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Grupo I
Apresenta as tuas respostas de forma bem estruturada.

Lê o seguinte poema.

OCIDENTE
Com duas mãos – o Ato e o Destino –
Desvendámos. No mesmo gesto, ao céu
Uma ergue o facho trémulo e divino
E a outra afasta o véu.

5 Fosse a hora que haver ou a que havia A


mão que ao Ocidente o véu rasgou,
Foi alma a Ciência e corpo a Ousadia
Da mão que desvendou.

Fosse Acaso, ou Vontade, ou Temporal


10 A mão que ergueu o facho que luziu,
Foi Deus a alma e o corpo Portugal
Da mão que o conduziu.
Fernando Pessoa, Mensagem (ed. Fernando
Cabral Martins), Lisboa, Assírio & Alvim, 2014, p. 56.

1. Explicita a forma como a dualidade «o Ato e o Destino» se desenvolve ao longo do


poema.

2. Comprova a predestinação de Portugal, fundamentando a tua resposta com elementos


textuais pertinentes.

3. Identifica no poema duas características do discurso épico, documentando−as com


exemplos significativos.

Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano


B

Lê o seguinte excerto do conto «Sempre é uma companhia», de Manuel da Fonseca.


Tirando isto, a vida do Batola é uma sonolência pegada. Agora, para ali está, diante do copo,
matando o tempo com longos bocejos. No estio, então, o sol faz os dias do tamanho de meses. Sequer
à noite virá alguém à venda palestrar um bocado. É sempre o mesmo. Os homens chegam com a
noitinha, cansados da faina. Vão direito a casa e daí a pouco toda a aldeia dorme.
5 Está nestes pensamentos o Batola quando, de súbito, lhe vem à ideia o velho Rata. Que belo
companheiro! Pedia de monte a monte, chegava a ir a Ourique, a Castro, à Messejana. Até fora a Beja.
Voltava cheio de novidades. Durante tardes inteiras, só de ouvi-lo parecia ao Batola que andava a
viajar por todo aquele mundo.
Mas o velho Rata matara-se. Na aldeia, ninguém ainda atina ao certo com a razão que levou o
10 mendigo a suicidar-se. Nos últimos tempos, o reumatismo tolhera-lhe as pernas, amarrando-o à porta
do casebre. De quando em quando o Batola matava-lhe a fome; mas nem trocavam uma palavra. Que
sabia agora o Rata? Nada. Encostado à parede de pernas estendidas, errava o olhar enevoado pelos
longes. Veio o Verão com os dias enormes, a miséria cresceu. Uma tarde, lá se arrastou como pôde e
atirou-se para dentro do pego da ribeira da Alcaria.
15 Aos poucos o tempo apagou a lembrança do Rata, o mendigo. Só o Batola o recorda lá de vez em
quando. Mas, agora, abandonou a recordação e o vinho, e vai até ao almoço. Nunca bebe durante as
refeições.
[…]
Um sopro de vida paira agora sobre a aldeia. Todos sabem o que acontece fora dali. E sentem
que não estão já tão distantes as suas pobres casas. Até as mulheres vêm para a venda depois da
20 ceia. Há assuntos de sobra para conversar. E grandes silêncios quando aquela voz poderosa fala de
cidades conquistadas, divisões vencidas, bombardeamentos, ofensivas. Também silêncio para ouvir
as melodias que vêm de longe até à aldeia, e que são tão bonitas!...
Acontece até que, certa noite, se arma uma festa na venda do Batola. Até as velhas dançaram ao
som da telefonia. Nos intervalos, os homens bebiam um copo, junto ao balcão, os pares
25 namoravam-se, pelos cantos. Por fim, mudou-se de posto para ouvir as notícias do mundo. Todos se
quedaram, atentos.
– Ah! – grita de repente o Batola. – Se o Rata ouvisse estas coisas não se matava!
Mas ninguém o compreende, de absorvidos que estão.
Manuel da Fonseca, «Sempre é uma companhia», in O Fogo e as Cinzas, Alfragide, Caminho, 2011.

1. Caracteriza o Rata de acordo com a memória de Batola.

2. Justifica a evocação de Rata no contexto anterior à vinda da telefonia para a venda.

3. Explicita o sentido da frase: «− Ah! − grita de repente o Batola. − Se o Rata ouvisse estas coisas
não se matava!» (l. 27).
Grupo II

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, seleciona a opção correta, indicando o número do item
e a letra que identifica a opção escolhida.

Lê atentamente o seguinte texto.

Meu «caso» com Fernando Pessoa


Chamo de «caso» àquele contacto de alma que o próprio Pessoa passou a vida toda a
esconder/revelar. O meu «caso» com o poeta começou no final dos anos sessenta, quando ouvi pela
primeira vez a música de Caetano Veloso «É proibido proibir», momento libertário da juventude para
se antepor à tirania da ditadura em que vivíamos. No meio da sua interpretação
5 antológica1, e contrariando os que esperavam palavras de ordem, casuísticas2, Caetano introduzia a
declamação de umas palavras estranhas e enigmáticas, que se alojaram no meu inconsciente como
premissas de um tempo novo, inevitável. Corri atrás dessas palavras e vim a saber, estarrecido, que
eram de um poeta português, de que eu mal ouvira falar. Comprei o livro, as obras então completas
(a edição é de 1960), da Editora Aguilar: o poema era «D. Sebastião»3,
10 terceira parte da Mensagem. A partir daí uma paixão súbita e definitiva me incendiou o coração e nunca
mais parei de ler e amar Pessoa. Com o passar do tempo, cheio de pudor e cumplicidade oculta, fui-
me embebedando daquela solidão imensa até descobrir que tinha sido irremedia- velmente capturado
pelo delírio épico da Mensagem. Fernando Pessoa traduz em linguagem metafórica uma antiga
aspiração do ser humano, o sentimento obscuro de que existe um mundo
15 interior a ser descoberto, à semelhança dos descobrimentos portugueses. Essa sensação de intervalo,
essa ânsia doída, contida nos versos do poeta, reflete aquilo que não temos e não vemos, mas
desejamos e queremos: navegar por dentro, no rumo do lugar encoberto onde reina o mais legítimo
de nós. Mas cortejar o espírito argonauta era pouco e a forma que encontrei para comungar com o
poeta foi a música. Musicar os poemas da Mensagem (o primeiro disco, com
20 vários intérpretes, saiu em 1986 e agora vou no terceiro, e último) foi um desdobramento quase natural
do meu primeiro contacto, tantos anos atrás. Expressar esse sentimento abstrato de pertença absoluta
a uma «causa» foi a tarefa que o destino me impôs. As músicas da Mensagem – sem medo, sem
mistificação – começaram a descer como molduras sobre telas e, cumprindo apenas a função de
integrar-se a elas, integraram-me a ele.
André Luiz Oliveira, in o editor, o escritor e os seus leitores, Fundação Calouste Gulbenkian, 2012.

1Antológica: que merece ser registada.


2Casuísticas:minuciosas.
3D. Sebastião: poema do livro Mensagem recitado por Caetano Veloso no meio de «É proibido proibir», canção decisiva

da história da música brasileira de protesto contra o regime militar então vigente.

Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano


1. A música de Caetano Veloso, «É proibido proibir» surgiu, num contexto ditatorial, como
(A) uma reivindicação clara e antológica.
(B) um meio direto e explícito de contestação.
(C) uma forma de contestação singular e enigmática.
(D) uma forma de contestação meticulosa e enigmática.

2. As palavras declamadas do poema «D. Sebastião»


(A) provocaram espanto e curiosidade no autor.
(B) despontaram no autor a certeza de um futuro melhor.
(C) instalaram no autor uma possível esperança de um futuro melhor.
(D) contribuíram para o estranhamento e a indefinição.

3. Para o autor do texto, Fernando Pessoa traduz, através da linguagem,


(A) a busca eterna do Homem da sua verdadeira essência interior.
(B) os mundos descobertos pelos descobrimentos portugueses.
(C) a exaltação épica dos descobrimentos portugueses.
(D) a vontade humana de navegar e descobrir novos mundos físicos.

4. No contexto em que ocorre, o vocábulo «doída» (l. 16) remete para a ideia de
(A) ofensa.
(B) queixa.
(C) mágoa.
(D) ressentimento.

5. Na expressão «como molduras sobre telas» (l. 23) o autor recorre a uma
(A) metáfora.
(B) perífrase.
(C) hipérbole.
(D) comparação.

6. No excerto «Corri atrás dessas palavras e vim a saber, estarrecido, que eram de um poeta
português, de que eu mal ouvira falar» (ll. 7−8), as palavras sublinhadas são
(A) um pronome e uma conjunção, respetivamente.
(B) uma conjunção e um pronome, respetivamente.
(C) pronomes em ambos os contextos.
(D) conjunções em ambos os contextos.
7. A oração «onde reina o mais legítimo de nós.» (ll. 17−18) é uma oração subordinada
(A) substantiva relativa.
(B) substantiva completiva.
(C) adjetiva relativa explicativa.
(D) adjetiva relativa restritiva.

8. Refere a função sintática desempenhada pela oração subordinada presente em «O meu “caso"
com o poeta começou no final dos anos sessenta, quando ouvi pela primeira vez a música de
Caetano Veloso […]» (ll. 2−3).

9. Indica o valor aspetual expresso em «É proibido proibir» (l. 3).

10. Identifica o antecedente do pronome «ele» presente na expressão «[…] integraram−me a ele.»
(l. 24).

Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano


Grupo II
Nas respostas aos itens de escolha múltipla, seleciona a opção correta, indicando o número do item
e a letra que identifica a opção escolhida.

Lê atentamente o seguinte texto.


Pós-Facebook
O Facebook está numa fase menos boa. Por isso, a equipa de Mark Zuckerberg já começou a
arranjar estratégias para voltar a chamar a atenção dos vários seguidores que, se ainda não saíram,
estão para breve. Mas o mundo das aplicações cada vez é mais efémero e a pergunta que se coloca é
fácil: o que vem aí?
5 Qual será o próximo Facebook? Essa é a pergunta de um milhão de dólares em Sillicon Valley,
e uma preocupação da equipa de Mark Zuckerberg quase desde o seu início. Já se sabe que nada é
eterno, muito menos aplicações informáticas e redes sociais. Ao Facebook já aderiram os pais, os
netos e os avós. Chegou agora o tempo de alguns se irem embora, sobretudo os netos, que se sentem
controlados e desconfortáveis: se é para estar com os pais e os avós já bastam as
10 tardes de domingo.
Esta curva descendente coloca uma carga negativa em termos de expectativa em relação ao
Facebook, apesar do lucro manter-se incomensurável: o Facebook está a entrar na fase decrescente.
Perante isto, a empresa optou por duas estratégias distintas, manifestando o desejo de ter um pé
no presente e outro no futuro. Tenta reinventar-se, talvez a um ritmo relativamente lento,
15 atendendo à voracidade do mundo digital. Sem grandes ruturas. Encontra-se num terrível dilema: por
um lado, é necessário mexer qualquer coisa para cativar o público jovem; por outro, mexendo
demasiado, espanta-se o público sénior, que é cada vez mais vasto. Assim, o Facebook fez pequenas
modificações, como a proliferação de gifs animados, pôs vídeos de iniciação automática, as barras
de disposições (para acrescentar ao gosto). Nada será o suficiente,
20 Zuckerberg sabe disso, apesar de sempre valer a pena adiar o inevitável. Foi por isso que comprou,
em 2014, o WhatsApp, e revelou-se uma plataforma de imenso sucesso. Assim como o Instagram
comprado mais recentemente. Da mesma forma a empresa é proprietária de meia dúzia de companhias
(criadas de raiz ou start ups adquiridas), para assegurar que terá uma palavra a dizer no futuro...
25 Do império Zuckerberg faz parte o Friend Feed, que agrega conteúdos de amigos de diferentes
plataformas. O Next Stop para descobrir locais de interesse em todo o mundo. O [Link] para partilha
rápida de ficheiros. O [Link], uma rede social de Q & A. Karma, uma rede social especializada em
compras. O Face, software de reconhecimento facial através de uma fotografia. Jibbigo, um tradutor
automático. Por vezes, a empresa de Zuckerberg compra plataformas com o
30 único fim de adquirir os cérebros que as criaram, para que a «inteligência» fique toda do seu lado.
Apesar dos esforços, há sempre aplicações que lhe escapam, e a que certamente gostaria de deitar
mão. Tais como o Snapchat, uma espécie Instagram volátil e quotidiano. Ou o Tinder, a conhecida
rede de encontros. Talvez um dia o Facebook compre também estas aplicações. É que Mark
Zuckerberg quer ser o próximo Mark Zuckerberg, custe o que custar.
Manuel Halpern, in «o Homem do Leme», Jornal de Letras, abril 2016 (disponível em http:ƒƒ[Link]ƒjornaldeletras;
consultado em março 2016; texto adaptado).
1. O futuro do Facebook depende
(A) da destruição das outras redes socias concorrentes.
(B) da sua adaptação à nova realidade concorrencial.
(C) exclusivamente da compra de novas companhias.
(D) exclusivamente da evolução das companhias concorrentes.

2. O Facebook está em declínio


(A) embora apresente lucros bastante interessantes.
(B) por isso, as receitas têm vindo a decrescer.
(C) daí estar em risco de falência.
(D) apesar de ter lucros satisfatórios.

3. A afirmação «Mark Zuckerberg quer ser o próximo Mark Zuckerberg» (l. 34) permite−nos inferir
que o próprio quer
(A) abandonar o Facebook e dedicar−se a outras redes sociais.
(B) recuperar os tempos áureos da sua rede social.
(C) continuar a revolucionar o mundo das redes sociais.
(D) demarcar−se das redes sociais e concentrar−se nas aplicações mais modernas.

4. O penúltimo parágrafo tem um cariz predominantemente


(A) descritivo.
(B) expositivo.
(C) argumentativo.
(D) narrativo.

5. O aspeto gramatical em «Foi por isso que comprou, em 2014, o WhatsApp» (ll. 20−21) expressa
(A) uma situação iterativa.
(B) uma situação genérica.
(C) um valor imperfetivo.
(D) um valor perfetivo.

6. No contexto em que ocorrem as expressões «por um lado» (l. 16) e «por outro» (l. 16)
contribuem para a coesão
(A) lexical.
(B) referencial.
(C) frásica.
(D) interfrásica.

Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano


7. Relativamente a «rede social» (l. 27), «[Link]» (l. 27) e «Karma» (l. 27) mantêm uma relação de
(A) sinonímia.
(B) meronímia.
(C) hiponímia.
(D) reiteração.

8. Identifica a função sintática do constituinte sublinhado em «uma rede social especializada em


compras» (ll. 27−28).

9. Indica o antecedente do pronome pessoal em «Apesar dos esforços, há sempre aplicações que
lhe escapam» (l. 31).

10. Indica a relação de ordem cronológica entre o tempo do enunciado e o respetivo ponto de
referência em «É que Mark Zuckerberg quer ser o próximo Mark Zuckerberg, custe o que
custar» (ll. 33−34).

Grupo III
A coragem, a determinação, o desafio do desconhecido, revelados no passado pelo povo
português, ainda hoje são evidentes em tudo quanto realiza.

Num texto bem estruturado, de duzentas a trezentas palavras, defende um ponto de vista
pessoal sobre a capacidade empreendedora dos portugueses.

Fundamenta o teu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustra cada um
deles como, pelo menos, um exemplo significativo.
Cenário de Resposta

Grupo I

A
1. O «Ato» e o «Destino» surgem a par, ao longo do poema, num equilíbrio de forças, simbolizado por
duas mãos humanas e pela dualidade corpo e alma. O «Ato» corresponde à ação do Homem, que
ultrapassou os obstáculos do desconhecido, primeiro afastando «o véu», depois rasgando esse mesmo
«véu». Esta ação humana, a aventura da navegação, só foi possível pela conjugação da alma, «a Ciência»,
e do corpo, «a Ousadia», dos navegadores. O «Destino», equivalente à intervenção divina, a mão que
«ergue o facho trémulo e divino», estava traçado, por ser a vontade de Deus. Verifica−se, assim, uma
relação completa do corpo («Portugal») e da alma («Deus») que conduziu ao desvendamento do mundo
por descobrir.

2. A predestinação de Portugal está presente no cumprimento da vontade divina («Foi Deus a alma e o
corpo Portugal»), sendo o «Ato» feito por desígnio de uma força oculta que orientou, através da luz do
«facho», os navegadores portugueses. Os vocábulos «Desvendámos», «afasta», «véu», «rasgou»,
«desvendou» remetem primeiro para o mistério e, depois, para a revelação permitida pelo «facho que
luziu», pela vontade divina.

3. Características épicas: a ação coletiva de um povo, de qualidades excecionais («Ciência», «Ousadia»),


capaz de executar feitos extraordinários, gloriosos e singulares («afasta o véu», «o véu rasgou»,
«Desvendámos»); revelação da vontade divina e da predestinação de Portugal («Foi Deus a alma e o
corpo Portugal»); o significado superior e intemporal da busca: Portugal «que ao Ocidente o véu
rasgou».

1. O velho Rata era um mendigo viajado, «chegava a ir a Ourique, a Castro, à Messejana. Até fora a Beja»
(ll. 6−7) e, como tal, vinha sempre «cheio de novidades». Padecia de reumatismo no último período da
sua vida, «amarrando−o à porta do casebre» (ll. 10−11), prisioneiro da sua doença. Suicidara−se e, entre os
aldeãos, a sua memória vai−se apagando aos poucos, porém não na mente de Batola.

2. Batola recorda−se de Rata, numa das muitas vezes em que a melancolia da aldeia o toma e o fragiliza.
Nesse momento, recorda um amigo que já partiu, e de quem sente saudades porque, sendo viajado,
Rata tinha sempre algo para contar. De tal forma se entretinha Batola com os relatos de Rata que «só
de ouvi−lo parecia […] que andava a viajar por todo aquele mundo» (ll. 7−8). Assim, na solidão e no
marasmo da aldeia, Rata era uma companhia e uma forma de entretenimento.

3. Tomado pela doença, Rata ficara impedido de retomar as suas caminhadas que, além de lhe
agradarem de modo especial, eram fonte de recolha de eventos que relatava, depois, especialmente a
Batola. Preso na venda, Batola sentia que percorria os caminhos de Rata através das suas histórias.
Quando a voz de Rata se calou, Batola volta a sentir o isolamento que só é mitigado com a chegada da
rádio. As notícias, a música, o convívio proporcionado pela telefonia recordam a Batola a animação do
próprio mendigo. Daí Batola dizer que, se tivesse havido rádio, para trazer a Rata as notícias do mundo,
por onde já não podia caminhar, talvez não se tivesse sentido tão frustrado e não tivesse cometido
suicídio.

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Grupo II

1.) 2.) 3) 4.) 5.) 6.) 7.)


(C) (B) (A) (C) (D) (B) (D)
8.) 9.) 10.)
Modificador Situação genérica “Fernando Pessoa”

-ou-

1.) 2.) 3) 4.) 5.) 6.) 7.)


(B) (A) (C) (B) (D) (D) (C)
8.) 9.) 10.)
Complemento do nome «a empresa de Zuckerberg» (l. 29) Relação de posterioridade

Grupo III

Sugestão de tópicos de resposta:

- O povo português, desde sempre, primou pela coragem, pela ousadia, pelo desafio do desconhecido.

- No passado: as lutas pelo alargamento e pela independência do território português; o desenvolvimento de


técnicas e de instrumentos que permitiram as navegações e a descoberta de novas terras; a conquista e
colonização de novos territórios; o grande fluxo emigratório do século passado em busca de uma vida melhor,
sem garantias de emprego, portanto, rumo à indefinição; …

- Na atualidade: a coragem e a vontade de vencer que conduziu a um novo fluxo emigratório (ocasionado pela
crise do início do século), nomeadamente por parte dos mais jovens e, inclusive, daqueles com mais anos de
escolaridade; a distinção em várias áreas, fruto do empenho e da coragem, como no desporto (os atletas
paraolímpicos, a seleção nacional de futebol, Cristiano Ronaldo, Nélson Évora, Sara Moreira, Patrícia
Mamona, Dulce Félix, Jéssica Augusto, entre muitos outros); na Ciência, com o reconhecimento mundial (na
Química, Isabel Ferreira; na Física, Nuno Peres; na Matemática, Delfim Torres; na biogeografia, Miguel
Araújo;…); e na arquitetura (Álvaro Siza Vieira, Elisabete de Oliveira Saldanha, Eduardo Souto de Moura, Nuno
Teotónio Pereira, Fernando Távora e Tomás Taveira); a criação de empresas inovadoras, como as start−ups,
a nível da tecnologia, ou outras direcionadas para múltiplos domínios; …

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