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Censo Florestal

1) O documento descreve o processo de censo florestal, que envolve a demarcação de talhões, a abertura de trilhas, e a identificação, medição e numeração de árvores de valor comercial. 2) O censo fornece informações sobre as árvores que serão exploradas comercialmente e sobre a regeneração da floresta, e é realizado antes da exploração florestal para planejamento. 3) O documento detalha cada etapa do processo de censo, incluindo a preparação da á

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1) O documento descreve o processo de censo florestal, que envolve a demarcação de talhões, a abertura de trilhas, e a identificação, medição e numeração de árvores de valor comercial. 2) O censo fornece informações sobre as árvores que serão exploradas comercialmente e sobre a regeneração da floresta, e é realizado antes da exploração florestal para planejamento. 3) O documento detalha cada etapa do processo de censo, incluindo a preparação da á

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CAPÍTULO 2

CENSO FLORESTAL
Censo Florestal 19

APRESENTAÇÃO
O censo florestal é um inventário de todas as árvores de valor comercial existentes
em uma área de exploração anual. As atividades de um censo são realizadas um a dois
anos antes da exploração, envolvendo a demarcação dos talhões, abertura das trilhas de
orientação, a identificação, localização e avaliação das árvores de valor comercial. Além
disso, outras informações úteis ao planejamento da exploração e às práticas silviculturais,
como presença de cursos d’água, áreas cipoálicas e variações topográficas também são
verificadas durante o censo florestal.

PREPARAÇÃO DA ÁREA

Demarcação do talhão
No plano operacional, a área total a ser manejada é dividida em talhões (Figura 1).
Em geral, a demarcação dos talhões na floresta é feita por uma equipe de quatro pessoas,
sendo um orientador, responsável pelo alinhamento da demarcação, um balizador, cuja
função é orientar a abertura das trilhas e fixar as balizas ao longo do perímetro dos talhões,
e dois ajudantes que fazem a abertura das picadas. Para a demarcação do talhão deve-se:

4 11 18 25

7 14 21 28

3 10 17 24
Talhão
(50 ha)
6 13 20 27

2 9 16 23

5 12 19 26
500 m

1 8 15 22

1.000 m

Figura 1. Divisão da área de manejo em talhões intercalados.


20 Manual para Produção de Madeira na Amazônia

Localizar a cabeceira (linha base) e as laterais do talhão. Utiliza-se algum


marco referencial como uma estrada, rio ou marco de propriedade. Para maior precisão
usar bússola com tripé na definição das linhas base e laterais. As picadas devem ser
abertas com cerca de 1,5 metro de largura em torno dos limites do talhão (Figura 2).

Figura 2. Demarcação dos talhões.

Instalar balizas de madeira na cabeceira do talhão. A distância ideal entre


uma baliza e outra é 50 metros. A primeira baliza deve estar no marco zero, a segunda,
a 50 metros e assim por diante. As distâncias podem ser marcadas com caneta de tinta
à prova d’água em fitas de plástico amarradas nas balizas. Outra opção é escrever com
lápis de cera especial para madeira na própria baliza. É importante manter o registro da
posição da baliza com a face voltada para a linha base, a fim de facilitar a visualização
da equipe de planejamento.

Além disso, deve-se fixar marcos referenciais em cada um dos quatro cantos do
talhão com estacas de madeira resistente.

Abertura das trilhas de orientação


Uma equipe de três pessoas (orientador, balizador e ajudante) abre trilhas dentro
dos talhões da seguinte maneira:
Censo Florestal 21

1. Abrir trilhas a cada 50 metros em linhas perpendiculares à cabeceira do talhão.


A trilha deve ter uma largura de aproximadamente 0,5 metro.

2. Colocar balizas com fitas coloridas ao longo da trilha a distâncias regulares (em
geral, 25 metros). Desta maneira, a primeira baliza deve ser fixada no marco 0 (zero)
metro, a segunda em 25 metros e assim por diante (Figura 3).

3. Ao final da trilha, a equipe deve se deslocar lateralmente 50 metros até a próxima


baliza, de onde deve abrir uma nova trilha em direção à cabeceira. A numeração
deve, portanto, ser feita inversamente. Por exemplo, em uma trilha de 1.000 metros,
a primeira baliza seria fixada em 1.000 metros, a segunda em 975 metros e assim
sucessivamente até retornar ao ponto 0 (zero) metro na cabeceira do talhão.

Figura 3. Abertura de trilhas.

CENSO
O censo consiste na localização, identificação e avaliação das árvores de valor
comercial, árvores matrizes (importantes para a regeneração da floresta) e árvores com
potencial para cortes futuros. Os dados são anotados em uma ficha de campo e usados
na elaboração do mapa do censo. Posteriormente, essas informações serão usadas para
o planejamento da infra-estrutura da exploração.
Não há um modelo único para a ficha do censo. O modelo adotado neste manual
contém informações como número da árvore, coordenadas x e y (para localização da
árvore), nome das árvores (identificação), diâmetro à altura do peito (DAP), altura,
qualidade do tronco, qualidade da copa, direção de queda (avaliação) e observações, tal
como a presença de cipós.
22 Manual para Produção de Madeira na Amazônia

O censo é realizado por uma equipe formada por dois ajudantes (laterais), um
identificador (mateiro) e um anotador. Os dois laterais procuram as árvores a serem
mapeadas percorrendo as trilhas, sendo cada um responsável por uma faixa de 25 metros,
enquanto o identificador (mateiro) e o anotador se deslocam no meio da faixa. Os laterais
também identificam, avaliam e localizam as árvores no talhão. A equipe procura as
árvores até o final da trilha, voltando em sentido contrário na faixa seguinte (Figura 4).

Figura 4. Equipe do censo.

ETAPAS DO CENSO
Identificação das árvores
A identificação das árvores de valor comercial deve ser feita por mateiros
experientes. Quando houver mais de um mateiro envolvido na identificação, certifique-se
de que eles conhecem as espécies pelo mesmo nome. Quando for possível, especialmente
no escritório, associe o nome vulgar ao nome científico. Atenção especial deve ser dada
para a denominação comum das espécies, pois espécies diferentes podem ter o mesmo
nome comum, enquanto uma única espécie pode ter nomes comuns diferentes em diversas
regiões. Em caso de dúvida, procure o herbário de instituições como Museu Goeldi
(Belém), Embrapa/Cpatu (Belém) e INPA (Manaus).
Censo Florestal 23

Quais espécies incluir no censo?


Aproximadamente 350 espécies madeireiras são exploradas na
Amazônia. Entretanto, nos pólos de produção madeireira mais afastados, o
número de espécies economicamente viáveis pode ser menor. Por exemplo, na
Região Oeste do Pará, o número de espécies exploradas (em 1996) era inferior
a 50. Neste caso, deve-se incluir no censo as espécies sem valor atual para
aquela região específica? A decisão depende das perspectivas de crescimento
do setor madeireiro local e da ampliação do mercado de madeiras. Lembrando
que a lista de espécies de madeiras economicamente viáveis tem aumentado
nas duas últimas décadas, seria oportuno incluir também as espécies de valor
potencial (Apêndice 1). Isso ajudaria a planejar o manejo florestal a longo prazo
e evitaria a necessidade de repetir o censo das árvores quando essas espécies
entrarem no mercado.

Medição das árvores


Mede-se a circunferência ou o diâmetro da árvore para estimar o volume de
madeira e ajudar na seleção das árvores a serem exploradas. A medição da circunferência
pode ser feita com uma fita métrica, enquanto para a medição do diâmetro pode ser
utilizada fita diamétrica ou uma suta (Figura 5).
A medição do diâmetro da árvore deve ser feita a uma altura de 1,30 metro do
solo ou em torno da altura do peito do medidor (DAP). É aconselhável medir as árvores
acima de 30 cm de DAP (cerca de 95 cm de rodo ou circunferência). As árvores maiores
(DAP acima de 45 cm) são exploradas, enquanto as árvores menores (DAP 30 a 45 cm)
devem ser reservadas para o próximo corte.
a. Medição à altura do peito. b. Medição acima das sapopemas.

Figura 5. Medição do diâmetro.


24 Manual para Produção de Madeira na Amazônia

Geralmente, todas as árvores de valor comercial acima de 45 cm de DAP são


exploráveis no primeiro corte. Entretanto, para algumas espécies, o DAP mínimo de
corte pode ser maior. Por exemplo, as árvores de jatobá (Hymenaea courbaril) e quaruba
(Vochysia sp.) tem um alburno acentuado (parte branca da madeira sem valor), o que
requer que essas espécies sejam cortadas com DAP maior (acima de 60 cm).
Para a medição de diâmetro deve-se tomar alguns cuidados:

• Medir apenas o diâmetro das árvores. Não incluir sapopemas, cipós, casas de cupins
etc. Se a árvore apresenta um desses problemas no ponto de leitura, limpar o local ou
medir a 30 cm acima desse ponto (Figura 5b).

• Manter o instrumento de medição na posição horizontal em relação ao solo.


• No caso de medição de troncos irregulares, usar preferencialmente fita métrica ou
diamétrica. No caso de usar a suta, fazer duas medidas e tirar a média.

Numeração das árvores no campo


Cada árvore deve corresponder a um número que a identificará. As árvores
selecionadas para o corte atual podem ser diferenciadas das árvores para o próximo corte
através de uma letra antes do número. Por exemplo:
A + Número Árvores potenciais para extração (DAP > 45 cm)
B + Número Árvores para o corte futuro (DAP entre 30 e 45 cm)
Os números devem ser impressos,
preferencialmente, em plaquetas de
alumínio (Figura 6). As plaquetas devem ser
fixadas a uma altura média de 1,7 metro na
casca da árvore com pregos comuns
pequenos (3/4 de polegada) ou de alumínio
para não danificar o tronco. Uma outra opção
é usar a faca de seringueira, para fazer um
corte superficial na casca das árvores, e um
lápis de cera especial para escrever sobre a
madeira. Nos dois casos, a marcação deve
Figura 6. Plaqueta de alumínio na árvore.
ser feita na face da árvore voltada para a
linha base do talhão, facilitando a
visualização.
Censo Florestal 25

Mapeamento das árvores


É comum anotar a posição de cada árvore, em sistema de coordenadas x e y, na
ficha de campo. Neste caso, “x” é a distância de uma árvore para a trilha vizinha e “y” é
a distância entre a árvore e a linha base mais próxima (Figura 7). Esses valores são
fornecidos pelos ajudantes (laterais), que estimam os números com base nas distâncias
anotadas nas balizas das trilhas.

Nº da Coord. Coord. Nome comum


árvore X Y da árvore
18 21

LEGENDA

1. Lateral
2. Identificador
3. Anotador

Figura 7. Posicionamento para a obtenção das coordenadas x e y.

Para facilitar a localização das coordenadas, anotar na ficha de campo a faixa


onde se encontra a árvore inventariada. A numeração das faixas pode ser a seguinte: a
“faixa 1” seria a área situada na cabeceira do talhão entre as balizas 0 e 50 metros, a
“faixa 2” entre os pontos 50 e 100 metros e assim sucessivamente.
Embora seja menos precisa, outra forma para o mapeamento das árvores é
indicar a sua posição com um símbolo (por exemplo, um ponto) diretamente no mapa
do censo.

Estimativa da altura comercial


A estimativa da altura do tronco, que corresponde ao ponto de corte na base da
árvore até a primeira bifurcação dos seus galhos, geralmente é feita a olho nu.
26 Manual para Produção de Madeira na Amazônia

No entanto, para reduzir a


margem de erro, pode-se estimar a altura
do tronco através do “teste da vara”.
Cada membro da equipe faz o teste usando
uma vara de altura conhecida (por
exemplo, 3 metros). O medidor, a uma
distância de 5 a 10 metros da árvore,
estima quantas vezes o tronco é maior que
a vara (Figura 8). O teste deve ser repetido
até que a equipe possa obter uma
estimativa confiável da altura do tronco a
olho nu. Figura 8. Estimando a altura do tronco.

Avaliação da qualidade do tronco


Os troncos variam em termos de qualidade comercial. Os troncos retos,
cilíndricos e sem ocos são classificados como “bons” para uso madeireiro. Os troncos
retos, mas com ocos pequenos ao longo de toda a tora, ou troncos tortuosos, mas sem
ocos são classificados como “regulares” (Figura 9). Por sua vez, os troncos tortuosos e
com presença de ocos possuem qualidade inferior.

Figura 9. Classificação do tronco em termos de qualidade.

A Tabela 1 apresenta uma relação entre a qualidade do tronco e a proporção de


aproveitamento do seu volume. O fator indicado nessa tabela é multiplicado pelo volume
total para encontrar o volume aproveitável.
Censo Florestal 27

Tabela 1. Qualidade do tronco e o percentual de aproveitamento do seu volume.

QUALIDADE APROVEITAMENTO FATOR DE


DO TRONCO (%) APROVEITAMENTO
BOM 80 - 100 0,9
REGULAR 50 - 79 0,7
INFERIOR < 50 0,3

Detecção da presença de oco


Há várias maneiras para detectar se uma árvore está oca. Por exemplo, encostar
o ouvido na árvore e bater no tronco com um martelo. Se o som emitido fizer um eco, a
árvore estará provavelmente oca.
Além disso, há sintomas que sugerem a presença de oco nas árvores, como
casas de cupins, presença de secreções escuras ao longo do tronco e galhos quebrados.
As árvores com troncos classificados como “sem valor comercial” deverão ser
preservadas, pois são importantes como produtoras de sementes, fonte de alimentos e
abrigo para animais.

Avaliação da direção de queda das árvores


A direção de queda de uma árvore depende da inclinação natural do seu tronco
e da distribuição da sua copa (Figura 10).

Figura 10. Avaliação da direção de queda.


28 Manual para Produção de Madeira na Amazônia

Tendência de queda das árvores

AMPLA: tronco reto e copa bem distribuída. Pode ser derrubada em qualquer
direção. Ângulo de queda 360 graus.
INTERMEDIÁRIA: tronco reto, copa voltada para um dos lados. Ângulos de
queda entre 90 e 180 graus.
LIMITADA: tronco inclinado, copa desigual e acentuada. Ângulo de queda inferior
a 90 graus.

Obs.: Os símbolos indicam como anotar a tendência de queda na ficha de campo.

Figura 11. Avaliação da tendência natural de queda das árvores.

Seleção das árvores matrizes


Primeiro, avalia-se a qualidade da copa das árvores para a seleção de árvores
matrizes. As árvores com copas saudáveis tendem a ser melhores produtoras de sementes,
sendo preferíveis como árvores matrizes.
As características de cada espécie também influenciam na seleção dessas
árvores. Para as espécies tolerantes à luz, cuja regeneração adulta vive poucos anos sob
a sombra (sub-bosque da floresta), as árvores matrizes são essenciais. Entre elas estão o
mogno (Swietenia macrophylla), andiroba (Carapa guianensis), cedro (Cedrela odorata),
faveira (Panopsis sp.) e pará-pará (Jacarandá copaia).
Para cada espécie, selecionam-se de três a cinco árvores como matrizes por
hectare (incluindo árvores com DAP acima de 30 cm). Quando não é possível selecionar
árvores matrizes em número suficiente (quando o estoque de árvores adultas for muito
baixo), deve-se plantar indivíduos das espécies nas clareiras após a exploração
(Capítulo 10).
Censo Florestal 29

As árvores matrizes devem ser escolhidas próximo de áreas onde serão abertas
clareiras grandes, aumentando, dessa forma, as chances de colonização pelos
seus“filhotes”. A abertura de clareiras grandes tenderá a ocorrer nas áreas onde estão
agrupadas muitas árvores exploráveis. Para serem protegidas, as árvores matrizes são
indicadas no mapa do censo e demarcadas durante o planejamento da exploração.

Avaliação da qualidade da copa

BOA: Copa inteira e bem distribuída em torno do eixo central da árvore.

REGULAR: Copa com alguns galhos quebrados.

INFERIOR: Copa incompleta, mais da metade dos galhos quebrados.

Figura 12. Classificação da copa.

Avaliação da iluminação das árvores para o segundo corte


É possível aumentar o crescimento das árvores de valor econômico para o
segundo corte (DAP de 30 a 45 cm) eliminando as árvores sem valor que estão
competindo por luz e nutrientes com as de valor comercial (Capítulo 10). Faz-se uma
avaliação da iluminação da copa das árvores (Figura 13) para saber quais delas serão
beneficiadas com esse tratamento.
30 Manual para Produção de Madeira na Amazônia

1. Iluminação total 2. Iluminação parcial 3. Sombral

Figura 13. Classes de iluminação da copa.

Características do talhão
A floresta contém povoamentos de várias idades ou estágios de desenvolvimento
incluindo clareiras onde predominam mudas e arvoretas (DAP menor que 5 cm),
povoamento juvenil (árvores com DAP entre 5 e 15 cm), juvenil - intermediário (DAP
entre 15 e 25 cm), intermediário (DAP entre 25 e 45 cm) e, finalmente, povoamento
maduro (DAP maior que 45 cm). Pode-se mapear a localização desses povoamentos
utilizando uma folha de papel quadriculado com os limites do talhão. Para facilitar o
manuseio, adotar a escala de 1:5.000 (1 cm representa 50 metros).
O anotador desenha no mapa a área de cada tipo de povoamento durante o
censo. É importante definir a área mínima de cada povoamento a ser mapeado.
Recomenda-se anotar apenas áreas de povoamentos com tamanho superior a 250 m2.

Anotação de observações
Anota-se em um mapa pequeno do talhão informações sobre trechos acidentados,
trilhas e estradas antigas e áreas cipoálicas. Essas informações são úteis para definir onde
aplicar os diferentes tratamentos silviculturais (Capítulo 10).
Censo Florestal 31

PRODUTOS DO CENSO FLORESTAL


Mapa do censo
As informações contidas na ficha de campo (Figura 14) são a base para a
elaboração do mapa do censo (Figura 15). Esse mapa será utilizado para localizar as
árvores a serem extraídas, árvores remanescentes (exploração futura), árvores matrizes e
topografia do terreno.

Qualidade do tronco e iluminação da copa: 1 - Bom 2 - Regular 3 - Inferior.

Figura 14. Exemplo de uma ficha de campo preenchida.

Etapas de preparação do mapa


1. Definir a escala do mapa. Para facilitar o manuseio, o mapa deve ter um tamanho de
no máximo 1 m2. Uma escala recomendável seria 1:1.000 (1 cm representa 10 metros).
Desta maneira, um talhão de 100 hectares (1.000 x 1.000 metros) seria representado
por um mapa com 1 metro de largura por 1 metro de comprimento.

2. Traçar as linhas principais do mapa: cabeceiras, laterais e trilhas de orientação.


32 Manual para Produção de Madeira na Amazônia

3. Desenhar no mapa do censo todas as árvores exploráveis, árvores destinadas à próxima


exploração e árvores matrizes com base nas coordenadas x e y.

4. Indicar no mapa as estradas secundárias e as áreas com maior concentração de cipós


(zonas cipoálicas), bem como outras informações relevantes.

Árvore a ser extraída Árvore matriz ESCALA


0 100 m
Árvore remanescente Área cipoálica

Figura 15. Elaboração do mapa do censo florestal.

Cálculo do volume comercial


O volume total de madeira existente em uma dada área (por exemplo, 1 hectare)
é o resultado da soma do volume de cada uma das árvores localizadas naquela área.
Para calcular o volume de cada árvore deve-se utilizar as informações sobre a
circunferência à altura do peito (CAP) ou diâmetro à altura do peito (DAP), altura
comercial e qualidade do tronco (volume efetivamente aproveitável de cada árvore) nas
fórmulas:
Censo Florestal 33

Circunferência ou rodo: V (m3) = CAP2 x A x FA x F


125.663,7

Diâmetro: V (m3)= 0,00007854 x (DAP)2 x A x FA, onde

V = Volume de madeira comercial expresso em metros cúbicos.


CAP = Circunferência à altura do peito expressa em centímetros.
DAP = Diâmetro à altura do peito expresso em centímetros.
A = Altura comercial em metros.
FA = Fator de aproveitamento relacionado à proporção aproveitável do tronco
= apresentado na Tabela 1.
F = Fator de forma referente à conicidade da tora, geralmente igual a 0,7.

0,00007854 e 125663,7 = constantes.

Veja como calcular o volume de uma árvore com 13 metros de altura comercial,
74 cm de DAP e um fuste de qualidade boa (fator 0,9; Tabela 1).

V= 0,00007854 x (74)2 x 13,0 x 0,9 = 3,5 m3 (fórmula do diâmetro)

Para obter o volume total por hectare é só repetir o cálculo para todas as árvores
e depois somar. O cálculo pode ser feito em uma planilha eletrônica (por exemplo, Excell
ou Access) ou mesmo com uma simples calculadora.

CONCLUSÃO
O censo ou inventário florestal 100% é imprescindível para a elaboração do
plano operacional de manejo. As informações coletadas no censo, tais como a localização
e avaliação das árvores em termos madeireiros, indicação espacial das zonas cipoálicas
e de topografia desfavorável à exploração, permitem calcular o volume a ser explorado
e produzir o mapa final do censo. Esse mapa é o instrumento básico para orientar o
corte de cipós, o planejamento, a demarcação e construção das estradas e pátios de
estocagem, o corte das árvores, o arraste das toras e os tratamentos silviculturais pós-
exploratórios.
34 Manual para Produção de Madeira na Amazônia

ANEXO 1
Equipamentos e materiais utilizados no censo

Bússola Trena
de mão

Fita diamétrica
ou Botas
Fita métrica Capacete

Suta
Bússola
de tripé

Plaqueta de alumínio

Faca de Seringueiro Fita plástica

Pregos Lápis de
Carpinteiro

Caneta especial

Martelo
Facão
Censo Florestal 35

ANEXO 2
Sumário do Censo Florestal

OBJETIVOS EQUIPE TAREFAS MATERIAL/EQUIPAMENTO


Demarcar talhões 1 orientador Orientar abertura de Bússola de tripé
trilhas e fazer anotações. Botas
Capacete
Lápis
Mapas do talhão e da área
1 balizador Medir perímetro dos Fita métrica
talhões. Fita plástica
Caneta especial
Demarcar talhões Botas
com balizas. Capacete
Anotar metragem na
fita plástica.
2 ajudantes Abrir trilhas na Foice
floresta. Botas
Capacete
Abrir trilhas 1 orientador Orientar abertura das Bússola de mão
de orientação trilhas. Fita métrica
Caneta especial
Anotar metragem na Capacete
fita plástica. Lápis
Mapa do talhão
2 ajudantes Abrir trilhas de Facões
orientação. Fita plástica colorida
Colocar balizas a cada Botas
25 metros. Capacete

Mapear e caracterizar 1 mateiro Localizar, identificar e Fita diamétrica


as árvores nomear as árvores Martelo
comerciais. Pregos
Plaquetas de alúminio
Medir DAP. Botas
Avaliar qualidade do Capacete
tronco e copa. Facão

Avaliar direção de
queda das árvores.
1 anotador Anotar dados na ficha Bússola
de campo. Prancheta de mão
Estimar altura Ficha de campo
comercial. Lápis e borracha
Botas
Ajudar na avaliação Capacete
das árvores.
2 ajudantes Encontrar árvores Fita diamétrica
comerciais. Botas
Estimar a localização Capacete
das árvores. Facão

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