Introdução às Ciências Físicas Módulo 1 – Aula 4
Superfícies refratoras esféricas: dioptro esférico
Estudaremos agora a formação de imagens por refração em uma
superfície esférica, que separa dois meios homogêneos e transparentes. Este
sistema óptico é denominado dioptro esférico, e a equação que descreve a
formação de imagens neste sistema apresenta muitas semelhanças com a que
descreve a formação de imagens por reflexão nos espelhos esféricos, que você
estudou na Aula 3.
Na Figura 69, raios luminosos provenientes de um objeto puntiforme O
incidem numa superfície refratora esférica convexa, de raio de curvatura R. O
meio contendo a luz incidente tem índice de refração n1, e o outro meio tem
índice de refração n2, maior. Uma imagem real do objeto forma-se no segundo
meio.
Figura 69
Dioptro esférico: superfície refratora convexa, n2 > n1
n1
θ1 n2 > n1
θ2 imagem real
V
O C I
R
o
i
Na Figura 70, o segundo meio também tem o índice de refração maior,
mas agora a superfície refratora é côncava e a imagem formada é virtual.
Figura 70
Dioptro esférico: superfície refratora côncava, n2 > n1
n1
n2 > n1
imagem virtual V
O I C
R
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Física 98 CEDERJ
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Uma outra situação está mostrada na Figura 71. A superfície refratora
também é côncava (explique!). Agora contudo, o índice de refração do segundo
meio é o menor, e a imagem formada é real.
Figura 71
Dioptro esférico: superfície refratora convexa, n2 < n1
n2 < n1
n1 θ2
θ1 imagem real
O C V I
R
o i
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Física 99 CEDERJ
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Equação dos dioptros esféricos
Da mesma forma que para os espelhos esféricos, podemos chegar a uma
equação que relacione a distância objeto e a distância imagem, após efetuarmos
algumas aproximações.
Usaremos uma superfície convexa e n2 > n1, como mostrado na Figura
72, mas o resultado final vale em qualquer caso desde que seja obedecida a
convenção de sinais apresentada no final desta seção.
Na figura, R, o e i são positivos.
Figura 72
Grandezas no dioptro esférico
n1 P
θ1 n2 > n1
h θ2
O α β I
V
Q C
R
o
i
A lei dos senos aplicada aos triângulos PCO e PCI dá:
R o+R R i−R
= =
sen α sen θ 1 sen β sen θ 2
onde sabemos que: n1 sen θ1 = n2 sen θ2 .
Dividindo-se membro a membro as duas primeiras equações e usando
a relação acima, obtemos:
Novamente, como no caso dos espelhos esféricos, a distância imagem i
i − R n1 sen α
=
o + R n 2 sen β
depende do ângulo α entre o raio luminoso e o eixo. Usaremos mais uma vez
a aproximação paraxial, na qual os ângulos são suficientemente pequenos
para termos θ ~ sen θ ~ tan θ ; da Figura 72 observamos o quanto valem as
tangentes dos ângulos α e β, e escrevemos
sen α / sen β ≈ tgα / tg β ≈ (h/o) / (h/i) = i / o
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Física 100 CEDERJ
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Usando-se esse resultado, a equação que havíamos obtido fica
i − R n1i
=
o + R n2 o
Você poderá mostrar que este resultado pode ser escrito como:
n1 n 2 (n 2 − n1 )
+ =
o i R
que é a equação dos dioptros esféricos.
Esta equação pode ser utilizada para qualquer dioptro desde que seja
obedecida à convenção de sinais representada na Figura 73. Observe que ela é
diferente da convenção para os espelhos esféricos. Compare as duas e tire suas
conclusões.
Figura 73
Convenção de sinais para dioptros esféricos
Lado virtual Lado real
(aqui se formam as imagens virtuais) (aqui se formam as imagens reais)
LUZ INCIDENTE LUZ REFRATADA
n1 n2
i < 0 , mas o > 0 ! i>0
R < 0 (superfície côncava) R > 0 (superfície convexa)
Volte à equação obtida anteriormente – a equação dos dioptros
esféricos. Aplique esta equação nos casos mostrados nas Figuras 70 e 71,
obedecendo à convenção de sinais, e verifique que ela funciona sempre. Não
esqueça que n1 é sempre o índice de refração do meio que contém a luz
incidente!
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Física 101 CEDERJ