A MAÇONARIA
( Com citação de FERNANDO PESSOA)
A Maçonaria é constituída por homens de todas as nacionalidades acolhidas por iniciação e
congregados em Lojas, nas quais auxiliados por símbolos e alegorias estudam e trabalham
para o aperfeiçoamento da Sociedade Humana.
É baseada no Amor Fraternal e na esperança de que, com amor a Deus, à pátria, à família
e ao próximo, com tolerância e sabedoria, na constante busca da VERDADE, com a
evolução da filosofia, ciências e artes, sob a tríade da Liberdade Igualdade e Fraternidade e
dentro dos princípios da Moral da Razão e da Justiça, procurando assim que o mundo
alcance a felicidade geral e a paz mundial.
Do acima escrito chega-se a seguinte conclusão:
a Maçonaria desde a sua origem, aceita e baseia-se num Principio Criador, de respeito à
todas as religiões e denomina de GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO. Exige de todos
tolerância, não impondo limites na busca da verdade. É acessível a todos os homens
independente de raça, crença, classe social ou política, excetuando-se as que restrinjam a
liberdade de pensamento e os direitos e dignidade da pessoa humana. Proíbe discussões
religiosas ou políticas em seus Templos.
A Maçonaria não é ateísta nem agnóstica. Para ser aceito e ingressar na Maçonaria, o
candidato deve afirmar sua crença em Deus. Não é um partido político e não tem partido,
mas afirma enfaticamente que não pode existir direito sem dever. Não é uma sociedade de
auxílios mútuos e não garante a nenhum membro a percepção de uma soma fixa. O maçom
necessitado recebe segundo as condições dos demais membros da Ordem.
A Maçonaria não convida ninguém para se tornar membro da Ordem e não inicia homens
de caráter duvidosos . Não prende nenhum homem a juramentos que não estejam de
acordo com sua consciência e liberdade.
Os lugares onde os maçons se reúnem é denominado de Loja ou Templo, porque embora
não sendo uma religião preserva a religiosidade de cada membro mantendo-se distante
das diferentes seitais, religiões e credos.
Segue abaixo um trecho cópia de FERNANDO PESSOA:
Texto de Fernando Pessoa sobre a Maçonaria
Este é um trecho do artigo que Fernando Pessoa publicou no Diário de Lisboa, no 4.388 de
4 de fevereiro de 1935, contra o Projeto de Lei, do deputado José Cabral, proibindo o
funcionamento das associações secretas, sejam quais forem os seus fins e organização.
“A Maçonaria compõe-se de três elementos: o elemento iniciático, pelo qual é secreta; o
elemento fraternal e o elemento a que chamarei humano – isto é, o que resulta de ela ser
composta por diversas espécies de homens, de diferentes graus de inteligência e cultura e
o que resulta dela existir em muitos países sujeita, portanto, a diversas circunstâncias de
meio e de momento histórico, perante as quais, de país para país e de época para época
reage, quanto à atitude social, diferentemente.
Nos primeiros dois elementos, onde reside essencialmente o espírito maçônico, a Ordem é
a mesma sempre e em todo o mundo. No terceiro, a Maçonaria – como, aliás, qualquer
Instituição humana, secreta ou não – apresenta diferentes aspectos, conforme a
mentalidade de Maçons individuais e conforme circunstâncias de meio e momento histórico,
de que ela não tem culpa.
Neste terceiro ponto de vista, toda a Maçonaria gira, porém, em torno de uma só idéia – a
"tolerância"; isto é, o não impor a alguém dogma nenhum, deixando-o pensar como
entender. Por isso a Maçonaria não tem uma doutrina. Tudo quanto se chama "doutrina
maçônica" são opiniões individuais de Maçons, quer sobre a Ordem em si mesma, quer
sobre as suas relações com o mundo profano. São divertidíssimas: vão desde o panteísmo
naturalista de Oswald Wirth até ao misticismo cristão de Arthur Edward Waite, ambos
tentando converter em doutrina o espírito da Ordem. As suas afirmações, porém, são
simplesmente suas; a Maçonaria nada tem com elas. Ora o primeiro erro dos Antimaçons
consiste em tentar definir o espírito maçônico em geral pelas afirmações de Maçons
particulares, escolhidas ordinariamente com grande má fé.
O segundo erro dos Antimaçons consiste em não querer ver que a Maçonaria, unida
espiritualmente, está materialmente dividida, como já expliquei. A sua ação social varia de
país para país, de momento histórico para momento histórico, em função das circunstâncias
do meio e da época, que afetam a Maçonaria como afetam toda a gente. A sua ação social
varia, dentro do mesmo país, de Obediência para Obediência, onde houver mais que uma,
em virtude de divergências doutrinárias – as que provocaram a formação dessas
Obediências distintas, pois, a haver entre elas acordo em tudo, estariam unidas. Segue
daqui, que nenhum ato político ocasional de nenhuma Obediência pode ser levado à conta
da Maçonaria em geral ou até dessa Obediência particular, pois pode provir, como em geral
provém, de circunstâncias políticas de momento, que a Maçonaria não criou.
Resulta de tudo isto que todas as campanhas antimaçônicas – baseadas nesta dupla
confusão do particular com o geral e do ocasional com o permanente – estão
absolutamente erradas e que nada até hoje se provou em desabono da Maçonaria. Por
esse critério – o de avaliar uma Instituição pelos seus atos ocasionais porventura infelizes
ou um homem por seus lapsos ou erros ocasionais – que haveria neste mundo senão
abominação? Quer o Sr. José Cabral que se avaliem os Papas por Rodrigo Bórgia,
assassino e incestuoso? Quer que se considere a Igreja de Roma perfeitamente definida
em seu íntimo espírito pelas torturas dos Inquisidores (provenientes de um uso profano do
tempo) ou pelos massacres dos albigenses e dos piemonteses?Contudo com muito mais
razão se o poderia fazer, pois essas crueldades foram feitas com ordem ou com
consentimento dos Papas, obrigando assim, espiritualmente, a Igreja inteira.
Sejamos, ao menos, justos. Se debitamos à Maçonaria em geral todos aqueles casos
particulares, ponhamos-lhe a crédito, em contrapartida, os benefícios que dela temos
recebido em iguais condições. Beijam-lhe os jesuítas as mãos, por lhes ter sido dado
acolhimento e liberdade na Prússia, no século dezoito – quando expulsos de toda a parte,
os repudiava o próprio Papa – pelo Maçom Frederico II. Agradeçam-lhe a vitória de
Waterloo, pois que Wellinton e Blucher eram ambos Maçons. Sejam-lhe gratos por ter sido
ela quem criou a base onde veio a assentar a futura vitória dos Aliados – a "Entente
Cordiale", obra do Maçom Eduardo VII.
Nem esqueçamos, finalmente, que devemos à Maçonaria a maior obra da literatura
moderna – o "Fausto" do Maçom Goeth.
Acabei de vez. Deixe o Sr. José Cabral a Maçonaria aos Maçons e aos que, embora o não
sejam, viram, ainda que noutro Templo, a mesma Luz. Deixe a Antimaçonaria àqueles
Antimaçons, que são os legítimos descendentes intelectuais do célebre pregador que
descobriu que Herodes e Pilatos eram Vigilantes de uma Loja de Jerusalém.”
Fernando
Pessoa