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Provérbios

Este documento contém uma coleção de provérbios e ditados populares em português, organizados por letra inicial. Os provérbios fornecem conselhos, observações e lições sobre diversos tópicos como tempo, trabalho, relacionamentos e mais.

Enviado por

Sónia Sousa
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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A

 A água de Março é pior do que a nódoa no fato.


 A água que de Verão há-de regar, de Abril
e Maio há-de ficar.
 A avareza é madrasta de si mesma.
 A boa cepa, Maio a deita.
 A burro dado não se lhe olha ao dente.
 A cada boca uma sopa.
 A cão fraco acodem as moscas.
 A casamento e baptizado, não vás sem ser
convidado.
 A chuva de S. João bebe vinho e come
pão.
 A corda rebenta sempre do lado mais
fraco.
 A coroa não cura a dor de cabeça.
 A criança é o pai do homem.
 A doença vem às braçadas e vai às
polegadas
 A fiar e a tecer ganha a mulher de comer
 A fortuna é vária: hoje é favor, amanhã
contrária.
 A galinha que o é de verdade, não quer capoeira, quer liberdade.
 A grande cão, grande osso.
 A ignorância do bem é a causa do mal.
 A ladrão de casa não se fecha a porta.
 A má chaga, má erva.
 A melhor palavra, por vezes, é a que está
por dizer.
 A mula e a mulher com pau se quer.
 A necessidade é a mestra do engenho.
 A necessidade mete a velha a caminho.
 A necessidade não tem lei.
 À noite todos os gatos são pardos.
 A obra louva o mestre.
 A ocasião faz o ladrão.
 A ociosidade é a mãe de todos os vícios.
 A Ordem é rica e os frades são poucos.
 A pensar, morreu um burro.
 A pergunta apressada, resposta lenta.
 A precaução vale mais do que a cura.
 A quem do seu foi mau dispenseiro, não fies teu dinheiro.
 A quem muito tem que fazer, sempre
sobeja lazer.
 A quem não sobeja pão, não sustenta cão.
 A quem tudo quer saber, nada se lhe diz.
 A rico não devas, a pobre não prometas.
 A sardinha só pinga no pão, quando chega o [Link]ão.
 A serenidade vence o furor.
 A ventre farto, o mel amarga.
 Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado.
 Abril, águas mil, quantas mais puderem vir.
 Agosto amadurece, Setembro vindimece.
 Agosto chuvoso, dá força à vida.
 Agosto frio no rosto.
 Agosto nos farta, Agosto nos mata.
 Agosto vinho mosto.
 Água de Julho no rio não faz barulho.
 Água de Maio, pão todo o ano.
 Água fria e pão quente nunca fizeram bom ventre.
 Águas verdadeiras, por S. Mateus as
primeiras.
 Amor de menino, água em cestinho.
 Amor e reino não quer parceiro.
 Amor, fogo e tosse, ao seu dono descobre.
 Ande o frio por onde andar, no Natal cá
vem parar.
 Ande o frio por onde andar, pelo Natal há-
de chegar.
 Ande onde andar o Verão, há-de vir no
[Link]ão.
 Antes burro me leve, que cavalo me derrube.
 Antes burro vivo, que sábio morto.
 Antes das sopas, molham-se as bocas.
 Antes magro no mato, que gordo no papo
do gato.
 Antes malho, que bigorna.
 Antes minha face com fome e amarela, que vergonha nela.
 Antes só que mal acompanhado.
 Ao melhor galgo, escapa a lebre.
 Ao menino e ao borracho põe Deus a mão por baixo.
 Ao pé de tomateiros, não há maus
cozinheiros.
 Ao pobre seus irmãos o desamparam, ao rico mil amigos se deparam.
 Ao que mal vive, o medo o persegue.
 Ao quinto dia verás que mês terás.
 Apanha com o cajado, quem se mete onde
não é chamado.
 Aproveite Fevereiro quem folgou em
Janeiro.
 Arde melhor lenha molhada que pedra
enxuta.
 As enfermidades vêm a cavalo e retiram-se a pé.
 Às nove deita-te pobre, se guardas para às
dez mais burro és.
 As sopas e os amores, os primeiros são os melhores.
 Asno com fome, bugalhos come.
 Asno que a Roma vá, de lá asno voltará.
 Asno que entra em despesa alheia, levará
pau em vez de aveia.
 Assim como vires o tempo de Santa Luzia ao Natal, assim estará o ano, mês a mês,
até final.
 Até ao lavar dos cestos vai a vindima.
 Até lá, muita água passará por baixo da
fonte.
 Até S. Pedro, tem o vinho medo.
 Aveia de Fevereiro enche o celeiro.

B
 Barriga esfomeada não tem ouvidos.
 Bem canta Marta depois de farta.
 Bem está o que bem acaba.
 Bem mal ceia quem come de mão alheia.
 Boa é a cozinha onde há carne.
 Boca de mel, coração de fel.
 Boi sonso, marrada certa.
 Bom rafeiro, caça o ano inteiro.
 Burro que geme, carga não teme.
 Burro que muito zurra, pede cabresto.
 Burro velho não aprende línguas.
 Burro velho não toma andadura, e se a toma pouco lhe dura.

C
 Como falardes, assim ouvireis.
 Cabra manca não tem sesta e, se tem, não lhe presta.
 Cachorro de cozinha e moça que anda sozinha, não faz fiança para ninguém.
 Cada cabeça sua sentença.
 Cada macaco no seu galho.
 Cada ovelha com sua parelha.
 Cada qual com seu igual.
 Cada qual puxa a brasa à sua sardinha.
 Cada qual sabe onde lhe aperta o sapato.
 Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso.
 Cada um é filho das suas obras.
 Calar a verdade é enterrar o ouro.
 Cala-te tu primeiro, se queres que os outros se calem.
 Calcanhar de homem, cu de mulher e focinho de cão, não têm calor nem no
pino do Verão;
 Calças brancas em Janeiro é sinal de pouco dinheiro.
 Caldo sem pão, só no inferno o dão.
 Cama de chão, cama de cão.
 Candeia que vai à frente, alumia duas vezes.
 Canta a cotovia, tempo de invernia.
 Canta o gavião, vamos ter trovão.
 Canta o rouxinol, vamos ter sol.
 Cão com raiva, a seu dono morde.
 Carnaval na rua, Páscoa em casa.
 Carta batida não é recolhida.
 Carvalho não dá morcela.
 Casa de ferreiro, espeto de pau.
 Casa de pobre, tacho de cobre.
 Casa em que não há cão nem gato, é casa de velhaco.
 Casamento demorado, com certeza é desmanchado.
 Casamento e mortalha, no céu se talha.
 Cautela e caldos de galinha, nunca fizeram mal a doentes.
 Cava fundo em Novembro para plantares em Janeiro.
 Cesteiro que faz um cesto, faz um cento.
 Chega-te aos bons, serás um deles; chega-te aos maus, serás pior que eles.
 Choupana onde se ri, vale mais que um palácio que chora.
 Chovam trinta Maios e não chova em Junho.
 Chuva de Agosto, apressa o mosto.
 Chuva de S. João, molha o alho e anuncia o Verão.
 Chuva em Janeiro e não frio, vai dar riqueza ao Estio.
 Chuva em Junho, mordedura de víbora.
 Chuva em Junho, peçonha no mundo.
 Chuva fina por [Link] Agostinho é como se chovesse vinho.
 Chuva junhal, fome geral.
 Chuva no S. João tira o vinho, azeite e não dá pão.
 Chuva no S. João, bebe o vinho e come o pão.
 Com açúcar e com mel até as pedras sabem bem.
 Com boca cheia de água não se sopra fogo.
 Com pão e vinho segue caminho.
 Com papas e bolos se enganam meninos e tolos.
 Come caldo, vive em alto. Ainda quente viverás longamente.
 Comida fina em copos grossos, faz mal aos ossos.
 Conselho desprezado, há-de ser muito lembrado.
 Cresce o ouro bem batido como a mulher com bom marido.
 Criado que faz o seu dever, orelha de burro deve ter.
 Cuidado com homem que não fala e com cão que não ladra.

D
 Dá Deus nozes a quem não tem dentes.
 Da discussão nasce a luz.
 Da flor de Janeiro ninguém encheu o celeiro.
 Dar com a mão direita sem a mão esquerda
saber.
 De bom mestre bom discípulo.
 De cá se vai a lá.
 De hora a hora, Deus melhora.
 De livro fechado não sai letrado.
 De médico e de louco, todos nós temos um pouco.
 De nada duvida quem nada sabe.
 De pequena fagulha, grande labareda.
 De [Link] Catarina ao Natal, mês igual.
 De um sim e de um não, nasce toda a questão.
 De Víseu quero o cão para coelho e não homem para conselho.
 Defeitos do meu amigo, lamento mas não maldigo.
 Depois da casa arrombada trancas à porta.
 Depois da tempestade vem a bonança.
 Depois de burro morto, cevada ao rabo.
 Depois do burro selado não falta quem o
monte.
 Depois dos baptizados estarem feitos, não
faltam padrinhos.
 Depois que o menino nasceu, tudo cresceu.
 Deus cobre com uma mão e descobre com as duas.
 Deus dá nozes a quem não tem dentes.
 Deus faz o que quer e o homem o que pode.
 Devagar se vai ao longe.
 Devagar, quem tenha pressa.
 Dia de S. Barnabé, seca-se a palha pelo pé.
 Dia de S. Bartolomeu anda o diabo à solta.
 Dia de S. Brás, cegonha verás, e se não a vires, o Inverno vem atrás.
 Dia de S. Martinho vai-se à adega e prova-se o
vinho.
 Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
 Dia de Santo António vêm dormir as castanhas ao castanheiro.
 Dia de Todos os Santos neve pelos campos.
 Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.
 Do guardado come o lobo.
 Do mal que o homem foge, desse morre.
 Do Natal ao Entrudo, come-se tudo.
 Do trabalho e experiência, aprendeu o homem
a ciência.
 Dor de mulher morta, dura até à porta.
 Dos Santos ao Natal é bom chover e melhor nevar.
 Dos Santos ao Natal Inverno natural.
 Dos Santos ao Natal, cada dia mal.
 Dos Santos ao Natal, Inverno natural.
 Dos Santos ao Natal: ou bem chover ou bem nevar.
 Duas luzes a arder, deitam uma casa a perder.
 Duas pedras duras não fazem farinha.

E
 E mais fácil aconselhar, que praticar.
 É melhor ouvir conselho, que persistir no erro.
 É preciso agarrar a ocasião pelos cabelos.
 É tarde para economia, quando a bolsa está vazia.
 Em 1 de Janeiro sobe ao outeiro: se vires verdejar põe-te a chorar, se vires
terrear põe-te a cantar, porque a água que há-de regar, de Abril há-de ficar.
 Em Abril águas mil, canta o carro e o canil.
 Em Abril vai a velha onde há-de ir e à sua cama vem dormir.
 Em Abril vai onde hás-de ir, mas torna ao teu covil.
 Em Abril, águas mil, coadas por um funil.
 Em casa de ferreiro, espeto de pau.
 Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.
 Em chegando a S. Tomé, todo o tempo noite é.
 Em cima de melão, vinho de tostão.
 Em Dezembro descansar para em Janeiro trabalhar.
 Em dia de festa, barriga atesta.
 Em dia de S. Matias, começam as enxertias.
 Em dia de Santa Luzia, cresce a noite, minga o dia.
 Em dia S. Pedro, vê o teu olivedo, e se vires um grão, espera por um cento.
 Em Fevereiro chuva, em Agosto uva.
 Em Fevereiro, no primeiro jejuarás, no segundo guardarás, no terceiro dia de
S. Brás.
 Em Janeiro seca a ovelha no fumeiro, em Março no prado, e em Abril se vai
urdir.
 Em Janeiro sete casacos e um sombreiro.
 Em Julho, ceifo o trigo e debulho, e em vento soprando, o vou limpando.
 Em Março nem rabo de gado molhado.
 Em Março, tanto durmo como faço.
 Em Outubro colhe tudo.
 Em Outubro pega tudo.
 Em poder do homem está o lugar, e não o tempo.
 Em Setembro planta, colhe e cava, que é mês para tudo.
 Em Setembro, ardem os montes e secam as fontes.
 Em terra de cegos, quem tem um olho é rei.
 Enquanto o vinho desce, as palavras sobem.
 Entradas de leão, saídas de cordeiro.
 Entre Março e Abril, o cuco há-de vir; se não vier, ou El-Rei é morto, ou está
o fim do mundo para vir.
 Entre marido e mulher não metas a colher.
 Errar é próprio do homem, perdoar é próprio de Deus.
 Esperança no ganho, diminui a canseira.
 Este mundo é uma bola: quem anda nele é que se amola.

F
 Fazer bem, sem olhar a quem;
 Fevereiro quente, traz o diabo no ventre.
 Fiadeira não ficaste, porque em Março não fiaste;
 Filho és, pai serás, como fizeres, assim acharás
 Filho que os pais amargura, jamais conte com ventura
 Folguemos enquanto podemos, que noutra hora chorare-mos.
 Formiga ladina que sobe por mim acima, não me alegra, nem me anima.
 Fraco é o Maio que não rompe uma croça;
 Frio de Abril nas pedras vai ferir;
 Frio de Julho abrasa em S. Tiago;
 Fui a casa do meu vizinho, envergonhei-me; vim para minha casa, remediei-
me.

G
 Grão a grão, enche a galinha o papo.
 Guarda o melhor tição, para o mês de S. João.
 Governa a tua boca, seguindo a tua bolsa.
 Gato miador não é bom caçador.
 Geada em cima de lama, neve na cama.
 Grande nau, grande tormenta.
 Gaivotas em terra, tempestade no mar.
 Guarda que comer, não guardes que fazer.
 Gaiola feita, pássaro morto.
 Guarda o que não presta, encontrarás o que te é preciso.
 Gato escaldado de água fria tem medo.
 Guarda pão para Maio e lenha para Abril porque o que não veio há-de vir.
 Galinha gorda por pouco dinheiro não sai do poleiro.
 Guarda prado, criarás gado.

H
 Homem namorado nunca casa com sobrado.
 Honra e proveito não cabem em saco estreito.
 Há males que vêm por bem.

J
 Janeiro geoso, Fevereiro nevoso, Março molinhoso, Abril chuvoso, e Maio
ventoso, fazem o ano formoso;
 Junho floreiro, paraíso verdadeiro;
 Janeiro greleiro, não enche o celeiro;
 Janeiro molhado, se não cria pão, cria gado;
 Junho calmoso, ano famoso;
 Julho fusco e Janeiro chuvoso, ano perigoso;
 Janeiro fora, mais uma hora, quem bem contar, hora e meia há-de achar;
 Junho, ceitoira no punho.

L
 Ladrão que rouba ladrão, tem cem anos
de perdão.
 Leitão de um mês, cabrito de três, moça
de dezoito e rapaz de vinte e três.
 Logo que Outubro venha, procura a
lenha.
 Lua nova setembrina, sete luas domina.
 Luar de Janeiro não tem parceiro, mas
lá vem o de Agosto que lhe dá no rosto.

M
 Maio claro e ventoso faz o ano rendoso.
 Maio couveiro, não é vinhateiro.
 Maio hortelão, muita palha, pouco grão.
 Maio me molha, Maio me enxuga.
 Maio sem trovão é como caldo sem feijão.
 Mais anda quem o vento ajuda, do que quem muito madruga.
 Mais tem Deus para dar, do que o Diabo para levai;
 Mais vale andar neste mundo em muletas, do que no outro em carretas.
 Mais vale cautela do que arrependimento.
 Mais vale quem Deus ajuda, do que quem muito madruga.
 Mal remediado, mal passado
 Março chuvoso, S. João farinhoso.
 Março Marçagão, de manhã cara de cão, ao meio-dia de rainha, e à noite de
fuinha.
 Matar dois coelhos de uma só cajadada.
 Mau é por todo o Abril, ver o céu a descobrir.
 Melhor é o rosto vermelho, do que o coração negro.
 Melhor vida nova, do que pecado velho.
 Merenda comida, companhia desfeita.
 Mete o ruim em teu palheiro, quererá ser o teu herdeiro.
 Mudado o tempo, mudado o conselho.
 Mula que faz “him” e mulher que sabe latim, raramente chegam a bom fim.
 Mulher que não se enfeita, por si se enjeita.

N
 Na cama que fizeres, nela te deitarás.
 Na terra onde fores viver, faz como vires fazer.
 Não crie cão, quem não lhe sobre pão.
 Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje.
 Não desejes mal a ninguém, que o teu mal pelo caminho vem.
 Não duvida quem não sabe.
 Não é bom mosto colhido em Agosto.
 Não é bom o mosto colhido em Agosto.
 Não é por grandes orelhas que o burro vai à feira.
 Não fartes o criado de pão, não te pedirá requeijão.
 Não há atalho sem trabalho.
 Não há ausentes sem culpas, nem presentes sem desculpas.
 Não há maior amigo que o Julho com o seu trigo.
 Não há mal que não acabe, nem bem que sempre dure.
 Não há pior cego do que aquele que não quer ver.
 Não há pior surdo do que aquele que não quer ouvir.
 Não há prazer onde não há comer.
 Não há Sábado sem sol, Domingo sem missa e Segunda se preguiça.
 Não me chames bem fadada até me veres enterrada.
 Não morde a abelha senão a quem trata dela.
 Não se deve ser juiz em causa própria.
 Não se pode a par comer e assoprar.
 Não se vence perigo, sem perigo.
 Não vejo lura de onde saia coelho.
 Nas horas de aflição é que se vêem os amigos.
 Natal a soalhar, Páscoa ao mar.
 Natal molhado, ano melhorado.
 Nem boda sem canto, nem morte sem pranto.
 Nem tudo o que luz é ouro, nem tudo o que alveja é prata.
 Neve em Fevereiro, presságio de mau celeiro.
 Nevoeiro de S. João bebe o vinho e come o pão.
 Nevoeiro de S. Pedro põe em Julho o vinho a medo.
 Ninguém faz mal que o não pague.
 Ninguém larga sem dor, o que possui com amor.
 Ninguém toca em carvão que não saia enfarruscado.
 No dia 1 de Abril, vai o tolo onde não deve ir.
 No melhor pano cai a nódoa.
 No prever está o acertar.
 No S. Lourenço, vai à vinha e enche o lenço.
 No tempo do cuco, tanto está molhado como enxuto.
 Noite de Natal estrelada, dá alegria ao rico, promete fartura ao pobre.
 Numa banda está o ramo, e noutra se bebe o bom vinho.
 Nunca confies muito em amigo recente, nem em inimigo antigo.
 Nunca é demasiado tarde para aprender.
 Nunca faças um buraco para tapar outro.
 Nunca o invejoso medrou nem o que ao pé dele morou.
 Nunca peças a quem pediu, pede antes a quem herdou que não sabe o que
custou.

O
 O amor e a fé nas obras se vê.
 O bem pensado nunca sai errado.
 O bem tarda e foge e o mal chega e dura.
 O bom cão não ladra em falso.
 O cão e o menino vão para onde lhes fazem o miminho;
 O comer e o coçar vai do começar.
 O dinheiro é bom companheiro, mas mau conselheiro.
 O dinheiro é bom servidor, mas mau senhor.
 O foguete é na maré da festa.
 O fruto proibido é o mais apetecido.
 O futuro a Deus pertence.
 O grande carvalho brota da pequenina bolota.
 O hábito não faz o monge.
 O invejoso é mau e manhoso.
 O medo é que guarda a vinha.
 O mês de Agosto será gaiteiro se for bonito o 1 de Janeiro.
 O milho, pelo S. João, de cobrir um cão.
 O pão pela cor e o vinho pelo sabor.
 O que arde cura e o que aperta segura.
 O que é doce nunca amargou.
 O que mais custa melhor sabe.
 O que se aprende no berço dura até à sepultura.
 O segredo melhor guardado é o que a ninguém é revelado.
 O sol de Fevereiro matou a mãe ao soalheiro.
 O vinagre e o limão são meio cirurgião.
 Obra começada, meio acabada.
 Onde a razão se não ouve, tolo é quem se não cala.
 Onde está o homem, está o perigo.
 Onde há fogo, logo fumega.
 Onde nasce a lagarta, aí se farta.
 Onde todos ajudam, nada custa;
 Os amigos e os caminhos se não se frequentam ganham espinhos.
 Os ausentes nunca têm razão.
 Os azares só acontecem aos aselhas.
 Os bons negócios fazem os bons amigos.
 Osso que acabas de comer, não o tornes a roer.
 Outubro meio chuvoso torna o lavrador venturoso.
 Outubro seca as fontes ou leva açudes e pontes.
 Ovelha que berra, bocado que perde.

P
 Pai não tiveste, mãe não temeste, diabo te fizeste.
 Palavras loucas, orelhas moucas.
 Para grandes males, grandes remédios.
 Para ir à festa, não há perna manca.
 Para lograr o proveito há-de sofrer o dano.
 Para muito sono, toda a cama é boa.
 Para o homem prudente, os conselhos são inúteis.
 Para próspera vida, arte, ordem e medida.
 Para que o ano não vá mal, hão-de os rios encher três vezes entre S. Mateus
e o Natal.
 Para um estômago com fome, nada tem defeito.
 Pássaro sozinho não faz ninho.
 Patos com penas de pavão, há para aí mais de um milhão.
 Pecado confessado é meio perdoado.
 Pela aragem se vê quem vai na carruagem.
 Pela boca morre o peixe.
 Pela obra se conhece o obreiro.
 Pelo cão se respeita o patrão.
 Pelo fio se vai ao novelo.
 Pelo Natal, vai ter o seu faval.
 Pelo S. João, deve o milho cobrir o pão.
 Pelo S. João, lavra se queres ter pão.
 Pelo S. Martinho deixa a água para o moinho.
 Pelo S. Martinho, mata o teu porco, chega-te ao lume, apanha as castanhas e
bebe o teu vinho.
 Pelo S. Mateus, não peças chuva a Deus.
 Pelo S. Simão, semear sim, navegar não.
 Pelo S. Tiago pinta o bago e cada pinta vale um cruzado.
 Pelo S. Tiago, vai à vinha e apalpa o bago.
 Pensa com calma e obra depressa.
 Perde o seu próprio bem, quem cobiça o alheio.
 Pito de Janeiro vai com a mãe ao poleiro.
 Por bem fazer, mal haver.
 Por S. Matias, antes de Março cinco dias, salta a boga na cascalheira.
 Por se andar vestido de lã, não se é carneiro.
 Pouco manda quem quer que muito lhe obedeçam.
 Prova de tudo, mas não comas de nada.

Q
 Quando a comida tarda, a fome é boa mostarda.
 Quando em Março arrulha a perdiz, ano feliz;
 Quando não chove em Fevereiro, não há bom prado nem centeio;
 Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado nem bom celeiro.
 Quando o coração está cheio, transborda a boca.
 Quando o mosquito voa ao sol poente, anuncia mais um dia quente.
 Quando o rio não faz ruído, ou não leva água ou vai crescido.
 Quando o vento ronda o mar na noite de 8. João, não há Verão;
 Quando Outubro for erveiro, guarda para Março o palheiro;
 Queijo de Outono é para seu dono.
 Queimada a casa, acode com água.
 Quem a boa árvore se achega, boa sombra escolhe.
 Quem adormece com criança acorda molhada.
 Quem afaga a mula, receberá coices.
 Quem alheio veste, na praça se despe.
 Quem ao perigo corre, nele morre.
 Quem bem come e bebe, bem faz o que deve.
 Quem bem se cura, bem dura.
 Quem canta antes do almoço, chora antes do sol posto;
 Quem cava uma sepultura para os outros, está sujeito a cair nela.
 Quem cedo madruga, Deus ajuda.
 Quem cega e fia, ouro cria.
 Quem ceia vinho, almoça água.
 Quem com ferros mata, com ferros morre;
 Quem com mulheres públicas joga o vinte, ou fica pobre ou pedinte;
 Quem come salgado, bebe dobrado.
 Quem come sem conta, vive sem honra.
 Quem conta a verdade não merece penas;
 Quem conta um conto, acrescenta um ponto.
 Quem dá aos pobres, empresta a Deus;
 Quem dá e torna a tirar, ao inferno vai parar.
 Quem dá o que tem, a pedir vem.
 Quem debulha em Agosto, debulha com o suor do seu rosto.
 Quem desdenha, quer comprar.
 Quem diz a verdade, não merece castigo.
 Quem do lobo vai comer, na sua boca se vai meter.
 Quem em Abril não varre a eira e em Maio não racha a leira, anda todo o
ano em canseira;
 Quem em Maio come sardinha, em Agosto lhe pica a espinha;
 Quem em Maio não merenda, aos finados se encomenda;
 Quem em novo não trabalha, em velho come palha;
 Quem faz mal, espera outro tal.
 Quem mais alto nada, mais presto se afoga.
 Quem meus filhos beija, minha boca adoça;
 Quem muito fala e pouco sabe, por asno se gabe.
 Quem muito fala, dá “Bom dia!” a jumento.
 Quem muito fala, pouco acerta.
 Quem não deve, não teme.
 Quem não é visto, não é lembrado.
 Quem não poupa água e lenha, não poupa coisa que tenha.
 Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele.
 Quem não se aventurou, não perdeu, nem ganhou.
 Quem não tem cão, caça com gato.
 Quem não tem pão semeado, em Agosto se faz Maio;
 Quem não vai à palavra, não vai à pancada;
 Quem o feio ama, bonito lhe parece.
 Quem oferece uma noz, oferece um engano.
 Quem passarinhos receia, milho não semeia;
 Quem pelos astros se guia, a tempo há-de chegar.
 Quem planta no Outubro leva um ano de abono;
 Quem poda em Março, vindima no regaço;
 Quem quer a sua sardinha assada, aconchega-lhe a brasa;
 Quem quiser mal à vizinha, dê-lhe em Maio sardinha e em Agosto a
vindima;
 Quem sabe de luta, luta, e quem não sabe, labuta.
 Quem sai aos seus, não degenera;
 Quem se mete em atalhos, mete-se em trabalhos.
 Quem se não sente, não é filho de boa gente.
 Quem semeia caminho, cansa os bois e perde o trigo.
 Quem semeia ventos, colhe tempestades;
 Quem te avisa, teu amigo é.
 Quem tem bom vinho, não mude jazigo.
 Quem tem filhos tem cadilhos, quem os não tem, cadilhos tem;
 Quem tem fome, sonha com pão.
 Quem tem telhados de vidro não pode atirar pedradas.
 Quem tudo quer, tudo perde.
 Quem vai à guerra, dá e leva.
 Quem vai ao mar, perde o lugar.
 Quem vê caras, não vê corações;

T
 Tantas vezes vai o cântaro à fonte que lá deixa a asa;
 Tanto corre que se cansa: por isso, pouco ou nada alcança;
 Tantos dias de geada terá Maio, quantos de nevoeiro teve Fevereiro;
 Tarefa apressada, tarefa estragada;
 Terra de gamão, terra de pão;
 Teus ouvidos selarás, se quiseres viver em paz;
 Todos os conselhos ouvirás, mas só o teu seguirás;
 Todos os dias galinha, enfastia a cozinha;
 Todos os dias grandes têm as suas vésperas.
 Tolo é o cão que enjeita o osso que lhe dão;
 Toma em rapaz bom caminho, segui-lo-ás em velhinho;
 Trabalhar com muitos, comer com poucos;
 Tudo em Novembro guardado em casa, ou enterrado;

U
 Um coração contente é festim permanente,
 Uma chave de ouro abre todas as portas.
 Uma passada má, qualquer um dá.

V
 Vão as leis onde querem os reis.
 Vindima molhada, pipa depressa despejada.
 Vinha posta em bom compasso, ao primeiro ano dá a graça.
 Vinho com melancia faz azia.
 Vinho e amigo, o mais antigo.
 Vozes de burro não chegam ao céu.

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