Poesia É Um Princípio Rítmico, de Pulsação Da Vida
Poesia É Um Princípio Rítmico, de Pulsação Da Vida
de pulsação da vida
e o ritmo é um princípio poético,
da vida em pulsação
Fabulário
Om
Fabulário
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E d i ç õ e s C a e t é A ç ú
2017
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Sumário Pósfacio (O Silêncio Supre O Som) -23
I –D e L e s t e Á N o r t e O e s t e Á S u l
Para aquele que vive sua luz na escuridão
tome tento de organizar a imaginação
não asfixiando-a com a razão
as leis cósmicas universais nos coordenam com os tais
para que pleno vivais
entoar mas se ainda achas que as coisas são pessoais
fórmulas não se iluda em pensar que 3º olho vibrais
mágicas pois aquilo que nos ombros e cabeça
ler carregas
ler mágicas poesias poesia muita estória antiga traz
fórmulas entorar ler desde quando o calor quem dava era Guaracy
fórmulas & o frescor Jacy
mágicas mas houve também passagem logo ali
entoar Áfricas & Índias
nos houveram
para hoje se estar aqui
Guias
de Leste à Norte
Oeste à Sul
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4
۞ Agô\Yauê ۞
afro tupis ╬
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Ponta de Lança Nova Esperança Olhos da Cobra Verde
Pela Sagarana Simples poesia
rompe corrente cotidiana de brilho incandescente
abre cada instante em mata estelar de Oxóssi
Ponta de Lança indecifrável à mente
Nova Esperança
clareia distinção entre água e vinho sopro da floresta sente
têm planta de Espada quebrando quebranto na mesmice
e rosa de Sertão como caminho do si-mesmo
alinha seiva de Lua Branca
e clorofila de espinho Uirapurú, foi em canto de pássaro
poemizar
o Tudo na Terra assoviar:
҉ ҉ ҉ ҉ ҉ ҉ ҉ ҉ ҉ ҉. ҉. ... Ogunhê! ´´- que é em passo de cachoeira
onde Oxum Amor purifica a dor´´
na solda da perseverança
funde o ferro ao chão ! (f ú ú ...) ↔ ↕ ↔ ê ê ê → → → o k ê a r ô !
quando o pré-conceito caçado na encruzilhada
se transmuta pela erva medicinal
em Revelação. dispara o arco da consciência atemporal
caúda de Lua Nova
clareia passado batido
em chão sofrido
e aponta o Norte no Cruzeiro do Sul
gêmeas constelares em pouso azul
irradia a estrada
da VerdeFlechada
(Flechada...
Flechada...
ξ FlechadaVerde...)
ϡϡϡ
6
Vidas em Pares Ímpares
7 Flechas
Desfaz o véu do conforto que é fel
ꞈ 7 ventos ꞈ 7 direções ꞈ 7 versos para dominar adentro e afora
o Fogo Criador
7 ꞈ
lem força pura
bran no despacho da braveza
ças sustento futuro
a tem po rais da clareza
ϟ
7
Fogo de Chuva no Vento Clareia Toda Áurea
9
Antiga Idade No Saber Do Querer Todos Os Cantos Cheios de Fé
♣♣♣
Ѽ
10
Incandeia Esta Folha de Papel Como Se Deram As Coisas
Plena potência da luz - Yauê!
bom maestro
para quem
quer no disse o dia ao clarear Guaracy, que para ficar na bubuia
ritmo ☼ constelar anoiteceu Jacy... andaram na pindahyba... fizeram o babacuara...
tocar Ilumina surgindo assim Perudá, Índia do Amor
á todos
sem nota os 3 deuses caíram no mundéu
alguma alterar
e para deixar de libambo, Guaracy cantou como Guirapurú
– pássaro que não é pássaro -
parindo o reinado poético de Uyara
e o mundo (en)cantado com a Caapora à assessorar
Guaracy Guaracy Guaracy
farol do céu incandeia esta Jacy, que andava ao atá,
folha de papel expande respirou os vegetais em um banho lunar
aquilo que ☼ se sente e a eles se pôs a guardar
naquilo que se lê como Sacy, Uritau, Curupira & M´boi tatá
com o calor que faz
crer o viver enquanto que Perudá
se refazendo como Catiti (lua nova) e Cairé (lua cheia)
safou-nos da arataca de esquecer
vossa presença como é.
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÷
II – A L i d a d a P e d r a N o H o m e m
Aqui foi meu futuro
as tonalidades boas.....infinitas.... . . . . . . . . . .
não são plantadas mas são colhidas
como vai plantar pedra
para o mês que vêm?
minério para cá dinheiro para lá
difícil é contar estória
Nheengatu desenhava sons misteriosos
músicas de pinturas
ruído branco, som de cachoeira
mas as pessoas também têm sons
alguns com cara de si be mol
outros com jeito de dó ré mi
Minhocuçu lembrava notas
de elementais antigos
- como o próprio Tempo –
seus sons seriam assim, tão ancestrais?
a música dizia
sobre uma cor-de-sabor
auditiva
.
..
...
...... reluzir as pirâmides douradas
que neutralizam a navalha consumista
na alma!
penumbra
amarilla
cosecha
la chiquilla
celeste
en el cielo
alumbra
violeta
media luna
hojas cristales.
diamantinas
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Latitude De Desmedido Silêncio Reciclável Levitação Sonora
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Semente Estrela Primavera Em Transformação
Manga da terra Tarde da noite foi quando ventou o tal hoje
assopra os destinos dia raiou santo saudou Cántaro cantou
assopra a luz e o rio andou
desde o fundo do aratá
Maria chama até a biblioteca do arraiá
Piatã montanha onde havia estórias à contar
meninada a admirar
para a resposta das intuições lá fora
tucanas medita-se para desenhar
até as portas no fundo do vagão mental
semente estrela toda uma plantação se baterá
e daí os traços brilharão em noite
e se for possível registrando o escuro em fundo claro
traga as frutas tropicais da onde inventaram esse tal nome ´A4` ?
pintando versos em dobradura
jogar-se para a formosura fantástica
em feita fanzine
um sarau poente faísca fosforecente
voô
livre ... descristaliza o imprevisto com o momento condizente
consciência histórica, avisa o Ser presente
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Pedra Luz OásisÉ O Cerrado Do Sertão
Propositivo o positivo
vejo lustro e saio
apresentação e ensaio
carrossel de gente
perante o absoluto impessoal
molécula temporal
saberes de emulsão
na falta d’água
o oásis é o cerrado do sertão
cheirando atenciosa.a.mente
abre-se o baú akáshico
aonde estão as razões
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I I I – S o u Q u e m Eu ?
Foi um tanto de pisá chão
que agora leio um livro
na sola do pé
macaco Erê
foi quem me ensinou
a brincar de Curupira
(jogo de ser outro bicho)
pois era só de salto em salto
que poderia viver de ar
- f ú ú ú!
assoprado sou
no galho dos ratos
e na alquimia da reciclagem
dos ‘lixos’ da vida
em flor
- h m m m. . .
floradas também quebram galhos
- p ú m!
caio no buraco dos coelhos
um mundo em que cabem
todos os mundos
-ihhh...
e agora ?
cadê
eu ?
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M
anhã
M
antiqueira
Nasci e cresci
naquele pedacinho de vento
com os frutos de passarinho cantá
lá,
pousava no alto da raiz de cipó
o macaco Erê
contando
com seus pulos
de
galho
em
galho
sobre
uma fruta
de sabor
diferente
doce & dura
azeda & mole
com aspecto de noite
estrelada
do verso universo
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Palavra Passante Natureza Neutraliza A Natural Mente
neutra . . . liza
para passar problemas
natu . . . reza
passe palavras passantes
(a) natural . . . mente
pardas
pregnantes
transparentes virtudes
adubo ominôtn(A)ntônimo
de la sol________edad
NAA
por pontes
u vega
pirulitadoras
r
práticas
e a Serra
paralelas do
políticas Mar.............................................
públicas ............................................
ponderando ...........................................
preservações. ........................................
....................................
.................................
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Lapiz de Nadar Transparente Colorir
... aguarda a pesca ______ mãe d’água Rastros fontes lastros
FlechadaVerde_________cabocla ... corre a vida em desatrasos
observando compassos
trans.cen.dên.cia nós pequenos traço
a mais fina companhia a ponte que une caço
da poesia na noite chamo o canto vêm relâmpago
ponte de vida o acalanto
um pé de chinelo engolido pelo Arpoador tal como o tango
Lápiz de Nadar benzido pelo mar invisto no imprevisto
uma forma de oração antecipado listo
refletir à vida do Sol
á flor da pele - liga ativa faz decolar –
maravilhosa expurgação aquilo que quero é a galáxia que virá
aonde o si está para se realizar
merrrmã! frenético é
tirar um recreio dos bandeirantes - ponto marcado ao transmutar –
no zen estar na praia da macumba beleza, Jah Jah...
desatando constelações familiares realidade transparente
com um letra papel lágrimas de peso
Cristo de Morro para bolações
& um Dedo de Deus para prazeres - vamos nessa!
mas aonde esta essa suavez?
mar caçador por aí vejo o neutro
baila marés no horizonte ir existir
Rio de Janeiro com semblante sereno colorir
cargueiro do infinito...
vindo do porvir.
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Pó De Pir Lim Pim Pim O Um Em Tudo
Sol de solstício se anuncia Pensava passava
como a paz que livra uma nuvem a ideia pescava
tudo corre e movimenta para todos a purificação servia
a mente não mais sustenta pois a mente é coletiva
a voz se arrebenta e o Um em Tudo reverbera
mas a Terra é lenta igual banana verde que amarela
e ensina os desvios para que nela se aprenda
naquilo que musgo cria, canto de cânticos
criança no samba de roda
porque se silencia? estrelas defumadas
por cachoeiras queimadas
ah! mas quando grita tudo se distancia em meio ao céu
a cabeça rodopia por onde vai a estória que vêm?
e a equação entre se recolher e se aumentar
é uma contínua multiplicação canto de jasmin
da sopa de letrinhas de resultado alento de um eterno fim
dourado e semeado
soma = subtração vital no coração alado
expande o sem fim
pois há de ser ligeiro com a matemática no caminho de Serafim
que pergunta com divisão , quando este pensou,
negativa e rabo de arraia nesse mundo ah! que será de mim?
sem compasso mas com marcação
- alecrim.
vêm, queima, purifica eteriza o denso
ilumina o sutil
órbita cumpre Solarius com explosões boreais
fazendo com que o íntimo sonho semeais
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Segundo Eterno Criação do Universo
Conselho, Na vontade do vazio
direções em liberdade emana este momento
que seja a clara a vivacidade ou será que o Universo
traços cores rasgos têm uns Colibris Cósmicos
tudo em pleno acato que polinizam planetas?
por onde é o nosso rastro
desaprende o ponto ...shhh...
laço o que és de acaso
...shhh...
indo a raiz do término ...shhh...
e ao fim do começo
refazer o ser do avesso .... ... ........ ..... . . . . .a noite espacial . .... . ... ♦ . ● ..
reconfigurar todo seu endereço
o corpo humano vira a Lua,
que passa a relembrar a ilusão cria o mar caiçara
reordenando o fluxo da transmutação
se emergem dores vira onda,
respirações o balanço molhado do céu
dissolvem temores
vira areia,
quando será o passo alado ao divino prazo? pisa a criança
brincando de esponja
naquele segundo eterno na criação da Luz
de um vácuo pleno brinca de osmose
que a vida vibra. á criação da Luz
. Luz .
. Luz .
. Luz .
. Luz .
. Luz .
Ͼ☼ . Luz .
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posfácio
24
O Silêncio Supre o Som As geografias de Fabulário se irrompem fora do tempo-espaço e
(por Juliano Almeida) se dispõem segundo princípios livres dessas categorias. Mucugê
pode estar em Bizâncio ou nas Diamantinas - vice-versa ou vice-
A definição clássica de fábula refere-se a narrativas em verso. O tempo se apresenta não como uma linha progressiva,
que as personagens são espécies animais antropomorfizadas e mas como uma espécie de novelo de lã embramado em que
cujos feitos enunciam lições morais. A palavra também pode passado, presente e futuro podem estar relacionados e ser
designar, no uso informal, uma mentira ou uma farsa. Esse último recompostos a cada movimento.
uso só é possível porque o conceito original de fábula estabelece A poética de Fabulário situa tudo aquilo que compõem o
um sentido figurado para as relações entre humanos e animais, universo – material e imaterial – em um mesmo plano. Aquilo
atribuindo ficticiamente a esses, capacidades agentivas que que fora da fábula se apresenta como disjunção é retramado numa
seriam próprias e exclusivas dos primeiros. É inseparável da ideia rede de conexões que jorra uma profusão de sentidos que vão na
de fábula que os homens – e apenas eles – são capazes de contramão dos limites de uma razão classificadora e delimitadora,
construir um senso de moralidade e de verdade, aos quais, por viciada e entorpecida pelos mesmos poderes que movimentam o
analogia, os animais servem apenas para demonstrar. pêndulo “minério para cá dinheiro para lá”.
Fabulário parece propor senão uma inversão desse sentido, Um convite a imaginar e experenciar esses encontros que
uma torsão: e se a fábula se propusesse não a demonstrar, mas a a sintaxe da gramática normativa situam no campo do erro ou da
indagar uma moralidade que se roga o estatuto de esclarecida? E ficção. A poesia é, assim, transcriada de produto literário para
se embaralhássemos essa relação de sujeito e objeto com a qual uma ideia de fluxos. Não como aquilo que está na página apenas.
pensa, por exemplo, a ciência ocidental? A poesia não começa e nem termina ali. A página faz parte de seu
O autor de Fabulário são muitos. Não são as forças e devir imanente à vida: "Poesia é um princípio rítmico de pulsação
entidades da natureza a matéria da poesia. São elas mesmas, em da vida".
conjunto e fabulação, as autoras: diferenças se relacionando com Fabulário é forma do texto e do traço - de modo
diferenças. Não há um plano em que essas multiplicidades se inseparável e horizontal. A composição visual que é entalhada nas
reduzam, como a página. A página que escreve a poesia é um páginas em relação aos signos escritos se assemelha mais àquela
lugar de atravessamento. entre as lascas de pedra extraídas e a inscrição rupestre resultante
Não são os animais que adquirem características humanas. do que a uma moldura que delimita e explica o texto. É como se a
Nem as línguas são sistemas prontos e fechados ou estruturas caneta, ao tornar-se galho escorregando pela areia, transitasse
organizadoras de sentido, mas evocam o movimento de ondas na delicada e lepidamente pelas formas da escrita e da pintura - e
areia, refazendo-se a cada movimento possibilidades de inscrevesse não a forma, mas a poeira que nesse fazer se lança ao
composição novas e imprevisíveis. As entidades africanas, ar.
ameríndias ou védicas que povoam os poemas se desprendem de Como o Xamã que ouve aquilo que escapa à percepção
suas identidades sociais, culturais ou históricas não para se cotidiana, o poeta é um ouvinte do não-dito ( o. silêncio . supre . o
diluírem sob um conceito, mas para afirmar suas singularidades e . som ). A linguagem poética de Fabulário não quer dizer redução
presenças imanentes na tecitura incessante da tessitura-mundo. de todas essas formas a um instantâneo, como pretenderia uma
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fotografia, ou a uma tradução realizada pelo poeta. Trata-se antes
de uma forma específica de afetação, de um exercício de
comunicação com o incomunicável da experiência.
Om
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