Trabalho Final Do Curso
Trabalho Final Do Curso
Tema
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unio-de-facto-anlise-e-reflexes-unuvarsidade-metodista-de-angola?qid=b724125c-3686-4b38-
b3cb-1cd9aeaeed40&v=&b=&from_search=1
Nelson A. Respeito
1
Vilankulos, Agosto 2019
1. Introdução
No II capítulo, far-se-á uma união de facto sua noção, formas de constituição, união
facto no ordenamento jurídico moçambicano, seu regime jurídico, efeitos e a união de
facto na Cidade de Inhambane.
Nelson A. Respeito
2
E o IV capítulo, poderá que encontrar a índole da união de facto noutros ordenamentos
jurídicos.
Nelson A. Respeito
3
Âmbito do trabalho
1.1 Objectivos
1.1.1. Objectivo Geral
Analisar a insegurança das uniões de facto na estabilidade e durabilidade.
1.2 Metodologia
No que diz respeito ao método material adoptado para a elaboração deste trabalho, a
autora do mesmo, optou pela consulta e respectiva análise de várias referências
bibliográficas, consubstânciando-se na leitura de manuais, consulta da legislação, de
artigos que versam sobre a matéria em estudo, da consulta de alguns sites na internet,
terminado com o trabalho de campo que consistiu com a realização de varias entrevistas
dos membros da sociedade, entrevista esta, que teve como objectivo colher das pessoas
as suas visões, opiniões, bem como a realidade que se vive no quotidiano.
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4
1.3 Problematização
Sendo Família em sentido jurídico pessoas que estejam integradas ou que encontram-se
se ligadas pelo casamento, pelo parentesco, pela afinidade e ainda pela adopção. Já que
no presente trabalho pretendemos analisar a matéria das relações familiares, tanto nas
pessoas como no património, mas particularmente a união de facto.
É uma relação entre um homem e uma mulher de outro modo, não pode pretender ser
semelhante ao casamento e obter algum estatuto deste.
Nos últimos anos até os dias que correm, verifica-se claramente um aumento
considerável de pessoas que se unem por via da União de Facto.
Sendo uma relação de facto a que o direito vem, depois dar, ou não algum relevo
jurídico.
Questiona-se o seguinte:
1.4. Hipóteses
A união de facto pode ser segura caso o legislador reforce os efeitos pessoais.
A razão da escolha do tema dá-se pelo facto de ser actual, jurídico e relevante, pois visa
dar um contributo significativo na procura de melhores soluções da comunhão de vida
dos que se encontram na união de facto em termos de colaboração íntima em todos os
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5
aspectos da existência humana, visto que há muitas separações, pelo facto de a
legislação não regular de uma forma cabal a união de facto.
Capitulo I
Origem e evolução da Família
Em direito, vários são os conceitos que se podem dar a família, os mesmos podem ser
do ponto de vista doutrinal, assim como jurídico.
A família em sentido amplo, constitui a formação por todas aquelas pessoas ligadas por
vínculo sanguíneo, ou seja aquelas provindas de um tronco ancestral comum, o que
inclui dentro da orbita da família todos os parentes consanguíneos.
Já em sentido restrito, a família engloba pai, mãe e filhos. É a família nuclear que
normalmente é constituída pela família conjugal. É a sociedade paterno-filial.2
Segundo Abudo (2005:14) o conceito de família pode ser encarado sob o ponto de vista
sociológico ou sob o ponto de vista jurídico.
Sociologicamente, será o conjunto de pessoas que ligam as pontas tanto por casamento
como por consanguinidade, também o chamado parentesco ou por mera afinidade.
Da conjugação dos artigos 1 da Lei da Família e 119 da CRM, estatui-se que a Família é
a célula base da sociedade, factor de sociabilização da pessoa humana.
1
Vide buscalegis. Ccj.com.br
2
SANTOS, Eduardo dos, Direito da Família, Almedina-Coimbra, 1999, pág 13.
3
HTTP:// OCTALBERTO. No.Sapo.Pt/Noção Jurídica de Família
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6
Os registos históricos, monumentos literários, fragmentos jurídicos, comprovam
acertadamente o facto de que a família ocidental viveu largo período sob a forma
“ patriarcal”, conforme afirma a documentação bíblica. Em Roma, a família era
estabelecida sobre o princípio da autoridade e compreendia aos que a ela estavam
submetidos. O “ pater” era, ao mesmo tempo, chefe político, sacerdote e juiz. Ele
liderava, oficiava o culto dos Deuses domésticos e espalhava justiça. Por outro lado,
exercia sobre os filhos direito de vida e de morte, podia impor-lhes pena corporal
vendê-los, ou tirar-lhes a vida4.
De acordo com Varela (1996), a família é o núcleo social primário mais importante que
integra a estrutura do Estado. Por outro lado, como sociedade natural corresponde a uma
profunda e transcendente exigência do ser humano, a família antecede nas suas origens
o próprio Estado. Antes de se organizarem de forma política por via do Estado, os povos
mais antigos viveram sempre socialmente em famílias.
Já a lei define a família como sendo a célula base da sociedade, factor de sociabilização
da pessoa humana5.
4
Vide WWW-AMBITO-Juridco.com.br
5
nº1 do artigo 1 da Lei nº 10/2004 de 25 de Agosto
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7
Não existe na história dos povos antigos e na antiguidade oriental como na antiguidade
clássica, o surgimento de uma sociedade organizada que se deslumbre na base ou nos
seus fundamentos na família ou organização familiar.
Foi a antiga Roma que sistematizou normas severas que fizeram da família uma
sociedade patriarcal. A família Romana era organizada preponderamente, no poder e na
posição do pai, chefe da comunidade. O pátrio poder tinha carácter unitário exercido
pelo pai, este era uma pessoa “Sui Juris” ou seja, chefiava todo resto da família que
vivia sobre seu comando, os demais membros eram “Alini Juris”
Com a morte do “Pater Familias” não era a matriarca que assumia a família como
também as filhas não assumiam o pátrio poder que era vedado a mulher. O poder era
transferido do primogénito ou a outros homens pertencentes ao grupo familiar.
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8
O direito canónico fomentou as causas que ensejavam impedimentos para o casamento,
incluindo as causas baseadas nas incapacidades dos nubentes. Por outro lado foi nesta
ordem jurídica que elaborou-se as teorias de nulidades, e de como ocorria a separação
de corpos e do património perante o ordenamento jurídico.
Como escreve Varela (1996), a evolução histórica da sociedade familiar, desde a família
patriarcal `a família nuclear de sociedade industrial contemporânea, foi um processo
lento, e o mesmo era caracterizado por tipos de organizações completamente
diferenciados que foram distinguidos pelo sociólogo, num duplo aspecto, primeiro
quanto a composição do núcleo familiar, depois quanto a estrutura de sociedade
conjugal, que é a célula- mãe do tecido familiar.
Perante o supra exposto, não se pode negar, entretanto a influência dos conceitos
básicos elaborados, tanto pelo Direito Romano, assim como pelo Canónico que até a
data de hoje são notórios no ordenamento jurídico Moçambicano.
Para o Professor Abudo (2005), a família era constituída nos termos expostos partindo
do seu conceito, assim sendo a família pode ser alargada, nuclear ou monoparental.
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9
Proença citado por Abudo, afirmam que neste tipo de família, em cada casamento
resultava uma nova família constituída não só pelos progenitores, também por parentes
mais próximos, emergindo assim verdadeiras comunidades sociológicas.
Por sua vez Torres apud Abudo (2005), entendem tratar-se de uma família de linhagem,
e era composta por pessoas que através das gerações descendem dum tronco comum,
com predomínio dos vínculos de carácter natural (casamento, parentesco e afinidade)
Por sua vez a família nuclear vai ser a constituída pela família conjugal, isto é por pai,
mãe e filhos.
Já a Família Monoparental, era constituída por um dos seus genitores e filhos, ou seja,
por mãe e filho, ou pai e filho, decorrente de produção independente, separação dos
cônjuges, por morte, abandono, podendo ser biologicamente constituída por adopção.
6
Vide WWW, Ambito-juridico.com.br-tipos de famílias -31/10/2012
7
Vide art 6 da Lei 10/2004 de 25 de Agosto (Lei da Família Moçambicana)
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Conforme o artigo 7 da Lei da Família, o Casamento é a união voluntaria e singular
entre um homem e uma mulher, com o propósito de constituir família, mediante
comunhão plena de vida.
A Afinidade, é o vínculo que liga cada um dos cônjuges aos parentes do outro (art.13).
Capitulo II
2. União de Facto
2.1. Noção
Para Abudo (2005:253) União de Facto constitui toda ligação singular entre duas
pessoas de sexo diferente com carácter estável e duradouro que sendo legalmente aptas
para contrair casamento, não o tenham celebrado presumindo-se desse modo, a
comunhão plena de vida pelo período de tempo superior a um ano consecutivo,
comunhão que deve ser de cama, mesa e habitação.
O professor Abudo (2005) afirma que a vida em comum dos membros da união de facto
cria uma certa aparência de casamento, em que muitas pessoas possam confiar, sendo
assim, diferente das simples relações sexuais passageiras e do próprio concubinato por
mais duradouro que seja, dado este simplesmente pressupor comunhão do tecto, e não
de mesa nem de habitação.
Sendo assim verifica-se a necessidade de uma protecção de família, ou melhor famílias
constituídas ou as que venham se constituir a margem do casamento cuja noção restrita
e técnica integra os cônjuges, os filhos e os outros parentes, afins, adoptantes e
adoptados.
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Neste âmbito, Abudo (2005), afirma que a união de facto não é qualificada como
relação familiar, embora reconhecendo que o nosso ordenamento jurídico admite noções
menos técnicas de família. Por outro lado Abudo citado por Coelho apud Oliveira, a
união de facto não pode ser vista como relação de família para maiores casos de efeitos,
entendendo deste modo que a não união de facto se encontra numa área em que
excepcionalmente pode ter a respectiva qualificação de relação de família.
A união de facto é a situação de pessoas que se encontram ligadas por uma relação
estável e duradoura semelhante a dos cônjuges, não tendo havido embora entre elas o
casamento.8
No que diz respeito a definição legal, União de Facto é a ligação singular existente entre
um homem e uma mulher, com carácter duradouro, que sendo legalmente aptos para
contrair casamento não o tenham celebrado9.
Nem todas as uniões de facto têm o mesmo alcance social, nem as mesmas motivações.
Na hora de descrever suas características positivas, além do seu traço comum negativo,
que consiste em postergar, ignorar ou rejeitar a união matrimonial, sobressaem outros
elementos. Primeiramente o carácter puramente fáctico da relação. Convém salientar
que supõem uma coabitação acompanhada de relação sexual (o que as distinguem de
outros tipos de convivência) e de uma relativa tendência à estabilidade, (o que as
distinguem das uniões de coabitação esporádicas ou ocasionais). As uniões de facto não
comportam direitos e deveres matrimoniais, nem pretendem uma estabilidade baseada
no vínculo matrimonial. Têm como característica a firme reivindicação de não ter
assumido vínculo algum. A instabilidade constante, decorrente da possibilidade de
interrupção da convivência em comum é, de conseqüência, característica comum das
8
PRATA, Ana, Dicionário Juídico, 3ª Edição, Revista e Actualizada, Livraria Almedina, Coimbra, 1994, pag.
972
9
Vide artigo 202, número 1 da Lei da Família
Nelson A. Respeito
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uniões de facto. Há também um certo compromisso, mais ou menos explícito de
fidelidade recíproca, se é possível assim chamá-la, enquanto durar a relação.
É de lamentar que a Lei traga apenas como forma de constituir a União de Facto, apenas
um e único molde, neste caso a comunhão plena de vida pelo período de tempo superior
a um ano sem interrupção, vide nr 2 do artigo 202, e para que a mesma se configure é
necessário que:
A relação seja singular entre um homem e uma mulher, isto é um homem deve
estar apenas para uma mulher.
A relação deve ter carácter estável e duradouro, quer dizer que a relação tem de
ser diferente da do simples namoro, deve-se mostrar a relacao como defintiva.
A relação deve ser entre pessoas aptas para contrair matrimónio, isto é pessoas
que não se encontrem na situação de impedimentos previstos na lei, tais sejam,
idade inferior a 18 anos para ambos companheiros, que não sejam dementes.
Algumas uniões de facto são clara consequência de uma escolha decidida. A união de
facto à experiência é frequente entre aqueles que têm o projeto de casar-se no futuro,
porém condicionam à experiência de uma união sem vínculo matrimonial. É uma
espécie de etapa condicionada para o matrimónio, semelhante ao matrimónio à
experiência que, à diferença deste, pretendem um certo reconhecimento social.
Outras vezes, as pessoas que convivem justificam esta escolha por razões económicas
ou para esquivar as dificuldades legais. Muitas vezes, os verdadeiros motivos são mais
profundos. Esquiva-se o compromisso de estabilidade, das responsabilidades, e dos
direitos e deveres que o verdadeiro amor conjugal comporta.
Não é raro que as pessoas que convivem em união de facto afirmem rejeitar
explicitamente o matrimónio por motivos ideológicos. Trata-se então da escolha de uma
alternativa, de um modo determinado de viver a própria sexualidade. O matrimónio é
visto por estas pessoas como algo inadmissível para elas, como algo que se opõe à
própria ideologia, uma forma inaceitável de violentar o bem-estar pessoal ou inclusive o
túmulo do amor selvagem, expressões estas que demonstram o desconhecimento da
verdadeira natureza do amor humano, da doação, nobreza e beleza na constância e
fidelidade das relações humanas.
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Nem sempre as uniões de facto são o resultado de uma clara escolha positiva; às vezes
as pessoas que convivem nestas uniões afirmam tolerar ou suportar esta situação. Em
certos países, o maior número de uniões de facto se deve a uma desafeição ao
matrimónio, não por razões ideológicas, mas por falta de uma formação adequada da
responsabilidade, que é produto da situação de pobreza e marginalização do ambiente
em que se encontram. A falta de confiança no matrimónio não obstante pode também
ser devida a condicionamentos familiares, especialmente no Terceiro Mundo. Factores
relevantes a se considerar são as situações de injustiça e as estruturas de pecado. O
predomínio cultural de atitudes machistas ou racistas concorre para agravar muito estas
situações de dificuldade.
Nestes casos, não é raro encontrar uniões de facto em que há inclusive desde o início,
uma vontade de convivência, em princípio autêntica, nas quais os conviventes se
consideram unidos como se fossem marido e mulher, esforçando-se por cumprir
obrigações similares às do matrimónio. A pobreza, em geral consequência de
desequilíbrios na ordem económica mundial, e as deficiências educativas estruturais
representam para elas graves obstáculos na formação de uma verdadeira família.
São práticas que contrastam com a dignidade humana, difíceis de desarraigar (arancar) e
que configuram uma situação moral negativa, com uma problemática social
característica e bem definida. Este tipo de união não deve ser equiparada com as uniões
de facto das quais nos ocupamos, (que se configuram à margem de uma antropologia
cultural de tipo tradicional).
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2.3 A União de facto no Ordenamento Jurídico Moçambicano
A união de facto é a ligação singular existente entre um homem e uma mulher, com
carácter estável e duradouro, que sendo legalmente aptos para contrair casamento não o
tenham celebrado.
Dentro dessa relação, nascem verdadeiros deveres conjugais, assumidos entre ambos e
perante terceiros, a saber: a Fidelidade, a Lealdade, a Coabitação, o Respeito, a
Cooperação e a Assistência Mútua.
A união de facto nos termos da Lei não constitui uma modalidade de casamento, assume
relevância jurídica para efeitos de filiação, adopção, divisão de bens e alimentos em
caso de dissolução da união, da morte do companheiro ou companheira.
12
COELHO, Francisco Manuel Pereira, Curso de Direito da Familia, Vol I, 3ª Edição, Pág 83.
13
PRATA, Ana, Dicionário Jurídico, 3a Edição, Revista e Actualizada, Livraria Almedina
14
Vide nº 1 do Artigo 202 da Lei da Família, (Lei nº 10/2004 de 25 de Agosto)
Nelson A. Respeito
16
Regime da Comunhão de Adquiridos;15
Segundo Prata (1999), considera-se como Regime de Bens o estatuto das relações
patrimoniais dos cônjuges entre si e nas relações com terceiros.18
Do ponto de vista da natureza jurídica, há quem entenda que tão só uma situação ou um
estado de facto, isto é, uma relação de carácter moral e social. Porém, nos achamos que
o legislador não pode ficar indiferente em relação `as uniões de facto, uma vez que, não
se trata apenas de uma situação de facto. A problemática da união de facto vai muito
longe, pois possui uma sustentação que vai para além de uma simples situação de facto.
Deste modo, há que reconhecer que a união de facto é uma verdadeira relação jurídica
donde derivam obrigações de direito muito válidas e necessárias para regular a vida
harmoniosa da sociedade. 20 Com a ausência do reconhecimento deste direito, a
15
Vide, artigo 137 a 156 da Lei da Família
16
Vide, artigo 147 e seguintes da Lei da Família
17
Vide, artigo 154 da lei da Família
18
PRATA, Ana, Dicionário Juridico (1999) op. cit, pag 831
1919
Vide nº2 do Artigo 203 da Lei da Familia
20
ANDRADE, Manuel de, Teoria Geral da Relação jurídica, Vol. II, Coimbra, Livraria Almeida, 1987,
pag 25.
Nelson A. Respeito
17
sociedade continuará a enfrentar inúmeros problemas no seu quotidiano sem poder dar a
resposta certa no âmbito do direito que assiste as pessoas que vivem nestas condições.
Neste contexto, consideramos que devem ser reconhecidos os direitos das partes na
constância da união de facto e mesmo quando já não for possível a sua subsistência,
havendo necessidade de conjugar-se os princípios gerais de direito para proteger as
partes em conflito. Desta forma poderá resultar necessariamente os efeitos próprios de
uma relação duradoura que teria como objectivo a constituição de família.
Durante a vigência da união de facto, são adquiridos diversos bens pelos unidos de facto
os quais são administrados por um deles ou por ambos. Na nossa sociedade, mais
concretamente na zona sul do País, é norma que seja o marido a administrar os bens do
património comum e mesmo do unido de facto, diferentemente daquilo que acontece na
zona norte, pois esse papel é desempenhado pela mulher.
Mesmo a Lei da Família estipular que para efeitos patrimoniais aplica-se o regime da
comunhão de adquiridos, nas relações de união de facto, conforme o disposto no nr 2 do
artigo 203 da Lei da Família verifica-se na nossa Sociedade que muitas vezes esse
regime não é aplicável, uma vez que, a maior parte das pessoas que vivem em união de
facto não conhecem os seus direitos e muito menos o regime que os tutela.21
Em caso de morte, dependendo de cultura para cultura, os bens comuns que os unidos
de facto adquiriram durante a constância dessa união, na maioria das vezes ficam com a
família do “de-cujus”, a viúva ou viúvo. Os descendentes acabam ficando sem nenhum
património, apesar de terem contribuído para esse património.
21
Nos termos do nº 1 do artigo 203 da Lei de Família
Nelson A. Respeito
18
Nestes casos, cabe ao unido de facto provar que existiu uma união de facto entre ambos,
vigorando deste modo o princípio “ onus probandi”, para que o mesmo tenha direito a
uma parte dos bens por ter contribuído para a aquisição dos mesmos.
Deste modo, podemos afirmar que os efeitos da união de facto assemelham-se aos
efeitos do vínculo conjugal isto é, ao casamento civil relevando que o vínculo jurídico
estabelecido na união de facto tem como uma das consequências de ordem patrimonial a
aplicação imperativa do regime legal de bens adquiridos, conforme o estipulado no nº 1
do artigo 203 da Lei da Família. Isto é, o regime legal de bens de comunhão de
adquiridos.
Neste contexto, a união de facto resultante das relações de afecto decorrem por via da
Lei, claras consequências patrimoniais, pelo que com a dissolução da relação por morte
ou em vida, deverão ser partilhados os bens existentes.
No que concerne aos efeitos pessoais, importa referir que os unidos de facto, que vivem
em condições semelhantes, estarão vinculados por diversos deveres como sejam:
22
MENDES João de Castro, Direito de Família, Lisboa, 1990/1999, apud ABUDO, José Ibraimo, pag
257.
Nelson A. Respeito
19
Dever de assistência, nos termos do artigo 97 conjugado com a alínea b) do artigo
413 ambos da Lei de Família, os unidos de facto são obrigados a contribuir para os
encargos familiares, sobretudo para alimentos que incluem não só o sustento como
podem compreender a habitação, vestuário, saúde e lazer, instrução e educação do
alimentado.
Dever de coabitação - a união de facto pressupõe aos unidos de facto estarem
obrigados a comungar do mesmo leito, mesa e habitação. Nos termos da Lei da
Família, a união de facto pressupõe a comunhão de vida pelo período de tempo
superior a um ano sem interrupção, cf.nº 2 do artigo 202 da Lei da Família.
Dever de Fidelidade - nas relações de união de facto, existe o dever de fidelidade
que impõe aos unidos de facto a obrigatoriedade de “manterem uma relação
exclusiva com o seu parceiro sexual”23 . A violação deste dever por um dos unidos
de facto, não passa de uma violação do dever de respeito devido a qualquer dos
membros, pelo que não se acha tipificada qualquer sanção, mas somente a uma
censura moral. Diferentemente se passam as coisas no matrimónio.
Assim, com base nos dados estatísticos acima elencados para os casos de união de facto,
nota-se que na maioria dos casos de união de facto, os homens é que fogem da
responsabilidade e da ideia de contrair matrimónio uns alegando falta de dinheiro,
outros relação prematura para contrair matrimónio, ou então gravidez nos casos em que
23
ABUDO, José Ibraimo, pág 257
Nelson A. Respeito
20
a companheira encontra-se em estado de gestação, preferindo assim em muitos casos,
somente a realização da tradicional cerimónia Lobolo, que é uma das formas de
casamento, conforme o disposto no artigo 16 da Lei da Família que quando não
cumpridos os requisitos que a Lei exige para o reconhecimento eficaz igual `a do
casamento civil, não lhes são conferidos nenhuns direitos jurídicos, tanto para o homem,
como para a mulher, visto que a única forma que garante e protege os direitos e deveres
consagrados na Lei, é até os dias de hoje sem dúvida o casamento.
Capitulo III
Se não vejamos, uma relação de união de facto resultante de uma gravidez indesejada,
numa situação em que o homem não queira ter a sua companheira como sua esposa,
contudo surge a gravidez, ai eles passam a viver juntos por conta do nascituro.
Esta relação não será estável e não terá garantia nenhuma pois com o nascimento do
filho a relação pode romper.
Uma outra situação são os casos em que dois parceiros (homem e mulher), se unem e
passam a morar juntos por interesses económicos, porque um deles encontra-se num
nível de vida económico estável e outro não. Unem-se e passam a morar juntos, no
entanto ocorre que o parceiro ou a parceira na esperança de aproveitar, tirar "dinheiro"
do seu parceiro, não dá certo, isto é, um dos parceiros esperava ter uma vida de luxo,
presentes, etc, e quando assim não acontece, a relação fica instável, sem garantias e
pode romper.
Temos também os casos em que dois parceiros se conhecem e passam a morar juntos
em pouco tempo, contudo durante a relação ambos vão descobrindo os defeitos, vícios,
costumes do outro que não lhe agrada, começando a criar certas brigas que deixando a
relação instável e insegura podendo romper.
Nelson A. Respeito
21
Há também casos em que um dos unidos vem para relação já com filhos que teve numa
relação anterior, durante a relação podem os filhos constituírem motivos de conflitos
sociais e criar certa instabilidade na relação.
Por último, o caso que mais foi focado em pessoas inqueridas, é o caso das relações de
união facto que se rompem em pouco tempo devido a violência doméstica, quando isso
acontece a mulher abandona ou é expulsa de casa sem que tenha onde viver e muito
menos algum bem.
Posto isto, ficou mais do que claro que o legislador é obrigado a incluir na Lei da
família, concretamente nos impedimentos da celebração de matrimónio, a união de facto
como um impedimento absoluto, e a necessidade de alargar o âmbito dos efeitos
pessoais da união de facto concrectamente a presunção da paternidade e maternidade,
para efeitos pessoais do casamento como a fidelidade, solidariedade ou seja os artigos
93 e seguintes da Lei da Família.
Por outro lado fica bem patente na lei que em caso de morte o companheiro sobrevivo
não sabe dos seus reais direitos, isto no que tange a herança ou legado.
Importa salientar que foram inqueridos cerca de Vinte (20) pessoas, de ambos os sexos.
Desconhecimento por parte dos unidos de facto dos efeitos jurídicos que os
rege;
Dos inqueridos importa dizer que cerca da metade deles afirmam que os unidos de facto
não conhecem ao fundo a lei que os rege, concretamente a lei da família, muitos casais
unidos de facto unem-se ma desconhecendo o regime, os efeitos que os rege.
Nelson A. Respeito
22
companheiro, para que o mesmo consiga obter a uma parte dos bens por ter contribuído
para aquisição do mesmo.
O não reconhecimento da união de facto traz consigo grandes dissabores, posto que
com a ausência do reconhecimento persistindo deste jeito a não valorização dos efeitos
pessoais e patrimoniais a eles inerentes.
Notamos ainda a situação de os unidos de facto muitas das vezes acabarem aceitando e
ficando nessa situação alegando a falta de valores monetários suficiente para contrair
matrimónio e outros ainda por alegarem encontrarem-se numa relação prematura ou
ainda por quererem esquivar-se dos efeitos jurídicos que o matrimónio os concede
permanecendo apenas na simples união de facto.
Nelson A. Respeito
23
3.4. Meios Coercivos ou de Protecção Contra a Insegurança da União de Facto
Capítulo IV
Neste capítulo será abordado o modo do tratamento das relações de união de facto em
outros Países, tais sejam, Portugal, Brasil, e Angola. A escolha destes países teve como
base, para Portugal os antecedentes históricos com Moçambique uma vez Portugal ter
sido colónia colonizadora que ate os dias que hoje corre influência no seu papel
preponderante nas normas que são produzidas no nosso ordenamento jurídico.
Brasil e Angola selecionamos tendo em conta o facto de serem um dos Países de língua
oficial portuguesa, membro dos chamados PALOP (Países de Língua Oficial
Portuguesa).
Nelson A. Respeito
24
No que respeita aos direitos dos companheiros na união de facto, importa referir que
estes são tratados pela lei 8/971/94, que concede aos companheiros, termo usado nessa
legislação, direitos como, alimentos e participação na herança.
Devido a várias lacunas registadas na lei retro mencionada veio a sofrer alterações,
nasceu dessa forma a Lei nº 9.278/96, onde no seu artigo 1 reconhecia a união de facto e
não havia nela requisitos pessoais dos companheiros e tempo mínimo de convivência,
que constava da Lei anterior.
O artigo 2º trata dos direitos e deveres iguais dos conviventes que são o respeito e
consideração mútua, assistência moral e material recíproca, guarda, sustento e educação
dos filhos comuns.
Já o 5 artigo da Lei 9.278/96, cuida da relação dos bens adquiridos durante o tempo de
convivência, móveis ou imóveis, adquiridos por um ou ambos a título oneroso,
considerando-se como fruto do trabalho e da colaboração comum, passando a pertencer
a ambos, em condomínio ou partes iguais, salvo estipulação contrária.
Se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança e não
havendo parentes sucessíveis, terá direito a totalidade da herança.
De acordo com o parágrafo único do artigo 7 da lei retro citada adquire ainda o direito
de habitação sobre o imóvel destinado a residência da família, enquanto não constituir
nova união.
Nelson A. Respeito
25
acordo com o artigo 112º do código civil Angolano, a união de facto consiste no
estabelecimento voluntário de vida em comum entre um homem e uma mulher.
Por razões de diversas ordens, existem casos em que um homem e uma mulher
voluntariamente, e sem necessariamente passarem pelo acto do casamento estabelecem
uma vida em comum, são inúmeros.
Muitas são as vezes em que esta relação é estabelecida com total inobservância aos
pressupostos legais claramente dito aos requisitos legais, consequentemente a relação
não produz os efeitos jurídicos que a união de facto tende. Em outras palavras tal “união
de facto” acarreta a ineficácia jurídica pois na sua formação faltou alguns dos seus
elementos essenciais estabelecidos por lei, consequentemente os direitos que a lei
confere as partes (homem ou mulher) nestas circunstâncias não serão totais, visto que a
relação não estava dentro dos trâmites estabelecidos por lei.
No que concerne a legislação Angolana, a eficácia deste acto ou negócio jurídico (União
de Facto) carece dos pressupostos legais estabelecidos no artigo 113º do código civil
Angolano. Surge então a importância para os casais em regime de união de facto
obedecerem a forma legal deste acto, de maneira a verem as suas relações e os direitos
daí advindos devidamente reconhecidos, evitando assim a ineficácia da relação em
sentido restrito perante a nossa legislação.
O artigo 113º 2) do código civil Angolano, caso a união de facto não possa ser
reconhecida por falta dos pressupostos legais, ela será atendida para além dos casos
previstos nesta lei, designadamente para o efeito de partilha de bens comuns e para
atribuição do direito a residência comum. O que significa que embora a união de facto
encontra-se estabelecida fora dos trâmites da lei será valida para tais efeitos, mas os
efeitos jurídicos pretendidos não se produzirão na sua totalidade.
O artigo 113 do código angolano pressupõe o seguinte: A união de facto só poderá ser
reconhecida após o decurso de três anos de coabitação consecutiva e quando se
verifiquem os pressupostos legais para celebração do casamento, designadamente
quanto a singularidade e capacidade matrimonial. E Caso a união de facto não possa ser
reconhecida por falta dos pressupostos legais, ela será atendida para além dos casos
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previstos nesta lei, designadamente para o efeito de partilha de bens comuns e para
atribuição do direito a residência comum.
Já o artigo 114 versa sobre a legitimidade, e o seu reconhecimento pode ser pedido:
Pelos interessados de mútuo acordo; e Por um dos interessados, em caso de morte do
outro, ou de ruptura.
Quanto a acção de reconhecimento esta caduca no prazo de dois anos depois de finda a
união, e para o reconhecimento da união de facto, o tribunal devera ouvir o Conselho de
família.
A decisão judicial que reconheça a união de facto produz, consoante o caso, os mesmos
efeitos da dissolução do casamento por morte ou divórcio e esta sujeita a registo.
A união de facto é, em Direito Português uma relação familiar para efeitos legais de
direito. A mesma não é regulada de modo semelhante ao casamento, embora produza
alguns efeitos de direito. Também não é considerado como um outro vínculo jurídico
familiar24.
24
CAMPOS, Diogo Leite de (1997) op.cit., pag 21
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Portanto, estas relações produzem alguns efeitos jurídicos, nos termos seguintes:
Em Portugal, essas relações de união de facto são reguladas pela Lei 7/2001 de 11
de Maio (Lei da União de Facto), que prevê o seguinte25:
25
Vide www.wikwipedi.org-uniao de facto-29 de Outubro de 2012
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28
O artigo 3, define os efeitos que as relações de união de facto produzem e os direitos
para as pessoas que vivem em união, a saber:
Do exposto acima, podemos afirmar que, as relações de união de facto em Portugal são
tratadas de modo bastante diverso do nosso ordenamento jurídico, de tal maneira que se
verifique naquele ordenamento jurídico uma maior protecção dessas relações.
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se de uma protecção mais abrangente e eficaz, uma vez que considera em plenitude os
direitos do unido sobrevivo.
Deste modo, pode-se dizer que esta não é a situação actual do nosso ordenamento
jurídico.
Das ilustrações feitas daquilo que é a realidade brasileira, portuguesa e Angolana, retro
elencadas que ilustram aspectos relevantes que constituem inquietações retro abordadas
daquilo que corresponde ao nosso ordenamento jurídico Moçambicano, o nosso
legislador inspirando-se nesses e demais exemplos podia legislar novas normas por
forma a garantir o preceituado na CRM, quanto a consagração da igualdade dos direitos
entre homem e mulher evitando a descriminação entre ambos.
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Conclusão
Ficou claro que a Lei,26 estatui que a união singular, estável, livre, e notória entre um
homem e uma mulher é apenas reconhecida para efeitos patrimoniais, diante desta
situação, fica bem patente que a mesma abre espaço para um certo desrespeito para com
as mulheres em particular e para com a sociedade em geral.
Da pesquisa realizada, ficou bem clara que a união de facto não é casamento, mas
assume alguma das suas características. Trata-se de uma relação entre um homem e uma
mulher, de outro modo, não pode pretender ser semelhante ao casamento e obter um do
estatuto deste.
No que diz respeito ao término da União de Facto, verificou-se que a mesma dura o
tempo que os unidos o desejarem, terminando igualmente quando os mesmos assim o
entenderem.
26
Artigo 2, nr 2 da Lei da Família.
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A União de Facto cessa sem que haja a intervenção dos órgãos do Registo Civil, pois
trata-se duma relação não registada. Podendo solicitar as autoridades, quando se trata de
registo de menores, bem como da partilha de bens.
No que diz respeito aos efeitos, a união de facto releva para efeitos de presunção de
maternidade e paternidade, nos termos do disposto na alínea c) do nº2 do artigo 227 e
para efeitos patrimoniais, `a união de facto aplica-se o regime da comunhão de
adquiridos, conforme o disposto no nº2 do artigo 202 da Lei da Família.
A união de facto não garante estabilidade ou durabilidade, sendo que a única forma de
constituição da Família que garante Segurança e Estabilidade a mulher é sem dúvida o
Casamento.
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Recomendações
Recomenda-se ao legislador para que tanto a União de Facto assim como o Casamento
Civil, tenham os mesmos efeitos jurídicos, bem como uma justiça equitativa.
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Bibliografia
Legislação
Internet
www.octalberto.sapo.pt
www.ambito.juridico
www.jusnavegandi,com.br
www.vatican.va/roman.curia
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