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Introdução aos Microfósseis na Paleontologia

Este documento fornece uma introdução sobre microfósseis, incluindo seus principais tipos como foraminíferos, radiolários e diatomáceas. Ele descreve suas características, importância para datação e reconstrução ambiental, e aplicações na paleontologia.

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Introdução aos Microfósseis na Paleontologia

Este documento fornece uma introdução sobre microfósseis, incluindo seus principais tipos como foraminíferos, radiolários e diatomáceas. Ele descreve suas características, importância para datação e reconstrução ambiental, e aplicações na paleontologia.

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Aula

MICROFÓSSEIS 4
Maria Helena Zucon
Fabiana Silva Vieira

META
Neste capítulo vamos introduzir os conhecimentos básicos sobre os
microfósseis, assim como, os principais microfósseis estudados dentro da
Paleontologia.

OBJETIVOS
Ao final desta aula, o aluno deverá:
distinguir os diferentes tipos de microfósseis.

PRÉ-REQUISITOS
Os pré-requisitos para o estudo dos microfósseis são os conceitos básicos de
Paleontologia e os conteúdos iniciais da disciplina Invertebrados I.
Paleontologia Geral

INTRODUÇÃO

Neste capítulo trataremos de uma especialização da Paleontologia


denominada de Micropaleoentologia a qual apresenta estreita relação com
a Biologia e a Geologia, especialmente, a Estratigrafia e a Sedimentologia.
Os microfósseis, objetos de estudo da Micropaleoentologia corresponde
a restos fossilizados de organismos microscópicos, sendo encontrados em
abundância nos ambientes marinhos, lacustres ou fluviais. Comumente são
preservadas suas carapaças (conchas) e esqueletos formados por minerais
ou revestimentos orgânicos endurecidos (VILELA, 2004).
Quem são os organismos que estaremos chamando de microfósseis?
Muitos vocês conhecem ao menos na teoria por terem representantes at-
uais. Abaixo segue uma lista com os microfósseis que serão contemplados
neste capítulo:

- Dentre os protoctistas podemos destacar os foraminíferos, radiolários,


as diatomáceas, nanofósseis, dinoflagelados, tintinídeos e calpionelídeos;
- Entre os artropódes estão os ostracodes;
- Partes reprodutivas de plantas e fungos como os poléns e esporos.
- Quitinozoários e Acritarcas.

Você consegue imaginar qual seria o interesse de se estudar os microfós-


seis? De modo geral, estes microrganismos são numerosos, têm tamanho
reduzido, estão amplamente distribuídos com ocorrência em quase todas
as idades, desde o Pré-Cambriano aos tempos atuais (rápida evolução), pos-
suem ampla distribuição batimétrica e são facilmente preservados no registro
fóssil, além disso, em uma pequena fração de amostra é possível encontrar
informações suficientes para análises criteriosas e interpretações precisas
como datação e correlação dos sedimentos, além de serem empregados em
estudos paleoecológicos.

PROTOCTISTAS

FORAMINÍFEROS

São protoctistas microscópicos, bentônicos ou planctônicos, predomi-


nantemente marinhos e que têm seu protoplasma envolto por uma testa
composta de material orgânico secretado, ou minerais (calcita, aragonita
ou silica) ou por partículas aglutinadas. A testa pode ser constituída por
uma única câmara ou por várias sendo, então, denominadas por unilocular
ou multilocular, respectivamente, as quais se conectam entre si por meio
de pequenas aberturas denominadas foramen. Externamente das testas
estendem-se os pseudópodes, que são filamentos protoplasmáticos usados

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Microfósseis
Aula

na locomoção, fixação ao substrato e alimentação (Figura 1). A morfologia


varia muito em função da adaptação ao meio (Figura 2).
4

Figura 1. Foraminífero planctônico recente com os pseudopódos visíveis (Fonte: http://www.


infoescola.com/reino-protista/filo-foraminifera)

O que se preserva destes organismos no sedimento e apartir do qual


identifica-se a nível específico é a testa, sendo que a maior representativi-
dade no registro fossilífero é daquelas compostas por carbonato de cálcio
por ser um mineral resistente a dissolução.

Figura 2. Variações da morfologia básica (Imagem: VIEIRA, 2004).

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Paleontologia Geral

Os foraminíferos constituem um grupo de organismos de enorme


sucesso, sendo os mais abundantes componentes eucarióticos do assoalho
marinho, tanto em número de indivíduos como em biomassa (GOODAY,
1994; MORIGI et al, 2001). Constituem um grupo muito amplo ocorrendo
no registro paleontológico em rochas com mais de 300 milhões de anos.
Aproximadamente 4000 espécies são bentônicas, enquanto apenas 40 espé-
cies são planctônicas. Geralmente as formas planctônicas têm testas mais
delicadas que as bentônicas, e comumente apresentam espinhos.
Os foraminíferos são sensíveis às menores variações ambientais, tendo
por isso, inúmeras aplicações. Os bentônicos são frequentemente emprega-
dos em trabalhos de reconstruções paleoambientais. Entenda-se que isto
inclui compreender como era o ambiente pretérito, inclusive saber se era
um ambiente saudável ou alterado pelas atividades humanas. São, também,
os mais utilizados em trabalhos de datações de rochas do Paleozóico. As
datações precisas associadas às indicações paleoambientais são muito úteis
no reconhecimento de rochas geradoras e armazenadoras de petróleo.
Enquanto que as espécies planctônicas são usadas como indicadores das
variações de temperatura sendo utilizada nas reconstruções glaciais em
rochas do Pleistoceno.
Os foraminíferos bentônicos têm sido intensamente utilizados como
bioindicadores de poluição nos mais diversos ambientes como baía, lagu-
nas, estuários, plataforma e talude continentais. Estes ambientes por serem
importantes sob o aspecto sócio-econômico e devido a proximidade com
grandes centros urbanos vêm passando por intensa devastação dos seus
recursos naturais como flora, fauna e recursos hídricos que acabam afetando
o bem estar e a permanência do homem na terra.

RADIOLÁRIOS

São exclusivamente marinhos, habitam desde a superfície até as pro-


fundidades abissais. (EILERT et al, 2004; FAUTH & FAUTH, 2009).
Possuem endoesqueleto silicoso e pseudópodes rígidos (axópodes). A
estrutura esqueletal é representada sob a forma de espinhos anastomosados,
esferas perfuradas concêntricas ou estrururas cônicas multiloculares e com
possíveis espinhos (Figura 03).
O tamanho entre as espécies solitárias variam de 0,05 mm a 0,25 mm, e
entre as coloniais podem atingir, em alguns casos, até 3 m de comprimento
(FAUTH & FAUTH, 2009). Os registros mais antigos datam do Cambriano.
Durante o Paleozóico, a biodiversidade aumenta consideravelmente. No
Cenozóico comparativamente ao Paleozóico sua diversidade foi reduzida
(EILERT et al, 2004).
Inúmeras espécies possuem preferências ecológicas definidas o que
as caracterizam como excelentes indicadoras de parâmetros ecológicos,

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Microfósseis
Aula

de temperatura, salinidade, profundidade e disponibilidade de nutrientes


(EILERT et al, 2004).
4

Figura 03. Morfologia dos radiolários. (Fonte: http://www.dicionario.pro.br/dicionario/


images/thumb/c/c1/Radiolaria-chert.jpeg/300px-Radiolaria-chert.jpeg).

DIATOMÁCEAS

São algas unicelulares, bentônicas ou planctônicas, que habitam a zona


fótica dos oceanos (até cerca de 200 m de profundidade), mares, lagos, rios,
mangues hipersalinos e hiposalinos, os solos úmidos e presas a vegetais.
Podem ser solitárias ou coloniais.
Apresenta morfologia variada e a parede celular é formada por sílica
(Figura 04). Possuem grandes cloroplastos de cores verde-olivas e pardos.
Suas células possuem o tamanho médio de 50 microns, ainda que excepcio-
nalmente possam chegar a medir 2 mm, e um esqueleto intracitoplasmático
que recebe o nome de frústula. Cada frústula apresente duas valvas ou tecas,
ligeiramente desiguais (a menor das valvas encontra-se encaixada na maior).
Segundo a forma e ornamentação das valvas, as diatomáceas podem
ser Centrales ou Pennales. As Centrales são circulares, elípticas ou poligo-
nais, com uma ornamentação concêntrica ou radiada sem adornos. São em
sua maioria planctônicas marinhas, ainda que sejam encontradas espécies
lacustres e reproduzem-se sexualmente por microsporos. As Pennales são
naviculares, contendo uma linha que separa a valva em duas metades. Não
possuem microsporos. Há gêneros de águas doces e marinhas.
Os registros mais antigos datam do Cretáceo. No Terciário surge maior

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Paleontologia Geral

Figura 04. Morfologia das diatomáceas (Fonte: http://geocities.ws/


pri_biologiaonline/bacillariophyta.html).

irradiação das espécies concêntricas. No Paleoceno surgem as penadas que


atualmente são em maior número.
As diatomáceas planctônicas são ferramentas para bioestratigrafia
devido a sua ampla distribuição geográfica,estando relacionadas a biozonas
de regiões frias e quentes.

NANOFÓSSEIS

Nanofósseis calcários correspondem a minúsculas partículas carbonáti-


cas de dimensões inferiores a 0,05 mm. Apresentam uma ampla variedade
de formas, as mais comuns são plaquetas arredondadas, denominadas por
cocólitos. Além dos cocolitoforídeos fósseis são incluídos como nanofósseis
outras formas associadas, de origem indeterminada (ALVES & WANDER-
LEY, 1998; WANDERLEY, 2004).
Os cocolitoforídeos são organismos unicelulares, biflagelados, fotossin-
tetizantes, normalmente planctônicos e predominantemente marinhos. O
caráter singular do grupo é a presença de placas externas conhecidas por
cocólitos que formam, em conjunto, um envoltório celular denominado
como cocosfera (Figura 05).

Figura 05. Cocosfera à esquerda e seu respectivo cocólito


à direita. (Fonte: ALVES & WANDERLEY, 1998).

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Microfósseis
Aula

Os cocolitoforídeos apresentam um ciclo de vida curto, entre quatro e


dez dias em águas tropicais, e comumente existem cerca de 100 indivíduos
vivos por litro de água marinha. Após morte o indivíduo fragmenta-se.
4
Cerca de 90% dos cocólitos atingem o fundo oceânico (HONJO, 1976)
(Figura 06).

Figura 06. Processo de transportes e deposição dos


cocólitos (Fonte: ALVES & WANDERLEY, 1998).

Normalmente o que se encontra no registro fossilífero são os cocólitos


que se depositam abundantemente no substrato oceânico. São encontrados
em maior abundância e diversidade em sedimentos de granulometria fina,
de ambientes de baixa energia e geralmente distantes da costa. Aparecem
no registro fóssil desde o Triássico sendo mais abundantes no Cretáceo
e seguem até os dias atuais. São os principais produtores primários que
convertem dióxido de carbono (CO2) no oceano para carbonato de cálcio
(CaCO3) (ALVES & WANDERLEY, 1998).
São empregados em estudos bioestratigráficos e nas correlações a
longa distância. Aliado ao fato de apresentarem uma ampla distribuição
paleogeográfica e diversas formas guias, são facilmente recuperados da
matriz sedimentar e preparados em laboratório, o que agiliza a interpretação
das análises. Por apresentarem representantes com rápida diversificação

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Paleontologia Geral

biológica, elevada taxa evolutiva e diversos espécimes cosmopolitas são


intensamente empregados como indicadores cronoestratigráficos para a
aplicação petrolífera na datação de rochas e correlação entre poços (ALVES
& WANDERLEY, 1998).

DINOFLAGELADOS

Os dinoflagelados ou dinocistos (dinoflagelados fósseis) são protoctis-


tas flagelados de tamanhos entre 0,005 a 0,2 mm. Sua composição química
é variável podendo ser cálcaria, silicosa ou orgânica sendo a última forma
dominante (ARAI & LANA, 2004). A maior parte das espécies pertencem
ao plâncton marinho (mais especificamente do fitoplâncton), mas são
também comuns em água doce.
Ocorrem desde o Triássico Superior, mas é a partir do Cretáceo e
Paleógeno que se diversificam amplamente quando no Quaternário dimin-
uem significativamente. São empregados em zoneamento bioestratigráfico
(ARAI & LANA, 2004).

OSTRACODES

São microcrustáceos que apresentam o corpo envolvido por uma car-


apaça calcária bivalve (Figura 7). Seu tamanho é pequeno, variando entre 0,5
mm e 1 mm. A carapaça calcária que os envolve é trocada sucessivas vezes
para permitir seu aumento de tamanho não deixando, portanto, linhas de
crescimento como nos moluscos.
Os ostracodes surgiram no Ordoviciano
e existem até hoje. O que frequentemente fica
preservado nas rochas são as valvas. Em casos
excepcionais de preservação, partes moles são
encontradas.
Os ostracodes ao longo de sua evolução
adaptaram-se a praticamente a todos os am-
bientes aquáticos sendo sua origem nas águas
marinhas onde ainda hoje estão em maior
número (COIMBRA & BERGUE, 2004;
FAUTH & FAUTH, 2009).
Estes microcrustáceos são reconhecida-
mente sensíveis as variações nas características
físico-químicas do meio aquoso, o que os tor-
nam excelentes indicadores paleoambientais
(COIMBRA & BERGUE, 2004; FAUTH
& FAUTH, 2009). Também, são bons para
Figura 07. Morfologia de ostracode (Fonte: http://www.pnas.
org/content/105/5/F1.medium.gif).

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Microfósseis
Aula

inferir a salinidade da água em que viviam quando foram mortos e soter-


rados (FAUTH & FAUTH, 2009).
4
TINTINÍDEOS

Protistas ciliados que possuem uma carapaça orgânica conhecida por


lórica de tamanho diminuto variando entre 0,12 a 0,2 mm. A lórica apresenta
uma abertura oral e na maioria da vezes outra aboral.
A maioria vive nas camadas fóticas dos oceanos alimentando-se de
nanoplâncton fotossintetizante, sendo mais comuns nas regiões polares.
Existem espécies que habitam além dos mares e oceanos regiões estuarinas
e lagos. Podem apresentar enquistamento que é quando os processos vitais
praticamente cessam. São sensíveis indicadores de temperatura e salinidade
(WANDERLEY, 2004b).

CALPIONELÍDEOS

Possuem o corpo envolto por uma concha ou lórica geralmente em


forma de sino, com um colar, comumente, sem escultura e com abertura
oral e tamanho entre 0,04 mm e 0,15 mm. Sobre a composição química de
sua carapaça não existe um consenso, alguns acreditam que eram orgânica,
enquanto outros que eram calcárias com capacidade de aglutinantar material
exógeno. São registrados somente nos sedimentos pelágicos do Jurássico
Superior e Cretáceo inferior. Sua posição sistemática ainda é incerta, sendo
considerados por alguns como tintinídeos fósseis. Apresentam curta distri-
buição temporal e ampla distribuição geográfica sendo, por isso, indicadores
biocronoestratigráficos (WANDERLEY, 2004b).

ESPOROS E PÓLENS

Os esporos, unidades reprodutivas das pteridófitas e das briófitas, são


essencialmente uma célula envolvida por uma parede celular que a protege
até que as condições ambientais se mostrem favoráveis a sua germinação.
A parede celular ou esporoderma é constituída por uma parte interna de
celulose, a intina, e uma outra externa conhecida por exina composta de
esporopolenina, uma das estruturas mais resistentes de todos os seres vivos
permanecendo inalterada por milhares de anos apesar da morte celular.
Enquanto que os grãos de pólen (microgametófitos) são estruturas
microscópicas das fanerógamas que transportam a célula reprodutora
masculina, estando, assim, diretamente relacionados a reprodução e per-
petuação da espécie (Figura 08). O pólen é formado por dois processos
independentes:

63
Paleontologia Geral

- Microsporogênese que corresponde a formação dos micrósporos dentro


do microsporângio ou saco polínico da antera;
- Microgametogênese que trata do desenvolvimento do microgametófito,
o grão de pólen maduro, até o estágio de três células.

Figura 08. Grãos de pólen de espécies vegetais representativas do


Quaternário. (Fonte: Barth, 2003).

E você, aluno, sabe qual o nome dado ao ramo da Ciência que estuda
as estruturas anteriormente citadas?
O termo é Palinologia e foi introduzido por dois cientistas Hyde & Wil-
lians em 1944. A Palinologia é um dos ramos que mais tem contribuído para
a Paleoclimatologia.
Para estudar os esporos e polens é preciso analisar sua morfologia. A
classificação dos esporos e polens nos níveis genéricos e específicos são
normalmente feitos com base na estrutura da exina, aberturas, forma, si-
metria, ornamentação e dimensões (CRUZ, 2004a).
Devido a sua resistência e pouco peso, estas estruturas podem sofrer
retrabalhamento o que pode dificultar a datação geocronológica dos sedi-
mentos. Apesar disso, são de grande valor estratigráfico para datação de
sedimentos continentais, lacustres, fluviais e deltaicos, na interpretação da
origem dos sedimentos finos e do tempo de sedimentação, além de auxiliar
na correlação de estratos marinhos e continentais (CRUZ, 2004).A Palino-
logia constitui-se em uma das ferramentas utilizáveis em estudos retrospec-
tivos que dizem respeito às mudanças climáticas, ambientais e à influência
do homem sobre a paisagem em tempos históricos (BARTH, 2003).

QUITINOZOÁRIOS

São vesículas orgânicas em formato cilindríco ou discóides de 60 a 2000


microns. Constituem um grupo extinto de organismos marinhos, microscópicos,
dotados de testas orgânicas de quitina que ocorreram entre Ordoviciano e o De-
voniano. Por apresentarem distinções morfológicas bastante definidas são con-
siderados excelentes fósseis guias para inferências estratigráficas (CRUZ, 2004b).
Os fósseis do Ordoviciano Inferior possuem parede lisa e, frequent-
emente, são grandes. No Ordoviciano Médio e Superior encontra-se uma
variedade de formas e ornamentação (espinhos e cristas). No Siluriano e
Devoniano as testas diminuem de tamanho tornando-se mais delicadas e
intensamente ornamentadas (CRUZ, 2004b).

64
Microfósseis
Aula

Ainda não existe um consenso entre os pesquisadores sobre se os


quitinozoários têm um hábito de vida bentônico ou planctônico. Os
quitinozoários ocorrem, na grande maioria, sob a forma de testa isolada
4
que consistem em duas partes, bojo e o tubo oral (CRUZ, 2004b).

ACRITARCAS

É um grupo artificial considerado como sendo vegetais eucariontes,


unicelulares de dimensões entre 5 a 10 microns de parede orgânica resistente
a ataque de ácidos e morfologia variada. Aparecem no registro histórico no
Proterozóico distribuindo-se até o Recente, sendo seu auge no Paleozóico.
No Brasil são excelentes indicadores para determinar o Ordoviciano, Silu-
riano e Devoniano (CRUZ, 2004c).

CONCLUSÃO

Os microfósseis são restos de organismos invisíveis ao olho nu que se


fossilizaram. São estudados com auxílio de lupa ou microscópio. Os mi-
crofósseis são encontrados em abundância nos sedimentos marinhos, lacus-
tres e fluviais. Normalmente o que se preserva são as carapaças e esqueletos
formados por minerais. No grupo dos protoctistas podemos destacar os
foraminíferos, radiolários, as diatomáceas, nanofósseis, tintinídeos e calpi-
onelídeos; entre os artropódes estão os ostracodes. Os palinomorfos são
estudados na palinologia e destacam-se por apresentar uma caracteristica
comum, apesar de pertencerem a grupos taxonomicos distintos: possuem
um revestimento orgânico muito resistente aom ataque de ácidos. Incluem
os esporos, graõs de polen, dinoflagelados, quitinozoários e acritarcas.

RESUMO
Os microfósseis consistem em um grupo que pela sua abundância e
larga distribuição geográfica (eles se distribuem por todo planeta) e ainda
sua rápida evolução através do tempo geológico, permitem estudos muti
precisos como a datação relativa e a correlação dos sedimentos. Os microfós-
seis são, também, muito úteis para a determinação de paleoambiente . Eles
determinam com precisão a profundidade, salinidade, temperatura, bem
como a energia do meio, características dos substratos e níveis de oxigênio,
permitindo a reconstituição paleoambiental da área estudada.
Neste capítulo conhecemos os principais e mais estudados microfósseis.
Este grupo de fósseis é muito importante da a indústria do petróleo porque
com uma pequena amostra é possível estudar muitos organismo. Os principais
grupos utilizados pela industria do petróleo são os foraminíferos, os nanofós-
seis calcários, as diatomáceas e os ostracodes. Dentro da Paleopalinologia os
polens e ao esporos auxiliam nos estudos para a busca do petróleo.

65
Paleontologia Geral

ATIVIDADES

As espécies de foraminíferos A, B e C são características de uma camada


encontrada numa perfuração de petróleo. Essa camada acha-se a 2.550m,
e a zona armazenadora de óleo foi alcançada a 2.610m. Continuando as
perfurações, em um novo poço distante 1,5Km do primeiro, a camada, com
as espécies A, B e C, foi encontrada a uma profundidade de 2.100m. A que
profundidade seria alcançada a zona produtora de petróleo nesse segundo
poço? (Atividade retirada do livro Paleontologia de Invertebrados – guia de aulas
práticas, de autoria de CARVALHO & BABINSKI, 1985).

AUTO-AVALIAÇÃO

Recomendo para a auto avaliação fazer uma visitando site deste capítulo
e se possível consultar o livro Paleontologia – conceitos e métodos, de CARV-
ALHO, 2010 e no capítulo 21 sobre Técnicas de Preparação de Microfósseis
preparar uma amostra com sedimentos da praia atual para observar sob a
lupa as carapaças de foraminíferos.

PRÓXIMA AULA

A próxima aula virá cheia de novidades e vamos conhecer toda a história


de vida na terra.

REFERÊNCIAS

ALVES, C. F.; WANDERLEY, M. D., 1998. Utilização dos nanofósseis


calcários na indústria do petróleo. 2o Congresso Brasileiro de P&D em
Petróleo & Gás.
ARAI, M., LANA, C. C., 2004. Nanofósseis calcários. In. CARVALHO, I.
de S. (Ed.). Paleontologia, Rio de Janeiro: Interciência, 861 p.
BARTH, O. M., 2003. A Palinologia como Ferramenta no Diagnóstico e
Monitoramento Ambiental da Baía de Guanabara e Regiões Adjacentes,
Rio de Janeiro, Brasil. Anuário do Instituto de Geociências – UFRJ, Vol. 26.
COIMBRA, J. C., BERGUE, C. T., 2004. Ostracodes. In. CARVALHO, I.
de S. (Ed.). Paleontologia, Rio de Janeiro: Interciência, 861 p.
CRUZ, N. M. da C., 2004a. Palinologia. In. CARVALHO, I. de S. (Ed.).
Paleontologia, Rio de Janeiro: Interciência, 861 p.
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(Ed.). Paleontologia, Rio de Janeiro: Interciência, 861 p.

66
Microfósseis
Aula

CRUZ, N. M. da C., 2004c. Acritarcas. In. CARVALHO, I. de S. (Ed.).


Paleontologia, Rio de Janeiro: Interciência, 861 p.
EILERT et al, 2004. In. CARVALHO, I. de S. (Ed.). Paleontologia, Rio
4
de Janeiro: Interciência, 861 p.
FAUTH, G.; FAUTH, S. B., 2009. Microfósseis. In. Livro Digital de
Paleontologia: a paleontologia na sala de aula, Porto Alegre: 1ª ed.,
Sociedade Brasileira de Paleontologia. Acessível em http://www.ufrgs.br/
paleodigital/Apresentacao.html, consultado em: 19/01/2011.
GOODAY, A. J., 1994. The biology of deep-sea foraminifera: a re-
view of some advances and their applications in paleoceanography.
PALAIOS, 9: 14-31.
HONJO, S., 1976. Coccoliths: production, transportation and sedi-
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MORIGI, C.; JORRISSEN, F. J., GERVAIS, A.; GUICHARD, S., BOER-
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off NW África: Relationship with organic flux the ocean floor. Marine
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VIEIRA, F. S., 2004. Padrões de distribuição de foraminíferos bentônic-
os na plataforma externa e talude entre a área limítrofe das Bacias de
Campos e Santos no Estado do Rio de Janeiro. Dissertação, Departa-
mento de Oceanografia Universidade Federal de Pernambuco
VILELA, C. G., BATISTA, D. S., BAPTISTA-NETO, J. A, CRAPEZ, M.,
MCALLISTER, J. J., 2004. Benthic foraminífera distribution in high
polluted sediments from Niterói Harbor (Guanabara Bay), Rio de
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WANDERLEY, M. D., 2004. Nanofósseis calcários. In. CARVALHO, I. de
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WANDERLEY, M. D., 2004b. Tintinídeos e Calpionelídeos. In. CARV-
ALHO, I. de S. (Ed.). Paleontologia, Rio de Janeiro: Interciência, 861 p.

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