A
A água de Março é pior do que a nódoa no fato.
A água que de Verão há-de regar, de Abril
e Maio há-de ficar.
A avareza é madrasta de si mesma.
A boa cepa, Maio a deita.
A burro dado não se lhe olha ao dente.
A cada boca uma sopa.
A cão fraco acodem as moscas.
A casamento e baptizado, não vás sem ser
convidado.
A chuva de S. João bebe vinho e come
pão.
A corda rebenta sempre do lado mais
fraco.
A coroa não cura a dor de cabeça.
A criança é o pai do homem.
A doença vem às braçadas e vai às
polegadas
A fiar e a tecer ganha a mulher de comer
A fortuna é vária: hoje é favor, amanhã
contrária.
A galinha que o é de verdade, não quer capoeira, quer liberdade.
A grande cão, grande osso.
A ignorância do bem é a causa do mal.
A ladrão de casa não se fecha a porta.
A má chaga, má erva.
A melhor palavra, por vezes, é a que está
por dizer.
A mula e a mulher com pau se quer.
A necessidade é a mestra do engenho.
A necessidade mete a velha a caminho.
A necessidade não tem lei.
À noite todos os gatos são pardos.
A obra louva o mestre.
A ocasião faz o ladrão.
A ociosidade é a mãe de todos os vícios.
A Ordem é rica e os frades são poucos.
A pensar, morreu um burro.
A pergunta apressada, resposta lenta.
A precaução vale mais do que a cura.
A quem do seu foi mau dispenseiro, não fies teu dinheiro.
A quem muito tem que fazer, sempre
sobeja lazer.
A quem não sobeja pão, não sustenta cão.
A quem tudo quer saber, nada se lhe diz.
A rico não devas, a pobre não prometas.
A sardinha só pinga no pão, quando chega o [Link]ão.
A serenidade vence o furor.
A ventre farto, o mel amarga.
Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado.
Abril, águas mil, quantas mais puderem vir.
Agosto amadurece, Setembro vindimece.
Agosto chuvoso, dá força à vida.
Agosto frio no rosto.
Agosto nos farta, Agosto nos mata.
Agosto vinho mosto.
Água de Julho no rio não faz barulho.
Água de Maio, pão todo o ano.
Água fria e pão quente nunca fizeram bom ventre.
Águas verdadeiras, por S. Mateus as
primeiras.
Amor de menino, água em cestinho.
Amor e reino não quer parceiro.
Amor, fogo e tosse, ao seu dono descobre.
Ande o frio por onde andar, no Natal cá
vem parar.
Ande o frio por onde andar, pelo Natal há-
de chegar.
Ande onde andar o Verão, há-de vir no
[Link]ão.
Antes burro me leve, que cavalo me derrube.
Antes burro vivo, que sábio morto.
Antes das sopas, molham-se as bocas.
Antes magro no mato, que gordo no papo
do gato.
Antes malho, que bigorna.
Antes minha face com fome e amarela, que vergonha nela.
Antes só que mal acompanhado.
Ao melhor galgo, escapa a lebre.
Ao menino e ao borracho põe Deus a mão por baixo.
Ao pé de tomateiros, não há maus
cozinheiros.
Ao pobre seus irmãos o desamparam, ao rico mil amigos se deparam.
Ao que mal vive, o medo o persegue.
Ao quinto dia verás que mês terás.
Apanha com o cajado, quem se mete onde
não é chamado.
Aproveite Fevereiro quem folgou em
Janeiro.
Arde melhor lenha molhada que pedra
enxuta.
As enfermidades vêm a cavalo e retiram-se a pé.
Às nove deita-te pobre, se guardas para às
dez mais burro és.
As sopas e os amores, os primeiros são os melhores.
Asno com fome, bugalhos come.
Asno que a Roma vá, de lá asno voltará.
Asno que entra em despesa alheia, levará
pau em vez de aveia.
Assim como vires o tempo de Santa Luzia ao Natal, assim estará o ano, mês a mês,
até final.
Até ao lavar dos cestos vai a vindima.
Até lá, muita água passará por baixo da
fonte.
Até S. Pedro, tem o vinho medo.
Aveia de Fevereiro enche o celeiro.
B
Barriga esfomeada não tem ouvidos.
Bem canta Marta depois de farta.
Bem está o que bem acaba.
Bem mal ceia quem come de mão alheia.
Boa é a cozinha onde há carne.
Boca de mel, coração de fel.
Boi sonso, marrada certa.
Bom rafeiro, caça o ano inteiro.
Burro que geme, carga não teme.
Burro que muito zurra, pede cabresto.
Burro velho não aprende línguas.
Burro velho não toma andadura, e se a toma pouco lhe dura.
C
Como falardes, assim ouvireis.
Cabra manca não tem sesta e, se tem, não lhe presta.
Cachorro de cozinha e moça que anda sozinha, não faz fiança para ninguém.
Cada cabeça sua sentença.
Cada macaco no seu galho.
Cada ovelha com sua parelha.
Cada qual com seu igual.
Cada qual puxa a brasa à sua sardinha.
Cada qual sabe onde lhe aperta o sapato.
Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso.
Cada um é filho das suas obras.
Calar a verdade é enterrar o ouro.
Cala-te tu primeiro, se queres que os outros se calem.
Calcanhar de homem, cu de mulher e focinho de cão, não têm calor nem no
pino do Verão;
Calças brancas em Janeiro é sinal de pouco dinheiro.
Caldo sem pão, só no inferno o dão.
Cama de chão, cama de cão.
Candeia que vai à frente, alumia duas vezes.
Canta a cotovia, tempo de invernia.
Canta o gavião, vamos ter trovão.
Canta o rouxinol, vamos ter sol.
Cão com raiva, a seu dono morde.
Carnaval na rua, Páscoa em casa.
Carta batida não é recolhida.
Carvalho não dá morcela.
Casa de ferreiro, espeto de pau.
Casa de pobre, tacho de cobre.
Casa em que não há cão nem gato, é casa de velhaco.
Casamento demorado, com certeza é desmanchado.
Casamento e mortalha, no céu se talha.
Cautela e caldos de galinha, nunca fizeram mal a doentes.
Cava fundo em Novembro para plantares em Janeiro.
Cesteiro que faz um cesto, faz um cento.
Chega-te aos bons, serás um deles; chega-te aos maus, serás pior que eles.
Choupana onde se ri, vale mais que um palácio que chora.
Chovam trinta Maios e não chova em Junho.
Chuva de Agosto, apressa o mosto.
Chuva de S. João, molha o alho e anuncia o Verão.
Chuva em Janeiro e não frio, vai dar riqueza ao Estio.
Chuva em Junho, mordedura de víbora.
Chuva em Junho, peçonha no mundo.
Chuva fina por [Link] Agostinho é como se chovesse vinho.
Chuva junhal, fome geral.
Chuva no S. João tira o vinho, azeite e não dá pão.
Chuva no S. João, bebe o vinho e come o pão.
Com açúcar e com mel até as pedras sabem bem.
Com boca cheia de água não se sopra fogo.
Com pão e vinho segue caminho.
Com papas e bolos se enganam meninos e tolos.
Come caldo, vive em alto. Ainda quente viverás longamente.
Comida fina em copos grossos, faz mal aos ossos.
Conselho desprezado, há-de ser muito lembrado.
Cresce o ouro bem batido como a mulher com bom marido.
Criado que faz o seu dever, orelha de burro deve ter.
Cuidado com homem que não fala e com cão que não ladra.
D
Dá Deus nozes a quem não tem dentes.
Da discussão nasce a luz.
Da flor de Janeiro ninguém encheu o celeiro.
Dar com a mão direita sem a mão esquerda
saber.
De bom mestre bom discípulo.
De cá se vai a lá.
De hora a hora, Deus melhora.
De livro fechado não sai letrado.
De médico e de louco, todos nós temos um pouco.
De nada duvida quem nada sabe.
De pequena fagulha, grande labareda.
De [Link] Catarina ao Natal, mês igual.
De um sim e de um não, nasce toda a questão.
De Víseu quero o cão para coelho e não homem para conselho.
Defeitos do meu amigo, lamento mas não maldigo.
Depois da casa arrombada trancas à porta.
Depois da tempestade vem a bonança.
Depois de burro morto, cevada ao rabo.
Depois do burro selado não falta quem o
monte.
Depois dos baptizados estarem feitos, não
faltam padrinhos.
Depois que o menino nasceu, tudo cresceu.
Deus cobre com uma mão e descobre com as duas.
Deus dá nozes a quem não tem dentes.
Deus faz o que quer e o homem o que pode.
Devagar se vai ao longe.
Devagar, quem tenha pressa.
Dia de S. Barnabé, seca-se a palha pelo pé.
Dia de S. Bartolomeu anda o diabo à solta.
Dia de S. Brás, cegonha verás, e se não a vires, o Inverno vem atrás.
Dia de S. Martinho vai-se à adega e prova-se o
vinho.
Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
Dia de Santo António vêm dormir as castanhas ao castanheiro.
Dia de Todos os Santos neve pelos campos.
Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.
Do guardado come o lobo.
Do mal que o homem foge, desse morre.
Do Natal ao Entrudo, come-se tudo.
Do trabalho e experiência, aprendeu o homem
a ciência.
Dor de mulher morta, dura até à porta.
Dos Santos ao Natal é bom chover e melhor nevar.
Dos Santos ao Natal Inverno natural.
Dos Santos ao Natal, cada dia mal.
Dos Santos ao Natal, Inverno natural.
Dos Santos ao Natal: ou bem chover ou bem nevar.
Duas luzes a arder, deitam uma casa a perder.
Duas pedras duras não fazem farinha.
E
E mais fácil aconselhar, que praticar.
É melhor ouvir conselho, que persistir no erro.
É preciso agarrar a ocasião pelos cabelos.
É tarde para economia, quando a bolsa está vazia.
Em 1 de Janeiro sobe ao outeiro: se vires verdejar põe-te a chorar, se vires
terrear põe-te a cantar, porque a água que há-de regar, de Abril há-de ficar.
Em Abril águas mil, canta o carro e o canil.
Em Abril vai a velha onde há-de ir e à sua cama vem dormir.
Em Abril vai onde hás-de ir, mas torna ao teu covil.
Em Abril, águas mil, coadas por um funil.
Em casa de ferreiro, espeto de pau.
Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.
Em chegando a S. Tomé, todo o tempo noite é.
Em cima de melão, vinho de tostão.
Em Dezembro descansar para em Janeiro trabalhar.
Em dia de festa, barriga atesta.
Em dia de S. Matias, começam as enxertias.
Em dia de Santa Luzia, cresce a noite, minga o dia.
Em dia S. Pedro, vê o teu olivedo, e se vires um grão, espera por um cento.
Em Fevereiro chuva, em Agosto uva.
Em Fevereiro, no primeiro jejuarás, no segundo guardarás, no terceiro dia de
S. Brás.
Em Janeiro seca a ovelha no fumeiro, em Março no prado, e em Abril se vai
urdir.
Em Janeiro sete casacos e um sombreiro.
Em Julho, ceifo o trigo e debulho, e em vento soprando, o vou limpando.
Em Março nem rabo de gado molhado.
Em Março, tanto durmo como faço.
Em Outubro colhe tudo.
Em Outubro pega tudo.
Em poder do homem está o lugar, e não o tempo.
Em Setembro planta, colhe e cava, que é mês para tudo.
Em Setembro, ardem os montes e secam as fontes.
Em terra de cegos, quem tem um olho é rei.
Enquanto o vinho desce, as palavras sobem.
Entradas de leão, saídas de cordeiro.
Entre Março e Abril, o cuco há-de vir; se não vier, ou El-Rei é morto, ou está
o fim do mundo para vir.
Entre marido e mulher não metas a colher.
Errar é próprio do homem, perdoar é próprio de Deus.
Esperança no ganho, diminui a canseira.
Este mundo é uma bola: quem anda nele é que se amola.
F
Fazer bem, sem olhar a quem;
Fevereiro quente, traz o diabo no ventre.
Fiadeira não ficaste, porque em Março não fiaste;
Filho és, pai serás, como fizeres, assim acharás
Filho que os pais amargura, jamais conte com ventura
Folguemos enquanto podemos, que noutra hora chorare-mos.
Formiga ladina que sobe por mim acima, não me alegra, nem me anima.
Fraco é o Maio que não rompe uma croça;
Frio de Abril nas pedras vai ferir;
Frio de Julho abrasa em S. Tiago;
Fui a casa do meu vizinho, envergonhei-me; vim para minha casa, remediei-
me.
G
Grão a grão, enche a galinha o papo.
Guarda o melhor tição, para o mês de S. João.
Governa a tua boca, seguindo a tua bolsa.
Gato miador não é bom caçador.
Geada em cima de lama, neve na cama.
Grande nau, grande tormenta.
Gaivotas em terra, tempestade no mar.
Guarda que comer, não guardes que fazer.
Gaiola feita, pássaro morto.
Guarda o que não presta, encontrarás o que te é preciso.
Gato escaldado de água fria tem medo.
Guarda pão para Maio e lenha para Abril porque o que não veio há-de vir.
Galinha gorda por pouco dinheiro não sai do poleiro.
Guarda prado, criarás gado.
H
Homem namorado nunca casa com sobrado.
Honra e proveito não cabem em saco estreito.
Há males que vêm por bem.
J
Janeiro geoso, Fevereiro nevoso, Março molinhoso, Abril chuvoso, e Maio
ventoso, fazem o ano formoso;
Junho floreiro, paraíso verdadeiro;
Janeiro greleiro, não enche o celeiro;
Janeiro molhado, se não cria pão, cria gado;
Junho calmoso, ano famoso;
Julho fusco e Janeiro chuvoso, ano perigoso;
Janeiro fora, mais uma hora, quem bem contar, hora e meia há-de achar;
Junho, ceitoira no punho.
L
Ladrão que rouba ladrão, tem cem anos
de perdão.
Leitão de um mês, cabrito de três, moça
de dezoito e rapaz de vinte e três.
Logo que Outubro venha, procura a
lenha.
Lua nova setembrina, sete luas domina.
Luar de Janeiro não tem parceiro, mas
lá vem o de Agosto que lhe dá no rosto.
M
Maio claro e ventoso faz o ano rendoso.
Maio couveiro, não é vinhateiro.
Maio hortelão, muita palha, pouco grão.
Maio me molha, Maio me enxuga.
Maio sem trovão é como caldo sem feijão.
Mais anda quem o vento ajuda, do que quem muito madruga.
Mais tem Deus para dar, do que o Diabo para levai;
Mais vale andar neste mundo em muletas, do que no outro em carretas.
Mais vale cautela do que arrependimento.
Mais vale quem Deus ajuda, do que quem muito madruga.
Mal remediado, mal passado
Março chuvoso, S. João farinhoso.
Março Marçagão, de manhã cara de cão, ao meio-dia de rainha, e à noite de
fuinha.
Matar dois coelhos de uma só cajadada.
Mau é por todo o Abril, ver o céu a descobrir.
Melhor é o rosto vermelho, do que o coração negro.
Melhor vida nova, do que pecado velho.
Merenda comida, companhia desfeita.
Mete o ruim em teu palheiro, quererá ser o teu herdeiro.
Mudado o tempo, mudado o conselho.
Mula que faz “him” e mulher que sabe latim, raramente chegam a bom fim.
Mulher que não se enfeita, por si se enjeita.
N
Na cama que fizeres, nela te deitarás.
Na terra onde fores viver, faz como vires fazer.
Não crie cão, quem não lhe sobre pão.
Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje.
Não desejes mal a ninguém, que o teu mal pelo caminho vem.
Não duvida quem não sabe.
Não é bom mosto colhido em Agosto.
Não é bom o mosto colhido em Agosto.
Não é por grandes orelhas que o burro vai à feira.
Não fartes o criado de pão, não te pedirá requeijão.
Não há atalho sem trabalho.
Não há ausentes sem culpas, nem presentes sem desculpas.
Não há maior amigo que o Julho com o seu trigo.
Não há mal que não acabe, nem bem que sempre dure.
Não há pior cego do que aquele que não quer ver.
Não há pior surdo do que aquele que não quer ouvir.
Não há prazer onde não há comer.
Não há Sábado sem sol, Domingo sem missa e Segunda se preguiça.
Não me chames bem fadada até me veres enterrada.
Não morde a abelha senão a quem trata dela.
Não se deve ser juiz em causa própria.
Não se pode a par comer e assoprar.
Não se vence perigo, sem perigo.
Não vejo lura de onde saia coelho.
Nas horas de aflição é que se vêem os amigos.
Natal a soalhar, Páscoa ao mar.
Natal molhado, ano melhorado.
Nem boda sem canto, nem morte sem pranto.
Nem tudo o que luz é ouro, nem tudo o que alveja é prata.
Neve em Fevereiro, presságio de mau celeiro.
Nevoeiro de S. João bebe o vinho e come o pão.
Nevoeiro de S. Pedro põe em Julho o vinho a medo.
Ninguém faz mal que o não pague.
Ninguém larga sem dor, o que possui com amor.
Ninguém toca em carvão que não saia enfarruscado.
No dia 1 de Abril, vai o tolo onde não deve ir.
No melhor pano cai a nódoa.
No prever está o acertar.
No S. Lourenço, vai à vinha e enche o lenço.
No tempo do cuco, tanto está molhado como enxuto.
Noite de Natal estrelada, dá alegria ao rico, promete fartura ao pobre.
Numa banda está o ramo, e noutra se bebe o bom vinho.
Nunca confies muito em amigo recente, nem em inimigo antigo.
Nunca é demasiado tarde para aprender.
Nunca faças um buraco para tapar outro.
Nunca o invejoso medrou nem o que ao pé dele morou.
Nunca peças a quem pediu, pede antes a quem herdou que não sabe o que
custou.
O
O amor e a fé nas obras se vê.
O bem pensado nunca sai errado.
O bem tarda e foge e o mal chega e dura.
O bom cão não ladra em falso.
O cão e o menino vão para onde lhes fazem o miminho;
O comer e o coçar vai do começar.
O dinheiro é bom companheiro, mas mau conselheiro.
O dinheiro é bom servidor, mas mau senhor.
O foguete é na maré da festa.
O fruto proibido é o mais apetecido.
O futuro a Deus pertence.
O grande carvalho brota da pequenina bolota.
O hábito não faz o monge.
O invejoso é mau e manhoso.
O medo é que guarda a vinha.
O mês de Agosto será gaiteiro se for bonito o 1 de Janeiro.
O milho, pelo S. João, de cobrir um cão.
O pão pela cor e o vinho pelo sabor.
O que arde cura e o que aperta segura.
O que é doce nunca amargou.
O que mais custa melhor sabe.
O que se aprende no berço dura até à sepultura.
O segredo melhor guardado é o que a ninguém é revelado.
O sol de Fevereiro matou a mãe ao soalheiro.
O vinagre e o limão são meio cirurgião.
Obra começada, meio acabada.
Onde a razão se não ouve, tolo é quem se não cala.
Onde está o homem, está o perigo.
Onde há fogo, logo fumega.
Onde nasce a lagarta, aí se farta.
Onde todos ajudam, nada custa;
Os amigos e os caminhos se não se frequentam ganham espinhos.
Os ausentes nunca têm razão.
Os azares só acontecem aos aselhas.
Os bons negócios fazem os bons amigos.
Osso que acabas de comer, não o tornes a roer.
Outubro meio chuvoso torna o lavrador venturoso.
Outubro seca as fontes ou leva açudes e pontes.
Ovelha que berra, bocado que perde.
P
Pai não tiveste, mãe não temeste, diabo te fizeste.
Palavras loucas, orelhas moucas.
Para grandes males, grandes remédios.
Para ir à festa, não há perna manca.
Para lograr o proveito há-de sofrer o dano.
Para muito sono, toda a cama é boa.
Para o homem prudente, os conselhos são inúteis.
Para próspera vida, arte, ordem e medida.
Para que o ano não vá mal, hão-de os rios encher três vezes entre S. Mateus
e o Natal.
Para um estômago com fome, nada tem defeito.
Pássaro sozinho não faz ninho.
Patos com penas de pavão, há para aí mais de um milhão.
Pecado confessado é meio perdoado.
Pela aragem se vê quem vai na carruagem.
Pela boca morre o peixe.
Pela obra se conhece o obreiro.
Pelo cão se respeita o patrão.
Pelo fio se vai ao novelo.
Pelo Natal, vai ter o seu faval.
Pelo S. João, deve o milho cobrir o pão.
Pelo S. João, lavra se queres ter pão.
Pelo S. Martinho deixa a água para o moinho.
Pelo S. Martinho, mata o teu porco, chega-te ao lume, apanha as castanhas e
bebe o teu vinho.
Pelo S. Mateus, não peças chuva a Deus.
Pelo S. Simão, semear sim, navegar não.
Pelo S. Tiago pinta o bago e cada pinta vale um cruzado.
Pelo S. Tiago, vai à vinha e apalpa o bago.
Pensa com calma e obra depressa.
Perde o seu próprio bem, quem cobiça o alheio.
Pito de Janeiro vai com a mãe ao poleiro.
Por bem fazer, mal haver.
Por S. Matias, antes de Março cinco dias, salta a boga na cascalheira.
Por se andar vestido de lã, não se é carneiro.
Pouco manda quem quer que muito lhe obedeçam.
Prova de tudo, mas não comas de nada.
Q
Quando a comida tarda, a fome é boa mostarda.
Quando em Março arrulha a perdiz, ano feliz;
Quando não chove em Fevereiro, não há bom prado nem centeio;
Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado nem bom celeiro.
Quando o coração está cheio, transborda a boca.
Quando o mosquito voa ao sol poente, anuncia mais um dia quente.
Quando o rio não faz ruído, ou não leva água ou vai crescido.
Quando o vento ronda o mar na noite de 8. João, não há Verão;
Quando Outubro for erveiro, guarda para Março o palheiro;
Queijo de Outono é para seu dono.
Queimada a casa, acode com água.
Quem a boa árvore se achega, boa sombra escolhe.
Quem adormece com criança acorda molhada.
Quem afaga a mula, receberá coices.
Quem alheio veste, na praça se despe.
Quem ao perigo corre, nele morre.
Quem bem come e bebe, bem faz o que deve.
Quem bem se cura, bem dura.
Quem canta antes do almoço, chora antes do sol posto;
Quem cava uma sepultura para os outros, está sujeito a cair nela.
Quem cedo madruga, Deus ajuda.
Quem cega e fia, ouro cria.
Quem ceia vinho, almoça água.
Quem com ferros mata, com ferros morre;
Quem com mulheres públicas joga o vinte, ou fica pobre ou pedinte;
Quem come salgado, bebe dobrado.
Quem come sem conta, vive sem honra.
Quem conta a verdade não merece penas;
Quem conta um conto, acrescenta um ponto.
Quem dá aos pobres, empresta a Deus;
Quem dá e torna a tirar, ao inferno vai parar.
Quem dá o que tem, a pedir vem.
Quem debulha em Agosto, debulha com o suor do seu rosto.
Quem desdenha, quer comprar.
Quem diz a verdade, não merece castigo.
Quem do lobo vai comer, na sua boca se vai meter.
Quem em Abril não varre a eira e em Maio não racha a leira, anda todo o
ano em canseira;
Quem em Maio come sardinha, em Agosto lhe pica a espinha;
Quem em Maio não merenda, aos finados se encomenda;
Quem em novo não trabalha, em velho come palha;
Quem faz mal, espera outro tal.
Quem mais alto nada, mais presto se afoga.
Quem meus filhos beija, minha boca adoça;
Quem muito fala e pouco sabe, por asno se gabe.
Quem muito fala, dá “Bom dia!” a jumento.
Quem muito fala, pouco acerta.
Quem não deve, não teme.
Quem não é visto, não é lembrado.
Quem não poupa água e lenha, não poupa coisa que tenha.
Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele.
Quem não se aventurou, não perdeu, nem ganhou.
Quem não tem cão, caça com gato.
Quem não tem pão semeado, em Agosto se faz Maio;
Quem não vai à palavra, não vai à pancada;
Quem o feio ama, bonito lhe parece.
Quem oferece uma noz, oferece um engano.
Quem passarinhos receia, milho não semeia;
Quem pelos astros se guia, a tempo há-de chegar.
Quem planta no Outubro leva um ano de abono;
Quem poda em Março, vindima no regaço;
Quem quer a sua sardinha assada, aconchega-lhe a brasa;
Quem quiser mal à vizinha, dê-lhe em Maio sardinha e em Agosto a
vindima;
Quem sabe de luta, luta, e quem não sabe, labuta.
Quem sai aos seus, não degenera;
Quem se mete em atalhos, mete-se em trabalhos.
Quem se não sente, não é filho de boa gente.
Quem semeia caminho, cansa os bois e perde o trigo.
Quem semeia ventos, colhe tempestades;
Quem te avisa, teu amigo é.
Quem tem bom vinho, não mude jazigo.
Quem tem filhos tem cadilhos, quem os não tem, cadilhos tem;
Quem tem fome, sonha com pão.
Quem tem telhados de vidro não pode atirar pedradas.
Quem tudo quer, tudo perde.
Quem vai à guerra, dá e leva.
Quem vai ao mar, perde o lugar.
Quem vê caras, não vê corações;
T
Tantas vezes vai o cântaro à fonte que lá deixa a asa;
Tanto corre que se cansa: por isso, pouco ou nada alcança;
Tantos dias de geada terá Maio, quantos de nevoeiro teve Fevereiro;
Tarefa apressada, tarefa estragada;
Terra de gamão, terra de pão;
Teus ouvidos selarás, se quiseres viver em paz;
Todos os conselhos ouvirás, mas só o teu seguirás;
Todos os dias galinha, enfastia a cozinha;
Todos os dias grandes têm as suas vésperas.
Tolo é o cão que enjeita o osso que lhe dão;
Toma em rapaz bom caminho, segui-lo-ás em velhinho;
Trabalhar com muitos, comer com poucos;
Tudo em Novembro guardado em casa, ou enterrado;
U
Um coração contente é festim permanente,
Uma chave de ouro abre todas as portas.
Uma passada má, qualquer um dá.
V
Vão as leis onde querem os reis.
Vindima molhada, pipa depressa despejada.
Vinha posta em bom compasso, ao primeiro ano dá a graça.
Vinho com melancia faz azia.
Vinho e amigo, o mais antigo.
Vozes de burro não chegam ao céu.