PROGRAMAS DE
AUTOCONTROLE
(PAC)
Ives Tavares
Médico Veterinário
Auditor Fiscal Federal Agropecuário
DAE/DIPOA/SDA/MAPA
Conceitos
Programas de autocontrole:
Programas desenvolvidos, procedimentos
descritos, desenvolvidos, implantados,
monitorados e verificados pelo
estabelecimento, com vistas a assegurar a
inocuidade, a identidade, a qualidade e a
integridade dos seus produtos, que incluam,
mas que não se limitem aos programas de pré-
requisitos, BPF, PPHO e APPCC ou a programas
equivalentes reconhecidos pelo Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento;
(Art. 10º, XVII do Decreto nº 9003/2017)
Conceitos
Boas Práticas de Fabricação (BPF):
“condições e procedimentos higiênico-
sanitários e operacionais sistematizados,
aplicados em todo o fluxo de produção, com o
objetivo de garantir a inocuidade, a
identidade, a qualidade e a integridade dos
produtos de origem animal; ”
(Art. 10º, VIII do Decreto nº 9003/2017)
Conceitos
Procedimento Padrão de Higiene Operacional (PPHO):
“procedimentos descritos, desenvolvidos,
implantados, monitorados e verificados pelo
estabelecimento, com vistas a estabelecer a
forma rotineira pela qual o estabelecimento
evita a contaminação direta ou cruzada do
produto e preserva sua qualidade e
integridade, por meio da higiene, antes,
durante e depois das operações;”
(Art. 10º, XVI do Decreto nº 9003/2017)
Conceitos
Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC):
“sistema que identifica, avalia e controla
perigos que são significativos para a
inocuidade dos produtos de origem animal;”
(Art. 10º, II do Decreto nº 9003/2017)
Programas de Autocontrole
BPF - Boas Práticas de Fabricação
Programas
PPHO – Procedimento Padrão de
Higiene Operacional de
Autocontrole
APPCC – Análise de
Perigos e Pontos Críticos
de Controle
Normas
Lei Federal nº 5517/1968:
Art. 5º É da competência privativa do médico veterinário o exercício
das seguintes atividades e funções a cargo da União, dos Estados, dos
Municípios, dos Territórios Federais, entidades autárquicas,
paraestatais e de economia mista e particulares:
...
e) a direção técnica sanitária dos estabelecimentos industriais e,
sempre que possível, dos comerciais ou de finalidades recreativas,
desportivas ou de proteção onde estejam, permanentemente, em
exposição, em serviço ou para qualquer outro fim animais ou produtos
de sua origem;
Normas
Decreto nº 9.003/2018:
Art. 74. Os estabelecimentos devem dispor de programas de
autocontrole desenvolvidos, implantados, mantidos, monitorados e
verificados por eles mesmos, contendo registros sistematizados e
auditáveis que comprovem o atendimento aos requisitos higiênico-
sanitários e tecnológicos estabelecidos neste Decreto e em normas
complementares, com vistas a assegurar a inocuidade, a identidade, a
qualidade e a integridade dos seus produtos, desde a obtenção e a
recepção da matéria-prima, dos ingredientes e dos insumos, até a
expedição destes.
Normas
Decreto nº 9.003/2018:
Artigo 74º:
• § 1o Os programas de autocontrole devem incluir o bem-estar
animal, quando aplicável, as BPF, o PPHO e a APPCC, ou outra
ferramenta equivalente reconhecida pelo MAPA.
• § 2o Os programas de autocontrole não devem se limitar ao
disposto no § 1o.
• § 3o O MAPA estabelecerá em normas complementares os
procedimentos oficiais de verificação dos programas de autocontrole
dos processos de produção aplicados pelos estabelecimentos para
assegurar a inocuidade e o padrão de qualidade dos produtos.
Normas
Portaria MAPA Portaria MAPA
nº 368/1997 nº 46/1998
Estabelece
Regulamento Técnico obrigatoriedade de
sobre as Condições implantação de Sistema
Higiênico-Sanitárias e de de Análise de Perigos e
Boas Práticas de Pontos Críticos de
Fabricação para Controle nos
Estabelecimentos estabelecimentos com
Elaboradores SIF
Industrializadores de Segue as Guidelines do
Alimentos. Codex Alimentarius
Norma Interna nº 01/2017
• Circulares 175 e 176/2005 –
bovinos
• Circular 294/2006 – aves
(revogada)
Norma Interna
• Circular 24/2009 – leite e mel
nº 01/2017
• Circular 25/2009 – pescado
• Circular 04/2009 – ovos
• Circular 12/2010 – aves e suínos
• Circulares 03 e 04/2010 –
bovinos
Elementos de Controle
Parte I – Manutenção
• Equipamentos, instalações e utensílios
em geral
• Iluminação
• Ventilação
• Águas Residuais
• Calibração e aferição de instrumentos
Parte II – Água de Abastecimento
Elementos de Controle
Parte III – Controle Integrado de Pragas
Parte IV – Higiene Industrial e Operacional
Parte V – Higiene e hábitos higiênicos dos funcionários
Parte VI – Procedimentos Sanitários Operacionais (PSO) – Higiene Industrial e
Operacional
Parte VII – Controle da matéria prima, ingredientes e material de embalagem
Parte VIII – Controle de temperaturas
Parte IX – APPCC
Elementos de Controle
Parte X – Análises laboratoriais (microbiológicos e físico-químicos)
Parte XI – Controle de formulação de produtos e combate à fraude
Parte XII – Rastreabilidade e recolhimento
Parte XIII – Respaldo para certificação oficial
Parte XIV – Bem-estar Animal
Parte XV – Identificação, remoção, segregação e destinação do material
especificado de risco (MER)
Pontos Imprescindíveis
Ações preventivas
Padrões de conformidade
Procedimentos de monitoramento
Ações corretivas
Procedimentos de verificação
Registros
Monitoramento
É a realização de uma
É executado nas etapas do
sequência planejada de
processo para identificar a
observações e medições dos
conformidade na execução e
parâmetros de controle para
possíveis desvios, e neste caso, a
avaliar se uma determinada
tomada das devidas ações
etapa do processo está sob
corretivas.
controle (CODEX).
Atividade que envolve avaliação
visual e/ou mensuração que
apresenta resultados imediatos e
é executada com maior
frequência.
Monitoramento
Monitor
Manipulador
Ações Corretivas
Deve ser feito um ajuste no processo
quando os resultados do monitoramento
indicarem tendência à perda de controle
de um Programa de autocontrole. A Ação
Ações Corretivas específicas devem ser
Corretiva deve ser tomada imediatamente,
desenvolvidas para cada programa para
após qualquer desvio, para garantir a
lidar com desvios quando eles ocorrerem.
inocuidade do alimento e evitar nova
ocorrência de desvio. O desvio pode
ocorrer novamente se a Ação Corretiva
não tratar sua causa.
As ações devem garantir que o programa
seja mantido sob controle. Ações tomadas
também devem incluir o destino
apropriado para o produto afetado quando
for o caso. Desvio e procedimentos de
descarte de produto devem ser
documentados na manutenção de
registros.
Verificação
Atividade que envolve
É a aplicação de métodos,
visualização, mensuração, análise
procedimentos e outras
laboratorial e/ou auditoria, não
avaliações, além da vigilância,
apresentando necessariamente
para constatar o cumprimento dos
resultados imediatos e executada
programas de autocontrole
com menor frequência que o
(CODEX).
monitoramento.
É realizada em uma etapa
geralmente posterior a aplicação
das ações corretivas, para checar
a eficiência tanto dos
procedimentos de monitoria
quanto às ações corretivas
adotadas.
Verificação
Verificador
Monitor
Manipulador
Verificação Oficial
A verificação oficial com base nos
autocontroles é atividade inerente
à fiscalização, sob competência do
SIF local, e visa avaliar, principal e Documental e in loco
especificamente, a implementação
dos programas de autocontrole por
parte das empresas registradas.
Inspeção Periódica – de acordo
Inspeção Permanente – quinzenal com risco de cada estabelecimento
in loco e trimestral documental (NI nº 02/2015) – quinzenal,
bimestral, semestral ou anual
Verificação Oficial
Inspeção
Verificador
Monitor
Manipulador
Manutenção
Monitoramento
Avaliação
visual
Manutenção
Verificação
Conformidade dos
procedimentos e registros
de monitoramento
Avaliação visual
Avaliação do cumprimento
do protocolos de
manutenção
Ventilação
Monitoramento
Avaliação visual
Ausência de
condensação
Fluxo de ar
Exaustão
Ventilação
Verificação
Conformidade dos
procedimentos e registros
de monitoramento
Avaliação visual
Ausência de condensação
Fluxo de ar
Exaustão
Água de Abastecimento
Monitoramento
Controle de cloração e pH
Variando entre 0,2 e 2 ppm
de cloro residual livre (Art.
34) e até 5ppm (Anexo VII)
pH Água entre 6 e 9 – tempo
de contato de 30 minutos
Água de Abastecimento
Verificação
Conformidade dos
procedimentos e registros
de monitoramento
Proteção de reservatórios
Análises microbiológicas e
físico químicas Portaria de
Consolidação nº 5, de 28 de
Setembro de 2017- DOU nº
190, de 03/10/2017
Controle Integrado de Pragas
Monitoramento
Avaliação de
armadilhas e
barreiras
Ausência de focos
de insalubridade,
objetos em
desuso e animais
Controle Integrado de Pragas
Verificação
Conformidade dos
procedimentos e registros
de monitoramento
Avaliação de armadilhas e
barreiras
Ausência de focos de
insalubridade, objetos em
desuso e animais
Higiene Industrial e Operacional
Monitoramento
Avaliação
visual da
limpeza de todo
o
estabelecimento
(todas as UI)
Higiene Industrial e Operacional
Verificação
Bioluminescência
Swab de superfície – contagem microbiana
Inspeção visual por amostragem (porcentagem das UI)
Conformidade dos registros de monitoramento
comparados à inspeção visual
Higienização de reservatórios de água
Higiene Industrial e Operacional
Procedimentos Padrão de Higiene Operacional está
relacionado com as atividades de Higiene Industrial e
Operacional
Pré-operacional: avaliação antes do início das operações
Operacional: avaliação nos intervalos e durante as operações
(manutenção das condições de higiene)
Referência utilizada pelo DIPOA (FSIS)
Higiene Industrial e Operacional
Produtos permitidos
para desinfecção do
Princípio Ativo Concentração
ambiente
Hipoclorito de Na 100 – 200 mg / L
Registro Quaternário de
amônia
200 mg / L
no Iodóforos 25 mg / L
Ministério Álcool 70%
da Saúde
– IN 49
Higiene Industrial e Operacional
Remoção do resíduos
Pré-lavagem
Lavagem
Enxágue Limpeza
Sanitização Sanitização
Enxágue
Higiene e Hábitos Higiênicos dos Funcionários
Monitoramento
Execução e presença dos
funcionários nos treinamentos
Utilização correta das
barreiras sanitárias e dos EPI
Estado de saúde e higiene
pessoal dos funcionários
Higiene e Hábitos Higiênicos dos Funcionários
Verificação
Conformidade dos procedimentos e
registros de monitoramento
Cumprimento do conteúdo e
necessidade de novos treinamentos
Cumprimento dos cronogramas de
exames médicos
Atualização das carteiras de saúde
dos funcionários
Procedimentos Sanitários Operacionais - PSO
Definição
• Procedimentos realizados durante a produção
que objetivam evitar, eliminar ou reduzir
contaminação (evitar contaminação cruzada).
Exemplos
• Esterilização de facas;
• procedimento de evisceração bem
executado;
• procedimento de “filetagem” bem executado
Procedimentos Sanitários Operacionais - PSO
Monitoramento
Avaliação
visual dos
procedimentos
sanitários das
operações
Procedimentos Sanitários Operacionais - PSO
Verificação
Inspeção visual dos procedimentos por
amostragem (conformidade)
Contagem microbiana
Conformidade dos procedimentos
registros de monitoramento e registros
de medidas corretivas e preventivas
Controle da Matéria Prima, Ingredientes e Material
de Embalagem
Monitoramento
Controle na
recepção de
matéria
prima,
ingredientes
e material de
embalagem
Controle da Matéria Prima, Ingredientes e Material
de Embalagem
Verificação
Conformidade dos
procedimentos e registros
de monitoramento
Garantia dos fornecedores
Auditoria nos fornecedores
Controle de Temperaturas
Monitoramento
Mensuração
imediata ou
visualização de
temperatura de
produto, água,
equipamento
ou ambiente
Controle de Temperaturas
Verificação
Conformidade dos
procedimentos e
registros de
monitoramento
Mensuração de
temperatura com
data logger
APPCC
Definição
• É uma abordagem preventiva e sistemática
direcionada a perigos biológicos, químicos e
físicos, através da antecipação e prevenção
(FAO, 1998)
Programas de pré-requisitos
Cinco passos anteriores à implantação
Sete Princípios APPCC
Cinco passos anteriores à implantação
Criação da equipe APPCC
Descrição do Produto
Intenção de uso do Produto
Construção de fluxograma de produção
Confirmação do fluxograma de produção
Sete Princípios
Identificação dos perigos e medidas de controle
Identificação dos PCC
Limites críticos (limites de segurança)
Monitoramento
Ações corretivas
Verificação
Registros
Árvore Decisória
APPCC
Pontos críticos de controle principais
em abate de aves:
• Resíduos químicos (combustíveis) – PCC 1 Q
• Deteriora (análise sensorial) – PCC 1 B
• Temperatura do produto e tempo até atingi-
la – PCC 2 B
• Metais (pregos, etc.) – PCC 1 F
APPCC
APPCC
APPCC
APPCC
Pescado
Principais PCCs:
• Temperatura abaixo de 4,4ºC para as
espécies formadoras de histamina.*
• Fraude por excesso de glaciamento e
por troca de espécie.
• Conserva – T° de penetração térmica
• Detecção de metais
Análises Laboratoriais (Microbiológicos e Físico-
químicos)
Monitoramento Verificação
Execução dos cronogramas
de análise
Procedimento de coleta
Conformidade dos laudos e
ações corretivas
Execução das técnicas
analíticas (testes de cocção,
de desglaciamento em Conformidade dos registros
pescados e testes de e procedimentos de
histamina) monitoramento
Controle de Formulação de Produtos e Combate à
Fraude
Monitoramento Verificação
Conformidade dos
registros e procedimentos
de monitoramento
Cumprimento das
formulações (quantidade
Rótulo de acordo com o
e qualidade da matéria-
registrado
prima e ingredientes
utilizados)
Execução de análises
físico-químicas
Rastreabilidade e Recolhimento
Matéria-prima ao Produto final
Produto final à Matéria-prima
Programa de recolhimento
Objetivo dos Programas de Autocontrole
I – As medidas corretivas identificam e eliminam a causa do desvio?
II – As medidas adotadas restabelecem as condições higiênico-
sanitárias do produto?
III – As medidas preventivas adotadas evitam a recorrência de
desvios?
IV – As medidas de controle adotadas garantem que nenhum produto
que possa causar dano à Saúde Pública, ou que esteja adulterado,
fraudado ou falsificado, chegue ao consumo?
OBRIGADO!
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