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Sepher
Hitlahavut
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DCCCXLVIII
O Livro da
Chama Devoradora
Frater Gehenayad 155
V A.A.
Publicação em Classe D.
Imprimatur:
N. Fra. A.A.
Copyright © 2007 Instituto Aleister Crowley.
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Introdução
No fim, surgirá repentinamente uma grande chama devoradora
que te incinerará por completo. – “Liber Astarté”.
O Philosophus 4º=7□, em Netzach, deve tornar-se capaz de projetar seu Corpo de Luz por meio
do Fogo, assim como, quando ainda um Practicus 3º=8□, em Hod, aprendeu a projetar seu Corpo de
Luz por meio da Água do Intelecto, com a prática de tzeruph otiot (permutação das letras). Ou ainda
quando ainda como um Zelator 2º=9□, em Yesod, aprendeu a projetar seu Corpo de Luz por meio do
Ar pela prática chamada de manipulação dos Pranas.
O Philosophus 4º=7□ deve tornar-se hábil na prática da Oração. Ele deve se aprofundar na Al-
quimia, mas não a Alquima dos Metais própria do Zelator 2º=9□, e sim a Alquima Mística da Consu-
mação.
Existem variados níveis de Consumação e Raptura na Ascenção pela Árvore da Vida. Para o
Philosophus 4º=7□, esta Consumação Ígnea está simbolizada no Atu XVI, “A Torre”; enquanto para o
Adeptus Major 6º=5□ esta Consumação pelo Fogo está simbolizada no Atu IX, “A Raptura”.
Da mesma forma, assim como hitlahavut é para o Philosophus 4º=7□, devequt é para o Adeptus
Minor 5º=6□.
O Philosophus 4º=7□ é, verdadeiramente, o primeiro passo daquele Caminho Diagonal que atra-
vessa o Colégio Interno, e cabe a ele descobrir a presença de seu Deus no mundo através da Oração
(Bhakti-Yoga), assim como cabe ao Adeptus Minor 5º=6□ descobrir esta Presença Divina nas Es-
crituras Sagradas através da Meditação (Raja-Yoga). E ao Adeptus Major 6º=5□ cabe descobrir esta
Presença Divina em seus Atos através do Trabalho Mágico para estabelecer a Vontade Macrocósmica
de seu Deus a nível Microcósmico (Karma-Yoga).
Como preparação a esta prática aqui exposta, o Philosophus 4º=7□ deve aprender a orar fervoro-
samente no interior de seu Templo, e de preferência aprender as técnicas de Oração com retenção do
Alento.
Para tal, o Philosophus 4º=7□ deve estudar e recitar, de preferência no interior de seu Templo e
após realizar Rituais de Banimento, Purificação e Consagração, todas as obras quanto possível de po-
esia mística – João da Cruz, Tereza D’Ávila, Meerabai, Rumi, Ibn Arabi, Bahaulá, Cânticos de Salo-
mão, Ramalinga, Tayumanavar, Yunus Emré, Catarina de Sena, Dhul-Nun, Nicolau de Cusa, e tantos
outros quantos ele achar apropriado – todas as noites antes de deitar-se por pelo menos uma hora.
Além disso, o Philosophus 4º=7□ deve dedicar-se a estudar e praticar os métodos de “Lectio Divi-
na” (conforme o Scala Caustralium de Guigo II), da Oração Hesicasta (nos ensinamentos de Evrágio
Pontikos) e da Oração Hassídica (nos ensinamentos de Baal Shem Tov).
Ele deve também dedicar uma parte do dia à leitura de textos místicos, cuja revelação é atribuída
a alguma forma de Manifestação Divina, tais como o Bagavad-Gita, etc. Mas, sobretudo, ele deve ler
e recitar em voz alta, no interior de seu Templo, “Liber 65” e “Liber 7”.
Após estas práticas preparatórias, as quais provavelmente terão consumido seu tempo e energia
ao menos por oito meses ininterruptamente, o Philosophus 4º=7□ estará apto a dedicar-se à Oração do
Inascido. Ele deve, então, armado com todas as técnicas de Oração desenvolvidas nele por meio de
seu estudo e prática até este momento, recitar e recitar repetidamente, usando de seu poder de concen-
1
Ver Sefer Kissê ha-Zohar (“O Livro do Trono Resplandenscente”, sub figura 248).
2
Ver Pujapranayama Sadhana.
3
Ver Sefer Qol ha-Qadosh (“O Livro da Voz Divina”).
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Em hebraico lahav (LHB) significa “chama”, e hit-lahavut corresponde a uma técnica de Oração Fervorosa.
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A raiz hebraica deveq (DBQ) significa “cola, colar, unir”. Devequt é o resultado das práticas místicas objetvando a União
Mística com o Divino.
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tração em cada palavra, a Oração do Inascido no interior de seu Templo, Físico e Astral.
A diária e ininterrupta repetição à exaustão da Oração do Inascido irá impregnar o Corpo Físi-
co, a Mente e o Corpo de Luz do Philosophus 4º=7□, de forma que ela estará presente em sua Mente
durante todo o dia, e mesmo à noite ele será despertado repentimente por sua Mente que insiste em
recitar a Oração. Esta segunda parte preparatória deverá durar pelo menos mais seis meses.
A prática denominada aqui de hitlahavut deverá ser praticada durante os próximos quatro meses,
todas as sextas-feiras, de preferência numa hora dedicada a Vênus.
Após este período de quatro meses de práticas semanais, o Philosophus 4º=7□ deve realizar esta
mesma prática por 45 dias consecutivos e ininterruptos.
Com isso, somados os oito meses da primeira parte preparatória, os seis meses da segunda parte
preparatória, os quatro meses da prática principal semanalmente e os quarenta e cinco dias da prática
principal diariamente, Vênus, o Planeta de sua Esfera, terá completado uma volta sinódica completa
pelo céu desde que ele iniciou a mesma, e o Philosophus 4º=7□ estará pronto, a partir de então, a se
dedicar às praticas de “Liber Astarté”.
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O período sinódico é o período de tempo que um corpo celeste leva para reaparecer novamente no mesmo ponto do céu,
com relação ao Sol, ao ser observado da terra – ou seja, seu retorno à mesma fase planetária, ou ainda o tempo gasto entre
duas conjunções sucessivas deste corpo celeste com o Sol. Neste sentido, o período sinódico difere do período sideral
que é o tempo gasto pelo corpo celeste para orbitar ao redor do Sol. O período sideral de Vênus é de aporoximadamente
225 dias terrestres, mas o seu período sinódico é de aproximadamente 584 dias terrestres.
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II
Prática
Mas eu queimei dentro de ti como uma pura chama sem óleo.
À meia-noite Eu fui mais brilhante do que a lua;
durante o dia Eu excedi completamente o sol;
nos atalhos do teu ser Eu flamejei,
e dispersei a ilusão. – “Liber LXV”, V:9.
2.1) Preparação: O Philosophus 4º=7□ deve se entregar todas as sextas-feiras, durante quatro
meses, a esta prática especial, de preferência numa hora de Vênus. E por quarenta e cinco dias con-
secutivos a partir de então.
2.1.1) Banho e Vestimenta: O Adepto deve banhar-se ritualisticamente antes de adentrar o Templo Físico, vestindo
o seu Robe de 4º=7□.
2.1.2) Altares: No Altar primário estão apenas a Estela da Revelação, O Livro da Lei e o Incensário. No Altar se-
cundário estão a Baqueta, a Taça, a Espada, o Pantáculo, a Corrente, o Açoite, a Adaga, o frasco de Água Benta e o Sino.
A Lanterna, se porventura o Philosophus 4º=7□ já a houver confeccionado, deve estar acesa. Caso contrário um Castiçal
deve ser aceso e colocado sobre o Altar principal.
2.1.3) Banimento: Ritual Menor do Pentagrama de Banimento com a Espada, traçando o Pentagrama de Banimento
da Terra nos quatro quadrantes.
2.1.4) Traçado do Círculo, Sinais e Batidas: Traçar o Círculo Mágico e purificar com Água Benta nos quatro qua-
drantes. Dá-se 7 batidas no Sino, sendo 333-1-333, e faz-se os Sinais de 4º=7□.
2.1.5) Invocação dos Elementos: Nos quadrantes Sul, Oeste, Norte e Leste, trace com a Baqueta os Pentagramas
de Invocação do Fogo, Água, Terra e Ar, respectivamente, vibrando os Nomes Divinos e do Arcanjo respectivos em cada
um.
2.1.6) Consagração: Ritual do Rubi-Estrela com a Baqueta. Ritual do Safira-Estrela com a Baqueta.
2.1.7) Invocação: Ritual Maior do Hexagrama de Invocação de T com a Baqueta, nos quadrantes Leste, Sul, Oeste
e Norte.
2.2) Prática:
2.2.1) Leitura: Sentando-se em Asana diante do Altar principal, o Philosophus 4º=7□ deve ler em voz alta o texto
escolhido para a realização da prática. A escolha deste texto deve ser norteada por seu Aprendizado durante o período pre-
paratório. Não é necessário que seja o mesmo texto durante todo o período, e pode-se ir utilizando um a cada Invocação,
até que se encontre aquele que mais convenha ao Objetivo da prática.
2.2.2) Oração: A leitura do texto deve se transformar em Oração. O Philosophus 4º=7□ deve começar lendo em
voz alta e ir interiorizando a leitura até que ela se transforme em Oração. Ele deve iniciar suas Orações, repetindo-a con-
secutivamente, e erguendo-se passo a passo em Inflamação, mas sem perder sua Consciência de que está em seu Templo
Físico.
2.2.3) Inflamação: O Philosophus 4º=7□ deve durante a Oração buscar atingir um estado de Inflamação Devota
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Durante o período dos últimos 45 dias consecutivos de prática, o Philosophus 4º=7□ deve escrever sobre o topo do Altar,
em letras douradas, a Oração que escolheu, após os 4 meses anteriores de práticas semanais, para utilizar durante este
período final.
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É plenamente aceitável que se utilize Música em substituição à Oração recitada. Além disso, muito provavelmente o
Philosophus 4º=7□ perceberá que a Oração pode em determinadas práticas se transformar em um canto melodioso que
o leverá a píncaros de Alegria e Êxtase.
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(hitlahavut), que fará seu corpo inteiro estremecer sem controle. Este é um estado tal de anseio para unir-se com seu Deus
que ele será ejetado para fora de seu Veículo Físico (hitpashut ha-gashmiyut). Esta projeção de seu Corpo de Luz deve ser
realizada apenas pelo Fogo oriundo de suas Orações – seu Corpo de Luz literalmente se incendeia e é ejetado do Corpo
Físico automaticamente. Sua Alma pega Fogo e se tranforma numa imensa bola de Fogo e Luz incandescente. É preciso
que ele mantenha a Concentração para que sua Consciência não se afunde no Êxtase, e se funda com as Chamas. É preciso
também que ele não permita que seu Corpo de Luz se projete por qualquer outro meio ou motivo que senão pelo Fogo
Devorador de sua Oração.
2.2.4) Ascenção ao Templo Astral: Quando isso acontecer, o Philosophus 4º=7□ deve exclamar “Único! Único!”
(Achad ve-Achad!) enquanto seu Corpo de Luz, na forma de uma imensa bola de Fogo, ascende como uma Flecha até atin-
gir seu Templo Astral, onde ele deve continuar recitando sua Oração, de forma e intensidade cada vez mais fervorosa.
2.2.5) Êxtase e União: A continuidade e a constância da Oração pelo Philosophus 4º=7□ com seu Corpo de Luz em
Chamas, no interior do Templo Astral, fará com que ele atinja um Clímax de Êxtase (hitpaalut), ao qual ele se entregará
com o objetivo de obter a União (devequt) com seu Deus. Normalmente, neste nível, esta União durará senão um lapso
mínimo de tempo, mas o impacto da mesma ficará gravado na Memória Mágica do Philosophus 4º=7□, e será de muita
valia mais adiante no Caminho rumo ao S.A.G. em Tiphereth.
2.2.6) Silêncio: À medida que o Êxtase for se extinguindo, chegará um momento em que naturalmente sua Oração
se esgotará. O Philosophus 4º=7□ deve permanecer em Silêncio em seu Templo, e em seu Coração (kavanah ha-lev).
Sua Mudez deve ser o fruto do esgotamento de suas Sensações e Pensamentos. Ele deve permanecer ali, em Comunhão
Silenciosa com seu Deus, o máximo que puder. Ele terá compreendido que a Verdadeira Devoção não ocorre por Temor
ou Recompensa, mas por Alegria, Júbilo e Êxtase. Deverá ter compreendido que a “pura chama sem óleo” simboliza a
atração irresistível entre seu S.A.G. e ele, mesmo quando não há de sua parte nenhuma Disposição, Pensamento, Intenção
ou Ação para atrair e unir-se ao seu S.A.G. Na verdade o Philosophus obterá, assim, o entendimento de que desde sempre
seu S.A.G. queimou dentro dele, veladamente. E à medida que, ao manter sua prática, esta Chama queimar mais e mais, o
Philosophus 4º=7□ atingirá Êxtases mais e mais profundos, ainda que não seja permitido ao Philosophus 4º=7□, neste seu
Grau, entregar-se e perder-se neste Amor-Êxtase definitivamente.
2.2) Encerramento: ao retornar ao seu Templo Físico, o Philosophus 4º=7□ deve realizar os Rituais de Fechamento
do Templo – o Ritual Maior do Hexagrama de Banimento de T, o Ritual de Banimento dos Elementos nos quadrantes e o
Ritual Menor de Banimento.
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