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Fundamentos da Terapia Cognitivo-Comportamental

Este documento discute os fundamentos da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). A TCC busca identificar e modificar pensamentos disfuncionais que mantêm problemas emocionais. Ela integra conceitos cognitivos e comportamentais para melhorar o humor e comportamento ao questionar crenças irrealistas. O terapeuta ajuda o paciente a desenvolver uma visão mais realista substituindo pensamentos distorcidos.

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Paola G
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Fundamentos da Terapia Cognitivo-Comportamental

Este documento discute os fundamentos da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). A TCC busca identificar e modificar pensamentos disfuncionais que mantêm problemas emocionais. Ela integra conceitos cognitivos e comportamentais para melhorar o humor e comportamento ao questionar crenças irrealistas. O terapeuta ajuda o paciente a desenvolver uma visão mais realista substituindo pensamentos distorcidos.

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Fundamentação da Prática

da TCC
Celeste Coutinho
Terapia Baseada em Evidência
 A TCC pode ser vista como a “terapia do cujo
tempo é o agora”.
 A transparência na terapia é bastante desejado por
quem as procura, como por exemplo; as metas, a
lógica e os métodos da abordagem sendo
claramente descritos.
 O que também tem impulsionado bastante o
crescimento da TCC é a divulgação e relato de
figuras públicas, falando de seus transtornos
mentais, dificuldades e sofrimentos. A consequência
é maior procura do cidadão comum por ajuda
psicológica.
Terapia Baseada em Evidência
 Importante ressaltar que o fator econômico
tem é levado em conta quando se procura ajuda
psicológica e a TCC é relativamente barata,
demonstra resultados mesuráveis e observáveis
e tende a levar menor taxa de recaída.

 Outro fator de destaque é de que o tempo é


limitado e de que a ênfase está na eficiência e na
efetividade, resultando em soluções práticas e
de curto prazo.
Terapia Baseada em Evidência
 A base da TCC aumentou bastante nos últimos 20 anos.

 O fator final que tem estimulado o desenvolvimento da


terapia cognitiva comportamental é o ritmo rápido da
nossa sociedade.

 É importante salientar que a medida que aumentamos a


nossa prática na TCC continuemos a pesquisar seus
componentes, que estejamos abertos a outras
abordagens eficazes, a proporção que estejam
disponíveis, pois o fato de termos pesquisas e evidências
de sua eficácia, não indicará necessariamente que o
mesmo tratamento seja eficaz na sua prática, ou seja
será bom para o seu paciente.
Introdução a Terapia Cognitivo-
Comportamental
 Teoria estrutural: promove o conceito da
estruturação hierárquica dos processos
cognitivos, com uma ênfase na divisão em
processo de pensamento primário e
secundário.

 Psicologia Cognitiva: integra características


de ambas as teorias. Enfatiza a importância
da cognição no processamento das
informações e na mudança comportamental.
Introdução a Terapia Cognitivo-
Comportamental
 A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) baseia-
se na hipótese de vulnerabilidade cognitiva como um
modelo de transtorno emocional.
 Seu princípio básico, que reflete uma postura
construtivista, é de que nossas representações de
eventos internos e externos, e não um evento em si,
determinam nossas respostas emocionais e
comportamentais.
 Nossas cognições ou interpretações, as quais refletem
formas idiossincráticas de processar informação e
representar o real, constituiriam a base dos
transtornos emocionais, os quais seriam definidos, em
TCC, mais propriamente como transtornos de
processamento de informação.
 Fundamentada no princípio básico da TCC e,
em particular, na hipótese de primazia das
cognições sobre as emoções e
comportamentos, em TCC busca-se a
reestruturação cognitiva, a partir de uma
conceituação cognitiva do paciente e de seus
problemas.

 Inicialmente, objetiva devolver ao paciente a


flexibilidade cognitiva, através da intervenção
sobre as suas cognições, a fim de promover
mudanças nas emoções e comportamentos que
as acompanham.
 Ao longo do processo terapêutico, no
entanto, atua diretamente sobre o sistema
de esquemas e crenças do paciente a fim
de promover sua reestruturação.

 Em paralelo à reestruturação cognitiva, o


terapeuta utiliza ainda uma abordagem de
resolução de problemas
 Conjunto de técnicas:
Corrigir crenças distorcidas.
Aliviar os sintomas depressivos.
Novo modelo explicativo para o desencadeamento e a
manutenção dos sintomas depressivos e seu tratamento.

 TC apresentava uma eficácia semelhante à


observada com o uso de antidepressivos no
tratamento da depressão
Base Teórica
 A terapia Cognitivo-Comportamental visa
identificar e corrigir os pensamentos
disfuncionais (distorções cognitivas),
prevalentes nos mais variados transtornos.
 Desta forma, procura-se a melhor maneira
de auxiliar o individuo a observar a maneira
errônea na qual se processa as informações
e as interpretações dos fatos. O paciente
poderá então questionar a veracidade destes
pensamentos e interpretações permitindo
novas possibilidades de pensar e agir.
Base Teórica
 A terapia cognitiva comportamental é
uma abordagem que se baseia em dois
princípios fundamentais:

◦ Nossas cognições têm uma influência controladora sobre nossas


emoções e comportamentos.

◦ A forma como nos comportamos ou agimos pode afetar


profundamente nossos padrões de pensamentos e nossas
emoções.
Base Teórica
 O pensamento disfuncional (influencia o
humor e o pensamento) é comum a
todos os transtornos psicológicos.
Quando o indivíduo aprende a avaliar seu
pensamento de forma mais realista e
adaptativa, este obtém uma melhora no
seu estado emocional e no
comportamento.
 A Terapia Cognitiva difere dos modos
tradicionais da psicoterapia:

“É um processo cooperativo de investigação


empírica, testagem da realidade e resolução de
problemas entre o terapeuta e o paciente”. (BECK;
WEISHAAR, 1986, apud DATTILIO E FREEMAN, 1998)
MODELO COGNITIVO
Pensamento Distorcido ou disfuncional

Humor

Comportamento
A TCC integra técnicas e
conceitos vindos de duas
principais abordagens
psicológicas:

COGNITIVA COMPORTAMENTAL
Fundamentos da prática da Terapia
Cognitivo-Comportamental.
 A terapia comportamental tem como base as
teorias e princípios da aprendizagem que se
desenvolveram a partir do início do século XX,
apoiando-se principalmente nos conceitos de:
 condicionamento clássico (Pavlov),
 condicionamento operante (Skinner) e,
 aprendizagem social (Bandura).
 Sistema de terapia cujo princípio básico é de
que as cognições (pensamentos, crenças,
interpretações) de um indivíduo frente a
situações influenciam suas emoções e
comportamentos. O terapeuta atua sobre as
cognições, a fim de alterar as emoções e
comportamentos que as acompanham.
 Surgiu no final dos anos 50.
 Trabalhos de Albert Ellis.
 Terapia Cognitiva.
 Início dos anos 60.
 Aaron T. Beck que observou a existência de três principais
áreas de distorção cognitiva na depressão (tríade
cognitiva): não realísticos e rígidos
Visão negativa de si mesmo,
Visão negativa do ambiente de vida e
Visão negativa para o futuro.

 Beck propôs o uso de estratégias para corrigir tais


distorções, que se revelaram efetivas. Posteriormente a
terapia cognitiva foi estendida para diversos outros
transtornos.
Os modelos principais de disfunção no
processamento de informações são baseados em:

1. Pensamentos automáticos - são cognições que aparecem


rapidamente em uma determinada situação e não estão sujeitos
à análise racional, relacionados, geralmente, com base em uma
lógica defeituosa (erros cognitivos);
2. Crenças centrais (incorporadas aos esquemas) - incluem
as regras básicas para a seleção e codificação da informação no
ambiente.
3. Esquemas - definidos como estruturas cognitivas que
organizam e processam as informações que chegam ao
indivíduo, são propostos como representações dos padrões de
pensamento adquiridos no início do desenvolvimento do
indivíduo.
 Estas construções organizacionais são
desenvolvidas através da experiência da
infância e influências posteriores.

 As distorções cognitivas resultam em


comportamentos desajustados e que
causam sofrimento psíquico.
 Distorções Cognitivas, exemplos:
Inferência Arbitrária – concluir ao contrário do que
apontam as evidências;
Abstração Seletiva (Filtro Mental) – concluir
baseando-se apenas em uma pequena parte de dados;
Magnificação ou Minimização – avaliar distorcidamente
a importância relativa dos eventos, para mais ou para
menos;
Personalização – relacionar eventos externos a própria
pessoa quando não há indícios para tanto;
Pensamento Dicotômico – classificar as pessoas ou a si
mesmo em categorias rígidas e estanques;
Pensamento Catastrófico – previsão de um pior
desfecho possível, sem levar em conta as alternativas.
A avaliação realista e a modificação no
pensamento produzem uma melhora no
humor e no comportamento.

A melhora duradoura resulta da


modificação das crenças disfuncionais
básicas do paciente.
OBJETIVO DA TCC
 Seu objetivo é compreender sistematicamente os
processos que mantém a condição do sofrimento
emocional, identificar as ideias, memórias, pensamentos
e comportamentos que prejudicam a pessoa, refletindo
sobre elas e, posteriormente, testando novos
paradigmas de pensamento e comportamento
para que seja possível o desenvolvimento de uma vida
mais saudável e flexível.
Modelo cognitivo
comportamental

AVALIAÇÃO
EVENTO COGNITIVA
(Prepara-se para ir a (Sou desajustado e
uma festa) não sei o que
fazer...)

COMPORTAMENTO EMOÇÃO
(Dá uma desculpa e (Tensão e
não vai a festa) ansiedade)
O PAPEL DO TERAPEUTA
 É importante que o terapeuta se comporte de forma a
minimizar o sofrimento do cliente. Para isso é
necessário que ele apresente-se como uma audiência
não-punitiva e como um agente reforçador, trazendo
um aumento da tolerância do cliente para a exposição
a emoções aversivas e maximizando as chances do
cliente aceitar interpretações, seguir instruções e
atentar quaisquer intervenções que o terapeuta possa
fazer.
“Os homens não se perturbam
pelas coisas que acontecem, mas
sim pelas opiniões sobre as
coisas”(Epíteto)
Na TCC os terapeutas:
 Encorajam o reconhecimento e a
identificação de pensamentos patológicos em
dois níveis de processamento de informações
relativamente autônomos:
 pensamentos automáticos e
 crenças centrais.
 Ensinam os pacientes a utilizar técnicas para
“pensar sobre o pensamento” a fim de atingir a
meta de trazer as cognições autônomas à
atenção e ao controle consciente.
CARACTERÍSTICAS DA TCC
 Constitui um sistema de psicoterapia integrado,
combinando o modelo cognitivo de personalidade e de
psicopatologia a um modelo aplicado, que reúne um
conjunto de princípios, técnicas e estratégias
terapêuticas fundamentado diretamente em seu modelo
teórico.
 Demonstra aplicabilidade eficaz, segundo estudos
controlados, em áreas diversas, por exemplo: educação,
esporte, organizações, tratamento de distúrbios
psíquicos e orgânicos, etc.
 É focal, requerendo uma definição concreta e específica
dos problemas do paciente e das metas terapêuticas.
 Possui um caráter didático, em que o
objetivo não é unicamente ajudar o
paciente com seus problemas, mas dotá-lo
de um novo instrumento cognitivo e
comportamental, a fim de que ele possa
perceber e responder ao real de forma
funcional.
 As sessões, bem como o processo
terapêutico, são semiestruturadas,
envolvendo tarefas entre as sessões.
 É colaborativa, ou seja, reflete um processo em
que ambos, terapeuta e paciente, têm um papel
ativo, ou seja, as intervenções são explícitas,
envolvendo feedback recíproco entre o
terapeuta e o paciente.
 É um processo terapêutico de tempo curto e
limitado, podendo sua aplicação variar entre
aproximadamente de 10 a 20 sessões.
 Mostra-se eficaz para diferentes populações,
independente da cultura e níveis
socioeconômicos ou educacionais.
FASES DA PSICOTERAPIA
Primeira Fase – enfatiza-se a definição da estratégia de
intervenção, ou seja, a conceitualização cognitiva do paciente e
de seus problemas, a definição das metas terapêuticas e do
planejamento do processo de intervenção;
Segunda Fase – o terapeuta objetiva a normalização das
emoções do paciente para promover a motivação do paciente
para o trabalho terapêutico e sua vinculação ao processo.
Terceira Fase – o terapeuta enfatiza a intervenção em nível
estrutural, ou seja, o desafio das crenças e esquemas
disfuncionais, objetivando promover a reestruturação
cognitiva.
Quarta Fase –onde promove-se, através de várias técnicas, a
assimilação e generalização dos ganhos terapêuticos, bem
como a prevenção de recaídas;
Término:
• A terapia em seu formato semanal deve ser encerrada
quando a maioria dos sintomas tiver sua intensidade
reduzida significativamente, causando interferência
mínima na rotina de vida do paciente.
• Nessa fase, faz-se a revisão das técnicas aprendidas e
orienta-se para a prática contínua das mesmas,
visando-se assim, a manutenção da melhora clínica.
• Deve-se também atentar para a recaídas e seus
potenciais desencadeantes.
• Finalmente, as consultas podem ser espaçadas ao longo
de um período, até a alta propriamente dita.
Transtornos indicados
 Depressão
 Transtornos de Ansiedade
 Transtornos Alimentares
 Abuso de Substâncias e de Álcool
 Transtornos de Personalidade

 Transtorno Psicótico (Esquizofrenia, transtorno


delirante).
 Transtorno Bipolar
 Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade
 Dor Crônica
Casos não indicados
 Doença mental orgânica, que implique
comprometimento cognitivo (Demência).
 Retardo Mental.
 Pouca capacidade para trabalhar introspectivamente
(incapacidade de identificar pensamentos, emoções,
crenças e expressá-los em palavras).
 Psicose aguda.
 Patologia grave do caráter borderline ou antissocial.
 Ausência de Motivação.
Reestruturação Cognitiva:
 Inicia-se pela identificação e pelo registro de pensamentos
automáticos e crenças disfuncionais.
 Subsequentemente, é feita uma análise dos “erros de lógica”
inerentes às interpretações catastróficas. Para isso, é
importante que o paciente considere tais pensamentos como
meras hipóteses, e não como fatos.
 A forma mais usual de corrigir esses erros de lógica é o
chamado questionamento socrático. Nessa técnica, o paciente,
juntamente com o terapeuta, faz um exame das evidências que
apoiam o seu pensamento e das evidências que são contrárias, a
fim de descobrir formas alternativas de interpretar suas
sensações físicas.
 Após a análise das probabilidades, elaboram-se novas
alternativas, que são chamadas de “lembretes” (por exemplo:
“estou tendo um ataque que não mata nem
enlouquece”.
Pensamentos Automáticos
 É um fluxo de pensamentos que coexistem
com pensamentos mais manifestos.

 Não são peculiares a pessoas com angústia, é


uma experiência comum a todo ser humano,
em geral não estamos cientes deles, contudo
com treinamento, é fácil trazê-lo a
consciência (checagem de realidade)

 Podem estar em forma verbal, visual


(imagem) ou ambas.
Pensamentos Automáticos
 São espontâneos, breves, coexistindo com
nossos fluxos de pensamentos mais
manifestos. Podemos dizer que eles são pré-
conscientes: na maior parte das vezes não os
percebemos, embora possamos fazer isto
com um pouco de treino.

 Os pensamentos automáticos manifestam a


maneira como significamos as situações bem
como as distorções que fazemos da
realidade.
Pensamentos Automáticos
 Parecem surgir espontaneamente e, em
geral, estamos mais cientes da emoção que
sentimos decorrência deles do que do
próprio pensamento.

 Assumimos estes pensamentos automáticos


como verdadeiros, porém, quando tomamos
consciência dos mesmos e os ligamos às
nossas crenças centrais, verificamos o
sentido dos mesmos, podendo assim
questionar o seu funcionamento.
Pensamentos Automáticos
Negativos ::: PAN’s
 Situações que podem desencadear os PAN´s
◦ Pequenos acontecimentos
◦ Pensamentos estressantes
◦ Lembranças
◦ Imagem
◦ Emoção
◦ Comportamentos
◦ Sensações físicas
◦ Sensações mentais
PAN’s ::: Exemplos
 Exemplo de Comportamento – Paciente evita pegar
ônibus – PAN =”Eu sou problemática, pessoas normais não
se comportam assim.”
 Exemplo de sensação física – Paciente sente palpitação
no coração – PAN= “Algo sério vai acontecer comigo, acho
que vou ter um infarto”
 Exemplo de sensação mental - Paciente sente pressão na
cabeça – PAN = “ Acho que vou enlouquecer, minha cabeça
vai explodir.

 Lembranças – Paciente lembra de um evento em que se


sentiu feliz – PAN = “ Nunca mais serei feliz como naquela
época”
 Imagens – Pacientes imaginam casamento do filho – PAN =
“Serei abandonada, ficarei sozinha. Ele vai esquecer de mim”.
Setas Descendentes
 É uma técnica usada, com frequência, para
atingirmos uma crença a partir da
identificação de um PA.
Setas Descendentes
 Tem como objetivo identificar as crenças.

 Através da Flecha Descendente, você


conhece as suas próprias crenças e começa
a compreender melhor a si mesmo, e assim,
caminhar em direção a suas realizações!
Setas Descendentes
 Para compreender seu funcionamento
psicológico, você precisa acessar suas crenças.
 Flecha descendente é o nome de uma técnica
simples, porém eficaz na identificação das crenças.
 Nela, você acessa suas crenças, lançando mão de
perguntas acerca do seu discurso.
 Essa técnica consiste em questionar o
pensamento automático inúmeras vezes, através
de perguntas como: “O que isso significa para
mim?” ou “O que isso diz sobre mim mesmo?”.
Exemplo
 Marcelo é um jovem de 18 anos e queixa-
se de seu desempenho social. Segundo
ele, eventos sociais como festas e
ocasiões comemorativas sempre são um
grande desafio, uma vez que se sente
desconfortável pelo alto nível de
ansiedade que relata experimentar. Por
conta disso, Marcelo tem dificuldades de
fazer amizades e de conhecer uma jovem
para namorar.
 A seguir, Marcelo acessa um pensamento
automático próprio, relacionado com uma
situação relatada como altamente
desconfortável para ele: uma festa da
faculdade.
 Pergunta: O que passou pela minha cabeça na última
festa da faculdade que fui? Resposta: Pensei: “As
pessoas a minha volta vão rir de mim quando eu
tentar me aproximar delas”

 Depois, Marcelo acessa as crenças realizando


perguntas típicas da técnica. Pergunta: E o que isso diz
sobre mim? (que as pessoas a volta dele irão rir caso
ele tente se aproximar)? Resposta: Hum... Penso
provavelmente que eu sou motivo de piada por ser
tão esquisito. (Crença central = Eu sou esquisito) E já
que eu sou esquisito, as pessoas irão zombar de mim.
(Regra e suposição que indicam uma crença
intermediária)
 Em outro momento, Marcelo pode realizar outra
pergunta comumente utilizada na técnica, em relação
a outro episódio de sua vida: um encontro ao acaso
com uma jovem que Marcelo gosta. Discurso: Eu
gostaria de ter me aproximado, mas não consegui...
Mas o que me deixou mais triste, foi quando pensei:
“A Manuela jamais vai querer namorar um cara como
eu”. Então fui embora magoado. Pergunta: Supondo
que isso seja verdade, o que isso significaria?
Resposta: Significa que as mulheres são altamente
exigentes (crença central acerca do sexo feminino) e
logo, só vão querer namorar homens ricos e bonitos
(regra e suposição que indica uma crença
intermediária).
Exemplo 2
 Crenças Centrais
“Eu não sou uma pessoa atraente”
 Crenças Intermediárias
Regra:
“Eu deveria ser capaz de enfrentar todos os meus
problemas sem comer doces”
Atitude:
“Ser gorda é o fracasso total”
Suposições:
“Como aparência é fundamental, ninguém gosta de
mim”
“Se eu emagrecer todos os meus problemas irão se
resolver”
“Se eu for magra, as pessoas me respeitarão”
Crenças Centrais e o que
representam
 As chamadas crenças centrais são
conteúdos cognitivos rígidos e profundos,
ideias centrais que a pessoa tem de si
mesma, dos outros e do mundo.

 Iniciam-se na infância, a medida que o


indivíduo interage com pessoas
significativas e encontra situações que
confirmem sua crença.
Crenças Centrais e o que
representam
 Não são facilmente acessados (ao contrário
dos pensamentos automáticos)

 São Absolutas “forma como as coisas são”,


rígidas, supergeneralizadas e globais sobre si
e o outro.

 Uma pessoa que desenvolve um esquema


ligado ao abandono, pode desenvolver uma
crença central como “eu não mereço ser
amado”; “não posso confiar em ninguém”;
“os outros irão magoar-me”.
Crenças Centrais e o que
representam
 Essas crenças influenciam como o indivíduo
pensa, sente e se comporta.

 Influenciam o desenvolvimento das crenças


intermediárias.

 As crenças negativas (disfuncionais) podem


ser ativadas em momentos de aflição
psicológica ou situações relacionadas às
vulnerabilidades do individuo.
Crenças Intermediárias
 As crenças intermediárias são o nível
existente entre os Pensamentos
Automáticos e as crenças centrais. As
crenças intermediárias constituem uma
forma de reduzir o sofrimento provocado
pelas crenças centrais, consistindo
basicamente de regras e suposições como
“eu devo”, “eu tenho que”, “se...então”.
Crenças Intermediárias
 São mais maleáveis que as crenças
centrais
 São suposições que ajudam a lidar com a
crença central
 Embora não sejam tão facilmente
modificadas quanto os pensamentos
automáticos, são ainda mais maleáveis que
as crenças centrais.
 São mecanismos de sobrevivência, criados
para adaptação do indivíduo.
Escalas Beck
 Desenvolvida por Beck e seus colegas no
Center for Cognitive Therapy (CCT) da
Universidade da Pensilvania, Estados
Unidos.
KIT
 1 manual
 5 folhas de protocolo de ansiedade - BAI
 5 folhas de protocolo de depressão - BDI
 5 folhas de protocolo de desesperança - BHS
 5 folhas de protocolo de ideação suicida - BSI
 1 crivo
INFORMAÇÕES GERAIS
 INDICAÇÃO:
 17 a 80 anos
 Todos indicados para pacientes psiquiátricos
 BDI - pesquisa e clinica com pacientes não
psiquiátricos e para população geral;
 BHS - pesquisa e clinica com pacientes não
psiquiátricos e para população geral, mais satisfatórios
em sujeitos com patologia;
 BAI - população geral, mas falta subsídios na
interpretação;
 BSI - adultos psiquiátricos
Inventário de depressão (BDI)
 Conceito de depressão
 Inicialmente foi desenvolvido como escala
Sintomática de depressão
 E uma escala de auto-relato
 21 itens
 O escore total classifica o nível da intensidade de
depressão
 E indicado para sujeitos de 17 a 80 anos
 No Brasil foram realizados estudos com sujeitos de 12
a 17 anos e com sujeitos da terceira idade
Inventário de Ansiedade (BAI)

 Criado por Beck,Epstein,Bronw e Steer;


 Conceito de Ansiedade;
 Originalmente uso em pacientes psiquiátricos
 Versão em português;
 21 itens.
Inventário de Ansiedade (BAI)
 Escala de 4 pontos
1- Absolutamente não
2- Levemente: não me incomodou muito
3- Foi muito desagradável, mas pude suportar
4- Gravemente: Dificilmente pude suportar
ESCALA DE DESESPERANÇA (BHS)

 Originalmente foi apresentada como medida da


dimensão do pessimismo ou extensão das
atitudes negativas frente ao futuro.

 Década de 60: surgimento do construto


desesperança na literatura psicanalítica.

 Desesperança como elemento-chame para


formular a teoria do comportamento suicida.
Escala de Ideação Suicida (BSI)
 Versão de alto relato;
 Observações, historias e obras de suicidologia;
 Não prevê um eventual suicídio;
 Não identifica simulação ou confusão;
 Não é substituto de avaliação clinica.
Avaliação Inicial
 Início da coleta acerca do paciente.
Estrutura
 Estabelecer agenda de forma implícita.
 Fazer avaliação do humor do paciente (
aplicar as escalas).
 Pedir uma descrição da queixa principal
(discutindo diagnóstico).
 Orientar o paciente com relação a seu
problema.
 Pesquisar, de forma ativa, as diversas áreas
de desenvolvimento do paciente.
Estrutura
 Áreas:
 Familiar – origem, dinâmica, constituição.
 Social – O que gosta de fazer, grupo de
amigos, hobby, facilidade/dificuldade para
fazer amigos.
 Saúde – Cirurgia, medicação atual,
doenças. Importante verificar uso
adequado da medicação, se há uso de
drogas ilícitas, uso de anabolizantes.
Estrutura
 Acadêmicos
 Profissional – área de atuação, interesse.
 Conjugal – resolução de conflitos,
interesse em comum, planos futuros,
afetivo/sexual.
 Auto conceito – qualidade, defeito, o que
gostaria de mudar, imagem.
 Sempre pedir feedback ao final das
sessões.
Estrutura
 Orientar o paciente quanto ao modelo
cognitivo (psicoeducação). Importante
pegar um exemplo do paciente para que
mesmo tenha mais facilidade de
compreensão.
 Falar da eficácia, estudos comprovados,
duração do tratamento e da importância
da participação do mesmo no seu
processo de evolução/melhora.
Estrutura
 Obter informações sobre expectativa do
paciente com relação a terapia.
 Resumo da sessão.
 Solicitar feedback
 Deixar claro o contrato.
ATENÇÃO
 A PRIMEIRA SESSÃO JÁ COMEÇA A
SER CONSTRUIDA A ALIANÇA
TERAPEUTICA, QUE É FUNDAMENTAL
PARA O PROCESSO TERAPEUTICO.
Problemas e Metas
“Se pudermos reorientar nossos
pensamentos e emoções e reorganizar
nosso comportamento, então poderemos
não só aprender a lidar com o sofrimento
mais facilmente, mas, sobretudo e em
primeiro lugar, evitar que muito dele surja”
Dalai Lama (1999)
Referências
BECK, J. S. Terapia Cognitiva: teoria e prática. Tradução Sandra
Costa. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

FREEMAN, A; DATILIO, F. Compreendendo a terapia cognitiva.


Campinas: Editorial Psy, 1998. KNAPP, P. A terapia cognitivo-
comportamental no tratamento dos transtornos mentais. Rev. Bras.
Psiquiatr. v. 30. (Supl II). p. 51-53. 2008.

WRIGHT, J. H.; BASCO, M. R.; THASE, M. E. Aprendendo a terapia


cognitivocomportamental: um guia ilustrado. Tradução Mônica
Giglio Armando. Porto Alegre: Artmed, 2008.

DOBSON, D; DOBSON,K.S. A terapia cognitivo-comportamental


baseada em evidências. Tradução Vinícius Duarte Figueira. São Paulo:
Artmed, 2011.

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