BRYOZOA
BRYOZOA
Briozoários
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300 Paleontologia
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Capítulo 17 – Briozoários 301
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302 Paleontologia
com os parâmetros ambientais a que são submetidos. tamanho dos poros. Em espécimens fragmentados, o
Os zoários crescem comumente em substratos rígidos arranjo dos zooides constitui um caráter importante
como rochas e conchas, mas podem aderirem-se a juntamente com a forma do zoário (Smith, 1995).
substratos flexíveis, tais como plantas aquáticas. Do O arranjo sistemático e as características
ponto de vista geral, as morfologias coloniais podem diagnósticas aqui adotados seguem as propostas de
ser agrupadas com base em dois aspectos, o arranjo Clarkson (1986), McKinney (1991), Ryland (1982) e
relativo entre os zooides (unisserial versus multisserial), Brusca & Brusca (2007).
e sua principal direção de crescimento (horizontal- Filo Bryozoa (Ordoviciano–Recente)
incrustante e vertical-ereto). A combinação destes dois Classe Phylactolaemata (?Cretáceo–Recente)
caracteres resulta em cinco padrões de crescimento
Classe Stenolaemata (Ordoviciano–Recente)
básico: ereto unisserial (ou bisserial), ereto
Ordem Cyclostomata (Ordoviciano–Recente)
multisserial, incrustante unisserial (ou bisserial),
incrustante multisserial e, incrustante multisserial Ordem Cystoporata (Ordoviciano–Permiano)
maciço (McKinney & Jackson, 1989). As formas mais Ordem Cryptostomata (Ordoviciano–Permiano)
comuns de crescimento são cinturões incrustantes del- Ordem Trepostomata (Ordoviciano–Permiano)
gados ou maciços espalhados, nódulos multilamelares, Classe Gymnolaemata (Ordoviciano–Recente)
arborescentes retos ou ramificados, redes ou malhas e Ordem Ctenostomata (Ordoviciano–Recente)
pináculo. Além disso, os zoários também podem cons-
Ordem Cheilostomata (Jurássico–Recente)
tituir frondes, assemelhando-se a algas marinhas, has-
tes ramificadas ou bifoliadas (Bassler, 1953; Brusca &
Brusca, 2007;Taylor & Gordon, 2002).
A secreção de esqueletos calcários favorece seu A. Classe Phylactolaemata
registro fóssil desde os tempos ordovicianos, que acu- (?Cretáceo–Recente)
mularam-se na quase totalidade dos sedimentos mari-
nhos depositados desde o Eopaleozoico. Dos elemen- Briozoários quitinosos ou gelatinosos, exclusi-
tos viventes desde o Paleozoico, apenas uma das cinco vos de água doce. Zooides interconectados por exten-
ordens ultrapassou o limite Permiano–Triássico, a sões metacélicas. Zoécios cilíndricos, grandes e
Cyclostomata, vivente até os dias atuais. O mais im- monomórficos, com 100 ou mais tentáculos e lofóforo
portante grupo de briozoários marinhos, os grande em forma de ferradura. Estatoblastos (denomi-
queilostomados, também representa o ponto máximo nação dada às estruturas larvais geradas assexuadamente
de sua história filogenética, e têm sido utilizados em dos briozoários de água doce) produzidos por
interpretações geológicas com eficácia, por guardarem brotulação, que se fixam ao substrato. Constituída por
informações valiosas sobre a evolução e ocupação dos 12 gêneros.
nichos ecológicos marinhos ao longo do tempo, já que
podem ser importantes elementos na estruturação das
comunidades bentônicas, inclusive estenobiônticas
(Smith, 1995; Taylor & Gordon, 2002). Algumas espé- B. Classe Stenolaemata
cies paleozoicas e cenozoicas constituem bons fósseis- (Ordoviciano–Recente)
guia, por marcarem intervalos temporais específicos e
Briozoários exclusivamente marinhos, tubulares
cujos data de surgimento e/ou extinção também coinci-
ou cônicos, constituídos por zoécios cilíndricos alon-
direm com eventos geológicos ou biológicos globais.
gados, com paredes vertical e basal rigidamente
calcificadas, geralmente sem opérculo, muito abundan-
tes no registro fóssil. A extrusão dos tentáculos nas for-
Classificação mas atuais, realiza-se por ação dos músculos que pres-
sionam o fluido celomático na parte proximal, indu-
As espécies de briozoários são diferenciadas zindo o deslocamento dos tentáculos da parte distal.
basicamente pelas características esqueletais dos Compreende cerca de 550 gêneros, arranjados em 20
zoários, tais como espessura, formas de crescimento famílias, e atualmente possui representantes de ape-
básico, estruturas superficiais como espinhos e forma/ nas uma única ordem, Cyclostomata.
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Figura 17.3 Ordem Cryptostomata e Cystoporata. (A) Fenestella. (B) Fistulipora. (C) Polypora. (D) Rhombopora;
Ordem Trepostomata. (E) Monticulipora. (F) Stenopora. Fonte: www.lakeneosho.org e www.yale.Edu.
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Capítulo 17 – Briozoários 305
Maior e mais diverso grupo de briozoários, pri- Colônias muito variáveis em forma podendo ser
mordialmente marinhos, com alguns táxons rastejantes, incrustantes ou nodulares, ramificações
mixohalinos e raros dulciaquícolas, com adaptações a regulares ou esparsas, rolos reticulados, leques
todos os tipos de substrato e nível de energia do meio. pedunculados ou discos livres. Zoécios polimórficos,
Forma da colônia extremamente variada, mole ou geralmente em forma de caixa, com paredes flexíveis
calcificada, incrustante a ereta arborescente, com di- ou rígidas, e abertura no lado frontal, fechada por um
mensões variando entre decimétricas a centimétricas. opérculo articulado por uma charneira. Embriões in-
Zooides geralmente polimórficos, variavelmente mo- cubados em ovicelas.
dificados a partir da forma cilíndrica básica, e unidos Representam um notável grupo dentro do filo,
por poros através dos quais cordões de tecidos passam por apresentarem grande diversificação tanto zoarial
e se ligam com cada funículo (cordão tubular de teci- quanto zoecial. Esta ampla variabilidade ocorre pelo
do que se estende da extremidade interna do trato di- menos em parte devido ao caráter calcificado e
gestivo curvo até a parede do corpo). Zoécios cilíndri- operculado dos zooides, que retém identidades alta-
cos ou em forma de caixa, com paredes inteiramente mente destacadas na colônia, embora sejam integra-
orgânicas ou rigidamente calcificadas. O crescimento dos por um sistema funicular (filamentos de cone-
zoarial ocorre por adição de novos zooides que se arran- xão) interzooidal, e pelo menos às vezes, integrados
jam em séries longitudinais, que constituem novos ra- sob o ponto de vista comportamental através de um
mos. A classe é dividida em duas ordens, que incluem sistema de nervos interzooidais.
cerca de 800 gêneros. O domínio dos gimnolaemados Os esqueletos calcários dos queilostomados fa-
sobre as outras duas classes começou no Cretáceo Su- cilmente são preservados, alterando-se muito pouco no
perior, e assim permanece até os dias de hoje. processo de fossilização. Como resultado, tem-se uma
grande abundância de indivíduos desta ordem, no re-
gistro fossilífero entre o Cretáceo Superior e o
Pleistoceno. Em rochas do Jurássico Superior e
Ordem Ctenostomata Cretáceo Inferior, são pouco comuns e menos diversos
(Ordoviciano–Recente) (Boardman & Cheetham, 1987).
A evolução dos queilostomados se manifesta
Colônias com morfologia zoarial variada, e esque-
principalmente nos aspectos de recobrimento ou qual-
leto córneo, quitinoso ou gelatinoso, não calcificado.
quer outra modificação da membrana frontal do
Zoécios eretos, parcialmente clavados, adnatos (contí-
zooide.
guos) ou ocorrendo em cadeias isoladas. Sem opérculo,
ovicelas e aviculárias, sendo com frequência animais
perfuradores. Compreende formas marinhas, Na Formação Pirabas (Mioceno Inferior) fo-
mixohalinas e dulciaquícolas. Seu registro fóssil limita- ram registrados os gêneros Biselenaria, Bugula,
se a impressões e escavações rasas, que correspondem Catenicella, Cupuladria, Flustra, Lunulites,
aos estolões-estruturas cilíndricas que se fixam ao Margaretta, Metrahabdotos, Nellia e Steginoporella por
substrato, e de onde partem os zoécios agrupados em Barbosa (1957, 1959a,b, 1967a, 1971), Maury
pequenos ramos, cuja preservação é favorecida por se- (1925), Távora & Fernandes (1994) e White (1887).
rem parcialmente calcificados. Os ctenostomados estão O gênero Conopeum foi assinalado por Barbosa
arranjados em 14 famílias e 40 gêneros, e não se tem (1961) na Formação Jandaíra (Cretáceo da Bacia
registro de sua ocorrência no Brasil até o momento, pro- Potiguar) e por Barbosa (1967b) no Pleistoceno do
vavelmente pela dificuldade de seu reconhecimento em Rio Grande do Sul (figura 17.4A-H).
virtude da sua história preservacional.
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Figura 17.4 Ordem Cheilostomata. (A) Margaretta. (B) Metrahabdotos. (C) Nellia. (D) Steginoporella. (E) Pasythea.
(F) Steginoporella. (G) Vincularia. (H) Vittaticella. Ordem Cyclostomata. (I) Crisia. (J) Crisia com gonozoécio. (K) Tubulipora.
Fonte: www.nmita.com.
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carboníferos e permianos, baseados na pequena am- bém encontra-se rica briozoofauna. O grupo é elemento
plitude vertical de algumas espécies de trepostomados, construtor de recifes ou bioermas do Mesozoico e
criptostomados e cistoporados, que constituem bons Cenozoico, onde apresentam clara zonação ecológica.
fósseis-guia, como, por exemplo, Stictopora labyrinthica Conforme aumenta a profundidade, observa-se decrés-
do Neo-ordoviciano, e Fenestella mimica, típica do Neo- cimo na diversidade específica e representatividade
carbonífero (Tasch, 1973; Théobald & Gama, 1969). Al- numérica dos briozoários (Clarkson, 1986).
guns briozoários do Cretáceo e Terciário, ciclostomados Muitos gimnolaemados possuem ampla distri-
e queilostomados, parecem ter tido maior variabilida- buição geográfica, tendendo a ser mais eurigeográficos
de no tempo, de maneira que conhecer suas distribui- do que outros grupos de invertebrados bentônicos.
ções com mais detalhes aumenta sobremaneira a sua Algumas espécies marinhas de águas quentes, ocor-
utilidade estratigráfica (Clarkson, 1986). A espécie rem de leste a oeste do globo, limitadas por faixas
Cupuladria canariensis, por exemplo, tem auxiliado nos latitudinais. Este padrão é denominado de distribui-
problemas de determinação do limite Oligoceno– ção circuntropical, e provavelmente estabeleceuse
Mioceno, pois jamais foi encontrada abaixo do Mioceno durante o Terciário. Para a utilização deste critério em
(Lagaaij, 1963). Considerando que no transcorrer do interpretações paleoambientais é necessário que os taxa
Cenozoico, a representatividade numérica e a diversi- tenham as suas áreas de dispersão bem conhecidas
dade específica dos queilostomados foi crescente, ao (Boardman & Cheetham, 1987).
contrário dos ciclostomados que não alcançaram igual Entre as colônias de gimnolaemados incrustantes
florescimento, a proporção entre estes dois grupos tem pode haver competição por espaço, quando as mesmas
sido utilizada por alguns autores, para caracterizar épo- são restritas a determinados substratos. Em colônias
cas geológicas do Terciário (Théobald & Gama, 1969). de uma mesma espécie, tal competição é evitada atra-
O grande potencial dos briozoários para estu- vés de uma parada no crescimento em seus pontos de
dos bioestratigráficos poderá ser explorado, à medida contato, ou então por meio de fusão das mesmas. Nes-
que se tenha conhecimentos detalhados sobre os am- te último caso, elas crescem como se fossem uma só
bientes onde ocorrem as diferentes espécies, bem como entidade. No entanto, quando as espécies são diferen-
suas distribuições temporais. tes, é comum uma colônia crescer sobre a outra, e este
Os briozoários fósseis ocorrem nas rochas mecanismo é denominado de rede competitiva, no
sedimentares sob a forma de fragmentos de colônias. qual nenhuma espécie é capaz de excluir todas as ou-
São mais abundantes em calcários, folhelhos tras (Boardman & Cheetham, 1987).
carbonáticos e margas, sendo raros em dolomitos, A interpretação da ecologia dos briozoários fós-
folhelhos escuros e rochas clásticas. seis é dominantemente obtida a partir de estudos das
As formas de briozoários do Paleozoico estão espécies modernas. Para inferências paleoambientais/
normalmente associadas com organismos bentônicos paleoecológicas os aspectos mais comumente obser-
sésseis, tais como algas, corais solitários, braquiópodes vados e descritos são: presença ou ausência (composi-
articulados e equinodermas. Enquanto isso, os ção taxonômica), forma e tamanho do zoário e zoécios,
espécimens encontrados em estratos pós-paleozoicos plasticidade e tipo de crescimento da colônia, bem
estão comumente associados com moluscos, esponjas como grau de calcificação e polimorfismo. A partir des-
e octocorais (Clarkson, 1986). tes dados podem ser realizadas interpretações sobre
Alguns autores reconheceram relações ecológicas os principais parâmetros ambientais tais como tempe-
do tipo comensalismo entre briozoários e moluscos. Tam- ratura, profundidade, salinidade, taxa de sedimenta-
bém foi sugerido parasitismo de vermes serpulídeos e ção, nível de energia do meio, substrato e disponibili-
briozoários em fósseis cretácicos da Alemanha (Tasch, dade de nutrientes. Os queilostomados são utilizados
1973). para estudos em faunas cenozoicas, enquanto os
São importantes constituintes em rochas e se- ciclostomados são os elementos usados para as inter-
dimentos recentes. Embora sejam encontrados em to- pretações paleoambientais do Mesozoico. As
das as profundidades, inclusive abissais, eles ocorrem inferências ambientais das formas paleozoicas, por es-
principalmente em águas rasas, claras, agitadas e oxi- tarem extintas, são realizadas mediante estudos
genadas da plataforma continental, e em volta de reci- morfocomparativos com os ciclostomados, grupo mais
fes de corais. Em sedimentos antigos semelhantes, tam- próximo filogeneticamente (Smith, 1995).
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Capítulo 17 – Briozoários 309
As formas incrustantes são de longe as mais específica conjugadas dizem respeito a caracterização
adaptadas a condições diversas de estabilidade de ambientes mais estressantes ou não, devido con-
ambiental, sobrevivendo inclusive em linhas de costa. vergirem para uma mesma interpretação. Convém
A sua rápida multiplicação deve-se ao fato de não ne- acrescentar que a abundância e distribuição dos
cessitarem de mecanismos mais complexos para garan- briozoários é também regida pela disponibilidade de
tir sua sobrevivência e estabilidade, pois possuem ili- nurientes, sendo portanto frequentes e numerosos em
mitado potencial de crescimento, interrompido ape- ambientes eutróficos.
nas quando superfícies rígidas são indisponibilizadas.
As lâminas incrustantes adicionam novos zooides ao
longo das margens periféricas contínuas. Normalmen-
te os novos zooides são adicionados na mesma propor- B. Temperatura e Morfologias
ção em toda a margem da colônia, resultando em Zoariais/Zooidais
espalhamentos radiais ou foliares, embora taxas de cres-
A temperatura representa um fator abiótico que
cimento variáveis ou a presença de obstruções favore-
controla a taxa de calcificação e crescimento das colô-
çam a formação de colônias em forma de faixas.
nias de briozoários, estando diretamente relacionada
O ambiente de vida desses organismos pode ser
também com a disponibilidade de nutrientes.
muito instável, como em linhas de costa onde a faixa
As colônias crescem por proliferação de novos
de limite entre maré alta e maré baixa seja ampla, fa-
zooides e tecidos extrazooidais. A forma da colônia é
zendo com que ao longo de um único dia eles experi-
determinada pela posição dos novos zooides em rela-
mentem variações de espessura de lâmina d’água e
ção aos formados anteriormente, e sua forma, orienta-
disponibilidade de nutrientes, além de estarem sujei-
ção e taxa de adição em cada parte da colônia. Os mo-
tos a ação de ondas, e gradientes extremos de tempe-
delos de adição zooidal determinam a variação das
ratura e salinidade, sendo também adaptados a expo-
morfologias das colônias, constituindo um contraste
sição à radiação solar. A sua sobrevivência neste meio
arquitetural e filogenético sobre a forma da colônia.
inóspito é possível devido a existência de um sistema
Os zoários desenvolvem-se na direção que lhes for mais
hidrostático zoarial (hipostega) localizado entre o
favorável, que garanta sua sobrevivência. Como estru-
criptocisto e o ectocisto, evitando a dissecação do
turas modulares que são a mortalidade de parte da co-
polipídio. A extrusão do líquido retido dentro da colô-
lônia não afetam o seu crescimento total (Smith, 1995).
nia para irrigar os zooides ocorre através da contração
As diferentes formas de crescimento zoariais
dos músculos parietais situados na parede zoecial fron-
tem significado adaptativo, por representar uma estra-
tal quando comprimidos com as suas margens.
tégia para reduzir o risco de mortalidade por implica-
Os métodos de interpretação paleoambiental a
ções ecológicas.
partir dos ectoproctos relacionam-se com relação en-
Quanto à direção principal de crescimento, os
tre aspectos morfológicos e os fatores ambientais com
briozoários podem ser classificados como horizontais-
seus gradientes. Assim, tem-se:
formas incrustantes ou verticais-formas eretas. Em co-
lônias multisseriais os zooides expandem-se a partir
dos preexistentes, tanto lateral quanto distalmente, for-
A. Presença, Abundância e Diversidade mando uma superfície contínua de zooides ao invés
de cadeias zooidais. Cerca de 50% de espécies de
Talvez o aspecto mais simples seja determinar briozoários são multisseriais incrustantes, pois sua dis-
sua presença ou ausência, que requer apenas um co- posição em cadeias garante proteção comum contra
nhecimento básico sobre o que seja um briozoário. A abrasão física ou patologias. Dessa forma, mesmo sen-
presença não define uma amplitude climática ou do alta a probabilidade de que algum zooides ou gru-
latitudinal específica, porém atesta sobre disponibili- pos de zooides moram em um determinado momento,
dade de carbonato de cálcio e consequentes caracteri- é também muito provável que outros grupos sobrevi-
zações gerais sobre ambiente gerador de um determi- vam. O crescimento multisserial dá às colônias o seu
nado conjunto de estratos. A dominância, ao contrário, significado para a sobrevivência dos zoários, o que se
já pode indicar condições ambientais mais específicas. denomina estratégia confrontativa, já que todos os
As interpretações a partir da abundância e diversidade zooides integram-se de maneira a tornar a colônia mais
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resistente à intervenção de fatores físicos (fragmenta- dir a realização de suas funções vitais. Entretanto, a
ção) ou biológicos (doenças) que possam ameaçar a individualização de estruturas adaptativas como
sobrevivência de toda a colônia. A única desvantagem aviculárias e vibráculas, favoreceu a ocupação destes
em relação às unisseriais é que sua disposição é bem biótopos, ao contrário dos corais que possuem um
maior, caso os fatores ambientais tenham maior ampli- zoneamento ecológico a partir da linha de costa. A qua-
tude a sua instabilidade. lificação do nível de energia do meio pode ser sugerida
Nos últimos 50 Ma está bem definido o aumen- pela morfologia das formas de crescimento ereto, que
to crescente na incidência de polimorfismo e, possuem ramos robustos ou ramos delicados dotados
consequente, aumento na integração dos zooides. A de articulações, que são mais diversos que os
fixação, aumento na espessura e união dos zooides de- incrustantes. Isto ocorre porque em momentos de au-
pende da diferenciação específica de morfotipos mento do nível de energia do ambiente, apesar das
zooidais. Por exemplo, a calcificação frontal dos zooides formas eretas serem as mais atingidas por sua maior
associados com o espessamento extrazooidal dos ra- susceptibilidade à fragmentação, elas reproduzem mais
mos em direção a base da colônia arborescente. O au- rápido e reocupam a sua área de ocorrência. Com isso,
mento da espessura dos zooides localizados nas extre- é mantido o equilíbrio da composição taxonômica nos
midades destas formas eretas parece estar relacionado diversos nichos ecológicos marinhos.
com a sua resistência em inclinarem-se durante sua
ontogenia.
E. Substrato
C. Salinidade Os briozoários são encontrados normalmente
fixos a um substrato firme, pois é neste tipo de substrato
A maioria dos táxons é estenoalina, tendo pou- que ocorre o assentamento das larvas geradoras das
cas espécies que vivem em um amplo espectro de futuras colônias. A considerável variedade de
salinidade, portanto eurihalinas. Em ambientes com morfologias zoariais sugere a existência de substratos
baixa salinidade, a diversidade específica, a taxa de com diferentes graus de estabilidade temporal (sensu
crescimento e a calcificação dos esqueletos são redu- Smith, 1995). As formas eretas unisseriais (por exem-
zidas, assim como as estruturas de ornamentação ten- plo Crisia, Nellia e Vitaticella) e multisseriais (tais como
dem a ser mais simples e delicada. O padrão de Pasythea e Idmidronea) flexíveis articuladas tipificam
salinidade pode também ser inferido através da sua substrato rígido temporário (short-term-lived), cujas co-
variedade zoarial, e pelas razões esqueletos unisseriais lônias fixavam-se predominantemente em superfícies
(EU)/esqueletos multisseriais (EM) e formas vivas, tais como algas, hidroides, carapaças com
incrustantes/eretas (I/E), que tendem a ser equilibra- ermitões viventes, crustáceos ou moluscos. As colôni-
das ou altas em ambientes com salinidade normal. as multisseriais fixas por meio de filamentos similares
Como exemplos eurihalinos tem-se Conopeum reticulum, a raízes (por exemplo, Cupuladria e Lunulites), habita-
Membranipora aciculata, Membranipora commensale e ram preferencialmente substratos arenosos ou rígidos
Bowerbankia gracilis, encontrados em águas hipossalinas moderadamente estáveis (moderate-term-lived), tais
a hipersalinas. O gênero Victorella ocorre nos hábitats como conchas de outros organismos já mortos, blocos
marinho, mixohalino e dulciaquícola. rochosos centimétricos ou ainda quaisquer obstáculo
físico existente no substrato. Por fim, a morfologia
zoarial unisserial de Vincularia e multisserial de
D. Taxa de Sedimentação e Nível Metrarabdotos e Trigonopora, ereta rígida com ramos
de Energia do Ambiente robustos, caracteriza a existência de substrato rígido
indefinidamente estável (very-long-term-lived), como
A diversidade específica e a variedade de blocos rochosos de dimensões métricas e os recifes
morfologias zoariais são elementos indicadores sobre a (McKinney & Jackson, 1989; Smith, 1995). Em águas
taxa de sedimentação e o nível de energia do ambien- profundas onde o fundo é composto por sedimentos
te. Como suspensívoros, os briozoários são muito vul- finos e incoesos, a fixação ao substrato e a consequente
neráveis à sedimentação e turbidez, que podem impe- estabilidade se dá em tecas de foraminíferos, seixos
2ª Prova
Capítulo 17 – Briozoários 311
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Capítulo 17 – Briozoários 313
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