Cultivo Sustentável de Morangos
Cultivo Sustentável de Morangos
PARTE 1
CULTIVO DE MORANGUEIRO
Cleide Maria Ferreira Pinto
Pesquisadora Embrapa/Epamig Sudeste
Viçosa, MG
1. Importância Socioeconômica
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sociais e econômicos da cultura.
Em relação à qualidade nutricional, de forma geral, para a maioria dos nu-
trientes ainda existe um consenso sobre a superioridade dos orgânicos. Esse cul-
tivo orgânico tende a produzir frutos com maiores teores de compostos fenóli-
cos (responsáveis por maior proteção ao organismo), maiores teores de antocia-
ninas, sólidos solúveis, maior conteúdo de massa seca, ácido ascórbico, fenóis
totais e fibras brutas, quando comparados com o cultivo convencional.
2. Botânica do Morangueiro
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polinização e fecundação. Normalmente, o processo de
polinização ocorre pela intervenção de insetos, como abelhas,
himenópteros silvestres ou moscas. O vento também pode ser
considerado como um agente polinizador, uma vez que o pólen
do morangueiro é de tamanho bem reduzido, podendo ser
facilmente carreado pelo vento.
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xa potencialidade de inóculo de fungos e bactérias que atacam o morangueiro,
é um dos pré-requisitos essenciais para a obtenção de morangos de qualidade.
O morangueiro é propagado vegetativamente por meio de estolhos emitidos
pela planta matriz. É recomendável que as plantas matrizes para a formação de
viveiros sejam adquiridas de empresas registradas no Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento (Mapa), mas, no caso de o agricultor desejar produzir
a própria muda, deverá tomar alguns cuidados para para não comprometer o
plantio subsequente.
Como todas as etapas da produção de morango, a obtenção de mudas deve
ser bem planejada e, dentro desse planejamento, deverão ser observados al-
guns aspectos. Dentre eles, as escolhas da cultivar, com a devida antecedência,
e do local do viveiro; o preparo do solo; o projeto de irrigação; a definição do
espaçamento entre plantas; a época de plantio e a origem das plantas matrizes,
além da correção do solo e adubações, controle de plantas invasoras, controle
fitossanitário e época de transplante das mudas.
• Micropropagação do morangueiro
Mudas de alto padrão, em quantidades suficientes para atender à de-
manda do produtor de morango, em curto espaço de tempo, são oriundas de
técnicas avançadas de produção. Isso pode ser conseguido com a propagação
por culturas de tecidos vegetais, ou seja, com a micropropagação. Utilizam-se
meristemas que são retirados dos estolões, que, por sua vez, minimizam os pro-
blemas de viroses que a cultura possa apresentar.
A otimização da multiplicação in vitro permite o desenvolvimento de técni-
cas para indução do aparecimento de novas características de interesse agronô-
mico; proporciona a produção de clones livres de patógenos - principalmente
de viroses que acometem o morangueiro - e eleva a quantidade de matrizes
colocadas no mercado. Assim, a partir de poucos explantes, é possível produzir
grande número de mudas para aclimatação e, consequentemente, para a co-
mercialização.
A área para a instalação do viveiro deverá ser levemente inclinada, bem dre-
nada, com a estrutura física do solo arenosa ou areno-argilosa para facilitar o de-
senvolvimento das raízes e o arranquio das mudas na época do transplante para
área de produção comercial. Deve-se evitar utilizar áreas próximas a plantios
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comerciais ou que tenham sido cultivadas recentemente com morango ou hor-
taliças das solanáceas, que poderão constituir-se em hospedeiros alternativos
de pragas e doenças. Recomenda-se que seja mantida uma distância mínima de
500m entre as áreas do viveiro e dos plantios comerciais.
A área do viveiro deve ser restrita a funcionários que tenham alguma ativida-
de com a produção das mudas, evitando o trânsito de máquinas e pessoas entre
as áreas de cultivo e do viveiro. Para atender a esse requisito, a área deve ser
cercada, com o menor número possível de acessos ao seu interior. É importan-
te ter cuidado para que, nesse local de entrada, sejam adotadas as medidas de
controle fitossanitário, como o uso de pedilúvio (caixa rasa na entrada do viveiro,
contendo produtos fitossanitários, para a lavagem dos calçados dos indivíduos
ao entrarem na área).
No campo, após a escolha da área, emprego de todas as técnicas de pre-
paro do solo (aração, gradagem, correção e fertilização baseadas nas análises
químicas do solo), as matrizes são plantadas normalmente, em canteiros de 1,80
m de largura e espaçadas 1,50 m umas das outras. A instalação do viveiro deve
ocorrer entre agosto e novembro e o cultivo dessas matrizes até os meses de
março e abril, quando são coletadas as mudas e ofertadas aos produtores de
morangos para o plantio comercial. Essas mudas são comercializadas com raízes
nuas e plantadas diretamente nos canteiros, para produção de frutos (produção
comercial).
No caso de cultivo suspenso para produção de mudas, as matrizes são plan-
tadas em vasos sob ambiente protegido. Os estolhos são coletados das matrizes
e deles retiradas as mudas, que são plantadas em bandejas com substrato. Essas
mudas permanecem nas bandejas sob ambiente protegido, recebendo todos os
tratamentos necessários, como desbaste, irrigação, tratamento fitossanitário e
fertilização, para promover bom enraizamento e, consequentemente, boa for-
mação.
Após serem adquiridas pelos produtores, as mudas também são plantadas
diretamente no campo para a produção de frutos. As mudas produzidas em ban-
dejas têm a vantagem do substrato que envolve as raízes e que, quando compa-
radas com as mudas de raízes nuas, apresentam melhor pegamento.
• Escolha da Cultivar
A escolha da cultivar é muito relevante no cultivo do morangueiro, chegan-
do a ser limitante, principalmente por suas exigências em fotoperíodo, núme-
ro de horas de frio e temperatura, que variam em função da cultivar. Portanto,
recomenda-se evitar a escolha inadequada para a região. Na seleção da cultivar,
é importante considerar também a produtividade, a precocidade, a conserva-
ção, o sabor, o tamanho do fruto, o destino (consumo in natura ou industrial) e a
resistência a pragas e doenças.
As cultivares de morangueiro, segundo a resposta da planta ao fotoperíodo,
podem ser classificadas naquelas de dia curto, dia neutro e dia longo. As plantas
das cultivares de dias curtos diferenciam suas gemas florais, quando decresce o
fotoperíodo e a temperatura abaixa. As plantas das cultivares de dia longo fru-
tificam em qualquer época do ano, desde que a temperatura para o seu desen-
volvimento seja de, no mínimo, 10o C. Produzem gemas florais durante o verão,
em maior quantidade, sob 17 e 15 horas. As plantas dessas cultivares são pouco
cultivadas no Brasil, pelo fato de suas exigências climáticas serem mais compatí-
veis com as regiões de clima temperado.
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suscetível ao mofo-cinzento, causado por Botrytis cinérea
- Aromas – Cultivar de dia neutro. Produz frutos de tamanho mediano, com
coloração vermelho-escura e pode ser comercializada para mesa e para indús-
tria. Tem sido cultivada na entressafra, com boa produtividade nos meses de
dezembro e janeiro, quando há pouca oferta de morango no mercado.
- San Andreas – Produz frutos saborosos. No Sul de Minas, tem sido culti-
vada também no período de entressafra, isto é, o plantio das mudas é realizado
em julho e o cultivo estende-se até o final do próximo ano.
- Monterrey – Cultivar de dia neutro, que produz fruto saboroso. Apresenta
suscetibilidade a oídio e a vermelhão.
- Portola – Cultivar de dia neutro. Produz fruto similar, em tamanho, ao da
cultivar Albion, porem com coloração mais clara, mais brilhante e menos toler-
ante à chuva. Apresenta boa resistência a doenças.
- Festival – A planta é vigorosa e produz muitos estolhos na época da frutifi-
cação. Apresenta pedicelos longos e fruto com coloração vermelho-intensa ex-
ternamente, e mais clara internamente, com forma cônica e cálice grande.
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solo, da calagem e da adubação. Para tanto, recomenda-se que a análise química
da amostra para fertilidade do solo seja feita, no mínimo, 120 dias antes do plan-
tio, e que a correção da acidez seja realizada com antecedência de, pelo menos,
90 dias. O pH ideal para a cultura do morangueiro é 6,0. A calagem, se necessário,
é feita com calcário dolomítico incorporado ao solo, a uma profundidade de 20
cm.
O solo da área para cultivo do morango deve ser arado e gradeado, to-
mando-se o cuidado de deixar o terreno bem nivelado e destorroado. Os can-
teiros são preparados com dimensões aproximadas de 1,20 m de largura e altura
de 0,30 a 0,40 m. O comprimento pode variar de acordo com as características
da área, não devendo dificultar a movimentação na área durante as operações
de cultivo e colheita. Em áreas de encostas, principalmente na época chuvosa,
não se devem fazer canteiros muito compridos, que seriam obstáculos ao escoa-
mento das águas de chuva, favorecendo a sua destruição.
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com maior largura.
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tores. A face branca voltada para cima, após ser colocada sobre os canteiros, re-
flete a radiação solar, redundando em ganho de produção. Entretanto, o alto
custo, quando comparado ao da lona preta, é uma desvantagem.
Mulching de material vegetal, como a maravalha, acícula de pinheiro e
casca de arroz, apesar do baixo custo, propicia o aumento de frutos podres e
danificados, em decorrência do ataque de microrganismos e insetos, que são
favorecidos por esse tipo de cobertura.
2. Irrigação do morangueiro
A irrigação é uma prática cultural indispensável para que a lavoura de mo-
rangueiro atinja altos níveis de produtividade, com frutos de qualidade. É uma
pratica que deve ser monitorada, uma vez que o déficit e/ou excesso de água
aplicada pode propiciar condições desfavoráveis ao desenvolvimento das plan-
tas e levar à queda na produtividade, alem de aumentar os custos com energia
de bombeamento e fertilizantes ao se trabalhar com baixa eficiência de irrigação
e fertirrigação. Os períodos críticos de necessidade hídrica ocorrem logo após o
transplante das mudas, na formação de botões, floração e frutificação.
No Brasil, até a década de 1980, a quase totalidade das lavouras de mo-
rangueiro era irrigada por aspersão. Atualmente, esse método de irrigação só
é utilizado após o plantio, para garantir o pegamento das mudas (por favorecer
maior contato das raízes com o solo) e contribuir para a redução da temperatura
do solo, o que traz benefícios para o transplante. Alem de favorecer o acúmulo
de água sobre as folhas e frutos, a irrigação por aspersão também tem como
fator limitante a perda de água superficial, em razão da cobertura dos canteiros
com lona plástica.
Õ
aspersão pelo sistema de irrigação localizada ou irrigação por
gotejamento (no qual a água chega à superfície do solo por
emissores chamados de gotejadores), ocorreu em virtude da
maior eficiência no uso da água e no manejo de doenças, já
que evita a presença de umidade nas folhas - fator que desfa-
vorece o desenvolvimento de fungos e bactérias.
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entações técnicas.
3. Desbaste
Nos primeiros 30 dias após o plantio, é recomendável o desbaste de flores e
frutos. Essa prática cultural tem custo alto com mão de obra, porém, é de grande
importância para estimular o crescimento e a boa formação da estrutura da
planta, e plantas bemformadas apresentam ganhos na produção.
5. Rotação de cultura
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A rotação de cultura, sistema no qual espécies diferentes são cultivadas em
sucessões retidas, numa mesma sequência definida, na mesma área, é prática
importante na produção agrícola. Se adotada e conduzida de modo adequado
e por um período suficientemente longo, essa prática melhora as características
físicas, químicas e biológicas do solo; auxilia no controle de plantas daninhas,
doenças e pragas; repõe a MO; protege o solo contra o impacto das chuvas e
da irradiação solar direta. Isso, por sua vez, reduz os índices de erosão; aumenta
a retenção no solo; recupera solos degradados; diminui a perda de nutrientes,
como o N; aumenta a vida microbiana do solo, proporcionando a diminuição
da incidência de insetos-pragas e de doenças, promovendo a ciclagem de nu-
trientes de camadas mais profundas para depósitos nas camadas superficiais,
quando utilizadas espécies agrícolas com sistemas radiculares diferentes.
6. Nutrição
O fornecimento, no momento certo, de níveis adequados de macronutrien-
tes (N, P, K, Ca, Mg e S) e micronutrientes (B, Cu, Fe, Mn, Mo e Zn) ao morangueiro
é indispensável para a manutenção do equilíbrio entre o desenvolvimento veg-
etativo e a frutificação da planta, bem como para a redução da suscetibilidade
ao ataque de doenças e pragas, de forma que obtenham produções de elevada
qualidade. As quantidades de nutrientes exportados pela cultura dependem da
produção obtida, que varia em função da cultivar e da época de cultivo. A escas-
sez de quaisquer desses macros ou micronutrientes compromete o potencial
produtivo da cultura.
Nos picos de produção, principalmente em lavouras com alta produtividade,
podem surgir sintomas de deficiência de nutrientes nas folhas, por causa do car-
reamento deles para os frutos. Os principais nutrientes, sua influência sobre a
fitossanidade, a produção e aqualidade de morango são mencionados a seguir.
a) Nitrogênio (N): Sua falta acarreta plantas mal desenvolvidas e, conse-
quentemente, menor produção de frutos; já o seu excesso, que aumenta de ma-
neira drástica o vigor das plantas, reduz a indução floral, atrasa a floração, reduz
a qualidade dos frutos em relação ao conteúdo de açúcares, textura, coloração,
deformações e favorece o mofo-cizento, a antracnose-do-rizoma e o ácaro-raja-
do. Sintoma de deficiência de N em morangueiro é o desenvolvimento de colo-
ração vermelha, a partir das margens internas dos folíolos.
b) Fósforo (P): Por ser um componente do trifosfato de adenosina (ATP), par-
ticipa de inúmeras reações bioquímicas, destacando-se aquelas que estimulam
o desenvolvimento radicular e a floração. O excesso de P pode provocar diminu-
ição na absorção de alguns micronutrientes, como o ferro (Fe), e o zinco (Zn).
Desenvolvimento de coloração azulada, em pequenas nervuras, que posterior-
mente atinge toda a superfície da folha, é um dos sintomas de deficiência de P.
c) Potássio (K): Favorece o tamanho, a textura e as características organolép-
ticas do morango (sabor, aroma, açúcares e vitamina C). Baixos teores de potás-
sio estão associados ao aumento da incidência dos fungos Verticillium, Pythium,
Phytophthora e Rhizoctonia. O excesso de K, porém, diminui a absorção de Mg
e de Ca, esse último em menor proporção. Um dos sintomas de deficiência de
K em morangueiro é o desenvolvimento de púrpuro-avermelhada, a partir das
margens externas dos folíolos, a qual evolui, envolvendo de um terço à metade
da superfície dos folíolos, formando um triângulo esverdeado, que tem como
centro a nervura central.
d) Cálcio (Ca): A deficiência desse nutriente resulta na redução de produtivi-
dade e em deterioração da qualidade do morango (baixa capacidade de conser-
vação, baixo teor de açúcares e acidez). Na deficiência de Ca, os ápices das folhas,
em início de desenvolvimento, apresentam-se de coloração castanha e, com o
desenvolvimento delas, tornam-se necróticos, originando folíolos de tamanho
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menor que o normal.
e) Magnésio (Mg): Desempenha papel de alto valor na síntese da clorofila
e favorece a coloração vermelha do morango. Na deficiência de Mg, entre as
nervuras dos folíolos, desenvolve-se uma coloração púrpuro-avermelhada. No
início, apenas nas margens dos folíolos e, posteriormente, somente as nervuras
centrais e áreas bem próximas a elas apresentam coloração normal.
f) Enxofre (S): É um componente essencial de aminoácidos, como cistina,
metionina e cisteína. Sua deficiência limita o crescimento da planta. Os sinto-
mas de deficiência de S são clorose e otamanho desigual entre folíolos, de uma
mesma folha, aparecendo uma coloração escura nas margens externas destes.
g) Boro (B): Tem participação relevante na divisão celular e formação de no-
vas células, bem como no metabolismo dos ácidos nucleicos (DNA e RNA). Os
sintomas de deficiência de B em folhas jovens são semelhantes àqueles provo-
cados pela falta de Ca, constando de deformações e necroses nas bordas. Há
redução na produção de pólen, o que resulta em morangos pequenos e defor-
mados. Na deficiência de B, o crescimento das raízes fica comprometido e, por
consequência, também a absorção de outros nutrientes do solo. O excesso de B
causa amarelecimento e endurecimento do morango, além de necrose marginal
das folhas. Sintomas progressivos aparecem nas folhas em início de desenvolvi-
mento: necrose nas pontas, folíolos retorcidos e cloróticos; presença de frutos
deformados.
h) Zinco (Zn): O zinco é um componente metálico ou um cofator funcional,
estrutural ou regulatório de enzimas. Na sua deficiência, ocorre redução signifi-
cativa na síntese proteica, acompanhada de acúmulo de aminoácidos livres. É
comum observar sintomas de deficiência de Zn em campo onde esse nutriente
foi aplicado. A deficiência acontece pelo excesso de P, que pode afetar a absor-
ção de micronutrientes metálicos. Sintomas de deficiência de Zn são o encurta-
mento de internódio e a diminuição no tamanho das folhas.
i) Ferro (Fe): Na deficiência de Fe, as concentrações de clorofila, carotenoi-
des, ferredoxina e ribossomos diminuem e as de ácidos orgânicos e aminoáci-
dos livres aumentam. Havendo menos ferredoxina, a célula perde o principal
fornecedor de elétrons, acarretando acúmulo de compostos oxidados. Os sin-
tomas de deficiência são cloroses internervais, permanecendo as nervuras mais
internas com coloração verde intensa.
j) Manganês (Mn): Sob deficiência de Mn, eleva-se a atividade de AIAoxi-
dase, enzima associada à degradação de auxinas. Assim, em tal situação, consta-
ta-se uma diminuição da concentração hormonal responsável pelo crescimento
vegetal. Apesar de indicações de deficiências nutricionais, na prática, o mais co-
mum é a toxidez promovida pelo Mn em solos ácidos. Normalmente, o excesso
de Mn induz à deficiência de Ca e Fe, ao diminuir a translocação de Ca e ao com-
petir em nível celular com o Fe, o que é evitado pela elevação do pH pela cala-
gem. Na deficiência, os sintomas são folíolos de folhas, recém-formadas, foscos e
verdes-amarelados, com nervuras escuras e margens apresentando pontuações
púrpuras.
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A aplicação de calcário (calagem) tem como objetivos aumentar o pH de
solos ácidos e fornecer Ca e Mg para as plantas. Em solos com pH ácido (em
geral, abaixo de 5,5), as plantas não se desenvolvem adequadamente pelo efeito
tóxico do alumínio (Al3+), pela baixa disponibilidade de alguns nutrientes (Ca,
Mg e P, principalmente) e pelo excesso de alguns micronutrientes, como Mn e
Fe, que podem causar toxidez.
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QUADRO 2 - Recomendação de adubação nitrogenada, fosfatada e
potássica para a cultura do morangueiro em Minas Gerais, em função dos
resultados da análise do solo (extrator Mehlich 1)
P (mg/dm3) K (mmolc/dm3)
Nitrogênio Muito Muito
Baixa Média Boa Baixa Média Boa
(Kg/ha) Boa Boa
P2O5 (kg/ha) K2O (kg/ha)
220 400 300 200 100 350 250 150 80
Fonte: Nannetti e Souza (1999).
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Pelo acompanhamento dos resultados de análises foliares de lavouras
do Sul de Minas, nos últimos anos, nota-se que a quase totalidade apresenta
deficiências graves de Ca e Mg - mesmo com os resultados das análises de
solo indicando valores adequados. Considerando-se o longo ciclo da cultura
(produção de frutos em 9 a 10 meses) e as cultivares, é recomendável realizar uma
diagnose dos teores de nutrientes nas folhas como auxiliar para um programa
de adubação em cobertura. É recomendável, para as condições de São Paulo,
amostrar em 30 plantas, da terceira ou quarta folha recém-desenvolvida (no
início do florescimento), sem pecíolo.
A fertirrigação, ou seja, o uso de fertilizantes solúveis dissolvidos na água de
irrigação pode complementar a adubação convencional de plantio feita no solo,
em varias culturas, principalmente nas hortaliças.
Nutrientes Teores
Macronutrientes (g/kg)
N 15-25
P 2-4
K 20-40
Ca 10-25
Mg 6-10
S 1-5
Micronutrientes (mg/kg)
B 35-100
Cu 5-20
Fe 50-300
Mn 30-300
Mo 0,5-1,0
Zn 20-50
Fonte: Raij et al. (1996)
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completamente saudável. No que diz respeito às BPA, dentre as outras práticas
culturais, é obrigatório prestar atenção à aplicação de agrotóxicos. Ela deve
ser realizada a partir de critérios técnicos, com o monitoramento de pragas e
doenças, de acordo com as recomendações de controle para a cultura, com
base na Grade de Agrotóxicos, com produtos registrados para uso na cultura do
morangueiro e seu respectivo período de carência.
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No manejo do cultivo do morango no sistema orgânico, além da escolha
da área, do local de cultivo e do preparo do solo, devem ser realizadas
práticas culturais (tratamento do solo com adubos verdes, pousio e adição de
microrganismos benéficos eficientes - EM) em áreas com cultivos anteriores
de morango, pelo fato de ter ocorrido infestação do solo por microrganismos
patogênicos.
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QUADRO 6. Principais fontes de nutrientes e adubos orgânicos utilizados
pelos produtores para produção orgânica no Sul de Minas
Termofosfato P2O5, Ca
Estercos de animais (bovinos e
C, macro e micronutrientes
avícolas)
Bokashi Microrganismos benéficos
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6.5. Plantio
O plantio das mudas de morangueiro é realizado, geralmente, entre fever-
eiro e abril, havendo variações, quando o objetivo é produzir na entressafra. São
utilizadas mudas de raízes nuas ou enraizadas em substrato, comercializadas em
bandejas de plástico ou de isopor alertando que muda com raiz nua apresenta
menor percentagem de pegamento quando comparado a de mudas enraizadas
em substrato em bandejas.
6.6. Fertirrigação
O sistema de fertirrigação por gotejamento deve ser instalado logo em se-
guida ao plantio. Recomenda-se também a instalação de aspersores, para ga-
rantir o fornecimento de água nos primeiros dias após o plantio e estimular o
pegamento das mudas.
No morangueiro orgânico, muitas vezes a fertirrigação é feita com a utiliza-
ção de biofertilizantes preparados pelos próprios produtores, a partir de receitas
disponíveis na literatura. Para corrigir uma eventual deficiência de Ca no solo
ou problemas de acidez por algum erro de calagem, pode utilizar água de cal
hidratada:
normalmente, à proporção de um saco de cal para 200 L de água, homog-
eniza e utiliza-se a produção de 20 a 50 L da mistura em 1.500 m2.
6.7. Mulching
A utilização de mulching é indispensável no cultivo orgânico, assim como no
convencional.
6.9. Desbaste
Nos primeiros 30 dias após o plantio, é recomendável também o desbaste de
flores e frutos, com o objetivo de estimular o crescimento e a boa formação da
estrutura da planta.
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controle. O manejo do mofo-cinzento (Botrytis cinerea), com o agente de bio-
controle Clonostachys, é eficiente somente quando se realiza a limpeza da cul-
tura pela eliminação contínua de folhas e frutos doentes.
Essa produção mais limpa vai ser refletida em melhor qualidade de vida para
o produtor, produto mais saudável e de qualidade para a população, regulari-
zando e aumentando o período de safra, assim como potencializando as pos-
sibilidades de exportação do morango. O sistema hidropônico conduzido em
substrato é conhecido no país como semi-hidropônico.
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doces. Os principais ácidos presentes nos frutos são cítricos e málico, os quais
podem afetar diretamente o sabor, o pH celular e antocianinas - pigmentos que
conferem cor vermelha aos morangos.
9. Processamento
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33
02
PARTE 2
PRODUÇÃO INTEGRADA
Fagoni Fayer Calegario1
Larissa Akemi Iwassaki2
Mário Eidi Sato3
Hélcio Costa4
Maria Aparecida Cassilha Zawadneak5
1. Introdução
1
Engª Agr', D.Sc., Pesq. Embrapa Meio Ambiente, Jaguariúna-SP
2Engª Agr', M.Sc. Sanidade, Segurança Alimentar e Ambiental no Agronegócio, Tecnologista Jr. Instituto
Nacional de Tecnologia, Rio de Janeiro-RJ
3Engº Agrº, D.Sc., Pesq. Científico/Prof. Instituto Biológico, Campinas-SP
4Engº Agrº, D.Sc., Pesq . Incaper - Centro Regional de Desenvolvimento Rural Centro Serrano, Venda Nova
do lmi-grante-ES
5Engª Agr', D.Sc., Prof UFPR- Setor de Ciências Biológicas, Curitiba-PR
34
As irregularidades encontradas neste produto são de dois tipos:
- o primeiro refere-se a detecções de agrotóxicos acima do LMR, o que pode
ser evitado pela adoção de BPA. O produtor pode evitar este tipo de irregularida-
de seguindo adequadamente as instruções do rótulo e da bula, calibrar pulveri-
zadores e respeitar períodos de carência dos agrotóxicos.
- Já o segundo tipo refere-se à detecção de resíduos de produtos não re-
gistrados para a cultura. Nesse caso, não se trata de negligência nas BPA, mas
sim de dificuldades em obter agrotóxicos registrados para culturas com menor
retomo de investimentos no registro dessas substâncias (BARlZON et ai., 2013).
Culturas desse tipo são conhecidas como minor crops ou culturas com supor-
te fitossanitário insuficiente (CSFI). Cultivadas em áreas pequenas, os produtores
de CSFI acabam utilizando agrotóxicos não autorizados, em razão do reduzido
número de produtos registrados para a cultura (BARlZON et ai., 2013).
Os resíduos químicos não são os únicos que podem colocar em risco a ino-
cuidade
do morango. Mattos e Cantillano (2004) detectaram a presença de colifor-
mes totais e outras enterobactérias (Salmonella, Shigella, Klebsiella, Enterobacter,
Proteus, Yersinia) em amostras de morangos cultivados em Pelotas (RS). Esses
autores alertam para a necessidade de focar os cuidados nas mãos e luvas do
produtor e nas caixas de colheita. Em amostras de água, também constataram a
presença de microrganismos. Diante disso, o folder Riscos microbianos na Produ-
ção Integrada de Morango foi publicado como forma de orientar o produtor para
os pontos críticos de controle das contaminações microbiológicas: água, mãos,
luvas, caixas, animais e lonas plásticas (MATTOS; CANTILLANO, 2009).
É fato que o morango, em virtude das divulgações na mídia sobre conta-
minações, principalmente por resíduos de agrotóxicos, tomou-se um produto
estigmatizado. Por outro lado, é notória a tendência atual de os consumidores
darem preferência a produtos que atendam a protocolos de qualidade e que
sejam submetidos a mecanismos de rastreabilidade e certificação (EMBRAPA
UVA E VINHO, 2013). Ainda de acordo com Embrapa Uva e Vinho (2013), esses
mecanismos demonstram, de forma confiável e provável, que a produção é feita
em bases sustentáveis e capazes de minimizar ou, mesmo, anular os riscos de
contaminações físicas, químicas ou biológicas.
Dentro dessa lógica, exatamente por se tratar de um produto considerado
perigoso por alguns, mas extremamente atrativo para crianças e adultos, exis-
tem grandes oportunidades para o produtor de morango que optar por adotar
tais mecanismos que diferenciarão seu produto, certificando sua produção.
35
as etapas de produção agropecuária. A certificação, em especial, permite apre-
sentar evidências objetivas dos cuidados e controles utilizados na produção e,
ainda, identificar o produto final com um selo de qualidade que chega até o
consumidor.
O sistema de produção integrada teve origem na década de 1970, na Europa,
como evolução do manejo integrado de pragas (MIP), que é a utilização de es-
tratégias com base no monitoramento das pragas de uma cultura, enfatizando,
prioritariamente, sua prevenção – promoção do equilíbrio da lavoura e do seu
entorno - , seguido por métodos fisicos e/ou biológicos de controle.
36
2011b), ao invés das 15 áreas temáticas estabelecidas na Instrução Normativa nº
20, de 27/9/2001 (BRASIL, 2001).
Já nos Requisitos de Avaliação da Conformidade, a revisão passou a incluir
temas
como: tratamento de não conformidade, tratamento de reclamações, ativi-
dades exercidas por OCP estrangeiros, bem como alterou os requisitos do uso
da "Marca de Conformidade" para o do "Selo de Identificação da Conformidade"
(INMETRO, 2011 ), ilustrado na Figura I.
Além das diretrizes, para cada tipo de produto, NTE são publicadas no Diário
Oficial da União, na forma de Instruções Normativas. As NTE-Produção Integrada
de Morango (PI Morango) estão publicadas como Instrução Normativa nº 14,
de 3 de abril de 2008 (BRASIL, 2008), complementada, posteriormente, pela
Instrução Normativa nº 24, de 4 de agosto de 2010 (BRASIL, 2010a).
Nas experiências com a cultura, a Pl Morango tem-se mostrado um excelente
caminho de conversão da produção convencional para sistemas de produção
mais sustentáveis, podendo chegar a um equilíbrio tal que não haja necessidade
de aplicação de agrotóxicos nessa cultura.
37
ele constatar que existe demanda de mercado para morangos certificados, pode
concluir que é economicamente interessante pleitear a certificação e utilizar o
selo Brasil Certificado -Agricultura de Qualidade, que diferencia o produto. No
entanto, se o produtor considerar que não é viável buscar a certificação, poderá
apenas participar dos programas, como forma de obter informações técnicas
para conduzir a lavoura, empregando conhecimentos e tecnologias mais mo-
dernos. Nesse caso, ao implantar os procedimentos normativos, certamente ob-
terá melhorias contínuas na produção.
38
h) fomento e adoção do MIP e das BPA, acarretando melhoria, inclusive, das
técnicas utilizadas pela produção convencional;
i) criação de espaços de trabalho para responsáveis técnicos, auditores e ou-
tros profissionais;
j) identificação da necessidade de pesquisa e de adaptação da pesquisa dis-
ponível;
k) criação de acervo bibliográfico importante, proporcionando a aproxima-
ção da pesquisa com o setor produtivo e os consumidores.
39
(CREMONESI; HAMMES; CALEGARIO, 2009; HAMMES; CALEGARIO; CREMONESI,
2009). Em 2008, por iniciativa da Associação de Produtores de Morango e Hor-
tifrutigranjeiros de Atibaia, Jarinu e Região, apoiada por recursos financeiros do
Orçamento Participativo da Prefeitura de Atibaia, uma unidade demonstrativa
central (UDC) da Pl Morango foi implantada no Parque Duílio Maziero, em Ati-
baia, SP. Nesse local, ocorreu a primeira validação das NTE- Pl Morango, publica-
das no mesmo ano (BRASIL, 2008).
Em 2011, a primeira certificação do Brasil foi obtida por um grupo de seis
produtores dos municípios de Atibaia e Valinhos (SP), que passaram por audito-
ria de manutenção da certificação na safra 2013.
40
nificativa na frequência de indivíduos resistentes a esses acaricidas (IWASSAKl,
2010).
Ao final da safra, foram calculados a produtividade e os custos das estraté-
gias de controle integrado. Informações sobre a produtividade das áreas e quan-
tidade de frutos colhidos também foram comparados, tanto para mesa, quanto
para indústria. Os valores de preços médios obtidos na venda dos frutos foram
calculados com base nos registros e recibos mantidos pelos responsáveis pela
venda.
Õ
tiveram como base custos de liberação de ácaros predadores e
de aplicações de acaricidas. O custo dos ácaros predadores foi
estabelecido com base no preço de venda utilizado em 2008,
pela empresa PROMIP-Manejo Integrado de Pragas, que foi
de R$17,50 por 500 ácaros predadores (NeoMIP - Neoseiulus
californicus).
41
Quadro 1 - Produção de morango nos sistemas
convencional e integrado
O preço médio para os frutos tipo indústria da Pl Morango foi maior que o
da produção convencional, ao contrário do que se observa para os frutos tipo
mesa (Quadro 2). A falta de divulgação fez com que, muitas vezes, os frutos da
PI Morango fossem vendidos como convencionais. Assim, como os recipientes
continham um peso maior (média de 2 kg por caixa de morangos da Pl Morango
e 1,2 kg por caixa de morangos da produção convencional), o preço por quilo
acabou reduzido (IWASSAKI, 2010).
Uma alternativa para incrementar a comercialização dos frutos da Pl Moran-
go foi o evento chamado colha-e-pague, realizado em três datas (6 e 13 de julho
e 20 de setembro de 2008), que resultou em um total de 196,6 kg de frutos colhi-
dos (Quadro 1 ), vendidos ao preço de R$ 10,00 o quilo (Quadro 2). Foi também
uma forma eficaz de entretenimento de visitantes e turistas, bem como uma ex-
celente ferramenta de divulgação da PI Morango (CALEGARlO; SALUSTIO, 2009).
42
safra, o que, por sua vez, diminuiu os custos com controle químico a quase um
décimo do valor gasto na produção convencional. Foram gastos R$ 501,00 com
acaricidas e R$ 64,45 com mão de obra na área de produção convencional, tota-
lizando R$ 565,45 (Quadro 3). Na área de PI Morango, o valor total foi de R$ 51,85
(IL do acaricida Omite 720EC mais mão de obra), representando um gasto 10,9
vezes maior na primeira área (IWASSAKI,2010).
Controle químico
5 (com
Total de aplicações 10 2 2 -
Vertimec)
Total de acaricidas
2,0 1,0 4,0 1,0 -
adquirido (L)
Preço por litro (R$/L) 87,00 67,00 65,00 48 ,00 -
Custo final de acari-
cidas (R$)
174,00 67,00 260,00 48,00 -
Tempo de preparo +
pulverização (h)
20,5 4,1 ¹ 1,47 -
³Custo de mão de
obra (R$/h)
2,62 2,62 2,62 2,62 -
Custo final de mão de
obra (R$)
53,71 10,74 ¹ 3,85 -
Custo do controle
565,45 51,85
químico (R$)
Controle biológico
Monitoramento - - - - 33
Tempo gasto por
monitoramento (h) - - - - 1,6
³Custo de mão de
obra (R$/h) - - - - 2,62
Custo de monitora-
mento (R$) - - - - 138,34
Frascos adquiridos - - - - 23
Custo de Neoseíulus
californícus (R$/frasco) - - - - 17,50
Custo de N. californi-
cus (R$) - - - - 402,50
Liberações de ácaros
predadores - - - - 5
³Custo de mão de
obra (R$/h) - - - - 2,62
43
Custo do controle
biológico (R$) - - - 547,39
Por fim, vale lembrar que os custos relativos ao controle na safra de 2008 não
são necessariamente válidos para os anos seguintes. Mudas isentas de pragas,
manutenção de plantas que são fontes alternativas de alimento e refúgio para
inimigos naturais, por exemplo, podem retardar a entrada ou dispersão do ácaro
praga, reduzindo os custos de produção (IWASSAKI, 2010).
De qualquer forma, as decisões quanto às estratégias de controle nas áreas
de produção integrada são dinâmicas, e concluiu-se que o constante monito-
ramento foi uma importante ferramenta. A partir daí, desenvolveu-se uma me-
todologia prática e de baixo custo para monitoramento de T.urticae, a fim de
facilitar a compreensão dos produtores e incentivá-los a práticas de controle de
menor risco ao ambiente e ao produto final.
Com base nos dados do experimento da safra 2008 e observações feitas pe-
los produtores e parceiros do Projeto de Produção Integrada de Morango de
São Paulo (PI Morango-SP), foi desenvolvida uma adaptação da metodologia de
monitoramento realizado em laboratório, testada na UDC-PI Morango durante a
safra de 2009. Essa adaptação consiste na contagem do número de ácaros ainda
no campo, no momento da coleta do folíolo, com lupa de aumento de dez vezes.
De acordo com a quantidade de ácaros T. urticae observada no folíolo (quadro
4), estacas de bambu coloridas de branco, amarelo ou vermelho são espetadas
junto à planta amostrada (IWASSAKI et al., 2009).
44
Quadro 4 - Classificação dos principais riscos ocupacionais em grupos
Ácaros por Cor Folíolos infestados Medida a ser tomada
folíolo (nº) (%)
45
4. Considerações Finais
46
REFERÊNCIAS
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1, p.16.
47
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50
03
PARTE 3
MANEJO DE DOENÇAS DO
MORANGUEIRO
Hélcio Costa
Engenheiro Agrônomo D.Sc. em Fitopatologia.-Incaper (ES)
1.Introdução
2. Mofo Cinzento
O fungo Botrytis cinerea pode infectar pecíolos, folhas, botões florais, pétalas,
pedúnculos e frutos em qualquer estádio de desenvolvimento. Nos tecidos afe-
tados, observa-se uma lesão necrótica, sobre a qual se desenvolve uma massa de
micélio de cor cinza, que corresponde às estruturas do fungo (Figura 1).
Esta doença pode ocorrer de maneira generalizada nas lavouras em todo o
Brasil, sendo considerada a principal doença da cultura. Sua maior incidência é
observada após períodos de dois a três dias de chuvas finas e persistentes, o que
proporciona alta umidade nas plantas. Essas condições são facilmente encontra-
das na maioria das áreas produtoras de morango no Brasil, a exemplo da região
serrana do Espírito Santo. Associado a essas condições climáticas favoráveis,
outros fatores, como menor espaçamento entre plantas, excesso de adubação
nitrogenada, uso de irrigação por aspersão e cultivo em campo aberto, contri-
buem para a maior ocorrência da doença.
Para o manejo dessa doença, uma prática cultural essencial é a retirada de
folhas velhas, senescentes (amareladas) e secas e de frutos doentes. Tal medida
vem sendo adotada como rotina pelos produtores do estado do Espírito Santo.
Pesquisas conduzidas no Incaper/CRDR-CSERRANO, por seis anos consecutivos
(de 2004 a 2009), têm demonstrado que o cultivo em túneis reduz significativa-
51
mente a incidência da doença nos frutos, seja em campo ou em pós-colheita.
Esta redução tem chegado a mais de 80%, quando comparado com o cultivo em
campo aberto.
Em testes efetuados em condições de laboratório, a maioria das cultivares
tem se comportado como suscetíveis ao mofo cinzento. Em condições de campo
e nas áreas experimentais do projeto de produção integrada, tem-se observado
que a cultivar Camino Real apresenta alta suscetibilidade a esse patógeno. É im-
portante ressaltar que essa cultivar apresenta uma flor muito grande e que de-
mora a se abrir, se comparada a outras cultivares. Dessa forma, as pétalas ficam
mais aderidas entre a superfície dos frutos e o cálice, o que favorece a infecção
inicial do patógeno nessa parte do fruto.
Além dessas medidas culturais, o controle químico tem sido a principal me-
dida para manejo da doença. As pulverizações, muitas vezes, se fazem necessá-
rias, sobretudo em períodos de chuvas finas e constantes, comuns em diversas
regiões produtoras do país. No entanto, embora seja uma prática necessária
para controle da doença, o uso do controle químico é um dos principais proble-
mas na cultura. Pesquisas realizadas em 2012 e 2013, nos estados de São Paulo,
Espírito Santo e Minas Gerais, revelaram índices alarmantes de resistência de B.
cinerea aos fungicidas do grupo químico dos benzimidazóis e dicarboxamidas,
registrados atualmente para controle da doença na cultura. Os casos mais sérios
têm sido observados no sul de Minas Gerais, hoje a principal região produtora
do Brasil. Diante disso, novas estratégias, como o uso de produtos biológicos,
a exemplo do fungo Clonostachys rosea, vêm sendo testadas em condições de
campo e têm alcançado níveis desejáveis de controle.
Convém salientar que, no Brasil, o manejo do mofo cinzento é dificultado
pela ocorrência de várias floradas durante o ciclo da cultura, diferente de outros
países, onde ocorrem no máximo três floradas principais.
Figura 1. Sintomas de mofo cinzento em frutos de morangueiro (A-C); fruto imaturo da Camino
Real, apresentando sintoma da doença, com o cálice proeminente e pétalas aderidas (D); detalhe
da esporulação de cor cinza em folha (E) e pecíolo (F)
3. Antracnose
A doença conhecida como antracnose tem sido associada aos sintomas cau-
sados por espécies do gênero Colletotrichum. Na cultura do morangueiro, a in-
fecção por Colletotrichum pode levar ao aparecimento de diversos sintomas, a
52
depender do órgão da planta atacado. Dentre eles, podemos destacar a podri-
dão do rizoma, que leva à murcha e morte da planta, a flor preta, as podridões
em frutos e as lesões em folhas. Além disso, o fungo também pode infectar esto-
lões, causando problemas principalmente em condições de viveiro.
Pesquisas recentes têm demonstrado que esses sintomas podem ser cau-
sados por diferentes espécies dentro do complexo C. acutatum e C. gloeos-
porioides e, ainda, que não há uma correlação entre o sintoma e a espécie de
Colletotrichum. Assim, é possível encontrar no campo uma planta de moranguei-
ro apresentando os diversos sintomas, devido à infecção por uma única espécie
do patógeno.
Em condições de viveiro, o fungo Colletotrichum pode infectar os estolões,
causando lesões alongadas e deprimidas de cor escura, que podem levar à mor-
te das mudas. Além disso, o fungo pode alcançar a região do rizoma, devido
à continuidade da infecção pelo estolão e, posteriormente, causar murcha de
plantas em áreas de plantio, devido à podridão do rizoma. Nesse caso, ao se fazer
um corte longitudinal no rizoma, será observada a presença de uma coloração
marrom-avermelhada de consistência firme.
A podridão dos frutos pode ser visualizada em qualquer estádio de desen-
volvimento (Figura 2). Em frutos ainda imaturos, é possível observar a necrose
e, em alguns casos, a sua deformação. Em frutos já formados, seja no campo
ou em pós-colheita, observa-se uma lesão necrótica e deprimida, sobre a qual
ocorre intensa esporulação de cor rósea/alaranjada, imersa em uma mucilagem.
Infecções também podem ocorrer em inflorescências, onde as flores, estames e
pistilos apresentam lesões necróticas escuras. Com o avanço da doença, as inflo-
rescências tornam-se secas e mumificadas, ficando esse conjunto de sintomas
conhecido como "flor preta".
Nas folhas, os sintomas se apresentam como manchas necróticas de cor mar-
rom-escura nos bordos dos folíolos, muitas vezes diagnosticados erroneamente
como deficiência de boro. Em condições altamente favoráveis à doença, o pató-
geno pode infectar a região meristemática da planta, levando à morte.
Normalmente, a antracnose inicia-se em pequenos focos (reboleiras), devi-
do à disseminação restrita do patógeno, que ocorre por meio de respingos de
chuva ou irrigação. Por isso, condições de cultivo de campo aberto, associadas
à irrigação por aspersão ou chuvas, estão correlacionadas com a alta incidên-
cia da doença. Podem ser observadas perdas totais nas lavouras conduzidas em
campo aberto, principalmente na região Sudeste, entre os meses de setembro e
dezembro, devido à presença de chuvas constantes.
Como esses patógenos são capazes de infectar as plantas durante todo o seu
ciclo, é necessário que medidas integradas sejam implementadas, a fim de redu-
zir os danos causados. O monitoramento é essencial para o manejo da doença,
uma vez que geralmente se inicia em focos dentro da lavoura. Ainda no viveiro,
é importante a eliminação imediata de mudas infectadas, pois a irrigação por
aspersão torna o controle extremamente difícil, já que os fungicidas apresentam
baixa eficiência. O uso de mudas sadias é fator decisivo para evitar a introdução
da doença em novas áreas, o que demonstra a importância da certificação dos
viveiros do país. Deve-se atentar para a área selecionada para plantio e insta-
lação de viveiros, pois o patógeno sobrevive em outros hospedeiros - embora,
muitas vezes, não cause os sintomas típicos da doença. Além disso, é importan-
te realizar a rotação de culturas, principalmente em áreas que foram cultivadas
com morango ou outras culturas hospedeiras de Colletotrichum.
Muitas cultivares atualmente plantadas no Brasil, como a Camarosa, Oso
Grande e Milsei-Tudla, são muito suscetíveis à doença. Novas cultivares, como
Ventana, Camino Real, Aromas, Diamante, Seascape e Albion, também apresen-
tam alta suscetibilidade, como se observa em trabalhos conduzidos no Espírito
53
Santo, em condições de campo e/ou laboratório (Tabela 1). Isso tem dificultado
o manejo da doença, principalmente em condições de cultivo em campo aberto
e com irrigação por aspersão.
O uso de fungicidas tem apresentado baixa eficiência em condições de cam-
po, tornando necessário o registro de novos produtos, em estudo junto ao Mapa,
visando atender a uma demanda do setor produtivo.
4. Mancha de Micosferela
54
Santo, a utilização de fungicidas para o seu manejo foi muito baixa. Na safra de
2009, porém, a doença ocorreu com maior intensidade em algumas lavouras,
devido ao maior período de chuvas. No entanto, pelo monitoramento efetuado
nas lavouras, foram realizadas poucas aplicações para controle da doença.
O cultivo em túneis, que vem sendo cada vez mais adotado pelos produtores
no Espírito Santo, é uma boa estratégia, pois limita o desenvolvimento da doen-
ça, mesmo na época das chuvas. Resultados preliminares de avaliações efetua-
das no Incaper-CRDR-Centro Serrano têm demonstrado a influência do tipo de
mulching (branco e/ou preto) sobre o desenvolvimento da doença, com maior
severidade sendo observada no mulching branco, em condições de campo aber-
to.
5. Mancha de Pestalotiopsis
55
Figura 4. Lesões de Pestalotiopsis em plantas em viveiro (A); detalhe de folha apresentando
sintomas (B); detalhe de acérvulos escuros sobre as lesões (C); sintomas em frutos imaturos no
campo (D), pecíolos (E) e frutos em pós-colheita
6. Murcha de Verticílio
56
sentaram maior resistência à doença. A adubação equilibrada é muito impor-
tante, já que algumas formas de adubos nitrogenados (amoniacal e/ou nítrica)
predispõem as plantas à maior infecção do patógeno. Em pequenas reboleiras,
a solarização e a biofumigação do solo são alternativas de manejo da doença.
7. Oídio
Causado pelo fungo Oidium sp. (Sphaerotheca macularis), o oídio vem ocor-
rendo em algumas áreas do Brasil, com intensidade variável, principalmente em
função do uso do cultivo protegido e das cultivares plantadas. No Espírito Santo,
a doença foi observada pela primeira vez em 2004, em um viveiro de mudas
cultivado em estufas.
Um dos sintomas característicos da doença é a presença de um micélio pul-
verulento de cor branca, na parte inferior das folhas. As folhas infectadas podem
ficar curvadas para cima, adquirindo um aspecto de “colher” (Figura 6). Em con-
dições de alta severidade da doença, os frutos também podem ser infectados,
apresentando intensa pulverulência na superfície e crescimento irregular com
os aquênios proeminentes. Em algumas lavouras do Espírito Santo, foi obser-
vada alta intensidade da doença na cultivar Oso Grande, principalmente nos
períodos de baixa precipitação pluviométrica, como ocorrido em 2015. Já nas
cultivares Milsei-Tudla, Seascape e Camino Real, a doença pode se manifestar,
porém, os sintomas observados são apenas lesões marrom-avermelhadas, o que
dá um aspecto de queima às folhas, associadas a uma escassa pulverulência.
O manejo deste patógeno envolve, principalmente, o uso de cultivares resis-
tentes (Tabela 1). Além disso, é importante fazer o monitoramento da doença e
das condições climáticas, as quais contribuirão para a maior ou menor intensida-
de da doença. O uso de fungicidas de ação específica para o patógeno deve ser
realizado somente quando necessário.
8. Mancha de Dendrofoma
57
ocorre em baixa intensidade, principalmente em condições de cultivo em cam-
po aberto. Assim, o manejo cultural, com a retirada das folhas velhas, tem se
mostrado eficiente, não necessitando do uso de fungicidas específicos.
A podridão do colo pode ser causada por patógenos que infectam a região
do colo, levando a planta à morte. Na cultura do morangueiro, dois patógenos se
destacam por causar a doença: Sclerotium rolfsii e Sclerotinia sclerotiorum.
A podridão causada por Sclerotium rolfsii foi observada em algumas lavou-
ras no estado do Espírito Santo, principalmente em solos muito compactados,
excessivamente cultivados e com baixo teor de matéria orgânica. Nas plantas
infectadas, observa-se a presença de escleródios pequenos, de formato esférico,
inicialmente de cor branca e, posteriormente, pardos (Figura 6). Como a incidên-
cia da doença ainda é baixa, a eliminação das plantas infectadas é a medida a ser
adotada, juntamente com a rotação de culturas.
Por outro lado, a morte de plantas devido a infecções do fungo Sclerotinia
sclerotiorum tem sido comum no Espírito Santo. Em algumas áreas, devido à lo-
calização da lavoura, cultivo em solos com alta umidade e rotação de cultura
58
ineficiente (com espécies hospedeiras do fungo, como feijão, alface e repolho), a
doença ocasiona perdas elevadas. Nas plantas atacadas, observa-se a formação
de micélio branco e vigoroso e a presença de grande número de escleródios de
cor escura (Figura 6). Para seu manejo, recomenda-se a rotação com plantas da
família das gramíneas e o roguing imediato das plantas infectadas.
59
13. Vermelhidão
Figura 6. Folha com oídio apresentando aspecto de "colher" (A); necrose causada por oídio
em algumas cultivares (B); sintomas de oídio em frutos (C); folhas apresentando mancha de den-
drofoma (D) e mancha angular (E); podridão de colo causada por Sclerotium rolfsii (F); frutos infec-
tados por Sclerotinia sclerotiorum, apresentando intenso micélio branco e escleródios escuros (G);
podridão de fruto causada por Phytophthora sp. (H); podridão de raiz (I); plantas com sintomas de
vermelhão (J-L)
60
14. Outras podridões em frutos
Figura 7. Podridões em frutos de morango: Rhizopus stolonifer (A); Pilidium concavum (B); Geo-
trichum candidum (C); Mucor hiemalis (D); Aspergilus niger (E); Neofusicoccum spp. (F)
61
15. Nematoides
16. Viroses
17. Fitoplasmas
Visando minimizar as perdas causadas pelas doenças que ocorrem nas la-
vouras, diversas medidas de manejo devem ser adotadas de forma integrada.
Estas medidas serão discutidas a seguir e encontram-se resumidas na Tabela 2.
62
clamidósporos) de patógenos ainda não presentes no país, como Phytophthora
fragariae var.fragariae e Fusarium oxysporum f.sp. fragariae. O problema se agra-
va pelo fato de que mudas doentes, muitas vezes, só apresentam os sintomas
da doença quando as condições climáticas são favoráveis ao desenvolvimento
do patógeno, como ocorre com os fungos P. cactorum, P. idaei, P. nicotianae e C.
acutatum e a bactéria Xanthomonas fragariae.
Por essa razão, o produtor pode adquirir a muda infectada, porém só de-
tectar o problema após o plantio. Portanto, é fundamental fazer uma seleção
criteriosa das mudas no viveiro, tomando cuidado especial com a sua localiza-
ção, evitando solos sujeitos à alta umidade e infestados com fungos habitantes
do solo e nematoides. A definição dos padrões de tolerância para os diferentes
patógenos associados às mudas de morangueiro, em nível nacional, está sendo
feito pelo MAPA, em conjunto com órgãos de defesa dos estados.
• Rotação de cultura
Deve ser feita por pelo menos dois anos, principalmente com plantas da fa-
mília das gramíneas (milho, sorgo e/ou capim). Deve-se evitar a utilização de
plantas da família das solanáceas, notadamente em regiões onde a murcha de
verticílio ocorre com maior incidência. É importante atentar para fungos de solo,
que geralmente ocorrem em pequenas reboleiras na fase inicial, separando es-
sas áreas para evitar a disseminação para outras partes, especialmente pelos im-
plementos agrícolas.
63
por aspersão, usar com menor frequência entre os dias (ajustar turno de rega
maior). Especial cuidado deve ser tomado nas áreas com histórico de ocorrência
da flor preta, uma vez que a irrigação por aspersão pode levar a perdas elevadas
em curtos períodos de tempo (2 a 3 dias), em condições de cultivo em campo
aberto.
• Uso do túnel
O uso do túnel baixo ou alto, ou mesmo o cultivo em ambiente protegido
(estufa), reduz drasticamente a ocorrência de doenças no morangueiro. O uso
do túnel baixo associado à irrigação por gotejo e à prática de retirada de mate-
riais doentes das lavouras reduziu drasticamente a necessidade de aplicação de
fungicidas para controle de doenças no estado do Espírito Santo.
• Rouguing
Retirar imediatamente das lavouras as plantas murchas e mortas, particular-
mente aquelas infectadas por Sclerotinia sclerotiorum, Sclerotium rolfsii, Phyto-
phthora spp. e Colletotrichum spp. O mesmo procedimento é válido para plantas
com sintomas de fitoplasma e vírus.
64
te a higienização dos materiais utilizados na colheita (baldes, caixas plásticas,
caixas de madeira, etc.), bem como da bancada onde os frutos são colocados
para posterior acondicionamento nas embalagens definitivas. Cuidados espe-
ciais devem ser observados no acondicionamento, evitando-se colocar frutos
amassados, danificados e deformados. É primordial a anotação de todos os da-
dos na caderneta de pós-colheita, desde o controle da limpeza e sanitização até
o armazenamento em câmaras e/ou contêineres.
• Controle químico
Em caso de necessidade de controle químico, utilizar somente os fungicidas
cadastrados no estado. O controle só deve ser realizado após o monitoramento
das doenças no campo e se constatada a real necessidade. O monitoramento e
uso de produtos registrados constituem uma das premissas básicas da produção
integrada. Por isso, a importância da caderneta de campo, na qual é registrado
diariamente o que está sendo feito ao longo de todo o processo de produção.
No Espírito Santo, desde 2004, tem sido feito o monitoramento dos agro-
tóxicos para verificar o nível de resíduos nos frutos. O Idaf, órgão de defesa do
estado, faz o monitoramento nas propriedades, enquanto a secretaria de saúde
monitora os supermercados, com o programa Para/Anvisa. A utilização de ca-
lendários prefixados deve ser evitada, pois a doença só ocorre quando existe
a presença do patógeno, da cultivar suscetível e de condições climáticas favo-
ráveis. Deve-se atentar para as condições climáticas que prevalecem na região,
que podem ser consultadas no site do Incaper (www.incaper.es.gov.br). O uso
da tecnologia de irrigação por gotejamento, a fertirrigação e o cultivo protegido
em túneis baixos e/ou altos reduzem drasticamente a necessidade de fungicidas
na maioria das lavouras. Dentro da visão holística da produção integrada, deve-
-se priorizar o uso de fungicidas de menor impacto ao meio ambiente.
65
Tabela 1. Reação de algumas cultivares de morangueiro aos principais patógenos
observados em condições de campo, no período de 2003 a 2016, e em condições de labora-
tório e estufa do Incaper - CRDRCSERRANO. 2016
66
Tabela 2 . Doenças do morangueiro, patógenos, condições favoráveis e
táticas de manejo
Mudas sadias;
Mudas Cultivares
Temperatura 22-
infectadas; resistentes;
26ºC;
Respingos Rotação de culturas
Mancha de Mycosphaerella Alta umidade
Restos de chuva e (2 anos);
micosferela fragariae relativa;
culturais. irrigação; Fungicidas após
Excesso de
Vento. monitoramento;
nitrogênio.
Evitar irrigação por
aspersão.
Mudas sadias;
Cultivares
Mudas resistentes;
Temperatura 20-
infectadas;
25ºC; Rotação de culturas
Mancha de Respingos
Gnomonia Restos Alta umidade (2 anos);
gnomonia de chuva e
comari culturais. relativa Fungicidas após
irrigação.
monitoramento;
Evitar irrigação por
aspersão.
Mudas sadias;
Cultivares resis-
tentes;
Mudas infecta-
Rotação de culturas
das;
Temperatura 21º (2 anos);
Mancha de Pestalotiopsis Respingos de - 25ºC;
Restos Evitar irrigação por
pestalotiopsis longisetula chuva e irriga-
culturais. Alta umidade aspersão;
ção;
relativa. Evitar estresse nas
Vento.
plantas;
Fungicidas após
monitoramento.
67
Patógeno
Doença Medidas de
Manejo
Condições
Etiologia Sobrevivência Disseminação
favoráveis
Fungos
Temperatura 20-
30ºC; Mudas sadias;
Mudas
infectadas; Baixa umidade Fungicidas e/
relativa; ou caldas após
Oídio Oidium sp. Restos culturais. Cultivo
monitoramento;
protegido; Baixa
luminosidade; Cultivares
Vento.
resistentes.
Cultivo em túneis.
Mudas sadias;
Mudas Temperatura 24-
infectadas; 28ºC; Rotação de culturas
(2 anos);
Mancha de Diplocarpon Respingos Alta umidade
Restos culturais. Fungicidas após
diplocarpon earlianum de chuva e relativa;
irrigação; monitoramento;
Excesso de
Vento. Evitar irrigação por
nitrogênio.
aspersão.
Mudas sadias;
Temperatura 21- Rotação de culturas
Implementos 24ºC;
agrícolas; (> 3 anos) com
pH do solo 6,5 gramíneas (ex.:
Microescleródios; Água de
Murcha de Verticillium - 7,0; milho);
Restos culturais irrigação e
verticílio dahliae Estresse hídrico; Cultivares
(contaminados). chuva;
Solos com baixo resistentes;
Mudas
infectadas. teor de matéria Solarização e
orgânica. biofumigação em
reboleiras.
Temperatura 16-
Água de irriga- 22ºC
Mudas sadias;
Escleródios; ção e chuva; Alta umidade do
solo; Rotação de culturas
Murcha de Sclerotinia Restos culturais; Implementos
(milho, sorgo);
esclerotinia sclerotiorum Hospedeiros agrícolas; Alta densidade de
plantas; Roguing das plantas
alternativos. Mudas infecta-
infectadas.
das. Excesso de ni-
trogênio.
Temperatura 20-
Água de irriga- 24ºC;
Escleródios; ção e chuva; Alta umidade do Mudas sadias;
Murcha de Sclerotium Restos culturais; Implementos solo; Rotação de culturas;
esclerócio rolfsii Hospedeiros agrícolas; Excesso de ni- Roguing das plantas
alternativos. Mudas infecta- trogênio; infectadas.
das. Solos muito culti-
vados.
Temperatura 16-
Mudas sadias;
22ºC;
Água de irriga- Rotação de culturas;
Alta umidade do
ção e chuva; Canteiros altos e
Clamidósporos; solo;
Murcha de Phytophthora Implementos com declividade;
Oósporos; Solos compacta-
fitóftora cactorum agrícolas; . Roguing das plan-
Restos culturais. dos;
Mudas infecta- tas infectadas;
Excesso de ni-
das. Evitar solos muito
trogênio;
argilosos.
Canteiros baixos.
68
Patógeno
Doença
Medidas de Manejo
Condições
Etiologia Sobrevivência Disseminação
favoráveis
Fungos
Temperatura 21- Mudas sadias;
27ºC; Rotação de culturas (>
Antrac- Restos culturais;
Colletotrichum Mudas Excesso de 2 anos);
nose do Hospedeiros
fragariae infectadas; irrigação; Evitar irrigação por
rizoma alternativos.
Excesso de aspersão;
nitrogênio. Cultivares resistentes.
Temperatura
variável em
função do fungo; Mudas sadias;
Água de
irrigação e Alta umidade do Rotação de culturas (2
Pythium sp. Oósporos; anos);
chuva; solo;
Podridão Fusarium sp. Clamidósporos; Evitar solos muito
Implementos Solos
das raízes Phytophora sp. Escleródios; compactados;
agrícolas; compactados;
Rhizoctonia sp. Restos culturais. Mudas Excesso de Evitar estresse nas
infectadas. nitrogênio; mudas no momento
do transporte.
Estresse hídrico e
canteiros baixos.
FUNGOS EM PÓS-COLHEITA
Rotação de culturas;
Adubação equilibrada
(K, Ca);
Irrigação por goteja-
P.nicotianae mento;
Temperatura
P.idaei variável em fun- Remoção de folhas e
Botrytis cinerea ção do fungo; frutos doentes;
Colletotrichum spp. Ferimentos nos Limpeza dos canteiros;
Rhizopus stolonifer frutos; Cobertura morta nos
S. sclerotiorum Clamidósporos; Alta umidade carreadores;
relativa (>90%);
Geotrichum sp Oósporos; Água de irriga- Limpeza diária do
Excesso de ni- material utilizado na
Pestalotiopsis Escleródios; ção e chuva
Podridão trogênio; colheita;
longisetula (respingos);
dos frutos Restos culturais; Excesso de plan-
Mudas infecta- Evitar colher frutos
Rhizoctonia sp. Hospedeiros tas nos canteiros;
das. muito maduros;
Mucor sp. alternativos. Frutos muito Resfriamento rápido
Gnomonia comari maduros; dos frutos;
Pilidium concavum Tipo de embala- Evitar ferimentos nos
(=Hainesia lythri) gem; frutos e colher pela
Neofusiccocum spp. Armazenamento manhã ou à tardinha;
Cilyndrocladium em locais de altas Evitar espaçamen-
temperaturas. tos pequenos entre
Leveduras
as plantas –maior
arejamento à cultura;
Cultivo em túneis;
Controle biológico.
69
Patógeno
Doença Medidas de
Manejo
Condições
Etiologia Sobrevivência Disseminação
favoráveis
BACTÉRIA
Temperatura 18- Mudas sadias;
Mudas 22ºC; Rotação de culturas
infectadas;
Mancha Xanthomonas Alta umidade (2 anos);
Restos culturais. Respingos
angular fragariae relativa; Evitar irrigação por
de chuva e
Excesso de aspersão;
irrigação.
nitrogênio. Cultivo em túneis.
FITOPLASMA
Mudas sadias e
Mudas; indexadas;
Grupos: Temperaturas
Fitoplasma Hospedeiros Cigarrinhas Roguing imediato
16 SrI e 16SrIII mais altas.
alternativos. das plantas
infectadas.
NEMATOIDES
Mudas sadias;
Rotação de culturas;
Uso de plantas
Mudas doentes; Temperatura antagônicas (ex.:
Meloidogyne sp. Solo;
Água de irriga- variável em fun- crotalária, mucuna,
Pratylenchus sp. Mudas; ção do nema- tagetes);
Nematoides ção e chuva;
Aphelenchoides Hospedeiros toide;
sp. Implementos Solarização e maté-
alternativos. Solos arenosos. ria orgânica;
agrícolas.
Alqueive;
Cultivares resis-
tentes.
VÍRUS
Strawberry mild
yellow edge
associated virus
Strawberry mild Mudas sadias e
yellow edge virus Mudas infecta- Tempera-
Mudas; indexadas;
das; tura variável em
Viroses Strawberry crinkle Hospedeiros Roguing imediato
Afídeos função do vírus
virus alternativos. das plantas
(pulgões). envolvido.
Strawberry mottle infectadas.
virus
Strawberry vein
banding virus
70