Ritmos Biológicos e Exercício
Físico
Prof. Ms. Marcos Santana
Prof. Dr. Marco Túlio de Mello
... é a ciência que se preocupa com a investigação
e objetivamente com a quantificação dos
mecanismos da estrutura do “tempo biológico”,
incluindo as manifestações rítmicas da vida (Haus &
Touitou, 1992).
Cronobiologia
• Biologia - tempo é o “cenário”
• Cronobiologia - tempo é o “Personagem”
Ritmos Biológicos
“Os ritmos biológicos são alterações fisiológicas que
se repetem regularmente em um mesmo tempo, e em uma
mesma ordem e intervalo” (Atkinson e Reilly, 1996).
• Ritmos importantes:
Ciclo Sono/Vigília
Temperatura Corporal
• Componentes que influenciam os ritmos biológicos:
Endógenos
Exógenos
Ritmos Biológicos
Período: “intervalo de tempo em que um ciclo se completa”.
Amplitude da oscilação: “valor de uma variável rítmica que aumenta ou
diminui em uma escala definida”.
Fase: “estado de um processo ou de um ciclo ambiental” Ex: fases
clara/escuro.
Rotenberg, Marques, Menna-Barreto, 2003
CLASSIFICAÇÃO DOS RITMOS
BIOLÓGICOS
• Circadianos: ciclos de 24 4 horas
Temperatura corporal, melatonina
• Ultradianos: ciclos menores de 20 horas
Batimentos cardíacos, ciclo sono-vigília bebês
• Infradianos: ciclos maiores de 28 horas
Ciclo menstrual, produção de plaquetas no sangue
Há uma estrutura interna no organismo que age como
um “relógio”.
Reilly, 2003
“Relógio Biológico”
“Sistema de Temporização”
Localização e propriedades
RHT – Trato Retino-Hipotalâmico
SCN – Núcleo Supra Quiasmático
SCG – Gânglio Cervical Superior
Sack e Lewy, 2001
Características do Ritmo Endógeno
- Capacidade antecipatória: proporciona antecipação para
organizar recursos e atividades que garantam a adaptação.
- Harmonização das fases: harmonia entre as fases dos ritmos
internos e os ciclos ambientais a fim de preservar a espécie.
Marques, Golombek e Moreno, 2003
Os ritmos tem a sua origem a partir de um
componente endógeno, no entanto não é possível
distinguir as diferentes causas de sua oscilação.
Reilly, 2003
Zeitgebers
- Oscilações externas que sincronizam os ciclos
endógenos
- Promovem o ajustamento do ritmo biológico
- Ciclo Geofísico (Claro/Escuro)
- Influências Sociais
- Ciclo de Alimentos
- Exercício Físico
Componentes Exógenos
• Consumo alimentar: secreção de insulina;
• Intensidade da luz: secreção de melatonina;
• Ciclo Sono / Atividade: temperatura, freqüência
cardíaca e secreção de adrenalina;
• Ingestão de água: secreção de ADH.
Componentes Exógenos
O efeito do componente exógeno é dependente do
componente endógeno.
• Alta: freqüência cardíaca, pressão arterial e ADH;
• Baixa: melatonina;
• Intermediários para os demais.
Alimentação Sono
A ausência de pistas externas não
abole e nem desorganiza o ciclo
vigília-sono.
O relógio biológico
não é um marcador
rígido.
O relógio biológico
pode ser ajustado pelo
ciclo claro/escuro.
Temperatura Corporal
• Características
- “Marcador Circadiano”
- variação cíclica bem definida
• Termorregulação
- Central
- Periférica
Controle dos ritmos
Sistema de Temporização
Retroalimentação
Variável
Fisiológica
Os ritmos biológicos não são simples flutuações de
reações químicas internas do organismo, mas o
resultado da interação entre o mecanismo interno e
os sincronizadores externos.
Rotenberg, Marques, Menna-Barreto, 2003
Apontamentos Importantes
• O relógio biológico está situado no núcleo supra-
quiasmático;
• O relógio biológico é altamente influenciado pelo ciclo
claro-escuro.
• O ritmo da melatonina é um importante marcador
circadiano.
Ritmos Fisiológicos em Repouso
RITMOS CIRCADIANOS DE
REPOUSO
Temperatura Corporal:
Mínimo: aproximadamente às 04:00 horas
Máximo: aproximadamente às 18:00 horas
Ritmos Cardiovasculares:
Acrofase: aproximadamente às 15:00 horas
Amplitude: em torno de 5 à 15% de variação em um
período de 24 horas.
- Exemplos: fluxo e pressão sanguínea, débito
cardíaco.
Ritmos Ventilatórios:
Resistência Aérea (Volume Expiratório Forçado e Pico
de Fluxo expiratório) – 03:00 e 08:00 horas.
Variáveis Metabólicas:
Nível de glicose: aproximadamente igual nas 24 horas
diárias.
- Alterações: refeições, fase final do sono – dieta
alimentar.
Função Gastrointestinal e Excreção:
Variáveis que sofrem ritmicidade: padrão de
motilidade, taxa de absorção intestinal, atividade
enzimática gastrointestinal e secreção de ácido
gástrico.
Secreção Hormonal:
GH: vários picos durante o sono
Catecolaminas: Picos por volta das 12:00 h
Consumo de Oxigênio:
Mínimo: aproximadamente às 04:00 h
Máximo: aproximadamente às 18:00 h
Estados Subjetivos do Humor:
Stanford Sleepiness Scale (sonolência) e POMS
(humor): melhores resultados encontrados no
período da tarde
Existe uma variação circadiana no
desempenho físico?
Para um melhor desempenho desportivo, os
atletas ou esportistas devem produzir um
maior pico em algumas capacidades
Desempenho muscular
Metabolismo
Desempenho mental
Motivação
VARIÁVEIS QUE APRESENTAM
ALTERAÇÕES RÍTMICAS DIÁRIAS
Sensório motor: tempo de reação
Psicomotor: coordenação
Percepção sensorial: limiar de dor
Cognitiva: processamento de informações
Neuromuscular: força
Psicológica: humor e alerta
Cardiovascular: freqüência cardíaca
Funções Metabólicas: temperatura corporal
Capacidade Aeróbia: consumo máximo de oxigênio
“Post-lunch dip”:
- leve queda no alerta e no desempenho
VARIAÇÃO CIRCADIANA E
DESEMPENHO
“Janela” Circadiana do Desempenho
12:00 às 21:00 horas
PICO DE TEMPERATURA
CORPORAL E DESEMPENHO
Tempo de reação: da temperatura (1º C) condução
nervosa;
Flexibilidade: amplitude varia 20% nas 24 horas diárias;
Força muscular: amplitude varia 6% nas 24 horas
diárias;
Percepção de Esforço
da Taxa de Trabalho
HORÁRIO PARA O TREINAMENTO
Melhor horário das respostas fisiológicas ao
treinamento;
Horário habitual de treino.
RESPOSTAS FISIOLÓGICAS AO
TREINAMENTO
Habilidades Motoras (período da manhã)
Capacidade Aeróbia (período da tarde)
Força Muscular (período da noite)
Exercício Físico e Aptidão Física
• Condição de Repouso
• Condição de Exercício:
Leve, Moderado e intenso
• Aptidão Física:
Sedentário, Treinado e Atleta
JET LAG
Sintomas:
fadiga;
desorientação;
dor de cabeça;
“cansaço da viagem”.
Causas:
interrupção da rotina normal;
desgastes associados a viagem;
desidratação.
JET LAG
Direção da viagem
Número de fusos horários cruzados
Alternativas que contribuem com ajustamento:
Exposição a luz (solar ou “bright-light”)
Padrão de sono e atividade
Alimentação e dieta
Influência social
Melatonina
Tranqüilizantes e hipnóticos (menos utilizados)
TRABALHO EM TURNO - SHIFTWORK
Ciclos Ambientais
Relógios Biológicos
Efetor 1 Efetor 2 Efetor 3 Efetor 4
Ciclos Ambientais
Relógios Biológicos
Efetor 1 Efetor 2 Efetor 3 Efetor 4
DIFERENÇAS INDIVIDUAIS
• Cronotipo: Matutinos, Vespertinos e Indiferentes
• Idade
• Redução da amplitude dos ritmos;
• Aumento na variabilidade dos ritmos nas
acrofases;
• Preferência pela matutinidade.
Mudança no relógio endógeno ou influências
exógenas?
Curva de Gauss
Matutinos Indiferentes Vespertinos
CRONOTIPO E TEMPERATURA
CORPORAL
IDADE E TEMPERATURA CORPORAL
Outros Posicionamentos
- Youngstedt e O’connor, 1999 (Sports Medicine): “Os ritmos do
desempenho podem ser considerados mais diurnos do que
circadianos”.
- Fatores importantes a serem levados em consideração:
- Estado nutricional (diferentes alimentações)
- Flexibilidade (prejuízo após o período de sono)
- Inércia do sono
- Tempo usual de atividade
- Repouso prévio
- Temperatura ambiental e corporal
- Motivação
- Expectativa
Obrigado pela atenção!
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