Tutorial DeviceNet
1 - Introdução
DeviceNet é um rede digital, multi-drop para conexão entre
sensores, atuadores e sistema de automação industrial em geral.
Ela foi desenvolvida para ter máxima flexibilidade entre
equipamentos de campo e interoperabilidade entre diferentes
vendedores.
Apresentado em 1994 originalmente pela Allen-Bradley, o
DeviceNet teve sua tecnologia transferida para a ODVA em 1995.
A ODVA (Open DeviceNet Vendor Association) é uma
organização sem fins lucrativos composta por centenas de
empresas ao redor do mundo que mantém, divulga e promove o
DeviceNet e outras redes baseadas no protocolo CIP (Common
Industrial Protocol). Atualmente mais de 300 empresas estão
registradas como membros, sendo que mais de 800 oferecem
produtos DeviceNet no mundo todo.
A rede DeviceNet é classificada no nível de rede chamada devicebus, cuja características principais
são: alta velocidade, comunicação a nível de byte englobando comunicação com equipamentos
discretos e analógicos e alto poder de diagnostico dos devices da rede (como mostrado na figura
1.1).
Figura 1.1: Cenários Tecnológicos - Fonte: ATAIDE, F.H. (2004)
A tecnologia DeviceNet é um padrão aberto de automação com objetivo de transportar 2 tipos
principais de informação:
dados cíclicos de sensores e atuadores, diretamente relacionados ao controle e,
dados acíclicos indiretamente relacionados ao controle, como configuração e diagnóstico.
Os dados cíclicos representam informações trocadas periodicamente entre o equipamento de campo
e o controlador. Por outro lado, os acíclicos são informações trocadas eventualmente durante
configuração ou diagnóstico do equipamento de campo.
A camada física e de acesso da rede DeviceNet é baseada na tecnologia CAN (Controller Area
Network) e as camadas superiores no protocolo CIP, que define uma arquitetura baseada em objetos
e conexões entre eles.
O CAN originalmente foi desenvolvido pela BOSCH para o mercado de automóvel Europeu para
substituir os caros chicotes de cabo por um cabo em rede de baixo custo em automóveis. Como
resultado, o CAN tem resposta rápida e confiabilidade alta para aplicações principalmente nas
áreas automobilística.
Uma rede DeviceNet pode conter até 64 dispositivos onde cada disposito ocupa um nó na rede,
endereçados de 0 a 63. Qualquer um destes pode ser utilizado. Não há qualquer restrição, embora se
deva evitar o 63, pois este costuma ser utilizado para fins de comissionamento.
Um exemplo de rede DeviceNet é mostrada na figura abaixo.
Figura 1.2: Exemplo de Rede DeviceNet
1.2 - Características da rede
Topologia baseada em tronco principal com ramificações. O tronco principal deve ser feito
com o cabo DeviceNet grosso, e as ramificações com o cabo DeviceNet fino ou chato.
Cabos similares podem ser usados desde que suas características elétricas e mecânicas sejam
compatíveis com as especificações dos cabos padrão DeviceNet.
Permite o uso de repetidores, bridges, roteadores e gateways.
Suporta até 64 nós, incluindo o mestre, endereçados de 0 a 63 (MAC ID).
Cabo com 2 pares: um para alimentação de 24V e outro para comunicação.
Inserção e remoção à quente, sem perturbar a rede.
Suporte para equipamentos alimentados pela rede em 24V ou com fonte própria.
Uso de conectores abertos ou selados.
Proteção contra inversão de ligações e curto-circuito.
Alta capacidade de corrente na rede (até 16 A).
Uso de fontes de alimentação de prateleira.
Diversas fontes podem ser usadas na mesma rede atendendo às necessidades da aplicação
em termos de carga e comprimento dos cabos.
Taxa de comunicação selecionável :125,250 e 500 kbps.
Comunicação baseada em conexões de E/S e modelo de pergunta e resposta.
Diagnóstico de cada equipamento e da rede.
Transporte eficiente de dados de controle discretos e analógicos.
Detecção de endereço duplicado na rede.
Mecanismo de comunicação extremamente robusto a interferências eletromagnéticas.
1.2.1 - Protocolo DeviceNet
DeviceNet é uma das três tecnologias abertas e padronizadas de rede, cuja camada de aplicação usa
o CIP (Common Application Layer). Ao lado de ControlNet e EtherNet/IP, possuem uma estrutura
comum de objetos. Ou seja, ele é independente do meio físico e da camada de enlace de dados. Essa
camada de aplicação padronizada, aliada a interfaces de hardware e software abertas, constitui uma
plataforma de conexão universal entre componentes em um sistema de automação, desde o chão-de-
fábrica até o nível da internet. A Figura 1.2 mostra um overview do CIP dentro do modelo OSI.
Figura 1.3 - O modelo OSI dos objetos do CIP (fonte: ODVA)
CIP tem dois objetivos principais:
Transporte de dados de controle dos dispositivos de I/O.
Transporte de informações de configuração e diagnóstico do sistema sendo controlado.
Um nó DeviceNet é então modelado por um conjunto de objetos CIP, os quais encapsulam dados e
serviços e determinam assim seu comportamento.
O Modelo de Objeto
Um nó DeviceNet é modelado como uma coleção de objetos. Um objeto proporciona uma
representação abstrata de um componente particular dentro de um produto. Um exemplo de objeto e
uma classe de objeto têm atributos (dados), fornecem serviços (métodos ou procedimentos), e
implementa comportamentos. Atributos, exemplos, classe e endereço de nó (0-63) são endereçados
por número.
Existem objetos obrigatórios (todo dispositivo deve conter) e objetos opcionais. Objetos opcionais
são aqueles que moldam o dispositivo conforme a categoria (chamado de perfil) a que pertencem,
tais como: AC/DC Drive, leitor de código de barras ou válvula pneumática. Por serem diferentes,
cada um destes conterá um conjunto também diferente de objetos.
Para maiores informações, consulte a especificação do DeviceNet (www.odva.org)
A camada de link de dados (Data link layer)
Devicenet utiliza o padrão CAN na camada de link de dados.O mínimo overhead requerido pelo
protocolo CAN no data link layer faz o DeviceNet eficiente no tratamento de mensagens. Frame de
dados DeviceNet utiliza somente o tipo de frame de dados do protocolo CAN (dentre outros
existentes no protocolo CAN). O protocolo utiliza um mínimo de largura de banda para transmissão
das mensagens CIP. O formato do frame de dados DeviceNet é mostrado na figura 1.4
Figura 1.4 - Formato do frame de dados
1.2.2 - Modos de Comunicação
O protocolo DeviceNet possui dois tipos básicos de mensagens, cyclic I/O e explicit message. Cada
um deles é adequado a um determinado tipo de dado, conforme descrito abaixo:
Cyclic I/O: tipo de telegrama síncrono dedicado à movimentação de dados prioritários entre
um produtor e um ou mais consumidores. Dividem-se de acordo com o método de troca de
dados. Os principais são:
Polled: método de comunicação em que o mestre envia um telegrama a cada um dos
escravos da sua lista (scan list). Assim que recebe a solicitação, o escravo responde
prontamente a solicitação do mestre. Este processo é repetido até que todos sejam
consultados, reiniciando o ciclo.
Bit-strobe: método de comunicação onde o mestre envia para a rede um telegrama
contendo 8 bytes de dados. Cada bit destes 8 bytes representa um escravo que, se
endereçado, responde de acordo com o programado.
Change of State: método de comunicação onde a troca de dados entre mestre e
escravo ocorre apenas quando houver mudanças nos valores
monitorados/controlados, até um certo limite de tempo. Quando este limite é
atingido, a transmissão e recepção ocorrerão mesmo que não tenha havido alterações.
A configuração desta variável de tempo é feita no programa de configuração da rede.
Cyclic: outro método de comunicação muito semelhante ao anterior. A única
diferença fica por conta da produção e consumo de mensagens. Neste tipo, toda troca
de dados ocorre em intervalos regulares de tempo, independente de terem sido
alterados ou não. Este período também é ajustado no software de configuração de
rede.
Explicit Message: tipo de telegrama de uso geral e não prioritário. Utilizado principalmente
em tarefas assíncronas tais como parametrização e configuração do equipamento.
1.2.3 - Arquivo de Configuração
Todo nodo DeviceNet possui um arquivo de configuração associado, chamado EDS (Electronic
Data Sheet). Este arquivo contém informações importantes sobre o funcionamento do dispositivo e
deve ser registrado no software de configuração de rede.
1.3 - Camada Física e Meio de Transmissão
DeviceNet usa uma topologia de rede do tipo tronco/derivação que permite que tanto a fiação de
sinal quanto de alimentação estejam presentes no mesmo cabo. Esta alimentação, fornecida por uma
fonte conectada diretamente na rede, e possui as seguintes características:
24Vdc;
Saída DC isolada da entrada AC;
Capacidade de corrente compatível com os equipamentos instalados.
O tamanho total da rede varia de acordo com a taxa de transmissão (125,250, 500Kbps)
Consulte também o documento “DeviceNet Cable System - Planning and Installation Manual -
www.odva.org” para mais informações sobre instalação da rede DeviceNet.
1.3.1 - Topologia da rede
As especificações do DeviceNet definem a topologia e os componentes admissíveis. A variedade de
topologia possíveis é mostrada na figura à seguir.
Figura 1.5 - Topologias possíveis com a rede DeviceNet
A especificação também trata do sistema de aterramento, mix entre cabo grosso e fino (thick e thin),
terminação, e alimentação de energia.
A topologia básica tronco-derivação (“trunkline-dropline”) utiliza 1 cabo (2 pares torcido separados
para alimentação e sinal). Cabo grosso (thick) ou fino (thin) podem ser usados para trunklines ou
droplines. A distância entre extremos da rede varia com a taxa de dados e o tamanho do cabo
125 Kbps 250 Kbps 500 Kbps
TAXA DE DADOS
Comprimento para barramento principal com cabo
500 m 250 m 100 m
grosso (“thick-trunk”)
Comprimento para barramento principal com cabo
100 m 100 m 100 m
fino (“thin-trunk”)
Comprimento máximo para 1 derivação do
6m 6m 6m
barramento principal (“maximum-drop”)
Comprimento acumulado das derivações do
156 m 78 m 39 m
barramento principal (“cumulative-drop”)
1.3.2 - Cabos
Há 4 tipos de cabos padronizados: o grosso, o médio, o fino e o chato. É mais comum o uso do cabo
grosso para o tronco e do cabo fino para as derivações.
Figura 3.66 - Anatomia dos cabos padrão DeviceNet
Os cabos DeviceNet mais usados (fino e grosso) possuem 5 condutores identificados e utilizados de
acordo com a tabela seguinte:
Cor do fio Sinal Cabo redondo Cabo chato
Branco CAN_H Sinal DN Sinal DN
Azul CAN_L Sinal DN Sinal DN
Fio nu Dreno Blindagem Não usado
Preto V- Alimentação Alimentação
Vermelho V+ Alimentação Alimentação
Tabela 1 - Esquema de cores dos cabos DeviceNet
Figura 3.67 - Vista dos componentes do cabo padrão DeviceNet
Pontos de alimentação (“Power Taps”) podem ser acrescentados em qualquer ponto da rede
tornando possível a redundância da alimentação na rede. A corrente no “Trunkline” é 8 amps (com
cabo grosso “thick”). No cabo tipo “thin” a corrente máxima é de 3 amps. Uma opção opto-isolado
de projeto permite dispositivos energizados externamente (por ex.: partidas de drivers AC e válvulas
solenóides) compartilhar o mesmo cabo do bus. Outras redes baseadas em CAN permitem somente
uma única fonte de alimentação para a rede inteira.
Os dispositivos podem ser alimentados diretamente da rede e comunicam-se com o mesmo cabo.
Nós podem ser removido ou inseridos da rede sem desligar a rede.
1.3.3 - Conectores
Há três tipos básicos de conectores: o aberto, o selado mini e o selado micro. O uso de um ou de
outro depende da conveniência e das características do equipamento ou da conexão que deve ser
feita. Veja nas figuras seguintes a codificação dos fios em cada tipo.
Figura 3.67 - Conector aberto (open style)
Figura 3.68 - Conector selado mini Figura 3.69 - Conector selado micro
1.3.4 - Terminadores da rede
As terminações na rede DeviceNet ajudam a minimizar as reflexões na comunicação e são
essenciais para o funcionamento da rede. Os resistores de terminação (121W, 1%, ¼ W) devem ser
colocados nas extremidades do tronco, entre os fios CAN_H e CAN_L (branco e azul).
• Não coloque o terminador dentro de um equipamento ou em conector que ao ser removido
também remova o terminador causando uma falha geral na rede. Deixe os terminadores
sempre independentes e isolados nas extremidades do tronco, de preferência dentro de
caixas protetoras ou caixas de passagem.
• Para verificar se as terminações estão presentes na rede, meça a resistência entre os fios
CAN_H e CAN_L (branco e azul) com a rede desenergizada: a resistência medida deve estar
entre 50 e 60 Ohms.
Figura 3.70 - Ligação dos resistores de terminação
1.3.5 - Derivadores “TAPS”
Existem vários tipos de derivadores “TAPS” para serem conectados em uma rede do tipo
DeviceNet. Estes derivadores permitem ligar os vários elementos da rede. Classificam-se como:
1.3.5.1 - Derivação T “T-Port TAP “
O derivador “T-Port” conecta um dispositivo simples
ou uma linha de derivação “drop line” através de um
conector estilo plug-rápido.
1.3.5.2 - Derivação de dispositivo “Device-Port”
“DevicePort” são componentes selados que conectam
ao “trunk line” via “drop line” através de conectores de
desconexão rápida somente dispositivos compatíveis a
rede DeviceNet. Existem DevicePort para conectar 4
ou 8 dispositivos.
1.3.5.3 - Derivação tipo box “DeviceBox”
“DeviceBox” são elementos passivos que conectam
diretamente os dispositivos DeviceNet no “Trunk
Line” através de conexões de terminais para até 8 nós.
Eles possuem tampa removível selada que permite
montagem em máquina ou no chão de fábrica.
1.3.5.4 - Derivação de Alimentação “PowerTap”
O “PowerTap” possue proteção de sobre corrente para
o cabo tipo “thick” (grosso). Com proteção a diodo é
possível utilizar vários “PowerTaps” permitindo assim
o uso de várias fontes de alimentação.
1.3.6 - Leds Indicadores
Embora um produto DeviceNet não necessite ter indicadores, se este produto possuir indicadores,
devem aderir à Especificação de DeviceNet. É recomendado que ou um Led de Estado do Módulo
“Module Status” e um Led de Estado da Rede “Network Status”, ou uma combinação dos dois seja
incluído.
O(s) indicador (s) consiste em um Led bicolor (verde/vermelho) que pode ter combinações de
ligado, desliga e piscando. O Led de Estado do Módulo “Module Status” indica se o dispositivo tem
alimentação e está operando adequadamente. O Led de Estado da Rede “Network Status” indica o
estado do link de comunicação.
Para mais informação, visite também o site da ODVA
http://www.odva.org/