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O Que É Parapsicologia PDF

O documento descreve fenômenos estranhos que ocorreram em uma fazenda rural no interior de São Paulo, como grãos de milho caindo do telhado sem explicação e objetos se movendo sozinhos. A viúva Dona Maria foi a primeira a presenciar os eventos e fugiu assustada. Depois, outras pessoas testemunharam latas e pedras se deslocando sem causa aparente. O padre pensou se tratar do demônio, enquanto o babalorixá afirmou serem espíritos de mortos, porém

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Marcella Kaunai
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O Que É Parapsicologia PDF

O documento descreve fenômenos estranhos que ocorreram em uma fazenda rural no interior de São Paulo, como grãos de milho caindo do telhado sem explicação e objetos se movendo sozinhos. A viúva Dona Maria foi a primeira a presenciar os eventos e fugiu assustada. Depois, outras pessoas testemunharam latas e pedras se deslocando sem causa aparente. O padre pensou se tratar do demônio, enquanto o babalorixá afirmou serem espíritos de mortos, porém

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CAPÍTULa I
NATUREZA DA PARAPSICOLOGIA

1. FENOMENOLOGIA

Visitei, uma vez, uma casa "assombrada". Assim é


ehamada pela gente da pavo. Estranhas fenômenos ha-
viam sida campravadas nas casas de uma tranqüila fa-
~cnda rural, na regiãa noraeste da Estado de Sãa Paula.
Tudacameçau na dia 20 de agôsto de 1967. Dana Maria,
viúva de 47 anas, saiu assustada -de sua casa, ande vivia
sÓ, asseguranda a tadas os vizinhas que havia vista cair
do telhada, repetidas vêzes, grãas de milha. Entretanto,
no telhada nãa padia haver grãos de milha ... Pouca de-
pois, as grãos se intraduziam no cangeladar fechada.
Caíam pedras da telhado, no qual, no entanta, não se en-
I eontrau nenhuma abertura.
Na pequena casa, mal-mabiliada, ninguém podia ter
, .'ll~ escandidosem ser visto par Dana Maria. A casinha
(·sl.avabastante afastada das .outras. Ao redar, nãa havia
nenhuma árvore, nenhum esconderij.o. Entretanto, quin-
:r.(~
dias depois, quase simultâneamente, se abriram a parta
c algumas janelas. Pedras e pedaç.os de madeira entra-
vam na casa..
Dona Maria fugiu aterrarizada até a casa da adminis-
,\
tl'lldUl'da fazenda. Imediatamente, a administradar e
fi o QUE ~ PARAPSlOOLOGIA NATUREZA DA PARAPSICOLOGIA 9

mais dez pessoas viram latas deslocando-se, pedras cain- Por que teriam que ser os espíritos dos mortos? Se os
do, vidros dás janelas rompendo-se, tesouras voandb em ,espíritos dos mortos tivessem fôrça para realizar êstes
esquisitas parábolas. prodígios, os espíritos dos vivos também a deveriam ter.
O pânico tomou conta de tôda a fazenda. Durante os Dizem que os espíritos dos mortos, para agir, precisam
dias seguintes, nas ciIlJCO casas habitadas da fazenda, se dum corpo. Daí, a exigência de um médium. Mais fácIl,
registraram estranhos ruídos, movimentos de objetos, pois, será para o espírito do vivo produzir o fenômeno, pois
etc ... Meio tijolo caiu, verticalmente, com notável fôrça, êste já tem o próprio corpo que anima. Aliás, se o espírito
diante do administrador, nas circunstâncias mais inex- do morto necessita do corpo para agir, como atua sôbre o
plicáveis. corpo do médium?
O pároco do povoado pensou que os fenÔmenos se E como as casas "assombradas", existem mil outras
deviam ao demônio. O "babalaÔ" afirmou que eram os espécies de fenômenos misteriosos, sempre em conexão
espíritos dos mortos. Nem a bênção do padre, nem os com o homem, antigo ou moderno, culto ou ignorante.
defumadores do umbandista obtiveram algum resultado. 111.

Prevêem-se acontecimentos com antecipação de 20, 30, 100


Quase tôdas as tardes, depois das seis horas, repetiam-se dias, quando era impossível sua previsão por vias nor-
os mesmos fenômenos. mais. Os fatos comprovam os prognósticos: forampre"
, nunciaciosçom bastantes cletalh,ªsa.t..r:agédia do Titanic,
MUITOS FATOS E MUITAS INTERPRETAcÇÕES
a queda do dirigível Alitália, o assassinato do presidente
Milhares de casos semelhantes têm sido estudados Kennedy ... U'a mãe sonha com fatos da vida do filho
nos últimos anos, investigando-se com o maior rigor "po- que vive a milhares de quilômetros de distância ...
licial". O sábio pesquisador moderno ERICJ. DINGW ALL, E o que dizer de uma mesa que se levanta pelos ares,
entre. outros, publicou recentemente uma obra, na qual ti desafiando, ao menos aparentemente, a lei da gravidade? '
se prova que as casas "assombradas" sempr:e existiram, II
)1'
O que pensar de um ignorante e analfabeto que, de re- (
desde as civilizações mais antigas, em todos os conti- "

pente, começa a falar em línguas estrangeiras? 9:S...~bi~


nentes. tantesc1.~ç~r:tQl3.PºYOªclºSgªJ:nciia,dQ, Tibet, do México"
Ao longo da história os homens vêm atribuindo a res- da Espanha e da França passam com os pés descalços'"
ponsabilidade de tais fenÔmenos a onqinas, fadas, gno- sôbre brasas, sem sentir dor ou sofrer queimaduras. Fa.,
mos, gênios, pitões, larvas astrais, "poltergeists", etc ... - til
Ia-se de curas eXtraordinárias realizadas por feiticeiras
Por que inventar tais sêres do além? e curandeiros. Podêres singulares são atribuídos a feiti-
Por que haveriam de ser os demÔnios? Que proveito ceiros, faquires, iogues... Enfim, inumeráveis Sãb os fe-
tirariam os demônios daquelas famílias tradicionais e hon- nômenos assombrosos e incríveis, em tôdas as partes e
radas, católicos praticantes, trabalhadores? Começaram a em tôdas as épocas.
rezar mais. Tôdas as tardes se reuniam os moradores to- Existem êstes fenômenos? Como se explicam? Os sá-
dos daquela fazenda para rezar o têrço ... (e os fenôme- bios, pronuIlJciando-se sem prévio estudo, não seriam tão
nos continuavam ... ). supersticiosos quanto os próprios supersticiosos?

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"r'''"r·'!'r'mlmF·mTTTITT1mlTJTff!lmtf!mlWm'~nrrrfffl!f:m .. Ifl'!fII!I1Tf1I!11Jl'll!HT'll!IIj'l!l!Il'l!lm!l1ml'lm!l!m!l!ITf''''}n'''rrrr''',.IIII\I!l!lI\Imll!ll1!JlII,lI!mll!lf"llIn'''lII'''m'''"".~"" 1IIII~_II_I_._ •••••••••••••••••• 1Ii


10 o QUE 1!JPARAPSICOLOGIA NATUREZA DA PARAPSICOLOGIA 11

nos com sigilo rigorosíssimo. Os conhecedores das expli- I


I{' Surgiu
LOGIA, queum nôvotodos
estuda ramoêstes
da Psicologia,
fenômenos.a PARAPSICO-
Tais fenôme- cações eram muito poucos e os praticantes, mais numero- r

(nos (prescindindo dos raríssimos milagres) são fenômenos sos, que realizavam os prodígios, ignoravam muitas vê-
!humanos, das fôrças "ocultas" do próprio homem. Esta zes suas explicações profundas e verdadeiras, atribuindo-
\ é a conclusão da parapsicologia':::t -os, erradamente, à intervenção de diferentes fôrças ex-
No dia 28 de outubro de 1964, em plena ebulição dos traterrenas.
fenômenos, fui convidado, como parapsicólogo, para visi- Há autores que afirmam que as explicações naturais
tar a fazenda "mal-assombrada". Expliquei aos assustados e verdadeiras estavam anotadas nos manuscritos guarda-
moradores que se tratava de um caso de psicorragia (li- dos com tanto desvêlo na biblioteca de Alexandria. Há,
beração das fôrças psíquicas do inconsciente humano), certamente, indícios históricos disto, mas é difícil saber
primeirame~te da viúva Dona Maria (já internada). Hou- o pêso exato desta afirmação, inclusive, concedendo que,
ve também efeitos polipsíquicos: menin.ª.s açlo!e.scentes então, houvesse chegado até onde, hoje, tanto custou che-
aterradas e mulhereseITl gestação (que/mâG:fàcillnél1te gar, aquela ciência nos foi inútil, pois tudo desapareceu
se contagiam psiquicamente) colaboraram dum modo no incêndio da biblioteca de Alexandria, nos tempos de
destacável, libertand9_,Suª.sfô!:ç!:I:Sinconscientes. Depois, Teodósio.
de algumas horas de explicação, voltaramt()clos à tran- Destruídos os manuscritos e dispersos os práticos da
qüilidade. Recomendei calma, relaxamento neuromuscu- magia (ignorantes, por outro lado, das explicações), a
lar, atitudes serenas de meros espectadores. E, naquela fenomenologia continuou sendo algo misterioso, sobrena-
mesma tarde, os fenômenos já não se repetiram ... tural, na mente do povo.
OS ANTECESSORES
DAPARAPSICOLOGIA LUZESISOLADAS
A Parapsicologia, como ciência universitária, é muito
recente, mas seus preâmbulos são antigos, como os de tô- A ciência oficial, por sua parte, "ignorava" estas "len-
das as ciências de hoje. A Química foi precedida pela al- das". SÔmente de vez em quando surgiram alguns inves-
quimia megalomaníaca e a Astronomia pela astrologia su- tigadores isolados, chamados .pcultistas, que faziam bri-
persticiosa. Também a Parapsicologia teve seus prede- lhar pequenas claridades de verdade, misturadas, entre-
cessores plebeus. tanto, com muitos erros. Assim, por exemplo, BASÍLIO,
VALENTINO, PARACELSO, AVICENA e AGRIPA.
OS ANTIGOS
INICIADOS Entretanto, tão pouca era a verdade escondida nas
'----
t.revas do ocultismo que AGRIPA, ao final de sua vida, teve
Parece que na investigação dos fenÔmenos "ocultos", que retratar-se de uma grande parte de sua obra: "Ê
os antigos iniciados da índia chegaram muito longe. Pa- verdade que, sendo jovem, eu mesmo escrevi três livros
rece que os iniciados da C'aldéia e do Egito receberam dê- HÓbremagia, que intitulei "Filosofia oculta". Quantos
les seus segredos. ~stes segredos eram ocultos aos profa- \ ('II'OS cometi então? Hoje, tornando-se mais prudente,
.. ~~~~
.. .. ,

12 o QUE 1!1P ARAPSIOOLOGIA NATUREZA DA PARAPSICOLOGIA 13

devo refutá-Ios publicamente e reconhecer que perdi mui-


to tempo eom essas futilidades". Retratação que toma- As FOGUEIRAS HUMANAS
mos como sintomática da pouca luz que há no ocultismo.
Durante vários séculos, o ambiente de "bruxaria" in-
o CRISTIANISMO ENFRENTA A MAGIA festou a Europa. Na Inglaterra, em Pendle Forest, Lan-
canshire, um menino caluniador acusa de bruxaria à Sra.
o Cristianismo, desde sua origem, adotou uma posi- Dickenson e a outras vinte subalternas suas, da vizinhan-
ção clara diante destas mui superstições que se imiscuíam ça. Pelo "sólido" testemunho de um menino de doze anos
neste tipo de fenômenos. oito destas mulheres foram queimadas vivas.
A cidade de Éfeso era famosa por seus livros de ma- O Pe. HEREDIA S. J. resumindo mais de dez autores,
gia e por suas artes mágicas, muito freqüentes naquela afirma que, sàmente na Escócia, no curto período que
cidade. vai da execução de Maria Stuart até a coroação de seu
O evangelista São Lucas narra como muitos daqueles filho como rei da Inglaterra, isto é, 32 anos, foram exe- _
,que haviam exercido a magia e a feitiçaria levaram seus cutadas 1.700 bruxas. Em Genebra (Suíça), em três me-
livros ao apóstolo São Paulo, que organizou uma fogueira ses sÓmente, foram queimadas 500 bruxas, de acôrdo com-"
em presença de todos. Simão, o mago, "que havia enga- a "Chamber's Encyclopedia". Segundo a "New Internacio-
nado ao povo", foi expulso da Igreja por pretender com- nal Encyclopedia", 7.000 bruxas foram queimadas, em
prar com dinheiro os podêres de São pedro e São João, os poucos anos, em Tréveris. A "Nelson's Encyclopedia" afir-
quais êle eonsiderava magos. ma que a bruxaria custou, sàmente na Alemanha, 100.000"
Os Santos Padres e Escritores Eclesiásticos se referem vidas.
inúmeras vêzes a fenômenos "misteriosos". Tertuliano, Os prodígios realizados ou atribuídos às bruxas ul-
trapassam a tudo o que foi realizado ou atribuído aos
por exemplo, no século lI, fala das "evocações dos mor-
médiuns espírita:s, aos faquires, aos iogues da índia, aos
tos", adivinhações, sonhos provocados (hipnose ou tran- aisauas da Africa ou aos lamas do Tibet.
) I
se), movimentos de mesas que respondiam perguntas ao
contato das mãos, assim como de outros prodígios asso- Com tantos processos e debates, foram se extinguin-
ciados a superstições, "com os quais enganam ao povo". do as fogueiras contra as bruxas e se percebendo eada
vez mais a necessidade da instalação de hospitais para'
A filosofia alexandrina, com a qual Juliano, o Após-
cicatrizar as feridas por onde escapavam as fôrças psí-
tata, pretendia subjugar o Cristianismo, tinha por dogma
quicas, responsáveis por aquêles fenômenos. Pouco a
fundamental a "evocação dos mortos" e apresentava os
pouco, a Medicina foi compreendendo o papel do psiquis-
fenômenos usuais do espiritismo. mo humano na bruxaria. O primeiro hospital para bru-
A paixão pelo ocultismo e pelos fenômenos maravi- xas foi fundado no ano de 1425, por Alfonso V, em Sara-
lhosos existia em tôdas as classes sociais, como afirmam goça, Espanha, "berço da psiquiatria", como a chamou o
S. Gregório de Ni:;l;a,Lactâncio, etc. psiquiatra norte-americano Peter Bassoe. Um século de-

r~til
14 O QUE t!J PARAPS!COLOGIA NATUREZA DA PARAPS!COLOGIA 15

pois, a Inglaterra abriu seu primeiro hospital para bru- Porém, os esforços são pouco proveitosos para a ciên-
xas: Beclan, 1547. Dois séculos mais tarde, a França se- da, por misturarem a verdade com os erros, sem critério
gue o mesmo exemplo: Paris, 1741. ;:< diferencial suficiente. Os antigos também encobriam seus
segredos com expressões que sàmente eram decifráveis aos
Os PODÊRES
DOMAGNETISMO
HUMANO iniciados. Os neo-ocultistas, ao imitá-Ias, insistiram de-
masiadamente nos enredos.
Já no século XVIII, o Dr. FRANZ ANTONMESMER, Existe aqui um detalhe característico: o mais desta-
uma curiosa mistura de gênio, pesquisador e charlatão, cado, talvez, dos neo-ocultistas foi ELIPHASLEVI (Alphon-
assombrou a Europa com seus prodígios. Muitíssimas pes- se Louis Constant), porém é sabido que nos últimos anos
soas, loucos e neuróticos, paralíticos, cegos e mudos, reu- de sua vida abandonou o ocultismo, ao qual aderira como
máticos e alérgicos eram curados pela imposição das mãos a uma religião, e voltou ao seio da Igreja Católica, a que
de Mesmer. Sob a influência de Mesmer, delicadas senho-
pertencia, antes de unir-se ao ocultismo-esoterismo.
ritas se contorciam violentamente sem "se quebrar". Po-
diam receber fortes bordoadas sem sentir nada, podiam
realizar profundas operações cirúrgicas sem dor e sem
o HOMEM FOI ESQUECIDO
sangue ... Posteriormente, tão grande era a afluência de
"Parece que tôdas as ciências devem passar antes pe-
tôda a classe de enfermos, que Mesmer teve que servir-se
los vestíbulos da superstição" - dizia Pierre Janet. O ves-
de "água curadora" e de varinhas "magnetizadas" para
tíbulo da Parapsicologia foi longo e obscuro. Em outros
poder curar em massa.
ramos da ciência, no final do século XIX, já se passara
Sábios como PUYSEGUR, DELEuzE, POTETe outros apro- a salas bem iluminadas. Pensava-se que o homem havia
fundaram mais no mesmo sentido, no século passado. As feito brilhar luz em todos os campos da realidade e que,
escolas de hipnotismo do hospital de Salpetriere, sob a para o futuro, a expansão científica produzir-se-ia sÔmen-
direção de CHAROOT, e do hospital de Nancy, dirigido pelo te em forma vertical. A expansão horizontal, porém, não
Dr. BERNHEIM,lançaram nova luz sôbre os podêres psí- havia terminado ainda. Permanecia na penumbra a maior
quicos do homem, especialmente no que se refere a curas parte dos podêres inconscientes do psiquismo humano.
extraordinárias, à resistência, à dor e à fadiga e às "adi- O homem derramou luz sôbre a realidade circundan-
vinhações", incluindo as adivinhações a enorme distân-
cia e com referência ao futuro. te e se esqueceu dêle mesmo. "O homem, êsse desconhe-
cido", foi o famoso grito de Alexis Carrel. Ou como dizia
Conan Doyle: "Entre tôdas as coisas que o homem chega-
A MARGEMDACIÊNCIA
rá um dia a compreender, a última será, seguramente,
êle mesmo".
No final do século passado, a escola de neo-ocultis-
mo, dirigida por ELIPHASLEVI, STANISLAS DE GUAITA,PA- Os materialistas negavam a priori, inclusive a exis-
pus,etc., tenta reconstruir os conhecimentos dos antigos tência dos fenômenos, considerando-os, sem restrições, co-
iniciados. mo simplesmente existentes na imaginação dos espiritua-

SEMiNARIO CONCO
16 o QUE :d1PARAPS100LOGIA NATUREZA DA P ARAPSICOLOGIA 17

f."~'-
, ~,j
i:!

!): listas. Absurda seria uma investigação daquilo que não As universidades, no entanto, se mantinham alheias
existia. Não admitiam mais podêres no homem que os à nova investigação. As exceções, ainda que prenúncios
meramente físicos. Tal era, em geral, o ditame da ciên- de um futuro melhor, foram muito poucas: em 1893,
cia oficial da época. ALBERTCOSTEconsegue o título de Doutor em Medicina,
pela Universidade de Montpellier (França), com uma tese
2. INVESTIGAÇÃO sôbre as fôrças (hoje diríamos parapsicológicas) incons-
cientes do psiquismo humano; em 1911 se estabelece na
Alguns sábios cientistas como WILLIAMJAMES,FREUD, Universidade de Stanford um laboratÓrio subvencionado
JUNGe MAc DOUGAL, para não citar mais que exemplos de para êsse tipo de investigações e, em 1917, se publicam os
psicólogos, chegaram a considerar que havia evidências resultados de experiências sôbre o conhecimento extra-
mais que suficientes para justificar uma investigação can- -sensorial, realizadas naquela Universidade, sob a direção
sativa de tais fenômenos com métodos experimentais. do Prof. Dr. JOHN E. COOVER;em 1912 a Universidade de
Harvard estabelece a Fundação Hodgson para investigação
Evidentemente a posição científica deve ser a de estu-
dêstes temas.
dar tais temas antes de negá-los ou afirmá-los. Por outro
lado, nenhuma realidade possível do nosso mundo deve Chamou-se esta primeira etapa de investigação de
ser excluída da pesquisa científica e menos ainda quan- metapsíquica.
do estreitamente relacionada com o homem e por isso de
maior importância, como são os fenômenos parapsico-
lógicos. A PARAPSICO:ÚOGIA
Em 1882 se deu o primeiro passo eficaz, em ordem
à intervenção científica, quando se fundava a "Society Na segunda etapa da investigação, muito recente, a
for Psychical Research" de Londres, que reuniu sábios metapsíquica cedeu lugar à parapsicologia. Na
.",
América
universitários de primeira categoria, inclusive vários prê- do Norte começou assim: /')
mios Nobel em diversos campos do saber. A iniciativa O Sr. JOHNTRoMAs,advogado, perdera sua~spôsa, Sra.
partiu de William Barret, de Dublin, e de J. Romanones. EtheL Tratou, então, de saber se realmente era possível
O primeiro presidente da Sociedade foi HENRI SIDGWICK, obter de seu "espiríto desencarnado" algumas mensagens.
a quem seguiram na presidência, sucessivamente, nomes Organizou uma série de tentativas com médiuns famosas.
muito conhecidos no âmbito científico, como STEWAR Thomas se apresentava com nomes supostos, enviava pes-
BALFOUR, WILLIAM C:aOOKES,WILLIAM JAMES, A. J. soas que não conheceram sua espôsa ... Segundo sua
BALFOUR ... opinião, obteve grande quantidade de "provas" sôbre a
Em seguida, funda-se uma filial da "Society for psy- comunicação com o "além".
chical Research" nos EE.UU., a "American Society for Em 1927, o Dr. THoMAs destina uma grande subven-
Psychical Research" e, no decorrer dos anos, aparecem ção ao Dr. JOSEPHRHINEe espôsa, Dr. LOUISARHINE,para
sociedades semelhantes em vários países. que, sob a direção do famoso psicólogo WILLIAMMACDou-
,~::;;> ..

I
d
r
18 o QUE 1!JPARAPSlOOLOGIA

GAL,estudassem cientificamente aquelas provas e outros


NATUREZA DA P ARAPSICOLOGIA

utrecht se doutorava W. H. C. TENHAEFF


19

(atualmente ca-
problemas reladonados, segundo o DI'. Thomas, com a I.cdrático de Parapsicologia da mesma Universidade Real).
comunicação com os mortos. As tais "provas" estão, hoje, Cada ano que passava, novas universidades, em todo
catalogadas entre as manifestações do psiquismo humano () mundo, abriam suas portas para a nova ciência. Em
dos vivos e não do "além", ,como o prÓprio DI'. Thomas lH39, sÔmente na América do Norte, havia 43 universida-
terminou por reconhecer. des dedicadas ao estudo destas manifestações do psiquis-
a DI'. RHINEe seus colaboradores conseguiram ainda mo humano, à margem da psicologia normal e patológica.
mais. Num trabalho exaustivo de revisão, encontraram A ciência parapsicológica encontrou, por fim, seu ca-
métodos verdadeiramente científicos para a investigação. minho e é reconhecida e respeitada como ciência de van-
Foi assim que, em 1934, com a apresentação ao mundo guarda. Foi reconhecida "oficial" e universalmente como
da nova metodologia, a investigação, para diferenciar-se ciência em 1953, por ocasião do Congresso Internacional
da metapsíquica, passou a chamar-se P,ARAPSICOLOGIA. de Parapsicologia, organizado pela "Foudation Interna-
E, à medida que em outros países se encontravam méto- tional of Parapsichology", pela Universidade de Utrecht e
dos de estudo para os diversos fenômenos, a ParapsicolO- pelo Ministério de Educação e Cultura da Holanda.
gia ia absorvendo a metapsíquica. Nesta mesma data surgia, pela primeira vez, um pro-
Os resultados positivos obtidos justificaram a criação, fessorado profissional de Parapsicologia, sob a direção do
neste mesmo ano, 1934, do LaboratÓrio de Parapsicologia professor catedrático W. H. C. TENHAEFF.Posteriormente,
da Universidade Duke, em Durham, Carolina do Norte, multiplicaram-se as cátedras universitárias de Parapsico-
dirigido desde então pelo DI'. RHINE. Foi o primeiro cen- logia nos países mais adiantados.
tro universitário de pesquisa com investigadores "full-
-time", pessoal administrativo e adequados recursos fi- :B~M
BUSCA
DEUMADEFINIÇÃO
nanceiros.
A Parapsicologia principia a sair do âmbito "ama- É difícil encerrar em uma definição tantos e tão va-
teur" para ingressar diretamente na investigação oficial. riados fenômenos. Algumas das definições que se tem
Um ano antes, 1933, a mesma Universidade Duke proposto fogem das dificuldades e caem em tautologias.
concedia o título de doutor, por seus trabalhos de inves- Por exemplo: "A Parapsicologia tem por objeto a compro-
tigação na Parapsicologia, ao Sr. JOHNTHoMAS. Simul- vação e análise dos fenômenos de aparência paranormal"
tâneamente, outras universidades de diversos países man- ou "estuda os fenômenos parapsicolÓgicos e aquêles rela-
tiveram seus próprios investigadores e assim, naquele donados com êles". Os têrmos que se quer definir não
mesmo ano, com trabalhos em pesquisas parapsicolÓgicas, devem entrar na definição.
se doutorava, pela Universidade de Bonn, HANSBENDER Tomamos aqui o têrmo "parapsicológico" como sinô-
(atualmente catedrático de Parapsicologia na Universida- nimo de extraordinário, surpreendente, à margem do nor-
de de Friburgo, Alemanha) e pela Universidade Real de mal, inexplicável à primeira vista.
20 o QUE :e PARAPSlOOLOGIA NATUREZA DA P ARAPSICOLOGIA 21

Parapsicológico (e paranormal) não significa anor- NOSSA DEFINIÇÃO


mal, no sentido pejorativo da palavra. Fenômeno para-
normal não é sinônimo de patológico, próprio de enfermos Propomos uma definição, a título de orientação: "A
ou de loucos... , ainda que o limite entre paranormal, l'arapsicologia é a ciência que tem por objeto a comprova-
I. \
(:lio ea análise dos fenômenos, à primeira vista inexplicá-
anormal, normal muitas vêzes seja simples questão de I I
'/Jcis, que apresentam, porém, a possibilidade de serem re-
grau que nem sempre é fácil precisar. Aliás a freqüência 'I

sul!tado das faculdades humanas,".


dos fenômenos parapsicológicos, espontâneos ou provoca-
dos, pode levar à anormalidade. Alguns esclarecimentos: usamos a palavra "ciência"
Por outro lado, as faculdades parapsicológicas, consi- e não o têrmo "disciplina" ou outro equivalente. A para-
deradas como faculdades, são patrimônio de todo o gêne•. psicologia é ciência em qualquer sentido em que tomemos
ro humano, e, nesse sentido, são faculdades normais. Po- esta palavra; é experimental no sentido de fundamentada
rém, sua manifestação é privativa de pessoas especiais ou na experiência, na observação, e assim se equipara à His-
de circunstâncias extraordinárias. Portanto, o fenômeno, tória, à Medicina, à Psicologia... É rigorosa na sua argu-
a manifestação da faculdade, é parapsicológica, extraor- mentação e, nesse sentido, coincide com a Filosofia, etc.
dinária, à margem da psicologia normal ou patológica. Alguns afirmam, porém, que somente seria ciência se,
Preferimos o prefixo "para" (para = à margem de) em tod'os os fenômenos estudados, as suas expe;riências
ao prefixo "supra" (supra = acima de). 8uprapsicoló- pudessem ser repetidas com igual êxito, em circunstân-
gico e supranormal, com efeito, sugerem, mais ou menos das iguais, como na Física, na Química ... A Parapsicolo-
reflexa ou inconscientemente, uma relação com o sobrena- gia nem sempre seria ciência, se tomássemos o conceito de
tural, que escapa do plano no qual a Parapsicologia se dência neste sentido tão restrito e inexato, dada à espon-
move direta e comumente. taneidade de muitos dos fenômenos parapsicológicos.
Os fenômenos chamados parapsicológicos são, ao me- Ora, excluir do campo da ciência fenômenos do nosso
nos geralmente, "espontâneos", irreproduzíveis voluntària- mundo, só pelo fato de não ser reiteráv~is à vontade, ou
mente ... E êste aspecto, também, está incluído no têr- raros, talvez até únicos ... é restringir ou desconhecer o
mo "parapsicológico". Contudo, muitos fenômeD:ospara- conceito de ,ciência... Assim se acabaria também gran-
psicológicos, apesar de serem espontâneos, não reiteráveis de parte da História, da Astronomia, da Medicina, da 80-
à vontade, podem ser comprovados matemàticamente. eiologia, e da Geologia, e até da própria Física. Quantas
vêzes apresentam-se na Física teorias (por exemplo, a
Notemos, também, que o aspecto da "espontaneidade"
respeito da origem da matéria do universo), ainda nunca
ou incontrolabilidade, incluído no conceito de parapsicoló-
comprovadas e inclusive que depois são superadas; e nem
gico, e o aspecto de estranho, de inexplicável (novos para
a ciência "tradicional") não são próprios de todos os fe- por isso deixam de pertencer à ciência, ao estado atual
nômenos que a Parapsicologia estuda. Por isso, devemos da ciência.
ampliar o têrmo com o de "aparente" ou "à primeira vis- A primeira vista inexplicáveis: esta aparente inexpli-
ta" parapsicológico. cabUidade dos fenômenos, pode ser devida, muitas vêzes,

'illl"!!""!·''!!'I'í!flllfllllHlHmllllllHlllIlIIlllIIIllIIIIIllF-''--- I.i' ••I'


22 'O QUE :e PARAPSIO'OL'OGIA NATUREZA DA PARAPSICOLOGIA 23

ao seu .caráter de estranheza que os .coloca longe de nosso das, pesadas, divididas, analisadas. Não negou as possí-
juízo habitual. Na realidade não é mais estranha uma vi- veis realidades espirituais: foram colocadas entre parên-
são telepática que a visão retiniana ... É sÓmenos comum. teses, para posteriar estudo. Começou pela tarefa mais
Com possibilidade de serem resultado: Não afirma- acessível. Deu-se um fenômeno psicolÓgica que, dentre as
mos que, de fato, sempre derivam das faculdades huma- psicológicos, YUNG analisa muito bem. Tanta se estuda-
nas, nem que seja obrigatÓria a comprovação de que de- ram os fenômenos materiais que os cientistas, por um
rivam delas. Há sempre em todosêsses fenômenos a in- fato psicológico, quase sem perceber, aprioristicamente
tervenção de urna pessoa humana, ainda que seja con- chegaram à .conclusão de que sÔment,e existia a matéria,
siderada corno bruxo, feiticeiro, médium, endemoninhado passando a negar tôdas as realidades espirituais, que nun-
ou santo ... Ao menos, há urna testemunha, corno, por ca se deram aa trabalho de estudar. Sem nenhum direito
exemplo, urna adolescente numa casa "mal-assombrada". O negavam aquilo que nunca estlldaram. Tinham direito
homem sempre intervém, seja para testemunhar, seja de afirmar a matéria porque ela fôra objeto de suas aná-
para comprovar. Existe pois, a possibilidade (corno no- lises, mas não tinham direito de negar possíveis realida-
tamos anteriormente) de que o fenômeno se deva ao ho- des espirituais, que jamais estudaram, mas que podem
mem, às suas fôrças "ocultas" (talvez de atuação à dis- (por que negar antes de estudar?) pertencer ou atuar em
tância). Pode ser que depois das investigações se compro- nosso munda.
ve que tal determinado fenômena supera as fôrças huma- Os cientistas penetraram mais no seu êrl'O apriorís-
nas ... É então sôbre-humano.
tico, porém psicológico. Concluíram que sÔmente seria
Faculdades Humanas: Não ignoramos, igualmente, metodologia científica aquela que fôsse aplicável à maté-
que a Parapsicologia estuda e tem feito experiências com ria, a metodologia tradicionalmente empregada por êles
animais e plantas. Porém, até hoje, a quase totalidade dos no estudo da matéria ... Os fenômenos repetíveis à von-
estudos que se fizeram com animais e plantas, tiveram por
tade, aos quais se pode aplicar a estatística matemática,
objeta lançar luz sôbre as fenômenos humanos.
que se podem fatografar, tocar, pesar ... Todos os méto-
METODOLOGIA dos de observação diferentes, não seriam métodos cientí-
ficos. Tal critério é apriorista: significa submeter o obje- ,
Quando a ciência começava, na época do Renasci- to de estuda ao método de estuda. Se o objeto que temos
mento, e antes que se demonstrasse as explicações das que estudar, fôsse (por que não paderia ser?) essencial-
coisas, quando se descobriam possíveis explicações e sô- mente esparádico, espontâneo, irredutível à vantade, co-
bre elas ,se discutia, os cientistas se deparavam com duas rno podemas abrigá-Ia a que seja repetívelconforme o de-
possíveis -causas: urnas, materiais e outras, espirituais. sejo e que se lhe possa aplicar a ~statística matemática?
Falava-se de coisas materiais, falava-se de coisas espiri- Se a fenômeno fÔS.lil6(por que não?) invisível, essencial-
tuais. De muita bom grado, os cientistas começavam a mente, corno possafatdgrafá-lo? Se fôsse (por que não?)
estudar as coisas materiais porque sãa mais fáceis. Po- imponderável, intangível, indivisível ... , devemos cortar,
dem ser examinadas em laboratório, cortadas, fotografa- pesar, analisar suas partes? Não as tem ...

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24 o QUE ~ PARAPSICOLOGIA NATUREZA DA PARAPSICOLOGIA 25

Não é científico acomodar o objeto ao método, é ne- revele mais sua própria natureza. Os hippies com suas
cessário submeter o método de observação ao objeto de práticas ocultistas, os iogues, o êxito das religiões orien-
observação. Os cientistas psicologicamente incorreram tais, etc., são uma de tantas provas desta busca. E as
neste êrro apriorístico, e os racionalistas, em luta com a drogas? O que são, senão um estimulante dêste submundo
Igreja, se encarregaram de fomentarêste êrro. Lamentà- psíquico por explorar, que chama a atenção de nossa ci-
velmente, até o final do século passado, dum modo geral vilização? Neste ambiente surge a Parapsicologia, eviden-
'~I
tôda a ciência era apriorista e acientlficamente materia- temente com destaque.
lista. Estudava unicamente a matéria, negando tudo o Os fenômenos parapsicológicos se fomentam muito e
que fôsse, parecesse ou se relacionasse com o espírito. estão enormemente difundidos na América Latina, em ge-
Mas, estudando o homem, que se acreditava ser so- ral, e de maneira destacada no Brasil, Ocultismo, Teoso-
mente matéria, a Parapsicologia se encontrou com o espí- fismo, Esoterismo, Filosofia Oriental, etc ... A interpre-
rito, que não intencionava estudar, inclusive com a me- tação mais em voga é a espírita. Atribuem-se ao "além"
todologia "materialista", à base da estatística matemática, fenômenos completamente naturais. Mais uma mistifica-
encontrou e demonstrou as manifestações do espírito (ve- ção de tantas haviElas ao longo da História. Calcula-se que
remos mais adiante esta afirmação que aqui colocamos a o número de espíritas no Brasil, eleva-se a 25 milhões. O
modo de exemplo). espiritismo influi em tôdas as regiões, com seus hospitais,
O método estatístico é característico da chamada es- centros, colégios, associações de tôdas as elasses ...
cola norte-americana ou espiritualista. Hoje, felizmente, Mais de 100 jornais e 150 revistas estão sob orienta-
não se emprega unicamente a metodologia "materialista" ijl~' ção espírita. SÓ do livro fundamental de ALLANKARDEC
da escola "espiritualista". Outras escolas de Parapsicolo- <:
'.i'('.
(codificador do espiritismo latino) "O Livro dos Espíri-
gia, após 30, 40 anos, demonstraram a eficácia de seus mé- ":il!
tos", uma editôra de São Paulo leva lançados mais de 4
todos em contraposição aos métodos tradicionais e válidos ,\1

:11
milhões de exemplares.
para a Física, ou para a Química, que, porém, nem sem- O icrescimento do espiritismo pode considerar-se como
pre servem para o estudo das faCUldades psíquicas. A Pa- de proporção geométrica.
rapsicologia possui, hoje, muitos métodos específicos, pró-
prios dela, válidos cientIficamente, sem o êrro apriorístico Grandes implicações sociais, médicas e religiosas se
do superado materialismo do século passado e começos derivam das conceituações erradas a respeito dos fenôme-
do século presente. nos parapsicológicos. É grave a mentalidade que se di-
funde entre o povo. A interpretação dos fatos e posições
da vida, em milhões de brasileiros, são conseqüências de,
3. IMPORT.A~IA DA PARAPSICOLOGIA
teorias supersticiosas. Uma atitu~ desta índole leva a
O interêsse do nossolnundo ocidental pelas ciências uma alienação da realidade.
psíquicas está à vista. Cansados. do téGnico, ,com um sen- A interpretação popular freqüentemente é errada. A
timento de escravidão, os homens busca}ll algo que lhes fenomenologia, porém é muitas vêzes real, parapsicológica.
26 o QUE :S PARAPSlCOLOGIA

Evidentemente, a posição dos cientistas é a de estudar tais


temas antes de negá-Ios ou afirmá-Ios ou explicá-Ios ...
Dando uma explicação .científica dos fenômenos, a Para-
psicologia ajudará a demistificar, trará ao terreno da ciên-
cia o que estava no campo da superstição. Estabelecerá
os verdadeiros limites da realidade. CAPÍTULOII
Os médicos, psicÓlogos, sociólogos, filósofos e até os
ESCOLA MATERIALISTA
teÓlogos têm muito a lucrar da ,Parapsicologia, como f~-
cilmente se compreenderá pelos temas de que ela trata.
SCHOPENHAUER dizia: "Os fenômenos em questão, ao
menos desde o ponto de vista filosófico, são, com muito, Nos países da Gortina de F'erro, por exemplo: Insti-
os mais importantes entre aquêles que nos fornece a ex- tuto de Fisiologia da Universidade de Leningrado, dirigido
periência; em conseqüência, familiarizar-se com êles é de- pelo Dr. GULIAEV;Centro de Estudos Parapsicológicos, na
ver de todo sábio". E o famoso filósofo MYERS: "Estas Checoslováquia, dirigido pelo Dr. RYZL; Cátedra e Insti-
perturbações da personalidade não são para nós o que têm tuto de Parapsicologia da Universidade de Leningrado,
sido para outras gerações procedentes é dizer, "milagres" dirigidos pelos Drs. BECHTEREV e VASSILIEV,etc ... Estu-
nos quais os céticos, segundo a moda antiga, têm o di- dam os fenÔmenos que têm explicação fisiológica (sem ex-
reito de não acr'editar. Pelo contrário, começa-se a con- cluir, a partir de 1960, os fenômenos das outras escolas).
siderá-Ios como problemas de psieopatologia do mais alto
interêsse, cada um dos quais nos dá uma visão da estrutura
1. HIPERESTESIA DIRETA
íntima do homem". E, de maneira geral, os pesquisado-
res do tema, afirmam que as ciências: Biologia, Fisiologia,
Medicina, Filosofia, Teologia, etc., ver-se-ão afetadas e in- O professor LOMBROSO encontrou uma histérica que,
teressadas naturalmente por tÔda esta nova gama de des- em ataques de hipnotismo espontâneo, perdia completa-
cobrimentos. mente a visão pelos olhos, vendo entretanto, com a mes-
ma a.cuidade, pelo lóbulo da orelha esquerda. Não só dis-
ESCOLASE GRUPOSDE ESTUDO tinguia as cÔres, mas até os caracteres duma carta chega-
da havia pouco. Mais ainda, concentrando com uma lente
Na Parapsicologia se distinguem três escolas princi- alguns raios de luz sÔbre o lóbulo da orelha, a histérica
pais, ainda que a partir de 1960, dada a unanimidade ressentia-se vivamente e gritava, sacudia a cabeça e co-
mundial nos conceitos substanciais, seria mais exato fa- bria a orelha com o braço. Igual fenÔmeno sucedia com
lar em objetos tradicionais de investigação, especializa- G sentido do olfato: a amônia e a assafétida aplicadas ao
ção ou ensino. nariz, não davam nenhuma reação. ApUcadas ao queixo,
faziam espirrar e obrigavam a doente a afastar a cabeça
em sinal de náusea e enfado.
28 o QUE 1!lPARAPSIOOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 29

Foi muito famosa uma menina francesa, Giselle zões, porque a Parapsicologia tem demonstrado que a te-
Court. Como resultado de uma queda ficou cega. Com lepatia não pode ser constante ou tão regular como a
enorme vontade de vencer, a menina, sem saber exata- "visão" de algumas pessoas cegas ou sem usar os olhos.
mente o absurdo que poderia parecer a sua pretensão, Surgiram muitas outras teorias, inclusive se pensou
exercitou as extremidades dos dedos até conseguir distin- na explicação pelo eco, ao modo do eco que guia os mor-
guir as cÔres com só aproximar e deter os dedos sôbre cegos, ou seria uma espécie de radar humano ... Assim
elas. Passado algum tempo, após muito esfÔrço e treino, pretendiam explicar casos como o de um professor de
conseguiu aprender a ler (e escrever) com notável faci- História do Instituto Nacional de Paris que tinha ficado
lidade.
cego. Mas observado cientIficamente pelo Dr. ZABAL,se
Vários cientistas presididos por Jean Labadie exami- comprovou que podia evitar obstáculos: notava um muro
naram uma senhora que conseguiu ver com os olhos ta- à distância de dois metros, por exemplo. Outro ,cego é
pados por vendas, especialmente construídas para impe- introduzido pelo Dr. Zabal em um quarto no qual nunca
dir qualquer visão ocular. A senhora "via" pela fronte. tinha estado, e à distância de 2 metros percebeu um
Como resultado da publicação dessas experiências, desco- móvel de grandes dimensões: era um bilhar ...
briram-se três irmãzinhas de onze, treze e catorze anos, Foram as observações e experiências com animais que
plenamente normais, ao menos aparentemente, que "viam" deram a pista para a solução do problema. O grande natu-
também pela fronte com pasmosa regularidade. Dezenas ralista SPALANZANI, dezenas de vêzes, repetiu a experiên-
de experiências conduzidas com o mais severo contrôle cia de cortar a cabeça a escaravelhos. É sabido de todos
científico descartaram a fraude: o fenômeno era autên-
que o centro motor e sensitivo do escaravelho está no
tico.
tórax e não na cabeça. Pode pois, sem cabeça continuar
Outro senhor, hipnotizado, "lia" pelo cimo da cabe- a andar e a sentir ... , e evitar os obstáculos. Logo, os
ça ... Casos semelhantes têm-se recolhido com alguma sente, sem vê-Ios.
quantidade. Foi celebérrimo o cavalo Barto, um dos cavalos de
Falou-se da visão por outros nervos que os da rotina, Elferfeld, velho e cego. Não obstante, hoje fica fora de
à que chamaram "visão paraóptica". Outros acreditavam tÔda dúvida que sentia os movimentos dos assistentes,
que o prodígio se devia à telepatia. Mas ambas as teorias fo- movimentos ao parecer imperceptíveis, e que por êles se
ram desprezadas: a primeira por contrária à Fisiologia; a guiava para começar ou deter-se em bater no chão com
segunda, por contrária à Parapsicologia. Com efeito: não a pata em resposta a perguntas que se lhe formulavam.
sendo os nervos próprios da visão, e por conseguinte, não Já há muito tempo que RAFAEL DUBOIStratou longa-
sendo impressionado o mesmo centro cerebral, aquela ex- mente dos animais que sentem as vibrações do ar, o re-
traordinária percepção não pode ·ser "visão" propriamente fletir-se do barulho das suas próprias pisadas, a sensação
dita (nem olfato propriamente dito ... ). E falar em "vi- tátil dos raios de luz refletidos nos objetos ... dando a im-
são" impropriamente dita é deixar o problema sem re- pressão de que "vêem", apesar de que êsses animais não
solver. Também não pode ser telepatia, entre outras ra- têm olhos. Não vêem, sentem.

SEMINÃRIO CONCOR(
30 o QUE 1ÍJPARAPSICOLOGIA :mSCOLA MATERIALISTA 31

Assim nasceu a explicação dos homens que "vêem" fravermelha é invisível normalmente ao sistema ocular
sem olhos ou cheiram pelo queixo, ou ouvem pelas mãos; humano). Recentemente, investigadores dos EE.UU., sob a
não vêem, nem cheiram, nem ouvem... sentem o conta- direção do Dr. RICHARD P. YOUTZ,designaram com a sigla
to dos raios de luz, das vibrações do ar, dos eflúvios odo- DOP (percepção dermo-ótica) à hiperestesia no seu aspec-
ríferos ... e o cérebro responde causando uma alucina- to de visão (não retiniana), que êles acreditavam ter des-
ção a modo de visão ou cheiro ... a esta grande sensibili- coberto agora ...
dade se chamou: HIPERESTESIA.
Com o exercício pode aumentar-se ilimitadamente a 2. CUMBERLANDISMO
manifestaçãü da hiperestesia. Os marinheiros chegam a
enxergar objetos a distâncias muito superiores das que pre- o cumberlandismo parapsicológico é muito amplo.
cisam pessoas dedicadas a outras profissões. Os pintores Por contato, os dotados de faculdades parapsicológicas
chegam a distinguir, nas côres, matizes completamente in- podem adivinhar não sàmente uma ação por se realizar,
diferenciáveis para o comum dos homens. Certos selva- mas tôda e qualquer coisa.
gens possuem, pelo exercício, um ouvido que supera a sen-
sibilidade do mais sensível microfone. Contemos, por exemplo, o caso do Dr. MURRAY, então
diretor da Sociedade de Investigações Psíquicas de Londres.
O Dr. AZAMcolocava a mão à distância de quarenta Tomando pela mão uma pessoa que pensasse qualquer coi-
centímetros do dorso descoberto duma hiperestésica, que, sa, êle a adivinhava com todos os detalhes. Uma expe-
aliás, estava hipnotizada. Esta não só sentia o calor da riência qualquer:
mão, senão que se curvava para adiante queixando-se do
A Sra. Toynbee havia escrito: "Inicio de uma passa-
grande calor. Outro tanto sucedia por causa do frio quan-
gem de Dostoiewsky na qual o .cão de um homem pobre
do um pedaço de gêlo punha-se a bastante distância. Ou- morre em um restaurante".
tro hiperestésico, observado pelo Df. BREMANT, durante a
hipnose, seguia, desde o gabinete médico, através dos vi- O Dr. Murray, que não era especialmente sensitivo,
dros da janela, um diálogo tido em voz baixa noutro ex·· nem dotado especial, tomou a mão da Sra. Toynbee, se
tremo da rua. concentrou, deixou que o inconsciente tomasse conta do
A Sra. Kulechova foi estudada pelo Dr. VASSILIEV no· organismo humano e começou a dizer: "Parece-me que é
laboratório de Parapsicologia da Universidade de Lenin- algo tirado de um livro. Diria que se trata de um livro
grado. Kulechova, depois de lhe ser impedida completa- russo. Um homem muito pobre. Parece que se trata de
mente a visão pelos olhos, lia livros e revistas pelas pon- algo relacionado com um cão morto. Um .cão muito infe-
tas dos dedos, distinguia pelas pontas dos dedos as côres liz. De repente, ocorre-me que é dentro de um restauran-
dos objetos, percebia, sem contato, objetos mínimos ... te" . Até aqui tudo exato. "As pessoas brigam e depois
inclusive, isto se realizava na semi-obscuridade. "Via" pela' voltam e se esforçam para ser boas. Dêsse último aspecto
ponta dos dedos, ainda, sob iluminação exclusivamente in- não estou seguro." É muito interessante êsse detalhe.
fravermelha, apesar da pouquíssima graduação (a luz in- A Sra. Toynbee não o havia escrito no papel, que serviria
II

32 o QUE :B PARAPSIOOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 33


~~',
~ de comprovante daquilo que ela pensava, mas de fato es- Através dêste mecanismo, os pensamentos de qualquer
III!
tava escrito em Dostoiewsky, de onde ela havia extraído o pessoa passam às pessoas que estão presentes. Tudo o que
lil que em resumo escrevera. li:le,porém, notou que não esta- nós sentimos e imaginamos, passa e não pode deixar de
va adivinhando o que havia sido escrito no papel, e sim ou- passar às pessoas que estão presentes. Estas pessoas, in-
tra coisa que também estava no pensamento da Sra. Toyn- conscientemente, captam duma forma direta os reflexos
bee e, por isso, acrescentou: "disto não estou seguro". sensoriais e indiretamente os pensamentos ou os atos psí-
Sômente faltava o nome de Dostoiewsky e, depois de quicos que os provocaram. li:ste é o mecanismo da facul-
várias circunlocuções, falou: "Tenho a impressão que é dade hiperestesia indireta do pensamento, a HIP, mecanis-
alguma coisa assim como Gorky, mas não é Gorky". mo certamente complexo, impossível de ser explicado em)
Disse Gorky em vez de Dostoiewsky. Dos... ky, Gor ... poucas palavras ~
ky: há alguma' semelhança. Tudo o que as pessoas presentes sabem, o inconsciente
É um exemplo, entre milhares que poderíamos nar- também sabe. É lógico, portanto, que algumas vêzes o
rar, de experiências de adivinhações por contato, realiza- manifeste. Pode manifestar-se, isto é, a HIP se revela de
das em laboratório. duas maneiras: por contato ou sem contato. Quando é
As experiências de laboratório, em geral, são menos por contato, chamamo-Ia cumberlandismo (já aludimos
notáveis, porque não há relação emocional. É uma situa- a êle), por ser Eduardo Cumberland o primeiro a desco-
ção construída, fria, muito acadêmica. Nos casos espon- bri-Io e a apresentá-Io, inclusive, em demonstrações pÚ-
tâneos, geralmente, os fenômenos são muito mais interes- blicas.
santes. São precisamente êstescasos que têm despertado ,Muito conhecida tomou-se a menina Ilga K., de T'ra-
a atenção dos parapsicólogos por suas manifestações. 'peri~ --CCétÔnia):--Filha-éie-npaissãÓS,--desenvolveu-senor-
malmente, mas intelectualmente permaneceu muito atra-
sada. Aos oito anos balbuciava como uma criança de dois.
3. HIPERESTESIA INDIRETA
Nunca aprendeu a ler, nem a calcular. Não passou do
conhecimento isolado das letras e dos algarismos. Pois
Em primeiro lugar, os mecanismos da faculdade cha- bem, aos nove anos, apesar de ser incapaz de ler e cal-
mada HIP, ou hiperestesia indireta do pensamento. To- cular, quando se concentrava, Ilga lia qualquer parágra-
dos os nossos atos psíquicos, de qualquer espécie, conscien- fo em qualquer língua, incluindo latim e grego antigos,
tes ou inconscientes, pensamentos, recordações, sentimen- resolvia problemas matemáticos contanto que alguém
tos, se traduzem ou são acompanhados por reflexos físicos (principalmente sua mãe) os tivesse em sua presença, len-
de diversas ordens. Por exemplo, um falar muito dimi- do mentalmente o mesmo parágrafo ou pensando na so-
nuído, muito suave, muito subterrâneo; umas emanações lução do problema. Discutia com professôres universitá-
de tipo magnético, detectadas hoje e medidas pelos russos, rios sôbre qualquer tema: "sabia", sem compreender nada,
de uma hiperfreqüência notável; uns reflexos na pele, re- tanta Matemática quanto os professôres de ciências exa-
flexos também motores, etc. tas, discutia com os catedráticos de Medicina ...
34 o QUE PJ PARAPSICOLOGIA l'lSCOLA MATERIALISTA 35/

Investigações sucessivas, rigorosas, continuadas, de roram à mencionada localidade, onde o pai devia construir
especialistas de vários países, demonstraram que se trata- uma ponte, e que ali existia um policial com o mesmo
va de um caso de manifestação de HIP - hiperestesia in- nome que soubera através do sonho.
direta do pensamento - pela qual nosso inconsciente Por meio da hipnose ou de associações, testes, drogas,
capta e, às vêzes, pode manifestar (casos especiais ou pes- ctc., o psiquiatra poderá obter algumas vêzes do incons-
soas especiais) tudo o que tôdas as pessoas presentes co- ciente recordações que o auxiliem na recuperação do pa-
nhecem, incluindo conhecimentos inconscientes. Nosso ciente. O advogado poderá obter preciosos dados para a
inconsciente é um sábio prodigioso. reconstrução dos fatos do seu cliente, etc. Pela hipnose
se chegou, às vêzes, a bastante profundidade do arquivo
4. PANTOMNÉSIA inconsciente. Uma experiência quase de rotina é a com-
provação da memória do inconsciente durante a hipnose.
Além de sábio, o inconsciente...não...esqu.e.ce..nada.Ou- E conseqüentemente, a imaginação se exalta também, dan-
tra 1âê-üídadeinconsciente, comum a todo o gênero hu- do à linguagem dos pacientes um brilho e um colorido
mano, é a chamada pantomnésia, memória de tudo. Um notáveis. A memória reproduz, com extraordinária preci-
jovem açougueiro, em um ataque de loucura, recitava são, cenas e pormenores que, em estado de vigília, estão
velozmente páginas inteiras da "Fedra" de Racine. Cura- completamente esquecidos ou jamais fixados.
do da loucura, por mais esforços que fizesse, não conse-
guia recordar-se de um só verso. Declarou que ouvira 5. XENOGLOSSIA
unicamente uma vez a leitura desta tragédia, quando pe-
queno. Xenoglossia é a faculdade que possui o inconsciente
Para saber até onde chega o poder mnemônico do de falar línguas. Nosso inconsciente é a maior escola de
inconsciente, um passo importante, sem dúvida, é a com- línguas. Em xenoglossia prescindimos da fraude. Por uma
provação de que nosso inconsciente nos recorda coisas que simples fraude pode-se atrair a atenção, durante anos, de
conhecemos quando nem possuíamos o uso da razão. ~ste muitos sábios, como de fato existiram casos concretos.
fato se comprovou muitíssimas vêzes. Prescindimos, também, na xenoglossia imprÓpriamen-
O Dr. MAURY,por exemplo, conta que certa noite so- te dita, da invenção de línguas, línguas perfeitas, línguas'
nhou que era criança e que vivia num povoado chamado que podem parecer marcianas ou do planêta Júpiter ou
Trilport. Ali, imaginou ver um homem uniformizado, que de outros planêtas ou de "Ganimedes", com gramática,
dizia chamar-se ... "fulano de tal". Maury apreciava ana- fonética, sintaxe, etc. Isto pertence ao talento do incons-
lisar seus sonhos. Ainda que não tivesse a menor idéia ciente.
daquele homem nem daquele povoado, onde pensava não Em geral, a xenoglossia é não-inteligente, como um
ter nunca vivido, havia no sonho uma vaga sensação de gravador magnético. Citemos um caso só, dentre muitos.
"já visto". Passado algum tempo se encontrou com a an- Na Califórnla, uma menina recebeu um golpe na cabeça
tiga ama-sêca. Ela lhe disse que, sendo êle muito pequeno, e pelo efeito do golpe principiou a falar chinês. Pergun'"
36 o Q'(JE :S PARAPS!OOLOGIA )'jSCOLA MATERIALISTA 37

taram-Ihe quais as flôres da CalifÓrnia que mais lhe agra- Manifestações semelhantes são relativamente fre-
davam, ao que ela respondeu que eram dois lençÓis, qua- qüentes. Nossos inconscientes retêm, e, muitas vêzes po-
tro lenços, três camisas. Comprovou-se que esta menina dem manifestar, grande número de línguas, especialmente
havia captado inconscientemente o rol de roupas para la- em países de imigração.
var. Quem lavava a roupa da casa era um chinês. A me-
nina, conscientemente, não aprendera nada, mas o golpe
na cabeça lhe abrira a porta de passagem do inconsciente 6. TALEN'l'O DO INCONSCIENTE
para o consciente e, assim, falava perfeitamente as frases
ou palavras chinesas que inconscientemente aprendera .
Somente que, junto com os nomes das peças de roupa,
• Nosso inconsciente, com os inúmeros dados que vai re-
cebendo através das diversas faculdades normais ou pa-
captara outras frases que não designavam flôres da Cali-
rapsicológicas e arquivando pela memória do inconscien-
fÓrnia propriamente ditas ...
te, é capaz de elucubrações fantásticas. Tem-se feito en-
Faculdades do inconsciente, combinadas, dão lugar à quetes internacionais dos diversos pontos de vista. LANG-
xenoglossia inteligente. A Srta. Iris, de 16 anos, de Buda- MUIR estudou os maiores cientistas da humanidade. De-
peste, "morria" em agôsto de 1933. Poucos momentos de- vem a maior parte de suas descobertas ao talento do in-
pois da "morte", não obstante, começava a respirar nova- consciente. Ou eram intuições, ou as sonhavam ... E de-
mente, recuperava os sentidos e terminava por ficar cura- pois necessitavam de muito tempo para demonstrá-Ias.
da por completo. Porém, agora dizia que era Lucía Alta- Os maiores filósofos da humarlidade, como SPINOZA,KE-
res de Salvo, espanhola, que acabava de morrer em Ma- PLER,PASCAL,etc., reconheceram que suas principais ques-
drid, rua Oscuro, n.o 1, que tinha 40 anos e era mãe de tões filosÓficas se lhes ocorreram ou as haviam intuído
catorze filhos ... por um processo que, conscientemente, não deve nada ao
raciocínio. FEHRfêz uma en9J~~te.~ôbre ..Qs~grandes..jmren-
Iris (ou Lucía) começou a falar perfeitamente o es-
tº~~§"~_Qh.ei.oiiàWnclm1ªQ._g!;L.q~_~ll tJ;:.l;L ..'1l? . .ª- ..l-ºº% ...(l()s
panhol sempre e em tôdas as partes. Entretanto, antes
achados d()8...grªpge.sJrl,VentoresJQ:t::ª-:n:ln
s.Q!ll1adosou in tuí-
da sua "morte", Iris não falava absolutamente nada de
dos; sem racioc!l?:!()_..~ons~.~nte. -
espanhol, como testemunharam todos os seus parentes,
professõres e companheiras de colégio.
REALIZAÇÕES DO INCONSCIENTE
INTELIGENTES
Investigações rigorosas, dirigi das pelo Prof. ROTHY, li
'I

presidente do Comitê Nacional e do Conselho Internacional Vejamos um exemplo concreto: BANTING,o célebre
de Investigações ParapsicolÓgicas de Budapeste, compro- médico canadense, sonhando um dia, levantou-se sonâm-
varam que o fenômeno se devia exclusivamente a uma bulo e escreveu as seguintes palavras textuais:
aprendizagem totalmente inconsciente da língua espanho- I "Ligar o conduto principal do pâncreas de um cão de
la, sobretudo a partir da convivência, quando ainda bem I
I' laboratório. Esperar algumas semanas até que a glându-
I
criança, com uma empregada espanhola. la se atrofie. Cortar, lavar e filtrar a secreção".
38 o QUE :thPARAPSIOOLOGIA IIlSCOLA MATERIALISTA 39

No dia seguinte não se recordava de nada daquilo que, grandes inventores e gênios. Desconhecia o inconscien-
sonâmbulo, escrevera. Fêz a experiência, porém, e foi te. E até hoje, todavia, permanecem as palavras "musa"
assim que a humanidade obteve o isolamento da insulina e "inspiração". Diz-se com freqüência: "Hoj e não estou
em quantidade útil. inspirado". Inspirado por quem? Pelo próprio incons-
EGIDIfêz a mesma pesquisa com os grandes artistas, ciente. E, posteriormente, as musas foram substituídas
pintores, mÚsicos, poetas da humanidade. Chegou à mes- por demônios, espíritos dos mortos ...
ma conclusão, às vêzes pelas próprias expressões dos ar- Até agora vínhamos tratando de manifestações do ta-
tistas, outras vêzes por um estudo biográfico. Assim, por lento do inconsciente nos sábios. Recebemos muitíssimos
exemplo, BEETHOVEN acreditava que tinha dentro da ca- dados por via consciente. Não é de estranhar, tanto que,
beça uma orquestra infernal, tão infernal que se tornou quando se abre a porta de passagem do inconsciente para
surdo. Ouvia uma composição musical de dentro para (1 consciente, sucedem fenÔmenos realmente maravilhosos
fora e não precisava mais para transcrevê-Ia para as nos homens eruditos. O fenômeno é mais admirável quan-
pautas. do o talento do inconsciente se manifesta em pessoas in-
COLERIDGE disse que escrevera o seu "Kubla Khan", cultas e analfabetas.
digno do prêmio Nobel de literatura, do comêço ao fim, O inconsciente dos analfabetos possui muitas vias de
dormindo. acesso, muitas faculdades de adivinhação e de captação
LA FONTAINEe CONDILLAC disseram de si mesmos que de dados. Elaborando êsses dados, o inconsciente pode
escreveram trabalhos inteiros inconscientemente. Traba- chegar a manifestações e elucubrações maravilhosas. Isto
lhos que atraíram a atenção de todo o mundo ... sucede em pessoas bem-dotadas, como são chamadas as
que mais apresentam fenômenos parapsicológicos.
MÉDIUNSOU "POSSUÍDOS"
PELOINCONSCIENTE
Partindo unicamente dos dados recebidos por vias
O fenÔmeno tem sido observado em tôdas as épocas, conscientes, dados que o consciente esqueceu por completo
em todos os povos. Assim, por exemplo, já na época gre- ou em parte, porém não o inconsciente, os analfabetos e
co-romana, DróGENEsLAÉRcmestudou o caso de uma pes- as pessoas incultas podem tornar manifesto um incons-
soa que automática e inconscientemente escrevera livros ciente maravilhoso. Estudamos agora, somente o talento
completos de filosofia estóica. do inconsciente em pessoas incultas a partir dos elemen-
,\
PLATÃcO e XENOFONTE compreenderam que aquêle gênio I tos colhidos por vias normais.
que Sócrates acreditava ouvir não era um gênio, mas o
próprio talento do seu inconsciente .. UMA VIAGEMA MARTE
Porém, a mentalidade simplista do povo nunca caiu
na conta do valor do inconsciente e por isso inventou as Em uma sessão de espiritismo, a Srta. Müller, que o
musas da pintura, da poesia, da retórica, da música, etc.: investigador FLOURNOYapresentou com o pseudÔnimo de
uma espécie de deusas que inspiravam os artistas, os Helena Smith, ofereceu uma prQsopopéia em ambiente es-

mil
40 o QUE É PARAPSIOOLOGIA II;:-;COLA MATERIALISTA 41

pírita, uma dramatização, como se houvesse feito uma junções negativas e interpunham a consoante "m" entre
viagem a Marte, e disse que trouxera de lá a língua mar- o verbo e o pronome.
ciana. A distribuição das consoantes e das vogais era exata-
Flournoy recolheu 41 textos marcianos e os publicou mente a mesma. Onde no francês se coloca, por exem-
com a tradução ao lado. Não se conhece nenhum cien- plo, o som "t", no marciano aparecia "m"; onde no fran-
tista, nem da Europa, nem da América que percebesse que eês se coloca o som "8", no marciano aparecia "r", mas
não se tratava de uma língua realmente extraterrena e a mesma distribuição entre vogais e consoantes, o mesmo
sim da elaboração inconsciente desta língua, feita a partir número de sílabas em cada palavra e idêntico número
do francês, única língua que Helena Smith conhecia por de letras em cada sílaba.
vias conscientes. Era uma língua perfeita, tinha gramá-
Por conseguinte, trata-se, sem dúvida, de uma imita-
tica, sintaxe, prosódia, fonética, estilo especial, combina-
ção do francês. Porém, tudo foi construí do de memória,
ção especial de caracteres, dicionário completo. Enfim, sem tomada de notas. Uma língua perfeita, inventada
parecia uma língua perfeita.
por uma pessoa inculta, em seis meses, enganando a to-
dos os sábios alheios à Parapsicologia. I
o MISTÉRIO É DESVENDADO

As MARAVILHAS DO "TREINAMENTO"
Os investigadores que haviam acompanhado o caso
desde o início, foram observando que se tratava única e ex- Depois de seis meses neste entretenimento, Flournoy
clusivamente de uma cópia do francês. O chamado mar- deu algumas sugestões, criticou a língua mar:ciana, para
ciano era, no princípio, um pseudomarciano, um quebra- ver até onde podia chegar o talento do inconsciente de
-cabeça desordenado, uma pueril imitação do francês. Po- Helena Smith. Atacou o som "ch", a sintaxe, a constru-
rém, seis meses mais tarde já se havia desenvolvido sufi- ção das frases, etc., que eram tiradas evidentemente do
cientemente a abertura do inconsciente, do talento do
francês. E, em uma nova "viagem interplanetária", surge
inconsciente de Helena Smith, e apresentou uma língua uma língua completamente diferente, nova, com uma
mais aperfeiçoada, que aquela que acabamos de men- construção distinta do francês, sem nenhum "ch" nem
cionar.
outro aspecto dos que haviam sido criticados. E isto ocor-
Tinha sintaxe, porém era a sintaxe francesa ao pé da reu em apenas 17 dias. Importa já um talento do incons-
letra. Por exemplo, a ordem marciana da construção das ciente mais desenvolvido em suas manifestações.
frases e a ordem francesa era exatamente a mesma, até Fazem-se novas sugestões para viajar a outros planê-
nos mínimos detalhes. Detalhes característicos da sintaxe tas e Helena vai a Saturno, à Lua, a Plutão, a Mercúrio,
francesa, como separar o "ne" do "pas", na negação, ou a todos os planêtas do nosso Sistema Solar e vai trazendo
colocar a consoante "t" entre o verbo e o pronome (exem- as línguas daqueles planêtas. Línguas totalmente perfei-
plo: "quand viendra-t-il?"), se observavam igualmente no tas, completas, diferentes entre si, com sintaxe, gramáti-
marciano, que também separava as duas partes das con- ca, fonética, dicionário completo, etc.
42 o QUE :G1PARAPSIOOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 43

Chegava a inventar estas línguas no curto espaço de cálculo são relações fixas). Manifesta-se em analfabetos
um dia. Faziam-se sugestões para que ela fôsse com a e em crianças. Porém, também os grandes inventores,
imaginação a outros planêtas e, no dia seguinte, vinha pensadores, cientistas e artistas devem ao inconsciente as
com a língua completa, mas de acôrdo com as sugestões melhores de suas realizações. As pesquisas neste campo
de contraprova que os parapsicólogos faziam. Significa têm sido particularmente exaustivas. Recentemente nos
realmente um talento maravilhoso inventar em um dia EE.UU., grupos de parapsicólogos profissionais se dedica-
uma língua completa, perfeita. E tenhamos em conta ram com exclusividade ao estudo do talento do incons-
que, neste primeiro ano de treinamento de Helena Smith, ciente, como a fundação Menninger, a partir de 1961, es-
elaborava somente línguas a partir dos elementos que ha- pecializada em "criatividade e parapsicologia", fundação
via captado, por vias conscientes, do francês e das outras mantida pelo fundo Itleson.
línguas com as quais modificara o francês. Poderá se ERNESTO BIONDIresumiu admiràvelmente, dizendo que
compreender que o talento do inconsciente de Helena os grandes talentos da humanidade eram "médiuns pos-
Smith chegará a têrmos realmente monstruosos quando suídos pelo seu próprio inconsciente".
não somente elaborar a partir dos dados recebidos cons-
cientemente, mas comece a manifestar o talento do in- FENÔMENOS
EXTRANORMAIS
DEEFEITOS
FÍSICOS
cbnsciente a partir dos dados captados por HIP, por tele-
patia, por conhecimento do futuro, etc., que neste primei- Entre os fenômenos parapsicológicos que se chama-
ro ano de desenvolvimento ainda não manifesta. Porém ram "extranormais", temos aludido aos principais fenô-
depois, com três ou cinco anos de exercício, terá quase menos de conhecimento, que explicamos mais amplamen-
tôdas as faculdades parapsicológicas de conhecimento. te no livro "A Face Oculta da Mente". porém, existem
Compreender-se-á que chegue a ter elaborações realmente outros fenômenos extranormais de efeitos físicos: ruídos
fantásticas. ou movimentações de objetos a curta distância, como nas
chamadas "casas mal-assombradas", contatos ou ventos
Se nos deparássemos, de repente, com um caso dêstes, frios em locais completamente fechados, formas amorfas
de uma língua inteira, completa, perfeita, inventada em ou mais ou menos definidas de mãos ou outros objetos
um dia, fàcilmente nos deixaríamos levar à superstição, que surgem "misteriosamente", impressões em fotografias
à interpretação apriorística de que o fenômeno se devesse ou em substâncias moles, levitações do corpo humano, lu-
aos demônios ou aos espíritos dos mortos, quando na rea- zes e globos luminosos ... Tudo isto vamos resumir nas
lidade é exclusivamente talento do inconsciente dos vivos.
páginas que seguem e constituem a matéria do nosso li-
Deixemos, pois, a investigação parapsicológica aos espe- vro, em dois volumes, "As Fôrças Físicas da Mente".
cialistas: primeiramente estudaremos a teoria, só depois
poderemos investigar. 7. TELERGIA
'0 talento do inconsciente se manifesta com freqüên-
cia, especialmente, na aritmética ou em campo equiva- MYERSpropÔs a palavra "telergia" (tele = longe;
lente, onde a explicação é mais compreensível (ritmo e ergon = ação, trabalho). Designava a excitação que de-
'li
44 o QUE 1!JPARAPSICOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 45

vem receber os centros motores e sensoriais da pessoa, de plesmente dizer que a telergia é uma exteriorização, é uma
um modo mais ou menos direto (que poderíamos chamar transformação das energias fisiológicas, podendo ser, às
telérgico); dando assim um sentido mais preciso à pala- vêzes, uma espécie de energia, outras vêzes uma diferente,
vra que propusera anteriormente, como correlativa à pa- ou diferentes espécies das variadas fÔrças (ou nomencla-
lavra telepatia. turas) que podem ser determinadas em nosso organismo:
Há, no entanto, muita discussão quando se trata de elétricas, magnéticas, caloríficas, musculares, nervosas,
determinar exatamente o tipo de energia que se libera vitais, motoras, plásticas, etc.
nos fenÔmenostelérgicos. Entretanto, é possível encontrar Portanto, os fenômenos parapsicológicos de efeitos
um denominador comum. Muitos investigadores antigos físicos, extranormais, sejam quais forem, não seriam mais
se inclinam a definir a telergia como uma fÔrça análoga, que exteriorizações e transformações da energia do orga-
porém não idêntica, à eletricidade ou ao magnetismo. Es- nismo do dotado: a essa energia fisiolÓgica,exteriorizada
ta teoria se manteve entre muitos investigadores modernos. e transformada para realizar fenômenos parapsicolÓgicos,
nós a chamamos telergia.
ANALOGIA
A TELERGIA
MATERIAL
Examinando a diferença entre a telergia e o magne-
tismo ou a eletricidade, porém, ao mesmo tempo, compro- A telergia, como se deduz do que foi exposto até ago-
vando as analogias apresentadas algumas vêzes, alguns ra, é algo material; sua sutileza, contudo, pode ser, em
pesquisadores elaboram a teoria da "bio-eletricidade". determinadas circunstâncias, muito notável.
A natureza da telergia é uma espécie de eletricidade, Assim, por exemplo, o doutor russo ~OUNEVITC'H com-
que não se submete, contudo, às leis físicas comuns que provou que a telergia (ou raios Y) emanada de certos do-
governam a eletricidade. Pelo contrário, apresenta asca- tados, atravessava chapas metálicas com um poder de pe-
racterísticas peculiares da vida: os efeitos dessa "eletrici- netração superior ao dos raios X e ao dos raios gamma
dade" especial dependem da vontade inconsciente dos do- do rádio. A telergia atravessava até chapas de chumbo de
tados. Não eletricidade, mas bio-eletricidade. A telergia três centímetros de espessura, colocadas a um metro de
(ou energia biótica, como é chamada nesta teoria) produ- distância do dotado em transe. Chapas espessas a uma
ziria seus efeitos de um modo análogo à eletricidade está- distância notàvelmente maior, não eram atravessadas.
tica, como se o corpo do dotado estivesse carregado de Com a interposição destas chapas, os efeitos do raio Y
alta tensão. Em tôrno do corpo do dotado se formaria um diminuíam.
campo eletromagnético especial. Isto nos mostra que a telergia possui uma grande
Segundo nosso ponto de vista, a telergia está consti- penetração, e nos mostra também que é material, dado
tuída de f6rças complexas. Estas fôrças variam conforme que se lhe pode opor obstáculos materiais.
as circunstâncias. O melhor, o que será aceito por todos
os investigadores que estudaram a questão a fundo, é sim-
'-
46 o QUE :Gl PARAPSlCOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 47

nylon, acumulam eletricidade estática em alguma quan-


8. FOTOG~NESE tidade. Na escuridão, vê-se uma chuva de faíscas, por
exemplo, quando se tira a roupa. As vêzes, estas roupas
Forma parte da antiga filosofia esotérica, crer que permanecem têsas ou se movem, parecendo um "fantas-
tôdas as pessoas estão como que revestidas por uma es- ma", ainda quando estão penduradas no guarda-roupa,
pécie de aura dourada ou por globos de luz de diversas por efeitos de pequenas descargas elétricas.
configurações e côres. Muitas pessoas observaram também, em certas noites,
Os "fogos fátuos" deram origem a muitas supersti- as fagulhas que se desprendem ao acariciar um gato.
ções e lendas. Aparecem, às vêzes, nos pântanos, nos ce- PESSOAS QUE EMITEM FAÍSCAS
mitérios, nos depósitos de excrementos de animais ou em
qualquer lugar onde houver animais ou plantas em pu- Finalmente, à margem das observações e experiências
trefação. dos parapsicólogos, conhecem-se alguns casos espontâneos
Nos pântanos é, preferentemente, o hidrogênio proto- de fotogênese verdadeiramente admiráveis.
carbônico (metano) que arde numa chama azulada pou- Certas pessoas especiais se cobrem de claridades,
co. brilhante, porém, nitidamente visível na obscuridade. elétricas ou produzem faíscas. Trata-se de pessoas espe-
Nos cemitérios é o hidrogênio fosforado, que se inflama ciais em um estado neurofisiológico peculiar, isto é, per-
fàcilmente, em contato com o ar. tencem ao enorme número de pessoas chamadas "dotados
~stes "fogos fátuos", quando movidos por uma ligeira parapsicológicos".
brisa ou atraídos por pessoas que passam perto, tornam-se Uma senhora enfêrma no Sanatório do Arco (Trento,
horripilantes para a imaginação popular, que os designam Itália) emitia faíscas quando sua pele era muito friccio-
com muitíssimos nomes, cada qual mais supersticioso: can- nada, especialmente em tempo chuvoso.
deeiro dos mortos, fogos dos Elgos (gênios ou espíritos do Existem casos muito mais notáveis com dotados em
ar, da mitologia escandinava), lanterna do monge, al- grau superior, geralmente cujo estado orgânico se alterou
mas penadas, etc. profundamente.
Os chamados "fogos de Santelmo" também provoca- A senhora Monaro, tuberculosa no Hospital de Pirano
ram pânico e lendas na imaginação popular. Podem ser (Pala, Itália), desprendia da região toráxica uma luz vi-
vistos, às vêzes, sôbre os mastros dos barcos, sôbre as tôr- víssima, semelhante à da lâmpada de magnésio, que du-
res das igrejas, inclusive sôbre as copas das árvores, em rava três ou quatro segundos. A uma distância de quase
dias de tempestade. Em tÔrno das pontas dos pára-raios meio metro, a descarga elétrica emitida iluminava um
se têm visto êstes fogos algumas vêzes em forma de feixes tubo de Geisler. Tudo isso foi observado pelos médicos do
faiscantes. hospital, que testemunharam esta notável fotogênese.
São devidos, como se sabe, à acumulação da eletrici-
dade ambienta!. Certos tipos de roupa, sobretudo as de
48 o QUE 1!J PARAPSlOOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 49

de ruídos de todos os tipos, produzidos nas mais diversas


PROCURANDO A CAUSA modalidades.
Intitulamos êste capítulo "tiptologia" (do grego typ-
Não nos interessa discutir se êstes fenômenos espon- to = tocar, ferir, golpear; logos = tratado), nome muito
tâneos que acabamos de citar são devidos exclusivamente empregado pelos especialistas, para designar o estudo dos
à eletricidade estática do ambiente, acumulada no orga- "raps", plural da palavra inglêsa "rap" (golpe, choque,
nismo, ou se é a eletricidade interna destas pessoas, ou que na forma verbal significa golpelar repetidamente).
ambas, ou uma transformação de qualquer tipo de ener-
gia do organismo ou do exterior dêle. O certo é que o fe- ORIGEM DO ESPIRITISMO
nômeno só se manifesta em grau digno de nota em pessoas
especiais, com características neurofisiológicas ou psíqui- o moderno espiritismo nasceu precisamente com um
cas próprias. Incluímos esta fõrça, como já explicamos, caso de tiptologia fraudulenta.
no âmbito da telergia.
No dia 2 de dezembro de 1847, o pastor metodista
Não negamos a possibilidade, nem sequer o fato, de
John D. Fox, com sua espõsa e suas filhas pequenas, mu-
que, em algumas ocasiões, a luminosidade se deva ao fós- dava-se para uma casa conhecida pelo nome de Hydesville,
foro ou ao enxôfre existentes no organismo, manifestado, no bairro de Arcadia do condado de Wayne, estado de
especialmente, em pessoas e circunstâncias parapsicológi-
Nova York. Poucos dias depois, a mãe, chamada Marga-
caso Tôda a fotogênese, porém, não se explica assim. ret, começou a ouvir ruídos que considerou um tanto es-
Sendo a fotogênese simplesmente um aspecto sob o tranhos, apesar de procederem do quarto das meninas e
qual se apresenta a telergia, é evidente que muitos fenô- precisamente quando elas deviam estar acordadas. As
menos parapsicológicos de efeitos físicos, dado que são meninas foram se exercitando durante bastante tempo na
concretizados pela telergia, venham acompanhados de fo- produção dos "barulhos estranhos", de modo que êstes
togênese. RENÊ SUDRE, por exemplo, resume: "Ordinària- ruídos, inicialmente leves, eram dois meses mais tarde, em
mente, nas sessões de ectoplasmia, se observam nebulosi- fevereiro de 1848, perfeitos golpes secos, idênticos aos
dades mais ou menos móveis e luminosas ... Enfim, todos "raps" conhecidos hoje.
os teleplastas (dotados para efeitos físicos) produzem lu- No dia 31 de março daquele mesmo ano, 1948, se rea-
minosidades muito brilhantes e móveis, cuja intensida- lizava a "primeira sessão de espiritismo". A menina Mar-
de varia".
garet tinha naquela data oito anos e meio e Cathy, sete.
Naquela noite, diante da mãe, a menor das irmãs,
9. TIPTOLOGIA Cathy, disse à Margaret: "Faz como eu". E golpeando
com os dedos da mão, ou batendo palmas, dizia "Conta:
Entre os problemas parapsicológicos de efeitos físicos, um, dois, três". Imediatamente soaram, sem que a. mãe
são muito freqüentes os choques, golpes, percussões, etc. pudesse precisar donde, um, dois, três golpes. As meninas
A nomenclatura e os sinônimos são incontáveis. Trata-se estavam apoiadas na cama de madeira.
50 o QUE fJJ PARAPSlOOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 51

A mãe assustada, apesar da plena tranqüilidade e do Sôbre a demonstração de como produziram os "raps",
riso das meninas, quis prová-Ias e disse aos ruídos que um grande matutino nova-iorquino comentava no dia
lhe dissessem a idade de suas filhas menores: ouviram-se, seguinte:
em seguida, oito "raps"; depois de uma pequena pausa, "Foi colocado diante delas um banco de madeira ou
soaram outros sete "raps"; e se ouviram mais três que mesinha de pés curtos, com as propriedades de uma caixa
correspondiam à idade da filhinha que falecera. de ressonância. Tirando o sapato, a senhora Fox-Kane
A mãe ficou completamente desconcertada e, sendo colocou o pé direito sôbre a mesinha. Tôda a platéia con-
supersticiosa, perguntou em seguida: "É algum ser vivo teve a respiração e foi recompensada por uma série de
que responde tão corretamente às minhas perguntas? Em "raps" secos e fortes, aquêles mesmos sons misteriosos
caso afirmativo, dê dois golpes". Não houve resposta. que durante mais de quarenta anos assustaram e descon-
Perguntou então, e êste é o momento exato do comê- certaram milhares de pessoas neste país e na Europa. Uma
ço do espiritismo: "É uma alma?" Imediatamente se ou- comissão composta por três médicos, escolhidos dentre o
viram dois golpes secos e claros. público, subiu ao palco e depois de examinarem o pé da
- "É uma alma do inferno?" Sra. Fox-Kane, enquanto golpeava os "raps", concordou,
sem duvidar, que os ruídos eram produzidos pela aç'ão da
Dois golpes.
primeira articulação do dedo polegar do pé".
Com o mesmo sistema, depois de obtida a autorização
Porém, as irmãs Fox faziam fraudes não sÔmente com
da alma penada para que viessem os vizinhos, continuou
o dedo do pé. Muitos anos antes da retratação, em feve-
a sessão de espiritismo. reiro de 1851, uma comissão de médicos de Buffalo com-
provava que elas também produziam "raps" com as arti-
RETRATAÇÃ:O DAS IRMÃs Fox culações dos joelhos e dos tornozelos.
Contudo, em 1888, as irmãs Fox, então ambas já viú- DEDOS PSICO-ATIVOS
vas, cansadas e cheias de remorsos, retrataram-se publica-
mente. Margaret preparou a retratação mediante uma en- Já vimos que a telergia é, em alguns pontos, análoga
trevista feita num grande jornal de Nova York. à eletricidade ou ao magnetismo. A telergia, sob a dire-
Depois das entrevistas nos jornais veio a retratação e ção da vontade inconsciente, atua anàlogamente à eletri-
demonstração públicas, ao vivo, no grande palco da Aca- cidade ou ao magnetismo, na estrutura interna da madei-
demia de Música de Nova York, na noite de 21 de outu- ra, e dá origem a certos tipos de "raps". Sob a ação da
bro de 1888. telergia mesas e outros objetos de madeira tornam-se co-
O texto da retratação se conserva publicado no livro mo que carregados de magnetismo ou eletricidade.
de Davenport, recebido das próprias irmãs Fox, que, tam- Um caso recente e bem controlado é de PRINCEcom
bém, deram autorização escrita por elas mesmas, para a Stella: uma mesa de um metro, cujas táboas estavam tô-
publicação de todo o caso. das ensambladas e sÔlidamente unidas, quebrou-se em pe-
52 o QUE P1PARAPSIOOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 53

quenos pedaços, em meio a ruídos violentos, assim que as


pessoas apoiaram nela, de leve, os dedos. Um dos assisten- 10. TELECINESIA
tes declarou que sentia a fÔrça correr sôbre a mesa e acu-
mular-se nos pontos onde se dava a fratura. Prince es- A ação parapsicológica sôbre objetos distantes, co-'
creve: "Minha impressão pessoal foi que uma sucessão de mandados, às vêzes, até pela vontade consciente, porém
descargas de raio houvesse partido a mesa. Foi uma sen- geralmente pelo inconsciente, é um fenômeno que, desde
sação extraordinária, sentir uma forte construção de ma- a mais remota antigüidade e em todos os povos, se atribui
deira fender-se dêsse modo. Parecia que a mesa se dis- a certos dotados.
solvia sob as nossas mãos".
Aquêles investigadores que abandonaram ou não qui-
seram entrar por êstes temas da Parapsicologia, simples-
o "SÁBIO" MUDO mente porque há muita fraude, deram poucas provas de
Além de serem poucos, relativamente, os casos de tip- espírito científico. Não investigar porque é muito difícil,
tologia inteligente, a inteligência manifestada é muito é, manifestamente, uma atitude cÔmoda, porém pouco
escassa. Em todo caso, não supera a inteligência do dota- científica. Menos científica ainda é a atitude daqueles
do e não possui nenhuma dessas grandes qualidades, pró- que, não satisfeitos com as condições de experimentação
prias do talento do inconsciente. Isto mostra que as gran- ou observação, em alguns casos particulares, não querem
des faculdades de conhecimento inconsciente, Psi-Gamma, aceitar ou desprezam êste tipo de observação. Se as con-
HIP, etc., encontram dificuldade em manifestar-se por dições não os satisfazem, que procurem outras melhores,
tiptologia. A tiptologia, diríamos não pode ser incluída como fizeram alguns parapsicólogos modernos, e que de-
entre as boas técnicas de manifestação dos conhecimen- terminem melhor como se deve investigar.
tos inconscientes, como a radiestesia, psicografia ou escrita Objetou-se muito contra os metapsíquicos o fato de
automática, movimentos de mesas ou de vasos, etc., por ter havido muitas fraudes entre êles, como sendo dado
contato, e tantas outras boas técnicas parapsicológicas anticientífico. Esquece-se, porém, que foram êles que des-
("mancias", ou "pragmáticas"). cobriram as fraudes, os primeiros que souberam distinguir
enre fraude e fenômeno reais e os primeiros em demons-
Em outros fenômenos, por exemplo, na fotogênese,
trar que os fenÔmenos, fraudulentos ou reais, eram devi-
nota-se com facilidade e freqüência a vinculaç'ão com o
dos ao inconsciente humano, coisa que durante séculos e
dotado. Quem aparece iluminado é o próprio dotado. Na
séculos vinha sendo atribuído a gnomos ou fadas, pitões
tiptologia, porém, ouvem-se "raps" mais freqüentemente
ou demÔnios, ou, pouco antes do início da metapsiquica,
sÔbre os objetos externos. Aparentam ser independentes
aos espíritos dos mortos.
do dotado. Na realidade, procedem dêle. São causados
por sua telergia, ou pela dos assistentes, condensadas nê- Atrás, dizíamos que algumas das fraudes alegadas são
le; dirigidas por psicobulia do dotado, etc. discutíveis. Nem sempre, permanece claro que determina-
dos fenÔmenos sejam fraudulentos.
ESCOLA MATERIALISTA 55
54 o QUE ~ PARAPBIOOLOGIA

na Eleonora Zugun, chamada na Alemanha de menina


INUMERÁVEIS MANIFESTAÇÕES "poltergeist", ou como diríamos em português, "meni-
na encantada".
As telecinesias são inumeráveis e variadíssimas: me- Ainda que viva e inteligente, psicologicamente era re-
sas e cadeiras que movem e se elevam no ar, móveis são tardada, procedendo aos treze anos como procederia uma
arrastados; uma campainha, um tamborim, um bando- menina de oito. Com freqüência, apareciam estigmas
lim, uma trombeta, um violão, etc. se transladam tocando "macabros" em seu peito, nos braços e nas pernas, como
e revoluteiam pelo ar, sôbre a cabeça dos espectadores. também inchações no rosto que desapareciam com rapi-
Soam simultâneamente as notas altas e baixas de um pia- dez. Apresentava vários fenômenos parapsicológicos de
no, vendo-se o movimento, enquanto o pano que cobre as efeitos físicos. As telecinesias eram o principal fenômeno
teclas cai ao chão. A manivela de uma vitrola gira, ou- desta menina.
vindo-se a música, ao mesmo tempo que o aparelho se A condêssa Vassilko-Serechki sua protetora, contou
revolve pela mesa, com precisão rítmica maravilhosa. Ape-
sar da obscuridade, jarras e vasos com água vêm até os 1050 movimentos de objetos em três meses; 67 telecinesias
em um só dia.
lábios da médium e dos controladores. Aparelhos varia-
dos para medir movimentos ou pressões, colocados longe "O local estava inundado de luz. A condêssa e a meni-
do alcance do médium, fazem registros diretos. Apesar na estavam sentadas uma ao lado da outra sendo atenta-
das fraudes, todos os investigadores, os mesmos que as mente observadas por Price. Esperavam alguma telecine-
descobriam tantas vêzes, aceitaram a realidade de teleci- sia. Com efeito, um largo corta-papéis de aço, que estava
nesia. E tenha-se em conta que muitos dêles organizaram colocado atrás de Price, levanta-se no ar, passa perto da
centenas de sessões experimentais, ano após ano, em suas cabeça do investigador, atravessa o quarto e choca-se con-
próprias casas ou em laboratório, modificando as condi- tra a porta. Mais ou menos meia hora mais tarde, estan-
ções de investigaç'ão inúmeras vêzes, para enfrentar tôdas do as duas sentadas num divã, num canto do quarto, um
as dúvidas. pequeno espelho de mão levanta vôo e se projeta contra a
As telecinesias à plena luz são mais escassas, inclu- parede que ocultava o leito. Pouco depois, Eleonora Zu-
sive entre os casos espontâneos, geralmente mais vistosos. gun escrevia num papel. A uns dois metros dela havia,
Porém, recolhendo fatos de uns e de outros lugares, po- sôbre uma cadeira, uma grande almofada quadrada. Sob
deríamos fazer coleções volumosas. Não faltam casos es- o olhar vigilante de Price, a almofada lentamente, muito
pontâneos, observados, inclusive, por peritos na pesquisa lentamente, começa a deslizar da cadeira para o chão."
parapsicológica ou metapsíquica. Não é preciso relembrar que o nome "telecinesia" não
corresponde estritamente à realidade. Não se trata de
A MENINA ENCANTADA
movimento (kínesis) efetuado ao longe (tele), mas na
Em 1926,o grande especialista HARRY PRICE, entre ou- realidade, de um movimento efetuado pelo contato da te-
tros, estudou conscienciosamente o caso da famosa meni- lergia. tste contato, contudo, é um contato parapsicoló-
56 o QUE 11: PARAPSICOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 57

gico. A etimologia se refere à ausência de um contato recem sair do corpo ... As vêzes, vêem-se êste ectoplas-
normal. Somente neste sentido a telecinesia é uma ação mas organizando-se pouco a pouco ... " Ectoplasmia de-
à distância. signa o fenômeno. Ectoplasma, a substância.

PSICOBULIA ANALOGIA COM o MUNDO ANIMAL

A telecinesia, como todos os fenÔmenos parapsicológi- Podemos analogar (sõmente analogar) a ectoplasmia
cos, além do aspecto meramente físico ou de movimenta- com o mundo animal. Assim, por exemplo, algumas aves
ção de objetos pela telergia, tem outro aspecto psíquico: de rapina da família das catártidas (como a catarta negra
o fenômeno é dirigido pela mente, pelo psíquismo, que da Venezuela) durante a digestão expelem pelas narinas
deixa no fenômeno sinais de sua inteligência, vontade e um líquido viscoso, branquicento, que se parece com o
demais qualidades. ectoplasma. Do mesmo modo há analogia com as propa-
A êste conjunto de qualidades psíquicas do dotado, gações protoplasmáticas das amebas.
geralmente inconscientes, que acompanham ou, melhor, O ectoplasma deve ser considerado como um fenôme-
que dirigem os fenômenos parapsicológicos, chamamos no de condensação da telergia no sentido amplo em que
psicobulia (psiché = alma; bulé = vontade e reflexão). a levamos em conta.
Num primeiro estado de condensação, a telergia não
passa de um fluido ou de uma pequeníssima radiação hu-
11. ECTOPLASMIA mana, porém, sempre sendo um verdadeiro fenômeno me-
ta fisiológico. Em tal estado inicial de condensação, so-
Conhecemos a telergia, que poderíamos descrever co- mente é perceptível mediante técnicas e aparelhos deli-
mo uma fôrça psicofísica exteriorizada. Algumas vêzes cadíssimos, sendo capaz de realizar somente pouquíssimo
trabalho.
esta fôrça está condensada, como já vimos, apresentan-
do-se até visivelmente. Uma fôrça condensada, dirigida
pela psicobulia e dependente dela, teoricamente poderia QUALIDADE EXTERNA: FôRÇA
ser modelada. Ao menos a telergia visível possui diver-
sas formas ... O ectoplasma pode manifestar considerável fÔrça, co-
A exteriorização desta substância, a sua formação ex- mo aliás se deduz de alguns efeitos, já estudados, de te-
terna, mais ou menos modelada ou modelável, recebe o lecinesia. Nas experiências do Dr. CRAWFORD, entre outras
nome de "ectoplasmia" ou, em concreto, ectoplasma, que comprovou-se que as telecinesias se realizavam por meio
deriva do grego ectós = fora e plasma = coisa formada do ectoplasma em forma de alavanca.
ou modelada. O têrmofoicriado por RrcHET: "Inicialmente Crawford provou que a fôrça e agilidade desta ala-
uma massa -confusa, mais ou menos informe ... São estas vanca ectoplasmática é muito grande. Vejamos uma des-
formações difusas que eu chamo ectoplasmas, porque pa- crição, como exemplo:
58 o QUE :d1PARAPSIOOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 59

"ultimamente, grande número de pessoas assistiram zes que se pretendeu agarrá-Io, desvaneceu-se entre as
a êstes fenÔmenos e não houve ninguém que não ficasse mãos (exceto, é claro, nos casos de fraude, onde se agar-
bastante impressionado. 'O visitante usual é convidado rou sêda, etc.). Dissipou-se entre os dedos de Crookes,
habitualmente a entrar no -círculo, a segurar a mesa volatilizou-se na mão de Bisson, etc.
quando esta está imóvel e a tentar mantê-Ia imóvel. Co- Em segundo lugar, o ectoplasma, a julgar por suas va-
meça então a luta. Se o visitante possui músculos fortes riadíssimas funções, e segundo o parecer de todos os es-
e concentra o seu pêso exatamente no meio da mesa, po- pecialistas, é energia transformada e não, propriamente,
derá consegui-Io por um momento. Porém, antes ou de- um composto químico.
pois, a mesa lhe escapa, salta, se inclina, gira, e se a
pressão muscular diminui, a mesa se levanta pelo ar. 12. ECTO-CüLü-PLASMIA
Então, poucas pessoas conseguem fazê-Ia baixar, apesar
dos esforços empregados. Depois desta luta, a mesa volta 'O ectoplasma, como "argUa psíquica", teoricamente
tranqüilamente ao chão e o visitante é convidado a sen- ao menos, poderia ser maleado para representar diversas
tar-se sôbre ela. Não tarda muito tempo e, ao cabo de um figuras. Conforme fôssem os tipos de reproduções, o fenÔ-
momento, a mesa se levanta sÔbre dois pés e o faz resva- meno seria classificado com diversos nomes.
lar para o chão". 'Os nomes em uso ou, em outros casos, os que melhor
'Ou pelo contrário: "'O pêso da mesa pode ser aumen- indicariam os diversos tipos de modelagem do ectoplas-
tado a tal ponto (pela pressão do ectoplasma) que um ma, seria: ecto-colo-plasmia, transfiguração, fantasmogê-
homem vigoroso não pode erguê-Ia ... Uma prova usual, nese e materializaç'ão. Vamos distingui-Ios bem:
imposta aos visitantes, é fazer-Ihes sujeitar a mesa en- Ecto-colo-p'lasmia:É o ectoplasma modelado em for-
quanto ela se encontra suspensa a uma altura aproxima- ma de membros ou partes de pessoas, animais ou objetos.
da de 50 'centímetros, a fim de impedir que volte ao solo. No conceito de ecto-cólo-plasmia, depois da exposição do
Não o conseguirão". fenômeno veremos que se pode incluir certo rudimentaris-
Ê:ste tipo de ectoplasma é geralmente invisível. E mo na reprodução. A parte ou o membro "modêlo" não se
quando se faz visível e fotografável, apresenta uma es- reproduz inteira e perfeitamente (defenderemos que tal
trutura mais ou menos nebulosa, transparente, etc. fenÔmeno perfeito não existe).
'O membro ou parte dêle é reproduzido rudimentar e
ESTRUTURA INTERNA imperfeitamente sem a verdadeira densidade e configu-
ração da realidade que se trata de reproduzir. Uma vez
Sôbre a análise interna da substância, tôdas as ten- afirmado êste rudimentarismo, defenderemos o fenômeno
tativas sérias fracassaram. Tal análise parece ser até con- como possível.
traditória, porque isto implicaria conservar um pouco de Fantasmogênese: Consiste na reprodução ectoplasmá-
ectoplasma para o laboratório. Porém, o ectoplasma, sem- tica eompl@tade um "fantasma" de pessoa, animal ou coi-
pre, é reabsolvido pelo organismo do dotado. TÔdas as vê- sa. 'Overdadeiro fantasma não é uma aparição meramen-
60 o QUE 1!JPARAPSlCOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 61

te subjetiva. O fantasma possui certa consistência mate~ que os especialistas decidam, antes de mais nada, se tudo
rial, porém tênue, mais ou menos transparente com pou- é fraude ou não. Abandonar a investigação porque é di-
quíssimo pêso em comparação com o pêso do modêlo re- fícil, dadas as muitas fraudes, é urna atitude comodista
produzido. Defenderemos também êste fenômeno corno e pouco científica.
possível.
CASO BÍBLICO
Transfiguração: Consiste numa simples modificação
do próprio corpo do dotado. Não é urna pessoa nova que
é materializada. Seria o próprio dotado revestido de A Bíblia refere um caso típico de ecto-colo-plasmia:
ectoplasma e inclusive corporalmente modificado, repre- "O rei Baltasar deu urna festa para seus mil nobres ...
sentando outra pessoa. Defenderemos êste fenômeno co- Eis que surgiram defronte do candelabro os dedos de mão
rno possível. humana, escrevendo sôbre o revestimento da parede do
palácio real. O rei, vendo esta extremidade de mão que
Materialização: Seria a reprodução perfeita de um escrevia, mudou de côr ... (Dan 5,1 e 5).
nôvo ser. O ser materializado, ao se tratar de um ser vivo,
Não entramos em discussão para saber se aqui se
teria tôdas as principais características do ser vivo: pêso,
trata de urna página histórica ou talvez da reprodução
movimento, respiração, calor, etc. Nossa posição diante
de urna lenda com fins instrutivos. Em todo caso, a pas-
dêste tão falado fenômeno é que êle não é real.
sagem nos mostra que naquela época a ecto-colo-plasmia
Ecto-colo-plasmia é mais um neologismo. Transfigu- era considerada possível, real e até não rara, urna vez que
ração, fantasmogênese e materialização são têrrnos já an- havia técnicos para a interpretação dêstes fenômenos:
teriormente usados na Parapsicologia, ainda que com sig- "O rei gritou violentamente para que fizessem vir os ma-
nificados nem sempre precisos e idênticos aos que lhes gos, os caldeus e os astrólogos" (Dan 5,7).
correspondem pela etimologia e pelo uso mais generali-
zado entre os poucos teóricos que os distinguem. 11
O FENÔMENO NÃO É DO ALÉM
Formamos a palavra ecto-colo-plasmia incluindo sim-
plesmente na palavra ectoplasmia o têrmo "'colo", do gre- Sendo a ecto-colo-plasmia na realidade um aspecto da
go "kolon", que significa "membro de pessoa ou de ani- ectoplasmia, ela, corno a ectoplasmia, depende totalmen-
mal", e, por extensão, "parte de um objeto". Ecto-colo- te do dotado.
-plasmia, portanto, etim01ôgicamente significa o conceito Corno na ectoplasmia também, logicamente, na ecto-
em vista: a telergia condensada e maleável (plasma) ex- -colo-plasmia se verificou muitas vêzes que o ectoplasma
teriorizada (ecto) para formar um membro ou parte de perde pêso durante a aparição dos membros, se êstes não
algum ser (colo). se mantêm integralmente sôbre o próprio dotado, mas se
Corno sempre também na ecto-colo-plasmia a fraude apóiam em algum objeto externo.
deve ser levada em conta. A fraude, contudo, n'ão deve Outro fato observado com freqüência e que mostra
intimidar a investigação, pelo contrário: o público espera também que a ecto-colo-plasmia é urna exteriorização,
62 o QUE 1!JPÃRAP8IOOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 63

sem perda de vinculação, da substância do próprio dota- lill

do, é o da reação experimentada por êste quando se toca SOMBRAEM MOVIMENTO


ou se fere o membro exteriorizado.
WILLIAMCROOKESpresenciou algumas fantasmogêne-
ses realizadas pelo mais famoso de todos os dotados, D. D.
13. FANTASMOGÊNESE Home. As qualidades típicas do fantasma (tenuidade, va-
porosidade, inacabamento) são muito bem definidas:
Convém, mais uma vez, precisar o conceito: "Ao declinar do dia, durante uma sessão do Sr. Home
Entendemos por fantasmogênese a produção ectoplas- em minha casa, vi agitarem-se as cortinas de uma janela
mática de um fantasma inteiro, ao menos aparentemente, que estava a uns três metros de distância do Sr. Home.
de pessoa, animal ou obje~o. Uma espécie de sombra, meio transparente, semelhante
O verdadeiro fantasma não é uma aparição meramen- a uma forma humana, em pé, foi percebida por todos os
te subjetiva, mas tem certa consistência material, porém assistentes, perto dos postigos da janela. Esta forma agi-
mais ou menos tênue, mais ou menos transparente, com tava as cortinas com a mão e, enquanto nós a olhávamos,
pêso reduzidíssimo em comparação com o pêso do modêlo ela se desvaneceu e as cortinas deixaram de mover-se".
reproduzido.
O FANTASMAARTISTA
OS FANTASMAS
sÃo POSSíVEIS
O caso que segue é, entretanto, mais surpreendente.
Já conhecemos a ectoplasmia, a produção do ectoplas-
Como no exemplo anterior, o Sr. Home era o médium:
ma, matéria-prima para modelar as imagens do incons-
ciente do dotado (ideoplasmia). Com a ectoplasmia e o "Uma forma fantasmagórica avançou pela sala, apos-
ideoplasmia se explica a ecto-colo-plasmia. Bem conside- sou-se de um acordeão e, em seguida deslizou pelo apar-
rado, a fantasmogênese não é um fenômeno essencialmen- tamento tocando o instrumento. Esta forma foi vista du-
te diferente. Da mesma maneira que se pode plasmar um rante vários minutos por tôdas as pessoas presentes e, ao
rosto, um braço etc., pode-se plasmar a imagem mais ou mesmo tempo, via-se também o Sr. Home. O fantasma
menos completa de um ser, inclusive, compreende-se que se aproximou de uma senhora que estava sentada a uma
a imagem mais ou menos inteira de um ser seja pouco certa distância dos outros assistentes. A mulher deu um
densa, tênue, leve, transparente, ainda que fôsse só por pequeno grito e logo a sombra desapareceu".
motivos de economia de ectoplasmia. O que aumenta em Como se vê, o fantasma apresenta a forma de som-
tamanho diminui em densidade. bra, é meio transparente, porém sua densidade é suficien-
Assim considerada, a fantasmogênese não necessitaria te para mover cortinas carregar e tocar um acordeão. A
nem sequer de uma demonstração específica: simplesmen- fantasmogênese, como em geral todo fenômeno ectoplas-
te é uma modificação da ecto-colo-plasmia, outro aspecto mático (e telérgico), também explica as telecinesias.
de ideoplasmia.

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64 o (jJUE 111 PARAPSICOLOGIA
ESCOLA MATERIALISTA 65

corno tudo indica, a transformaç'ão não pode ser total, a


CLASSIFICAÇÃO DO FENÔMENO
aparição conserva bastantes traços, sob os quais se iden-
Pelo que foi visto, é evidente que a fantasmogênese tifica o próprio dotado.
é um fenômeno pertencente àqueles que denominamos ex- Katie King, com a médium, senhorita Cook, é o caso
tranormais, em contraposição com os paranormais. Os de aparição mais estudado e mais famoso. Apesar de vá-
fenômenos extranormais devem-se à energia material, fí- rias fraudes, a investigação do notável Crookes garantiu
sica, corno o ectoplasma na fantasmogênese. Os paranor- a veracidade inegável das "Aparições de Katie King".
mais se explicariam pela atuação de uma energia imate- Tradicionalmente, o caso de Katie King foi conside-
rial, não-física, "diferente de tôda energia física conheci- rado corno fenômeno de materialização. Os argumentos
da ou concebível". apresentados a favor desta interpretação são claramente
Sendo a fantasmogênese um fenômeno extranormal, insustentáveis. Entretanto, são manifestamente válidos
se compreende perfeitamente que a densidade do fantas- para a transfiguração. O próprio Crookes, convencidíssi-
ma seja inversamente proporcional ao espaço que o se- mo da realidade do fato, parece, contudo, ter compreen-
para do organismo que o produz. Num efeito paranormal dido que sua interpretação pela materialização, não foi
não teria sentido a influência da distância. válida.

TRANSFIGURAÇÃO PARCIAL
14. TRANSFIGURAÇÃO
A transfiguração não necessitaria ser de todo o corpo.
A transfiguração consiste na metamorfose do próprio Bastaria ser, por exemplo, do rosto ou de alguma parti-
corpo do dotado. Não é uma nova pessoa que se mate- cularidade dêle, para produzir, sÓmente com isso, a im-
\ rializa é o próprio dotado externamente modificado e re- pressão de que' o dotado é outra pessoa.
vestido de ectoplasma, de modo que representa outra pes-
soa, real ou fictícia. Convém ter presente o conceito de Um periódico espírita publicava, há muitos anos, urna
carta interessante: "A senhorita Crooker, médium muito
transfiguração para não aplicar a outros fenômenos se-
melhantes o que vamos dizer sôbre ela. estimada em Chicago... sob a direção do seu espírito-
-guia (?) começou, há meses, urna série de sessões para
Na transfiguração, o que aparece é o próprio corpo o desenvolvimento de urna nova fase da mediunidade.
do dotado, em oposição à materialização, que seria uma Suas sessões eram circunscritas à sua família. Urna tar-
"nova pessoa", um corpo diferente. A transfiguração e de, quando o fogo da lareira projetava urna linda clari-
a materialização são freqüentemente confundidas e dão dade e quando a luz da Lua chegava também ali, ela se
origem às afirmações mais díspares e errôneas. transformou: sua fisionomia mudou completamente de
Em transfiguração, evidentemente, há de haver algu- tamanho, forma e aspecto. Seu rosto encheu-se de espês-
ma diferença entre o dotado e a aparição. De outra for- sa barba negra. Todos os que se encontravam à mesa
ma não poderíamos falar de ttansfiguração. Não obstante, viram o mesmo".
66 o QUE 1h PARAPBICOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 67

"Seu genro sentado perto, quando ela lhe volveu o Ias que foram assistidas pelo DI'. William Crookes. Pres-
rosto, disse: "Qh, mas é meu pai!" Depois êle declarou cindimos, nas experiências dirigidas pelo Sr. Luxmore, em
que a imagem era exatamente a de seu pai, que morrera". seu círculo espírita, de tudo aquilo que não foi confirma-
"Pouco depois, a Sra. Crooker se transformou em uma mado experimentalmente por Crookes. Pois bem, escreve
mulher de cabelos brancos. Estas metamorfoses se opera- a Sra. Ross-Church:
vam pouco a pouco, enquanto as testemunhas observavam "As pessoas que assistiam às sessões pediam muitas
atentamente a médium ... Ela conservava a consciência vêzes a Katie que 1hes desse um pedaço de seu vestido co-
de si mesma, porém experimentava a sensação viva de mo recordação. Ela distribuía de boa-vontade êstes peda-
pontadas por todo o corpo, exatamente como se segurasse ços, que cada um levava. Algumas pess.oas, inclusive, ti-
os pólos de uma pilha galvânica". veram a precaução de colocar o tecido em um envelope
Mera alucinação? Exageração? Fraude? Não possuí- fechado. porém, ao entrarem em suas casas, o pano havia
mos nenhum dado a respeito dos métodos de observação desaparecido para grande surprêsa das ditas pessoas".
empregados, nem atas das experiências. Nem sequer fo- Em outras ocasiões, a reabsorção era feita à vista dos,
ram assistidas por algum observador ou investigador de assistentes:
confiança ... "Uma noite, quando Katie rasgou muito seu vestido,
Vimos que a ecto-colo-plasmia é possível. Tenhamos, eu lhe disse que êle necessitaria de grandes reparos. Ela
pois presente que uma transfiguração co'moa descrita não explicou: "Vou mostrar-lhes como trabalhamos no mundo
é mais complicada e difícil que uma ecto-colo-plasmia e, dos espíritos" (?!) Levantou parte do seu vestido e o re-
inclusive, menos que esta. cortou com a tesoura, fazendo cêrca de quarenta buracos.
Depois perguntou: 'Não é uma bonita peneira?'"
ANÁLISE DA TRANSFIGURAÇÃO Estávamos muito perto dela. Vimo-Ia então sacudir
a saia suavemente (outra testemunha disse que foi com
o mesmo que dizíamos nos capítulos anteriores, temos fôrça) e depois todos os buracos desapareceram sem deixar
que repetir a propósito da absorção do ectoplasma trans-
figurador nos fenômenos de transfiguração. Assim como o menor vestígio.
um verdadeiro ecto-colo-plasma (verdadeiro enquanto que Notando nossa admiração disse: "Cortarei meus ca-
é diferente de truques ou inclusive de outros fenômenos, belos". Naquela noite, Katie tinha o cabelo escorrido até
como "aporte") não pode ser conservado, porque necessà- a cintura. Tomei a tesoura e me pus a cortá-Ios seria-
riamente será reabsorvido pelo médium; do mesmo modo, mente, tão rápido como podia (exagêro: na realidade, se-
não se pode conservar nenhuma parte do ectoplasmatrans- gundo as outras testemunhas, quem cortou foi a própria
figurador de uma verdadeira transfiguração. Katie, ou seja Cook transformada). Ela dizia: "Cortai
Por exemplo, a sra. Ross-Church (Florence Marryat) mais" 'cortai mais, não para vós, bem o sabeis já que não
foi testemunha de muitíssimas aparições de Katie King. o podereis guardar". Cortei, então, mecha por mecha
Entre elas, claro está, consideramos principalmente aque- (exagêro: não cortou tudo, mas sÓmente as pontas, a
, ,

68 o QUE S PARAPBIOOLOGIA I
ESCOLA MATERIALISTA 69
I

parte que correspondia ao ectoplasma sobressalente dos 'I'


l" "os espíritos do além" formariam um nô:vo corpo cOD;1ple-
li
cabelos de Cook), e depois que caíram por terra, voltaram to, real, completamente materializado de carne e ossos só-
para a cabeça de Katie. "Disse-me que lhes examinasse lidos, com sangue, leucócitos, etc., com todos os órgãos
os cabelos no lugar onde os havia cortado. Busque~ bas- instantâneamente formados e solidificados ... E todavia,
tante sem poder encontrar, todavia, nenhum corte apa- em uma espécie de nova criaç'ão, lhe infundiriam a vida,
rente: as mechas de cabelo caídas ao chão haviam desa-
a inteligência, etc., ou um "espírito desencarnado", por
parecido." um poder inexplicável, se uniria a êsse corpo e animaria
seus músculos, suas artérias, seus nervos, seu cérebro, etc.,
CLASSIFICAÇÃO
DOFENÔMENO
,animando um corpo que não fÔra o seu. E isto se daria de
Do exposto sôbre a transfiguração, é evidente tam- um modo que o nôvo ser não seria uma personalidade di-
bém que o fenômeno deve ser classificado, como dissemos, ferente, mas a mesma pessoa de que formara parte o "es-
entre os extranormais: na transfiguração, o corpo da mé- pírito desencarnado" antes de "de5encarnar-se", ainda que
dium é inegàvelmente material. Evidentemente, o ecto- isto, filosoficamente, seja impossível e inadmissível. E ain-
plasma transfigurador, também é material. da mais, os "espíritos do além" haveriam de desmateriali-
zar novamente a apariç'ão e "ressuscitar" a médium. Muito
15. MATERIALIZAÇAO complicado, muito difícil, inexplicável.
Pelo contrário, a transfiguração é muito mais sim-
Nenhum fato, nem espontâneo nem experimental, po- pIes: o próprio médium se transfigura um pouco.
I
de ser invocado em favor da materialização. Ao contrário, Concluindo o quanto foi dito, além da ectoplasmia e
ii
as experiências apresentadas pelos defensores dela provam, transfiguração, admitimos a ecto-colo-plasmia e a fantas-
~I
I

na verdade, que a materialização não existe. Dêstes ca- mogênese, porém não a materialização.
sos se deduz que nem os melhores dotados, nas melhores
circunstâncias, nem cientistas conceituados, com todos os A "OUTRA"PERSONALIDADE
seus esforços, jamais conseguiram nenhuma materializa-
ção. ii:stes s'ão os fatos. Segundo os espíritas, o fato de que as "materializa-
ções" possuam todos os atributos intelectuais capazes de
O próprio conceito teórico da materialização é inad-
caracterizar uma individualidade física, somente poderia
missível. Sem nos determos demasiado em teorias, vamos ser explicado por meio de possessão temporal (do mé-
fazer algumas considerações acêrca do conceito em si, ou dium) por uma entidade inteligente, de origem desconhe-
da "explicação" teórica da materialização. cida", como dizia ROCHAS. Ou, como dizia BOZZANO,"for-
- A teoria da materialização se opõe a um princípio cien- ça a conclusão de que a idéia diretriz ou a vontade em
tífico universal: a economia das hipóteses. Para explicar as ação é completamente estranha ao médium e aos assis-
aparições por materialização, devemos supor primeiro, que tentes". A ciência demonstra o contrário.
todo o médium, ou quase todo, foi desmaterializado sem O Dr. E. PASCALrelata a observação de um médium
que isto lhe acarretasse a morte definitivamente. E depois, que revelou o desejo de entrar em comunicação com uma
70 o QUE J1J PARAPSICOLOGIA ESCOLA MATERIALISTA 71

irmã falecida recentemente, porém, que, na realidade, não Porém, no ano de 1960, a parapsicologia materialista
havia existido: êle lhe deu o nome de Ivone e, pouco tem- tropeçou na Universidade de Leningrado: BECHTEREV e
po depois, guiado pelo espírito de um médico hindu (? I) , VASSILIEV tentaram tocar nesse ferro.
o médium anunciou a presença de um nôvo espírito. :mste No campo eletromagnético é conhecido o efeito da
falou com voz feminina, apresentando-se como Ivone, e "gaiola de Faraday", dentro da qual se anulam as ações
referindo-se a seus pais, relatou particularidades interes- de indução e não se pode detectar ondas de nenhum tipo.
santes da vida da família de Pascal, que êste já havia Um pequeno receptor radiofônico, por exemplo, introdu-
esquecido. O Dr. Pascal, que se ocupou especialmente de zido pouco a pouco dentro de um recipiente metálico: sua
fenômenos metapsíquicos, mostra que todos êstes fatos música diminui de intensidade até desaparecer, quando
põem em evidência a origem sugestiva das personalidades estiver totalmente envolto pelo metal. Pretendendo evi-
mediúnicas (nascidas do inconsciente do médium que cap- denciar que a chamada telepatia era uma transmissão de
ta parapsicolÔgicamente os dados, inclusive de pessoa e lu- ondas eletromagnéticas cerebrais, um agente telepático foi
gares distantes). E acrescente-se que a extraordinária introduzido na "gaiola de Faraday". Ocorreu, entretanto,
objetividade e a intensa realidade destas personalidades, que as transmissões telepáticas continuaram, sem serem
que puderam enganar argutos observadores acêrca de sua afetadas por êstes obstáculos físicos. Daí nasceu, ao lado
exata natureza, são provas da fôrça que pode ter a su- da cátedra de Parapsicologia da Universidade de Lenin-
gestão inconsciente (ou, em geral, prosopopéia) no transe grado, e sob a direção do Praf. Vassiliev, o "Instituto para
mediúnico. a Investigação de Fenômenos Parapsicológicos Remotos".
O Instituto conta com um número considerável de cola-
I "

i " FIM DAESCOLA


MATERIALISTA
PURA boradores· especializados e grandes facilidades financeiras.
Inúmeras experiências fizeram reconhecer, segundo
De todos êstes fenômenos ocupou-se a Parapsicologia as palavras do próprio Vassiliev, "a existência de alguma
de todo o mundo, inclusive mais profundamente que na fôrça própria das transmissões cerebrais, mentais, irreduo
Rússia. Porém, os enquadramos dentro da escola mate- tíveis aos agentes físicos... " Experiências de hipnotismo
rialista, já que são fenômenos devidos aos sentidos, direta à distância no espaço e no tempo convenceram cada vez
ou indiretamente. Encaixam, mais ou menos perfeitamen- mais a Vassiliev e à parapsicologia russa de que existe um
elemento espiritual no homem. Na Rússial Nos escritos
te, dentro de uma concepção materialista do homem. I
de Vassiliev, além da frase já citada, se encontram várias
Il
Porém, não termina tudo aí. A escola materialista, outras frases que afirmam que não sÔmente aceitam os
não investigara os fenômenos de telepatia a longa distân- fenômenos que nós chamamos "extranormais", fisiológi-
cia a retrocognição ou conhecimento do passado, a pre- cos, mas também que já aceitam os fenômenos "paranor-
cognição ou conhecimento do futuro, a movimentação de mais" extra-sensoriais, espirituais, como a escola espiritua-
objetos a muitos quilômetros de distância, etc., etc. Fenô- lista, que agora analisaremos.
menos que muito bem têm sido chamados "ferro canden-
te" da parapsicologia materialista.
CAPÍTULOlI!
,I

ESCOLA ESPIRITUALISTA

Liderada por J. B. RHINE, catedrático de Parapsicolo-


gia da Universidade de Duke, Durham, Carolina do Norte.
RHINE, PRATT,P:EARCE,com muitos outros investigadores
de diferentes nações, se dedicaram, desde o comêço, à in-
vestigaç'ão dos chamados fenômenos PARANORMAlS, que
não se podem explicar, a não ser que se admita no homem
a existência de uma faculdade espiritual.

FENÔMENOSPARANORMAIS
DE CONHECIMENTO

Paranormal, etimológicamente significa à margem do


normal. Em sentido real, depois das investigações, signi-
fica espiritual, faculdade espiritual de conhecimento.
RHINE (Estados Unidos) e VASSILIEV(Rússia) o definiram
nestes têrmos: '7enômenos qUe.l1ão se devam a nenhum
tipo de energia física conhecida, nem possível". Não fí-
sico, mas real, é sinônimo de espiritual no significado co-
mum do têrmo.

1. PSl-GAMMA

Das letras gregas psi, início da palavra psiché, que


significa alma, e gamma, comêço da palavra gnosis,
que significa conhecimento, conhecimento próprio da al-
75
74 o QUE :$I PARAPSlOOLOGIA ESCOLA ESPIRlTUALISTA

ma, em contraposição ao conhecimento próprio do corpo, Todos já ouviram falar de casos como, por exemplo,
dos sentidos. do naufrágio do transatlântico Titanic que foi anunciado
O Dr. PRATTmanejava um conjunto de cartas de um detalhadamente pelo Sr. O'Connor. A queda do dirigível
baralho Zener, no atual edifício da Faculdade de Ciências Alitália havia sido anunciada também com todos os de-
da Universidade Duke. Ao mesmo tempo, o Dr. JERBERT talhes. Mais recentemente, a morte de John Kcnnedy
PEARCE estava em outro edifício, onde fica a atual sala de havia sido prenunciada pela Sra. Dickson... Em tôdas as
leitura, no fundo da biblioteca da Universidade. Antes épocas e em todos os povos, há mães que pressentem e
de se dirigirem -cada qual ao seu respectivo lugar, sincro- anunciam com todos os pormenores a morte ou acidentes
nizavam seus relógios. Uma vez nos seus gabinetes o Dr. de seus filhos ou sêres queridos. Adivinhos como Gerard
Pratt baralhava cuidadosamente as cartas e colocava de- Croiset ou como o Sr. S'chackleton ou como a Sra. Stewart
pois o baralho no canto esquerdo da mesa. No momento são "cobaias" de laboratórios universitários de parapsico-
combinado para o início da prova, o Dr. pratt pegava a logia. Expressam o passado, o presente e o futuro casual
primeira carta e, sem olhá-Ia colocava-a com a figura pa- e livre, minuciosamente, e acertam em muitos casos, além
,li ra baixo sôbre um livro, no meio da mesa. Esperava um
'"

'"

minuto. Depois retirava a carta, sem olhá-Ia e a passava do previsto pelo acaso.
1'::1

ao ângulo direito da mesa, sempre com a figura para bai- Com estas demonstrações provou-se cientIficamente
xo. Imediatamente, fazia o mesmo com as cartas seguin- a existência no homem de uma faculdade espiritual de
"'!i

tes, até passar as 25 -cartas do baralho especial. Cada conhecimento.


prova durava, pois, 25 minutos. Esta faculdade foi chamada PSI-GAMMA.
O Dr. Pearce, em seu gabinete, no outro edifício, ha- Na vida ordinária, a emergência dos conhecimentos
via consignado na sua fôlha de registro, a cada minuto, t, inconscientes desta faculdade ao consciente são relativa-
"
111

,.
iil' o símbold da carta que, segundo seu parecer, o Dr. Pratt mente freqüentes, sobretudo quando se trata de aconteci-
havia retirado nesse minuto. No conjunto de 300 tentati- mentos estranhos em tÔrno de pessoas queridas. A emo-
vas, o Dr. Pearce acertou 119 vêzes. O lógico era esperar, tividade rompe a porta da passagem do inconsciente ao
por acaso, em 300 tentativas 60 acertos. O Dr. Pearce, não consciente. O talento do inconsciente se encarrega de dra-
obstante, conseguira 119 acertos, quase a metade dascar- matizá-Ios como provenientes do demÔnio, dos espíritos
tas. A possibilidade de tal resultado, segundo a estatís- dos mortos, inclusive de fictícias entidades do além, segun-
tica matemática, está expressa por uma fração de 1 sôbre do o ambiente.
a unidade seguida de 15 zeros. Fizeram-se milhares e até
milhões de experiências de laboratório, e análises cientí- Uma jovem de Campinas (São paulo-Brasil), desper-
ficas de milhares de casos espontâneos. Casos existem em ta de repente e verifica no relógio de cabeceira que são
que o conhecimento se deu a muitos quilômetros de dis- 6 horas e 35 mino Ao sentar-se na cama, vê refletido no
tância, apesar de quaisquer obstáculos, conhecimento do espelho do guarda-roupa a imagem de seu noivo, que de-
passado e do futuro. veria estar a 300 km de distância.

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76 o QUE :2 PARAPSICOLOGIA . ~ ESCOLA ESPIRITUALISTA 'n

Ocorreu que o rapaz sofresse um acidente e fôsse ignoramos se de fato conhecemos êste futuro direta ou
quase atropelado por um caminhão. Seu relógio se que- sÓmente indiretamente, tal conhecimento não deve ser
brou no momento do acidente: marcava exatamente 6 ho- classificado eomo precognição, a não ser em uma classi-
ras e 35 mino ficação prática.
Um conhecimento de psi-gamma irrompe durante o
sono (estado que facilita a pereepção consciente das capta- ESPIRITUALIDADE
ções inconscientes). Despertada a percipiente, a percepção
inconsciente se projeta sôbre o espelho (as superfícies lisas Esta faculdade de conhecimento que chamamos pa-
e brilhantes, como água, vidro, bolas de eristal, etc., faci- ranormal não é influenciada pela maior ou menor distân-
litam a projeção de percepções inconscientes). cia entre o objeto conhecido e a pessoa que conhece. Por
Esta faculdade do nosso inconsciente, que todos te- conseguinte, já por êste mesmo fato, se dá a entender que
mos, conhece tudo o que ocorre dentro do nosso mundo. se trata de uma faculdade espiritual. Qualquer energia fí-
Os obstáculos físicos, tais como paredes, montanhas, etc. sica se transmitiria de maneira inversamente proporcional
que se possam interpor entre o sujeito e objeto, não difi- ao quadrado da distância. Inclusive, não há obstáculos:
cultam o funcionamento da faculdade. Assim também, os o radar ou o rádio, por exemplo, não funcionam dentro
vínculos físicos, fios por exemplo, unindo sujeito e obje- do mar. Para esta faculdade que o povo chama tE:)~Elli,f+ti::
to ou agente, não favorecem os resultados, a não ser que não importa que o objeto de conhecimento esteja dentro
o sistema usado seja uma espécie de cumberlandismo, o ou fora do mar, dentro ou fora da gaiola de Faraday ...
que favoreceria a comunicação hiperestésica, não a psi- A faculdade paranormal de conhecimento também não se
gâmica. deixa influenciar pelo tempo. Nenhum tipo de energia
física poderá desprender-se de um acontecimento que
Psi-gamma prescinde da distância. Comparando os re- ainda não existe, para influir no adivinho, por exemplo,
" "'I
sultados obtidos a diferentes distâncias, desde alguns qui- trinta anos antes. Esta faculdade paranormal de conhe-
lômetros (ou metros) até muitos milhares de quilôme- cimento n'ão tem tempo, ,conhece, como veremos, até um
tros, tem-se a nítida impressão de que a distância e futuro casual e livre.
os obstáculos não têm influência sÔbre os resultados. A
única coisa que parece influir no caso é a prÓpria faO,ul- A c~~:t1çia,
quando nos primeiros anos de investigação
dade de percepção extra-sensorial do sujeito (ou sua ca- se encontrou frente a êsses fenômenos paranormais de
pacidade de manifestação) nas diversas circunstâncias. conhecimento, supôs aprioristicamente que se tratava de
Igualmente esta faculdade prescinde do tempo. Conhece uma adivinhação sensorial, não espiritual porque a ciên-
o que ocorreu neste mundo, assim no passado, diretamente cia do final do século passado e princípios dêste era, salvo
até um século e meio atrás, mais ou menos (retrocogni- raríssimas exceções, materialista. Apriorlsticamente, cha-
ção) ; como no presente (simulcognição) e no futuro, co- maram esta faculdade de "criptestesia", que significa sen-
mo veremos, alcançando até um século e meio adiante sação, percepção sensível, de algum tipo de energia des-
(precognição). É evidente que se em determinado caso conhecida, ainda que diferente de tôdas as energias físi-

78 o QUE 1tJPARAPBIOOLOGIA ESCOLA ESPIRITUALISTA 79

cas conhecidas. Ou, então, a chamavam de sexto sentido Os Drs. GULIAEV e VASSILIEV,
professôres de Parapsico-
porque nenhum sentido conhecido explicava êstes fatos. logia nas Universidades de Moscou e Leningrado, chega-
Mas, supunham que era algo sensorial. ram com tôda sorte de demonstrações científicas a êstes
A medida que a ciência foi avançando na análise dos fenômenos e se queimaram. E como bons cientistas tive-
casos e das experiências, foi se compreendendo que não ram que reconhecer que haviam demonstrado em labora-
se podia incluir na etimologia as características dos fenô- tório que existia no homem uma faculdade espiritual de
conhecimento.
menos sensoriais, porque não possuía nenhuma das carac-
terísticas dos fenômenos sensoriais. Chamaram-no, então, Hoje, não há em parte alguma do mundo, um parap-
de "matagnomia", que significa conhecimento além do nor- sicólogo materialista.
mal, porém não decidiram definir-se nem a favor nem con-
tra a espiritualidade do fenômeno ou sua sensorialidade. 2. PRECOGNIÇÃO
Em 1934, os parapsicólogos da escola norte-america-
na chegaram à conclusão unânime de que se tratava de O famoso navio "Titanic" naufragou tràgicamente na
um fenômeno espiritual, imaterial, extra-sensorial, e o noite de 14 para 15 de abril de 1912. O Sr. J. O'Connor
chamaram "percepção extra-sensorial". tinha reserva de passagem para si e para a família nesta
Surgiu no mundo a maior polêmica que se conhece viagem. Mas, uns dez dias antes da data destinada à saída
no campo das investigações psíquicas. do navio, O'Connor sonhou que "via o navio com a quilha
Por fim, em 1954,tôda a parapsicologia ocidental (ex- II ao ar e a bagagem e os passageiros flutuando ao redor".

"
cluindo os parapsicólogos russos e os dos países da Cor- O'Connor, para não assustar seus familiares e ami-
I
, tina de Ferro), reconheciam no Congresso Internacional gos, n'ão contou nada. O sonho se repetiu na noite se-
de Utrecht, que existia de fato uma faculdade espiritual guinte. Ainda assim O'Connor ocultou-o. Tendo, então,
de conhecimento, a que chamaram psi-gamma, que signi- recebido notícias da América que se poderia retardar sua
viagem, decidiu prestar ouvido ao sonho e mandou can-
fica conhecimento da alma, próprio da alma, não do cor-
celar sua reserva no "Titanic". Pôde, então, contar o so-
po; espiritual, não sensorial.
nho a seus amigos, 'como explicação do porquê n'ão viaja-
A parapsicologia russa, ou também chamada escola va. Não queria correr riscos, uma vez que a viagem não
materialista, não havia estudado êste fenômeno. Na Ale- era urgente.
manha, porém, surgiu, por obra do Dr. HANSBENDER, ca- O caso foi referido pelo próprio protagonista à "So-
tedrático de Parapsicologia da Universidade de Friburgo, ciety for Psychical Research" de Londres. Além disso, en-
uma frase irônica. Chamou a êstes fenômenos paranor- viaram à mesma sociedade seu testemunho em carta as-
mais "o ferro candente para a parapsicologia russa". sinada, três dos amigos a quem O'Connor contou, uma
Quando os parapsicólogos da escola materialista investi- semana antes da partida do navio, os sonhos que tivera.
gassem êstes fenômenos, queimar-se-iam. O'Connor apresentou, aliás, como comprovante, os passa-
portes e a reserva de passagens.
~, .
ESCOLA ESPffilTUALISTA 81
80 o QUE ~ PARAPSIOOLOGIA

pletamente intransponível, sôbre-humana e assim a Pa-


Pura casualidade, ou será que o homem tem a possi-
bilidade de conhecer o futuro?
O fato é que em tÔdas'as épocas e em todos os povos,
I rapsicologia continuou a experimentar em condições cada
vez mais e mais rigorosas.
acreditou-se na adivinhação do futuro. A ciência internacional examinou sob todos os pontos
Na antiga Grécia, na Roma, no Egito ... na Idade de vista, os resultados obtidos, manifestando em sucessi-
Média, ser adivinho constituía uma profissão admitida. vas congressos que, de fato, está cientificamente demons-
Atualmente os adivinhos estãa praibidos por lei, teorica- trada a existência no homem da faculdade de canheci-
mente. Na prática, quem nãa conhece a cigana que lê a mento direto do futuro.
palma da mãa? ou a senhora com sua bola de cristal? ou Isto não quer dizer que exista o destino, mas que o
os astrólogos, cartomantes, médiuns "videntes", etc.? homem é capaz de conhecer aquilo que livre e casualmen-
A Parapsicologia estudou a problema. Nos arquivos te acontecerá, sendo psi-gamma uma faculdade espiritual
há anotados milhares e milhares de casos comprovados, não se submete às leis do tempo (nem da espaço) coma
nos que se testemunham fatos de conhecimentos do fu- a matéria.
turo. Muitos dêstes casos nãa resistem a uma análise sé- Muitas pessoas que não filasofam ou não conhecem
ria ... Mas milhares de outros, quando menos, são muito filasofia, ao ouvir falar de que nosso psiquismo incons-
sugestivos em prol da precognição autêntica. ciente pode conhecer o futuro, pensam que existe o deter-
São muitas as experiências de laboratório, principal- minisma, o fatalismo. Na realidade, é o >contrário: se tudo
mente a base da estatística matemática. Par exemplo, estivesse já prefixado, determinado, a conhecimento dos
pergunta-se ao "dotado" a ordem em que iriam as cartas acontecimentos do futuro seria conhecimento daquilo já
de um baralho, depois de bem misturado, na futuro. Mui- escrito, já determinado, já prefixado, e não seria conheci-
tos "dotados" adivinhavam com freqüência, muito por menta direto do futuro. Não seria precognição, mas si-
cima da probabilidade ou acaso.
mulcognição. Ao demonstrar a precognição, a Parapsico-
Objetou-se que o "dotado" poderia influenciar sôbre logia teve que demonstrar primeiro em laboratório que o
aquêle que embaralhava as cartas. Construíram-se má- conhecimento se referia a fatas independentes, nãa pre-
quinas especiais, que de uma maneira imprevisível emba- fixados, indeterminados do fu~uro >comrespeito ao pre-
ralhavam as cartas. Os êxitos continuaram. Ainda obje- sente.
tou-se que poderia haver um influxo do inconsciente sôbre
Se existe a precogniç'ãa, por que proibir as adivinhos?
as máquinas (telecinesia e psi-kappa) passou-se então, a Por que ninguém pode controlar esta faculdade. As pre-
cortar o maço de cartas de acôrdo com a temperatura cognições (ou psi-gamma em geral) é essencialmente es-
máxima ou mínima de determinada data futura e os do-
pontânea e incontrolável.
tados continuaram a prever como ficariam as cartas.
Objetou-se que poderia ser uma influência do inconscien-
te sÔbre o clima! Puseram uma barreira intelectual com-

82 o QUBJ :Fl PARAPSlOOLOGIA I~SCOLA ESPIRITUALISTA 8:3

está que psi-gamma, que não tem distância nem tempo


3. TIE (dentro de nosso planêta e no espaço de dois séculos) co-
nhece, e, às vêzes, pode manifestar, dados de pessoas e
Os teóricos do espiritismo (Allan Kardec, Aksakof, objetos ausentes, contra o pressuposto pelos teóricos do
Lombroso, Bozzano, etc.) insistiram muito nos casos em espiritismo, demonologia ou outras interpretações' su-
que se "adivinham" coisas que ninguém sabia conscien- persticiosas.
temente. Hoje, entretanto, sabe-se que é mais fácil adi- Eis um exemplo: Era o dia 17 de janeiro de 1952.
vinhar o inconsciente de uma pessoa que o seu conscien- Numa sala de Rotterdam deveria realizar-se uma reunião
te. Êste fenômeno psi-gamma se conhece sob a sigla TIE no dia 20 (três dias depois). Havia trinta lugares. Ao aca-
(Telepatia sôbre o Inconsciente Excitado). '0 principal in- so, escolheu-se o número 18 e perguntou-se ao Sr. Croiset
vestigador dêste fenômeno foi o mexicano Pe. CARLOS MA- quem haveria de sentar-se naquela cadeira. Depois de al-
RIA HEREDIA, S. J. guns instantes (escreve o Dr. Tenhaeff), o Sr. Croiset me
Um exemplo, o Pe. Heredia havia marcado num papel, disse que não recebia nenhuma impressão e pediu que in-
em espanhol, o nome de uma erva desconhecida nos dicasse outra cadeira. Foi o que fiz. Croiset revelou-nos
EE.UU., "beldroega", juntamente com a tradução em in- então, que nesse lugar sentar-se-ia uma senhora com ci-
glês "purslane". Vários meses depois, esqueceu completa- catrizes no rosto, conseqüência de um acidente de auto-
mente o nome inglês da erva rara. Em uma conferência móvel durante uma temporada na Itália. Com relação à
pública, diante de mais de 500 pessoas, em Nova Orleans, senhora, lembrou-se da "Sonata ao Luar".
foi distribuído papel e lápis a mais de 30 pessoas que se "No dia 20 de janeiro, às 20,45 h, verificou-se que dos
julgavam especialmente dotadas. 28 -convidadosà reunião compareceram sÔmente 27 e que
Então, o Padre pensou em espanhol a palavra "bel- a cadeira 18 (diante da qual Croiset não experimentara
droega" sem dizê-Ia. Depois de algum tempo, levantou-se reação) ficou desocupada. No outro lugar, pelo qual se
um jovem, dizendo: "Sem saber como, escrevi uma pa- havia perguntado a Croiset, sentou-se a senhora de um
lavra que eu não conheço". E entregou-lhe o papel, no ::11
11
médico. Tinha cicatrizes no rosto, resultantes de um aci-
qual estava bem claramente a palavra "purslane". De tal "1\
dente de automóvel durante umas férias na Itália (cica-
modo estava esquecida pelo consciente do Pe. Heredia a trizes que a afetavam muito). O marido afirmou que a
tradução inglêsa da palavra espanhola pensada, que teve "Sonata ao Luar" incomodava muito sua espôsa, já que a
que recorrer às suas anotações para confirmar que aquela música estava relacionada com um caso íntimo de sua
era a verdadeira tradução. vida.
O pensamento consciente da palavra espanhola exci-
tou por associação, no inconsciente, a tradução inglêsa. 4. SUGESTÃOTELEPATICA
O pensamento inconsciente foi captado por TIE e mani-
festado pela escrita automática, fenômeno que facilita Um fenômeno que não podemos deixar de analisar é
muito a revelação de conhecimentos inconscientes. Claro a chamada sugestão telepática. O "mérito" exclusivo é da
•. '.

84 o QUE P1PARAPSIOOLOGIA
ESCOLA ESPIRITUALISTA 85

pessoa que capta. O fenômeno se deve à faculdade psi- memÓria. De repente, em sua alucinação ouve a freiada
-gamma do percipiente. de um táxi e o motorista dizendo: "Meu Deus, matei um
Na percepção normal sou eu quem devo ter em per- homem". Vê gente se acercando, vê o motorista saindo
feitas condições meu ôlho, minha retina, meu nervo Ótico, do carro e o policial que chega e pergunta seu nome. Ela
e minha circunvolução cerebral que corresponde à visão. guarda o nome do taxista acompanha a polícia para ver
O mérito exclusivo é meu. As coisas que se vêem não o número da placa do carro e o guarda na memÓria. De'-
passam de objetos externos. Minha faculdade Ótica neces- pois ela olha para o solo e vê um homem morto, enquanto
sita de certas condições: se o obje~oé muito pequeno não o sangue corre pelos paralelepípedos. O policial move um
o vejo; se está muito longe, também não o percebo. Não pouco a cabeça do atropelado para ver se está vivo ou
passa, porém de objeto e de circunstâncias externas. Sou morto e então a senhora dá um grito e desperta. Diz ao
eu quem deve ter as faculdades em condições. O mesmo marido: "Que susto acabei de levar! Sonhei que você ha-
acontece na sugestão telepática. via sido atropelado em São Paulo, na rua tal. O moto-
De fato, algumas pessoas, se forem dotadas de facul- rista do taxi chama-se fulano de tal, o número da placa
I :dades parapsicológicas, podem adivinhar o que uma pessoa do carro ... "
lhes quer sugerir. Não é o caso, porém, que esta as do- Uma filha dêste casal, que era minha secretária, se
!
mine. O "agente", se possui realmente qualidades, exci- inteirou do caso e pensou que "possivelmente era uma
'[
tará mais, aumentará mais o brilho do objeto que deve tolice, o inconsciente inventa muitas tolices. Alguma vez
ser captado, porém não passa de objeto e condições ex-
trínsecas. pode acertar, a maior parte das vêzes se equivoca. Porém,
se por acaso ... vamos tomar nota ... talvez seja de in-
I Pode suceder alguma vez, que um dotado adivinhe os terêsse científico ... "
desejos de outra pessoa, e a propÓSitodêste fato se crie a
Dois meses mais tarde, êste senhor morre em São .pau-
i I lenda e se acredite que a bruxa possa sugerir uma corda
10, atropelado por um táxi, com a mesma placa, nome,
para que o enamorado tropece nela e caia. Se o enamo-
número, etc.
rado não é dotado de faculdades parapsicolÓgicas, não há
bruxa ,capaz de fazê-Io cair. Porém se é um dotado, ainda Durante a agonia do acidente ou durante a morte
que a bruxa tenha muito poucas faculdades, êle pode adi- aparente, o inconsciente, evidentemente, estava pedindo
vinhar. Não é um poder da bruxa, é um poder da vítima. ajuda querendo comunicar a notícia à família. li:ste de-
sejo ou sugestão assim como os demais dados do aconte-
Como esclarecimento, vejamos um exemplo de suges-
tão telepática, numa investigação pessoal: Uma senhora cimento, foram captados psigâmicamente pela espÔsa.
Somente que a sugestão telepática como todo fenômeno
de São José dos Campos, 12ertode São Paulo, está vendo
televisão com seu marido. Adormece e tem uma alucina- psigâmico, prescinde do tempo: os fatos foram captados
antes do acontecimento, isto é por precognição.
ç'ão. Sonha que está vendo uma rua de São Paulo que
reconhece. Está vendo o número da casa e o retém na
011 .'

86 O QUE :tbPARAPSIGOLOGIA

5. PSI-KAPPA

Terminamos aqui a exposiç'ão dos fenômenos de co-


nhecimento, ou de efeitos psíquicos, tanto extranormais,
como paranormais. Estudamos também os fenômenos ex-
tranormais de efeitos físicos. Deveríamos iniciar a análi- CAPÍTULO IV
se dos fenÔmenosparanormais de efeitos físicos, tais como
bilocação a quilômetros de distância, sem interferência ESCOLA, ECLÉTICA
de obstáculos, etc.
Tal estudo nos levaria a tratar e discutir os fenÔme-
nos que se englobam sob a faculdade que se chama PSI- Outra escola importante é a que poderíamos chamar
-KAPPA. Dizemos, unicamente, que êstes fenômenos pa- eclética, liderada principalmente pelos europeus. São os
I !I ranormais de efeitos físicos, concretamente, sua classifi-
I
,
,
iI
"
"
investigadores que estudam os fenÔmenos "extranormais",
cação como realmente paranormais (e não simplesmente como a escola materialista, e também os "paranormais",
extranormais, ou em alguns casos, sobrenaturais) são en-
I, ::

II
f
como a escola espiritualista.
I:, , ,!
tretanto muito discutidos. Faremos uma análise detalha-
II li
da num outro volume, atualmente em preparação. Sôbre a escola eclética, como sÔbre sua derivada - a
escola teórica - estamos preparando livros que possam
,
,
'
,
servir de texto ou de aprofundamento na matéria, como
I1

, r nos temas tratados até agora.


, !

: I
Não sendo fácil suprir, por enquanto, esta deficiência,
;
ao menos<em forma sistemática, preferimos para êste bre-
ve trabalho, dar algumas respostas às perguntas que mais
freqüentemente nos s'ão feitas nos cursos de divulgação.
Referimo-nos a perguntas que se encaixam dentro dos te--
mas estudados pelas escolas eclética e teórica.

1. PSICO-HIGIENE

Pela enorme propaganda de que foi objeto intencio-


nalmente, nos referimos a um caso concreto e atual.
(, O caso de Pedra José de Freitas, "Arigó", é interessan-
te e ao mesmo tempo lamentável. Talvez possuísse ~oumas
<li •

I
88 O QUE :e PARAPSICOLOGIA .I ESCOLA ECLltTICA 89
I

, . e pequen í'sSlmas facu ldades parapslco


pouqmssrmas I
. 1"ogl:Ca~ Parece que Arigó se havia "especializado" em "opera-
no que concerne a curas, faculdades _que, em Parapsicolot ções" nos olhos. É por onde começam todos os curandei-
gia, chamamos de psico-higiene. Têm sido estudadas mui- ros. O ôlho chama muito a atenção. porém, uma gôta de
to bem, especialmente pela escola européia, na Alemanha lágrima misturada com dois litros de água, ainda demons-
por exemplo, pelo Dr. HANSBENDER, catedrático de Para- tra seu poder natural desinfetante extraordinário. O Ôlho
psicologia na Universidade de Friburgo. :Ê:stesfenômenos quase não tem irrigação sanguínea, portanto é lógico e
de psico-higiene são maravilhosos, pois o psiquismo tem não-extraordinário que não verta sangue ...
um poder despótico sôbre o organismo. Há curandeiros
que fazem, inclusive, operações a distância, que fazem ope- P~ra!]:ls~co~àgicamente,
nosso inconsciente conhece tu-
rações sem instrumentos que dão veneno e curam, etc. do o que sabem tôdas as pessoas em nosso mundo. Basta
A um dotado de faculdades de psico-higiene, diante que um cirurgião saiba fazer uma operação para que nos-
de um prêmio Nobel em Medicina, disseram que lhe davam so inconsciente saiba fazer essa operação. Se em alguma
açúcar, porém lhe deram estricnina ... O nível de açúcar circunstância especialíssima, o inconsciente tomasse sufi-
, !!!
subiu no sangue e não teve nem disenteria. Até no hip- cientemente conta da máquina humana, n'ão seria inexpli-
IIIi
notismo pode surgir o poder do psiquismo sÔbre o orga- cável que um curandeiro pudesse fazer uma operação de
nismo. Esdeile, em Calcutá, cortou duas pernas, as duas, apendicite, de catarata ou de hérnia.
"

!
de uma pessoa, sem dor, sem sangue, sem infecção. Há Há pouco, morreu em São Paulo um fervoroso espí-
dotados que têm feito verdadeiras maravilhas. rita por causa de uma enfermidade que, se cuidada a tem-
"Arigó", pelo contrário, não fêz maravilhas. Arigó po, um enfermeiro poderia ter curado, porém êle recor-
não fêz operações complicadas. Quando o Dr. Barnard reu a Arigó...
chegou ao Brasil, começou-se a dizer na imprensa que
Arigó ia fazer um transplante de coração. Porém, êle n'ão Em São José dos Campos no sanatório de tuberculose,
sabia fazer operações complicadas, nem sequer era capaz muitos dêles são enfermos, comprovados, por culpa de Ari-
de realizar operação de apendicite. gó. A maioria, por ter recebido excesso de medicamentos.
O que êle fazia é muito simples: por exemplo, extrair Arigó acreditava, anteriormente, que quanto mais doses,
(um ectirigio) .. , Qualquer enfermeiro pode fazê-lo. Por a cura seria tanto mais rápida e administrava quantida-
des desaconselháveis.
falta de calcificação, sai uma espécie de pele no ôlho, ras-
pa-se um pouco, se desprende e somente é necessário cor- Por fim, Arigó já não se aventurava a "adivinhar"
tá-Ia com uma tesourinha. Depois afirma-se que era ope- os diagnósticos, a não ser evidente, porque aprendeu a
ração de cataratas ... ser prudente ... e exigia que lhe trouxessem o diagnóstico
Arigó não permitia que êle fôsse estudado por nenhum feito pelo médico. Se os enfermos não soubessem o diag-
cientista que não espírita, muito menos se parapsicólogo. nóstico, pedia ao menos os sintomas. Neste caso, se a en-
Tem-se falado muito de Henry Puharit. Puharit não é pa- fermidade fôsse fácil, êle, que levava vinte anos de curan-
rapsicólogo, mas um médico conhecido como espírita ... deirismo, muitas vêzes sabia quais seriam os remédios. Se
•• , 111.

90 o QUE É PARAPBlOOLOGIA ESCOLA ECLÉTICA 91

nãa fôsse fácil êle dizia: "Olha, vacê está paganda pelas descreveu também alguma cidade alemã, porque lhe en-
pecadas da reencarnaçãa anteriar. Nãa vau curá-Ia, tenha sinaram ou porque viu em cinema.
...... "
paClenCIa... Porém, não falava, nem entendia alemão ... As duas
frases, a pronúncia alemã, a descrição de alguma cidade
alem'ã e uma forte propaganda ocultavam muito bem a
2. PROSOPOPÉIA realidade dêsse homem pobremente dotado de faculdades
parapsicológicas, se é que tinha algum dom parapsico-
Tadas as fenômenas parapsicalógicas, quanda se ma- lógico...
nifestam, vêm acampanhadas de prasapopéia, ista é, atri- Prosopopéias simplistas ou simples como a de Arigó
buímas êsses prodígios de nassas faculdades incanscientes são freqüentes. Qualquer fenÔmeno é interpretado sem
a demônias, a espíritos das martas, a pitões, a fadas, etc. mais pesquisa como sendo encôsto de um espírito ou ,co-
Há prosapopéias fantásticas. Cam suas qualidades a in- mo sendo possessão demoníaca ou como se houvesse reen-
cansciente pade dizer que é a espírita de tal pessaa, par- carnação. Mas outras vêzes, repetimos, há prosopopéias
que adivinhau que tal pessaa existiu, viveu. Pade mudar realmente maravilhosas. O inconsciente é capaz de apre-
de letra, de vaz, de ciência. Pade mudar até de rasta (é sentar prosopopéias com "argumentos" que impressionam.
a chamada transfiguraçãa), etc. É por isso que diremos alguma coisa mais a respeito des-
A prasapapéia de Arigó, par exemplo, nãa tinha ne- tas prosopopéias mais clássicas (demônios, espíritos, reen-
nhum vaIar científica. Diz que era um médica da Primeira carnação) que têm enganado tantas pessoas. Estudare-
Guerra Mundial, chamado Adalf Fritz. Parém, quanda se mos estas prosopopéias ao resumir a escola teórica.
lhe perguntava sÔbre coisas cancretas, família, universi-
"
dade em que estudau, testamento, etc., Arigó n'ãa sabia 1'1 3. MANCTAS
li
1'[ respander. '11

,li
:!I
Qualquer iniciante em prosapapéia, a partir de Hitler, A Escola Eclética da Parapsicologia estudou rodas as
se está representanda um alemãa, nas dirá que se chama técnicas, ou pragmáticas, ou mancias: astrologia, quiro-
Adalf. E quanta a Fritz, é a name mais papular na Ale- mancia, cristalomancia, cartomancia ... Foram estuda-
manha, assim cama Franz (agara acaba de aparecer .ou- das durante muitos anos. Tôdas elas não são nada mais
tra curandeiro na Brasil que se diz estar passuída por que a técnica para que o inconsciente se inspire. Não sã.o
Franz) . .os astros, nem as cartas, nem a bola de cristal, senão o
A campanha publicitária afirma que Arigó falava per- inc.onsciente com suas faculdades parapsicológicas que al-
feitamente a alemãa. Na realidade, após vinte anos de guma vez pode adivinhar e dizer o que vai suceder (e mui-
profissão, dizendo estar possuído pelo espírito de um mé- tas outras vêzes, equivocar-se, porque o inconsciente não
dico alemãa, terminou por aprender duas frases, sempre tem regras fixas em suas manifestações).
as mesmas, nessa língua. E falava com sotaque alemão. A astrologia (melhor seria dizer astromancia) não
Ajudado por uma propaganda tendenciosa, ultimamente tem quase nenhum valor científico. É meramente um jô-
rlI It

ESCOLA ECLlbTICA 93
92 o QUE :GJPARAPSICOLOGIA

Vejamos um exemplo, recentemente observado por


go de sociedade. É verdade que os astros, o clima, certos
um padre capuchinho, que omite nomes por causa de um
magnetismos podem influir no caráter, na saúde; no en-
tanto, sÔmente é um fator mínimo a ser considerado. juramento.
Também a hereditariedade influi, assim como a alimen- Uma senhorita, na Itália, estava para casar-se. O noi-
tação, a medicina, a educaç'ão, os critérios, e o meio-am- vo, porém, nas vésperas do casamento, a deixou. A senho-
biente, etc., e além do mais a vontade e liberdade huma- rita decidiu vingar-se e foi visitar uma bruxa, uma feiti-
nas. Que tudo dependa dos astros com dizem os astrólo- ceira. A bruxa lhe deu rigorosas recomendações. "Pegue
gos, é verdadeiramente inadmissível e anticientífico. um sapo, meta-o num frasco, enterre-o sexta-feira, às doze
O mesmo podemos dizer com respeito à quiromancia. da noite, lua cheia, etc., etc.".
Sábios que se dedicam anos e anos a estudar, concluem O capuchinho perguntou de quem se tratava. Ao sa-
somente alguma coisa (é a quirognomia) . Que pode con- ber empalideceu.
cluir um ignorante lendo nas linhas da mã,o? - Porém filha, eu acabo de dar a extrema-unção a
O que pode suceder é que o inconsciente se inspire êste homem.
com as linhas da m'ão, ou com as cartas, ou com os astros, - Não se preocupe, padre. Nã,ovai morrer. Estou ar-
ou com a bola de cristal, ou com qualquer outra mancia, rependida e soltei ,o sapo. A feiticeira disse que o sapo
e adivinhe por HIP, ou por telepatia, ou por clarividên- continuará a viver, estamos tratando bem dêle.
, III
cia ... (ou se engane muitíssimas vêzes... ).
O padre f,oiver o tal noivo, que estava muito enfêrmo.
I '"

'I
'i SHACKLETON, CROISET,STEW ART... , os grandes dota-
Reunira-se uma junta de médicos, que nã,o s,oube diagnos-
dos, estudados nos laboratórios da Parapsicologia mundial
ticar a enfermidade. O homem não tinha nada, mas não
se enganam muitíssimas vêzes. Os adivinhos acertam algu-
mas vêzes, se equivocam outras. Os curandeiros curam resistia. Sufocava e morria aos poucos.
alguma vez, outras vêzes matam. Os "dotados" não po- No dia seguinte, e para grande surprêsa dos médicos,
dem ser deixados sÔzinhos,devem estar sob a responsabili- o homem começa a reagir.
dade de um teórico. O padre Balcucci, um sacerdote italiano, que não en-
tende suficientemente de Parapsicologia, ao contar êste
4. SUBJUGAÇÃO TELEPSíQUICA caso num famoso livro, diz: "O sapo não pode ser o res-
FEITIÇOS ponsável por tudo, porque de onde terá fôrças para fazer
estas coisas? Por conseguinte, tem que ser o demônio".
Os feitiços, com a explicação ou no sentido popular, Esta é a interpretação mais simplista, menos cientí-
não existem ... Ninguém pode nos fazer dano pela fôrça fica, "ao gôsto do consumidor". Acontecendo na Itália,
do pensamento, ou por métodos mágicos, etc. Mà:salguma em ambiente católico, colocá-se a culpa no demônio, quan-
pessoa que acredite no feitiço se é sugestionável e dotada
do o demônio não tem nenhuma culpa no caso. No Bra-
de faculdades parapsicológicas, pode ser vítima de sua
sil, culpam-se os espíritos dos mortos.
própria superstição.
'" 11I

94 o QUE JJ1PARAPSIOOLOGIA ESCOLA ECL11:TICA 95

Na realidade, é a má intenção daquela senhorita 011 lergia, essa energia física exteriorizada pelo homem. A
a má intenção da feiticeira que é captada por telepatia, telergia pode influir em pequenos animais inclusive ma-
pelo inconsciente do noivo. A má intenção é captada pelo tando-os e nas plantas murchando-as. Mas, n'ão influi no
inconsciente da vítima. Em casos muito especiais, o pró- homem. O homem poderia chegar a sentir um pequeno
prio inconsciente se volta contra o próprio organismo, o sôpro, ou como máximo, um contato suave e rápido. E
inconsciente tem um poder despótico sôbre o organismo. assim mesmo, isso é difícil. Nas experiências realizadas
Quando capta, "não pode respirar, o fígado não pode fun- pelos especialistas, ou nas observações dos casos espontâ-
cionar, o coração começa a enfraquecer, os pulmões não neos, por exemplo nas mal chamadas "casas assombra-
funcionam ... ", é o inconsciente que está matando a ví.. das", é típico que o objetos movidos pela telergia (casos
tima. Não é pl1Ôpriamente a senhorita ou a feiticeira. de telecinesia) esquivem ao homem, como que repelidos
É a própria vítima que está se matando a si mesma, por pela própria energia do observador. Algo assim como a
haver captado telepàticamente a má intenção (o que se repuls'ão magnética de pólos do mesmo signo. Ou será que
dá em pessoas muito especiais). Nosso inconsciente é o o homem normal não pode absorver a telergia? Uma pe-
culpado. dra que voa numa casa mal-assombrada, não bate nas
Aliás, para que o feitiço surta efeito, a pessoa tem pessoas presentes a não ser de rebote, quando já abando-
que ser dotada, acreditar cegamente que os responsáveis nada pela telergia.
,I
são os demônios, os espíritos dos mortos, etc., contra os É supersticioso ter mêdo dos feitiços.
I "

quais não tem defesa. Há de ser tão raro, tão quebrado


psiquicamente, ter perdido, tanto o instinto de conserva- 5. DÉJA VU
ção, que o inconsciente possa se voltar contra o próprio
organismo. Esta sensação "déjà vu" (costuma-se usar a expressão
No Brasil, por exemplo, os espíritas carregam, como francesa). "eu já tenho visto isto", "eu já estive aqui". é
êles dizem, uma "figa" feita de um pedaço de madeira ou um fenômeno muito freqüente e a Parapsicologia tem fei-
de ouro, pendurada ao pescoço. A madeira ou o amuleto to muitas investigações para que a Psicologia e a Psiquia-
de ouro nada podem, porém a confiança que depositam tria compreendessem o fenômeno. Antes da Parapsicolo-
na "figa" vale muito, porque o feitiço deve ser captado gia, havia um êrro comum na Psiquiatria, ou Psicologia
por telepatia, vem de fora; em quantidades mínimas; con- geral: dizia-se que as situações "já vistas" eram indícios
tra o instinto de conservação... E êste contrafeitiço vem de tendência psicÓtica.
de dentro, em grandes doses, a favor do instinto de con- Algumas vêzes, a sensação do "já visto" é de fato ten-
servação ... Não há luta. Para que o feitiço surta efeito, dência psicótica, mas muitíssimas vêzes, n'ão têm nada a
tem que acontecer no próprio feiticeiro ou em pessoas es- ver com a psicose.
. pecialíssimas .... É um fenômeno comum, corrente e freqüentíssimo.
Outra coisa é com os animais pequenos e com ás Nem todos tendem para a psicose... Sua origem depende
plantas (o famoso "mal-olhado"). Já conhecemos a te- de vários fatôres. Algumas vêzes não presenciamos cons-

SEMINARIO CONCORO~
••••

00 o QUE 1!JPARAPSIOOLOGIA
ESCOLA ECL1l'lTICA 97

cientemente aquêle acontecimento, mas na infância ti- Há outras causas mais:_paramnésia, distúrbio psíqui-
vemos uma sensação inconsciente. Levaram-nos no colo co chamado "recordação do presente", clarividência, su-
materno a um entêrro, enquanto dormíamos. A .sensibili- gestão telepática, etc.. A única causa que não tem base
dade do inconsciente está sempre recebendo dados que o científica é a que é preconizada pelas superstições: o vi
consciente não percebe, até uma criança na vida intra- em "reencarnação" anterior (!?). ~.u

-uterina, trinta anos depois, ou talvez mais, vamos àquele Para a exposição das escolas materialista e espiritua-
lugar. O lugar é uma espécie de pergunta implícita do in- lista, servimo-nos muitas vêzes, como se terá observado, dos
consciente. "Quando vim aqui?" E surge a sensação de trabalhos realizados pelos europeus, isto é, pelos represen-
que "eu já estive aqui", "eu já vi isto". tantes da escola eclética. Podem ser enquadrados dentro
Outras vêzes é a faculdade HIP, que já conhecemos. de uma das escolas, materialista ou espiritualista, con-
Uma pessoa, vendo pela primeira vez o Japão, disse: "Eu forme cada caso. Esta terceira escola aproveita e estuda
já estive aqui". Nunca havia estado no Japão, porém um os trabalhos de ambas.
dia, por exemplo, estivera ao lado de um homem que visi-
tara o Japão. Por HIP, aquela pessoa adivinhou incons-
cientemente o que êste homem vira. Quando chega ao
lugar, o lugar é uma espécie de pergunta implícita ao in-
consciente e tem-se a impressão de que já se estêve ali.
Na realidade, a pessoa não estêve, porém sentou-se, .certa
vez, no cinema, ao lado de um senhor que havia estado.
,
Outras vêzes, pode ser a pantomnésia, a memória do
I
I'

inconsciente, que não esquece nada. Talvez não se viu na


I,

: . realidade, porém se escutou, ou se viu no cinema. Como


o inconsciente não esquece nada, volta a sensação de re-
cordação. E assim é na verdade.
Há muitas outras causas, por exemplo, a precognição
(a faculdade psi-gamma que conhece o passado, o presen-
te e o futuro). Indo um dia a um aeroporto, vê-se um
avião. O inconsciente pergunta o que o inconsciente co-
nhece dos aviões futuros e isso o excita mais, quase che-
gando ao consciente. Algum tempo depois, vendo um mo-
dêlo dum avião que se acaba de inventar, tem-se o sen-
timento de que "eu já vi" êste avião ... Não foi visto, mas
há a recordação de uma precognição que se teve trinta
anos antes.
iIll, •

CAPÍTULO
V

ESCOLA TEÓRICA

Dentro da escola eclética, deve destacar-se o aspecto


teórico. Poderíamos também considerá-Io como uma esco-
la à parte. É trabalho preferentemente teórico: compila-
ção, revisão, análise, classificação, dedução de conseqüên-
cias e implicações, etc., das experiências e observações das
outras escolas.
Para 'concretizar, assinalemos o aspecto "dedução de
conseqüências e implicações", que acabamos de citar. Um
,
,
numeroso grupo de parapsicólogos, estudando todo o con-
junto de fenômenos, quer extrair conseqüências de ordem
filosófica ou especulativa. Assim temos, por exemplo, na
,
I
. Alemanha, a fundação de uma associação, em 1951, pelo
Dr. JOSEPHKRALe pelo abade cisterciense ALISWIESINGER.
Esta associação publicou a revista "Fé e Ciência" e agora
a revista "Mundo Oculto". No ano 1958 esta associação
organizou o primeiro Congresso Internacional de Parapsi-
cólogos Católicos. Estuda-se a relação da Parapsicologia
com os milagres, a mística, as revelações, as profecias, a
espiritualidade da alma, sobrevivência da alma, etc.

1. FENôMENOS SUPRANORMAIS

A escola teórica se dedica a analisar também os mila-


gres (fenômenos supranormais ou sobrenaturais).
,.li 'li'

100 b QUE 1!JPARAPSIOOLOGIA ESCOLA TEóRICA 101


11'

Vejamos alguns exemplos: Há um fenômeno que já túnica. Detalhes que parecem insignificantes foram anun-
conhecemos, a xenoglossia. Hoje sabemos que o nosso in- ciados com precisão, com séculos e séculos de antecedên-
consciente pode falar línguas estrangeiras perfeitamente. cia. Cinco séculos antes do nascimento de Cristo se en-
Com freqüência, um analfabeto pode falar línguas estran- cerram as profecias. Nós,-nem sequer podemos superar,
geiras. É o que chamamos xenoglossia. Hoje conhecemos dois séculos, entre passado e futuro.
a xenoglossia e sabemos até onde chegam seus limites hu- Cientlficamente, não podemos negar a verdade histó-
manos. Nunca, em nenhum ambiente, em nenhuma par- rica destas profecias, que eram conservadas em milhares
te do mundo, em nenhuma época, alguém falou ao mes- de manuscritos e em milhares de sinagogas. Negá-Ias?
mo tempo duas línguas. E nunca houve xenoglossia en- Seria mais anticientífico que negar a existência de Roma,
tendida por duas pessoas ao mesmo tempo em suas línguas de Cícero, de Demóstenes, das guerras púnicas. Não exis-
diferentes. Isso é humano, parapsicológico. te nenhuma verdade histórica mais cientificamente pro-
Em contexto nitidamente religioso nos encontramos vada que a das profecias bíblicas. E superam nitidamente
com os casos de S. Francisco Xavier, dos apóstolos, dos Co- o conhecimento do futuro de que o homem é capaz. Tra-
I I ríntios ... S. Pedro, no dia de Pentecostes, falou ao mesmo ta-se de Deus, é fenômeno s,ôbre-humano.
: i
I: tempo 18 línguas diferentes e não sàmente para duas
,
,
,
,
I pessoas, mas para milhares. Como diz a Escritura, somos Em todo tipo de fenômenos podemos distinguir o mi-
,
I,
I
feitos à imagem e semelhança de Deus, porém muito limi- lagre do fato natural. Um curandeiro poderá fazer uma
• I
, I
tados. Deus não tem os nossos limites ... pequena operação, diagnosticar à distância, receitar um
remédio que não existe, mas que vai ser descoberto (por
Não podemos conhecer o passado, o presente, o futuro.
!

É uma faculdade demonstrada estatística e matemàtica-


conhecimento do futuro), mas nenhum curandeiro, em
época alguma, em nenhuma parte do mundo, curou um
mente, pela escola norte-americana, faculdade essa que
I'" homem leproso, ressuscitou um morto. Analisando a ver-
se chama psi-gamma. Esta faculdade de conhecimento
dade histórica dos Evangelhos, vemos que Cristo curou
aprende o passado, o presente e o futuro, numa margem
ao mesmo tempo, na mesma ocasião, a dez leprosos, de
de dois séculos. Diretamente, não sai daí. No entanto,-na
longe. Ressuscitou mortos, o filho da viúva de Naim, a
Bíblia encontramos profecias com séculos e séculos segui-
filha de Jairo, o seu amigo Lázaro, que estava enterrado
dos de antecedência. Tôda a história do povo hebraico é,
diríamos, em macrocosmos, a vida de Cristo em micro- , havia quatro dias (se n'ão estivesse morto, morreria asfi-
I
cosmos. As profecias explicam com roda a espécie de de- xiado em três minutos, por causa dos lençóis em que fôra
talhes, como se chamaria o Messias, como viveria, seus enrolado e dos aromas com que o embalsamaram). Cris-
amigos, sua família, em que cidade nasceria, como mor- to anunciou que ressuscitaria a si mesmo e o fêz em de-
reria. Temos até detalhes insignificantes: que iriam atra- safio. Depois de crucificado, com o costado atravessado
f,

vessar seu costado com uma lança, que não lhe quebra-
i'!
pela lança, embalsamado ... Somos feitos à imagem e se-
riam nenhum osso, que lhe dariam uma esponja com vi- 1;1 melhança de Deus, porém somos limitados. E o milagre
nagre, que rasgariam suas vestes, mas que rifariam sua
111
não tem limites.
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102 o QUE 1JJPARAPSICOLOGIA ESCOLA TEOR:I:CA 103

Comprovações modernas de verdadeiros milagres as explicação natural. Não se deve explicar sobrenaturalmen-
temos, por exemplo, em Lourdes. Existem observações cien- te o que se pode explicar naturalmente. Muitos (não to-
tíficas de médicos, de parapsicólogos, de consulta interna- dos) dos prodígios de Cristo eram naturais, intrinsecamen-
cional. Vejamos um exemplo, cientificamente, comprovou- te considerados.
-se que haviam cortado dez centímetros de osso da perna de Aquêles prodígios, porém, :B:leos realizava sem prepa-
uma senhora. Cansada de balançar a perna, foi a Lourdes. rativos, sem transe, sem esgotamento nervoso, com plena
Recebeu a bênção do Santíssimo e ficou curada. Foi ao segurança, à luz do dia, em desafio, sem inibições, quando
consultório médico, o osso que faltava retornara. Os mé- queria e como queria, até os limites máximos, isto é, como
dicos não encontraram explicação normal, nem patoló- senhor. Somente Deus é senhor das fôrças parapsicológi- ,
gica. O caso passa ao primeiro grupo de parapsicólogos: caso Extrlnsecamente considerados, aquêles prodígios tam-
não tem explicação em parapsicologia. Passa ao segundo bém eram milagres, também demonstram a intervenção
grupo de parapsicólogos em consulta internacional: não divina.
tem explicação em Parapsicologia. Nem o ectoplasma, Talvez um ou outro fenômeno que, no estado atual da
nem o "aparte" parapsicológico podiam explicar aquêle
ciência é .considerado milagre, na ciência do futuro possa
fato. O osso superior ou o inferior do "enxertado" é, di- ser explicado naturalmente. Talvez uma ou outra rela-
ríamos, "reticular", duro por fora e mais ou menos ôco
ção de um caso concreto, inexplicável naturalmente, pode
por dentro: mas o osso milagrosamente "enxertado" é demonstrar-se algum dia que não foi realidade histórica,
maciço. mas lenda ou exagêro ...
Com tôda a sorte de análises, se demonstra que é osso
Isso sucede em qualquer ramo da ciência. Uma ou
humano, possui todos os componentes químicos do osso
, '

i
I humano. outra experiência concreta pode depois ser refutada ou
,
,
. superada. Mas o fundamental é científico, é verdadeiro,
Assim, poderíamos ir analisando um por um dos fe- devemos guiar-nos pela ciência.
nômenos parapsicológicos, como o faz a escola teórica.
Também na Parapsicologia (e concretamente. no estu-
Somos maravilhosos, porém limitados. Uma das diferen-
do dos fenÔmenos supranormais) pode haver uma ou ou-
ças entre o parapsicológico e o milagroso é a diferença
abismal entre o finito e os reflexos do infinito. Esta é uma tra refutaç'ão ou superação, mas o fundamental é verda-
deiro, é científico. Seria muito anticientífico e apriorístico
das características: poderíamos falar de outras mais.
não se guiar pela ciência neste aspecto, por problemas
Tudo isso para prescindir dos fenômenos intrinseca- pessoais ...
mente humanos, porém extrinsecamente divinos,. Cristo,
por exemplo, quando adivinhava o pensamento dos seus
discípulos ou dos fariseus, ou quando anunciava como e o 2. SUPERVIV:B:NCIA
que encontrariam adiante e o que diriam; quando curava
certas enfermidades puramente funcionais, etc., certamen- O tema da supervivência do espírito, depois da morte,
te podia servir-se da telepatia ou da sugestão. Basta uma depois da desanimação do corpo (no sentido etimológico

104 o QUE É PARAPSlCOLOGIA ESCOLA TEóRICA 105

mais estrito da palavra desanimação) se estuda com es-


pecial atenção em Parapsicologia. Em Durhan, por exem- 3. ESPIRITISMO
plo, desde 1962, quando com o Fundo Mac Dougal se inau-
gurou a Fundação para a Investigação da Natureza do Ho- COMUNICAÇÕES COM o ALÉM?
mem. Já no Congresso Internacional de Parapsicologia de
Saint Paul de Vence (1954) os parapsicólogos filósofos de- Outra das principais conclusões da parapsicologia teó-
terminaram a espiritualidade das faculdades psíquicas. rica é a confirmação de que n'ão há comunicação natural
Nos EE.UU. se fundou a Psychical Research Foundation, entre os vivos e os mortos. Nem os vivos têm fôrça para
em abril de 1961, com colaboração internacional (presiden- intervir no mundo dos mortos, nem os mortos têm fôrça
te Dr. Pratt, da Universidade de Duke, EE.UU.; vice-presi- para intervir no mundo dos vivos. Alguns casos ao longo
dente, Dr. Price, da Universidade de Oxford, Inglaterra). da história, muito raros, serão fenômenos que se devam
Publicam o boletim "Theta", da palavra grega "thánatos" à fôrça divina. Somente Deus pode conseguir esta comu-/
(morte), no qual estudam os argumentos científicos, do nicação. A comunicação perceptível seria milagre. A Pa-
ponto de vista parapsicológico, sôbre a questão da sobre- rapsicologia explica hoje (prescindindo de alguns raros
vivência. milagres, como as aparições de Lourdes, aliás em um con-
texto religioso completamente diferente do espiritismo e
A sobrevivência é uma dedução lógica da espirituali-
afins) todos os casos que os teóricos do espiritismo, ou os
dade da alma. Efetivamente, eis aqui um esquema do ra- J defensores das aparições de almas do purgatório, etc., cha-
,
ciocínio mais típico: dado que existe no homem um efeito mam "provas de identidade", "provas" de que o fato se
espiritual, é necessário haver uma faculdade espiritual deveria a um "espírito desencarnado".
(Psi-Gamma). Pois bem, urna potência espiritual (alma)
E a Parapsicologia, em sua escola teórica, não somen-
,I: não pode ser destruída, corromper-se ou deteriorar-se. A te explica todos os Jatos supostamente espíritas como sen-
alma espiritual, sômente poderia não ser eterna por ani- do parapsicológicos dos vivos, mas também demonstrou
quilação. Mas, para aniquilar, necessita-se de idêntica que não podem explicar por intermédio dos mortos. As
fôrça que para criar. Criar é fazer algo do nada e ani- experiências e os fatos que motivam esta segunda afirma-
quilar é fazer de algo nada. Somente um poder infinito, ção s'ão muitos e variados. A experiência mais fácil de se
somente o poder de Deus pode aniquilar, como somente entender, apesar de hoje estar em desuso, é a da "frase-
o Criador pode criar. As fôrças naturais somente podem -contrôle" ou "experiência do envelope".
modificar e transformar, nunca criar ou aniquilar.
Por exemplo, Monteiro Lobato deixou, pouco antes de
Por conseguinte, a sobrevivência é uma verdade que morrer, com o Dr. Godofredo Rangel, uma "frase-contrô-
se confirma logicamente por êste descobrimento científico le') em um envelope fechado e lacrado. Ninguém, a não
experimental das faculdades espirituais do homem. ser o próprio Monteiro Lobato, conhecia por vias normais
a frase. Tinha interêsse em vir depois de morto comuni-
car a frase-contrôle, se pudesse comunicar-se com os vivos.
_ AI *'

106 o QUE :É PARAPS100LOGIA ESCOLA TEóRICA li


Algum tempo depois da morte do escritor, o inconsciente A escola teórica conta com outros muitos tipos de ÜJI
de um conhecido psicógrafo de Minas Gerais terminou as periências, além de inumeráveis argumentos de tipo eSpt
obras de Monteiro Lobato. O mesmo estilo, as mesmas culativo na ordem dos fatos.
idéias ... porém faltava a frase-contrÔle que Monteiro Lo-
bato havia deixado, precisamente para servir de compro- E A ORAÇÃO?
vante de que o escritor das obras "póstumas" era seu pró-
prio espírito desencarnado. As obras se deviam, pois, às Em nossas relações com os mortos surge um problc
fôrças parapsicológicas do inconsciente do vivo. ma transcendente: a oração. Na oração, não é prÓpria
1!:stetipo de experiências, clássico no tempo da meta- mente o vivo em comunicação com o morto. É o vivo qu,
psíquica (Myers, Hislop, Lodge, Hugdson, etc.) , poderia pede a Deus por intercessão dos santos e pelos mérito
prestar-se a conclusões erradas se houvesse algum resul- dos santos, que lhes conceda o que pede. Colocamos po
tado positivo. O inconsciente dos vivos é capaz de "adivi- intercessores nossos advogados, nossos irmãos maiores q lli
nhar" a frase-contrôle do envelope por várias vias parapsi- nos precederam na fé. As orações aos santos não são prÓ
cológicas. Não obstante o resultado foi sempre negativo, a priamente uma comunicação com o morto, mas com DeuH
frase-contrôle nunca apareceu até agora. E quando um santo nos concede um favor, não é o sani(
I
Hoje, para evitar êste possível êrro, a experiência do -,' que interfere neste mundo (porque não pode). É Deus
envelope nas escolas teóricas de Parapsicologia modificou- por intercessão ou pelos méritos do santo. A comunica
-se. Agora a experiência se faz com símbolos interpretáveis ção do ali com o aqui, somente Deus pode fazê-Io.
por máquinas eletrônicas. Continua sem aparecer a "assi- Outro aspecto a considerar, são as chamadas "aparI-
natura" do espírito do além. ções". Não há dúvida de que muitíssimas aparições qlH
aconteceram ao longo da história, ,como sobrenaturais
Espontâneamente, realizam-se experiências semelhan-
milagres, foram, na verdade, meramente aparentes. Assin
tes. Os teóricos do espiritismo tornaram famosíssimo o 'JI
como o espírita crê que se comunica com o morto, assim
caso de Dickens. Depois da morte do poeta, o inconscien- muitos católicos crêem que se comunicam com os mortos
te de um médium terminou um livro inacabado. Identi- com as almas do purgatório ou com algum santo. Estãc
dade de estilo, de personagens ... "Era o próprio Dickens, equivocados. A prosopopéia do católico é dramatizar come
escrevendo depois da morte", diziam. Contudo, posterior- comunicação com um santo, com a Santíssima Virgem
mente, encontraram-se alguns manuscritos de Dickens, com Jesus Cristo. '0 espírita constrói a prosopopéia da
nos quais projetavam o esquema que devia seguir-se na comunicação com os espíritos dos mortos, o ocultista fará
continuação do romance: nada tinha que ver com a com- a prosopopéia da comunicação com as larvas astrais, os
posição do médium ... (Se o inconsciente do médium ti- antigos romanos e gregos acreditavam que se comunica-
vesse manifestado um conhedmento paranormal dêste vam com os pitões, etc. São prosopopéiasi, falsos milagres,
esquema, quantos haveriam de tomar a coisa como "pro- não milagres verdadeiros.
va absoluta" de intervenção do além!.)
.IIl, "

108 o QUE :e PARAPSIOOLOGIA ESCOLA TEoR1CA 109

VISÕES E APARIÇÕES tro de certos limites, mas esta é uma alucinação que rom-
pe completamente os limites naturais. É o sêlo divino
Porém, algumas vêzes, Deus faz um milagre, como é
para confirmar que a alucinação era providencial, isto é,
o caso de Lourdes ou de Fátima. Nas visões que aquêles
de origem sobrenatural.
jovens tinham da SS. Virgem, era realmente a SS. Vir-
gem que aparecia? Não: ~les acreditavam ver a SS. Aconteceram outros milagres em Fátima. E em Laur-
Virgem. Porém, o fenÔmeno como tal, uma alucinação, é des sucederam-se outros, comprovados cientificamente.
natural. É preciso ver se essa alucinação é meramente na-
tural ou se é instrumento de Deus, ou seja, providencial.
Podemos explicá-Ia naturalmente, porém, quem provocou 4. REENCARNAÇAO?
esta alucinação? Foram meras causas psicológicas ou foi
a Divina Providência que se serviu de uma coisa natural o incÓnsciente adorna suas manifestações, as drama-
para que vissem a Virgem? Para decidir que n'ão foi me- tiza, atribuindo-as a alguém ou a alguma coisa. Uma das
ramente natural, mas uma revelação sobrenatural, neces- prosopopéias ou dramatizações mais freqüentes é como se
sitamos de um "sêlo divino", de um milagre. houvesse reencarnação. E além de invocar a reencarna-
Em Fátima, por exemplo, aconteceu o milagre. Foi ção como se fôsse a explicação de certos fenômenos, os
anunciado para o último dia, o último 13 de maio, que reencarnacionistas apresentaram outros falsos argumentos
haveria um grande milagre. Acorreram para Fátima mi- dE:;ordem teórica.
lhares e milhares de pessoas de todos os lugares e religiões, Na realidade, se bem estudados, nenhum dos argu-
de tôdas as raças, curiosos e fervorosos de todo o mundo. mentos teóricos e fenomenológicos apresentados a favor da
E de repente, Lúcia apontou para o céu 0 aquêles milhares reencarnação têm valor científico.
de pessoas viram o mesmo fenÔmeno, o Sol girando. A reencarnação não foi revelada do "além túmulo".
Evidentemente, o Sol não girou. Se o Sol tivesse gira- Em primeiro lugar porque, como já vimos, n'ão há comuni-
do, isso teria sido visto em tôdas as partes e não somente cação dos mortos com os vivos, trata-se de manifestações
em Fátima. Lôgicamente, o Sol não girou. Por conseguin- do inconsciente, e como tais deixam-se até influir pelo
te, foi uma alucinação. ambiente. Assim, as "revelações" aos espíritas latinos, ou
aos teósofos, etc., falam em reencarnação; mas se "os es-
Porém, uma alucinação coletiva de milhares de pes-
píritos dos mortos" (na realidade o inconsciente) se ma-
soas é demasiado em Psicologia. Quem sabe e conhece bem
nifestam aos espíritas anglo-saxões, é freqüente que ata-
Psicologia compreende que não existe uma alucinação co-
quem ou ridicularizem a reencarnação. Os espíritas não-
ietiva destas proporções. Três ou quatro pessoas, no mes- -reencarnacionistas são chamados davinianos, por ser o
mo ambiente, nas mesmas condições, podem alucinar-se anti-reencarnacionista David, o principal teórico do espi-
coletivamente, porém isto não acontece com relação a mi- ritismo não-latino, seguido por milhões de espíritas. Da-
lhares de pessoas. Esta é uma alucinação coletiva provo- niel Douglas Home, o mais famoso médium espírita de
cada por Deus, é sobrenatural. Nós temos aludnações den- todos os tempos, recebeu comunicações do "além túmu-
.~.~.bu ...", "u"." "A,

110 o QUE tJJ PARAP8100LOGIA ESCOLA TEOroCA 111

10"(?) ridicularizando, ao máximo, a teoria da reencarna- Tôda a doutrina de Cristo sôbre a transcendência eter-
ção. E se "os espíritos dos mortos" aparecem a uma frei- na desta vida, sôbre os sacramentos, a graça, a redenção,
ra, então falam do purgatÓrio, do céu, pedem missa,co- etc., contradiz a teoria reencarnacionista. Ao ladrão cru-
munhão, têrço ... ; e quando se manifestam aos ocultistas cificado com Cristo (quantas reencarnações esperariam
lhes falam do mundo astral, e aos antigos gregos e roma- um ladrão, segundo a teoria reencarnacionista!), li:ledisse:
nos lhes falaram do mundo das sombras, da barca de "Em verdade te digo, hoje estarás comigo no paraíso" (Lc
Aqueronte, e do Cancerbeiro, etc. Não é do além que veio XXIII, 43). A doutrina de Cristo a resume claramente
a doutrina da reencarnação; muito menos foi revelada por seu apóstolo, qu~ndo escreve: "Está estabelecido que os
Cristo ou na Bíblia, como se apregoa nos livros dos reen- homens morram uma sÓ vez, depois disto se fará o jul-
carnacionistas. Citam, por exemplo, o evangelho de São gamento" (Hbr IX, 27).
JOão, capítulo 3.0, versículo 3.0, quando Cristo disse a Ni- O "argumento" das desigualdades humanas, a prÓ-
codemos: "Em verdade, em verdade te digo, ninguém, se pria médium espírita Anatole Barthe o refuta: "Que? É
não nascer de nôvo, pode ver o reino de Deus". Mas,u-na para resolver o problema das desigualda.des que os espíri-
mesma ocasião, quando surpreendido, Nicodemos pergun- tos (para os latinos) ensinam a reencarnação? Não sa-
tou como alguém poderia voltar ao seio de sua mãe. Cris- bem que não há dois sêres, duas coisas completamente
to bem claramente explicou que as suas palavras não de- iguais na natureza, e que não se podem encontrar nem
veriam ser entendidas em nenhum sentido reencarnacio- no espaço imenso e nem ao longe do tempo? .. Não é
nista, mas na ordem sobrenatural, ao renascer à vida da precisamente da diversidade donde nasce a harmonia do
graça, pelo batismo: "Se alguém não nascer da água e do universo?
Espírito". Cristo falava do sacramento do batismo, que Pessoas nascem deformadas, ou doentes, ou deficitá-
São Paulo haverá de chamar mais adiante o sacramento rias física ou intelectualmente ... Acaso não há falhas
da regeneração; nada de reencarnação. da natureza também nos animais, nas plantas? Aquela
Citam ainda São João Batista como sendo a reencar- árvore retorcida, inclinada, com ramos secos; a ovelhinha
nação de Elias. " Na realidade Elias, no conceito dos ju- que nasceu com duas cabeças morrendo pouco depois, etc.,
deus, ainda não morrera: dificilmente poderia reencarnar tudo isso é também pela reencarnação?
se ainda não desencarnara. E em geral, o problema da dor. Seria castigo de imo-
As frases bíblicas em que se anuncia São JOão como ralidade em vidas anteriores? Que absurdol Os heróis,
precursor de Cristo "no espírito" e no poder de Elias (Lc os mártires, as vítimas inocentes da crueldade humana,
1, 17) não. tem nenhum sentido reencarnacionista, quer os apóstolos, a Santíssima Virgem ao pé da cruz, o prÓ-
dizer que São João precederia o Messias com a coragem prio Cristo, seriam até dignos de desprêzo, seriam os sê-
e as virtudes do antigo profeta. Aliás, o próprio Batista res mais desprezíveis pois foram os que mais sofreram,
perguntado se êle era Elias que teria voltado, expressa- o que estaria a indicar as piores e mais imorais existên-
mente respondeu: "Não sou Elias" (Jo 1, 21). cias anteriores ...
112 o QUE trJ PARAPSIOOLOGIA ESCOLA TEóRICA 113

Que absurda inversão de valores I É com essa absur- tores de tais antologias? Que volumosas coleções de casos
da teoria que querem substituir a sublime doutrina cristã poderiam se fazer com prosopopéias tipo inspiração de
sôbre a dorl musas, tipo possessões demoníacas, etc.! Aquelas coleções
Citar casos de pessoas que se "lembram" de vidas an- não provam a reencarnação, como não provam nenhuma
teriores ... É até humilhante que a ciência tenha que per- outra realidade: s'ão,somente dramatizações do inconscien-
der tempo com êsses "argumentos". Quando não se tratar te, muito variadas segundo as diversas épocas e civiliza-
de meras fantasias, ainda haveria que demonstrar que não ções. O cientista deve explicar essas prosopopéias, não
se trata, em última análise, nem sequer de retrocognições simplesmente aceitá-Ias como correspondendo a uma rea-
(conhecimento psigâmico do passado). lidade objetiva pelo simples fato de serem muito nume-
rosas ...
Apresentar "lembranças" de vida anteriores como pro-
va de reencarnação supõe muito pouca lógica. Nem sequer Assim poderíamos seguir. A parapsicologia teórica
poderiam demonstrar que estão se referindo a aconteci- comprovou que são anticientíficos e absurdos todos OS'I
mentos do passado (quanto menos terem sido vividos por "argumentos" apresentados em defesa da reencarnação,
! essa mesma pessoa). porque de duas uma: ou daqueles além dos muitos argumentos que poderiam se citar em
I
I' acontecimentos passados ficam alguns vestígios, ou não contra da reencarnação. A teoria da reencarnação é pu-
I ra superstição.
ficam. Se ficam alguns vestígios (efeitos, restos arqueo-
lógicos, livros que falam daquilo, testemunhas ... ), antes
de pensar em lembranças reencarnacionistas, conhecimen-
tos trazidos de vidas anteriores (hipótese tão contra a ex- 5. POSSESSÃO DEMONíACA?
periência geral), haveria que excluir as explicações nor-
mais e parapsicológicas de experiência comum relativa- Defendendo a realidade da possessão demoníaca, ar-
I: mente, lógicas, cuja existência está provada com milhões gumentam muitos com os fenômenos, com a interpretação
de casos, como, em última instância, seria o conhecimen- de fatos; outras vêzes, se invoca a Sagrada Escritura, a
tos parapsicológico daqueles vestígios, ou diretamente do tradição e o Magistério da Igreja em seu Ritual Romano
passado. na parte que se refere aos exorcismos.
E se não ficam vestígios nenhum, qualquer caso que A ciência, direta ou indiretamente parapsicológica, po-
se cite de "lembranças" de vidas anteriores não vale ab- de e deve apresentar muitos pontos de análise dêsses
solutamente nada em ciência: pelo mesmo fato" de n'ão "argumentos" fenomenológicos e doutrinários.
haver vestígios daqueles acontecimentos, as afirmações A presença do demônio no corpo do possesso se pro-
são absolutamente incomprováveis, poderiam ser meras varia pelo império que êle exerce sôbre êsse corpo. O fa-
invenções do inconsciente.
Enfim, acumular casos de prosopopéia ou dramatiza- " jas Ursulinas de Loudun, ficou por sua vez "possesso".
ção tipo reencarnacionista, de que vale, a não ser para Assimpadre
) mOi~O Surin, êle:
argumentou exorcizando as endemoninhadas
"Meu estado mon-
é tal que me restam
provar a absoluta falta de metodologia científica dos au- 'I muito poucas ações que eu seja livre. Se quero falar, a mi-
114 o QUE JJ1 PARAPBIOOLOGIA ESCOLA. TEóRICA 115

nha língua é rebelde; durante a missa, vejo-me constrangido mulgação, expressamente se diz que "se exorta" a aceitá-
a parar de repente; à mesa, não posso levar os alimentos -10, mas não se impõe à Igreja Universal.
à bôca. Se me confesso, escapam-se os pecados, e sinto Na Bíblia: ao observador científico, já de início, cha-
que o demônio está em mim como em sua casa, entrando e ma a atenção que em todo o Antigo Testamento não há
saindo como lhe apraz". nenhum caso de possessão demoníaca (ao menos claro).
Não há aqui uma "petitio principii"? Não se sup6e o E em contraposição há muitíssimos casos no Nôvo Testa-
que se trata de provar? Com tal argumento, o mesmo se mento, quando histÔricamente sabemos que foi nessa épo-
provaria a possessão pelo demônio, ou pelos espíritos dos ca, quando a cabala levou aos hebreus a terminologia do
mortos, ou por qualquer entidade que queiramos inven- mundo greco-romano. Os gregos e romanos atribuíram ao
tar; ou pelo poder hipnótico de outra pessoa ou pelo pró- "demonium" de sua mitologia certos fenÔmenos parapsi-
prio inconsciente. E estas últimas interpretações, que se cológicos ou meramente misteriosos dentro do âmbito
podem reduzir a uma só são mais naturais, mais simples atual da Psiquiatria ou Psicologia. Os judeus confundiram
e mais lógicas. o "demônio", com o demônio bíblico, com os anjos rebel-
No Ritual Romano se lê: Os sinais de possessão de- des. Cristo, os apóstolos, o NÔvoTestamento, IÔgicamen-
moníaca são: "a) falar uma língua desconhecida ... " (mas, te, usaram a terminologia de sua época, não entraram em
existe o fenômeno parapsicológico bem provado, da xeno- explicações científicas, que os ouvintes não haviam de com-
,I, I glossia); "b) revelar coisas distantes e ocultas" (mas exis- preender (a Bíblia não corrigiu nenhum êrro científico de
:I
I
te a hiperestesia indireta do pensamento, a faculdade psi- sua época: não era essa sua missão).
-gamnia ... ) ; "c) mostrar fôrça superior à idade ou cos- O caso de possessão mais notável é o endemon1nhado
tumes" (mas existe o hiperdinamismo ou sansonismo. de Gerasa (Mc V, 1-17). Torna-se difícil dar ao caso uma
Simplesmente um louco num ataque de fúria dificilmente explicação demoniológica, ao passo que, numa explicação
3e pode segurar. Em circunstâncias parapsicológicas, o parapsicológica, o fato se torna bem claro.
organismo pode desenvolver uma fôrça comumente insus- "O endemoninhado, vendo Jesus de longe, correu e
peitada); "e outros sinais semelhantes" que quanto maior prostrou-se diante dêle, gritando em alta voz: 'Que queres
em número, tanto mais são os indícios de possessão" (mas de mim, Jesus Filho de Deus Altíssimo?' "
são tantos e tão incríveis os fenômenos parapsicológicos"
Tornou-se o demônio propagandista da causa de Cris-
hoje tão conhecidos e demonstrados ... ).
to? Mas desaparece o problema considerando que mani-
Os argumentos do Ritual Romano, hoje, ante a Para-
festava o que parapsicolàgicamente conheceu ou captou
psit:ologia, nada provam. O que se pode explicar natural-
mente, segundo o próprio magistério eclesiástico não se no próprio pensamento de Cristo.
deve explicar sobrenaturalmente. "Perguntou-lhe Jesus: 'Qual é t~u nome'; êle respon-
Por outro lado o Ritual Romano nesse ponto não obri- de: 'Legião é o meu nome, porque somos muitos' ".
ga os católicos a concordar com a doutrina que estaria Ora, discutiríamos a possessão por um demônio, mas
implícita na possessão demoníaca, porque na bula de pro- por uma legião... Cientificamente, "legião" é a lógica

•.,
116 o QUE EJ PARAPSIGOLOGIA mSCOLA TEóRICA 117

megalomania compensadora de um psicopata que tem si- patológico relativamente freqüente, que costuma acompa-
do expulsado da cidade porque o consideravamendemo- nhar certas manifestações de fenômenos parapsicológicos.
ninhado.
ANTOINE POROT, doutor em Psiquiatria, descreve assim:
"Manda-nos para os porcos para entrarmos nêles", "As crises ou ataques mostram a brusquidade e as des-
suplicariam os demônios por bôca do "endemoninhado". cargas rítmicas da epilepsia, consistem numa agitação de-
Os demônios, puramente espíritos, sem corpo ou ma- sordenada, tumultosa, de contorsões, repulsões, e atitudes
téria de nenhuma classe, necessitam de albergue? Pas- extravagantes. A crise se entremeia, muitas vêzes, com
sam frio no inverno? Molham-se quando chove? agitação verbal, gritos, risos, choros, lamentações ou ata-
Tal atitude é muito conhecida em patologia psiquiá- ques".
trica. Diz" por exemplo, o dicionário de Psiquiatria (An-' "Os espasmos e as contrações localizadas, muitas vê-
toine Porot): "Nessa realizaç'ão expressional o simulador zes, podem ocasionar falsos pés contrafeitos, defesas fal-
de boa-fé, que é o histérico, constrói seu sintoma e imita a sas da parede abdominal (pseudo-apendicite), encurva-·
enfermidade como o concebe... a opinião pública". A opi-
mentos vertebrais (camptorcomía) e inclusive, em algu-
nlão geral era de que o demônio precisava de albergue.
mas ocasiões, pseudo-embaraços." (Compare-se com o "en-
Termina o Evangelho de São Marcos (V, 13): " ... e demoninhado" em Lc XIII, 10-16.)
a manada, de uns dois mil porcos, precipitou-se no mar, e
"

. i afogaram-se" . "A função de linguagem pode parecer suspensa (afo-


nia ou mutismo histérico)." (Compara-se com o endemo-
Se os demônios queriam um albergue, porque lança-
I ninhado de Mt XII, 22 ss.)
I' ram os porcos ao mar, perdendo sua morada recentemente
adquirida? Mas o energúmeno por telecinesia ou também "As anestesias histéricas são clássicas. As funções
sensoriais podem parecer inibidas (pseudo-cegueira, pseu-
"

"
por influxo psíquico poderia atuar sôbre um ou dois por-
cos. Làgicamente êstes se assustam e o pânico surge co- do-surdez), se percebem pela persistência de curtos refle-
mo no estouro da boiada, do cardume, dos pássaros, etc. xos, como o cócleo-palpebral."
Todos os casos da História, bíblicos ou pós-bíblicos O Doutor HENRIPIERON,psicólogo, por citar outro
a.té os mais célebres, como as endemoninhadas de LoudunJ exemplo, adverte sôbre um detalhe muito sintomático:
a "endemoninhada" Cafre, os irmãos Pausini, o cemitério "Temos que acrescentar o fato importante de que quase
de São Medardo, os "endemoninhados" de Ilfurt, a jovem nunca se desenvolvem no silêncio e no :secreto, mas ao
Cassina Amata, etc., são realmente simples de explicar-se contrário tratam de impor-se... à atenção dos circunstan-
científica e parapsicolàgicamente e resultam ilógicos e tes, de captar o interêsse; e a solicitude que despertam e
absurdos na interpretação demoniológica. lhes serve de refôrço. Além disso, tôda manifestação dessa
O ataque convulsivo que fêz considerar "endemoni- natureza, oculta um valor simbólico, uma significação ex-
nhados" a tantos enfermos, é perfeitamente conhecido pela pressa, cujos móveis e mecanismo diversos nos revelará
Psiquiatria moderna e Parapsicologia como um fenômeno a patogenia".

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118 o QUE 1!JPARAPBlOOLOGIA ESCOLA TEóRICA 119

Enfim, o tema é ampIíssimo ... temos indicado so- É à ciência que pertence, através de um estudo pro-
mente poucos e breves inícios de explicação. A "possessão fundo, separar do catolicismo a superstição, o espiritismo,
demoníaca" não é mais que uma prosopopéia a mais entre o teosofismo, o ocultismo e outras tantas interpretações
tantas e tão diversas, segundo as diversas épocas e povos. cientificamente equivocadas. de fatos, muitas vêzes reais.
Verdades como a espiritualidade da alma, não somente
cremos pela Revelação, mas também as podemos confir-
6. CI:mNCIAE RELIGIÃO mar por outros argumentos científicos. Hoje, até a Pa-
rapsicologia da escola russa aceita a espiritualidade da
A Parapsicologia estudou os milagres, os espíritos, alma. A parapsicologia russa compreendeu que o homem
uma série de fenômenos que não entravam na metodolo- tem faculdades espirituais a serem estudadas, por exem-
gia, clássica, na tradicional anticiência exclusivamente plo, a telepatia. A sobrevivência da alma vem pela fé na
materialista. E o estudo do espiritismo, da demonologia, Revelação, mas nós a podemos descobrir também, por meio
da ciência. Quanto mais argumentos científicos possuir-
dos milagres, o estudo de muitas coisas de Parapsicologia
mos, mais racional se tornará nossa fé.
está relacionado com a Igreja.
Por isso, convém à religião o estudo da Parapsicologia.
É necessário precisar um êrro muito difundido em
A Parapsicologia resolve dúvidas, elimina cientificamente
tôdas as partes, até em pessoas muito cultas que não se as superstições, confirma as verdades.
especializaram neste campo concreto. Há muita gente que
crê que religião não é ciência. Separam radicalmente fé
7. PERIGO
e ciência. Devemos ter uma fé racional. Nossa cultura
em outros campos não nos pode irracionalizar, precisa- Os pesquisadores que têm expressamente estudado o
I: mente na coisa mais importante, na transcendência, na- .... problema s'ão unânimes em afirmar que não se devem, '.
quilo que nos une a Deus. Se quisermos ser científicos em fomentar as manifestações parapsíquicas, contràriamen-,
nosso proceder, em nossa profissão, devemos ser científicos te à versão apriorística e um tanto utilitarista dos espíri-
também em nossa religião. Ser católico por herança é um ... tas, rosacruzes, etc., que divulgam a necessidade de desen-
mal generalizado hoje em dia. Há muitos católicos irraci~- volver as qualidades mediúnicas.
nais, absolutamente; cultos nas coisas dêste mundo, anti- As pessoas que fomentam, direta ou indiretamente,
científicos nas coisas transcendentais. êstes fenômenos, além de criarem tôrno de si um ambien-
É necessário provar cientIficamente que a Revelação te insuportável por causa desta fenomenologia, são aba-
aconteceu, confirmada por milagres, que revelou isto e não ladas fàcilmente por transtornos psicofísicos diversos: de-
aquilo. Isso pertence à ciência. A interpretação da Reve- bilidade nervosa e até ,crises nervosas violentas, perda da
lação é trabalho arqueológico, trabalho histórico, traba- autodeterminação consciente, dupla personalidade, etc.
É lógico que o desenvolvimento normal da atividade
élhotrabalho
de hermenêutica,
científico .. trabalho de comparação de textos, '../ humana se efetue no terreno consciente. O inconsciente
120 o QUE 1JJPARAPBlOOLOGIA H:SCOLA TEóRICA 121

é algo desordenado, incontrolável, irresponsável. A ativi- gicos, poderá .contagiar outras pessoas, propensas a tais
dade humana deve ser o mais consciente, o mais contro- manifestações. Há perigo de uma reação em cadeia, como
lada possível. Não podemos avaliar as implicações profun- aconteceu muitas vêzes, ao longo da história (cultos dio-
das das manifestações do inconsciente precisamente em nisíacos, agnósticos, ocultistas, bruxaria ... ). Os fenôme-
sua profundidade parapsicológica. nos parapsicológicos podem causar uma verdadeira epi-
Os fenômenos parapsicológicos surgem do terreno demia psíquica, se fomentados, em vez de sanados.
completamente inconsciente. Tentar fomentá-los é expor- Nas casas denominadas popularmente "mal-assom-
-se a fazer-se inconsciente, expor-se a que o inconsciente bradas", é freqüente constatar êste tipo de contágio. As
tome conta, cada vez mais, da personalidade. pessoas propensas residentes e visitantes, os simples curio-
Junto com os fenômenos parapsicológicos, pode surgir sos unem-se ao causante ·principal em sua manifestaç'ão
uma variada gama de traumas latentes. íl:stes traumas dos fenômenos e, por sua vez, os levam freqüentemente,
podiam encontrar-se ocultos, sem atuação, mas com o cul- a suas casas.
tivo da fenomenologia parapsicológica, podem sair à su- Já no 2.° Congresso Internacional de Ciências Psíqui-
,I perfície ou, se já eram manifestos, podem reforçar-se e cas (Parapsicologia), celebrado em Varsóvia em 1923, ex-
I
agravar-se. pressou-se o desejo de que em todos os países se proibisse
o cultivo dêstes fenômenos. Corroborando a decisão do
Para uma pessoa propensa (desajustados, fronteiriços,
desequilibrados, neuróticos, etc. ou simplesmente hipere- Congresso, há inúmeras declarações de médicos e parapsi-
motivos e hipersensíveis) uma Só experiência .pode ter con- I" cólogos, especialistas no tema da influência da fenomeno-
I I .seqüências funestas. logia parapsicológica no psiquismo e no organismo dos
1,: dotados e testemunhas impressionáveis.
I
O perigo de contágio psíquico é enorme.
,I
O Doutor A. C. PACHECO SILVA,que foi diretor do Hos-
pício Juqueri em São Paulo, declara: "Em nenhum país 8. UTILIDADE PRATICA?
do mundo, talvez, a influência nefast.a do espiritismo se
exerça .com tanta intensidade sôbre a saúde mental do Uma pergunta cuja resposta deve esclarecer. o uso
povo ... No exercício de mais de vinte anos de clínica psi- adequado das faculdades parapsicológicas: Se temos estas
quiátrica em nosso meio, temos observado um sem-núme- faculdades que não devemos fomentar, porque "fomentar"
ro de débeis mentais, sugestionáveis e crédulos, incapazes os fenômenos parapsicológicos é um atentado à saúde e
de um juízo crítico severo, apresentarem surtos delirantes inclusive à sobrevivência humana" (como disse TyrreU
após presenciarem sessões espíritas ou delas participarem". presidente da Sociedade de Investigações Parapsicológicas
Levando em conta que esta pessoa influenciada, vol- de Londres), então, para que as temos? Equivocou-se Deus
ta a seu ambiente, existe um perigo a mais. Além de criar- ao dar-nos um consciente pequeno e um enorme incons-
em tôrno de si um ambiente insuportável, ocasionado por \ ciente? Não deveria ter sido o contrário? A escola teórica
'1
seu desiquilibrio psíquico e seus fenômenos parapsicoló- nos dá a resposta. Usando uma terminologia bíblica (80-

t
122 o QUE GJPARAP8IOOLOGIA ESCOLA TEóRICA 123

mente como terminologia) damos uma breve solução de podem harmonizar, cujas essências são compatíveis, mas
tão importante problema. não pode fazer uma coisa impossível essencialmente, não
A alma foi criada no "paraíso terrestre". pode criar uma contradição. O princípio filosófico da con-
tradição vale também para Deus I
No paraíso terrestre (tanto se existiu, como se 'deves-
se ser alcançado) teríamos uns dons preternaturais,gra- Portanto, as faculdades que a alma tinha (e que po-
tuitos, entre êles o da impassibilidade. dia manifestar) temo-Ias, todo mundo as tem, embora
('
nem todos tenham a manifestação.
A alma para atuar necessita do corpo. No paraíso
terrestre, o corpo poderia acompanhar as manifestações Alguma vez acontece, porém, uma manifestação, um
da alma sem prejuízo, nem perigo, porque seria impassí., fenômeno parapsicológico. Quando o corpo entra em tran-
vel. Poderia acompanhar tôdas as faculdades da alma: se, há um desequilíbrio, a alma como que s~ manifesta
"conheceríamos sem estudo" dominaríamos os animais, um pouco por uma pequena brecha (psicorragia, por ana-
isto é, teríamos faculdades prodigiosas. logia com a hemorragia).
As faculdades que a alma tem por criação, as pode- Mas é perigosíssimo. É uma lâmpada de 100 volts
ria manifestar, porque o corpo poderia acompanhar. Se- (nosso corpo atualmente passível) sôbre o qual se carrega
ríamos super-homens com as faculdades da alma eda im- uma fÔrça de 800 mil volts (manifestações das faculdades,
passibilidade do corpo. parapsicológicas). Terminaríamos por queimar o organis-
mo: o corpo passível não pode acompanhar todo o poder
Mas não chegamos até o paraíso terrestre (o "pecado _
que a Parapsicologia tem descoberto na alma.
original" seria a falta da graça que deveríamos ter alcan~ _,..
çado e que por culpa da humanidade não se alcançou .e Mais: "A ressurreição da carne", isto é a recuperação
conseqüentemente, também não a impassibilidade); ou se de certa quantidade de matéria do corpo, é uma exigência
I: se preferir, saímos do paraíso terrestre. da supervivência do espírito. Porque, sendo o espírito eter-
Perdeu-se ou não se alcançou a impassibilidade preter- no e precisando o espírito humano de seu corpo para atuar,
natural. Mas a alma não podia perder suas faculdades. não pode ficar eternamente frustrado, inútil, sem agir; do
A uma coisa' que tem partes podemos tirar um pedaço e ponto de vista da alma a ressurreição é uma exigência, é
ficar com o resto. Mas, como se tira à alma parte de seus devida à essência da alma (embora, do ponto de vista do
podêres? Não é possível. Se Deus quisesse tirar à alma corpo, a "ressurreição do corpo" seja evidentemente um
parte dos seus podêres, ou faculdades, aniquilaria a alma. ~ dom preternatural, indevido, gratuitamente concedido por
Deus, assim como não pode fazer uma circunferência qaa- Deus). Pois bem, depois da ressurreição da carne, para
drada, também não pode tirar partes onde elas não exis- que a alma conheça Deus (o natural não pode conhecer o
tem. Deus pode aniquilar e criar a alma milhões de vêzes sobrenatural) terá que ter uma entidade sobrenatural, que
por segundo, mas não pode tirar uma parte da alma: a al- os teólogos chamam "lumen gloriae". Mas para que a
ma não tem partes, é espírito, é simples. Deus pode fazer alma conheça a criação, para manifestar seus podêres que
tudo o que é possível, tudo aquilo cujas notas essenciais se hoje chamamos parapsicológicos, para sermos super-ho-
124 o QUE 1!JPARAPSlOOLOGIA

mens, bastará que se devolva ao corpo ressuscítado as


suas qualidades preternaturais, e então, sendo o corpo
impassível, poderá acompanhar os podêres da alma, e a
alma poderá eternamente manifestar-se sem perigo para
o organismo.
CONCLUSÃO
9. OUTRAS ESCOLAS

Há outras escolas segundo os aspectos particulares Pensamos ter dado uma idéia geral, muito breve, ne-
que se estudam. Assim, por exemplo, na Universidade cessàriamente, e incompleta, do QUE É A PARAPSICO-
Real de Utrecht, na Holanda, desde 1933 trabalham, prin- LOGIA: maravilhosos podêres do homem muitas vêzes
cipalmente na investigação da personalidade das pessoas supersticiosamente interpretados, muitas vêzes negados
que realizam os fenômenos parapsicológicos. Dirige as in- aprioristicamente.
vestigações o Dr. Tenhaeff, que desde 1953 é catedrático Estudamos os fenômenos fundamentais e os que, des-
de Parapsicologia daquela universidade. O mais famoso de a época da metapsíquica, foram mais estudados que as
I sujeito de experimentação em Utrecht é Gerard Croiset, levitações, bilocações e tantos outros.
I

~~ notável clarividente.
I As vêzes, é necessário um maior aprofundamento, in-
I E outras escolas especializadas, como as dirigidas pe- clusive confirmação. Com um trabalho de revisão, clas-
la Universidade Católica de São José em Pittsburg, Fila- sificação e análise do que se fêz até agora, a Parapsicolo-
delfia (EE.UU.), sob a direção do Dr. Carrol B. Nask; a gia moderna, além de classificar os conceitos acêrca dos
i
, ,
I Universidade City College de Nova York, a Universidade do fenômenos, proporciona o "estado da questão" para futu-
11: King's College de Halifax, etc. ras investigações e experiências confirmativas.
O Instituto de Investigação do "Centro Latino-Ameri- A investigação parapsicológica confirmou o velho afo-
cano de Parapsicologia" de São Paulo (Brasil), dentro da rismo de BOILEAU:"Le vrai peut, quelques fois, n'être pas
escola eclético-teórica, tem um interêsse especial (mas de vraisemblable", devolvendo ao homem, ao demonstrar suas
nenhum modo exclusivo) em estudar as diferenças entre
qualidades internas, o título de REI DA CRIAÇÃO, FEITO À
os fenômenos extra e paranormais com respeito aos su- IMAGEME SEMELHANÇA DE'DEUS...
pranormais.

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