2 Curso Pré Parte 2
2 Curso Pré Parte 2
L. Portuguesa
Parte 02
LINGUAGEM
Linguagem é qualquer e todo sistema de signos que serve de meio de comunicação de ideias ou sentimentos
através de signos convencionados, sonoros, gráficos, gestuais etc., podendo ser percebida pelos diversos órgãos
dos sentidos, o que leva a distinguirem-se várias espécies ou tipos: linguagem visual, corporal, gestual, etc., ou,
ainda, outras mais complexas, constituídas, ao mesmo tempo, de elementos diversos. Os elementos constitutivos da
linguagem são, pois, gestos, sinais, sons, símbolos ou palavras, usados para representar conceitos, ideias,
significados e pensamentos.
Tipos de Linguagem:
Linguagem verbal é uso da escrita ou da fala como meio de comunicação.
Linguagem não-verbal é o uso de imagens, figuras, desenhos, símbolos, dança, tom de voz, postura corporal,
pintura, música, mímica, escultura e gestos como meio de comunicação. A linguagem não-verbal pode ser até
percebida nos animais, quando um cachorro balança a cauda quer dizer que está feliz ou coloca a cauda entre as
pernas medo, tristeza.
Dentro do contexto temos a simbologia que é uma forma de comunicação não-verbal.
Exemplos: sinalização de trânsito, semáforo, logotipos, bandeiras, uso de cores para chamar a atenção ou exprimir
uma mensagem.
Linguagem mista é o uso simultâneo da linguagem verbal e da linguagem não-verbal, usando palavras escritas e
figuras ao mesmo tempo.
ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO
A comunicação confunde-se com nossa própria vida, estamos a todo tempo nos comunicando, seja através da fala,
da escrita, de gestos, de um sorriso e até mesmo através do manuseio de documentos, jornais e revistas.
Em cada um desses atos que realizamos notamos a presença dos seguintes elementos:
Emissor ou remetente: é aquele que envia a mensagem (uma pessoa, uma empresa, uma emissora de televisão
etc.)
Canal de comunicação: é o meio pelo qual a mensagem será transmitida (carta, palestra, jornal televisivo)
Código: é o conjunto de signos e de regras de combinação desses signos utilizado para elaborar a mensagem; o
emissor codifica aquilo que o receptor irá descodificar.
1. O pai conversa com a filha ao telefone e diz que vai chegar atrasado para o jantar.
Nesta situação, podemos dizer que o canal é:
a) o pai
b) a filha
c) fios de telefone
d) o código
e) a fala
3. Uma pessoa é convidada a dar uma palestra em Espanhol. A pessoa não aceita o convite, pois não sabia falar
com fluência a língua Espanhola. Se esta pessoa tivesse aceitado fazer esta palestra seria um
fracasso porque:
a) não dominava os signos
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4. Um guarda de trânsito percebe que o motorista de um carro está em alta velocidade. Faz um gesto pedindo para
ele parar. Neste trecho o gesto que o guarda faz para o motorista parar, podemos dizer que é:
a) o código que ele utiliza
b) o canal que ele utiliza
c) quem recebe a mensagem
d) quem envia a mensagem
e) o assunto da mensagem
FUNÇÕES DA LINGUAGEM
Partindo dos elementos da comunicação, existem as chamadas funções da linguagem, que são muito úteis para a
análise e produção de textos. As seis funções são:
É aquela centralizada no referente, pois o emissor oferece informações da realidade. Objetiva, direta, denotativa,
prevalecendo a terceira pessoa do singular. Linguagem usada na ciência, na arte realista, no jornal, no “campo” do
referente e das notícias de jornal e livros científicos.
Ex: Numa cesta de vime temos um cacho de uvas, duas laranjas, dois limões, uma maçã verde, uma maçã vermelha
e uma pêra.
É aquela centralizada no emissor, revelando sua opinião, sua emoção. Nela prevalece a primeira pessoa do singular,
interjeições e exclamações. É a linguagem das biografias, memórias, poesias líricas e cartas de amor. Primeira
pessoa do singular (eu), Emoções, Interjeições; Exclamações; Blog; Autobiografia; Cartas de amor.
Ex: Muito obrigada, não esperava surpresa tão boa assim! Não,... não estou triste, mas também não quero comentar
o assunto.
É aquela que centraliza-se no receptor; o emissor procura influenciar o comportamento do receptor. Como o emissor
se dirige ao receptor, é comum o uso de tu e você, ou o nome da pessoa, além de vocativos e imperativos. Usada
nos discursos, sermões e propagandas que se dirigem diretamente ao consumidor. Segunda pessoa do singular,
Imperativo; Figuras de linguagem, Discursos políticos, Sermões, Promoção em pontos de venda - Propaganda.
4. Função Fática
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É aquela centralizada no canal, tendo como objetivo prolongar ou não o contato com o receptor, ou testar a eficiência
do canal. Linguagem das falas telefônicas, saudações e similares. Interjeições, Lugar comum, Saudações,
Comentários sobre o clima.
5. Função poética
É aquela centralizada na mensagem, revelando recursos imaginativos criados pelo emissor. Afetiva, sugestiva,
conotativa, ela é metafórica. Valorizam-se as palavras, suas combinações. É a linguagem figurada apresentada em
obras literárias, letras de música, em algumas propagandas. Subjetividade,Figuras de linguagem, Brincadeiras com o
código, Poesia, Letras de música.
Ex:
Tecendo a manhã
João Cabral de Melo Neto
6. Função metalinguística
É aquela centralizada no código, usando a linguagem para falar dela mesma. A poesia que fala da poesia, da sua
função e do poeta, um texto que comenta outro texto. Principalmente os dicionários são repositórios de
metalinguagem. Referência ao próprio código, Poesia sobre poesia, Propaganda sobre propaganda, Dicionário.
Ex:
- Não entendi o que é metalinguagem, você poderia explicar novamente, por favor?
- Metalinguagem é usar os recursos da língua para explicar alguma teoria, um conceito, um filme, um relato, etc.
EXERCÍCIOS
a) "O risco maior que as instituições republicanas hoje correm não é o de se romperem, ou serem rompidas, mas o
de não funcionarem e de desmoralizarem de vez, paralisadas pela sem-vergonhice, pelo hábito covarde de
acomodação e da complacência. Diante do povo, diante do mundo e diante de nós mesmos, o que é preciso agora é
fazer funcionar corajosamente as instituições para lhes devolver a credibilidade desgastada. O que é preciso (e já
não há como voltar atrás sem avacalhar e emporcalhar ainda mais o conceito que o Brasil faz de si mesmo) é apurar
tudo o que houver a ser apurado, doa a quem doer." (O Estado de São Paulo)
b) O verbo infinitivo
Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer
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c) "Para fins de linguagem a humanidade se serve, desde os tempos pré-históricos, de sons a que se dá o nome
genérico de voz, determinados pela corrente de ar expelida dos pulmões no fenômeno vital da respiração, quando,
de uma ou outra maneira, é modificada no seu trajeto até a parte exterior da boca." (Matoso Câmara Jr.)
e) "Fique afinado com seu tempo. Mude para Col. Ultra Lights."
f) "Sentia um medo horrível e ao mesmo tempo desejava que um grito me anunciasse qualquer acontecimento
extraordinário. Aquele silêncio, aqueles rumores comuns, espantavam-me. Seria tudo ilusão? Findei a tarefa, ergui-
me, desci os degraus e fui espalhar no quintal os fios da gravata. Seria tudo ilusão?... Estava doente, ia piorar, e isto
me alegrava. Deitar-me, dormir, o pensamento embaralhar-se longe daquelas porcarias. Senti uma sede horrível...
Quis ver-me no espelho. Tive preguiça, fiquei pregado à janela, olhando as pernas dos transeuntes." (Graciliano
Ramos)
"Gastei trinta dias para ir do Rossio Grande ao coração de Marcela, não já cavalgando o corcel do cego desejo, mas
o asno da paciência, a um tempo manhoso e teimoso. Que, em verdade, há dois meios de granjear a vontade das
mulheres: o violento, como o touro da Europa, e o insinuativo, como o cisne de Leda e a chuva de ouro de Dânae,
três inventos do padre Zeus, que, por estarem fora de moda, aí ficam trocados no cavalo e no asno." (Machado de
Assis)
a) "O homem letrado e a criança eletrônica não mais têm linguagem comum." (Rose-Marie Muraro)
b) "O discurso comporta duas partes, pois necessariamente importa indicar o assunto de que se trata, e em seguida a
demonstração. (...) A primeira destas operações é a exposição; a segunda, a prova." (Aristóteles)
c) "Amigo Americano é um filme que conta a história de um casal que vive feliz com o seu filho até o dia
em que o marido suspeita estar sofrendo de câncer."
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Poética
Que é poesia?
uma ilha
cercada
de palavras
por todos os lados
Que é um poeta?
um homem
que trabalha um poema
com o suor do seu rosto
Um homem
que tem fome
como qualquer outro
homem.
(Cassiano Ricardo)
04. Quais as funções da linguagem predominantes no poema anterior?
05. Aponte os elementos que integram o processo de comunicação em Poética, de Cassiano Ricardo.
06. Historinha I
Historinha II
07. (CESUPA - CESAM - COPERVES) Segundo o lingüísta Roman Jakobson, "dificilmente lograríamos (...) encontrar
mensagens verbais que preenchem uma única função... A estrutura verbal de uma mensagem depende basicamente
da função predominante".
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.
Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante.
Guerreiros, nasci:
Sou bravo, forte,
Sou filho do Norte
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi."
(Gonçalves Dias)
"Com esta história eu vou me sensibilizar, e bem sei que cada dia é um dia roubado da morte. Eu não sou um
intelectual, escrevo com o corpo. E o que escrevo é uma névoa úmida. As palavras são sons transfundidos de
sombras que se entrecruzam desiguais, estalactites, renda, música transfigurada de órgão. Mal ouso clamar palavras
a essa rede vibrante e rica, mórbida e obscura tendo como contratom o baixo grosso da dor. Alegro com brio.
Tentarei tirar ouro do carvão. Sei que estou adiando a história e que brinco de bola sem bola. O fato é um ato? Juro
que este livro é feito sem palavras. É uma fotografia muda. Este livro é um silêncio. Este livro é uma pergunta."
(Clarice Lispector)
A obra de Clarice Lispector, além de se apresentar introspectiva, marcada pela sondagem de fluxo de consciência
(monólogo interior), reflete, também, uma preocupação com a escritura do texto literário.
VARIAÇÃO LINGUÍSTICA
Vício na Fala
Oswald de Andrade
O texto de Oswald de Andrade mostra que a língua portuguesa possui mais de uma forma, sendo, portanto, variável.
Variedades Linguísticas
A língua, segundo o lingüista Ferdinand de Saussure, 'é a parte social da linguagem', isto é, ela pertence a uma
comunidade, a um grupo social – a língua portuguesa, a língua chinesa. A fala é individual, diz respeito ao uso que
cada falante faz da língua. Nem a língua nem a fala são imutáveis. Uma língua evolui, transformando-se
foneticamente, adquirindo novas palavras, rejeitando outras. A fala do indivíduo modifica-se de acordo com sua
história pessoal, suas intenções e sua maior ou menor aquisição de conhecimentos.
1. Língua Culta
De modo geral, os falantes são levados a aceitar como “correto” o modo de falar do segmento social que, em
conseqüência de sua privilegiada situação econômica e cultural, tem maior prestigio dentro da sociedade. Assim, o
modo de falar desse grupo social passa a servir de padrão, enquanto as demais variedades lingüísticas, faladas por
grupos sociais menos prestigiados, passam a ser consideradas “erradas”.
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Considera-se como “correta” a língua utilizada pelo grupo de maior prestigio social. Essa é a chamada língua
culta, falada escrita, em situações formais, pelas pessoas de maior instrução. A língua culta é nivelada, padronizada,
principalmente pela escola e obedece à gramática da língua-padrão.
2. Língua Coloquial
A Língua Coloquial ou popular é utilizada na conversação diária, em situações informais, descontraídas.
É o nível acessível a qualquer falante e se caracteriza por:
2.1. Gíria
É uma variante da língua, falada por um grupo social ou etário. É a fala mais variável de todas, pois as
expressões entram e saem 'da moda' com muita freqüência, sendo substituídas por outras. Algumas se incorporam
ao léxico, dando origem a palavras derivadas. É o caso de dedo-duro que deu origem a dedurar.
entrei em Santa Fé, pensei cá comigo: Capitão, pode ser que vosmecê só passe
aqui uma noite, mas também pode ser que passe o resto da vida...'
EXERCÍCIO
(A) “O cachorro parecia que virava um cachorro dos filme de terror, sabe? Aí eu falei com o pai, vamo levar ele pra
granja, que tinha um caseiro lá, pra cuidar dele.”
(B) “A última vez que eu vi ele, ele tava saindo do restaurante. Me deu um aperto no peito, mas não gritei ele não.
Depois não fiquei sabendo mais notícia dele não.”
(D) “A mãe danou a correr atrás do moleque peladinho. Até que pegou ele no colo, e ele ficou rindo”
1911 - Reforma Ortográfica de 1911, a primeira reforma ortográfica em Portugal, publicada no Diário do
Governo, n.º 213, 12 de Setembro de 1911.
1931 - Primeiro Acordo Ortográfico por iniciativa da Academia Brasileira de Letras e aprovado pela Academia
das Ciências de Lisboa, em Portugal publicado no Diário do Governo, n.º 120, I Série, 25 de Maio de 1931.
1945 - Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945 ou Acordo Ortográfico de 1945, adotado em Portugal,
mas não no Brasil. Em Portugal publicado como decreto n.º 35.228 no Diário do Governo, 8 de Dezembro de
1945.
1971 - Lei n.º 5765 de 18 de Dezembro, no Brasil, suprimiu o acento circunflexo na distinção dos
homógrafos, responsável por 70% das divergências ortográficas com Portugal, e os acentos que marcavam a
sílaba subtônica nos vocábulos derivados com o sufixo -mente ou iniciados por -z-.
1973 - Decreto-Lei n.º 32/73 de 6 de Fevereiro, em Portugal, suprimiram-se os acentos que marcavam a
sílaba subtônica nos vocábulos derivados com o sufixo -mente ou iniciados por -z-, como já se havia feito no
Brasil.
1975 - A Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras elaboraram um projeto de
acordo que não foi aprovado oficialmente.
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1986 - Da reunião de representantes dos, na época, sete países de língua portuguesa (CPLP) no Rio de
Janeiro resultaram as Bases Analíticas da Ortografia Simplificada da Língua Portuguesa de 1945,
renegociadas em 1975 e consolidadas em 1986, que nunca chegaram a ser implementadas.
1990 - De nova reunião, desta vez em Lisboa, resulta um novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa,
previsto para entrar em vigor em 1 de Janeiro de 1994.
1998 - Na cidade da Praia, Cabo Verde, foi assinado um Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da
Língua Portuguesa que retirou do texto original a data para a sua entrada em vigor.
2004 - Em São Tomé e Príncipe foi aprovado um Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico
prevendo que, em lugar da ratificação por todos os países, fosse suficiente que três membros ratificassem o
[4]
Acordo Ortográfico de 1990 para que este entrasse em vigor nesses países .
2008 - Presidente Luís Inácio Lula da Silva, do Brasil, assina em 29 de Setembro, as mudanças da ortografia
da língua portuguesa no Brasil, que passaram a valer a partir de 1 de janeiro de 2009.
As novas regras ortográficas já estão valendo desde o dia 1º de janeiro de 2009, e de acordo com o decreto
assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, haverá um período de transição até 2012 em que serão válidas as
duas formas de escrever: a antiga e a nova. Portanto, a partir deste ano ela já estará sendo exigida em concursos e
vestibulares.
ATENÇÃO! Se o i e o u estiverem na última ou na antepenúltima sílaba, o acento continua como em: tuiuiú, Piauí,
feiíssimo e cheiíssimo.
Acento diferencial
ATENÇÃO! Não some o acento diferencial em pôr (verbo) / por (preposição) e pôde (pretérito) / pode (presente).
Em fôrma o acento permanece facultativo.
Desaparece o acento agudo no u tônico nos grupos gue, gui, que, qui, de verbos como averiguar,
apaziguar, arguir, redarguir, enxaguar:
Ex: averigue, apazigue.
Hífen
1. Quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente:
Ex: extraescolar, autoestrada
2. Quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes serem duplicadas:
Ex: contrarregra, antirreligioso
4. Nos antigos nomes compostos ligados por preposição. Esses passaram a ser entendidos como locuções ou
expressões.
Ex: lua de mel, mão de obra, queda de braço, dona de casa, pai de santo, boca de urna, quartas de final.
O hífen é empregado:
3. Prefixos 'pan' ou 'circum', seguidos de palavras que começam por vogal, 'h', 'm' ou 'n'
Ex: pan-negritude; pan-hispânico; circum-murados; pan-americano; pan-helenismo; circum-navegação
Trema
Extinção do trema
EXERCÍCIOS
01. Considerando o quadro abaixo, que contém adjetivos pátrios compostos, marque a alternativa correta:
1. austro-húngaro 2. greco-romano 3. sino-brasileiro 4. nipo-americano 5. ítalo-germânico
02. Levando em conta o quadro a seguir, que contém não apenas adjetivos pátrios compostos, mas também
substantivos, marque a alternativa correta:
1. euro-centrismo 2. euro-siberiano 3. euro-divisa 4. euro-mercado 5. euro-asiático
04. Marque a opção em que uma das formas verbais está incorreta:
(A) águo – aguo;
(B) águas – aguas;
(C) água – agua;
(D) águais – aguais;
(E) águam – aguam.
10. Os prefixos que são seguidos de hífen quando o segundo termo da palavra composta inicia-se com h, m, n ou
vogal são:
(A) hiper-, inter- e super-;
(B) circum- e pan-;
(C) sub- e sob-;
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(E) sub-epidérmico.
CRÔNICA
No Brasil, a crônica surgiu há uns 150 anos, com o Romantismo e o desenvolvimento da imprensa. A
princípio, com o nome de folhetim, designava um artigo de rodapé escrito a propósito de assuntos do dia – políticos,
sociais, artísticos, literários. Aos poucos , foi se tornando um texto mais curto e se afastando da finalidade de informar
e comentar, substituída pela intenção de apresentar os fatos cotidianos de forma artística e pessoal. Sua linguagem
tornou-se mais poética, ao mesmo tempo que ganhou certa gratuidade, em razão da ausência de vínculos com
interesses práticos e com as informações presentes mas demais partes de um jornal. Gênero híbrido que oscila ente
a literatura e o jornalismo, a crônica é o resultado da visão pessoal subjetiva do cronista ante um fato qualquer,
colhido no noticiário do jornal ou no cotidiano. Quase sempre explora o humor; às vezes, diz as coisas mais sérias
por meio de uma aparente conversa fiada; outras vezes, despretensiosamente, faz poesia da coisas mais banal e
insignificante. A crônica é quase sempre um texto curto, apressado, redigido numa linguagem descontraída,
coloquial, simples, muito próxima do leitor. Apresenta poucas personagens e se inicia quando os fatos principais da
narrativa estão por acontecer. Por essa razão, o espaço e o tempo da crônica são limitados: as ações ocorrem num
único espaço e o tempo não dura mais do que alguns minutos ou, no máximo, algumas horas. Ela admite narrador
em 1ª e 3ª pessoas, isto é, o narrador pode participar dos fatos e refletir sobre eles como personagem ou ser
observador daquilo que narra ou comenta. È comum também haver crônicas cujo narrador se ausenta; nesse caso,
toda a crônica se estrutura no discurso direto de duas ou mais personagens.
Características da crônica:
Exemplo de crônica:
GETÚLIO, JK E LULA
Se houvesse um monte Rushmore no Brasil, o rosto de Luiz Inácio Lula da Silva estaria agora sendo
esculpido na rocha. Na pedra verdadeira, foram gravadas as imagens dos quatro maiores líderes da história
americana: George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln. No Brasil, só dois ex-
presidentes - Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek - ocupam papéis míticos no imaginário nacional. Agora, há mais
um. E ele, Luiz Inácio, conseguiu entrar no seleto clube unindo o que seus antecessores tinham de melhor: a visão
social e o espírito desenvolvimentista.
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Getúlio, nosso primeiro "pai dos pobres", até hoje é amado porque incluiu na agenda política um agente
antes excluído: o trabalhador. JK, por sua vez, foi o presidente que fez o brasileiro perder seu complexo de vira-lata e
acreditar na própria capacidade de realização. Lula tem traços de ambos. Foi o presidente da inclusão social e
também aquele que despertou o "espirito animal" dos empresários, que voltaram a acreditar no futuro e a investir. O
resultado: um ciclo de oito anos que se encerra com crescimento do PIB de quase 8%.
A vida útil de um mito e determinada pela história. Mas o presidente operário tem tudo para durar mais tempo
no coração dos brasileiros do que Getúlio e JK. Sobre o primeiro, haverá sempre a mancha da ditadura implantada
no Estado Novo. Sobre o segundo, o peso do desajuste fiscal e da inflação semeada pela construção desenfreada de
Brasília. Lula conquistou os seus 80% de popularidade em plena democracia - e teve a sabedoria de rejeitar um
terceiro mandato, que poderia colocá-los em risco. Para completar, controlou a inflação e reduziu a dívida pública.
Erros, tropeços, bravatas, escândalos... nada disso terá muito peso no balanço final. A lembrança será sempre a do
"Lulinha paz e amor".
E ele, que a partir de agora passará a dar nome a avenidas, escolas e creches em várias metrópoles
brasileiras, só terá uma " desvantagem" em relação aos dois outros mitos: a ausência de uma morte trágica. O
suicídio de Getúlio, em agosto de 1954, e o acidente automobilístico de JK, em 1976, até hoje questionado, ajudaram
a elevar os dois ex-presidentes a categoria dos mártires. Lula, um homem feliz e sem inimigos, tem tudo para levar
uma existência pacata até o fim dos seus dias. Tempo, ele terá de sobra depois de 31 de dezembro, como acontece
com todo ex-presidente. A diferença, no caso de Lula, é que seu verdadeiro espaço cronológico será o da eternidade.
Revista IstoÉ publicada em 29/12/2010. Artigo escrito por Leonardo Attuch (attuch@[Link]).
NOTÍCIA
Notícia é a expressão de um fato novo, que desperta o interesse do público a que o jornal se destina.
Predomina a narração. Mas os jornais não se limitam a contar o que aconteceu. Eles vão além, contando também
como e porque aconteceu determinado fato. Ela apresenta uma estrutura própria, composta de duas partes: o lead e
o corpo. Lead é um resumo do fato em poucas linhas e compreende, normalmente, o primeiro parágrafo da notícia.
Contém as informações mais importantes e deve fornecer ao leitor a maior parte das respostas às seis perguntas
básicas: o quê, quem, quando, onde, como e por que. Corpo são os demais parágrafos da notícia, nos quais se faz o
detalhamento do exposto no lead, por meio da apresentação ao leitor de novas informações, em ordem cronológica
ou de importância. Toda notícia é encabeçada por um título, que anuncia o assunto a ser desenvolvido. No título,
devem-se empregar, com objetividade, palavras curtas e de uso comum. Ela deve ser imparcial e objetiva, ou seja,
deve expor fatos e não opiniões. A linguagem deve ser impessoal, clara, direta e precisa.
Características da notícia:
Predomínio da narração, com a presença dos elementos essenciais de um texto narrativo: fatos, pessoas
envolvidas, tempo em que ocorreu o fato, o lugar em que ocorreu, como e porque ocorreu o fato;
Estrutura padrão composta de lead e corpo;
Título que se caracteriza por: despertar o interesse do leitor para a notícia; ser uma mensagem rápida e
muitas vezes surpreendente; destacar-se do resto do texto.
Linguagem impessoal, clara, precisa, objetiva, direta, de acordo com a variedade padrão da língua.
Exemplo de notícia:
CRIMINALIDADE
Tráfico de drogas domina áreas públicas da cidade
Praças, pontos turísticos e até a rodoviária escondem pontos de tráfico de drogas. A Tribuna vem acompanhando a
rotina de vários locais em Juiz de Fora, denunciados por vizinhanças, que não suportam mais conviver com o medo e
a insegurança, e cobram ações policiais. Entorno de bares e complexos comerciais, no São Mateus, Zona Sul, onde
há grandes aglomerações diariamente, também servem como pontos de distribuição para os traficantes.
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EXERCÍCIOS
II. O narrador em terceira pessoa se caracteriza por ter uma visão subjetiva, total e impessoal dos fatos.
III. Ambos os focos narrativos podem ser caracterizar pela “onisciência” do narrador.
03. Associe:
1. Flashback
2. Cenário
3. Narrador de terceira pessoa
4. Personagem
5. Foco narrativo
6. Enredo
A sequência correta é:
(A) 5, 6, 2, 1, 3
(B) 3, 2, 6, 5, 1
(C) 4, 2, 3, 1, 4
(D) 4, 6, 2, 1, 5
(E) 3, 5, 2, 1, 6
(A) o nó
(B) a complicação
(C) o flashback
(D) o desfecho
(E) o clímax
05. Das características a seguir, marque a incorreta quanto ao gênero conto.
(A) tem por objetivo divertir e/ou refletir criticamente sobre a vida
(B) tempo e espaço bem delimitados
(C) narrativa focada ao essencial
(D) número reduzido de personagens
(E) padrão formal da língua
06. Associe:
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I. Conto
II. Crônica
III. Notícia
0 ( I ) ( II) (III)
1 ( ) ( ) ( ) elementos essenciais de um texto narrativo.
2 ( ) ( ) ( ) o suporte predominante é o impresso de grande circulação.
3 ( ) ( ) ( ) lead
4 ( ) ( ) ( ) artístico
5 ( ) ( ) ( ) língua padrão culto
A sequência correta é:
(A) Conto
(B) Crônica
(C) Notícia
(D) Novela
(E) Revista
II. Personagens esféricos são personagens de psicologia complexa, podendo apresentar variações no
comportamento esperado.
Estão corretas:
(A) I e III
(B) II e III
(C) apenas III
(D) apenas I
(E) todas as alternativas
1. “Os campos, segundo o costume, acabava de descer do almoço e, a pena atrás da orelha, p lenço por dentro do
colarinho, dispunha-se a prosseguir o trabalho interrompido poucos antes. Entrou no escritório e foi sentar-se à
secretária” (Aluísio Azevedo)
2. “Coloquei-me acima de minha classe, creio que me elevei bastante. Como lhes disse, fui guia de cego, vendedor
de doces e trabalhador de aluguel. Estou convencido de quem nenhum desses ofícios me daria os recursos
intelectuais necessários para engenhar esta narrativa.” (Graciliano Ramos)
3. “Um segundo depois, muito suave ainda, o pensamento ficou levemente mais intenso, quase tentador: não dê, elas
são suas. Laura espantou-se um pouco: por que as coisas nunca eram dela?” (Clarice Lispector)
( ) narrador participante
( ) narrador observador
( ) narrador onisciente
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A sequência correta é:
(A) 1, 2, 3
(B) 1, 3, 2
(C) 2, 3, 1
(D) 2, 1, 3
(E) 3, 2, 1
(A) o suporte
(B) a extensão
(C) a presença da narrativa
(D) a definição de tempo-espaço
(E) a intenção artística literária
11.
"Outros fatores contribuem diretamente para dificultar a adaptação do calouro à universidade. A desinformação é um
desses fatores: a grande maioria dos jovens desconhece não só as atividades básicas da profissão que escolheu - ou
que escolheram por ele - como também o currículo mínimo necessário à sua formação." (Revista Veja)
Não sou responsável pelas minhas insuficiências. Se minha corrente vital é acaso interrompida e foge de seu leito;
se meu ser muitas vezes se desprende de seus suportes e se perde no vazio; se é frágil a minha composição
orgânica e tênues os meus impulsos - culpo disso os meus pais, a sociedade, o regime, os colégios; culpo as
mulheres difíceis, os governos, as privações anteriores; culpo os antepassados em geral, o mau clima da minha
cidade, a sífilis que veio nas naus descobridoras, a água salobra, as portas que se me fecharam e os muitos "sins"
que esperei e me foram negados; culpo os jesuítas e o vento sudoeste; culpo a Pedro Álvares Cabral e a Getúlio;
culpo o excesso de proibições, a escassez de iodo, as viagens que não fiz, os encontros que não tive, os amigos que
me faltaram e as mulheres que não me quiseram; culpo a D. João VI e ao Papa; culpo a má-vontade e a
incompreensão geral. A todos e a tudo eu culpo.
Só não culpo a mim mesmo que sou inocente. E ao Acaso, que é irresponsável... (Aníbal Machado)
13.
"A consciência ecológica brasileira, emergente nos últimos vinte anos, tem-se tornado cada vez mais vigilante. Os
ecologistas reservam uma atenção especial para as fábricas de papel e celulose, pelo mal que podem provocar às
águas, ao ar, ao meio ambiente em geral." (Revista Veja)
14. O beijo
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O beijo é uma coisa que todo mundo dá em todo mundo. Tem uns que gostam muito, outros que ficam aborrecidos e
limpam o rosto dizendo já vem você de novo e tem ainda umas pessoas que quanto mais beijam, mais beijam, como
a minha irmãzinha que quando começa com o namorado dá até aflição. O beijo pode ser no escuro e no claro. O
beijo no claro é o que o papai dá na mamãe quando chega, o que eu dou na vovó quando vou lá e mamãe obriga, e
que o papai deu de raspão na empregada noutro dia, mas esse foi tão rápido que eu acho que foi sem querer...
(Millôr Fernandes)
A nuvem
- Fico admirado como é que você, morando nesta cidade, consegue escrever uma semana inteira sem reclamar,
sem protestar, sem espinafrar! E meu amigo falou da água, telefone, Light em geral, carne, batata, transporte, custo
de vida, buracos na rua, etc. etc. etc. Meu amigo está, como dizem as pessoas exageradas, grávido de razões. Mas
que posso fazer? Até que tenho reclamado muito isto e aquilo. Mas se eu for ficar rezingando todo dia, estou
roubado: quem é que vai aguentar me ler? Acho que o leitor gosta de ver suas queixas no jornal, mas em termos.
Além disso, a verdade não está apenas nos buracos das ruas e outras mazelas. Não é verdade que as amendoeiras
neste inverno deram um show luxuoso de folhas vermelhas voando no ar? E ficaria demasiado feio eu confessar que
há uma jovem gostando de mim? Ah, bem sei que esses encantamentos de moça por um senhor maduro duram
pouco. São caprichos de certa fase. Mas que importa? Esse carinho me faz bem; eu o recebo terna e gravemente;
sem melancolia, porque sem ilusão. Ele se irá como veio, leve nuvem solta na brisa, que se tinge um instante de
púrpura sobre as cinzas de meu crepúsculo.
E olhem só que tipo de frase estou escrevendo! Tome tenência, velho Braga. Deixe a nuvem, olhe para o chão - e
seus tradicionais buracos.
15. É correto afirmar que, a partir da crítica que o amigo lhe dirige, o narrador cronista:
16. Em "E olhem só que tipo de frase estou escrevendo! Tome tenência, velho Braga", o narrador:
(A) chama a atenção dos leitores para a beleza do estilo que empregou;
(B) revela ter consciência de que cometeu excessos com a linguagem metafórica;
(C) exalta o estilo por ele conquistado e convida-se a reverenciá-lo;
(D) percebe que, por estar velho, seu estilo também envelheceu;
(E) dá-se conta de que sua linguagem não será entendida pelo leitor comum.
(A) parte do assunto cotidiano e acaba por criar reflexões mais amplas;
(B) tem como função informar o leitor sobre os problemas cotidianos;
(C) apresenta uma linguagem distante da coloquial, afastando o público leitor;
(D) tem um modelo fixo, com um diálogo inicial seguido de argumentação objetiva;
(E) consiste na apresentação de situações pouco realistas, em linguagem metafórica.
GÊNEROS MISTOS
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Há alguns gêneros textuais que são considerados mistos, por mesclarem em seu conteúdo imagens e palavras.
HISTÓRIA EM QUADRINHOS
O texto em quadrinhos tem algumas características específicas do gênero. Os “balões” que indicam a fala ou
pensamento, a forma de se escrever, a riqueza de interjeições, onamatopéias, utilização de letras maiúsculas para
indicar aumento no tom de voz, repetição de vogais indicando prolongamento do som emitido pelo personagem, etc.
Além de tudo isto, a imagem dos personagens aparecem com expressões faciais e corporais, que completam a sua
fala expressa pela escrita. É, talvez, o gênero de escrita que mais emprega representações dos componentes da
linguagem oral, isto é, representa imagens dos movimentos do corpo de quem fala durante a emissão da mensagem.
As histórias em quadrinhos são histórias escritas que se assemelham ao cinema porque os diálogos são oralizados a
partir de um roteiro. Essas histórias que podem ser definidas como histórias em linguagem escrita com
características da linguagem oral, possuem também características específicas como é o caso da representação
escrita do pensamento do personagem: no cinema isto é possível através do som da voz do personagem, relatando
as suas impressões enquanto ele se apresenta absorto, ou com a alternância de imagens atuais com imagens que
representam fatos passados ou da imaginação de uma situação futura.
Esse gênero de literatura deveria sair dos domínios comerciais para ocupar lugar de destaque como instrumento de
leitura, utilizado para fins didáticos nas séries iniciais ou até mesmo nas intermediárias. Poder-se-ia utilizar conteúdos
diferentes dos caricatos que comumente se vê, priorizando assuntos mais enriquecedores, como a reprodução de
fábulas, contos, crônicas e outros textos que possam levar os jovens a se habituarem à leitura e a repensarem o
mundo que os cerca. Obviamente, o investimento nessa área iria de encontro aos interesses de quem atualmente
explora o mercado das revistas em quadrinhos com os personagens já consagrados pelo público, mas, sem dúvida,
poderia ser uma alternativa valiosa para se criar o hábito de leitura nos jovens.
CHARGE OU CARTUM
Charge e Cartum podem ser conjuntamente consideradas como “piadas gráficas”, muitas vezes são mal
empregados na imprensa que tende a confundir os termos como sinônimos. Eles não são sinônimos, estes termos
servem justamente para definir os tipos de cada piada gráfica.
O Cartum é uma piada gráfica para temas universais, que não precisa se prender a uma época ou lugar, sendo mais
facilmente compreendido por pessoas de diferentes épocas e lugares.
Ex:
90
A Charge é normalmente um produto jornalístico, referindo-se a um acontecimento real, atrelada a uma notícia e
publicada na mesa época desta.
Ex:
Para que se possa entender uma Charge antiga é necessário saber o que estava se passando naquele momento
histórico, quais os personagens importantes da época e etc. A Charge pode ser entendida como todo Cartum que se
torna incompreensível sem o conhecimento prévio do contexto de sua publicação original.
EXERCÍCIOS
1. Veja a charge abaixo e diga o que você sabe sobre o assunto tratado na mesma. Para facilitar seu trabalho,
escreva pequenos períodos (frases) respondendo as perguntas: Sobre o que ela fala? É um problema atual?
Como ele afeta sua vida? Há solução para o problema?
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2. Faça o mesmo agora com a charge abaixo. Após ver a imagem, responda em forma de texto as perguntas:
Sobre o que ela fala? É um problema atual? Você lembra de algum exemplo relacionado ao assunto? Há
solução para o problema?
PONTUAÇÃO
TEXTO I
Um homem muito rico estava extremamente doente, agonizando. Pediu papel e caneta e escreveu, sem pontuação
alguma, as seguintes palavras:
'Deixo meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do padeiro nada dou aos pobres.
Não resistiu e se foi antes de fazer a pontuação. Ficou o dilema, quem herdaria a fortuna? Eram quatro concorrentes.
Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.
Moral da história: A vida pode ser interpretada e vivida de diversas maneiras. Nós é que fazemos sua pontuação. É
isso faz toda a diferença...
TEXTO II
Questão de pontuação
A língua falada dispõe de recursos muito variados para exprimir suas pausas e entonações. Na língua
escrita, essas pausas e entonações são representadas pelos sinais de pontuação. Veja os principais empregos de
alguns sinais de pontuação:
PONTO FINAL
Exemplo:
Exemplo:
É utilizado no fim de uma palavra, oração ou frase, indicando uma pergunta direta.
Exemplo:
Quem é você?
Por que ninguém ligou?
Exemplo:
Perguntei a você quem estava no quarto.
Exemplo:
Ah! Deixa isso aqui.
Nossa! Isso é demais!
VÍRGULA
Exemplo:
Meu filho, venha tomar seus remédios.
Exemplo:
94
- para separar expressões explicativas ou retificativas, tais como: isto é, aliás, além, por exemplo, além disso, então.
Exemplo:
O nosso sistema precisa de proteção, isto é, de um bom antivírus.
Além disso, precisamos de um bom firewall.
Exemplo:
Ela ganhou um carro, mas não sabe dirigir.
- para separar orações coordenadas sindéticas, desde que não sejam iniciadas por e, ou e nem.
Exemplo:
Cobram muitos impostos, poucas obras são feitas.
Exemplo:
A Amazônia, pulmão mundial, está sendo devastada.
Exemplo:
Com a pá, retirou a sujeira.
PONTO E VÍRGULA
O ponto e vírgula indica uma pausa mais longa que a vírgula, porém mais breve que o ponto final.
Exemplo:
Exemplo:
Deveria entregar o documento hoje; porém só o entregarei amanhã à noite.
DOIS PONTOS
Exemplo:
O computador tem a seguinte configuração:
- memória RAM 256 MB;
- HD 40 GB;
- fax-modem;
- placa de rede;
- som.
Exemplo:
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Exemplo:
O repórter disse: - Nossa reportagem volta à cena do crime.
Exemplo:
O Ministério de Saúde adverte: fumar é prejudicial à saúde.
Nota de esclarecimento:
Nossa empresa não envia e-mail a seus clientes. Quaisquer informações devem ser tratadas em nosso escritório.
RETICÊNCIAS
Indicam uma interrupção ou suspensão na seqüência normal da frase. São usadas nos seguintes casos:
Exemplo:
Estava digitando quando...
Exemplo:
Não vou ficar aqui por que... por que... não quero problemas.
Exemplo:
E a bola foi entrando...
Exemplo:
Rodrigo! Você... passou no vestibular!
Antônio... você vai viajar?
ASPAS
Exemplo:
Já li “O Ateneu” de Raul Pompéia.
“Os Lusíadas” de Camões tem grande importância literária.
Exemplo:
“Tudo começou com um telefonema da empresa, convidando-me para trabalhar lá na sede. Já havia mandado um
currículo antes, mas eles nunca entraram em contato comigo. Quando as seleções recomeçaram mandei um
currículo novamente”, revelou Cleber.
Exemplo
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PARÊNTESES
Exemplo:
Predicado verbo-nominal é aquele que tem dois núcleos: o verbo (núcleo verbal) e o predicativo (núcleo nominal).
Exemplo:
Os escândalos estão se proliferando (a imagem política do Brasil está manchada) por todo o país.
EXERCÍCIOS
01. Assinale a opção em que a supressão das vírgulas alteraria o sentido do anunciado:
(A) os países menos desenvolvidos vêm buscando, ultimamente, soluções para seus problemas no acervo cultural
dos mais avançados;
(B) alguns pesquisadores, que se encontram comprometidos com as culturas dos países avançados, acabam se
tornando menos criativos;
(C) torna-se, portanto, imperativa uma revisão modelo presente do processo de desenvolvimento tecnológico;
(D) a atividade científica, nos países desenvolvidos, é tão natural quanto qualquer outra atividade econômica;
(E) por duas razões diferentes podem surgir, da interação de uma comunidade com outra, mecanismos de
dependência.
02. Assinale a opção em que está corretamente indicada a ordem dos sinais de pontuação que devem preencher as
lacunas da frase abaixo:
“Quando se trata de trabalho científico ___ duas coisas devem ser consideradas ____ uma é a contribuição teórica
que o trabalho oferece ___ a outra é o valor prático que possa ter.
(A) vimos pela presente solicitar de [Link]., que nos informe a situação econômica da firma em questão;
(B) cientificamo-lo de que na marcha do processo de restituição de suas contribuições, verificou-se a ausência da
declaração de beneficiários;
(C) o Instituto de Previdência do Estado, vem solicitar de [Link]. o preenchimento da declaração;
(D) encaminhamos a [Link]., para o devido preenchimento, o formulário em anexo;
(E) estamos remetendo em anexo, o formulário.
06. Observe:
1) depois de muito pedir ( ) obteve o que desejava;
2) se fosse em outras circunstâncias ( ) teria dado tudo certo;
3) exigiam-me o que eu nunca tivera ( ) uma boa educação;
4) fez primeiramente seus deveres ( ) depois foi brincar;
Assinale a alternativa que preencha mais adequadamente os parênteses:
(A) (;) (,) (:) (;); (D) (?) (,) (,) (:);
(B) (,) (;) (:) (;); (E) (,) (;) (.) (;).
(C) (,) (,) (:) (;);
(A) I - IV;
(B) II - III;
(C) II - IV;
(D) I - II;
(E) I - III.
08. Em seguida vai um pequeno trecho de Machado de Assis, pontuado de diversos modos. Só uma vez a pontuação
estará de acordo com as normas gramaticais. Assinale-a:
(A) homem gordo, não faz revolução. O abdômen, é naturalmente amigo da ordem. O estômago pode destruir, um
império: mas há de ser antes do jantar.
(B) homem gordo não faz revolução. O abdômen é naturalmente amigo da ordem; o estômago pode destruir um
império: mas há de ser antes do jantar;
(C) homem gordo não faz revolução, o abdômen é, naturalmente, amigo da ordem. O estômago, pode destruir um
império: mas há de ser antes do jantar;
(D) homem gordo não faz revolução: o abdômen e naturalmente, amigo da ordem. O estômago pode destruir um
império: mas há de ser antes do jantar;
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(E) homem gordo não faz revolução: o abdômen é naturalmente amigo da ordem. O estômago pode destruir um
império mas há de ser, antes do jantar.
09. Assinale a opção em que está corretamente indicada a ordem dos sinais de pontuação que devem preencher as
lacunas da frase abaixo:
“Como amanhã será o nosso grande dia ___ duas coisas serão importantes ___ uma é a tranquilidade ___ a outra é
a observação minuciosa do que esta sendo solicitado”.
(A) dois pontos, ponto e vírgula, ponto e vírgula;
(B) vírgula, vírgula, vírgula;
(C) vírgula, dois pontos, ponto e vírgula;
(D) dois pontos, vírgula, ponto e vírgula;
(E) ponto e vírgula, dois pontos, vírgula.
10. Assinale a série de sinais cujo emprego corresponde, na mesma ordem, aos parênteses indicados no texto:
“Pergunta-se ( ) qual é a ideia principal desse parágrafo ( ) A chegada de reforços ( ) a condecoração ( ) o escândalo
da opinião pública ou a renúncia do presidente ( ) Se é a chegada de reforços ( ) que relação há ( ) ou mostrou seu
autor haver ( ) entre esse fato e os restantes ( )”.
(A) , , ? ? ? , , , .
(B) : ? , , ? , ___ ___ ?
(C) ___ ? , , . ___ ___ ___ .
(D) : ? , . ___ , , , ?
(E) : . , , ? , , , .
QUESTÃO DISCURSIVA
01. Reescreva as orações, pontuando adequadamente e fazendo pequenas modificações, quando necessário:
INTRODUÇÃO
Os maiores obstáculos do estudo e da aprendizagem, em ciência e filosofia, estão diretamente relacionados com a
correspondente dificuldade que o estudante encontra na exata compreensão dos textos teóricos. Habituados à
abordagem de textos literários, os estudantes, ao se defrontarem com textos científicos ou filosóficos, encontram
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dificuldades logo julgadas insuperáveis e que reforçam uma atitude de desânimo e de desencanto, geralmente
acompanhada de um juízo de valor depreciativo em relação ao pensamento teórico.
Na realidade, mesmo em se tratando de assuntos abstrato, para o leitor em condições de “seguir o fio da meada” a
leitura torna-se fácil, agradável e, sobretudo, proveitosa. Por isso é preciso criar condições de abordagem e de
inteligibilidade do texto, aplicando alguns recursos que, apesar de não substituírem a capacidade de intuição do leitor
na apreensão da forma lógica dos raciocínios em jogo, ajudam muito na análise e interpretação dos textos.
O QUE É LER?
Você está lendo neste momento e também lê quando consulta a lista telefônica e verifica o preço dos produtos numa
loja. Certamente você leu "as flores do mal", ou talvez "O capital". O que há de comum em todas essas atividades?
Ler o que é isso? A leitura é um modo particular de aquisição de informações, os objetivos da leitura são a
compreensão do texto escrito e/ou o alcance de uma impressão de beleza, porque quando lemos, estabelecemos
freqüentemente associações, evocamos imagens, construímos raciocínios, às vezes até sonhamos acordados.
Texto, a obra, é a expressão do viver, participar; é o produto humano colocado no mundo. É a manifestação do que o
homem produz nos vários campos das artes, da literatura e do saber. Expressa – se por meio dos mais variados
meios simbólicos: peças de teatro, filmes, televisão, pinturas, esculturas, literatura, poesia, livros científicos, artigos
de revistas, jornais.
Os textos teóricos requerem sempre o emprego da razão reflexiva, e isso pressupõe uma certa disciplina intelectual,
um método de estudo. Método entendido como o caminho a ser percorrido, demarcado do começo ao fim, por fases
ou etapas. O método serve de guia para o estudo sistemático do texto teórico: compreende-o e interpreta-lo.
A Importância da Leitura pode ser considerado um manual para principiantes em graduação, que através de uma
linguagem clara e objetiva nos mostra que o ato de ler exige uma consciência crítica e sistemática, adquiridos através
da prática. Afirma que a leitura não deve ser confundida com o simples ato de descodificar sinais gráficos, pelo
contrário, é necessário passar pelos planos da intelecção, da interpretação para finalmente chegar a aplicação,
podendo ser: icônica, gestual e sonora.
Pode-se partir da consideração de que a comunicação se dá quando da transmissão de uma mensagem entre um
emissor e um receptor. O emissor transmite uma mensagem que é captada pelo receptor. Este é o esquema geral
apresentado pela teoria da comunicação.
Ao escrever um texto, o autor (o emissor) codifica sua mensagem que, por sua vez, já tinha sido pensada, concebida
e o leitor (o receptor), ao ler um texto, decodifica a mensagem do autor, para então pensá-la, assimila-la e
personaliza-la e compreendendo-a.
LEITURA
Denomina-se leitura a compreensão de uma mensagem codificada em signos visuais (geralmente letras e cifras). O
ensino e o incentivo da leitura representam, portanto, um objetivo básico de todo sistema educativo.
Normalmente existem duas espécies de leitura: uma praticada por cultura geral ou entretenimento desinteressado,
que ocorre quando você lê uma revista ou um jornal; e outra que requer atenção especial e profunda concentração
mental, realizada por necessidade de saber, como por exemplo, quando você lê um livro, um texto de estudo ou uma
revista especializada.
Para que a leitura seja eficiente, eficaz e proveitosa, orienta-se dedicada atenção no que se está lendo, caso
contrário a leitura será superficial e, portanto, pouco entendida. Além de atenção, há necessidade de velocidade na
leitura. Pela orientação de Galliano (1986:70), ao ler um parágrafo, o leitor deve fazer uma leitura rápida, obedecendo
as pausas que, com um bom treinamento, passam ser momentos de fixação.
Cada assunto requer uma velocidade própria de leitura, se o seu campo de visão for estreito, limitando somente a
palavra que você está lendo naquele momento, a sua leitura se tornará lenta. Quando o comportamento ocorre desta
maneira, sua percepção acaba ligando palavras sem sentido, devido às interrupções das pausas e o ritmo
apropriado. Quanto mais lenta é a leitura, mais facilmente a atenção se dispersa.
A leitura, apesar da individualidade do ato realizado, é um ato social, pois existe um processo de comunicação e de
interação entre o leitor e o autor do texto, ambos com objetivos estabelecidos anteriormente dentro do contexto de
cada um. Apesar de, aparentemente simples e tão natural, o processo de leitura possui uma complexidade que está
subjacente porque depende do processamento humano de informações e da cognição de quem lê.
Cada leitor deve preocupar-se com o texto que esta lendo, já que esse deve ser sistematizado e com o objetivo de
fornecer informações para uma melhor assimilação, possibilitando uma leitura mais rica e proveitosa.
Em relação a dificuldade do leitor enquanto, texto x Leitor, a figura a seguir pode exemplificar:
Situação 1: o texto utilizado corresponde ao nível de habilidade do leitor,mas o contexto não é pertinente;
Situação 2: o leitor é colocado num contexto favorável, mas o texto não é adequado às suas capacidades;
Situação 3: nenhuma das variáveis se relaciona: o leitor lê um texto que não está no seu nível e o contexto da leitura
não é adequado.
100
O conhecimento textual faz parte do conhecimento prévio do leitor, e é uma das condições para que haja
compreensão de leitura, quanto mais habilidade e familiaridade o leitor possuir a respeito de tipologias e estruturas
textuais, mais facilidade ele terá na busca por compreensão.
ESTUDO DO TEXTO
Para estudar um determinado texto, devemos fazê-lo como um todo até adquirir uma visão global, para que
possamos dominar e entender a mensagem que o autor pretendia relatar quando escreveu. Os textos de estudos
requerem reflexão por aqueles que os estudam e, portanto, a leitura dos mesmos exige um método de abordagem.
Devemos compreender, analisar, interpretar e, para isso, temos que criar condições capazes de permitir a
compreensão, a análise, a síntese e a interpretação de seu conteúdo.
Analisar – decompor um texto completo em suas partes para melhor estudá-las.
Sintetizar – reconstituir o texto decomposto pela análise.
Interpretar – tomar uma posição própria a respeito das ideias enunciadas no texto, isto é, dialogar com o autor.
ANÁLISE
Para analisamos um texto devemos fazer por etapas, possibilitando por fim, a construção de um raciocínio global,
obedecendo a algumas etapas de análises:
-Análise Textual, que consiste em buscar informações a respeito do autor do texto, verificar o vocabulário, entre
outros, podendo ser finalizada com uma esquematização do texto, tendo como finalidade apresentar uma visão de
conjunto da unidade;
-Análise Temática procura ouvir o autor, apreender sem intervir, fazendo ao texto uma série de perguntas, onde as
respostas fornecem o conteúdo da mensagem;
-Análise Interpretativa visa a interpretação, segundo situações das ideias do autor, faz-se uma leitura analítica,
objetivando o amadurecimento intelectual;
-Problematização visa o levantamento do problema relevante, para a reflexão pessoal e discussão em grupo;
-Síntese Pessoal consiste na construção lógica de uma redação, baseada na problemática levantada pelo texto; E
por fim conclui valorizando a leitura analítica como responsável no desenvolvimento de posturas lógicas na vida do
estudante-leitor.
ANÁLISE TEXTUAL
Análise Textual é a leitura visando obter uma visão do todo, dirimindo todas as dúvidas possíveis, e um esquema do
texto.
Para efetiva-la, inicialmente o leitor deve ler o texto do começo ao fim, com o objetivo de uma primeira apresentação
do pensamento do autor. Não há necessidade dessa leitura ser profunda. Trata-se apenas dos primeiros contatos
iniciais, quando se sugere que já sejam feitas anotações dos vocábulos desconhecidos, pontos não entendidos em
um primeiro momento, e todas as dúvidas que impeçam a compreensão do pensamento do autor.
Após a leitura inicial, o leitor deve esclarecer as dúvidas assinaladas que, dirimidas, permitem que o leitor passe a
uma nova leitura, visando a compreensão do todo. Nesta segunda leitura, com todas as dúvidas resolvidas, o leitor
prepara um esquema provisório do que foi estudado, que facilitará a interpretação das ideias e/ou fenômenos, na
tentativa de descobrir conclusões a que o autor chegou.
É necessário o leitor relembrar que análise significa estudar um todo, dividindo em partes, interpretando cada uma
delas, para a compreensão do todo. Quando se faz análise de texto, penetramos na ideia e no pensamento do autor
que originou o texto. Para que o estudo do texto seja completo, temos que decompô-lo em partes e, ao fazê-lo,
estamos efetuando sua análise.
ANÁLISE TEMÁTICA
É o momento em que vamos nos perguntar se realmente compreendemos a mensagem do autor do texto é a
compreensão e apreensão do texto, que inclui: ideias, problemas, processos de raciocínio e comparações Aqui
devemos recuperar:
-O tema do texto;
-O problema que o autor se coloca;
-A ideia central e as secundárias do texto.
Normalmente isto é feito junto com o esquema do texto. Nele, você irá indicar cada um dos itens acima,
reconstruindo o raciocínio do autor do texto; recuperando seu processo lógico.
É através do raciocínio que o autor expõe, passo a passo, seu pensamento e transmite a mensagem. O raciocínio, a
argumentação, é o conjunto de ideias e proposições logicamente encadeadas, mediante as quais o autor demonstra
101
sua posição ou tese. Estabelecer o raciocínio de uma unidade de leitura é o mesmo que reconstruir o processo
lógico, segundo o qual o texto deve ter sido estruturado: com efeito, o raciocínio é a estrutura lógica do texto.
Finalmente, é com base na análise temática que se pode construir organograma lógico de uma unidade: a
apresentação geometrizada de um raciocínio.
ANÁLISE INTERPRETATIVA
A análise interpretativa é a terceira abordagem do texto com vista à sua interpretação, mediante a situação das ideias
do autor. A partir da compreensão objetiva da mensagem comunicada pelo texto, o que se tem em vista é a síntese
das ideias do raciocínio e a compreensão profunda do texto não traria grandes benefícios.
Interpretar, em sentido restrito é tomar uma posição própria a respeito da ideias enunciadas, é superar a estrita
mensagem do teto, é ler nas entrelinhas, é forçar o autor a dialogar, é explorar toda fecundidade das ideias expostas,
enfim, dialogar com o autor.
No primeiro momento da interpretação, busca-se determinar até que ponto o autor conseguiu atingir, de modo lógico,
os objetivos que se propusera alcançar; pergunta-se até que ponto o raciocínio foi eficaz na demonstração da tese
proposta e até que ponto a conclusão a que chegou está realmente fundada numa argumentação sólida e sem
falhas, coerente com as suas premissas e com árias tapas percorridas.
Num segundo ponto de vista, formula-se um juízo crítico sobre o raciocínio em questão: até que ponto o autor
consegue uma colocação original, própria, pessoal, superando a pra retomada dos textos de outros autores, até que
ponto o tratamento dispensado por ele ao tema é profundo e não superficial e meramente erudito; trata-se de se
saber anda qual o alcance, ou seja, a relevância e a contribuição específica do texto para o estudo do tema
abordado.
PROBLEMATIZAÇÃO
É a quarta abordagem com vistas ao levantamento dos problemas para a discussão do texto. Rever todo o texto para
se ter elementos para reflexão pessoal e debate em grupo.
Os problemas podem situar-se no nível das três abordagens anteriores; desde problemas textuais, os mais objetivos
e concretos, até mais difíceis problemas de interpretação, todos constituem elementos válidos para a reflexão
individual ou em grupo. O debate e a reflexão são essenciais à própria filosófica científica.
Devemos, portanto:
-Ler atentamente o texto e questioná-lo, procurando encontrar as respostas para os questionamentos
[Link] em uma folha de papel os termos, conceitos, ideias etc, que deverão ser pesquisados após a leitura
inicial.
- Fazer a segunda leitura e, a partir daí, sublinhar a ideia principal, os pormenores mais significativos, enfim, os
elementos básicos da unidade de leitura.
-A prática possibilitará que o leitor perceba que raramente será necessário sublinhar uma oração inteira.
Quase sempre é uma palavra-chave que se apresenta como elemento essencial. Na realidade, a regra fundamental é
sublinhar apenas o que é importante para o estudo realizado, e somente depois de estar seguro dessa importância.
O correto é que, ao ler o sublinhado, seja possível obter claramente o conteúdo do que foi lido.
ANÁLISE PESSOAL
A discussão da problemática levantada pelo texto, bem como a reflexão a que ele conduz, devem levar o leitor a uma
frase de elaboração pessoal ou de síntese. Trata-se de uma etapa ligada antes à construção lógica de uma redação
do que à leitura como tal.
De qualquer modo, a leitura bem feita deve possibilitar ao estudioso progredir no desenvolvimento das ideias do
autor, bem como daqueles elementos relacionados com elas. Ademais, o trabalho de síntese pessoal é sempre
exigido no contexto das atividades didáticas, quer como tarefa específica, quer como parte de relatórios ou de roteiro
de seminários. Significa também valioso exercício de raciocínio – garantia de amadurecimento intelectual. Como a
problematização, esta etapa se apóia na retomada de pontos abordados em todas as etapas anteriores.
INTERPRETAÇÃO
Interpretar é tomar uma posição própria a respeito das ideias do autor, é ler nas entrelinhas, é forçar o autor a um
diálogo, é explorar as ideias expostas, é ter capacidade de compreensão e crítica do texto. Interpretação é processo,
num primeiro momento, de dizer o que o autor disse, parafraseando o texto, resumindo-o; é reproduzir as ideias do
texto. Num segundo momento, entende-se interpretação como comentário, discussão das ideias do autor. A análise
interpretativa conduz o leitor a atuar como crítico do que o autor escreveu.
Para que haja uma boa leitura é indispensável que o leitor domine a língua, sendo capaz de conhecer a língua
padrão, conhecer as variantes da língua, gerar seqüências lingüísticas gramaticais, produzir e compreender textos,
enfim, desenvolver suas habilidades e competência lingüística, podendo assim interagir no mundo da leitura da forma
102
madura e produtiva.
Para realizar a análise interpretativa de um texto devemos realizar os seguintes procedimentos:
-Reler o texto, assinalando ou anotando palavras ou expressões desconhecidas, valendo-se de um dicionário para
esclarecer seus significados;
-Não se deixe tomar pela subjetividade;
-Relacione as ideias do autor com o contexto filosófico e científico de sua época e de nossos dias;
-Faça a leitura das “entrelinhas” a fim de inferir o que não está explícito no texto;
- Adote uma posição crítica, a mais objetiva possível, com relação ao [Link] posição tem de estar fundamentada
em argumentos válidos, lógicos e convincentes;
-Faça o resumo do que estudou;
-Discuta o resultado obtido no estudo.
É preciso observar que a concepção da compreensão na leitura ampliou-se, consideravelmente, nas últimas décadas
no que diz respeito à participação do leitor. A atitude do leitor frente ao texto, anteriormente vista como recepção
passiva de mensagens, passou a considerar o processamento mental de informação da compreensão e evoluiu para
uma perspectiva de interação entre o leitor e o texto.
Ao finalizar a análise interpretativa, com certeza, o leitor terá adquirido conhecimento qualitativo e quantitativo sobre
o tema estudado.
SÍNTESE TEXTUAL
A leitura analítica serve de base para o resumo ou síntese do texto ou livro. Entende – se que é a apresentação
concisa dos pontos relevantes de um texto.
Esta é uma etapa que você só pode fazer se já tiver um bom acúmulo de leituras sobre o tema, conhecendo bem o
assunto, tendo lido outros autores sobre o que foi estudado e conhecendo as críticas que se fazem àquele autor e
àquelas ideias, após essa análise você pode começar a problematizar o texto. Na prática, isso significa levantar e
discutir problemas com relação à mensagem do autor.
CONCLUSÃO
Embora se tenha consciência de que, nomeadamente nos textos literários, a experiência de leitura é conexa do
reconhecimento da pluralidade de interpretações, é igualmente necessário sublinhar que o contexto de interpretação
é validado por um conjunto de elementos textuais e socio-históricos que implicam que nem todo o ato interpretativo é
por si mesmo legitimado. Isto significa que ler e interpretar são atos de percepção relacional e argumentativa, e que
esta sua fundação não deve ser ignorada.
Não basta ser alfabetizado para realmente saber ler. Há leitores que deixam os olhos passarem pelas palavras,
enquanto sua mente voa por lugares distantes. Esses lêem apenas com os olhos e só percebem que não leram
quando chegam ao fim de uma página, um capítulo ou um livro. Então devem recomeçar tudo de novo porque de fato
não aprenderam a ler. É preciso ler, mas, também é preciso saber ler. Não adianta orgulhar-se que leu um livro
rapidamente em algumas dezenas de minutos, se ao terminar a leitura é incapaz de dizer sobre o que acabou de ler.
Figuras de Linguagem
As figuras de linguagem são recursos que tornam mais expressivas as mensagens. Subdividem-se em figuras de
som, figuras de construção, figuras de pensamento e figuras de palavras.
Figuras de som
Figuras de construção
e) silepse: consiste na concordância não com o que vem expresso, mas com o que se subentende, com o
que está implícito. A silepse pode ser:
• De gênero
Vossa Excelência está preocupado.
• De número
Os Lusíadas glorificou nossa literatura.
• De pessoa
“O que me parece inexplicável é que os brasileiros persistamos em comer essa coisinha verde e mole que
se derrete na boca.”
f) anacoluto: consiste em deixar um termo solto na frase. Normalmente, isso ocorre porque se inicia uma
determinada construção sintática e depois se opta por outra.
A vida, não sei realmente se ela vale alguma coisa.
Figuras de pensamento
a) antítese: consiste na aproximação de termos contrários, de palavras que se opõem pelo sentido.
“Os jardins têm vida e morte.”
b) ironia: é a figura que apresenta um termo em sentido oposto ao usual, obtendo-se, com isso, efeito crítico ou
humorístico.
“A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças.”
c) eufemismo: consiste em substituir uma expressão por outra menos brusca; em síntese, procura-se suavizar
alguma afirmação desagradável.
Ele enriqueceu por meios ilícitos. (em vez de ele roubou)
e) prosopopeia ou personificação: consiste em atribuir a seres inanimados predicativos que são próprios de
seres animados.
O jardim olhava as crianças sem dizer nada.
Figuras de palavras
a) metáfora: consiste em empregar um termo com significado diferente do habitual, com base numa relação de
similaridade entre o sentido próprio e o sentido figurado. A metáfora implica, pois, uma comparação em que o
conectivo comparativo fica subentendido.
“Meu pensamento é um rio subterrâneo.”
b) metonímia: como a metáfora, consiste numa transposição de significado, ou seja, uma palavra que
usualmente significa uma coisa passa a ser usada com outro significado. Todavia, a transposição de
significados não é mais feita com base em traços de semelhança, como na metáfora. A metonímia explora
sempre alguma relação lógica entre os termos. Observe:
Não tinha teto em que se abrigasse. (teto em lugar de casa)
c) catacrese: ocorre quando, por falta de um termo específico para designar um conceito, torna-se outro por
empréstimo. Entretanto, devido ao uso contínuo, não mais se percebe que ele está sendo empregado em
sentido figurado.
O pé da mesa estava quebrado.
d) antonomásia ou perífrase: consiste em substituir um nome por uma expressão que o identifique com
facilidade:
...os quatro rapazes de Liverpool (em vez de os Beatles)
e) sinestesia: trata-se de mesclar, numa expressão, sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido.
A luz crua da madrugada invadia meu quarto.
QUESTÕES DE ENEM
(ENEM 2009)
Texto para as questões 1 e 2
Questão 1
Predomina no texto a função da linguagem
A fática, porque o autor procura testar o canal de comunicação.
B metalinguística, porque há explicação do significado das expressões.
C conativa, uma vez que o leitor é provocado a participar de uma ação.
D referencial, já que são apresentadas informações sobre acontecimentos e fatos reais.
E poética, pois chama-se a atenção para a elaboração especial e artística da estrutura do texto.
Questão 2
Na estruturação do texto, destaca-se
A a construção de oposições semânticas.
B a apresentação de ideias de forma objetiva.
C o emprego recorrente de figuras de linguagem, como o eufemismo.
D a repetição de sons e de construções sintáticas semelhantes.
E a inversão da ordem sintática das palavras.
Texto I
O professor deve ser um guia seguro, muito senhor de sua língua; se outra for a orientação, vamos cair na
“língua brasileira”, refúgio nefasto e confissão nojenta de ignorância do idioma pátrio, recurso vergonhoso de homens
de cultura falsa e de falso patriotismo. Como havemos de querer que respeitem a nossa nacionalidade se somos os
primeiros a descuidar daquilo que exprime e representa o idioma pátrio?
ALMEIDA, N. M. Gramática metódica da língua portuguesa.
Prefácio. São Paulo: Saraiva, 1999 (adaptado).
Texto II
Alguns leitores poderão achar que a linguagem desta Gramática se afasta do padrão estrito usual neste tipo
de livro. Assim, o autor escreve tenho que reformular, e não tenho de reformular; pode-se colocar dois constituintes, e
não podem-se colocar dois constituintes; e assim por diante. Isso foi feito de caso pensado, com a preocupação de
aproximar a linguagem da gramática do padrão atual brasileiro presente nos textos técnicos e jornalísticos de nossa
época.
REIS, N. Nota do editor. PERINI, M. A. Gramática descritiva
do português. São Paulo: Ática, 1996.
Confrontando-se as opiniões defendidas nos dois textos, conclui-se que
A ambos os textos tratam da questão do uso da língua com o objetivo de criticar a linguagem do brasileiro.
B os dois textos defendem a ideia de que o estudo da gramática deve ter o objetivo de ensinar as regras prescritivas
da língua.
C a questão do português falado no Brasil é abordada nos dois textos, que procuram justificar como é correto e
aceitável o uso coloquial do idioma.
D o primeiro texto enaltece o padrão estrito da língua, ao passo que o segundo defende que a linguagem jornalística
deve criar suas próprias regras gramaticais.
E o primeiro texto prega a rigidez gramatical no uso da língua, enquanto o segundo defende uma adequação da
língua escrita ao padrão atual brasileiro.
(ENEM 2009)
Texto para as questões 4 e 5
Quando eu falo com vocês, procuro usar o código de vocês. A figura do índio no Brasil de hoje não pode ser
aquela de 500 anos atrás, do passado, que representa aquele primeiro contato. Da mesma forma que o Brasil de
106
hoje não é o Brasil de ontem, tem 160 milhões de pessoas com diferentes sobrenomes. Vieram para cá asiáticos,
europeus, africanos, e todo mundo quer ser brasileiro. A importante pergunta que nós fazemos é: qual é o pedaço de
índio que vocês têm? O seu cabelo? São seus olhos? Ou é o nome da sua rua? O nome da sua praça? Enfim, vocês
devem ter um pedaço de índio dentro de vocês. Para nós, o importante é que vocês olhem para a gente como seres
humanos, como pessoas que nem precisam de paternalismos, nem precisam ser tratadas com privilégios. Nós não
queremos tomar o Brasil de vocês, nós queremos compartilhar esse Brasil com vocês.
TERENA, M. Debate. MORIN, E. Saberes globais e saberes locais.
Rio de Janeiro: Garamond, 2000 (adaptado).
Questão 4
Os procedimentos argumentativos utilizados no texto permitem inferir que o ouvinte/leitor, no qual o emissor foca o
seu discurso, pertence
Questão 5
Na situação de comunicação da qual o texto foi retirado, a norma padrão da língua portuguesa é empregada com a
finalidade de
Oximoro, ou paradoxismo, é uma figura de retórica em que se combinam palavras de sentido oposto que parecem
excluir-se mutuamente, mas que, no contexto, reforçam a expressão.
Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa.
Considerando a definição apresentada, o fragmento poético da obra Cantares, de Hilda Hilst, publicada em
2004, em que pode ser encontrada a referida figura de retórica é:
D “Ritualiza a matança
de quem só te deu vida.
E me deixa viver
nessa que morre” (p. 62).
E “O bisturi e o verso.
Dois instrumentos
entre as minhas mãos” (p. 95).
(ENEM 2009) Questão 122
107
Na parte superior do anúncio, há um comentário escrito à mão que aborda a questão das atividades linguísticas e
sua relação com as modalidades oral e escrita da língua.
Esse comentário deixa evidente uma posição crítica quanto a usos que se fazem da linguagem, enfatizando ser
necessário
A implementar a fala, tendo em vista maior desenvoltura, naturalidade e segurança no uso da língua .
B conhecer gêneros mais formais da modalidade oral para a obtenção de clareza na comunicação oral e escrita.
C dominar as diferentes variedades do registro oral da língua portuguesa para escrever com adequação, eficiência e
correção.
D empregar vocabulário adequado e usar regras da norma padrão da língua em se tratando da modalidade escrita.
E utilizar recursos mais expressivos e menos desgastados da variedade padrão da língua para se expressar com
alguma segurança e sucesso.
No texto, o personagem narrador, na iminência da partida, descreve a sua hesitação em separar-se da avó. Esse
sentimento contraditório fica claramente expresso no trecho:
A “A princípio com tranquilidade, e logo com obstinação, quis novamente dormir” (ℓ. 1-3).
B “Restava-me, portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco” (ℓ. 4-6).
C “Calcei os sapatos, sentei-me um instante à beira da cama” (ℓ. 12-13).
D “Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e amor” (ℓ. 7-9).
E “Deveria fugir ou falar com ela? Ora, algumas palavras...” (ℓ. 14-15).
(ENEM 2009)
Texto para as questões 8 e 9
108
Questão 8
O texto exemplifica um gênero textual híbrido entre carta e publicidade oficial. Em seu conteúdo, é possível perceber
aspectos relacionados a gêneros digitais. Considerando-se a função social das informações geradas nos sistemas de
comunicação e informação presentes no texto, infere-se que
A a utilização do termo download indica restrição de leitura de informações a respeito de formas de combate à
dengue.
B a diversidade dos sistemas de comunicação empregados e mencionados reduz a possibilidade de acesso às
informações a respeito do combate à dengue.
C a utilização do material disponibilizado para download no site [Link] restringe-se ao receptor
da publicidade.
D a necessidade de atingir públicos distintos se revela por meio da estratégia de disponibilização de informações
empregada pelo emissor.
E a utilização desse gênero textual compreende, no próprio texto, o detalhamento de informações a respeito de
formas de combate à dengue.
Questão 9
Diante dos recursos argumentativos utilizados, depreende-se que o texto apresentado
BESSINHA
As diferentes esferas sociais de uso da língua obrigam o falante a adaptá-la às variadas situações de comunicação.
Uma das marcas linguísticas que configuram a linguagem oral informal usada entre avô e neto neste texto é
A biosfera, que reúne todos os ambientes onde se desenvolvem os seres vivos, se divide em unidades
menores chamadas ecossistemas, que podem ser uma floresta, um deserto e até um lago. Um ecossistema tem
múltiplos mecanismos que regulam o número de organismos dentro dele, controlando sua reprodução, crescimento e
migrações.
DUARTE, M. O guia dos curiosos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
Ao circularem socialmente, os textos realizam-se como práticas de linguagem, assumindo configurações específicas,
formais e de conteúdo. Considerando o contexto em que circula o texto publicitário, seu objetivo básico é
A Influenciar o comportamento do leitor por meio de apelos que visam à adesão ao consumo.
B definir regras de comportamento social pautadascombate ao consumismo exagerado.
C defender a importância do conhecimento de informática pela população de baixo poder aquisitivo.
D facilitar o uso de equipamentos de informática pelas classes sociais economicamente desfavorecidas.
E questionar o fato de o homem ser mais inteligente que a máquina, mesmo a mais moderna.
Considerando as ideias desenvolvidas pelo autor, conclui-se que o texto tem a finalidade de
Essa notícia, publicada em uma revista de grande circulação, apresenta resultados de uma pesquisa científica
realizada por uma universidade brasileira. Nessa situação específica de comunicação, a função referencial da
linguagem predomina, porque o autor do texto prioriza
O texto expõe uma reflexão acerca da língua portuguesa, ressaltando para o leitor a
Com base na leitura dos textos motivadores seguintes e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação,
redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema VIVER EM REDE NO
SÉCULO XXI: OS LIMITES ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO, apresentando proposta de conscientização social
que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos
para defesa de seu ponto de vista.
Uma pesquisa da consultoria Forrester Research revela que, nos Estados Unidos, a população já passou mais tempo
conectada à internet do que em frente à televisão. Os hábitos estão mudando. No Brasil, as pessoas já gastam cerca
de 20% de seu tempo on-line em redes sociais. A grande maioria dos internautas (72%, de acordo com o Ibope
Mídia) pretende criar, acessar e manter um perfil em rede. “Faz parte da própria socialização do indivíduo do século
XXI estar numa rede social. Não estar equivale a não ter uma identidade ou um número de telefone no passado”,
acredita Alessandro Barbosa Lima, CEO da [Link], empresa de monitoração e análise de mídias.
As redes sociais são ótimas para disseminar ideias, tornar alguém popular e também arruinar reputações. Um dos
maiores desafios dos usuários de internet é saber ponderar o que se publica nela. Especialistas recomendam que
não se deve publicar o que não se fala em público, pois a internet é um ambiente social e, ao contrário do que se
pensa, a rede não acoberta anonimato, uma vez que mesmo quem se esconde atrás de um pseudônimo pode ser
rastreado e identificado. Aqueles que, por impulso, exaltam e cometem gafes podem pagar caro.
Disponível em: [Link] Acesso em: 30 jun. 2011 (adaptado).
MÓDULO 15
PROVAS DE VESTIBULARES
No início, não havia nada. A saúde no Brasil praticamente inexistiu nos tempos de colônia. O modelo
exploratório nem pensava nessas coisas. O pajé, com suas ervas e cantos, e os boticários, que viajavam pelo Brasil
Colônia, eram as únicas formas de assistência à saúde. Para se ter uma ideia, em 1789, havia no Rio de Janeiro
apenas quatro médicos.
Com a chegada da família real portuguesa em 1808, as necessidades da corte forçaram a criação das duas
primeiras escolas de medicina do país: o Colégio Médico-Cirúrgico no Real Hospital Militar da Cidade de
Salvador e a Escola de Cirurgia do Rio de Janeiro. E foram essas as únicas medidas governamentais na área até
a República.
Foi no primeiro governo de Rodrigues Alves (1902-1906) que houve a primeira medida sanitarista no país. O
Rio de Janeiro não tinha nenhum saneamento básico e, assim, várias doenças graves, como varíola, malária, febre
amarela e até a peste espalhavam-se facilmente. O presidente então nomeou o médico Oswaldo Cruz para dar um
jeito no problema. Numa ação policialesca, o sanitarista convocou 1.500 pessoas para ações em que invadiam as
casas, queimavam roupas e colchões. Sem nenhum tipo deação educativa, a população foi ficando cada vez mais
indignada. E o auge do conflito foi a instituição de uma vacinação anti-varíola. A população saiu às ruas e iniciou a
Revolta da Vacina. Oswaldo Cruz acabou afastado.
Apesar do fim conflituoso, o sanitarista conseguiu resolver parte dos problemas e colher muitas informações
que ajudaram seu sucessor, Carlos Chagas, a estruturar uma campanha rotineira de ação e educação sanitária.
Pouco foi feito em relação à saúde depois desse período. Apenas com a chegada dos imigrantes europeus,
que formaram a primeira massa de operários do Brasil, começou-se a discutir, obviamente com fortes formas de
pressão como greves e manifestações, um modelo de assistência médica para a população pobre. Assim, em 1923,
surge a lei Elói Chaves, criando as Caixas de Aposentadoria e Pensão. Essas instituições eram mantidas pelas
empresas que passaram a oferecer esses serviços aos seus funcionários. A União não participava das caixas.
Esse modelo começa a mudar a partir da Revolução de 1930, quando Getúlio Vargas toma o poder. É criado
o Ministério da Educação e Saúde e as caixas são substituídas pelos Institutos de Aposentadoria e Pensões
(IAPs), que, por causa do modelo sindicalista de Vargas, passam a ser dirigidos por entidades sindicais e não mais
por empresas como as antigas caixas. Suas atribuições são muito semelhantes às das caixas, prevendo assistência
médica. O primeiro IAP foi o dos marítimos. A União continuou se eximindo do financiamento do modelo, que era
gerido pela contribuição sindical, instituída no período getulista.
Dos anos 40 a 1964, início da ditadura militar no Brasil, uma das discussões sobre saúde pública brasileira se
baseou na unificação dos IAPs como forma de tornar o sistema mais abrangente. É de 1960 a Lei Orgânica da
Previdência Social, que unificava os IAPs em um regime único para todos os trabalhadores regidos pela
Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), o que excluía trabalhadores rurais, empregados domésticos e funcionários
públicos. É a primeira vez que, além da contribuição dos trabalhadores e das empresas, se definia efetivamente uma
contribuição do Erário Público. Mas tais medidas foram ficando no papel. A efetivação dessas propostas só
aconteceu em 1967 pelas mãos dos militares, com a unificação de IAPs e a conseqüente criação do Instituto
Nacional de Previdência Social (INPS). Surgiu então uma demanda muito maior que a oferta. A solução encontrada
pelo governo foi pagar a rede privada pelos serviços prestados à população. Mais complexa, a estrutura foi se
modificando e acabou por criar o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps) em
1978, que ajudou nesse trabalho de intermediação dos repasses para iniciativa privada. Um pouco antes, em 1974,
os militares já haviam criado o Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social (FAS), que ajudou a remodelar e ampliar
a rede privada de hospitais, por meio de empréstimos com juros subsidiados. Toda essa política acabou
proporcionando um verdadeiro boom na rede privada. De 1969 a1984, o número de leitos privados cresceu cerca de
500%. De 74.543 em 1969 para 348.255 em 1984.
Como se pode ver, o modelo criado pelo regime militar era pautado pelo pensamento da medicina curativa.
Poucas medidas de prevenção e sanitaristas foram tomadas. (...)
Surgem cinco modalidades diferentes de assistência médica suplementar: medicina de grupo, cooperativas
médicas, auto-gestão, seguro-saúde e plano de administração. A classe média, principal alvo destes grupos, adere
113
rapidamente, respondendo contra as falhas da saúde pública. O crescimento dos planos é vertiginoso. Em 1989, já
contabilizam mais de 31 mil brasileiros, ou 22% da população, faturando US$ 2,4 bilhões.
Ao lado dessas mudanças, os constituintes da transição democrática começaram a criar um novo sistema de
saúde, que mudou os parâmetros da saúde pública no Brasil, o SUS.
Questão 1:
Faça um resumo do texto acima, citando, em ordem cronológica e de maneira sucinta, os principais
eventos no desenvolvimento das políticas de saúde no Brasil, desde a época da chegada da família real até o início
da ditadura militar.
Questão 2:
Com base em elementos do texto, elabore um parágrafo em que seja explicado o rápido crescimento da rede
de saúde privada no Brasil.
TEXTO II:
Observe a charge abaixo, sobre a Revolta da Vacina, selecionada da Enciclopédia Delta Universal.
114
“Numa ação policialesca, o sanitarista convocou 1.500 pessoas para ações que invadiam as casas,
Questão 3:
a) Explique o significado do termo policialesca no contexto acima.
b) Com base na leitura do 3º. parágrafo do texto e com o apoio da charge, explique por que a ação vinculada
à vacinação gerou tantos conflitos e revoltas.
TEXTO III:
Leia, agora, fragmentos de um informativo de saúde pública sobre a Gripe H1N1 (Gripe Suína).
O que é a influenza H1N1?
A influenza H1N1, também conhecida como “gripe suína”, é uma doença respiratória dos porcos causada por
um tipo de vírus da influenza. Surtos da gripe suína acontecem com regularidade entre esses animais. As pessoas
normalmente não contraem a gripe suína, mas seres humanos podem ser infectados e assim contrair a doença. Os
casos mais comuns de gripe suína em humanos acontecem com pessoas que estão em contato direto com porcos,
mas ainda existe a possibilidade de uma pessoa transmitir a doença para outra. Desde março de 2009, têm
aparecido muitos casos desse novo tipo de gripe H1N1 nos Estados Unidos e noutras partes do mundo.
Quais são os sintomas da nova gripe H1N1 nas pessoas?
Gripe suína causa sintomas muito parecidos com os da gripe sazonal ou humana. Os sintomas mais comuns
da gripe suína, tal como na gripe sazonal, são febre, tosse e garganta dolorida e podem também incluir dores no
corpo, dores de cabeça, calafrios e cansaço extremo. Algumas pessoas também têm diarréia e vômito. Já houve
casos de pessoas com gripe suína que pioraram e até morreram.
Como posso saber se tenho a nova gripe H1N1?
Se tiver sintomas de influenza conforme os descritos acima, e principalmente se viajou recentemente para
uma área onde foram declarados casos de pessoas com gripe suína, entre em contato com o seu profissional de
saúde que irá decidir que tipo de exames fazer e o tipo de tratamento necessário. Para diagnosticar qualquer tipo de
vírus de gripe, o médico necessita de uma amostra de secreção do interior do seu nariz. A identificação do vírus da
gripe suína requer análise especial de laboratório. (...)
Como posso proteger a mim e aos outros da nova gripe H1N1?
Você pode se proteger a si e aos outros da gripe suína da mesma maneira que pode se proteger da gripe
sazonal. Evite agarrar, abraçar, beijar, ou apertar as mãos com qualquer pessoa que tenha resfriado ou gripe. Lave
as mãos com freqüência com água morna e sabão, ou use um anti-séptico para mãos à base de álcool. Evite tocar
seu próprio nariz, sua boca ou seus olhos. Limpe as coisas em que se toca com freqüência, tais como maçanetas da
porta, telefones, etc.
.
Questão 4:
Com base na leitura do informativo acima, identifique os principais meios de contaminação pelo vírus da
gripe suína e as medidas que devem ser tomadas caso se suspeite da contaminação.
Questão 5:
Leia novamente:
“Os sintomas mais comuns da gripe suína, tal como na gripe sazonal, são febre, tosse, e garganta dolorida e podem
também incluir dores no corpo, dores de cabeça, calafrios e cansaço [Link] pessoas também têm diarréia
e vômito. Já houve casos de pessoas com gripe suína que pioraram e até morreram.”
a) Identifique a relação sintático-semântica estabelecida pela expressão tal como no contexto acima.
b) Substitua a expressão “tal como”, destacada acima, por outra expressão, garantindo que não haja perda
substancial de sentido e que seja mantida a relação sintático-semântica identificada em (a).
Texto I
Papagaio em pele de cordeiro
Em abril de 1800, uma coalizão de países conhecida como Tríplice Aliança invadiu a República do Paraguai
e iniciou uma das ocupações mais catastróficas na história das Américas. O objetivo oficial era derrubar o ditador
Solano Ló[Link], uma cruzada contra a tirania, em nome da liberdade e da civilização – semelhante à
guerra que George W. Bush iniciou em 2003. Mas os paraguaios, como os iraquianos, penaram com as
conseqüências de sua "libertação": cerca de 70% da população morreu na guerra e sua economia ficou dependente
dos conquistadores.
Século e meio depois, nacionalistas paraguaios ainda reclamam que o país foi vítima da maior agressão
imperialista na América do Sul. Detalhe: o país-líder da coalizão foi o Brasil.
Se você ficou surpreso ou ofendido com o parágrafo aí em cima, certamente não está só. Para a maior parte
dos brasileiros hoje, "imperialista" é um rótulo que combina apenas com os EUA. Mas entre uruguaios, paraguaios,
equatorianos e outras nações vizinhas, o "país do jeitinho" é um colosso que inspira respeito. E revolta – por causa
do tamanho, da economia gulosa e da projeção internacional, o Brasil às vezes é visto como um país aproveitador e
prepotente. Esse antibrasileirismo tem seu quê de sensacionalista, mas também carrega algumas verdades
desconfortáveis. Apesar da fama de cordial e avesso a brigas, o Brasil ganhou seu lugar no mundo, passando de
colônia européia a potência emergente, da mesma forma que todos os Estados modernos: a ferro e fogo. Hoje, a
projeção do país na América do Sul (e no mundo) atrai críticas ferozes ao lado de elogios entusiásticos. (...)
Fronteiras de sangue
O imperialismo é a dominação política ou econômica que um Estado exerce – na marra, se necessário –
sobre outros mais fracos. O termo surgiu no século 19, quando nações européias como Inglaterra e França chegaram
a dominar 80% do planeta. Exemplos recentes são os EUA e a falecida União Soviética, que cimentaram sua
hegemonia financiando golpes de Estado e apoiando ditaduras. Mas o tipo mais simples e agressivo de imperialismo
é mesmo a expansão de fronteiras – e, até um século atrás, o país do samba viveu num sangrento baile territorial
com seus hermanos hispânicos. O racha começou antes que os Estados sul-americanos existissem: em 7 de junho
de 1494, quando Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Tordesilhas, dividindo o mundo "a descobrir" entre as
duas nações. A fronteira virtual passava a 2 mil quilômetros de Cabo Verde, exatamente sobre a então inexplorada
América do Sul. Após o "terra à vista" de 1500, os portugueses aumentaram sua colônia pelas armas, e o Brasil foi
virando o que é hoje: uma enorme ilha lusófona num mar de fala espanhola.
Após a independência, em 1822, o Brasil virou Império até no nome, um Estado poderoso cercado por nove
repúblicas menores, quase todas assustadas pela proximidade do gigante. Só a então próspera Argentina ousava
competir: no século 19, ela disputava com o Brasil a influência sobre os vizinhos. O grande palco desse duelo, que
um século depois passaria aos campos de futebol, foi o Uruguai. Em 1821, o país foi invadido pelas tropas daquilo
que na época era o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve – a mentora da operação foi a rainha Carlota Joaquina,
nascida na Espanha, que sonhava com um Estado hispano-português cujas terras atingissem o rio da Prata. A
independência uruguaia veio em 1828 com a ajuda nada desinteressada de exércitos mandados por Buenos Aires.
Décadas depois, Solano Lopez se meteu no tango estratégico: num desafio desastrado ao poderio de brasileiros e
argentinos, o paraguaio atacou ambos em 1864. E se deu muito mal: os velhos rivais se uniram, arrastaram junto o
satélite Uruguai, rechaçaram Solano e logo invadiram o Paraguai. Depois de saquear Assunção, tropas brasileiras
mataram o ditador em 1870. Nesses seis anos, a destruição foi enorme – cerca de 600 mil paraguaios morreram. "O
Paraguai foi o primeiro país na região a ter telégrafos, fornos siderúrgicos e indústria pesada. A guerra destruiu tudo
isso", diz o historiador Fernando Lopez D'Alessandro, da Universidade de Montevidéu. "E não foi por acaso. A
Tríplice Aliança tinha a intenção de transformar o Paraguai num exemplo a quem desafiasse sua hegemonia."
Hoje, muitos historiadores brasileiros acham que a invasão foi uma resposta legítima à agressão de Solano.
Os paraguaios, claro, discordam. "O que a Tríplice Aliança cometeu foi um genocídio", diz o sociólogo Enrique
Chase, diretor do Instituto de Comunicação e Artes de Assunção. Após a guerra, o Brasil anexou pedaços do país
derrotado e os ocupou até 1876. A economia local nunca se recuperou e até hoje muitos culpam o Brasil pelo
subdesenvolvimento do país. Em 2004, grupos paraguaios de extrema esquerda invadiram dezenas de fazendas na
fronteira leste do país – propriedades compradas por imigrantes brasileiros, que hoje somam cerca de 500 mil
pessoas. O grito de guerra dos invasores não incluía chavões marxistas. Eles gritavam "Brasileños, fuera!"
(SUPERINTERESSANTE, jan/2008)
Questão 1:
Qual característica comumente associada à imagem do Brasil é criticada no texto
acima?
Questão 2:
A expressão “economia gulosa” (2º parágrafo) foi empregada para indicar que a
economia brasileira:
Questão 3:
No trecho: “uma enorme ilha lusófona num mar de fala espanhola” (4º parágrafo), a
palavra em destaque tem formação igual à que se observa em:
a) subdesenvolvimento.
b) genocídio.
c) próspera.
d) independência.
e) teoricamente.
Questão 4:
Na frase:
“O grande palco desse duelo, que um século depois passaria aos campos de futebol, foi o Uruguai.” (5º parágrafo)
Questão 5:
Na frase:
“...os velhos rivais se uniram, arrastaram junto o satélite Uruguai, rechaçaram Solano e logo invadiram o Paraguai.”
(5o parágrafo)
a) tempo.
b) espaço.
c) conclusão.
d) causa.
e) modo.
Questão 6:
No trecho “Esse antibrasileirismo tem seu quê de sensacionalista” (2º parágrafo), a
palavra em destaque é:
Questão 7:
Qual das opções abaixo contém um exemplo de linguagem informal que busca aproximar o leitor do texto?
a) “Se você ficou surpreso ou ofendido com o parágrafo aí em cima, certamente não está só.”
b) “Eles gritavam ‘Brasileños, fuera!’"
c) “E se deu muito mal: os velhos rivais se uniram, arrastaram junto o satélite Uruguai,
117
Questão 8:
A tirinha procura expressar uma imagem com relação ao país. Qual dos pares de termos abaixo é mais
importante para compor essa imagem?
a) corda/Brasil.
b) balde/corda.
c) balde/Brasil.
d) poço/Brasil.
e) balde/poço.
Leia com atenção o texto a seguir (Texto III) e responda às perguntas de 9 a 13.
Texto III
As avenidas do centro,
onde se enterram os ricos,
são como o porto do mar;
não é muito ali o serviço:
no máximo um transatlântico
chega ali cada dia,
com muita pompa, protocolo,
e ainda mais cenografia.
Mas este setor de cá
10 é como a estação dos trens:
diversas vezes por dia
chega o comboio de alguém.
Mas se teu setor é comparado
à estação central dos trens,
o que dizer de Casa Amarela
onde não pára o vaivém?
Pode ser uma estação
mas não estação de trem:
será parada de ônibus,
20 com filas e mais de cem.
- Então por que não pedes,
já que és de carreira, e antigo,
que te mandem para Santo Amaro
se achas mais leve o serviço?
118
Questão 9:
A partir da conversa entre os dois coveiros, ouvida por Severino, pode-se concluir que eles consideram:
a) a morte como destino final dos homens.
b) a diferença social mantida até na morte.
c) a fadiga inerente ao trabalho de coveiro.
d) a semelhança entre todas as sepulturas.
e) a injustiça social que eles sofrem.
Questão 10:
Pode-se perceber, através da conversa dos coveiros, um tom de:
a) melancolia.
b) desilusão.
c) comicidade.
d) ironia.
e) agressividade.
Questão 11:
A imagem dos meios de transporte é usada para:
Questão 12:
A palavra “cenografia” (verso 8) é usada no texto para:
Questão 13:
A referência aos “bangüezeiros” (verso 31) acentua:
Releia o seguinte trecho (Texto IV) do romance Incidente em Antares, de Érico Veríssimo, para responder às
questões de 14 a 16.
Texto IV
Quando o Brasil entrou em guerra com o Paraguai, Vacarianos e Campolargos enrolaram os seus
estandartes tribais e, à sombra da bandeira do Império, lutaram juntos contra a “indiada de Solano Lopes”. Chico
Vacariano queixou-se. “Só não me agrada é que desta vez temos castelhanos peleando de nosso lado.” Referia-se
119
às forças da Argentina e da República Oriental do Uruguai, que haviam formado com o Brasil a Tríplice Aliança, para
enfrentar o temível ditador paraguaio. Como Anacleto e Francisco tivessem já passado da idade militar, cada um
deles mandou dois de seus filhos alistarem-se como Voluntários da Pátria. A guerra durou de 1865 a 1870. Foram
tempos de tristeza, apreensões e durezas para os habitantes de Antares. Só depois que a campanha terminou é que
chegou à vila a notícia de que Antônio Maria, o primogênito de Chico Vacariano, havia tombado morto na batalha de
Lomas Valentinas. Os dois Campolargos voltaram vivos mas estropiados. Benjamin, o mais velho, que havia perdido
um olho num combate corpo a corpo, trazia as divisas de major e uma medalha militar. Seu irmão Gaudêncio tivera
de amputar um braço. Antão Vacariano, que deixara a mão esquerda enterrada em solo paraguaio, voltara feito
coronel e também condecorado por atos de bravura. Foram esses três antarenses recebidos em sua terra com
honras de heróis. Cada qual contava as suas estórias da campanha – algumas horripilantes, outras pitorescas e até
jocosas. Num ponto, porém, Benjamin Campolargo e Antão Vacariano discordavam. É que cada um deles reclamava
para si a dúbia glória de ter matado com um pontaço de lança o ditador Solano Lopes, na batalha de Cerro-Corá. A
História, porém, desmentiu ambos.
(VERÍSSIMO, Érico. Incidente em Antares. 45ª. ed. São Paulo: Globo,1995, p.21-23)
Questão 14:
No primeiro parágrafo do trecho acima, há uma metáfora que se refere às relações de poder entre
Vacarianos e Campolargos na cidade de Antares. Essa metáfora está presente na expressão:
a) estandartes tribais.
b) sombra da bandeira do império.
c) “indiada de Solano Lopes”.
d) Tríplice Aliança.
e) temível ditador paraguaio.
Questão 15:
No último parágrafo, podem ser verificados dois tipos de discurso: o das personagens Benjamin Campo
Largo e Antão Vacariano, que voltam da Guerra do Paraguai e contam seus feitos, e o do narrador. Relendo o
parágrafo, é possível concluir que, com relação às personagens, o narrador mantém uma posição crítica. Essa crítica
está baseada na oposição entre:
a) guerra e paz.
b) submissão e poder.
c) crença e desconfiança.
d) privado e público.
e) lei e transgressão.
Questão 16:
Tanto o texto “Papagaio em pele de cordeiro”(Texto I) quanto o trecho do romance
Incidente em Antares (Texto IV), apresentados nesta prova, abordam o episódio histórico da Guerra do Paraguai,
mas apenas um deles, o segundo, caracteriza-se como uma obra de criação literária. Para embasar essa afirmação,
considere a seguinte reflexão, de Antonio Candido, presente no ensaio “Literatura de dois gumes”.
Texto V
“A criação literária traz como condição necessária uma carga de liberdade que a torna independente sob
muitos aspectos, de tal maneira que a explicação dos seus produtos é encontrada sobretudo neles mesmos. Como
conjunto de obras de arte a literatura se caracteriza por essa liberdade extraordinária que transcende as nossas
servidões. Mas na medida em que é um sistema de produtos que são sempre instrumentos de comunicação entre os
homens, possui tantas ligações com a vida social, que vale a pena estudar a correspondência e a interação entre
ambas.”
(CANDIDO, Antonio. A educação pela noite. Rio de Janeiro: Ouro sobre azul, 2006, p.197)
A partir da leitura do romance Incidente em Antares e da compreensão do ensai “Literatura de dois gumes”,
indique o elemento que melhor caracteriza, na obra de Érico Veríssimo, a “carga de liberdade” a que se refere
Antonio Candido.
Pense rápido: você conhece algum executivo presunçoso, autocentrado, que se julga melhor do que os
demais e abusa do uso do pronome da primeira pessoa do singular? Certamente se lembrou de vários. Expressão de
um ego exacerbado ou simples mecanismo de defesa, a arrogância provoca antipatia, melindra relacionamentos,
afasta as pessoas. Com o trabalho em equipe crescentemente valorizado, a atitude prepotente e o orgulho ostensivo
se tornam ingredientes nocivos ao ambiente corporativo, prejudicando a obtenção de resultados consistentes. Para o
profissional, representa um entrave à evolução da carreira, capaz de afetar possíveis promoções e indicações – isso
quando não constitui um forte motivo para precipitar a demissão.
Muitos indivíduos ignoram a própria soberba. Embalados pela vaidade, simplesmente não têm ouvidos para
os eventuais feedbacks que recebem. Em geral, só tomam consciência desse traço de personalidade quando
enfrentam um processo de perda. (...)
Na esfera organizacional, há cada vez menos espaço para atitudes arrogantes. Atingir resultados demanda
esforço conjunto. É preciso trabalhar em time e mirar os objetivos. Nesse processo, os vaidosos acabam por perder o
foco. A inépcia em construir relacionamentos sinceros e genuínos inviabiliza a conquista da confiança e do
comprometimento do outro. Quando em cargos de liderança, eles podem até entregar resultados, mas não terão a
seu lado pessoas felizes – o que faz toda a diferença para a qualidade dos negócios e das relações. O presunçoso
não está disposto a aprender com os erros, uma vez que imagina saber mais do que os demais. Da mesma forma,
não consegue receber feedback, pois seus ouvidos estão fechados a críticas. Descer do salto alto, no entanto, é
questão de sobrevivência. Um paralelo com a origem da elevação dos sapatos na corte francesa do século XVII é
elucidativo. Naquela época, além de manter os pés a salvo da lama, o salto era símbolo de elevação social. A história
mostrou que, afastada da realidade e incapaz de ouvir o povo, a nobreza acabou perdendo bens, status e posição.
Com o networking ganhando importância progressiva, não se pode perder de vista a marca deixada nos
interlocutores e a forma como se é percebido e lembrado. O rótulo da arrogância adere de tal forma que é quase
impossível se livrar dele. No ambiente globalizado há intensa troca de informações e, como ninguém quer referendar
o arrogante, as oportunidades para personalidades do gênero diminuem de forma acentuada, reduzindo
consideravelmente suas chances de sucesso.
(EXAME, 27 de outubro de 2004, p. 138.)
QUESTÕES DISCURSIVAS
Questão 1:
Observe os títulos dos textos I e VI: “Papagaio em pele de cordeiro” e “Síndrome do salto alto”. Ambos têm
em comum o uso de linguagem figurada.
Explique o sentido dos dois títulos, considerando sua relação com os respectivos textos.
.
Questão 2:
Releia a frase:
“Quando em cargos de liderança, eles podem até entregar resultados, mas não terão a seu lado pessoas felizes – o
que faz toda a diferença para a qualidade dos negócios e das relações.” ( Texto VI)
Observe, agora, o uso da palavra até nas frases abaixo:
(CANDIDO, Antonio. “Literatura de dois gumes”. In. A educação pela noite e outros ensaios. São Paulo:
Ática, 2003, p. 165.)
O trecho destacado do ensaio “Literatura de dois gumes”, de Antonio Candido, ressalta o papel político da
literatura no Brasil no processo de colonização. Lembrando que todo processo de colonização passa por uma
121
luta de poder entre colonizador e colonizado, explique, tomando o ensaio como um todo, o papel político da
literatura no Brasil de que fala Candido.
Questão 4:
Leia o trecho abaixo para responder à questão:
“Contudo, no caso do homem que queria um barco, as coisas não se passaram bem assim. Quando a mulher da
limpeza lhe perguntou pela nesga da porta, Que é que tu queres, o homem, em lugar de pedir, como era o costume
de todos, um título, uma condecoração, ou simplesmente dinheiro, respondeu, Quero falar ao rei.”
(SARAMAGO, Jose. O conto da ilha desconhecida. São Paulo: Cia. das Letras, 1998, p. 9.)
Nesse fragmento, percebe-se que o homem utiliza um discurso diferente do discurso de costume e pede para
falar com o rei, ao invés de pedir aquilo que deseja que o rei lhe dê. Explique de que modo esse fato afeta e altera
a relação de poder entre o rei e o povo.
UERJ 2010
05/12/2010
Língua portuguesa / Literatura Brasileira
TEXTO I
Daí à pedreira restavam apenas uns cinquenta passos e o chão era já todo coberto por uma farinha de pedra
moída que sujava como a cal. Aqui, ali, por toda a parte, encontravam-se trabalhadores, uns ao sol, outros debaixo
de pequenas barracas feitas de lona ou de folhas de palmeira. De um lado cunhavam pedra cantando; de outro a
quebravam a picareta; de outro afeiçoavam lajedos a ponta de picão; mais adiante faziam paralelepípedos a escopro
e macete2. E todo aquele retintim de ferramentas, e o martelar da forja, e o coro dos que lá em cima brocavam a
rocha para lançar-lhe fogo, e a surda zoada ao longe, que vinha do cortiço, como de uma aldeia alarmada; tudo dava
a ideia de uma atividade feroz, de uma luta de vingança e de ódio. Aqueles homens gotejantes de suor, bêbedos de
calor, desvairados de insolação, a quebrarem, a espicaçarem, a torturarem a pedra, pareciam um punhado de
demônios revoltados na sua impotência contra o impassível gigante que os contemplava com desprezo,
imperturbável a todos os golpes e a todos os tiros que lhe desfechavam no dorso, deixando sem um gemido que lhe
abrissem as entranhas de granito. O membrudo cavouqueiro havia chegado à fralda do orgulhoso monstro de pedra;
tinha-o cara a cara, mediu-o de alto a baixo, arrogante, num desafio surdo.
A pedreira mostrava nesse ponto de vista o seu lado mais imponente. Descomposta, com o escalavrado
flanco exposto ao sol, erguia-se altaneira e desassombrada, afrontando o céu, muito íngreme, lisa, escaldante e
cheia de cordas que mesquinhamente lhe escorriam pela ciclópica6 nudez com um efeito de teias de aranha. Em
certos lugares, muito alto do chão, lhe haviam espetado alfinetes de ferro, amparando, sobre um precipício,
miseráveis tábuas que, vistas cá de baixo, pareciam palitos, mas em cima das quais uns atrevidos pigmeus de forma
humana equilibravam-se, desfechando golpes de picareta contra o gigante.
O cavouqueiro meneou a cabeça com ar de lástima. O seu gesto desaprovava todo aquele serviço.
– Veja lá! disse ele, apontando para certo ponto da rocha. Olhe para aquilo! Sua gente tem ido às cegas no
trabalho desta pedreira. Deviam atacá-la justamente por aquele outro lado, para não contrariar os veios da pedra.
Esta parte aqui é toda granito, é a melhor! Pois olhe só o que eles têm tirado de lá – umas lascas, uns calhaus que
não servem para nada! É uma dor de coração ver estragar assim uma peça tão boa! Agora o que hão de fazer dessa
cascalhada que aí está senão macacos? E brada aos céus, creia! Ter pedra desta ordem para empregá-la em
macacos!
O vendeiro escutava-o em silêncio, apertando os beiços, aborrecido com a ideia daquele prejuízo.
ALUÍSIO AZEVEDO.O cortiço. São Paulo: Ática, 2009.
Vocabulário:
lajedos - pedras
picão, escopro, macete - instrumentos de trabalho
cavouqueiro - aquele que trabalha em minas e pedreiras
fralda - parte inferior
escalavrado - golpeado, esfolado
ciclópica - colossal, gigantesca
calhaus - pedras soltas
macacos - paralelepípedos
Questão 1:
122
pareciam um punhado de demônios revoltados na sua impotência contra o impassível gigante que oscontemplava
com desprezo, imperturbável a todos os golpes e a todos os tiros que lhe desfechavam no dorso, (l. 10-12)
Para caracterizar a pedreira, o narrador utiliza várias vezes uma determinada figura de linguagem, como no trecho
sublinhado acima.
Identifique essa figura de linguagem e um de seus efeitos estilísticos. Transcreva, em seguida, uma passagem do
texto em que a pedreira é descrita sob uma perspectiva diferente.
Questão 2:
O texto de Aluísio Azevedo, que faz parte da estética naturalista, utiliza recursos expressivos de sonoridade, como a
onomatopeia.
E todo aquele retintim de ferramentas, e o martelar da forja, e o coro dos que lá em cima brocavam a rocha para
lançar-lhe fogo, e a surda zoada ao longe, que vinha do cortiço, (l.6-7)
Indique dois exemplos do emprego da onomatopeia e justifique a sua presença no texto naturalista.
Questão 3:
Aqueles homens gotejantes de suor, bêbedos de calor, desvairados de insolação, (l. 8-9)
O enunciado acima apresenta uma sequência de sensações. Aponte o valor semântico dessa sequência e identifique
no texto outro exemplo em que a disposição das palavras produza efeito similar.
Texto II
Desencontrários
(PAULO LEMINSKI GÓES, F. e MARINS, A. (orgs.) Melhores poemas de Paulo Leminski. São Paulo: Global, 2001.)
Questão 4:
No fragmento acima, o emprego da palavra “prosa” possibilita duas interpretações distintas do verso sublinhado: uma
que reafirma o que ele expressa e outra que se opõe a ele. Apresente essas duas possibilidades de interpretação.
Questão 5:
TEXTO III
O chefe da estação me olhou de cara feia, e me deu a passagem e o troco. Bateu com a prata na mesa. Se fosse
falsa, estaria perdido. Guardei o cartão com ganância no bolso da calça. A estação se enchera. Um vendedor de
bilhete me ofereceu um. Não desconfiava de mim. O chefe foi que me olhou com a cara fechada. Já se ouvia o apito
do trem. Cheguei para o lugar onde paravam os carros de passageiros. E o barulho da máquina se aproximando.
Estava com medo, com a impressão de que chegasse uma pessoa para me prender. Ninguém saberia. E o trem
parado nos meus pés. Tomei o carro num banco do fim, meio escondido. O Padre Fileto me viu. Tirava esmolas para
a obra da igreja.
– Não foi para a parada?
– Não senhor, vou ver o meu avô que está doente.
A mesma mentira saída da boca automaticamente. Os meninos passavam vendendo tareco1. Quis comprar um
pacote, mas estava com receio. Qualquer movimento de minha parte me parecia uma denúncia. O homem do bilhete
voltou outra vez me oferecendo. Num banco da minha frente estava um sujeito me olhando. Sem dúvida, passageiro
do trem. E me olhando com insistência. Levantou-se e veio falar comigo:
– Menino, que querem dizer estas letras?
– Instituto Nossa Senhora do Carmo.
– Pensei que fosse “Isto não se conhece”...
Ri-me sem querer. E as outras pessoas acharam graça. Pedi a Deus que o trem partisse. Por que não partira aquele
trem? Meu boné me perderia. Podia ter vindo de chapéu. Nisto vi Seu Coelho. Entrei disfarçando para a latrina do
trem. E não vi mais nada. Só saí de lá quando vi pelo buraco do aparelho a terra andando.
Sentei-me no mesmo lugar. Vi a cadeia, o cemitério.(...)
E o Pilar chegando. O Recreio do Coronel Anísio, com a sua casa na beira da linha. E a gente já via a igreja.
O trem apitava para o sinal. Passou o poste branco. Saltei do trem como se tivesse perdido o jeito de andar. Escondi-
me do moleque do engenho. O trem saía deixando no ar um cheiro de carvão de pedra. Lá se ia Ricardo com os
jornais para o meu avô. Faltava-me coragem para bater na porta do engenho como fugitivo. E fui andando à toa pela
linha de ferro. Que diria quando chegasse no engenho? Lembrei-me então que pela linha de ferro teria que
atravessar a ponte. E desviei-me para a caatinga. Pegaria mais adiante o mesmo
caminho. Estava pisando em terras do meu avô. O engenho de Seu Lula mostrava o seu bueiro pequeno, com um
pedaço caído. Que diabo diria no Santa Rosa, quando chegasse? Era preciso inventar uma mentira.
Fiquei parado pensando um instante. Achei a mentira com a alegria de quem tivesse encontrado um roteiro certo.
Sonhara que meu avô estava doente e não pudera aguentar o aperreio do sonho. E fugira. Achariam graça e tudo se
acabaria em alegria. Mas cadê coragem para chegar? Já me distanciava pouco da minha gente. O bueiro do Santa
Rosa estava ali perto, com a sua boca em diagonal. Subia fumaça da destilação. Com mais cinco minutos estaria lá.
Era só atravessar o rio. Fiquei parado pensando. O rio dava água pelos joelhos. O gado do pastoreador passava para
o outro lado. E cadê coragem para agir? E o tempo a se sumir. E a tarde caindo. A casa-grande inteira brigaria
comigo. No outro dia José Ludovina tomaria o trem para me levar. E o bolo, e os gritos de Seu Maciel. Vou, não vou,
como as cantigas dos sapos na lagoa.
Um trem de carga apitou na linha. Tirei os sapatos, arregaçando as calças para a travessia. A porteira do cercado
batia forte no mourão2. E no silêncio da tarde, tudo aumentava de voz. (...)
(JOSÉ LINS DO RÊGO. Doidinho. Rio de Janeiro: José Olympio, 1971.)
Vocabulário:
1 tareco - biscoito
2 mourão - estaca
Questão 6:
Estava com medo, com a impressão de que chegasse uma pessoa para me prender. (l. 5-6).
No trecho acima, há duas orações subordinadas. Transcreva essas orações e classifique sintaticamente cada uma
delas.
Questão 7:
Os trechos transcritos abaixo exemplificam o emprego do mesmo conectivo “e” para exprimir diferentes relações
temporais entre dois fatos.
E o barulho da máquina se aproximando. (...) E o trem parado nos meus pés. (l. 4-6)
E o tempo a se sumir. E a tarde caindo. (l. 34-35)
124
Aponte o significado desse conectivo. Em seguida, explicite a relação temporal dos fatos em cada um dos trechos.
Questão 8:
No texto de José Lins do Rêgo, o narrador recorda um episódio de seu passado, em que foi dominado por um
sentimento que o acompanhou durante a viagem de trem e a chegada ao engenho.
Identifique esse sentimento e as duas situações que o geraram.
Texto IV
Autorretrato falado
Questão 9:
Já publiquei 10 livros de poesia; ao publicá-los me
sinto como que desonrado e fujo para o
Pantanal onde sou abençoado a garças. (v. 9-11)
Nomeie também a classe gramatical de “onde”, substitua-a por uma expressão equivalente e indique seu valor
semântico.
Questão 10:
Uma obra literária pode combinar diferentes gêneros, embora, de modo geral, um deles se mostre dominante.
O poema de Manoel de Barros, predominantemente lírico, apresenta características de um outro gênero.
Identifique esse gênero e cite duas de suas características presentes no poema.
UFV 2010
nas grandes cidades da Europa e das Américas. Tanto assim que a indústria da carne foi a primeira da história, e
nenhuma outra ocupa tanto espaço na superfície da Terra. Em compensação, nenhum outro alimento foi tão
restringido e proibido quanto a carne. Principalmente pela religião, mas também pela medicina. Você come como eu
como?
§ 2 O universo da carne é vasto, e mesmo quem come carne não come qualquer carne. Por exemplo: na
Ásia comem cachorro, na França comem cavalo, nós comemos coelho, os ingleses e norte-americanos não comem
nenhum dos três mas comem porco, que judeus e muçulmanos não comem. Na Ásia, na África e em muitos lugares
da América Latina inseto é comida; enquanto na França e na Itália caramujo é comida; nós comemos ostras, rãs e
tartarugas mas não comemos insetos nem ratos, muito menos caramujos. Frangos são quase unanimidade, comidos
por 363 culturas mundo afora, contra 196 que usam a carne dos bois, 180 que comem porco, 159 que comem peixe,
108 que comem carneiro e mais ou menos 40 que gostam, será?, de cachorro e rato.
§ 3 Cachorros e cavalos estão cada vez mais longe do abatedouro porque são amigos do homem, bichos de
estimação. Ganhou nome, está salvo: não se come um amigo. Tem gente que nunca mais comeu frango porque um
dia o ex-pintinho e quase galo Frederico foi para a panela, feito o coelho Artur, da feira de filhotes, que apresentou-se
à mesa cercado de cenouras e foi comido como se fosse galinha, depois não havia como descomê-lo. Ontem & hoje
§ 4 No mundo antigo só existiam dois tipos de carnívoros, os que comiam carne humana e os que não
comiam. [...]
§ 5 No mundo moderno também só existem dois tipos de carnívoros: os que sabem perfeitamente o animal
que estão comendo, sempre visualizam o leitãozinho com a maçã na boca enquanto lhe devoram a costeleta, e os
que preferem se manter a uma distância segura, se possível à distância de um abismo, daquilo que põem para
dentro – comem a carne anônima, coisificada, em formato pré-fabricado de filé, hambúrguer, salsicha, presunto. [...]
Comer carne dá status...
§ 6 De todo modo, a prosperidade de uma época ou de uma categoria social sempre se mediu pelo aumento
do consumo per capita de carne, que costuma dar aos carnívoros a sensação de estarem bem alimentados. O que
não deixa de ser verdade, já que a carne é rica em proteína, vitaminas B, ferro, fósforo, outros minerais importantes –
e gordura, que demora a sair do estômago. [...] Outro fator de contentamento é que a carne produz
neurotransmissores como dopamina e adrenalina, que aumentam a atividade cerebral, e obriga o fígado e os rins a
trabalharem mais, fazendo com que o ritmo interior do carnívoro convicto seja cheio de altos e baixos, enquanto
quem come mais vegetais tende a um ritmo mais calmo. Mas há também o fator psicológico. Como historicamente a
carne era cara e rara, afinal vivia fugindo, virou objeto do desejo. ...e o proibido é mais gostoso
§ 7 Além disso foi proibida em muitas circunstâncias. A noção de que se é o que se come sempre esteve
presente na cultura humana. Tribos primitivas acreditavam (e ainda acreditam) descender de algum animal que se
tornava seu protetor, e caçá-lo era tabu; mas em ocasiões especiais todos eram obrigados a participar da caça ao
totem, e também a comer um pedaço dele para reforçar os laços de parentesco. Na Índia, os brâmanes não comem
carne nem peixe e são imitados por milhões de pessoas. [...] Para os católicos, na Idade Média, existiam em torno de
cento e vinte dias "magros" por ano, magro significando sem carne ou produto animal de espécie alguma. Essa
restrição foi se suavizando com o tempo até resumir-se aos quarenta dias da Quaresma, entre o carnaval e a páscoa,
e assim mesmo acabou sendo interpretada como "sexta-feira é dia de comer peixe porque não se come carne". O
que é a natureza!
§ 8 Mas, ao longo da história, comer ou não comer carne nunca chegou a ser um problema. Ou tinha, ou não
tinha; se estivesse entre as carnes culturalmente comestíveis, ou seja, não fosse tabu nem provocasse nojo, não
havia por que não comer; se prevalecesse a fome, por exemplo numa seca terrível, as carnes culturalmente não
comestíveis também serviam; o problema só se colocou a partir da abundância que substituiu a escassez. Ela
subverteu a tradição e botou as pessoas comendo carne todo dia. [...]. Hoje o consumo generalizado de carne é tão
grande que enfrentamos um tipo completamente diferente de proibição: as ordens médicas. Estragando prazeres
§ 9 Estatisticamente, é entre comedores de carne que há mais doenças coronarianas e câncer. Isso porque
ela está sendo produzida de modo tão pouco natural que vai entrar no organismo junto com muita gordura saturada,
colesterol, hormônios, antibióticos, pesticidas. No caso das carnes conservadas, salgadas e defumadas, vem com
aditivos químicos pesados, comprovadamente cancerígenos, como nitratos e nitritos. [...]
§ 10 Carne crua ou mal passada tem um risco adicional – carrega ovos ou larvas de parasitas como solitária,
toxoplasma, triquina, bactérias como salmonella e muitos mais, todos com resultados variando de intoxicação
alimentar e perturbações crônicas a danos neurológicos e morte. Mas e a proteína?
§ 11 Está certo que na carne e nos ovos a proteína é completa, isto é, tem todos os aminoácidos essenciais
à elaboração dos tecidos, por isso goza da preferência de quem quer uma garantia de assimilação abundante; uma
criança subnutrida, por exemplo, pode se fortalecer mais rapidamente com carne do que sem ela, se sua capacidade
hepática e renal estiver boa.
§ 12 Acontece que da combinação de qualquer cereal, como arroz, com qualquer leguminosa, como feijão,
também se faz uma proteína completa, a um custo muito menor para o organismo e para a sociedade. A produção da
proteína animal é caríssima.[...] Mais da metade da produção mundial de grãos é destinada a alimentar o gado,
...você sabia? Talvez seja mesmo fraca
§ 13 A dedicação humana a produzir carne comestível é tão grande que já está gerando paradoxos. Um
deles: as creches orientadas pela Pastoral da Criança recuperam criancinhas desnutridas acrescentando à
mamadeira o farelo de arroz e de trigo vendido em casas de ração para gado.
126
§ 14 Uma coisa curiosa é que a pessoa que come carne todo dia acha que não pode viver sem ela. Quando
ouve falar que a prevenção do câncer e de uma série de doenças inclui reduzir a carne e aumentar o consumo de
vegetais, acha impossível. Sente-se fraca e sem energia quando não come carne, fica com fome assim que acabou
de comer.[...]
(HIRSCH, Sonia. Comer, comer, comer; não comer, não comer, não comer. Disponível em:
[Link] Acesso em: 06 ago. 2010.)Questão 1:
O principal objetivo comunicativo do texto é:
Questão 2:
Considere as afirmativas abaixo, atribuindo V para as verdadeiras e F para as falsas:
( ) Em “[...] nenhuma outra ocupa tanto espaço na superfície da Terra.” (§ 1), o termo “outra” retoma a expressão
“indústria da carne”.
( ) Em “Estatisticamente, é entre comedores [...]” (§ 9), o termo “entre” é uma preposição e pode ser substituído sem
prejuízo de sentido por “através de”.
( ) Em “Ela subverteu a tradição e botou as pessoas comendo carne todo dia.” (§ 8), o termo “subverteu pode ser
substituído por “ratificou” sem que haja prejuízo de sentido.
( ) Em “[...] a costeleta, e os que [...]” (§ 5), o termo “os” tem como referente o item lexical “carnívoros”.
( ) Em “Além disso foi proibida em muitas circunstâncias.” (§ 7), o termo “proibida” deveria concordar em número
com a palavra “circunstâncias”.
Questão 3:
“Carne crua ou mal passada tem um risco adicional – carrega ovos ou larvas de parasitas como solitária [...].” (§ 10)
Questão 4:
“[...] foi comido como se fosse galinha, depois não havia como descomê-lo.” (§ 3)
Questão 5:
Leia as afirmativas abaixo:
I. A carne é rica em proteína, vitamina B, ferro, fósforo, minerais e gorduras e por isso causa nos carnívoros a
sensação de estarem bem alimentados.
127
II. Há mais doenças coronárias e câncer entre os carnívoros devido ao processo pouco natural de produção de carne,
o qual contamina tal alimento com hormônios, antibióticos e pesticidas.
III. A produção de carne bovina é muito cara, pois a terra onde um único boi pasta, se fosse usada para a plantação
de grãos, daria para alimentar sessenta famílias.
IV. A proteína da carne é completa, ou seja, contém todos os aminoácidos necessários à formação dos tecidos, por
isso é muito indicada, sobretudo para crianças subnutridas.
Questão 6:
Em relação a diferenças culturais no consumo de carne, é CORRETO afirmar:
Questão 7:
“[...] mais ou menos 40 [culturas] que gostam, será?, de cachorro e rato.” (§ 2)
Questão 8:
Assinale a afirmativa INCORRETA:
a) Em “Isso porque ela está sendo produzida de modo tão pouco natural [...]” (§ 9), o pronome “isso” referese à maior
incidência de doenças coronárias e câncer entre carnívoros.
b) Em “Além disso foi proibida em muitas circunstâncias.” (§ 7), a expressão “além disso” no início da oração tem a
função de acrescentar algo ao que já foi dito.
c) Em “[...] tem todos os aminoácidos essenciais à elaboração dos tecidos, por isso goza da preferência [...]” (§ 11), a
expressão “por isso” introduz uma oração que expressa finalidade.
d) Em “[...] na carne e nos ovos a proteína é completa, isto é, tem todos os aminoácidos essenciais [...]” (§ 11), a
expressão “isto é” estabelece entre as orações uma relação de explicação.
O estudo sobre a construção dos vocábulos pode privilegiar a estruturação de sentidos, indo além da mera descrição
da norma
A língua é viva e inconstante. A todo momento, palavras novas são criadas, rejeitadas e resgatadas. É por
meio das palavras que expressamos nossas ideias e valores e constituímos nossa relação com o outro.
Em sociedade, somos expostos a múltiplas atividades e situações comunicativas. A cada instante, um novo
produto é lançado, uma nova descoberta nos é apresentada, e os falantes criam e recriam linguagens e palavras que
atendam suas necessidades de comunicação.
Para atender essas transformações, recorremos às estruturas da língua e, mais precisamente, aos processos
de formação de palavras. Tudo o que significa algo no mundo é feito pela intermediação da linguagem e da língua. A
relação entre o locutor e o interlocutor depende desses fatores.
Quando desejamos criar um simples nome para uma loja, buscamos nos morfemas os recursos disponíveis.
“Bem loucão” é expressão divertida e criativa para nomear uma loja especializada em produtos para cães ou uma
clínica veterinária.
128
A publicidade, por sua vez, explora os morfemas para produzir efeitos persuasivos interessantes: “Vai levar a
garantidona, a garantidaça ou a garantidésima? Linha de TVs Lumina. O máximo em tecnologia, o mínimo em
consumo de energia.”
A partir da derivação sufixal e da gradação, o texto leva o cliente-leitor a perceber as vantagens do produto
anunciado, explorando um mesmo radical “garant” e os sufixos aumentativos populares e eruditos, atingindo, assim,
o maior número de clientes possível.
Quando um aluno, ao ser chamado para responder a uma pergunta, responde “Rapidão”, normalmente ele
não está dizendo que será muito rápido. Está pedindo um pouco de paciência para que ele se organize para a
questão. Nesse instante, não seria interessante explicar a ele apenas que essa flexão não é abonada pela norma
culta, mas explicar os processos e recursos linguísticos utilizados por ele nesse enunciado.
A intensificação do adjetivo por meio de um sufixo aumentativo é um mecanismo bastante inventivo. É um
bom momento para trabalhar a derivação e o processo de flexão nominal.
O estudo da formação de palavras deve ir além da norma culta e da identificação dos processos de
construção de palavras; deve privilegiar principalmente a construção de sentido e os efeitos provocados, como
podemos ver em “político”, “politiqueiro” e “politicalha”. Além da gradação, há nesse processo de sufixação a
degradação do termo.
(SOBRAL, J.J.V. Língua Portuguesa, São Paulo, p. 20-21, 2010. Número Especial Sala de Aula.)
Questão 9:
O principal objetivo comunicativo do texto é:
Questão 10:
Leia as afirmativas abaixo:
Questão 11:
Considere as afirmativas abaixo, atribuindo V para as verdadeiras e F para as falsas:
Questão 12:
129
Em “politiqueiro” (linha 22), o sufixo -eiro dá à palavra um sentido pejorativo, o que não ocorre em “brasileiro”, por
exemplo.
Assinale a alternativa em que o sufixo em destaque aparece empregado com e sem valor pejorativo,
respectivamente:
a) camarote / fracote.
b) camisola / beiçola.
c) ativismo / achismo.
d) debiloide / androide.
UFV 2011
LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA – QUESTÕES 01 e 02
Questão 1:
Com base na leitura da tirinha, faça o que se pede:
Questão 2:
Observe o título da tirinha e responda:
A moda dos vampiros, que ganhou nova força por conta do sucesso da saga
Crepúsculo e da série True Blood, está levando a ciência a considerar – nem sempre em tom
de brincadeira – a existência dessas criaturas. A última polêmica acontece entre os
matemáticos, que pegaram suas calculadoras para descobrir se os números (ao menos eles)
conseguiriam provar se poderia haver sanguessugas entre nós. O bósnio Dino Sejdinovic
acaba de publicar um estudo provando a possibilidade de avistarmos um vampiro vagando pela
noite. Em termos numéricos, é claro.
“A resistência humana contra os vampiros não pode ser ignorada pelos cálculos”, diz
Sejdinovic, que com seu estudo pretende descredenciar uma tese realizada em 2008 pelos
físicos Costas Efthimiou e Sohang Gandhi, das Universidades Cornell e Central Florida, nos
EUA, que usaram a matemática para provar que os vampiros não poderiam existir. Por conta
de sua capacidade de transformar presas em predadores, em pouco tempo eles reduziriam
drasticamente a quantidade de alimento disponível (sangue humano, no caso), até que o
mundo fosse povoado apenas por outros vampiros. Em suas pesquisas, Costas e Sohang
consideram que as criaturas surgiram por volta de 1600 – data que remete às primeiras
histórias sobre elas, quando a população da Terra era de 537 milhões de pessoas. Segundo
eles, se o primeiro vampiro se alimentasse só uma vez por mês, em pouco mais de dois anos a
raça humana teria se transformado em clones do branquelo Edward Cullen em Crepúsculo. O
problema é que não restaria nenhuma Bella Swan para ter seu sangue sorvido por um par de
dentes afiados.
Sejdinovic diz que os dois físicos subestimaram tanto a capacidade de resistência dos
seres humanos quanto a inteligência dos vampiros. E não contabilizaram que parte dos
predadores morreria durante esses dois anos por conta de seus pontos fracos – estacas,
crucifixos, dentes de alho, sol e água benta (e talvez por osteoporose e excesso de proteínas).
“Como são inteligentes, os vampiros controlariam o estoque de humanos para não exaurir a
espécie.”
Mas essa discussão não começou agora. Um trabalho da década de 80 dos austríacos
Richard Hartl e Alexander Mehlmann explicava quais fórmulas matemáticas teriam de ser
seguidas pelos vampiros para sobreviverem sem ter que criar um banco de sangue. O estudo
revoltou a comunidade antivampiresca porque teria ajudado os monstros a atacar a raça
humana impunemente.
O sociólogo Dennis Snower, da Universidade de Londres, traçou um plano de defesa
para nós, mortais, realocando parte da mão de obra para produzir estacas e crucifixos (ele não
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(ROSA, Guilherme. Há vampiros entre nós? Revista Galileu, n. 227, p. 56, jun. 2010.)
Questão 3:
O principal objetivo comunicativo do texto é:
Questão 4:
De acordo com o texto, é CORRETO afirmar que:
Questão 5:
No trecho “Em termos numéricos, é claro.” (linha 5), o autor pressupõe que:
Questão 6:
Assinale a alternativa em que o sentido da palavra entre parênteses NÃO coincide com o do
vocábulo destacado na frase:
a) “[...] para nós, mortais, realocando parte da mão de obra para produzir estacas e crucifixos
[...].” (linhas 23-24) / (destinando).
b) “[...] para ter seu sangue sorvido por um par de dentes afiados.” (linhas 14-15) / (filtrado).
c) “[...] controlariam o estoque de humanos para não exaurir a espécie.” (linha 19) / (extinguir).
d) “[...] diz que os dois físicos subestimaram tanto a capacidade de resistência dos seres
humanos [...].” (linha 16) / (desdenharam).
Questão 7:
“Como são inteligentes, os vampiros controlariam o estoque de humanos para não exaurir a
espécie.” (linhas18-19)
Assinale a alternativa em que o vocábulo como aparece empregado com o mesmo valor
semântico que na passagem acima:
Questão 8:
“[...] parte dos predadores morreria durante esses dois anos por conta de seus pontos fracos
[...].” (linhas 17-18)
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a) A maioria dos predadores morreria durante esses dois anos por conta de seus pontos
fracos.
b) Alguns dos predadores morreriam durante esses dois anos por conta de seus pontos fracos.
c) Nenhum dos predadores morreriam durante esses dois anos por conta de seus pontos
fracos.
d) Mais de um predador morreria durante esses dois anos por conta de seus pontos fracos.
UFJF 2011
Leia, com atenção, o texto abaixo (Texto I), para responder às questões de 01 a 04.
binária, um dos termos é sempre privilegiado, recebendo um valor positivo, enquanto o outro
recebe uma carga negativa. "Nós" e "eles", por exemplo, constitui uma típica oposição binária:
não é preciso dizer qual termo é, aqui, privilegiado. As relações de identidade e diferença
ordenam-se, todas, em torno de oposições binárias: masculino/feminino, branco/negro,
heterossexual/homossexual. Questionar a identidade e a diferença como relações de poder
significa problematizar os binarismos em torno dos quais elas se organizam.
Fixar uma determinada identidade como a norma é uma das formas privilegiadas de
hierarquização das identidades e das diferenças. A normalização é um dos processos mais
sutis pelos quais o poder se manifesta no campo da identidade e da diferença. Normalizar
significa eleger - arbitrariamente - uma identidade específica como o parâmetro em relação ao
qual as outras identidades são avaliadas e hierarquizadas. Normalizar significa atribuir a essa
identidade todas as características positivas possíveis, em relação às quais as outras
identidades só podem ser avaliadas de forma negativa. A identidade normal é "natural",
desejável, única. A força da identidade normal é tal que ela nem sequer é vista como uma
identidade, mas simplesmente como a identidade. Paradoxalmente, são as outras identidades
que são marcadas como tais. Numa sociedade em que impera a supremacia branca, por
exemplo, "ser branco" não é considerado uma identidade étnica ou racial. Num mundo
governado pela hegemonia cultural estadunidense, "étnica" é a música ou a comida dos outros
países. É a sexualidade homossexual que é "sexualizada", não a heterossexual. A força
homogeneizadora da identidade normal é diretamente proporcional à sua invisibilidade.
Na medida em que é uma operação de diferenciação, de produção de diferença, o
anormal é inteiramente constitutivo do normal. Assim como a definição da identidade depende
da diferença, a definição do normal depende da definição do anormal. Aquilo que é deixado de
fora é sempre parte da definição e da constituição do "dentro". A definição daquilo que é
considerado aceitável, desejável, natural é inteiramente dependente da definição daquilo que é
considerado abjeto, rejeitável, antinatural. A identidade hegemônica é permanentemente
assombrada pelo seu Outro, sem cuja existência ela não faria sentido.
Como sabemos desde o início, a diferença é parte ativa da formação da identidade.
Questão 1:
O autor explica que as relações identitárias são binárias. Por que ele considera que essa forma
de análise é problemática? Justifique sua resposta com base no texto.
Questão 2:
Releia o trecho:
Questão 3:
Leia novamente:
“A força da identidade normal é tal que ela nem sequer é vista como uma identidade, mas
simplesmente como a identidade”. (penúltimo parágrafo)
No trecho destacado, qual é o efeito de sentido determinado pelo uso dos artigos indefinido e
definido acima negritados?
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Questão 4:
Releia o trecho:
b) Reescreva o trecho, substituindo o termo destacado por um outro marcador discursivo que
mantenha a relação sintático-semântica por ele estabelecida.
SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS