UNIDADE CURRICULAR: Problemáticas Juvenis
CÓDIGO: 11054
DOCENTE: Filipa Seabra
A preencher pelo estudante
NOME: Mónica Margarida do Carmo Gomes
N.º DE ESTUDANTE: 1003257
CURSO: Educação
DATA DE ENTREGA: 06/12/2019
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TRABALHO / RESOLUÇÃO:
1.1 O percurso de emprego e vida que melhor descreve a trajetória de Maria é a
flexibilidade precarizante e integração limitada.
1.2 Baseando-me nas características definidas por Kovacs (2016, pp 52-53), o
percurso de flexibilidade precarizante e integração limitada é caracterizada por
jovens com elevado nível de formação, sendo essa formação considerada não
estratégica, ou seja, formação numa área que é pouco valorizada no mercado de
trabalho. A atividade profissional permite o desenvolvimento de competências as
quais se identificam com o trabalho desempenhado. Neste percurso, os jovens
gostam do que fazem, no entanto, as condições de trabalho por vezes são
precárias, não tendo como negociar melhores remunerações e melhores
condições de trabalho. Outras características apresentadas neste percurso é o
facto do emprego não ser estável, haver insegurança e por isso não é possível
efetuar uma previsão do futuro profissional. Com uma forte vulnerabilidade
económica, os direitos sociais são restritos em comparação com o emprego
estável.
Também neste percurso, os jovens não conseguem uma habitação própria,
devido aos baixos rendimentos, tendo que continuar ou em casa dos pais, ou
partilhar casa com amigos, ou mesmo ainda viverem em união de facto.
Havendo poucos rendimentos, os jovens por vezes recorrem à ajuda dos pais, o
que provoca tensões familiares, tendo por vezes dificuldades em conseguir
conciliar o trabalho e a vida privada. Visto sentirem-se em situações precárias a
nível de emprego, interessam-se por novos movimentos que defendam os seus
interesses e os dos jovens em que se encontram em situação idêntica à sua.
Acreditam que irão conseguir sair da situação precária em que se encontram,
nem que tenham de emigrar para conseguirem atingir os seus objetivos.
A realidade vivida pela Maria, caracteriza-se por alguns destes aspetos. Tendo
como habilitações académicas uma licenciatura numa área que ambicionava,
Maria pertence ao grupo de jovens com um elevado nível de formação, e que no
entanto, as perspetivas e ambições que tinha antes de terminar o curso, caiem
todas “por água abaixo” quando tenta entrar no mercado de trabalho e, após
várias tentativas frustradas, se apercebe que o seu sonho de ser professora no
ensino público a tempo integral está longe de conseguir concretizar. Para
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conseguir obter algum rendimento tem de optar por rentabilizar a sua formação,
e utilizá-la de maneira diferente à prevista, dando explicações e fazendo
traduções sempre que lhe surja essa oportunidade, conseguindo assim, ir
adquirindo competências com a realização desses trabalhos. A situação precária
em que se encontra Maria, é uma situação bastante comum entre os jovens,
encontrando-se mais expostos aos efeitos negativos da flexibilização do
mercado de trabalho comparativamente a gerações anteriores (Kovacs, 2016, p.
45), sendo eles as principais vítimas dessa flexibilização no contexto da
globalização.
Relativamente ainda ao percurso de vida de Maria, apesar de não conseguir
estabilidade profissional e económica, consegue manter um nível de vida
aceitável em conjunto com o seu companheiro, o qual possui estabilidade
profissional. No entanto, e por este motivo, considera-se semi-dependente, ou
seja, para além de não conseguir a sua independência individual, ainda fica
dependente dos ganhos do companheiro. Todas estas situações levam a que
adie a sua decisão de ser mãe.
Um outro aspeto que a integra no percurso de vida de flexibilidade precarizante
e integração limitada é o facto de, apesar de gostar muito da área da sua
formação, estar disposta a abandonar essa área de formação ou até emigrar
para conseguir alcançar a sua estabilidade tanto profissional como financeira e
até pessoal.
2. As siglas NEEF significam Nem emprego, nem Educação ou Formação, o qual
define a população entre os 15 e os 24 anos que não se encontra empregada
nem a desenvolver qualquer atividade de educação ou formação (Rowland, J.,
Ferreira, V. S., Vieira, M. M., & Pappámikail, L. (2014)).
No entanto, apesar dos primeiros estudos efetuados sobre a situação de NEEF
recaírem sobre o intervalo de idades mencionada (15-24 anos), com a tendência
que existe de prolongar o percurso escolar, bem como a turbulência existente na
transição entre a escola e o trabalho, justifica-se que a situação de NEEF seja
analisada entre grupos etários mais alargados.
Nos dias que correm a vulnerabilidade com que os jovens se debatem é imensa,
desde inserções profissionais intermitentes, períodos de trabalho e períodos de
educação/formação, trajetórias complexas dos jovens face ao emprego, etc.
Todos estes fatores levam a que o número de jovens em situação de NEEF seja
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elevado, dando visibilidade a situações que não são abrangidas pelo fator
desemprego, ajudando assim a identificar as necessidades dos jovens para uma
implementação de políticas publicas mais adequadas a estes casos, por ex.
incentivar o empreendedorismo, promover estágios profissionais e formação
profissional, etc.
De acordo com estudos efetuados, começa-se a verificar que existem cada vez
mais jovens qualificados em situação de NEEF (Rowland, J., Ferreira, V. S.,
Vieira, M. M., & Pappámikail, L. (2014), p. 10). No entanto, os jovens com menos
qualificação continuam a ser os mais vulneráveis. Com o alargamento da
escolaridade obrigatória para 18 anos, o número de jovens em situação de NEEF
tende a alterar. Segundo estudo publicado no documento “Nem emprego, nem
educação ou formação: Jovens NEEF em Portugal numa perspetiva comparada”
de Rowland, J., Ferreira, V. S., Vieira, M. M., & Pappámikail, L. (2014), p 10, a
taxa de jovens não empregados, em situação de NEEF entre os 15 e os 19 anos
em Portugal é de 7,3%. Sendo bastante jovens e tendo abandonado a escola,
acabam por se incluir nesta população, visto não terem qualquer atividade de
educação, formação ou emprego. Com a escolaridade obrigatória alargada até
aos 18 anos, os jovens estarão envolvidos em atividades de educação, o que irá
contribuir para a diminuição do número de jovens em situação de NEEF. Por outro
lado, quanto mais formação os jovens estiverem, maior é a possibilidade de
conseguirem um emprego, o que também influenciará o número de NEES pela
positiva.
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BIBLIOGRAFIA
Kovács, I. (2016). Inserção no mercado de trabalho: percursos de emprego e
de vida de jovens. In. G. P. N. Rocha, R. Lalanda Gonçalves & P. D. Medeiros
(Orgs). Juventude(s) Novas Realidades Novos Olhares (pp. 43-72). V. N.
Famalicão: Húmus.
Rowland, J., Ferreira, V. S., Vieira, M. M., & Pappámikail, L. (2014). Nem
emprego, nem educação ou formação: Jovens NEEF em Portugal numa
perspetiva comparada. Lisboa: Universidade de Lisboa.
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