0% acharam este documento útil (0 voto)
435 visualizações66 páginas

2 Curso Pré Parte 2

Este documento discute os seguintes tópicos sobre linguagem: 1) Define linguagem e apresenta seus tipos principais; 2) Apresenta os elementos da comunicação como emissor, receptor, mensagem, canal e código; 3) Discute as funções da linguagem como referencial, emotiva, apelativa, fática, poética e metalinguística.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
435 visualizações66 páginas

2 Curso Pré Parte 2

Este documento discute os seguintes tópicos sobre linguagem: 1) Define linguagem e apresenta seus tipos principais; 2) Apresenta os elementos da comunicação como emissor, receptor, mensagem, canal e código; 3) Discute as funções da linguagem como referencial, emotiva, apelativa, fática, poética e metalinguística.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

70

UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA


CURSINHO PRÉ-UNIVERSITÁRIO POPULAR

L. Portuguesa

UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA

Parte 02

Profº. Miguel Veloso

Coordenação: Letícia Couto Bicalho


71

LINGUAGEM

Linguagem é qualquer e todo sistema de signos que serve de meio de comunicação de ideias ou sentimentos
através de signos convencionados, sonoros, gráficos, gestuais etc., podendo ser percebida pelos diversos órgãos
dos sentidos, o que leva a distinguirem-se várias espécies ou tipos: linguagem visual, corporal, gestual, etc., ou,
ainda, outras mais complexas, constituídas, ao mesmo tempo, de elementos diversos. Os elementos constitutivos da
linguagem são, pois, gestos, sinais, sons, símbolos ou palavras, usados para representar conceitos, ideias,
significados e pensamentos.
Tipos de Linguagem:
Linguagem verbal é uso da escrita ou da fala como meio de comunicação.
Linguagem não-verbal é o uso de imagens, figuras, desenhos, símbolos, dança, tom de voz, postura corporal,
pintura, música, mímica, escultura e gestos como meio de comunicação. A linguagem não-verbal pode ser até
percebida nos animais, quando um cachorro balança a cauda quer dizer que está feliz ou coloca a cauda entre as
pernas medo, tristeza.
Dentro do contexto temos a simbologia que é uma forma de comunicação não-verbal.
Exemplos: sinalização de trânsito, semáforo, logotipos, bandeiras, uso de cores para chamar a atenção ou exprimir
uma mensagem.

Linguagem mista é o uso simultâneo da linguagem verbal e da linguagem não-verbal, usando palavras escritas e
figuras ao mesmo tempo.

ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO

A comunicação confunde-se com nossa própria vida, estamos a todo tempo nos comunicando, seja através da fala,
da escrita, de gestos, de um sorriso e até mesmo através do manuseio de documentos, jornais e revistas.
Em cada um desses atos que realizamos notamos a presença dos seguintes elementos:

Emissor ou remetente: é aquele que envia a mensagem (uma pessoa, uma empresa, uma emissora de televisão
etc.)

Destinatário: é aquele a quem a mensagem é endereçada (um indivíduo ou um grupo).

Mensagem: é o conteúdo das informações transmitidas.

Canal de comunicação: é o meio pelo qual a mensagem será transmitida (carta, palestra, jornal televisivo)

Código: é o conjunto de signos e de regras de combinação desses signos utilizado para elaborar a mensagem; o
emissor codifica aquilo que o receptor irá descodificar.

Contexto: é o objeto ou a situação a que a mensagem se refere.


EXERCÍCIOS

1. O pai conversa com a filha ao telefone e diz que vai chegar atrasado para o jantar.
Nesta situação, podemos dizer que o canal é:
a) o pai
b) a filha
c) fios de telefone
d) o código
e) a fala

2. Assinale a alternativa incorreta:


a) Só existe comunicação quando a pessoa que recebe a mensagem entende o seu significado.
b) Para entender o significado de uma mensagem, não é preciso conhecer o código.
c) As mensagens podem ser elaboradas com vários códigos, formados de palavras, desenhos, números
etc.
d) Para entender bem um código, é necessário conhecer suas regras.
e) Conhecendo os elementos e regras de um código, podemos combiná-los de várias maneiras, criando
novas mensagens.

3. Uma pessoa é convidada a dar uma palestra em Espanhol. A pessoa não aceita o convite, pois não sabia falar
com fluência a língua Espanhola. Se esta pessoa tivesse aceitado fazer esta palestra seria um
fracasso porque:
a) não dominava os signos
72

b) não dominava o código


c) não conhecia o referente
d) não conhecia o receptor
e) não conhecia a mensagem

4. Um guarda de trânsito percebe que o motorista de um carro está em alta velocidade. Faz um gesto pedindo para
ele parar. Neste trecho o gesto que o guarda faz para o motorista parar, podemos dizer que é:
a) o código que ele utiliza
b) o canal que ele utiliza
c) quem recebe a mensagem
d) quem envia a mensagem
e) o assunto da mensagem

5. A mãe de Felipe sacode-o levemente e o chama: “Felipe está na hora de acordar”.


O que está destacado é:
a) o emissor
b) o código
c) o canal
d) a mensagem
e) o referente

FUNÇÕES DA LINGUAGEM

Partindo dos elementos da comunicação, existem as chamadas funções da linguagem, que são muito úteis para a
análise e produção de textos. As seis funções são:

1. Função referencial (ou denotativa)

É aquela centralizada no referente, pois o emissor oferece informações da realidade. Objetiva, direta, denotativa,
prevalecendo a terceira pessoa do singular. Linguagem usada na ciência, na arte realista, no jornal, no “campo” do
referente e das notícias de jornal e livros científicos.

Ex: Numa cesta de vime temos um cacho de uvas, duas laranjas, dois limões, uma maçã verde, uma maçã vermelha
e uma pêra.

2. Função emotiva (ou expressiva)

É aquela centralizada no emissor, revelando sua opinião, sua emoção. Nela prevalece a primeira pessoa do singular,
interjeições e exclamações. É a linguagem das biografias, memórias, poesias líricas e cartas de amor. Primeira
pessoa do singular (eu), Emoções, Interjeições; Exclamações; Blog; Autobiografia; Cartas de amor.

Ex: Muito obrigada, não esperava surpresa tão boa assim! Não,... não estou triste, mas também não quero comentar
o assunto.

3. Função apelativa (ou conativa)

É aquela que centraliza-se no receptor; o emissor procura influenciar o comportamento do receptor. Como o emissor
se dirige ao receptor, é comum o uso de tu e você, ou o nome da pessoa, além de vocativos e imperativos. Usada
nos discursos, sermões e propagandas que se dirigem diretamente ao consumidor. Segunda pessoa do singular,
Imperativo; Figuras de linguagem, Discursos políticos, Sermões, Promoção em pontos de venda - Propaganda.

4. Função Fática
73

É aquela centralizada no canal, tendo como objetivo prolongar ou não o contato com o receptor, ou testar a eficiência
do canal. Linguagem das falas telefônicas, saudações e similares. Interjeições, Lugar comum, Saudações,
Comentários sobre o clima.

Ex: - Olá, como vai, tudo bem?


- Alô, quem está falando?

5. Função poética

É aquela centralizada na mensagem, revelando recursos imaginativos criados pelo emissor. Afetiva, sugestiva,
conotativa, ela é metafórica. Valorizam-se as palavras, suas combinações. É a linguagem figurada apresentada em
obras literárias, letras de música, em algumas propagandas. Subjetividade,Figuras de linguagem, Brincadeiras com o
código, Poesia, Letras de música.

Ex:
Tecendo a manhã
João Cabral de Melo Neto

Um galo sozinho não tece uma manhã:


ele precisará sempre se outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma tela tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

6. Função metalinguística

É aquela centralizada no código, usando a linguagem para falar dela mesma. A poesia que fala da poesia, da sua
função e do poeta, um texto que comenta outro texto. Principalmente os dicionários são repositórios de
metalinguagem. Referência ao próprio código, Poesia sobre poesia, Propaganda sobre propaganda, Dicionário.
Ex:
- Não entendi o que é metalinguagem, você poderia explicar novamente, por favor?
- Metalinguagem é usar os recursos da língua para explicar alguma teoria, um conceito, um filme, um relato, etc.

EXERCÍCIOS

01. Reconheça nos textos a seguir, as funções da linguagem:

a) "O risco maior que as instituições republicanas hoje correm não é o de se romperem, ou serem rompidas, mas o
de não funcionarem e de desmoralizarem de vez, paralisadas pela sem-vergonhice, pelo hábito covarde de
acomodação e da complacência. Diante do povo, diante do mundo e diante de nós mesmos, o que é preciso agora é
fazer funcionar corajosamente as instituições para lhes devolver a credibilidade desgastada. O que é preciso (e já
não há como voltar atrás sem avacalhar e emporcalhar ainda mais o conceito que o Brasil faz de si mesmo) é apurar
tudo o que houver a ser apurado, doa a quem doer." (O Estado de São Paulo)

b) O verbo infinitivo
Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer
74

Respirar, e chorar, e adormecer


E se nutrir para poder chorar

Para poder nutrir-se; e despertar


Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então ouvir
E então sorrir para poder chorar.

E crescer, e saber, e ser, e haver


E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer tudo ao vir um novo amor


E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito... (Vinícius de Morais)

c) "Para fins de linguagem a humanidade se serve, desde os tempos pré-históricos, de sons a que se dá o nome
genérico de voz, determinados pela corrente de ar expelida dos pulmões no fenômeno vital da respiração, quando,
de uma ou outra maneira, é modificada no seu trajeto até a parte exterior da boca." (Matoso Câmara Jr.)

d) " - Que coisa, né?


- É. Puxa vida!
- Ora, droga!
- Bolas!
- Que troço!
- Coisa de louco!
- É!"

e) "Fique afinado com seu tempo. Mude para Col. Ultra Lights."

f) "Sentia um medo horrível e ao mesmo tempo desejava que um grito me anunciasse qualquer acontecimento
extraordinário. Aquele silêncio, aqueles rumores comuns, espantavam-me. Seria tudo ilusão? Findei a tarefa, ergui-
me, desci os degraus e fui espalhar no quintal os fios da gravata. Seria tudo ilusão?... Estava doente, ia piorar, e isto
me alegrava. Deitar-me, dormir, o pensamento embaralhar-se longe daquelas porcarias. Senti uma sede horrível...
Quis ver-me no espelho. Tive preguiça, fiquei pregado à janela, olhando as pernas dos transeuntes." (Graciliano
Ramos)

g) " - Que quer dizer pitosga?


- Pitosga significa míope.
- E o que é míope?
- Míope é o que vê pouco."

02. No texto abaixo, identifique as funções da linguagem:

"Gastei trinta dias para ir do Rossio Grande ao coração de Marcela, não já cavalgando o corcel do cego desejo, mas
o asno da paciência, a um tempo manhoso e teimoso. Que, em verdade, há dois meios de granjear a vontade das
mulheres: o violento, como o touro da Europa, e o insinuativo, como o cisne de Leda e a chuva de ouro de Dânae,
três inventos do padre Zeus, que, por estarem fora de moda, aí ficam trocados no cavalo e no asno." (Machado de
Assis)

03. Descubra, nos textos a seguir, as funções de linguagem:

a) "O homem letrado e a criança eletrônica não mais têm linguagem comum." (Rose-Marie Muraro)

b) "O discurso comporta duas partes, pois necessariamente importa indicar o assunto de que se trata, e em seguida a
demonstração. (...) A primeira destas operações é a exposição; a segunda, a prova." (Aristóteles)

c) "Amigo Americano é um filme que conta a história de um casal que vive feliz com o seu filho até o dia
em que o marido suspeita estar sofrendo de câncer."
75

d) "Se um dia você for embora


Ria se teu coração pedir
Chore se teu coração mandar." (Danilo Caymmi & Ana Terra)

e) "Olá, como vai?


Eu vou indo e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo em pegar um lugar no futuro e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca de um sono tranqüilo..." (Paulinho da Viola)

Texto para as questões 04 e 05

Poética

Que é poesia?
uma ilha
cercada
de palavras
por todos os lados
Que é um poeta?
um homem
que trabalha um poema
com o suor do seu rosto
Um homem
que tem fome
como qualquer outro
homem.

(Cassiano Ricardo)
04. Quais as funções da linguagem predominantes no poema anterior?

05. Aponte os elementos que integram o processo de comunicação em Poética, de Cassiano Ricardo.

06. Historinha I

Historinha II

Qual a função da linguagem comum às duas historinhas?

07. (CESUPA - CESAM - COPERVES) Segundo o lingüísta Roman Jakobson, "dificilmente lograríamos (...) encontrar
mensagens verbais que preenchem uma única função... A estrutura verbal de uma mensagem depende basicamente
da função predominante".

"Meu canto de morte


Guerreiros, ouvi.
Sou filho das selvas
Nas selvas cresci.
76

Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.
Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante.
Guerreiros, nasci:
Sou bravo, forte,
Sou filho do Norte
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi."
(Gonçalves Dias)

Indique a função predominante no fragmento acima transcrito, justificando a indicação.


(PUC - SP)

"Com esta história eu vou me sensibilizar, e bem sei que cada dia é um dia roubado da morte. Eu não sou um
intelectual, escrevo com o corpo. E o que escrevo é uma névoa úmida. As palavras são sons transfundidos de
sombras que se entrecruzam desiguais, estalactites, renda, música transfigurada de órgão. Mal ouso clamar palavras
a essa rede vibrante e rica, mórbida e obscura tendo como contratom o baixo grosso da dor. Alegro com brio.
Tentarei tirar ouro do carvão. Sei que estou adiando a história e que brinco de bola sem bola. O fato é um ato? Juro
que este livro é feito sem palavras. É uma fotografia muda. Este livro é um silêncio. Este livro é uma pergunta."
(Clarice Lispector)

A obra de Clarice Lispector, além de se apresentar introspectiva, marcada pela sondagem de fluxo de consciência
(monólogo interior), reflete, também, uma preocupação com a escritura do texto literário.

Observe o trecho em questão e aponte os elementos que comprovam tal preocupação.

VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

Leia o texto abaixo:

Vício na Fala
Oswald de Andrade

Para dizerem milho dizem mio


Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados

O texto de Oswald de Andrade mostra que a língua portuguesa possui mais de uma forma, sendo, portanto, variável.

Variedades Linguísticas

A língua, segundo o lingüista Ferdinand de Saussure, 'é a parte social da linguagem', isto é, ela pertence a uma
comunidade, a um grupo social – a língua portuguesa, a língua chinesa. A fala é individual, diz respeito ao uso que
cada falante faz da língua. Nem a língua nem a fala são imutáveis. Uma língua evolui, transformando-se
foneticamente, adquirindo novas palavras, rejeitando outras. A fala do indivíduo modifica-se de acordo com sua
história pessoal, suas intenções e sua maior ou menor aquisição de conhecimentos.

1. Língua Culta
De modo geral, os falantes são levados a aceitar como “correto” o modo de falar do segmento social que, em
conseqüência de sua privilegiada situação econômica e cultural, tem maior prestigio dentro da sociedade. Assim, o
modo de falar desse grupo social passa a servir de padrão, enquanto as demais variedades lingüísticas, faladas por
grupos sociais menos prestigiados, passam a ser consideradas “erradas”.
77

Considera-se como “correta” a língua utilizada pelo grupo de maior prestigio social. Essa é a chamada língua
culta, falada escrita, em situações formais, pelas pessoas de maior instrução. A língua culta é nivelada, padronizada,
principalmente pela escola e obedece à gramática da língua-padrão.

2. Língua Coloquial
A Língua Coloquial ou popular é utilizada na conversação diária, em situações informais, descontraídas.
É o nível acessível a qualquer falante e se caracteriza por:

a) Expressividade afetiva, conseguida pelo emprego de diminutivos, aumentativos,


interjeições e expressões populares:

É só uma mentirinha, vai!


Você me deu um trabalhão, nem te conto!

b) Tendência a transgredir a norma culta:

Você viu ele por aí?


Você me empresta teu carro?

c) Repetição de palavras e uso de expressões de apoio:

Né? Você está me entendendo? Falou!

2.1. Gíria
É uma variante da língua, falada por um grupo social ou etário. É a fala mais variável de todas, pois as
expressões entram e saem 'da moda' com muita freqüência, sendo substituídas por outras. Algumas se incorporam
ao léxico, dando origem a palavras derivadas. É o caso de dedo-duro que deu origem a dedurar.

2.2. Variedades geográficas ou diatópicas


São as variantes de uma mesma língua que identificam o falante com sua origem tradicional. Podemos
distinguir entre elas:
• variantes da língua comum utilizadas num espaço geográfico delimitado. O dialeto é
Dialetos:
o resultado da transformação regional de uma língua nacional (o idioma). O açoriano e o
madeirense, por exemplo, são dialetos do português. Algumas línguas têm uma origem
histórica comum, mas por razões políticas ou econômicas uma delas ganhou status de língua,
enquanto outras permaneceram como dialetos. As línguas românicas eram dialetos do latim.
Falares: modalidades regionais de uma língua cujas variações não são suficientes para
caracterizar um dialeto. Às vezes, são apenas algumas palavras ou expressões ou mesmo
certos tipos de construção de frases. A esse uso regional da língua também dá-se o nome de
regionalismo.

2.3. A fala popular na literatura


O registro da fala popular na literatura tem sido largamente empregado como forma de atribuir expressividade
e veracidade ao texto. Na década de 30, por exemplo, quando os escritores propunham uma literatura engajada e
realista, o aproveitamento do nível coloquial, pela transcrição dos falares regionais, foi elemento fundamental para o
sucesso do romance brasileiro:

'Apeou na frente da venda do Nicolau, amarrou o alazão no tronco dum


cinamomo, entrou arrastando as esporas, batendo na coxa direita com o
rebenque, e foi logo gritando, assim com ar de velho conhecido:
– Buenas e me espalho! Nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de
talho! [...]
O capitão tomou seu terceiro copo de cachaça. Juvenal, que o observava com
olhos parados e inexpressivos, puxou dum pedaço de fumo em rama e duma
pequena faca e ficou a fazer um cigarro.
– Pois le garanto que estou gostando deste lugar – disse Rodrigo. – Quando
78

entrei em Santa Fé, pensei cá comigo: Capitão, pode ser que vosmecê só passe
aqui uma noite, mas também pode ser que passe o resto da vida...'

(O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo)

EXERCÍCIO

Reescreva o texto coloquial, sob uma forma padrão culto.

(A) “O cachorro parecia que virava um cachorro dos filme de terror, sabe? Aí eu falei com o pai, vamo levar ele pra
granja, que tinha um caseiro lá, pra cuidar dele.”

(B) “A última vez que eu vi ele, ele tava saindo do restaurante. Me deu um aperto no peito, mas não gritei ele não.
Depois não fiquei sabendo mais notícia dele não.”

(C) “E os dois foi saindo, assim, sem mais nem menos.”

(D) “A mãe danou a correr atrás do moleque peladinho. Até que pegou ele no colo, e ele ficou rindo”

NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO

Cronologia das reformas ortográficas na língua portuguesa:

 1911 - Reforma Ortográfica de 1911, a primeira reforma ortográfica em Portugal, publicada no Diário do
Governo, n.º 213, 12 de Setembro de 1911.
 1931 - Primeiro Acordo Ortográfico por iniciativa da Academia Brasileira de Letras e aprovado pela Academia
das Ciências de Lisboa, em Portugal publicado no Diário do Governo, n.º 120, I Série, 25 de Maio de 1931.
 1945 - Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945 ou Acordo Ortográfico de 1945, adotado em Portugal,
mas não no Brasil. Em Portugal publicado como decreto n.º 35.228 no Diário do Governo, 8 de Dezembro de
1945.
 1971 - Lei n.º 5765 de 18 de Dezembro, no Brasil, suprimiu o acento circunflexo na distinção dos
homógrafos, responsável por 70% das divergências ortográficas com Portugal, e os acentos que marcavam a
sílaba subtônica nos vocábulos derivados com o sufixo -mente ou iniciados por -z-.
 1973 - Decreto-Lei n.º 32/73 de 6 de Fevereiro, em Portugal, suprimiram-se os acentos que marcavam a
sílaba subtônica nos vocábulos derivados com o sufixo -mente ou iniciados por -z-, como já se havia feito no
Brasil.
 1975 - A Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras elaboraram um projeto de
acordo que não foi aprovado oficialmente.
79

 1986 - Da reunião de representantes dos, na época, sete países de língua portuguesa (CPLP) no Rio de
Janeiro resultaram as Bases Analíticas da Ortografia Simplificada da Língua Portuguesa de 1945,
renegociadas em 1975 e consolidadas em 1986, que nunca chegaram a ser implementadas.
 1990 - De nova reunião, desta vez em Lisboa, resulta um novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa,
previsto para entrar em vigor em 1 de Janeiro de 1994.
 1998 - Na cidade da Praia, Cabo Verde, foi assinado um Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da
Língua Portuguesa que retirou do texto original a data para a sua entrada em vigor.
 2004 - Em São Tomé e Príncipe foi aprovado um Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico
prevendo que, em lugar da ratificação por todos os países, fosse suficiente que três membros ratificassem o
[4]
Acordo Ortográfico de 1990 para que este entrasse em vigor nesses países .
 2008 - Presidente Luís Inácio Lula da Silva, do Brasil, assina em 29 de Setembro, as mudanças da ortografia
da língua portuguesa no Brasil, que passaram a valer a partir de 1 de janeiro de 2009.

MUDANÇAS A PARTIR DO ACORDO DE 2008

As novas regras ortográficas já estão valendo desde o dia 1º de janeiro de 2009, e de acordo com o decreto
assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, haverá um período de transição até 2012 em que serão válidas as
duas formas de escrever: a antiga e a nova. Portanto, a partir deste ano ela já estará sendo exigida em concursos e
vestibulares.

Acentuação dos ditongos das palavras paroxítonas

Some o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas:


Ex: ideia, boia, asteroide.

EXCEÇÃO: Palavras paroxítonas com “ói” e “éi” terminadas em –r:


Ex: Méier, destróier

Acento circunflexo em letras “dobradas”

Desaparece o acento circunflexo das palavras terminadas em êem e ôo (ou ôos):


Ex: creem, leem, enjoo,

Acento agudo de algumas palavras paroxítonas


Some o acento no i e no u tônicos, depois de ditongos, em palavras paroxítonas:
Ex: bocaiuva, feiura

ATENÇÃO! Se o i e o u estiverem na última ou na antepenúltima sílaba, o acento continua como em: tuiuiú, Piauí,
feiíssimo e cheiíssimo.

Acento diferencial

Some o acento diferencial (utilizado para distinguir timbres vocálicos):


Ex: pelo (prep. e subst.), para (prep. e verbo).

ATENÇÃO! Não some o acento diferencial em pôr (verbo) / por (preposição) e pôde (pretérito) / pode (presente).
Em fôrma o acento permanece facultativo.

Acento agudo no u tônico

Desaparece o acento agudo no u tônico nos grupos gue, gui, que, qui, de verbos como averiguar,
apaziguar, arguir, redarguir, enxaguar:
Ex: averigue, apazigue.

Alfabeto: inclusão de três letras


Passa a ter 26 letras, ao incorporar as letras “k“, “w” e “y“.

Alterações limitadas a Portugal


80

Desaparecem o c e o p de palavras em que essas letras não são pronunciadas:


Ex: acção/ ação, acto/ato, adopção/adoção.

Hífen

Eliminação do hífen em alguns casos

O hífen não será mais utilizado nos seguintes casos:

1. Quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente:
Ex: extraescolar, autoestrada

2. Quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes serem duplicadas:
Ex: contrarregra, antirreligioso

EXCEÇÃO! O hífen será mantido quando o prefixo terminar em r-


Ex: hiper-requintado, inter-resistente, super-revista.

3. Quando se perdeu a noção de que a palavra é composta:


Ex: parabrisa, paraquedas, mandachuva.

4. Nos antigos nomes compostos ligados por preposição. Esses passaram a ser entendidos como locuções ou
expressões.
Ex: lua de mel, mão de obra, queda de braço, dona de casa, pai de santo, boca de urna, quartas de final.

O hífen é empregado:

1. Se o segundo elemento começa por 'h'


Ex: geo-história; giga-hertz; bio-histórico; super-herói; anti-herói; macro-história; mini-hotel; super-homem

2. Para separar vogais ou consoantes iguais


Ex: inter-racial; micro-ondas; micro-ônibus; mega-apagão; sub-bibliotecário;
sub-base; anti-imperialista; anti-inflamatório; contra-atacar; entre-eixos; hiper-real; infra-axilar

3. Prefixos 'pan' ou 'circum', seguidos de palavras que começam por vogal, 'h', 'm' ou 'n'
Ex: pan-negritude; pan-hispânico; circum-murados; pan-americano; pan-helenismo; circum-navegação

4. Com os prefixos 'pós', 'pré' 'pró'.


Ex: pós-graduado; pré-operatório; pró-reitor; pós-auricular; pré-datado; pré-escolar

Trema

Extinção do trema

Desaparece em todas as palavras:


Ex: frequente, linguiça.

ATENÇÃO! O trema permanece em nomes estrangeiros como Müller ou Citroën.

EXERCÍCIOS

01. Considerando o quadro abaixo, que contém adjetivos pátrios compostos, marque a alternativa correta:
1. austro-húngaro 2. greco-romano 3. sino-brasileiro 4. nipo-americano 5. ítalo-germânico

(A) estão corretamente grafados todos os termos compostos;


(B) está incorretamente grafado o termo composto da opção 4;
(C) está incorretamente grafado o termo composto da opção 2;
(D) está incorretamente grafado o termo composto da opção 1;
(E) está incorretamente grafado o termo composto da opção 3.
81

02. Levando em conta o quadro a seguir, que contém não apenas adjetivos pátrios compostos, mas também
substantivos, marque a alternativa correta:
1. euro-centrismo 2. euro-siberiano 3. euro-divisa 4. euro-mercado 5. euro-asiático

(A) estão corretamente grafados todos os termos compostos;


(B) está corretamente grafado o termo composto da opção 5;
(C) estão corretamente grafados os termos compostos das opções 2 e 5;
(D) estão corretamente grafados os termos compostos das opções 1, 3 e 4;
(E) estão corretamente grafados os termos compostos das opções 3 e 4.

03. As seguintes paroxítonas estão corretamente grafadas, exceto:


(A) contêiner;
(B) destróier;
(C) Méier;
(D) blêizer;
(E) geóide.

04. Marque a opção em que uma das formas verbais está incorreta:
(A) águo – aguo;
(B) águas – aguas;
(C) água – agua;
(D) águais – aguais;
(E) águam – aguam.

05. Assinale a opção em que há erro de ortografia:


(A) mão de obra (designando trabalho);
(B) mão de vaca (designando pessoa avarent(A);
(C) mão de vaca (designando plant(A);
(D) mão de criança;
(E) mão de moça.

06. O hífen foi corretamente empregado em:


(A) presidente-mirim;
(B) parati-mirim;
(C) diretor-mirim;
(D) secretário-mirim;
(E) tesoureiro-mirim.

07. Marque a opção incorreta:


(A) bem-educado;
(B) mal-educado;
(C) bem-comportado;
(D) mal-comportado;
(E) bem-vindo.

08. Identifique a opção em que os termos não se alternam:


(A) amígdala – amídala;
(B) receção – recessão;
(C) corrupto – corruto;
(D) concepção – conceção;
(E) caracteres – carateres.
09. Em compacto mantém-se a consoante pronunciada; é o mesmo caso de:
(A) acto;
(B) afectivo;
(C) direcção;
(D) exacto;
(E) adepto.

10. Os prefixos que são seguidos de hífen quando o segundo termo da palavra composta inicia-se com h, m, n ou
vogal são:
(A) hiper-, inter- e super-;
(B) circum- e pan-;
(C) sub- e sob-;
82

(D) ab- e ob-;


(E) recém- e aquém-.

11. Marque a opção incorreta:


(A) pan-telegrafia;
(B) pan-helenismo;
(C) pan-islâmico;
(D) pan-mágico;
(E) pan-negro.

12. Identifique a alternativa em que o hífen foi indevidamente usado:


(A) circum-meridiano;
(B) circum-hospitalar;
(C) circum-escolar;
(D) circum-navegação;
(E) circum-polaridade.

13. Assinale a opção incorreta:


(A) inter-humano;
(B) inter-hemisférico;
(C) inter-relacionar;
(D) interrelacionar;
(E) intersocial.

14. Marque a opção em que o hífen foi indevidamente usado:


(A) hiper-hepático;
(B) hiper-emotivo;
(C) hiper-realismo;
(D) hipertireoidismo;
(E) hipersensibilidade.

15. Marque a opção incorreta:


(A) inter-humano;
(B) inter-hemisférico;
(C) inter-relacionar;
(D) interrelacionar;
(E) intersocial.

16. Identifique a alternativa em que o hífen foi indevidamente usado:


(A) abrupto;
(B) ab-rupto;
(C) obrogatório;
(D) ob-rogatório;
(E) ab-reação.

17. Marque a opção incorreta:


(A) sobescavar;
(B) sob-saia;
(C) sobpesar;
(D) sobpor;
(E) sob-roda.

18. Marque a opção em que o hífen foi indevidamente usado:


(A) sob-escavar;
(B) sobsaia;
(C) sobpesar;
(D) sobpor;
(E) sob-roda.

19. Marque a opção incorreta:


(A) sub-bosque;
(B) sub-humano;
(C) sub-reitor;
(D) subdiretor;
83

(E) sub-epidérmico.

20. Identifique a alternativa em que há erro de ortografia:


(A) mandachuva;
(B) salário-família;
(C) vagalumear;
(D) vaga-lume;
(E) bóia-fria.

CRÔNICA

No Brasil, a crônica surgiu há uns 150 anos, com o Romantismo e o desenvolvimento da imprensa. A
princípio, com o nome de folhetim, designava um artigo de rodapé escrito a propósito de assuntos do dia – políticos,
sociais, artísticos, literários. Aos poucos , foi se tornando um texto mais curto e se afastando da finalidade de informar
e comentar, substituída pela intenção de apresentar os fatos cotidianos de forma artística e pessoal. Sua linguagem
tornou-se mais poética, ao mesmo tempo que ganhou certa gratuidade, em razão da ausência de vínculos com
interesses práticos e com as informações presentes mas demais partes de um jornal. Gênero híbrido que oscila ente
a literatura e o jornalismo, a crônica é o resultado da visão pessoal subjetiva do cronista ante um fato qualquer,
colhido no noticiário do jornal ou no cotidiano. Quase sempre explora o humor; às vezes, diz as coisas mais sérias
por meio de uma aparente conversa fiada; outras vezes, despretensiosamente, faz poesia da coisas mais banal e
insignificante. A crônica é quase sempre um texto curto, apressado, redigido numa linguagem descontraída,
coloquial, simples, muito próxima do leitor. Apresenta poucas personagens e se inicia quando os fatos principais da
narrativa estão por acontecer. Por essa razão, o espaço e o tempo da crônica são limitados: as ações ocorrem num
único espaço e o tempo não dura mais do que alguns minutos ou, no máximo, algumas horas. Ela admite narrador
em 1ª e 3ª pessoas, isto é, o narrador pode participar dos fatos e refletir sobre eles como personagem ou ser
observador daquilo que narra ou comenta. È comum também haver crônicas cujo narrador se ausenta; nesse caso,
toda a crônica se estrutura no discurso direto de duas ou mais personagens.

Características da crônica:

2. é publicada geralmente em jornais e revistas;


3. relata de forma artística e pessoal fatos colhidos no noticiário jornalístico e no cotidiano;
4. consiste em um texto curto e leve;
5. tem por objetivo divertir e/ou refletir criticamente sobre a vida e os comportamentos humanos;
6. pode apresentar os elementos básicos da narrativa: fatos, personagens, tempo e lugar;
7. o tempo e o espaço são normalmente limitados;
8. pode apresentar narrador-observador ou narrador-personagem;
9. linguagem geralmente de acordo com a variedade padrão informal da língua.

Exemplo de crônica:

GETÚLIO, JK E LULA

Se houvesse um monte Rushmore no Brasil, o rosto de Luiz Inácio Lula da Silva estaria agora sendo
esculpido na rocha. Na pedra verdadeira, foram gravadas as imagens dos quatro maiores líderes da história
americana: George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln. No Brasil, só dois ex-
presidentes - Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek - ocupam papéis míticos no imaginário nacional. Agora, há mais
um. E ele, Luiz Inácio, conseguiu entrar no seleto clube unindo o que seus antecessores tinham de melhor: a visão
social e o espírito desenvolvimentista.
84

Getúlio, nosso primeiro "pai dos pobres", até hoje é amado porque incluiu na agenda política um agente
antes excluído: o trabalhador. JK, por sua vez, foi o presidente que fez o brasileiro perder seu complexo de vira-lata e
acreditar na própria capacidade de realização. Lula tem traços de ambos. Foi o presidente da inclusão social e
também aquele que despertou o "espirito animal" dos empresários, que voltaram a acreditar no futuro e a investir. O
resultado: um ciclo de oito anos que se encerra com crescimento do PIB de quase 8%.

A vida útil de um mito e determinada pela história. Mas o presidente operário tem tudo para durar mais tempo
no coração dos brasileiros do que Getúlio e JK. Sobre o primeiro, haverá sempre a mancha da ditadura implantada
no Estado Novo. Sobre o segundo, o peso do desajuste fiscal e da inflação semeada pela construção desenfreada de
Brasília. Lula conquistou os seus 80% de popularidade em plena democracia - e teve a sabedoria de rejeitar um
terceiro mandato, que poderia colocá-los em risco. Para completar, controlou a inflação e reduziu a dívida pública.
Erros, tropeços, bravatas, escândalos... nada disso terá muito peso no balanço final. A lembrança será sempre a do
"Lulinha paz e amor".

E ele, que a partir de agora passará a dar nome a avenidas, escolas e creches em várias metrópoles
brasileiras, só terá uma " desvantagem" em relação aos dois outros mitos: a ausência de uma morte trágica. O
suicídio de Getúlio, em agosto de 1954, e o acidente automobilístico de JK, em 1976, até hoje questionado, ajudaram
a elevar os dois ex-presidentes a categoria dos mártires. Lula, um homem feliz e sem inimigos, tem tudo para levar
uma existência pacata até o fim dos seus dias. Tempo, ele terá de sobra depois de 31 de dezembro, como acontece
com todo ex-presidente. A diferença, no caso de Lula, é que seu verdadeiro espaço cronológico será o da eternidade.

Revista IstoÉ publicada em 29/12/2010. Artigo escrito por Leonardo Attuch (attuch@[Link]).

NOTÍCIA
Notícia é a expressão de um fato novo, que desperta o interesse do público a que o jornal se destina.
Predomina a narração. Mas os jornais não se limitam a contar o que aconteceu. Eles vão além, contando também
como e porque aconteceu determinado fato. Ela apresenta uma estrutura própria, composta de duas partes: o lead e
o corpo. Lead é um resumo do fato em poucas linhas e compreende, normalmente, o primeiro parágrafo da notícia.
Contém as informações mais importantes e deve fornecer ao leitor a maior parte das respostas às seis perguntas
básicas: o quê, quem, quando, onde, como e por que. Corpo são os demais parágrafos da notícia, nos quais se faz o
detalhamento do exposto no lead, por meio da apresentação ao leitor de novas informações, em ordem cronológica
ou de importância. Toda notícia é encabeçada por um título, que anuncia o assunto a ser desenvolvido. No título,
devem-se empregar, com objetividade, palavras curtas e de uso comum. Ela deve ser imparcial e objetiva, ou seja,
deve expor fatos e não opiniões. A linguagem deve ser impessoal, clara, direta e precisa.

Características da notícia:

 Predomínio da narração, com a presença dos elementos essenciais de um texto narrativo: fatos, pessoas
envolvidas, tempo em que ocorreu o fato, o lugar em que ocorreu, como e porque ocorreu o fato;
 Estrutura padrão composta de lead e corpo;
 Título que se caracteriza por: despertar o interesse do leitor para a notícia; ser uma mensagem rápida e
muitas vezes surpreendente; destacar-se do resto do texto.
 Linguagem impessoal, clara, precisa, objetiva, direta, de acordo com a variedade padrão da língua.

Exemplo de notícia:

CRIMINALIDADE
Tráfico de drogas domina áreas públicas da cidade
Praças, pontos turísticos e até a rodoviária escondem pontos de tráfico de drogas. A Tribuna vem acompanhando a
rotina de vários locais em Juiz de Fora, denunciados por vizinhanças, que não suportam mais conviver com o medo e
a insegurança, e cobram ações policiais. Entorno de bares e complexos comerciais, no São Mateus, Zona Sul, onde
há grandes aglomerações diariamente, também servem como pontos de distribuição para os traficantes.
85

EXERCÍCIOS

01. Analise e responda:

I. O foco narrativo do narrador-personagem é de primeira pessoa, podendo corresponder, inclusive, ao protagonista.

II. O narrador em terceira pessoa se caracteriza por ter uma visão subjetiva, total e impessoal dos fatos.

III. Ambos os focos narrativos podem ser caracterizar pela “onisciência” do narrador.

(A) Apenas I está incorreta.


(B) Apenas III está incorreta.
(C) I e II estão incorretas.
(D) II e III estão incorretas.
(E) Nenhuma está incorreta.

02. A lista que menos define o narrar literário é:

(A) surpreender, situar, relatar.


(B) envolver, contar, dinamizar
(C) descrever, agenciar, provocar.
(D) atuar, imaginar, posicionar.

03. Associe:

1. Flashback
2. Cenário
3. Narrador de terceira pessoa
4. Personagem
5. Foco narrativo
6. Enredo

( ) I. Predominantemente apresenta traços psicológicos.


( ) II. Estrutura, desenrolar dos acontecimentos de um texto.
( ) III. O lugar da narrativa, passível de ser personagem.
( ) IV. Técnica que entremeia presente e passado
( ) V. Ponto de vista pelo qual se conta a história

A sequência correta é:

(A) 5, 6, 2, 1, 3
(B) 3, 2, 6, 5, 1
(C) 4, 2, 3, 1, 4
(D) 4, 6, 2, 1, 5
(E) 3, 5, 2, 1, 6

04. O ponto maior de tensão de uma narrativa é:

(A) o nó
(B) a complicação
(C) o flashback
(D) o desfecho
(E) o clímax
05. Das características a seguir, marque a incorreta quanto ao gênero conto.

(A) tem por objetivo divertir e/ou refletir criticamente sobre a vida
(B) tempo e espaço bem delimitados
(C) narrativa focada ao essencial
(D) número reduzido de personagens
(E) padrão formal da língua

06. Associe:
86

I. Conto
II. Crônica
III. Notícia

0 ( I ) ( II) (III)
1 ( ) ( ) ( ) elementos essenciais de um texto narrativo.
2 ( ) ( ) ( ) o suporte predominante é o impresso de grande circulação.
3 ( ) ( ) ( ) lead
4 ( ) ( ) ( ) artístico
5 ( ) ( ) ( ) língua padrão culto

A sequência correta é:

(A) 1 (I e II) / 2 (I, II e III) / 3 (III) / 4 (I e II) / 5 (I,II e III)


(B) 1 (I, II e III) / 2 (II e III) / 3 (III) / 4 (I e II) / 5 (I,II e III)
(C) 1 (I, II e III) / 2 (I, II e III) / 3 (III) / 4 ( I ) / 5 (I,II e III)
(D) 1 (I, II e III) / 2 (I, II e III) / 3 (II e III) / 4 ( I ) / 5 (I e III)
(E) 1 (I, II e III) / 2 (I, II e III) / 3 (III) / 4 (I e II) / 5 (I e III)

07. surgiu há uns 150 anos, com o Romantismo e o desenvolvimento da imprensa:

(A) Conto
(B) Crônica
(C) Notícia
(D) Novela
(E) Revista

08. Quanto ao personagem narrativo:

I. Personagens planos são tipificados e apresentam linearidade no comportamento.

II. Personagens esféricos são personagens de psicologia complexa, podendo apresentar variações no
comportamento esperado.

III. O protagonista se opõe ao antagonista.

Estão corretas:

(A) I e III
(B) II e III
(C) apenas III
(D) apenas I
(E) todas as alternativas

09. Leia e classifique os narradores:

1. “Os campos, segundo o costume, acabava de descer do almoço e, a pena atrás da orelha, p lenço por dentro do
colarinho, dispunha-se a prosseguir o trabalho interrompido poucos antes. Entrou no escritório e foi sentar-se à
secretária” (Aluísio Azevedo)

2. “Coloquei-me acima de minha classe, creio que me elevei bastante. Como lhes disse, fui guia de cego, vendedor
de doces e trabalhador de aluguel. Estou convencido de quem nenhum desses ofícios me daria os recursos
intelectuais necessários para engenhar esta narrativa.” (Graciliano Ramos)

3. “Um segundo depois, muito suave ainda, o pensamento ficou levemente mais intenso, quase tentador: não dê, elas
são suas. Laura espantou-se um pouco: por que as coisas nunca eram dela?” (Clarice Lispector)

( ) narrador participante
( ) narrador observador
( ) narrador onisciente
87

A sequência correta é:

(A) 1, 2, 3
(B) 1, 3, 2
(C) 2, 3, 1
(D) 2, 1, 3
(E) 3, 2, 1

10. Os gêneros conto e crônica não têm em comum:

(A) o suporte
(B) a extensão
(C) a presença da narrativa
(D) a definição de tempo-espaço
(E) a intenção artística literária

Instruções para as questões 11 a 14

Classifique os textos a seguir em:

(A) crônica narrativa


(B) crônica reflexiva
(C) crônica descritiva
(D) crônica metalinguística
(E) dissertação

11.
"Outros fatores contribuem diretamente para dificultar a adaptação do calouro à universidade. A desinformação é um
desses fatores: a grande maioria dos jovens desconhece não só as atividades básicas da profissão que escolheu - ou
que escolheram por ele - como também o currículo mínimo necessário à sua formação." (Revista Veja)

12. O grande sofisma

Não sou responsável pelas minhas insuficiências. Se minha corrente vital é acaso interrompida e foge de seu leito;
se meu ser muitas vezes se desprende de seus suportes e se perde no vazio; se é frágil a minha composição
orgânica e tênues os meus impulsos - culpo disso os meus pais, a sociedade, o regime, os colégios; culpo as
mulheres difíceis, os governos, as privações anteriores; culpo os antepassados em geral, o mau clima da minha
cidade, a sífilis que veio nas naus descobridoras, a água salobra, as portas que se me fecharam e os muitos "sins"
que esperei e me foram negados; culpo os jesuítas e o vento sudoeste; culpo a Pedro Álvares Cabral e a Getúlio;
culpo o excesso de proibições, a escassez de iodo, as viagens que não fiz, os encontros que não tive, os amigos que
me faltaram e as mulheres que não me quiseram; culpo a D. João VI e ao Papa; culpo a má-vontade e a
incompreensão geral. A todos e a tudo eu culpo.
Só não culpo a mim mesmo que sou inocente. E ao Acaso, que é irresponsável... (Aníbal Machado)

13.
"A consciência ecológica brasileira, emergente nos últimos vinte anos, tem-se tornado cada vez mais vigilante. Os
ecologistas reservam uma atenção especial para as fábricas de papel e celulose, pelo mal que podem provocar às
águas, ao ar, ao meio ambiente em geral." (Revista Veja)

14. O beijo
88

O beijo é uma coisa que todo mundo dá em todo mundo. Tem uns que gostam muito, outros que ficam aborrecidos e
limpam o rosto dizendo já vem você de novo e tem ainda umas pessoas que quanto mais beijam, mais beijam, como
a minha irmãzinha que quando começa com o namorado dá até aflição. O beijo pode ser no escuro e no claro. O
beijo no claro é o que o papai dá na mamãe quando chega, o que eu dou na vovó quando vou lá e mamãe obriga, e
que o papai deu de raspão na empregada noutro dia, mas esse foi tão rápido que eu acho que foi sem querer...
(Millôr Fernandes)

O texto abaixo servirá de referência para responder as questões 15 a 17

A nuvem

- Fico admirado como é que você, morando nesta cidade, consegue escrever uma semana inteira sem reclamar,
sem protestar, sem espinafrar! E meu amigo falou da água, telefone, Light em geral, carne, batata, transporte, custo
de vida, buracos na rua, etc. etc. etc. Meu amigo está, como dizem as pessoas exageradas, grávido de razões. Mas
que posso fazer? Até que tenho reclamado muito isto e aquilo. Mas se eu for ficar rezingando todo dia, estou
roubado: quem é que vai aguentar me ler? Acho que o leitor gosta de ver suas queixas no jornal, mas em termos.

Além disso, a verdade não está apenas nos buracos das ruas e outras mazelas. Não é verdade que as amendoeiras
neste inverno deram um show luxuoso de folhas vermelhas voando no ar? E ficaria demasiado feio eu confessar que
há uma jovem gostando de mim? Ah, bem sei que esses encantamentos de moça por um senhor maduro duram
pouco. São caprichos de certa fase. Mas que importa? Esse carinho me faz bem; eu o recebo terna e gravemente;
sem melancolia, porque sem ilusão. Ele se irá como veio, leve nuvem solta na brisa, que se tinge um instante de
púrpura sobre as cinzas de meu crepúsculo.

E olhem só que tipo de frase estou escrevendo! Tome tenência, velho Braga. Deixe a nuvem, olhe para o chão - e
seus tradicionais buracos.

(Rubem Braga, Ai de ti, Copacabana)

15. É correto afirmar que, a partir da crítica que o amigo lhe dirige, o narrador cronista:

(A) sente-se obrigado a escrever sobre assuntos exigidos pelo público;


(B) reflete sobre a oposição entre literatura e realidade;
(C) reflete sobre diversos aspectos da realidade e sua representação na literatura;
(D) defende a posição de que a literatura não deve ocupar-se com problemas sociais;
(E) sente que deve mudar seus temas, pois sua escrita não está acompanhando os novos tempos.

16. Em "E olhem só que tipo de frase estou escrevendo! Tome tenência, velho Braga", o narrador:

(A) chama a atenção dos leitores para a beleza do estilo que empregou;
(B) revela ter consciência de que cometeu excessos com a linguagem metafórica;
(C) exalta o estilo por ele conquistado e convida-se a reverenciá-lo;
(D) percebe que, por estar velho, seu estilo também envelheceu;
(E) dá-se conta de que sua linguagem não será entendida pelo leitor comum.

17. Com relação ao gênero do texto, é correto afirmar que a crônica:

(A) parte do assunto cotidiano e acaba por criar reflexões mais amplas;
(B) tem como função informar o leitor sobre os problemas cotidianos;
(C) apresenta uma linguagem distante da coloquial, afastando o público leitor;
(D) tem um modelo fixo, com um diálogo inicial seguido de argumentação objetiva;
(E) consiste na apresentação de situações pouco realistas, em linguagem metafórica.

GÊNEROS MISTOS
89

Há alguns gêneros textuais que são considerados mistos, por mesclarem em seu conteúdo imagens e palavras.

HISTÓRIA EM QUADRINHOS

O texto em quadrinhos tem algumas características específicas do gênero. Os “balões” que indicam a fala ou
pensamento, a forma de se escrever, a riqueza de interjeições, onamatopéias, utilização de letras maiúsculas para
indicar aumento no tom de voz, repetição de vogais indicando prolongamento do som emitido pelo personagem, etc.
Além de tudo isto, a imagem dos personagens aparecem com expressões faciais e corporais, que completam a sua
fala expressa pela escrita. É, talvez, o gênero de escrita que mais emprega representações dos componentes da
linguagem oral, isto é, representa imagens dos movimentos do corpo de quem fala durante a emissão da mensagem.

As histórias em quadrinhos são histórias escritas que se assemelham ao cinema porque os diálogos são oralizados a
partir de um roteiro. Essas histórias que podem ser definidas como histórias em linguagem escrita com
características da linguagem oral, possuem também características específicas como é o caso da representação
escrita do pensamento do personagem: no cinema isto é possível através do som da voz do personagem, relatando
as suas impressões enquanto ele se apresenta absorto, ou com a alternância de imagens atuais com imagens que
representam fatos passados ou da imaginação de uma situação futura.

Esse gênero de literatura deveria sair dos domínios comerciais para ocupar lugar de destaque como instrumento de
leitura, utilizado para fins didáticos nas séries iniciais ou até mesmo nas intermediárias. Poder-se-ia utilizar conteúdos
diferentes dos caricatos que comumente se vê, priorizando assuntos mais enriquecedores, como a reprodução de
fábulas, contos, crônicas e outros textos que possam levar os jovens a se habituarem à leitura e a repensarem o
mundo que os cerca. Obviamente, o investimento nessa área iria de encontro aos interesses de quem atualmente
explora o mercado das revistas em quadrinhos com os personagens já consagrados pelo público, mas, sem dúvida,
poderia ser uma alternativa valiosa para se criar o hábito de leitura nos jovens.

CHARGE OU CARTUM

Charge e Cartum podem ser conjuntamente consideradas como “piadas gráficas”, muitas vezes são mal
empregados na imprensa que tende a confundir os termos como sinônimos. Eles não são sinônimos, estes termos
servem justamente para definir os tipos de cada piada gráfica.

O Cartum é uma piada gráfica para temas universais, que não precisa se prender a uma época ou lugar, sendo mais
facilmente compreendido por pessoas de diferentes épocas e lugares.

Ex:
90

A Charge é normalmente um produto jornalístico, referindo-se a um acontecimento real, atrelada a uma notícia e
publicada na mesa época desta.

Ex:

Para que se possa entender uma Charge antiga é necessário saber o que estava se passando naquele momento
histórico, quais os personagens importantes da época e etc. A Charge pode ser entendida como todo Cartum que se
torna incompreensível sem o conhecimento prévio do contexto de sua publicação original.

EXERCÍCIOS

1. Veja a charge abaixo e diga o que você sabe sobre o assunto tratado na mesma. Para facilitar seu trabalho,
escreva pequenos períodos (frases) respondendo as perguntas: Sobre o que ela fala? É um problema atual?
Como ele afeta sua vida? Há solução para o problema?
91

2. Faça o mesmo agora com a charge abaixo. Após ver a imagem, responda em forma de texto as perguntas:
Sobre o que ela fala? É um problema atual? Você lembra de algum exemplo relacionado ao assunto? Há
solução para o problema?

3. Assinale a alternativa que traz consideração ADEQUADA sobre o cartum a seguir.

"Folha de [Link]", 14 de junho de 2003.


a) A situação retratada explica as razões do desemprego no País.
b) O humor é produzido pela interpretação maliciosa que o patrão dá à pergunta do empregado.
c) No cartum, tematiza-se a falta de ética de empresários.
d) A informação contida no último balão é decisiva para que o leitor consiga identificar o papel social dos
interlocutores envolvidos: patrão e empregado.
92

PONTUAÇÃO

Leia os textos abaixo:

TEXTO I

Um homem muito rico estava extremamente doente, agonizando. Pediu papel e caneta e escreveu, sem pontuação
alguma, as seguintes palavras:

'Deixo meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do padeiro nada dou aos pobres.

Não resistiu e se foi antes de fazer a pontuação. Ficou o dilema, quem herdaria a fortuna? Eram quatro concorrentes.

1) O sobrinho fez a seguinte pontuação:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

2) A irmã chegou em seguida. Pontuou assim o texto:


Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

3) O padeiro pediu cópia do original. Puxou a brasa pra sardinha dele:


Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

4) Aí, chegaram os descamisados da cidade. Um deles, sabido, fez esta interpretação:


Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga do padeiro? Nada! Dou aos pobres.

Moral da história: A vida pode ser interpretada e vivida de diversas maneiras. Nós é que fazemos sua pontuação. É
isso faz toda a diferença...

TEXTO II
Questão de pontuação

Todo mundo aceita que ao homem


cabe pontuar a própria vida:
que viva em ponto de exclamação
(dizem: tem alma dionisíaca);

viva em ponto de interrogação


(foi filosofia, ora é poesia);
viva equilibrando-se entre vírgulas
e sem pontuação (na política);
93

o homem só não aceita do homem


que use a só pontuação fatal:
que use, na frase que ele vive
o inevitável ponto final.

(João Cabral de Melo Neto. Agrestes,poesia. Rio de Janeiro, Nova Fronteira,1985.)

A língua falada dispõe de recursos muito variados para exprimir suas pausas e entonações. Na língua
escrita, essas pausas e entonações são representadas pelos sinais de pontuação. Veja os principais empregos de
alguns sinais de pontuação:

PONTO FINAL

É utilizado na finalização de frases declarativas ou imperativas.

Exemplo:

Lembrei-me de um caso antigo.


Vamos animar a festa.

O ponto final também é utilizado em abreviaturas.

Exemplo:

Sr. (senhor), Sra. (senhora), Srta. (senhorita), pág. (página).

PONTO DE INTERROGAÇÃO (?)

É utilizado no fim de uma palavra, oração ou frase, indicando uma pergunta direta.

Exemplo:
Quem é você?
Por que ninguém ligou?

Não deve ser usado nas perguntas indiretas.

Exemplo:
Perguntei a você quem estava no quarto.

PONTO DE EXCLAMAÇÃO (!)

É usado no final de frases exclamativas, depois de interjeições ou locuções.

Exemplo:
Ah! Deixa isso aqui.
Nossa! Isso é demais!

VÍRGULA

A vírgula é usada nos seguintes casos:

- para separar o nome de localidades das datas.

Recife, 28 de junho de 2005.


- para separar vocativo.

Exemplo:
Meu filho, venha tomar seus remédios.

- para separar aposto.

Exemplo:
94

Brasil, país do futebol, é um grande centro de formação de jogadores.

- para separar expressões explicativas ou retificativas, tais como: isto é, aliás, além, por exemplo, além disso, então.

Exemplo:
O nosso sistema precisa de proteção, isto é, de um bom antivírus.
Além disso, precisamos de um bom firewall.

- para separar orações coordenadas assindéticas.

Exemplo:
Ela ganhou um carro, mas não sabe dirigir.

- para separar orações coordenadas sindéticas, desde que não sejam iniciadas por e, ou e nem.

Exemplo:
Cobram muitos impostos, poucas obras são feitas.

- para separar orações adjetivas explicativas.

Exemplo:
A Amazônia, pulmão mundial, está sendo devastada.

- para separar o adjunto adverbial.

Exemplo:
Com a pá, retirou a sujeira.

PONTO E VÍRGULA

O ponto e vírgula indica uma pausa mais longa que a vírgula, porém mais breve que o ponto final.

Emprega-se o ponto e vírgula nos seguintes casos:

- para itens de uma enumeração.

Exemplo:

As vozes do verbo são:


a. voz ativa;
b. voz passiva;
c. voz reflexiva.
- para aumentar a pausa antes das conjunções adversativas – mas, porém, contudo, todavia – e substituir a vírgula.

Exemplo:
Deveria entregar o documento hoje; porém só o entregarei amanhã à noite.

DOIS PONTOS

Os dois pontos são empregados nos seguintes casos:

- para iniciar uma enumeração.

Exemplo:
O computador tem a seguinte configuração:
- memória RAM 256 MB;
- HD 40 GB;
- fax-modem;
- placa de rede;
- som.

- antes de uma citação.

Exemplo:
95

Já diz o ditado: tal pai, tal filho.


Como já diz a música: o poeta não morreu.

- para iniciar a fala de uma pessoa, personagem.

Exemplo:
O repórter disse: - Nossa reportagem volta à cena do crime.

- para indicar esclarecimento, um resultado ou resumo do que já foi dito.

Exemplo:
O Ministério de Saúde adverte: fumar é prejudicial à saúde.

Nota de esclarecimento:
Nossa empresa não envia e-mail a seus clientes. Quaisquer informações devem ser tratadas em nosso escritório.

RETICÊNCIAS

Indicam uma interrupção ou suspensão na seqüência normal da frase. São usadas nos seguintes casos:

- para indicar suspensão ou interrupção do pensamento.

Exemplo:
Estava digitando quando...

Guiava tranquilamente quando passei pela cidade e...

- para indicar hesitações comuns na língua falada.

Exemplo:
Não vou ficar aqui por que... por que... não quero problemas.

- para indicar movimento ou continuação de um fato.

Exemplo:
E a bola foi entrando...

- para indicar dúvida ou surpresa na fala da pessoa.

Exemplo:
Rodrigo! Você... passou no vestibular!
Antônio... você vai viajar?

ASPAS

São usados nos seguintes casos:

- na representação de nomes de livros e legendas.

Exemplo:
Já li “O Ateneu” de Raul Pompéia.
“Os Lusíadas” de Camões tem grande importância literária.

- nas citações ou transcrições.

Exemplo:

“Tudo começou com um telefonema da empresa, convidando-me para trabalhar lá na sede. Já havia mandado um
currículo antes, mas eles nunca entraram em contato comigo. Quando as seleções recomeçaram mandei um
currículo novamente”, revelou Cleber.

- destacar palavras que representem estrangeirismo, vulgarismo, ironia.

Exemplo
96

Que “belo” exemplo você deu.


Vamos assistir a “show” de mágica.

PARÊNTESES

São usados nos seguintes casos:

- na separação de qualquer indicação de ordem explicativa.

Exemplo:
Predicado verbo-nominal é aquele que tem dois núcleos: o verbo (núcleo verbal) e o predicativo (núcleo nominal).

- na separação de um comentário ou reflexão.

Exemplo:
Os escândalos estão se proliferando (a imagem política do Brasil está manchada) por todo o país.

- para separar indicações bibliográficas.

Pra que partiu?

Estou sentado sobre a minha mala


No velho bergantim desmantelado...
Quanto tempo, meu Deus, malbaratado
Em tanta inútil, misteriosa escala!
(Mario Quintana, A Rua dos Cata-Ventos, Porto Alegre, 1972).

EXERCÍCIOS

01. Assinale a opção em que a supressão das vírgulas alteraria o sentido do anunciado:

(A) os países menos desenvolvidos vêm buscando, ultimamente, soluções para seus problemas no acervo cultural
dos mais avançados;

(B) alguns pesquisadores, que se encontram comprometidos com as culturas dos países avançados, acabam se
tornando menos criativos;

(C) torna-se, portanto, imperativa uma revisão modelo presente do processo de desenvolvimento tecnológico;

(D) a atividade científica, nos países desenvolvidos, é tão natural quanto qualquer outra atividade econômica;

(E) por duas razões diferentes podem surgir, da interação de uma comunidade com outra, mecanismos de
dependência.

02. Assinale a opção em que está corretamente indicada a ordem dos sinais de pontuação que devem preencher as
lacunas da frase abaixo:

“Quando se trata de trabalho científico ___ duas coisas devem ser consideradas ____ uma é a contribuição teórica
que o trabalho oferece ___ a outra é o valor prático que possa ter.

(A) dois pontos, ponto e vírgula, ponto e vírgula


(B) dois pontos, vírgula, ponto e vírgula;
(C) vírgula, dois pontos, ponto e vírgula;
(D) pontos vírgula, dois pontos, ponto e vírgula;
(E) ponto e vírgula, vírgula, vírgula.

03. Assinale o exemplo em que há emprego incorreto da vírgula:


(A) como está chovendo, transferi o passeio;
(B) não sabia, por que todos lhe viravam o rosto;
97

(C) ele, caso queira, poderá vir hoje;


(D) não sabia, por que não estudou;
(E) o livro, comprei-o por conselho do professor.

04. Assinale o trecho sem erro de pontuação:

(A) vimos pela presente solicitar de [Link]., que nos informe a situação econômica da firma em questão;
(B) cientificamo-lo de que na marcha do processo de restituição de suas contribuições, verificou-se a ausência da
declaração de beneficiários;
(C) o Instituto de Previdência do Estado, vem solicitar de [Link]. o preenchimento da declaração;
(D) encaminhamos a [Link]., para o devido preenchimento, o formulário em anexo;
(E) estamos remetendo em anexo, o formulário.

05. Assinale as frases em que as vírgulas estão incorretas:


(A) ora ríamos, ora chorávamos;
(B) amigos sinceros, já não os tinha;
(C) a parede da casa, era branquinha branquinha;
(D) Paulo, diga-me o que sabe a respeito do caso;
(E) João, o advogado, comprou, ontem, uma casa.

06. Observe:
1) depois de muito pedir ( ) obteve o que desejava;
2) se fosse em outras circunstâncias ( ) teria dado tudo certo;
3) exigiam-me o que eu nunca tivera ( ) uma boa educação;
4) fez primeiramente seus deveres ( ) depois foi brincar;
Assinale a alternativa que preencha mais adequadamente os parênteses:
(A) (;) (,) (:) (;); (D) (?) (,) (,) (:);
(B) (,) (;) (:) (;); (E) (,) (;) (.) (;).
(C) (,) (,) (:) (;);

07. Assinale o item em que as vírgulas estão empregadas corretamente:


I - Foi ao fundo da farmácia, abriu um vidro, fez um pequeno embrulho e entregou ao homem.
II - A sua fisionomia estava serena, o seu aspecto tranquilo.
III - E o farmacêutico, sentindo-se aliviado do seu gesto, sentira-se feliz diante de suas lembranças.
IV - Quando, vi que não servia, dei às formigas, e nenhuma morreu.

(A) I - IV;
(B) II - III;
(C) II - IV;
(D) I - II;
(E) I - III.

08. Em seguida vai um pequeno trecho de Machado de Assis, pontuado de diversos modos. Só uma vez a pontuação
estará de acordo com as normas gramaticais. Assinale-a:

(A) homem gordo, não faz revolução. O abdômen, é naturalmente amigo da ordem. O estômago pode destruir, um
império: mas há de ser antes do jantar.

(B) homem gordo não faz revolução. O abdômen é naturalmente amigo da ordem; o estômago pode destruir um
império: mas há de ser antes do jantar;

(C) homem gordo não faz revolução, o abdômen é, naturalmente, amigo da ordem. O estômago, pode destruir um
império: mas há de ser antes do jantar;

(D) homem gordo não faz revolução: o abdômen e naturalmente, amigo da ordem. O estômago pode destruir um
império: mas há de ser antes do jantar;
98

(E) homem gordo não faz revolução: o abdômen é naturalmente amigo da ordem. O estômago pode destruir um
império mas há de ser, antes do jantar.

09. Assinale a opção em que está corretamente indicada a ordem dos sinais de pontuação que devem preencher as
lacunas da frase abaixo:

“Como amanhã será o nosso grande dia ___ duas coisas serão importantes ___ uma é a tranquilidade ___ a outra é
a observação minuciosa do que esta sendo solicitado”.
(A) dois pontos, ponto e vírgula, ponto e vírgula;
(B) vírgula, vírgula, vírgula;
(C) vírgula, dois pontos, ponto e vírgula;
(D) dois pontos, vírgula, ponto e vírgula;
(E) ponto e vírgula, dois pontos, vírgula.

10. Assinale a série de sinais cujo emprego corresponde, na mesma ordem, aos parênteses indicados no texto:
“Pergunta-se ( ) qual é a ideia principal desse parágrafo ( ) A chegada de reforços ( ) a condecoração ( ) o escândalo
da opinião pública ou a renúncia do presidente ( ) Se é a chegada de reforços ( ) que relação há ( ) ou mostrou seu
autor haver ( ) entre esse fato e os restantes ( )”.
(A) , , ? ? ? , , , .
(B) : ? , , ? , ___ ___ ?
(C) ___ ? , , . ___ ___ ___ .
(D) : ? , . ___ , , , ?
(E) : . , , ? , , , .

QUESTÃO DISCURSIVA

01. Reescreva as orações, pontuando adequadamente e fazendo pequenas modificações, quando necessário:

a) Maria Rita menina pobre do interior chegou a São Paulo assustada


b) O encanador sorriu e disse se a senhora quiser eu posso trocar também a torneira dona
c) Quando tudo vai mal nós devemos parar e pensar onde é que estamos errando desta maneira podemos começar
a melhorar isto é a progredir.
d) Socorro alguém me ajude
e) Ao voltar para casa encontrei um ambiente assustador móveis revirados roupas jogadas pelo chão lâmpadas
quebradas e torneiras abertas
f) De MPB eu gosto mas de música sertaneja
g) Não critique seu filho homem de Deus dê o apoio que ele necessita e tudo terminará bem se você não apoiá-lo
quem irá fazê-lo
h) Os nossos sonhos não são inatingíveis a nossa vontade deve torná-los realidade
i) O computador que é uma invenção deste século torna a nossa vida cada dia mais fácil
j) Eu venderei todas as minhas terras mesmo que antes disso a lavoura se recupere
l) Naquele instante quando ninguém mais esperava de longe avistamos uma figura estranha que se aproximava
quando chegou bem perto ele perguntou o que fazem aqui neste fim-de-mundo e nós respondemos graças a Deus o
senhor apareceu estamos perdidos nesta mata há dias
m) Quando lhe disserem para desistir persista quando conseguir a vitória divida com seus amigos a sua alegria
n) Quanta burocracia levei dois meses para tirar um documento de identidade
o) Você tem duas opções desiste da carreira ou do casamento
p) O presidente pode se tiver interesse colocar na cadeia os corruptos ou seja aqueles que só fazem mal ao país

LEITURA, ANÁLISE, INTERPRETAÇÃO E SÍNTESE TEXTUAL (LEITURA)

INTRODUÇÃO

Os maiores obstáculos do estudo e da aprendizagem, em ciência e filosofia, estão diretamente relacionados com a
correspondente dificuldade que o estudante encontra na exata compreensão dos textos teóricos. Habituados à
abordagem de textos literários, os estudantes, ao se defrontarem com textos científicos ou filosóficos, encontram
99

dificuldades logo julgadas insuperáveis e que reforçam uma atitude de desânimo e de desencanto, geralmente
acompanhada de um juízo de valor depreciativo em relação ao pensamento teórico.
Na realidade, mesmo em se tratando de assuntos abstrato, para o leitor em condições de “seguir o fio da meada” a
leitura torna-se fácil, agradável e, sobretudo, proveitosa. Por isso é preciso criar condições de abordagem e de
inteligibilidade do texto, aplicando alguns recursos que, apesar de não substituírem a capacidade de intuição do leitor
na apreensão da forma lógica dos raciocínios em jogo, ajudam muito na análise e interpretação dos textos.

O QUE É LER?

Você está lendo neste momento e também lê quando consulta a lista telefônica e verifica o preço dos produtos numa
loja. Certamente você leu "as flores do mal", ou talvez "O capital". O que há de comum em todas essas atividades?
Ler o que é isso? A leitura é um modo particular de aquisição de informações, os objetivos da leitura são a
compreensão do texto escrito e/ou o alcance de uma impressão de beleza, porque quando lemos, estabelecemos
freqüentemente associações, evocamos imagens, construímos raciocínios, às vezes até sonhamos acordados.
Texto, a obra, é a expressão do viver, participar; é o produto humano colocado no mundo. É a manifestação do que o
homem produz nos vários campos das artes, da literatura e do saber. Expressa – se por meio dos mais variados
meios simbólicos: peças de teatro, filmes, televisão, pinturas, esculturas, literatura, poesia, livros científicos, artigos
de revistas, jornais.
Os textos teóricos requerem sempre o emprego da razão reflexiva, e isso pressupõe uma certa disciplina intelectual,
um método de estudo. Método entendido como o caminho a ser percorrido, demarcado do começo ao fim, por fases
ou etapas. O método serve de guia para o estudo sistemático do texto teórico: compreende-o e interpreta-lo.
A Importância da Leitura pode ser considerado um manual para principiantes em graduação, que através de uma
linguagem clara e objetiva nos mostra que o ato de ler exige uma consciência crítica e sistemática, adquiridos através
da prática. Afirma que a leitura não deve ser confundida com o simples ato de descodificar sinais gráficos, pelo
contrário, é necessário passar pelos planos da intelecção, da interpretação para finalmente chegar a aplicação,
podendo ser: icônica, gestual e sonora.
Pode-se partir da consideração de que a comunicação se dá quando da transmissão de uma mensagem entre um
emissor e um receptor. O emissor transmite uma mensagem que é captada pelo receptor. Este é o esquema geral
apresentado pela teoria da comunicação.
Ao escrever um texto, o autor (o emissor) codifica sua mensagem que, por sua vez, já tinha sido pensada, concebida
e o leitor (o receptor), ao ler um texto, decodifica a mensagem do autor, para então pensá-la, assimila-la e
personaliza-la e compreendendo-a.

LEITURA

Denomina-se leitura a compreensão de uma mensagem codificada em signos visuais (geralmente letras e cifras). O
ensino e o incentivo da leitura representam, portanto, um objetivo básico de todo sistema educativo.
Normalmente existem duas espécies de leitura: uma praticada por cultura geral ou entretenimento desinteressado,
que ocorre quando você lê uma revista ou um jornal; e outra que requer atenção especial e profunda concentração
mental, realizada por necessidade de saber, como por exemplo, quando você lê um livro, um texto de estudo ou uma
revista especializada.
Para que a leitura seja eficiente, eficaz e proveitosa, orienta-se dedicada atenção no que se está lendo, caso
contrário a leitura será superficial e, portanto, pouco entendida. Além de atenção, há necessidade de velocidade na
leitura. Pela orientação de Galliano (1986:70), ao ler um parágrafo, o leitor deve fazer uma leitura rápida, obedecendo
as pausas que, com um bom treinamento, passam ser momentos de fixação.
Cada assunto requer uma velocidade própria de leitura, se o seu campo de visão for estreito, limitando somente a
palavra que você está lendo naquele momento, a sua leitura se tornará lenta. Quando o comportamento ocorre desta
maneira, sua percepção acaba ligando palavras sem sentido, devido às interrupções das pausas e o ritmo
apropriado. Quanto mais lenta é a leitura, mais facilmente a atenção se dispersa.
A leitura, apesar da individualidade do ato realizado, é um ato social, pois existe um processo de comunicação e de
interação entre o leitor e o autor do texto, ambos com objetivos estabelecidos anteriormente dentro do contexto de
cada um. Apesar de, aparentemente simples e tão natural, o processo de leitura possui uma complexidade que está
subjacente porque depende do processamento humano de informações e da cognição de quem lê.
Cada leitor deve preocupar-se com o texto que esta lendo, já que esse deve ser sistematizado e com o objetivo de
fornecer informações para uma melhor assimilação, possibilitando uma leitura mais rica e proveitosa.
Em relação a dificuldade do leitor enquanto, texto x Leitor, a figura a seguir pode exemplificar:

Situação 1: o texto utilizado corresponde ao nível de habilidade do leitor,mas o contexto não é pertinente;
Situação 2: o leitor é colocado num contexto favorável, mas o texto não é adequado às suas capacidades;
Situação 3: nenhuma das variáveis se relaciona: o leitor lê um texto que não está no seu nível e o contexto da leitura
não é adequado.
100

O conhecimento textual faz parte do conhecimento prévio do leitor, e é uma das condições para que haja
compreensão de leitura, quanto mais habilidade e familiaridade o leitor possuir a respeito de tipologias e estruturas
textuais, mais facilidade ele terá na busca por compreensão.

ESTUDO DO TEXTO

Para estudar um determinado texto, devemos fazê-lo como um todo até adquirir uma visão global, para que
possamos dominar e entender a mensagem que o autor pretendia relatar quando escreveu. Os textos de estudos
requerem reflexão por aqueles que os estudam e, portanto, a leitura dos mesmos exige um método de abordagem.
Devemos compreender, analisar, interpretar e, para isso, temos que criar condições capazes de permitir a
compreensão, a análise, a síntese e a interpretação de seu conteúdo.
Analisar – decompor um texto completo em suas partes para melhor estudá-las.
Sintetizar – reconstituir o texto decomposto pela análise.
Interpretar – tomar uma posição própria a respeito das ideias enunciadas no texto, isto é, dialogar com o autor.

ANÁLISE

Para analisamos um texto devemos fazer por etapas, possibilitando por fim, a construção de um raciocínio global,
obedecendo a algumas etapas de análises:
-Análise Textual, que consiste em buscar informações a respeito do autor do texto, verificar o vocabulário, entre
outros, podendo ser finalizada com uma esquematização do texto, tendo como finalidade apresentar uma visão de
conjunto da unidade;
-Análise Temática procura ouvir o autor, apreender sem intervir, fazendo ao texto uma série de perguntas, onde as
respostas fornecem o conteúdo da mensagem;
-Análise Interpretativa visa a interpretação, segundo situações das ideias do autor, faz-se uma leitura analítica,
objetivando o amadurecimento intelectual;
-Problematização visa o levantamento do problema relevante, para a reflexão pessoal e discussão em grupo;
-Síntese Pessoal consiste na construção lógica de uma redação, baseada na problemática levantada pelo texto; E
por fim conclui valorizando a leitura analítica como responsável no desenvolvimento de posturas lógicas na vida do
estudante-leitor.

ANÁLISE TEXTUAL

Análise Textual é a leitura visando obter uma visão do todo, dirimindo todas as dúvidas possíveis, e um esquema do
texto.
Para efetiva-la, inicialmente o leitor deve ler o texto do começo ao fim, com o objetivo de uma primeira apresentação
do pensamento do autor. Não há necessidade dessa leitura ser profunda. Trata-se apenas dos primeiros contatos
iniciais, quando se sugere que já sejam feitas anotações dos vocábulos desconhecidos, pontos não entendidos em
um primeiro momento, e todas as dúvidas que impeçam a compreensão do pensamento do autor.
Após a leitura inicial, o leitor deve esclarecer as dúvidas assinaladas que, dirimidas, permitem que o leitor passe a
uma nova leitura, visando a compreensão do todo. Nesta segunda leitura, com todas as dúvidas resolvidas, o leitor
prepara um esquema provisório do que foi estudado, que facilitará a interpretação das ideias e/ou fenômenos, na
tentativa de descobrir conclusões a que o autor chegou.
É necessário o leitor relembrar que análise significa estudar um todo, dividindo em partes, interpretando cada uma
delas, para a compreensão do todo. Quando se faz análise de texto, penetramos na ideia e no pensamento do autor
que originou o texto. Para que o estudo do texto seja completo, temos que decompô-lo em partes e, ao fazê-lo,
estamos efetuando sua análise.

ANÁLISE TEMÁTICA

É o momento em que vamos nos perguntar se realmente compreendemos a mensagem do autor do texto é a
compreensão e apreensão do texto, que inclui: ideias, problemas, processos de raciocínio e comparações Aqui
devemos recuperar:
-O tema do texto;
-O problema que o autor se coloca;
-A ideia central e as secundárias do texto.
Normalmente isto é feito junto com o esquema do texto. Nele, você irá indicar cada um dos itens acima,
reconstruindo o raciocínio do autor do texto; recuperando seu processo lógico.

É através do raciocínio que o autor expõe, passo a passo, seu pensamento e transmite a mensagem. O raciocínio, a
argumentação, é o conjunto de ideias e proposições logicamente encadeadas, mediante as quais o autor demonstra
101

sua posição ou tese. Estabelecer o raciocínio de uma unidade de leitura é o mesmo que reconstruir o processo
lógico, segundo o qual o texto deve ter sido estruturado: com efeito, o raciocínio é a estrutura lógica do texto.
Finalmente, é com base na análise temática que se pode construir organograma lógico de uma unidade: a
apresentação geometrizada de um raciocínio.

ANÁLISE INTERPRETATIVA

A análise interpretativa é a terceira abordagem do texto com vista à sua interpretação, mediante a situação das ideias
do autor. A partir da compreensão objetiva da mensagem comunicada pelo texto, o que se tem em vista é a síntese
das ideias do raciocínio e a compreensão profunda do texto não traria grandes benefícios.
Interpretar, em sentido restrito é tomar uma posição própria a respeito da ideias enunciadas, é superar a estrita
mensagem do teto, é ler nas entrelinhas, é forçar o autor a dialogar, é explorar toda fecundidade das ideias expostas,
enfim, dialogar com o autor.
No primeiro momento da interpretação, busca-se determinar até que ponto o autor conseguiu atingir, de modo lógico,
os objetivos que se propusera alcançar; pergunta-se até que ponto o raciocínio foi eficaz na demonstração da tese
proposta e até que ponto a conclusão a que chegou está realmente fundada numa argumentação sólida e sem
falhas, coerente com as suas premissas e com árias tapas percorridas.
Num segundo ponto de vista, formula-se um juízo crítico sobre o raciocínio em questão: até que ponto o autor
consegue uma colocação original, própria, pessoal, superando a pra retomada dos textos de outros autores, até que
ponto o tratamento dispensado por ele ao tema é profundo e não superficial e meramente erudito; trata-se de se
saber anda qual o alcance, ou seja, a relevância e a contribuição específica do texto para o estudo do tema
abordado.

PROBLEMATIZAÇÃO

É a quarta abordagem com vistas ao levantamento dos problemas para a discussão do texto. Rever todo o texto para
se ter elementos para reflexão pessoal e debate em grupo.
Os problemas podem situar-se no nível das três abordagens anteriores; desde problemas textuais, os mais objetivos
e concretos, até mais difíceis problemas de interpretação, todos constituem elementos válidos para a reflexão
individual ou em grupo. O debate e a reflexão são essenciais à própria filosófica científica.
Devemos, portanto:
-Ler atentamente o texto e questioná-lo, procurando encontrar as respostas para os questionamentos
[Link] em uma folha de papel os termos, conceitos, ideias etc, que deverão ser pesquisados após a leitura
inicial.
- Fazer a segunda leitura e, a partir daí, sublinhar a ideia principal, os pormenores mais significativos, enfim, os
elementos básicos da unidade de leitura.
-A prática possibilitará que o leitor perceba que raramente será necessário sublinhar uma oração inteira.
Quase sempre é uma palavra-chave que se apresenta como elemento essencial. Na realidade, a regra fundamental é
sublinhar apenas o que é importante para o estudo realizado, e somente depois de estar seguro dessa importância.
O correto é que, ao ler o sublinhado, seja possível obter claramente o conteúdo do que foi lido.

ANÁLISE PESSOAL

A discussão da problemática levantada pelo texto, bem como a reflexão a que ele conduz, devem levar o leitor a uma
frase de elaboração pessoal ou de síntese. Trata-se de uma etapa ligada antes à construção lógica de uma redação
do que à leitura como tal.
De qualquer modo, a leitura bem feita deve possibilitar ao estudioso progredir no desenvolvimento das ideias do
autor, bem como daqueles elementos relacionados com elas. Ademais, o trabalho de síntese pessoal é sempre
exigido no contexto das atividades didáticas, quer como tarefa específica, quer como parte de relatórios ou de roteiro
de seminários. Significa também valioso exercício de raciocínio – garantia de amadurecimento intelectual. Como a
problematização, esta etapa se apóia na retomada de pontos abordados em todas as etapas anteriores.

INTERPRETAÇÃO

Interpretar é tomar uma posição própria a respeito das ideias do autor, é ler nas entrelinhas, é forçar o autor a um
diálogo, é explorar as ideias expostas, é ter capacidade de compreensão e crítica do texto. Interpretação é processo,
num primeiro momento, de dizer o que o autor disse, parafraseando o texto, resumindo-o; é reproduzir as ideias do
texto. Num segundo momento, entende-se interpretação como comentário, discussão das ideias do autor. A análise
interpretativa conduz o leitor a atuar como crítico do que o autor escreveu.
Para que haja uma boa leitura é indispensável que o leitor domine a língua, sendo capaz de conhecer a língua
padrão, conhecer as variantes da língua, gerar seqüências lingüísticas gramaticais, produzir e compreender textos,
enfim, desenvolver suas habilidades e competência lingüística, podendo assim interagir no mundo da leitura da forma
102

madura e produtiva.
Para realizar a análise interpretativa de um texto devemos realizar os seguintes procedimentos:

-Reler o texto, assinalando ou anotando palavras ou expressões desconhecidas, valendo-se de um dicionário para
esclarecer seus significados;
-Não se deixe tomar pela subjetividade;
-Relacione as ideias do autor com o contexto filosófico e científico de sua época e de nossos dias;
-Faça a leitura das “entrelinhas” a fim de inferir o que não está explícito no texto;
- Adote uma posição crítica, a mais objetiva possível, com relação ao [Link] posição tem de estar fundamentada
em argumentos válidos, lógicos e convincentes;
-Faça o resumo do que estudou;
-Discuta o resultado obtido no estudo.
É preciso observar que a concepção da compreensão na leitura ampliou-se, consideravelmente, nas últimas décadas
no que diz respeito à participação do leitor. A atitude do leitor frente ao texto, anteriormente vista como recepção
passiva de mensagens, passou a considerar o processamento mental de informação da compreensão e evoluiu para
uma perspectiva de interação entre o leitor e o texto.
Ao finalizar a análise interpretativa, com certeza, o leitor terá adquirido conhecimento qualitativo e quantitativo sobre
o tema estudado.

SÍNTESE TEXTUAL

A leitura analítica serve de base para o resumo ou síntese do texto ou livro. Entende – se que é a apresentação
concisa dos pontos relevantes de um texto.
Esta é uma etapa que você só pode fazer se já tiver um bom acúmulo de leituras sobre o tema, conhecendo bem o
assunto, tendo lido outros autores sobre o que foi estudado e conhecendo as críticas que se fazem àquele autor e
àquelas ideias, após essa análise você pode começar a problematizar o texto. Na prática, isso significa levantar e
discutir problemas com relação à mensagem do autor.

CONCLUSÃO

Embora se tenha consciência de que, nomeadamente nos textos literários, a experiência de leitura é conexa do
reconhecimento da pluralidade de interpretações, é igualmente necessário sublinhar que o contexto de interpretação
é validado por um conjunto de elementos textuais e socio-históricos que implicam que nem todo o ato interpretativo é
por si mesmo legitimado. Isto significa que ler e interpretar são atos de percepção relacional e argumentativa, e que
esta sua fundação não deve ser ignorada.
Não basta ser alfabetizado para realmente saber ler. Há leitores que deixam os olhos passarem pelas palavras,
enquanto sua mente voa por lugares distantes. Esses lêem apenas com os olhos e só percebem que não leram
quando chegam ao fim de uma página, um capítulo ou um livro. Então devem recomeçar tudo de novo porque de fato
não aprenderam a ler. É preciso ler, mas, também é preciso saber ler. Não adianta orgulhar-se que leu um livro
rapidamente em algumas dezenas de minutos, se ao terminar a leitura é incapaz de dizer sobre o que acabou de ler.

Figuras de Linguagem

As figuras de linguagem são recursos que tornam mais expressivas as mensagens. Subdividem-se em figuras de
som, figuras de construção, figuras de pensamento e figuras de palavras.

Figuras de som

a) aliteração: consiste na repetição ordenada de mesmos sons consonantais.


“Esperando, parada, pregada na pedra do porto.”

b) assonância: consiste na repetição ordenada de sons vocálicos idênticos.


“Sou um mulato nato no sentido lato
mulato democrático do litoral.”

c) paronomásia: consiste na aproximação de palavras de sons parecidos, mas de significados distintos.


“Eu que passo, penso e peço.”
103

Figuras de construção

a) elipse: consiste na omissão de um termo facilmente identificável pelo contexto.


“Na sala, apenas quatro ou cinco convidados.” (omissão de havia)

b) zeugma: consiste na elipse de um termo que já apareceu antes.


Ele prefere cinema; eu, teatro. (omissão de prefiro)

c) polissíndeto: consiste na repetição de conectivos ligando termos da oração ou elementos do período.


“ E sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito (...)”

d) inversão: consiste na mudança da ordem natural dos termos na frase.


“De tudo ficou um pouco.
Do meu medo. Do teu asco.”

e) silepse: consiste na concordância não com o que vem expresso, mas com o que se subentende, com o
que está implícito. A silepse pode ser:

• De gênero
Vossa Excelência está preocupado.

• De número
Os Lusíadas glorificou nossa literatura.

• De pessoa
“O que me parece inexplicável é que os brasileiros persistamos em comer essa coisinha verde e mole que
se derrete na boca.”

f) anacoluto: consiste em deixar um termo solto na frase. Normalmente, isso ocorre porque se inicia uma
determinada construção sintática e depois se opta por outra.
A vida, não sei realmente se ela vale alguma coisa.

g) pleonasmo: consiste numa redundância cuja finalidade é reforçar a mensagem.


“E rir meu riso e derramar meu pranto.”

h) anáfora: consiste na repetição de uma mesma palavra no início de versos ou frases.


“ Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer”

Figuras de pensamento

a) antítese: consiste na aproximação de termos contrários, de palavras que se opõem pelo sentido.
“Os jardins têm vida e morte.”

b) ironia: é a figura que apresenta um termo em sentido oposto ao usual, obtendo-se, com isso, efeito crítico ou
humorístico.
“A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças.”

c) eufemismo: consiste em substituir uma expressão por outra menos brusca; em síntese, procura-se suavizar
alguma afirmação desagradável.
Ele enriqueceu por meios ilícitos. (em vez de ele roubou)

d) hipérbole: trata-se de exagerar uma ideia com finalidade enfática.


Estou morrendo de sede. (em vez de estou com muita sede)
104

e) prosopopeia ou personificação: consiste em atribuir a seres inanimados predicativos que são próprios de
seres animados.
O jardim olhava as crianças sem dizer nada.

f) gradação ou clímax: é a apresentação de ideias em progressão ascendente (clímax) ou descendente


(anticlímax)
“Um coração chagado de desejos
Latejando, batendo, restrugindo.”

g) apóstrofe: consiste na interpelação enfática a alguém (ou alguma coisa personificada).


“Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!”

Figuras de palavras

a) metáfora: consiste em empregar um termo com significado diferente do habitual, com base numa relação de
similaridade entre o sentido próprio e o sentido figurado. A metáfora implica, pois, uma comparação em que o
conectivo comparativo fica subentendido.
“Meu pensamento é um rio subterrâneo.”

b) metonímia: como a metáfora, consiste numa transposição de significado, ou seja, uma palavra que
usualmente significa uma coisa passa a ser usada com outro significado. Todavia, a transposição de
significados não é mais feita com base em traços de semelhança, como na metáfora. A metonímia explora
sempre alguma relação lógica entre os termos. Observe:
Não tinha teto em que se abrigasse. (teto em lugar de casa)

c) catacrese: ocorre quando, por falta de um termo específico para designar um conceito, torna-se outro por
empréstimo. Entretanto, devido ao uso contínuo, não mais se percebe que ele está sendo empregado em
sentido figurado.
O pé da mesa estava quebrado.

d) antonomásia ou perífrase: consiste em substituir um nome por uma expressão que o identifique com
facilidade:
...os quatro rapazes de Liverpool (em vez de os Beatles)

e) sinestesia: trata-se de mesclar, numa expressão, sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido.
A luz crua da madrugada invadia meu quarto.

QUESTÕES DE ENEM

(ENEM 2009)
Texto para as questões 1 e 2

Canção do vento e da minha vida


O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
[...]
O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.
105

O vento varria os meses


E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.
BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.

Questão 1
Predomina no texto a função da linguagem
A fática, porque o autor procura testar o canal de comunicação.
B metalinguística, porque há explicação do significado das expressões.
C conativa, uma vez que o leitor é provocado a participar de uma ação.
D referencial, já que são apresentadas informações sobre acontecimentos e fatos reais.
E poética, pois chama-se a atenção para a elaboração especial e artística da estrutura do texto.

Questão 2
Na estruturação do texto, destaca-se
A a construção de oposições semânticas.
B a apresentação de ideias de forma objetiva.
C o emprego recorrente de figuras de linguagem, como o eufemismo.
D a repetição de sons e de construções sintáticas semelhantes.
E a inversão da ordem sintática das palavras.

(ENEM 2009) Questão 3

Texto I
O professor deve ser um guia seguro, muito senhor de sua língua; se outra for a orientação, vamos cair na
“língua brasileira”, refúgio nefasto e confissão nojenta de ignorância do idioma pátrio, recurso vergonhoso de homens
de cultura falsa e de falso patriotismo. Como havemos de querer que respeitem a nossa nacionalidade se somos os
primeiros a descuidar daquilo que exprime e representa o idioma pátrio?
ALMEIDA, N. M. Gramática metódica da língua portuguesa.
Prefácio. São Paulo: Saraiva, 1999 (adaptado).

Texto II
Alguns leitores poderão achar que a linguagem desta Gramática se afasta do padrão estrito usual neste tipo
de livro. Assim, o autor escreve tenho que reformular, e não tenho de reformular; pode-se colocar dois constituintes, e
não podem-se colocar dois constituintes; e assim por diante. Isso foi feito de caso pensado, com a preocupação de
aproximar a linguagem da gramática do padrão atual brasileiro presente nos textos técnicos e jornalísticos de nossa
época.
REIS, N. Nota do editor. PERINI, M. A. Gramática descritiva
do português. São Paulo: Ática, 1996.
Confrontando-se as opiniões defendidas nos dois textos, conclui-se que

A ambos os textos tratam da questão do uso da língua com o objetivo de criticar a linguagem do brasileiro.
B os dois textos defendem a ideia de que o estudo da gramática deve ter o objetivo de ensinar as regras prescritivas
da língua.
C a questão do português falado no Brasil é abordada nos dois textos, que procuram justificar como é correto e
aceitável o uso coloquial do idioma.
D o primeiro texto enaltece o padrão estrito da língua, ao passo que o segundo defende que a linguagem jornalística
deve criar suas próprias regras gramaticais.
E o primeiro texto prega a rigidez gramatical no uso da língua, enquanto o segundo defende uma adequação da
língua escrita ao padrão atual brasileiro.

(ENEM 2009)
Texto para as questões 4 e 5

Quando eu falo com vocês, procuro usar o código de vocês. A figura do índio no Brasil de hoje não pode ser
aquela de 500 anos atrás, do passado, que representa aquele primeiro contato. Da mesma forma que o Brasil de
106

hoje não é o Brasil de ontem, tem 160 milhões de pessoas com diferentes sobrenomes. Vieram para cá asiáticos,
europeus, africanos, e todo mundo quer ser brasileiro. A importante pergunta que nós fazemos é: qual é o pedaço de
índio que vocês têm? O seu cabelo? São seus olhos? Ou é o nome da sua rua? O nome da sua praça? Enfim, vocês
devem ter um pedaço de índio dentro de vocês. Para nós, o importante é que vocês olhem para a gente como seres
humanos, como pessoas que nem precisam de paternalismos, nem precisam ser tratadas com privilégios. Nós não
queremos tomar o Brasil de vocês, nós queremos compartilhar esse Brasil com vocês.
TERENA, M. Debate. MORIN, E. Saberes globais e saberes locais.
Rio de Janeiro: Garamond, 2000 (adaptado).

Questão 4

Os procedimentos argumentativos utilizados no texto permitem inferir que o ouvinte/leitor, no qual o emissor foca o
seu discurso, pertence

A ao mesmo grupo social do falante/autor.


B a um grupo de brasileiros considerados como não índios.
C a um grupo étnico que representa a maioria europeia que vive no país.
D a um grupo formado por estrangeiros que falam português.
E a um grupo sociocultural formado por brasileiros naturalizados e imigrantes.

Questão 5

Na situação de comunicação da qual o texto foi retirado, a norma padrão da língua portuguesa é empregada com a
finalidade de

A demonstrar a clareza e a complexidade da nossa língua materna.


B situar os dois lados da interlocução em posições simétricas.
C comprovar a importância da correção gramatical nos diálogos cotidianos.
D mostrar como as línguas indígenas foram incorporadas à língua portuguesa.
E ressaltar a importância do código linguístico que adotamos como língua nacional.

(ENEM 2009) Questão 6

Oximoro, ou paradoxismo, é uma figura de retórica em que se combinam palavras de sentido oposto que parecem
excluir-se mutuamente, mas que, no contexto, reforçam a expressão.
Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa.
Considerando a definição apresentada, o fragmento poético da obra Cantares, de Hilda Hilst, publicada em
2004, em que pode ser encontrada a referida figura de retórica é:

A “Dos dois contemplo


rigor e fixidez.
Passado e sentimento
me contemplam” (p. 91).

B “De sol e lua


De fogo e vento
Te enlaço” (p. 101).

C “Areia, vou sorvendo


A água do teu rio” (p. 93).

D “Ritualiza a matança
de quem só te deu vida.
E me deixa viver
nessa que morre” (p. 62).

E “O bisturi e o verso.
Dois instrumentos
entre as minhas mãos” (p. 95).
(ENEM 2009) Questão 122
107

Veja, 7 maio 1997.

Na parte superior do anúncio, há um comentário escrito à mão que aborda a questão das atividades linguísticas e
sua relação com as modalidades oral e escrita da língua.

Esse comentário deixa evidente uma posição crítica quanto a usos que se fazem da linguagem, enfatizando ser
necessário
A implementar a fala, tendo em vista maior desenvoltura, naturalidade e segurança no uso da língua .
B conhecer gêneros mais formais da modalidade oral para a obtenção de clareza na comunicação oral e escrita.
C dominar as diferentes variedades do registro oral da língua portuguesa para escrever com adequação, eficiência e
correção.
D empregar vocabulário adequado e usar regras da norma padrão da língua em se tratando da modalidade escrita.
E utilizar recursos mais expressivos e menos desgastados da variedade padrão da língua para se expressar com
alguma segurança e sucesso.

(ENEM 2009) Questão 7


A partida
Acordei pela madrugada. A princípio com tranquilidade, e logo com obstinação, quis novamente dormir. Inútil,
o sono esgotara-se. Com precaução, acendi um fósforo: passava das três. Restava-me, portanto, menos de duas
horas, pois o trem chegaria às cinco. Veio-me então o desejo de não passar mais nem uma hora naquela casa.
Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e de amor.
Com receio de fazer barulho, dirigi-me à cozinha, lavei o rosto, os dentes, penteei-me e, voltando ao meu
quarto, vesti-me. Calcei os sapatos, sentei-me um instante à beira da cama. Minha avó continuava dormindo. Deveria
fugir ou falar com ela? Ora, algumas palavras... Que me custava acordá-la, dizer-lhe adeus?
LINS, O. A partida. Melhores contos. Seleção e prefácio de
Sandra Nitrini. São Paulo: Global, 2003.

No texto, o personagem narrador, na iminência da partida, descreve a sua hesitação em separar-se da avó. Esse
sentimento contraditório fica claramente expresso no trecho:

A “A princípio com tranquilidade, e logo com obstinação, quis novamente dormir” (ℓ. 1-3).
B “Restava-me, portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco” (ℓ. 4-6).
C “Calcei os sapatos, sentei-me um instante à beira da cama” (ℓ. 12-13).
D “Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e amor” (ℓ. 7-9).
E “Deveria fugir ou falar com ela? Ora, algumas palavras...” (ℓ. 14-15).

(ENEM 2009)
Texto para as questões 8 e 9
108

Questão 8
O texto exemplifica um gênero textual híbrido entre carta e publicidade oficial. Em seu conteúdo, é possível perceber
aspectos relacionados a gêneros digitais. Considerando-se a função social das informações geradas nos sistemas de
comunicação e informação presentes no texto, infere-se que
A a utilização do termo download indica restrição de leitura de informações a respeito de formas de combate à
dengue.
B a diversidade dos sistemas de comunicação empregados e mencionados reduz a possibilidade de acesso às
informações a respeito do combate à dengue.
C a utilização do material disponibilizado para download no site [Link] restringe-se ao receptor
da publicidade.
D a necessidade de atingir públicos distintos se revela por meio da estratégia de disponibilização de informações
empregada pelo emissor.
E a utilização desse gênero textual compreende, no próprio texto, o detalhamento de informações a respeito de
formas de combate à dengue.

Questão 9
Diante dos recursos argumentativos utilizados, depreende-se que o texto apresentado

A se dirige aos líderes comunitários para tomarem a iniciativa de combater a dengue.


B conclama toda a população a participar das estratégias de combate ao mosquito da dengue.
C se dirige aos prefeitos, conclamando-os a organizarem iniciativas de combate à dengue.
D tem como objetivo ensinar os procedimentos técnicos necessários para o combate ao mosquito da dengue.
E apela ao governo federal, para que dê apoio aos governos estaduais e municipais no combate ao mosquito da
dengue.

(ENEM 2010) Questão 10


109

BESSINHA
As diferentes esferas sociais de uso da língua obrigam o falante a adaptá-la às variadas situações de comunicação.
Uma das marcas linguísticas que configuram a linguagem oral informal usada entre avô e neto neste texto é

A a opção pelo emprego da forma verbal “era” em lugar de “foi”.


B a ausência de artigo antes da palavra “árvore”.
C o emprego da redução “tá” em lugar da forma verbal “está”.
D o uso da contração “desse” em lugar da expressão “de esse”.
E a utilização do pronome “que” em início de frase exclamativa.

(ENEM 2010) Questão 10

A biosfera, que reúne todos os ambientes onde se desenvolvem os seres vivos, se divide em unidades
menores chamadas ecossistemas, que podem ser uma floresta, um deserto e até um lago. Um ecossistema tem
múltiplos mecanismos que regulam o número de organismos dentro dele, controlando sua reprodução, crescimento e
migrações.
DUARTE, M. O guia dos curiosos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Predomina no texto a função da linguagem

A emotiva, porque o autor expressa seu sentimento em relação à ecologia.


B fática, porque o texto testa o funcionamento do canal de comunicação.
C poética, porque o texto chama a atenção para os recursos de linguagem.
D conativa, porque o texto procura orientar comportamentos do leitor.
E referencial, porque o texto trata de noções e informações conceituais.

(ENEM 2010) Questão 11


Testes
Dia desses resolvi fazer um teste proposto por um site da internet. O nome do teste era tentador: “O que
Freud diria de você”. Uau. Respondi a todas as perguntas e o resultado foi o seguinte: “Os acontecimentos da sua
infância a marcaram até os doze anos, depois disso você buscou conhecimento intelectual para seu
amadurecimento”. Perfeito! Foi exatamente o que aconteceu comigo. Fiquei radiante: eu havia realizado uma
consulta paranormal com o pai da psicanálise, e ele acertou na mosca. Estava com tempo sobrando, e curiosidade é
algo que não me falta, então resolvi voltar ao teste e responder tudo diferente do que havia respondido antes.
Marquei umas alternativas esdrúxulas, que nada tinham a ver com minha personalidade. E fui conferir o resultado,
que dizia o seguinte: “Os acontecimentos da sua infância a marcaram até os 12 anos, depois disso você buscou
conhecimento intelectual para seu amadurecimento”.
MEDEIROS, M. Doidas e santas. Porto Alegre, 2008 (adaptado).
Quanto às influências que a internet pode exercer sobre os usuários, a autora expressa uma reação irônica no
trecho:

A “Marquei umas alternativas esdrúxulas, que nada tinham a ver”.


110

B “Os acontecimentos da sua infância a marcaram até os doze anos”.


C “Dia desses resolvi fazer um teste proposto por um site da internet”.
D “Respondi a todas as perguntas e o resultado foi o seguinte”.
E “Fiquei radiante: eu havia realizado uma consulta paranormal com o pai da psicanálise”.

(ENEM 2010) Questão 12


MOSTRE QUE SUA MEMÓRIA É MELHOR
DO QUE A DE COMPUTADOR E GUARDE
ESTA CONDIÇÃO: 12X SEM JUROS.

Campanha publicitária de loja de eletroeletrônicos. Revista Época. N° 424, 03 jul. 2006.

Ao circularem socialmente, os textos realizam-se como práticas de linguagem, assumindo configurações específicas,
formais e de conteúdo. Considerando o contexto em que circula o texto publicitário, seu objetivo básico é

A Influenciar o comportamento do leitor por meio de apelos que visam à adesão ao consumo.
B definir regras de comportamento social pautadascombate ao consumismo exagerado.
C defender a importância do conhecimento de informática pela população de baixo poder aquisitivo.
D facilitar o uso de equipamentos de informática pelas classes sociais economicamente desfavorecidas.
E questionar o fato de o homem ser mais inteligente que a máquina, mesmo a mais moderna.

(ENEM 2010) Questão 13


Transtorno do comer compulsivo
O transtorno do comer compulsivo vem sendo reconhecido, nos últimos anos, como uma síndrome
caracterizada por episódios de ingestão exagerada e compulsiva de alimentos, porém, diferentemente da bulimia
nervosa, essas pessoas não tentam evitar ganho de peso com os métodos compensatórios. Os episódios vêm
acompanhados de uma sensação de falta de controle sobre o ato de comer, sentimentos de culpa e de vergonha.
Muitas pessoas com essa síndrome são obesas, apresentando uma história de variação de peso, pois a
comida é usada para lidar com problemas psicológicos. O transtorno do comer compulsivo é encontrado em cerca de
2% da população em geral, mais frequentemente acometendo mulheres entre 20 e 30 anos de idade. Pesquisas
demonstram que 30% das pessoas que procuram tratamento para obesidade ou para perda de peso são portadoras
de transtorno do comer compulsivo.
Disponível em: [Link] Acesso em: 1 maio 2009 (adaptado).

Considerando as ideias desenvolvidas pelo autor, conclui-se que o texto tem a finalidade de

A descrever e fornecer orientações sobre a síndrome da compulsão alimentícia.


B narrar a vida das pessoas que têm o transtorno do comer compulsivo.
C aconselhar as pessoas obesas a perder peso com métodos simples.
D expor de forma geral o transtorno compulsivo por alimentação.
E encaminhar as pessoas para a mudança de hábitos alimentícios.

(ENEM 2011) Questão 14

É água que não acaba mais


Dados preliminares divulgados por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) apontaram o Aquífero
Alto do Chão como o maior depósito de água potável do planeta. Com volume estimado em 86 000 quilômetros
cúbicos de água doce, a reserva subterrânea está localizada sob os estados do Amazonas, Amapá e Pará. “Essa
quantidade de água seria suficiente para abastecer a população mundial durante 500 anos.”, diz Milton Matta,
geólogo da UFPA. Em termos comparativos, Alter do Chão tem quase o dobro do volume de água do Aquífero
Guarani (com 45 000 quilômetros cúbicos). Até então, Guarani era a maior reserva subterrânea do mundo, distribuída
por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Época. Nº 623, 26 abr. 2010.

Essa notícia, publicada em uma revista de grande circulação, apresenta resultados de uma pesquisa científica
realizada por uma universidade brasileira. Nessa situação específica de comunicação, a função referencial da
linguagem predomina, porque o autor do texto prioriza

A as suas opiniões, baseadas em fatos.


B os aspectos objetivos e precisos.
111

C os elementos de persuasão do leitor.


D os elementos estéticos na construção do texto.
E os aspectos subjetivos da mencionada pesquisa.

(ENEM 2011) Questão 15

Entre ideia e tecnologia


O grande conceito por trás do Museu da Língua é apresentar o idioma como algo vivo e fundamental para o
entendimento do que é ser brasileiro. Se nada nos define com clareza, a forma como falamos o português nas mais
diversas situações cotidianas é talvez a melhor expressão da brasilidade.
SCARDOVELI, E. Revista Língua Portuguesa. São Paulo: Segmento, Ano II, nº 6, 2006.

O texto expõe uma reflexão acerca da língua portuguesa, ressaltando para o leitor a

A inauguração do museu e o grande investimento em cultura no país.


B importância da língua para a construção da identidade nacional.
C afetividade tão comum ao brasileiro, retratada através da língua.
D relação entre o idioma e as políticas públicas na área de cultura.
E diversidade étnica e lingüística existente no território nacional.

PROPOSTA DE REDAÇÃO (ENEM 2011)

Com base na leitura dos textos motivadores seguintes e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação,
redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema VIVER EM REDE NO
SÉCULO XXI: OS LIMITES ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO, apresentando proposta de conscientização social
que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos
para defesa de seu ponto de vista.

Liberdade sem fio


A ONU acaba de declarar o acesso à rede um direito fundamental do ser humano – assim como saúde, moradia e
educação. No mundo todo, pessoas começam a abrir seus sinais privados de wi-fi, organizações e governos se
mobilizam para expandir a rede para espaços públicos e regiões onde ela ainda não chega, com acesso livre e
gratuito.
ROSA, G.; SANTOS, P. Galileu. Nº 240, jul. 2011 (fragmento).

A internet tem ouvidos e memória

Uma pesquisa da consultoria Forrester Research revela que, nos Estados Unidos, a população já passou mais tempo
conectada à internet do que em frente à televisão. Os hábitos estão mudando. No Brasil, as pessoas já gastam cerca
de 20% de seu tempo on-line em redes sociais. A grande maioria dos internautas (72%, de acordo com o Ibope
Mídia) pretende criar, acessar e manter um perfil em rede. “Faz parte da própria socialização do indivíduo do século
XXI estar numa rede social. Não estar equivale a não ter uma identidade ou um número de telefone no passado”,
acredita Alessandro Barbosa Lima, CEO da [Link], empresa de monitoração e análise de mídias.
As redes sociais são ótimas para disseminar ideias, tornar alguém popular e também arruinar reputações. Um dos
maiores desafios dos usuários de internet é saber ponderar o que se publica nela. Especialistas recomendam que
não se deve publicar o que não se fala em público, pois a internet é um ambiente social e, ao contrário do que se
pensa, a rede não acoberta anonimato, uma vez que mesmo quem se esconde atrás de um pseudônimo pode ser
rastreado e identificado. Aqueles que, por impulso, exaltam e cometem gafes podem pagar caro.
Disponível em: [Link] Acesso em: 30 jun. 2011 (adaptado).

DAHMER, A. Disponível em: [Link] Acesso em: 30 jun. 2011.


112

MÓDULO 15

PROVAS DE VESTIBULARES

CONCURSO PISM III - TRIÊNIO 2007-2009


PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA
TEXTO I:
Leia, com atenção, os fragmentos do texto abaixo, de Luís Indriunas:

No início, não havia nada. A saúde no Brasil praticamente inexistiu nos tempos de colônia. O modelo
exploratório nem pensava nessas coisas. O pajé, com suas ervas e cantos, e os boticários, que viajavam pelo Brasil
Colônia, eram as únicas formas de assistência à saúde. Para se ter uma ideia, em 1789, havia no Rio de Janeiro
apenas quatro médicos.
Com a chegada da família real portuguesa em 1808, as necessidades da corte forçaram a criação das duas
primeiras escolas de medicina do país: o Colégio Médico-Cirúrgico no Real Hospital Militar da Cidade de
Salvador e a Escola de Cirurgia do Rio de Janeiro. E foram essas as únicas medidas governamentais na área até
a República.
Foi no primeiro governo de Rodrigues Alves (1902-1906) que houve a primeira medida sanitarista no país. O
Rio de Janeiro não tinha nenhum saneamento básico e, assim, várias doenças graves, como varíola, malária, febre
amarela e até a peste espalhavam-se facilmente. O presidente então nomeou o médico Oswaldo Cruz para dar um
jeito no problema. Numa ação policialesca, o sanitarista convocou 1.500 pessoas para ações em que invadiam as
casas, queimavam roupas e colchões. Sem nenhum tipo deação educativa, a população foi ficando cada vez mais
indignada. E o auge do conflito foi a instituição de uma vacinação anti-varíola. A população saiu às ruas e iniciou a
Revolta da Vacina. Oswaldo Cruz acabou afastado.
Apesar do fim conflituoso, o sanitarista conseguiu resolver parte dos problemas e colher muitas informações
que ajudaram seu sucessor, Carlos Chagas, a estruturar uma campanha rotineira de ação e educação sanitária.
Pouco foi feito em relação à saúde depois desse período. Apenas com a chegada dos imigrantes europeus,
que formaram a primeira massa de operários do Brasil, começou-se a discutir, obviamente com fortes formas de
pressão como greves e manifestações, um modelo de assistência médica para a população pobre. Assim, em 1923,
surge a lei Elói Chaves, criando as Caixas de Aposentadoria e Pensão. Essas instituições eram mantidas pelas
empresas que passaram a oferecer esses serviços aos seus funcionários. A União não participava das caixas.
Esse modelo começa a mudar a partir da Revolução de 1930, quando Getúlio Vargas toma o poder. É criado
o Ministério da Educação e Saúde e as caixas são substituídas pelos Institutos de Aposentadoria e Pensões
(IAPs), que, por causa do modelo sindicalista de Vargas, passam a ser dirigidos por entidades sindicais e não mais
por empresas como as antigas caixas. Suas atribuições são muito semelhantes às das caixas, prevendo assistência
médica. O primeiro IAP foi o dos marítimos. A União continuou se eximindo do financiamento do modelo, que era
gerido pela contribuição sindical, instituída no período getulista.
Dos anos 40 a 1964, início da ditadura militar no Brasil, uma das discussões sobre saúde pública brasileira se
baseou na unificação dos IAPs como forma de tornar o sistema mais abrangente. É de 1960 a Lei Orgânica da
Previdência Social, que unificava os IAPs em um regime único para todos os trabalhadores regidos pela
Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), o que excluía trabalhadores rurais, empregados domésticos e funcionários
públicos. É a primeira vez que, além da contribuição dos trabalhadores e das empresas, se definia efetivamente uma
contribuição do Erário Público. Mas tais medidas foram ficando no papel. A efetivação dessas propostas só
aconteceu em 1967 pelas mãos dos militares, com a unificação de IAPs e a conseqüente criação do Instituto
Nacional de Previdência Social (INPS). Surgiu então uma demanda muito maior que a oferta. A solução encontrada
pelo governo foi pagar a rede privada pelos serviços prestados à população. Mais complexa, a estrutura foi se
modificando e acabou por criar o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps) em
1978, que ajudou nesse trabalho de intermediação dos repasses para iniciativa privada. Um pouco antes, em 1974,
os militares já haviam criado o Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social (FAS), que ajudou a remodelar e ampliar
a rede privada de hospitais, por meio de empréstimos com juros subsidiados. Toda essa política acabou
proporcionando um verdadeiro boom na rede privada. De 1969 a1984, o número de leitos privados cresceu cerca de
500%. De 74.543 em 1969 para 348.255 em 1984.
Como se pode ver, o modelo criado pelo regime militar era pautado pelo pensamento da medicina curativa.
Poucas medidas de prevenção e sanitaristas foram tomadas. (...)
Surgem cinco modalidades diferentes de assistência médica suplementar: medicina de grupo, cooperativas
médicas, auto-gestão, seguro-saúde e plano de administração. A classe média, principal alvo destes grupos, adere
113

rapidamente, respondendo contra as falhas da saúde pública. O crescimento dos planos é vertiginoso. Em 1989, já
contabilizam mais de 31 mil brasileiros, ou 22% da população, faturando US$ 2,4 bilhões.
Ao lado dessas mudanças, os constituintes da transição democrática começaram a criar um novo sistema de
saúde, que mudou os parâmetros da saúde pública no Brasil, o SUS.

(disponível em: [Link] acessado em julho de 2009)

Questão 1:
Faça um resumo do texto acima, citando, em ordem cronológica e de maneira sucinta, os principais
eventos no desenvolvimento das políticas de saúde no Brasil, desde a época da chegada da família real até o início
da ditadura militar.

Questão 2:
Com base em elementos do texto, elabore um parágrafo em que seja explicado o rápido crescimento da rede
de saúde privada no Brasil.

TEXTO II:
Observe a charge abaixo, sobre a Revolta da Vacina, selecionada da Enciclopédia Delta Universal.
114

Agora, leia novamente:

“Numa ação policialesca, o sanitarista convocou 1.500 pessoas para ações que invadiam as casas,

queimavam roupas e colchões” (TEXTO I, 3º parágrafo)

Questão 3:
a) Explique o significado do termo policialesca no contexto acima.

b) Com base na leitura do 3º. parágrafo do texto e com o apoio da charge, explique por que a ação vinculada
à vacinação gerou tantos conflitos e revoltas.

TEXTO III:
Leia, agora, fragmentos de um informativo de saúde pública sobre a Gripe H1N1 (Gripe Suína).
O que é a influenza H1N1?
A influenza H1N1, também conhecida como “gripe suína”, é uma doença respiratória dos porcos causada por
um tipo de vírus da influenza. Surtos da gripe suína acontecem com regularidade entre esses animais. As pessoas
normalmente não contraem a gripe suína, mas seres humanos podem ser infectados e assim contrair a doença. Os
casos mais comuns de gripe suína em humanos acontecem com pessoas que estão em contato direto com porcos,
mas ainda existe a possibilidade de uma pessoa transmitir a doença para outra. Desde março de 2009, têm
aparecido muitos casos desse novo tipo de gripe H1N1 nos Estados Unidos e noutras partes do mundo.
Quais são os sintomas da nova gripe H1N1 nas pessoas?
Gripe suína causa sintomas muito parecidos com os da gripe sazonal ou humana. Os sintomas mais comuns
da gripe suína, tal como na gripe sazonal, são febre, tosse e garganta dolorida e podem também incluir dores no
corpo, dores de cabeça, calafrios e cansaço extremo. Algumas pessoas também têm diarréia e vômito. Já houve
casos de pessoas com gripe suína que pioraram e até morreram.
Como posso saber se tenho a nova gripe H1N1?
Se tiver sintomas de influenza conforme os descritos acima, e principalmente se viajou recentemente para
uma área onde foram declarados casos de pessoas com gripe suína, entre em contato com o seu profissional de
saúde que irá decidir que tipo de exames fazer e o tipo de tratamento necessário. Para diagnosticar qualquer tipo de
vírus de gripe, o médico necessita de uma amostra de secreção do interior do seu nariz. A identificação do vírus da
gripe suína requer análise especial de laboratório. (...)
Como posso proteger a mim e aos outros da nova gripe H1N1?
Você pode se proteger a si e aos outros da gripe suína da mesma maneira que pode se proteger da gripe
sazonal. Evite agarrar, abraçar, beijar, ou apertar as mãos com qualquer pessoa que tenha resfriado ou gripe. Lave
as mãos com freqüência com água morna e sabão, ou use um anti-séptico para mãos à base de álcool. Evite tocar
seu próprio nariz, sua boca ou seus olhos. Limpe as coisas em que se toca com freqüência, tais como maçanetas da
porta, telefones, etc.
.
Questão 4:
Com base na leitura do informativo acima, identifique os principais meios de contaminação pelo vírus da
gripe suína e as medidas que devem ser tomadas caso se suspeite da contaminação.

Questão 5:
Leia novamente:
“Os sintomas mais comuns da gripe suína, tal como na gripe sazonal, são febre, tosse, e garganta dolorida e podem
também incluir dores no corpo, dores de cabeça, calafrios e cansaço [Link] pessoas também têm diarréia
e vômito. Já houve casos de pessoas com gripe suína que pioraram e até morreram.”

a) Identifique a relação sintático-semântica estabelecida pela expressão tal como no contexto acima.

b) Substitua a expressão “tal como”, destacada acima, por outra expressão, garantindo que não haja perda
substancial de sentido e que seja mantida a relação sintático-semântica identificada em (a).

Programa de Ingresso Seletivo Misto – PISM III


Triênio 2006-2008
PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURAS
115

Leia, com atenção, o texto abaixo (TEXTO I) para responder às questões de 1 a 7.

Texto I
Papagaio em pele de cordeiro
Em abril de 1800, uma coalizão de países conhecida como Tríplice Aliança invadiu a República do Paraguai
e iniciou uma das ocupações mais catastróficas na história das Américas. O objetivo oficial era derrubar o ditador
Solano Ló[Link], uma cruzada contra a tirania, em nome da liberdade e da civilização – semelhante à
guerra que George W. Bush iniciou em 2003. Mas os paraguaios, como os iraquianos, penaram com as
conseqüências de sua "libertação": cerca de 70% da população morreu na guerra e sua economia ficou dependente
dos conquistadores.
Século e meio depois, nacionalistas paraguaios ainda reclamam que o país foi vítima da maior agressão
imperialista na América do Sul. Detalhe: o país-líder da coalizão foi o Brasil.
Se você ficou surpreso ou ofendido com o parágrafo aí em cima, certamente não está só. Para a maior parte
dos brasileiros hoje, "imperialista" é um rótulo que combina apenas com os EUA. Mas entre uruguaios, paraguaios,
equatorianos e outras nações vizinhas, o "país do jeitinho" é um colosso que inspira respeito. E revolta – por causa
do tamanho, da economia gulosa e da projeção internacional, o Brasil às vezes é visto como um país aproveitador e
prepotente. Esse antibrasileirismo tem seu quê de sensacionalista, mas também carrega algumas verdades
desconfortáveis. Apesar da fama de cordial e avesso a brigas, o Brasil ganhou seu lugar no mundo, passando de
colônia européia a potência emergente, da mesma forma que todos os Estados modernos: a ferro e fogo. Hoje, a
projeção do país na América do Sul (e no mundo) atrai críticas ferozes ao lado de elogios entusiásticos. (...)
Fronteiras de sangue
O imperialismo é a dominação política ou econômica que um Estado exerce – na marra, se necessário –
sobre outros mais fracos. O termo surgiu no século 19, quando nações européias como Inglaterra e França chegaram
a dominar 80% do planeta. Exemplos recentes são os EUA e a falecida União Soviética, que cimentaram sua
hegemonia financiando golpes de Estado e apoiando ditaduras. Mas o tipo mais simples e agressivo de imperialismo
é mesmo a expansão de fronteiras – e, até um século atrás, o país do samba viveu num sangrento baile territorial
com seus hermanos hispânicos. O racha começou antes que os Estados sul-americanos existissem: em 7 de junho
de 1494, quando Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Tordesilhas, dividindo o mundo "a descobrir" entre as
duas nações. A fronteira virtual passava a 2 mil quilômetros de Cabo Verde, exatamente sobre a então inexplorada
América do Sul. Após o "terra à vista" de 1500, os portugueses aumentaram sua colônia pelas armas, e o Brasil foi
virando o que é hoje: uma enorme ilha lusófona num mar de fala espanhola.
Após a independência, em 1822, o Brasil virou Império até no nome, um Estado poderoso cercado por nove
repúblicas menores, quase todas assustadas pela proximidade do gigante. Só a então próspera Argentina ousava
competir: no século 19, ela disputava com o Brasil a influência sobre os vizinhos. O grande palco desse duelo, que
um século depois passaria aos campos de futebol, foi o Uruguai. Em 1821, o país foi invadido pelas tropas daquilo
que na época era o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve – a mentora da operação foi a rainha Carlota Joaquina,
nascida na Espanha, que sonhava com um Estado hispano-português cujas terras atingissem o rio da Prata. A
independência uruguaia veio em 1828 com a ajuda nada desinteressada de exércitos mandados por Buenos Aires.
Décadas depois, Solano Lopez se meteu no tango estratégico: num desafio desastrado ao poderio de brasileiros e
argentinos, o paraguaio atacou ambos em 1864. E se deu muito mal: os velhos rivais se uniram, arrastaram junto o
satélite Uruguai, rechaçaram Solano e logo invadiram o Paraguai. Depois de saquear Assunção, tropas brasileiras
mataram o ditador em 1870. Nesses seis anos, a destruição foi enorme – cerca de 600 mil paraguaios morreram. "O
Paraguai foi o primeiro país na região a ter telégrafos, fornos siderúrgicos e indústria pesada. A guerra destruiu tudo
isso", diz o historiador Fernando Lopez D'Alessandro, da Universidade de Montevidéu. "E não foi por acaso. A
Tríplice Aliança tinha a intenção de transformar o Paraguai num exemplo a quem desafiasse sua hegemonia."
Hoje, muitos historiadores brasileiros acham que a invasão foi uma resposta legítima à agressão de Solano.
Os paraguaios, claro, discordam. "O que a Tríplice Aliança cometeu foi um genocídio", diz o sociólogo Enrique
Chase, diretor do Instituto de Comunicação e Artes de Assunção. Após a guerra, o Brasil anexou pedaços do país
derrotado e os ocupou até 1876. A economia local nunca se recuperou e até hoje muitos culpam o Brasil pelo
subdesenvolvimento do país. Em 2004, grupos paraguaios de extrema esquerda invadiram dezenas de fazendas na
fronteira leste do país – propriedades compradas por imigrantes brasileiros, que hoje somam cerca de 500 mil
pessoas. O grito de guerra dos invasores não incluía chavões marxistas. Eles gritavam "Brasileños, fuera!"
(SUPERINTERESSANTE, jan/2008)

Questão 1:
Qual característica comumente associada à imagem do Brasil é criticada no texto
acima?

a) o Brasil é o país do futuro.


b) o Brasil é o país do samba.
c) o Brasil é um país cordial.
d) o Brasil é um país emergente.
e) o Brasil é um país imperialista.
116

Questão 2:
A expressão “economia gulosa” (2º parágrafo) foi empregada para indicar que a
economia brasileira:

a) consome muita energia dos países vizinhos.


b) dificulta as relações entre os países vizinhos.
c) recruta mão-de-obra barata nos países vizinhos.
d) invade o mercado consumidor dos países vizinhos.
e) demanda muitos recursos tecnológicos dos países vizinhos.

Questão 3:
No trecho: “uma enorme ilha lusófona num mar de fala espanhola” (4º parágrafo), a
palavra em destaque tem formação igual à que se observa em:

a) subdesenvolvimento.
b) genocídio.
c) próspera.
d) independência.
e) teoricamente.

Questão 4:
Na frase:

“O grande palco desse duelo, que um século depois passaria aos campos de futebol, foi o Uruguai.” (5º parágrafo)

A forma verbal destacada tem a função de indicar um evento:

a) ocorrido antes de outro evento.


b) ocorrido depois de outro evento.
c) ocorrido concomitantemente a outro evento.
d) passível de ocorrência independentemente de outro evento.
e) previsto para ocorrer em época posterior a outro evento.

Questão 5:
Na frase:

“...os velhos rivais se uniram, arrastaram junto o satélite Uruguai, rechaçaram Solano e logo invadiram o Paraguai.”
(5o parágrafo)

A palavra em destaque tem a função de indicar uma circunstância de:

a) tempo.
b) espaço.
c) conclusão.
d) causa.
e) modo.

Questão 6:
No trecho “Esse antibrasileirismo tem seu quê de sensacionalista” (2º parágrafo), a
palavra em destaque é:

a) uma conjunção substantivada.


b) um pronome adjetivo.
c) uma conjunção adjetivada.
d) um pronome substantivo.
e) um adjetivo substantivado.

Questão 7:
Qual das opções abaixo contém um exemplo de linguagem informal que busca aproximar o leitor do texto?

a) “Se você ficou surpreso ou ofendido com o parágrafo aí em cima, certamente não está só.”
b) “Eles gritavam ‘Brasileños, fuera!’"
c) “E se deu muito mal: os velhos rivais se uniram, arrastaram junto o satélite Uruguai,
117

rechaçaram Solano e logo invadiram o Paraguai.”


d) “Hoje, a projeção do país na América do Sul (e no mundo) atrai críticas ferozes ao lado de elogios
entusiásticos.”
e) "O que a Tríplice Aliança cometeu foi um genocídio", diz o sociólogo Enrique Chase, diretor do Instituto de
Comunicação e Artes de Assunção.

Observe, com atenção, a tirinha a seguir para responder à questão 08:


Texto II

(Jornal O Globo, 16/10/2008)

Questão 8:
A tirinha procura expressar uma imagem com relação ao país. Qual dos pares de termos abaixo é mais
importante para compor essa imagem?

a) corda/Brasil.
b) balde/corda.
c) balde/Brasil.
d) poço/Brasil.
e) balde/poço.

Leia com atenção o texto a seguir (Texto III) e responda às perguntas de 9 a 13.
Texto III

As avenidas do centro,
onde se enterram os ricos,
são como o porto do mar;
não é muito ali o serviço:
no máximo um transatlântico
chega ali cada dia,
com muita pompa, protocolo,
e ainda mais cenografia.
Mas este setor de cá
10 é como a estação dos trens:
diversas vezes por dia
chega o comboio de alguém.
Mas se teu setor é comparado
à estação central dos trens,
o que dizer de Casa Amarela
onde não pára o vaivém?
Pode ser uma estação
mas não estação de trem:
será parada de ônibus,
20 com filas e mais de cem.
- Então por que não pedes,
já que és de carreira, e antigo,
que te mandem para Santo Amaro
se achas mais leve o serviço?
118

Não creio que te mandassem


para as belas avenidas
onde estão os endereços
e o bairro da gente fina:
isto é, para o bairro dos usineiros,
30 dos políticos, dos banqueiros,
e no tempo antigo, dos bangüezeiros
(hoje estes se enterram em carneiros);
bairro também dos industriais.
dos membros das associações patronais
e dos que foram mais horizontais
nas profissões liberais.
(MELO NETO, João Cabral. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 188-189)

Questão 9:
A partir da conversa entre os dois coveiros, ouvida por Severino, pode-se concluir que eles consideram:
a) a morte como destino final dos homens.
b) a diferença social mantida até na morte.
c) a fadiga inerente ao trabalho de coveiro.
d) a semelhança entre todas as sepulturas.
e) a injustiça social que eles sofrem.

Questão 10:
Pode-se perceber, através da conversa dos coveiros, um tom de:
a) melancolia.
b) desilusão.
c) comicidade.
d) ironia.
e) agressividade.

Questão 11:
A imagem dos meios de transporte é usada para:

a) realçar as variadas posições sociais dos enterrados.


b) acentuar as muitas dificuldades dos coveiros.
c) mostrar várias formas de acesso aos cemitérios.
d) revelar a grande precariedade dos transportes.
e) pontuar formas de transporte diferentes.

Questão 12:
A palavra “cenografia” (verso 8) é usada no texto para:

a) mostrar que se trata de uma peça de teatro.


b) chamar atenção para o diálogo dos coveiros.
c) caracterizar a roupa usada pelos mortos.
d) tipificar os cemitérios como cenário de morte.
e) acentuar a pompa artificial do enterro dos ricos.

Questão 13:
A referência aos “bangüezeiros” (verso 31) acentua:

a) a riqueza dos grandes donos de engenho.


b) o contraste entre passado e presente.
c) o poder dos criadores de carneiros.
d) a exigência de um enterro pomposo.
e) a grandeza dos túmulos dos poderosos.

Releia o seguinte trecho (Texto IV) do romance Incidente em Antares, de Érico Veríssimo, para responder às
questões de 14 a 16.

Texto IV
Quando o Brasil entrou em guerra com o Paraguai, Vacarianos e Campolargos enrolaram os seus
estandartes tribais e, à sombra da bandeira do Império, lutaram juntos contra a “indiada de Solano Lopes”. Chico
Vacariano queixou-se. “Só não me agrada é que desta vez temos castelhanos peleando de nosso lado.” Referia-se
119

às forças da Argentina e da República Oriental do Uruguai, que haviam formado com o Brasil a Tríplice Aliança, para
enfrentar o temível ditador paraguaio. Como Anacleto e Francisco tivessem já passado da idade militar, cada um
deles mandou dois de seus filhos alistarem-se como Voluntários da Pátria. A guerra durou de 1865 a 1870. Foram
tempos de tristeza, apreensões e durezas para os habitantes de Antares. Só depois que a campanha terminou é que
chegou à vila a notícia de que Antônio Maria, o primogênito de Chico Vacariano, havia tombado morto na batalha de
Lomas Valentinas. Os dois Campolargos voltaram vivos mas estropiados. Benjamin, o mais velho, que havia perdido
um olho num combate corpo a corpo, trazia as divisas de major e uma medalha militar. Seu irmão Gaudêncio tivera
de amputar um braço. Antão Vacariano, que deixara a mão esquerda enterrada em solo paraguaio, voltara feito
coronel e também condecorado por atos de bravura. Foram esses três antarenses recebidos em sua terra com
honras de heróis. Cada qual contava as suas estórias da campanha – algumas horripilantes, outras pitorescas e até
jocosas. Num ponto, porém, Benjamin Campolargo e Antão Vacariano discordavam. É que cada um deles reclamava
para si a dúbia glória de ter matado com um pontaço de lança o ditador Solano Lopes, na batalha de Cerro-Corá. A
História, porém, desmentiu ambos.
(VERÍSSIMO, Érico. Incidente em Antares. 45ª. ed. São Paulo: Globo,1995, p.21-23)

Questão 14:
No primeiro parágrafo do trecho acima, há uma metáfora que se refere às relações de poder entre
Vacarianos e Campolargos na cidade de Antares. Essa metáfora está presente na expressão:

a) estandartes tribais.
b) sombra da bandeira do império.
c) “indiada de Solano Lopes”.
d) Tríplice Aliança.
e) temível ditador paraguaio.

Questão 15:
No último parágrafo, podem ser verificados dois tipos de discurso: o das personagens Benjamin Campo
Largo e Antão Vacariano, que voltam da Guerra do Paraguai e contam seus feitos, e o do narrador. Relendo o
parágrafo, é possível concluir que, com relação às personagens, o narrador mantém uma posição crítica. Essa crítica
está baseada na oposição entre:
a) guerra e paz.
b) submissão e poder.
c) crença e desconfiança.
d) privado e público.
e) lei e transgressão.

Questão 16:
Tanto o texto “Papagaio em pele de cordeiro”(Texto I) quanto o trecho do romance
Incidente em Antares (Texto IV), apresentados nesta prova, abordam o episódio histórico da Guerra do Paraguai,
mas apenas um deles, o segundo, caracteriza-se como uma obra de criação literária. Para embasar essa afirmação,
considere a seguinte reflexão, de Antonio Candido, presente no ensaio “Literatura de dois gumes”.

Texto V
“A criação literária traz como condição necessária uma carga de liberdade que a torna independente sob
muitos aspectos, de tal maneira que a explicação dos seus produtos é encontrada sobretudo neles mesmos. Como
conjunto de obras de arte a literatura se caracteriza por essa liberdade extraordinária que transcende as nossas
servidões. Mas na medida em que é um sistema de produtos que são sempre instrumentos de comunicação entre os
homens, possui tantas ligações com a vida social, que vale a pena estudar a correspondência e a interação entre
ambas.”
(CANDIDO, Antonio. A educação pela noite. Rio de Janeiro: Ouro sobre azul, 2006, p.197)

A partir da leitura do romance Incidente em Antares e da compreensão do ensai “Literatura de dois gumes”,
indique o elemento que melhor caracteriza, na obra de Érico Veríssimo, a “carga de liberdade” a que se refere
Antonio Candido.

a) A referência histórica à Guerra do Paraguai.


b) O episódio do incidente, relatado na segunda parte do livro.
c) A isenção crítica assumida pelo autor.
d) A denúncia dos desmandos da ditadura no Brasil.
e) A perspectiva sociológica assumida pelo narrador do romance.
120

Leia, com atenção, o texto abaixo:


Texto VI

Síndrome do salto alto


Thais Aiello e Gláucia Teixeira

Pense rápido: você conhece algum executivo presunçoso, autocentrado, que se julga melhor do que os
demais e abusa do uso do pronome da primeira pessoa do singular? Certamente se lembrou de vários. Expressão de
um ego exacerbado ou simples mecanismo de defesa, a arrogância provoca antipatia, melindra relacionamentos,
afasta as pessoas. Com o trabalho em equipe crescentemente valorizado, a atitude prepotente e o orgulho ostensivo
se tornam ingredientes nocivos ao ambiente corporativo, prejudicando a obtenção de resultados consistentes. Para o
profissional, representa um entrave à evolução da carreira, capaz de afetar possíveis promoções e indicações – isso
quando não constitui um forte motivo para precipitar a demissão.
Muitos indivíduos ignoram a própria soberba. Embalados pela vaidade, simplesmente não têm ouvidos para
os eventuais feedbacks que recebem. Em geral, só tomam consciência desse traço de personalidade quando
enfrentam um processo de perda. (...)
Na esfera organizacional, há cada vez menos espaço para atitudes arrogantes. Atingir resultados demanda
esforço conjunto. É preciso trabalhar em time e mirar os objetivos. Nesse processo, os vaidosos acabam por perder o
foco. A inépcia em construir relacionamentos sinceros e genuínos inviabiliza a conquista da confiança e do
comprometimento do outro. Quando em cargos de liderança, eles podem até entregar resultados, mas não terão a
seu lado pessoas felizes – o que faz toda a diferença para a qualidade dos negócios e das relações. O presunçoso
não está disposto a aprender com os erros, uma vez que imagina saber mais do que os demais. Da mesma forma,
não consegue receber feedback, pois seus ouvidos estão fechados a críticas. Descer do salto alto, no entanto, é
questão de sobrevivência. Um paralelo com a origem da elevação dos sapatos na corte francesa do século XVII é
elucidativo. Naquela época, além de manter os pés a salvo da lama, o salto era símbolo de elevação social. A história
mostrou que, afastada da realidade e incapaz de ouvir o povo, a nobreza acabou perdendo bens, status e posição.
Com o networking ganhando importância progressiva, não se pode perder de vista a marca deixada nos
interlocutores e a forma como se é percebido e lembrado. O rótulo da arrogância adere de tal forma que é quase
impossível se livrar dele. No ambiente globalizado há intensa troca de informações e, como ninguém quer referendar
o arrogante, as oportunidades para personalidades do gênero diminuem de forma acentuada, reduzindo
consideravelmente suas chances de sucesso.
(EXAME, 27 de outubro de 2004, p. 138.)

QUESTÕES DISCURSIVAS

Questão 1:
Observe os títulos dos textos I e VI: “Papagaio em pele de cordeiro” e “Síndrome do salto alto”. Ambos têm
em comum o uso de linguagem figurada.
Explique o sentido dos dois títulos, considerando sua relação com os respectivos textos.

.
Questão 2:
Releia a frase:
“Quando em cargos de liderança, eles podem até entregar resultados, mas não terão a seu lado pessoas felizes – o
que faz toda a diferença para a qualidade dos negócios e das relações.” ( Texto VI)
Observe, agora, o uso da palavra até nas frases abaixo:

a) “Maria do Carmo caminhou apressadamente até a padaria.”


b) “Os dois namorados discutiram até chegar ao acordo de sempre: os dois têm razão.”

Compare os significados da palavra até nas três ocorrências acima.


Questão 3:
Leia o trecho abaixo para responder à questão:
“Uma literatura, pois, que do ângulo político pode ser encarada como peça eficiente do
processo colonizador.”

(CANDIDO, Antonio. “Literatura de dois gumes”. In. A educação pela noite e outros ensaios. São Paulo:
Ática, 2003, p. 165.)

O trecho destacado do ensaio “Literatura de dois gumes”, de Antonio Candido, ressalta o papel político da
literatura no Brasil no processo de colonização. Lembrando que todo processo de colonização passa por uma
121

luta de poder entre colonizador e colonizado, explique, tomando o ensaio como um todo, o papel político da
literatura no Brasil de que fala Candido.

Questão 4:
Leia o trecho abaixo para responder à questão:
“Contudo, no caso do homem que queria um barco, as coisas não se passaram bem assim. Quando a mulher da
limpeza lhe perguntou pela nesga da porta, Que é que tu queres, o homem, em lugar de pedir, como era o costume
de todos, um título, uma condecoração, ou simplesmente dinheiro, respondeu, Quero falar ao rei.”

(SARAMAGO, Jose. O conto da ilha desconhecida. São Paulo: Cia. das Letras, 1998, p. 9.)

Nesse fragmento, percebe-se que o homem utiliza um discurso diferente do discurso de costume e pede para
falar com o rei, ao invés de pedir aquilo que deseja que o rei lhe dê. Explique de que modo esse fato afeta e altera
a relação de poder entre o rei e o povo.

UERJ 2010

05/12/2010
Língua portuguesa / Literatura Brasileira

TEXTO I

Daí à pedreira restavam apenas uns cinquenta passos e o chão era já todo coberto por uma farinha de pedra
moída que sujava como a cal. Aqui, ali, por toda a parte, encontravam-se trabalhadores, uns ao sol, outros debaixo
de pequenas barracas feitas de lona ou de folhas de palmeira. De um lado cunhavam pedra cantando; de outro a
quebravam a picareta; de outro afeiçoavam lajedos a ponta de picão; mais adiante faziam paralelepípedos a escopro
e macete2. E todo aquele retintim de ferramentas, e o martelar da forja, e o coro dos que lá em cima brocavam a
rocha para lançar-lhe fogo, e a surda zoada ao longe, que vinha do cortiço, como de uma aldeia alarmada; tudo dava
a ideia de uma atividade feroz, de uma luta de vingança e de ódio. Aqueles homens gotejantes de suor, bêbedos de
calor, desvairados de insolação, a quebrarem, a espicaçarem, a torturarem a pedra, pareciam um punhado de
demônios revoltados na sua impotência contra o impassível gigante que os contemplava com desprezo,
imperturbável a todos os golpes e a todos os tiros que lhe desfechavam no dorso, deixando sem um gemido que lhe
abrissem as entranhas de granito. O membrudo cavouqueiro havia chegado à fralda do orgulhoso monstro de pedra;
tinha-o cara a cara, mediu-o de alto a baixo, arrogante, num desafio surdo.
A pedreira mostrava nesse ponto de vista o seu lado mais imponente. Descomposta, com o escalavrado
flanco exposto ao sol, erguia-se altaneira e desassombrada, afrontando o céu, muito íngreme, lisa, escaldante e
cheia de cordas que mesquinhamente lhe escorriam pela ciclópica6 nudez com um efeito de teias de aranha. Em
certos lugares, muito alto do chão, lhe haviam espetado alfinetes de ferro, amparando, sobre um precipício,
miseráveis tábuas que, vistas cá de baixo, pareciam palitos, mas em cima das quais uns atrevidos pigmeus de forma
humana equilibravam-se, desfechando golpes de picareta contra o gigante.
O cavouqueiro meneou a cabeça com ar de lástima. O seu gesto desaprovava todo aquele serviço.
– Veja lá! disse ele, apontando para certo ponto da rocha. Olhe para aquilo! Sua gente tem ido às cegas no
trabalho desta pedreira. Deviam atacá-la justamente por aquele outro lado, para não contrariar os veios da pedra.
Esta parte aqui é toda granito, é a melhor! Pois olhe só o que eles têm tirado de lá – umas lascas, uns calhaus que
não servem para nada! É uma dor de coração ver estragar assim uma peça tão boa! Agora o que hão de fazer dessa
cascalhada que aí está senão macacos? E brada aos céus, creia! Ter pedra desta ordem para empregá-la em
macacos!
O vendeiro escutava-o em silêncio, apertando os beiços, aborrecido com a ideia daquele prejuízo.
ALUÍSIO AZEVEDO.O cortiço. São Paulo: Ática, 2009.

Vocabulário:
lajedos - pedras
picão, escopro, macete - instrumentos de trabalho
cavouqueiro - aquele que trabalha em minas e pedreiras
fralda - parte inferior
escalavrado - golpeado, esfolado
ciclópica - colossal, gigantesca
calhaus - pedras soltas
macacos - paralelepípedos

Questão 1:
122

pareciam um punhado de demônios revoltados na sua impotência contra o impassível gigante que oscontemplava
com desprezo, imperturbável a todos os golpes e a todos os tiros que lhe desfechavam no dorso, (l. 10-12)

Para caracterizar a pedreira, o narrador utiliza várias vezes uma determinada figura de linguagem, como no trecho
sublinhado acima.
Identifique essa figura de linguagem e um de seus efeitos estilísticos. Transcreva, em seguida, uma passagem do
texto em que a pedreira é descrita sob uma perspectiva diferente.

Questão 2:

O texto de Aluísio Azevedo, que faz parte da estética naturalista, utiliza recursos expressivos de sonoridade, como a
onomatopeia.

Considere o seguinte fragmento:

E todo aquele retintim de ferramentas, e o martelar da forja, e o coro dos que lá em cima brocavam a rocha para
lançar-lhe fogo, e a surda zoada ao longe, que vinha do cortiço, (l.6-7)

Indique dois exemplos do emprego da onomatopeia e justifique a sua presença no texto naturalista.

Questão 3:

Aqueles homens gotejantes de suor, bêbedos de calor, desvairados de insolação, (l. 8-9)

O enunciado acima apresenta uma sequência de sensações. Aponte o valor semântico dessa sequência e identifique
no texto outro exemplo em que a disposição das palavras produza efeito similar.

Texto II

Desencontrários

Mandei a palavra rimar,


ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

Mandei a frase sonhar,


e ela se foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.

(PAULO LEMINSKI GÓES, F. e MARINS, A. (orgs.) Melhores poemas de Paulo Leminski. São Paulo: Global, 2001.)

Questão 4:

Mandei a palavra rimar,


ela não me obedeceu.

Falou em mar, em céu, em rosa,


em grego, em silêncio, em prosa. (v. 1-4)

No fragmento acima, o emprego da palavra “prosa” possibilita duas interpretações distintas do verso sublinhado: uma
que reafirma o que ele expressa e outra que se opõe a ele. Apresente essas duas possibilidades de interpretação.

Questão 5:

Considere a formação da palavra “Desencontrários”, título do poema de Paulo Leminski.


Separe seus elementos mórficos. Em seguida, nomeie o primeiro morfema que a compõe e indique seu
significado.
123

TEXTO III
O chefe da estação me olhou de cara feia, e me deu a passagem e o troco. Bateu com a prata na mesa. Se fosse
falsa, estaria perdido. Guardei o cartão com ganância no bolso da calça. A estação se enchera. Um vendedor de
bilhete me ofereceu um. Não desconfiava de mim. O chefe foi que me olhou com a cara fechada. Já se ouvia o apito
do trem. Cheguei para o lugar onde paravam os carros de passageiros. E o barulho da máquina se aproximando.
Estava com medo, com a impressão de que chegasse uma pessoa para me prender. Ninguém saberia. E o trem
parado nos meus pés. Tomei o carro num banco do fim, meio escondido. O Padre Fileto me viu. Tirava esmolas para
a obra da igreja.
– Não foi para a parada?
– Não senhor, vou ver o meu avô que está doente.
A mesma mentira saída da boca automaticamente. Os meninos passavam vendendo tareco1. Quis comprar um
pacote, mas estava com receio. Qualquer movimento de minha parte me parecia uma denúncia. O homem do bilhete
voltou outra vez me oferecendo. Num banco da minha frente estava um sujeito me olhando. Sem dúvida, passageiro
do trem. E me olhando com insistência. Levantou-se e veio falar comigo:
– Menino, que querem dizer estas letras?
– Instituto Nossa Senhora do Carmo.
– Pensei que fosse “Isto não se conhece”...
Ri-me sem querer. E as outras pessoas acharam graça. Pedi a Deus que o trem partisse. Por que não partira aquele
trem? Meu boné me perderia. Podia ter vindo de chapéu. Nisto vi Seu Coelho. Entrei disfarçando para a latrina do
trem. E não vi mais nada. Só saí de lá quando vi pelo buraco do aparelho a terra andando.
Sentei-me no mesmo lugar. Vi a cadeia, o cemitério.(...)
E o Pilar chegando. O Recreio do Coronel Anísio, com a sua casa na beira da linha. E a gente já via a igreja.
O trem apitava para o sinal. Passou o poste branco. Saltei do trem como se tivesse perdido o jeito de andar. Escondi-
me do moleque do engenho. O trem saía deixando no ar um cheiro de carvão de pedra. Lá se ia Ricardo com os
jornais para o meu avô. Faltava-me coragem para bater na porta do engenho como fugitivo. E fui andando à toa pela
linha de ferro. Que diria quando chegasse no engenho? Lembrei-me então que pela linha de ferro teria que
atravessar a ponte. E desviei-me para a caatinga. Pegaria mais adiante o mesmo
caminho. Estava pisando em terras do meu avô. O engenho de Seu Lula mostrava o seu bueiro pequeno, com um
pedaço caído. Que diabo diria no Santa Rosa, quando chegasse? Era preciso inventar uma mentira.
Fiquei parado pensando um instante. Achei a mentira com a alegria de quem tivesse encontrado um roteiro certo.
Sonhara que meu avô estava doente e não pudera aguentar o aperreio do sonho. E fugira. Achariam graça e tudo se
acabaria em alegria. Mas cadê coragem para chegar? Já me distanciava pouco da minha gente. O bueiro do Santa
Rosa estava ali perto, com a sua boca em diagonal. Subia fumaça da destilação. Com mais cinco minutos estaria lá.
Era só atravessar o rio. Fiquei parado pensando. O rio dava água pelos joelhos. O gado do pastoreador passava para
o outro lado. E cadê coragem para agir? E o tempo a se sumir. E a tarde caindo. A casa-grande inteira brigaria
comigo. No outro dia José Ludovina tomaria o trem para me levar. E o bolo, e os gritos de Seu Maciel. Vou, não vou,
como as cantigas dos sapos na lagoa.
Um trem de carga apitou na linha. Tirei os sapatos, arregaçando as calças para a travessia. A porteira do cercado
batia forte no mourão2. E no silêncio da tarde, tudo aumentava de voz. (...)
(JOSÉ LINS DO RÊGO. Doidinho. Rio de Janeiro: José Olympio, 1971.)

Vocabulário:
1 tareco - biscoito
2 mourão - estaca

Questão 6:
Estava com medo, com a impressão de que chegasse uma pessoa para me prender. (l. 5-6).

No trecho acima, há duas orações subordinadas. Transcreva essas orações e classifique sintaticamente cada uma
delas.

Questão 7:
Os trechos transcritos abaixo exemplificam o emprego do mesmo conectivo “e” para exprimir diferentes relações
temporais entre dois fatos.

E o barulho da máquina se aproximando. (...) E o trem parado nos meus pés. (l. 4-6)
E o tempo a se sumir. E a tarde caindo. (l. 34-35)
124

Aponte o significado desse conectivo. Em seguida, explicite a relação temporal dos fatos em cada um dos trechos.

Questão 8:
No texto de José Lins do Rêgo, o narrador recorda um episódio de seu passado, em que foi dominado por um
sentimento que o acompanhou durante a viagem de trem e a chegada ao engenho.
Identifique esse sentimento e as duas situações que o geraram.

Texto IV
Autorretrato falado

Venho de um Cuiabá garimpo e de ruelas entortadas.


Meu pai teve uma venda de bananas no Beco da
Marinha, onde nasci.
Me criei no Pantanal de Corumbá, entre bichos do
chão, pessoas humildes, aves, árvores e rios.
Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de
estar entre pedras e lagartos.
Fazer o desprezível ser prezado é coisa que me apraz.
Já publiquei 10 livros de poesia; ao publicá-los me
sinto como que desonrado e fujo para o
Pantanal onde sou abençoado a garças.
Me procurei a vida inteira e não me achei – pelo
que fui salvo.
Descobri que todos os caminhos levam à ignorância.
Não fui para a sarjeta porque herdei uma fazenda de
gado. Os bois me recriam.
Agora eu sou tão ocaso!
Estou na categoria de sofrer do moral, porque só
faço coisas inúteis.
No meu morrer tem uma dor de árvore.
(MANOEL DE BARROS. Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010.)

Questão 9:
Já publiquei 10 livros de poesia; ao publicá-los me
sinto como que desonrado e fujo para o
Pantanal onde sou abençoado a garças. (v. 9-11)

A palavra “onde”, sublinhada acima, remete a um termo anteriormente expresso.


Transcreva esse termo.

Nomeie também a classe gramatical de “onde”, substitua-a por uma expressão equivalente e indique seu valor
semântico.

Questão 10:
Uma obra literária pode combinar diferentes gêneros, embora, de modo geral, um deles se mostre dominante.
O poema de Manoel de Barros, predominantemente lírico, apresenta características de um outro gênero.
Identifique esse gênero e cite duas de suas características presentes no poema.

UFV 2010

PROCESSO SELETIVO 2011


QUESTÕES OBJETIVAS
LÍNGUA PORTUGUESA – QUESTÕES DE 01 A 08

Comer, comer, comer; não comer, não comer, não comer


§ 1 Entre todos os alimentos ao nosso alcance, nenhum é motivo de maior controvérsia do que a carne. A atração
por ela vem desde o início dos tempos, com o ser humano afiando lanças para alcançar o que insistia em fugir. Até
hoje a carne é o alimento mais valorizado pela maioria das culturas, tanto no interior da África ou da Austrália quanto
125

nas grandes cidades da Europa e das Américas. Tanto assim que a indústria da carne foi a primeira da história, e
nenhuma outra ocupa tanto espaço na superfície da Terra. Em compensação, nenhum outro alimento foi tão
restringido e proibido quanto a carne. Principalmente pela religião, mas também pela medicina. Você come como eu
como?
§ 2 O universo da carne é vasto, e mesmo quem come carne não come qualquer carne. Por exemplo: na
Ásia comem cachorro, na França comem cavalo, nós comemos coelho, os ingleses e norte-americanos não comem
nenhum dos três mas comem porco, que judeus e muçulmanos não comem. Na Ásia, na África e em muitos lugares
da América Latina inseto é comida; enquanto na França e na Itália caramujo é comida; nós comemos ostras, rãs e
tartarugas mas não comemos insetos nem ratos, muito menos caramujos. Frangos são quase unanimidade, comidos
por 363 culturas mundo afora, contra 196 que usam a carne dos bois, 180 que comem porco, 159 que comem peixe,
108 que comem carneiro e mais ou menos 40 que gostam, será?, de cachorro e rato.
§ 3 Cachorros e cavalos estão cada vez mais longe do abatedouro porque são amigos do homem, bichos de
estimação. Ganhou nome, está salvo: não se come um amigo. Tem gente que nunca mais comeu frango porque um
dia o ex-pintinho e quase galo Frederico foi para a panela, feito o coelho Artur, da feira de filhotes, que apresentou-se
à mesa cercado de cenouras e foi comido como se fosse galinha, depois não havia como descomê-lo. Ontem & hoje
§ 4 No mundo antigo só existiam dois tipos de carnívoros, os que comiam carne humana e os que não
comiam. [...]
§ 5 No mundo moderno também só existem dois tipos de carnívoros: os que sabem perfeitamente o animal
que estão comendo, sempre visualizam o leitãozinho com a maçã na boca enquanto lhe devoram a costeleta, e os
que preferem se manter a uma distância segura, se possível à distância de um abismo, daquilo que põem para
dentro – comem a carne anônima, coisificada, em formato pré-fabricado de filé, hambúrguer, salsicha, presunto. [...]
Comer carne dá status...
§ 6 De todo modo, a prosperidade de uma época ou de uma categoria social sempre se mediu pelo aumento
do consumo per capita de carne, que costuma dar aos carnívoros a sensação de estarem bem alimentados. O que
não deixa de ser verdade, já que a carne é rica em proteína, vitaminas B, ferro, fósforo, outros minerais importantes –
e gordura, que demora a sair do estômago. [...] Outro fator de contentamento é que a carne produz
neurotransmissores como dopamina e adrenalina, que aumentam a atividade cerebral, e obriga o fígado e os rins a
trabalharem mais, fazendo com que o ritmo interior do carnívoro convicto seja cheio de altos e baixos, enquanto
quem come mais vegetais tende a um ritmo mais calmo. Mas há também o fator psicológico. Como historicamente a
carne era cara e rara, afinal vivia fugindo, virou objeto do desejo. ...e o proibido é mais gostoso
§ 7 Além disso foi proibida em muitas circunstâncias. A noção de que se é o que se come sempre esteve
presente na cultura humana. Tribos primitivas acreditavam (e ainda acreditam) descender de algum animal que se
tornava seu protetor, e caçá-lo era tabu; mas em ocasiões especiais todos eram obrigados a participar da caça ao
totem, e também a comer um pedaço dele para reforçar os laços de parentesco. Na Índia, os brâmanes não comem
carne nem peixe e são imitados por milhões de pessoas. [...] Para os católicos, na Idade Média, existiam em torno de
cento e vinte dias "magros" por ano, magro significando sem carne ou produto animal de espécie alguma. Essa
restrição foi se suavizando com o tempo até resumir-se aos quarenta dias da Quaresma, entre o carnaval e a páscoa,
e assim mesmo acabou sendo interpretada como "sexta-feira é dia de comer peixe porque não se come carne". O
que é a natureza!
§ 8 Mas, ao longo da história, comer ou não comer carne nunca chegou a ser um problema. Ou tinha, ou não
tinha; se estivesse entre as carnes culturalmente comestíveis, ou seja, não fosse tabu nem provocasse nojo, não
havia por que não comer; se prevalecesse a fome, por exemplo numa seca terrível, as carnes culturalmente não
comestíveis também serviam; o problema só se colocou a partir da abundância que substituiu a escassez. Ela
subverteu a tradição e botou as pessoas comendo carne todo dia. [...]. Hoje o consumo generalizado de carne é tão
grande que enfrentamos um tipo completamente diferente de proibição: as ordens médicas. Estragando prazeres
§ 9 Estatisticamente, é entre comedores de carne que há mais doenças coronarianas e câncer. Isso porque
ela está sendo produzida de modo tão pouco natural que vai entrar no organismo junto com muita gordura saturada,
colesterol, hormônios, antibióticos, pesticidas. No caso das carnes conservadas, salgadas e defumadas, vem com
aditivos químicos pesados, comprovadamente cancerígenos, como nitratos e nitritos. [...]
§ 10 Carne crua ou mal passada tem um risco adicional – carrega ovos ou larvas de parasitas como solitária,
toxoplasma, triquina, bactérias como salmonella e muitos mais, todos com resultados variando de intoxicação
alimentar e perturbações crônicas a danos neurológicos e morte. Mas e a proteína?
§ 11 Está certo que na carne e nos ovos a proteína é completa, isto é, tem todos os aminoácidos essenciais
à elaboração dos tecidos, por isso goza da preferência de quem quer uma garantia de assimilação abundante; uma
criança subnutrida, por exemplo, pode se fortalecer mais rapidamente com carne do que sem ela, se sua capacidade
hepática e renal estiver boa.
§ 12 Acontece que da combinação de qualquer cereal, como arroz, com qualquer leguminosa, como feijão,
também se faz uma proteína completa, a um custo muito menor para o organismo e para a sociedade. A produção da
proteína animal é caríssima.[...] Mais da metade da produção mundial de grãos é destinada a alimentar o gado,
...você sabia? Talvez seja mesmo fraca
§ 13 A dedicação humana a produzir carne comestível é tão grande que já está gerando paradoxos. Um
deles: as creches orientadas pela Pastoral da Criança recuperam criancinhas desnutridas acrescentando à
mamadeira o farelo de arroz e de trigo vendido em casas de ração para gado.
126

§ 14 Uma coisa curiosa é que a pessoa que come carne todo dia acha que não pode viver sem ela. Quando
ouve falar que a prevenção do câncer e de uma série de doenças inclui reduzir a carne e aumentar o consumo de
vegetais, acha impossível. Sente-se fraca e sem energia quando não come carne, fica com fome assim que acabou
de comer.[...]

(HIRSCH, Sonia. Comer, comer, comer; não comer, não comer, não comer. Disponível em:
[Link] Acesso em: 06 ago. 2010.)Questão 1:
O principal objetivo comunicativo do texto é:

a) descrever os hábitos alimentares contemporâneos em relação ao consumo de carne.


b) refletir sobre o papel da carne como alimento na sociedade ao longo do tempo.
c) apresentar a evolução do hábito de comer carne na sociedade brasileira.
d) analisar o papel do consumo de carne na história das religiões do mundo.

Questão 2:
Considere as afirmativas abaixo, atribuindo V para as verdadeiras e F para as falsas:

( ) Em “[...] nenhuma outra ocupa tanto espaço na superfície da Terra.” (§ 1), o termo “outra” retoma a expressão
“indústria da carne”.
( ) Em “Estatisticamente, é entre comedores [...]” (§ 9), o termo “entre” é uma preposição e pode ser substituído sem
prejuízo de sentido por “através de”.
( ) Em “Ela subverteu a tradição e botou as pessoas comendo carne todo dia.” (§ 8), o termo “subverteu pode ser
substituído por “ratificou” sem que haja prejuízo de sentido.
( ) Em “[...] a costeleta, e os que [...]” (§ 5), o termo “os” tem como referente o item lexical “carnívoros”.
( ) Em “Além disso foi proibida em muitas circunstâncias.” (§ 7), o termo “proibida” deveria concordar em número
com a palavra “circunstâncias”.

Assinale a sequência CORRETA:


a) F, V, V, F, F.
b) V, F, V, F, V.
c) F, V, V, F, V.
d) V, F, F, V, F.

Questão 3:
“Carne crua ou mal passada tem um risco adicional – carrega ovos ou larvas de parasitas como solitária [...].” (§ 10)

Sobre o uso do travessão, no trecho acima, é INCORRETO afirmar que:

a) introduz uma circunstância de espaço.


b) funciona como elemento coesivo.
c) pode ser substituído pela conjunção “pois”.
d) pode ser substituído por dois-pontos.

Questão 4:
“[...] foi comido como se fosse galinha, depois não havia como descomê-lo.” (§ 3)

Sobre o uso do verbo “descomer” no texto, é CORRETO afirmar que:

a) é um verbo regular utilizado com o significado de vomitar ou defecar.


b) é um vocábulo que possivelmente será dicionarizado em breve.
c) é uma palavra formada por processo de derivação sufixal.
d) tem o prefixo des- com o mesmo valor semântico que em “desfazer”.

Questão 5:
Leia as afirmativas abaixo:

I. A carne é rica em proteína, vitamina B, ferro, fósforo, minerais e gorduras e por isso causa nos carnívoros a
sensação de estarem bem alimentados.
127

II. Há mais doenças coronárias e câncer entre os carnívoros devido ao processo pouco natural de produção de carne,
o qual contamina tal alimento com hormônios, antibióticos e pesticidas.
III. A produção de carne bovina é muito cara, pois a terra onde um único boi pasta, se fosse usada para a plantação
de grãos, daria para alimentar sessenta famílias.
IV. A proteína da carne é completa, ou seja, contém todos os aminoácidos necessários à formação dos tecidos, por
isso é muito indicada, sobretudo para crianças subnutridas.

As afirmativas que apresentam argumentos favoráveis ao consumo de carne são apenas:


a) I e II.
b) II e III.
c) I e IV.
d) III e IV.

Questão 6:
Em relação a diferenças culturais no consumo de carne, é CORRETO afirmar:

a) As religiões influenciam o modo pelo qual as carnes são consumidas.


b) Em tempos remotos, consumia-se mais a carne humana do que a de animais.
c) Sociedades complexas só utilizam na sua alimentação as carnes já processadas.
d) O consumo de carne de cachorro é um tabu em todas as sociedades.

Questão 7:
“[...] mais ou menos 40 [culturas] que gostam, será?, de cachorro e rato.” (§ 2)

A inserção da expressão sublinhada pressupõe, por parte da autora, um sentimento de:


a) revolta.
b) dúvida.
c) escárnio.
d) indiferença.

Questão 8:
Assinale a afirmativa INCORRETA:

a) Em “Isso porque ela está sendo produzida de modo tão pouco natural [...]” (§ 9), o pronome “isso” referese à maior
incidência de doenças coronárias e câncer entre carnívoros.
b) Em “Além disso foi proibida em muitas circunstâncias.” (§ 7), a expressão “além disso” no início da oração tem a
função de acrescentar algo ao que já foi dito.
c) Em “[...] tem todos os aminoácidos essenciais à elaboração dos tecidos, por isso goza da preferência [...]” (§ 11), a
expressão “por isso” introduz uma oração que expressa finalidade.
d) Em “[...] na carne e nos ovos a proteína é completa, isto é, tem todos os aminoácidos essenciais [...]” (§ 11), a
expressão “isto é” estabelece entre as orações uma relação de explicação.

LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA – QUESTÕES DE 09 A 12


Morfologia: Formação de Palavras

O estudo sobre a construção dos vocábulos pode privilegiar a estruturação de sentidos, indo além da mera descrição
da norma

A língua é viva e inconstante. A todo momento, palavras novas são criadas, rejeitadas e resgatadas. É por
meio das palavras que expressamos nossas ideias e valores e constituímos nossa relação com o outro.
Em sociedade, somos expostos a múltiplas atividades e situações comunicativas. A cada instante, um novo
produto é lançado, uma nova descoberta nos é apresentada, e os falantes criam e recriam linguagens e palavras que
atendam suas necessidades de comunicação.
Para atender essas transformações, recorremos às estruturas da língua e, mais precisamente, aos processos
de formação de palavras. Tudo o que significa algo no mundo é feito pela intermediação da linguagem e da língua. A
relação entre o locutor e o interlocutor depende desses fatores.
Quando desejamos criar um simples nome para uma loja, buscamos nos morfemas os recursos disponíveis.
“Bem loucão” é expressão divertida e criativa para nomear uma loja especializada em produtos para cães ou uma
clínica veterinária.
128

A publicidade, por sua vez, explora os morfemas para produzir efeitos persuasivos interessantes: “Vai levar a
garantidona, a garantidaça ou a garantidésima? Linha de TVs Lumina. O máximo em tecnologia, o mínimo em
consumo de energia.”
A partir da derivação sufixal e da gradação, o texto leva o cliente-leitor a perceber as vantagens do produto
anunciado, explorando um mesmo radical “garant” e os sufixos aumentativos populares e eruditos, atingindo, assim,
o maior número de clientes possível.
Quando um aluno, ao ser chamado para responder a uma pergunta, responde “Rapidão”, normalmente ele
não está dizendo que será muito rápido. Está pedindo um pouco de paciência para que ele se organize para a
questão. Nesse instante, não seria interessante explicar a ele apenas que essa flexão não é abonada pela norma
culta, mas explicar os processos e recursos linguísticos utilizados por ele nesse enunciado.
A intensificação do adjetivo por meio de um sufixo aumentativo é um mecanismo bastante inventivo. É um
bom momento para trabalhar a derivação e o processo de flexão nominal.
O estudo da formação de palavras deve ir além da norma culta e da identificação dos processos de
construção de palavras; deve privilegiar principalmente a construção de sentido e os efeitos provocados, como
podemos ver em “político”, “politiqueiro” e “politicalha”. Além da gradação, há nesse processo de sufixação a
degradação do termo.
(SOBRAL, J.J.V. Língua Portuguesa, São Paulo, p. 20-21, 2010. Número Especial Sala de Aula.)

Questão 9:
O principal objetivo comunicativo do texto é:

a) argumentar sobre a importância do interlocutor no processo de formação de palavras.


b) mostrar ao leitor o caráter dinâmico da formação de palavras, nas situações comunicativas.
c) conscientizar o leitor sobre a importância do desenvolvimento histórico da formação de palavras.
d) instruir as pessoas a fazer bom uso da morfologia de acordo com a norma culta da língua.

Questão 10:
Leia as afirmativas abaixo:

I. As palavras de uma língua podem ser formadas por diferentes processos.


II. O estudo da formação de palavras se restringe aos processos de construção das palavras.
III. Os morfemas podem ser usados como recursos para a criação de palavras.
IV. Qualquer caso de flexão morfológica usado pelo falante é abonado pela norma culta da língua.

De acordo com o texto, é CORRETO apenas o que se afirma em:


a) I e III.
b) I e II.
c) III e IV.
d) II e IV.

Questão 11:
Considere as afirmativas abaixo, atribuindo V para as verdadeiras e F para as falsas:

( ) É possível perceber as transformações linguísticas nos processos de formação de palavras.


( ) Em nossa sociedade, é a publicidade que define as mudanças linguísticas.
( ) O estudo da formação de palavras está pautado apenas na norma culta da língua.
( ) Uma língua pode sofrer transformações de acordo com as necessidades de comunicação.
( ) Uma vez criada uma palavra, ela pode cair em desuso com o passar do tempo.

Assinale a sequência CORRETA:


a) V, V, F, F, V.
b) F, F, V, V, F.
c) V, F, F, V, V.
d) F, V, V, V, F.

Questão 12:
129

Em “politiqueiro” (linha 22), o sufixo -eiro dá à palavra um sentido pejorativo, o que não ocorre em “brasileiro”, por
exemplo.
Assinale a alternativa em que o sufixo em destaque aparece empregado com e sem valor pejorativo,
respectivamente:

a) camarote / fracote.
b) camisola / beiçola.
c) ativismo / achismo.
d) debiloide / androide.

UFV 2011
LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA – QUESTÕES 01 e 02

Observe a tirinha abaixo e responda às questões 01 e 02:


130

(ADÃO. Folha de S. Paulo, São Paulo, 14 ago. 2010. Folhinha, p. 8.)

Questão 1:
Com base na leitura da tirinha, faça o que se pede:

a) Identifique a informação que ocasiona a ambiguidade na tirinha.

b) Por que essa ambiguidade gera o humor?

Questão 2:
Observe o título da tirinha e responda:

Que relação de sentido existe entre a expressão “problemas de comportamento”, no título, e as


falas dos personagens?

LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA – QUESTÕES DE 03 a 8

Há vampiros entre nós?


Matemático afirma que, ao menos em termos numéricos, a existência dessas criaturas seria
possível

A moda dos vampiros, que ganhou nova força por conta do sucesso da saga
Crepúsculo e da série True Blood, está levando a ciência a considerar – nem sempre em tom
de brincadeira – a existência dessas criaturas. A última polêmica acontece entre os
matemáticos, que pegaram suas calculadoras para descobrir se os números (ao menos eles)
conseguiriam provar se poderia haver sanguessugas entre nós. O bósnio Dino Sejdinovic
acaba de publicar um estudo provando a possibilidade de avistarmos um vampiro vagando pela
noite. Em termos numéricos, é claro.
“A resistência humana contra os vampiros não pode ser ignorada pelos cálculos”, diz
Sejdinovic, que com seu estudo pretende descredenciar uma tese realizada em 2008 pelos
físicos Costas Efthimiou e Sohang Gandhi, das Universidades Cornell e Central Florida, nos
EUA, que usaram a matemática para provar que os vampiros não poderiam existir. Por conta
de sua capacidade de transformar presas em predadores, em pouco tempo eles reduziriam
drasticamente a quantidade de alimento disponível (sangue humano, no caso), até que o
mundo fosse povoado apenas por outros vampiros. Em suas pesquisas, Costas e Sohang
consideram que as criaturas surgiram por volta de 1600 – data que remete às primeiras
histórias sobre elas, quando a população da Terra era de 537 milhões de pessoas. Segundo
eles, se o primeiro vampiro se alimentasse só uma vez por mês, em pouco mais de dois anos a
raça humana teria se transformado em clones do branquelo Edward Cullen em Crepúsculo. O
problema é que não restaria nenhuma Bella Swan para ter seu sangue sorvido por um par de
dentes afiados.
Sejdinovic diz que os dois físicos subestimaram tanto a capacidade de resistência dos
seres humanos quanto a inteligência dos vampiros. E não contabilizaram que parte dos
predadores morreria durante esses dois anos por conta de seus pontos fracos – estacas,
crucifixos, dentes de alho, sol e água benta (e talvez por osteoporose e excesso de proteínas).
“Como são inteligentes, os vampiros controlariam o estoque de humanos para não exaurir a
espécie.”
Mas essa discussão não começou agora. Um trabalho da década de 80 dos austríacos
Richard Hartl e Alexander Mehlmann explicava quais fórmulas matemáticas teriam de ser
seguidas pelos vampiros para sobreviverem sem ter que criar um banco de sangue. O estudo
revoltou a comunidade antivampiresca porque teria ajudado os monstros a atacar a raça
humana impunemente.
O sociólogo Dennis Snower, da Universidade de Londres, traçou um plano de defesa
para nós, mortais, realocando parte da mão de obra para produzir estacas e crucifixos (ele não
131

considerou o plantio de alho). Ao menos em termos econômicos, portanto, a existência dos


vampiros traria benefícios. Teríamos mais empregos e mais dinheiro circulando, o que é muito
desejável nesse momento de crise global.

(ROSA, Guilherme. Há vampiros entre nós? Revista Galileu, n. 227, p. 56, jun. 2010.)

Questão 3:
O principal objetivo comunicativo do texto é:

a) satirizar os posicionamentos científicos em torno da existência de vampiros.


b) refletir sobre a existência de vampiros, a qual se tornou evidente a partir da literatura.
c) descrever a evolução científica sobre a existência de vampiros na sociedade.
d) verificar os diferentes posicionamentos científicos sobre a real existência de vampiros.

Questão 4:
De acordo com o texto, é CORRETO afirmar que:

a) apenas os sociólogos conseguem explicar a existência de vampiros.


b) do ponto de vista científico não há como vivermos entre vampiros.
c) o interesse científico por vampiros teve início com a saga Crepúsculo.
d) físicos e matemáticos têm posicionamentos diferentes sobre os vampiros.

Questão 5:
No trecho “Em termos numéricos, é claro.” (linha 5), o autor pressupõe que:

a) observar empiricamente é uma comprovação da existência de vampiros.


b) demonstrar numericamente significa comprovar a existência de vampiros.
c) comprovar empiricamente é diferente de comprovar numericamente.
d) provar a existência de vampiros é uma questão de cálculos numéricos.

Questão 6:
Assinale a alternativa em que o sentido da palavra entre parênteses NÃO coincide com o do
vocábulo destacado na frase:

a) “[...] para nós, mortais, realocando parte da mão de obra para produzir estacas e crucifixos
[...].” (linhas 23-24) / (destinando).
b) “[...] para ter seu sangue sorvido por um par de dentes afiados.” (linhas 14-15) / (filtrado).
c) “[...] controlariam o estoque de humanos para não exaurir a espécie.” (linha 19) / (extinguir).
d) “[...] diz que os dois físicos subestimaram tanto a capacidade de resistência dos seres
humanos [...].” (linha 16) / (desdenharam).
Questão 7:
“Como são inteligentes, os vampiros controlariam o estoque de humanos para não exaurir a
espécie.” (linhas18-19)

Assinale a alternativa em que o vocábulo como aparece empregado com o mesmo valor
semântico que na passagem acima:

a) Como possuem capacidade de transformar presas em predadores, em pouco tempo eles


reduziriam drasticamente a quantidade de alimento disponível.
b) Como o bósnio Dino Sejdinovic acaba de publicar, um estudo prova, em termos numéricos,
a possibilidade de avistarmos vampiros vagando pela noite.
c) Os dois físicos subestimaram tanto a capacidade de resistência dos seres humanos como
também a inteligência dos vampiros.
d) Alexander Mehlmann explicava como fórmulas matemáticas teriam de ser seguidas pelos
vampiros para sobreviverem sem a criação de um banco de sangue.

Questão 8:
“[...] parte dos predadores morreria durante esses dois anos por conta de seus pontos fracos
[...].” (linhas 17-18)
132

Das alterações processadas na passagem acima, assinale aquela em que a concordância do


verbo constitui desvio em relação à norma-padrão:

a) A maioria dos predadores morreria durante esses dois anos por conta de seus pontos
fracos.
b) Alguns dos predadores morreriam durante esses dois anos por conta de seus pontos fracos.
c) Nenhum dos predadores morreriam durante esses dois anos por conta de seus pontos
fracos.
d) Mais de um predador morreria durante esses dois anos por conta de seus pontos fracos.

UFJF 2011
Leia, com atenção, o texto abaixo (Texto I), para responder às questões de 01 a 04.

A identidade e a diferença: o poder de definir

A identidade e a diferença são o resultado de um processo de produção simbólica e


discursiva. (...) A identidade, tal como a diferença, é uma relação social. Isso significa que sua
definição - discursiva e lingüística - está sujeita a vetores de força, a relações de poder. Elas
não são simplesmente definidas; elas são impostas. Não convivem harmoniosamente, lado a
lado, em um campo sem hierarquias; são disputadas.
Não se trata, entretanto, apenas do fato de que a definição da identidade e da
diferença seja objeto de disputa entre grupos sociais simetricamente situados relativamente ao
poder. Na disputa pela identidade está envolvida uma disputa mais ampla por outros recursos
simbólicos e materiais da sociedade. A afirmação da identidade e a enunciação da diferença
traduzem o desejo dos diferentes grupos sociais, assimetricamente situados, de garantir o
acesso privilegiado aos bens sociais. A identidade e a diferença estão, pois, em estreita
conexão com relações de poder. O poder de definir a identidade e de marcar a diferença não
pode ser separado das relações mais amplas de poder. A identidade e a diferença não são,
nunca, inocentes.
Podemos dizer que onde existe diferenciação - ou seja, identidade e diferença - aí está
presente o poder. A diferenciação é o processo central pelo qual a identidade e a diferença são
produzidas. Há, entretanto, uma série de outros processos que traduzem essa diferenciação ou
que com ela guardam uma estreita relação. São outras tantas marcas da presença do poder:
incluir/excluir ("estes pertencem, aqueles não"); demarcar fronteiras ("nós" e "eles"); classificar
("bons e maus"; "puros e impuros"; "desenvolvidos e primitivos”; “racionais e irracionais”);
normalizar (“nós somos normais; eles são anormais”).
A afirmação da identidade e a marcação da diferença implicam, sempre, as operações
de incluir e de excluir. Como vimos, dizer "o que somos" significa também dizer "o que não
somos". A identidade e a diferença se traduzem, assim, em declarações sobre quem pertence
e sobre quem não pertence, sobre quem está incluído e quem está excluído.
Afirmar a identidade significa demarcar fronteiras, significa fazer distinções entre o que
fica dentro e o que fica fora. A identidade está sempre ligada a uma forte separação entre "nós"
e "eles". Essa demarcação de fronteiras, essa separação e distinção, supõem e, ao mesmo
tempo, afirmam e reafirmam relações de poder. (...)Os pronomes "nós" e "eles" não são, aqui,
simples categorias gramaticais, mas evidentes indicadores de posições-desujeito fortemente
marcadas por relações de poder: dividir o mundo social entre "nós" e "eles" significa classificar.
O processo de classificação é central na vida social.
Ele pode ser entendido como um ato de significação pelo qual dividimos e ordenamos o
mundo social em grupos, em classes. A identidade e a diferença estão estreitamente
relacionadas às formas pelas quais a sociedade produz e utiliza classificações.
As classificações são sempre feitas a partir do ponto de vista da identidade. Isto é, as
classes nas quais o mundo social é dividido não são simples agrupamentos simétricos. Dividir
e classificar significa, neste caso, também hierarquizar. Deter o privilégio de classificar significa
também deter o privilégio de atribuir diferentes valores aos grupos assim classificados.
A mais importante forma de classificação é aquela que se estrutura em torno de
oposições binárias, isto é, em torno de duas classes polarizadas. O filósofo francês Jacques
Derrida analisou detalhadamente esse processo. Para ele, as oposições binárias não
expressam uma simples divisão do mundo em duas classes simétricas: em uma oposição
133

binária, um dos termos é sempre privilegiado, recebendo um valor positivo, enquanto o outro
recebe uma carga negativa. "Nós" e "eles", por exemplo, constitui uma típica oposição binária:
não é preciso dizer qual termo é, aqui, privilegiado. As relações de identidade e diferença
ordenam-se, todas, em torno de oposições binárias: masculino/feminino, branco/negro,
heterossexual/homossexual. Questionar a identidade e a diferença como relações de poder
significa problematizar os binarismos em torno dos quais elas se organizam.
Fixar uma determinada identidade como a norma é uma das formas privilegiadas de
hierarquização das identidades e das diferenças. A normalização é um dos processos mais
sutis pelos quais o poder se manifesta no campo da identidade e da diferença. Normalizar
significa eleger - arbitrariamente - uma identidade específica como o parâmetro em relação ao
qual as outras identidades são avaliadas e hierarquizadas. Normalizar significa atribuir a essa
identidade todas as características positivas possíveis, em relação às quais as outras
identidades só podem ser avaliadas de forma negativa. A identidade normal é "natural",
desejável, única. A força da identidade normal é tal que ela nem sequer é vista como uma
identidade, mas simplesmente como a identidade. Paradoxalmente, são as outras identidades
que são marcadas como tais. Numa sociedade em que impera a supremacia branca, por
exemplo, "ser branco" não é considerado uma identidade étnica ou racial. Num mundo
governado pela hegemonia cultural estadunidense, "étnica" é a música ou a comida dos outros
países. É a sexualidade homossexual que é "sexualizada", não a heterossexual. A força
homogeneizadora da identidade normal é diretamente proporcional à sua invisibilidade.
Na medida em que é uma operação de diferenciação, de produção de diferença, o
anormal é inteiramente constitutivo do normal. Assim como a definição da identidade depende
da diferença, a definição do normal depende da definição do anormal. Aquilo que é deixado de
fora é sempre parte da definição e da constituição do "dentro". A definição daquilo que é
considerado aceitável, desejável, natural é inteiramente dependente da definição daquilo que é
considerado abjeto, rejeitável, antinatural. A identidade hegemônica é permanentemente
assombrada pelo seu Outro, sem cuja existência ela não faria sentido.
Como sabemos desde o início, a diferença é parte ativa da formação da identidade.

(SILVA, Tomaz Tadeu. A produção social da identidade e da diferença. In: SILVA,


Tomaz Tadeu (org. e trad.). Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos
[Link]ópolis: Vozes, 2000. p. 73-75.
[Link]

Questão 1:
O autor explica que as relações identitárias são binárias. Por que ele considera que essa forma
de análise é problemática? Justifique sua resposta com base no texto.

Questão 2:
Releia o trecho:

“Aquilo que é deixado de fora é sempre parte da definição e da constituição do ´dentro`”.(último


parágrafo)

Justifique a afirmativa acima, empregando para isso outras informações do texto.

Questão 3:
Leia novamente:

“A força da identidade normal é tal que ela nem sequer é vista como uma identidade, mas
simplesmente como a identidade”. (penúltimo parágrafo)

No trecho destacado, qual é o efeito de sentido determinado pelo uso dos artigos indefinido e
definido acima negritados?
134

Questão 4:
Releia o trecho:

“A identidade e a diferença estão, pois, em estreita conexão com relações de poder”.


(2° parágrafo)

a) Explique o trecho acima, tomando como base o termo destacado.

b) Reescreva o trecho, substituindo o termo destacado por um outro marcador discursivo que
mantenha a relação sintático-semântica por ele estabelecida.

Leia, com atenção, o texto abaixo (Texto II).

Publicidade institucional para uma empresa de publicidade ( modificada).


[Link]
Questão 5:
O Texto I trata da separação entre “ nós” e “ eles”. Como se pode analisar a distinção entre
“você” e “nós” no contexto da peça publicitária acima (Texto II)?
135

SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS

CUNHA, C., [Link] CINTRA. Nova Gramática do Português Contemporâneo.


Rio: Nova Fronteira,1985.
MIRA MATEUS, M.H et al. Gramática da Língua Portuguesa. Lisboa: Caminho, 1987.
BRONCKART, Jean-Paul. Atividade de Linguagem, Textos e Discurso. São Paulo:
Educ-Editora da PUC-SP, 1999.
FARIA,I.H. et al (org). Introdução a Lingüística Geral e Portuguesa. Lisboa:
Caminho, 1996.
GERALDI, J.W. Portos de Passagem. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
KATO, M. No Mundo da Escrita. São Paulo: Ática, 1987.
KATO, M. O Aprendizado da Leitura. São Paulo: Martins Fontes, 1990.
KLEIMAN, A. (org.). Os Significados do Letramento. São Paulo: Mercado das Letras,
1995.
KLEIMAN, A. Oficina de Leitura. Campinas: Pontes, 1993.
KOCH, I. V. A Coesão Textual. São Paulo: Contexto, 1990.
KOCH, I. V, L.C. TRAVAGLIA.A Coerência Textual. São Paulo: Contexto, 1990.
MUSSALIM, F., A. C BENTES. (org.). Introdução à Lingüística - domínios e
fronteiras. vol. 1 e 2. São Paulo: Cortez, 2000.
SOARES, Magda. Linguagem e Escola. São Paulo: Ática,1980.
TRAVAGLIA, L.C. Gramática e Interação: uma proposta para o ensino de
gramática no 1º e 2º graus. São Paulo: Cortez.
FERREIRA, Mauro. Aprender e praticar – Gramática. São Paulo: FTD, 1992.

Você também pode gostar