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ODONTOLOGIA HOSPITALAR - Mod1

O documento descreve a história e conceitos da odontologia hospitalar. A área se destaca pelo atendimento odontológico de pacientes em hospitais de forma integrada a equipes multiprofissionais, visando o cuidado integral do paciente. A odontologia hospitalar requer conhecimentos que permitam a condução dos casos de forma discutida entre diferentes especialidades, melhorando a qualidade do tratamento oferecido.

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Barbara Correa
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ODONTOLOGIA HOSPITALAR - Mod1

O documento descreve a história e conceitos da odontologia hospitalar. A área se destaca pelo atendimento odontológico de pacientes em hospitais de forma integrada a equipes multiprofissionais, visando o cuidado integral do paciente. A odontologia hospitalar requer conhecimentos que permitam a condução dos casos de forma discutida entre diferentes especialidades, melhorando a qualidade do tratamento oferecido.

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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA

Portal Educação

ODONTOLOGIA HOSPITALAR

Aluno:

EaD - Educação a Distância Portal Educação

AN02FREV001/REV 4.0

1
CURSO DE
ODONTOLOGIA HOSPITALAR

MÓDULO I

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.

AN02FREV001/REV 4.0

2
SUMÁRIO

MÓDULO I
1 HISTÓRICO E CONCEITOS
1.1 ATRIBUIÇÕES DO CIRURGIÃO-DENTISTA EM AMBIENTE HOSPITALAR
1.2 CAMPOS DE ATUAÇÃO DO CIRURGIÃO-DENTISTA NOS SERVIÇOS
ODONTOLÓGICOS HOSPITALARES
2 LEGISLAÇÃO APLICADA À ODONTOLOGIA HOSPITALAR
3 EXAMES LABORATORIAIS COMPLEMENTARES
3.1 CITOLOGIA ESFOLIATIVA BUCAL
3.2 BIÓPSIA
3.3 PBA (PUNÇÃO-BIÓPSIA ASPIRATIVA) POR AGULHA FINA
3.4 EXAMES ANATOMOPATOLÓGICOS
3.5 EXAMES MICROBIOLÓGICOS
3.5.1 Identificação Bacteriana no Laboratório
3.5.2 Passos no Isolamento e Identificação de uma Bactéria
3.5.3 A Coloração de Gram
3.6 EXAMES BIOQUÍMICOS E HEMATOLÓGICOS
3.6.1 Eritrograma
3.6.2 Leucograma
3.6.3 Série Plaquetária
3.6.3.1 Tempo de sangramento
3.6.3.2 Tempo de protrombina
3.6.3.3 Tempo de tromboplastina parcial ativada
4 EXAMES COMPLEMENTARES: RADIOLOGIA (RADIOGRAFIAS
CONVENCIONAIS, TOMOGRAFIA MÉDICA, TOMOGRAFIA
COMPUTADORIZADA, FEIXE CÔNICO, ULTRASSONOGRAFIA, RESSONÂNCIA
MAGNÉTICA)
4.1 RADIOGRAFIAS CONVENCIONAIS
4.1.1 Panorâmicas
4.1.2 Intraorais
4.1.3 Laterais

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3
4.2 TOMOGRAFIAS
4.2.1 Tomografia Linear
4.2.2 Computadorizada Cone Beam
4.2.3 Computadorizada
4.3.4 Ultrassonografia
4.3.5 Ressonância Nuclear Magnética
5 NOÇÕES GERAIS DO ATENDIMENTO MULTIPROFISSIONAL

MÓDULO II
6 ABORDAGEM ODONTOLÓGICA EM PACIENTES HIPERTENSOS E
CARDIOPATAS
6.1 PRINCIPAIS CAUSAS DAS CARDIOPATIAS
6.2 PREPARO PARA CIRURGIA CARDÍACA
6.3 INFECÇÃO DAS VÁLVULAS CARDÍACAS OU TECIDOS ENDOTELIAIS DO
CORAÇÃO
6.4 ANTICOAGULAÇÃO
6.5 USO DE ANESTÉSICOS EM PACIENTES CARDIOPATAS
7 ABORDAGEM ODONTOLÓGICA EM PACIENTES PNEUMOPATAS
8 ABORDAGEM ODONTOLÓGICA EM PACIENTES DIABÉTICOS
9 ABORDAGEM ODONTOLÓGICA EM PACIENTES NEFROPATAS
9.1 TRANSPLANTE RENAL
9.1.1 No Período Pré-Transplante
9.1.2 No Período Pós-Transplante
10 ABORDAGEM ODONTOLÓGICA EM PACIENTES HEPATOPATAS
11 ODONTOLOGIA NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA
11.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS
11.2 OBJETIVOS PARA ELABORAÇÃO DE PADRONIZAÇÕES DE HIGIENE ORAL
11.3 AVALIAÇÃO ODONTOLÓGICA

MÓDULO III

AN02FREV001/REV 4.0

4
12 PRINCÍPIOS DE QUIMIOTERAPIA, RADIOTERAPIA E TRANSPLANTE DE
MEDULA ÓSSEA
12.1 RADIOTERAPIA
12.1.1 Mecanismos de Lesão Celular
12.2 QUIMIOTERAPIA
12.2.1 Tipos e Finalidades da Quimioterapia
12.2.2 Principais Drogas Utilizadas no Tratamento do Câncer
12.3 TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOÉTICAS
12.3.1 Medula-Óssea
12.3.2 Sangue Periférico
12.3.3 Tipos de TCTH, Fontes e Característica do Doador
13 EXAMES LABORATORIAIS DE INTERESSE NO ATENDIMENTO
ODONTOLÓGICO EM ONCO-HEMATOLOGIA
14 PREPARO BUCAL E ATENÇÃO ODONTOLÓGICA EM: QUIMIOTERAPIA,
UTILIZAÇÃO DE CATÉTERES VENOSOS, ENDOPRÓTESES NOS TUMORES
ÓSSEOS, RADIOTERAPIA, TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA
14.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS
14.2 ASSISTÊNCIA ODONTOLÓGICA
14.3 PACIENTES QUE FARÃO USO DE ENDOPRÓTESES
14.4 PACIENTES QUE FARÃO USO DE CATETERES ENDOVENOSOS
14.4.1 Cateter Venoso Central de Longa Permanência Totalmente Implantado
14.4.2 Cateter Venoso Central de Longa Permanência Semi-Implantado
14.4.3 Complicações dos Cateteres Venosos Centrais de Longa Permanência
15 INFECÇÕES VIRAIS, FÚNGICAS E BACTERIANAS EM CAVIDADE ORAL
15.1 INFECÇÃO VIRAL
15.2 INFECÇÃO FÚNGICA
15.3 INFECÇÃO BACTERIANA
16 XEROSTOMIA
17 CÁRIE DE IRRADIAÇÃO
18 TRISMO
19 SANGRAMENTOS EM CAVIDADE ORAL
20 NEUROTOXICIDADE
21 MUCOSITE ORAL

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5
22 OSTERORADIONECROSE
23 ALTERAÇÕES DO DESENVOLVIMENTO FACIAL DOS PACIENTES
IRRADIADOS EM REGIÃO DE CABEÇA E PESCOÇO NA INFÂNCIA E NA
ADOLESCÊNCIA E POSSIBILIDADES DE INTERVENÇÃO ODONTOLÓGICA

MÓDULO IV
24 QUANDO SUSPEITAR DE CÂNCER: NEOPLASIAS
PRIMÁRIAS/SECUNDÁRIAS COM MANIFESTAÇÃO EM CAVIDADE ORAL
24.1 SINAIS PRECOCES
24.1.1 Hipertrofia Gengival
24.1.2 Sangramento
24.1.3 Tumefações
24.1.4 Parestesia e Paralisia Facial
24.1.5 Edema e Aumento de Volume
25 ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO DE PACIENTE COM DOENÇA
HEMATOLÓGICA CRÔNICA, COM ÊNFASE EM HEMOFILIA, DOENÇA DE WON
VILLEBRAND, DOENÇA FALCIFORME, TALASSEMIA, ESFEROCITOSE,
AGRANULOCITOSE, PÚRPURAS, ANEMIA APLÁSICA E OUTRAS ANEMIAS
CRÔNICAS
25.1 HEMOFILIA
25.2 DOENÇA DE VON WILLEBRAND
25.3 MÉTODOS AUXILIARES NA HEMOSTASIA DA CAVIDADE BUCAL
25.3.1 Antifibrinolíticos
25.3.2 Agentes Cauterizantes
25.3.3 Recomendações para Uso de Fatores de Coagulação em Tratamento
Odontológico
25.3.4 Técnicas Anestésicas e de Controle da Dor
25.3.5 Tratamento Restaurador/Protético
25.3.6 Tratamento Endodôntico
25.3.7 Tratamento Ortodôntico
25.3.8 Exodontias
25.4 ANEMIAS

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6
25.4.1 Anemia Falciforme
25.4.1.1 Manifestações orofaciais mais frequentes da Doença Falciforme
25.4.1.1.1 Neuropatia do nervo mandibular
25.4.1.1.2 Necrose pulpar assintomática
25.4.1.1.3 Dor orofacial
25.4.1.2 Analgesia e anestesia
25.4.1.3 Antibióticos
25.4.2 Talassemia
25.4.2.1 Tipos de Talassemia
25.4.3 Esferocitose
25.4.4 Aplasia de Medula
25.4.4.1 Tipos
25.4.5 Agranulocitose Congênita
25.4.6 Púrpuras
25.4.6.1 Etiologia
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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7
MÓDULO I

1 HISTÓRICO E CONCEITOS

A Odontologia Hospitalar, apesar de não estar listada no Conselho Federal


de Odontologia como uma especialidade, atualmente é uma área que se destaca
pelo seu embasamento científico. É o campo de atuação do cirurgião-dentista
generalista ou especialista em ambiente hospitalar, seja executando procedimento
odontológico de baixa, média ou alta complexidade em pacientes internados ou não,
seja visando participar do processo terapêutico de cura ou melhora da qualidade de
vida, independentemente da doença que acomete o paciente (SILVA SANTOS e
VALENTE JÚNIOR, 2013).
Pode ser definida como o conjunto de ações preventivas, diagnósticas,
terapêuticas e paliativas em saúde bucal, executadas em ambiente hospitalar, em
consonância com a missão do hospital, e inseridas no contexto de atuação da
equipe multidisciplinar. Seu principal foco é o atendimento em saúde bucal ao
paciente em nível terciário (GRUPO TÉCNICO DE ODONTOLOGIA HOSPITALAR,
2012).
Há décadas atrás, o tratamento do paciente era baseado somente na
atuação médica. Uma das razões para essa prática é que a Medicina, durante muito
tempo, foi confundida com a própria saúde. Ao longo dos anos, houve uma mudança
no paradigma do cuidado à saúde, com a redefinição do papel do médico. A
perspectiva do cuidado integral, em que várias profissões passaram a integrar a
equipe de atenção ao paciente, ganhou espaço e foi incorporada às práticas em
saúde.
Na época atual, as profissões da saúde ocupam uma situação de destaque
na sociedade moderna, que busca, de forma paulatina, a promoção da saúde como
um todo. (QUELUZ e PALUMBRO, 2000). A inclusão dos diferentes grupos
profissionais, com a consequente valorização dos diferentes saberes, propiciou
melhora da qualidade do tratamento oferecido aos pacientes. Sem dúvida, um

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8
paciente que recebe os cuidados respeitando-se a especificidade de cada área de
atuação, sem perder o foco da integralidade, tem maiores chances de ser
adequadamente tratado do ponto de vista biopsicossocial.
Quando se fala em Odontologia integrada em uma equipe multiprofissional,
deve-se ter em mente a abordagem do paciente como um todo e não somente nos
aspectos relacionados aos cuidados com a cavidade bucal. Embora possa parecer
redundante, é importante destacar uma expressão amplamente divulgada nos
últimos anos em relação à Odontologia: “a boca faz parte do corpo”! Não nos
esqueçamos disso!
A atuação odontológica em nível hospitalar requer conhecimentos que
permitam a condução do caso baseada em discussões que englobem os diferentes
profissionais envolvidos. Muitas vezes, como por exemplo, no caso de pacientes que
serão submetidos à radioterapia em região de cabeça e pescoço, o cuidado
odontológico proporciona a diminuição de complicações agudas e tardias
relacionadas à doença e sua terapia. Esse assunto será discutido com mais
detalhes posteriormente, mas ilustra uma das possibilidades de intervenção da
Odontologia.
Além disso, o cirurgião-dentista preparado para a realização de
procedimentos em nível hospitalar como internações, solicitações e interpretação de
exames complementares e controle de infecções, auxilia de forma direta na
diminuição de custos e na média de permanência do paciente no hospital.
As alterações orais são frequentes e podem ser os primeiros sinais e
sintomas de doenças ou de alterações sistêmicas relacionadas a determinadas
terapias. Doenças infecciosas, autoimunes, metabólicas, neoplasias e quadros
sindrômicos, dentre outros, se encaixam no escopo de doenças cujo tratamento
odontológico requer o planejamento em conjunto com o médico responsável pelo
paciente.
De forma geral, pacientes que apresentem distúrbios orgânicos de origem
sistêmica ou adquiridos são candidatos ao atendimento em ambiente hospitalar,
dependendo de suas características clínicas. Outros pacientes que necessitam de
atendimento em ambiente específico são aqueles que sofreram trauma envolvendo
região de face. O atendimento hospitalar possibilita a realização dos procedimentos
odontológicos necessários, permitindo:

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9
 Atendimento com maior segurança de pacientes com risco cirúrgico.
 Solicitação de exames específicos e mais detalhados, por parte do
profissional.
 Facilidade para o paciente impossibilitado de frequentar o consultório
odontológico.
 Oferecimento de acompanhamento clínico e específico.
 Relacionamento integral entre paciente, equipe e instituição (GODOI et al.,
2009).

1.1 ATRIBUIÇÕES DO CIRURGIÃO-DENTISTA EM AMBIENTE HOSPITALAR

O entendimento de que não se pode cuidar do paciente, de forma integral,


sem o respeito às diferentes formações e saberes, facilita a compreensão das
atribuições do dentista no ambiente hospitalar. Mas quais são elas?
• Cuidado ao paciente cuja doença sistêmica possa ser fator de risco para
agravamento e/ou instalação de doença bucal, ou cuja doença bucal possa ser fator
de risco para agravamento e/ou instalação de doença sistêmica.
• Participação nas decisões da equipe multiprofissional, incluindo internação,
diagnóstico, solicitação de exames, prescrição, intervenção odontológica,
acompanhamento e alta, sendo responsável por tomada de decisão em intervenção
na cavidade bucal em consonância com essa equipe.
• Realização de registro e acesso em prontuário médico, em consonância
com as normativas do hospital.
• Orientação das ações em saúde bucal e supervisão da equipe sob sua
responsabilidade (GRUPO TÉCNICO DE ODONTOLOGIA HOSPITALAR, 2012).

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1.2 CAMPOS DE ATUAÇÃO DO CIRURGIÃO-DENTISTA NOS SERVIÇOS
ODONTOLÓGICOS HOSPITALARES

Os campos de atuação do cirurgião-dentista nos serviços odontológicos


hospitalares incluem:
• Diagnóstico de lesões bucais e auxílio no tratamento de manifestações
bucais oriundas de doenças sistêmicas.
• Diagnóstico e tratamento das condições bucais que possam acarretar
complicações infecciosas, hemorrágicas, neurológicas ou cardiovasculares, seja em
função das condições locais e sistêmicas, seja em decorrência de tratamento ao
qual o paciente está submetido.
• Diagnóstico e tratamento das condições bucais que possam colaborar para
a manutenção ou piora de desordens sistêmicas graves.
• Atuação prévia a terapias que possam acarretar complicações orofaciais
ou sistêmicas futuras.
• Atendimento a pacientes internados que apresentem dor e/ou infecção de
origem odontológica.
• Atendimento de quaisquer condições que justifiquem intervenção em
ambiente hospitalar, em função do risco de complicações infecciosas ou
hemorrágicas tanto em nível local quanto sistêmico (GRUPO TÉCNICO DE
ODONTOLOGIA HOSPITALAR, 2012).

2 LEGISLAÇÃO APLICADA À ODONTOLOGIA HOSPITALAR

Assim como em outras áreas, a Odontologia Hospitalar possui


regulamentações próprias. Por se tratar de uma área de atuação relativamente
recente, alguns princípios legais norteadores ainda estão em construção e
aprimoramento. Muitos deles estão inseridos dentro da atuação da Odontologia,
como um todo.
Segundo o artigo 26 do Código de Ética Odontológico (aprovado pela
Resolução CFO-118/2012), que trata da Odontologia hospitalar, compete ao

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cirurgião-dentista internar e assistir pacientes em hospitais públicos e privados, com
e sem caráter filantrópico, respeitadas as normas técnico-administrativas das
instituições.

“CAPÍTULO X - DA ODONTOLOGIA HOSPITALAR


Art. 26. Compete ao cirurgião-dentista internar e assistir paciente em
hospitais públicos e privados, com ou sem caráter filantrópico, respeitadas
as normas técnico-administrativas das instituições.
Art. 27. As atividades odontológicas exercidas em hospital obedecerão às
normatizações pertinentes.
Art. 28. Constitui infração ética:
I - fazer qualquer intervenção fora do âmbito legal da Odontologia; e,
II - afastar-se de suas atividades profissionais, mesmo temporariamente,
sem deixar outro cirurgião-dentista encarregado do atendimento de seus
pacientes internados ou em estado grave.”

A Agência Nacional de Saúde (ANS), que regulamenta e fiscaliza a saúde


suplementar no Brasil, emitiu a Resolução nº 211, que passou a vigorar em junho de
2010, prevendo a cobertura de estrutura hospitalar para tratamento odontológico,
quando o mesmo não possa ser realizado em consultório convencional.
Outra publicação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a
RDC nº 7, de fevereiro de 2010, dispõe sobre os requisitos mínimos para
funcionamento das UTIs, estabelecendo que devem ser garantidos diversos serviços
à beira do leito, entre eles assistência odontológica, que deve estar integrada às
demais atividades assistenciais prestadas ao paciente, sendo discutidas
conjuntamente pela equipe multiprofissional.
O Projeto de Lei 2776/08, de autoria do deputado Neilton Mulim (PR-RJ)
torna obrigatória em todo o país a presença destes profissionais em Unidades de
Tratamento Intensivo e clínicas e hospitais, públicos ou privados, que tenham
pacientes internados. Em 18 de abril de 2012 foi aprovado, na forma de substitutivo
a esse, o Projeto de Lei nº 363, que torna obrigatória a prestação de assistência
odontológica a pacientes em regime de internação hospitalar; aos portadores de
doenças crônicas, e, ainda, aos atendidos em regime domiciliar na modalidade
home care.

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3 EXAMES LABORATORIAIS COMPLEMENTARES

Na primeira consulta odontológica, além do exame clínico da cavidade oral e


estruturas adjacentes, é necessário que o profissional realize cuidadosa anamnese
do paciente. Neste momento, conheceremos o perfil do paciente, seu histórico
familiar e suas condições atuais de saúde. Em algumas situações, devem ser
requisitados exames complementares para definição do diagnóstico e elaboração do
plano de tratamento, respeitando-se as necessidades de cada paciente. Os exames
complementares fornecem informações importantes e devem ser direcionados
considerando as informações previamente obtidas.

3.1 CITOLOGIA ESFOLIATIVA BUCAL

A citologia esfoliativa bucal (CEB) é uma técnica de fácil aplicação, baixo


custo e pouca expectativa de dor. Pode ser utilizada na identificação de atipias
celulares relacionadas a lesões potencialmente malignizáveis (leucoplasias, queilite
actínica, e outras) ou não, e ainda, de neoplasias.
Outra área de utilização dessa técnica é a pesquisa de micro-organismos.
Para citar dois exemplos dessa possibilidade de aplicação, destacamos a pesquisa
do Paracoccidioides brasiliensis, que é o fungo causador da Paracoccidioidomicose.
O outro exemplo é sobre a pesquisa do Herpes Simplex virus tipo 1 (HSV-1) em
lesões de mucosite na cavidade oral de pacientes em tratamento antineoplásico, que
abordaremos nos módulos posteriores.
A CEB consiste na raspagem da superfície mucosa e transferência do
conteúdo obtido para a superfície de uma lâmina de vidro, obtendo-se um esfregaço.
O material deve ser imediatamente fixado em álcool e posteriormente corado. O
procedimento é destinado à análise microscópica de células superficiais da mucosa
bucal e, quando necessário, complementado por biópsia. Pode ser indicado para
avaliação do grau de atipia celular no caso de suspeita de lesões neoplásicas, bem
como para caracterização de tipos de exsudatos ou para visualização/identificação

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de agentes infecciosos ou parasitários (KIGNEL, 2007; GRUPO TÉCNICO DE
ODONTOLOGIA HOSPITALAR, 2012).
A coleta do material pode ser realizada com espátula de madeira, de metal
ou de escovas, chamadas cytobrushes. O patologista orientará a realização de
determinada coloração, dependendo da hipótese diagnóstica (SILVA SANTOS e
VALENTE JÚNIOR, 2013).

3.2 BIÓPSIA

O conceito da palavra biópsia vem do latim (bio = vida) e do grego (opsis =


observação) (KIGNEL, 2007). A biópsia é uma prática bastante difundida na
Medicina, mas menos utilizada na Odontologia. Embora seja um procedimento
simples e rápido, deve ser realizada por um profissional com habilidade capaz de
selecionar corretamente a área a ser biopsiada, respeitar a anatomia do local,
armazenar e transportar corretamente a amostra.
Neste procedimento, ocorre a remoção cirúrgica de fragmento de tecido em
um indivíduo vivo. O material deve ser imediatamente imerso em formol a 10% e
encaminhado ao laboratório anatomopatológico, no qual será submetido à análise
macroscópica e microscópica, que visa identificar a lesão por meio do diagnóstico
histopatológico. No caso de biópsia para outros tipos de avaliação (cultura, reação
de polimerase em cadeia, imunofluorescência, dentre outros), o preparo do material
deverá ser feito conforme orientação do laboratório (GRUPO TÉCNICO DE
ODONTOLOGIA HOSPITALAR, 2012).
Diferentes técnicas de biópsia podem ser utilizadas dependendo do local,
tamanho e aspecto da lesão. A biópsia pode ser incisional, em que há retirada de
parte representativa da lesão, ou excisional, na qual a lesão inteira é cirurgicamente
retirada. A biópsia incisional deve ser realizada em duas situações: nos casos de
lesões muito extensas ou múltiplas e quando existe suspeita de malignidade, visto
que as lesões malignas necessitam de margens cirúrgicas e a biópsia excisional
pode dificultar tratamentos futuros, uma vez que se corre o risco de perder a
referência do local exato e do limite da lesão. A biópsia excisional pode ser realizada

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em lesões bem delimitadas, de dimensões modestas e que não sugiram malignidade
(SILVA SANTOS e VALENTE JÚNIOR, 2013).

3.3 PBA (PUNÇÃO-BIÓPSIA ASPIRATIVA) POR AGULHA FINA

A PBA é uma técnica pouco utilizada pelo dentista no dia a dia, no entanto é
bastante empregada pelos cirurgiões de cabeça e pescoço. É feita a aspiração de
células por meio de agulha fina acoplada a um sistema a vácuo. O exame tem por
objetivo a identificação de padrões morfológicos celulares, bem como a detecção de
infecções por intermédio da cultura microbiana do material coletado. Em região de
cabeça e pescoço é mais utilizada para diagnóstico de lesões em linfonodos,
glândulas salivares maiores e tireoide, mas existem relatos de emprego da técnica
para diagnóstico de suspeitas de tumores odontogênicos, lesões intraosseas e em
glândulas salivares menores (GRUPO TÉCNICO DE ODONTOLOGIA
HOSPITALAR, 2012).
A técnica é simples, pouco invasiva, indolor, mas exige certa prática por
parte de quem a realiza. Uma agulha de até 1mm de diâmetro exterior é introduzida
na lesão com a seringa em posição de repouso e, em seguida, provoca-se a sucção
de tecido com o movimento de retração da seringa. Após a remoção do tecido, as
lâminas são submersas em material fixador (álcool a 95%) e enviadas ao laboratório
para coloração e análise (SILVA SANTOS e VALENTE JÚNIOR, 2013).

3.4 EXAMES ANATOMOPATOLÓGICOS

Os exames anatomopatológicos são realizados a partir da observação


macroscópica e microscópica de fragmentos de tecidos e órgãos obtidos nos
procedimentos cirúrgicos. Sempre que se realiza a biópsia é necessário o
encaminhamento da amostra para realização do exame, com o objetivo de se definir
o diagnóstico, de maneira precisa.

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O patologista pode indicar a complementação do exame com técnicas de
imuno-histoquímica, imunofluorescência, colorações especiais para identificação de
microrganismos e de estruturas teciduais específicas. Em geral, seus resultados são
incluídos no laudo anatomopatológico.

3.5 EXAMES MICROBIOLÓGICOS

As características da cavidade oral, como alta umidade, temperatura


relativamente constante (34 a 36°C), pH próximo da neutralidade e grande
disponibilidade de nutrientes, permitem o estabelecimento de uma microbiota
altamente complexa, composta por grupos bacterianos que habitam, seletivamente,
as diversas áreas da boca.
A composição da microbiota oral varia com a idade do hospedeiro, hábitos
alimentares, hormônios, fluxo salivar, condições imunológicas e outros fatores, como
higienização e alcoolismo. Podem ser encontrados micro-organismos Gram-
positivos, Gram-negativos e anaeróbios.
A microbiota da cavidade oral é colonizada por cerca de 400 a 500
diferentes tipos de micro-organismos, distribuídos no epitélio bucal, dorso da língua,
superfície dental e epitélio do sulco gengival (ANDRADE et al., 2011). A microbiota
oral pode variar quantitativa e qualitativamente, dependendo da localização na
cavidade oral. Na mucosa oral jugal há predomínio de tipos facultativos,
principalmente Streptococcus viridans.
Na gengiva predominam anaeróbios e micro-organismo facultativos. A
superfície dentária tem características que facilitam a instalação de agentes
aeróbios, anaeróbios e micro-organismos facultativos. Embora a circulação do ar na
cavidade oral pareça excluir a possibilidade de crescimento de agentes anaeróbios,
as tensões do oxigênio variam nos diferentes sítios intraorais. Assim, espécies
anaeróbias podem ser encontradas, frequentemente, nas placas subgengivais, nos
sulcos periodontais e capuzes pericoronários (MACHADO, 1993; NISENGARD e
NEWMAN, 1994).

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16
Na placa dentária podem ser encontrados Streptococcus facultativos,
Difteroides facultativos, Leptotrichia buccallis, Veillonella spp, Fusobacterium e
Neisseria. As superfícies dentárias favorecem o desenvolvimento de Streptococcus
sanguis e mutans, Nocardia e Actinomyces. Um ambiente de baixa tensão de
oxigênio e rico em nutrientes, como o do sulco periodontal, cria condições favoráveis
para o crescimento e proliferação de anaeróbios, espiroquetas, Fusobacterium,
bacteróides, Peptostreptococcus, Actonomyces e outras formas facultativas
(MACHADO, 1993; NISENGARD e NEWMAN, 1994).
A microbiota encontrada na língua é constituída por Streptococcus
facultativos (principalmente S. salivarius e S. mittis), Veillonella spp, Sthaphilococcus
spp, Bacteroides, Neisseria, Fusobacterium e alguns cocos e bastonetes gram-
negativos. Já a microbiota da saliva é resultante do deslocamento de micro-
organismos a partir das outras estruturas da cavidade oral. O estreptococo mais
frequente na saliva é o S. salivarius (MACHADO, 1993).
Os Streptococcus são micro-organismos gram-positivos e constituem a
principal população de agentes da cavidade oral, com espécies distintas associadas
a diferentes nichos na boca. Por exemplo, Streptococcus sanguis e S. mutans são
encontrados na placa dentária, enquanto o S. salivarius é achado principalmente na
língua e S. mitis, em outros tecidos mucosos. Outro grupo de micro-organismos
gram-positivos, frequentemente localizados na cavidade oral são os Staphylococcus.
As duas principais espécies de Staphylococcus são o S. aureus e S. epidermidis. O
S. aureus é um patógeno potencial e pode ser encontrado assintomaticamente na
nasofaringe dos indivíduos. É, provavelmente, a partir desse sítio que a bactéria
alcança a cavidade oral. Essa espécie não possui papel patogênico significativo nas
infecções intraorais.

3.5.1 Identificação Bacteriana no Laboratório

O isolamento e a identificação de bactérias auxiliam o tratamento, pois


quando se suspeita que pacientes estejam com uma infecção bacteriana, é usual
proceder-se ao isolamento de colônias visíveis em cultura pura, em placas de meio

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de cultura sólido e, então, identificar o micro-organismo. A identificação é baseada
em princípios taxonômicos aplicados à situação microbiológica em curso. Os
métodos clássicos para a identificação de bactérias são baseados em características
morfológicas e bioquímicas. Técnicas de biologia molecular, para a caracterização
de genes específicos ou segmentos, estão se tornando comuns nos laboratórios de
diagnóstico.

FIGURA 1 - CRESCIMENTO DE MICRO-ORGANISMOS GRAM POSITIVOS E


GRAM NEGATIVOS EM MEIO DE ÁGAR CHOCOLATE

FONTE: MENDONÇA, 2008.

FIGURA 2 - CRESCIMENTO DE MICRO-ORGANISMOS GRAM POSITIVOS EM


MEIO DE ÁGAR SANGUE

Fonte: Mendonça, 2008

FONTE: MENDONÇA, 2008.

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FIGURA 3 - CRESCIMENTO DE MICRO-ORGANISMOS GRAM NEGATIVOS EM
MEIO DE ÁGAR MCCONKEY

FONTE: MENDONÇA, 2008.

Termos taxonômicos (classificação)


 Família: um grupo de gêneros relacionados.
 Gênero: um grupo de espécies relacionadas.
 Espécies: um grupo de linhagens relacionadas.
 Tipo: um conjunto de linhagens dentro de uma espécie (biótipo,
sorotipo).
 Linhagem: um isolado específico dentro de uma espécie particular.

O termo mais comumente usado é o nome da espécie, por


exemplo, Streptococcus pyogenes, cuja abreviação é S. pyogenes. A primeira define
o gênero, no caso, Streptococcus, e a segunda a espécie, neste caso, pyogenes. A
primeira letra do nome do gênero é sempre maiúscula, mas o nome da espécie é
todo em minúsculas. Ambos os nomes são italizados ou grifados.

3.5.2 Passos no Isolamento e Identificação de uma Bactéria

Passo 1: amostras de fluidos orgânicos são espalhadas em placas contendo


meio de cultura sólido e colônias isoladas de bactérias (visíveis a olho nu) aparecem
após a incubação das placas por um a vários dias. Cada colônia consiste de milhões

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de células de bactérias. A observação das características dessas colônias em
relação a tamanho, forma, textura, cor e reações de hemólise (se crescidas em meio
Agar sangue) é altamente importante como o primeiro passo na identificação
bacteriana. Outra importante característica para a identificação é se a bactéria
requer ou não oxigênio para crescer.
Passo 2: as colônias isoladas são coradas pelo método de Gram e células
individuais de bactérias são observadas ao microscópio.
Passo 3: as bactérias são identificadas usando-se colônias isoladas. Isto
frequentemente requer outras 24 horas de incubação adicional.

3.5.3 A Coloração de Gram

A colônia é dessecada sobre uma lâmina e tratada como segue.


Passo 1: coloração com cristal violeta
Passo 2: fixação com lugol, que estabiliza a coloração com o cristal violeta.
Todas as bactérias se coram em azul ou púrpura.
Passo 3: extração com álcool ou outro solvente, que descora algumas
bactérias (gram negativas) e não outras (gram positivas).
Passo 4: coloração secundária com safranina. As bactérias gram positivas já
estão coradas com o cristal violeta e permanecem azuis. As bactérias gram
negativas se coram em rosa.

Ao observarmos a aparência das bactérias ao microscópio, perguntamos:


 Elas são gram positivas ou negativas?
 Qual a sua morfologia (bacilos, cocos, espiraladas, pleomórficas, etc.)?
 As células ocorrem de forma isolada, em cadeias ou em pares?
 Qual o tamanho das células?
Além da coloração de Gram, há outros métodos de coloração menos
comumente empregados, por exemplo, a coloração de esporos ou cápsulas (FOX,
2013).

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A detecção e identificação de agentes antimicrobianos, seja em infecções
localizadas ou em infecções sistêmicas, dependem dos seguintes fatores:
 Tratamento prévio com antimicrobianos.
 Coleta de amostra representativa.
 Tipo de infecção e repercussão clínica.
 Transporte por meio que garanta a viabilidade dos micro-organismos.
 Semeadura em meios adequados e suficientes para o crescimento.
 Isolamento e antibiograma de bactérias representativas para a hipótese
diagnóstica (NIGRO e HARADA, 2013).

3.6 EXAMES BIOQUÍMICOS E HEMATOLÓGICOS

O hemograma é o exame complementar mais solicitado e destina-se à


avaliação qualitativa e quantitativa dos elementos figurados do sangue. É um
conjunto de avaliações das células do sangue que, reunido aos dados clínicos,
permite conclusões diagnósticas e prognósticas de grande número de patologias.
As variações neste exame podem ter impacto direto na prática odontológica.
Embora seja um exame que apresente limitações do ponto de vista diagnóstico,
seus resultados podem identificar ou sugerir algumas alterações na condição
imunológica, quadros de anemia (que podem interferir na cicatrização) e no
processo de coagulação do paciente.
Como exame complementar, indica apenas as alterações nos desvios de
normalidade, mas não pode indicar o local onde ocorre o distúrbio que provoca as
alterações, sendo, portanto, um exame inespecífico. Normalmente, do hemograma
constam subsídios de três ordens: 1 - distúrbios da série vermelha, 2 - distúrbios da
série branca e, 3 - dados sobre as plaquetas (LOPES, 2007; GRUPO TÉCNICO DE
ODONTOLOGIA HOSPITALAR, 2012).

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FIGURA 4 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DO SISTEMA HEMATOPOÉTICO

FONTE: Autor desconhecido. Disponível em:


<http://www.ingoh.com.br/site/materia.php?CodMateria=14>. Acesso em: 15 jan. 2014.

Hemograma Completo
 Série vermelha (eritrócitos)
– Hemácias
– Hemoglobina
– Hematócrito

 Série branca (Leucócitos)


– Neutrófilos
– Eosinófilos
– Basófilos
– Linfócitos
– Monócitos

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 Plaquetas

3.6.1 Eritrograma

É o estudo da série vermelha (eritrócitos ou hemácias). Em indivíduos


normais, as hemácias possuem tamanho mais ou menos uniforme. Quando uma
hemácia tem tamanho normal ela é chamada de normocítica. Quando ela apresenta
coloração normal é chamada de normocrômica.
Simplificando o processo de trocas de oxigênio e dióxido de carbono que
ocorre em nosso organismo, é correto dizer que as hemácias são responsáveis por
levar oxigênio aos tecidos do corpo. Esses elementos apresentam a forma de um
disco bicôncavo e possuem membrana maleável, que permite seu trânsito tanto
dentro nos grandes vasos quanto nos pequenos capilares. No seu interior,
encontramos a hemoglobina, que é uma proteína que se fixa ao oxigênio disponível
no pulmão, formando a oxi-hemoglobina. Ao chegar aos tecidos, o oxigênio é
liberado e é utilizado pelas células.

Avaliação do Eritrograma
Os resultados a serem avaliados variam com o sexo e idade.
 Número de glóbulos vermelhos - valores normais:
– Homem de 4.600.000 - 6.200.000
– Mulher de 4.200.000 - 5.400.000
 Hematócrito: índice calculado em porcentagem, definido pelo volume
total das hemácias ocupado em 100mL de sangue. Além de fornecer certas
medidas médias dos eritrócitos, o hematócrito fornece a chamada relação
plasma-glóbulo, isto é, quanto de eritrócitos e de plasma existe em uma
determinada quantidade de sangue.

A contagem eritrocitária ou hematimetria é de 4.500.000 a 6.500.000


glóbulos vermelhos por mm3 de sangue no homem, de 4.000.000 a 5.600.000 nas
mulheres não grávidas e de 3.900.000 a 5.600.000 nas grávidas. Em recém-

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nascidos, a contagem é de 4.000.000 a 5.600.000 e nas crianças de 3 meses a 12
anos a contagem varia de 4.500.000 a 4.700.000 glóbulos vermelhos por mm3 de
sangue. Um glóbulo vermelho tem a vida média de 120 dias e apresenta como
função conhecida, o transporte da molécula de hemoglobina, sem dispêndio de
energia (LOPES, 2007; GRUPO TÉCNICO DE ODONTOLOGIA HOSPITALAR,
2012).

Valores de hematócrito
– Homem de 42 - 50%
– Mulher de 40 - 48%
– Recém-nascidos tem valores altos que vão abaixando com a idade até o
valor normal de um adulto.
 Hemoglobina: a medida do valor da hemoglobina define a anemia.
Segundo a OMS é considerado anemia quando um adulto apresentar Hb <
12,5g/dl

Valores
– Homens: 13-18gdl
– Mulheres: 12-15gdl
A partir dos valores de eritrócitos, da porcentagem de hemoglobina e do
hematócrito, é possível o cálculo de outras medidas chamadas de índices
hematimétricos. Os mais importantes são:

Volume corpuscular médio (VCM)


VCM = hematócrito X 10
número de hemácias
em milhões
Os valores normais oscilam entre 78 e 90 µ3.

Hemoglobina corpuscular média (HbCM)


HbCM = hematócrito X 10
hematócrito

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Os valores normais são de 24-34 pg em crianças, 27-34 pg em mulheres e
27-34 pg em homens.

Concentração da Hemoglobina corpuscular média (CHbCM)


CHbCM = hemoglobina X 10
hematócrito

Os valores normais são de 24 a 37% em crianças, 31,5 a 36% em mulheres


e 31,5 a 36% em homens (LOPES, 2007; GRUPO TÉCNICO DE ODONTOLOGIA
HOSPITALAR, 2012).

A identificação de valores da hemoglobina abaixo das taxas de normalidade


aumenta a chance de ocorrência de dificuldade de cicatrização após procedimentos
odontológicos, pois é necessário que o nível de oxigênio nos tecidos seja capaz de
suprir as necessidades celulares no processo cicatricial. Outro aspecto de
importância relacionado aos níveis de hemoglobina na prática odontológica diz
respeito aos pacientes com hemoglobinopatias. Esses pacientes podem apresentar
alterações no crescimento facial, que discutiremos posteriormente.

3.6.2 Leucograma

É o estudo da série branca ou leucócitos. Os leucócitos representam um


grupo heterogêneo de células que têm como função proteger o organismo de
processos infecciosos. Como a cavidade oral é um ambiente rico em micro-
organismos, variações na capacidade de defesa orgânica podem permitir o
desenvolvimento de infecções. Essa situação pode ser observada, por exemplo, em
pacientes submetidos à quimioterapia antineoplásica.
Normalmente convivemos de maneira “pacífica” com as bactérias
encontradas no sulco periodontal, mas nos estados de imunossupressão observam-
se frequentemente processos infecciosos periodontais acometendo margens
gengivais e causados por bactérias anaeróbias.

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O adulto normalmente apresenta de 5.000 - 10.000 leucócitos por 100mL de
sangue. Esses valores podem ser afetados pelo gênero e idade da pessoa. Outras
variantes podem ser a condição física do indivíduo, menstruação, gravidez, etc. Em
presença de valores acima de 10.000leucócitos/ mm3 caracteriza-se um quadro de
leucocitose e abaixo de 4.000leucócitos/ mm3, de leucopenia.
Em um paciente normal, observam-se os seguintes tipos de leucócitos:
- Monócitos
- Linfócitos
- Eosinófilos
- Basófilos
- Neutrófilos

Leucograma - Contagem diferencial


- Monócito: é um leucócito agranulócito e uma das maiores células da série
branca; podem ter vacúolos, em função da recente fagocitose. São consideradas
células ainda não totalmente maduras, circulantes e somente atingem o estado final
de desenvolvimento quando saem da corrente sanguínea para os tecidos,
transformando-se então em macrófagos tissulares ou histiócitos. Os macrófagos
constituem sistema de defesa contra agentes infecciosos.

- Linfócito: é um leucócito agranulócito e a célula predominante nas crianças.


Seu aumento é chamado de linfocitose. Em adultos, seu aumento pode ser indício
de infecção viral ou leucemia linfocítica crônica.
As células maduras são encontradas no sangue circulante em porcentagens
variáveis, podendo ser encontradas ainda nos órgãos linfoides primários e
secundários.
Os órgãos linfoides primários são a medula óssea e o timo. Nesses locais,
ocorre a linfocitopoese em que células hematopoéticas pluripotentes encontram
condições próprias para se fixar e proliferar. Já os órgãos linfoides secundários são
representados pelos linfonodos, pelo baço e por outros agrupamentos linfoides como
as placas de Peyer e as tonsilas.

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- Eosinófilo: é um leucócito granulócito; quando seu número aumenta é
chamado de eosinofilia, e ocorre em casos de processos alérgicos ou parasitoses.
- Basófilo: é um leucócito granulócito e, em um indivíduo normal, só é
encontrada até uma célula (em termos percentuais).
- Neutrófilo: é um leucócito granulócito e também a célula mais encontrada
em adultos. Seu aumento pode indicar infecção bacteriana, mas pode estar
aumentada em infecção viral. Os neutrófilos são importantes armas de defesa do
organismo, sendo por isso bastante numerosos no sangue circulante (de 58 a 65%
do todos os leucócitos). São capazes de fazer fagocitose, englobando partículas de
pequenas dimensões (LOPES, 2007; GRUPO TÉCNICO DE ODONTOLOGIA
HOSPITALAR, 2012).

QUADRO 1 - REAÇÃO ESCALONADA NO HEMOGRAMA


Granulócitos Porcentagem Valores absolutos
Neutrófilos 58 a 65% 3.200 a 6.000
Promielócitos 0 0
Mielócitos 0 0
Metamielócitos 0 0
Bastonetes 2 a 5% 100 a 200
Segmentados 5 a 6% 370 a 400
Eosinófilos 2 a 4% 150 a 240
Basófilos 0 a 1% 40 a 80
Granulócitos Porcentagem Valores absolutos
Linfócitos
Adulto: 20 a 30% 1.200/ mm3
Crianças: 25 a 45% 2.000 a 3.500/ mm3
FONTE: LOPES, A. Exames Complementares – Parte A: Hemograma. In: KIGNEL, S. Estomatologia
– Bases do diagnóstico para o clínico geral. Santos: Santos, 2007. p. 57-67.

Inclusões anormais no Leucograma

 Blastos: células precursoras

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– Linfoblastos: leucemia linfoide, linfoma
– Mieloblastos: leucemia mieloide

 Inclusões citoplasmáticas que podem ser encontradas em neutrófilos:


- Granulações tóxicas: quando há um aumento na produção dos
granulócitos, há uma diminuição no tempo da maturação das células precursoras
dos neutrófilos. Por isso, os neutrófilos aparecem no sangue com os grânulos
primários. Estão presentes em casos de infecções.
- Vacúolos: são estruturas resultantes da fagocitose. Podem aparecer nos
neutrófilos e monócitos. Seu relato só é importante quando aparece nos neutrófilos e
estão presentes em casos de infecções graves.

3.6.3 Série Plaquetária

No hemograma, as plaquetas são observadas em relação à quantidade e ao


seu tamanho. Seu número normal é de 150.000 a 400.000 por microlitro de sangue.
Em valores menores que 150.000, observamos quadros de plaquetopenia, que se
relacionam com riscos aumentados de sangramento.
Definimos hemostasia como o conjunto de mecanismos fisiológicos que têm
por finalidade a manutenção do sangue no interior dos vasos sanguíneos. Em uma
pessoa normal, observa-se o equilíbrio entre a formação e a degradação dos
coágulos decorrentes das injúrias vasculares. Para verificação de eventuais
distúrbios de hemostasia, solicitam-se os seguintes exames, além da contagem de
plaquetas:

3.6.3.1 Tempo de sangramento

Expressa de forma menos sensível a avaliação qualitativa e quantitativa das


plaquetas. É utilizado para avaliar anormalidades da interação plaqueta-parede

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vascular, quer seja realizado pelo Teste de Duke ou pelo de Ivy; o TS é um teste
pouco reprodutível e sujeito à grande número de variáveis. A solicitação de
contagem das plaquetas é mais adequada, pois somente contagens abaixo de
90.000/mL alteram o tempo de sangramento. Atualmente, a realização dos exames
de Tempo de Protrombina e Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada praticamente
extinguiu a solicitação do TS, por serem mais sensíveis.

3.6.3.2 Tempo de protrombina

Possibilita avaliar a via extrínseca da cascata de coagulação. O princípio do


teste baseia-se na adição no plasma de Ca (CaCl) e fator tecidual com posterior
mensuração do tempo necessário para a formação do coágulo.
Razão do tempo de protrombina = tempo de protrombina do paciente
tempo do pool (normal)

Para a padronização dos resultados emitidos por laboratórios diferentes (em


função de diferentes kits), estabeleceu-se o International Normalizatted Ratio (INR).
O ISI (Índice de Sensibilidade) varia de acordo com o kit utilizado.
Valores de referência: 3 a 9 minutos

3.6.3.3 Tempo de tromboplastina parcial ativada

É utilizado para o estudo da via extrínseca e comum da coagulação. O


princípio do teste baseia-se na adição no plasma de Ca (CaCl) e fosfolípides
purificados com posterior mensuração do tempo necessário para a formação do
coágulo. A detecção pode ser feita de forma visual, mecânica ou óptica
automatizada. Desta forma, os valores de referência podem variar conforme kit e
população, situando-se geralmente entre 25 e 34 segundos.
Para fins comparativos, calcula-se a Razão de Protrombina (RT).

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Razão de Protrombina = Tempo de tromboplastina do paciente
Tempo do pool (normal)
Valores de referência: inferior a 60s (Nigro e Harada, 2013).

Outros exames complementares que podem auxiliar no diagnóstico são


provas de função renal (uria, creatinina) e hepática (proteínas séricas totais,
transaminase glutâmico-pirúvica – TGP; transaminase glutâmico-oxalacética – TGO;
bilirrubinas; gamaglutamiltransferase – GAMA - GT, hemoglobina glicada (Hb A1c),
provas sorológicas para identificação de doenças infecciosas, inflamatórias e
autoimunes, dentre outras condições (GRUPO TÉCNICO DE ODONTOLOGIA
HOSPITALAR, 2012).

4 EXAMES COMPLEMENTARES: RADIOLOGIA (RADIOGRAFIAS


CONVENCIONAIS, TOMOGRAFIA MÉDICA, TOMOGRAFIA
COMPUTADORIZADA, FEIXE CÔNICO, ULTRASSONOGRAFIA, RESSONÂNCIA
MAGNÉTICA)

Os exames de imagem desempenham papel fundamental no diagnóstico ou


no acompanhamento da resposta terapêutica de diversas doenças. Os exames de
imagem que utilizam radiação ionizante devem ser solicitados com rigoroso critério
de indicação, uma vez que a exposição a esse tipo de radiação pode causar
alterações teciduais.
Os efeitos biológicos nos tecidos podem ser classificados em
determinísticos, que levam à morte celular, ou estocásticos, que ocorrem em função
da alteração aleatória no DNA de uma única célula que continua a se reproduzir.

Segundo Mancusi Sobrinho (2013), os exames de raios-X de crânio podem


ser divididos em:

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4.1 RADIOGRAFIAS CONVENCIONAIS

4.1.1 Panorâmicas

A ampla cobertura de área examinada, a baixa dose de radiação e o pouco


custo financeiro para o paciente são algumas das razões para a sua crescente
aceitação. Em pacientes com alterações posturais, impossibilidade de locomoção e
demências, a técnica é inviável, pois depende da colaboração do paciente.

4.1.2 Intraorais

São as tomadas radiográficas na qual o filme é colocado no interior da


cavidade oral para obtenção da radiografia. Apresentam dificuldade de realização
em crianças, pacientes com dificuldade de compreensão ou com movimentos
espásticos, no entanto podem ser utilizados recursos estabilizadores, como os
posicionadores de filmes radiográficos, para facilitar a execução da técnica.

Técnicas periapicais
*Bissetriz: técnica na qual o feixe de raios-X deve incidir perpendicularmente
à bissetriz do ângulo formado entre o filme e o dente.
*Paralelismo: técnica na qual o feixe de raios-X deve incidir
perpendicularmente ao filme e ao longo eixo dos dentes. Para isso são utilizados
posicionadores para manter o filme paralelo ao longo eixo do dente.
*Técnica interproximal: também conhecida como técnica de Bite-wing, por
usar um filme provido de uma asa de mordida. Essas radiografias permitem melhor
observação das faces mesial e distal dos molares e pré-molares, e de suas cristas
marginais. Auxilia no diagnóstico de cáries e adaptações cervicais de restaurações
proximais.

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Técnica oclusal: geralmente é indicada como um exame complementar aos
achados obtidos quando do emprego das técnicas periapicais. A radiografia oclusal
permite melhor verificação dos tecidos ósseos das arcadas e da localização
vestibular/palato. Pode ser utilizada no estudo de fraturas dos maxilares, pesquisa
de sialolitos nos condutos de Wharton, nas mensurações ortodônticas para
determinação do tamanho dos maxilares e no estudo de fendas palatinas. Podem
ainda detectar supranumerários, corpos estranhos, lesões císticas, etc...

4.1.3 Laterais

Tomadas radiológicas da mandíbula para o ângulo e ramo, da mandíbula


para o corpo, da cabeça e lateral cefalométrica. São indicadas para avaliar lesões
em corpo, ângulo e ramo ascendente da mandíbula.
Posteroanteriores (PA):
 PA de mandíbula: utilizada para o diagnóstico de fraturas na cabeça da
mandíbula, pois o tracionamento medial do côndilo é facilmente observado em
tomada posteroanterior.
 PA de seios da face: indicada para diagnóstico de sinusopatias,
especialmente em pacientes internados com dor em região maxilar ou neutropênico,
na presença de dentes íntegros.
Cefalométricas: solicitadas frequentemente pelos ortodontistas e raramente
encontradas em hospitais.
Axial para a base do crânio: axial invertida de Hirtz ou submento vértex.
Oferece boa visibilidade da cabeça da mandíbula, sendo indicada quando um trismo
impede a abertura da boca para PA de mandíbula e o objetivo é observar os
côndilos. Permite ainda observação da base do crânio com nitidez.

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4.2 TOMOGRAFIAS

4.2.1 Tomografia Linear

Também conhecida como tomografia convencional, esta modalidade foi o


primeiro método de obtenção de imagens tomográficas.
Suas principais características são formação da imagem diretamente em filmes
radiográficos e várias projeções no mesmo filme.

4.2.2 Computadorizada Cone Beam

Esse tipo de tomografia é realizado em tomógrafos específicos para crânio,


como o Newton 3D e o Icat. O desenvolvimento desta nova tecnologia está
provendo à Odontologia a reprodução da imagem tridimensional dos tecidos
mineralizados maxilofaciais, com mínima distorção e dose de radiação
significantemente reduzida em comparação à TC tradicional (SCARFE et al., 2006).

4.2.3 Computadorizada

É um exame no qual a radiação emitida em torno de um plano anatômico do


paciente é medida por um conjunto de detectores e processada por um computador.
Dados numéricos de imagens contidos em cortes tomográficos adquiridos
sequencialmente, no plano axial, permitem a reconstrução em outros planos
(PARKS, 2000). Geram imagens em três dimensões, ajudando a observar os limites
e dimensões das lesões.

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4.3.4 Ultrassonografia

A ultrassonografia (US) ou ecografia é um método exclusivamente


anatômico, propiciando a realização da “macroscopia patológica” in vivo por meio de
vibrações de alta frequência 7-10MHz que se refletem nas interfaces de tecidos de
diferentes densidades. Essa técnica é utilizada principalmente nas patologias das
glândulas tireoide e paratireoide, glândulas salivares e massas cervicais
(FOP/UNICAMP, 2013) e as intensidades utilizadas para fins diagnósticos não
produzem alterações nos tecidos que atravessa.

4.3.5 Ressonância Nuclear Magnética

É considerada como um dos maiores avanços da medicina em matéria de


diagnóstico por imagem neste século. Seus princípios são bastante complexos e
envolvem conhecimentos nas mais diversas áreas das ciências exatas. A grande
vantagem da RNM está na segurança, já que não usa radiação ionizante. Os
prótons dos tecidos são submetidos a um campo magnético e tendem a alinharem-
se contra ou a favor desse campo.
O contraste da imagem em RNM é baseado nas diferenças de sinal entre
distintas áreas ou estruturas que comporão a imagem. A RNM tem a capacidade de
mostrar características dos diferentes tecidos do corpo com um contraste superior à
tomografia computadorizada na resolução de tecidos ou partes moles. Apesar de
grande aplicabilidade, a RNM tem algumas desvantagens. Por utilizar campos
magnéticos de altíssima magnitude, é potencialmente perigosa para aqueles
pacientes que possuem implantes metálicos em seus organismos, sejam marca-
passos, pinos ósseos de sustentação, clips vasculares, etc.
Esses pacientes devem ser minuciosamente interrogados e advertidos dos
riscos de aproximarem-se de um campo magnético e apenas em alguns casos, com
muita observação, os exames podem ser permitidos. Outra desvantagem está na
pouca definição de imagem que a RNM tem de tecidos ósseos normais, se

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comparada à tomografia computadorizada, pois esses emitem pouco sinal
(FOP/UNICAMP, 2013).

5 NOÇÕES GERAIS DO ATENDIMENTO MULTIPROFISSIONAL

Segundo Veloso (2005), o crescimento exponencial do conhecimento criou


novas necessidades no mundo do trabalho. O autor destaca que, na Antiguidade, os
sábios eram ao mesmo tempo filósofos, matemáticos, astrônomos, engenheiros,
artistas, escritores, etc. Na área da saúde, até a primeira metade do século passado,
poucos profissionais formalmente habilitados dominavam todo o conhecimento e
exerciam todas as ações do setor.
Nos tempos atuais, é totalmente impossível que apenas alguns profissionais
exerçam, com toda eficiência necessária, o conjunto amplo e complexo das ações
de saúde. As necessidades da demanda de saúde e o crescente desenvolvimento
científico e tecnológico produziram estratégias e mecanismos para efetivar o
trabalho em equipe, com qualidade e eficiência.
Uma equipe de saúde pode ser definida basicamente como a associação de
profissionais de formação distinta com o propósito básico de promover o cuidado de
indivíduos em termos da saúde global dos mesmos. Nos últimos anos, o trabalho em
equipe tem sido particularmente valorizado no contexto hospitalar, uma vez que a
assistência a pacientes internados envolve a integração de práticas que demandam
habilidades técnicas complementares (PERES et al., 2011).
O trabalho em equipe consiste em uma modalidade de trabalho coletivo que
se configura na relação recíproca entre intervenções técnicas e a interação dos
agentes. No processo de trabalho em saúde, os profissionais constroem consensos
que configuram um projeto assistencial comum, em torno do qual se dá a integração
da equipe de trabalho (PEDUZZI, 2001; CAMELO, 2011). Este tipo de trabalho
enseja a oportunidade de se construir uma visão global de cada situação, mediante
uma interlocução entre os diferentes profissionais envolvidos no seguimento
terapêutico, contribuindo para alcançar um melhor prognóstico para os pacientes
hospitalizados. Profissionais com formação e tempo de experiência diferentes

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podem contribuir de forma diversa para o desenvolvimento do trabalho em equipe
(QUEIROZ e ARAÚJO, 2009; CAMELO, 2011).
Podemos exemplificar a articulação das ações e dos saberes que se busca
no trabalho multiprofissional a partir da descrição do caso hipotético de um paciente
com Doença Falciforme, que é uma hemoglobinopatia. Sua sintomatologia varia de
acordo com o genótipo da doença, mas se observam, com frequência, crises álgicas
nos pacientes.
Então vamos lá: temos uma criança de três anos de idade, que mama
durante toda a noite, ingere alimentos com grande teor de açúcar e a mãe só escova
os seus dentinhos uma vez por dia! Essa criança tem mais dois irmãos com a
doença, que demandam internações constantes e a mãe se sente sobrecarregada.
Como podemos conscientizar essa mãe quanto aos cuidados de higiene oral e sua
importância? A única esperança é trabalhando multiprofissionalmente, com uma
abordagem integrada. O envolvimento do psicólogo, médico, nutricionista e
assistente social pode amenizar o impacto da doença nessa família e facilitar a
assimilação e a disposição para que a mãe tenha maior cuidado com a condição oral
da criança.
Situações similares a esta se repetem diariamente nas instituições
hospitalares. Os pacientes frequentemente agregam as dificuldades do seu cotidiano
ao seu tratamento de saúde. A recuperação da dimensão cuidadora e a busca da
integralidade na atenção à saúde são desafios colocados para a organização do
cuidado no interior dos hospitais.
Dentro do hospital, a atenção integral depende da conjugação do trabalho de
vários profissionais, ou seja, o cuidado recebido pelo paciente é produto de grande
número de pequenos cuidados parciais que vão se complementando, a partir da
interação entre os vários cuidadores que operam no hospital (FUEERWERKER e
CECÍLIO, 2007).
O trabalho em equipe só é possível quando os trabalhadores constroem uma
interação entre si, trocando conhecimentos e articulando um campo de produção do
cuidado, já que este é comum à maioria dos trabalhadores de um hospital. Esse
campo de cuidado, além da interação, possibilita, a cada um, usar todo o seu
potencial criativo na relação com o usuário/paciente, para juntos produzirem o
cuidado (FRANCO e MERHY, 2003, CAMELO, 2011).

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Os cuidados com o equilíbrio e a autorregulação do organismo de um
indivíduo no meio hospitalar exigem o trabalho de profissionais de diversas áreas da
saúde, inclusive do Cirurgião-Dentista, que receberá destaque neste curso. A
Odontologia Hospitalar permite melhor desempenho no compromisso de assistência
ao paciente, uma vez que a prática visa aos cuidados das alterações bucais que
demandam intervenções de equipes multiprofissionais nos atendimentos de alta
complexidade.
A Odontologia em si não poderia se isolar de outras profissões, e sim com-
partilhar a sua responsabilidade com outros profissionais da saúde. Desde o início, a
prática das profissões da área da saúde teve como objetivo diagnosticar e promover
o tratamento das enfermidades. A expressão “arte de curar”, que todos costumam
citar atribuindo-a à profissão médica, explica essa orientação. Portanto as profissões
de saúde, além deste objetivo, buscam de forma paulatina a promoção de saúde
como um todo, e, para tanto, é necessário uma gama de equipes multidisciplinares
com enfoque preventivo (ARANEGA et al., 2012).
Concordamos com Euzébio et al. (2013), que consideram que a
incorporação do cirurgião-dentista à equipe multiprofissional pode contribuir para a
visão holística que deve ser oferecida ao paciente hospitalizado, a fim de
proporcionar o seu bem-estar e dignidade, prevenindo infecções, diminuindo o
tempo de internação e o uso de medicamentos, tendo em vista que os problemas
bucais interferem na saúde geral do indivíduo, assim como as alterações sistêmicas
podem se manifestar na cavidade bucal.
É imprescindível que, cada vez mais, a formação dos profissionais de saúde
e, no âmbito deste texto, do cirurgião-dentista, contemple o “olhar” ao paciente como
um todo, valorizando a perspectiva do respeito à multiprofissionalidade.

FIM DO MÓDULO I

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