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Cultivo Sustentável de Morangos

O documento discute a importância socioeconômica do morangueiro no Brasil, com foco em Minas Gerais. Apresenta detalhes sobre a botânica da planta, fatores climáticos ideais para o cultivo, épocas de plantio recomendadas e técnicas para produção de mudas e cultivo comercial. O morangueiro é uma cultura importante economicamente que gera muitos empregos, especialmente para agricultores familiares.

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Cultivo Sustentável de Morangos

O documento discute a importância socioeconômica do morangueiro no Brasil, com foco em Minas Gerais. Apresenta detalhes sobre a botânica da planta, fatores climáticos ideais para o cultivo, épocas de plantio recomendadas e técnicas para produção de mudas e cultivo comercial. O morangueiro é uma cultura importante economicamente que gera muitos empregos, especialmente para agricultores familiares.

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PARTE 1
CULTIVO DE MORANGUEIRO
Cleide Maria Ferreira Pinto
Pesquisadora Embrapa/Epamig Sudeste
Viçosa, MG

1. Importância Socioeconômica

O morangueiro (Fragaria x ananassa Duch.), apreciado nas mais variadas re-


giões do mundo, é a espécie do grupo das pequenas frutas de maior expressão
econômica. Apresenta características peculiares que agradam ao consumidor,
como a coloração vermelha-brilhante-intensa, odor envolvente, textura macia e
sabor levemente acidificado.
É fonte de acido ascórbico (vitamina C) e compostos flavonoides. O acido
ascórbico desempenha importante papel no organismo humano, tanto na for-
mação do tecido conjuntivo, como no transporte de íons e na proteção celu-
lar contra radicais livres, ou seja, apresenta propriedades antioxidantes. Mesmo
congelada, a polpa de morango mantém suas propriedades de excelente fonte
de compostos fenólicos (polifenóis e antocianinas) com capacidades antioxidan-
tes.

No Brasil, a cultura do morangueiro está difundida em regiões


de clima temperado e subtropical, onde são produzidos frutos
para consumo in natura e para industrialização. Além da
Õ
importância social e econômica, o morangueiro caracteriza-se
como cultura de elevado padrão tecnológico, que conta com
grande participação de agricultores familiares durante todo o
seu ciclo.

Minas Gerais é o maior produtor nacional de morango, com mais de 72 mil


toneladas. A região do Sul de Minas concentra cerca de 95% dessa produção, de-
corrente das favoráveis características edafoclimáticas. No estado, o cultivo gera
cerca de 15 mil empregos diretos e 24 mil indiretos, ocupando uma área aproxi-
mada de 1.790 hectares. Segundo a Centrais de Abastecimento de Minas Gerais
(Ceasaminas), 98% do morango comercializado nos entrepostos atacadistas das
Centrais tiveram origem no próprio estado.
Na agricultura familiar, o morango gera emprego e renda, fixa a mão de obra
no campo e, se conduzido com qualidade, tem o potencial de projetar positi-
vamente a imagem dos municípios produtores, resgatando a credibilidade das
regiões e do próprio produto. A utilização de práticas mais sustentáveis para a
produção de morango começou a ser discutida e trabalhada a partir da década
passada, ao observar os sistemas convencionais, que não levavam em conside-
ração todo o contexto da produção sustentável, como os impactos ambientais,

5
sociais e econômicos da cultura.
Em relação à qualidade nutricional, de forma geral, para a maioria dos nu-
trientes ainda existe um consenso sobre a superioridade dos orgânicos. Esse cul-
tivo orgânico tende a produzir frutos com maiores teores de compostos fenóli-
cos (responsáveis por maior proteção ao organismo), maiores teores de antocia-
ninas, sólidos solúveis, maior conteúdo de massa seca, ácido ascórbico, fenóis
totais e fibras brutas, quando comparados com o cultivo convencional.

2. Botânica do Morangueiro

De acordo com a classificação botânica, o morangueiro pertence à família


Rosaceae, ao gênero Fragaria e à espécie Fragaria x ananassa Duch. ex Rozier,
que é um hibrido resultante do cruzamento natural entre as espécies F. chiloensis
e F. virginiana.

As plantas de Fragaria x ananassa são herbáceas e atingem de 15

Õ a 30cm de altura, com hábito de crescimento rasteiro, formando


touceiras que aumentam de tamanho, à medida que a planta
envelhece; o sistema radicular é fasciculado e superficial e o
caule é um rizoma estolhoso, cilíndrico e retorcido, com entrenós
curtos, em cujas gemas terminais nascem as folhas, estolhos e
inflorescências.

A parte da planta que sobressai da terra é denominada coroa, que é formada


por um agregado de rizomas curtos, onde estão inseridas as folhas em roseta
com um gomo foliar central, do qual se originam as ramificações. As raízes do
morangueiro chegam a atingir 50 a 60 cm de profundidade e são constantemen-
te renovadas. Aproximadamente, 95% dessas raízes localizam-se nos primeiros
20 cm de solo, porém, a maior parte está nos primeiros 5 cm.
A folha é constituída, normalmente, de duas estípulas membranáceas am-
plexicaules (estruturas com forma de escama localizada no caule de muitas plan-
tas vasculares, junto à bainha das folhas), de um pecíolo longo e, geralmente, de
três folíolos. A coloração do limbo varia de verde-clara a verde-escura, podendo
apresentar-se de brilhante a opaco e de densamente piloso a glabro.
As flores do morangueiro estão agrupadas em inflorescências do tipo cimei-
ra. Esse tipo de inflorescência tem um eixo primário, dois secundários, quatro
terciários e oito quartanários. De cada eixo, eleva-se uma flor. O número de in-
florescências por planta é bastante variável para uma mesma cultivar. As flores
são, em geral, hermafroditas, mas, em algumas cultivares, podem ser unissexuais
masculinas ou femininas.
A parte do morango considerada, por muitos, como semente consti-
tui os verdadeiros frutos. Também denominados aquênios, eles são diminutos,
amarelos ou avermelhados, duros e superficiais, contendo uma única semente.
Após a fecundação, os óvulos convertem-se em aquênios e estimulam o engros-
samento do receptáculo, que, uma vez transformado em carnoso, constitui um
pseudofruto ou infrutescência, que recebe o nome de morango. O receptáculo
floral hipertrofiado é doce, carnoso e suculento, de tamanho e contornos regu-
lares e uniformes, de polpa firme, de coloração vermelha e rica em material de
reserva.

As atuais variedades de morangueiro produzem flores

Õ exclusivamente hermafroditas, o que permite uma boa

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polinização e fecundação. Normalmente, o processo de
polinização ocorre pela intervenção de insetos, como abelhas,
himenópteros silvestres ou moscas. O vento também pode ser
considerado como um agente polinizador, uma vez que o pólen
do morangueiro é de tamanho bem reduzido, podendo ser
facilmente carreado pelo vento.

Quando o morangueiro é cultivado em túneis ou casa de vegetação, é re-


comendável a introdução de colmeias de abelhas ou pupas de insetos sirifíde-
os, para uma melhor polinização. Muitas vezes, quando não se tem uma boa
polinização, a formação de frutos fica comprometida, resultando em produtos
deformados.

3. Fatores climáticos e época de plantio

Em função da grande variabilidade entre as espécies que compõem a base


genética do morangueiro, Fragaria x ananassa Duch. ex Rozier apresenta uma
grande amplitude de adaptação. Associada ao desenvolvimento dos modernos
sistemas de manejo de cultivo, sua produção tornou-se possível tanto nas re-
giões frias, como nas tropicais e subtropicais, ou seja, em diferentes regiões e
condições climáticas.
Para que as cultivares tradicionalmente plantadas manifestem o seu po-
tencial produtivo, o morangueiro deve ser cultivado sob condições de dias cur-
tos e temperaturas amenas ou baixas, havendo variações em razão da cultivar.
Essas condições estimulam o florescimento e, consequentemente, a produção
de frutos. Por outro lado, sob condições de dias longos e temperaturas elevadas,
a planta é estimulada ao crescimento vegetativo adequado para a produção de
mudas.

A época de plantio, dependendo da região, varia de fevereiro a


maio, obedecendo à produção de maio até dezembro, no mais Õ
tardar. No inicio do outono, a temperatura é mais elevada e os dias
são mais longos, o que favorece o desenvolvimento vegetativo
inicial do morangueiro. Mas, à medida que o inverno se aproxima,
os dias tornam-se mais curtos e a temperatura diminui, o que
estimula o florescimento e a frutificação. Durante o verão, o
fotoperíodo se alonga, a temperatura aumenta, estimulando a
produção de estolhos.

O plantio de morangos, nas regiões Norte e Centro-Oeste de Minas Gerais,


pode ser realizado entre os meses de abril e maio. É recomendado que se plan-
tem as mudas assim que ocorrerem quedas sucessivas na temperatura, o que é
fundamental para um bom estabelecimento das mudas na fase inicial de plantio.
Para as regiões tradicionais de cultivo do morangueiro no Espírito Santo, reco-
menda-se que, para áreas situadas em altitudes acima de 750 m, o plantio deva
ocorrer entre março e abril, e para regiões entre 600 e 750 m, entre abril e maio.

4.4. Tecnologias para produção de mudas e cultivo comercial

4.1. Produção de mudas


A utilização de mudas de alta qualidade genética e sanitária, em local de bai-

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xa potencialidade de inóculo de fungos e bactérias que atacam o morangueiro,
é um dos pré-requisitos essenciais para a obtenção de morangos de qualidade.
O morangueiro é propagado vegetativamente por meio de estolhos emitidos
pela planta matriz. É recomendável que as plantas matrizes para a formação de
viveiros sejam adquiridas de empresas registradas no Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento (Mapa), mas, no caso de o agricultor desejar produzir
a própria muda, deverá tomar alguns cuidados para para não comprometer o
plantio subsequente.
Como todas as etapas da produção de morango, a obtenção de mudas deve
ser bem planejada e, dentro desse planejamento, deverão ser observados al-
guns aspectos. Dentre eles, as escolhas da cultivar, com a devida antecedência,
e do local do viveiro; o preparo do solo; o projeto de irrigação; a definição do
espaçamento entre plantas; a época de plantio e a origem das plantas matrizes,
além da correção do solo e adubações, controle de plantas invasoras, controle
fitossanitário e época de transplante das mudas.

• Micropropagação do morangueiro
Mudas de alto padrão, em quantidades suficientes para atender à de-
manda do produtor de morango, em curto espaço de tempo, são oriundas de
técnicas avançadas de produção. Isso pode ser conseguido com a propagação
por culturas de tecidos vegetais, ou seja, com a micropropagação. Utilizam-se
meristemas que são retirados dos estolões, que, por sua vez, minimizam os pro-
blemas de viroses que a cultura possa apresentar.
A otimização da multiplicação in vitro permite o desenvolvimento de técni-
cas para indução do aparecimento de novas características de interesse agronô-
mico; proporciona a produção de clones livres de patógenos - principalmente
de viroses que acometem o morangueiro - e eleva a quantidade de matrizes
colocadas no mercado. Assim, a partir de poucos explantes, é possível produzir
grande número de mudas para aclimatação e, consequentemente, para a co-
mercialização.

• Produção de mudas em viveiros


As matrizes de morangueiros obtidas pelo processo de cultura de tecidos
são produzidas em laboratórios e disponibilizadas para os viveiristas. Eles, geral-
mente, têm apenas a função de produção de mudas, isto é, não são produtores
de morangos. A aquisição das matrizes no laboratório pelos viveiristas, comu-
mente nos meses de setembro e de outubro, após as matrizes passarem por um
processo de aclimatação, permite que sejam plantadas diretamente no viveiro
(no campo ou em vasos, no caso de cultivo suspenso, sob ambiente protegido).

O local do viveiro para plantio das plantas matrizes deverá ser,

Õ de preferência, em áreas virgens ou que estejam em repouso


e que tenham histórico conhecido. Deve permitir acesso à
irrigação (a qual deve ser isenta de contaminações), pois o solo
deve ser mantido úmido, em praticamente todo o período de
produção das mudas, para seu constante desenvolvimento
e para facilitar a fixação das raízes das mudas formadas na
extremidade dos estolhos.

A área para a instalação do viveiro deverá ser levemente inclinada, bem dre-
nada, com a estrutura física do solo arenosa ou areno-argilosa para facilitar o de-
senvolvimento das raízes e o arranquio das mudas na época do transplante para
área de produção comercial. Deve-se evitar utilizar áreas próximas a plantios

8
comerciais ou que tenham sido cultivadas recentemente com morango ou hor-
taliças das solanáceas, que poderão constituir-se em hospedeiros alternativos
de pragas e doenças. Recomenda-se que seja mantida uma distância mínima de
500m entre as áreas do viveiro e dos plantios comerciais.
A área do viveiro deve ser restrita a funcionários que tenham alguma ativida-
de com a produção das mudas, evitando o trânsito de máquinas e pessoas entre
as áreas de cultivo e do viveiro. Para atender a esse requisito, a área deve ser
cercada, com o menor número possível de acessos ao seu interior. É importan-
te ter cuidado para que, nesse local de entrada, sejam adotadas as medidas de
controle fitossanitário, como o uso de pedilúvio (caixa rasa na entrada do viveiro,
contendo produtos fitossanitários, para a lavagem dos calçados dos indivíduos
ao entrarem na área).
No campo, após a escolha da área, emprego de todas as técnicas de pre-
paro do solo (aração, gradagem, correção e fertilização baseadas nas análises
químicas do solo), as matrizes são plantadas normalmente, em canteiros de 1,80
m de largura e espaçadas 1,50 m umas das outras. A instalação do viveiro deve
ocorrer entre agosto e novembro e o cultivo dessas matrizes até os meses de
março e abril, quando são coletadas as mudas e ofertadas aos produtores de
morangos para o plantio comercial. Essas mudas são comercializadas com raízes
nuas e plantadas diretamente nos canteiros, para produção de frutos (produção
comercial).
No caso de cultivo suspenso para produção de mudas, as matrizes são plan-
tadas em vasos sob ambiente protegido. Os estolhos são coletados das matrizes
e deles retiradas as mudas, que são plantadas em bandejas com substrato. Essas
mudas permanecem nas bandejas sob ambiente protegido, recebendo todos os
tratamentos necessários, como desbaste, irrigação, tratamento fitossanitário e
fertilização, para promover bom enraizamento e, consequentemente, boa for-
mação.
Após serem adquiridas pelos produtores, as mudas também são plantadas
diretamente no campo para a produção de frutos. As mudas produzidas em ban-
dejas têm a vantagem do substrato que envolve as raízes e que, quando compa-
radas com as mudas de raízes nuas, apresentam melhor pegamento.

• Escolha da Cultivar
A escolha da cultivar é muito relevante no cultivo do morangueiro, chegan-
do a ser limitante, principalmente por suas exigências em fotoperíodo, núme-
ro de horas de frio e temperatura, que variam em função da cultivar. Portanto,
recomenda-se evitar a escolha inadequada para a região. Na seleção da cultivar,
é importante considerar também a produtividade, a precocidade, a conserva-
ção, o sabor, o tamanho do fruto, o destino (consumo in natura ou industrial) e a
resistência a pragas e doenças.
As cultivares de morangueiro, segundo a resposta da planta ao fotoperíodo,
podem ser classificadas naquelas de dia curto, dia neutro e dia longo. As plantas
das cultivares de dias curtos diferenciam suas gemas florais, quando decresce o
fotoperíodo e a temperatura abaixa. As plantas das cultivares de dia longo fru-
tificam em qualquer época do ano, desde que a temperatura para o seu desen-
volvimento seja de, no mínimo, 10o C. Produzem gemas florais durante o verão,
em maior quantidade, sob 17 e 15 horas. As plantas dessas cultivares são pouco
cultivadas no Brasil, pelo fato de suas exigências climáticas serem mais compatí-
veis com as regiões de clima temperado.

Atualmente, verifica-se um aumento no cultivo de variedades


insensíveis ao fotoperíodo ou de dia neutro, isso é, aquelas em
Õ
9
que as plantas diferenciam suas gemas, sem interferência do
comprimento do dia. A escolha da cultivar deveser feita em um
período anterior adequado, que permita adquirir as plantas
matrizes de fornecedores idôneos e recebê-las na época
apropriada para a sua multiplicação no viveiro.

• Cultivares de morango utilizadas atualmente nos cultivos brasileiros

- Oso Grande – Cultivar de dias curtos e de grande adaptabilidade. Produz


frutos grandes em alta proporção, firmes, de sabor e de aroma agradáveis, com
coloração vermelha-brilhante externamente e mais clara internamente. Muito
utilizada para consumo in natura. Apresenta suscetibilidade à mancha-de-Mi-
cosferela (Mycosphaerella fragariae) e à murcha-de-Verticillium, no final do ciclo.
Uma das cultivares mais plantada no Sul de Minas Gerais.
- Albion – Cultivar de dia neutro. Produz frutos firmes, longos, cônicos e si-
métricos, com coloração vermelha-intensa, de excelente sabor, utilizados para
consumo in natura e processamento. Por sua boa produtividade e qualidade
dos frutos, essa cultivar tem ganhado a preferência dos produtores do Sul de
Minas Gerais, que, até então, optavam pela cultivar Oso Grande. Produz muitos
estolhos na época de produção de frutos, o que, consequentemente, aumenta
a demanda de mão de obra no desbaste. É resistente à murcha-de-Verticillium
e à podridão-de-Phytophythora, e moderadamente resistente à antracnose do
rizoma.
- Camarosa – Cultivar de dias curtos. Produz frutos grandes e firmes, de
aroma e sabor agradáveis e de coloração avermelhada muito intensa. Em culti-
vos no durante o outono/inverno e primavera/verão (entressafra), essa cultivar
mostrou-se produtiva e vigorosa, requerendo atenção especial na adubação ni-
trogenada. É moderadamente suscetível à mancha-de-Micosferela, resistente a
oidio (Sphaeroteca macularis) e tolerante a viroses.
- Milsei-Tudla ou Tudla – Cultivar de dias curtos, precoce e pouco exigente
em frio. Produz frutos grandes e firmes. No semiárido norte-mineiro, mostrou-se
uma das mais produtivas. É suscetível à mancha-de-Micosferela, aos fungos de
solo e ao Colletotrichum acutatum, causador da flor preta.
- Toyonoka – Produz frutos de excelente sabor, aroma intenso e muito doce,
porém, muito sensíveis e pouco resistentes à pós-colheita. A frutificação é ir-
regular, com produção de muitos frutos pequenos no final do ciclo. É suscetível
à mancha-de-Micosferela e à flor preta.
- Dover – Cultivar de dia curto. Produz frutos com grande variabilidde
quanto ao tamanho, com textura muito firme, proporcionando durabilidade e
resistência ao transporte. Entretanto, por ser pouco saboroso, é rejeitada pelos
produtores. Em razão da produção concentrada nas primeiras colheitas, alcança
melhor preço no mercado. Introduzida no Brasil, por ser tolerante ao Colletotri-
chum acutatum, essa tolerância que não se mostrou tão eficiente nas condições
ambientais do país.
- Ventana – Cultivar de dia curto. No Sul de Minas Gerais, seus frutos desta-
cam-se pelo tamanho, formato e coloração, porém, a produtividade é menor,
quando comparada às da Oso Grande, Albion, Camarosa, Festival, etc., as mais
plantadas na região.
- Camino Real – Cultivar de dia curto. Produz frutos de excelente sabor,
sendo comercializada para consumo in natura e para indústria. Essa cultivar é
tolerante/resistente a C. acutatum, Phytophthora cactorum e Verticillium e muito

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suscetível ao mofo-cinzento, causado por Botrytis cinérea
- Aromas – Cultivar de dia neutro. Produz frutos de tamanho mediano, com
coloração vermelho-escura e pode ser comercializada para mesa e para indús-
tria. Tem sido cultivada na entressafra, com boa produtividade nos meses de
dezembro e janeiro, quando há pouca oferta de morango no mercado.
- San Andreas – Produz frutos saborosos. No Sul de Minas, tem sido culti-
vada também no período de entressafra, isto é, o plantio das mudas é realizado
em julho e o cultivo estende-se até o final do próximo ano.
- Monterrey – Cultivar de dia neutro, que produz fruto saboroso. Apresenta
suscetibilidade a oídio e a vermelhão.
- Portola – Cultivar de dia neutro. Produz fruto similar, em tamanho, ao da
cultivar Albion, porem com coloração mais clara, mais brilhante e menos toler-
ante à chuva. Apresenta boa resistência a doenças.
- Festival – A planta é vigorosa e produz muitos estolhos na época da frutifi-
cação. Apresenta pedicelos longos e fruto com coloração vermelho-intensa ex-
ternamente, e mais clara internamente, com forma cônica e cálice grande.

A cultiva de morango mais utilizada em Minas Gerais é a Oso


Grande. Todavia, o plantio com a Albion, por produzir frutos
com tamanho maior e coloração vermelha mais acentuada,
Õ
tem aumentado no estado e conquistado a preferência do
mercado.

4.2. Plantio Comercial

Para esta etapa de produção comercial, após a escolha da cultivar e a


definição da origem das mudas, também devem ser planejadas a escolha do
local de plantio, o preparo do solo, o sistema de irrigação, a época de plantio,
a definição do espaçamento, a correção do solo e as adubações, o controle de
plantas invasoras e o controle fitossanitário.

• Escolha do local de plantio e preparo da área


Em locais expostos a ventos fortes e constantes, antes da instalação da
lavoura, deve-se realizar o plantio de árvores apropriadas, para servir de quebra-
vento. O local de cultivo deve ser distante de possíveis fontes de poluição, com
disponibilidade de água de boa qualidade para a irrigação e a fertirrigação (deve
ser captada em fontes e/ou cursos d’água livres de possíveis contaminações com
agentes químicos). Solos degradados e/ou contaminados devem ser recuper-
ados antes do plantio, com descarte daqueles com alta infestação de plantas
daninhas de controle difícil, a exemplo da tiririca (Cyperus rotundus).
A declividade ideal do terreno é de 2% a 3% e aqueles com maiores
desníveis estão sujeitos à erosão, necessitando da adoção de práticas de con-
trole. Áreas de baixadas, sujeitas a alagamentos ou a acúmulos excessivos de
umidade, propiciam o aparecimento de doenças causadas por patógenos de
solo, de difícil controle. Dependendo da capacidade de drenagem desses solos,
a produção de morango nessas áreas torna-se inviável. Devem-se evitar áreas
em que o cultivo anterior tenha sido realizado com tomate, fumo ou batata, bem
como onde haja a previsão de plantio dessas culturas próximo à área de cultivo
definitivo do morangueiro. Essas culturas podem ser hospedeiras alternativas de
pragas e doenças que atacam o morangueiro.
O preparo da área deve ser iniciado com o planejamento da correção do

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solo, da calagem e da adubação. Para tanto, recomenda-se que a análise química
da amostra para fertilidade do solo seja feita, no mínimo, 120 dias antes do plan-
tio, e que a correção da acidez seja realizada com antecedência de, pelo menos,
90 dias. O pH ideal para a cultura do morangueiro é 6,0. A calagem, se necessário,
é feita com calcário dolomítico incorporado ao solo, a uma profundidade de 20
cm.
O solo da área para cultivo do morango deve ser arado e gradeado, to-
mando-se o cuidado de deixar o terreno bem nivelado e destorroado. Os can-
teiros são preparados com dimensões aproximadas de 1,20 m de largura e altura
de 0,30 a 0,40 m. O comprimento pode variar de acordo com as características
da área, não devendo dificultar a movimentação na área durante as operações
de cultivo e colheita. Em áreas de encostas, principalmente na época chuvosa,
não se devem fazer canteiros muito compridos, que seriam obstáculos ao escoa-
mento das águas de chuva, favorecendo a sua destruição.

• Sistemas de cultivo do morangueiro

Diante do cenário promissor para o cultivo do morangueiro, é fundamental,


antes da implantação da cultura, que os produtores avaliem:
• o tipo de mercado para o qual se destina a produção (se para consumo
in natura ou para indústria),
• os processos produtivos utilizados (sistema convencional a campo ou
sistema protegido, sistema integrado de produção, produção orgânica,
sistema hidropônico ou semi-hidropônico), e
• a escolha da cultivar adequada para que o empreendimento tenha
sucesso.

No sistema convencional, o cultivo está, geralmente, associado à utilização


de agrotóxicos o que tem inibido o consumo. Os sistemas de produção inte-
grada e orgânica apresentam-se como alternativas para a solução do problema,
ao garantir à população a segurança de consumir um produto com qualidade,
sanidade e isenta de contaminações. Além disso, proporcionam a melhoria da
qualidade de vida dos agricultores, que, ao adotarem esse manejo, reduzem os
custos com a aquisição de agrotóxicos, eliminando o risco da exposição dos tra-
balhadores e de seus familiares a esses produtos.
Atualmente, os sistemas de cultivo empregados são o plantio em campo
aberto (mais de 95% da área cultivada) e o sistema de cultivo protegido. No caso
do cultivo protegido, tem sido adotado o plantio sob túnel baixo e sob túnel alto
(com abertura lateral). Os túneis têm como objetivos reduzir o molhamento da
parte aérea das plantas, vindo da chuva e/ou orvalho, que é responsável pela
disseminação das doenças foliares, protegendo as plantas de chuvas de granizo,
geadas e ventos fortes e estimulando aumentos de produtividade, em conse-
quência do microclima favorável formado.
A adoção de túnel alto ou baixo vai depender do tipo e da inclinação do
terreno, bem como da prática de uso de cada agricultor. Os túneis altos são uti-
lizados por um grande numero de agricultores do sistema orgânico de produção,
com as vantagens: fácil locomoção no seu interior; proteção de dois canteiros;
maior resistência; ambiente interno mais arejado que nos túneis baixos; no geral,
não necessitam de abertura e fechamento diário, como é feito nos túneis baixos.
A colheita é dificultada nas laterais do canteiro próximas à parede do túnel.
A lona plástica utilizada nos microtúneis tem a coloração branco-leitosa,
75 micras de espessura, 2 m de largura e é comercializada em bobinas de 500m.
Já lona plástica utilizada nos túneis altos é semelhante à dos microtúneis, porém,

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com maior largura.

• Preparo e Plantio das mudas


No campo comercial, o plantio das mudas de morangueiro é realizado, geral-
mente, entre fevereiro e abril, havendo variações, quando o objetivo é produzir
na entressafra. São utilizadas mudas de raízes nuas ou enraizadas em substrato,
comercializadas em bandejas de plástico ou de isopor. Mudas de raízes nuas ai-
nda são adquiridas por produtores, em razão do custo mais baixo e do maior
número de fornecedores. Uma desvantagem de muda com raiz nua é a menor
percentagem de pegamento, quando comparado à de mudas enraizadas em
substrato de bandejas.
Antes de se proceder ao plantio das mudas, deve adotar a sua apropri-
ada seleção e classificação por tamanho, com descarte daquelas malformadas
ou que apresentem um sistema radicular pouco desenvolvido. Em seguida, reti-
ram-se folhas velhas, permanecendo duas ou três folhas novas; classifica-se por
tamanho, visando ao plantio de mudas de mesmo porte em canteiros comuns.
Mudas pequenas podem apresentar baixa produtividade, dependendo da ép-
oca de plantio, que pode ser variável entre regiões. Com o início do período de
temperaturas baixas, promotora do estimulo da floração do morangueiro, caso
o desenvolvimento vegetativo não seja adequado, mudas pequenas não estão
aptas a sustentar a produção.
Após o preparo da mudas, o agricultor deve mantê-las em local som-
breado até o plantio, que deve ser feito, de preferência, no mesmo dia.

Experiências de técnicos e agricultores apontam o plantio com


utilização de três fileiras por canteiros de 1,20 m de largura.
O espaçamento dentro das fileiras depende da cultivar e das
Õ
adubações, podendo ser aumentado com o planejamento da
produção. Outra opção é a redução da largura do canteiro para
0,70 m, com duas fileiras de plantas espaçadas entre si com 35
x 35 cm, a 40 cm entre plantas.

O plantio deve ser feito, preferencialmente, em dias nublados ou nas horas


mais frescas do dia, condições nas quais as mudas sofrem menos e a percenta-
gem de sobrevivência e maior. Na colocação nas covas, estas mudas devem en-
terradas até a região do colo, evitando-se cobrir o broto com solo, por razões
sanitárias e para impedir o desenvolvimento das plantas.

• Manejo da cultura no campo


1. Mulching (cobertura dos canteiros com plástico)
No cultivo do morangueiro, é indispensável a adoção da cobertura do can-
teiro para não permitir o contato dos frutos com o solo. A cobertura tem como
objetivos evitar que os frutos se sujem e reduzir os danos físicos por esse contato
e a infecção por patógenos.
A utilização de mulching (cobertura com lona plástica) é o procedimento
mais comum, com predominância daquela de cor preta e espessura de 25 mi-
cras, que pode ser adquirida em bobinas de 1,60 x 500m. A lona é colocada entre
25 e 30 dias após o transplante das mudas para o canteiro: é presa em uma das
extremidades e esticada por uma pessoa, sendo perfurada na posição da muda
e arranjada adequadamente por outro operário. Depois de colocada sobre os
canteiros, a lona deve ser fixada nas suas laterais e na outra extremidade com
pedaços de taquara de bambu.
A lona de dupla face branca e preta tem despertado a atenção dos produ-

13
tores. A face branca voltada para cima, após ser colocada sobre os canteiros, re-
flete a radiação solar, redundando em ganho de produção. Entretanto, o alto
custo, quando comparado ao da lona preta, é uma desvantagem.
Mulching de material vegetal, como a maravalha, acícula de pinheiro e
casca de arroz, apesar do baixo custo, propicia o aumento de frutos podres e
danificados, em decorrência do ataque de microrganismos e insetos, que são
favorecidos por esse tipo de cobertura.

2. Irrigação do morangueiro
A irrigação é uma prática cultural indispensável para que a lavoura de mo-
rangueiro atinja altos níveis de produtividade, com frutos de qualidade. É uma
pratica que deve ser monitorada, uma vez que o déficit e/ou excesso de água
aplicada pode propiciar condições desfavoráveis ao desenvolvimento das plan-
tas e levar à queda na produtividade, alem de aumentar os custos com energia
de bombeamento e fertilizantes ao se trabalhar com baixa eficiência de irrigação
e fertirrigação. Os períodos críticos de necessidade hídrica ocorrem logo após o
transplante das mudas, na formação de botões, floração e frutificação.
No Brasil, até a década de 1980, a quase totalidade das lavouras de mo-
rangueiro era irrigada por aspersão. Atualmente, esse método de irrigação só
é utilizado após o plantio, para garantir o pegamento das mudas (por favorecer
maior contato das raízes com o solo) e contribuir para a redução da temperatura
do solo, o que traz benefícios para o transplante. Alem de favorecer o acúmulo
de água sobre as folhas e frutos, a irrigação por aspersão também tem como
fator limitante a perda de água superficial, em razão da cobertura dos canteiros
com lona plástica.

Nos últimos anos, a substituição do sistema de irrigação por

Õ
aspersão pelo sistema de irrigação localizada ou irrigação por
gotejamento (no qual a água chega à superfície do solo por
emissores chamados de gotejadores), ocorreu em virtude da
maior eficiência no uso da água e no manejo de doenças, já
que evita a presença de umidade nas folhas - fator que desfa-
vorece o desenvolvimento de fungos e bactérias.

O sistema de irrigação por gotejamento permite melhor automação, irriga-


ções com turnos de regas menores, redução no consumo de energia elétrica e
uso da fertirrigação. A irrigação por gotejamento permite que se mantenha o
solo úmido e com boa aeração por período ininterrupto, mantendo-o sempre
próximo à capacidade de campo na zona radicular. Dessa forma, os nutrientes
mantêm-se solubilizados, permitindo que o morangueiro atinja altos rendimen-
tos, com o mínimo consumo de água. Isso interfere também na melhoria do pa-
drão de qualidade dos frutos e do tamanho, exigidos para a exportação.
O sistema de fertirrigação por gotejamento deve ser instalado logo em se-
guida ao plantio. Recomenda-se também a instalação de aspersores, para ga-
rantir o fornecimento de água nos primeiros dias, após o plantio e estimular o
pegamento das mudas.
A qualidade da água é um dos princípios básicos de boas práticas de
produção para auxiliar na redução ou eliminação de riscos de contaminação mi-
crobiana. É importante frisar que, quando em contato com os produtos agríco-
las, seja na irrigação, seja nas etapas de pós-colheita, sua qualidade determina o
potencial de contaminação desses produtos.
Para o manejo da quantidade de água para a cultura, recomenda-se o moni-
toramento com o uso de tensiômetros distribuídos em, pelo menos, seis pontos
por hectare de cultivo, cuja disposição deve ser especificada, de acordo com ori-

14
entações técnicas.

3. Desbaste
Nos primeiros 30 dias após o plantio, é recomendável o desbaste de flores e
frutos. Essa prática cultural tem custo alto com mão de obra, porém, é de grande
importância para estimular o crescimento e a boa formação da estrutura da
planta, e plantas bemformadas apresentam ganhos na produção.

4. Controle de pragas e doenças


A escolha inadequada da variedade para as condições climáticas do local
de cultivo; a má qualidade da muda; preparo do solo, plantio e tratos culturais
inadequados; escassez ou excesso de umidade; focos de inóculo e ausência de
condições para desenvolvimento de inimigos naturais são fatores que favore-
cem a ocorrência de pragas e doenças.
Os prejuízos causados pelas pragas do morangueiro ocorrem pela destru-
ição de partes da planta, ataque ao fruto e transmissão de viroses, as quais po-
dem reduzir o ciclo e a produção da planta. O controle químico é dificultado pelo
fato de as colheitas serem realizadas diariamente. Os ácaros, as principais pragas,
atacam folhas e frutos quando ainda verdes. Os pulgões, além da injúrias diretas
causadas pela alimentação, provocam danos maiores associados à transmissão
de viroses. Em lavouras irrigadas por aspersão, as populações de pulgões ten-
dem a ser reduzidas e são, por consequência, mais facilmente controladas. Out-
ras pragas do morangueiro são as formigas cortadeiras e lava-pés, bem como a
lagarta-rosca.

A cultura do morangueiro é afetada pelas doenças, principal-


mente as fúngicas. Além da antracnose - que tem causado
vários danos aos morangais, tornando-os inviáveis para a co-
Õ
mercialização, quando não são tomadas medidas de controle
-, a mancha angular, murcha de Verticillium, podridão do colo e
do rizoma causadas por Phythophtora e mofo cinzento também
podem afetar a cultura.

Cultivos em condições ambientais favoráveis à disseminação dessas doenças


fazem com que haja necessidade de controle periódico, quase sempre realizado
por meio de pulverizações de defensivos agrícolas.
Os túneis, associados à irrigação por gotejamento, evitam o molhamento da
parte aérea da planta, o que inibe a ocorrência e a disseminação de doenças
nas folhas, flores e frutos, principalmente da flor-preta (Colletotrichum acutatum
Simmonds), que somente foi controlada mediante a utilização de ambos os
sistemas.
Cabe aos técnicos e produtores racionalizar o uso de defensivos, adotando
medidas alternativas de redução, uma vez que o morango é um dos frutos que
apresenta grandes níveis de resíduos desses produtos.
Manter a biodiversidade redunda na redução do nível populacional das pra-
gas. Para isso, sugere-se a rotação de cultura, o manejo da vegetação do entorno
das áreas cultivadas para atender às necessidades de organismos benéficos, o
fornecimento de recursos suplementares (estruturas artificiais para nidificação,
alimentação extra e presa alternativas) para os organismos benéficos, a implan-
tação de corredores ecológicos que conduzam organismos benéficos das matas
ou de áreas cultivadas e a manutenção de faixas de vegetação, cujas flores aten-
dam às exigências dos organismos benéficos.

5. Rotação de cultura

15
A rotação de cultura, sistema no qual espécies diferentes são cultivadas em
sucessões retidas, numa mesma sequência definida, na mesma área, é prática
importante na produção agrícola. Se adotada e conduzida de modo adequado
e por um período suficientemente longo, essa prática melhora as características
físicas, químicas e biológicas do solo; auxilia no controle de plantas daninhas,
doenças e pragas; repõe a MO; protege o solo contra o impacto das chuvas e
da irradiação solar direta. Isso, por sua vez, reduz os índices de erosão; aumenta
a retenção no solo; recupera solos degradados; diminui a perda de nutrientes,
como o N; aumenta a vida microbiana do solo, proporcionando a diminuição
da incidência de insetos-pragas e de doenças, promovendo a ciclagem de nu-
trientes de camadas mais profundas para depósitos nas camadas superficiais,
quando utilizadas espécies agrícolas com sistemas radiculares diferentes.

6. Nutrição
O fornecimento, no momento certo, de níveis adequados de macronutrien-
tes (N, P, K, Ca, Mg e S) e micronutrientes (B, Cu, Fe, Mn, Mo e Zn) ao morangueiro
é indispensável para a manutenção do equilíbrio entre o desenvolvimento veg-
etativo e a frutificação da planta, bem como para a redução da suscetibilidade
ao ataque de doenças e pragas, de forma que obtenham produções de elevada
qualidade. As quantidades de nutrientes exportados pela cultura dependem da
produção obtida, que varia em função da cultivar e da época de cultivo. A escas-
sez de quaisquer desses macros ou micronutrientes compromete o potencial
produtivo da cultura.
Nos picos de produção, principalmente em lavouras com alta produtividade,
podem surgir sintomas de deficiência de nutrientes nas folhas, por causa do car-
reamento deles para os frutos. Os principais nutrientes, sua influência sobre a
fitossanidade, a produção e aqualidade de morango são mencionados a seguir.
a) Nitrogênio (N): Sua falta acarreta plantas mal desenvolvidas e, conse-
quentemente, menor produção de frutos; já o seu excesso, que aumenta de ma-
neira drástica o vigor das plantas, reduz a indução floral, atrasa a floração, reduz
a qualidade dos frutos em relação ao conteúdo de açúcares, textura, coloração,
deformações e favorece o mofo-cizento, a antracnose-do-rizoma e o ácaro-raja-
do. Sintoma de deficiência de N em morangueiro é o desenvolvimento de colo-
ração vermelha, a partir das margens internas dos folíolos.
b) Fósforo (P): Por ser um componente do trifosfato de adenosina (ATP), par-
ticipa de inúmeras reações bioquímicas, destacando-se aquelas que estimulam
o desenvolvimento radicular e a floração. O excesso de P pode provocar diminu-
ição na absorção de alguns micronutrientes, como o ferro (Fe), e o zinco (Zn).
Desenvolvimento de coloração azulada, em pequenas nervuras, que posterior-
mente atinge toda a superfície da folha, é um dos sintomas de deficiência de P.
c) Potássio (K): Favorece o tamanho, a textura e as características organolép-
ticas do morango (sabor, aroma, açúcares e vitamina C). Baixos teores de potás-
sio estão associados ao aumento da incidência dos fungos Verticillium, Pythium,
Phytophthora e Rhizoctonia. O excesso de K, porém, diminui a absorção de Mg
e de Ca, esse último em menor proporção. Um dos sintomas de deficiência de
K em morangueiro é o desenvolvimento de púrpuro-avermelhada, a partir das
margens externas dos folíolos, a qual evolui, envolvendo de um terço à metade
da superfície dos folíolos, formando um triângulo esverdeado, que tem como
centro a nervura central.
d) Cálcio (Ca): A deficiência desse nutriente resulta na redução de produtivi-
dade e em deterioração da qualidade do morango (baixa capacidade de conser-
vação, baixo teor de açúcares e acidez). Na deficiência de Ca, os ápices das folhas,
em início de desenvolvimento, apresentam-se de coloração castanha e, com o
desenvolvimento delas, tornam-se necróticos, originando folíolos de tamanho

16
menor que o normal.
e) Magnésio (Mg): Desempenha papel de alto valor na síntese da clorofila
e favorece a coloração vermelha do morango. Na deficiência de Mg, entre as
nervuras dos folíolos, desenvolve-se uma coloração púrpuro-avermelhada. No
início, apenas nas margens dos folíolos e, posteriormente, somente as nervuras
centrais e áreas bem próximas a elas apresentam coloração normal.
f) Enxofre (S): É um componente essencial de aminoácidos, como cistina,
metionina e cisteína. Sua deficiência limita o crescimento da planta. Os sinto-
mas de deficiência de S são clorose e otamanho desigual entre folíolos, de uma
mesma folha, aparecendo uma coloração escura nas margens externas destes.
g) Boro (B): Tem participação relevante na divisão celular e formação de no-
vas células, bem como no metabolismo dos ácidos nucleicos (DNA e RNA). Os
sintomas de deficiência de B em folhas jovens são semelhantes àqueles provo-
cados pela falta de Ca, constando de deformações e necroses nas bordas. Há
redução na produção de pólen, o que resulta em morangos pequenos e defor-
mados. Na deficiência de B, o crescimento das raízes fica comprometido e, por
consequência, também a absorção de outros nutrientes do solo. O excesso de B
causa amarelecimento e endurecimento do morango, além de necrose marginal
das folhas. Sintomas progressivos aparecem nas folhas em início de desenvolvi-
mento: necrose nas pontas, folíolos retorcidos e cloróticos; presença de frutos
deformados.
h) Zinco (Zn): O zinco é um componente metálico ou um cofator funcional,
estrutural ou regulatório de enzimas. Na sua deficiência, ocorre redução signifi-
cativa na síntese proteica, acompanhada de acúmulo de aminoácidos livres. É
comum observar sintomas de deficiência de Zn em campo onde esse nutriente
foi aplicado. A deficiência acontece pelo excesso de P, que pode afetar a absor-
ção de micronutrientes metálicos. Sintomas de deficiência de Zn são o encurta-
mento de internódio e a diminuição no tamanho das folhas.
i) Ferro (Fe): Na deficiência de Fe, as concentrações de clorofila, carotenoi-
des, ferredoxina e ribossomos diminuem e as de ácidos orgânicos e aminoáci-
dos livres aumentam. Havendo menos ferredoxina, a célula perde o principal
fornecedor de elétrons, acarretando acúmulo de compostos oxidados. Os sin-
tomas de deficiência são cloroses internervais, permanecendo as nervuras mais
internas com coloração verde intensa.
j) Manganês (Mn): Sob deficiência de Mn, eleva-se a atividade de AIAoxi-
dase, enzima associada à degradação de auxinas. Assim, em tal situação, consta-
ta-se uma diminuição da concentração hormonal responsável pelo crescimento
vegetal. Apesar de indicações de deficiências nutricionais, na prática, o mais co-
mum é a toxidez promovida pelo Mn em solos ácidos. Normalmente, o excesso
de Mn induz à deficiência de Ca e Fe, ao diminuir a translocação de Ca e ao com-
petir em nível celular com o Fe, o que é evitado pela elevação do pH pela cala-
gem. Na deficiência, os sintomas são folíolos de folhas, recém-formadas, foscos e
verdes-amarelados, com nervuras escuras e margens apresentando pontuações
púrpuras.

• Calagem e adubações de solo, foliar e fertirrigação


O conhecimento da absorção de nutrientes pela planta ao longo do ciclo
possibilita determinar o requerimento em diferentes épocas do desenvolvim-
ento, a fim de permitir que os nutrientes sejam fornecidos no momento certo e
a planta expresse toda a sua potencialidade. Qualquer recomendação de apli-
cação de corretivos ou de adubação, inependentemente do sistema de cultivo,
deve ser feita com base em análise química do solo, na qual se tem as informa-
ções da quantidade de nutrientes que o solo oferece e se essa quantidade é ou
não o necessário para a cultura.

17
A aplicação de calcário (calagem) tem como objetivos aumentar o pH de
solos ácidos e fornecer Ca e Mg para as plantas. Em solos com pH ácido (em
geral, abaixo de 5,5), as plantas não se desenvolvem adequadamente pelo efeito
tóxico do alumínio (Al3+), pela baixa disponibilidade de alguns nutrientes (Ca,
Mg e P, principalmente) e pelo excesso de alguns micronutrientes, como Mn e
Fe, que podem causar toxidez.

A ausência ou a prática inadequada da calagem, sem levar em

Õ consideração o que o solo realmente necessita, pode impedir a


resposta da cultura às adubações. Para que esse fornecimento
de Ca e Mg seja correto, calcula-se a necessidade de calagem
(NC), usando-se saturação por bases de 80% (V = 80%) e teor
mínimo de Mg de 9 mmol/dm3. Devem-se observar, ainda, os
valores de Mg na análise de solo, cuidando para que não ocorra
desequilíbrio entre Mg e Ca, ao escolher o tipo de calcário (do-
lomitico, magnesiano ou calcítico).

A adubação orgânica é fundamental para a cultura do morangueiro, pois


proporciona maior produção comercial de frutos. Além de seus efeitos sobre as
características físicas (maior retenção de umidade e arejamento) e biológicas
do solo (ativação da microflora com a adição de carbono orgânico), pode for-
necer quantidades adequadas de K e intermediárias de N. A recomendação de
adubação mineral para São Paulo, em função da análise de solo, encontra-se no
Quadro 1.

QUADRO 1 - Recomendação de adubação nitrogenada, fosfatada e


potássica para a cultura do morangueiro, no estado de São Paulo, em função
dos resultados da analise do solo

P resina (mg/dm3) K+ trocável (mmolc/dm3)


Nitrogênio 0-10 11-25 25-60 >60 0-0,7 0,8-1,5 1,6-3,0 1,6-3,0
(Kg/ha)
P2O5 (kg/ha) K2O (kg/ha)
40 900 600 450 300 400 300 200 100
Fonte: Raij et al. (1996)

Para a adubação de cobertura, recomendam-se 180 kg/ha de N e 90 kg/ha de


K2O. Como na produção orgânica são liberadas poucas fontes de K para a aduba-
ção de cobertura, muitos produtores não realizam essa prática. Isso porque, até
mesmo o uso do sulfato de potássio, está condicionado à liberação da certifica-
dora ou do órgão regulador, em função dos níveis contidos na análise do solo.
Em Minas Gerais, a recomendação da adubação fosfatada é feita com
base nos parâmetros de P-remanescente (P-rem) ou porcentagem de argila no
solo. A recomendação de adubação nitrogenada, fosfatada e potássica, em fun-
ção do resultado da análise de solo, está nos Quadros 2 e 3. As principais fontes
de nutrientes, por sua vez, podem ser conferidas no Quadro 4.
Entre as duas formas de recomendação de adubação, observa-se maior
variação apenas para os valores de P a ser fornecidos, carecendo de maiores
pesquisas para definir a melhor forma de cálculo. De maneira geral, no campo,
observa-se que a recomendação para São Paulo tem resultado em melhor
performance, muitas vezes não havendo necessidade de complementação via
fertirrigação.

18
QUADRO 2 - Recomendação de adubação nitrogenada, fosfatada e
potássica para a cultura do morangueiro em Minas Gerais, em função dos
resultados da análise do solo (extrator Mehlich 1)

P (mg/dm3) K (mmolc/dm3)
Nitrogênio Muito Muito
Baixa Média Boa Baixa Média Boa
(Kg/ha) Boa Boa
P2O5 (kg/ha) K2O (kg/ha)
220 400 300 200 100 350 250 150 80
Fonte: Nannetti e Souza (1999).

QUADRO 3 - Classes de interpretação da fertilidade do solo para P e K em


Minas Gerais (extrator Mehlich 1)

Classes de fertilidade para fósforo (mg/dm3)


P-rem
(mg/L) Muito Muito
Baixo Médio Bom
Baixo Bom

0-4 < 3,0 3,1-4,3 4,4-6,0 6,1-9,0 > 9,0

4-0 < 4,0 4,1-6,0 6,1-8,3 8,4-12,5 > 12,5

10-19 < 6,0 6,1-8,3 8,4-11,4 11,5-17,5 > 17,5

19-30 < 8,0 8,1-11,4 11,5-15,8 15,9-24,0 > 24,0

30-44 < 11,0 11,1-15,8 15,9-21,8 21,9-33,0 > 33,0

44-60 <15,0 15,1-21,8 21,9-30,0 30,1-45,0 > 45,0


Nota: P-rem – Fósforo remanescente (concentração de P da solução de equilíbrio após agitar
durante 1 h a terra fina seca ao ar (TFSA) com solução de CaCl2 10 mmol/L, contendo 60 mg/L
de P na relação 1:10)
Fonte: Alvarez V. et al. (1999)

QUADRO 4 - Classe de interpretação da fertilidade do solo para P


disponível (extrator Mehlich 1) de acordo com o teor de argila ou com o
valor de P-rem

Classes de fertilidade para fósforo (mg/dm3)


Argila
(%) Muito Muito
Baixo Médio Bom
Baixo Bom

600-100 < 10 10-21 21-32 32-48 >48

35-60 < 16 16-32 32-48 48-72 >72

15-35 < 26 26-48 48-80 80-120 >120

0-15 < 40 48-80 80-120 120-180 >180


Nota: P-rem – Fósforo remanescente
Fonte: Alvarez V. et al. (1999).

19
Pelo acompanhamento dos resultados de análises foliares de lavouras
do Sul de Minas, nos últimos anos, nota-se que a quase totalidade apresenta
deficiências graves de Ca e Mg - mesmo com os resultados das análises de
solo indicando valores adequados. Considerando-se o longo ciclo da cultura
(produção de frutos em 9 a 10 meses) e as cultivares, é recomendável realizar uma
diagnose dos teores de nutrientes nas folhas como auxiliar para um programa
de adubação em cobertura. É recomendável, para as condições de São Paulo,
amostrar em 30 plantas, da terceira ou quarta folha recém-desenvolvida (no
início do florescimento), sem pecíolo.
A fertirrigação, ou seja, o uso de fertilizantes solúveis dissolvidos na água de
irrigação pode complementar a adubação convencional de plantio feita no solo,
em varias culturas, principalmente nas hortaliças.

QUADRO 5 – Faixas adequadas de teores de macro e micronutrientes em


folhas de morangueiro

Nutrientes Teores

Macronutrientes (g/kg)

N 15-25

P 2-4

K 20-40

Ca 10-25

Mg 6-10

S 1-5

Micronutrientes (mg/kg)

B 35-100

Cu 5-20

Fe 50-300

Mn 30-300

Mo 0,5-1,0

Zn 20-50
Fonte: Raij et al. (1996)

5. Produção integrada de morangueiro

Vários fatores têm levado a cultura do morango a adquirir uma imagem


negativa perante o publico consumidor, principalmente pela utilização incorreta
de agrotóxicos pelos produtores. Por falta de informação ou má orientação, eles
utilizam erroneamente aqueles produtos registrados – e/ou não registrados -
para a cultura, com superdosagens, em muitos casos.
No contexto da Produção Integrada, ferramentas como organização
do setor produtivo, boas práticas agrícolas (BPA), rastreabilidade e certificação
surgem mostrando que há possibilidade de produção de morango

20
completamente saudável. No que diz respeito às BPA, dentre as outras práticas
culturais, é obrigatório prestar atenção à aplicação de agrotóxicos. Ela deve
ser realizada a partir de critérios técnicos, com o monitoramento de pragas e
doenças, de acordo com as recomendações de controle para a cultura, com
base na Grade de Agrotóxicos, com produtos registrados para uso na cultura do
morangueiro e seu respectivo período de carência.

É proibida a utilização de produtos não registrados para a


cultura e colheita de frutos, dentro do período de carência
apropriado. Os frutos de morango devem ser amostrados pe-
Õ
riodicamente para a realização de análise multirresíduo de
agrotóxicos, com a finalidade de monitoramento das aplica-
ções de produtos fitossanitários e de medidas de correção, se
necessário.

A certificação, em especial, permite apresentar evidências dos cuidados e


controles utilizados na produção e, ainda, identificar o produto final com um
selo de qualidade que chega até o consumidor.
A Produção Integrada Agropecuária (PI Brasil) é um programa de adesão
voluntária coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
A partir de uma base de produção dita convencional, as primeiras ações devem
ser relativas à mobilização e difusão da filosofia da PI. A partir daí, os produtores,
por livre adesão, iniciam o processo de implementação do sistema, com base
nas BPAs.
O conjunto de informações, contidas nas Normas Técnicas Especificas (NTE)
- Produção Integrada de Morango (PI Morango), está reunido na Instrução
Normativa nº 24, publicada no Diário Oficial da União, de 4 de agosto de 2010.
A partir dela, os produtores podem iniciar um processo de auditoria, que, com
base nas normas, concederão ou não a certificação ao produtor, permitindo a
comercialização dos seus produtos com o Selo da Produção Integrada de Frutos.
A opção pelo selo é feita de acordo com o interesse do produtor. Se ele
constatar que existe demanda de mercado para morangos certificados, pode-
se concluir que é economicamente interessante pleitear a certificação e utilizar
o selo Brasil Certificado - Agricultura de Qualidade. No entanto, se o produtor
considerar que não é viável buscar a certificação, pode apenas participar dos
programas, como forma de obter informações técnicas para conduzir a lavoura,
empregando conhecimentos e tecnologias mais modernas.

6. Produção orgânica de morangueiro

Na agricultura orgânica, não é permitido o uso de substâncias que coloquem


em risco a saúde humana e o meio ambiente, como fertilizantes sintéticos
solúveis, agrotóxicos e transgênicos. A produção orgânica de morangos é
uma alternativa viável para o desenvolvimento e adaptação de tecnologias às
condições sociais, econômicas e ecológicas de cada região.

Em Minas Gerais, tem sido observada a melhoria da qualidade


de vida dos agricultores, que, ao adotarem esse tipo de mane-
jo, reduzem o custo com a aquisição de agrotóxicos, eliminam
Õ
o risco da exposição dos trabalhadores e a de seus familiares
a esses agrotóxicos. Além disso, isentam a contaminação dos
frutos e do ambiente dos resíduos químicos, resultando em
benefícios para toda a sociedade.

21
No manejo do cultivo do morango no sistema orgânico, além da escolha
da área, do local de cultivo e do preparo do solo, devem ser realizadas
práticas culturais (tratamento do solo com adubos verdes, pousio e adição de
microrganismos benéficos eficientes - EM) em áreas com cultivos anteriores
de morango, pelo fato de ter ocorrido infestação do solo por microrganismos
patogênicos.

6.1. Preparo do solo


O solo da área deve ser arado e gradeado. Uma nova gradagem deve ser
realizada, após a incorporação da adubação verde, 30 dias antes do plantio
das mudas do morangueiro. Em seguida, os canteiros são preparados com
dimensões aproximadas de 1,20 m de largura e de 0,30 a 0,40 m de altura, com
comprimento variável, de acordo com as características da área.

6.2. Escolha da cultivar


A cultivar de morango mais utilizado em sistema orgânico é a Oso Grande,
que é também uma das mais cultivadas no sistema convencional em Minas
Gerais. Todavia, os plantios com a cultivar Albion, por produzir frutos com
tamanho maior, coloração vermelha mais acentuada e, por isso, conquistar a
preferência do mercado, têm aumentado no estado.

6.3. Análise de solo


Assim como no cultivo convencional, a análise de solo é indispensável para
a adequada correção e fertilização do solo para o plantio do morangueiro em
cultivo orgânico. Com a indicação dos níveis de nutrientes no solo, é possível
calcular as quantidades de fertilizantes orgânicos que devem ser fornecidos,
em função das exigências do morangueiro. Deve-se levar em consideração que
a disponibilidade de nutrientes nas fontes orgânicas geralmente é menor, e a
assimilação deles pelas plantas é mais lenta.

No cultivo orgânico, normalmente utiliza-se maior quantidade

Õ de adubo orgânico, pelo uso de adubação verde anterior ao


plantio do morangueiro (por exemplo: milho, milheto, crota-
lárias ou mix), acrescida da utilização de compostos orgânicos
humidificados e estercos de curral e de galinha (esses últimos
bem curtidos e adicionados ao solo com antecedência mínima
de 60 dias), sempre com autorização dos órgãos de certifica-
ção.

As principais fontes de nutrientes e adubos orgânicos utilizados pelos


produtores orgânicos no Sul de Minas Gerais estão no Quadro 6. Não há
necessidade de adubação foliar do morangueiro orgânico quando os teores no
solo estiverem adequados e equilibrados. São utilizados biofertilizantes ou água
de cal, quando o fruto estiver com sementes salientes ou com a película muito
fina, lembrando sempre que a utilização de insumos deve obedecer à legislação
da produção orgânica.

22
QUADRO 6. Principais fontes de nutrientes e adubos orgânicos utilizados
pelos produtores para produção orgânica no Sul de Minas

Fonte Principais componentes

Calcário dolomitico, magnesiano Ca e Mg


ou calcitico
Cal agrícola Ca
Composto orgânico (VisaFertil, Composto orgânico humifica-
Provaso, Gentifertil, etc) do, macro e micronutrientes
Torta de mamona N, K2O

Termofosfato P2O5, Ca
Estercos de animais (bovinos e
C, macro e micronutrientes
avícolas)
Bokashi Microrganismos benéficos

EM4 (Embiotic) Microrganismos benéficos

Farinha de osso P2O5, Ca

Cinzas de casca de café ou madeira K2O

Sulfato de potássio K2O


Adubos verdes (crotalarias, milho,
K2O
milheto)
Fosfato reativo P2O5, Ca

Pó de rocha ou silicato de Ca e Mg Si, Ca, Mg

6.4. Adubação verde


A adubação verde consiste no plantio de espécies capazes de reciclar os
nutrientes, para tornar o solo mais fértil e produtivo. Nessa adubação, as raízes
extraem nutrientes das camadas mais profundas do solo, trazendo-os para a
superfície e formando uma camada superficial, com altos índices de matéria
orgânica (MO), que, por sua vez, contribuem para a conservação do solo,
retenção de água e redução da erosão do solo.
Seus objetivos são melhorar as características do solo, protegê-lo da erosão
e de exposição a altas temperaturas. Recomenda-se utilizar aveia (60 a 80 kg de
sementes/ha) ou azavém (25 a 30 kg de sementes/ha) no inverno. Posteriormente,
planta-se milho (30 kg de sementes/ha) ou milheto (15 kg de sementes/ha), no
fim da primavera-verão. O milho ou milheto devem ser incorporado ao solo, no
florescimento.
A incorporação da massa verde de qualquer leguminosa (ervilhaca, crotalaria)
deve ser feita antes do florescimento. Tem sido usada também mistura de
leguminosas com gramíneas. As leguminosas irão promover a fixação biológica
do nitrogênio (N), presente na atmosfera, para o solo, que é um dos elementos
essenciais e necessários, em grandes quantidades, para o desenvolvimento das
plantas. As gramíneas, por sua vez, irão fornecer um aporte considerável de massa
vegetal, que aumenta consideravelmente a MO do solo. Após a incorporação
das culturas, deve ser feita a adubação orgânica.

23
6.5. Plantio
O plantio das mudas de morangueiro é realizado, geralmente, entre fever-
eiro e abril, havendo variações, quando o objetivo é produzir na entressafra. São
utilizadas mudas de raízes nuas ou enraizadas em substrato, comercializadas em
bandejas de plástico ou de isopor alertando que muda com raiz nua apresenta
menor percentagem de pegamento quando comparado a de mudas enraizadas
em substrato em bandejas.

6.6. Fertirrigação
O sistema de fertirrigação por gotejamento deve ser instalado logo em se-
guida ao plantio. Recomenda-se também a instalação de aspersores, para ga-
rantir o fornecimento de água nos primeiros dias após o plantio e estimular o
pegamento das mudas.
No morangueiro orgânico, muitas vezes a fertirrigação é feita com a utiliza-
ção de biofertilizantes preparados pelos próprios produtores, a partir de receitas
disponíveis na literatura. Para corrigir uma eventual deficiência de Ca no solo
ou problemas de acidez por algum erro de calagem, pode utilizar água de cal
hidratada:
normalmente, à proporção de um saco de cal para 200 L de água, homog-
eniza e utiliza-se a produção de 20 a 50 L da mistura em 1.500 m2.

6.7. Mulching
A utilização de mulching é indispensável no cultivo orgânico, assim como no
convencional.

6.8. Túneis altos e microtúneis (túneis baixos)


Os túneis, no cultivo orgânico do morangueiro, à semelhança do conven-
cional e no sistema de produção integrada, têm como objetivos reduzir o mol-
hamento da parte aérea das plantas (vindo da chuva e/ou orvalho, responsável
pela disseminação das doenças foliares), proteger as plantas de chuvas de grani-
zo, geadas e ventos fortes e estimular aumentos de produtividade em conse-
quência do microclima favorável.

6.9. Desbaste
Nos primeiros 30 dias após o plantio, é recomendável também o desbaste de
flores e frutos, com o objetivo de estimular o crescimento e a boa formação da
estrutura da planta.

6.10. Rotação de cultura


A exploração equilibrada do solo, por meio da rotação de culturas, é muito
importante nos cultivos agrícolas e um dos fatores fundamentais na agricultura
orgânica.

6.11. Manejo fitossanitário


Manter a biodiversidade, assim como recomendado para o cultivo conven-
cional, é fundamental para a redução do nível populacional das pragas.
As práticas que visam à redução de inóculo são imprescindíveis no controle
de doenças do morango, principalmente no cultivo orgânico. A retirada de plan-
tas ou parte delas, atacadas por patógenos, reduz as fontes de inóculo, o que
consequenteente potencializa os efeitos dos produtos biológicos utilizados no

24
controle. O manejo do mofo-cinzento (Botrytis cinerea), com o agente de bio-
controle Clonostachys, é eficiente somente quando se realiza a limpeza da cul-
tura pela eliminação contínua de folhas e frutos doentes.

7. Produção De Morangueiro No Sistema Hidropônico E Semi-Hidropônico

As limitações fitossanitárias do solo promoveram o desenvolvimento e a


adoção de técnicas de cultivo sem solo, ou hidroponia, em regiões tradicionais
de produção de hortaliças, e inclusive para o morango.

O cultivo de morangueiros em sistemas hidropônicos abre


algumas possibilidades para combinar ambientes protegidos
Õ
com a eliminação do uso de produtos destinados à desinfecção
do solo. Nesse sistema, não há revolvimento de solo e perigo
de contaminação ambiental, já que é fechado, havendo refluxo
do excesso de solução nutritiva.

Essa produção mais limpa vai ser refletida em melhor qualidade de vida para
o produtor, produto mais saudável e de qualidade para a população, regulari-
zando e aumentando o período de safra, assim como potencializando as pos-
sibilidades de exportação do morango. O sistema hidropônico conduzido em
substrato é conhecido no país como semi-hidropônico.

8. Colheita, Conservação Pós-Colheita E Processamento

A colheita é uma das operações mais delicadas e importantes do cultivo do


morangueiro. Inicia-se geralmente, aos 60 dias após o plantio das mudas e é
realizada de forma contínua, duas a três vezes por semana, estendendo-se por
quatro a cinco meses, de acordo com o início do período das chuvas, que influ-
encia diretamente na qualidade da produção e na produtividade da cultura.
Os frutos devem ser colhidos com 75% da superfície vermelha, quando des-
tinados ao consumo in natura, ou totalmente vermelhos, quando destinados a
indústria. Frutos colhidos ainda verdes terão alta acidez, adstringência e ausên-
cia de aroma, não amadurecendo após a colheita. Em ambos os casos, o produto
chega ao mercado com baixo valor comercial.
O manejo pós-colheita consiste nos procedimentos de seleção, classifi-
cação, embalagem, armazenamento e transporte dos frutos, devendo permitir
adequadas comercialização e utilização, com as características específicas exigi-
das pelo consumidor final. A comercialização in natura é feita em caixas de pa-
pelão, contendo embalagens plásticas menores, cujas dimensões vão depender
de uma sinalização do mercado. Atualmente, o mais comum tem sido o uso de
quatro embalagens plásticas transparentes (cumbucas) por caixa de papelão,
perfazendo um peso líquido mínimo de 1,5 kg.
Além do aspecto nutricional, na pós-colheita de morangos, são obser-
vadas perda de massa fresca, firmeza, acidez titulável, pectinas, açúcares, sólidos
solúveis e cor, os quais auxiliam na avaliação da qualidade dos frutos, em função
do método de conservação utilizado. Os frutos perdem o valor comercial, quan-
do a perda de massa é superior a 6%. A manutenção do teor de sólidos solúveis
durante o armazenamento é importante, pois esta é uma característica de inter-
esse comercial, especialmente in natura, já que o consumidor prefere frutos mais

25
doces. Os principais ácidos presentes nos frutos são cítricos e málico, os quais
podem afetar diretamente o sabor, o pH celular e antocianinas - pigmentos que
conferem cor vermelha aos morangos.

Õ Por sua elevada perecibilidade, morangos têm vida útil curta,


o que limita sua comercialização, principalmente a longa
distância. A perda, ocasionada pela alta taxa respiratória e pela
suscetibilidade dos frutos ao desenvolvimento de agentes
patogênicos, pode atingir até 40%. O principal método para
minimizar esse efeito é o armazenamento refrigerado em
temperaturas entre 0ºC e 1ºC. Temperatura de 0 ºC, associada
às atmosferas com 12% a 20% de CO2, tem sido recomendada
como condição ideal para o armazenamento de morango.

A utilização de baixas temperaturas é essencial no pré-resfriamento, arma-


zenamento, transporte em longas distâncias e comercialização de morangos.
Entretanto, para o armazenamento prolongado, somente a redução da tempera-
tura não é suficiente para manter a qualidade das frutas.São necessárias ainda
outras técnicas que visem prolongar a vida útil dos frutos. A atmosfera modi-
ficada é uma alternativa à conservação do morango. Com essa técnica, modifica-
se o ambiente de armazenamento dos frutos pelo revestimento ou embalagem
por filme plástico, permitindo que as concentrações de CO2 e O2, provenientes
ou utilizadas pela respiração do próprio produto, aumentem e diminuam, re-
spectivamente. Essa alteração da composição gasosa interfere no metabolismo
celular, o que pode proporcionar respostas fisiológicas favoráveis à conservação
e aumentar a vida pós-colheita.
Usualmente, o morango é embalado em pequenas bandejas de PET, com
capacidade de 200 a 500g, revestidas com PVC - pouco eficiente na modificação
atmosférica. A atmosfera também pode ser modificada pela utilização de reves-
timentos comestíveis ou biodegradáveis. Os revestimentos produzidos a partir
de biopolímeros, como a fécula de mandioca e quitosana, têm inúmeras vanta-
gens: são biodegradáveis, têm boas propriedades mecânicas e de barreira aos
gases, podem melhorar a aparência, tornando os frutos mais atrativos, e podem
também preservar as propriedades sensoriais e nutricionais dos alimentos.

9. Processamento

O processamento do morango é uma alternativa para seu armazenamen-


to por longo período pós-colheita. Dessa forma, assegura-se o suprimento de
matéria-prima às indústrias de alimentos, com consequente fornecimento uni-
forme de alimentos durante todo o ano. O morango pode ser conservado con-
gelado por métodos químicos ou pelo uso do calor, para posterior utilização na
produção de sorvete, caldas, tortas, pavês, bolos, etc. Pode ser minimamente
processado ou transformado em polpa, para posterior utilização.

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33
02
PARTE 2
PRODUÇÃO INTEGRADA
Fagoni Fayer Calegario1
Larissa Akemi Iwassaki2
Mário Eidi Sato3
Hélcio Costa4
Maria Aparecida Cassilha Zawadneak5

1. Introdução

No mundo de hoje, as pessoas buscam, cada vez mais, saúde e bem-estar. Os


interesses, que antes moviam o consumo de um alimento perfeito em aparência
e com preço acessível, atualmente envolvem questões mais profundas. A socie-
dade passou a se interessar por detalhes das formas de produção primária de ali-
mentos, certificando-se de que o ambiente, os trabalhadores rurais e os animais
tenham sido respeitados; questiona quais tipos de insumos foram utilizados;
conhece razoavelmente o conceito de produção orgânica e preocupa-se com a
utilização indiscriminada de agrotóxicos, chegando a rejeitar alguns produtos.

Consequentemente, as cadeias de produção agrícola sofrem

Õ pressões cada vez maiores por parte de clientes, consumidores,


governos, comércio internacional e mídia, que passaram a
discutir conceitos e a exigir qualidade, segurança de alimentos
(inocuidade) e sustentabilidade.

No caso do morango, em especial, a pressão na cadeia produtiva ocorre de


forma mais intensa. Desde 2001, com o início do Programa de Análise de Resí-
duos de Agrotóxicos em Alimentos, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa), que divulga anualmente o resultado das análises de produtos frescos,
o morango aparece como uma das culturas que apresentam os maiores porcen-
tuais de irregularidades (BARIZON et al., 20 13). A partir de 2002, o porcentual de
amostras de morango que contém agrotóxicos não registrados e/ou acima do li-
mite máximo de resíduos (LMR) manteve-se sempre acima de 35% (BARJZON et
al. , 2013), chegando-se a identificar até seis ingredientes ativos (i.a.) diferentes
em uma amostra de morango (ANVlSA, 2010).
Tais constatações reforçam a necessidade de melhoria na formação de
produtores rurais e no acompanhamento do uso de agrotóxicos na agricultura
brasileira, a fim de garantir as Boas Práticas Agrícolas (BPA) (ANVISA, 2013). Os
relatórios da Anvisa são amplamente divulgados na mídia e, ao terem contato
com as matérias jornalísticas, muitos consumidores passaram a declarar que evi-
tavam o consumo do morango cultivado por meio da produção convencional.

1
Engª Agr', D.Sc., Pesq. Embrapa Meio Ambiente, Jaguariúna-SP
2Engª Agr', M.Sc. Sanidade, Segurança Alimentar e Ambiental no Agronegócio, Tecnologista Jr. Instituto
Nacional de Tecnologia, Rio de Janeiro-RJ
3Engº Agrº, D.Sc., Pesq. Científico/Prof. Instituto Biológico, Campinas-SP
4Engº Agrº, D.Sc., Pesq . Incaper - Centro Regional de Desenvolvimento Rural Centro Serrano, Venda Nova
do lmi-grante-ES
5Engª Agr', D.Sc., Prof UFPR- Setor de Ciências Biológicas, Curitiba-PR

34
As irregularidades encontradas neste produto são de dois tipos:
- o primeiro refere-se a detecções de agrotóxicos acima do LMR, o que pode
ser evitado pela adoção de BPA. O produtor pode evitar este tipo de irregularida-
de seguindo adequadamente as instruções do rótulo e da bula, calibrar pulveri-
zadores e respeitar períodos de carência dos agrotóxicos.
- Já o segundo tipo refere-se à detecção de resíduos de produtos não re-
gistrados para a cultura. Nesse caso, não se trata de negligência nas BPA, mas
sim de dificuldades em obter agrotóxicos registrados para culturas com menor
retomo de investimentos no registro dessas substâncias (BARlZON et ai., 2013).

Culturas desse tipo são conhecidas como minor crops ou culturas com supor-
te fitossanitário insuficiente (CSFI). Cultivadas em áreas pequenas, os produtores
de CSFI acabam utilizando agrotóxicos não autorizados, em razão do reduzido
número de produtos registrados para a cultura (BARlZON et ai., 2013).
Os resíduos químicos não são os únicos que podem colocar em risco a ino-
cuidade
do morango. Mattos e Cantillano (2004) detectaram a presença de colifor-
mes totais e outras enterobactérias (Salmonella, Shigella, Klebsiella, Enterobacter,
Proteus, Yersinia) em amostras de morangos cultivados em Pelotas (RS). Esses
autores alertam para a necessidade de focar os cuidados nas mãos e luvas do
produtor e nas caixas de colheita. Em amostras de água, também constataram a
presença de microrganismos. Diante disso, o folder Riscos microbianos na Produ-
ção Integrada de Morango foi publicado como forma de orientar o produtor para
os pontos críticos de controle das contaminações microbiológicas: água, mãos,
luvas, caixas, animais e lonas plásticas (MATTOS; CANTILLANO, 2009).
É fato que o morango, em virtude das divulgações na mídia sobre conta-
minações, principalmente por resíduos de agrotóxicos, tomou-se um produto
estigmatizado. Por outro lado, é notória a tendência atual de os consumidores
darem preferência a produtos que atendam a protocolos de qualidade e que
sejam submetidos a mecanismos de rastreabilidade e certificação (EMBRAPA
UVA E VINHO, 2013). Ainda de acordo com Embrapa Uva e Vinho (2013), esses
mecanismos demonstram, de forma confiável e provável, que a produção é feita
em bases sustentáveis e capazes de minimizar ou, mesmo, anular os riscos de
contaminações físicas, químicas ou biológicas.
Dentro dessa lógica, exatamente por se tratar de um produto considerado
perigoso por alguns, mas extremamente atrativo para crianças e adultos, exis-
tem grandes oportunidades para o produtor de morango que optar por adotar
tais mecanismos que diferenciarão seu produto, certificando sua produção.

O morango, especificamente como produto da agricultura


familiar, gera emprego e renda, fixa a mão de obra no
campo e, se conduzido com qualidade, tem o potencial de
Õ
projetar positivamente a imagem dos municípios produtores,
resgatando a credibilidade das regiões e do próprio produto.

2. Produção integrada como alternativa viável para morangos saudáveis

Ferramentas, como organização do setor produtivo, boas práticas culturais,


rastreabilidade e certificação, surgem nesse contexto de Produção Integrada
como excelentes formas de reagir às pressões, mostrando que existem manei-
ras de obter um morango completamente saudável. Tais ferramentas ajudam
a planejar e a comprovar a adequação dos procedimentos adotados em todas

35
as etapas de produção agropecuária. A certificação, em especial, permite apre-
sentar evidências objetivas dos cuidados e controles utilizados na produção e,
ainda, identificar o produto final com um selo de qualidade que chega até o
consumidor.
O sistema de produção integrada teve origem na década de 1970, na Europa,
como evolução do manejo integrado de pragas (MIP), que é a utilização de es-
tratégias com base no monitoramento das pragas de uma cultura, enfatizando,
prioritariamente, sua prevenção – promoção do equilíbrio da lavoura e do seu
entorno - , seguido por métodos fisicos e/ou biológicos de controle.

Em último caso, se os prejuízos com pragas e doenças

Õ ultrapassarem o nível de dano econômico, a utilização de


agrotóxicos registrados para a cultura é permitida, desde que
de forma extremamente disciplinada, sempre registrando
todos os procedimentos com a finalidade de gerar um histórico
rastreável.

Nesse modelo de produção, técnicas de plantio, manejo, colheita e pós-


-colheita são implementadas de forma otimizada, resultando em produtos de
maior qualidade e com garantia de inocuidade, ou seja, isenção de perigos físi-
cos, químicos ou biológicos, que coloquem em risco a saúde ou integridade dos
consumidores.
A Produção Integrada Agropecuária (Pl Brasil) é um programa de adesão vo-
luntária, coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
(Mapa), que publica protocolos (na forma de Normas Técnicas Específicas), a fim
de definir requisitos mínimos, nas áreas técnica e ambiental, e também quanto
às questões trabalhistas. O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tec-
nologia (Inmetro) participa da Pl Brasil organizando e regulamentando o pro-
cesso de avaliação da conformidade, acreditando as certificadoras que farão a
avaliação da conformidade, oferecendo a chancela para o selo Brasil Certificado-
-Agricultura de Qualidade.
Em 27 de setembro de 2001, o Mapa publicou a Instrução Normativa nº 20,
contendo as Diretrizes Gerais para Produção Integrada de Frutas (DGPIF) e as
Normas
Técnicas Gerais para a Produção Integrada de Frutas (NTGPJF), (BRASIL, 2001).
No ano seguinte, o Inmetro publicou a Portaria nº 144 (INMETRO, 2002), que es-
tabelecia o Regulamento de Avaliação da Conformidade (RAC), ou seja, as con-
dições necessárias para pessoas física e jurídica e organismos de certificação de
produto (OCP) participarem do processo da Produção Integrada de Frutas (PIF).
Com a adesão de outras cadeias produtivas, além da fruticultura, aos ideais
do sistema de produção integrada, a Instrução Normativa nº 27 foi publicada
pelo Mapa, em 2010 (BRASIL, 2010b), atualizando as diretrizes gerais e alteran-
do o nome do programa para "Produção Integrada Agropecuária" (PI Brasil). Em
2011, o lnmetro publicou a revisão dos Requisitos de Avaliação da Conformidade,
descritos na Portaria nº 443 (INMETRO, 2011).
Dentre essas alterações, as novas diretrizes estabelecem a formação de co-
missões nos âmbitos estadual e nacional, além da divisão por cadeia produtiva
e produto, para assessoramento na elaboração e implantação dos programas e
projetos da PI Brasil. As Normas Técnicas Específicas (NTE) também passaram a
"contemplar quantas áreas temáticas forem necessárias por produto ou grupo
de produtos", e estas "em quantos subitens forem necessários para o atendimen-
to às especificidades dos produtos ou sistemas em desenvolvimento" (BRASIL,

36
2011b), ao invés das 15 áreas temáticas estabelecidas na Instrução Normativa nº
20, de 27/9/2001 (BRASIL, 2001).
Já nos Requisitos de Avaliação da Conformidade, a revisão passou a incluir
temas
como: tratamento de não conformidade, tratamento de reclamações, ativi-
dades exercidas por OCP estrangeiros, bem como alterou os requisitos do uso
da "Marca de Conformidade" para o do "Selo de Identificação da Conformidade"
(INMETRO, 2011 ), ilustrado na Figura I.
Além das diretrizes, para cada tipo de produto, NTE são publicadas no Diário
Oficial da União, na forma de Instruções Normativas. As NTE-Produção Integrada
de Morango (PI Morango) estão publicadas como Instrução Normativa nº 14,
de 3 de abril de 2008 (BRASIL, 2008), complementada, posteriormente, pela
Instrução Normativa nº 24, de 4 de agosto de 2010 (BRASIL, 2010a).
Nas experiências com a cultura, a Pl Morango tem-se mostrado um excelente
caminho de conversão da produção convencional para sistemas de produção
mais sustentáveis, podendo chegar a um equilíbrio tal que não haja necessidade
de aplicação de agrotóxicos nessa cultura.

FONTE: INMETRO (2011 )

No entanto, observa-se que, para que a produção integrada


seja viabilizada no campo, é necessário que haja capacitação
contínua dos produtores e técnicos envolvidos. Assim, é
Õ
fundamental haver a interação entre instituições de ensino,
pesquisa e extensão rural, para a criação e transferência de
tecnologias.

Uma forte organização de associações ou cooperativas de produtores e de


agentes públicos locais também é necessária para promover políticas públicas,
a fim de que haja incentivo e apoio na adoção das melhores técnicas agronômi-
cas nas lavouras. O produtor precisa de apoio para ingressar nesses programas,
que exigem investimento de tempo e dedicação, recursos para adequar a infra-
estrutura e contratar serviços e, finalmente, aceitar o desafio para a mudança
de hábito. Outro requisito importante é a presença de um responsável técnico,
habilitado em PI Morango, a fim de orientar os produtores antes, durante e após
as avaliações de conformidade ou auditorias realizadas pela certificadora.
A opção pelo uso do selo é feita de acordo com o interesse do produtor. Se

37
ele constatar que existe demanda de mercado para morangos certificados, pode
concluir que é economicamente interessante pleitear a certificação e utilizar o
selo Brasil Certificado -Agricultura de Qualidade, que diferencia o produto. No
entanto, se o produtor considerar que não é viável buscar a certificação, poderá
apenas participar dos programas, como forma de obter informações técnicas
para conduzir a lavoura, empregando conhecimentos e tecnologias mais mo-
dernos. Nesse caso, ao implantar os procedimentos normativos, certamente ob-
terá melhorias contínuas na produção.

Porém, uma vez que o morango da produção integrada não

Õ é tão conhecido pelos consumidores quanto o da produção


orgânica, ainda é necessário um trabalho de divulgação das
vantagens do produto para obter um preço diferenciado por
morangos da PI Brasil.

Como atualmente apenas um pequeno grupo de produtores de Atibaia con-


ta com a certificação, não existe volume de morangos certificados suficiente
para atender às demandas que surgem, havendo a necessidade de motivar mais
produtores para adotarem esse sistema de produção.
Questões como essas foram consideradas numa oficina de alinhamento es-
tratégico que o Mapa promoveu, em dezembro de 2011, com a participação de
40 profissionais, de instituições públicas e privadas, envolvidos na Pl Brasil (BRA-
SIL, 2011b). Esses profissionais chegaram à conclusão que tornar a produção
integrada reconhecida por suas vantagens, como produto diferenciado, junto
aos diversos segmentos da sociedade (tanto nacional como internacional), é o
desafio mais importante, dentre outros 15 identificados (BRASIL, 2011 b ).
Assim, no Relatório da Oficina (BRASIL, 2011 b), foram elencadas ações re-
comendadas para cada desafio listado, com os respectivos responsáveis. Essas
ações estão sendo realizadas, na medida do possível, tanto pelo Mapa, quanto
pelas outras instituições envolvidas.
Apesar dos desafios, é importante ressaltar os inúmeros benefícios alcança-
dos como resultado das ações coletivas da Pl Brasil, que também foram identifi-
cados e registrados no mesmo relatório (BRASIL, 2011 b ).

De acordo com Brasil (2011b), dentre os principais benefícios e realizações


da PI Brasil estão:
a) melhoria da gestão e planejamento da propriedade, gerando aumento na
sustentabilidade ambiental, melhoria de condições de trabalho e racionali-
zação de custos;
b) integração de equipes, produtores, multiplicadores e agentes dos setores
público e privado, para construção do pensamento e dos programas;
c) aumento da segurança jurídica no sistema produtivo;
d) organização da base produtiva por meio do estímulo ao associativismo e
ao cooperativismo;
e) formação de recursos humanos (produtores rurais, responsáveis técnicos,
auditores e técnicos de campo), gerando equipes e valorizando a extensão
rural;
f ) estabelecimento de documentos normativos (diretrizes, normas técnicas
específicas, requisitos de avaliação da conformidade e outros), possibilitan-
do sistematização e harmonização do conhecimento;
g) conquista de mercados exigentes, por meio do incentivo à rastreabilida-
de, gerando segurança, qualidade, competitividade e visibilidade dos pro-
dutos brasileiros;

38
h) fomento e adoção do MIP e das BPA, acarretando melhoria, inclusive, das
técnicas utilizadas pela produção convencional;
i) criação de espaços de trabalho para responsáveis técnicos, auditores e ou-
tros profissionais;
j) identificação da necessidade de pesquisa e de adaptação da pesquisa dis-
ponível;
k) criação de acervo bibliográfico importante, proporcionando a aproxima-
ção da pesquisa com o setor produtivo e os consumidores.

Em termos práticos, o produtor que desejar obter a certificação da PI Bra-


sil para morango deverá, inicialmente, conhecer as NTE-Pl Morango. Essas NTE
contêm: os requisitos que serão avaliadas tanto na lavoura como no restante da
propriedade (casa de embalagem, local de armazenamento de agrotóxicos, faci-
lidades para lavagem de mãos, banheiros, etc.), durante as auditorias. De acordo
com essas NTE, o acompanhamento de um responsável técnico treinado nos re-
quisitos específicos é obrigatório, devendo ser realizada, no mínimo, uma visita
mensal aos locais, nos quais o morango é produzido, embalado e enviado para
o mercado.

No processo de certificação, todas as evidências objetivas


do cumprimento das normas devem ser apresentadas na
forma de registros e anotações nos cadernos; certificados
Õ
de treinamentos; recibos de entrega de embalagens de
agrotóxicos vazias e lonas plásticas usadas; listas de presença
em reuniões; receituários agronômicos; notas fiscais dos
produtos adquiridos, principalmente agrotóxicos; análises de
solo, água e plantas; elogios ou reclamações de consumidores,
dentre outros.

Assim, o produtor e seu responsável técnico deverão estar o tempo todo


atentos aos requisitos das normas, buscando evidenciar, de forma objetiva, seu
cumprimento.
Uma vez conhecendo as normas e adotando-as com o acompanhamento de
um responsável técnico habilitado, o produtor deverá entrar em contato com
uma das certificadoras credenciadas para Pl Morango no Brasil. Por ser uma rela-
ção comercial, o produtor tem liberdade para escolher a empresa que lhe apre-
sentar a melhor proposta.
Vale a pena lembrar que o processo de certificação tem o preço substan-
cialmente diminuído quando pequenos produtores o contratam em grupo, ao
invés de fazer contratos individuais. Por essa e outras razões, o fortalecimento de
associações ou cooperativas, bem como dos vínculos entre seus componentes, é
extremamente útil para alcançar a obtenção do selo.

3. Avanços técnicos na produção integrada de morangos

Os programas oficiais de Pl Morango, financiados pelo Mapa no Brasil, foram


aprovados no final de 2004 e iniciados em diversas regiões produtoras em 2005.
Ações em PI Morango foram desenvolvidas nos estados do Espírito Santo, Rio
Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Paraná.
O Programa de Pl Morango em São Paulo teve início em 2006, antes mes-
mo da publicação das NTE-Pl Morango, que o grupo se mobilizou para elaborar

39
(CREMONESI; HAMMES; CALEGARIO, 2009; HAMMES; CALEGARIO; CREMONESI,
2009). Em 2008, por iniciativa da Associação de Produtores de Morango e Hor-
tifrutigranjeiros de Atibaia, Jarinu e Região, apoiada por recursos financeiros do
Orçamento Participativo da Prefeitura de Atibaia, uma unidade demonstrativa
central (UDC) da Pl Morango foi implantada no Parque Duílio Maziero, em Ati-
baia, SP. Nesse local, ocorreu a primeira validação das NTE- Pl Morango, publica-
das no mesmo ano (BRASIL, 2008).
Em 2011, a primeira certificação do Brasil foi obtida por um grupo de seis
produtores dos municípios de Atibaia e Valinhos (SP), que passaram por audito-
ria de manutenção da certificação na safra 2013.

A fim de auxiliar essa validação e buscar alternativas

Õ tecnológicas, pesquisas foram desenvolvidas na UDC-Pl


Morango desde a sua implantação. O controle de ácaro-rajada
(Tetranichus urticae) - considerada uma das principais pragas
do morangueiro no Brasil -, utilizando estratégias com base
nos princípios do MIP, foi uma das áreas estudadas.

Na safra de 2008, foram desenvolvidas pesquisas na UDC-Pl Morango, bus-


cando fornecer subsídios para o manejo de T. urticae em morangueiro, com-
parando as estratégias de controles químico e biológico dentre os sistemas de
produção convencional e integrada de morango, a fim de gerar uma orientação
prática. Um dos objetivos iniciais era incentivar a utilização dos agentes de con-
trole biológico e, assim, reduzir o uso de acaricidas (IWASSAKI, 2010).
Semanalmente, durante toda a safra de 2008, as populações de ácaros fitófa-
gos (ácaro-rajado) e predadores foram monitoradas por meio de contagem em
laboratório, para as duas áreas (IWASSAKI et al., 2008). Na área de produção inte-
grada, com base nos resultados do monitoramento, eram realizadas liberações
de ácaros predadores da espécie Neoseiulus californicus. Quando essa prática
não se mostrou suficiente para o controle do ácaro-rajada, foram feitas pulveri-
zações de acaricida seletivo, com base no trabalho de Sato et al. (2002).
Na área de produção convencional, o controle foi realizado pelo produtor,
que, entre junho e setembro, utilizou apenas pulverizações de acaricidas, de
acordo com um calendário semanal de aplicações (IWASSAKI et al., 2008).
Na área da Pl Morango, o monitoramento também permitiu observar como
outros fatores (sanidade das mudas, barreira quebra-vento, condições climáticas,
etc.) influenciavam na flutuação das populações dos ácaros-praga e predadores
e, consequentemente, nas tomadas de decisão sobre as estratégias de controle
integrado (IWASSAKI, 20I0).
De modo geral, as estratégias de controle integrado de ácaro-rajado foram
eficientes para manter os níveis de infestação menores na área de produção in-
tegrada, resultando na redução da frequência de aplicação de acaricidas em seis
vezes. No período de uma safra, enquanto a população máxima de T.urticae foi
de 59,9 ácaros por folíolo, na produção convencional esse número foi de 140,9
ácaros por folíolo, ambos para a cultivar Oso Grande (IWASSAKl, 2010).
Além da flutuação populacional, realizou-se, também, o monitoramento da
resistência do ácaro-praga aos acaricidas utilizados. Os resultados indicaram au-
mento de, pelo menos, 40% da resistência do ácaro T.urticae aos produtos aba-
mectin e fenpyroximate em um período de, aproximadamente, quatro meses
entre as avaliações. Já na área de produção integrada, ao contrário, observou-se
aumento significativo da sensibilidade de T.urticae a abamectin. A porcentagem
de indivíduos resistentes diminuiu, aproximadamente, 6% para um período de
igual duração. Para fenpyroximate e propargite, não se observou alteração sig-

40
nificativa na frequência de indivíduos resistentes a esses acaricidas (IWASSAKl,
2010).
Ao final da safra, foram calculados a produtividade e os custos das estraté-
gias de controle integrado. Informações sobre a produtividade das áreas e quan-
tidade de frutos colhidos também foram comparados, tanto para mesa, quanto
para indústria. Os valores de preços médios obtidos na venda dos frutos foram
calculados com base nos registros e recibos mantidos pelos responsáveis pela
venda.

As análises referentes às estratégias de controle integrado

Õ
tiveram como base custos de liberação de ácaros predadores e
de aplicações de acaricidas. O custo dos ácaros predadores foi
estabelecido com base no preço de venda utilizado em 2008,
pela empresa PROMIP-Manejo Integrado de Pragas, que foi
de R$17,50 por 500 ácaros predadores (NeoMIP - Neoseiulus
californicus).

No caso de controle químico, os valores dos produtos (Omite 720EC, Ortus


50SC, Protmax e Vertimec 18EC) tiveram como base pesquisas em lojas de pro-
dutos agropecuários nos municípios de Atibaia. O produto Protmax é definido
com uma mistura de óleos vegetais, e é utilizado, segundo o produtor, em con-
junto com o acaricida Yertimec. O custo da mão de obra para o monitoramento
de T.urticae, liberação de ácaros predadores e aplicação de acaricidas foi calcu-
lado com base nos valores obtidos do Instituto de Economia Agrícola (2009),
estando de acordo com a quantidade máxima permitida de horas trabalhadas
da Constituição de 1988 (BRASIL, 1988).
O tempo gasto para liberação de ácaros predadores e a pulverização foi esti-
mado com base nos horários registrados durante o acompanhamento das ativi-
dades na área da PI Morango (30 minutos para cada liberação e 50 minutos para
preparo de calda, pulverização e organização dos equipamentos - tempo médio
observado durante o acompanhamento das atividades). Para o monitoramen-
to, a estimativa utilizada foi de duas horas a cada 0,2 hectare (IWASSAK.l et al.,
2009a). Foram feitos 33 monitoramentos ao longo da safra. Foi designado ape-
nas um funcionário para o preparo e aplicações de agrotóxicos nas duas áreas.
Não foram computados dados de depreciação de equipamentos.
Apesar de a população de plantas na área de produção convencional ser
2,67 vezes maior, sua produção total de frutos foi, em quilos, apenas 1,81 vezes
maior que na área da PI Morango, o que refletiu na produtividade por planta ( 1,4
7 vezes maior na área de Produção Integrada) (Quadro 1). A quantidade de frutos
para consumo in natura (tipo mesa e colha-e-pague) representou 68,5% do total
produzido na PI Morango, enquanto que, na produção convencional, essa fração
foi de 74,6%. Essa diferença pode ser explicada pela falta de critérios de seleção
e classificação na produção convencional: os frutos são embalados desde que
sejam grandes e/ou vermelhos, e vários com defeitos (em qualquer grau) são
colocados para preencher as cumbucas. Já na Pl Morango, a seleção criteriosa
prioriza a disposição uniforme dos frutos, para ser mais atrativa ao consumidor.

41
Quadro 1 - Produção de morango nos sistemas
convencional e integrado

Item Produção Convencional PI Morando

Cultivares Oso Grande, Camino Real


Cultivares Oso Grande e Aleluia
e Camarosa
Plantas (nº) 25.000 9.358
Área (ha) 0,39 0,16
Total de frutos (kg) 12.749,8 7.052,9
Total de frutos tipo
9.541,8 4.636,0
mesa (kg)
Total de frutos tipo
3.235,0 2.220,3
indústria (kg)
Total de frutos
- 196,6
colha-e-pague (kg)
Produtividade (kg/
0,51 0,75
planta)
FONTE: Iwassakl (2010).
NOTA: PI Morango - Produção Integrada de Morango.

O preço médio para os frutos tipo indústria da Pl Morango foi maior que o
da produção convencional, ao contrário do que se observa para os frutos tipo
mesa (Quadro 2). A falta de divulgação fez com que, muitas vezes, os frutos da
PI Morango fossem vendidos como convencionais. Assim, como os recipientes
continham um peso maior (média de 2 kg por caixa de morangos da Pl Morango
e 1,2 kg por caixa de morangos da produção convencional), o preço por quilo
acabou reduzido (IWASSAKI, 2010).
Uma alternativa para incrementar a comercialização dos frutos da Pl Moran-
go foi o evento chamado colha-e-pague, realizado em três datas (6 e 13 de julho
e 20 de setembro de 2008), que resultou em um total de 196,6 kg de frutos colhi-
dos (Quadro 1 ), vendidos ao preço de R$ 10,00 o quilo (Quadro 2). Foi também
uma forma eficaz de entretenimento de visitantes e turistas, bem como uma ex-
celente ferramenta de divulgação da PI Morango (CALEGARlO; SALUSTIO, 2009).

QUADRO 2 - Preços médios obtidos na venda dos frutos dos sistemas


convencional e integrado, entre os meses de maio e novembro de 2008

Valor Unitário Produção Convencional PI Morando

R$/kg (fruta tipo 3,95 3,63


mesa) (variação entre 2,50- 5,40) (variação entre 1,25 - 6,00)
R$/kg (fruta tipo 0,58 1,25
indústria) (variação entre 0,50- 0,65) (variação entre 0,50- 2,00)
R$/kg (colha-e-
- 10,00¹
pague)
FONTE: Iwassaki (2010).
NOTA: PI Morango - Produção Integrada do Morango.
(¹)Preço exato.

As estratégias implantadas para controle de ácaro-rajado durante a safra de


2008 permitiram reduzir de 12 para duas aplicações de agrotóxicos durante uma

42
safra, o que, por sua vez, diminuiu os custos com controle químico a quase um
décimo do valor gasto na produção convencional. Foram gastos R$ 501,00 com
acaricidas e R$ 64,45 com mão de obra na área de produção convencional, tota-
lizando R$ 565,45 (Quadro 3). Na área de PI Morango, o valor total foi de R$ 51,85
(IL do acaricida Omite 720EC mais mão de obra), representando um gasto 10,9
vezes maior na primeira área (IWASSAKI,2010).

QUADRO 3 - Planilha de custos das estratégias de controle de


ácaro-rajado (químico e biológico), em morangueiro, para a safra 2008

Item Produção Convencional PI Morando

Vertimec 18EC Ortus 50SC Protmax Omite 720EC NeoMIP

Controle químico
5 (com
Total de aplicações 10 2 2 -
Vertimec)
Total de acaricidas
2,0 1,0 4,0 1,0 -
adquirido (L)
Preço por litro (R$/L) 87,00 67,00 65,00 48 ,00 -
Custo final de acari-
cidas (R$)
174,00 67,00 260,00 48,00 -
Tempo de preparo +
pulverização (h)
20,5 4,1 ¹ 1,47 -
³Custo de mão de
obra (R$/h)
2,62 2,62 2,62 2,62 -
Custo final de mão de
obra (R$)
53,71 10,74 ¹ 3,85 -
Custo do controle
565,45 51,85
químico (R$)

Controle biológico

Monitoramento - - - - 33
Tempo gasto por
monitoramento (h) - - - - 1,6

³Custo de mão de
obra (R$/h) - - - - 2,62

Custo de monitora-
mento (R$) - - - - 138,34

Frascos adquiridos - - - - 23
Custo de Neoseíulus
californícus (R$/frasco) - - - - 17,50

Custo de N. californi-
cus (R$) - - - - 402,50

Liberações de ácaros
predadores - - - - 5

Tempo gasto por


liberação (h) - - - - 0,5

³Custo de mão de
obra (R$/h) - - - - 2,62

Custo final de mão


de obra de liberações - - - - 6,55
(R$)
Custo de liberações
(R$) - - - - 409,05

43
Custo do controle
biológico (R$) - - - 547,39

Custo final (R$)


565,45 599,24
(químico + biológico)
Nota: PI Morango - Produção Integrada de Morango.
Fonte: Iwassaki. (2010).
(¹) Tempo de preparo e pulverização (em horas) e custo final de mão de obra (em reais) para a aplicação
do produto Protmax inclusos nos valores para Vertimec 18EC, por ter sido utilizado em mistura com o
acaricida. (2) Soma do tempo gasto para preparo e pulverização de calda para área parcial (soma das
áreas de Oso Grande e Camino Real PI Morango= 0,12 ha, em 30 de julho de 2008) e área total (0 ,16 ha,
em 18 de agosto de 2008). (3) Calculado com base nos valores para mensalistas, obtidos do Instituto de
Economia Agrícola (2009) , dividido pela quantidade máxima permitida de horas trabalhadas (BRASIL,
1988).

Porém, quando somados ao custo do controle biológico, o valor gasto foi


maior na área da PI Morango: além dos R$ 51,85 das pulverizações, somam-se R$
547,39 de gastos nas estratégias de controle biológico (ácaros predadores e mão
de obra dos monitoramentos e liberações), totalizando R$ 599,24 (custo total
10% maior na área PI Morango) (Quadro 3) (IWASSAKI, 2010). Esse maior custo,
no entanto, resultou em duas grandes melhorias: a exposição seis vezes menor
dos trabalhadores aos agrotóxicos e a produção de alimentos livres de perigos
químicos (IWASSAKI, 2010).

Madail et al. (2007) citam que, apesar dos índices de

Õ rentabilidade muito próximos, de toda a estrutura produtiva


existente e mercados já conquistados pela produção
convencional, a produção integrada tem boas perspectivas
de difusão justamente pelo aumento crescente do número
de consumidores dispostos a adquirir produtos isentos de
resíduos químicos.

Por fim, vale lembrar que os custos relativos ao controle na safra de 2008 não
são necessariamente válidos para os anos seguintes. Mudas isentas de pragas,
manutenção de plantas que são fontes alternativas de alimento e refúgio para
inimigos naturais, por exemplo, podem retardar a entrada ou dispersão do ácaro
praga, reduzindo os custos de produção (IWASSAKI, 2010).
De qualquer forma, as decisões quanto às estratégias de controle nas áreas
de produção integrada são dinâmicas, e concluiu-se que o constante monito-
ramento foi uma importante ferramenta. A partir daí, desenvolveu-se uma me-
todologia prática e de baixo custo para monitoramento de T.urticae, a fim de
facilitar a compreensão dos produtores e incentivá-los a práticas de controle de
menor risco ao ambiente e ao produto final.
Com base nos dados do experimento da safra 2008 e observações feitas pe-
los produtores e parceiros do Projeto de Produção Integrada de Morango de
São Paulo (PI Morango-SP), foi desenvolvida uma adaptação da metodologia de
monitoramento realizado em laboratório, testada na UDC-PI Morango durante a
safra de 2009. Essa adaptação consiste na contagem do número de ácaros ainda
no campo, no momento da coleta do folíolo, com lupa de aumento de dez vezes.
De acordo com a quantidade de ácaros T. urticae observada no folíolo (quadro
4), estacas de bambu coloridas de branco, amarelo ou vermelho são espetadas
junto à planta amostrada (IWASSAKI et al., 2009).

44
Quadro 4 - Classificação dos principais riscos ocupacionais em grupos
Ácaros por Cor Folíolos infestados Medida a ser tomada
folíolo (nº) (%)

1a5 Branco Superior a 30% Liberação de ácaros predadores

Independe da Manter sob observação, mas


6a9 Amarelo portcentagem sempre comunicar o responsável
observada técnico
Comunicar ao responsável técnico,
10 ou mais Vermelho Superior a 30% para decidir qual acaricida seletivo
deve ser usado

A quantidade de estacas de cada cor ao final do monitoramento, em relação


ao total de pontos amostrados, indica as medidas a serem tomadas (Quadro 4).
Sugere-se que o monitoramento seja feito pelo menos uma vez por semana.
Na safra de 2009, foi possível realizar somente cinco monitoramentos (IWA-
SSAKI et al., 2009b), pois a severa incidência de um problema conhecido como
vermelhão (KMIT, 20 14; KMIT; MORANDI; CALEGARIO, 2011) forçou a retirada da
cultura antecipadamente. Em nenhuma das ocasiões monitoradas foram neces-
sárias medidas de controle.
Quanto à aplicação prática da metodologia proposta, os técnicos treinados
declararam que esta é simples e viável, e que sua implementação torna-se mais
rápida, à medida que o próprio monitor de pragas adquire mais prática (IWAS-
SAKI et al., 2009b).

Visando facilitar o treinamento de produtores e técnicos, a equipe da Embra-


pa Meio Ambiente criou o Jogo do Alerta, uma ferramenta lúdica para auxiliar
as capacitações. Trata-se de um jogo de tabuleiro (representando uma lavou-
ra de morango), que tem como principal objetivo treinar o produtor rural para
proceder ao correto monitoramento de ácaro-rajado, de forma divertida e sem
necessidade de ir ao campo.
O jogo simula todas as situações que o produtor pode enfrentar na lavoura,
premiando as tomadas de decisão corretas, que resultam em ganhos financei-
ros, representados por cartões com a figura de um saco de dinheiro. Assim fica
fácil perceber, visualmente, a importância da informação técnica para o aumen-
to de receita do produtor capacitado.

Além do MIP, na área de pós-colheita, Lima, Calegario e Sanches (2012) com-


pararam o padrão de qualidade pós-colheita (aparência, características físicas e
químicas, incidência de podridões e resíduo de morangos produzidos nos siste-
mas de produção convencional, orgânico e produção integrada.
Embora a maioria das características analisadas não tenha apresentado dife-
renças significativas estatisticamente, a aparência dos frutos da produção inte-
grada, considerada satisfatória para comercialização, manteve-se um dia a mais
que a dos outros sistemas. Um manuseio pós-colheita criterioso e o empenho
dos produtores em manter as BPA (e a rastreabilidade dos procedimentos) foram
características diferenciais em comparação com a produção convencional.

45
4. Considerações Finais

Embora ainda existam aspectos que precisam ser trabalhados, os diversos


pontos e resultados positivos observados desde o início do programa Pl Moran-
go são incentivos para o desenvolvimento de trabalhos técnicos e a busca pela
cooperação dos setores, em vários âmbitos. É satisfatório observar a dissemina-
ção do programa pelo país e o interesse pelos produtores.

46
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47
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50
03
PARTE 3
MANEJO DE DOENÇAS DO
MORANGUEIRO

Hélcio Costa
Engenheiro Agrônomo D.Sc. em Fitopatologia.-Incaper (ES)

1.Introdução

A cultura do morangueiro é infectada por diversos patógenos que podem


causar danos em todas as partes da planta, desde as fases iniciais de cultivo até
a pós-colheita. Embora os principais patógenos da cultura sejam os fungos, exis-
tem também doenças causadas por bactérias, vírus, nematoides e fitoplasmas.
Os danos causados pelas doenças podem variar em intensidade, dependen-
do das condições climáticas, do manejo adotado e das cultivares plantadas. Por
isso, é essencial conhecer as doenças, as condições favoráveis ao seu desenvol-
vimento e as medidas de manejo a serem adotadas, visando minimizar os danos,
a fim de garantir o sucesso da cultura.
Neste texto, serão abordadas as principais doenças da cultura do moran-
gueiro e diversas medidas para o seu manejo, com o foco no estado do Espírito
Santo.

2. Mofo Cinzento

O fungo Botrytis cinerea pode infectar pecíolos, folhas, botões florais, pétalas,
pedúnculos e frutos em qualquer estádio de desenvolvimento. Nos tecidos afe-
tados, observa-se uma lesão necrótica, sobre a qual se desenvolve uma massa de
micélio de cor cinza, que corresponde às estruturas do fungo (Figura 1).
Esta doença pode ocorrer de maneira generalizada nas lavouras em todo o
Brasil, sendo considerada a principal doença da cultura. Sua maior incidência é
observada após períodos de dois a três dias de chuvas finas e persistentes, o que
proporciona alta umidade nas plantas. Essas condições são facilmente encontra-
das na maioria das áreas produtoras de morango no Brasil, a exemplo da região
serrana do Espírito Santo. Associado a essas condições climáticas favoráveis,
outros fatores, como menor espaçamento entre plantas, excesso de adubação
nitrogenada, uso de irrigação por aspersão e cultivo em campo aberto, contri-
buem para a maior ocorrência da doença.
Para o manejo dessa doença, uma prática cultural essencial é a retirada de
folhas velhas, senescentes (amareladas) e secas e de frutos doentes. Tal medida
vem sendo adotada como rotina pelos produtores do estado do Espírito Santo.
Pesquisas conduzidas no Incaper/CRDR-CSERRANO, por seis anos consecutivos
(de 2004 a 2009), têm demonstrado que o cultivo em túneis reduz significativa-

51
mente a incidência da doença nos frutos, seja em campo ou em pós-colheita.
Esta redução tem chegado a mais de 80%, quando comparado com o cultivo em
campo aberto.
Em testes efetuados em condições de laboratório, a maioria das cultivares
tem se comportado como suscetíveis ao mofo cinzento. Em condições de campo
e nas áreas experimentais do projeto de produção integrada, tem-se observado
que a cultivar Camino Real apresenta alta suscetibilidade a esse patógeno. É im-
portante ressaltar que essa cultivar apresenta uma flor muito grande e que de-
mora a se abrir, se comparada a outras cultivares. Dessa forma, as pétalas ficam
mais aderidas entre a superfície dos frutos e o cálice, o que favorece a infecção
inicial do patógeno nessa parte do fruto.
Além dessas medidas culturais, o controle químico tem sido a principal me-
dida para manejo da doença. As pulverizações, muitas vezes, se fazem necessá-
rias, sobretudo em períodos de chuvas finas e constantes, comuns em diversas
regiões produtoras do país. No entanto, embora seja uma prática necessária
para controle da doença, o uso do controle químico é um dos principais proble-
mas na cultura. Pesquisas realizadas em 2012 e 2013, nos estados de São Paulo,
Espírito Santo e Minas Gerais, revelaram índices alarmantes de resistência de B.
cinerea aos fungicidas do grupo químico dos benzimidazóis e dicarboxamidas,
registrados atualmente para controle da doença na cultura. Os casos mais sérios
têm sido observados no sul de Minas Gerais, hoje a principal região produtora
do Brasil. Diante disso, novas estratégias, como o uso de produtos biológicos,
a exemplo do fungo Clonostachys rosea, vêm sendo testadas em condições de
campo e têm alcançado níveis desejáveis de controle.
Convém salientar que, no Brasil, o manejo do mofo cinzento é dificultado
pela ocorrência de várias floradas durante o ciclo da cultura, diferente de outros
países, onde ocorrem no máximo três floradas principais.

Figura 1. Sintomas de mofo cinzento em frutos de morangueiro (A-C); fruto imaturo da Camino
Real, apresentando sintoma da doença, com o cálice proeminente e pétalas aderidas (D); detalhe
da esporulação de cor cinza em folha (E) e pecíolo (F)

3. Antracnose

A doença conhecida como antracnose tem sido associada aos sintomas cau-
sados por espécies do gênero Colletotrichum. Na cultura do morangueiro, a in-
fecção por Colletotrichum pode levar ao aparecimento de diversos sintomas, a

52
depender do órgão da planta atacado. Dentre eles, podemos destacar a podri-
dão do rizoma, que leva à murcha e morte da planta, a flor preta, as podridões
em frutos e as lesões em folhas. Além disso, o fungo também pode infectar esto-
lões, causando problemas principalmente em condições de viveiro.
Pesquisas recentes têm demonstrado que esses sintomas podem ser cau-
sados por diferentes espécies dentro do complexo C. acutatum e C. gloeos-
porioides e, ainda, que não há uma correlação entre o sintoma e a espécie de
Colletotrichum. Assim, é possível encontrar no campo uma planta de moranguei-
ro apresentando os diversos sintomas, devido à infecção por uma única espécie
do patógeno.
Em condições de viveiro, o fungo Colletotrichum pode infectar os estolões,
causando lesões alongadas e deprimidas de cor escura, que podem levar à mor-
te das mudas. Além disso, o fungo pode alcançar a região do rizoma, devido
à continuidade da infecção pelo estolão e, posteriormente, causar murcha de
plantas em áreas de plantio, devido à podridão do rizoma. Nesse caso, ao se fazer
um corte longitudinal no rizoma, será observada a presença de uma coloração
marrom-avermelhada de consistência firme.
A podridão dos frutos pode ser visualizada em qualquer estádio de desen-
volvimento (Figura 2). Em frutos ainda imaturos, é possível observar a necrose
e, em alguns casos, a sua deformação. Em frutos já formados, seja no campo
ou em pós-colheita, observa-se uma lesão necrótica e deprimida, sobre a qual
ocorre intensa esporulação de cor rósea/alaranjada, imersa em uma mucilagem.
Infecções também podem ocorrer em inflorescências, onde as flores, estames e
pistilos apresentam lesões necróticas escuras. Com o avanço da doença, as inflo-
rescências tornam-se secas e mumificadas, ficando esse conjunto de sintomas
conhecido como "flor preta".
Nas folhas, os sintomas se apresentam como manchas necróticas de cor mar-
rom-escura nos bordos dos folíolos, muitas vezes diagnosticados erroneamente
como deficiência de boro. Em condições altamente favoráveis à doença, o pató-
geno pode infectar a região meristemática da planta, levando à morte.
Normalmente, a antracnose inicia-se em pequenos focos (reboleiras), devi-
do à disseminação restrita do patógeno, que ocorre por meio de respingos de
chuva ou irrigação. Por isso, condições de cultivo de campo aberto, associadas
à irrigação por aspersão ou chuvas, estão correlacionadas com a alta incidên-
cia da doença. Podem ser observadas perdas totais nas lavouras conduzidas em
campo aberto, principalmente na região Sudeste, entre os meses de setembro e
dezembro, devido à presença de chuvas constantes.
Como esses patógenos são capazes de infectar as plantas durante todo o seu
ciclo, é necessário que medidas integradas sejam implementadas, a fim de redu-
zir os danos causados. O monitoramento é essencial para o manejo da doença,
uma vez que geralmente se inicia em focos dentro da lavoura. Ainda no viveiro,
é importante a eliminação imediata de mudas infectadas, pois a irrigação por
aspersão torna o controle extremamente difícil, já que os fungicidas apresentam
baixa eficiência. O uso de mudas sadias é fator decisivo para evitar a introdução
da doença em novas áreas, o que demonstra a importância da certificação dos
viveiros do país. Deve-se atentar para a área selecionada para plantio e insta-
lação de viveiros, pois o patógeno sobrevive em outros hospedeiros - embora,
muitas vezes, não cause os sintomas típicos da doença. Além disso, é importan-
te realizar a rotação de culturas, principalmente em áreas que foram cultivadas
com morango ou outras culturas hospedeiras de Colletotrichum.
Muitas cultivares atualmente plantadas no Brasil, como a Camarosa, Oso
Grande e Milsei-Tudla, são muito suscetíveis à doença. Novas cultivares, como
Ventana, Camino Real, Aromas, Diamante, Seascape e Albion, também apresen-
tam alta suscetibilidade, como se observa em trabalhos conduzidos no Espírito

53
Santo, em condições de campo e/ou laboratório (Tabela 1). Isso tem dificultado
o manejo da doença, principalmente em condições de cultivo em campo aberto
e com irrigação por aspersão.
O uso de fungicidas tem apresentado baixa eficiência em condições de cam-
po, tornando necessário o registro de novos produtos, em estudo junto ao Mapa,
visando atender a uma demanda do setor produtivo.

Figura 2. Antracnose do morangueiro: frutos apresentando sintomas de podridão, ainda no


campo (A e B); planta apresentando morte de flores e pedúnculos (C); detalhe de flor com necrose
(D); lesões em folhas (E); podridão em frutos em pós-colheita, mostrando intensa esporulação (F);
necrose no rizoma de plantas com sintomas de murcha.

4. Mancha de Micosferela

Causada pelo fungo Mycosphaerella fragariae, é considerada a principal


doença, afetando as folhas do morangueiro. As plantas infectadas apresentam
folhas com lesões de formato arredondado e diâmetro variável, de coloração
inicialmente castanho-avermelhada e com centro claro (Figura 3). As lesões po-
dem coalescer, levando à necrose de boa parte do limbo foliar. Por infectar ba-
sicamente as folhas das plantas, o patógeno causa problemas em condições de
viveiro e de cultivo comercial.
No Espírito Santo, a maior incidência da doença tem sido observada na fase
inicial da cultura, após o transplantio (março - abril) e no final do cultivo (setem-
bro - outubro). Em temperaturas mais elevadas, podem ocorrer perdas superio-
res a 30%, devido à intensa necrose das folhas, principalmente quando se utiliza
menor espaçamento, irrigação por aspersão e excesso de adubação nitrogena-
da.
O uso de cultivares resistentes é a principal medida a ser adotada para mane-
jo da doença. As cultivares disponíveis para cultivo no Brasil podem apresentar
variações quanto à resistência a essa doença (Tabela 1). No entanto, em experi-
mentos conduzidos no Espírito Santo, as cultivares de dias neutros apresenta-
ram alta severidade da doença, similar ao observado para a cultivar Dover.
O uso de fungicidas sistêmicos ou protetores à base de cobre deve ser feito
após o monitoramento da doença, uma vez que a ocorrência do patógeno é
muito dependente da temperatura e da alta umidade relativa. Na safra de 2007 e
2008, em virtude do período seco entre os meses de maio e outubro, no Espírito

54
Santo, a utilização de fungicidas para o seu manejo foi muito baixa. Na safra de
2009, porém, a doença ocorreu com maior intensidade em algumas lavouras,
devido ao maior período de chuvas. No entanto, pelo monitoramento efetuado
nas lavouras, foram realizadas poucas aplicações para controle da doença.
O cultivo em túneis, que vem sendo cada vez mais adotado pelos produtores
no Espírito Santo, é uma boa estratégia, pois limita o desenvolvimento da doen-
ça, mesmo na época das chuvas. Resultados preliminares de avaliações efetua-
das no Incaper-CRDR-Centro Serrano têm demonstrado a influência do tipo de
mulching (branco e/ou preto) sobre o desenvolvimento da doença, com maior
severidade sendo observada no mulching branco, em condições de campo aber-
to.

Figura 3. Plantas de morangueiro apresentando sintomas típicos de mancha de


micosferela

5. Mancha de Pestalotiopsis

Também conhecida como “mancha-da-folha”, é causada pelo fungo Pestalo-


tiopsis longisetula. Desde 2004, a doença vem ocorrendo com alta severidade em
lavouras do Espírito Santo, com danos acentuados principalmente em viveiros e
lavouras após o transplantio. A mancha de pestalotiopsis já foi constatada tam-
bém em outros estados, como Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e
Paraná. Em condições de campo, a doença ocorre principalmente na fase inicial
de cultivo, quando as mudas ainda não estão totalmente adaptadas e sofrem
um pequeno estresse. Os sintomas se caracterizam por lesões de coloração cas-
tanho-escura, com a formação de pontuações escuras, que correspondem à pre-
sença de acérvulos no centro das lesões (Figura 4). Em viveiros, a doença infecta
os estolões e pecíolos das mudas, levando-as, muitas vezes, à morte.
O manejo da doença envolve, principalmente, o uso da irrigação por goteja-
mento e de cultivares resistentes (Tabela 1). Com exceção da cultivar Dover, que
tem se mostrado resistente, todas as cultivares disponíveis no Brasil são susce-
tíveis à doença, sendo a ‘Sweet Charlie’ a mais ‘suscetível. Em viveiros e na fase
inicial de cultivo no campo, o uso de fungicidas, muitas vezes, se faz necessário.
No entanto, o monitoramento é interessante, pois, como a doença se inicia em
pequenos focos, pode não ser necessária a aplicação em toda a lavoura. Em tes-
tes em casa de vegetação, verificou-se o efeito do silicato de potássio no contro-
le da doença.

55
Figura 4. Lesões de Pestalotiopsis em plantas em viveiro (A); detalhe de folha apresentando
sintomas (B); detalhe de acérvulos escuros sobre as lesões (C); sintomas em frutos imaturos no
campo (D), pecíolos (E) e frutos em pós-colheita

6. Murcha de Verticílio

Dentre os fungos habitantes do solo, o que tem causado maiores danos à


cultura é o Verticillium dahliae. Os sintomas iniciais caracterizam-se pela queima
das bordas das folhas infectadas, progredindo para a murcha total da planta,
levando à morte (Figura 5). Nessas plantas, quando se faz um corte no rizoma,
observa-se uma região esbranquiçada muito exposta, enquanto que, no pecíolo
e nas raízes, observa-se o escurecimento interno dos vasos. Em algumas cultiva-
res, como Camino Real, a sintomatologia pode ser um pouco diferente, com as
plantas apresentando subdesenvolvimento, com a formação de folhas peque-
nas no interior da planta. Esta sintomatologia se assemelha à de plantas ataca-
das pelo ácaro do enfezamento, o que pode levar a uma diagnose incorreta. Por
esta razão, visando evitar erros de diagnose, é importante observar a distribui-
ção da doença na lavoura, pois a murcha geralmente ocorre em reboleiras.
A doença é favorecida em solos alcalinos, comuns em algumas áreas de cul-
tivo. No estado do Espírito Santo, em levantamentos efetuados nas áreas produ-
toras onde havia a presença do patógeno, geralmente o pH do solo estava situ-
ado na faixa entre 6,7 e 7,0. Outro fator que agrava a doença na cultura é o fato
de que este patógeno tem uma vasta gama de hospedeiros, incluindo diversas
plantas que são cultivadas entre um plantio de morango e outro, a exemplo de
plantas da família das solanáceas. A rotação com tomate, por exemplo, tem agra-
vado a situação no Espírito Santo, devido à ocorrência da raça 02 deste fungo no
estado, uma vez que todas as cultivares de tomate são suscetíveis a ela. Isso tem
contribuído para o aumento da densidade populacional do patógeno no solo.
Para o manejo da murcha de verticílio, é fundamental a rotação de culturas,
por, pelo menos, quatro anos. Com a utilização de plantas da família das crucí-
feras, de modo especial o brócolis, reduz a densidade do patógeno no solo. A
rotação com brócolis tem reduzido a doença, conforme verificado em trabalhos
efetuados nos EUA. Pesquisas realizadas pelo Incaper, em condições de casa de
vegetação, com solo naturalmente infestado, mostraram que as cultivares Cama-
rosa, Oso Grande, Ventana, Aromas, Diamante, Seascape, Dover e Sweet Charlie
são suscetíveis ao patógeno, enquanto as cultivares Camino Real e Albion apre-

56
sentaram maior resistência à doença. A adubação equilibrada é muito impor-
tante, já que algumas formas de adubos nitrogenados (amoniacal e/ou nítrica)
predispõem as plantas à maior infecção do patógeno. Em pequenas reboleiras,
a solarização e a biofumigação do solo são alternativas de manejo da doença.

Figura 5. Plantas de morangueiro apresentando sintomas de subcrescimento e murcha, cau-


sados por Verticillium dahliae (A); detalhe de folha apresentando necrose típica de infecções cau-
sadas por V. dahliae (B); corte no rizoma mostrando a presença de tecido esbranquiçado e necrose
(C)

7. Oídio

Causado pelo fungo Oidium sp. (Sphaerotheca macularis), o oídio vem ocor-
rendo em algumas áreas do Brasil, com intensidade variável, principalmente em
função do uso do cultivo protegido e das cultivares plantadas. No Espírito Santo,
a doença foi observada pela primeira vez em 2004, em um viveiro de mudas
cultivado em estufas.
Um dos sintomas característicos da doença é a presença de um micélio pul-
verulento de cor branca, na parte inferior das folhas. As folhas infectadas podem
ficar curvadas para cima, adquirindo um aspecto de “colher” (Figura 6). Em con-
dições de alta severidade da doença, os frutos também podem ser infectados,
apresentando intensa pulverulência na superfície e crescimento irregular com
os aquênios proeminentes. Em algumas lavouras do Espírito Santo, foi obser-
vada alta intensidade da doença na cultivar Oso Grande, principalmente nos
períodos de baixa precipitação pluviométrica, como ocorrido em 2015. Já nas
cultivares Milsei-Tudla, Seascape e Camino Real, a doença pode se manifestar,
porém, os sintomas observados são apenas lesões marrom-avermelhadas, o que
dá um aspecto de queima às folhas, associadas a uma escassa pulverulência.
O manejo deste patógeno envolve, principalmente, o uso de cultivares resis-
tentes (Tabela 1). Além disso, é importante fazer o monitoramento da doença e
das condições climáticas, as quais contribuirão para a maior ou menor intensida-
de da doença. O uso de fungicidas de ação específica para o patógeno deve ser
realizado somente quando necessário.

8. Mancha de Dendrofoma

Essa doença é causada pelo fungo Dendrophoma obscurans (=Phomopsis


obscurans), que geralmente é observado no campo, na fase inicial (10 a 30 dias)
e no final do ciclo da cultura, infectando as folhas mais velhas. As lesões se apre-
sentam com uma coloração vermelho-púrpura que, com a evolução da doença,
torna-se marrom-escura no centro, circundada por uma região marrom-clara. As
lesões mais velhas crescem ao longo das nervuras, com um formato de "v", po-
dendo tomar toda a folha. Sobre as lesões, é possível observar pequenas pontu-
ações, que correspondem às estruturas do patógeno (Figura 6).
Não têm sido associados grandes danos a esta doença, que geralmente

57
ocorre em baixa intensidade, principalmente em condições de cultivo em cam-
po aberto. Assim, o manejo cultural, com a retirada das folhas velhas, tem se
mostrado eficiente, não necessitando do uso de fungicidas específicos.

9. Mancha Angular do Morangueiro

Esta doença é causada pela bactéria Xanthomonas fragariae, que infecta as


folhas do morangueiro, causando lesões delimitadas pelas nervuras, conferindo-
-lhes o aspecto angular. Sob condições de alta umidade, as quais são favoráveis
à ocorrência da doença, é possível observar lesões foliares, inicialmente com as-
pecto encharcado e posteriormente necróticas (Figura 6). Estes sintomas tam-
bém podem ocorrer no cálice dos frutos.
A doença vem ocorrendo com alta incidência em algumas áreas do Brasil,
como verificado em 2006, em diversas lavouras do Sul de Minas Gerais, onde
ocasionou severas perdas. No Espírito Santo, a doença foi introduzida em 2003,
a partir de mudas infectadas provenientes de Minas Gerais, sendo erradicada
das áreas nesse mesmo ano. Porém, foi novamente diagnosticada no estado em
2006, em uma lavoura no município de Castelo, na região do Forno Grande, em
mudas provenientes da Argentina.
Após essa data, em função do trabalho de conscientização dos produtores
pelo Incaper e da vigilância constante dos órgãos de defesa fitossanitária do Es-
pírito Santo (IDAF), a doença foi novamente erradicada. No entanto, em novem-
bro de 2009, a bactéria foi novamente encontrada em diversas lavouras e mudas
das cultivares Aromas e Albion, oriundas da Argentina, sendo feito o processo de
erradicação, conforme previsto na Portaria de número 075-R editada pela Secre-
taria de Agricultura do estado.
Nos anos subsequentes, a bactéria foi sempre diagnosticada nas lavouras do
estado e, em 2014, foi constatada sua presença em mudas da Albion, importadas
da Argentina. A disseminação da bactéria, de uma região para outra, e mesmo
na própria área de produção, ocorre principalmente por mudas infectadas. Já
dentro da lavoura, acontece por respingos de chuva e/ou irrigação, bem como
pelos tratos culturais.
A utilização de mudas sadias é a principal medida de manejo a ser adotada.
O cultivo protegido também é indicado e deve-se evitar ao máximo a irrigação
por aspersão, notadamente em estados onde a doença é endêmica. Todas as
cultivares atualmente utilizadas no país são suscetíveis à mancha angular. Em
condições de alta severidade da doença, a aplicação de fungicidas cúpricos não
apresenta muita eficiência e pode causar fitotoxidez às plantas.

10. Podridão do Colo

A podridão do colo pode ser causada por patógenos que infectam a região
do colo, levando a planta à morte. Na cultura do morangueiro, dois patógenos se
destacam por causar a doença: Sclerotium rolfsii e Sclerotinia sclerotiorum.
A podridão causada por Sclerotium rolfsii foi observada em algumas lavou-
ras no estado do Espírito Santo, principalmente em solos muito compactados,
excessivamente cultivados e com baixo teor de matéria orgânica. Nas plantas
infectadas, observa-se a presença de escleródios pequenos, de formato esférico,
inicialmente de cor branca e, posteriormente, pardos (Figura 6). Como a incidên-
cia da doença ainda é baixa, a eliminação das plantas infectadas é a medida a ser
adotada, juntamente com a rotação de culturas.
Por outro lado, a morte de plantas devido a infecções do fungo Sclerotinia
sclerotiorum tem sido comum no Espírito Santo. Em algumas áreas, devido à lo-
calização da lavoura, cultivo em solos com alta umidade e rotação de cultura

58
ineficiente (com espécies hospedeiras do fungo, como feijão, alface e repolho), a
doença ocasiona perdas elevadas. Nas plantas atacadas, observa-se a formação
de micélio branco e vigoroso e a presença de grande número de escleródios de
cor escura (Figura 6). Para seu manejo, recomenda-se a rotação com plantas da
família das gramíneas e o roguing imediato das plantas infectadas.

11. Murcha de Fitóftora

Essa murcha é associada à espécie Phytophthora cactorum, que foi detectada


no Espírito Santo, em 1999, em mudas da cultivar Camarosa, provenientes de
São Paulo. Nos últimos cinco anos, sua presença não foi mais diagnosticada no
estado. O primeiro sintoma da doença é uma rápida murcha da planta, mas, mui-
tas vezes, após certo tempo, as plantas voltam a emitir novas folhas, seguindo
nesse processo até a sua morte. O rizoma da planta infectada apresenta uma pe-
quena descoloração na sua base, de cor avermelhada fosca, mas esses sintomas
podem ser devido a outros fatores. Assim, é importante encaminhar as amostras
a um laboratório, para a correta diagnose.
Os fungos Phytophthora idaei e P. nicotianae foram identificados no Espírito
Santo, em 2004, nas cultivares Oso Grande e Milsei-Tudla, causando podridão
de frutos, em campo e em pós-colheita (Figura 6). Geralmente, os sintomas nos
frutos são observados a partir de setembro, com o início das chuvas. Na safra
de 2006, a doença ocorreu em um maior número de lavouras, com incidência
variável entre as cultivares Camarosa, Camino Real, Ventana, Aromas, Diamante
e Seascape. Em condições de campo, as perdas foram altas, principalmente em
lavouras com alta umidade, canteiros baixos, solos compactados e drenagem
deficiente. Em condições de pós-colheita, os danos também têm sido observa-
dos, principalmente após o excesso de chuva, que antecede a colheita.
O manejo deve ser feito com a utilização de mudas sadias e o roguing das
plantas doentes, logo no início da infecção, uma vez que o patógeno sobrevi-
ve por longos períodos no solo, sendo disseminado para outras áreas, notada-
mente por implementos agrícolas. O uso de canteiros elevados é essencial para
reduzir a doença. Todas as cultivares atualmente utilizadas no país apresentam
suscetibilidade a essa doença. A rotação por longos períodos é outra medida
importante, principalmente com gramíneas.

12. Podridão de raiz ou raiz preta

A podridão da raiz ou raiz preta ocorre de maneira generalizada em mui-


tas áreas, causada por fatores de origem biótica, associados a vários fungos, ou
abiótica. Dentre os fungos, podemos citar os gêneros Rhizoctonia, Verticillium,
Phythopthora, Colletotrichum, Fusarium, Pestalotiopsis e Pythium.
Os sintomas normalmente se iniciam em pequenas áreas da lavoura (rebo-
leiras) e são variáveis, em função do fungo associado. Assim, pode ocorrer desde
um subdesenvolvimento das plantas, devido à clorose e/ou bronzeamento das
folhas, até a murcha total das plantas. Fatores não associados a patógenos, tais
como mudas velhas, mudas acondicionadas de forma inadequada ou subme-
tidas ao transporte a longas distâncias e solos com excesso de umidade, com-
pactados e mal drenados, também podem ser responsáveis pelos sintomas de
podridão de raízes. Para o manejo desses patógenos, a rotação de culturas é a
principal medida a ser adotada. Convém ressaltar que o problema tem sido mí-
nimo em cultivos feitos com mudas adquiridas de regiões próximas às áreas de
plantio.

59
13. Vermelhidão

No Espírito Santo, o vermelhão do morango foi detectado a partir de 2003


e vem aumentando significativamente nos últimos anos. A morte das plantas
ocorre principalmente na fase inicial de plantio, podendo se agravar no início da
época de produção, ocasionando grande redução no estande de plantas.
Plantas afetadas apresentam, inicialmente, um leve avermelhamento das fo-
lhas mais velhas, acompanhado de uma redução de crescimento. Com o passar
dos dias, toda a planta fica avermelhada e com folhas necróticas, culminando
com sua morte (Figura 6). Este problema já foi detectado em outros estados,
como Minas Gerais, São Paulo, Bahia Brasília e Paraná, com perdas acentuadas
em diversas lavouras. No entanto, até o momento, são escassas as informações
para o manejo desta doença.

Figura 6. Folha com oídio apresentando aspecto de "colher" (A); necrose causada por oídio
em algumas cultivares (B); sintomas de oídio em frutos (C); folhas apresentando mancha de den-
drofoma (D) e mancha angular (E); podridão de colo causada por Sclerotium rolfsii (F); frutos infec-
tados por Sclerotinia sclerotiorum, apresentando intenso micélio branco e escleródios escuros (G);
podridão de fruto causada por Phytophthora sp. (H); podridão de raiz (I); plantas com sintomas de
vermelhão (J-L)

60
14. Outras podridões em frutos

O fungo Rhizopus stolonifer causa podridão nos frutos, notadamente em


pós-colheita. Os frutos infectados rapidamente perdem a consistência, devido
ao extravasamento do líquido celular. Posteriormente, verifica-se sobre sua su-
perfície um micélio vigoroso, com esporângios e esporangiósporos escuros (Fi-
gura 7). A doença ocorre com maior intensidade nos frutos em estádio avançado
de maturação e que sofreram muita manipulação durante as fases de colheita,
embalagem e transporte.
A presença de ferimentos, causados durante o processo de manipulação
ou por insetos, é importante para a infecção deste fungo. Estudos realizados
no Incaper mostraram que a doença ocorre com maior intensidade a partir de
colheitas efetuadas nos meses mais quentes do ano. Nesses períodos, a maior
ocorrência de chuvas, aliada a altas temperaturas, deixam os frutos mais tenros
e suscetíveis a ferimentos, o que favorece as infecções de Rhizopus stolonifer. A
adubação equilibrada com cálcio é muito importante para a redução dos danos
causados por esse patógeno.
Outros fungos que ocorrem em frutos de morangueiro são Geotrichum spp.,
Mucor spp. e Aspergillus niger (Figura 7). Em um levantamento efetuado em 2009
e 2010, visando identificar os patógenos envolvidos com podridões em pós-
-colheita no ES, foram identificados os fungos Neofusicocum parvum, N. kwam-
bonambiense, Pilidium concavum e Calonecrtia (Cylindrocladium), os quais, até
aquele momento, não haviam sido relatados infectando a cultura no Brasil.
Para o manejo desses patógenos, é essencial evitar ferimentos durante a
colheita dos frutos, bem como evitar colhê-los em períodos de sol intenso. Ou-
tra medida importante é a limpeza e a higienização periódica das embalagens
de colheita (caixas, cestas, baldes, etc.). Além disso, recomenda-se o cultivo em
túneis, no qual a presença destes patógenos é mínima, quando comparado ao
cultivo em condições de campo aberto, como verificado em ensaios de seis anos
realizados no Incaper.
A utilização de produtos biológicos à base de Bacillus, atualmente registra-
dos para a cultura, tem apresentado ótimos resultados. O uso de adubações deve
ser feito com acompanhamento muito rigoroso, pois o alto nível de nitrogênio,
observado em análises foliares de amostras de diversas lavouras, contribui para
uma maior ocorrência destes patógenos em pós-colheita, sobretudo daqueles
que penetram via ferimento. Como alternativas para manejo de podridões em
pós-colheita, o uso da quitosana aplicada no campo e em pós-colheita tem apre-
sentado aumento da vida útil de frutos de morango.

Figura 7. Podridões em frutos de morango: Rhizopus stolonifer (A); Pilidium concavum (B); Geo-
trichum candidum (C); Mucor hiemalis (D); Aspergilus niger (E); Neofusicoccum spp. (F)

61
15. Nematoides

Plantas infectadas por nematoides apresentam os sintomas de subdesen-


volvimento e amarelecimento. No entanto, podem ser ocasionados por outros
fatores, o que pode levar a diagnósticos incorretos, como ocorreu em algumas
lavouras no Espírito Santo. Assim, para confirmar a ocorrência de nematoides do
gênero Meloidogyne, deve-se examinar a presença de galhas no sistema radicu-
lar das plantas.
Em 2006, plantas com sintomas de galhas nas raízes foram encontradas em
lavouras do Sul de Minas e na região de Atibaia (SP). Atualmente, tem-se verifi-
cado a presença de nematoides das galhas em diversas áreas de Minas Gerais e
em algumas áreas da Bahia.
Outros nematoides relatados em morangueiro são Aphelenchoides besseyi,
A. fragariae (relatado na região do Vale do Cai, no estado do Rio Grande do Sul,
em 1997) e Pratylenchus sp., que causa lesões nas raízes, podendo facilitar a pe-
netração de fungos habitantes do solo. Levantamentos acerca da presença de
nematoides em lavouras de morango no país devem ser encorajados, para ava-
liar as reais perdas e - o mais importante - evitar a disseminação para novas
áreas. A frequente importação de mudas nos últimos anos também merece uma
atenção especial, no sentido de evitar a introdução no país de outras espécies de
nematoides. A utilização de mudas sadias e a rotação de culturas são as princi-
pais medidas de manejo. A solarização do solo em pequenas áreas é importante,
principalmente se associada a adubações verdes.

16. Viroses

Os principais vírus já relatados infectando o morangueiro no Brasil estão lis-


tados na Tabela 2. Muitas vezes, as viroses ocorrem de forma não perceptível,
sendo os sintomas mais comuns o mosaico nas folhas das plantas. Informações
a respeito dos danos causados no Brasil são ainda escassas.
Para o manejo das viroses, recomenda-se a utilização de matrizes indexadas
para a formação dos viveiros.

17. Fitoplasmas

Em 2006, em lavouras localizadas no município de Santa Maria de Jetibá,


hoje o maior produtor do Espírito Santo, foi constatada a ocorrência de fitoplas-
ma na cultivar Camino Real. As plantas infectadas, apresentando uma forte filo-
dia dos aquênios, foram imediatamente erradicadas das lavouras. A identifica-
ção molecular do fitoplasma permitiu a sua classificação dentro dos grupos 16
SrI e 16 SrIII. Em 2014, o fitoplasma foi observado em uma lavoura situada em
Domingos Martins, sendo as plantas rapidamente erradicadas.

18. Manejo integrados das doenças

Visando minimizar as perdas causadas pelas doenças que ocorrem nas la-
vouras, diversas medidas de manejo devem ser adotadas de forma integrada.
Estas medidas serão discutidas a seguir e encontram-se resumidas na Tabela 2.

• Cuidados com o material propagativo


Devem ser obtidas mudas ou matrizes somente com Certificado Fitossanitá-
rio, uma vez que podem ser responsáveis pela introdução de diversos patóge-
nos. Recomenda-se muito cuidado com a aquisição de mudas de outros países,
como Chile e Argentina, pois podem trazer estruturas de resistência (oósporos e

62
clamidósporos) de patógenos ainda não presentes no país, como Phytophthora
fragariae var.fragariae e Fusarium oxysporum f.sp. fragariae. O problema se agra-
va pelo fato de que mudas doentes, muitas vezes, só apresentam os sintomas
da doença quando as condições climáticas são favoráveis ao desenvolvimento
do patógeno, como ocorre com os fungos P. cactorum, P. idaei, P. nicotianae e C.
acutatum e a bactéria Xanthomonas fragariae.
Por essa razão, o produtor pode adquirir a muda infectada, porém só de-
tectar o problema após o plantio. Portanto, é fundamental fazer uma seleção
criteriosa das mudas no viveiro, tomando cuidado especial com a sua localiza-
ção, evitando solos sujeitos à alta umidade e infestados com fungos habitantes
do solo e nematoides. A definição dos padrões de tolerância para os diferentes
patógenos associados às mudas de morangueiro, em nível nacional, está sendo
feito pelo MAPA, em conjunto com órgãos de defesa dos estados.

• Rotação de cultura
Deve ser feita por pelo menos dois anos, principalmente com plantas da fa-
mília das gramíneas (milho, sorgo e/ou capim). Deve-se evitar a utilização de
plantas da família das solanáceas, notadamente em regiões onde a murcha de
verticílio ocorre com maior incidência. É importante atentar para fungos de solo,
que geralmente ocorrem em pequenas reboleiras na fase inicial, separando es-
sas áreas para evitar a disseminação para outras partes, especialmente pelos im-
plementos agrícolas.

• Adubações com base na análise química do solo


É desejável, pois, dessa forma, se aplica somente o necessário à cultura, evi-
tando excesso ou toxidez. Isso é importante principalmente para o nitrogênio,
que normalmente favorece a ocorrência de doenças foliares e a podridão de fru-
tos, causadas por Botrytis, Colletotrichum, Geotrichum e Rhizopus. Outro agra-
vante da adubação é que, normalmente, se faz a mesma recomendação para as
diferentes cultivares, cuja demanda nutricional é variável. Por exemplo, a cultivar
Camino Real apresenta menor desenvolvimento vegetativo, enquanto que ‘Ca-
marosa’ tem um grande desenvol vimento. Portanto, mesma adubação pode re-
sultar em um excesso de nutrientes na primeira cultivar ou na falta na segunda,
o que pode predispor à maior ou menor intensidade de determinada doença.
Os teores de potássio e cálcio também devem ser constantemente monito-
rados, uma vez que o balanço desses nutrientes é importante na conservação
pós-colheita dos frutos. A adubação com cálcio deve ter uma atenção especial,
pois sua presença em níveis adequados contribui para a redução da incidência
de mofo cinzento, como observado em diversos trabalhos.

• Uso de matéria orgânica


A adição de matéria orgânica ao solo é benéfica, pois promove uma melhoria
nas suas características físico-químicas e biológicas, contribuindo para a redução
na incidência de patógenos habitantes do solo, notadamente os nematoides.

• Cuidado no preparo de canteiros


Deve-se evitar canteiros baixos (menos de 25 cm) e solos compactados e
muito argilosos, que favorecem o seu encharcamento e predispõem as plantas a
fungos de solo, especialmente a Phytophthora. Os canteiros devem ser constru-
ídos para ter sempre uma declividade de 0,2% a 0,3%, para evitar o acúmulo de
água de chuva que favorece determinados patógenos.

• Cuidado com a irrigação


Quando possível, utilizar irrigação por gotejamento. Em caso de irrigação

63
por aspersão, usar com menor frequência entre os dias (ajustar turno de rega
maior). Especial cuidado deve ser tomado nas áreas com histórico de ocorrência
da flor preta, uma vez que a irrigação por aspersão pode levar a perdas elevadas
em curtos períodos de tempo (2 a 3 dias), em condições de cultivo em campo
aberto.

• Cuidado com a densidade de plantas


Utilizar um menor número de plantas por lona (2 a 3 fileiras), possibilitando
maior arejamento e menor incidência de mofo cinzento nos frutos, tanto em
condições de campo como em pós-colheita. É importante realizar o plantio das
mudas no sentido diagonal ao longo do canteiro, ou seja, desencontradas umas
das outras entre as fileiras, principalmente para as cultivares que apresentam
grande desenvolvimento vegetativo, como a ‘Camarosa’ e ‘Ventana’.

• Uso do túnel
O uso do túnel baixo ou alto, ou mesmo o cultivo em ambiente protegido
(estufa), reduz drasticamente a ocorrência de doenças no morangueiro. O uso
do túnel baixo associado à irrigação por gotejo e à prática de retirada de mate-
riais doentes das lavouras reduziu drasticamente a necessidade de aplicação de
fungicidas para controle de doenças no estado do Espírito Santo.

• Retirada de materiais doentes da lavoura


A constante limpeza da lavoura, com a retirada das folhas secas, velhas e do-
entes, bem como dos frutos doentes nos canteiros e carreadores, contribui para
a redução significativa de frutos doentes na pós-colheita, sendo esta operação
importante para o cultivo em campo aberto.

• Uso de cobertura morta nos carreadores


O material a ser utilizado vai depender da disponibilidade na propriedade
(acículas de pinus, capim seco, palha de café ou de milho, etc.). Esta cobertura é
importante, pois, além de manter a umidade do solo entre os canteiros por mais
tempo, minimiza os respingos de solo contaminado com fungos, como Phyto-
phthora.

• Rouguing
Retirar imediatamente das lavouras as plantas murchas e mortas, particular-
mente aquelas infectadas por Sclerotinia sclerotiorum, Sclerotium rolfsii, Phyto-
phthora spp. e Colletotrichum spp. O mesmo procedimento é válido para plantas
com sintomas de fitoplasma e vírus.

• Evitar ferimentos nos frutos


Devem ser evitados, ao máximo, quaisquer ferimentos nos frutos no mo-
mento da colheita, bem como a colheita de frutos muito maduros para consumo
in natura. A colheita deve ser realizada preferencialmente no período da manhã
ou à tarde, sendo os frutos encaminhados, o mais rápido possível, para um local
arejado e fresco. Cuidados especiais devem ser observados no acondicionamen-
to dos frutos nos recipientes de colheita no campo.
É essencial a manutenção da cadeia de frio após a colheita, para assegurar
a qualidade dos frutos, notadamente quando são direcionados a mercados dis-
tantes, como o Nordeste do país. É muito importante que, nos pontos de venda,
como nos supermercados, as embalagens permaneçam em locais refrigerados,
a fim de reduzir as perdas.
Porém, um agravante é a condensação nas embalagens, que gera um am-
biente úmido, favorável à ocorrência de doenças. Deve-se efetuar periodicamen-

64
te a higienização dos materiais utilizados na colheita (baldes, caixas plásticas,
caixas de madeira, etc.), bem como da bancada onde os frutos são colocados
para posterior acondicionamento nas embalagens definitivas. Cuidados espe-
ciais devem ser observados no acondicionamento, evitando-se colocar frutos
amassados, danificados e deformados. É primordial a anotação de todos os da-
dos na caderneta de pós-colheita, desde o controle da limpeza e sanitização até
o armazenamento em câmaras e/ou contêineres.

• Controle químico
Em caso de necessidade de controle químico, utilizar somente os fungicidas
cadastrados no estado. O controle só deve ser realizado após o monitoramento
das doenças no campo e se constatada a real necessidade. O monitoramento e
uso de produtos registrados constituem uma das premissas básicas da produção
integrada. Por isso, a importância da caderneta de campo, na qual é registrado
diariamente o que está sendo feito ao longo de todo o processo de produção.
No Espírito Santo, desde 2004, tem sido feito o monitoramento dos agro-
tóxicos para verificar o nível de resíduos nos frutos. O Idaf, órgão de defesa do
estado, faz o monitoramento nas propriedades, enquanto a secretaria de saúde
monitora os supermercados, com o programa Para/Anvisa. A utilização de ca-
lendários prefixados deve ser evitada, pois a doença só ocorre quando existe
a presença do patógeno, da cultivar suscetível e de condições climáticas favo-
ráveis. Deve-se atentar para as condições climáticas que prevalecem na região,
que podem ser consultadas no site do Incaper (www.incaper.es.gov.br). O uso
da tecnologia de irrigação por gotejamento, a fertirrigação e o cultivo protegido
em túneis baixos e/ou altos reduzem drasticamente a necessidade de fungicidas
na maioria das lavouras. Dentro da visão holística da produção integrada, deve-
-se priorizar o uso de fungicidas de menor impacto ao meio ambiente.

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Tabela 1. Reação de algumas cultivares de morangueiro aos principais patógenos
observados em condições de campo, no período de 2003 a 2016, e em condições de labora-
tório e estufa do Incaper - CRDRCSERRANO. 2016

Cultivares Reação aos patógenos

Colletotrichum Verticillium Xanthomonas Botrytis Mycosphaerella Pestalotiopsis Oidium


acutatum dahliae fragariae cinerea fragariae longisetula sp.
Camarosa S¹ S S S S S S
Toyonoka AS S S S S S S
Festival S S S S S S S
Oso Grande S S S S S S S
Dover AS S S S AS R S
Aleluia AS S S S S S S
Campinas AS S S S S S S
Milsei-Tudla S S S S MR S MR
Sweet
MR S S AS MR S S
Charlie
Ventana S S S S MR S S
Camino
S MR S AS MR S MR
Real
Albion S MR S S S S MR
Aromas S S S S AS S S
Diamante S S S S AS S S
Seascape S S S S S S MR
Portola S S S S S S S
Monterrey S S S S S S S
San An-
S MR S S S S S
dreas
¹AS –Altamente suscetível; S –Suscetível; MR –Moderadamente resistente

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Tabela 2 . Doenças do morangueiro, patógenos, condições favoráveis e
táticas de manejo

Reação aos patógenos


Doença Medidas de
Manejo
Condições
Etiologia Sobrevivência Disseminação
favoráveis
Fungos
Temperatura 19- Mudas sadias;
23ºC; Rotação de culturas
Chuvas (2 anos);
Mudas
Restos prolongadas Evitar irrigação por
infectadas;
Colletotrichum culturais; e excesso de aspersão;
Flor preta acutatum Respingos irrigação;
Hospedeiros Cultivo em túneis;
de chuva e
alternativos. Excesso de Cultivares
irrigação.
nitrogênio; resistentes;
Alta umidade Fungicidas após
relativa. monitoramento.

Mudas sadias;
Mudas Cultivares
Temperatura 22-
infectadas; resistentes;
26ºC;
Respingos Rotação de culturas
Mancha de Mycosphaerella Alta umidade
Restos de chuva e (2 anos);
micosferela fragariae relativa;
culturais. irrigação; Fungicidas após
Excesso de
Vento. monitoramento;
nitrogênio.
Evitar irrigação por
aspersão.

Mudas sadias;
Cultivares
Mudas resistentes;
Temperatura 20-
infectadas;
25ºC; Rotação de culturas
Mancha de Respingos
Gnomonia Restos Alta umidade (2 anos);
gnomonia de chuva e
comari culturais. relativa Fungicidas após
irrigação.
monitoramento;
Evitar irrigação por
aspersão.

Mudas sadias;
Cultivares resis-
tentes;
Mudas infecta-
Rotação de culturas
das;
Temperatura 21º (2 anos);
Mancha de Pestalotiopsis Respingos de - 25ºC;
Restos Evitar irrigação por
pestalotiopsis longisetula chuva e irriga-
culturais. Alta umidade aspersão;
ção;
relativa. Evitar estresse nas
Vento.
plantas;
Fungicidas após
monitoramento.

Temperatura 24- Mudas sadias;


Mudas infecta- 28ºC; Rotação de culturas
das;
Mancha de Dendrophoma Alta umidade (2 anos);
dendrofoma obscurans Restos Respingos de relativa; Fungicidas após
culturais. chuva e irriga-
Excesso de ni- monitoramento;
ção.
trogênio. Evitar irrigação por
aspersão.

67
Patógeno
Doença Medidas de
Manejo
Condições
Etiologia Sobrevivência Disseminação
favoráveis
Fungos
Temperatura 20-
30ºC; Mudas sadias;
Mudas
infectadas; Baixa umidade Fungicidas e/
relativa; ou caldas após
Oídio Oidium sp. Restos culturais. Cultivo
monitoramento;
protegido; Baixa
luminosidade; Cultivares
Vento.
resistentes.
Cultivo em túneis.
Mudas sadias;
Mudas Temperatura 24-
infectadas; 28ºC; Rotação de culturas
(2 anos);
Mancha de Diplocarpon Respingos Alta umidade
Restos culturais. Fungicidas após
diplocarpon earlianum de chuva e relativa;
irrigação; monitoramento;
Excesso de
Vento. Evitar irrigação por
nitrogênio.
aspersão.
Mudas sadias;
Temperatura 21- Rotação de culturas
Implementos 24ºC;
agrícolas; (> 3 anos) com
pH do solo 6,5 gramíneas (ex.:
Microescleródios; Água de
Murcha de Verticillium - 7,0; milho);
Restos culturais irrigação e
verticílio dahliae Estresse hídrico; Cultivares
(contaminados). chuva;
Solos com baixo resistentes;
Mudas
infectadas. teor de matéria Solarização e
orgânica. biofumigação em
reboleiras.
Temperatura 16-
Água de irriga- 22ºC
Mudas sadias;
Escleródios; ção e chuva; Alta umidade do
solo; Rotação de culturas
Murcha de Sclerotinia Restos culturais; Implementos
(milho, sorgo);
esclerotinia sclerotiorum Hospedeiros agrícolas; Alta densidade de
plantas; Roguing das plantas
alternativos. Mudas infecta-
infectadas.
das. Excesso de ni-
trogênio.
Temperatura 20-
Água de irriga- 24ºC;
Escleródios; ção e chuva; Alta umidade do Mudas sadias;
Murcha de Sclerotium Restos culturais; Implementos solo; Rotação de culturas;
esclerócio rolfsii Hospedeiros agrícolas; Excesso de ni- Roguing das plantas
alternativos. Mudas infecta- trogênio; infectadas.
das. Solos muito culti-
vados.
Temperatura 16-
Mudas sadias;
22ºC;
Água de irriga- Rotação de culturas;
Alta umidade do
ção e chuva; Canteiros altos e
Clamidósporos; solo;
Murcha de Phytophthora Implementos com declividade;
Oósporos; Solos compacta-
fitóftora cactorum agrícolas; . Roguing das plan-
Restos culturais. dos;
Mudas infecta- tas infectadas;
Excesso de ni-
das. Evitar solos muito
trogênio;
argilosos.
Canteiros baixos.

68
Patógeno
Doença
Medidas de Manejo
Condições
Etiologia Sobrevivência Disseminação
favoráveis
Fungos
Temperatura 21- Mudas sadias;
27ºC; Rotação de culturas (>
Antrac- Restos culturais;
Colletotrichum Mudas Excesso de 2 anos);
nose do Hospedeiros
fragariae infectadas; irrigação; Evitar irrigação por
rizoma alternativos.
Excesso de aspersão;
nitrogênio. Cultivares resistentes.
Temperatura
variável em
função do fungo; Mudas sadias;
Água de
irrigação e Alta umidade do Rotação de culturas (2
Pythium sp. Oósporos; anos);
chuva; solo;
Podridão Fusarium sp. Clamidósporos; Evitar solos muito
Implementos Solos
das raízes Phytophora sp. Escleródios; compactados;
agrícolas; compactados;
Rhizoctonia sp. Restos culturais. Mudas Excesso de Evitar estresse nas
infectadas. nitrogênio; mudas no momento
do transporte.
Estresse hídrico e
canteiros baixos.

FUNGOS EM PÓS-COLHEITA

Rotação de culturas;
Adubação equilibrada
(K, Ca);
Irrigação por goteja-
P.nicotianae mento;
Temperatura
P.idaei variável em fun- Remoção de folhas e
Botrytis cinerea ção do fungo; frutos doentes;
Colletotrichum spp. Ferimentos nos Limpeza dos canteiros;
Rhizopus stolonifer frutos; Cobertura morta nos
S. sclerotiorum Clamidósporos; Alta umidade carreadores;
relativa (>90%);
Geotrichum sp Oósporos; Água de irriga- Limpeza diária do
Excesso de ni- material utilizado na
Pestalotiopsis Escleródios; ção e chuva
Podridão trogênio; colheita;
longisetula (respingos);
dos frutos Restos culturais; Excesso de plan-
Mudas infecta- Evitar colher frutos
Rhizoctonia sp. Hospedeiros tas nos canteiros;
das. muito maduros;
Mucor sp. alternativos. Frutos muito Resfriamento rápido
Gnomonia comari maduros; dos frutos;
Pilidium concavum Tipo de embala- Evitar ferimentos nos
(=Hainesia lythri) gem; frutos e colher pela
Neofusiccocum spp. Armazenamento manhã ou à tardinha;
Cilyndrocladium em locais de altas Evitar espaçamen-
temperaturas. tos pequenos entre
Leveduras
as plantas –maior
arejamento à cultura;
Cultivo em túneis;
Controle biológico.

69
Patógeno
Doença Medidas de
Manejo
Condições
Etiologia Sobrevivência Disseminação
favoráveis
BACTÉRIA
Temperatura 18- Mudas sadias;
Mudas 22ºC; Rotação de culturas
infectadas;
Mancha Xanthomonas Alta umidade (2 anos);
Restos culturais. Respingos
angular fragariae relativa; Evitar irrigação por
de chuva e
Excesso de aspersão;
irrigação.
nitrogênio. Cultivo em túneis.
FITOPLASMA
Mudas sadias e
Mudas; indexadas;
Grupos: Temperaturas
Fitoplasma Hospedeiros Cigarrinhas Roguing imediato
16 SrI e 16SrIII mais altas.
alternativos. das plantas
infectadas.
NEMATOIDES
Mudas sadias;
Rotação de culturas;
Uso de plantas
Mudas doentes; Temperatura antagônicas (ex.:
Meloidogyne sp. Solo;
Água de irriga- variável em fun- crotalária, mucuna,
Pratylenchus sp. Mudas; ção do nema- tagetes);
Nematoides ção e chuva;
Aphelenchoides Hospedeiros toide;
sp. Implementos Solarização e maté-
alternativos. Solos arenosos. ria orgânica;
agrícolas.
Alqueive;
Cultivares resis-
tentes.
VÍRUS
Strawberry mild
yellow edge
associated virus
Strawberry mild Mudas sadias e
yellow edge virus Mudas infecta- Tempera-
Mudas; indexadas;
das; tura variável em
Viroses Strawberry crinkle Hospedeiros Roguing imediato
Afídeos função do vírus
virus alternativos. das plantas
(pulgões). envolvido.
Strawberry mottle infectadas.
virus
Strawberry vein
banding virus

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