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Inquérito Policial: Conceitos e Procedimentos

O documento resume as características e procedimentos de um inquérito policial no Brasil. O inquérito policial é um procedimento administrativo e inquisitivo conduzido pela polícia para investigar um crime e reunir provas, sem necessidade de contraditório. A polícia pode instaurar um inquérito de ofício, por requisição judicial ou do Ministério Público, ou por denúncia da vítima.
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Inquérito Policial: Conceitos e Procedimentos

O documento resume as características e procedimentos de um inquérito policial no Brasil. O inquérito policial é um procedimento administrativo e inquisitivo conduzido pela polícia para investigar um crime e reunir provas, sem necessidade de contraditório. A polícia pode instaurar um inquérito de ofício, por requisição judicial ou do Ministério Público, ou por denúncia da vítima.
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Inquérito Policial

Natureza
Conceito: O inquérito policial é um procedimento administrativo preliminar, cautelar, de caráter inquisitivo,
presidido pela autoridade policial, que visa reunir elementos informativos sobre a infração penal e sua autoria com
objetivo de contribuir para a formação da “opinio delicti” do titular da ação penal (MP).

Por esse caráter inquisitivo no âmbito do inquérito policial, não se faz necessária a aplicação plena do princípio do
contraditório.

Polícia Judiciária: Polícia Civil(E), Polícia Federal (U)

OBS.: A Polícia Militar não tem função investigatória, é uma polícia administrativa de caráter ostensivo.

É constitucional os poderes investigatórios do MP

O IP não é o único meio de que dispõe o poder público para realizar uma investigação. A investigação não é uma exclusividade
da polícia judiciária, nem afasta o ministério público.

O MP pode conduzir uma investigação por meio próprio. Apesar de o MP poder conduzir uma investigação penal, isso não
significa que ele poderá titularizar o inquérito policial. O IP deve ser conduzido privativamente pela autoridade polícia.

Características
Administrativo

 Instaurado, conduzido e presidido por autoridade policial – possui caráter administrativo


 Tem natureza de procedimento administrativo e não de processo judicial
 IP é pré-processual – eventual irregularidade ocorrida durante a investigação não gera nulidade do
processo (STJ)

Inquisitivo

 Decorre de sua natureza pré-processual


 Não há direito ao contraditório nem à ampla defesa
Apesar de não haver contraditório, isso não significa que o indiciado não possua direitos, como o de ser
acompanhado por advogado.

O indiciado, embora não possua neste momento, o Direito Constitucional ao contraditório e à ampla defesa, pode
requerer que sejam realizadas algumas diligências. Entretanto, a realização destas não é obrigatória pela
autoridade policial, salvo quanto ao exame de corpo de delito que, conforme o STJ, não pode ser negado.

Há ainda a possibilidade de HC para determinar que a autoridade policial proceda a determinada diligência.

 Não há ainda a figura do acusado nem acusação ou autor. Há somente o investigado ou o indiciado
 Valor das provas obtidas no IP é muito restrito, servindo apenas para angariar elementos de convicção
para o titular da ação penal

Oficiosidade

 IP é conduzido por um órgão oficial do Estado

Procedimento Escrito / Formalidade

 Todos os atos produzidos no bojo do IP deverão ser escritos ou reduzidos a termo os que forem orais
 Encerra outra característica que é a formalidade

Indisponibilidade

 Uma vez instaurado, não pode a autoridade policial arquivá-lo, pois esta atribuição é exclusiva do PJ,
mediante requerimento do titular da ação penal
Dispensabilidade

 IP é dispensável à propositura da ação penal


 Não é peça obrigatória da instrução, dado seu caráter informativo

Discricionariedade na sua Condução

 A autoridade policial pode conduzir a investigação da maneira que entender mais frutífera
 A finalidade da diligência deve ser sempre o interesse público, materializado no objetivo do Inquérito
que é reunir elementos de autoria e materialidade

Apesar de discricionário, a condução do IP pela autoridade policial deve ser feita com imparcialidade, mesmo não se
tratando de um processo judicial. Inclusive a autoridade policial deve se declarar suspeita quando houver atuação que
prejudique sua necessária imparcialidade.

Sigiloso

 IP é sempre sigiloso em relação às pessoas do povo em geral


 O IP não é sigiloso em relação aos envolvidos – ofendido, indiciado e seus advogados
 O sigilo pode ser decretado em relação a determinadas peças do IP mesmo para os envolvidos, quando
necessário para sucesso da investigação

OBS.: Súmula vinculante 14, STF

É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já
documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam
respeito ao direito de defesa.

Acesso aos elementos de prova já documentados é garantido, mesmo se estas foram sigilosas

HC 88.190, STF: Há, é verdade, diligências que devem ser sigilosas, sob o risco do comprometimento do seu bom
sucesso. Mas, se o sigilo é aí necessário à apuração e à atividade instrutória, a formalização documental de
seu resultado já não pode ser subtraída ao indiciado nem ao defensor, porque, é óbvio, cessou a causa mesma
do sigilo. (...) Os atos de instrução, enquanto documentação dos elementos retóricos colhidos na investigação,
esses devem estar acessíveis ao indiciado e ao defensor, à luz da Constituição da República, que garante à classe
dos acusados, na qual não deixam de situar-se o indiciado e o investigado mesmo, o direito de defesa.
a

Notitia Criminis X Delatio Criminis


Notitia Criminis
Quando a autoridade policial toma conhecimento de um fato criminoso, independentemente do meio – mídia,
boatos, povo, etc.
Classificação:

 Notitia Criminis de cognição imediata: a autoridade policial toma conhecimento do fato em razão de
suas atividades rotineiras

 Notitia Crimines de cognição mediata: a autoridade policial toma conhecimento do fato por meio de um
expediente formal. Ex.: requisição do MP

 Notitia Criminis de cognição coercitiva: autoridade policial toma conhecimento do fato em razão da
prisão em flagrante do suspeito

A notitia criminis deverá conter, sempre que possível:

1. a narração do fato, com todas as suas circunstâncias,


2. a individualização do indiciado e as razões de convicção sobre ser ele o autor do fato
3. indicação de testemunhas, com indicação de sua profissão e residência.

Delatio Criminis
Surge através de uma delação formalizada por qualquer pessoa do povo. É uma forma de notitia criminis.

Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública poderá,
verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a procedência das informações, mandará
instaurar inquérito.

Classificação:

 Delatio Criminis Simples: comunicação feita à autoridade policial por qualquer do povo

 Delatio Criminis Postulatória: comunicação feita pelo ofendido nos crimes de ação penal pública
condicionada ou ação penal privada, mediante a qual o ofendido já pleiteia a instauração do IP

 Delatio Criminis Inqualificada: é a denúncia anônima. A comunicação é feita por qualquer do povo, mas
sem a identificação do comunicante – abrange inclusive o “disque-denúncia”.

Procedimento no caso de denúncia apócrifa:

O delegado quando tomar ciência do fato não deverá instaurar o IP de imediato, mas deve determinar
que seja verificada a procedência da denúncia e, caso realmente se tenha notícia do crime, instaurará
o IP.

Informativo 755, STF: Nada impede a deflagração da persecução penal pela chamada denúncia anônima, desde
que esta seja seguida de diligências realizadas para averiguar os fatos nela noticiados.

OBS.: A denúncia anônima só pode ensejar a instauração do IP, excepcionalmente quando se


constituir como o próprio corpo do delito. Ex.: carta na qual há materialização do crime de ameaça.
Instauração do Inquérito Policial
 As formas de instauração do IP variam de acordo com a natureza da Ação Penal:

Instauração do IP nos Crimes de Ação Penal Pública Incondicionada

De Ofício

 Portaria – quando não houver prisão do suspeito

o Portaria é peça, na qual a autoridade policial registra conhecimento da prática de crime de Ação Pública
Incondicionada, especificando, se possível, o lugar, o dia e a hora em que foi cometido o crime, o prenome
do autor e o da vítima, e conclui determinando a instauração do inquérito policial.

o Portaria é quando o delegado de ofício instaura o procedimento, sem que tenha havido prisão do suspeito.

 Auto de Prisão em Flagrante – quando houver prisão do suspeito

o O IP pode ser instaurado a partir da lavratura do auto de prisão em flagrante. É a chamada notícia crime
de cognição coercitiva, de conhecimento forçado e as modalidades de flagrante delito estão descritas no
artigo 302 e incisos no CPP.

Requisição do Juiz ou do MP

 A requisição deve ser obrigatoriamente cumprida pelo Delegado, que não pode se recusar a cumpri-la

 Excepcionalmente o delegado pode se recusar a cumprir se a requisição:

o For manifestamente ilegal

o Não contiver os elementos fáticos mínimos para subsidiar a investigação


Requisição da vítima ou de seu representante legal

 Nesse caso o delegado não está obrigado a instaurar o IP, podendo, conforme a análise dos fatos,
entender que não existem indícios da prática da infração penal

 O requerimento deve preencher alguns requisitos, que podem, a depender do caso, ser dispensados:

O requerimento da vítima deverá conter, sempre que possível:

a) a narração do fato, com todas as circunstâncias

b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as razões de convicção ou de presunção


de ser ele o autor da infração, ou os motivos de impossibilidade de o fazer

c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e residência

 Caso seja indeferido o requerimento, caberá recurso para o chefe de polícia.

Trata-se de um recurso administrativo. Não confundir com o RESE!!

Instauração do IP nos Crimes de Ação Penal Pública Condicionada à Representação

Embora a ação deva ser ajuizada pelo MP, depende da representação da vítima. Assim a vítima deve querer que
o autor do crime seja denunciado.

Representação do Ofendido ou de seu Representante legal

 Trata-se da “Delatio criminis postulatória”


 Ato mediante o qual o ofendido autoriza formalmente o Estado, através do MP, a prosseguir na
persecução penal e proceder à responsabilização do autor do fato, se for o caso

 Caso a vítima não exerça seu direito no prazo de 6 meses, a contar da data em que tomou conhecimento
da autoria do fato, estará extinta a punibilidade – decai o direito de representar
Vítima menor de 18 anos: quem deve representar é o seu representante legal

Caso o representante não o faça, o prazo decadencial só começa a correr quando a vítima completa
18 anos.

Se o autor do fato for o próprio representante legal, nomeia-se curador especial para que este exercite
o direito de representação

Requisição de Autoridade Judiciária ou do MP

 Para ter validade, dependerá da existência de representação da vítima

Auto de Prisão em Flagrante

 Ofendido deve exercer seu direito em 24h


 Caso não o faça, é obrigatória a soltura do preso, mas permanece o direito de o ofendido representar de
até 6 meses

Requisição do Ministro da Justiça

 Só se aplica aos crimes cometidos por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, crimes contra a honra
cometidos contra o Presidente da República ou contra qualquer chefe de governo estrangeiro

 Requisição deve ser dirigida ao MP – se o MP entender que não se trata de hipótese de ajuizamento, não
estará obrigado a promovê-la

 Não se sujeita a prazo decadencial, podendo ser exercitada enquanto o crime ainda não estiver prescrito

Instauração do IP nos Crimes de Ação Penal Pública Privada

Requerimento da vítima ou de quem legalmente a represente

 Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder ao inquérito policial
mediante requerimento de quem tenha qualidade para intentá-lo
 Caso a vítima tenha falecido ou seja declarada ausente, podem apresentar requerimento para a
instauração do IP o CADI
 Prazo para requerimento: decadencial de 06 meses
 Requerimento deverá conter, sempre que possível:
o a narração do fato, com todas as circunstâncias;

o a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as razões de convicção ou de


presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos de impossibilidade de o fazer;
o a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e residência.

 Indeferimento pela autoridade policial: caberá recurso para o chefe da polícia

Requisição do Juiz ou do MP

 Deve vir acompanhada do requerimento do ofendido autorizando a instauração do IP

Auto de Prisão em Flagrante

 O ofendido deve manifestar seu interesse na instauração do IP dentro de 24h a partir da data
da prisão, sendo que não havendo manifestação da vítima nesse sentido, o autor do fato é
liberado

Tramitação do Inquérito Policial


Diligências Investigatórias

Medidas Iniciais

Medidas que devem ser adotadas pela autoridade policial logo que tiver conhecimento da prática da infração penal:
 Aplica-se no que tange o interrogatório do investigado, as normas referentes ao interrogatório judicial, no que for
cabível
 O investigado não é obrigado a participar da reprodução simulada dos fatos, pois não é obrigado a produzir provas
contra si mesmo

Poder de Requisição do MP / Autoridade Policial

Prazo
 Regra: 24h p/ instaurar o inquérito
 Exceção: máximo 72h, p/ instaurar o inquérito, para crimes de tráfico de pessoas, contados do registro da
respectiva ocorrência policial

Conteúdo da Requisição:

a) O nome da autoridade requisitante


b) Número do inquérito policial
c) Identificação da unidade de polícia judiciária responsável pela investigação

Hipóteses de requisição direta de informação do fato pelo MP / Autoridade Policial

Nos crimes de:

 Sequestro ou cárcere privado Em se tratando de qualquer desses crimes, o CPP autoriza


 Redução à condição análoga à de escravo expressamente, pela autoridade policial ou o MP, a
 Tráfico de pessoas requisição direta de informações cadastrais da vítima ou
 Extorsão mediante restrição da liberdade – sequestro de suspeitos a:
relâmpago
 Extorsão mediante sequestro  Quaisquer órgãos do poder público
 Facilitação de envio de criança ou adolescente ao  Empresas da iniciativa privada
exterior

Requisição mediante autorização Judicial pelo MP / Autoridade Policial

MP ou o delegado poderão requisitar mediante


autorização judicial, às:
Para prevenção e repressão dos crimes relacionados ao
tráfico de pessoas  empresas prestadoras de serviço de
telecomunicação e/ou telemática que
disponibilizem imediatamente os meios
técnicos adequados – como sinais, informações
e outros – que permitam a localização da vítima
ou dos suspeitos do delito em curso.

OBS.: Não havendo manifestação judicial no prazo de 12h,


a autoridade competente requisitará imediatamente os
meios técnicos adequados com imediata comunicação ao
juiz.

O acesso ao sinal:
Não se permitirá acesso ao conteúdo da comunicação, que
dependerá de autorização judicial – apenas dados como local
aproximado em que foi feita, destinatário, etc.

Deverá ser fornecido pela prestadora de telefonia móvel por


período não superior a 30 d + 30d. Para períodos superiores
será necessária a ordem judicial.

Requerimento de diligências pelo indiciado e pelo ofendido

O ofendido ou seu representante legal podem requerer a realização de quaisquer diligências, mas ficará a critério da
Autoridade Policial deferi-las ou não.

OBS.: Com relação ao exame de corpo de delito, este é obrigatório quando houver crimes que deixam vestígio, não
podendo o delegado deixar de determinar esta diligência.

Identificação Criminal

A identificação criminal do investigado só será necessária e permitida quando o investigado não for civilmente identificado.

Nomeação de curador ao indiciado

Atualmente essa idade foi alterada pelo CC/2002 para 18 anos e não há a possibilidade de haver um indiciado que é
civilmente menor.

Forma de Tramitação do Inquérito Policial

Sigilo do IP

O sigilo no IP é moderado:
A autoridade assegurará o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade.

Povo em geral: O IP é sempre sigiloso


Em relação aos envolvidos – ofendido / indiciado / advogados: não é sigiloso, mas pode ser decretado sigilo em relação a
determinadas peças do IP para o sucesso da investigação

OBS.: O IP não é sigiloso em relação ao advogado do indiciado, que deve ter livre acesso aos autos do IP, no que se
refere aos elementos que já tenham sido juntados a ele, nos termos da Súmula Vinculante 14 do STF:

Súmula Vinculante 14: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova
que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam
respeito ao exercício do direito de defesa.

Presença do Advogado no Interrogatório do IP

Prevalece o entendimento de que o indiciado deve ser alertado sobre seu direito à presença de advogado, mas, caso queira
ser ouvido, mesmo sem a presença do profissional, o interrogatório policial em sede de IP é válido, por ser procedimento
inquisitorial.

OBS1.: Após alteração legislativa no Estatuto da OAB, em seu artigo 7º, há divergência:
 1ª corrente: o advogado agora é indispensável durante o IP
 2ª corrente: a lei não criou a obrigatoriedade do advogado. Na verdade, há um dever para o advogado que houver
sido devidamente constituído pelo indiciado de assisti-lo, sob pena de nulidade. Caso o indiciado desde já não
constituir advogado, não haveria obrigatoriedade.

OBS2.: no curso do processo judicial a presença do advogado no curso do interrogatório é indispensável, sob pena de
nulidade absoluta.

Incomunicabilidade do preso

O artigo 21 do CPP, que dispõe sobre a incomunicabilidade do preso, não foi recepcionado pela CF/88, pois:

 É direito do preso o contato com a família e com seu advogado


 A CF estabelece ser vedada a incomunicabilidade do preso durante o estado de defesa. Logo em estado normal,
seria igualmente vedado.

Indiciamento

Ato pelo qual a autoridade policial, de forma fundamentada, direciona a investigação. Indiciando os investigados como
prováveis autores da infração penal.
 Não desconstitui o caráter sigiloso do IP, apenas direcionando as investigações sobre determinada(s) pessoa(s)
 O ato de indiciamento é privativo da autoridade policial
 Se a pessoa a ser indiciada possui foro por prerrogativa da função, a autoridade policial dependerá de autorização
do Tribunal que tem competência para processar e julgar o crime supostamente praticado pela pessoa detentora
do foro por prerrogativa de função
 A autoridade policial instaura, preside, conduz e tem atribuição para indiciamento

Conclusão do IP

Prazos para conclusão, Destinação e Arquivamento do IP

Esgotado o prazo de

CPP:
Se concluídas as investigações, o IP será encerrado e encaminhado ao Juiz.
 10 dias para réu preso em
flagrante/preventivamente

 30 dias para réu solto

Prazos

Jurisprudência

STJ, STF: Estado o indiciado solto, embora exista um limite previsto no CPP, a violação deste limite não tem qualquer
repercussão, pois não traria prejuízos ao indiciado, sendo considerado prazo impróprio.

Todos os prazos correrão em cartório e serão contínuos e peremptórios, não se interrompendo por férias, domingo ou dia de
feriado. Porém:

 Réu solto: prazo de natureza processual. Não se computará o dia do começo, incluindo-se o dia do vencimento.

 Réu preso: prazo de natureza material. O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses
e os anos pelo calendário comum

Destinação
 A previsão de remessa do IP ao juiz permanece em vigor, devendo o Juiz abrir vista ao MP para que tenha ciência da
conclusão do IP – casos de ação penal pública –, ou ainda, disponibilizar os autos em cartório para que a parte
ofendida possa se manifestar – ação penal privada

 O destinatário do IP pode ser:


o Imediato: é o MP, por ser o titular da ação penal já que a ele se destina o IP
o Mediato: é o Juiz, pois as provas colhidas no IP são utilizadas para formar o convencimento do magistrado

Arquivamento do IP

Informativo 605, STF: O sistema processual penal brasileiro não prevê a figura do arquivamento implícito de inquérito
policial. O arquivamento implícito ocorre quando o MP ajuíza denúncia em relação a alguns fatos investigados, silenciando
quanto a outros ou quando o MP ajuíza a denúncia apenas em relação a alguns investigados, silenciando quanto a outros.

Arquivamento indireto: ocorreria quando o membro do MP deixa de oferecer a denúncia por entender que o Juízo é
incompetente. O juiz recebendo o pedido de declínio de competência, receberia tal pedido como uma espécie de pedido
indireto de arquivamento. A doutrina entende este procedimento como inadmissível já que o Promotor deve requerer a
remessa dos autos do IP ao Juízo competente para então prosseguir com as investigações.

Retomada do IP após o pedido de arquivamento

 A decisão de arquivamento do IP não faz coisa julgada, pois o CPP admite que a autoridade proceda a novas
diligências se de outras provas tiver notícia, chamada de coisa julgada secundum eventum probationis, ou seja, coisa
julgada em relação àquelas provas
 Assim o MP não pode ajuizar a ação penal com base nos mesmos elementos, nem se admite a reativação da
investigação
 Entretanto, o IP pode fazer coisa julgada material se:
o Arquivamento por atipicidade do fato
o Arquivamento em razão do reconhecimento de excludente de ilicitude ou de culpabilidade
 STJ: não se admite a reabertura das investigações
 STF: só se admite a possibilidade de reabertura das investigações caso surjam provas novas
o Arquivamento pelo reconhecimento da extinção da punibilidade
 STF e STJ: se o reconhecimento da extinção se deu pela morte do agente mediante a
apresentação de certidão de óbito falsa, pode-se reabrir as investigações
Trancamento do IP

Consiste na cessação da atividade investigatória por decisão judicial quando há abuso na instauração do IP ou na condução
das investigações. Neste caso aquele que se sente constrangido ilegalmente poderá manejar HC trancativo.

Valor Probante dos Elementos colhidos no IP

 CPP adota o sistema do livre convencimento motivado ou persuasão racional


 O juiz pode usar as provas obtidas no IP para fundamentar sua decisão, mas não pode fundamentá-la somente com
elementos obtidos no IP, pois eles não se submetem ao princípio do contraditório e da ampla defesa, por ser regido
principalmente pelo sistema inquisitório
 A doutrina de PACELLI sustenta que a impossibilidade de fundamentação unicamente pelos elementos colhidos no IP
se aplicaria somente às decisões condenatórias.

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