Cartilagem e Osso
Cristiane Torres
Tecido Cartilaginoso
1 Características Gerais:
– Forma especializada de tecido
conjuntivo de consistência rígida
(ligações eletrostáticas entre o
colágeno e as glicosaminoglicanas e
alto conteúdo de água);
– Contém células (condrócitos) e
abundante material extracelular
(matriz);
– Desprovido de vasos sanguíneos,
vasos linfáticos e nervos.
Ross, Pawlina, 2018
Tecido Cartilaginoso
2 Estrutura histológica da matriz:
– Colágeno ou colágeno mais elastina;
– Proteoglicanas: agrecam;
– Glicosaminoglicanas: ácido hialurônico, queratan
sulfato, condroitim sulfato;
– Glicoproteínas: tenascina, fibronectina, ancorina CII.
Tipos de Colágeno da Cartilagem
Tipo de Colágeno Características
II Forma fibrilas não visíveis ao microscópio óptico e com o
mesmo índice de refração do resto da matriz extracelular.
VI Encontrado na periferia dos condrócitos, ajudando na
adesão célula-matriz.
IX Encontrado na superfície das fibrilas colágenas, ajudando
na ligação com as proteoglicanas.
X Organiza as fibrilas colágenas em rede tridimensional,
ajudando na função mecânica.
XI Regula o tamanho das fibrilas colágenas.
I Presente apenas na fibrocartilagem, resiste à tração.
[Link]
Estrutura Da Matriz Cartilaginosa
Colágeno
Monômero Tipo IX
de
Proteoglicano Colágeno
Tipo II
Glicogênio
Gotícula de
Gordura
Ácido
Hialurônico
Ross, Pawlina, 2018
Tecido Cartilaginoso
3 Funções:
– Suporte de tecidos
moles
– Revestimento de
superfícies articulares
– Absorção de choques
– Deslizamento dos ossos
nas articulações
(Junqueira, Carneiro, 2018)
Tecido Cartilaginoso
4 Pericôndrio:
– Camada de tecido conjuntivo denso que envolve as
cartilagens
– Mais rico em fibras colágenas tipo I na periferia e
mais celular na parte profunda (junto à cartilagem)
– Funções: nutrição, oxigenação e crescimento das
cartilagens
Pericôndrio
Região de maior basofilia
em razão do baixo
conteúdo de colágeno.
(Junqueira, Carneiro, 2018)
Tecido Conjuntivo Denso
Pericôndrio
Cartilagem em Crescimento
Ross, Pawlina, 2018
5 Histogênese (formação das cartilagens no embrião):
(Junqueira, Carneiro, 2018)
Tecido Cartilaginoso
6 Crescimento das cartilagens:
– Intersticial: por divisão mitótica dos
condrócitos pré-existentes (a partir do interior
da cartilagem)
– Aposicional: por adição de células e matriz a
partir do pericôndrio (a partir da superfície da
cartilagem)
Tecido Cartilaginoso
7 Classificação:
– Cartilagem hialina
– Cartilagem elástica
– Cartilagem fibrosa
Cartilagem hialina
1 Características histológicas:
– Cor branco-azulada e translúcida
– Composta de fibrilas colágenas tipo II associadas ao ácido
hialurônico, proteoglicanas muito hidratadas e glicoproteínas
– Possui pericôndrio
– Localização: parede das fossas nasais, traquéia e brônquios,
extremidade ventral das costelas e superfícies articulares de
ossos longos
Cartilagem elástica
1 Características histológicas:
– Fibras de colágeno tipo II e abundante rede de fibras
elásticas;
– Proteoglicanas e glicoproteínas;
– Possui pericôndrio;
– Localização: pavilhão auditivo, conduto auditivo e
tuba auditiva, epiglote, cartilagem cuneiforme da
laringe.
Cartilagem elástica
[Link]
Cartilagem fibrosa
1 Características histológicas:
– Grande quantidade de feixes de fibras colágenas tipo
I (além do tipo II) e escassa substância fundamental
amorfa (proteoglicanas, ácido hialurônico e
glicoproteínas);
– Não possui pericôndrio mas está sempre associada
ao tecido conjuntivo denso;
– Localização: discos intervertebrais, pontos de
inserção de alguns tendões e ligamentos ao osso e
na sínfise pubiana.
Figura 7.12 Fotomicrografia da cartilagem de um disco intervertebral.
As fibras colágenas estão coradas em verde nesta preparação com
coloração tricômica de Gomori. Os condrócitos se organizam em
grupos celulares próximos dispostos em fileiras entre as fibras
colágenas ou em grupos isógenos. 60×. Detalhe. Maior aumento de
um grupo isógeno. (Ross, Pawlina, 2018). (Junqueira, Carneiro, 2018)
Cartilagem fibrosa
Cartilagem hialina
Cartilagem elástica
(Junqueira, Carneiro, 2018)
Discos Intervertebrais
Estrutura:
– Anel fibroso: porção periférica de
tecido conjuntivo denso e porção
mais interna de fibrocartilagem
– Núcleo pulposo: células
arrendondadas dispersas em
líquido viscoso constituído de ácido
hialurônico e colágeno tipo II
(Junqueira, Carneiro, 2018)
Tecido Ósseo
1 Características Gerais:
– Forma especializada de tecido
conjuntivo formado por células e
matriz extracelular mineralizada
– Contém células (osteoblastos,
osteoclastos e osteócitos) e
abundante material extracelular
(matriz)
Ross, Pawlina, 2018
Tecido Ósseo
1 Características Gerais:
- Os vasos sanguíneos e nervos
penetram no osso através do tecido
conjuntivo e as moléculas
nutricionais alcançam as células por
difusão dentro dos canalículos
ósseos;
- Caracteriza-se por rigidez e dureza,
mas é dinâmico, adaptando-se às
demandas do organismo durante
seu crescimento. Ross, Pawlina, 2018
Tecido Ósseo
2 Estrutura histológica:
– Parte orgânica (50% do peso):
• fibras colágenas tipo I (acidofilia);
• pequena quantidade de outros colágenos, proteoglicanas e
glicoproteínas (osteopontina, osteonectina etc);
• Presença de glicosaminoglicanas (ácido hialurônico,
queratam sulfato, condroitim sulfato).
– Parte inorgânica:
• fosfato e cálcio formando cristais semelhantes à
hidroxiapatita dos minerais das rochas [Ca10(PO4)6 (OH)2];
• bicarbonato, magnésio, potássio, sódio e citrato em
pequenas quantidades.
Tecido Ósseo
3 Funções:
– Suporte de tecidos moles;
– Protege órgãos vitais;
– Apoia os músculos
esqueléticos, transformando
suas contrações em
movimentos;
– Armazena cálcio, fosfato e
outros íons;
(Junqueira, Carneiro, 2018)
Tecido Ósseo
4 Células:
Células ósseas Características
Células osteoprogenitoras Fusiformes, de superfície, mesenquimais; originam
os osteoblastos.
Osteoblastos De superfície, secretam a matriz óssea.
Osteócitos São osteoblastos presos na matriz óssea;
sintetizam e degradam a matriz, ajudando na
homeostase do cálcio.
Osteoclastos Da linhagem sanguínea (monócitos-macrófagos),
são multinucleados e reabsorvem a matriz óssea.
[Link]
Osteoblastos
(Junqueira, Carneiro, 2018)
Ross, Pawlina, 2018
Osteócitos
Ross, Pawlina, 2018 (Junqueira, Carneiro, 2018)
Osteoclastos
(Junqueira, Carneiro, 2018)
Tecido Ósseo
5 Periósteo e endósteo:
– Periósteo:
• reveste a superfície externa dos ossos;
• possui fibras colágenas e fibroblastos na
sua camada mais externa e células
osteoprogenitoras na camada mais
interna.
– Endósteo:
• reveste a superfície interna dos ossos;
• Formado por camada de células
osteogênicas achatadas.
(Junqueira, Carneiro, 2018)
Tecido Ósseo
6 Histogênese
– Ossificação intramembranosa: ocorre no interior de
um tecido conjuntivo; forma a maior parte dos ossos
do crânio e da face e auxilia o crescimento dos ossos
curtos e longos (em espessura).
– Ossificação endocondral: é o processo de
substituição de uma peça cartilaginosa (molde) por
tecido ósseo; forma os ossos curtos e longos.
Ossificação
Endocondral
Ross, Pawlina, 2018
Ossificação Intramembranosa
(Junqueira, Carneiro, 2018)
Ossificação Intramembranosa
(Junqueira, Carneiro, 2018)
Tecido Ósseo
7 Classificação:
– Aspecto macroscópico:
• Osso compacto: sem cavidades visíveis a olho nu
• Osso esponjoso: com cavidades visíveis a olho nu
– Aspecto histológico:
• Osso primário (não lamelar): menos mineralizado, fibras
colágenas dispersas;
• Osso secundário (lamelar ou haversiano): fibras colágenas
arranjadas em torno de vasos sanguíneos e nervos
(sistemas de HAVERS)
Quanto ao Aspecto Macroscópico
(Junqueira, Carneiro, 2018)
Quanto ao Aspecto Histológico
Ross, Pawlina, 2018
Osso Compacto
(Osso Secundário ou Haversiano)
(Junqueira, Carneiro, 2018)
Organização do Osso Compacto: Sistemas Circunferenciais Interno e Externo e
Sistemas de Havers
(Junqueira, Carneiro, 2018)
8 Formação de Osso Longo a Partir de Molde Cartilaginoso
Human Anatomy
9 Consolidação de Fraturas
Blog Destilamente
10 Considerações Clínicas
• Raquitismo: deformações ósseas nas crianças por
deficiência de cálcio;
• Osteomalácia: fragilidade óssea no adulto devido à
deficiência de cálcio;
• Osteoporose: reabsorção aumentada devido a
desequilíbrio hormonal (Ex: hiperparatireoidismo,
menopausa);
• Osteopetrose: superprodução de tecido ósseo por
desequilíbrio hormonal (Ex: hipoparatireoidismo).