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Pergunte e Responderemos: Fé Católica

O documento apresenta um site católico chamado 'Pergunte e Responderemos' que tem como objetivo responder perguntas sobre assuntos atuais e controversos de uma perspectiva cristã para esclarecer dúvidas e fortalecer a fé católica no Brasil e no mundo. O site conta com mais de 40 anos de publicação e é apoiado pelo Apostolado Veritatis Splendor."

Enviado por

Wesley Leite
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
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Pergunte e Responderemos: Fé Católica

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Projeto

PERGUNIE
E
RESPONDEREMOS
ON-L1NE

Apostolado Verltatis Splendor


com autorização de
Dom Estêvão Tavares Bellencourt, osb
(in memoriam)
APRESENTAÇÃO
DA EDiÇÃO ON-LlNE
Diz São Pedro que devemos
eslar preparados para dar a razao da
nossa esperança a todo aquele que no-Ia
pedir (1 Pedro 3,15).
Esta necessidade de darmos
conta da nossa esperança e da nossa fé
hoje é mais premente da que oulrora,
' ;' .,' visto que somos bombardeados por
numerosas correntes filosóficas e
religiosas contrárias à fé católica. Somos
assim Incltados a procurar consolidar
nossa crença católica mediante um
aprofUndamento do nosso estudo.
Eis o que neste site Pergunte e
Responderemos propõe aos seus leitores:
aborda questOes da atualidade
controvertidas, elucidando-as do ponto de
vista cristão a fim de que as dúvidas se
. dissipem e a vÍVênda católica se fortaleça
_l ... no Brasil e no mundo. Queira Deus

abençoar este trabalho assim como a


equipe de Verltatis Splendor que se
encarrega do respectivo site.
Rio de Janeiro, 30 de lu lho d. 2003.
AI. &te~ Settencourt, OSB

NOTA DO APOSTOLADO VERITATIS SPLENDOR

Celebramos convênio com d. Estevào BeHencourt e


passamos a disponibilizar nesta área, o excelente e sempre atual
conteúdo da revista leol6gieo - filosófica ·Pergunte e
Responderemos", que conta com mais de 40 anos de publlcaçao.
A d. Est6vão Beneocourt agradecemos a conflaça
depositada em nosso Irabalho. bem como pela generosidade e
zelo pasloral assim demonstrados.
19B1

confrontl
Sumário

"RICO Et.I MISERiCóRDIA" 1

aliai .. ,Ia
o SENTIDO DA VIDA 'I , .. 3

A p .I....'. do Papa :
JOA.O ~UlO 11 AOS SACERDOTES

"Quando 1101,1 [Link], enlio ., que SOU 10" . ":


E A IGREJA NA RÚSSIA SOV I~TICA ? 21

Uma denomlnaçi o pIOle"a"":


OS CONGREGACIONALISTAS 29

PCI' q...
NJ.O COMER CARNE ? 39
LVROS EM ESTANTE 3' capa

COM APAOVAÇAO ECLESIASTICA

• • •
NO nOXIMO NOMEIO ,
Concupiscência e adultério do coração. - "Amizade e
sexualidade", - " Sexualidade e consagração" . - Os 8isp~s
da Alemanha falam sobre a Maçonaria . - "Nossa Senhora
aos seus sacerdotes".
x
. PERGUNTE E RESPONDEREMOS .
Numero avulso de qualquer mês .......... . . . .... . 50,00
Assinatura anual .... . . . .. . .......... .. .... ..... . 500,00
PEDIMOS AOS NOSSOS ASSINANTES QUE SEM DEMORA
NOS MANDEM O PAGAMENTO REFERENTE Ao 1981

Dlres:ãO e Redação de Estêvão Bettenoourt O . S . B.


ADMINlSTRAç..\O BEDACAO DE rR
IJvruia MIuIo"'-rIa Editora Caixa. Posta! ! . 668
Baa Mlildeo, W-B (Cutelo)
1O . lSt RIo de Janeiro (lU) 20. CIOO RIo de Janeiro (RI)
Tel.: zu.otI5I
"RICO EM MISERICÓRDIA"
o novo ano abre-se 80 eco das palavras inJc1als da nov.
arta encíclica l de S . Santidade o Papa Joio Paulo n, divu1;-
gada em dezembro pp. : "Deus. que é rico em mlserlcórdJa ...•

O propósito desta temAtica é apresentado pelo PontJ!lce


DOS 11 10·12 do documento :
O mW1do de hoje se debate em. pro!tmda. crise e angústta,
como se tem repetido. Já em 1965 o Ooncl1lo do VaUcpno n
obseIVava:

"em 'ace de atua' evoluçlo do mundo, [Link] dle do mala numarotoa


.que'" qUI p6em a . 1 m..moa, ou ..ntem com maior acuidade, ai qu...
I~ (undamentals: QUI • O homem? OUa' , o slonlfleado do [Link],
do mtl. I da morta qUI, .pau, d, 110 arande. progte..~. conllnuam I
••IIUr? Pari; qUI urvem ..malhantu vHórlaa pag .. por tio alio p~7"
(ConlL ClIudJam .. 6,.. ~ 10l.

Interroga entAo Joio Paulo II :


"Decorrido. qu... quinze InOl ap<:lt o encerramento de II Concilio do
[Link], t.,......,
tornado ""no. Inquietante .,1. quadro d. ten.o•• , •
amNçu. prOprtu da M UI .1l0Cl7 P,recl qUI nlo. Ao c;onlrtrlo. U ten-
Ieee I .. """ç.. que no [Link] concllllr pueclenl .pen.. dellne.,....
e nJo manll,.t,vem Intelramlnt. todo o ptlllogo qUI em 'I IncelTlValT!. no
lranacor,.r deite, anOl [Link].... mais [Link]•. connrm.,..,.
de vtrlu
maneira .qullo pellgo • 14 RIo plrmlttm .calental .. Ilu,O. d, outtora"
(nf 10).

Pois bem. A fim de conter a onda de males sociais de que


vêm sofrendo os homens, têm-se apregoado após a segunda
guerra mundial (1939·1945) • justiça ooclaI • os direitos da
pes90a humana. Nunea se falou tanto de direitos humanos;
a própria Igreja tem procurado mostrar nos manandals da fé
a fundamentação de tal mensagem.

Contudo multas vezes acontece que os programas InspI'


rados pelo conceito de justiça na prática sofrem defonnaeõeL
O rancor, o ódio, a crue1da4e, o espirlto de vingança exer-
cem-se falsamente em nome da jusUca; por vezes. verifica·se
que os homens de hoje ainda são seguidores da antiga lei do
talIão: cOlho por olho, dente por dente. (Mt 5,38). l\{u1tao
vezes. em nome de pretensa justiça, aniqulla-se o pró[Link]. co·
metem-se mcrtictnlos, sufoca-se a liberdade, espez1nhan;l-se OI
'a.c&cIlCII vem do 111'41110 ,n k)'ldool. em circulo. Slgnlllca c&rÇuJu-.. . .
no caso: c'" clrcullt. ' .

-1-
mais elementares direitos hwnanos ... Verifica-se assim quão
sAbio é o adégio ; Summum Im, -mma lnIurIa, que slgnlfica:
cQuem quer aplicar a Justiça ao extremo, pode estar cometendo
extrema injustiçaa. Esta aflnnação não tira o valor ã justiça,
mas evidenda que é preciso recorrer a força mais profunda do
esplrlto, [Link] é o emor, . .. e amor sob fonoa de mI.seric6J'dIa.
E que vem a ser propriamente a m.lseric6n11a?
1; a atitude de quem tem o coração (cor, eordls, em latim)
voltado para o miRro ou a mJeéri&; é. POis. a atitude de quem
considera o outro não só com as categorias do raclocinIo e da
lógica, mas também com as do coração e do afeto ; sabe entrar
dentro do Intimo do outro, compreendê--lo e perdoar, se neces-
sário, as dividas que a estrita justiça cobraria. É este o valor
que deve, com nova ênfase, ser apregoado diante dos novOS
quadros de desatino caracb!rlstiCO!l dos nossos dias.
O Senhor Deus é o prtmeLro a dar-nos o exemplo da mise-
ricórdia. Tendo o homem dito ao Criador wn Não movido por
[Link]êncla e soberba, o Senhor não o abandonou, mas
quis restaurá·lo na sua amizade. Jesus, Deus feito homem, é
a própria encarnacáo da misericórdia divina. Ele reveja aos
homens o Pai rico em mlserIc6rd1a; cf. Ef 2, 4.
Ora à Igreja tompe1le continuar a missão de Jesus Cristo
e apregoar, jw1tamente com a justiça, o amor misericordioso
de Deus. lnfeUzmente a [Link] contemporânea, talvez
mais do que a do homem do passado, tende a tirar do coração
bwnano a idéia de misericórdia. Com efeito, o enorme desen.
volvimento da clência e da técnica dá. ao homem grande dom!·
Dio sobre a terra, abre-lhe o horizonte das conquistas, leva-o
a calcular friamente. lncltando.Q l procura do lucro crescente.
Ora Isto tem deformado a mente do homem. tlrend().Jbe a pos-
slbWdade de compreender o que seja cabrir mão de ..• s, com'
padeceNle, perdoar, reapeltar o lnnão que esteja carente ftslca
ou morabnente •.. COmo se vê, a noção de mlsericórdia é afim
fi. de gratuidade, valor çada vez maJs 1'6ro em nO&9OS diaS. Não
resta dúvida, porém, de que a gratulclade ou a não procura de
lucro hâ de ser também uma dlmensão da vida sem a qual o
homem deIxa de ser gente para tomar-BC peça de engrenagem
cega • desumana.
PÔssa o novo ano beneflclar..ae deste pregão da m1aerlc6r-
dia e possam os homens valorizar devidamente este peregrino
predicado, que preservará a sociedade de maiores violências e
desatinos !
E.B .
-2-
·PERGUNTE E RESPONDEREMOS-
Ano XXII - N' 2~3 - JO"HO éf, 1981

Qual MIl.

o sentido da vida?
Em Iln".. : o Indll.""11tmo rellglolo • fan6rneno CIIda va nWt
,"'I... do. Por motivo. dlwBOI, multat , mutila peuou Julgam que "10
merece .Iançlo o prob6ema dI DI'" • da [Link]. TodtvIe • de nol.' que
o proplama de CIUI , tio vlu.1 quanto a queatlo do .lnUdo da vllb õ ...
coincida com •• perguntu: Oonda Wnos? Para onda 'limos? Por qUI
aofremos? Por q~ mDmlmoa1 • .•

Eltaa II'\d.O~6e. . . . qUIta Interpelam todo homem qUI I• .,. • .orlo


• 11.11 vida, 16m recebido mpott•• di el6ncla I da fIlolofla... Da cltllCla
[Link] mullol homeM • elucklaçlo du lUas dúvida • o lfulamanto
dOI mIIl .. qUI OI .nloam: todavia .,Ia •• perança • Cltamanllde pelo que
acontecI em par... da 'lcnoJogla I orglnllaçta socla' evofuldu como ••
por exemplo, • Su6el.; 1\8S11 o nOmero d, lulcldlol , Cf8Icanta, POnjllll
o homom 11 .. nll 16. embora cercadO d, semelha.."'; o vazio do IRei"
vlduo MO , preenchido pelol beUUc101 da 'Icnlca • do conforto. A fllo--
lon.. ou mllhor... mOIOf1. . . pr.l8nlam UfIl IlquI di rApOltu ao homem.
vú1.. dei.. [Link] (a fnlllllllvu por ..ta motlvtl), outras dull'-tu
(..,...•• ao corpo .. li! maltrle - o qUI I .rtlnclal).

EDIte tamb6m • ,..posta fUOI6nce tallta. que I comp!etlda pala


RheJIÇIo crtsll. EItI apraunu. a Slgulnte alnlne:

[Link] o T.......[Link] ou Dem, como existe o polo Norte que at....


a agulha mIJ"'U~ Sim paio Nortl nIo . . . .pllca I ''1nqullteçlo" da
agulha.
o homem IÓ IId... por um aIO di amor gratuito do Cdador; ....
emor 111 Irreve...tyel, ponrue divino, ele modo q.... o homlm o .ncantAl Ina·
~Iye,. "I. mo dlpo" d .. mal. g,...,.. flltu. A grend. vocaçlo do homem
, 8 de voltar p.... Deu, a I ' " du ..lrI.d.. desta vldL

A no". vld. te1TWlrw • çomp8rtve1 I uml ~ conectente que


I'lOlp ..para plra a I-oUnd. nlUvlclHl ou par. o nouo pteno nuclmento.
Se no "lo malamo .• crtança • lneeponalyel por lue ..Wu", Ao [Link]".,
d ..1a ~Ida o homem .. autor de lU. aorte deOnlllve.
Esta p.... pectlv. nlo desobriga a .. r humano di ttal*hat ne _ _
neste mundo como m~[Link] enc.. .. cdaturaa Inferiores _ o CrIador.

-3-
4 "PERCUNTE E RESPONDEREM:OS~ :253.11981

o sotrlmenlo • a c:onseqü6nct. da desordem acarrelada paio homMft


N obra da Deus; cioso de ler Igual a 0.111, vt-se vlllma da lUa arfO-'
g&ncl.. Todavia o Redantor uaumlu a dor a a morte do homem a as
traMllgutau.

A luz dut...... rdadn. a morte 6 çoMumaçlo.

• • •

Comentário: Jã temos aludido em PR ao fenômeno do
indiferentiSmo religioso, que em muitos pa1ses se substitui ao
ateismo militante. Nos Estados Unidos, na [Link]âvl8t no
Japão. cont:.aJn..se aós mllhóes aqueles que, embora não sejam
hostis à reUglão, se dizem desinteressados do problema reli-
gioso.

o fenômeno da apostasia em relação à religião começou


no séc. XVIII com o racionalismo dos fUósofos fI'[Link] (os
enclclcped1stas Voltalre, Diderot, D'Aletttbert). alemães e in-
gl.... (liurnlnistas) . Jã em 1748 escrevia o !lIósofo materia-
lista De La Mettrle: cO mundo nunca será feliz a menos gue
aeja ateu». A apostasia [Link] no século XIX, assumindo
dlversas fonnas: o posltlvisnv> de Augusto Comte !t 1857), a
esquerda hegeliana de Feuerbach (t 1872) I o socialismo ateu'
militante de Marx e seu precursor Engels (t 1895) j o evolucio.
nIsmo materialista de Darw1n (f 1882) e Spencer (t 1903), o
voIuntarismo desesperado de FrIedertch Nletzsche (f 1900) e
Scbopenhauer (f 1860). Nioetzsche, por exemplo, referindo-se
aos eristãos dizia: cO erlstão é um inútil, um separado. um re-
oIgnado, é estranho ao trabalho da terra•.
As últimas expressões do fenômeno no séc. XX são o pan-
omlaIlsmo de Freud (f 1930), o hedonlsmo ou o culto do pra-
zer, as ideologias [Link], fascista, nacional-socialista, ra~
clsta ...
Hoje em dia essas tendêndas [Link] tomaram ~
va forma, que nio exclui ~ anteriores. mas se vai alastrando
eomo "",do mais eOmoda, porque não Implica mililincla algu-
ma: " do lndIferent1mno. - Ora é predsarnente .... lndlfeN!ll-
tlsmo, tão propagado em nossos dias que interessa levar em
CODta, procurando aprofundar o seu significado. 1!: o que vamos
r..... nas pãg1nu que lO _ .

-4-
o SENTIDO DA VIDA ·! 5

1. O [Link] do Indlhronlbmo
Podem-se registrar diversas facetas do Indlterentlsmo ..eU'
gioso em nossos d1ns.

1) Há os que não dão o núnimo de atentA0 ao problema


reUgloso, porque estão catolados. no trabalho e nu obriga.
çóes sociais, de tal modo que não 1he! resta tempo pua encarar
a. questão reUglosn. São pessoas que vivem constantemente ton.
de si mesmas, vítimas do ritmo rrenétlco da vida, mas [Link], em
última instância, estão oontentes por nunca se encontrarem
consigo mesmas e com a próprio consciência, porqúe lato 'as
poderia cassustar. ou levar a uma certa deslnstalaelo ou mu-
dança de vida. .

2) Outros nunca foram sacudidos pela vida c. conseqüen.


temente, Obrigados a sair de certa leviandade rotlnelnL Talvez
sejam pessoas _vazias. em seu intimo e, por isto, necessitadas
de encher a vida com coisas que lhes prometem Uus6ria satJa.
facão: a conquista e o uso do dinheiro que nunca basta, .a oma-
mentacão da casa com mil objetos Inúteis. a carreira .ameaçada
por obstáculos. 8 moda Que tiraniza e obriga a constantes mu-
danC... . .. .
3) Outras ainda há que colocaram para ai o problema re-
Ilgoso, ainda que tnlvez sem grande esforço, mas que julgaram
não dever «perder tempo. com Cristo, pois reUglio seria wn
ten61l\éIlo ultrapassado ou um acervo de histórias e pr6:Ucu
obseuranllstas (embora multas dessas pessoas tenh= sua
crença no _horóscopo. ou nos porte-bollhi6u ou nOl!! t&llsmás
ou evitem o ... 13).
Perguntamo-nos 8101"8:

2. Fé não. plOblema?
Na verdade, o problema de Deus é vital, porque vem a ser
o problema do sentido da vida [Link].; por Isto tnmbém quem
se lnteITOga sobre O slgnlllcado da sua vida, não pode deixar de
encarar o problema de Deus c:cm seriedade.
Com efeito. Todo homem, em sua existência, vê·se obri-
gado a se defrontar oom vários desafios imediatos: o da subs1s-
ténclc, por exemplo, que envolve a11mentaçio. habitação, cura
-.5-
6 .. PERCUNT.E E RESPONDEREMOS. Z31t981

de doenças. Há, depois, OS problemas do trabalho, da profJSSão,


ela famWa, da cJeJade ou da polltica . . . , que constituem um con-
junto de sêrIa.s preocu~ ••.
[Link], porém, que hA wn problema. radical ou fWlda-
mental. que é o do homem; tudo o que o homem taz. deriva O
leU RnUdo daquilo que O homém é. De tato, pergunta-se: quem
é o homem qllé trabalha. constró1, luta, sofre e morre? Por que
trabalha e padece? Donde velo! Para onde vai após a. morte,
OU esta põe ti", a tudo o que ele é e taz? São estas as pergun_
tas supremas e decisivas às quais nenhum homem pode fugir.
Aqueles que nio as concebem, arriscam-se a levar uma vida lU.'
perficlal e rotineira; somente os seres Infra-humanos não con-
cebem as pe1'gWltas relativas aos grandes porqub e para quês
da vida.
Se O problema. do sentido da vida é cvitab, e não lhe pode
escapar quem realnw!nte queira viver consciente e profunda-
mente, [Link] algumas das respostas mais freqUentemen.
te dadas a tal problema.

3. A ....[Link] da cia"cla • da tÓ<nlca


Há quem Julgue que a ciência poderá responder às gran-
des Indagações do homem e proporcionar. lhe paz e felicidade.
Quanto à técnlrJI, que decorre do progresso da ciência, ela seria
apta a [Link] ao homem oomodldade e bem-estar.
Ora. na Vérdade a clêncla como tal não chega a colocar as
grandes e supremas interrogacóes do homem: se o fi:[Link], ela
.. tornaria tIlosofla, aaindo da sua e1eada sem ter métodos
adequados para enfrentar 85 Indagações da. filosorta. Assim,
por exemplo, a biologia. que é a ciência da vida, procura aaber
como a vida teve origem, como se desenvolve e multlpUca, mas
ela (como ciência bIológica) não pergunta por que a vida existe
e qual o sentido do fenômeno da vida, pois tais problemas fo-
gem ao campo de competência da clêncIa biológica. Mais ainda:
a biologia SÓ pode estudar os viventes corpóreos materials õ caso
haja· viventes MO corp6reoa, a biologia MO os aUnge, ela MO
pode dizer nem mesmo se exlItem ou não. Eis por que não tem
_tido dizer que a alma MO existe, pois nenhum blOlogo ou
nenhum médlça jamais a encontrou na ponta do seu blsturli na
verdade. a alma. como ser espirlbJaJ, perMnce a outro plano
que não o da. matéria; ela não é mati!ria mais sutil do que os
outros tipos de matéria, mas simplesmente não ê matéria.

-6-
o SENTIDO DA VIDA?

Aliás, uma prova de que a ciência e a téodea não satls:ta.


zem às aspirações mais fw1damentals do homem nem respon-
dem aos interrogativos maio profundo., é a &Ituacáo do paIJeI
tecnologicamente evoluldos como os Estados Unidos, a SUécia
e o Japão. A propósito ela vida na Suécia,' 8 revlsia espanhola
CambIo 16 pubUeou Interessante cr6nIca com o titulo cSUecl.
darse. (palavra que fwlde 8a~ e SuJcldio). Passamos a
apresentar essas observações em tradução brasUe1ra.:
''Vlnle e doll l:Ienl,. otm mil 'UItCCS le suicidam porque 11m caa
e urro próprios. POUCQ horal da Irabalho por dia, rlquau m... rtal e
multo tempo livra, aegundo o estudo [Link]. an cr••, edUado paio Oe~,..
tll/Mlnlo social do Sindicato d, Empreg'dot. O nú"',ro d, .ulcld.." d..
rn\o, • dUM vezea maior do que o d.. vlllmlt de d.... lr" d•• UComeweL
Os dad09 do sombrlOl. Enlre os motlvOtl que duas mil peta.o.. en--
contram para meter.. , 10401 oa IIROI, OI .uto,.. do I,.belho pOem ....
prkMlro lugar a solldAo.
AlkI disto. o Ingresso da mulher "O mundo allenaelo do trlb&lho
cotoeou'. em condlçll.1 d. C8r6nc11 ld'nUc.. l. doa [Link]. Nos GIUmot:
vinte .noa o Indlce d ....Icldlos femlnlnol aublu d. 100 %. ao puao que
O de masculinos [Link] d, 25", N'D 10m anil I'to: &I mulhe,., ..
uivem, por or., em virtude •• eu. [Link] fetle de ,netcl, pari Inr •
'lIda a el maamas. poli elo I.... vez.. [Link] numaroo.. .. qua tentent o
aulcldla do qUI" q\lt mOMM.
~. em cont. l.mb6m qu. OI Indlcel nlo 110 d. 1od. confte~.
O pudor 8 I pouca 'lmplll, d.. CompanhIa da SegurOl para COM o
sulcldlo lavlm a lacha, de .cldenles .ulomobtllaUcoa muitos cuoe ela aus.
cid lo. A.. Im, com a chegada da [Link] 8 o degelo dos "ClOI, • m.-
qOente lublram o, numlros di Irogado •• oe qUII. na ....[Link] nlo ..riem
.enio lulcldaa. cuJo fim 1rt.;lca , .,1I:0btrtO poli menUra ImPOltl por nor-
mil soelaJa.
~ maior porcentagem de ...lçldlOl - rwvele a • • MIl ..... - C~
entre os homen, d. 40 • 85 enos • entr. as mulhem de 45 • 10 ....
OI gNpoa melt afeIadoe elo 011 doe aIco6l~. droa-doe••~ • dlvofroo
[Link] (nessa ordem). AI paIOU .. mItIm mall na gfMdtI cldadaa
do que no campo; o fndlc, da .ulddaa em &tocotnlo, por uempao. •
longa o dobro do de todo o pais,
Um uame doi: dadu _teUadcot [Link] oa ealudlosoe a w""cv ClUIt
O lulcldlo , o .... ultado da um alo refletido e 1110 de um Impulao, VInte
por cento dOI qUI" suicidam delxlm cvtu de del~lda; In, porc:entl-
gem m...... depole de ler utaclo com IIU m6dlco ou plllqulatraõ OI .am"
lIe,... nla panlll:em lurp.-.ender... com • declslo; apenai obu...am: "ã-
lava multo deprtmldo·. 'AI colna alo lhe Iam , contanlO·.
Alualmenla um mllhlo de auecoe [Link] eoIlU,tIot.. O n6tflefO nIo deixa
da lumentar parque. CUfI, próp.... deIIou d, .r um IUM, •• Em_
tempos de lazer, OI .~. "udedoa por MUI racu". maaerllk. torne--
rem... Inclh,hSualteta;: p....lem. paUn...., pralk:em o esqui ou navag.m
aoll1lrlo. e sllenCIO'O" lIIGundo .. conClu,O.. do atudo, que tamb6m
.nnne: 'O alcoóllco .. su!cld. qUlnd~ perde o 'dUmo contato d. reIacIO-
[Link] pessoa.! com OI HUS . . melh....'.

-7-
8 ,PERCUNTE E RESPONDEREMOS~ 253/1981

[Link] que u [Link] dO sule/dla _tio mullo lia-dI!! • • condle"'" de


vida na SU4icla. p&fKt Impollilvel .IIUl'Jlt-lM. O dlArle DtpM Hyfrtttr de
EIIocolomo lançou uma ~Uca pnlpoe1a am edllorlal. aUglrlndo o aumento
das tIor.. da [Link] d"rlo ou urna rad""o d .. comodldad.. poala8 •
dllpoaJelo do pQbllco ..• TocSIvla OI obS4undor.. mIIl. realll'" exprim....
o NU ptsalmlamo: 'Nlo h.6 aoluçio, d1ztl'ni .." .....pre ualm: .. IQÇIe-
dtcI.. deatnvoto/ldM '-'lo qua acoalu",ar-se ao aulcldlo • COntldar" como
um dos numar_ t IndtltJ'WIa ateltoa do prograMo' lO.
Estas observações suprem dois comentários;
1) A soUdAo é o grande mal do homem num mundo que
se vai povoando eada vez mais. O paradoxo! Os individuas se
isolam uns dos outros, embora estejam cercados de gente. E
por quê? Em parte, lX>I'Que cada qual se deixa absorver por
seu pequeno mundo e seus IntBresses pessoais ou, twnbêm, por.
que tem medo de que os outros o perturbem e desinstalem.
Por ironia, esse fechamento «protetor» e ctuteJar» não acarre-
ta ~or feUcidade ou paz para a pessoa que se fecha, mas, ao
contrário, di-lhe a impressão do vazio e da solIdão. que se
tornam mortais para o homem. Vê-se que este tem que esco-
lher entre o culto egoista dOI bens manterlais ou o servioo 808
irmãos. Isto não quer dizer que não seje possivel possuir bens
materia1s e sentir-se feliz: mas para tanto é necessArfo que os
bens materlals não tornem pesado e gorduroso o coração do
homem (adjetivações bSbUcas)r mas. antes, concorram para tor-
nâ-Io mais livre e generoso. - Ora uma tal atitude dificl1men-
te se consegue se não se tem uma motivação de ordem trans-
cendental, ou seja. o amor a Deus como fundamento do ~r
ao proxlmo.
2) O artigo termina chamando a atenção para D fato de
que a Cl!SCOI1te onda de mloldlos na Suécia está multo vln·
lll1ada às condições de vida da população local. Há quem diga
que doravante as penpectJvu da sociedade de consumo 1nclul-
rio 8 nota marcante do BUJcldIo. Esta prospectiva ê profUnda-
mente dolorosa. - Deve-ae dizer. porém. que progresso da
cIv1llzação e sulcidlo nlo liAo elementos neccssarlamente asso-
c1ados entre sli o primeiro de per si não implica o segundo. A
assodação SÓ ocorre se o homem perde 8 visão do sentido do
progresso materlal au se esquece de que as eonqulstas mate·
rlais devem aer o trampollm para a ascensão ao plano dos bens
cleflrúUvoa • _ndentala.
PodNJe, pois, concluir que por certo o progresso da ciência
e da tecnologia é insuficiente para proporcionar ao homem as
respostas atinentes ao sentido da vida.

-8-
o SENTIDO DA VlDA ? •
Examinemos agora as respostas que a fllosofla. ou seja, o
USO da razão natural, sem fé, oferece ao homem. a respeito das
mesmas questões.

4. As ""f'OIto. do fllosolla

A filosofia. sem dúvida, procura ultrapassar as causaa


imediatas de cada fenômeno, para descobrir as causq; JJltlmu
ou supremas; ela tem por objeUvo colocar cada tato e cada
valor no conjunto dos fatos e dos. valores em slntese llannoiUo-
sa. 'Ibdavia acontece que não há uma tilosofla, mas muitas
fllosofias. Principalmente a partir do século XVI cada pensa-
&ador tende a trUhar seu caminho próprio, resultando dai Que
muitas vezes OEI slatemas !Uosóflcos se destroem mutWln'lellte e
chegam a conclus6es contraditórias. Em conseqüência, multa
gente, diante das propostas da filosofia, toma uma. das duas
atitudes: o relativlsmo (tanto faz uma como outra) ou o eetl·
cismo (nenhuma atinge a verdade). l!;: o que explica que jt se
tenha falado do «escândalo da filosofia", Percorramos raplda·
mente as principais respostas dos filósofos:

1) lKaterilllllmo: Há. quem diga que só exlote matúla.


Deus não existej Quanto ao [Link] cesplritG:I, ê redutlvel li.
matérIa. Por conseguinte, não há. vida. póstuma: o homem vIve
e morre como os demais viventcs, e, como estes. desaparece no
nada. Por isto o sentido da vida consiste em procurarmos ser
o mais possível felizes com os bens desta te~.
2) i'OOtlvismo. uopoo1t1vlmao. Esta escola enslna que
não se deve procurar o Que fica para além da pérCeP""ão dos
sentidos. Indagar qual seja o s1gnll1cado da vida não t.!m pro.
pó[Link], porque .só se pode falar do que se consegue experimentar
e averiguar denWlcamente. Por conseguinte, nlo tem cabJ·
menta falar de Deus, do esplrito, de vida póstuma e de vaca·
ção transcendental do homem.
3) Ideallmlol. Os filósofos desta escola afinnam que o ho-
mem só conhece as suas próprias idéias. O conhecimento, por·
tanto, nAo t2m vaIor objetivo. MaIs amplamente, dizem: é o
próprio homem quem cria os seus va]ares e realiza em absoluta.
Uberdade a Imagem que ele projeta de si mesmo e para si mes-
mo. Tome consciência disto, ~ não pretenda. reaJ.1mr padr6es
objetivos ou atingir metal transcendentais porque estas eac:a.
paro ao seu conhecimento.

-9-
10 cPERGUNTE E RESPONDEREMOS~ Z3/ 1981

1:1) PanWsmO. Esta oorrente de pensamento identifica o


homem com a Divindade. Entre as várias fomas que ela assu-
me, uma das mals freqUentes aflnna que a Divindade se acha
apoucada ou d1m1nuIda dentro do corpo ou da matéria, de sorte
que o sentido da vida terrestre consiste em libertar do corpo a
centelha divina que esti dentro do homem ou que é o homem
propriamente dito. Esta perspectlva está associada a duas teses
fIIosól\cas:
a) o [Link], segundo o qual a matéria e o mundo visí-
vel são algo de mau. Os únicos valores são os do espírito. Este
se acha encarcerado dentro da matéria, que impede a sua plena
expansão. Em conseqUêncla, tal escola filosófica não tem jnre-
resse pelo progresso da clvUizaçãoj antes, vinculam o homem à
matéria e ao mW1do, quando na verdade todo O afã do homem
deve consistir em [Link] de qualquer relacionamento
com a matéria.
b) o l'tleD(JIlJ'1l&[Link]. Se o homem é a própria.
Divindade, está claro que ele não espera de Deus a sua salva.
ção. mas a espera de 51 mesmo. E. se o homem não consegue
salvar· se ou übertar·se Interlonnente do apego à matéria e aos
bens materiaIs nwna só vida ou encarnação, terá que se en·
carnar de novo e passar outra. vez pela vida terrestre; Isto se
repetirá tantas vezes quantas forem necessãrias para possibi.
litar ao indivíduo a sua total purificaçi() ou renú.ncla aos afe..
tos terrenos.
Refletindo sobre as quatro respostas fllosóllcas que aca·
bam de ser enW!.cladas, podemos dizer)
As três prlmeJras (materialismo, poslUvismo, Idealismo)
cortam qualquer perspectiva de transcendência, deixando o h0-
mem confiado fl() regime do vlslvel, material e transit6r1o. Por
certo, não ..Usfazem à aspiração Inata que temos para a vida,
e a vida &em flrn. nem correspondem ao testemunho de todos
os povos que, da antigUIdade até nossos dias, admIUram a vida
póstuma.
A quarta resposta (a panteista·reencamac!onlsta) supõe,
em grau mais ou menos explicito, o duallsmo entre a matéria
e o esplrlto, condenando a [Link]érta à rejelcão. como sendo ele-
mento aviltante e degradante da centelha divina que é o· cerne
do homem. Ora o dualismo é anUnatural ou artificial, visto
que o corpo faz parte integrante da [Link] do homemj sem
o corpo, a mente não adquire Idéias nem con«be afetos.
-10-
o SENTIDO DA VIDA! u
5) Teísmo. Existe também um. filosofia telsta, isto ê,
quo proC..... exlstfncla de Deus • do transcendental. Toda.
via, sendo fUosofia ou obra da razão entregue tio somente ao
seu acume natural. não consegue penetrar a fundo na reaUdade
do homem e da vida. Por isto, ela tem sido completada '~a
revelação que o próprio Deus tez de si ao homem. AsaJ.m se
origina a. sintese ou 8 resposta cristã. .
Aliás, é de notar que Jâ Platão (1 347 a. C.), embora rec0-
nhecesse o valor da razão para desvendar o mistério do holnem
(8 ql1estâo da Imortalidade da alma) . Julgava que a raião ê
como wna pobre jangada, que nos leva a atravessar o mlU' da
vida com riscos ou perigos para nósj selia melhor, dIZia ele,
fazennos o trajeto com mais segurança e menos perigo, usan-
do mais sólida embarcação, ou seja, seguindo uma. revelação
divina (Fedon c. 35c.d). Ora é precisamente esta mais sóllda
embarcacão que leva os pensadores cristãos a responder com
seguranca às grandes questões atinentes ao senUdo da vida.
Vejamos, pois, as grandes llnhas da slntese cristA.

5. A "ntese criltá
EIs os principais pontos que compõem a resposta crlstã.
1) O traDSCeDdental (Deus). A sintese cristã afirma a
exlstência de Deus. . . Entre as numel'068.S razões desta af'U'.
maUva. salientamos as de ordem antropológica. Onde há. pola-
rização, existe polo; se 8 agulha mangnétiea é inquieta e atralda
por algo invisível, existe esse invlsivel, que é o pllo Nortej ele
é real, embora os sentidos não o vejam imediatamente. Ora o
homem é atraldo naturalmente (não em virtude dos artlficl08
de alguma cultura ou escola) para a Vida, a Verdade, a. Feli-
cidade, o Amor, a Justiça, a Paz . . • Por conseguinte, estes va-
Iares que atraem, devem exJsUrj existe, sim, um ser que é a
Plenitude ou o Ser propriamente dito, e que é, ao mesmo tempo,
a Verdade, o .Amor, a Vida, etc. Sem tal Ser, nio se exPlIca o
mistério do homem; este seria wna agulha magnetizada sem.
pala Norte - o que é absurdo ou contraditório.
2) O bomem. A ra:r.ão pela qual o homem e, com ele, o
mundo existem.. é, sem dúvida, a bondade de Deus. Este, sendo
o ser absolutamente perfeito, não tinha necessidade de crl.ar_
Se criou. foi porque quis fazer a criatura participante da sua
vida e felicidade. Diziam os neoplat6n1cos: cO bem é difuslvo
-11-
12 cPERCUNl'E E RESPONDEREMOS~ 253/ 19SL

de sI:.. Ora, se Deus é o SUmo Bem, Ele é sumamente difusi-


vo de Si. - Hé., POis. na raiz da existêncIa de cada ser hu-
mano um ato de benevolência gratuita ou um ato de amor de
Deus, que quer bem sem compensação ou sem Interesse egolsta.
Esse ato de amor é 1rreversivel; é Sim wna vez por todas, dado
que Deus não pode ser 81m. e Nilo OU não se pode contradi2:er
nem retratar; mesmo que o homem vacUe ou se afaste, ele
pode encontrar esse amor InabalAvel do Criador desde que re-
solva voltar a Este. Esta verdade serâ útil, mais adiante. para
se nustrar O sofrimento humano.
o homem criado benevolamente por Deus é chamado a
participar da vida divina para todo o sempre. Ele procede de
Deus (por criação1 como ser embrionário e retoma para Deus,
através das estradas desta vida.
3) A. vida presente é, pois, concedida corno wn cami-
nhar para a cCasa 00 Pall· ou para a Plenitude da Vida, da
Verdade, do Amor . .. Ela pode (e deve) ser comparada a uma
gestação; com efeito, o ser humano só nasce plena e definitiva-
mente no termo da sua vida terrestre. Entre o nascimento pa-
ra e. luz do sol e o nasclmento para a tuz da eternidade, vai-se
tonnando a personalidade e vio-se desabrochando as [Link]-
dades desta; a gestação no selo materno (onde a crianca estã
oculta e inconsclente) se prolonga no decorrer desta vida ter...
restre umbrátJl ou claro-escura, sO tennlnando no dia em que
o homem é projetado diretamente para a luz sem fltn e defini·
tiva. Se no seio metemo a criança não é responsável por sua
fonnaçio ou construção, 1á. no decurso da. segunda gestação
• o homem é, via de regra, responmvel pela sua estatura e confi-
guraçlo dellnltlvo.
4) Se realcamos o carãter provisório e passageiro desta
vida (o que, aliás, é evidente à própria experiência), não Que-
remos dizer que o ser humano se possa considerar descompro-
mlssado em relaçlo à [Link] deste mundo. l!:: mediante Q
exercido da sua [Link]ão de mediador ou de sacerdote entre o
mundo mater:lal e Deus que o homem se realiza. ou desabrocha
as suas virtualldades e atinge a · plenJtude da sua estatura. O
CrIador entregou ao homem o mundo a1nda embrionârlo para
que este continue a obra do Criador. Tal é o senUdo do traba-
lho h1lDl8DD; é digno e nobre, ainda qUI! hraçal e servil. O
homem não há de trabalblr segundo seus caprichos, mas
proc\U'ará conatrulr um murtio melhor, mais consentAneo com
os deslgnlos de Deus, que sto de amor, jUstiça e fraternidade;
-12 -
o SENTIDO DA VIDA?

trabalhar contra este piano, ou seja, a servlco do egolsmo e do


..
ódio é desfigurar o trabalho e tomá.lo obra satAnJca, d. qual
só podem resultar dissabores e amarguras para o trabalhador.
5) O IOtrlmeoto há de ser considerado neste contexto de
otimismo. Resulta da desordem Introdmida pelo homem na
obra do Criador, por abuso do livre arbitrlo. Ele quis ser c c0-
mo Deus. (Gn 3,5) ou auto-suficiente.
Ê natural, pois, que, tendo desejado assumir por soberba
uma posição que nAo lhe compete, o homem sinta as come.
qüências da desordem acarretada. Todavia o sofrimento, em-
bora suscite sempre Interrogaç6es ao homem, não é simples.
mente wn enigma. indeclfrávelj o próprio Deus se dignou de
asswnir a sorte dolorosa e mortal do homem, a fbn de tra~
figurar tal .realidade; assim o homem sofre justamente, mas com
a esperança, ou mesmo a certeza, de que tal solrlmenoo, asso-
ciado ao de Cristo, é passagem para a ressurreição e a glória.
Em sIntese: o sofrimento é explicado pelo CrIstianismo como
conseqüência do pecado, mas é transfigurado pela presença da
rrusericórdJa do Senhor, que f82 da dor um instrumento de pu.
riflcação e sanUflcacão. :e esta. entre todas as expUcações dadas
ao sofrimento, a mais plauslvel. A que recorre 00 dualismo,
admitindo um Principio Subsistente do Mall é anUfUosóflca
(pois o mal é sempre uma carência e nunc:a um ser posIUvo).
A última atitude da filosofia perante a dor é a da angústia e
do desespero, de que dá testemunho o existencialismo ateu: o
homem vê a vida como algo de absurdo, e tira as conseqUênclu
dessa perspectiva. Ao Invés, a visão cristã, embora reconheça o
que tem de horrendo o sofrimento. sabe integrá'lo nwna sintese
de otimismo.
6) Após quanto toi dito, a morte aparece como consuma·
ção. e não como ruptura da vida. Jt o ténnlno da gestação e a
segunda ou definlUva natividade do ser humano. O eristio olha.
para ela não como para algo de memmente negatlvo, mas como
algo que o ajuda a avaliar cada um dos bens que lhe ocorre:
cada um destes s6 tem sentido se contribui para que o crlstio
se encontre1mais livre e [Link] consclentel com o Bem InfInito
no fim da sua peregrinaçi.o terrestre.
Eis em poucos t6plcos a resposta crlstã à questão do sen-
tido da vIda humana. J!: harmonlosaj todavia a lUa veracidade
só se comprova plenamente pela experiência ou pela vivência
concreta e fiel da mesma.
Par. conleccloruu esl. Irtlgo. ICII parte nos '1llemos do edllorill da
,lIVIatl "La Clvlltl Callollca" r(I 3038, de 15/01/1077, pp. 10So114.

-13-
A palavra do Papa:

João paulo I1 aos sacerdotes

~ IlnIeM: Ao homilia de Joio Paulo 11 aos [Link] .. em 21rR/fIJ


pils 8111 relevo OI 18gull'll'l traçol do ..cerdÓclo :

1) O IICtrdota nlo 6 um lunclon"Jo da comunidade, dalegado por


..ta p,ar. exercar .. lU" fU~1 • ,uaçeUvel d, ler deposlO ou da ,..
nunel., como qualquer funcl0n6rio.

o ••cardola ' ••Im, uma [Link] de quem Cristo Ioma pos., pelo
caratar .acramental, ".bll1tando-o a realizar l i funci5111 que Cristo Sace,..
dOIa axarce: nlO 6 O padrt por sua Ylrtude quem age, mas , CI'IIIO quom
IlrMti dela age, quando ocorrem a conaagraçJo euçarlsllca. a remlado
doa pecadOl•• pregaçlo da Palavra de Deus •..
2) PQr Isto o mlnlsWrlo do ucerdol. 6 de Indole t"lnclalrnfttlle
religiosa ou espiritUal. Se quiser .. r ne' ••1 mesmo, Jamais poder' Idlrltl-
flclr... com l i fun~,. de um m6dlco, de um .ulalenle social ou de um
elncll"II.1&. Ho/e em dI. exlslam pronalon.'. formado. para ..arcer tais
tam.. ; le o padre .. assumir, pondo de ladO o lIu mlnlst6rlo religioso.
dai.. ", aberta uma latlma Importante na aoclodade, poli o homem de hol_
precisa de Deus, como da pio, de 6OU. e de ar, conlonne dWa Wemar
von Braun.

3) Ji qUI .. mlaalo do padre • do Impo"anl. e nece..'rfa na.


larala • na aocledad. pluraflsla de ncllOS dia., 1mp6.... o zelo pai..
vooaç08I aacetdotals. Destas dependi o futuro rallaloso do Brasil. Embora
experimentem dIficuldades para propor o Ideal sacerdolal ao. Jovens elon-
temporAneol, , preclao que OI mlnlltros nlo ..moreçam; nem Julguem
Que, recomndo aI) laclll16rto ou plensando a extlnçlo do çellbslo Ac.r-
dolal, [Link] alralr mala vocaçOQ p.t. o sacardtlclo. Na verdade, a lu-
....ntuda da hoJa nlo dsl)(l de experimentar alrsçto pelOI grandn Ideais,
que ardusmente .. conqulslunj a [Link] ensina que, nos pa&aes em
QUI I mlsalo [Link] 6 vtvlda com msl•••crlllclo _ em melo e maio...
[Link], pntdaamute ai pl'Otpera O nOmllro de 'IOelç6e. [Link]....

• • •
00....._ : Ao. 2 de julho de 1980, o S. Padre Jo.\Io
Paulo II procedeu 1 ordeuacão ..cerdotal de mais de setenta
_n08, a08 quais propOs em hornllla as grandes Unhas do oa-
c:erdóclo. As palavras de S. Smttldade visaram a avivar nos jo-
vens levitas a consciência do g~'ande dom que estavam para ~
eeber j ao mesmo tempo, sen"itam de med1taç6.o a todo o povo
- l4 -
JOAO PAULO U AOS SACERDOTES ,.
de Deus, em cuja perspect1va a Imagem do sacerdote às vezes
se pode con!Wldir com a de outros agentes ou profissionais da
vida contemporânea.
Dada a utllidade de tal alocuCão, passamos a resumi-la;
apOs o quê. lhe proporemos breve comentário.

I. O SACERDÓCIO
cQuem SOU eu? Que se requer de rlÚm? Qual a minha tden.
[Link]?», eis perguntas qUe afloram à mente do sacerdote nu.
ma fase de chOQUes e contrnchoques da história da humanidade.
A resposta a tais lndagac6es não há de ser procurada nas
ciências do comportamento humano nem nas estatistloas sócio-
·rel1giosas, mas, sim, em Cristo e na fé. 1; o Divino Mestre que
elucida cquem somos nós, como ele quer que sejamos, qual é,
diante dele, a nossa verdadeira Identidade••
Três são os aspectos do sncerdote que vem ao C8.Sô propor
à guisa de resposta imediata.

1. Cllamaclo •• • •
cUma primeira resposta nos é dada imediatamente: ~mDI
eb-medos. A história do nosso sacerdOcio começa por um. cha.
mamento divino, como aconteceu com os Apóstolos•.
cSomos chamados por Cristo, por Deus. O que quer dlzer:
somos amados por CrIsto, amadO$ por Deub. independen~
mente de classe soda! (c!. lCor 1,27) e de entusiasmos super-
ficiais (cf. Mt 8,19.22).
A vocacão ao sacerdócio implica wn convite a participar,
tIe modo todo especial, da [Link] do Senhor Jesus: cJã nio
vos chamo servos, porque o servo nlo sabe o que faz. o leU
Senhor. Eu vos chamo amigos. porque vos dei a conhecer tudo
o que ouvi de meu Paio (Jo 15,15).
cO chamamento ao sacerdócio .. . provocou a grande e
lITevogàve1 opção da nossa vida e, portanto, a pâgina mais bela
na história da nossa experiência hwnana. Nossa feUcidade cjoo.
s1ste em. não a depreciar Jamais!» .
-15 -
16 ,PERGUNTE E RESPONDEREMOS, 253/1981

2. Consagrados ...
A sagrada ordenacio une o sacerdote 8 Cristo com. vlneuJ.o
original, lnelável, lrreverolvel: IOma·o ClCIIIAgrado.
ãto quer dizer que a missão do sacerdote não é de ordem
meramente jurldica. Com outras palavras: não consiste nwn
serviço prestado à. comunIdade por delegação da comunidade e
revogável pela mesma conwnJdade ou 5elViçQ a que possa re-
nunciar livremente o cfunclonârlo:t da comunidade. Ao contrá-
rio, o sacerdote passa por real e intima transformação medi-
ante um IIlnete dlvlno OU _tu, que o hablUta a agir In pOr_
aoti ChrisU (fazendo as vezes de Cristo); o sacerdote toma-se
aaim instrumento vivo da ação de Cristo.
Em conseqüência, o sacerdote se acha num estado de ex-
clWIIva propriedade do Senh.r. Nele nada há de que possa
dispor como se não fosse sacerdote; mesmo quando reallza
ações que, por .sua natureza, são de ordem temporal, o sacer-
dote é sempre núnlstro de Deus. Nele tudo, mesmo o profano.
deve tornar-se 'sacerdotallzado', como em Jesus Cristo. que
sempre foi sacerdote, em todas as manHestações da sua vida.
,-Jesus nos Ident1flca de tal modo consigo que a nossa per-
sonaUdade como que desaparece diante da sua, J' que é Ele
Quem age por meio de nós. ~ sim, o próprio Jesus quem con-
sagra o pão e o vinho em seu corpo e sanguej é Ele quem per-
doa os pecadosi :e Ele quem fala quando o sacerdote, exercen-
do o seu minl5térlo em nome e no espirtto da Igreja, 8ntmcla a
Palavra de Deus~.
AssIm a expressão cO sacerdote é um outro Crlsto~ não é
simples met6fora, mas. alm, maravilhosa, surpreendente e con-
IIOladora realidade.

3. EnvIados ...
o sacerdote não é sacerdote para si, mas para a Igreja e
para o mundo a ser salvo. Donde se segue que ele é um ap6s-
tolo ou um enviado J.
Dedicado total e llTeV'[Link] ao serviço da comunI.
dade, o sacerdote cumpre sempre dup1a função: revestindo a
I A .,.I.",a ap6st;j~ y.m (h grego apotol6Uo, erwlar.

- ·. 16 -
[Link] PAULO II AOS SACERDOTES

pessoa de Cristo Mediador, ele é o dlspensador dos mistérios de


Deus juDio ao povo, e JUDio • Deus é o reprosentante do
povo em todos os seus componentes: erlaocas. jovens, fam1l1u.
trabalhadores, pob~, doentes . . ., adversários; ele oferece ' as
súplicas. a alegria e a expiação do povo (c!, 2Cor 5,21) , «SOmos
embaixadores de Cristo. (2Cor 5,20) .
Destes trat OS fundamentais do perfil do sacerdote seguem..
,se algumas conseqüêndas práticas.

4. ConsaqüinclCH pr6tlcas
DIstinga·se 8. ação do sacerdote no mundo ecles1aJ c a acão
no mwulo secular.

4. 1 . No lIIUftdo .clnJol

A doutrina do sacerdócio dos tléls, desenvolvida pelo Con..


clllo do Vaticano n, redundou em vasta florescência de mJnts.
térlcs confiados aos leigos e merecedores de todo encoraja..
mento.
Todavia Isto «não diminui a Importância e a necessidade
do ministério sacerdoW, nem pode justlricar menor empenho
pelas vocações eclesiásticas. Menos ainda pode Justificar o ten'
tativa de transferir para a comunidade o poder que Cr1sto
eonferlu exclusivamente aos ministros sagrados. O papel do sa·
cerdote permanece Insubstltuível. «Devemos, sim. soUc1tar de
todos os modos a colaboração dos leigos. Mas, na economia da
redenção, existem tarefas e funcões - como o oferecimento do
acritlclo EucarisUco, o perdão dos pecados, o oficio do magia.
tério - que Cristo quls Ugar essenclalmente ao sacerdócio, e
nas quais ninguém, aem ter recebido a ordem sagrada, nos po.-
derA substituir. Sem o ministério sacerdotal. a vitalidade reU..
giosa. corre o risco de se cortar de suas fontes, a comunidade
crlstl o de desagres:[Link], e a Igreja o de [Link] •.
cE verdade que • graça de Deus pode qlr de Igual modo,
especlalmente onde existe • ImposalbWdade de ter o ministro de
Deus, e onde não há culpa no fato de não o ter. -e [Link],
porém. não esquecer que o caminho nonnal e seguro dos betns
da redenção passa através dos mem insUtuidos por Cristo e
nas fonnas estabelecidas por Ele» (n' 6) .
-17-
18 .cPERCUNTE E RESPONDERmOS_ 253/1981

Daqui se compreende também a importãnda do problema


das .ocações, ao qual o """"rdole há de consagrar as primeiras
e mais desveladas preocupações do seu ministério. Dele depen-
de o futuro religioso da pátrb brasileira. As dificuldades no
cultivo das vocações não devem levar ao desãn1mo:
cTambém a juventude do nosso tempo sente poderosamen-
te a atração para as alturas, para as coisas ãrduas, para os
grandes ideais. Não VOS UudaJs julgando que a perspectiva
de um sacerd.6clo menos austero nu suas exigências de sacrlt1.
elo e de renúncia - como, por exemplo, na disciplina do eell.
bato ecJeslãtlco - possa aumentar o núme!'9 [Link] que pre-
tendem comprometer-se no seguimento do Cristo. Pelo con-
trârlo. ~ antes, uma mentalldade de fé vigorosa e consclenre
que talta e se taz neeessá.rio criar em nossas comunIdades. All
onde o sacrlficlo cotidiano mantém desperto o ideal evangélico
e eleva a «Ito 1Úve1 o amor a Deus, as vocações continuam a
ser numerosas. Conflnna-o a situação religiosa do mundo. OS
paises onde a Igreja é perseguida são, paradoxalmente, aqueles
em que as vocacÕes florescem mais, algumas vezes até em abun-
dAnei.. (n' 6) .

4 .2 . Ng muftdg secular

o mlnistêrlo sacerdotal se exerce atualmente nwna socie-


dade secularizada, que tende a .eclipsar o sagrado. Em tal am·
blente, o sacerdote é o .sinal e instrumento do mundo invisiveL
O padre há de viver no mundo entre os homens. mas como
portador de [Link] transcendental, de que ele é sinal.
. cA torca do clnal n10 está no contonnlsm.o. mas na dis-
tinção.. A luz é diversa das trovaa para poder iluminar o caml-
nho de quem anda no escuro. O sal é dlverso da comida para
dar-Ihe .o sabor. O fogo é diverso do gelo para aquecer 00 mem-
bros enriJecidos pelo frio. Cristo nos chama luz • sal da terra.
Num mundo dissipado e contuso Olmo o nosso, e. torça do s:1nal
está exatamente em ser diferente. Ele deve destacar-se tanto
maiS quanto a açi.o apostólica exige malor inserçio na massa
lwmanL
A este propdslto, quem nlo pereebe que uma certa absor-
ção da mentalidade do munoo, a !reqUentacAo de ambientes
disslpanlel, como também o abandono do modo externo de
-1.8-
JOAO PAULO U AOS [Link] 19

apresentar-se, distintivo dos aaeerdote!, podem diminuir 6 sen-


sibUidade do próprio valor de sinal! .:
Quando se perdem de vista estes horizontes lumlnosos, a
figura do padre se obscurece, sua identidade entra em crise,
seus deveres peculiares não se justltlcam mala e se eontr6dlzem,
Jõeenfraquece a sua razão de sen (n' 7). :
Talvez, porém, diga a1gu~m! <o padre ~ sinal peJo . f • .., de
ser o homem..pct..[Link] •• Na verdade, o [Link]-Os'oUtros
não ê espedfico do sacerdote,mas é tarefa de todo df..StiO. O
padre é homem-para-os·outros em fun~o da sua pecuUar. Ma.
neira de Set" hOQlelll-.......Deus. O padre é para os outroa na
medida em que se dedica a libertar as almas da cscravJdão do
pecado e levA-las a Deus; ora Isto só é possivcl se. antes do mu,
o padre é o [Link].-Deas.
Fique, pois, bem claro que o serviço ..cerdotal é essencial·
mente espirltual. Que isto seja hoje acentuado contra as mul-
tiformes tendências a secularizar o servJço do padre, reduzln-
do·o a uma fWlÇAo meramente fllantroplca. O seu aervico não
é o do médico, do assistente social, do poliUco ou do slndlcalJs.
ta. Em certos casos, talvez. o padre poderol prestar, embora de
maneira supletiva, estes serviços e, no passado, os prestou de
f(lnna egrégia. Mas hoje eles são realizados adequadamente por
outros membros da .socledade, enquanto o nOCiSO serviço &e es'
pecifica sempre mals claramente como um serviço espiritual. :t;
na área das almas, das suas relações com Deus, e de seu rela.
cionamento Interior com os &eUS semelhantes que o sacerdote
rem wna tuncio essencial a desempenhar. 1:: aqul que se deve
realizar a sua assistência aos homens do nCl&S() tempo. Certa-
mente, semp~ que as clrcunst:Anc1as o exijam, ele nAo se ex1-
[Link]ã de prestar também uma assistência material. mediante u
obras de caridade e a defesa da justiça. Mas é, em deflnt1vo,
um serviço secundirlo. que não deve jamais fazer perder de
vista o serviço principal, que é o de ajudar as elmu a descobrir
D Pai. abrir·se para Ele e amá-lo sobre todas as coisas.

«Somente assim é que o sacerdote jamais poderá sentir-se


um Inútll, um falido, alndo quando fosse constrangido a renun·
cIar a qualquer atividade exterior. O IiIUlto Sacrlllclo da MJsaa,
a oracão, a penitência. o melhor, antes. o essenclal do seu sa'
cerdóclo permaneceria lntegro, como o foi para Jesus nos trin-
ta anos de sua vida oculta. A Deus seria dada ainda uma gl6-
ria imensa. A Igreja e o mWldo não ficariam privados de au-
têntico serviço esplrltuab (~ 7) .

-19 -
20 <EPERGUNTE E RESPONDEREMOS,. 2S3J1981

11. REfLEl1NDO •. .
A homilia de João Paulo n nada diz de novo (nem o podia
dizer) ao propor o perfil do sacerdote. Retoma a mais genulna
doutrina da Igreja a propósito. O que, porém, a valoriza enor-
memente, é o fato de João Paulo n repetir a constante e lnsubs-
tltuIvel teologia do sacerdócio frente a modelos recentes que
podem descaracterizar ou clalclzan a figura do padre.
Merecem especial relevo os seguintes traços da alocução:
1) O sacerdote não é um funcionário da comunidade, de-
legado por esta para exercer as suas fWlçôes e suscetível de
ser deposto oq de renunciar como qualquer fWldonário.
O sacerdote é, sim, uma pessoa de quem Cristo toma pOSSe
pelo caráter sacramental, hBbilllando·o a realizar as fun:ões
que Cristo Sacerdote exerce; não é o padre por suas virtudes
que age, mas é Cristo quem através dele age, quando se dá a
consagração eucaristica, a remissão dos pecados, a pregação da
Palavra de Dew ...
2) Por Isto o mIn1stérlo do sacerdote é de Indole essen-
dalmente religiosa. ou espiritual Se quiser ser fiel a si mesmo.
jamais poderá Identificar-se com as funções de um médico, de
um assistentE soclal ou de um sindicallsta. Hoje em dia existem
proflssionais formados para exercer tais tarefas; se o padre as
asswnir, pondo de lado o mln1stério religioso, deixará aberta
uma lacuna lmportante na sociedade, pois o homem de hoje
precisa de Deus, como de pão, de água e de ar, conforme dizia
Werner von Braun. ~O papel do saeerdote permanece lnsubsti.
1u!veI. ." Sem o rnIn1stérlo sacerdotal. a vitalidade religiosa
corre o risoo de se cortar de suas fontes. a comunidade cristã o
de desagregar... e a Igreja o de secularizar· ....
3) Já que a rnlssão do padre é tão Importante e necess!-
ria na Igreja e na sociedade pluralista de nossos dias, Impõ[Link]
o zelo pelas vocaCôes sacerdotais. Destas depende o futuro reli-
gioso do Brasil. Embora experimentem dificuldades para pro"
por o ideal sacerdotal aos Jovens contemporâneos, é preciso que
os ministros nlo esmoreçam; nem julguem que, recorrendo ao
faclUtário ou pleiteandO a extlncão do celibato sacerdotal, po-
deriam atrair mais vocações pam o sacerdócio. Na verdade, 8
Juventude de hoje nlo deixa de experimentar atração pelos
grandes ldea1s, que arduamente se conquistam; a experiência
ensina QUeJ nos países em que a rnlssio [Link] é vivida com
mais sacrlftclo em melo a maiores riscos, precisamente ai pros-
pera o número de vocatões sacerdotais.
-20-
"Quando .ou ""00, ontAo 6 quo IOU forte":
e a igreja na rússia SOviética 1

Em NnIfte : Os crllllol na Rúsl la [Link] iuJeltoa e cruel perMguiclo.


qUI, ..gundo O Eslado .ov~lIco. nlo Illst., [Link] a CofllsUtulç1o uno""
e liberdade de crenças (como "segur. I [Link] de nlo crer I de mover
proptlglndl anll..,.lIglol.' . A [Link] dOI fI"l ru..OI I .... dolot'ON.
Iltuaçlo lem sido no".,.I, lO [Link] [Link] que , enlrlqueclda por- cartoe
falO' .. prOprlos di realldlde da IQrIIJI rUISI : 1) a [Link] ru...
6 multo marcada pelo ,ama da "Iuga do mundo", que lav. e " cinllalr,
em grau ml lor OU [Link], das realldado 'emporall j 2) a fraca InstNÇJo
lellglos. dOI fi61. rullo. Iluell, um. pledlde mais voltada para ° ma,..
vllhQfo (lCO"" a Igrol" qUI I. reatluram por ai maamu, por exemplo)
40 que propriamen1. pere l i verdld .. ~nlral. da 16; 31 elite [Link]
.. aubservlo6ncla dOI cl6t1got e doa ' 'ta em ,.Iaçlo ao Ealado, ....[Link]
dlalo IMultelenle 18Ii1,.ncla a InJunç4la do Govama aov14l1ea: 4) certo
nacionalismo rell910ao, qUI'. exprIme no .. I...,aflllamo t que d ..via di
verdedelre [Link] o olh., dOI fllIIl. rullo.; o Ocldent• •"arll, mala ume
vu. acabrunhando • RlI...., peJo laia de 'er "Inventado" o [Link].
Apellr du dJllculdedel que enfrenta, a 'Imper. rellglOla do. em.
1101 ru»oa • lolte, manlfutanclo bam o 'ra~lho da graça. que frulUleI
precisam ante tph8l' • alta"'a da precllladade do. melol [Link] d.
f8$lfltnçll.
• • •
ComeIltúto: Multo:Se tem escrito sobre a Igreja na ft.ús...
si. Soviêtlc6. Em vista cio Interesse que o tema desperta, pro-
n:mos abaixo algumas noticias que levario em conta Ilreclsa.
mente a evolução da situação da ReUgláo naquele pais.
Ao falar de Igreja na U .R ,S,S " teremos em vista prln·
clpalmente a chamada cIgreJa Ortodoxa», que se separou de
Roma em conseqüência do dsma blzanUno (1054) . Ap60 o cIs'
ma, B Igreja Ortodoxa Russa viveu sob certa dependência dos
czares, herdeiros da mentalidade [Link] dos Imperado-
res bizantinos. Esl'e fato expUca Clue ate nOS9OS dias as autorl·
dades religlosas russas sejam, de certo modo, propensas a co·
laborar com o Estado soviético, como se dln\ nas pâginas Ie-
guintes.
Quanto 80 catolicismo na Rússla, sofre outrossim sewras '
rcstrl~ões. Acontece. porém, que OS católicos constituem uma
minoria religiosa na U . R . S. S., minoria que tenta desenvolver
-21-
22 cPERGUNTE E RESPONDEREMOS~ 25311981

a oua vida dentro das <ondiçães que a situa!:áo poDtica do pais


lhe oferece.

I. SItuaSão atual: lrasos ",raclerisll_


O panorama da !areja Russa atualnelte apresenta face-
tas contrastante. :
1) Trala·se de comunidades dotadas de grande vltanda-
de em melo a circwlSt4ncias de extrema pobreza material e
Insegurançapennaneote.
2) A Igreja na RUssla sofreu a mais violenta perseguJçAo
da história recente; está sufocada pelas autoridades governa-
mentais. Tem as suas atividades reduzidas exclusivamente ao
culto sagrado. - Não obstante, a perII!gUi!:áo religiosa oflcl8I-
mente não existe na RIlsslIL A 5UIocacáo da Igreja é efetuada
IIOb a cobertura da oeparaçlo da Igreja e do Estado e em
nome da Constituição do pais. Ora, dado que esta Consutulçãa
ê a expressão de wna. cdemocracla modelar~t nenhwn cldadio
tem o dlreito de denWlc1ar as rontradlpôes da mesma, pois isto
seria wn delito. Com outras palavras: na U.R.S.S . ofic1a1·
mente não existe penegu1ção rel1gi06a nem a pode haver!

2. Aposlalla forçada da. ma .....


Esta apostasia é o resultado de mais de .......ta anos de
regime soviético. A perII!gUiçia religiosa oonheceu t.... dlver,
.... ara mais violentas, ora mais brandas Com efeito. de 1911
a 1941 (inicio da guerra contra a Alemanha). a .pre<sio tal
multo dura. Durante a guerra e depois. até 1954 houve um
.....,..;meoro rellgioooõ o Estado deixou de bnportunar OS tléis.
pois [Link] de promover a unlio nacional. Mas, sob o g0-
verno de Krouchtehev. deu-se novo enduredmento ideológico.
Em nossos dias. a perseguição parece menos aguda. mas ela não
cessa, constituindo mesmo uma [Link] da vida soviétlca.
A ConstltulçAo SovIética proclama a .liberdade de oonsc1-
tncia. de cada cidadão. MIl! em termos paradoxais ... : qual-
quer propagaDda religiosa ê considerada um deliro. ao passo que
a propaganda antl-reUgtOSll. ou atéia é pennlUda como sendo
clent1f1ca. Isto quer dizer Que o ens1no religioso àI crianças
• Uegltlmo. aO ae aclm1t1ndo a catequese que o pai e & mie de

-22-
 IGREJA NA U.R .S.S. . ,.,
..
ramnia queiram dar 80S lIIhos. Toda eerlm6n1a re!IgIoM ou
assembléia de oraçio fora dos luglU'el de culto olldals é tida
como propagando. religiosa e, por 1stD, proibida <0l1IO oendQ um
delito. . '.. ;.
~ara abrir um lugar de culto, uma 4'as&OclaçAo
deve apresentar wn requerfmonto à ComIssio de Aauntoo Re-
,reUa1o..
Uglosos do ComltA Executivo (lIpo1kom) do ..vlete k>c:al O pe-
dido deve ser assinado por vinte pesooas, no mlnlmo;: que te-
nham dezoito ...... ou mais. E levado por cIlversaa:1ii8fAndu
até o Conselho dos MInIstnle da Repilblica, o qual de\1f iUbme-
ter a solicitação ao Conselho de Ministros da U . R..S ;S. "Donde
se vê que a fundação de wna Igreja numa aldeia mln(iscula "se
toma problema de Conselhos e .Ministros na RússJal "
Além disto, é preciso notar as [Link] e 88.I101es a que
estão sujeitos os cristios praticantes. COaJ), por exemplo, "OS
pais que mandam batizar seus fOhos, ou as crianças que na
escola professam a fé. Sabe-se, de resto, que um. Jovem MO
lnscrito .no KOlDlOmol tem dificuldades para entrar na Uolver-
aldade (ora os membrm do Komaomol fazem expliclta p.rol1I-
são de atelsmo).
Além disto, a mIssio da Igrel_ é truncada na U.R. S.S.
Com efeito, a Igrela se vê constrangida por lei a Umltar IUU
ativIdades à vida llturalOllj a assistência caritativa e prom,o.-
cional lhe é proibida, assim COmP a pregação da mensagem
cristã. Para alimentar o clima de hostilidade, o Estado SOViéti-
co ensina. aos jovens nas escolas que hA «1ncompatibllidade.
entre 1l ciência e a relld1o; um crente não podéria ser um cien-
tista, e vice-versL
Em tais condições, • vida da fé na U .R .S.S. parece ....
.aervada • _ de ...... fibra e energia. E o que explica a
apoataoia eles . . . . - na U .R . S . S .

3. Renova,õo ..llglosa
A destrulcAo sI_tlca doa valores clissIooa da fé na
U.R.S.S. nlo impede wn renllJC'lmento rellgiosJo que ultmpu·
SI as fronteiras da IgreJa na U.R.S.S. Esse ressurgimento ~
sustentado por pessoas doa mais diversos tipoa de tormaçio, de
Origer.l social e d. Idade.
Como se expllea esse renascimento?

-23-
24 otPERGUNTE E RESPONDEREMOS» 253/1981

VArlos são OS seus fatores. AssIm. por exemplo:

- A população russa parece estar sentindo alergia aos


d1scunios oficiais dos &;eUS governantes, não apenas por serem.
monótonos, mas também por"serem Insuportavelmente menti-
rosos. Sim iO oratória ondaJ do Partido aflnna que a Revolu·
cão tez recuar o mal de modo definitivo e lnstaurou o bem em
termos cientificas. Ora a experiência demonstra o contrário"
.Assim multas pessoas decepcionadas se questionam, procurando
saber se a solução não estaria do lado dos valores clAssicos do
Evangelho denegridos pelo comunismo.

- A própria propaganda atéia se apresenta por vezes de


maneiIa tão grosseira que se volta contra os seus próprios au·
tores. Em conseqüência, o senso de Deus, em vez de ser apaga-
do pela propaganda anU·relJglosa, é tão somente purificado e
até reforçado em vários cldadãoa.

- Outro elemento estNnho é o segu1nte:exaltando o pa-


trimônio cultural russo, OI intelectuais põem em relevo a arte
relJglosa (especialmente a dos IcorleS) , pois o passado <Ultural
russo, documentado por seus monwnentos, é quase exclusiva·
mente rellgioso. cNunca visitei tantas igrejas quantas na nossa
estada em Moscou», disse um turista. Oro. a qualidade dessa.
arte religiosa desmente os iloguq do Govemo referentes à reli-
gião oomo ópio do povo e l esterilidade da Igreja. Também a
clúsIca llteratura russa ae presta a ldenUcas observaCóeS em
virtude dos seus numerosos temas cr1stãos. Ora as riquezas
culturais do passado patenteiam o ml.U1do reUgloso e o seu alto
rúve1 de outrora.
Segundo as declarações oncie..ls, as igrejas do freqüenta.
tadas apenas por velhlnhos, ú[Link] sobreviventes de wna épo.-
ca ultrapassada, após os quais as igrejas Clcarão vazlas.. Na rea-
lidade, porem. as Igrejas, em vez de se ir esvaziando, continuam
por vezes cheias nas gmndes ddades. Isto quer dizer que os
velhinhos são substltQldos por outros velhlnhos à lIlfdldB que a
Idade da aposentadoria ae aproxima e os cidadãos se vêem U-
vres dos encargos socIals da vida soviética (a partIclpaCio
de reuniões, encontros, etc.). Mas não do os anciãos Que
caracterizam a vida da Igreja russaj ao contrário, numerosas
são u eonver8ÕeS de adultos, de modo que se pode dizer que os
batizados de adultos constituem uma [Link] da Igreja
russa contemporânea. Não ht estatistlcas a respeito, como tiS
compreende, mas o fenômenO) é registrado até mesmo pela Im-
- 24-
A [CREIA NA U. R .S . S .

prensa soviética. Entre as riQuezas que os neo-eonverUdos tra·


um à Igreja. está o caráter ecumênico da sua fé. Este 'tato ê,
novo nwn pala que, no século passado. ct10u a teologia ceslav6.
fllb, para estabelecer a &uperioridade nústica da Igreja rwssa
sobre qualquer outra forma de vida cr1stã. Tal ecumenismo.
porém, nada tem que ver com relativlsmo doutrinai, pois ele
nasce dentro da persegulCão; as suas raIzes se aeham na parti·
lha das provações e da cruz; em particular, frenw ao oatoll·
elsmo a abertura é extraordinária, como se fosse 6bv1a ' a çe-
cessidnde de reunir católicos c ortodoxos.
Vejamos agora uma faceta da Igreja russa derivada preci-
samente do fato de ter que subsisUr sob uma ldeologl" at~ia.

4. A Igreia como antiideologk:l


Além de sofrer perseguição sangrenta, a Igreja russa teve
de enfrentar uma provacio ainda mais terrível: o confronto
com &. ideologia. Por ddeologta. vai aqui entendido um sistema
misto de ciência e de crellgião. ou crnlsUca., que perfazem um
regime absolutista. Isto quer dizer que a ideologia não pode
deixar de questionar a verdadeira fé.
Eis como se desenrolaram os acontecimentos desde O CO'
meço da Revolução Russa:
Em 1922 [Link] um cisma na Igreja da U .R .S .S., pois
é.lguns eclesiásticos e fiéls resolveram criar ca Igreja viva., sub-
servIente ao governo soviético. Diziam que os objeUvos .da
'fé cristã e da revoluCio coineldiam. entre si ou deviam eQn.
fundir-se. Pouco depois, em 1923, o sucesso deste empreendi·
mento parecia completo, pois a maioria dos clérigos e dos leigOs
passora para a Igreja progressLsta; todavia tal êxito foi efê.
mero, pois, desmascarada a manobra polltlea do Estado, • sl'
tuaçáa voltaria a favorecer a Igreia autêntica.
Esta dolorosa aventura deixou na consciência religiosa
. russa um. trauma profundo, que teve 80 menos um efeito salu-
tar: doravante um cristão russo saberia que a colaboraçio da
fé cristã com a Ideologia é Impossível. Sabe que a ldealo:la.
quando se aproxima da fé. só pode gerar uma nova corrupção
da fé. :Esta imunização contra o progressismo ldeológleo é um
dos traços distinUvos da Igreja Russa contemporlnea.
Mas nem por isto B atlt\lde a. tomar diante do governo 10--
viétlco ê clara e deflnlda· para os cristãos nlSSOS. Com efeito; a
lealdade ao poder estabelecldo sempre foi uma atitude esponta.

-25-
26 ~PERGUNTE E RESPONDEREMOS. 253/1981

oeamente cristã. Mais ainda: a si~o, para os cristãos., se


agrava pelo fato de que o [Link] Soviético é intencJonalmente
ambJgu.o. Sim; o regime attrma., de wn lado, a sua marca. anti-
-rell&iosa, e, de outro lado, a sua «tolerãncia:t modelar. Esta
d1aléUca é bem [Link] de um d1scurso de ideologia: sabe
envolver suWmente os seus ouvintes. Po(" isto na U. R. S. S.
[Link] ponha em dúvida a tolerãncla do Governo c denuncie as
contradições deste, comete um deUto contra o Fstado.
Assim o cldadão soviét1co está envolvido na menUra.
Para viver em Ubenlade (relativa), o cidadão russo tem Que
dizer que não hã perseguição reUgiosa nem pode have(" (pois
ela seria contrâria. A Constituição) . [Link], pois, que
Soljenitsyn, logo qUe expulso da U.R . S . S., tenham lançado o
programa: «Não mais mentlno como sendo o melo, por excelên·
cia. para combater o &istema Ideológico.
Na realidade, o Estado quer anlqullar a Igreja; a destnllcão
da vida reUgiosa fica sendo o objetivo intencionado pelas auto·
ridades govemamentals. Ao mesmo tempo, porém. o regime
aftnna seguir wna legalidade superior e desenvolver tolerância
moderada. TaIs condições recordam a carta secreta de Lenin
IObre as questões religiosas, de 10/ 12/1922: ai diz o 8u!.c>r que
e destrull:áo da Igreja deve sempre aaaumlr as aparinclas de
legalidade e jamais ser empreendida por motivos confessada·
men1e ""[Link]. Em conseqüêncIa, verlfica·se que rnllha·
rei de fiéis estão deUdos em cárceres e campos de concentracão
por causa de sua fé. OficIalmen1e, porêm, nenhum deies c0-
meteu deUto reUgloso: trata·se tio somente de «parasttas:t, «ea-
lwúadores do regime:t, gente punida por «atividade nociva à
saúde dos cidadãos», ou por «recusa de participar nas ativi'
dades sociais •••. Os crlstios assim estio diante de uma perse-
guição que enio ~.. mas que taz mais vitimas do que
qualquer outra no passado. Denunclar tal situação é um abslJrck)
aos olhos do regime soviético, pois o Estado marxista detém o
monopólio da verdade (polltlca e moral) e o monopólio dos
:e
meios de lnfOl'lJlaÇio e educacão. o que torna o combate tão
duro para os crJstios.

5. lnaptidõe. para Q lul<l


A Indole dos cristãos russos [Link] especialmente di·
!leU a luta contra o reg1me atai rnllltante. A persistência do
regime soviético por mais de sessenta anos, a regressio cultu-
ral gerada pela pseuclo-dência domInante. o isolamento a que
ê relegada a Igreja. russa, rel"[Link] em suas atividades de re-

-26-
A JOREJA NA U.R .S.S.

flexão e docência. .. enfraquecem mnda maJs a resistência ao


regime vigente. Enunciaremos fontes de dificuldades resultan-
tes das condições • que .. acham submetidos os fiéis da
U.R .S .S . :
1) A piedade russa é fortemente man:ndn pela tendêa·
ela a fugir do mundo, que o monaqulsmo c o esplrlto m1st1co
comunicaram a05 cristãos orientais em geral. A fuga e a «leoa
eesUma do mundo foram acentuadas peJa decepção Que os cdJ...
tios russos sofreram: tendo confiado na promessa l'iO("eJlata
de transformar o mundo. o homem sovlétJco (e. com • • o
cristão soviético) corre o risco de desesperar, por completo.
das instituições deste mundo.
2) A pouca Instrução reUglosa do povo russo, que MO
pode ser devidamente catequizado, contribui para que muitos
cristios assumam aUtudcs um tanto supersUclosas, Que enfra-
quecem a fé. Com efeito; a crendice e a f'cU credulldade ten. ·:
dem a substituir a autêntica erenoa.; os fiéls se debcam impres-
sionar pelos relatos de cOpulas de igrejas que por si mesmas
recuperam a sua douração, ou . . . de teones que se restauram'
a sós. . . .
3) Durante toda a sua hlstórta, a Igreja russa foi p .....
pensa a submeter-se ao Estado. Os teólogos russos, allâ1J, ten-
taram justlflcar esse conluio, [Link] a teoria da cslntonla
dos 'poderes. (os ocidentals fizeram o mesmo através da teoria
das duas espadas). Graças a tal teoria, os cmres russos acaba.·
ram por fazer da Igreja russa um Departamento da odminls'
traçãO' do lm pério~ 1!: precisamente esta atitude da 19tcja dia--
posta a se deixar reger pelo Estado ~ue Ih. toma dlficll ~,
ao regime comunista.
Numa tentativa de reagir contra a subserviência vIgente.·
..,
'#j~

algumas comunidades rellgiosas russas não querem deIxar-.


registrar pelo Estado; vivem na clandestinidade Uogol a fim da
salvaguardar maior liberdade de atão. Tal é o caso principal-
mente das ÇQmunldades batiSta.s; alguns grupos ortodoxos ta,m.
bém seguem este alvitre, embora de maneira menos radical qta!
os batistas.
O Estado soviético faz questão de exigir do clero ortodoxo·
alguns compromissos que o tornam suspeito aos olhos dos fiéis;
os 'e r1stãos ortodoxos não raro perdem a confiança em seus
pastores por causa dlsso. O regime comunista, allâs, ~ hibU em
explorar a cdocllldadeJ> dos clérigos nlSSOS.
~) Um falso nacionalismo reUgloso também prejudica os
cristfios russos. Com efeito. ao lado de louvável tendência
-2'1-
28 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS~ 253/1981

ecumênica. registra·se na Igreja russa uma outra, que tende a


acusar o «Ocidente apodrecido» de ser o culpado de toda a tra.
gédIa comunista, pois o Oddente Inventou o marxlsmo e. por-
tanto, acabrunha a Rússia uma vez mais. Este nac1ona1Wno
tem expressões também nos escritos es1avóftlos que contribui·
ram e contribuem. para lmpedJr, da parte dos cr1sti08 russos,
um juizo sereno sobre a situação real do seu pais e da sua
Igreja.
Apesar de [Link] por tais dificuldades no combate ao
ate1smo, a Igreja russa vai sobrevivendo e mesmo vaJ acom·
panhando o ressurgimento reUgloso que ocorre no pais. Isto
concorre para pOr mall uma vez em evidência os dizeres de
São Paulo: cQuando sou fraco, então é que .9OU forte» (2Cor
12,10). A provoCáo da Igreja russa revela, pois, o grande mIs.
tério da graça de Deus 1.01 olhOs de quem a sabe considerar.

1>. . Conclusão
Não se pode deixar de dedicar admiração aos crlstãos
russos que suatentam horrenda perseguição, cruel e, ao mesmo
tempo, mascarada. A situaçlo de tais fJéis maltratados vem a
ser uma interpelação para todos os demais cristãos. Com ereito,
08 Irmãos da U .R.S .S . poderiam observar aos demais cr\s.
tios: «Enquanto a persegu1cão nos acabrunha, desfrutais da
plena liberdade de viver a vossa fé. Que fazeis dessa liber-
dade?»
Os cristãos Ocidentais poderiam [Link] a respeito da
sua 1nércia ou lndUerença frente à sorte dos lnnãos persegul.
dos na U.R .S.S. Perdem·et, por vezes, em problemas &.."'CWl.
dirios, que fazem esquecer grandes desafios d. realidade.
OS
Mediante a oração e um testemunho de fé vMda e ~rente
até o extremo, podem 05 cristãos ocidentais contribuir, na pre-
RrI.;a de Deus, para minorar o penoso sofrimento dos lnnAos
na. U.R .S.S. Outros recursos para mostrar soUdarledade a
tais Innãos aão ainda viáveis. A propóslt", sugerimos .. POSSO"
In_das escrevam para qualquer do. seguintes endereços:
Foyer Oriental ChreUen
Avenue de la Couronne, 20G
B - 1050 - BRUXELLES - BltLGICA
cRussla Crlst1ana~
Via Martlnego, 16
MlLANO - rrAUA
A. propllislto. veJ • ..,. o artlQo) de Françcll Rou&eau S. J.: La grande
tprewe da ('(gllM RUIU, In : EWdeI, mal UI79, tome 350/5, pp. 6as.e9a.

- · 28-
Uma _mlnaçla prol_te:

os (ongregadonalistas

Em cll,c... : o CongNlgadoneJllmo • uma donomlnaçlo pro __".


dissidente da cisma anglleano ,..lIzlldlo em 15304. .• ,

Julgando que I atitude de Henrique VIII. rei d. Inglatlrra, nlo .r. au-
,Iclanlamarne [Link], mas COnSelVl'll numerOlOI .[Link] do Papllmo, OI
purlllnos Ingl.... começaram I apregOlr um. tgreJa Indepandlnl. do P...
p8(l0, do eplscoJ)lldo, do presbUirlo, do 1.1 ..• : .... Igreja cONtaria da
paqulnoa grupos lut6nomOl, que elcolt..,I.m, ordenariam I d'podlln OI
NUS mlnlslrOI ou pulo'.. : tals "congregaç6q" [Link] vlnculadM entre
1i por 'aliOS da amlzada , d. apolo müw(I. m.. careceriam d, autorid_
clnlraUudOfL
A prlmelr. congregaçlo UlIm entandlda foi fundada na Inglaterra
em 15112 por Gnllnwood • aarrowe: [Link] ..... dois ch.... foram co,...
donedos li morta em vlnude do HU tlplrllO ,.parIUst.. Ma" IIraa, autrll
congre"açao foi constltulda .m Scrooby Unglslerr.) i obrIgada a ..., da
pai., 101 Pllra a Holanda a flnelmenle para OI Estldos Unidos i o nllVlo
"Mayflowet", [Link] 0& PU,I'" F.u.I1I. desembarcou em Pfymouth em
1020, HI "Nova In"lI..rrl" I OI çangre;aclonallltu .. aXpllndlrarn. goundo
d. Iolerlncll e It6 do favor do Eallldo.

Tod....ta fOram minados por .epllay6.. li! dl .....6ea em vIrtude da


motivos doulrln'rlol, IlOlando-ae principalmente o cisma doa UnllArk)s em
1833, que negavam a Divindade de Crlslo e a SS. Trindade .• • O llbtrallamo
doutrln'rlo nlo pode deixar de est8r ...oclado ao prlnclpto protell&nle cio
"lIvra euma da Blblle", mblme nII comunldadel COftgllgscloNIIItu, ótIde
o IlDerallamo • pro'....do com Ant. . . . peQaI.
Tem-se reglllrado entro OI congrqadonatllt.. cera. tend6ncta I S\1-
petar o forte Indtvldualil mo mediante I conlllwlçlo de unlo.. e [Link]ç6es
de comunidades locala. Todavia mesmo esaa tendtncla ancontra restattncla
por parte dOI membroe "maJa purltanot. Numetlcamente fatando, o Conure-
[Link] • pouco r.~t... ntatlvo no bloco proltttanta: I .[Link] de
I;l'Inla aproxlmadamante,

•••

Comentário: AlI1ndendo a soUcltaçio ele lellores, a nossa


revista tem procurado expor o quadro geraJ. do protestantlsmo
(cf. PR 190/1975, pp. 441-462), asslm como as caracterlstlcas
de algumas ele suas <lenominaçOes principais. J\.SSlm em PR
-29-
30 cPERCUNTE E RESPONDEREMOS~ 253/1981

2/1958 • 143/ 1971, foi abordado o Juteranlmlo; em


PR 187/1975, • problemât1ca angllcana; em PR 20 e 21/1959, o
calvinismo Ce o presblrerlanlsmo); em PR 178/1974, a orlgem e
a teologia dos batistasj em PR 182/ 1975. o adventlsmo; em
PR 67{1963, os mónnons j em PR 201/ 19TI, a Ciência Cristã;
em PR 157/l973, as Testemwlhas de Jeovâ. Neste número, con-
tinuaremos a série considerando o Congregaclonalismo, que teve
nos séculos XVI e xvn origem na Inglaterra e se expandiu nos
atadas Urúdas e em outros paises, inclusive no Brasi.

I. l\Jndo do cena , .. puritanismo

Em 1534 o reI Henrique VIII da Inglaterra arrogou a si a


autoridade suprema da Igreja na Inglaterra. Todavia resistiu a
toc1os os esforços de se introduzirem no seu reino as idéias lu-
teranas ou calvinistas, que se alastravam no c:ontinente europeu.
[Link] o reinado de seu sucessor, o menino Eduardo VI
(1547-1553), tanto o Luteranismo como o Calvinlsmo consegui-
[Link] penetrar na Inglaberra.
Sob a rainha Maria a CatóllCll C1553·1558), deu-se a res-
tauracão (ef~mera) do Catolicismo no reino. Em conseqUência,
multos clérigos e leigos que haviam aderido ao protestantismo
tuglram para a Holanda, a. Franca, a Alemanha e a Sulca.

A rainha El1zabeth I (1558·1608), durante o seu longo go.


vemo, restabeleceu o protestantismo no pais, de modo que fora-
gidos e exilados puderam voltar 8 este. Todavia Ellza~ em-
bora fosse refonnista enérgica, parecJa c:onservadora demais 80s
olhos dos que regressavam profundamente 1mbuidos de Idéias .
ea1vtnlstas e luteranas õ mantinha a hierarquia episcopal, assim
""mo antigos rltos e cerlm6n1as usuais DO CatoUcismo_
Os tugtttvos que haviam voltado, tuJgavam que as re!onnas
da rainha Ellzabeth não Iam suficientemente longe; até mesmo o
Segundo Uvro de Oração C8eooDd l'Ira1orbook) de Eduardo VI
lhes parecia cpuro Paplsmo_. Por Isto resolveram empenhar-se
para cpurltlcar. tanto as crenças como as [Link] da Igreja
anglIcana de ElIzBbeth. Dai o nome de cpurltanlsmo:t dado a tal
f""Cáo.
Muitos puritanos [Link]. na Igreja angllcana, onde procura-
ram, por meio de lenta e ~nstante inflUência. aboUr ca ~tes ·
- 30-
OS CONGREGACIONALlSTAS 31

tável influência do Papismo). Constitulram a Low Vhurch ou


Baixa Igreja dentro do Anglicanismo (ou EplscopaliRnol, ao
pas&o que 05 angJJC6Jl08 mais tradiclonaJs oonsUtuem a 111gb
CbIUcll ou Alta Igreja. Outros, porem, ainda mais ndlcala,
resolveram. abandonar a I&reja Anglicana e proclamar a inde.-
pendência em relação a qualquer das comunidades ec1eslaIs exla..
tentes: o povo de Deus deveria fonnar pequenos gnlpo$ espon.
taneamente vinculados entre si pela sua própria cAUança~ para
servir a Deus ; escolheriam os s.éUS funcionários e ordenariam. os
membros mais dignos para o ministério pela imposição das mAos
da comunidade ou congregação. Desapareceria o conceJto' de
Igreja universal para ceder ao de congregac;:ão local e bule.
pendente.

Os puritanos foram cultivando uma mentalidade cada vez


mais caracterizada. Faziam da Biblla o seu código de fé, de Mo..
ral, de vIda litúrgIca, de ativIdades sociais e poUtJcas. .. Pro-
fessavam a crença na predestinação em sentido calvln1sta I ,
O puritano [Link] predesUnado para a glória: sua
té-confianca dava·lhe garantia disto; ele via na sua tideUdade li.
Palavra e às cordenaçOes» de Deus o sinal da. sua escolha para
a vida eterna. Como os profetas, condenava a vaidade e a levI·
andade do mundo. Levava vida severa, observando com pontua-
Udade e exatidão todas as suas obrigações reUgiosas. morais, cf·
vlcas e profissionais; foi o cultivo religioso dos deveres de estado
que assegurou prosperidade econômica aos homens de negóclos e
aos profissionais puritanos (ingleses, holandeses e norte·ameri.
canos. princlpalmenté). .~
Sldrrey Dark põe em relevo a mentalidade sombria, trjs...
tonha e severa do puritanismo no seguinte trecho:
"A principal ocupaçJ.o do purttmo er. a de Impedi .. oa oul,. "'-
feu,,", equllo qUI 'I, m.. mo nlo ttnnl d...Jldo IlIer, Pere lle, c:om um
pu ..porte para O c6u no bolso, podia •• r conveniente • conato evitar
todo. OS prllHru mundanoa I p..." o NU tempo naquilo qUI, para OI
nIo flglneradoa, podll p"ecer unll rara [Link]çlo para I etema bem--
.aventurança. Mas et. nIo l i çontantlva cam [Link].... e Ii m..mo e
wn. non!...1 trllteza;
[Link] le ,,'orç8YII por brlpor a lua aom-
bril pr6t1cl I outro. que nlo [Link] I lua r6 lantA.,tce ".
MIClulty 'ICI'IWU: 'O puritano odiava a Clça-ao-urso, nlo porque Ite
fIlIAe .olrer o uno. mil porque dava prazer 10$ aspectadoN.'" c.n.
pasllng oi lJq plrlt.n, p. 1I1.

s Oe..)o.o de .pltar I tranacend6ncII e I loberanla de Deus, C....


vlno Inrmava que DilUI, 110 crllr, pledHlInl a. boml'" nlo [Link] para
a 916rll, mu tamb6m par. I condenlçto ltema,

-31-
32 <lPERGUNTE E RESPONDEREMOS. 253/1981

2. Orlgons do Congregaclonalismo
1. O primeiro a redigir por escrito as teses da indepen'
dência referentes à Igreja tal Robert Browne, clérigo anglleano
que nascera em 1550. Por Intluência de refugiados holandeses,
começru a se convencer de que o reino do céu na terra consta
tio somente das poucas pessoas que, devotadas à Palavra de
Deus. vivem santarnente. Essa gente sincen. e boa deveria jg.
norBr qualquer comunidade eclesial e fundar a sua pequena so-
ciedade Independente de qualquer sinodo e autoridade vislvel.
Nessa sociedade todoo gozariam dos mesmos direitos; con·
tudo alguns deveriam ser nomeados ministros da palavra e do
culto pela congregacão. As congregacÕes locais deveriam ser
absolutamente Independentes em relação a Qualquer autoridade
religiosa ou civil; seria oportuno, porém, que estivessem relaclO-
na.c:l.u entre si a. fim de se prestarem auxlllo mútuo.

• Em 1580 Robert Browne comer;ou a pregar tais idéIas, que


encontraram notável aceItação; os S'eUS disclpulos obrIgavam·se
por um pacto a guardar as leis de Deus sob a chefia de Cristo e
a recusar a companhia de pe5$O&S mãsj todos seriam iguais e
livres na interpretação da BlbUa sob a inspiração do Espirito
Santo: dentro desse clima de individuaUsmo. cada um devia con.
IIderar·se rei, sacerdote e proteta!

Todavia o governo de [Link] não tolerava dissidência


algwna: por conseguinte, Browne foi preso. Pouco depois liber-
tado, não se sentia à vontade na Inglaterra: por isto emigrou
para MJddelberg (Holanda), onde fundou uma conununidade se·
gwldo o seu modo de ver. Contudo Browne não conseguiu man-
ter a unidade dessa Congregação; que foi sendo minada por dls.
sensões Internas. Em 1584. dlriglu·se para a EscócIa, onde os
presbiteriano. (adeptos da autJJrldade dos presblterOll na Igreja)
o aprlalonaram. Ao ser liberto, voltou para a Inglaterra j renun·
dou 'I\s suas idéias e retomou em 1591 o seu cargo de clérigo na
Igreja AnglIcana: paslIOU os 42 restantes anos de sua vida como
reitor de uma paróquia angUcana. Morreu em 1633.

2 . As idéias reformadoras de Robert Browne haviam de


continuar a fermentar na Inglaterra entre os puritanos. Muitos
destes fieavam na Inglaterra angUcana por desaprovarem o eIs.
ma: outros nela permaneciam por tlmldez, temendo as penali.
dad.. Impostas por Ellzabetl1 para torçar a uniformidade reli·
&UJSa no pais. Os mais ra_Js declaravam que o Papado, o Epis.
-32 -
os CONCRE:GACIONAUSTAS 33

capado e o Presbiterado eram. apenas três formas de uma só e


grande apostasia; Insistiam em que a verdadeira Igreja consta de
grupos pequenos e autllnomos d.e gente santa. Em. 1592, '.Tohn
Greenwood e Henry Barrowe fundaram a primeira congregaClo
desse tipo em Londres, sendo Francis Johnson então eleito ml..
n1stro da mesma, Mas em 1593 Greenwood e Bart'owja foram
executados e Fr. Johnson banido do reino por todo o resto da
vida. Ficavam, porém, cerca de vinte mil separatistas em vários
pontos da Inglaterra, reunidos em pequenas congregações. Estes.
apesar de perseguidos, tendiam a se multipUcar.

3 , Sob o governo de Jaime I (1603·1625), que continuava


a polltlca religiosa de Elizabeth. [Link] uma congregução de
Independcntes em Scrooby (condado de Nottingham Shire) ; aI
Brewster era o . Mals·velho Governanlc:t e Robinson o cMlnls-
tro_. Em 1608 esse grupo toi torçado a deixar o pais, retirando-
·se para Amsterdam e, depois, para Lcydon na Holanda; vivia.
segwldo os prlncipios congregacionais. Após doze anos de pet'.
manêncla na Holanda, esses edlados sentiam o peso da luta eco-
nômica e a necessidade de emigrar novamente. Não podendo
voltar para a InglatetTa (onde seriam punidos COmO rebeldes
contra a Igreja do Estado) , volveram·se para os Estados Unidos
da América.
Brewster Q(:ompanholl \Im grupo de 102 emigrantes (PU-
grim Fllthers), que partiram da Holanda no Mayflower e che·
garam a PlymouLh na costa amerIcana aos 20 de dezembro da
1620. Imediatamente fundaram a sua colônia sob a dlreçio de
Brewster; sentiam·se lt vontade para praticar o seu Cristlanls.
mo sem a autoridade do Papa, do episcopado angllcano ou do
regime presbiteriano.
Visto que a persegulçio prosseguia na Inglaterra sob Car-
los I, chegaram à Nova Inglaterra (Estados UnIdos da Amê-
rica) mais 22.000 emigrantes entre 1620 e 1640; eram presbi'
terianos independentes e puritanos. A tolerAnc:ia religiosa na
colOnla levou a certa unllo dos grupos presbiterianos e congre-
gaclonaUstas, respect1vamente de Massachussetts e Plymouth.
O resultado dessa aproximação foi O estabelecimento sólido do
cl1amado «sistema congregaelonab ou csistema da Nova In.
glaterru; assim o tenno ccongregaclonab comecou a ser usado
oficialmente nos Estados Unidos, passando da1 para a Ingla-
terra, onde designou certos grupos Independentes: segundo esE
slstema, cada congregação devia mantet' a sua autonomia, re-
jeitando Papa, bispos, presbiteros e rei: o grupo escolheria en·
34 ePERGUNTE E RESPONDEREMOS:. 2.'>3 /1~

tre OS seus membros os respectivos ministros; as diversas con-


gregações poderiam assoclar·se am1stosamente com as suas co-
murúdade:s vizinhas.
.•..." .
A nova dgreJa Congregaclona1~ tomou-se a Igreja estatai
de Massachussetts e, poaterlormente, de parte da Nova Ingla-
terra, goiando do amparo legal e flnancelro do Estado. _ l!!
curioso que os Independentes, tendo rejeitado a Igreja estatal
da Inglaterra. tenham consUtuldo uma. Igreja estatal na Nova
Inglaterra. As conseqüências deste fato não fora m feHzes. Os
mInIstros eongregaclonaJs passaram a influir na polltica local,
asswnindo aUbJdes severas e lntoleranres; de perseguidos na
Inglaterra, tornaram-se perseguidores nos Estados Unidos.

WWard L. Sperry, congregac:lonalista e deão da Escola de


Teologia da UniversIdade d. Harvard. escreve:
"Cepol. d. hlv.r delendldo a. eu.. próprlN Ilberdadas Nlllglo.....
elh deixar"", de concadar ao. outroe a 10Ier6ncl. que ales [Link] haviam
procurado. sem a conseguir. na lnalalana. Havendo-ee conallluldo .m
IgI'I., .1•• for.m elosvlaltOli tomaram... çhel.. enlre el•• uma aenhora
famOla I algo pslcop6l1ca chamada Annt Hulehlnson, G aquela [Link]
d. menlalWade Ultta-lndependente. Rogar Wllllama. Esses exilados vieram
. . . r OI lundaltol" de RIlOCSe Island. O. baUslas em geral Beiraram Inlerdl~
"e .. lurldlcu, .. 1\10 expulslo. Nlo havia lugar para os ca1611cos roma·
no.. Em panlcular. oa quakers r.c:abaram o lIalamenlo mala cruel, . ..
quatro quaDra foram . nlorcado~ ftI comuna ele Bcston"' (...llgloft 1ft
Amellcll, PP. 3~i lu:to lranaçrllo do opQsc:ulo OI congrllgadonaJlata de
L Rumbla pp. 17a, na coleçto ''Voz.. Im 06f.,. da Fé" n9 15, "Ir~
poIle 1158 j •

o Congregaclonallsmo manteve-se predominante nos Es-


tados Unidos até meados do século XIX. A separa ção entre a
Igreja e o Estado em Massacllussetts deu-se em 1833. em con-
seqüência de wna clsio entre os congregaclonais; enquanto uns
continuavam • professar. fé na dMndacle de Cristo. na 55_
Trindade. outros puseram-se a negar estes dois artigOSj os con-
grepc10nallstas orto11oxos rewsaV8.m-se a pagar tributos para
sustentar con&regaçóes nu quals a Divindade de Cristo era
abertamente negada. Nos Estados Unidos passou a haver wna
cPrimeira Igreja Unltiria Cangregacionab e wna e5egw:lda
Igreja UnltAria Congregaclona1». Isto enfraqueceu notavelmen-
te o congregadonallmno, qUê todavia. ainda. teve força sutlcl-
ente nos Estados Unidos para. exercer lnOuêncla na promu1ga~
tão da clel oeca. (experl!ncIa de pralblçéo). expressão tlplca
da esplrllo puritano.

- -- 34-
os CONGREGACIONAUSTAS

No mesmo ano de 1833, ([Link] na Grã-Bretanha _


cUrúão Congregaclonallsta da Inglaterra e do Pals de Gales ••
Nos Estados Unidos deu-se em 1957 a união das cCongrega_
tionaJ Chrlstlan Churches:. e da .EvangeUcal and Refonned
ChW'Ch:. com o nome de .United Church of Cbrlst:..

~ 1891, fundou-se o cIntemat10nal CongregatJonal Coun-


eI!:., que iã realizou vários Congressos Munclials.
Assim, mesmo entre O~ congregaclonallstas, de lndole tA~
independente. registra-se a tendên~ia p3ra a unidade den1rO
do protestantismo; tal tendência, porém, luta sempre com o
obstâculo do individualismo que esla na raiz da menlalldadÍ!
protestante_ .

Na prãtica, nenhuma Igreja local é reconhecida como con-


gregacional se não é recebida na comunhão das Congregações
do seu distrito. Nem pode algum ministro congregac1onal exer-
cer as suas funcões sem .a aprovação da c:Assoclaçáo:. clerical
à qual os rrúrústros devem pertencer.
Examinemos agora sumariamente a

3. Teologia (oOngregodonalbtg
Distinguiremos três pontos: 1) organização da Igreja: 2>
ministérios ou servi!:Q na Igreja; 3) demais artigos da lé.

3.1 . Organlla~o .daslol


Como di~ a tese originAria dos puritanos outorgava total
independéncla 6. cada congregacio local. Todavia a falta de
coordenação e de autoridade entre as diversas comunidade.
congregaclonaUstas havia de expor.o Congregaclonallsmo a ar..
bitrariedades em matéria de fé é de oostumesj O racionalismo
e as deturpações careceriam de dique ou da reslstêncla que a
sóllda comunhão das Congregac(ies lhes Poderia. opor; prova
dlsto I! o rato deque algumas comW1ldades passaram para o
Unltarlsmo, negando a SS. TrIndade • a Divindade de Crts1x>.
Por Isto os congregaclonallstas, no decorrer dos sécUlos,
foram atenuando os seus principias de llberaJlsmo e 1ndJ.v!dua~
-35-
36 .PERGUNTE E RESPONDEREPtfQ!» 253/1981

Usmo, realizando uniões ou federaCôes de comunidades, COmO,


(01 a!ris dltD; essa vlncu1ação. lnterconwnltária toma.... I. pe.
Ilhar de certa unidade de atitudes entre os rongI'egacionallstas.
Todavia a tendência a ceDfederar cengreg8\;ÕeS encontra re·
a1stêncla nos membros mata puritanos ou tundamentallstaa da
Igreja congregaclonal. Multo s1gnlflcatlvo é o testemunho do
Sr. Ralph P. Ooleman Jr. em carta à revista 'Dmo de 4/10/1948;
esorevendo sobre o Oonclllo MundIa1 das Igrejas (organização
eristá não católica), que pouco antes se reunira [Link]'dam.
dizia:
"O J3rlnclpal obJellvo do Concilio pareca aer uma Igrele Prole. fante
UnldL Mas ecalO uma Igf8Ja Prolestanlo Unida nlo esta em aulêntlca an-
m... com e pedra a"gulal do ProleslanClamo, que permll. a Inlerprelaçao
Individuai da Sibila em luga, da Interpreteçlo proposta peta Igreja' Um.
'urala Protestante Unida nlO represen"," uma espécie de catolICismo pra-
t .. l&nla, algo qUI lIuteUar'a • aubordlner1, o Indll/'duo • ItraJa por Imor
.. u"l~ade orglnll:lI' Do ponlo da \/"Ia taolOglco, falt, de unldada RIo •
o vecdlldalro coraÇlo do Protestantismo 1"

Apesar desta e de semelhantes vozes, pode·se dizer Que o


[Link] reconhece cada vez mais a necessJdade de
superar, de eJgwn modo. o total Individnalismo de seus pri-
melros mentores.

3 ,2 . O mlnlstlrio

Os congregaclonalistas, como os demais protestantes, :re-


jeItam o sacerdócio mln1sterlal, conferido pelo sacramento da
Ordem; atribuem a todos os crentes as mesmas faculdades e
prIv11ê~os na Igreja.

Quando os congregaclonalistas, Impondo as mãos, ordenam


um mlnIstro ou pastor para o servICO da congregaçio. apenas
tencionam reconhecer que o candidato recebeu de Deus um
chamado Interior que o lnspirou a se oterecer voluntarlalnente
para o [Link]êrlo. Impondo ~ mlos, a Igreja. Iooal professa ·
que o canclldato foi c:[Link] por Deus e foi aceito ou escolhido
pelos membros da congrega.çloi a congregação nio confere ao
eandldato algum poder espiritual ou sacramental. _ AssIm
como a eomunldade local eJ(!Olhe os Bet11I ministros, ela tam-
bém os pode demitir. Esta situação deixa os ministros na totai
depenclêncla do bonepláclto da comunidade.

-36-
3 .3 .
os CONCRECACIONAUSTAS

Demais CNftSOJ
..
o movimenta de independêncla, em seus Infclos, professava
a teologia de Calvino, pois era remotamente inspirado pe10s
reformistas de Genebra; apenas diferia de Calvino no tocante
à fonna de se organizar e governar a Igreja.
Em 1658. sob OUvério Cromwell (que favorecla as ldélal de
independêncla). os eongregaclonaUstas reuniram-Se no PalAclo
Savola em Londres e pubUcaram uma cDeclaração ela Fé e,a
Orclem confessadas e praticadas nas Igrejns congregac1onaJs da
Inglaterra • • Essa Protl$sãQ reafinnava as doutrinas calv1n1stu
em geral, a da predestinação em particular, e insistia no pi1.n-
c1pio da absoluta liberdade para as congregacôes [Link].

Todavia a fé na doutrina calvinista, aos poucos, sofreu


desvios e contestações.
Com erell<>; em 1739 John Wesley Inlclou o seu movimento
pIetista, declarando a salvacio posslvel para todos os homens
de boa vontade. Rejeitou a teoria de Calvino referente à pre-
destinação. Ora os. congregaclonallstas, como os demais crentes
da Inglaterra, foram lnfIuenc1adcs pelos ensinamentos da
Wesley.
As idéias de Wesley foram levadas, em 174(), para a Nova
Inglaterra por George Whitetield. pregador metodista que tora
companheiro de Wesley : 11 deologla da Nova lnglaterra> mi-
tigou a severidade do C81vinismo, acentuando o amor de Deus
e o poder do homem para corresponder à gre.ça cliVinL
Entende-se que a doutrina 'teológica. tenha mulUpUcado os
seus matizes dentro do Congregaclonallsmo: este reconh«ee a
seus membros a faculdade de adotar os pontos de vista que
lhes aprazam, sem: que haja o exercIdo de uma autoridades ma·
glsterlal.
Em suma, o [Link] estA bem na 16g\ca do
prlnclpio protestante do livre exame da Bibl1a. Este prindplo,
inspirado por profundo [Link], havia de
dar aos poucos os seus tnatos: ruptura com o Papado, . . _ com
o episcopado.. . . com o pI'f:Sbitérlo, ... C?m o poder civil, fi.
cando, em Illtlma anillse. o eu. como .'rbltro das verdades da
fé e da prãtica relIgiosa - Pode-se dizer que tão acentuado U.
berallsmo é causa de fraqueza da denominação eongregaclona-
-37-
38 cPERCUNI'E E RESPONDEREMOS» 253/1981

lista, que no mundo protestante não é das mais numerosas: três


mlIhões de cren!i!s aproxlmadamente!

.......... '
BlHlMAVER-ruECHl.E, Kllt6rl1 di 1.,.1.. vol. 3, Slo Paulo 1065.

MOOY, SUI18ERTO, Probl..... ~ M Ig,.11 . . . IgfeJa.


810 Paulo 1963.

ROP8-t»!NIEL. U• •,. da ~! La R'Iotm. Calhollq.... Pa-


rIt 1855.

RUM8LE. L. Os Qong.-g~kta8. Coleçlo "Voza. am Calosa da


F'" rt9 15. Petr6poll. 1959.

Nota HIIttrIa di! IgNIa. Vo!. UI: Rtfonnl e COn-


""""om-.
TUECHEL-BOUMAN,
pnOpotll 1871.

-38-
Por que

não comer carne 7

Em I'.us. : Ao prAtlCI di Iblllntncr. d. cam• • do JIJum A pr6-0


-erillL Foi adotada l'lra 10r1J& desdi OI "UI ptlm6rdlo., n60 por motlvoe
cSuaJlIl.. ou maniqueus, nem por raplllo a anlmala 1'0' qua', ..llrlll
reencarnado um ..r humano. mu em vllta dOI benaflclOl flllco, . . .pjrJ.
tual. que a abl.Un6nct. proporciona. Com efello, I CIIfM . empra 101 COM'"
detida um allmanlo 10r111 I IlIclllnla: em CONI.qü6nct.. o nlo uso da caine
101 concebido como fator que pO$IlblUtI o .ulo-domlnlo di pallDa • •
e'l...açlo da menle a Deu•• HA qUlm JuIou. a abatLnlncla nociva' "Odl,
por prl ....r IA [Link] o organl. mo. Em , ..[Link], obtarva.. a que nIO
somente a cama c:onl6m plo" lna., mu lamll"" carto. allmentOl v.g,I.I,
(comQ o fet}ao. 11 soja •.. ) , allmenlos Indlretamanta anlmll, lC()mo O
~II. I dertvadOI. os CWOS). a'6m do pl llll . Por iaIQ mlsmo a at»untncla
perpétua. .ablamanta prallcada pol ctr1b Ordans nallgl<JNI,
da prejudicar I •• (.148.
,.IA longe

[Link] [Link] qUI o. '!tis crlsllo. compra.nd8$llft'l O .rgnlncado


do preceito di .• bsUn6ncla , do Jejum. RIdUlklo • doia dlU [Link] no
Brull (quana...lr, de cinza' IUI..'alr, M"lal . tal pracelto lembra aOl
"" a Q d ..... r da [Link].: . . .. • nrlnla • vtd. [Link] • I.m que se,
pr••[Link] [Link] no ÚC. xx. ainda que d. manal,.. dU,,.nl •• [Link].l..
que os anllgo, observavam.
Ouanto 10 u. o do pohl' como tIIl, •••cundArlo na [Link] San".
O qUI Importl, • a .blUntncta de [Link] I a aobrladlclt da vldl do
cr1ltlo, para. que pos" participaI da Palalo a cri RealurfIIl;1G da CtlalO•

• • •
. Comentário: . A abstinência de ume por modvos reUglo-
50S .! praticada tanto pelos fiéis catóUcos como por adeptos de
outras crenças. Hoje em dia multas pessoas perguntam. por
que lIe observa tal costwne. poi.s as concepções evolulram e já
não se percebem tio facilmente os porquês dessa prAtica ou
as prcnússas que inspiravam aos antigos a abstinência de carne.
Vamos, pois, no presente artigo estudar: 1) em que con~
.Iata • abstinência na IcreJa católlca; 2) .. razões de tal
[Link]:aj 3) uma objeção levantada. contra 8. mesma.

1 . Abstln'ncla : em que consista?


A Igreja, desde os seus primórdios. observa a abstinência
de carne e o jejum como sendo prátJoas salutares ou aptas 11
- 39-
40 .,PEnCUNl'E E RESPONDEREMOS. 253/ UlSl

santificação dos fiéis. Por Isto, o Códlgo de D:relto canônico


sancionou tais usos. No tocante à abstinência. o cãnon 1250
proJbc a carne c o caldo de carne em certos dias do ano. Tais
d1as atualmente no BrasU se reduzem a dois: a quarta-feira de
cinzas e a sexta-feira santa. As sextas-Ceiras do ano eram, até
pouctis anos atrás. dias de abstlnénclllj todavia o Papa Pio XII
houve por bem comutar a abstinênela por outras obras penI-
I:ênclais (a critério dos fiéis) nas sextas·felras do &nO.
O preceito da abstinência prolbe carne, gordura e wdo de
carne dos animais que tenham o sangue quente~ Não exclui,
porém, o eonswno de animais de sMlrUe frio: peixes, moluscos,
rãs ... ; nem exclui ovos, leite e seus derIvados.
O preceito da absUnêncla obriga todo fiel católico pela
vida inteira desde o uso da I'8Zão, ou seja, desde OS sete anos
de Idade completos (cf. cAn. 88 I 3). Tal obrigação deixa de
existir desde que graves razOes flslcas ou morais se lhe opo-
nham: doença, debWdade fLsJca, detenninados trabalhos.
ünporta agora considerar os porquês de tal prática re-
ligiosa.

2. O. polqUa• ...
Sabe-se Que nio somente o Cristianismo, mas também ou-
tras correntes religiosas, Impõem a abstinência de carne (e o
jejum( aos seus disdpulos; tals uooa vlgo,..".." em todos os
ten\pos até hoje. Diversos, porém, &lo os MOtiVOS que os lnspI.a.
raro. Perguntamo-nos: quais as l'82ÕCS Que induziram OI crls-
tãos a tal pritlca!
1) Em tennos negativos. diremos:
A) Nio se trata de aversão à carne ou 1 matéria, como
se esta tOS$O mA por ai mesma. Tal concepção era professada
por escolas [Link], que estabeleclarn anUtese entre matéria
(carne) e espfrlto. Algumas seitas heréticas, como o manI·
[Link] e o montanlsmo, tentavam Introduzir tal cxmcepeio no
Crlst1anIsmo; mas não JOIJ'8l'8In Impor-se. Na verdade, todas
as erlaturas ai.ô obra do mesmo Deus Infinitamente sâblo e
bom (cf. Gn 1,31). O ap6rtolo S. Paulo rejeita expUeltsmente
o dualismo: <Tudo o que Deus criou, ê hom, e nada ê desprez!.
vel, se tomado com ação de gracas> (ITm 4, 1-4) . O Conc1llo
regional de Tolosa n, em 447. condenou o dualismo, que con-
mdera a carne má e, por isto. não comesUveL
-40-
POR QUE NÃO COMER [Link] !

b) 'I'ambém não '" trata d. I'Ospelto aos animais decor-


rente da tearia da metempslcose. Esta ensina que o ser hwnano
se pode reencarnar em algum anlme.l: por isto os brâmanes e'
os budistas se abstêm de came, ciosos de não comer a carne de
algum famillar ou am1so.
N" -:::t
c) Os cristãos também não são movidos pelos preoeltOl
da lo! de Moisés, Que proibia certos alJmentos, inclusive alguns
tipos de carne (c1'. Lv Uj Dt 14)4 Na verdade, a Lei de MoiRs
já preencheu o seu papel de pedagogo (d. Gt 4, 1'3) j uma vez
chegado o Messias, cessou. a sua fWlçãO de guia. Foi o que São
Pedro percebeu no episódio sintomático de At 10, 10·16, em.
que o Senhor lhe disse: eNio chames impuro o que Deus c1e~
clnrou puro:. (10. 15).
2) Em tennos poslUvos, a Igreja prescreve a abstlnénd&
de carne por motivo de ascese ou penitêncla. Esta Dáda tem
de comwn com o masoquismo. O cristão mortifica. o seu corpo,
privando·o de ccrtos cuidados ou regalia:;. a fim de obter (com
a graça de Deus) o dominio sobre as paixôes e a liberdade in.
terior; em conseqüência, a mente se eleva mais facilmente ao
Senhor e a oraçAo se t(lmn mais pura e intensa. A abstinência
de carne concorre para tanto, visto que a carne é considerada.
um alimento forte e excitante, provocador dos instintos natu..
rais c cegos. Assim, por exemplo, escrevJa S. Berrum:lo
(t 1153): cHei de me abster de carne, pois esta, 80 alimentar
fortemente a carne, alimenta também os vicios da came:. (pa,..
trologla Latina, 00. MIgne, L 183. 1096s) . S. Jerônimo (f (21)
recomendava: cSe q,ueres ser perfeito, ê bom que não bebas
vinho nem comas carne» (Patrol. Latina, ed Mlgne, t. 22, 892).
Na Swna Teológica. de S. Tomás são expostas as mesmas ra·
zões ascéticas em fa.,.,r da abstlnênola (cf. n;n. qlL 147,
ar!. S).
Estas concepções explicam por que. desde os prlmOrdlOS do
Cristianismo até hoje, a abstinência de carne ê observada. Ex-
pllcam outrossim por q,ue não 'POucos ascetas e pensadores não
cristãos praticam tal exerclclo.

Verdade é que nos ültlmos decênios a Igreja tem abran-


dado os pI'l!COltos [Link] ao jejum e à abstinência. lsto ..
deve às condições de vida das populações aageladas pela guerra
ou pela fome em diversas partes. do mundo. O iejwn e a ab$.
tlnêncla sio meios, e não fins; embora muito úteis e C8.l'OS à
tradição cristã, a Igreja aceita rnlUgá·los, todavla ao mesmo
tempo pede aos .seus tUhos procurem. cada Qual dentro do

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42 "PERGUNTE E RESPONDEREMpS. 253/1981

quadro de vida próprio, outras ronnas de penitência, a fim de


vencer as paixões e conseguir 8. liberdade interior, em CORSe-
qUênc1a das quais • oraçAo e a união com Deus se tomam
mall lnbmsas e estAvels.
EIs, porém, que uma objeção se levanta:

3. E que dIum os higienistas ?


Desde os primeiros sécu10s da Igreja houve quem ImpoR'.
nasse a abstinência de carne como sendo nociva à saúde. Se-
gundo dizem, priva o organismo de protelnas e, de modo espe-
elal, das prote1nas anlmals. o que pode ter conseqüências da-
nlnhas para o organismo.
A propósito, deve·se observar o seguinte:
~ sem dú.vida, [Link] o consumo de prorelnas para
sustentar O organismo e reparoar a perda de energias ocorrente
no trabalho de cada dia. Os flsl61ogos discutem • quantidade
de prote1nas a ser lngerldas todos os dJas por um individuQ:
[Link], porém, que para wn adulto a cota diária deva ser de
1 grama por qu1lognrna. de peso do oorpo, ou seja, cerca de
70 gr .por dia. Para os Indlvl<luos em Idade de crescimento, essa
cota há de ser elevada a 1, 5 lI' por qullo de peso do corpo.
[Link] outrossim, como complemento, cerca de 500 gr
de glucidlos e 100 gr de lipldlos.
Ora verUica·se Que não é nociva" saúde a abstinência de
CIlI'Ile, mesmo se praticada de modo pennanente. como nos
caaos elas Qrdms RelIgiosas doo C8rtuxos, dos C8maldulenses,
dos Trapistas, das [Link], das Cannel1tas . ..
Com e!eito; existem proteJnas também nos alimentos VI!·
getais. como o reijão, 8 soja. _.
Todavia há quem replique que ao menos um terço das
proteInas Ingerldas diariamente deve ser de orIgem anlmal:
estas fornecem amlnoâcldos que nio se encontram nas proteinas
vegetais to que O organisnm humano nAo chega a slntetizar. -
Em resposta, [Link] que tais aminoácidos podem ser obtl.-
dos mediante o consumo de alimentos indiretamente [Link].
COll'M) o leite, o queijo, DI ovos . • . OU ainda meQ1ante O recurso
ao peixe. Donde se vê que a abstinência de carne sabiamente
pratlcada nlo prejudIea a sa('ade.
Anás, a experlênc:la de anUgos e modernos pensadOres con·
flrma tal conclusão: Pitágoras, por exemplo, mOITeU com cerca

-42-
POR QUE NA.O COMEU CARNE?

de cem anos de Idade no séc. VI .. c., após vida marciadamonte


sóbria; Séneca (t 65 d ,C. ) aIlnnava que, após ' UJil ano de
regime vegetariano, as auu apUdõea intelectuais se t1nham de-
senvolvido (cf. ep. 108) j o tü05oCo neoplatônico Porflrio
<t 301 à .C.) escreveu wn üvro cSobre a abst1nênc1a~1 no qual
sustenta que o regime vegetariano é o mais apto a ' aguçar o
gênio filosófico. [Link] testemunhos se enço,qtram em
Plutarco, Ovidia, :Epicuro. Na época do Renascimento, o nobre
Alvise (LuígI) Comaro, vitima de vida desregradà ,,' achaques
ClSlcos em Idade avancada, submeteU.!I! a regime ' v'o getarlano
rigoroso, que lhe pennitiu recuperar a saúde e ~rL-er :com
91 anos de Idade (1475-1566); • fim de divulgar o 'êlQto dQ seu
regune, pubUcou a obra DisoNal .uJJa vte. 8Obrla, que conhe-
ceu numerosas ed.içóes. Tambêm se deve registrar que na igre-
ja Católica muitos fiéis, quer nos conventos, quer no século,
se submeteram à abstinência de came (perpétua ou periódica)
e foram benetlc1ados por esta, levando vida equilibrada e santa
não raro no desempenho de atividade intelectual assaz Intensa.
Estas considerações pennltem concluir que a abstinência
de carne prescrita pela Igreja em detenninados dias do ano
(atualmente, em dois dias apenas) está longe de prejudicar A
saúde, Mesmo a abstinência perpétua praticada por algwnas
Ordens Rellglosas nada apresenta de nocivo; mas, ao contrário.
tem [Link] frutos copiosos tanto no plano fíalco como no
intelectual e no nústico (observe'se que é grande o número de
Religiosos e Religiosas que morrem em Idade provecta nos con-
ventos) . • '
Como se coD1Jlreende, desde que se evidencie a inconve-
niência ou a lmpossibiUdade de praUcar a abstinência de carne.
s Igreja não hesita em dispensar da mesma as pessoas neces-
.ltadas,
4 _ Rof1exão final
Até os nossos tempos a Igreja pl"éSUeVe .. abstinência de
eame, ainda que em dois dias do ano apenas. Estes dois dias
são o vestiglo Clnal da pnltlm , rigorosa e .prolongada que OI
cristãos antlgoli e medlevals observavam com fldeUdade.
A manutençio dos dois dias de abstinência de carne (quar-
-fel", de cinzas e Sexta·felra santa), dias DOS quais também t:
prescrito o jejwn, tem canlter simbólico. Deve lembrar aoa
tléls catOllcos o dever da mortltlcaÇio. Esta conserva seu pleno
, valor até os nossOs dias; sem mortlficeCio Ot.l ~nltêncla o ser
humano dlt1c11mente se Uberta das palx6esj ao contrárlo. corre
o risco de se ver escravizudo pelos 1nstJntos. que o [Link]
-43-
44. cPERGUNTE E RESPONDEREMOS. 253/1981

para as realidades sensivels ou sensuais e. geralmente, lhe di·


ficultam a elevação da -mente. l!: necessário, pois, Que mesmo
no século XX, oujo ritmo de vide é multo diferente do de éjlO'
cu anteriores, 06 cristãos pratiquem a penitência; se não lhes
~ possivel recorrer ao jejum e à abstinência como outrom. visto
que o trabalho acelerado e' mais intensos exige alimentação e
repouso adequados, esforcem-se- por praticar outras fonnas
. de mortlflcacão. Esta, como dito, ê Inerente à vida do cristão,
pois o crlstão é chamado a ver a Deus face-a_face - o que não
é possivel a quem esteja desfigurado por instintos ou paixões
desregrados. [Link] em vista as palavras do apóstolo S.
João:
"Carllslmos, desde I' 10lIl01 fllhOl de Deu., Ma. o que .....mos .Inda
nlo •• mlnlfnlou. Sabemoa qw., por ocllllo doIaa manlfeallçlo, ..remoa
Mn\eltulnte. e el., porque o · Y8N1D011 tal como .Ie é. Todo · o que n.1e
tem ..ta up'"nç.l, putlllce.... e 1i [Link] como também ele • puro"
(lJo 3,14l.
Os dizeres do apóstolo evidenciam a necessidade da purifI.
cacio. [Link] mesmo afIrmar: se alguém não se purifica dos
afetos desordenados na vida presente, deverá fazê..lo na vida
póstuma ou no purgatório; faz-se, m1ster, porém, lembrar que o
tempo oportWlo e no~ pare. se reaUzar tal tarefa é ' a vida
presente, e não a [Link]. AJiãs, a respeito do purgatório ve·
ja... PR 200/1976, pp. 359-365. .
Na concepção popular. a [Link]ção suscitada pela Se-
mana Santa foi associada ao COnsllD1O do peixe - o que dá
ensejo fl espec:ulaçães comercla1s. - [Link] que tal realidade
está deturpada. Não é o uso do peixe como tal que interessa ao
crist10 na Semana Santa.. mas.. sIm. a participação na Palxio e
l1!l Ressurrelção de Cristo mediante o exercldo da penlténc:la.
l!:sta. simbolizada pela absunfncla de [Link] e o jejum, não slg.
nifica. necessariamente OOflSWJlO de peixej pode haver autêntica
Semana Santa sem recurso ao peixe, desde que o cristão, em
fidelidade à nonna da Igreja, se abstenha de carne e ·prceure
mortlIlcar suas paixões numa conduta de vida sóbria e imlda
ao Senhor pela oração', :-. Quem pratica lato, obtém oS frutoO
da~a. .
Possam tais coneepções dlvulgar-se entre os nossos fiéis!
A prop6,lto :
'tIIINNO, G. DE. AsU.-va, em·: &ciclope" Celt6t1ca 11. Cktl dei
Vatlceno. .
ORTOlAN. T., Abstfnence, em: "DlcUonnalre de 1Wotogfe Celholtqur'
I, 1. Paris, 1i3C1.
livros em estante
A Ave""ari •• o lemlnlno e o El pl,1I0 Sanl::l, por Leo!lardo BoI!. - Ed.
Vozes, Petrópolis 1980, 137,210 mm, 100 pp.
Vem. lume mais um livro de Frei Leonardo BolI, desla vez sobre o
texto da Ave·Marla, o. celta modo faz eco l obrl "O rOSlo matemo de
Deus" do mesmo 8ulol; cl. PA 236/1979, pp. 311-319.

A obra em pauta vln • ser um comenliriO da 8au daçAo logéllca


assim concebido : primeIrame nte o aulor procura idenlilicu o senUdo de
cada frase ou pal,l"', da saudeç!o: a segoir. 181'11a " Lma penelraçAo a es\fu-
luras c!e senti do mais lunda$ q UI ultrapassam o texto: o próprio 18Xlo, neste
nlvel, sigoillel um momento. tlnlle ouI,os. de manifestação de um eenU<kI
antropol,;glco de fundo. Falia asta oparaçio, Irabalhar-se-i, pOr fim , sobra
o ~entido leol6gico-marlano de cada parte da Ave-M81Ia : nesta parle n&o
lemos a yer apenas com o 581 humano (Maria 1. ma!> com Deus mesmo que
se revela medla nle [Link]" ( P . 2"' .

À p. "' , FIei Leonardo Irala de "Maria associada ao Espltlto 5anlo",


ore<:urando ellplanar as re laç6es e nlre Malia e o Espllito como l!lSlnuad88
pelo lelllO de Lc 1.35: o teólOGO Iranclacano. nesle contelllo. plopOe a
tlipOlese I~ológlta de que Maria 8;;1111111 unida .l!.O &,,11110 Sa"lo em ulIl&o
quase hlpostlUca. Po r Is to também .. p. 86 relere que "1"110 som lazAo
alguns leOlog08 alilmam uma relaçlo InUma e onlológlca óo Espirito com
a Igre ja, conslhulda 6m um. unlca mysllca [Link], uma pessoa mlstlca
corr, o Esplrito. bla InCOlpOlaç! o da Igl8 ja !li Pessoa do Esplrito Santo se
onlende como dEirlvaçlto • prolongamento daquela que se realizou entre
Ma!!a e o Esplrlto" (I'. 88) . Eslas pruposlções sio discutidas, pois carecem
da sólido [Link] leológlco.

Em suma, o livro contém balas plglnas, que se prestam' medltaçlo


e li unllo com Deus. Observariamos ainda que a linguagem é por vezes
metálorlca ou imprecisa, dll\eultando a l ad la compreensêo do texto de Frei
Leonardo; assim, por ellemplo, quando se lê que "Maria 010 é somente o
lemplo de Ceus, mas também o Deus do templo·' (P. 84' ou ainda : "O
Es plrlto Santo' a ml. dl"lna do homem Jesus" (P. 84) .

M.... Album de Pr","ka Comul'lhio, pelo Pe. Raul Palya e e~ulpe.


EeI. Loyola, 510 Pauto t9lO, 205x270 mm. 151 pp.

Nlo rtltO pais e educadores Indagam. respeito de bons ma!'l uals de


cateq ..., se; pl'OÇuram IIY1Qt qve trans mitam ., grandes verdades da lé
numa autêntica palSpecli"a de lé. Podamoa com praze r IItcomandar a obra
do Pe. Raul Palya S. J. a de aua equipe, Integrada pelas professoras [Link]
Maria Testanl, [Link] Manl" s, Maria do Calmo Kalll Ohl, Maria Lulza de
Oliveira. Reeo"e aOI processos modernOl do desenho e da crlaMdada e
ellp6e da maneira sólida as pll'IClpals proposições da dout rina cllstl. 'Ia-
lendo-se do 18Xlo blbllco como bala das explanaçOOS ,esp8cUvas. Alé
mesmo o dltlcll tema do paçado originai acha-$e exposto com clttroz" o
fidelidade (pp. 25-30 ). EI, por que nos congratulamos com o PIt. Pal"a e
5ua equipe pela obra assim doada ao público após longolt anos de upe-
'Iênela catoq u6lica.
Triltlllho e TIOlogll, pcr diversos aUlores. ColeçAo "ToI)I09\8 em
01810go" S. - Ed . Plulinas, Sio paulo 1979, 160)1;:230 mm, 9S PP.
Trata-se de uma colel! nea de ar tigos que focaliIam () trabalh() alra-
vês dO$ prismaa da sCK:lolollla, da mOlolia, da teOlogia e da pastoral. .. •
Clrgo de uma equipe consUtulde por Benl dos Safltos, Paul Slnger, Alvaro
Dias Telhado, Wlldemar Valle ManlN, Roberlo Mucarenhas Roxo, Romano
ReIek. Cardeal [Link], Frei ealto, Marcia A. Couto, A tônica dos arligos em
paula 6 a valodlaç1o do trabalho I do Irabalhador; sente-se também ai
a preocupaçio com a quest'o social lallno-amerlcan.a; o 8rllgo de Mona.
Roberlo Roxo (PP . 51-681 parece especialmente densa e flUI, marcado por
00" da equMlbrlo, q ue nem sempra SI ancontra nos demais artigos. '"
entrevlsl. dade por Frei B8nO Cpp. ao·84) apregoa a absorçla da o,açlo
pelo trabalho, em contra,plne ao lema "Or. e trabalha" das Ordens mo-
nasllcas; Pf8conlz:s lambilm 11 adoça0 dos s inais 1i1i.1rgicos do clndomblé
par. substituir OI di Lllurllla !CalOUca, que, confor mo o entrevistado, 6
multo abslr"l e Inspirada por gMtos da !Corte da monarquia eUlop'la
(p. 811.

Em slnllse, o livro 6 Interessante a utll ao astudioso, mas, por certo,


nAo apresante teul detinilivas I, sim, matéria a ser ulle riolmente plosade
a elaborada, como se lê .na Apresentação do livro tp. 51, da lavra do Pe .
8enl dos Santos,
e .8 .

AOS NOSSOS AMIGOS E ASSINANTES PEDIMOS ENCA-


RECIDAMENTE

1) QUEIRAM RENOVAR SEM OEMORA A SUA ASSINA-


TURA DE PRo CONTAMOS COM CADA CONTRIBUIÇÂQ DE
NOSSOS LEITORES;

2) QUEIRAM DIFUNDIR PR E OBTENHAM NOVOS ASSI-


NANTES PARA A REVISTA, QUE PRECISA DE SE EXPANDIR
PARA MELHOR REALIZAR O SEU OBJETIVO.

3} QUEM ESTEJA COM OS PAGAMENTOS ATRASA-


DOS. QUEIRA DIRIGIR-SE A LIVRARIA MISSIONARIA, RUA
M~XICO. 111-B, 20031 RIO (RJ), EXPONDO A SUA SITUAÇAO.

GRATOS PELA GENEROSA COLABORAÇÃO DE TODOS,

DIREÇÃO E REDAÇÃO DE PR

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