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Adeus: Um Poema de Garrett

1) O poema descreve a despedida dolorosa entre dois amantes. 2) Um dos amantes parte para sempre, enquanto o outro se culpa por não ter amado o suficiente. 3) O poema expressa os sentimentos de perda, remorso e arrependimento vividos pelo amante que fica para trás.
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Adeus: Um Poema de Garrett

1) O poema descreve a despedida dolorosa entre dois amantes. 2) Um dos amantes parte para sempre, enquanto o outro se culpa por não ter amado o suficiente. 3) O poema expressa os sentimentos de perda, remorso e arrependimento vividos pelo amante que fica para trás.
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ADEUS!

Adeus, para sempre adeus! Dissipada é a ilusão. Despeitosa, respeitar,


Vai-te, oh! vai-te, que nesta hora Do meigo azul de teus olhos Mas indulgente... Oh! o perdão
Sinto a justiça dos céus Tanta lágrima verteste, É perdido no vilão,
Esmagar-me a alma que chora. Tanto esse orvalho celeste Que de ti há-de zombar.
Choro porque não te amei, Derramado o viste em vão Vai, vai... para sempre adeus!
Choro o amor que me tiveste; Nesta seara de abrolhos, Para sempre aos olhos meus
O que eu perco, bem no sei, Que a fonte secou. Agora Sumido seja o clarão
Mas tu... tu nada perdeste; Amarás... sim, hás-de amar, De tua divina estrela.
Que este mau coração meu Amar deves... Muito embora... Faltam-me olhos e razão
Nos secretos escaninhos Oh! mas noutro hás-de sonhar Para a ver, para entendê-la:
Tem venenos tão daninhos Os sonhos de oiro encantados Alta está no firmamento
Que o seu poder só sei eu. Que o mundo chamou amores. Demais, e demais é bela
Oh! vai... para sempre adeus! E eu réprobo... eu se o verei? Para o baixo pensamento
Vai, que há justiça nos céus. Sinto gerar a Se em meus olhos encovados Com que em má hora a fitei;
peçonha Der a luz de teus ardores... Falso e vil o encantamento
Do ulcerado coração Se com ela cegarei? Com que a luz lhe fascinei.
Essa víbora medonha Se o nada dessas mentiras Que volte a sua beleza
Que por seu fatal condão Me entrar pelo vão da vida... Do azul do céu à pureza,
Há de rasgá-lo ao nascer: Se, ao ver que feliz deliras, E que a mim me deixe aqui
Há de sim, serás vingada, Também eu sonhar... Perdida, Nas trevas em que nasci,
E o meu castigo há de ser Perdida serás – perdida. Trevas negras, densas, feias,
Ciúme de ver-te amada, Oh! vai-te, vai, longe embora! Como é negro este aleijão
Remorso de te perder. Que te lembre sempre e agora Donde me vem sangue às veias,
Vai-te, oh! vai-te, longe, embora, Que não te amei nunca... ai! não; Este que foi coração,
Que sou eu capaz agora E que pude a sangue frio, Este que amar-te não sabe
De te amar – Ai! se eu te amasse! Covarde, infame, vilão, Porque é só terra – e não cabe
Vê se no árido pragal Gozar-te – mentir sem brio, Nele uma idéia dos céus...
Deste peito se ateasse Sem alma, sem dó, sem pejo, Oh! vai, vai; deixa-me, adeus!
De amor o incêndio fatal! – Cometendo em cada beijo «Nem tágides nem musas:
Mais negro e feio no inferno Um crime... Ai! triste, não chores, só uma força que me vem de dentro,
Não chameja o fogo eterno. Não chores, anjo do céu, de ponto de loucura, de poço
Que sim? Que antes isso? – Ai, triste! Que o desonrado sou eu. que me assusta,
Não sabes o que pediste. Não te bastou Perdoar-me tu?... Não mereço. seduzindo»
suportar A imundo cerdo voraz
O cepo rei; impaciente Essas pérolas de preço Almeida Garrett
Tu ousas a deus tentar Não as deites: é capaz
Pedindo-lhe o rei-serpente! De as desprezar na torpeza
E cuidas amar-me ainda? De sua bruta natureza.
Enganas-te: é morta, é finda, Irada te há-de admirar,
O ANJO CAÍDO Eu só, – e eu morto, eu descrido,
Era um anjo de Deus Eu tive o arrojo atrevido
Que se perdera dos céus De amar um anjo sem luz.
E terra a terra voava. Cravei-a eu nessa cruz
A seta que lhe acertava Minha alma que renascia,
Partira de arco traidor, Que toda em sua alma pus,
Porque as penas que levava E o meu ser se dividia,
Não eram penas de amor. Porque ela outra alma não tinha,
O anjo caiu ferido Outra alma senão a minha...
E se viu aos pés rendido Tarde, ai! tarde o conheci,
Do tirano caçador. Porque eu o meu ser perdi,
De asa morta e sem esplendor E ele à vida não volveu...
O triste, peregrinando Mas da morte que eu morri
Por estes vales de dor, Também o infeliz morreu.
Andou gemendo e chorando. Almeida Garrett
Vi-o eu, n anjo dos céus,
O abandonado de Deus,
Vi-o, nessa tropelia
Que o mundo chama alegria,
Vi-o a taça do prazer
Pôr ao lábio que tremia
E só lágrimas beber.
Ninguém mais na terra o via,
Era eu só que o conhecia
Eu que já não posso amar!
Quem no havia de salvar?
Eu, que numa sepultura
Me fora vivo enterrar?
Loucura! Ai, cega loucura!
Mas entre os anjos dos céus
Cantava um anjo ao seu Deus;
E remi-lo e resgatá-lo,
Daquela infâmia salvá-lo
Só força de amor podia. Quem desse
amor há de amá-lo,
Se ninguém o conhecia?

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