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Aprender A Escrever (Re) Escrevendo PDF

Aprender a escrever (Re) escrevendo

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2 Linguagem e letramento em foco Língua portuguesa Aprender a escrever (re)escrevendo Sírio Possenti Professor livre-docente no Departamento de Guia do Professor / Vozes da
Lingüística do Instituto de Estudos da Linguagem IEL/Unicamp Cidade / Conhecendo.../
3 Ce el/IEL/Unicamp, É proibida a reprodução desta obra sem a prévia autorização dos detentores dos direitos. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO Presidente:
Eduardo Guimarães.
LUIS INÁCIO LULA DA SILVA Ministro da Educação: TARSO GENRO Secretário de Educação Básica: FRANCISCO DAS CHAGAS FERNANDES Diretora do 1 Guia do Professor Episódio
Departamento de Políticas da Educação Infantil e Ensino Fundamental: JEANETE BEAUCHAMP Coordenadora Geral de Política de Formação: LYDIA BECHARA Conhecendo a Cidade Programa
Ce el - Centro de Formação de Professores do Instituto de Estudos da Linguagem* Reitor da Unicamp: Prof. Dr. José Tadeu Jorge Coordenação do Ce el: Vozes da Cidade Apresentação
Angela B. Kleiman Coordenação da coleção: Angela B. Kleiman Coordenação editorial da coleção: REVER - Produção Editorial Projeto grá co, edição de arte e Como já vimos nos trabalhos
diagramação: A+ comunicação Revisão: REVER - Produção Editorial; Maria Odette Garcez, Elisabeth B. Frizzo Pesquisa iconográ ca: Vera Lucia da Silva desenvolvidos para o episódio
Barrionuevo * O Ce el integra a Rede Nacional de Centros de Formação Continuada do Ministério da Educação. Impresso em setembro de 2005. 1, os trabalhos para o episódio 2 também
trazem várias questões
4 Sumário Introdução / 5 A produção escrita / 9 Escrever certo / 15 Sobre a natureza dos erros de gra a / 15 O prestígio da gra a / 17 Das razões dos erros
/ 20 Mais exemplos / 23 Textos de alunos / 26 Alguns fatos históricos / 29 Outros exemplos, outra atividade / 33 Textos corretos Atitudes e práticas / 38 Leia mais
Notas sobre gramática / 46 Texto correto: ainda a reescrita / 49 Texto e não redação escolar / 54 Bibliogra a / 59

5 REDAÇÃO DISSERTAÇÃO AULA


6 Introdução Catar feijão se limita com escrever: joga-se os grãos na água do alguidar e as palavras na da folha de papel; e depois, joga-se fora o que
5. Professora Sandra Franco
boiar. João Cabral de Melo Neto, Catar feijão. Este volume da coleção Linguagem e Letramento em Foco toma a escrita e a reescrita como as questões REDAÇÃO AULA 5 Professora
centrais, mas seu tema, de fato, não é a produção de textos. Parte do princípio de que a escrita é uma atividade que, na escola, deve ser abundantemente Sandra Franco DISSERTAÇÃO 1.
praticada, com diversas nalidades, entre as quais está o próprio aprendizado da escrita. Por isso, não insiste em alguns aspectos que estão relacionados ao De nição de Dissertação. 2.
texto como um produto que se escreve e se lê em determinadas circunstâncias isso seria objeto de um trabalho especí co sobre as condições de produção Roteiro para dissertação. 3.
e de circulação dos textos. Aqui, insiste-se nas práticas de escrita e, principalmente, de reescrita de textos como uma forma a mais e caz de todas de Partes da dissertação. 4. Prática.
aprender a escrever textos que não contenham características que os tornem pouco aceitáveis ou mesmo inaceitáveis. Assim, o que se pro-. 5. 5. Recomendações Gerais. 6. Leitura
Complementar. 1.
7 põe é que a escrita e, principalmente, a reescrita, são as formas de dominar normas de gramática e de textualidade, em um dos sentidos de dominar
tais normas: domínio efetivo, mesmo que não consciente e explícito, das regras de uma língua e das regras de construção de textos. No caso, de textos Leia mais
escritos. Creio que ninguém põe em dúvida que uma das principais nalidades da escola é criar condições para que os alunos aprendam a escrever
adequadamente. Em outras palavras, os alunos vão à escola, antes de mais nada, para aprender a ler e a escrever. Que a marca negativa, para uma pessoa,
em nossa sociedade, seja ser analfabeto, e que o analfabetismo seja considerado um problema social, um verdadeiro estigma, são fatos que deixam essa Desfazendo Mitos e Mentiras
tese óbvia. Muitas vezes, apontam-se soluções um pouco mágicas para obter sucesso em relação à escrita. Neste trabalho, gostaria de ser absolutamente
prosaico e de propor que a escola se concentre na atividade de escrita. De fato, ela se desdobra em diversos aspectos que, em primeiro lugar, não têm nada Sobre Línguas de Sinais
de mágico nem de espetacular, e, em segundo, estão relacionados às práticas de escrita tais como elas se desenvolvem na sociedade. Se houver uma chave Desfazendo Mitos e Mentiras
para o sucesso, talvez seja essa. Assumo que textos adequados têm dois traços básicos, que vou caracterizar da forma mais corriqueira possível: um texto Sobre Línguas de Sinais Renê
tem que ser correto e tem que ser bem-escrito. A noção de correção se de ne, evidentemente, segundo critérios históricos, mas aqui vou fazer de conta que Forster 1 Resumo: Este artigo
há critérios bastante objetivos para de nir essa característica. Direi apenas que entre as nalidades da escola está a de permitir que o aluno aprenda a apresenta uma das cartilhas
escrever segundo as regras ou normas de sua época (uma reforma ortográ ca, por exemplo, criará outras exigências, outras normas). Esta a rmação desenvolvidas pelo Programa
poderia parecer desnecessária, mas creio que passou a ser importante dizer isso de novo, pois muitos interpretam novidades sobre aprender língua como Surdez com informações sobre a LIBRAS e as
se elas signi cassem que. 6. línguas de sinais

8 não se deve mais corrigir. Em resumo: textos têm que ser corretos. As circunstâncias nas quais a correção deixa de ser uma necessidade são muito
Leia mais
especí cas (experimentos estéticos, jogos de linguagem, textos humorísticos etc.) Quanto à exigência de os textos serem bem-escritos, evidentemente, os
critérios são um pouco mais uidos, ou amplos. Em cada época, há textos mais formais e outros menos formais, uns mais inventivos e outros mais bem-
comportados, conforme sejam poemas, propagandas, ofícios, artigos para jornal... Basta comparar textos literários, jornalísticos, administrativos etc., para
ver isso claramente. A grande variedade dos gêneros textuais e dos suportes de textos, associada à grande diversidade de realizações, de natureza estética Chantilly, 17 de outubro de
ou não, faz com que seja menos fácil de nir o que é bem-escrito do que o que é correto. Neste trabalho, serei bastante conservador, ou seja, defenderei a 2020.
idéia de que escrever bem, especialmente no espaço escolar, e especialmente na medida em que ele é um espaço de aprendizado, é escrever considerando
Chantilly, 17 de outubro de
uma certa tradição culta, o que não signi ca necessariamente conservadora. Evidentemente, nenhuma das alternativas de escrita que existem pode ser
2020. Capítulo 1. Há algo de
simplesmente condenada (nem placas erradas, nem folhetos distribuídos na rua, nem jornais de bairro pouco so sticados), mas aqui vou defender as
errado acontecendo nos
virtudes das exigências escolares, que são mais ou menos conservadoras. O que me faz tomar essa decisão é a suposição de que a escola não precisa
arredores dessa pequena
romper claramente com algumas tradições (deve até levar algumas muito a sério), e deve privilegiar (o que não signi ca conferir exclusividade) um certo
cidade francesa. Avilly foi
consenso, e não as características de alguns campos ou de algum gênero especí co. O que quero dizer é que não parece adequado ensinar a escrever
completamente afetada. É estranho
tendo como modelos, por exemplo, poemas concretos ou diálogos de chats, para citar dois exemplos mais ou menos extremos.. 7.
descrever a situação, pois não encontro

9 Um exemplo de texto que não poderia ser modelo, na escola, é o folheto abaixo, distribuído nas ruas de Campinas. Sem desprezar seus autores e
embora possa ser objeto de interessantes estudos, apresenta características que a escola não pode aceitar. Centro Espírita Vovó Maria Conga Mãe Maria Leia mais
Ensina qualquer tipo de simpatia, pois com uma única consulta, ela desvendará todos os mistérios que lhe atormenta: casos amorosos, nanceiros,
prosperidade em seu trabalho, vícios, doenças, impotência sexual, problemas de família e perseguições. Desvendará qualquer que for o problema. Não
perca mais tempo, faça hoje mesmo uma consulta com MÃE MARIA, pelos BÚZIOS CARTAS E TAROT. ORAÇÃO HEI DE VENCER Traga sempre consigo esta Era uma vez um menino muito
oração. Bendito seja a luz do dia, Bendito seja quem o guia, Bendito seja o lho de Deus e da Virgem Maria assim como Deus separou a noite do dia, separe
minha alma da má companhia e meu corpo da feitiçaria. Pelo poder de Deus e da Virgem Maria. ATENDIMENTO TODOS OS DIAS DAS 9:00 ÀS 20:00 HS.. 8.
pobre chamado João, que vivia
com o papai e a
10 A produção escrita Não vou me deter em detalhes sobre as condições para uma adequada produção escrita. Ou seja, não vou discutir questões João do Medo Era uma vez um
correntes como inventividade, inspiração, criatividade, nem técnicas para motivar alunos etc. Também não vou sugerir técnicas destinadas a favorecer ou a menino muito pobre chamado
facilitar a produção de textos. Direi apenas que o domínio da escrita é certamente conseqüência de uma prática, em dois sentidos, até bastante diferentes João, que vivia com o papai e a
entre si: 1. O domínio da escrita é facilitado se a escrita escolar levar em conta o funcionamento da escrita na sociedade, ou seja, se forem consideradas, na mamãe dele. Um dia, esse
prática escolar, certas características que a escrita tem na sua prática social. 2. O domínio da escrita depende de que ela seja praticada, isto é, de que os menino teve um sonho ruim
estudantes escrevam regularmente, na escola e fora dela (insisto em que não há receitas milagrosas). Ou seja, a escrita não é uma forma de testar com um monstro bem feio e, quando ele
eventualmente conhecimentos de língua ou de gra a, mas uma prática que inclui seguir regras (no que aqui interessa).. 9. acordou, não encontrou mais

11 Embora não seja objetivo deste trabalho fornecer indicações de como escrever na escola, não vou deixar esta questão completamente de lado. Vou
Leia mais
remeter a três casos que, a meu ver, podem ajudar professores a disparar o processo de escrita, isto é, a fazer com que os alunos produzam pelo menos
uma primeira versão de um texto, a partir da qual se pode, em seguida, levar a cabo um conjunto de outras práticas associadas à escrita. 1 SÉRIE TEXTOS
Quinta Sexta Sétima Oitava narrativos histórias familiares história do Brasil e noticiários fatos: comentários, lendas e contos economia e política descritivos
onde/quando dissertativos debate oral: por quê por que foi assim? o porquê dos fatos aparecendo nos textos argumentação normativos regras de jogos
Inglesar.com.br Aprender
regras de trabalho em grupo estatutos de grêmios estudantis regimento da escola correspondência familiar familiar ofício carta-emprego Fonte: João Inglês Sem Estudar Gramática
Wanderley Geraldi (org.). O texto na sala de aula. 3. ed. São Paulo: Ática, p
1 Sumário Introdução...04 O
segredo Revelado...04 Outra
12 2 Miriam, 7 anos, 1ª série A Daniel, 7 anos, 1ª série A Antonio Carlos, 8 anos, 1ª série A Fonte: Eglê Franchi, Pedagogia da alfabetização; da oralidade à
maneira de estudar Inglês...05
escrita. São Paulo: Cortez, p Parte 1...06 Parte 2...07 Parte
3...08 Por que NÃO estudar
13 3 Crime Por custarem mais caro às instituições, universitários com título de doutorado estão sendo demitidos. Cotidiano, 10 jan O PROFESSOR Gramática...09 Aprender Gramática Aprender
raramente via o reitor, de modo que cou surpreso quando, uma manhã, chamaram-no à reitoria. Sem demora foi lá, e ali estava o reitor, um homem alto, Inglês...09
sisudo. Fê-lo sentar e anunciou, sem rodeios: Recebemos uma grave denúncia contra o senhor. Fomos informados de que o senhor tem o título de
doutorado. E o senhor sabe que nossa quota de doutores já foi ultrapassada, de modo que teremos de demiti-lo. O professor protestou: não sabia do que o
Leia mais
reitor estava falando. Seu título era de mestrado, e era como mestre que havia sido contratado. Neste caso disse o reitor como é que o senhor explica isto
aqui? Abriu uma gaveta e de lá sacou uma publicação encadernada em verde. Ao vê-la, o professor estremeceu: era sua tese de doutorado, apresentada em
uma universidade distante. O segredo que ele imaginava razoavelmente preservado agora tornava-se público, graças, provavelmente, a algum desafeto. Em
prantos, disse que aquilo fora o resultado de um ato impensado, tresloucado mesmo: Quando dei por mim, estava escrevendo esta tese. Simplesmente não A criança e as mídias
pude me conter. Por favor, perdoe-me. Prometo que não vou pedir grati cação de doutorado, prometo. O reitor concordou: daria uma chance. Mas, a 34 A criança e as mídias - João,
qualquer menção de doutorado ou de pós-doutorado, o professor estaria na rua. Ele agradeceu, muito aliviado. Em sinal de gratidão, pensa até em vá dormir, já está cando
renunciar ao mestrado. Moacyr Scliar, em Folha de S.Paulo, 17 jan O objetivo dessas indicações é apenas o de exempli car formas diversas de disparar a tarde!!! - Pera aí, mãe, só mais
produção de um texto. Embora o objetivo não seja discutir as condições de produção de textos, há nas três um aspecto bastante importante: todas um pouquinho! - Tá na hora de
mostram que não é adequado solicitar que alunos escrevam um texto apenas a partir. 12. criança dormir! - Mas o desenho
já tá acabando... só mais um pouquinho... -
14 de um título ou de um tema fornecido pelo professor (por exemplo, escrevam sobre A violência ou sobre Por que devemos defender a natureza ). Ou Tá
seja, a indicação dos exemplos acima tem o objetivo ambicioso de colocar um m à prática da redação escolar,para substituí-la por práticas de produção de
textos que façam sentido, embora, na escola, algum tipo de simulação seja inevitável. Fazer sentido signi ca, basicamente, que haja alguma motivação real Leia mais
para escrever um texto, por um lado, e que haja algum material (informações, fatos, opiniões) a partir do qual o texto possa ser escrito. Não é boa
pedagogia esperar que um aluno tenha que inventar seu texto o tema, os argumentos, a tese a ser defendida etc. a partir do nada ou de uma suposta
criatividade. É isso que os exemplos destacados querem mostrar. Mais duas palavras sobre as práticas de escrita. A história da escrita no Ocidente mais
especi camente, do livro mostra que sua produção seguiu (e ainda segue) passos relativamente numerosos. Quero destacar dois: um autor escreve um
Texto 1 O FUTEBOL E A
texto (ou porque quer ou porque recebe uma encomenda, por exemplo); esse processo é, evidentemente, bastante complexo, como se sabe: um escritor MATEMÁTICA Modelo
deve pesquisar, viajar, tomar notas, observar, elaborar um projeto, escolher um lugar adequado para seu trabalho; depois que o autor o entrega ao editor,
o texto costuma ser modi cado: é alterado mais ou menos profundamente conforme a época ou conforme o que o contrato prevê, mas di cilmente de fato,
matemático prevê gols no
nunca o texto entregue é publicado na versão original (a última versão do autor). Pensemos em casos simples, como as matérias que os jornais publicam: PROFESSOR: EQUIPE DE
algumas reportagens são preparadas durante um tempo maior, e demandam pesquisas, viagens, entrevistas, checagem de dados em arquivos etc.; outras PORTUGUÊS BANCO DE
são produzidas na véspera. 13. QUESTÕES - LÍNGUA
PORTUGUESA - 5 ANO - ENSINO
15 (notícias importantes de última hora, resultados de jogos ou de votações...), mas, em princípio, nunca são criadas por um repórter. Além disso, mais em FUNDAMENTAL
alguns jornais ou revistas e um pouco menos em outros, os textos passam pela revisão de um chefe (o editor de um setor do jornal) e pela de especialistas ======================================
em língua (os revisores). São práticas como essas que a escola deve levar em conta para que a escrita tenha sentido. É possível que haja numerosos fatores Texto 1 O FUTEBOL E A MATEMÁTICA
interferindo no processo da escrita na escola. Desses, pelo menos dois devem ser levados em conta seriamente (o que pode signi car o abandono de
outros, alguns deles talvez ainda adotados hoje): que a primeira escrita decorra de um projeto ou de uma encomenda, como no mundo, e que seja fruto de Leia mais
alguma pesquisa, ou seja, que possa levar um certo tempo para ser elaborada. (O exemplo analisado por Eglê Franchi escrever a partir de um fato que
chamou a atenção de todos os alunos pode ser comparado às reportagens de última hora que um jornal deve publicar para não ser furado pelos
concorrentes.) que, depois da primeira versão (ou da versão entregue), o texto escrito seja objeto de revisão(ões) de reescrita, de correção etc. Uma última
observação: embora a escola, freqüentemente, imponha normas mais ou menos arbitrárias (escrever vinte linhas em uma hora), é importante considerar
R I T A FERRO RODRIGUES
que também fora da escola há normas bastante rígidas para a escrita: autores e textos devem obedecer a um conjunto de normas mais ou menos E N T R E V I S T A A R I T A
explícitas, segundo a instituição a que pertencem, segundo o veículo em que os textos vão ser publicados etc.. 14. FERRO RODRIGUES O talento e
a vontade de surpreender em
16 Escrever certo Disse anteriormente que a prática de escrita tem dois objetivos: escrever certo e escrever bem. Tratemos do primeiro ponto. Para cada projecto deixou-me
escrever certo, pode parecer que o caminho é óbvio: basta aplicar as regras da gramática. Mas, feliz ou infelizmente, não se trata apenas disso. Infelizmente, con ante no meu sexto sentido,
porque o conhecimento de regras (decoradas, ou fora de contexto) não leva necessariamente ao acerto na prática. Muitos alunos acertam exercícios, mas que viu nela uma das pivôs mais simpáticas
erram quando escrevem textos. Felizmente, porque o erro fornece boas ocasiões para aprender coisas muito interessantes sobre a língua. Por isso, antes da SIC NOTÍCIAS.
de entrar propriamente na sugestão de práticas escolares, parece necessário dizer algumas coisas sobre a natureza dos erros. Vou começar pelos erros de
gra a, sobre os quais quase não se fala nos livros didáticos. Sobre a natureza dos erros de gra a Os professores conhecem muito bem o problema dos Leia mais
erros de gra a. Mas, eventualmente, pode ser que os avaliem de forma simpli cada, até mesmo equivocada. Por exemplo, podem achar que se trata de um
conhecimento que os alunos deveriam incorporar muito rapidamente o que pode não ser verdade. Ou podem achar que, fazendo certos exercícios, os
alunos deveriam aprender gra a de uma vez por todas o que também pode não ser verdade. Ou podem achar que a permanência desses erros denuncia Concurso Literário. O amor
falta de cuidado o que até pode ser verdade, em parte ou indícios de problemas psicológicos, neurológicos, auditivos o que quase nunca é verdade. Veja,
sobre esse assunto, o volume O trabalho do cérebro e da linguagem. A vida e a sala de aula, de Maria Irma Hadler Coudry e Fernanda Maria Pereira Freire, Concurso Literário O Amor foi o
nesta coleção.. 15. tema do Concurso Literário da
Escola Nova do segundo
semestre. Durante o período do
17 As regras de gra a adotadas para uma língua são as que são em conseqüência de um conjunto de fatores históricos, sociais e políticos (Os povos que
Concurso, o tema foi discutido
falam português devem ou não adotar um sistema de escrita uniforme? As mudanças de sistemas ortográ cos devem ser mais ou menos freqüentes?). O
em sala e trabalhado principalmente nas
leitor pode até estranhar que não se tenham mencionado fatores lingüísticos. É que, a rigor, eles são, em certo sentido, secundários, como espero mostrar
aulas de Língua
adiante. Simpli cando um pouco a questão, pode-se dizer que os erros de gra a são devidos a três ou quatro razões: falta de uniformidade na
correspondência entre som e letra (o que explica erros como escrever com j o que se deve escrever com g, com ss o que se deve escrever com ç ou com sc
etc.); diferença de pronúncia de certos segmentos (o que provoca a troca de e por i, de o por u, de I por u, de u por I, de I por r, de r por I etc.); variação mais Leia mais
ou menos signi cativa entre a forma dicionarizada da palavra e a forma falada (por exemplo, eucaliptal e calipal ou calipar, para citar regionalismos);
separação ou não de certas partículas (de que são exemplos porventura/de repente; em cima/embaixo; a partir/apesar etc.). Essa pequena amostra indica
que quase nunca os erros são sintomas de burrice, desinteresse ou de problemas de ordem médica, mas efeitos da variedade da representação escrita, REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA
tratese da diversidade legalizada, trate-se da variedade lingüística, as diversas maneiras de falar a língua que se re etem de alguma forma na escrita. Para ir
direto ao ponto, diria que, em princípio, nunca há problema grave no que se refere a:. 16.
GRAVIDEZ: A EXPERIÊNCIA DA
MATERNIDADE EM
18 a) letras que faltam; b) letras que sobram; c) letras trocadas; d) palavras que se separam e palavras que se juntam; e) acentos demais ou de menos; f)
à SOCIAIS DA Ó
REPRESENTAÇÕES
letras invertidas, em espelho etc. É claro que são casos que a escola deve considerar, mas são erros normais e completamente previsíveis no processo de
GRAVIDEZ: A EXPERIÊNCIA DA
aprendizado da escrita. O prestígio da gra a Nas telas da televisão, tivemos durante algum tempo (por volta de 1996/1997) um bom exemplo do prestígio e
MATERNIDADE EM INSTITUIÇÃO
da relevância que nossa sociedade atribui à ortogra a. Numa campanha da Unicef em favor de mudanças na educação, aparecia sobre a bandeira nacional
Código Entrevista: 2 Data:
a palavra educasão", grafada assim, erradamente. Esse erro simbolizava o estágio problemático da nossa educação. Em seguida, apagava-se o erro e
18/10/2010 Hora: 16h00
grafava-se corretamente a palavra, gesto que simbolizava as mudanças que levariam à eliminação dos problemas educacionais. Esse é apenas um exemplo
Duração: 23:43 Local: Casa de Santa Isabel
de como a educação é associada ao domínio da ortogra a correta. Essa concepção merece comentários. Sempre que se discute a questão do ensino, em
DADOS SÓCIO-DEMOGRÁFICOS Idade
especial o ensino da língua, fala-se dos erros ortográ cos mais do que de qualquer outra coisa. Penso que há para isso três razões: 1. O domínio da língua
escrita (e não, por exemplo, o domínio da história e da geogra a) é considerado a prova fundamental de escolaridade.. 17.
Leia mais
19 2. Circula uma concepção equivocada de saber lingüístico. Conforme uma certa ideologia, para que alguém seja considerado inteligente/sábio, é
necessário que domine a ortogra a (quando se quer caracterizar alguém como ignorante, um dos recursos é apontar os erros de ortogra a que comete).
Como conseqüência, os erros ortográ cos são considerados sérias de ciências. Chega-se a supor que os que os cometem têm problemas neurológicos Como a comunicação e a
graves. 3. A ortogra a é de fato um campo relativamente simples, no sentido de que os problemas podem ser classi cados com bastante objetividade.
Qualquer um pode saber ortogra a ou resolver objetivamente os problemas, já que um dicionário resolve qualquer dúvida. Nesse sentido, é um saber
educação podem andar de
quase sem so sticação depende mais de memória do que de construção. É uma questão de atenção e de prática. Além disso, os problemas se reduzem a mãos dadas 1
poucas alternativas, ou seja, embora haja muitos erros, ocorrem poucos tipos de erros. O domínio da ortogra a é, ao contrário do que nossa sociedade Como a comunicação e a
pensa, um saber até pouco relevante, exceto por seu valor simbólico. Mesmo assim, ou até por isso mesmo, dá prestígio. Também outros aspectos das educação podem andar de
línguas estão relacionados com prestígio e não, por exemplo, com características estruturais e com funções comunicativas ou cognitivas. Boa pronúncia ou mãos dadas 1 Entrevista com
boas concordâncias produzem boas representações dos falantes. A chamada linguagem correta é associada à inteligência e à capacidade de raciocínio, e a Ricardo de Paiva e Souza. Por
linguagem errada, à incapacidade. Em geral, sem qualquer fundamento. Pode-se conhecer muito ou ser muito ignorante falando em qualquer língua ou Flávia Gomes. 2 Flávia Gomes
dialeto. Nessa linha de valorização social de certos índices, a ortogra a funciona como um distintivo: quem a conhece passa por sabi-. 18. Você acha importante o uso de meios de
comunicação na escola? RICARDO
20 do, quem não a conhece, por incapaz (não apenas ignorante, mas incapaz). Por isso, na escola, insiste-se tanto na ortogra a, especialmente nos
primeiros anos. Parece não importar que se leia ou se escreva relativamente pouco. O importante é que um aluno não tenha problemas ortográ cos.
Leia mais
Alunos são reprovados aos milhares com base na ortogra a que praticam, mesmo na fase de a- prendizagem. E são cada vez mais numerosos os alunos
enviados a psicólogos e fonoaudiólogos, como se fossem doentes. Enquanto isso, outros milhares são aprovados apenas pelo fato de terem aprendido a
não errar em suas redações, freqüentemente meras cópias dos pseudotextos das cartilhas. Diante de erros ortográ cos, poderíamos fazer como o avô de
Sartre. No livro As palavras, Sartre conta um fato de sua infância que provavelmente a maioria dos leitores esquece, mas que é dos que mais me chamaram Em algum lugar de mim
a atenção. Eis o trecho: Meu avô decidira matricular-me no Liceu Montaigne. Certa manhã, conduziu-me à casa do diretor e lhe gabou os meus méritos; meu Em algum lugar de mim (Drama
único defeito era ser adiantado demais para a minha idade. O diretor aceitou tudo: puseram-me no terceiro ano primário e cheguei a acreditar que ia me em ato único) Autor: Mailson
dar com as crianças de minha idade. Mas não: após o primeiro ditado meu avô foi convocado às pressas pela diretoria; voltou enfurecido, tirou de sua pasta Soares A - Eu vi um homem... C -
um maldito papel coberto de garranchos, de manchas e jogou-o sobre a mesa: era a cópia que eu entregara. Haviam-lhe chamado a atenção para a Homem? Que homem? A - Um
ortogra a 'le lapen çovache ême de ten' e tentaram explicar-lhe que o meu lugar era no primeiro ano. Diante do 'lapen çovache' minha mãe caiu na viajante... C - Ele te viu? A - Não,
gargalhada; meu avô a interrompeu com um olhar terrível. Começou por me acusar de má vontade e por ralhar comigo pela primeira vez em minha vida, ia muito longe! B - Do que vocês estão
depois declarou que me haviam menosprezado; na manhã seguinte, retirou-me do liceu e se indispôs com o diretor. Para que que claro: a gra a o cial da falando?
frase francesa do ditado é: Le lapin sauvage aime de thym o coelho selvagem ama o tomi-. 19.

Leia mais
21 lho. Sartre, como qualquer garoto de sua idade e escolaridade embora já tivesse lido muito escreveu aquela frase mais ou menos com base em sua
pronúncia corrente. Ele seria rebaixado na escola por causa dessa incompetência ortográ ca, decisão que conhecemos muito bem. A mãe de Sartre achou
graça na inovação ortográ ca de seu lhinho. Nenhuma novidade também nesse fato. Mas o avô tirou Sartre da escola que o rebaixaria por não saber
ortogra a e o colocou em outra. Sábio avô, esse. Gente assim faz falta. Há algum tempo, em reportagem de TV sobre possíveis problemas decorrentes de
3 Truques Para Obter Fluência
uma política escolar sem reprovação, a mãe de um aluno dava um depoimento mostrando a gravidade da situação. O exemplo decisivo que ela fornecia era no Inglês
a gra a serumano (por ser humano, em uma redação de seu lho, cursando a quinta série). O caso merece pelo menos dois comentários: por um lado, seria
3 Truques Para Obter Fluência
evidentemente desejável que esse aluno já estivesse escrevendo ser humano ; mas, por outro lado, será que essa mãe sabe que uma das mudanças
no Inglês by: Fabiana Lara
implicadas pela reforma ortográ ca que dorme no Congresso seria a gra a superomem sem hífen e sem h no lugar da atual super-homem? A diferença é
Atenção! O ministério da saúde
pouca em relação ao erro do aluno. Certamente, a mãe não sabe que há uma boa explicação para o erro de seu lho, e que erros assim são comuns.
adverte: Os hábitos aqui
Bastaria levarmos em conta que a pronúncia de seqüências como ser humano, os chamados vocábulos fonológicos, faz com que duas ou mais palavras
expostos correm o sério risco
sejam percebidas como se fossem uma só, da mesma forma como uma palavra pode ser desdobrada em mais de uma (adiante daremos exemplos). Das
de te colocar a frente de todos seus colegas,
razões dos erros Disse anteriormente que os erros de gra a podem ser ocasião para aprendermos coisas sobre nossa língua. Ao invés de simples-. 20.
atingindo a

22 mente corrigir, ou de estudar e tentar aplicar regras, provavelmente é mais inteligente tentar entender o que provoca os erros, isto é, quais são os
fenômenos lingüísticos que estão na base dos processos que levam alunos a escrever como escrevem, a errar exatamente como erram e não de qualquer Leia mais
maneira. Para termos razoável clareza sobre a questão, seria interessante ler Erros de escolares como sintomas de tendências lingüísticas no português do
Rio de Janeiro, que é um texto de Mattoso Câmara, escrito em 1957, analisando redações (e ditados) de alunos (62 crianças com idade entre 11 e 13 anos)
do antigo Exame de Admissão ao Ginásio. Os alunos são da zona sul do Rio de Janeiro (se fossem de outra região, diz Mattoso, os erros seriam em parte Era uma vez, numa cidade
diferentes), e, com base nos erros que cometiam, Mattoso imagina que é possível detectar tendências de mudança do português coloquial culto. Mattoso muito distante, um plantador
elenca vinte fenômenos. Os mais relevantes são: 1. Em sílabas átonas, a oposição entre e/i e entre o/u se anula em favor de [i] e de [u], o que explica a
ocorrência de formas escritas como acustumado, sintiu-se, traisueiro e, por hipercorreção, de formas como romou (rumou). Com base nessa explicação, chamado Pedro. Ele
deveríamos entender que são absolutamente previsíveis erros como mininu; curuja etc., e também, por hipercorreção, menistro etc. Observe-se que tais O Plantador e as Sementes Era
erros só ocorrem em sílabas átonas nunca se vê uma gra a como voci por você. 2. Nasalização do i- inicial (por analogia a formas com pre xo in-) leva a uma vez, numa cidade muito
formas como inquilíbrio e, por ultracorreção, a enquilíbrio. 3. Redução de en- a in- produz formas como insolarados, imbarcação. 4. Tendência a nasalar u e i distante, um plantador
nais (sicurijum, por sicuriju).. 21. chamado Pedro. Ele sabia
plantar de tudo: plantava
23 5. Ausência de contraste entre [ow] e [o] produz loro (louro), mas também poupa e polpa (por popa), sendo que, nesse caso, há também neutralização árvores frutíferas, plantava ores, plantava
de [l] e [w]. Mais exemplos: autas árvores (altas), causa azul (calça), a cobra siuvou no ar (silvou), impusso (impulso), al longe (ao), ciovol no ar e até mesmo legumes... ele plantava
silivou no ar (este, num esforço para manter o l...). Observe-se que não se trata simplesmente de troca de l e u, mas de sua troca apenas em nal de sílaba.
6. Ditongação de vogal diante de consoante fricativa: treis (três), mais (mas); mas (mais) perto; por hipercorreção, trasçoeiro (traiçoeiro). 7. A precariedade
Leia mais
de l e r intervocálicos produz sua intercalação em formas como tapúlio e tapúrio (tapuio), e até tatúlio, por assimilação das consoantes (ou seja, a um t se
segue outro t). Observe-se que essa alternância só ocorre em posição intervocálica. 8. Também aparece tabuio, o que permite falar da famosa troca de
letras, especialmente em posição intervocálica. A explicação é que se chega a confundir uma consoante surda intervocálica com uma consoante sonora
porque as vogais são sonoras. Assim, em ditados, aparece trejo, sigue-sague (trecho, ziguezague). 9. Formas como fazenta (fazenda), peganto (pegando), Alfabetização e Letramento
pentidos (pendidos), sincra (singra), um taqueles (um daqueles) se explicam porque a consoante é forte depois de nasal (como o prova a palavra honra). 10. Alfabetização e Letramento
O desaparecimento do r nal: sincra (singrar), podiam-se (podiam ser) e, como sempre, por hipercorreção, ele estar (está) olhando, no rosto estar (está) Material Teórico A Escrita no
estampada uma alegria.. 22. Processo de Alfabetização
Responsável pelo Conteúdo e
24 11. O arti cialismo de contrações pronominais como mo (me + o, como em dar-mo ) leva a uma obsessão em não errar, o que produz formas como Revisor Textual: Profª. Ms
contar-mos. 12. A mesma falta de integração de morfemas na língua coloquial produz formas como deixa-ra (deixara), se ele passa-se (passasse), acorda-se Denise Jarcovis Pianheri Unidade A Escrita no
(acordasse). (Obs.: Encontrei Se um estrangeiro chegasse ontem ao Brasil e lê-se os principais jornais..., em artigo de Fernando Rodrigues, no jornal Folha de Processo de Alfabetização
S.Paulo, de 6 de março de É razoável considerar o fato como indicando mais do que mera ignorância...) Mais exemplos Há outros exemplos, reais ou
inventados, que circulam na mídia, e que algum conhecimento de fonologia (associado à consideração da variação lingüística) consegue explicar facilmente. Leia mais
1. Um dos mais comentados é séquiço (ou séquisso), por sexo. Essa gra a, que parece estapafúrdia, pode ser assim explicada: a) a pronúncia cuidada dessa
palavra é sék-so, isto é, na fala, a divisão silábica não coincide com a divisão na escrita (que é se-xo). Assim, na fala, a primeira sílaba se fecha com uma
consoante oclusiva (k), e não com uma vogal; b) há uma forte tendência, no português falado no Brasil, a acrescentar uma vogal nos casos em que as sílabas
terminam em consoantes (em especial se oclusivas, mas também com outras obstruintes f/v, s/z...). Daí as pronúncias correntes adivogado, opição, táquissi,
Como fazer seu blog se
e também á ta, por afta, pisicologia por psicologia, peneu por pneu etc. O mesmo princípio adapta palavras estrangeiras: foot ball. 23. destacar dos outros
Como fazer seu blog se
25 > futebol. Com base nesses fatos, basta que o aluno ainda imagine que escrever ortogra camente seja transcrever sons e ele escreverá séquiço destacar dos outros Fama.
(também poderia escrever séquisso ). Eventualmente, somos consultados sobre se aceitamos receber anéquissos junto às mensagens por . É difícil saber se Tráfego. Reconhecimento.
se trata de brincadeira... O aluno que escreve assim, evidentemente, erra. Mas nem tudo são defeitos. Ele sabe, por exemplo, que as palavras Muito dinheiro no bolso. Esses
proparoxítonas levam acento... E, especialmente, mostra que tem excelente ouvido, escreve com base no que ouve ou fala. O espantoso não é que ele erre, itens certamente estão
mas que erre a gra a de uma palavra conhecida, que ele encontra nos manuais de biologia, para dizer o mínimo. É evidente, então, que os erros presentes na lista de desejos de quase todos
ortográ cos são erros. Mas também deveria ser evidente que são também sintomas. Di cilmente se trata de problema que ultrapasse o domínio da os blogueiros. A nal, ninguém
variação lingüística e da prática de escrita. Isto é, quase nunca se trata de doença. 2. Num supermercado de Campinas, em que há um quadro para
pequenos anúncios, alguém vendia um ezalstor (exaustor). Pode parecer que se trata de alguma anormalidade, mas não há nada de muito estranho nessa
Leia mais
gra a (exceto pelo aspecto legal), na medida em que nela se reúnem vários problemas: z no lugar de x e l em nal de sílaba, no lugar de um u, uma das
pronúncias do l. 3. Vi em algum lugar a gra a abto (para hábito). Algumas hipóteses que poderiam explicar essa forma são: o aluno não quer errar; erros de
gra a se explicam pela conjunção de um sistema de escrita e um sistema fonético-fonológico;. 24.
Superando Seus Limites
26 há alguma regularidade a ser especi cada na relação entre sons e letras; é relativamente comum que se escreva opito (por opto); a gra a de opito se Superando Seus Limites Como
explica o português falado, pelo menos na maior parte do Brasil, introduz uma vogal (epêntese) em sílabas fechadas por certas consoantes, produzindo Explorar seu Potencial para ter
nova organização silábica, como em adivogado ou adevogado, subistantivo etc.), de forma que opito não é um fenômeno isolado, mas estrutural como mais Resultados Minicurso
vimos anteriormente, comentando séquico; erros de gra a como esse são corrigidos (talvez sem uma boa explicação); como a correção implica a retirada da Parte VI A fonte do sucesso ou
vogal que foi inserida, a tendência, para quem generaliza inteligentemente, é retirar as vogais que estejam ou pareçam estar em contextos estruturalmente fracasso: Valores e Crenças
idênticos; o contexto de hábito e de opito [ópito] é idêntico (são trissílabos proparoxítonos, a vogal é átona e está entre b/p ambas oclusivas bilabiais e t); se (continuação) Página 2 de 16 PARTE 5.2
não há acento em opto, não há em abto que, na escrita, é um dissílabo; a pronúncia das duas palavras permanece a mesma [ábito] e [ópito]. 4. Há Crenças e regras!
problemas de outra natureza, evidentemente, mas nada que não se possa explicar (para nosso caso, nada que não possa ser objeto de re exão e análise).
Considerem-se os exemplos abaixo, textos de alunos, que um professor deve, em princípio, ler sem problemas (se os alunos não escrevem seguindo as
Leia mais
convenções, que pelo menos os professores con-. 25.

27 sigam ler assim mesmo seus textos). Primeiro aparecem os textos originais, depois eles são reescritos seguindo os padrões básicos de ortogra a, sem
LENDO, ESCREVENDO E
alterações substanciais. Fazer esse trabalho na sala de aula, com os alunos, é uma atividade altamente recomendável e produtiva. Sem humilhação,
tratando os fatos como episódios óbvios do processo de aquisição da escrita. Após a revisão ortográ ca, ou ao mesmo tempo, outras questões podem ser PRODUZINDO JORNAL: A
tratadas, outros tipos de revisão ou de reescrita podem ser realizados. Aqui, para efeito didático, vou separar os problemas. Uma observação: é bom que na
APROPRIAÇÃO DA ESCRITA
sala de aula a revisão, que é apresentada abaixo como se estivesse acabada, seja o resultado de um trabalho conjunto. O texto pode ser transcrito e
apresentado a todos os alunos, que trabalharão em conjunto na revisão discutindo, perguntando, considerando outros exemplos, ou a subgrupos, que LENDO, ESCREVENDO E
exercerão esse papel de revisores. Textos de alunos Passo agora a sugerir aspectos do trabalho de reescrita de textos de alunos. Para começar, incluo uma PRODUZINDO JORNAL: A
redação publicada em reportagem jornalística sobre problemas escolares em São Paulo: E terrivelmente violento um menino este dias sem quere porque o APROPRIAÇÃO DA ESCRITA POR
outro empurrou ele ele esbarou no ouro muleque ele já foi pra sima dele ai ele chingou o muleque. Diante de um texto como esse, o que sugiro é que, na ALUNOS DE EJA CENTRO
sala de aula, o professor e os alunos o revisem conjuntamente. Creio que posso supor que, depois de um certo tempo de trabalho, pode-se chegar a uma MUNICIPAL DE REFERÊNCIA DE
versão como:. 26. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
PROFESSORA FABÍOLA DANIELE DA SILVA A
28 É terrivelmente violento. Um menino, esses dias, sem querer, porque o outro empurrou ele, ele esbarrou no outro moleque, ele já foi pra cima dele, aí lingüística moderna
ele xingou o moleque. Observe-se que fazer esse tipo de atividade não é a mesma coisa que listar palavras e mandar corrigir. Aqui trata-se de adaptar um
texto a normas da escrita corrente, como se estivéssemos fazendo a revisão de um texto para publicar. Veja-se outro texto, em relação ao qual sugere-se o Leia mais
mesmo tipo de atividade: A violencia começo assim um impresto a borracha para o outro colega ai, u outro perde o a borracha ai o outro falo: daí minha
borracha que eu vou usar agora o meu eu perdi o outro falou: se vai da outra. Eu não vou dar não então eu ti pego na hora da saida. aí começo. Ai porrada
de lá porrada de cá e assim vai. Aí ou tro tiro arma do bolso e atiro: pro que isso pessoal por causa de uma borracha seis vão brigar. Submetido a um
Como Passar em Química
trabalho de reescrita básico, ou seja, mesmo sem nenhuma tentativa de transformá-lo em uma narrativa mais so sticada, esse texto pode vir a tornar-se: A
violência começou assim: um emprestou a borracha para o outro colega. Aí o outro perdeu a borracha. Aí o outro falou: Dá aí minha borracha, que eu vou Geral*
usar agora. Ô meu, eu perdi. O outro falou: Você vai dar outra. Eu não vou dar não. Então eu te pego na hora da saída. Aí começou. Aí, porrada de lá, 1 Como Passar em Química
porrada de cá, e assim vai. Aí o outro tirou a arma do bolso e atirou. Por que isso, pessoal? Por causa de uma borracha, vocês vão brigar?. 27. Geral* por Dra. Brenna E.
Lorenz Division of Natural
29 Observe-se que nesses textos há erros que podem ser claramente associados à pronúncia corrente. Dentre os erros que podem ser explicados por Sciences University of Guam *
uma certa relação entre pronúncia e a gra a, estão impresto, atiro, começo, tiro. Antes de mais nada, convém observar que seria péssimo um professor ou traduzido livremente por: Eder
um aluno ler essas palavras como se fossem formas do presente (imprésto, atíro, coméço, tíro), porque uma elementar compreensão do texto deixaria claro João Lenardão; acesse o original em :
que são formas (populares) do passado: imprestô, atirô, começô, tirô, que perderam a semivogal do ditongo nal. O caso merece, aliás, uma observação a http://www.heptune.com/passchem.html
mais: ao julgar essas formas como erros ou desvios da escrita padrão, é interessante dar-se conta de que são erros regulares: em todos os casos, ocorre a
queda da semivogal, ou seja, a vogal permanece sempre. Em outras palavras, não se fala, nem mesmo se erra de qualquer jeito, como é comum ouvir-se.
Leia mais
Semelhante a esses erros é o caso de quere (querer), embora o fenômeno da queda do /-r/, especialmente o dos in nitivos do verbo, seja bastante peculiar.
Outras formas erradas são, provavelmente, devidas a uma espécie de transcrição da pronúncia, especialmente se e seis. São variantes populares de você e
de vocês. Poderiam ter sido escritas ce e ceis, ou até mesmo cê e cês (ou cêis). (No conto A terceira margem do rio, de Guimarães Rosa, encontramos a
passagem: Cê vai, ocê que, você nunca volte.) Nesses textos, também há erros que decorrem de tentativas de acertar que falharam. Escrever outro como Entrevista exclusiva concedida
se fossem duas palavras (ou tro) é um caso que chama a atenção. Observe-se que, sendo ou uma palavra, esse fato pode ter in uenciado a decisão errada pelo Presidente da República,
do aluno (lembra erros como lê-se, mencionado anteriormente). Bem interessante é também este outro exemplo: perde o por "perdeu", em que se
conjugam diversos fenômenos: assim como há mudança de o para u, ocorre freqüentemente a mudança inversa, de u para o (é um caso de hipercorreção); Luiz Inácio Lula da Silva, ao
além disso, a. 28. Entrevista exclusiva concedida
pelo Presidente da República,
30 forma é tratada como se fosse um verbo seguido de um pronome, ou seja, como uma tentativa de escrever corretamente, como se se tratasse de Luiz Inácio Lula da Silva, ao SBT
forma análoga a perde-o, visita-o etc. Duas coisas são bastante claras nesse caso: uma, que se trata de uma forma errada; outra, que certamente não se Brasília-DF, 30 de outubro de
trata de de ciência a não ser de prática, de familiaridade com a escrita. Casos como saida, ai, sima e da são erros que podem ser classi cados como escolha 2006 Jornalista Ana Paula
da opção errada entre as possibilidades legais : troca de c por s e falta de acentuação. Alguns fatos históricos Se olharmos um pouco para documentos Padrão: Então vamos às perguntas, agora ao
históricos, poderemos colocar a gra a em seu devido lugar. A língua escrita (a gra a) tem alguma relação com a língua falada, evidentemente, mas nem se vivo, com
identi ca com ela nem a retrata detalhadamente. Representa-a para certas nalidades. Além disso, a escrita não é natural. É altamente arbitrária. A melhor
maneira de veri car isso é dar uma olhada em documentos históricos. Melhor ainda é fazer isso em relação a mais de uma língua. Descobre-se que os
Leia mais
romanos escreviam sem separar as palavras. Sua escrita era um continuum, como é a fala. Assim como cabe ao ouvinte descobrir quais são as unidades
signi cativas, palavras ou não, assim também cabia ao leitor de textos latinos descobrir as unidades na escrita. Daí anedotas mais ou menos signi cativas a
respeito da origem de expressões como busílis, que teria resultado do fato de que a seqüência in diebus illis, num certo texto, estava dividida de forma que,
no início de uma linha, o que se lia era busillis, que não fazia sentido. Os que acham que as gra as são naturais poderiam pensar que, por exemplo, formas COMO FORMATAR
como achando-as não poderiam ser escritas de outra maneira. Ou seja, que os pronomes átonos em. 29. MONOGRAFIA E TCC
TEXTO COMPLEMENTAR AULA 2
31 posição enclítica devem necessariamente estar ligados ao verbo por um hífen. Mas a gra a do espanhol une o pronome à forma verbal, simplesmente
(15/08/2011) CURSO: Serviço
(como encontrámonos). As coisas já foram assim também na escrita do português. Num documento de 1725, transcrito em Tempos lingüísticos, de
Social DISCIPLINA:
Fernando Tarallo (Ática, 1990), podem-se encontrar gra as como apartir (a partir), seachar (se achar), nemseatreve (nem se atreve), oobrigaraõ (o
ORIENTAÇÕES DE TCC II - 8º
obrigarão), demeinstar (de me instar), asperigozas (as perigosas), avaler (a valer) etc. Vejamos um trecho, em vez de mera lista: Estes Frades Sr. Filhos do
Período - Turma 2008
Reyno foraõ origem com aalternativa, assim da desordem em q. seacha asua relligiaõ como das parcialidades emque ardem os seculares desta terra
PROFESSORA: Eva Ferreira de Carvalho Caro
interessados na ordem 3-ª (...). E mais adiante, pode-se ler: selhos naõ largacem (se lhos não largassem) e edandolha (e dando-lha). O que se pode concluir
acadêmico, na Aula 2, você estudará Áreas
desses fatos? Que o autor era ignorante? Seria ridículo concluir isso. Não se trata, evidentemente, de alguém que não sabe escrever. Trata-se de outra
opção de escrita, como uma fotogra a feita de outro ângulo. A tarefa do leitor talvez fosse um pouco mais complexa, mas isso não tem nada que ver com
soluções objetivamente melhores ou naturais. Talvez muitas crianças deixassem de ser reprovadas na escola ou, pelo menos, de ser consideradas Leia mais
problemáticas, se seus juízes, os professores, tivessem informações históricas mais sólidas e acho que isso sempre vem junto uma dose menor de
preconceitos. Lembro de minha reação de riso ao ler o Alvará Régio da Edição de 1572, de Os Lusíadas, citado na edição da Editora Abril.. 30.
Manifeste Seus Sonhos
32 . 31. Manifeste Seus Sonhos Índice
Introdução... 2 Isso Funciona?...
33 Eu ia proferir uma palestra para professores de uma escola sobre questões de ensino de língua materna, e tinha em mente discutir com eles o 3 A Força do Pensamento
excessivo valor que se dava aos erros ortográ cos e a terapia proposta: ditados e cópias. Lembro, pois, da reação de riso diante da carta que Gaspar de Positivo... 4 A Lei da Atração... 7
Seixas fez Iorge (sic) da Costa escrever em Lisboa, em Lá se encontram gra as como declarão, principaes, descobrio, mãdado, aja (de haver), empremir Elimine a Negatividade... 11
(mas, um pouco acima, imprimir ), cõ, valhão (por valham), e outras do mesmo jaez. Aliás, gra as muito parecidas, quando não iguais, às produzidas pelos A rmações... 13 Manifeste Seus Sonhos Pág.
alunos de hoje nos primeiros anos escolares. Vi uma vez um texto escolar de autoria de um adolescente que, entre outras coisas, escreveu a palavra 1 Introdução
imprensa três vezes, e com três gra as: imprensa, inprensa e emprensa. Ruim? Sim, de um certo ponto de vista. De outro, nem tanto. Esse adolescente
lembra o frade, ou seu escriba, de 1571, já que se pode ver coisa semelhante no Alvará acima citado (imprimir e empremir), que é 400 anos mais antigo.
Leia mais
Esses são exemplos de escrita que revelam fatos de língua falada: no último caso, uma variação de pronúncia de palavras com início semelhante
im(n)/em(n) provoca uma escrita que ora é mais uma cópia da pronúncia, ora o produto de uma hipótese equivocada, que decorre de hipercorreção. Para
um gramatiqueiro, um horror. Mas quem olhar esses dados de um outro ponto de vista, verá fatos muito interessantes. Meu objetivo foi explicitar razões
pelas quais ocorre um certo conjunto de erros, especialmente de ortogra a, em maior grau nas classes iniciais da escola, em menor grau nos textos de
PERDOAR E PEDIR PERDÃO,
praticamente todas as pessoas que escrevem. A conclusão deveria ser que é provável que quase nunca se trate de problema de natureza psicológica ou UM GRANDE DESAFIO. Fome e
neurológica, mas apenas de mais ou menos prática de escrita, por um lado, e de história da escrita, por outro.. 32.
Sede
34 Outros exemplos, outra atividade A gra a pode ser o mecanismo que, explorado adequadamente, funciona como chave de textos humorísticos. Tal PERDOAR E PEDIR PERDÃO, UM
exploração pode ser feita levando em consideração fenômenos diversos, mas todos bastante importantes para analisar aspectos de uma língua. Em outras GRANDE DESAFIO HISTÓRIA
palavras: os fatos apresentados e explorados humoristicamente através da gra a revelam que há problemas que dormem por debaixo das soluções que, BÍBLICA: Mateus 18:23-34 Nesta
embora nos pareçam naturais, são espécies de convenções, que, a rigor, poderiam ser outras. 1. Considere-se uma piada que explora um caso de variação lição, as crianças vão ouvir a
lingüística: José passou pela casa de um amigo que estava vendo televisão (o que podia ser visto pela janela da sala). José saudou o amigo: Firme? O amigo Parábola do Servo Que Não
respondeu: Não, futibor. Essa piada explora uma variação lingüística típica da fala e a torna fonte de equívoco através de uma opção de escrita: muitos Perdoou. Certo rei reuniu todas as pessoas
falantes, no Brasil, pronunciam um r no lugar do l em nal de sílaba (e também no meio, como em Framengo, frecha; mas, observe-se bem, só nessas duas que lhe deviam dinheiro.
posições; nunca no início da sílaba). Assim, um cumprimento, uma saudação (Firme?) pode ser compreendida como uma pergunta sobre o tipo de
programa que o amigo está vendo na TV... (é claro que, se a pergunta fosse Filme?, a piada não funcionaria, porque rme é uma forma ambígua, mas lme, Leia mais
não).. 33.

35 2. Tiras podem explorar a ortogra a de diversas formas. Vejam-se os dois casos seguintes: o primeiro explora uma certa semelhança entre três nomes Rio de Janeiro, 5 de junho de
próprios (de integrantes dos Beatles) e frases do português: PIRATAS DO TIETÊ - Laerte Humor nos Anos Incríveis vol. 3 pag. 21 A tira só será divertida se o
leitor zer uma análise adequada do material lingüístico que o autor do texto usa. Ou seja, para entender a tira, o leitor deve fazer, intuitivamente, a 2008
seguinte tradução, lendo outras palavras por trás ou por baixo das que estão de fato grafadas: a) O Ringo Starr?: O Ringo está? b) Foi Paul MacCartney: Foi Rio de Janeiro, 5 de junho de
pôr uma carta. c) Não deixa o John Lennon: Não deixa o John ler, não. PIRATAS DO TIETÊ - Laerte Nessa outra tira, a seqüência TUTÁ, que guarda alguma 2008 IDENTIFICAÇÃO Meu
semelhança com nomes africanos ou indígenas, segundo um certo imaginário, é apresentada como se fosse o nome de uma deusa.. 34. nome é Alexandre da Silva
França. Eu nasci em 17 do sete
36 Diante da pergunta seguinte do estrangeiro, a resposta nal deveria fornecer seu nome completo. Mas, de fato, o que o leitor deve descobrir é uma de 1958, no Rio de Janeiro.
frase, que não tem mais nada que ver com supostos nomes de divindades. A frase é Tu tá na mira do papai aqui (Tu estás na mira do papai aqui). Pode-se FORMAÇÃO Eu sou tecnólogo em
fazer uma análise mais detalhada dessa tira, mas o importante é chamar a atenção para o fato de que a seqüência dupapaya-ky, junta palavras separadas e processamento de dados. PRIMEIRO DIA
desfaz a palavra aqui. 3. Outros exemplos semelhantes podem ser encontrados na obra de humoristas ou, então, na Internet. São dicionários muito
peculiares, que fornecem de nições inesperadas para palavras, que, então, descobrimos que não são necessariamente palavras. Sirvam de exemplos os
Leia mais
seguintes casos: detergente = prender pessoas: sacar o efeito de humor exige ler deter gente, de fato uma frase que contém um verbo cujo sujeito é
indeterminado; vergastar = assistir aos outros fazendo despesas espera-se que o leitor leia ver gastar, que é de fato um período composto (dois verbos,
duas orações), sendo que o sujeito dos dois verbos é indeterminado, como também não está expresso o objeto de gastar; procurador = masoquista
(procura dor); distribuidor = sádico (distribui dor). 4. Seguem a mesma técnica outras brincadeiras, especialmente as chamadas nomes de lmes. Exemplos:
10 segredos para falar inglês
a) O sujeito é forte, tão forte que pode jogar longe um terreno. Como é o nome do lme? Lancelot (o humor só se produz se lermos esse nome como lance 10 segredos para falar inglês
lote, separando o nome em duas palavras e acrescentando uma vogal nal);. 35. ÍNDICE PREFÁCIO 1. APENAS
COMECE 2. ESQUEÇA O TEMPO
37 b) O cachorro passa pela rua carregando uma marmita. Qual o nome do lme? O campeão (o cão peão). Observe-se que, nesse caso, ocorre de certa 3. UM POUCO TODO DIA 4. NÃO
forma o inverso do que ocorreu no caso de serumano, mencionado anteriormente. Mas o fenômeno tem, do ponto de vista da estrutura da língua, os PRECISA AMAR 5. NÃO EXISTE
mesmos fundamentos. 5. No site (cujo nome já merece análise, uma vez que pode ser lido como o mortadela ), uma das sessões é Plaquinhas, que imita MÁGICA 6. TODO MUNDO COMEÇA DO ZERO
placas de estabelecimentos, comerciais ou de serviços. Alguns exemplos são: ANNIE MAIS Veterinária, ANA LISA Laboratório, EMA GRACE Dietas, OLAVO 7. VIVA A LÍNGUA 8. NÃO TRADUZA
PIRES Balconista, MARCOS DIAS Calendários etc. Observe-se que há diversos problemas envolvidos: um deles se refere a separar ou juntar palavras, outro, a
atribuir uma ou outra pronúncia a um nome. Por exemplo: EMA GRACE deve ser lido mais ou menos como ema greice para que, então, se torne bem Leia mais
semelhante a emagrece e, assim, faça sentido que se trate de uma casa relacionada a dietas; em OLAVO PIRES, espera-se que o o inicial corresponda mais
ou menos a eu, para que, então, se leia eu lavo pires, uma das funções dos balconistas de bares. 6. Um outro lugar que pode se prestar a análises
interessantes sobre os problemas relativos à gra a são certos nomes próprios cujo registro foi feito por tabeliães pelo menos distraídos. Os nomes MOTIVAÇÃO E
estrangeiros prestam-se tanto para exempli car os erros quanto para entender qual foi a razão fonológica que levou às gra as estranhas. Considere-se, por
exemplo, o nome de um conhecido atleta do voleibol brasileiro, Geovane. Seu nome deveria certamente ser Giovanni, o nome italiano que corresponde a DESMOTIVAÇÃO NO
João. A gra a o cial que acabou sendo adotada no caso dele não leva em conta, em primeiro. 36. APRENDIZADO DE LÍNGUAS
MOTIVAÇÃO E DESMOTIVAÇÃO
38 lugar, o nn do nome italiano (porque em português essa seqüência não ocorre), e, em segundo, há uma troca do i nal pelo e, o que se explica pelo fato
NO APRENDIZADO DE LÍNGUAS
de que, em português, o e nal átono da escrita é pronunciado [i]. Ou seja, o tabelião pensou que deveria escrever com /e/ o [i] que ouviu. O mesmo
Prof. Dr. Richard Schütz
fenômeno, embora invertido, ocorre na gra a Nicoli para o nome francês Nicole. Vejam-se também as soluções Dje erson e Tiarles para grafar Je erson (o
www.sk.com.br Referência:
j, em inglês, representa o som [dj]) e Charles (em inglês, o som inicial desse nome é [tch]). Todos esses casos, mais do que erros não deixam de ser erros,
SCHÜTZ, Ricardo. "Motivação e
evidentemente são evidências de que a relação entre som e letra é em boa medida instável. É importante ter claro que se trata de um fato (e não apenas de
Desmotivação no Aprendizado de Línguas"
um problema a ser lamentado) que envolve fatores históricos, sociais e cognitivos. Os alunos, como se pode ver, estão diante de um fenômeno que decorre
English Made in Brazil .
de um pequeno conjunto de fatores que, a cada vez, devem ser pesados. Assim, os casos de erros de ortogra a deveriam ser analisados tendo em conta
esse fato, tanto para avaliar quanto para re etir sobre os fenômenos lingüísticos de maneira mais adequada. A análise desses exemplos pode ser uma
atividade estimulante e, ao mesmo tempo, reveladora de certos segredos da escrita ortográ ca. É certamente mais e caz discutir e explicitar os problemas Leia mais
que nosso sistema de escrita produz do que fazer exercícios infrutíferos de preenchimento de espaços, especialmente se isso se faz sem esclarecer as
razões dos erros. Uma observação importante: em nenhum dos casos, especialmente o da reescrita, deve tratar-se de simples intervenção do professor,
que corrige e devolve o texto, mas sim de uma atividade conjunta, que permita ao mesmo tempo o esclarecimento da natureza do erro e sua eliminação 2ª SEMANA NACIONAL DE
progressiva.. 37.
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