O Que É Parapsicologia PDF
O Que É Parapsicologia PDF
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CAPÍTULa I
NATUREZA DA PARAPSICOLOGIA
1. FENOMENOLOGIA
mais dez pessoas viram latas deslocando-se, pedras cain- Por que teriam que ser os espíritos dos mortos? Se os
do, vidros dás janelas rompendo-se, tesouras voandb em ,espíritos dos mortos tivessem fôrça para realizar êstes
esquisitas parábolas. prodígios, os espíritos dos vivos também a deveriam ter.
O pânico tomou conta de tôda a fazenda. Durante os Dizem que os espíritos dos mortos, para agir, precisam
dias seguintes, nas ciIlJCO casas habitadas da fazenda, se dum corpo. Daí, a exigência de um médium. Mais fácIl,
registraram estranhos ruídos, movimentos de objetos, pois, será para o espírito do vivo produzir o fenômeno, pois
etc ... Meio tijolo caiu, verticalmente, com notável fôrça, êste já tem o próprio corpo que anima. Aliás, se o espírito
diante do administrador, nas circunstâncias mais inex- do morto necessita do corpo para agir, como atua sôbre o
plicáveis. corpo do médium?
O pároco do povoado pensou que os fenÔmenos se E como as casas "assombradas", existem mil outras
deviam ao demônio. O "babalaÔ" afirmou que eram os espécies de fenômenos misteriosos, sempre em conexão
espíritos dos mortos. Nem a bênção do padre, nem os com o homem, antigo ou moderno, culto ou ignorante.
defumadores do umbandista obtiveram algum resultado. 111.
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(nos (prescindindo dos raríssimos milagres) são fenômenos sos, que realizavam os prodígios, ignoravam muitas vê-
!humanos, das fôrças "ocultas" do próprio homem. Esta zes suas explicações profundas e verdadeiras, atribuindo-
\ é a conclusão da parapsicologia':::t -os, erradamente, à intervenção de diferentes fôrças ex-
No dia 28 de outubro de 1964, em plena ebulição dos traterrenas.
fenômenos, fui convidado, como parapsicólogo, para visi- Há autores que afirmam que as explicações naturais
tar a fazenda "mal-assombrada". Expliquei aos assustados e verdadeiras estavam anotadas nos manuscritos guarda-
moradores que se tratava de um caso de psicorragia (li- dos com tanto desvêlo na biblioteca de Alexandria. Há,
beração das fôrças psíquicas do inconsciente humano), certamente, indícios históricos disto, mas é difícil saber
primeirame~te da viúva Dona Maria (já internada). Hou- o pêso exato desta afirmação, inclusive, concedendo que,
ve também efeitos polipsíquicos: menin.ª.s açlo!e.scentes então, houvesse chegado até onde, hoje, tanto custou che-
aterradas e mulhereseITl gestação (que/mâG:fàcillnél1te gar, aquela ciência nos foi inútil, pois tudo desapareceu
se contagiam psiquicamente) colaboraram dum modo no incêndio da biblioteca de Alexandria, nos tempos de
destacável, libertand9_,Suª.sfô!:ç!:I:Sinconscientes. Depois, Teodósio.
de algumas horas de explicação, voltaramt()clos à tran- Destruídos os manuscritos e dispersos os práticos da
qüilidade. Recomendei calma, relaxamento neuromuscu- magia (ignorantes, por outro lado, das explicações), a
lar, atitudes serenas de meros espectadores. E, naquela fenomenologia continuou sendo algo misterioso, sobrena-
mesma tarde, os fenômenos já não se repetiram ... tural, na mente do povo.
OS ANTECESSORES
DAPARAPSICOLOGIA LUZESISOLADAS
A Parapsicologia, como ciência universitária, é muito
recente, mas seus preâmbulos são antigos, como os de tô- A ciência oficial, por sua parte, "ignorava" estas "len-
das as ciências de hoje. A Química foi precedida pela al- das". SÔmente de vez em quando surgiram alguns inves-
quimia megalomaníaca e a Astronomia pela astrologia su- tigadores isolados, chamados .pcultistas, que faziam bri-
persticiosa. Também a Parapsicologia teve seus prede- lhar pequenas claridades de verdade, misturadas, entre-
cessores plebeus. tanto, com muitos erros. Assim, por exemplo, BASÍLIO,
VALENTINO, PARACELSO, AVICENA e AGRIPA.
OS ANTIGOS
INICIADOS Entretanto, tão pouca era a verdade escondida nas
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t.revas do ocultismo que AGRIPA, ao final de sua vida, teve
Parece que na investigação dos fenÔmenos "ocultos", que retratar-se de uma grande parte de sua obra: "Ê
os antigos iniciados da índia chegaram muito longe. Pa- verdade que, sendo jovem, eu mesmo escrevi três livros
rece que os iniciados da C'aldéia e do Egito receberam dê- HÓbremagia, que intitulei "Filosofia oculta". Quantos
les seus segredos. ~stes segredos eram ocultos aos profa- \ ('II'OS cometi então? Hoje, tornando-se mais prudente,
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14 O QUE t!J PARAPS!COLOGIA NATUREZA DA PARAPS!COLOGIA 15
pois, a Inglaterra abriu seu primeiro hospital para bru- Porém, os esforços são pouco proveitosos para a ciên-
xas: Beclan, 1547. Dois séculos mais tarde, a França se- da, por misturarem a verdade com os erros, sem critério
gue o mesmo exemplo: Paris, 1741. ;:< diferencial suficiente. Os antigos também encobriam seus
segredos com expressões que sàmente eram decifráveis aos
Os PODÊRES
DOMAGNETISMO
HUMANO iniciados. Os neo-ocultistas, ao imitá-Ias, insistiram de-
masiadamente nos enredos.
Já no século XVIII, o Dr. FRANZ ANTONMESMER, Existe aqui um detalhe característico: o mais desta-
uma curiosa mistura de gênio, pesquisador e charlatão, cado, talvez, dos neo-ocultistas foi ELIPHASLEVI (Alphon-
assombrou a Europa com seus prodígios. Muitíssimas pes- se Louis Constant), porém é sabido que nos últimos anos
soas, loucos e neuróticos, paralíticos, cegos e mudos, reu- de sua vida abandonou o ocultismo, ao qual aderira como
máticos e alérgicos eram curados pela imposição das mãos a uma religião, e voltou ao seio da Igreja Católica, a que
de Mesmer. Sob a influência de Mesmer, delicadas senho-
pertencia, antes de unir-se ao ocultismo-esoterismo.
ritas se contorciam violentamente sem "se quebrar". Po-
diam receber fortes bordoadas sem sentir nada, podiam
realizar profundas operações cirúrgicas sem dor e sem
o HOMEM FOI ESQUECIDO
sangue ... Posteriormente, tão grande era a afluência de
"Parece que tôdas as ciências devem passar antes pe-
tôda a classe de enfermos, que Mesmer teve que servir-se
los vestíbulos da superstição" - dizia Pierre Janet. O ves-
de "água curadora" e de varinhas "magnetizadas" para
tíbulo da Parapsicologia foi longo e obscuro. Em outros
poder curar em massa.
ramos da ciência, no final do século XIX, já se passara
Sábios como PUYSEGUR, DELEuzE, POTETe outros apro- a salas bem iluminadas. Pensava-se que o homem havia
fundaram mais no mesmo sentido, no século passado. As feito brilhar luz em todos os campos da realidade e que,
escolas de hipnotismo do hospital de Salpetriere, sob a para o futuro, a expansão científica produzir-se-ia sÔmen-
direção de CHAROOT, e do hospital de Nancy, dirigido pelo te em forma vertical. A expansão horizontal, porém, não
Dr. BERNHEIM,lançaram nova luz sôbre os podêres psí- havia terminado ainda. Permanecia na penumbra a maior
quicos do homem, especialmente no que se refere a curas parte dos podêres inconscientes do psiquismo humano.
extraordinárias, à resistência, à dor e à fadiga e às "adi- O homem derramou luz sôbre a realidade circundan-
vinhações", incluindo as adivinhações a enorme distân-
cia e com referência ao futuro. te e se esqueceu dêle mesmo. "O homem, êsse desconhe-
cido", foi o famoso grito de Alexis Carrel. Ou como dizia
Conan Doyle: "Entre tôdas as coisas que o homem chega-
A MARGEMDACIÊNCIA
rá um dia a compreender, a última será, seguramente,
êle mesmo".
No final do século passado, a escola de neo-ocultis-
mo, dirigida por ELIPHASLEVI, STANISLAS DE GUAITA,PA- Os materialistas negavam a priori, inclusive a exis-
pus,etc., tenta reconstruir os conhecimentos dos antigos tência dos fenômenos, considerando-os, sem restrições, co-
iniciados. mo simplesmente existentes na imaginação dos espiritua-
SEMiNARIO CONCO
16 o QUE :d1PARAPS100LOGIA NATUREZA DA P ARAPSICOLOGIA 17
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!): listas. Absurda seria uma investigação daquilo que não As universidades, no entanto, se mantinham alheias
existia. Não admitiam mais podêres no homem que os à nova investigação. As exceções, ainda que prenúncios
meramente físicos. Tal era, em geral, o ditame da ciên- de um futuro melhor, foram muito poucas: em 1893,
cia oficial da época. ALBERTCOSTEconsegue o título de Doutor em Medicina,
pela Universidade de Montpellier (França), com uma tese
2. INVESTIGAÇÃO sôbre as fôrças (hoje diríamos parapsicológicas) incons-
cientes do psiquismo humano; em 1911 se estabelece na
Alguns sábios cientistas como WILLIAMJAMES,FREUD, Universidade de Stanford um laboratÓrio subvencionado
JUNGe MAc DOUGAL, para não citar mais que exemplos de para êsse tipo de investigações e, em 1917, se publicam os
psicólogos, chegaram a considerar que havia evidências resultados de experiências sôbre o conhecimento extra-
mais que suficientes para justificar uma investigação can- -sensorial, realizadas naquela Universidade, sob a direção
sativa de tais fenômenos com métodos experimentais. do Prof. Dr. JOHN E. COOVER;em 1912 a Universidade de
Harvard estabelece a Fundação Hodgson para investigação
Evidentemente a posição científica deve ser a de estu-
dêstes temas.
dar tais temas antes de negá-los ou afirmá-los. Por outro
lado, nenhuma realidade possível do nosso mundo deve Chamou-se esta primeira etapa de investigação de
ser excluída da pesquisa científica e menos ainda quan- metapsíquica.
do estreitamente relacionada com o homem e por isso de
maior importância, como são os fenômenos parapsico-
lógicos. A PARAPSICO:ÚOGIA
Em 1882 se deu o primeiro passo eficaz, em ordem
à intervenção científica, quando se fundava a "Society Na segunda etapa da investigação, muito recente, a
for Psychical Research" de Londres, que reuniu sábios metapsíquica cedeu lugar à parapsicologia. Na
.",
América
universitários de primeira categoria, inclusive vários prê- do Norte começou assim: /')
mios Nobel em diversos campos do saber. A iniciativa O Sr. JOHNTRoMAs,advogado, perdera sua~spôsa, Sra.
partiu de William Barret, de Dublin, e de J. Romanones. EtheL Tratou, então, de saber se realmente era possível
O primeiro presidente da Sociedade foi HENRI SIDGWICK, obter de seu "espiríto desencarnado" algumas mensagens.
a quem seguiram na presidência, sucessivamente, nomes Organizou uma série de tentativas com médiuns famosas.
muito conhecidos no âmbito científico, como STEWAR Thomas se apresentava com nomes supostos, enviava pes-
BALFOUR, WILLIAM C:aOOKES,WILLIAM JAMES, A. J. soas que não conheceram sua espôsa ... Segundo sua
BALFOUR ... opinião, obteve grande quantidade de "provas" sôbre a
Em seguida, funda-se uma filial da "Society for psy- comunicação com o "além".
chical Research" nos EE.UU., a "American Society for Em 1927, o Dr. THoMAs destina uma grande subven-
Psychical Research" e, no decorrer dos anos, aparecem ção ao Dr. JOSEPHRHINEe espôsa, Dr. LOUISARHINE,para
sociedades semelhantes em vários países. que, sob a direção do famoso psicólogo WILLIAMMACDou-
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18 o QUE 1!JPARAPSlOOLOGIA
(atualmente ca-
problemas reladonados, segundo o DI'. Thomas, com a I.cdrático de Parapsicologia da mesma Universidade Real).
comunicação com os mortos. As tais "provas" estão, hoje, Cada ano que passava, novas universidades, em todo
catalogadas entre as manifestações do psiquismo humano () mundo, abriam suas portas para a nova ciência. Em
dos vivos e não do "além", ,como o prÓprio DI'. Thomas lH39, sÔmente na América do Norte, havia 43 universida-
terminou por reconhecer. des dedicadas ao estudo destas manifestações do psiquis-
a DI'. RHINEe seus colaboradores conseguiram ainda mo humano, à margem da psicologia normal e patológica.
mais. Num trabalho exaustivo de revisão, encontraram A ciência parapsicológica encontrou, por fim, seu ca-
métodos verdadeiramente científicos para a investigação. minho e é reconhecida e respeitada como ciência de van-
Foi assim que, em 1934, com a apresentação ao mundo guarda. Foi reconhecida "oficial" e universalmente como
da nova metodologia, a investigação, para diferenciar-se ciência em 1953, por ocasião do Congresso Internacional
da metapsíquica, passou a chamar-se P,ARAPSICOLOGIA. de Parapsicologia, organizado pela "Foudation Interna-
E, à medida que em outros países se encontravam méto- tional of Parapsichology", pela Universidade de Utrecht e
dos de estudo para os diversos fenômenos, a ParapsicolO- pelo Ministério de Educação e Cultura da Holanda.
gia ia absorvendo a metapsíquica. Nesta mesma data surgia, pela primeira vez, um pro-
Os resultados positivos obtidos justificaram a criação, fessorado profissional de Parapsicologia, sob a direção do
neste mesmo ano, 1934, do LaboratÓrio de Parapsicologia professor catedrático W. H. C. TENHAEFF.Posteriormente,
da Universidade Duke, em Durham, Carolina do Norte, multiplicaram-se as cátedras universitárias de Parapsico-
dirigido desde então pelo DI'. RHINE. Foi o primeiro cen- logia nos países mais adiantados.
tro universitário de pesquisa com investigadores "full-
-time", pessoal administrativo e adequados recursos fi- :B~M
BUSCA
DEUMADEFINIÇÃO
nanceiros.
A Parapsicologia principia a sair do âmbito "ama- É difícil encerrar em uma definição tantos e tão va-
teur" para ingressar diretamente na investigação oficial. riados fenômenos. Algumas das definições que se tem
Um ano antes, 1933, a mesma Universidade Duke proposto fogem das dificuldades e caem em tautologias.
concedia o título de doutor, por seus trabalhos de inves- Por exemplo: "A Parapsicologia tem por objeto a compro-
tigação na Parapsicologia, ao Sr. JOHNTHoMAS. Simul- vação e análise dos fenômenos de aparência paranormal"
tâneamente, outras universidades de diversos países man- ou "estuda os fenômenos parapsicolÓgicos e aquêles rela-
tiveram seus próprios investigadores e assim, naquele donados com êles". Os têrmos que se quer definir não
mesmo ano, com trabalhos em pesquisas parapsicolÓgicas, devem entrar na definição.
se doutorava, pela Universidade de Bonn, HANSBENDER Tomamos aqui o têrmo "parapsicológico" como sinô-
(atualmente catedrático de Parapsicologia na Universida- nimo de extraordinário, surpreendente, à margem do nor-
de de Friburgo, Alemanha) e pela Universidade Real de mal, inexplicável à primeira vista.
20 o QUE :e PARAPSlOOLOGIA NATUREZA DA P ARAPSICOLOGIA 21
ao seu .caráter de estranheza que os .coloca longe de nosso das, pesadas, divididas, analisadas. Não negou as possí-
juízo habitual. Na realidade não é mais estranha uma vi- veis realidades espirituais: foram colocadas entre parên-
são telepática que a visão retiniana ... É sÓmenos comum. teses, para posteriar estudo. Começou pela tarefa mais
Com possibilidade de serem resultado: Não afirma- acessível. Deu-se um fenômeno psicolÓgica que, dentre as
mos que, de fato, sempre derivam das faculdades huma- psicológicos, YUNG analisa muito bem. Tanta se estuda-
nas, nem que seja obrigatÓria a comprovação de que de- ram os fenômenos materiais que os cientistas, por um
rivam delas. Há sempre em todosêsses fenômenos a in- fato psicológico, quase sem perceber, aprioristicamente
tervenção de urna pessoa humana, ainda que seja con- chegaram à .conclusão de que sÔment,e existia a matéria,
siderada corno bruxo, feiticeiro, médium, endemoninhado passando a negar tôdas as realidades espirituais, que nun-
ou santo ... Ao menos, há urna testemunha, corno, por ca se deram aa trabalho de estudar. Sem nenhum direito
exemplo, urna adolescente numa casa "mal-assombrada". O negavam aquilo que nunca estlldaram. Tinham direito
homem sempre intervém, seja para testemunhar, seja de afirmar a matéria porque ela fôra objeto de suas aná-
para comprovar. Existe pois, a possibilidade (corno no- lises, mas não tinham direito de negar possíveis realida-
tamos anteriormente) de que o fenômeno se deva ao ho- des espirituais, que jamais estudaram, mas que podem
mem, às suas fôrças "ocultas" (talvez de atuação à dis- (por que negar antes de estudar?) pertencer ou atuar em
tância). Pode ser que depois das investigações se compro- nosso munda.
ve que tal determinado fenômena supera as fôrças huma- Os cientistas penetraram mais no seu êrl'O apriorís-
nas ... É então sôbre-humano.
tico, porém psicológico. Concluíram que sÔmente seria
Faculdades Humanas: Não ignoramos, igualmente, metodologia científica aquela que fôsse aplicável à maté-
que a Parapsicologia estuda e tem feito experiências com ria, a metodologia tradicionalmente empregada por êles
animais e plantas. Porém, até hoje, a quase totalidade dos no estudo da matéria ... Os fenômenos repetíveis à von-
estudos que se fizeram com animais e plantas, tiveram por
tade, aos quais se pode aplicar a estatística matemática,
objeta lançar luz sôbre as fenômenos humanos.
que se podem fatografar, tocar, pesar ... Todos os méto-
METODOLOGIA dos de observação diferentes, não seriam métodos cientí-
ficos. Tal critério é apriorista: significa submeter o obje- ,
Quando a ciência começava, na época do Renasci- to de estuda ao método de estuda. Se o objeto que temos
mento, e antes que se demonstrasse as explicações das que estudar, fôsse (por que não paderia ser?) essencial-
coisas, quando se descobriam possíveis explicações e sô- mente esparádico, espontâneo, irredutível à vantade, co-
bre elas ,se discutia, os cientistas se deparavam com duas rno podemas abrigá-Ia a que seja repetívelconforme o de-
possíveis -causas: urnas, materiais e outras, espirituais. sejo e que se lhe possa aplicar a ~statística matemática?
Falava-se de coisas materiais, falava-se de coisas espiri- Se a fenômeno fÔS.lil6(por que não?) invisível, essencial-
tuais. De muita bom grado, os cientistas começavam a mente, corno possafatdgrafá-lo? Se fôsse (por que não?)
estudar as coisas materiais porque sãa mais fáceis. Po- imponderável, intangível, indivisível ... , devemos cortar,
dem ser examinadas em laboratório, cortadas, fotografa- pesar, analisar suas partes? Não as tem ...
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24 o QUE ~ PARAPSICOLOGIA NATUREZA DA PARAPSICOLOGIA 25
Não é científico acomodar o objeto ao método, é ne- revele mais sua própria natureza. Os hippies com suas
cessário submeter o método de observação ao objeto de práticas ocultistas, os iogues, o êxito das religiões orien-
observação. Os cientistas psicologicamente incorreram tais, etc., são uma de tantas provas desta busca. E as
neste êrro apriorístico, e os racionalistas, em luta com a drogas? O que são, senão um estimulante dêste submundo
Igreja, se encarregaram de fomentarêste êrro. Lamentà- psíquico por explorar, que chama a atenção de nossa ci-
velmente, até o final do século passado, dum modo geral vilização? Neste ambiente surge a Parapsicologia, eviden-
'~I
tôda a ciência era apriorista e acientlficamente materia- temente com destaque.
lista. Estudava unicamente a matéria, negando tudo o Os fenômenos parapsicológicos se fomentam muito e
que fôsse, parecesse ou se relacionasse com o espírito. estão enormemente difundidos na América Latina, em ge-
Mas, estudando o homem, que se acreditava ser so- ral, e de maneira destacada no Brasil, Ocultismo, Teoso-
mente matéria, a Parapsicologia se encontrou com o espí- fismo, Esoterismo, Filosofia Oriental, etc ... A interpre-
rito, que não intencionava estudar, inclusive com a me- tação mais em voga é a espírita. Atribuem-se ao "além"
todologia "materialista", à base da estatística matemática, fenômenos completamente naturais. Mais uma mistifica-
encontrou e demonstrou as manifestações do espírito (ve- ção de tantas haviElas ao longo da História. Calcula-se que
remos mais adiante esta afirmação que aqui colocamos a o número de espíritas no Brasil, eleva-se a 25 milhões. O
modo de exemplo). espiritismo influi em tôdas as regiões, com seus hospitais,
O método estatístico é característico da chamada es- centros, colégios, associações de tôdas as elasses ...
cola norte-americana ou espiritualista. Hoje, felizmente, Mais de 100 jornais e 150 revistas estão sob orienta-
não se emprega unicamente a metodologia "materialista" ijl~' ção espírita. SÓ do livro fundamental de ALLANKARDEC
da escola "espiritualista". Outras escolas de Parapsicolo- <:
'.i'('.
(codificador do espiritismo latino) "O Livro dos Espíri-
gia, após 30, 40 anos, demonstraram a eficácia de seus mé- ":il!
tos", uma editôra de São Paulo leva lançados mais de 4
todos em contraposição aos métodos tradicionais e válidos ,\1
:11
milhões de exemplares.
para a Física, ou para a Química, que, porém, nem sem- O icrescimento do espiritismo pode considerar-se como
pre servem para o estudo das faCUldades psíquicas. A Pa- de proporção geométrica.
rapsicologia possui, hoje, muitos métodos específicos, pró-
prios dela, válidos cientIficamente, sem o êrro apriorístico Grandes implicações sociais, médicas e religiosas se
do superado materialismo do século passado e começos derivam das conceituações erradas a respeito dos fenôme-
do século presente. nos parapsicológicos. É grave a mentalidade que se di-
funde entre o povo. A interpretação dos fatos e posições
da vida, em milhões de brasileiros, são conseqüências de,
3. IMPORT.A~IA DA PARAPSICOLOGIA
teorias supersticiosas. Uma atitu~ desta índole leva a
O interêsse do nossolnundo ocidental pelas ciências uma alienação da realidade.
psíquicas está à vista. Cansados. do téGnico, ,com um sen- A interpretação popular freqüentemente é errada. A
timento de escravidão, os homens busca}ll algo que lhes fenomenologia, porém é muitas vêzes real, parapsicológica.
26 o QUE :S PARAPSlCOLOGIA
Foi muito famosa uma menina francesa, Giselle zões, porque a Parapsicologia tem demonstrado que a te-
Court. Como resultado de uma queda ficou cega. Com lepatia não pode ser constante ou tão regular como a
enorme vontade de vencer, a menina, sem saber exata- "visão" de algumas pessoas cegas ou sem usar os olhos.
mente o absurdo que poderia parecer a sua pretensão, Surgiram muitas outras teorias, inclusive se pensou
exercitou as extremidades dos dedos até conseguir distin- na explicação pelo eco, ao modo do eco que guia os mor-
guir as cÔres com só aproximar e deter os dedos sôbre cegos, ou seria uma espécie de radar humano ... Assim
elas. Passado algum tempo, após muito esfÔrço e treino, pretendiam explicar casos como o de um professor de
conseguiu aprender a ler (e escrever) com notável faci- História do Instituto Nacional de Paris que tinha ficado
lidade.
cego. Mas observado cientIficamente pelo Dr. ZABAL,se
Vários cientistas presididos por Jean Labadie exami- comprovou que podia evitar obstáculos: notava um muro
naram uma senhora que conseguiu ver com os olhos ta- à distância de dois metros, por exemplo. Outro ,cego é
pados por vendas, especialmente construídas para impe- introduzido pelo Dr. Zabal em um quarto no qual nunca
dir qualquer visão ocular. A senhora "via" pela fronte. tinha estado, e à distância de 2 metros percebeu um
Como resultado da publicação dessas experiências, desco- móvel de grandes dimensões: era um bilhar ...
briram-se três irmãzinhas de onze, treze e catorze anos, Foram as observações e experiências com animais que
plenamente normais, ao menos aparentemente, que "viam" deram a pista para a solução do problema. O grande natu-
também pela fronte com pasmosa regularidade. Dezenas ralista SPALANZANI, dezenas de vêzes, repetiu a experiên-
de experiências conduzidas com o mais severo contrôle cia de cortar a cabeça a escaravelhos. É sabido de todos
científico descartaram a fraude: o fenômeno era autên-
que o centro motor e sensitivo do escaravelho está no
tico.
tórax e não na cabeça. Pode pois, sem cabeça continuar
Outro senhor, hipnotizado, "lia" pelo cimo da cabe- a andar e a sentir ... , e evitar os obstáculos. Logo, os
ça ... Casos semelhantes têm-se recolhido com alguma sente, sem vê-Ios.
quantidade. Foi celebérrimo o cavalo Barto, um dos cavalos de
Falou-se da visão por outros nervos que os da rotina, Elferfeld, velho e cego. Não obstante, hoje fica fora de
à que chamaram "visão paraóptica". Outros acreditavam tÔda dúvida que sentia os movimentos dos assistentes,
que o prodígio se devia à telepatia. Mas ambas as teorias fo- movimentos ao parecer imperceptíveis, e que por êles se
ram desprezadas: a primeira por contrária à Fisiologia; a guiava para começar ou deter-se em bater no chão com
segunda, por contrária à Parapsicologia. Com efeito: não a pata em resposta a perguntas que se lhe formulavam.
sendo os nervos próprios da visão, e por conseguinte, não Já há muito tempo que RAFAEL DUBOIStratou longa-
sendo impressionado o mesmo centro cerebral, aquela ex- mente dos animais que sentem as vibrações do ar, o re-
traordinária percepção não pode ·ser "visão" propriamente fletir-se do barulho das suas próprias pisadas, a sensação
dita (nem olfato propriamente dito ... ). E falar em "vi- tátil dos raios de luz refletidos nos objetos ... dando a im-
são" impropriamente dita é deixar o problema sem re- pressão de que "vêem", apesar de que êsses animais não
solver. Também não pode ser telepatia, entre outras ra- têm olhos. Não vêem, sentem.
SEMINÃRIO CONCOR(
30 o QUE 1ÍJPARAPSICOLOGIA :mSCOLA MATERIALISTA 31
Assim nasceu a explicação dos homens que "vêem" fravermelha é invisível normalmente ao sistema ocular
sem olhos ou cheiram pelo queixo, ou ouvem pelas mãos; humano). Recentemente, investigadores dos EE.UU., sob a
não vêem, nem cheiram, nem ouvem... sentem o conta- direção do Dr. RICHARD P. YOUTZ,designaram com a sigla
to dos raios de luz, das vibrações do ar, dos eflúvios odo- DOP (percepção dermo-ótica) à hiperestesia no seu aspec-
ríferos ... e o cérebro responde causando uma alucina- to de visão (não retiniana), que êles acreditavam ter des-
ção a modo de visão ou cheiro ... a esta grande sensibili- coberto agora ...
dade se chamou: HIPERESTESIA.
Com o exercício pode aumentar-se ilimitadamente a 2. CUMBERLANDISMO
manifestaçãü da hiperestesia. Os marinheiros chegam a
enxergar objetos a distâncias muito superiores das que pre- o cumberlandismo parapsicológico é muito amplo.
cisam pessoas dedicadas a outras profissões. Os pintores Por contato, os dotados de faculdades parapsicológicas
chegam a distinguir, nas côres, matizes completamente in- podem adivinhar não sàmente uma ação por se realizar,
diferenciáveis para o comum dos homens. Certos selva- mas tôda e qualquer coisa.
gens possuem, pelo exercício, um ouvido que supera a sen-
sibilidade do mais sensível microfone. Contemos, por exemplo, o caso do Dr. MURRAY, então
diretor da Sociedade de Investigações Psíquicas de Londres.
O Dr. AZAMcolocava a mão à distância de quarenta Tomando pela mão uma pessoa que pensasse qualquer coi-
centímetros do dorso descoberto duma hiperestésica, que, sa, êle a adivinhava com todos os detalhes. Uma expe-
aliás, estava hipnotizada. Esta não só sentia o calor da riência qualquer:
mão, senão que se curvava para adiante queixando-se do
A Sra. Toynbee havia escrito: "Inicio de uma passa-
grande calor. Outro tanto sucedia por causa do frio quan-
gem de Dostoiewsky na qual o .cão de um homem pobre
do um pedaço de gêlo punha-se a bastante distância. Ou- morre em um restaurante".
tro hiperestésico, observado pelo Df. BREMANT, durante a
hipnose, seguia, desde o gabinete médico, através dos vi- O Dr. Murray, que não era especialmente sensitivo,
dros da janela, um diálogo tido em voz baixa noutro ex·· nem dotado especial, tomou a mão da Sra. Toynbee, se
tremo da rua. concentrou, deixou que o inconsciente tomasse conta do
A Sra. Kulechova foi estudada pelo Dr. VASSILIEV no· organismo humano e começou a dizer: "Parece-me que é
laboratório de Parapsicologia da Universidade de Lenin- algo tirado de um livro. Diria que se trata de um livro
grado. Kulechova, depois de lhe ser impedida completa- russo. Um homem muito pobre. Parece que se trata de
mente a visão pelos olhos, lia livros e revistas pelas pon- algo relacionado com um cão morto. Um .cão muito infe-
tas dos dedos, distinguia pelas pontas dos dedos as côres liz. De repente, ocorre-me que é dentro de um restauran-
dos objetos, percebia, sem contato, objetos mínimos ... te" . Até aqui tudo exato. "As pessoas brigam e depois
inclusive, isto se realizava na semi-obscuridade. "Via" pela' voltam e se esforçam para ser boas. Dêsse último aspecto
ponta dos dedos, ainda, sob iluminação exclusivamente in- não estou seguro." É muito interessante êsse detalhe.
fravermelha, apesar da pouquíssima graduação (a luz in- A Sra. Toynbee não o havia escrito no papel, que serviria
II
Investigações sucessivas, rigorosas, continuadas, de roram à mencionada localidade, onde o pai devia construir
especialistas de vários países, demonstraram que se trata- uma ponte, e que ali existia um policial com o mesmo
va de um caso de manifestação de HIP - hiperestesia in- nome que soubera através do sonho.
direta do pensamento - pela qual nosso inconsciente Por meio da hipnose ou de associações, testes, drogas,
capta e, às vêzes, pode manifestar (casos especiais ou pes- ctc., o psiquiatra poderá obter algumas vêzes do incons-
soas especiais) tudo o que tôdas as pessoas presentes co- ciente recordações que o auxiliem na recuperação do pa-
nhecem, incluindo conhecimentos inconscientes. Nosso ciente. O advogado poderá obter preciosos dados para a
inconsciente é um sábio prodigioso. reconstrução dos fatos do seu cliente, etc. Pela hipnose
se chegou, às vêzes, a bastante profundidade do arquivo
4. PANTOMNÉSIA inconsciente. Uma experiência quase de rotina é a com-
provação da memória do inconsciente durante a hipnose.
Além de sábio, o inconsciente...não...esqu.e.ce..nada.Ou- E conseqüentemente, a imaginação se exalta também, dan-
tra 1âê-üídadeinconsciente, comum a todo o gênero hu- do à linguagem dos pacientes um brilho e um colorido
mano, é a chamada pantomnésia, memória de tudo. Um notáveis. A memória reproduz, com extraordinária preci-
jovem açougueiro, em um ataque de loucura, recitava são, cenas e pormenores que, em estado de vigília, estão
velozmente páginas inteiras da "Fedra" de Racine. Cura- completamente esquecidos ou jamais fixados.
do da loucura, por mais esforços que fizesse, não conse-
guia recordar-se de um só verso. Declarou que ouvira 5. XENOGLOSSIA
unicamente uma vez a leitura desta tragédia, quando pe-
queno. Xenoglossia é a faculdade que possui o inconsciente
Para saber até onde chega o poder mnemônico do de falar línguas. Nosso inconsciente é a maior escola de
inconsciente, um passo importante, sem dúvida, é a com- línguas. Em xenoglossia prescindimos da fraude. Por uma
provação de que nosso inconsciente nos recorda coisas que simples fraude pode-se atrair a atenção, durante anos, de
conhecemos quando nem possuíamos o uso da razão. ~ste muitos sábios, como de fato existiram casos concretos.
fato se comprovou muitíssimas vêzes. Prescindimos, também, na xenoglossia imprÓpriamen-
O Dr. MAURY,por exemplo, conta que certa noite so- te dita, da invenção de línguas, línguas perfeitas, línguas'
nhou que era criança e que vivia num povoado chamado que podem parecer marcianas ou do planêta Júpiter ou
Trilport. Ali, imaginou ver um homem uniformizado, que de outros planêtas ou de "Ganimedes", com gramática,
dizia chamar-se ... "fulano de tal". Maury apreciava ana- fonética, sintaxe, etc. Isto pertence ao talento do incons-
lisar seus sonhos. Ainda que não tivesse a menor idéia ciente.
daquele homem nem daquele povoado, onde pensava não Em geral, a xenoglossia é não-inteligente, como um
ter nunca vivido, havia no sonho uma vaga sensação de gravador magnético. Citemos um caso só, dentre muitos.
"já visto". Passado algum tempo se encontrou com a an- Na Califórnla, uma menina recebeu um golpe na cabeça
tiga ama-sêca. Ela lhe disse que, sendo êle muito pequeno, e pelo efeito do golpe principiou a falar chinês. Pergun'"
36 o Q'(JE :S PARAPS!OOLOGIA )'jSCOLA MATERIALISTA 37
taram-Ihe quais as flôres da CalifÓrnia que mais lhe agra- Manifestações semelhantes são relativamente fre-
davam, ao que ela respondeu que eram dois lençÓis, qua- qüentes. Nossos inconscientes retêm, e, muitas vêzes po-
tro lenços, três camisas. Comprovou-se que esta menina dem manifestar, grande número de línguas, especialmente
havia captado inconscientemente o rol de roupas para la- em países de imigração.
var. Quem lavava a roupa da casa era um chinês. A me-
nina, conscientemente, não aprendera nada, mas o golpe
na cabeça lhe abrira a porta de passagem do inconsciente 6. TALEN'l'O DO INCONSCIENTE
para o consciente e, assim, falava perfeitamente as frases
ou palavras chinesas que inconscientemente aprendera .
Somente que, junto com os nomes das peças de roupa,
• Nosso inconsciente, com os inúmeros dados que vai re-
cebendo através das diversas faculdades normais ou pa-
captara outras frases que não designavam flôres da Cali-
rapsicológicas e arquivando pela memória do inconscien-
fÓrnia propriamente ditas ...
te, é capaz de elucubrações fantásticas. Tem-se feito en-
Faculdades do inconsciente, combinadas, dão lugar à quetes internacionais dos diversos pontos de vista. LANG-
xenoglossia inteligente. A Srta. Iris, de 16 anos, de Buda- MUIR estudou os maiores cientistas da humanidade. De-
peste, "morria" em agôsto de 1933. Poucos momentos de- vem a maior parte de suas descobertas ao talento do in-
pois da "morte", não obstante, começava a respirar nova- consciente. Ou eram intuições, ou as sonhavam ... E de-
mente, recuperava os sentidos e terminava por ficar cura- pois necessitavam de muito tempo para demonstrá-Ias.
da por completo. Porém, agora dizia que era Lucía Alta- Os maiores filósofos da humarlidade, como SPINOZA,KE-
res de Salvo, espanhola, que acabava de morrer em Ma- PLER,PASCAL,etc., reconheceram que suas principais ques-
drid, rua Oscuro, n.o 1, que tinha 40 anos e era mãe de tões filosÓficas se lhes ocorreram ou as haviam intuído
catorze filhos ... por um processo que, conscientemente, não deve nada ao
raciocínio. FEHRfêz uma en9J~~te.~ôbre ..Qs~grandes..jmren-
Iris (ou Lucía) começou a falar perfeitamente o es-
tº~~§"~_Qh.ei.oiiàWnclm1ªQ._g!;L.q~_~ll tJ;:.l;L ..'1l? . .ª- ..l-ºº% ...(l()s
panhol sempre e em tôdas as partes. Entretanto, antes
achados d()8...grªpge.sJrl,VentoresJQ:t::ª-:n:ln
s.Q!ll1adosou in tuí-
da sua "morte", Iris não falava absolutamente nada de
dos; sem racioc!l?:!()_..~ons~.~nte. -
espanhol, como testemunharam todos os seus parentes,
professõres e companheiras de colégio.
REALIZAÇÕES DO INCONSCIENTE
INTELIGENTES
Investigações rigorosas, dirigi das pelo Prof. ROTHY, li
'I
presidente do Comitê Nacional e do Conselho Internacional Vejamos um exemplo concreto: BANTING,o célebre
de Investigações ParapsicolÓgicas de Budapeste, compro- médico canadense, sonhando um dia, levantou-se sonâm-
varam que o fenômeno se devia exclusivamente a uma bulo e escreveu as seguintes palavras textuais:
aprendizagem totalmente inconsciente da língua espanho- I "Ligar o conduto principal do pâncreas de um cão de
la, sobretudo a partir da convivência, quando ainda bem I
I' laboratório. Esperar algumas semanas até que a glându-
I
criança, com uma empregada espanhola. la se atrofie. Cortar, lavar e filtrar a secreção".
38 o QUE :thPARAPSIOOLOGIA IIlSCOLA MATERIALISTA 39
No dia seguinte não se recordava de nada daquilo que, grandes inventores e gênios. Desconhecia o inconscien-
sonâmbulo, escrevera. Fêz a experiência, porém, e foi te. E até hoje, todavia, permanecem as palavras "musa"
assim que a humanidade obteve o isolamento da insulina e "inspiração". Diz-se com freqüência: "Hoj e não estou
em quantidade útil. inspirado". Inspirado por quem? Pelo próprio incons-
EGIDIfêz a mesma pesquisa com os grandes artistas, ciente. E, posteriormente, as musas foram substituídas
pintores, mÚsicos, poetas da humanidade. Chegou à mes- por demônios, espíritos dos mortos ...
ma conclusão, às vêzes pelas próprias expressões dos ar- Até agora vínhamos tratando de manifestações do ta-
tistas, outras vêzes por um estudo biográfico. Assim, por lento do inconsciente nos sábios. Recebemos muitíssimos
exemplo, BEETHOVEN acreditava que tinha dentro da ca- dados por via consciente. Não é de estranhar, tanto que,
beça uma orquestra infernal, tão infernal que se tornou quando se abre a porta de passagem do inconsciente para
surdo. Ouvia uma composição musical de dentro para (1 consciente, sucedem fenÔmenos realmente maravilhosos
fora e não precisava mais para transcrevê-Ia para as nos homens eruditos. O fenômeno é mais admirável quan-
pautas. do o talento do inconsciente se manifesta em pessoas in-
COLERIDGE disse que escrevera o seu "Kubla Khan", cultas e analfabetas.
digno do prêmio Nobel de literatura, do comêço ao fim, O inconsciente dos analfabetos possui muitas vias de
dormindo. acesso, muitas faculdades de adivinhação e de captação
LA FONTAINEe CONDILLAC disseram de si mesmos que de dados. Elaborando êsses dados, o inconsciente pode
escreveram trabalhos inteiros inconscientemente. Traba- chegar a manifestações e elucubrações maravilhosas. Isto
lhos que atraíram a atenção de todo o mundo ... sucede em pessoas bem-dotadas, como são chamadas as
que mais apresentam fenômenos parapsicológicos.
MÉDIUNSOU "POSSUÍDOS"
PELOINCONSCIENTE
Partindo unicamente dos dados recebidos por vias
O fenÔmeno tem sido observado em tôdas as épocas, conscientes, dados que o consciente esqueceu por completo
em todos os povos. Assim, por exemplo, já na época gre- ou em parte, porém não o inconsciente, os analfabetos e
co-romana, DróGENEsLAÉRcmestudou o caso de uma pes- as pessoas incultas podem tornar manifesto um incons-
soa que automática e inconscientemente escrevera livros ciente maravilhoso. Estudamos agora, somente o talento
completos de filosofia estóica. do inconsciente em pessoas incultas a partir dos elemen-
,\
PLATÃcO e XENOFONTE compreenderam que aquêle gênio I tos colhidos por vias normais.
que Sócrates acreditava ouvir não era um gênio, mas o
próprio talento do seu inconsciente .. UMA VIAGEMA MARTE
Porém, a mentalidade simplista do povo nunca caiu
na conta do valor do inconsciente e por isso inventou as Em uma sessão de espiritismo, a Srta. Müller, que o
musas da pintura, da poesia, da retórica, da música, etc.: investigador FLOURNOYapresentou com o pseudÔnimo de
uma espécie de deusas que inspiravam os artistas, os Helena Smith, ofereceu uma prQsopopéia em ambiente es-
mil
40 o QUE É PARAPSIOOLOGIA II;:-;COLA MATERIALISTA 41
pírita, uma dramatização, como se houvesse feito uma junções negativas e interpunham a consoante "m" entre
viagem a Marte, e disse que trouxera de lá a língua mar- o verbo e o pronome.
ciana. A distribuição das consoantes e das vogais era exata-
Flournoy recolheu 41 textos marcianos e os publicou mente a mesma. Onde no francês se coloca, por exem-
com a tradução ao lado. Não se conhece nenhum cien- plo, o som "t", no marciano aparecia "m"; onde no fran-
tista, nem da Europa, nem da América que percebesse que eês se coloca o som "8", no marciano aparecia "r", mas
não se tratava de uma língua realmente extraterrena e a mesma distribuição entre vogais e consoantes, o mesmo
sim da elaboração inconsciente desta língua, feita a partir número de sílabas em cada palavra e idêntico número
do francês, única língua que Helena Smith conhecia por de letras em cada sílaba.
vias conscientes. Era uma língua perfeita, tinha gramá-
Por conseguinte, trata-se, sem dúvida, de uma imita-
tica, sintaxe, prosódia, fonética, estilo especial, combina-
ção do francês. Porém, tudo foi construí do de memória,
ção especial de caracteres, dicionário completo. Enfim, sem tomada de notas. Uma língua perfeita, inventada
parecia uma língua perfeita.
por uma pessoa inculta, em seis meses, enganando a to-
dos os sábios alheios à Parapsicologia. I
o MISTÉRIO É DESVENDADO
As MARAVILHAS DO "TREINAMENTO"
Os investigadores que haviam acompanhado o caso
desde o início, foram observando que se tratava única e ex- Depois de seis meses neste entretenimento, Flournoy
clusivamente de uma cópia do francês. O chamado mar- deu algumas sugestões, criticou a língua mar:ciana, para
ciano era, no princípio, um pseudomarciano, um quebra- ver até onde podia chegar o talento do inconsciente de
-cabeça desordenado, uma pueril imitação do francês. Po- Helena Smith. Atacou o som "ch", a sintaxe, a constru-
rém, seis meses mais tarde já se havia desenvolvido sufi- ção das frases, etc., que eram tiradas evidentemente do
cientemente a abertura do inconsciente, do talento do
francês. E, em uma nova "viagem interplanetária", surge
inconsciente de Helena Smith, e apresentou uma língua uma língua completamente diferente, nova, com uma
mais aperfeiçoada, que aquela que acabamos de men- construção distinta do francês, sem nenhum "ch" nem
cionar.
outro aspecto dos que haviam sido criticados. E isto ocor-
Tinha sintaxe, porém era a sintaxe francesa ao pé da reu em apenas 17 dias. Importa já um talento do incons-
letra. Por exemplo, a ordem marciana da construção das ciente mais desenvolvido em suas manifestações.
frases e a ordem francesa era exatamente a mesma, até Fazem-se novas sugestões para viajar a outros planê-
nos mínimos detalhes. Detalhes característicos da sintaxe tas e Helena vai a Saturno, à Lua, a Plutão, a Mercúrio,
francesa, como separar o "ne" do "pas", na negação, ou a todos os planêtas do nosso Sistema Solar e vai trazendo
colocar a consoante "t" entre o verbo e o pronome (exem- as línguas daqueles planêtas. Línguas totalmente perfei-
plo: "quand viendra-t-il?"), se observavam igualmente no tas, completas, diferentes entre si, com sintaxe, gramáti-
marciano, que também separava as duas partes das con- ca, fonética, dicionário completo, etc.
42 o QUE :G1PARAPSIOOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 43
Chegava a inventar estas línguas no curto espaço de cálculo são relações fixas). Manifesta-se em analfabetos
um dia. Faziam-se sugestões para que ela fôsse com a e em crianças. Porém, também os grandes inventores,
imaginação a outros planêtas e, no dia seguinte, vinha pensadores, cientistas e artistas devem ao inconsciente as
com a língua completa, mas de acôrdo com as sugestões melhores de suas realizações. As pesquisas neste campo
de contraprova que os parapsicólogos faziam. Significa têm sido particularmente exaustivas. Recentemente nos
realmente um talento maravilhoso inventar em um dia EE.UU., grupos de parapsicólogos profissionais se dedica-
uma língua completa, perfeita. E tenhamos em conta ram com exclusividade ao estudo do talento do incons-
que, neste primeiro ano de treinamento de Helena Smith, ciente, como a fundação Menninger, a partir de 1961, es-
elaborava somente línguas a partir dos elementos que ha- pecializada em "criatividade e parapsicologia", fundação
via captado, por vias conscientes, do francês e das outras mantida pelo fundo Itleson.
línguas com as quais modificara o francês. Poderá se ERNESTO BIONDIresumiu admiràvelmente, dizendo que
compreender que o talento do inconsciente de Helena os grandes talentos da humanidade eram "médiuns pos-
Smith chegará a têrmos realmente monstruosos quando suídos pelo seu próprio inconsciente".
não somente elaborar a partir dos dados recebidos cons-
cientemente, mas comece a manifestar o talento do in- FENÔMENOS
EXTRANORMAIS
DEEFEITOS
FÍSICOS
cbnsciente a partir dos dados captados por HIP, por tele-
patia, por conhecimento do futuro, etc., que neste primei- Entre os fenômenos parapsicológicos que se chama-
ro ano de desenvolvimento ainda não manifesta. Porém ram "extranormais", temos aludido aos principais fenô-
depois, com três ou cinco anos de exercício, terá quase menos de conhecimento, que explicamos mais amplamen-
tôdas as faculdades parapsicológicas de conhecimento. te no livro "A Face Oculta da Mente". porém, existem
Compreender-se-á que chegue a ter elaborações realmente outros fenômenos extranormais de efeitos físicos: ruídos
fantásticas. ou movimentações de objetos a curta distância, como nas
chamadas "casas mal-assombradas", contatos ou ventos
Se nos deparássemos, de repente, com um caso dêstes, frios em locais completamente fechados, formas amorfas
de uma língua inteira, completa, perfeita, inventada em ou mais ou menos definidas de mãos ou outros objetos
um dia, fàcilmente nos deixaríamos levar à superstição, que surgem "misteriosamente", impressões em fotografias
à interpretação apriorística de que o fenômeno se devesse ou em substâncias moles, levitações do corpo humano, lu-
aos demônios ou aos espíritos dos mortos, quando na rea- zes e globos luminosos ... Tudo isto vamos resumir nas
lidade é exclusivamente talento do inconsciente dos vivos.
páginas que seguem e constituem a matéria do nosso li-
Deixemos, pois, a investigação parapsicológica aos espe- vro, em dois volumes, "As Fôrças Físicas da Mente".
cialistas: primeiramente estudaremos a teoria, só depois
poderemos investigar. 7. TELERGIA
'0 talento do inconsciente se manifesta com freqüên-
cia, especialmente, na aritmética ou em campo equiva- MYERSpropÔs a palavra "telergia" (tele = longe;
lente, onde a explicação é mais compreensível (ritmo e ergon = ação, trabalho). Designava a excitação que de-
'li
44 o QUE 1!JPARAPSICOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 45
vem receber os centros motores e sensoriais da pessoa, de plesmente dizer que a telergia é uma exteriorização, é uma
um modo mais ou menos direto (que poderíamos chamar transformação das energias fisiológicas, podendo ser, às
telérgico); dando assim um sentido mais preciso à pala- vêzes, uma espécie de energia, outras vêzes uma diferente,
vra que propusera anteriormente, como correlativa à pa- ou diferentes espécies das variadas fÔrças (ou nomencla-
lavra telepatia. turas) que podem ser determinadas em nosso organismo:
Há, no entanto, muita discussão quando se trata de elétricas, magnéticas, caloríficas, musculares, nervosas,
determinar exatamente o tipo de energia que se libera vitais, motoras, plásticas, etc.
nos fenÔmenostelérgicos. Entretanto, é possível encontrar Portanto, os fenômenos parapsicológicos de efeitos
um denominador comum. Muitos investigadores antigos físicos, extranormais, sejam quais forem, não seriam mais
se inclinam a definir a telergia como uma fÔrça análoga, que exteriorizações e transformações da energia do orga-
porém não idêntica, à eletricidade ou ao magnetismo. Es- nismo do dotado: a essa energia fisiolÓgica,exteriorizada
ta teoria se manteve entre muitos investigadores modernos. e transformada para realizar fenômenos parapsicolÓgicos,
nós a chamamos telergia.
ANALOGIA
A TELERGIA
MATERIAL
Examinando a diferença entre a telergia e o magne-
tismo ou a eletricidade, porém, ao mesmo tempo, compro- A telergia, como se deduz do que foi exposto até ago-
vando as analogias apresentadas algumas vêzes, alguns ra, é algo material; sua sutileza, contudo, pode ser, em
pesquisadores elaboram a teoria da "bio-eletricidade". determinadas circunstâncias, muito notável.
A natureza da telergia é uma espécie de eletricidade, Assim, por exemplo, o doutor russo ~OUNEVITC'H com-
que não se submete, contudo, às leis físicas comuns que provou que a telergia (ou raios Y) emanada de certos do-
governam a eletricidade. Pelo contrário, apresenta asca- tados, atravessava chapas metálicas com um poder de pe-
racterísticas peculiares da vida: os efeitos dessa "eletrici- netração superior ao dos raios X e ao dos raios gamma
dade" especial dependem da vontade inconsciente dos do- do rádio. A telergia atravessava até chapas de chumbo de
tados. Não eletricidade, mas bio-eletricidade. A telergia três centímetros de espessura, colocadas a um metro de
(ou energia biótica, como é chamada nesta teoria) produ- distância do dotado em transe. Chapas espessas a uma
ziria seus efeitos de um modo análogo à eletricidade está- distância notàvelmente maior, não eram atravessadas.
tica, como se o corpo do dotado estivesse carregado de Com a interposição destas chapas, os efeitos do raio Y
alta tensão. Em tôrno do corpo do dotado se formaria um diminuíam.
campo eletromagnético especial. Isto nos mostra que a telergia possui uma grande
Segundo nosso ponto de vista, a telergia está consti- penetração, e nos mostra também que é material, dado
tuída de f6rças complexas. Estas fôrças variam conforme que se lhe pode opor obstáculos materiais.
as circunstâncias. O melhor, o que será aceito por todos
os investigadores que estudaram a questão a fundo, é sim-
'-
46 o QUE :Gl PARAPSlCOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 47
A mãe assustada, apesar da plena tranqüilidade e do Sôbre a demonstração de como produziram os "raps",
riso das meninas, quis prová-Ias e disse aos ruídos que um grande matutino nova-iorquino comentava no dia
lhe dissessem a idade de suas filhas menores: ouviram-se, seguinte:
em seguida, oito "raps"; depois de uma pequena pausa, "Foi colocado diante delas um banco de madeira ou
soaram outros sete "raps"; e se ouviram mais três que mesinha de pés curtos, com as propriedades de uma caixa
correspondiam à idade da filhinha que falecera. de ressonância. Tirando o sapato, a senhora Fox-Kane
A mãe ficou completamente desconcertada e, sendo colocou o pé direito sôbre a mesinha. Tôda a platéia con-
supersticiosa, perguntou em seguida: "É algum ser vivo teve a respiração e foi recompensada por uma série de
que responde tão corretamente às minhas perguntas? Em "raps" secos e fortes, aquêles mesmos sons misteriosos
caso afirmativo, dê dois golpes". Não houve resposta. que durante mais de quarenta anos assustaram e descon-
Perguntou então, e êste é o momento exato do comê- certaram milhares de pessoas neste país e na Europa. Uma
ço do espiritismo: "É uma alma?" Imediatamente se ou- comissão composta por três médicos, escolhidos dentre o
viram dois golpes secos e claros. público, subiu ao palco e depois de examinarem o pé da
- "É uma alma do inferno?" Sra. Fox-Kane, enquanto golpeava os "raps", concordou,
sem duvidar, que os ruídos eram produzidos pela aç'ão da
Dois golpes.
primeira articulação do dedo polegar do pé".
Com o mesmo sistema, depois de obtida a autorização
Porém, as irmãs Fox faziam fraudes não sÔmente com
da alma penada para que viessem os vizinhos, continuou
o dedo do pé. Muitos anos antes da retratação, em feve-
a sessão de espiritismo. reiro de 1851, uma comissão de médicos de Buffalo com-
provava que elas também produziam "raps" com as arti-
RETRATAÇÃ:O DAS IRMÃs Fox culações dos joelhos e dos tornozelos.
Contudo, em 1888, as irmãs Fox, então ambas já viú- DEDOS PSICO-ATIVOS
vas, cansadas e cheias de remorsos, retrataram-se publica-
mente. Margaret preparou a retratação mediante uma en- Já vimos que a telergia é, em alguns pontos, análoga
trevista feita num grande jornal de Nova York. à eletricidade ou ao magnetismo. A telergia, sob a dire-
Depois das entrevistas nos jornais veio a retratação e ção da vontade inconsciente, atua anàlogamente à eletri-
demonstração públicas, ao vivo, no grande palco da Aca- cidade ou ao magnetismo, na estrutura interna da madei-
demia de Música de Nova York, na noite de 21 de outu- ra, e dá origem a certos tipos de "raps". Sob a ação da
bro de 1888. telergia mesas e outros objetos de madeira tornam-se co-
O texto da retratação se conserva publicado no livro mo que carregados de magnetismo ou eletricidade.
de Davenport, recebido das próprias irmãs Fox, que, tam- Um caso recente e bem controlado é de PRINCEcom
bém, deram autorização escrita por elas mesmas, para a Stella: uma mesa de um metro, cujas táboas estavam tô-
publicação de todo o caso. das ensambladas e sÔlidamente unidas, quebrou-se em pe-
52 o QUE P1PARAPSIOOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 53
gico. A etimologia se refere à ausência de um contato recem sair do corpo ... As vêzes, vêem-se êste ectoplas-
normal. Somente neste sentido a telecinesia é uma ação mas organizando-se pouco a pouco ... " Ectoplasmia de-
à distância. signa o fenômeno. Ectoplasma, a substância.
A telecinesia, como todos os fenÔmenos parapsicológi- Podemos analogar (sõmente analogar) a ectoplasmia
cos, além do aspecto meramente físico ou de movimenta- com o mundo animal. Assim, por exemplo, algumas aves
ção de objetos pela telergia, tem outro aspecto psíquico: de rapina da família das catártidas (como a catarta negra
o fenômeno é dirigido pela mente, pelo psíquismo, que da Venezuela) durante a digestão expelem pelas narinas
deixa no fenômeno sinais de sua inteligência, vontade e um líquido viscoso, branquicento, que se parece com o
demais qualidades. ectoplasma. Do mesmo modo há analogia com as propa-
A êste conjunto de qualidades psíquicas do dotado, gações protoplasmáticas das amebas.
geralmente inconscientes, que acompanham ou, melhor, O ectoplasma deve ser considerado como um fenôme-
que dirigem os fenômenos parapsicológicos, chamamos no de condensação da telergia no sentido amplo em que
psicobulia (psiché = alma; bulé = vontade e reflexão). a levamos em conta.
Num primeiro estado de condensação, a telergia não
passa de um fluido ou de uma pequeníssima radiação hu-
11. ECTOPLASMIA mana, porém, sempre sendo um verdadeiro fenômeno me-
ta fisiológico. Em tal estado inicial de condensação, so-
Conhecemos a telergia, que poderíamos descrever co- mente é perceptível mediante técnicas e aparelhos deli-
mo uma fôrça psicofísica exteriorizada. Algumas vêzes cadíssimos, sendo capaz de realizar somente pouquíssimo
trabalho.
esta fôrça está condensada, como já vimos, apresentan-
do-se até visivelmente. Uma fôrça condensada, dirigida
pela psicobulia e dependente dela, teoricamente poderia QUALIDADE EXTERNA: FôRÇA
ser modelada. Ao menos a telergia visível possui diver-
sas formas ... O ectoplasma pode manifestar considerável fÔrça, co-
A exteriorização desta substância, a sua formação ex- mo aliás se deduz de alguns efeitos, já estudados, de te-
terna, mais ou menos modelada ou modelável, recebe o lecinesia. Nas experiências do Dr. CRAWFORD, entre outras
nome de "ectoplasmia" ou, em concreto, ectoplasma, que comprovou-se que as telecinesias se realizavam por meio
deriva do grego ectós = fora e plasma = coisa formada do ectoplasma em forma de alavanca.
ou modelada. O têrmofoicriado por RrcHET: "Inicialmente Crawford provou que a fôrça e agilidade desta ala-
uma massa -confusa, mais ou menos informe ... São estas vanca ectoplasmática é muito grande. Vejamos uma des-
formações difusas que eu chamo ectoplasmas, porque pa- crição, como exemplo:
58 o QUE :d1PARAPSIOOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 59
"ultimamente, grande número de pessoas assistiram zes que se pretendeu agarrá-Io, desvaneceu-se entre as
a êstes fenÔmenos e não houve ninguém que não ficasse mãos (exceto, é claro, nos casos de fraude, onde se agar-
bastante impressionado. 'O visitante usual é convidado rou sêda, etc.). Dissipou-se entre os dedos de Crookes,
habitualmente a entrar no -círculo, a segurar a mesa volatilizou-se na mão de Bisson, etc.
quando esta está imóvel e a tentar mantê-Ia imóvel. Co- Em segundo lugar, o ectoplasma, a julgar por suas va-
meça então a luta. Se o visitante possui músculos fortes riadíssimas funções, e segundo o parecer de todos os es-
e concentra o seu pêso exatamente no meio da mesa, po- pecialistas, é energia transformada e não, propriamente,
derá consegui-Io por um momento. Porém, antes ou de- um composto químico.
pois, a mesa lhe escapa, salta, se inclina, gira, e se a
pressão muscular diminui, a mesa se levanta pelo ar. 12. ECTO-CüLü-PLASMIA
Então, poucas pessoas conseguem fazê-Ia baixar, apesar
dos esforços empregados. Depois desta luta, a mesa volta 'O ectoplasma, como "argUa psíquica", teoricamente
tranqüilamente ao chão e o visitante é convidado a sen- ao menos, poderia ser maleado para representar diversas
tar-se sôbre ela. Não tarda muito tempo e, ao cabo de um figuras. Conforme fôssem os tipos de reproduções, o fenÔ-
momento, a mesa se levanta sÔbre dois pés e o faz resva- meno seria classificado com diversos nomes.
lar para o chão". 'Os nomes em uso ou, em outros casos, os que melhor
'Ou pelo contrário: "'O pêso da mesa pode ser aumen- indicariam os diversos tipos de modelagem do ectoplas-
tado a tal ponto (pela pressão do ectoplasma) que um ma, seria: ecto-colo-plasmia, transfiguração, fantasmogê-
homem vigoroso não pode erguê-Ia ... Uma prova usual, nese e materializaç'ão. Vamos distingui-Ios bem:
imposta aos visitantes, é fazer-Ihes sujeitar a mesa en- Ecto-colo-p'lasmia:É o ectoplasma modelado em for-
quanto ela se encontra suspensa a uma altura aproxima- ma de membros ou partes de pessoas, animais ou objetos.
da de 50 'centímetros, a fim de impedir que volte ao solo. No conceito de ecto-cólo-plasmia, depois da exposição do
Não o conseguirão". fenômeno veremos que se pode incluir certo rudimentaris-
Ê:ste tipo de ectoplasma é geralmente invisível. E mo na reprodução. A parte ou o membro "modêlo" não se
quando se faz visível e fotografável, apresenta uma es- reproduz inteira e perfeitamente (defenderemos que tal
trutura mais ou menos nebulosa, transparente, etc. fenÔmeno perfeito não existe).
'O membro ou parte dêle é reproduzido rudimentar e
ESTRUTURA INTERNA imperfeitamente sem a verdadeira densidade e configu-
ração da realidade que se trata de reproduzir. Uma vez
Sôbre a análise interna da substância, tôdas as ten- afirmado êste rudimentarismo, defenderemos o fenômeno
tativas sérias fracassaram. Tal análise parece ser até con- como possível.
traditória, porque isto implicaria conservar um pouco de Fantasmogênese: Consiste na reprodução ectoplasmá-
ectoplasma para o laboratório. Porém, o ectoplasma, sem- tica eompl@tade um "fantasma" de pessoa, animal ou coi-
pre, é reabsolvido pelo organismo do dotado. TÔdas as vê- sa. 'Overdadeiro fantasma não é uma aparição meramen-
60 o QUE 1!JPARAPSlCOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 61
te subjetiva. O fantasma possui certa consistência mate~ que os especialistas decidam, antes de mais nada, se tudo
rial, porém tênue, mais ou menos transparente com pou- é fraude ou não. Abandonar a investigação porque é di-
quíssimo pêso em comparação com o pêso do modêlo re- fícil, dadas as muitas fraudes, é urna atitude comodista
produzido. Defenderemos também êste fenômeno corno e pouco científica.
possível.
CASO BÍBLICO
Transfiguração: Consiste numa simples modificação
do próprio corpo do dotado. Não é urna pessoa nova que
é materializada. Seria o próprio dotado revestido de A Bíblia refere um caso típico de ecto-colo-plasmia:
ectoplasma e inclusive corporalmente modificado, repre- "O rei Baltasar deu urna festa para seus mil nobres ...
sentando outra pessoa. Defenderemos êste fenômeno co- Eis que surgiram defronte do candelabro os dedos de mão
rno possível. humana, escrevendo sôbre o revestimento da parede do
palácio real. O rei, vendo esta extremidade de mão que
Materialização: Seria a reprodução perfeita de um escrevia, mudou de côr ... (Dan 5,1 e 5).
nôvo ser. O ser materializado, ao se tratar de um ser vivo,
Não entramos em discussão para saber se aqui se
teria tôdas as principais características do ser vivo: pêso,
trata de urna página histórica ou talvez da reprodução
movimento, respiração, calor, etc. Nossa posição diante
de urna lenda com fins instrutivos. Em todo caso, a pas-
dêste tão falado fenômeno é que êle não é real.
sagem nos mostra que naquela época a ecto-colo-plasmia
Ecto-colo-plasmia é mais um neologismo. Transfigu- era considerada possível, real e até não rara, urna vez que
ração, fantasmogênese e materialização são têrrnos já an- havia técnicos para a interpretação dêstes fenômenos:
teriormente usados na Parapsicologia, ainda que com sig- "O rei gritou violentamente para que fizessem vir os ma-
nificados nem sempre precisos e idênticos aos que lhes gos, os caldeus e os astrólogos" (Dan 5,7).
correspondem pela etimologia e pelo uso mais generali-
zado entre os poucos teóricos que os distinguem. 11
O FENÔMENO NÃO É DO ALÉM
Formamos a palavra ecto-colo-plasmia incluindo sim-
plesmente na palavra ectoplasmia o têrmo "'colo", do gre- Sendo a ecto-colo-plasmia na realidade um aspecto da
go "kolon", que significa "membro de pessoa ou de ani- ectoplasmia, ela, corno a ectoplasmia, depende totalmen-
mal", e, por extensão, "parte de um objeto". Ecto-colo- te do dotado.
-plasmia, portanto, etim01ôgicamente significa o conceito Corno na ectoplasmia também, logicamente, na ecto-
em vista: a telergia condensada e maleável (plasma) ex- -colo-plasmia se verificou muitas vêzes que o ectoplasma
teriorizada (ecto) para formar um membro ou parte de perde pêso durante a aparição dos membros, se êstes não
algum ser (colo). se mantêm integralmente sôbre o próprio dotado, mas se
Corno sempre também na ecto-colo-plasmia a fraude apóiam em algum objeto externo.
deve ser levada em conta. A fraude, contudo, n'ão deve Outro fato observado com freqüência e que mostra
intimidar a investigação, pelo contrário: o público espera também que a ecto-colo-plasmia é urna exteriorização,
62 o QUE 1!JPÃRAP8IOOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 63
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64 o (jJUE 111 PARAPSICOLOGIA
ESCOLA MATERIALISTA 65
TRANSFIGURAÇÃO PARCIAL
14. TRANSFIGURAÇÃO
A transfiguração não necessitaria ser de todo o corpo.
A transfiguração consiste na metamorfose do próprio Bastaria ser, por exemplo, do rosto ou de alguma parti-
corpo do dotado. Não é uma nova pessoa que se mate- cularidade dêle, para produzir, sÓmente com isso, a im-
\ rializa é o próprio dotado externamente modificado e re- pressão de que' o dotado é outra pessoa.
vestido de ectoplasma, de modo que representa outra pes-
soa, real ou fictícia. Convém ter presente o conceito de Um periódico espírita publicava, há muitos anos, urna
carta interessante: "A senhorita Crooker, médium muito
transfiguração para não aplicar a outros fenômenos se-
melhantes o que vamos dizer sôbre ela. estimada em Chicago... sob a direção do seu espírito-
-guia (?) começou, há meses, urna série de sessões para
Na transfiguração, o que aparece é o próprio corpo o desenvolvimento de urna nova fase da mediunidade.
do dotado, em oposição à materialização, que seria uma Suas sessões eram circunscritas à sua família. Urna tar-
"nova pessoa", um corpo diferente. A transfiguração e de, quando o fogo da lareira projetava urna linda clari-
a materialização são freqüentemente confundidas e dão dade e quando a luz da Lua chegava também ali, ela se
origem às afirmações mais díspares e errôneas. transformou: sua fisionomia mudou completamente de
Em transfiguração, evidentemente, há de haver algu- tamanho, forma e aspecto. Seu rosto encheu-se de espês-
ma diferença entre o dotado e a aparição. De outra for- sa barba negra. Todos os que se encontravam à mesa
ma não poderíamos falar de ttansfiguração. Não obstante, viram o mesmo".
66 o QUE 1h PARAPBICOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 67
"Seu genro sentado perto, quando ela lhe volveu o Ias que foram assistidas pelo DI'. William Crookes. Pres-
rosto, disse: "Qh, mas é meu pai!" Depois êle declarou cindimos, nas experiências dirigidas pelo Sr. Luxmore, em
que a imagem era exatamente a de seu pai, que morrera". seu círculo espírita, de tudo aquilo que não foi confirma-
"Pouco depois, a Sra. Crooker se transformou em uma mado experimentalmente por Crookes. Pois bem, escreve
mulher de cabelos brancos. Estas metamorfoses se opera- a Sra. Ross-Church:
vam pouco a pouco, enquanto as testemunhas observavam "As pessoas que assistiam às sessões pediam muitas
atentamente a médium ... Ela conservava a consciência vêzes a Katie que 1hes desse um pedaço de seu vestido co-
de si mesma, porém experimentava a sensação viva de mo recordação. Ela distribuía de boa-vontade êstes peda-
pontadas por todo o corpo, exatamente como se segurasse ços, que cada um levava. Algumas pess.oas, inclusive, ti-
os pólos de uma pilha galvânica". veram a precaução de colocar o tecido em um envelope
Mera alucinação? Exageração? Fraude? Não possuí- fechado. porém, ao entrarem em suas casas, o pano havia
mos nenhum dado a respeito dos métodos de observação desaparecido para grande surprêsa das ditas pessoas".
empregados, nem atas das experiências. Nem sequer fo- Em outras ocasiões, a reabsorção era feita à vista dos,
ram assistidas por algum observador ou investigador de assistentes:
confiança ... "Uma noite, quando Katie rasgou muito seu vestido,
Vimos que a ecto-colo-plasmia é possível. Tenhamos, eu lhe disse que êle necessitaria de grandes reparos. Ela
pois presente que uma transfiguração co'moa descrita não explicou: "Vou mostrar-lhes como trabalhamos no mundo
é mais complicada e difícil que uma ecto-colo-plasmia e, dos espíritos" (?!) Levantou parte do seu vestido e o re-
inclusive, menos que esta. cortou com a tesoura, fazendo cêrca de quarenta buracos.
Depois perguntou: 'Não é uma bonita peneira?'"
ANÁLISE DA TRANSFIGURAÇÃO Estávamos muito perto dela. Vimo-Ia então sacudir
a saia suavemente (outra testemunha disse que foi com
o mesmo que dizíamos nos capítulos anteriores, temos fôrça) e depois todos os buracos desapareceram sem deixar
que repetir a propósito da absorção do ectoplasma trans-
figurador nos fenômenos de transfiguração. Assim como o menor vestígio.
um verdadeiro ecto-colo-plasma (verdadeiro enquanto que Notando nossa admiração disse: "Cortarei meus ca-
é diferente de truques ou inclusive de outros fenômenos, belos". Naquela noite, Katie tinha o cabelo escorrido até
como "aporte") não pode ser conservado, porque necessà- a cintura. Tomei a tesoura e me pus a cortá-Ios seria-
riamente será reabsorvido pelo médium; do mesmo modo, mente, tão rápido como podia (exagêro: na realidade, se-
não se pode conservar nenhuma parte do ectoplasmatrans- gundo as outras testemunhas, quem cortou foi a própria
figurador de uma verdadeira transfiguração. Katie, ou seja Cook transformada). Ela dizia: "Cortai
Por exemplo, a sra. Ross-Church (Florence Marryat) mais" 'cortai mais, não para vós, bem o sabeis já que não
foi testemunha de muitíssimas aparições de Katie King. o podereis guardar". Cortei, então, mecha por mecha
Entre elas, claro está, consideramos principalmente aque- (exagêro: não cortou tudo, mas sÓmente as pontas, a
, ,
68 o QUE S PARAPBIOOLOGIA I
ESCOLA MATERIALISTA 69
I
na verdade, que a materialização não existe. Dêstes ca- mogênese, porém não a materialização.
sos se deduz que nem os melhores dotados, nas melhores
circunstâncias, nem cientistas conceituados, com todos os A "OUTRA"PERSONALIDADE
seus esforços, jamais conseguiram nenhuma materializa-
ção. ii:stes s'ão os fatos. Segundo os espíritas, o fato de que as "materializa-
ções" possuam todos os atributos intelectuais capazes de
O próprio conceito teórico da materialização é inad-
caracterizar uma individualidade física, somente poderia
missível. Sem nos determos demasiado em teorias, vamos ser explicado por meio de possessão temporal (do mé-
fazer algumas considerações acêrca do conceito em si, ou dium) por uma entidade inteligente, de origem desconhe-
da "explicação" teórica da materialização. cida", como dizia ROCHAS. Ou, como dizia BOZZANO,"for-
- A teoria da materialização se opõe a um princípio cien- ça a conclusão de que a idéia diretriz ou a vontade em
tífico universal: a economia das hipóteses. Para explicar as ação é completamente estranha ao médium e aos assis-
aparições por materialização, devemos supor primeiro, que tentes". A ciência demonstra o contrário.
todo o médium, ou quase todo, foi desmaterializado sem O Dr. E. PASCALrelata a observação de um médium
que isto lhe acarretasse a morte definitivamente. E depois, que revelou o desejo de entrar em comunicação com uma
70 o QUE J1J PARAPSICOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 71
irmã falecida recentemente, porém, que, na realidade, não Porém, no ano de 1960, a parapsicologia materialista
havia existido: êle lhe deu o nome de Ivone e, pouco tem- tropeçou na Universidade de Leningrado: BECHTEREV e
po depois, guiado pelo espírito de um médico hindu (? I) , VASSILIEV tentaram tocar nesse ferro.
o médium anunciou a presença de um nôvo espírito. :mste No campo eletromagnético é conhecido o efeito da
falou com voz feminina, apresentando-se como Ivone, e "gaiola de Faraday", dentro da qual se anulam as ações
referindo-se a seus pais, relatou particularidades interes- de indução e não se pode detectar ondas de nenhum tipo.
santes da vida da família de Pascal, que êste já havia Um pequeno receptor radiofônico, por exemplo, introdu-
esquecido. O Dr. Pascal, que se ocupou especialmente de zido pouco a pouco dentro de um recipiente metálico: sua
fenômenos metapsíquicos, mostra que todos êstes fatos música diminui de intensidade até desaparecer, quando
põem em evidência a origem sugestiva das personalidades estiver totalmente envolto pelo metal. Pretendendo evi-
mediúnicas (nascidas do inconsciente do médium que cap- denciar que a chamada telepatia era uma transmissão de
ta parapsicolÔgicamente os dados, inclusive de pessoa e lu- ondas eletromagnéticas cerebrais, um agente telepático foi
gares distantes). E acrescente-se que a extraordinária introduzido na "gaiola de Faraday". Ocorreu, entretanto,
objetividade e a intensa realidade destas personalidades, que as transmissões telepáticas continuaram, sem serem
que puderam enganar argutos observadores acêrca de sua afetadas por êstes obstáculos físicos. Daí nasceu, ao lado
exata natureza, são provas da fôrça que pode ter a su- da cátedra de Parapsicologia da Universidade de Lenin-
gestão inconsciente (ou, em geral, prosopopéia) no transe grado, e sob a direção do Praf. Vassiliev, o "Instituto para
mediúnico. a Investigação de Fenômenos Parapsicológicos Remotos".
O Instituto conta com um número considerável de cola-
I "
ESCOLA ESPIRITUALISTA
FENÔMENOSPARANORMAIS
DE CONHECIMENTO
1. PSl-GAMMA
ma, em contraposição ao conhecimento próprio do corpo, Todos já ouviram falar de casos como, por exemplo,
dos sentidos. do naufrágio do transatlântico Titanic que foi anunciado
O Dr. PRATTmanejava um conjunto de cartas de um detalhadamente pelo Sr. O'Connor. A queda do dirigível
baralho Zener, no atual edifício da Faculdade de Ciências Alitália havia sido anunciada também com todos os de-
da Universidade Duke. Ao mesmo tempo, o Dr. JERBERT talhes. Mais recentemente, a morte de John Kcnnedy
PEARCE estava em outro edifício, onde fica a atual sala de havia sido prenunciada pela Sra. Dickson... Em tôdas as
leitura, no fundo da biblioteca da Universidade. Antes épocas e em todos os povos, há mães que pressentem e
de se dirigirem -cada qual ao seu respectivo lugar, sincro- anunciam com todos os pormenores a morte ou acidentes
nizavam seus relógios. Uma vez nos seus gabinetes o Dr. de seus filhos ou sêres queridos. Adivinhos como Gerard
Pratt baralhava cuidadosamente as cartas e colocava de- Croiset ou como o Sr. S'chackleton ou como a Sra. Stewart
pois o baralho no canto esquerdo da mesa. No momento são "cobaias" de laboratórios universitários de parapsico-
combinado para o início da prova, o Dr. pratt pegava a logia. Expressam o passado, o presente e o futuro casual
primeira carta e, sem olhá-Ia colocava-a com a figura pa- e livre, minuciosamente, e acertam em muitos casos, além
,li ra baixo sôbre um livro, no meio da mesa. Esperava um
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minuto. Depois retirava a carta, sem olhá-Ia e a passava do previsto pelo acaso.
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ao ângulo direito da mesa, sempre com a figura para bai- Com estas demonstrações provou-se cientIficamente
xo. Imediatamente, fazia o mesmo com as cartas seguin- a existência no homem de uma faculdade espiritual de
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iil' o símbold da carta que, segundo seu parecer, o Dr. Pratt mente freqüentes, sobretudo quando se trata de aconteci-
havia retirado nesse minuto. No conjunto de 300 tentati- mentos estranhos em tÔrno de pessoas queridas. A emo-
vas, o Dr. Pearce acertou 119 vêzes. O lógico era esperar, tividade rompe a porta da passagem do inconsciente ao
por acaso, em 300 tentativas 60 acertos. O Dr. Pearce, não consciente. O talento do inconsciente se encarrega de dra-
obstante, conseguira 119 acertos, quase a metade dascar- matizá-Ios como provenientes do demÔnio, dos espíritos
tas. A possibilidade de tal resultado, segundo a estatís- dos mortos, inclusive de fictícias entidades do além, segun-
tica matemática, está expressa por uma fração de 1 sôbre do o ambiente.
a unidade seguida de 15 zeros. Fizeram-se milhares e até
milhões de experiências de laboratório, e análises cientí- Uma jovem de Campinas (São paulo-Brasil), desper-
ficas de milhares de casos espontâneos. Casos existem em ta de repente e verifica no relógio de cabeceira que são
que o conhecimento se deu a muitos quilômetros de dis- 6 horas e 35 mino Ao sentar-se na cama, vê refletido no
tância, apesar de quaisquer obstáculos, conhecimento do espelho do guarda-roupa a imagem de seu noivo, que de-
passado e do futuro. veria estar a 300 km de distância.
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76 o QUE :2 PARAPSICOLOGIA . ~ ESCOLA ESPIRITUALISTA 'n
Ocorreu que o rapaz sofresse um acidente e fôsse ignoramos se de fato conhecemos êste futuro direta ou
quase atropelado por um caminhão. Seu relógio se que- sÓmente indiretamente, tal conhecimento não deve ser
brou no momento do acidente: marcava exatamente 6 ho- classificado eomo precognição, a não ser em uma classi-
ras e 35 mino ficação prática.
Um conhecimento de psi-gamma irrompe durante o
sono (estado que facilita a pereepção consciente das capta- ESPIRITUALIDADE
ções inconscientes). Despertada a percipiente, a percepção
inconsciente se projeta sôbre o espelho (as superfícies lisas Esta faculdade de conhecimento que chamamos pa-
e brilhantes, como água, vidro, bolas de eristal, etc., faci- ranormal não é influenciada pela maior ou menor distân-
litam a projeção de percepções inconscientes). cia entre o objeto conhecido e a pessoa que conhece. Por
Esta faculdade do nosso inconsciente, que todos te- conseguinte, já por êste mesmo fato, se dá a entender que
mos, conhece tudo o que ocorre dentro do nosso mundo. se trata de uma faculdade espiritual. Qualquer energia fí-
Os obstáculos físicos, tais como paredes, montanhas, etc. sica se transmitiria de maneira inversamente proporcional
que se possam interpor entre o sujeito e objeto, não difi- ao quadrado da distância. Inclusive, não há obstáculos:
cultam o funcionamento da faculdade. Assim também, os o radar ou o rádio, por exemplo, não funcionam dentro
vínculos físicos, fios por exemplo, unindo sujeito e obje- do mar. Para esta faculdade que o povo chama tE:)~Elli,f+ti::
to ou agente, não favorecem os resultados, a não ser que não importa que o objeto de conhecimento esteja dentro
o sistema usado seja uma espécie de cumberlandismo, o ou fora do mar, dentro ou fora da gaiola de Faraday ...
que favoreceria a comunicação hiperestésica, não a psi- A faculdade paranormal de conhecimento também não se
gâmica. deixa influenciar pelo tempo. Nenhum tipo de energia
física poderá desprender-se de um acontecimento que
Psi-gamma prescinde da distância. Comparando os re- ainda não existe, para influir no adivinho, por exemplo,
" "'I
sultados obtidos a diferentes distâncias, desde alguns qui- trinta anos antes. Esta faculdade paranormal de conhe-
lômetros (ou metros) até muitos milhares de quilôme- cimento n'ão tem tempo, ,conhece, como veremos, até um
tros, tem-se a nítida impressão de que a distância e futuro casual e livre.
os obstáculos não têm influência sÔbre os resultados. A
única coisa que parece influir no caso é a prÓpria faO,ul- A c~~:t1çia,
quando nos primeiros anos de investigação
dade de percepção extra-sensorial do sujeito (ou sua ca- se encontrou frente a êsses fenômenos paranormais de
pacidade de manifestação) nas diversas circunstâncias. conhecimento, supôs aprioristicamente que se tratava de
Igualmente esta faculdade prescinde do tempo. Conhece uma adivinhação sensorial, não espiritual porque a ciên-
o que ocorreu neste mundo, assim no passado, diretamente cia do final do século passado e princípios dêste era, salvo
até um século e meio atrás, mais ou menos (retrocogni- raríssimas exceções, materialista. Apriorlsticamente, cha-
ção) ; como no presente (simulcognição) e no futuro, co- maram esta faculdade de "criptestesia", que significa sen-
mo veremos, alcançando até um século e meio adiante sação, percepção sensível, de algum tipo de energia des-
(precognição). É evidente que se em determinado caso conhecida, ainda que diferente de tôdas as energias físi-
•
cas conhecidas. Ou, então, a chamavam de sexto sentido Os Drs. GULIAEV e VASSILIEV,
professôres de Parapsico-
porque nenhum sentido conhecido explicava êstes fatos. logia nas Universidades de Moscou e Leningrado, chega-
Mas, supunham que era algo sensorial. ram com tôda sorte de demonstrações científicas a êstes
A medida que a ciência foi avançando na análise dos fenômenos e se queimaram. E como bons cientistas tive-
casos e das experiências, foi se compreendendo que não ram que reconhecer que haviam demonstrado em labora-
se podia incluir na etimologia as características dos fenô- tório que existia no homem uma faculdade espiritual de
conhecimento.
menos sensoriais, porque não possuía nenhuma das carac-
terísticas dos fenômenos sensoriais. Chamaram-no, então, Hoje, não há em parte alguma do mundo, um parap-
de "matagnomia", que significa conhecimento além do nor- sicólogo materialista.
mal, porém não decidiram definir-se nem a favor nem con-
tra a espiritualidade do fenômeno ou sua sensorialidade. 2. PRECOGNIÇÃO
Em 1934, os parapsicólogos da escola norte-america-
na chegaram à conclusão unânime de que se tratava de O famoso navio "Titanic" naufragou tràgicamente na
um fenômeno espiritual, imaterial, extra-sensorial, e o noite de 14 para 15 de abril de 1912. O Sr. J. O'Connor
chamaram "percepção extra-sensorial". tinha reserva de passagem para si e para a família nesta
Surgiu no mundo a maior polêmica que se conhece viagem. Mas, uns dez dias antes da data destinada à saída
no campo das investigações psíquicas. do navio, O'Connor sonhou que "via o navio com a quilha
Por fim, em 1954,tôda a parapsicologia ocidental (ex- II ao ar e a bagagem e os passageiros flutuando ao redor".
"
cluindo os parapsicólogos russos e os dos países da Cor- O'Connor, para não assustar seus familiares e ami-
I
, tina de Ferro), reconheciam no Congresso Internacional gos, n'ão contou nada. O sonho se repetiu na noite se-
de Utrecht, que existia de fato uma faculdade espiritual guinte. Ainda assim O'Connor ocultou-o. Tendo, então,
de conhecimento, a que chamaram psi-gamma, que signi- recebido notícias da América que se poderia retardar sua
viagem, decidiu prestar ouvido ao sonho e mandou can-
fica conhecimento da alma, próprio da alma, não do cor-
celar sua reserva no "Titanic". Pôde, então, contar o so-
po; espiritual, não sensorial.
nho a seus amigos, 'como explicação do porquê n'ão viaja-
A parapsicologia russa, ou também chamada escola va. Não queria correr riscos, uma vez que a viagem não
materialista, não havia estudado êste fenômeno. Na Ale- era urgente.
manha, porém, surgiu, por obra do Dr. HANSBENDER, ca- O caso foi referido pelo próprio protagonista à "So-
tedrático de Parapsicologia da Universidade de Friburgo, ciety for Psychical Research" de Londres. Além disso, en-
uma frase irônica. Chamou a êstes fenômenos paranor- viaram à mesma sociedade seu testemunho em carta as-
mais "o ferro candente para a parapsicologia russa". sinada, três dos amigos a quem O'Connor contou, uma
Quando os parapsicólogos da escola materialista investi- semana antes da partida do navio, os sonhos que tivera.
gassem êstes fenômenos, queimar-se-iam. O'Connor apresentou, aliás, como comprovante, os passa-
portes e a reserva de passagens.
~, .
ESCOLA ESPffilTUALISTA 81
80 o QUE ~ PARAPSIOOLOGIA
84 o QUE P1PARAPSIOOLOGIA
ESCOLA ESPIRITUALISTA 85
pessoa que capta. O fenômeno se deve à faculdade psi- memÓria. De repente, em sua alucinação ouve a freiada
-gamma do percipiente. de um táxi e o motorista dizendo: "Meu Deus, matei um
Na percepção normal sou eu quem devo ter em per- homem". Vê gente se acercando, vê o motorista saindo
feitas condições meu ôlho, minha retina, meu nervo Ótico, do carro e o policial que chega e pergunta seu nome. Ela
e minha circunvolução cerebral que corresponde à visão. guarda o nome do taxista acompanha a polícia para ver
O mérito exclusivo é meu. As coisas que se vêem não o número da placa do carro e o guarda na memÓria. De'-
passam de objetos externos. Minha faculdade Ótica neces- pois ela olha para o solo e vê um homem morto, enquanto
sita de certas condições: se o obje~oé muito pequeno não o sangue corre pelos paralelepípedos. O policial move um
o vejo; se está muito longe, também não o percebo. Não pouco a cabeça do atropelado para ver se está vivo ou
passa, porém de objeto e de circunstâncias externas. Sou morto e então a senhora dá um grito e desperta. Diz ao
eu quem deve ter as faculdades em condições. O mesmo marido: "Que susto acabei de levar! Sonhei que você ha-
acontece na sugestão telepática. via sido atropelado em São Paulo, na rua tal. O moto-
De fato, algumas pessoas, se forem dotadas de facul- rista do taxi chama-se fulano de tal, o número da placa
I :dades parapsicológicas, podem adivinhar o que uma pessoa do carro ... "
lhes quer sugerir. Não é o caso, porém, que esta as do- Uma filha dêste casal, que era minha secretária, se
!
mine. O "agente", se possui realmente qualidades, exci- inteirou do caso e pensou que "possivelmente era uma
'[
tará mais, aumentará mais o brilho do objeto que deve tolice, o inconsciente inventa muitas tolices. Alguma vez
ser captado, porém não passa de objeto e condições ex-
trínsecas. pode acertar, a maior parte das vêzes se equivoca. Porém,
se por acaso ... vamos tomar nota ... talvez seja de in-
I Pode suceder alguma vez, que um dotado adivinhe os terêsse científico ... "
desejos de outra pessoa, e a propÓSitodêste fato se crie a
Dois meses mais tarde, êste senhor morre em São .pau-
i I lenda e se acredite que a bruxa possa sugerir uma corda
10, atropelado por um táxi, com a mesma placa, nome,
para que o enamorado tropece nela e caia. Se o enamo-
número, etc.
rado não é dotado de faculdades parapsicolÓgicas, não há
bruxa ,capaz de fazê-Io cair. Porém se é um dotado, ainda Durante a agonia do acidente ou durante a morte
que a bruxa tenha muito poucas faculdades, êle pode adi- aparente, o inconsciente, evidentemente, estava pedindo
vinhar. Não é um poder da bruxa, é um poder da vítima. ajuda querendo comunicar a notícia à família. li:ste de-
sejo ou sugestão assim como os demais dados do aconte-
Como esclarecimento, vejamos um exemplo de suges-
tão telepática, numa investigação pessoal: Uma senhora cimento, foram captados psigâmicamente pela espÔsa.
Somente que a sugestão telepática como todo fenômeno
de São José dos Campos, 12ertode São Paulo, está vendo
televisão com seu marido. Adormece e tem uma alucina- psigâmico, prescinde do tempo: os fatos foram captados
antes do acontecimento, isto é por precognição.
ç'ão. Sonha que está vendo uma rua de São Paulo que
reconhece. Está vendo o número da casa e o retém na
011 .'
86 O QUE :tbPARAPSIGOLOGIA
5. PSI-KAPPA
II
f
como a escola espiritualista.
I:, , ,!
tretanto muito discutidos. Faremos uma análise detalha-
II li
da num outro volume, atualmente em preparação. Sôbre a escola eclética, como sÔbre sua derivada - a
escola teórica - estamos preparando livros que possam
,
,
'
,
servir de texto ou de aprofundamento na matéria, como
I1
: I
Não sendo fácil suprir, por enquanto, esta deficiência,
;
ao menos<em forma sistemática, preferimos para êste bre-
ve trabalho, dar algumas respostas às perguntas que mais
freqüentemente nos s'ão feitas nos cursos de divulgação.
Referimo-nos a perguntas que se encaixam dentro dos te--
mas estudados pelas escolas eclética e teórica.
1. PSICO-HIGIENE
I
88 O QUE :e PARAPSICOLOGIA .I ESCOLA ECLltTICA 89
I
!
de uma pessoa, sem dor, sem sangue, sem infecção. Há Há pouco, morreu em São Paulo um fervoroso espí-
dotados que têm feito verdadeiras maravilhas. rita por causa de uma enfermidade que, se cuidada a tem-
"Arigó", pelo contrário, não fêz maravilhas. Arigó po, um enfermeiro poderia ter curado, porém êle recor-
não fêz operações complicadas. Quando o Dr. Barnard reu a Arigó...
chegou ao Brasil, começou-se a dizer na imprensa que
Arigó ia fazer um transplante de coração. Porém, êle n'ão Em São José dos Campos no sanatório de tuberculose,
sabia fazer operações complicadas, nem sequer era capaz muitos dêles são enfermos, comprovados, por culpa de Ari-
de realizar operação de apendicite. gó. A maioria, por ter recebido excesso de medicamentos.
O que êle fazia é muito simples: por exemplo, extrair Arigó acreditava, anteriormente, que quanto mais doses,
(um ectirigio) .. , Qualquer enfermeiro pode fazê-lo. Por a cura seria tanto mais rápida e administrava quantida-
des desaconselháveis.
falta de calcificação, sai uma espécie de pele no ôlho, ras-
pa-se um pouco, se desprende e somente é necessário cor- Por fim, Arigó já não se aventurava a "adivinhar"
tá-Ia com uma tesourinha. Depois afirma-se que era ope- os diagnósticos, a não ser evidente, porque aprendeu a
ração de cataratas ... ser prudente ... e exigia que lhe trouxessem o diagnóstico
Arigó não permitia que êle fôsse estudado por nenhum feito pelo médico. Se os enfermos não soubessem o diag-
cientista que não espírita, muito menos se parapsicólogo. nóstico, pedia ao menos os sintomas. Neste caso, se a en-
Tem-se falado muito de Henry Puharit. Puharit não é pa- fermidade fôsse fácil, êle, que levava vinte anos de curan-
rapsicólogo, mas um médico conhecido como espírita ... deirismo, muitas vêzes sabia quais seriam os remédios. Se
•• , 111.
nãa fôsse fácil êle dizia: "Olha, vacê está paganda pelas descreveu também alguma cidade alemã, porque lhe en-
pecadas da reencarnaçãa anteriar. Nãa vau curá-Ia, tenha sinaram ou porque viu em cinema.
...... "
paClenCIa... Porém, não falava, nem entendia alemão ... As duas
frases, a pronúncia alemã, a descrição de alguma cidade
alem'ã e uma forte propaganda ocultavam muito bem a
2. PROSOPOPÉIA realidade dêsse homem pobremente dotado de faculdades
parapsicológicas, se é que tinha algum dom parapsico-
Tadas as fenômenas parapsicalógicas, quanda se ma- lógico...
nifestam, vêm acampanhadas de prasapopéia, ista é, atri- Prosopopéias simplistas ou simples como a de Arigó
buímas êsses prodígios de nassas faculdades incanscientes são freqüentes. Qualquer fenÔmeno é interpretado sem
a demônias, a espíritos das martas, a pitões, a fadas, etc. mais pesquisa como sendo encôsto de um espírito ou ,co-
Há prosapopéias fantásticas. Cam suas qualidades a in- mo sendo possessão demoníaca ou como se houvesse reen-
cansciente pade dizer que é a espírita de tal pessaa, par- carnação. Mas outras vêzes, repetimos, há prosopopéias
que adivinhau que tal pessaa existiu, viveu. Pade mudar realmente maravilhosas. O inconsciente é capaz de apre-
de letra, de vaz, de ciência. Pade mudar até de rasta (é sentar prosopopéias com "argumentos" que impressionam.
a chamada transfiguraçãa), etc. É por isso que diremos alguma coisa mais a respeito des-
A prasapapéia de Arigó, par exemplo, nãa tinha ne- tas prosopopéias mais clássicas (demônios, espíritos, reen-
nhum vaIar científica. Diz que era um médica da Primeira carnação) que têm enganado tantas pessoas. Estudare-
Guerra Mundial, chamado Adalf Fritz. Parém, quanda se mos estas prosopopéias ao resumir a escola teórica.
lhe perguntava sÔbre coisas cancretas, família, universi-
"
dade em que estudau, testamento, etc., Arigó n'ãa sabia 1'1 3. MANCTAS
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1'[ respander. '11
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Qualquer iniciante em prosapapéia, a partir de Hitler, A Escola Eclética da Parapsicologia estudou rodas as
se está representanda um alemãa, nas dirá que se chama técnicas, ou pragmáticas, ou mancias: astrologia, quiro-
Adalf. E quanta a Fritz, é a name mais papular na Ale- mancia, cristalomancia, cartomancia ... Foram estuda-
manha, assim cama Franz (agara acaba de aparecer .ou- das durante muitos anos. Tôdas elas não são nada mais
tra curandeiro na Brasil que se diz estar passuída por que a técnica para que o inconsciente se inspire. Não sã.o
Franz) . .os astros, nem as cartas, nem a bola de cristal, senão o
A campanha publicitária afirma que Arigó falava per- inc.onsciente com suas faculdades parapsicológicas que al-
feitamente a alemãa. Na realidade, após vinte anos de guma vez pode adivinhar e dizer o que vai suceder (e mui-
profissão, dizendo estar possuído pelo espírito de um mé- tas outras vêzes, equivocar-se, porque o inconsciente não
dico alemãa, terminou por aprender duas frases, sempre tem regras fixas em suas manifestações).
as mesmas, nessa língua. E falava com sotaque alemão. A astrologia (melhor seria dizer astromancia) não
Ajudado por uma propaganda tendenciosa, ultimamente tem quase nenhum valor científico. É meramente um jô-
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ESCOLA ECLlbTICA 93
92 o QUE :GJPARAPSICOLOGIA
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'i SHACKLETON, CROISET,STEW ART... , os grandes dota-
Reunira-se uma junta de médicos, que nã,o s,oube diagnos-
dos, estudados nos laboratórios da Parapsicologia mundial
ticar a enfermidade. O homem não tinha nada, mas não
se enganam muitíssimas vêzes. Os adivinhos acertam algu-
mas vêzes, se equivocam outras. Os curandeiros curam resistia. Sufocava e morria aos poucos.
alguma vez, outras vêzes matam. Os "dotados" não po- No dia seguinte, e para grande surprêsa dos médicos,
dem ser deixados sÔzinhos,devem estar sob a responsabili- o homem começa a reagir.
dade de um teórico. O padre Balcucci, um sacerdote italiano, que não en-
tende suficientemente de Parapsicologia, ao contar êste
4. SUBJUGAÇÃO TELEPSíQUICA caso num famoso livro, diz: "O sapo não pode ser o res-
FEITIÇOS ponsável por tudo, porque de onde terá fôrças para fazer
estas coisas? Por conseguinte, tem que ser o demônio".
Os feitiços, com a explicação ou no sentido popular, Esta é a interpretação mais simplista, menos cientí-
não existem ... Ninguém pode nos fazer dano pela fôrça fica, "ao gôsto do consumidor". Acontecendo na Itália,
do pensamento, ou por métodos mágicos, etc. Mà:salguma em ambiente católico, colocá-se a culpa no demônio, quan-
pessoa que acredite no feitiço se é sugestionável e dotada
do o demônio não tem nenhuma culpa no caso. No Bra-
de faculdades parapsicológicas, pode ser vítima de sua
sil, culpam-se os espíritos dos mortos.
própria superstição.
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Na realidade, é a má intenção daquela senhorita 011 lergia, essa energia física exteriorizada pelo homem. A
a má intenção da feiticeira que é captada por telepatia, telergia pode influir em pequenos animais inclusive ma-
pelo inconsciente do noivo. A má intenção é captada pelo tando-os e nas plantas murchando-as. Mas, n'ão influi no
inconsciente da vítima. Em casos muito especiais, o pró- homem. O homem poderia chegar a sentir um pequeno
prio inconsciente se volta contra o próprio organismo, o sôpro, ou como máximo, um contato suave e rápido. E
inconsciente tem um poder despótico sôbre o organismo. assim mesmo, isso é difícil. Nas experiências realizadas
Quando capta, "não pode respirar, o fígado não pode fun- pelos especialistas, ou nas observações dos casos espontâ-
cionar, o coração começa a enfraquecer, os pulmões não neos, por exemplo nas mal chamadas "casas assombra-
funcionam ... ", é o inconsciente que está matando a ví.. das", é típico que o objetos movidos pela telergia (casos
tima. Não é pl1Ôpriamente a senhorita ou a feiticeira. de telecinesia) esquivem ao homem, como que repelidos
É a própria vítima que está se matando a si mesma, por pela própria energia do observador. Algo assim como a
haver captado telepàticamente a má intenção (o que se repuls'ão magnética de pólos do mesmo signo. Ou será que
dá em pessoas muito especiais). Nosso inconsciente é o o homem normal não pode absorver a telergia? Uma pe-
culpado. dra que voa numa casa mal-assombrada, não bate nas
Aliás, para que o feitiço surta efeito, a pessoa tem pessoas presentes a não ser de rebote, quando já abando-
que ser dotada, acreditar cegamente que os responsáveis nada pela telergia.
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são os demônios, os espíritos dos mortos, etc., contra os É supersticioso ter mêdo dos feitiços.
I "
SEMINARIO CONCORO~
••••
00 o QUE 1!JPARAPSIOOLOGIA
ESCOLA ECL1l'lTICA 97
cientemente aquêle acontecimento, mas na infância ti- Há outras causas mais:_paramnésia, distúrbio psíqui-
vemos uma sensação inconsciente. Levaram-nos no colo co chamado "recordação do presente", clarividência, su-
materno a um entêrro, enquanto dormíamos. A .sensibili- gestão telepática, etc.. A única causa que não tem base
dade do inconsciente está sempre recebendo dados que o científica é a que é preconizada pelas superstições: o vi
consciente não percebe, até uma criança na vida intra- em "reencarnação" anterior (!?). ~.u
-uterina, trinta anos depois, ou talvez mais, vamos àquele Para a exposição das escolas materialista e espiritua-
lugar. O lugar é uma espécie de pergunta implícita do in- lista, servimo-nos muitas vêzes, como se terá observado, dos
consciente. "Quando vim aqui?" E surge a sensação de trabalhos realizados pelos europeus, isto é, pelos represen-
que "eu já estive aqui", "eu já vi isto". tantes da escola eclética. Podem ser enquadrados dentro
Outras vêzes é a faculdade HIP, que já conhecemos. de uma das escolas, materialista ou espiritualista, con-
Uma pessoa, vendo pela primeira vez o Japão, disse: "Eu forme cada caso. Esta terceira escola aproveita e estuda
já estive aqui". Nunca havia estado no Japão, porém um os trabalhos de ambas.
dia, por exemplo, estivera ao lado de um homem que visi-
tara o Japão. Por HIP, aquela pessoa adivinhou incons-
cientemente o que êste homem vira. Quando chega ao
lugar, o lugar é uma espécie de pergunta implícita ao in-
consciente e tem-se a impressão de que já se estêve ali.
Na realidade, a pessoa não estêve, porém sentou-se, .certa
vez, no cinema, ao lado de um senhor que havia estado.
,
Outras vêzes, pode ser a pantomnésia, a memória do
I
I'
CAPÍTULO
V
ESCOLA TEÓRICA
1. FENôMENOS SUPRANORMAIS
Vejamos alguns exemplos: Há um fenômeno que já túnica. Detalhes que parecem insignificantes foram anun-
conhecemos, a xenoglossia. Hoje sabemos que o nosso in- ciados com precisão, com séculos e séculos de antecedên-
consciente pode falar línguas estrangeiras perfeitamente. cia. Cinco séculos antes do nascimento de Cristo se en-
Com freqüência, um analfabeto pode falar línguas estran- cerram as profecias. Nós,-nem sequer podemos superar,
geiras. É o que chamamos xenoglossia. Hoje conhecemos dois séculos, entre passado e futuro.
a xenoglossia e sabemos até onde chegam seus limites hu- Cientlficamente, não podemos negar a verdade histó-
manos. Nunca, em nenhum ambiente, em nenhuma par- rica destas profecias, que eram conservadas em milhares
te do mundo, em nenhuma época, alguém falou ao mes- de manuscritos e em milhares de sinagogas. Negá-Ias?
mo tempo duas línguas. E nunca houve xenoglossia en- Seria mais anticientífico que negar a existência de Roma,
tendida por duas pessoas ao mesmo tempo em suas línguas de Cícero, de Demóstenes, das guerras púnicas. Não exis-
diferentes. Isso é humano, parapsicológico. te nenhuma verdade histórica mais cientificamente pro-
Em contexto nitidamente religioso nos encontramos vada que a das profecias bíblicas. E superam nitidamente
com os casos de S. Francisco Xavier, dos apóstolos, dos Co- o conhecimento do futuro de que o homem é capaz. Tra-
I I ríntios ... S. Pedro, no dia de Pentecostes, falou ao mesmo ta-se de Deus, é fenômeno s,ôbre-humano.
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I: tempo 18 línguas diferentes e não sàmente para duas
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,
,
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I pessoas, mas para milhares. Como diz a Escritura, somos Em todo tipo de fenômenos podemos distinguir o mi-
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I,
I
feitos à imagem e semelhança de Deus, porém muito limi- lagre do fato natural. Um curandeiro poderá fazer uma
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tados. Deus não tem os nossos limites ... pequena operação, diagnosticar à distância, receitar um
remédio que não existe, mas que vai ser descoberto (por
Não podemos conhecer o passado, o presente, o futuro.
!
vessar seu costado com uma lança, que não lhe quebra-
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pela lança, embalsamado ... Somos feitos à imagem e se-
riam nenhum osso, que lhe dariam uma esponja com vi- 1;1 melhança de Deus, porém somos limitados. E o milagre
nagre, que rasgariam suas vestes, mas que rifariam sua
111
não tem limites.
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Comprovações modernas de verdadeiros milagres as explicação natural. Não se deve explicar sobrenaturalmen-
temos, por exemplo, em Lourdes. Existem observações cien- te o que se pode explicar naturalmente. Muitos (não to-
tíficas de médicos, de parapsicólogos, de consulta interna- dos) dos prodígios de Cristo eram naturais, intrinsecamen-
cional. Vejamos um exemplo, cientificamente, comprovou- te considerados.
-se que haviam cortado dez centímetros de osso da perna de Aquêles prodígios, porém, :B:leos realizava sem prepa-
uma senhora. Cansada de balançar a perna, foi a Lourdes. rativos, sem transe, sem esgotamento nervoso, com plena
Recebeu a bênção do Santíssimo e ficou curada. Foi ao segurança, à luz do dia, em desafio, sem inibições, quando
consultório médico, o osso que faltava retornara. Os mé- queria e como queria, até os limites máximos, isto é, como
dicos não encontraram explicação normal, nem patoló- senhor. Somente Deus é senhor das fôrças parapsicológi- ,
gica. O caso passa ao primeiro grupo de parapsicólogos: caso Extrlnsecamente considerados, aquêles prodígios tam-
não tem explicação em parapsicologia. Passa ao segundo bém eram milagres, também demonstram a intervenção
grupo de parapsicólogos em consulta internacional: não divina.
tem explicação em Parapsicologia. Nem o ectoplasma, Talvez um ou outro fenômeno que, no estado atual da
nem o "aparte" parapsicológico podiam explicar aquêle
ciência é .considerado milagre, na ciência do futuro possa
fato. O osso superior ou o inferior do "enxertado" é, di- ser explicado naturalmente. Talvez uma ou outra rela-
ríamos, "reticular", duro por fora e mais ou menos ôco
ção de um caso concreto, inexplicável naturalmente, pode
por dentro: mas o osso milagrosamente "enxertado" é demonstrar-se algum dia que não foi realidade histórica,
maciço. mas lenda ou exagêro ...
Com tôda a sorte de análises, se demonstra que é osso
Isso sucede em qualquer ramo da ciência. Uma ou
humano, possui todos os componentes químicos do osso
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I humano. outra experiência concreta pode depois ser refutada ou
,
,
. superada. Mas o fundamental é científico, é verdadeiro,
Assim, poderíamos ir analisando um por um dos fe- devemos guiar-nos pela ciência.
nômenos parapsicológicos, como o faz a escola teórica.
Também na Parapsicologia (e concretamente. no estu-
Somos maravilhosos, porém limitados. Uma das diferen-
do dos fenÔmenos supranormais) pode haver uma ou ou-
ças entre o parapsicológico e o milagroso é a diferença
abismal entre o finito e os reflexos do infinito. Esta é uma tra refutaç'ão ou superação, mas o fundamental é verda-
deiro, é científico. Seria muito anticientífico e apriorístico
das características: poderíamos falar de outras mais.
não se guiar pela ciência neste aspecto, por problemas
Tudo isso para prescindir dos fenômenos intrinseca- pessoais ...
mente humanos, porém extrinsecamente divinos,. Cristo,
por exemplo, quando adivinhava o pensamento dos seus
discípulos ou dos fariseus, ou quando anunciava como e o 2. SUPERVIV:B:NCIA
que encontrariam adiante e o que diriam; quando curava
certas enfermidades puramente funcionais, etc., certamen- O tema da supervivência do espírito, depois da morte,
te podia servir-se da telepatia ou da sugestão. Basta uma depois da desanimação do corpo (no sentido etimológico
•
VISÕES E APARIÇÕES tro de certos limites, mas esta é uma alucinação que rom-
pe completamente os limites naturais. É o sêlo divino
Porém, algumas vêzes, Deus faz um milagre, como é
para confirmar que a alucinação era providencial, isto é,
o caso de Lourdes ou de Fátima. Nas visões que aquêles
de origem sobrenatural.
jovens tinham da SS. Virgem, era realmente a SS. Vir-
gem que aparecia? Não: ~les acreditavam ver a SS. Aconteceram outros milagres em Fátima. E em Laur-
Virgem. Porém, o fenÔmeno como tal, uma alucinação, é des sucederam-se outros, comprovados cientificamente.
natural. É preciso ver se essa alucinação é meramente na-
tural ou se é instrumento de Deus, ou seja, providencial.
Podemos explicá-Ia naturalmente, porém, quem provocou 4. REENCARNAÇAO?
esta alucinação? Foram meras causas psicológicas ou foi
a Divina Providência que se serviu de uma coisa natural o incÓnsciente adorna suas manifestações, as drama-
para que vissem a Virgem? Para decidir que n'ão foi me- tiza, atribuindo-as a alguém ou a alguma coisa. Uma das
ramente natural, mas uma revelação sobrenatural, neces- prosopopéias ou dramatizações mais freqüentes é como se
sitamos de um "sêlo divino", de um milagre. houvesse reencarnação. E além de invocar a reencarna-
Em Fátima, por exemplo, aconteceu o milagre. Foi ção como se fôsse a explicação de certos fenômenos, os
anunciado para o último dia, o último 13 de maio, que reencarnacionistas apresentaram outros falsos argumentos
haveria um grande milagre. Acorreram para Fátima mi- dE:;ordem teórica.
lhares e milhares de pessoas de todos os lugares e religiões, Na realidade, se bem estudados, nenhum dos argu-
de tôdas as raças, curiosos e fervorosos de todo o mundo. mentos teóricos e fenomenológicos apresentados a favor da
E de repente, Lúcia apontou para o céu 0 aquêles milhares reencarnação têm valor científico.
de pessoas viram o mesmo fenÔmeno, o Sol girando. A reencarnação não foi revelada do "além túmulo".
Evidentemente, o Sol não girou. Se o Sol tivesse gira- Em primeiro lugar porque, como já vimos, n'ão há comuni-
do, isso teria sido visto em tôdas as partes e não somente cação dos mortos com os vivos, trata-se de manifestações
em Fátima. Lôgicamente, o Sol não girou. Por conseguin- do inconsciente, e como tais deixam-se até influir pelo
te, foi uma alucinação. ambiente. Assim, as "revelações" aos espíritas latinos, ou
aos teósofos, etc., falam em reencarnação; mas se "os es-
Porém, uma alucinação coletiva de milhares de pes-
píritos dos mortos" (na realidade o inconsciente) se ma-
soas é demasiado em Psicologia. Quem sabe e conhece bem
nifestam aos espíritas anglo-saxões, é freqüente que ata-
Psicologia compreende que não existe uma alucinação co-
quem ou ridicularizem a reencarnação. Os espíritas não-
ietiva destas proporções. Três ou quatro pessoas, no mes- -reencarnacionistas são chamados davinianos, por ser o
mo ambiente, nas mesmas condições, podem alucinar-se anti-reencarnacionista David, o principal teórico do espi-
coletivamente, porém isto não acontece com relação a mi- ritismo não-latino, seguido por milhões de espíritas. Da-
lhares de pessoas. Esta é uma alucinação coletiva provo- niel Douglas Home, o mais famoso médium espírita de
cada por Deus, é sobrenatural. Nós temos aludnações den- todos os tempos, recebeu comunicações do "além túmu-
.~.~.bu ...", "u"." "A,
10"(?) ridicularizando, ao máximo, a teoria da reencarna- Tôda a doutrina de Cristo sôbre a transcendência eter-
ção. E se "os espíritos dos mortos" aparecem a uma frei- na desta vida, sôbre os sacramentos, a graça, a redenção,
ra, então falam do purgatÓrio, do céu, pedem missa,co- etc., contradiz a teoria reencarnacionista. Ao ladrão cru-
munhão, têrço ... ; e quando se manifestam aos ocultistas cificado com Cristo (quantas reencarnações esperariam
lhes falam do mundo astral, e aos antigos gregos e roma- um ladrão, segundo a teoria reencarnacionista!), li:ledisse:
nos lhes falaram do mundo das sombras, da barca de "Em verdade te digo, hoje estarás comigo no paraíso" (Lc
Aqueronte, e do Cancerbeiro, etc. Não é do além que veio XXIII, 43). A doutrina de Cristo a resume claramente
a doutrina da reencarnação; muito menos foi revelada por seu apóstolo, qu~ndo escreve: "Está estabelecido que os
Cristo ou na Bíblia, como se apregoa nos livros dos reen- homens morram uma sÓ vez, depois disto se fará o jul-
carnacionistas. Citam, por exemplo, o evangelho de São gamento" (Hbr IX, 27).
JOão, capítulo 3.0, versículo 3.0, quando Cristo disse a Ni- O "argumento" das desigualdades humanas, a prÓ-
codemos: "Em verdade, em verdade te digo, ninguém, se pria médium espírita Anatole Barthe o refuta: "Que? É
não nascer de nôvo, pode ver o reino de Deus". Mas,u-na para resolver o problema das desigualda.des que os espíri-
mesma ocasião, quando surpreendido, Nicodemos pergun- tos (para os latinos) ensinam a reencarnação? Não sa-
tou como alguém poderia voltar ao seio de sua mãe. Cris- bem que não há dois sêres, duas coisas completamente
to bem claramente explicou que as suas palavras não de- iguais na natureza, e que não se podem encontrar nem
veriam ser entendidas em nenhum sentido reencarnacio- no espaço imenso e nem ao longe do tempo? .. Não é
nista, mas na ordem sobrenatural, ao renascer à vida da precisamente da diversidade donde nasce a harmonia do
graça, pelo batismo: "Se alguém não nascer da água e do universo?
Espírito". Cristo falava do sacramento do batismo, que Pessoas nascem deformadas, ou doentes, ou deficitá-
São Paulo haverá de chamar mais adiante o sacramento rias física ou intelectualmente ... Acaso não há falhas
da regeneração; nada de reencarnação. da natureza também nos animais, nas plantas? Aquela
Citam ainda São João Batista como sendo a reencar- árvore retorcida, inclinada, com ramos secos; a ovelhinha
nação de Elias. " Na realidade Elias, no conceito dos ju- que nasceu com duas cabeças morrendo pouco depois, etc.,
deus, ainda não morrera: dificilmente poderia reencarnar tudo isso é também pela reencarnação?
se ainda não desencarnara. E em geral, o problema da dor. Seria castigo de imo-
As frases bíblicas em que se anuncia São JOão como ralidade em vidas anteriores? Que absurdol Os heróis,
precursor de Cristo "no espírito" e no poder de Elias (Lc os mártires, as vítimas inocentes da crueldade humana,
1, 17) não. tem nenhum sentido reencarnacionista, quer os apóstolos, a Santíssima Virgem ao pé da cruz, o prÓ-
dizer que São João precederia o Messias com a coragem prio Cristo, seriam até dignos de desprêzo, seriam os sê-
e as virtudes do antigo profeta. Aliás, o próprio Batista res mais desprezíveis pois foram os que mais sofreram,
perguntado se êle era Elias que teria voltado, expressa- o que estaria a indicar as piores e mais imorais existên-
mente respondeu: "Não sou Elias" (Jo 1, 21). cias anteriores ...
112 o QUE trJ PARAPSIOOLOGIA ESCOLA TEóRICA 113
Que absurda inversão de valores I É com essa absur- tores de tais antologias? Que volumosas coleções de casos
da teoria que querem substituir a sublime doutrina cristã poderiam se fazer com prosopopéias tipo inspiração de
sôbre a dorl musas, tipo possessões demoníacas, etc.! Aquelas coleções
Citar casos de pessoas que se "lembram" de vidas an- não provam a reencarnação, como não provam nenhuma
teriores ... É até humilhante que a ciência tenha que per- outra realidade: s'ão,somente dramatizações do inconscien-
der tempo com êsses "argumentos". Quando não se tratar te, muito variadas segundo as diversas épocas e civiliza-
de meras fantasias, ainda haveria que demonstrar que não ções. O cientista deve explicar essas prosopopéias, não
se trata, em última análise, nem sequer de retrocognições simplesmente aceitá-Ias como correspondendo a uma rea-
(conhecimento psigâmico do passado). lidade objetiva pelo simples fato de serem muito nume-
rosas ...
Apresentar "lembranças" de vida anteriores como pro-
va de reencarnação supõe muito pouca lógica. Nem sequer Assim poderíamos seguir. A parapsicologia teórica
poderiam demonstrar que estão se referindo a aconteci- comprovou que são anticientíficos e absurdos todos OS'I
mentos do passado (quanto menos terem sido vividos por "argumentos" apresentados em defesa da reencarnação,
! essa mesma pessoa). porque de duas uma: ou daqueles além dos muitos argumentos que poderiam se citar em
I
I' acontecimentos passados ficam alguns vestígios, ou não contra da reencarnação. A teoria da reencarnação é pu-
I ra superstição.
ficam. Se ficam alguns vestígios (efeitos, restos arqueo-
lógicos, livros que falam daquilo, testemunhas ... ), antes
de pensar em lembranças reencarnacionistas, conhecimen-
tos trazidos de vidas anteriores (hipótese tão contra a ex- 5. POSSESSÃO DEMONíACA?
periência geral), haveria que excluir as explicações nor-
mais e parapsicológicas de experiência comum relativa- Defendendo a realidade da possessão demoníaca, ar-
I: mente, lógicas, cuja existência está provada com milhões gumentam muitos com os fenômenos, com a interpretação
de casos, como, em última instância, seria o conhecimen- de fatos; outras vêzes, se invoca a Sagrada Escritura, a
tos parapsicológico daqueles vestígios, ou diretamente do tradição e o Magistério da Igreja em seu Ritual Romano
passado. na parte que se refere aos exorcismos.
E se não ficam vestígios nenhum, qualquer caso que A ciência, direta ou indiretamente parapsicológica, po-
se cite de "lembranças" de vidas anteriores não vale ab- de e deve apresentar muitos pontos de análise dêsses
solutamente nada em ciência: pelo mesmo fato" de n'ão "argumentos" fenomenológicos e doutrinários.
haver vestígios daqueles acontecimentos, as afirmações A presença do demônio no corpo do possesso se pro-
são absolutamente incomprováveis, poderiam ser meras varia pelo império que êle exerce sôbre êsse corpo. O fa-
invenções do inconsciente.
Enfim, acumular casos de prosopopéia ou dramatiza- " jas Ursulinas de Loudun, ficou por sua vez "possesso".
ção tipo reencarnacionista, de que vale, a não ser para Assimpadre
) mOi~O Surin, êle:
argumentou exorcizando as endemoninhadas
"Meu estado mon-
é tal que me restam
provar a absoluta falta de metodologia científica dos au- 'I muito poucas ações que eu seja livre. Se quero falar, a mi-
114 o QUE JJ1 PARAPBIOOLOGIA ESCOLA. TEóRICA 115
nha língua é rebelde; durante a missa, vejo-me constrangido mulgação, expressamente se diz que "se exorta" a aceitá-
a parar de repente; à mesa, não posso levar os alimentos -10, mas não se impõe à Igreja Universal.
à bôca. Se me confesso, escapam-se os pecados, e sinto Na Bíblia: ao observador científico, já de início, cha-
que o demônio está em mim como em sua casa, entrando e ma a atenção que em todo o Antigo Testamento não há
saindo como lhe apraz". nenhum caso de possessão demoníaca (ao menos claro).
Não há aqui uma "petitio principii"? Não se sup6e o E em contraposição há muitíssimos casos no Nôvo Testa-
que se trata de provar? Com tal argumento, o mesmo se mento, quando histÔricamente sabemos que foi nessa épo-
provaria a possessão pelo demônio, ou pelos espíritos dos ca, quando a cabala levou aos hebreus a terminologia do
mortos, ou por qualquer entidade que queiramos inven- mundo greco-romano. Os gregos e romanos atribuíram ao
tar; ou pelo poder hipnótico de outra pessoa ou pelo pró- "demonium" de sua mitologia certos fenÔmenos parapsi-
prio inconsciente. E estas últimas interpretações, que se cológicos ou meramente misteriosos dentro do âmbito
podem reduzir a uma só são mais naturais, mais simples atual da Psiquiatria ou Psicologia. Os judeus confundiram
e mais lógicas. o "demônio", com o demônio bíblico, com os anjos rebel-
No Ritual Romano se lê: Os sinais de possessão de- des. Cristo, os apóstolos, o NÔvoTestamento, IÔgicamen-
moníaca são: "a) falar uma língua desconhecida ... " (mas, te, usaram a terminologia de sua época, não entraram em
existe o fenômeno parapsicológico bem provado, da xeno- explicações científicas, que os ouvintes não haviam de com-
,I, I glossia); "b) revelar coisas distantes e ocultas" (mas exis- preender (a Bíblia não corrigiu nenhum êrro científico de
:I
I
te a hiperestesia indireta do pensamento, a faculdade psi- sua época: não era essa sua missão).
-gamnia ... ) ; "c) mostrar fôrça superior à idade ou cos- O caso de possessão mais notável é o endemon1nhado
tumes" (mas existe o hiperdinamismo ou sansonismo. de Gerasa (Mc V, 1-17). Torna-se difícil dar ao caso uma
Simplesmente um louco num ataque de fúria dificilmente explicação demoniológica, ao passo que, numa explicação
3e pode segurar. Em circunstâncias parapsicológicas, o parapsicológica, o fato se torna bem claro.
organismo pode desenvolver uma fôrça comumente insus- "O endemoninhado, vendo Jesus de longe, correu e
peitada); "e outros sinais semelhantes" que quanto maior prostrou-se diante dêle, gritando em alta voz: 'Que queres
em número, tanto mais são os indícios de possessão" (mas de mim, Jesus Filho de Deus Altíssimo?' "
são tantos e tão incríveis os fenômenos parapsicológicos"
Tornou-se o demônio propagandista da causa de Cris-
hoje tão conhecidos e demonstrados ... ).
to? Mas desaparece o problema considerando que mani-
Os argumentos do Ritual Romano, hoje, ante a Para-
festava o que parapsicolàgicamente conheceu ou captou
psit:ologia, nada provam. O que se pode explicar natural-
mente, segundo o próprio magistério eclesiástico não se no próprio pensamento de Cristo.
deve explicar sobrenaturalmente. "Perguntou-lhe Jesus: 'Qual é t~u nome'; êle respon-
Por outro lado o Ritual Romano nesse ponto não obri- de: 'Legião é o meu nome, porque somos muitos' ".
ga os católicos a concordar com a doutrina que estaria Ora, discutiríamos a possessão por um demônio, mas
implícita na possessão demoníaca, porque na bula de pro- por uma legião... Cientificamente, "legião" é a lógica
•.,
116 o QUE EJ PARAPSIGOLOGIA mSCOLA TEóRICA 117
megalomania compensadora de um psicopata que tem si- patológico relativamente freqüente, que costuma acompa-
do expulsado da cidade porque o consideravamendemo- nhar certas manifestações de fenômenos parapsicológicos.
ninhado.
ANTOINE POROT, doutor em Psiquiatria, descreve assim:
"Manda-nos para os porcos para entrarmos nêles", "As crises ou ataques mostram a brusquidade e as des-
suplicariam os demônios por bôca do "endemoninhado". cargas rítmicas da epilepsia, consistem numa agitação de-
Os demônios, puramente espíritos, sem corpo ou ma- sordenada, tumultosa, de contorsões, repulsões, e atitudes
téria de nenhuma classe, necessitam de albergue? Pas- extravagantes. A crise se entremeia, muitas vêzes, com
sam frio no inverno? Molham-se quando chove? agitação verbal, gritos, risos, choros, lamentações ou ata-
Tal atitude é muito conhecida em patologia psiquiá- ques".
trica. Diz" por exemplo, o dicionário de Psiquiatria (An-' "Os espasmos e as contrações localizadas, muitas vê-
toine Porot): "Nessa realizaç'ão expressional o simulador zes, podem ocasionar falsos pés contrafeitos, defesas fal-
de boa-fé, que é o histérico, constrói seu sintoma e imita a sas da parede abdominal (pseudo-apendicite), encurva-·
enfermidade como o concebe... a opinião pública". A opi-
mentos vertebrais (camptorcomía) e inclusive, em algu-
nlão geral era de que o demônio precisava de albergue.
mas ocasiões, pseudo-embaraços." (Compare-se com o "en-
Termina o Evangelho de São Marcos (V, 13): " ... e demoninhado" em Lc XIII, 10-16.)
a manada, de uns dois mil porcos, precipitou-se no mar, e
"
"
por influxo psíquico poderia atuar sôbre um ou dois por-
cos. Làgicamente êstes se assustam e o pânico surge co- do-surdez), se percebem pela persistência de curtos refle-
mo no estouro da boiada, do cardume, dos pássaros, etc. xos, como o cócleo-palpebral."
Todos os casos da História, bíblicos ou pós-bíblicos O Doutor HENRIPIERON,psicólogo, por citar outro
a.té os mais célebres, como as endemoninhadas de LoudunJ exemplo, adverte sôbre um detalhe muito sintomático:
a "endemoninhada" Cafre, os irmãos Pausini, o cemitério "Temos que acrescentar o fato importante de que quase
de São Medardo, os "endemoninhados" de Ilfurt, a jovem nunca se desenvolvem no silêncio e no :secreto, mas ao
Cassina Amata, etc., são realmente simples de explicar-se contrário tratam de impor-se... à atenção dos circunstan-
científica e parapsicolàgicamente e resultam ilógicos e tes, de captar o interêsse; e a solicitude que despertam e
absurdos na interpretação demoniológica. lhes serve de refôrço. Além disso, tôda manifestação dessa
O ataque convulsivo que fêz considerar "endemoni- natureza, oculta um valor simbólico, uma significação ex-
nhados" a tantos enfermos, é perfeitamente conhecido pela pressa, cujos móveis e mecanismo diversos nos revelará
Psiquiatria moderna e Parapsicologia como um fenômeno a patogenia".
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Enfim, o tema é ampIíssimo ... temos indicado so- É à ciência que pertence, através de um estudo pro-
mente poucos e breves inícios de explicação. A "possessão fundo, separar do catolicismo a superstição, o espiritismo,
demoníaca" não é mais que uma prosopopéia a mais entre o teosofismo, o ocultismo e outras tantas interpretações
tantas e tão diversas, segundo as diversas épocas e povos. cientificamente equivocadas. de fatos, muitas vêzes reais.
Verdades como a espiritualidade da alma, não somente
cremos pela Revelação, mas também as podemos confir-
6. CI:mNCIAE RELIGIÃO mar por outros argumentos científicos. Hoje, até a Pa-
rapsicologia da escola russa aceita a espiritualidade da
A Parapsicologia estudou os milagres, os espíritos, alma. A parapsicologia russa compreendeu que o homem
uma série de fenômenos que não entravam na metodolo- tem faculdades espirituais a serem estudadas, por exem-
gia, clássica, na tradicional anticiência exclusivamente plo, a telepatia. A sobrevivência da alma vem pela fé na
materialista. E o estudo do espiritismo, da demonologia, Revelação, mas nós a podemos descobrir também, por meio
da ciência. Quanto mais argumentos científicos possuir-
dos milagres, o estudo de muitas coisas de Parapsicologia
mos, mais racional se tornará nossa fé.
está relacionado com a Igreja.
Por isso, convém à religião o estudo da Parapsicologia.
É necessário precisar um êrro muito difundido em
A Parapsicologia resolve dúvidas, elimina cientificamente
tôdas as partes, até em pessoas muito cultas que não se as superstições, confirma as verdades.
especializaram neste campo concreto. Há muita gente que
crê que religião não é ciência. Separam radicalmente fé
7. PERIGO
e ciência. Devemos ter uma fé racional. Nossa cultura
em outros campos não nos pode irracionalizar, precisa- Os pesquisadores que têm expressamente estudado o
I: mente na coisa mais importante, na transcendência, na- .... problema s'ão unânimes em afirmar que não se devem, '.
quilo que nos une a Deus. Se quisermos ser científicos em fomentar as manifestações parapsíquicas, contràriamen-,
nosso proceder, em nossa profissão, devemos ser científicos te à versão apriorística e um tanto utilitarista dos espíri-
também em nossa religião. Ser católico por herança é um ... tas, rosacruzes, etc., que divulgam a necessidade de desen-
mal generalizado hoje em dia. Há muitos católicos irraci~- volver as qualidades mediúnicas.
nais, absolutamente; cultos nas coisas dêste mundo, anti- As pessoas que fomentam, direta ou indiretamente,
científicos nas coisas transcendentais. êstes fenômenos, além de criarem tôrno de si um ambien-
É necessário provar cientIficamente que a Revelação te insuportável por causa desta fenomenologia, são aba-
aconteceu, confirmada por milagres, que revelou isto e não ladas fàcilmente por transtornos psicofísicos diversos: de-
aquilo. Isso pertence à ciência. A interpretação da Reve- bilidade nervosa e até ,crises nervosas violentas, perda da
lação é trabalho arqueológico, trabalho histórico, traba- autodeterminação consciente, dupla personalidade, etc.
É lógico que o desenvolvimento normal da atividade
élhotrabalho
de hermenêutica,
científico .. trabalho de comparação de textos, '../ humana se efetue no terreno consciente. O inconsciente
120 o QUE 1JJPARAPBlOOLOGIA H:SCOLA TEóRICA 121
é algo desordenado, incontrolável, irresponsável. A ativi- gicos, poderá .contagiar outras pessoas, propensas a tais
dade humana deve ser o mais consciente, o mais contro- manifestações. Há perigo de uma reação em cadeia, como
lada possível. Não podemos avaliar as implicações profun- aconteceu muitas vêzes, ao longo da história (cultos dio-
das das manifestações do inconsciente precisamente em nisíacos, agnósticos, ocultistas, bruxaria ... ). Os fenôme-
sua profundidade parapsicológica. nos parapsicológicos podem causar uma verdadeira epi-
Os fenômenos parapsicológicos surgem do terreno demia psíquica, se fomentados, em vez de sanados.
completamente inconsciente. Tentar fomentá-los é expor- Nas casas denominadas popularmente "mal-assom-
-se a fazer-se inconsciente, expor-se a que o inconsciente bradas", é freqüente constatar êste tipo de contágio. As
tome conta, cada vez mais, da personalidade. pessoas propensas residentes e visitantes, os simples curio-
Junto com os fenômenos parapsicológicos, pode surgir sos unem-se ao causante ·principal em sua manifestaç'ão
uma variada gama de traumas latentes. íl:stes traumas dos fenômenos e, por sua vez, os levam freqüentemente,
podiam encontrar-se ocultos, sem atuação, mas com o cul- a suas casas.
tivo da fenomenologia parapsicológica, podem sair à su- Já no 2.° Congresso Internacional de Ciências Psíqui-
,I perfície ou, se já eram manifestos, podem reforçar-se e cas (Parapsicologia), celebrado em Varsóvia em 1923, ex-
I
agravar-se. pressou-se o desejo de que em todos os países se proibisse
o cultivo dêstes fenômenos. Corroborando a decisão do
Para uma pessoa propensa (desajustados, fronteiriços,
desequilibrados, neuróticos, etc. ou simplesmente hipere- Congresso, há inúmeras declarações de médicos e parapsi-
motivos e hipersensíveis) uma Só experiência .pode ter con- I" cólogos, especialistas no tema da influência da fenomeno-
I I .seqüências funestas. logia parapsicológica no psiquismo e no organismo dos
1,: dotados e testemunhas impressionáveis.
I
O perigo de contágio psíquico é enorme.
,I
O Doutor A. C. PACHECO SILVA,que foi diretor do Hos-
pício Juqueri em São Paulo, declara: "Em nenhum país 8. UTILIDADE PRATICA?
do mundo, talvez, a influência nefast.a do espiritismo se
exerça .com tanta intensidade sôbre a saúde mental do Uma pergunta cuja resposta deve esclarecer. o uso
povo ... No exercício de mais de vinte anos de clínica psi- adequado das faculdades parapsicológicas: Se temos estas
quiátrica em nosso meio, temos observado um sem-núme- faculdades que não devemos fomentar, porque "fomentar"
ro de débeis mentais, sugestionáveis e crédulos, incapazes os fenômenos parapsicológicos é um atentado à saúde e
de um juízo crítico severo, apresentarem surtos delirantes inclusive à sobrevivência humana" (como disse TyrreU
após presenciarem sessões espíritas ou delas participarem". presidente da Sociedade de Investigações Parapsicológicas
Levando em conta que esta pessoa influenciada, vol- de Londres), então, para que as temos? Equivocou-se Deus
ta a seu ambiente, existe um perigo a mais. Além de criar- ao dar-nos um consciente pequeno e um enorme incons-
em tôrno de si um ambiente insuportável, ocasionado por \ ciente? Não deveria ter sido o contrário? A escola teórica
'1
seu desiquilibrio psíquico e seus fenômenos parapsicoló- nos dá a resposta. Usando uma terminologia bíblica (80-
t
122 o QUE GJPARAP8IOOLOGIA ESCOLA TEóRICA 123
mente como terminologia) damos uma breve solução de podem harmonizar, cujas essências são compatíveis, mas
tão importante problema. não pode fazer uma coisa impossível essencialmente, não
A alma foi criada no "paraíso terrestre". pode criar uma contradição. O princípio filosófico da con-
tradição vale também para Deus I
No paraíso terrestre (tanto se existiu, como se 'deves-
se ser alcançado) teríamos uns dons preternaturais,gra- Portanto, as faculdades que a alma tinha (e que po-
tuitos, entre êles o da impassibilidade. dia manifestar) temo-Ias, todo mundo as tem, embora
('
nem todos tenham a manifestação.
A alma para atuar necessita do corpo. No paraíso
terrestre, o corpo poderia acompanhar as manifestações Alguma vez acontece, porém, uma manifestação, um
da alma sem prejuízo, nem perigo, porque seria impassí., fenômeno parapsicológico. Quando o corpo entra em tran-
vel. Poderia acompanhar tôdas as faculdades da alma: se, há um desequilíbrio, a alma como que s~ manifesta
"conheceríamos sem estudo" dominaríamos os animais, um pouco por uma pequena brecha (psicorragia, por ana-
isto é, teríamos faculdades prodigiosas. logia com a hemorragia).
As faculdades que a alma tem por criação, as pode- Mas é perigosíssimo. É uma lâmpada de 100 volts
ria manifestar, porque o corpo poderia acompanhar. Se- (nosso corpo atualmente passível) sôbre o qual se carrega
ríamos super-homens com as faculdades da alma eda im- uma fÔrça de 800 mil volts (manifestações das faculdades,
passibilidade do corpo. parapsicológicas). Terminaríamos por queimar o organis-
mo: o corpo passível não pode acompanhar todo o poder
Mas não chegamos até o paraíso terrestre (o "pecado _
que a Parapsicologia tem descoberto na alma.
original" seria a falta da graça que deveríamos ter alcan~ _,..
çado e que por culpa da humanidade não se alcançou .e Mais: "A ressurreição da carne", isto é a recuperação
conseqüentemente, também não a impassibilidade); ou se de certa quantidade de matéria do corpo, é uma exigência
I: se preferir, saímos do paraíso terrestre. da supervivência do espírito. Porque, sendo o espírito eter-
Perdeu-se ou não se alcançou a impassibilidade preter- no e precisando o espírito humano de seu corpo para atuar,
natural. Mas a alma não podia perder suas faculdades. não pode ficar eternamente frustrado, inútil, sem agir; do
A uma coisa' que tem partes podemos tirar um pedaço e ponto de vista da alma a ressurreição é uma exigência, é
ficar com o resto. Mas, como se tira à alma parte de seus devida à essência da alma (embora, do ponto de vista do
podêres? Não é possível. Se Deus quisesse tirar à alma corpo, a "ressurreição do corpo" seja evidentemente um
parte dos seus podêres, ou faculdades, aniquilaria a alma. ~ dom preternatural, indevido, gratuitamente concedido por
Deus, assim como não pode fazer uma circunferência qaa- Deus). Pois bem, depois da ressurreição da carne, para
drada, também não pode tirar partes onde elas não exis- que a alma conheça Deus (o natural não pode conhecer o
tem. Deus pode aniquilar e criar a alma milhões de vêzes sobrenatural) terá que ter uma entidade sobrenatural, que
por segundo, mas não pode tirar uma parte da alma: a al- os teólogos chamam "lumen gloriae". Mas para que a
ma não tem partes, é espírito, é simples. Deus pode fazer alma conheça a criação, para manifestar seus podêres que
tudo o que é possível, tudo aquilo cujas notas essenciais se hoje chamamos parapsicológicos, para sermos super-ho-
124 o QUE 1!JPARAPSlOOLOGIA
Há outras escolas segundo os aspectos particulares Pensamos ter dado uma idéia geral, muito breve, ne-
que se estudam. Assim, por exemplo, na Universidade cessàriamente, e incompleta, do QUE É A PARAPSICO-
Real de Utrecht, na Holanda, desde 1933 trabalham, prin- LOGIA: maravilhosos podêres do homem muitas vêzes
cipalmente na investigação da personalidade das pessoas supersticiosamente interpretados, muitas vêzes negados
que realizam os fenômenos parapsicológicos. Dirige as in- aprioristicamente.
vestigações o Dr. Tenhaeff, que desde 1953 é catedrático Estudamos os fenômenos fundamentais e os que, des-
de Parapsicologia daquela universidade. O mais famoso de a época da metapsíquica, foram mais estudados que as
I sujeito de experimentação em Utrecht é Gerard Croiset, levitações, bilocações e tantos outros.
I
~~ notável clarividente.
I As vêzes, é necessário um maior aprofundamento, in-
I E outras escolas especializadas, como as dirigidas pe- clusive confirmação. Com um trabalho de revisão, clas-
la Universidade Católica de São José em Pittsburg, Fila- sificação e análise do que se fêz até agora, a Parapsicolo-
delfia (EE.UU.), sob a direção do Dr. Carrol B. Nask; a gia moderna, além de classificar os conceitos acêrca dos
i
, ,
I Universidade City College de Nova York, a Universidade do fenômenos, proporciona o "estado da questão" para futu-
11: King's College de Halifax, etc. ras investigações e experiências confirmativas.
O Instituto de Investigação do "Centro Latino-Ameri- A investigação parapsicológica confirmou o velho afo-
cano de Parapsicologia" de São Paulo (Brasil), dentro da rismo de BOILEAU:"Le vrai peut, quelques fois, n'être pas
escola eclético-teórica, tem um interêsse especial (mas de vraisemblable", devolvendo ao homem, ao demonstrar suas
nenhum modo exclusivo) em estudar as diferenças entre
qualidades internas, o título de REI DA CRIAÇÃO, FEITO À
os fenômenos extra e paranormais com respeito aos su- IMAGEME SEMELHANÇA DE'DEUS...
pranormais.