Controle da Expressão Gênica
Expressão gênica: Conversão da informação genética armazenada na sequência de bases do DNA na sequência de aminoácidos
do polipeptídio codificado (proteína).
Mesmo genoma = Células diferentes / Mesmo DNA = Proteínas diferentes
A expressão gênica:
Difere conforme o tipo celular ou tecido;
Difere conforme o estado fisiológico e as influências do meio;
Difere conforme a fase de desenvolvimento.
O controle da expressão permite a variabilidade celular.
A síntese de proteínas requer grandes quantidades de energia e recursos, as bactérias (e eucariotos) desenvolveram mecanismos
elaborados para controlar quais proteínas são sintetizadas em diferentes momentos, sob diferentes condições fisiológicas e
ambientais. Organismos procariontes e eucariontes são sensíveis à pequenas variações do meio ambiente, tais como a
disponibilidade de nutrientes, sinais hormonais, etc. Regulação da expressão dos seus genes às necessidades celulares objetiva
uma melhor adaptação às variações do meio.
Procariotos: Organização de um gene em Operon: Uma única mensagem em RNA é traduzida simultaneamente em três produtos
gênicos. Em bactérias, a regulação da expressão gênica frequentemente está vinculada às necessidades fisiológicas da célula.
Mecanismos indutivos – presença de uma molécula específica ativa a expressão gênica. Ex: metabolismo da lactose
Mecanismos repressivos – presença de uma molécula específica inibe a expressão gênica. Ex: síntese do triptofano
Metabolismo da lactose é regulado por indução:
↓[lactose] =repressão da expressão de enzimas envolvidas no seu metabolismo.
↑[lactose] = indução da expressão de enzimas envolvidas no seu metabolismo
A produção do triptofano em E. coli é regulada por um operon e é regulado por mecanismos repressivos:
↓[Trp] = ativa a expressão gênica
↑[Trp] = expressão gênica reprimida
Organização Gênica em Procariotos: A regulação ocorre em todas as etapas da expressão gênica: A principal etapa de regulação
é a transcrição pois a maior parte dos genes eucarióticos é regulada nesse nível!
Mecanismos epigenéticos de controle da expressão gênica: Não dependem da sequência de DNA.
Metilação do Dna/ Modificação nas Histonas: Alteram a conformação da cromatina. (A metilação do DNA leva ao recrutamento
de proteínas que causam a compactação da cromatina, impedindo que a enzima RNA-polimerase se ligue à molécula. Dessa
forma não ocorre a expressão gênica, uma vez que a RNA-polimerase é a enzima responsável pela transcrição, ou seja, pela
síntese de RNA a partir da informação contida na fita do DNA)
Acetilação e desacetilação:
HATs (acetiltransferases), co-ativadores; = diminuem afinidade histonas-DNA, abrindo a cromatina.
HDACs (desacetilases), co-repressores = condensa a estrutura do DNA.
A organização dos cromossomos e modificações na cromatina influenciam na expressão gênica eucariótica.
Modificação da associação DNA + componentes da cromatina permite que as proteínas reguladoras tenham acesso ao DNA.
1) Mudanças nos nucleossomos;
2) Modificações no DNA. EX: metilação (adição de bases metila (CH3) no DNA = quanto ↑ grau de metilação = ↓ taxa de expressão
gênica (inibição da ligação dos fatores de transcrição ao DNA).
Controle da expressão gênica no nível transcricional
Motivos de ligação ao DNA: regiões da proteína que reconhecem e interagem com um sítio na molécula de DNA
Sequências regulatórias: promotores, enhancers, isoladores. Os isoladores bloqueiam a ativação pelos reforçadores
Fatores de Transcrição: Proteínas específicas que reconhecem as sequências regulatórias presentes nos promotores e enhancers,
permitindo que a RNApol se ligue e faça a transcrição.
Fatores gerais: necessários para a expressão de todos os genes transcritos pela RNA polimerase II. Ex.: proteína que se liga a TATA
box (TBP)
Fatores específicos: responsáveis pela expressão de proteínas célula-específicas. Ex.: Respostas a hormônios e a condições
nutricionais e ambientais
Ex.: regeneração hepática: Após hepatectomia, genes envolvidos na síntese de DNA e na formação do citoesqueleto são ativados,
enquanto genes envolvidos no metabolismo celular (biossíntese de hormônios e de lipídios) são desativados.
Splicing Alternativo – Edição do RNA: Pode alterar a sequência de um RNAm, a proteína resultante da tradução é diferente da
prevista a partir da sua sequência gênica Ex: gene da apoB em mamíferos.
Interferência pelo RNA (RNAi): Sequências pequenas (~ 21 nt) de RNA fita dupla que se ligam a mRNA complementares
degradando-os.
Transporte de RNAm para o citoplasma:
Transporte das moléculas de mRNA para locais específicos do citoplasma.
Formação de complexos RNA-ribonucleoproteína (mRNP)
Nucleoporinas formam complexo do poro nuclear (NPC)
Ponto final da expressão gênica: A produção de um mRNA pode ser regulada pelo grau de demanda do produto proteico pela
célula.
Inibidores da síntese de proteínas:
Antibióticos Tetraciclinas: em bactérias, bloqueiam sítio A, inibindo a ligação de aminoacil-tRNAs;
Cloranfenicol: em bactérias, mitocôndrias e cloroplastos, bloqueia a transferência do peptídeo para outro tRNA;
Streptomicina (tuberculose): em bactérias, em baixas concentrações causa má leitura do código genético; em altas concentrações
inibe a iniciação;
Toxinas:
Cicloheximida: em eucariotos, bloqueia a atividade peptidil transferase da subunidade 80S;
Toxina da difteria: inativa o fator de alongamento eEF2 de eucariotos;
Ricina (semente da mamona): inativa subunidade 60S dos ribossomos eucarióticos paralisando a síntese de proteínas.
François Jacob e Jacques Monod (1961): “De acordo com o conceito estrutural estrito, o genoma é considerado como um mosaico
de mapas moleculares independentes para a construção de constituintes celulares individuais. Entretanto, na execução destes
mapas, a coordenação é evidentemente de valor absoluto para a sobrevivência. A descoberta de genes reguladores e operadores,
e da regulação repressora da atividade de genes estruturais, revela que o genoma contem não somente uma série de mapas, mas
um programa coordenado de síntese de proteínas e os meios para controlar sua execução