0% acharam este documento útil (0 voto)
172 visualizações4 páginas

Tecnicismo

O documento discute o modelo tecnicista de educação introduzido no Brasil na década de 1960 durante o regime militar. Ele se baseava na teoria da administração para controlar e fragmentar o trabalho dos alunos, enfatizando a transmissão de conhecimento técnico para prepará-los para o mercado de trabalho de forma eficiente. Os professores transmitiam informações científicas de forma autoritária sem diálogo, e os alunos aprendiam de forma passiva.

Enviado por

Deyvid William
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
172 visualizações4 páginas

Tecnicismo

O documento discute o modelo tecnicista de educação introduzido no Brasil na década de 1960 durante o regime militar. Ele se baseava na teoria da administração para controlar e fragmentar o trabalho dos alunos, enfatizando a transmissão de conhecimento técnico para prepará-los para o mercado de trabalho de forma eficiente. Os professores transmitiam informações científicas de forma autoritária sem diálogo, e os alunos aprendiam de forma passiva.

Enviado por

Deyvid William
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

O modelo tecnicista de educação

1. Base Idealista
Uma das fortes bases idealistas foi a teoria geral da administração.
1.2 A Teoria Geral de Administração
“A Teoria Geral de Administração surge tendo como objetivo principal o controle do
processo produtivo, pois assim necessitava o desenvolvimento gerado pelo capitalismo, que
introduzia novas relações de produção com o trabalhador, através da compra e venda da força de
trabalho. Assim, surge a figura do gerente, que passa a fazer o planejamento e controle dos
processos, antes realizados pelos trabalhadores. Anteriormente, nos primórdios do capitalismo
industrial, os trabalhadores eram independentes e contratados para desempenharem tarefas. Não
havia organização da produção e isso trazia consideráveis problemas, entre os quais podemos citar:
desperdício de matéria- prima; padrões de qualidade diferentes; tecnologia artesanal; produtividade
desigual e horários de trabalhado estabelecidos diferentemente por cada trabalhador para atender as
suas próprias necessidades. Diante dessas inconsistências, consequentemente, os níveis de
produtividade estavam muito abaixo daqueles aspirados pelo capitalismo significando que o
processo precisava ser aprimorado, ser mais eficiente, mais racionalizado. A partir desse momento
os trabalhadores planejavam e controlavam o seu próprio trabalho, passando a ser agrupados em um
só local. Desse momento em diante, o planejamento e o controle, já mencionado anteriormente,
tendo em vista processos dinâmicos de trabalho e eficiência, não são mais controlados pelo
trabalhador, mas pela figura do gerente.
Nesta perspectiva o trabalho passa a ser organizado em todo seu processo produtivo. Na
realidade ele passa a ser fragmentado em inúmeras partes, dividido, onde o trabalhador, para a sua
execução, não necessita dominar tecnologias avançadas, pelo contrário, essa fragmentação pouco
exigiu do trabalhador, pois com o baixo nível de qualificação que ele possuía era possível
desempenhar a sua função. Mesmo dividido, o trabalho é supostamente reorganizado em sua
totalidade, pois foram criados mecanismos que asseguraram a sua organização. Então, o trabalho,
que passa a ser automatizado e nada interessante, em virtude do empobrecimento do seu conteúdo e
da fragmentação, necessita ser controlado externamente para garantir a compatibilidade entre o que
foi planejado e o que está sendo executado e, ainda, assegurar a alienação do trabalhador em
decorrência do seu próprio trabalho. O que se pretende com o controle das decisões sobre o trabalho
é não possibilitar que as negações geradas pelo próprio capitalismo possam atrapalhar o seu
desenvolvimento.” [Disponível em: MARQUES, ABIEAEL ANTUNES. A PEDAGOGIA
TECNICISTA: UM BREVE PANORAMA. Secção 2.2]

2. Metodologia e Bases Filosoficas


“Tecnicismo foi introduzido na educação brasileira na década de 1960, no decorrer do
regime militar, através da implantação dos programas de desenvolvimento social e econômico
“Aliança para o Progresso” e acordo “MEC-USAID”, frutos do convênio de cooperação firmado
entre Brasil e Estados Unidos da América. A implantação do modelo tecnicista foi oficializada por
meio da promulgação das leis 5.540/68 e 5.692/71, que, respectivamente, reformulou a educação
superior e instituiu o ensino de 1º e 2º graus. Entretanto, apesar de executarem os requisitos formais
e modelos impostos pelo tecnicismo, os professores, em geral, não assimilaram os propostos
ideológicos desta pedagogia. Contudo, percebe-se ainda hoje na prática docente e da organização da
escola características marcantes do tecnicismo.
A tendência pedagógica tecnicista insere-se na pedagogia liberal, que por representar uma
visão educacional mais ampla, atribui à escola a função de preparar o aluno para exercer papeis
sociais, tendo por base suas aptidões e habilidades, sendo que para tanto é necessário que ele
assimile as normas e valores sociais vigentes, através do desenvolvimento de sua própria cultura.
Nesta perspectiva, esta tendência representa um sistema orgânico e funcional, por meio do qual,
modela o comportamento humano através do emprego de técnicas e recursos metodológicos
específicos.
O foco principal desta tendência pedagógica é produzir sujeitos capazes e eficientes para o
desempenho de funções no mercado de trabalho. Ao valorizar as informações científicas, presentes
nos manuais técnicos e de instrução, incumbe a escola de divulgar o modelo de produção
capitalista, de forma a que o aluno internalize e seja bem treinado para inserir-se profissionalmente
no sistema econômico vigente.
A pedagogia tecnicista considera que a escola deve ser modeladora do comportamento do
aluno, pois agindo desta forma estará contribuindo para que o sistema social se torne harmônico,
orgânico e funcional, e neste sentido cabe à prática pedagógica organizar e desenvolver o processo
de aquisição de habilidades, atitudes e conhecimentos específicos, possibilitando ao aluno integrar-
se na máquina do sistema social global.” [Disponível em: AZEVEDO, GUTIERRES, SOUZA. A
INFLUÊNCIA DA PEDAGOGIA TECNICISTA NA PRÁTICA DOCENTE DE UMA ESCOLA DE
EDUCAÇÃO BÁSICA. Secção 2.1]
“O professor não era valorizado, assim como o aluno também não era, mas sim a tecnologia,
a indústria, o capital. O professor torna-se o especialista, responsável por "passar" ao aluno
verdades científicas incontestáveis. Ou seja, a escola não trabalhava a reflexão e criticidade nos
alunos.
Esta proposta foi utilizada no período do regime militar do país, onde era necessário formar
mão-de-obra para o mercado de trabalho. Aqui temos o formato behaviorista de ensino, onde eram
utilizados estímulos, reforços negativos e positivos para se obter a resposta desejada, moldando o
comportamento do sujeito, de forma a controlar a conduta individual. Era ensinado apenas o
necessário para que os indivíduos pudessem atuar de maneira prática em seus trabalhos.”
[Disponível em: [Link] ]

3. Aulas
Sobre os métodos, técnicas e estratégias utilizados no processo de ensino, cabe ressaltar que
estes englobam procedimentos adequados à organização e ao controle das condições ambientais que
assegurem a transmissão e a recepção de informações. O emprego das tecnologias educacionais,
que corresponde à aplicação sistemática de princípios científicos comportamentais e tecnológicos às
questões educacionais, representa o ponto alto do processo de transmissão de conhecimento.

No que se refere à inteiração professor e aluno no interior da sala de aula, está se dá de


maneira bem formal, pois ambos devem cumprir papeis pré-definidos, bastando que cada um faça
bem sua função. Assim, o professor transmite os conteúdos “conforme um sistema instrucional
eficiente e efetivo em termos de resultados da aprendizagem; o aluno recebe, aprende e fixa as
informações”. Desta forma, o trabalho docente resume-se em estabelecer a ligação entre a verdade
científica e o aluno, através do emprego de métodos instrucionais previstos. O aluno é um sujeito
responsivo em sala de aula, mas que não interage com a definição dos objetivos e conteúdos
instrucionais, pois ambos, professor e aluno, são meros expectadores frente à verdade científica. “A
comunicação professor-aluno tem um sentido exclusivamente técnico, que é o de garantir a eficácia
da transmissão do conhecimento”

“os professores enfatizam um "saber construir": reduzido aos seus aspectos técnicos e ao uso
de materiais diversificados (sucatas, por exemplo), e um "saber exprimir-se" espontaneístico, na
maioria dos casos caracterizando poucos compromissos com o conhecimento de linguagens
artísticas. Devido à ausência de bases teóricas mais fundamentadas, muitos valorizam propostas e
atividades dos livros didáticos que, nos anos.70/80, estão em pleno auge mercadológico, apesar de
sua discutível qualidade enquanto recurso para o aprimoramento dos conceitos de arte [Disponível
em: [Link] ]”

“Ainda, além de apresentar características autoritárias, a pedagogia tecnicista pode ser


considerada não-dialógica, ou seja, ao aluno cabe assimilar passivamente os conteúdos transmitidos
pelo professor. Essa pedagogia difere da progressista que privilegia a formação de cidadãos
participativos e conscientes da sociedade em que vivem.” [Disponível em:
[Link] ]

“O processo de ensino é sustentado por um dos paradigmas da Psicologia: o behaviorismo


ou comportamentalismo que, por coerência, veem a Tecnologia Educacional como a grande
inspiradora do tecnicismo. Os behavioristas ou comportamentalistas valorizam a experiência
planejada como a base do conhecimento, isto é, preparam o ambiente para transição do
conhecimento.”[Disponível em: [Link]
[Link] ]

4. Aprendisagem

“Na "Pedagogia Tecnicista", o aluno e o professor ocupam uma posição secundária, porque,
o elemento principal é o sistema técnico de organização da aula e do curso: Orientados por uma
concepção mais mecanicista, os professores brasileiros entendiam seus planejamentos e planos de
aulas centrados apenas nos objetivos que eram operacionalizados de forma minuciosa. Faz parte
ainda desse contexto tecnicista o uso abundante de recursos tecnológicos e audiovisuais, sugerindo
uma "modernização" do ensino. Nas aulas de Arte, os professores enfatizam um "saber construir":
reduzido aos seus aspectos técnicos e ao uso de materiais diversificados (sucatas, por exemplo), e
um "saber exprimir-se" espontâneo, na maioria dos casos caracterizando poucos compromissos com
o conhecimento de linguagens artísticas. Devido à ausência de bases teóricas mais fundamentadas,
muitos valorizam propostas e atividades dos livros didáticos que, nos anos.70/80, estão em pleno
auge mercadológico, apesar de sua discutível qualidade enquanto recurso para o aprimoramento dos
conceitos de arte.”[Disponível em: [Link]
[Link] ]
“O ensino escolar deveria ser organizado a fim de criar diversas condições de estímulos a
serem feitos pelo professor, utilizando-se do sistema de recompensas. Há uma busca pelo controle
comportamental do aluno em variadas situações, esperando sempre um previamente estabelecido.
A aprendizagem baseia-se na psicologia de Skinner, em que há motivação ou retenção, que resultam
em um comportamento condicionado. Em que quando o aluno dá uma resposta esperada, ele é
motivado, porém se der uma resposta errada é retido.” [Disponível em:
[Link] ]

Você também pode gostar