República de Angola
Governo Províncial de Luanda
Colégio Do Ensino Médio (Colégio Henriques Kinaxixi)
Ano Lectivo:2019. Classe:10°
Tema: Os Ovimbundos
Grupo n°4
Turma:EJ1 Disciplina: História
Sala n° 204
Professor: Alexandre Docente
___________
Integrantes do grupo
Henriques Serafim n°8
Suely Miguel n°
Hirondino Pereira n°9
Sheila
Índice
1) …………………………………………………. Introdução
2) …………………………………………………. Desenvolvimento
(Objectivo & A origem dos Ovimbundos)
3) …………………………………………………. Organização Social
4) …………………………………………………. Organização Económica
(O comércio a longa distancia dos ovimbundos)
5) …………………………………………………. Organização Cultural
(Ritos e costumes do Povo ovimbundu)
5) ………………………………………………… Conclusão
Introdução
Os ovimbundos são uns dos maiores grupos étnicos bantos de Angola.
Os demais grupos importantes são os Bakongos, Quimbundos e Lunda-Tchokwes.
Os Ovimbundos juntamente com os Quimbundos são as únicas etnias que vivem inteiramente dentro de
Angola.
Ambos utilizam a terminação mbundu, o que denota a relação estreita de suas origens e passado
histórico.
Essa origem comum é percebida pelo uso da desinência «mtu», comum ao conjunto de povos da África
subsaariana, que significa pessoa no singular (muntu) e bantu no plural.
Os Ovimbundos estabeleceram-se a sul do rio Cuanza, no planalto central, dispersando-se pelos distritos
mais populosos de Angola: Huambo, Benguela e Bié.
A partir deste centro populacional, os Umbundus foram-se espalhando por todos os outros distritos.
Este grupo, que era o mais homogéneo de todos, era também mais abrangente de todos os grupos
linguísticos.
O grupo umbundu caracteriza-se devido à sua homogeneidade e ao fato de viverem em grandes aldeias.
A imbo (plural ovaimbo) era composta de dez a cinquenta agrupamentos, com uma população que
oscilando entre 100 a 1000 pessoas.
Em geral, a aldeia recebia o nome do seu fundador, de quem o membro mais velho da aldeia muito
provavelmente descendia.
Apenas o ancião da aldeia, o sekulu, podia falar da “minha aldeia” (limbo liangue); para o resto das
pessoas, ela era a” nossa ladeia” (limbo lietu).
Em território umbundu apenas as pessoas ligadas pelos laços de sangue construíam as suas casas na
mesma aldeia.
Em finais do século XIX, os Umbundu estavam organizados politicamente em doze reinos, dos quais o do
Bailundo, o do Huambo, Bié, Chiyaka, Galangue e Andulo eram os mais poderosos.
Ao sul do Kwanza os Ovimbundos representam o grupo predominante.
Os Benguelas, Biés e Huambos vêm em segundo e os Kwanza Sul, Malanges, Moxico, Kuandos Kubangos,
Namibes, Huílas em terceiro.
Uma das características dos Ovimbundos é sua capacidade de sair do seu espaço social e cultural
original, receber influências exteriores, sem comprometer o seu património histórico e cultural.
Desenvolvimento
Os ovimbundu ocupam o planalto central de Angola e a faixa costeira adjacente, uma região que
compreende as províncias do Huambo, Bié e Benguela.
São um povo que, até à fixação dos portugueses em Benguela, vivia da agricultura de subsistência, da
caça e de alguma criação de gado bovino e de pequenos animais. Durante algum tempo, uma vertente
importante teve o comércio das caravanas entre o Leste da Angola de hoje e os portugueses de
Benguela. Este comércio entrou em colapso quando, no início do século XX, o sistema colonial português
lhes exigia o pagamento de impostos os Ovimbundos viraram-se sistematicamente para a agricultura de
produtos comercializáveis, principalmente o milho
No decorrer do século XX, e em especial no período da "ocupação efectiva" de Angola, implementada a
partir de meados dos anos 1920, a maioria dos Ovimbundu tornou-se cristã, aderindo quer à Igreja
Católica, quer a igrejas protestantes, principalmente à Igreja Evangélica Congregacional de Angola (IECA),
promovida por missionários norte-americanos. Esta cristianização teve, entre outras, duas
consequências incisivas. Uma, a constituição, em todo o Planalto Central, de aldeias católicas,
protestantes e não-cristãs separadas. A outra, um grau relativamente alto de alfabetização e
escolarização, e por conseguinte também do conhecimento do português, entre os Ovimbundos, com
destaque para os protestantes
Em simultâneo houve dois processos de certo modo interligados. Por um lado, formou-se lentamente
uma identidade social (um sentido de pertença) abrangendo todos os Ovimbundu, e não apenas
subgrupos como por ex. Os M'Balundu ou os M'Bieno Por outro lado, verificou-se uma "umbundização"
cultural, inclusive linguística, de alguns povos vizinhos que tinham tido (e em certa medida mantiveram)
características algo distintas dos Ovimbundu
Assimilar sem ser assimilado, sobretudo a língua.
Os umbundu também são aqueles que mais diversificam os seus meios de subsistência.
São os únicos que se dedicam simultaneamente a produção de cereais, verduras e pastoreio.
Do gado aproveitam tudo: a carne, o leite, o estrume.
Do ponto de vista tecnológico, tiram proveito da força animal, bois, burros e cavalos para lavoura e
transporte de carga.
Enquanto os seus vizinhos a sul; os ovambos, Hereros e Nhanega-Humbes, os mais conservadores do
ponto de vista cultural, têm certa aversão à agricultura e não produzem verduras.
Nas comunidades junto ao rio Cunene, no Xangongos, os Ombanjas aprendem com os Umbundos a
cultivar verduras, e o mesmo acontece em algumas comunidades das províncias do leste, Moxico e
Kwando Kubango.
As populações do angolanas do norte, Cabinda, Zaire, Uíge, Lunda Norte, e Centro Norte, Luanda, Bengo,
Kwanza Norte, Malange, dedicam-se exclusivamente a agricultura de subsistência.
O pastoreio não é comum.
Os Ovimbundos são primordiais para essas comunidades, pois garantem a segurança alimentar, através
da diversificação de culturas e utilização de tecnologias apropriadas, sejam como mestres ou
empregados,
Objectivo & Origem
Alcançada a paz, uma parte dos Ovimbundu refugiados nas cidades regressou para as suas terras de
origem, enquanto a outra parte, possivelmente mais da metade, preferiu ficar nas áreas urbanas. No
Planalto Central, regista-se a reconstrução, ainda em curso, ds cidades do Huambo e Kuito, e a
recomposição, algumas vezes em moldes diferentes. Ao mesmo tempo, a forte presença dos Ovimbundu
nas cidades fora da sua região, facto novo na história de Angola, confere-lhes uma projecção nova, a
nível nacional.
A origem dos Ovimbundu é, de acordo com os historiadores, resultado dos processos migratórios Bantu.
Os ovimbundu, tal como grande parte da população que vive a sul do equador, são Bantu por
pertencerem ao grupo linguístico que utiliza a raiz ntu para se referir ao homem. O acréscimo do prefixo
Ba (plural) (Bantu) designa, assim, esta população no seu todo.
Alguns investigadores têm avançado hipóteses segundo as quais os Bantu teriam vindo da Ásia, ou da
região de Bahar-el-Ghazal, e que se teriam fixado nos grandes lagos. Muito para além das formulações
hipotéticas é um facto comummente aceite entre os investigadores, que, provavelmente, os Bantu
devem ter vindo das mesetas de Bauchi (Nigéria) e dos Camarões. Mas tudo aponta no sentido de serem
originários do Noroeste da floresta equatorial (vale de Benué) e que durante milhares de anos se foram
fixando em vários pontos da África.
As migrações, como é óbvio, tiveram várias causas entre as quais se podem apontar às de carácter
político (defesa e luta pela sobrevivência de um grupo face ao outro) e ás económicas (ligadas às
catástrofes naturais que faziam com que os Bantu procurassem terrenos mais férteis). São os problemas
que Basil Davidson designou como sendo de carácter físico. Por último, pode apontar-se o
desentendimentos dentro dos vários clãs (problemas ligados à sucessão ao trono).
Organização Social
Existiam duas classes sociais: a aristocracia e o povo.
-Reis - Camponeses
-Ricos - escravos
Aristocracia - Governadores de províncias - artesãos
-Altos funcionários Povos - Quimbandas
-Chefes militares - curandeiros
- Adivinhadores
- Militares
- Pastores
A ocupação e colonização portuguesa contribuíram para o enfraquecimento da região.
As trocas comerciais eram feitas através de trocas directas, produto contra produto. Os principais
produtos que abasteciam os mercadores eram da produção do artesanato. Os ovimbundos através do
comercio a longa distancia contribuíram para o conhecimento da cultura de outros povos bem como a
nossa.
Organização Ecoómica
As principais actividades eram: agricultura, criação de gado e Artesanato.
A agricultura era feita em grandes extensões de terreno e mudava de terras constantemente na
mudança de lavra utilizava-se os estrumes dos bois.
A criação de gado estava bastante desenvolvida, fazia-se a criação de gado bovino, suíno e caprino.
Aproveitava-se o leite para fabricar manteiga e as peles eram curtidas para fazer peças de vestuário,
tapetes, sacos, bolsas e sacos para transportar flechas.
O fim da expansão económica e territorial dos lunda tchocwe
Devido o desenvolvimento das forças produtivas, as lunadas tchokwe faziam comércio com os povos
vizinhos. O reino da lunda tinha contactos com o interior de África e fazia comércio com o reino Luba.
Para o interior de Angola, os Lunda faziam comércio com Kassange, Matamba, Ndongo e os povos do
planalto central. Eles vendiam tecidos, escravos, marfim, óleo de palma etc. os Lunda tiveram varias
complicações com o reino de Kassange e a um certo momento com os portugueses, porque também
queriam comercializar com os franceses que dominavam o Loango.
Além do comércio exterior (Com outro povos) o comércio interno estava desenvolvido por causa da
divisão social do trabalho.
Os portugueses começaram ocupar a Lunda no século XIX quando Henriques de Carvalho chega na
região. Finalmente, em 1920 uma grande batalha deu-se entre os tchokwe e os portugueses em
Calendende. Os portugueses venceram essa batalha e dominaram os indígenas. Em o termina a
independência da lunda e é o fim deste reino, passando a ser território português, as autoridades
passaram a depender de Portugal.
O comércio a longa distancia dos ovimbundos
Os povos do planalto central tornaram – se grandes comerciantes através do comércio a longa
distanciam. Eram conhecidos como os maiores comerciantes da África negra, depois dos árabes de
Zanzibar. Eles conheciam Zanzibar (Tanzânia) por causa das trocas comerciais que eram um grande ponto
de encontro entre árabes e africanos.
Por causa do comércio dos ovimbundos e, principalmente, os bailundos e Bienos, os árabes de zanzibar
vinham em Angola realizar as trocas comerciais. o comercio era feito em grande caravanas de
mercadores locais . Formavam caravanas e partiam para a África central, oriental e austral a vender e
comprar produtos. Entrar numa caravana de comercio era uma obrigação de qualquer homem do
planalto central tal como fazer a circuncisão.
Cultural
Organização Cultural
Ritos e costumes do Povo ovimbundu
O povo ovimbundu tem uma certa veneração pelos seus antepassados, daqueles que durante a sua vida
terrena praticaram o bem e com galardão, merecem juntar-se ao coro dos seus antepassados (va sekulo).
É a estes a quem se devem construir pequenas casotas que se chamam "atambo" no quintal da nossa
casa, ou num dos quartos que fica privado apenas para o efeitoe, também é a eles que se devem
recorrer nos momentos de alegria, de tristeza , de calamidades naturais e de qualquer infortúnio na vida.
Para tal recorrem alguns ritos e constumes,
Ritual a ao local sagrado (Akokoto ou Etambo)
Ritual da chuva
Ritual do nascimento de bébes gémeos
Costumes
A alimentação
A dança
A dança da chuva é um tipo de dança ritual que é habitualmente executada em certas comunidades com
a finalidade de propiciar chuvas para a colheita.
Quando não chove na devida altura (nda Kuli ocitenya) os velhos da comunidade ficam preocupados,
porque as plantações secam, tais como o milho e o feijão principal dieta dos ovimbundos.
Assim os velhos (sa Sekulo) decidem ir ao túmulo dos antepassados aos Akokoto para a realização do
ritual.
O local é limpo para a ocasião a comida é preparada pela Nassoma (mulher do soba). A comida é
constituída por canjica de milho e são sacrificados alguns animais (cabras e galinhas);
As bebidas tradicionais como Kachipembe, Quissangua (ocimbmbo);
A comida e a bebida são oferecidos aos espiritos, tocam os batuques e as pessoas comem e bebem. Se
os espiritos dos chefes receberem as oferendas, choverá no mesmo dia. Se não chover, significa que os
espiritos não estão satisfeitos com a cerimónia e tem de ser feita outra vez segundo o soba Kavinganji
Ritual de nascimento de Bebés Gémeos
O nascimento de bebés gémeos, constitui alegria para a família e ao mesmo tempo uma preocupação.
Quando nascem gémeos, aos contrários de outros bebés, estes são saudados com insultos. São
chamados por nomes abusivos, por exemplo: " Ove a Ngulu, ove ambua" que significa em português (tu
porco, tu cão) e outras palavras depreciativas pelas quais são tratados.
A mãe e os gémeos depois de os umbigos caírem, são levados para fora de casa, envoltos em barro, a
mãe é arrastada no lodo passando com ela em volta da casa num alarido de insultos assobios e ao som
de chifre de boi ou cabrito, com uma balaio cheio canjica não desfarelada na cabeça ( ombulungu), que
vai sendo consumida á medida que se vai arrastando a mãe no lodo.
Esta festa dura quase a manha toda. De seguida os umbigos são enterrados junto ao cruzamento dos
caminhos, as roupas que serviram a parturiente são deitadas fora ou num rio. Quem faz isto é o
curandeiro que acompanhou a parturiente e os bebés.
Atribuição de nomes aos Bebés
Recebem o nome de animais selvagens mais temidos na fauna Angolana tais como:
Se forem dois rapazes
1º Nascido = JAMBA (ELEFANTE)
2º nascido = HOSSI (LEÃO)
Se forem um menino
1º o menino =JAMBA
2ª a menina = NGUEVE (HIPOPOTÁMO)
O tratamento dos bebés
Devem ser considerados por igualdade de direitos. As roupas devem ser da mesma cor e tecido para
evitar aborrecimentos entre eles.
A morte de um bebé
Se falecer um deles não se deve Chorar. A mãe e o bebé vivo são escondidos ao máximo, até terminar o
óbito e em sua substituição cria-se uma estatua antropomórfica de pequenas dimensões que deverá
trajar a mesma roupa que o vivo e que deverá sempre ser levada pela mãe.
A Dança
O povo ovimbundu aprecia muito a música acompanhada de dança diversificada de acordo ás
circunstâncias dos rituais, pois através da música e da dança ele manifesta os seus sentimentos afectivos
que podem ser de alegria ou tristeza.
O dançarino é uma figura pública dominadora da arte da dança e por isso tem um lugar de referência na
sociedade.
Pode ser homem ou mulher. Ele/ela dançam em público em festas tradicionais como a entronização, de
iniciação a puberdade, na morte de um Rei entre outras
A dança dos mais velhos - Olundongo
Executa-se durante o dia. Os executantes vestem-se de panos amarrados com cintos e usam o batuque
Esta dança usa-se tradicionalmente na entronização, em óbitos,, despedidas de lutos das dançarinas, dos
caçadores, circuncisores e soberanos.
Onyaca - Modalidade da dança tradicional, executada pelas mulheres. Geralmente usa-se na despedida
de luto de quem em vida também usava tal dança
Okatita - Dança tradicional usada pelos ambos os sexos, em momentos de diversão
A alimentação
A base de alimentação do povo ovimbundu é o pirão feito de farinha de milho e por vezes de mandioca
O pirão é acompanhado de diversos condimentos tais como:
Feijão, feijão frade, folhas de mandioqueira, folhas de abóbora,, folhas de pepino, folhas de batata doce,
brejeiras, quiabos, peixe salgado, carne de caça, ratos , gafanhotos.
Normalmente este povo come logo de manha, um prato substancial de pirão, batata-doce ou canjica
A noite come um prato de pirão. No intervalo destas duas refeições come fruta e bebe Quissangua.
Conclusão
São um povo que, até à fixação dos portugueses em Benguela, vivia da agricultura de subsistência, da
caça e de alguma criação de gado bovino bem como de pequenos animais. Durante algum tempo, uma
vertente importante foi o comércio das caravanas entre o Leste de Angola de hoje e os portugueses de
Benguela. Este comércio entrou em colapso quando, no início do século XX, o sistema colonial português
lhes exigia o pagamento de impostos, os Ovimbundos viraram-se sistematicamente para a agricultura de
produtos comercializáveis, principalmente o milho
No decorrer do século XX, e em especial no período da "ocupação efectiva" de Angola, implementada a
partir de meados dos anos 1920, a maioria dos Ovimbundu tornou-se cristã, aderindo quer à Igreja
Católica, quer a igrejas protestantes, principalmente à Igreja Evangélica Congregacional de Angola (IECA),
promovida por missionários norte-americanos. Esta cristianização teve, entre outras, duas
consequências incisivas. Uma, a constituição, em todo o Planalto Central, de aldeias católicas,
protestantes e não-cristãs separadas. A outra, um grau relativamente alto de alfabetização e
escolarização, e por conseguinte também do conhecimento do português, entre os Ovimbundos, com
destaque para os protestantes