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1) O documento apresenta a história da chegada do Escotismo ao Brasil e dos primeiros 90 anos da União dos Escoteiros do Brasil (UEB). 2) É dividido em 25 capítulos que abordam os primeiros grupos escoteiros, a criação da UEB, marcos ao longo de sua história e aspectos como uniformes, classes, condecorações e participação internacional. 3) O autor destaca os desafios em compilar a história devido à falta de registros formais e imprecisões em relatos, mas buscou citar fontes

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1) O documento apresenta a história da chegada do Escotismo ao Brasil e dos primeiros 90 anos da União dos Escoteiros do Brasil (UEB). 2) É dividido em 25 capítulos que abordam os primeiros grupos escoteiros, a criação da UEB, marcos ao longo de sua história e aspectos como uniformes, classes, condecorações e participação internacional. 3) O autor destaca os desafios em compilar a história devido à falta de registros formais e imprecisões em relatos, mas buscou citar fontes

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A UNIÃO

A história da chegada do Escotismo ao Brasil e dos 90 anos da UEB

Antonio Boulanger

Revisão: Rita Luppi

Diagramação: Raphael Luis K.

Capa: Raphael Luis K.


(sobre gravura utilizada na Revista Tico-Tico de 1924)
Dedicatória

Para Leticia e Flavia.


Sumário

Agradecimentos ........................................................................................................................ 7

Apresentação ............................................................................................................................. 8

Prefácio do Autor ..................................................................................................................... 9

Capítulo 1: A chegada do Escotismo ao Brasil ................................................................................. 15

Capítulo 2: O período pré-UEB: os primeiros grupos e associações .............................................. 23

Capítulo 3: A primeira associação escoteira - ABE .......................................................................... 79

Capítulo 4: A criação da UEB ........................................................................................................... 95

Capítulo 5: A linha do tempo da UEB 1924 - 2014 ..................................................................... 111

Capítulo 6: O surgimento do Ramo Lobinho no Brasil ................................................................. 349

Capítulo 7: O surgimento do Ramo Sênior no Brasil .................................................................... 353

Capítulo 8: O surgimento do Ramo Pioneiro no Brasil ................................................................. 357

Capítulo 9: Escotismo do Mar no Brasil ......................................................................................... 367

Capítulo 10: Escotismo do Ar no Brasil ......................................................................................... 385

Capítulo 11: A participação feminina no Escotismo Brasileiro .................................................... 391

Capítulo 12: Atividades internacionais realizadas no Brasil ....................................................... 407

Capítulo 13: Atividades nacionais ................................................................................................... 423


Capítulo 14: Participação brasileira em Jamborees Mundiais ..................................................... 463

Capítulo 15: Classes, especialidades e distintivos ........................................................................... 479

Capítulo 16: Condecorações Escoteiras ............................................................................................ 539

Capítulo 17: Uniformes no Escotismo brasileiro ............................................................................ 555

Capítulo 18: Caio Viana Martins - O desastre da mantiqueira ................................................... 609

Capítulo 19: Os presidentes da União dos Escoteiros do Brasil .................................................... 615

Capítulo 20: Os Escoteiros Chefe da UEB ..................................................................................... 637

Capítulo 21: Comissários Nacionais ............................................................................................... 653

Capítulo 22: Escoteiros da Pátria ................................................................................................... 659

Capítulo 23: Insígnia de Madeira ................................................................................................... 813

Capítulo 24: Tapir de Prata ............................................................................................................ 935

Capítulo 25: Censos da UEB ........................................................................................................... 953

Sobre o autor ........................................................................................................................ 965


Agradecimentos

Amilcar Suárez Rodrigues, André Spina, Antonio Carlos Hoff, Antonio Cesar Oliveira,
Braúlio Silva, Carlos Alberto Nascimento, Daniel Souza, Dora Sodré, Estêvão Salles,
Fernando de Siqueira Barros, Fred Neves, Henrique Reinhart, Ivan Alves Nascimento,
Ivanildo de Figueiredo Andrade de Oliveira Filho, Leticia Beatriz Fernandes Ribeiro, Luiz
Carlos Gabriel, Luiz Fernando Vendramini, Maria Pérola Sodré, Mariana Hellen da Silva de
Oliveira, Marcos Augusto Castro Silva, Marcos Ramacciato Duarte, Maurício Moutinho da
Silva, Oscar Victor Palmquist Arias, Paulo Henrique Maciel Barbosa, Rafael Luiz Ferreira,
Roberto Basso, Roberto Ricardo Pereira de Souza, Rubem Suffert, Sonia Maria Gonçalves
Jorge, Wilma Schiefferdecker.

Grupos Escoteiros: 1º RS GE Georg Black-1913, 1º MG GE Aimorés.

Instituições: Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, Biblioteca da Marinha, Biblioteca


Nacional, Centro Cultural do Movimento Escoteiro, União dos Escoteiros do Brasil –
Escritório Nacional, União dos Escoteiros do Brasil – Região Escoteira de São Paulo.

Jornais e revistas: A Imprensa, A Pacotilha, A Noite, A Voz do Mar, Ajuri, Alerta!, Boletim do
Instrutor Católico, Correio da Manhã, Diário Carioca, Escotista Gaúcho, O Estado de São Paulo,
Expresso Escoteiro, Gazeta de Notícias, Illustração Brazileira, Jamboree, Jornal do Brasil, Jornal
do Commercio, Jornal Pequeno, O Escoteiro, O Globo, O Paiz, Revista da Semana, São Paulo
Escotismo, Sempre Alerta, Vamos Ler, Vida Sportiva, Tico-Tico.

Fotografias: O autor, quando conhecido, foi citado.

7
Apresentação

Registrar a história de um povo é preservar e consolidar sua cultura, suas raízes e,


principalmente, sua identidade.
A história estuda a vida do homem através do tempo. Ela investiga o que os homens
fizeram, pensaram e sentiram enquanto seres sociais. O conhecimento da história nos auxilia
na compreensão do homem como ser que constrói seu tempo.
Ao estudar a história nos deparamos com o que os homens foram e fizeram, e isso nos
ajuda a compreender o que podemos ser e fazer.
Por sua vez, relembrar as origens de uma instituição é (re)percorrer sua trajetória,
as dificuldades encontradas, seus desafios, encontros e desencontros. Neste ano de 2014 a
União dos Escoteiros do Brasil está completando 90 anos de fundação.
Fruto da iniciativa de diversas associações que praticavam o Escotismo em nosso país
e que perceberam a importância da convergência de esforços para que, já naquele tempo, se
pudesse oferecer à nossa juventude a prática de uma atividade efetivamente impactante em
suas vidas e, igualmente, motivados pelo fundador Baden-Powell, ainda no início do século
passado nascia a União dos Escoteiros do Brasil.
Convictos da importância de registrarmos esta trajetória, e sabedores do
comprometimento e amor pela causa do autor da obra agora apresentada, nos impelimos
a construir a ideia da redação de um livro que pudesse, ao mesmo tempo, marcar esta
importante data e servir como referência aos que ajudaram a forjar esta história para uma
jornada que prossegue sempre crescente.
Como era esperado e na esteira de suas anteriores produções, o companheiro
Boulanger nos brinda com uma obra cheia de detalhes, ricamente ilustrativa deste período e
capaz de trazer sentimentos nostálgicos e despertar, simultaneamente, a vontade de que os
anos que se aproximam sejam mais apaixonantes e de sucesso institucional.
Aproveite a leitura. Viaje pelo tempo, deixando-se levar pela memória daqueles fatos
que porventura tenha protagonizado, vivido ou, simplesmente “ouvido falar”.
Deixe-se embalar pelos momentos que fizeram a história da UNIÃO DOS
ESCOTEIROS DO BRASIL.

Boa leitura!

Marco Aurélio Romeu Fernandes

8
Prefácio do Autor

Não foi nada fácil escrever a história do início do Escotismo no Brasil e dos primeiros
90 anos da UEB. Faltam registros, relatórios e documentos escritos. Muitos que os possuíam
não viram seu desaparecimento em mãos de seus descendentes e sucessores. Aqueles que
vivenciaram os primórdios do Escotismo não foram, em muitas situações, precisos com fatos
e datas que informam em suas narrativas históricas. Enfim, é árdua a missão do historiador
da UEB.
Mesmo o que já foi escrito nem sempre é preciso. Ao pesquisador cabe checar e
rechecar, o que nem sempre é possível. Há os vaidosos que exageraram nas suas façanhas.
Há os humildes, que não as registraram devidamente. Há ainda aqueles que escreveram
sem grandes cuidados com os fatos e datas. Este trabalho não é perfeito nem completo. Há
lacunas. Procurei citar as fontes e referências de todas as informações divulgadas. Agradeço
o envio de informações que possam vir a aperfeiçoar este livro para futuras edições.
A história da UEB é muito interessante. Ela passou por grandes dificuldades, ficou
acéfala em várias ocasiões, em outras foi dirigida por vice-presidentes, chegou a ter um
presidente que nunca compareceu a uma reunião de diretoria. Somente após 1950, quando
a Assembleia Nacional decidiu pela unificação e extinção das federações é que ela realmente
assumiu o papel de coordenadora do Escotismo em nosso país.
Nos tempos atuais há algumas organizações que afirmam praticar Escotismo no
Brasil e que não são filiadas à UEB. Não as abordaremos neste trabalho, pois foge ao nosso
escopo.
Na década de 1910 a 1920, o Escotismo chegou ao Brasil através de suboficiais da
Marinha que foram acompanhar a construção de navios da esquadra na Inglaterra. Lá,
tomaram conhecimento do novo movimento juvenil criado pelo famoso general Baden-
Powell e decidiram trazê-lo para o nosso país. Em 1910, criaram, no Rio de Janeiro, o Centro
de Boy Scouts do Brasil. Diversas outras iniciativas isoladas surgiram. Uma organização
fundada em São Paulo em 1914, a Associação Brasileira de Escoteiros, pretendeu ser a
instituição de porte nacional, sem sucesso. Logo, começou-se a pensar em uma instituição
sediada na capital da República, que coordenasse o Escotismo em todo o Brasil.
A década de 1920 viu o surgimento da UEB, cujo primeiro presidente foi nada menos
do que o ministro da Justiça em pleno exercício do cargo, Affonso Penna Júnior. A década
culminou com a participação de 60 brasileiros no Jamboree Mundial de 1929 em uma
delegação extremamente bem organizada, chefiada por um ilustre pedagogo que, após o

9
retorno ao Brasil, viria a presidir a UEB: Ignácio Manoel Azevedo do Amaral. Somente 22
anos depois outros brasileiros participariam de um Jamboree Mundial.
A crise econômica mundial de 1929 foi apenas um prenúncio dos tempos difíceis na
década de 1930, altamente tumultuada na história do Brasil. Com as revoluções de 1930
e 1932, as intentonas de 1935 e 1937, o crescimento dos movimentos fascista, nazista e
comunista, e o surgimento do integralismo, a UEB enfrentou grandes problemas, perdeu
a sede e recursos financeiros, apoio público e recursos humanos, pois parte de seus chefes
aderiu a esses movimentos sociais. Outra parte significativa de seus dirigentes preferia
dedicar-se às suas próprias federações. Um integralista, o general Newton Cavalcanti, de
grande prestígio no governo Vargas, foi eleito para a presidência da UEB com apoio de
todos os grandes nomes do Escotismo brasileiro; felizmente, não chegou a tomar posse.
Bonifácio Antonio Borba exerceu, interinamente, a presidência da UEB em dois períodos
turbulentos, conseguindo realizar mudanças estatutárias e manter a instituição viva.
No início da década de 1940, mais um grande perigo surgiu com a criação da Juventude
Brasileira, pela qual a UEB seria incorporada e absorvida. Graças a manobras e apoios
decisivos, a UEB conseguiu manter sua integridade. Após a tempestade veio a bonança, e
essa década viu certa consolidação da UEB e o crescimento do sentimento de unificação e
extinção das federações em prol de uma instituição única, otimizando recursos materiais e
humanos. Esta unificação, uma verdadeira batalha nos bastidores, levou vários anos para ser
efetivada, e somente seria concretizada em 1950. Por outro lado, nessa década, pela primeira
e única vez em sua história, a UEB cassou o mandato de um presidente, o general Heitor
Augusto Borges. O general era um entusiasta defensor da unificação, porém, suas atitudes
extremadas levaram seus pares a, eufemisticamente, declarar findo seu mandato; entretanto,
anos depois, seu trabalho foi reconhecido e ele recebeu o Tapir de Prata. Outro grande
marco da década foi a implantação do Ramo Sênior no Escotismo brasileiro, que teve como
grande mentor João Ribeiro dos Santos.
Uma vez aprovada a unificação e a correspondente extinção das federações, com a
única exceção da Federação Brasileira de Escoteiros do Ar – que não apenas foi contra a
unificação como também entrou na Justiça para defender seus interesses e, mesmo derrotada,
continuou independente até 1957–, a UEB entrou em nova fase organizacional na qual se
destacam os nomes de dois escotistas oriundos do Escotismo do Mar e que exerceram a
função de comissário nacional e escoteiro-chefe entre 1950 e 1962: Gelmirez de Mello e José
de Araújo Filho. A década de 1950 se caracteriza pela consolidação da UEB numa estrutura
híbrida de confederação e união, sendo as duas e ao mesmo tempo nenhuma das duas. Para
conseguir a unificação, seus idealizadores tiveram que abrir mão do modelo desejado e aceitar
a criação das Regiões Escoteiras, correspondentes aos estados da Federação, em substituição
às federações estaduais. Tentou-se diminuir o poder das regiões com a criação dos Distritos
Escoteiros, mas, a bem da verdade, estes jamais foram implantados de fato no Escotismo

10
brasileiro. Foi realizada a primeira atividade internacional no Brasil, o Acampamento
Internacional de Patrulhas, em São Paulo, em 1954, comemorando o quarto centenário de
fundação da capital paulista.
Apesar da unificação, o Escotismo brasileiro não conseguiu crescer como desejado
nas décadas seguintes. Persistiam os problemas financeiros; as regiões não pagavam suas
cotas à UEB, e a instituição continuava a depender, como até então, de verbas e subsídios
governamentais.
A inauguração de Brasília, em 1960, exigiu alteração estatutária na UEB, pois os
Estatutos determinavam que sua sede deveria ser na capital da República e ela continuou a
ser no Rio de Janeiro. A década de 1960 não viu nada de novo. O grande acontecimento foi a
realização do I Jamboree Pan-Americano, em comemoração ao quarto centenário da cidade
do Rio de Janeiro. O evento, organizado pela Região da Guanabara, e que foi a primeira
grande atividade internacional realizada no Brasil, com mais de 3.500 participantes, deixou
grandes lembranças para todos e grandes dívidas para a região organizadora.
Os anos 70 viram a transferência da sede nacional para Brasília. Fruto do esforço de
alguns abnegados e com promessas de apoios governamentais que não se concretizaram, a
sede foi transferida em 1974. Se financeiramente a vida da organização não mudou muito,
por outro lado, novas lideranças impulsionaram o desenvolvimento e crescimento do
Escotismo brasileiro. Destacam-se, nesse período brasiliense, as figuras de Rubem Suffert
e Guido Mondim, o primeiro deles um incansável trabalhador pelo Movimento Escoteiro.
Sob sua liderança a UEB passa a realizar eventos tais como Indabas Nacionais, atividades
para Ramos e Modalidades, alterações no programa, seminários, encontros, e fortalecimento
da capacitação de adultos, área na qual o grande motor foi, sem dúvida, o escotista André
Pereira Leite.
Os anos 80 viram a implantação e consagração da coeducação na UEB. Após várias
tentativas infrutíferas de fusão ou união com a Federação das Bandeirantes do Brasil, a
UEB decidiu investir na coeducação, assim como fez a FBB, mas conseguiu resultados
bem superiores aos dela. O processo foi lento, estudado e bem acompanhado, e obteve sua
consagração na década de 1990, com a possibilidade das tropas mistas nos Ramos Escoteiro
e Sênior.
Entretanto, a falta de renovação nos quadros nacionais levou a um esgotamento do
modelo centralizador e o final dos anos 80 e início dos anos 90 caracterizou-se pelo desgaste
e acirramento de ânimos. Dois fatos contribuíram enormemente para a crise de 1993: a
criação e implantação do traje escoteiro em 1991/1992 e a reforma estatutária de 1992/1993.
O traje escoteiro, que substituiria todos os uniformes em vigor na UEB, incluindo os
das modalidades Ar e Mar, foi criado e implantado de maneira tecnicamente correta, porém,
desrespeitando pesquisas efetuadas e as modalidades minoritárias.
O desgaste do grupo de Brasília se acentuava, e, em 1993, pressionada por uma
reforma estatutária mal conduzida, a diretoria nacional renunciou coletivamente. A nova
estrutura, entretanto, não funcionou adequadamente, e a UEB entrou em fase de grande

11
declínio técnico e administrativo, da qual somente se reergueria vários anos depois. A
renúncia da CENA implicou em aceleração da implantação de grandes mudanças na UEB.
Os anos que se seguiram viram alterações estatutárias frequentes, extinção de órgãos
nacionais como a Comissão Nacional de Orientação e Coordenação e a Equipe Nacional de
Adestramento, mudanças mal implementadas no sistema de registro anual dos associados,
concessão de autonomia exagerada aos Grupos Escoteiros e Regiões Escoteiras, apoio a
políticas internacionais que pouco trouxeram de positivo à UEB etc. O resultado logo se
fez notar: o efetivo registrado nacional caiu de 74.508 membros em 1991 para 57.472 em
1997. Entre 1998 e 2006, o número de registrados oscilou até atingir 56.130 em 2006,
quando então voltou a crescer de maneira consistente e regular até 2013, quando atingiu
83.526 membros registrados. Nesse período, no início da década de 2000, foi implantada
grande alteração no Programa Escoteiro, chamada de Programa de Jovens, uma boa ideia
mal implementada, que gerou confusões na vida das seções escoteiras. Em poucos anos, o
programa teve que ser revisto. A capacitação de adultos também voltou a ser centralizada, e
foram criadas comissões para modalidades e diversas áreas.
Hoje, em 2014, aos 90 anos de idade, a UEB vive momento de crescimento de efetivo,
atingindo número de associados superior a todos os períodos anteriores. Contribuiu para
este resultado a atenção que passou a ser dada a jovens carentes, isentos da taxa de registro,
que em 2013 constituem 16 % do efetivo nacional. Outro grande fator é a coeducação que,
iniciada nos anos 80, responde hoje por cerca de 35% do efetivo nacional.
Este livro está estruturado em 25 capítulos, que podem ser lidos sequencialmente
ou independentemente. Alguns fatos serão, portanto, repetidos, para que tal independência
possa ser observada. Preferimos assim, para evitar que aqueles interessados em temas
específicos sejam obrigados a procurá-los ano a ano.

No Capítulo 1, abordaremos a chegada do Escotismo ao Brasil, através de pessoal da


Marinha de Guerra que foi a Inglaterra acompanhar a construção de navios para a
esquadra e que, tendo tomado conhecimento do novo Movimento juvenil lá surgido,
decidiram trazê-lo e implantá-lo aqui ao retornarem ao Brasil.

O Capítulo 2 aborda o período pré-UEB, de 1912 a 1923, citando as diversas


iniciativas de abertura dos primeiros grupos escoteiros e federações que surgiram
em diversos estados do Brasil.

O Capítulo 3 é dedicado à Associação Brasileira de Escoteiros (ABE), a primeira


federação fundada no Brasil e que pretendia ser a responsável pelo movimento em
nosso país. Infelizmente, apesar de influenciar e apoiar a abertura de vários grupos
escoteiros fora da cidade e do Estado de São Paulo, a ABE não conseguiu se firmar
nacionalmente e nem mesmo no Estado de São Paulo, onde enfrentou a concorrência
do Escotismo nas escolas e de outras associações independentes. Não aprofundamos

12
muito o tema, pois há vários outros pesquisadores atuando neste assunto específico
e que publicarão trabalhos em 2014 em comemoração ao centenário de fundação da
ABE.

No Capítulo 4, estudamos a criação da UEB, que resultou, basicamente, dos esforços


de dois grandes homens: Benjamin de Almeida Sodré, pelos Escoteiros do Mar, e João
Evangelista Peixoto Fortuna, pelos Escoteiros Católicos. Sodré e Fortuna chegavam
a trocar cartas quase que diariamente para planejar a criação da UEB, a qual os
Católicos cederam seu reconhecimento internacional.

O Capítulo 5 contém a linha do tempo da UEB, no qual, ano a ano, de 1924 a 2013,
apresentamos os principais fatos e realizações relacionados à UEB; tais como as
eleições de diretoria, atividades, problemas enfrentados e marcos da sua história.

Nos Capítulos 6, 7 e 8 analisamos o surgimento dos Ramos Lobinho, Sênior e


Pioneiro no Brasil. O Ramo Escoteiro não foi contemplado, posto que surgiu com o
próprio Movimento.

O Capítulo 9 conta a fundação do Escotismo do Mar. Se o Escotismo chegou ao Brasil


através da Marinha, podemos afirmar que o Escotismo do Mar é uma criação da
Marinha, fruto da missão do cruzador auxiliar José Bonifácio pela nossa costa.

No Capítulo 10, vemos o surgimento do Escotismo do Ar, até a sua absorção pela
UEB.

O Capítulo 11 narra a participação feminina no Escotismo brasileiro, a história das


escoteiras e das bandeirantes, e a implantação da coeducação de forma definitiva e
irreversível na UEB.

No Capítulo 12, são apresentados pequenos históricos sobre as atividades


internacionais realizadas em nosso país.

No Capítulo 13, abordamos as atividades nacionais.

O Capítulo 14 narra a participação brasileira nos Jamborees Mundiais.

O Capítulo 15 aborda a evolução dos distintivos de classe e especialidades.

As condecorações escoteiras são estudadas no Capítulo 16.

13
No Capítulo 17 são apresentados os uniformes escoteiros, dos primórdios aos dias
atuais.

O Capítulo 18 conta a história de Caio Viana Martins, escoteiro símbolo do Brasil.

O Capítulo 19 relaciona os presidentes da UEB, com as respectivas minibiografias.

Já no Capítulo 20, apresentamos os escotistas que exerceram a função de Escoteiro-


Chefe ou similar, desde os primórdios da UEB.

No Capítulo 21 relacionamos os comissários nacionais de Ramos, Assuntos e


Modalidades.

O Capítulo 22 lista os Escoteiros da Pátria desde 1921.

O Capítulo 23 relaciona os escotistas que conquistaram a Insígnia de Madeira, desde


1924.

No Capítulo 24 são relacionados aqueles que receberam o Tapir de Prata, a


condecoração máxima da UEB.

Finalmente, no Capítulo 25, apresentaremos os censos da UEB, com os respectivos


efetivos nacionais.

Muitos tópicos ficaram de fora deste livro por uma questão de tempo. Esperamos
ampliá-lo em edições futuras. Agradeço antecipadamente a quem puder enviar informações
complementares e que venham a enriquecer a história do Escotismo brasileiro.

Rio de Janeiro, 1º de agosto de 2014

Antonio Boulanger Uchoa Ribeiro


IM Sênior
Vice-Presidente do CCME

14
Capítulo 1
A chegada do Escotismo ao Brasil

O programa de construção naval idealizado pelo almirante Júlio César de Noronha,


ministro da Marinha (1902-1906), posteriormente alterado pelo seu sucessor, ministro
almirante Alexandrino Faria de Alencar (1906-1910), estava em pleno andamento nos
primeiros anos do século XX, na Inglaterra. Um grupo de oficiais e praças da Marinha
acompanhava a construção dos navios para se familiarizarem com os equipamentos. Vivendo
na Inglaterra, eles logo tomaram conhecimento do movimento juvenil que surgiu por
inciativa de um ídolo britânico da época, o general Robert Stephenson Smyth Baden-Powell.

O Encouraçado Minas Gerais, um dos navios construídos na Inglaterra


(foto: Serviço de Documentação da Marinha).

O então tenente Eduardo Henrique Weaver, que havia se apresentado em 13 de julho


de 1907 na Comissão Naval do Brasil na Inglaterra, sediada em Newcastle, entusiasmou-
se pelo movimento, julgando útil trazê-lo para o Brasil. Instado a escrever sobre a matéria
pelo patrício doutor Manoel Bomfim1, que se encontrava em missão de estudos pedagógicos
na Europa, passou a estudar o assunto. Na tentativa de traduzir o termo scout, adotado por
Baden-Powell, empregou o verbo escrutar, que deriva do latim scrutare, e grafou a palavra
“scrutar”. Bons dicionários registram seu significado como “sondar, examinar a fundo os
corações, e consciência; pressentir, fazer o possível para entrar no perfeito conhecimento
das coisas; procurar descobrir o que é oculto, encoberto; investigar, indagar”. A primeira
tentativa de traduzir o termo scout para nossa língua teve a preocupação de preservar as
duas primeiras letras idênticas às da palavra inglesa2.

15
O artigo do tenente Weaver foi a primeira alusão ao Escotismo que se tem notícia
no Brasil. O trabalho foi publicado no dia 1º de dezembro de 1909, no número 13 da revista
A IIlustração Brazileira, editada na cidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, e com
circulação nacional. A reportagem tinha o título “Scouts e a Arte de Scrutar”; ocupava três
páginas e apresentava sete fotografias, uma delas do primeiro acampamento escoteiro em
Brownsea.

O primeiro artigo sobre Escotismo publicado no Brasil, na revista A Illustração Brazileira,


número 13, dezembro de 1909.

Diversos outros brasileiros que acompanhavam a construção dos navios se


entusiasmaram com o novo movimento juvenil; entre eles encontrava-se o suboficial José
Affonso Severino Drumond3, que após tomar conhecimento das ideias de Baden-Powell
filiou-se ao movimento e convidou outros colegas para conhecê-las e fundar no Brasil, após o
regresso, um centro que propugnasse pelo Escotismo. Drumond e Amélio Azevedo Marques
inscreveram seus filhos Octávio Republicano Drumond e Aurélio Azevedo Marques4 em um
dos Grupos Escoteiros locais na Inglaterra. Assim, os jovens Octávio Republicano Drumond
e Aurélio Azevedo Marques foram os primeiros escoteiros brasileiros ou, mais precisamente,
os primeiros boy scouts brasileiros5,6.

16
Amélio Azevedo Marques e José Affonso Severino Drumond, dois dos introdutores do
Escotismo no Brasil em 1910.

Os suboficiais do Encouraçado “Minas Gerais” trouxeram para o Brasil uniformes


e acessórios escoteiros adquiridos na Inglaterra ao custo de 30 libras esterlinas7. O navio
chegou ao Brasil em 17 de abril de 1910 e o grupo tomou providências para a organização
da primeira associação escoteira em nosso país. Eles se reuniram em várias oportunidades
numa casa na rua do Chichorro, 13, bairro do Catumbi, Rio de Janeiro, e elaboraram o
primeiro estatuto da instituição, que seria chamada de Centro de Boys Scouts do Brasil, cuja
ata de fundação foi assinada em 14 de junho de 1910.

Casa número 13 da rua do Chichorro, no bairro do Catumbi, Rio de Janeiro.

17
Os fundadores avisaram os jornais e comunicaram a instalação da entidade. O jornal
A Imprensa publicou, em 19 de junho de 1910, o seguinte texto:

CENTRO DE BOYS SCOUTS DO BRASIL

Desse Centro, com sede provisória à rua do Chichorro, no 13, Catumbi, recebemos a
seguinte circular:

‘Secretaria, 14 de junho de 1910. Ilmo. Sr. Redator. À imprensa dessa capital, brilhante e
poderoso fator de progresso, campeã de todas as ideias nobres, vem o Centro de Boys Scouts do Brasil
solicitar o auxílio de sua boa vontade, o esteio que necessita para que em todos os lares brasileiros
penetre o conhecimento de quanto à Pátria pode ser útil a instrução dos boy scouts.
Criou a Inglaterra essa patriótica legião e com vistas dos admiráveis resultados obtidos,
apressaram-se a seguir-lhes o exemplo as mais adiantadas nações da Europa; na Alemanha os boys
scouts já são uma pujante realidade; na França, Itália, na Holanda, na Suécia e na Noruega estão
atualmente em formação centros idênticos e em todos esses países eles se acham ou sob a ação direta dos
poderes públicos, ou são por eles auxiliados, prova exuberante de utilidade prática de tais agremiações.
À vista dessas provas do valor social dos ‘boys scouts’ alguns brasileiros, que no ano passado
encontravam-se na Inglaterra, reuniram-se, à corrente do sr. Aurélio Azevedo Marques, para ‘de
visu’ poderem julgar acompanhando-os, os que são e o que valem os ‘boy scouts’. Logo após o primeiro
relatório recebido, aquele conselheiro fez alistar um próprio filho entre os ‘boys scouts’ ingleses.
E da conclusão a que chegaram, resultou a certeza de que os ‘boys scouts’ tornaram-se
utilíssimos à pátria, quer em tempo de paz, quer em tempo de guerra. É essa a gênese do ‘Centro de
Boys Scouts do Brasil’ cujas bases e fins principais a esta acompanham.
Por este excerto dos seus Estatutos, podeis calcular, Sr. Redator, o que poderá vir a ser para
nossa Pátria a instituição para a qual pedimos o concurso de vossa boa vontade e o poderoso apoio
do vosso jornal.
Habituados a ver a imprensa cívica auxiliar com seu poder todos os nobres esforços em prol
da Pátria, todas as belas ideias que, realizadas, possam dar ao Brasil o lugar que lhe compete no
concerto dos povos mais civilizados do mundo, fundadores do ‘Centro de Boys Scouts do Brasil’ estão
certos de que ele será amparado e protegido desde o início, hipotecando-vos desde já toda sua gratidão.
A Comissão Diretora: Amélio A. Marques, Bernardino Corrêa, F. Faustino dos Santos, Renel
A. Bigarel, Julio F. Braga, B. de Souza Tornel, H. Alves Simas, F. Aggen de Araújo, J. Carlos
Holland.

Em anexo à comunicação foi enviado documento que descrevia as bases do Centro de


Boys Scouts do Brasil:

18
BASES

1 – Fica nesta data instituída uma sociedade de instrução, diversões e esportes para meninos,
semelhante em tudo que for possível a dos ‘Boys Scouts’ da Inglaterra;

2 – Essa sociedade terá por título ‘Centro de Boy Scouts do Brasil’ e por sede a Capital Federal;

3 – São fins do “Centro”:

a) Excursões pela cidade, arrebaldes e subúrbios, semanal ou quinzenalmente;


b) Excursões aos Estados da República, quando possível;
c) Manter aulas de desenho, música, fotografia, geografia (especialmente do Brasil), de evoluções
militares, tiro ao alvo, esgrima, ginástica e jogos atléticos, etc, etc;
d) Tornar conhecidos os homens célebres do Brasil, vivos ou extintos, por meio de projeções luminosas;
e) Fazê-los distinguir, pelo mesmo processo, os diversos uniformes, postos e graduações de todos os
militares ou semelhantes da República;
f) Fazer, sempre que possível, conferências acompanhadas de projeções luminosas, descritivas ou
biográficas sobre os pontos do território ou sobre os homens públicos;
g) Visitar, sempre que possível, estabelecimentos públicos ou particulares, como escolas, bibliotecas, etc.,
cujo conhecimento possa ser útil ao menino;
h) Manter uma escola dramática, com aulas de direção, canto, etc.

4 – O Centro de Boys Scouts do Brasil será mantido por meio de associados adultos, de qualquer classe
social que quiserem concorrer para tão nobre fim, sendo exigido, unicamente, para sua admissão, o
melhor comportamento público e por proposta de um sócio;

5 – O Centro está dirigido por uma Comissão Diretora composta de dois superintendentes, dois
secretários, um tesoureiro e quatro vogais;

6 – Dentre os mais prestimosos sócios serão escolhidos pela Comissão Diretora, os que devem
acompanhar os meninos nas excursões, passeios, visitas, aulas, etc., etc.; os professores para as diversas
aulas;

7 – O Centro usará, em todas as suas manifestações coletivas, uniformes apropriados ao clima,


revestindo-se tanto quanto possível de aspecto militar, pois é com mais patriótico objetivo, concorre
para a instrução militar do menino que, futuro cidadão, será o futuro defensor da Pátria.’

Em 25 de outubro de 1910, chegou ao Brasil o Encouraçado “São Paulo”; nele viajou


o suboficial José Affonso Severino Drumond, outro entusiasta que se juntou à Comissão
Diretora do Centro de Boy Scouts do Brasil.

19
No Brasil, o primeiro menino a se inscrever no Centro de Boy Scouts foi Álvaro
Correa da Silva8.
Floriano Reis de Andrade, matrícula número seis do Centro de Boy Scouts do Brasil,
descreveu assim a primeira atividade escoteira em nosso país9:

O tempo andava ameaçador, chovia com pequenas intermitências de sol, mas isso
não abrandava o entusiasmo dos oito elementos de nossa pequena tropa que desejava ainda
uma vez demonstrar empenho em cumprir ordens para educação física, sob o tema raid. Com
as tinturas da língua inglesa hauridas nas aulas do Externato Aquino, discutíamos sobre
a impropriedade de dizer-se ‘raid de boy scouts’, porque os da cavalaria chamavam a si a
primeira e o privilégio do termo, não permitindo que infantes fizessem um raid. O fato é
que nós nos reunimos a noitinha, defronte do Teatro Municipal, a despeito da umidade da
incerteza do tempo vindouro. O nosso pequeno grupo fardado com o material inglês chegado
pelo destroier ‘Alagoas’, despertava a curiosidade dos circunstantes e transeuntes daquela
época (1910); muita gente deve viver para recordar esse fato; a todos dizíamos nosso objetivo:
marcha de treinamento até a estação Rio das Pedras, onde pernoitaríamos. Chefiava o grupo
de boy scouts Aurélio Azevedo Marques, o primeiro brasileiro que vestiu uma farda escoteira e
que já participara de uma concentração na Inglaterra, na cidade de New Castle on Tyne. Era
o mais experimentado, portanto. Como monitor foi o sargento-armeiro da Armada Brasileira
Amélio Azevedo Marques que além de se encarregar do roteiro, capas, rancho e o mais, era
ainda o portador de uma pequena ambulância de emergência para socorros de urgência.
Cantou-se quando em forma o “Tipperary”, em suas palavras originais e em movimento,
até que se passou a caminhar em passo poupança, sem cadência. Após os repousos essenciais,
cerca de uma hora da madrugada chegamos à desejada meta, pouso final, uma chácara onde
havia um nutrido pomar. Armou-se a barraca no alpendre devido ao tempo duvidoso e nos
entregamos ao desejado sono apesar de cada hora um de nós dar sentinela no campo. Um belo
cão fez-se nosso aliado, o que nos encorajava na ronda noturna. Como experiência foi-nos
muito proveitoso, pois apesar da pouca idade respeitávamos com boa dose de probidade o
pomar que nos acolhia e ao mesmo tempo nos provocava com seus ubérrimos frutos. Foram
feitas demonstrações de socorros a feridos, pensos e curativos simulados, adestramentos, tudo
em homenagem ao anfitrião. Antes de regressarmos pela via férrea fomos ver o célebre pau-
ferro de Maxambomba, símbolo inesquecível da majestade e fortaleza da selva. Realizou-se
assim, em 1910, o primeiro raid de escoteiros do Brasil. É esta uma oportunidade feliz para
recordando a ação decidida de Amélio Marques, pioneiro do Escotismo na América do Sul,
que semeando o badenismo no país, viu-o, na sua ausência voluntária e digna humildade
vicejar na terra brasileira imponente e forte como o majestoso pau-ferro de Sapopemba.

20
Excursão do Centro de Boy Scouts do Brasil em 1910.
O terceiro, da esquerda para a direita, é Aurélio Azevedo Marques.

Em 1911, o Centro contava com sede na Sociedade Propagadora de Instrução, na


Ponta do Caju, mantendo sua “primeira seção” na rua do Chichorro, no Catumbi10.
Infelizmente, a existência do Centro de Boys Scouts do Brasil foi efêmera; entre
as razões para a curta vida da entidade estava o fato de que seus dirigentes viajavam
constantemente e mesmo por terem alguns sido transferidos para unidades fora do Rio de
Janeiro e a falta de conhecimento dos pais sobre o movimento, concorrendo para a frequente
ausência dos jovens às atividades escoteiras de campo. Já em 1914 o Centro não existia mais.

Atividades do Centro de Boy Scouts do Brasil, em 1911: I) descansando, II) em campanha, III) na praça Saenz
Peña, IV) no campo de Santana, V) tiro ao alvo, VI) exercício, VII) na praça Saens Peña11.

21
______________________________________________________________________________________________________________________________

REFERÊNCIAS

1
Manoel Bomfim: (Aracaju, 8 de agosto de 1868 – Rio de Janeiro, 21 de abril de 1932) foi um médico, psicólogo,
pedagogo, sociólogo, historiador e intelectual brasileiro; residia em Paris no início do século XX quando do
surgimento do Escotismo. Posteriormente, foi presidente da Confederação Brasileira de Escoteiros do Mar.
2
Blower, Bernard. História do Escotismo Brasileiro. Volume I, tomo I, 1910-1924, Centro Cultural do Movimento
Escoteiro, Rio de Janeiro, 1994.
3
José Affonso Severino Drumond era sargento ajudante do Corpo de Suboficiais da Armada, armeiro de 2ª Classe.
Viajou para a Inglaterra no Cruzador Barroso em 1909 e retornou no Encouraçado São Paulo, em 1910. Ao
retornar, foi um dos fundadores do Centro de Boy Scouts do Brasil.
4
Amélio Azevedo Marques nasceu em 20 de novembro de 1872. Era sargento ajudante do Corpo de Suboficiais da
Armada, armeiro de 1ª Classe. Ingressou como praça no Batalhão Naval, onde serviu entre 1888 e 1902. Embarcou
no “Couraçado” Riachuelo em 1907. Esteve na Inglaterra com seu filho Aurélio Azevedo Marques. Ao retornar, foi
um dos fundadores do Centro de Boy Scouts do Brasil. Reformou em 29 de outubro de 1924.
5
Drumond, José Affonso Severino. “Origem do Escotismo no Brasil”. Correio da Manhã, 21 de abril de 1960.
6
A Voz do Mar, número 79, 1928.
7
Drumond, José Affonso Severino. “Origem do Escotismo no Brasil”. Correio da Manhã, 21 de abril de 1960.
8
Revista AJURI, novembro-dezembro, 1942.
9
Depoimento de Floriano Reis (acervo CCME).
10
A Imprensa, 2 de abril de 1911.
11
A Imprensa, edição de 31 de março de 1911.

22
Capítulo 2
O período pré-UEB
Os primeiros grupos e associações

O Escotismo surgiu e cresceu de forma pontual e desordenada em nosso país. A


primeira associação de caráter interestadual, a Associação Brasileira de Escoteiros (ABE),
de 1914, apesar de seus esforços e de inspirar a abertura de grupos escoteiros além das
fronteiras paulistas, não conseguiu se firmar como instituição nacional e nem mesmo
estadual, pois mesmo na cidade de São Paulo surgiram outras associações e organizações
escoteiras independentes além da fundação do Escotismo nas escolas públicas.
A seguir, veremos, ano a ano, entre 1912 e 1923, e evolução do Escotismo no Brasil.

1912

A segunda experiência escoteira que se tem notícia em nosso país surgiu em 4 de


julho de 1912, quando foi criada a “Patrulha de Treinamento” no Realengo, Distrito Federal,
atual cidade do Rio de Janeiro, sob os auspícios do Tiro de Guerra 102. A direção era do
primeiro-tenente do Exército, Antonio Freire Vasconcellos, tendo como auxiliares: Gabriel
Skinner, Lafayete Tapióca de Oliveira e J.S. Campos. A organização teve vida ativa até
19151,2. Gabriel Skinner teve longa atuação no Escotismo. Antonio Freire Vasconcellos e
Lafayete Tapióca de Oliveira atuaram nos escoteiros municipais (ou escolares) do Rio de
Janeiro, como se verá posteriormente.

Escoteiros da Patrulha de Treinamento, 1912.

23
Organizado um grupo escoteiro no Ginásio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre/
RS. A iniciativa foi da professora Camila Furtado Alves3 e do tenente do Exército Tancredo
Gomes Ribeiro4,5.

1913

Em 13 de janeiro de 1913, o professor Curt Boett fundou em Blumenau/SC um


grupo escoteiro6.
Jerônima Mesquita, residindo na França, manda traduzir, imprimir e envia ao Brasil,
aos cuidados de seu representante legal, o advogado Ascânio Cerqueira, folheto sobre o
Escotismo. O “Código” e o “Juramento” eram as versões francesas dos originais em inglês.

O panfleto mandado imprimir por Jerônima Mesquita em 1913.

24
Em 1913, o professor Georg Michael Black, alemão que chegara ao Brasil em 1902,
visitou a Alemanha para rever parentes, atualizar conhecimentos sobre os esportes e,
especialmente, participar do Festival de Ginástica na cidade de Leipzig. Visitando Munique,
sua cidade natal, encontrou, durante um passeio pelo Vale do Isar, um grupo de escoteiros
e seu modo de conviver com a natureza o impressionou de tal forma que, quando retornou
à cidade de Porto Alegre fundou, em 13 de outubro de 1913, um grupo com princípios e
atividades semelhantes, chamado “Pfadfinderkorps von Porto Alegre”. A primeira excursão,
com acampamentos no percurso, foi realizada entre 21 e 29 de janeiro de 1914, ao farol de
Itapuã, dirigida por Black e com a participação de quatro rapazes.

O relato da excursão de Georg Black ao farol de Itapoã, em janeiro de 1914;


escrito em alemão no Livro do Grupo.

Em 1915, por iniciativa de Georg Black, foi criado um grupo escoteiro em Taquara
e, em 1916, outros dois, em Santa Cruz e São Sebastião do Caí. Em 1924, foi realizado um
acampamento geral no Parque Esportivo da Sociedade de Ginástica Porto Alegre (SOGIPA),
estimulando a criação de grupos escoteiros em São Leopoldo e Cachoeira do Sul, e foi criada a
seção dos lobinhos. Em 1925, estes cinco grupos escoteiros realizaram o primeiro jamboree no
Rio Grande do Sul, criando a “Pfadfinderbund von Rio Grande do Sul”, ou seja, a Associação
de Escoteiros do Rio Grande do Sul. Os jamborees foram organizados anualmente, em várias
cidades do estado, até 1933. Dirigentes escoteiros da SOGIPA apoiaram a abertura de
novos grupos em Lageado, Estrela, Sapiranga, São João de Montenegro, Hamburgo Velho

25
e Estância Velha. A partir de 1939, o grupo começou a receber moças, pois a Federação
das Bandeirantes do Brasil (FBB) só aceitava meninas católicas; em 15 de abril de 1948, foi
criado um Distrito Bandeirante na SOGIPA, sob a coordenação de Wilma Veit e Carmen
Englert. Em 1944, a denominação do grupo foi alterada para Associação dos Escoteiros da
Sogipa e assumiu a chefia do grupo o chefe Lino Schiefferdecker, que atuou na função até
1978. Em 14 de setembro de 1956 foi fundado o clã de pioneiros. Em 19 de janeiro de 1963,
foi inaugurada a nova sede, com quatro andares, com a presença do governador do estado,
Leonel Brizola, e o grupo adotou, em reconhecimento ao seu fundador, a designação de
Grupo Escoteiro Georg Black-1913. Em 11 de agosto de 1968, com autorização da União
dos Escoteiros do Brasil (UEB) e apoio do então comissário nacional de pioneiros, doutor
João Ribeiro dos Santos, o Clã, chefiado pelo mestre pioneiro Rubem Suffert, realizou sua
primeira reunião com pioneiras. Em 1973, o grupo inaugurou uma sede de campo, em São
Francisco de Paula7,8,9. O 1º RS Grupo Escoteiro Georg Black-1913 é o mais antigo grupo
escoteiro em funcionamento ininterrupto no Brasil.

Georg Black

26
Logotipo das comemorações do centenário de fundação do 1º RS GE Georg Black-1913.

1914

Em julho de 1914, diversos rapazes se reuniam na casa do doutor Fordham, em


Petrópolis/RJ, para fazer jogos e exercícios militares. No mês de agosto, o engenheiro civil
Ernest P. Gillman se prontificou a dar-lhes instrução de sinalização com bandeiras pelo
sistema de semáforas. Pouco depois, os rapazes pediram-lhe para tomar conta do grupo
e dirigi-los. Ele teve então a ideia de introduzir o Escotismo; ideia que foi aprovada pelos
jovens. Vem daí o início do Escotismo em Petrópolis. Essa associação foi fundada em agosto
de 191410,11.

Escoteiros de Petrópolis/RJ, em foto de 1917, com seu instrutor, o engenheiro Ernest Gillman12.

27
Em 1º de agosto de 1914, uma comissão composta pelo doutor Alcântara Machado,
Ascânio Cerqueira, Mario Cardim, Amadeu Amaral e Gelásio Pimenta publicou convite no
jornal O Estado de São Paulo a “todos aqueles que se consagram à causa da cultura física e da
perfeita moral da mocidade” para uma reunião, às 16h30min do dia 15 de agosto, na rua São
Bento 63, para “tratar da fundação , em São Paulo, dos Boy Scouts”13.
Em 15 de agosto de 1914, no escritório do doutor Alcântara Machado14, em São
Paulo, foi realizada reunião com a presença de Alcântara Machado, Ascânio Cerqueira,
Bento Bueno, Mario Cardim, Américo de Sampaio Vianna, W. Waddell15, Antonio Maria
Guerreiro16, Paulo de Moraes Barros Junior, Le Gross17, Luiz Fonseca e Zeferino Velloso, na
qual ficou “resolvido que se nomeasse uma comissão que, dentro de trinta dias, apresentasse
as bases dos Estatutos da futura associação” que seria a Associação Brasileira de Escoteiros
(ABE), e que, “depois de apresentado o trabalho, proceder-se-ia à incorporação dos
escoteiros”, “todavia, para adiantar os trabalhos, ficou resolvido convidar-se um grupo de
rapazes para se proceder imediatamente ao engajamento de todos os moços de 11 a 18
anos de idade, que quisessem se inscrever como escoteiros”. A comissão foi constituída por
W. A. Waddell, Ascânio Cerqueira, Bento Bueno e Mario Cardim. Foram “indicados como
monitores os senhores Ibanez Salles, Armando Pederneiras, Rubens Salles, Octavio Bicudo,
Paulo Moraes Barros Junior, Irineu Malta, Luiz Fernando Mesquita, Manoel Ildefonso de
Castilho e Le Gross, sendo este último encarregado de formar as patrulhas de ambulância,
sinais semafóricos e socorros de urgência”. Entretanto, “não tendo a comissão acima
mencionada podido se reunir, o projeto dos Estatutos da ABE foi elaborado apenas por
Mario Cardim”18.
No dia 29 de novembro de 1914, no Skating Palace, em São Paulo/SP, numa assembleia
pública a que compareceram cerca de 600 escoteiros inscritos e mais as pessoas gradas que
participaram da reunião do dia 15 de agosto, além de representantes do estado e do município,
Comando da Reunião Militar e da Força Pública e diversos diretores de estabelecimentos de
ensino, foram lidos pelo doutor Mário Cardim os Estatutos e o Regulamento da Associação
Brasileira de Escoteiros, a seguir aprovados, sendo fundada a Associação Brasileira de
Escoteiros. Foi eleito o primeiro Conselho Superior, com mandato até 1919, composto por
doutor Reynaldo Porchat, doutor Arnaldo Vieira de Carvalho, doutor Frederico Vergueiro
Steidel, doutor Washington Luís, doutor Ramos de Azevedo, doutor Adolpho Pinto, doutor
João Mendes Junior, doutor J.C. de Macedo Soares, Cardoso de Almeida, J.M. Sampaio
Viana, Luiz Fonseca, doutor Alcântara Machado, Bento Bueno, Ascânio Cerqueira, Mario
Cardim, J. Almeida Prado Junior, Nestor Pestana, Amadeu Amaral, coronel Batista da Luz,
tenente-coronel Pedro Dias de Campos, doutor Gama Cerqueira, doutor Gabriel de Rezende,
doutor Altino Arantes, general Luiz Cardoso (comandante da 10ª Região Militar) e doutor
A. Veriano Pereira. Este Conselho elegeu a primeira diretoria, composta por: presidente:
doutor Alcântara Machado, vice-presidentes: doutor Washington Luiz Pereira de Souza19,
João Maurício Sampaio Viana e doutor Ascânio Cerqueira, secretário-geral: doutor Mario
Cardim, tesoureiro: doutor Carlos Américo Sampaio Viana; e tendo como diretor técnico o

28
coronel Pedro Dias de Campos, da Brigada Militar do estado e, como procurador, doutor
Gama Cerqueira20.

A ABE sintetizou os objetivos do Escotismo nos seguintes tópicos21:

Eugenia: na parte referente à educação física, à saúde, ao vigor, e a destreza das


gerações novas, homens e mulheres;

Civismo: não apenas reduzido a ensinamentos cívicos, mas o hábito de realizar os


deveres cívicos, mercê das convicções adquiridas;

Inteligência: isto é, o desenvolvimento de algumas das mais notáveis qualidades


intelectuais, como sejam, a observação, a previsão, a urgência, a logicidade, a decisão
rápida;

Caráter: considerado como o hábito adquirido pela prática sistemática da bondade,


em casos concretos, dia a dia, como o horror à mentira e correlato amor à verdade, à
pontualidade.

Os Estatutos da ABE do Distrito Federal22 estabeleciam que:

A Associação Brasileira de Escoteiros do Distrito Federal, fundada na Capital da


República dos Estados Unidos do Brasil, tem por objeto desenvolver nos moços de 7
a 17 anos de idade, o vigor e destreza física, o espírito de iniciativa, a decisão rápida;
a coragem sob todas as formas, o sentimento de solidariedade, a responsabilidade
moral e o patriotismo.

A ABE será dirigida por um Conselho Superior composto de 12 a 25 membros,


com mandato de cinco anos, eleitos pela Assembleia Geral, com renovação anual
de um quinto; a Diretoria, composta por um presidente, um vice-presidentes, dois
secretários e um tesoureiro.

São proibidos no seio da Associação o jogo e as discussões políticas ou religiosas.


O Compromisso do Escoteiro era:

‘Prometo pela minha honra: Proceder em todas as circunstâncias como homem


consciente dos seus deveres, leal e generoso; amar a minha Pátria e servi-la fielmente
na paz e na guerra; obedecer ao Código do Escoteiro’.

29
O Estatuto informava que “o juramento dos boy scouts ingleses importa no
compromisso de fidelidade a Deus. É evidente que esse compromisso pode figurar na fórmula
de compromisso prestado pelos jovens que adotam uma religião”.
O Código do Escoteiro possuía 12 artigos:

1º – A palavra de um escoteiro é sagrada. Ele coloca a honra acima de tudo, mesmo


da própria vida;
2º – O escoteiro sabe obedecer. Compreende que a disciplina é uma necessidade de
interesse geral;
3º – O escoteiro é um homem de iniciativa;
4º – O escoteiro aceita, em todas as circunstâncias, as responsabilidades pelos seus
atos;
5º – O escoteiro é leal e cortês para com todos;
6º – O escoteiro considera todos os outros escoteiros como seus irmãos, sem distinção
de classe social;
7º – O escoteiro é generoso e valente, sempre pronto a auxiliar os fracos, mesmo com
prejuízo da própria vida;
8º – O escoteiro pratica, todos os dias, uma boa ação, por mais modesta que seja;
9º – O escoteiro estima os animais e se opõe a toda crueldade contra eles;
10º – O escoteiro é sempre jovial e entusiasta e procura o bom lado de todas as coisas;
11º – O escoteiro é econômico e respeitador do bem alheio;
12º – O escoteiro tem a constante preocupação de sua dignidade e o respeito de si
mesmo.

O uniforme do escoteiro compõe-se de: chapéu de forma cowboy, cor kaki, abas
largas, com correia para passar por baixo do queixo e fita de couro em vez da fita
comum; camisa de cor kaki com dois bolsos de cada lado; calções de cor kaki, direita
e curta, larga no joelho; meias compridas e de lã ou perneiras como melhor convier;
borzeguins de preferência de couro amarelo; lenço para o pescoço de cor diferente
para cada bandeira; bastão de 1,80 metros de altura e três centímetros de diâmetro,
graduado em decímetros e meios decímetros; mochila de brim de linho; paletó Norfolk
(facultativo); perneiras de lona ou tecido apropriado para enrolar (facultativo).

A ABE difundiu o Movimento pelo país; entre 1914 e 1916 já havia associações
escoteiras no Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Pernambuco,
Rio Grande do Norte, Amazonas e Pará. Entretanto, essas associações, apesar de inspiradas
pela ABE, formaram-se com as mais diversas orientações e variados sistemas educativos,
caracterizando-se a descentralização e formas variadas. A ABE buscou obter junto ao
Congresso Federal, lei que considerasse tão somente a ela como instituição de utilidade
pública e as regalias decorrentes23.

30
Foi Mario Cardim quem selecionou, dentre várias opções, a denominação “escoteiro”.
Cardim sustentou discussão com Olympio de Melo a propósito da palavra “escoteiro”
comparada com a palavra “bandeirante”. Cardim defendia que escoteiro melhor exprimia
os fins da instituição e que apesar de possuir significado restrito (aquele que viaja sozinho,
sem bagagem nem alforje), significava também corajoso, esperto, destro etc., enquanto que a
palavra “bandeirante” além do nome histórico tinha significado completo e podia denunciar
preocupação regionalista24,25.
A ABE foi mais longe do que oferecer o Escotismo aos jovens brasileiros; ela
também, já em dezembro de 1914, criou as brigadas de escoteiras26, suas afiliadas, que
visavam “promover nas moças que se filiarem... a) O caráter; b) A solidariedade; c) A saúde;
d) O patriotismo, e) A assistência aos enfermos e crianças; f) O conhecimento dos trabalhos
manuais e domésticos”, defendendo que:

...a mulher não deve ser uma criatura frágil e imprestável, mero e mesquinho objeto de
luxo.... ela deve ser um manancial de saúde, de vigor e alegria... o ideal é ser a mulher,
pela inteligência e pela sua energia, a mãe de homens capazes de conceber a vida com
verdade e justiça, e realizá-la com ardor, com fé e com espírito de continuidade... as
Brigadas de Escoteiras têm por fim fornecer à Pátria boas cidadãs, boas donas de casa
e boas mães de família.

O programa das escoteiras incluía a educação física com:

objetivos higiênicos e estéticos, mas nunca atléticos, visar sobretudo a parte inferior
do corpo, adquirir graça e destreza nos movimentos, visando antes a ligeireza que
a força, exercícios físicos, ginástica sueca, marchas e corridas, danças antigas ou
clássicas, a natação; trabalhos manuais e domésticos já estabelecidos nos programas
das escolas rurais e urbanas, o ensino dos cantos e hinos patrióticos.

As brigadas possuíam uma “Corte de Honra”, formada pelas graduadas, monitoras


e chefe, que se reunia sempre que tinha que “examinar e resolver as queixas, incidentes,
promoções, eliminações, modificações nas divisas de comando, nos programas das excursões,
e o mais que se relacione com a vida do agrupamento(...), suas decisões serão tomadas por
maioria de votos”.
As brigadas de escoteiras teriam uma escola de guias, destinada à formação das
futuras chefes do Escotismo feminino.

A fórmula para o Juramento das escoteiras era:

31
Prometo pela minha honra: Amar a Deus, a Pátria e a Família; observar o código das
escoteiras; proceder sempre com grandeza d´alma.

O Código das escoteiras possuía apenas dez artigos:

1º - A honra de uma escoteira é sagrada;


2º - A escoteira é de lealdade inquebrantável;
3º - A escoteira é útil a quem quer que seja;
4º - A escoteira é amiga de todos e irmã de suas companheiras;
5º - A escoteira é cortês;
6º - A escoteira protege os animais;
7º - A escoteira sabe obedecer;
8º - A escoteira ri e canta nas dificuldades;
9º - A escoteira é econômica;
10º - A escoteira é pura nos pensamentos, nas palavras e ações.

O uniforme das escoteiras era: blusa e saia pregueada de cor kaki, meias pretas compridas,
cinto de couro amarelo escuro com fivela, chapéu de abas largas e lenço vermelho por cima da
gola. As escoteiras poderiam usar, facultativamente, pelerine de brim ou de lã, na cor kaki,
como o fardamento.

Interessante notar que para as escoteiras a ABE apresentava apenas uma fórmula
para o Juramento, fórmula esta que incluía o amor a Deus, e que o Código tinha apenas dez
artigos ao invés dos 12 do Código do Escoteiro.
Em dezembro de 1914, na cidade de Rio Novo, em Minas Gerais, um grupo de
rapazes liderado pelo diretor do grupo escolar, o professor Olympio de Araújo, fundou
uma associação de boy scouts denominada “Bandeirantes Mineiros”, subordinada ao Tiro
Brasileiro. Em janeiro de 1915, a sociedade já contava com 40 rapazes, entre os quais Alípio
Dias, Silvino de Araújo e Ezedio Dias, respectivamente presidente, secretário e tesoureiro
interinos27. O código do “bandeirante”, adaptado do código dos Boy Scouts, era o seguinte28:

1º - A palavra do Bandeirante é sagrada. Ele coloca a honra acima de tudo, mesmo


da própria vida.
2º - O Bandeirante sabe obedecer, compreende que a disciplina é uma necessidade de
interesse geral.
3º - O Bandeirante é um homem de iniciativa.
4º - O Bandeirante aceita em todas as circunstâncias a responsabilidade de seus atos.
5º - O Bandeirante é leal e cortês com todos.
6º - O Bandeirante considera todos os outros Bandeirantes como seus irmãos, sem
distinção de classe social.

32
7º - O Bandeirante é generoso e valente, sempre pronto a auxiliar os fracos, mesmo
em perigo da própria vida.
8º - O Bandeirante pratica cada dia uma boa ação, por mais modesta que seja.
9º - O Bandeirante estima os animais e se opõe a toda crueldade contra eles.
10º - O Bandeirante é sempre jovial, entusiasta e procura o bom lado das coisas.
11º - O Bandeirante é econômico e respeitador dos bens alheios.
12º - O Bandeirante tem constante preocupação de sua dignidade e do respeito de si
mesmo.

O segundo grupo foi fundado na cidade de Juiz de Fora/MG, distante de Rio Novo
48 quilômetros, em 20/06/1915, com o nome de “Grêmio dos Bandeirantes de Juiz de
Fora”, também por influência do professor Olympio de Araújo, que dera andamento a amplo
trabalho de divulgação sobre a criação de Baden-Powell, através do Jornal do Comércio,
Diário Mercantil, O Jornal, e Diário do Povo, todos de Juiz de Fora; Diário de Minas, de Belo
Horizonte; e O Paiz, do Rio de Janeiro. Estes dois grêmios se extinguiram em 191629.

1915

Por iniciativa do doutor Elysio de Araújo30,31, inspetor das escolas municipais do


3º Distrito do Distrito Federal, foi fundada, em 15 de março de 1915, uma “companhia de
Boy Scouts” na 4ª Escola Masculina32, dirigida pela professora catedrática Thereza Maurity
Santos Reis, esposa do então capitão de corveta Amphiloquio Reis, comandante do Batalhão
Naval, que designou o segundo-sargento fuzileiro naval Gelmirez de Mello para instruir a
primeira turma. Na manhã de 27 de novembro de 1915, o diretor de Instrução Municipal
do Rio de Janeiro, doutor Azevedo Sodré, acompanhado pelo inspetor escolar Elysio de
Araújo, assistiu os exercícios dos “pequenos escoteiros” e afirmou “pretender introduzir
esses exercícios nas demais escolas masculinas do Distrito”33,34,35.

33
Em 19 de novembro de 1916, por ocasião da Festa da Bandeira, realizada na Prefeitura
do Distrito Federal, os escoteiros, também chamados pela mídia de “bandeirantes”, fizeram
uma magnífica apresentação ao som de uma banda deles mesmos, com evoluções, formações,
exercícios de ginástica sueca, bastões e bandeirolas, concluindo com a cerimônia de prestação
do juramento boy scout, dirigida por Elysio de Araújo. Encontravam-se na assistência o
presidente da República, Wenceslau Brás, o prefeito Antonio Augusto de Azevedo Sodré e
senhora, ministros de Estado, chefe de polícia e diversas outras autoridades que aplaudiram
entusiasticamente os jovens rapazes36,37.

Elysio de Araújo

Elysio de Araújo, natural de Olinda, PE. Advogado formado em 1888 pela Faculdade
de Direito de Recife, militar e político. Casou-se com Corina Peixoto, descendente do barão
de Vila Flor, da região de São Fidelis, Estado do Rio de Janeiro. Diretor da Confederação
de Tiro Brasileiro, presidente do Tiro de Guerra Brasileiro, inspetor escolar do 3º Distrito
da cidade do Rio de Janeiro, deputado federal pelo Estado do Rio, prefeito de São Fidelis
entre 1922 e 1924. Escritor, deixou as seguintes obras: Estudo Histórico sobre a Polícia da
Capital Federal de 1808 a 1831 (1898), Geografia Elementar (1928), Através de Meio
Século: Notas Históricas (1932) e Linha de Tiro (1940). Faleceu em Niterói/RJ, em 1946.

34
Imagens da Festa da Bandeira, rea-
lizada em 19 de novembro de 1916.
1) A Linha de Tiro dos empregados
do comércio, 2) os pequenos escoteiros
fazem o “Juramento” no pátio da
prefeitura, 3) os mesmos escoteiros
realizam exercícios, 4) a festa no
Externato Santo Antônio. Ao centro,
o aeroplano pilotado pelo tenente da
Armada, Antonio Shorcht38.


Posteriormente, Gelmirez de Mello viria a ser um dos líderes do Escotismo do Mar,
dirigente da União dos Escoteiros do Brasil (UEB) e seu primeiro comissário nacional
(equivalente a escoteiro-chefe). Em março de 1917, na função de segundo-sargento do
Batalhão Naval, Gelmirez foi matriculado na Escola de Aviação Naval39. Em 15 de dezembro,
por ocasião da festa de encerramento dos trabalhos escolares de 1917, os escoteiros
prestaram “demonstração de sua simpatia”, apresentando as despedidas, posto que Gelmirez
partiria, em breve, para a Inglaterra, a fim de se aperfeiçoar na aviação naval naquele país40.
Entretanto, os planos foram alterados e, somente em setembro de 191841 ele seguiu, em
um grupo sob o comando do então capitão de corveta Protógenes Guimarães42, mas para a
Itália.
Em 14 de julho de 1918, a cidade do Rio de Janeiro engalanou-se para comemorar
o chamado “Dia da França”. Já pela manhã, uma banda de música do 3º Regimento de
Infantaria e uma banda de clarins da 4ª Brigada de Cavalaria tocaram alvorada em frente
à embaixada francesa, à rua Paissandu, sendo içada a bandeira daquele país com todas as
honras militares. Dentre as diversas solenidades realizadas, a mais importante foi na praça
Mauá, onde foi montada uma tribuna para receber o presidente da República, Wenceslau
Brás, o embaixador francês Paul Claudel e inúmeras outras autoridades. Após o hino nacional
brasileiro, foram pronunciados os discursos oficiais e iniciados os desfiles de Forças do
Exército e da Marinha, Linhas de Tiro, escoteiros de Cascadura e da 4ª Escola Masculina do
3º Distrito, que surpreenderam e encantaram o público, arrancando aplausos, ao cantarem A
Marselhesa quando passaram pela tribuna presidencial43.

35
Os escoteiros de Cascadura e da 4ª Escola Masculina no desfile em homenagem à França, em 14 de julho de
1918. Ao fundo, a tribuna presidencial e o então prédio da Inspetoria de Portos, atual Palacete Dom João VI,
na praça Mauá.

Dias depois, o prefeito solicitou ao ministro da Marinha os serviços de Gelmirez para


atuar como instrutor dos escoteiros das escolas municipais, mas o ministro foi obrigado a
negar, pois ele partiria em breve para a Itália para longo período de treinamento na Aviação
Naval44.
A última notícia encontrada sobre a tropa escoteira da 4ª Escola Masculina foi sua
participação nas festividades do Dia da Criança45, em 5 de outubro de 1918, na qual houve o
desfile de duas “brigadas”; a primeira, de estudantes de diversas escolas militarizadas (sic), e
a segunda, com cerca de 600 escoteiros municipais, coordenados pelo capitão Antonio Freire
Vasconcellos, e divididos em duas colunas: a primeira, liderada pelo instrutor Lafayete
Tapióca, composta por escoteiros de Cascadura, do Ginásio Arte e Instrução, Independentes,
Escola Silva Jardim, Escola Azevedo Junior, Escolas João Pinheiro e Quintino Bocaiúva, 1ª,
2ª e 3ª Escolas Masculinas do 14º Distrito, e 1ª Masculina de 12º Distrito. A segunda coluna,
liderada por Gabriel Skinner, era composta por escoteiros da 4ª e 5ª Escolas Masculinas do
3º Distrito, e das Escolas Oswaldo Cruz, Major Ávila (do Engenho Novo), Padre Antonio
Vieira e Visconde de Cayru. Após o desfile o presidente da República “armou” os escoteiros
e escoteiras46 de segunda classe aprovados nos exames prévios47.

36
Período de 1915 a 1918. Escoteiros de Cascadura e Escoteiros Municipais em atividade no campo dos Car-
dosos, em Cavalcanti, Rio de Janeiro. Na primeira foto vemos, da esquerda para a direita: o capitão Antonio
Freire Vasconcellos, Gabriel Skinner, Mauro Horta, Lafayete Tapióca de Oliveira, Agostinho de Araújo e H.
Carquejo. Notar a presença de escoteiras.

Na Itália, inicialmente, os militares cursaram a Escola de Observadores Militares


em Centocelle, seguindo depois para a Escola de Aviação Militar do Exército Italiano em
Cerveteri a fim de realizarem curso em aviões terrestres (sic), seguindo depois para Roma,
Furbara e Milão. Após cursos de acrobacia e caça, realizados em Furbara e Roma, o grupo
brasileiro frequentou a Escola de Aviação Naval em Tarento, onde lhe foi ministrado curso
em hidroaviões. Em março de 1920, Gelmirez e seu colega José Cordeiro Guerra foram
elogiados em ordem do dia da Escola de Aviação de Orbetello por terem se atirado à água
para salvar o piloto de um hidroavião que caíra no mar, sendo o elogio transcrito em ordem
do dia brasileira48. Somente em novembro de 1920 Gelmirez voltou ao Brasil. Durante este
período de tempo, nenhuma notícia há sobre a Tropa Escoteira da Escola Masculina; muito
provavelmente, fechou por falta de instrutores. Em 4 de abril de 1921, o avião pilotado pelo
tenente Trompowsky e por Gelmirez caiu na água nas proximidades de Paquetá. No dia 7
de setembro de 1921, data de fundação da Confederação Brasileira de Escoteiros do Mar,
em Jurujuba, a Aviação Naval participou das solenidades comemorativas da Independência,

37
realizadas na Quinta da Boa Vista49,50; explicar-se-ia assim a ausência de Gelmirez em data
tão relevante ao Escotismo do Mar se ele estivesse em atividade escoteira nessa época, fato
este desconhecido. Em dezembro de 1921, Gelmirez foi habilitado nos exames para artífice
da aviação, na especialidade de mecânico de aviação. Em outubro de 1922, foi classificado
como montador de aviação51. Gelmirez foi reformado como sargento ajudante piloto aviador
do Corpo de Suboficiais da Armada, com o soldo de segundo-tenente, em 21 de agosto de
193052.

Gelmirez de Mello, o quarto da esquerda para a direita, e alguns companheiros da


Aviação Naval em foto de 192153.

Em 2 de julho de 1922, foi criado o Departamento Naval do Patronato Nacional dos Homens do Mar, e foi
também inaugurada sua sede, na rua 1º de Março 135, Centro, Rio de Janeiro54. Na ocasião, Gelmirez de
Mello foi empossado como presidente desse departamento55.

O nome de Gelmirez só voltou a aparecer ligado ao Escotismo em 1º de agosto de


1922, quando ele, Gabriel Skinner e Gumercindo Loretti fundaram um grupo de escoteiros
do mar que recebeu o nome de “Comissão Central” ou “Grupo de Centro”, com sua sede no
Patronato Nacional dos Homens do Mar, à rua 1º de Março, 13556, 57, 58. A fundação do grupo
foi oficializada em 26 de novembro de 1922, com a realização da cerimônia do Juramento
da primeira turma de escoteiros do mar, que aconteceu no pátio interno do Arsenal de
Marinha. Estiveram presentes os tenentes Carlos Carneiro – representante do ministro
da Marinha – e Benjamin Sodré; a senhorita Maria Elisa dos Reis, filha do comandante
Amphilóquio Reis, que ofereceu uma bandeira nacional de seda em nome de sua mãe,
madrinha do grupo; Gumercindo Loretti, e Gabriel Skinner, que coordenou o Juramento dos
25 novos escoteiros59,60. Como guarda de honra atuaram três patrulhas da Tropa de Jurujuba,
constituídas por filhos de pescadores e dirigidas pelo chefe professor David Ferreira Lopes61.
O grupo ou “Comissão do Centro” recebeu, posteriormente, o número 10 por ser a décima
comissão a ser reconhecida pela CBEM. Não há dúvidas quanto à data de fundação do 10º RJ

38
Grupo Escoteiro do Mar “Décimo”. Há inúmeros documentos, alguns de próprio punho de
Gelmirez, aludindo à fundação a 1º de agosto de 1922. Por exemplo, na revista Escoteiro do
Mar, número VI, setembro 1936, Gelmirez escreveu: “Transcorreu com brilho excepcional
o 14º aniversário do 10º Grupo de Escoteiros do Mar, que tem sabido honrar seu lema: O
10º se bate e não se abate”. No ano seguinte, na mesma revista Escoteiro do Mar, número
de outubro de 1937, ele escreveu: “Transcorreu, em 1º de agosto, o 15º aniversário do 10º
Grupo de Escoteiros do Mar, que foi festejado condignamente”. Em 1939, no relatório anual
do chefe geral do 10º Grupo, referente a 1938, transcrito na revista Escoteiro do Mar, número
18, de maio-junho de 1939, Gelmirez diz: “Ainda uma vez, e como nos 17 anos anteriores
que se sucederam gloriosos, à nossa fundação...”. Mais uma vez, na revista Escoteiro do Mar,
número XXIV, de set-out de 1941 ele se refere aos “19 anos anteriores”. O número 23 da
revista A Voz do Mar, de agosto de 1923, informa que “a Comissão do Centro festejou seu
1º aniversário”. O livro de grupo do “Décimo”, relativo ao período 1933/193862 sempre se
refere ao dia de aniversário do grupo em 1º de agosto e ao ano de fundação em 192263.
Quanto à alusão de que teria sido o “Décimo” o sucessor da tropa fundada em 1915,
na 4ª Escola Masculina do Distrito Federal, e ter sido transformado em tropa de mar em
1º de agosto de 1921 (ou 1922, ano real de fundação do grupo), parece-nos inverossímil
e desprovida de provas. Realmente, aquela tropa foi fundada em 1915, por inspiração de
Elysio de Araújo, apoio da senhora Thereza Reis e seu marido Amphilóquio Reis, e direção
técnica de Gelmirez, porém, em setembro de 1918 ele viajou para a Itália, de onde somente
retornaria em novembro de 1920. Após outubro de 1918, a Tropa Escoteira da 4ª Escola
Masculina desapareceu do noticiário. Entre outubro de 1918 e agosto de 1922, o nome de
Gelmirez não apareceu em nenhuma menção ao escotismo. Apesar da paixão de Gelmirez
pela escrita e pelo registro dos fatos, não encontramos nenhuma alusão escrita sobre uma
possível relação entre aquela tropa e o 10º Grupo assim como sobre a continuidade da
existência da tropa entre 1918 e 1922. Muito provavelmente, ele foi o único elo entre as
duas organizações que nada tiveram em comum.
Em 1º de junho de 1915, uma representação da ABE encontrava-se no Rio de Janeiro.
Chefiada por Mario Cardim e composta pelos instrutores Orlando Meira, Octávio Bicudo
e Armando Pamplona e pelos boy scouts Carlos Penteado, Oswaldo Cunha Bueno, Sylvio
Botelho e Ronoel Salles Abreu, a comitiva solicitou audiência com o presidente da República,
Wenceslau Brás, para pedir isenção de direitos alfandegários para importação de materiais
escoteiros. Os paulistas alegavam que um conjunto de chapéu, camisa, calça e sapatos
escoteiros custavam, em artigo nacional, três vezes mais que os importados da Inglaterra;
porém, com os direitos alfandegários, esses materiais importados passavam a custar quatro
vezes mais que seu custo real64.

39
Os escoteiros da ABE em visita ao Correio da Manhã, no Rio de Janeiro em 191565.

Em 20 de junho de 1915 é fundado o Grêmio de Bandeirantes de Juiz de Fora, que se


reunia no Tiro de Guerra nº 17, sob a presidência do doutor Benjamim Colussi66.
Em 1915, o deputado federal por São Paulo, César de Lacerda Vergueiro, apresentou
proposta para reconhecer o Escotismo como de utilidade pública. O projeto resultou no
Decreto do Poder Legislativo nº 3.297 sancionado pelo presidente Venceslau Braz em 11 de
junho de 1917, que no art. 1º estabelecia: “São considerados de utilidade pública, para todos
os efeitos, as associações brasileiras de escoteiros com sede no país”.
Em 1915, é iniciada a publicação do Jornal da ABE da Associação Brasileira de
Escoteiros, transformado em 1921 na revista O Escoteiro.
Em Pernambuco, é fundada a Associação Pernambucana de Escoteiros, por Américo
Netto, Luiz M. Pope (secretário do British College) e Aníbal Fernandes67.
Em 2 de outubro de 1915, a ABE decidiu confiar à senhora Catharina Norbury
Crompton (Kathleen Crompton) a organização do “Corpo de Escoteiras”68.
No Amazonas, após ter recebido correspondência da ABE com folhetos e material
de propaganda e orientação, o professor José Chevalier organiza a Legião Amazonense de
Escoteiros, cuja direção provisória era composta por Paulo Eleutério, Pedro Araújo Madeira,
professor João Luiz Alencar e Raymundo Pinheiro69.

40
No final de 1915, é fundada a Associação Fluminense de Escoteiros (AFE), em
Niterói/RJ. Em 5 de dezembro, em reunião do diretório, o presidente coronel Estillac Leal
nomeou comissão para redação dos Estatutos, composta por Armando Gonçalves, Miranda
Junior e Nerêo Guerra70. Em 1º de novembro de 1922, a AFE seria reconhecida de utilidade
pública71.

1916

De acordo com depoimento de Guy Burrowes72, a Igreja Metodista Americana do


Rio de Janeiro fundou, em 11 de junho de 1916, uma tropa de escoteiros com o nome “Union
Church Boy Scouts”, liderada por Harwey E. Chalk, que foi escoteiro na Petersham Troop,
em Suelbrock Lane, Peter Sham, Inglaterra, onde ingressou em 11 de junho de 191073. Em
1920, a tropa deixou o patrocínio da igreja e passou a ser independente e, no Conselho de
Chefes realizado em 14 de maio de 1921, decidiu-se mudar o nome para “1st Rio Baden
Powell Boys Scouts”, filiada à Boy Scouts Association de Londres. A associação passou então
a seguir rigorosamente as normas do Escotismo inglês, sendo suas publicações, uniformes
e distintivos vindos da Inglaterra; aceitava jovens, não só ingleses, mas também de outras
nacionalidades que falassem inglês. Em 21 de março de 1925, a tropa passou a ser chefiada
pelo inglês George Eduard Fox, possuidor da Insígnia de Madeira74. Em 1926, Guy E.
Burrowes, que ingressara na tropa em 14/04/1918, passou a atuar como subchefe, até
substituir Fox, em 1929, quando este se casou e foi residir no Sul do Brasil. Em 28 de
outubro de 1942, o grupo foi “nacionalizado”, filiando-se ao Departamento de Ar da UEB,
sob o nome “Associação de Escoteiros do Ar General Baden-Powell”75; com a fundação da
Federação Brasileira de Escoteiros do Ar (FBEAr), em 1944, a associação a ela se filiou.
Posteriormente, com a unificação do Escotismo no Brasil em 1950 e extinção da FBEAr
em 1957, o grupo filiou-se à UEB, sob a denominação de Grupo Escoteiro do Ar Baden-
Powell, recebendo o numeral 75º DF. Em fins de 1943, o grupo estudava a abertura da seção
de seniores, que veio a ser oficializada pela FBEAr em 8 de março de 1944, sob liderança
de Aldo R. Toledano76. O G.E. do Ar Baden-Powell foi, portanto, um dos grupos escoteiros
que iniciou o ramo sênior no Brasil, juntamente com o Guilhermina Guinle, liderado por
João Ribeiro dos Santos, e o São Pedro de Cascadura, liderado por Geraldo Hugo Nunes. O
grupo esteve inativo de 1981 a 1984, sendo reativado em 1985, sob a direção do seu antigo
escoteiro Bryan C. S. Vianna, com o nome de 75º RJ Grupo Escoteiro do Ar Baden-Powell.

41
Chefes do 1st Rio Troop Baden-Powell. Da esquerda para a direita, Aldo Toledano, Guy Burrowes,
Christie Matieson e David Barrie Tomphson.

Caderneta do escoteiro Frederick Burrowes, da 1st Rio Baden-Powell Boy Scouts (acervo CCME).

Em Niterói, então capital do antigo Estado do Rio de Janeiro, havia uma tropa filiada
que se denominava “1st Nictheroy Baden Powell Group”. As tropas funcionaram naqueles
moldes até 1942, quando foi decretada a nacionalização de todas as entidades estrangeiras,
ocasião em que se associaram à modalidade do ar77.

42
Em 1916, Henrique Castriciano organizou a Associação de Escoteiros do Rio Grande
do Norte e foi o Grupo Escolar Frei Miguelinho, de Alecrim/RN, dirigido pelo professor
Luiz Soares, que apresentou a primeira turma de candidatos, constituindo o Grupo de
Escoteiros do Alecrim. Em 14 de julho de 1919, Luiz Soares, com a adesão de maior número
de alunos, organizou e instalou a Associação de Escoteiros do Alecrim, também chamada de
“Boy Scouts do Alecrim”, composta por três grupos escoteiros e reconhecida de utilidade
pública pela Lei nº 491, de 1º de dezembro de 1920. Em 1940, a Associação contava com
“centros regionais” em Macaíba, Santa Cruz, Assú, Mossoró, Caraúbas, Apodi e Caicó78. O
professor Luiz Soares manteve correspondência com Baden-Powell e lhe enviou fotografias
e relatos entre 1920 e 192379.

Luiz Soares

43
A Diretoria do Fluminense Football Club, do Rio de Janeiro, autorizou, em 25 de
setembro de 1916, a regulamentação da “Seção de Escotismo” que, entretanto, só começou
a funcionar em janeiro de 1920, sob a direção do capitão Paes Brasil. Em janeiro de 1920, a
diretoria do clube enviou a seguinte circular aos associados80:

FLUMINENSE INICIA SUA SEÇÃO DE ESCOTEIROS

Exmo. senhor, aproximando-se a época da instalação da nossa seção de escotismo,


temos a honra de solicitar a [Link] a fineza de responder-nos se deseja alistar seu digno
filho nessa seção cuja contribuição mensal é de 3$ e mais a joia de entrada que é de 5$
como [Link] verá pelo estatuto anexo.

Outrossim, levamos ao seu conhecimento, aliás com grande satisfação, que, a título
de estímulo, o clube oferece, em nome dos beneméritos doadores D. Guilhermina C.
Guinle, e Srs. Candido Graffée Guinle, Guilherme Guinle, Carlos Guinle, Octávio
Guinle e Arnaldo Guinle, equipamento aos 60 primeiros escoteiros que se alistarem.
O equipamento é composto de um chapéu, uma blusa, um par de calças, um par
de meias, um cinto, um lenço, um apito, um cordão para o apito, um canivete, uma
marmita, uma mochila, um saco para roupa e um bastão.

Devemos observar a [Link] que a partir de 60 e até 100, os equipamentos para os


escoteiros custarão 55$ cada um, preço aliás, fixado sem lucro nenhum.

Acreditamos cooperar, desta forma, na medida das nossas forças, para a educação
cívica do seu filho, respeitando suas crenças políticas ou religiosas e a nossa maior
recompensa será vê-lo um perfeito cidadão.

Esperando de [Link] uma resposta imediata, aproveitamo-nos da oportunidade para


apresentar-lhes os protestos de nossa alta consideração e elevada estima.

AVISO

A Diretoria chama a atenção dos pais dos sócios infantis para as condições
regulamentares em que se farão as inscrições dos escoteiros, seção esta que vem
substituir a classe infantil.

As condições são as seguintes:

1º - Ter o candidato entre 10 e 16 anos de idade;


2º - Ter sido vacinado com proveito;

44
3º - Ser proposto pelo pai ou tutor;
4º - Satisfazer as condições de robustez provadas por atestado médico;
5º - Possuir a carteira de identidade fornecida pelo clube;
6º - Possuir o uniforme e o equipamento regulamentar;
7º - Ser aceito pela diretoria;
8º - Prestar o compromisso de noviço.

A procura foi grande, a ponto de, em 20 de janeiro de 1920, ter sido noticiado81: “...
sábado passado, a primeira turma dos jovens patrícios, que se achavam sob a competente
direção do distinto oficial do nosso Exército Capitão Paes Brasil recebeu seu batismo prático,
iniciando sua execução”.
A revista Vida Sportiva também noticiou82:“O glorioso Fluminense F.C, tricampeão
da cidade, acaba de abrir sua Seção de Escotismo”.
Podemos então considerar que o Grupo Escoteiro do Fluminense, atual 1º RJ GE João
Ribeiro dos Santos, iniciou suas atividades no dia 15 de janeiro de 1920. Porém, em março
deste mesmo ano, a seção ficou sem o instrutor, que vinha lhe prestando relevantes serviços,
em virtude de sua transferência para o Estado do Mato Grosso. Mas logo voltou a funcionar,
em 9 de março de 1921, agora sob direção de um instrutor remunerado, Ansgar Knud Jensen83.
Em 13 de maio, com a presença de Arnaldo Guinle, presidente do clube, e de Coelho Netto,
que discursou sobre a data e os deveres do escoteiro, foi prestado o Compromisso pelo líder
do grupo, A.K. Jensen. Em 1922, a seção de Escotismo contava com 266 inscritos. O material
de campo incluía 22 barracas com cobertura dupla, para quatro pessoas cada, barracas-
refeitório, de cozinha, sanitário e chuveiros. Este equipamento pertenceu aos marinheiros
norte-americanos que participaram das festividades do Centenário da Independência do
Brasil acampados na praia do Russel, e que foi adquirido pela senhora Guilhermina Guinle,
benfeitora do escotismo tricolor, que o ofertou ao Fluminense. Até 1940, quando a seção
de Escotismo do Fluminense foi fechada, os seus instrutores eram remunerados, pagos
por dotação da senhora Guilhermina Guinle e, após seu falecimento, por verba do próprio
clube84. A seção chegou a ter 391 escoteiros em 1925. Entre março de 1940 e 6 de setembro
de 1942, a seção esteve inativa, de acordo com o Decreto-Lei nº 2.07285; nessa data, reaberta
por João Ribeiro dos Santos, passou a denominar-se Associação de Escoteiros Guilhermina
Guinle, em memória à sua benfeitora86. Posteriormente, o grupo escoteiro deixou o clube e
passou a chamar-se Ipiranga; em 1970, mudou novamente de nome, para João Ribeiro dos
Santos, em homenagem ao seu grande chefe e líder por várias décadas.

45
Escoteiros do Fluminense no estádio do clube, 1920.

Fundada em setembro de 1916, a Associação Pernambucana de Escoteiros, dirigida


pelo doutor Andrade Bezerra e pelo general Joaquim Ignácio87.
Em 1916, surgiu em Pelotas/RS, um grupo escoteiro que teve por dirigentes o doutor
Fernando Osório e o senhor Rubens Weyne, que mais tarde foi diretor técnico da Federação
Rio-grandense de Escotismo (FRGE). O Movimento Escoteiro de Pelotas, sob o patrocínio
de Olavo Bilac, espalhou-se por diversos municípios88.
Em 31 de dezembro de 1936 a ABE foi reconhecida de utilidade pública por Decreto
do governo federal.

1917

Os escoteiros municipais, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, não foram criados,
surgiram espontaneamente. Alguns escoteiros de uma tropa efêmera, a de Realengo, sendo
alunos da Escola Azevedo Junior, em Cascadura, fundaram um grupo escoteiro naquela
escola e saíram em busca de apoio das professoras, inspetores e o instrutor de Realengo
e, assim, em 14 de setembro de 1917 realizaram a primeira reunião no pátio da escola.
Graças ao devotamento de Manoel Cícero Peregrino, então diretor da Instrução, e de
Cesário Alvim, inspetor escolar, juntaram-se aos escoteiros da Tropa Azevedo Junior outros
meninos das escolas Silva Jardim, de Madureira, e de outras escolas. Outros inspetores
escolares contribuíram para que o Escotismo nas escolas se desenvolvesse mais: Raul de
Farias, Paulo Maranhão, Mozart Lago, Antonio Cícero e outros, de modo que logo já havia
tropas escoteiras em 21 escolas públicas, além do ginásio particular Arte e Instrução, cujo
diretor doutor Ernani Cardoso alistou-se desde a primeira hora como escotista. Infelizmente,
ocorreu a falta de instrutores e muitos grupos definharam. Ao final de 1919, os escoteiros
municipais contavam com cinco “núcleos” instruídos e firmes: Cascadura, Encantado, Méier,
Vila Isabel e Instituto Ferreira Vianna, com um total de cerca de 400 escoteiros. Desses

46
núcleos, dois se tornaram associações regulares: Escoteiros de Cascadura e Escoteiros
do Méier. A municipalidade auxiliou seus escoteiros fornecendo-lhes brim cáqui para os
uniformes e o bastão; as outras peças do uniforme são fornecidas pelas associações, pelos
diretores das escolas e professoras, ou ainda comprados pelo próprio escoteiro89.
Olavo Bilac, por intermédio da Liga da Defesa Nacional (LDN), já vitorioso nas
campanhas do “Tiro de Guerra” e “serviço militar obrigatório no Brasil”, inicia campanha
para difusão do Escotismo no território nacional. A Liga da Defesa Nacional, por ofício de 17
de abril de 1917, reconheceu a Associação Brasileira de Escoteiros como sua filiada e como
instituição nacional, entregando-lhe a missão de centralizar todo o trabalho de Escotismo
no Brasil90, 91. Esta foi a primeira tentativa para centralizar o Movimento Escoteiro no
Brasil evitando seu crescimento desordenado.

LIGA DA DEFESA NACIONAL


Ofício Nº 2.274
Rio de Janeiro, 17 de abril de 1917

Exmo. Sr. Dr. José Carlos de Macedo Soares

M.D. Presidente da Associação Brasileira de Escoteiros

A Comissão Executiva recebeu o ofício de [Link] com a adesão oficial da Associação que
[Link]. preside, à Liga da Defesa Nacional, e agradece.

Nesta mesma data, a Comissão Executiva oficia aos Presidentes das Associações de Escoteiros
do Rio Grande do Norte, do Paraná, da Bahia e de Pernambuco, como verá [Link]. pela cópia
junta, pedindo-lhes que essas associações se filiem á de São Paulo.

Apresentamos a [Link]. a segurança da nossa melhor estima e consideração.

Pela Comissão Executiva,

Olavo Bilac

O teor do ofício enviado às associações escoteiras existentes era o seguinte:

LIGA DA DEFESA NACIONAL


Ofício Nº 2.271
Rio de Janeiro, 17 de abril de 1917

47
Considerando que é imprescindível a unidade e coesão de todas as associações de escoteiros já
organizadas e ainda em organização em todo o Brasil; e considerando que o centro de todos os
ramos dessa patriótica instituição deve ser a Associação Brasileira de Escoteiros, instalada em
1914, cuja sede é na cidade de São Paulo (rua São Bento, 61), e cujo presidente é o sr Dr José
Carlos de Macedo Soares, a Comissão Executiva pede que a Associação que [Link]. preside se
filie àquela, com ela iniciando correspondência. A Associação Brasileira de Escoteiros filiou-
se à Liga da Defesa Nacional, desta recebendo toda a autoridade e todas as vantagens do
prestígio e da propaganda da Comissão Executiva, e comprometendo-se a fornecer a todas
as Associações coirmãs todas as informações necessárias ao funcionamento dos batalhões e
enviando-lhe todas as publicações que já está distribuindo e vai distribuir.

Temos o prazer de apresentar a [Link]. os protestos da nossa consideração e estima.

Pela Comissão Executiva,

Olavo Bilac

É fundada, em 20 de maio de 1917, pelo doutor Antonio Lopes da Cunha, a Associação


Maranhense de Escoteiros92. No domingo 3 de junho, os jovens José Domingos Barbosa,
Edson Neto Teixeira, José Jansen Ferreira, João Ribeiro Lopes Dias, Alfredo Denisar da Silva
Valente, Martiniano de Andrade Marques, Antonio Afonso da Silva Dias, Francisco Neves
de Andrade, Crispim Alves dos Santos, Carlos Domingos Barbosa, João Batista Frazão de
Castro, Ademar Maia Aguiar, Miguel Domingues Moreira, Carlos Neto Teixeira, Manuel
Domingues Moreira, Felipe José de Paula Fortuna, Valdir Nogueira Vinhais, José Joaquim
Guimarães, Odir Nogueira Vinhais, Osvaldo Paraizo, José Ribamar Reis, Milton Paraizo,
Edgard Almeida, Fernando Ribamar Viana, Vinicius Cesar da Silva Berredo, Clovis Costa
Rodrigues e Joaquim de Freitas Machado foram os primeiros 27 candidatos a escoteiros
a se apresentarem na sede do F.A. Clube, onde foram recepcionados por Antonio Lopes
da Cunha, que lhes apresentou o instrutor provisório Joaquim M. A. Santos; as reuniões
foram marcadas para as sete horas da manhã aos domingos, horário escolhido em função da
temperatura ser mais propícia93.

48
Cerimônia de instalação da Liga da Defesa Nacional, em São Paulo94, SP. Sentados, da esquerda para a
direita, vemos Amadeu Amaral95, o poeta Olavo Bilac, Dom Duarte Leopoldo e Silva96, Altino Arantes97,
Pereira Barreto98, Antonio Prado Junior99 e Paula Souza100.

Em 11 de julho de 1917, o Decreto 3.297 considera de utilidade pública as associações


de escoteiros, com sede no país101.

DECRETO Nº 3.297, DE 11 DE JULHO DE 1917

Considera de utilidade pública as associações


brasileiras de escoteiros, com sede no país, e de
Imprensa, com sede na Capital Federal.

O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil: Faço saber que o


Congresso Nacional decretou e eu sanciono a resolução seguinte:

Art. 1º São consideradas de utilidade publica, para todos os efeitos, as associações brasileiras
de escoteiros, com sede no país.

Art. 2º E’, outrossim, considerada de utilidade pública a Associação Brasileira de Imprensa,


com sede na Capital Federal.

49
Art. 3º Revogam-se as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 11 de julho de 1917, 96º da Independência e 29º da República.

WENCESLAU BRAZ P. GOMES


Carlos Maximiliano Pereira dos Santos

Publicado, em 1917, o regulamento interno da Associação Pernambucana de


Escoteiros. Pelo conteúdo, deduz-se que sua abertura foi inspirada pela ABE102.
Em 1917 realiza-se em São Paulo o I Congresso de Escotismo no Brasil, sob o
patrocínio da Associação Brasileira de Escoteiros, promovido e secretariado pelo doutor
Américo Netto, de Pernambuco e presidido pelo professor José Chevalier, do Amazonas103.
As Associações Brasileiras de Escoteiros com sede no país são reconhecidas como de
utilidade pública federal pelo Decreto nº 3.297, de 11 de julho que, no artigo 2º, também
dá essa faculdade à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), segundo projeto do deputado
federal César de Lacerda Vergueiro, apresentado em 1915.
Após retornar da Europa em meados de 1917, Edmund Lionel Lynch104 resolveu
trabalhar para a criação de um núcleo de escoteiros católicos no Brasil. Em 15 de novembro
de 1917, é fundada a Associação de Escoteiros Católicos da Freguesia de São João Batista
da Lagoa, por iniciativa do padre André Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, vigário
daquela paróquia, dos senhores Edmund Lionel Lynch, Rodolpho Malempré e do doutor
João Evangelista Peixoto Fortuna. A este grupo juntou-se, pouco tempo depois, o padre
Carlos Manso. Em assembleia geral realizada em 1º de julho de 1918 foi aprovado o Estatuto
e eleita a primeira diretoria, composta por: presidente, doutor João Evangelista Peixoto
Fortuna105; primeiro vice-presidente, doutor Raul Penido; segundo vice-presidente, doutor
Joaquim de Salles; primeiro secretário, Tyndaro Moreira Guimarães; segundo secretário,
Reynaldo Augusto de Costa e Sá; tesoureiro: Edmund Lionel Lynch; diretor técnico,
Rodolpho Malempré106. Até então, nas organizações escoteiras criadas no Brasil, incluindo-
se a ABE, era adotado o sistema leigo como regime em suas tropas107. O Lagoa, como o
grupo é conhecido, é o mais antigo em atividade ininterrupta na cidade do Rio de Janeiro.

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João Evangelista Peixoto Fortuna, Dom André Arcoverde e Rodolpho Malempré, três dos fundadores do
Lagoa. Peixoto Fortuna foi também um dos maiores entusiastas da fundação da UEB, em 1924.

A primeira festa do Lagoa, em setembro de 1918.

1918

Em maio de 1918, escoteiros e escoteiras das escolas Azevedo Junior, Silva Jardim,
João Pinheiro e 1ª Masculina, todas do 14º Distrito Escolar, a cargo do inspetor interino
Cícero Peregrino Filho, desfilaram e fizeram evoluções na Quinta da Boa Vista, em

51
homenagem ao Dia da Imprensa. O comandante e iniciador do Escotismo naquele distrito
foi o capitão Antonio Freire Vasconcellos108.
Em 1918, surgiu em Jaguarão/RS o grupo escoteiro chefiado pelo senhor Alfredo
Oliveira Mariante, funcionário do Telégrafo Nacional. Este grupo prestou grandes serviços
por ocasião da gripe espanhola, tendo a população da cidade condecorado todos os seus
membros pelo nobre e altruístico gesto que implicou em risco de vida. O senhor Mariante
fundou ainda outros grupos escoteiros em Bagé e Santa Maria. Surgiram, posteriormente,
outros grupos em Passo Fundo, Carazinho e Porto Alegre, que, em 1936, fundaram a
Federação Rio-grandense de Escotismo, que teve pouca atividade, até ser reorganizada, em
1938, pelo chefe Mariante, eleito seu primeiro presidente. Em 1940, a federação filiou-se à
Confederação Brasileira de Escoteiros da Terra109.
Escoteiros de Curitiba, Paranaguá e Morretes realizaram passeata na capital
paranaense em homenagem ao “Sete de Setembro”. A tropa da capital, liderada pelo instrutor
Newton Guimarães, desfilou desde sua sede até a estação ferroviária para recepcionar os
escoteiros do litoral. Escoteiros da Paraíba e Rio Grande do Norte também desfilaram em
suas capitais110,111.
O almirante Caio Pinheiro de Vasconcellos, presidente da Associação Bahiana de
Escoteiros, apresenta à Assembleia Geral, em 16 de abril de 1918, o relatório anual referente
ao ano anterior. A associação existia, pelo menos desde 1916, quando fechou o ano com 125
jovens registrados. Ao final de 1917, o efetivo caíra para apenas 65 membros juvenis, sendo
a evasão explicada, em parte, pela mudança de colégio, emprego e alistamento militar112.
Em agosto de 1918, o capitão Antonio Freire Vasconcellos foi autorizado a
superintender os instrutores de escoteiros das escolas municipais do Distrito Federal sem
prejuízo de suas atividades profissionais na fábrica de cartuchos e artefatos de guerra113.
Em 12 de setembro, o capitão Antonio Freire Vasconcellos, posto à disposição da
Prefeitura do Distrito Federal pelo Ministério da Guerra para superintender os escoteiros
municipais, apresentou-se ao prefeito, acompanhado do diretor de Instrução, Cícero
Peregrino114.
Realizada, em 15 de setembro de 1918, a cerimônia de compromisso dos primeiros
escoteiros católicos da paróquia de São João Batista da Lagoa, em sua sede provisória,
na rua Real Grandeza 174. Após a missa rezada pelo cônego Benedicto Marinho, e com
a presença do cônego André Arcoverde e dos doutores Pedro Lessa e Miguel Calmom,
respectivamente presidente e vice-presidente da Liga da Defesa Nacional (LDN), e do
doutor João Evangelista Peixoto Fortuna, presidente da associação de escoteiros, teve início
o programa, que constou de evoluções militares, ginástica e esgrima, sinais semafóricos,
ginástica sueca, saltos e lançamentos de pesos, tudo dirigido pelo instrutor-chefe Rodolpho
L. Malempré, finalizando com o solene compromisso e graduação nos postos do primeiro
grupo de escoteiros católicos. Numerosos presentes aplaudiram entusiasticamente. A seguir,
o doutor João Evangelista Peixoto Fortuna discursou, arrancando aplausos prolongados da

52
assistência. Finalizando a cerimônia, falou o presidente da LDN, Pedro Lessa. A seguir, os
escoteiros desfilaram pelas ruas do bairro115.
A Festa da Criança, marcada para o dia 2 de outubro, foi adiada, devido ao mau
tempo, para o dia 5. Nessa oportunidade, dentre outras solenidades, foi realizada parada
das “brigadas” de escoteiros, que foram passados em revista pelo presidente da República.
Os cerca de 600 escoteiros municipais, dirigidos pelo capitão Antonio Freire Vasconcellos,
foram divididos em duas colunas; a primeira, sob o comando do instrutor Lafayete Tapióca,
era composta por escoteiros de Cascadura, do Ginásio Arte e Instrução, Independentes, da
Escola Silva Jardim, das escolas Azevedo Junior, João Pinheiro, Quintino Bocaiúva e das 1ª,
2ª e 3ª Escolas Masculinas do 14º Distrito e 1ª Masculina do 12º Distrito; a segunda coluna,
sob o comando do instrutor Gabriel Skinner, foi composta pelos escoteiros da 4ª e 5ª Escolas
Masculinas do 3º Distrito, e das escolas Oswaldo Cruz, Major Ávila, do Engenho Novo,
Visconde de Cayru e Padre Antonio Vieira. Após o desfile, que percorreu a praça Mauá,
avenida Rio Branco e volteando o Passeio Público, o presidente da República “armou” vários
escoteiros e escoteiras municipais de segunda classe aprovados em exame prévio. O Jardim
Zoológico, assim como diversos cinemas e circos franquearam a entrada às crianças116.
Nos últimos meses de 1918, ocorreu no Brasil uma epidemia de gripe espanhola. No
Rio de Janeiro, os escoteiros do São João Batista da Lagoa prestaram valorosos serviços à
sociedade visitando os enfermos e fazendo a entrega de medicamentos, alimentos, colchões,
transporte e hospitalização dos enfermos, assistência a moribundos, guarda de cadáveres
e enterro de vítimas. A Liga da Defesa Nacional reconheceu a associação como sua filiada,
com os mesmos direitos que concedera à ABE117. Em São Paulo, escoteiros substituíram
mensageiros do serviço de telégrafos atingidos pela gripe espanhola118. Inicialmente, foi
anunciado que os escoteiros escolares não participariam da Festa da Bandeira no Rio de
Janeiro, pois as escolas foram fechadas devido à epidemia que assolava a cidade, mas eles
acabaram se fazendo presentes119. No Rio Grande do Sul, escoteiros de Jaguarão receberam
medalhas pela atuação na epidemia120.

1919

Publicado, em 1919, o Guia Brasileiro de Escotismo, de autoria do advogado Hilário


Freire121. Tratava-se de “um manual portátil com todos os ensinamentos básicos do escotismo
nacional, destinado a ser conduzido no bolso dos Escoteiros e calcado, com ampliações,
sobre o método expositivo de Le Memento de L´Eclaireur , do Capitão Royet”.

53
Guia Brasileiro de Escotismo, de 1919.

Em janeiro de 1919 assume o cargo de prefeito do Rio de Janeiro o engenheiro Paulo


de Frontin. O apoio oficial aos escoteiros municipais decresce e a organização entra em
declínio.
Em 30 de maio de 1919, foi realizada na casa da senhora Adele Lynch122, na rua
São Clemente, em Botafogo, Rio de Janeiro, a primeira reunião para divulgar a carta de
Lady Baden-Powell, “Comandante em Chefe” das Girl Guides, trazida pelo senhor Barclay.
Participaram, dentre outros, as senhoras Eugenio de Barros (Anna Luiza Bandeira de Mello),
May Mackenzie, Clara Santos e Jerônima Mesquita. Nessa reunião foi eleita presidente a
senhora Eugenio de Barros e vice-presidente, Lady Mackenzie, que ofereceu sua casa, na
avenida Atlântica, para sediar as reuniões das bandeirantes. Mais tarde, Jerônima Mesquita
foi eleita “Comandante em Chefe, com a responsabilidade de preparar moças e líderes para
desenvolver o Bandeirantismo no Brasil. Jerônima Mesquita era mulher de grande presença
na sociedade pelo seu trabalho como enfermeira na I Guerra Mundial e por acreditar
que a mulher deveria ter papel mais atuante na sociedade. Sob sua liderança foi iniciada
a preparação das primeiras 11 chefes das girl guides, que fizeram a Promessa em 13 de
agosto, na residência de Lady Mackenzie. As 11 primeiras bandeirantes do Brasil foram Edel
Ramos, Maria Elisa Costa, Zaira Lisboa, Ivone Masset, Solange Ramos, Gasparina Santos,
Kate Bulhões de Carvalho, Heloísa Graça Couto, Phyllys Saville, Rosita Sampaio Bahiana e
Clara Santos. Somente em 1920 foi adotada a denominação de bandeirantes, sugerida pelo

54
professor Jonathas Serrano, para substituir o termo girl guide. Em 1921, durante viagem
à Inglaterra, Lady Mackenzie convidou e trouxe ao Brasil, por período de seis meses,
Miss Violet Atkinson Grimshaw, recomendada pelo Slead Quarter das Girl Guides; em sua
estada, Miss Grimshaw organizou o Movimento, fundou novas companhias, e ao retirar-se,
deixou a federação em excelentes condições, com a constituição de um conselho constituído
por: comandante em chefe, Jerônima Mesquita; presidente, senhora Pereira Lima; vice-
presidente, Lady Mackenzie; tesoureira, Vera Delgado de Carvalho; conselheiras, senhora
Rampi Williams e senhoritas Clara Santos, Carmen Rezende e Rosita Sampaio; primeira
secretária honorária, Lygia Darcy; segunda secretária honorária, Lourdes Lima Rocha123,124.

Jerônima Mesquita, em foto de 1928.

Em 4 de junho de 1919125, surgiu a segunda Tropa de Escoteiros Católicos na Escola


Popular de São Bento, dos padres beneditinos. Havia outras tropas em perspectiva de
fundação, mas imperou o bom senso de não criá-las sem que se pudesse contar com chefes
competentes de modo a só se criarem tropas bem dirigidas. O doutor João Evangelista
Peixoto Fortuna participou, com destaque, na criação daquelas duas tropas.
Como presidente da União Católica Brasileira, o doutor Peixoto Fortuna resolveu
nela criar uma “Escola de Instrutores” que se instalou em 1º de agosto de 1919, alegadamente
a primeira escola de instrutores escoteiros do mundo126,127. A escola fundou vários grupos
escoteiros, a ela filiados, permanecendo o São João Batista da Lagoa como associação escoteira

55
isolada. Em 11 de junho de 1921, já com nove grupos filiados, a escola transformou-se na
Associação de Escoteiros Católicos do Brasil, com sede na avenida Rio Branco 40, 1º andar128.
Em 1924, a associação contava com 55 grupos129. A Associação de Escoteiros Católicos do
Brasil recebeu o reconhecimento do Bureau Internacional e foi uma das fundadoras da UEB.

Logo dos Escoteiros Católicos.

No mesmo mês de agosto, foi iniciado o primeiro curso da Escola de Instrutores. O


curso teve a duração de nove meses durante os quais foram ministradas 39 aulas na sede, dez
excursões de instrução, dois exercícios noturnos de campo e sete acampamentos com um
total de 17 dias de campo. O curso foi concluído em junho de 1920130.
O Senado rejeitou o Projeto de Lei que conferia isenção de direitos para as mercadorias
importadas pela Associação Brasileira de Escoteiros131.
Em 12 de outubro de 1919, a Associação dos Escoteiros Católicos iniciou a edição
do tabloide O ESCOTEIRO. Os cincos primeiros números eram de propriedade da casa
comercial instalada no Rio de Janeiro A La Ville de Paris; no cabeçalho, constava o seguinte:
ÓRGÃO DEDICADO À DIVULGAÇÃO DO ESCOTISMO NO BRASIL – PARA
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA. A loja A La Ville de Paris tinha uma “seção” de Escotismo
“com uniformes completos e todos os artigos necessários aos Escoteiros”. A partir do número
6, o jornal passou a ser propriedade e órgão oficial da AECB. Em 1925, O Escoteiro tornou-
se o órgão oficial da UEB e teve seus dois últimos números datados de 15 de novembro de
1925.
Em 1919, o cruzador José Bonifácio, sob o comando do capitão de corveta Frederico
Villar e tendo como imediato Armando Pina, aportou em Belém/PA, dando início a sua
missão de dois anos de duração para a nacionalização da pesca. Em 21 de dezembro de
1919, Villar, acompanhado de seus oficiais, entre os quais o tenente Gumercindo Loretti,
participou da cerimônia de Juramento à Bandeira Nacional dos primeiros 96 escoteiros da
“primeira companhia de escoteiros”, organizada e dirigida pelo tenente Benjamin Sodré,
com o apoio do Payssandu Sport Club132. Nasceu desse momento a ideia da organização
de grupos escoteiros, posteriormente do mar, nas escolas das colônias de pescadores133.

56
Desta ação surgiram os primeiros “grupos escoteiros do mar” e foi fundada a Confederação
Brasileira de Escoteiros do Mar em 1921.

1920

Diplomada a primeira turma da Escola de Instrutores da Associação de Escoteiros


Católicos do Brasil dirigida por J. E. Peixoto Fortuna. Em 4 de junho, os instrutores recém-
formados enviam correspondência a Baden-Powell, nos seguintes termos:

Os instrutores recém diplomados pela Escola de Instrutores de Escoteiros do Rio


de Janeiro vêm, no dia em que recebem os seus diplomas e repetem solenemente o
seu compromisso saudar cordial e afetuosamente o seu grande fundador, exemplo e
mestre, desejando-lhe as maiores felicidades e que Deus o conserve por muitos anos
no interesse do escoteirismo mundial.

Assinaram: David Mesquita de Barros, Washington Pinto, Amador José Lopes,


Euclydes de Souza Moreira, Aristóteles Correia Farias Castro, Dagoberto Nogueira, Mario
de Gusmão Castello Branco, Eugenio Labanca e Francisco Labanca134.
Baden-Powell respondeu a carta:

Londres, 24 de agosto de 1920. Caro Senhor, agradou-me sobremodo, e comoveu-me, o


recebimento da amável mensagem de lealdade assinada por vossos instrutores no dia de sua
nomeação. Apreciei muito seu afetuoso pensamento para comigo e cordialmente desejo-lhes o
melhor resultado em seu grande trabalho.

Creiam-me, sinceramente vosso,

Robert Baden-Powell135.

Em junho de 1920, por ocasião de uma sessão do Clube de Estudos e Movimento


Escoteiro existente na Escola de Instrutores da Associação dos Escoteiros Católicos do
Brasil, foi aventada a ideia da realização de um congresso dos escoteiros brasileiros, que
trataria de unificar a instrução, regulamentos e programas de todos, permitindo assim a
maior unidade, fraternidade e comunhão de esforços. Seria tratada também a criação de uma
Confederação das Associações e Grupos Escoteiros do Brasil. A ideia foi calorosamente
aplaudida por todos os presentes, entre os quais estavam representantes de quase todas as
associações e grupos escoteiros do Rio de Janeiro136.

57
Instrutores da AECB: Washington Pinto, Mario C. Branco, Eugenio Labanca, João Evangelista Peixoto
Fortuna, David Mesquita de Barros e Francisco Labanca.

Em 1º de agosto de 1920, João Evangelista Peixoto Fortuna e David de Barros


receberam as Cruzes Swástica em grau ouro e prata, respectivamente, da Associação de
Escoteiros Católicos do Brasil. Eles foram os primeiros escotistas brasileiros a serem
condecorados137.
Em setembro de 1920, a Associação de Escoteiros Católicos do Brasil contava com
os seguintes grupos escoteiros filiados: Nº 1: Escola de Instrutores Escoteiros, avenida Rio
Branco, 40, com 22 alunos instrutores; Nº 2: Escola Popular de São Bento, rua 1º de Março,
com 45 escoteiros; Nº 3: União Católica Brasileira, avenida Rio Branco, 40, com 10 escoteiros;
Nº 4: Paróquia do Méier, rua Cardoso, com 18 escoteiros; Nº 5: Escola da Luz, rua Ana Nery,
com 14 escoteiros; Nº 6: Escola São Alberto, largo da Lapa, com 10 escoteiros; e Nº 7:
Paróquia da Glória, largo do Machado, com 38 escoteiros138. Em dezembro, foi incorporado
o Grupo Nº 8, da Gávea, fundado por Rodolpho L. Malempré139.
Em outubro de 1920, a Associação dos Escoteiros Católicos adiciona o termo “do
Distrito Federal” ao seu nome140.
Em outubro de 1920, o Bureau Internacional enviou proposta de reconhecimento
a 40 associações escoteiras em todo o mundo; entre elas encontrava-se a Associação de
Escoteiros Católicos do Brasil. O Bureau solicitava cópias dos estatutos e regulamentos
dessas associações, assim como exemplares de jornais escoteiros publicados141. Em dezembro
do mesmo ano, atendendo ao convite recebido do Bureau Internacional, a AECB tornou-se
a organização escoteira brasileira reconhecida internacionalmente142.

58
O primeiro Jamboree Mundial foi realizado em Olympia, Londres, entre 30 de julho
e 8 de agosto de 1920. Não houve participação brasileira, por falta de tempo hábil para
organizar uma delegação e principalmente por ainda não existir no Brasil uma Confederação
de Escoteiros que tomasse a iniciativa e se responsabilidade por tais empresas143,144.
A Associação de Escoteiros do Alecrim (Boy Scouts do Alecrim) é considerada de
utilidade pública pela Lei nº 491 de 1º de dezembro de 1920145.

1921

Em janeiro de 1921, foi fundado, junto ao Grupo de Escoteiros da Paróquia da Glória,


o Nº 7 da AECB, no Rio de Janeiro, o primeiro “grupo de lobinhos” do Brasil, para meninos
de sete a nove anos de idade. O nome “lobinhos”, adotado pela nova seção, é uma tradução
do termo inglês “wolf cubs”. Os instrutores foram, inicialmente, David Mesquita de Barros
e Ansgar Knud Jensen146. O segundo grupo de lobinhos foi fundado em 2 de março de 1921,
na Escola Popular de São Bento147.
Publicado, em dois volumes, o Guia do Escoteiro Baiano, de autoria do segundo-
tenente do Exército Edgard da Cruz Cordeiro148.
Em março, a Associação de Escoteiros Católicos do Distrito Federal passa a chamar-
se Associação de Escoteiros Católicos do Brasil149. O Conselho Técnico decidiu adotar o
sistema inglês de organização das tropas, compostas por patrulhas e os postos de monitor e
submonitor, extinguindo os postos de guia e chefe; os atuais guias e chefes foram mantidos
honorariamente, porém exercendo as funções de monitores150.
Em janeiro de 1921, a Associação de Escoteiros Católicos do Brasil realizou o segundo
jamboree intergrupos, com participação de 115 escoteiros de seis grupos católicos, além de
16 escoteiros de Botafogo. O evento constou de diversas competições esportivas, atléticas
e culturais. As tropas com melhor desempenho foram: em primeiro lugar, São Bento; em
segundo lugar, Glória; e em terceiro lugar, Gávea151.

59
Primeira fotografia de escoteiros brasileiros (do Rio de Janeiro) publicada
internacionalmente na revista Jamboree de julho de 1921152.

Abertos novos grupos na AECB: Nº 9, Catete; Nº 10; Santana; e Nº 11, Engenho


Novo .
153

Publicado o hino Alerta, letra e música de Benevenuto Cellini dos Santos154.


O Botafogo Football Clube e, pouco depois, o Clube de Regatas do Flamengo,
seguindo o exemplo do seu congênere Fluminense Football Club, criaram suas seções de
Escotismo155.
Em 1921, por iniciativa do doutor Almeida Cunha, o instrutor Jensen, dos escoteiros
do Fluminense Football Club, foi convidado a ir a Belo Horizonte colaborar com a abertura
de um grupo escoteiro. Devido estar adoecido por ocasião da chegada do colaborador,
Almeida Cunha convidou o doutor Henrique Marques Lisboa para arregimentar jovens
e conduzir a abertura do Grupo Escoteiro de Belo Horizonte. Marques Lisboa assumiu
a chefia do grupo e realizou diversas excursões a Sabará, Morro Velho, Contagem, Pico,
Cercadinho, Posto e outros locais. Por ocasião das festas do Centenário da Independência,
em 1922, o grupo viajou ao Rio de Janeiro, acampando no Fluminense. Alguns meses depois,
o doutor Marques Lisboa entregou o grupo ao América Futebol Clube, que desejava abrir
uma seção de Escotismo. Infelizmente, meses depois, o grupo se dissolveu156. Somente em
maio de 1926 o Escotismo ressurgiu na capital mineira, quando o professor de ginástica
Antonio Pereira da Silva fundou um “batalhão” de escoteiros no Ginásio Mineiro de Belo
Horizonte157, que depois tomaria o nome de GE Guia Lopes. Em 1927, Antonio Pereira da
Silva liderou a Associação Escolar de Escoteiros em Minas Gerais, que fundou grupos em
14 escolas da capital mineira158.

60
Escoteiros Escolares Mineiros, 1929.

No Rio de Janeiro surgiram outras entidades escoteiras nacionais. Em 7 de setembro


de 1921, durante acampamento de escoteiros católicos e municipais do Rio de Janeiro,
realizado no bairro do Saco de São Francisco, enseada de Jurujuba, em Niterói, foi fundada
a Confederação Brasileira de Escoteiros do Mar (CBEM), com a presença do senhor
Veiga Miranda, ministro da Marinha, e do almirante Aristides Mascarenhas, deputado
José Portugal, coronel Américo Froes, coronel João Ignácio da Silva, capitão Antonio
Freire Vasconcellos, capitão Frias Villar, capitão-tenente Virginius de Lamare, primeiros-
tenentes Benjamin Sodré e Gumercindo Portugal Loretti, Astrogildo Azevedo, Carlos Maul,
Francisco de Paula Machado, Tancredo Vieira, doutor J.E. Peixoto Fortuna, capitão Benjamin
Oliveira, Luiz Jorge Vidal, João Miranda, Bruno Nunes, Gabriel Skinner, doutor Agostinho
de Oliveira, doutor Paulo de Oliveira e outros. A primeira diretoria da CBEM foi composta
por: presidente, doutor Paulo da Rocha Vianna; vice-presidente, capitão engenheiro militar
Antonio Freire Vasconcellos; vice-presidente, doutor João Evangelista Peixoto Fortuna;
vice-presidente, capitão-tenente Jair Albuquerque; primeiro secretário, tenente Gumercindo
Portugal Loretti; segundo secretário, Eduardo de Moraes Filho; primeiro tesoureiro, Bruno
Nunes; segundo tesoureiro, João de Rocha Vianna; diretor técnico geral, Gabriel Skinner;
representante do Conselho Técnico Superior, Benjamin Sodré. O Conselho Técnico

61
Superior era composto por: Benjamin Sodré, Gabriel Skinner, tenente- coronel Pedro Dias
de Campos, capitão-tenente Armando Pina e pelo primeiro- tenente Ary Parreira159. Foi de
Gumercindo Loretti a ideia da criação da Confederação Brasileira de Escoteiros do Mar160.

O primeiro logo da Confederação Brasileira de Escoteiros do Mar.

Registrada em outubro de 1921 a concessão dos primeiros títulos de “Escoteiro da


Pátria”, para os jovens Antonio Dias de Souza, Claudio Figueiroa, Oscar Messias Cardoso,
Jayme Maia de Arruda e Antonio da Silva Carneiro, todos pertencentes à Tropa São
Bento, da Associação dos Escoteiros Católicos do Brasil. A primeira menção ao título de
“Escoteiro da Pátria” surgiu no Estatuto da Associação de Escoteiros Católicos do Brasil161.
Posteriormente, a distinção foi apropriada pela UEB, que a concedia aos escoteiros por
proposta das federações a ela filiadas. Após a introdução do ramo sênior, o título poderia ser
conquistado por escoteiros e por seniores162, e mais adiante, apenas por seniores.

Antonio da Silva Carneiro, um dos primeiros “Escoteiros da Pátria”, em foto de 1928.

62
A partir de 28 de dezembro de 1921, o “Velho Lobo”, denominação adotada por
Benjamin Sodré, começa a publicar na revista mensal juvenil Tico-Tico, que fora iniciada
em 1905, uma coluna regular denominada de “Escotismo”, com artigos mensais até 1933. A
publicação é interrompida entre novembro de 1927 e março de 1930, período em que em que
o “Velho Lobo” residiu em outro estado da Federação. O Tico-Tico tinha alcance nacional e
constituiu-se em veículo de divulgação do Escotismo. Sodré mantinha vasta correspondência
com leitores de todo o Brasil, chegando a motivar a abertura de grupos escoteiros, como,
por exemplo, o Grupo Escoteiro de Carolina, no Maranhão, em 23 de abril de 1923, pelos
senhores José Queiroz e Antonio Braga163.

1922

Fundados novos grupos escoteiros pela AECB. São: o Nº 12, Coração de Jesus, tendo
como presidente o padre Leovigildo Franca; e o Nº 13, Jacarepaguá, fundado pelo educador
Henameel Maciel Tavares164.
Em 25 de janeiro, em sua coluna sobre Escotismo no Tico-Tico, Benjamin Sodré
analisa o desenvolvimento do Movimento no Brasil; elogia a quantidade de escoteiros em
São Paulo e um pouquinho (sic) no Rio, lamenta o fenecimento das iniciativas no Maranhão
e Amazonas, critica a existência de batalhões infantis nas escolas, levanta a bandeira de
possuirmos uma única associação orientativa no Brasil, ao invés das quatro então existentes:
Associação Brasileira de Escoteiros com sede em São Paulo e 140 grupos escoteiros;
a Associação de Escoteiros Católicos do Brasil, com sede no Rio e 12 grupos filiados; a
Confederação Brasileira de Escoteiros do Mar, também no Rio, recém-organizada, e com
grupos nas colônias de pesca no litoral brasileiro; e os escoteiros municipais da capital,
organizados em escolas municipais do Rio de Janeiro; cita ainda a existência de grupos no
Pará, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraná “orientados” pela
ABE165. No mesmo dia, Sodré recebe carta manuscrita de João Evangelista Peixoto Fortuna,
que contesta a situação do Escotismo no Rio de Janeiro, informando que a AECB possui
12 grupos e 500 escoteiros, e há mais seis agrupamentos; informa ainda que a ABE possui
apenas cerca de 18 a 25 grupos ativos e não os 140 apregoados; que a ABE não é orientadora
nacional, que seus instrutores são da Força Pública, que ensinam ginástica e evoluções e só,
e não Escotismo. Peixoto Fortuna informou ainda que o Código do Escoteiro publicado por
Sodré era tradução do texto francês, adaptado pela ABE, e não do Código de Baden-Powell
dos boy scouts ingleses, que é igual ao da AECB166. Alguns números depois, Sodré corrige sua
informação, declarando que o Boletim da ABE noticiou a fundação e reorganização de 33
grupos escoteiros e comissões regionais em São Paulo167.
Fundada em São Paulo, em 10 de março de 1922, a Comissão Regional de Escoteiros
Baden Powell, posteriormente Associação de Escoteiros Baden Powell. A associação aceitava
a filiação de núcleos, grupos ou federações de escoteiros brasileiros, respeitando a autonomia

63
de cada um. Os organizadores da associação foram Emilio V. Crediddio, Lucas A. Baptista,
Paschoal Costanzi e Horacio Quaglio168.
Em 4 de abril de 1922, Gumercindo Portugal Loretti organizou reunião na Liga de
Defesa Nacional para uma tentativa de unificar o movimento escoteiro no Brasil. O evento,
presidido pelo doutor Manoel Cícero Peregrino da Silva, contou com as presenças de Coelho
Netto e Ivo Arruda pela Liga, e de Gabriel Skinner, Davi José Lopes Filho, João Evangelista
Peixoto Fortuna, Benjamin Sodré, Aureliano Amaral, Abdon de Oliveira Dias, Adolpho
Staerker, Washington Pinto, David de Barros, Eugenio Labanca, Rodolpho Malempré,
Victor Schlubecker, Mario Pollo, Heitor Beltrão, A.K. Jensen e outros representantes das
associações escoteiras da capital e estados. O doutor Aureliano Amaral pediu para ler ofício
da ABE, de São Paulo, no qual esta associação lembrou que recebeu da Liga da Defesa
Nacional a missão de promover a unidade e coesão das associações escoteiras já organizadas
e em organização no Brasil e que julga ter cumprido a contento, posto que apenas a AECB e
o Fluminense não se filiaram, não sendo portanto razoável que lhe seja cassada a autorização
concedida. O senhor Coelho Netto declarou que a LDN não retirara a autorização concedida
à época de Olavo Bilac e que somente estava cedendo o local para as reuniões a pedido
das associações escoteiras. Falaram a seguir Benjamin Sodré, Gabriel Skinner, Marco Pollo,
Heitor Beltrão, e Rodolpho Malempré. Foram discutidas propostas e aprovado o envio
de apelo à ABE em prol da criação da confederação, demonstrando o desejo da unificação
geral das associações169,170. Infelizmente, a ABE manteve-se irredutível e o assunto não teve
prosseguimento imediato.
Concedidas, pela AECB, as condecorações Cruz Swástica, em grau ouro, ao deputado
doutor Amaral Carvalho, e em grau prata, ao doutor Hilário Freire e ao professor Antonio
A. Martins171.
Em 4 de junho de 1922, é fundada a Federação de Escoteiros do Brasil172.
Em julho de 1922, a Associação Brasileira de Escoteiros Católicos participa da II
Conferência Internacional, realizada em Paris, com mais 29 países presentes. A AECB
associou-se também ao Escritório Internacional de Escoteiros Católicos, presidido pelo
conde Mario di Carpegna, membro do Comitê Mundial Escoteiro173.

A versão de 1922 dos Estatutos da ABE174 estabelecia que:

A Associação Brasileira de Escoteiros com sede em São Paulo, fundada em 29 de


novembro de 1914, se destina à formação do escoteiro, promovendo nos moços que a
ela se filiarem: a) O vigor e a destreza física; b) O espírito de iniciativa; c) A decisão
rápida; d) A coragem; e) A solidariedade, f) A honra; g) O patriotismo.

A ABE será dirigida por um Conselho Superior composto por 25 membros, com
mandato de cinco anos, eleitos pela Assembleia Geral, com renovação anual de
um quinto; a Diretoria, composta por um presidente, quatro vice-presidentes, dois

64
secretários e dois tesoureiros, com mandato de dois anos; e uma Comissão Técnica.
Na capital de cada Estado filiado haverá uma diretoria, das comissões regionais
fará parte um delegado da Comissão Técnica, no respectivo Estado. A Comissão
Técnica da capital de cada Estado se compõe de três membros, dois dos quais eleitos
pelo Conselho Superior, com mandato de dois anos, sendo o terceiro, na qualidade de
Presidente, o Diretor Geral da Instrução Pública, no respectivo Estado, ou quem por
ele indicado.

A ABE é estranha a questões partidárias ou religiosas.

O Juramento do Escoteiro era apresentado sob duas formas:

1ª Fórmula: Prometo pela minha honra: Proceder em todas as circunstâncias como


homem consciente dos seus deveres, leal e generoso; amar a minha Pátria e servi-la
fielmente na paz e na guerra; obedecer ao Código do Escoteiro.

2ª Fórmula: Prometo pela minha honra: Proceder em todas as circunstâncias como


homem consciente dos seus deveres, leal e generoso; amar a Deus e à minha Pátria
e servi-la fielmente na paz e na guerra; obedecer ao Código do Escoteiro. (nota: esta
segunda fórmula foi adotada para respeitar as crenças religiosas dos escoteiros).

O Código do Escoteiro possuía 12 artigos:

1º - A palavra de um escoteiro é sagrada. Ele coloca a honra acima de tudo, mesmo


da própria vida;
2º - O escoteiro sabe obedecer. Compreende que a disciplina é uma necessidade de
interesse geral;
3º - O escoteiro é um homem de iniciativa;
4º - O escoteiro aceita, em todas as circunstâncias, as responsabilidades pelos seus
atos;
5º - O escoteiro é leal e cortês para com todos;
6º - O escoteiro considera todos os outros escoteiros como seus irmãos, sem distinção
de classe social;
7º - O escoteiro é generoso e valente, sempre pronto a auxiliar os fracos, mesmo com
prejuízo da própria vida;
8º - O escoteiro pratica, todos os dias, uma boa ação, por mais modesta que seja;
9º - O escoteiro estima os animais e se opõe a toda crueldade contra eles;
10º - O escoteiro é sempre jovial e entusiasta e procura o bom lado de todas as coisas;
11º - O escoteiro é econômico e respeitador do bem alheio;

65
12º - O escoteiro tem a constante preocupação de sua dignidade e o respeito de si
mesmo.

O uniforme do escoteiro era composto por camisa, calção comprido na cor kaki, meias
pretas compridas, chapéu de abas largas, perneiras altas de couro preto, borzeguins
de couro preto, lenço, cinto de couro amarelo escuro tendo duas argolas para
mosquetões e fivela com o emblema da associação. Os escoteiros de 2ª classe e de 1ª
classe usariam o distintivo respectivo. Os escoteiros poderiam usar, facultativamente,
pelerine de brim ou de lã, na cor kaki, como o fardamento.

Em julho de 1922, o editorial da revista O Escoteiro, da ABE, comentou o convite


recebido através de ofício enviado por Coelho Neto, secretário geral da Liga da Defesa
Nacional, a participar de congresso de associações de escotismo para tratar da definitiva
organização da Confederação dos Escoteiros do Brasil. A ABE respondeu formalmente o
convite, informando que já está feito, desde 1917, o que se pretendia fazer, pois ela, a ABE,
seria a confederação nacional em questão. Entretanto, apesar de ter efetivamente divulgado
o escotismo e contribuído para seu surgimento em outros estados, eram pouquíssimas as
unidades de fora de São Paulo efetivamente filiadas à ABE: uma unidade no Amazonas, uma
em Alagoas, uma no Paraná, duas em Goiás, uma em Minas Gerais e uma no Rio Grande
do Norte175.
É publicado, em 1922, o Livro do Escoteiro - Manual do Escoteiro Brasileiro, escrito
por Arnaldo Guinle, presidente do Fluminense Foot-Ball Club, e Marco Pollo, jornalista do
Correio da Manhã. O livro possuía introdução escrita por Olavo Bilac176 e Coelho Netto, da
Liga da Defesa Nacional e foi publicado pela Imprensa Nacional. Apresentado pelos autores
como uma adaptação de obras consagradas, inglesas, francesas e portuguesas, afirmava que:

(...) o objetivo do Escotismo é contribuir para a formação de homens corajosos,


enérgicos e dedicados, a fim de compensar as lacunas da educação moderna que,
exigindo quase unicamente o esforço da inteligência, não procura desenvolver
o caráter, a energia e a disciplina(...), todo escoteiro assume um compromisso
publicamente, diante de seus camaradas, e este vem constituir uma sugestão futura
para seus atos(...), reunir escoteiros não é o mesmo que organizar batalhões escolares,
o Escotismo não constitui um agrupamento militar.

O Compromisso do Escoteiro era:

Prometo pela minha honra: Proceder em todas as circunstâncias como homem


consciente dos meus deveres, leal e generoso; amar a minha Pátria e servi-la fielmente
na paz e na guerra; obedecer ao Código do Escoteiro.

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Informava ainda que “o Juramento dos boy scouts ingleses importa no compromisso
de fidelidade a Deus. É evidente que esse compromisso pode figurar ad libitum177, na fórmula
prestada pelos jovens que adotam a religião”. O Código do escoteiro era idêntico ao da ABE;
tinha doze artigos.
A seguir, o manual interpreta os valores contidos no Juramento e no Código, fala
sobre a organização do Movimento, uniformes e distintivos. O uniforme do escoteiro era:

Chapéu: de forma de cowboy, cor caqui e abas largas, com correia para passar por
baixo do queixo e fita de couro em vez da fita comum.
Camisa: de cor caqui, com dois bolsos.
Calça: de cor cáqui, direita e curta, larga no joelho.
Meias: compridas e de lã ou perneiras, como melhor convier.
Borzeguins: de preferência de cor amarela.
Cinto: de couro, com dois bolsos para apito e canivete.
Bastão: de 1,80m de altura e 3cm de diâmetro, graduado em decímetros e meios
decímetros.
Mochila: de brim de linho.
Paletó: Norfolk (facultativo).
Perneiras: de lona ou tecido apropriado para enrolar (facultativa).

Quanto ao uniforme dos instrutores, estabelecia que “o uniforme dos instrutores é


semelhante ao dos escoteiros, mas, em lugar da calça aberta no joelho, devem eles usar calça
fechada, com botões e perneira de linho, paletó cáqui e, em lugar do bastão, uma bengala
comum”.
O manual estabelecia que:

por motivo de economia, o uniforme poderia ser adquirido aos poucos, começando
com o chapéu, o lenço e o bastão. Todos os membros efetivos da ABE178 deveriam
possuir o distintivo da Associação, em metal, que representava a mocidade e a energia
dedicadas ao Brasil. O distintivo será entregue depois da entrega da carteira de
identidade, do exame de admissão e do compromisso.

Apresentava também as diversas provas a serem cumpridas para ser admitido como
noviço, segunda classe e primeira classe, especialidades, os sinais escoteiros, os sinais de
pista e os nós179.
Criada a Organização Mundial do Movimento Escoteiro. O Brasil é membro
fundador180.
Realizada em Paris, de 22 a 29 de julho de 1922, a 2ª Conferência Internacional
Escoteira, com participação de 30 países, entre os quais o Brasil. As principais decisões da
conferência foram: a) para as votações, cada país tem direito a seis votos, divididos igualmente

67
entre suas associações escoteiras caso exista mais de uma; b) criado o Comitê Executivo,
composto por nove membros, para agir em nome da Conferência Internacional entre suas
reuniões; foram eleitos para o comitê: conde Mario di Carpegna, Lord Hampton, honorável
Myron T. Herrick, major Ebbe Lieberath, conde H. Marty, diretor Alfred Pickford, Mr.
Mortimer L. Schiff, doutor A. B. Svojsik e Mr. Emmerich Teuber; c) o comitê teria os
seguintes poderes: decidir sobre a admissão de novas organizações, estabelecer o programa
e regulamentos das futuras Conferências Internacionais, supervisionar a gestão financeira
do Escritório Internacional, escolher o diretor do Escritório Internacional, representar a
Conferência Internacional entre suas reuniões, eleger novos membros em caso de vacância,
d) Reafirmar Sir Robert Baden-Powell como chefe-escoteiro mundial etc.181.
Em 1922, a Associação de Escoteiros Católicos do Brasil filiou-se, na condição de
cofundadora, ao Office International des Scouts Catholiques (OISC), com sede em Roma,
que se destina a congregar os escoteiros católicos de todo o mundo, sendo constituído
pelas associações escoteiras católicas filiadas e reconhecidas pelo Bureau International de
Londres. Preside o OISC o conde Mario di Carpegna, presidente da Associação Escoteira
Católica Italiana e um dos nove membros do Comitê Executivo do Bureau International182.
Realizados, pela Associação de Escoteiros Católicos do Brasil, um jamboree e um
congresso escoteiro. O jamboree teve sua parte de campo realizada no Leblon entre 15 e 17 de
abril, com um certame no dia 23, no campo de Sant´Anna, quando foi concluído e entregues
os prêmios. A segunda parte, esportiva, foi realizada nos dias 7 e 14 de maio, no estádio do
Fluminense Foot-Ball Club. Na parte de campo foram disputadas provas de observação,
disciplina, nós, avaliação de distâncias, instalação de acampamento, cozinha, fogueiras,
instrução teórica, conhecimento da cidade, festa de campo e desinstalação de acampamento.
As seis provas restantes foram disputadas no campo de Sant´Anna: sinalização, primeiros
socorros, educação dos sentidos, lutas escoteiras, ginástica sueca e cantos. Participaram 360
escoteiros e a assistência foi de 3.000 pessoas. Ao término, todos os escoteiros renovaram o
Compromisso. Sagrou-se campeã a Tropa São Bento, com 59 pontos, ficando em segundo
lugar a Tropa Engenho Novo, com 35 pontos e em terceiro, a Tropa Petrópolis, com 24
pontos. Na parte esportiva, participaram 14 tropas com 202 “atletas”, que disputaram provas
de corrida, salto em altura e em distância, salvamento, mergulho e natação, lançamento de
bastão e granada, cabo de guerra. Os vencedores da parte esportiva do jamboree foram: em
primeiro lugar, a Tropa do Fluminense, com 112 pontos; em segundo, a Tropa da Glória,
com 56 pontos; e em terceiro, a Tropa da Baden Powell Boy Scouts, com 42 pontos. Já o
I Congresso Escoteiro teve início no acampamento em 15 de abril e suas sessões foram
realizadas em 18 e 30 de abril, 3, 9 e 15 de maio, no salão do Lyceu de Artes e Ofícios.
Participaram do congresso 65 instrutores de 12 associações ou grupos isolados do Brasil.
Foram apresentadas e discutidas as seguintes teses: “Religião e Escoteirismo”, pelo doutor
João E. P. Fortuna; “Jogos Escoteiros”, por Dagoberto Nogueira; “Organização Escoteira”,
por Washington Pinto; “Militarismo do Escotismo”, por Benevenuto Cellini dos Santos; “O
Esporte no Escotismo”, por David M. de Barros; “Os Exercícios Físicos e a Defesa Pessoal”,

68
pelo doutor Manoel de Paiva Ramos; “Educação Física”, pelo professor Gabriel Skinner da
CBEM; “Militarismo e Escotismo”, pelo capitão Basílio Pyrro dos Escoteiros de S. Francisco
Xavier; “Qual é a Palavra a Empregar: Escotismo ou Escoteirismo?”, pelo doutor Aureliano
Amaral, delegado da ABE junto à Liga da Defesa Nacional183, 184,185.
Em agosto de 1922, a AECB incorpora seu 14º grupo escoteiro, o primeiro fora do
Rio de Janeiro. Trata-se do Grupo Número 14, no Ginásio Diocesano de Pouso Alegre, em
Minas Gerais186.
O governo do Estado de São Paulo instituiu o Escotismo nas escolas públicas,
contando com 50 mil escoteiros187.

1923

Em 15 de janeiro de 1923, cinco escoteiros de Natal/RN, partiram para um raid de


mais de 5.000 quilômetros até o Rio de Janeiro, onde chegaram em outubro188.
Em 4 de março de 1923 é fundada a primeira tropa para rapazes acima de 17 anos
no Brasil. O novo ramo, chamado por Baden-Powell de Rover, recebeu no Brasil, naquela
ocasião, o nome de sênior. Trata-se do Grupo Número 15, Olaria, da Associação de Escoteiros
Católicos do Brasil (AECB), sob a direção técnica do instrutor Washington Pinto, auxiliado
por João Batista Mattos Lopes. A nova tropa era composta por 12 rapazes e a instrução era
ministrada de acordo com a obra de Baden-Powell Rovering to Success e as regras dos rovers
ingleses189.
Em 22 de abril de 1923, o governo da República, por meio de um dos seus mais
nobres representantes, o ministro da Justiça, conferiu solenemente ao escoteiro João Batista
de Mattos Lopes, do Grupo 15, Olaria, a Medalha de Mérito, segunda classe, em virtude de
seus atos de abnegação e coragem por ocasião do grande incêndio na rua Rodrigo Silva190.
Foi esta a primeira vez em que tal galardão foi concedido a um escoteiro.
É organizada a Escola de Instrutores do Mar da CBEM, sob a direção de Benjamin
Sodré, sendo utilizados o aviso “Espadarte” e a vigilenga “15 de Agosto” para treinamento
dos alunos. Nesse ano são diplomados 13 instrutores, que passam a atuar nos grupos191,192.
Em 24 de março de 1923 foi sancionada, pelo governador do Paraná, a Lei nº 2.196,
que instituía a introdução do Escotismo nos estabelecimentos de ensino público193.
Lei nº 2.196 de 24 de março de 1923, que assim estabelecia:

1. O Escotismo, sendo instituição afeita ao ensino da moral e do civismo,


substitui as aulas de Educação Moral e Cívica dos Grupos Escolares.

2. A adoção de aulas de ginástica diariamente ou, ao menos, em dias


alternados, obrigatórios.

69
3. A Escola Normal contará com duas salas, uma aparelhada para a
indispensável ginástica sueca e outra para o gabinete pedométrico

(PR Lei nº 2.196 de 1923).

A AECB experimenta rápido crescimento. Encontram-se em processo de abertura


grupos escoteiros na Paróquia de Santa Tereza, Colégio Paula Freitas, Ingá (Niterói),
Curato de Bangu, Casa de Preservação (5 GEs), Rio Branco, Curso Werneck (Petrópolis) e
Fazenda Jequiá (Pernambuco)194.
Jamboree: quatorze tropas, com aproximadamente 200 escoteiros, participaram da
parte esportiva e, na parte escoteira, 15 tropas. O diretor da parte esportiva, realizada no
campo do Botafogo Football Club foi o comandante Benjamin Sodré. Na parte escoteira,
os julgadores foram: J.E. Peixoto Fortuna, Benevenuto Cellini dos Santos, Gabriel Skinner,
Diniz Curson, Euclydes de Souza Moreira, Mario Monzon e Jurucey Pucu de Aguiar195.
Em agosto, cinco escoteiros do Rio Grande do Norte realizam um raid de Natal até
São Paulo196.
Em setembro, o ministro da Marinha aprova oficialmente o Regulamento da
Confederação Brasileira de Escoteiros do Mar197.
É organizada a Escola de Instrutores de Escoteiros do Mar, sendo utilizados o
“Espadarte” e a vigilenga “15 de agosto” para o treinamento dos alunos, sob a direção de
Benjamin Sodré198.
A AECB realizou, entre 28 e 31 de julho de 1923, o 2º Jamboree e o 2º Congresso
Escoteiro do Brasil, com participação de todas as associações escoteiras existentes. No
Congresso, estiveram presentes 60 congressistas e delegados das associações, representando
cerca de cem tropas e 15 mil escoteiros. A mesa de honra do congresso foi composta por:
presidente, doutor João Luiz Alves, ministro da Justiça; vice-presidente, deputado doutor
Amaral Carvalho; e ainda doutor José Carlos Macedo Soares, doutor Arnaldo Guinle,
general Rondon, Coelho Netto, doutor Pio B. Otoni e Rodolpho Malempré. A mesa efetiva
de direção dos trabalhos foi composta por doutor João E. Peixoto Fortuna, doutor Aureliano
Amaral, comandante Benjamin Sodré, Gabriel Skinner, Benevenuto Cellini, tendo como
secretários Diniz A. Curson, Bernardo Almeida e David de Barros199, 200.
Em 23 de setembro de 1923, fundou-se, em São Paulo/SP, sob a direção de Rodolpho
Malempré, o Conselho Estadual da Associação dos Escoteiros Católicos do Brasil201.
Nessa mesma data foram iniciadas as atividades da organização escoteira Boy Scouts
Paulistas, por iniciativa de Rodolpho Malempré. A Boy Scouts Paulistas viria a ter atuação
destacada no apoio à Cruz Vermelha Brasileira e outras instituições por ocasião da Revolução
de 1932. Entretanto, seus Estatutos somente viriam a ser registrados nove anos depois, em
1932202.
Às 17 horas de 21/12/1923, foi inaugurada solenemente, na praia do Flamengo,
em frente à rua Dois de Dezembro, a estátua em bronze O Escoteiro, obra do escultor

70
chileno Fernando Thauby, oferecida pelos escoteiros chilenos aos escoteiros brasileiros, em
agradecimento pelos socorros enviado às vítimas do terremoto ocorrido naquele país203. 

A mesa diretora dos trabalhos do Congresso Escoteiro de 1923. Curiosamente, as fotos de Gabriel Skinner e
Benevenuto Cellini estão trocadas.

71
______________________________________________________________________________________________________________________________

REFERÊNCIAS

1
Folheto “Homenagem ao Chefe Gabriel Skinner em sua Maioridade Escoteira 4 de julho 1912-1933” (acervo
CCME).
2
Depoimento manuscrito de Gabriel Skinner (acervo CCME).
3
Teatróloga, conferencista, professora e membro da Academia de Literatura Feminina do RS. 
4
Folha da Tarde, de Porto Alegre, em 01/09/1954.
5
Revista Vamos Ler!, 28 de junho de 1945, pág. 52, Rio de Janeiro.
6
Jornal Der Feldmeister, número 5, páginas 34/35, maio de 1915 (Museu João Ribeiro dos Santos, Juiz de Fora/
MG).
7
Escotista gaúcho, número 43, outubro de 1984.
8
Suffert, Rubem; Sommer, Rudi Peter. História do Grupo Escoteiro Georg Black-1913 (acervo CCME).
9
Mazo, Janice Z. Georg Black: precursor da educação física e dos esportes no RS.
10
O Escoteiro, número 2, 12 de novembro de 1919.
11
O Paiz, 19 de março de 1918.
12
Revista da Semana, número 30, 1º de setembro de 1917.
13
O Estado de São Paulo, 1º de agosto de 1914.
14
Professor da Faculdade de Direito e vereador de São Paulo.
15
Diretor do Mackenzie College e da Escola Americana.
16
Diretor do Colégio Anglo Americano.
17
Professor no Mackenzie College e da Escola Americana.
18
Cardim, Mario. Dossiê sobre o Escotismo (acervo CCME).
19
Washington Luiz Pereira de Souza seria, mais tarde, prefeito de São Paulo, governador de São Paulo e presidente
da República.
20
Cardim, Mario. Relatório dos Trabalhos da Associação Brasileira de Escoteiros de 1914 a 1916, São Paulo, 1917.
21
Campos, Pedro Dias de. Estatutos e Regulamentos da ABE, São Paulo, 1922.
22
Estatutos da Associação Brasileira de Escoteiros do Distrito Federal, Rio de Janeiro, 1917. Apesar de estes
estatutos terem sido publicados, não há notícias sobre a efetiva criação da ABE no Distrito Federal. Possivelmente
pela opção de apoio aos escoteiros municipais.
23
Cardim, Mario. Relatório dos Trabalhos da Associação Brasileira de Escoteiros de 1914 a 1916, São Paulo, 1917.
24
Cardim, Mario. Relatório dos Trabalhos da Associação Brasileira de Escoteiros de 1914 a 1916, São Paulo, 1917.
25
O Paiz, 8 de abril de 1915.
26
Caiuby, Adelardo Soares. Organização das Brigadas de Escoteiras, contida em Estatutos e Regulamentos, de
Pedro Dias de Campos, São Paulo, 1922.
27
O Paiz, 3 de janeiro de 1915.
28
O Paiz, 1º de março de 1915.
29
Malta, Darcy. “Grêmio dos Bandeirantes Mineiros” (acervo CCME).
30
Gazeta de Notícias, 20 de novembro de 1916.
31
Jornal do Brasil, 20 de novembro de 1920.
32
A escola, que não existe mais, ficava localizada na rua Visconde da Gávea, número 30, na Gamboa, próximo à
Central do Brasil.
33
A Noite, 27 de novembro de 1915.
34
O Paiz, 28 de novembro de 1915.

72
35
Azevedo Sodré veio a ser prefeito do Rio de Janeiro entre 1916 e 1917 e realmente apoiou o desenvolvimento dos
Escoteiros Municipais, que constavam de tropas escoteiras abertas em escolas do município.
36
Araújo, Elysio. Através de Meio Século. São Paulo Editora, São Paulo, 1932.
37
Jornal do Commercio, 21 de novembro de 1916.
38
Correio da Manhã, 20 de março de 1916.
39
O Paiz, 10 de março de 1917.
40
O Paiz, 15 de dezembro de 1917.
41
O Paiz, 3 de setembro de 1918.
42
Protógenes Guimarães foi nomeado, em 12 de outubro de 1916, primeiro comandante da Escola de Aviação
Naval.
43
O Paiz, 15 de julho de 1918.
44
O Paiz, 28 de agosto de 1918.
45 Naquela época, o Dia da Criança era comemorado em 2 de outubro. Devido ao mau tempo, em 1918, a festa foi
no dia 5 de outubro.
46
Notar a menção às escoteiras.
47
O Paiz, 5 de outubro de 1918.
48
Gazeta de Notícias, 7 de março de 1920.
49
Linhares, Antonio Pereira. A Aviação Naval Brasileira 1916-1940, Rio de Janeiro, 1971.
50
O Paiz, 7 de setembro de 1921.
51
O Paiz, 10 de outubro de 1922.
52
O Paiz, 22 de agosto de 1930.
53
Linhares, Antonio Pereira. A Aviação Naval Brasileira 1916-1940 Rio de Janeiro, 1971.
54
Bem próximo da atual sede do CCME e do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.
55
Gazeta de Notícias, 4 de julho de 1922.
56
A Voz do Mar, número 14, agosto de 1922.
57
Mello, Gelmirez. Relatório Anual Referente a 1934, apresentando no Conselho Técnico de 1935. In: Atividades
do 10º GEMAR 1933/1938.
58
Naquela época, os Grupos de Escoteiros do Mar levavam o nome do seu local, por exemplo, “Grupo de Paquetá”,
“Grupo de Santos” etc.; daí o nome “Grupo de Centro”, por ser sediado no centro da cidade do Rio de Janeiro.
59
O Paiz, 28 de novembro de 1922.
60
Correio da Manhã, 27 de novembro de 1922.
61
Tico-Tico, edição de 13 de dezembro de 1922.
62
Acervo CCME.
63
10º RJ Grupo Escoteiro do Mar “Décimo”. Atividades 10º RJ Escoteiros do Mar, 1933-1938.
64
Correio da Manhã, 1º de junho de 1915.
65
Correio da Manhã, 2 de junho de 1915.
66
Pesquisa de Darcy Malta sobre os “Bandeirantes Mineiros” (acervo CCME).
67
Ofício de 13/11/1917, de Américo Netto a Mario Cardim, dossiê ABE, Museu João Ribeiro dos Santos, Juiz de
Fora/MG.
68
Carta do secretário geral da ABE à Catharina Norbury Cromptom, de 2 de outubro de 1915 (acervo CCME).
69
Ofícios de 21/10/1915 e 10/11/1915 da ABE.
70
O Paiz, edição de 7 de dezembro de 1915.
71
Jornal do Brasil, 1º de novembro de 1922.
72
Burrowes, Guy. Depoimento sobre o Grupo Baden-Powell (acervo CCME).
73
O jornal O Escoteiro, número 1, de 12 de outubro de 1919, afirma que a Tropa de Escoteiros Anglo Americanos
(U.C.B.S.-Union Chuch Boy Scouts), foi fundada por Harwey E. Chalk, junto à Union Church, em abril de 1918.

73
74
George Eduard Fox foi, portanto, o primeiro escotista possuidor da Insígnia de Madeira a atuar no Brasil.
75
Ofício Nº 99, de 28 de outubro de 1942, de Heitor A. Borges a Guy Burrowes (acervo CCME).
76
Depoimento de Guy Burrowes, que ingressou na associação em 14/04/1918, foi comissário técnico nacional da
FBEAr e comissário nacional de escoteiros do ar; Tapir de Prata (acervo CCME).
77
Blower, Bernard. História do Escotismo Brasileiro. Volume I, tomo I, 1910-1924, CCME, Rio de Janeiro, 1994.
78
Revista AJURI, número 9, agosto 1940.
79
Cartas de Baden-Powell ao professor Luiz Soares, de 1º de março de 1920, 9 e 19 de junho de 1923 (acervo
CCME).
80
O Paiz, edição de 11 de janeiro de 1920.
81
O Paiz, 20 de janeiro de 1920.
82
Vida Sportiva, ano IV, número 126, 24 de janeiro de 1920.
83
Ansgar Knud Jensen, escotista dinamarquês que veio para o Brasil. Atuou na AECB, Fluminense e Petrópolis.
84
Santos, João Ribeiro. Carta datada de 28 de fevereiro de 1964 (acervo CCME)
85
A Diretoria do Fluminense entendeu que deveria fechar a Seção de Escotismo e abrir um Centro Cívico da
Juventude Brasileira, nos termos do Decreto-Lei 2.072, instalando-o em 14 de março de 1940, com a presença
do ministro da Educação. Agiram de forma precipitada, porque a UEB conseguiu ser incorporada à Juventude
Brasileira mantendo sua própria organização, através do Decreto-Lei nº 2.310, de 14 de junho de 1940.
86
Coelho Netto, Paulo. História do Fluminense. 2ª edição, Pluri Edições, Rio de Janeiro, 2002.
87
O Paiz, 23 de setembro de 1916.
88
Revista Vamos Ler!, 28 de junho de 1945, pág. 52, Rio de Janeiro.
89
Artigo assinado pelo capitão Antonio Freire Vasconcellos, no jornal O Escoteiro, número 2, 12 de novembro de
1919.
90
Campos, Pedro Dias de. Estatutos e Regulamentos da ABE. São Paulo, 1922.
91
Associação Brasileira de Escoteiros. [Link] Palas, São Paulo, 1925.
92
Jornal Pequeno, 10/04/1942, São Luís.
93
Jornal A Pacotilha, número 130, 4 de junho de 1917.
94
Esta fotografia tem sido equivocadamente divulgada como sendo da ocasião de fundação da ABE.
95
Amadeu Ataliba Arruda Amaral Leite Penteado (Capivari, hoje Monte-Mor) – 6 de novembro de 1875 - São
Paulo, 24 de outubro de 1929 – foi um poeta, folclorista, filólogo e ensaísta brasileiro.
96
Dom Duarte Leopoldo e Silva (Taubaté, 4 de abril de 1867 - São Paulo, 13 de novembro de 1938) foi um sacerdote,
segundo  bispo de Curitiba, 13º bispo de São Paulo e seu primeiro arcebispo. Era conde  romano e assistente
ao sólio pontifício.
97
Altino Arantes Marques  (Batatais,  29 de setembro  de  1876 - São Paulo,  5 de julho  de  1965) foi o décimo
governador do Estado de São Paulo no período de maio de 1916 até maio de 1920.
98
Luíz Pereira Barreto (Resende, Rio de Janeiro,  11 de janeiro de 1840 - São Paulo,  1923) foi
um  médico  brasileiro formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Bruxelas, doutor em ciências
naturais, medicina cirúrgica e partos. Cientista, filósofo e biologista. Pioneiro em estudos sobre o fruto do guaraná.
99
Antônio da Silva Prado Júnior (São Paulo, 5 de abril de 1880-1955), foi engenheiro, empresário e político brasileiro.
Foi prefeito do Distrito Federal entre 1926 e 1930, quando foi deposto pela Revolução de 1930 e exilado.
100
Antônio Francisco de Paula Sousa  (Itu,  6 de dezembro  de  1843 - Rio de Janeiro,  1917) foi
um engenheiro e político brasileiro. Foi eleito deputado estadual em 1892, tendo sido presidente da Assembleia
Legislativa  e grande defensor do  ensino público  e incentivador da criação da  Escola Politécnica de São Paulo,
da qual foi o primeiro diretor. Foi ministro dos Transportes do governo Floriano Peixoto, de 22 de abril a 8 de
setembro de 1893
101
Decreto nº 3.297, de 11 de julho de 1917.
102
Associação Pernambucana de Escoteiros. Regulamento Interno. Imprensa Oficial do Estado, 1917.

74
103
Blower, Bernard. História do Escotismo Brasileiro. Volume I, Tomo I, 1910-1924, CCME, Rio de Janeiro, 1994.
104
Edmund Lionel Lynch, 1969-1944, comendador da Ordem de São Gregório Magno, era casado com Francisca
de Paula Mesquita, irmã de Jerônima Mesquita.
105
João Evangelista Peixoto Fortuna, advogado formado em 1915, presidente da União Católica Brasileira,
secretário da Cruzada de Obras Sociais, um dos fundadores da Associação de Escoteiros Católicos da Freguesia de
São João Batista da Lagoa, da Associação de Escoteiros Católicos do Brasil e da União dos Escoteiros do Brasil.
Possuidor da Cruz Swástica em grau Ouro. Tapir de Prata em 1929. Comendador da Ordem de São Gregório
Magno. Faleceu em 2 de abril de 1964 no Rio de Janeiro.
106
Sampaio Junior, Ortigão. Associação de Escoteiros Católicos da Freguesia de São João Batista da Lagoa. Um
Pouco de História 1917-1932, Tipografia do Patronato da Lagoa, Rio de Janeiro, 1932.
107
Carta de João E. Peixoto Fortuna a Benjamin Sodré, de 29 de outubro de 1924 (acervo CCME).
108
O Paiz, 12 de maio de 1918.
109
Revista Vamos Ler!, 28 de junho de 1945, Rio de Janeiro.
110
O Paiz, 8 de setembro de 1918.
111
O Paiz, 11 de setembro de 1918.
112
Associação Bahiana de Escoteiros, Relatório 1917 (acervo CCME).
113
O Paiz, 18 de agosto de 1918.
114
O Paiz, 12 de setembro de 1918.
115
O Paiz, 16 de setembro de 1918.
116
O Paiz, 5 de outubro de 1918.
117
Sampaio Junior, Ortigão. Associação de Escoteiros Católicos da Freguesia de São João Batista da Lagoa. Um
Pouco de História 1917-1932, Tipografia do Patronato da Lagoa, Rio de Janeiro, 1932.
118
O Paiz, 29 de outubro de 1918.
119
O Paiz, 20 de novembro de 1918.
120
O Paiz, 29 de maio de 1919.
121
Freire, Hilário. Guia Brasileiro de Escotismo. Estab. Graph. E. Riedel & C., São Paulo, 1919.
122
Adele Lynch era filha de Edmund Lionel Lynch, um dos fundadores da Associação de Escoteiros Católicos da
Freguesia de São João Batista da Lagoa.
123
Federação das Bandeirantes do Brasil, Ramo B2 Aspirante, edição revisada, 2001.
124
Revista Alerta!, número 5, janeiro, 1929.
125
Correio da Manhã, 30 de maio de 1934.
126
Sodré, Benjamin. Guia do Escoteiro, 2ª edição, Imprensa Naval, Rio de Janeiro, 1932.
127
Boletim do Instrutor Católico, Ano II, número 14, 10 de setembro de 1928.
128
Tico-Tico, janeiro de 1922.
129
Carta de João E. Peixoto Fortuna a Benjamin Sodré, de 29 de outubro de 1924 (acervo CCME).
130
O Escoteiro, número 8, 15 de junho de 1920.
131
O Paiz, 15 de agosto de 1919.
132
Revista Vida Sportiva. Ano IV, número 126, 24 de janeiro de 1920.
133
Carta de Benjamin Sodré a Jorge Dodsworth Martins, em 23 de fevereiro de 1961 (acervo CCME).
134
O Escoteiro, número 9, 15 de julho de 1920.
135
O Escoteiro, número 12, 15 de outubro de 1920.
136
O Escoteiro, número 9, 15 de julho de 1920.
137
O Escoteiro, número 10, agosto de 1920.
138
O Escoteiro, número 11, setembro de 1920.
139
O Escoteiro, número 14, dezembro de 1920.
140
O Escoteiro, número 12, 15 de outubro de 1920.

75
141
Revista Jamboree, número 8, outubro 1922.
142
O Escoteiro, número 14, 15 de dezembro de 1920.
143
O Escoteiro, número 10, 15 de agosto de 1920.
144
Para mais informações sobre o I Jamboree Mundial, veja O Chapelão Histórias da Vida de Baden-Powell, 3ª edição,
Editora Letra Capital, Rio de Janeiro, 2011.
145
Lei nº 491 de 1º de dezembro de 1920.
146
O Escoteiro, número 16, 15 de fevereiro de 1921.
147
O Escoteiro, número 20, março de 1921.
148
O Escoteiro, número 16, 15 de fevereiro de 1921.
149
O Escoteiro, número 17, 15 de março de 1921.
150
O Escoteiro, número 17, 15 de março de 1921.
151
O Escoteiro, número 15, janeiro de 1921.
152
Revista Jamboree, número 3, julho 1921.
153
O Escoteiro, número 19, maio de 1921.
154
O Escoteiro, número 20, junho de 1921.
155
Tico-Tico, 29 de outubro de 1924.
156
O Escoteiro, nº 1, novembro de 1932, Belo Horizonte (revista mensal da Associação Auxiliar do Escotismo).
157
O Paiz, 14 de maio de 1926.
158
O Escoteiro, número 1, novembro de 1932, Belo Horizonte (revista mensal da Associação Auxiliar do Escotismo).
159
Revista A Voz do Mar, número 1, novembro de 1921.
160
Revista Alerta!, número 5, janeiro de 1928.
161
Estatutos e Regimento Interno da Associação de Escoteiros Católicos do Brasil, Rio de Janeiro, 1921.
162
UEB, Regulamento Técnico, 1952.
163
Carta de José Queiroz e Antonio Braga, datada de 11 de maio de 1923, informando a abertura do Grupo Escoteiro
de Carolina (acervo CCME).
164
O Escoteiro, número 30, abril de 1922.
165
Tico-Tico, 25 de janeiro de 1922.
166
Carta de J.E. Peixoto Fortuna a Benjamin Sodré, de 25 de janeiro de 1922 (acervo CCME).
167
Tico-Tico, 5 de abril de 1922.
168
Associação de Escoteiros Baden Powell. Estatutos e Regulamento.1926.
169
O Paiz, 5 de abril de 1922.
170
Sodré, Benjamin. Notas marcantes sobre acontecimentos escoteiros, período 1920-1930 (acervo CCME).
171
O Escoteiro, número 30, abril de 1922.
172
Diário Carioca, 3 de junho de 1932.
173
O Escoteiro, número 43, 15 de maio de 1923.
174
Estatutos e Regulamentos da Associação Brasileira de Escoteiros reunidos pelo tenente- coronel Pedro Dias
Campos, São Paulo, 1922.
175
O Escoteiro, Ano I, número 8, julho de 1922.
176
A “introdução” de Olavo Bilac era, na verdade, um texto sobre “Os Escoteiros”, escrito, com certeza, antes de
1918, posto que o autor faleceu em 28 de dezembro daquele ano. Da mesma forma, o texto de Coelho Netto não
alude ao livro, sugerindo também apenas seu aproveitamento no contexto da obra de Guinle e Pollo.
177
Ad libitum é uma expressão latina que significa “à vontade”, “a bel-prazer”, frequentemente abreviada para ad lib.
178
Como se pode notar, o Livro do Escoteiro faz menção à Associação Brasileira de Escoteiros (ABE), fundada
em São Paulo, em 1914. Os textos do Juramento e do Compromisso, apresentados no Livro do Escoteiro são os
adotados pela ABE.
179
Guinle, Arnaldo; Pollo, Marco. O Livro do Escoteiro. Imprensa Nacional, Rio de Janeiro, 1922.

76
180
Nagy, Lazlo. 250 Milhões de Escoteiros. UEB Região do RS, Porto Alegre, 1985.
181
Revista Jamboree, número 8, outubro 1922.
182
O Escoteiro, número 43, maio de 1923.
183
O Escoteiro, número 30, 15 de abril de 1922.
184
O Escoteiro, número 31, 15 de maio de 1922.
185
O Escoteiro, número 32, 15 de junho de 1922.
186
O Escoteiro, número 33-34, agosto de 1922.
187
Illustração Brazileira, outubro de 1922.
188
Revista Jamboree, número 12, outubro de 1923.
189
O Escoteiro, número 42, 15 de abril de 1923.
190
Por coincidência, fica nesta mesma rua a sede própria da UEB-região do Rio de Janeiro, adquirida muitos anos
depois.
191
Tico-Tico, edição de 15/10/1924.
192
Sodré, Benjamin. Notas marcantes sobre acontecimentos escoteiros, período 1920-1930 (acervo CCME).
193
Tico-Tico, edição de 6 de junho de 1923.
194
O Escoteiro, número 40, 15 de fevereiro de 1923.
195
O Escoteiro, número 45, 15 de julho de 1923.
196
Sodré, Benjamin. Notas marcantes sobre acontecimentos escoteiros, período 1920-1930 (acervo CCME).
197
Sodré, Benjamin. Notas marcantes sobre acontecimentos escoteiros, período 1920-1930 (acervo CCME).
198
Sodré, Benjamin. Notas marcantes sobre acontecimentos escoteiros, período 1920-1930 (acervo CCME).
199
Sodré, Benjamin. Notas marcantes sobre acontecimentos escoteiros, período 1920-1930 (acervo CCME).
200
O Paiz, 25 de junho de 1923.
201
Mós, João. Boy Scouts Paulistas na Revolução de São Paulo – julho a outubro de 1932. Casa Duprat Editora, São
Paulo, 1933.
202
Mós, João – Boy Scouts Paulistas na Revolução de São Paulo – Julho a Outubro de 1932, Casa Duprat Editora,
São Paulo, 1933.
203
Sodré, Benjamin. Notas marcantes sobre acontecimentos escoteiros, período 1920-1930 (acervo CCME).

77
Capítulo 3
A Primeira Associação Escoteira - ABE

Mário Sérgio Cardim, advogado, catedrático de administração pública da Escola de


Sociologia e Política de São Paulo e redator do jornal O Estado de São Paulo percorreu a
Europa a serviço da Comissão de Expansão Econômica do Brasil entre 1911 e 1913. Em
longo depoimento, ele narra que “na cidade de Delft, Holanda, encontrou escoteiros e passou
a se interessar pelo Movimento”. Afirma ainda que “encontrou-se com Baden-Powell em
Londres” e com “o capitão Royet, diretor técnico da Association des Eclaireurs de France,
em Paris”. Regressou ao Brasil em 1913, onde, em São Paulo, no primeiro semestre de 1914,
“elaborou os estatutos e o esquema de organização técnica da primeira entidade nacional”
escoteira. Entre junho e novembro de 1914, “iniciou a propaganda em colunas no jornal O
Estado de São Paulo para tratar da organização de uma comissão provisória para a fundação
da entidade nacional”.

Mario Sergio Cardim nasceu em 9/9/1883, no Rio de Janeiro. Foi atleta,


subdelegado, advogado, jornalista, professor, fundador e dirigente de várias
entidades nacionais. Ainda criança, sua família mudou-se para São Paulo. Fez seus
estudos na Escola Modelo Caetano de Campos e no Ginásio do Estado de São Paulo;
bacharelando-se em Direito na tradicional Faculdade de Direito do Largo de São
Francisco em 1906. Iniciou sua vida profissional ainda acadêmico, na área policial,
como quarto subdelegado de Santa Efigênia. Em 1903, ingressou no quadro de
redatores do jornal O Estado de São Paulo, onde exerceu atividades durante 43 anos
com alguns períodos de interrupção.

79
Em 1908, em companhia de Antonio Prado Junior, Clóvis Glicério, Bento
Canabarro e quatro mecânicos, fez a primeira viagem de automóvel entre São Paulo
e Santos.

Entre 1911 e 1913, trabalhando para o Serviço Federal de Expansão


Econômica, foi comissário do Brasil em várias exposições internacionais, incluindo,
em 1911, Roma e Turim. Em 1912, na Holanda, deparou com um grupo de crianças
uniformizadas. Descobriu que eram escoteiros e obteve mais informações. Na
Inglaterra, conseguiu uma entrevista com Baden-Powell junto com o embaixador
Régis de Oliveira, e assimilou muitos conhecimentos sobre o Escotismo. Voltando
ao Brasil, empenhou-se na divulgação do movimento escoteiro, escrevendo artigos e
realizando conferências em cidades do interior de São Paulo. Foi de Cardim a sugestão
e defesa do nome “escoteiro” e do lema “Sempre Alerta” para serem adotados no
Brasil. Conseguiu reunir personalidades da sociedade para fundar a Associação
Brasileira de Escoteiros.

Em 29 de novembro de 1914, foi realizada a cerimônia de fundação da


Associação Brasileira de Escoteiros (ABE) no Skating Palace, na praça da República,
sob a presidência do doutor Alcântara Machado, e com expressiva contribuição
também de Júlio Mesquita, Ascânio Cerqueira, Carlos Américo e João Maurício
Sampaio Vianna e outros nomes de destaque. Cardim elaborou o texto do Estatuto
e foi eleito secretário geral da entidade na primeira diretoria, na qual fez parte como
vice-presidente o doutor Washington Luís Pereira de Souza, mais tarde prefeito,
governador e, em 1926, presidente da República. Pouco depois, já em dezembro de
1914, influenciou a criação também das escoteiras, que vieram a ser coordenadas por
Mrs. Kathleen Crompton, e que foi a primeira organização de Escotismo feminino
no Brasil.

Entre 1926 e 1930, Cardim exerceu a função de secretário do seu velho amigo
Antonio Prado Junior, que foi prefeito do Distrito Federal nesse período. Entretanto,
em setembro de 1930, foi exonerado do cargo. Um mês depois, ocorreu a Revolução
de 1930, na qual Prado Junior e Washington Luís, presidente da República, foram
depostos e exilados. Cardim voltou a atuar como advogado e jornalista. Após a
Revolução de 1932, autoexilou-se em Portugal, de onde retornou em dezembro de
1933.

80
Cardim pleiteou a Baden-Powell a filiação da ABE ao Bureau Mundial em
duas oportunidades, recebendo respostas negativas e a solicitação para que ela se
filiasse à UEB, o que somente aconteceu em dezembro de 1934.

Cardim foi secretário geral da UEB entre 1928 e 1930. Em 1930, foi eleito
segundo vice-presidente e secretário geral, porém, devido a uma reforma estatutária
em janeiro de 1931, todos os membros se demitiram para eleição de nova diretoria,
da qual ele não mais fez parte.

Cardim recebeu o Tapir de Prata número cinco, que foi concedido em


2/10/1936 e entregue em 20/12/1936, em cerimônia de comemoração do 12º
aniversário da UEB, juntamente com diversas outras autoridades escoteiras.

Faleceu em 6 de dezembro de 1953, aos 70 anos, no Rio de Janeiro, onde fazia


tratamento no Hospital dos Servidores do Estado.

Em 15 de agosto de 1914, no escritório do doutor Alcântara Machado2, em São Paulo,


foi realizada reunião com a presença de Alcântara Machado, Ascânio Cerqueira, Bento
Bueno, Mario Cardim, Américo de Sampaio Vianna, W. Waddell3, Antonio Maria Guerreiro4,
Paulo de Moraes Barros Junior, Le Gross5, Luiz Fonseca e Zeferino Velloso, na qual ficou
“resolvido que se nomeasse uma comissão que, dentro de trinta dias, apresentasse as bases
dos Estatutos da futura associação”, e que, “depois de apresentado o trabalho, proceder-
se-ia a incorporação dos escoteiros”, “todavia, para adiantar os trabalhos, ficou resolvido
convidar-se um grupo de rapazes para se proceder imediatamente ao engajamento de todos
os moços de 11 a 18 anos de idade, que quisessem se inscrever como escoteiros”. A comissão
foi constituída por W. A. Waddell, Ascânio Cerqueira, Bento Bueno e Mario Cardim. Foram
“indicados como monitores os senhores Ibanez Salles, Armando Pederneiras, Rubens Salles,
Octavio Bicudo, Paulo Moraes Barros Junior, Irineu Malta, Luiz Fernando Mesquita, Manoel
Ildefonso de Castilho e Le Gross, sendo este último encarregado de formar as patrulhas de
ambulância, sinais semafóricos e socorros de urgência”. Entretanto, “não tendo a comissão
acima mencionada podido se reunir, o projeto dos Estatutos da ABE foi elaborado apenas
por Mario Cardim”.

81
Mario Sergio Cardim e Pedro Dias de Campos, dois grandes nomes da ABE.

No dia 29 de novembro de 1914, no Skating Palace, em São Paulo, SP, numa assembleia
pública a que compareceram cerca de 450 escoteiros inscritos e mais as pessoas gradas que
participaram da reunião do dia 15 de agosto, além de representantes do estado e do município,
Comando da Reunião Militar e da Força Pública e diversos diretores de estabelecimentos de
ensino, foram lidos pelo doutor Mário Cardim os Estatutos e o Regulamento da Associação
Brasileira de Escoteiros, a seguir aprovados, sendo fundada a Associação Brasileira de
Escoteiros. Foi eleito o primeiro Conselho Superior, com mandato até 1919, composto por
doutor Reynaldo Porchat, doutor Arnaldo Vieira de Carvalho, doutor Frederico Vergueiro
Steidel, doutor Washington Luís, doutor Ramos de Azevedo, doutor Adolpho Pinto, doutor
João Mendes Junior, doutor J.C. de Macedo Soares, Cardoso de Almeida, J.M. Sampaio Viana,
Luiz Fonseca, doutor Alcântara Machado, Bento Bueno, Ascânio Cerqueira, Mario Cardim,
J. Almeida Prado Junior, Nestor Pestana, Amadeu Amaral, coronel Batista da Luz, tenente-
coronel Pedro Dias de Campos, doutor Gama Cerqueira, doutor Gabriel de Rezende, doutor
Altino Arantes, general Luiz Cardoso (comandante da 10ª Região Militar) e doutor A.
Veriano Pereira. Esse conselho elegeu, posteriormente, em 2 de janeiro de 1915, a primeira
diretoria, composta por: presidente, doutor Alcântara Machado; vice-presidentes, doutor
Washington Luiz Pereira de Souza6, João Maurício Sampaio Viana, Reynaldo Porchat e
doutor Ascânio Cerqueira; secretário geral, doutor Mario Cardim; tesoureiro, doutor Carlos
Américo Sampaio Viana; e tendo como diretor técnico o coronel Pedro Dias de Campos, da
Brigada Militar do estado, e como procurador, doutor Gama Cerqueira7.
A ABE foi instalada, inicialmente, na rua São Bento nº 63, em São Paulo. Naquele
tempo o uniforme e até bastões eram importados da Europa, e surgiram em dezembro de
1914 as brigadas de escoteiras, com a instalação da Escola de Chefes Escoteiras, em 15

82
de janeiro de 1915, sob a orientação técnica de Mrs. Kathleen Crompton. Logo a seguir
surgiram as “bruninhas” (meninas de sete a dez anos), na Associação Brasileira de Escoteiras.
Há que se destacar outra iniciativa pioneira da ABE tomada em dezembro de 1914,
logo após a sua fundação: a criação do ESCOTISMO FEMININO em São Paulo que “deveria
seguir caminho paralelo e independente do Movimento Escoteiro do sexo masculino”. Foi
criado o Departamento Feminino que contava com Mrs. Kathen Crompton como instrutora-
chefe. Houve troca de correspondência com a Girl Guide Association de Londres, presidida
pela senhora Baden Powell que encaminhou para o Brasil o manual das Girl Guides e outras
publicações técnicas. A iniciativa foi coroada de sucesso, com filiação em muitas cidades
paulistas, bem como das “escoteiras do Alecrim” no Rio Grande do Norte.

A ABE sintetizou os objetivos do Escotismo nos seguintes tópicos8:

Eugenia: na parte referente à educação física, à saúde, ao vigor, e à destreza das


gerações novas, homens e mulheres;

Civismo: não apenas reduzido a ensinamentos cívicos, mas o hábito de realizar os


deveres cívicos, mercê das convicções adquiridas;

Inteligência: isto é, o desenvolvimento de algumas das mais notáveis qualidades


intelectuais, como sejam, a observação, a previsão, a urgência, a logicidade, a decisão
rápida;

Caráter: considerado como o hábito adquirido pela prática sistemática da bondade,


em casos concretos, dia a dia, como o horror à mentira e correlato amor à verdade, à
pontualidade.

Os Estatutos da ABE do Distrito Federal9 estabeleciam que:

A Associação Brasileira de Escoteiros do Distrito Federal, fundada na Capital da


República dos Estados Unidos do Brasil, tem por objeto desenvolver nos moços de 7
a 17 anos de idade, o vigor e destreza física, o espírito de iniciativa, a decisão rápida;
a coragem sob todas as formas, o sentimento de solidariedade, a responsabilidade
moral e o patriotismo.

A ABE será dirigida por um Conselho Superior composto de 12 a 25 membros, com


mandato de cinco anos, eleitos pela Assembleia Geral, com renovação anual de um
quinto; a Diretoria, composta por um presidente, um vice-presidente, dois secretários
e um tesoureiro.

83
São proibidos no seio da Associação o jogo e as discussões políticas ou religiosas.

O Compromisso do Escoteiro era:

Prometo pela minha honra: proceder em todas as circunstâncias como homem


consciente dos seus deveres, leal e generoso; amar a minha Pátria e servi-la fielmente
na paz e na guerra; obedecer ao Código do Escoteiro.

O Estatuto informava que “o juramento dos boy scouts ingleses importa no


compromisso de fidelidade a Deus. É evidente que esse compromisso pode figurar na fórmula
de compromisso prestado pelos jovens que adotam uma religião”.

O Código do Escoteiro possuía 12 artigos:

1º – A palavra de um escoteiro é sagrada. Ele coloca a honra acima de tudo, mesmo


da própria vida;
2º - O escoteiro sabe obedecer. Compreende que a disciplina é uma necessidade de
interesse geral;
3º - O escoteiro é um homem de iniciativa;
4º - O escoteiro aceita, em todas as circunstâncias, as responsabilidades pelos seus
atos;
5º - O escoteiro é leal e cortês para com todos;
6º - O escoteiro considera todos os outros escoteiros como seus irmãos, sem distinção
de classe social;
7º - O escoteiro é generoso e valente, sempre pronto a auxiliar os fracos, mesmo com
prejuízo da própria vida;
8º - O escoteiro pratica, todos os dias, uma boa ação, por mais modesta que seja;
9º - O escoteiro estima os animais e se opõe a toda crueldade contra eles;
10º - O escoteiro é sempre jovial e entusiasta e procura o bom lado de todas as coisas;
11º - O escoteiro é econômico e respeitador do bem alheio;
12º - O escoteiro tem a constante preocupação de sua dignidade e o respeito de si
mesmo.

O uniforme do escoteiro compõe-se de: chapéu de forma cowboy, cor kaki, abas
largas, com correia para passar por baixo do queixo e fita de couro em vez da fita
comum; camisa de cor kaki com dois bolsos de cada lado; calções de cor kaki, direita
e curta, larga no joelho; meias compridas e de lã ou perneiras como melhor convier;
borzeguins de preferência de couro amarelo; lenço para o pescoço de cor diferente

84
para cada bandeira; bastão de 1,80 metros de altura e três centímetros de diâmetro,
graduado em decímetros e meios decímetros; mochila de brim de linho; paletó Norfolk
(facultativo); perneiras de lona ou tecido apropriado para enrolar (facultativo)”.

A ABE difundiu o Movimento pelo país; entre 1914 e 1916 já havia associações
escoteiras no Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Pernambuco,
Rio Grande do Norte, Amazonas e Pará. Entretanto, essas associações, apesar de inspiradas
pela ABE, formaram-se com as mais diversas orientações e variados sistemas educativos,
caracterizando-se a descentralização e formas variadas. A ABE buscou obter junto ao
Congresso Federal, lei que considerasse tão somente a ela como instituição de utilidade
pública e as regalias decorrentes10.
Foi Cardim que selecionou, dentre várias opções, a denominação “escoteiro” e o lema
“Sempre Alerta!”.
A ABE foi mais longe do que oferecer o Escotismo aos jovens brasileiros; ela
também, já em dezembro de 1914, criou as brigadas de escoteiras11, suas afiliadas, que
visavam “promover nas moças que se filiarem: a) o caráter; b) a solidariedade; c) a saúde;
d) o patriotismo, e) a assistência aos enfermos e crianças; f) o conhecimento dos trabalhos
manuais e domésticos”, defendendo que

...a mulher não deve ser uma criatura frágil e imprestável, mero e mesquinho objeto de
luxo... ela deve ser um manancial de saúde, de vigor e alegria... o ideal é ser a mulher,
pela inteligência e pela sua energia, a mãe de homens capazes de conceber a vida com
verdade e justiça, e realizá-la com ardor, com fé e com espírito de continuidade... as
Brigadas de Escoteiras têm por fim fornecer à Pátria boas cidadãs, boas donas de casa
e boas mães de família.

O programa das escoteiras incluía a educação física com

objetivos higiênicos e estéticos, mas nunca atléticos, visar sobretudo a parte inferior
do corpo, adquirir graça e destreza nos movimentos, visando antes a ligeireza que
a força, exercícios físicos, ginástica sueca, marchas e corridas, danças antigas ou
clássicas, a natação; trabalhos manuais e domésticos já estabelecidos nos programas
das escolas rurais e urbanas, o ensino dos cantos e hinos patrióticos.

As brigadas possuíam uma “Corte de Honra”, formada pelas graduadas, monitoras


e chefe, que se reunia sempre que tinha que “examinar e resolver as queixas, incidentes,
promoções, eliminações, modificações nas divisas de comando, nos programas das excursões,
e o mais que se relacione com a vida do agrupamento”; “suas decisões serão tomadas por
maioria de votos”. As brigadas de escoteiras teriam uma Escola de Guias, destinada à
formação das futuras chefes do Escotismo feminino.

85
A fórmula para o Juramento das escoteiras era:

Prometo pela minha honra: amar a Deus, a Pátria e a Família; observar o código das
escoteiras; proceder sempre com grandeza d´alma.

O Código das Escoteiras possuía apenas dez artigos:

1º - A honra de uma escoteira é sagrada;


2º - A escoteira é de lealdade inquebrantável;
3º - A escoteira é útil a quem quer que seja;
4º - A escoteira é amiga de todos e irmã de suas companheiras;
5º - A escoteira é cortês;
6º - A escoteira protege os animais;
7º - A escoteira sabe obedecer;
8º - A escoteira ri e canta nas dificuldades;
9º - A escoteira é econômica;
10º - A escoteira é pura nos pensamentos, nas palavras e ações.

O uniforme das escoteiras era: blusa e saia pregueada de cor kaki, meias pretas
compridas, cinto de couro amarelo escuro com fivela, chapéu de abas largas e lenço
vermelho por cima da gola. As escoteiras poderiam usar, facultativamente, pelerine
de brim ou de lã, na cor kaki, como o fardamento.

Interessante notar que para as escoteiras a ABE apresentava apenas uma fórmula
para o Juramento, fórmula esta que incluía o amor a Deus, e que o Código tinha apenas dez
artigos ao invés dos 12 do Código do Escoteiro.

Em 1915 o deputado federal por São Paulo, César de Lacerda Vergueiro, amigo
do doutor Mário Cardim, apresentou proposta para reconhecer o Escotismo como de
utilidade pública. O projeto resultou no Decreto do Poder Legislativo nº 3.297, sancionado
pelo presidente Wenceslau Braz em 11 de junho de 1917 que, no art. 1º, estabelecia: “São
considerados de utilidade pública, para todos os efeitos, as associações brasileiras de
escoteiros com sede no país”.
Em 1915, é iniciada a publicação do Jornal da ABE da Associação Brasileira de
Escoteiros, transformado em 1921 na revista O Escoteiro.

86
Cerimônia do Juramento dos Escoteiros no Prado da Mooca. Da esquerda para a direita vemos o coronel
Batista da Luz, doutor Ascânio Cerqueira, doutor Washington Luis Pereira de Souza, doutor Bento Pereira
Bueno, doutor José Alcântara Machado de Oliveira, doutor Mario Sergio Cardim e o coronel Pedro Dias de
Campos.

Os escoteiros no Prado da Mooca, em 1915.

Em 1916 é instalada a primeira Escola de Chefes da ABE sob a direção do coronel


Pedro Dias de Campos, que fez parte da primeira Diretoria da Associação.
Também em 1916 é instalada a primeira Escola de Instrutores da ABE em São
Paulo, sob a direção do coronel Pedro Dias de Campos, que fez parte da primeira Diretoria
da Associação. Nessa época foi publicado o Manual do Escoteiro - Guia de Educação Cívica
para Portuguezes e Brazileiros, em edição da Empresa Lusitana Editora e tradução do doutor
Hermano Neves, sem enfatizar a parte religiosa do Escotismo.
Em 1917, sob o patrocínio da ABE, foi realizado em São Paulo um congresso escoteiro,
o primeiro do Brasil. Dispõe-se de poucos dados sobre aquele evento.
Em 29 de janeiro de 1917 foi fundada a Liga da Defesa Nacional (LDN) influenciada
por Olavo Bilac, grande incentivador do Escotismo e batalhador pelo fomento do civismo
no Brasil. Logo após a sua criação, a ABE aderiu à LDN que, em 17 de abril de 1917,

87
enviou correspondência às associações de escoteiros do Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia
e Pernambuco pedindo-lhes que essas associações se filiassem à de São Paulo. No ofício,
a LDN “comprometeu-se a fornecer a todas as Associações coirmãs todas as informações
necessárias ao funcionamento dos batalhões e enviando-lhes todas as publicações que já está
distribuindo e vai distribuir”. Foi aquela a primeira tentativa para centralizar o Movimento
Escoteiro no Brasil evitando seu crescimento desordenado.
A Liga da Defesa Nacional, por ofício de 17 de abril de 1917, reconheceu a Associação
Brasileira de Escoteiros como sua filiada e como instituição nacional, entregando-lhe a
missão de centralizar todo o trabalho de Escotismo no Brasil12.
Em 11 de julho de 1917, o Decreto 3.297 considera de utilidade pública as associações
de escoteiros, com sede no país13.

DECRETO Nº 3.297, DE 11 DE JULHO DE 1917

Considera de utilidade pública as associações


brasileiras de escoteiros, com sede no país, e de
Imprensa, com sede na Capital Federal.

O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil: Faço saber que o


Congresso Nacional decretou e eu sanciono a resolução seguinte:

Art. 1º São consideradas de utilidade pública, para todos os efeitos, as associações brasileiras
de escoteiros, com sede no país.

Art. 2º E’, outrossim, considerada de utilidade pública a Associação Brasileira de Imprensa,


com sede na Capital Federal.

Art. 3º Revogam-se as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 11 de julho de 1917, 96º da Independência e 29º da República.

WENCESLAU BRAZ P. GOMES


Carlos Maximiliano Pereira dos Santos

Em 1917 realiza-se em São Paulo o I Congresso de Escotismo no Brasil, sob o


patrocínio da Associação Brasileira de Escoteiros, promovido e secretariado pelo doutor
Américo Netto, de Pernambuco e presidido pelo professor José Chevalier, do Amazonas. As
Associações Brasileiras de Escoteiros com sede no país são reconhecidas como de utilidade
pública federal pelo Decreto nº 3.297, de 11 de julho que no artigo 2º também dá essa

88
faculdade à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), segundo projeto do deputado federal
César de Lacerda Vergueiro, apresentado em 1915.
Após sua fundação, em 7 de setembro de 1921, a Confederação Brasileira de Escoteiros
do Mar solicitou filiação à ABE, que foi imediatamente concedida. Tal filiação, entretanto,
teve nenhum efeito prático na vida das duas organizações, exceto pela adoção, pela CBEM,
de textos adotados pela ABE para o “Juramento” e o “Código” que eram, basicamente, a
versão francesa, com 12 artigos e a opção de duas fórmulas para o “Juramento”, incluindo ou
não os deveres para com Deus.
No início de 1922, Gumercindo Portugal Loretti organiza reunião na Liga de Defesa
Nacional para uma tentativa de unificar o movimento escoteiro no Brasil. A Associação
Brasileira de Escoteiros não concorda, considerando-se com o privilégio de dirigir o
Escotismo em nosso país14.
A versão de 1922 dos Estatutos da ABE15 estabelecia que:

A Associação Brasileira de Escoteiros com sede em São Paulo, fundada em 29 de


novembro de 1914, se destina à formação do escoteiro, promovendo nos moços que a
ela se filiarem: a) O vigor e a destreza física; b) O espírito de iniciativa; c) A decisão
rápida; d) A coragem; e) A solidariedade, f) A honra; g) O patriotismo.

A ABE será dirigida por um Conselho Superior composto por 25 membros, com
mandato de cinco anos, eleitos pela Assembleia Geral, com renovação anual de
um quinto; a Diretoria, composta por um presidente, quatro vice-presidentes, dois
secretários e dois tesoureiros, com mandato de dois anos; e uma Comissão Técnica.
Na capital de cada Estado filiado haverá uma diretoria, das comissões regionais fará
parte um delegado da Comissão Técnica, no respectivo Estado. A Comissão Técnica
da capital de cada Estado se compõe de três membros, dois dos quais eleitos pelo
Conselho Superior, com mandato de dois anos, sendo o terceiro, na qualidade de
Presidente, o Diretor Geral da Instrução Pública, no respectivo Estado, ou quem por
ele indicado.

A ABE é estranha a questões partidárias ou religiosas.

O Juramento do Escoteiro era apresentado sob duas formas:

1ª Fórmula: Prometo pela minha honra: Proceder em todas as circunstâncias como


homem consciente dos seus deveres, leal e generoso; amar a minha Pátria e servi-la
fielmente na paz e na guerra; obedecer ao Código do Escoteiro.

2ª Fórmula: Prometo pela minha honra: Proceder em todas as circunstâncias como


homem consciente dos seus deveres, leal e generoso; amar a Deus e à minha Pátria

89
e servi-la fielmente na paz e na guerra; obedecer ao Código do Escoteiro. (nota: esta
segunda fórmula foi adotada para respeitar as crenças religiosas dos escoteiros.)

O Código do Escoteiro possuía 12 artigos:

1º - A palavra de um escoteiro é sagrada. Ele coloca a honra acima de tudo, mesmo


da própria vida;
2º - O escoteiro sabe obedecer. Compreende que a disciplina é uma necessidade de
interesse geral;
3º - O escoteiro é um homem de iniciativa;
4º - O escoteiro aceita, em todas as circunstâncias, as responsabilidades pelos seus
atos;
5º - O escoteiro é leal e cortês para com todos;
6º - O escoteiro considera todos os outros escoteiros como seus irmãos, sem distinção
de classe social;
7º - O escoteiro é generoso e valente, sempre pronto a auxiliar os fracos, mesmo com
prejuízo da própria vida;
8º - O escoteiro pratica, todos os dias, uma boa ação, por mais modesta que seja;
9º - O escoteiro estima os animais e se opõe a toda crueldade contra eles;
10º - O escoteiro é sempre jovial e entusiasta e procura o bom lado de todas as coisas;
11º - O escoteiro é econômico e respeitador do bem alheio;
12º - O escoteiro tem a constante preocupação de sua dignidade e o respeito de si
mesmo.

O uniforme do escoteiro era composto por camisa, calção comprido na cor kaki, meias
pretas compridas, chapéu de abas largas, perneiras altas de couro preto, borzeguins
de couro preto, lenço, cinto de couro amarelo escuro tendo duas argolas para
mosquetões e fivela com o emblema da associação. Os escoteiros de 2ª classe e de 1ª
classe usariam o distintivo respectivo. Os escoteiros poderiam usar, facultativamente,
pelerine de brim ou de lã, na cor kaki, como o fardamento.

Em julho de 1922, o editorial da revista O Escoteiro, da ABE, comentou o convite,


recebido através de ofício enviado por Coelho Neto, secretário geral da Liga da Defesa
Nacional, a participar de congresso de associações de Escotismo para tratar da definitiva
organização da Confederação dos Escoteiros do Brasil. A ABE respondeu formalmente o
convite, informando que já está feito, desde 1917, o que se pretendia fazer, pois ela, a ABE,
seria a confederação nacional em questão. Entretanto, apesar de ter efetivamente divulgado
o Escotismo e contribuído para seu surgimento em outros estados, eram pouquíssimas as

90
unidades de fora de São Paulo efetivamente filiadas à ABE: uma unidade no Amazonas, uma
em Alagoas, uma no Paraná, duas em Goiás, uma em Minas Gerais e uma no Rio Grande
do Norte16.
Em outubro de 1922, a ABE possuía 50 associações filiadas. Dentre estas,
encontravam-se a Comissão Regional (Grupo) de Anapólis (Goiás), a Comissão Regional
de Alecrim (Boy Scouts de Alecrim, RN) e a Confederação Brasileira de Escoteiros do Mar
(DF). Todas as demais eram localizadas na capital paulista ou em cidades do interior do
Estado de São Paulo17.
Apesar de seus esforços, a ABE não logrou tornar-se uma organização de penetração
nacional. Inúmeras associações escoteiras de porte municipal, estadual e até mesmo nacional
eram fundadas no Brasil. Até mesmo em São Paulo surgiam grupos independentes e
associações escoteiras, como, por exemplo, a Associação de Escoteiros Baden Powell, em
1922, e a Boy Scouts Paulistas, em 1923.

Escoteiros da Comissão Regional (grupo escoteiro) de Vila Carrão, São Paulo, em 1923. No centro, uniformi-
zado, o professor Horácio Guaglio.

A ABE recusou-se a participar da fundação da União dos Escoteiros do Brasil. Na


forma de entender de seus dirigentes, ela, a ABE, já seria a instituição de nível nacional
responsável pelo Escotismo brasileiro. Mesmo após sua fundação, a UEB assegurou à ABE,
nos estatutos que vigoraram até 1928, que ela seria considerada fundadora caso se filiasse,
o que não ocorreu.
Em 13 de junho de 1928, Baden-Powell, em resposta à carta que lhe fora enviada pelo
doutor Mario Cardim em 22 de maio, informou que desde 1922 somente é reconhecida uma
organização escoteira por país e que, para o Brasil, esta é a União dos Escoteiros do Brasil, de

91
modo que, como a Associação Brasileira de Escoteiros não se filiou à UEB, ele, infelizmente,
não poderia reconhecê-la. B-P finalizou a correspondência solicitando que Cardim envidasse
esforços e utilizasse sua influência para obter a desejada união da ABE com a UEB18.
Em 23 de agosto de 1929, Baden-Powell escreveu uma segunda carta a Mario Cardim
abordando a filiação da ABE à UEB, nos seguintes termos:

Infelizmente, estou informado de que, até agora, a Associação Brasileira de Escoteiros ainda
não se filiou a essa Federação, não nos sendo possível reconhecê-la.

Valendo-me da extrema bondade de suas notícias quero aproveitar o ensejo para pedir os seus
bons ofícios no sentido de completar a unidade do movimento escoteiro no Brasil, usando de
sua alta e reconhecida influência para conseguir a nunca mais desejada filiação da Associação
Brasileira de Escoteiros à União dos Escoteiros do Brasil. A vitalidade do movimento em
favor do Escotismo em cada país depende em larga escala da possibilidade de formar uma
frente única e, acredito, que nenhum outro mais valioso serviço poderá o amigo prestar ao
Escotismo no seu país, do que esse.

Espero ter sempre a satisfação de receber daqui de longe suas contínuas notícias, assim como,
brevemente, a boa nova de que a Associação Brasileira de Escoteiros já se encontra filiada à
UEB.

O teor desta segunda carta de B-P somente veio a público em 15 de dezembro de


1935 quando o então presidente da ABE foi entrevistado sobre o panorama do Escotismo
em São Paulo19. Nem mesmo o apelo de Baden-Powell fez com que a ABE aceitasse se filiar
à UEB, fato que somente veio a ocorrer em 13 de dezembro de 1934.
Em 25 de outubro de 1936, foi divulgada a extinção da Associação Brasileira de
Escoteiros. O artigo, que analisava a decadência da veterana associação, informava que ela
feneceu após perder o apoio, principalmente financeiro, dos governos estadual e federal20.
Entretanto, até 1938 ainda se encontravam notícias sobre a ABE na mídia.
Em 29 de outubro de 1940, foi eleita a primeira diretoria da Federação Paulista de
Escoteiros (FPE) congregando todas as entidades escoteiras do Estado de São Paulo. A
FPE foi fundada pelo Departamento de Educação Física do Estado de São Paulo. A diretoria
era composta por: presidente, capitão Silvio de Magalhães Padilha; vice-presidente, doutor
Leo Ribeiro de Morais; primeiro secretário, professor Manoel Vieira de Andrade; segundo
secretário, professor Augusto Ribeiro de Carvalho; secretário de Publicidade, doutor Melo
Nogueira; primeiro tesoureiro, doutor Paschoal Pachi; segundo tesoureiro, doutor Mario
Castanho Ragio21,22.

92
Cabe à ABE a honra de ser a primeira associação de atuação interestadual em nosso
país, ter criado, defendido e implantado os termos “ESCOTEIRO” e o lema “SEMPRE
ALERTA!”, e de ter contribuído para a divulgação e abertura de diversas outras associações
e tropas escoteiras no Brasil.
É curioso notar que, infelizmente, nenhum dos atuais grupos escoteiros de São Paulo
teve sua origem na ABE.

______________________________________________________________________________________________________________________________

REFERÊNCIAS

1
Cardim, Mario Sérgio. Depoimento sobre a fundação do Escotismo em São Paulo. 1950 (acervo CCME).
2
Professor da Faculdade de Direito e vereador de São Paulo.
3
Diretor do Mackenzie College e da Escola Americana.
4
Diretor do Colégio Anglo Americano.
5
Professor no Mackenzie College e da Escola Americana.
6
Washington Luiz Pereira de Souza seria, mais tarde, prefeito de São Paulo, governador de São Paulo e presidente
da República.
7
O Estado de São Paulo, edição de 3 de janeiro de 1915.
8
Campos, Pedro Dias de. Estatutos e Regulamentos da ABE, São Paulo, 1922.
9
Estatutos da Associação Brasileira de Escoteiros do Distrito Federal, Rio de Janeiro, 1917.
10
Cardim, Mario, Relatório dos Trabalhos da Associação Brasileira de Escoteiros de 1914 a 1916, São Paulo, 1917.
11
Caiuby, Adelardo Soares. Organização das Brigadas de Escoteiras, contida em Estatutos e Regulamentos, de
Pedro Dias de Campos, São Paulo, 1922.
12
Campos, Pedro Dias de. Estatutos e Regulamentos da ABE, São Paulo, 1922.
13
Decreto número 3.297, de 11 de julho de 1917.
14
Sodré, Benjamin. Notas marcantes sobre acontecimentos escoteiros, período 1920-1930 (acervo CCME).
15
Estatutos e Regulamentos da Associação Brasileira de Escoteiros reunidos pelo tenente- coronel Pedro Dias
Campos, São Paulo, 1922.
16
O Escoteiro, ano I, número 8, julho de 1922.
17
Illustração Brazileira, outubro de 1922.
18
Sempre Alerta, número 116, julho-agosto/1993.
19
Jornal do Brasil, 15 de dezembro de 1935.
20
Jornal do Brasil, 25 de outubro de 1936.
21
Jornal do Brasil, 9 de novembro de 1940.
22
Silvio Padilha, militar, professor de Educação Física, atleta olímpico brasileiro (quinto colocado nas Olimpíadas
de Berlim), criador e primeiro diretor da Diretoria de Esportes do Estado de São Paulo, presidente do Comitê
Olímpico Brasileiro.

93
Capítulo 4
A criação da UEB

A primeira ação visando a criação de uma instituição única para congregar todos
os escoteiros brasileiros ocorreu no início de 1922, quando Gumercindo Portugal Loretti
organizou reunião na Liga de Defesa Nacional para uma tentativa de unificar o movimento
escoteiro no Brasil. A Associação Brasileira de Escoteiros, de São Paulo, não concordou com
a criação de uma instituição de porte nacional, pois se considerava detentora do privilégio
de dirigir o Escotismo em nosso país1.
Em 25 de janeiro de 1922, em sua coluna sobre Escotismo no Tico-Tico, Benjamin
Sodré analisou o desenvolvimento do Movimento no Brasil; elogiou a quantidade de
escoteiros em São Paulo e um pouquinho (sic) no Rio, lamentou o fenecimento das iniciativas
no Maranhão e Amazonas, criticou a existência de batalhões infantis nas escolas, levantou
a bandeira de possuirmos uma única associação orientativa no Brasil, ao invés das quatro
então existentes: Associação Brasileira de Escoteiros com sede em São Paulo e 140 grupos
escoteiros; a Associação de Escoteiros Católicos do Brasil, com sede no Rio e 12 grupos
filiados; a Confederação Brasileira de Escoteiros do Mar, também no Rio, recém-organizada,
e com grupos nas colônias de pesca no litoral brasileiro; e os escoteiros municipais da capital,
organizados em escolas municipais do Rio de Janeiro; citou ainda a existência de grupos no
Pará, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraná orientados pela ABE2.
No mesmo dia, Sodré recebeu carta manuscrita de João Evangelista Peixoto Fortuna,
que contestou a situação do Escotismo no Rio de Janeiro, informando que a AECB possuía

95
12 grupos e 500 escoteiros, e havia mais seis agrupamentos em formação; informou ainda
que a ABE possuía apenas cerca de 18 a 25 grupos ativos e não os 140 apregoados; que a ABE
não era orientadora nacional, que seus instrutores eram da Força Pública, que ensinavam
ginástica e evoluções e só, e não Escotismo. Peixoto Fortuna informou ainda que o Código
do Escoteiro publicado por Sodré era tradução do texto francês, adaptado pela ABE, e
não do Código de Baden-Powell dos boy scouts ingleses, que é igual ao da AECB3. Alguns
números depois, Sodré corrigiu sua informação, declarando que o Boletim da ABE noticiou
a fundação e reorganização de 33 grupos escoteiros e comissões regionais em São Paulo4.
No início da década de 1920, havia considerável número de instituições escoteiras
firmemente empenhadas em executar seus próprios programas. Não havia unidade nacional.
Naqueles anos, o chefe Benjamim Sodré, o “Velho Lobo”, mantinha uma seção sobre
Escotismo na revista infantojuvenil O Tico-Tico. Na edição do dia 23 de janeiro de 19245
publicou artigo que refletia a conjuntura do Escotismo àquela época, como se vê; a seguir:
Um exemplo a seguir pelas Associações de Escotismo no Brasil:

O Escotismo pode-se considerar definitivamente firmado entre nós. Já se passou


aquele período de propaganda vivíssima em que era quase um dever só entoar loas, e
esconder os defeitos.

Hoje se pode sem perigo apontar os males. E esse é o dever.

Entre nós há quatro grandes associações que dirigem o movimento escoteiro


nacional: a Associação Brasileira de Escoteiros, com sede em São Paulo, Associação
de Escoteiros Católicos do Brasil, a Comissão Central de Escotismo e a Confederação
Brasileira de Escoteiros do Mar, com sede no Rio.

Refletindo o espírito de pouca harmonia dos brasileiros que vivem a brigar; essas
associações se correspondem, se entendem, mas não se ligam.

Sofre com isso o Escotismo, que se desenvolve entre nós sem a precisa uniformidade, e
sofre o nome do Brasil, que de outro modo poderia figurar entre as grandes potências
escoteiras, coisa que não é de desprezar hoje, quando o escotismo tem por mais de
uma vez ocupado a atenção e sugerido discussões na Liga das Nações.

Um país possuir cem, duzentos mil escoteiros deve ser, forçosamente, uma razão de
consideração no conceito dos demais.

Nós caminhamos para esses números, mas como nossos esforços são dispersos,
aparecem sempre informações parciais.

96
Tentativas têm sido feitas para reunir as Associações, mas todas vãs, porque ora a
vaidade de domínio, ora pequeninas questões pessoais conservam afastadas forças
preciosas que deveriam unir, valendo pelo dobro.

É um dever de todos, desde o mais pequenino escoteiro até o mais importante Chefe,
procurar criar uma atmosfera de harmonia entre todas as associações, para que elas
se liguem constituindo uma confederação geral que possa representar o Escotismo
do Brasil.

A seguir, Velho Lobo referiu-se ao exemplo do Escotismo francês que, possuindo


então três associações escoteiras independentes, uniu-as em um “Bureau Interfederal do
Escotismo Francês” e concluiu:

Isso viria resolver o nosso caso. Nenhuma associação seria mais do que a outra, todas
estariam no mesmo pé de igualdade e, suprema aventura, alguém poderia falar pelos
‘Escoteiros do Brasil’, que já são tão numerosos, mas que devem conservar-se mudos
e desconhecidos porque são desunidos.

No dia 7 de setembro de 1924, o padre Leovigildo Franca, vice-presidente da


Associação de Escoteiros Católicos do Brasil, realizou interessante conferência sobre o
“Escotismo Através do Mundo”. O ilustre prelado fora o chefe da delegação que representou
o país no Grande Jamboree Internacional em Copenhague6, assim como na 3ª Conferência
Mundial Escoteira, realizada após o jamboree. Sua conferência, ilustrada com projeções,
deu uma impressão muito nítida do que foi aquela grande concentração escoteira mundial.
O Velho Lobo assistiu à palestra e, comovido, afirmou: “Para o futuro, o Brasil se deve
representar, em qualquer reunião internacional, não por uma delegação de uma de suas
Associações, mas por uma Delegação de Escoteiros do Brasil”. A seguir renovou o seu apelo
feito em janeiro de 1924 em O Tico-Tico e remeteu cartas ou fez contatos pessoais com
os principais responsáveis pelas instituições escoteiras convocando-os para se reunirem
com o fim de criarem uma associação nacional do Escotismo brasileiro. Com exceção
do representante da Associação Brasileira de Escoteiros, de São Paulo, todos os demais
atenderam ao convite e passaram a se reunir, seguidamente, na sede do Clube Naval, no
Centro da cidade do Rio de Janeiro.

97
Clube Naval, primeira sede da UEB.

Em 15/10/1924, O Tico-Tico publica uma completa biografia escoteira para


orientação de chefes brasileiros7.
Em 20 de outubro, por iniciativa da Confederação Brasileira de Escoteiros do Mar
e da Associação de Escoteiros Católicos do Brasil, reúnem-se representantes das duas
organizações e também da Associação Fluminense de Escoteiros e da Comissão Central
de Escotismo8, assentando as bases para a criação da União dos Escoteiros do Brasil, nome
sugerido pelo padre Leovigildo Franca e aprovado por unanimidade9.
Em 29 de outubro, Peixoto Fortuna envia a Sodré o projeto que apresentara à Liga
da Defesa Nacional, em 1922, a título de colaboração para a criação da “Confederação” (sic)
que seria a UEB. Nessa mesma carta, confirma a adesão da AECB, da CBEM, e da AFE à
criação da UEB10.
Os grandes artífices da criação da UEB foram Benjamin Sodré e João Evangelista
Peixoto Fortuna.
Assim, em 4 de novembro de 1924, por iniciativa da Associação de Escoteiros
Católicos do Brasil (AECB), da Confederação Brasileira de Escoteiros do Mar (CBEM) e da
Confederação dos Escoteiros do Brasil (CEB), foi fundada a União dos Escoteiros do Brasil
(UEB) com sede e foro na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil.
A sede da nova instituição passou a ser no Clube Naval.
Após várias reuniões, na sessão de 11 de novembro ficou estabelecido que teriam
caráter definitivo todas as deliberações tomadas por unanimidade. Participaram dessa
memorável reunião, representando a AECB, o padre Leovigildo Franca, doutor Peixoto
Fortuna, e Bernardo de Almeida; pela CBEM, os tenentes Benjamin Sodré, Sósthenes
Barbosa, e Benvindo T. Horta; pela Federação dos Escoteiros do Brasil (ex CCE), os
doutores Faustino Esposel e Alair Antunes, e o professor Gabriel Skinner; pela Associação

98
Fluminense de Escoteiros, Virgílio Brito. A Associação Brasileira de Escoteiros, sediada em
São Paulo, absteve-se de tomar parte na fundação da União dos Escoteiros do Brasil. Foi
acordada a fusão de todas as escolas de chefes em uma única.
Em 21 de novembro, Benjamin Sodré escreveu às associações escoteiras existentes
informando que:

Reuniram-se ontem, no Clube Naval, os representantes de diversas associações


escoteiras com o nobre princípio de discutir as bases para a realização do ideal de uma
união entre todos os Escoteiros do Brasil. Achavam-se representadas a Confederação
Brasileira de Escoteiros do Mar, a Confederação dos Escoteiros do Brasil, a Associação
Fluminense de Escoteiros e a Associação dos Escoteiros Católicos do Brasil. A
Associação Brasileira de Escoteiros de São Paulo enviou carta aos iniciadores dessa
ideia prometendo mais tarde responder ao convite de adesão.

Sodré prossegue informando que “o nome da união de todas as associações e


confederações escoteiras do Brasil que aderiram será União dos Escoteiros do Brasil
(U.E.B.)”, e “sua sede será a Capital da República”, que “o fim da U.E.B. é servir de orientadora
geral do movimento escoteiro no Brasil”, que “a AECB, única filiada a Londres, abre mão
desta sua prerrogativa em favor da União e que seu membro que é atualmente Comissário
Internacional da AECB passará a ser o Comissário Internacional da U.E.B.”, “as associações
que aderirem até a organização final da U.E.B serão consideradas fundadoras”, “que a U.E.B.
somente aceitaria a filiação de associações que tivessem mais de dois anos de vida normal
e mais de dez tropas em funcionamento regular”, ou seja, as bases do futuro Estatuto.
Finalizou Sodré solicitando parecer sobre as sugestões e a adesão à U.E.B., e convidando
para reunião em 4 de dezembro na qual seriam discutidos os Estatutos11.
Na sessão de 12 de dezembro de 1924, foram aprovados os primeiros Estatutos da
União dos Escoteiros do Brasil12, sucintos, com apenas 10 artigos.

Estatutos da União dos Escoteiros do Brasil

I – DO NOME – Art. 1º - O nome desta organização será: União dos Escoteiros do


Brasil – U.E.B.

II – DA SEDE – Art. 2º - A sede social e foro da U.E.B. será a capital da República.

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III – DOS FINS – Art. 3º - A U.E.B. tem por fins:

a) Unir, orientar e desenvolver o movimento geral escoteiro do Brasil;


b) Representá-lo oficialmente perante as autoridades da República e estrangeiro; e,
c) Promover festas escoteiras de caráter geral, acampamentos e jamborees nacionais
ou internacionais na Capital e nos demais Estados do Brasil.

IV – DA ORGANIZAÇÃO – Art. 4º - A U.E.B. compor-se-á de todas as federações


do Brasil que a ela queiram se filiar.

§ 1º - As Federações filiadas conservarão a plena autonomia dos seus Estatutos e


Regimento Interno.

§ 2º - As decisões da U.E.B. obrigarão as Federações filiadas quando tomadas por


unanimidade absoluta de votos; em caso de voto contrário, ainda que um, estas
decisões revestirão apenas a forma de conselho ou sugestão.

§ 3º - Só se poderão filiar à U.E.B. as federações que tiverem mais de dois anos de


vida normal e mais de dez tropas em funcionamento regular, sendo de desejar que as
novas federações se filiem às já existentes.

§ 4º - Os presentes Estatutos poderão ser reformados por deliberação unânime do


Conselho Diretor.

V – DO CONSELHO DIRETOR – Art. 5º - O Conselho Diretor da U.E.B. será


composto de um presidente, dois secretários, um comissário internacional, um
tesoureiro, e todos os representantes das federações filiadas.

§ 1º - O presidente da U.E.B. será indicado por S. Excia o sr. Presidente da República,


especialmente solicitado para esse fim.

§ 2º - A escolha do tesoureiro poderá recair sobre qualquer pessoa de destaque na


sociedade; os demais cargos deverão ser desempenhados pelos representantes das
federações filiadas.

§ 3º - Cada federação filiada terá direito a um voto no Conselho, podendo, no entanto,


enviar de um a três representantes.

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§ 4º - Em caso de discordância entre os representantes de uma das federações filiadas,
deverão estes submetê-la ao Conselho Superior de sua federação e trazer à União o
voto definitivo.

§ 5º - A U.E.B. será administrada pelo Conselho Diretor, cabendo ao Presidente sua


representação judicial ou extra-judicial.

VI – BUREAU INTERNACIONAL – Art. 6º - A U.E.B. será filiada ao Bureau


Internacional Escoteiro, de Londres.

VII – DAS FINANÇAS – Art. 7º - Todas as federações filiadas à U.E.B. deverão


contribuir com uma cota anual de 50$000 para as despesas gerais e outra de 3 Libras
Esterlinas por mil escoteiros para ser enviada ao Bureau de Londres.

§ 1º - Conseguindo a U.E.B. uma subvenção do Governo Federal para o


desenvolvimento do Escotismo no Brasil, esta será distribuída equitativamente por
todas as Federações filiadas, de acordo com decisão do Conselho Diretor.

§ 2º - Os membros da U.E.B. não respondem subsidiariamente pelas obrigações por


ela contratadas.

§ 3º - No caso de dissolução os bens da U.E.B. passarão à Liga da Defesa Nacional.

VIII – DAS FEDERAÇÕES FUNDADORAS – Art. 8º - Todas as Federações que


aderirem à U.E.B. até sua organização definitiva serão consideradas fundadoras,
ficando isentas do que exige o Art. 4º, § 3º, destes Estatutos.

IX – DAS REUNIÕES – Art. 9º - Todas as vezes que o interesse escoteiro o


exigir, reunir-se-á o Conselho Diretor da U.E.B. em dia, hora e local previamente
comunicados pela secretaria a todas as federações filiadas.

§ 1º - As reuniões da U.E.B. serão feitas quanto possível à escoteira em mesa redonda,


com perfeita igualdade de todos os representantes, ao ar livre, jovial e alegre.

§ 2º - Na ausência do Presidente, presidirá a reunião qualquer membro do Conselho


Diretor, sucedendo-se os representantes por ordem alfabética.

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X – DO COMPROMISSO – Art. 10º - O Conselho Diretor da U.E.B., em ocasiões
solenes, prestará conjuntamente o seguinte compromisso: “Prometo pela minha
honra ser leal, sincero e desinteressado em todas as minhas relações com a União dos
Escoteiros do Brasil”.

Aprovados em 12-XII-1924

Iberê de V. Bernardes

Secretário da U.E.B.

Em 16 de janeiro de 1925, na reunião da UEB, decidiu-se: a) a adoção definitiva do


nome União dos Escoteiros do Brasil, b) que O Escoteiro fosse o órgão oficial da UEB e que
cada federação indicasse um representante junto à direção do jornal, c) foram eleitos Affonso
Vizeu para tesoureiro, Iberê de Vasconcellos Bernardes para secretário administrativo,
Benjamin Sodré para secretário técnico, Bernardo M. de Almeida para comissário
internacional e Virgílio de Brito para bibliotecário, d) após parecer da Academia Brasileira
de Letras, foi adotada a palavra “escoteirismo” para todos os atos oficiais, e) aprovado o
regimento interno, f) resolvido convidar as bandeirantes a colaborarem nos trabalhos da
UEB, sem serem, entretanto, filiadas13.
Em abril de 1925 foi publicado o Regimento Interno da União dos Escoteiros do
Brasil .
14

REGIMENTO INTERNO
(União dos Escoteiros do Brasil)

Capítulo I – Do Conselho Diretor

Art. 1. O Conselho Diretor (C.D.) terá mandato por dois anos.

§ único: Qualquer membro do C.D. perderá seu mandato desde que a Federação a que
pertence deixe de acreditá-lo como seu representante.

Art. 2. No caso de vagar um cargo no C.D. proceder-se-á, imediatamente, a nova


eleição, convocando-se, extraordinariamente, uma reunião para esse fim.

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Art. 3. As eleições e do C.D. serão efetuadas na primeira quinzena de junho dos anos
ímpares.

Art. 4. As representações das Federações escolherão os seus líderes que, nas votações,
manifestarão o voto de sua bancada.

Capítulo II – Deveres dos cargos

Art. 5. Ao Presidente compete:

a) Convocar e presidir as reuniões do C.D.


b) Representar a U.E.B. perante os poderes públicos e nas suas relações em juízo
e fora dele.
c) Visar as contas de despesas realizadas e assinar com o tesoureiro os documentos
de retirada de valores do fundo social do depósito onde se encontrem, para
pagamento de despesas autorizadas pelo C.D.
d) Apresentar nas sessões ordinárias um relatório dos trabalhos da U.E.B. e
balancete do tesoureiro.
e) Autorizar despesas que não excedam 200$000.

Art. 6. Dos Secretários:


Um dos secretários será encarregado de toda a correspondência de caráter técnico. O
outro, da correspondência de caráter social administrativo.

Art. 7. O Comissário Internacional será encarregado de toda a correspondência


internacional e relações diplomáticas.

Art. 8. Ao tesoureiro compete:

a) Arrecadar e ter sob sua responsabilidade todos os valores pertencentes à U.E.B.


por subvenções, contribuições ou donativos, fazendo recolher tais valores a um
estabelecimento nacional de crédito indicado pelo C.D.
b) Assinar com o Presidente os documentos de retirada de valores pertencentes
à U.E.B.
c) Efetuar o pagamento das despesas autorizadas pelo Presidente até o máximo de
200$000 e das autorizadas pelo C.D.
d) Apresentar balancetes em todas as reuniões ordinárias do C.D.
e) Manter em ordem a escrituração do movimento financeiro da U.E.B.

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Art. 9. Os demais membros do C.D. serão encarregados de serviços especiais
tais como: Direção da Escola de Instrutores, Membros ou Chefes das Comissões
permanentes, bibliotecário, etc.

Art. 10. As Comissões Permanentes de estudo são comissões de três membros


constituídas por elementos do C.D. e encarregadas de trabalhos de interesse para o
escotismo, unificação, propaganda, etc.

§ 1º. Poderão ser chamadas pessoas estranhas ao C.D. para serem agregadas às
comissões, não tendo no entanto tais pessoas a menor interferência nas reuniões do
C.D.

§ 2º. As Comissões têm ampla liberdade de ação e as suas conclusões e trabalhos


serão sempre submetidos à aprovação do C.D.

Capítulo III – Da convocação

Art. 11. O C.D. se reunirá ordinariamente três vezes no ano, nos meses de fevereiro,
junho e outubro e de preferência em cidades diferentes, designadas na última reunião.

Art. 12. O C.D. poderá ser convocado extraordinariamente no Rio de Janeiro, sempre
que houver necessidade, a pedido de pelo menos duas Federações.

Art. 13. O C.D. considerar-se-á reunido em primeira convocação quando estiverem


presentes representantes da maioria das Federações filiadas e, em segunda convocação,
com qualquer número.

§ 1º. Esta segunda convocação será feita para o terceiro dia útil após a primeira, por
envio de telegramas aos Presidentes das Federações e pessoalmente aos líderes das
bancadas.

§ 2º. Das decisões tomadas serão remetidas cópias às Federações não representadas,
que sobre elas deverão se manifestar dentro de trinta dias, importando o silêncio em
aquiescência.

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Capítulo IV – Das Finanças

Art. 14. Em setembro de cada ano, as Federações entrarão com suas cotas, a anual e
a proporcional de cada número de escoteiros (art. 7 dos Estatutos).

Art. 15. As subvenções que venha a U.E.B. a merecer do Governo ou particulares


serão distribuídas equitativamente pelas Federações filiadas por decisão anual do C.D.

Capítulo V – Dos Instrutores

Art. 16. As Federações filiadas não devem receber em seu seio instrutores ou
escoteiros egressos de outras Federações também filiadas salvo mediante bilhete de
transferência emitido pelas Federações ou pela U.E.B.

§ único. No caso de pedido de transferência negada por uma das Federações, cabe ao
interessado recurso para o C.D. da U.E.B.

Art. 17. As Federações manterão na direção de seus Grupos, instrutores que hajam
cursado as Escolas da U.E.B.

Art. 18. Na falta de instrutores cursados, as Federações poderão solicitar da U.E.B.


licença especial para que pessoas idôneas dirijam a instrução de Grupos, por um ano,
durante o qual deverão estar matriculadas no curso por correspondência da U.E.B.

§ 1º. Estes instrutores serão obrigados a prestar exame na época determinada pelo
Diretor da Escola, e uma vez aprovados receberão o diploma de instrutores.

§ 2º. Sendo reprovados não poderão continuar a frente da instrução de Grupos, a


menos que sua Federação não solicite matrícula por mais um ano, improrrogável,
apresentando motivos que sejam julgados imperiosos e suficientes pelo C.D.

Art. 19. A U.E.B. manterá uma escola de instrutores de escoteiros, com sede no Rio
de Janeiro, devidamente regulamentada.

§ 1º. Nesta escola haverá um curso por correspondência para os candidatos residentes
longe das sedes das Escolas mandados matricular pelo C.D. mediante solicitação,
justificada pela Federação a que pertence o candidato.

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Capítulo VI – Disposições transitórias

Art. 20. O C.D. eleito agora terá o seu mandato até junho de 1927.

Aprovado em 16 de janeiro de 1925.

Iberê de V. Bernardes
Secretário da U.E.B.

Em 26 de abril de 1925, durante a Semana Escoteira, o doutor Affonso Penna Junior,


ministro da Justiça, visitou o acampamento da UEB e deixou registrado no livro de visitantes
o seguinte texto15:

Já era grande meu entusiasmo pelos escoteiros, em cujas fileiras tenho o orgulho de
contar dois filhos. A visita a este acampamento, do qual me fica indelével recordação,
veio, porém, aumentar meu entusiasmo.

Escola do vigor físico e moral, estimulante de virtudes e ideias, a nobre instituição


educativa de Baden-Powell deve ser decididamente amparada e propagada por todo o
Brasil, por forma a constituir um dos elos mais fortes de unidade nacional, dentro da
fraternidade humana. Deixo aqui o meu caloroso aplauso a quantos se acham a frente
desse belo movimento e um cordial aperto de mão a todos os escoteiros brasileiros.

Em agosto de 1925, a UEB tinha sede no Grêmio Paraense, a avenida Rio Branco
145, 2º andar16. Porém, o Clube Naval continuava a sediar reuniões do Conselho Diretor17.
Apesar do Estatuto da UEB determinar que o seu presidente seria indicado pelo
presidente da República, não foi localizado nenhum registro de que isto tenha ocorrido. Em
28 de agosto de 1925, o ministro da Justiça, Affonso Penna Junior18 aceitou o convite da
UEB para ser o seu primeiro presidente19 e, em seu discurso de posse, agradeceu o convite
dos escoteiros para colaborar com eles20.
A diretoria da UEB ficou assim composta: presidente, doutor Affonso Penna
Junior; tesoureiro, Evaristo Bianchini (FECB); como representantes da FECB, doutor
João Evangelista Peixoto Fortuna, padre Leovigildo Franca, e Bernardo de Almeida
(este assumindo a função de comissário internacional); como representantes da FBEM,
comandante Sosthenes Barbosa, comandante Benjamin Sodré (assumindo a função de
secretário técnico), e professor Ambrósio Torres; como representantes da FEB, doutor Iberê
Bernardes (assumindo como secretário administrativo), doutor Mario França e professor
Gabriel Skinner; como representantes da FEF, doutor Tancredo de Ramos Franco, Gaspar

106
Silva Junior, e Virgílio de Brito. Affonso Penna Junior, então ministro da Justiça, tomou
posse em sessão solene no salão de honra da Liga da Defesa Nacional e também durante
acampamento na Quinta da Boa Vista, com quase mil escoteiros das federações21,22,23.
O convite para a posse de Affonso Penna Junior como presidente da UEB informa
que:

1- Em 1º de janeiro do corrente ano, a Federação Brasileira de Escoteiros do Mar, a


Federação Brasileira de Escoteiros Católicos, a Federação de Escoteiros do Brasil e a
Associação dos Escoteiros Fluminenses, fundaram a União dos Escoteiros do Brasil,
entidade destinada a dirigir o movimento escoteiro nacional, ficando constituído o
seguinte Conselho Diretor: Dr. Iberê Bernardes, Comandante Benjamin Sodré, Dr.
Peixoto Fortuna, Professor Ambrósio Torres, Padre Leovigildo Franca, Dr. Mario
França, Evaristo Bianchini, Bernardo de Almeida, Professor Gabriel Skinner,
Tancredo de Ramos Mello, Raphael Gaspar da Silva Junior, Virgilio de Brito,
Comandante Sosthenes Barbosa.

2- O Conselho Diretor aguardou que a União dos Escoteiros do Brasil fosse reconhecida
como entidade máxima do escoteirismo brasileiro pelo Boy Scouts International
Bureau de Londres, instituição que rege e orienta o movimento escoteiro mundial,
para eleger seu presidente efetivo, o que vem de fazer com a aclamação do nome do
Exmo. Sr. Ministro da Justiça.

3- Sua Excia o Sr Dr Affonso Penna Junior, um grande entusiasta do movimento


escoteiro, acedeu em dirigir os trabalhos da União dos Escoteiros do Brasil aos quais
vai se dedicar com o carinho e o patriotismo que sempre consagrou à obra de Baden-
Powell.

4- Para a solenidade de posse de S. Excia, a realizar-se no próximo dia 27 às 9 horas,


no acampamento promovido pela UEB na Quinta da Boa Vista (Alameda D. João VI),
a União dos Escoteiros do Brasil vem solicitar a presença de Vossa Excelência. Pelo
Conselho Diretor da UEB, Comandante Sosthenes Barbosa24.

Notar que o documento informa que a UEB foi fundada em 1º de janeiro de 1925 e
não em 4 de novembro de 1924, data divulgada em outros documentos e estatutos e assumida
como data de fundação.
Em 27 de setembro de 1925, em cerimônia na Quinta da Boa Vista, o ministro
da Justiça, Affonso Penna Junior, foi empossado como primeiro presidente da União dos
Escoteiros do Brasil. O discurso de saudação, em nome do Conselho Diretor da UEB, foi
proferido pelo doutor João Evangelista Peixoto Fortuna, da AECB, que brilhantemente
historiou o advento e as dificuldades já vencidas na implantação do Escotismo no Brasil

107
e salientou o novo momento que se abriu para o Movimento em nossa pátria tendo a
frente, como chefe supremo, um homem da envergadura moral do doutor Affono Penna.
Por sua vez, o presidente da UEB proferiu entusiástico discurso, enaltecendo os Princípios
Escoteiros, o reerguimento moral pelo Escotismo, da honra de dirigir o Escotismo do Brasil
e prometeu trabalhar para o Escotismo com todo seu poder e forças. Na cerimônia de posse
estiveram presentes os senhores Donald Makgill e A.D. Jamieson, como delegados do
Bureau International, que fizeram a entrega à UEB de retrato autografado de Baden-Powell
e da mensagem25 enviada por ele aos escoteiros brasileiros:

Meus caros irmãos escoteiros do Brasil,

Transmito-vos os meus cordiais cumprimentos por meio do Senhor Donald Makgill, um dos
nossos comissários, que foi designado para visitar vosso país em meu nome.

Desejaria imenso ver-vos de novo, pois nunca esqueci os felizes dias passados em vosso país
em 191126. Sendo-me isso impossível, o Senhor Makgill é portador dos melhores votos que
formulo pela vossa prosperidade; estou certo de que sua visita muito fará no sentido de estreitar
os laços de estima e camaradagem que nos unem na Fraternidade Internacional.

Sinceramente vosso,
Robert Baden-Powell

Aspecto da posse de Affonso Penna Junior como presidente da UEB. Do lado direito de Affonso Penna encon-
tra-se A. D. Jamieson, e do lado esquerdo, [Link] Makgill, representantes do Bureau Mundial em visita a
países da América do Sul.

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Foi assim fundada, de fato e de direito, a União dos Escoteiros do Brasil.

Affonso Penna Junior condecora o jovem escoteiro do mar Gabriel Augusto Pinto, do Grupo 19 de Paquetá,
por ter salvado a vida de uma menina que estava se afogando.

Retrato que Baden-Powell enviou à UEB.

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REFERÊNCIAS

1
Sodré, Benjamin. Notas marcantes sobre acontecimentos escoteiros, período 1920-1930 (acervo CCME).
2
Tico-Tico, 25 de janeiro de 1922.
3
Carta de J.E. Peixoto Fortuna a Benjamin Sodré, de 25 de janeiro de 1922 (acervo CCME).
4
Tico-Tico, 5 de abril de 1922.
5
Tico-Tico, edição de 23 de janeiro de 1924.
6
O Tico-Tico, 15 de outubro de 1924.
7
Tico-Tico, edição de 15 de outubro de 1924.
8
A Comissão Central de Escotismo, que em 1924 alterou seu nome para Confederação de Escoteiros do Brasil,
tinha como filiadas associações escoteiras sediadas em clubes esportivos da cidade do Rio de Janeiro, com sede no
Fluminense Football Club.
9
Sodré, Benjamin. Notas marcantes sobre acontecimentos escoteiros, período 1920-1930 (acervo CCME).
10
Carta de Peixoto Fortuna a Benjamin Sodré, de 29 de outubro de 1924 (acervo CCME).
11
Carta de Benjamin Sodré, de 21 de novembro de 1924 (acervo CCME).
12
Publicados no jornal O Escoteiro, número 65, de 15 de março de 1925.
13
Carta do secretário da UEB ao presidente da FBEM, de 1º de fevereiro de 1925 (acervo CCME).
14
O Escoteiro, número 66, 15 de abril de 1925.
15
O Escoteiro, número 68, 15 de junho de 1925.
16
O Escoteiro, número 70, 15 de agosto de 1925.
17
O Escoteiro, número 73, 15 de novembro de 1925.
18
Affonso Augusto Moreira Penna Júnior nasceu em Santa Bárbara em 25 de dezembro de 1879; foi advogado,
professor, político e ensaísta brasileiro. Foi ministro da Justiça entre 1925 e 1926, e imortal da Academia Brasileira
de Letras. Faleceu no Rio de Janeiro, em 12 de abril de 1968.
19
O Escoteiro, número 71, 15 de setembro de 1925.
20
Gazeta de Notícias, 28 de setembro de 1925.
21
Circular da UEB, sem número, de 8 de setembro de 1925, assinada pelo comandante Sosthenes Barbosa (acervo
CCME).
22
Tico-Tico, edição de 23 de setembro de 1925.
23
Tico-Tico, edição de 21 de outubro de 1925.
24
Convite para a posse de Affonso Penna Junior como presidente da UEB (acervo CCME).
25
UEB. Oração pronunciada por S. Exª. doutor Affonso Penna ao ser empossado no cargo de presidente da União
dos Escoteiros do Brasil, Rio de Janeiro, setembro de 1925.
26
Na realidade, B-P esteve no Brasil em 1909 e não em 1911. Sobre o assunto, ver Sinais de Pista, de Maurício
Moutinho, CCME/Walprint, Rio de Janeiro, 2010.

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Capítulo 5
A linha do tempo da UEB 1924-2014

Este capítulo apresentará, ano a ano, a evolução da história da UEB. São informados e
relatados os principais acontecimentos da vida da nossa instituição. Houve momentos difíceis,
em que a UEB quase desapareceu. Entretanto, graças aos esforços de muitos dedicados e
entusiastas militantes, chega ao seu 90º aniversário.

1924

Em 1º de janeiro, a AECB possuía 42 grupos escoteiros e cerca de 4.000 escoteiros1.


Através do Tico-Tico, Benjamin Sodré faz apelo para a união das organizações
escoteiras no Brasil, para que haja apenas uma instituição que responda pelo Escotismo
nacional2.
Ao se iniciar a década de 1920, havia considerável número de instituições escoteiras,
firmemente empenhadas em executar os programas que elas próprias haviam escrito.
Naqueles anos, o chefe Benjamim Sodré, o “Velho Lobo”, mantinha uma seção sobre
Escotismo na revista infantojuvenil O Tico-Tico. Na edição do dia 23 de janeiro de 19243
publicou um artigo que refletia a conjuntura do Escotismo àquela época, como se vê; a
seguir:

Um exemplo a seguir pelas Associações de Escotismo no Brasil

O Escotismo pode-se considerar definitivamente firmado entre nós. Já se passou


aquele período de propaganda vivíssima em que era quase um dever só entoar loas, e
esconder os defeitos.

Hoje se pode sem perigo apontar os males. E esse é o dever.

Entre nós há quatro grandes associações que dirigem o movimento escoteiro


nacional: a Associação Brasileira de Escoteiros, com sede em São Paulo, Associação
de Escoteiros Católicos do Brasil, a Comissão Central de Escotismo e a Confederação
Brasileira de Escoteiros do Mar, com sede no Rio.

Refletindo o espírito de pouca harmonia dos brasileiros que vivem a brigar; essas
associações se correspondem, se entendem, mas não se ligam.

111
Sofre com isso o Escotismo, que se desenvolve entre nós sem a precisa uniformidade, e
sofre o nome do Brasil, que de outro modo poderia figurar entre as grandes potências
escoteiras, coisa que não é de desprezar hoje, quando o escotismo tem por mais de
uma vez ocupado a atenção e sugerido discussões na Liga das Nações.

Um país possuir cem, duzentos mil escoteiros deve ser, forçosamente, uma razão de
consideração no conceito dos demais.

Nós caminhamos para esses números, mas como nossos esforços são dispersos,
aparecem sempre informações parciais.

Tentativas têm sido feitas para reunir as Associações, mas todas vãs, porque ora a
vaidade de domínio, ora pequeninas questões pessoais conservam afastadas forças
preciosas que deveriam unir, valendo pelo dobro.

É um dever de todos, desde o mais pequenino escoteiro até o mais importante Chefe,
procurar criar uma atmosfera de harmonia entre todas as associações, para que elas
se liguem constituindo uma confederação geral que possa representar o Escotismo
do Brasil.

A seguir, Sodré referiu-se ao exemplo do Escotismo francês que, possuindo então três
associações escoteiras independentes, uniu-as em um “Bureau Interfederal do Escotismo
Francês” e concluiu: “Isso viria resolver o nosso caso. Nenhuma associação seria mais do que
a outra, todas estariam no mesmo pé de igualdade e, suprema aventura, alguém poderia falar
pelos ‘Escoteiros do Brasil’, que já são tão numerosos, mas que devem conservar-se mudos
e desconhecidos porque são desunidos”.
Em março, o escoteiro Álvaro Silva, de 13 anos, da Associação Fluminense de
Escoteiros, realiza seu ousado raid Rio-Santiago, sendo recebido na capital chilena por
escoteiros, autoridades e povo em geral4.
Em 2 de abril, a Confederação Brasileira de Escoteiros do Mar atingiu o número
de 24 grupos filiados. Nesse mesmo ano, foi diplomada a primeira turma de instrutores
formada pela própria CBEM5.
No mês de abril, circulou o primeiro número do informativo O Guia, revista quinzenal
dedicada a escoteiros, cujos dirigentes são Benevenuto Cellini e Gabriel Skinner.
Realizado na Dinamarca o II Jamboree Mundial Escoteiro. A delegação brasileira foi
composta pelo padre Leovigildo Franca e mais três adultos: Bernardo Monteiro de Almeida,
Euclydes de Souza Moreira e Abdon Oliveira Dias, todos da Associação de Escoteiros
Católicos do Brasil, então a organização escoteira brasileira reconhecida pela Organização
Mundial. O grupo embarcou para a Europa em 9 de julho de 1924, graças ao auxílio do
Ministério das Relações Exteriores, que inclusive forneceu passaportes diplomáticos aos

112
viajantes. Foi esta a primeira representação do Brasil a comparecer a eventos internacionais
de Escotismo. A delegação participou também da Conferência Internacional, realizada após
o jamboree. Bernardo M. de Almeida era o comissário internacional, Abdon e Euclydes eram
instrutores e responsáveis por áreas (distritos) de atuação da AECB. Abdon fundou diversos
grupos escoteiros, entre os quais o G.E. Arthur Bernardes, em 1926, em Niterói/RJ, que
um ano depois mudaria o nome para Grupo Escoteiro do Mar Benevenuto Cellini, que
existe até hoje; ele participou também ativamente da fundação da Federação de Escoteiros
Fluminenses (FEF). Durante uma das visitas de B-P ao jamboree, ele parou no campo da
delegação brasileira, cujos membros tiveram a honra de serem fotografados ao lado do
fundador. Este foi, provavelmente, o único contingente de brasileiros em um evento que teve
tal honra.
Após o jamboree, os quatro brasileiros participaram da 3ª Conferência Mundial
Escoteira, realizada em Copenhagen, entre 18 e 20 de agosto de 19246.
No dia 7 de setembro de 1924, o padre Leovigildo Franca, vice-presidente da
Associação de Escotismo Católicos do Brasil, realizou interessante conferência sobre
o “Escotismo no Mundo”. O ilustre prelado fora o chefe da delegação que representou o
país no Grande Jamboree Internacional em Copenhague7. Sua conferência, ilustrada com
projeções, deu uma impressão muito nítida do que foi aquela grande concentração escoteira
mundial. O Velho Lobo assistiu à conferência e, comovido, afirmou: “Para o futuro, o Brasil
se deve representar, em qualquer reunião internacional, não por uma delegação de uma de
suas Associações, mas por uma Delegação de Escoteiros do Brasil”. A seguir renovou o seu
apelo feito em janeiro de 1924 em O Tico-Tico e remeteu cartas ou fez contatos pessoais
com os principais responsáveis pelas instituições escoteiras convocando-os para se reunirem
com o fim de criarem uma Associação Nacional do Escotismo Brasileiro. Com exceção
do representante da Associação Brasileira de Escoteiros, de São Paulo, todos os demais
atenderam ao convite. Passaram a se reunir, seguidamente, na sede do Clube Naval, no
centro da cidade do Rio de Janeiro.
Em 15/10/1924, o Tico-Tico publica uma completa biografia escoteira para
orientação de chefes brasileiros8.
Em 20 de outubro, por iniciativa da Confederação Brasileira de Escoteiros do Mar
e da Associação de Escoteiros Católicos do Brasil, reúnem-se representantes das duas
organizações e também da Associação Fluminense de Escoteiros e da Comissão Central
de Escotismo, assentando as bases para a criação da União dos Escoteiros do Brasil, nome
sugerido pelo padre Leovigildo Franca e aprovado por unanimidade9.
Em 29 de outubro, Peixoto Fortuna envia a Sodré o projeto que apresentara à Liga
da Defesa Nacional, em 1922, a título de colaboração para a criação da “Confederação” (sic)
que seria a UEB. Nessa mesma carta confirma a adesão da AECB, da CBEM, e da AFE à
criação da UEB10.
Em 4 de novembro de 1924, por iniciativa da Associação de Escoteiros Católicos do
Brasil (AECB), da Confederação Brasileira de Escoteiros do Mar (CBEM) e da Confederação

113
dos Escoteiros do Brasil (CEB), foi fundada a União dos Escoteiros do Brasil (UEB) com
sede e foro na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil.
A sede da nova instituição passou a ser no Cube Naval.
Após várias reuniões, na sessão de 11 de novembro ficou estabelecido que teriam
caráter definitivo todas as deliberações tomadas por unanimidade. Participaram dessa
memorável reunião, representando a AECB, o padre Leovigildo Franca, doutor Peixoto
Fortuna e Bernardo de Almeida; pela FBEM, os tenentes Benjamin Sodré, Sosthenes Barbosa
e Benvindo T. Horta; pela Federação dos Escoteiros do Brasil (ex CCE), doutores Faustino
Esposel e Alair Antunes, e o professor Gabriel Skinner; pela Associação Fluminense de
Escoteiros, Virgílio Brito. A Associação Brasileira de Escoteiros, sediada em São Paulo,
absteve-se de tomar parte na fundação da União dos Escoteiros do Brasil. Foi acordada a
fusão de todas as escolas de chefes em uma única.
Em 21 de novembro, Benjamin Sodré escreve às associações escoteiras existentes
informando que:

Reuniram-se ontem, no Clube Naval, os representantes de diversas associações


escoteiras com o nobre princípio de discutir as bases para a realização do ideal de uma
união entre todos os Escoteiros do Brasil. Achavam-se representadas a Confederação
Brasileira de Escoteiros do Mar, a Confederação dos Escoteiros do Brasil, a Associação
Fluminense de Escoteiros e a Associação dos Escoteiros Católicos do Brasil. A
Associação Brasileira de Escoteiros de São Paulo enviou carta aos iniciadores dessa
ideia prometendo mais tarde responder ao convite de adesão.

Sodré prossegue informando que “o nome da união de todas as associações e


confederações escoteiras do Brasil que aderiram será União dos Escoteiros do Brasil
(U.E.B.)”, e que “sua sede será a Capital da República”, que “o fim da U.E.B. é servir de
orientadora geral do movimento escoteiro no Brasil”, que “a AECB, única filiada a Londres,
abre mão desta sua prerrogativa em favor da União, e que seu membro que é atualmente
comissário internacional da AECB passará a ser o comissário internacional da U.E.B.”;
e que “as associações que aderirem até a organização final da U.E.B. serão consideradas
fundadoras”, visto “que a U.E.B. somente aceitaria a filiação de associações que tivessem
mais de dois anos de vida normal e mais de dez tropas em funcionamento regular”, ou
seja, as bases do futuro Estatuto. Finalizou Sodré solicitando parecer sobre as sugestões e
a adesão à U.E.B., e convidando para reunião em 4 de dezembro na qual seriam discutidos
os Estatutos11.
Na sessão de 12 de dezembro de 1924, foram aprovados os primeiros Estatutos
da União dos Escoteiros do Brasil, sucinto, com apenas 10 artigos, estabeleciam que seus
fins eram: a) unir, orientar e desenvolver o movimento escoteiro do Brasil; b) representá-
lo oficialmente perante as autoridades da República e o estrangeiro; c) promover festas
escoteiras, de caráter geral, acampamentos e jamborees nacionais ou internacionais na capital

114
e nos demais estados do Brasil. A UEB seria composta por todas as federações do Brasil que
quisessem se filiar, que conservariam a plena autonomia de seus Estatutos e Regimentos
Internos; as decisões da UEB somente obrigariam as federações filiadas se fossem tomadas
por unanimidade; somente poderiam se filiar federações com mais de dois anos de vida
normal e mais de dez tropas, sendo sugerido que as novas federações se filiassem às já
existentes. A UEB teria um Conselho Diretor composto por um presidente, dois secretários,
um comissário internacional, um tesoureiro e todos os representantes das federações
filiadas, mas com um voto apenas por federação. O presidente da UEB seria indicado pelo
presidente da República. A UEB seria filiada ao Bureau Internacional. As federações filiadas
pagariam uma taxa anual à UEB e outra para ser enviada ao Bureau Mundial. O Conselho
Diretor prestaria, nas sessões solenes, o seguinte compromisso: “Prometo pela minha honra
ser leal, sincero e desinteressado em todas as minhas relações com a União dos Escoteiros
do Brasil”12.
Em 22 de dezembro, a Comissão de Lexicografia da Academia Brasileira de Letras
respondeu consulta, emitindo parecer de que a palavra ESCOTEIRISMO deveria ser
recebida e consignada no léxico para designar o sistema educativo de Baden-Powell. A UEB
passou a utilizar o termo. Benjamin Sodré também o fez, utilizando o termo tanto nos seus
artigos no Tico-Tico como na primeira edição do Guia do Escoteiro, de 1925. Posteriormente,
em 1928, a ABL reviu sua posição, informando que a palavra ESCOTISMO era correta
e a UEB, em sua sessão de 14 de agosto de 1928, passou a adotá-la. Uma vez que esta já
era consagrada pelo uso, voltou a ser oficialmente empregada. Na segunda edição do Guia
do Escoteiro, de 1932, assim como no Tico-Tico, desde 1930, Sodré volta a usar o termo
ESCOTISMO.

1925

Em janeiro de 1925, a FBEM organiza seu campo-escola em Paquetá para utilização


por grupos de todas as federações13.
Em 16 de janeiro de 1925, na reunião da UEB, decidiu-se: a) a adoção definitiva
do nome União dos Escoteiros do Brasil, b) que O Escoteiro fosse o órgão oficial da UEB
e que cada federação indicasse um representante junto à direção do jornal, c) foram
eleitos Affonso Vizeu para tesoureiro, Iberê de Vasconcellos Bernardes para secretário
administrativo, Benjamin Sodré para secretário técnico, Bernardo M. de Almeida para
comissário internacional e Virgílio de Brito para bibliotecário, d) após parecer da ABL,
foi adotada a palavra “escoteirismo” para todos os atos oficiais, e) aprovado o regimento
interno, f) resolvido convidar as bandeirantes a colaborarem nos trabalhos da UEB, sem
serem, entretanto, filiadas14.
Realizada, entre 19 e 26 de abril de 1925, a primeira Semana Escoteira do Escotismo
brasileiro. Organizada pela UEB, constou de um vasto programa de conferências, cerimônias
cívicas, transmissão de mensagens a partir da sede do Grêmio Paraense15, paradas escoteiras,

115
desfile no estádio do Fluminense e acampamento no campo do Russel. Seiscentos escoteiros,
da FBEM, FBEC e de grupos isolados acamparam no campo do Russel, fechando a Semana
Escoteira, que teve grande repercussão na mídia. Participaram do desfile no Fluminense os
seguintes contingentes: São Bento (54), União (6), Pequena Cruzada (3), Coração de Jesus
(48), Olaria (6), Petrópolis (24), Pedro II de Petrópolis (66), São João Batista da Lagoa (44),
escoteiros da cidade de Alegre, no Espírito Santo (26), Piedade (26), Madureira e Cascadura
(76), Dona Clara (24), Colégio Paula Freitas (28), Vila Isabel (14), Andaraí (10), Fluminense
(90), Grupo 10 de Escoteiros do Mar (23), Copacabana (Mar, 23), ilha do Governador (16),
Paquetá (11), Caju (13), Flamengo (12), Botafogo Football Club (12), São Vicente (60), São
Cristovão (32), Engenho de Dentro (12), Icaraí, (3)16,17,18.
Em abril de 1925 a Federação de Escoteiros Católicos do Brasil realiza seu 3º
Jamboree e seu 3º Congresso Escoteiro Nacional, com sua sessão de encerramento presidida
pelo ministro da Justiça19.
A partir do material publicado no Tico-Tico, o Velho Lobo publica, em agosto de
1925, o Guia do Escoteiro, usando, por recomendação da Academia Brasileira de Letras, o
termo “Escoteirismo”. O Guia tornou-se o manual dos escoteiros, sendo reeditado em 1932,
1943, 1954 e em 1994; nesse último ano, pelo Centro Cultural do Movimento Escoteiro. O
Guia do Escoteiro, de 1925, previa a prática do Escotismo em três períodos: de oito a 11 anos,
os lobinhos; de 11 a 16 anos, os escoteiros; e acima de 16 anos, os exploradores ou rovers (não
havia limite superior de idade para os rovers).
No Guia do Escoteiro, adotado como manual oficial, constava o Compromisso e o
Código dos Escoteiros:
O Compromisso do Escoteiro, atual Promessa Escoteira, era o seguinte:

Prometo, pela minha honra, proceder em todas as circunstâncias como homem


consciente dos meus deveres, leal e generoso; amar a Deus e à minha Pátria,
servindo-a fielmente, na paz e na guerra; obedecer ao Código do Escoteiro.

Notar que surge aqui o compromisso de “amar a Deus”; muito provavelmente, por
influência dos escoteiros católicos.
O Código do Escoteiro, atual Lei Escoteira, possuía 12 artigos:

I – A palavra de um escoteiro é sagrada. Ele coloca a honra acima de tudo, mesmo da própria
vida;
II – O Escoteiro sabe obedecer. Compreende que a disciplina é uma necessidade de interesse
geral;
III – O Escoteiro é um homem de iniciativa;
IV – O Escoteiro aceita, em todas as circunstâncias, as responsabilidades pelos seus atos;
V – O Escoteiro é leal e cortês para com todos;

116
VI – O Escoteiro considera todos os outros escoteiros como seus irmãos, sem distinção de
classes sociais;
VII – O Escoteiro é generoso e valente, sempre pronto a auxiliar os fracos, mesmo com prejuízo
da própria vida;
VIII – O Escoteiro pratica cada dia uma boa ação, por mais modesta que seja;
IX – O Escoteiro estima os animais e se opõe a toda crueldade contra eles;
X – O Escoteiro é sempre jovial e entusiasta e procura o bom lado de todas as coisas;
XI – O Escoteiro é econômico e respeitador do bem alheio;
XII – O Escoteiro tem a constante preocupação de sua dignidade e o respeito de si mesmo.

Curiosamente, em nota de pé de página, constava: “O compromisso com Deus não é


obrigatório, mas é recomendável”.
Já os escoteiros católicos adotavam um Compromisso e um Código ligeiramente
diferentes, mais próximos dos textos dos atuais:

Compromisso:

Prometo pela minha honra fazer tudo que puder para, integralmente, cumprir com
os meus deveres para com Deus, para com o próximo e para com a Pátria; ajudar o
próximo em toda e qualquer ocasião; obedecer fielmente ao Código dos Escoteiros.

Código:

I – A honra do escoteiro é sagrada, e sua palavra merece toda confiança;


II – O Escoteiro é leal e sincero;
III – É dever do escoteiro ser útil ao próximo;
IV – O Escoteiro é amigo de todos, ele considera irmãos aos outros escoteiros, qualquer que
seja a classe social a que pertençam;
V – O Escoteiro é cortês e delicado;
VI – O Escoteiro é amigo dos animais, não os maltratando nunca;
VII – O Escoteiro obedece com diligência e boa vontade os seus superiores;
VIII – O Escoteiro está sempre alegre e contente com tudo;
IX – O Escoteiro é econômico, sóbrio e respeitador do bem alheio;
X – O Escoteiro é puro em seus pensamentos, palavras e ações.

O uniforme do escoteiro da terra era o seguinte: chapéu, de forma cowboy, cor cáqui
e abas largas; camisa cáqui, com dois bolsos; calça cáqui, direita e curta, larga no joelho;
lenço para o pescoço, de cor diferente para cada tropa; borzeguins, de preferência de couro
amarelo; bastão da altura do escoteiro, com 3cm de diâmetro, graduado em decímetros;
mochila, de brim de linho, cáqui; paletó tipo “Norfolk” (facultativo).

117
O uniforme dos escoteiros do mar era semelhante ao dos marinheiros americanos,
branco, mas com calções curtos (bermudas). O lenço era negro. As demais peças do uniforme,
distintivos etc., eram iguais ao dos escoteiros da terra, apenas a flor de lis era sobreposta a
uma âncora.
Não existia o distintivo de “Escoteiro da Pátria”.
Os rovers eram organizados em patrulhas, dirigidas por um guia. Deveriam satisfazer
as provas escoteiras com mais alguns requisitos, obedeciam ao mesmo Compromisso e
Código, e podiam conquistar especialidades. O movimento rover tinha por objetivos reter os
adolescentes no Escotismo, dar oportunidade de retorno para aqueles que abandonaram o
movimento cedo demais, abrir as portas do Escotismo aos rapazes que não haviam se filiado
mais jovens e criar uma verdadeira escola de instrutores.
Em 17 de junho de 1925, o Conselho Diretor aprovou a Regulamento para
Recompensas, criando as seguintes distinções: a) Elogio privado; b) Elogio público; c) Cruz
Swástica; d) Medalha de Merecimento; e) Medalha de Bravura e Heroísmo; f) Cavaleiro do
Lobo de Prata. As Cruzes Swásticas poderiam ser concedidas pelas Federações da UEB, mas
as demais condecorações seriam outorgadas apenas pela UEB. A Comenda Cavaleiro do Lobo
de Prata serviria para galhardear atos seguidos de valor excepcional ou relevantíssimos em
prol do Escotismo durante cinco anos ao menos20.
Somente em setembro de 1925, após o reconhecimento da UEB como entidade máxima
do Escotismo brasileiro, o Conselho Diretor elegeu a primeira diretoria da UEB, tendo
como presidente o doutor Affonso Penna Junior21; tesoureiro, Evaristo Bianchini (FECB);
como representantes da FECB, doutor João Evangelista Peixoto Fortuna, padre Leovigildo
Franca e Bernardo de Almeida (este assumindo a função de comissário internacional); como
representantes da FBEM, comandante Sosthenes Barbosa, comandante Benjamin Sodré
(assumindo a função de secretário técnico) e professor Ambrósio Torres; como representantes
da FEB, doutor Iberê Bernardes (assumindo como secretário administrativo), doutor Mario
França, professor Gabriel Skinner; como representantes da FEF, doutor Tancredo de
Ramos Franco, Gaspar Silva Junior e Virgílio de Brito. Affonso Penna Junior, então ministro
da Justiça, tomou posse em sessão solene no salão de honra da Liga da Defesa Nacional
e também durante acampamento na Quinta da Boa Vista, com quase mil escoteiros das
federações22,23,24.
O convite para a posse de Affonso Penna Junior como presidente da UEB informa
que:

1- Em 1º de janeiro do corrente ano, a Federação Brasileira de Escoteiros do Mar, a


Federação Brasileira de Escoteiros Católicos, a Federação de Escoteiros do Brasil e a
Associação dos Escoteiros Fluminenses, fundaram a União dos Escoteiros do Brasil,
entidade destinada a dirigir o movimento escoteiro nacional, ficando constituído o
seguinte Conselho Diretor: doutor Iberê Bernardes, comandante Benjamin Sodré,
doutor Peixoto Fortuna, professor Ambrósio Torres, padre Leovigildo Franca,

118
doutor Mario França, Evaristo Bianchini, Bernardo de Almeida, professor Gabriel
Skinner, Tancredo de Ramos Mello, Raphael Gaspar da Silva Junior, Virgilio de
Brito, comandante Sosthenes Barbosa,

2- O Conselho Diretor aguardou que a União dos Escoteiros do Brasil fosse reconhecida
como entidade máxima do escoteirismo brasileiro pelo Boy Scouts International
Bureau de Londres, instituição que rege e orienta o movimento escoteiro mundial,
para eleger seu presidente efetivo, o que vem de fazer com a aclamação do nome do
Exmo. Sr. ministro da Justiça.

3- Sua Excia o Sr doutor Affondo Penna Junior, um grande entusiasta do movimento


escoteiro, ecedeu em dirigir os trabalhos da União dos Escoteiros do Brasil aos quais
vai se dedicar com o carinho e o patriotismo que sempre consagrou à obra de Baden-
Powell.

4- Para a solenidade de posse de S. Excia, a realizar-se no próximo dia 27 às 9 horas,


no acampamento promovido pela UEB na Quinta da Boa Vista (Alameda D. João VI),
a União dos Escoteiros do Brasil vem solicitar a presença de Vossa Excelência.

Pelo Conselho Diretor da UEB,


Comandante Sosthenes Barbosa25.

Notar que o documento informa que a UEB foi fundada em 1º de janeiro de 1925 e
não em 4 de novembro de 1924, data divulgada em outros documentos e estatutos.
Em 27 de setembro de 1925, em cerimônia na Quinta da Boa Vista, o ministro
da Justiça Affonso Penna Junior foi empossado como primeiro presidente da União dos
Escoteiros do Brasil.
Em 23 de outubro, Peixoto Fortuna envia carta pessoal a Benjamin Sodré comentando
a elaboração dos novos Estatutos da UEB, que criarão cargos desnecessários implicando no
desequilíbrio das federações na igualdade de cargos no Conselho26.
Em novembro de 1925 ocorre a visita de 150 escoteiros paraguaios ao Brasil. Durante
26 dias, sendo dez em São Paulo e 16 no Rio de Janeiro, foram hóspedes da UEB. O ministro
do Brasil no Paraguai declarou que “os escoteiros fizeram em vinte dias o que a diplomacia
não lograra em meio século”27.

1926

Publicados em 1926, os novos Estatutos, com 17 capítulos e apenas 48 artigos28,


estabeleciam que os objetivos da nova entidade eram: unificar, orientar e desenvolver o
movimento geral escoteiro no país; representá-lo, oficialmente, dentro e fora da pátria;

119
promover jamborees e congressos nacionais ou internacionais, no Distrito Federal e nos
diversos estados; propagar entre a juventude brasileira os princípios de Baden-Powell e
os ensinamentos de sua instituição; criar escolas de instrutores de escoteirismo. O órgão
supremo da UEB era o Conselho Diretor (CD), composto por um presidente, um vice-
presidente, um secretário geral, um tesoureiro e de três representantes dos Conselhos
Centrais29. Dentre os representantes dos Conselhos Centrais eram eleitos um secretário
administrativo, um comissário internacional, um secretário e dois consultores técnicos. Os
mandatos eram de dois anos. Nenhum cargo poderia ser remunerado. Havia um Conselho
Técnico, composto pelo secretário e pelos consultores técnicos, que tinha a missão de elaborar
o Regulamento Técnico da UEB30. Haveria uma assembleia geral anual com participação
dos Conselhos Centrais, três delegados de cada Conselho Geral ou um representante de cada
Conselho Estadual, nos estados em que não estiverem organizados. Os Conselhos Centrais
deveriam contribuir com uma quota anual por escoteiro, para as despesas gerais e outras,
inclusive para pagar a taxa do Bureau Internacional. As Associações contribuiriam com
a quota anual de cem mil réis. As disposições transitórias do segundo Estatuto da UEB
asseguraram à Associação Brasileira de Escoteiros (ABE), sediada em São Paulo, o direito
de ser considerada fundadora da UEB a partir do momento em que se filiasse, por considerá-
la iniciadora do Escotismo no Brasil31. Esta última decisão foi eliminada na terceira versão
dos Estatutos, de 192832, antes da extinção da ABE, que assim não veio a ser considerada
fundadora.
O Bureau Internacional publicou a estatística das associações registradas até 1925. O
Brasil aparece em 16º lugar, com 3.400 escoteiros. Na estatística específica de escoteiros do
mar, o Brasil aparece como terceiro colocado, com 729 escoteiros, atrás apenas da Inglaterra,
com 3.680, e dos Estados Unidos, com 1.303. O número de escoteiros brasileiros considera
apenas os vinculados à UEB. Sodré estimava que se fossem computados os filiados à ABE
e outras associações como os evangélicos, os isolados, os dos patronatos do Ministério da
Agricultura etc., chegaríamos facilmente a 6.000 escoteiros33.
A UEB realiza seu primeiro curso para chefes. Iniciado em 20 de maio, com 50 alunos,
o curso teve 15 reuniões, incluindo uma excursão à Gávea e Leblon, um acampamento na ilha
de Brocoió34, um acampamento em Campo Grande35, e um bivaque na Quinta da Boa Vista. Os
instrutores do curso foram: Primeiros Socorros, doutor Mario França; Ginástica e Educação
Física, professor Ambrósio Torres; Topografia, tenente Carlos Proença; Educação Moral,
doutor Peixoto Fortuna; e Escotismo, Benjamin Sodré. Os demais membros do Conselho
Diretor da UEB fizeram conferências sobre vários assuntos, em dias extraprograma. Foram
aprovados os alunos: Waldomiro Paes Gomes, Homero Dias Leal, Gualter Azeredo Lopes,
Wanderlino José Henriques, Roque Polyciano Cruz, Ubyratan Valmont, Jacob Bensabat,
Polycarpo Marinho, João Pinto Moreira, Clovis A. Teixeira, Cesar Muratore, Aloisio Reis,
Hyder de Sá Verçosa e Manoel Rocha36.
O segundo curso, nos moldes do primeiro, foi iniciado em 16 de dezembro, terminando
em março de 1927. Os instrutores foram: o padre Leovigildo Franca, o comandante

120
Sosthenes Barbosa, o professor Ambrózio Torres, o professor Gabriel Skinner, o tenente
Proença Gomes, o tenente Mauricio Braz de Araújo, o doutor Mario Moura, o doutor Mario
França e o comandante Benjamin Sodré. Foram realizados dois bivaques em Paquetá e São
João, dois acampamentos no Campo-Escola de Paquetá e uma excursão ao Sumaré. Dos
18 alunos, seis conseguiram aprovação: Moacyr Valença, Luiz Sampaio da Silveira, Walter
Medina, Manoel Ignácio, Itaquê Costa e Manoel Luiz da Silva37.

1927

Em 5 de fevereiro de 1927, a sede da UEB passa a ser no Pavilhão Mourisco, em


Botafogo, abrigando todas as federações38.

O Pavilhão Mourisco, segunda sede da UEB.

Em sessão de 2 de abril de 1927, o Conselho Diretor da UEB aprovou nova versão


do Regulamento para Recompensas, criando as seguintes distinções: a) Elogio privado;
b) Elogio público; c) Cruz Swástica; d) Medalha de Mérito; e) Medalha de Salvamento de
Vida; f) Cavaleiro do Lobo de Prata. A Comenda Cavaleiro do Lobo de Prata serviria para
galhardear atos seguidos de valor excepcional ou relevantíssimos em prol do Escotismo
durante cinco anos ao menos39,40. Em fevereiro de 1929, por sugestão do chefe Gabriel
Skinner, a FECB, já desvinculada da UEB, passou a adotar o nome “Tapir de Prata” em
substituição ao “Lobo de Prata”. Skinner defendeu a tese de o animal totem deveria ser
o tapir, animal genuinamente brasileiro, para a máxima condecoração escoteira nacional,

121
como fizeram associações escoteiras de vários outros países ao adotar animais nacionais41.
Posteriormente, entre 1929 e 1933, a UEB adotou também a designação “Tapir de Prata”
para sua condecoração máxima.
A UEB recebe a visita de Donald Makgiel, da Inglaterra, e Douglas Jamieson,
dos Estados Unidos, representantes do Bureau Internacional, que vieram inspecionar o
Movimento Escoteiro no Brasil42.
Em ata de sessão de 5 de fevereiro de 1927, a FBEM concede o título de “Patrono”
ao doutor Lauro Sodré43.
A UEB decidiu adotar, oficialmente, como manual do escoteiro, o Guia do Escoteiro,
de Benjamin Sodré44.
O terceiro curso de chefes da UEB foi iniciado em 7 de junho.
Em julho de 1927, a UEB concedeu a Benjamin Sodré, o Velho Lobo, sua recompensa
máxima, o Lobo de Prata. Na ocasião, Sodré exercia as funções de presidente da Federação
Brasileira de Escoteiros do Mar e de secretário técnico (equivalente a escoteiro-chefe) da
União dos Escoteiros do Brasil45,46. Sodré foi a única pessoa a ser distinguida com o Lobo
de Prata.
Em 27 de julho de 1927 é fundada a Federação dos Escoteiros Fluminenses, declarada
de utilidade pública em 25 de janeiro de 1929 pela Lei no 2.31147.
Em 4 de agosto de 1927 é fundado o Conselho Metropolitano de Escoteiros (CME),
por Mauricio Braz de Araújo, Oscar Messias Cardoso e Ricardo Pinto Moreira, com o apoio
do São Christovão A.C.48. O CME filiou-se à UEB em 2 de outubro de 1928, juntamente com
a Federação de Escoteiros Fluminenses, a Federação Evangélica de Escoteiros do Brasil e a
Federação Mineira de Escoteiros49.
O ministro da Marinha concede uma subvenção de vinte contos de réis à FBEM50.
Em 28 de setembro de 1927, tem início a primeira fase da revista Alerta! como órgão
oficial da UEB, substituindo O Escoteiro, que era mantido pela Federação Católica que, em
sete anos, publicou 75 números do informativo51. A revista tinha como diretor Mozart Lago,
e como gerente, Alexandre Loureiro Junior. Dentre os colaboradores, Affonso Penna Junior,
Benjamin Sodré, Carlos Proença Gomes, David de Barros, Gabriel Skinner, Gelmirez de
Mello, Guilherme Azambuja Neves, Jeronima Mesquita, João B. Peixoto Fortuna, padre
Leovigildo Franca, Sósthenes Barboza e outros52,53.
Realizado, no último domingo de outubro, um campeonato de futebol entre tropas
escoteiras da Federação de Escoteiros do Brasil. Participaram as tropas do Ginásio Brasileiro,
da Glória, do Fluminense, da Lagoa, do Vasco da Gama, do Flamengo, do São Vicente de
Paulo, e de Copacabana. Após emocionantes pelejas, sagrou-se campeão o team dos escoteiros
do Fluminense F.C., e vice-campeão, os escoteiros da Glória. O quadro campeão era formado
por Dalberto Azevedo Meza; Eduardo Long e Salvyo Corrêa; Francisco de Menezes, John
Long e Roberto Marinho Filho (capitão); Alvaro Daval Peres, Fernando de Castro Rabello,
Eugenio Freire, Horácio de Oliveira e Antonio Augusto Pinto Guimarães54.
A UEB promove um grande ajuri no campo do Russel.

122
Acampamento no Russel, Rio de Janeiro, 1927.

Realizado, pela UEB, o terceiro curso para chefes, com 22 alunos. O responsável pelo
curso foi Ambrozio Torres55.
Iniciado em 1º de agosto o curso por correspondência para atender aos escoteiristas
(sic) residentes fora da capital. O programa do Curso de Chefes da UEB é nos moldes dos
cursos ingleses e franceses, reconhecidos pelo Bureau Internacional. Há uma pequena
diferença de disposição no desenvolvimento do curso, pois enquanto os de Gilwell e
Chamarande são realizados num período de dez dias consecutivos de campo, o da Escola da
UEB realiza-se em 20 reuniões nas quais estão incluídos seis dias de campo, realizando-se as
demais reuniões sob um caráter prático que nada deixa a desejar56.
Em 1927, o governo do Estado de Minas Gerais criou, junto à Secretaria de Educação,
a Associação Auxiliar de Escoteiros e introduz oficialmente o Escotismo nas escolas. O
professor Antônio Pereira da Silva, catedrático do então Ginásio Mineiro e chefe do Grupo
Guia Lopes, é nomeado dirigente da referida associação; ele amplia o Escotismo em todo o
Estado de Minas Gerais junto aos grupos escolares, promovendo, em Belo Horizonte, desfile
com 4.000 escoteiros na comemoração do primeiro aniversário do governo Antônio Carlos57.
Eleito, em 10 de dezembro de 1927, o novo Conselho Diretor da UEB, composto
por: presidente, doutor Affonso Penna Junior; vice-presidente, padre Leovigildo Franca;
secretário geral, Mozart Lago; secretário administrativo, Guilherme Azambuja Neves;
secretário técnico, Benjamin Sodré; comissário internacional, Carlos Proença Gomes;
tesoureiro, Evaristo Bianchini; consultores técnicos, Ambrozio Torres (de Mar), e Gabriel
Skinner (de Terra)58.

123
A UEB adota o hino ALERTA!, com letra e música de Benevenuto Cellini, como hino
oficial59.
Em 23 de dezembro de 1927, uma embaixada partiu do Rio de Janeiro para Niterói,
sob a chefia do diretor Mozart Lago, secretário-geral da UEB, para assistir à solenidade de
posse do senhor Manoel Dias como governador do Estado do Rio de Janeiro. A embaixada
incorporou-se ao expressivo contingente de 800 escoteiros e bandeirantes fluminenses,
liderados pelo doutor Andrade Neves60.

1928

É publicado, pela primeira vez no Brasil, o folheto O Systema de Patrulhas, traduzido


por David de Barros, e editado pela Seção de Escotismo do Jornal do Brasil, do Rio de
Janeiro61.
A terceira versão dos Estatutos, publicada em 1928, estabelecia que as associações
fundadoras passassem a adotar o nome de federação, tornando-se então a Federação de
Escoteiros Católicos do Brasil (FECB), a Federação Brasileira de Escoteiros do Mar (FBEM)
e a Federação de Escoteiros do Brasil (FEB). As federações filiadas tinham plena autonomia
na organização de seus estatutos e regimentos internos, que apenas não poderiam colidir
com os da UEB62.
O ano de 1928 se inicia com firme apoio da FBEM e da FBE à UEB. A FBEC, por
outro, inicia sua retração, que culminará com sua extinção63. Em maio de 1928 a FBEC
desliga-se da UEB, alegando que o fazia “para melhor cuidar de sua religião”64.
Realizado, em 11 de março, um ajuri de escoteiros do mar, na Fortaleza de São João,
no bairro da Urca, Rio de Janeiro.
A UEB promove comemorações alusivas à Semana Escoteira no parque Fagundes
Varela, em Niterói, com a presença de muitas autoridades, incluindo os embaixadores da
Polônia, Paraguai e Espanha65.
Em 16 de maio de 1928 foi noticiado que o doutor Mario Cardim, secretário do
prefeito do Distrito Federal, Prado Junior, organizaria os “escoteiros escolares”. O decreto
que reformou a instrução pública municipal criou a Associação Escolar de Escoteiros como
instituição auxiliar de educação física, moral e cívica das crianças escolares. O prefeito
designou seu secretário para superintender os trabalhos66.
Em 23 de julho de 1928, é sancionado pelo presidente da República o Decreto nº 5.497,
de autoria do senador Lauro Sodré, que assegura à União dos Escoteiros do Brasil o direito
de porte e uso de todos os uniformes, emblemas, distintivos, insígnias e lemas que forem
adotados pelos seus regulamentos, aprovados pelo governo da República, como é necessário
para a realização de seus fins. O Decreto estabelece ainda que o governo promoverá a adoção
da instrução e educação escoteira nos colégios e institutos de ensino técnico e profissional
mantidos pela União e reconhece a UEB como de utilidade pública.

124
DECRETO Nº 5.497, DE 23 DE JULHO DE 1928.

Assegura à União dos Escoteiros do Brasil o direito


ao uso de uniformes, emblemas, distintivos, insígnias
e lemas que forem adotados pelos seus regulamentos.

O presidente da República dos Estados Unidos do Brasil: Faço saber que o Congresso


Nacional decretou e eu sanciono a resolução seguinte:

Art. 1º À União dos Escoteiros do Brasil, associação considerada de utilidade pública e a
quem cabe a orientação e fiscalização do movimento escoteiro do Brasil, fica assegurado o
direito de porte e uso de todos os uniformes, emblemas, distintivos, insígnias e lemas que forem
adoptados pelos seus regulamentos, aprovados pelo Governo da República, como é necessário
para a realização dos seus fins.

Art. 2º O Governo promoverá a adoção da instrução e educação escoteiras nos colégios e
institutos de ensino técnico e profissional mantidos pela União.

Art. 3º Revogam-se as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 23 de julho de mil novecentos e vinte e oito,


107º da Independência e 40º da República.

WASHINGTON LUIS P. DE SOUSA


Augusto de Vianna do Castello.

Em 5 de julho de 1928 chegava a Natal, no Rio Grande do Norte, em um avião


monomotor Savóia Marchetti 62, a dupla de pilotos italianos Carlo Del Prete e Arturo
Ferrarini, os primeiros a realizarem a travessia do Atlântico Sul, em um raid sem escala,
entre a Europa e a América do Sul, voo esse que durou mais de 50 horas, e dentro das
precárias condições técnicas, embora naquela época a aviação italiana era uma das mais bem
equipadas do mundo. A dupla de pilotos foi recebida em Natal como verdadeiros heróis, pois
era uma façanha sem precedentes e um ato de coragem e bravura, pois o avião não tinha
nenhuma tecnologia para enfrentar uma rota tão difícil e perigosa. A rota inicial previa um
pouso em Recife, entretanto, em razão das turbulências meteorológicas o voo terminou na
praia do Toro, na cidade de Natal/RN, onde os pilotos foram recebidos pelas autoridades
locais e houve grandes festas em regozijo pela aventura. Na tarde do dia 7 de agosto, os
pilotos italianos, acompanhados do mecânico brasileiro suboficial Raul Ignácio de Medeiros,
voavam sobre a baía de Guanabara quando ocorreu um acidente e o avião caiu na água.

125
O escoteiro do mar Armando Magalhães, do 5º Grupo Galeão, da FBEM, tripulante da
embarcação Gilda, que rebocava duas catraias carregadas com areia passava perto do local
e assistiu à queda da aeronave. O jovem escoteiro era muito pobre e teve que começar a
trabalhar cedo. A bordo, ele era considerado um verdadeiro “safa-onça”. Faltava o proeiro?
Armando o substituía. Faltava o cozinheiro? Armando ia para a cozinha. Ocupava-se de tudo
e rapidamente ganhou o respeito e estima da guarnição. O patrão da Gilda ordenou que se
soltasse o cabo de reboque e dirigiu-se ao local do desastre, onde o Marchetti 62 já afundava
lentamente, todo danificado. A poucos metros do avião, o escoteiro Armando lançou-
se na água, subiu na cauda do avião, onde encontrou o mecânico brasileiro que se safava;
quase desmaiado sobre uma das asas estava Del Prete, que devido ao mar picado, oscilava,
submergindo e emergindo, se afogando. Armando foi até ele e colocou-o a salvo, com grandes
dificuldades, pois o italiano era alto e pesado e estava com as roupas e botas encharcadas.
Feito isso, dirigiu-se a Ferrarini, que estava em situação pior, pois apesar de estar com o
tórax fora d´água, estava com os pés presos a vários cabos de comando do avião, e ameaçado
de afundar junto com a aeronave. Pedindo uma faca ao pessoal da Gilda, Armando tentou
cortar os cabos, sem sucesso; passou então a dar seguidos mergulhos para desembaraçar os
pés do piloto, conseguindo afinal libertá-lo. A essa altura, outras embarcações já haviam se
aproximado e ajudaram a salvar os pilotos. Armando ainda amarrou o avião para evitar que
afundasse67.
Em 13 de junho de 1928, Baden-Powell, em resposta à carta que lhe fora enviada pelo
doutor Mario Cardim em 22 de maio, informou que desde 1922 somente é reconhecida uma
organização escoteira por país e que, para o Brasil, esta é a União dos Escoteiros do Brasil, de
modo que, como a Associação Brasileira de Escoteiros não se filiou à UEB, ele, infelizmente,
não poderia reconhecê-la. B-P finalizou a correspondência solicitando que Cardim envidasse
esforços e utilizasse sua influência para obter a desejada união da ABE com a UEB68.
Fundada, em 5 de setembro de 1928, no Distrito Federal, a Federação Escolar de
Escoteiros, como instituição auxiliar de educação física, moral e cívica, constituída de alunos
das escolas públicas que desejassem participar com o devido consentimento dos pais. A
federação aplicaria o Escotismo nas escolas públicas para alunos de ambos os sexos com
idade entre oito e 16 anos. O presidente do Conselho Executivo da Federação seria sempre
o diretor geral de Instrução Pública69.
Em 29 de setembro, terminou com excelente resultado (sic) – pois, nada menos que
18 dos 50 inscritos lograram obter seu diploma de chefe – o curso de instrutores da UEB. De
acordo com Benjamin Sodré, foi um curso rápido, em 16 reuniões, incluindo duas excursões
e dois acampamentos.
De 19 a 28 de setembro de 1928, é realizada, na Quinta da Boa Vista, uma
concentração escoteira. A FBEM participou com o maior número de tropas; o 10º Grupo
fez uma demonstração de sua “carroça escoteira”; o campo foi visitado pelo ministro da
Marinha, almirante Pinto da Luz; Benjamin Sodré recebeu o título de Chief Scout dos
Escoteiros do Mar.

126
Em 23 de outubro de 1928, é fundada, oficialmente, em Belo Horizonte, a Federação
Mineira de Escoteiros.
Em 22 de setembro de 1928, o Conselho Diretor da UEB aprovou, em sessão realizada
no Pavilhão Mourisco, Rio de Janeiro, a terceira versão dos Estatutos da organização, que
foram publicados no Diário Oficial número 228, de 29 de setembro de 1928. O novo Estatuto
estabelecia que o Conselho Diretor era composto pelo presidente da UEB e por mais quatro
representantes de cada federação ou instituição filiada; o CD elegia um presidente, três
vice-presidentes, um comissário internacional, um tesoureiro, um procurador, um diretor
do órgão oficial ALERTA! e um bibliotecário; em suas disposições transitórias, estabelecia
que “o mandato dos eleitos após a aprovação dos presentes Estatutos, e bem assim o dos
já em exercício terminará em 31 de dezembro de 1929”70. A diretoria ficou composta por:
presidente, doutor Affonso Penna Junior; primeiro vice-presidente, doutor Mozart Lago;
segundo vice-presidente, professor Ignácio Manoel Azevedo do Amaral; terceiro vice-
presidente, padre Leovigildo Franca; secretário geral, doutor Mario Cardim; secretário
administrativo, capitão-tenente Sosthenes Barbosa; secretário técnico, capitão-tenente
Benjamin Sodré; comissário internacional, primeiro tenente Carlos de Proença Gomes;
tesoureiro, Evaristo Bianchini; procurador: primeiro tenente Mauricio Braz de Araújo;
bibliotecário, tenente doutor Mário França. No final de 1928, Affonso Penna Junior licencia-
se do cargo e, até janeiro de 1930, a presidência foi exercida por Mozart Lago, então primeiro
vice-presidente da UEB71.
O Compromisso e o Código do Escoteiro foram substituídos pelas expressões
“Promessa Escoteira” e “Lei Escoteira” que vigoram, com pequeníssimas alterações, até hoje.
Os membros do Conselho Diretor prestavam, no ato da posse, a seguinte Promessa
Escoteira: “Prometo pela minha honra amar a Deus e minha Pátria, ser leal para com a União dos
Escoteiros do Brasil, trabalhar pelo desenvolvimento do Escotismo nacional”.
Notar a introdução dos deveres para com Deus na Promessa Escoteira.
A Promessa do Escoteiro tinha o seguinte texto: “Prometo, pela minha honra, cumprir
meu dever para com Deus e minha Pátria, ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião, obedecer a
Lei do Escoteiro”.
E a Lei do Escoteiro, com dez artigos, tinha o seguinte teor:

I – O Escoteiro tem uma só palavra, sua honra vale mais que a própria vida.
II – O Escoteiro é leal.
III – O Escoteiro está sempre alerta para ajudar o próximo e pratica diariamente
uma boa ação.
IV – O Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais Escoteiros.
V – O Escoteiro é cortês.
VI – O Escoteiro é bom para os animais e as plantas.
VII – O Escoteiro é obediente e disciplinado.
VIII – O Escoteiro é alegre e sorri nas dificuldades.

127
IX – O Escoteiro é econômico e respeita o bem alheio.
X – O Escoteiro é limpo de corpo e alma.

A UEB definia-se, desde então, como instituição incentivadora dos sentimentos


religiosos, facilitando inclusive nos seus jamborees, acampamentos e congressos a prática
da religião e os cultos. Os Estatutos proibiam, em qualquer reunião de escoteiros, tratar-se
de questões partidárias, religiosas e de nacionalidades. A UEB assumia o compromisso de
auxiliar as campanhas patrióticas contra os vícios e o analfabetismo.
Em outubro, realiza-se uma memorável sessão da UEB na qual são recebidas as
seguintes novas instituições escoteiras: Federação de Escoteiros Evangélicos, Conselho
Metropolitano de Escoteiros, Federações Estaduais de Minas Gerais, Espírito Santo,
Pernambuco e Pará. A Federação Brasileira de Escoteiros Católicos (FBEC) afasta-se
definitivamente. A escola de chefes única é extinta por proposta de Guilherme de Azambuja
Neves. A FBEM decide reorganizar sua escola de chefes e traz para o Movimento Escoteiro
o notável pedagogo professor Ignácio Azevedo Amaral72.

1929

Em fevereiro de 1929, por sugestão do chefe Gabriel Skinner, a FECB, já afastada da


UEB, passou a adotar o nome “Tapir de Prata” em substituição ao “Lobo de Prata”. Skinner
defendia a tese de que o animal totem deveria ser o tapir, animal genuinamente brasileiro,
para a máxima condecoração escoteira nacional, como fizeram associações escoteiras de
vários outros países ao adotar animais nacionais73. Os escoteiros católicos concederam seu
Tapir de Prata para uma única pessoa, o doutor João Evangelista Peixoto Fortuna, em março
de 1929. Posteriormente, a UEB também adotou a designação de Tapir de Prata para sua
máxima condecoração. Curiosamente, foi Skinner, o idealizador do nome Tapir de Prata, o
primeiro escotista a ser indicado para sua concessão após o Lobo de Prata de Sodré, o que
ocorreu em reunião do Conselho Diretor da UEB realizada em 26 de setembro de 1933, por
proposta das Federações dos Escoteiros do Brasil, de Escoteiros do Mar, Evangélica e do
Conselho Metropolitano de Escotismo, após longo estudo que referendou os 21 anos de vida
escoteira e os grandes serviços prestados por Gabriel Skinner74.
Fundada, em 23 de abril de 1929, a Federação Paraense de Escoteiros. Seus Estatutos
estabeleciam que sua presidência de honra caberia ao comandante Benjamin Sodré, fundador
do Movimento Escoteiro no Pará, a quem caberia a presidência do Conselho de Chefes
sempre que estivesse na cidade de Belém.
Realizado em Birkenhead, Inglaterra, de 31 de julho a 14 de agosto de 1929, o
III Jamboree Mundial Escoteiro. Conhecido como o Jamboree da Maioridade por terem
decorrido 21 anos do lançamento do Escotismo para Rapazes. Nesse jamboree B-P recebeu a
notícia da sua elevação à nobreza com o título de barão de Gilwell. Sessenta e nove países,

128
com 50 mil participantes e 320 mil visitantes. O Jamboree Mundial de 1929 foi também o
primeiro jamboree com participação juvenil brasileira. A delegação brasileira foi composta
por 60 participantes, sendo 53 escoteiros e sete chefes. O chefe da delegação foi o professor
Ignácio Manoel Azevedo do Amaral75, auxiliado por Gabriel Skinner76, que atuou como
tesoureiro da delegação77, e Antonio Pereira da Silva, presidente da Federação Mineira
de Escoteiros. Os chefes de tropa foram Carlos de Proença Gomes Sobrinho, comissário
internacional da UEB, e Carlos Luiz de Andrade Neves, presidente da Federação de
Escoteiros Fluminenses; David de Barros78 e Rubens de Lima, da Federação Evangélica
de Escoteiros do Brasil, foram os chefes auxiliares. No dia 10 de agosto, o campo brasileiro
recebeu ilustres visitantes: às 11 horas, Baden-Powell, acompanhado por Alfred D. Pickford,
John Skinner Wilson, E. P. Breton e Hobert Martin; B-P recebeu diversos presentes para ele
e para Lady Olave, entre os quais “uma artística taça de noz de coco, finamente trabalhada,
um quadro feito com borboletas do Brasil e reproduzindo uma paisagem do Rio de Janeiro
e várias jóias tais como anel, pulseira, alfinete de gravata etc.”; às 19 horas, a visitante foi a
própria Lady Olave79.
A UEB participou da 5ª Conferência Internacional de Escotismo, realizada na
Inglaterra, entre 7 e 9 de agosto de 1929. A delegação, chefiada por Ignácio Manoel Azevedo
do Amaral, foi composta pelo doutor Carlos Luiz de Andrade Neves, primeiro tenente do
Exército, Carlos Proença Gomes Sobrinho, Gabriel Skinner, Antonio Pereira da Silva e
David Mesquita de Barros80.
Em julho de 1929, o governo do Espírito Santo organiza oficialmente o Movimento
Escoteiro em terras capixabas, sobre direção do chefe Gabriel Skinner.
Em 23 de agosto de 1929, Baden-Powell escreveu uma segunda carta a Mario Cardim,
abordando a filiação da ABE à UEB, nos seguintes termos:

Infelizmente, estou informado de que, até agora, a Associação Brasileira de Escoteiros ainda
não se filiou a essa Federação, não nos sendo possível reconhecê-la.

Valendo-me da extrema bondade de suas notícias quero aproveitar o ensejo para pedir os seus
bons ofícios no sentido de completar a unidade do movimento escoteiro no Brasil, usando de
sua alta e reconhecida influência para conseguir a nunca mais desejada filiação da Associação
Brasileira de Escoteiros à União dos Escoteiros do Brasil. A vitalidade do movimento em
favor do Escotismo em cada país depende em larga escala da possibilidade de formar uma
frente única e, acredito, que nenhum outro mais valioso serviço poderá o amigo prestar ao
Escotismo no seu país, do que esse.

Espero ter sempre a satisfação de receber daqui de longe suas contínuas notícias, assim como,
brevemente, a boa nova de que a Associação Brasileira de Escoteiros já se encontra filiada à
UEB.

129
O teor desta segunda carta de B-P somente veio a público em 15 de dezembro de
1935 quando o então presidente da ABE foi entrevistado sobre o panorama do Escotismo
em São Paulo81. Nem mesmo o apelo de Baden-Powell fez com que a ABE aceitasse se filiar
à UEB, fato que somente veio a ocorrer em 13 de dezembro de 1934.
Em 31 de dezembro de 1929, chegam ao Rio de Janeiro, pelo Bagé, os quatro últimos
participantes do Jamboree Mundial da Inglaterra. Eram os chefes Ignácio M. Azevedo do
Amaral e, Gabriel Skinner, e os escoteiros Moacyr Pinho e Orlando Rocha. Os dois jovens
adoeceram na Inglaterra e foram hospitalizados. Amaral, chefe da delegação, e Skinner,
ficaram acompanhando a convalescença dos jovens82.

1930

Em 25 de janeiro, retorna a Vitória/ES, o professor Gabriel Skinner, contratado


pelo governo Aristeu de Aguiar para organizar o Escotismo e lançar os fundamentos da
educação física escolar. Durante sua ausência, esteve à frente dos trabalhos de organização
do Escotismo o chefe Eurico Gomide83.
Em 15 de janeiro de 1930 é eleita a nova diretoria da UEB, composta por: presidente,
Ignácio Manoel Azevedo do Amaral; primeiro vice-presidente, comandante Eulino Cardoso;
segundo vice-presidente, doutor Mário Cardim; terceiro vice-presidente, reverendo Euclydes
Deslandes; secretário geral, doutor Mário Cardim; secretário administrativo, doutor
Andrade Neves; secretário técnico, tenente Carlos Proença Gomes Sobrinho; comissário
internacional, Sosthenes Barbosa; tesoureiro, A. Souto Maior; procurador, tenente Maurício
Braz de Alencar; diretor do Alerta!, Pedro Delphino; Comissão Técnica, Sena Campos,
Benjamin Sodré, tenente Vicente Lopes Pereira, Ambrósio Torres e Gastão de Oliveira84.
Em março de 1930 é publicado o Manual do Noviço, de autoria de Gelmirez de
Mello. O objetivo do livro era reunir tudo que se exige do aspirante para tornar-se noviço,
atendendo os escoteiros da terra e do mar85.
A UEB promove um ajuri na Quinta da Boa Vista, de 19 a 28 de setembro de 1930,
com participação de cerca de 800 escoteiros das Federações de Mar, Brasil, Evangélica,
Mineira, Espírito-Santense e Fluminense. No campo do 10º Grupo de Escoteiros do Mar, o
chefe Gelmirez fez uma demonstração da famosa carroça escoteira, de sua invenção; trata-se
de uma carroça para transporte de material de campo que pode ser rapidamente desmontada
e transformada em duas mesas, dois bancos, um cabide, uma escada e um armário. Durante
o ajuri, o chefe Benjamin Sodré foi sagrado escoteiro-chefe da FBEM. O evento foi dirigido
pela seguinte equipe: direção geral, Ignácio Manoel Azevedo do Amaral, presidente da UEB;
chefe geral do campo, Senna Campos, da Federação de Escoteiros Fluminenses, subchefe
geral do campo, Olyntho Botelho da Gama; serviço de abastecimento, Maurício Braz, do
Conselho Metropolitano de Escoteiros; serviço de policiamento, Orlando Meirelles, da
Federação dos Escoteiros Evangélicos; serviço de água, luz, esgotos, telefones e rádio, Fabio

130
Soares, da Federação do Mar; demonstrações, Gelmirez de Mello, da Federação de Mar;
serviço de saúde, doutor Souto Maior, da Federação Evangélica; serviço de propaganda,
David de Barros, da Federação dos Escoteiros do Brasil; excursões e transportes, doutor
Allyrio de Mattos, da Federação dos Escoteiros do Brasil.
Participaram do ajuri as seguintes federações e tropas:

– Federação Brasileira de Escoteiros do Mar: Grupo 10 (Praça XV), Galeão, Euclydes da


Cunha, Paquetá, Grupo 15 Ilha Grande, com 180 escoteiros e sete chefes;

– Federação dos Escoteiros do Brasil: Grupo Gymnasio Brasiliense, Club de Regatas Vasco
da Gama, Grupo de Jesus e Santo Antonio, com 113 escoteiros e oito chefes;

– Conselho Metropolitano de Escoteiros: Grupo Cascadura, Quintino Bocaiúva, Andarahy


A.C. e Bonsucesso F.C, com 92 escoteiros e 12 chefes;

– Federação dos Escoteiros Evangélicos: Grupo Tamoyos, Coroados, Cariris, Tupynambás,


Aymorés, Guaranis e Maués, com 73 escoteiros e seis chefes;

– Federação de Escoteiros Fluminenses: Grupo Caramuru, de Merity; Purys, de Entre Rios;


Gymnasio Claudino Vianna, de Cordeiro; e Collegio Brasil, Barão do Triumpho, Ararygboia,
Fonseca, Ariaryba, Barão de Mauá e Benjamin Constant, todos de Niterói; Grupo Ferreira
da Luz, de Miracema; Santa Thereza, de Valença; Caetés, de Porciúncula, com 280 escoteiros
e 14 chefes;

– Federação Mineira de Escoteiros, com seis lobinhos, 33 escoteiros e quatro chefes, dos
Grupos do Gymnasio Mineiro e Barão de Macahubas, de Belo Horizonte;

– Federação Espírito-Santense de Escoteiros, cujo contingente de 60 escoteiros era liderado


pelo conhecido chefe Gabriel Skinner86,87,88.

131
Escoteiros do Mar e seu chefe geral, Gelmirez de Mello, ao lado da famosa carroça do 10º GEMar.

Aspecto do ajuri de 1930.

Em 1930, a flotilha da FBEM era constituída por cerca de cem embarcações à vela,
de diferentes tipos. A FBEM possuía uma doca e fundeadouro num galpão próprio na doca
dos pescadores no fim da rua do Ouvidor89.
Em 1930, a Federação das Bandeirantes do Brasil foi reconhecida como membro da
Associação Mundial de Bandeirantes90.

132
Após a Revolução de 1930, o governo mineiro paralisou seu trabalho no Escotismo
escolar. Em Juiz de Fora, as três unidades deixaram de existir91.
Em dezembro de 1930, a FBEM promoveu uma concentração naval na ilha das
Enxadas para uma viagem à vela pela baía de Guanabara. Participaram as embarcações:
Pérola, guarnecida pelo Grupo Euclides da Cunha; Loretti, pelo Décimo; Celine, pelo Jequiá;
O Escoteiro, pelo Paquetá; Escola Naval, pelo Olaria; Curso Prévio, pela FBEM e Colégio
Brasil; O Lobinho de Paquetá, pelos rovers; Baden-Powell, por uma guarnição mista; e o Galeão,
pelo Galeão. A flotilha navegou até a ilha de Itapacis e depois para Paquetá, onde fundeou
em frente ao campo-escola, para o pernoite. No dia seguinte, foram exploradas várias
ilhas e realizadas diversas atividades de natação, remo, vela, jogos de mar, levantamentos
hidrográficos, prumadas e trabalhos de carta92.

1931

Em 15 de janeiro de 1931 foi aprovado o texto dos novos Estatutos da UEB com
uma nova organização que entrou imediatamente em vigor. Consequentemente, todos os
que ocupavam cargos na diretoria renunciaram e foi realizada eleição, sendo a nova diretoria
composta por: presidente, Ignácio M. Azevedo do Amaral; primeiro vice-presidente,
comandante Eulino Cardoso; segundo vice-presidente, reverendo Euclydes Deslandes;
secretário geral, Armando Coutinho Souto Maior; comissário administrativo, Sosthenes
Barbosa; comissário técnico, Benjamin Sodré; comissário internacional, Pedro Cardoso;
tesoureiro, Evaristo Bianchini; procurador, Neli Campos; diretor do Alerta!, Mozart Lago;
bibliotecário, Orlando Meirelles; Comissão Técnica: Senna Campos, Benjamin Sodré,
Olynto Botelho, Ambrósio Torres e Guilherme de Azambuja Neves; Comissão de Finanças:
Allyrio Mattos, Andrade Neves e Oscar Spinola; Comissão de Sindicância: David de Barros,
José Luiz dos Santos e Lealdino Alcantara. Na mesma reunião foram aprovadas as contas
da participação no Jamboree Mundial, aprovado o Regulamento Técnico, decidida a não
participação na Conferência Internacional de Viena devido à situação financeira do país,
e assumir todas as despesas decorrentes da Concentração Nacional de 1930, isentando as
federações de qualquer responsabilidade financeira93.
Por iniciativa da Federação de Escoteiros do Brasil, é fundado o Clube de Chefes
Escoteiros destinado a reunir chefes, instrutores, escotistas etc., numa reunião fraternal,
onde sejam trocadas ideias, feitas palestras instrutivas, incrementada a boa fraternidade que
sempre deve existir entre todos os dirigentes escoteiros. Em 28 de janeiro de 1931 foi eleita
a diretoria provisória, composta por: presidente, Eurico Gomide; secretário, João Rabello;
tesoureiro, Walney Sampaio. O clube tem se reunido na sede da Liga da Defesa Nacional94.
Em 4 de abril, em Belo Horizonte, o príncipe de Gales e seu irmão, príncipe Jorge,
durante visita ao Brasil, foram saudados por 500 escoteiros na praça da Liberdade. Os
escoteiros soltaram pombos e homenagearam o futuro rei presenteando-o com uma flor

133
de lis em ouro e platina, entregue pelo chefe Antonio Pereira da Silva. O príncipe herdeiro
agradeceu o presente e relembrou a visita às tropas brasileiras durante o Jamboree Mundial
de 192995.
Após o retorno do escoteiro Álvaro Silva, que fez o raid Brasil-Chile para agradecer
a estátua O Escoteiro – que se acha instalada na praia do Flamengo, Rio de Janeiro –, a Liga
da Defesa Nacional instituiu a Medalha “Álvaro Silva” para premiar os melhores escoteiros.
A primeira distribuição foi feita em 1925, seguindo-se outras, anualmente. A próxima
distribuição foi feita no dia 1º de maio de 1931, na sede da Federação de Escoteiros do Brasil,
por ocasião da Grande Noite Escoteira que a Escola de Instrutores de Escotismo realizou
para comemorar seu oitavo aniversário e a inauguração do novo curso prático para chefes,
que teve como instrutores: Ignácio M. Azevedo do Amaral, Affonso Penna Junior, Mozart
Lago, Alair Antunes, Faustino Esposel, Guilherme Azambuja Neves, David de Barros
(diplomado em Cappy), Vicente Lopes Pereira e Rufino Gomes Junior96,97.
Na sessão de agosto de 1931 do Conselho Diretor da UEB registraram-se as
seguintes decisões: 1º) foi instituída a Medalha Tiradentes; 2º) concedidas filiações ao Corpo
Nacional de Scouts e à Federação de Escoteiros do Paraná; 3º) concedida a exoneração do
cargo de procurador ao senhor Nélio Campos, que foi residir em São Paulo; 4º) fundada em
Colatina/ES, sob a liderança do doutor Ernesto Guimarães, juiz de Direito daquela cidade,
a Associação Escoteira local; 5º) renunciaram às funções que exerciam no CD, Nélio Campos
e Benjamin Sodré98.
Os escoteiros católicos participam da inauguração da estátua do Cristo Redentor no
Rio de Janeiro; seu chefe nacional, o doutor João Evangelista Peixoto Fortuna, apresentou
palestra sobre “Condições Internas da Ação Católica”99.
Os escoteiros do Clube de Regatas do Flamengo venceram o Campeonato de
Atletismo organizado pela Federação de Escoteiros do Brasil em dependências do Clube de
Regatas Vasco da Gama100.
Em 15 de novembro de 1931, a Associação de Escoteiros Católicos de São João
Batista da Lagoa comemorou, em sua sede, seu 14º aniversário de fundação. A cerimônia foi
presidida pela senhora Getúlio Vargas, que fez a entrega de uma Bandeira Nacional à tropa
de escoteiros101.
No final de 1931 a UEB perdeu sua sede, no Pavilhão Mourisco, em Botafogo, bem
como a subvenção anual de 20.000$000102.

1932

Publicada a segunda edição do Guia do Escoteiro, de Velho Lobo. Em relação à primeira


edição, houve uma revisão e ampliação; o Compromisso e o Código do Escoteiro foram
substituídos pelas expressões “Promessa Escoteira” e “Lei Escoteira” conforme o Estatuto
publicado em 1928. O uniforme do escoteiro da terra passou a ter opções, da seguinte forma:
chapéu, tipo escoteiro, em feltro, de cor cáqui, verde oliva ou cinza, abas largas, com fita de

134
couro de 15 mm de largura e jugular; camisa de brim cáqui ou verde oliva, com dois bolsos
macheados e portinholas, punhos abertos e passadeiras nos ombros; calção de brim cáqui ou
azul, curto (acima do joelho), largo e direito, com dois bolsos traseiros; lenço de 70 x 70 cm,
de cor distinta para cada grupo, dobrado em diagonal, passando por cima da gola da camisa,
fechado no pescoço por um anel de couro; cinto de couro amarelo, tipo escoteiro, tendo no
fecho o emblema da UEB; meias de algodão ou lã, tipo esporte, uniformes para cada grupo;
ligas de elástico, tendo caídas, visíveis por sob o canhão das meias, duas pontas verdes;
calçado preto ou amarelo, de couro.
O uniforme dos escoteiros do mar era semelhante ao dos marinheiros americanos,
branco, mas com calções curtos (bermudas). O lenço era negro. As demais peças do uniforme,
distintivos etc., eram iguais às dos escoteiros da terra, apenas a flor de lis era sobreposta a
uma âncora.
Por ocasião da Revolução Constitucionalista de 1932, a associação escoteira Boy
Scouts Paulistas, liderada por João Mós e J.C. Macintyre, ofereceu, em 11 de julho, o apoio
de duas tropas de boy scouts ingleses e de outras nacionalidades que residiam na capital
paulista, à Cruz Vermelha Brasileira, para, inicialmente, atuarem nos bancos de sangue a
serem instalados nos locais de combate. O oferecimento foi aceito e, no dia 17, as primeiras
turmas seguiram para o setor norte. A dedicação e abnegação desses jovens logo se fez
notar, e a Cruz Vermelha Brasileira solicitou novas turmas, além dos serviços que já
estavam sendo prestados também pelos escoteiros menores e até mesmo por lobinhos na
capital. Posteriormente, outras instituições escoteiras, tais como a Associação Brasileira
de Escoteiros, se uniram a uma organização denominada “Cruzada dos Escoteiros” para
atuar no conflito. Os serviços prestados pelos rover scouts da Boy Scouts Paulistas incluíram
transporte de feridos, de medicamentos e material cirúrgico, fazer instalações elétricas
nos hospitais de sangue, conduzir veículos a motor, efetuar ligações por meio de bicicletas,
elaborar registros de entrada e saída nos postos de saúde, trabalhos de sapa e outras tarefas
junto às linhas de fogo. Após o encerramento do conflito, o senhor J. C. Macintyre, chefe da
1ª Tropa Inglesa, enviou um relatório a Baden-Powell, tendo recebido respostas de Hubert
Martin, diretor do Bureau Internacional, e, posteriormente, do próprio Baden- Powell. Os
boy scouts paulistas (rover scouts) que atuaram fora da capital foram: João Mós, José Spina,
José Spina Neto, Leo Ribeiro de Moraes, Crescencio Spina, José Gayotto, Armando Baraldi,
Carlos Nobre Rosa, Dulio Cunha, Plinio Lares Seabra, Orival de Azevedo Moraes, Manoel
Kalajian, J.C. Macintyre, Patrick Nixon, Bob Benett, Frank Delany, Waldemar Heinrich,
Arnaldo Walker Kennerly, Ronald Siciliano, Mauricio Santos Cruz, José Pina Figueiredo,
Waldomiro Anderson e Tomoo Ikeda103.

135
Rover Scouts da Boy Scouts Paulistas que atuaram na Revolução de 1932. Fotografia tirada por José Spina.

Realizado, em 11 de setembro, na Quinta da Boa Vista, o Campeonato Técnico


Escoteiro organizado pela Federação de Escoteiros do Brasil, sagrando-se vencedores
os escoteiros do Clube de Regatas Vasco da Gama, seguidos do Ginásio Brasiliense e em
terceiro, dos do América Futebol Clube104.
Surge no Brasil o Movimento Integralista, que possuía um movimento juvenil que
utilizava o programa escoteiro. Constata-se a evasão de muitos escotistas para esse movimento
de cunho nacionalista num momento politicamente tumultuado, com crescimento dos
apoiadores do comunismo, nazismo e fascismo no Brasil. Em carta105 a Gelmirez de Mello,
datada de 10 de novembro de 1934, o chefe Alberto Vasconcellos, da FBEM em Recife/
PE, informa que o chefe Eunino Corrêa, de Olinda, “pretende ficar en retrait106, justificando-
se que é um integralista”. Posteriormente, o chefe Eunino Corrêa, respondendo carta de
Vasconcellos, em 30 de agosto de 1935, afirmou que107:

Farei pela Juventude Integralista o mesmo que tentei fazer pelos jovens que me
foram confiados outrora. Concretizo tão somente, deste modo, o empirismo que pode
haver no escotismo com um chefe inglês para meninos brasileiros.

136
Se Escotismo é patriotismo, eu farei escotismo com um chefe brasileiro para meninos
brasileiros. Do contrário, é internacionalismo e eu me propus combater tudo que
fosse contra o internacionalismo.

O programa da Juventude Integralista é calcado no livro do Velho Lobo, os jogos


da Juventude Integralista são os jogos do Proença, e assim sendo poderá ver que se
não estou com a FBEM estou pelo menos fazendo escotismo brasileiro com um chefe
brasileiro para meninos brasileiros. Isto nada tem de Jacobinismo, é tão somente uma
reação benéfica contra mais esta tentativa de desnacionalizar o que temos no Brasil.

Em 15 de dezembro de 1932, foi reeleita toda a antiga diretoria da UEB para o


período 1933/1934108.
Em 1932, a UEB tinha como filiadas as seguintes instituições: Federação Brasileira
dos Escoteiros do Mar (FBEM), Federação dos Escoteiros do Brasil (FEB), Federação dos
Escoteiros Fluminenses (FEF), Federação Evangélica dos Escoteiros do Brasil (FEEB),
Federação Mineira de Escoteiros (FME), Federação de Escoteiros do Pará (FEP), Federação
de Escoteiros de São Paulo (FESP), Federação Pernambucana de Escoteiros (FPE), e o
Conselho Metropolitano de Escoteiros (CME). A Federação de Escoteiros Católicos do
Brasil, afastada, tinha assegurado o direito de tornar a fazer parte da UEB, como fundadora,
se o desejasse109.

1933

Reeleita a diretoria da UEB, com Ignácio M. Azevedo do Amaral na função de


presidente. Affonso Penna Júnior é o presidente de honra110, 111.
A FBEM realiza o seu 6º Curso de Chefes.
Em fevereiro de 1933, o presidente da República, Getúlio Vargas, que estava
despachando no Palácio Rio Negro, em Petrópolis/RJ, visitou o acampamento da tropa de
escoteiros do Clube de Regatas do Flamengo, nos arredores daquela cidade. Vargas apareceu
sem avisar e foi recebido com simplicidade escoteira pelo chefe Julio Silva e alguns escoteiros
que estavam no campo. O presidente fez várias perguntas, percorreu o acampamento,
inspecionou pioneirias, até chegar ao local onde estavam expostos vários trabalhos de
desenho, cartografia e escultura; dentre os trabalhos, encontrava-se uma caricatura do próprio
Vargas, feita pelo escoteiro Max Newton Bezerra, de 12 anos; o presidente conversou com
o pequeno artista, sorriu, abraçou-o e incutiu-lhe entusiasmo. Voltando ao acampamento,
o presidente tomou um cafezinho numa caneca de esmalte. Nesse momento, chegaram ao
campo os demais escoteiros que estavam excursionando nas redondezas e que fizeram várias
demonstrações para o presidente. Ao retirar-se, Vargas foi saudado com os tradicionais
“Anauês!” da UEB. Dias depois, a tropa retribuiu a visita ao presidente no Palácio Rio Negro,
ocasião em que Vargas autografou a caricatura do escoteiro Max, tornando-a mais valiosa112.

137
Caricatura de Getúlio Vargas, feita pelo escoteiro Max Newton Bezerra.

Em entrevista ao jornal Correio da Manhã, o presidente da UEB Ignácio Manoel


Azevedo do Amaral disse:

O Escotismo precisa conservar sua autonomia própria que lhe garantirá pureza
de orientação indispensável à realização dos seus fins. O Escotismo nunca poderá
ser oficializado... entendendo-se como isso que ele não pode ter subordinação a
governos ou instituições privadas que cerceiem a sua liberdade na orientação técnica
das tropas que venham a ser criadas nas escolas onde venha a ser instituído. A
concessão de subvenções pecuniárias...nunca poderá ser aceita a troco de dependência
contraproducente e incompatível com os objetivos do Escotismo. Sendo assim, a

138
organização do Escotismo em escolas oficiais deverá ser realizada pela fundação
de federações escoteiras escolares, independentes da autoridade oficial e somente
subordináveis à União dos Escoteiros do Brasil, à qual deverão ser regularmente
filiadas...113.

O Estado de São Paulo publica, em abril de 1933, o Código da Educação através do


qual institui o Escotismo em todas as escolas públicas, cria a Associação Escolar Escoteira,
que organizará o movimento, e que será filiado à ABE. A filiação dos alunos acima de 11 anos
seria voluntária, mediante autorização dos pais, tutores ou responsáveis. O Departamento
de Educação convidaria um professor com atuação no Escotismo para superintender a
associação etc.114.
Realizado em Godollo, Hungria, o IV Jamboree Mundial Escoteiro. Oriundos de
54 países, eram 25.792 escoteiros no campo. Ao contrário dos jamborees anteriores, em
Godollo os escoteiros enfrentaram calor e poeira ao invés de chuvas e lama. O jornal diário
do campo era escrito em húngaro, inglês, francês e alemão, com contribuições em outras
línguas. A língua extraoficial era “jamboreese”, que consistia basicamente de sinais e um
sorriso nos lábios. Cada contingente estrangeiro tinha um “primo” local capaz de falar uma
língua estrangeira. Foi o primeiro jamboree com a participação dos escoteiros do ar; havia
um campo com cinco aeroplanos escoteiros e 16 planadores (um austríaco, cinco poloneses e
dez húngaros). Foi também o primeiro jamboree com o lançamento de selos comemorativos.
O campo foi visitado por delegações da juventude hitlerista alemã e dos balilas italianos.
Posteriormente, o chefe do campo, conde Paul Teleki viria a tornar-se primeiro-ministro do
país. Não houve participação brasileira.
Em 26 de setembro de 1933, por proposta da Federação dos Escoteiros do Brasil,
da Federação Brasileira de Escoteiros do Mar, da Federação Evangélica de Escoteiros e
do Conselho Metropolitano de Escotismo, é concedida pelo Conselho Diretor da UEB a
condecoração Tapir de Prata ao chefe Gabriel Skinner, que nesse ano completou 21 anos
de vida escoteira. A concessão foi precedida de longo estudo que concluiu pela veracidade
da longa e ativa vida escoteira do agraciado115. Gabriel Skinner foi, portanto, o segundo
agraciado com a condecoração máxima do Escotismo brasileiro.
Em 30 de novembro de 1933, a Associação de Escoteiros Católicos de São João Batista
da Lagoa concedeu a Gabriel Skinner o título de “Cavaleiro da Lagoa” com o uso da Insígnia
Cruz da Lagoa. Até então, possuíam a citada insígnia: 1) Baden-Powell, 2) padre Sevin,
3) Edmund Lynch, 4) Dom André Arcoverde, 5) Rodolfo Malempré, 6) João Evangelista
Peixoto Fortuna, 7) comandante Benjamin Sodré, 8) Jerônima Mesquita, 9) Joaquim C.
Ortigão Sampaio Junior. Skinner foi, portanto, o décimo a receber a honraria116.

139
1934

Em 16 de abril de 1934, a Associação de Escoteiros de Alecrim filia-se à UEB117.


A UEB, através de seu presidente, Ignácio M. Azevedo do Amaral, recebeu carta de
Baden-Powell alusiva ao Dia do Escoteiro, com o seguinte teor:

Dia de São Jorge, 1934.

Prezado doutor Ignácio Azevedo do Amaral

Apesar de meu médico assistente ter-me proibido redigir qualquer correspondência, não posso
deixar passar o Dia de São Jorge sem vos enviar uma palavra de saudação.

A nossa irmandade continua a aumentar em número e em espírito. Em parte pelos relatórios


e muito pelo que me foi dado observar no nosso recente Cruzeiro de Paz (mais de 650
escoteiros ingleses visitam doze países diferentes) eu verifiquei que o espírito de boa vontade
desenvolveu-se de modo extraordinário.

Se isso continuar a ser feito entre os escoteiros de todos os países com força e virilidade, eu
prevejo o desenvolvimento de um novo espírito no mundo que trará poderoso auxílio à paz
universal.

Com as melhores saudações creia-me sinceramente vosso,


Baden-Powell.

Sob o título “A UEB Esfacela-se”, é publicado artigo jornalístico em que o articulista


critica fortemente a situação de inércia e inatividade da diretoria, afirmando que “só resta
para o salvamento da UEB o afastamento de toda a atual diretoria, cuja demissão há dois
anos aguarda o escotismo pátrio”118. Dias depois, o comissário internacional Bonifácio Borba,
e o comissário técnico Gabriel Skinner, respondem, afirmando que “todos os nossos irmãos
que lá têm funções trabalham com o mesmo amor e desinteresse...”, e que “de fato, a UEB
esfacela-se e se continuarem as coisas como estão, dentro em breve desaparecerá”, a UEB
“coordena o escotismo, fiscaliza sua execução e resolve em última instância os casos omissos e
doutrinários”, “as federações, com raras e honrosas exceções... não remetem nem estatísticas
nem relatórios... aos diretores da UEB não cabe a culpa... as federações... esquecessem-se dos
compromissos e resoluções que eles mesmos aprovaram em sessão plenária”. O articulista
retruca afirmando que às federações “faltam tropas”, e que “se não têm enviado relatórios é
porque não fazem atividades, são inertes”, e que “se não se efetuar a unificação, a UEB estará
desmoronada”119.

140
Mais uma vez, surge movimentação para unificação das diversas federações
existentes com o objetivo de reduzir o grande número de instituições. Uma das propostas
divulgadas pela imprensa prevê: a) enucleação, numa só entidade, de todos os escoteiros
católicos do Brasil; b) enucleação dos evangélicos; c) enucleação dos escoteiros leigos de
terra; d) enucleação dos escoteiros do mar; e) enucleação dos escoteiros leigos, em cada
estado, formando uma única entidade estadual. Paralelamente à concentração dos elementos
afins, no seio da entidade respectiva, funcionarão com o caráter de organizações autônomas:
a) Clube de Chefes Escoteiros do Brasil; c) Círculo de Rovers Scouts; c) Clube de Lobinhos
(a ser criado); d) duas escolas de chefes, ambas modelo, uma para instrutores de terra e
outra de mar120. A tentativa de reduzir o número de instituições escoteiras fracassou sem
maiores explicações121. Continua insolúvel o problema da unificação do Escotismo nacional,
devido à intransigência de diretores de várias entidades cariocas. Todos são abnegados e
transigentes, porém, na hora da votação, apresentam sempre dificuldades para a efetivação
de tão elevado ideal122.
Em 13 de dezembro de 1934, a Associação Brasileira de Escoteiros (ABE) se filia à
UEB123.
Na mesma data, foi eleita nova diretoria da UEB para o biênio 1935/1936,
composta por: presidente: Affonso Penna Junior; primeiro vice-presidente, Euclydes
Deslandes; segundo vice-presidente, Guilherme de Azambuja Neves; secretário geral,
Iberê de Vasconcellos Bernardes; comissário administrativo, Sosthenes Barbosa; comissário
internacional, Bonifácio Borba; comissário técnico, Gabriel Skinner; tesoureiro, Evaristo
Bianchini; procurador, Abdon de Oliveira; bibliotecário, A. Souto Maior; diretor de
publicidade e da revista, Arnaldo Fabregas; Comissão Técnica, Mario França, David de
Barros, Eurico Gomide e Theodorico Castelo124,125.

1935

A sede provisória da UEB é na rua Sete de Setembro, 207, 3º andar126.


A guerra dos uniformes: sob este título, é publicado pequeno artigo abordando a
discussão sobre o uso de calças compridas no uniforme escoteiro127.
Para comemorar o décimo aniversário da UEB, foi realizada, de 18 a 20 de janeiro de
1935, uma concentração nacional na Quinta da Boa Vista, com 2.000 escoteiros do Distrito
Federal, Estado do Rio, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. Para que se tenha ideia
do número de federações, associações e grupos independentes existentes, participaram do
evento representantes da própria UEB, da Federação de Escoteiros Católicos do Brasil,
da Federação Brasileira de Escoteiros do Mar, da Federação de Escoteiros do Brasil, da
Federação de Escoteiros da Light e Companhias Associadas, do Corpo Nacional de Scouts,
do Conselho Metropolitano de Escoteiros, da Associação Escoteira Caramuru, os Escoteiros
do Instituto Barão de Ayuroca, da Associação de Escoteiros Católicos de São João Batista

141
da Lagoa, dos Escoteiros do Clube de Regatas Vasco da Gama, da Associação de Escoteiros
de N. S. da Glória, do S. Democráticos, da Associação de Escoteiros de N. S. Loreto, da
Associação de Escoteiros de Santa Thereza, da Associação de Escoteiros de Quintino
Bocayuva, da Associação de Escoteiros do Bonsucesso Futebol Clube, do Ginásio Brasileiro,
da Associação Escoteira São Jorge, da Associação Escoteira do Sacramento, da Associação
Escoteira Israelita Macabeus, dos escoteiros do Grupo Vianna de Carvalho; de outros
estados vieram das Federações Mineira de Escoteiros, Espírito-Santense de Escoteiros,
dos Boy Scouts de São Paulo e dos Escoteiros de Ribeirão das Lages. Os grupos filiados
a federações e associações não foram citados individualmente. No domingo, último dia do
evento, após a missa campal, foi empossada a nova diretoria da UEB. O novo presidente da
UEB, Affonso Penna Junior, fez manifestação em prol da candidatura de Melo Franco ao
Prêmio Nobel da Paz128,129.
Entre 12 e 24 de fevereiro de 1935, o 10º Grupo de Escoteiros do Mar realizou um
magnífico cruzeiro à ilha Grande, num total de cerca de 300 milhas náuticas navegadas. O
Carelli, guarnecido pelo chefe Gelmirez, pelos rovers Nagib, Arides, Alfredo e Geraldo, e
pelos escoteiros Agostinho, Mário, Cláudio, José, Cândido, Lourenço, Boris e Walter, partiu
às 3 horas da madrugada do dia 12 de fevereiro, chegando à Barra de Guaratiba, primeira
escala, as 14h30min. No dia 13, partida às 7h; na altura da Ponta Grossa da restinga caiu
um temporal com chuvas, mar grosso e nevoeiro, chegando à enseada do Abraão às 18h,
onde foram recebidos pelos escoteiros locais, pernoitando na sede do grupo. Na quinta-
feira, navegação rumo à praia Vermelha, aonde chegaram às 11h30min. Almoço oferecido
pelo chefe escoteiro local, Correa da Silva. Montagem do campo com pioneirias de bambu.
De sexta a domingo, acampamento no local. Na segunda-feira, navegação para a Ponta
Leste, para homenagear os mortos no desastre do Aquidaban. Na terça-feira, permanência
no acampamento. Na quarta-feira, dia 20, navegação até Angra dos Reis e visita à Prefeitura
e Capitania dos Portos, e a enseada de Batista das Neves; retorno à praia Vermelha. No dia
21, participação na fundação da Comissão Regional de Escoteiros do Mar da Ilha Grande.
Na sexta-feira, dia 22, início do retorno, com o percurso Praia Vermelha-Lazaretto-Abraão.
No sábado, dia 23, tentativa de regresso com vento e mar contrários, avanço muito reduzido,
obrigando o retorno. No dia 24, retorno a reboque contratado, pois as condições de vento
e mar continuavam ruins. Chegada à base às 19h30min. Após alguns telefonemas, a sede
encheu-se de pessoas, entre elas o Velho Lobo130.

142
Em primeiro plano, o Carelli, no qual foi feito o cruzeiro à ilha Grande.

Em maio de 1935, as federações filiadas à UEB e seus respectivos representantes


eram: Federação Paraense de Escoteiros, doutor Mário França e comandante Benjamin
Sodré; Associação de Escoteiros do Alecrim, comandante Joaquim Terra da Costa e doutor
Mário França; Federação Pernambucana de Escoteiros, comandante Oscar de Souza Spinola
e doutor Guilherme Gomes de Matos; Associação Brasileira de Escoteiros, doutor Iberê
de Vasconcelos Bernardes e comandante Sosthenes Barbosa; Federação dos Escoteiros de
São Paulo, Teodorico da Silva Castelo e comandante Sostenes Barbosa; Federação Mineira
de Escoteiros, doutor Affonso Penna Junior e doutor Guilherme de Azambuja Neves;
Federação Espírito-Santense de Escoteiros, comandante Eulino Cardoso, professor Gabriel
Skinner e Eurico Capela Gomide; Federação dos Escoteiros Fluminenses, doutor Américo
Wanick, professor Abdon de Oliveira Dias e Joaquim do Couto; Federação de Escoteiros do
Brasil, doutor Guilherme de Azambuja Neves, David Mesquita de Barros e professor Olinto
da Gama Botelho; Corpo Nacional de Scouts, Antonio Lopes Castanheira, Oscar Messias
Cardoso e Cesar Sacosso Melo; Federação Brasileira de Escoteiros do Mar, Paulo V. da
Rocha Viana, Teodorico da Silva Castelo e Nagib David; Federação Evangélica de Escoteiros
do Brasil, reverendo doutor Euclides Deslandes, capitão doutor Bonifácio Antonio Borba
e tenente doutor Rubens de Lima; Conselho Metropolitano de Escoteiros, José de Souza
Sobral, Nelio dos Santos e Rubens Alves de Nascimento131.

143
O Conselho Diretor da Federação Evangélica de Escoteiros do Brasil decidiu
dissolver a instituição. A FEEB foi fundada em 1925 e chegou a possuir 35 tropas escoteiras
no Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Minas Gerais com efetivo de
1.500 escoteiros. Foram presidentes da FEEB: Rubens de Lima, Daniel Lander Betta, major
Alfredo Gomes de Paiva, Euclides Deslandes, Amancio Cardoso e Roque Policiano Cruz.
Os dirigentes decidiram criar um movimento próprio, similar ao Escotismo, denominado
Legião Cruzeiro132. Entretanto, apesar de tal decisão, da renúncia de seu presidente Euclides
Deslandes, e do fechamento de diversos grupos, a FEEB continuou ativa até 1936133.
A FBEM realiza seu primeiro “Grande Jogo Naval – O Bloqueio”, revivendo, nas
águas da baía de Guanabara, a façanha do tenente João Francisco de Oliveira na Guerra
da Independência. No contexto das lutas pela independência na província da Bahia, João
das Bottas, como era conhecido, combateu as embarcações portuguesas nas águas da baía
de Todos os Santos, nomeadamente no trecho entre a praia da Ponta da Areia e a barra do
rio Paraguaçu. Destacou-se como um dos principais responsáveis pela defesa naval da ilha
de Itaparica diante das tropas portuguesas sob o comando do governador das Armas da
Bahia, Inácio Luís Madeira de Melo. A sua bravura e vitórias conquistadas culminaram com
o 2 de julho de 1823, alçando-o à condição de herói nacional. É um dos heróis da Marinha
brasileira. Em sua homenagem realiza-se anualmente, em Salvador, um evento náutico, a
Regata João das Botas.
Durante o “Grande Jogo Naval”, a divisão João das Bottas, comandada por Gelmirez
de Mello e composta por seis navios, tinha por objetivo sair da enseada de Jurujuba
transportando uma carga de víveres, abastecer as tropas de terra acampadas na Ponta do
Calabouço e retornar a sua base de operações. Impedindo a passagem, estaria a esquadra do
bloqueio, com 13 navios. Às 14 horas do dia 28 de dezembro de 1935, com tempo ameaçador,
chuva e trovoada prováveis, a divisão João das Bottas sai ao mar. Pensou-se em transferir
o jogo, mas a decisão da organização foi manter o evento. Abastecida a frota com a carga
de víveres, partiu para Jurujuba, fundeando em frente à igrejinha. Gelmirez partiu então
para inspecionar as obras que tinha encomendado secretamente uma semana antes aos
locais: o alargamento da trilha que ligava Jurujuba à Prainha e a construção de uma rampa
para descer as embarcações na encosta da Prainha. O plano para vencer o intransponível
bloqueio naval era fazê-lo por terra, transportando as embarcações, de pequeno porte, para a
Prainha, que ficava além do bloqueio naval. Gelmirez criou também três postos de vigilância
e sinalização para informar os movimentos da esquadra de bloqueio. Quando escureceu, as
embarcações foram desaparelhadas e levadas para terra e, uma a uma, transportadas sobre
uma carreta e descidas na Prainha, pela rampa construída na encosta. O transporte terminou
às 23h30min. A ideia era aproveitar a maré enchente a partir de meia noite para cumprir
a missão. Subitamente, surgiram dois navios da esquadra, ao largo da Prainha. Silêncio
absoluto, respirações em suspenso, mas não foram avistados. Rapidamente, as embarcações
foram reaparelhas e a frota João das Bottas partiu em dois grupos, que seguiram rumo ao
meio do canal e então, aproveitando a maré enchente, para o local de destino. Carga entregue,

144
faltava retornar a Jurujuba, o que foi mais fácil, pois agora já soprava um vento favorável.
A frota seguiu até o Morro do Morcego e costeando-o, entrou na enseada e fundeou. O
segundo grupo chegou já com luz do dia. Findo o “Grande Jogo”, com a vitória da divisão
João das Bottas134.
Concluído o VII Curso da Escola de Chefes da FBEM135.
Em dezembro de 1935, Affonso Penna Júnior renunciou à Presidência da UEB. Em
seu lugar, assumiria o cargo o general Newton Cavalcanti, embora por pouco tempo, uma
vez que estava prevista sua transferência para Recife, onde assumiria o Comando da 1ª
Região Militar136. Entretanto, o general Newton Cavalcanti não chegou a tomar posse.

1936

Nos primeiros dias de janeiro de 1936, surge um movimento pela reorganização do


Escotismo no Brasil, alegando-se que o seu mal “residiu apenas na circunstância dele ter
vivido mais ao desamparo que propriamente sob os auspícios da oficialização”137. No dia 5 de
janeiro é divulgada pela imprensa138 a “reorganização do Escotismo Nacional, sob a direção
do general Newton Cavalcanti”139; o artigo analisa o surgimento do Escotismo no Brasil, a
criação da UEB, que

por concessão da municipalidade dispunha aqui do Pavilhão Mourisco... possuía


uma pequena subvenção anual de 20:000$000... veio a Revolução de 1930...tiraram-
lhe o Pavilhão Mourisco... cassaram-lhe a subvenção... a UEB enfraqueceu-se...
promovemos duas grandes e inesquecíveis reuniões... sob o título de Fogos de Conselho
de Fraternidade logrando entusiasmar mais de três mil rapazes... mesmo assim, o
escotismo continuou fraco, fraquíssimo... faltava... a reorganização da entidade central
– a União dos Escoteiros do Brasil – entregando-a os elementos de que precisa para
sua missão... muitos chefes, nomes reconhecidamente capazes, competentes, deixaram
seu seio... ficando ali com energias sempre infatigáveis doutor Affonso Penna Junior
a quem, verdade seja dita, devemos a circunstância da instituição não ter morrido
definitivamente... o doutor Bonifácio Borba, comissário internacional, enviou notas
auspiciosas, informando que o general Newton Cavalcanti, nome consagrado nos
meios esportivos da cidade e grande animador da educação física em nosso meio...
ele vai soerguer a instituição escoteira... reunir os técnicos... ouvir sua colaboração
e em seguida formular o largo plano de engrandecimento dessa novel causa de
engrandecimento da educação escoteira da juventude.

Bonifácio Borba, então comissário internacional, mas, na prática, exercendo sua


Presidência, divulgou uma convocação aos chefes escoteiros:

145
Aos Chefes Escoteiros:

Em nome do general Newton Cavalcanti, estão convidados todos os chefes escoteiros


a comparecerem sexta-feira, dia 10, às 9 horas, a sede da Liga da Defesa Nacional, a
fim de ouvirem e apresentarem sugestões a respeito de um plano de reorganização do
Movimento Escoteiro. O plano do general Newton é apresentado em nome da Liga
da Defesa Nacional, com o apoio das autoridades do governo. A UEB, cientificada
do plano, estudará o mesmo e emitirá parecer com urgência, para imediata execução.

Doutor Bonifácio Borba, comissário internacional da UEB.

Numa segunda nota, Borba informou que:

É tal a vontade de levar adiante a reorganização do Movimento e com a máxima


urgência, que o Sr. general Newton está disposto, no caso de recusa do plano, a deixar
de lado qualquer consideração e organizar, dentro dos moldes da escola badeniana,
uma nova organização, mesmo com outro nome.

A campanha pela imprensa prosseguiu. Na véspera da reunião convocada, divulgou-se novo


e longo artigo no qual afirmava-se que

a instituição, desde sua implantação, teve como erro primacial a liberdade de prática.
Homens sem nenhuma cultura, sem representação social por vezes, sem profissão, sem
conhecer nada de pedagogia escoteira, integraram-se no movimento e se improvisam
instrutores de rapazes... o escotismo ora se tornou militarismo, ora desportismo,
ora recreativismo... campeavam abusos, fiscalização não podia haver... só o governo
poderia ter salvo o escotismo, expurgando-o de maus chefes e exigindo sua prática
nacional... como instituição sem disciplina, sem articulação... cai pouco a pouco...a
falta de regulamentos oficiais, a organização da fiscalização, a exígua colaboração
dos pais, a deficiência de elementos impedindo o trabalho das tropas escoteiras na
zona rural, a demasiada autonomia das entidades (federações) que entenderam fazer
o que bem entendessem, contribuíram para desacreditar o escotismo... poucas escolas
de instrutores puderam funcionar... muitos certames foram promovidos pela UEB...
muitas entidades deixaram de dar seu concurso contribuindo assim para que se
enfraquecesse a causa...ou o governo controla o escotismo ou o mata definitivamente.

A imprensa adiantava o plano do general:

O plano do general Newton Cavalcanti previa a centralização do escotismo, que


seria dividido em dois departamentos técnicos distintos. Um para escoteiros do mar,

146
entregue ao Ministério da Marinha... continuaria a existir a Federação Brasileira
de Escoteiros do Mar, porém deveria ser designado um oficial de Marinha, chefe
escoteiro, para fiscalizar sua execução e servir de ligação... e outro sob fiscalização
do Ministério da Guerra... o departamento de escoteiros da terra... deve ser formado
por três entidades apenas: a Federação de Escoteiros Católicos do Brasil, a Federação
Evangélica e a Federação Leiga de Escoteiros... este é o único meio de agrupar
as religiões... uma entidade mista é impraticável... ao lado desses departamentos
precisam funcionar duas escolas de instrutores, uma para dirigir topas de terra e outra
para o mar... o departamento de terra deve ser dirigido por um oficial do Exército,
especialmente designado para esse fim... os dois departamentos ficariam sob controle
do conselho nacional formado por três membros nomeados pelo governo, em ligação
com os Ministérios da Marinha, da Guerra e da Educação”.

O plano previa ainda a realização de ajuris e jamborees, fontes de incentivo permanente,


e combater o futebol entre os escoteiros140.
Em 10 de janeiro, no salão nobre da Liga da Defesa Nacional, com a presença de
grandes nomes do Escotismo, como Affonso Penna Junior, Benjamin Sodré, Gelmirez de
Mello, Rubens de Lima, Manoel da Paz Lima, Olyntho Botelho e outros, o general Newton
Cavalcanti informou que o plano fora apresentado previamente ao presidente da República,
que lhe dera todo apoio, e que fora o governo que o mandara criar, e passa a apresentar o
esquema da organização, assim constituído:

1ª seção: constando do cadastro, informações dos moradores, profissões diversas sob


fichários e destinadas ao conhecimento dos profissionais de todas as categorias;

2ª seção: assistência social – é um centro de orientação e orientação de sociedades,


identificando-as na campanha intransigente ao analfabetismo, assistência social, dar
roupas e alimentos aos que precisam e assegurar a proteção aos que dela necessitarem;

3ª seção: arrecadação – consistirá em socorros; reunirá elementos necessários aos fins


antecedentemente descritos; nesta há ainda uma seção de empregos firmando-se nos
dados existentes no fichário.

4ª seção: educação geral escoteira e militar – a instrução escoteira deverá ser modificada
quanto ao recrutamento; ir aos morros, aos locais mais distantes, percorrer as zonas
rurais recolhendo as crianças e as instruindo imediatamente; educar e amparar é seu
lema; organizar outros agrupamentos a fim de obterem caderneta militar. Para isso,
esses centro educativos instruirão a criança até atingir o grau de 1ª classe. Depois

147
de atingir esse grau, automaticamente irão para o Exército ou para a Armada a fim
de passarem três meses, aproveitando nessa ocasião as especialidades em que se
incorporarem.

Depois a criação de bibliotecas que podem servir para a instrução dos rapazes.

Outros cursos serão sinergicamente criados para elucidação dos agricultores e outras
classes.

5ª seção: educação profissional – sanear a mão de obra de toda influência maléfica;


alfabetizar os adultos; dar instrução moral e cívica.

Terminando a apresentação de seu plano, cuja abrangência ia muito além do


Escotismo, pois atacava problemas de assistência social ampla e alfabetização, o general
passou a comentar outros assuntos. O Escotismo ficaria sob sua direção executiva e
orientação técnica da União dos Escoteiros do Brasil. O Movimento Escoteiro seria dirigido
por duas federações: a Federação Brasileira de Escoteiros do Mar e a Federação Brasileira de
Escoteiros da Terra. O general pugnava pela extinção do enorme número de federações que
praticavam o escotismo de terra, segundo ele, sem metodologia, padronização, eficiência.
Todas as organizações, não só essas como outras, ficarão sob a direção da União dos
Escoteiros do Brasil. As organizações existentes serão modificadas para se integrarem no
plano do governo. O governo já pôs a sua disposição a quantia de 100:000$000. Acrescentou
ainda que em duas semanas partiria para o Norte, para comandar a 7ª Região Militar, sediada
em Pernambuco, mas que em seu lugar ficaria o major Araripe de Faria, já credenciado
pelo governo. O general informou que os comissários distritais seriam remunerados pelo
governo, pois teriam dedicação exclusiva ao trabalho escoteiro141.
A resposta da UEB foi rápida. Em 17 de janeiro, a imprensa já divulgava uma moção
de apoio ao plano do general Newton Cavalcanti, com o seguinte teor:
Nós, abaixo assinados, membros da UEB, propomos:

1º - que seja aceita a fórmula do senhor general Newton Cavalcanti, vice-presidente


em exercício de presidente da UEB, para a reorganização do escotismo nacional,
por satisfazer integralmente as necessidades do movimento escoteiro nacional e
internacional e, sobretudo, pelo desenvolvimento excepcional que dará à educação
moral, cívica e patriótica da mocidade de nossa pátria;

2º - propomos, também, que seja criada comissão de sete membros; sob a presidência
do Major Tristão de Alencar Araripe para com poderes irrestritos, executar no prazo
máximo de dois meses, toda a remodelação e criação de novos encargos que se fizerem
necessários à completa eficiência da UEB e federação dentro do novo plano aprovado.

148
Sala das Sessões, 14 de janeiro de 1936. Assinado: doutor Bonifácio A. Borba e Augusto
A. M. Primo, da Federação Evangélica dos Escoteiros do Brasil; Gabriel Skinner,
doutor Conegundes Moreira e Aldemar Tertuliano dos Santos, da Federação Espírito
Santense de Escoteiros; doutor Mario França, pela Federação Paraense de Escoteiros
e do Rio Grande do Norte; Antonio Palmieri, Eduardo Leão e Moacyr Nogueira,
pela Federação Suburbana de Escoteiros; Theodorico da Silva Castelo, da Boy Scouts
Paulistas; doutor Iberê Bernardes, da Associação Brasileira de Escoteiros; doutor
Joaquim do Couto e Abdon de Oliveira Dias, da Federão de Escoteiros Fluminenses;
José de Souza Sobral, Conselho Metropolitano de Escoteiros; Olyntho da Gama
Botelho, doutor Rufino Gomes Junior, doutor Annibal Bomfim e Silva Junior e
Sylvio Ricardo Gonçalves, da Federação de Escoteiros do Brasil; Benjamin Sodré,
Gelmirez de Mello e Enéas Martins Filho, pela Federação Brasileira de Escoteiros
do Mar; Oscar Messias Cardoso e Sebastião José Dias, pelo Corpo Nacional de
Scouts. Para regularizarem os trabalhos iniciais, foram eleitas, por unanimidade, as
comissões: a) para regulamentar o escotismo: presidente, o major Tristão de Alencar
Araripe, Bonifácio Borba, Benjamin Sodré, Gabriel Skinner, Mario França, Iberê
Bernardes, Annibal Bomfim e Olyntho Botelho; b) para regulamentar o Decreto
5.497 de 24/7/1928, Benjamin Sodré, Gabriel Skinner e David M. de Barros; c) para
impressão do Regulamento Técnico, escoteiro Mario França142.

Em 19 de março de 1936, foi realizada importante reunião do Conselho Diretor da


UEB para aprovar uma nova organização da instituição. Foi extinto o Conselho Diretor,
passando a UEB a ser dirigida exclusivamente pela diretoria. Foi fundada a Associação
Carioca de Escoteiros, que resultou da fusão da Federação de Escoteiros do Brasil, da
Federação Evangélica, do Corpo Nacional de Scouts e da Federação Suburbana de Escoteiros
do Conselho Metropolitano de Escotismo. Foi eleita a nova diretoria, composta por: diretor,
general Newton Cavalcanti; subdiretor de Escotismo, major Tristão de Araripe; secretário
administrativo, David M. de Barros; subdiretor técnico, Gabriel Skinner; secretário técnico,
Conegundes Moreira; comissário internacional, Bonifácio Borba; Comissão Técnica, doutor
Mário França, Otávio Pinto e Olinto Botelho. A posse da nova diretoria ficou marcada para
21 ou 23 de abril143,144. Posteriormente, o CME não aderiu à ACE.
Em março, é publicado o primeiro número da revista Escoteiro do Mar.
A posse da nova diretoria da UEB foi marcada para 21 de abril de 1936 e depois adiada
para maio145, mas não chegou a ocorrer. O presidente eleito encontrava-se trabalhando em
Recife. A UEB, nesse período, era presidida, interinamente, por Bonifácio Borba.
Em junho de 1936, é publicado o Regulamento Técnico da UEB, elaborado por uma
comissão composta por David Mesquita de Barros, Gabriel Skinner e Mario França146,147.
Em 18 de junho de 1936 são aprovados os Estatutos da Federação Carioca de
Escoteiros, com a adoção do termo federação ao invés de associação, como fora anteriormente
criada148.

149
Em julho de 1936, o governo federal, através do Ministério da Educação, concedeu à
UEB uma subvenção de 20.000$000 anuais149.
Em reunião realizada em 3 de julho de 1936, a Diretoria da UEB aprovou a concessão
da Comenda Tapir de Prata a Affonso Penna Júnior150.
Em 24 de julho de 1936, em reunião de diretoria da UEB, foram aprovados os novos
Estatutos, que estabeleciam que a UEB seria constituída por dois departamentos: um de
Escoteiros do Mar e outro de Escoteiros da Terra. O Departamento de Escoteiros do Mar
é dirigido pela Comissão Executiva (CME) da Federação Brasileira dos Escoteiros do Mar
(FBEM), eleita pelos representantes das entidades escoteiras do mar (Comissões Regionais);
o Departamento de Escoteiros da Terra é dirigido pela Comissão Executiva (CME) da
Federação Brasileira dos Escoteiros de Terra (FBET), eleita pelos representantes das
entidades escoteiras de terra (Federações). Estabelece ainda que em cada um dos estados,
no Distrito Federal e nos territórios da União federal só haverá uma entidade escoteira
dirigente do Escotismo do Mar e outra de Terra, respectivamente, uma comissão regional e
uma federação. A UEB não reconhece nem permite a fundação de núcleos escoteiros filiados
a organizações estrangeiras, a não ser nas bases estipuladas pelo Bureau Internacional de
Londres. O primeiro presidente efetivo da UEB, o senhor doutor Affonso Penna Junior, é
considerado chefe nacional e presidente de honra da UEB. Nessa mesma reunião, foram
eleitos, para preencher cargos vagos na diretoria, Bonifácio Borba para vice-presidente, e
Conegundes Moreira, para comissário de Publicidade151.
A Diretoria da UEB está composta por presidente: vago; vice-presidente, doutor
Bonifácio Antonio Borba; comissário administrativo, David M. de Barros; tesoureiro,
Evaristo Bianchini; comissário internacional, doutor Bonifácio Borba; comissário técnico
nacional, professor Gabriel Skinner; comissário geral de lobinhos, professor Olyntho da
Gama Botelho; comissário geral de escoteiros, doutor Mario França; comissário geral
de pioneiros, doutor Octavio Pinto; comissário de Propaganda e Publicidade, doutor
Conegundes Moreira152.
Em 24/07/1936, é fundada, no Distrito Federal, a Confederação (depois Federação)
Brasileira de Escoteiros da Terra, para constituir o Departamento de Escoteiros da Terra
da União dos Escoteiros do Brasil153.
Concedida, em 14 de agosto de 1936, a condecoração Tapir de Prata a Mário Sérgio
Cardim, um dos fundadores da Associação Brasileira de Escoteiros, em 1914; Jerônima
Mesquita, uma das fundadoras do Movimento Bandeirante do Brasil e uma das líderes e
diretora da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino; Benevenuto Cellini dos Santos
(post mortem), um dos precursores do Escotismo e criador do hino Rataplan do Arrebol
(também conhecido como Alerta) e do hino Rataplan do Mar, e Guilherme de Azambuja
Neves (post mortem), um dos diretores da Escola de Chefes e da Federação de Escoteiros de
Terra, e criador do boletim Alerta!, que deu origem ao informativo Sempre Alerta!154.
Aprovados, em reunião de diretoria da UEB realizada em 25 de setembro de 1936, os
Estatutos da Federação Brasileira de Escoteiros da Terra155.

150
Em 2 de outubro de 1936, foi eleita a primeira diretoria da Federação Brasileira de
Escoteiros da Terra, composta por: presidente, doutor Atílio Vivaqua; vice-presidente, Iberê
Bernardes; comissário administrativo, doutor Conengundes Moreira; tesoureiro, professor
Ademar Tertuliano dos Santos; comissário técnico geral, doutor Mário França156.
Aprovada, em 9 de outubro de 1936, a concessão do Tapir de Prata a Lord Robert
Stephenson Smith Baden-Powell, fundador do Escotismo; e Hubert Stadttheater Martin,
comissário internacional da Boy Scouts Association, diretor do Escritório Mundial desde sua
criação até 1938, organizador do primeiro Jamboree Mundial157.
Em 25 de outubro de 1936, foi divulgada a extinção da Associação Brasileira de
Escoteiros, que foi a primeira associação de porte interestadual fundada no Brasil. O artigo,
que informava a decadência da veterana associação, informava que ela feneceu após perder
o apoio, principalmente financeiro, dos governos estadual e federal158. Entretanto, nos anos
seguintes ainda se encontravam notícias sobre a ABE na mídia.
O 12º aniversário da UEB foi comemorado com uma concentração no Rio de Janeiro
e um congresso escoteiro. Além dos participantes do Distrito Federal (Rio de Janeiro),
compareceram escoteiros da Federação Mineira de Escoteiros, liderados por Floriano de
Paula e Antonio Pereira da Silva; da Federação Espírito-Santense de Escoteiros, lideradas
pelo professor Eduardo de Andrade e Silva; da Boy Scouts Paulistas, liderados por José Spina
e Leo de Moraes; da Federação Fluminense de Escoteiros e da Associação de Escoteiros
Escolares; que acantonaram no Pavilhão Minas Gerais, na Feira Internacional de Amostras.
Na noite de 17 de dezembro, as comemorações foram iniciadas com a “Noite Escoteira”, no
salão do Instituto Nacional de Música, promovidas pela Federação Carioca de Escoteiros e
outras federações, que contou com a presença do ministro da Educação, Gustavo Capanema,
que entregou a Medalha Tiradentes, concedida pela UEB159, a Mozart Lago, Ignácio Manuel
Azevedo Amaral, Evaristo Bianchini, Eulino Cardoso, Sosthenes Barbosa e Gelmirez de
Mello. Na sede da Liga de Defesa Nacional foi realizado, no dia 18, o congresso com a
apresentação de numerosos trabalhos pela Federação Mineira de Escoteiros, Boy Scouts
Paulistas, Federação Carioca de Escoteiros, Federação Brasileira de Escoteiros do Mar,
sobre vários assuntos, principalmente sobre “Como Incrementar o Movimento Escoteiro no
Brasil”, que foi o tema central.
No dia 19, foi realizado, no salão do C.R. Flamengo, o jantar escoteiro de
confraternização, com representantes do Ministério da Educação, Secretaria de Educação,
Presidência do Rotary, Diretoria da UEB, presidentes das federações cariocas e estaduais;
discursaram várias autoridades, entre as quais Ignácio M. Azevedo do Amaral, o
representante do ministro, o deputado Martins e Silva e Mario Cardim. No domingo, no
campo do Russel, foi realizada uma concentração com mais de mil escoteiros dos estados e
do Distrito Federal; ocasião em que pela primeira vez é entregue a condecoração Tapir de
Prata, a Benjamin Sodré, Gabriel Skinner, Affonso Penna Junior, Mario Cardim e Jerônima
Mesquita, e como homenagem póstuma, a Benevenuto Cellini e Guilherme de Azambuja
Neves; após a realização de competições, os participantes, formados por federações, tendo

151
à frente a banda de música da Polícia Militar caminham até o Palácio Guanabara, onde
foram recebidos pelo presidente da República, Getúlio Vargas, que recebeu pergaminho de
presidente de honra da União dos Escoteiros do Brasil160.

Getúlio Vargas e o pergaminho de presidente de honra da UEB.

Alguns dos agraciados com o Tapir de Prata: Jerônima Mesquita, Mario Cardim e Gabriel Skinner.

152
Aspecto da concentração escoteira de dezembro de 1936.

Em dezembro, o presidente da República sancionou resolução do poder Legislativo


que institui o Escotismo nas escolas primárias e secundárias do país, devendo sua teoria
e prática constituir matéria de ensino nas escolas primárias, secundárias, profissionais e
normais do país, em conformidade com o competente regulamento que o poder Executivo
deverá expedir, oportunamente, pelo Ministério da Educação, fixando a orientação e extensão
dos respectivos programas, a fim de que o Escotismo alcance a alta finalidade de aprimorar o
desenvolvimento físico e moral das futuras gerações brasileiras, para a intransigente defesa
da pátria e pureza do regime democrático. O poder Executivo poderá contratar instrutores
e celebrar entendimentos que julgar necessários com a União dos Escoteiros do Brasil
para execução do referido ensino nos estabelecimentos onde devam ser criados os grupos
escoteiros na forma prescrita no respectivo regulamento161.

1937

Em 14 de janeiro de 1937, o deputado Martins e Silva, autor da lei federal que


oficializa o Escotismo nas escolas visitou a UEB. Saudado pelo presidente em exercício da
UEB, Bonifácio Borba, que lhe entregou o distintivo escoteiro, o deputado manifestou sua
simpatia pelo Escotismo e informou que a Lei deverá ser cumprida sob a direção da UEB, a
quem cabe a direção geral do Escotismo no Brasil162.
Em 19 de janeiro de 1937, foi sancionada a Lei nº 2.913, que criou, no Estado de
São Paulo, a Corporação Escolar de Escotismo nos institutos e escolas profissionais, e,
nas escolas primárias, a Associação Escolar de Escoteiros. As duas organizações teriam
quadros remunerados e seriam subordinadas à Superintendência do Ensino Profissional
e à Superintendência do Ensino Primário, respectivamente. As instituições tinham por
objetivo a educação física, moral e cívica; a filiação era voluntária. Para as moças das escolas
profissionais, foi criado o programa “Bandeirantes da Saúde”. Também foi previsto o
programa para as “Bandeirantes do Mar”163,164.

153
Em 21 de março, foi realizada a “Festa da Energia” da FBEM, com o lançamento
ao mar da primeira embarcação construída no pequeno estaleiro da própria federação.
Estiveram presentes representantes do 10º Grupo, Euclides da Cunha, Visconde de Taunay,
C.R. Flamengo, N. Sra de Boa Viagem, Visconde de Inhaúma, Barão do Triunfo, Gaviões do
Mar, Benevenuto Cellini, Olaria e Botafogo, que guarneciam os navios Carelli, Baden, João
da Bottas, Parnaíba, Pérola, Alerta, Comandante Sodré, Tatuí, Taunay, Tupã, Loretti, Velho Lobo,
América, Gaivota, Aragão, Gavião do Mar, Barroso e Pirata. Após o lanche, fornecido pelos
Gaviões do Mar e servido por bandeirantes, foi lançado ao mar o Gaviões do Mar, consignado
ao grupo de mesmo nome e chefiado por Lauro Sodré. Dado o sinal de içar os panos, todos os
barcos passaram a navegar em flotilha até ser dado o sinal de LBA e cada barco rumar para
sua base. O Velho Lobo embarcou no Carelli165.
A UEB concede a Cruz Swástica Ouro ao tenente Drumond, um dos fundadores do
primeiro grupo escoteiro do Brasil, o Centro de Boy Scouts do Brasil, em 1910166.
Bonifácio Borba exerce, interinamente, a Presidência da União dos Escoteiros do
Brasil .
167

Fundada a Federação Riograndense de Escoteiros da Terra, cuja filiação à FBET foi


aprovada em 5 de abril de 1937168.
Realizada, em 12 de março de 1937, reunião do Conselho Diretor da UEB, que elegeu
o professor Ignácio Manuel Azevedo do Amaral para o cargo (então vago) de presidente.
A Diretoria ficou então composta por: presidente, doutor Ignácio M. Azevedo Amaral;
vice-presidente, doutor Bonifácio A. Borba; comissário administrativo, David M. de Barros;
tesoureiro, Evaristo Bianchini; comissário técnico nacional, comandante Benjamin Sodré;
comissário internacional, doutor Bonifácio A. Borba; comissário geral de lobinhos, professor
Olinto Botelho; comissário geral de escoteiros, doutor Mário França; comissário geral de
pioneiros, Wilson Atab; comissário de Propaganda e Publicidade, doutor Conegundes
Moreira169,170.
O Escotismo brasileiro continua a sofrer efeito dos movimentos fascistas. Em 19 de
abril de 1937, o senhor Henrique R. Vianna enviou carta171 à FBEM denunciando a atuação
da juventude hitlerista em Niterói/RJ, nos seguintes termos:

Embora completamente afastado do Movimento por motivos particulares, não


desejando mais nele me envolver sob pretexto algum, manda minha lealdade ao
Movimento do Mar, que lhe faça uma comunicação que, reputo de gravidade e para a
qual acho que a FBEM deve tomar as mais decisivas e enérgicas medidas.

Ontem compareci a título de curiosidade a uma festa de um Clube Alemão existente


em Niterói. Foi me dado ver uma coleta que alcançou verba, aliás enorme, e para a
qual me foi chamada a minha atenção por haver ouvido falar em Escotismo do Mar.

154
Tratava-se de angariar fundos para a construção de um escaler tipo FBEM para a
Juventude Hitlerista do Brasil.

Logicamente procurei me informar sobre o assunto com pessoas que sobre o mesmo se
acham bem informadas. O caso é o seguinte (não sei se é do conhecimento da FBEM):
está em organização uma Tropa de Escoteiros do Mar da Juventude Hitlerista, com
caráter estrangeiro, num clube onde somente se fala alemão, e cujo uniforme é o
seguinte: perfeitamente igual ao dos Escoteiros do Mar, sem lenço e com um cabeção
de marinheiro, mas o cabeção da Marinha Alemã, e capacete branco igual ao dos
chefes de mar usado não somente pelos chefes mas também pelos escoteiros.

Em 2 de junho de 1937, é lavrado o termo de entrega, pelo Ministério da Marinha,


à Federação Brasileira dos Escoteiros do Mar, para usufruto, a título precário, a ilha de Boa
Viagem172.
A Federação Brasileira de Escoteiros do Mar publica nova versão do seu Regulamento
Técnico já como Departamento de Mar da UEB. O documento é muito abrangente e
regulamenta toda a atuação da instituição. Em seu Capítulo VIII, cria a figura do comissário
nacional como cargo vitalício, pessoal e intransferível, assegurado a Benjamin Sodré, como
poder assecuratório da Doutrina da FBEM173.
Em 14 de junho, o presidente Getúlio Vargas cria o Parque Nacional de Itatiaia, o
primeiro do Brasil.
Realizado em Vogelezang, Bloemendaal, Holanda, o V Jamboree Mundial. Foi o último
jamboree com a presença de B-P, que estava com 80 anos. Participação de 28.750 escoteiros
de 54 países. Realizada a 9ª Conferência Internacional Escoteira, também a última com a
participação de B-P. Apresentações diárias foram realizadas na arena do campo, onde as Girl
Guides recepcionaram Lady Baden-Powell, chefe mundial das guias. Curiosidade: o mais
limpo jamboree até então realizado, com 120 chuveiros e 650 bicas d’água; 71 pontes sobre
os canais uniam as áreas de acampamento. Ao apresentar o símbolo do jamboree, o Bastão
de Jacó, B-P disse: “Para mim, chegou a hora de dizer adeus, eu desejo que vocês tenham
vidas felizes. Vocês sabem que muitos de nós nunca mais se verão neste mundo”. De acordo
com Leo Ribeiro de Moraes174, representante do Brasil na 9ª Conferência Internacional,
realizada em Hague, de 10 a 12 de agosto, o Brasil não teve representantes no jamboree.
Leo Ribeiro de Moraes viajou com a ajuda do governo de São Paulo. Na verdade, tivemos
seis representantes no jamboree que não foram listados como do Brasil e nem constam na
lista de inscrições provisionais publicada na revista Jamboree de julho de 1937, pois eram
considerados escoteiros ingleses no Brasil. Eles foram Jack Hunter175, escotista do atual 2º
SP Carajás, e cinco escoteiros, sendo três do 2º SP Carajás e dois do então 1st RJ Baden-
Powell. Toby Shellard176 conta que eles foram saudados por B-P quando de sua visita ao
acampamento dos escoteiros ingleses do Brasil, dando a Jack Hunter uma réplica do Bastão
de Jacó, símbolo do jamboree, que se encontra na sede do grupo. Em seu relatório177 à UEB,

155
Leo Ribeiro de Moraes disse: “O contingente da Suécia era dirigido pelo príncipe Gustavo-
Adolfo, que armou a própria barraca e permaneceu com os seus escoteiros durante todo o
jamboree. Da América do Sul o único país que apresentou escoteiros foi a Venezuela”. Durante
a conferência mundial, nosso representante teve oportunidade de conversar pessoalmente
com Baden-Powell, que lhe perguntou sobre a situação do Escotismo no Brasil, os nossos
métodos, as nossas possibilidades etc. B-P perguntou também por que não havíamos
realizado aqui um jamboree sul-americano ou mesmo íbero-americano, ao que Leo respondeu
que tínhamos dificuldades, principalmente de caráter econômico, ao que o chefe retrucou:
“Sei por experiência própria que os jamborees pagam-se a si mesmos e que o trabalho de
organizá-los é fartamente compensado com a magnífica propaganda que deles resulta”.
Realizada a Grande Regata à vela, da FBEM.
Bonifácio Borba, então exercendo interinamente a Presidência da UEB, publica o
livreto Escotismo e Internacionalismo, no qual busca elucidar o assunto: “No Brasil, de 1935
para cá, o nosso Movimento tem começado a sofrer acusações de internacionalista e até, o
que é mais grave, de comunista...”.

1938

O comissário administrativo da UEB, David Barros, envia ofício178 à FBEM, datado


de 15 de janeiro de 1938, informando que foram tomadas providências pelo chefe do
policiamento de Porto Alegre/RS, que dissolveu o movimento da “Juventude Teuta” que
vinha se desenvolvendo naquela cidade.
Em abril de 1938, Ignácio Manoel do Azevedo Amaral renunciou a Presidência da
UEB179.
É fundado, no então 5º Regimento de Aviação, posteriormente Base Aérea de
Bacacheri, atual Cindacta II, em Curitiba/PR, em 28 de abril de 1938, o Grupo Escoteiro
do Ar Ricardo Kirch, que seria o primeiro grupo escoteiro da modalidade no Brasil.
Participaram da fundação o então major aviador Godofredo Vidal, o major aviador Vasco
Alves Secco e o suboficial telegrafista Jayme Janeiro Rodrigues.
Em agosto de 1938, Ignácio M. Azevedo do Amaral, atendendo pedido do general
Meira de Vasconcelos, inspetor da 1ª Região Militar, apresenta um projeto de decreto-lei
que organiza os escoteiros do Brasil em instituição nacional permanente, incumbida da
formação e orientação cívica da infância, da adolescência e da juventude, pelo sistema de
educação extraescolar 180.
Numa excursão da Associação de Escoteiros Afonso Arinos, de trem de Belo
Horizonte para São Paulo, em 19 de dezembro de 1938, na madrugada, o trem bate num trem
de minério que subia a serra, causando a morte de um escoteiro e um lobinho. Os escoteiros
ajudam a atender os feridos, e o monitor Caio Viana Martins recusa o uso da maca dizendo,
com um sorriso: “Há muitos feridos. Um escoteiro caminha com suas próprias pernas”. Não
conseguiu dar mais do que uma dezena de passos, em consequência da hemorragia interna

156
que sofreu. Novamente seus companheiros quiseram carregá-lo, porém ele recusa, dizendo e
repetindo a célebre frase. Foi atendido na Santa Casa, sendo uma das 40 vítimas mortais do
desastre da Mantiqueira. Seus pais tiveram conhecimento póstumo de várias iniciativas de
Caio em favor de pessoas carentes em Belo Horizonte. Caio Viana Martins nasceu em 13 de
julho de 1923, em Matosinhos/MG, e não pôde concluir o quinto ano de seu curso ginasial.
Tornou-se o “Escoteiro Padrão” do Brasil. Seu nome foi dado a um estádio de futebol na
cidade de Niterói.
Realizado, em 17 de dezembro de 1938, o “Grande Jogo Naval – O Navio Pirata”.
O navio pirata “Águia do Mar”, penetrara as águas da baía de Guanabara e deveria ser
caçado. No dia 7 de dezembro, com a sede da FBEM lotada, foi sorteado pelo Velho Lobo o
NP-9 Gavião para fazer o papel do “Águia do Mar”. As demais embarcações foram divididas
em divisões de três navios cada. Foi elaborado um plano de caça incluindo a instalação de
olheiros munidos de binóculos e bandeirolas de semáforas, em 12 pontos estratégicos da baía
de Guanabara, para apoiar a flotilha de caça. Dada a largada, às 15h30min, o “pirata” partiu
célere para o fundo da baía. Meia hora depois, foi liberada a partida da flotilha. A divisão
formada pelas embarcações NAM 1 Carelli, NP 1 Loretti e NL 1 Barroso, todas do 10º Grupo,
comandada pelo chefe Gelmirez de Mello, interpretou melhor as informações de terra e após
algumas horas de perseguição, às 20h15min, o NP 1 Loretti, do 10º Grupo, logrou capturar
o “pirata”181.

1939

Em 8 de janeiro de 1939, por ocasião de acampamento da Quinta da Boa Vista,


a Federação Brasileira de Escoteiros homenageia o general Meira de Vasconcellos,
comandante da 1ª Região Militar, considerado uma alta expressão do espírito nacionalista182.
Posteriormente, foi anunciado o controle do Escotismo pelo Exército183.
Em janeiro de 1939, são publicados os livros Temas Práticos para Pioneiros, de autoria
do doutor Griffin, traduzido do inglês pela Equipe Almirante Barroso, do Clã do 10º Grupo
Escoteiro do Mar, e a segunda edição do Sistema de Patrulhas184,185.
De acordo com o depoimento de Bonifácio Borba, que exerceu interinamente a
presidência da UEB entre 1936 e 1939, ele foi procurado pelo brigadeiro Godofredo Vidal,
com o intuito de fundar o Escotismo do Ar no Brasil, nos moldes de várias organizações
existentes no estrangeiro, apresentando um esboço de organização. A Federação Brasileira
de Escoteiros do Ar, entretanto, somente seria fundada em 1944.
Em 24 de janeiro de 1939, um terremoto deixou 30 mil mortos nas províncias de
Talca e Bio-Bio, no Chile. A UEB realizou uma campanha financeira e, em 21 de março,
enviou a quantia de 17:732$200 a título de ajuda para as vítimas186.
Em 11 de fevereiro de 1939, o Conselho Metropolitano de Escoteiros Católicos
filiou-se à UEB, através de sua filiação à Federação Carioca de Escoteiros que, por sua vez,
era filiada à Confederação Brasileira de Escoteiros de Terra que constituía o Departamento

157
de Terra da UEB187. O CMEC tinha total autonomia na prática e ensino da parte religiosa,
na designação dos chefes, que deveriam ser católicos praticantes e com diploma de chefe
ou nomeação, e só poderia fundar associações escoteiras nas igrejas, colégios e associações
religiosas que tinham assistentes eclesiásticos188.
Em março de 1939, a UEB publicou o livro Caminho para o Sucesso, de autoria de
Baden-Powell, traduzido para o português pelos pioneiros Armando Sá Pires, Aníbal Sá
Pires e Fernando Mibieli de Carvalho, orientados pelo mestre pioneiro João Mós, todos do
Clã São Jorge, do Grupo de Escoteiros do Botafogo FootBall Club189.
Inaugurada, em 16 de abril de 1939, a Base Oeste dos Escoteiros do Mar, localizada
no porto de Maria Angu, em Olaria, Rio de Janeiro. Suas instalações constavam de um
campo com 2.400 metros quadrados, estaleiro, almoxarifado, depósito de sucata, a rampa,
mastros e bandeiras e casa do zelador190.
Em 13 de maio de 1939, após análise da documentação enviada pelo major Godofredo
Vidal e parecer do então comissário técnico nacional Benjamin Sodré, a UEB decide criar o
Departamento de Escoteiros do Ar191,192.
Em 13 de maio de 1939, o presidente em exercício da UEB, tomando conhecimento
de um memorial que lhe foi apresentado pelo major da aviação Godofredo Vidal e do parecer
do comissário técnico Benjamin Sodré, resolveu criar, a título provisório e experimental, o
Departamento de Escoteiros do Ar, regido por um regulamento provisório e ficando o novo
departamento a cargo do mesmo major Vidal. Em 21 de agosto de 1940, foram aprovados
os novos Estatutos da UEB, contemplando a criação das seções provisórias de Escotismo
do Ar e de Bandeirantismo, subordinadas à CBET até que com a ampliação e crescimento
de seus efetivos pudessem constituir departamentos autônomos. Essa situação permaneceu
na reforma dos Estatutos realizada em 7 de fevereiro de 1944. Em 6 de março de 1944, o
Conselho Diretor da UEB, apreciando comunicação feita pelo tenente-coronel Godofredo
Vidal, aprovou a criação do Departamento de Escoteiros do Ar, que seria dirigido pela
Federação Brasileira de Escoteiros do Ar, nos mesmos moldes dos outros dois departamentos.
Em 10 de abril de 1944, foi aprovado, pelo CD da UEB, o Regulamento Geral da FBEAr
e desta forma instalada, em 19 de abril de 1944, a FBEAr sendo sua primeira diretoria
ratificada pelo CD da UEB em 14 de maio de 1944193.
Entre 17 e 26 de junho de 1939 é realizado um Ajuri Escoteiro Interestadual na
Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro. O evento contou com a participação de 4.000 escoteiros,
pioneiros, bandeirantes e chefes dos estados do Espírito Santo, Pará, Pernambuco, Minas
Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, além do Distrito
Federal. A abertura oficial foi no dia 18, com a presença do presidente da República, Getúlio
Vargas, que discursou e, após a cerimônia, percorreu os acampamentos, encontrando parentes
entre os representantes gaúchos. Os participantes visitaram diversos pontos turísticos da
cidade, instalações militares, realizaram passeio marítimo na baía de Guanabara com visitas
ao Arsenal de Marinha, navios de guerra e ilha das Cobras, uma excursão a Petrópolis,
além de atividades intertropas, fogos de conselho etc. Em seu discurso, o presidente Getúlio

158
Vargas anunciou “em breve toda a juventude brasileira será chamada a incorporar-se numa
poderosa organização nacional, que se erguerá como uma flama abrasada pelo patriotismo,
para realizar um grande ideal” 194. Esse ajuri é citado como sendo o primeiro Ajuri Nacional
Escoteiro195.

O presidente da República, Getúlio Vargas, visita o Ajuri de 1939. Ao seu lado esquerdo, o presidente interino
da UEB, Bonifácio Antônio Borba.

A UEB é reorganizada com três departamentos: Confederação Brasileira de Escoteiros


da Terra, Federação Brasileira de Escoteiros do Mar e Federação Brasileira de Escoteiros
do Ar. As Federações do Mar e do Ar atuavam, nos diversos estados, através de Conselhos
Regionais; a CBET, com as federações estaduais. No Rio de Janeiro, capital da República,
foram extintas seis federações. A Federação Metropolitana de Escoteiros, afastada da UEB,
reintegra-se no final do ano, durante o Ajuri Nacional196.
Fundada a Federação Amazonense de Escoteiros, com sede na Escola de Aprendizes
Artífices, e que imediatamente se filiou à FBET. O primeiro presidente foi o doutor Paulo
Sarmento197.
Publicado, em outubro de 1939, o primeiro número da revista AJURI, órgão oficial
da Federação Carioca de Escoteiros e da Federação Brasileira dos Escoteiros de Terra.
Em 25 de outubro, é realizada reunião do Conselho Diretor da UEB. O presidente em
exercício, major doutor Bonifácio Borba, recordou os fatos que quase causaram a dissolução

159
da UEB em 1936 e que o levaram a, desde 9 de abril de 1938, pela segunda vez, exercer em
caráter interino a presidência. Informou que por motivos profissionais deixaria o Rio de
Janeiro; comentou que os problemas da UEB são devidos à sua organização estatutária e
que, em sua opinião, era chegada a hora de se fazer as modificações necessárias, e apresentou
a seguinte proposta: 1) reforma dos Estatutos; 2) eleição de uma comissão para organizar
os novos Estatutos e zelar pelos interesses da UEB até a aprovação dos novos Estatutos
pelo Conselho Diretor e eleição de nova diretoria. Para compor a comissão, Borba indicou o
general Heitor Augusto Borges, presidente da FBET, o capitão de Fragata Nelson Simas de
Souza, presidente da FBEM, e o primeiro-tenente Hugo Bethlem, presidente da Federação
Carioca de Escoteiros; por proposta de Benjamin Sodré, foram incluídos na comissão os
nomes de Gelmirez de Mello, comissário técnico da FBEM, e Mário França, diretor técnico
da FBET. Ao final da reunião, por proposta das federações mineira, carioca, do Espírito Santo
e da FBET, apoiada pela FBEM, foi concedido o Tapir de Prata ao major doutor Bonifácio
Borba198. Em sua primeira reunião, realizada em 30 de outubro de 1939, a comissão elegeu
para seu presidente e vice-presidente, respectivamente, o general Heitor Augusto Borges e
o primeiro-tenente Hugo Bethlem.
O censo de 1939 indica a existência de 10.689 escoteiros no Brasil199.

1940

Em 8 de março de 1940, o governo brasileiro, através do Decreto-Lei nº 2.072,


organizou uma instituição nacional denominada “Juventude Brasileira”, cujo propósito era
executar um programa de educação moral, cívica e física, obrigatório em todas as escolas,
sem fazer menção ao Movimento Escoteiro, fato este que gerou preocupações na UEB. Na
verdade, a UEB tomou conhecimento do teor do Decreto-Lei antes de sua publicação porque
o chefe Gelmirez de Mello, então comissário técnico da FBEM, escrevera ao presidente
da República sobre auxílios prometidos ao Escotismo do mar, recebendo a notícia da
criação da “Juventude Brasileira” pelo ministro de Educação, encarregado de atendê-lo, na
véspera da publicação do Decreto. O Conselho Diretor da UEB foi convocado para tomar
conhecimento e deliberar sobre o fato, e decidiu enviar os chefes Gelmirez de Mello e José
de Araújo à audiência com o ministro da Educação, em 15 de março de 1940, “para estudar
o estabelecimento de colaboração do Movimento Escoteiro com a Juventude Brasileira”.
Gelmirez e Araújo lembraram ao ministro “que a UEB é organização reconhecida por
Decreto Federal e que orienta e fiscaliza o Movimento Escoteiro do Brasil”, apresentaram
“a possibilidade de o senhor ministro chamar a UEB para perto de si e encarregá-la de
regulamentar e executar o Decreto em apreço”. O ministro “declarou que espera que a
‘Juventude Brasileira’ não seja feita em moldes italianos, alemães ou fundo militarista ou
político”, e “reconheceu que o povo está simpático ao Escotismo, e que o prefere abertamente
a outros métodos quaisquer”, e “aceitou com muita simpatia a possibilidade de chamar a

160
UEB para perto de si e atribuir-lhe a missão de regulamentar e executar o Decreto-Lei 2.072
de 8 de março de 1940”; também “prometeu sugerir ao presidente da República a fórmula
de fazer a ‘Juventude Brasileira’ através do Escotismo, aproveitando-lhe a organização, os
valores e os métodos”200. Como resultado desse esforço, que contou com o apoio posterior
do professor Ignácio M. Azevedo do Amaral na redação de novo Decreto-Lei, a UEB foi
incorporada à “Juventude Brasileira” através do Decreto-Lei nº 2.310, de 14 de junho de
1940, porém ficou autorizada a manter sua própria organização, ou seja, a UEB não sofreu
nenhum efeito prático. O teor do Decreto-Lei 2.310, de 14 de junho de 1940 era:

O presidente da República, tendo em mira a proposta feita ao ministro da Educação pela


União dos Escoteiros do Brasil, no sentido de ser esta instituição incorporada à Juventude
Brasileira decreta:

Art. 1º - Fica incorporada à Juventude Brasileira a União dos Escoteiros do Brasil.

Art. 2º - É autorizada a União dos Escoteiros do Brasil a manter a sua própria organização,
nos termos dos seus estatutos a serem aprovados por Decreto do presidente da República.

Art. 3º - Serão baixadas na forma do artigo 27 do Decreto-Lei n. 2.072 de 8 de março de


1940, as necessárias instruções para a conveniente incorporação da União dos Escoteiros do
Brasil à Juventude Brasileira.

Art. 4º - Este Decreto-Lei entrará em vigor na data de sua publicação.

Art. 5º - Revogam-se as disposições em contrário.


Rio de Janeiro, 14 de junho de 1940 – 119º da Independência e 52º da República.

Getúlio Vargas – Gustavo Capanema

Em 21 de agosto de 1940, o Conselho Diretor da UEB reuniu-se, extraordinariamente,


para tratar da seguinte agenda: tomar conhecimento dos trabalhos da Comissão encarregada
de zelar pelos interesses da União dos Escoteiros do Brasil, aprovar seus novos Estatutos,
eleger nova diretoria com mandato até 1942, e assuntos gerais. Os Estatutos foram
aprovados e foi eleita a nova diretoria, composta por: presidente: general Heitor Augusto
Borges; secretário geral, David Mesquita de Barros; tesoureiro, Henrique Danemberg;
secretário de Publicidade, José de Araújo Filho; secretário internacional, doutor Mario
França. Compunham ainda a diretoria, de acordo com os novos Estatutos, os comissários
técnicos da FBEM, Gelmirez de Mello, e da FBET, capitão Hugo Bethlem201.
A incorporação simbólica da UEB à “Juventude Brasileira” foi efetivada na tarde do
dia 7 de setembro de 1940, no Estádio do Vasco da Gama. Com a presença de cerca de 40 mil

161
alunos das escolas públicas do Distrito Federal e de 1.300 escoteiros de diversas federações,
após discurso do presidente da República e de programa orfeônico dirigido pelo maestro
Vila Lobos, foi iniciada a cerimônia de incorporação com a leitura do Decreto-Lei 2.310,
de 14 de junho de 1940, pelo vice-presidente da CBET, major Ignácio de Freitas Rolim. A
seguir, falou o presidente da UEB e da CBET, general Heitor Augusto Borges:

Exmo Sr presidente, o ato de V. Excia., incorporando a União dos Escoteiros do


Brasil à Juventude Brasileira, sem que perdesse sua personalidade jurídica e seu feitio
e organização próprias, foi de invulgar felicidade. Sendo um método de educação
extra-escolar, de grande valor e extraordinário poder de atração, ampliará o plano
educativo do Governo formando as gerações presentes e futuras, dignas de nossas
heroicas tradições, continuadoras de nosso trabalho, garantia de nosso progresso e
segurança.... Em nome da União dos Escoteiros do Brasil, sr presidente, apresento
nossos agradecimentos. Permita que lhe tributemos, como preito de gratidão, a mais
honorífica de nossas condecorações, modestíssima para o destaque de sua pessoa, mas
de inestimável valor para nossas tradições escoteiras, o Tapir de Prata.

Agradecendo a concessão do Tapir de Prata, o chefe da nação, doutor Getúlio Vargas


disse que o fazia duplamente, por ser entregue no Dia da Pátria, e por vir dos escoteiros do
Brasil, organização que tinha sua simpatia e apoio. A seguir, o comissário técnico da CBET,
capitão Hugo Bethlem, dirigiu a renovação da Promessa Escoteira, solenemente prestada ao
chefe da nação. A cerimônia foi encerrada com o hino nacional e o desfile dos escoteiros até
a Quinta da Boa Vista202.
Nota: No final dos anos 30, surgiu, no âmbito do governo federal, o projeto de criação
de uma organização da juventude. Inicialmente, a Organização Nacional da Juventude seria
uma instituição de âmbito nacional e caráter paramilitar, nos moldes das organizações
similares então existentes nos países fascistas. O projeto determinava ainda que todas as
instituições de educação cívica, moral e física existentes no país deveriam se incorporar e
subordinar à organização, que dessa forma já nasceria com grande potencial mobilizador.
Entretanto, este projeto foi combatido no interior do próprio governo. O ministro da
Guerra, general Eurico Dutra, por exemplo, contrariado com o caráter paramilitar previsto
para a organização, denunciou a inspiração externa do projeto, estranha às tradições do
Brasil. O projeto foi sucessivamente reformulado, absorvendo contribuições decisivas de
Gustavo Capanema , ministro da Educação. Na versão final, a organização desfez-se de
qualquer traço que a fizesse parecer uma milícia, mantendo-se apenas como um movimento
de caráter cívico, voltado para o culto dos símbolos nacionais. Foi com essas características
que foi criado, em março de 1940, o movimento da “Juventude Brasileira”. Contudo, com a
entrada do Brasil na guerra, ao lado dos países aliados, a “Juventude Brasileira” se esvaziou
definitivamente. Em agosto de 1945, pouco antes da queda do Estado Novo, um decreto-lei
extinguiu o quadro de funcionários da organização, que dessa forma deixou de existir.

162
Resolvido o problema da “Juventude Brasileira” e assegurada a sobrevivência e
individualidade da UEB, a comissão voltou-se ao estudo dos Estatutos. O general Heitor
Borges queria aproveitar a ocasião para a unificação da UEB, fazendo desaparecer as
entidades autônomas e tornando a UEB a única entidade dirigente do movimento. Diversas
reuniões foram realizadas, propostas foram analisadas, mas a comissão não conseguiu chegar
a um acordo em relação à integração integral da administração e técnica do Escotismo
nacional, fracassando também conversações mantidas pelo capitão Hugo Bethlem com a
Federação das Bandeirantes do Brasil visando à incorporação da FBB à UEB. Como a UEB
necessitava submeter seus Estatutos ao presidente da República nos termos do Decreto-lei
número 2.310, de 14 de junho de 1940, decidiu a comissão, em função de não se chegar a
acordo quanto à unificação, manter o Estatuto inicial com pequenas alterações e enviá-lo ao
governo203.
Em setembro de 1940, o estádio situado na rua Presidente Backer, em Niterói,
adquirido pelo Estado do Rio de Janeiro e destinado ao preparo cívico da juventude através
de desportos educativos, é denominado “Estádio Caio Martins” por decreto do interventor
federal, comandante Amaral Peixoto204.
Em 29 de outubro de 1940, foi eleita a primeira diretoria da Federação Paulista de
Escoteiros congregando todas as entidades escoteiras do Estado do São Paulo. A FPE foi
fundada pelo Departamento de Educação Física do Estado de São Paulo. A diretoria era
composta por: presidente, capitão Silvio de Magalhães Padilha; vice-presidente, doutor
Leo Ribeiro de Morais; primeiro secretário, professor Manoel Vieira de Andrade; segundo
secretário, professor Augusto Ribeiro de Carvalho; secretário de Publicidade, doutor Melo
Nogueira; primeiro tesoureiro, doutor Pachoal Pachi; segundo tesoureiro, doutor Mario
Castanho Ragio205,206.
A UEB instala-se no prédio do Ministério da Educação, na rua Álvaro Alvim, 21, 20º
andar, no Rio de Janeiro207.

1941

Em janeiro de 1941, foi organizada pelo Fluminense Yacht Club (atual Iate Clube
do Rio de Janeiro), uma regata entre a Guanabara e a ilha Grande, percurso de ida e volta,
a maior até então organizada no Brasil. Os escoteiros do mar participaram da prova, na
classe B, com a embarcação Corsário, e na classe C, para escaleres de alto mar, com o Carelli,
patroado pelo chefe Gelmirez de Mello, e o Tamoio, patroado por Sodré Junior. A largada
foi dada no dia 4 de janeiro e, no dia 7, os jornais vespertinos do Rio de Janeiro anunciaram
o desaparecimento do Carelli e seus 12 tripulantes. Busca aérea efetuada não encontrou
sinais da embarcação. Entretanto, na tarde do mesmo dia, o Carelli chegou velejando
tranquilamente à enseada de Botafogo. Seu comandante esclareceu que na chegada à ilha
Grande caiu forte chuva e ele, temeroso pela saúde dos rapazes, abandonou a prova, que
liderava, e arribou na enseada do Abraão, onde acantonou e passou telegrama ao Rio de

163
Janeiro. No dia 5, decidiu aproveitar a estada na ilha Grande e enviou novo telegrama, que
também não chegou a tempo. Por motivos não explicados pelas autoridades, os telegramas
levaram três dias para chegar ao Rio de Janeiro. O retorno foi iniciado na madrugada do dia
7, chegando a Botafogo às 15 horas do mesmo dia208,209.
É publicada, em janeiro de 1941, de autoria de Francisco Floriano de Paula, a
primeira edição do manual Para ser Escoteiro, editado nas oficinas da Folha de Minas em
Belo Horizonte/MG; foram publicadas mais duas edições, em 1953 e 1957. Tal manual
deu origem aos manuais Para Ser Escoteiro Noviço, Para Ser Escoteiro de 2ª Classe e Para Ser
Escoteiro de 1ª Classe que permaneceram em uso durante décadas.
Nos meses de janeiro e fevereiro de 1941, a CBET realizou uma excursão chamada
de “Excursão de Brasilidade ao Sul do Brasil”, do Rio de Janeiro até Uruguaiana, no Rio
Grande do Sul, com participação de escoteiros do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de
Janeiro, Distrito Federal, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul210. A
viagem foi integralmente patrocinada pelo governo Vargas, não havendo cotas nem para
os escoteiros nem para os adultos. A delegação, com cerca de 150 pessoas, foi chefiada pelo
major Inácio de Freitas Rolim, vice-presidente da FBET, tendo o capitão Emmanuel de
Morais na chefia técnica, o professor Joaquim do Couto como secretário, o doutor João
Ribeiro dos Santos211 como médico, Rui Guedes Melo como cinematografista, e o professor
Urajá Dias Nogueira como encarregado do comboio. A delegação mineira tinha os chefes
Francisco Floriano de Paula, Zoir P. Gavião e João Batista de Souza, com 15 escoteiros e um
lobinho; a delegação do Espírito Santo era chefiada por Eduardo de Andrade Sila e Afrodísio
Pereira de Souza, com 12 escoteiros; a delegação do Estado do Rio, com Joaquim do Couto,
José Carlos Peixoto e oito escoteiros; a delegação do Distrito Federal com Gabriel Skinner,
Aristides Gomes Pereira e Ernesto Tavares de Souza e 33 escoteiros; e a delegação paulista
com Carmine Espósito e Egberto Maia Luz e 17 escoteiros; Paraná e Santa Catarina com
Newton Guimarães, Ângelo Patituci e Edgar Atílio B. Ribas e 22 escoteiros. O comboio foi
constituído por uma caminhonete, dois caminhões a gasogênio e seis caminhões do Exército,
a gasolina, com nove motoristas, dois mecânicos e um bagageiro. Durante a viagem os
escoteiros visitaram locais de interesse histórico, cultural e recreativo, fábricas, indústrias,
minas, redações de jornais etc., com escalas nas cidades de Lorena, Jacareí, São Paulo, Capão
Bonito, Ribeira, Curitiba, Joinville, Blumenau, Florianópolis, Harmonia, Rio do Sul, Lages,
Caxias e Porto Alegre. Da capital gaúcha, foram de trem para Santa Maria, Livramento e
Uruguaiana, última etapa da excursão. Após retorno a Porto Alegre, voltaram ao Rio de
Janeiro em navio, com escala em Santos. Os escoteiros eram citados como “Escoteiros da
Juventude Brasileira”, à qual a UEB tinha sido recém-incorporada212.

164
O major Rolim, chefe da delegação.

Parte da delegação, em São Paulo.

Celebrado acordo com as Bandeirantes no sentido de que a UEB passaria para a FBB
as companhias de bandeirantes sob sua direção e, em troca, a FBB passaria para a UEB as
alcateias que mantinha. A FBB, entretanto, não cumpriu sua parte no acordo213.
A sede da UEB passa a ser na rua Álvaro Alvim, 31, 20º andar, sala 2001. No mesmo
andar, funcionam a CBET, a FCE, a redação da revista AJURI e a Cantina Escoteira214.

165
A FBEM realizou o primeiro curso para mestres pioneiros do Brasil. Foi o seu
14º Curso da Escola de Chefes, o primeiro dedicado exclusivamente a mestres pioneiros.
Concluíram o curso os alunos João Mós, Walter Fonseca, Rubens Mendes Fonseca, Siluá
Ferreira da Silva, Hermano Monteiro Fonseca, Ramon Llort, Anselmo Pires, Isnard Penha
Brasil, Fábio de Alcântara, Geraldo Hugo Nunes e Amauri Pinto Ribas215.

1942

Em 9 de fevereiro de 1942, é concedida pela UEB a Medalha de Valor, grau ouro,


aos escoteiros da Tropa “Henrique Dias”, de Santa Maria, por atos de heroísmo durante as
enchentes no Rio Grande do Sul216.
Surgimento dos escoteiros ferroviários: em 6 de abril de 1942, em reunião do
Conselho Diretor da UEB, foram lidos os pareceres apresentados por Benjamin Sodré e
Gelmirez de Mello sobre a criação dos Escoteiros Ferroviários da Estrada de Ferro Central
do Brasil que seriam apresentados ao diretor dessa via férrea, major Alencastro Guimarães.
Foi aprovado o nome de “Associação Geral dos Escoteiros Ferroviários”, que seria dirigida
administrativamente pela Estrada de Ferro Central do Brasil e constituída de quatro regiões
instaladas no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, subordinados às
federações estaduais217. Em nova reunião, realizada em 25 de junho, é lida a portaria do
presidente da EFCB criando o Escotismo naquela instituição; o documento é aprovado pelo
CD da UEB e é aprovado o plano de um informe da nova instituição218.
Em fevereiro de 1942, submarinos alemães e italianos iniciaram o torpedeamento
de embarcações brasileiras no oceano Atlântico em represália à adesão do Brasil aos
compromissos da Carta do Atlântico (que previa o alinhamento automático com qualquer
nação do continente americano que fosse atacada por uma potência extracontinental), o
que tornava sua neutralidade apenas teórica. Devido à pressão popular, após meses de
torpedeamento de navios mercantes brasileiros, finalmente o Brasil declarou guerra à
Alemanha nazista e à Itália fascista, em agosto de 1942. Efeito da II Guerra Mundial sobre
o Escotismo brasileiro: o comissário técnico de mar comunicou que o Ministério da Marinha
estava em entendimentos com a FBEM para a organização de postos de vigilância da costa
com os escoteiros do mar. Comentou ainda sobre a possível reorganização do Tiro Naval em
todo o Brasil e a possibilidade de haver, junto de cada um deles, uma tropa de mar. Teceu
também comentários sobre os chefes que estão sendo convocados e a possibilidade de eles
ficarem em serviço próximos às suas tropas, em função do que poderia uma tropa fazer em
situações de emergência assim como de não descurar do preparo da juventude durante o
esforço de guerra219.
Em 24 de agosto de 1942, o Conselho Diretor da UEB aprova a seguinte resolução:

A União dos Escoteiros do Brasil, tomando em consideração o estado de beligerância


declarado pelo Brasil em relação aos países do eixo resolve determinar a inatividade

166
de todos os chefes, pioneiros, escoteiros e lobinhos nascidos nos referidos países ou
descendentes dos seus naturais em primeiro grau.

Resolve também enviar telegrama ao presidente da República, Getúlio Vargas, com


o seguinte teor:

Tenho a honra comunicar a V. Ex. que a União dos Escoteiros do Brasil, confirmando
deliberação já transmitida em janeiro do corrente ano, põe à disposição Governo
todas as tropas escoteiras, terra, mar e ar que estão prontas prestar serviços seu
alcance defesa nossa integridade em face estado beligerância declarado pelo Brasil.
Reafirmando nosso irrestrito apoio a ação [Link]. ao revidar o traiçoeiro e desumano
atentado pirataria nazifascista estamos certos juventude escoteira saberá colaborar
modo profícuo ingente obra que circunstância impõe a todas energias da Nação.
Sempre Alerta. (a) Gen. Heitor Borges220.

Na mesma data, Gelmirez de Mello questionou sobre os chefes de origem estrangeira


que “sejam brasileiros de boa têmpera, de civismo sobejamente demonstrado e alguns
mesmo oficiais de nossas forças armadas”, ao que o presidente, general Heitor Borges,
afirmou que “todos estes casos devem ser trazidos à UEB e a Conselho Diretor, em cada
caso isolado dará a solução adequada”221. Em 31 de agosto, o comissário técnico de mar,
Gelmirez de Mello, expôs a situação de três escotistas de origem estrangeira – Rodolfo
Berghojj, mestre pioneiro na Associação dos Escoteiros do Mar Tamandaré; Tassilo Anibal
Eichbauer, mestre pioneiro da Associação de Escoteiros do Mar Greenhalgh; e Eugenio
Pelerando, comissário regional do Espírito Santo –, tecendo comentários sobre cada um
deles, afirmando ter absoluta confiança no patriotismo sadio desses três brasileiros e, sob sua
responsabilidade, propor que nos três casos seja reconsiderada a decisão de 24 de agosto. A
proposta foi aprovada pelo Conselho Diretor222.
Reiniciadas, em 6 de setembro de 1942, as atividades de Escotismo no Fluminense
Foot-Ball Club, sob direção do doutor João Ribeiro dos Santos223,224,225,226.
A Semana da Pátria é comemorada com um grande acampamento entre 4 e 7 de
setembro, na Quinta da Boa Vista, com participação de 1.232 escoteiros da terra, incluindo
250 escoteiros ferroviários recém-criados; 300 escoteiros do mar, além de escoteiros do ar
compareceram durante o dia 5, e nos demais fizeram atividades específicas de seus setores de
atividade. Na noite do dia 5, foi realizado um fogo de conselho no campo de São Cristovão,
simbolizado a mobilização total do Escotismo, homenagem aos velhos escotistas e aos 21
anos da FBEM, para o qual foram convocados todos os que já tinham atuado no movimento
sob o lema “Uma vez escoteiro, sempre escoteiro!”. Na manhã do dia 7, alvorada festiva,
hasteamento solene da Bandeira Nacional e deslocamento para assistir à parada militar227.
Dentre as autoridades que compareceram ao fogo de conselho encontravam-se: Eurico
Gaspar Dutra, ministro da Guerra; Ignácio M. Azevedo do Amaral, diretor da Escola

167
Nacional de Engenharia; general Cesar Obino, comandante da A.D./1; general Raimundo
Sampaio, diretor de Engenharia; general José Meira de Vasconcellos, presidente do Clube
Militar; Alexandre Marcondes Filho, ministro do Trabalho, Indústria e Comércio; Salgado
Filho, ministro da Aeronáutica, e cônego Olímpio de Melo, ministro do Tribunal de Contas
do DF.
Escoteiros e chefes, liderados pelo major Ignácio Rolim, assim como pioneiros de
mar, auxiliando em cargos voluntários, participaram dos exercícios de black-out228.
O então tenente José de Araújo Filho comunicou que o presidente da República
emitiu Decreto considerando os escoteiros do mar que cumprissem determinados requisitos
como dentro da Reserva Naval229.
Realizada, em 12 de outubro, sessão solene do Conselho Diretor da UEB juntamente
com a Diretoria da Liga de Defesa Nacional.
Em reunião do Conselho Diretor da UEB, realizada em 26 de outubro de 1942, o então
presidente, general Heitor Augusto Borges, se despede, em virtude de sua transferência
para Recife, e informa que indicou os nomes do general José Pessoa para presidente, e do
major Napoleão de Alencastro Guimarães, para vice-presidente, na entrevista que teve com
o presidente da República230.
Em 28 de outubro de 1942, a UEB aceita a filiação da 1st Rio Baden Powell Boy
Scouts, fundada em 1916, com o nome de Associação de Escoteiros do Ar General Baden-
Powell231.
Realizado, em 31 de outubro de 1942, jantar em homenagem ao presidente da UEB,
general Heitor Augusto Borges, por motivo de sua partida para o Nordeste, onde iria
comandar uma divisão recentemente criada com sede em Recife. Na ocasião, foi-lhe entregue
a Medalha Tiradentes232.
A FBEM informa a volta à atividade de escoteiros do mar filhos de súditos do Eixo233.
Realizada, nos dias 21 e 22 de novembro, regata à vela de ida e volta montando a ilha
de Paquetá; participaram 21 navios, sendo vencedora a embarcação São Paulo, da Associação
Visconde de Inhaúma, com tempo recorde de 9 horas e 29 minutos.
Os escoteiros Heinz Otto Zech, Rolf George Brandt, Guenter Arno Brandt, Adolfo
Thiales, Eduardo Fang e Maufredo Leipziger, descendentes de naturais do Eixo e militantes
no Escotismo do mar na Comissão Regional do Estado do Rio, têm sua inatividade
reconsiderada após processo dessa comissão e parecer de Gelmirez de Mello, CT da FBEM234.
Em dezembro de 1942, a FBEM publica o Plano geral de uniformes, em três capítulos:
Uniformes, Distintivos e Bandeiras e Pavilhões235.

1943

Oficialmente, o general Heitor Borges ainda era o presidente até 5 de janeiro de


1943, quando renunciou, por telegrama, oficialmente, ao cargo. Em 19 de janeiro, a comissão
designada para avistar-se com o general José Pessoa informou que este, apesar de manifestar

168
grande apreço pelo Escotismo, pediu alguns dias para sondar sobre sua situação profissional,
posto que acreditava vir a ser transferido em breve do Rio de Janeiro. Em 16 de fevereiro,
o general José Pessoa informou que não poderia aceitar o convite; o Conselho Diretor
decidiu solicitar audiência ao major Alencastro Guimarães, então presidente da Estrada de
Ferro Central do Brasil, para convidá-lo a ser o presidente do CD da UEB. Eleito, em 1º
de março de 1943, para fim de mandato, por aclamação, para presidente da UEB, o major
Napoleão Alencastro Guimarães236. A diretoria era complementada pelo engenheiro José
Moacyr de Andrade Sobrinho, diretor-secretário; Henrique Danemberg, diretor tesoureiro;
tenente José de Araújo Filho, diretor de Propaganda; professor Gabriel Skinner, comissário
internacional; capitão de fragata Benjamin Sodré, comissário técnico; Gelmirez de Mello,
comissário de mar; tenente coronel Godofredo Vidal, comissário de ar; professor Boaventura
Cunha, comissário de terra237.
Em 6 de abril, são aprovados os novos Estatutos da UEB e é reeleita, por aclamação,
a diretoria da UEB para o biênio 1943/1945238.
O presidente da UEB, major Napoleão de Alencastro Guimarães, falou aos escoteiros
do Brasil em duas oportunidades por intermédio da estação de ondas curtas da Rádio
Nacional. Na primeira vez, lançando a campanha da borracha usada, e na segunda, fazendo
um apelo a todo o Brasil a favor da criação e amparo de tropas de escoteiros com a finalidade
de preparar o cidadão de amanhã pela escola de caráter que é o Escotismo, cujo teor foi o
seguinte239:

A transformação por que passa o Brasil, nesta fase histórica de sua vida, exige o
esforço máximo de todos nós.

Para que seja atendido o Brasil em sua marcha de progresso, são precisos especialistas
capazes de enquadrar as suas atividades num ritmo de aceleração, metódico e
sistemático.

A preparação desses quadros é, antes de mais nada, moral.

É preciso que exista um espírito público capaz de absorver os choques das lutas
individuais, transformando-as em força propulsora das atividades de interesse geral.

A formação moral da juventude brasileira alicerçará o futuro do Brasil. Assim tem


entendido o presidente Vargas, inspirando pela palavra e pela ação, a fé no Brasil, o
que deve ser um sentimento constante em todos os corações brasileiros.

O Escotismo é um movimento que, por sua natureza e fins, responde a certos aspectos
da formação do caráter da juventude.

169
Pondo os sentimentos que nobilitam o homem, como seu código de viver, orienta os
jovens num ato sentido de dignidade humana.

Focaliza, sobretudo, que a idéia dos deveres que só tema cumprir, procede a dos
direitos que se podem exigir.

O seu desenvolvimento tem sido lento, pois, causas materiais entravam e dificultam o
estabelecimento e a vida das organizações de escoteiros.

A exemplo do que fez a Central do Brasil, que mantém com êxito, anexas a seus
serviços, 22 associações escoteiras com 3.167 escoteiros, justifica o apelo caloroso que
ora faço, em nome da União dos Escoteiros do Brasil, a todos os Chefes de Indústria,
de organizações comerciais, agrícolas, etc., no sentido de cooperarem na causa que
abraçamos.

Que cada fábrica, cada mina, cada empresa comercial, organize uma tropa escoteira,
por menor que seja, e a mantenha, com os pequenos recursos que requer para viver.

Fazendo isso, terá cumprido um precípuo dever para com o Brasil, cooperando, com
algum esforço, para a preparação das gerações futuras, nessa grandiosa obra de
brasilidade.

ALERTA!

Em reunião do Conselho Diretor da UEB, realizada em 5 de outubro de 1943, é


registrado o envio de carta datada de 21 de setembro de 1943, do comandante Benjamin
Sodré ao presidente da UEB, major Napoleão de Alencastro Guimarães, “fazendo-lhe apelo
caloroso e amigo no sentido de que comparecesse à esta reunião”. O presidente até então
não participara de nenhuma reunião do Conselho Diretor da UEB. Na mesma reunião, é
lida carta do presidente, na qual, “com muita sutileza e elegância, depois de confessar ser
impossível exercer consenciosamente o cargo de presidente da União dos Escoteiros do
Brasil, pede-lhe transmitir aos dirigentes do Escotismo Brasileiro a sua renúncia a este
cargo em caráter de irrevogabilidade”. A diretoria decide não aceitar a renúncia e solicitar
audiência ao major Napoleão de Alencastro Guimarães240. Daí até o dia 13 de dezembro,
não são registradas atas de reunião. Em 13 de dezembro, a reunião do CD conta com a
visita do general Heitor Borges que, convidado a reassumir a Presidência, pede prazo até
janeiro, aceitando, entretanto, presidir os trabalhos enquanto estiver no Rio de Janeiro241.
Nos meses seguintes, o cargo de presidente da UEB fica vago. Benjamin Sodré viaja para
cumprir missão profissional no exterior com duração prevista de dois anos.

170
1944

Em 6 de março de 1944, o general Heitor Augusto Borges é eleito para presidente da


UEB, em substituição ao major Napoleão de Alencastro Guimarães, que renunciou ao cargo
sem ter participado sequer de uma reunião do Conselho Diretor242. O novo presidente tomou
posse no dia 3 de maio de 1944243.
Fundada, em 19 de abril de 1944, a Federação Brasileira de Escoteiros do Ar,
que constituiu o Departamento Técnico-Administrativo dos Escoteiros do Ar da União
dos Escoteiros do Brasil. Sua primeira Comissão Executiva Central era composta por:
presidente, brigadeiro Raul Viana Bandeira; secretário geral, José Garcia de Souza; diretor
de Finanças, doutor Benedito Manhães Barreto; diretor de Propaganda, coronel aviador
Lysias Augusto Rodrigues; comissário técnico geral, tenente-coronel Jussaro Fausto de
Souza; comissário de pioneiros, major aviador Ricardo Nicoll; comissário de escoteiros,
major médico Euclydes S. Moreira; comissário de lobinhos, capitão aviador Décio Mesquita
de Moura Ferreira. Como comissário nacional, tenente-coronel aviador Godofredo Vidal244.
Foram consideradas fundadoras da FBEAr as seguintes associações escoteiras: em Curitiba,
Tenente Ricardo Kirk e Juventus; no Rio de Janeiro, Baden-Powell, Riachuelo T.C., Vasco da
Gama, Mal. Bento Ribeiro, Panair; em Niterói, Augusto Severo; em São Paulo, Ícaro, Clube
Atlético Ipiranga; em Porto Alegre, Bartolomeu de Gusmão; em Recife, Santos Dumont;
no Pará, Júlio César; em São Luís, Associação Maranhense de Escoteiros do Ar; em Belo
Horizonte, Santos Dumont245.
Realizado, em 22 de abril de 1944, o “Grande Jogo da Cidade”, com participação de
17 tropas escoteiras246.
Em reunião do Conselho Diretor da UEB, realizada em 14 de maio de 1944, o
general Heitor Augusto Borges, presidente da UEB, abordou o assunto da organização do
Movimento Escoteiro no Brasil; que ao chegar ao

Brasil não havia ligação entre os diversos núcleos que o constituíam e assim surgiram
várias associações, todas divorciadas. Para que houvesse uma entidade filiada ao
Bureau Mundial foi fundada a União dos Escoteiros do Brasil que chamou a si a
representação do escotismo nacional. Voltando agora à Presidência da UEB encontra
o escotismo em crise, com movimento indisciplinado nos Estados... chega o momento
para a unificação geral do escotismo no Brasil... solicita ao doutor João Ribeiro dos
Santos a leitura do projeto da nova organização da UEB.

O comissário técnico da Federação Brasileira de Escoteiros do Ar “acha que o assunto


em questão é uma obra tão grande que deveríamos levar o caso além do Conselho Diretor...
e que essa nova organização deveria ser tratada num Congresso Escoteiro”. Após debates, o
Conselho Diretor entendeu ter autonomia para modificar os Estatutos da UEB e criou uma

171
comissão, composta pelo presidente Heitor Borges, pelo coronel aviador Lysias Augusto
Rodrigues (diretor de Propaganda da FBEAr), tenente José de Araújo Filho (diretor de
Propaganda da UEB), doutor João Ribeiro dos Santos (comissário adjunto da FBET), para
estudar a redação final dos Estatutos da União dos Escoteiros do Brasil, e apresentá-los ao
governo da República247. Na reunião seguinte, de 18 de maio de 1944, são feitas algumas
retificações na ata anterior, sendo incluído o texto:

Foi discutido e aprovado unanimemente a nova estruturação do escotismo nacional


constante do projeto apresentado pelo general Heitor Augusto Borges, sendo
designada uma comissão composta pelo coronel aviador Lysias Augusto Rodrigues,
Diretor de Propaganda da FBEAr, tenente José de Araújo Filho, Diretor de
Propaganda da UEB, doutor João Ribeiro dos Santos, Comissário Adjunto da FBET
para, sob a presidência do Sr General, estudar a redação final dos Estatutos da União
dos Escoteiros do Brasil que serão apresentados ao Governo da República248.

A Diretoria da UEB solicita ao governo a aprovação para convocação de Assembleia


Nacional Escoteira para eleição da nova diretoria e aprovação do Regimento Interno nos
termos dos novos Estatutos. A aprovação é concedida em 25 de setembro. A data foi marcada
para 22 de outubro e, posteriormente, adiada para 12 de novembro. Alguma celeuma sobre
a aplicação dos novos Estatutos já estava surgindo entre as federações em torno do assunto
“unificação” e dos Estatutos recém-elaborados pelo Conselho Diretor. Em reunião de 13
de outubro de 1944, o coronel Godofredo Vidal declara “que o desejo da Federação do Ar...
é o de congraçamento da família escoteira... é preciso que todos colaborem nessa obra de
fraternidade, deixando de lado qualquer resquício de vaidade”. O doutor Andrade Sobrinho
diz que “é sua opinião que esses estatutos, embora sem execução, devem ser o ponto de
partida para os novos trabalhos, cabendo a Assembleia discuti-los, aprovando-se ou não”;
Vidal diz “se os Estatutos não estão em vigor não devemos falar neles” e propõe que seja
criada uma comissão para organizar o Regimento Interno da assembleia, o que foi aprovado,
sendo designados pelo presidente da reunião o coronel Vidal, o doutor João Ribeiro dos
Santos e o tenente José de Araújo249. Na reunião de 20 de outubro, Araújo questiona a
vigência do Estatuto, sendo esclarecido pelo presidente da reunião, J. B. Mello e Souza, que
os Estatutos aprovados em 18 de maio de 1944 estão em vigor, porém o Conselho Diretor,
tendo reconhecido a oposição encontrada em vários meios escoteiros, resolveu suspender
sua aplicação em tudo que contraria a ordem anteriormente existente, submetendo-o à
Assembleia Nacional Escoteira para que a mesma delibere soberanamente sobre o assunto250.
Em 7 de novembro, o Conselho Diretor decidiu adiar mais uma vez a realização da ANE, pois
o Ministério da Educação não havia ainda liberado o crédito para aquisição das passagens
dos representantes estaduais251. Somente em 4 de dezembro o governo liberou o auxílio de
Cr$ 50.000,00 concedidos pelo presidente da República para a ANE.

172
Em 25 de setembro, a UEB recebe convite do coordenador de Negócios Interamericanos
para enviar três escotistas para participar de curso da Boy Scouts of America em Mendham,
New Jersey, sendo indicados José de Araújo Filho, João Ribeiro dos Santos e o padre Jorge
da Silva Porto. O mesmo convite foi feito à Federação Paulista de Escoteiros, que deverá
submeter os nomes à aprovação da UEB.
O general Heitor Augusto Borges, então exercendo deveres profissionais no Paraná,
permanece na Presidência da UEB a distância, manifestando-se através de telegramas e
cartas, sendo a função exercida, interinamente, pelo professor João Batista de Mello e Souza.
Em 2 de outubro de 1944, por proposta do presidente da UEB, general Heitor Borges,
residindo no Paraná, o Conselho Diretor aprovou o desmembramento do Estado de Santa
Catarina da Federação do Paraná, que ficará somente com as associações e tropas escoteiras
com sede naquele estado252.
Em 27 de agosto de 1944, foi instalado, no Horto Florestal da Cantareira, o Campo-
Escola Fernando Costa, da Federação Paulista de Escoteiros, cedido pelo governo do Estado
de São Paulo e palco do primeiro Curso da Insígnia de Madeira da América do Sul, de 9 a 20
de julho de 1949. Posteriormente, em 1966, esse campo-escola foi trocado pelo atual Campo-
Escola do Jaraguá, mediante Lei nº 9.536, assinada pelo governador Laudo Natel253.
Surgimento do ramo sênior no Brasil: durante reunião do Conselho Diretor da
UEB,em 4 de dezembro de 1944, com a presença dos diretores João Batista de Mello e
Souza, presidente em exercício, e dos chefes Gelmirez de Mello, Altino B. de Souza, Homero
de A. Magalhães, José Gorgulho, Geraldo Hugo Nunes, doutor João Ribeiro dos Santos,
Teodorico Castelo e Ernesto Tavares de Souza, o doutor João Ribeiro dos Santos relatou
observações que fez, na função de chefe da Associação Escoteira Guilhermina Guinle,
do Fluminense Foot-Ball Club, e em outras tropas cariocas, sobre as razões que levam o
escoteiro de terra de mais de 15 anos a deixar as tropas, de modo que, enquanto nas tropas
do mar o forte do movimento é de escoteiros de mais de 14 anos, em terra, a quase totalidade
do efetivo tem menos que aquela idade. De conversações com escoteiros antigos e chefes
chegou-se à conclusão que as atividades de terra geralmente oferecidas aos escoteiros não
interessam aos mais velhos por serem demasiado leves quanto ao esforço físico, rotineiras,
pela repetição dos lugares visitados e sem atrativos psicológicos, pela ausência total de
aventura, perigo e ocasiões para usar os conhecimentos técnicos e o espírito de iniciativa.
Desde dezembro de 1943, iniciou em sua tropa uma série de atividades para os escoteiros
maiores, primeiro separando-os só para essas atividades e depois constituindo com eles uma
patrulha dentro da tropa. Verificou, porém: a) que essa patrulha mais forte e tecnicamente
mais capaz entre as patrulhas de escoteiros menores, era, para os maiores, motivo de
desânimo e desinteresse de seus esforços; b) que há profunda diferença de mentalidade
entre maiores e menores de 15 anos; c) que nessa idade, o rapaz carioca e possivelmente em
outras cidades do Brasil termina seus estudos ginasiais, inicia os estudos colegiais, inicia
seu trabalho profissional, tem maiores necessidades monetárias, atinge o climax do período
pubertário, interessa-se pela vida social e amizades femininas, e sente-se enfim, mais adulto

173
que criança, não desejando a companhia dos companheiros menores, atestados vivos de sua
idade. Em face dessas conclusões, de acordo com Baden-Powell, que recomendou darmos
como isca o que o peixe gosta, não o que nós gostamos, resolveu deixar o assunto à livre
discussão dos seus escoteiros maiores. As conclusões a que chegaram sobre a separação dos
maiores, com reuniões em dias separados, organização interna, tipo de atividades previstas,
uniforme e papel do chefe, foram, em sua totalidade, idênticas às que escoteiros maiores
da Associação de Escoteiros do Ar Baden-Powell e da Associação de Escoteiros Católicos
São Pedro de Cascadura chegaram, em reuniões semelhantes. Tudo isto, está também de
acordo com as conclusões que levaram a Boy Scouts of America a criar o ramo de escoteiros
seniors, de terra, mar e ar sendo os de terra os explorer scouts conforme está descrito no World
Book for Boys, páginas 415-416, edição de dezembro de 1941 e vários artigos publicados na
revista Scouting, principalmente o intitulado “O Novo Programa do Explorador” de outubro
de 1944, que foi mostrado na ocasião aos diretores da UEB. Sendo assim, pede o doutor
João Ribeiro dos Santos a permissão da UEB para que as associações escoteiras possam
organizar, em caráter experimental, tropas de escoteiros seniors, sendo que em terra terão
futuramente uma denominação que signifique as atividades características: “exploração
mateira, excursionismo, montanhismo”. Pede também autorização para usar o uniforme
escolhido pelos escoteiros que, por coincidência, é idêntico ao norte-americano para o novo
ramo, conforme se vê na fotografia que mostra. Compromete-se a continuar os estudos e
observações, auxiliado por outros chefes e os próprios escoteiros seniors para que, dentro da
organização escoteira, o Escotismo “seniors” de terra tenha o desenvolvimento que merece e
para ser incluído, no futuro, no Regulamento Técnico da UEB. Após a discussão do assunto,
o senhor presidente pôs o assunto em votação sendo aprovado o pedido do doutor João
Ribeiro dos Santos, por unanimidade254.
A Federação Paulista de Escoteiros designou o chefe Walter de Castro Schlithler
para fazer o curso nos Estados Unidos em companhia de João Ribeiro dos Santos e do padre
Jorge da Silva Porto255.

1945

Em janeiro de 1945, o general Heitor Borges retorna ao Rio de Janeiro em caráter


definitivo e reassume de fato a Presidência da UEB em 16 de janeiro256.
Em fevereiro, em plena II Guerra Mundial, o Departamento de Estado dos EUA
envia um convite aos escoteiros brasileiros para que três jovens participem de um curso, de
janeiro a maio, para profissionais de Escotismo em Mortimer L. Schiff Scout Reservation,
um conceituado centro de treinamento dos Boy Scouts of America em New Jersey, e também
de um intercâmbio que passou por diversos locais do EUA e Canadá a fim de conhecer os
detalhes do funcionamento do Escotismo nesses países. Chefe Walter foi um dos escolhidos
para viver essa oportunidade única representando os escoteiros do Brasil.

174
De 6 a 15 de março de 1945 realiza-se, no auditório do Ministério da Educação,
no Rio de janeiro, a 1ª Assembleia Nacional Escoteira. O objetivo maior dessa grande
reunião era a estruturação mais conveniente do Escotismo nacional. Foram apresentadas,
inicialmente, duas propostas: a) uma única entidade dirigente, na capital da República,
que seria a própria UEB, subdividida em três departamentos técnicos, incumbidos da
supervisão técnica das três modalidades do Escotismo (de terra, de mar e de ar); nos
estados, Distrito Federal e territórios, analogamente, uma entidade única, em cada um,
também subdividida em três departamentos incumbidos da supervisão técnica regional
das três modalidades do escotismo; b) manutenção das federações escoteiras existentes.
Surgiram mais três propostas: c) manter a UEB como entidade máxima, auxiliada pelas três
entidades especializadas, ou seja, a CBET, a FBEM e a FBEAr; nos estados, DF e territórios,
a criação de três comissões especializadas (de terra, mar e ar); nos municípios, a criação de
subcomissões de cada especialidade; d) manter a UEB como entidade máxima, exercendo
sua ação por intermédio das entidades especializadas CBET, a FBEM e a FBEAr, mantida
a situação atual destas; e) um único órgão dirigente do Escotismo nacional e delegações
regionais como entidades únicas dirigentes do Escotismo regional no âmbito dos estados,
DF e territórios; subdelegações municipais, como entidades únicas dirigentes do Escotismo
nos municípios. Após debates, falou o presidente da UEB, general Heitor Augusto Borges,
expondo seu pensamento sobre a unificação do Escotismo nacional que, segundo ele, já se
achava consubstanciada no Estatuto que ele elaborara e que estaria parcialmente em vigor,
acrescentando que aceitaria sugestões desde que não fossem prejudicadas as diretrizes gerais
que coincidem, em muito, com a proposta “a”, posto que nas demais propostas continuaria
havendo a dispersão de esforços. Após debates, as propostas foram resumidas em duas
alternativas: uma única entidade dirigente do Escotismo nacional ou uma diversificação
da direção do Escotismo nos três ramos em que subdividem as especialidades. Colocadas
em votação, a manutenção da autonomia das entidades especializadas recebeu 38 votos, e a
existência de uma entidade única e consequente transformação das entidades especializadas
e autônomas em simples departamentos técnicos da UEB, 25 votos. Como nenhuma das
propostas alcançou dois terços dos votos, permaneceu o impasse. O presidente da UEB,
general Heitor Augusto Borges, considerando que sofrera fragorosa derrota, decidiu
renunciar ao cargo. Dias depois, em nova sessão, o plenário decidiu enviar uma delegação
à residência do ex-presidente para convencê-lo a reconsiderar sua decisão. A missão foi
confiada a J.B. Mello e Souza, Mario Cardim, Afonso Gutierrez, William Atab, brigadeiro
Bandeira e Andrade Sobrinho. Na sessão seguinte, foi criada a comissão para reforma do
Regulamento Técnico da UEB e informado que a missão tivera sucesso, pois o general
decidira, escoteiramente, voltar à direção da UEB. A notícia foi saudada com aclamação dos
presentes. Curiosamente, apesar de retirar sua renúncia, o general não voltou às demais
sessões da assembleia. O Estatuto foi lido, artigo por artigo, até altas horas da madrugada,
e aprovado pelo plenário, mantendo o status quo da UEB. A sétima sessão, no dia 14 de
março, além de assuntos diversos, elegeu a nova diretoria da UEB, composta por: presidente,

175
general Heitor Augusto Borges; vice-presidente, professor João Batista de Mello e Souza;
secretário geral, engenheiro José Moacyr de Andrade Sobrinho; secretário adjunto, Altino
B. de Souza; secretário de Publicidade, doutor Luiz Palmier; tesoureiro, José Monteiro de
Rezende; comissário internacional, coronel Godofredo Vidal.
Em julho de 1945, a revista Vamos ler! publica um interessante artigo sobre o ramo dos
escoteiros seniors. O texto explica os motivos da criação do novo ramo para rapazes entre
15 e 18 anos, apresenta e comenta os pós e os contras, traz um texto do Lorde Summers,
chefe nacional dos escoteiros britânicos, divulga o esquema geral de etapas incluindo o
“Escoteiro da Pátria”, o “Cordão de Mateiro” e seus equivalentes “Distintivo de Marinheiro”
e “Distintivo de Aviação” para, respectivamente, os escoteiros do mar e do ar, explica os
padrões a serem adotados etc. Infelizmente, a revista não informou o autor ou autores do
excelente texto257.
Em 10 de outubro de 1945, a UEB muda-se para a nova sede, a avenida Rio Branco,
108, 3º andar, no Centro do Rio de Janeiro.
Realizado o I Congresso Interamericano no México. Como a UEB não pôde enviar
representante, o general Heitor Borges solicitou que o coronel Nestor Souto de Oliveira,
nosso adido militar naquele país, nos representasse. O pedido foi atendido e o coronel Nestor
enviou farta documentação à UEB258.
Autorizado o envio de 20 libras ao Bureau Internacional, referentes à contribuição
da UEB no ano de 1945259.
O Ministério da Educação disponibilizou a subvenção especial da UEB no valor de
Cr$ 125.000,00260.
A UEB enviou dois ofícios ao presidente da República. O primeiro, de número 67, de
29 de novembro de 1945, aborda a doção do campo-escola. O segundo, número 71, de 5 de
dezembro de 1945, remete o orçamento básico de Cr$ 3.000.000,00 e solicita a publicação
de Decreto-Lei reconhecendo o Escotismo como atividade extraescolar da juventude e
reconhecendo a UEB como entidade máxima do Escotismo nacional, e prevendo créditos
para a realização de seus fins261.

1946

Em 18 de janeiro, a CBET propõe à UEB a criação de uma “Recompensa Escoteira”


que viesse a substituir a antiga Cruz Swástica, que caíra em desuso com a ascensão do
movimento nazista, que se apropriou do símbolo262.
Em 24 de janeiro, é assinado o Decreto-Lei 8.828, que reconhece a UEB como
instituição de educação extraescolar, como órgão máximo do Escotismo brasileiro e com
direito exclusivo ao porte e uso dos uniformes, emblemas, distintivos, insígnias e terminologia
adotados nos seus regimentos e necessários à metodologia escoteira.

176
DECRETO-LEI Nº 8.828, DE 24 DE JANEIRO DE 1946

Dispõe sobre o reconhecimento da União dos Escoteiros do Brasil como instituição destinada
a educação extraescolar.

O presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o artigo 180 da Constituição,
DECRETA

Art. 1º Fica reconhecida a União dos Escoteiros do Brasil no seu caráter de instituição
destinada à educação extraescolar, como órgão máximo de escotismo brasileiro. 

Art. 2º A União dos Escoteiros do Brasil manterá sua organização própria com
direito exclusivo ao porte e uso dos uniformes, emblemas, distintivos, insígnias e
terminologia adotados nos seus regimentos e necessários à metodologia escoteira. 

Art. 3º A União dos Escoteiros do Brasil realizará, mediante acordo,


suas finalidades em cooperação com o Ministério da Educação e Saúde. 

Art. 4º A União dos Escoteiros do Brasil será anualmente concedida no orçamento
geral da República, a subvenção necessária para a satisfação dos seus fins. 

Art. 5º Este Decreto-lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições
em contrário.

Rio de Janeiro, 24 de Janeiro de 1946, 125º da Independência e 58º da República.

JOSÉ LINHARES 
Raul Leitão da Cunha. 

Realiza-se em 1946 a 1ª Conferência Escoteira Interamericana, a primeira regional


no mundo, em Bogotá, Colômbia. Na região europeia, a primeira foi em 1960, na Alemanha. 
O Estatuto da Organização Paulista de Escoteiras, registrado em 10 de julho de
1946, informava que o escotismo feminino surgiu em São Paulo em 29 de novembro de
1914 e que funcionou, desde então, sem órgão centralizador e orientador, se irradiou pelo
Estado de São Paulo e viveu autonomamente, sob os auspícios de organizações escoteiras;
que através do boletim número 1, de 10 de janeiro de 1946, a Federação de Escoteiros
transferiu para a Organização Paulista de Escoteiras (OPE) os núcleos de escoteiras a ela
incorporados ou filiados263.

177
Em 3 de setembro de 1946, a Assembleia Nacional reuniu-se, em caráter extraordinário,
convocada por um terço dos seus membros. A sessão foi aberta pelo vice-presidente da UEB,
J.B. de Mello e Souza, que sugeriu, para direção dos trabalhos, o comandante Benjamin
Sodré, que foi eleito por aclamação, assumiu a direção dos trabalhos e, em seguida, convidou
os presidentes das três entidades nacionais de terra, mar e ar para comporem a mesa. O
secretário da UEB, Andrade Sobrinho, declinou de participar da mesa e informou estar
incumbido de missão especial pelo presidente da UEB, general Heitor Augusto Borges,
ausente, e que este lhe ordenara não entregar os livros de atas e de presença aos participantes
da assembleia. Verificada a presença de 46 delegados foi instaurada a assembleia. O fato
é que o presidente, general Heitor Augusto Borges, eleito no ano anterior, discordando
dos Estatutos aprovados naquela assembleia, não os fizera registrar e passou a hostilizar
os demais membros da diretoria que dele divergiam, insistindo em convocar nova reunião
da assembleia para reanalisar os Estatutos recém- aprovados, em desrespeito à opinião da
maioria. Instalou-se então o dissídio na diretoria. Após acalorados debates, a assembleia
decidiu “declarar findo”264 o mandato da diretoria, em decisão aprovada por 45 votos contra
apenas 5. Eleita nova diretoria com mandato até 1948, composta por: presidente, doutor
Mozart Lago; vice-presidente, professor Mello e Souza; secretário geral, Léo Borges Fortes;
secretário adjunto, Altino B. de Souza; tesoureiro, Antonio Francisco da Costa; secretário
de Publicidade, Décio Mesquita de Moura Ferreira; comissário internacional, coronel
Godofredo Vidal265.
Uma grande provação se abateu sobre os escoteiros do Grupo Manoel da Nóbrega,
do Colégio Anchieta, de Porto Alegre/RS. No dia 27 de dezembro, 16 escoteiros, o chefe
Walter Rudiger e o padre Rambo partiram para o acampamento de férias numa fazenda a
270 km de Porto Alegre. A viagem foi num caminhão. Após oito horas de estrada, chegou-se
à fazenda, montou-se o campo e desfrutou-se de uma maravilhosa atividade até o dia 17 de
janeiro. Na viagem de volta, também de caminhão, nas proximidades de Galópolis, o veículo
derrapou numa curva e capotou. No acidente, faleceram os jovens Walter Dudzig, Fausto
Ribeiro e Ubaldo Miotto. Os feridos foram transportados para Caxias do Sul, a 10 km,
em outro caminhão que parou para prestar ajuda. Durante a viagem, os ilesos prestavam
socorros aos companheiros. No hospital, todos pediam que fossem atendidos primeiramente
os mais gravemente feridos, como João Giudice que fraturou o crânio, Luiz Hyarup, com
fraturas em três costelas e queimaduras, Ernani Pedone, queimado, Ernesto Souza, com
fratura no maxilar e perda de dentes, Luiz Pittas, esfolado e perda de dentes, José Santos,
fratura na perna e queimaduras. O chefe Walter fraturou as apófises das três primeiras
vértebras lombares; João Volcato fraturou a omoplata esquerda e o pulso direito. O presidente
da Federação Rio-Grandense de Escoteiros, doutor Luiz de Alencastro, acompanhado de
outros chefes e dirigentes, deslocou-se para Caxias do Sul para dar assistência aos feridos
e suas famílias, assumindo as despesas hospitalares e médicas, tendo conseguido um apoio
do governador do estado. Os pais dos jovens demonstraram boa compreensão da fatalidade
do desastre e, em nenhum momento fizeram a menor recriminação contra o Movimento

178
Escoteiro ou contra a Tropa Manoel da Nóbrega. Escoteiros brasileiros de todas as partes
do país enviaram condolências. A UEB concedeu a Medalha Tiradentes à Tropa Manoel da
Nóbrega pela nobreza e espírito demonstrados na ocasião do acidente. A condecoração foi
entregue pelo presidente regional, Luiz de Alencastro, no dia 4 de setembro de 1948 e fixada
na bandeira da tropa, que estava nas mãos do jovem João Giudice, um dos participantes da
atividade266.
Em 4 de dezembro de 1946, o presidente Mozart Lago, invocando motivos pessoais e
de ordem política, solicitou licença por tempo indeterminado, que lhe foi concedida, passando
a responder pela presidência o vice-presidente, professor João Batista Mello e Souza267.

1947

Em 24 de fevereiro de 1947, o secretário adjunto Altino B. de Souza solicitou


demissão, ficando o cargo vago. Em 15 de março de 1947, o secretário geral Leo Borges
Fortes transferiu-se para o Mato Grosso, sendo substituído por José Augusto Silveira de
Andrade Junior, que assumiu em 19 de março de 1947268.
Em 1947, de 19 a 26 de julho, foi realizado, no Campo-Escola Nacional de Itatiaia, o
primeiro Curso Nacional de Chefes, organizado pela CBET. O curso foi dirigido por José A.
Silveira de Andrade nos dois primeiros dias e por José Spina nos demais, auxiliados por Hugo
Bethlem, David de Barros e João Mós. Participaram dois alunos do estado do Pará, Pedro
Ferreira Libonati e Wagner Lauro Mendes Vieira; quatro de Pernambuco, Arlindo Ivo da
Costa, João Gabriel Vasconcelos, Hermes de Paula e Silva, Ludovico Ataide Caocerfani; um
do Ceará, Vandemberg Tavares Simões; quatro de São Paulo, Eugen Emil Pfister, Georges
H. de Baere, José Felippe Junior e Ralph Cahmonowitz; três de Minas Gerais, Adelino
Avelino Gonçalves, Jovelino Faustino e José Ventura; oito do Rio Grande do Sul, Vitor
Francisco Schuck, Sidor Antonio Schuh, Gracindo de Carvalho, Lino Augusto von Wrede
Schiefferdecker, Isaac Bauler, Francisco Pillar, Oscar Hilário Werkhouser e Levino Junges;
além de representantes da Bolívia e do Paraguai269,270.

179
Aspectos do I Curso Nacional de Chefes, Itatiaia, 1947.

Realizado, na Holanda, o VI Jamboree Mundial Escoteiro. Não houve participação


brasileira.
São concedidos, pela Diretoria da UEB, os dois primeiros títulos de “Escoteiro
da Pátria” após o início da experiência do ramo sênior, para Willes Marco de Freitas, da
Associação Escoteira Aimoré, de Juiz de Fora/MG, e Pedro da Cunha Pedrosa, da Associação
Escoteira Santa Teresinha, do Rio de Janeiro/DF271.

1948

Realizada a III Assembleia Nacional Escoteira, na Escola de Belas Artes, no Rio de


Janeiro, entre 12 e 17 de abril de 1948. Eleita a nova Diretoria Nacional, composta por:
presidente: professor J.B. de Mello e Souza, Vice-presidente, doutor Luiz Palmier, secretário-
geral, comandante Sósthenes Barbosa, secretário-Adjunto, capitão Aviador Gustavo Borges,
Tesoureiro-Chefe, José Augusto Silveira de Andrade Júnior, secretário de Publicidade,
Major Léo Borges Fortes, comissário Internacional, professor Eduardo Alvares de Azevedo
Macedo.
É instituído o Boletim Informativo da UEB, com o número 1 circulando em maio
de 1948, tendo como diretor responsável Léo Borges Fortes. A partir do número 13, David

180
Mesquita de Barros passaria a dirigir o boletim que, a partir do número 18, se tornaria a
revista Alerta!.
De 4 a 10 de junho de 1948, visitam o Brasil John Skinner Wilson, diretor do Bureau
Internacional, e Salvador Fernandes, secretário geral do Conselho Interamericano de
Escotismo. No dia 4, foram recepcionados no aeroporto por dirigentes e escoteiros; no dia
5, passearam no Corcovado e almoçaram nas Paineiras, visitando algumas tropas e tomando
chá na FBB; no domingo 6, em concentração de escoteiros do mar, terra e ar na ilha de Boa
Viagem e almoço oferecido pela Comissão Regional de Escoteiros do Mar, Wilson recebeu o
Tapir de Prata, e Salvador a Medalha Tiradentes; o jantar foi na residência de Guy Burrowes.
No dia 7, após passeio de automóvel pela Gávea e Floresta da Tijuca, visita ao presidente da
República, ministro da Educação e prefeito do Distrito Federal, jantar em Copacabana com
chefes escoteiros e bandeirantes, no qual Wilson palestrou; dia 8, embarque para São Paulo,
com visita à sede da FPE, Instituto Butantã e fogo de conselho no parque Pedro II; dia 9,
visita ao Campo-Escola Fernando Costa e às sedes das Associações São Paulo e Fernão Dias,
e regresso ao Rio. Dia 10, embarque para Trinidad272. Durante a palestra ministrada por
Wilson no jantar em Copacabana, em resposta a uma das perguntas que lhe foi formulada
sobre o novo ramo senior, Wilson afirmou que:

Seniors não é um novo ramo. Eles foram antes introduzidos na Inglaterra e não
na Escócia, como erradamente se propala. Adotados na Holanda, foram rejeitados
na Dinamarca. Aceitos por uma organização na Suíça, foram condenados por outra
naquele país. Por isso, deve ser deixado à vontade das entidades resolver o caso.
Mas, minha opinião pessoal é que não é lógico guardar os rapazes de uma idade para
outra, para então passá-los de ramo. É isto uma questão de liderança. O bom chefe
procede de acordo com seus monitores e seus escoteiros mais velhos vão tendo mais
responsabilidade e atividades mais fortes, violentas e adequadas, independentemente
do ramo a que pertencerem. Do mesmo modo a chefia criará insígnias e especialidades
adequadas aos jovens de maior idade, sem preocupação de classificá-los em ramos
predeterminados. A objeção mais importante, porém, é que a separação de seniors
em um novo ramo requer mais chefes. Ora, o grito de todos os países é clamando por
chefes e reclamando que não há chefes! Não é possível concordar simultaneamente
com a falta de chefes e a criação de encargos para mais um! De qualquer modo, essas
pequenas diferenças e processos dependem dos próprios costumes e condições dos
diversos países e não quebram absolutamente a unidade do Movimento!273.

Realizado o segundo Curso Nacional de Chefes, no Campo-Escola Nacional de


Itatiaia, entre 15 e 24 de junho de 1948. O curso foi dirigido por Hugo Bethlem, auxiliado
por Luiz Teixeira de Alencastro, Arlindo Ivo da Costa e Tony Franclieu, e contou com
chefes escoteiros de Pernambuco, do Rio Grande do Sul, do Distrito Federal, do Ceará, os
paraguaios Luis Inchansti Nuñes, Julio Oscar Rivas e Soflocles Camacho, e os bolivianos Luiz

181
Rojas Camacho e Luiz Zapata Jara274, 275. Os alunos foram divididos em quatro patrulhas:
Leões, Cão, Andorinhas e Tigres. Merece destaque a escalada ao pico das Agulhas Negras276.

Aspectos do II Curso Nacional de Chefes, Itatiaia, 1948.

Em reunião do Conselho Diretor da UEB, realizada em 31 de agosto de 1948, a


experiência com o ramo sênior sofreu duras críticas. Léo Borges Fortes, apoiado em
declaração de J.S. Wilson quando de sua visita ao Brasil, afirmou que o ramo sênior “nada
resolve no Escotismo e que a Inglaterra não o adota”; Gelmirez de Mello informou que no
Escotismo do mar há estudos para criar o ramo “Escudeiro” entre o escoteiro e o pioneiro,
e que não julga que as calças curtas sejam a causa do problema; Andrade Júnior afirmou
que “os que desejam a calça comprida não conhecem o sistema de patrulhas”; após vários
outros apartes, a diretoria decide solicitar que a Federação Carioca de Escoteiros apresente

182
relatório com os resultados obtidos em suas tropas277. Em 5 de outubro, a UEB recebeu o
ofício 220/48, de 25 de setembro, com as informações solicitadas à CBET sobre os seniors278.
Na reunião de 19 de outubro, Léo Borges Fortes apresentou seu parecer sobre o assunto, no
qual propôs o fim do uso do casquete, que se justificou durante a guerra pela dificuldade de
serem adquiridos os chapéus, bem como a extinção da experiência com os “seniors” até que
a comissão que revê o Regulamento Técnico decida a esse respeito. O fim do casquete foi
aprovado, porém, quanto à experiência com os seniores, Gelmirez de Mello contrapropôs que
fosse mantida a permissão para a continuidade da experiência na Associação Guilhermina
Guinle, sendo secundado por David de Barros, que lembrou que outras associações também
realizam a experiência, propondo que a permissão fosse estendida a elas também; o que foi
aprovado, com a condição de que estas seguissem as diretrizes da comissão de reforma do
Regulamento Técnico279.
Realizada, em 17 de outubro, a prova de eficiência veleira “Volta ao Governador”. A
FBEM reorganizou sua flotilha, que contou com 72 navios, sendo 14 de alto mar, nove de
cruzeiro, 19 exploradores, 12 de patrulha, 15 ligeiros e três auxiliares280.
Encerrando o programa de atividades para 1948, a Comissão Regional dos Escoteiros
do Mar do Estado do Rio de Janeiro realizou, no domingo 26 de dezembro, ao largo da
praia de Icaraí, a prova de Eficiência Interescoteiros, na qual tomaram parte embarcações
guarnecidas exclusivamente por escoteiros do mar entre 11 e 17 anos de idade. A prova, que
se realiza anualmente, constou de manobras a remos e à vela, transmissão de mensagens
por semáforas e regata à vela terminando na enseada de Boa Viagem. Ao final, classificou-se
em primeiro lugar a guarnição do NP-5 Cauré, da Associação Gaviões do Mar, seguida pelo
NC-4 Araribóia, da Associação Barão do Amazonas281.

1949

A FBEAr continua não participando das reuniões da UEB e da elaboração do


Regulamento Técnico Escoteiro. Em reunião de 4 de janeiro de 1949, a Diretoria da UEB
decidiu declarar a FBEAr inativa e dar o prazo de um ano para que fosse reorganizada
e demonstrasse possuir quadros que justificassem sua existência; aprovou ainda que a
comissão do RTE fosse desobrigada de tratar da parte do ar282.
Três representantes do Brasil participam da X Conferência Internacional Escoteira
(CIM), em Edinburgh, na Escócia283.
Censo escoteiro enviado ao BI informou a existência de 2.088 scouters, 2.549 rovers,
15.667 scouts, 1.448 sea scouts, 53 air scouts, 2.668 cheafs, total de 24.473 escoteiros284.
Em reunião da Diretoria da UEB, realizada em 15 de junho, com a presença de
Salvador Fernandes, foi acertada a realização do I CIM no Brasil no mês de julho. Salvador
informou que já dirigira CIMs em Trinidad, Jamaica, Curação, Cuba e México e que esse
seria o primeiro na América do Sul e que esperava a presença de escotistas de outros países285.

183
A UEB recebeu auxílio pecuniário do governo federal, representado pela subvenção
de CR$ 500.000,00. A verba foi aplicada da seguinte forma: a CBET e a FBEM receberam,
cada uma, CR$ 150.000,00, para aplicarem em seus programas; nenhuma verba foi atribuída
à FBEAr, devido esta encontrar-se em dissídio com a UEB. Dos restantes CR$ 200.000,00, a
parte de CR$ 50.000,00 foi creditada à Biblioteca Escoteira Editora e aplicada na publicação
de literatura escoteira. O restante foi aplicado nas despesas da UEB286.
A receita proveniente do quadro de associados foi de apenas CR$ 13.510,00,
considerada irrisória. O quadro de sócios contava com apenas 22 membros. A UEB não
possui sede própria.
Reaparece a revista ALERTA, em que se transformou o antigo “Boletim Informativo”.
Os dois cursos nacionais de chefes realizados em 1947 e 1948 tiveram ótima
repercussão, o que levou a CBET a programar a terceira edição, a ser dirigida por Léo
Borges Fortes, também em Itatiaia. Desta feita, seria exigida dos candidatos a resposta a
um questionário (Parte I do curso) como teste de aptidão para participar do acampamento
(Parte II), previsto para meados de julho de 1949. A circular sobre o curso, enviada a
todas as federações, informava que estavam sendo tomadas providências para que o curso
fosse reconhecido como internacional e concedesse a Insígnia de Madeira, sendo condição
essencial que o candidato possuísse o Curso Preliminar (estadual) e estivesse em atividade,
quer como chefe quer como dirigente287. Esse curso acabou sendo transformado no primeiro
Curso da Insígnia de Madeira no Brasil e da América do Sul288, que ocorreu entre 9 e 20 de
julho de 1949. Inicialmente programado pela Confederação Brasileira dos Escoteiros de
Terra (CBET), para o Parque Nacional de Itatiaia, o curso289 “logo despertou o interesse da
UEB que, de inteiro acordo com a entidade iniciadora, encampou e oficializou(...) e porquê
teríamos maior facilidade na obtenção do material e do local necessário, ficou resolvido
efetuar-se o curso naquela capital, com o decidido apoio da Federação Paulista”. O local
escolhido pela Federação Paulista foi o Campo-Escola Fernando Costa290, no bairro do
Tremembé, Horto Florestal da Cantareira, na cidade de São Paulo.
O diretor do Curso foi o DCC Salvador Fernandez Bertrán, que já havia dirigido
cursos da Insígnia de Madeira em Trinidad, Jamaica, Curaçao, Cuba e México291. A equipe
era composta por José Spina, presidente da Associação de Escoteiros de São Paulo, pelo
Major Léo Borges Fortes, então comissário internacional da UEB, e Eugen Pfister, que
naquela ocasião era mestre pioneiro com larga experiência escoteira e que atuou como
“Troop Leader”. Dois outros escotistas auxiliaram o curso: Gelmirez de Mello, comissário
técnico geral da Federação Brasileira de Escoteiros do Mar292, e João Mós, diretor do Campo-
Escola Nacional de Itatiaia. A infraestrutura e organização prévia do curso ficaram a cargo
de Jurucey Pucu de Aguiar e de Orestes Pero, ambos de São Paulo. Como ajudante da chefia,
atuou o rover Douglas Arcuri, do Clã B-P, de São Paulo293.

184
Os participantes do primeiro Curso da Insígnia de Madeira no Brasil, em 1949. Em pé, da esquerda
para a direita: Sidor Antonio Schuch, Arlindo Ivo da Costa, João Ribeiro dos Santos, Gelmirez de
Mello, Mario San Martin, Nilton Beck, Antonio Castanheiro da Purificação, Luiz Sodré, Antolin
Miqueles, José de Araújo Filho, Levino Junges, Friedrich Georg Adloff e Neftali Dias Pizarro.
Na fila central, o primeiro é Odyr Pinto, seguido por Moacyr Pacheco Pereira, João Batista da
Silva, Eugen Emil Pfister, Salvador Fernandez Bertrán, José Spina, Léo Borges Fortes, Jócio
Caldeira de Andrada, Geraldo Hugo Nunes e Raoul Teran. Na primeira fila, Carlos de Carvalho
Mota, Kleber Penha Brasil, João Fernandes Brito, Ary Poubel Vidaurres, José Eduardo de Moraes
Melo, Orestes Pero, José Mariotto Ferreira, João Mós, Antonio Rocha Lima e Pranas Jonas Ma-
zetis (acervo CCME; doação da família de Geraldo Hugo Nunes).

Nos anos 40, muitos líderes escoteiros se batiam pela unificação do Movimento
Escoteiro no Brasil. João Mós, em 1949, escreveu:

A posição moral e material em que têm deixado a União dos Escoteiros do Brasil
(UEB), desde sua fundação em 1924 até 1949, é de uma União desunida. Em vez de
ser o centro irradiador da ação geral, não o é, porque cada federação (que é apenas
uma parte da UEB) se considera o centro de tudo. Resultado: não há centro algum,
nem harmonia de valores, nem organização, nem solidariedade. Na planura de zero
a que as federações reduziram os idealistas, falta o centro (UEB), que deveria ser o
poder unificador. Eis a razão de uma organização nacional de escotismo que venha
a ser a única e exclusivamente a UNIÃO DOS ESCOTEIROS DO BRASIL, desde

185
uma simples Patrulha isolada em função das organizações municipais e estaduais, até
o poder nacional: uma só família escoteira com várias modalidades: Mar e Ar, e vários
ramos: Lobinhos, Escoteiros e Pioneiros294.

Realizada, de 22 a 26 de julho, a IV Assembleia Nacional Escoteira, na Escola Nacional


de Belas Artes e, posteriormente, no Centro Paulista, no Rio de Janeiro. O ano de 1949
marca uma fase de intensa agitação no Escotismo brasileiro. Abertos os trabalhos, o chefe
Luiz de Alencastro, da Federação Rio-Grandense de Escoteiros, lembrando compromissos
anteriores da assembleia, propôs a criação de uma comissão para apresentar, ainda nessa
reunião, uma proposta de unificação do Escotismo no Brasil. Foram eleitos para a comissão
os chefes Gelmirez de Mello, Léo Borges Fortes, Luiz de Alencastro e Godofredo Vidal.
Iniciados os trabalhos da comissão, o chefe Godofredo Vidal divergiu da opinião dos demais
membros, afirmando que, por questões estatutárias, a assembleia não teria direito de discutir
e aprovar a unificação. Entretanto, esta unificação já vinha sendo discutida e almejada há
muitos anos. A assembleia decidiu criar uma comissão para elaborar o projeto de novos
Estatutos da UEB contemplando a unificação, e que dentro de dois meses seria realizada
nova assembleia nacional para decidir sobre a unificação. Passa-se à análise do Regulamento
Técnico; por proposta da FRGE foi aprovado aceitar-se o “Capítulo VI-Escoteiros Seniors,
em caráter experimental, e, portanto, a subdivisão dos escoteiros em escoteiros e escoteiros
seniors; dependendo dos chefes que queiram experimentar esse ramo, da liderança da
entidade a que estiverem subordinados”295.
De 28 de setembro a 2 de outubro, reuniu-se, no Centro Paulista, no Rio de Janeiro, a
V Assembleia Nacional Escoteira. Seu objetivo maior era tratar do esquema para a unificação
do Movimento Escoteiro no Brasil, com o desaparecimento das entidades nacionais de
terra, mar e ar, respectivamente, Confederação Brasileira de Escoteiros da Terra, Federação
Brasileira de Escoteiros do Mar e Federação Brasileira de Escoteiros do Ar, para que
houvesse uma única entidade dirigente, a União dos Escoteiros do Brasil. Essa reforma
atingiria também os estados, fazendo com que as federações estaduais desaparecessem,
fundindo-se, para dar lugar a uma nova entidade, que deveria ser “União dos Escoteiros
do Brasil, Comissão Regional do Estado de ... ou equivalente”. Tal unificação viria trazer
solução à dispersão de pessoas, esforços, despesas e dar verdadeira unidade à causa escoteira
no Brasil. Abertos os trabalhos, é lido o ofício 64/49, do presidente da FBEAr, brigadeiro
Viana Bandeira, informando que a Federação Brasileira de Escoteiros do Ar, discordando
do projeto de reestruturação técnica e administrativa da UEB, entrou com mandado de
segurança para que lhe fosse assegurado o direito exclusivo de praticar o Escotismo do
ar, independentemente da UEB, e conclamando os companheiros a meditar na Promessa
e na Lei Escoteiras sobre os delitos cometidos e que motivaram a cisão no Movimento
Escoteiro nacional. A assembleia decidiu censurar a FBEAr pela sua atitude e autorizar a
diretoria a tomar todas as atitudes necessárias a sua defesa296. Os trabalhos prosseguiram,
com a seguinte ordem do dia: 1) estudo e aprovação da unificação do Movimento Escoteiro

186
no Brasil; 2) discussão e aprovação dos novos Estatutos da UEB; 3) assuntos correlatos
com a unificação do Movimento Escoteiro no Brasil. A Federação Paraense de Escoteiros
decidiu desligar-se da UEB e do Escotismo, preferindo assumir inteira liberdade de ação
como simples instituição de fins desportivos ou recreativos, porém obrigando-se a respeitar
as prerrogativas da UEB. Considerando a grande quantidade de emendas e sugestões
apresentadas, assim como a ausência de representantes de diversas entidades escoteiras,
a assembleia decidiu adiar a decisão de seus trabalhos para a 6ª Assembleia Nacional, a
ser realizada em abril de 1950. Por outro lado, foram tomadas as seguintes medidas: a)
considerar aprovado e em vigor o Regulamento Técnico Escoteiro, deixando para 1950
a discussão sobre uniformes e distintivos; b) enviar representante da UEB aos estados
para expor a unificação do Movimento Escoteiro e ouvir suas aspirações; c) conceder o
desligamento solicitado pela Federação Paraense de Escoteiros, que decidiu se transformar
em clube social e de beneficência; d) censurar a Federação Brasileira de Escoteiros do
Ar por ter impetrado mandado de segurança para continuar a ser entidade exclusiva do
movimento dos escoteiros do ar e conferir plenos poderes à diretoria da UEB para defender
o movimento escoteiro, tendo aceitado o doutor Affonso Penna Junior ser o advogado da
UEB; e) aconselhar a diretoria da UEB a empregar parte de sua subvenção na organização
de uma cantina escoteira e na confecção de distintivos escoteiros297.
Posteriormente, o mandado de segurança não foi conseguido pela FBEAr, mas
essa federação adotou posição dúbia: não se desligava e nem prestigiava a UEB, pois não
participava das reuniões e não dava notícias de seus atos298.
Léo Borges Fortes participa do Rover Moot na Noruega e visita Gilwell Park, onde
faz o Curso da Insígnia de Madeira.
A Editora Escoteira publica quatro livros, entre os quais o Guia do Chefe Escoteiro, de
Baden-Powell.
A UEB consegue, pela primeira vez em sua história, pagar as cotas do Bureau
Internacional299.
Após 20 anos, a UEB volta a participar de uma conferência mundial escoteira.
Leo Borges Fortes representou o Brasil na XIII Conferência Internacional, como único
representante da América do Sul300.
Em 24 de novembro de 1949, Leo Borges Fortes, então acumulando os cargos
de comissário de Adestramento e comissário internacional da UEB, divulga trabalho301
intitulado “A Estrutura do Movimento Escoteiro no Brasil”; defendendo a reestruturação e
não a reunificação da UEB, afirmando que:

Não podemos continuar a dirigir o nosso movimento como fazemos, por diretorias
constituídas, na sua parte, por leigos ou diletantes que, embora sinceros e dedicados,
não excursionam, não acampam, nem usam calções... que se reúnem uma vez por
semana, quando não de quinze em quinze dias, em torno de uma mesa, na cidade,
e quando tem número legal.... discutem e deliberam sobre coisas que não foram

187
estudadas previamente e das quais, em geral, nem todos entendem.... lavram uma
ata que será lida e aprovada na sessão seguinte e depois esquecida... excesso de
burocracia, dispersão e emperramento, motivados pelas outras tantas diretorias:
CBET, FBEM e FBEAr.

Segundo Leo:

Os pontos básicos da reestruturação seriam: 1) separação nítida entre as partes


técnica e a administração em todos os escalões; 2) desaparecimento dos órgãos
intermediários CBET, FBEM e FBEAr; cuja existência consome pesados recursos
e constitui verdadeiro empecilho burocrático ao desenvolvimento do movimento; 3)
desaparecimento dos pomposos (e nada mais que isso) títulos de federações estaduais,
que só existem tecnicamente no Brasil.

1950

Realizada, em 13 de fevereiro, na Quinta da Boa Vista, uma grande competição


escoteira com oito provas, quatro de técnica escoteira e quatro atléticas. Foi vencedora,
com 21 pontos, a Tropa do Décimo Grupo, seguida pelas tropas do Botafogo, com 11, e do
Fluminense, com oito pontos.
Em 1950, a Organização Paulista de Escoteiras (OPE) contactou a Organização
Mundial das Girl Guides, em busca de reconhecimento, recebendo a informação de que
o registro pertencia à Federação das Bandeirantes do Brasil e a sugestão da organização
de uma organização teto ou comitê superior, que seria filiado à organização mundial, e
constituído por elementos das duas entidades. Em reunião entre as duas entidades, a FBB
não concordou e sugeriu que a OPE se registrasse através dele ou que fosse incorporada,
o que não foi aceito, posto que, na época, a FBB exigia que suas candidatas a chefes fossem
brasileiras e católicas, ao contrário da UEB e da própria OPE, que adotavam como princípio
não caber no Escotismo distinção de raças, credos ou castas. A OPE aceitaria ser incorporada
desde que a FBB alterasse seus Estatutos; e embora a OPE aceitasse alterar seus uniformes,
não julgava adequadas as cores utilizadas pela FBB, azul ou branco302.
Em 23 de março, o então presidente da UEB escreveu a Benjamin Sodré, residindo
em Florianópolis, consultando-o acerca de afirmações da Federação Paraense de Escotismo,
feitas por ocasião de seu dissídio da UEB de que ele, Sodré, seria contrário à unificação303.
Sodré respondeu em 18 de abril, afirmando que “todos os velhos companheiros que militam
no movimento sabem qual é a minha opinião a respeito: sou pela unificação integral” e
acrescentou:

188
Quando organizamos a UEB, em 1924, tive o seguinte gesto, como presidente da
CBEM (naquela época havia apenas duas instituições organizadas que merecessem
esse nome, a nossa e a Associação dos Escoteiros Católicos do Brasil): por amor à
unificação, a nossa Confederação está pronta a desaparecer para não ser mais do que
um simples departamento da UEB. Até hoje, passados 26 anos, mantenho a mesma
opinião304.

A VI Assembleia Nacional Escoteira foi realizada no Centro Paulista, na praça


Tiradentes, 12, Rio de Janeiro/DF, de 19 a 23/04/1950. Informado que o mandado de
segurança impetrado pela FBEAr não foi concedido em primeira instância e finalmente
denegado por unanimidade no Egrégio Tribunal Federal. Apesar disso, a FBEAr manteve
sua postura de permanecer afastada da UEB e de acusar dirigentes da UEB de praticar
delitos. Comentada a realização do primeiro CIM no Brasil, a publicação de quatro livros
e a transformação do boletim informativo na revista Alerta. Foram aprovados os novos
Estatutos da UEB, que entraram em vigor em 22/04/1950, no qual foram criadas as
“Regiões Escoteiras”, com o direito de adquirirem personalidade jurídica própria e possuírem
patrimônio próprio, assim como os distritos escoteiros e conselhos locais; aprovada também a
criação da taxa anual per capita a ser paga à UEB por todos os seus membros; foram criadas as
modalidades do Mar e do Ar e estabelecido o prazo de 30 de junho de 1950 para que a CBET,
a FBEM, a FBEAr e todas as federações estaduais, comissões regionais, demais entidades
e organizações escoteiras não previstas nos Estatutos encerrassem suas atividades técnico-
administrativas transferindo para a UEB todos os seus direitos, vantagens e obrigações
adquiridas na vigência de entidades autônomas305. Foi criado o Conselho Nacional, poder
que substitui a Assembleia Nacional entre as reuniões desta; sendo o primeiro conselho
composto por: almirante Benjamin Sodré, presidente306; brigadeiro Godofredo Vidal,
coronel doutor Bonifácio Antonio Borba, tenente-coronel João Carlos Gross, major Hugo
Manhães Bethlem, chefe Arlindo Ivo da Costa, doutor Luiz Teixeira de Alencastro, doutor
Jorge Moreira da Rocha, comandante José de Araújo Filho, doutor Armando Nacarato,
doutor Francisco Floriano de Paula, professor Lourival C. Pereira. A Diretoria Nacional foi
simplificada e passará a ter apenas seis membros. Eleita a Diretoria Nacional, com mandato
até 1952, composta por: presidente, professor João Batista de Mello e Souza; vice-presidente,
Victor C. Bouças; secretário geral, chefe João Fernandes Brito; secretário de Publicidade,
chefe David Mesquita de Barros; tesoureiro, chefe José Augusto Silveira de Andrade Junior;
comissário internacional, chefe major Leo Borges Fortes; e comissário nacional, chefe
Gelmirez de Mello307.
Para consolidar a unificação nacional, o comissário nacional Gelmirez de Mello
empreendeu uma viagem de 41 dias por todo o país, desde o Rio Grande do Sul até o
Amazonas, visitando as Regiões Escoteiras do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná,
São Paulo, Estado do Rio, Distrito Federal, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Pernambuco,
Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão, Pará, Amapá e Amazonas. Gelmirez foi hóspede de

189
três governos e de quatro regiões, mas foi bem recebido em todas as regiões, apresentando a
unificação do Escotismo a todos os líderes locais, que solicitaram que tal visita se repetisse
frequentemente308.
Aprovado, pela Diretoria Nacional da UEB o novo distintivo oficial, uma flor de lis
com o Selo da República sobreposto na parte central e uma faixa com a divisa SEMPRE
ALERTA na parte inferior, em cujo centro pende o nó da boa ação309. Esse símbolo
permaneceria como logo oficial da UEB até 2010 e continua a ser usado, desde sua criação,
como o distintivo de Promessa para os ramos escoteiro, sênior, pioneiro e membros adultos.

Distintivo oficial da UEB, 1950.

Em 7 de junho de 1950, a Assembleia da CBET reuniu-se em caráter extraordinário


para determinar a sua extinção. Os trabalhos foram presididos pelo doutor Conegundes
Moreira, secretariado por David de Barros310.
Fundada e instalada, em 29 de agosto de 1950, a Região Escoteira do Estado do Rio,
tendo como primeiro comissário regional João Kelly Cunha Lages e a seguinte diretoria:
presidente, desembargador Guaracy Souto Mayor; secretário, Jócio Caldeira de Andrada;
tesoureiro, Fernando Hees; secretário de Propaganda, Olindo Mury Knust311.
Fundada e instalada, a 4 de setembro de 1950, a Região do Distrito Federal. Foi
eleita a primeira diretoria, composta por: presidente, doutor Cristovão Breyner; secretário,
Theodorico Castelo; tesoureiro, Francisco C. Pereira de Souza; secretário de Propaganda,
Kleber Penha Brasil312. João Ribeiro dos Santos foi o primeiro comissário regional, assessorado
pelos chefes João Alberto do Carlos, para o ramo lobinho, Geraldo Hugo Nunes, para o ramo
escoteiro, e Ernesto de Araújo Carvalho, para o ramo pioneiro; para os escoteiros do mar,
respondia o chefe Ernesto de Carvalho.
Em 17 de dezembro de 1950, com a presença do doutor Wanderbilt Duarte de
Barros, do comissário nacional Gelmirez de Mello, do diretor do Campo-Escola de Itatiaia,
João Mós, do chefe Léo Borges Fortes, representando o CIE, de membros do Conselho
Nacional, Diretoria Nacional e vários chefes escoteiros, foi inaugurado o Campo-Escola de
Itatiaia e o Chalé do Chefe, construídos em terreno do Parque Nacional de Itatiaia cedido
pelo Ministério da Agricultura à União dos Escoteiros do Brasil para funcionamento de
cursos de chefes escoteiros e acampamento de tropas escoteiras313.

190
Em 14 de outubro de 1950, o Conselho Regional, presidido por Armando Nacarato,
aprovou a extinção da Federação Paulista de Escoteiros e elegeu a diretoria da Região de
São Paulo, composta pelo coronel Pedro Dias de Campos, presidente; capitão Ruy Teixeira
Mendes, secretário regional; capitão Mario Castanho Raggio, secretário de Propaganda;
chefe João de Camargo Becker, tesoureiro; Armando Nacarato, comissário regional314.
Fundada e instalada, em 21 de outubro de 1950, a Região do Ceará315.
Fundada e instalada, em 11 de novembro de 1950, a Região do Amazonas316.
O Conselho Metropolitano de Escotismo, com autorização do arcebispo D. Jaime
Câmara, integra-se à Região do Distrito Federal (Guanabara). As escoteiras de Goiás se
integraram às bandeirantes daquele estado317.
Inaugurando as instalações do Campo-Escola de Itatiaia, foi realizado, de 15 a 17 de
dezembro de 1950, o I Acampamento Nacional de Chefes, com a participação de chefes da
Bahia, Paraná, Estado do Rio, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal. À exceção
dos paulistas, os demais participantes viajaram de trem a partir do Rio de Janeiro e subiram
a estrada do parque a bordo de um caminhão318.
Em 18 de dezembro, em reunião extraordinária do Conselho Nacional, foram eleitos
os chefes Eurípedes da Rosa e Mauro Villefon Galliez, respectivamente, para os cargos de
secretário de Publicidade e de comissário internacional, em virtude de renúncia dos eleitos
na Assembleia Nacional319.
O censo referente a 1950 constatou a existência de 441 tropas (assim considerando
todas as unidades) no Brasil, sendo 353 de Terra e 88 de Mar; correspondendo a um total
de 8.998 membros, sendo 7.579 de Terra e 1.419 de Mar. Foram recenseados membros no
Amazonas, Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia,
Espírito Santo, Estado do Rio de Janeiro, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo, Goiás,
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul320.

1951

Léo Borges Fortes tornou-se o primeiro brasileiro a receber a Insígnia de Madeira.


Ele foi aluno do primeiro CIM do Brasil, realizado em julho de 1949, e, no mesmo ano, em
setembro, fez o curso em Gilwell Park321. Ele foi aprovado na Parte I em 19 de maio de 1950
e recebeu sua Insígnia de Madeira no início de 1951322.
Após ter recebido a sua Insígnia de Madeira, Léo Borges Fortes foi nomeado323, em
14/02/1951, para comissário de Adestramento, e indicado, em 19/02/1951, para DCC
para o Brasil pela UEB, através de correspondência assinada pelo comissário internacional
Mauro Viellefont Galliez. A nomeação foi efetuada e J. Wilson enviou, em 2/03/1951, o
certificado e distintivo (contas adicionais). O mandato de Léo Borges Fortes como DCC
foi de curtíssima duração, pois, em 10 de maio de 1951, ele renunciou ao honroso encargo
e também ao cargo de comissário de Adestramento após uma divergência com a Diretoria

191
Nacional sobre duas propostas324 que a UEB enviara para apreciação durante a VIII
Conferência Mundial Escoteira. Léo não estava presente quando elas foram discutidas e
aprovadas e solicitou que Gelmirez as retirasse; como não foi atendido, renunciou. Léo tinha
também se indisposto com várias personalidades escoteiras, pois sua primeira atitude ao
ser nomeado DCC e comissário de Adestramento foi cancelar as autorizações que Pfister e
Spina325 tinham para dirigirem cursos preliminares, e também envidou esforços para impedir
o reconhecimento de um curso preliminar realizado em São Paulo em fevereiro de 1951 e
dirigido por Pfister326.
O cargo de comissário de Adestramento ficou vago até 19/12/1951 quando Gelmirez
nomeou Pfister, e, quando este recebeu sua Insígnia em 1952, foi indicado também para
DCC para o Brasil.
Continua pendente o problema com a FBEAr327.
As associações escoteiras Ministro Salgado Filho (São Paulo), Santista de Escoteiros
do Ar (Santos), Morvan Dias Figueiredo (Santos) e Bartolomeu Lourenço de Gusmão
(Santos) desfiliam-se da FBEAr e solicitam filiação à UEB328.
O ministro da Aeronáutica, brigadeiro Nero Moura, determina, pela Portaria 262, de
6 de julho de 1951, que as unidades militares prestem ajuda, quando solicitadas, aos grupos
de escoteiros do ar.
Em 6 de julho de 1951, concluídos os trabalhos necessários, a Assembleia Geral
da FBEM aprovou, por unanimidade, sua extinção, cumprindo o estabelecido pelos novos
Estatutos da UEB e integrando-se no plano de unificação do Movimento Escoteiro
Nacional329. Sua sede, no edifício da Saúde do Porto, na praça Marechal Âncora, centro do
Rio de Janeiro, foi herdada pela nova Região do Distrito Federal.
Realizado, de 20 a 23 de julho, o II Acampamento Nacional de Chefes, em Itatiaia.
Realizado, na Áustria, o VII Jamboree Mundial Escoteiro. A delegação brasileira,
chefiada por George (Toby) Duncan Shellard, foi composta por três escotistas e oito
escoteiros. Após o jamboree, o grupo participou de um AIP em Gilwell Park, onde o chefe G.
D. Shellard foi aluno dos Cursos da Insígnia de Madeira dos ramos lobinho e escoteiro330.
Publicado, pela primeira vez, o livreto Padrões de Acampamento, traduzido do inglês
por João Ribeiro dos Santos.

1952

Entre 8 e 12 de janeiro, é realizada, no Rio de Janeiro, a I Reunião Nacional dos


Assistentes Religiosos Católicos (RENARC)331.
Realizada a VII Assembleia Nacional Escoteira, entre 23 e 25 de abril, no Colégio
Pedro II, no Rio de Janeiro. Eleita a nova diretoria nacional da UEB para o período de
1952/1954, composta por: presidente, Victor Coelho Bouças; vice-presidente, doutor
Francisco Floriano de Paula; secretário geral, chefe João Fernandes Brito; secretário de

192
Publicidade, chefe Mauro Viellefon Galliez; tesoureiro, chefe José Augusto Silveira de
Andrade Junior; comissário internacional, chefe José Joaquim Rodrigues Alves Moniz de
Aragão; comissário nacional, chefe Gelmirez de Mello. Compuseram ainda a diretoria, o
comissário de Organização, chefe David Mesquita de Barros, e o assistente geral religioso,
padre João Ruffier, S.J. Em 10 de dezembro, o doutor Francisco Floriano de Paula renunciou
ao cargo, devido ter-se transferido definitivamente para Belo Horizonte, sendo substituído
pelo doutor Ernesto Pereira Carneiro Sobrinho. Para o Conselho Nacional foram eleitos:
almirante Benjamin Sodré, general doutor Bonifácio Antonio Borba, chefe Arlindo Ivo da
Costa, doutor Luiz Teixeira de Alencastro, doutor Jorge Moreira da Rocha, comandante
José de Araújo Filho, doutor Armando Nacarato, coronel Nizo Montezuma, professor
Lourival Camargo Pereira, coronel João Carlos Gross, professor João Batista de Mello e
Souza, doutor Mathias Otávio Roxo Nobre332.
O subdiretor do Boy Scouts International Bureau, major general D. C. Spry visita
São Paulo e o Rio de Janeiro333. 
Inaugurada, em 27 de abril de 1982, a Base Oeste Rio, no Rio de Janeiro, com oficina
de carpintaria naval para reforma e reparos de embarcações dos escoteiros do mar334.
Receberam a Insígnia de Madeira em 1952, Eugen Emil Pfister, Orestes Pero, George
Duncan Shellard e João Ribeiro dos Santos. Como não havia quem conduzisse a Parte III do
Curso, as concessões foram feitas, após a aprovação nas Partes I e II, mediante solicitação do
comissário nacional Gelmirez de Mello ao Bureau Internacional.
Em 1952, o Chief-Scout brasileiro Gelmirez de Mello queria nomear Eugen Pfister,
então comissário de Adestramento, e George “Toby” Duncan Shellard para DCC, mas
o Bureau não concordou com a existência de dois DCC para o Brasil. Após marchas e
contramarchas, Pfister e Toby foram nomeados, respectivamente, deputado chefe de campo
e akelá líder, de Gilwell para o Brasil; em 1953, João Ribeiro dos Santos e Orestes Pero foram
nomeados assistentes de deputado chefe de campo335.
Publicado, em 1952, o Regulamento Técnico Escoteiro. Documento extenso
e complexo, com dez capítulos, versando sobre fins do Escotismo, organização e
administração, normas sobre pessoal, lobinhos, escoteiros, escoteiros seniores, pioneiros,
dirigentes escoteiros, recompensas e penalidades e regras gerais. Com a publicação do RTE
foi sacramentada a implantação do ramo sênior no Escotismo brasileiro336.

1953

De 22 a 24 de janeiro de 1953 é realizada, no salão nobre da Biblioteca Municipal,


em São Paulo/SP, a I Conferência Nacional de Escotismo337, com a participação de chefes
de várias regiões escoteiras, e destinada a estudar os problemas e diretrizes do Movimento
Escoteiro no Brasil, com três temas principais: “Como difundir o Escotismo no Brasil”,
“Unidade e Disciplina” e “A organização do Escotismo no Brasil”; cada tema possuía várias

193
subdivisões. Como palestrantes, atuaram o almirante Benjamin Sodré, o professor J.B. de
Mello e Souza, o doutor Mathias O. Roxo Nobre, o chefe Gelmirez de Mello e o senador
Mozart Lago. A sessão de encerramento foi presidida pelo governador paulista Lucas
Nogueira Garcez, que apresentou palestra sobre a influência do Movimento Escoteiro na
formação de novas gerações338,339.
Foram realizados dois Cursos da Insígnia de Madeira, um para chefes de escoteiros
e outro para chefes de lobinhos, ambos sob a direção, mais uma vez, de Salvador Fernandez
Bertrán. Eugen Pfister era o comissário (nacional) de Adestramento e participou da
organização e da equipe dos dois cursos. Assim, o segundo Curso da IM para chefes
escoteiros ocorreu entre 7 e 18 de março de 1953; e o primeiro Curso da IM para chefes de
lobinhos, de 21 a 26 de março de 1953, ambos no Campo-Escola do Jaraguá340, em São Paulo.
Publicadas as segundas edições dos livros Para ser Escoteiro, de Floriano de Paula,
Livro de Jogos, de Boto Velho, O que é Escotismo e Aplicando o Sistema de Patrulhas341.
O chefe Orestes Pero dirigiu um CIM no Chile; a aquelá Carmen Pfister dirigiu um
curso em Cuba, e o DCC Eugenio Pfister relatou o tema “Adestramento” na Conferência
Interamericana de Escotismo em Cuba.
A UEB participa da 3ª Conferência Interamericana de Escotismo, em Havana, Cuba,
na qual o Brasil é escolhido para sediar a 4ª Conferência, em 1957342.
Realizada a II RENARC, entre 13 e 17 de julho, no Rio de Janeiro343.
Realizado, de 9 a 11 de outubro de 1953, o III Acampamento Nacional de Chefes, em
Itatiaia, RJ344.
A UEB participou de campanha em favor dos flagelados pela seca no Nordeste; o
presidente da UEB viajou até o “Polígono das Secas”.

1954

Realizada entre 11 e 18 de janeiro, em Campos do Jordão/SP, reunião dos Assistentes


Religiosos Católicos especialmente dedicada à elaboração de um “Manual Católico para
Escoteiros”, cuja impressão foi prevista para 1955345.
É realizado, de 27 de julho a 3 de agosto de 1954, em Interlagos, São Paulo/SP,
o Acampamento Internacional de Patrulhas (AIP), comemorando o quarto centenário da
fundação da cidade de São Paulo. Participaram mais de 800 escoteiros e chefes de 14 países
estrangeiros (Alemanha, Argentina, Bolívia, Chile, Cuba, Estados Unidos, Holanda, Japão,
Síria, Suíça, Paraguai, Portugal, Uruguai e Venezuela) e de quase todos os estados do Brasil.
A equipe de direção do AIP foi constituída por Walter de Castro Schlithler, chefe de campo;
João Mós, secretário executivo; George Duncan Shellard, comissário técnico; e Orestes
Pero, comissário administrativo. O acampamento foi realizado à margem da represa de
Guarapiranga. As horas eram marcadas por badaladas do sino do ex-encouraçado São Paulo,
relíquia emprestada pelo Ministério da Marinha, levado para São Paulo pelos escoteiros

194
do mar do Distrito Federal e Rio de Janeiro346. O contingente brasileiro foi estabelecido
em 600 participantes, sendo 200 escoteiros paulistas e mais 400 escoteiros selecionados
em quantidade proporcional ao efetivo regional pelos comissários regionais de cada região
escoteira347.

Escoteiros do Mar escoltando o histórico sino do encouraçado São Paulo, utilizado no AIP de Interlagos, São
Paulo, em 1954 (Foto Arquivo Nacional).

O AIP recebeu a visita de meninas uniformizadas dizendo-se “escoteiras” membros


da Organização Paulista de Escoteiras, o que levou a UEB a entrar em contato com essa
organização, e, após explicar que o termo “escoteiro” e suas variações eram prerrogativas
legais da UEB, solicitar que a instituição se unisse à FBB. A OPE respondeu afirmando
que tentativas já haviam sido feitas, concluindo-se pela impossibilidade, uma vez que a
FBB continha, em seus Estatutos, aspectos contrários à orientação de Baden-Powell,
principalmente no aspecto religioso.
É lançado, em 2 de agosto, o primeiro selo sobre o ME no Brasil enfocando o 1º AIP
em Interlagos, São Paulo.
Após entendimentos com a UEB, o cardeal D. Jaime de Barros Câmara, arcebispo
do Rio de Janeiro, em carta enviada à UEB em 19 de junho de 1954, determina que as
tropas escoteiras católicas regularizem sua situação junto à UEB e extingue o Conselho
Metropolitano dos Escoteiros Católicos348.
Foi realizado um censo escoteiro, com os seguintes resultados: escotistas (chefes
e comissários), 543; dirigentes, 583; pioneiros, 676; escoteiros, 5.609; escoteiros seniores,

195
1.542; escoteiros do mar, 963; lobinhos, 1.785; outras categorias (assistentes religiosos
etc.), 21. Total de 11.724 membros registrados. Entretanto, a UEB estima o número real de
membros atuantes em cerca de 20 mil, sendo a diferença atribuída a deficiências no sistema
de apuração349.
De 22 a 24/04/1954, realizada a VIII ANE, no auditório do Ministério do Trabalho,
Rio de Janeiro/RJ. A 8ª Assembleia Nacional Escoteira elegeu a nova diretoria da UEB,
composta por: presidente, doutor Victor Coelho Bouças; vice-presidente, doutor Ernesto
Pereira Carneiro Sobrinho; comissário nacional, comandante José de Araújo Filho; secretário
geral, doutor Fernando Mibieli de Carvalho; tesoureiro, major Homero de Almeida
Magalhães; secretário de Publicidade, doutor Pedro Fraga; comissário internacional, chefe
Mauro Viellefon Galliez; assistente geral religioso católico, padre João Ruffier; assistente
geral religioso evangélico, chefe doutor Jócio Caldeira de Andrada. Para o Conselho
Nacional foram eleitos: almirante Benjamin Sodré, general doutor Bonifácio Antonio
Borba, chefe Arlindo Ivo da Costa, doutor Luiz Teixeira de Alencastro, professor Lourival
Camargo Pereira, coronel João Carlos Gross, professor Gabriel Skinner, coronel Leo Borges
Fortes, doutor João Ribeiro dos Santos, doutor Francisco Floriano de Paula, doutor Mathias
Octávio Roxo Nobre e chefe João Fernandes Brito.
Realizada, em agosto, a primeira Reunião do Grupo I de Gilwell no Brasil350.
Continua entregue à UEB a administração da ilha de Boa Viagem, aos cuidados da
Região do Estado do Rio de Janeiro. Graças aos esforços do almirante Benjamin Sodré, foi
reconstruída a ponte baixa que liga a ilha ao continente.
Pela primeira vez, foi realizado um curso preliminar para chefes de lobinhos fora das
cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, tendo o mesmo sido realizado em Porto Alegre351.
A Associação de Escoteiros do Mar Almirante Barroso, de Santos/SP, realizou um
cruzeiro até Cabedelo, na Paraíba, a bordo de um navio cargueiro, tendo, durante a viagem,
os escoteiros do mar realizado intenso treinamento de navegação e marinharia352.
Realizada, em 4 de novembro, em sua sede, à avenida Rio Branco, 108, 3º andar,
Sessão Magna comemorativa dos 30 anos de fundação da UEB353.

196
Sessão Magna de comemoração dos 30 anos da UEB.

1955

Dezoito brasileiros participaram do VIII Jamboree Mundial Escoteiro, realizado


Niagara-on-the-Lake, no Canadá. O chefe da delegação foi o comissário nacional José de
Araújo Filho e o chefe de tropa, Carlos Gusmão de Oliveira Lima. Demais participantes:
chefe Cesar Augusto Pinto Lima (comissário do 2º Distrito da Região do DF) como
subchefe de tropa; Escoteiros da Pátria: Paulo Pinheiro de Andrade (Associação Escoteira
Guilhermina Guinle, DF), Mário Brock (Associação Escoteira Guilhermina Guinle, DF),
Waldir Lowndes de Oliveira (Associação Escoteira Católica Santa Teresinha, DF), Nicolau
Leopoldo Obladen (Associação Escoteira Jorge Frassati, PR); Escoteiros de primeira classe:
Luís Eduardo da Gama e Silva (Associação Escoteira Católica Santa Teresinha, DF), José
Pereira da Graça Couto (Associação Escoteira Católica Santa Teresinha, DF), George
Arndt Meyer (Associação Escoteira do Mar Barão do Amazonas, Estado do Rio), Éden
de Jordão (Associação Escoteira do Mar Barão do Amazonas, Estado do Rio), José Sishum
Hanashiro (Associação Escoteira Caramuru, SP) e Etelvino Gonçalves (PR). Foi realizado
um acampamento prévio na Vila Albano para entrosamento da tropa. Os jovens foram
divididos em duas patrulhas: Onças – Waldir (M), Obladen (SM), Luis Eduardo, Graça
Couto e Etelvino –; e Corujas: Brock (M), Paulo (SM), José, Éden e George. Os jovens eram
oriundos do Estado do Rio de Janeiro, Distrito Federal, São Paulo e Paraná354. A viagem,
de avião, teve escalas em Belém, Trinidad, Caracas, Miami355. Dentre os 18 participantes
brasileiros, três eram os pioneiros paulistas Charles Downey, Hugo Vidal e Jan Stekly, que
viajaram de jipe desde São Paulo até o local do acampamento, indo depois para o Canadá e o
Alasca, numa viagem de mais de um ano.

197
Em 2 de abril de 1955, os pioneiros Charles Downey, Hugo Vidal e Jan Steckly, do
2º SP Grupo Escoteiro Carajás, partiram de São Paulo para o Canadá, onde participariam
do Jamboree Mundial em Niagara-on-the-Lake, a bordo de um jipe, numa viagem de 70 mil
quilômetros passando pelo Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia,
Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, México, Estados Unidos
(passando pelo Texas, Louisiana, Arkansas, Tennessee, Kentucky, Ohio, Pennsylvania, New
York). Em Niagara-on-the-Lake participaram do Jamboree Mundial. Durante a viagem,
mantiveram contato com as associações escoteiras dos países visitados. Frequentemente
enviavam relatos ao escoteiro-chefe José de Araújo Filho, dos quais transcrevemos alguns
trechos mais interessantes: no Chile, “visitamos detalhadamente uma das maiores minas de
cobre do mundo” e percorreram o deserto do Atacama, chegando “a seu ponto mais alto...
Ascotan, com pelo menos 4 mil metros. Aqui o frio é intenso, especialmente à noite, sendo
indispensável drenar a água do radiador e bloco para evitar possíveis rachamentos ao se
congelarem (não se encontram à venda aqui os produtos anticongelantes)”. Já na Bolívia,
“a estrada praticamente desaparece, sendo de aqui em diante uma confusão de trilhas”, e no
povoado de Colcha-Ca, tiveram “a oportunidade (rara para estrangeiros) de presenciar uma
festa típica, com bailados, rito religioso etc.”; “chegaram ao anoitecer as margens do Lago
Titicaca e fizeram a travessia em veleiro”; “chegaram a Copacabana, onde visitaram a igreja
de N.S. de Copacabana”, pegaram “intenso frio e acamparam a 4.490 metros de altitude”. Da
Colômbia, informaram que:

para prosseguir rumo ao Panamá, é necessário embarcar o Jeep de algum porto


colombiano, pois não há ligações por terra, de espécie alguma, nesta região. Temos
notícia de que o único homem branco que conseguiu atingir a fronteira colombo-
panamenha por terra foi tomado de loucura, sendo acolhido por aborígenes.

No Panamá, a inexistência de estradas para a Costa Rica obrigou-os a transportar o


jipe num avião cargueiro “por preços muito especiais”. Na Costa Rica, após alguns dias de
descanso, continuaram a viagem por terra, e levaram...

... o maior susto da viagem...íamos atravessando uma ponte, do tipo que tem duas
tábuas longitudinais pelas quais correm as rodas do veículo. Chovia, e a madeira
estava coberta por um barro líquido extremamente escorregadio. Apesar da baixa
velocidade, uma das rodas do Jeep patinou e saiu fora da tábua. O carro atravessou-se
na ponte e continuou deslizando nesta posição até o fim da mesma, onde a estrada
apresenta brusca curva sobre um aterro de uns dois metros de altura. Não obedecendo
aos comandos do motorista, pois nem o breque nem a direção respondiam sobre a lisa
superfície, o Jeep atingiu lentamente a beirada do aterro, rolando sobre a encosta do

198
mesmo e vindo a parar sobre as quatro rodas no barro fofo... o Jeep sofreu ligeiros
amassamentos e todas as peças brasileiras continuam em perfeito funcionamento.
Nós nada sofremos mais que um grande susto e alguns galos na cabeça.

Na capital guatemalteca “tivemos entusiástica acolhida dos escoteiros... visitamos


San Jorge Muxbal, nome que dão ao seu magnífico campo-escola”, durante a viagem
“extremamente agradável, tanto pela beleza da paisagem como pelos curiosos índios maias..
com seu vestuário típico multicolorido... caminhando pela estrada suportando pesadas
cargas de trabalho de cerâmica e marcenaria rumo as feiras na cidade”. Depois de atravessar
a fronteira mexicana, “é necessário embarcar o carro numa prancha ou vagão plataforma...
porque a estrada não está concluída”. Na Cidade do México, acharam “o trânsito intenso e
desenfreado, rapidíssimo”, foram muito bem recebidos pelos escoteiros mexicanos, que os
levaram “a ver e ouvir os mariaches”. Daí para a frente a viagem foi acelerada, pois faltavam
apenas dez dias para o jamboree. “Atravessamos oito estados em cinco dias... após quatro
meses e meio de viagem”, e “passamos sobre a ponte de Lewiston, sobre o Rio Niagara, uns
vinte quilômetros abaixo das cataratas e depois de poucos minutos estávamos no local do
VIII Jamboree Mundial, meta principal da nossa viagem”.
Após o jamboree, onde sua jornada fez enorme sucesso, partiram para a cidade de New
York, visitaram Chicago e Saint Paul, retornaram ao Canadá para seguir viagem rumo ao
Alasca. Após saírem de Saint Paul “umas duas horas mais tarde começou a nevar” e “vários
dias depois os telhados, árvores, carros, enfim tudo estava coberto de branco”. Passaram por
Winnipeg, Regina, Saskatoon, Edmonton, Dawson Creek, Fort Nelson, White Horse até
Fairbanks, onde foram mais uma vez “cordialmente recebidos por dirigentes do escotismo
local e por autoridades da Força Aérea Americana que muito gentilmente nos hospedaram
numa das bases próximas à cidade”. A tentativa de atingir Circle City, a cidade mais próxima
do Círculo Polar Ártico teve que ser abortada às 16h30min, já noite fechada, após 129 km de
viagem, no cume da serra, em virtude da camada de neve “que atingia mais de um metro”.
Os escoteiros “deram meia volta... e notaram que iniciavam a viagem de regresso”; haviam
atingido um ponto 112 km ao sul do Círculo Polar Ártico, registrado a temperatura de 37º
Celsius abaixo de zero, tendo percorrido 44.367 km em viagem. O regresso foi bem menos
penoso, pela costa oeste do Canadá e Estados Unidos, até Los Angeles, daí seguindo para
New Orleans, onde tomaram um navio brasileiro, o Loide Equador, descendo até Recife, onde
retomaram as estradas, passando por Paulo Afonso, Teresina, São Luís, Parnaíba, Fortaleza,
Maceió, Aracaju, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, aonde chegaram
em14 de abril de 1956, recebendo as boas vindas do governador paulista. O velocímetro
marcava 71.985 km. Os três jovens ficaram ausentes por um ano e 12 dias. Destaques da
aventura: Latitude máxima sul, 33º, em Bariloche, na Argentina; latitude máxima norte,
65º, próxima ao Círculo Polar Ártico; longitude máxima leste, 36º W, em Recife; longitude

199
máxima oeste,162º, em Bethel, no Alasca; altitude máxima, 4.693 m, no Peru; altitude
negativa, 84,7 m abaixo do nível do mar, no Vale da Morte, Califórnia; temperatura máxima,
42ºC, no Peru; e temperatura mínima, -40ºC, no Alasca356.
O comissário nacional José de Araújo Filho, o comissário internacional Mauro
Viellefon Galliez, o secretário-geral doutor Fernando Mibielli de Carvalho e o chefe Léo
Borges Fortes participam da XV Conferência Mundial Escoteira, realizada no Canadá357.
Também em 1955, entre 28 e 31 de julho, é realizado em Juiz de Fora/MG, sob a
coordenação do chefe Darcy Malta, comissário distrital de Juiz de Fora, o I Mutirão Pioneiro
Nacional. Participaram cerca de 100 pioneiros do Estado do Rio de Janeiro, Distrito Federal
(Guanabara), São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais358.
Eugen E. Pfister tornou-se o primeiro escotista atuante no Brasil359 a dirigir um
Curso da IM em território nacional e com equipe totalmente nacional, e o fez em dose dupla:
o terceiro CIM Escoteiro, entre 1º e 10 de julho de 1955, e o segundo CIM Lobinho, entre 13
e 17 de julho de 1955, ambos em Teresópolis, Estado do Rio de Janeiro, em terreno próximo
ao Parque Nacional da Serra dos Órgãos360.
Implantados, no mês de julho, os numerais das associações escoteiras por região
escoteira. Na Região do Distrito Federal, foram adotados os seguintes numerais: Nº 1 – A.
E. Guilhermina Guinle; Nº 2 – A. E. São João Batista da Lagoa; Nº 3 – A. E. São Pedro de
Cascadura; Nº 4 – A. E. do Mar Euclides da Cunha; Nº 5 – A. E. do Mar Marcílio Dias; Nº
6 – A. E. Natalino Costa Feijó; Nº 7 – A. E. Barão de Mauá; Nº 8 – A. E. Alcindo Guanabara;
Nº 9 – A. E. Marechal Hermes; Nº 10 – A. E. do Mar Décimo; Nº 11 – A. E. Siqueira
Campos; Nº 12 – A. E. do Mar Siqueira Campos; Nº 13 – A. E. Olavo Bilac; Nº 14 – A. E. do
Mar Barão do Rio Branco; Nº 15 – A. E. São Sebastião; Nº 16 – A. E. Anhangá; Nº 17 – A.
E. São Geraldo; Nº 18 – A. E. do Mar Zenith Reis; Nº 19 – A. E Princesa Isabel; Nº 20 – A.
E. Loyola; Nº 21 – A. E. Monteiro Lobato; Nº 22 – A. E. Nossa Senhora da Paz; Nº 23 – A.
E. Escola Americana; Nº 24 – A. E do Mar Flamengo; Nº 25 – A. E. do Mar Falcões do Mar;
Nº 26 – A. E. São Luiz; Nº 27 – A. E. Lindolfo Collor; Nº 28 – A. E. Santo Agostinho; Nº
29 – A. E. Duque de Caxias; Nº 30 – A. E. Marechal Floriano Peixoto; Nº 31 – A. E. Tijuca
Tênis Clube; Nº 32 – A. E. Marquês de Olinda; Nº 33 – A. E. Santo Sepulcro; Nº 34 – A. E.
Joana D’Arc; Nº 35 – A. E. Machado de Assis; Nº 36 – A. E. São Jorge; Nº 37 – A. E. Araújo
Lima; Nº 38 – A. E. Waldemar Falcão; Nº 39 – A. E. Santa Terezinha; Nº 40 – A. E. Nossa
Senhora de Assunção361.
O terceiro CIM Escoteiro começou com um almoço num restaurante em Teresópolis
e a abertura do campo, à tarde, contou com a presença do então comissário nacional362,
o comandante José de Araújo Filho. Todos os alunos acamparam; a chefia ficou instalada
numa casa nas proximidades, que foi usada também como local de apoio ao curso. A equipe
do CIM Escoteiro era composta pelo diretor Eugen Emil Pfister (DCC); e como assistentes
Orestes Pero (ADCC), João Ribeiro dos Santos (ADCC), João Fernandes Brito e Ryozo
Osoegawa, com o apoio de Moysés de Souza (intendência) e Eiji Denda. O curso teve 26

200
alunos, divididos em quatro patrulhas: Touros: Adelk Bistão (SP), Avelino Ribeiro (SP),
Ushio Ohtake (SP), Clemildo Lyra de Arruda (DF), padre Carlos Rada (MG), Darcy Olavo
Woellner (PR); Guarás: Francisco Floriano de Paula363 (MG), Lino Augusto Schiefferdecker
(RS); Luiz Berttran Ruano (SP), José Roberto Moraes dos Santos (SP), Osvaldo Pereira
Negrão (SP), Eurelio Guasco (DF), Douglas Paris (PR); Pica-Paus: Francisco de Paula
Monteiro de Barros, Oswaldo Amaral Carvalho (SP), padre Leopoldo van Liempt (SP),
Hermann Reck (SP), Darcy Malta364 (MG), Frantisek Habl Jr. (DF); Rolas: Vicente Leandro
Rey (DF), Jacques François Decot (DF), José Felippe Júnior (SP), Arnaldo Machado Florence
(SP), Shizuo Hosoe (SP), José Rodrigues de Moraes Junior (SP), Elisario Cattoni (PR).
O segundo CIM Lobinho teve 24 alunos. Os participantes do sexo masculino
acamparam, enquanto que os do sexo feminino pernoitaram numa casa de campo emprestada
para o curso. No dia 13, depois de um almoço em Teresópolis, o curso foi aberto com, mais
uma vez, a presença do então comissário nacional, o comandante José de Araújo Filho. A
equipe do curso era composta pelo diretor Eugen E. Pfister (DCC) e como assistentes, a
“Baloo” Carmen Simões Pfister, o “Bagheera” doutor João Ribeiro dos Santos (ADCC); o
“Kaa” Carlos Gusmão de O. Lima, e, como intendente, Moysés de Souza. Os alunos foram:
Hermani Aquini Fernandes Chaves (RS), Myrtes Matias (MG), Alice Miguel Cury (SP),
Douglas Paris (PR), Sugiama Iutaka (DF), Samuel Kauffmann (DF), padre Leopoldo van
Liempt (SP), Maria Leão de Carvalho (MG), Vitalina de Abreu Aciolli (SP), Emilia Abe
(SP), Washington Dias Aragão (MG), Almey Lisboa Pereira dos Santos (SP), Sebastião
Bruch (MG), Edison de Oliveira Viana (RJ), Clemildo Lyra de Arruda (DF), Luiza Hosoe
(SP), Nair Paula de Oliveira (SP), Frantisek Habl Junior (DF), Iguatemy do Amaral Campos
(DF), Luiz Eduardo de Alencar Loureiro (DF), e Carlos Ferreira (RJ).
Criados o lenço e o distintivo de representação oficial ao estrangeiro365.
Realizada, em 5 de novembro, no auditório do Ministério da Educação, sessão magna
de comemoração dos 31 anos da UEB. Na ocasião, foram entregues Medalhas de Gratidão
Ouro ao almirante Frederico Villar, comandante do cruzador José Bonifácio e um dos
fundadores do Escotismo do mar no Brasil; ao doutor Dael Pires Lima, diretor do Parque
Nacional da Serra dos Órgãos, grande amigo e incentivador do Escotismo; senhor J. R.
Nicholson, antigo escoteiro e escotista em seu país de origem e grande apoiador do AIP de
Interlagos; e ao chefe Gelmirez de Mello, um dos mais antigos escotistas brasileiros e ainda
atuante, superintendente e comissário técnico da FBEM, e primeiro comissário nacional de
UEB após a unificação366.

1956

A Federação das Bandeirantes do Brasil é reconhecida como entidade máxima do


escotismo feminino no Brasil367:

201
Lei nº 2.717, de 24 de janeiro de 1956

Reconhece a Federação das Bandeirantes do Brasil como órgão máximo do escotismo feminino.
O vice-presidente do Senado Federal, no exercício do cargo de presidente da República,

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Fica reconhecida a Federação das Bandeirantes do Brasil, no seu caráter de instituição
destinada à educação extraescolar como órgão federal máximo de escotismo feminino brasileiro
e obras de utilidade pública. 

Art. 2º A Federação das Bandeirantes do Brasil manterá organização própria com direito
exclusivo ao porte e uso de uniformes, emblemas, distintivos, insígnias e terminologia adotados
nos seus estatutos e regulamentos, necessários à metodologia bandeirante. 

Art. 3º A Federação das Bandeirantes do Brasil realizará, mediante acordo, seus objetivos, em
cooperação com as autoridades do Governo. 

Art. 4º A Federação das Bandeirantes do Brasil será subvencionada pela União, de acordo
com a dotação consignada anualmente na lei orçamentária. 

Art. 5º Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em
contrário.

Rio de Janeiro, em 24 de janeiro de 1956; 135º da Independência e 68º da República.

NEREU RAMOS 
Abgar Renault

Em março de 1956, foi nomeado assistente religioso da Região Escoteira do Distrito


Federal, o frei Daniel Kromer, O.F.M. Frei Daniel foi chefe de um grupo de escoteiros
hansenianos nas proximidades de Florianópolis, sendo um dos pioneiros em Escotismo nos
leprosários; fez o Curso da Insígnia de Madeira em Gilwell Park em 1955 e foi nomeado pelo
cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Jaime de Barros Câmara. O novo assistente religioso
declarou que sua primeira missão será visitar as paróquias que mantêm grupos escoteiros
para solicitar aos respectivos vigários o maior apoio possível a esses grupos; trabalhará
também junto aos chefes escoteiros, apoiando-os no que for necessário. Frei Daniel declarou
que “não há escotismo sem religião...é uma afirmativa de Baden-Powell...porém, o escoteiro
não deve sentir a religião como uma cruz e sim como uma necessidade...”368.
A IX Assembleia Nacional Escoteira foi realizada em fevereiro de 1956 no Rio de

202
Janeiro/DF. Foram aprovadas relevantes modificações nos Estatutos, incluindo novas
nomenclaturas, com a adoção do termo POR em substituição ao Regulamento Técnico; a
adoção do termo “grupo escoteiro” e extinção do termo “associação escoteira”; a transformação
dos conselhos locais em conselhos municipais; a implantação do termo “escoteiro-chefe” em
substituição ao “comissário nacional”, e a adoção do termo “escotista” como sinônimo de
“chefe-escoteiro”. Na estrutura da UEB, foi aprovada a fusão da Assembleia Nacional com o
Conselho Nacional, ampliando-se a organização deste com a inclusão de pessoas eminentes,
representativas da indústria, comércio, finanças etc., com extensão deste princípio aos
conselhos regionais e municipais; fusão das atuais diretoria e comissariados técnicos em
uma comissão executiva (nacional, regionais e municipais); revigoramento do critério de que
as regiões devem ser divididas em distritos como única forma de tornar efetiva a assistência
e controle de grupos locais; descentralização técnico-administrativa com manutenção
da centralização dos órgão de controle, estatística e análise dando mais autoridade ao
comissário distrital assessorado pelo Conselho Municipal; simplificação da normas
burocráticas; redistribuição dos cargos das comissões executivas, colocando-se o escoteiro-
chefe e os comissários regionais logo após o respectivo presidente e eliminando o cargo de
vice-presidente; criação dos Conselhos Fiscais, para acompanhar a gestão financeira das
comissões executivas; criação de Comissões Consultivas (nacional e regionais) para assuntos
técnicos ou administrativos; e liberdade para que qualquer entidade escoteira possa receber
subvenções. Em 23 de abril, o Conselho Nacional reuniu-se para eleição dos novos dirigentes
e conselheiros nacionais. Foi eleita a Comissão Executiva Nacional para o biênio 1956/1958,
composta por: presidente, doutor Mauro Joppert; escoteiro-chefe, comandante José de
Araújo Filho; tesoureiro, doutor Francisco Lisbôa Figueira de Mello; comissário nacional
de Relações Públicas, tenente-coronel Terêncio de Mendonça Porto; comissário nacional
de Publicações, coronel Lélio Graça; comissário internacional, doutor Fernando Mibielli
de Carvalho; comissário nacional de Adestramento, Orestes Pero; comissário nacional de
lobinhos, doutor Carlos Gusmão de Oliveira Lima; comissário nacional de escoteiros e de
escoteiros seniores, João Fernandes Brito; comissário nacional de escoteiros do mar, doutor
Walter da Costa Quintão; comissário nacional de pioneiros, doutor João Ribeiro dos Santos;
comissário nacional de antigos escoteiros, doutor Bonifácio Antonio Borba369,370.
Os primeiros membros eleitos do Conselho Nacional da UEB, em 23 de abril de
1956, foram: Dom Jaime de Barros Câmara, doutor Mauro Joppert, doutor Arnaldo Guinle,
doutor Daniel de Carvalho, coronel Napoleão de Alencastro Guimarães, professor doutor
João Batista de Mello e Souza, Victor Coelho Bouças, professor doutor Manoel Bergstom
Lourenço Filho, conde Francisco Matarazzo, doutor Antonio Sanches Larragoiti, doutor
Pedro Nunardelli, doutor Ruy de Almeida, doutor Valentim Bouças, doutor Sebastião Paes
de Almeida, coronel Janary Nunes, doutor Herbert Moses, doutor Paulo Bittencourt, doutor
Leão Gondim, doutor Rogério Marinho, doutor Antonio Galotti, brigadeiro Raymundo
de Vasconcellos Aboim, brigadeiro Ivan Carpenter Ferreira, doutor Nicolau Filizola,
doutor William James Crocker, cardeal D. Carlos de Carvalho Motta, embaixador José de

203
Macedo Soares, doutor Francisco Figueira de Mello, doutor Arnaldo Marzotto, Henrique
Danemberg e doutor G. J. Renner.
O quarto CIM Escoteiro foi realizado em Teresópolis/RJ, entre 20 e 28 de julho de
1956. O diretor foi Orestes Pero (DCC)371, auxiliado por João Ribeiro dos Santos (ADCC),
Francisco Floriano de Paula, Léo Borges Fortes e Geraldo Hugo Nunes, este como “Troop
Leader”. O pioneiro Beni Jordão atuou como intendente. Os alunos do IV CIM Escoteiro
foram: PT-Coruja: Amaragy Soares Ferreira (SP-Mar), Rodolpho P.J. Metilmann (SP),
Carlos João Lorenz (RS), Peter Konrad Ochrling (ER Mar), Carlos Ferreira (ER), Lauro
Pereira Nunes (RS), Gabriel Archanjo da Cruz (P), Raul Martins Sampaio (C); PT-Touros:
Ido Ernesto Gunther (RS), Avelino Ribeiro (SP), Mario Jardim Freire (DF), Walter da Costa
Quintão (DF-Mar), Ciro Ferreira (P. Mar-Ar), Everardo de Mello Nogueira (DF), Jurandir
Duval Cordeiro (DF-Mar); PT-Lobos: Hiroaki Obata (SP), Vandemburg Tavares Simões (C.
Mar), Eiji Denda (SP), Hernani A. Fernandes Chaves (RS), Ruy Villar de Lima Sampaio (P),
frei Anselmo Vilar de Carvalho (SP), José Modesto de Faria (MG).
Realizado em Paulo Afonso/BA, de 13 a 15 de julho de 1956, o IV Acampamento
Nacional de Chefes, cujo chefe de campo foi João Ribeiro dos Santos. Os escotistas das
regiões do Sul do Brasil viajaram em dois aviões cedidos pelo Ministério da Aeronáutica,
saindo do Rio de Janeiro, com escala em Salvador.
Instalada, em 15 de novembro de 1956, a Região Escoteira de Sergipe372.
Em 20 de novembro, o prefeito do Distrito Federal, Negrão de Lima, assinou portaria
criando a praça Baden-Powell no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro373.

1957
Comemorando os 100 anos do nascimento de B-P e 50 anos da fundação do Escotismo,
a UEB realiza entre 14 e 24 de fevereiro de 1957, na enseada de Tubiacanga, na ilha do
Governador, Rio de Janeiro, o II Ajuri Nacional Escoteiro, cuja canção, de autoria de João
Ribeiro dos Santos, é lembrada até hoje. Participaram delegações do Amapá, Pará, Paraíba,
Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito
Federal, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul. A abertura, no dia 16, contou
com a presença do presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira; no dia 24, após
a missa campal, rezada pelo cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, D. Jaime de Barros Câmara,
foi encerrado o evento. O chefe de campo foi Geraldo Hugo Nunes, tendo a equipe sido
composta por doutor Carlos Gusmão de Oliveira Lima, assistente técnico; doutor Walter da
Costa Quintão, assistente administrativo; Vicente Leandro Lago Rey, assistente de finanças;
professor Theodorico Castelo, secretário executivo; Wilson Correa Stuck, comissário de
Alimentação; general doutor Bonifácio A. Borba, comissário de Assistência Religiosa e de
Recepção; José Gomes Cavaco, comissário de Demonstrações e Fogo de Conselho; Castelar
de Miranda, comissário de Combustível e Madeira; major doutor Mario Jardim Freire,
comissário de Higiene e Saúde; Sylvio Mandarino, comissário de Natação; Luiz Bravo,

204
comissário de Propaganda; coronel Diniz Luiz Nunes Filho, comissário de Proteção e
Incêndio; Álvaro Pereira Garro, comissário de Transporte; Iguatemy do Amaral, comissário
de Vigilância.
Nesse mesmo mês, entre os dias 21 e 28, foi realizada no Rio de Janeiro a IV Conferência
Escoteira Interamericana, tendo o presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira,
recebido os participantes no Palácio de Petrópolis. Participaram 76 delegados representando
as associações escoteiras da Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Chile,
Equador, El Salvador, Estados Unidos, Guatemala, México, Paraguai, Peru, República
Dominicana, Uruguai e Venezuela. Representou o Comitê Mundial de Escotismo, o senhor
Jean Salvaj. O evento foi realizado em dependências da Escola Naval, na ilha de Villegagnon,
onde boa parte dos participantes ficou também alojada. No temário da conferência figuravam
quatro pontos de alta importância: “A personalidade de Baden-Powell”, abordando vários
aspectos da vida do fundador; “A Missão dos Adultos no Movimento Escoteiro”; “Campanha
de Expansão e proselitismo para as Associações da América Latina”; e “Plano Latino-
Americano de Conservação dos Recursos Naturais”. No dia 21 foi inaugurada a Exposição
Escoteira Interamericana, pelo ministro da Educação e Cultura, nos salões do ministério,
com mostruários de uniformes, bandeiras, material de campo, fotografias, gráficos, literatura
etc. A UEB e a FBB ofereceram um banquete de confraternização. No dia 24, domingo, foi
oferecido um passeio a Petrópolis, incluindo a visita ao Palácio de Verão do governo brasileiro,
onde os participantes foram recebidos pelo presidente da República, Juscelino Kubitschek
de Oliveira, seguindo-se uma recepção na residência do presidente da UEB, doutor Mauro
Jopper, e de um banquete no Hotel Quitandinha. Os membros da conferência participaram
da inauguração da praça Baden-Powell, no Leblon. O encerramento da conferência foi no
Palácio do Ministério das Relações Exteriores, seguido de banquete no Clube Naval374.
Em 22 de fevereiro de 1957, após um ano de meticulosa preparação, com centenas
de cartas enviadas aos automóveis clubes, touring clubes e associações escoteiras, buscando
mapas e informações, e organização de um plano de viagem geral da expedição, os pioneiros
e chefes Antonio Gabriel Paula Fonseca Junior, de 19 anos, Everardo de Mello Nogueira,
de 23 anos, e Paulo Pinheiro de Andrade, de 19 anos, partiram, em navio, para Cape Town,
na África do Sul, ponto de partida para a travessia da África em um jipe375. Daí seguiram
para Johannesburg, no Transvaal, onde veio o primeiro grande contratempo, com a hepatite
infecciosa de Everardo, contraída em Mafeking, obrigando a hospitalização por mais de um
mês, enquanto os outros, cumprindo planos e datas, seguiam viagem. Atravessaram Natal,
Orange, o Protetorado da Bechuanalândia e o Transvaal; continuaram pela Rodésia do
Sul, cataratas Vitória, Rodésia do Norte, Tanganika, onde subiram o Kilimanjaro, de 6.000
metros de altura, sendo os primeiros brasileiros que tentaram a façanha, mas ficaram a
200 metros do cume, por problemas com a altitude. Depois entraram no Quênia, visitaram
o túmulo de B-P em Nieri, depositando uma placa de bronze da UEB e da expedição, no
Museu Baden-Powell. A viagem continuou por Uganda, Sudão, Kartum, cataratas do Nilo e
Assuan, as pirâmides do Egito, até o Cairo. Devido aos conflitos entre Israel e Egito, tiveram

205
que seguir de navio até o Líbano, onde reencontraram o Everardo, que seguira viagem após
a alta hospitalar em carona com engenheiros ingleses, mas passando por Zanzibar, tendo
depois tentado e conseguido escalar o Kilimanjaro, tornando-se o primeiro brasileiro a
realizar esta proeza. Infelizmente, o esforço físico foi demasiado e ele caiu doente novemente,
seguindo então, por recomendações médicas, direto para Paris. Os companheiros seguem
viagem pela Síria, Turquia, Grécia, Iugoslávia, Itália, Suíça e França, onde mais uma vez
reencontraram o Everardo. Daí, seguiram para a Inglaterra, onde chegaram em 31 de julho,
a tempo de participarem do Jamboree Mundial, como fora planejado. Terminado o jamboree,
enquanto Antonio Gabriel seguiu viagem pela Europa com seus avós, Paulo e Everardo
prosseguiram para o norte da Inglaterra, de onde viajaram para a Noruega, excursionando
nesse país até a pequena vila de Honningevag. Voltando, passaram pela Lapônia, Finlândia,
Suécia, Dinamarca, Alemanha, Bélgica e França, onde o trio se reuniu novamente. Everardo,
adoentado, retorna ao Brasil por avião. Mas a expedição Baden-Powell continuou. Os
expedicionários embarcaram de navio para a América do Sul, escalando em Porto Rico,
Guadalupe, Martinica, até La Guaíra, onde tomaram a estrada para Caracas, Bogotá, Quito,
Lima e Santiago.
Inaugurada, em 26/2/1957, no Rio de Janeiro, a praça Baden-Powell376.
Em 28 de março de 1957, a Federação das Bandeirantes do Brasil envia
correspondência ao almirante Benjamin Sodré solicitando que na próxima edição do Guia do
Escoteiro seja subtraída do livro a seção referente ao bandeirantismo, sob a alegação de que
a FBB acabara de publicar o Livro de Baden-Powell para fadas, bandeirantes, guias e chefes,
uma tradução para o português do livro Girl Guiding, de Baden-Powell. Sodré atendeu a
solicitação, embora manifestasse pesar em carta resposta377.
Realizada, em 29 de abril, no auditório da Kosmos Capitalização, no Rio de Janeiro/
RJ, a reunião do Conselho Nacional. Renovado um terço dos membros do Conselho Nacional.
O “Centenário do Fundador” e o “Cinquentenário do Escotismo” foram comemorados,
em nível mundial, com a realização do IX Jamboree Mundial, um Moot e uma indaba, todos
entre 1º e 12 de agosto, em Sutton Park, Sutton Coldfield, Warwicshire, na Inglaterra. A
conferência mundial foi realizada de 13 a 17 de agosto na Universidade de Cambridge. A
UEB se fez representar em todos esses eventos. A chefia geral da delegação coube ao doutor
João Ribeiro dos Santos, comissário nacional de pioneiros e ADCC, auxiliado pelo doutor
Walter da Costa Quintão, comissário nacional de escoteiros do mar. A tropa de escoteiros foi
chefiada pelo doutor Ryozo Osoegawa, tendo como assistentes o major doutor Mario Jardim
Freire e o senhor Paulo M. de Arruda Botelho. A chefia da delegação ao Moot foi confiada a
Carlos Eduardo Uchôa Fagundes. A delegação à indaba foi chefiada por João Ribeiro e Walter
Quintão. Membros juvenis: Patrulha 1: Luis Eduardo Ribeiro de Alencar (DF), Vinicius José
Nogueira Caldeira Brant (MG), Ovídio Gouveia da Cunha Filho (DF), Paulo Chiabi Saliba
(MG), José Fernando Werneck Shuster (DF), Carlos Alberto Caldas Viana (DF); Patrulha
2: José Seishum Hanashiro (SP), Sylvio Brack (DF), Márcio Miller dos Santos (DF), Moacir
Mallemont Rebello Filho (DF), Ciro Kimura (SP), Paulo Kiyokasu Hanashiro (SP); Patrulha

206
3: Anacleto Seitetsu Hanashiro (SP), Rogério Moro (PR), Ricardo Itsuo Ohtake (SP), Hideo
Hama (SP), Kenzo Hori (SP), Toshio Amano (SP), Samuel Scolnicov (DF), Artur Manoel
Iwersen Neto (PR); Patrulha 4: Eduardo Horácio Lane (SP), Leslie Ermen (DF), Arndt
Georg Meyer (RJ), Agnelo Saggesse (SP), Arnaldo Flacks (SP), Flávio Gikovate (SP),
Roberto Luiz Linares (SP), João Renison Downey (SP). Os participantes do Rover Moot
foram: Carlos Eduardo Uchôa Fagundes, Christian von Ysenburg (SP), Luiz Gastão Blanc
(PR), Jayme Hermann, Eduardo Tigre de Barros Rodrigues e Samuel Kauffmann (DF). O
contingente da indaba: João Ribeiro dos Santos, Walter da Costa Quintão, Carlos Gusmão
de Oliveira Lima, Luiz Diniz Pinto Bravo, Castellar Miranda, Henrique Luiz Soares do
Couto Escher Filho, Joaquim Brito de Araújo, Everardo de Mello Nogueira, Paulo Pinheiro
de Andrade, Antonio Gabriel Paula Fonseca Junior e Mary Lucy Câmara Pôrto, todos
do Distrito Federal, Hiroshi Obata e Luiza Hosoe, de São Paulo, José Garcia Fernandes e
Albino Cavazza, de Minas Gerais378.
Em Porto Alegre, o então prefeito municipal, Leonel Brizola, doou à UEB/RS o
terreno de 1.156 hectares em Viamão/RS, onde foi construído o Campo-Escola João Ribeiro
dos Santos, também conhecido como parque Saint Hilaire. Nesse local foram realizadas
centenas de cursos e atividades escoteiras, incluindo um jamboree pan-americano, em 1981.
O chefe Lino Augusto Schiefferdecker contou como isso aconteceu:

Em 1957, nós queríamos ter um Campo Escola nosso. Encontramos um ex-escoteiro,


Kurt Mentz, que era amigo de Leonel Brizola, então prefeito, e agendou uma audiência.
Brizola marcou, então, um encontro na parada 35 de Lomba do Sabão para vermos
uma área para o Escotismo. Chamamos os guris que não tinham aula no sábado pela
manhã e fizemos um acampamento no local. Quando o Brizola chegou à tarde, já tinha
um mastro para ele hastear a bandeira. Naquela área é que foi fundado o Parque Saint
Hilaire. Uma das nossas obrigações, como escoteiros, era a construção de telheiros
para a população de Porto Alegre utilizar nos finais de semana. O Prefeito Leonel de
Moura Brizola iria apoiar o Campo Escola com a construção de um conjunto de salas
para reuniões e sessões de Cursos379.

Em julho de 1957, o Brasil sedia, no Hotel Quitandinha, em Petrópolis/RJ, a XVI


Conferência Mundial de Bandeirantes, com a participação de 28 países380.
Completou-se, em 30 de dezembro de 1957, a unificação do Escotismo brasileiro com
a integração da Federação Brasileira de Escoteiros do Ar à UEB. A solenidade foi realizada
na sede da UEB, à avenida Rio Branco, 108, 3º andar, sendo dirigida pelo presidente da UEB,
engenheiro Mauro Joppert. Em nome dos escoteiros do ar, falou o presidente da extinta
FBEAr, doutor João Nicolau Mader Gonçalves, que manifestou o contentamento de todos
pela complementação da união dos escoteiros da terra, do mar e do ar381. O grande artífice
da incorporação da FBEAr à UEB foi José de Araújo Filho, o então comissário nacional da
UEB, que promoveu reuniões, conversas e argumentações para convencer os remanescentes

207
da FBEAr a abandonarem posições radicais que somente prejudicavam os jovens, em prol da
união do Escotismo brasileiro382.

1958
Instalada a Região Escoteira de Alagoas383.
Realizada, em 30 de abril de 1958, no Clube de Engenharia, Rio de Janeiro/DF, a
reunião ordinária do Conselho Nacional384.
A Região Escoteira do Paraná recebeu, por decreto do governador Moysés Lupion,
a doação de um terreno de 40 mil metros quadrados para instalação do Campo Escola
Regional, próximo a Curitiba385.
Em 29 de março, foi entregue à cidade de São Paulo, busto em bronze de Baden-
Powell, oferecido pela Comissão Executiva Regional. O trabalho, de autoria do escultor
Vicente Larocca, professor da Escola de Belas Artes de São Paulo, foi instalado em um
ângulo da praça da República, em frente ao Cine República que se ergue no local onde ficava
o antigo Palácio dos Cristais, onde foi fundada a Associação Brasileira de Escoteiros em
1914386.
João Ribeiro dos Santos participou do primeiro curso de formação de Deputy Camp
Chief (DCC) – atualmente chamados de Diretor de Curso da Insígnia de Madeira (DCIM)
–, realizado em Kingston, na Jamaica, de 29 de março a 2 de abril de 1959. O curso foi
dirigido pelo chefe de campo de Gilwell Park, John S. Thurman. Após o curso foi realizada,
de 3 a 7 de abril, no Shortwood College, a 2ª Conferência da Equipe de Adestramento do
Hemisfério Ocidental. A UEB foi representada por João Ribeiro, que apresentou propostas
e sugestões elaboradas pela Equipe Nacional de Adestramento387.
De 19 a 26 de abril de 1958, foi realizada, no Rio de Janeiro, a Semana Filatélica
Escoteira, que constou da exposição de selos escoteiros do Brasil e do mundo, palestras e
sorteio de selos para distribuição aos escoteiros388.
A empresa Myrta S.A. Indústria e Comércio, que distribui estampas ilustradas com
o sabonete Eucalol, de sua fabricação, editou uma coleção de estampas em homenagem ao
cinquentenário do Escotismo. Essas estampas poderão ser reunidas num álbum distribuído
pela mesma empresa, constituindo valiosa divulgação popular do Movimento389.
Foi realizado, em Mendham, New Jersey, o 2º Curso de Comissários Executivos
organizado pelo Conselho Interamericano. A UEB foi beneficiada com uma bolsa oferecida
pelo senhor William D. Campbel por intermédio do Conselho Interamericano, que
possibilitou, com o auxílio da Região do Distrito Federal e da própria UEB, enviar o chefe
doutor Carlos Gusmão de Oliveira Lima390.
A UEB assinou convênio com o SESC para criação e apoio de grupos escoteiros, que
incluiu a contratação de pessoa experiente para fazer o proselitismo, orientar e auxiliar os

208
grupos, sendo indicado o chefe Aarão Pimentel Chesquis, que foi também nomeado para o
cargo (voluntário) de comissário viajante da UEB para, aproveitando as viagens pelo SESC,
visitar oficialmente as regiões escoteiras para maior intercâmbio com a entidade nacional391.
Realizado o Cruzeiro da Fraternidade, na baía de Guanabara, reunindo 200 escoteiros
do mar em 14 embarcações e duração de oito dias392.
A UEB recebeu o auxílio especial de Cr$ 2.500.000,00 concedido pelo governo
federal, de acordo com a Lei nº 3.251, de 1957393.
A Equipe Nacional de Adestramento, coordenada pelo DCC Orestes Pero e com a
participação do DCC João Ribeiro dos Santos, akelá líder George Duncan Shellard, e ADCCs
Carlos Gusmão de Oliveira Lima e João Fernandes Brito, realizou Cursos da Insígnia de
Madeira no Rio Grande do Sul, com participação de chefes do Uruguai e Argentina, e em
São Paulo. Em 1958, foram realizados quatro cursos preliminares para chefes de lobinhos,
cinco cursos preliminares para chefes de escoteiros, um curso da Insígnia de Madeira para
chefes de escoteiros e um Curso da Insígnia para chefes de lobinhos394.
Lançado, em 1958, o Guia do Lobinho, de autoria de Carlos Gusmão de Oliveira Lima.
Este foi o primeiro livro para lobinhos editado no Brasil.
O censo nacional 1958 informa a existência de 2.554 lobinhos, 4.191 escoteiros, 332
escoteiros do mar, 516 escoteiros do ar, 974 seniores, 251 seniores do mar, 203 seniores do
ar, 236 pioneiros, 49 pioneiros do mar, 48 pioneiros do ar, 874 chefes, 32 instrutores, 1.347
dirigentes e 1.519 antigos escoteiros, num total de 13.126 membros, que somados a 807
membros de conselhos nacionais e regionais pelo Escotismo e comunidade perfazem o total
de 13.997. Ressalte-se que cerca d e 40% dos boletins de censo enviados aos grupos não
foram devolvidos395.
Inaugurada, em 1958, a sede nacional da Federação das Bandeirantes do Brasil,
na avenida Marechal Câmara, 186, Rio de Janeiro/RJ. O terreno foi doado pelo governo
de Getúlio Vargas. A sede foi construída com renda obtida em campanha nacional com
participação de bandeirantes de todos os ramos e doações de amigos, comércio, bancos e
empresas em geral396.

1959

Aprovado pelo Conselho Nacional, em fevereiro de 1959, o texto do Princípios,


Organização e Regras (POR).Trata-se de um regulamento cujos enunciados já se
encontravam na bibliografia escoteira, acrescidas de outras baseadas na experiência de outros
países. A principal novidade do POR é a regulamentação da função do comissário distrital
que recebeu todos os poderes para orientar, criar e desenvolver as organizações escoteiras de
sua área. A soma de atribuições conferidas ao comissário distrital e ao conselho local, além
de representar o fruto da experiência de associações escoteiras mais desenvolvidas, é de uma
necessidade clarividente. Dentro do conceito de descentralização das funções executoras, a

209
coordenação direta dos grupos escoteiros não estaria bem colocada se continuasse retida no
poder estadual, pois os acontecimentos se processam no âmbito municipal ou local, onde o
poder estadual não poderia exercer a ação de presença, que quase sempre permite resolver
os problemas de uma maneira mais imediata e aceitável397. O POR somente seria publicado
no ano seguinte, 1960.
No dia 14 de abril de 1959, o almirante Benjamin Sodré, o Velho Lobo, foi o
homenageado no programa de televisão Esta é a Sua Vida. Muito emocionado, o Velho Lobo
viu a sua vida em alguns minutos do programa, reviu amigos e um grande número de
escotistas que compareceram ao auditório da emissora de TV. No sábado anterior, havia
sido publicada a quarta edição do seu Guia do Escoteiro, que alcançou um total de 31 mil
exemplares já publicados398.
Durante a reunião do Conselho Nacional, é eleita a Comissão Executiva Nacional para
o triênio 1959/1962, composta por: presidente do Conselho Nacional e Comissão Executiva
Nacional, almirante Jorge Dodsworth Martins; escoteiro-chefe, vice-almirante José de
Araújo Filho; primeiro tesoureiro, doutor Ernesto Pereira Carneiro Sobrinho; segundo
tesoureiro, doutor Walter da Costa Quintão; secretário de Relações Públicas, coronel
Terêncio Furtado de Mendonça Porto; comissário internacional, doutor Fernando Mibieli
de Carvalho. Em 28 de dezembro, devido ter ido residir no exterior, o doutor Fernando
Mibieli de Carvalho foi substituído pelo doutor Mauro Viellefon Galliez399.
Em 26 de abril de 1959, no encerramento da Semana Escoteira, é entregue ao sênior
Ovídio Gouveia da Cunha Filho, do 75º GB Grupo Escoteiro do Ar Baden-Powell, o título de
“Escoteiro da Pátria”. Ovídio é o primeiro sênior da modalidade do Ar a receber o distintivo
máximo do ramo400.
Realizada, em 28 de abril, no Clube de Engenharia, a reunião do Conselho Nacional.
Foi rejeitada proposta de alteração na Lei Escoteira, mas aprovada alteração no segundo
artigo da Lei do Lobinho, para torná-lo mais positivo. Foram eleitos novos membros do
Conselho Nacional e da Comissão Executiva Nacional para o triênio 1959/1962, composta
por: presidente, almirante Jorge Dodsworth Martins; escoteiro-chefe, almirante José de
Araújo Filho; secretário de Relações Públicas, coronel Terêncio Furtado Porto; primeiro
tesoureiro, doutor Pereira Carneiro; segundo tesoureiro, Walter da Costa Quintão. O
plenário decidiu criar comissão para estudar o surgimento do Escotismo no Brasil, que
ficou composta por: almirante Benjamin Sodré, general Bonifácio Borba, professor Gabriel
Skinner e os presidentes das Regiões do Distrito Federal e São Paulo (ou seus representantes),
atuando o doutor Carlos Gusmão de Oliveira Lima como secretário401.
Em maio de 1959, Lady Olave Baden-Powell, naquele tempo a mulher mais viajada
do mundo, visita o Brasil, sendo recebida por concentrações, em reuniões e em fogos de
conselhos de escoteiros e bandeirantes nas cidades de Recife, Salvador, Rio de Janeiro, São
Paulo e Porto Alegre402.

210
Em 17 de agosto de 1959, a comissão especial para analisar o início do Escotismo no
Brasil emitiu seu parecer, concluindo que “deve ser estabelecida a data de 14 de junho de
1910 para assinalar o início do Escotismo no Brasil”, e “deve ser estabelecida a data de 29
de novembro de 1914 para assinalar a organização da primeira entidade do Escotismo no
Brasil”403. A primeira data corresponde à fundação do Centro de Boy Scouts do Brasil, no Rio
de Janeiro; a segunda data corresponde à fundação da Associação Brasileira de Escoteiros,
em São Paulo.
Cooperando com a campanha de difusão do Escotismo, o Serviço Social do Comércio
(SESC) editou os livros Como Organizar um Grupo de Escoteiros e Como Conseguir um Chefe em
Seis Passos. A UEB publicou os novos Estatutos e a Assistência Religiosa Católica publicou
o livro de provas religiosas para lobinhos Começo de Pista.
Entre 22 e 24 de setembro, foi realizado o Jamboree no Ar, com expressiva participação
escoteira.
Por decreto do prefeito Wilson de Oliveira, foi denominada “Praça dos Escoteiros”
um logradouro próximo ao centro da cidade de Niterói, junto à avenida Amaral Peixoto.
Teve grande repercussão em todo o país, e especialmente no Rio Grande do Sul, a
atuação dos escoteiros daquele estado em favor dos flagelados das enchentes locais em 1959.
Entre 2 e 5 de julho, em Lugano, na Suíça, foi realizada a XV Conferência Internacional
do Escotismo Católico. O Brasil esteve representado pelo assistente nacional católico, frei
Metódio de Haas, OFM, sendo nessa oportunidade aceita nossa inscrição como primeiro
membro da conferência fora da comunidade europeia404.
Chefes e pioneiros gaúchos que integram o Batalhão Suez resolveram criar uma
equipe de pioneiros enquanto atuando no Egito. Fazem parte do grupo: o tenente Arthur
Otto Muller, que pertence ao 1º RS GE Georg Black, e o cabo Gustavo Krelo, do Grupo
Guia Lopes, também de Porto Alegre405.
Realizado um Curso de Patrão na Região do Distrito Federal.
Realizado um concurso nacional de aeromodelismo por ocasião das comemorações
da Semana da Asa.
A Região de Sergipe realizou, no mês de janeiro, o Acampamento Regional de
Patrulhas do Nordeste, com escoteiros de Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe.
A Região do Paraná realizou, entre 7 e 13 de janeiro, seu VII Acampamento Regional.
Iniciada a implantação das “cantinas regionais”. Já se encontram em operação as
filiais de Porto Alegre e São Paulo.
Atendendo a convite da Associação Escoteira do Chile, a UEB fez-se representar por
uma delegação de 11 escoteiros e cinco chefes na Campamento Internacional de Patrullas,
realizado em setembro, nas proximidades de Santiago. Os participantes foram transportados
em avião da Força Aérea Brasileira406.
O comissário nacional de Adestramento, doutor João Ribeiro dos Santos, foi
designado para o cargo de aquelá líder, cumulativamente com o de chefe de campo (DCC).
George Duncan Shellard passou de aquelá líder para DCC.

211
A Equipe Nacional de Adestramento era composta por: doutor João Ribeiro dos
Santos, (DC0 e aquelá líder); George Duncan Shellard (DCC); Klaus Peter Igersheimmer
(ADCC); doutor Carlos Gusmão de Oliveira Lima ([Link].L e ADCC); João Fernandes Brito
(ADCC); doutor Francisco Floriano de Paula (ADCC); doutor Ryozo Osoegawa (ADCC);
Sara Camargo Penteado ([Link].L.); Lino Augusto Schiefferdecker (ADCC); Aarão Pimentel
Chesquis (ADCC, [Link].L.); Salette Cunha Chesquis ([Link].L.); Luiza Hosoe ([Link].L.);
Hernani Aquini Fernandes Chaves ([Link].L.); Ilza Lisboa do Nascimento ([Link].L.); Arnaldo
Machado Florence (ADCC).
Em 23 de dezembro, foi assinado um convênio entre o governo do Estado de São
Paulo e a Região Escoteira de São Paulo, pelo qual todos os grupos escoteiros orientados
pelo Serviço das Instituições Auxiliares da Secretaria de Educação passaram à jurisdição da
UEB, assim como os que venham a ser fundados futuramente. Este convênio incorporou à
UEB cerca de 2.000 escoteiros407.

1960

Em 17 de janeiro de 1960, em circular assinada pelo presidente da UEB, foi


oficializada a data de fundação do Escotismo no Brasil como sendo 14 de junho de 1910.
Esta oficialização foi resultado de uma campanha promovida pelo jornal Correio da Manhã
para o esclarecimento histórico. O almirante Jorge Dodsworth Martins declarou:

Tenho a satisfação de comunicar-lhe que a Comissão Executiva Nacional, em reunião


conjunta com a Comissão Especial designada pelo Conselho Nacional, examinou
os informes e a documentação recolhida pela aludida Comissão Especial e aprovou
a conclusão dessa Comissão que comprova a data de 14 de junho de 1910 como a
de instalação, na Cidade do Rio de Janeiro, da Tropa de Escoteiros ‘Centro de Boy
Scouts do Brasil’, primeira tropa em nossa Pátria408.

Em 21 de abril de 1960, data da fundação de Brasília, um grupo escoteiro fez, na


capela do Palácio da Alvorada, a guarda de honra do presidente Juscelino Kubitschek,
presidente de honra da UEB e família, quando estes receberam a benção do bispo da capital.
Em 24 de abril, foi realizada uma grande concentração no campo do Russel para a
cerimônia de despedida do nome da Região de Distrito Federal e de recepção do novo nome
de Região da Guanabara. Os presentes formaram um grande círculo e cantaram a canção da
despedida, seguida da queima dos distintivos da Região de Distrito Federal numa fogueira
no centro do círculo. Em prosseguimento, foi cantado o hino Alerta em homenagem ao novo
nome409.
O relatório anual referente a 1959, publicado em 29/04/1960, apresenta um censo
com um total de 13.933 membros registrados, sendo 2.554 lobinhos, 4.191 escoteiros, 332

212
escoteiros do mar, 516 escoteiros do ar, 974 seniores, 251 seniores do mar, 203 seniores
do ar, 236 pioneiros, 49 pioneiros do mar, 48 pioneiros do ar, 874 chefes, 32 instrutores,
1.347 dirigentes, 1.519 antigos escoteiros. O maior efetivo regional é da Guanabara, com
3.368, seguido por São Paulo, com 2.526, Rio Grande do Sul, com 1.872, e Estado do Rio de
Janeiro, com 1.055410.
Em reunião de 29 de abril de 1960, no Cube de Engenharia, Rio de Janeiro/GB, o
Conselho Nacional da UEB alterou o Estatuto para que a sede nacional da entidade fosse
mantida na cidade do Rio de Janeiro e não ser transferida para Brasília. Na nova capital da
República, seria criado um distrito escoteiro diretamente subordinado à direção nacional.
O conselho aprovou ainda a concessão da Cruz de São Jorge a todos os ex-presidentes, ex-
comissários técnicos, ex-comissários nacionais, ainda vivos, e aos iniciadores do Movimento
Escoteiro, também ainda vivos411.
No dia 14 de junho de 1960, foi realizada cerimônia comemorativa aos 50 anos do
Escotismo no Brasil, na rua do Chichorro, 13, onde foi fundado, em 1910, o Centro de Boy
Scouts do Brasil. Foi colocada uma placa alusiva ao evento. O presidente da UEB, almirante
Jorge Dodsworth Martins abriu a cerimônia e ofereceu a palavra ao senhor M. Paulo Filho,
diretor do jornal Correio da Manhã, que patrocinou o evento e é apoiador do Escotismo.
Coube ao senhor Álvaro Correa, um dos primeiros escoteiros brasileiros, agradecer a
homenagem prestada aos fundadores, pois o orador programado, o senhor Floriano Reis, em
virtude de doença, não pode comparecer à solenidade. Em seu discurso, o orador lembrou as
dificuldades que surgiram há 50 anos para Amélio Azevedo Marques e outros companheiros
implantarem o Escotismo em nosso país. A homenagem que os escoteiros de hoje prestavam
aos antigos, disse, era prova de que o ideal havia sido implantado. Agradeceu, comovido,
a homenagem em seu nome, no de Floriano Reis e no de todos que foram pioneiros no
Movimento em nosso país. Em continuação ao programa, a senhora Darwina Drummond,
filha de um dos primeiros chefes, o tenente Drummond, fez a entrega à UEB de uma
corneta que pertenceu ao Centro de Boy Scouts do Brasil. Essa peça histórica é talvez a
única dos nossos primeiros dias do Movimento em nosso país. O escoteiro-chefe, almirante
José de Araújo Filho, agradeceu em nome da UEB. A cerimônia foi encerrada com o hino
Alerta. Com início às 18 horas do mesmo dia, foi realizada, no auditório do Instituto dos
Comerciários, sessão magna comemorativa do cinquentenário de fundação do Escotismo
no Brasil. Após a entrada das bandeiras de todos os estados, foi cantado o Hino Nacional e,
a seguir, apresentada palestra pelo ex-presidente da UEB, Victor C. Bouças, que convidou
os antigos escoteiros a renovarem a Promessa Escoteira e receberem uma Flor de Lis de
lapela. Após pronunciamento do antigo escoteiro professor Américo Jacobina Lacombe, foi
entregue a condecoração Cruz de São Jorge aos membros (ou a seus descendentes) do 1º
Grupo Escoteiro do Brasil, o Centro de Boy Scouts do Brasil: Amélio Azevedo Marques,
Bernardino Corrêa, Francisco Faustino dos Santos, Renel A. Bigarel, Julio F. Braga, B. de
Souza Tornel, H. Alves Simas, F. Aggeu de Araújo, J. Carlos Holand e Floriano Reis; ao
professor Georg Black (homenagem póstuma); aos ex-presidentes da UEB: doutor Affonso

213
Penna Junior, doutor Mozart Lago, coronel Napoleão de Alencastro Guimarãres, general
doutor Bonifácio Antonio Borba, marechal Heitor Augusto Borges, professor doutor João
Batista de Mello e Souza e Mauro Joppert; ao ex-comissário técnico da UEB, almirante
Benjamin Sodré, ao ex-comissário nacional Gelmirez de Mello e ao ex-vice-presidente,
reverendo doutor Euclydes Deslandes. A seguir, falou o doutor Affonso Penna Junior, ex-
presidente da UEB. Foi cantado o hino Alerta e, finalmente, entregue o Tapir de Prata
ao chefe doutor João Ribeiro dos Santos. A sessão foi encerrada com o canto do Hino da
Bandeira e a retirada das bandeiras412,413.

Em 1960, de 21 a 29 de julho, é realizado um A.I.P. na Vila Albano, em Jacarapaguá,


no Rio de Janeiro, coordenado pelo chefe Geraldo Hugo Nunes e comemorando os 50 anos
do Escotismo no Brasil414.
Lançado, em julho de 1960, o long-play do Trio Iraquitã com músicas escoteiras e
tendo na capa os três componentes em uniforme escoteiro415.
Em 1960, de 28/10 a 01/11, foi realizado o primeiro curso “Adestrando a Equipe”
–Training the Team (TTT) – em nosso país, no parque Saint-Hillaire, em Porto Alegre/
RS416. A equipe era composta417 pelo diretor John Thurman, então chefe de campo de
Gilwell Park, auxiliado por John MacGregor, Salvador Fernandez Bertrán, Irving Jones,
Toby Shellard, Léo Borges Fortes e João Ribeiro dos Santos. Os alunos foram divididos
pelas seguintes matilhas e patrulhas: Matilha Marrom: Maria Pérola Sodré (RJ), Ilza Lisboa

214
do Nascimento (SP), Hernani Aquini Fernandes Chaves (BA), Jurandyr Durval Cordeiro
(RJ), Emborg Avila Cereceda (Chile), Alfredo Jaime Best (Uruguai); Matilha Preta: Sarah
Soares de C. Penteado (SP), Alberto Lassus (Argentina), Ruth Julieta Brighenti (SP),
Carlos Gusmão de O. Lima (RJ), Célia Soares de Brito (RJ), Aarão Pimentel Chesquis (RJ);
Patrulha Touro: Rafael Morelli Columbres (Uruguai), João Fernandes Brito (RJ), Luiz
Alfaro Moreno (Peru), Ido Ernesto Gunther (RS), Adelk Bistão (SP), Rafael A. Cisneros
Mantilla (Venezuela), Jaime Isaza Romero (Colômbia); Patrulha Coruja: Ryozo Osoegawa
(SP), Byron Edward Luckett (USA), Adolfo Aristigueta-Gramko (Venezuela), Helio Pinto
Carneiro (RJ), Mario Jardim Freire (RJ), padre Carmelo de Montivideo (Uruguai), Hector
Rogelio Concha Arenas (Chile); Patrulha Maçarico: Luis Hernán Sarey Derpic (Chile) Lino
Augusto Schiefferdecker (RS), Earl Welch Robinson (USA), Geraldo Hugo Nunes (RJ),
Ushio Ohtake (SP), Santiago Milton Severi Viola (Uruguai), Francisco Floriano de Paula
(MG); Patrulha Corvo: Humberto Pasos (Canadá), Klaus Peter Igersheimer (SP), John F.
Lott (USA), Walter da Costa Quintão (RJ), Gabriel Gazsó (Venezuela), José Pavez Orellana
(Chile), frei Metódio de Haas (RJ); Patrulha Cuco: Arnaldo Machado Florence (SP), Franck
W Klein (USA), Georges Heribert de Baere (SP), Sérgio González Ravest (Chile), Darcy
Malta (MG), Jaime Garreta (Peru).
Após o curso, de 3 a 6 de novembro no Grande Hotel de Canela, foi realizada a
3ª Conferência da Equipe Internacional de Adestramento do Hemisfério Ocidental,
atualmente chamada de Região Interamericana. O evento contou com a presença do diretor
do Escritório Escoteiro Mundial, general D. C. Spry, ocorrendo também uma reunião da
Comissão Mundial de Adestramento.
É publicado pela UEB, pela primeira vez, o livro Princípios, Organização e Regras
(POR). Baseado em publicação semelhante (Policy, organization and rules) da The Boy Scout
Association, este livro passou a ser a referência para a organização técnica e administrativa
da UEB em todos os seus níveis418.
Criada a Insígnia de B-P para o ramo pioneiro419.

1961

Com delegação composta por escoteiros da Guanabara e do Rio Grande do Sul,


representou a UEB no Acampamento Internacional de Patrulhas realizado em Buenos
Aires, Argentina, no mês de janeiro de 1961. A delegação foi chefiada pelo escotista gaúcho
Claus Mohr. A viagem, de trem, ônibus e navio, levou 37 horas, passando por Porto Alegre,
Santana do Livramento, Rivera, Santa Maria e Montevidéu420.
Em 1961, realiza-se em Caracas, na Venezuela, a V Conferência Escoteira
Interamericana, com a participação do escoteiro-chefe José de Araújo Filho e de João Ribeiro
dos Santos, então comissário nacional de Adestramento da UEB, que apresentou o Tema
I – “Os Adultos no Movimento Escoteiro”–, que resultou na publicação do livro conjunto

215
da Editora Scout Interamericana e da UEB denominado Os dirigentes adultos no Movimento
Escoteiro, com sua primeira edição em 1962, segunda edição em 1968 e terceira edição em
1983421.
Na reunião do Conselho Nacional, realizada em 14 de abril de 1961, foram eleitos
para completar os cargos vagos de primeiro tesoureiro e de secretário de Relações Públicas,
respectivamente, os conselheiros Arthur Basbaum e Mario Marques Ramos422.
Por decisão do Conselho Nacional, o Campo-Escola Saint Hilaire, da Região do Rio
Grande do Sul, passou a ser considerado Campo de Adestramento Internacional. Esse campo
está localizado no parque Saint Hilaire, no local denominado Lomba do Sabão, na estrada
de Viamão, a 35 quilômetros de Porto Alegre/RS. Na área do campo-escola está construída
sólida casa de campo, mobiliada, com sala de reuniões para chefes, sala de reuniões para
escoteiros, dormitórios com beliches, refeitório, cozinha, almoxarifado, sanitários, possui em
centro de terreno um grande pavilhão circular para reuniões ao ar livre, construído com
troncos e cobertura de sapê423.
Adotado um novo modelo de Cartão de Identidade Escoteira, que permite a colocação,
pelo usuário, do seu retrato e assinatura424.
Em 26 de abril de 1961, a UEB divulgou o resultado do Concurso Nacional de
Eficiência Intertropas realizado ao longo do ano anterior. As tropas classificadas receberam
as flâmulas estabelecidas: de cor amarela para as tropas eficientes; de cor verde para as
tropas de eficiência especial; e o prêmio para a tropa mais eficiente de cada região, que
constou de uma barraca para seis escoteiros. As tropas premiadas425 foram:

Região da Bahia: Flâmula de Eficiência: G.E. do Mar Luís Tarquínio, G.E. Maestro
Wanderley e G.E. Fundação Gileno Amado; Tropa mais eficiente: G.E do Mar Luís
Tarquínio.

Região de Minas Gerais: Flâmula de Eficiência: G.E. Marechal Rondon (Três


Corações) e G.E. Aimoré (Tropa Monitor Osvaldo Pereira Junior); Flâmula de
Eficiência Especial: G.E. Colégio Estadual; Tropa mais eficiente: G.E Colégio
Estadual.

Região da Guanabara: Flâmula de Eficiência: G.E. Nossa Senhora Medianeira;


Flâmula de Eficiência Especial: G.E. Natalino da Costa Feijó, G.E. São Pedro de
Cascadura; Tropa mais eficiente: G.E Natalino da Costa Feijó.

De 15 a 18 de setembro, realizou-se, em Lisboa, Portugal, a III Conferência


Internacional da Equipe de Adestramento, seguida, de19 a 24 de setembro, da XVIII
Conferência Internacional Escoteira, nas quais a UEB foi representada por João Ribeiro dos
Santos426.

216
Escoteiros sêniores participaram de equipe de montanhistas que conquistou o paredão
sul do morro Dois Irmãos, no Leblon, Rio de janeiro. A via de escalada foi batizada com o
nome de “Paredão Baden-Powell” em homenagem ao fundador do Movimento Escoteiro427.
A UEB cobrou das regiões escoteiras a criação dos “Distritos Escoteiros”,
estatutariamente obrigatória, visando a descentralização administrativa, aumento de
eficiência e rendimento da organização escoteira, posto que considerava impossível ao
comissário regional, atuando da capital, atender satisfatoriamente às ocorrências de todas as
cidades da sua região.
A partir de outubro de 1961 são oficializados os livros de classe – Noviço, 2ª Classe
(1963) e Noviço 1ª Classe (1963) –, que eram escritos e editados pelo professor Francisco
Floriano de Paula, de Belo Horizonte.
Publicado o primeiro livro para escoteiros do ar no Brasil. Trata- se do Provas da
Modalidade do Ar, de Guy Burrowes428.
O Distrito Escoteiro de Brasília, diretamente subordinado à Direção Nacional, já
conta com três grupos escoteiros, sendo dois em Taguatinga e um em Brasília.
Violentos temporais e longo período de chuvas provocaram desabamentos de terra
na ilha de Boa Viagem, arrasando a sede do Grupo Gaviões do Mar, destruíram parte da
escada de acesso, impediram o caminho de entrada, derrubaram parte da canalização de
água e ameaçam derrubar a casa do vigia. A ponte de atracação necessita de reparos. A
administração da ilha está entregue à Região Escoteira do Estado do Rio de Janeiro429.
O relatório anual referente a 1961, publicado em 13/04/1962, apresenta um censo
com um total de 19.297 membros registrados, sendo 4.278 lobinhos, 6.239 escoteiros, 800
escoteiros do mar, 447 escoteiros do ar, 1.633 seniores, 356 seniores do mar, 157 seniores
do ar, 365 pioneiros, 68 pioneiros do mar, 70 pioneiros do ar, 1.515 chefes, 16 instrutores,
1.428 dirigentes, 1.209 antigos escoteiros. O maior efetivo regional é de São Paulo, com
4.574, seguido da Guanabara, com 3.336, Rio Grande do Sul, com 2.115, e Estado do Rio de
Janeiro, com 1.795430.
A Região da Guanabara realizou campanha de vacinação antirrábica nas favelas da
cidade do Rio de Janeiro. A campanha alcançou 16 favelas e vacinou 9.600 cães. Paralelamente,
foi feita ampla divulgação por meio de folhetos, cartazes e alto-falantes, sobre a necessidade
de vacinação das crianças contra a poliomielite nos postos de saúde do governo, resultando
em grande aumento do número de crianças vacinadas431.
Em 17 de dezembro, ocorreu o incêndio do Circo Americano, em Niterói, com
grande número de vítimas. Os escoteiros de Niterói, São Gonçalo e Guanabara se dirigiram,
imediata e espontaneamente, aos postos de serviço e hospitais, atuando enquanto sua
colaboração foi necessária. Logo após o incêndio, alguns escoteiros apareceram no local e
auxiliaram na organização do trânsito, colaboração na procura e identificação das vítimas,
atendimentos imediatos e de remoção dos feridos. Turmas deslocaram-se aos hospitais
públicos e particulares onde se puseram às ordens das equipes médicas e da administração,
providenciando e executando uma enorme gama de serviços que incluía auxiliares de

217
enfermagem, padioleiros, recepcionistas, serventes, cozinheiros, paioleiros, organizadores
de equipes que percorriam a cidade em busca de material cirúrgico, alimentício e rouparia,
transportadores de material, contentores da multidão desorientada e aflita em busca de
parentes, auxílio para obtenção de informações sobre os feridos etc. Muitos rapazes passaram
as noites de Natal e Ano Novo em vigília de trabalhos de enfermaria, longe de suas famílias.
Essa atuação perdurou até meados de janeiro. A escotista Maria Pérola Sodré organizou,
no Hospital Antonio Pedro, em Niterói, uma Patrulha Escoteira de acidentados, cujos
componentes, presos nos leitos e alguns totalmente enfaixados, participavam de reuniões e
treinamentos, o que contribuiu para elevar a moral e estima desses rapazes que enfrentavam
sofrimentos nas fases de transplante de tecidos e cicatrização432.
Escoteiros catarinenses prestaram relevantes serviços à comunidade durante
inundação do vale do Itajaí433.
Durante o ano foram feitas as seguintes nomeações na Equipe Nacional de
Adestramento: Aarão Pimentel Chesquis, DCCP; Georges Heribet de Baére, ADCC;
Geraldo Hugo Nunes, ADCC; Ido Ernesto Gunther, ADCC, doutor Walter da Costa
Quintão, ADCC; Célis Soares de Brito, [Link].L.; Maria Pérola Sodré, [Link].L.; Ruth Julietta
Brighenti, [Link].L. Realizados dois CIMs, sendo um CIMLob em São Paulo, e um CIMEsc,
em Salvador.
Lançamento da primeira edição brasileira do livro Escotismo para Rapazes, de B-P.
Editados ainda Para ser Escoteiro (noviço) de Francisco Floriano de Paula e folhas adicionais
do POR com desenho das especialidades de lobinhos e escoteiros seniores, modificações de
provas religiosas e acréscimos das provas religiosas católicas e israelitas. Editado o livreto
Provas da Modalidade do Ar.

1962

Eleita, em abril de 1962, a nova diretoria da UEB, composta por: presidente, Fernando
Mibieli de Carvalho; escoteiro-chefe, João Ribeiro dos Santos; primeiro tesoureiro, Arthur
Basbaum; segundo tesoureiro, Vicente Paiva de Carvalho; e secretário de Relações Públicas,
Jorge Alberto P. Lobato434.
O escoteiro-chefe João Ribeiro dos Santos representou o Escotismo na Conferência
Internacional do Serviço Social, realizada de 19 e 25 de agosto, na qual foi montado um stand
sobre “Como Organizar o Escotismo em uma Comunidade”435.
A IX Convenção Nacional do Distrito Múltiplo “L” reunida em Belo Horizonte, em
maio de 1962, aprovou proposta do Lions Clube do Rio de Janeiro, a fim de que “o Escotismo
seja objeto de amparo e apoio dos Lions Clubes, em caráter contínuo, através das Comissões
de Educação e Juventude”436.

218
Dando cumprimento à Lei Municipal 1.265, de 27 de fevereiro de 1962, o prefeito
Heitor Dias, de Salvador, efetivou a cessão à Região da Bahia do imóvel a rua José Duarte,
49437.
Foram nomeados os seguintes membros para a Comissão Nacional de Adestramento,
para assistente de deputado chefe de campo (ADCC): Darcy Malta, José de Araújo Filho,
João Francisco de Abreu e Vinicius Aguinaldo Monteiro; para assistente de aquelá líder
(AAqL): Alvaro Tavares Gomes de Souza, Paulo de Vasconcellos e Agnes Gabriella Milley
Beloquim Costa438.
A convite do Distrito Escoteiro de Rye, no Estado de New Jersey, USA, um chefe e
sete escoteiros brasileiros visitaram aquele país, tendo viajado pelo Lloyd Brasileiro, por
gentileza da direção da empresa, e solicitação do então chefe da Casa Militar da Presidência
da República, general Amaury Kruel. A delegação foi composta pelo chefe Arnaldo Carvalho
Galvão, de Brasília, e dos seguintes escoteiros e seniores: Ney Maranhão, do GE SESC
Tijuca (GB), Harald Rehder, do GE São Paulo (SP), Guilherme Calazans, do GE Cristo
Redentor (GB), Juan Eduardo Sarduy Fazecas, Luiz Paulo Carneiro Maia, José Augusto
Pereira Nunes e Arthur Costa, do GE Guilhermina Guinle (GB)439.
Os chefes Hélio Pinto Carneiro, da Guanabara, e Manoel Olympio Gomes, de São
Paulo, participaram do IV Curso Interamericano para Comissários Executivos, realizado no
Schiff Scout Reservation, nos Estados Unidos440.
Foram impressos os livros Os Dirigentes Adultos no Movimento Escoteiro, de João
Ribeiro dos Santos, e Iniciando uma Tropa Escoteira, de Orestes Pero e Aarão Pimentel
Chesquis, este último com cooperação do SESC.
Um grande número de grupos escoteiros não se registra ou deixou de renovar o
registro junto à UEB. Em 1962, renovaram o registro apenas 105 grupos e efetuaram o
registro, pela primeira vez, 42 grupos, resultando na expedição de apenas 5.447 carteiras. Por
outro lado, com base no censo de 1961 e na quantidade de grupos existentes e conhecidos, o
número real de membros é estimado em mais de 20 mil441.

1963

Em 1963, de 15 a 23 de janeiro, o parque Saint Hilaire, no Rio Grande do Sul sedia


um significativo Acampamento Internacional de Patrulhas, com expressiva presença de
escoteiros de outros países em comemoração aos 50 anos de Escotismo no Rio Grande do
Sul. Participaram escoteiros de 18 estados do Brasil, além de representantes da Argentina,
Canadá, Chile, Inglaterra, Paraguai, Peru e Uruguai. O chefe de campo foi o comissário
regional Ido Gunther. O então escoteiro-chefe João Ribeiro dos Santos visitou o acampamento
e palestrou aos chefes participantes sobre a expansão do Movimento Escoteiro no Brasil. No
dia 19, foi inaugurada, com a presença do presidente da UEB, Fernando Mibieli de Carvalho,
a nova sede do Grupo Escoteiro Georg Black 442.

219
Realizada a reunião do Conselho Nacional, em 19 de abril, no Clube de Engenharia,
Rio de Janeiro/GB.
O sênior Daniel Tornosvsky, de 15 anos, do Grupo Escoteiro do Colégio Estadual de
Belo Horizonte, foi selecionado entre 20 candidatos para participar, a convite da Associação
Canadense de Escoteiros, do jamboree nacional daquele país, de 29 de junho e 6 de julho, na
província de Alberta. Após o jamboree, Daniel fez excursão de três semanas pelo Canadá443.
Em 28 de junho de 1963, ocorreu, no centro do Rio de Janeiro, o incêndio do Edifício
Astória, que paralisou a cidade. Dezesseis grupos escoteiros acorreram ao local para ajudar
durante todo o dia444.
Realizado, na Grécia, o X Jamboree Mundial Escoteiro. A delegação brasileira, com
nove participantes, foi chefiada por George Duncan Shellard. O jamboree foi realizado na
Planície de Marathon, palco da episódica luta entre gregos e persas em 490 A.C. Dos nove
participantes, seis eram do Grupo Carajás, dos quais cinco, devido ao atraso do navio em que
viajaram até Veneza, perderam a conexão para a Grécia e iniciaram uma perambulação em
busca de transportes, o que incluiu trem, navio e táxi, e chegaram ao campo algumas horas
após a cerimônia de abertura, onde encontraram os outros três brasileiros que chegaram ao
campo no momento correto; mas somente após o quarto dia de acampamento conseguiram
receber seu material de campo, que viajou separadamente, e se instalarem completamente445.
De 25 a 29 de agosto de 1963 realizou-se em Kingston, Jamaica, a VI Conferência
Escoteira Interamericana. A UEB fez-se representar por uma delegação composta por José
de Araújo Filho, Fernando Mibieli de Carvalho, João Fernandes Brito, e Carlos Gusmão de
Oliveira Lima446.
Realizado o I Ajuri Nacional de Escoteiros do Ar, entre 24 e 27 de outubro, na Base
Aérea de Santos, sob a coordenação do chefe Jayme Janeiro Rodrigues447.
Em dezembro de 1963, o presidente da Comissão Executiva Nacional, Fernando
Mibieli de Carvalho, renunciou ao cargo devido ter ido residir no exterior. O cargo ficou
vago até março de 1964.

1964

Realizada, de 2 a 9 de janeiro de 1964, às margens da lagoa Scheid, em Cachoeira do


Sul/RS, a Senior-Sul 1964, com participação de patrulhas da Bahia, São Paulo e Rio Grande
do Sul448.
Com a eleição do vice-almirante José de Araújo para presidente do Conselho Nacional
e da Comissão Executiva Nacional em 30 de abril de 1964, por seu desejo apenas pelo prazo
necessário para a escolha de um novo presidente, foi indicado e eleito em reunião conjunta
da Comissão Executiva Nacional e Comissão Fiscal de 8 de junho de 1964, o senhor Hélio
Jacques da Silva, ficando a Comissão Executiva Nacional assim composta: presidente, Hélio
Jacques da Silva; escoteiro-chefe, doutor João Ribeiro dos Santos; primeiro tesoureiro,

220
senhor Arthur Basbaum; segundo tesoureiro, senhor Vicente Paiva de Carvalho; secretário
de Relações Públicas, senhor Jorge Alberto P. Lobato.
Com bolsas de estudo e viagem oferecidas pelo Departamento de Estado Norte-
Americano e pelo World Friendship Fund do Boy Scouts of America, assim como da
Companhia de Navegação Moore McCormack, os escotistas Oscar Wyler e Ari Gaio, da
Direção Nacional, e Adelck Bistão, Álvaro Tavares de Gomes de Souza e Jean H. L. Aubert,
de São Paulo, participaram do V Curso Interamericano para Executivos Escoteiros, realizado
entre 18 de maio e 25 de junho de 1964, no Schiff Scout Reservation. Como parte do curso,
os alunos participaram de várias atividades da BSA, visitaram a sede nacional, a sede das
Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos449,450.
Em 1964, a Equipe Nacional de Adestramento era composta por um deputado chefe
de campo pioneiro, sete deputados chefe de campo, cinco aquelás líder, 19 ADCC, 12 AAq.L,
um ADCCPi, num total de 40 membros. A equipe tem contado com o apoio dos Serviços
Aéreos Cruzeiro do Sul para realizar cursos em diversos estados451.
A UEB participou da VI Conferência Escoteira Interamericana, realizada em
Kingston, na Jamaica, com uma delegação composta por José de Araújo Filho, Fernando
Mibieli de Carvalho e João Fernandes Brito, como delegados, e Carlos Gusmão de Oliveira
Lima como assessor. Na ocasião, foi feito o lançamento oficial do I Jamboree Pan-americano,
no Rio de Janeiro, em 1965. Fernando Mibieli de Carvalho foi eleito como membro do
Comitê Interamericano de Escotismo. Após a conferência, João F. Brito e Carlos Gusmão
participaram da IV Conferência Regional de Adestramento, na qual apresentaram o tema
“Expansão do Adestramento”. Carlos Gusmão e Eugene Pfister participaram ainda do I
Curso Avançado de Executivos. Todos os eventos foram realizados em Kingston452.
Com apoio de bolsas da Embaixada norte-americana, Moore McCommarc e da
Organização dos Estados Americanos, Oscar Alberto Wyler e Paulo Ari Gaio (da Direção
Nacional), Adelck Bistão, Alvaro Tavares Gomes de Souza e Jean Aubert (da Região de São
Paulo), participaram do V Curso de Comissários Executivos realizado em Mendham, New
Jersey/EUA, nos meses de maio e junho de 1964453.
O censo escoteiro de 1964 registrou um total de 16.752 membros; porém como um
grande número de grupos com existência comprovada não foi contabilizado, estima-se um
efetivo nacional total de 26.809 membros454.

1965

Sob a chefia do doutor Mário Jardim Freire, auxiliado pelo chefe Ido Gunther, a UEB
foi representada no Acampamento Internacional de Patrulhas no Paraguai, de 15 a 24 de
janeiro, com 23 chefes e 34 escoteiros, das Regiões do Rio de Janeiro, Guanabara, São Paulo
e Rio Grande do Sul455.

221
Eleita, em abril de 1965, para o triênio 1965-1968, a nova Comissão Executiva
Nacional, composta por: presidente, doutor Antonio Salém; escoteiro-chefe, engenheiro
André Pereira Leite; diretor de Finanças, Vicente Paiva de Carvalho; diretor tesoureiro,
Walter Moreno Assumpção; diretor de Relações Públicas, almirante Maurílio Silva;
comissário internacional, doutor Leonel Caraciki; diretor de Equipamentos, doutor Mário
Gustavo Basbaum; diretor de Publicações, almirante José de Araújo Filho; ex-presidente
imediato, Hélio Jacques da Silva. Posteriormente, o general Horácio Raposo Borges Filho foi
eleito, pela própria CENA, para o cargo de diretor de Equipamentos, em função da renúncia
do doutor Mário Basbaum456.
Em julho de 1965, é realizado na ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, o I Jamboree Pan-
Americano. O evento atraiu grande interesse da imprensa e recebeu milhares de visitantes.
Teve enorme repercussão em todo o país o folheto especialmente dedicado ao Escotismo
elaborado com o apoio de Seleções de Reader’s Digest e distribuído com o número de julho
de 1965 daquela revista457.
Foram publicados pela Editora Escoteira, 8.000 exemplares dos seguintes livros:
Cancioneiro Escoteiro, Guia do Lobinho, Manual do Lobinho e Começo de Pista458.
Realizado, no parque das Garças, em São Paulo/SP, o primeiro Curso da Insígnia de
Madeira para o Ramo Pioneiro. O curso foi dirigido por Eugen E. Pfister459.
O censo escoteiro registra 16.792 escoteiros. A maior Região é São Paulo, com 3.590,
seguida da Guanabara, com 3.157, e Rio Grande do Sul, com 2.015460.

1966

A UEB se fez representar no AIP realizado no Chile, com quatro membros461.


A Rede Nacional de Cantinas Escoteiras já conta com instalações em São Luís,
Fortaleza, Salvador, Rio, São Paulo, Porto Alegre, Brasília e Goiânia, estando em
entendimentos a instalação em Curitiba462.
Pela primeira vez, o Conselho Nacional reuniu-se fora da Guanabara. O evento
ocorreu em São Paulo/SP, no Centro Regional de Pesquisas Educacionais, entre 29 de abril e
1º de maio de 1966. Na reunião inaugural foi orador Sua Eminência D. Agnelo Rossi, cardeal
de São Paulo. Participou, parcialmente, dessa reunião do Conselho Nacional, o senhor Lazlo
Nagy, do Bureau Mundial Escoteiro463.
Publicada, em maio de 1966, a primeira revisão do POR, contendo as modificações
aprovadas entre 1960 e 1965464.
Criada a Comissão Nacional de Orientação e Coordenação, presidida pelo escoteiro-
chefe e composta pelos comissários nacionais de Adestramento, lobinhos, escoteiros,
escoteiros seniores, escoteiros do mar, escoteiros do ar, pioneiros e antigos escoteiros465.

222
Inaugurada a Cantina Escoteira de Curitiba e fechada a de Brasília. O Conselho
Nacional deliberou alterar a denominação de “Cantinas Escoteiras” para “Rede Nacional de
Lojas Escoteiras”466.
Em virtude de renúncia do escoteiro-chefe, engenheiro André Pereira Leite, foram
realizadas eleições com modificações na CENA, que ficou assim constituída: presidente,
doutor Antonio Salém; escoteiro-chefe, doutor Leonel Caraciki; diretor de Finanças,
doutor Alfredo Hassen, diretor tesoureiro, Walter Moreno Assumpção; diretor de Relações
Públicas, almirante Maurílio Silva; comissário internacional, doutor Mauro Viellefon
Galiez; diretor de Equipamentos, almirante José de Araújo Filho, diretor de Publicações,
doutor João Ribeiro dos Santos; ex-presidente imediato: Hélio Jacques da Silva. Entretanto,
pouco tempo depois, o presidente transferiu sua residência para o Canadá, sendo substituído
pelo professor Oscar de Oliveira, que tomou posse em 19 de novembro, no Clube Caiçaras.
O diretor de Finanças não pôde assumir a função, sendo substituído pelo doutor Mario
Basbaum e, o comissário internacional Mauro Galliez renunciou por ter assumido o cargo
de comissário regional da Guanabara, sendo substituído por Glen David Collard467.
O convênio entre a UEB e o SESC tem proporcionado uma série de viagens dos
comissários viajantes. O chefe Paulo Ari Gaio esteve no Rio Grande do Norte (três vezes),
Piauí, Ceará e Pernambuco (duas vezes), além de Paraíba, Alagoas, Bahia, Espírito Santo,
São Paulo e Paraná. O chefe Sebastião Luiz Barreto visitou Minas Gerais, Goiás, Mato-
Grosso, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O SESC mandou imprimir os folhetos “Como
Organizar um Grupo Escoteiro” e “Como Organizar uma Alcateia de Lobinhos”468.
Com recursos próprios e apoio de várias entidades, a UEB enviou os chefes Ido
Ernesto Gunther (RS), Ney Araripe Sucupira (SC), Sebastião Luiz Costa Barreto (SESC) e
Evaldo Fischer (SP) para o Curso de Comissários Executivos no Schiff Scout Reservation,
nos Estados Unidos469.
Realizada, em 27 e 28 de agosto, na Academia Militar de Agulhas Negras, reunião da
Equipe Nacional de Adestramento470.
A chefe Ilza Lisboa do Nascimento ministrou um Curso de Adestramento Preliminar
para chefe de lobinhos, na Bolívia. O chefe Sauro José Bartolomei, com bolsa da BSA,
participou do Curso Adestrando a Equipe e da Conferência Interamericana de Adestramento,
na Guatemala. O chefe Moacyr Mallemont, com bolsa da The Boy Scout Association,
participou do Curso Adestrando a Equipe e da Conferência Mundial de Adestramento, em
Gilwell Park471.
Realizado, em São Paulo/SP, o primeiro Curso da Insígnia de Madeira para chefes de
grupos e comissários. O curso foi dirigido por Eugen E. Pfister472.
A Editora Escoteira publicou 9.500 exemplares dos livros Guia do Lobinho, POR (2ª
edição, atualizada) e Começo de Pista.
Foi iniciada uma revisão dos numerais dos grupos escoteiros, cujo objetivo é eliminar
as lacunas existentes na numeração.
O relatório anual referente a 1966, publicado em 28/04/1967, apresenta um censo

223
com um total de 19.289 membros registrados, e estimativa total de 26.233 membros, pois
o censo abrangeu apenas 64% dos grupos. Estimou-se que para a totalidade dos grupos,
seriam 4.998 lobinhos, 7.983 escoteiros, 2.440 seniores, 354 pioneiros, xxxx chefes, 1.478
dirigentes; o maior efetivo regional é de São Paulo, com 6.004, seguido da Guanabara, com
5.155, Rio Grande do Sul, com 2.628473.
O escoteiro-chefe visitou as Regiões de São Paulo, Bahia, Pernambuco, Ceará, Pará e
Rio de Janeiro474.
A subvenção do governo sofreu cortes e grande demora no pagamento, obrigando a
UEB a recorrer a empréstimos, já saldados475.

1967

A reunião do Conselho Nacional foi realizada no Rio de Janeiro, nos dias 28 a


30 de abril. Com a renúncia do doutor Leonel Caraciki ao cargo de escoteiro-chefe,
assumiu, interinamente, essas funções, cumulativamente com as de comissário nacional de
Adestramento, o chefe João Fernandes Brito, até a investidura do senhor Arthur Basbaum. A
Comissão Executiva Nacional ficou composta por: presidente, professor Oscar de Oliveira;
escoteiro-chefe, Arthur Basbaum; diretor tesoureiro, Walter Moreno Assumpção; diretor
de Relações Públicas, almirante Maurilio Silva; diretor de Publicações, doutor João Ribeiro
dos Santos; diretor de Equipamentos, vice-almirante José de Araújo Filho; comissário
internacional, Glenn David Collard476.
Problemas financeiros continuam a afligir a UEB, que dependia de subvenções
governamentais para se manter. Campanhas financeiras de nível nacional e regional não
tiveram sucesso. O relatório anual de 1967 analisa a situação do Movimento Escoteiro no
Brasil, concluindo que “continua a se revestir das mesmas características de sua longa história.
É ainda um movimento fechado, com o grosso de suas atividades para a parte técnica e
administrativa em um esforço puramente vertical”, e prossegue abordando “as consequências
dessa tendência, ou seja, as dificuldades financeiras, grandes distâncias e conscientização
comunitária de nossos meios sociais, são que o Escotismo se mantém interiorizado e restrito
em número”, apesar de haver “simpatia”, mas também “incompreensão”; tem-nos faltado
“esforço específico de relações públicas”, e aborda a estrutura da UEB: “Nem mesmo o
grande passo que representou a unificação do escotismo brasileiro... conseguiu modificá-lo,
como seria de esperar e desejar”477.
Aprovado o texto do Curso “Dever para com Deus” para escotistas católicos; e
realizado o primeiro curso, na Região da Guanabara, nos dias 12 a 15 de junho de 1967478.
Realizado, na baía de Guanabara, o “Grande Jogo Naval – Caça ao Pirata”. A
embarcação “pirata” foi o Araribóia do 5º RJ Grupo Escoteiro do Mar Barão do Amazonas,
de Niterói, e a embarcação vencedora foi o Sudoeste, do 120º GB Grupo Escoteiro do Mar
Velho Lobo, de Botafogo, Rio de Janeiro.

224
A Equipe Nacional de Adestramento foi aumentada com a nomeação dos seguintes
escotistas: para DCC, Geraldo Hugo Nunes (GB) e Paulo Ary Gaio (PR); para ADCC,
Gastão Lacreta (SP), Evald Fischer (SP), Moacyr Mallemont Rebello Filho (GB), irmão Ivo
Anselmo Hohn (MA), Domingos Baggio (SP), René Normandia Moreira (SP); para aquelá
líder, Alina Zofia Hurwicz (GB); para assistente de aquelá líder, Luiz Paulo Carneiro Maia
(GB).
Realizado em Idaho, nos Estados Unidos, o XI Jamboree Mundial Escoteiro. A
delegação brasileira, com três patrulhas, foi chefiada por George (Toby) Duncan Shellard479.
A UEB participou da Conferência Mundial Escoteira, realizada em Seatle, USA, em
agosto de 1967, com delegação composta por Oscar de Oliveira, Glen David Collard, Gastão
Lacreta, Mario Jardim Freire e George Duncan Shellard480.
A Rede Nacional de Lojas Escoteiras apresentou lucro líquido de NCr$ 40.966,90,
dos quais parte foi destinada ao seu aumento de capital e parte foi destinada à Direção
Nacional e regiões quotistas, para auxiliar na manutenção do Movimento481.

1968

Completando um ciclo que se iniciou em 1963, com a primeira atividade mista


do clã em 11 de agosto de 1968, se inicia em Porto Alegre, no 1º RS GE Georg Black, a
experiência da coeducação com pioneiras482, no clã sob a coordenação dos mestres Rubem
Suffert e Zalex Romera Suffert, e, em maio do ano seguinte, as três primeiras pioneiras
fazem sua investidura. O clã chega a alcançar mais de 40 pioneiros(as). Com apoio do doutor
João Ribeiro dos Santos, comissário nacional de pioneiros e diretor de Publicações da UEB,
outros clãs mistos surgem no Rio de Janeiro (1º RJ GE Ipiranga, 3º RJ GE do Mar N. Sª
da Boa Viagem, 31º RJ GE Tijuca Tênis Clube, e 131º RJ Cinco de Julho) e em Curitiba,
e atividades mistas são realizadas pelos pioneiros em Juiz de Fora (1º MG GE Aimorés).
A experiência de coeducação no ramo pioneiro é encerrada pela CENA em 1972, com o
argumento de que “as moças não trazem nada de novo ao Escotismo”.
Em 16 de maio, foi nomeado pelo escoteiro-chefe, por indicação da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o novo assistente nacional religioso católico, padre
Edgar José Munchen, OFM, em substituição ao frei Metódio de Haas, que por dez anos
consecutivos exerceu o cargo. A UEB possui também um assistente nacional religioso
israelita, o grão rabino doutor Henrique Lemle, e um assistente nacional religioso evangélico,
doutor Euclydes Deslandes483.
É realizada, de 13 a 20 de julho de 1968, no Parque Nacional de Itatiaia, sob a direção
do chefe Hely Vieira, uma Aventura Sênior Nacional. Participaram 207 seniores de sete
estados do Brasil484,485.

225
A Região da Guanabara, presidida pelo doutor Luiz Dorey, adquiriu, em 1968, no
município de Magé, atual Guapimirim, uma área para implantação do seu campo-escola, que
viria a receber o nome do chefe Geraldo Hugo Nunes486.
Realizado o “Grande Jogo Naval – O Dia D”, na baía de Guanabara. Os participantes
foram divididos em dois exércitos. O exército defensor deveria manter sua posição e bandeira,
enquanto o exército atacante, composto por escoteiros do mar que desembarcariam nas
praias da ilha do Governador, atacariam. Os enfrentamentos eram dois a dois, em jogos de
escalpe. O escoteiro que perdesse seu escalpe estaria fora do jogo. Antes do final do prazo
regulamentar, os atacantes conseguiram tomar a bandeira dos defensores.
O Conselho Nacional, reunido na sede do Clube Curitibano, em Curitiba/PR, em
abril de 1968, aprovou o sistema indireto de registro de grupos, através das regiões e a nova
prática repercutiu negativamente, pois 60% dos grupos deixaram de se registrar; constituiu
comissão de estudos para reformular as diretrizes básicas do Movimento Escoteiro487.
O censo referente a 1968 apresenta um total de 15.803 membros registrados, uma
estimativa de mais 16.391 membros de grupos comprovadamente existentes, mas não
recenseados, num total de 32.194 membros. Calcula-se ainda que este número poderia ser
aumentado em 15%, referentes a grupos sobre os quis não há dados concretos, chegando-se
a um efetivo total de 48.291 membros. Dentre os registrados, encontram-se 4.212 lobinhos,
5.649 escoteiros, 451 escoteiros do mar, 104 escoteiros do ar, 1.453 seniores, 254 seniores do
mar, 46 seniores do ar, 214 pioneiros, 56 pioneiros do mar, 12 pioneiros do ar, 1.836 chefes,
76 instrutores, 1.422 dirigentes, 18 antigos escoteiros. O maior efetivo regional é de São
Paulo, com 3.717, seguido da Guanabara, com 3.002 e Minas Gerais, com 1.988488.
A Comissão Executiva Nacional continua relatando os problemas para promover o
desenvolvimento do movimento: falta de recursos financeiros, tanto por parte do governo
como das participações em campanhas financeiras por parte das regiões; as grandes
distâncias e consequentes problemas de transporte e ligação, exigindo a criação de um corpo
de executivos, e, finalmente, a falta de reciprocidade das regiões489.
Participaram do 7º Curso Latino Americano para Executivos, realizado no Schiff
Scout Reservation, nos Estados Unidos, os chefes Moacyr Mallemont Rebello Filho, Cláudio
Tadeu de Souza e Marcelo Amaral. Jayme Herman (GB), Robert Maurice Eisel Grantham
(RS) e Cláudio Tadeu de Souza (GB) participaram do Curso Internacional de Diretores
de Programação. René Normandia Moreira, Julius Laucevicius, Rita Maria de Moraes M.
Stevanato, David Fernandes Pereira, todos de São Paulo, e Luiz Paulo Carneiro Maia, da
Guanabara, participaram do VI Curso Adestrando a Equipe, realizado em dezembro, na
Bolívia490.
O presidente da República, marechal Arthur da Costa e Silva, foi distinguido com
o Diploma de Honra do Bureau Mundial Escoteiro, pelo apoio que deu ao Movimento
Escoteiro491.
A Editora Escoteira publicou, em 1968, os seguintes livros: A Patrulha Vai ao Campo,
Reuniões Especiais de Alcateia, O Guia do Lobinho, 100 Ideias para Reuniões de Alcateia, Atividades

226
de Patrulha, Padrões de Acampamento, Outras Atividades de Patrulha, Os Dirigentes Adultos, 100
Ideias para Escoteiros Seniores, Opiniões de Delta número 1, 200 Ideias para Monitores, num total
de 19 mil exemplares.
Eleita a nova Comissão Executiva Nacional para o triênio 1968/1971, composta
por: presidente, professor Oscar de Oliveira; escoteiro-chefe, Arthur Basbaum; diretor de
Finanças, general Germano Seidl Vidal; diretor tesoureiro, Marcos Vinicius de Albuquerque
e Mello; diretor de Publicações, doutor João Ribeiro dos Santos; diretor de Equipamentos,
Geraldo Hugo Nunes; comissário internacional, Glenn David Collard492.
O presidente da UEB, professor Oscar de Oliveira, participou da 7ª Conferência
Escoteira Interamericana, em El Salvador, realizada em julho de 1968493.
O XI Jamboree no Ar, realizado de 18 a 20 de outubro, teve a participação de 116
radioamadores e grupos escoteiros, sob a coordenação de PY1-EDB, prefixo pioneiro do
Escotismo nacional, do 86º GB GE David de Barros494.
A UEB firmou convênio com o SESC e o SESI que proporcionou a realização de seis
viagens pelo comissário executivo viajante Sebastião Barreto, percorrendo Alagoas, Ceará,
Pará, Piauí, Amazonas, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Bahia, Rio de Janeiro, Guanabara,
Mato Grosso, Goiás, Maranhão e Rio Grande do Norte, em 119 dias495.

1969

Em 1969, de 9 a 15 de fevereiro, uma segunda Aventura Sênior foi realizada,


novamente no Estado do Rio de Janeiro, desta feita no Colégio Naval, em Angra dos Reis.
Participaram 80 seniores de cinco estados do Brasil: Guanabara, Espírito Santo, São Paulo,
Rio de Janeiro e Paraná. Mais uma vez, a direção foi do chefe Hely Vieira496.
O professor Oscar de Oliveira, presidente da UEB, participou do encontro de
presidentes, chefes escoteiros, comissários internacionais, nacionais e de Adestramento,
realizado em Assunção, Paraguai, de 6 a 8 de março de 1969497.
Realizada a 20ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional, no Hotel Quitandinha, de
25 a 27 de abril, em Petrópolis/RJ. Dentre as medidas aprovadas, destaca-se a criação da
Fundação Baden-Powell, instituição financeira de amparo ao Escotismo498.
Realizado em Porto Alegre, na sede do 1º RS GE Georg Black, de 19 a 24 de julho, o
II Mutirão Nacional Pioneiro. O organizador foi o mestre pioneiro Rubem Suffert. A direção
geral foi de João Ribeiro dos Santos, comissário nacional de pioneiros, que abriu o evento
com a palestra sobre “Pioneirismo”. Nos últimos três dias, foi realizado acampamento no
Itaimbezinho com Boa Ação para a comunidade local. Participaram pioneiros do Estado do
Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul499.
Realizado, de 1º a 9 de fevereiro de 1969, no Colégio Santo Américo, em São Paulo/
SP, um Curso da Insígnia de Madeira para assistentes religiosos com 25 participantes. O
curso foi dirigido por Eugen E. Pfister500.

227
Realizada, de 10 a 14 de fevereiro, a 9ª Reunião Nacional dos Assistentes Religiosos
Católicos (RENARC). Esteve presente D. Evaristo Arns, secretário da comissão de educação
da CNBB, que pronunciou palestra sobre “Juventude é Problema de Deus”; o presidente da
UEB, Oscar de Oliveira, falou sobre “Escotismo e Integração na Comunidade”; frei Daniel
Kromer falou sobre “Escotismo nos Seminários”; Aarão Chesquis falou sobre “Formação
de Chefes e Cursilhos de Cristandade”; João Ribeiro dos Santos, sobre “Metodologia
Escoteira”, e o irmão Marcos Amorim, sobre “Coeducação no Escotismo”. Participaram 40
chefes escoteiros.
Considerando a filosofia do governo, expressa em lei, de que a administração
procuraria recorrer à iniciativa privada para desenvolver atividades executivas, a UEB, após
contatos com o Ministério da Educação, decidiu criar a Fundação Educacional Baden-Powell
que, recebendo títulos de renda pública em doação, pudesse garantir receita continuada para
que fossem desenvolvidas as atividades escoteiras. Assim, dando cumprimento à decisão do
Conselho Nacional de 1969, foram dados todos os passos para a constituição da Fundação
Educacional Baden-Powell, organizada com base em uma doação de NCr$ 350.000,00,
representada por um terreno de propriedade da UEB na Guanabara, para receber dotações
específicas, inclusive do governo, para dar suporte ao Movimento Escoteiro501.
O relatório anual da UEB referente a 1969 apresenta um censo com um total
de 14.818 membros registrados, uma estimativa de mais 16.848 membros de grupos
comprovadamente existentes, mas não recenseados, num total de 31.666 membros. Calcula-
se ainda que este número poderia ser aumentado em 15%, referentes a grupos sobre os
quis não há dados concretos, chegando-se a um efetivo total de 41.194 membros. Dentre
os registrados, encontram-se 3.983 lobinhos, 5.192 escoteiros, 410 escoteiros do mar, 142
escoteiros do ar, 1.410 seniores, 176 seniores do mar, 95 seniores do ar, 50 pioneiros, 50
pioneiros do mar, 6 pioneiros do ar, 1.682 chefes, 82 instrutores, 1.446 dirigentes, 17 antigos
escoteiros. O maior efetivo regional é de São Paulo, com 3.684, seguido da Guanabara, com
3.263 e Rio Grande do Sul, com 1.591.
A tentativa de resolver o problema financeiro da UEB com o estabelecimento de uma
taxa de registro individual, embora tenha aliviado parcialmente as dificuldades, resultou
numa retração no número de registros502.
A Editora Escoteira, instalada em sede independente e com personalidade jurídica
própria, publicou, em 1969, 14 diferentes títulos, num total de 29 mil exemplares. Por outro
lado, não circulou a revista Sempre Alerta!, posto que se decidiu direcionar todos os recursos
para a publicação de livros503.
Os astronautas Edwin Aldrin, Neil Armstrong e Michael Collins, que realizaram a
primeira viagem à Lua, visitaram o Brasil e foram agraciados com o Tapir de Prata504.
A comissária nacional de lobinhos, Maria Pérola Sodré, participou do I Seminário
Interamericano de Adestramento, realizado de 13 a 17 de outubro em Philmont, Novo
México, USA505.

228
Participaram do I Curso Básico para Executivos Profissionais do Cone Sul, realizado
na Base Naval de Mar del Plata, na Argentina, entre 20 e 28 de outubro, os executivos
Helio Ignácio da Cunha de Faria (DN), José Fernando Werneck Shuster, da Guanabara, Gil
Teixeira, David Pereira, Élio J. B. Camargo, de São Paulo. Eugen Pfister fez parte da equipe
do curso506.
Foram nomeados para a Equipe Nacional de Adestramento: assistente de aquelá
líder, Antonio João Monteiro de Azevedo (PR); para ADCC, Cláudio Tadeu de Souza (GB),
Wilson Fagundes (MG), Raul Tinoco Seidl (GB), Hélio Pinto Carneiro (GB); para ADCC
pioneiro, Ido Ernesto Gunther (RS), Lino Augusto Shiefferdecker (RS)507.
Realizada, entre 6 e 8 de dezembro de 1969, em Montevidéu, Uruguai, a Regata
Interamericana para Escoteiros. O Brasil foi representado pelo chefe Hélio Ignácio da
Cunha de Faria e pelos seniores José Geraldo Telles Ribeiro e Armando Ribeiro, todos do
120º GB Grupo Escoteiro do Mar Velho Lobo508.
Entre 26 de dezembro de 1969 e 21 de janeiro de 1970, o assistente nacional
católico, frei Edgar José Munchen, realizou uma viagem de integração do Escotismo na área
Norte e Nordeste do país, acompanhado, até Salvador, pelo comissário executivo nacional.
Foram percorridos 7.865 quilômetros e visitadas as Regiões da Bahia, Sergipe, Alagoas,
Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Pará509.
O convênio assinado entre a UEB e o SESC resultou, em 1969, na criação de mais
seis grupos escoteiros. O convênio já é responsável pela existência de 55 grupos escoteiros
em todo o Brasil.

1970

Implantado um novo sistema de registros. Reunidos, agora, por regiões, o setor de


registros obteve notável impulso embora apenas 39% dos grupos escoteiros tenha efetuado
o registro510.
Participaram do II Jamboree Pan-Americano, realizado em Assunção, Paraguai, de
21 de janeiro a 3 de fevereiro de 1970, 514 brasileiros511.
De 18 de maio e 13 de junho, Gil Teixeira, Hélio Camargo e José Fernando Werneck
Shuster participaram do I Curso Avançado para Executivos Escoteiros, realizado no Schiff
Scout Reservation, nos Estados Unidos. Eugen E. Pfister fez parte da equipe do curso512.
Frei Edgar Munchen, assistente nacional religioso católico, participou do 1º Encontro
Latino-Americano de Capelães Escoteiros, realizado em Medellin, Colômbia, de 4 a 9 de
setembro513.
Realizada a 21ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional, em Porto Alegre/RS.
Realizado, na baía de Guanabara, o “Grande Jogo Naval – Resgate do Astronauta”. O
jogo consistiu na localização da espaçonave que descera na baía de Guanabara e resgate de
seus tripulantes. A concentração da flotilha foi na enseada de Botafogo e a nave foi encontrada

229
nas proximidades da ilha de Paquetá. O jogo foi vencido pela embarcação Nimbus, guarnecida
pela Tropa Sênior do 120º RJ GE do Mar Velho Lobo, seguido do Escaler 5 da Escola Naval,
guarnecido pelo 123º RJ GE do Mar Almirante Saldanha, e do Marcel Riou, do 146º RJ GE
do Mar Marquês de Tamandaré514.
O relatório anual da UEB referente a 1970 apresenta um censo com um total
de 14.815 membros registrados, uma estimativa de mais 23.172 membros de grupos
comprovadamente existentes, mas não recenseados, num total de 37.987 membros. Dentre
os registrados, encontram-se 3.689 lobinhos, 5.208 escoteiros, 284 escoteiros do mar, 159
escoteiros do ar, 1.548 seniores, 125 seniores do mar, 50 seniores do ar, 188 pioneiros, 26
pioneiros do mar, 2 pioneiros do ar, 1.701 chefes, 92 instrutores, 1.703 dirigentes, 25 antigos
escoteiros e 15 excutivos. O maior efetivo regional é de São Paulo, com 3.918, seguido da
Guanabara, com 2.234 e Minas Gerais, com 1.886.
Prosseguem as experiências em coeducação, até o momento bem sucedidas, com
quatro clãs autorizados em três estados. Foi reiniciada a publicação do boletim Ponte
Pioneira515.
O SESC patrocina, atualmente, 32 grupos escoteiros em 16 estados516.
Formado o 148º GB Grupo Escoteiro Monte Kenia, constituído de meninos cegos
em sua grande maioria, e patrocinado pelo Instituto Benjamin Constant, na cidade do Rio
de Janeiro517.

1971

Realizada a 22ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional, no Rio de Janeiro/RJ.


Benjamin Sodré, escoteiro número 1 do Brasil, recebeu homenagem pelos seus 80 anos.
Implanta-se, em Gama, no Distrito Federal, assim como em Osasco, em São Paulo, e
na Guanabara, o “Projeto Núcleo 2.000” que, com o apoio do governo do Japão (Expo-70),
por intermédio da Organização Mundial do Movimento Escoteiro, visa alcançar o efetivo de
2.000 escoteiros a partir do trabalho de um executivo escoteiro. Os resultados alcançados
são somente parciais, pois o Relatório Anual de 1972 da UEB afirma que: “3 Núcleos 2.000 já
estão em funcionamento. Para 1973/75 se prevê a instalação de 100 Núcleos, que trarão mais
200.000 membros ao Escotismo no Brasil”518. Na realidade só foi implantado em Contagem/
MG, além das três unidades da Federação já referidas.
Realizado, em Curitiba/PR, o II Encontro da Equipe Nacional de Adestramento,
com a participação de 27 dos 70 membros da ENA. Entre as principais decisões, a mudança
da terminologia para cursos e diretores: o Curso de Adestramento Preliminar passou a ser
chamado de Curso Básico, os ADCCs e DCCs passaram a ser chamados, respectivamente, de
diretor de Curso Básico (DCB) e diretor de Curso da Insígnia de Madeira (DCIM); alterações
em manuais de cursos; orientações diversas; recomendação à CENA da disponibilização de
um executivo para auxiliar o comissário nacional de Adestramento519,520.

230
Realizado em Shizoka, no Japão, o XIII Jamboree Mundial Escoteiro. A delegação
brasileira era composta por 32 escoteiros e 15 escotistas, e foi chefiada por Gastão Lacreta,
comissário nacional de escoteiros. Durante o jamboree, o campo foi evacuado devido à
chegada de um tufão, mas a delegação brasileira recusou-se a partir e enfrentou bravamente
a tormenta521.
Realizada, também no Japão, a XXIII Conferência Mundial Escoteira. A UEB foi
representada por Gastão Lacreta, Eugen Pfister e Julius Laucevicius522.
Realizados os Primeiros Jogos da 3ª Zona Aérea, também chamados de Olimpíadas
da Asa, pela Região da Guanabara com o patrocínio e promoção da Aeronáutica (3ª Zona
Aérea) em comemoração à Semana da Asa. Participaram cerca de 400 escoteiros do ar da
Guanabara, Minas Gerais, Espírito Santo e Estado do Rio. Os jogos foram disputados nas
dependências do Clube de Regatas do Flamengo523.
Numa viagem que abrangeu todo o Norte e Nordeste, o escoteiro-chefe Arthur
Basbaum visitou dez regiões escoteiras, encaminhando problemas e levando o estímulo da
Direção Nacional524.
Visitaram o Brasil o doutor Lazlo Nagy, secretário-geral do Bureau Mundial, e o
doutor Boris Ricci Valle, do Conselho Interamericano. A visita teve a finalidade de realizar
estudo dos problemas do Escotismo brasileiro e oferta de ajuda de parte do Bureau e Comitê,
dentro da meta de reorganização da Região Interamericana. O presidente da UEB explicou
os motivos que levaram à estagnação do crescimento: insuficiência quantitativa e qualitativa
da chefia, as dimensões continentais do Brasil, a falta de consciência por parte da comunidade
e importância dada ao aspecto técnico. Lazlo Nagy, por sua vez, afirmou que os problemas
são semelhantes em todos os países e que a solução passa, necessariamente, pela obtenção de
maiores recursos financeiros junto à comunidade525.
Na tragédia que abalou o Rio de Janeiro em 20 de novembro, a queda do elevado
Paulo de Frontin, os escoteiros do Distrito Norte foram dos primeiros a chegar ao local,
comandados pelo chefe Jorge La Rocque de Freitas. Foram convocados os que tinham
especialidade de primeiros socorros e bombeiro, que prestaram serviço de isolamento da
área, socorro aos feridos e informações aos familiares. Em entrevista com o governador
do estado e TV Globo, foi elogiada a atuação dos quase 200 escoteiros, pertencentes a 11
grupos526.
Ainda não foi possível fazer a implantação oficial e pública da Fundação Educacional
Baden-Powell, pois a CENA deseja fazê-lo no mesmo ato com a aprovação do Plano Nacional
de Expansão Escoteira, já aceito pelos diversos órgãos do governo diretamente ligados ao
problema, mas ainda não transformado em lei, como necessário527.
Iniciados entendimentos com a Federação das Bandeirantes do Brasil em termos
de cooperação ideológica, difusão de conceitos e princípios, cooperação no sentido da
exteriorização e respeitada e mantida a independência dos respectivos campos de ação528.

231
1972

Realizado, de 8 a 15 de janeiro de 1972, em Joinville/SC, o I Camporee Sul, com a


presença de mais de mil escoteiros de dez estados do Brasil, além de paraguaios e uruguaios.
A Taça Jules Rimet esteve em exposição, bem como um protótipo do módulo lunar, com
os astronautas. Uma fabulosa coleção de selos escoteiros foi exibida durante o camporee.
Dezoito membros da Equipe Nacional de Adestramento participaram de uma Reunião de
Gilwell dirigida pelo comissário nacional de Adestramento João Fernandes Brito529.
O professor Oscar de Oliveira, presidente da UEB, esteve em Lima, Peru, nos
dias 26 e 27 de março, participando da reunião do CIE, preparatória da VIII Conferência
Interamericana; na ocasião, foi eleito interinamente membro do CIE, sendo confirmado em
agosto530.
Realizada a Reunião Ordinária do Conselho Nacional em Aracaju/SE, de 28 a 30
de abril. Pela primeira vez, desde que iniciadas as reuniões anuais deste órgão, o evento foi
realizado fora do Sul/Sudeste do Brasil. Dentre as várias decisões tomadas, destacou-se a
suspensão de qualquer experiência em clãs mistos por dois anos e que estes se limitarão a
atividades conjuntas previstas pelo POR. Durante uma das sessões, foi entregue à chefe
Maria Peróla Sodré um diploma de reconhecimento pelos serviços prestados ao Escotismo,
concedido pelo CIE531.
Em 1972, foi implementado o Plano Quinquenal aprovado, em Tokyo, na Conferência
Mundial Escoteira, no ano anterior. Para as associações da América, o chamado Núcleo
2.000 foi adotado como célula do esforço para o aumento da capacidade de receber em suas
fileiras um maior contingente de rapazes; em função disso, recebemos a visita de Antonio
Delgado, presidente do Conselho Mundial, de Lazlo Nagy, secretário geral do Bureau
Mundial, e de Boris Ricci Valle, comissário executivo do CIE. O Brasil, de acordo com
levantamento de âmbito mundial, apresenta condições favoráveis para uma mudança de
escala no Movimento Escoteiro. O Núcleo 2.000 visa, num esforço concentrado e com
recursos definidos, aumentar rapidamente o número de membros do Escotismo no Brasil.
O Bureau Mundial e o Escritório Interamericano ofereceram recursos para a expansão do
Escotismo no Brasil. O Núcleo 2.000 é integrado por 1.800 rapazes, 110 dirigentes e 90
líderes adultos, dirigidos por um executivo de tempo integral numa área com potencialidade
de 30 mil rapazes em idade escoteira; o projeto prevê o financiamento de toda a estrutura
necessária para sustentar essa expansão que deverá ser autossuficiente dentro de um ano.
Para orientar a implantação desse projeto o CIE localizou aqui, desde 2 de novembro de
1972, o executivo de cooperação técnica do CIE, senhor Arturo Barrios Soto. Três Núcleos
2.000 já estão em funcionamento. Para 1973/75 prevê-se a instalação de cem Núcleos,
aumentando o efetivo brasileiro em 200 mil escoteiros532.
Realizada, de 7 a 11 de agosto, a VIII Conferência Escoteira Interamericana, em
Lima, Peru. A delegação brasileira foi composta pelo professor Oscar de Oliveira, doutor

232
Julius Laucevicius, João Fernandes Brito, Sebastião Barreto, Hélio Pinto Carneiro, Eugen E.
Pfister e Carmen Pfister. O professor Oscar de Oliveira foi eleito membro do CIE533.
Em Brasília, foi realizado, de 18 a 23 de julho, com participação de 11 estados, o
Acampamento Regional de Patrulhas do Distrito Federal, que foi a primeira grande atividade
a realizar-se na capital da República. Participaram do evento 12 escoteiros cegos, do Grupo
Escoteiro Monte Kênia, do Rio de Janeiro534.
Ao fazer a entrega de um cheque à senhora Isaura de Souza Ribeiro dos Santos, mãe
do doutor João Ribeiro dos Santos, falecido em 1970, para sanar dívidas vencidas há dois
anos, ela espontaneamente o doou à Editora Escoteira da UEB, informando que gostaria
de conhecer o local onde seu filho passava boa parte do seu tempo, destinado à educação
da juventude. A visita foi efetuada, sendo a senhora Isaura acompanhada pelo doutor Jaime
Ribeiro dos Santos, irmão de João Ribeiro535.
Nove estados do Centro-Sul enviaram 603 escoteiros a Maringá/PR, para a
comemoração do jubileu de prata daquela cidade, entre 20 e 27 de julho de 1972.
Em 15 de novembro, faleceu, em exercício do cargo de escoteiro-chefe que exercia há
seis anos consecutivos, Arthur Basbaum. Foi eleito para substituí-lo, em 23 de novembro,
em caráter temporário até a próxima reunião do Conselho nacional, o chefe Darcy Malta536.
Prossegue o convênio com o SESC, que mantém 36 grupos escoteiros em 16
regiões, com um total de 1.795 jovens e 244 adultos voluntários, mantendo três técnicos em
Escotismo no Amazonas, Ceará e Bahia, em tempo parcial, e outros dois, no Paraná e no Rio
Grande do Sul, em tempo integral537.

1973

Realizado, de 19 a 26 de janeiro de 1973, o II Camporee Sul, em Esteio/RS, reunindo


cerca de mil escoteiros de quase todas as regiões e países vizinhos538.
O ano de 1973 foi declarado o “ano de Caio Viana Martins” e a 13 de junho se
comemorou o cinquentenário de seu nascimento, lembrado no decorrer de todo o ano
com distintivo especial, usado por todos os registrados. Em sua memória, foi realizado
acampamento especial em sua cidade natal, Matosinhos/MG539.

233
A reunião ordinária do Conselho Nacional foi realizada em Juiz de Fora/MG, em 30
de abril. Darcy Malta, candidato oficial, foi eleito escoteiro-chefe para completar o mandato,
derrotando o candidato alternativo Yvanildo de Figueiredo Andrade de Oliveira. O Conselho
Nacional aprova a criação de um distintivo para escoteiros, semelhante ao “Escoteiro da
Pátria” do ramo sênior. É então criado o distintivo “Lis de Ouro”. A situação financeira
da UEB foi motivo de discussão na reunião do Conselho Nacional. A Direção Nacional
informou que não tem condições de realizar sua tarefa com a receita prevista. Pouco mais
de 50% dos conselheiros pagou sua contribuição, as outras fontes estatutárias e regimentais,
tais como a renda da Rede de Lojas Escoteiras e a Editora Escoteira, bem como 10% da renda
bruta das regiões, somam quantia inexpressiva. A UEB continua a depender de subvenções
governamentais; os Ministérios da Educação e da Marinha têm contribuído regularmente;
o da Aeronáutica voltará a dar seu apoio financeiro em 1974. Foram constituídas duas
comissões em Brasília: uma para estudar projeto de apoio financeiro por parte do governo, e
a segunda para a construção de uma sede nacional em Brasília, para a qual foi obtida verba
especial do governo do Distrito Federal540. O Conselho Nacional aprovou a transferência da
sede nacional do Rio de Janeiro para Brasília/DF, e nomeou uma comissão, presidida pelo
coronel Yvanildo de Figueiredo, para construir a nova sede em Brasília541.
É criado o traje social, com camisa mescla, gravata azul e paletó e calça cinza, em
tergal .
542

Realizado em 1973, simultaneamente à reunião ordinária do Conselho Nacional,


em Juiz de Fora/MG, o I Fórum de Jovens, com escoteiros e seniores representantes das
Regiões de São Paulo, Guanabara, Minas Gerais e Santa Catarina. Os Fóruns passariam
a ser realizados anualmente. As bandeirantes de Juiz de Fora participaram ativamente do
evento543.
A UEB participou da 24ª Conferência Mundial, em Nairobi, Quênia, com seis
delegados, chefiados pelo presidente do Conselho Nacional e da Comissão Executiva
Nacional. O principal tema de estudo foi “Aprender Servindo”; foram também estudados
o plano quinquenal, planejamento em longo prazo, expansão de recursos financeiros,
aperfeiçoamento do programa escoteiro, conservação e preservação de recursos naturais,
relações públicas e comunicações. A UEB apresentou candidatura para sede da 25ª
Conferência Mundial, sendo derrotada, por pequena diferença, pelo Canadá. A delegação
foi composta por Oscar de Oliveira, Julius Laucevicius, Antonio Ribeiro de Jesus e Olga
Laucevicius como delegados, e ainda Hélio Pinto Carneiro e Eugen Emil Pfister, como
observadores544. Ao retornar ao Brasil, o professor Oscar de Oliveira recebeu, em cerimônia
no Clube Americano, no Rio de Janeiro, a “Silver World Award”, concedida a não americanos
que se destacam no serviço à juventude545.
Em maio, o presidente Oscar de Oliveira participou da reunião do CIE, do qual é
membro, realizada em Miami, USA546.

234
Três escotistas participaram do X Curso Interamericano para Executivos Escoteiros,
em Schiff Scout Reservation, junto com representantes de outros seis países latino-
americanos. As despesas foram financiadas pela BSA, através do CIE547.
Foram efetuados esforços no sentido de concretizar a Fundação Educacional Baden-
Powell que, pelas dificuldades de dotar a mesma de apoio financeiro, não puderam chegar a
resultados mais concretos, já tendo, no entanto, alvará de funcionamento registrado e, como
primeiro patrimônio, o terreno da antiga Base Oeste Rio, dos escoteiros do mar, na avenida
Brasil, no Rio de Janeiro548.
Realizados, entre 26 e 28 de outubro de 1973, na sede esportiva do Clube de Regatas
Vasco da Gama, os III Jogos Nacionais dos Escoteiros do Ar549.
Ao longo de 1973, funcionaram três unidades do projeto Núcleo 2.000: Osasco
(SP), Gama (DF) e Guanabara; sofrendo consequências da falta de estrutura de apoio das
respectivas regiões. O Conselho Nacional aprovou a implantação, em caráter experimental,
de quatro Núcleos 2.000, com financiamento de 50% de seu custo pelo Escritório Mundial e
Conselho Interamericano de Escotismo550.
O Território de Rondônia foi reconhecido como Região Escoteira551.
Dois representantes do Brasil participaram da reunião da Comissão Interamericana
de Adestramento, em Caracas, em março, e na qualidade de membros dessa comissão,
integraram a equipe que dirigiu o Curso Internacional de Adestradores, que se realizou
logo após552.
No final de outubro de 1973, um grupo de oito seniores e seu chefe de tropa, viveu
uma aventura inesquecível. Eles partiram para uma travessia de dois dias, descendo a serra
do Mar até Bertioga, mas o mau tempo fez com que a bússola que levavam se danificasse
e acabaram errando o caminho, passando 57 horas perdidos. Mas, com muita garra,
conseguiram retornar sãos e salvos – exceto por mordidas de mosquitos e arranhões – ao
ponto de partida. O evento teve grande repercussão na mídia553.

1974

O ano de 1974 foi marcado pela comemoração do cinquentenário de criação da UEB.


Este fato se constituiu em motivo de grande publicidade, pois todos os membros registrados
usaram, em seu uniforme, um distintivo alusivo à data554.

235
Em janeiro de 1974, a UEB se fez representar no 1º Seminário Internacional
de Adestradores, na Costa Rica. Foram elaborados novos programas para os cursos
internacionais e da Insígnia de Madeira, além de estudadas novas técnicas de adestramento555.
Realizado na Colômbia o III Jamboree Pan-Americano com reduzida participação
brasileira, de 25 pessoas556.
Realizada, em abril de 1974, em Joinville/SC, a reunião ordinária do Conselho
Nacional. Decidida a unificação da contabilidade da Loja Escoteira e da Editora Escoteira.
Entregues as chaves da nova sede nacional, no Setor de Clubes Esportivos Sul, trecho 3,
lote 3, em Brasília/DF, cuja construção foi coordenada pelo coronel Yvanildo de Figueiredo.
Escoteiros e seniores apresentaram as conclusões do II Fórum de Jovens. Eleita a nova
Comissão Executiva Nacional, composta por: presidente, senador Guido Mondin; escoteiro-
chefe, coronel Yvanildo de Figueiredo Andrade de Oliveira; diretor de Finanças, Lourival
Ribeiro de Carvalho; diretor de Assuntos Internacionais, Kaol Sugimoto; diretor de Pessoal,
José de Almeida Mollica; diretor administrativo, Francisco Afonso de Castro; diretor de
Relações Públicas, coronel Luiz de Mello Campos; diretor de Adestramento, André Pereira
Leite557.
Continuam as dificuldades financeiras da UEB, apesar do apoio prestado pelo
governo, através dos Ministérios da Educação, Marinha e Aeronáutica, especialmente após
a transferência para Brasília, que acarretou uma série de despesas com fretes, indenizações,
compromissos comerciais da Loja Escoteira e da Editora Escoteira. Mesmo assim, a Direção
Nacional conseguiu adquirir uma loja de três pavimentos no Setor Comercial de Brasília,
onde instalou a administração da Rede Nacional de Lojas Escoteiras558.
Criado o Boletim Oficial da UEB, para a divulgação dos atos da CENA, e publica-se
a Política de Pessoal, analisando o efetivo adulto e juvenil559.

236
Realizada em Miami, USA, a IX Conferência Escoteira Interamericana. A delegação
da UEB foi chefiada pelo escoteiro-chefe Yvanildo Figueiredo e composta por Maria Pérola
Sodré, Antonio Ribeiro de Jesus, Lourival Ribeiro de Carvalho, Kaol Sugimoto e Hélio Pinto
Carneiro560.
A sede nacional da UEB é transferida do Rio de Janeiro para Brasília, sendo
inaugurada às 21 horas do dia 30 de agosto de 1974 com a presença de conselheiros
nacionais, autoridades civis, militares e religiosas, destacando-se o governador do Distrito
Federal, doutor Elmo Serejo Farias, que foi empossado no cargo de presidente de honra da
Região Escoteira do Distrito Federal após fazer a sua Promessa Escoteira561.
Em reunião extraordinária do Conselho Nacional, realizada em Brasília/DF, em
30 de agosto de 1974, foram aprovadas alterações no Estatuto da entidade, incluindo
a composição da CENA, que ficou com as seguintes funções: presidente, ministro Guido
Fernando Mondim; escoteiro-chefe, coronel Yvanildo de Figueiredo Andrade de Oliveira;
diretor de Adestramento, engenheiro André Pereira Leite; diretor de Finanças, professor
Lourival Ribeiro de Carvalho; diretor de Assuntos Internacionais, engenheiro Kaol
Sugimoto; diretor de Pessoal, engenheiro José de Almeida Mollica; diretor administrativo,
professor Francisco Afonso de Castro; diretor de Relações Públicas, coronel José Luiz de
Mello Campos562.
Três escotistas participaram do International Staff Program, nos Estados Unidos563.
A UEB participou da Conferência Interamericana com uma delegação de sete
membros. Uma das sessões foi dirigida pelo professor Oscar de Oliveira, membro do CIE564.
A comissária nacional de lobinhos Maria Pérola Sodré participou do Seminário de
Adestradores, na Costa Rica; e visitou a Nicarágua, onde ajudou a reorganizar o lobismo565.
Realiza-se no Rio de Janeiro, entre 25 e 30 de novembro de 1974, patrocinado pela
Região da Guanabara e dirigido pelo diretor nacional de Adestramento, DCIM André
Pereira Leite, o I Curso Nacional de Adestradores (CNA ou TTT). Participaram da equipe
do curso os DCIM Maria Pérola Sodré, Sauro José Bartolomei, Lino Schiefferdecker, Hélio
Pinto Carneiro, George Duncan Shellard e Luiz Paulo Carneiro Maia, o DCB José Bastos
Mollica e o IM Yvanildo de Figueiredo. Os participantes, das Regiões de Goiás, Guanabara,
Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná foram: Vander Veloso
Pires, Yolanda Bina, Wilma Schiefferdecker, Alice Monteiro, Marcelo Amaral, Gilberto
C. Neves, Aparecido Lopes de Castro, Isabel Alice Bartolomei, Kaol Sugimoto, Sebastião
Barreto, Ana Maria Macedo Gaio, Alceu Machado, Fernando Lang da Silveira, Aloisio
Catão, Luiz Bertran Ruano, Blair Miranda Mendes, Rubbem Suffert e Ido Gunther566.
Em 11 de novembro, em entrevista concedida ao presidente da UEB, Guido Mondin,
e ao escoteiro-chefe Yvanildo de Figueiredo, o presidente da República, Ernesto Geisel,
aceitou a presidência de honra da UEB, conforme previsto no Estatuto, agendando a entrega
do diploma por ocasião do Acampamento Nacional Escoteiro de Integração, a realizar-se em
fevereiro de 1975, em Caxias do Sul567.

237
A Comissão Executiva Nacional aprovou a aquisição de uma loja de três pavimentos
na CLN-408, bloco D, loja 30, com 153,21 metros quadrados, para instalação da Loja
Escoteira Nacional568.
Em 21 de dezembro, a Região da Guanabara realizou a festa da cumeeira do Campo-
Escola Geraldo Hugo Nunes. A solenidade contou com a presença da Comissão Executiva
Regional, comissários do Estado do Rio de Janeiro, chefes de grupo, de seções, presidentes
e membros juvenis participantes do VII Acampamento Regional de Graduados. A Bandeira
Nacional foi hasteada pelo chefe Fábio de Alcântara e o escotista Geraldo Hugo Nunes Filho
foi convidado para descerrar a placa com o nome de seu pai, antigo comissário regional da
Guanabara. O campo-escola foi adquirido pela Região da Guanabara na gestão do presidente
Luiz Dorey e do comissário regional Mauro Viellefond Galliez. O grande entusiasta pela
sua aquisição foi o chefe Geraldo Hugo Nunes, falecido em 1974, em pleno mandato de
comissário regional. O campo-escola foi declarado um Refúgio Particular de Animais
Nativos pela Portaria 327/77, de 29/07/77 MA-IBDF569.
Continua em vigor o convênio da UEB com o SESC, que patrocina 42 grupos
escoteiros em 16 estados do Brasil, com 2.302 membros, um técnico em escotismo e sete
escotistas servidores570.

1975

Entre 14 e 19 de fevereiro de 1975, realizou-se em Caxias do Sul/RS, o I Acampamento


Nacional Escoteiro da Integração (ANEI). Participaram do evento cerca de 1.500 escoteiros
do Amazonas, Amapá, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rio de
Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo; do exterior, houve representantes
da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. As principais atividades foram realizadas na
localidade Desvio Rizzo e num balneário de São Paulo das Cruzes. Estiveram presentes o
senador Guido Mondin, presidente da CENA, o coronel Yvanildo de Oliveira, escoteiro-
chefe, o professor Rubem Suffert, CR/DF, e o chefe de campo coronel Hugo da Cunha Alves,
presidente da CER/RS. O organizador do I ANEI foi o engenheiro Antônio Carlos Hoff. O
presidente da República, Ernesto Geisel, abriu o acampamento, ocasião em que recebeu o
diploma de presidente de honra da UEB571.
Realizado, no Campo Escola Geraldo Hugo Nunes, em Magé/RJ, de 5 a 12 de fevereiro
de 1975, o 1º Curso da Insígnia de Madeira para o Ramo Sênior. O curso foi dirigido pelo
DCIM Luiz Paulo Carneiro Maia. Os alunos foram divididos em três patrulhas: Dedo de
Deus, com Carlos Moreira (RJ), Ronald Armond (MG), José Augusto Correia Marques
(RJ), Martin Schultze (RS) e Augusto de Souza Monteiro (RJ); Itacolomi, com Jorge Nelson
Correia Tinoco (RJ), José Francisco Pereira (RJ), Eduardo Bacardi (Argentina), Reginaldo
Santos Pantaleão (RJ); Nariz do Frade, com Igor Kipman (PR), Walter Eichler (RS), Renato
Cintra (GO) e Ricardo Ottranto Chagas (SP)572.

238
Com a fusão dos dois estados da Federação, a CENA se fez presente à reunião
conjunta dos conselhos regionais escoteiros das Regiões da Guanabara e do Estado do
Rio de Janeiro, ocasião em que foi oficializada a fusão das duas regiões e a eleição de uma
só Comissão Executiva, sendo as duas regiões transformadas na Região Escoteira do Rio
de Janeiro573. Para presidente da nova região, foi eleito, por unanimidade, o professor Ivan
Rodrigues de Farias, e nomeado pelo escoteiro-chefe, para comissário regional, o doutor
Luiz Carlos de Amoedo Januzzi. Embora aceita por todos os representantes das duas regiões,
esta fusão, na prática, prejudicou o Escotismo tanto na antiga Guanabara como no Estado
do Rio. A primeira, eficiente e organizada; a segunda, sem muitos recursos, mas também
relativamente bem organizada, resultando numa nova região ineficiente e desorganizada,
com alguns poucos lampejos e realizações ao longo dos anos. O Movimento Escoteiro se
enfraqueceu com essa fusão. Em 1975, as duas regiões juntas tinham 3.574 escoteiros e eram
o segundo efetivo do país, somente atrás de São Paulo. Em 2012, o efetivo regional foi de
5.457, representando o sexto do Brasil.
Realizada em Salvador/BA, entre 30 de abril e 4 de maio de 1975, a XXVI Reunião
Ordinária do Conselho Nacional. Antecedendo a reunião, foram realizados o 1º Seminário
Nacional de Adestradores, o I Seminário Nacional de Diretores de Pessoal e Administrativos,
o I Seminário Nacional de Diretores de Finanças, e o I Seminário Nacional de Profissionais
Escoteiros, além de Reunião de Gilwell e a 6ª Reunião de Antigos Escoteiros. Paralelamente
ao conselho, foi realizado o 3º Fórum Nacional de Jovens. O diretor de Finanças apresentou
a situação financeira da UEB e comentou a política adotada, afirmando que após a
conscientização da responsabilidade das regiões com a Direção Nacional, recolhendo 10%
de seus orçamentos e a participação do governo federal, a UEB poderá cumprir suas metas
de “Quantidade, Qualidade e Finanças”. A Região da Guanabara recebeu o Troféu Eficiência
e a Região do Acre, o Troféu Expansão574.
Diversos trabalhos são publicados em 1975, destacando-se o Programa Geral de
Adestramento e o Manual de Adestramento da UEB. As Diretrizes de Adestramento, de forma
anual, são editadas de 1976 até 1980575. 
Realizado, na baía de Guanabara, o “Grande Jogo Naval – Operação Dunquerque”.
O evento teve por tema o episódio da retirada de Dunquerque, que resgatou milhares de
soldados ingleses e franceses no litoral da França, transportando-os para a Inglaterra,
durante a II Guerra Mundial. O “Grande Jogo” foi aberto à participação das três modalidades.
Os escoteiros do mar, guarnecendo suas embarcações, partiram da enseada de Ramos rumo
a Icaraí, em Niterói, onde resgatariam patrulhas de escoteiros do ar e de terra que, após
cumprirem um percurso em Niterói e realizarem determinadas exigências, aguardavam na
praia o seu transporte para Jurujuba. Dentre as 35 patrulhas básicas e do ar que competiram,
foram vencedores das etapas em terra: 1º) PT Javali, 2º RJ; 2º) PT Morcego, 2º RJ; e 3º) PT
Monte Kenia, do 155º RJ. Na parte náutica, participaram 20 embarcações, das quais dez
cumpriram a missão, sendo as primeiras colocadas: 1º) NCE-1 Butiá, do 10º RJ; 2º) NP-9
Cauré, do 4º RJ; 3º) NE-4 Alerta, do 88º RJ576.

239
A UEB participou da 25ª Conferência Mundial Escoteira, realizada em Copenhague,
Dinamarca, entre 7 e 15 de agosto. A delegação foi chefiada pelo escoteiro-chefe Yvanildo
de Figueiredo, sendo ainda composta por Lourival R. Carvalho, Lino Schiefferdecker, Hélio
Pinto Carneiro e Sebastião Luiz C. Barreto577.
A UEB recebeu uma subvenção de Cr$ 250.000,00 do Ministério da Educação578.
O diretor nacional de Adestramento, André Pereira Leite, participou do 1º Seminário
Mundial de Adestramento, realizado em Gilwell Park, Inglaterra, entre 18 e 22 de agosto579.
Realizado, na Noruega, de 29 de julho a 8 de agosto de 1975, o XIV Jamboree Mundial
Escoteiro. A delegação da UEB foi chefiada por Ryoso Osoegawa e era composta por 177
membros580.
Após estudo da situação da Rede Nacional de Lojas Escoteiras, a Direção
Administrativa Nacional convocou reunião com as regiões escoteiras, ficando definida
a descentralização das lojas de Porto Alegre, Rio de Janeiro e Belo Horizonte para as
respectivas regiões escoteiras581.
A UEB recebeu apoio financeiro do governo através dos Ministérios da Educação
e Cultura, Marinha e Aeronáutica. Por outro lado, as regiões não cumpriram com o
compromisso de recolher à Tesouraria Nacional os 10% sobre suas campanhas e doações
sem fins especificados, conforme determinação regimental. Em 1975, a UEB acordou com o
Ministério da Educação o envio de um estudo de expansão plurianual com as necessidades
financeiras correspondentes, resultando no documento “Estudo Sucinto Nº 1-75” com metas
e orçamentos. Entretanto, não obteve resposta582.

1976

Realizada a reunião ordinária do Conselho Nacional em Goiânia/GO. Benjamin


Sodré, escoteiro número 1 do Brasil, foi aclamado “Conselheiro Perpétuo da UEB”583.
O escoteiro-chefe Yvanildo de Figueiredo elabora o Manual de Adestramento, primeiro
trabalho do tipo realizado no Brasil, publicado em março de 1976, destinado a disciplinar
todas as atividades de adestramento no Brasil. Na mesma ocasião, foi lançado o Programa
Geral de Adestramento (PGA), com o objetivo de propor um plano de ação para a capacitação
de escotistas, definindo níveis de responsabilidade de adestramento584.
Em dezembro de 1976 é realizado, com 37 participantes, o II Curso Internacional de
Adestradores, em Curitiba/PR – considerando o de 1960 o “Training The Team” (TTT)
como o primeiro no Brasil585.
O Boletim Oficial foi impresso regularmente, levando ao público escoteiro os atos e
as decisões da CENA. Em setembro, foi criado o informativo “Conversando com o escoteiro-
chefe”, remetido aos membros da Comissão Nacional de Orientação e Coordenação586.

240
Realizado, em janeiro de 1976, em São Francisco de Paula/RS, o 2º Curso Nacional
de Adestradores, dirigido por Lino A. Schiefferdecker, com 20 alunos, incluindo alguns do
Uruguai587.
Realizado, em Mextila, no México, o V Seminário Interamericano de Adestramento,
com presença dos representantes Yvanildo Figueiredo e André Pereira Leite, além de
participantes da Costa Rica, Estados Unidos, Equador, Espanha, Guatemala, Jamaica,
México, Panamá, Peru, Salvador, Trinidad e Venezuela. Os brasileiros apresentaram
trabalhos sobre os “Manuais Brasileiros dos Cursos Básicos” e da “Insígnia de Madeira para
o Ramo Sênior”588,589.
Em alteração feita na Constituição Escoteira Mundial, junto com a inclusão dos
novos conceitos de Fundamentos do Escotismo, a 26ª Conferência Escoteira Mundial de
Montreal, realizada de 18 a 23 de julho de 1977 aprovou a definição de que o Escotismo é um
movimento de jovens, sem nenhuma distinção de gênero, em todos os níveis do Movimento,
ao invés de um movimento somente de rapazes, como constava do texto anterior.
A partir de outubro de 1976 e até abril de 1977, como interino e desde então até 1989,
desenvolvia sua gestão como escoteiro-chefe eleito da U.E.B. o escotista Rubem Suffert,
que por pouco mais dois anos foi diretor vice-presidente e diretor-presidente da CENA.
Nos seis meses de interinidade foi implantado o Plano Nacional com ênfase na formação de
lideranças capazes, denominado “3 + 3”: três ações para dirigentes – adestramento de chefes,
organização do serviço escoteiro profissional e valorização das funções dos comissários
distritais –; e três ações para os escoteiros – novas provas de classe, pesquisas e experiências
acompanhadas e maior participação dos escoteiros nos destinos do Movimento. Passamos a
ter a edição mensal do Conversando com o escoteiro-chefe, a partir de outubro de 1976 por mais
de 10 anos e nesse período o Sempre Alerta! teve sua edição regularizada bimestralmente.
Foram publicados o Livro do Escoteiro Noviço, o Guia do Lobinho, editado com apoio da
Fundação Educacional do Distrito Federal, os Guias do Escoteiro: noviço (maio de 1980,
1983, 1987), segunda classe e primeira classe; e do Guia do Sênior, criando-se os distintivos
e as etapas de Investidura, Eficiência I e II. Foi aprovado o distintivo de transição da alcateia
para a tropa escoteira – “Trilha Escoteira”–, e depois a “Rota Sênior” e a “Ponte Pioneira”.
Criou-se o projeto “Grupo Padrão” que é aprimorado anualmente até hoje.
Foram concedidos os primeiros distintivos de “Escoteiros Lis de Ouro” desde a sua
criação. Os primeiros a receber a distinção foram Robson da Silva Santos, do 59º RJ GE
Atalaia; Paulo Roberto Ruppenthal, do 94º RS GE Melvin Jones; Marcos Hexel Grochau,
do 90º RS GE do Mar Passo da Pátria; Reinaldo Fernando Cóser Junior, do 47º RS GE
Tupanciguara; Marco Aurélio Ferezini, do 1º MG GE Aimorés; e Edgar de Araújo Franco
Neto, 7º RS GE Manoel da Nóbrega590.
A UEB participa da 10ª Conferência Interamericana e seminários prévios com uma
delegação composta por Guido Mondin, Lourival Ribeiro de Carvalho, André Pereira

241
Leite, Amadeu V. T. Mota, Rubem Suffert, Aloisio Catão Torquato e Vander Veloso Pires,
realizados de 19 a 28 de agosto, na Cidade do México. Os sêniores Paulo Roberto Burtet e
Luiz Fernando Baggio participam do Fórum Interamericano de Jovens591,592.
Realizado o IV Fórum Nacional de Jovens, em 30 e 31 de outubro, sob a coordenação
da Região do Rio Grande do Sul593.
Em outubro, o escoteiro-chefe Yvanildo Figueiredo solicitou licença de 180 dias
devido a problema de saúde e por ir residir, temporariamente, em Recife. Ele foi substituído,
interinamente, pelo professor Rubem Suffert. Yvanildo não voltaria ao cargo e, em abril de
1977, Suffert foi eleito escoteiro-chefe da UEB594.
Criado o Comissariado Nacional de Programa, com a responsabilidade de coordenar
a atualização permanente do programa para lobinhos, escoteiros, seniores e pioneiros. O
primeiro comissário de Programa foi o chefe Luiz Paulo Carneiro Maia595.
Realizado, no Rio Grande do Sul, o 1º ELO, sigla de “Escoteiros Locais em Operação”,
que viria a ser o precursor dos ELOS nacionais, implantados em 1978.
Ao longo do ano, a UEB participou de várias promoções junto à comunidade, podendo
ser destacadas: Operação Gralha Azul (reflorestamento), auxílio ao MOBRAL, recuperação
de brinquedos, venda de cartões de Natal da UNICEF, orientação de urnas aos eleitores, e
semana do trânsito596.
Em reunião da Comissão Nacional de Orientação e Coordenação realizada em 10 de
dezembro, em Curitiba/PR, foram analisadas as etapas para escoteiros e seniores, avaliados
os trabalhos do ano e elaborado o programa para 1977597.
Entram em vigor as novas etapas de classe para os ramos escoteiro e sênior598.

1977

Realizada em Guarapari/ES, de 29 de abril a 1º de maio de 1977, a XXVIII Reunião


Ordinária do Conselho Nacional. Eleita nova Comissão Executiva Nacional, composta
por: presidente, Guido Fernando Mondin; escoteiro-chefe, Rubem Suffert; diretor de
Adestramento, André Pereira Leite; diretor de Finanças, Mércia Goulart C. Dantas; diretor
de Assuntos Internacionais, Yvanildo de Figueiredo Andrade de Oliveira; diretor de Pessoal,
Eugênio Presotti Filho; diretor administrativo, Carlos Luiz Gazola; diretor de Publicações,
Constantino Attanazio; diretor de Equipamentos, Afonso Liguori Pessoa Lima599.
Publicadas e implantadas novas etapas para escoteiros600.
Apresentada, pelo comissário nacional de escoteiros do mar, proposta de modificação
do uniforme de escotistas e escoteiros do mar601.
Realizada, no Campo-Escola Geraldo Hugo Nunes, no Rio de Janeiro, nos dias 5 e 6
de março, uma indaba regional cujo tema foi “A coeducação”602.
A Assistência Nacional Religiosa Católica elaborou e remeteu material de orientação
religiosa aos grupos escoteiros por ocasião da Páscoa e do Natal; editou o disco da “Missa

242
Escoteira”; realizou, em Guarapari, a XI RENARC com a presença de 25 líderes religiosos
católicos de todo o país, na qual foram analisadas novas etapas de adestramento. O Brasil teve
seu registro na Conferência Internacional Católica de Escotismo aceita por unanimidade603.
Realizadas, em 1977, duas reuniões da CNOC, nas quais foram analisadas as etapas
para lobinhos a vigorar em 1978604.
Realizado o I Seminário Nacional de Programa no Rio de Janeiro, com a presença
do diretor de Programa do Bureau Mundial, doutor Mateo Jover, com a coordenação do
comissário nacional de Programa, Luiz Paulo Carneiro Maia, e participação de dez regiões.
O principal tema foi o programa para o ramo escoteiro605.
Realizado, em Juiz de Fora/MG, o III Curso Nacional de Adestradores606.
Realizado, no Rio de Janeiro, de 20 a 26 de julho de 1977, o III Ajuri Escoteiro
Nacional, na Fazenda Francis Hime, em Jacarepaguá, com cerca de 3.000 participantes, que
desfrutaram de uma programação intensa e variada com um “Grande Jogo da Cidade”, que
espalhou os participantes por todo o Rio de Janeiro, uma aventura sênior com 30 horas de
duração no pico da Pedra Branca, torre de saltos e bases profissionais organizadas pelo
SENAI. O coordenador do evento foi o chefe Carlos Moreira607.
No mês de julho, também no Rio de Janeiro, foi realizada a I Indaba Nacional. O
encontro contou com a participação de chefes de cinco regiões, que debateram diversos
assuntos, destacando-se a função do comissário distrital e os aspectos geossocioeconômicos
de um distrito escoteiro608.
Foi reiniciada a experiência na coeducação no ramo pioneiro em dois clãs: no GE
Georg Black, RS, e do Mar Nossa Senhora de Boa Viagem, RJ609.
Escoteiros e seniores de Alagoas, Ceará, Distrito Federal, Paraná, Pernambuco,
Piauí e Rio Grande do Norte se reuniram em Natal/RN para os Fóruns de Jovens,
discutindo importantes aspectos do Escotismo brasileiro tais como as novas etapas de
classe, Escotismo e religião, o Movimento Escoteiro e as perspectivas para o futuro. Foram
eleitos os representantes brasileiros ao V Forum Interamericano de Jovens, a realizar-se na
Guatemala610.
Com apoio do Comitê Interamericano, os executivos brasileiros Arnaldo R. C. Lima e
Donald Malschitzki participaram do Curso para Serviço Profissional realizado em fevereiro
de 1977 na Guatemala611.
A partir de 1977, a Direção Nacional da UEB passa a realizar reunião semestral com
a Direção Nacional da Federação das Bandeirantes do Brasil, buscando estabelecer áreas de
atuação comum e integrada. Como resultado concreto desses debates, bandeirantes e guias
participaram do Acampamento Internacional de Patrulhas, em Porto Alegre/RS, em 1978,
em dois subcampos especiais612.
Uma expressiva delegação, composta por Rubem Suffert, André Pereira Leite, padre
Aloisio Catão Torquato, Lino Augusto Schiefferdecker, Paulo Ari Gaio, Vander Veloso Pires,
como delegados, e Wilma Schiefferdecker e Lucia Vianna Novaes Pires, como observadoras,
participou da 26ª Conferência Mundial Escoteira em Montreal, Canadá, de 18 a 23 de

243
julho, participando ativamente dos debates sobre o Plano Quinquenal, a reforma da Política
Mundial de Adestramento e outros temas613,614.
Em novembro de 1977, uma delegação de quatro brasileiros chefiada por Igor
Kipman participou do I Seminário de Programa do Cone Sul, em Montevideo, Uruguai615.
O Troféu Grupo Padrão 1977 apresentou os seguintes resultados: Padrão Prata –
Grupos 1º RS Georg Black e 25º SP Nove de Julho –; diploma de Participação Honrosa: 6º AM
GE Padre Colombo, 9º AM GE Olavo Bilac, 11º AM GE João XXIII, 4º DF GE Marechal
Rondon, 6º DF GE Caio Martins, 8º DF GE do Mar Almte. Adalberto Nunes, 3º BA GE
Bahia, 3º MG GE Montanhês, 12º GE Alvorada, 59º MG GE Calazans, 8º PR GE São Luiz
Gonzaga, 39º PR GE Marechal Rondon, 49º PR GE N. Sra. Medianeira, 1º RJ GE João
Ribeiro dos Santos, 16º RS GE do Mar Riachuelo, 7º SP GE Ubirajara, 10º SP GE Parecis,
26º SP GE Caramuru616.
Com o apoio da assessoria jurídica da Região do Rio de Janeiro, foi formalizada a
extinção da Fundação Educacional Baden-Powell, retornando à UEB o terreno da Base
Oeste Rio617.
Em 26 de dezembro de 1977, uma tripulação composta pelos escoteiros sêniores Luiz
Augusto Paiva da Silva, Octávio Bateman Hippertt da Gama e Marcus de Oliveira Bonatto,
e pelo escotista Roland Carlos Wiefels, do Grupo Escoteiro do Mar Nossa Senhora de Boa
Viagem, partiu do Iate Clube Brasileiro, em Niterói/RJ, para um cruzeiro de sete dias a
Angra dos Reis. A embarcação utilizada foi um pequeno veleiro, classe “Carioca”, de cerca
de sete metros de comprimento, dotada com motor de popa auxiliar para emergências618.

1978

Realizado, de 27 de janeiro a 1º de fevereiro de 1978, no parque Saint Hilaire, em


Viamão/RS, o Acampamento Internacional de Patrulhas com cerca de 3.000 participantes
de 18 estados do Brasil e representantes da Alemanha, Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai
e Uruguai. O presidente da Comissão Organizadora foi Frederico Jorge Schertel e o
coordenador geral, Antonio Carlos Hoff. Compareceram à cerimônia de abertura o
governador do estado, Simão Guazzeli, e o ministro do Trabalho e Ação Social, Arnaldo
Prieto619. A atividade ofereceu subcampos especiais para seniores, pioneiros e bandeirantes
(guias e B2)620.
Aproveitando a realização do AIP 78, a UEB promoveu em 28 de janeiro, no parque
Saint Hilaire, um Encontro de Direções Nacionais, com representantes do Uruguai, Chile,
Paraguai e Colômbia, além do Brasil. Foram abordados assuntos referentes a adestramento,
programa e atividades621.
Em fevereiro de 1978, o secretário geral do Bureau Mundial Escoteiro, Lazlo Nagy,
esteve no Brasil participando de diversos encontros com líderes regionais e nacionais, e
autoridades nacionais, como o secretário geral do Ministério da Educação e Cultura

244
(MEC)622.
Em 13 de março de 1978, a Comissão Executiva Nacional aprovou, por proposta
do comissário nacional de Programa, Luiz Paulo Carneiro Maia, a realização de um
trabalho experimental de coeducação no ramo lobinho no 1º RJ Grupo Escoteiro João
Ribeiro dos Santos, que passa a chamar-se 1º RJ Grupo Escoteiro João Ribeiro dos Santos
“Experimental”623. Posteriormente, a autorização foi concedida também ao 33º RJ Grupo
Escoteiro Padre Jerônimo Vermin624. Em maio de 1978, começam a funcionar as duas
primeiras “alcateias mistas experimentais” que, juntamente com as alcateias de lobinhas,
foram adotadas em 16 grupos escoteiros experimentais625.
Sob a direção da comissária nacional de lobinhos, Roseana Kipman, foi realizado um
Encontro de Assistentes Regionais de Lobinhos, cujo principal tema foi o novo esquema de
adestramento do ramo626.
Realizado em Manaus/AM, nos dias 28 e 29 de abril de 1978, o III Seminário
Nacional de Adestramento contou com a presença de 18 adestradores que analisaram o
Plano Geral de Adestramento e alterações nos Cursos Básicos627.
A XXIX Reunião Ordinária do Conselho Nacional foi realizada em Manaus/AM.
As grandes decisões foram a implantação do Plano Trienal 1978/1980 e a reforma do
Regimento Interno628.
Pela primeira vez realizado de forma descentralizada por áreas, o VI Fórum Nacional
de Jovens contou com representantes da Diretoria Nacional em todas as suas sedes, em
Goiânia, Curitiba, Juiz de Fora, Belém, Terezina e Recife629.
Realizada, nos dias 22 e 23 de julho, em Brasília/DF, a II Indaba Nacional. Dentre
os assuntos debatidos: o adestramento dos ramos, alternativas de estrutura para grupos e
distritos escoteiros e o Plano Trienal da UEB. O evento foi dirigido pelo escoteiro-chefe
Rubem Suffert e aberto pelo presidente da UEB, Guido Mondim630.
A UEB participou, com delegação de nove membros, da XI Conferência Escoteira
Interamericana, de 5 a 9 de junho, na Guatemala. O escoteiro-chefe Rubem Suffert foi eleito
membro do Conselho Interamericano de Escotismo e quatro brasileiros participaram de
comissões interamericanas: Adestramento, André Pereira Leite; Programa, Luiz Paulo
Carneiro Maia; Operações (presidente), Rubem Suffert; Administração e Apoio, José
Emílio G. Araújo. Os membros da delegação participaram dos seguintes eventos prévios:
VI Seminário Interamericano de Adestramento, VI Seminário Interamericano de Serviço
Profissional, I Simpósio Interamericano de Programa, V Fórum Interamericano de Jovens e
IV Seminário Interamericano de Comissários Internacionais631.
Realizado o III Seminário Nacional de Pessoal com a presença de 14 dirigentes
nacionais e regionais, coordenado pelo escoteiro-chefe Rubem Suffert. Foi discutido o Plano
de Expansão da UEB e definidas metas para os anos seguintes632.
Com coordenação do chefe Gilbert Gonzalez Ulloa, representante do CIE, realizou-
se o III Seminário Nacional de Serviço Profissional, que debateu problemas para o
desenvolvimento do serviço profissional633.

245
A CNOC aprovou alterações nas etapas e uniformes para escoteiros do mar634.
Realizados acantonamentos regionais (ou setoriais) de lobinhos. Foi elaborada
literatura sobre as novas etapas do ramo e divulgado novo uniforme para a chefia feminina635.
Dando prosseguimento aos contatos regulares iniciados em 1977, foram realizadas
diversas reuniões com dirigentes nacionais da Federação das Bandeirantes do Brasil, com
destaque para o encontro, em Brasília, entre as duas direções nacionais e a presença do
escoteiro-chefe na assembleia nacional da FBB636.
Com uma delegação de seis dirigentes, um sênior e um escoteiro, a UEB esteve na
Guatemala participando da XI Conferência Escoteira Interamericana que tinha por tema
“Educar é Transformar o Mundo”637.
Realizado, nos dias 19 e 20 de agosto, o I ELO Nacional. A sigla ELO significa
“escoteiros locais em operação”. Trata-se de acampamento realizado por distritos,
simultaneamente, em todo o território nacional. O tema do ELO 1978 foi “Conservação dos
Recursos Naturais”. Foram realizados 46 acampamentos, com cerca de 5.000 participantes638.
A programação do evento foi organizada pela Região do Rio Grande do Sul, que já vinha
realizando esta atividade há dois anos639.

Realizado, entre 21 e 23 de outubro de 1978, na Base Aérea de Cumbica, Guarulhos/


SP, o II Ajuri Nacional de Escoteiros do Ar. Participaram 269 escoteiros das Regiões
de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e Distrito Federal.
O coordenador geral foi o chefe Jayme Janeiro Rodrigues e o chefe de campo Roberto
Verdussem. As atividades incluíram visita ao Museu de Aeronáutica, voo panorâmico, jogos
escoteiros, aeromodelismo, fogo de conselho640.
Ao final do Projeto Grupo Padrão 1978, com aumento de participação em torno de
20% em relação ao ano anterior, receberam o Padrão Ouro: 1º RS GE Georg Black, 12º MG
GE Alvorada, 25º SP GE Nove de Julho e 32º SC GE Leões de Blumenau; Padrão Prata:
18º MG GE Cruzeiro Esporte Clube. Receberam o Padrão Bronze: 7º RS GE Manoel da
Nóbrega, 32º GE Moacara, 1º MG GE Aimoré, 10º MG GE Fernão Dias, 17º MG GE Max

246
Wolff Filho, 131º SP GE Coopercotia, 158º SP GE Caoquira, 206º SP GE Dom Bosco, 119º
SP GE Ventos do Sul, 4º DF GE Marechal Rondon, 6º DF GE Caio Martins, 8º DF GE do
Mar Adalberto Nunes, 9º DF GE Salgado Filho, 1º MT GE Centro América, 43º SC GE
Iguaçu, 8º RJ GE São Francisco de Assis641.
Para atender o Plano Trienal da UEB no tocante à expansão, a UEB desenvolveu gestões
junto ao Ministério da Educação e Cultura, Departamento de Assistência ao Estudante,
firmando, em novembro de 1978, um convênio que tem por objetivo o desenvolvimento de
ação conjunta na utilização dos Princípios Escoteiros nas escolas, Projeto Escotismo nas
Escolas. Foram escolhidas quatro regiões para desenvolver o projeto: Rio Grande do Sul,
Santa Catarina, Paraná e Distrito Federal. O projeto previa a contratação e capacitação de
executivos, preparação de material de apoio e literatura, definição de áreas prioritárias e
criação de pelo menos cinco grupos escoteiros por região642.

1979

Implantado, em caráter regular a partir de 1979, o distintivo anual a ser usado por
todos os membros registrados na UEB. O tema de 1979, escolhido pela CENA, foi 1979 Ano
Internacional da Criança.

Realizado em Angra dos Reis, de 12 a 14 de janeiro, o VII Fórum Nacional de Jovens,


com expressiva participação de escoteiros e seniores, dirigentes regionais e nacionais. Os
debates foram muito produtivos, com os jovens pleiteando maior participação nos processos
decisórios da UEB, no que foram atendidos com o novo Estatuto, que prevê a representação
de escoteiros e seniores nos Conselhos Regionais e Nacional643.
Dois mestres pioneiros brasileiros estiveram presentes ao I Encontro Interamericano
de Coordenadores Guias e Mestres Pioneiros, realizado de 15 a 27 de janeiro de 1979,
na “Nuestra Cabaña”, no México, e participaram do V Rover Moot da América Central,
realizado na Costa Rica644.
Realizado, nos dias 17 e 18 de fevereiro de 1979, o I Encontro Nacional de Executivos
Escoteiros. Um dos principais temas foi a minuta de “Política Profissional”, distribuída a

247
todos os executivos e comissários, assim como a capacitação de executivos, a implantação
de um melhor sistema de comunicação e o desenvolvimento de outras reuniões regulares645.
É realizado o III Mutirão Pioneiro Nacional, em Angra dos Reis, entre 17 e 22 de
fevereiro de 1979, sob a coordenação do comissário nacional do ramo, Roland Wieffels.
Participaram 55 pioneiros de cinco estados.
Em abril de 1979 é oficializada a coeducação no ramo pioneiro na UEB646.
De 26 de janeiro a 4 de fevereiro de 1979, o escoteiro-chefe Rubem Süffert representou
a UEB no I Seminário Latino-americano de Avaliação de Programa, em Lima, Peru, onde
coordenou uma sessão647.
Três representantes da UEB participaram do II Seminário de Desenvolvimento
Comunitário do Cone Sul, realizado em Santiago do Chile, de 8 a 16 de abril de 1979648.
Realizadas, em São Bernardo do Campo/SP, a XXX Reunião Ordinária do Conselho
Nacional e reunião extraordinária, entre 29 de abril e 1º de maio. Foi aprovado novo texto
do Estatuto da UEB com a criação do Conselho Nacional de Representantes e alteração na
composição da Comissão Executiva Nacional, eleita nova Comissão Executiva Nacional,
avaliado o Plano Trienal e aprovado o novo plano para o triênio 1979/1981. Como eventos
prévios, foram realizados o IV Seminário Nacional de Adestramento, o II Seminário sobre
o Plano Trienal, o I Seminário sobre Lojas Escoteiras no Brasil, a XII RENARC, a reunião
da Comissão de Reforma do Estatuto. A Comissão Executiva Nacional foi composta por:
presidente, João Faustino Ferreira Neto; vice-presidente, Carlos Borba; escoteiro-chefe,
Rubem Suffert; diretor financeiro adjunto, Alex Castaldi Romera; diretor administrativo,
Mário Pedro Lorenzoni; diretor administrativo adjunto, Jane Regina de Azevedo Cavalheiro;
diretor de Assuntos Internacionais, Igor Kipman; diretor de Educação e Método, André
Pereira Leite; diretor de Equipamentos, Rubem Suffert649,650.
Visitou o Brasil, entre 29 de maio e 1º de junho, Bruce Garnsey, presidente do Comitê
Mundial de Escotismo. Manteve contatos com o presidente da República, ministro da
Educação e Cultura, Relações Exteriores, Previdência e Assistência Social e Transportes651.
O II Acampamento Nacional Escoteiro da Integração (ANEI) foi promovido em
Belém do Pará, de 19 a 26 de julho de 1979, com a presença do presidente da República, João
Baptista Figueiredo652.
A partir de maio de 1979, o informativo Sempre Alerta! passou a publicar fichas
técnicas apoiando as atividades dos diversos ramos653. Edições em 1981 e em 1983 para os
pais, alcançam 20 mil exemplares, e uma edição especial, para um “Campamento en Cadeña”
alcança a tiragem de 40 mil exemplares. São editadas as fichas “Conversando com os Pais”
orientando a família sobre o Escotismo.
De 13 a 17 de junho de 1979, foi realizado em Joinville/SC, o I Seminário de
Desenvolvimento Comunitário, com apoio do Bureau, CIE e UEB654. Como resultado direto
do seminário, foi nomeada uma comissária nacional para o setor e foi elaborada uma Política
Nacional de Desenvolvimento Comunitário655.

248
Apesar de possuir um número expressivo de escoteiros registrados em 1979, da
ordem de 28 mil, o Brasil continua a ser o último país do mundo na relação escoteiros por
habitantes656.
A III Indaba Nacional foi realizada simultaneamente nas cidades de Joinville, Vitória,
Campo Grande, Manaus, Fortaleza e Natal nos dias 28 e 19 de agosto. Foram debatidos
temas comuns como desenvolvimento comunitário e causas da evasão no Movimento657.
Realizado, entre 21 e 23 de setembro, o II ELO Nacional, com mais de 9.000 escoteiros
em 62 acampamentos interdistritais de integração, desenvolvendo uma programação que
integrava os eventos do “join-in-jamboree”658. O distintivo do II ELO remetia ao emblema do
Jamboree Mundial 1979, que seria realizado no Irã, e que foi cancelado devido à instabilidade
política naquele país.
O II Seminário Nacional de Programa, realizado no Rio de Janeiro/RJ, em novembro,
tratou de importantes temas como faixas etárias dos jovens e dirigentes, ampliação do
número de grupos escoteiros experimentais e adestramento de especialidades de lobinhos659.
Ao final do primeiro ano de trabalhos, o Projeto Escotismo nas Escolas logrou a
abertura de 21 novos grupos escoteiros e 609 membros registrados; foram realizados cursos
de capacitação e seminários. O executivo nacional de expansão participou do I Seminário
Latino-americano sobre Técnicas de Crescimento Escoteiro, realizado de 30/11 a 3/12, em
Caracas, Venezuela660.
Ao longo do ano foram realizadas diversas atividades e seminários tais como o I
Seminário sobre o Ramo Sênior do Cone Sul, o IV Seminário Nacional de Adestramento,
o II Seminário Nacional sobre o Plano Trienal, o I Seminário sobre Lojas Escoteiras no
Brasil, a XII RENARC, a reunião da comissão de reforma do Estatuto, reuniões da Comissão
Nacional de Serviço Profissional, o Encontro Nacional sobre o ramo Sênior, duas reuniões
do Grupo I de Gilwell, o I Encontro Nacional de Executivos e três reuniões da Comissão
Nacional de Orientação e Coordenação661.

1980

De 8 a 11 de fevereiro, a UEB participou das reuniões das Comissões Interamericanas


de Programa, Adestramento e Operações, assim como da reunião do Conselho Interamericano
de Escotismo, todas realizadas na Costa Rica662.
A XXXI Reunião Ordinária do Conselho Nacional foi realizada em Viamão/
RS, de 19 a 21 de abril de 1980. Para um mandato de três anos, foi mantida a Comissão
Executiva Nacional. Foram eleitos os membros do Conselho Nacional de Representantes.
O governador do Rio Grande do Sul, Jair Soares, foi empossado como vice-presidente de
honra da UEB. Foram eleitos, pela primeira vez, os membros do Conselho Nacional de
Representantes, a saber: Paulo Norwaldo Negendank, Claus Peter E. Gabel, Antonio Carlos
Hoff, Carlos Luiz Gazola, James Walker Neves Correia, João Alberto Bordignon, Danilo de

249
Oliveira Ohl, Hermes Pereira Dutra, Ítalo Giacomo Gaudenzi, Maria Pereira da Silveira e
Rubem Andrade Viegas. Foram realizados vários eventos prévios ou paralelos, como o III
Encontro da Equipe Nacional de Adestramento, de 18 a 19 de abril, o II Encontro Nacional
de Executivos, em 17 de abril, Reunião de Gilwell, reuniões da CNOC e do CNR663.
Realizado o IV Seminário Nacional de Relacionamento entre Voluntários e Executivos,
que contou com a presença do executivo interamericano de Operações664.
Realizado o I Ajuri da Área Leste.
Em setembro eram cinco os grupos escoteiros experimentais, a saber: 1º RJ GE João
Ribeiro dos Santos, 9º DF GE do Ar Salgado Filho, 8º PR GE São Luiz Gonzaga, 4º MS
GE Dourados, 12º MG GE Alvorada665. Posteriormente, o número de grupos escoteiros
experimentais foi ampliado para dez666.
Em maio de 1980, foi iniciada a experiência com escoteiras. A UEB autorizou o
funcionamento das cinco primeiras tropas experimentais de escoteiras, que inicialmente
adotavam nomes de estrelas e constelações para os nomes de patrulhas, todos eles
escolhidos pelas escoteiras e, mais tarde, a pedido das próprias moças, também nomes de
animais. Elas tinham idade de 10 a 13 anos, considerando sua maior maturidade. A chefia
era exclusivamente feminina, para evitar a “sombra” de chefias masculinas, com maior
experiência, admitida como instrutores. Foram criadas novas especialidades, considerando
especificidades das moças667.
A 1ª Aventura Sênior Nacional (ASNA) foi realizada em Porto Amazonas/PR, de
7 a 9 de julho de 1980. A atividade básica foi a descida de rio em barcos construídos pelos
próprios seniores. O comissário nacional Liris Almir Negheborn apoiou a atividade.
Realizado, de 12 a 17 de julho, em São Bernardo do Campo/SP, o IV Mutirão Pioneiro
Nacional, com a presença de cerca de 70 pioneiros das Regiões de São Paulo, Paraná, Minas
Gerais e Rio de Janeiro, além de quatro rovers argentinos. A partir desse ano a atividade
passou a ser realizada anualmente668.
Realizado, entre 19 e 21 de setembro, o III ELO Nacional, como parte das
comemorações dos 70 anos do Escotismo brasileiro, com a participação de 25 mil elementos,
distribuídos em mais de cem acampamentos pelo Brasil. O evento foi também realizado
simultaneamente, no Chile, Colômbia, Peru, Bolívia, Costa Rica e Panamá, e recebeu o nome
de “Campamento em Cadeña”669.
Realizados, de 3 a 5 de outubro, os Acantonamentos Regionais ou Setoriais de
Lobinhos em vários estados do Brasil670.
A UEB participou, com expressiva delegação, da XII Conferência Interamericana,
realizada de 15 a 19 de outubro em Santiago, no Chile671.
Realizado, de 24 a 26 de outubro, no parque Rogério Pithon de Farias, no Distrito
Federal, com organização do Grupo Escoteiro Salgado Filho, o III Ajuri Nacional de
Escoteiros do Ar672.

250
Ao longo de 1980, foram mantidos diversos contatos com a FBB. Em janeiro,
representantes da UEB assistiram à Assembleia Nacional em Brasília, auxiliando as
dirigentes bandeirantes a visitarem o campo fixo do Distrito Federal. Em setembro,
representantes da UEB participaram de uma manhã de debates com o Colegiado Nacional
da FBB, seguido de alguns encontros para analisar a metodologia dos dois movimentos. A
UEB convidou a FBB para todas as atividades de 1980, a exemplo dos anos anteriores, mas
somente foi possível a presença de bandeirantes em nosso Conselho Nacional em Viamão/
RS. Dois delegados da UEB compareceram em dois momentos da Assembleia Nacional em
1981, no Rio de Janeiro673.
Foram abertos, nas Regiões do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro,
mais 23 novos grupos escoteiros pelo Projeto Escotismo nas Escolas674.
Ao longo do ano, foram publicados o Plano Quadrienal, o Estatuto da UEB, o Guia do
Lobinho, o Guia do Escoteiro Noviço, Guia do Escoteiro de 2ª Classe, Guia do Sênior, História da
Jângal, Adestramento e Generalidades de Lobinhos, Escoteiros e Seniores, assim como o Boletim
Oficial, o informativo Sempre Alerta!, o Conversando com o escoteiro-chefe e o Saber e Agir675.

1981

De 19 a 21 de janeiro de 1981, reuniu-se em Niterói/RJ, o Conselho Interamericano


de Escotismo. A Região do Rio de Janeiro preparou uma excelente programação de apoio e
os membros do CIE tiveram oportunidade de visitar o almirante Benjamin Sodré, escoteiro
número 1 do Brasil e conselheiro honorário da UEB. No dia 21 de janeiro, reuniu-se em
Porto Alegre/RS, com a presença do secretário geral da Organização Escoteira Mundial, o
Comitê Interamericano de Escotismo676.
Em fevereiro de 1981, é iniciada a experiência com guias escoteiras. A UEB autorizou
o funcionamento das primeiras tropas experimentais de guias escoteiras, que inicialmente
adotavam nomes de tribos indígenas brasileiras, escolhidos pelas guias, para os nomes de
patrulhas. Elas tinham idade de 14 a 18 anos. A chefia era exclusivamente feminina, para
evitar a “sombra” de chefias masculinas, com maior experiência, admitida como instrutores.
Foram criadas novas especialidades, considerando especificidades das moças. O Conselho
Nacional de Representantes autorizou os grupos escoteiros a receberem lobinhas, atendidos
os pré-requisitos e mediante aprovação do comissário distrital e regional677.
Em 1981 são criados os projetos nacionais “Grupos Padrinhos” e “Escotismo nas
AABBs” – em convênio com a Federação Nacional das Associações Atléticas do Banco do
Brasil (FENAABB). No primeiro, grupos escoteiros de reputada eficiência são estimulados a
apadrinharem um grupo em formação, ajudando-os a mobilizar uma entidade patrocinadora,
organizar a Comissão Executiva, capacitar seus chefes e realizar algumas atividades em

251
conjunto; no segundo, utilizando a experiência adquirida com o projeto Escotismo nas
Escolas, foi elaborado material de apoio para as AABBs que se interessaram em patrocinar
a criação de grupos escoteiros678.
De 22 a 27 de janeiro de 1981 foi realizado no parque Saint Hilaire, em Viamão/RS,
o IV Jamboree Pan-americano, o primeiro promovido de forma a ter uma participação mista
e no qual foram lançados três selos escoteiros. Participaram cerca de 6.000 pessoas de 19
estados e Distrito Federal, e delegações estrangeiras do Uruguai, Paraguai, Argentina, Chie,
Bolívia, Peru, Colômbia, Estados Unidos, Tunísia, Escócia, Irlanda e Venezuela, além de 200
bandeirantes679. Em paralelo ao jamboree, foi realizado o I Rover Moot Pan-Americano680.
O assistente nacional religioso católico padre Ayrton Bittencourt participou do
Encontro Pascal para Pioneiros, guias e escotistas jovens, realizado no Chile, em abril de
1981681.
Realizada, de 1º a 3 de maio, no Centro de Treinamento João Pinheiro, em Belo
Horizonte/MG, a XXXII Reunião Ordinária do Conselho Nacional, que avaliou diversos
temas de interesse do Escotismo nacional, em especial o relacionamento com as bandeirantes,
constatando diversas diferenças metodológicas. Realizados vários eventos prévios, como o
V Seminário Nacional de Adestramento, o I Encontro Nacional de Dirigentes Distritais,
o II Seminário sobre Lojas Escoteiras, III Seminário Nacional de Relações Públicas, o III
Encontro Nacional de Executivos e a XIII RENARC682.
Realizado em Niterói/RJ, o V Mutirão Nacional Pioneiro. A Região do Rio de
Janeiro assumiu a realização após desistência da Região do Paraná uma semana antes do
evento, por falta de inscrições prévias. Clãs do Rio de Janeiro assumiram a organização do
evento, mantiveram as datas de 7 a 11 de julho de 1981 e, assim, pioneiros de todo o país
puderam mais uma vez se encontrar, seis meses após o Rover Moot Pan-Americano, para
confraternizar e debater os problemas do ramo683.
Realizado, de 22 a 26 de julho de 1981, no Parque de Exposições Governador Adauto
Bezerra, em Ubajara, no Ceará, o I Ajuri da Área Norte e Nordeste684.
Em julho, a UEB esteve representada por dois membros da ENA no II Seminário de
Adestramento como apoio ao Programa do Cone Sul e Brasil no Curso para Adestradores
de Nível II, ambos em Montevideo685.
Pela segunda vez realizada de forma descentralizada, a Indaba Nacional, em sua
quinta versão, foi desenvolvida em Ubatuba/SP, para as áreas Norte-Nordeste e Nordeste;
Mairiporã/SP, para as Áreas Sul e Leste; Manaus/AM, para a Área Norte; e Goiânia/GO,
para a Área [Link] como coeducação e uniforme escoteiro polarizaram os encontros686.
Contando com a presença do diretor mundial de Programa, foi realizado o III
Seminário Nacional de Programa, tendo como temas principais a coeducação, o Escotismo
Rural e as especialidades687.
A UEB participou da XXVIII Conferência Mundial Escoteira, realizada em Dacar,
no Senegal, com expressiva delegação de sete membros, chefiada pelo escoteiro-chefe Rubem
Suffert688.

252
Em setembro, o III Seminário Nacional de Programa, realizado em Brasília/DF,
estabeleceu o seguinte conceito para a coeducação no Escotismo brasileiro:

A coeducação é um processo pelo qual meninos e meninas, rapazes e moças vivenciam


um plano educacional para um melhor e mais harmônico desenvolvimento de
personalidade, favorecendo a educação recíproca de uns pelos outros e levando em
consideração as realidades locais e pessoais. Isto tendo presente os fins e o método
do escotismo. A coeducação não é, portanto, simplesmente uma questão de reunir
crianças e jovens de ambos os sexos689.

O número de grupos escoteiros experimentais foi ampliado de dez para 17, tendo
sete deles recebido autorização para implantarem a tropa de guias escoteiras690.
Tendo como tema central a “Cultura Indígena”, foi realizado, nos dias 18 a 20 de
setembro, o IV ELO Nacional, com mais de 15 mil acampantes, em 60 locais distintos691.
Aconteceu em outubro, no Chile, o I Seminário de Responsáveis pelo Programa de
Lobinhos; ao mesmo tempo, no sul daquele país, se realizou atividade nacional para seniores
e pioneiros. A UEB se fez representar nos dois eventos, pela CN Lobinhos Roseana Kipman
e pelo CN Sênior Almir Negerborhn692.
Com a presença de 64 participantes de oito regiões escoteiras, realizou-se, de 30 de
outubro a 2 de novembro, em Mairiporã/SP, o III Seminário Nacional de Desenvolvimento
Comunitário, sob coordenação do comissário Nacional Orlando Sampaio Silva. O evento
contou com a presença do diretor adjunto mundial e do executivo interamericano de
Desenvolvimento Comunitário, que vieram de Genebra e Lima693.
Reunido em Mairiporã/SP, nos dias 5 e 6 de dezembro, o Conselho Nacional de
Representantes aprovou a possibilidade de que os grupos escoteiros adotassem a alcateia
mista ou implantassem a alcateia de lobinhas. A implantação da coeducação no Escotismo
brasileiro visou proporcionar uma formação mais adequada à criança e ao jovem, possibilitar
maior integração da família com o Escotismo e ampliar a participação feminina no
Movimento Escoteiro694.
O escoteiro-chefe da UEB participou de três reuniões de escoteiros-chefes do Cone Sul
e Brasil, e que vêm implantando medidas no sentido de aumentar e facilitar os intercâmbios
de informações e atividades entre essas associações. As reuniões foram realizadas em Porto
Alegre/RS, em janeiro de 1981, em Assunção, em abril de 1981, e em Montevideo, em
janeiro de 1982695.

253
1982

Faleceu, em 1º de janeiro de 1982, o almirante Benjamin Sodré, o Velho Lobo, um


dos fundadores da Confederação Brasileira de Escoteiros do Mar, em 1921, e da União
dos Escoteiros do Brasil, em 1924. Devido aos seus esforços para a criação da União dos
Escoteiros do Brasil, recebeu o título de “Escoteiro Número 1 do Brasil”.

Carteirinha de associado número “1” da UEB.

Realizada reunião do CIE, na Costa Rica, na qual o vice-presidente da CENA,


professor Rubem Suffert, foi eleito vice-presidente do Conselho Interamericano.
Realizado o X Fórum Nacional de Jovens, de 22 a 24 de janeiro, mais uma vez de
forma descentralizada, nas cidades de Joinville, São Paulo, Campo Grande, Fortaleza e Belém.
O evento contou com a participação de escoteiras e guias, além de escoteiros e seniores.
Dentre as diversas sugestões dos jovens, a criação de etapas que estimulem a criatividade e
imaginação e à preservação da natureza696.
Realizada, em Bogotá, em maio de 1982, reunião do Comitê Executivo do Conselho
Interamericano de Escotismo. Ao longo do ano, dirigentes brasileiros foram eleitos para as
seguintes funções: Igor Kipman, para a Comissão Interamericana de Adestramento, Pedro
A. Pessoa para a Comissão Interamericana de Finanças, e Rubem Suffert para presidente da
Comissão Interamericana de Programa697.
Realizado, de 9 a 13 de julho, no Batalhão de Serviços da Divisão Anfíbia do Corpo de
Fuzileiros Navais, na ilha do Governador, Rio de Janeiro/RJ, o I Ajuri Nacional dos Escoteiros
do Mar, com 226 participantes de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Ceará, Minas Gerais,

254
Espírito Santo e Rio de Janeiro. O organizador foi o comissário nacional de escoteiros do
mar, comandante Lizé Costa. Este foi o único ANEM realizado em acampamento.
Cerca de 300 seniores de todo o país se encontraram no pantanal mato-grossense.
Corumbá foi o ponto de partida para a 2ª Aventura Sênior Nacional, entre 17 e 21 de
julho; foram realizados passeios fluviais, atividades mateiras e de orientação, contatos com
a exuberante fauna e flora locais e uma noite folclórica. O coordenador da II ASNA foi
Carlos Alberto da Silva Pereira. O comissário nacional de sêniores, Liris Almir Negheborn,
participou da atividade.
Realizado em Brasília/DF, de 20 a 24 de julho, o I Encontro Nacional de Guias
Escoteiras (ENAGUIAS). Foi a estreia das guias escoteiras pertencentes aos grupos
escoteiros experimentais autorizados pela CENA, nessa atividade exclusiva para elas. O
programa incluiu a discussão de temas tais como especialidades, relacionamentos com
seniores e outros rapazes, etapas de classe, atividades nacionais para as guias escoteiras,
além de atividades esportivas e passeios turísticos e uma noite de hospitalidade, quando as
guias de Brasília receberam para jantar, em suas casas, as companheiras de outros estados. A
coordenadora do evento foi Norma Delamo, com a colaboração de Carmem Barreira Santiago
e Vanderlei Ramos. O comissário nacional de sêniores, Liris Almir Negheborn, participou
da atividade, vindo da Aventura Sênior Nacional. Participaram 37 guias escoteiras e cinco
escotistas do 9º DF GE Salgado Filho, 8º PR GE São Luiz Gonzaga, 4º MS GE Dourados,
18º MG GE Cruzeiro do Sul e 6º DF GE Caio Martins698.
Realizada em Mariporã/SP, de 23 a 25 de julho, a VI Indaba Nacional, em
comemoração aos 30 anos da I Indaba Mundial, realizada em Gilwell Park. O coordenador
foi José Renato dos Santos, comissário regional de São Paulo. Participaram 359 escotistas de
São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Minas Gerais
e Paraná. Foram discutidos assuntos relevantes tais como o sistema de registro, POR do
ramo sênior, projetos de desenvolvimento comunitário, uniformização. Foi realizada uma
Reunião de Gilwell.
Com a presença do comissário nacional de Programa e do executivo nacional da
UEB, realizou-se, em Assunção, Paraguai, de 16 a 18 de julho, o II Seminário de Programa
do Cone Sul e Brasil, tendo como tema principal o debate sobre a coeducação nas associações
escoteiras nacionais, já adotada nos cinco países da área699.
De 25 a 31 de julho de 1982, foi realizada em Nassau, nas Bahamas, a XIII Conferência
Escoteira Interamericana, com a participação de seis delegados e cinco observadores do
Brasil. O Brasil foi eleito, por unanimidade, como sede da Conferência Interamericana de
1984700.
Dia do chefe-escoteiro: durante reunião de escoteiros-chefe do Cone Sul e Brasil, as
cinco associações da área decidiram passar a comemorar, a partir de 1982, o Dia do Chefe-
Escoteiro, no dia 6 de agosto, data em que, na noite do I Jamboree Mundial, em 1920, Baden-
Powell foi aclamado Chefe-Escoteiro Mundial701. Na realidade, essa aclamação aconteceu na
noite do dia 7 de agosto, última noite do jamboree702.

255
Realizado o V ELO Nacional, de 20 a 22 de agosto, com o tema “Relembrando
Brownsea” e celebrando 75 anos do Movimento Escoteiro mundial e 125 de Baden-Powell.
No dia 21 de agosto, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos lançou dois selos
comemorativos alusivos aos 125 anos de nascimento de Baden-Powell e aos 75 anos do
Escotismo mundial703.
Realizado em Juiz de Fora/MG, de 15 a 18 de julho, o VI Mutirão Nacional Pioneiro.
Sob o tema “Escotismo, uma Escola Democrática”, o evento, coordenado pelo mestre
pioneiro Juarez Polisseu Braga, reuniu pioneiros e pioneiras de Sergipe, Bahia, Paraná, São
Paulo, Rio de Janeiro, e Minas Gerais. Além dos debates, houve atividades recreativas, festa
junina na sede do GE Aimoré e visita a Cabanga, cidade natal de Santos Dumont704.
Dois delegados brasileiros juntaram-se a jovens de 25 países na reconstituição do
Acampamento de Brownsea, realizado de 3 a 9 de agosto de 1982; os brasileiros estiveram
também em Charterhouse e em Gilwell Park. No encerramento do acampamento estiveram
presentes dois senhores que participaram do primeiro acampamento, em 1907705.
Entre 8 e 15 de agosto de 1982, foi realizado, em Viamão/RS, o I Seminário sobre
Estrutura de Associações Escoteiras do Cone Sul e Brasil, coordenado pelo vice-presidente
da UEB e presidente da Comissão Interamericana de Métodos Educativos, professor Rubem
Suffert. O seminário debateu a existência de associações nacionais e suas estruturas. Os
participantes concluíram que deve haver apenas uma associação escoteira em cada país
e desaprovaram a criação de federações ou confederações nacionais escoteiras na Região
Interamericana706.
Tendo como tema central “O Desenvolvimento Comunitário e sua Integração ao
Programa Escoteiro”, foi realizado, no Seminário da Floresta, em Juiz de Fora/MG, entre
8 e 12 de outubro de 1982, o IV Seminário Nacional de Desenvolvimento Comunitário.
Escotistas de várias partes do país discutiram formas de tornar o desenvolvimento
comunitário integrado ao Programa Escoteiro em todos os ramos. O evento foi coordenado
por Élio Jovert Bueno de Camargo, comissário nacional de Desenvolvimento Comunitário
em exercício, e de João Fagundes Hauck, coordenador da Área Leste707.
No dia 23 de outubro de 1982, a ministra da Educação e Cultura, professora Esther
de Figueiredo Ferraz, visitou o 9º DF GE Salgado Filho, com uma missão muito especial:
fazer a entrega do distintivo de “Escoteiro da Pátria” à primeira guia escoteira a recebê-lo: a
guia Rita de Cássia dos Santos Abreu; na mesma oportunidade, o sênior Antonio Luiz Abreu
Júnior, irmão da guia, também recebeu o distintivo de “Escoteiro da Pátria”708.
Em 4 de dezembro de 1982, o Conselho Nacional de Representantes, reunido em
Florianópolis/SC, aprovou o “Documento II: A Coeducação no Escotismo Brasileiro”. O
texto aprovava, após período experimental de vários anos, a implantação da coeducação na
União dos Escoteiros do Brasil. Para as unidades do ramo lobinho admitia-se a possibilidade
de seção masculina, feminina ou mista; para o ramo pioneiro, os clãs poderiam ser mistos
ou exclusivamente masculinos; já para os ramos escoteiro e sênior, somente seria possível a
opção de seções exclusivamente masculinas ou femininas.

256
O comissário nacional de Programa João Alberto Bordignon, participou do II
Seminário de Programa do Cone Sul e Brasil, realizado no Paraguai, e foi nomeado pelo CIE
para integrar a Comissão Interamericana de Programa709.
Além das publicações regulares Boletim Oficial, Sempre Alerta!, Conversando com o
Escoteiro-Chefe, Saber e Agir, e diversas fichas técnicas, foram publicados, em 1982: o Guia do
Lobinho (3ª edição), o Guia do Sênior (3ª edição), o Guia do Chefe-Escoteiro (4ª edição), o POR
Escoteiro, o Plano Quadrienal 1982-1985, A patrulha vai ao campo (4ª edição), Outras Atividades
de Patrulha (3ª edição), Pioneirias para Patrulha (3ª edição)710.

1983

Realizado em Santiago, Chile, de 10 a 13 de março, mais um Seminário de Programa


e Adestramento do Cone Sul e Brasil, no qual a UEB esteve representada por Roseana
Kipman, Elio Camargo, João Bordignon, Mario Farinon, João Fagundes Hauck e Elmer
Pessoa. O principal tema de debates foi a coeducação711.
Realizada em abril de 1983, em Brasília/DF, a XXXIV Reunião do Conselho
Nacional, cuja sessão de abertura foi presidida pelo presidente de honra da UEB e presidente
da República, João Baptista de Oliveira Figueiredo. Eleita nova Comissão Executiva
Nacional, composta por: presidente, Rubem Suffert; vice-presidente, Lizé Costa; escoteiro-
chefe: Igor Kipman; diretor financeiro, Eduardo Rodrigues da Cruz; diretor administrativo,
Mário Pedro Lorenzoni; diretor de Assuntos Internacionais, Dante Albert Prunck. Como
eventos simultâneos, ocorreram o XI Fórum Nacional de Jovens, o III Seminário sobre
Relacionamento de Voluntários e Executivos, o VI Seminário Nacional de Adestramento e o
II Seminário Nacional de Expansão712.
De 4 a 14 de julho de 1983, com a maior delegação brasileira que até então participou
de um jamboree mundial, foi realizado, nas Montanhas Rochosas do Estado de Alberta, no
Canadá, o 15º Jamboree Mundial Escoteiro, que reuniu 16 mil participantes, dos quais 123
eram brasileiros. As patrulhas de rapazes e moças escolhiam as atividades de que queriam
participar, entre os quais uma visita ao grande rodeio de Stampeade e marchas com pernoite
nas montanhas vizinhas, com possível presença de ursos selvagens. Foi a primeira vez
que um evento deste tipo foi misto. A delegação brasileira foi chefiada por Rubem Suffert.
Paralelamente ao jamboree, foi realizado o 3º Fórum Mundial de Jovens, no qual o Brasil foi
representado pelo sênior Eduardo Yonamine, eleito pelo Fórum Nacional de Jovens713.
Tendo como tema “Jamboree para Todos”, foi realizado, simultaneamente ao Jamboree
Mundial do Canadá, de 8 a 11 de julho de 1983, o VI ELO Nacional, com mais de 16 mil
acampantes em 60 locais. O programa foi inspirado na cultura canadense714.
Em agosto, em Curitiba/PR, ocorreu o II Seminário de Responsáveis de Programa
de Lobinhos do Cone Sul e Brasil715.

257
Realizadas duas reuniões do Conselho Interamericano de Escotismo, em janeiro e em
julho de 1983, ambas com participação do membro eleito, Pedro A. Pessoa e do presidente
da Comissão Interamericana de Métodos Educativos, Rubem Suffert716.
Realizado, em novembro de 1983, em Curitiba/PR, o IV Seminário Nacional de
Programa, durante o qual se destacaram a discussão sobre o sistema de especialidades e a
abertura do Escotismo para faixas mais amplas da população brasileira717.
Realizada, em dezembro, no Campo-Escola de Meztitla, México, a I Indaba
Interamericana, com representantes do Peru, Brasil, Colômbia, Panamá, Costa Rica,
Honduras, Guatemala, El Salvador e México. Em continuidade, foi realizado o III Simpósio
Interamericano de Programa, que debateu os cinco aspectos que o programa assume nas
associações: estrutura, adestramento, marco simbólico, atividades e postura educacional do
escotista718.
Em sua terceira reunião de 1983, realizada em dezembro, em São Paulo/SP, o
Conselho Nacional de Representantes debateu amplamente a situação financeira da UEB,
concluindo-se que as finanças do Movimento, dentro da nossa realidade socioeconômica,
jamais serão satisfatórias, mas de sobrevivência719.

1984

Em 1984, com a consolidação das guias escoteiras, a coeducação alcançou todos os


ramos e mais de 10% do efetivo era feminino720.
Inauguradas, em 26 de fevereiro de 1984, as instalações da Base Noroeste (BANOR),
dos Escoteiros do Mar, na ilha do Governador, Rio de Janeiro721.
Realizado o XII Fórum Nacional de Jovens, por áreas, em Ubatuba e Olinda, com
participação total de 94 jovens, que elegeu representantes juvenis à CNOC722.
A XXXV Reunião do Conselho Nacional foi realizada em Camboriú/SC, entre 28
de abril e 1º de maio, e foi precedida de vários eventos prévios tais como o V Encontro
Nacional de Adestramento, o V Seminário sobre o Plano Plurianual da UEB, o IV Seminário
de Relações Públicas e o encontro da Comissão de Reforma do Regimento Interno. Devido
renúncia, por motivos profissionais, do escoteiro-chefe Igor Kipman, foi eleito para substituí-
lo o chefe Rubem Suffert, e para presidente da CENA, o senhor Jaire Perez de Vasconcellos723.
Desenvolvida de 18 a 22 de julho de 1984, em serras localizadas entre Belo Horizonte
e Ouro Preto/MG, a III Aventura Sênior Nacional, que contou com apoio da Federação
Mineira de Ciclismo, que promoveu atividade ciclística paralela ao evento. Participaram 100
seniores e 30 chefes. O encerramento foi conjunto com o II Encontro Nacional de Guias
Escoteiras, que foi realizado na Fundação Benjamin Constant, em Belo Horizonte/MG, de
19 a 22 de julho, com 50 participantes724.

258
De 25 a 29 de julho, foi realizado, no Balneário do SESC, em Aracaju/SE, o VII
Mutirão Nacional Pioneiro, que incluiu uma atividade ecológica na serra de Itabaiana.
Participaram pioneiros de seis regiões do Brasil725.
Realizada, em Curitiba/PR, de 4 a 8 de setembro de 1984, a XIV Conferência
Interamericana, que teve como tema “Escotismo – Formando o Caráter, Construindo
a Nação”. Participaram 22 países da Região Escoteira Interamericana, num total de 92
delegados, 80 observadores e 63 acompanhantes, além de representantes da Inglaterra,
Espanha, Comissão Mundial Escoteira, Região Europeia, Região Africana, Escritório
Mundial, Instituto Americano de Ciências Agrícolas, Organização Mundial das Guias e
Bandeirantes, Rotary Internacional, Lyons Internacional, UNICEF e Ordem Rosa Cruz.
Como eventos prévios, foram realizados, de 2 a 3 de setembro, o IV Seminário Interamericano
de Programa e a II Reunião Interamericana de Comissários Nacionais de Adestramento.
A cerimônia de abertura foi realizada no Teatro Guaíra, com 2.100 participantes entre
escoteiros, autoridades e convidados. A mesa foi composta, entre outras pessoas, pela
ministra da Educação e Cultura, professora Esther de Figueiredo Ferraz, pelo governador
do Paraná, doutor Maurício Roslindo Fruet, o arcebispo de Curitiba, Dom Pedro Fedalto, o
presidente da UEB, ministro Guido Fernando Mondin e pelo coordenador geral do evento,
chefe Paulo Ari Gaio726.
Em 4 de abril de 1984, o rei da Suécia, Gustavo Adolfo e sua esposa rainha Sílvia,
visitam o Brasil e, no Hotel Ca D’Oro, em São Paulo/SP, entregam título de Baden-Powell
Fellowship a empresários e dirigentes escoteiros.
Em 9 de maio de 1984 a CENA aprova a concessão do primeiro distintivo “Lis de
Ouro” a uma escoteira.
Sob a coordenação do escotista Julio Barrera, comissário nacional de Conservacionismo
da Asociación de Guias y Scouts de Chile, foi realizado em Assis/SP, o I Seminário de
Conservacionismo do Cone Sul e Brasil, com presença de dezenas de escotistas brasileiros,
três do Chile e muitos representantes de organizações ecológicas. O UFund, Fundo
Universal Escoteiro, apoiou com bolsas o deslocamento de escotistas das Regiões Norte e
Nordeste do país727.
Realizado, de 17 a 19 de agosto, o VII ELO Nacional.
Aprovado, pelo Conselho Nacional de Representantes, em setembro de 1984, em
Curitiba/PR, o “Documento III – A Coeducação no Escotismo Brasileiro”, sendo completado
o cronograma de implantação da coeducação em todos os ramos do Escotismo na UEB. O
Documento III estabelecia as alternativas de alcateias masculinas, fermininas ou mistas;
tropas escoteiras masculina e feminina, tropa sênior feminina e tropa de guias feminina; e
clãs de pioneiros mistos ou masculinos.
O Conselho Nacional de Representantes considera concluída a experiência de
coeducação nos 16 grupos experimentais, que foram: 1º RJ GE João Ribeiro dos Santos, 9º
DE GE do Ar Salgado Filho, 8º PR GE São Luiz de Gonzaga, 18º MG GE do Ar Cruzeiro
do Sul, 4º MS GE Dourados, 4º DF GE Marechal Rondon, 206º SP GE Dom Bosco, 12º

259
MG GE Alvorada, 2º PR GE Jorge Frassati, 20º PR GE do Ar Santos Dumont, 20º BA GE
José Bonifácio, 3º PB GE General Mascarenhas de Morais, 147º SP GE Professor Inah de
Mello, 6º DF GE Caio Martins, 90º RS GE do Mar Passo da Pátria e 9º GO GE Goyaz728.
Foram publicados, em 1984, o Caminho para o Sucesso (2ª edição), a coleção Opiniões
de Delta (com sete livretos), o Regimento Interno, Textos Selecionados do Fundador, POR
Escoteiras, POR Guias Escoteiras729.

1985

Realizada em Brasília/DF, na Casa de Cursilhos, de 18 a 20 de janeiro, a VII Indaba


Nacional com representantes de 16 regiões escoteiras. Como temas de estudo, foram
debatidos: “Escotismo para baixa renda”, “Administração do Escotismo”, “Fundamentos do
Escotismo” e “Flexibilidade no programa escoteiro”730.
Em janeiro, foi realizada reunião ordinária do Conselho Interamericano de Escotismo
em San José, na Costa Rica, com a presença do chefe Pedro A. Pessoa. Uma segunda reunião,
em Munique, Alemanha, em julho, teve a participação do chefe Rubem Suffert como
presidente da Comissão Interamericana de Relações Institucionais731.
Realizada, de 17 a 19 de fevereiro de 1985, a 9ª Reunião de Escoteiros Chefes do Cone
Sul, Brasil e Bolívia. Estabelecendo eventos de integração entre as associações escoteiras da
área, teve duas decisões muito importantes: ampliar os participantes, incluindo Peru, Equador,
Venezuela e Colômbia; e constituir comissões técnicas para intensificar o intercâmbio de
informações nas áreas de adestramento, programa, Escotismo para segmentos de baixa
renda, questões de alcoolismo e tóxicos732.
A XXXVI Reunião Ordinária do Conselho Nacional foi realizada em Belém do
Pará. Como eventos paralelos ou prévios, foram realizados o VII Seminário Nacional de
Adestramento e o I Seminário Nacional sobre Administração e Finanças733.
No dia 8 de junho de 1985, durante uma excursão ao pico dos Marins, próximo à
cidade de Piquete, em São Paulo, desapareceu o escoteiro Marco Aurélio Bezerra Bosaja
Simon. As intensas buscas realizadas não conseguiram localizar o jovem. Foram distribuídos
cartazes por todo o país, muitas pistas foram investigadas, mas, infelizmente, ele jamais
retornou ao seu lar734.
Em julho de 1985, realiza-se, de 16 a 21 de julho, no CEMUCAM, em São Paulo o IV
Ajuri Nacional, comemorando o Ano Internacional da Juventude. Participaram 4.168 jovens
e adultos de ambos os sexos; esta foi a primeira atividade no Brasil que teve a presença de
mais de 700 seniores. Simultaneamente ao ajuri, foram realizados o VIII Mutirão Nacional
Pioneiro e o XIII Fórum Nacional de Jovens735.
Realizada em Munique, Alemanha, de 15 a 19 de julho, a 30ª Conferência Mundial
Escoteira. A delegação brasileira foi chefiada por André Pereira Leite e composta por
Lino e Wilma Schiefferdecker, Rubem Suffert, Antonio Carlos Hoff e Miriam Schultz. Foi

260
apresentada a candidatura brasileira para a organização do Jamboree Mundial de 1991,
derrotada pela Coreia do Sul736.
A UEB enviou dois delegados ao Seminário “Escotismo para Todos”, realizado em
Santiago, Chile, com o apoio do Escritório Mundial. Em especial, foi feita uma profunda
análise do Escotismo de extensão, que permite a participação de crianças e jovens
com deficiências físicas ou mentais leves. Em muitos países do mundo o Escotismo tem
contribuído de forma expressiva para a integração social desses jovens, auxiliando em seu
desenvolvimento integral737.
Realizado, em setembro, em Porto Alegre/RS, o IV Encontro Nacional de Serviço
Escoteiro Profissional.
A UEB integra a Comissão Nacional da Juventude, presidida pelo deputado federal
Aécio da Cunha Neves.
O V Seminário Nacional de Programa foi realizado em Curitiba/PR de 18 a 20
de outubro de 1985. Entre outros temas, foram analisados: o ramo dos pré-lobinhos, os
momentos de evasão nos diversos ramos e formas de reduzi-la738.
Entre 1º e 3 de novembro, foi realizado o VIII Elo Nacional que, pela segunda vez,
correspondeu ao Campamento em Cadeña do Cone Sul, Brasil e Bolívia. Estima-se que mais
de 30 mil pessoas participaram da atividade739.
Fundado, em 8 de novembro de 1985, em cerimônia no campus da Universidade do
Estado do Rio de Janeiro, por iniciativa do Clã de Pioneiros do 3º RJ Grupo Escoteiro
Católico São Pedro, liderado pelo pioneiro Roberto Luiz Cunha da Silva, o Centro Cultural
do Movimento Escoteiro (CCME). Em 30 de agosto de 1986, o CCME foi reconhecido
pelo Conselho Nacional de Representantes como Departamento Especializado da UEB
pela Resolução 03/86. A primeira diretoria do CCME foi composta por: Carlos Borba,
presidente; Sebastião Luiz Costa Barreto, vice-presidente; Luiz Diniz Pinto Bravo, diretor
de Comunicação e Cultura; Carlos Manes Bandeira, diretor de Estudos, Pesquisa e Acervo;
Antonio Marques, diretor financeiro; Roberto Luiz Cunha da Silva, diretor administrativo740.
De 13 a 18 de agosto, em Caxias do Sul/RS, sob a coordenação da Unidade de
Assessoramento ao Escotismo da Secretaria de Educação do Estado do Rio Grande do Sul,
dirigida pelo escotista Ernani Claire Valente Rodrigues, foi realizado um curso informativo
de Escotismo, cujo objetivo, dentro do Projeto “Escotismo nas Escolas”, atingiu as unidades
Cristóvão de Mendonça, Santa Catarina, Imigrantes, e Apolinário Alves dos Santos; além
do curso, foram ministradas 27 palestras para pais e alunos. No final de semana de 2 e 3 de
novembro, o secretário de Educação e Cultura do estado, Francisco Salzano Vieira da Cunha,
lançou oficialmente o projeto “Escotismo nas Escolas” que foi elaborado e implantado pela
Unidade de Assessoramento ao Escotismo, criada em fevereiro com o objetivo de atuar junto
às Delegacias de Ensino para implantar grupos escoteiros nas escolas públicas do estado.
O projeto conseguiu abrir vários grupos escoteiros, mas, como nos projetos similares no
Brasil, foi abandonado pelas autoridades e extinto após alguns anos741.

261
Além das publicações regulares, foram publicados em 1985 os seguintes livros:
Opiniões de Delta 8, Documento de Especialidades de Escoteiras e Guias Escoteiras, 200 Ideias para
Monitores, o livro Mestre Pioneiro, POR Disposições Finais, POR Escotista. Foram também
editados todos os manuais de Cursos de Formação, sob a coordenação do chefe André Pereira
Leite742.

1986

Em janeiro de 1986, realiza-se entre 17 a 23 de janeiro, o Jamboree Farroupilha (II


Jamboree do Cone Sul e Brasil) no parque histórico Marechal Osório, em Tramandaí/RS.
Participaram representantes de 17 estados do Brasil e delegações da Argentina, Bolívia,
Uruguai, Itália e Estados Unidos além de bandeirantes da FBB. O jamboree foi organizado
pela União dos Escoteiros do Brasil e copatrocinado pelo governo do Estado do Rio
Grande do Sul. No primeiro dia do evento, após quatro meses de seca no Sul do país, caiu
um temporal que inundou boa parte do campo; porém, os problemas foram enfrentados
com bom humor e disposição. A cerimônia de abertura contou com a presença de inúmeras
autoridades como o governador Jair Soares, o prefeito de Porto Alegre, Alceu Colares e o
presidente da Fundação Parque Osório, tenente coronel Ney Leite Xavier; o presidente da
UEB, Guido Mondin, e o escoteiro-chefe Rubem Suffert. Na ocasião, foi entregue a Medalha
Tiradentes ao governador Jair Soares. Houve apresentação da Esquadrilha da Fumaça e
desfile da embarcação Paraty, com a presença de Amyr Klink, que atravessou o Atlântico a
remos. Dentre as atividades oferecidas, destaque para a travessia do cânion do Itaimbezinho
e as caminhadas no Macuco Malacara743.
Realizado em Osório/RS, nos dias 16 e 17 de janeiro, o XIV Fórum Nacional de
Jovens. Debatidas alterações em especialidades, mudanças no uniforme escoteiro da
modalidade básica sem que prevalecesse nenhuma das duas alternativas entre o cáqui e o
cinza/mescla, adoção de meias cinza e sapatos pretos para a modalidade do mar etc., eleição
de delgados à CNOC e ao Fórum Misto de Jovens do Cone Sul, Brasil e Bolívia744.
Realizada reunião do Conselho Interamericano de Escotismo em San José, Costa
Rica, com presença do chefe Pedro A. Pessoa745.
Nos dias 23 e 24 de janeiro, escoteiros, escoteiras, seniores e guias escoteiras da
Argentina, Uruguai, Bolívia e Brasil debateram temas de interesse do Movimento Escoteiro
no Cone Sul746.
De 7 a 9 de março de 1986, foi realizada em Montevideo, a 9ª Reunião de Escoteiros-
Chefes da Sul América Latina, com representantes da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile,
Uruguai e Paraguai. Foi estabelecido o calendário de eventos escoteiros da área747.
Realizada a XXXVII Reunião Ordinária do Conselho Nacional, em Brasília/DF.
Como principal destaque, foram aprovados, por unanimidade, os Fundamentos do Escotismo
Brasileiro, pela primeira vez de forma sistematizada em “Definição, Propósito, Princípios e

262
Método Escoteiro”; foi também aprovado o Plano de Metas. Eleita nova Comissão Executiva
Nacional, composta por: presidente, Jaire Perez de Vasconcellos; vice-presidente, Hardy Jost;
escoteiro-chefe, Rubem Suffert; escoteiro-chefe adjunto, Orlando Sampaio Silva; diretor de
Assuntos Internacionais, Antonio Carlos Hoff; diretor de Assuntos Internacionais adjunto,
Edgar Franco; diretor administrativo, Luiz Alberto Almada Rodrigues; diretor financeiro,
Narbal Almeida; diretor de Publicações, Amaury Nóbrega de Menezes. Como eventos
paralelos, foram realizados o III Seminário Nacional sobre Expansão do Escotismo, o V
Seminário de Relacionamento de Voluntários e Executivos e o VI Encontro da Equipe
Nacional de Adestramento748.
Realizado em Brasília/DF, de 11 a 16 de julho de 1986, o IX Mutirão Nacional
Pioneiro, organizado por Carmem Barreira Santiago e coordenado por Milton Marques de
Oliveira749.
Entre 12 e 16 de julho, realizou-se, em Brasília/DF, o III Seminário de Adestramento
do Cone Sul e Brasil, coordenado pelo escoteiro-chefe Rubem Suffert750.
Em 30 de agosto de 1986, o CNR aprovou a criação do Centro Cultural do Movimento
Escoteiro (CCME) como departamento especializado da Direção Nacional da UEB751.
O CNR aprova a criação dos Clubes da Flor de Lis752.
A XV Conferência Escoteira Interamericana foi realizada em Trinidad e Tobago,
com presença de mais de 20 países. A delegação brasileira, com seis delegados e três
acompanhantes, foi chefiada por André Pereira Leite. Foi aprovada a data de 6 de agosto
como Dia do Chefe-Escoteiro, criada a condecoração “Condor”, eleito Pedro Pessoa
para membro do Conselho Interamericano de Escotismo. Pedro Pessoa e Rubem Suffert
receberam a condecoração “Juventud de las Americas” em reconhecimento por serviços
prestados ao Escotismo continental. André Pereira Leite foi indicado para coordenar a
Comissão Interamericana de Métodos Educativos; colaboram ainda em outras comissões:
Rubem Suffert, na de Programa, José Ferreira Machado, na de Adestramento, Antonio
Carlos Hoff, na de Operações, e Fernando Antonio Monteiro, na de Administração753.
De 15 a 20 de julho, realizou-se em Caucaia, em comemoração aos 65 anos de
Escotismo no Ceará, o II Ajuri da Área Norte e Nordeste, com cerca de 600 participantes de
13 estados e um território754.
É oficializada a coeducação no ramo lobinho, com alcateias mistas e de lobinhas,
após a UEB receber da FBB a negativa de constituírem em conjunto a “Associação de
Bandeirantes e Escoteiros do Brasil”, com participação paritária e mantendo-se íntegras as
duas entidades nacionais.
Com a presença de 323 seniores, foi realizada em Santa Catarina, de 10 a 13 de julho
de 1986 a IV Aventura Sênior Nacional. Com lonas e madeiras, os seniores construíram
pequenos barcos, nos quais, com engenhocas de apoio, percorreram mais de 32 quilômetros,
começando no rio Cubatão Mirim e terminando na baía de São Francisco, no oceano
Atlântico. A atividade foi desenvolvida sob a forma de um rally, através de canoagem,
com pontos determinados para serem alcançados em tempo pré-fixado. Cada patrulha

263
recebeu um kit com todo o material para montar duas canoas, ligadas lado a lado, na forma
de catamarã. Durante o percurso foram desenvolvidas atividades de orientação, técnicas
mateiras, técnicas náuticas e atividades típicas do ramo sênior. O CN Marilson de Souza
participou da atividade, que teve como organizador Luiz Cesar de Simas Horn755.
Realizado o III Encontro Nacional de Guias Escoteiras (ENAGUIAS), de 19 a 22 de
agosto, na chácara dos Irmãos Maristas, em Curitiba/PR. Participaram 82 guias e 20 chefes.
A coordenação geral da atividade foi do CR/PR Marco Antonio de Napoli e seu adjunto,
João Angelo Belotto; a chefia de campo coube à assistente regional sênior Marigélica Caron,
que coordenou todas as [Link] como tema principal a ecologia, as atividades
giraram em torno da natureza, mas também houve city tour por Curitiba, descida da serra da
Graciosa pelo caminho dos jesuítas, safari fotográfico e festa junina.
Realizado, entre 7 e 9 de novembro, o IX ELO Nacional, com o tema “Trabalhos
Comunitários”. Participaram mais de 20 mil escoteiros em todo o Brasil.

1987

O II Ajuri Nacional dos Escoteiros do Mar ocorreu de 23 de janeiro a 1º de fevereiro


de 1987, no Colégio Naval de Angra dos Reis/RJ, com 532 participantes de 12 estados,
recebendo o ministro da Marinha, almirante Henrique Sabóia, em revista dos escoteiros do
mar. O organizador geral foi o chefe Roland Carlos Wiefels; na parte terrestre, o organizador
foi Antonio José Costa Marques, auxiliado por Antonio Boulanger Uchoa Ribeiro. Foram
realizados dois cruzeiros na baía da Ribeira e regata a remos, olimpíada, gincana cultural na
cidade de Angra dos Reis, visita ao Estaleiro Verolme e à Usina Nuclear de Angra dos Reis,
fogo de conselho. Foram realizados também um fórum de jovens e uma indaba nacional de
mar. O escoteiro-chefe Rubem Suffert participou do encerramento do evento756.
Realizado, em São Paulo/SP, de 20 a 22 de fevereiro, o XV Fórum Nacional de Jovens;
que contou com a participação de dezenas de escoteiros “Lis de Ouro” e seniores “Escoteiros
da Pátria”757.
A XXXVIII Reunião Ordinária do Conselho Nacional foi realizada em Curitiba/PR.
Estiveram presentes Lazlo Nagy, secretário geral da Organização Mundial do Movimento
Escoteiro, que lançou a edição em português do seu livro 250 Milhões de Escoteiros, e de
Juan Niemann, presidente do Conselho Interamericano de Escotismo. Dentre as conclusões
do evento, o conselho autorizou a autonomia jurídica do CCME, pequenas alterações no
Estatuto institucionalizando os departamentos especializados tais como a Loja Escoteira e
Publicações758.
De 1º a 3 de maio de 1987, Curitiba/PR, sediou a Indaba da Modalidade Ar, na qual
foram discutidos os seguintes temas: etapas, uniformes, atividades, manutenção financeira
e a Comissão Nacional de Escoteiros do Ar. O evento contou com a presença do escoteiro-
chefe por ocasião do seu encerramento. Participaram 17 grupos escoteiros do ar de seis

264
regiões escoteiras (PR, SP, RS, RJ, RN e SE). O coordenador do evento foi o comissário
nacional de escoteiros do ar, João Angelo Belotto759.
Foi realizada em Asunción, Paraguai, nos dias 22 e 23 de maio de 1987, a 12ª edição
da Reunião de Escoteiros-Chefes da Sul América Latina , na qual foram abordados, dentre
outros assuntos, uma programação para os eventos da área e maior integração entre as
associações escoteiras760.
Realizado em Curitiba/PR, de 16 a 19 de julho de 1987, o X Mutirão Nacional
Pioneiro, sob a coordenação de Milton Marques de Oliveira.
Entre 11 e 13 de julho, foi realizado em São Paulo/SP, o Seminário Nacional de
Escotistas do Ramo Lobinho, com debates sobre a coeducação, uniformes e atividades
especiais. O evento foi coordenado pela comissária nacional de lobinhos, Vânia Dohme, e
contou com a presença, em determinados momentos, do presidente da CENA e do escoteiro-
chefe761.
Realizada, em São Vicente/SP, de 14 a 16 de agosto, a IX Indaba Nacional, com a
presença de cerca de 500 escotistas762.
De 5 a 7 de setembro, foi realizado em Brasília/DF, o VI Seminário Nacional de
Programa que constatou a necessidade de revisão no sistema de especialidades, Cruzeiro do
Sul e trilha escoteira para o ramo lobinho; nas etapas de adestramento dos ramos escoteiro e
sênior; a falta de motivação dos jovens para a conquista de especialidades; e que os processos
decisórios no Escotismo devem envolver os membros juvenis de forma progressiva com as
faixas etárias763.
De 10 a 13 de setembro, foram realizados, em Cochabamba, Bolívia, o VI Seminário
de Programa do Cone Sul, Brasil e Bolívia e o III Seminário de Responsáveis Nacionais de
Programa de Lobinhos e Lobinhas; a UEB foi representada, respectivamente, pelo escoteiro-
chefe e pela comissária nacional de lobinhos.
Com realização simultânea na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai
foi realizado o X Elo Nacional e III Campamento em Cadeña entre 5 e 8 de novembro
de 1987, com o mesmo distintivo, confeccionado na Argentina. A programação no Brasil
reviveu várias atividades aplicadas por Baden-Powell em Brownsea. Simultâneamente,
em Tucuman, Argentina, foi realizado o III Fórum Misto de Jovens do Cone Sul, Brasil e
Bolívia764.

1988

XVI Jamboree Mundial Escoteiro, entre 1º e 7 de janeiro, no Cataract Scout Park,


próximo a Sydney, Austrália. A delegação brasileira tinha 124 participantes e foi chefiada
por Antonio Carlos Hoff. A abertura oficial do evento ocorreu exatamente à zero hora do
dia 1º de janeiro de 1988765.

265
Realizada em Melbourne, Austrália, de 11 a 15 de janeiro de 1988, após o jamboree
mundial, a 31ª Conferência Mundial Escoteira, na qual a UEB teve sua candidatura à
organização do Jamboree de 1995 derrotada pela Holanda por apenas um voto766.
Organizado pela Associação de Escoteiros do Chile, foi promovido entre 30 de janeiro
e 6 de fevereiro, o II Moot do Cone Sul, Brasil e Bolívia767.
Realizada a 39ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional em Natal/RN, 16 a 18 de
abril de 1988. Como evento prévio, foi realizado o Seminário Nacional de Adestramento768.
Cerca de 250 seniores e escotistas participaram da 5ª Aventura Sênior Nacional, que
começou com uma viagem de navio entre Belém e Macapá, com os participantes dormindo
em redes e conhecendo a realidade amazônica. Com o apoio do 3º BEF, os participantes
vivenciaram uma incrível experiência de sobrevivência na selva, próximo ao igarapé da
Fortaleza. Uma gincana permitiu que as tropas seniores conhecessem Macapá, vivenciando
a proposta escoteira de serviço à comunidade, evento que contou com o apoio do Lions
Clube da cidade. O organizador do evento foi o então comissário regional do Amapá, Nilo
Sérgio Frank769.
Realizado em São Paulo/SP, com participação de 93 guias e 12 chefes de cinco regiões
escoteiras, o IV Encontro Nacional de Guias Escoteiras770.
Em Porto Alegre/RS, com o objetivo de analisar importantes aspectos do ramo
lobinho, foi realizado o Encontro Nacional de Chefes de Alcateia771.
Realizado no Rio de Janeiro/RJ, de 21 a 24 de julho, o XI Mutirão Nacional Pioneiro.
Os participantes ficaram alojados no CIEP Presidente Agostinho Neto. O evento teve uma
programação bem variada, incluindo atividades ao ar livre como excursões à Pedra da Gávea
e Pedra Bonita, atividades esportivas, comunitárias e turísticas. O organizador foi Luiz
Antonio Borges da Silva772.
Realizado, em julho, na sede campestre do SESI, em Belém/PA, o III Ajuri da Área
Norte e Nordeste, tendo como tema “Fraternidade – Nosso Ideal”. O organizador foi
Raimundo Nonato Wanzeler773.
Realizada em Buenos Aires, Argentina, de 18 a 23 de setembro de 1988, a XVI
Conferência Escoteira Interamericana, que teve como tema “Escotismo – Educação para a
Vida”. O diretor de Assuntos Internacionais da UEB, Antonio Carlos Hoff, foi eleito membro
do Conselho Interamericano de Escotismo e vice-presidente do Conselho Interamericano de
Escotismo em reunião seguinte774.
Pela primeira vez adotando o sistema de duas datas alternativas, em agosto e em
novembro, foi realizado o X Elo Nacional com o tema “Conhecendo outras organizações
juvenis”775.
A UEB participou da XIII Reunião de Escoteiros-Chefes da Sul América Latina, com
representantes da Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai, na qual foram planejados
diversos eventos da área, em especial o Jamboree Pan-Americano776.

266
1989

Realizado, de 18 a 26 de janeiro, o VI Jamboree Pan-Americano, em Villarica, a 770


km de Santiago, no Chile. A delegação brasileira foi organizada pela Região do Rio Grande
do Sul e coordenada pelo chefe Antonio Carlos Hoff777.
Realizou-se em Brasília/DF, de 24 a 26 de fevereiro de 1989, o XVI Fórum Nacional
de Jovens, com 68 participantes de 11 regiões escoteiras778.
Reassume o Comissariado Nacional de Adestramento o chefe André Pereira Leite.
Extremamente dedicado e trabalhador, empreende a revisão de todos os manuais de cursos
e dinamiza a Equipe Nacional de Adestramento.
Realizada a 40ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional, em Brasília/DF. Eleita a
nova Comissão Executiva Nacional, composta por: presidente, Guido Fernando Mondin;
vice-presidente, Osny Câmara Fagundes; escoteiro-chefe, Jaire Perez de Vasconcellos;
diretor de Assuntos Internacionais, Antonio Carlos Hoff; diretor administrativo, Antônio
Amaro da Silveira Neto; diretor financeiro, Rubem Suffert; diretor de Publicações, Manoel
Aldu Hildenberg; diretor de Equipamentos, Aluísio Queiroz de Araújo. Como presidente
do Conselho Nacional, foi eleito Eurico de Andrade Neves Borba779. Surgem, nesta nova
diretoria, dois nomes que teriam, de diferentes formas, importantes atuações nos destinos do
Escotismo brasileiro nos anos futuros: Eurico Borba, como presidente do Conselho Nacional
e, por conseguinte, do Conselho Nacional de Representantes, contribuiria para minorar e
resolver a crise instalada com a criação do traje escoteiro; e Osny Câmara Fagundes, militar
de profissão que ingressou no Escotismo como adulto, embora fosse pessoa culta, inteligente
e articulada, teve atuação no sentido contrário; sua forma de agir contribuiu, em diversas
oportunidades, para acirrar ânimos e gerar atritos que poderiam ter sido evitados.
Realizado em Belo Horizonte/MG, de 13 a 16 de julho, XII Mutirão Nacional
Pioneiro. Os organizadores foram Salinda Maia e Salim Alvim.
O III Ajuri Nacional dos Escoteiros do Mar aconteceu de 15 a 21 de julho de 1989, no
Centro de Instrução e Adestramento do Corpo de Fuzileiros Navais, ilha do Governador, Rio
de Janeiro/RJ, com 300 participantes de oito estados. Os organizadores foram, inicialmente,
Antonio Boulanger Uchoa Ribeiro e, posteriormente, José Luiz dos Santos Azevedo. Dentre
as atividades, tivemos um cruzeiro à ilha de Paquetá, olimpíada, city tour no Rio de Janeiro780.
A Comissão Nacional de Escoteiros do Mar, além de realizar reuniões periódicas
desde 1986, sob a liderança de Maria Pérola Sodré, mantém um informativo, organiza
cursos e ajuris nacionais e recebe, em 1989, a primeira embarcação do “Projeto Rumo ao
Mar”, batizado com o nome de B-P, destinado a barco-escola da CNEM.
Sob o tema “O Homem se Integrando à Natureza”, e comemorando dez anos de
Escotismo na Igreja Messiânica, foi realizado, em São Paulo/SP, de 27 a 30 de julho de 1989,
o “Messiamboree 89”. Participaram do acampamento, no Centro de Lazer de Engenheiro
Goulart, divisão do parque ecológico do Tietê, 604 pessoas das Regiões de São Paulo, Rio

267
de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Paraná e Minas Gerais. Para os lobinhos, foi organizado o
Acantonamento Nacional de Lobinhos Messiânicos (ACANAME), com participação de 147
lobinhos781.
Realizado, de 15 a 18 de setembro de 1989, em Belo Horizonte/MG, o Seminário
“Buscando Novos Rumos”. Dirigido pelo executivo da Região Interamericana, Adolfo
Aristigueta, o evento visava despertar os membros adultos do Escotismo para a necessidade
de uma reflexão para maior abertura do Movimento para a comunidade782.
Em 7 e 8 de outubro, foi realizado, sob coordenação de Vânia Dohme, o Acantonamento
Nacional de Lobinhos em todo o território nacional. O tema escolhido foi o das “Riquezas
Naturais”, com o objetivo de fazer com que os lobinhos conheçam um pouco mais de nossa
terra, para darem a ela maior valor e assumirem atitude de união, disposição e trabalho783.
Realizado o XII ELO Nacional, tendo como tema “Conservacionismo”. O evento foi
realizado em duas datas, em agosto e novembro. O programa da atividade foi elaborado por
José Augusto de Oliveira Motta. Participaram 15 mil jovens em todo o Brasil784.
Realizada a X Indaba Nacional, em Camboriú/SC, com mais de 300 participantes,
que discutiram assuntos como coeducação, programa escoteiro, faixas etárias, uniforme,
ramo castor e outros785.

1990

Realizado, no período de 19 a 25 de janeiro de 1990, em Osório/RS, tendo por tema


80 anos do Escotismo no Brasil, o V Ajuri Nacional Escoteiro.
Em 1990, é publicado o livreto Compreendendo os Fundamentos do Escotismo, que
teve posteriormente uma segunda edição, mais atualizada. O trabalho foi fruto de uma
comissão instituída pela Resolução 03/84 e formada por: Rubem Suffert, escoteiro-chefe;
André Pereira Leite, representante nacional; João Fagundes Hauck, comissário nacional de
Adestramento; Lino Augusto Schiefferdecker, comissário nacional de Antigos Escoteiros; e
Norma Delamo, executiva nacional, atuando como secretária. Os trabalhos foram concluídos
em novembro de 1985. Aborda, detalhadamente, a Definição, Propósito, os Princípios
Escoteiros, as semelhanças entre o Propósito e os Princípios, a diferença entre o Propósito
e os Princípios, o Método Escoteiro, diferenças entre Princípios e Método, o Programa
Escoteiro, as diferenças entre Método e Programa e a hierarquia entre os Fundamentos786.
A XLI Reunião Ordinária do Conselho Nacional foi realizada entre 27 e 29 de abril,
em Cuiabá/MT. Revisado o Regimento Interno da UEB. Durante esta reunião foi lançado
o Projeto Chapada dos Guimarães, para implantação de tropas mistas nos ramos escoteiro
e sênior787.
Realizado em Goiânia/GO, de 12 a 15 de julho, com a participação de 132 pioneiros e
48 escotistas, o XIII Mutirão Nacional Pioneiro, coordenado por Robson Ferreira Cunha788.

268
Realizado, no Horto Florestal de Ibura, em N. Sra. do Socorro, Sergipe, de 12 a 17 de
julho de 1990, o I Ajuri Nacional Escoteiro da Área Nordeste. A programação foi baseada
na cultura sergipana. Participaram escoteiros de Alagoas, Amazonas, Ceará, Paraíba,
Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe789.
A UEB participou da Conferência Mundial Escoteira, realizada em Paris, em julho
de 1990790.
Realizada a 6ª Aventura Sênior Nacional, cuja história começou um ano antes,
em 1989, na reunião da CNOC, em Brasília/DF, quando o então comissário regional RJ,
Antonio Boulanger, apresentou a candidatura da Região Rio para organizar o evento, mas
condicionando-a à aprovação para que a atividade, até então privativa dos seniores, fosse
aberta à participação das guias escoteiras. A ideia foi aprovada, posto que era desejo do
ramo sênior expandir a coedução e implantar as tropas mistas. A atividade foi realizada
entre 12 e 16 de julho de 1990, no Parque Nacional de Itatiaia. Devido às restrições do local,
o número de participantes foi limitado em 400, sendo 40 vagas para a organização, saúde
e segurança. Obteve-se apoio de alto nível da Marinha do Brasil, que cedeu o transporte
Rio-Itatiaia-Rio e o local de concentração inicial e final do evento (CIAGA); do Exército
brasileiro, através da Academia Militar de Agulhas Negras, que ofereceu a infraestrutura
de saúde local, incluindo uma ambulância, e de comunicação; e da Cruz Vermelha Brasileira,
que forneceu monitores de primeiros socorros. Os participantes acamparam na parte alta do
PNI, onde foram realizadas escaladas às Agulhas Negras e Prateleiras, e depois a travessia
Itatiaia-Sede, atualmente chamada de “Travessia Ruy Braga”, com acampamento na área
do “Chalé Escoteiro”. Foram registradas temperaturas de até 7 graus Celsius negativos. Os
participantes retornaram ao Rio, onde houve uma festa de encerramento. O coordenador
geral do evento foi o chefe Moacyr Ennes Amorim. Destaque-se a participação no evento
do então escoteiro-chefe da UEB, Rubem Suffert, que quis avaliar de perto a realização da
primeira atividade mista do ramo sênior no Brasil. A atividade coeducativa foi considerada
um sucesso e a partir de então as guias escoteiras passaram a participar da ASNA, deixando
de ser realizados os ENAGUIAS.
Realizado em Belo Horizonte/MG, de 12 a 14 de outubro, o V Seminário Nacional de
Desenvolvimento Comunitário, organizado pelo escotista Peter Dauch791.
Em 20 de outubro de 1990, o CNR elegeu para vice-presidente da CENA o escotista
Edgar de Araújo Franco Neto, em substituição ao escotista Osny Câmara Fagundes,
contratado e nomeado executivo nacional792.
Atendendo convite da The Scout Association, uma delegação integrada por uma
escotistas e seis membros juvenis participou do XXIII Jamborette Internacional de
Patrulhas, realizado em Blair Athol, na Escócia793.
Uma delegação brasileira, composta por um escotistas e 12 membros juvenis
participou do XV Camporee Scout Centroamericano e VIII Foro Scout Interamericano,
realizados entre 17 e 21 de dezembro, em Meztitla, México794.

269
Em prosseguimento à implantação da coeducação no Escotismo brasileiro, a CNOC e
a CENA aprovam a realização do “Projeto Chapada dos Guimarãres” que visa a experiência
com chefias e tropas mistas nos ramos escoteiro e sênior795.

1991

Concluindo memorável trabalho, o comissário Nacional de Adestramento, DCIM


André Pereira Leite, disponibilizou todos os manuais de cursos do esquema de adestramento
para chefes de unidade, dirigentes e adestradores796.
A CENA estabeleceu a seguinte Missão para a UEB797:

A missão da União dos Escoteiros do Brasil é desenvolver e aplicar um programa


educativo, flexível e atualizado, capaz de oferecer ao maior número de jovens as
oportunidades para que assumam seu próprio desenvolvimento, especialmente o
do caráter, ajudando-os a realizar suas plenas potencialidades físicas, intelectuais,
sociais, afetivas e espirituais, participantes e úteis em suas comunidades.

Realizado em Brasília/DF, entre 7 e 9 de fevereiro, com participação de 30 escotistas


de dez regiões escoteiras, o Encontro para Análise do Futuro do Escotismo Brasileiro798.
Realizadas por todo o país, a partir de abril de 1991, as Oficinas de Reflexão abordando
os “Fundamentos do Escotismo”, com aspectos emocionais, como o desenvolvimento da
criatividade e depoimentos pessoais799.
A Região Escoteira de São Paulo sediou, em 18 e 19 de maio, o II Encontro de
Escoteiros-Chefes e Coordenadores Guias do Cone Sul e Brasil, que reuniu representantes
do Brasil, Argentina, Uruguai, Chile e Bolívia800.
De 19 a 21 de julho de 1991, é realizado em Brasília/DF o I Seminário Nacional
sobre os Objetivos Específicos de Ramo, onde são formulados objetivos gerais e específicos
dos quatro ramos nas seis áreas: a) caráter e potencialidades, b) físicas, c) intelectuais, d)
sociais, e) afetivas, e f) espirituais. O evento contou com a participação de 21 escotistas de
oito regiões escoteiras801.
O efetivo escoteiro nacional, que durante 14 anos (1977 a 1991) crescera mais de 10%
ao ano, passando de 19.460 a 74.508 membros registrados, para de aumentar. É autorizada
a chefia mista nas tropas.
Realizado em Florianópolis/SC, de 17 a 21 de julho, com a coordenação do chefe
Carlos Alberto Nascimento, o XIV Mutirão Nacional Pioneiro802.
O IV Ajuri Nacional dos Escoteiros do Mar, em comemoração aos 70 anos de fundação
da Confederação Brasileira de Escoteiros do Mar, foi realizado em 1991 na Base Naval do
Rio de Janeiro, ilha de Mocanguê, Niterói/RJ. Os 525 participantes, de 29 grupos escoteiros
do mar oriundos de nove regiões escoteiras, foram instalados a bordo dos navios NDD

270
Ceará e NDD Rio de Janeiro. O organizador foi o chefe Antonio Boulanger Uchoa Ribeiro.
Dentre as atividades, constaram: passeio náutico na baía de Guanabara, pista de obstáculos,
olimpíada, corrida de orientação, city tour, visita à Base de Submarinos e a diversos órgãos
da Marinha brasileira803.
Realizado, de 8 a 16 de agosto, o XVII Jamboree Mundial na Coreia do Sul. O chefe
da delegação brasileira, com 159 membros, foi Paul Thomsen. Esta foi, até então, a maior
delegação brasileira a um evento no exterior804.
O chefe Rubem Suffert representou a UEB no Seminário Internacional de Programa,
realizado em Cochabamba, Bolívia, de 13 a 15 de setembro805.
Em 5 de outubro de 1991, é publicada a Resolução 07/91 do Conselho Nacional de
Representantes (CNR). A resolução determinava: a) a extinção de todos os uniformes então
existentes para ramos e modalidades; b) implantava o traje escoteiro único para todos os
membros do Movimento Escoteiro; c) as modalidades do Ar e do Mar seriam identificadas
apenas pelo respectivo distintivo acima do bolso esquerdo; e) foi estabelecido o prazo de três
anos para que todos os participantes do Movimento passassem a usar o traje escoteiro806.
Esta resolução foi regulamentada pela Resolução 08/91, de 11 de outubro de 1991, da
Comissão Executiva Nacional, que divulgava procedimento para a implantação do novo
traje escoteiro807.
Em 17 de outubro de 1991, é alterado o sistema de especialidades em vigor há 31
anos. Por motivos econômicos, as especialidades individuais para cada tema são substituídas
por emblemas em forma de escudos, com 40 mm de largura e 50 mm de altura, com campo
em amarelo, verde ou grená, para respectivamente, os ramos lobinho, escoteiro e sênior, e
contendo no centro o desenho correspondente a cada ramo de conhecimento, aplicado sobre
um leque bordado em cobre, prata ou ouro, conforme seu portador possua uma, duas ou, pelo
menos, três especialidades daquele ramo de conhecimento. Os distintivos correspondentes aos
ramos de conhecimento “habilidades escoteiras” e “serviços” são usados na manga esquerda,
sendo os demais usados na manga direita, logo abaixo do numeral do grupo. Os seniores,
guias, escoteiros e escoteiras continuarão usando as especialidades conquistadas nos ramos
anteriores até conquistarem a primeira especialidade no mesmo ramo de conhecimento808.
Em dezembro de 1991, a Comissão Nacional de Escoteiros do Mar, em editorial do
informativo Escoteiro do Mar, assinado pela comissária nacional Maria Pérola Sodré, declara
que:

Estamos passando por um tempo muito difícil de nossa vida como escoteiros do mar...
em todos os países onde há escoteiros do mar, e são muitos, temos nosso uniforme
característico e, até mesmo B-P, em muitos de seus artigos, incentiva essa ideia... nosso
uniforme já sofreu algumas pequenas alterações, no entanto, sempre as características
fortes identificando o Mar estiveram presentes... estamos sofrendo... mantenhamo-
nos tranquilos e disciplinados, unidos, vivendo com garra a nossa Promessa e Lei;
não é o uniforme que faz o escoteiro e sim sua vivência... Sejamos firmes, sejamos

271
enérgicos, sejamos fortes, porém tenhamos calma, sejamos tranquilos, vivamos o
Escotismo em toda sua essência, tenhamos confiança e saibamos transmitir a paz; o
nosso uniforme voltará, ele é uma das grandes e fortes tradições...809.

1992

Em 24 de janeiro de 1992, o escoteiro-chefe publica nota de esclarecimento no Sempre


Alerta!, no qual comenta os termos do editorial do Escoteiro do Mar número 24, de out/dez-
1991, e reitera os termos da Resolução 08/91 da CENA810.
O presidente do Conselho Nacional, Eurico Borba, participou da reunião da CENA
de 5 de fevereiro, e apresentou uma análise de sua visão pessoal da situação da UEB tecendo
comentários sobre as dificuldades que encontrou, ao longo do seu mandato, para promover o
Movimento Escoteiro nos meios governamentais, educacionais e de comunicação de massa,
sugerindo a realização de um diagnóstico por especialistas estranhos ao Movimento811.
Em 25 de fevereiro de 1992, os membros da Comissão Nacional de Escoteiros do
Mar enviam ofício ao presidente do Conselho Nacional, Eurico Borba, com cópia aos grupos
escoteiros do mar do Brasil, apresentando recurso ao Conselho Nacional no sentido de que
as Resoluções 07/91 do CNR e 08/91 da CENA excluam os praticantes da modalidade do
Mar e que determine que esta modalidade tenha o direito de escolher, democraticamente,
seus uniformes ou trajes812.
Em 28 de fevereiro de 1992, o presidente do Conselho Nacional acata o recurso
da Comissão Nacional de Escoteiros do Mar e determina a inclusão do tema na pauta da
próxima reunião do órgão, a ser realizada no Rio de Janeiro/RJ. Solicitou ainda, em 6 de
março, ao chefe André Pereira Leite que seja o relator da matéria813.
A CENA, através do ofício circular 003/92, de 13 de março, enviado aos grupos
escoteiros do mar, assinado pelo escoteiro-chefe, contestou os argumentos apresentados
pela CNEM814.
O presidente da CENA e o escoteiro-chefe enviaram ofício ao chefe André Pereira
Leite, em março de 1992, oferecendo argumentação questionando a legitimidade da
Comissão Nacional de Escoteiros do Mar apresentar recurso ao Conselho Nacional815.
Em 14 de março, o escotista José Luiz Bones de Souza, de Minas Gerais, ex-
comissário regional daquela região escoteira, divulgou carta aberta analisando o decréscimo
do efetivo escoteiro brasileiro, propondo o lançamento de uma chapa para a diretoria
nacional sem pessoas de Brasília, a transferência da Direção Nacional para outro estado;
endossa proposta816 de Carlos Borba em trabalho anterior, no sentido de uma federalização
da UEB e indica caminho para se alcançar esta alteração de estrutura contra a qual resiste
a estrutura vigente817.
Em 26 de março de 1992, após oito anos de trabalho, nos quais foram realizados
três ajuris nacionais, indabas e fóruns de jovens, diversos cursos técnicos, construídas e

272
entregues cinco embarcações, publicadas 25 edições do tabloide Escoteiro do Mar, elaborados
manuais técnicos e de etapas da modalidade do Mar, ministradas inúmeras palestras, os
membros da Comissão Nacional de Escoteiros do Mar, professora Maria Pérola Sodré,
comissária nacional de escoteiros do mar, professor Fábio de Alcântara, chefe Jarbas Pinto
Ribeiro, chefe Hein Zech, professor Roberto Ricardo Pereira de Souza, engenheiro Antonio
Boulanger Uchoa Ribeiro, comandante Carlos Borba, almirante Bernard David Blower e
almirante Walbert Lisieux Medeiros Figueiredo renunciaram coletivamente, em função dos
termos do ofício circular 003/92 de parte do escoteiro-chefe Jaire Perez de Vasconcellos818.
Realizada no Rio de Janeiro/RJ, de 30 de abril a 2 de maio de 1992, a XLIII Reunião
Ordinária do Conselho Nacional. Na sessão de 2 de maio de 1992, o presidente do Conselho
Nacional, professor Eurico Borba, comunicou ao plenário que, acolhendo parecer do relator
por ele designado para examinar o recurso interposto por escotistas e dirigentes escoteiros
ex-integrantes da Comissão Nacional de Escoteiros do Mar, contra a decisão de adotar o
traje escoteiro, decidiu remeter a matéria para reexame e análise pelos órgãos competentes,
a saber, a Comissão Nacional de Orientação e Coordenação e o Conselho Nacional de
Representantes, suspendendo, ao mesmo tempo, a contagem do prazo de três anos fixado
pelo CNR para que todos os membros do Movimento passem a usar o traje escoteiro; decidiu
ainda fixar um prazo de 90 dias para que todos os interessados enviem suas sugestões
quanto ao assunto; manifesta sua certeza de que o reexame da matéria pela CNOC e CNR,
em suas próximas reuniões, em outubro deste ano, incorporando as sugestões a serem
apresentadas, a experiência acumulada nos seis meses que transcorrerão até aquelas reuniões
e as manifestações favoráveis e desfavoráveis quanto ao assunto, há de convergir para uma
decisão tranquila, a ser consagrada pelo Conselho Nacional em sua próxima reunião, em
abril de 1993, em Minas Gerais. Eleita a nova Comissão Executiva Nacional para o triênio
1992/1995, composta por: presidente do Conselho Nacional, Eurico de Andrade Neves
Borba; primeiro vice-presidente do Conselho Nacional, Osório Henrique Furlan; segundo
vice-presidente do Conselho Nacional, Antonio Carlos Hoff; diretor presidente da CENA,
Guido Fernando Mondin; diretor vice-presidente da CENA, Estefano Ulandowsky; diretor
financeiro da CENA, Jaire Perez de Vasconcellos; diretor administrativo da CENA, Arnaldo
Ribeiro Cerqueira; diretor de Assuntos Internacionais da CENA, Paul Jacob Grand-Jean
Thomsen; escoteiro-chefe, João Fagundes Hauck. Criada comissão para revisão do Estatuto
a ser realizada em 1993819.
A 7ª Aventura Sênior Nacional foi realizada nas belas paisagens da ilha de São
Francisco, em Santa Catarina, e repetiu a experiência de reunir seniores e guias em uma
única atividade do ramo. Participaram 433 seniores, 136 guias escoteiras e 93 escotistas.
Os jovens foram distribuídos em 113 patrulhas que compunham 28 tropas, distribuídas em
sete subcampos. Após a construção de catamarãs pelos próprios jovens, foram percorridos
mais de 25 quilômetros a remo, ao som da música que embalou todos os participantes: “Vou
navegando, vou remando, vou remando, navegando sem parar, sem cansar...”. O organizador
foi o chefe Luiz César de Simas Horn820.

273
A CNOC, reanalisando a questão do traje escoteiro, decidiu manter na íntegra sua
resolução, inclusive quanto ao prazo de transição de três anos821.
Em 25 de outubro de 1992, através da Resolução 09/92, o CNR decide manter o
traje escoteiro, mas assegurando aos membros da modalidade do mar o direito de continuar
a usar os uniformes anteriores até sua substituição por um traje único, ressalvado o direito
de opção pelo traje escoteiro já definido822.
De 29 de dezembro de 1992 a 4 de janeiro de 1993, realiza-se o Jamboree Colombo,
no parque Osório/RS. 
Realizado em Juiz de Fora/MG, XV Mutirão Nacional Pioneiro, coordenado pelo
comissário nacional de pioneiros, Didier Henri René Soublin, e organizado pelo chefe Juarez
Polisseni Braga823.
Realizado o I Mutirão Escoteiro Nacional de Ação Ecológica, coordenado pelo
comissário nacional de Meio Ambiente, Renato Eugênio Lima, e realizado de forma
descentralizada para possibilitar a aproximação entre Escotismo e comunidade, em prol de
preservar o ambiente em que vivemos824.
Realizado, em Vitória/ES, o III Encontro Nacional de Chefes de Lobinhos com
participação de 210 escotistas de Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Mato Grosso,
Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, e de
representantes da Argentina. O evento foi coordenado pela comissária nacional de lobinhos,
Vânia Dohme, e organizado pela Região do Espírito Santo, tendo à frente a escotista Bruna
Madeira825.
Atendendo convite do escoteiro-chefe, os comissários nacionais de Ramos, Assuntos
e Modalidades se reuniram em Juiz de Fora/MG, nos dias 15 e 16 de agosto, para elaborar
um plano de trabalho para o triênio. Durante o encontro foi estabelecida a grande meta a
ser perseguida pela Equipe Técnica Nacional, de uma maior convergência entre o Escotismo
praticado nas bases e o Propósito definido nos Fundamentos. A estratégia para a consecução
dessa meta inclui a melhor capacitação dos escotistas e dirigentes e a produção e divulgação
de material de apoio à aplicação do Programa Escoteiro826.
Em 1992 é aprovada pela Direção Nacional a sistemática do Método de Atualização
Contínua do Programa Escoteiro (MACPRO). 

1993

Aprovados, em abril de 1993, em Belo Horizonte/MG, novos Estatutos da UEB. O


texto final destes Estatutos foi revisado pela Comissão de Redação e Estilo, constituída por
Mario Henrique Peters Farinon, presidente, João Alberto Bordignon, Marco Aurélio de
Melo Castriani e Milton de Souza Correa Filho827.
A CENA informou aos membros da Comissão Estatuinte que procedera ao exame do
texto final revisado, recebido em 5 de julho, e encontrou diferenças em relação ao conteúdo

274
aprovado pelo Conselho Nacional828. Posteriormente, o comissário nacional de Adestramento,
em carta dirigida às regiões escoteiras, esclarecendo afirmações do presidente da Comissão
Estatuinte sobre cursos de adestradores, aborda a atuação do citado presidente, que
trabalhara sozinho e alterara conteúdos aprovados em Belo Horizonte829. O presidente da
comissão acolheu a manifestação da CENA e, 13 dias após, enviou nova versão dos Estatutos.
Posteriormente, o presidente da comissão acolheu sugestões enviadas pelo escotista Marco
Aurélio de Melo Castriani e enviou uma terceira versão, sem ouvir os demais membros da
comissão, em 23 de setembro, à CENA. Em 24 de setembro, a Região do Paraná enviou um
fax ao presidente do Conselho Nacional, cujo teor foi divulgado aos participantes da reunião
da CNOC na reunião realizada nos dias 24 e 25 daquele mesmo mês, no qual os dirigentes
paranaenses acusam de “ingênua” a atitude do presidente do Conselho Nacional, que teria se
deixado envolver em “manobras protelatórias e golpistas” armadas por membros da Direção
Nacional que “inconformada com a derrota”, estão tentando impedir o registro em cartório
do novo Estatuto da UEB830.
Em 4 de outubro, a CENA envia ofício-circular831 aos membros do Conselho
Nacional informando a situação e declarando a impossibilidade de efetuar o registro dos
novos Estatutos em cartório. Em 5 de outubro, o presidente da CENA, Guido Mondin,
envia nova correspondência aos membros do Conselho Nacional de Representantes e
das Comissões Executivas Regionais, contestando afirmações do presidente da Comissão
Estatuinte divulgadas em carta de 26 de setembro832 às Comissões Executivas Regionais.
Em 20 de outubro, o presidente do Conselho Nacional, doutor Eurico Borba, envia
correspondência833 à Diretoria da UEB, na qual comenta a crise vivida pela instituição,
informando que pretendia realizar um amplo debate que precederia a reunião do CNR de
outubro de 1993 para aprofundar a reflexão sobre os problemas estruturais e normativos
que, a seu ver, afetariam o dinamismo do Escotismo no Brasil; entretanto, reação inusitada e
despropositada da Região do Paraná e a informação de que a CNOC, em reunião nos dias 25
e 26 de setembro, havia decidido solicitar o imediato registro do Estatuto aprovado em Belo
Horizonte, a falta de apoio e compreensão, o levam a renunciar ao cargo de presidente do
Conselho Nacional. Em 23 de outubro, os membros da CENA renunciam coletivamente834,
alegando que os novos Estatutos aprovados

contendo alguns dispositivos que prenunciavam dificuldades na sua execução....


com o óbvio propósito de servir, alertando a Comissão de Redação, entrou a sugerir
possíveis correções, ainda em tempo e em condições de fazê-lo.... foi interpretado,
entretanto, como incômoda ingerência.... o presidente do Conselho Nacional dirigiu-
se a quantas autoridades do Movimento cabia informar.... as reações .... não tardaram...
convencendo-se o presidente do Conselho Nacional e a CENA de que não havia clima
... para entendimento cordial, necessário e racional em favor dos interesses maiores
da causa. Eis que a Região do Paraná.... enviou desprimoroso ofício em que propugna

275
pela sua renúncia, ao mesmo tempo em que acusa os membros da Direção Nacional
de minoria inconformada e capaz...de manobras protelatórias e golpistas.

Em 2 de novembro de 1993, o conselheiro nacional Antonio Carlos Hoff, na condição


de segundo vice-presidente eleito do Conselho Nacional, enviou correspondência informando
que em reunião do Conselho Nacional de Representantes foi recebida e acatada a renúncia
dos membros da CENA e que elegera a seguinte diretoria nacional, em mandato tampão
até a reunião seguinte do Conselho Nacional, constituída por: diretor-presidente, Mário
Henrique Peters Farinon; diretor vice-presidente, Walter Dohme; escoteiro-chefe, Igor
Kipman; diretor financeiro, Fernando Antonio Nogueira de Almeida; diretor administrativo,
Maurício Moutinho da Silva. Informou ainda que se decidiu efetuar, de imediato, o registro
dos novos Estatutos.
No editorial do informativo Sempre Alerta! de setembro/outubro de 1993, o novo
diretor-presidente da CENA conclamou a instituição a dar “um salto para o futuro”. Informou
que os novos Estatutos já estavam registrados e solicitou sugestões para nova revisão
estatutária a ser realizada em 1994. Neste mesmo número do informativo, foi publicado
o Estatuto, que implantou várias alterações, dentre as quais a substituição do Conselho
Nacional por uma assembleia nacional, a alteração da data das reuniões ordinárias de abril/
maio para outubro/novembro835, a extinção do Conselho Nacional de Representantes em
1995, a eliminação do nível distrital na estrutura da UEB, a substituição da Comissão
Executiva Nacional por uma diretoria nacional composta pelo presidente e pelos dois vice-
presidentes da Assembleia Nacional e por 12 diretores nacionais com renovação anual de um
terço, alteração na composição das diretorias regionais e dos grupos escoteiros836.
Encerrou-se, assim, um período de quase 20 anos com o professor Rubem Suffert
a frente do Escotismo brasileiro. Inegavelmente, foi um período de grandes realizações e
crescimento do efetivo nacional, mas cujo modelo de gestão extremamente centralizada,
forte, e sem renovação, se desgastou e esgotou. Seguir-se-ia um período de grandes
modificações na estrutura da UEB, alterações frequentes de Estatuto, diminuição do efetivo,
descentralização técnica e administrativa que não deram necessariamente bons resultados,
mas que democratizaram a associação e a levaram, anos depois, a uma modernização,
rejuvenescimento e maior profissionalismo.
Realizado em Sorocaba/SP, o XVI Mutirão Nacional Pioneiro837.
A UEB participou da XXXII Conferência Mundial Escoteira realizada em Bangkok,
Tailândia, na qual foi aprovada a realização do XIX Jamboree Mundial no Chile838.
Realizado o II Mutirão Nacional de Ação Ecológica839.
Realizados em Goiânia/GO, a Indaba Nacional de Chefes de Seniores e de Guias
Escoteiras e o Fórum Nacional de Jovens840.
Realizada em São Paulo/SP, a Indaba Nacional de Chefes de Grupo e Comissários,
coordenada pelo escotista Elmer de Souza Pessoa841.

276
Realizado, em Santos/SP, o primeiro Encontro Nacional de Chefes de Mar. Na
ocasião, decidiu-se que o segundo encontro seria no Rio de Janeiro e que teria como objetivo
a atualização das etapas de modalidade para os ramos escoteiro e sênior, assim como a
preparação de um projeto específico sobre as especialidades para ambos os ramos.
Realizado o XV Elo Nacional, de forma descentralizada, com o tema “Uma Cadeia
em Expansão”842.
Deixa de ser publicado o Boletim Oficial da UEB. A qualidade dos relatórios anuais
da UEB começa a decair sob a alegação de melhor utilização dos recursos para outras
publicações843.

1994

Realizado, de 8 a 12 de janeiro, em Barretos/SP, um acampamento internacional de


patrulhas.
O V Ajuri Nacional dos Escoteiros do Mar ocorreu de 15 a 19 de janeiro de 1994,
na ilha do Pavão, Grêmio Náutico União, Porto Alegre/RS, tendo 400 participantes de oito
estados e coordenado pela comissária nacional Elvira Panatieri Brito.
De 18 a 21 de janeiro de 1994, realizou-se, em Santiago, no Chile, a primeira Assembleia
Geral da União Escoteira Parlamentar Mundial, na qual o Brasil se fez representar pelos
deputados federais Flavio Arns, do Paraná, e João Faustino, do Rio Grande do Norte; além
de Paulo Salamuni, vereador por Curitiba, e Igor Kipman, designado pelo Ministério das
Relações Exteriores para acompanhar a delegação brasileira. Mais de 140 parlamentares de
40 países participaram do evento844.
Em 6 de fevereiro de 1994, o Conselho Nacional de Representantes, considerando que
cabe encerrar a discussão sobre uniformes e traje escoteiro, acolhendo proposta da CENA,
publica a Resolução 03/94, que esclarece que os membros do Movimento Escoteiro serão
identificados pelo uso de um “uniforme” ou “traje escoteiro”; estabelece que os uniformes são
os constantes no título próprio do POR e formaliza o traje escoteiro, podendo a modalidade
do mar adotar a camisa branca; cria o traje social, com terno e gravata para os homens, e
tailleur para as mulheres; e que em atividades de representação e internacionais, o uniforme
ou traje será definido pela delegação845.
Realizada, entre 22 e 23 de abril de 1994, em São Vicente/SP, a 1ª Assembleia Nacional,
na qual o Estatuto da UEB é alterado novamente. As assembleias, em todos os níveis, passam
a eleger seus presidentes a cada reunião ordinária, deixando de existir a figura de presidente
de Assembleia; extinto o Conselho Nacional de Representantes, a Comissão Executiva
Nacional e a Comissão Fiscal, assim como os mandatos dos ocupantes dos respectivos
cargos; a Diretoria Nacional passa a ter 15 membros eleitos pela Assembleia Nacional, com
renovação anual de um terço, que designarão, a cada ano, seu diretor-presidente e dois vice-
presidentes. Foi eleita a nova diretoria com 15 membros. Com mandato de três anos, foram

277
eleitos: Eduardo Szazi, Antonio Cesar de Oliveira, Antonio Carlos Hoff, Renato Eugênio
de Lima e Maurício Moutinho da Silva. Com mandato de dois anos: Guilherme Reichwald,
Mario Henrique Peters Farinon, Marco Aurélio de Melo Castriani, Vander Veloso Pires e
Oscar Victor P. Arias. E com mandato de um ano: Alexandre A. C. Oliani, João Fagundes
Hauck, Jorge Antonio dos Santos, Igor Kipman e João Alberto Bordignon. Para a Diretoria,
foram eleitos: presidente, Mário Henrique Peters Farinon, e os vice-presidentes, Jorge
Antônio dos Santos e Antônio César de Oliveira846.
Em maio de 1994, em reunião na sede da OSI, em Santiago, Chile, a UEB, representada
pelo seu então diretor-presidente, Mário Henrique Peters Farinon, e pelos escotistas Walter
Dohme e Osny Fagundes, manifestou sua decisão de adotar o MACPRO como modelo de
desenvolvimento para a área estratégica de Programa de Jovens e aderiu à Rede de Elaboração
de Material Educativo (REME), mecanismo criado pela OSI para desenvolver repertório de
fichas de atividade como um dos instrumentos de apoio ao Programa de Jovens847.
Foram extintos os cargos de comissários nacionais e também a Equipe Nacional de
Adestramento (ou Formação, como vinha sendo chamada desde 1993)848.
Elaborado um Plano Estratégico Nacional849 com objetivos estabelecidos em cinco
áreas de atuação: programa de jovens, recursos adultos, recursos financeiros, gestão
institucional, e crescimento. Como o Escritório Nacional não possuía estrutura para realizar
o plano, a diretoria decidiu criar cinco comitês, um para cada área estratégica, compostos
pelos próprios diretores nacionais, com o apoio do Escritório Nacional. Foi criada uma sede
operacional em Porto Alegre/RS para apoiar a ação do diretor-presidente, assim como
contratar um profissional para apoiar o diretor responsável pelo setor de Recursos Adultos.
Decidiu-se contratar um diretor executivo, sendo iniciado um processo de seleção, ao final
do qual foi contratado o senhor Osny Câmara Fagundes, que era exatamente o executivo da
antiga CENA. As principais realizações ao longo de 1994 foram:

Na área de programa de Jovens: lançadas as bases para implementação do MACPRO,


desde a provação do Projeto Educativo da UEB até as primeiras edições das Fichas
de Atividade, passando pelo estudo do desenvolvimento evolutivo da criança e do
jovem e pela fixação dos objetivos educativos. A UEB aderiu à Rede de Elaboração
de Material Informativo organizada pela Oficina Scout Interamericana e designou o
escotista Walter Dohme como coordenador da REME no Brasil.

Na área de Recursos Adultos: acompanhamento dos estudos desenvolvidos pela OSI.

Na área de Gestão Institucional: implantação da sede operacional em Porto Alegre,


transferência do Escritório Nacional para novas instalações, abertura da nova Loja
Escoteira Nacional, aquisição de veículo de apoio ao escritório e loja, contratação de
executivo, participação de dois funcionários no curso de imersão da OSI, implantação
do novo sistema de registro.

278
Na área de Recursos Financeiros: contratação de executivo para a loja escoteira
visando transformá-la em real fonte de recursos, transformar a realização de eventos
nacionais e participação em eventos internacionais em fontes de recursos, contratação
de executivo para setor de eventos.

Na área de Crescimento: elaboração de material de apoio para abertura de novos


Grupos; criado Troféu Crescimento, estudos para implantação de Grupo Padrão.

O plano estabeleceu também uma nova missão para a UEB: “Proporcionar a prática
do Escotismo ao maior número de jovens brasileiros”850.
Com recursos próprios, sob o risco de perder o voto em conferências mundiais e
interamericanas, a UEB paga suas taxas internacionais atrasadas desde 1992, totalizando
mais de 40 mil dólares americanos851.
A UEB participa do IX Jamboree Pan-americano, em Cochabamba, Bolívia, com
expressiva delegação de mais de mil escoteiros.
Com a concentração das atividades dos adultos no Congresso Escoteiro Nacional,
foram suspensas, pela Diretoria Nacional, a realização das indabas nacionais. Os fóruns de
jovens, reunindo os representantes dos ramos escoteiro e sênior, são substituídos por um
“Fórum de Jovens Líderes”, com representantes de 18 a 25 anos, incluindo aí os pioneiros.
Realizado em Salvador/BA, o XVII Mutirão Nacional Pioneiro. Devido aos inúmeros
problemas que surgiram nas últimas edições desta tradicional atividade, a Direção Nacional
decidiu suspender sua realização.
Realizado, no mês de junho, na Escola Naval, Rio de Janeiro, o II Encontro de
Chefes de Mar, com a participação de 60 escotistas de vários estados. O principal objetivo
era a elaboração de um projeto para as etapas de modalidade Mar para os ramos escoteiro
e sênior, levando em consideração a implantação definitiva da coedução na UEB. Após
dias de trabalho, foi elaborado um documento com as sugestões aprovadas para segunda e
primeira classes, estágio probatório, eficiências I e II, jornadas, alterações em requisitos de
especialidades, criação de novas especialidades etc.852.
A 8ª ASNA foi realizada no período de 23 a 27 de julho de 1994, em Candelária/RS. Foi
a maior até então realizada, com cerca de 600 pessoas. Os participantes ficaram acampados
no Aqueduto, local gentilmente cedido pela família Filter/Becker, em uma minicidade com
mercado, lanchonete, restaurante, enfermaria e loja escoteira. O Exército, o Corpo de
Bombeiros e o Grupamento de Operações Especiais da Polícia Civil do Rio Grande do Sul
garantiram a segurança do evento. Participou também um grupo de radioamadorismo de
Porto Alegre que manteve contatos com diversos locais e que coordenou os deslocamentos
de ambulância e segurança. O frio foi o responsável pela maioria dos atendimentos da
enfermaria. Alguns seniores de Minas Gerais subestimaram o frio e tiveram hipotermia por
falta de agasalhos. A atividade constou de um trekking no vale das Cascatas, que impressionou
a todos com as belezas locais; canoagem no rio Pardo, desde a ponte do Império até o Poço da

279
Lage (eleita como a melhor atividade); rapel no morro Botucaraí (descida de paredões com
corda). Participaram seniores e guias de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná,
Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O organizador do evento foi o IM Julio C. Massirer.

1995

Em 1º de maio de 1995, a sede nacional passa do Campo-Escola do Setor de Clubes


Esportivos Sul (SCES) para o CLN 408, em Brasília. 
UEB enviou expressiva delegação de 535 participantes ao X Jamboree Pan-
Americano, realizado na Nicarágua. A organização da delegação ficou a cargo de Antonio
Carlos Hoff. Foi organizado um pacote turístico opcional ao qual aderiram 495 membros
da delegação e mais 33 acompanhantes. A receita obtida pela UEB com o evento permitiu a
quitação de taxas escoteiras internacionais em atraso853.
A UEB enviou delegação ao 6º Fórum Mundial de Jovens, realizado na Noruega. O
grupo, organizado pelo diretor nacional Oscar Victor P. Arias, era integrado pelos delegados
Marcos Clayton Fernandes Pessoa, Melissa Martins Casagrande, Estevão Nemer Salles,
Arthur Falcão Neto e José Carlos Lorenzatto854.
A UEB participou da 34ª Conferência Mundial Escoteira, realizada na Noruega. A
delegação, chefiada pelo DN Oscar Victor P. Arias era composta pelos delegados Mario
Henrique P. Farinon, Osny Câmara Fagundes, Diva Irene da Paz e Mirna Casagrande; e como
observadores, Marie Louise Maia, Pedro Sferelli e Verner Black. Pela primeira vez, a UEB
montou stand no local da conferência, apresentando material sobre projetos e atividades no
Brasil. A conferência aprovou conceder reconhecimento à Associação Escoteira da Palestina
que contou com o apoio de Israel855.
A Diretoria Nacional decreta intervenção na Região Escoteira do Rio de Janeiro,
nomeando interventores Antonio Boulanger Uchoa Ribeiro, Eduardo Szazi, Guilherme
Reichwald e Maurício Moutinho da Silva.
Realizado, na Holanda, o XVIII Jamboree Mundial. A delegação brasileira, com 800
participantes, foi chefiada por Oscar Victor Palmquist Arias.
Realizado, em Joinville/SC, entre 2 e 5 de novembro de 1995, o I Congresso Nacional
em paralelo com a 2ª Assembleia Nacional Escoteira. Após a renovação de um terço dos
seus membros, a Diretoria Nacional ficou composta por: Eduardo Szazi, Antonio Cesar
de Oliveira, Antonio Carlos Hoff, Renato Eugênio de Lima, Maurício Moutinho da Silva,
Guilherme Reichwald, Mario Henrique Peters Farinon, Marco Aurélio de Melo Castriani,
Vander Veloso Pires, Oscar Victor P. Arias, João Alberto Bordignon, David Crusius,
Helmgton J. B. de Souza, Renato Bini e Wladerlei Astolphi Galera. Em reunião da Diretoria
Nacional, foram eleitos: para diretor-presidente, Mario Henrique Peters Farinon; para
primeiro vice-presidente, João Alberto Bordignon; e para segundo vice-presidente, Eduardo
Szazi856.

280
Durante o I Congresso Nacional, foi lançada a Ordem da Flor de Lis, um fundo de
reserva e capitalização da UEB, para receber doações, e cujo capital somente poderá ser
utilizado em condições altamente relevantes com aprovação unânime da Diretoria Nacional.
A Ordem da Flor de Lis é outorgada aos doadores que aportarem recursos ao Fundo de
Reserva e Capitalização, nos graus bronze, prata, ouro e diamante, conforme as doações
sejam equivalentes a, respectivamente, 500, 1.000, 2.000 ou 5.000 dólares americanos. Os
primeiros membros da ordem foram: Alberto José Keller, André Luiz de Andrade, Antonio
Carlos Hoff, Clube da Flor de Liz do 20º PR GE do Ar Santos Dumont, Eduardo Szazi, Eluízio
Bueno Rodrigues, Everson Steigleder, Fernando Fernandes de Lima, Francisco Alves da
Costa Neto, Guilherme Reichwald, Gustavo Monteiro Fagundes, João Alberto Bordignon,
João Batista Fiorini Thomé, Katuoki Ishizuka, Luis Cesar Chehab Lasmar, Marcel Hugo,
Marco Aurélio Romeu Fernandes, Marcos Carvalho, Marcos Clayton Fernandes Pessoa,
Mário Henrique Peters Farinon, Maurício Moutinho da Silva, Nivaldo Emídio Moreira,
Oscar Victor Palmquist Arias, Osny Câmara Fagundes, Paulo Luiz Pencarinha de Morais,
Paulo Salamuni, Região Escoteira do Rio Grande do Sul, Renato Bini, Renato Eugênio de
Lima, Renato Silva, Sérgio Marangoni Alves, Tania Farinon, Wilma Schiefferdecker857.
A UEB firmou convênio com o UNICEF para realização do projeto “Eu Salvei Uma
Vida”, que pretende contribuir para a redução da mortalidade infantil provocada por diarreia
através do ensino de medidas preventivas e orientação da terapia de reidratação oral. O
UNICEF forneceu cartazes elucidativos nos quais a imagem da UEB foi associada à de
outras entidades participantes, doou mais de 50 mil colheres-medida para preparação do
soro caseiro, distribuídas pelos jovens às famílias visitadas, assim como distintivos para
os participantes e verba para elaboração de um manual. Estima-se que o projeto tenha
contribuído para melhorar a expectativa de vida de mais de 50 mil crianças até cinco anos
de idade858.
Criada, em 1995, a Comunidade do Escotismo Lusófono, que congrega as associações
escoteiras dos países de língua portuguesa859.

1996

O VI Ajuri Nacional dos Escoteiros do Mar ocorreu de 3 a 7 de janeiro de 1996


na Escola Naval, RJ, com cerca de 400 participantes. O organizador foi o chefe Antonio
Boulanger Uchoa Ribeiro. As atividades incluíram um torneio interpatrulhas, passeio na
baía de Guanabara, city tour, olimpíada, regata a remos, técnicas marinheiras, festa dos
estados, baile à fantasia. Em comemoração aos 75 anos de fundação da Federação Brasileira
de Escoteiros do Mar, foi disputada uma regata a remos em escaleres da Escola Naval, em
várias categorias: ramo escoteiro, ramo sênior e acima de 18 anos; ao final das regatas,
sagrou-se vencedor geral o 20º RJ Grupo Escoteiro do Mar Velho Lobo.

281
Em abril de 1996, a Região Escoteira do Rio de Janeiro encontrava-se sob a
intervenção da Diretoria Nacional. Para comemorar a Semana Escoteira, decidiu-se
organizar um “Grande Jogo Regional”, por patrulhas, para escoteiros, escoteiras, seniores e
guias escoteiras, havendo premiação também para os melhores grupos escoteiros. O evento
foi realizado no parque do Aterro do Flamengo, com 60 bases e mais de 200 patrulhas. O
sucesso do evento fez com que passasse a ser repetido anualmente e fazer parte do calendário
oficial do município, reunindo milhares de escoteiros, inclusive de regiões escoteiras
próximas. O criador do grande jogo e organizador das primeiras edições foi o escotista
Antonio Boulanger Uchoa Ribeiro.
Em reunião realizada no Rio de Janeiro entre 24 e 26 de maio de 1996, a Diretoria
Nacional, considerando os resultados do Projeto Chapada dos Guimarães, aprovou a
Resolução 002/96, que regulamentou a implantação das tropas mistas nos ramos escoteiro
e sênior860.
Reorganizado o Escritório Nacional, com seis setores de atuação: Relações
institucionais, Métodos educativos, Operações, Administração, Atividades comerciais, e
Projetos861.
Em 25 de maio de 1996, a Diretoria Nacional regulamentou a implantação de tropas
mistas nos ramos escoteiro e sênior862.
Realizado em Osasco/SP, nos dias 25 e 26 de maio, o Fórum Nacional de Jovens
Líderes, com 76 participantes de nove regiões escoteiras, além de oito convidados enviados
pelo SESI, SENAI, Fundação Bradesco, Escola João Batista de Brito, que sediou o evento,
assim como dos delegados brasileiros ao 6º Fórum Mundial de Jovens863.
Entre 15 e 26 de julho de 1996, 67 pioneiros brasileiros participaram do 10º
Rover Moot Mundial, realizado em Ransater, no interior da Suécia, com cerca de 3.000
participantes864.
Realizada a 3ª Assembleia Nacional, em Canela/RS, entre 31 de outubro e 3 de
novembro de 1996. Eleitos cinco novos membros para a Diretoria Nacional: Edson Caetano
dos Santos, Ivan Barreto Rodrigues, Marcos Carvalho, Mario Henrique Peters Farinon
e Oscar Victor Palmquist Arias. Foi eleita pela Diretoria Nacional a nova composição
do Escritório Nacional em 1997: diretor-presidente da UEB, Renato Bini; primeiro vice-
presidente, Eduardo Szazi; segundo vice-presidente, Maurício Moutinho da Silva. Aprovada
alteração estatutária incluindo artigo que determina que os recursos da entidade sejam
aplicados no Brasil para adequação a normas que regem as instituições filantrópicas865.
Realizado, em paralelo com a assembleia nacional, o II Congresso Nacional, no qual
foram realizados os seguintes eventos: Seminário “Os Adultos que Necessitamos”, Seminário
Nacional da Modalidade Mar, Seminário Nacional da Modalidade Ar, Seminário Nacional
“Adultos no Escotismo”, workshop “Rede de Elaboração de Material Educativo”, workshop
sobre “Liderança e Desenvolvimento”, Seminário Nacional do Ramo Lobinho, Seminário
Nacional do Ramo Escoteiro, Seminário Nacional do Ramo Sênior, Seminário Nacional do
Ramo Pioneiro, Seminário Nacional de Serviço Escoteiro Profissional, workshop de Gestão

282
Institucional nas Regiões Escoteiras, Seminário Nacional sobre Espiritualidade, Fórum
Nacional de Jovens Líderes, e “Escotismo para quê? Escotismo para Quem?”866;
A diminuição no efetivo da UEB tem sido objeto de análises e estudos pela Diretoria
Nacional. Evasão e sonegação de registros são as causas mais citadas867.

1997

Em 1997 a sede nacional é transferida para Curitiba. A Loja Escoteira Nacional é


mudada para Porto Alegre e depois também para Curitiba.
Voltam a ser realizados os mutirões nacionais pioneiros. Realizado em Torres/RS,
XVIII Mutirão Nacional Pioneiro.
Realizada em Brasília/DF, em novembro de 1997, a 4ª Reunião Ordinária da Assembleia
Nacional. Eleitos cinco novos membros para a Diretoria Nacional, a saber: Marcos Venício
de Mattos Chaves, Marcel Hugo, Baldur Oscar Schubert, Modesto Carro Loureiro e Rubem
Tadeu Cordeiro Perlingeiro. Compõem ainda a diretoria: David Crusius, Helmgton J. B. de
Souza, João Alberto Bordignon, Renato Bini, Wladerlei Astolphi Galera, Edson Caetano dos
Santos, Ivan Barreto Rodrigues, Marcos Carvalho, Mario Henrique Peters Farinon e Oscar
Victor Palmquist Arias. Em 1998, a diretoria será presidida por Mário Henrique Peters
Farinon, tendo como vice-presidentes Marcos Carvalho e Oscar Victor Palmquist Arias.
Durante o 3º Congresso Nacional foram realizados os seguintes seminários: “Educação –
O Desenvolvimento Evolutivo”, “Educação Ambiental”, “Encontro Nacional de Escotistas
Católicos”, “Encontro Nacional de Radioescotismo”, “Encontro Nacional de Escotistas da
Modalidade do Mar”, “Encontro Nacional de Escotistas da Modalidade do Ar”, Seminário
“Fundamentos do Escotismo”, “Fórum Nacional de Jovens Líderes”, “Seminário Recursos
Adultos – As Novas Diretrizes”868.
Entre 21 e 27 de novembro de 1997, a UEB recebeu a visita do secretário geral da
Organização Mundial do Movimento Escoteiro, doutor Jacques Moreillon. Ao longo dessa
semana, Moreillon visitou as Regiões Escoteiras do Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de
Janeiro e São Paulo, manteve inúmeros contatos com lideranças escoteiras e autoridades
governamentais, empresariado, imprensa e entidades envolvidas em trabalhos similares ao
nosso. Coube ao CCME programar a estada no Rio de Janeiro; em comum acordo com
a Região do Rio de Janeiro, foram expedidos convites a autoridades, chefes e dirigentes
escoteiros e conselheiros do CCME para um encontro no auditório do Espaço Cultural da
Marinha. Vejamos algumas passagens pinçadas do pronunciamento do secretário geral869:

Em todos os regimes totalitários, sejam eles de direita ou de esquerda, é proibida


a prática do escotismo, pois eles desejam controlar seus jovens... uma vez que o
escotismo se preocupa em fazer com que os jovens tomem decisões por si mesmos,
passa a ser um perigo para aqueles Estados ditatoriais. Após a queda do muro de

283
Berlim, mais de vinte países oriundos da antiga União Soviética ingressaram na
comunidade escoteira.

Dois terços do escotismo de todo o mundo estão na Ásia, e mais ou menos um terço
deles são de religião islâmica, desfazendo-se assim a ideia de que o Movimento
Escoteiro ainda é uma organização europeia.

O escotismo é muito diversificado entre os países onde é praticado, mas, em todos


eles, há em comum a fidelidade ao objetivo a atingir, ou seja, à Missão, aos Princípios
e Método Escoteiro. O objetivo é o desenvolvimento integral do jovem.

Ao focalizar especificamente o Escotismo praticado no Brasil, encontraríamos


escoteiros de todas as classes sociais mas...a maioria estaria situada em duas ou três
delas, como a burguesa, a alta e a média alta... fenômeno que ocorre em toda a América
Latina... que aqui se dá muita importância à forma em detrimento do conteúdo que
visa, fundamentalmente, ao desenvolvimento do jovem.

O país onde o Escotismo tem a maior penetração na faixa etária em idade para ser
escoteiro é a Filipinas, onde 22% dos jovens são escoteiros; isso se deve ao vínculo
que há entre o Escotismo e as escolas; o Movimento não faz parte das escolas, mas
em todas elas pratica-se Escotismo. Há outros países com taxa na ordem de 20%,
mas são países pequenos, como Luxemburgo e Liechtenstein, ou províncias, como a
Catalunha. Depois vêm os Estados Unidos, com 15% de penetração; Inglaterra, com
12%; outros países europeus atingem índices elevados, como a Bélgica, 9%, Suíça,
6%, França, 3%, até a Turquia, com menos de 1%. O Brasil está nesse nível. Quando
falarmos sobre o futuro, talvez seja para sabermos se desejam continuar assim ou se
querem mudar.

Também são variadas as relações com as autoridades... há países onde os Chefes de


Estado nos recebem em uniforme escoteiro, em outros não há vínculo nenhum...
certos países têm associações com a Igreja Católica, outros com a Protestante, ou com
a Mórmom. Nos Estados Unidos, por exemplo, 22% dos escoteiros são mórmons.
Os meios financeiros são também tremendamente diversificados. Na África, por
exemplo, muitos escoteiros não têm dinheiro para comprar o uniforme... e usam
somente o lenço escoteiro; mas há a situação oposta, Chicago, por exemplo, tem 60
mil escoteiros, seis milhões de dólares e sessenta profissionais; Los Angeles tem 80
mil escoteiros, oito milhões de dólares e oitenta profissionais, tudo com dinheiro
privado, sem nenhum centavo do Estado. Interessante notar que nestas duas cidades,

284
75% dos escoteiros são das minorias, e 90% deles vêm de famílias onde não há a
figura do pai. Nas grandes cidades, a penetração é mais ou menos a mesma, sendo em
geral maior nas cidades menores, onde é mais fácil praticar Escotismo.

A percentagem de antigos escoteiros entre o que podemos chamar de persuasores


é de cinco a dez vezes maior que a de antigos escoteiros na sociedade. Nos Estados
Unidos, por exemplo, 75% dos Congressistas já foram escoteiros; na França, mais
da metade dos ministros após Guerra haviam sido escoteiros. Aqui no Brasil, há
quarenta parlamentares que foram escoteiros, ou seja 8%, contra uma penetração
de 0,8%, ou seja, dez vezes mais. Isso prova que a possibilidade de um jovem que foi
escoteiro vir a fazer diferença na sociedade é multiplicada por cinco a dez vezes.

É evidente que o problema brasileiro é quantitativo, sendo muito extraordinário


que a percentagem seja tão baixa... Penso que se houvesse um estudo estatístico,
encontraríamos escoteiros de todas as classes sociais mas...a maioria estaria situada
em duas ou três delas, como a burguesa, a alta e a média alta...o Movimento não
chegou às demais classes no país... Talvez haja uma explicação, não só para o Brasil,
mas para toda a América Latina que é a muita importância que se dá à forma, não
só o famoso POR, mas outras coisas, a tal ponto que, por vezes, se esquece ... que é,
fundamentalmente, o desenvolvimento do jovem.

Parece-me que aqui o Escotismo é um Movimento para jovens, mas não tanto de
jovens.

Outro fenômeno que parece ter dificultado o crescimento do Escotismo neste país...
é o localismo... a estreita visão local... Escotismo Suíço? O que é isso? Não se pode
fazer nada se não se tem uma visão mais ampla. Há que se tomar a decisão: Vamos
Crescer. Como fazê-lo? 1º) Abrindo-se para outras classes sociais; 2º) Dando mais
atenção ao conteúdo educativo que à forma; 3º) Juntando-se os esforços com outras
entidades que, não sendo escoteiras, tenham objetivos semelhantes; 4º) Tendo uma
visão brasileira, nacional e não limitada aos vários Estados do país.

Por que os escoteiros não permanecem? Por que o Programa não os atrai... é o caso
de se pensar mais no conteúdo que na forma.... os Escoteiros do Brasil contribuíram
na produção de novo material contendo textos e conceitos básicos... mas o material
não é conhecido dentro do Escotismo Brasileiro.... não é em Brasília que se vai mudar
o percentual de escoteiros no Rio de Janeiro. Há que se pensar globalmente, mas
atuar localmente.

285
Em sua despedida, no aeroporto do Galeão, Moreillon deixou a seguinte mensagem870:

Primeiramente, é preciso destacar que o Escotismo no Brasil me parece estar


caminhando na direção certa... é enorme o potencial da UEB, mas a inércia natural,
em um território tão grande, exige uma vontade forte e uma visão clara para fazer
com que as coisas aconteçam... o Escotismo, no Brasil, precisa valorizar um pouco
mais o conteúdo, aí compreendido o Propósito do Movimento, do que a forma... deve
haver uma sistemática vontade de crescer e de realizar plenamente o potencial de
crescimento que o Brasil oferece ao Escotismo... há outros aspectos muito positivos
da UEB que devem ser destacados e que eu recomendo fortemente que sejam
continuados: a política de incentivar a presença brasileira em eventos internacionais,
sejam eles destinados aos jovens ou aos adultos, a contribuição extraordinária que
representantes da UEB têm emprestado à produção de instrumentos educativos
em todas as áreas, destacando-se o Programa de Jovens (Manuais e Guias para o
Ramo Lobinho e Fichas de Atividade), Recursos Adultos (Módulos de Formação) e
Crescimento (nova versão do documento Façamos um Plano de Grupo), a tradução e
adaptação para seu idioma dos mais importantes documentos produzidos pelo Bureau
Mundial e pela OSI e a decisão de ingressar na Comunidade do Escotismo Lusófono,
a ela emprestando decisivo apoio.

Após seu retorno a Genebra, ele enviou carta ao presidente da UEB, abordando,
dentre outros, os seguintes pontos:

a) “Fazer com que as coisas andem” – depois de afirmar que o Movimento Escoteiro no Brasil
parece andar na direção correta, recomendou “que se tente acelerar o ritmo da evolução”.
Reconheceu “a enormidade do potencial da UEB”, mas destacou que “as forças naturais da
inércia em um país tão grande exigem uma vontade firme e uma visão clara, para fazer com que as
coisas andem”.

b) “Um instrumento de transformação social” – a UEB “deve tratar sistematicamente de chegar às


classes menos favorecidas, seja estabelecendo o Movimento Escoteiro nesses meios, seja empreendendo
projetos de desenvolvimento comunitário. A base social de onde vêm os adultos e os jovens que
compõem nosso efetivo deve ser ampliada, para que a UEB veja a si mesma como um instrumento de
transformação social. Isto não significa converter o Escotismo em um movimento de desenvolvimento
comunitário, mas oferecer ao jovem oportunidades para que se eduque em contato direto com os mais
diversos segmentos da sociedade”.

c) “Estabelecer alianças estratégicas” – recomendou, com insistência, que “a UEB busque


estabelecer alianças estratégicas com outras entidades em companhia das quais seja possível conceber
projetos comuns compatíveis com o Propósito, os Princípios e o Método Escoteiro”.

286
d) “Pensar globalmente e atuar localmente” – finalmente, sugeriu que “a UEB considere
uma mudança operativa” e recomendou que “tal sugestão não seja rechaçada antes de um sério
exame, embora reconheça como contrária à relação tradicional que existe não só entre voluntários e
profissionais, no âmbito da UEB, mas também entre os níveis regional e nacional. As forças desiguais
e as idiossincrasias que marcam as diferentes Regiões Escoteiras não devem servir de obstáculo à
criação de uma sinergia que só se obtém pensando globalmente. Por outro lado, para poder pensar
globalmente e atuar localmente, é imprescindível criar um senso de unidade de propósito entre os
voluntários e um corpo unido de profissionais qualificados e respeitados”871.

1998

Realizado em Navegantes/SC, de 25 a 31 de janeiro de 1998 o I Jamboree Nacional,


que contou com 2.300 participantes, oriundos de 15 regiões escoteiras, além de alguns
convidados de outros países. Com o tema geral “Ao Encontro do Futuro”, o jamboree ofereceu
atividades aquáticas e náuticas, vivência de tarefas rurais, passeios, grandes jogos, atividades
artísticas e culturais e um dia de visita ao parque Beto Carreiro World. O campo foi instalado
numa área de 400 mil metros quadrados dentro de uma fazenda, com toda a infraestrutura
necessária de água, energia elétrica, rede telefônica e instalações para apoio. Trezentos
voluntários trabalharam na administração e aplicação da programação872.
Em 15 de fevereiro de 1998, a Diretoria Nacional da UEB regulamentou o uso do
distintivo da Organização Mundial do Movimento Escoteiro pelos sócios da UEB873.
Nessa mesma data, a Diretoria Nacional da UEB, considerando que o volume
das competências a ela atribuídas, assim como daquelas a cargo do Escritório Nacional,
demandam o envolvimento de um grande número de pessoas, e que, além de melhorar o
resultado do processo de tomada de decisão e de possibilitar a execução de mais tarefas,
o envolvimento de maior número de pessoas amplia o senso de participação e o grau de
comprometimento com as decisões e com as ações decorrentes, decide criar as seguintes
comissões e subcomissões nacionais: a) Comissão Nacional de Programa de Jovens; b)
Comissão Nacional de Recursos Adultos; c) Comissão Nacional de Relações Internacionais;
d) Comissão Nacional de Relações Institucionais; e) Comissão Nacional de Planejamento
Estratégico e Crescimento; f) Comissão Nacional de Gestão Institucional. E, no âmbito
da Comissão Nacional de Programa de Jovens, as seguintes subcomissões: a) Subcomissão
Nacional de Radioescotismo; b) Subcomissão Nacional de Espiritualidade; c) Subcomissão
Nacional de Escoteiros do Mar; e) Subcomissão Nacional de Escoteiros do Ar. Todos os
diretores nacionais deveriam participar de apenas uma comissão ou subcomissão a sua
escolha874.
Também em 15 de fevereiro de 1998, a Diretoria Nacional regulamenta a estrutura
de funcionamento de seções escoteiras autônomas, permitindo a abertura e funcionamento

287
de seções nos quatro ramos, independentemente de pertencerem a um grupo escoteiro. As
seções autônomas devem, obrigatoriamente, usar o lenço da UEB875,876.
Entre 20 e 28 de março de 1998, Guadalajara, no México, foi sede da XX Conferência
Escoteira Interamericana e do Fórum Interamericano de Jovens. A UEB participou dos dois
eventos com uma delegação integrada por 17 participantes. Além das reuniões dos principais
mecanismos regionais de desenvolvimento – Rede de Elaboração de Material Educativo
(REME) e Rede de Recursos Adultos (RED) –, a conferência possibilitou a realização de
mais um seminário da Regional América da Conferência Internacional Católica de Escotismo
(CICE-América). Um informe apresentado pelo executivo nacional Osny Fagundes, na
qualidade de membro do grupo de trabalho que está empenhado na elaboração de guias e
manuais orientados pelo MACPRO, precedeu o lançamento da primeira edição, em língua
espanhola, do Guía para Dirigentes de Manada, produzido pelo grupo e que será lançado, em
português, durante o 4º Congresso Escoteiro Nacional da UEB877.
Realizado em Santos/SP, de 15 a 19 de julho de 1998, o VII Ajuri Nacional dos
Escoteiros do Mar com a participação de 200 participantes de nove estados. Os organizadores
foram Saulo Tarso Marques de Mello, Arnaldo Silva e Paulo de Paula Phirbert.
Em agosto de 1998 é publicado o Guia de Especialidades, reunindo numa sequência
a ser feita por qualquer membro juvenil, as especialidades dos ramos lobinho, escoteiro e
sênior, num sensível avanço metodológico.
Publicadas, em 16 de agosto de 1998, as Diretrizes Nacionais para a Gestão de Adultos.
O documento definia a UEB como uma instituição docente, afirmando que todos os adultos
a ela vinculados têm compromisso com a capacitação de outros adultos, decidia simplificar
e flexibilizar os processos de gestão de recursos adultos, estabelecia padrões mínimos de
qualificação, declarava que a UEB precisava desaprender para que pudesse aprender a
reaprender, estabelecia que a gestão de recursos adultos era composta pelos processos de
captação, formação e acompanhamento; que a captação tinha três etapas: levantamento de
necessidades, captação propriamente dita e integração; o processo de formação era composto
por três linhas: escotistas, dirigentes institucionais e dirigentes de formação; cada linha de
formação compreendia três níveis: preliminar, básico e avançado; cada nível possuia três
etapas: tarefas prévias, curso e prática supervisionada; o processo de acompanhamento
possuia três aspectos: apoio na tarefa, avaliação de desempenho e decisões para o futuro. As
novas Diretrizes implantavam também o Acordo Mútuo, que era um compromisso formal
entre o adulto e a UEB, criava o “assessor pessoal de formação”, que era um adulto designado
para acompanhar, orientar e apoiar outro adulto no seu processo de formação. Foram
estabelecidos os objetivos dos cursos dos diversos níveis. Os cursos somente poderiam ser
dirigidos por aqueles que tivessem participado do Seminário Nacional de Recursos Adultos
– Diretrizes Nacionais para a Gestão de Recursos Adultos, realizado durante o 4º Congresso
Nacional, que fossem recomendados pelo Escritório Nacional e por aqueles que tivessem
participado de um Seminário Regional de Recursos Adultos – Diretrizes Nacionais para
a Gestão de Recursos Adultos e que fossem recomendados pela Diretoria Regional. As

288
diretrizes extinguiam a terceira e a quarta conta da Insígnia de Madeira a partir de 31 de
dezembro de 2000 e limitavam o uso do “Lenço de Gilwell” a atividades expressamente
recomendadas878,879.
Em outubro de 1998, é realizada, em Fortaleza/CE, a 5ª Reunião Ordinária da
Assembleia Nacional. Após vários anos de diminuição do efetivo, o número de membros
registrados cresceu 3,8%. Lançado o Projeto “UEB – 2001: É Tempo de Crescer” para
estimular o crescimento dos grupos escoteiros. Eleitos cinco novos membros da Diretoria
Nacional: Alexandre Machado Silva, Carmen Barreira, Marta Tolentino, Renato Bini
e Wladerlei Astolphi Galera. Compondo ainda a Diretoria Nacional: Marcos Carvalho,
Modesto Carro Loureiro, Baldur Oscar Schubert, Edson Caetano dos Santos, Ivan Barreto
Rodrigues, Marcel Hugo, Marcos Venício de Mattos Chaves, Mario Henrique Peters Farinon,
Oscar Victor Palmquist Arias e Rubem Tadeu Cordeiro Perlingeiro. A Diretoria Nacional
será presidida, em 1999, por Marcos Carvalho, tendo como vice-presidentes Wladerlei
Astolphi Galera e Modesto Carro Loureiro880.
Em maio de 1998, a Diretoria Nacional lançou o Projeto “UEB-2001: É Tempo
de Crescer” para incentivar o crescimento do efetivo registrado. Já em 1998, 200 grupos
escoteiros, assim como as Regiões de Alagoas, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso,
Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia e Roraima alcançaram e ultrapassaram a meta de
crescimento de 15% do efetivo registrado no ano e fizeram jus ao Troféu Cumprindo a
Missão881.
Realizada no México, em março de 1998, a XX Conferência Interamericana e o
Fórum Interamericano de Jovens. Na conferência, Mário Henrique Peters Farinon foi eleito
presidente do Comitê Scout Interamericano, e no Fórum, a jovem Melissa Casagrande eleita
presidente882.
O VII Ajuri Nacional dos Escoteiros do Mar aconteceu em julho de 1998 em Santos/
SP, com 200 participantes de nove estados representados.
Estruturadas comissões nacionais para as modalidades do Mar e do Ar, Espiritualidade
e Radioescotismo, com o objetivo de analisar preliminarmente como os temas devem ser
inseridos na nova proposta de aplicação do Programa Escoteiro e também propor nomes
para coordenar as respectivas subcomissões de Programa que serão estruturadas para
aquela finalidade883.
A Assembleia Nacional aprovou os seguintes textos para os Fundamentos do
Escotismo:

Definição: o Escotismo é um movimento educacional para jovens, voluntário, sem vínculos


político-partidários, com a colaboração de adultos, e que valoriza a participação de pessoas de
todas as origens sociais, raças, e crenças, de acordo com o Propósito, os Princípios e o Método
Escoteiro concebidos pelo Fundador, Baden-Powell.

289
Propósito: o Propósito do Movimento Escoteiro é contribuir para que os jovens assumam
seu próprio desenvolvimento, especialmente do caráter, ajudando-os a realizar suas plenas
potencialidades físicas, intelectuais, sociais, afetivas e espirituais, como cidadãos responsáveis,
participantes e úteis em suas comunidades, conforme definido no projeto educativo da União
dos Escoteiros do Brasil.

Princípios: a) Dever para com Deus: adesão a princípios espirituais e vivência ou busca da
religião que os expresse, respeitando as demais; b) Dever para com o próximo: lealdade ao
nosso país, em harmonia com a promoção da paz, compreensão e cooperação local, nacional
e internacional, exercidas pela fraternidade escoteira; participação no desenvolvimento da
sociedade com reconhecimento e respeito à dignidade do homem e ao equilíbrio da natureza;
c) Dever para consigo mesmo: responsabilidade para com seu próprio desenvolvimento884.

É publicado o Manual do Escotista do Ramo Lobinho, introduzindo no Programa de


Jovens destinado a esse ramo as modificações recomendadas pelo Método de Atualização e
Criação Permanente do programa de jovens (MACPRO). A Diretoria Nacional estabeleceu
o prazo até dezembro de 2000 para que todas as alcateias fizessem a transição para o novo
programa, e alterou também regras do POR, com os seguintes pontos principais: a) os
escotistas passam a ser nomeados pelo próprio grupo escoteiro; b) os primos passam a ser
eleitos pela respectiva matilha e não usam qualquer distintivo de graduação; c) introduzem-
se os conceitos de Ciclo de Programa885 e de Objetivos Educativos, Jogos Democráticos886;
d) são alteradas as etapas e as correspondentes insígnias de progressão, para “Lobo Pata-
Tenra”, “Lobo Saltador”, “Lobo Rastreador” e “Lobo Caçador”; e) é alterada a rotina das
reuniões semanais887.
Divergindo da OSI, a UEB mantêm o Sistema de Especialidades. A UEB passa a ter
uma página na Internet, a exemplo de regiões e grupos escoteiros, prática que se multiplica
a cada ano, inclusive com páginas de Seções e Patrulhas.
Em 12 de dezembro de 1998, o CCME transferiu sua sede para o espaço que lhe foi
destinado pela Marinha do Brasil, a rua 1º de Março, 112, no Centro da cidade do Rio de
Janeiro888.
Pela primeira vez, um jamboree mundial é realizado na América Latina, no Chile, ao
final de 1998 e início de 1999. O local escolhido foi a Fazenda Picarquin, a 60 quilômetros
ao sul de Santiago. A delegação brasileira teve 2.317 participantes, constituindo-se na
segunda maior delegação presente, naquele que foi, até então, o jamboree mundial com maior
número de participantes em toda a sua história, exceto o da maioridade, de 1929. O campo
foi dividido em três aldeias, cada uma com oito subcampos que levavam nomes de tribos
sul-americanas, em cujas equipes havia pelo menos um escotista brasileiro. A delegação
brasileira foi chefiada por Oscar Victor Palmquist Arias889.
Ao longo de 1998, a Comissão Nacional de Programa de Jovens realizou diversas
atividades, destacando-se: alterações em especialidades, resultando na publicação de um

290
novo Guia de Especialidades e da Insígnia Mundial de Conservacionismo; estruturação de quatro
subcomissões, para modalidade do ar, modalidade do mar, radioescotismo e espiritualidade,
definindo presidentes e equipes de trabalho; lançados guias para os ramos escoteiro, sênior
e pioneiro; desenvolvido o programa do Elo Nacional; participação nos grupos de trabalho
da OSI para elaboração de manuais e guias, com ênfase nos ramos lobinho e escoteiro890.

1999

Em 1999, utilizando recursos resultantes da delegação brasileira ao Jamboree do


Chile, que fora destinada especificamente para o Programa de Jovens, é comprada uma nova
sede escoteira nacional, em Curitiba/PR. É implantado o Escritório Nordeste em Fortaleza. 
O Estatuto da UEB é modificado em 1999 alterando os Princípios Escoteiros. Onde
estava “deveres para com Deus, para com o Próximo e para com a Pátria” passou para
“deveres para com Deus, para com o Próximo e para Consigo Mesmo”, além de pequenos
ajustes no Propósito e Método Escoteiro. O CAN aprova por consenso não substituir no
ramo escoteiro a “Corte de Honra” pelo “Conselho de Tropa”, que seria formado por todos
os escotistas, monitores e submonitores da seção. 
Entre 1º e 3 de junho de 1999, realizou-se, na República Dominicana, a II Reunião
de Cúpula dos Presidentes e Principais Profissionais das Associações Escoteiras da Região
Interamericana, na qual foi elaborado o Plano Regional 2000-2002 intitulado “É Tempo de
Crescer”. Participaram 26 das 29 associações. O evento foi dirigido pelo brasileiro Mário
Henrique Peters Farinon, então presidente do Comitê Scout Interamericano, e contou
com a presença do secretário geral da OMMS, doutor Jacques Moreillon e do ministro da
Educação do país anfitrião891.
Realizado em 1999, em Curitiba/PR, XIX Mutirão Nacional Pioneiro.
A UEB participa da XXXV Conferência Mundial Escoteira realizada em julho de
1999 em Durban, África do Sul, na qual foi aprovada a declaração da “Missão do Escotismo”.
A UEB assinou acordos com a Scouts de France para prosseguimento do projeto com a
Pastoral da Criança e de cooperação com os países lusófonos; foi acertado treinamento de
executivo brasileiro na Boy Scouts of America; os jovens Sandro Romanelli e Juliana Fukuda
participaram, como observadores, do Fórum Mundial; o diretor-presidente da UEB/PR
participou da reunião da União Parlamentar Escoteira; Dênis de Souza participou da
Conferência Mundial Católica de Escotismo. Os membros da delegação brasileira visitaram
a histórica cidade de Mafeking892.
Instituída, em 11 de setembro de 1999, em Porto Alegre/RS, com a presença de
parlamentares e dirigentes escoteiros gaúchos e paranaenses, a União Parlamentar
Escoteira, com o objetivo de reforçar, com o apoio das casas legislativas, o trabalho em defesa
do desenvolvimento de crianças e adolescentes promovido pelo Escotismo. O conselheiro
nacional e vereador de Curitiba, Paulo Salamuni, deverá coordenar os trabalhos, visando

291
realizar a Assembleia Nacional de constituição da UPEB, com aprovação de seu Estatuto,
no início de 2001893.
A jovem Melissa Casagrande participou do 3º Fórum Euro-latino-americano de
Juventude, realizado entre 20 de outubro e 3 de novembro, nas cidades de Madrid, Málaga e
Navarra, na Espanha, representando a Organização Escoteira Interamericana894.
Realizada, de 12 a 15 de novembro de 1999, em Foz do Iguaçu/PR, a 6ª Reunião
Ordinária da Assembleia Nacional. A Diretoria Nacional passou a chamar-se Conselho de
Administração Nacional (CAN). Foram eleitos cinco novos membros, ficando o CAN composto
por: Baldur Oscar Schubert, Marcel Hugo, Marco Venício de Mattos Chaves, Modesto
Carro Loureiro, Rubem Tadeu Cordeiro Perlingeiro, Alexandre Machado Silva, Carmen
Virgínia Barreira, Marta Tolentino, Renato Bini, Wladerlei Astolphi Galera, Geraldino
Ferreira Moreira, Marcos Carvalho, Paulo Salamuni, Carlos Frederico dos Santos e David
Crusius. A Presidência da UEB será exercida, em 2000, por Marcos Carvalho, tendo como
vice-presidentes Wladerley Astolphi Galera e Modesto Carro Loureiro. Foram aprovadas
as seguintes modificações estatutárias: a) os grupos escoteiros terão personalidade jurídica
própria, b) a Direção Nacional poderá autorizar a obtenção de personalidade jurídica própria
para regiões, em casos especiais, salvaguardados os direitos da UEB; c) só poderá concorrer
a cargo na Direção Nacional o candidato mais votado no nível regional; d) os conselheiros
fiscais nacionais e regionais, titulares e suplentes, não terão direito a voto nas assembleias;
e) a UEB terá Comissão de Ética, podendo, opcionalmente, serem constituídas similares
no nível regional; f) a Diretoria Nacional passa a chamar-se “Conselho de Administração
Nacional”, e o Escritório Nacional, de “Diretoria Executiva Nacional”, mantendo-se as atuais
atribuições; g) o foro e a sede da UEB são transferidos de Brasília/DF para Curitiba/PR; h)
o Conselho de Administração Nacional tem a competência de definir os limites geográficos
das regiões escoteiras; i) Deverão ser ajustados no Estatuto os artigos dos Fundamentos
cujas mudanças foram aprovadas na Assembleia Geral Ordinária de 1998895.
A Loja Escoteira Nacional é transferida para Porto Alegre/RS sob a justificativa de
diminuição de custos operacionais896.
A sede nacional é transferida para Curitiba/PR, onde foi adquirido imóvel com o
saldo da arrecadação obtida com a organização da delegação brasileira do Jamboree Mundial
do Chile. Segundo a Diretoria Nacional, a mudança otimiza custos; o problema de maior
distância às Regiões do Norte e Nordeste seria sanado com a instalação dos Escritórios
Operacionais, à semelhança do instalado no Nordeste897.

2000

O VIII Ajuri Nacional dos Escoteiros do Mar aconteceu de 4 a 8 de janeiro de 2000,


na Escola de Aprendizes de Marinheiros de Santa Catarina, Florianópolis/SC, com 250
participantes de oito regiões escoteiras. O organizador foi o chefe Magno da Silveira.

292
Em abril de 2000 é publicada a segunda edição das Diretrizes Nacionais para a Gestão
de Recursos Adultos. Após a publicação da primeira edição, em 1998, a CNGA realizou dois
seminários nacionais, acompanhou a realização de vários seminários regionais e decidiu
revisar as diretrizes para atender solicitações de diversas regiões escoteiras e corrigir
deficiências do documento. A nova edição estabelecia os objetivos a serem atingidos na
palestra informativa e cursos de cada linha de formação; dispunham sobre as inscrições
em eventos de formação de adultos; apresentavam várias resoluções da Diretoria Nacional
com os seguintes pontos principais: a) criação dos distintivos e pins para os diversos níveis
de cursos; b) exclusão da exigência de indicação da diretoria de órgão para o candidato
se inscrever em qualquer curso; c) estabelecia a equiparação entre o sistema de formação
de adultos vigente até 2000 e o novo sistema; d) o colar da Insígnia de Madeira só pode
ser usado com o lenço escoteiro; e) mantinha a terceira e a quarta contas da Insígnia de
Madeira; f) definia que a nomeação de DCBs e DCIMs era de responsabilidade das Diretorias
Regionais898.
A partir de 2000, os DCBs e DCIMs passaram a ser nomeados, de acordo com
as Diretrizes Nacionais para a Gestão de Adultos, pelas próprias regiões escoteiras.
Posteriormente, a área de formação de adultos passou a ser coordenada pela Comissão
Nacional de Recursos Adultos, coordenada por um dos diretores nacionais eleitos
regimentalmente e composta por outros diretores e pessoas convidadas899.
Realizado em 2000, em Goiânia/GO, o XX Mutirão Nacional Pioneiro. Quatro
pioneiros do Rio de Janeiro – João Silvio Brandão Silva, Eduardo, Carlos e Miguel –
decidem viajar até Goiânia de bicicleta numa jornada de cerca de 1.300 quilômetros; em
Belo Horizonte junta-se ao grupo o pioneiro Alexandre Henrique. A viagem é realizada em
16 dias, sendo 12 de pedaladas.

293
Realizada, em Gurapari/ES, de 12 a 15 de outubro de 2000, a 7ª Reunião Ordinária
da Assembleia Nacional da UEB. Ressalvada a inexistência de uma terceira vice-presidência
no CAN. Dada continuidade ao “Projeto 2001 – É Tempo de Crescer” com o crescimento
do efetivo registrado, alcançando 60.458 membros em 1999. Criação do prêmio “Mérito
Comunitário Escoteiro” para distinguir pessoas físicas e jurídicas que se destacarem em
suas comunidades. Aquisição da nova sede nacional na rua José do Patrocínio, 100, Alto
da Glória, em Curitiba/PR. Lançados os novos Guias do “Lobo Pata-Tenra”, “Rastreador”
e “Salteador”; publicado o Superando Barreiras, o novo Guia de Especialidades e Insínia
Mundial de Conservacionismo; dado prosseguimento ao aperfeiçoamento e disseminação das
Diretrizes Nacionais para a Gestão de Adultos. Eleitos cinco novos membros para o Conselho
de Administração Nacional, que ficou assim composto: Alexandre Machado Silva, Carmen
Virgínia Barreira, Marta Tolentino, Renato Bini, Wladerley Astolphi Galera, Geraldino
Ferreira Moreira, Marcos Carvalho, Paulo Salamuni, Carlos Frederico dos Santos, David
Crusius, Rubem Tadeu Cordeiro Perlingeiro, Júlio Augusto Mendes Ericeira, Marcel Hugo,
Marco Venício de Mattos Chaves e Irineu Muniz de Resende Neto. Entregue o Troféu
“Cumprindo a Missão” às Regiões do Ceará, Espírito Santo e Sergipe, que apresentaram
crescimento acima de 15% do efetivo. Entregue a “Medalha de Valor, grau Ouro”, a Waldemar
Niclevicz, primeiro brasileiro a alcançar o cume da montanha K2, a segunda maior do
mundo, levando em sua mochila a bandeira da UEB. A Presidência da UEB, em 2001, será
exercida por Rubem Tadeu Cordeiro Perlingeiro, tendo como vice-presidentes Marcel Hugo
e Marcos Venício de Mattos Chaves. Foram aprovadas várias alterações no Estatuto da
UEB, dentre as quais: a) as regiões escoteiras poderão ter personalidade jurídica própria;
b) aprovadas as seções escoteiras autônomas; c) as regiões escoteiras com personalidade
jurídica própria e os grupos escoteiros devem ter seu Estatuto e Regulamento subordinados
ao Estatuto e demais normas da UEB; d) o Conselho de Administração Nacional elegerá, a
cada ano, seu presidente e vice-presidente, que o coordenarão; e) os conselheiros nacionais
têm como suplentes, com mandato de até um ano, os três candidatos seguintes, em ordem
de votação, após o preenchimento das vagas para os titulares; criada a Diretoria Executiva
Nacional, constituída por três membros sendo um presidente e dois vice-presidentes, que,
quando integrantes do CAN, ficam automaticamente licenciados da função de conselheiro
nacional; criada a Comissão de Ética e Disciplina Nacional; compete ao CAN: f) nomear os
membros da Diretoria Executiva Nacional (DEN); g) aprovar o regulamento da DEN e
fixar suas atribuições e procedimentos; h) aplicar medidas disciplinares aos sócios da UEB,
mediante parecer da Comissão de Ética e Disciplina Nacional etc. As alterações que dizem
respeito ao CAN e DEN entrarão em vigor em 2001900.
Por ocasião da sessão solene da Assembleia Nacional, foi lançado, nacionalmente, o
livro O Chapelão – Histórias da Vida de Baden-Powell, de Antonio Boulanger Uchoa Ribeiro.
O livro viria a ser reeditado em 2007, e revisado e ampliado, em sua terceira edição, em 2010.
Ao final do ano 2000 a participação feminina entre os membros registrados da UEB
chega a 38,2% do efetivo total901.

294
2001

De 7 a 12 de janeiro de 2001 realizou-se em Foz do Iguaçu/PR, o 11º Jamboree


Pan-Americano, com 7.500 participantes de 20 regiões escoteiras e 24 países, como a maior
atividade escoteira já realizada no Brasil, num consórcio das Regiões do Rio Grande do Sul,
Santa Catarina, Paraná e São Paulo com a Direção Nacional902.
O Conselho de Administração Nacional elaborou, com participação de praticamente
todas as regiões escoteiras, o Plano Estratégico Trienal da UEB para 2001-2003. Em março,
realizou-se o Seminário de Direção Estratégica, em São Paulo. O plano prevê uma meta
arrojada, que é alcançar o efetivo de 67 mil membros registrados até 31 de dezembro de
2001 e a elaboração de um Plano de Marketing903.
As Comissões Nacionais de Programa de Jovens e de Recursos Adultos organizaram
o Seminário Nacional de Qualificação Técnica em Áreas Estratégicas, entre 14 e 17 de
junho, em Curitiba/PR. O evento, que contou com a presença de mais de 80 escotistas de 14
regiões escoteiras, aprofundou as discussões sobre as mudanças no Programa de Jovens, sua
disseminação e implementação904.
Realizado, entre 14 e 17 de junho, na Universidade da Força Aérea, no Rio de Janeiro/
RJ, o Aerocampo 2001, que contou com a participação de cerca de 500 escoteiros do ar e
básicos de 31 grupos escoteiros das Regiões do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo,
Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Rio Grande do Norte. Os participantes
tiveram oportunidade de realizar cinco voos em um avião C-115 Búfalo905.
Organizados seminários sobre o Programa de Jovens nas Regiões: de São Paulo, três
eventos com total de 390 participantes; do Rio Grande do Norte, com 150 participantes; do
Distrito Federal, com 40 participantes; de Minas Gerais, com 140 participantes; e do Rio de
Janeiro, com 100 participantes906. Os seminários foram ministrados pelo executivo nacional
Osny Fagundes, e se caracterizaram por uma abordagem de marketing para a implantação
do Programa de Jovens que gerou insatisfação entre muitos participantes.
Após sete anos, volta a ser realizada a atividade maior do ramo sênior no Brasil, a
Aventura Sênior Nacional, em sua nona edição. Desta feita, entre19 e 22 de julho de 2001, em
São Francisco do Sul/SC. A atividade constou da construção de embarcações, tipo catamarã,
para cada patrulha e para as chefias de tropa, a partir de projeto e material oferecido pela
organização. Usando essas embarcações, as patrulhas, reunidas por tropas (inclusive os
escotistas) se deslocaram, no segundo dia, de Tapera até o Sambaqui, num trajeto de 10
km, realizando algumas atividades de orientação durante o percurso. O terceiro dia foi
reservado para atividades culturais, aproveitando as belezas e monumentos históricos de
São Francisco do Sul, e terminou com um lual nas dunas da praia Grande. No último dia foi
necessário sair mais cedo, pois as patrulhas deveriam navegar num trecho mais difícil, em
que as lagoas se transformam em rio estreito e sujeito às marés. A atividade terminou na
praia de Enseada, onde o rio Acaraí desemboca no oceano Atlântico. A segurança das áreas

295
de acampamento foi realizada pela Polícia Militar, com vigilância permanente e restrição de
acesso. Duas ambulâncias acompanharam o evento, em local acessível, com duas equipes de
socorristas. Uma barraca ambulatório foi montada nos locais de acampamento, com médico
e auxiliares de enfermagem.
Por ocasião da Conferência Interamericana realizada em Cochabamba, Bolívia, em
2001, Osny Câmara Fagundes e Oscar Victor Palmquist Arias receberam a condecoração
“Juventud de las Americas”907.
Lançadas as seguintes publicações: As Características Essenciais do Escotismo,
Escotismo & Comunidade: Projeto Educativo, Guia de Especialidades e Insígnia Mundial de
Conservacionismo908.
Implementadas as novas Diretrizes Nacionais para a Gestão de Adultos.
Realizada, de 15 a 18 de novembro de 2001, em Natal/RN, a 8ª Reunião Ordinária
da Assembleia Nacional. Foram eleitos cinco novos membros do CAN – Alexandre
Machado Silva, Frederico Augusto de Siqueira Neves, Marco Aurélio de Mello Castriani,
Marco Aurélio Romeu Fernandes e Rubem Suffert –, sendo os demais membros: Geraldino
Ferreira Moreira, Marcos Carvalho, Paulo Salamuni, Carlos Frederico dos Santos, David
Crusius, Rubem Tadeu Cordeiro Perlingeiro, Julio Augusto Mendes Ericeira, Marcel
Hugo, Marcos Venício de Mattos Chaves e Irineu Muniz de Resende Neto. Receberam o
Troféu “Cumprindo a Missão” as Regiões da Bahia, Ceará, Pernambuco e Rondônia. Foram
entregues Certificados de Qualidade Legal às Regiões do Ceará, Goiás, Pará, Piauí, Rio
Grande do Norte, Rondônia, São Paulo e Sergipe. Foi aprovado o regulamento da Assembleia
Nacional. Foi comunicada a constituição da nova Diretoria Executiva Nacional, escolhida
pelo CAN, composta por: Paulo Salamuni, diretor-presidente; Carlos Frederico dos Santos,
diretor primeiro vice-presidente; Adir Barusso, diretor segundo vice-presidente. Aprovada
reforma estatutária, destacando-se os seguintes pontos: a) a UEB presta à comunidade
serviços gratuitos, permanentes e sem qualquer discriminação; b) formalizadas as seções
escoteiras autônomas; c) as regiões escoteiras e as unidades escoteiras autônomas integram
a personalidade jurídica da UEB, salvo se tiverem personalidade jurídica própria; os GEs e
as SEAs poderão ter personalidade jurídica própria ou adotar a da entidade patrocinadora;
d) criado o Conselho Consultivo Nacional, formado pelos diretores-presidentes das regiões
escoteiras ou seus representantes909.
Em novembro de 2001, é lançado o Manual do Escotista – Ramo Escoteiro, e o
Programa de Jovens avança para o ramo escoteiro ainda sem a publicação dos guias para os
jovens. Assim como o manual para o ramo lobinho, o do ramo escoteiro possui apresentação
visual primorosa e introduz uma série de novos conceitos e padrões de trabalho, como, por
exemplo, a existência de duas etapas da adolescência, uma de 11 a 13 anos, e outra, de 13 a
15 anos; objetivos educativos; ciclo de programa; atividades fixas e variáveis; são alterados
os distintivos e as etapas de progressão para “Pistas”, “Trilha”, “Rumo” e “Travessia”; o
distintivo é entregue no início da caminhada pela respectiva etapa e não ao final; é alterado
o conteúdo das reuniões de tropa910.

296
2002

Fundado, em janeiro de 2002, o Clube Colecionadores Brasileiros de Distintivos


Bandeirantes e Escoteiros (CoBras). O CoBras é um clube virtual de livre associação
para escoteiros, bandeirantes, antigos escoteiros, antigas bandeirantes e interessados
no Movimento Escoteiro, do Brasil e do exterior, que tem por objetivos incentivar o
colecionismo de objetos escoteiros e bandeirantes, contribuir para a preservação da memória
do Movimento Escoteiro e Bandeirante através do colecionismo de memorabília escoteira
em geral e incentivar a troca de objetos escoteiros e bandeirantes entre seus associados. Para
a consecução de seus objetivos, o CoBras promoverá encontros de nível nacional ou regional
de colecionadores, exposições de memorabília escoteira e bandeirante e manterá um blog e
um perfil do clube no Facebook.

Durante o ano de 2002 foi iniciado o novo sistema de administração da UEB, em que
coube à Diretoria Executiva Nacional (DEN), escolhida pelo Conselho de Administração
Nacional (CAN) e constituída por dirigentes de fora desse conselho, a administração da
instituição. Foi também implementado o Conselho Consultivo911.
O CAN aprovou, dentre outras, resoluções instituindo o Projeto Grupo Padrão em
âmbito nacional, criando o Certificado de Controle de Evasão, definindo o perfil do secretário
geral da UEB e recriando a função de comissário internacional912.
O IX Ajuri Nacional dos Escoteiros do Mar ocorreu em janeiro de 2002 na Base
Naval de Aratu, Salvador/BA, com 113 participantes de oito estados representados. O
organizador foi o chefe Antonio Roque.
A 9ª Reunião Ordinária da Assembleia Nacional foi realizada nos dias 15 e 16 de
novembro de 2002, em Juiz de Fora/MG. Foram eleitos cinco novos membros do CAN:

297
David Crusius, Fábio Rodrigo Conde, Geraldino Ferreira Moreira, João Batista Fiorini
Thomé e Paulo Salamuni. Compõem ainda o CAN os seguintes conselheiros: Rubem Tadeu
Cordeiro Perlingeiro, Marcel Hugo, Marcos Venício de Mattos Chaves, Irineu Muniz de
Resende Neto, Alexandre Machado da Silva, Frederico Augusto de Siqueira Neves, Marco
Aurélio de Mello Castriani, Marco Aurélio Romeu Fernandes e Rubem Suffert. Foi entregue
o Certificado de Qualidade Legal às Regiões de Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do
Sul. Durante o Congresso Escoteiro, foram realizados vários seminários, dentre os quais
“Captação de Recursos”, “Gestão Regional” e “Novo Código Civil e sua Repercussão
no Escotismo”, “Escotismo para Todos”, “Modalidade do Ar”, “Modalidade do Mar”,
“Comunicações (Internet e Radioescotismo)”913.
Realizada a 36ª Conferência Mundial Escoteira em Tessalônica, Grécia.
Realizados seminários sobre o Programa de Jovens em São Paulo, Salvador, Pelotas,
Porto Alegre, Brasília Goiânia e Vitória914.

2003

O II Jamboree Nacional Escoteiro foi realizado na praia de Cumbuco, em Caucaia, a 30


km de Fortaleza. O evento, entre 13 e 18 de julho, contou com cerca de 2.600 participantes de
todos os estados do Brasil, exceto Acre, Roraima e Tocantins; participaram representantes
da França e Portugal. O tema do jamboree foi “Celebrando a Vida” e as atividades foram
divididas em módulos que lembravam os elementos da natureza: Módulo Ventos, no qual
os escoteiros participavam de oficinas construindo pipas, cataventos, birutas e aviões de
isopor e depois os testavam no vento forte do Veará; Módulo Areias, que constou de diversos
jogos nas dunas do Cumbuco; Módulo Aquático, com atividades na lagoa do Cauípe, incluindo
snorkel, passeios de jangada, corridas de caiaque e de balsa; Módulo Trilha: caminhada com
bússola, em percurso de 15 km, que terminava com um desafio em uma parede de escalada;
Módulo Artesanato: com a orientação de artesãos locais, com a construção de miniaturas de
jangadas, copos com areias coloridas, macramê e palha; Parque Paraíso Perdido, um dia inteiro
nesse parque aquático com piscinas, tobo-águas, trilha de arborismo, paredão de escalada,
zoológico; Aldeia Global, oficinas com atividades variadas, incluindo radioamadorismo,
culinária, forró, prevenção de incêndios, ciência e tecnologia, protagonismo juvenil etc. As
noites foram muito animadas, com shows, lual, fogo de conselho e festival de folclore. A
moeda do acampamento era o “jegue”, utilizada nas compras em geral. Foi criada a Insígnia
do Sol, cuja conquista exigia a participação em diversas atividades.
Realizado em 2003, no Rio de Janeiro/RJ, XXI Mutirão Nacional Pioneiro.
Realizados Seminários de Programa de Jovens em Juiz de Fora, Pelotas, Goiânia e
Fortaleza915.
Nos dias 15 e 16 de novembro, realizou-se a 10ª Reunião Ordinária da Assembleia
Nacional, em São Paulo/SP. Entregue Certificado de Regularidade Legal às Regiões da

298
Bahia, Distrito Federal e Paraná. Foram eleitos para as seis vagas no CAN: Carlos Frederico
dos Santos, Ênio Hideyuki Cohjo, Renato Eugênio de Lima, Siágrio Felipe Pinheiro, Sérgio
Luís Fazner e Teresa Cristina Silva de Souza Couto. Altera-se o Estatuto da UEB para
adequar ao novo Código Civil, Lei 10.406/2002. As reuniões ordinárias da Assembleia
Nacional passaram a ser realizadas em março ou abril após 2004916.
Realizado o ELO Nacional.

2004

Realizado em Taraja, Bolívia, de 29 de dezembro de 2003 a 4 de janeiro de 2004, o II


Jamboree de la Fraternidad, com a participação de 26 brasileiros. O chefe da delegação foi o
conselheiro nacional Frederico Augusto Siqueira Neves917.
Durante o ano de 2004, a CNPJ publicou um novo Guia de Especialidades, revisou a
parte de programa do POR, estruturou o Mutirão Nacional de Ação Ecológica e o Mutirão
Nacional de Ação Comunitária oferecendo um tema central e documentos com sugestão de
atividades e criação de distintivos para esses eventos, realizou seminário sobre os ramos
maiores por ocasião do Congresso Escoteiro Nacional e acompanhou a organização de
diversas atividades de nível nacional918.
Realizado, em 5 de junho, o 13º Mutirão Nacional de Ação Ecológica, abordando o
tema “reciclagem”, com participação de 75 grupos escoteiros e cerca de 3.800 pessoas919.
Com o tema “Saúde bucal”, foi realizado o 6º Mutirão Nacional de Ação Comunitária,
com participação de 68 grupos escoteiros. Mais de 6.200 pessoas receberam benefícios
diretos das ações praticadas em 14 estados do país920.
Realizado, de 10 a 13 de junho de 2004, o Aerocampo Nacional, na Base Aérea de
Canoas/RS, com participação de 187 escoteiros de 14 grupos do Rio de Janeiro, Rio Grande
do Sul e São Paulo. Os cariocas e paulistas tiveram a honra de serem transportados por uma
aeronave Hércules C130, gentilmente cedida pelo comandante da Aeronáutica. O Aerocampo
foi iniciado com o Torneio de Aermodelismo (TORA), apresentações do “Projeto Quero
Voar”, do aeroclube do Rio Grande do Sul, e exposição do Clube Sul de Plastimodelismo921.
A Estância Climática de Caconde, no nordeste do estado de São Paulo, recebeu sêniores
e guias da União dos Escoteiros do Brasil para a 10ª Aventura Sênior Nacional. A atividade
contou com todo o apoio da prefeitura municipal, e aconteceu em diversas bases espalhadas
pelo município, com rafting no rio Pardo, rapel, trilha, embarcações, tirolesa e uma base de
serviço comunitário. À noite os subcampos participaram de um animado jogo noturno e de
uma ótima e educativa palestra sobre as estrelas e constelações, ministrada pelo presidente da
Sociedade Brasileira para o Ensino da Astronomia. Na última noite da aventura foi realizada
uma balada com música ao vivo e a gravação de vídeo-clips que os próprios seniores e guias
planejaram nos seus subcampos. A Aventura Sênior Nacional aconteceu entre os dias 22 e
25 de julho de 2004 e reuniu participantes das Regiões Escoteiras do Mato Grosso do Sul,

299
Goiás, Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná,
Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Participaram 692 jovens e seus escotistas, e mais 233
adultos da equipe de serviço e contratados.
Realizada, entre 31 de julho e 4 de agosto de 2004, em El Salvador, a XXII Conferência
Interamericana de Escotismo. A delegação brasileira, com 11 participantes, foi chefiada pelo
conselheiro nacional Oscar Victor P. Arias. Mario H. Peters Farinon recebeu a condecoração
“Juventud de las Americas” e Ocar Victor Palmquist Arias foi eleito primeiro vice-presidente
do Comitê Interamericano de Escotismo922.
Em agosto de 2004 foi realizado, em Taiwan, o 12º Moot Mundial, com a participação
de seis brasileiros923.
No final de setembro a UEB recebeu a visita de Jean Cassaigneau, secretário geral
adjunto da OMME, que veio avaliar a candidatura para a organização da 39ª Conferência
Mundial do Escotismo em 2011. Curitiba competia com Sidney, Hong Kong e Lucerna924.
Criada em 2004, a Comissão Nacional de Crescimento, coordenada por Renato
Eugênio de Lima. Já no primeiro ano de atividades, a comissão realizou, em agosto, em
São Paulo/SP, o Seminário Nacional de Crescimento; elaborou e distribuiu, às Direções
Regionais, gratuitamente, um kit-expansão, constituído por transparências e manuais;
preparou e imprimiu os manuais Os Primeiros Seis Meses de uma Alcateia, Trilha do Escotismo e
Os primeiros Seis Meses de um Clã; realizou reunião especial sobre crescimento, em Salvador/
BA; elaborou estudos sobre evolução e expansão do efetivo escoteiro; e desenvolveu o
“Projeto Cidades Polo”, que tem o propósito de estimular o desenvolvimento do Movimento
Escoteiro em cidades com população na faixa de 100 e 300 mil habitantes925.
A Comissão Nacional de Gestão Institucional obteve a isenção do ICMS no Estado
do Paraná para a UEB, reduzindo os custos do material escoteiro926.
Em novembro de 2004, após processo de seleção efetuado pela Diretoria Nacional, o
escotista Márcio Randig recebeu a bolsa “Coronel J. S. Wilson”, patrocinada pelo International
Scout and Guide Fellowship (ISGF), que cobriu parcela de viagem de conhecimento na
Europa com estágio no Corpo Nacional de Escutas, visitas ao Bureau Mundial, Kandersteg
(sede da ISGF), Gilwell Park, e escritório da The Scout Association927.
Realizado, em 13 de novembro de 2004, em Salvador/BA, o IX Fórum Nacional de
Jovens Líderes928.

2005

Entre os dias 8 e 16 de janeiro de 2005, foi realizado na cidade de San Rafael,


província de Mendoza, na Argentina, o 12º Jamboree Pan-Americano com o lema “Um
Continente, Uma Esperança”. Estiveram presentes 7.400 jovens de 23 países; sendo a
delegação brasileira, de 706 membros, chefiada por Jonathan Govier. Participaram também
representantes da FBB929.

300
Realizada a reunião da Assembleia Nacional em Florianópolis/SC, em abril. Alterado
o Estatuto da UEB. Eleitos para o CAN: Alessandro Garcia Vieira, Marco Aurélio de
Melo Castriani, Mário Henrique Peters Farinon, Rafael Rocha de Macedo e Rubem Tadeu
Cordeiro Perlingeiro.
Realizado, em 21 de abril de 2005, em Florianópolis/SC, o X Fórum Nacional de
Jovens Líderes, com participação de 21 representantes de oito regiões escoteiras. Foram
eleitos, para o Núcleo Nacional de Jovens Líderes: Ricardo Stubber, como coordenador, e
Patrícia Krammel, para comunicadora930.
Realizado, em 4 e 5 de maio de 2005, o 14º Mutirão Nacional de Ação Ecológica, com
enfoque nos problemas relacionados ao consumo da água. Estima-se a participação de mais
de 5.000 membros da UEB931.
Entre 6 e 10 de julho, realizou-se, em Natal/RN, o XXII Mutirão Pioneiro Nacional,
comemorando 50 anos dos mutirões nacionais. O evento contou com 120 participantes, de
12 regiões escoteiras. Foram realizadas atividades comunitárias de meio ambiente, em baía
Formosa; de inclusão social, em Natal; sócio-educativa, em Maxaranquape; e de cidadania,
em Senador Avelivo. As ações comunitárias foram desenvolvidas em localidades com focos
reais de pobreza, desigualdade e enfrentamento social. No último dia de atividade foi
desenvolvida atividade turística na praia de Ponta Negra, Forte dos Reis Magos, praia de
Maracaju, e Ma-Noa Park. Foi oferecida hospitalidade no lar (Ho-ho)932.
Realizado, entre 17 de setembro a 20 de outubro, o 7º Mutirão Nacional de Ação
Comunitária, com o foco de incentivar a leitura e o lema “Ler é o que Pega”; foram feitas
arrecadações de itens do gênero, feiras do livro com trocas entre os participantes, montagens
de bibliotecas e obtenção de doações para bibliotecas já existentes. Escoteiros fizeram leitura
para idosos e deficientes visuais. Participaram mais de 100 grupos escoteiros em 19 regiões
escoteiras933.
Entre os dias 29 de agosto e 1º de setembro de 2005, ocorreu em Hammamet,
na Tunísia, o 9º Fórum Mundial de Jovens Líderes, no qual a UEB foi representada por
Fernando Brodeschi, Marília Moschkovich e Ricardo Stubber934.
Entre 5 e 9 de setembro de 2005, foi realizada em Yasmine Hammamet, na Tunísia, a
37ª Conferência Escoteira Mundial. Com a participação de 122 países, o Brasil foi escolhido
para sediar a 39ª Conferência Escoteira Mundial e o 11º Fórum Mundial de Jovens Líderes
em janeiro de 2011, em Curitiba/PR. Curitiba foi eleita com 371 votos, contra 280 para
Hong Kong e 218 para Sidney. A delegação brasileira foi composta por: Ênio Cohjo, Fabrício
Silva, Fernando Brodeschi, Jonathan Govier, Luiz Klaes, Luiz Carlos Debiazio, Luiz Cesar
Horn, Marco Aurélio Castriani, Marie Louise Maia, Marília Moschkovich, Mário Farinon,
Mariovani Cervi, Nader Ali Jezzini, Oscar Arias, Paulo Salamuni, Ricardo Stubber, Ronilde
Cervi, Sandro Romanelli e Tânia Farinon935.
Realizada, entre 12 e 15 de novembro, em Curitiba/PR, reunião sobre o Planejamento
Estratégico da UEB936.

301
O tema escolhido para o XXI Elo Nacional foi homenagear os 100 anos de morte de
Júlio Verne, o escritor considerado um dos maiores autores de literatura juvenil e iniciador
do gênero de ficção científica e relatos de viagens. A programação, para os dias 12 a 15 de
novembro, foi desenvolvida pela Região do Rio de Janeiro, sob a coordenação do conselheiro
nacional Fábio Conde e equipe que contou com a participação de Aline Costa Teixeira,
Altamiro Vilhena, André Carreira, Danielle Silva, Marcelle Lima Dias, Maria Angela
Wajsman, Theodomiro Rodrigues, Ursula Pessoa e Vladimir Paiva da Silva. O distintivo foi
elaborado por Guilherme Perez Nóbrega. Participaram do evento cerca de 15 mil jovens, em
todo o Brasil937.
Receberam o reconhecimento de Grupo Padrão Ouro os seguintes grupos escoteiros:
25º CE GE Eudoro Correa, 8º ES GE Pedro Nolasco, 17º ES GE Cidade das Cachoeiras,
34º PR GE Guará-Puava, 44º PR GE Dom Bosco de Apucarana, 60º PR GE Pássaros da
Paz, 89º PR GE Manoel Ribas, 128º PR GE Impisa, 146º PR GE Morgenau, 8º RJ GE São
Francisco de Assis, 29º RJ GE Duque de Caxias, 41º RJ GE Redentor, 33º RS GE Jacuí, 9º
SC GE Tubarão, 18º SC GE Carijós, 25º SC GE Dom Pedro I, 37º SC GE Lauro Muller, 7º
SE GE Baden-Powell, 164º SP GE Vinhedo e 238º SP GE Aldebarã938.
A Comissão Nacional de Recursos Adultos, com base na Política Mundial de Recursos
Adultos, adotada na Conferência Mundial de Bangkok, 1993, que estabeleceu uma política
comum para todas as associações em matéria de gestão de recursos adultos e decisões de
outras conferências, adotou como prioridade estratégica “promover a aplicação de uma
política de padronização de conteúdos mínimos e propor metodologias que possibilitem
captar, capacitar e acompanhar o adulto que necessitamos”939.

2006

O ano de 2006 marca um ponto de inflexão na capacitação de adultos dentro da UEB.


Após muitos anos de uma política de descentralização, a instituição volta a centralizar esta
tão importante área de atuação, fato que viria a trazer, em curto prazo, bons resultados. A
Comissão Nacional de Gestão de Adultos enfocou, de acordo com o Plano Estratégico da
UEB para o triênio 2006/2008, a prioridade estratégica “promover a aplicação de política
de padronização de conteúdos mínimos e propor metodologias que possibilitem captar,
capacitar e acompanhar o adulto que necessitamos”. As regiões escoteiras foram orientadas
para ações metodológicas de gestão de adultos e foram desenvolvidos materiais de apoio
para cursos. Da mesma forma, na área de gestão institucional, foi realizada profunda análise
da questão de como “proporcionar a prática do escotismo ao maior número de jovens
brasileiros”; após realização de seminário e diversas reuniões do CAN, concluiu-se que
necessitamos selecionar adequadamente os adultos que ingressam no Movimento, capacitá-
los e profissionalizar a instituição, pois as tarefas exigem disponibilidade de tempo que os
voluntários não dispõem940.

302
Realizada, em janeiro de 2006, em Santiago, no Chile, reunião do Comitê
Interamericano, da qual participaram Oscar Victor Palmquist Arias, vice-presidente do CSI,
Fernando Brodeschi, comissário internacional, e Ricardo Stubber, novo coordenador da
Rede Interamericana de Jovens941.
Realizado, em fevereiro de 2006, em Jubail, na Arábia Saudita, organizado pela Saudi
Arabia Boy Scouts Association, o “Peace 2006”, evento para o qual recebemos do Escritório
Mundial – Região Interamericana (OSI) bolsa para um participante de 18 a 22 anos; sendo
selecionado o pioneiro Rafael Froes da Região de Goiás942.
Realizado em Fortaleza/CE, nos dias 21 e 22 de abril de 2006, o XI Fórum Nacional
de Jovens Líderes, com participação de 20 jovens líderes de dez regiões escoteiras. Foram
eleitos: para comunicador, Paulo Henrique (MG); e Rafael Froes, para coordenador943.
Nos dias 27 e 28 de maio, em Curitiba/PR, foi realizado o primeiro Seminário
Nacional de Programa de Jovens, com os custos subsidiados pela Diretoria Nacional, e que
contou com a participação de 82 representantes das Regiões do Rio Grande do Sul, Santa
Catarina, Paraná e São Paulo, além de membros do CAN, DEN e Comissões Assessoras. Na
oportunidade, foram repassados todos os temas de relevância do Programa de Jovens944.
Realizado, nos dias 3 e 4 de junho, o 15º Mutirão Nacional Escoteiro de Ação
Ecológica945.
Com o tema “Os Direitos da Criança e do Adolescente”, com a campanha “É Direito,
É Legal!”, foi realizado o 8º Mutirão Nacional Escoteiro de Ação Comunitária entre 16 e 22
de outubro946.
De 16 a 21 de julho de 2006, realiza-se no parque da Cidade, no centro de Brasília/
DF, o III Jamboree Escoteiro Nacional, que teve a coordenação dos chefes Alessandro Garcia
Vieira e Baldur Schubert, com a presença de 1.500 escoteiros vindos das Regiões de Alagoas,
Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais,
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Pará, Paraíba, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande
do Norte, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, além de representantes
da Itália e do Haiti. O evento teve 12 grandes módulos de atividades educativas, com
abordagens sociais, culturais, cívicas, ecológicas e físicas; o último módulo desenvolvido –
Jovens pela Paz –, aconteceu com a visita de todos os participantes do jamboree ao Congresso
Nacional947.
Realizada em outubro de 2006, em Manágua, Nicarágua, a 5ª Reunião de Cúpula de
Presidentes e Diretores Executivos da Região Interamericana, com participação de Oscar
Victor P. Arias, Ricardo Stubber, Paulo Salamuni, e Luiz Cesar Simas Horn; dentre os
principais assuntos, foram abordados “Escotismo em zonas rurais e comunidades marginais
em zonas urbanas”, “Indicadores de qualidade”, e a “Nova imagem do Escotismo mundial”948.
Realizado, em 7 e 8 de outubro de 2006, em Recife/PE, o 3º Encontro Norte-Nordeste
de Escotistas e Dirigentes. A presidente da CNPJ, Maria Terezinha de Sá Koneski Weiss,
esteve presente e apresentou a palestra “Escotismo: nosso negócio é Educação”; compareceu
também o diretor nacional Marcos Venício de Mattos Chaves949.

303
A UEB participa da reunião da REDE Interamericana de Recursos Humanos,
realizada em dezembro de 2006, no México950.
Receberam o reconhecimento de “Grupo Padrão Ouro” em 2006 os seguintes grupos
escoteiros: 8º CE GE Sargento Rômulo Tavares, 14º CE GE Brigadeiro Eduardo Gomes,
25º CE GE Eudoro Correa, 8º ES GE Pedro Nolasco, 7º MG GE do Ar Padre Eustáquio, 33º
MG GE Congonhas, 21º MS GE Laranja Doce, 26º MS GE Lírio Branco, 17º PB GE do Ar
Santos Dumont, 38º PE GE Souza Leão, 8º PR GE São Luiz Gonzaga, 20º PR GE Santos
Dumont, 34º PR GE Guará-Puava, 44º PR GE Dom Bosco de Apucarana, 46º PR GE
Guarani, 49º PR GE Nossa Senhora Medianeira, 111º PR GE São Marcelino Champagnat,
128º PR GE Impisa, 146º PR GE Morgenau, 165º PR GE Associação Viking, 8º RJ GE São
Francisco de Assis, 115º RJ GE Macahé, 64º RN GE do Mar Artífices Náuticos, 33º RS GE
Jacuí, 9º SC GE Tubarão, 25º SC GE Dom Pedro I, 7º SE GE Baden-Powell, 1º SP GE São
Paulo, 46º SP GE Almirante Tamandaré, 53º SC GE Carajuru, 66º SP GE Amizade, 187º SP
GE Tude Bastos, 226º SP Japopici, 234º SP GE São Vicente, 238º SP GE Aldebarã e 254º
SP GE Raposo Tavares951.
Realizado, de 28 dezembro 2006 a 04 janeiro 2007, em Cochabamba, Bolívia, o IV
Jamboree de la Fraternidad com 2.800 participantes de nove países. A delegação brasileira
contou com 23 participantes e foi coordenada pela escotista Mara de Fátima Macedo Silva952.

2007

Lançado o Projeto “100 no Centenário”, que visava que cada grupo escoteiro
registrasse ao menos 100 membros no ano do “Centenário do Escotismo”953.
Reunindo cerca de 200 participantes, foi realizado em Porto Alegre/RS, entre 27 de
janeiro e 1º de fevereiro de 2007, o XXIII Mutirão Pioneiro Nacional954.
A UEB conquistou a vaga de titularidade e suplência entre as vagas destinadas à
sociedade civil para a gestão 2008-2009 no CONJUVE955.
Realizada, em 6 de março, em Brasília/DF, reunião da UPEB com a presença do
senador Flávio Arns, deputado federal Maurício Fruet, vereador Vinícius Ribeiro, vereador
e presidente da UEB, Paulo Salamuni. Realizadas sessões solenes em 23 de abril, em
comemoração ao Dia do Escoteiro, e lançamento do selo do “Centenário do Escotismo”, nas
Câmaras Municipais em Curitiba, São Paulo, Joinville, Brasília, Natal, Fortaleza, Niterói,
Macaé e Assembleias Legislativas de Minas Gerais e Pernambuco. O presidente da UPEB,
senador Flávio Arns, representou o Senado, prestigiando o Jamboree Mundial de 2007,
comemorando o “Centenário do Escotismo”956.
Realizada em Goiânia/GO, entre 27 de abril e 1º de maio de 2007, a XIV Reunião
Ordinária da Assembleia Nacional e o XIII Congresso Escoteiro Nacional. Realizados o

304
Fórum Nacional de Jovens Líderes, Conferência sobre Educação Não-Formal, Reunião de
Gilwell, Seminários do Projeto Rumo ao Mar, lançados novos Guias de Lobinho, Espiritualidade
e Comunicação e realizados vários minicursos957.
Em junho, a Diretoria Executiva Nacional promoveu um Seminário de Comunicações
para divulgar informações de evento semelhante realizado no Chile, assim como acordar
procedimentos para a área de comunicação da UEB, buscando conformidade no discurso e
divulgação mais eficaz do Escotismo no Brasil, buscando o reconhecimento da sociedade.
Participaram representantes de oito regiões escoteiras. Foi formada a Rede de Comunicações.
Posteriormente, a DEN sugeriu ao CAN modificações e definições do uso do emblema da
UEB, o que resultou na criação do Manual da Marca, com instruções de uso e para a correta
reprodução, e para que haja consistência e uniformidade em sua aplicação958.
De 19 a 22 de julho de 2007, Florianópolis/SC sediou a 11ª Aventura Sênior Nacional
no camping da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina
(CIDASC): 708 pessoas, incluindo a equipe organizadora com 40 adultos, participaram
de uma experiência única, com atividades como mergulho submarino, jornada, festas,
navegação, oficinas temáticas e praias959.
Lançado, em 2007, pelo Centro Cultural do Movimento Escoteiro, a quem o autor
doou os direitos autorais, em comemoração ao “Centenário do Escotismo”, o livro Em Meus
Sonhos Volto Sempre a Gilwell, de Antonio Boulanger Uchoa Ribeiro, no qual, como resultado
de exaustiva pesquisa, é contada a história do primeiro curso da Insígnia de Madeira no
Brasil, da evolução da formação de adultos na UEB, dos grandes nomes da capacitação, e
relacionados cerca de 2.000 possuidores da Insígnia no Brasil.
Realizado, na Inglaterra, entre 27 de julho e 8 de agosto de 2007, em Hylands Park,
Chelmsford, Inglaterra, o XXI Jamboree Mundial. O evento reuniu cerca de 40 mil jovens e
adultos membros do Movimento Escoteiro de mais de 150 países, com o lema “Um Mundo,
Uma Promessa”. A delegação brasileira, com 741 participantes, foi chefiada por Oscar Victor
Palmquist Arias.
No dia 1º de agosto de 2007, mais de 28 milhões de pessoas em todo o planeta
esperaram o nascer do sol com o propósito único de renovar a Promessa Escoteira. Foi
o “Amanhecer do Escotismo”, evento realizado em mais de 216 países e territórios, onde
grupos de membros do movimento escoteiro se reuniram em homenagem ao primeiro
acampamento escoteiro em Brownsea, em 1907960.
Mais de 20 mil membros de 175 grupos escoteiros da UEB participaram do 9º
Mutirão Nacional de Ação Comunitária961.
Aquecimento global, efeito estufa, mudanças climáticas, camada de ozônio e Protocolo
de Kyoto foram temas trabalhados no XVI Mutirão Nacional Escoteiro de Ação Ecológica
com participação de grupos escoteiros em todo o Brasil962.
A UEB foi homenageada pelo “Centenário do Escotismo” com o lançamento de selo
comemorativo do centenário; a Caixa Econômica Federal lembrou a data com o lançamento
da extração da Loteria Federal nº 4.161-0, de 4 de agosto de 2007963.

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