A Cilada
Era uma noite muito fria, até mesmo para os padrões do inverno
Europeu. Ali no meio da Floresta Negra, longe de qualquer tipo de
civilização a coisa mais civilizada que existia era um trono de pedra polida,
coberto por trepadeiras que residia em meio a uma pequena clareira onde
esta noite os nossos se encontravam ocasionalmente. Quase congelando
naquele lugar, meus olhos miravam à copa das arvores, buscando
compreender o real motivo de estar ali sozinho, naquela noite sem lua.
Era tudo muito estranho, Harbard, que era o líder daquela região,
havia convocado na noite anterior uma reunião entre nosso povo para
discutir uma invasão a uma antiga fabrica abandonada onde aparentemente
o Sabá estava se escondendo. Só que longas horas já haviam se passado e
até agora, e apenas eu estava ali naquele completo silêncio quebrado
apenas pelo assobio das arvores de tempos em tempos.
Demorou tanto, que eu resolvi sair para dar uma olhada nas
redondezas. Foi então que pude ouvir sons abafados de passos por entre a
folhagem seca daquele lugar, e resolvi ir cautelosamente até o local, para
constatar um pequeno grupo de quatro vampiros que me eram
completamente desconhecidos, todos estavam fortemente armados e
pareciam estar caçando algo. Não demorou muito até que conseguisse
reconhecer naquele meio John Schneider, um membro do sabá com o qual
já tinha me defrontado antes, e perceber que ali quem estava sendo caçado
era eu. Difícil, porém era conceber a idéia de que havia sido traído por
meus companheiros.
Sorrateiramente fui os seguindo para ver até onde os palhaços iriam.
Até que no meio da perseguição instintivamente me joguei para o lado a
tempo de ver um Crinos negro enorme completamente deformado com
varias partes do corpo sem pelos, além de orelhas de morcego e uma
espuma verde saindo de sua boca, quase me partir ao meio com aquelas
garras enormes que mais pareciam quatro espadas. Ainda desnorteado
tentei me levantar, mas quando pude perceber aquela coisa estava com as
garras no meu pescoço prestes a arrancar minha cabeça. Não fosse por um
belo disparo do Sabá naquela criatura isso certamente teria acontecido.
Como ia dizendo estava ali pronto para morte, quando a criatura foi
arremessada para trás por um disparo de forte calibre, o que me deu tempo
suficiente para rolar para trás de um velho tronco caído e ver o lobisomem
saltar alguns metros e cotar a espingarda daquele homem e duas partes.
Antes que alguém atirasse na criatura corri por um dos flancos daquele
grupo e saltei com minhas garras arrancando a traquéia de um deles e
rolando para trás de uma arvore. Aparentemente os que estavam de pé
estavam aterrorizados com aquela coisa e me deram tempo para mais uma
vez correr e rasgar o peito e o rosto de mais um deles, desta vez ficando ali
entre eles. Nessa hora um deles fez tudo ficar escuro, nada podia ser visto
ou sentido dentro daquele cubo gelatinoso feito de piche. Astutamente fervi
meu sangue para me metamorfosear em um lobo e então eu só pude sentir
algo tentando acertar meu coração que nesse momento já não estava no
mesmo lugar, antes que eu pudesse fazer algo às coisas voltaram a ficar
claras e eu pude ver aquele Crinos com um braço dentro do abdômen de
um dos homens e a outra mão esmagando a cabeça do que eu havia rasgado
antes o peito. Neste instante eu pude sentir um belo chute do John que deve
ter me quebrado umas três costelas e me fez voar alguns metros. Era
incrível a força e a velocidade que ele e possuía agora, mal consegui o ver
acertar o Lobisomem e também o jogar ao chão. Agora ele vinha
incrivelmente rápido para cima de mim, chutar mais uma vez, mas desta
vez consegui morder a sua perna e ajudado um pouco pela força dele de
puxá-la, consegui arrancar a perna dele. Foi doce o seu hurro de dor, mais
ainda foi ver aquele mostro negro literalmente engolir a cabeça dele. Agora
estávamos ali frente a frente eu e aquele lupino horrendo, que babava ao
olhar nos meus olhos. Como a melhor defesa é o ataque não perdi muito
tempo estudando ele e abocanhei logo sua coxa, a qual excretava alguma
coisa que corroeu a minha boca. Ao mesmo tempo em que ele com um
simples toque me fez cair e antes de alguma reação enterrou suas duas
mãos no meu tronco e em seguida retirou rasgando minha carne, por Deus
e eu que pensava que conhecia a dor. Ele se preparava pra o ataque final,
mas na hora exata consegui me mover um pouco pro lado e o fazer acertar
o chão e enterrar seu braço até próximo ao cotovelo. Então corri como uma
fecha para uma antiga cabana que havia próximo daquele local, mas ele era
muito rápido também e não me deixou tomar muita dianteira. Antes que eu
chegasse à cabana ele saltou sobre mim e abocanhou o vento e caio de mau
jeito e saio rolando pela grama, o que me deu tempo para dar alguns saltos
e alcançar o telhado da cabana. Nessa hora foi ouvidos passos de varias
pessoas correndo pela floresta e a criatura já de pé virou-se para olhar. Foi
então que em um salto milagroso eu consegui voltar a minha forma humana
e enterrar minhas garras na nuca da criatura varando-lhe o pescoço e o
fazendo tombar. Com as mãos ainda queimadas pelo sangue dessa criatura
rasquei minha camisa e comecei a limpar aquele sangue maldito dos meus
braços. Foi então que pude agora voltar a ouvir os passos que logo se
transformaram em gargalhadas e uma voz se destacou naquele meio
dizendo seja bem vindo a Floresta Negra filho, e vá se acostumando a esse
tipo de situação corriqueira.
E foi desta maneira que passei a ser admirado pelos Gangrel.
“Lo, there do I see my father...Lo, there do I see my mother and my sisters and
my brothers...Lo, there do I see the line of my people back to the beginning...Lo, they
do call to me. They bid me take my place among them, in the Halls of Valhalla.
Where the brave may live forever...!!!”
“Eis que vejo meu pai… Eis que vejo minha mãe, minhas irmãs e meus irmãos... Eis
que vejo a linhagem de meu povo, desde o início. Eis que eles me convocam. Eles
pedem que eu assuma meu lugar entre eles, nos Salões de Valhalla.
Onde os bravos vivem para sempre!!!”