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Apostila - Versão Final - Corrigida - Pronta PDF

Este documento apresenta um curso popular de questões para a segunda fase do concurso de Analista Jurídico do Ministério Público de São Paulo. O curso é gratuito e elaborado por analistas jurídicos lotados em diferentes áreas do Ministério Público. O curso fornece uma apostila com questões sobre as matérias cobradas e dois simulados para treino. O objetivo é oferecer apoio aos candidatos.

Enviado por

Dênia
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
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Tópicos abordados

  • Culpabilidade,
  • Crimes de Extorsão,
  • Crimes de Adoção Irregular,
  • Crimes de Responsabilidade,
  • Crimes de Furto,
  • Extorsão,
  • Direitos Humanos,
  • Crimes de Tráfico de Pessoas,
  • Crimes de Prevaricação,
  • Legislação do Ministério Públi…
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Apostila - Versão Final - Corrigida - Pronta PDF

Este documento apresenta um curso popular de questões para a segunda fase do concurso de Analista Jurídico do Ministério Público de São Paulo. O curso é gratuito e elaborado por analistas jurídicos lotados em diferentes áreas do Ministério Público. O curso fornece uma apostila com questões sobre as matérias cobradas e dois simulados para treino. O objetivo é oferecer apoio aos candidatos.

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Tópicos abordados

  • Culpabilidade,
  • Crimes de Extorsão,
  • Crimes de Adoção Irregular,
  • Crimes de Responsabilidade,
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Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

AUTORES

Alexandre Antonucci Bonsaglia. Analista Jurídico na Procuradoria de Justiça


Criminal. Graduado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Pós-
graduando em Direito Penal pela Escola Superior do Ministério Público do
Estado de São Paulo.

Aline Beatriz Bibiano. Analista Jurídica na Promotoria de Justiça de Limeira.


Especialista em Direito Processual pela Pontifícia Universidade Católica de
Minas Gerais. Graduada em Direito pela Fundação Universidade Federal de
Viçosa.

Ana Paula de Lima Prado. Analista Jurídica na Procuradoria de Justiça Cível.


Graduada em Direito pela Fundação de ensino Eurípedes Soares da Rocha de
Marília.

Ana Sofia da Fonseca Pereira. Analista Jurídica da Procuradoria de Habeas


Corpus e Mandado de Segurança em matéria criminal. Especialista em Direito
Público pela Escola Paulista de Direito.

Anderson Novaes Vieira. Analista Jurídico na Promotoria Cível da Capital, setor


de Fundações. Graduado em Direito pela Universidade Presbiteriana
Mackenzie. Especialista em Direitos Difusos e Coletivos pela Escola Superior do
Ministério Público de São Paulo e Especialista em Direito Penal e Processo
Penal pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Caio Polidoro. Analista Jurídico da Procuradoria Criminal. Pós-graduando em


Direito Penal e Processual Penal pela Escola Paulista de Direito. Graduado pela
Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Camila Fonseca Recouso. Analista Jurídica da Procuradoria de Habeas Corpus


e Mandado de Segurança em matéria Criminal. Especialista em Direito Penal e
Processual Penal pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Especialista em Interesses difusos e coletivos pela Escola Superior do Ministério
Público de São Paulo.

Denis Fernando Balsamo. Analista Jurídico na Procuradoria Criminal. Mestre


em Direito do Estado pela Universidade de São Paulo. Especialista em Justiça
Constitucional e Direitos Fundamentais pela Università di Pisa (Itália).
Especialista em Direito Penal e Processual penal pela Faculdade de Direito
Damásio de Jesus.
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Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

Elisama Lúcia Gonçalves Fernandes. Analista Jurídica do GAECO de


Guarulhos. Especialista em Interesses Difusos e Coletivos pela Escola Superior
do Ministério Público do Estado de São Paulo.

Lívia Astolfi Duarte Neves. Analista Jurídica da Procuradoria Criminal.


Graduada em Direito Pelas Faculdades Metropolitanas Unidas. Especialista em
Direito Penal pela Escola Superior do Ministério Público do Estado de São Paulo.

Leandro Joy Fukase. Graduado em Direito pela Faculdade de Direito da


Universidade de São Paulo. Graduando em Ciências Socais pela FFLCH-USP.
Pós-graduando em Interesses difusos e coletivos pela Escola Superior do
Ministério Público do Estado de São Paulo.

Lucas G. P. Uchôa. Analista Jurídico nas 7ª e 8ª Promotorias de Justiça de São


Caetano do Sul. Pós-graduado em Direito de Família e Sucessões pela Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo. Pós-graduado em Direito notarial e registral
imobiliário pela Escola Paulista de Direito. Pós-graduado em Direitos Difusos e
Coletivos pela Escola Superior do Ministério Público do Estado de São Paulo.
Professor convidado da FAAP (Fundação Armando Álvaro Penteado).

Luciana Rachel Keiner. Analista Jurídica da Promotoria de Justiça da Infância


e Juventude da Capital. Graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Luiz Otávio de Oliveira Goiata. Analista Jurídico da Procuradoria de Interesses


Difusos e Coletivos. Graduado em Direito pela Universidade Federal de Minas
Gerais. Especialista em Direito Civil e Processual Civil pela Universidade Gama
Filho. Especialista em Interesses Difusos e Coletivos pela Escola Superior do
Ministério Público do Estado de São Paulo.

Márcio Spagnuolo Furtado. Analista Jurídico da Procuradoria de Justiça Cível.


Especialista em Direito Penal e criminologia pelo Instituto de Criminologia e
Política Criminal.

Mariana Dantas Catena. Analista Jurídica da Procuradoria Criminal.

Michel Ferreira. Analista Jurídico na Procuradoria de Interesses Difusos e


Coletivos. Especialista em Interesses Difusos e Coletivos pela Escola Superior
do Ministério Público do Estado de São Paulo.

Michelle Aparecida Belli de Souza. Analista Jurídica na Procuradoria de


Justiça Criminal. Graduada em Direito, Especialista em Direito Civil e
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Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

Empresarial aplicado e pós-graduanda em Gestão Pública pela Universidade


Estadual de Ponta Grossa.

Fernando Latorraca. Analista Jurídico da Promotoria de Justiça de Diadema.


Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade de São Paulo.
Especialista em Direitos Humanos pela Escola Superior Verbo Jurídico.

Renata Navarro Pereira. Analista Jurídica na Procuradoria de Justiça Criminal.


Graduada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Especialista em
Direito Processual Penal e Penal pela Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo.

Renato Padilha Sewaybricker. Analista Jurídico na Promotoria de Justiça de


Itu. Pós-graduando em Direito Constitucional e Direito Administrativo pela Escola
Paulista de Direito.

Rodrigo Kiyoshi Fujiwara. Analista Jurídico na Promotoria de Justiça da


Comarca de Santa Isabel. Graduado em Direito pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo

Rodrigo Nunes Serapião. Analista Jurídico na Promotoria de Justiça do Meio


Ambiente de Santo André. Especialista em Direito Civil e Processual Civil pela
Faculdade de Direito Damásio de Jesus.

Sarah Barrera C. Salinas. Analista Jurídica na Promotoria de Justiça da


comarca de Getulina. Graduada em Direito pelo Centro Universitário Eurípedes
de Marília. Conciliadora capacitada pela Escola Paulista da Magistratura.

Vinícius Azeredo Lopes Corrêa de Pace. Analista Jurídico da Procuradoria


Criminal. Graduado em Direito e Especialista em Direito Patrimonial pela
Pontifícia Universidade católica do Rio de Janeiro.
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Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

Romance LI ou Das Sentenças

Já vem o peso do mundo


com suas fortes sentenças.
Sobre a mentira e a verdade
desabam as mesmas penas.
Apodrecem nas masmorras,
juntas, a culpa e a inocência.
O mar grosso irá levando,
para que ao longe se esqueçam,
as razões dos infelizes,
a franja das suas queixas,
o vestígio dos seus rastros,
a sua inútil presença.

(Romanceiro da Inconfidência. Cecília Meireles)


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Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

Agradecimentos
Agradecemos aos colegas e às colegas que tornaram essa ideia possível.

Dedicatória:
Dedicamos o trabalho a todas e todos futuros novos colegas da carreira de
Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo.
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Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

Apresentação

O I curso popular de questões para o IV Concurso de Ingresso à carreira


de Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo é uma
ideia e atitude voluntária de um grupo de pouco menos de 30 Analistas, já
concursados, lotados em diversas regiões do Estado, em Promotorias e
Procuradorias de diversas áreas, e tem o objetivo de oferecer ajuda aos
futuros colegas, disponibilizando uma apostila de questões e dois
simulados, com dissertações e questões discursivas das matérias que
serão cobradas na segunda fase. Não temos vinculação nem orientação
com a Instituição nem com a Banca Examinadora. Embora aprendamos
muito com o trabalho, o conteúdo é desenvolvido com base no altruísmo e
como atividade extraprofissional.

A Apostila
Esta apostila reúne questões por nós elaboradas, com uma abordagem
dinâmica e focada das matérias a serem cobradas na segunda fase do
concurso. Nós estudamos os temas, reunimos a legislação, doutrina e
jurisprudência, e, baseados em provas anteriores de concursos jurídicos,
escolhemos as questões cuja cobrança nesta segunda fase é provável.
Mais à frente, detalharemos o uso esperado da apostila, para o máximo
aproveitamento do conteúdo.

Os simulados
Os simulados serão disponibilizados, em datas a serem divulgadas no
nosso perfil, e estão previstos, um para a semana do dia 15 de outubro e
outro em torno de 10 de novembro, e consistirão num treino da prova a ser
aplicada. Duas dissertações e cinco questões. Os candidatos imprimirão
os simulados, resolverão em casa, à mão e com a própria letra, e deverão
nos enviar, para correção e um pequeno feedback, com orientações sobre
as notas atribuídas e dicas para melhorar o desempenho na prova.

O curso é gratuito e foi feito de forma gratuita. Pedimos a compreensão por


eventuais equívocos e eventual atraso nas respostas das mensagens.
Procuraremos, na medida do possível, ajudar a todos, e, principalmente, a
quem precisa.
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Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

SUMÁRIO

Parte I – Mensagens, instruções e dicas

1. Apresentação do Curso................................................................ 7
2. Pequeno manual de utilização da apostila.................................. 9
3. Pequeno manual para a prova escrita........................................ 11
4. Sobre ser servidor e Analista Jurídico do MP........................... 24

Parte II – Questões

1. Direito Constitucional e Ministério Público.............................. 32


2. Direito Administrativo................................................................. 86
3. Direito Penal.............................................................................. 107
4. Direito Processual Penal.......................................................... 202
5. Direito Civil................................................................................ 315
6. Direito Processual Civil............................................................ 388
7. Direito da Infância e Juventude............................................... 430
8. Direitos Difusos e Coletivos.................................................... 487
9. Direito Comercial e Empresarial.............................................. 563
10. Direitos Humanos..................................................................... 584
11. Direito Eleitoral......................................................................... 602
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Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

APOSTILA DE QUESTÕES – COMO UTILIZAR?


A apostila é uma forma didática e prática de imergir o candidato aprovado para
a segunda fase do concurso de Analista nas matérias e na dinâmica da prova
escrita. Para aproveitar ao máximo o conteúdo da apostila, recomendamos os
passos seguintes:
1) Impressão da apostila – Totalmente opcional. Embora saibamos das
dificuldades financeiras do concurseiro e das pessoas carentes, e
estejamos totalmente atentos à questão ambiental, recomendamos a
impressão da apostila, com recomendação de que seja em cópias com
frente e verso (para maior economia), pois a apostila está montada e
confeccionada com espaços próprios para o candidato treinar sua própria
escrita após a questão. Se a impressão for excessivamente dispendiosa
em termos financeiros, treine a escrita em um velho caderno que já tiver
ou em algum rascunho que possua folhas pautadas e com linhas; conte
um espaço de 10 a 15 linhas, 12, exatamente, que é o que normalmente
a examinadora do concurso oferece para as questões (Isso é
extremamente importante! Para escrever bem, é preciso escrever!);

2) Divida seu tempo de forma racional. Tente resolver, por dia, não várias
questões da mesa matéria, mas pelo menos uma questão de cada
matéria, com um enfoque maior nas matérias-chave, que são Penal,
Processo Penal, Difusos e Processo Civil;

3) Na própria apostila, há, para cada tema, a questão, o espaço que


reservamos para que você responda, e, logo abaixo ou na folha seguinte,
a resposta e explicações pertinentes. Como no dia da prova você não
poderá consultar qualquer material (lei seca, doutrina, súmulas etc.), é
melhor que tente responder com o conteúdo sedimentado que já possui,
e, terminada a resposta por você elaborada, confira no gabarito logo em
seguida. Não se preocupe com os erros e não tenha medo de responder.
Treinar é errar, e é errando que se aprende! A intenção da apostila é
exatamente essa! Estimular o aprendizado e a preparação através do
treino e da autocorreção pelo candidato, com a exploração do próprio
potencial ao resolver as questões e o autodidatismo; se não souber, leia
a resposta elaborada e reescreva, com as próprias palavras, a sua
resposta. Desculpem a redundância, pessoal, mas queremos que saibam
o quanto é importante que TREINEM A ESCRITA!

4) Autodidatismo – Pessoal, uma dica muito importante. Sabemos que


todos, principalmente nessa fase do concurso, buscam sempre um
“esteio” para apoiar-se, algum cursinho para dali tudo absorver ou o
Professor “X” ou “Y”. Ótimo. Os professores e cursinhos, para quem tem
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Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

condições e disponibilidade, podem ajudar, mas garantimos que, nenhum,


absolutamente nenhum deles irá se sentar na sua cadeira no dia 9 de
dezembro e fazer a prova por você! São sua cabeça, sua mão e seu
conhecimento que lá estarão, então, absorvam sim o conteúdo dos
materiais que têm à disposição, mas, acima de tudo, observem-se
respondendo e tomem cuidado de si, com autocrítica e a autoanálise do
próprio conhecimento e escrita. Testem, escrevam, escrevam, escrevam,
e quando cansarem, escrevam mais ainda. São só 2 meses. Dediquem-
se ao máximo. O resultado virá! Tenham certeza! Por isso, esgotem o
conteúdo da apostila e percebam a evolução na sedimentação do
conhecimento.

5) Se for mais proveitoso, atribua-se uma nota após a resolução da questão,


comparando com o gabarito que ofereceremos. Afinal, cada questão vale
10 pontos, e cada um desses pontos é extremamente valioso e importante
para a aprovação. Na apostila, separamos “questão-treino” e “questão-
estudo”, tentando criar um modo mais didático e destinado a racionalizar
seu tempo nas questões que efetivamente escrever. Estude todas elas!

6) Espaço e tempo – Vá dosando, se preciso com um cronômetro, o seu


tempo de prova e o espaço de escrita. Você não terá mais tempo nem
mais espaço para resolver as questões na sua prova. Portanto, atente
para o tempo e espaço.

7) Crie um “ambiente de prova” – A intenção é imergir a todos aos poucos


no “clima da segunda fase”. Assim, resolva as questões num ambiente
silencioso, se possível, com tempo, cronometrado, e sem consulta! Se
precisar, erre escrevendo no espaço mesmo sem saber, e depois, corrija-
se, olhando o gabarito que estará logo abaixo (se precisar, aliás, tape ou
esconda o gabarito/resposta da questão, para que tente resolver primeiro,
e, depois, errando ou acertando absorva o conteúdo). Mais uma vez,
pessoal! Não tenham medo de errar! Errando é que se aprende!

Essas, as dicas de como utilizar a apostila. A seguir, alguns comentários


sobre a sua prova da segunda fase, com base na experiência nossa para
o mesmo concurso que você está prestando!
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Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

RESOLVENDO A PROVA ESCRITA

A seguir, comentaremos as disposições do Edital, para que todos tenham


uma prova tranquila e com tempo, organização e estratégia.
No Edital, são as seguintes as orientações para a prova escrita:

4.3. A Prova Escrita e Discursiva destina-se a avaliar o domínio do


conhecimento jurídico e da prática processual, o desenvolvimento do tema
na estrutura proposta, o domínio da norma-padrão, a adequação da
linguagem jurídica, a articulação do raciocínio jurídico e a capacidade de
argumentação, necessários ao desempenho do cargo.
Comentários: A avaliação levará em conta tanto o conhecimento jurídico, quanto
a sua capacidade de argumentação e dissertação. Treine e observe as suas
construções textuais. Procure responder, efetivamente ao que o examinador te
pergunta. Não é proibido “florear” ou colocar aquele conhecimento “extra”, que
para você, é um diferencial, mas desde que já tenha respondido ao que o
examinador te pergunta. A correção é feita com base em um espelho. Nesse
espelho, há algumas palavras-chave ou frases que o examinador quer ver na tua
prova. Procure identificar essas palavras-chave na matéria estudada e não deixe
de as colocar na prova. Isso é imprescindível. Por exemplo, se o tema for tutela
provisória no Processo Civil, não deixe de falar em “urgência” e “evidência”,
caráter “cautelar” e “antecipatório”, caráter “antecedente” e “incidental”. Claro
que dentro da construção e raciocínio do texto. Não estamos orientando a
colocação de palavras soltas, não. O que estamos orientando é que não deixem
de colocar os termos legais, de súmulas ou doutrina que demonstrem seu
conhecimento.
O examinador não sabe que você sabe o que ele quer que você saiba!
Ele quer ver! Então, demonstre!

4.4. Da Prova Escrita e Discursiva, de caráter eliminatório e classificatório,


constará 2 (dois) temas de redação e 5 (cinco) questões discursivas,
versando sobre o conteúdo programático indicado no Anexo II deste Edital.
As redações normalmente tratam de temas que permitem certa “abertura”, para
desenvolvimento em 25 ou 30 linhas. Não perguntarão, por exemplo, numa
dissertação, sobre um assunto “fechado” e curto, como o conteúdo de um artigo,
somente, ou a diferença entre um crime e outro. É fato que na última dissertação
de penal, o assunto foi prescrição, e, dentro do tema proposto, havia a prescrição
virtual, que é tema de curto desenvolvimento e consta de Súmula do STJ, mas
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Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

era apenas parte de um texto que te obrigava a desenvolver todo o tema da


prescrição.
A seguir, faremos algumas apostas para os temas que podem ser cobrados em
dissertação e orientaremos o estudo para as dissertações.
Não é permitida a consulta, e, é possível, sim, que lhes sejam exigidos conteúdos
que simplesmente constem em texto de lei, a famosa “lei seca”. Procurem,
assim, memorizar os termos legais sobre os temas.

4.4.1. As redações versarão sobre os seguintes temas:


a) primeira redação: Direito Penal ou Direito Processual Penal, com o
conteúdo indicado no Anexo II deste Edital;
Faça um estudo “redondinho” dos temas da parte geral de Direito Penal. Procure
uma boa doutrina e guarde bem os nomes das teorias que circundam os temas.
Nas teorias da Lei Penal no tempo e espaço, por exemplo, revise e repise bem
as teorias da atividade e do resultado, da ubiquidade, princípios da
territorialidade e a “territorialidade temperada” adotado pelo Brasil, nacionalidade
ativa e passiva, defesa, justiça universal.
Nada impede, porém, de cair na dissertação, algum crime específico da parte
especial que tenha “potencial de abertura” suficiente para uma dissertação. Por
exemplo: “Homicídio. Causas de diminuição de pena. Homicídio qualificado.
Feminicídio. Homicídio culposo. Natureza da qualificadora do feminicídio”.
Sem a pretensão de adivinhação, e, obviamente, desprovidos de qualquer
informação da Banca ou da Instituição, para Penal e Processo Penal, sugerimos,
para o aperfeiçoamento em redação, que procurem estudar bem e treinar
redações nos seguintes tópicos, que apelidaremos jocosamente de “apostas”:
Direito Penal
1) Lei penal no tempo. Retroatividade e Ultratividade. Conflito de leis penais
no tempo. Combinação de leis penais. Lei penal temporária e excepcional.
Lei penal em branco e conflito intertemporal.
2) Tempo do crime. Teorias. Teoria adotada pelo Código Penal. Teoria
adotada para efeitos de prescrição. Tempo do crime e crime continuado
e permanente. Súmula 711 do Supremo Tribunal Federal.
3) Lei penal no espaço. Territorialidade. Território por extensão. Teorias.
Ubiquidade, atividade e resultado. Exceções.
4) Extraterritorialidade da lei penal. Extraterritorialidade incondicionada,
condicionada e “hipercondicionada”. Princípios.
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5) Princípios dirimentes do conflito aparente de normas penais. Conflito


aparente. Conceito. Finalidade. Especialidade. Subsidiariedade.
Consunção e alternatividade.
6) Fato típico. Conduta. Resultado. Relação de causalidade e tipicidade.
7) Relação de causalidade ou nexo causal. Conceito. Teorias. Concausas.
Relevância da omissão e imputação objetiva.
8) Crime doloso. Teorias do dolo. Elementos do dolo.
9) Crime culposo. Natureza jurídica, fundamento da punibilidade, conceito e
elementos do crime culposo. Tentativa. Culpa consciente e dolo eventual.
10) Tentativa. Conceito. Elementos. Natureza jurídica. Teorias sobre a
punibilidade da tentativa.
11) Erro de tipo e Erro de Proibição. Teorias. Conceito. Discriminantes
putativas. Erro determinado por terceiro.
12) Iter criminis. Conceito. Teorias. Fases. Exaurimento. Exaurimento como
qualificadora.
13) Causas excludentes de ilicitude. Conceitos. Teorias. Causas supralegais
de exclusão da ilicitude. Excesso.
14) Culpabilidade. Conceito. Teorias. Elementos. Dirimentes de
culpabilidade.
15) Imputabilidade penal. Conceito. Momento para a constatação. Sistemas
ou critérios para a identificação. Causas de inimputabilidade. Emoção e
paixão. Embriaguez. A actio libera in causa.
16) Concurso de pessoas. Conceito. Requisitos. Autoria e participação.
Circunstâncias incomunicáveis.
17) Pena. Conceito. Princípios. Teorias e finalidades.
18) Penas restritivas de direitos. Conceito. Natureza jurídica. Espécies.
Requisitos. Penas restritivas e os crimes de Tráfico de Drogas.
19) Pena de multa. Conceito. Critério de aplicação. Pena de multa e Habeas
Corpus. Pena de multa e violência familiar contra a mulher.
20) Concurso de crimes. Concurso material, concurso formal e crime
continuado. Crime continuado e conflito de leis no tempo.
21) Suspensão condicional da pena e Livramento condicional. Conceito.
Requisitos. Revogação.
22) Condenação penal. Efeitos principais e secundários. Efeitos secundários
penais e extrapenais. Perda de mandato de parlamentares.
23) Da medida de segurança. Conceito. Distinção com a pena. Prazo mínimo
e prazo máximo.
24) Extinção da punibilidade já foi cobrada no último concurso.
Especificamente, cobraram prescrição.
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Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

Parte Especial
1) Do aborto. Conceito. Bem jurídico protegido. Aborto criminoso. Aborto
legal ou permitido. Feto anencefálico.
2) Furto. Conceito e objetividade jurídica. Consumação: teorias. Furto
insignificante, furto famélico e furto privilegiado. Furto noturno e furto
qualificado. Sistemas de vigilância e monitoramento eletrônico e crime
impossível.
3) Roubo. Conceito, objetividade jurídica. Roubo próprio e impróprio. Roubo
simples, circunstanciado e qualificado. Emprego de arma, de arma de
fogo e de arma de brinquedo.
4) Extorsão. Conceito e objetividade jurídica. Extorsão mediante restrição da
liberdade da vítima e extorsão mediante sequestro. Delação premiada.
Extorsão indireta.
5) Peculato. Conceito e objetividade jurídica. Sujeito ativo. Espécies.
Peculato doloso e peculato culposo. Peculato mediante erro de outrem.

Leis penais especiais


1) Crimes hediondos. Conceito e fundamento constitucional. Critérios para
determinação da hediondez. Vedações: anistia, graça e indulto. Regime
de cumprimento de pena. Tráfico privilegiado.
2) Lei de Drogas. Tráfico de drogas. Mandamento constitucional de
criminalização. Associação para o Tráfico. Tráfico privilegiado e
hediondez.

Direito Processual Penal


1) Ação Penal. Espécies. Princípios. O Ministério Público e a Ação Penal.
2) Ação Civil ex delicto. Sentença penal condenatória e efeitos civis. Efeitos
civis da absolvição penal. Estado de Necessidade agressivo e defensivo.
3) Provas: conceito e princípios. Ônus da prova no processo penal. Sistemas
de valoração. Provas ilícitas e provas ilícitas por derivação.
4) Acusação e Julgamento. Mutatio Libelli e Emendatio Libelli. O papel do
Ministério Público.
5) Prisão e medidas cautelares. Características. Princípios. Ministério
Público e as medidas cautelares no processo penal. O poder geral de
cautela no processo penal.
6) Nulidades no Processo Penal. Nulidades absolutas e relativas. Princípios
relativos às nulidades. A reformatio in pejus indireta.
7) Recursos no processo Penal. Princípios, efeitos. Requisitos de
admissibilidade. Embargos infringentes e Ministério Público.
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Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

8) Habeas Corpus. Previsão constitucional, natureza jurídica, conceito e


cabimento. Legitimidade ativa. Pessoa Jurídica e Habeas corpus. O
Ministério Público.
9) Procedimento do Júri. Fundamento constitucional, competência.
Princípios. Fases. Recursos cabíveis nos procedimentos do Júri e a
atuação do Ministério Público.
10) Execução Penal. Princípios Constitucionais. Órgãos da Execução e o
Ministério Público.
11) Organizações Criminosas. Conceito e caracterização. Infrações penais
em que é aplicada. Meios de obtenção de provas. Colaboração premiada:
objeto, benefícios, controle e requisitos. O Ministério Público.

Dissertação 2
(Processo Civil ou Tutela de Interesses Difusos e Coletivos)
Direito Processual Civil
1) Princípios do Novo Código de Processo Civil. Promoção da solução
consensual dos conflitos. Primazia da decisão de mérito. Efetividade. O
princípio da boa-fé processual. Princípio do respeito ao autorregramento
da vontade no processo civil. Cooperação.
2) Atuação do Ministério Público no Processo Civil. Atuação como parte e
como fiscal da ordem jurídica. Hipóteses de atuação como fiscal da ordem
jurídica. Consequências da não atuação do Ministério Público no
processo em que seja obrigatória sua intervenção.
3) Litisconsórcio. Litisconsórcio simples e unitário. Litisconsórcio facultativo
e necessário. Litisconsórcio multitudinário ou limitação do litisconsórcio.
4) Sistema de precedentes vinculantes no Novo Código de Processo Civil.
Efeito vinculante e limites. Incidente de resolução de demandas
repetitivas e Incidente de Assunção de Competência.
5) Tutela provisória. Tutela de urgência: antecipada ou cautelar e incidental
ou antecedente. Estabilização dos efeitos da Tutela Antecipada. Tutela de
Evidência. O Ministério Público como fiscal da ordem jurídica e a
possibilidade de requerimento de tutela provisória.
6) Negociação processual. Cláusula geral de negociação processual:
requisitos e pressupostos. Controle pelo Juiz. Calendário Processual.
7) Mandado de segurança. Previsão constitucional e hipóteses. Hipóteses
legais de não concessão. Oitiva do Ministério Público e obrigatoriedade
do parecer. Mandado de segurança coletivo. Legitimação, objeto e
efeitos.
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Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

Tutela de Interesses Difusos e Coletivos


1) Interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos. O Ministério
Público e a defesa de tais interesses.
2) Ação Civil Pública. Conceito, objeto, legitimação ativa e passiva.
Competência. Coisa julgada e Execução. Contextualize o papel do
Ministério Público no desenvolvimento dos tópicos.
3) Proteção ao patrimônio público e social e improbidade. Ação de
improbidade administrativa: objeto, legitimação e prazos. Atuação do
Ministério Público e possibilidade de celebração de acordo.
4) Inquérito Civil. Natureza. Finalidade. Princípios. Poderes instrutórios do
Ministério Público. Termo de ajustamento de conduta.
5) Direitos do Consumidor. Proteção e defesa. Ações coletivas. Atuação do
Ministério Público na defesa dos direitos do Consumidor.

Na prova passada, em 2015, as dissertações envolviam os seguintes temas:

Direito Penal – Prescrição.


Parte 1. Natureza Jurídica, conceito e modalidades. Parte 2. Prescrição virtual.
A dissertação envolvia conhecimento da doutrina, da lei seca e jurisprudência,
notadamente a Súmula do STJ que refuta a prescrição virtual.

Difusos e Coletivos – Disserte sobre os Direitos e interesses das futuras


gerações, relacionando-os aos princípios da prevenção e precaução, na
temática do dano ambiental.
Conteúdo advindo da legislação (Constituição Federal) e doutrina. Conceito dos
princípios da precaução e prevenção.

4.4.2. As questões discursivas versarão sobre as matérias não


contempladas nas redações, conforme conteúdo programático indicado no
Anexo II deste Edital.
Pessoal, isso não significa que você não deve estudar os tópicos que elencamos
nas “apostas” para as dissertações, ok? O parágrafo nos informa unicamente,
que se um tema foi abordado na dissertação, não será cobrado nas questões.
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Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

Que tipo de questão poderá cair na segunda fase? O que estudar?


Pessoal, é bom avisar a todos que as provas anteriores foram elaboradas por
Bancas diferentes (IBFC e Vunesp). Tomemos como parâmetro a última prova,
feita também pela Vunesp. As questões dissertativas aplicadas no III concurso,
envolveram conhecimento da Lei (Lei seca), conhecimento básico da doutrina e
informativos (STJ e STF).

Na prova de 2015, por exemplo, vejam o conteúdo das questões:


Questão 1 – Processo Penal – Discorra sobre os efeitos do provimento da
revisão criminal, de acordo com o disposto no art. 627 do Código de Processo
Penal, exemplificando, e esclareça se há extensão ao sentenciado não
recorrente, por aplicação do art. 580 do mesmo diploma legal.
A questão, como se pode ver, envolvia conhecimento do art. 627 do CPP, que
trata do reestabelecimento dos direitos afetados pelos efeitos penais
secundários e efeitos extrapenais da condenação, como a devolução da fiança,
recondução à função pública.
Também envolvia conhecimento básico da doutrina e jurisprudência, que
admitem a aplicação do art. 580 do CPP (efeito extensivo dos recursos) ao
corréu que não apresentou a ação.
50% Legislação e 50% doutrina.

Questão 2 – Processo Civil – Considerando menor que se encontra em situação


regular, pretendendo contrair matrimônio, cujos genitores não se opõem às
núpcias, mas que por sua idade, necessita de suprimento de idade e de
consentimento, pergunta-se:
a) É o Juízo da Infância e Juventude competente para julgar a questão?
b) Sendo necessária a intervenção do representante do Ministério Público,
qual seria a consequência de sua não atuação no feito?
Conhecimento de legislação, apenas. Competência da Justiça cível para
apuração de caso que envolva menor que não esteja em situação de
vulnerabilidade e possível nulidade pela não atuação do MP.
100% do conteúdo envolvia Legislação.

Questão 3 – Município “X”, localizado no Estado de São Paulo, cria o “Cartão


Cidadão”, que será emitido somente para moradores do referido Município e
passará a ser necessário para acessar os serviços de saúde municipais. O
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munícipe que não apresentar o documento, ou aquele que for oriundo de outra
municipalidade, terá atendimento de saúde negado nos estabelecimentos
municipais. Pergunta-se: a medida imposta pelo Município “X” é constitucional?
A resposta podia até ser dada com base apenas na Constituição Federal, com o
uso dos princípios do atendimento pelo SUS e a proibição da criação de distinção
de brasileiros. Mas, o candidato que acompanha os informativos do Superior
Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, com certeza, deu uma
resposta mais elaborada, mais completa, pois o assunto foi objeto de julgado.
50% Constituição e 50% Informativos.

Questão 4 – Poderá ser concedida remissão pelo Ministério Público ou pela


autoridade judiciária, na forma do Estatuto da Criança e do Adolescente. Quais
alternativas do Ministério Público, além de remissão ministerial, após oitiva
informal do adolescente? Diferencie remissão pré-processual ou ministerial de
judicial quanto à natureza jurídica e momento da concessão.

A questão exigia puramente o conhecimento do Estatuto da Criança e do


adolescente. Art. 180 e 188 do Estatuto.
100% Legislação.

Questão 5 – Direitos Humanos – Cidadão portador de doença grave necessita


de medicamento de alto custo, de uso contínuo, para sua sobrevivência, mas
não possui condições financeiras de adquiri-lo nas quantias necessárias. O
fornecimento gratuito não é realizado por unidades de saúde pública de nenhum
dos entes federativos, alegando-se que tal medicamento não se encontra nas
listas de fornecimento aprovadas pelo Ministério da Saúde. Tal cidadão procura
o Ministério Público do Estado de São Paulo. Pergunta-se: Pode o Ministério
Público do Estado de São Paulo ajuizar demanda a fim de que o medicamento
seja fornecido ao indivíduo? Fundamente.
100% do conteúdo em informativo.
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Graficamente, então, nas questões discursivas:

QUESTÕES

Informativos
30%

Lei seca
60%
Doutrina
10%

Não estamos estimulando o abandono da doutrina. Absolutamente.


Aqueles que já estão na estrada há algum tempo já sabem como organizar o
próprio estudo. Já têm a dimensão exata do que mais precisam ler e possuem
uma sedimentação maior do conhecimento.
Aos que chegaram agora (há alguns que ainda nem formados estão), é preciso
racionalizar o estudo para que cheguem competitivos na prova, e esse é o
objetivo da esquematização do que já foi cobrado e de que forma foi cobrado.
Algumas dicas, para as matérias da prova escrita, podem ser dadas:
Penal e Processo Penal, são matérias que, para nós, é imprescindível o bom
conhecimento teórico e o acompanhamento com uma doutrina dinâmica e
direcionada às provas. Não obstante, estejam atentos ao conteúdo do Código
Penal, das súmulas e dos informativos.
Direitos difusos e coletivos também exige o conhecimento teórico de alguma
doutrina que o candidato preferir, legislação e informativos. Consumidor,
Ambiental, Improbidade, ACP e Criança e Adolescente são os mais cobrados.
Para Processo Civil, pela “Pouca idade” do Novo Código, foquem nos temas-
chave da Legislação. Tutela provisória, Novo sistema de precedentes
vinculantes, Negociação processual são boas dicas.
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Direito Constitucional, Legislação do Ministério Público e Direito Administrativo,


exigem conhecimento da Legislação e de informativos.
Em Direitos Humanos, atenha-se também a uma doutrina explicativa básica e
tenha atenção aos julgados recentes que envolvem o tema.
Direito Civil e Empresarial, exigem, mormente, conhecimento da legislação.
Direito Eleitoral, procure estar atento às recentes reformas constitucionais e
legislativas envolvendo o tema. Não nos surpreenderíamos com uma questão de
Direito Eleitoral, embora não tenha sido cobrada na última prova.
Com base nesses panoramas, nessas peculiaridades e com o conhecimento de
cada um de nós que preparamos o material, é que a apostila foi elaborada. Há,
aqui, uma mistura de tudo (Lei, doutrina e jurisprudência), com foco total na
segunda fase do nosso concurso.
Aproveitem!

4.4.3. A Prova Escrita e Discursiva terá duração de 4 (quatro) horas, não


podendo o candidato ausentar-se da sala, definitivamente, antes das
primeiras 2 (duas) horas do seu início.
Aqui, futuros colegas, aqui é lugar da morada de um dos maiores mistérios do
mundo e com certeza o maior problema em provas escritas: O TEMPO!
O mesmo tempo que intrigou Albert Einstein e é a exata medida da principal
sanção do Direito Penal (a pena), pode ser o seu principal inimigo no dia da
prova. Não tenha medo dele! Treine e saiba como medir seu tempo!
É FUNDAMENTAL, ABSOLUTAMENTE FUNDAMENTAL, que você fique atento
ao tempo e organize-se para a resolução das questões e das dissertações em 4
horas de prova. Divida o tempo como achar melhor. Você conhece suas
dificuldades melhor que ninguém, e, vá se testando, a apostila é exatamente
para isso. Marque no relógio o tempo de resolução de uma questão.
Nada nos impede, entretanto, de sugerir algumas divisões racionais do tempo.
São 2 dissertações, com até 30 linhas cada uma, e cinco questões, com até 12
linhas cada uma.
Uma sugestão de divisão, é, uma hora para cada dissertação. Sobram 2 horas.
2 horas, são 120 minutos. Divididos por cinco questões, teríamos 24 minutos
para cada questão. É um tempo apertado, mas suficiente.
É pouco para as questões? Tente então, 50 minutos para cada dissertação.
Sobrariam 140 minutos, divididos por 5 questões, resultariam em 28 minutos
para cada questão.
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Acalmem-se. A conta aproximada é uma hora para 30 linhas, mais uma hora
para 30 linhas. Cinco questões, com quase meia hora cada.

É preciso escrever em todas as linhas disponíveis ou podemos ser concisos e


privilegiar a capacidade de resumo, ganhando tempo com isso? Depende.
Há dois tipos de concurseiros: os que acreditam em “lendas urbanas do
examinador”, e os que acreditam e morrem de medo delas.
Uma certa lenda urbana sempre nos é dita: “Escrevam em todas as linhas. Usem
o máximo do espaço. Demonstrem conhecimento ao examinador”. De fato, meus
caros. Vocês não chegaram até aqui para descrever, em duas linhas, o princípio
da dignidade da pessoa humana, não? Mas é preciso lembrar que também não
estão para escrever o Tratado de Direito Privado do Pontes (de Miranda).
Responda exatamente o que foi perguntado e tente aproveitar o máximo do
espaço dado, escrevendo em todas as linhas.
Não obstante, tendo feito um bom texto, tendo respondido a todos os
questionamentos, para obtenção de mais tempo, os que julgarem que foram
concisos e precisos o suficiente para não ocuparem todas as linhas, poderão o
fazer, livremente. Aqui só estamos oferecendo sugestões.
E, de fato, se o examinador é dotado de racionalidade, você até poderá ganhar
pontos com o poder de síntese nas questões. A escolha é livre.

Como utilizar os espaços para rascunho?


Na prova, serão oferecidas folhas de rascunho e a folha do texto definitivo.
CUIDADO PARA NÃO CONFUNDIR AS FOLHAS.
Não será fornecida nova folha de respostas. Na Vunesp, a folha de rascunho
contém a expressão “RASCUNHO” ao fundo das linhas.
Nas folhas de rascunho, se você conseguir elaborar uma dissertação inteira em
rascunho e depois passá-la a limpo na folha definitiva, provavelmente você não
terá tempo para as questões, ou, é um prazer conhecê-lo, “The Flash”.
Brincadeiras de lado, se você conseguir um esboço de dissertação antes de
escrever a definitiva, ótimo. Há quem consiga. Tente. Faça uma dissertação
sobre um dos temas por nós propostos e marque seu tempo!
Para uma boa parte dos concurseiros, rascunhar não é escrever a dissertação
inteira e depois passar a limpo. Não dá tempo! Se não conseguirem, não teimem
nesse ponto pessoal! O tempo é crucial!
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No rascunho, aconselha-se o uso de tópicos, palavras ou frases-chave,


apontamentos e remissões. Se preciso, faça até uma pequena estrutura das
dissertações e das questões, para que, as escrevendo, não esqueçam de nada.
Feito isso, escrevam efetivamente a dissertação e as questões na folha
definitiva, e à caneta. Vocês estarão muito bem treinados até lá!
Treinem na apostila!

Como elaborar a dissertação?


Há muita diferença em relação à velha dissertação do colegial?
Um texto dissertativo é o mesmo em qualquer lugar da sua vida acadêmica e
profissional. A estrutura é praticamente a mesma. Mas, para a prova, é
importante observar algumas peculiaridades.

Estrutura Geral
A estrutura é a velha antiga ensinada nos cursinhos e colegiais.
Introdução, desenvolvimento do tema e conclusão.
Para 30 linhas, 4 ou 5 parágrafos. Linguagem técnica, escorreita e impessoal
(sem o uso da primeira pessoa). Não se usa “pensamos que”, “entendemos que”.
Capriche na grafia e não utilize palavras rebuscadas cujo real conteúdo você não
compreenda. Uma boa dissertação não significa uma dissertação erudita, com
um português “rocambolesco”, bem típico do “pessoal do Direito”.

Peculiaridades
Saiba muito bem o que o examinador está pedindo.
Há quem recomende sempre um parágrafo de introdução, com alusão a
princípios e à base constitucional do tema cobrado. Mas tenha cuidado.
Na dissertação de Direito Penal da prova passada, por exemplo, o examinador
pediu: “Prescrição Penal. Natureza Jurídica, conceito e modalidades. ”
Muitos de nós, do último concurso, no parágrafo de introdução, tratamos sobre
a imprescritibilidade como exceção e a prescrição como regra, tratando do
racismo e da ação de grupos armados contra o Estado etc. Lindo!
Lindo? Não. Não para o examinador. Não foi cobrado o tema imprescritibilidade
prevista na Constituição. O espelho não previu a pontuação.
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Ok, Curso, mas o que abunda não prejudica, não?


Correto, candidato. Mas você tem apenas trinta linhas para discorrer sobre o
tema. Guarde espaço para “abrir” mais o tema nos tópicos efetivamente
cobrados pelo examinador.
Por exemplo, na mesma prova, pontuou mais quem tratou com maior
profundidade as modalidades da prescrição, citando por exemplo as Súmulas
que tratam do aumento da prescrição pela reincidência apenas para a prescrição
executória, dentre outras peculiaridades.
Pontuou mais quem abriu o tema efetivamente pedido e não “floreou” com um
conteúdo que nem cobrado foi.
Sintam-se mais livres, porém, se o tema contiver maior abstração, como foi o
caso da Dissertação de Difusos, em que, invariavelmente, a remissão à
Constituição Federal era quase obrigatória, por conta do princípio da
solidariedade intergeracional, que nela está previsto.
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E, Curso, o que esperar da Carreira? Porque o curso está sendo oferecido?


Ser Analista é bom? É legal?

Pessoal, pela curiosidade que o candidato obviamente tem, e pelas explicações


que nós Analistas podemos oferecer, elaboramos um pequeno texto para tentar
demonstrar o quão importante é nosso cargo e o quanto vem sendo valorizado
na instituição. Perspectivas. Aspirações. Realidade.
Talvez isso reflita um pouco o sentimento de boa parte de nós, Analistas.
E vocês, que estão chegando, leiam com atenção.

“Neofuncionalismo e democratização da Justiça brasileira.


O triunfo contemporâneo do amor do servidor pelo seu papel.”1 2

Prólogo
“Chega da frieza do Direito. Queremos o amor da Justiça!”
(De um simples cidadão a um profissional da Justiça)

Pobre do Direito. Como ciência e como fato social, imunizou-se das


contaminações das aflições do injusto. A cessação da injustiça e a entrega a
cada um daquilo que “é seu” deixou de ser o alimento dos aplicadores, julgadores
e tribunais. Resumiu-se, o sistema jurídico, a uma conversão pura e simples de
fórmulas conceituais, dissociadas da realidade humana e social. O corpo da
justiça não é mais nutrido pelas necessidades dos indivíduos vivos que a ele
estão sujeitos. O conhecimento jurídico se torna “frio e estéril, formal e formular,
abstrato e conceitual, no lugar de humano e sensível, dialógico e reflexivo,

1 Sim. Você já leu algo parecido. O título tem origem no conhecidíssimo “Neoconstitucionalismo
e Constitucionalização do Direito. O triunfo tardio do Direito Constitucional contemporâneo no
Brasil”, do hoje Ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso. Disponível em:
[Link]. Acesso em 13/10/2018.
2 No excelente artigo do jurista carioca, é explicado o fenômeno chamado pela doutrina de

“neoconstitucionalismo”, que seria, sem medo da redundância, o “novo direito constitucional”.


Barroso expõe, principalmente, a força contemporânea do Direito Constitucional, expondo os
marcos que deram origem ao fenômeno: marco histórico, marco filosófico e marco teórico e
elenca os efeitos da “constitucionalização do direito”.
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socialmente vocacionado”3. A sensibilidade com as questões humanas foi


esterilizada.
Eduardo Carlos Bianca Bittar, Professor do Largo de São Francisco, bem nos
lembra dos “homens da ciência” e sua inacessibilidade. Aproveitamos, com ele
concordando, para também retratar a forma de apresentação das autoridades
públicas e o “frenesi da idolatria”, típicos dessa cultura jurídico-circense da “Era
dos concursos”. Com o prestígio exacerbado e cego ao “topo”, perde-se o olhar
ao corpo. A inflação da persona esvazia a função pública que exerce.
Há primazia desta “imagem estereotipada da seriedade, do racionalismo, do
linear-vertical, do fixo, do rigoroso, do discursivo-empolado, do masculino.”4
Perde a Justiça, o feminino, a imagem materna; perde o afeto. As parcas
lembranças que se tem são as estatuetas de Dikè e Iustitia (da tradição grega e
romana) empoeiradas nos escritórios de advogados e aplicadores do Direito.
“A superação desse paradigma implica em trazer a consciência o fato de que o
Direito, quando se afasta da Justiça, revela-se, em grande parte, arbítrio, força
opressora, puro ato de imposição, e, com isso, sem ser balança, oprime pela
espada que deve proteger”.5
Quanto mais o Direito se identifica com a instrumentalidade, mais se distancia
da possibilidade de fazer-se o justo; “mais propenso se torna a anestesiar a
compreensão sensível e emotiva do mundo”.6
O sistema de Justiça (entendido como o que envolve todos os atores e
aplicadores do Direito: Juízes, Advogados, Assistentes, Defensores, Analistas,
Promotores e intérpretes) precisa, prementemente, da superação do protótipo
do poder pelo do amor.

(Pausa para a pergunta: Que viagem, Curso. Tudo isso para quê?)

O que queremos te mostrar, candidato, é a importância da carreira de Analista


para o sistema de justiça (e não só o Analista do Ministério Público, mas o
Assistente dos Tribunais, e os Analistas das demais instituições ligadas à
Justiça), e, principalmente, despertar o teu amor pelo cargo e pela Justiça, enfim.

3 BITTAR, Eduardo Carlos Bianca. Razão e afeto, Justiça e Direitos Humanos: dois paralelos
cruzados para a mudança paradigmática. Revoluções Frankfurtianas e a revolução pelo afeto.
Revista Mestrado em Direito. Ano 8, N. 1. 2008. p. 99 a 128.
4 Idem.
5 Idem.
6 Idem.
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O/a ingressante à carreira deve atentar para o fato de que pode, sim, e deve,
acima de tudo, valorizar o próprio papel que tem no sistema de justiça.
O que propomos é um “despertamento da sensibilidade” do Analista para a
importância do trabalho que desempenha (desempenhará, no caso de vocês
candidatos) e o nascimento de uma “Ponte do afeto” entre tudo o que você
estudou até hoje e o trabalho que agora exercerá.
Romantizado o tema na intrudução, voltemos ao artigo. Seremos rápidos!

Neofuncionalismo e democratização da justiça brasileira

Há, no sistema de justiça brasileiro, sem dúvida, um novo jeito de se trabalhar.


No Judiciário, no Ministério Público, nas Defensorias.
Surgem, a cada dia, mais funções ligadas à Assistência e auxílio no desempenho
da função pelo Promotor de Justiça, Juízes, Desembargadores, Procuradores,
que, até pouco tempo, sempre carregaram, sozinhos, o peso hercúleo do
trabalho de entregar, a tempo, a prestação jurisdicional.
As manifestações e decisões judiciais têm, agora, na maior parte delas, a
participação da “autoridade e sua equipe”. Hoje, não tem mais o aplicador do
Direito “a solidão do trabalho e do argumento”. É assistido e auxiliado por
profissionais igualmente concursados e competentíssimos, que contribuem com
conhecimento técnico e material no desempenho dos trabalhos.
Não há mais, apenas, um “auxílio” puramente formal e instrumental. Há, sim,
apoio técnico, com conhecimento jurídico e participação efetiva no sistema da
justiça. Não se resume mais, o assistente ou analista, a simplesmente exercer
funções burocráticas ou administrativas (e a essas funções, aliás, se tem todo o
respeito e prestígio). Não há mais a total ausência de ingerência do funcionário
auxiliar no mérito da manifestação processual. Tem-se, sim, verdadeiro
“aprofundamento técnico” do profissional, no desempenho da função pelo
profissional que assiste. Há efetiva participação do Analista e do Assistente na
decisão e manifestação. E na maioria absoluta dos casos, esse auxílio e
assistência é extremamente producente, produtivo e democrático. Ganha o
Desembargador com o Assistente e ganha o Assistente com o Desembargador;
ganha o Analista com o membro do MP e ganha o membro do MP com o Analista.
Não se fala aqui em enfraquecimento do papel dos Juízes e Promotores. Não. O
poder decisório e instrutório sobre o “ato final” continua com o magistrado, com
o membro do Ministério Público. É a Constituição de 1988 quem lhes garante
isso. Mas o que se quer dizer é que, com as novas formas de análise, assistência
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Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

e auxílio, os atos tornaram-se mais céleres e mais democráticos. Tem-se a exata


ideia de que há “uma equipe”, e não um.
Há, pois, um novo funcionalismo no sistema de justiça, um “neofuncionalismo”.
O funcionalismo passa a ser mais democrático, plural, racional.
E a carreira de Analista Jurídico do Ministério Público de São Paulo é um
exemplo desse novo funcionalismo. Membros do MP paulista, hoje, são
assistidos pelos Analistas, colegas de instituição, nas manifestações
processuais, diligências e decisões.
Constituída por ótimos e capacitadíssimos (reforce-se) profissionais do Direito,
a carreira de Analista do Ministério Público paulista não inova só em relação ao
sistema de justiça, mas traz novos caracteres também à própria Instituição, que,
por sua vez, parece cada vez mais investir no cargo.
Para demonstrar essa nova mentalidade da Instituição, elencaremos três
“marcos”, que dizem respeito à Instituição e aos Analistas, que julgamos
fundamentais: que dizem respeito à instituição, o marco histórico-institucional, o
marco funcional, e, que diz respeito ao Analista, o marco perceptivo ou de
sensibilização.

Marco histórico-institucional
A Lei complementar estadual nº 13.794 de 4 de novembro de 2009 criou, pela
primeira vez, o cargo, então chamado de “Analista de Promotoria”.
A Lei não trouxe as atribuições dos Analistas, que deveriam ser estabelecidas
por ato específico do Procurador-Geral de Justiça.
O Ato normativo nº 663/2010, então, tratou das atribuições.7
O Ato n 818/2014 complementou as disposições.8
Remetemos o candidato à leitura dos atos, para que já vão se acostumando às
novas funções e atribuições.
A carreira se expandiu. A nomenclatura foi alterada para “Analista Jurídico”, por
abarcar com mais fidelidade o significado do cargo. A Instituição percebeu o
papel importantíssimo do Analistas, 4 concursos (com o atual) foram realizados
e hoje, tem-se uma estimativa de mais de 2 mil Analistas Jurídicos em todo o
Estado de São Paulo, em Procuradorias e Promotorias.

7
[Link]
8
[Link]
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A história da Instituição Ministério Público paulista, pois, agora, tem, em seus


capítulos, a criação da nova e muito bem-vinda carreira de Analista. E cada vez
mais a Instituição parece passar a mensagem da importância do cargo.
Aproveitamos para citar o colega de Bauru, Francisco Mattosinho:
“O Analista é o servidor que oxigena a atuação do Ministério Público. Com seu
conhecimento recém-adquirido para a aprovação e a continuidade nos estudos
para se alcançar outros cargos, o Analista pode contribuir de maneira relevante
para a atuação do membro e para se efetivar os objetivos constitucionais
atribuídos ao Parquet.
A preparação das peças permite que o Analista desenvolva raciocínio jurídico e
adquira conhecimento prático sobre os temas em que atua. Essa aliança entre
teoria e prática mostra-se relevantíssima na preparação para eventual ingresso
em outras carreiras jurídicas. O cargo propicia amadurecimento na vida e na lida
com o Direito.
Além da atuação eminentemente intelectual do Analista, em algumas
Promotorias, há atendimento ao público, momento em que várias demandas são
apresentadas e devem ser filtradas para se verificar quais delas exigem atuação
ministerial.
Em muitos casos, o Analista é chamado para realizar atendimentos mais
complexos, a fim de apresentar a melhor solução ao caso concreto, sempre sob
a supervisão do Promotor a que está subordinado.
Com relação à estrutura, acredito que o MPSP não deixa nada a desejar. Dentre
vários benefícios que o cargo proporciona, recentemente, houve
regulamentação do teletrabalho (Home Office), o que tem facilitado a vida de
colegas que estão lotados em Comarcas maiores, onde o deslocamento para o
trabalho é mais difícil.
Em síntese, a carreira de Analista Jurídico proporciona satisfação pessoal e
profissional para o candidato que almeja integrar os quadros de uma das mais
respeitadas instituições do país, que prima pelo fiel cumprimento de seu papel
constitucional. Tenho certeza que aquele que escolhe prestar o concurso e logra
êxito em ser aprovado encontrará um ambiente rico de experiências e
oportunidades para crescer pessoal e profissionalmente.”9

Marco funcional

9 [Link]
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Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

“Marco” funcional, singularmente, não reflete a realidade dos acontecimentos


que culminaram na valorização da carreira de Analista.
Mais fielmente falar em “marcos funcionais”, como os acontecimentos que
fortaleceram e fortalecem, diariamente, o cargo.
Um deles, sem dúvida, é a criação da “AAJUMP”. A criação de associação
própria para o cargo é um sinal de solidez e fortalecimento da carreira.
Fundada em 18 de abril de 2015, “a AAJUMP foi constituída com a finalidade de
representar a carreira dos Assistentes Jurídicos perante a direção do Ministério
Público e demais autoridades públicas do Estado, tendo se tornado, logo no
primeiro mês de existência, a maior entidade representativa da carreira. (...) com
base territorial em todo o Estado de São Paulo, tem por finalidade estatutária
defender os direitos e interesses da categoria profissional dos seus associados,
e prestar-lhes assistência, bem como aos seus dependentes e familiares, direta
ou indiretamente, assim como qualquer ato que afete a sociedade e o patrimônio
público.”10
A mobilização de 2017, que reuniu mais de 300 Analistas na Assembleia
Legislativa de São Paulo também demonstrou bem esse processo de afirmação
da carreira e solidificação funcional, bem como, o anseio dos Analistas por
melhoras estruturais na carreira.
Se já havia um processo de sedimentação e valorização institucional da carreira,
com a Lei complementar nº 1.302 de julho de 2017, o Estado de São Paulo
demonstrou a importância do cargo, aprovando projeto de reestruturação e
melhoras ao servidorismo do Ministério Público. As melhoras para a carreira de
Analista, talvez, sejam as mais significativas.
O salário, que quando do início não ultrapassava os 4, 5 mil reais, hoje em dia,
ultrapassa os 9 mil reais mensais (bruto). E o MP paulista, aliás, na vanguarda,
consolida o preenchimento do cargo por concurso público, já que, em alguns
Estados, o cargo tem natureza de cargo de confiança.
A Instituição e o Estado sinalizam a importância do cargo.

Marco perceptivo ou de sensibilização

Feitos os esforços pela Instituição e pelo Estado de São Paulo em prol da


carreira, é importante, acima de tudo, que o Analista mesmo perceba a
importância do próprio cargo.

10 [Link]
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Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

O marco perceptivo ou de sensibilização é muito mais propositivo do que já


existente e se destina tanto aos colegas Analistas quanto aos novos
ingressantes, futuros colegas.
É preciso valorizar a carreira de Analista!
A comparação é esdrúxula, mas tem o objetivo de alertar para o inesperado: a
felicidade que a carreira de Analista proporciona; a sensação de pertencer à
Instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbida da
defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e
individuais indisponíveis; o aprendizado; o amor por tentar fazer o justo!
Nós já somos do Ministério Público!
O esbravejo é dirigido aos colegas que enxergam a carreira como “algo de
passagem” ou aos novos ingressantes que “entram querendo sair”. Ora, meus
caros, a vida é uma passagem, mas isso não significa que você tem que apenas
viver uma “vida de passagem”. O cargo é (e será, no caso dos candidatos), fruto
de muito suor e dedicação! O aproveite!
Muito se tem de retrógrado na simples questão: “Você é Analista, mas estuda
para quê?”. A resposta ideal é: Eu estudei para ser Analista Jurídico! E muito!
Uma autocrítica e uma percepção do olhar alheio é: “A imagem que o Analista
tem dele mesmo, por vezes, é a de ciclo não encerrado, expectativa de direito
ou de meros nascituros no mundo jurídico. Não!
Somos juristas já nascidos! Aplicamos conhecimento técnico no dia a dia, e a
Instituição e os membros cada vez mais percebem e reconhecem isso.
Nos corredores da Instituição, há Analistas felizes, satisfeitos com o cargo e
cientes do papel fundamental que desempenham.
E se é importante perceber o papel do Analista como fundamental à democracia
nos atos da Instituição, é importante perceber que o acesso ao cargo também
deve ser o mais democrático possível!
Por isso, com a percepção da necessidade de inclusão e conscientização, surge
o I Curso Popular de questões para a segunda fase, que busca, primordialmente,
dois objetivos: I) dar oportunidade a pessoas menos abastadas para que tenham
um material de qualidade para estudar para a prova escrita; II) demonstrar que
já temos ótimos integrantes dos quadros da carreira, aptos a produzir bom
material, de qualidade.
31

Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

Conclusão e retomada da mensagem do prólogo

Ayrton Senna, o brasileiro que falava com os olhos, um dos maiores ídolos do
esporte mundial, em entrevista a outro piloto, certa vez, rebatia a crítica a ele
dirigida sobre seu jeito “arisco” e arriscado de pilotar, que, supostamente,
colocava em risco tanto ele quanto outros competidores.
Senna respondeu, em inglês: “Being a racing driver means you are racing with
other people and if you no longer go for a gap that exists you are no longer a
racing driver because we are competing.”11, o que significa, em livre tradução,
“Ser um piloto significa que você está correndo com outras pessoas, e, se não
for atrás de uma brecha ou espaço que existir, você não mais é um piloto...”.
O que queremos que percebam, candidatos, é que, o papel do jurista é,
principalmente, a busca da Justiça. E, seja no cargo que for, advogado, Juiz,
Promotor, Defensor, Delegado ou Analista, tente realizar a Justiça!
Quem, em qualquer cargo, esquece a busca pela Justiça, não é verdadeiramente
um jurista. E a melhor forma de realizar a justiça é: tentar fazê-la com amor!
Tenha amor pelo cargo! Amor pela instituição! Amor pela justiça!

Vai, Analista! Sê o que já és!

Aproveitem o material!
Felizes e ansiosamente, os aguardamos aqui!

Curso Popular

11 [Link]
longer-a-racing-driver/
32

Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

1. Direito Constitucional e Legislação do Ministério Público


Conceito, classificação, objeto e elementos das Constituições.
Princípios constitucionais da República Federativa do Brasil.
Estado, Governo e Organização Federal, Estadual e Municipal.
Direitos e deveres individuais e coletivos.
Direitos Sociais.
Nacionalidade e Cidadania.
Direitos Políticos e Partidos Políticos.
Repartição de competências. Administração Federal, Estadual e Municipal.
Poder Legislativo. Processo Legislativo. Poder Executivo. Presidente da
República, Ministros e Conselhos. Poder Judiciário, Supremo Tribunal Federal,
Superior Tribunal de Justiça, Tribunais Regionais Federais e Tribunais
Estaduais.
Ministério Público: fins, princípios, organização, garantias, vedações e funções.
Conselho Nacional da Justiça e Conselho Nacional do Ministério Público. Lei
Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei Federal n. 8.625, de 1993) e Lei
Orgânica do Ministério Público do Estado de São Paulo (Lei Complementar
Estadual n. 734, de 1993)
Ordem Social.
33

Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

Conceito, classificação, objeto e elementos das Constituições.


QUESTÃO-TREINO
Os artigos 127 a 130 da Constituição Federal de 1988 estabelecem as
normas atinentes ao Ministério Público. Em qual categoria seriam
enquadrados tais dispositivos, com base na classificação quanto à eficácia
e aplicabilidade das normas constitucionais de José Afonso da Silva?

Resposta: A norma estabelecida no caput do art. 127, que consagra a instituição


Ministério Público, é elemento orgânico da Constituição e tem eficácia plena e
aplicabilidade imediata, “autoaplicabilidade”. O texto indica isso: “Art. 127. O
Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do
Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos
interesses sociais e individuais indisponíveis. ” Por outro lado, há, no §5º do
artigo 128, porém, a previsão de que, “leis complementares da União e dos
Estados, cuja iniciativa é facultada aos respectivos Procuradores-Gerais,
estabelecerão a organização, as atribuições e o estatuto de cada Ministério
Público (...)”. É, como se pode perceber, uma norma constitucional de eficácia
limitada, cuja aplicação depende de atividade legislativa ulterior. José Afonso dá,
a esta última, a classificação de norma constitucional limitada de princípio
institutivo.12

Princípios constitucionais da República Federativa do Brasil.


QUESTÃO-TREINO
A Constituição Federal estabelece os casos de intervenção federal nos
Estados ou no Distrito Federal em seu artigo 34. Uma das hipóteses, trata
da intervenção para “garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas
unidades da Federação”. A quais poderes o dispositivo se refere e qual o

12DA SILVA, José Afonso. Aplicabilidade das normas constitucionais. 7. ed. São Paulo,
Malheiros, 2008, p. 134/135.
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Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

procedimento de intervenção para o caso? Constitui, o Ministério Público,


“Poder” para fins de intervenção federal?

Resposta: A Constituição Federal de 1988 elenca quais os poderes: Poder


Legislativo, Poder Executivo e Poder Judiciário. O art. 36, I, estabelece que, caso
o coacto ou impedido seja o Poder Executivo ou o Legislativo, é necessária
solicitação; caso o Poder coagido ou impedido seja o Poder Judiciário, haverá
necessidade de requisição do Supremo Tribunal Federal. Apesar da estatura
constitucional do Ministério Público, não tem ele estrutura de Poder como têm o
Legislativo, o Judiciário e o Executivo.

QUESTÃO-ESTUDO
Disserte sobre a teoria do estado de coisas inconstitucional abordando
obrigatoriamente a origem, pressupostos, papel da Corte Constitucional,
previsão legal, críticas e relação com o fenômeno da “erosão da
consciência constitucional. ”
R: A ideia do estado de coisas inconstitucional foi cunhada pela Corte
colombiana ao analisar dois casos: o deslocamento forçado promovido pelas
FARC que invadiam determinados lugarejos e expulsavam moradores de suas
casas e pela análise do sistema penitenciário colombiano.
Verifica-se o fenômeno do Estado de Coisas Inconstitucional quando há um
quadro de grave violação dos direitos fundamentais, ocasionado pela inércia das
autoridades públicas, de modo que somente mudanças estruturais na atuação
do Poder Público, bem como, a atuação concatenada de uma pluralidade de
autoridades possa modificar o quadro.
O estado de coisas inconstitucional pressupõe a presença concomitante de três
pressupostos: o primeiro é de origem fática e se consubstancia na violação
generalizada e sistemática de direitos fundamentais de modo a afetar um número
elevado e indeterminado de pessoas; a segunda é de cunho político e se revela
na medida em que ocorre um conjunto de ações e omissões reiteradas e
tendentes a perpetuar ou agravar o quadro de inconstitucional, podem ser
35

Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

condutas comissivas ou omissivas; e por fim, um pressuposto jurídico,


consistente na necessidade de medidas estruturas para superar as violações
constatadas, sendo a responsabilidade compartilhada por todos os entes
políticos.
Presentes os pressupostos, a Corte promoverá um verdadeiro diálogo
institucional entre os poderes sobre a questão, de modo a proteger os direitos
fundamentais. Neste dialogo, a Corte terá que tomar uma atuação proativa, de
modo a tomar medidas capazes de organizar a falta de coordenação entre os
órgãos públicos, fixando remédios estruturais voltados à formulação e execução
de políticas públicas que podem até, implicar em interferência direta na execução
de políticas públicas. Embora tenha uma atuação proativa, as ordens emanadas
do Poder Judiciário são flexíveis, limitando-se a formular parâmetros dentro dos
quais os Poderes Executivo e Legislativo devem atuar. O Poder Judiciário deve
ainda ter um papel de monitorar continuamente os demais Poderes de modo a
tornar a prática efetiva.
Em virtude da total falta de previsão legal e por implicar num papel atípico por
parte do Poder Judiciário, a técnica do estado de coisas inconstitucionais deve
ser reservada a situações excepcionais, cuja atuação do Poder Judiciário, nesse
viés proativo, seja essencial para a solução do quadro.
No Brasil, o principal precedente relacionado ao estado de coisas
inconstitucional foi a ADPF 347 em que se discutiu a situação do sistema
penitenciário brasileiro à luz dos preceitos fundamentais da Constituição. O STF
reconheceu, em sede liminar, que o sistema penitenciário brasileiro vive uma
situação de estado de coisas inconstitucional, com uma violação generalizada
de direitos fundamentais dos presos, sendo que a responsabilidade por essa
situação deve ser atribuída aos três poderes.
A teoria do estado de coisas inconstitucional é bastante criticada por parte da
doutrina, sob o argumento de que o Poder Judiciário estaria intervindo de forma
ilegítima na formulação de políticas públicas, invadindo a competência dos
Poderes Legislativo e Executivo.
Tal crítica é rebatida ao argumento de que a concepção moderna de separação
de poderes pressupõe que não mais admite a inércia do poder público. Há direito
por parte dos particulares a prestações, acarretando aos poderes públicos
obrigações conforme o texto constitucional. Neste diapasão, uma atuação pró
ativa por parte do Poder Judiciário é justificada, de modo a impedir o fenômeno
da erosão da consciência constitucional elaborada por Karl Loweinstein. Tal
fenômeno se caracteriza pela indiferença dos destinatários do poder perante a
Lei Fundamental, criando um sentimento de que a Constituição não é
respeitada.13

13CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Invasão de domicílio (art. 150 CP). Disponível em
Buscador Dizer o Direito. Acesso em 7 de setembro de 2018.
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QUESTÃO-ESTUDO
Disserte sobre o princípio da proporcionalidade/razoabilidade, abordando,
obrigatoriamente: definição, previsão legal, dimensões, subclassificações
e críticas.
Resposta:
O princípio da proporcionalidade ou razoabilidade é uma diretriz utilizada pelos
aplicadores do direito como instrumento na avaliação dos meios empregados e
nas finalidades pretendidas pelas normas jurídicas. Assim, o princípio da
proporcionalidade serve para controlar a constitucionalidade material tanto da
atividade legislativa, quanto administrativa e judicial.
Há forte embate doutrinário a respeito do fundamento legal do princípio da
proporcionalidade. No entanto, na jurisprudência do STF prevalece que referido
princípio deriva devido processo legal, conforme o art. 5º, LIV, em sua face
material ou substantiva.
O princípio da proporcionalidade pode ter um aspecto positivo e um negativo. O
positivo se relaciona no controle do chamado “excesso de poder”, pressupondo
a legitimidade dos meios utilizados e dos fins perseguidos pelos órgãos estatais
e a adequação e a necessidade do que se visa. O objetivo então, é perquirir a
partir de quando esse poder se torna excessivo em relação ao “núcleo essencial”
de algum dos direitos fundamentais em discussão, caracterizando a chamada
“proibição do excesso”. Por sua vez, o negativo, é utilizado para censurar a falta
ou insuficiência de medidas estatais adequadas e necessárias ao cumprimento
do dever estatal de garantia dos direitos fundamentais. Teve sua origem na
Alemanha e recebe o nome de “proibição da proteção deficiente”.
O princípio da proporcionalidade se divide em outros 3 subprincípios:
adequação, onde vai se perquirir a aptidão do meio utilizado para atingir a
finalidade pretendida, isto é, verificar se a restrição imposta ao direito
fundamental é adequada ao fim visado; o segundo subprincípio é do da
necessidade, que consiste em averiguar se não há outro meio que restrinja em
menor grau o direito fundamental violado e que obtenha resultados próximos; e
por fim, a proporcionalidade em sentido estrito, em que se analisa se o resultado
obtido é melhor do que o ônus imposto pelo mesmo.
As críticas ao princípio da proporcionalidade se relacionam mais com a sua
aplicação pelos Tribunais brasileiros do que o conteúdo do mesmo, em si.
Argumenta-se que ocorreu a banalização do princípio da proporcionalidade, em
virtude de aplicações cotidianas e sem sistematicidade.
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Organização governamental
QUESTÃO-TREINO
Diferencie sistema de governo, forma de governo e forma de Estado:

Resposta:
“Art. 1º. A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos
Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático
de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania III - a
dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre
iniciativa; V - o pluralismo político. Parágrafo único. Todo o poder emana do
povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos
termos desta Constituição. ”
-Forma de governo: entende-se o regime político (ou sistema político) ao
conjunto de instituições políticas por meio das quais um Estado se organiza de
maneira a exercer o seu poder sobre a sociedade. Republicana (coisa pública;
igualdade; temporariedade dos mandatos; eletividade; responsabilidade dos
governantes).
-Forma de Estado: é a forma em que o Estado é estruturado. Como a Federação,
que é uma cláusula Pétrea na CF, cujas capacidades políticas Administrativas e
Legislativa, são distribuídas para a competência de entes regionais, possuindo
então autonomia. Dessa forma, a Federação faz-se através da união de diversos
Estados que, embora percam sua soberania em relação ao Estado Federativo,
mantêm sua autonomia.
-Sistema de governo: Presidencialista. Modelo de sistema em que há
concentração do chefe de governo e o chefe de Estado na figura de uma só
pessoa, o Presidente, mas não deve jamais ser confundido com monarquia ou
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algo do gênero, pois neste sistema os governantes devem ser escolhidos pelo
povo, pressupondo assim, a democracia (regime de governo).
-Característica do Estado: Estado Democrático de Direito. Regime democrático
pode ser entendido como aquele em que o poder é emanado do povo, um regime
que proporciona voz e ação à população através na criação de leis, fiscalização
(remédios constitucionais), escolha dos representantes, direta ou indiretamente
e etc.

Direitos e deveres individuais e coletivos.

1) Leis relacionadas ao tema

Constituição Federal

2) Súmulas dos Tribunais superiores

SÚMULA VINCULANTE Nº 1: Ofende a garantia constitucional do ato jurídico


perfeito a decisão que, sem ponderar as circunstâncias do caso concreto,
desconsidera a validez e a eficácia de acordo constante de termo de adesão
instituído pela Lei Complementar 110/2001.
SÚMULA VINCULANTE Nº 5: A falta de defesa técnica por advogado no
processo administrativo disciplinar não ofende a constituição.
SÚMULA VINCULANTE Nº 18 - A DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE OU DO
VÍNCULO CONJUGAL, NO CURSO DO MANDATO, NÃO AFASTA A
INELEGIBILIDADE PREVISTA NO § 7º DO ARTIGO 14 DA CONSTITUIÇÃO
FEDERAL.
SÚMULA Nº 667: Viola a garantia constitucional de acesso à jurisdição a taxa
judiciária calculada sem limite sobre o valor da causa.
SÚMULA Nº 654: A garantia da irretroatividade da lei, prevista no art 5º, XXXVI,
da Constituição da República, não é invocável pela entidade estatal que a tenha
editado.
SÚMULA Nº 667/STF: Viola a garantia constitucional de acesso à jurisdição a
taxa judiciária calculada sem limite sobre o valor da causa. SÚMULA Nº 654: A
garantia da irretroatividade da lei, prevista no art 5º, XXXVI, da Constituição da
República, não é invocável pela entidade estatal que a tenha editado.
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Súmula 403-STJ: lndepende de prova do prejuízo a indenização pela publicação


não autorizada da imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais.
Jurisprudência
Direito à privacidade
A questão do sigilo bancário e fiscal: o direito ao sigilo fiscal e bancário não foi
consagrado expressamente na constituição. Contudo, se entende que o direito
ao sigilo fiscal e bancário decorre do direito à vida privada e à intimidade (art. 5º,
X, da C.F.). Sobre o assunto:
 em regra, a quebra do sigilo bancário depende de ordem judicial;
 Exceção: STF: ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 e RE 601.314 (repercussão geral):
constitucionalidade do art. 6º da L.C. 105/2001 (Receita Federal pode requisitar
informações bancárias diretamente às instituições financeiras, sem necessidade
de autorização judicial. O STF entende que o mesmo dispositivo pode ser
aplicado às Receitas estaduais e municipais): O STJ entende que os dados
obtidos nesses casos não podem ser utilizados em processo penal, mas apenas
em processo administrativo fiscal (REsp 1.361.174-RS).

- STF: Inquérito 2.424/RJ: válida a instalação de escuta ambiental por policiais,


no escritório de advocacia de um advogado suspeito da prática de crimes. A
colocação das escutas ocorreu no período da noite por determinação judicial.
(...) , apesar de ser possível a equiparação legal da oficina de trabalho com o
domicílio, julgou-se ser possível a instalação da escuta, por ordem judicial, no
período da noite, principalmente porque durante esse período o escritório fica
vazio, não sendo, portanto, possível sua equiparação neste caso a domicílio, que
pressupõe a presença de pessoas que o habitem.
- STF. Plenário. RE 603616/RO (repercussão geral): A entrada forçada em
domicílio sem mandado judicial só é lícita, mesmo em período noturno, quando
amparada em fundadas razões, devidamente justificadas “a posteriori”, que
indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante delito, sob pena de
responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade, e de
nulidade dos atos praticados.
- STF: Inquérito 2.424/RJ: válida a instalação de escuta ambiental por policiais,
no escritório de advocacia de um advogado suspeito da prática de crimes. A
colocação das escutas ocorreu no período da noite por determinação judicial.
(...) , apesar de ser possível a equiparação legal da oficina de trabalho com
o domicílio, julgou-se ser possível a instalação da escuta, por ordem judicial,
no período da noite, principalmente porque durante esse período o escritório
fica vazio, não sendo, portanto, possível sua equiparação neste caso a
domicílio, que pressupõe a presença de pessoas que o habitem.
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Liberdade Intelectual
- STF. Plenário. ADI 4815: Para que seja publicada uma biografia NÃO é
necessária autorização prévia do indivíduo biografado, das demais pessoas
retratadas, nem de seus familiares.

Liberdade de Expressão
- Daniel Sarmento: nos E.U.A., a liberdade de expressão é encarada sob
perspectiva ultralibertária (seria um fim em si mesma); no Brasil, sempre se falou
em liberdade de expressão com limites explícitos e implícitos. Ex: STF: HC
82.424: Liberdade de expressão. Garantia constitucional que não se tem como
absoluta. Limites morais e jurídicos. (...) O preceito fundamental de liberdade de
expressão não consagra o ‘direito à incitação ao racismo’”.
- Mas, o STF, quando do julgamento da ADPF 130, afirmou que o direito à
liberdade de expressão assume uma posição preferencial (preferred position)
quando da resolução de conflitos com outros princípios constitucionais e direitos
fundamentais.
- a atividade de músico é manifestação artística protegida pela garantia da
liberdade de expressão, sendo, por isso, incompatível com a Constituição
Federal de 1988 a exigência de inscrição na Ordem dos Músicos do Brasil, bem
como de pagamento de anuidade, para o exercício de tal profissão (STF, RE
795.467/SP).
- comentário contra homossexuais proferido por parlamentar preconceituoso, de
mau gosto e extremamente infeliz  a liberdade de expressão não existe para
proteger apenas aquilo que é humanista, de bom gosto ou inspirado (Min. Luis
Roberto Barroso) (STF, Inq 3590/DF).
- * marcha da maconha = “o debate sobre abolição penal de determinadas
condutas puníveis pode ser realizado de forma racional, com respeito entre
interlocutores, ainda que a ideia, para a maioria, possa ser eventualmente
considerada estranha, extravagante, inaceitável ou perigosa” (Min. Celso de
Mello - STF, ADPF 187). (Obs.: crianças e adolescentes NÃO podem ser
engajados nessas marchas  “se a Constituição cuidou de prever a proteção
dos menores dependentes químicos, é corolário dessa previsão que se
vislumbre um propósito constitucional de evitar tanto quanto possível o contato
das crianças e dos adolescentes com a droga e com o risco eventual de uma
dependência” (Min. Luiz Fux).
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Direito à vida
- Dever do Estado de proteger indivíduos que estejam sob custódia: o STF
reconhece a responsabilidade civil do Estado pela morte de detidos em
presídios, mesmo nos casos em que o homicídio não é imputável ao agente
público.
- No julgamento da ADPF-54/DF, o STF decidiu que os fetos anencéfalos são
natimortos cerebrais. Assim, a possibilidade de interrupção da gravidez, nesses
casos, seria legítima, visto não se tratar de discussão relativa ao direito à vida,
pois vida não há.
- Início da vida humana: STJ: no REsp 1.415.727-SC, o Ministro Luis Felipe
Salomão afirmou que a beneficiária legal do seguro DPVAT que teve sua
gestação interrompida em razão de acidade de trânsito tem direito ao
recebimento de indenização em virtude da morte do feto, pois: “o ordenamento
jurídico como um todo – e não apenas o Código Civil de 2002 – alinhou-se mais
à teoria concepcionista para a construção da situação jurídica do nascituro,
conclusão enfaticamente sufragada pela majoritária doutrina contemporânea”.
Direito à saúde
Em conformidade com o disposto no art. 186 da C.F.: (i) direito de todos (acesso
universal, igualitário e integral); (ii) dever do Estado.
- STF já afirmou existir um direito público subjetivo à saúde, de dupla dimensão
(individual e coletiva): dever do Estado de fornecer medicamentos (abrange
medicamentos novos; não abrange tratamentos experimentais). Ingo Sarlet: “o
acesso igualitário não se confunde, necessariamente, com o acesso totalmente
gratuito”.
- STF (RE 581.488/RS): inconstitucionalidade da diferença de classes no SUS:
Não se pode conceber que um atendimento público de saúde que se pretenda
igualitário compreenda, dentro de si, diversas possibilidades de atendimento de
acordo com a capacidade econômico-financeira do paciente, sobretudo quando
esse atendimento se encontra a cargo do Estado.

ATENÇÃO!!  Lei Federal 13.301/16 (limitação do direito de propriedade):


autoriza expressamente o ingresso forçado dos agentes públicos nos imóveis
para executar medidas de combate ao mosquito Aedes aegyptie quando: (i) o
imóvel está em situação de abandono; (ii) não houver pessoa no imóvel
(constatada em 2 visitas, no intervalo de 10 dias)

TITULARIDADE DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS POR ESTRANGEIROS:


Muito embora esteja previsto, no art. 5º, caput, da C.F., que os direitos
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fundamentais são garantidos “aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no


País”, o STF entende que não se pode negar a titularidade dos direitos
fundamentais àqueles estrangeiros não residentes no País, pois “a interpretação
do art. 5º, caput, da CF não deveria ser literal, porque, de outra forma, os
estrangeiros não residentes estariam alijados da titularidade de todos os direitos
fundamentais.” pois existem “direitos assegurados a todos, independentemente
da nacionalidade do indivíduo, porquanto considerados emanações
necessárias do princípio da dignidade da pessoa humana.”. (STF: HC
94.477, Rel. Min. Gilmar Mendes, 2011.)
Breves comentários sobre a matéria
CLASSIFICAÇÃO CONSTITUCIONAL
- direitos e garantias fundamentais (gênero)  Título II:
Capítulo I: direitos individuais e coletivos
Capítulo II: direitos sociais
Capítulo III: direitos da nacionalidade
Capítulo IV: direitos políticos
Capítulo V: partidos políticos

A importância dos direitos individuais e coletivos para a ordem jurídica, fundada


na dignidade da pessoa humana, pode ser observada na posição topográfica em
que as respectivas normas estão previstas no texto da Constituição Federal; os
dispositivos alusivos aos direitos fundamentais estão alocados em posição
anterior àqueles que tratam da organização do político administrativa do Estado
brasileiro. Disso se extrai uma das peculiaridades da Constituição de 1988: como
a primeira constituição que colocou a posição dos direitos fundamentais no texto
antes da organização do Estado. Diante disso, todas as disposições
subsequentes devem guardar pertinência com as normas que são anteriores a
própria organização do Estado.

Outro ponto importante que merece destaque é no tocante à utilização da


expressão “direitos fundamentais”, que foi a terminologia adotada pelo
constituinte de 1988. Nas constituições brasileiras anteriores não se utilizava a
expressão “direitos fundamentais”, mas “garantias individuais ou “direitos
individuais” apenas.

Ocorre que os “direitos fundamentais” não pode ser tomado exclusivamente


como sinônimo de “direitos individuais”, mas deve ser levada em consideração
a dimensão coletiva, isto é, “direitos sociais” e “direitos coletivos”, que também
devem ser tratados como fundamentais.

Os direitos individuais estão previstos no art. 5º, CF. Ressalta-se que o art. 60,
IV, CF, consagrou estes direitos como cláusulas pétreas. Segundo o STF, os
direitos e garantias individuais, apesar de sistematicamente consagrados no art.
43

Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


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5º, não se restringem apenas a ele, podendo ser encontrados em várias partes
do Texto Constitucional.

No que toca aos direitos coletivos, apesar de a CF falar em direitos coletivos no


art. 5º, é certo que eles também são encontrados, de forma muito mais extensa,
nos arts. 6º e seguintes, notadamente quando se refere aos direitos sociais.

Obs.1: Há quem afirme que os direitos fundamentais coletivos seriam os direitos


fundamentais previstos no art. 5o, quando titularizados por uma coletividade
(fundamentação: o art. 5o se encontra no Título II, Capítulo I, da CF: “Dos
Direitos e Deveres Individuais e Coletivos”). Nesse sentido: Ingo Sarlet: direitos
coletivos como “direitos fundamentais do homem-membro de uma coletividade”:
são “direitos individuais de expressão coletiva, como as liberdades de reunião e
associação”, ao passo que outros se encontram dispersos no texto
Constitucional.

Obs.2: Há quem afirme que os direitos fundamentais coletivos são direitos


fundamentais que só ganham sentido na sua fruição coletiva, como no casos do
direito de reunião e de livre associação. Para José Afonso da Silva, existem os
direitos individuais de expressão coletiva (ex: liberdade de reunião e
associação), os direitos coletivos previstos no art. 5o (liberdades de reunião e de
associação - art. 5o, XVI a XX -, o direito de entidades associativas representar
seus filiados - art. 5o , XXI - e os direitos de receber informações de interesse
coletivo - art. 5o - e de petição -art. 5o, XXXV, “a”) e os direitos coletivos com
natureza de direito social (liberdade de associação profissional e sindical - arts.
8o e 37, IV -, o direito de greve - arts. 9o e 37, VIII -, o direito de participação de
trabalhadores e empregadores nos colegiados de órgãos públicos - art. 10, a
representação de empregado junto aos empregadores - art. 11, o direito ao meio
ambiente ecologicamente equilibrado - art. 225).

CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS (INDIVIDUAIS E


COLETIVOS): (José Afonso da Silva):
1) Universalidade; 2) Inalienabilidade; 3) Imprescritibilidade; 4) Historicidade; 5)
Irrenunciabilidade; 6) Relatividade/limitabilidade.

DIREITOS FUNDAMENTAIS x GARANTIAS FUNDAMENTAIS


- não se confunde direitos com GARANTIAS, sendo essas últimas
instrumentos criados para assegurar a proteção e efetividade dos direitos
fundamentais = meio a serviço dos direitos.
DIREITO GARANTIA
+ vida privada (CF, art. 5º, X) + sigilo das comunicações telefônicas (CF, art. 5º,
XII)
+ liberdade (CF, art. 5º) + habeas corpus (CF, art. LXVIII)
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+ propriedade (CF, 5º, XII) + devido processo legal (CF, LIV)

. Aplicabilidade imediata dos direitos fundamentais (art. 5º, § 1º, CF/88):


significa que não é preciso de uma mediação concretizada para que os direitos
fundamentais sejam aplicados.

. Inclusão no rol das cláusulas pétreas (ou garantias de eternidade) (art. 60, §
4º, inciso IV).

Quadros de fixação
Dimensões/Gerações/Fases dos direitos:
MARCO NO
FASE DIREITO MARCO BRASIL
+ Estado Liberal + liberdade + Revolução Francesa + incipiente na
+ 1ª dimensão + direitos civis e + Independência CF/1824
políticos Americana + fortalecidos
CF/1891
+ Estado Social + igualdade + pós 1ª GM
+ 2ª dimensão + direitos sociais, + Constituição + CF/1934
econômicos e culturais Mexicana (1917)
+ Constituição Weimar
(1919)
+ Estado + solidariedade e
Democrático fraternidade
+ pós 2ª GM + CF/1988
+ 3ª dimensão + direitos difusos e
coletivos

- DIMENSÕES de direitos:
+ Primeira dimensão = Políticos
+ Segunda dimensão = Sociais, Econômicos e Culturais
+ Terceira dimensão = difusos e coletivos (de Todos)

QUADRO – “TEORIA STATUS JELLINEK” – Direitos fundamentais


TEORIA DOS STATUS (Jellinek):
a) direitos de defesa = o indivíduo goza de um espaço de liberdade diante das
ingerência dos poderes públicos.
* direitos e garantias individuais = status negativo  requer-se uma abstenção estatal.
b) direitos prestacionais = o indivíduo tem o direito de exigir prestações materiais (ex:
saúde pública e moradias populares) e jurídicas (ex: leis protetivas ao trabalhador e ao
consumidor) do Estado.
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* direitos sociais = status positivo  requer-se uma atuação estatal.


c) direitos de participação = o indivíduo possui competências para influenciar na
formação da vontade do Estado.
* direitos políticos = status ativo.
d) status passivo = o indivíduo se encontra submetido ao Estado na esfera das
obrigações individuais (traça deveres - ex: alistamento eleitoral).

QUESTÃO-TREINOÉ
É possível a quebra direta de sigilo bancário pelo Ministério Público?
(Prova Escrita – Ministério Público do Estado de Minas Gerais – 2016)

Resposta: NÃO. É necessária autorização judicial (STJ HC 160.646/SP, Dje


19/09/2011). Exceção: É lícita a requisição pelo Ministério Público de
informações bancárias de contas de titularidade de órgãos e entidades públicas,
com o fim de proteger o patrimônio público, não se podendo falar em quebra
ilegal de sigilo bancário (STJ. 5ª Turma. HC 308.493-CE, j. em 20/10/2015).

QUESTÃO-TREINO
Discorra sobre a eficácia horizontal dos direitos fundamentais e o seu
reconhecimento (ou não) no Brasil. Responda de forma fundamentada e
indique, se houver, o (s) dispositivo(s) constitucional (is) que embasa(m) a
resposta. Apresente exemplos.
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Resposta: Ao examinar os destinatários dos direitos fundamentais, ou seja,


quais são os sujeitos a eles vinculados no polo passivo, a doutrina indica que os
direitos fundamentais são, tradicionalmente, oponíveis ao Estado. Diz-se,
portanto, que ocorre a eficácia vertical dos direitos fundamentais. Contudo, parte
da doutrina aponta que os direitos fundamentais não são oponíveis apenas ao
Estado, aplicando-se também aos particulares. Isso se dá com fundamento no
artigo 5º, § 1º, da CR/88, que determina que as normas definidoras dos direitos
e garantias fundamentais têm aplicação imediata. Em outras palavras: os direitos
fundamentais têm validade também nas relações travadas somente entre
particulares. Além disso, há algumas normas, como, por exemplo, as que cuidam
dos direitos trabalhistas, que preveem de maneira expressa a vinculação de
particulares. No Brasil, a corrente majoritária da doutrina reconhece a eficácia
horizontal e direta aos direitos fundamentais. Vale dizer: os direitos fundamentais
incidem também nas relações entre particulares. O Supremo Tribunal Federal,
em mais de uma oportunidade, fixou o entendimento de que os direitos
fundamentais vinculam não apenas o Estado, mas também se destinam à
proteção dos particulares em face dos poderes privados. O exemplo mais
eloquente dessa aplicabilidade ocorreu na oportunidade em que o Supremo
Tribunal Federal reconheceu que o princípio da ampla defesa se aplica nas
relações privadas, não podendo membro de uma sociedade ser excluído sem a
observância desse princípio. O Excelso Sodalício também aceitou a teoria da
eficácia horizontal dos direitos e garantias fundamentais, quando, por exemplo,
reconheceu que viola o princípio da igualdade o estatuto de empresa que
discrimina funcionários em razão do sexo, raça, nacionalidade ou credo religioso
e que a revista íntima em funcionárias consiste na prática de constrangimento
ilegal.
QUESTÃO-TREINO
Animais: direitos fundamentais. Discorra sobre o tema à luz da prática da
vaquejada.
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Resposta: A questão resvala no conflito de normas constitucionais que


alicerçam direitos fundamentais, tendo, de um lado, o direito ao meio ambiente
que abrange a proteção dos animais (artigo 225, § 1º, VII, da CF) e, de outro, o
direito à cultura que engloba a vaquejada (artigo 215 e seguintes da CF), sendo
que os Ministros do STF, em sede de ADI (ADI nº 4983/CE), entenderam
predominar na hipótese o direito ao meio ambiente como direito de terceira
dimensão, ora fundado no valor solidariedade, sobre o direito decorrente das
manifestações culturais justamente na esteira de outros precedentes
relacionados a temas congêneres como a briga de galos e a farra do boi.
Recentemente, contudo, o ordenamento jurídico brasileiro foi inovado pela
Emenda Constitucional nº 96/2017 que, por via de interpretação, passou a
legitimar a prática da vaquejada nos moldes de sua construção redacional. No
caso, embora a Emenda prevaleça sobre a decisão adotada pelo STF, posto que
a eficácia contra todos e o efeito vinculante da ADI não alcançam o Legislativo
em nome do afastamento do fenômeno da fossilização constitucional, nada
impede que o mesmo Tribunal aprecie a inovação legislativa, inclusive, sob a
ótica de violação ou não de cláusula pétrea (artigo 60, § 4º, IV, da CF).

Direitos Sociais

QUESTÃO-TREINO
Cespe – TCE – PE – Analista – Adaptada – 2017. Considerando o que
dispõe a Constituição Federal acerca dos direitos sociais, direitos de
nacionalidade e direitos políticos, bem como dos partidos políticos, é
correto dizer que por imposição de lei, se um órgão estadual for criado,
os servidores ocupantes de cargo efetivo desse órgão poderão, desde
que com prévia autorização do órgão estatal competente, fundar
sindicato?
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R: Não, uma vez que a lei não poderá exigir autorização do estado para
fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente e vedadas ao
poder público a interferência e a intervenção na organização sindical. Art. 8, da
Constituição Federal.

Nacionalidade e Cidadania

QUESTÕES-TREINO
Considerando o texto abaixo, responda às perguntas:
“Entre 2010 e 2016, mais de 80 mil brasileiros obtiveram a cidadania
portuguesa e, com isso, passaram a fazer parte da União Europeia. Isso
não significa, contudo, que eles deixaram de ser cidadãos brasileiros, e
muito menos que deixaram de ser nacionais do Brasil — a não ser que
tenham pedido expressamente por isso. A busca por uma segunda
nacionalidade é comum entre brasileiros descendentes de europeus. Um
dos motivos é o fato de que a nova nacionalidade abre as portas para a
aquisição de, por exemplo, um novo passaporte que facilite a entrada em
outros países. Pode também permitir a aquisição de uma nova cidadania e,
com ela, novos direitos e deveres em outros territórios que não o brasileiro.
Nacionalidade e cidadania são muitas vezes utilizadas como sinônimos,
mas na verdade expressam ideias bem diferentes, e carregam consigo
efeitos distintos”.14

a) Qual a diferença entre nacionalidade e cidadania?


b) Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é incorreto
afirmar que se um brasileiro nato que mora nos EUA e possui o green card
decidir adquirir a nacionalidade norte-americana, ele irá perder a
nacionalidade brasileira e poderá ser extraditado?

14 NEXO JORNAL LTDA. [Link]


diferen%C3%A7a-entre-nacionalidade-e-cidadania Acesso em 27/09/2018.
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Resposta:

a) Nacionalidade e cidadania são conceitos que não se confundem. Enquanto a


nacionalidade traduz o “vínculo jurídico-político que une uma pessoa a
determinado Estado do que se originou ou pelo qual foi adotado, fazendo deste
indivíduo um componente do povo e sujeitando-o aos direitos e obrigações
oriundos desta relação”,15 a cidadania reveste o indivíduo de “direitos políticos,
ou seja, pode votar e ser votado, propor ação popular além de organizar e
participar de partidos políticos (cidadania = vínculo marcantemente político)”. 16
A nacionalidade é um direito fundamental com proteção na Declaração Universal
dos Direitos dos Homens, que estabelece em seu artigo XV que “todo homem
tem direito a uma nacionalidade” e que “ninguém será arbitrariamente privado de
sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade”.
b) Sim. A questão trata de hipótese excepcional de perda da nacionalidade
fundada no art. 12, §4º, inciso II, “b”, CF, vez que a aquisição de nova
nacionalidade não é requisito para obtenção de green card, documento que,
dentre outros direitos, assegura a permanência no território nacional norte-
americano por tempo indeterminado. Nessa hipótese, o indivíduo deixa de ser
brasileiro e pode ser extraditado.17

15 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Principais julgados do STF e do STJ comentados.


Manaus: Dizer o Direito, 2018. p. 45.
16 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Principais julgados do STF e do STJ comentados.

Manaus: Dizer o Direito, 2018. p. 45.


17 Assim julgou a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF. 1ª Turma. MS 33864/DF, Rel.

Min. Roberto Barroso, julgado em 19/4/2016): “A Primeira Turma, por maioria, denegou mandado
de segurança em que se questionava ato do ministro da Justiça que declarara a perda da
nacionalidade brasileira da impetrante (CF, art. 12, § 4º, II), por ter adquirido outra nacionalidade
(Lei 818/1949, art.23). No caso, a impetrante, brasileira nata, obtivera a nacionalidade norte-
americana de forma livre e espontânea e, posteriormente, fora acusada, nos Estados Unidos da
América, da prática de homicídio contra seu marido, nacional daquele país. Diante disso, o
governo norte-americano indiciara a impetrante e requerera às autoridades brasileiras a prisão
para fins de extradição. O Colegiado entendeu que o ato do ministro da Justiça de cassação da
nacionalidade brasileira é legítimo, pois a impetrante perdera a nacionalidade brasileira ao
adquirir outra em situação que não se enquadraria em qualquer das duas exceções
constitucionalmente previstas: (i) tratar-se de mero reconhecimento de outra nacionalidade
originária, considerada a natureza declaratória desse reconhecimento (art. 12, § 4º, II, “a”); e (ii)
ter sido a outra nacionalidade imposta pelo Estado estrangeiro como condição de permanência
em seu território ou para o exercício de direitos civis (art. 12, § 4º, II, “b”). Por fim, a Turma
revogou a liminar deferida pelo Superior Tribunal de Justiça, que suspendera provisoriamente a
eficácia da portaria ministerial de cassação da nacionalidade. Vencidos os Ministros Edson
Fachin e Marco Aurélio, que concediam a segurança. O Ministro Edson Fachin assentava que o
brasileiro nato não poderia ser extraditado pelo Brasil a pedido de governo estrangeiro, porque
se cuidaria de garantia fundamental que não comporta exceção. Salientava ainda que se a
extradição não for concedida, legitimar-se-á ao Estado Brasileiro, mediante a aplicação
extraterritorial de sua própria lei penal, fazer instaurar a persecução criminal. O Ministro Marco
Aurélio reputava que, em se tratando de mandado de segurança contra ato de ministro da
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Repartição de Competências no Estado Brasileiro.


QUESTÃO-ESTUDO
Com relação à Organização Político-Administrativa da Federação Brasileira
e à repartição e competências entre os entes federativos, responda:
A) No que consiste o chamado “federalismo de terceiro grau”,
contemplado na forma de Estado adotada pelo Brasil?
B) Considerando as técnicas de repartição de competências
consagradas na Constituição Federal de 1988, diferencie
competência exclusiva de competência privativa, no âmbito da
União.
C) Pode um Município exercer competência legislativa com relação à
matéria de Direito Ambiental? Justifique, com base no entendimento
sedimentado pela jurisprudência.
Respostas:
A) O Brasil adota a forma de Estado federativa, isto é, compõe-se de entes
federativos dotados de autonomia para se auto-organizarem, autogovernarem,
autolegislarem e autoadministrarem, mas submetidos à soberania, que é apenas
do próprio Estado brasileiro, e à indissolubilidade do pacto federativo (art. 1º,
caput, CF/88). Diz-se18 que o Brasil adotou um federalismo de terceiro grau, no
sentido de que há três esferas de competência e autonomia dos entes
federativos: da União, dos estados e dos municípios. Já o Distrito Federal detém
as competências de estados e municípios (art. 32, §1º, CF/88); por isso, não
consiste numa quarta esfera do federalismo.
B) Nos dizeres de José Afonso da Silva, “Competência é a faculdade
juridicamente atribuída a uma entidade ou a um órgão ou agente do Poder
Público para emitir decisões” (2014, p. 483). Dessa forma, entende a Doutrina
que a Constituição Federal de 1988 classificou as competências em dois grandes
grupos: das competências materiais (ou administrativas) e das competências

Justiça, o órgão competente para julgamento é o Superior Tribunal de Justiça. Além disso,
concluía que o direito à condição de brasileiro nato seria indisponível” (Info 822).
Em outras palavras e aprofundando mais o tema, o brasileiro nato titular de green card não tem
muitas limitações nos EUA, lá podendo residir e trabalhar em caráter permanente. Pontue-se que
a obtenção de green card não importa perda da nacionalidade brasileira e nem aquisição da
nacionalidade norte-americana. Contudo, se o brasileiro nato titular de green card optar pela
nacionalidade desse país, perderá a nacionalidade brasileira, pois já poderia morar e trabalhar
regularmente nos EUA, não constituindo a aquisição da nova nacionalidade condição para gozar
de tais direitos. Tornar-se nacional de outro Estado foi uma opção livre e espontânea, alheia,
portanto, à exceção prevista no art. 12, §4º, inciso II, “b”, CF. Havendo perda da nacionalidade
brasileira nata, a extradição para o novo Estado, por exemplo, não mais é obstada pelo art. 5º,
inciso LI, CF.
18 José Afonso da Silva.
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legislativas. Tais grupos de competência são ainda classificados conforme


critérios diversos, sendo pertinente à resposta da questão a classificação quanto
à extensão – isto é, quanto à possibilidade de exercício por um ou mais entes. A
competência será exclusiva quando for atribuída a um ente, com exclusão de
todos os demais, albergando hipóteses de competência material da União (art.
21, CF/88); será privativa, quando embora atribuída a um ente em específico
pela Carta Magna, puder ser delegada a outros entes (art. 22, par. único, CF/88),
albergando, no caso da União, apenas hipóteses de competência legislativa. 19
C) Sim. Conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal (ARE 748.206 AgR,
rel. min. Celso de Mello, j. 14-3-2017, 2ª T, Informativo 857), Municípios podem
legislar sobre matéria de Direito Ambiental, no exercício da competência
legislativa referente a interesse local (art. 30, inciso I, CF/88), desde que a edição
da norma seja devidamente fundamentada nesse sentido, isto é, calcada em
interesse atinente à Municipalidade, e seja mais restritiva (isto é, mais protetiva
em relação ao bem jurídico ambiental) que a legislação estadual e federal,
também observada a competência dos municípios para suplementá-las (art. 30,
inciso II, CF/88). Pelo princípio da ubiquidade, evidente que o dano ambiental
não está adstrito a fronteiras artificialmente traçadas, o que não significa que a
Municipalidade não possa abordar o tema conforme as suas especificidades, de
forma mais rigorosa, respeitada a legislação dos entes em cujo território está
inserida, à luz da vedação à proteção insuficiente.
QUESTÃO-TREINO
Competência legislativa dos Estados
Processo legislativo no estado brasileiro ‘A’ culmina na edição de lei
estadual contendo normas sobre o procedimento de retificação de assento
de gênero junto ao Registro Civil, uma das quais condiciona a alteração à
comprovação de prévia realização de cirurgia de redesignação de sexo e
autorização judicial. À luz de recente entendimento adotado pelo Supremo
Tribunal Federal, referida norma é constitucional? Fundamente a resposta
apontando a modalidade de competência legislativa em que matéria se
insere e, se o caso, os direitos eventualmente afrontados.

19AFONSO DA SILVA, J. Curso de Direito Constitucional Positivo. 37. Ed. São Paulo: Malheiros
Editores, 2014.
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Resposta:Não. No recente julgamento da ADI nº 4275, o Supremo Tribunal


Federal aplicou a técnica da interpretação conforme à Constituição ao art. 58 da
Lei nº 6.015/1973, adotando entendimento de que é possível a alteração de
gênero no assento de registro civil, independentemente da realização de cirurgia
para redesignação de sexo e de autorização judicial (no caso do segundo
requisito, o entendimento pela prescindibilidade se deu por maioria). Por outro
ângulo de análise, observa-se que referida norma é inconstitucional, também,
por tocar matéria de competência legislativa privativa da União, registros
públicos (art. 22, inciso XXV, CF/88). Em outras palavras, o estado ‘A’ não tem
competência legislativa para editar referida norma, não havendo que se falar em
competência suplementar diante da existência de regramento por Lei Federal,
sobre a retificação de assento.

Poder Legislativo, Poder Executivo e Poder Judiciário

Das Comissões
1) Leis relacionadas ao tema
Artigo 58 da Constituição Federal
Lei n. 1.579/52 (Lei das Comissões Parlamentares de Inquérito)
2) Informativos
HC 71.193/SP (STF), HC n. 100.341-AM (STF), MS 30.906-MC (STF), MS
35.216 AgR (STF).
Breves comentários20
São subconjuntos de parlamentares organizados com o fim de tratar de
um assunto específico. Podem ser permanentes quando seu início se dá ao
começo de cada legislatura, com finalidade de analisar projeto de lei quanto a
determinadas especificidades, como a Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ), ou podem ser provisórias ou temporárias - quando um grupo de
parlamentares se reúne provisoriamente para tratar de um assunto específico,
como ocorre com as Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Ainda, há as
comissões representativas, reunidas durante o período de recesso parlamentar

20 Super-revisão concursos jurídicos: doutrina completaIWander Garcia [coordenador] . - 4. Ed.,


lndaiatuba, SP: Editora Foco Jurídico, 2016.
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para que não sejam interrompidas as atividades do Congresso Nacional. Estão


previstas no § 4° do art. 58 da Constituição.
Especificamente sobre as CPIs (§ 3° do art. 58 da CF), elas têm por
função apurar um fato determinado, por um prazo certo. São criadas no âmbito
do Poder Legislativo, portanto são órgãos desse Poder e possuem natureza de
comissão provisória ou temporária, pois, após ter sido apurado o fato, a
comissão é desfeita.
A doutrina menciona que fato determinado é aquele em que é possível
verificar seus requisitos essenciais. Por exemplo: não há como investigar de
forma abstrata a corrupção no Brasil, tem de ser especificado o fato determinado
para que o procedimento se inicie. O prazo certo, ou seja, aquele que tem início
e fim, terá de ser fixado pelos regimentos internos das Casas, já que a CPI é
uma comissão temporária e não permanente.
De acordo com o Supremo (HC 71.193/SP), a expressão "prazo certo"
não impede prorrogações, desde que tais atos ocorram na mesma legislatura.
Essas comissões são formadas ou instaladas pelo requerimento de 1/3 dos
membros. Podem ser criadas separadamente tanto pela Câmara de Deputados,
quanto pelo Senado Federal ou, ainda, conjuntamente pelas duas casas. Nesse
caso, teremos uma CPI mista, que será instalada após assinatura de 1/3 dos
Deputados Federais e Senadores conjuntamente.
As CPIs têm poderes próprios das autoridades judiciais e não de
autoridades policiais. Tomando por base a jurisprudência do STF, é possível
concluir que elas podem: 1) convocar testemunhas, investigados e autoridades
para prestarem esclarecimentos, mesmo que de forma coercitiva. Aliás, o art. 50
da CF determina que os Ministros de Estado ou quaisquer titulares de órgãos
diretamente subordinados à Presidência da República devem comparecer para
prestarem informações, quando convocados, sob pena de responderem por
crime de responsabilidade, na hipótese de ausência injustificada; 2) determinar
a realização de certas perícias, necessárias à instrução da investigação; 3)
determinar as buscas que sejam imprescindíveis à instrução da investigação; 4)
quebrar sigilo fiscal, bancário, financeiro e telefônico (nessa última hipótese
ocorrerá apenas a quebra em relação aos dados telefônicos, ou seja, as contas
telefônicas). É imprescindível, segundo o Supremo, que o ato seja devidamente
fundamentado e que haja efetiva necessidade para a da adoção da medida.
De outra parte, é possível verificar que a CPI possui limites e há assuntos
que estão resguardados pela denominada cláusula de reserva jurisdicional, ou
seja, somente por ordem judicial tais atos podem ser determinados, em especial
as medidas restritivas de direito. Desse modo, as CPIs não podem: 1) determinar
a quebra do sigilo das comunicações telefônicas, ou seja, a CPI não pode
determinar a interceptação telefônica, pois, segundo o art. 5°, XII, da CF,
somente para fins de investigação criminal ou instrução processual penal é que
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poderá haver tal diligência. Ressalta-se que o acesso às contas telefônicas


(dados telefônicos) não se confunde com quebra de comunicação telefônica (que
é a interceptação ou escuta). A primeira se inclui nos poderes da CPI, já a
segunda é acobertada pela cláusula de reserva de jurisdição e, portanto, não
cabe à CPI determiná-la. Outro detalhe: o STF já afirmou que, embora haja a
vedação mencionada, se a interceptação foi realizada num processo criminal e
a CPI quer emprestar a prova lá produzida, para ajudar nas suas investigações,
isso poderá ser feito; 2) determinar e efetivar a busca domiciliar, que também
depende de ordem judicial, conforme dispõe o inciso XI do art. 5° da CF; 3)
decretar a prisão, ressalvadas as hipóteses de flagrante delito, conforme inciso
LXI da art. 5° da CF, pois nesses casos não só a CPI, mas qualquer um do povo
pode prender. Dispõe o art. 301 do Código de Processo Penal que qualquer
pessoa do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão
prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito.
Conforme a Suprema Corte (HC n. 100.341-AM), a existência de
procedimento penal investigatório, em tramitação no órgão jurisdicional
competente, não impede a realização de atividade apuratória por uma Comissão
Parlamentar de Inquérito, ainda que seus objetos sejam correlatos, pois cada
qual possui amplitude distinta, delimitada constitucional e legalmente, além de
finalidades diversas. No mesmo julgado, o STF definiu que a CPI pode estender
o âmbito de sua apuração a fatos ilícitos ou irregulares que, no curso do
procedimento investigatório, revelarem-se conexos à causa determinante da
comissão.
Além disso, reiteradas vezes, a Suprema Corte tem garantido ao
convocado a depor numa CPI o privilégio contra a autoincriminação, o direito ao
silêncio e que possa comunicar-se com o seu advogado.
Outra decisão relevante do Supremo sobre as CPIs é a de que elas, "no
desempenho de seus poderes de investigação, estão sujeitas às mesmas
normas e limitações que incidem sobre os magistrados, quando no exercício de
igual prerrogativa. Vale dizer: as CPIs somente podem exercer as atribuições
investigatórias que lhes são inerentes, desde que o façam nos mesmos termos
e segundo as mesmas exigências que a Constituição e as leis da República
impõem aos juízes, especialmente no que concerne ao necessário respeito às
prerrogativas que o ordenamento positivo do Estado confere aos advogados.(...)
A presença do advogado em qualquer procedimento estatal, independentemente
do domínio institucional em que esse mesmo procedimento tenha sido
instaurado, constitui fator inequívoco de certeza de que os órgãos do Poder
Público (Legislativo, Judiciário e Executivo) não transgredirão os limites
delineados pelo ordenamento positivo da República, respeitando-se, em
consequência, como se impõe aos membros e aos agentes do aparelho estatal,
o regime das liberdades públicas e os direitos subjetivos constitucionalmente
assegurados às pessoas em geral, inclusive àquelas eventualmente sujeitas,
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qualquer que seja o motivo, a investigação parlamentar, ou a inquérito policial,


ou, ainda, a processo judicial. (...) Não se revela legítimo opor, ao advogado,
restrições, que, ao impedirem, injusta e arbitrariamente, o regular exercício de
sua atividade profissional, culminem por esvaziar e nulificar a própria razão de
ser de sua intervenção perante os órgãos do Estado, inclusive perante as
próprias CPI" (MS 30.906-MC, Rei. Min. Celso de Mello, decisão monocrática,
julgamento em 05.10.2011, DJE de 10.10.2011).
Sobre a utilização de documentos oriundos de inquérito sigiloso numa
CPI, o Supremo também já decidiu pela possibilidade (HC 100.341-AM).
Vale lembrar que a CPI não promove responsabilidades. Ao final das
apurações, ela encaminha seus relatórios conclusivos ao Ministério Público para
que este órgão, se entender pertinente, promova a responsabilização civil ou
criminal dos investigados. É bom mencionar, entretanto, que a permissão legal
para encaminhar relatório circunstanciado não se limita ao Ministério Público,
mas também à AGU e outros órgãos públicos, podendo veicular, inclusive,
documentação que possibilite a instauração de inquérito policial em face de
pessoas envolvidas nos fatos apurados (art. 58, § 3º, CRFB/1988, c/c art. 6º-A
da Lei 1.579/1952, incluído pela Lei 13.367/2016).
Por último, cumpre mencionar que são cabíveis os remédios
constitucionais, em especial mandado de segurança e habeas corpus, sempre
que houver abusos no decorrer dos trabalhos realizados pelas comissões. A
competência para o julgamento dessas ações dependerá da autoridade que
pratica o ato abusivo. Se forem representantes do Congresso Nacional, o foro
competente é o STF; se forem membros das Assembleias Legislativas ou da
Câmara Legislativa do DF, o órgão destinado ao julgamento é o Tribunal de
Justiça do respectivo Estado.
Questão-Treino
Sobre as Comissões Parlamentares de Inquérito:
A) O que seria o caráter itinerante?
B) É possível determinar a condução coercitiva de testemunha? E
quanto a medidas cautelares?
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Resposta:
a) O caráter itinerante das Comissões Parlamentares de Inquérito diz respeito à
possibilidade de se transportarem aos lugares onde se fizer mister sua presença
para o exercício de suas atribuições (artigo 2º, da Lei n. 1.579/52).
b) Sim. Em caso de não comparecimento da testemunha sem motivo justificado,
a sua intimação será solicitada ao juiz criminal da localidade em que resida ou
se encontre, nos termos dos arts. 218 e 219 do Decreto-Lei no3.689, de 3 de
outubro de 1941 - Código de Processo Penal (artigo 3º, §1º, da Lei n. 1.579/52).
No caso de se afigurar necessária medida cautelar, caberá ao presidente da
Comissão Parlamentar de Inquérito, por deliberação desta, solicitar, em qualquer
fase da investigação, ao juízo criminal competente medida cautelar necessária,
quando se verificar a existência de indícios veementes da proveniência ilícita de
bens (artigo 3º-A, da Lei n. 1579/52).

QUESTÕES-TREINO
Medidas provisórias e controle judicial
É possível o controle judicial das medidas provisórias?

Resposta: O artigo 62, da Constituição Federal dispõe que nos casos de


relevância e urgência o Presidente da República poderá editar medidas
provisórias, com força de lei. Note-se que a definição da relevância e urgência
para efeitos de edição de medidas provisórias consiste em um juízo político, de
escolha discricionária por parte do Presidente da República. Segundo o STF, em
virtude da natureza discricionária referidos requisitos se submetem a controle
pelo Congresso, sendo que o Judiciário, somente poderá exercer o controle se
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o abuso de editar medidas provisórias for notório, sob pena de violação à


cláusula da separação dos poderes.

Trancamento da pauta em medidas provisórias


O trancamento da pauta em virtude de as medidas provisórias não terem
sido votadas no prazo de 45 dias alcança todas a espécies normativas?

Resposta: Conforme a dicção contida no artigo 62, § 6º, da Constituição Federal,


se a medida provisória não for apreciada no prazo de quarenta e cinco dias
contados da sua publicação, entrará em regime de urgência, subsequentemente,
em cada uma das casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que
se ultime a votação, todas as demais deliberações legislativas. Segundo o
entendimento do STF, apesar do dispositivo constitucional utilizar a expressão
“todas as demais deliberações” o trancamento deve incidir apenas em votações
de projetos de lei ordinária que versem sobre temas que podem ser tratados por
medida provisória.

Perda da eficácia da medida provisória


De acordo com a previsão constitucional explique como ficam as relações
jurídicas decorrentes de medida provisória que perdeu a sua eficácia.
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Resposta: Consoante a previsão do artigo 62, da Constituição Federal as


medidas provisórias perderão a sua eficácia desde a edição, se não forem
convertidas em lei no prazo de sessenta dias, contados de sua publicação,
havendo a suspensão destes prazos durante os períodos de recesso do
Congresso Nacional. Esse prazo de sessenta dias poderá ser prorrogado uma
única vez por igual período. Prevê o texto constitucional que se ultrapassado
esse período após a rejeição ou perda eficácia sem a edição do decreto
legislativo, as relações jurídicas por ela disciplinadas e os atos praticados
durante a sua vigência conservar-se-ão por elas regidas. Verifica-se assim, que
o legislador constitucional disciplinou uma hipótese expressa de ultratividade da
medida provisória, pois apesar da perda da sua eficácia continuará regulando as
relações jurídicas por ela constituídas.

Limitações às Emendas Constitucionais


Disserte sobre as limitações ao poder de emenda da Constituição.

Resposta: O texto constitucional traz limitações ao poder de emenda, temos


como limitações circunstanciais que a Constituição Federal não poderá ser
emendada na vigência de intervenção federal, estado de defesa e estado de
sítio. Dispõe o artigo 60, I, II, III e §§ 2º, 3º e 5º, da Constituição Federal
(limitações formais) que a Constituição poderá ser emendada mediante
proposta: I - de um terço, no mínimo dos membros da Câmara dos Deputados
ou do Senado Federal; II – do Presidente da República e; III – de mais da metade
das Assembleias Legislativas das Unidades da Federação, manifestando-se,
cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros e a proposta será
discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos,
considerando-se aprovada se obtiver, em ambos três quintos do votos. Ademais,
a emenda será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do
Senado Federal com o respectivo número de ordem e a matéria constante de
proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de
nova proposta na mesma sessão legislativa. As limitações materiais estão
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previstas no § 4º, do artigo 62, da Constituição Federal no sentido de que não


será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I – a forma
federativa de Estado; II- o voto direto, secreto, universal e periódico; III- a
separação dos poderes e; IV – os direitos e garantias individuais. Vale notar,
que, no Brasil, no momento, está incidindo uma limitação circunstancial ao poder
de emenda, decorrente da intervenção federal do Rio de Janeiro.

Mandado de Segurança e Emenda à Constituição


Há possibilidade de impetração do mandado de segurança preventivo
contra o processo legislativo de emenda à Constituição Federal?

Resposta: O controle de constitucionalidade das emendas à Constituição pode


ser dar de forma: a) preventiva; b) repressiva. O STF tem admitido a impetração
de mandado de segurança preventivo por parlamentar para assegurar a
ocorrência de um processo legislativo hígido, ou seja, nas hipóteses de vícios
formais ou procedimentais. Trata-se de controle concreto de constitucionalidade,
pois conforme o Texto Constitucional o parlamentar tem direito a um processo
legislativo sem vícios. Contudo, o STF tem considerado inadmissível o controle
judicial preventivo em virtude da existência de vício material, ainda que
provocado por iniciativa parlamentar.
QUESTÕES-ESTUDO
Fundamentação per relationem
É admitida, nas decisões do Poder Judiciário, a fundamentação “per
relationem”?
Resposta: O STJ vem sedimentando o entendimento no sentido de que a
fundamentação per relationem é admitida no ordenamento jurídico, haja vista
que nesta espécie de motivação o órgão julgador acolhe os argumentos das
partes ou de outras decisões proferidas nos autos, adotando a fundamentação
que lhe pareceu adequada. Contudo, segundo o mesmo STJ, será nulo o
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acórdão que se limita a ratificar a sentença ou adotar parecer ministerial, sem


sequer transcrevê-lo e deixando de afastar as teses defensivas ou de apresentar
um fundamento próprio, devendo fazer referências concretas às peças que
pretende adotar e transcrevendo as partes em que está apoiando a decisão com
o fito de legitimar-se um raciocínio lógico que pauta a sua conclusão, sob pena
de violação ao preceituado no artigo 93, X, da Constituição Federal.

Súmulas vinculantes
Quais os requisitos para a Revisão e Cancelamento de Súmula Vinculante?
Resposta: De acordo com o entendimento do STF, para que ocorra a revisão ou
cancelamento de súmula vinculante é necessária a demonstração dos seguintes
requisitos: a) que houve evidente superação da jurisprudência do STF no
tratamento da matéria; b) alteração legislativa quanto ao tema; ou c) modificação
substantiva do contexto político, econômico ou social. Impende ressaltar, que o
mero desconhecimento ou descontentamento por parte do legitimado a respeito
de eventual divergência não autoriza que ingresse com pedido de revisão ou
cancelamento.
QUESTÃO-TREINO
Foro por prerrogativa de função
O foro por prerrogativa de função é aplicável a qualquer crime cometido
pelo detentor do cargo? Justifique.

Resposta: O STF, por meio do julgamento da ação penal 937, entendeu que o
foro por prerrogativa de função deve ser interpretado restritivamente, incidindo
apenas em relação aos crimes praticados durante o exercício do cargo e em
razão dele. Vale notar, que se o crime foi cometido pelo parlamentar antes da
sua diplomação como Deputado Federal, por exemplo, a competência para
julgar a ação não será do STF, devendo haver o julgamento em Primeira
Instância. Ademais, ainda que após a diplomação, se o crime não apresentar
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relação direta com as funções exercidas, também não incide a regra do foro por
prerrogativa de função. Dessa forma, decidiu a nossa Corte Constitucional que
o foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos após a
diplomação e em razão das funções exercidas, conferindo uma interpretação
restritiva ao instituto constitucional processual.
QUESTÃO-TREINO
Incidente de deslocamento de competência
Quais os requisitos para a ocorrência do “Incidente de deslocamento de
competência”?

Resposta: Dispõe o artigo 109, § 5º, da Constituição Federal que nas hipóteses
de grave violação de direitos humanos, o Procurador Geral da República poderá
suscitar perante o STJ o incidente de deslocamento de competência. Para que
haja o deslocamento, além dos requisitos apontados deverá haver inércia ou
dificuldades dos agentes locais. Dessa forma, poderá haver o incidente de
deslocamento da competência: a) nas hipóteses em que ocorrer grave violação
de direitos humanos; b) as autoridades locais estiverem demonstrando uma
conduta reveladora de falhas, que pode ser proposital ou decorrente de
dificuldades, ou ainda, se houver uma demora injustificada na apuração ou
julgamento do caso; c) existência de risco de responsabilização do Brasil por
violação as normas internacionais de direitos humanos. O IDC pode ser
requerido nas fases pré-processual e processual e fixa a competência da Justiça
Federal, bem como os feitos deslocados podem ser de matéria cível ou criminal,
desde que se revele violador de normas previstas em Tratados Internacionais de
Direitos Humanos, os quais o Brasil se obrigou a cumprir.
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Direito Constitucional e Ministério Público


QUESTÃO-TREINO
O Ministério Público é legitimado para a impetração de Habeas Corpus em
favor de terceiro? É possível mesmo quando desautorizado pelo paciente?

Resposta: O Ministério Público, como instituição responsável pela defesa da


ordem jurídica e dos interesses individuais indisponíveis, tem legitimidade para
impetrar Habeas Corpus. Há previsão legal, inclusive, no Código de Processo
Penal e na Lei Orgânica do Ministério Público.21 Não pode, entretanto, o fazer
no interesse da acusação, de maneira que desvirtue o fim da ação constitucional:
o estado de liberdade do indivíduo. Quando desautorizado pelo próprio paciente
e em interesse da acusação, conforme a jurisprudência dos tribunais superiores,
não é admissível a ação constitucional de Habeas Corpus.
QUESTÃO-TREINO
Conflito de atribuições entre Ministérios Públicos
Em caso de conflito de atribuições entre Ministérios Públicos de Estados
distintos ou entre o Ministério Público Federal e algum Ministério Público
Estadual, qual a autoridade/órgão responsável por dirimir o conflito? A
decisão do conflito é vinculante? Justifique.

21
Código de Processo Penal: “Art. 654. O habeas corpus poderá ser impetrado por
qualquer pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como pelo Ministério Público. ”
Reconhece-se ao Ministério Público a faculdade de impetrar habeas corpus e mandado de
segurança, além de requerer a correição parcial (...). A legitimidade do Ministério Público para
impetrar habeas corpus tem fundamento na incumbência da defesa da ordem jurídica e dos
interesses individuais indisponíveis (...), e o Ministério Público tem legitimidade para
impetrar habeas corpus quando envolvido o princípio do juiz natural (...). [HC 91.024, rel.
min. Ellen Gracie, j. 5-8-2008, 2ª T, DJE de 22-8-2008.]
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Resposta: A competência para dirimir conflitos de atribuição entre órgãos de


Ministérios Púbicos de Estados distintos, ou entre os do Ministério Público
Federal e os dos Estados, é do Procurador-Geral da República. O Supremo
Tribunal Federal, que antes era quem decidia os conflitos, firmou entendimento
no sentido de que o conflito de atribuições é matéria administrativa e não
jurisdicional, que pode ser solucionada pelo Chefe da Instituição (Princípio da
Unidade). A decisão vincula tão somente os Ministérios Públicos, não havendo
vinculação do Poder Judiciário ao decidido administrativamente. O Juízo que
receba o feito dirimido, caso não concorde com a solução, poderá suscitar
conflito de competência perante o Superior Tribunal de Justiça.22
QUESTÃO-TREINO
Princípio do Promotor Natural
João, médico, prescreveu remédio para obesidade, não autorizado pela
ANVISA para a sua paciente que veio a falecer em virtude de efeitos
colaterais decorrentes do medicamento. Foi instaurado inquérito policial
para apurar os fatos. Ao final da investigação, Carlos, Promotor de Justiça
da Vara Privativa do Tribunal do Júri, entendeu que não se tratava de crime
doloso contra a vida e promoveu a remessa dos autos a uma das varas
criminais do Município. Após promover diligências, inquirir testemunhas e
juntar novas provas, Vitor, Promotor que atuava na 1ª Vara Criminal comum
concluiu que houve sim crime doloso contra a vida e ofereceu denúncia
por homicídio doloso contra João, requerendo o retorno dos autos para o
Juízo da Vara Privativa do Júri, que teria competência para analisar a ação
penal. O Juiz da Vara do Tribunal do Júri recebeu a denúncia oferecida por
Vitor. Houve instrução processual e, ao final desta fase, o Promotor que
atua no Júri (Carlos) pediu a pronúncia de João, o que foi acolhido pelo
Juiz da Vara do Tribunal do Júri. Diante disso, a defesa do réu impetrou
habeas corpus alegando que houve nulidade da sentença de pronúncia.

22
“Tratando-se de divergência interna entre órgãos do Ministério Público, instituição que a Carta
da República subordina aos princípios institucionais da unidade e da indivisibilidade (CF, art.
127, § 1º), cumpre ao próprio Ministério Público identificar e afirmar as atribuições investigativas
de cada um dos seus órgãos em face do caso concreto, devendo prevalecer, à luz do princípio
federativo, a manifestação do procurador-geral da República. [Pet 4.863, rel. min. Marco Aurélio,
j. 19-5-2016, P, DJE de 16-5-2017.]”
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Isso porque a denúncia por homicídio doloso recebida foi oferecida por
Promotor de Justiça que não está vinculado ao Tribunal do Júri, tendo
havido, portanto, violação ao princípio do “Promotor Natural”. Com base
na jurisprudência dos tribunais superiores, deve a ordem ser concedida?
Houve ofensa ao princípio do Promotor Natural? Responda definindo o
princípio do Promotor Natural.

Resposta: O princípio do Promotor Natural consagra uma garantia de ordem


jurídica, destinada tanto a proteger o membro do Ministério Público (porque lhe
assegura o exercício pleno e independente do ofício), quanto tutelar a
coletividade (quem tem como direito o de ver atuando, em quaisquer causas, o
Promotor competente e designado por lei, a partir de critérios abstratos e pré-
determinados.23 É um princípio que limita a Unidade (Princípio Constitucional) e
o poder do Chefe do Ministério Público, e veda-se, com isso, a designação
arbitrária de promotores para atuação específica. Evita-se o “promotor por
encomenda” ou “ad hoc”. No caso, a ordem de Habeas Corpus deve ser
denegada. Isso porque, mesmo que a denúncia tenha sido oferecida por Vitor,
Promotor estranho à Vara do Júri, é certo que o “Promotor Natural” para o caso,
Carlos, se manifestou na fase de pronúncia, deixando clara sua concordância
com o colega. Operou-se, assim, verdadeira “Ratificação implícita” da denúncia.
Não houve ofensa ao Princípio do Promotor Natural.24

23 (STF. 2ª Turma. HC 103038, Rel. Min. Joaquim Barbosa, DJ 27/10/2011).


24 Fonte: ([Link]
65

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QUESTÃO-TREINO
Independência Funcional e Autonomia Funcional
Defina independência funcional e autonomia funcional, destacando os
elementos de diferenciação e de aproximação entre os dois conceitos.
Resposta objetivamente fundamentada. (Concurso MPRJ - 2018)

Resposta: O princípio da Independência Funcional constitui uma garantia dirigida


ao membro do Ministério Público para que, na atividade-fim, exerça suas funções
de acordo com sua consciência e interpretação da lei, livre de ingerências e
subordinação hierárquica. Já a Autonomia Funcional, por seu turno, constitui
garantia dirigida à Instituição do Ministério Público para que, na atividade-fim,
seus membros exerçam suas funções livremente, sem ingerências externas à
Instituição. Deste modo, há aproximação quanto à liberdade de atuação na
atividade-fim, enquanto a diferenciação repousa no destinatário imediato da
garantia, uma vez que a independência toca diretamente ao membro, a
autonomia dirige-se em primeiro lugar à instituição.25
QUESTÃO-TREINO
Ministério Público Estadual e exercício de outra função
O Governador do Estado “A” nomeou, para o cargo de Secretário do Meio
Ambiente, Procurador de Justiça, membro do Ministério Público Estadual
atuante em segunda instância. Baseou-se, o Chefe do Executivo, em
resolução do Conselho Nacional do Ministério Público e no entendimento
de que é perfeitamente constitucional o exercício da função pelo agente
nomeado. O Partido político “X”, atuante em “A”, questionou na Justiça a
nomeação do Procurador para o cargo no Executivo.

25 Prova do XXXV Concurso para a Carreira do Ministério Público do Estado do Rio de


Janeiro:([Link]
[Link]).
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O questionamento do Partido “X”, quanto à constitucionalidade da


nomeação, é procedente? Justifique.

Resposta: Com razão o Partido “X” no questionamento. É flagrantemente


inconstitucional qualquer ato que permita que membros do Ministério Público,
ainda a ele vinculados, exerçam cargos fora da instituição. A nomeação pelo
Governador afronta o art. 128, §5º, II, “d”, da Constituição Federal, que veda aos
membros o exercício de qualquer outra função pública, salvo uma de magistério.
Em nem mesmo licenciado o Procurador poderá ser Secretário. Para exercer o
cargo de Secretário, deve o integrante do Ministério Público deligar-se
definitivamente da instituição (aposentadoria ou exoneração). Permitido
exercício, haveria risco de subordinação do Ministério Público ao Poder
Executivo. A vedação não se aplica aos ingressantes na carreira antes da
Constituição de 1988, que tenham optado pelo regime jurídico antigo.26
QUESTÃO-TREINO
Autonomia do Ministério Público
Indique e conceitue as espécies de autonomia do Ministério Público
contempladas na Constituição Federal de 1988?

26 Fonte: ([Link]
67

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Resposta: A autonomia do Ministério constitui importante garantia constitucional


destinada à instituição, para que não seja subordinada a nenhum dos Poderes
do Estado. A Constituição Federal de 1988 consagra, expressamente, a
autonomia funcional e administrativa, e, implicitamente, a autonomia financeira.
“A autonomia funcional, também prevista no art. 3º da Lei nº 8.625/1993, indica
que a instituição está imune a qualquer influência externa no exercício de sua
atividade finalística. Assim, poderá adotar as medidas contempladas no
ordenamento jurídico, em face de quaisquer agentes, órgãos ou instituições, de
caráter público de qualquer outro poder, ou privado, sem represálias ou
ingerências contra a instituição. A autonomia administrativa assegura ao
Ministério Público a prerrogativa de editar atos relacionados à gestão dos seus
quadros de pessoal (v.g.: admissão, designação, exoneração, aposentadoria,
disponibilidade etc.), à administração e à aquisição de bens, isso sem olvidar a
iniciativa legislativa nas matérias que lhe são correlatas. Diversamente ao que
se verifica em relação ao Poder Judiciário, a Constituição da República não
utilizou a expressão autonomia financeira ao dispor sobre as garantias do
Ministério Público. Essa autonomia, no entanto, é incontroversa, dispondo o art.
127, § 3º, que a instituição elaborará sua proposta orçamentária dentro dos
limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias, podendo, ainda,
empenhar as respectivas despesas.”27

QUESTÃO-TREINO
Controle de Constitucionalidade e CNMP
Por permissão legal contida na Lei complementar estadual “A”, o Ministério
Público do Estado de São Paulo permitiu que Promotores de entrância
inicial que atuavam na “Comarca X”, após a transformação desta comarca
em comarca de entrância intermediária, escolhessem pela permanência na
entrância, operando-se, assim, verdadeiras “promoções virtuais”. Após o
ocorrido, outros Promotores, incomodados com a situação, apresentaram
reclamação ao “Conselho Nacional do Ministério Público”, que decidiu que
a permanência dos Promotores na Comarca era indevida, porque a Lei
Complementar “A” era inconstitucional e que o nela disposto não poderia
ser aplicado ao caso levado na reclamação e em outros casos posteriores.
O Conselho, assim, declarou a inconstitucionalidade do dispositivo da Lei
Complementar atacada. O Procurador-Geral de Justiça, então, na
representação das prerrogativas da Instituição, ajuizou mandado de
segurança perante o Supremo Tribunal Federal, contra a decisão do

27GARCIA, Emerson. A autonomia do Ministério Público: entre o seu passado e o seu futuro.
Artigo para a Revista MPMG Jurídico. Edição Especial, 20 anos da Constituição Federal.
Disponível no sítio eletrônico: [Link]
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Conselho Nacional do Ministério Público. Diante do quadro hipotético,


responda.
A) Considerando que o Ministério Público não tem personalidade
jurídica própria, é legítimo o Procurador-Geral para o ajuizamento de
Mandado de Segurança em nome da Instituição?
B) É competente o Conselho Nacional do Ministério Público para
realizar o Controle de Constitucionalidade?

Respostas:
A) Embora não seja dotado de personalidade jurídica própria, tem o
Ministério Público a chamada “personalidade judiciária”, detendo
capacidade ativa para a tutela de seus próprios interesses em juízo.
Descabida, pois, a atuação de qualquer órgão de advocacia pública em
seu interesse.28
B) Não tem o Conselho Nacional do Ministério Público competência para
reconhecer inconstitucionalidade de Lei Estadual. Cabe-lhe, por expressa
previsão constitucional, apenas o controle da legitimidade dos atos
administrativos praticados por membros ou órgãos do Ministério Público.
Inválida, portanto, a decretação de inconstitucionalidade.29

28 O Ministério Público, embora não detenha personalidade jurídica própria, é órgão vocacionado
à preservação dos valores constitucionais, dotado de autonomia financeira, administrativa e
institucional que lhe conferem a capacidade ativa para a tutela da sociedade e de seus próprios
interesses em juízo, sendo descabida a atuação da União em defesa dessa instituição.[ACO
1.936 AgR, rel. min. Luiz Fux, j. 28-4-2015, 1ª T, DJE de 27-5-2015.]
29
O CNMP não ostenta competência para efetuar controle de constitucionalidade de lei, posto
consabido tratar-se de órgão de natureza administrativa, cuja atribuição adstringe-se ao controle
da legitimidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Ministério Público
federal e estadual (...).
[MS 27.744, rel. min. Luiz Fux, j. 6-5-2014, 1ª T, DJE de 8-6-2015
69

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QUESTÃO-TREINO
Poderes investigatórios do Ministério Público
O Ministério Público tem poderes investigatórios?

Resposta: O Supremo Tribunal Federal reconheceu o poder de investigação do


Ministério Público, sob a tese de que o Ministério Público tem também a
atribuição de promover, por autoridade própria, e por prazo razoável,
investigações de natureza penal, desde que respeitados os direitos e garantias
que assistem a qualquer indiciado ou a qualquer pessoa sob investigação do
Estado, observadas, sempre, por seus agentes, as hipóteses de reserva
constitucional de jurisdição e, também, as prerrogativas profissionais de que se
acham investidos, em nosso País, os Advogados (Lei nº 8.906/94, art. 7º,
notadamente os incisos I, II, III, XI, XIII, XIV e XIX), sem prejuízo da possibilidade,
sempre presente no Estado democrático de Direito, do permanente controle
jurisdicional dos atos, necessariamente documentados (Súmula Vinculante nº
14), praticados pelos membros dessa Instituição.30
DISSERTAÇÃO-TREINO
Acordo de Não Persecução penal
Discorra a respeito do acordo de não persecução penal.
Resposta: O acordo de não persecução penal insere-se dentro do contexto da
Justiça Penal Negociada e, particularmente no Brasil, surgiu em um período de
ampliação da atuação do Ministério Público31, dentro do contexto das discussões
sobre os poderes investigatórios do Parquet e da mitigação do princípio da

30Fonte:[Link]

dente=2641697&numeroProcesso=593727&classeProcesso=RE&numeroTema=184.
31 José Afonso da Silva e Luis Roberto Barroso emitiram brilhantes pareceres sobre a atribuição

de poderes investigatórios ao Ministério Público. Disponível em:


[Link] Acesso em: 12/12/2017;
Disponível em: [Link]
_investigacao_pelo_mp.pdf. Acesso em 12/09/18.
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obrigatoriedade da ação penal. A Resolução 181/17 dispõe sobre a investigação


criminal realizada pelo Ministério Público, por meio do PIC. O acordo de não
persecução penal tipifica uma hipótese de exceção ao princípio da
obrigatoriedade da ação penal pública e guarda grande relação com o princípio
da oportunidade (um critério de seleção orientado pelo princípio da intervenção
mínima, o que, em tese, permite que o Ministério Público estipule as regras de
seleção conforme a política criminal adotada pela instituição). Portanto,
representa uma alternativa para tornar nosso sistema judicial mais eficiente, com
uma escolha mais inteligente das prioridades (BRASILEIRO, 2018, p. 196/197).
Nas hipóteses de acordo de não persecução penal, a acusação é viável, tanto
que o acusado se vê obrigado a confessar circunstancialmente a prática do
delito. Neste aspecto o acordo se diferencia de outros institutos de justiça
negociada existentes em nosso ordenamento jurídico, por exemplo, a transação
penal e a suspensão condicional do processo, que não exigem a confissão.
Todavia, à semelhança destes, aceitação e o cumprimento do acordo não
causam reflexos na culpabilidade do investigado. Neste sentido, a depender do
modelo de definição dos consensos, o acordo de não-persecução penal funciona
como uma espécie de diversão, opção de política criminal usada para a solução
de processos penais de maneira diversa da tradicional, e que consiste na
solução antes de qualquer determinação ou de declaração de culpa. A diversão
pode ser de três espécies: diversão simples (a despeito de indícios de autoria e
participação e prova da materialidade do delito, o processo é arquivado sem a
imposição de qualquer obrigações ao acusado, porque a persecução penal seria
inócua (ex. prescrição virtual); diversão encoberta (ocorre a extinção da
punibilidade se o autor do fato delituoso praticar determinados atos, que
impossibilitam a deflagração da persecução penal, como a composição de
danos civis, artigo 74, § único da Lei 9099/95); diversão intervenção (o
investigado, acusado fica sujeito ao cumprimento de certas condições, que uma
vez cumpridas de maneira regular, o procedimento investigatório será arquivado
ou o processo será extinto (é o que ocorre no acordo de não persecução penal,
mas também nos casos de transação penal e suspensão condicional do
processo). Assim, ante a falta de legislação específica, a Resolução 181/2017,
do Conselho Nacional do Ministério Público, regulamentou as hipóteses de
acordo de não persecução penal, o qual pode ser definido como um negócio
jurídico extrajudicial, bilateral, processual personalíssimo, disposto em uma
espécie de contrato, que, assim como se dá no acordo de colaboração premiada,
há uma contraposição de interesses, consubstanciados nas vantagens que as
partes podem obter em razão do que foi pactuado, nos termos permitidos e
autorizados pelo ordenamento jurídico.
O acordo de não persecução penal deve ser homologado pelo juízo competente,
celebrado entre o Ministério Público e o autor do fato delituoso, amparado por
defesa técnica, que confessa formal e circunstanciadamente a prática de delito,
sujeitando-se ao cumprimento de certas condições não privativas de liberdade,
71

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em troca do compromisso do Parquet de promover o arquivamento do feito, caso


a avença seja integralmente cumprida.
O acordo de não-persecução penal tipifica uma hipótese de exceção ao princípio
da obrigatoriedade da ação penal pública e guarda grande relação com o
princípio da oportunidade (um critério de seleção orientado pelo princípio da
intervenção mínima, o que, em tese, permite que o Ministério Público estipule as
regras de seleção conforme a política criminal adotada pela instituição).
Portanto, representa uma alternativa para tornar nosso sistema judicial mais
eficiente, com uma escolha mais inteligente das prioridades (BRASILEIRO,
2018, p. 196/197).
Contudo, cabe ressaltar que embora o acordo seja fruto da convergência da
vontade das partes, os interesses jurídicos envolvidos são distintos: para a
acusação trata-se de um meio de obtenção de provas, que não se confunde com
as provas que serão produzidas em razão dele, e que contribuí para a eficiente
persecução penal de delitos graves, constituindo uma excelente ferramenta para
o combate da corrupção e do crime organizado. Já do ponto de vista defensivo,
trata-se de uma estratégia defensiva, decorrente dos princípios da ampla defesa
e autonomia da vontade, na qual o colaborador avalia o que lhe parece mais
vantajoso, o processo litigioso clássico ou o acordo de não persecução penal.
As hipóteses de acordo de não persecução penal tem como pressuposto a
viabilidade da acusação penal, tanto que o acusado se vê fortemente
tendencioso a confessar circunstancialmente a prática do delito. Neste aspecto,
o acordo se diferencia de outros institutos de justiça negociada existentes em no
ordenamento jurídico brasileiro, por exemplo, a transação penal e a suspensão
condicional do processo, que não exigem a confissão. Todavia, à semelhança
destes, aceitação e o cumprimento do acordo não causam reflexos na
culpabilidade do investigado.
Neste sentido, a depender do modelo de definição dos consensos, o acordo de
não-persecução penal funciona como uma espécie de diversão, opção de
política criminal usada para a solução de processos penais de maneira diversa
da tradicional, e que consiste na solução antes de qualquer determinação ou de
declaração de culpa. A diversão32 pode ser de três espécies: diversão simples

32
O conceito de diversão, que está diretamente relacionado aos desdobramentos da justiça consensual.
Diversão seria uma opção legislativa de política criminal caracterizada pela resolução dos processos penais
de modo diverso do usual processo penal conflitivo, consistente na solução antes de qualquer determinação
ou declaração de culpa. Aprofundando o conceito de diversão, este pode ser classificado em três
categorias: i) diversão simples, é a possibilidade de arquivamento do processo sem qualquer
imposição ao acusado, por ser a persecução penal, neste caso, inócua por razoes de política
criminal, mesmo que estejam presentes indícios de autoria e elementos de materialidade do
delito); ii) diversão encoberta, quando houver a previsão de extinção da punibilidade a partir da
determinação de atos ao autor do fato, os quais, uma vez efetuados, impossibilitam o
oferecimento da peça acusatória- no direito brasileiro seria a hipótese dos art. 75 e 74, caput,
ambos da lei 9099/95; e iii) diversão com intervenção, quando houver previsão legal de condições
72

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(a despeito de indícios de autoria e participação e prova da materialidade do


delito, o processo é arquivado sem a imposição de qualquer obrigações ao
acusado, porque a persecução penal seria inócua (ex. prescrição virtual);
diversão encoberta (ocorre a extinção da punibilidade se o autor do fato delituoso
praticar determinados atos, que impossibilitam a deflagração da persecução
penal, como a composição de danos civis, artigo 74, § único da Lei 9099/95);
diversão intervenção (o investigado, acusado fica sujeito ao cumprimento de
certas condições, que uma vez cumpridas de maneira regular, o procedimento
investigatório será arquivado ou o processo será extinto (é o que ocorre no
acordo de não persecução penal, mas também nos casos de transação penal e
suspensão condicional do processo)
QUESTÃO-ESTUDO
O artigo 18 33da Resolução 181/17, do CNMP, é constitucional?

ao autor do fato- no direito brasileiro a transação penal e a suspensão condicional do processo,


previstos na lei 9099/95 (BRANDALISE, 2016, p.24-25).
33 Art. 18. Não sendo o caso de arquivamento, o Ministério Público poderá propor ao investigado

acordo de não persecução penal quando, cominada pena mínima inferior a 4 RESOLUÇÃO Nº
181, DE 7 DE AGOSTO DE 2017. 15/20 CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO
(quatro) anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça a pessoa, o investigado
tiver confessado formal e circunstanciadamente a sua prática, mediante as seguintes condições,
ajustadas cumulativa ou alternativamente: (Redação dada pela Resolução n° 183, de 24 de
janeiro de 2018) I – reparar o dano ou restituir a coisa à vítima, salvo impossibilidade de fazê-lo;
(Redação dada pela Resolução n° 183, de 24 de janeiro de 2018) II – renunciar voluntariamente
a bens e direitos, indicados pelo Ministério Público como instrumentos, produto ou proveito do
crime; (Redação CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO de 7 de agosto de 2006;
(Redação dada pela Resolução n° 183, de 24 de janeiro de 2018) VI – a celebração do acordo
não atender ao que seja necessário e suficiente para a reprovação e prevenção do crime.
(Redação dada pela Resolução n° 183, de 24 de janeiro de 2018) § 2º A confissão detalhada
dos fatos e as tratativas do acordo serão registrados pelos meios ou recursos de gravação
audiovisual, destinados a obter maior fidelidade das informações, e o investigado deve estar
sempre acompanhado de seu defensor. (Redação dada pela Resolução n° 183, de 24 de janeiro
de 2018) § 3º O acordo será formalizado nos autos, com a qualificação completa do investigado
e estipulará de modo claro as suas condições, eventuais valores a serem restituídos e as datas
para cumprimento, e será firmado pelo membro do Ministério Público, pelo investigado e seu
defensor. (Redação dada pela Resolução n° 183, de 24 de janeiro de 2018) § 4º Realizado o
acordo, a vítima será comunicada por qualquer meio idôneo, e os autos serão submetidos à
apreciação judicial. (Redação dada pela Resolução n° 183, de 24 de janeiro de 2018) § 5º Se o
juiz considerar o acordo cabível e as condições adequadas e suficientes, devolverá os autos ao
Ministério Público para sua implementação. (Redação dada pela Resolução n° 183, de 24 de
janeiro de 2018) § 6º Se o juiz considerar incabível o acordo, bem como inadequadas ou
insuficientes as condições celebradas, fará remessa dos autos ao procurador-geral ou órgão
superior interno responsável por sua apreciação, nos termos da legislação vigente, que poderá
adotar as seguintes providências: (Redação dada pela Resolução n° 183, de 24 de janeiro de
2018) I – oferecer denúncia ou designar outro membro para oferecê-la; (Redação dada pela
Resolução n° 183, de 24 de janeiro de 2018) II – complementar as investigações ou designar
outro membro para complementá-la; (Redação dada pela Resolução n° 183, de 24 de janeiro de
2018) III – reformular a proposta de acordo de não persecução, para apreciação do investigado;
(Redação dada pela Resolução n° 183, de 24 de janeiro de 2018) IV – manter o acordo de não
persecução, que vinculará toda a Instituição. (Redação dada pela Resolução n° 183, de 24 de
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Curso popular de questões para a segunda fase do Concurso de


Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

Resposta: A doutrina ainda diverge sobre a constitucionalidade acordo de não-


persecução penal, questionando, dentre outras questões, o artigo 18 da
Resolução 181/2017, CNMP: poderia uma simples resolução tratar do assunto?
De um lado, pode-se argumentar que a resolução é inconstitucional, porque
conforme o artigo 22, I, da Constituição Federal, compete à União legislar sobre
direito processual penal, por meio de lei ordinária, o que requer processo
legislativo e não simples Resolução. Há ainda que defenda a possibilidade de
admissão do uso da analogia, como no caso da Resolução 213, do CNJ. Na ADI
5.420/SP, de relatoria do ministro Luiz Fux, o Supremo Tribunal Federal decidiu
que a Resolução 213 não é incompatível com os princípios da legalidade e da
reserva de lei federal, pelo fato de regulamentar o que já estaria previsto na
CADH, artigo 7º, § 5º, dotada de status normativo supralegal, e do próprio Código
de Processo Penal, cujo artigo 656 prevê a possibilidade de apresentação do
paciente preso em dia e hora a ser designada pela autoridade judiciária. Mas,
este raciocínio não seria válido para o acordo de não persecução penal porque
nesse caso não haveria previsão constitucional nem infraconstitucional explícita.
Em sentido oposto, pela constitucionalidade da Resolução 181/2017, seria
possível defender que no exercício de suas atribuições o Conselho Nacional de
Justiça e o Conselho Nacional do Ministério Público podem expedir atos
regulamentares (artigos 103-B, § 4º, I e artigo 130-A, § 2°, ambos da
constituição), uma vez que, na visão do Supremo, suas resoluções ostentam
caráter normativo primário e são dotadas de abstração e generalidade, cujos
fundamentos de validade são diretamente extraídos de dispositivos
constitucionais. Não haveria, portanto, violação à competência legislativa
exclusiva da União prevista no artigo 22, I, da Constituição Federal, porque o

janeiro de 2018) § 7º O acordo de não persecução poderá ser celebrado na mesma oportunidade
da audiência de custódia. (Redação dada pela Resolução n° 183, de 24 de janeiro de 2018) § 8º
É dever do investigado comunicar ao Ministério Público eventual mudança de endereço, número
de telefone ou e-mail, e comprovar mensalmente o cumprimento das condições,
independentemente de notificação ou aviso prévio, devendo ele, quando for o caso, por iniciativa
própria, apresentar imediatamente e de forma documentada eventual justificativa para o não
cumprimento do acordo. (Redação dada pela Resolução n° 183, de 24 de janeiro de 2018) § 9º
Descumpridas quaisquer das condições estipuladas no acordo ou não observados os deveres
do parágrafo anterior, no prazo e nas condições estabelecidas, o membro do Ministério Público
deverá, se for o caso, imediatamente oferecer denúncia. (Incluído pela Resolução n° 183, de 24
de janeiro de 2018) § 10 O descumprimento do acordo de não persecução pelo investigado
também poderá ser utilizado pelo membro do Ministério Público como justificativa para o eventual
não oferecimento de suspensão condicional do processo. (Incluído pela Resolução n° 183, de
24 de janeiro de 2018) § 11 Cumprido integralmente o acordo, o Ministério Público promoverá o
arquivamento da investigação, nos termos desta Resolução. (Incluído pela Resolução n° 183, de
24 de janeiro de 2018) § 12 As disposições deste Capítulo não se aplicam aos delitos cometidos
por militares que afetem a hierarquia e a disciplina. (Incluído pela Resolução n° 183, de 24 de
janeiro de 2018) § 13 Para aferição da pena mínima cominada ao delito, a que se refere o caput,
serão consideradas as causas de aumento e diminuição aplicáveis ao caso concreto. (Incluído
pela Resolução n° 183, de 24 de janeiro de 2018)
74

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Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo

acordo de não persecução penal não tem natureza processual, porque realizado
em procedimento administrativo.
QUESTÃO-TREINO
Hipóteses para o acordo de não persecução penal
Em quais hipóteses é possível a realização do acordo de não persecução
penal?

Resposta: O artigo 18 traz os requisitos para a celebração do acordo de não


persecução penal: pena mínima inferior a 4 anos, infração cometida sem
violência ou grave ameaça e que não seja hipótese de arquivamento de
procedimento investigatório. Não é possível proposta de acordo de não
persecução penal quando: cabível transação penal; houver dano superior a 20
salários mínimos ou parâmetro diverso definido pelo respectivo órgão de revisão
( o que revela brecha para a discricionariedade); aplicável o artigo 76, §2º, da Lei
9.099/95; houver risco de prescrição da pretensão punitiva; for hipótese de delito
hediondo ou equiparado, ou crime praticado com violência doméstica e familiar
conta a mulher; ou quando a celebração do acordo não atender ao que seja
necessário e suficiente para a reprovação e prevenção do crime; delitos
cometidos por militares que afetem a hierarquia e a disciplina.
QUESTÃO-TREINO
De acordo com a Constituição Federal, quais são os fins e princípios
institucionais do Ministério Público?
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Resposta: De acordo com o artigo 127, caput e §1o, da CF, o Ministério Público
tem como fins a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos
interesses sociais e individuais indisponíveis, e tem como princípios a unidade,
a indivisibilidade e a independência funcional.
QUESTÃO-ESTUDO
O que dispõe a Constituição Federal a respeito da organização do
Ministério Público?
Resposta: Sem prejuízo do detalhamento a ser disposto por meio da lei
infraconstitucional (artigo 127, §2o, parte final, da CF), estabelece o artigo 128
que “o Ministério Público abrange: I - o Ministério Público da União, que
compreende: a) o Ministério Público Federal; b) o Ministério Público do Trabalho;
c) o Ministério Público Militar; d) o Ministério Público do Distrito Federal e
Territórios; II - os Ministérios Públicos dos Estados”.

QUESTÃO-TREINO
Quais são as garantias e vedações constitucionais dos membros do
Ministério Público?

Resposta: Estabelece o artigo 128, §5o: as garantias de - “vitaliciedade, após


dois anos de exercício, não podendo perder o cargo senão por sentença judicial
transitada em julgado; inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público,
mediante decisão do órgão colegiado competente do Ministério Público, pelo
voto da maioria absoluta de seus membros, assegurada ampla defesa;
irredutibilidade de subsídio, fixado na forma do art. 39, § 4º, e ressalvado o
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disposto nos arts. 37, X e XI, 150, II, 153, III, 153, § 2º, I”; e as vedações de -
“receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, percentagens ou
custas processuais; exercer a advocacia; participar de sociedade comercial, na
forma da lei; exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função
pública, salvo uma de magistério; exercer atividade político-partidária; receber,
a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas,
entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei”.
QUESTÃO-TREINO
Quais são as funções institucionais, estabelecidas na Constituição
Federal, do Ministério Público?

Resposta: Conforme o art. 129 da CF, são funções institucionais do Ministério


Público: “I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei; II -
zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância
pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas
necessárias a sua garantia; III - promover o inquérito civil e a ação civil pública,
para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros
interesses difusos e coletivos; IV - promover a ação de inconstitucionalidade ou
representação para fins de intervenção da União e dos Estados, nos casos
previstos nesta Constituição; V - defender judicialmente os direitos e interesses
das populações indígenas; VI - expedir notificações nos procedimentos
administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos
para instruí-los, na forma da lei complementar respectiva; VII - exercer o controle
externo da atividade policial, na forma da lei complementar mencionada no artigo
anterior; VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito
policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais;
IX - exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis
com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria
jurídica de entidades públicas”. Acerca das funções institucionais, é importante
ressaltar a disposição do §1o do artigo 129, afirmando que: “a legitimação do
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Ministério Público para as ações civis previstas neste artigo não impede a de
terceiros, nas mesmas hipóteses, segundo o disposto nesta Constituição e na
lei”.
QUESTÃO-ESTUDO
Na composição do CNJ, há integrantes que não são membros da
magistratura?
Resposta: Sim, dentre os quinze integrantes do CNJ, há: um membro do
Ministério Público da União, indicado pelo Procurador-Geral da República; um
membro do Ministério Público estadual, escolhido pelo Procurador-Geral da
República dentre os nomes indicados pelo órgão competente de cada instituição
estadual; dois advogados, indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos
Advogados do Brasil; dois cidadãos, de notável saber jurídico e reputação
ilibada, indicados um pela Câmara dos Deputados e outro pelo Senado Federal.
Importante notar que o Procurador-Geral da República, embora oficie perante o
CNJ, não o integra, ou seja, não é membro deste Conselho.
QUESTÃO-ESTUDO
Há, dentre as competências do CNJ expressas na Constituição Federal
menção ao Ministério Público?
Resposta: Sim, de acordo com o artigo 103-B, §4o, inciso IV, cabe ao CNJ, no
exercício de suas funções, representar ao Ministério Público, no caso de crime
contra a administração pública ou de abuso de autoridade.
QUESTÃO-TREINO
Como se compõe o Conselho Nacional do Ministério Público?

Resposta: De acordo com o artigo 130-A, da CF: “O Conselho Nacional do


Ministério Público compõe-se de quatorze membros nomeados pelo Presidente
da República, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado
Federal, para um mandato de dois anos, admitida uma recondução, sendo: I o
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Procurador-Geral da República, que o preside; II quatro membros do Ministério


Público da União, assegurada a representação de cada uma de suas carreiras;
III três membros do Ministério Público dos Estados; IV dois juízes, indicados um
pelo Supremo Tribunal Federal e outro pelo Superior Tribunal de Justiça; V dois
advogados, indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do
Brasil; VI dois cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados
um pela Câmara dos Deputados e outro pelo Senado Federal. Os membros do
Conselho oriundos do Ministério Público serão indicados pelos respectivos
Ministérios Públicos, na forma da lei”. Importante ressaltar que o Presidente do
Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil oficiará junto ao Conselho,
mas não o integra como membro.
QUESTÃO-TREINO
Quais são as competências do CNMP?

Resposta: Estabelece o artigo 130-A, §2o da CF: “Compete ao Conselho


Nacional do Ministério Público o controle da atuação administrativa e financeira
do Ministério Público e do cumprimento dos deveres funcionais de seus
membros, cabendo-lhe: I zelar pela autonomia funcional e administrativa do
Ministério Público, podendo expedir atos regulamentares, no âmbito de sua
competência, ou recomendar providências; II zelar pela observância do art. 37 e
apreciar, de ofício ou mediante provocação, a legalidade dos atos
administrativos praticados por membros ou órgãos do Ministério Público da
União e dos Estados, podendo desconstituí-los, revê-los ou fixar prazo para que
se adotem as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, sem
prejuízo da competência dos Tribunais de Contas; III receber e conhecer das
reclamações contra membros ou órgãos do Ministério Público da União ou dos
Estados, inclusive contra seus serviços auxiliares, sem prejuízo da competência
disciplinar e correicional da instituição, podendo avocar processos disciplinares
em curso, determinar a remoção, a disponibilidade ou a aposentadoria com
subsídios ou proventos proporcionais ao tempo de serviço e aplicar outras
sanções administrativas, assegurada ampla defesa; IV rever, de ofício ou
mediante provocação, os processos disciplinares de membros do Ministério
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Público da União ou dos Estados julgados há menos de um ano;


V elaborar relatório anual, propondo as providências que julgar necessárias
sobre a situação do Ministério Público no País e as atividades do Conselho, o
qual deve integrar a mensagem prevista no art. 84, XI”.
QUESTÃO-ESTUDO
O que dispõe a Constituição Federal acerca do Corregedor nacional do
CNMP e sobre as ouvidorias do MP?
Resposta: O artigo 130-A, §3o, estabelece que “O Conselho escolherá, em
votação secreta, um Corregedor nacional, dentre os membros do Ministério
Público que o integram, vedada a recondução, competindo-lhe, além das
atribuições que lhe forem conferidas pela lei, as seguintes: I receber reclamações
e denúncias, de qualquer interessado, relativas aos membros do Ministério
Público e dos seus serviços auxiliares; II exercer funções executivas do
Conselho, de inspeção e correição geral; III requisitar e designar membros do
Ministério Público, delegando-lhes atribuições, e requisitar servidores de órgãos
do Ministério Público.” O §5o, do mesmo artigo, estabelece que “Leis da União
e dos Estados criarão ouvidorias do Ministério Público, competentes para
receber reclamações e denúncias de qualquer interessado contra membros ou
órgãos do Ministério Público, inclusive contra seus serviços auxiliares,
representando diretamente ao Conselho Nacional do Ministério Público”.

QUESTÃO-ESTUDO
De que maneira a Lei Orgânica Estadual classifica os órgãos do MPSP?
Resposta: Os artigos 5o - 8o agrupam os órgãos do MP da seguinte maneira:
“Artigo 5º - São órgãos da Administração Superior do Ministério Público:
I - a Procuradoria-Geral de Justiça;
II - o Colégio de Procuradores de Justiça;
III - o Conselho Superior do Ministério Público;
IV - a Corregedoria-Geral do Ministério Público.

Artigo 6º - São órgãos de Administração do Ministério Público:


I - as Procuradorias de Justiça;
II - as Promotorias de Justiça.

Artigo 7º - São órgãos de execução do Ministério Público:


I - o Procurador-Geral de Justiça;
II - o Colégio de Procuradores de Justiça;
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III - o Conselho Superior do Ministério Público;


IV - os Procuradores de Justiça;
V - os Promotores de Justiça.

Artigo 8º - São órgãos auxiliares do Ministério Público:


I - os Centros de Apoio Operacional;
II - a Comissão de Concurso;
III - o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional;
IV - os órgãos de apoio técnico e administrativo;
V - os Estagiários”
QUESTÃO-ESTUDO
O que são os Planos Gerais de Atuação do MPSP, de acordo com a Lei
Orgânica Estadual?
Resposta: A disciplina legal dos “PGAs” vem estabelecida nos artigos 97-99 da
Lei Orgânica Estadual: “Art. 97. A atuação do Ministério Público deve levar em
conta os objetivos e as diretrizes institucionais estabelecidos anualmente no
Plano Geral de Atuação, destinados a viabilizar a consecução de metas
prioritárias nas diversas áreas de suas atribuições legais. Art. 98. O Plano Geral
de Atuação será estabelecido pelo Procurador-Geral de Justiça, com a
participação dos Centros de Apoio Operacional, das Procuradorias e
Promotorias de Justiça, ouvidos o Órgão Especial do Colégio de Procuradores
de Justiça e o Conselho Superior do Ministério Público.
Parágrafo único - Para execução do Plano Geral de Atuação serão
estabelecidos: I - Programas de Atuação das Promotorias de Justiça;
II - Programas de Atuação Integrada de Promotorias de Justiça; III - Projetos
Especiais. Art. 99. O procedimento de elaboração do Plano Geral de Atuação,
dos Programas de Atuação e dos Projetos Especiais será disciplinado em Ato do
Procurador-Geral de Justiça.”
É importante saber diferenciar os “PGAs”, dos programas de atuação e dos
projetos especiais, cuja disciplina está nos artigos 100-102, da Lei Orgânica
Estadual:
“Art. 100. Os Programas de Atuação das Promotorias de Justiça, que serão por
elas elaborados, especificarão as providências judiciais e extrajudiciais
necessárias à sua concretização, a forma de participação dos órgãos do
Ministério Público neles envolvidos e os meios e recursos para sua execução.

Art. 101. Os Programas de Atuação Integrada, obedecido o disposto no artigo


anterior, serão elaborados pelos integrantes das Promotorias de Justiça
envolvidas, sempre que necessário para a consecução dos objetivos e diretrizes
do Plano Geral de Atuação. Art. 102. Os Projetos Especiais, observado o
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disposto no artigo 99, serão estabelecidos por Ato do Procurador-Geral de


Justiça em vista de alterações legislativas ou de circunstâncias emergenciais”.
QUESTÃO-TREINO
O que dispõe a Lei Orgânica Nacional a respeito dos procedimentos de
escolha e destituição do Procurador-Geral de Justiça?

Resposta: De acordo com a Lei Orgânica Nacional: “Art. 9º Os Ministérios


Públicos dos Estados formarão lista tríplice, dentre integrantes da carreira, na
forma da lei respectiva, para escolha de seu Procurador-Geral, que será
nomeado pelo Chefe do Poder Executivo, para mandato de dois anos, permitida
uma recondução, observado o mesmo procedimento. § 1º A eleição da lista
tríplice far-se-á mediante voto plurinominal de todos os integrantes da carreira.
§ 2º A destituição do Procurador-Geral de Justiça, por iniciativa do Colégio de
Procuradores, deverá ser precedida de autorização de um terço dos membros
da Assembleia Legislativa. § 3º Nos seus afastamentos e impedimentos o
Procurador-Geral de Justiça será substituído na forma da Lei Orgânica. § 4º
Caso o Chefe do Poder Executivo não efetive a nomeação do Procurador-Geral
de Justiça, nos quinze dias que se seguirem ao recebimento da lista tríplice, será
investido automaticamente no cargo o membro do Ministério Público mais
votado, para exercício do mandato”.

Ordem Social

3) Leis relacionada ao tema


Constituição Federal – arts. 193 a 232.
**Observação: Atenção para o art. 225, §7º, da Constituição Federal, incluído
pela Emenda Constitucional nº 96/2017, que dispõe sobre possibilidade da
prática de atividades que utilizam animais, como a Vaquejada. A referida
82

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Emenda foi uma reação ao julgamento da ADI 4983/CE (Info 842), na qual o STF
havia decidido pela inconstitucionalidade da prática em razão de afronta ao art.
225, §1º, VII, do texto constitucional34.
4) Jurisprudência Sumulada dos Tribunais superiores
Súmulas do STF: 466 e 650.
Súmulas do STJ: 34 e 140.
5) Informativos
Informativos do STF:
 Da Seguridade Social: Info 859 e Info 87435.
 Da Educação, da Cultura e do Desporto: Info 853, Info 862, Info 876
e Info 87936.
 Dos Índios: Info 858 e Info 873.
Informativos STJ:
 Seguridade Social: Info 601 e Info 606.
 Dos Índios: Info 564, Info 571 e Info 611.
QUESTÃO-TREINO
Município “X”, localizado no Estado de São Paulo, cria o “Cartão Cidadão”,
que será emitido somente para moradores do referido Município e passará
a ser necessário para acessar os serviços de saúde municipais. O munícipe
que não apresentar o documento, ou aquele que for oriundo de outra
municipalidade, terá atendimento de saúde negado nos estabelecimentos
municipais. Pergunta-se: a medida imposta pelo Município “X” é
constitucional? Fundamente sua resposta (VUNESP – Analista de
Promotoria MPSP – 2ª fase – 2015)

34 Sobre o assunto: Dizer o Direito - Breves Comentários à EC/2017.


35 As leis estaduais que proíbem o uso do amianto são constitucionais. O art. 2º da Lei federal nº
9.055/95, que autorizava a utilização da crisotila (espécie de amianto), é inconstitucional. Houve
a inconstitucionalidade superveniente (sob a óptica material) da Lei nº 9.055/95, por ofensa ao
direito à saúde (art. 6º e 196, CF/88); ao dever estatal de redução dos riscos inerentes ao trabalho
por meio de normas de saúde, higiene e segurança (art. 7º, inciso XXII, CF/88); e à proteção do
meio ambiente (art. 225, CF/88). STF. Plenário. ADI 3937/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red.
p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 24/8/2017(Info 874). Acerca do assunto ler comentários no
link Dizer o Direito - Informativo 874 STF Comentado.
36 Traz o julgamento da ADI 4439, que decidiu pela possibilidade de oferta de ensino religioso

em escolas públicas. A respeito do tema: Dizer o Direito - Informativo 879 STF Comentado
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Resposta – Gabarito fornecido pela Vunesp: A conduta do Município X é


inconstitucional, por violar dois dispositivos da Constituição Federal. A conduta
do Município X é inconstitucional, por violar o direito à saúde e o princípio da
igualdade, ambos constitucionalmente assegurados. O direito à saúde, previsto
nos artigos 6.º e 196 da Constituição Federal, é um direito social (ou de segunda
dimensão/geração) de caráter universal (independe de qualquer contribuição).
Isso significa que é um direito de todos e um dever do Estado, compreendido
aqui em sentido amplo, ou seja, é um dever comum da União, dos Estados, dos
Municípios e do Distrito Federal, devendo, então, os serviços de saúde ser
prestados por todos os entes federativos, nos termos delineados pela própria
Constituição Federal e pela legislação que regulamenta o Sistema Único de
Saúde. Assim, o Município X, ao instituir o Cartão Cidadão está descumprindo
as previsões constitucionais acerca de como deve prestar os serviços de saúde.
Além disso, o Cartão Cidadão estabelece uma discriminação indevida, que viola
o princípio da igualdade, insculpido no art. 5.º, caput, da Constituição Federal,
que cria distinções, em razão de origem municipal, para a prestação de serviços
de saúde, sendo assentado pelo Supremo Tribunal Federal que até mesmo
estrangeiros não residentes no País têm assegurado o direito à saúde.
Observação: a questão reproduz hipótese que foi objeto de análise pelo
Supremo Tribunal Federal (ARE 661288, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI,
Primeira Turma, julgado em 06/05/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-185
DIVULG 23-09-2014 PUBLIC 24-09-2014).
QUESTÃO-TREINO
A respeito da ADI 4066, que tinha por objeto eventual inconstitucionalidade
da Lei Estadual nº 12.687/2007, que proíbe o uso de produtos, materiais ou
artefatos que contenham quaisquer tipos de amianto no Estado de São
Paulo, responda:
a. Os Estados-membros detém competência para a legislar sobre a
matéria? Em caso positivo, qual o fundamento constitucional.
b. Quais os fundamentos utilizados pelo Supremo Tribunal Federal em
sua decisão no âmbito da ADI 4066.
84

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Respostas: a) Tendo em vista que a proibição do uso do amianto abrange


assuntos de competência concorrente, os Estados-membros possuem
competência para legislar sobre a proibição do uso do amianto. Nesse sentido,
a Lei Estadual nº 12.687/2007, assim como as demais leis estaduais que versam
sobre a proibição do uso de produtos, materiais e artefatos que contenham
amianto, versa sobre matéria de produção e consumo, proteção do meio
ambiente e proteção e defesa da saúde, previstos, respectivamente, nos incisos,
V, VI e XII, do artigo 24 da Constituição Federal. b) No âmbito da ADI 4066
discutia-se a inconstitucionalidade da lei Estadual nº 12.687/2007, uma vez que
em se tratando de competência concorrente, a União deteria a competência de
editar normas gerais sobre o assunto e os Estados e Municípios teriam
competência para suplementar a matéria, ou seja, os Estados-membros
poderiam legislar sobre a matéria desde que não contrariassem as normas
federais. Ocorre que, a mencionada Lei Estadual, proibia o uso do amianto, ao
passo que a lei federal que estava vigente (Lei nº 9.055/95) permitia a utilização
do amianto, desde que observados determinados requisitos. Em que pese a
eventual inconstitucionalidade em razão da norma estadual em questão ser
incompatível com a norma federal, o Supremo Tribunal Federal decidiu no
julgamento da ADI 4066 pela possibilidade da edição de leis estaduais que
proibissem o uso de material, tendo considerado que o dispositivo da lei federal
que permitia o uso do amianto seria incompatível com o texto constitucional sob
o fundamento de que a referida lei não protegeria de forma adequada e
suficientemente os direitos à saúde e ao meio ambiente equilibrado.
DISSERTAÇÃO-TREINO
Dissertação da prova passada. Treine! Escreva!
Disserte sobre os direitos e interesses das futuras gerações, relacionando-
os aos princípios da prevenção e precaução, na temática do dano
ambiental. (VUNESP – Analista de Promotoria MPSP – 2ª fase – 2015 –
Redação de Tutela de Interesses Difusos e Coletivos)
Resposta esperada e fundamentação publicados pela VUNESP:
85

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O candidato deverá versar sobre cinco pontos:


a. Direitos e interesses das futuras gerações, em sintonia com o
desenvolvimento sustentável, embasado no artigo 225 da Constituição Federal
e na Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, demonstrando que esses
dispositivos trazem como objetivo a compatibilização do desenvolvimento
econômico e social com a preservação da qualidade do meio ambiente para as
presentes e futuras gerações.
b. Menção ao artigo 225 da Constituição Federal e a alguma das convenções
internacionais que tenham consagrado o princípio da prevenção e precaução.
c. Abordagem do princípio da prevenção, trazendo o seu significado e
importância na temática da preservação das futuras gerações.
d. Abordagem do princípio da precaução, trazendo o seu significado e
importância na temática da preservação das futuras gerações.
e. A importância de evitar a ocorrência do dano ambiental pela aplicação dos
princípios da prevenção e da precaução, que são materializados pelos
instrumentos do licenciamento e estudo de impacto ambiental.
86

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2. Direito Administrativo
Conceito e princípios gerais do Direito Administrativo.
Administração Pública. Administração direta e indireta. Órgãos Públicos,
conceito, classificação. Terceiro Setor. Organizações Sociais e Organizações da
Sociedade Civil de Interesse Público.
Regime jurídico administrativo. Poderes Administrativos.
Atos administrativos, classificação, requisitos, extinção, espécies.
Licitações e contratos administrativos.
Responsabilidade Civil do Estado
Agentes Públicos, classificação, regime jurídico, direitos e deveres,
responsabilidade civil, criminal e administrativa. Abuso de poder e desvio de
finalidade.
Improbidade Administrativa.
Controle da Administração.
Bens Públicos.
Intervenção do Estado na propriedade.
Serviços Públicos, concessão, permissão e regime das parcerias público-
privadas.
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Princípios da Administração Pública


QUESTÃO-TREINO
Princípios do Direito Administrativo
Hely Lopes Meirelles definiu: “O administrador público está, em toda a sua
atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem
comum e deles não pode se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato
inválido e expor-se a responsabilidade disciplinar, civil e criminal,
conforme o caso. ”
A) Qual o princípio em questão? Há previsão legal no ordenamento
jurídico brasileiro? Em caso positivo, em qual diploma legal?
B) Este princípio sob a ótica da Administração Pública pode ser
aplicado na esfera privada? Fundamente.

Resposta: A) O princípio descrito é o da legalidade. Ele é um dos princípios


administrativos explícitos no ordenamento jurídico brasileiro. Este princípio é
previsto na Constituição Federal (artigo 37, caput). B) Para a Administração só
se é permitido fazer aquilo que o a lei expressamente determina. Ou seja, deve
haver lei disciplinando a matéria. No entanto, os particulares podem fazer o que
a lei não proíbe.
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Administração Pública Direta e Indireta


QUESTÃO-ESTUDO
Entidades
Diferencie OS’s de OSCIP’s
OS OSCIP
Lei de Lei n. 9.637/98 Lei 9.790/99
Regência
Torna possível que pessoas A qualificação das OSCIP’s
jurídicas de direito privado, não visa absorver
sem fins lucrativos, assumam atividades desenvolvidas
atividades desenvolvidas por pelo Estado, mas tão
Característica
entidades ou órgãos da somente uma parceria, de
Administração Pública. Há intuito colaborativo. A
uma transferência para a OSCIP atua em
iniciativa privada colaboração
Instrumento Contrato de gestão Termo de Parceria
de
Formalização
Discricionária Vinculada
A qualificação como OS A qualificação como OSCIP
depende de aprovação é ato vinculado do Ministro
Qualificação discricionária do Ministro ou da Justiça, sendo que o
titular do órgão setorial (a indeferimento deve ser
depender da área de atuação) fundamentado.
e do Ministro do Planejamento,
Orçamento e Gestão (MPOG).
As áreas de atuação das OS As áreas de atuação das
são mais restritas: ensino; OSCIP’s são mais amplas,
pesquisa científica; como: assistência social;
desenvolvimento tecnológico; cultura, defesa e
Áreas de proteção e preservação do conservação do patrimônio
Atuação meio ambiente; cultura e histórico e artístico;
saúde. educação; saúde;
segurança alimentar e
nutricional; meio ambiente;
combate à pobreza; direitos
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humanos, etc. (art. 3º da Lei


9.790/99)
A lei disciplina os requisitos A lei não disciplina os
específicos, ou seja, a pessoa requisitos específicos,
Requisitos jurídica deve atender às cuidando das hipóteses em
para exigências legais (art. 2º da Lei que não se poderá
qualificação n. 9.637/98) qualificar a pessoa jurídica
como OSCIP (art. 2º da Lei
9.790/99).
O conselho de administração É permitida a participação
Composição deve ser composto por 20 a de servidores públicos na
do Poder 40% (vinte a quarenta por composição de conselho de
Público na cento) de membros natos Organização da Sociedade
Administração representantes do Poder Civil de Interesse Público
Público.
Tabela retirada do site <[Link]
[Link]>, consultado em 04/10/2018.

QUESTÃO-ESTUDO
Estatais
2. Aponte as principais diferenças entre os dois tipos de empresas estatais.
Empresa pública Sociedade de economia
mista
Composição do capital Integralmente público* Capital público e privado,
mas a maioria do capital
votante tem que pertencer
à Administração Direta –
art. 4o, Lei 13.303/16
Forma de organização Qualquer modalidade Sociedade anônima,
societária apenas
Justiça competente Justiça Federal – art. Justiça Comum Estadual**
109, I, CF
*Obs.: desde que a maioria do capital votante permaneça em propriedade da
Administração Direta, será admitida, no capital da empresa pública, a
participação de outras pessoas jurídicas de direito público interno, bem como de
entidades da administração indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios. Ex.: é possível uma empresa pública formada por 3 acionistas:
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União Federal, que possui a maioria do capital votante, uma autarquia estadual
e uma empresa pública municipal.
Súmulas:
 556, STF: “É competente a Justiça comum para julgar as causas
em que é parte sociedade de economia mista.”
 517, STF: “As sociedades de economia mista só têm foro na
Justiça Federal, quando a União intervém como assistente ou
opoente.”
 42, STJ: “Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar
as causas cíveis em que é parte sociedade de economia mista e
os crimes praticados em seu detrimento.”
QUESTÃO-ESTUDO
Órgãos Públicos
Órgãos públicos: conceitue e apresente sua classificação com exemplos.
De acordo com a doutrina (Maria Sylvia Zanella Di Pietro e Hely Lopes Meirelles),
órgãos públicos representam centros de competência instituídos para o exercício
da função administrativa. Seguindo o mesmo sentido está a definição legal,
disposta no art. 1º, §2º, I, Lei 9.784/99, que descreve órgão público como a
unidade de atuação integrante da estrutura da Administração direta e da
estrutura da Administração indireta.
Os órgãos públicos não têm personalidade jurídica própria, são entes
despersonalizados, criados para explicar a relação jurídica entre o Estado e o
agente público.
É possível classificar os órgãos públicos em 4 categorias:
a) órgãos independentes: que estão no topo da hierarquia, na cúpula, e
possuem previsão constitucional. Não há subordinação, eles detêm plena
autonomia. Ex.: Presidência da República, MP.
b) órgãos autônomos: também se encontram no topo da estrutura
administrativa, e, apesar de possuírem autonomia, são subordinados aos
órgãos independentes. Ex.: Ministérios.
c) órgãos superiores: órgãos de chefia e direção, subordinados aos órgãos
anteriores (independentes e autônomos) e que não apresentam
autonomia administrativa e financeira. Ex.: Procuradoria da Fazenda
Nacional (subordinada à Fazenda Nacional, que, por sua vez, está
subordinada à Presidência da República)
91

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d) órgãos subalternos: estão na base da estrutura organizacional,


subordinados aos órgãos anteriores, não tendo qualquer poder decisório.
Possuem função, eminentemente, executiva. Ex.: reprografia,
almoxarifado.

Atos administrativos

QUESTÃO-TREINO
(Procurador do Estado do AM – adaptada) A Administração vem a
constatar, após o recebimento de uma denúncia, que um servidor público
estadual havia falsificado o certificado de conclusão de graduação em
curso de nível superior, necessário à titulação do cargo efetivo por ele
ocupado. Sabe-se que, posteriormente à posse, o referido servidor
concluiu o curso de graduação exigido para a titulação do cargo.
a) Qual o procedimento a ser adotado pela Administração neste caso?
b) Os atos praticados por este servidor durante o exercício da função
reputam-se inválidos por esse motivo?

R: a) O ato administrativo em questão (posse no serviço público) é nulo, pois a


Administração foi induzida a erro (vício na motivação do ato). Como o servidor
agiu de forma dolosa, não é possível convalidar o ato da posse, ainda que ele
tenha posteriormente atingido o requisito para a investidura no cargo público,
concluindo o curso de graduação exigido. E, embora a Administração esteja
autorizada a anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem
ilegais37, é imperiosa, no caso, a instauração do procedimento administrativo
competente, com obediência aos princípios constitucionais da ampla defesa e
do contraditório38. O procedimento administrativo não exclui a responsabilidade

37 Súmula 473 STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios
que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de
conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os
casos, a apreciação judicial.
38 AI 710.085. AgR, STF – 1ª Turma, Rel. Ministro Ricardo Lewandowski, julgado em 03.02.2009,

DJe: 05.03.2009.
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do servidor na esfera cível, inclusive em sede de ação de improbidade


administrativa, e a responsabilidade penal pela falsificação. b) Não, o defeito
invalidante da investidura de um agente público não acarreta, por si só, a
nulidade dos atos que ele praticou. Trata-se da teoria do “funcionário público de
fato”, segundo a qual, embora a investidura do servidor tenha sido irregular, a
situação tem aparência de legalidade. Em nome dos princípios da aparência, da
boa-fé dos administrados, da segurança jurídica e da presunção de legalidade
dos atos administrativos, são considerados válidos os atos por ele praticados,
salvo se por outra razão forem viciados39.
QUESTÃO-TREINO
Marcelo é servidor público estadual e praticou ato de corrupção. Foi
instaurado procedimento administrativo disciplinar para apuração de sua
conduta, tendo-lhe sido imposta a pena de demissão. Marcelo interpôs
recurso administrativo contra a decisão proferida. Porém, antes do
julgamento do recurso, a Administração Pública cessou o pagamento da
remuneração do servidor e o afastou das funções. É possível que a sanção
aplicada seja, desde logo, executada mesmo que ainda esteja pendente
recurso interposto no âmbito administrativo?

Resposta: Sim. O STJ firmou entendimento no sentido de ser possível o


cumprimento imediato de penalidade imposta ao servidor em procedimento
administrativo disciplinar, ainda que pendente o julgamento do recurso
administrativo, sob o argumento de que os atos administrativos gozam de
autoexecutoriedade, de modo a permitir que a Administração execute seus
efeitos materiais, independentemente de autorização judicial ou trânsito em
julgado da decisão administrativa40. Ademais, a execução dos efeitos materiais
da penalidade imposta ao servidor não dependem do julgamento de recurso

39 MELLO, Celso Antônio B. Curso de Direito Administrativo. 25. Ed. rev. e atual. São Paulo,
Malheiros: 2008. p. 245.
40 STJ. 1ª Seção. MS 19.488-DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 25/3/2015
(Info 559) (Fonte: Dizer o Direito).
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interposto na esfera administrativa, uma vez que, em regra, não possui efeito
suspensivo41.
QUESTÃO-TREINO
Ato administrativo é o meio pelo qual a Administração Pública exterioriza
sua vontade, a fim de produzir efeitos jurídicos. Quais os requisitos dos
atos administrativos?

Resposta: Embora exista divergência sobre o assunto, grande parte da doutrina


reconhece que os elementos do ato administrativo se encontram elencados no
artigo 2º da Lei 4.717/65 (Lei de Ação Popular), sendo eles: competência/sujeito,
forma, objeto, motivo e finalidade. Diante disso, tem-se que o ato administrativo
válido é aquele que tenha sido editado por autoridade competente para tanto,
obedecendo as formalidades e solenidades previstas em lei e cujo conteúdo seja
lícito e possível, com exposição dos fatos e fundamentos jurídicos geradores
vontade administrativa e direcionado ao atingimento do interesse público. Os
atos editados em desconformidade com esses requisitos são considerados
nulos, nos termos do dispositivo acima mencionado.

Licitações

QUESTÃO-TREINO
Participação em Licitações
A Prefeitura do Município de Guarulhos abriu licitação para a compra de
materiais escolares para as escolas públicas. Um servidor público da
prefeitura de Guarulhos participante de uma das empresas concorrentes
decidiu participar da licitação. Pergunta-se:

41 Art. 109 da Lei 8.112/90.


94

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a) A empresa em que o servidor faz parte poderá participar da licitação?


b) Caso este mesmo servidor esteja licenciado, a empresa poderá
participar da licitação?

RESPOSTA: a) O servidor não poderá participar da licitação, pois lhe é vedado,


conforme dispõe o artigo 9º, III, da Lei 8.666/93. b) Não. O fato de estar o servidor
licenciado, à época do certame, não ilide a aplicação do referido preceito legal,
eis que não deixa de ser funcionário o servidor em gozo de licença" (REsp
1607715/AL, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado
em 07/03/2017, DJe 20/04/2017)
QUESTÃO-TREINO
Contratação direta
É possível a contratação direta de escritório de advocacia para prestação
de serviços advocatícios, sem licitação? Explique.

Resposta: É possível, desde que cumpridos alguns requisitos a) existência de


procedimento administrativo formal; b) notória especialização profissional; c)
natureza singular do serviço; d) demonstração da inadequação da prestação do
serviço pelos integrantes do Poder Público; e) cobrança de preço compatível
com o praticado pelo mercado. (Inq 3074, Relator(a): Min. ROBERTO
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BARROSO, Primeira Turma, julgado em 26/08/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO


DJe-193 DIVULG 02-10-2014 PUBLIC 03-10-2014)
QUESTÃO-TREINO
Contratação direta
Diferencie licitação deserta de licitação fracassada.

Resposta: Licitação deserta é aquela em que não aparece nenhum interessado,


enquanto a licitação fracassada é aquela em que aparecem interessados, porém
nenhum é selecionado, em decorrência de inabilitação ou desclassificação.

Responsabilidade Civil do Estado

1) Legislação relacionada ao tema

Artigo 37, § 6º, da Constituição da República


Artigo 43, do Código Civil
Artigo 206, § 3º, do Código Civil
Decreto-Lei nº 20.910/32

2) Informativos

Informativo nº 421, do Supremo Tribunal Federal


Informativo nº 819, do Supremo Tribunal Federal (morte de detento. MUITO
IMPORTANTE)
Informativo nº 615, do Superior Tribunal de Justiça
Informativo nº 545, do Superior Tribunal de Justiça (dano ambiental)
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Informativo nº 553, do Superior Tribunal de Justiça (cadáver em


decomposição em reservatório de água)
Informativo nº 532, do Superior Tribunal de Justiça
Jurisprudência em Teses (STJ): edição nº 61 (leitura rápida e muito
importante, pois traz os julgados mais importantes sobre os temas, além de
individualizar os informativos).
QUESTÃO-TREINO
“L'Etat cest moi". A famosa expressão, atribuída ao rei francês Luis XIV,
representa a doutrina política adotada pelos Estados absolutistas. A ideia
de soberania das monarquias trazia, por via obliqua, a irresponsabilidade
do Estado, porquanto não havia resposta estatal aos atos danosos
praticados contra os súditos. Tal premissa remonta à Teoria da
Irresponsabilidade do Estado, mas é certo que houve clara evolução no
sentido de que, hoje, o ente público é responsabilizado pelos atos dos
agentes que causarem lesão ao particular.
a) Com fundamento no texto, explique como se manifesta a
responsabilização civil do Estado, seus elementos caracterizadores e o
fundamento no ordenamento jurídico brasileiro.
b) Como ocorre a responsabilização do agente público que praticou o ato
danoso? No caso de propositura de ação para indenização, como o agente
público seria demandado?

Respostas: a) O Brasil adota da Teoria da Responsabilidade Objetiva, com


fundamento no artigo 37, 6, da Constituição da República e também como
previsto no artigo 43, do Código Civil. Nesse sentido, tem-se que o Estado deve
ressarcir os particulares pelos danos que lhe foram causados pela conduta
comissiva do agente público, seja ilícita ou lícita, a despeito da inexistência de
contrato anterior entre as partes, uma vez que a natureza da responsabilidade é
extracontratual. E por se tratar de responsabilidade objetiva, prescinde da
comprovação de dolo ou culpa do agente público causador do dano, visto que
basta a relação causal entre o seu ato e os prejuízos sofridos pelo particular.
Desse modo, os elementos caracterizadores da responsabilidade civil objetiva
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do Estado são: a conduta, lícita ou ilícita, o dano, ainda que moral, e o nexo de
causalidade entre ambos (de que a conduta do agente foi determinante para que
o prejuízo fosse causado). b) Embora a responsabilidade civil do Estado seja
objetiva, o agente responde pelos atos praticados se sua conduta foi dolosa ou
culposa e, nesse sentido, a responsabilidade é subjetiva. Assim, além dos
elementos conduta, dano e nexo de causalidade, deve-se analisar o dolo ou a
culpa do sujeito que causou a lesão ao [Link] caso, a vítima busca
ressarcimento junto ao Estado e este cobra do agente, em ação de regresso,
como dispõe o artigo 37, 6, da Constituição da República. Pelo entendimento
majoritário, não é possível a denunciação à lide do agente público, porquanto
haveria ampliação do mérito da ação por ser necessário discutir o dolo ou a
culpa, o que traria maior prejuízo à vítima e ineficiência processual.

BREVES COMENTÁRIOS (letra a):


Como explicitado, o ato do agente público causador do dano pode ser ilícito ou
lícito. Neste último caso, a conduta lícita deve ensejar um dano extraordinário,
anormal, sobretudo porque o ato busca beneficiar a coletividade em face de um
(ou mais) particular prejudicado. Assim, a responsabilidade civil do Estado por
ato lícito observa o princípio da isonomia, na medida em que há atuações
estatais que, mesmo beneficiando a coletividade, prejudica um indivíduo.
Fernanda Marinela traz como exemplos a construção de cemitérios, presídios ou
viadutos, os quais podem gerar grande incômodo e até mesmo desvalorização
dos imóveis vizinhos. Outro exemplo interessante é a requisição de automóvel
particular para a perseguição de criminosos, acaso o veículo venha a sofrer
danos. Em todos esses casos, se demonstrado o grave prejuízo com a conduta
lícita do Estado, haverá ressarcimento pelos danos.
Cumpre informar que pela "Teoria do Duplo Efeito dos Atos
Administrativos", o mesmo ato pode vir a causar um dano específico e anormal
para um indivíduo, passível de indenização, e não causar para outro. Assim, a
pessoa que não suportou o dano anormal não poderá justificar o pedido de
indenização apenas porque outro indivíduo foi ressarcido.
BREVES COMENTÁRIOS (letra b):
Atualmente, há controvérsia na doutrina, bem como entre decisões do Superior
Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal sobre a possibilidade de se
demandar diretamente o agente público causador do dano.
Celso Antônio Bandeira de Mello defende que a vítima ingresse diretamente
contra o agente causador do dano, mas desde que renuncie à garantia da
responsabilidade objetiva do Estado. Em decisão da 1 Turma do Supremo
Tribunal Federal, sustenta-se que a vítima não poderá buscar a reparação dos
98

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danos diretamente do agente público, visto que a Constituição da República, ao


mesmo tempo que impõe a responsabilidade do Estado em prol da vítima,
também garante ao agente ser cobrado apenas pelo ente, como fundamento da
"teoria da dupla garantia". Por outro lado, há julgado do Superior Tribunal de
Justiça, de 2014, permitindo propor ação diretamente contra o agente público
com fundamento na economia processual.
Há decisão do Superior Tribunal de Justiça que admite a denunciação à lide do
agente público pelo Estado, mas sem que o ente seja obrigado a fazê-lo. Assim,
é possível ação autônoma de regresso: “Nas ações de responsabilidade civil do
Estado, é desnecessária a denunciação da lide ao suposto agente público
causador do ato lesivo”. (STJ. Jurisprudências em Teses, edição nº 61).
QUESTÃO-TREINO
"Sr. X", motorista de ônibus da concessionária "Y", fazia o transcurso
rotineiro sentido bairro-centro. Em dado momento, o "sr. X"parou o veículo
no ponto para que 10 passageiros subissem, ao passo que, após todos
sentarem, ele retomou o percurso. Contudo, ao ultrapassar para a faixa da
esquerda, o motorista acelerou de forma brusca, por descuido, e atingiu o
poste que ficava na via, sendo que uma senhora passava pelo local. Esta
senhora veio a ser atropelada e, por sorte, sofreu ferimentos leves.
a) Qual é a responsabilidade da concessionária e do ente público que a
contratou? b) Há diferença entre a responsabilização pelos danos
causados aos passageiros, usuários do serviço, e à lesão causada à
senhora, que não era usuária do serviço no momento do acidente?

Respostas: a) Tanto a concessionária de serviço público quanto o Estado


respondem objetivamente pelos ato praticado pelo motorista, visto que, além dos
entes da Administração Pública (Direta ou Indireta), os particulares prestadores
de serviço público por delegação também se submetem ao regime previsto no
artigo 37,6 da Constituição da República. Contudo, é necessário observar que,
em regra, a responsabilidade do Estado é subsidiária à da concessionária, pois
99

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devem ser esgotados todos os meios de pagamento por parte da prestadora de


serviço público. b) Não há diferença se o ato danoso atingiu um usuário ou um
não usuário do serviço público, em atenção ao princípio da isonomia, visto que
as vítimas não usuárias do serviço seriam consumidoras por equiparação
(bystanders). Assim, a responsabilidade também será objetiva, visto que a
Constituição da República não distingue.
BREVES COMENTÁRIOS:
Somente as empresas públicas e sociedades de economia mista prestadoras de
serviços públicos observam o regime previsto no artigo 37, 6, da Constituição da
República, ou seja, respondem conforme as regras do Direito Administrativo, Já
as empresas estatais que exploram atividade econômica respondem pelos atos
dos seus agentes conforme as regras do direito privado e varia conforme a
relação jurídica instaurada. Por exemplo: relação de consumo.

Não confundir a responsabilidade subsidiária do Estado com a responsabilidade


solidária, pois, neste caso, tanto o prestador de serviço público quanto o Estado
responderam ao mesmo tempo.

O Superior Tribunal de Justiça em caso de ano ambiental já entendeu que


haveria responsabilidade solidária entre o Município e a concessionária. Sobre
esse assunto ler notícia extraída do site do Tribunal:
[Link]
cias/Not%C3%ADcias/A-responsabilidade-do-Estado-e-das-
concession%C3%A1rias-de-servi%C3%A7os-p%C3%BAblicos

Para aprofundar:

" (...) 2. As concessionárias de serviços rodoviários, nas suas relações com o


usuário, subordinam-se aos preceitos do Código de Defesa do Consumidor e
respondem objetivamente pelos defeitos na prestação do serviço. Precedentes.
3. No caso, a autora é consumidora por equiparação em relação ao defeito na
prestação do serviço, nos termos do art. 17 do Código consumerista. Isso porque
prevê o dispositivo que "equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do
evento", ou seja, estende o conceito de consumidor àqueles que, mesmo não
tendo sido consumidores diretos, acabam por sofrer as consequências do
acidente de consumo, sendo também chamados de bystanders. 4. "A
responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de
serviço público é objetiva relativamente a terceiros usuários e não-usuários do
serviço, segundo decorre do art. 37, § 6º, da Constituição Federal" (RE 591874,
Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em
26/08/2009, REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-237 DIVULG 17-12-2009
PUBLIC 18-12-2009). "(Resp 1268743/RJ)
100

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QUESTÃO-TREINO

Em se tratando de responsabilidade civil do Estado, tem-se que o artigo 37,


§ 6º, da Constituição da República, adotou a responsabilização objetiva,
mas não especifica se é aplicada apenas quando das condutas comissivas
dos agentes públicos. Nos casos de ausência de conduta do agente, em
situações nas quais ele deveria agir, ocorrido um evento danoso, aplica-se
a responsabilidade objetiva do Estado segundo a doutrina e jurisprudência
majoritárias? Justifique.

Resposta: Na doutrina majoritária, a posição adotada é de que a


responsabilidade do Estado em caso de conduta omissiva é subjetiva, com
fundamento na teoria da culpa administrativa. Dessa forma, dever-se-ia
comprovar o dano, o nexo causal, a omissão do Estado e a culpa administrativa,
que seria a falha no serviço público prestado ou a sua ineficiência. Também é a
posição adotada pelo Superior Tribunal de Justiça. Contudo, o Supremo Tribunal
Federal passou a entender que a responsabilidade civil nos casos de omissão
do Estado também é objetiva, visto que o artigo 37, § 6º, da Constituição da
República não faria diferenciação quanto à conduta do agente, ou seja, se
comissiva ou omissiva. Assim, bastaria ao particular prejudicado a comprovação
do nexo causal entre o dano e a omissão do Poder Público.

BREVES COMENTÁRIOS:
1. Teoria do Risco criado/risco suscitado e omissão do Estado:

Deve-se fazer, no entanto, uma advertência: para o STF, o Estado responde de


forma objetiva pelas suas omissões, mas o nexo de causalidade entre a conduta
omissiva e os danos sofridos pelos particulares só é caracterizado quando o ente
público tinha o dever legal específico de agir para impedir o evento danoso e,
mesmo assim, não cumpriu tal dever. É a chamada omissão específica (STF.
Plenário. RE 677139 AgR-EDv-AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
22/10/2015).
101

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 Acórdão:

(...) A jurisprudência da Corte firmou-se no sentido de que


as pessoas jurídicas de direito público respondem
objetivamente pelos danos que causarem a terceiros, com
fundamento no art. 37, § 6º, da Constituição Federal, tanto
por atos comissivos quanto por atos omissivos, desde que
demonstrado o nexo causal entre o dano e a omissão do
Poder Público. (...) STF. 2ª Turma. ARE 897890 AgR, Rel.
Min. Dias Toffoli, julgado em 22/09/2015.

2. Para aprofundar, quanto ao entendimento do STJ:


 Informativo de Jurisprudência n. 0437, publicado em 04 de junho de 2010.
Superior Tribunal de justiça.
 Jurisprudência em teses: “A responsabilidade civil do Estado por condutas
omissivas é subjetiva, devendo ser comprovados a negligência na
atuação estatal, o dano e o nexo de causalidade”.

 Acórdãos:

SEGUNDA TURMA. AgRg no REsp 1345620/RS, Rel. Min. Assusete


Magalhães, julgado em 24/11/2015. AgRg no AREsp 501507/RJ,Rel.
Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA. Julgado em
27/05/2014, DJE 02/06/2014. REsp 1230155/PR,Rel. Ministra ELIANA
CALMON, SEGUNDA TURMA, Julgado em 05/09/2013,DJE 17/09/2013.

QUESTÃO-ESTUDO
É possível a exclusão da responsabilidade civil do Estado. Qual a teoria
justifica a resposta à questão anterior e quais as hipóteses de exclusão da
responsabilidade civil do Estado, considerando o elemento nexo de
causalidade?
Resposta: Sim, é possível a exclusão da responsabilidade civil do Estado a
partir da adoção da teoria do risco administrativo, a partir da ausência de um dos
elementos que compõem a responsabilidade civil objetiva, quais sejam: conduta,
dano, ainda que moral, e nexo causal. Quanto aos dois primeiros elementos não
há qualquer indagação. No que reporta ao nexo de causalidade, tem-se que há
interrupção nos casos em que a conduta do agente público não é bastante para
lhe imputar o dano e, consequentemente, ensejar a responsabilidade civil. Dessa
forma, o caso fortuito, a força maior e a culpa exclusiva da vítima são aptas a
interromper o nexo causal.
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BREVES COMENTÁRIOS:
1. Para aprofundar: em caso de suicídio de preso (informe do site Dizer o Direito)
• Em regra: o Estado é objetivamente responsável pela morte de detento. Isso
porque houve inobservância de seu dever específico de proteção previsto no art.
5º, inciso XLIX, da CF/88.
• Exceção: o Estado poderá ser dispensado de indenizar se ele conseguir provar
que a morte do detento não podia ser evitada. Neste caso, rompe-se o nexo de
causalidade entre o resultado morte e a omissão estatal.
O STF fixou esta tese em sede de repercussão geral: Em caso de inobservância
de seu dever específico de proteção previsto no art. 5º, inciso XLIX, da CF/88, o
Estado é responsável pela morte de detento. STF. Plenário. RE 841526/RS, Rel.
Min. Luiz Fux, julgado em 30/3/2016 (repercussão geral) (Info 819).”42
2. A teoria do risco integral não admite qualquer hipótese de exclusão da
responsabilidade civil do Estado, porquanto é um garantidor universal e haveria
responsabilidade absoluta pelos danos ocorridos. Tais hipóteses, segundo a
doutrina majoritária, tal hipótese se aplica a danos decorrentes de atividade
nuclear, danos ao meio ambiente, crimes ocorridos a bordo de aeronaves que
sobrevoam o espaço aéreo brasileiro e ataques terroristas.

3. Nos casos de culpa concorrente da vítima permanecerá a responsabilidade


civil do Estado, mas haverá redução do valor a ser indenizado.

Controle da Administração Pública

QUESTÃO-ESTUDO
Controle da Administração
Acerca do controle da Administração Pública, responda às seguintes
perguntas: a) O controle externo é exercido por qual (is) Poder (es), e com
o auxílio de qual (is) órgão(s)?b) O controle interno, por sua vez, é exercido
por qual (is) Poder (es)? c) Quais são os parâmetros de controle?d) Qual é
o órgão responsável pela fiscalização contábil, financeira e orçamentária
do Ministério Público? O órgão em questão realiza qual tipo de controle,
externo ou interno?

42
Informe publicado no site [Link]
[Link]:
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Respostas:
a) Controle externo – aquele exercido por um Poder sobre os demais – é
exercido pelo Congresso Nacional, com o auxílio do Tribunal de Contas da
União, nos termos do artigo 71, caput, da Constituição Federal.
b) Controle interno, por sua vez, é aquele que cada um dos Poderes exerce
sobre seus próprios atos, e por este motivo é exercido por todos os três poderes,
quais sejam: Legislativo, Executivo e Judiciário. É exercido dentro de um mesmo
poder.
c) Nos termos do artigo 70, caput, da Carta Magna, os parâmetros são os
seguintes: legalidade, legitimidade, finanças e economicidade.
Por legalidade, entende-se a conformidade com a lei e a Constituição, nos
termos de seu artigo 37, caput.
Já a legitimidade diz respeito ao mérito das decisões tomadas (conformidade
com o interesse público).
Quanto às finanças, o controle tem como parâmetro noções de contabilidade e
a aplicação de subvenções, despesas e renúncia de receitas.
Finalmente, é realizado um controle no tocante à economicidade, que significa a
compatibilidade custo-benefício e eficiência (artigo 37, caput, da Constituição
Federal).
d) É o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) o órgão responsável por
realizar o controle interno do Ministério Público, nos termos do artigo 130-A,
parágrafo 2º, da Constituição Federal.43
NOTA: O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) não possui natureza
de órgão governante superior, e sim natureza de órgão de controle
constitucional. Essa foi a deliberação, unânime, do Plenário do CNMP realizada
em 14 de junho de 2016, durante a 2ª Sessão Extraordinária de 2016. A
deliberação ocorreu no julgamento de procedimento interno da Comissão de
Planejamento Estratégico do CNMP que teve por objetivo verificar a
possibilidade de enquadramento do CNMP como Órgão Governamental
Superior (OGS) da Administração Federal, assim como no que se refere à
abrangência de sua atuação no exercício do controle administrativo e financeiro
do MP brasileiro. De acordo com o relator do processo, conselheiro Orlando
Rochadel, o procedimento foi iniciado com base em deliberação do Tribunal de
Contas da União (TCU) que recomendou ao CNMP a elaboração de modelo de
governança com o intuito de aprimorar a atuação das organizações públicas
brasileiras. Após analisar o procedimento, o Plenário do CNMP seguiu o voto do

43SCATOLINO, Gustavo; TRINDADE, João. Manual de Direito Administrativo. 2. ed. [S.l.]:


Juspodivm, 2014. 981 p.
104

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conselheiro Orlando Rochadel e concluiu que o CNMP não possui natureza de


órgão governante superior, e sim natureza de órgão de controle constitucional.
Além disso, o Plenário deliberou que são indevidas as intervenções do TCU na
atividade finalística do CNMP, na medida em que a atuação do CNMP deve ter
como limite a autonomia administrativa e financeira conferida pela Constituição
Federal à Institucional Ministerial. Outra conclusão foi a de que o CNMP não
integra funcionalmente (atividades finalísticas) a União e as suas entidades de
Administração Direta e Indireta, pois a Constituição confere ao CNMP, no que
se refere às suas atividades finalísticas, a função de órgão de controle externo
do MP brasileiro como instituição de caráter nacional, o que abrange o controle
externo do MP da União e dos Estados. Ademais, foi deliberado pelo Plenário
que o CNMP é instituição constitucional de caráter nacional, e suas
competências constitucionais, relacionadas ao controle da atuação
administrativa e financeira do MP brasileiro, bem como ao cumprimento dos
deveres funcionais de membros da Instituição, prevalecem sobre as
competências constitucionais do TCU, restritas ao âmbito do controle externo da
União e das entidades da Administração Direta e Indireta. Por fim, o Plenário
deliberou que o modelo de composição do CNMP, com representatividade plural
e mandatos de dois anos, admitida uma recondução, deixa claro que os seus
atos, no exercício de suas atividades finalísticas, somente poderão ser
controlados jurisdicionalmente, sendo que a própria Constituição Federal confere
ao Supremo Tribunal Federal, na qualidade de Tribunal Constitucional de
superposição aos demais órgãos constitucionais, competência originária para as
ações contra o Conselho Nacional de Justiça e contra o CNMP. Com o intuito de
apresentar a proposta aprovada e manter diálogo institucional com o TCU, foi
instituída comissão integrada pelos conselheiros do CNMP Orlando Rochadel,
Walter Agra, Leonardo Carvalho e Valter Shuenquener. Cópias do acórdão
referente ao procedimento interno da comissão serão remetidas ao TCU e ao
CNJ, para conhecimento. Processo: 337/2016-92 (procedimento interno de
comissão)44

BENS PÚBLICOS

QUESTÃO-ESTUDO
a) Classifique os bens públicos quanto à destinação. Explique, ainda,
os institutos da “afetação” e “desafetação”.
b) Imagine a seguinte situação: Mévio está ocupando irregularmente
um bem público de uso comum do povo. Pergunta-se: caso tenha

44Fonte: [Link]
natureza-des-orgao-de-controle-constitucional.
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sua posse ameaçada pelo Poder Público, poderá valer-se de ações


possessórias? E se for um particular? Fundamente.
c) Defina e diferencie autorização, permissão e concessão de uso de
bem público.

Respostas: A) Os bens públicos são aqueles bens móveis ou imóveis


pertencentes às Pessoas Jurídicas de Direito Público, bem como aqueles que,
ainda que pertencentes à iniciativa privada, estejam afetados à prestação de um
serviço público. Com relação à classificação quanto à destinação, temos: bens
de uso comum do povo, bens de uso especial e bens dominicais. Os bens de
uso comum do povo constituem patrimônio indisponível das Pessoas Jurídicas
de Direito Público e estão à disposição da coletividade, destinando-se à
utilização geral sem distinção. Os bens de uso especial também constituem
patrimônio indisponível, mas destinam-se à prestação de serviços públicos
(também chamados de bens de instrumento). Vale destacar que os bens de uso
comum do povo e de uso especial não poderão ser onerados ou alienados. Isso
somente poderá ocorrer através de sua transformação, mediante desafetação,
para a qualidade de bens dominicais. Por fim, os bens dominicais são
considerados como os bens sem destinação pública. Estão desafetados e se
submetem a regime jurídico de direito privado. Um bom exemplo são as terras
devolutas. O instituto da afetação implica na transformação de um bem dominical
em bem de uso comum do povo ou bem de uso especial, e poderá ser realizada
de qualquer maneira: através de Lei, mediante ato administrativo ou pelo simples
uso. Já o instituto da desafetação consiste na transformação de bem de uso
comum do povo ou especial em bem dominical. Tal alteração somente poderá
ocorrer através de Lei ou ato administrativo. Há a possibilidade, ainda, de ocorrer
a desafetação em razão de um fenômeno da natureza (força maior), por
exemplo.
B) Os bens de uso comum do povo e de uso especial são inalienáveis, conforme
dispõe expressamente o Código Civil. Entretanto, trata-se de inalienabilidade
relativa (ou alienabilidade condicionada), pois não poderão ser alienados
somente enquanto mantiverem este “status”. Já os bens dominicais poderão ser
alienados, por não estarem afetados ao serviço público. Importante salientar que
todas elas são imprescritíveis, ou seja, insuscetíveis de usucapião. A despeito
da impossibilidade de usucapião, poderão ocorrer situações similares à descrita
no enunciado, em que um indivíduo ocupa irregularmente um bem público
dominical determinado. Nestas hipóteses, a própria jurisprudência do STJ
entendeu, recentemente, que o particular não terá direito ao manejo de ações
possessórias em face do Poder Público, pois tratar-se-á de mera detenção, de
natureza precária. Entretanto, será possível o manejo de interditos possessórios
quando o litígio envolver particulares com relação ao bem dominical, pois entre
ambos a disputa será relativa à posse. Isso porque a ocupação por particular de
um bem público abandonado/desafetado vai conferir justamente a função social
da qual o bem está carente em sua essência. Para aquela Corte, a posse deve
ser protegida como um fim em si mesma. Assim, exercendo o particular o poder
fático sobre a res e garantindo sua função social, pode ser reconhecida, de forma
excepcional, a posse pelo particular sobre bem público dominical, até porque
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esta categoria de bem possui estatuto semelhante ao dos bens privados, não
sendo considerado res extra commercium (isto é, indisponível e inalienável).
Nestas hipóteses, portanto, tem-se que o particular poderá manejar interditos
possessórios contra terceiros que venham a ameaçar ou violar a sua posse.
Observação: recentemente, no Informativo 623 do STJ, importante julgado
definiu a seguinte tese: “Em ação possessória entre particulares é cabível o
oferecimento de oposição pelo ente público, alegando-se incidentalmente o
domínio de bem imóvel como meio de demonstração da posse”. STJ. Corte
Especial. EREsp 1.134.446-MT, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em
21/03/2018 (Info 623). Ou seja, relativizou-se o artigo 557 do CPC, permitindo
ao Poder Público ingressar com oposição para discutir o domínio do imóvel (Na
pendência de ação possessória é vedado, tanto ao autor quanto ao réu, propor
ação de reconhecimento do domínio, exceto se a pretensão for deduzida em face
de terceira pessoa). “Desse modo, se dois particulares estão discutindo a posse
de um bem público e há a oposição do Poder Público, este também estará
discutindo a posse do Estado sobre a área”.
C) Tratam-se de institutos de utilização especial privativa. Os bens públicos de
domínio público são usados, por utilização pública, pelo Estado. Se o particular
se utilizar de um bem público de forma privativa, esta não poderá colidir com a
utilização pública, e será regida pelas regras de direito público. Os instrumentos
que viabilizam a sua utilização também serão de direito público, sendo eles:
concessão, autorização e permissão de uso. Para tanto, dependerá de título
jurídico formal, através do qual a Administração exprimirá seu consentimento. É
nesse título que estarão fixadas as condições de uso, condições essas a que o
administrado deverá se submeter estritamente.
Autorização de uso – interesse do particular / eventos ocasionais e temporários
/ sem licitação / ato administrativo unilateral, precário e discricionário / gratuita
ou onerosa / Não cria deveres de utilização, mas mera faculdade. Exemplo: Luau
em praia. Permissão – Interesse do particular e do Poder Público em igualdade
/ situação com maior permanência / sem licitação / ato administrativo unilateral,
precário e discricionário / gratuita ou onerosa / aqui, por haver também o
interesse público, significa que a Administração terá algum interesse público na
exploração do bem pelo particular. Desta forma, haverá por parte do
permissionário o dever de utilização do bem para o fim predeterminado.
Exemplo: Banca de jornal.
Concessão – Interesse público / situação permanente / licitação obrigatória /
contrato administrativo, oneroso ou gratuito.
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3. Direito Penal
Parte Geral do Código Penal: A aplicação da lei penal. Da Lei Penal no tempo.
Da Lei Penal no espaço. Da extraterritorialidade da lei penal. Princípios
dirimentes dos conflitos aparentes de normas. Crime doloso e Culposo.
Do crime. Relação de causalidade. Crime omissivo.
Do crime. Erro de Tipo e Erro de Proibição.
Da tentativa. Desistência voluntária. Arrependimento eficaz.
Do concurso de pessoas.
Das causas excludentes de antijuridicidade.
Das penas. Medidas de segurança.
Causas Dirimentes da culpabilidade. Da imputabilidade penal.
Da extinção da punibilidade.
Parte Especial do Código Penal: Dos crimes contra a pessoa: Dos crimes contra
a vida; Das lesões corporais.
Da periclitação da vida e da saúde. Dos crimes contra a liberdade pessoal. Dos
crimes contra a inviolabilidade do domicílio.
Dos crimes contra o patrimônio: Do furto. Do roubo e da extorsão. Da extorsão
mediante sequestro.
Dos crimes contra a fé pública: Da falsidade documental. Falsa identidade.
Dos crimes contra a administração pública: Peculato; Concussão; Corrupção
passiva; Prevaricação. Funcionário público; Resistência; Desobediência;
Desacato; Corrupção ativa; Falso testemunho ou falsa perícia; Coação no curso
do processo.
Legislação Penal Especial: Crimes de responsabilidade de Prefeitos Municipais.
Crimes eleitorais. Crimes referentes a licitações e contratos administrativos.
Crimes contra pessoas com deficiência.
Crimes referentes ao idoso.
Crimes hediondos.
Crimes resultantes de preconceito de raça ou de co