ODONTOLOGIA HOSPITALAR - Mod1
ODONTOLOGIA HOSPITALAR - Mod1
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ODONTOLOGIA HOSPITALAR
Aluno:
AN02FREV001/REV 4.0
1
CURSO DE
ODONTOLOGIA HOSPITALAR
MÓDULO I
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são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.
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SUMÁRIO
MÓDULO I
1 HISTÓRICO E CONCEITOS
1.1 ATRIBUIÇÕES DO CIRURGIÃO-DENTISTA EM AMBIENTE HOSPITALAR
1.2 CAMPOS DE ATUAÇÃO DO CIRURGIÃO-DENTISTA NOS SERVIÇOS
ODONTOLÓGICOS HOSPITALARES
2 LEGISLAÇÃO APLICADA À ODONTOLOGIA HOSPITALAR
3 EXAMES LABORATORIAIS COMPLEMENTARES
3.1 CITOLOGIA ESFOLIATIVA BUCAL
3.2 BIÓPSIA
3.3 PBA (PUNÇÃO-BIÓPSIA ASPIRATIVA) POR AGULHA FINA
3.4 EXAMES ANATOMOPATOLÓGICOS
3.5 EXAMES MICROBIOLÓGICOS
3.5.1 Identificação Bacteriana no Laboratório
3.5.2 Passos no Isolamento e Identificação de uma Bactéria
3.5.3 A Coloração de Gram
3.6 EXAMES BIOQUÍMICOS E HEMATOLÓGICOS
3.6.1 Eritrograma
3.6.2 Leucograma
3.6.3 Série Plaquetária
3.6.3.1 Tempo de sangramento
3.6.3.2 Tempo de protrombina
3.6.3.3 Tempo de tromboplastina parcial ativada
4 EXAMES COMPLEMENTARES: RADIOLOGIA (RADIOGRAFIAS
CONVENCIONAIS, TOMOGRAFIA MÉDICA, TOMOGRAFIA
COMPUTADORIZADA, FEIXE CÔNICO, ULTRASSONOGRAFIA, RESSONÂNCIA
MAGNÉTICA)
4.1 RADIOGRAFIAS CONVENCIONAIS
4.1.1 Panorâmicas
4.1.2 Intraorais
4.1.3 Laterais
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4.2 TOMOGRAFIAS
4.2.1 Tomografia Linear
4.2.2 Computadorizada Cone Beam
4.2.3 Computadorizada
4.3.4 Ultrassonografia
4.3.5 Ressonância Nuclear Magnética
5 NOÇÕES GERAIS DO ATENDIMENTO MULTIPROFISSIONAL
MÓDULO II
6 ABORDAGEM ODONTOLÓGICA EM PACIENTES HIPERTENSOS E
CARDIOPATAS
6.1 PRINCIPAIS CAUSAS DAS CARDIOPATIAS
6.2 PREPARO PARA CIRURGIA CARDÍACA
6.3 INFECÇÃO DAS VÁLVULAS CARDÍACAS OU TECIDOS ENDOTELIAIS DO
CORAÇÃO
6.4 ANTICOAGULAÇÃO
6.5 USO DE ANESTÉSICOS EM PACIENTES CARDIOPATAS
7 ABORDAGEM ODONTOLÓGICA EM PACIENTES PNEUMOPATAS
8 ABORDAGEM ODONTOLÓGICA EM PACIENTES DIABÉTICOS
9 ABORDAGEM ODONTOLÓGICA EM PACIENTES NEFROPATAS
9.1 TRANSPLANTE RENAL
9.1.1 No Período Pré-Transplante
9.1.2 No Período Pós-Transplante
10 ABORDAGEM ODONTOLÓGICA EM PACIENTES HEPATOPATAS
11 ODONTOLOGIA NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA
11.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS
11.2 OBJETIVOS PARA ELABORAÇÃO DE PADRONIZAÇÕES DE HIGIENE ORAL
11.3 AVALIAÇÃO ODONTOLÓGICA
MÓDULO III
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12 PRINCÍPIOS DE QUIMIOTERAPIA, RADIOTERAPIA E TRANSPLANTE DE
MEDULA ÓSSEA
12.1 RADIOTERAPIA
12.1.1 Mecanismos de Lesão Celular
12.2 QUIMIOTERAPIA
12.2.1 Tipos e Finalidades da Quimioterapia
12.2.2 Principais Drogas Utilizadas no Tratamento do Câncer
12.3 TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOÉTICAS
12.3.1 Medula-Óssea
12.3.2 Sangue Periférico
12.3.3 Tipos de TCTH, Fontes e Característica do Doador
13 EXAMES LABORATORIAIS DE INTERESSE NO ATENDIMENTO
ODONTOLÓGICO EM ONCO-HEMATOLOGIA
14 PREPARO BUCAL E ATENÇÃO ODONTOLÓGICA EM: QUIMIOTERAPIA,
UTILIZAÇÃO DE CATÉTERES VENOSOS, ENDOPRÓTESES NOS TUMORES
ÓSSEOS, RADIOTERAPIA, TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA
14.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS
14.2 ASSISTÊNCIA ODONTOLÓGICA
14.3 PACIENTES QUE FARÃO USO DE ENDOPRÓTESES
14.4 PACIENTES QUE FARÃO USO DE CATETERES ENDOVENOSOS
14.4.1 Cateter Venoso Central de Longa Permanência Totalmente Implantado
14.4.2 Cateter Venoso Central de Longa Permanência Semi-Implantado
14.4.3 Complicações dos Cateteres Venosos Centrais de Longa Permanência
15 INFECÇÕES VIRAIS, FÚNGICAS E BACTERIANAS EM CAVIDADE ORAL
15.1 INFECÇÃO VIRAL
15.2 INFECÇÃO FÚNGICA
15.3 INFECÇÃO BACTERIANA
16 XEROSTOMIA
17 CÁRIE DE IRRADIAÇÃO
18 TRISMO
19 SANGRAMENTOS EM CAVIDADE ORAL
20 NEUROTOXICIDADE
21 MUCOSITE ORAL
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22 OSTERORADIONECROSE
23 ALTERAÇÕES DO DESENVOLVIMENTO FACIAL DOS PACIENTES
IRRADIADOS EM REGIÃO DE CABEÇA E PESCOÇO NA INFÂNCIA E NA
ADOLESCÊNCIA E POSSIBILIDADES DE INTERVENÇÃO ODONTOLÓGICA
MÓDULO IV
24 QUANDO SUSPEITAR DE CÂNCER: NEOPLASIAS
PRIMÁRIAS/SECUNDÁRIAS COM MANIFESTAÇÃO EM CAVIDADE ORAL
24.1 SINAIS PRECOCES
24.1.1 Hipertrofia Gengival
24.1.2 Sangramento
24.1.3 Tumefações
24.1.4 Parestesia e Paralisia Facial
24.1.5 Edema e Aumento de Volume
25 ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO DE PACIENTE COM DOENÇA
HEMATOLÓGICA CRÔNICA, COM ÊNFASE EM HEMOFILIA, DOENÇA DE WON
VILLEBRAND, DOENÇA FALCIFORME, TALASSEMIA, ESFEROCITOSE,
AGRANULOCITOSE, PÚRPURAS, ANEMIA APLÁSICA E OUTRAS ANEMIAS
CRÔNICAS
25.1 HEMOFILIA
25.2 DOENÇA DE VON WILLEBRAND
25.3 MÉTODOS AUXILIARES NA HEMOSTASIA DA CAVIDADE BUCAL
25.3.1 Antifibrinolíticos
25.3.2 Agentes Cauterizantes
25.3.3 Recomendações para Uso de Fatores de Coagulação em Tratamento
Odontológico
25.3.4 Técnicas Anestésicas e de Controle da Dor
25.3.5 Tratamento Restaurador/Protético
25.3.6 Tratamento Endodôntico
25.3.7 Tratamento Ortodôntico
25.3.8 Exodontias
25.4 ANEMIAS
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25.4.1 Anemia Falciforme
25.4.1.1 Manifestações orofaciais mais frequentes da Doença Falciforme
25.4.1.1.1 Neuropatia do nervo mandibular
25.4.1.1.2 Necrose pulpar assintomática
25.4.1.1.3 Dor orofacial
25.4.1.2 Analgesia e anestesia
25.4.1.3 Antibióticos
25.4.2 Talassemia
25.4.2.1 Tipos de Talassemia
25.4.3 Esferocitose
25.4.4 Aplasia de Medula
25.4.4.1 Tipos
25.4.5 Agranulocitose Congênita
25.4.6 Púrpuras
25.4.6.1 Etiologia
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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MÓDULO I
1 HISTÓRICO E CONCEITOS
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paciente que recebe os cuidados respeitando-se a especificidade de cada área de
atuação, sem perder o foco da integralidade, tem maiores chances de ser
adequadamente tratado do ponto de vista biopsicossocial.
Quando se fala em Odontologia integrada em uma equipe multiprofissional,
deve-se ter em mente a abordagem do paciente como um todo e não somente nos
aspectos relacionados aos cuidados com a cavidade bucal. Embora possa parecer
redundante, é importante destacar uma expressão amplamente divulgada nos
últimos anos em relação à Odontologia: “a boca faz parte do corpo”! Não nos
esqueçamos disso!
A atuação odontológica em nível hospitalar requer conhecimentos que
permitam a condução do caso baseada em discussões que englobem os diferentes
profissionais envolvidos. Muitas vezes, como por exemplo, no caso de pacientes que
serão submetidos à radioterapia em região de cabeça e pescoço, o cuidado
odontológico proporciona a diminuição de complicações agudas e tardias
relacionadas à doença e sua terapia. Esse assunto será discutido com mais
detalhes posteriormente, mas ilustra uma das possibilidades de intervenção da
Odontologia.
Além disso, o cirurgião-dentista preparado para a realização de
procedimentos em nível hospitalar como internações, solicitações e interpretação de
exames complementares e controle de infecções, auxilia de forma direta na
diminuição de custos e na média de permanência do paciente no hospital.
As alterações orais são frequentes e podem ser os primeiros sinais e
sintomas de doenças ou de alterações sistêmicas relacionadas a determinadas
terapias. Doenças infecciosas, autoimunes, metabólicas, neoplasias e quadros
sindrômicos, dentre outros, se encaixam no escopo de doenças cujo tratamento
odontológico requer o planejamento em conjunto com o médico responsável pelo
paciente.
De forma geral, pacientes que apresentem distúrbios orgânicos de origem
sistêmica ou adquiridos são candidatos ao atendimento em ambiente hospitalar,
dependendo de suas características clínicas. Outros pacientes que necessitam de
atendimento em ambiente específico são aqueles que sofreram trauma envolvendo
região de face. O atendimento hospitalar possibilita a realização dos procedimentos
odontológicos necessários, permitindo:
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Atendimento com maior segurança de pacientes com risco cirúrgico.
Solicitação de exames específicos e mais detalhados, por parte do
profissional.
Facilidade para o paciente impossibilitado de frequentar o consultório
odontológico.
Oferecimento de acompanhamento clínico e específico.
Relacionamento integral entre paciente, equipe e instituição (GODOI et al.,
2009).
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1.2 CAMPOS DE ATUAÇÃO DO CIRURGIÃO-DENTISTA NOS SERVIÇOS
ODONTOLÓGICOS HOSPITALARES
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cirurgião-dentista internar e assistir pacientes em hospitais públicos e privados, com
e sem caráter filantrópico, respeitadas as normas técnico-administrativas das
instituições.
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3 EXAMES LABORATORIAIS COMPLEMENTARES
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de agentes infecciosos ou parasitários (KIGNEL, 2007; GRUPO TÉCNICO DE
ODONTOLOGIA HOSPITALAR, 2012).
A coleta do material pode ser realizada com espátula de madeira, de metal
ou de escovas, chamadas cytobrushes. O patologista orientará a realização de
determinada coloração, dependendo da hipótese diagnóstica (SILVA SANTOS e
VALENTE JÚNIOR, 2013).
3.2 BIÓPSIA
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em lesões bem delimitadas, de dimensões modestas e que não sugiram malignidade
(SILVA SANTOS e VALENTE JÚNIOR, 2013).
A PBA é uma técnica pouco utilizada pelo dentista no dia a dia, no entanto é
bastante empregada pelos cirurgiões de cabeça e pescoço. É feita a aspiração de
células por meio de agulha fina acoplada a um sistema a vácuo. O exame tem por
objetivo a identificação de padrões morfológicos celulares, bem como a detecção de
infecções por intermédio da cultura microbiana do material coletado. Em região de
cabeça e pescoço é mais utilizada para diagnóstico de lesões em linfonodos,
glândulas salivares maiores e tireoide, mas existem relatos de emprego da técnica
para diagnóstico de suspeitas de tumores odontogênicos, lesões intraosseas e em
glândulas salivares menores (GRUPO TÉCNICO DE ODONTOLOGIA
HOSPITALAR, 2012).
A técnica é simples, pouco invasiva, indolor, mas exige certa prática por
parte de quem a realiza. Uma agulha de até 1mm de diâmetro exterior é introduzida
na lesão com a seringa em posição de repouso e, em seguida, provoca-se a sucção
de tecido com o movimento de retração da seringa. Após a remoção do tecido, as
lâminas são submersas em material fixador (álcool a 95%) e enviadas ao laboratório
para coloração e análise (SILVA SANTOS e VALENTE JÚNIOR, 2013).
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O patologista pode indicar a complementação do exame com técnicas de
imuno-histoquímica, imunofluorescência, colorações especiais para identificação de
microrganismos e de estruturas teciduais específicas. Em geral, seus resultados são
incluídos no laudo anatomopatológico.
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Na placa dentária podem ser encontrados Streptococcus facultativos,
Difteroides facultativos, Leptotrichia buccallis, Veillonella spp, Fusobacterium e
Neisseria. As superfícies dentárias favorecem o desenvolvimento de Streptococcus
sanguis e mutans, Nocardia e Actinomyces. Um ambiente de baixa tensão de
oxigênio e rico em nutrientes, como o do sulco periodontal, cria condições favoráveis
para o crescimento e proliferação de anaeróbios, espiroquetas, Fusobacterium,
bacteróides, Peptostreptococcus, Actonomyces e outras formas facultativas
(MACHADO, 1993; NISENGARD e NEWMAN, 1994).
A microbiota encontrada na língua é constituída por Streptococcus
facultativos (principalmente S. salivarius e S. mittis), Veillonella spp, Sthaphilococcus
spp, Bacteroides, Neisseria, Fusobacterium e alguns cocos e bastonetes gram-
negativos. Já a microbiota da saliva é resultante do deslocamento de micro-
organismos a partir das outras estruturas da cavidade oral. O estreptococo mais
frequente na saliva é o S. salivarius (MACHADO, 1993).
Os Streptococcus são micro-organismos gram-positivos e constituem a
principal população de agentes da cavidade oral, com espécies distintas associadas
a diferentes nichos na boca. Por exemplo, Streptococcus sanguis e S. mutans são
encontrados na placa dentária, enquanto o S. salivarius é achado principalmente na
língua e S. mitis, em outros tecidos mucosos. Outro grupo de micro-organismos
gram-positivos, frequentemente localizados na cavidade oral são os Staphylococcus.
As duas principais espécies de Staphylococcus são o S. aureus e S. epidermidis. O
S. aureus é um patógeno potencial e pode ser encontrado assintomaticamente na
nasofaringe dos indivíduos. É, provavelmente, a partir desse sítio que a bactéria
alcança a cavidade oral. Essa espécie não possui papel patogênico significativo nas
infecções intraorais.
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de cultura sólido e, então, identificar o micro-organismo. A identificação é baseada
em princípios taxonômicos aplicados à situação microbiológica em curso. Os
métodos clássicos para a identificação de bactérias são baseados em características
morfológicas e bioquímicas. Técnicas de biologia molecular, para a caracterização
de genes específicos ou segmentos, estão se tornando comuns nos laboratórios de
diagnóstico.
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FIGURA 3 - CRESCIMENTO DE MICRO-ORGANISMOS GRAM NEGATIVOS EM
MEIO DE ÁGAR MCCONKEY
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de células de bactérias. A observação das características dessas colônias em
relação a tamanho, forma, textura, cor e reações de hemólise (se crescidas em meio
Agar sangue) é altamente importante como o primeiro passo na identificação
bacteriana. Outra importante característica para a identificação é se a bactéria
requer ou não oxigênio para crescer.
Passo 2: as colônias isoladas são coradas pelo método de Gram e células
individuais de bactérias são observadas ao microscópio.
Passo 3: as bactérias são identificadas usando-se colônias isoladas. Isto
frequentemente requer outras 24 horas de incubação adicional.
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A detecção e identificação de agentes antimicrobianos, seja em infecções
localizadas ou em infecções sistêmicas, dependem dos seguintes fatores:
Tratamento prévio com antimicrobianos.
Coleta de amostra representativa.
Tipo de infecção e repercussão clínica.
Transporte por meio que garanta a viabilidade dos micro-organismos.
Semeadura em meios adequados e suficientes para o crescimento.
Isolamento e antibiograma de bactérias representativas para a hipótese
diagnóstica (NIGRO e HARADA, 2013).
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FIGURA 4 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DO SISTEMA HEMATOPOÉTICO
Hemograma Completo
Série vermelha (eritrócitos)
– Hemácias
– Hemoglobina
– Hematócrito
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Plaquetas
3.6.1 Eritrograma
Avaliação do Eritrograma
Os resultados a serem avaliados variam com o sexo e idade.
Número de glóbulos vermelhos - valores normais:
– Homem de 4.600.000 - 6.200.000
– Mulher de 4.200.000 - 5.400.000
Hematócrito: índice calculado em porcentagem, definido pelo volume
total das hemácias ocupado em 100mL de sangue. Além de fornecer certas
medidas médias dos eritrócitos, o hematócrito fornece a chamada relação
plasma-glóbulo, isto é, quanto de eritrócitos e de plasma existe em uma
determinada quantidade de sangue.
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nascidos, a contagem é de 4.000.000 a 5.600.000 e nas crianças de 3 meses a 12
anos a contagem varia de 4.500.000 a 4.700.000 glóbulos vermelhos por mm3 de
sangue. Um glóbulo vermelho tem a vida média de 120 dias e apresenta como
função conhecida, o transporte da molécula de hemoglobina, sem dispêndio de
energia (LOPES, 2007; GRUPO TÉCNICO DE ODONTOLOGIA HOSPITALAR,
2012).
Valores de hematócrito
– Homem de 42 - 50%
– Mulher de 40 - 48%
– Recém-nascidos tem valores altos que vão abaixando com a idade até o
valor normal de um adulto.
Hemoglobina: a medida do valor da hemoglobina define a anemia.
Segundo a OMS é considerado anemia quando um adulto apresentar Hb <
12,5g/dl
Valores
– Homens: 13-18gdl
– Mulheres: 12-15gdl
A partir dos valores de eritrócitos, da porcentagem de hemoglobina e do
hematócrito, é possível o cálculo de outras medidas chamadas de índices
hematimétricos. Os mais importantes são:
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Os valores normais são de 24-34 pg em crianças, 27-34 pg em mulheres e
27-34 pg em homens.
3.6.2 Leucograma
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O adulto normalmente apresenta de 5.000 - 10.000 leucócitos por 100mL de
sangue. Esses valores podem ser afetados pelo gênero e idade da pessoa. Outras
variantes podem ser a condição física do indivíduo, menstruação, gravidez, etc. Em
presença de valores acima de 10.000leucócitos/ mm3 caracteriza-se um quadro de
leucocitose e abaixo de 4.000leucócitos/ mm3, de leucopenia.
Em um paciente normal, observam-se os seguintes tipos de leucócitos:
- Monócitos
- Linfócitos
- Eosinófilos
- Basófilos
- Neutrófilos
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- Eosinófilo: é um leucócito granulócito; quando seu número aumenta é
chamado de eosinofilia, e ocorre em casos de processos alérgicos ou parasitoses.
- Basófilo: é um leucócito granulócito e, em um indivíduo normal, só é
encontrada até uma célula (em termos percentuais).
- Neutrófilo: é um leucócito granulócito e também a célula mais encontrada
em adultos. Seu aumento pode indicar infecção bacteriana, mas pode estar
aumentada em infecção viral. Os neutrófilos são importantes armas de defesa do
organismo, sendo por isso bastante numerosos no sangue circulante (de 58 a 65%
do todos os leucócitos). São capazes de fazer fagocitose, englobando partículas de
pequenas dimensões (LOPES, 2007; GRUPO TÉCNICO DE ODONTOLOGIA
HOSPITALAR, 2012).
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– Linfoblastos: leucemia linfoide, linfoma
– Mieloblastos: leucemia mieloide
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vascular, quer seja realizado pelo Teste de Duke ou pelo de Ivy; o TS é um teste
pouco reprodutível e sujeito à grande número de variáveis. A solicitação de
contagem das plaquetas é mais adequada, pois somente contagens abaixo de
90.000/mL alteram o tempo de sangramento. Atualmente, a realização dos exames
de Tempo de Protrombina e Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada praticamente
extinguiu a solicitação do TS, por serem mais sensíveis.
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Razão de Protrombina = Tempo de tromboplastina do paciente
Tempo do pool (normal)
Valores de referência: inferior a 60s (Nigro e Harada, 2013).
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4.1 RADIOGRAFIAS CONVENCIONAIS
4.1.1 Panorâmicas
4.1.2 Intraorais
Técnicas periapicais
*Bissetriz: técnica na qual o feixe de raios-X deve incidir perpendicularmente
à bissetriz do ângulo formado entre o filme e o dente.
*Paralelismo: técnica na qual o feixe de raios-X deve incidir
perpendicularmente ao filme e ao longo eixo dos dentes. Para isso são utilizados
posicionadores para manter o filme paralelo ao longo eixo do dente.
*Técnica interproximal: também conhecida como técnica de Bite-wing, por
usar um filme provido de uma asa de mordida. Essas radiografias permitem melhor
observação das faces mesial e distal dos molares e pré-molares, e de suas cristas
marginais. Auxilia no diagnóstico de cáries e adaptações cervicais de restaurações
proximais.
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Técnica oclusal: geralmente é indicada como um exame complementar aos
achados obtidos quando do emprego das técnicas periapicais. A radiografia oclusal
permite melhor verificação dos tecidos ósseos das arcadas e da localização
vestibular/palato. Pode ser utilizada no estudo de fraturas dos maxilares, pesquisa
de sialolitos nos condutos de Wharton, nas mensurações ortodônticas para
determinação do tamanho dos maxilares e no estudo de fendas palatinas. Podem
ainda detectar supranumerários, corpos estranhos, lesões císticas, etc...
4.1.3 Laterais
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4.2 TOMOGRAFIAS
4.2.3 Computadorizada
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4.3.4 Ultrassonografia
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comparada à tomografia computadorizada, pois esses emitem pouco sinal
(FOP/UNICAMP, 2013).
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podem contribuir de forma diversa para o desenvolvimento do trabalho em equipe
(QUEIROZ e ARAÚJO, 2009; CAMELO, 2011).
Podemos exemplificar a articulação das ações e dos saberes que se busca
no trabalho multiprofissional a partir da descrição do caso hipotético de um paciente
com Doença Falciforme, que é uma hemoglobinopatia. Sua sintomatologia varia de
acordo com o genótipo da doença, mas se observam, com frequência, crises álgicas
nos pacientes.
Então vamos lá: temos uma criança de três anos de idade, que mama
durante toda a noite, ingere alimentos com grande teor de açúcar e a mãe só escova
os seus dentinhos uma vez por dia! Essa criança tem mais dois irmãos com a
doença, que demandam internações constantes e a mãe se sente sobrecarregada.
Como podemos conscientizar essa mãe quanto aos cuidados de higiene oral e sua
importância? A única esperança é trabalhando multiprofissionalmente, com uma
abordagem integrada. O envolvimento do psicólogo, médico, nutricionista e
assistente social pode amenizar o impacto da doença nessa família e facilitar a
assimilação e a disposição para que a mãe tenha maior cuidado com a condição oral
da criança.
Situações similares a esta se repetem diariamente nas instituições
hospitalares. Os pacientes frequentemente agregam as dificuldades do seu cotidiano
ao seu tratamento de saúde. A recuperação da dimensão cuidadora e a busca da
integralidade na atenção à saúde são desafios colocados para a organização do
cuidado no interior dos hospitais.
Dentro do hospital, a atenção integral depende da conjugação do trabalho de
vários profissionais, ou seja, o cuidado recebido pelo paciente é produto de grande
número de pequenos cuidados parciais que vão se complementando, a partir da
interação entre os vários cuidadores que operam no hospital (FUEERWERKER e
CECÍLIO, 2007).
O trabalho em equipe só é possível quando os trabalhadores constroem uma
interação entre si, trocando conhecimentos e articulando um campo de produção do
cuidado, já que este é comum à maioria dos trabalhadores de um hospital. Esse
campo de cuidado, além da interação, possibilita, a cada um, usar todo o seu
potencial criativo na relação com o usuário/paciente, para juntos produzirem o
cuidado (FRANCO e MERHY, 2003, CAMELO, 2011).
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Os cuidados com o equilíbrio e a autorregulação do organismo de um
indivíduo no meio hospitalar exigem o trabalho de profissionais de diversas áreas da
saúde, inclusive do Cirurgião-Dentista, que receberá destaque neste curso. A
Odontologia Hospitalar permite melhor desempenho no compromisso de assistência
ao paciente, uma vez que a prática visa aos cuidados das alterações bucais que
demandam intervenções de equipes multiprofissionais nos atendimentos de alta
complexidade.
A Odontologia em si não poderia se isolar de outras profissões, e sim com-
partilhar a sua responsabilidade com outros profissionais da saúde. Desde o início, a
prática das profissões da área da saúde teve como objetivo diagnosticar e promover
o tratamento das enfermidades. A expressão “arte de curar”, que todos costumam
citar atribuindo-a à profissão médica, explica essa orientação. Portanto as profissões
de saúde, além deste objetivo, buscam de forma paulatina a promoção de saúde
como um todo, e, para tanto, é necessário uma gama de equipes multidisciplinares
com enfoque preventivo (ARANEGA et al., 2012).
Concordamos com Euzébio et al. (2013), que consideram que a
incorporação do cirurgião-dentista à equipe multiprofissional pode contribuir para a
visão holística que deve ser oferecida ao paciente hospitalizado, a fim de
proporcionar o seu bem-estar e dignidade, prevenindo infecções, diminuindo o
tempo de internação e o uso de medicamentos, tendo em vista que os problemas
bucais interferem na saúde geral do indivíduo, assim como as alterações sistêmicas
podem se manifestar na cavidade bucal.
É imprescindível que, cada vez mais, a formação dos profissionais de saúde
e, no âmbito deste texto, do cirurgião-dentista, contemple o “olhar” ao paciente como
um todo, valorizando a perspectiva do respeito à multiprofissionalidade.
FIM DO MÓDULO I
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