ATLETISMO
CURSOS DE GRADUAÇÃO– EAD
Atletismo – Profa. Ms. Flórence R. Faganello Gemente e Profa. Dra. Nilva Pessoa de
Souza
Cod. 50
Meu nome é Flórence Rosana Faganello Gemente. Sou
licenciada em Educação Física pela Universidade Estadual
Paulista UNESP – Rio Claro - 2001, especialista em Ciência do
Treinamento Esportivo pela Universidade de Campinas –
UNICAMP – 2003, mestre em Ciências da Motricidade Humana,
pela Universidade Estadual Paulista – UNESP/Rio Claro – 2008.
Integro o GEPPA – Grupo de Estudos Pedagógicos e Pesquisa
em Atletismo, desde 2003. Sou ex-atleta de atletismo e de 2003
a 2005 fui técnica de atletismo da cidade de Rio Claro. Durante
seis anos trabalhei como professora de Educação Física escolar.
Atualmente sou docente da Universidade Federal de Goiás – UFG/Goiânia, onde ministro
as disciplinas de Metodologia de Ensino e Pesquisa em Atletismo e Núcleo Temático de
Pesquisa em Esporte. E, é com muita alegria que venho contribuir para sua formação
profissional! Agora, convido você a participar do nosso estudo sobre o incrível universo
do atletismo. Desejo que esse estudo seja realizado de forma prazerosa e desperte o seu
interesse em estudar ainda mais sobre esse belo esporte e, também, que lhe traga
confiança para levá-lo até a escola.
E-mail: florencefaganello@[Link]
Olá acadêmicos,
Convido-os a dialogar conosco durante a leitura do texto
didático sobre o atletismo. Esperamos que esse diálogo os leve
a refletir sobre a prática pedagógica e sobre a própria profissão,
contribuído assim para a formação inicial de vocês.
Meu nome é Nilva Pessoa de Souza, sou professora de Educação
Física, formada pela Escola Superior de Educação Física de
Goiás – ESEFFEGO, Especialista em Organização, administração
da educação física, esporte e lazer também pela ESEFFEGO.
Mestre em Pedagogia do Movimento pela Faculdade de Educação Física/UNICAMP e
doutora em Ciências do Esporte também pela UNICAMP. Atualmente sou professora do
curso de Educação Física da Universidade Federal de Goiás, cargo que ocupo desde 1991.
E-mail: nilvapessoa@[Link]
Flórence [Link] Gemente
Nilva Pessoa de Souza
ATLETISMO
Caderno de Referência de Conteúdo
Batatais
Claretiano
2013
© Ação Educacional Claretiana, 2008 – Batatais (SP)
Versão: dez./2013
796.42 G286a
Gemente, Flórence Rosana Faganello
Atletismo / Flórence Rosana Faganello Gemente, Nilva Pessoa de Souza
– Batatais, SP : Claretiano, 2013.
222 p.
ISBN: 978-85-67425-23-8
1. O atletismo como um dos conteúdos da Educação Física. 2. Possibilidades e
dificuldades do ensino do atletismo em aulas de Educação Física. 3. Provas
esportivas, fundamentos técnicos e normativos próprios do atletismo. 4. Fundamentos
básicos do atletismo na forma de jogos pré-desportivos sem descaracterizar a
“essência” desta modalidade esportiva. 5. Orientações didático-pedagógicas capazes
de viabilizar o ensino do atletismo, de acordo com o Projeto Político Pedagógico da
escola. I. Souza, Nilva Pessoa de. II. Atletismo.
CDD 796.42
Corpo Técnico Editorial do Material Didático Mediacional
Coordenador de Material Didático Mediacional: J. Alves
Preparação Revisão
Aline de Fátima Guedes Cecília Beatriz Alves Teixeira
Camila Maria Nardi Matos Felipe Aleixo
Carolina de Andrade Baviera Filipi Andrade de Deus Silveira
Cátia Aparecida Ribeiro Paulo Roberto F. M. Sposati Ortiz
Dandara Louise Vieira Matavelli Rodrigo Ferreira Daverni
Elaine Aparecida de Lima Moraes Sônia Galindo Melo
Josiane Marchiori Martins
Talita Cristina Bartolomeu
Lidiane Maria Magalini
Vanessa Vergani Machado
Luciana A. Mani Adami
Luciana dos Santos Sançana de Melo
Luis Henrique de Souza Projeto gráfico, diagramação e capa
Patrícia Alves Veronez Montera Eduardo de Oliveira Azevedo
Rita Cristina Bartolomeu Joice Cristina Micai
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SUMÁRIO
CADERNO DE REFERÊNCIA DE CONTEÚDO
1 INTRODUÇÃO...................................................................................................... 7
2 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO........................................................................... 9
Unidade 1 – COMPREENDENDO O ESPORTE
1 OBJETIVOS........................................................................................................... 27
2 CONTEÚDOS........................................................................................................ 27
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE..................................................... 28
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE................................................................................... 28
5 ESPORTE.............................................................................................................. 29
6 ESPORTES ENQUANTO INSTRUMENTO APROPRIADO........................................ 31
7 ESPORTE CONTEMPORÂNEO.............................................................................. 34
8 MANIFESTAÇÕES DO ESPORTE............................................................................ 36
9 O USO DO DOPING.............................................................................................. 47
10 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS............................................................................. 52
11 CONSIDERAÇÕES................................................................................................. 52
12 E-REFERÊNCIAS................................................................................................... 53
13 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................... 53
Unidade 2 – HISTÓRIA DO ATLETISMO
1 OBJETIVOS........................................................................................................... 55
2 CONTEÚDOS........................................................................................................ 55
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE..................................................... 56
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE................................................................................... 56
5 O ATLETISMO NA PRÉ-HISTÓRIA......................................................................... 59
6 O ATLETISMO NA ANTIGUIDADE......................................................................... 61
7 O ATLETISMO NA IDADE MÉDIA.......................................................................... 68
8 O ATLETISMO CONTEMPORÂNEO ...................................................................... 69
9 AS PROVAS DO ATLETISMO - UM POUCO DA HISTÓRIA...................................... 73
10 AVANÇOS TECNOLÓGICOS ................................................................................. 82
11 O ATLETISMO NO BRASIL.................................................................................... 90
12 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS............................................................................. 93
13 CONSIDERAÇÕES................................................................................................. 94
14 E-REFERÊNCIAS................................................................................................... 94
15 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................... 95
Unidade 3 – O ATLETISMO
1 OBJETIVOS........................................................................................................... 97
2 CONTEÚDOS........................................................................................................ 97
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE..................................................... 98
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE................................................................................... 98
5 O ATLETISMO – DEFINIÇÃO E ORGANIZAÇÃO..................................................... 99
6 CONHECENDO A PISTA DE ATLETISMO................................................................ 102
7 FUNDAMENTOS TÉCNICOS E REGULAMENTARES
DAS PROVAS DE PISTA DO ATLETISMO................................................................ 103
8 FUNDAMENTOS TÉCNICOS E REGULAMENTARES
DAS PROVAS DE CAMPO DO ATLETISMO............................................................ 126
9 AS PROVAS COMBINADAS................................................................................... 159
10 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS............................................................................. 161
11 CONSIDERAÇÕES................................................................................................. 163
12 E-REFERÊNCIAS................................................................................................... 164
13 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................... 165
Unidade 4 – O ATLETISMO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR
1 OBJETIVOS........................................................................................................... 167
2 CONTEÚDOS........................................................................................................ 167
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE..................................................... 168
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE................................................................................... 168
5 O ESPORTE COMO CONTEÚDO DA EDUCAÇÃO FÍSCA ESCOLAR ........................ 169
6 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ENSINO DO ATLETISMO.............................................. 173
7 O ENSINO DO ATLETISMO NA ESCOLA - POSSIBILIDADES................................... 178
8 O PAPEL DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA E O
ENSINO DO ATLETISMO....................................................................................... 182
9 O ENSINO DO ATLETISMO E O ESPAÇO FÍSICO.................................................... 187
10 O ENSINO DO ATLETISMO E OS MATERIAIS ALTERNATIVOS................................ 195
11 SUGESTÕES DE ATIVIDADES................................................................................ 208
12 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS............................................................................. 218
13 CONSIDERAÇÕES................................................................................................. 219
14 E – REFERÊNCIAS................................................................................................. 220
15 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................... 220
Claretiano - Centro Universitário
Caderno de
Referência de
Conteúdo
CRC
Ementa––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
O atletismo como um dos conteúdos da Educação Física. Possibilidades e difi-
culdades do ensino do atletismo em aulas de Educação Física. Provas esporti-
vas, fundamentos técnicos e normativos próprios do atletismo. Fundamentos
básicos do atletismo na forma de jogos pré-desportivos sem descaracterizar a
"essência" desta modalidade esportiva. Orientações didático-pedagógicas capa-
zes de viabilizar o ensino do atletismo, de acordo com o Projeto Político Peda-
gógico da escola.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
1. INTRODUÇÃO
Seja bem-vindo!
Caro discente, iniciaremos o estudo de Atletismo. Neste Ca-
derno de Referência de Conteúdo, você encontrará unidades que
o auxiliarão a compreender o Atletismo como um elemento cul-
tural, a dominar e ser capaz de transmitir os aspectos históricos
e sociológicos, como também os fundamentos técnicos e táticos
do atletismo, inseridos no contexto escolar e analisar criticamente
o ensino do atletismo, focalizando questões educacionais signifi-
8 © Atletismo
cativas, tais como: relação professor – aluno e especificidades do
conteúdo.
O atletismo é um dos conteúdos relacionados aos esportes;
todavia, a abordagem estará direcionada para um contexto mais
amplo, afinal, trataremos de sua inserção nas aulas de Educação
Física Escolar. Assim, nosso intento é o desenvolvimento de apren-
dizagens que o auxiliarão na compreensão do trabalho docente,
uma vez que é esse o principal foco de estudo e atuação de um
licenciado em Educação Física.
A Educação a Distância exigirá de você uma nova forma de
estudo, uma vez que você será o protagonista de sua aprendiza-
gem. No entanto, você não estará sozinho, pois terá todo o apoio
necessário para a construção do seu conhecimento. Esse será um
desafio que enfrentaremos juntos, e, com sua dedicação, o cresci-
mento profissional e pessoal será conquistado.
Ao iniciar este estudo, não se esqueça de assumir o com-
promisso de participar e de interagir com seus tutores e com seus
colegas de curso das tarefas indicadas, assim como fazer a leitura
não só deste material, como também das bibliografias indicadas.
Tenha a certeza de que, ao apropriar-se dessa postura, você faci-
litará a aprendizagem de novos conhecimentos, o que o levará,
certamente, a um exercício profissional comprometido com a va-
lorização das possibilidades educacionais das práticas corporais
crítico-reflexivas.
Visando ao favorecimento dos estudos, o conteúdo deste
material está organizado em quatro unidades.
Na Unidade 1, estudaremos como se materializa a prática
social e educacional nas manifestações do Esporte/Atletismo, e
também, refletiremos e contextualizaremos as práticas nessas ma-
nifestações, como as instituições financeiras, políticas e educacio-
nais se apropriam delas e influenciam a sociedade.
Na Unidade 2, conheceremos o processo histórico do atle-
tismo, seu surgimento, evolução e organização como modalidade
© Caderno de Referência de Conteúdo 9
esportiva, bem como a grande influência dos avanços tecnológicos
na organização das competições e resultados dos atletas.
Já na Unidade 3, estudaremos sobre a organização do Atle-
tismo atual, conheceremos as provas que compõe o programa do
atletismo, suas regras, fundamentos técnicos e táticos.
Encerrando a Unidade 4, discutiremos o atletismo enquanto
conteúdo da Educação Física escolar, suas possibilidades de ensi-
no, a importância do papel do professor de Educação Física, da
adaptação do espaço físico e de materiais para o desenvolvimento
desse conteúdo e, também, apresentaremos algumas sugestões
de atividades que possam auxiliar no trabalho de criação e adapta-
ção de novas atividades direcionadas ao ensino do atletismo.
Desejamos, no início desta trajetória, que se empenhe em
cumprir as tarefas propostas, concentrando-se, sempre, na quali-
dade de sua formação!
Bons estudos!
2. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO
Abordagem Geral
Aqui, você entrará em contato com os assuntos principais
deste conteúdo de forma breve e geral e terá a oportunidade de
aprofundar essas questões no estudo de cada unidade. No entan-
to, essa Abordagem Geral visa fornecer-lhe o conhecimento bási-
co necessário a partir do qual você possa construir um referencial
teórico com base sólida – científica e cultural – para que, no fu-
turo exercício de sua profissão, você a exerça com competência
cognitiva, ética e responsabilidade social. Vamos começar nossa
aventura pela apresentação das ideias e dos princípios básicos que
fundamentam este Caderno de Referência de Conteúdo .
Claretiano - Centro Universitário
10 © Atletismo
No sentido de possibilitar e efetivar o ensino de qualidade na
Educação Básica, institutos, faculdades e universidades têm pro-
movido cursos que possam dar a formação de qualidade aos fu-
turos professores. Essa preocupação tem-se desdobrado também
para cursos à distância. De certa forma entendemos que as pesso-
as que procuram essa modalidade de curso, são aquelas já imersas
no mundo do trabalho, muitas vezes na área da própria educação.
A fim de promover uma formação que seja significativa ao
acadêmico, acreditamos que seja necessária a aquisição de conhe-
cimentos ligados a cultural geral. Diante disso, o professor em for-
mação deve adquirir competências e habilidades que permitam
aprender a aprender, aprender a ensinar, saber comportar-se e
agir de acordo com o conhecimento a ser ensinado na sala de aula,
ter habilidades comunicativas, domínio dos diversos tipos de lin-
guagens, saber articular os conteúdos com as mídias e multimídias
existentes, ter conhecimento aprofundado em relação à disciplina
que ministra, dentre outras competências (LIBÂNEO, 2001).
Nessa perspectiva, defendemos que os futuros:
[...] professores necessitam ter três tipos de conhecimento: con-
teúdo, conhecimento pedagógico do conteúdo e curricular. O pri-
meiro tipo de conhecimento refere-se ao conhecimento do conte-
údo específico, próprio da matéria a ser ensinada. É a quantidade
e organização do conhecimento dos fatos e conceitos de uma área
especifica [...] O segundo tipo de conhecimento diz respeito ao co-
nhecimento pedagógico dos conteúdos, que vai além do conteúdo
especifico, e está mais relacionado à capacidade de ensinar. Impli-
ca analogia, exemplificação, demonstrações, explicações e outras
formas de apresentação do conteúdo especifico com o objetivo de
torná-lo compreensível para o aluno. O terceiro tipo de conheci-
mento é o curricular, presente nos programas dos diferentes níveis
de ensino, juntamente com os materiais didáticos relacionados a
esses programas [...] compreende a estruturação e a organização
de conhecimentos escolares e seus respectivos materiais, como li-
vros-textos, propostas curriculares, jogos pedagógicos, vídeos, sof-
twares, CD-ROMs etc. (FACCI, 2004 apud SOUZA, 2007, p. 36-37).
Dessa forma, durante a formação, cada disciplina deve con-
tribuir para a materialização dos conteúdos específicos, das didá-
ticas, das metodologias sem, contudo, perder de vista a sua espe-
© Caderno de Referência de Conteúdo 11
cificidade. Esses conhecimentos necessários aos professores é que
permitem a eles a interpretação do currículo, bem como da pro-
posta pedagógica da escola. Considerando inclusive que as con-
cepções de educação, os valores dos conteúdos, o conhecimento
sobre o aluno, a realidade da escola e da sociedade em que está
inserida estão expressos na proposta pedagógica.
Outro fator, também importante na formação, é que os fu-
turos professores devem estar cientes do seu papel enquanto su-
jeito do processo educacional. É fundamental que o trabalho do
professor, independente da sua disciplina, deve ser permeado por
um trabalho coletivo, principalmente na elaboração do Projeto Po-
lítico Curricular da escolar. No projeto algumas ações devem ser
consideradas, tais como:
Contextualização da escola – que deve apresentar os aspectos so-
ciais, econômicos, culturais e geográficos, condições físicas e mate-
riais, as características dos elementos humanos, e ainda, um breve
histórico sobre a escola (faculdade ou curso); Diagnóstico da con-
cepção de educação e de práticas escolares – que corresponde à
concepção de escola e do perfil de formação dos alunos, princípios
norteadores da ação pedagógico-didática; Diagnóstico da situação
em que se encontra a escola – levantamento e identificação de pro-
blemas e de necessidades a serem atendidas pelas ações do proje-
to, definição das prioridades; Traçar objetivos gerais; Identificação
da estrutura de organização e gestão da escola – aspectos orga-
nizacionais, administrativos e financeiros; Elaboração da proposta
curricular – contendo os fundamentos sociológicos, psicológicos,
culturais, epistemológicos e pedagógicos e a proposta de organi-
zação curricular (da escola, séries e/ou ciclos, plano de ensino das
disciplinas); Programa e políticas de formação continuada dos pro-
fessores; Proposta de intervenção no trato com os pais, comunida-
de e outras escolas, e, formas avaliativas do projeto – visto que a
avaliação constante do projeto garante o caráter dinâmico da vida
escolar em todas as suas dimensões (SOUZA, 2007, p. 39).
Quanto ao projeto pedagógico acreditamos, assim como
Souza, 2007, que:
Para que o projeto pedagógico seja validado são necessários a par-
ticipação e o trabalho coletivo, caso contrário, não passará de um
mero documento institucional de gaveta. Os profissionais têm que,
a partir dos eixos e da ementa da disciplina, articular os objetivos,
conteúdos, metodologias de ensino, avaliação e bibliografia em
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12 © Atletismo
consonância, mantendo uma harmonia pedagógica e objetivando
a formação de homens para a sua sociedade. Deve-se ter em vis-
ta que sem o desenvolvimento e o conhecimento proporcionados
pela educação, o homem não se torna homem (p. 41).
De acordo com Tardif e Lessard (2005) apud Souza (2007,
p.46):
[...] a organização do trabalho pedagógico na escola é, antes de
tudo, uma construção social contingente oriunda das atividades de
um grande número de atores individuais e coletivos que buscam
interesses que lhes são próprios, mas que são levados, por diversas
razões, a colaborar numa mesma organização. Portanto, é a ação
e a interação dos atores escolares, através de seus conflitos e suas
tensões (conflitos e tensões não excluem colaborações e consen-
sos), que estruturam a organização do trabalho na escola.
Em contrapartida, o projeto de uma disciplina deve ser de-
senvolvido considerando a construção histórica e concreta dos
conteúdos, as metodologias de ensino, os princípios do projeto
pedagógico, o conhecimento e experiência do professor acerca da
área em que atua e, pressupostos da educação e outras áreas de
conhecimento que fazem articulação com a sua própria.
Assim, entendemos ser de relevância, considerar na organi-
zação do trabalho pedagógico a interdisciplinaridade como princí-
pio na elaboração da proposta pedagógica, bem como da própria
disciplina.
No ensino a distância esses princípios, fatores e pressupos-
tos apresentados e discutidos não são diferentes. Contudo, cabe
ao acadêmico, por meio de uma organização temporal e didática
participar de todos os momentos colocados a sua disposição no
moodle (plataforma do curso).
Na formação a distância a materialidade dos conhecimen-
tos recaem nas leituras dos textos, na discussão dos fóruns, nos
chats, nas vídeoconferências, web conferências dentre outras fer-
ramentas colocadas a disposição da formação. Assim, requer certa
responsabilidade e participação efetiva dos acadêmicos, afinal, so-
mos sujeitos de nossa própria formação.
© Caderno de Referência de Conteúdo 13
De forma mais específica entendemos que a formação a dis-
tância deve objetivar uma formação que atenda as necessidades
sociais mediante uma proposta política e pedagógica nos campos
de intervenção referentes a educação física. Também é papel do
curso articular conhecimentos e componentes curriculares articu-
lando-os com as novas tecnologias de comunicação e informação,
além da inclusão na rede mundial de computadores, acesso que
permite a aproximação dos conhecimentos produzidos na área
nos últimos tempos.
A formação de professores, ou seja, o curso de Graduação a
distância deve preocupar-se com as competências e habilidades
dos futuros professores no que concerne a sua função enquanto
formador, com conhecimentos advindos da pedagogia, da cultura
e da sociedade da ciência e da política.
Cada disciplina, em especial o Atletismo, deve dar condi-
ções ao futuro professor de apreender novos conhecimentos, ao
mesmo tempo em que possa reconstruí-los com base na cultura
corporal do movimento humano, na tentativa de consolidar uma
produção de conhecimento que seja significativa para o aluno e
para a sociedade na qual está inserido.
Além de tudo, por meio do texto, dos referenciais teóricos,
apresentar, dar condições ao acadêmico de compreender como se
dá a produção de conhecimento e a construção de saberes tanto
da área da educação física quanto de outras áreas que com ela se
articulam.
A materialização desses conhecimentos deve se dar no cam-
po pedagógico, quando o então professor conseguir lançar mãos
de conteúdos, estratégias de ensino, metodologias e avaliações
que permeiam o avanço científico e tecnológico da área, conse-
guindo compreender as relações que permeiam o conhecimento
do corpo com a educação, a cultura, a sociedade, a política e as
necessidades básicas no ser humano.
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14 © Atletismo
É primordial que na formação seja desenvolvida a autono-
mia intelectual, reflexiva, investigativa, inquiridora dos acadêmi-
cos, no sentido de se tornarem profissionais qualificados e críticos
durante a formação e ao mundo do trabalho.
Os pressupostos até agora apresentados e necessários para
a formação de professores, não é diferente, pois o mesmo se ma-
terializa na escola como um conteúdo de uma disciplina, Educação
Física Escolar, e como os demais se articulam entre si, pois pos-
suem especificidades, ao mesmo tempo que se aproximam.
Não podemos considerar o atletismo como um esporte de
base para os demais, haja vista que, além de ser o esporte prati-
cado há centenas de séculos, para não dizer milhares, cada mo-
dalidade praticada possui um rol de gestos técnicos que possuem
uma especificidade, um sentido e um significado próprio da área. É
certo que sua pratica é cerceada de movimentos intrínsecos ao ser
humano desde a sua humanização, mas isso não é uma retórica
que explicaria ou o colocaria como base para as demais modalida-
des esportivas. O que nós profissionais da área da Educação Física
e Esportes devemos entender é que, em todas as atividades moto-
ras e atléticas, o andar, o correr, o saltar, o arremessar e o lançar,
de uma forma ou de outra, estão presentes. Contudo, em cada
atividade, jogo, brincadeira e esporte possuem gestuais, sentidos
e significados diferentes.
O atletismo por ser uma atividade motora de fácil assimila-
ção na fase inicial de aprendizagem torna-se bem aceita no meio
estudantil, além do que os materiais necessários para ensiná-lo
são de certo modo fáceis de serem adaptados, fato que o aproxi-
ma ainda mais da formação de alunos.
No decorrer desse Caderno de Referência de Conteúdo, prin-
cipalmente da Unidade 4, perceberemos que é possível a mate-
rialização do ensino do atletismo na escola. Mesmo com mate-
riais adaptados é possível que o professor faça uma abordagem
de ensino que seja significativa e real para os alunos. Com base
© Caderno de Referência de Conteúdo 15
em novas experiências e experiências por meio de atividades já
conhecidas dos alunos, como os jogos e as brincadeiras, ensinar
o atletismo dando autonomia para o aluno, para que além de co-
nhecer o atletismo, possa escolher que tipo de prática gostaria de
fazer, ou seja, na perspectiva do lazer ou da competição.
Faça a diferença na sua formação, procure participar efetiva-
mente de todas as possibilidades que lhe for oportunizadas.
Fonte: Diretório Acadêmico Mariana Amália. Disponível em:<[Link]/2008>.
Acesso em: 4 set. 2010.
Figura 1 Educação a distância
Desejamos a todos bons estudos!
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16 © Atletismo
Glossário de conceitos
O Glossário permite a você uma consulta rápida e precisa
das definições conceituais, possibilitando-lhe um bom domínio
dos termos técnico-científicos utilizados na área de conhecimento
dos temas tratados neste caderno.
Para a indicação do Glossário estaremos dialogando com
autores que se ocuparam da elaboração de dicionários sobre os
temas aqui tratados, tais como: Tubino et al, (2007); Gomes et al.
(2004); Parlebas (2008); González; Fensterseifer (2008); dentro
outros autores que também trataram dessa temática como Kunz
(1994); Souza (2007); (Daólio,2004 ). Veja, a seguir, a definição dos
principais conceitos:
1) Alto rendimento: relacionado ao esporte, o alto rendi-
mento diz respeito a uma máxima exigência em relação
aos fundamentos técnicos e táticos, em que a prepara-
ção física e o próprio treinamento é realizado sistema-
ticamente obedecendo a um tempo e um espaço pré-
definidos por calendários. O trabalho realizado no alto
rendimento é feito por meio de um pool de profissionais
de forma interdisciplinar buscando um único objetivo
(SOUZA, 2007).
2) Atividade física: é entendida como qualquer movimento
corporal produzido pelos músculos esqueléticos do qual
resultam dispêndios energéticos (GONZÁLEZ; FENSTER-
SEIFER, 2008).
3) Atletismo: é uma prática corporal e esportiva, em que
as capacidades motoras humanas como andar, correr,
saltar, lançar e arremessar são constantemente testadas
e avaliadas seguindo um critério regulamentar imposto
e gerido por uma entidade internacional. Sua prática re-
monta a pré-história e sempre esteve ligado as comemo-
rações religiosas e profanas (SOUZA, 2007).
4) Brincadeiras: é a ação que a criança desempenha ao
concretizar as regras do jogo, ao mergulhar na ação lú-
dica. Pode-se dizer que é o lúdico em ação. Desta forma,
brinquedo e brincadeira relacionam-se diretamente com
© Caderno de Referência de Conteúdo 17
a criança e não se confundem com o jogo (KISHIMOTO,
2002).
5) Capacidades motoras: representação vivida do próprio
corpo e de suas possibilidades dinâmicas de interven-
ção, relacionadas antecipadamente de acordo com as
características vinculadas ao espaço e aos instrumentos,
ao tempo e ainda, impostas pelas obrigações da ação
motriz desejada (Parlebás). Qualidade geral do indivíduo
relacionada com a execução de uma variedade de habi-
lidades ou tarefas.
6) Contextualização: é a ação do leitor em realizar um de-
sencadeamento de ideias do texto, por meio do levan-
tamento e fornecimento de informações a ele relacio-
nadas.
7) Cultura: é a própria condição de vida de todos os seres
humanos. É produto das ações humanas, mas é também
processo contínuo pelo qual as pessoas dão sentido às
suas ações. Constitui-se em processo singular e privado,
mas é também plural e público. É universal, porque to-
dos os humanos a produzem, mas é também local, uma
vez que é a dinâmica específica de vida que significa o
que o ser humano faz. A cultura ocorre na mediação dos
indivíduos entre si, manipulando padrões de significa-
dos e fazem sentido em um contexto específico (DAÓ-
LIO, 2004).
8) Desenvolvimento motor: campo de investigação que
estuda o comportamento motor (habilidades padrões,
generalizações motoras e capacidades físicas) em po-
pulações normais ou não, em diferentes faixas etárias.
Estuda as teorias que fundamentam o sentido/significa-
do do movimento humano no processo de desenvolvi-
mento e aprendizagem humana. Estabelece princípios
básicos para fundamentar a ação pedagógica (PALAFOX,
2002).
9) Educação Física: é uma prática pedagógica que trata/te-
matiza as manifestações da nossa cultura e, essa prática
busca fundamentar-se em conhecimentos científicos,
oferecidos pelas abordagens das diferentes disciplinas.
Ou seja, o campo acadêmico da Educação Física vem se
Claretiano - Centro Universitário
18 © Atletismo
constituindo a partir da absorção e/ou incorporação de
práticas científicas fortemente marcadas por aborda-
gens monodisciplinares do fenômeno do movimento
humano ou da atividade física (BRACHT, 1997).
10) Educação Física Escolar: disciplina que compõe o currícu-
lo da educação básica, que possui um saber necessário a
formação do homem. Ela tematiza as diferentes formas
culturais do movimentar-se humano, promovendo um
esclarecimento crítico a seu respeito, desvelando suas
vinculações com os elementos das demais áreas de co-
nhecimento. Objetiva-se formar indivíduos dotados de
capacidade crítica em condições de agir autonomamente
na esfera da cultura corporal de movimento e de forma
transformadora como cidadãos políticos (SOUZA, 2007).
11) Escola: é um espaço de produção do conhecimento, de
socialização, de aprendizagem, de transformação, de
emancipação, de ações reflexivas e críticas, que propor-
ciona ao educando uma visão da sociedade, dando-lhe
condições de compreendê-la, vivenciá-la e transformá-
-la da melhor forma possível, na tentativa de obtenção
da cidadania (SOUZA, 2007).
12) Esporte: uma atividade física regrada e competitiva, em
constante desenvolvimento, construída e determinada
conforme sua dimensão ou expectativa sociocultural, e
finalmente, em franco processo de profissionalização,
mercantilização e espetacularização (GONZÁLEZ; FENS-
TERSEIFER, 2008).
13) Fundamento regulamentar: são gestos realizados por
atletas que possuem uma regulamentação quanto a for-
ma de execução, instituída pelo órgão máximo da moda-
lidade em questão.
14) Fundamento técnico: são gestos motores realizados por
atletas na execução dos movimentos biomecanicamente
construídos no sentido de alcançar o máximo rendimento.
15) Habilidades motoras: pressupõe ações motoras volun-
tárias do indivíduo objetivando realizar alguma ação. As
habilidades motoras são apreendidas e, a aprendizagem
dessas habilidades ocorre no decorrer do desenvolvi-
mento humano, bem como o seu aperfeiçoamento.
© Caderno de Referência de Conteúdo 19
16) Jogo: poderíamos considerá-lo uma atividade livre;
conscientemente tomada como "não-séria" e exterior à
vida habitual, mas ao mesmo tempo capaz de absorver
o jogador de maneira intensa e total. É uma atividade
desligada de todo e qualquer lucro, praticada dentre de
limites espaciais e temporais próprios, segundo uma cer-
ta ordem e certas regras. Promove a formação de grupos
sociais com tendência a rodearem-se de segredo e a su-
blinharem sua diferença em relação ao resto do mun-
do por meio de disfarces ou outros meios semelhantes
(HUIZINGA, 1999).
17) Lazer: fenômeno tipicamente moderno, resultante das
tensões entre capital e trabalho, que se materializa
como um tempo e espaço de vivências lúdicas, lugar de
organização da cultura, perpassa por relações hegemô-
nicas (GOMES, 2004).
18) Mídia: é todo suporte de difusão da informação que
constitui um meio intermediário de expressão capaz de
transmitir mensagens; o conjunto dos meios de comuni-
cação social de massas [Abrangem esses meios o rádio,
o cinema, a televisão, a imprensa, os satélites de comu-
nicações, os meios eletrônicos e telemáticos de comuni-
cação etc.] (HOUAISS, 2009).
19) Problematização: é um exercício intelectual e social que
demanda um levantamento de problemas e questiona-
mentos em relação às mensagens apresentadas em um
texto, que tem o propósito de elevar a discussão e, con-
sequentemente, o conhecimento a um ponto de vista
mais objetivo e científico, fato que permite uma tomada
de consciência mais elevada de si mesmo e do mundo
em que vive.
20) Sociedade: organização humanamente fundada ou sis-
tema de interrelações que articula indivíduos em uma
mesma cultura. Todos os produtos da interação huma-
na, a experiência de viver com outros em torno de nós. A
interação se dá por meio da partilha de valores, normas,
propósitos, costumes, crenças, ideologias, etc.
Claretiano - Centro Universitário
20 © Atletismo
21) Tática: método ou habilidade utilizada pelo atleta ou
equipe, para sobrepor-se ao adversário em situações de
disputa e/ou confronto.
22) Técnica: domínio dos gestos motores de uma determi-
nada modalidade esportiva que o atleta executa em
ações individuais.
23) Treinamento desportivo científico: “é a forma funda-
mental de preparação, baseada em exercícios sistemá-
ticos, representando um processo organizado pedago-
gicamente com o objetivo de direcionar a evolução do
desportista" (Matveiev, 1983, s/n). Uma ação sistemáti-
ca de treinamento implica na existência de um plano em
que se define igualmente os objetivos parciais, os conte-
údos e os métodos de treinamento, cuja realização deve
desenvolver mediante controle dos mesmos (Dicionário
de Ciências do Esporte, 1992). Bompa (1983) define o
treinamento como uma atividade desportiva sistemática
de longa duração, graduada de forma progressiva a nível
individual, cujo objetivo é preparar as funções humanas,
psicológicas e fisiológicas para poder superar as tarefas
mais exigentes.
Esquema dos conceitos-chave
Para que você tenha uma visão geral dos conceitos mais im-
portantes deste estudo, apresentamos, a seguir (Figura 1), um Es-
quema dos Conceitos-chave do Caderno de Referência de Conteú-
do. O mais aconselhável é que você mesmo faça o seu esquema de
conceitos-chave ou até mesmo o seu mapa mental. Esse exercício
é uma forma de você construir o seu conhecimento, ressignifican-
do as informações a partir de suas próprias percepções.
É importante ressaltar que o propósito desse Esquema dos
Conceitos-chave é representar, de maneira gráfica, as relações en-
tre os conceitos por meio de palavras-chave, partindo dos mais
complexos para os mais simples. Esse recurso pode auxiliar você
na ordenação e na sequenciação hierarquizada dos conteúdos de
ensino.
© Caderno de Referência de Conteúdo 21
Com base na teoria de aprendizagem significativa, entende-se
que, por meio da organização das ideias e dos princípios em esque-
mas e mapas mentais, o indivíduo pode construir o seu conhecimen-
to de maneira mais produtiva e obter, assim, ganhos pedagógicos
significativos no seu processo de ensino e aprendizagem.
Aplicado a diversas áreas do ensino e da aprendizagem es-
colar (tais como planejamentos de currículo, sistemas e pesquisas
em Educação), o Esquema dos Conceitos-chave baseia-se, ainda,
na ideia fundamental da Psicologia Cognitiva de Ausubel, que es-
tabelece que a aprendizagem ocorre pela assimilação de novos
conceitos e de proposições na estrutura cognitiva do aluno. Assim,
novas ideias e informações são aprendidas, uma vez que existem
pontos de ancoragem.
Tem-se de destacar que "aprendizagem" não significa, ape-
nas, realizar acréscimos na estrutura cognitiva do aluno; é preci-
so, sobretudo, estabelecer modificações para que ela se configure
como uma aprendizagem significativa. Para isso, é importante con-
siderar as entradas de conhecimento e organizar bem os materiais
de aprendizagem. Além disso, as novas ideias e os novos concei-
tos devem ser potencialmente significativos para o aluno, uma vez
que, ao fixar esses conceitos nas suas já existentes estruturas cog-
nitivas, outros serão também relembrados.
Nessa perspectiva, partindo-se do pressuposto de que é
você o principal agente da construção do próprio conhecimento,
por meio de sua predisposição afetiva e de suas motivações in-
ternas e externas, o Esquema dos Conceitos-chave tem por ob-
jetivo tornar significativa a sua aprendizagem, transformando o
seu conhecimento sistematizado em conteúdo curricular, ou seja,
estabelecendo uma relação entre aquilo que você acabou de co-
nhecer com o que já fazia parte do seu conhecimento de mundo
(adaptado do site disponível em: <[Link]
ols/mapasconceituais/[Link]>. Acesso em:
11 mar. 2010).
Claretiano - Centro Universitário
22 © Atletismo
ATLETISMO
ELEMENTO SOCIO-CULTURAL
ESCOLAR LAZER ALTO RENDIMENTO
RESSIGNIFICAÇÃO DO TREINAMENTO
ESPORTE CIENTÍFICO
CONHECIMENTO DO CORPO
DESENVOLVIMENTO HABILIDADES
PESSOAL/SOCIAL MOTORAS
CONHECIMENTO CAPACIDADE FISICA
SOBRE O ESPORTE
Figura 1 Esquema dos conceitos-chave do Caderno de Referência de Conteúdo: Atletismo.
Como você pode observar, o esquema anterior apresenta-
-lhe uma visão geral dos conceitos mais importantes deste estudo.
Seguindo esse esquema, você poderá transitar entre um e outro
conceito e descobrir o caminho para construir o seu processo edu-
cativo. Por exemplo, com base no Esquema dos Conceitos-chave,
é possível compreender com mais facilidade que o conceito de
Elemento Sócio-Cultural tanto pode estar associado ao atletismo
enquanto esporte escolar, como ao lazer e também para o esporte
de alto rendimento, dependendo, para isso, da reflexão e da crítica
realizadas.
Observamos que o Esquema dos conceitos-chave é mais um
dos recursos de aprendizagem que vem somar-se àqueles dispo-
níveis no ambiente virtual com suas ferramentas interativas, bem
como às atividades didático-pedagógicas realizadas presencial-
© Caderno de Referência de Conteúdo 23
mente no pólo. Lembre-se de que você, aluno na modalidade à
distância, pode valer-se da sua autonomia na construção de seu
próprio conhecimento.
Questões autoavaliativas
No final de cada unidade, você encontrará algumas questões
autoavaliativas sobre os conteúdos ali tratados, as quais podem
ser de múltipla escolha ou abertas com respostas objetivas ou dis-
sertativas. Vale ressaltar que se entendem as respostas objetivas
como as que se referem aos conteúdos matemáticos ou àqueles
que exigem uma resposta determinada, inalterada.
Responder, discutir e comentar essas questões, bem como
relacioná-las com a prática do ensino de Atletismo pode ser uma
forma de você avaliar o seu conhecimento. Assim, mediante a re-
solução de questões pertinentes ao assunto tratado, você estará
se preparando para a avaliação final, que será dissertativa. Além
disso, essa é uma maneira privilegiada de você testar seus conhe-
cimentos e adquirir uma formação sólida para a sua prática profis-
sional.
Você encontrará, ainda, no final de cada unidade, um gabari-
to, que lhe permitirá conferir as suas respostas sobre as questões
autoavaliativas (as de múltipla escolha e as abertas objetivas).
As questões dissertativas obtêm por resposta uma interpretação
pessoal sobre o tema tratado. Por isso, não há nada relacionado a
elas no item Gabarito. Você pode comentar suas respostas com o
seu tutor ou com seus colegas de turma.
Bibliografia básica
É fundamental que você use a Bibliografia Básica em seus
estudos, mas não se prenda só a ela. Consulte, também, as biblio-
grafias complementares.
Claretiano - Centro Universitário
24 © Atletismo
Figuras (ilustrações, quadros...)
Neste material instrucional, as ilustrações fazem parte inte-
grante dos conteúdos, ou seja, elas não são meramente ilustra-
tivas, pois esquematizam e resumem conteúdos explicitados no
texto. Não deixe de observar a relação dessas figuras com os con-
teúdos, pois relacionar aquilo que está no campo visual com o con-
ceitual faz parte de uma boa formação intelectual.
Dicas (Motivacionais)
Este estudo convida você a olhar, de forma mais apurada,
a Educação como processo de emancipação do ser humano. É
importante que você se atente às explicações teóricas, práticas e
científicas que estão presentes nos meios de comunicação, bem
como partilhe suas descobertas com seus colegas, pois, ao com-
partilhar com outras pessoas aquilo que você observa, permite-se
descobrir algo que ainda não se conhece, aprendendo a ver e a
notar o que não havia sido percebido antes. Observar é, portanto,
uma capacidade que nos impele à maturidade.
Você, como aluno do curso de Graduação na modalidade
EAD e futuro profissional da Educação, necessita de uma forma-
ção conceitual sólida e consistente. Para isso, você contará com
a ajuda do tutor a distância, do tutor presencial e, sobretudo, da
interação com seus colegas. Sugerimos, pois, que organize bem o
seu tempo e realize as atividades nas datas estipuladas.
É importante, ainda, que você anote as suas reflexões em
seu caderno ou no Bloco de Anotações, pois, no futuro, elas pode-
rão ser utilizadas na elaboração de sua monografia ou de produ-
ções científicas.
Leia os livros da bibliografia indicada, para que você amplie
seus horizontes teóricos. Coteje-os com o material didático, discuta
a unidade com seus colegas e com o tutor e assista às videoaulas.
© Caderno de Referência de Conteúdo 25
No final de cada unidade, você encontrará algumas questões
autoavaliativas, que são importantes para a sua análise sobre os
conteúdos desenvolvidos e para saber se estes foram significativos
para sua formação. Indague, reflita, conteste e construa resenhas,
pois esses procedimentos serão importantes para o seu amadure-
cimento intelectual.
Lembre-se de que o segredo do sucesso em um curso na
modalidade a distância é participar, ou seja, interagir, procurando
sempre cooperar e colaborar com seus colegas e tutores.
Caso precise de auxílio sobre algum assunto relacionado a
este Caderno de Referência de Conteúdo, entre em contato com
seu tutor. Ele estará pronto para ajudar você.
Claretiano - Centro Universitário
Claretiano - Centro Universitário
EAD
Compreendendo o
esporte
1
1. OBJETIVOS
• Compreender como se materializam na prática social e
educacional as manifestações do Esporte/Atletismo.
• Relacionar as manifestações do Esporte/ Atletismo e o
ensino da Educação Física na Escola.
• Refletir e contextualizar as práticas nas manifestações do
Esporte/Atletismo e como as instituições (políticas, finan-
ceiras e educacionais) se apropriam delas e influenciam a
sociedade.
2. CONTEÚDOS
• Esporte.
• Esportes enquanto instrumento apropriado.
• Esporte contemporâneo.
• Manifestações do esporte.
28 © Atletismo
• Esporte de lazer.
• Esporte educacional.
• O uso do doping.
3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE
Antes de iniciar o estudo desta unidade, é importante que
você leia as orientações a seguir:
1) Para que você consiga realizar leituras significativas para
sua formação procure, inicialmente, fazer uma leitura
preliminar, identificando palavras, termos científicos
e autores que você não conhece. Para isso, às vezes, é
necessário recorrer a um dicionário específico da área.
Isso porque, a compreensão desses termos e autores o
auxiliarão na assimilação dos conteúdos tratados nessa
unidade.
2) É importante também situar sempre tanto os autores
como os fatos com a história cultural, educacional, social
e política da sociedade em que ocorreram, uma vez que
a lógica nas mudanças possuem estreita relação com a
história de uma forma geral.
3) Lembre-se que este texto é introdutório. Para aprofun-
dar questões que são tratadas nele é necessário buscar
novas leituras que possuem novos olhares sobre o tema.
A rede mundial de computadores é um ótimo lugar para
isso, portanto, procure artigos, resenhas, que foram pu-
blicadas em revistas cientificas digitalizadas, pois pos-
suem uma qualidade mais apurada. Da mesma forma
que deve utilizar as bibliotecas virtuais das universida-
des, para pesquisar em dissertações e teses, no qual é
um campo rico em informações científicas.
4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
Que a leitura desse texto não seja vista de forma obrigatória
na formação, mas que seja vista e refletida como um convite na
© U1 - Compreendendo o esporte 29
tentativa de elucidar questões a respeito da prática esportiva, em
especial do Atletismo, pois, partindo do pressuposto que somos
sujeitos de nossa própria educação, devemos sempre buscar no-
vas leituras, novos olhares sobre as linguagens representadas pela
grafia, pelo corpo, pela fala, pelas imagens e pela web. Fato bem
elucidado por Merleau-Ponty (1996)
[...] eu não sou o resultado ou o entrecruzamento de múltiplas cau-
salidades que determinam meu corpo ou meu 'psiquismo', eu não
posso pensar-me como uma parte do mundo, como o simples obje-
to da biologia, da psicologia e da sociologia, nem fechar sobre mim
o universo da ciência. Tudo que sei do mundo, mesmo por ciência,
eu o sei a partir de uma visão minha ou de uma experiência do
mundo sem a qual os símbolos da ciência não poderiam dizer nada
(apud KUNZ, 2009, p. 31).
Diante disso, acreditamos que o adentrando no conhecimen-
to acerca de um determinado assunto, nesse caso específico do
esporte (atletismo), o acadêmico do curso de EAD, esteja prepara-
do para realizar fantásticas aventuras, utilizando-se da imaginação
refletidas nas imagens, nos textos, nos livros, nas pessoas, na rede
mundial de computadores e nos atletas.
Entendemos que antes de entrar na especificidade do ensino
do atletismo na formação de professores e também na formação
de alunos na educação básica, faz-se necessário uma discussão
acerca do fenômeno esportivo, para compreender a sua influência
nas aulas de educação física, bem como na vida cotidiana do ser
humano de uma forma geral. Assim, passaremos a seguir a apre-
sentar e discutir vários autores que contribuíram com a temática
em questão.
5. ESPORTE
Considerando que o esporte é um fenômeno sociocultural,
historicamente ele vem sendo tratado, modificado e usado na me-
dida em que as instituições sociais, educacionais, econômicas e
políticas se apropriam dele.
Claretiano - Centro Universitário
30 © Atletismo
Na tentativa de contribuir para uma conceituação aproxi-
mada do esporte e entendendo a complexidade em defini-lo, o
Dicionário Crítico de Educação traz a seguinte contribuição a esse
respeito:
[...] uma atividade física regrada e competitiva, em constante de-
senvolvimento, construída e determinada conforme sua dimensão
ou expectativa sociocultural, e finalmente, em franco processo de
profissionalização, mercantilização e espetacularização (2008, p.
129).
Marchi Júnior (2002, p. 77) afirma que
Na atualidade, o esporte tem sido considerado uma das manifesta-
ções culturais que, marcadamente, mais têm apresentado evoluções
e transformações, sejam elas de ordem técnicas ou de referentes à
forma de exposição e absorção pela sociedade. Desta consideração
emerge o entendimento do esporte como um fenômeno social em
processo de constituição, ou seja, as práticas esportivas refletem,
na análise de seu contexto histórico, continuidades e rupturas que
caracterizam a expansão de suas fronteiras [...].
Como se sabe o esporte surgiu na Inglaterra e, inicialmen-
te, foi praticado em escolas, contudo, as modalidades esportivas
surgiram em diferentes espaços e de acordo com a necessidade,
objetivando sempre uma prática que atendesse a um determinado
grupo social.
Stigger (2005, p. 14) com base nos referenciais de Mandell,
afirma que
[...] diversos esportes existiam antes da fundação dos grandes im-
périos e refere-se a exemplos de práticas esportivas realizadas em
diferentes momentos históricos e localizações geográficas. Nesse
percurso, chega à Inglaterra do século XIX, onde considera ter sido
inventado o esporte moderno. Especificamente sobre este, con-
sidera-o fruto das transformações da sociedade inglesa, marcada
pelo processo de industrialização, pelo desenvolvimento tecnoló-
gico e por novas formas de organização, assim como por algumas
características daí recorrentes: a racionalização, a estandardização
e a precisão das medições.
As modalidades esportivas surgiram ao longo do tempo, a
exemplo: o futebol surgiu nas escolas inglesas; o basquetebol foi
criando por um professor da ACM (Associação Cristã de Moços)
© U1 - Compreendendo o esporte 31
nos Estados Unidos para alunos; o voleibol também criado pelo
professor de educação física da ACM (Associação Cristã de Moços
de Massachusetts) cujo objetivo era criar um jogo sem contato fí-
sico, principalmente para pessoas com idades mais avançadas; o
handebol que possui controvérsias quanto a sua origem, mas sen-
do que a mais aceita, inclusive pela IAF (Federação Internacional
de Handebol) é que surgiu na Alemanha, para atender a necessi-
dade de novas práticas, principalmente voltadas para as mulheres;
e o atletismo que incontestavelmente é a modalidade esportiva
mais antiga que se tem conhecimento.
As modalidades esportivas: para este estudo, a ênfase será dada
as modalidades que se materializam enquanto conteúdo da edu-
cação física na escola, como: o basquetebol, o futebol, o hande-
bol, o voleibol e com ênfase no atletismo.
O atletismo é um esporte que surgiu ainda na antiguidade,
em que cidades paravam, inclusive guerras, para realizarem com-
petições de corridas, lançamento de dardo, arremesso de peso
dentre outras provas, como arco e flecha, corrida de bigas, lutas
corporais e também com espadas.
As modalidades esportivas mais conhecidas e ensinadas em
ambientes escolares são o futebol, o handebol, o basquetebol, o
voleibol e atletismo, devido ao espaço comum exigido para sua
prática. Contudo, o atletismo na maioria das vezes é deixado de
lado por professores de educação física em decorrência da falta
de espaço específico e também de material, mas esse assunto será
abordado com maior ênfase mais a frente.
6. ESPORTES ENQUANTO INSTRUMENTO APROPRIA-
DO
Diante dos caminhos percorridos pela prática esportiva per-
cebemos que os objetivos do esporte moderno não se modifica-
Claretiano - Centro Universitário
32 © Atletismo
ram na contemporaneidade. Proni (2002) afirma que o esporte
moderno tem seu aparecimento no decorrer do desenvolvimen-
to do capitalismo industrial, e que a comercialização dos grandes
eventos esportivos tem por objetivo gerar lucros, o que leva alguns
autores a comparar o esporte como um produto do capitalismo.
Apesar disso, devemos estar atentos para isso, pois, na verdade as
indústrias e marcas esportivas, bem como governos, utilizam do
esporte para promover suas marcas e suas políticas públicas. Fatos
que acabam por gerar aumento de consumo e mascaramento de
políticas assistencialistas.
Esses fatos são facilmente comprovados quando vemos nos
meios de comunicação a utilização da imagem de grandes atletas
como sinônimos de marcas esportivas, alimentos, bancos, dentre
outros. Além de projetos e políticas governamentais que trazem
como slogan que o "esporte é saúde", "esporte não é droga", por-
tanto, “pratique esporte”.
Com base nessas proposições concordamos com Souza
(2003, p. 109) quando afirma que o esporte "hoje em dia está a
serviço, principalmente, de instituições financeiras e passou a ser
um produto vendido de variadas formas: trabalho, mercadorias e
entretenimento". Ou seja, se as pessoas são atletas de finais de
semana consomem os mesmos produtos que os atletas profissio-
nais; se são apenas admiradores pagam ingressos e sistema de TV
fechada para assistir a jogos, shows e jornais especializados. Se as
pessoas são atletas profissionais vendem seu talento para a em-
presa/clube que pagar mais.
De acordo com as influências que o esporte vai sofrendo ao
longo de sua história e prática, assume papéis e significados dife-
renciados. Segundo Souza (2003, p. 108),
[...] o esporte constitui-se a partir dos sentidos e direcionamentos
tomados pela prática, podendo o mesmo se constituir em "esporte
social e esporte espetáculo". Diante disso, o esporte social pode ser
considerado de responsabilidade do Estado e compreende o cam-
po sócio-educacional (esporte educação ou esporte na escola – es-
porte educacional e esporte escolar) e o esporte na comunidade ou
© U1 - Compreendendo o esporte 33
esporte-lazer. O esporte espetáculo que abrange o esporte de ren-
dimento, principalmente o de alto rendimento, vai se modificando
em função da mídia e da própria burocratização, transformando-se
em grandes espetáculos, como é o caso da Liga Mundial de Voleibol
e o Campeonato Americano de Basquetebol.
Nessa mesma perspectiva Linhares (1997, p. 228) afirma
que:
O esporte transforma-se em um negócio lucrativo na medida em
que a "indústria esportiva" comporta uma infinidade de produtos
rentáveis. Além do próprio espetáculo esportivo que, a cada dia,
refina e amplia sua condição de mercadoria, outros mercados cres-
cem em função do esporte, produzindo e comercializando uma in-
finidade de produtos e serviços. Esse movimento que, por um lado,
significa a massificação da oferta do esporte como um produto de
consumo, por outro, descaracteriza a idéia do esporte como um
direito social (p. 228).
Também a esse respeito Bracht (2002, p. 196) chama a aten-
ção, principalmente, para o esporte como prática de lazer. Ele afir-
ma que:
A mercadorização do esporte significa a extensão da lógica da mer-
cadoria para o âmbito das práticas corporais (de lazer), tanto no
sentido de consumo de prestação de serviços (serviços e equipa-
mentos) quanto na produção e no consumo de espetáculo esporti-
vo e de seus subprodutos. Normalmente se discute ou se entende
que a mercadorização do esporte acontece apenas no plano do
esporte-espetáculo, como aprofundamento do esporte do espor-
te profissional com o seu acoplamento ao sistema dos meios de
comunicação de massa. É claro que hoje que esse esporte é hoje
um segmento, dos mais significativos, da economia mundial (as
cifras que o negócio do esporte movimenta são realmente signi-
ficativas).
Assim, no que se refere ao esporte que deveria ser de acesso
de todos, é importante perceber que:
[...] a prática esportiva não tem o poder de evitar doenças, não di-
minui a evasão escolar e, muito menos, o uso de drogas e a cri-
minalidade. Se esses aspectos fossem verdadeiros, como se expli-
caria o número de acidentes entre atletas causados pelo uso de
anabolizantes (drogas para melhorar o rendimento)? Além do mais,
o esporte por si só não daria conta do que é de responsabilidade
do Estado, a exemplo disso, podemos observar que para alcançar
os objetivos propostos nos programas e projetos do Ministério do
Claretiano - Centro Universitário
34 © Atletismo
Esporte são necessárias políticas públicas sociais e educacionais, ou
seja: aumento de empregos, possibilidade de moradia, escolas de
qualidade, melhoria do sistema de saúde, melhoria salarial para os
profissionais e aumento de vagas no ensino. Mas essas políticas de-
vem ser reais e não assistencialistas, devem ser efetivadas para que
crianças, jovens e adultos tenham condições de obter uma qualida-
de de vida ativa (SOUZA, 2007, p. 110).
Kunz (1994, p.22) citado Souza (2007, p. 112) afirma que:
O esporte é atualmente um produto cultural altamente valorizado
em todo mundo, pelo menos no sentido econômico. São investi-
das somas extraordinárias para que resultados cada vez melhores
sejam alcançados. E a ciência que está a sua disposição não é uma
ciência com interesse no humano ou na sua dimensão social, mas
com um interesse tecnológico e de rendimento (p. 22).
Diante do exposto a escola deve-se apropriar do esporte no
sentido em que os alunos sejam capazes de fazer uma leitura crí-
tica e real da situação do esporte. E, tendo por base as constan-
tes transformações no campo econômico, político e social que os
sujeitos do processo educacional sejam capazes de lutar por "de-
mandas em que as políticas públicas sejam efetivas no campo da
educação e sociedade de uma forma geral".
Nesse sentido a formação de professores, presencial ou a
distância deve manter em seus currículos disciplinas que discutam
com eficácia, as questões que envolvem o ensino do esporte como
um todo, ou seja, nas manifestações esportivas, que a literatura
nos traz: lazer, educacional e rendimento.
7. ESPORTE CONTEMPORÂNEO
Para retratar as questões ligadas ao esporte contemporâneo
utilizaremos a descrição que consta no Dicionário Enciclopédico
Tubino do Esporte (2007, p. 37):
O esporte contemporâneo é considerado um "fenômeno sociocul-
tural cuja prática é considerada direito de todos e que tem no jogo
o seu vínculo cultural e na competição seu elemento essencial, o
qual deve contribuir para a formação e apropriação dos seres hu-
manos ao reforçar o desenvolvimento de valores como a moral, a
© U1 - Compreendendo o esporte 35
ética, a solidariedade, a fraternidade, e a cooperação, o que pode
torná-lo um dos meios mais eficazes para a convivência humana.
Ainda, segundo o Dicionário, as práticas esportivas ao longo
da história ganham sentido e significados diferentes, considerando
as questões culturais, sociais, políticas e econômicas e ainda as di-
reções que seguem a prática. Nesse sentido as práticas podem se
constituir, também com base na legislação esportiva em esporte
social e esporte-espetáculo.
O esporte social ganha relevância gradualmente tornando-se uma
das responsabilidades mais marcantes do Estado. O Esporte-Es-
petáculo, que inicialmente abrangeu o esporte de rendimento e,
principalmente, o esporte de alto rendimento, em toda a sua ple-
nitude, vai aos poucos tornando-se uma função da mídia.
Pelas várias implicações sociopolítico-econômicas dos fatos es-
portivos da contemporaneidade, o Esporte ganhou uma dinâmica
impressionante, que fez o mundo esportivo desenvolver-se por
correntes ou vertentes esportivas, a saber: esportes tradicionais;
esportes de aventura/ na natureza/radicais; esportes das artes
marciais; esportes de identidade cultural; esportes intelectivos; es-
portes com música; esportes com motores; esportes com animais;
esportes adaptados; esportes militares; e esportes derivados de
outros esportes (DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO TUBINO DE ESPOR-
TE, 2007, 37, grifos dos autores).
O dicionário ainda descreve que o esporte contemporâneo
pode ser estudado com base em duas vertentes: formal e não
formal. O formal (institucionalizado) é quando a prática esportiva
está vinculada as regras institucionalizadas, sem nenhuma altera-
ção (regras instituídas por federações internacionais). E, quando
ocorrem alterações às regras para atender a demanda de quem
joga, a prática esportiva é considerada como não formal ou não-
institucionalizada. Como por exemplo: campeonato mundial de
atletismo, como prática esportiva formal; e, prática esportiva em
praças e clubes sociais, em que há uma necessária adaptabilidade
às regras, para dar condições de jogo às pessoas.
No esporte contemporâneo, as práticas esportivas ganham
sentidos diferenciados de acordo com a direção tomada. Nessa
perspectiva o ele pode ser entendido com base na expressão de
suas manifestações:
Claretiano - Centro Universitário
36 © Atletismo
a. Esporte-educação ou esporte na escola (esporte educacional e
esporte na escola); b) Esporte na comunidade (esporte-lazer); c)
esporte institucionalizado ou esporte de desempenho (esporte
de rendimento e esporte de alto-rendimento) (DICIONÁRIO EN-
CICLOPÉDICO TUBINO DE ESPORTE, 2007, p. 37).
8. MANIFESTAÇÕES DO ESPORTE
A importância em estudar as manifestações do esporte se
configura pelo fato de que tanto professores quando alunos de-
vem compreender o esporte e suas possibilidades de práticas. Essa
compreensão da qual estamos falando se refere à formação de
alunos que por princípios privilegia a reflexão crítica, a autonomia,
a emancipação e a práxis. Esses princípios têm como objetivo for-
mar sujeitos capazes de fazer escolhas dentro ou fora do ambiente
escolar, ou seja, se querem, com base em sua formação, fazer es-
colhas quanto à prática do esporte, seja enquanto espectadores,
jogadores de tempo livre (lazer), ou ainda se tornar atletas de uma
determinada modalidade esportiva.
Tanto na literatura específica da área do esporte e da edu-
cação física, quanto na legislação brasileira acerca do esporte, as
manifestações do esporte de classificam em:
• esporte educacional (escolar);
• esporte de participação (lazer);
• esporte de alto rendimento (alto nível, profissional).
A seguir, estaremos dialogando com alguns autores que se
ocuparam com esse tema, ou que de alguma forma contribui para
o conhecimento e esclarecimento de cada uma dessas manifesta-
ções.
Esporte de alto rendimento
O esporte de alto rendimento tem-se perpetuado ao longo
da história na cultura, na sociedade e também na Educação Físi-
© U1 - Compreendendo o esporte 37
ca. Hoje, mais do que em outros tempos, passou a fazer parte do
nosso cotidiano, devido ao fato de ser um dos principais assuntos
da mídia. Observando isso, basta prestarmos a atenção em alguns
detalhes, tais como: os jornais impressos possuem cadernos de
notícias especializados sobre o esporte; os canais televisivos tam-
bém possuem programas especializados diariamente, além de
apresentar notícias nos grandes programas jornalísticos. Existem
revistas também especializadas da área e ainda conta com espaço
em revistas como: Isto é, Veja dentre outras.
O esporte de alto rendimento recebe vários nomes de acor-
do com a literatura da área, também recebe a nomenclatura de
esporte espetáculo, esporte de alto nível e esporte especializado.
Segundo Souza (2007, p. 115),
O esporte de rendimento é caracterizado pelo esporte "profissio-
nal", em que os atletas são empregados de uma determinada em-
presa ou clube, dedicando seu tempo a treinamentos físicos, téc-
nicos e táticos sob o comando de equipes especializadas formadas
por técnicos, assistentes técnicos, médico, psicólogo, fisioterapeu-
ta, preparadores físicos, dentre outros. O trabalho realizado com
esses atletas está sob a ótica do treinamento científico e tecnoló-
gico e ainda de acordo com os calendários das respectivas Federa-
ções e Confederações.
Assim, entendemos o esporte de alto rendimento como uma
prática que compreende níveis de execução (técnico e tático) su-
periores, que são acompanhados de treinamentos especializados,
com bases científicas e tecnológicas, que contam com a participa-
ção de empresas de materiais esportivos, equipes científicas da
área médica, tecnológicas, profissionais da área de educação física
e esporte, marketing, gestão esportiva dentre outras.
O esporte de alto rendimento é o esporte disputados nos
grandes campeonatos mundiais e nacionais tais como: Campeo-
nato Brasileiro de Futebol, Troféu Brasil de Atletismo, Olimpíadas,
Copa do Mundo de Futebol, Copa Diamante de Atletismo, Liga In-
ternacional de Voleibol.
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38 © Atletismo
De acordo com Röthig (1983) apud Weineck (1991, p. 14)
[...] o esporte de alto nível é o esporte competitivo praticado em
nível regional, nacional e internacional, com o objetivo do desem-
penho máximo absoluto. Os principais critérios são recordes e su-
cesso internacional.
O esporte de alto rendimento é o nível de prática esportiva
em que há uma maior influência do sistema econômico e político,
devido ao grande alcance populacional divulgado pela mídia de
uma forma geral. As somas investidas anualmente tanto nos cam-
peonatos, quanto em atletas (individualmente) chegam a superar
os investimentos de países, como o Brasil, no que se refere às polí-
ticas públicas de intervenção na área de esporte como um todo.
Por meio de tecnologias de ponta, grandes empresas de ma-
terial esportivo, tem investido de forma substancial na fabricação
tanto de equipamentos esportivos, quanto de instalações. As em-
presas têm conseguido resultados fantásticos na melhoria da qua-
lidade dos produtos e, consequentemente, na melhoria da prática
esportiva, no que se refere a superação de resultados, marcas e
rendimento de atletas. Esse fato pode ser notado no investimento
realizado nos projetos para reforma e construções de instalações
para abrigar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas em 2016.
O esporte de alto rendimento tem como princípios básicos, a
busca pela superação, o rendimento técnico, o treinamento cientí-
fico, a especialização de papéis, que o diferencia das demais possi-
bilidades de práticas. Essa diferenciação é perceptível do ponto de
vista técnico, nas características exigidas nas atividades motoras e
interações sociais e educacionais que cada manifestação (dimen-
são) do esporte exige.
No mundo contemporâneo objetivando elucidar e efetivar
essas formas de atividades nas manifestações do esporte, a área
da Educação Física, principalmente nas universidades brasileiras,
esse tema foi (e talvez ainda seja) centro de discussões e pesquisas
tendo-o como expressão da cultura corporal de movimento.
© U1 - Compreendendo o esporte 39
Quanto a isso Bracht (2009, p. 11-12) ) afirma que:
Efetivamente o esporte de rendimento já esteve no centro das dis-
cussões pedagógicas na educação física (EF). Algumas razões para
tanto foram ou são:
b) o esporte (de rendimento) tornou-se a expressão hegemônica da
cultura de movimento no mundo moderno; b) uma das bases da
legitimação do sistema esportivo era sua alegada contribuição
para a educação e a saúde; c) o esporte é/era o conteúdo domi-
nante no ensino da EF; d) o sistema esportivo viu na escola uma
instância contribuidora importante para o seu desenvolvimento,
uma de suas "bases"; e) com a sociologia crítica do esporte (e da
educação) surgem dúvidas ao valor educativo do esporte
Como veremos mais adiante, não é papel da Educação Física
Escolar tratar o esporte como seu único conteúdo. Deve sim tema-
tizá-lo e incorporá-lo como uma atividade física capaz de contribuir
com o desenvolvimento do ser humano. Contudo, os professores
devem negar o ensino do esporte que o trata
[...] com a mesma lógica com que é praticado no contexto das com-
petições esportivas federadas; conscientes ou não, essa perspectiva
visualizava a escola como mera transmissora dos valores culturais
da sociedade na qual está inserida (STIGGER, 2005, p. 106-107).
Diante do exposto podemos afirmar que o esporte de alto
rendimento tem como objetivo principal a melhoria do desempe-
nho pessoal e coletivo. A alegria em jogar ou no movimentar-se
fica em segundo plano, da mesma forma que o convívio social fica
relegado a obrigatoriedade dos treinos e confinamentos de con-
centrações. Assim, o convívio social fica restrito a equipe de trei-
namento (WEINECK, 1991).
No caso do atletismo existem hoje centros de treinamentos
espalhados pelo Brasil, como é o caso dos Estados do Amazonas
e de São Paulo em parceria com empresas (Caixa Econômica Fe-
deral). Ex-atletas, como André Domingos tem viajado por todo o
Brasil divulgando o projeto e ainda, de olho em "pequenos atletas"
(considerados amadores), para que os mesmo possam fazer parte
dos projetos existentes, com o intuito de que com base nos trei-
namentos especializados possam se tornar atletas de ponta, com
vistas inclusive para a participação nas Olimpíadas de 2016.
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40 © Atletismo
Esporte de Lazer
Seguindo a mesma lógica do tópico anterior, também usare-
mos aqui a definição de esporte-lazer baseada no Dicionário Enci-
clopédico Tubino de Esportes (2007, p. 42).
É o esporte praticado na comunidade, pelo aproveitamento das
oportunidades de práticas esportivas existentes ou como conse-
qüência de promoção de instituição pública ou privada. É também
muito conhecido como esporte na comunidade e às vezes como
esporte popular. É praticado de modo voluntário com modalidades
institucionalizadas ou não, com regras oficiais ou adaptadas. Deve
contribuir para a integração dos praticantes, promovendo a saúde
dos mesmos e outros aspectos da vida social. Os princípios da parti-
cipação, da inclusão e do prazer são essenciais no esporte-lazer.
Se partirmos do princípio do que a gênese do esporte reside
no jogo, podemos afirmar que a prática do jogo surgiu da neces-
sidade das sociedades em praticar uma atividade lúdica que fos-
se caracterizada de uma livre escolha, de forma desinteressada
de fins, tempo e espaço. Diante disso, concordamos com Stigger
(2005, p. 114) quando afirma que "o esporte é resultado de uma
ruptura com os jogos e passatempos realizados antes do seu sur-
gimento".
O esporte de lazer ou como prática de lazer deve ter outro
sentido e significado para quem o pratica. Assim, diferentemente
do esporte de alto rendimento, o esporte de lazer deve ser, segun-
do Bracht (1997, p. 83), uma prioridade do estado e "[...] precisa
ser entendido como um elemento da cultura/lazer e ser inserido
no plano das políticas culturais/lazer e como tal estar integrado às
outras políticas sociais".
Segundo Padiglione (1995, p.32) citado por Stigger (2005, p.
71) "um esporte, se bem estruturado por regras, valores e cená-
rios simbólicos, pode sempre ser manipulado de forma lúdica e
consciente por parte de grupos sociais e realidades locais". Isso
nos leva a crer que a prática esportiva na perspectiva do lazer deve
também, ser direcionada de forma que os praticantes entendam
© U1 - Compreendendo o esporte 41
de forma crítica e consciente o sentido e o significado do esporte
em suas manifestações, com ênfase é claro no modo de fruição da
busca pelo lazer e pela qualidade de vida ativa.
Souza (2007, p 116) afirma que:
O esporte de lazer ou de participação é caracterizado pela partici-
pação espontânea do indivíduo, podendo o mesmo ser dirigido por
clubes, entidades de classes e praças esportivas ou ainda, podendo
ser praticado sem direção, quando o intuito somente é de reunir os
amigos e jogar uma "partida" sem interferência de um profissional
ou árbitro (grifos da autora).
Também nessa perspectiva de adotar novas perspectivas na
prática do esporte, Stigger (2005, p. 116) afirma defender que "no
contexto do lazer e em universos culturais particulares, indivíduos
e grupos apropriam-se do esporte de diversas formas, ressignifi-
cando-o".
A prática do esporte com vistas ao lazer deve partir do prin-
cípio de que
Cada vez mais precisamos do lazer que leve a convivencialidade,
mesmo, por paradoxal que isso possa parecer, sendo fruído indivi-
dualmente. Convites à convivência significam minimizar os riscos
da exacerbação dos próprios componentes do jogo, tão bem co-
locados por Callois (1990), e aqui por mim retomados, em inter-
pretação livre: a competição, que não leve à violência, a vertigem
que não leve ao risco não calculado de vida, a imitação, que não
promova o fazer de conta imobilizante da pior fantasia, sorte/azar,
que não provoque alheamento. E não se trata de censura, ou coisa
que o valha, sobre o que fazer, mas posições ou proposições, do
como fazer (MARCELLINO, 2001, p. 21-22).
Desta forma, ao procurarmos uma prática de esporte que
nos torne acima de tudo seres sociais, que em busca de fruição da
qualidade de vida possamos realizar atividades em que o coletivo
esteja acima do individual. Não há uma prática, na perspectiva do
lazer que não possa ser compartilhada, pois concordamos com An-
drade (2001, p. 157) quando afirma que
O lazer é um dos mais eloquentes modos naturais de celebração da
vida; uma maneira especial de depuração das limitações vitais na-
turais e adquiridas, além de garantia da esperança de que os níveis
e a qualidade de vida individual e coletiva podem melhorar, pelo
Claretiano - Centro Universitário
42 © Atletismo
menos um pouco. Sempre que as pessoas se divertem, sua vida
ganha novos sentidos e ampliam-se os horizontes de suas expecta-
tivas e esperanças.
Desse modo, compreendemos que a prática de uma atividade
física para atender aos anseios de quem a pratica deve acontecer
com base na espontaneidade, sem regras rígidas que conduzam a
forma de fazer (jogar), e ainda, que os momentos sejam de alegria,
descompromissados, e acima de tudo, usufruído com liberdade e
ao mesmo tempo com certo ordenamento capaz de gerar descon-
tração e afirmação de seus praticantes (ANDRADE, 2001).
Quanto à procura por uma determinada prática, Andrade
(2001, p. 128-129) afirma que
As opções individuais por tipos, formas e modos de lazer procedem
de motivações e conveniências internas e externas, que dependem
da formação de cada indivíduo, e variam de acordo com suas ha-
bilidades, ideias a respeito da vida e seus conceitos de tempo de
trabalho e de tempo livre, de diversão e dos graus pretendidos para
recuperação de energias, em repouso, distração ou entretenimen-
to.
A escolha por praticar alguma modalidade do atletismo no
tempo livre, muitas vezes, fica no campo dos corredores de rua e
cross-country (tipo de corrida rústica, realizada em terrenos irregu-
lares e/ou acidentados). E, invariavelmente, as pessoas que optam
por esses dois tipos de atividade, devido à prática estar associada
ao seu tipo de trabalho, como é o caso dos garis (pessoas que tra-
balham na limpeza urbana) e repórteres esportivos que cobrem
maratonas, acabam aderindo a prática da corrida de rua. Em ou-
tros casos, temos as pessoas que para a melhoria das condições de
saúde corporal começam a fazer caminhada nas praças e acabam
por se tornarem corredores de ruas. Em todos os casos anteriores,
alguns chegam até a participarem de alguns eventos nacionais e
até mesmo internacionais como é o caso da São Silvestre.
Esporte Educacional
Entender o fenômeno esportivo em ambiente escolar antes
de tudo é necessário situar em qual perspectiva é tratado, tanto
© U1 - Compreendendo o esporte 43
por vias legais quanto por vias de domínio da área da educação
física e do esporte. Perspectivas essas que auxiliaram na discussão
com autores que se têm debruçado sobre o tema em questão.
O esporte educacional, segundo Tubino et al. (2007)
[...] compreende as atividades praticadas nos sistemas de ensino e
nas formas assistemáticas de Educação, evitando-se a seletividade
e a hipercompetitividade de seus praticantes, com a finalidade de
alcançar o desenvolvimento integral do indivíduo e a sua formação
para a cidadania e a pratica do lazer ativo. O esporte Educacional,
para que assim seja considerado, deve ser praticado referenciado
em princípios socioeducativos, tais como: (a) princípio da inclusão;
(b) princípio da participação; (c) princípio da cooperação; (d) princí-
pio da co-educação; (e) princípio da co-responsabilidade; e outros
(p. 41).
De acordo com a legislação brasileira
O Esporte Educacional, pela Lei n° 9815 de 24/03/1998, no seu art.
3°, Inciso I, está conceituado como aquela manifestação esportiva
praticada nos sistemas de ensino e em formas assistemáticas de
Educação, evitando-se a seletividade, a hipercompetitividade de
seus praticantes, com a finalidade de alcançar o desenvolvimento
integral do indivíduo e a sua formação para o exercício da cidada-
nia e a prática do lazer. O Esporte Educacional no conceito acima
é referenciado em princípios sócio-educativos, como os princípios
da inclusão, da participação, da cooperação da co-educação, da
co-responsabilidade, e outros, e está consolidado como prioridade
de recursos públicos no art. 217 da Constituição Federal de 1988.
Há uma aceitação internacional que é o Esporte Escolar, diferen-
temente do Esporte Educacional, embora tenham pontos comuns
ao incorporar objetivos educativos, é aquele disputado nos am-
bientes escolares, com os mesmos códigos e regras do esporte de
competição de adultos, privilegiando os jovens de mais habilidade
esportiva, inclusive, oferecendo condições para que desenvolvam
suas potencialidades, sem descuidar da formação para a cidadania
(BRASIL, 2005, p. 26 apud SOUZA, 2007, p. 117-118).
Como finalidade expressa o site da Secretaria de Esporte
Educacional do Ministério do Esporte, apresenta que
A finalidade do esporte escolar é o desenvolvimento integral do
homem como ser autônomo, democrático e participante. Embora
resguardando seu significado educativo, e os objetivos do projeto
político pedagógico de cada instituição, deve ter tratamento dife-
renciado dependendo de sua especificidade como objeto de estu-
do da Educação Física ou como atividade complementar da escola.
Claretiano - Centro Universitário
44 © Atletismo
Caracterizado como espaço de intervenção e de direito social o
esporte escolar deve enriquecer e ampliar o currículo garantindo
a gestão democrática e participativa e a elevação da qualidade de
ensino. Precisa abranger a educação básica, pública e privada, e tra-
tar seu conteúdo sob a perspectiva da inclusão. O foco é a elevação
dos índices de freqüência, o compromisso com a qualidade e a uni-
versalização do acesso às práticas do acervo popular e erudito da
cultura corporal (BRASIL, 2010).
Nessa perspectiva precisamos lembrar que somente a edu-
cação física não é capaz de promover tais quesitos, é necessário
que a proposta pedagógica da escola estabeleça princípios em que
todos os sujeitos da escola estejam envolvidos no processo educa-
cional, tornando o esporte realmente da escola e não da Educação
Física.
No entanto, mesmo que a prática do esporte esteja ligada
ao ensino da educação física na escola, e mesmo que sua prática
ainda se prende ao modelo do esporte de alto rendimento, que
tem como especificidade o treino, a competição, o atleta e o ren-
dimento esportivo (KUNZ,1994). E ainda, tendo como exemplo o
esporte veiculado pela mídia enquanto espetáculo e enquanto
mercadoria, a comunidade escolar deve e pode elaborar propos-
tas pedagógicas objetivando mudanças no ensino aprendizagem
do esporte na escola, tornando-o do e para o aluno.
A situação anterior vem sendo foco de estudo e pesquisa de
vários autores, que tentam modificar esse quadro buscando dar
um novo trato ao ensino do esporte em ambiente educacional,
como é o caso de Assis (2001), Kunz (1994), J. B. Freire (1999), Paes
(2006), Faganello (2008) dentre outros, que já apresentam pesqui-
sas e proposições que privilegiam um ensino de esporte que seja
significativo para o aluno enquanto sujeito individual e social. Se-
gundo Stigger (2005, p. 107) a ideia central desses autores era e é
[...] encontrar ações pedagógicas capazes de, a partir, de práticas
alternativas, produzir um conhecimento significativo sobre o espor-
te, que fosse além da prática vista como um fim em sim mesma e
da mera reprodução da expressão dominante.
© U1 - Compreendendo o esporte 45
A prática do esporte na escola, seja ela parte do conteúdo da
Educação Física, seja enquanto equipe representativa da escola,
deve partir de princípios diferentemente do esporte de rendimen-
to, uma vez que nesse ambiente educacional não se tem condições
físicas, materiais e de pessoal qualificado para que esse modelo
seja adotado devido a sua especificidade já discutida anteriormen-
te.
Nessa perspectiva Kunz (1994, p. 35) acrescenta que "em lu-
gar de ensinar os esportes na Educação Física Escolar pelo simples
desenvolvimento de habilidades e técnicas do esporte", o profes-
sor deve promover mudanças no ensino que deverá incluir "con-
teúdos de caráter teórico-prático que, além de tornar o fenômeno
esportivo mais transparente, permite aos alunos melhor organizar
a sua realidade de esporte, movimentos e jogos de acordo com as
suas possibilidades e necessidades”.
Belbenoit (1974, p. 107) diante da necessidade de entender
o ensino do esporte na escola, alerta que
[...] introduzir a iniciação ao desporto de competição nos progra-
mas ou na vida escolar não é aceitar para a escola a missão expres-
sa de produzir atletas capazes de assegurar o prestígio desportivo
do país. Esse pode ser um efeito secundário, que não é o caso para
recusar. Não poderia ser esse o objetivo principal, que continua a
ser o alargamento a todos de uma gama tão extensa quanto possí-
vel de actividades formativas: se admitimos a competição, é porque
lhe teremos reconhecido virtudes educativas [...]. A competição em
desporto, não começa com os campeonatos em forma, os seus re-
gulamentos, os seus calendários, as suas eliminações, as suas re-
compensas. Ela nasce com o desejo de fazer melhor, de o provar a
si próprio e perante testemunhas, quer por referências a padrões
objectivos (e é a procura da "performance" ou do "Record"), quer
da confrontação com um adversário, encontro ou desafio.
Da forma que o autor coloca suas ideias, podemos observar
que o erro do sistema educacional e/ou político está em qualificar
a escola enquanto produtora de talentos, embora os professores
não possam se calar frente ao surgimento de talentos, entende-
mos que o principal papel é dar oportunidades para que os alunos
vivenciem todas as possibilidades de esportes, bem como as pos-
Claretiano - Centro Universitário
46 © Atletismo
sibilidades da competição, como forma de avaliar seu rendimento
em relação a si mesmo e ao outro.
Assim, no que se refere ao esporte educacional, o professor
deve utilizar-se dos conhecimentos das "ciências que dão supor-
te a sua intervenção" (FERREIRA, 2003, p. 148) e também do co-
nhecimento científico e prático das modalidades esportivas. Desse
modo, o ensino deve ser pautado na perspectiva de que o aluno
se aproprie de conteúdos que lhe dê, acima de tudo, autonomia e
conhecimento do seu próprio corpo. Assim, o aluno poderá apre-
ender técnicas corporais capazes de contribuir com seu desenvol-
vimento, pois suas ações se configurarão pelo gosto, pela alegria
e pelo desejo em conseguir realizar movimentos antes desconhe-
cidos.
A realização de atividades nos esportes acima de tudo ne-
cessita contribuir para o desenvolvimento dos alunos em:
Sua coordenação motora, enquanto estrutura, sintetiza o ajusta-
mento postural, a lateralidade, o equilíbrio, elementos básicos para
suas ações, mas seus movimentos não são mecânicos, eles conso-
lidam intenções, desejos, medos, fantasias. Ali acontece simulta-
neamente desenvolvimento psicomotor/espiritual/emocional, nos
permitindo dizer que aquela criança se expande em instantes de
encontro consigo mesma, na percepção do que é capaz de fazer.
Aqueles que "aprendem" a se perceber enquanto corpos/movi-
mento/significação têm mais chances de ver o mundo como algo
que vale a pena se conhecer/viver, de gostar mais da vida, de inves-
tir em afetos, de se sentir melhor nesse mundo (FERREIRA, 2003, p.
148-149, grifos da autora).
O ensino do esporte será efetivamente na perspectiva da
educação
[...] quando conseguirmos ensinar um esporte às nossas crianças
de tal forma que as mesmas possam crescer, se desenvolver e se
tornar adultas através dele, e quando isto acontecer, quando se
tornarem adultas, possam praticar esportes, movimentos e jogos
como crianças (KUNZ, 1994, p. 56).
Contudo, deve-se observar que a efetivação desse conheci-
mento somente será possível se as aulas de educação física pautar
por práticas que privilegiem a cooperação, a solidariedade e, aci-
© U1 - Compreendendo o esporte 47
ma de tudo, o respeito às diferenças, sejam elas de gênero, raça,
credo, sexualidade, corporal, dentre outras, além de práticas que
sejam significativas para os alunos e que pertençam ao universo
deles.
Concordamos com Kunz (1994, p. 31) quando ele afirma que
o esporte pelo viés da educação deve "[...] libertar o jovem das
condições que limitam o uso da razão crítica e com isto todo o seu
agir social, cultural e esportivo”.
9. O USO DO DOPING
Para entendermos em que e como o doping age no organis-
mo do atleta, é importante antes elucidarmos algumas questões
que são inerentes às ações esportivas do ponto de vista científico.
Segundo Weineck (1991, p. 14) "do ponto de vista da biologia do
esporte, das diversas cargas do corpo através de diferentes formas
de ação, é necessário a definição de exercício, treinamento e com-
petição".
Segundo Parlebas (2008, p.79) entende-se por competição
a
situação objetiva de enfrentamento motor em que um ou mais in-
divíduos realizam uma tarefa motriz, submetida obrigatoriamente
a regras que definem suas obrigações, seu funcionamento, e muito
especialmente os critérios de êxito e fracasso.
Como exercícios, entendemos a série ou processos de movi-
mentos que tem por objetivo a assimilação de conteúdos, técnicas
e mecânicas corporais e táticas individuais ou coletivas e, podem
ser realizados sob diferentes circunstancias, repetitivas ou não, e
ainda, com ou sem a utilização de materiais.
Segundo a biologia e a medicina do esporte, o exercício é definido
como a repetição sistemática de sequência de movimentos obje-
tivos, com o intuito de melhorar o desempenho, sem alterações
morfológicas palpáveis (HOLLMANN/HETTINGER, 1980 apud WEI-
NECK, 1991, p. 14).
Claretiano - Centro Universitário
48 © Atletismo
A repetição de movimentos tem por objetivo melhorar as
habilidades motoras, como: força, velocidade, resistência, coorde-
nação, agilidade, dentre outras.
Weineck (1991, p.15) citando Hollmann/Hettinger (1980)
aponta que "do ponto de vista da biologia e medicina esportiva,
treinamento é a repetição sistemática de tensões musculares di-
rigidas, com fenômenos de adaptação funcional e morfológica,
visando a melhora do desempenho". Diante disso, o treinamen-
to do desempenho esportivo dos atletas depende do período de
competição, consequentemente, o desempenho varia em aquisi-
ção, manutenção e redução. Essas variações decorrem de fatores
intrínsecos dos calendários esportivos, pois o atleta se submete a
um número considerável de competições (regionais, nacionais e
internacionais). É importante também considerar que
Através dos componentes competitivos, surgem, na competição,
cargas ou sobrecargas, que só podem ser trabalhadas biopositiva-
mente e utilizadas para melhoras subseqüentes do desempenho
por organismos saudáveis. Porém, estas cargas podem conter, para
pessoas com distúrbios orgânicos, o perigo de um excesso de carga
causando lesões (WEINECK, 1991, p. 16).
As formas de competição, a exigência dos treinamentos, a
cobrança por resultados por parte dos patrocinadores, e ainda,
o desejo dos atletas em alcançar resultados em curto prazo, aca-
bam por gerar o uso de substâncias ilícitas que encurtam etapas
de aquisição de desempenho, e consequentemente, auxiliam na
melhora do rendimento durante as competições esportivas. Para
entendermos melhor essas questões a respeito do uso dessas
substâncias - doping - voltaremos um pouco na história.
Weineck (1991) afirma que a busca em melhorias do desem-
penho motriz e esportivo através de substâncias não é recente.
Segundo o autor
[...] alguns estimulantes já eram usados pelos antigos guerreiros es-
candinavos da mitologia nórdica, que com a droga Bufoteína, extra-
ída de um cogumelo, teriam aumentado cerca de 12 vezes sua força
de luta. Dos relatos de Philostratus e Galen pode-se depreender,
que os atletas gregos da antiguidade, no 3º século antes de Cristo,
© U1 - Compreendendo o esporte 49
tentaram aumentar seu desempenho nos Jogos Olímpicos ingerin-
do ervas, cogumelos, testículos de touro, entre outros (p. 515).
Outros registros também na América do Sul e Central rela-
tam o uso da folha de coca, como estimulantes. Contudo,
Exemplos documentados de doping no esporte moderno, são en-
contrados a partir da segunda metade do século 19. O primeiro
caso documentado, de ingestão de drogas não permitidas no es-
porte, surgiu em 1865 em nadadores num canal de Amsterdã. Já
em 1886, o primeiro caso de morte de uma ciclista foi causado por
uma overdose de trimetil (Ibdem, 515).
A apropriação de esporte de rendimento, já discutida neste
texto, é uma das principais causas do uso exacerbado de substân-
cias ilícitas no esporte. Entretanto, há uma relação intrínseca entre
o aumento da utilização de drogas com o aumento de mortes en-
tre atletas, principalmente no esporte de alto rendimento.
Devido ao uso desmedido dessas substâncias, desde meados
do século 20, iniciou o controle e proibição dessas substâncias no
esporte, principalmente nas competições nacionais e internacio-
nais. Hoje, constantemente os atletas passam por testes, obrigato-
riamente, no tempo em que estiverem competindo. Sabemos que
mesmo sendo proibido, legalmente o uso, e com controle rígido a
esse respeito
[...] o problema do doping não se resolveu, mas apenas foi desloca-
do, pois agora a atenção da indústria farmacêutica dirige-se a aten-
ção mais intensamente ainda para a preparação de substâncias não
detectáveis farmacologicamente (ALBRECHT, 1980 apud WEINECK,
1991, p. 516).
Assim, diante disso, ainda vemos casos de utilização dessas
substâncias principalmente no atletismo, em que atletas buscam a
superação a qualquer custo.
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50 © Atletismo
Figura 1 Doping & Atletismo
Casos como do Ben Johnson (canadense) que em Seul, 1988,
venceu os 100 metros, com 9 segundos e 79 décimos, quebrando
o recorde mundial da prova. Contudo, logo após divulgarem o re-
sultado do exame anti-doping, constataram a substância estanozo-
lol, um esteroíde anabolizante que tem por princípio o aumento da
massa muscular e a explosão nas arrancadas. A fama durou pouco,
pois Ben Johnson teve que devolver a medalha, além de ser bani-
do do esporte em 1993.
A velocista americana Florence Grift Joyner falecida com
menos de 40 anos de parada cardíaca. Mesmo sem comprovação
oficial da ligação da parada cardíaca com o consumo de esteróides,
têm-se especulações a esse respeito. A revista Veja, em relato so-
bre sua vida como atleta e consequências de sua morte escreveu
que:
Os tempos das corridas de Florence foram curtíssimos. Ela correu
os 100 metros em 10s49 e os 200 metros em 21s34, recordes que
nenhuma outra mulher conseguiu ameaçar até hoje, passados dez
anos. O que deverá ser longo, e talvez jamais suficiente, será o tem-
po necessário para explicar os flashes de exuberância atlética de
Florence Griffith Joyner.
“Se ela fez algo, chegou a hora de contar tudo para esclarecer as
gerações futuras”, disse Evelyn Ashford, ex-recordista mundial dos
100 metros rasos e grande rival de Florence nas pistas, conceden-
do-lhe agora o privilégio da dúvida. “No começo da carreira ela era
© U1 - Compreendendo o esporte 51
muito feminina, mas algum tempo depois já parecia um homem”,
disse o campeão olímpico dos 800 metros Joaquim Cruz na épo-
ca de suas grandes conquistas. Cruz foi muito criticado, mas hoje
suas observações são endossadas. “Sua incrível transformação fí-
sica não foi natural. Mesmo treinando dez, quinze horas por dia, é
humanamente impossível transformar-se daquela forma. Pelo uso
de drogas ela perdeu alguma imunidade cardiovascular. O processo
é conhecido”, diz o francês Jean-Pierre de Mondenard, especialista
em drogas no esporte.
Florence passou incólume por todos os testes, mas, quando a Fe-
deração Internacional de Atletismo anunciou que passaria a fazer
testes aleatórios fora do calendário de competições, ela abando-
nou as pistas (VEJA, 2010).
Com atletas brasileiros do atletismo, os problemas de doping
mais conhecidos, foram o caso de Maurren Maggi, que depois de
suspensa por dois anos nas pistas de atletismo, voltou em grande
estilo e é a atual campeã olímpica do salto em distância. E, no ano
passado no Campeonato Mundial de Atletismo realizado em Ber-
lin, caso semelhante ao Maurren, culminou com o afastamento de
vários atletas, inclusive dos técnicos. O fato antecedeu a participa-
ção dos atletas no Campeonato Mundial de Berlin, em agosto de
2009. Segundo o jornal Estadão do dia 4 de agosto de 2009:
Cinco atletas da delegação brasileira que já estavam na Alema-
nha, participando do treinamento preparatório para o Mundial de
Atletismo, foram suspensos nesta terça-feira após testarem para
substâncias proibidas em exames antidoping realizados no Brasil.
Segundo nota da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), os
atletas Bruno Lins Tenório de Barros, Jorge Célio da Rocha Sena, Jo-
siane da Silva Tito, Luciana França e Lucimara Silvestre foram pegos
em exames antidoping realizados de surpresa, fora do período de
competição, em 15 de junho. [
]Os atletas deixaram a delegação e
começaram sua volta ao Brasil ao lado dos treinadores Jayme Net-
to Junior e Inaldo Justino de Sena. A CBAt determinou a abertura
de um inquérito administrativo para investigar o caso (ESTADÃO,
2010).
Mesmo com rigor adotado pelas entidades mantenedoras
do esporte nacional e mundial, o uso indiscriminado de substân-
cias ilícitas ainda continuará a ser um problema, no âmbito do es-
porte, do comércio e, principalmente, de saúde. Pois, os atletas
e, mesmo as pessoas comuns que fazem usos dessas substâncias,
Claretiano - Centro Universitário
52 © Atletismo
não pensam em longo prazo e nem nas consequências que podem
causar a saúde do corpo de forma geral.
Para maiores informações acerca das substâncias proibidas
no atletismo visite o site da Confederação Brasileira de Atletismo,
disponível em: <[Link]
po/[Link]?news=4>. Acesso em: 4 set. 2010. E, veja também, a
lista divulgada em fevereiro de 2010.
10. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS
No sentido de verificar até que ponto você conseguiu assi-
milar os conteúdos tratados nessa unidade, procure realizar as se-
guintes tarefas:
1) Busque por meio da iconografia (imagens) contar a his-
tória do esporte, passando por todos os períodos histó-
ricos, inclusive suas manifestações.
2) Entre no site do Ministério do Esporte e verifique quais
os projetos voltados para as manifestações esportivas e
quais são efetivadas no contexto populacional.
3) Entre no site da Secretaria de Esporte de São Paulo e
também verifique quais projetos e/ou programas exis-
tem relacionados com a temática dessa unidade.
4) Faça um parâmetro entre os projetos e programas em ní-
vel nacional e estadual, identificado quais governos con-
seguem melhor efetivar propostas para a população.
5) Pesquise nas Propostas Curriculares para a Educação Bá-
sica do Estado de São Paulo e aponte como o ensino do
esporte é tratado nas mesmas.
11. CONSIDERAÇÕES
Esperamos que as leituras realizadas nessa primeira unidade
tenham despertado em você conhecimentos e mesmo curiosida-
des acerca do que é e do que deveria ser o esporte, bem como sua
prática em diferentes ambientes. Haja vista, que entrar na especi-
© U1 - Compreendendo o esporte 53
ficidade de uma determinada modalidade esportiva faz-se neces-
sário conhecimentos considerados adjacentes, mas fundamentais,
que nos permitirão avançar em discussões e aprofundar nossos
estudos na área da educação física e esportes.
Na Educação a Distância, em nossa concepção, as leituras
propostas, as tarefas indicadas e as propostas de estudos são fun-
damentais, para as discussões que ocorrerão nos fóruns, chats,
trabalhos individualizados e também nos encontros presenciais.
Assim, esperamos contribuir para mudanças em sua formação
acadêmica.
12. E-REFERÊNCIAS
Lista de figura
Figura 1 - Doping e atletismo. Disponível em: <[Link]
gallery/[Link]>. Acesso em: 2 set. 2010.
Sites pesquisados
CBAT. CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE ATLETISMO. Competindo limpo. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 2
set. 2010.
JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO. ESPORTES. Atletas brasileiras são suspensos por doping
na Alemanha. Disponível em: <[Link]
brasileiros-sao-suspensos-por-doping-na-alemanha,413591,[Link]>. Acesso em: 2 set.
2010.
MINISTÉRIO DE ESPORTES. Disponíevel em: <[Link]>. Acesso em: 2 set.
2010.
VEJA ESPORTES. O adeus antes do fim. Disponível em: <[Link]
p_114.html>. Acesso em: 2 set. 2010.
13. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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