreja Cristã (in A Filosfia na Idade Média, Cap. I-II)

Intelecto (Nous), porém substituindo eternamente tal como o Uno e, depois, dele, a causa de tudo o que
vem depois dele. O seu nome é o Intelecto”. (Etienne Gilson. Deus e a Filosofia, pp. 41-42).

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